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Flavius Neves Jr.

Viagem de carro para San Pedro de Atacama, passando por Salta, Tilcara e Antofagasta - março/2017

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Boa tarde, pessoal!

Segue adiante o meu relato de uma viagem de carro para o Deserto do Atacama, que durou 17 dias. Na minha programação, contei com muita ajuda aqui do pessoal do Mochileiros.com. Sendo assim, agora é hora de retribuir! Se você está planejando uma viagem parecida, ou se a mesma já está marcada, e quer contar com algum tipo de ajuda, pergunte por aqui.

Um abração!!!

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Preâmbulo.

 

            O pacato Flavinho era um adolescente e estava na escola, quando, numa aula de Geografia, ouviu falar pela primeira vez sobre o deserto mais seco do mundo: o Deserto do Atacama. E o que lhe chamou a atenção foi saber que esse lugar ficava no norte do Chile, ou seja, não ficava muito longe da nossa realidade. Considerando que esse rapaz já havia tido o privilégio de conhecer, junto com os seus pais, a região sul do Chile, ele acabou colocando na cabeça que agora era a hora de conhecer a região, até então desconhecida por ele, desse país tão surreal como é o Chile.

            Tempos depois, Flavinho acabou encontrando uma revista National Geografhic do seu pai, e nela viu com entusiasmo as fotos do Deserto do Atacama em uma determinada matéria. Agora ele estava determinado: “vou viajar e conhecer essa região!” A pergunta era: “mas quando?” O problema era sempre o mesmo: a falta de companheiros que quisessem empreitar essa aventura. “O que vamos fazer em um deserto??” – era o tipo de resposta que o insistente Flavinho mais ouvia.

            Passaram-se uns 10 anos. Flavinho ainda não tinha visitado o Atacama, mas o sonho tampouco teria acabado. Agora ele via imagens do Deserto pelo Google Earth, assim como as fotos que os viajantes postavam no mesmo programa. Ele já tinha colocado na cabeça uma idéia de viagem: ir de carro, cruzando a Argentina por Córdoba, Mendoza, cruzando a Cordilheira dos Andes e, ao chegar ao Chile, cruzar o deserto acima até chegar a uma tal cidade chamada San Pedro de Atacama.

            Passaram-se mais uns 2 anos e agora o pacato Flavinho já era um homem casado. Acabou passando uma lua de mel muito boa, diga-se de passagem: viajaram de carro de Goiás até San Carlos de Bariloche. Esse insistente rapaz agora sabia que tinha uma companheira de viagem à altura: a sua esposa.

            E quanto ao Atacama? Bem, o sonhador Flavinho acabou conhecendo o Mochileiros.com e, nele começou a ler e separar para si alguns relatos de viajantes que foram conhecer, de carro, esse deserto. Daí ele ficou sabendo que o caminho mais convencional e, que despendia menos tempo, era ir pelo norte da Argentina, passando por uma cidade chamada Salta (a mesma cidade que uma argentina tão bem falou para ele e para sua esposa em Bariloche) e cruzar a Cordilheira dos Andes rumo a San Pedro de Atacama. Então, estava concretizado: esse era o roteiro.

            Passaram-se mais ou menos uns 3 anos e as oportunidades de viajar para o Atacama acabavam escapando, as vezes por falta de tempo, de dinheiro e as vezes por causa de alguns imprevistos. Até que, numa determinada tarde do mês de outubro do ano de 2016, Flavinho conversou com a sua esposa (isso depois de anos de conversa sobre o mesmo tema), também com a sua cunhada, e decidiram marcar essa tão esperada viagem para o mês de março de 2017. O roteiro contendo as cidades que visitariam já estava pronto. Entraram no Booking.com e começaram a pesquisar os hotéis. O primeiro hotel foi escolhido e, por engano, não só reservaram o quarto como também acabaram pagando adiantado o estabelecimento. É, a viagem já estava marcada...

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            Preparativos necessários para a viagem.

 

            Assim como havia feito na minha lua de mel, decidi pesquisar e reservar os hotéis das cidades em que passaríamos e ficaríamos. Acho muito cansativo viajar o dia inteiro e, no final do dia, ter que ficar rodando uma cidade a procura de hotel. Com a tecnologia que temos hoje, acho isso desnecessário. Quem fazia isso eram os meus pais há 20 anos atrás, numa época que a internet brasileira estava nascendo e não existiam sites como Booking, Decolar, etc. A propósito, “viajante raiz” é quem viajava de carro pelo Nordeste brasileiro, com quatro crianças, sem internet e sem GPS – meus pais, por exemplo. Hoje, acredito, somos todos “viajantes Nutella” (rsrsrs).

            Para reservar os hotéis é necessário ter um roteiro detalhado em mãos contendo os dias de viagem e os dias de passeios. E, para conseguir isso, pesquisei exaustivamente muitos relatos aqui do Mochileiros.com. Tomei como ponto de partida a cidade de San Pedro de Atacama. Decidimos ficar três dias por lá (achava que era um tempo mais do que suficiente, mas depois vimos que a agenda ficou bem apertada). Pesquisamos e pesquisamos vários hotéis. Todos os estabelecimentos são bem rústicos. Um pouco de melhorias estéticas e o preço já sobe abruptamente. Depois de muitas pesquisas e debates, optamos pelo hotel e camping Takha Takha, situado na badalada calle Caracoles. Escolhemos dois quartos com banheiros privativos. A partir daí já tínhamos a data de partida e de volta. Agora tínhamos que pesquisar os hotéis das “cidades coadjuvantes”. Estávamos no mês de outubro de 2016 quando reservamos os primeiros hotéis.

           

            O roteiro ficou assim:

           

            1º dia: Caldas Novas-GO a Foz do Iguaçu-PR (1.320kms);

            2º dia: Foz do Iguaçu;

            3º dia: Foz do Iguaçu a Corrientes-ARG (621kms);

            4º dia: Corrientes a Salta (837kms);

            5º dia: Salta;

            6º dia: Salta a Tilcara (202kms);

            7º dia: Tilcara;

            8º dia: Tilcara a San Pedro de Atacama (436kms);

            9º dia: San Pedro de Atacama;

            10º dia: San Pedro de Atacama;

            11º dia: San Pedro de Atacama;

            12º dia: San Pedro de Atacama a Antofagasta (312kms);

            13º dia: Antofagasta;

            14º dia: Antofagasta a Salta (909kms);

            15º dia: Salta a Corrientes (837kms);

            16º dia: Corrientes a Foz do Iguaçu (621kms);

            17º dia: Foz do Iguaçu a Caldas Novas-GO (1.320kms).

 

            Com muito planejamento e, mais uma vez, com a ajuda do Mochileiros.com, conseguimos executar quase que perfeitamente esse cronograma. A exceção ficou por conta da volta, onde acabamos trocando algumas cidades. Detalhe: reservamos todos os hotéis até Antofagasta. Para o percurso de volta, não agendamos hotel nenhum.

            Esqueci de mencionar quem foi nessa viagem. Os integrantes originais foram eu, minha esposa Lidiane, minha cunhada Carolina e minha sogra Dionízia (que não sabia que iria). Nós quatro viajamos com o carro da Dionízia: um Toyota Corolla. Já com os hotéis reservados, ou seja, com a viagem marcada, andamos convidando um monte de gente. Entretanto, quem apenas aceitou a empreitada foram os nossos amigos de Itapema-SC: “Comissário” Alcivar e sua esposa Maria. Eles viajaram com o seu motorhome.

           

            E, por fim, acredito ser necessário informar sobre a documentação que levamos – algo que também pesquisei bastante no Mochileiros.com e na internet em geral.

 

- Documentos de carro financiado: era o nosso caso. Pesquisei na internet e li relatos de gente que pediu uma autorização da financiadora para viajar com o veículo no exterior. Fizemos isso – no nosso caso, pelo banco Itaú. Já vou adiantando que os funcionários do banco nem sabem o que é isso; você tem que explicar. E, se possível, peça para um funcionário de sua confiança, senão são grandes as chances de o seu pedido ser engavetado. No nosso caso, do pedido à entrega do documento, levou uma semana ou um pouquinho a mais. Daí, depois, você precisa ir a um cartório que faça o tal “apostilamento” no documento da autorização da financiadora – não são todos os cartórios que fazem, mas também não é nenhum suplício achar um que faça. Até a pouco tempo atrás, precisava-se de um carimbo da embaixada ou consulado nessa autorização. Hoje, não mais. O que vale é o tal do apostilamento. Então, pra resumir: primeiro, peça a autorização para viajar com o carro financiado no exterior para o banco que financiou o seu veículo. Depois que você tem em mãos esse documento, leve-o num cartório que faça o “apostilamento” (que nada mais é do que um “carimbasso” do cartório). Feito isso, você já está autorizado para viajar com o seu carro financiado.

            O mais engraçado vem agora: depois de toda essa explicação, de todos esses trâmites realizados, sabe o que nos aconteceu durante a viagem? Nada! Ninguém cogitou, ou sequer pensou em solicitar esse documento! Na verdade, o que eu acredito é o seguinte: as autoridades muito provavelmente solicitam esses documentos quando o carro está sob o leasing, situação em que “proprietário” do veículo é o banco, e não você. Quando é um financiamento normal, consta o seu nome como proprietário do veículo e apenas uma pequena observação no documento, algo que os guardas não percebem.

            Outro detalhe: o carro em que viajamos estava no nome da Carolina, o que não gerou problemas por obviamente ela estar junto conosco.

 

            - CNH: somente a normal serve. Ouvi alguma coisa dizendo que no Chile era necessário levar a PID – carteira internacional. Receoso, acabei fazendo. Pedi para minha irmã fazer em Santa Catarina, onde paguei menos do que cem reais. Em Goiás, onde temos um dos IPVAs mais caros do Brasil (isso se não for realmente o mais caro), a taxa era absurda, beirando uns quinhentos reais. Enfim: também não foi necessário. Ninguém solicitou esse documento, que nada mais é do que uma cadernetinha bem simples, contendo a sua habilitação impressa e algumas informações escritas em algumas línguas. Aliás, em todo o Chile, não fomos parados por nenhum guarda de trânsito.

           

            - Cambão: esse é um assunto polêmico. Ou seria “chato”??? Vou começar esse relato pelo final: ninguém solicitou a desgraça desse cambão! Mas, meus amigos, eu insisti em ter esse pedaço de ferro no nosso carro. E o motivo, eu lhes explico agora.

            O ano era 2012. Estava eu e minha esposa desfrutando de uma bela lua de mel pela Argentina. Entramos pelo país portenho por Foz do Iguaçu, de carro, e fomos até Bariloche, parando por algumas cidades. Eu já sabia da exigência do cambão, mas, como não havia achado para comprar, não levei. E assim seguimos a nossa viagem satisfeitos. Os guardas nos paravam, solicitavam os documentos muito cordialmente, e muito cordialmente nos liberavam. Estava tudo muito bem, muito lindo, literalmente uma lua de mel! Até que, na volta, passamos por aquela região próxima a Buenos Aires. Foi ali que um guarda “filho da mãe”, depois de verificar os documentos, começou a solicitar kit de primeiros socorros (que tínhamos), “mata-fuego” (tínhamos também), dois triângulos (tínhamos, mas daí eu comecei a estranhar...) e, por último (ele quaaaase nos libera, mas daí ele lembrou...) ... “Cambão, cambão” – solicitou o guarda corrupto, com um sorriso no rosto. Expliquei que havia viajado até Bariloche, diversos guardas nos haviam parado e ninguém havia solicitado. Não adiantou. Sem fazer rodeios, ele disse que a multa era 600 pesos (R$ 300,00 na época) ou poderia negociar a propina. Tremendamente assustado com aquela situação, acabamos pagando 300 pesos para o guarda corrupto que, como se não bastasse, me fez entregar o dinheiro escondido e ainda depois fez um sinal de positivo para os outros guardas corruptos, que abriram os seus salafrários sorrisos. Saindo dali, fomos parados por mais uns três guardas corruptos, que seguiram o mesmo script, esquecendo “apenas” do grand-finale: exigir o cambão. Só depois eu fiquei sabendo que naquela ruta em específico, perto de Buenos Aires, é que os policiais camineros são os mais corruptos e propineiros possíveis.

            Enfim... passei uma raiva e um medo do qual não queria passar de novo. Por isso, esforcei-me em ter esse cambão no carro. Não foi fácil achá-lo. Estávamos um dia em Goiânia e decidimos ligar para várias auto-peças solicitando o dito cujo. A maioria das reações eram: “O que é isso, moço?” Os poucos que sabiam o que eram nos alertavam: “Moço, isso é proibido de usar.” De uns 15 estabelecimentos que ligamos, somente um tinha o tal cambão: R$ 200,00. Já íamos pedindo para fazer a entrega, quando, a Lidiane decide pesquisar um pouco mais. Um senhor atencioso atendeu a ligação dela, ela perguntou do cambão, e o senhor respondeu: “Moça, eu tenho um aqui, mas não está a venda. Eu pedi pra um serralheiro fazer pra mim; porquê você não faz o mesmo?” Agora, a parte cômica: a Dionísia, que estava junto conosco, lembrou que era proprietária de uma loja de materiais de construção e que, no depósito da loja, havia vários canos de ferro galvanizado, de vários tamanhos. Ela também tinha o maquinário necessário para cortar os canos e mão de obra disponível. Pronto: estava resolvido o problema do cambão! Foram cortados três pedaços de 50 centímetros cada e colocados parafusos e correntes nos ferros.

 

            Kit de primeiros socorros, dois triângulos, extintor de incêndio: não pediram, mas, se um dia voltar, levarei outra vez.

 

            Seguros carta-verdes: obviamente, faça o seguro no nome do proprietário do veículo! Não fizemos isso (não por falta de insistência minha) e acabamos tendo um contra-tempo no terceiro dia de viagem, do qual explicarei mais adiante.

            Para a Argentina, o seguro carta-verde normal. Para o Chile, disseram por aqui que é necessário o seguro Soapex. Tentei fazer pelo site, como indicado também aqui pelo Mochileiros.com, mas dava erro na hora de efetuar o pagamento. A nossa seguradora acabou fazendo o seguro carta verde para o Chile também. Lá na aduana do Chile, não nos foi solicitado nenhum seguro. Também, como já mencionei, não fomos parados por nenhum guarda chileno durante a nossa viagem. Ainda na aduana, perguntei do seguro Soapex para um dos agentes, que respondeu-me sem titubear que não era necessário. Enfim, fiquei sem entender. O Alcivar, que gosta de fazer o seguro na aduana, acabou não encontrando ninguém que o fizesse e por fim entrou no Chile sem seguro nenhum.

 

            Outros detalhes: o Alcivar entrou com o motorhome contendo um engate traseiro (aquela bola), que parece que é proibido usar na Argentina. Como ele sempre andava atrás de nós, acabou sendo parado poucas vezes pela polícia (comparado com a nossa viagem de 2012, acredito que fomos parados bem menos vezes). Nas poucas vezes em que foi parado, os policiais não falaram nada sobre o tal engate.

            O seu motorhome já tinha também aquele indicador de velocidade máxima na traseira do veículo. Detalhe: o adesivo era bem pequeno em comparação com os que usualmente são usados nas camionetes argentinas. Também não teve problemas com isso.

 

            Moedas: para trocar os seus reais por pesos argentinos é melhor efetuar o câmbio em uma das diversas lojas de Foz do Iguaçú, onde são mais vantajosas. O melhor câmbio que eu achei foi na rede Scappini Câmbio (www.scappinicambio.com.br). Tem também uma loja pequena, a KM Câmbio e Turismo, em que o peso estava ainda mais barato do que na Scappini, mas não troquei lá pois eles não abrem aos domingos.

            Quanto aos pesos chilenos, a dica é levar dólares e trocá-los pela moeda local em San Pedro de Atacama, na famosa calle Toconao, rua transversal com a calle Caracoles, onde ali há diversas casas de câmbio. A que eu troquei chama-se Gambarte, que estava com a melhor cotação em nível disparado. Não teime: compensa trocar reais por dólares e dólares por pesos chilenos do que apenas trocar reais por pesos chilenos. Informações que li a respeito: http://www.viajenaviagem.com/2015/09/viagem-cambio-dicas

http://www.mochileiros.com/atacama-7-dias-out-2016-passeios-dicas-e-toda-informacao-que-voce-precisa-saber-fotos-t135115.html

            Informações a respeito dos valores eu passarei mais adiante.

 

            Enfim...,acho que foi isso.

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Dia 1 – Sábado, 11 de março de 2016.

            De Caldas Novas-GO a Foz do Iguaçu-PR.

 

            Acordamos um pouco antes das 4h00 da manhã. O dia seria longo: rodar mais de 1.300 quilômetros até a cidade fronteiriça Foz do Iguaçu-PR. Sabíamos que, mesmo saindo muito cedo, chegaríamos lá no início da noite.

            Deixamos todas as malas prontas no dia anterior, mas mesmo assim conseguimos partir de Caldas Novas somente as 4h30. A Dionísia foi dirigindo no começo, enquanto eu tentei dormir um pouco mais. Não deu: estava muito animado com a viagem! Já em Itumbiara-GO, assumi o volante.

            Entramos no Triângulo Mineiro e o cruzamos, passando pela região de Prata e Frutal. Impressionante como a BR-153 melhorou depois que se tornou pedagiada. Antigamente era virada num bagaço, cheia de enormes crateras e sem acostamentos. Brasil, né! Ou privatiza, ou não tem jeito...

            Atravessamos o Estado de São Paulo passando por São José do Rio Preto, Lins, Marília e Assis. Nessa última cidade paramos num posto onde tinha um restaurante e lanchonete muito bom (Tucuman é o nome do estabelecimento). A Lidiane comeu por quilo, que saiu por volta de R$ 20,00. Eu pedi um x-salada, que era uns R$ 11,00, mas acho que o chapeiro (que era um “véio” de bigode, provavelmente o dono do estabelecimento) fez um x-tudo, que sairia por uns R$ 15,00. A Dionísia acabou pagando a conta. Na saída, perguntei ao chapeiro quantos quilômetros tinha até Foz do Iguaçu. “600 quilômetros” – foi a resposta. Confesso que dei uma desanimadinha.

            Um detalhe: tem uma das tecnologias modernas da qual eu não faço uso corriqueiro, como a grande maioria o faz. É o uso do GPS. Prefiro os mapas, de papel mesmo, para o desespero do meu pai, que ama os GPS´s! Ano passado fizemos juntos uma viagem de motorhome, de Goiás até Natal-RN e de Natal-RN até Itapema-SC. A viagem foi toda guiada pelo GPS do motorhome. A cada vez que eu pegava o mapa Guia 4 Rodas, eu tomava uma “bronca” (rsrs). Referente a essa viagem, o que eu fiz foi o seguinte: nas rodovias, usei somente o mapa físico. Dentro das cidades, usava o mapa impresso do Google Maps (imprimi os trajetos necessários, como, por exemplo, da entrada da cidade até o hotel, do hotel até determinado ponto turístico e assim por diante) e, como auxílio, o aplicativo Waze, que funciona sem internet.

            Voltando a viagem do dia: rodamos o interior do Paraná, passando por Londrina, Maringá, Campo Mourão, Cascavel e, por fim, Foz do Iguaçu. O relógio marcava 20h00. Chegamos na cidade e facilmente achamos o nosso hotel escolhido: Vivaldi Cataratas, um hotel muito bom, novo, que fica na beira da rodovia, logo na entrada da cidade. Pagamos R$ 356,80 por um quarto com uma cama de casal e duas de solteiro, por duas pernoites. Não tivemos o que nos queixar do hotel.

            Chegando lá, já encontramos o motorhome do Alcivar estacionado na frente do hotel – eu havia previamente passado o endereço e foto do hotel para o Alcivar. Eles estavam lá já fazia uns dois dias, e estavam fazendo compras no Paraguai (sendo enganados pelos paraguaios rsrsrs). Achamos melhor fazer primeiro o check-in, colocar as malas para dentro do quarto, para depois cumprimentarmos o Alcivar e a Maria, que ficaram muito felizes de nos reencontrar.

            Cansados, apenas tomamos banho e fomos dormir. Antes, porém, já combinamos de ir passear no outro dia pela manhã para as Cataratas do Iguaçu. O Alcivarainda queria que fôssemos para o Paraguai. Ninguém animou – para a minha alegria.

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Dia 2 – Domingo, 12 de março de 2017.

            Passeio nas Cataratas do Iguaçu.

 

            Acordamos pela manhã e tomamos um gostoso café da manhã. O Alcivar não queria tirar o seu motorhome do local onde estava estacionado, logo decidimos ir para as Cataratas somente com o Corolla.

            Era um bonito domingo ensolarado. Quando chegamos ao parque, o cenário não poderia ser outro: estava cheio! Uma fila muito grande! Fiquei receoso com o tempo de espera na fila, mas não estressei, afinal eram férias. O estacionamento, próprio do parque, custou R$ 22,00. Quando chegamos na fila, tivemos a sorte de contar com a fila preferencial para pessoas com mais de 60 anos. O Alcivar entrou nela e comprou todas as nossas entradas: R$ 38,30 por pessoa.

            Agora, pegamos a fila – que não estava grande – para pegar o ônibus até as cataratas. Tivemos sorte mais uma vez: conseguimos pegar um ônibus com a parte de cima ao lar livre, onde escolhemos ficar. Durante esse trajeto, o veículo para poucas vezes para pessoas que vão fazer os passeios não convencionais, como trilhas, por exemplo.

            Chegando ao seu destino, o ônibus para em frente a um bonito hotel rosa e, em frente ao hotel, do lado em que descemos, fica o início do caminho para as cataratas. Assim que descemos, já somos recepcionados pelos engraçados quatis. Todo mundo fica encantando com esses bichinhos até que, chega outro ônibus qualquer, e eles vão “recepcionar” os agora novos visitantes. Na verdade, o que acontece é o seguinte: eles vêm atrás de nós em busca de comida; como ninguém dá nada (é até desaconselhável ou proibido fazer isso), eles – interesseiros – vão atrás dos novos turistas. E assim segue a rotina deles (rsrsrs).

            Assim que adentramos no caminho das cataratas, já somos agraciados com as belas paisagens. É muito gratificante vislumbrar aquele cenário criado por Deus. Conforme íamos seguindo o caminho, parávamos nos mirantes para tirar fotos e mais fotos. O parque estava cheio, mas nada que atrapalhasse o passeio. Eu já estava todo suado – a umidade era muito alta. Quando chegamos lá embaixo, nas passarelas que chegam mais perto das cataratas, já estava todo molhado de suor – parecia que eu tinha jogado intensivamente uma partida de futebol. Logo, passar por aquelas passarelas é uma boa pedida.

 

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Da esquerda para a direita: Dionízia, Maria, Alcivar, Lidiane e eu.

 

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Da esquerda para a direita: Carolina, Dionízia, Lidiane, eu e Alcivar.

 

Na saída, subimos umas poucas escadas e já estávamos no ponto de espera do ônibus de retorno. Parece que tem um elevador também, mas a fila para entrar nele estava muito enrolada.

            Durante o passeio, encontramos não poucos turistas argentinos, paraguaios, bolivianos, japoneses e uns mochileiros que não consegui identificar se eram norte-americanos ou europeus.

            Quando saímos do parque, o relógio já marcava um pouco mais de 13h00. Passamos em frente ao Museu de Cera, mas eu já havia olhado algumas fotos de quem tinha ido e não gostei do que vi. Estávamos todos com fome e por isso ninguém fez muita questão de visitá-lo. O clima havia mudado drasticamente: de um forte sol e céu limpo, passou para ventos fortes e nuvens escuras.

            Dali, seguimos direto para o Marco das Três Fronteiras, onde a intenção era, além de visitar o local, almoçar no restaurante Cabeza de La Vaca. Não deu. Chegamos lá e fomos informados pelo segurança que o local abriria as 14h00. Faltavam 20 minutos. Daí eu fui dar uma espiada e verifiquei que o restaurante estava vazio, sem nenhum funcionário trabalhando. Perguntei novamente ao segurança como é que funcionava o esquema. Então ele explicou que a visitação ali é forte nos finais da tarde, onde o pessoal visita o local para apreciar o por do sol e assistir a um espetáculo de danças tradicionais. Fomos embora dali com a intenção de voltar mais tarde.

            Como não achávamos restaurantes abertos e, o Alcivar querendo almoçar numa churrascaria e a Carolina sendo vegetariana, decidimos almoçar numa democrática praça de alimentação de shopping. Escolhemos o shopping do centro. Todos escolheram comida a quilo e eu encarei um sanduíche do Burger King.

            Depois do almoço, voltamos ao hotel e descansamos um pouco. As 18h00 eu e o Alcivar fomos fazer o câmbio. Eu já havia feito as cotações por telefone durante a semana que antecedeu a viagem e, a melhor cotação que encontrei foi na rede Scappini (www.scappinicambio.com.br), que possui várias lojas espalhadas pela cidade de Foz. A cotação deles era 1 Peso argentino = R$ 0,21. O peso argentino, no valor comercial, valia R$ 0,20. Escolhemos procurar um dos estabelecimentos da Scappini na Avenida Juscelino Kubitschek, e entramos na primeira que encontramos: uma loja dentro do Supermercado Muffato (tem uma no Big também, na mesma avenida). Pelas minhas pesquisas, julguei ser necessário trocar R$ 4.000,00 em pesos argentinos, o que acabou sendo muito e, só não sobrou bastante no final da viagem, pois os poucos pesos que o Alcivar trocou acabaram durante a viagem e eu tive que emprestar pra ele (o Alcivar confiou demais na “tarjeta”, que muitos lugares não aceitavam). Enfim, com os R$ 4.000,00 que eu troquei, mais com os R$ 3.000,00 da Dionísia e da Carol, gerou a bagatela de 33.333,33 pesos argentinos! A conferência do dinheiro ficou por conta de uma máquina de contar cédulas. Meu amigo, pense no montante de notas de 100,00 pesos (equivalentes a R$ 21,00) que eu coloquei na mochila! Parecia operação de tráfico de drogas (rsrsrs). Recebi também algumas poucas notas de 500 pesos, que são novas. A maluca da Cristina Kirchner não queria lançar essas notas para não admitir a forte inflação que assolou a Argentina...

            Com o câmbio realizado, aproveitamos e fizemos algumas compras no supermercado para a viagem de amanhã: chocolates, bolachas, salgadinhos, refrigerantes, águas e outras coisas desse tipo.

            Na volta para o hotel, parei num posto e enchi o tanque do carro, pois já sabia que a gasolina estava mais cara na Argentina. Chegamos ao hotel, encontramos o pessoal ainda com preguiça e então decidimos pedir uma pizza e jantar no quarto mesmo. E assim, dessa maneira pacata, acabou o nosso segundo dia de viagem.

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Dia 3 – segunda-feira, 13 de março de 2017.

De Foz do Iguaçu a Corrientes.

 

O objetivo do dia de hoje era fazer uma viagem curta até Corrientes, na Argentina: 621 quilômetros. Planejamos de antemão essa distância para a viagem não ficar muito cansativa.

Levantamos por volta das 7h00. Fazia um bonito dia de sol. Tomamos café e colocamos as malas no carro. O Alcivar ainda levou uma meia hora para consertar um cano que ficava abaixo do motorhome. Partimos rumo a fronteira, mas antes o Alcivar teve que parar numa borracharia para colocar um pino especial nos pneus traseiros do seu veículo, que são trucados. Levou mais uns 40 minutos. Dali retomamos o nosso rumo e, antes de entrar na aduana, o Alcivar encostou num estabelecimento, que fica ali perto da aduana mesmo, para fazer o seu seguro carta-verde. Nós já havíamos feito o nosso. O procedimento para fazer o seguro foi rápido.

Então, o que era para ser um começo de viagem tranqüila, virou um certo caos. Chegamos na aduana e, primeiro, o Alcivar parou onde não era necessário. Eu fiquei esperando e, como ele não vinha, fui atrás dele. Resolvido o mal entendido, continuamos a nossa jornada atrapalhada. O Alcivar entrou numa fila e eu entrei atrás dele. Quando estava chegando a nossa vez, um agente da aduana nos informou que eu havia pego a fila errada, que eram de veículos de grande porte. Lá fui eu novamente refazer o caminho. Entrei na fila correta, um agente perguntou para onde estávamos indo, carimbou os nossos passaportes e nos mandou seguir “adelante”.

Logo em seguida teria a vistoria dos veículos. O nosso agente estava estressado, talvez pelo fato de termos chegado ali logo na hora em que ele estava tomando o seu chimarrão. Perguntou para onde estávamos indo e mandou eu abrir o porta-malas. Deu uma olhada nas malas e pediu o seguro carta-verde. Entreguei o documento pra ele e, como eu temia, ele perguntou o por quê de o seguro estar no nome da Dionísia e não no nome da Carolina, que era a proprietária do carro. Nesse momento, eu tive vontade de me teletransportar até a agência de seguros e “grudar” no pescoço da corretora responsável pelo documento assim como o Homer Simpson faz com o Bart.

Voltemos há uns 15 dias atrás. Mandamos fazer o carta-verde com a mesma corretora que já faz o seguro normal do carro e da casa da Dionísia. Quando ela entregou o carta-verde no nome da Dionísia e não no nome da Carolina, eu questionei com as meninas. As meninas questionaram com ela. E ela veio com uma “conversinha” fiada de que o seguro normal do carro já estava no nome da Dionísia e por isso o carta verde tinha que sair no nome dela também. Eu não engoli essa conversa. Cheguei a dizer na época: “Não é ela que vai ter que lidar com a Polícia Caminera!” Mas daí, “é o Flavinho que é enjuado”, “o Flavinho é isso”, “o Flavinho é aquilo”. E, como eu já havia insistido com o cambão, não queria comprar outra briga. E assim deixamos. E agora estávamos com um pepino nas mãos.

Voltando ao agente estressado... Mantive a calma e expliquei com firmeza para ele o que a corretora explicou. Não adiantou. O cara levantou ainda mais a voz e começou a brigar comigo. Mas mesmo assim ele nos liberou, mas não parava de enfatizar que estávamos errados. Eu entrei no carro, reclamei o óbvio com a Lidiane e o agente bateu a minha porta. Nisso o Alcivar passou um rádio perguntando se havia dado algum problema. Eu respondi pra ele o que havia acontecido e ele falou para seguirmos a viagem. Ele seguiu com o seu motorhome e eu fiquei parado, perguntando para as meninas se voltávamos para fazer um seguro novo naquele mesmo local onde o Alcivar tinha feito o dele. Ficou todo mundo indeciso. E o Alcivar nos chamando pelo rádio... Decidimos seguir em frente.

Daí, sem sabermos o motivo, o Alcivar entrou em Puerto Iguazu! ::putz::::putz::::putz:: Eu, que já estava atordoado com toda aquela situação, indaguei-me por que motivos o Alcivar tinha entrado ali. Encostamos para esperar ele voltar e, inacreditavelmente, vimos ele adentrar mais ainda na cidade que não tinha nada a ver com o planejado do roteiro! Aquilo foi a deixa para eu decidir sozinho voltar e fazer um seguro carta verde novo. Psicologicamente, aquilo não foi fácil. Mas era necessário, afinal, se aquele agente já havia se estressado todo, imagina um policial caminero corrupto!!!

Voltamos e, por sorte, acabou não demorando. Explicamos para um policial que estávamos saindo para fazer o seguro e ele nos mandou por uma passagem onde não era necessário pegar fila. Chegamos ao estabelecimento em questão e, como não havia mais ninguém lá, fizemos rapidamente o seguro carta verde, ao custo de R$ 80,00. E, assim, voltamos novamente para a aduana. Mais uma vez não pegamos fila e, na hora da vistoria do veículo, pegamos uma mocinha tímida, que simplesmente perguntou para onde estávamos indo e se tínhamos o tal seguro. Respondemos que sim e ela nos mandou seguir, sem vistoriar carro e nem documentação. Conclusão que eu tirei? Toda uma dor de cabeça causada por PREGUIÇA da corretora que não quis trocar uma droga de nome no documento!!! Passado o imbróglio, a Carolina disse: “1 x 0 pro Flavinho.”

Chegamos então no mesmo local onde o Alcivar se perdeu de nós. Acreditávamos que ele estaria esperando por ali nas margens da rodovia, o que não aconteceu. Já era quase 11h00 e nem havíamos saído do lugar! Decidi sozinho, seguir viagem rumo a Ruta 12, acreditando que encontraria o Alcivar em algum ponto da viagem. As meninas estavam apreensivas. Eu, estava irritado com toda aquela situação. Rodamos uns 20 quilômetros. “Será que voltamos para procurar o Alcivar em Puerto Iguazu?” – perguntou uma das meninas. “Isso não faz sentido.” – respondi.

Chegamos então a um grande posto da Polícia Caminera. Um guarda nos parou, pediu os documentos e pediu que abrisse o porta malas. Deu uma olhada superficial na bagagem e nos liberou sem problemas. Resolvemos então encostar o carro (num local em que os mesmos policiais não causassem problemas) para perguntar a eles se haviam visto um motorhome, ou um trailer, passar por ali. Tive que perguntar para uns três policiais, até que teve um que disse que viu passar um motorhome por ali.

Retomamos o nosso rumo e, uns 20 quilômetros depois, encontramos de longe o motorhome do Alcivar na entrada de um posto Shell. Todos, de ambos os veículos, ficaram “emocionados”, ou aliviados. Nem fiz questão de parar o carro (pois senão ficaríamos mais tempo parados perguntando isso e aquilo, etc...) e fiz sinal para o Alcivar no seguir. E, agora sim, estávamos seguindo a nossa viagem tranquilamente, sempre pela Ruta 12.

Já na parte da parte, por volta de umas 15h00, passamos por Posadas e decidimos entrar em Ituazingó para almoçar no mesmo cassino que eu e a Lidiane havíamos almoçado em 2012. Entramos na cidade, achamos o cassino facilmente (Hotel Cassino Manantiales) e descobrimos que agora o restaurante do estabelecimento só funcionava a noite. O Alcivar disse que ele e a Maria já haviam lanchado um pouco antes e, como nós também estávamos petiscando alguma coisa, decidimos tocar direto até Corrientes.

De Foz do Iguaçu até Corrientes pegamos uns três pedágios, e o valor total que pagamos em todos eles foi menos do que uns vinte reais – preço de um único pedágio paranaense. Antes de chegar a Corrientes, paramos num posto para abastecer e comprar refrigerantes, croissants e alfajores. Paguei no litro da gasolina a quantia de 22,99 pesos argentinos, ou R$ 4,82 o litro – acredito que foi a gasolina mais cara que paguei durante toda a viagem.

Chegamos em Corrientes por volta das 18h00 e conseguimos encontrar facilmente o nosso hotel – com a ajuda dos meus mapas impressos do Google Maps e do aplicativo Waze. O hotel escolhido foi o Corrientes Plaza Hotel, mesmo hotel que já havíamos ficado em 2012 (não sei se vocês já perceberam, mas eu sou um cara nostálgico rsrs). Gostei dele por estar encravado bem no centro e no calçadão da cidade, podendo fazer assim tudo a pé mesmo. Dessa vez – e assim seria na maior parte da viagem – eu e a Lidiane ficamos num quarto e a Carol mais a Dionísia ficaram em outro. Cada dupla pagou pelo quarto a quantia de 1.125,00 pesos (R$ 236,25) e, o estacionamento, a quantia de 150,00 pesos (R$ 31,50). Havia esquecido de ver essa questão do estacionamento na hora de reservar o hotel, mas eles já haviam avisado de antemão por e-mail. O Alcivar demorou um pouco mais (umas 3 horas) para encontrar um local adequado para encostar o seu motorhome.

Fizemos mais algumas compras de suprimentos no supermercado e, depois que reencontramos o Alcivar (que havia pego um táxi), fomos jantar em algum restaurante ali do calçadão – já era umas 22h30. Estávamos cansados e não ficamos escolhendo muito o restaurante. Escolhemos um qualquer e jantamos razoavelmente por R$ 44,10 por casal. Depois fomos embora descansar, pois amanhã a viagem seria mais longa.

 

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Dia 4 – terça-feira, 14 de março de 2017.

De Corrientes a Salta.

 

O objetivo do dia seria rodar até Salta, uma viagem “mediana” que totalizaria 836 quilômetros. Sendo assim, acordamos mais cedo, por volta de umas 7h00. Tomamos o café da manhã – que não é farto como o café da manhã brasileiro – e deixamos o hotel para encontrar o Alcivar, a Maria e o motorhome deles. Fazia um bonito dia de sol.

Encontramos o Alcivar não tão longe dali e partimos rumo a saída da cidade. O relógio marcava umas 8h00 e, por isso, o trânsito estava um pouco intenso. Entramos numa “rotonda” e eu saí dela logo em seguida. O Alcivar, não. Encostei e liguei o pisca alerta para esperar ele sair de lá. De repente ouvimos buzinas e eu vi pelo retrovisor carros parando – inclusive o motorhome – e motoristas saindo dos seus veículos. “Ah não... o Alcivar bateu em alguém!” – pensei. A Carol saiu do nosso carro para auxiliar o Alcivar naquela situação tensa. Logo em seguida eu também fui lá, e por fim a Dionízia também foi. Quando cheguei ao local, vi um argentino batendo boca com o Alcivar. Quando perguntei pra Carol o que tinha acontecido, ela respondeu: - “Foi o argentino que bateu no Alcivar.” Fiquei aliviadíssimo. O problema era que o argentino queria chamar a polícia e, obviamente, o Alcivar não queria, pois (1) iria atrasar em muito a nossa viagem e (2) não aconteceu praticamente nada em nenhum dos dois veículos. Também entrei na briga, mas para evitar problemas maiores, fornecemos o número do seguro carta verde do Alcivar e mais o número dos seus documentos (o Alcivar obviamente não queria fazer isso, pois daí o argentino encrenqueiro poderia fazer o B.O. do jeito que ele queria. Mas decidimos correr esse risco, até porque não aconteceu praticamente nada! Provavelmente o argentino queria acionar o seguro dele... vai saber...). Enquanto isso, a Maria olhava desconsoladoramente para o farolzinho verde que ficava na lateral do motorhome, que foi a única coisa que estragou no acidente. E a Dionízia ficou conversando com a mulher do argentino, que também parecia estar com “preguiça” daquela situação. O carro do argentino deu uma leve amassada, ou arranhado, como vocês podem ver na foto. Tiramos fotos dos documentos do argentino, assim como também da placa do seu carro, e fomos embora dali.

 

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A esposa do argentino barbeiro apontando para o "estrago" do carro deles.

 

Pegamos um pouco de engarrafamento, cruzamos a ponte, passamos por Resistencia e entramos na Ruta 16 (ou já havíamos entrado, não sei). Passamos por Província de la Plaza, Quitilipi, Saenz Peña e, em Pampa del Infierno, abastecemos e paramos um pouco para o Alcivar descansar. Paguei no litro da gasolina a quantia de 22,15 pesos (R$ 4,65).

Durante esse percurso, “almoçamos” sanduíche de queijo e tomate, acompanhado de uma boa e gelada Coca-Cola.

Após o descanso do Alcivar, continuamos a viagem, cruzando Los Frentones, Los Pirpintos e Monte Quemado. Se não me engano, é após essa Monte Quemado que a rodovia dá uma boa piorada, contendo alguns buracos significativos.

Alguns quilômetros antes de Joaquín V. Gonzales – se não me engano, em El Quebrachal – abasteci o carro com a gasolina argentina mais barata da viagem: 19,50 pesos (R$ 4,09).

Rodamos mais alguns quilômetros e agora entramos na Ruta 9, e seguimos rumo ao Norte cruzando Rio Piedras, Palomitas e Cabeza de Buey. Daí entramos na rodovia que dá acesso a Salta (não lembro o número da Ruta) e, por fim, chegamos a cidade destino por volta das 19h45.

Eu já estava com os meus mapas “posicionados” e com o Waze acionado. Já havia caído a noite. O Alcivar parou e me disse que queria encontrar um camping para encostar o motorhome. Não concordei com a idéia dele e mandei ele me seguir, pois acreditava que ele pudesse deixar o seu veículo no estacionamento do hotel que ficaríamos, ou pelo menos ali perto.

Encontramos o nosso hotel sem problemas, até porque ele fica localizado bem perto do centro da cidade. O motorhome, por ser muito maior que um carro convencional, demorava um pouco em certas curvas da cidade, e isso resultava em “buzinassos” de motoristas argentinos. Obviamente, isso desgastou o Alcivar, que já estava cansado pelo dia de viagem.

O hotel escolhido para ficarmos em Salta foi o Posada de las Nubes, um simpático hotel familiar que fica situado na calle Balcarce nº 639. O custo, para duas diárias, ficou por volta de R$ 360,00 (havíamos pago adiantado pelo Booking, o que não é aconselhável, visto que praticamente todo hotel argentino dá desconto se o pagamento for em “efectivo”). O hotel é recomendadíssimo. Atendimento 10, localização 10, roupa de cama 10 (segundo a Lidiane, Carol e Dionízia, foi a melhor roupa de cama que pegamos em toda a viagem – e olha que ficamos num hotel muito mais caro em Tilcara. A roupa de cama é super macia e limpa). O estacionamento é pago separadamente: cerca de R$ 25,00 por dia. O café da manhã é super simples, mas achei algo normal tratando-se de Argentina.

O motorhome não passava pela entrada do estacionamento do hotel. A solução, então, foi deixá-lo em frente ao hotel. O único custo era o da “Área Azul”: cerca de R$ 30,00 para ficar estacionado o dia inteiro.

Cansado, acabei indo dormir sem jantar. A Lidiane ficou comigo. A Carol e Dionízia foram jantar num bom restaurante que fica ao lado do hotel.

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Legal... bastante informacoes atualizadas e com preço!! Aguardando o resto da trip... vou fazer o msm roteiro em outubro...

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Dia 5 – quarta-feira, 15 de março de 2017.

Passeios em Salta.

 

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Entrada do Posada de Las Nubes, agradável hotel aonde ficamos hospedados em Salta.

 

Após uma ótima noite de descanso, nos levantamos e tomamos o café da manhã. O dia estava nublado e fazia um certo friozinho. Fomos tirar o Corolla do estacionamento para irmos até a Plaza 9 de Julio, porém um senhor nos disse que compensaria ir andando, visto que a praça era perto dali e que seria muito difícil acharmos uma vaga para estacionar. Decidimos seguir o conselho do prestativo senhor.

Com o meu mapa em mãos, fomos andando pela calle Bartolome Mitre, rua paralela a calle Balcarce, rumo a Plaza 9 de Julio. São apenas seis quadras até a praça e, por isso, chegamos rapidinho, caminhando sem pressa. A Carol ia tirando fotos das construções antigas.

Chegamos na simpática praça e, o primeiro local que fomos conhecer foi a Catedral Basílica, construída no século XIX. Depois passeamos pela Plaza 9 de Julio em si. Já se percebe que a população local tem traços indígenas mais marcantes. Em seguida, fomos até ao Museo de Arqueologia de Alta Montaña, que também fica ali, ao lado da praça. Como o museu só abriria às 11h00, decidimos passar o tempo passeando pelo comercio local: não compramos nada, só olhamos.

 

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Catedral Basílica da Plaza 9 de Julio.

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Interior da Catedral Basílica.

 

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Plaza 9 de Julio.

 

Assim que o relógio marcou 11h00, voltamos para o museu, que tem como o ponto alto da visita as exposições das múmias de crianças incas: são três, sendo expostas uma de cada vez, alternando-as de tempos em tempos. A que vimos foi a Niña de Rayo. Como é proibido tirar fotos das mesmas, tirei para vocês uma foto do informativo do museu contendo a foto e descrição de cada múmia. A entrada do museu custou 100 pesos por pessoa (R$ 21,00).

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Múmias de crianças do Museo Alta Montaña (é proibido tirar fotos da múmia que fica exposta no museu).

 

Quando saímos do museu, sentimos a mudança do clima: o tempo abriu e fazia um certo calor. Como a Carol tinha esquecido a sua Go Pro no hotel, decidimos voltar todos para o estabelecimento e aproveitamos para colocarmos roupas mais frescas.

Seguimos então – a pé novamente – para um restaurante muito bem conceituado pelo TripAdvisor: Él Charrua, situado na calle (ou avenida) Caseros, perto da Plaza 9 de Julio. Achamos facilmente o estabelecimento, mais uma vez com a ajuda do meu mapa impresso do Google Maps (rsrs). Eu e a Lidiane pedimos um bife de picanha com papas fritas, o Alcivar e a Maria idem, e a Carol mais a Dionízia pediram um macarrão de espinafre; bebemos água e mais uma garrafa de 1 litro da cerveza Salta. A conta da mesa ficou em 915,00 pesos, ou R$ 64,05 por casal. Achei barato – esperava uma conta bem mais salgada, até porque comemos muito bem.

Depois de comermos satisfatoriamente muita carne (com exceção da Carolina), seguimos até ao Teleférico San Bernardo, que fica há umas duas ou três quadras dali. Chegamos ao parque onde fica o teleférico e visitamos a feira local. A Lidiane e a Maria compraram alguns lenços.

Quando fomos comprar os tickets para o teleférico, a mulher perguntou para nós: “Ida e volta?” Eu e o Alcivar pensamos a mesma coisa e rimos da situação. Daí a mulher explicou que pode-se descer por uma trilha, que sai não sei aonde. Depois, quando chegamos lá em cima, também vi que algumas pessoas sobem de carro. O preço do teleférico, ida e volta, saiu a 150,00 pesos por pessoa (R$ 31,50).

Conforme subíamos, já podíamos visualizar uma boa paisagem da cidade. Particularmente, gosto muito de teleféricos – gosto mais daqueles de cadeirinhas. A paisagem em si não tem nada demais, pois é somente a visão da cidade. Lá em cima tem um pequeno parque com algumas cascatas. Tem também um mirante (ou mais, não lembro), uma lanchonete e umas barraquinhas de artesanatos. Aproveitei para comprar uma camisa nativa, que paguei 200,00 pesos (R$ 42,00), e uma touca, que paguei 75,00 pesos (R$ 15,75). Compramos também um presente para minha mãe e alguns imãs de geladeira. Quanto aos descontos, os vendedores não são muito afeitos a essa prática – o máximo que consegui foi dois imãs de geladeira que ganhei quando comprei a minha camisa.

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Na parte de cima do teleférico San Bernardo.

 

Escrevendo esse diário agora, me bateu um arrependimento de não ter comprado mais uma camisa nativa... Outra coisa que acho muito legal são aqueles jogos de xadrez com as peças personalizadas para a cultura local (algo muito comum no Nordeste brasileiro também): nas feirinhas de Salta tinham bastante desses jogos, assim como também em San Pedro de Atacama. Mas, como não sou um exímio xadrezista e, não tendo muito espaço para colocá-lo na nossa casa, acabei não comprando.

Passeio feito, compras feitas, hora de voltar para o hotel. As meninas ficaram com preguiça de voltar a pé; decidimos então pegar dois táxis, que saíram a um custo de 50,00 pesos (R$ 10,50) para cada carro. A Dionízia, que já estava intrigada com o comércio local que parecia estar sempre fechado, perguntou o motivo para o taxista. Ele respondeu que o costume local é trabalhar até as 11h00 ou 12h00 e, depois, aproveitar a “siesta” (aquele sono gostoso depois do almoço). O comércio, então, reabre a partir das 16h00, e funciona até umas 20h00. Eu, que sou adepto da sesta, gostei muito desse costume.

Ao chegar ao hotel, o pessoal foi dormir. Eu aproveitei para fazer algumas anotações e calcular os custos da viagem. Depois fui a um supermercado comprar alfajores e uma cerveza Salta litrão para um amigo. Já era noite e começou a chuviscar.

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Interior da Posada de Las Nubes.

 

Depois, fomos jantar no restaurante ao lado do hotel: Jovi Dos. Essa janta foi “engraçada”. Pedimos empolgados uma parrillada simples, pois tínhamos visto no almoço de hoje um grupo de argentinos comendo uma parrillada com a “boca boa”, que consiste em vários pedaços de carnes servidos na brasa. O problema era os tais pedaços de carne... Ao chegar o prato, peguei um pedaço de carne meio amarelada. Ao colocá-lo na boca, senti um gosto horrível. Pensei que era carne de porco mal passada. E acabei engolindo aquilo. Passei para a Lidiane experimentar, já que ela gosta de porco. Ela acabou cuspindo o pedaço de carne no seu prato. O Alcivar ficou curioso e também experimentou. Foi aí que ele diagnosticou que carne era aquela (o Alcivar trabalhou muitos anos no ramo frigorífico): “teta” de vaca. Na nossa parrillada tinha também tripas. O Alcivar, corajoso, experimentou uma e, muito discretamente, acabou cuspindo a tal tripa num guardanapo. E a nossa janta foi assim: a cada pedaço esquisito de carne, era uma emoção diferente ::lol4:: . O Alcivar queria reclamar com a garçonete pelo fato de ela não ter avisado que a parrillhada incluía tais pedaços exóticos para nós brasileiros. Desaconselhamos ele a fazer isso (rsrs). Ficamos imaginando se tivéssemos pedido uma “parrillada super”, e demos boas risadas da situação. Não lembrava de outra ocasião de ter pedido uma parrillada, mas então a Carol me recordou que uma vez, em Buenos Aires, pedi uma e, ao cortar uma morsilha (só pra ver como era, pois não comi), ela quase vomitou (rsrsrs). O total da janta ficou em 785,00 pesos, que incluiu, além da parrillada, um prato de nhoquis, papas fritas, purê de papas e água mineral = R$ 55,00 por casal. O restaurante é bom, nós é que pedimos o prato errado.

Depois caminhamos pela calle Balcarce no sentido contrário a Plaza 9 de Julio e acabamos descobrindo que ela tem um centro de barzinhos e restaurantes muito bacanas.

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Todos empolgados quando a parrillada foi servida - pelo semblante da Dionízia, parecia que ela já previa a cilada da qual entraríamos.

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    • Por aletchos
      Pessoal, estive no Deserto do Atacama em agosto de 2016 e queria colocar aqui meu relato para ajudar o pessoal do fórum que está planejando uma trip para lá.
       

      Como chegar no Deserto de Atacama
       
      Para visitar o Deserto de Atacama você quase certamente ficará hospedado em San Pedro de Atacama, um povoado com 3 mil habitantes instalado no meio do deserto e que serve de base para todos os principais passeios ao Deserto do Atacama.
       
      De avião
       
      O aeroporto mais próximo fica na cidade de Calama, situada a aproximadamente 1 hora e 20 minutos de carro de San Pedro de Atacama. Calama é o principal ponto de chegada para quem chega de avião ao Deserto do Atacama.
       
      Paguei 76 dólares pelo voo de ida e volta pela Sky Airline, saindo de Santiago.
       
      No aeroporto mesmo existem umas 5 empresas de transfers que fazem o trajeto Calama – San Pedro de Atacama. Todas cobram um preço tabelado de 12.000 pesos ida e 20.000 ida e volta.
       
      Se você chega e sai de Calama, feche ida e volta e informe o dia e horário do seu voo de volta que eles irão pegar você no seu hotel/hostel a tempo do seu voo de volta.
       
      Sobre qual empresa escolher, todas parecem sérias e estruturadas, mas a Transfer Vip aparentemente possui mais carros, o que pode ser uma vantagem.
       
      De ônibus
       
      Você também pode chegar a San Pedro de Atacama de ônibus. A viagem saindo de Santiago leva quase 24 horas, o que certamente é cansativo.
       
      Com a Tur Bus você consegue comprar passagens até San Pedro, e com a Pullman Bus você chega até Calama.
       

      Quanto gastei no Deserto de Atacama
       
      Bom, gastos são sempre importantes, mas cada um sabe o budget que tem e o que pode gastar em uma viagem.
       
      Eu anotei absolutamente tudo o que gastei nessa viagem, dos passeios ao chocolate. Usei um app que gosto demais, que é o Travel Pocket (recomendo!). Segundo minhas anotações no app, meus gastos ficaram assim:
       
      CLP 339.250,00 (pesos chilenos, aproximadamente 522 dólares); USD 575,00; e BRL 1.386,00 (neste valor está apenas a passagem para o Brasil).  
      Assim, podemos dizer que minha viagem no total saiu por algo como R$ 5.220,00 (considerando 1 real como 3,5 dólares).
       

      Quando ir ao Deserto de Atacama
       
      O Deserto do Atacama é um destino que pode ser visitado durante todo o ano, sem restrições. O tempo é extremamente seco e raramente chove.
       
      Temperaturas. Basicamente, essa é a principal questão envolvendo o clima que você vai se preocupar. A amplitude térmica é muito grande por lá, ou seja, você vai pegar frio à noite e nas primeiras horas da manhã e calor durante o dia.
       
      Nos meses de verão (mesmo período do verão no Brasil) você terá temperaturas mais altas durante o dia, e no inverno (período em que eu estive por lá) já não tão altas. Por outro lado, no inverno você terá noites e manhãs mais frias do que no verão.
       
      Para você ter ideia, no passeio aos Geysers del Tatio eu peguei -13 graus logo ao amanhecer. Na tarde, já de volta a San Pedro, a temperatura estava um pouco acima de 20 graus, ou seja, uma diferença de 33 graus no mesmo dia!
       

      Geysers del Tatio – Temperatura quando estive por lá foi -13 graus!
       
      Os períodos com temperaturas mais amenas e uma amplitude térmica não tão grande é de março a maio e de setembro a novembro, portanto esses seriam os melhores meses para visitar o Deserto do Atacama, mas, como falei antes, você tem condições climáticas para visitar o Atacama durante todo o ano.
       
      Sobre o tempo ser seco, leve Bepantol e um hidrante e beba bastante água. É que com o tempo seco, sua boca e pele ficarão secas (incrivelmente secas), então você deve passar o Bepantol nos lábios o dia todo ou vai ficar com a boca parecendo a lua cheia de crateras!
       

      Onde ficar em San Pedro de Atacama
       
      A não ser que você procure algo muito específico, você certamente ficará hospedado em San Pedro de Atacama. É aqui que estão as agências e de onde saem os passeios para visitar o Deserto do Atacama.
       
      A cidade é praticamente toda voltada para o turismo, então você encontra opções de hospedagem para todos os bolsos e gostos. Saiba, contudo, que você está no meio do deserto e, em razão disso, recursos são escassos. São comuns relatos de falta de água, falta de água quente, falta de luz, internet, etc. Também em razão disso os preços são relativamente mais caros do que em outros lugares que já visitei.
       

      As ruas bucólicas de San Pedro de Atacama. Na foto, a rua Caracoles.
       
      Li praticamente todos os reviews de todos os lugares, peguei recomendações de blogueiros que confio que estiveram por lá, e acabei fechando no Booking.com. Certamente não é a opção mais barata, mas longe de ser mais cara. Tinha um café da manhã excelente, um quarto extremamente confortável e limpo, banheiro ótimo com água quente, Wi-Fi que funcionava razoavelmente bem, excelente localização e um igualmente excelente atendimento (em breve um review mais detalhado).
       
      O Hotel Pat'ta Hoiri é uma boa opção para quem está disposto a investir um pouco mais em conforto, sem pagar os preços estratosféricos de alguns hotéis de San Pedro de Atacama. Contudo, certamente não é a opção para os mochileiros que querem economizar ao máximo!
       
      Além da análise preço, a localização é um fator relevante. A principal rua de San Pedro de Atacama é a Caracoles, onde estão a maioria das agências e serviços que você precisa (farmácia, restaurantes, bares, etc). Grande parte do comércio está na Caracoles ou nas ruas próximas, portanto o mais próximo que você ficar daqui, melhor.
       
      De todo modo, San Pedro não é uma cidade muito grande, então com alguns minutos de caminhada você chega à grande maioria das hospedagens. Contudo, quando você está cansado do dia inteiro de passeios, é sempre melhor que o restaurante ou bar que você vai jantar esteja o mais próximo possível de onde você está ficando. Enfim, um ponto a considerar!
       
      Um hostel que também é muito bem avaliado e que já bons reviews de blogueiros é o Hostal Lickana. Esse hostel fica muito bem localizado e tem excelente reviews no Booking.com também e tem preços mais em conta que o Hotel Pat'ta Hoiri.
       
      Estou escrevendo um post com uma pesquisa bem extensa de preços comparados com as avaliações de outros viajantes e opiniões de blogueiros e logo posto aqui para vocês.
       

      Onde comer em San Pedro de Atacama
       
      Apesar de ser um povoado pequeno e simples, San Pedro de Atacama oferece opções excelentes de comida. Na Rua Caracoles estão bons restaurantes, mas nas ruas próximas você encontra outras opções interessantes também.
       
      Vou relatar aqui os lugares onde comi, o que comi e quanto gastei exatamente em cada refeição, mas fico extremamente feliz se vocês colocarem outras opções nos comentários, assim aumentamos as opções para quem está lendo esse post aqui.
       
      Restaurante La Casona, na Rua Caracoles
       
      Restaurante muito bom, comida extremamente bem servida (mata a fome e sobra) e de qualidade. Paguei 15.070 pesos pelo menu do dia (foto abaixo) e uma cerveja.



       
      Restaurante Blanco, na Rua Caracoles
       
      Outro excelente restaurante na Caracoles, talvez um dos melhores da cidade. Paguei 20.405 pesos pelo jantar, com vinho e água. O menu do dia, que saia por 10.000 pesos (o meu saiu mais caro pelo vinho e água), está descrito na foto abaixo, juntamente com as fotos dos pratos que consegui tirar por lá.
       



       
      Restaurante La Pica del Indio, Rua Tocopilla
       
      Restaurante um pouco mais em conta, que fica na rua Tocopilla, uma travessa da Caracoles. Gastei 8.140 pesos para comer um ceviche como entrada e peito de frango com batatas de prato principal. O valor do menu, com sobremesa, era 4.500 pesos, mas como bebi duas cervejas o preço subiu! O frango não estava muito bom, mas é uma opção mais em conta para quem quer pagar menos.
       





       
      Restaurante Delicias del Carmen, Rua Caracoles
       
      Outro bom restaurante na Caracoles. Paguei 12.100 pesos por uma entrada de salada de quinoa e frango com fritas, e também bebi uma cerveja por lá. Uma outra opção do cardápio, pelo mesmo valor, era uma caesar salad. Fotos abaixo!
       


       
      Restaurante Tierra Natural, Rua Caracoles
       
      Aqui, paguei 9.900 pesos por um frango com batatas salteadas e uma Coca-Cola. Comida muito boa, feita com ingredientes orgânicos e naturais e um clima muito legal. Achei o serviço um pouco atrapalhado, mas acredito que isso se deu pois já era mais tarde do que o normal.
       

       
      Restaurante Adobe, Rua Caracoles
       
      Outro excelente restaurante de San Pedro. Jantei aqui em duas ocasiões. Na primeira, comi uma pizza muito boa e duas Coca-Colas, que me saíram por 16.830 pesos. A pizza alimenta duas pessoas que não comem muito (vou ficar devendo a foto)!
       
      Na segunda vez, um risoto de quinoa e uma Coca, que me saíram por 13.305 pesos.
       

       
      Fora essas opções acima, existem tantas outras na própria Caracoles. E como falei antes, ficaria feliz se outras pessoas pudessem comentar no post outras opções que usaram.
       
      Além dos restaurantes acima, também tomei uns chopps e comi uma pizza que eles mesmo fazem no Bar Chelacanbur, que fica também na Caracoles. Por lá, na final do futebol masculino da olimpíada e vendo o Brasil levar o ouro, deixei 12.500 pesos numa pizza que foi dividida em 5 pessoas e em uma quantidade de cerveja que me deixou relativamente bêbado!
       

      Agências de Viagem em San Pedro de Atacama
       
      Uma das grandes dúvidas na viagem ao Deserto do Atacama diz respeito às agências de viagem, afinal são muitas opções! Outra dúvida é se devemos fechar os passeios com antecedência ou se deixamos para fechar quando estivermos lá.
       
      Vou tentar responder essas dúvidas!
       
      Qual agência escolher?
       
      Como falei, são muitas. E os critérios de escolhas são muitos e muito pessoais também.
       
      Antes de qualquer coisa, só queria colocar que usei três agências diferentes e não recebi qualquer apoio delas por ter o blog. Aliás, elas sequer sabiam (e nem devem saber) do blog. Só escrevo isso pois li algumas críticas no TripAdvisor para alguns blogueiros que recomendavam passeios de agências que ofereceram apoio a esses blogueiros e o serviço e preço prestado por essas agências aparentemente não foi tão bom (e não estou fazendo qualquer julgamento aos blogueiros, agências ou a pessoa que escreveu no TripAdvisor).
       
      Enfim, vou dizer como eu escolhi a minha agência.
       
      No hotel que fiquei, o dono recomendou a agência Latchir. Visitei e verifiquei os preços, que eram bons. Os passeios são quase todos distantes de San Pedro, ou seja, você vai ter que percorrer longas distâncias de carro. É importante pagar barato, mas o barato pode sair caro, pois seu trajeto (seja de ônibus, van, pickup, etc) pode ser um inferno, isso sem falar no carro quebrar ou até algum acidente.
       
      Depois, visitei a Ayllu, muito recomendada por blogueiros e brasileiros que visitam o Deserto do Atacama. Achei a Ayllu com um preço alto (por vezes seis vezes mais caras que as demais), mas não fechei nenhum passeio com eles para dizer se o preço compensa ou não. Contudo, dada a grande diferença, acho bem difícil que valha até 6 vezes mais.
       
      Depois, visitei a Grado 10, também muito bem falada pelos viajantes brasileiros. Em termos de preço, saiu mais caro que a Latchir, mas bem mais barata que a Ayllu. Acabei fechando com eles.
       
      Por que escolhi a Grado 10? Bons reviews no Trip Advisor e em blogs no Brasil e, principalmente, pelo grande diferencial: O caminhão!
       
      Todas as demais agências fazem os trajetos em vans, micro ônibus ou pickups. A Grado 10 faz num caminhão overland adaptado para esse tipo de viagem. Eu já conhecia esse tipo de caminhão há muitos anos, pois meu grande sonho de viagem é cruzar a África num desses. Quando bati o olho não teve jeito! Apesar de ser rústico, o caminhão é extremamente confortável por dentro, com bancos reclináveis e janelas grandes. No Valle de la Luna pudemos assistir ao nascer da lua de cima do caminhão e na Laguna Cejar ficamos lá em cima enquanto o caminhão ia para o lugar onde faríamos nosso brinde da tarde!
       

       
      Claro que isso é um pequeno detalhe e que me cativou, mas achei o serviço excelente também. A nossa guia (Camila) era excelente, prestativa, com muito conhecimento e falava espanhol e inglês, mas todos os brasileiros entendiam ela sem problema algum.
       
      A Grado 10 só tem 4 passeios, os mais tradicionais: Laguna Cejar, Valle de La Luna, Geysers del Tatio e Lagunas Altiplanicas (sem Piedras Rojas). Fechei os 3 primeiros com eles e paguei 80.000 pesos.
       
      Também li bons reviews sobre a agência Atacama Connection e fechei com eles apenas o Lagunas Altiplanicas com Piedras Rojas (pois a Grado 10 não fazia Piedras Rojas). Tudo ocorreu bem, o veículo era um micro ônibus confortável, a guia tinha conhecimento e era muito prestativa, mas não tinha a mesma vibe do caminhão da Grado 10 hehe! De todo modo, nada a reparar quanto ao serviço prestado pela Atacama Connection. O preço que paguei por esse passeio foi 35.000 pesos.
       
      Por fim, fiz o Salar de Tara com a agência Crisol(não achei site, por isso estou indicando o Facebook). Honestamente, não pesquisei absolutamente nada sobre essa agência, fechei o passeio um dia antes depois de sentar num bar com uns brasileiros que iam no dia seguinte e recomendaram. O carro e o guia eram muito bons e o passeio foi excelente também, portanto não tenho absolutamente nada a reportar sobre eles.
       
      Um post que me ajudou bastante na avaliação de agências foi este aqui, do Viaje na Viagem, além, claro, do Trip Advisor.
       
      Geralmente, quando os passeios saem muito cedo da manhã (como é o caso dos Geysers del Tatio, que você sai próximo das 5, dependendo da época do ano) as agências oferecem café da manhã durante o passeio. Nos passeios de longa duração também é oferecido almoço, portanto a inclusão de refeições é um ponto também a ser observado na sua escolha.
       
      Devo reservar com antecedência?
       
      Sendo bem objetivo, não vejo razões para você reservar com antecedência.
       
      São muitas opções de agência e você dificilmente ficará sem poder fazer algum passeio que queira fazer. Ainda, quase todas aceitam uma chorada e concedem um desconto no preço inicial, então minha recomendação é que você feche os passeios apenas quando chegar em San Pedro de Atacama.
       

      Passeios no Deserto de Atacama
       
      Existem muitas opções do que fazer por lá.
       
      Os passeios tradicionais são 4:
       
      Valle de la Luna: O mais próximo de San Pedro, fica há uma meia hora do centro da cidade. Nesse passeio você faz uma visita guiada dentro do Valle de La Luna, que tem formações muito lindas. Ao final do dia, você sobe até onde fica a pedra do Coyote para ver o por do sol. Quando estive por lá também era época de lua cheia, e de lá vimos a lua nascer junto com o por do sol, foi lindo!
       




       
      Neste post aqui conto um pouco mais sobre o passeio ao Valle de La Luna e também mostro algumas das fotos que tirei por lá.
       
      Geysers del Tatio: Nesse passeio você sairá bem cedo de San Pedro (perto das 4 ou 5 da manhã), pois os geysers são mais ativos antes de o sol nascer. O problema é que faz muito frio por lá, e você deve ir preparadíssimo. Em agosto, quando estive lá, peguei temperaturas de -13 graus.
       




       
      É um passeio que dura o dia todo, você percorrerá uns 200 km de carro e atingirá uma altitude de 4.300 metros. Em breve, colocarei aqui o link para o post que estou escrevendo sobre o passeio.
       
      Lagunas Altiplanicas: Um dos passeios mais distantes de San Pedro. As paisagens do altiplano são espetaculares (as fotos abaixo falam por si só). Este passeio dura o dia todo e você percorrerá uns 270 km de carro ida e volta. Você vai visitar a Laguna Chaxa e o povoado de Socaire, e também as lagunas Miscante e Miñiques. É na laguna Chaxa que você verá inúmeros flamingos e terá a chance de tirar as fotos que tirei abaixo!
       




       
      Em breve, colocarei aqui o link para o post que estou escrevendo sobre o passeio.
       
      Lagunas Cejar e Tebenquiche: Esse passeio tem duração de meio dia e fica a apenas 30 km de San Pedro de Atacama. Aqui você terá a oportunidade de nadar em uma das lagunas, que tem 200 vezes mais sal que o mar. É possível também avistar flamingos, mas eu não tive essa sorte.
       
      Em breve, colocarei aqui o link para o post que estou escrevendo sobre o passeio.
       
      Além dos passeios tradicionais mencionados acima, existem outras ótimas opções do que fazer. Algumas eu listo aqui:
       
      Salar de Tara: Além dos passeios acima, também visitei o Salar de Tara. É um dos mais distantes de San Pedro e também onde você atingirá uma das maiores altitudes (pouco mais de 4.800 metros). O frio não é tão extremo como nos Geysers, mas é bom ir preparado para temperaturas baixas. É um passeio de dia inteiro e você vai rodar quase 300 km ida e volta.
       
      Em breve, colocarei aqui o link para o post que estou escrevendo sobre o passeio.
       
      Tour Astronômico: A baixa luminosidade no deserto e a baixa umidade fazem do Atacama um dos melhores lugares do mundo para se observar as estrelas.
       
      Apesar de fotografia noturna ser uma das minhas preferidas, quando cheguei em San Pedro era a primeira noite de lua cheia, e a lua cheia, em razão da sua grande luminosidade, faz com que você veja um número menor de estrelas do que o normal. Em razão disso, o tour astronômico mais conhecido do Deserto do Atacama não estava ocorrendo. Esse tour é feito pela empresa Space e você pode encontrar maiores informações no site deles.
       
      No último dia, contudo, consegui ir para o meio do deserto tirar fotos noturnas, pois a lua cheia nasceria duas horas depois do anoitecer.
       
      Vulcão Lascar: O Lascar é um vulcão ativo que fica acima dos 5.500 metros de altitude. Inúmeras agências em San Pedro oferecem um hiking para subir o vulcão. Infelizmente, meu pouco tempo no Deserto do Atacama não permitiu incluir a subida ao Lascar.
       
      Sandboard: Você pode fazer sandboard no Valle de La Muerte. Essa é outra atividade que gostaria, mas que não consegui incluir no tempo que estive por lá. Em dias de lua cheia, o pessoal faz o sandboard à noite, o que deve ser muito legal. Inúmeras agências oferecem esse passeio, então você não terá problemas em encontrar alguém que leve você até lá!
       
      Termas de Puritama: Outro que não consegui incluir, as Termas de Puritama são piscinas termais no meio do deserto, localizadas a 30 km de San Pedro. É uma excelente opção para relaxar depois de um dia cansativo no deserto. Inúmeras empresas levam você até lá e o preço é algo em torno de 9.000 pesos.
       
      Salar de Uyuni: O Salar de Uyuni fica na Bolívia, mas inúmeras agências em San Pedro fazem travessias até lá pelo deserto, que duram de 3 a 4 dias.
       
      O que levar ao Deserto do Atacama
       
      Fazer as malas para essa viagem ao Deserto do Atacama não é muito simples. Você tem que considerar que vai pegar temperaturas extremamente frias e temperaturas relativamente quentes, tudo no mesmo dia.
       
      Fora os itens básicos de higiene pessoal e vestuário, acredito que a lista abaixo é suficiente:
       
      Meias para frio: Se você tiver meias de esqui, ótimo. Você vai usar no passeio dos Geysers del Tatio e pode ser bom para dormir também. Se você não tiver meias de esqui, leve a mais grossa que você tiver. Calçado confortável: Leve sandália e um tênis confortável para fazer os passeios, já que você vai andar com frequência. Não vejo necessidade para uma bota de trekking ou algo mais pesado, a não ser que você vá fazer algum trekking mais pesado, como o Lascar. Eu estava com um tênis goretex da The North Face, que é bem reforçado, mas praticamente todo mundo que vi por lá estava com tênis normal. Se você tiver uma bota ou um tênis mais reforçado, ótimo, caso contrário não vejo necessidade de comprar um. Calça térmica: Se você tiver, será muito útil. Ainda que você não tenha uma calça térmica técnica (aquelas para esqui, frio extremo, etc), uma ceroula ou uma calça justa ao corpo e que retenha o calor já será muito boa. Blusa térmica: Basicamente, o mesmo que da calça térmica, mas para a parte de cima do corpo. Eu tenho várias, porque esquio, e você pode encontrar umas baratinhas na Decathlon e na Centauro. Fleece: O fleece é o que chamamos de segunda camada, um blusão bem quentinho e excelente para reter o calor. Além do fleece, pense em moletons também para usar como segunda camada. Jaqueta: Terceira e última camada, você pode levar um corta vento ou até algo mais pesado (eu andei com minha jaqueta de ski nos dias de muito frio). Luva e touca: Eu usei luva de ski e passei frio nos geysers, mas em todos os outros passeios me virei bem com uma luva de lã e mão no bolso. Para quem sente frio na cabeça, uma touca é bem útil por lá. Roupas leves: Além das roupas acima focadas no frio, leve roupas leve, como camisetas, calça jeans, etc, pois boa parte dos passeios serão feitos em temperatura amena. Um casaquinho não muito pesado também é muito útil para as noites em San Pedro. Filtro solar: É sol o dia todo e sol forte, não economize no FPS! Mochila de ataque: Leve uma mochila de ataque para usar durante o dia, especialmente para guardar as roupas que você for tirando e a água que você precisará carregar com você. Bepantol e hidratante: O tempo é muito seco e seus lábios e pele ficaram muito ressecados, mas ressecados como você nunca viu antes. Sua mão vai ficar áspera e seus lábios vão rachar, então evite isso ao máximo com Bepantol e hidratante. Soro fisiológico ou Sorine: Seu nariz fica desconfortavelmente seco, então use esses produtos para ajudar um pouco. Colírio: O olho também sofre com o tempo seco.  
      Espero que a lista acima ajude vocês!
       
      Como falei antes, estou escrevendo uma série de posts sobre o Deserto do Atacama, e aos poucos vou publicando e colocando o link aqui para ajudar todo mundo.
       
      Coloquei aqui as informações que relatei no meu blog e o link para o post completo com mais fotos e informações está aqui. Espero que ajude!
      Não esquece de seguir o blog no Instagram para curtir as fotos que tirei lá no Atacama! Clica aqui.
    • Por xexelo
      Continuando a postar relatos antigos e que foram sonegados aos mochileiros segue a postagem sobre a minha viagem pela Carretera Austral pelo Chile. Como minha viagem anterior, sempre tem enroscos e problemas. Desta vez por poucos quilômetros eu quase não volto mais e quase ferrei o motor.
       
      Como dá outra vez não é uma relato com detalhes sobre preços e tals. Gastei sempre o mínimo possível com alimentação e hospedagem. Devo ter almoçado em restaurantes umas 4 vezes a viagem toda. Portanto não posso dar muitas dicas sobre a alimentação na Carretera. O caso é que eu sempre perdia a hora de almoço e quando lembrava já tinha passado a cidade mais próxima. Ai tinha que lanchar o que tinha no carro mesmo. Aliás esta viagem foi um belo SPA pois de 98 Kg no início eu voltei com 92 apenas
      Levei de novo todo o equipamento de camping que acabou indo passear apenas. A Ranger se portou muito bem na estrada e se não fosse por negligência minha não teria dado problema com o arrefecimento e queimado a junta do cabeçote no final da viagem. Pura burrice.
       
      Fui sozinho porque meu tio não pode me acompanhar aquele ano e também porque a outra pessoa que tinha me garantido que ia junto deu pra trás um mês antes. Assim achei melhor seguir sozinho do que esperar mais um ano para ver se conseguia companhia para a empreitada.
       
      Mas vamos aos relatos.
       
      1º DIA – 22/12/2013 – DOMINGO.
      De Curitiba a Quarai - RS / Artigas – Uruguai – 1150 km
       
      Saí de Curitiba as 5:25 h debaixo de uma garoa fina e chata que me acompanhou até União da Vitória mais ou menos. O calor começou a chegar e por volta das 8 ou 9 horas e pegou pesado. Acho que deve ter ficado uns 30 graus ou mais.
      Como estava viajando sozinho fui dando paradas a cada 2 ou 3 horas para esticar o esqueleto.
      A estrada pelo interior tem muitas curvas, mas tem trechos bem tranquilos em que se pode desenvolver 100 a 110 Km/h (GPS) numa boa.
      Acabei não almoçando hoje, comi pão de queijo, amendoim japonês e frutas secas. Quando parei num posto para almoçar achei muito caro (era chique) R$ 21,00 o bufet livre.
      Quando cheguei a Quarai estava iniciando a hora do agito de domingo na praça central. Os carros iam parando em volta da praça e deles saiam os jovens com cadeiras de praia, coolers de cerveja e se abancavam na grama esperando a galera ficar desfilando com seus carro e com o som alto. Coisas do interior do Brasil.
      Mudei roteiro inicial e vou entrar no Uruguai pra fazer umas comprinhas básicas. Depois entro na Argentina por Salto UR / Concórdia AR.
    • Por Thais Fidelis
      Você ama o céu? Você ama admirar a Lua? E as estrelas?
       

       
      Sério! Vocês precisam ir para o Deserto do Atacama e fazer o tour Astronômico, que experiência e momento do caramba!!!! Nunca tinha vivido essa experiência na vida, e posso falar que vale a pena cada momento, cada frio ( ) e cada suspirada.
       
      Não é atoa que está entre os 10 mais belos céus do planeta Terra!
       

       
      Quando chegar em San Pedro de Atacama, já se informem do Tour, não deixe para a última hora pois o ideal não é deixá-lo para a última noite da viagem, pois o passeio não é garantido, já que em algumas ocasiões há nuvens no céu do Atacama e não é possível observar as estrelas. E o tour pode ser cancelado, um dos motivos que não é um passeio que se paga com antecedência. Se um dos motivos de ir para o Atacama é o tour astronômico, veja a fase da Lua antes de marcar sua viagem, na Lua cheia o tour não é realizado.
       
      Leve seus pedidos, você verá muitas estrelas cadentes!! ( Estrellas Fugaz en español)
       
      O tour sai da frente da agência, e a van nos leva até o meio do deserto, quando a luminosidade é zero e só as estrelas nos iluminam!!
      Ocorrem as explicações, e vamos vendo tudo o que o Guia vai explicando pelos telescópios, para mim foi uma experiência impar. Tudo muito aconchegante, é servido chocolate, chá, vinho e petiscos para nos aquecer. !!Dica - vá muito beeeem agasalhado!! Calma, você estará tão encantadx que o frio não importará.
       
      Fechei meu tour direto com o Guia - Que por sinal foi um show a parte. Explicou tudo de forma clara, atenciosa e super divertida, que para quem está tremendo de frio, é uma salvação dar umas gargalhadas. Fazia questão que todo mundo estivesse gostando e entendendo a explicação. Super recomendo!!!
      ( contato do guia: Caio Fraga - Whatsapp 55 31 8814-0654)
       
      Voltei e ainda estou apaixonada, por cada momento que vi esse céu e pensei " Caraca é de verdade, estou aqui vendo tudo isso e é de verdade!"
      Gentem! ver cada detalhe da Lua? simplesmente um sonho

    • Por Salbazz
      Atacama, norte do Chile. Uma semana de intensas emoções vividas no deserto mais árido do planeta.
       
      Ao todo foram nove dias no Chile. Duas noites em Santiago e sete em San Pedro de Atacama, entre final de março e começo de abril de 2014. A época é considerada temporada baixa, más há turistas o ano todo por lá, especialmente entre dezembro a fevereiro e julho a setembro.
       
      Comprei as passagens saindo desde Montevidéu (onde moro atualmente) para Santiago. Pela Lan, os voos são diários e a viagem dura aproximadamente duas horas, sem conexões ou escalas. Recomendo pesquisar no site da empresa, pois sempre tem promoção rumo à capital chilena, saindo do Brasil.
       
      Em Santiago me hospedei uma noite na ida e outra na volta na casa do Benjamín -meu companheiro de viagem-, mas na cidade existem infinidades de hostels para quem quiser economizar. O bairro Bellavista oferece muitas opções e vale a noite, que costuma ser animada, com vários bares.
       
      No dia seguinte, saímos cedo rumo a Calama. O trajeto também foi feito pela Lan. Voo tranquilo de duas horas e com uma linda vista para a Cordilheira dos Andes. As passagens de ida e de volta custaram aproximadamente R$ 260,00. Tudo depende da época em que for, é claro. Outra opção de voo é voar com a empresa chilena Skyairline. Ir de ônibus também é outra alternativa. A desvantagem é o tempo: são quase 24 horas até chegar a Calama.
       
      Chegando no aeroporto, a paisagem assusta de tão bela. O azul e o laranja são um contraste perfeito que se desenha no horizonte ao pousar em Calama, ponto de partida para o destino base: San Pedro de Atacama.
       
      Cheguei com o sol forte do meio-dia. Ao sair do avião, a sensação de estar em um universo paralelo é latejante e toma conta do corpo. A partir dali, a mais de 2.000 metros de altura, a falta de ar era só o início da viagem.
       
      O caminho entre Calama e San Pedro dura aproximadamente uma hora. São várias as empresas que oferecem transporte até o povoado, por isso, sempre é bom pechinchar. Fomos até San Pedro com a empresa Licancabur, com direito a um repertório musical de gosto duvidoso escolhido pelo motorista/DJ, que variava entre as famosas canções interpretadas por flautas andinas e os clássicos de Frank Sinatra.
       
      Da para comprar o trecho de ida e de volta de uma vez. Porém, compramos o bilhete só de ida. Cada um saiu por R$ 40. Também há linhas regulares de ônibus que levam até o San Pedro, é questão de se informar no saguão do aeroporto.
       
      No trajeto, você começa a ter uma noção da imensidão do lugar. As paisagens mudam a cada curva, entre cordilheiras que contornam a estrada e o belo vulcão Licancabur, o abre-alas de toda a viagem.
       

      [creditos]Vulcão Licancabur visto desde as ruínas de Pukará de Quitor. Sabrina Pizzinato[/creditos]
       
      Como a viagem não foi muito planejada, chegamos em San Pedro sem nenhuma reserva. Ficamos na rua Caracoles para começar a peregrinação em busca de hospedagem, que variam desde hotéis de luxo a casas de família. Depois de pesquisar valores, nos hospedamos no Hostelling Internacional. A noite em quarto compartilhado, para seis pessoas, saiu em torno de R$ 30,00 com um singelo café-da-manhã incluído. Conseguimos um desconto pelas 7 noites. O hostel é bem simples, com banheiros pequenos, mas com chuveiro bom e água quente. A graça do local fica por conta do ambiente, tomado por bicicletas e um pátio interno para interagir com os outros hóspedes.
       
      Mochilas instaladas, era hora de fazer o reconhecimento do local. As ruas do povoado de terra, são tomadas por agências de turismo que oferecem os passeios para as principais atrações da região, locais para aluguel de bicicletas, casas de câmbios, restaurantes para todos os gostos e lojinhas de artesanato. Tudo parece igual. Serviços de cartão de crédito e de internet funcionam em quase todos os estabelecimentos. Há apenas um caixa eletrônico em San Pedro.
       

      [creditos]Uma das ruas de San Pedro.Sabrina Pizzinato[/creditos]
       
      A alimentação e os passeios vão depender do gosto do cliente. Às vezes fazíamos lanches, outras cozinhávamos no hostel ou então saíamos para jantar. Aproximadamente foram entre dez e trinta reais gastos por dia em refeições e provisões para os passeios.
       
      Já os passeios são um quesito à parte. A dica é pesquisar antes de fechar pacotes com alguma empresa -são muitas!- e os preços podem variar, assim como a qualidade do serviço. Se a escolha for fazer mais de dois ou três passeios, é interessante fechar com a mesma agência, pois geralmente tem desconto. Outra possibilidade bem mais legal é alugar bicicletas. Além de economizar em alguns passeios, a sensação de pedalar no deserto é indescritível e vale para testar a resistência física. Acredite, vai precisar! O aluguel por meio dia (5 horas) custa R$ 15,00 e R$ 25, 00 o dia inteiro (9 horas).
       
      Escolhemos três tours: Termas de Puritama, Geysers del Tatio e Lagunas Altiplánicas por R$ 200,00 (preço pelos três, com desconto e por pessoa). Vale lembrar que as entradas para os parques são pagas separadamente e à vista. Custam aproximadamente entre R$ 15 (ruínas de Pukará de Quitor, Valle de la Luna, Geysers del Tatio, Lagunas Altiplánicas, Aldea de Tulor, Lagunas Cejar, Laguna Chaxa, Tebinquinche , Valle del Arcoíris) a R$ 40 (Termas de Puritama). O passeio para o Salar de Tara, que dizem ser muito bonito, ficou para uma próxima.
       
      Depois de uma pausa para almoçar, chegamos a um consenso e definimos o roteiro da semana:
       
      Dia 1 - Bicicleta o dia inteiro: pela manhã, visita a Pukará de Quitor . Pela tarde, Valle de la Muerte.
       
      Dia 2 – Bicicleta pela manhã: Garganta del Diablo. À tarde, tour para as Termas de Puritama.
       
      Dia 3 – Tour para os Geysers del Tatio (não é recomendável logo de cara e depois entendi o porquê).
       
      Dia 4 – Bicicleta (odisseia para encontrar a Aldea de Tulor)
       
      Dia 5 – Pela manhã, tour para as Lagunas Altiplánicas, Comunidad de Toconao e Laguna de Chaxa, onde fica a reserva dos flamingos. À tarde, optamos por alugar uma camionete por um dia (compensa se conseguir mais gente para dividir o valor) e fomos à Piedra del Coyote e ao Valle de la Luna.
       
      Dia 6 - Com a camionete amanhecemos nos Ojos del Salar de Atacama,Laguna Tebinquinche e Laguna Cejar. À tarde partimos para o Valle del Arcoíris e visitamos os Petroglifos. Na volta, paramos novamente na Piedra del Coyote, a vista para o Valle de la Luna é sensacional e poderia ficar o dia inteiro lá!
       
      Dia 7 – Pela manhã e antes de partir para Calama, para pegar o voo de volta, deu tempo de conhecer o Museo Arqueológico R. P. Gustavo Le Paige e alugar bicicletas para conhecer o Cráter del Meteoríto, que fica a 4 km da saída de San Pedro.
       
      No mais, é levar muito protetor solar, roupas práticas e leves (ao amanhecer e à noite faz frio e durante o dia muito calor) e câmera fotográfica. Vai por mim, ficará dias depois da viagem olhando cada clique e pensando: estive mesmo lá?
       
      Mais dicas sobre San Pedro de Atacama e região: http://www.sanpedrochile.com
       
      Com os roteiros mais ou menos definidos, aproveitamos a primeira noite para descansar e perambular pelas ruelas de San Pedro. O clima de que todos se conhecem é bastante acolhedor. Começava a entender porque muitos se apaixonam pelo lugar e resolvem ficar mais um dia e outro e outro…
       
      Benjamín e eu resolvemos jantar num dos tantos restaurantes existentes e em vez do vinho, escolhemos a Atacameña, cerveja produzida na região -muito boa por sinal!- para brindar pela nossa chegada ao deserto.Uma curiosidade: nem todos os restaurantes podem vender bebidas alcoólicas. Alguns têm licença, outros apenas oferecem algum drink de boas-vindas, geralmente o famoso pisco sour. Para comprar bebidas há uma que outra bodega em San Pedro.
       
      Como a maioria dos passeios começa antes mesmo de amanhecer, os estabelecimentos fecham cedo, mas sempre tem alguma festinha quase clandestina agitando a noite. Preferimos descansar, afinal tínhamos um deserto inteiro pela frente.
       
      Ruínas de Pukará de Quitor
       
      Logo após o café da manhã, era hora enfim de começar a aventura. Pela facilidade, alugamos bicicletas no hostel mesmo. Compramos algumas provisões essenciais: bolachas, barrinhas de cereal, frutas, água, água e mais água. E mesmo assim nunca é suficiente. Sempre compre mais água!
      Antes de sair, e a partir dali, começava o ritual de todos os dias: creme hidratante, camadas de protetor solar (FPS 30 para o corpo e FPS 50 para o rosto) e labial, boné e óculos escuros.Todo listo e mapa em mãos, rumo às ruínas.
       
      O trajeto é relativamente curto e seguro. São 3 km saindo ao norte de San Pedro. Ao longo do caminho se vê o Río Grande com suas margens cobertas por pastagem verde e a entrada da Garganta del Diablo. É um bom passeio para começar a se ambientar com o lugar e testar a resistência física.
      Ao chegar, as bicicletas ficam estacionadas na entrada da fortaleza e logo após pagar a entrada, são 70 metros caminhando morro acima com duas trilhas: a das construções da época pré-incaicas e a do mirante.
       
      Ao chegar no topo, a beleza do horizonte é tamanha que se perde a noção do tempo. Do alto do mirante, a vista para o deserto é quase de 360º . A sensação de isolamento só aumenta com o vento constante e a imponência do Licancabur, que descansa plácido sob o olhar boquiaberto dos visitantes. O estado é de contemplação.
       

      [creditos]Ruínas de Pukará de Quitor. Ao fundo, o vulcão Licancabur. Sabrina Pizzinato[/creditos]
       
      Ladeira abaixo, depois de horas submersos pelo encanto do lugar, resolvemos voltar a San Pedro para abastecer. Almoçamos um super sanduíche feito com hallulla, uma espécie de pão plano da região e descansamos um pouco antes de seguir para o Valle de la Muerte.
       
      Valle de la Muerte
       
      Localizado na Cordillera de la Sal, o vale fica aproximadamente a 2 Km à direita, saindo de San Pedro pela estrada CH-23 rumo a Calama, não é preciso pagar para entrada.
       
      Ao entrar no labirinto de rochas, o único barulho que se escuta é dos cristais de sal rompendo-se, devido à baixa temperatura em contato com o sol. Não existe vida no lugar, por isso o nome sugestivo. Lá também se encontram as dunas de areia, destino bastante popular para quem gosta de praticar trekking ou sandboard.
       
      A cada instante, as cores da cordilheira variam dependendo da posição do sol. Durante à tarde, o laranja intenso invade os contornos do ambiente à espera do atardecer. Definitivamente estamos em outro planeta!
       

      [creditos]Pedalando no Valle de la Muerte. Sabrina Pizzinato[/creditos]
       
      Sensação de dever cumprido. Com o cair da tarde, voltamos a San Pedro para descansar e esperar entre uma piscola e outra, as surpresas do próximo dia.
       
      O destino do dia seguinte era visitar a Garganta del Diablo, que aliás, não estava previsto inicialmente, e foi indicação da recepcionista do hostel.
       
      Garganta del Diablo
       
      Alugamos bicicletas pela manhã e fomos em direção a Pukará de Quitor, o caminho utilizado é o mesmo, porém o trajeto que nos esperava era mais longo, ao todo 16 km entre ida e volta e sem muitas sinalizações. Mesmo com mapa, pedimos informações uma e outra vez.
       
      Ao passar as ruínas arqueológicas, seguimos margeando o Río Grande(ou Río San Pedro) até um ponto que nos foi indicado onde deveríamos cruzar o rio que, por sorte, não estava cheio. Mesmo assim, a frescura fez com que eu tirasse os tênis e atravessasse a pé a água geladíssima!
       
      É preciso atenção, pois o único mapa existente no lugar é uma placa de Bienvenidos a Catarpe com algum vestígio de sinalização, algo confusa. Sem muitos turistas, talvez pelo horário, a sensação de aventura só aumentava. Os únicos companheiros do passeio foram dois cachorros que serviam de guias para um casal de brasileiros que circulava por ali.
       
      Para encontrar a Garganta é preciso chegar até uma bifurcação na estrada e seguir os rastros das bicicletas e cavalos pela direita. Aos poucos o caminho se estreita e começa a verdadeira diversão para ciclistas, pois a formação das pedras impede a passagem de carros.Similar ao Valle da Muerte, a Garganta del Diablo é parte da Cordillera de la Sal. Ou seja, enormes paredões rochosos e sem vida. Também não é preciso pagar entrada.
       

      [creditos]Garganta del Diablo. Benjamín Vicuña[/creditos]
       
      O encanto do local é pedalar entre os túneis dourados e subir e descer pelas pedras estreitas, às vezes com a bicicleta no ombro. O passeio foi uma excelente escolha para começar o dia.
       
      Voltamos a San Pedro a tempo de almoçar e esperar pelo próximo passeio.
       
      Termas de Puritama
       
      Segundo a agência que contratamos, as termas seriam uma espécie de oásis com cachoeiras de águas quentes no meio do deserto, mas não foi bem essa a impressão que tive.
       
      Localizadas a uns 30 km de San Pedro, chega-se lá pela mesma estrada que leva aos Geysers del Tatio. O trajeto morro acima é muito bonito, com muitas curvas perigosas e paisagens grandiosas: de um lado os salares no deserto que do alto parecem diminutos e do outro, jardins de cactos gigantes que brotam das pedras.
       
      Uma hora depois chegamos à Quebrada de Puritama e em seguida, descemos um belo vale por aproximadamente 10 minutos até o local. A entrada é salgada. Pagamos 9.000 CLP (equivalente a 35 R$) com tarifa reduzida por ser à tarde.
       

      [creditos]Termas de Puritama. Sabrina Pizzinato[/creditos]
       

      [creditos]Cruz para espantar os maus espíritos. Sabrina Pizzinato[/creditos]
       
      Apesar de bonito, a impressão que tive ao entrar era a de estar em um clube. As cachoeiras na verdade eram poços de águas termais entre 30 e 35 graus, um prato cheio para ficar boiando por horas! São mais ou menos 8 piscinas naturais separadas por trapiches. Algumas mais reservadas que outras. Ao passar de um poço a outro, a temperatura da água vai aumentando. O último poço que entramos parecia piscina de clube em dia de verão: muita gente e pouco espaço.
       

      [creditos]Trapiche das termas. Sabrina Pizzinato[/creditos]
       
      Por ser um lugar para relaxar, o passeio é bastante popular, porém às cinco da tarde o guia avisa que é hora de partir, pois a atração fecha antes das seis. E lá fomos nós correndo trocar de roupa nos vestiários instalados e bater retirada para San Pedro novamente.
       
      Dica: Muita gente prefere curtir as Termas de Puritama no último dia de viagem, depois dos passeios mais pesados.
       
      Após um fim de tarde submersos nas águas quentinhas das Termas de Puritana e de mais uma noite tranquila em San Pedro, chegou o momento do passeio que mais ansiava: os Geysers del Tatio.
       
      Geysers del Tatio
       
      Já havia lido algo a respeito dos famosos gêiseres antes da viagem e realmente estava expectante. O que sabia – e que não nos foi informado pela agência contratada – era que deveríamos evitar de comer carne vermelha, tomar bebidas alcoólicas no dia anterior ao passeio e usar camadas de roupas para proteger-se do frio ao amanhecer, já que a temperatura poderia chegar a – 22 graus dependendo da época do ano. Luvas e gorro são imprescindíveis!
       
      O passeio começa de madrugada. A van nos apanhou no hostel às quatro e meia da manhã. Logo após buscar os outros passageiros seguimos rumo à região do Tatio que fica a 4.320 metros de altura.O trajeto é sinuoso, escuro e perigoso. São muitas curvas e vans de outras excursões dividindo a mesma estrada. Vamos sacudindo em silêncio num misto de sono e apreensão até a chegada.
       
      No caminho o guia nos explica sobre os efeitos da altitude e nos orienta sobre os cuidados que devemos ter ao descer: movimentos lentos, respirar profundo, tomar água o tempo todo, não sair da trilha (muito importante) e sempre estar atento ao grupo. Ele nos contava que, anos atrás, alguns turistas morreram queimados ao pular nos poços, por bancarem os espertinhos. A temperatura da água pode chegar a 86 graus!
       
      Ao descer, o frio era cortante. Segundo o guia, tivemos sorte, pois fazia apenas – 7 graus. A entrada do parque é o único local em que há banheiros, então é bom aproveitar a parada para não se apertar depois.
       
      O lugar impressiona. A região do Tatio é composta por 80 gêiseres, a maior concentração do hemisfério sul e a terceira maior do mundo. Outra vez a sensação de estar em outro planeta toma conta do ambiente. O vapor dos poços em ebulição, que cortam os primeiros raios de sol. e o rugir da terra fervendo é quase hipnótico.
       

      [creditos]A terra ferve. Sabrina Pizzinato[/creditos]
       
      Após percorrer o primeiro campo de gêiseres, era hora de tomar o café da manhã preparado ali mesmo pelo guía. Hallulla com manteiga, café e chocolate quente aquecido nas poças de águas ferventes!
       
      Alimentados e com o dia mais claro, fomos para outra parte do parque, cujo terreno fora explorado anteriormente por uma empresa geotérmica, para fornecimento de energia. Após um incidente que provocou uma grande fuga de vapor de um dos gêiseres, a empresa foi desativada e hoje o terreno é considerado zona natural protegida pelo governo chileno.
       

      [creditos]Campo de gêiseres. Sabrina Pizzinato[/creditos]
       
      Terminado o passeio, há uma piscina termal a 36 graus no campo de entrada dos gêiseres para quem quiser nadar. Porém o nosso banho seria em outro lugar mais reservado e muito mais aconchegante, apesar do frio: à beira do lago Putana, rodeados por vulcões que fazem fronteira com a Bolívia.
      Porém, a essa altura do passeio, já sentia os efeitos da altitude e pela primeira durante a viagem percebi a fragilidade de meu corpo.
       
      Enquanto o pessoal do grupo se preparava mergulhar nas águas do Putana, o cansaço físico e a confusão mental, causado pela falta de oxigênio, me abatia, além da secura na garganta, do sangramento no nariz e do coração acelerado. Mal conseguia caminhar e foi preciso mastigar algumas folhas de coca para aliviar os sintomas do soroche. Resultado: nada de banho para mim.
       

      [creditos]38 graus a 4.300 metros de altura! Sabrina Pizzinato[/creditos]
       
      Devido aos efeitos da altura no organismo, é recomendável fazer passeios em altitude superior a 3.000 metros nos últimos dias da viagem, uma vez que o corpo já está mais adaptado às condições climáticas da região.
       
      Mesmo com o mal-estar, o fascínio pelo lugar não diminuía. Em meio aos contrastes de cores, éramos observados de perto pelo ativo vulcão Putana e pelas desconfiadas vicunhas o tempo todo.
       

      [creditos]Vicunhas pastando. Ao fundo o vulcão Putana escorrendo enxofre. Sabrina Pizzinato[/creditos]
       
      Começava o retorno a San Pedro. Porém uma última uma parada para comer empanadas de queijo de cabra e espetinhos de carne de lhama – para os corações menos sensíveis -, no inóspito vilarejo de Machuca de origem ancestral. Hoje em dia vivem apenas três famílias que sobrevivem da criação de lhamas e do turismo.
       

      [creditos]Ouro nas montanhas. Vilarejo de Machuca. Sabrina Pizzinato[/creditos]
       
      Novamente em “casa”, aproveitamos a tarde livre para descansar. As emoções do dia mal haviam começado.
      Passado os efeitos da altura e com as energias repostas, resolvemos nos dar ao luxo de jantar decentemente, depois de dias comendo bolachas, sanduíche e chocolate.
       
      O tempo passava entre pisco sour e conversas a fio, quando Benjamín chamou minha atenção para um pequeno quadro na parede que se movia. Sem dar muita atenção, continuei concentrada na conversa. Porém ele insistia para que olhasse novamente. Dessa vez tremia com mais força: estávamos sofrendo um terremoto!
       
      Estava excitada e apreensiva pela situação e por não saber ao certo o que estava acontecendo. O chão se movia cada vez com mais intensidade. Nesse instante, Benjamín – que é chileno e está acostumado com os constantes tremores no país – pediu que mantivéssemos a calma e saíssemos do lugar.
      Foi o tempo de levantar para que as luzes se apagassem. O dono do restaurante pediu que todos fôssemos para o lado de fora do estabelecimento. Alguns turistas mais nervosos começaram a se agitar, enquanto outros mais eufóricos riam da inusitada experiência.
       
      Com o povoado às escuras e todos na rua, a impressão era a de estar em um barco que balançava sobre agitadas ondas gigantes de terra que se moviam em um vai e vem tortuoso. Foram dois minutos eternos até que o sismo parasse.
       
      Passado o susto e com a energia restabelecida, todos voltamos a jantar. Porém logo veio a notícia que atestava o acontecido. Um forte tremor de 8,2 na escala ritcher, havia afetado uma região próxima a Iquique, cidade a 360 km ao norte de San Pedro. No povoado o terremoto chegou a magnitude 7.
      Esse seria apenas o primeiro tremor. Nas noites seguintes, sentimos as réplicas do sismo que afetou a região norte do Chile, onde estávamos.
       
      Depois das intensas emoções do dia em que a terra demonstrou, uma vez mais, a nossa fragilidade ante as adversidades da natureza, resolvemos dormir. Afinal, o dia seguinte nos esperava um agradável passeio de bicicleta ou pelo menos assim deveria ser.
       
      Dica: Chocolate! Para passeios nas alturas, nada melhor do que levar bombons ou barras, pois ajudam a repor as energias. Não dá para ficar apenas no chá de coca.
    • Por Márcio Alencar
      Viagem começou no dia 31/07/2015, saímos de Timbó no dia 31/07 as 19:00 hrs em direção a Palmas PR, eu e meu amigo Cleiton fizemos a viagem.
      Chegamos em Palmas as 00:20 e nos hospedamos no Hotel Antares, R$ 90,00 quarto para dois, hotel honesto e café da manhã muito bom.
       
      01/08 Palmas PR - Resistencia AR - Acordamos cedo e fomos em direção a Dionisio Cerqueira SC para atravessar a fronteira para Argentina e trocar reais por pesos, a passada pela aduana foi rápida e sem muita burocracia, depois dos procedimentos fomos trocar dinheiro, compensa muito trocar dinheiro na fronteira, tem muitos caras trocando dinheiro na rua e com uma cotação muito boa 4 pesos por 1 real.
      Depois de trocar dinheiro partimos para Resistencia, logo no primeiro trecho da Ruta 17 passamos pelo primeiro de muitos postos da policia, apenas conferiram os documentos e seguimos em frente, quando chegamos em Eldorado pegamos a Ruta 12, logo após passar por Posadas fomos parados mais uma vez, e olharam todos os equipamento de segurança, revistaram o porta malas e perguntaram se eu estava armado, mas foram educados e cordiais, alguns quilômetros a frente em San Borgira fomos parados novamente, mas desta vez apenas pediram carona para um policial até Ituzaingó uma cidade a 60km a frente, claro que não neguei rsrsrsrs, chegamos a noite em Resistencia e depois de muito procurar encontramos o Hotel Colon R$125,00 com banheiro privado e garagem, hotel ruim, mas para uma noite deu pro gasto.
       
      02/08 Resistencia AR - San Salvador de Jujuy AR - Levantamos, tomamos café e abastecemos o carro, a nafta estava em media R$3,80 o litro. Fomos enfrentar a grande reta do Chaco pela Ruta 16, logo após a saída de Resistencia tem um pedágio e lá fomos parados pela policia, pediram documentos, olharam extintor, triângulos e deram uma olhada superficial nas malas, foram cordiais e seguimos, a minha preocupação com a policia corrupta era tão grande que nem senti o tempo na estrada cruzando o Chaco, no posto famoso pela corrupação passamos direto, não tinha ninguém UFA!!!!!!
      Esse trecho apesar de grande foi tranquilo, lembrando que é bom abastecer quando chegar a meio tanque, não sofremos com falta de combustível, no final da Ruta 16 o asfalto não é bom, mesmo assim da pra andar legal, estão refazendo o asfalto desse trecho, as obras estavam bem adiantadas.
      Saímos da Ruta 16 e pegamos a Ruta 9 em direção a General Guemes, e continuamos até San Salvador, antes de chegar mais um posto policial, no final da tarde chegamos na cidade grande e bonita. Novamente a novela de procurar hotel, San Salvador não estava no roteiro como parada, mas como o dia na estrada rendeu fomos até lá, cansados ficamos no Hotel Fenicia R$ 162,00 quarto duplo com garagem e café da manhã, esse foi o melhor e mais cara hotel da viagem e valeu cada centavo, fomos jantar e dar uma volta na praça que estava bem movimentada.

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