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Flavius Neves Jr.

Viagem de carro para San Pedro de Atacama, passando por Salta, Tilcara e Antofagasta - março/2017

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Boa tarde, pessoal!

Segue adiante o meu relato de uma viagem de carro para o Deserto do Atacama, que durou 17 dias. Na minha programação, contei com muita ajuda aqui do pessoal do Mochileiros.com. Sendo assim, agora é hora de retribuir! Se você está planejando uma viagem parecida, ou se a mesma já está marcada, e quer contar com algum tipo de ajuda, pergunte por aqui.

Um abração!!!

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Preâmbulo.

 

            O pacato Flavinho era um adolescente e estava na escola, quando, numa aula de Geografia, ouviu falar pela primeira vez sobre o deserto mais seco do mundo: o Deserto do Atacama. E o que lhe chamou a atenção foi saber que esse lugar ficava no norte do Chile, ou seja, não ficava muito longe da nossa realidade. Considerando que esse rapaz já havia tido o privilégio de conhecer, junto com os seus pais, a região sul do Chile, ele acabou colocando na cabeça que agora era a hora de conhecer a região, até então desconhecida por ele, desse país tão surreal como é o Chile.

            Tempos depois, Flavinho acabou encontrando uma revista National Geografhic do seu pai, e nela viu com entusiasmo as fotos do Deserto do Atacama em uma determinada matéria. Agora ele estava determinado: “vou viajar e conhecer essa região!” A pergunta era: “mas quando?” O problema era sempre o mesmo: a falta de companheiros que quisessem empreitar essa aventura. “O que vamos fazer em um deserto??” – era o tipo de resposta que o insistente Flavinho mais ouvia.

            Passaram-se uns 10 anos. Flavinho ainda não tinha visitado o Atacama, mas o sonho tampouco teria acabado. Agora ele via imagens do Deserto pelo Google Earth, assim como as fotos que os viajantes postavam no mesmo programa. Ele já tinha colocado na cabeça uma idéia de viagem: ir de carro, cruzando a Argentina por Córdoba, Mendoza, cruzando a Cordilheira dos Andes e, ao chegar ao Chile, cruzar o deserto acima até chegar a uma tal cidade chamada San Pedro de Atacama.

            Passaram-se mais uns 2 anos e agora o pacato Flavinho já era um homem casado. Acabou passando uma lua de mel muito boa, diga-se de passagem: viajaram de carro de Goiás até San Carlos de Bariloche. Esse insistente rapaz agora sabia que tinha uma companheira de viagem à altura: a sua esposa.

            E quanto ao Atacama? Bem, o sonhador Flavinho acabou conhecendo o Mochileiros.com e, nele começou a ler e separar para si alguns relatos de viajantes que foram conhecer, de carro, esse deserto. Daí ele ficou sabendo que o caminho mais convencional e, que despendia menos tempo, era ir pelo norte da Argentina, passando por uma cidade chamada Salta (a mesma cidade que uma argentina tão bem falou para ele e para sua esposa em Bariloche) e cruzar a Cordilheira dos Andes rumo a San Pedro de Atacama. Então, estava concretizado: esse era o roteiro.

            Passaram-se mais ou menos uns 3 anos e as oportunidades de viajar para o Atacama acabavam escapando, as vezes por falta de tempo, de dinheiro e as vezes por causa de alguns imprevistos. Até que, numa determinada tarde do mês de outubro do ano de 2016, Flavinho conversou com a sua esposa (isso depois de anos de conversa sobre o mesmo tema), também com a sua cunhada, e decidiram marcar essa tão esperada viagem para o mês de março de 2017. O roteiro contendo as cidades que visitariam já estava pronto. Entraram no Booking.com e começaram a pesquisar os hotéis. O primeiro hotel foi escolhido e, por engano, não só reservaram o quarto como também acabaram pagando adiantado o estabelecimento. É, a viagem já estava marcada...

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            Preparativos necessários para a viagem.

 

            Assim como havia feito na minha lua de mel, decidi pesquisar e reservar os hotéis das cidades em que passaríamos e ficaríamos. Acho muito cansativo viajar o dia inteiro e, no final do dia, ter que ficar rodando uma cidade a procura de hotel. Com a tecnologia que temos hoje, acho isso desnecessário. Quem fazia isso eram os meus pais há 20 anos atrás, numa época que a internet brasileira estava nascendo e não existiam sites como Booking, Decolar, etc. A propósito, “viajante raiz” é quem viajava de carro pelo Nordeste brasileiro, com quatro crianças, sem internet e sem GPS – meus pais, por exemplo. Hoje, acredito, somos todos “viajantes Nutella” (rsrsrs).

            Para reservar os hotéis é necessário ter um roteiro detalhado em mãos contendo os dias de viagem e os dias de passeios. E, para conseguir isso, pesquisei exaustivamente muitos relatos aqui do Mochileiros.com. Tomei como ponto de partida a cidade de San Pedro de Atacama. Decidimos ficar três dias por lá (achava que era um tempo mais do que suficiente, mas depois vimos que a agenda ficou bem apertada). Pesquisamos e pesquisamos vários hotéis. Todos os estabelecimentos são bem rústicos. Um pouco de melhorias estéticas e o preço já sobe abruptamente. Depois de muitas pesquisas e debates, optamos pelo hotel e camping Takha Takha, situado na badalada calle Caracoles. Escolhemos dois quartos com banheiros privativos. A partir daí já tínhamos a data de partida e de volta. Agora tínhamos que pesquisar os hotéis das “cidades coadjuvantes”. Estávamos no mês de outubro de 2016 quando reservamos os primeiros hotéis.

           

            O roteiro ficou assim:

           

            1º dia: Caldas Novas-GO a Foz do Iguaçu-PR (1.320kms);

            2º dia: Foz do Iguaçu;

            3º dia: Foz do Iguaçu a Corrientes-ARG (621kms);

            4º dia: Corrientes a Salta (837kms);

            5º dia: Salta;

            6º dia: Salta a Tilcara (202kms);

            7º dia: Tilcara;

            8º dia: Tilcara a San Pedro de Atacama (436kms);

            9º dia: San Pedro de Atacama;

            10º dia: San Pedro de Atacama;

            11º dia: San Pedro de Atacama;

            12º dia: San Pedro de Atacama a Antofagasta (312kms);

            13º dia: Antofagasta;

            14º dia: Antofagasta a Salta (909kms);

            15º dia: Salta a Corrientes (837kms);

            16º dia: Corrientes a Foz do Iguaçu (621kms);

            17º dia: Foz do Iguaçu a Caldas Novas-GO (1.320kms).

 

            Com muito planejamento e, mais uma vez, com a ajuda do Mochileiros.com, conseguimos executar quase que perfeitamente esse cronograma. A exceção ficou por conta da volta, onde acabamos trocando algumas cidades. Detalhe: reservamos todos os hotéis até Antofagasta. Para o percurso de volta, não agendamos hotel nenhum.

            Esqueci de mencionar quem foi nessa viagem. Os integrantes originais foram eu, minha esposa Lidiane, minha cunhada Carolina e minha sogra Dionízia (que não sabia que iria). Nós quatro viajamos com o carro da Dionízia: um Toyota Corolla. Já com os hotéis reservados, ou seja, com a viagem marcada, andamos convidando um monte de gente. Entretanto, quem apenas aceitou a empreitada foram os nossos amigos de Itapema-SC: “Comissário” Alcivar e sua esposa Maria. Eles viajaram com o seu motorhome.

           

            E, por fim, acredito ser necessário informar sobre a documentação que levamos – algo que também pesquisei bastante no Mochileiros.com e na internet em geral.

 

- Documentos de carro financiado: era o nosso caso. Pesquisei na internet e li relatos de gente que pediu uma autorização da financiadora para viajar com o veículo no exterior. Fizemos isso – no nosso caso, pelo banco Itaú. Já vou adiantando que os funcionários do banco nem sabem o que é isso; você tem que explicar. E, se possível, peça para um funcionário de sua confiança, senão são grandes as chances de o seu pedido ser engavetado. No nosso caso, do pedido à entrega do documento, levou uma semana ou um pouquinho a mais. Daí, depois, você precisa ir a um cartório que faça o tal “apostilamento” no documento da autorização da financiadora – não são todos os cartórios que fazem, mas também não é nenhum suplício achar um que faça. Até a pouco tempo atrás, precisava-se de um carimbo da embaixada ou consulado nessa autorização. Hoje, não mais. O que vale é o tal do apostilamento. Então, pra resumir: primeiro, peça a autorização para viajar com o carro financiado no exterior para o banco que financiou o seu veículo. Depois que você tem em mãos esse documento, leve-o num cartório que faça o “apostilamento” (que nada mais é do que um “carimbasso” do cartório). Feito isso, você já está autorizado para viajar com o seu carro financiado.

            O mais engraçado vem agora: depois de toda essa explicação, de todos esses trâmites realizados, sabe o que nos aconteceu durante a viagem? Nada! Ninguém cogitou, ou sequer pensou em solicitar esse documento! Na verdade, o que eu acredito é o seguinte: as autoridades muito provavelmente solicitam esses documentos quando o carro está sob o leasing, situação em que “proprietário” do veículo é o banco, e não você. Quando é um financiamento normal, consta o seu nome como proprietário do veículo e apenas uma pequena observação no documento, algo que os guardas não percebem.

            Outro detalhe: o carro em que viajamos estava no nome da Carolina, o que não gerou problemas por obviamente ela estar junto conosco.

 

            - CNH: somente a normal serve. Ouvi alguma coisa dizendo que no Chile era necessário levar a PID – carteira internacional. Receoso, acabei fazendo. Pedi para minha irmã fazer em Santa Catarina, onde paguei menos do que cem reais. Em Goiás, onde temos um dos IPVAs mais caros do Brasil (isso se não for realmente o mais caro), a taxa era absurda, beirando uns quinhentos reais. Enfim: também não foi necessário. Ninguém solicitou esse documento, que nada mais é do que uma cadernetinha bem simples, contendo a sua habilitação impressa e algumas informações escritas em algumas línguas. Aliás, em todo o Chile, não fomos parados por nenhum guarda de trânsito.

           

            - Cambão: esse é um assunto polêmico. Ou seria “chato”??? Vou começar esse relato pelo final: ninguém solicitou a desgraça desse cambão! Mas, meus amigos, eu insisti em ter esse pedaço de ferro no nosso carro. E o motivo, eu lhes explico agora.

            O ano era 2012. Estava eu e minha esposa desfrutando de uma bela lua de mel pela Argentina. Entramos pelo país portenho por Foz do Iguaçu, de carro, e fomos até Bariloche, parando por algumas cidades. Eu já sabia da exigência do cambão, mas, como não havia achado para comprar, não levei. E assim seguimos a nossa viagem satisfeitos. Os guardas nos paravam, solicitavam os documentos muito cordialmente, e muito cordialmente nos liberavam. Estava tudo muito bem, muito lindo, literalmente uma lua de mel! Até que, na volta, passamos por aquela região próxima a Buenos Aires. Foi ali que um guarda “filho da mãe”, depois de verificar os documentos, começou a solicitar kit de primeiros socorros (que tínhamos), “mata-fuego” (tínhamos também), dois triângulos (tínhamos, mas daí eu comecei a estranhar...) e, por último (ele quaaaase nos libera, mas daí ele lembrou...) ... “Cambão, cambão” – solicitou o guarda corrupto, com um sorriso no rosto. Expliquei que havia viajado até Bariloche, diversos guardas nos haviam parado e ninguém havia solicitado. Não adiantou. Sem fazer rodeios, ele disse que a multa era 600 pesos (R$ 300,00 na época) ou poderia negociar a propina. Tremendamente assustado com aquela situação, acabamos pagando 300 pesos para o guarda corrupto que, como se não bastasse, me fez entregar o dinheiro escondido e ainda depois fez um sinal de positivo para os outros guardas corruptos, que abriram os seus salafrários sorrisos. Saindo dali, fomos parados por mais uns três guardas corruptos, que seguiram o mesmo script, esquecendo “apenas” do grand-finale: exigir o cambão. Só depois eu fiquei sabendo que naquela ruta em específico, perto de Buenos Aires, é que os policiais camineros são os mais corruptos e propineiros possíveis.

            Enfim... passei uma raiva e um medo do qual não queria passar de novo. Por isso, esforcei-me em ter esse cambão no carro. Não foi fácil achá-lo. Estávamos um dia em Goiânia e decidimos ligar para várias auto-peças solicitando o dito cujo. A maioria das reações eram: “O que é isso, moço?” Os poucos que sabiam o que eram nos alertavam: “Moço, isso é proibido de usar.” De uns 15 estabelecimentos que ligamos, somente um tinha o tal cambão: R$ 200,00. Já íamos pedindo para fazer a entrega, quando, a Lidiane decide pesquisar um pouco mais. Um senhor atencioso atendeu a ligação dela, ela perguntou do cambão, e o senhor respondeu: “Moça, eu tenho um aqui, mas não está a venda. Eu pedi pra um serralheiro fazer pra mim; porquê você não faz o mesmo?” Agora, a parte cômica: a Dionísia, que estava junto conosco, lembrou que era proprietária de uma loja de materiais de construção e que, no depósito da loja, havia vários canos de ferro galvanizado, de vários tamanhos. Ela também tinha o maquinário necessário para cortar os canos e mão de obra disponível. Pronto: estava resolvido o problema do cambão! Foram cortados três pedaços de 50 centímetros cada e colocados parafusos e correntes nos ferros.

 

            Kit de primeiros socorros, dois triângulos, extintor de incêndio: não pediram, mas, se um dia voltar, levarei outra vez.

 

            Seguros carta-verdes: obviamente, faça o seguro no nome do proprietário do veículo! Não fizemos isso (não por falta de insistência minha) e acabamos tendo um contra-tempo no terceiro dia de viagem, do qual explicarei mais adiante.

            Para a Argentina, o seguro carta-verde normal. Para o Chile, disseram por aqui que é necessário o seguro Soapex. Tentei fazer pelo site, como indicado também aqui pelo Mochileiros.com, mas dava erro na hora de efetuar o pagamento. A nossa seguradora acabou fazendo o seguro carta verde para o Chile também. Lá na aduana do Chile, não nos foi solicitado nenhum seguro. Também, como já mencionei, não fomos parados por nenhum guarda chileno durante a nossa viagem. Ainda na aduana, perguntei do seguro Soapex para um dos agentes, que respondeu-me sem titubear que não era necessário. Enfim, fiquei sem entender. O Alcivar, que gosta de fazer o seguro na aduana, acabou não encontrando ninguém que o fizesse e por fim entrou no Chile sem seguro nenhum.

 

            Outros detalhes: o Alcivar entrou com o motorhome contendo um engate traseiro (aquela bola), que parece que é proibido usar na Argentina. Como ele sempre andava atrás de nós, acabou sendo parado poucas vezes pela polícia (comparado com a nossa viagem de 2012, acredito que fomos parados bem menos vezes). Nas poucas vezes em que foi parado, os policiais não falaram nada sobre o tal engate.

            O seu motorhome já tinha também aquele indicador de velocidade máxima na traseira do veículo. Detalhe: o adesivo era bem pequeno em comparação com os que usualmente são usados nas camionetes argentinas. Também não teve problemas com isso.

 

            Moedas: para trocar os seus reais por pesos argentinos é melhor efetuar o câmbio em uma das diversas lojas de Foz do Iguaçú, onde são mais vantajosas. O melhor câmbio que eu achei foi na rede Scappini Câmbio (www.scappinicambio.com.br). Tem também uma loja pequena, a KM Câmbio e Turismo, em que o peso estava ainda mais barato do que na Scappini, mas não troquei lá pois eles não abrem aos domingos.

            Quanto aos pesos chilenos, a dica é levar dólares e trocá-los pela moeda local em San Pedro de Atacama, na famosa calle Toconao, rua transversal com a calle Caracoles, onde ali há diversas casas de câmbio. A que eu troquei chama-se Gambarte, que estava com a melhor cotação em nível disparado. Não teime: compensa trocar reais por dólares e dólares por pesos chilenos do que apenas trocar reais por pesos chilenos. Informações que li a respeito: http://www.viajenaviagem.com/2015/09/viagem-cambio-dicas

http://www.mochileiros.com/atacama-7-dias-out-2016-passeios-dicas-e-toda-informacao-que-voce-precisa-saber-fotos-t135115.html

            Informações a respeito dos valores eu passarei mais adiante.

 

            Enfim...,acho que foi isso.

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Dia 1 – Sábado, 11 de março de 2016.

            De Caldas Novas-GO a Foz do Iguaçu-PR.

 

            Acordamos um pouco antes das 4h00 da manhã. O dia seria longo: rodar mais de 1.300 quilômetros até a cidade fronteiriça Foz do Iguaçu-PR. Sabíamos que, mesmo saindo muito cedo, chegaríamos lá no início da noite.

            Deixamos todas as malas prontas no dia anterior, mas mesmo assim conseguimos partir de Caldas Novas somente as 4h30. A Dionísia foi dirigindo no começo, enquanto eu tentei dormir um pouco mais. Não deu: estava muito animado com a viagem! Já em Itumbiara-GO, assumi o volante.

            Entramos no Triângulo Mineiro e o cruzamos, passando pela região de Prata e Frutal. Impressionante como a BR-153 melhorou depois que se tornou pedagiada. Antigamente era virada num bagaço, cheia de enormes crateras e sem acostamentos. Brasil, né! Ou privatiza, ou não tem jeito...

            Atravessamos o Estado de São Paulo passando por São José do Rio Preto, Lins, Marília e Assis. Nessa última cidade paramos num posto onde tinha um restaurante e lanchonete muito bom (Tucuman é o nome do estabelecimento). A Lidiane comeu por quilo, que saiu por volta de R$ 20,00. Eu pedi um x-salada, que era uns R$ 11,00, mas acho que o chapeiro (que era um “véio” de bigode, provavelmente o dono do estabelecimento) fez um x-tudo, que sairia por uns R$ 15,00. A Dionísia acabou pagando a conta. Na saída, perguntei ao chapeiro quantos quilômetros tinha até Foz do Iguaçu. “600 quilômetros” – foi a resposta. Confesso que dei uma desanimadinha.

            Um detalhe: tem uma das tecnologias modernas da qual eu não faço uso corriqueiro, como a grande maioria o faz. É o uso do GPS. Prefiro os mapas, de papel mesmo, para o desespero do meu pai, que ama os GPS´s! Ano passado fizemos juntos uma viagem de motorhome, de Goiás até Natal-RN e de Natal-RN até Itapema-SC. A viagem foi toda guiada pelo GPS do motorhome. A cada vez que eu pegava o mapa Guia 4 Rodas, eu tomava uma “bronca” (rsrs). Referente a essa viagem, o que eu fiz foi o seguinte: nas rodovias, usei somente o mapa físico. Dentro das cidades, usava o mapa impresso do Google Maps (imprimi os trajetos necessários, como, por exemplo, da entrada da cidade até o hotel, do hotel até determinado ponto turístico e assim por diante) e, como auxílio, o aplicativo Waze, que funciona sem internet.

            Voltando a viagem do dia: rodamos o interior do Paraná, passando por Londrina, Maringá, Campo Mourão, Cascavel e, por fim, Foz do Iguaçu. O relógio marcava 20h00. Chegamos na cidade e facilmente achamos o nosso hotel escolhido: Vivaldi Cataratas, um hotel muito bom, novo, que fica na beira da rodovia, logo na entrada da cidade. Pagamos R$ 356,80 por um quarto com uma cama de casal e duas de solteiro, por duas pernoites. Não tivemos o que nos queixar do hotel.

            Chegando lá, já encontramos o motorhome do Alcivar estacionado na frente do hotel – eu havia previamente passado o endereço e foto do hotel para o Alcivar. Eles estavam lá já fazia uns dois dias, e estavam fazendo compras no Paraguai (sendo enganados pelos paraguaios rsrsrs). Achamos melhor fazer primeiro o check-in, colocar as malas para dentro do quarto, para depois cumprimentarmos o Alcivar e a Maria, que ficaram muito felizes de nos reencontrar.

            Cansados, apenas tomamos banho e fomos dormir. Antes, porém, já combinamos de ir passear no outro dia pela manhã para as Cataratas do Iguaçu. O Alcivarainda queria que fôssemos para o Paraguai. Ninguém animou – para a minha alegria.

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Dia 2 – Domingo, 12 de março de 2017.

            Passeio nas Cataratas do Iguaçu.

 

            Acordamos pela manhã e tomamos um gostoso café da manhã. O Alcivar não queria tirar o seu motorhome do local onde estava estacionado, logo decidimos ir para as Cataratas somente com o Corolla.

            Era um bonito domingo ensolarado. Quando chegamos ao parque, o cenário não poderia ser outro: estava cheio! Uma fila muito grande! Fiquei receoso com o tempo de espera na fila, mas não estressei, afinal eram férias. O estacionamento, próprio do parque, custou R$ 22,00. Quando chegamos na fila, tivemos a sorte de contar com a fila preferencial para pessoas com mais de 60 anos. O Alcivar entrou nela e comprou todas as nossas entradas: R$ 38,30 por pessoa.

            Agora, pegamos a fila – que não estava grande – para pegar o ônibus até as cataratas. Tivemos sorte mais uma vez: conseguimos pegar um ônibus com a parte de cima ao lar livre, onde escolhemos ficar. Durante esse trajeto, o veículo para poucas vezes para pessoas que vão fazer os passeios não convencionais, como trilhas, por exemplo.

            Chegando ao seu destino, o ônibus para em frente a um bonito hotel rosa e, em frente ao hotel, do lado em que descemos, fica o início do caminho para as cataratas. Assim que descemos, já somos recepcionados pelos engraçados quatis. Todo mundo fica encantando com esses bichinhos até que, chega outro ônibus qualquer, e eles vão “recepcionar” os agora novos visitantes. Na verdade, o que acontece é o seguinte: eles vêm atrás de nós em busca de comida; como ninguém dá nada (é até desaconselhável ou proibido fazer isso), eles – interesseiros – vão atrás dos novos turistas. E assim segue a rotina deles (rsrsrs).

            Assim que adentramos no caminho das cataratas, já somos agraciados com as belas paisagens. É muito gratificante vislumbrar aquele cenário criado por Deus. Conforme íamos seguindo o caminho, parávamos nos mirantes para tirar fotos e mais fotos. O parque estava cheio, mas nada que atrapalhasse o passeio. Eu já estava todo suado – a umidade era muito alta. Quando chegamos lá embaixo, nas passarelas que chegam mais perto das cataratas, já estava todo molhado de suor – parecia que eu tinha jogado intensivamente uma partida de futebol. Logo, passar por aquelas passarelas é uma boa pedida.

 

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Da esquerda para a direita: Dionízia, Maria, Alcivar, Lidiane e eu.

 

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Da esquerda para a direita: Carolina, Dionízia, Lidiane, eu e Alcivar.

 

Na saída, subimos umas poucas escadas e já estávamos no ponto de espera do ônibus de retorno. Parece que tem um elevador também, mas a fila para entrar nele estava muito enrolada.

            Durante o passeio, encontramos não poucos turistas argentinos, paraguaios, bolivianos, japoneses e uns mochileiros que não consegui identificar se eram norte-americanos ou europeus.

            Quando saímos do parque, o relógio já marcava um pouco mais de 13h00. Passamos em frente ao Museu de Cera, mas eu já havia olhado algumas fotos de quem tinha ido e não gostei do que vi. Estávamos todos com fome e por isso ninguém fez muita questão de visitá-lo. O clima havia mudado drasticamente: de um forte sol e céu limpo, passou para ventos fortes e nuvens escuras.

            Dali, seguimos direto para o Marco das Três Fronteiras, onde a intenção era, além de visitar o local, almoçar no restaurante Cabeza de La Vaca. Não deu. Chegamos lá e fomos informados pelo segurança que o local abriria as 14h00. Faltavam 20 minutos. Daí eu fui dar uma espiada e verifiquei que o restaurante estava vazio, sem nenhum funcionário trabalhando. Perguntei novamente ao segurança como é que funcionava o esquema. Então ele explicou que a visitação ali é forte nos finais da tarde, onde o pessoal visita o local para apreciar o por do sol e assistir a um espetáculo de danças tradicionais. Fomos embora dali com a intenção de voltar mais tarde.

            Como não achávamos restaurantes abertos e, o Alcivar querendo almoçar numa churrascaria e a Carolina sendo vegetariana, decidimos almoçar numa democrática praça de alimentação de shopping. Escolhemos o shopping do centro. Todos escolheram comida a quilo e eu encarei um sanduíche do Burger King.

            Depois do almoço, voltamos ao hotel e descansamos um pouco. As 18h00 eu e o Alcivar fomos fazer o câmbio. Eu já havia feito as cotações por telefone durante a semana que antecedeu a viagem e, a melhor cotação que encontrei foi na rede Scappini (www.scappinicambio.com.br), que possui várias lojas espalhadas pela cidade de Foz. A cotação deles era 1 Peso argentino = R$ 0,21. O peso argentino, no valor comercial, valia R$ 0,20. Escolhemos procurar um dos estabelecimentos da Scappini na Avenida Juscelino Kubitschek, e entramos na primeira que encontramos: uma loja dentro do Supermercado Muffato (tem uma no Big também, na mesma avenida). Pelas minhas pesquisas, julguei ser necessário trocar R$ 4.000,00 em pesos argentinos, o que acabou sendo muito e, só não sobrou bastante no final da viagem, pois os poucos pesos que o Alcivar trocou acabaram durante a viagem e eu tive que emprestar pra ele (o Alcivar confiou demais na “tarjeta”, que muitos lugares não aceitavam). Enfim, com os R$ 4.000,00 que eu troquei, mais com os R$ 3.000,00 da Dionísia e da Carol, gerou a bagatela de 33.333,33 pesos argentinos! A conferência do dinheiro ficou por conta de uma máquina de contar cédulas. Meu amigo, pense no montante de notas de 100,00 pesos (equivalentes a R$ 21,00) que eu coloquei na mochila! Parecia operação de tráfico de drogas (rsrsrs). Recebi também algumas poucas notas de 500 pesos, que são novas. A maluca da Cristina Kirchner não queria lançar essas notas para não admitir a forte inflação que assolou a Argentina...

            Com o câmbio realizado, aproveitamos e fizemos algumas compras no supermercado para a viagem de amanhã: chocolates, bolachas, salgadinhos, refrigerantes, águas e outras coisas desse tipo.

            Na volta para o hotel, parei num posto e enchi o tanque do carro, pois já sabia que a gasolina estava mais cara na Argentina. Chegamos ao hotel, encontramos o pessoal ainda com preguiça e então decidimos pedir uma pizza e jantar no quarto mesmo. E assim, dessa maneira pacata, acabou o nosso segundo dia de viagem.

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Dia 3 – segunda-feira, 13 de março de 2017.

De Foz do Iguaçu a Corrientes.

 

O objetivo do dia de hoje era fazer uma viagem curta até Corrientes, na Argentina: 621 quilômetros. Planejamos de antemão essa distância para a viagem não ficar muito cansativa.

Levantamos por volta das 7h00. Fazia um bonito dia de sol. Tomamos café e colocamos as malas no carro. O Alcivar ainda levou uma meia hora para consertar um cano que ficava abaixo do motorhome. Partimos rumo a fronteira, mas antes o Alcivar teve que parar numa borracharia para colocar um pino especial nos pneus traseiros do seu veículo, que são trucados. Levou mais uns 40 minutos. Dali retomamos o nosso rumo e, antes de entrar na aduana, o Alcivar encostou num estabelecimento, que fica ali perto da aduana mesmo, para fazer o seu seguro carta-verde. Nós já havíamos feito o nosso. O procedimento para fazer o seguro foi rápido.

Então, o que era para ser um começo de viagem tranqüila, virou um certo caos. Chegamos na aduana e, primeiro, o Alcivar parou onde não era necessário. Eu fiquei esperando e, como ele não vinha, fui atrás dele. Resolvido o mal entendido, continuamos a nossa jornada atrapalhada. O Alcivar entrou numa fila e eu entrei atrás dele. Quando estava chegando a nossa vez, um agente da aduana nos informou que eu havia pego a fila errada, que eram de veículos de grande porte. Lá fui eu novamente refazer o caminho. Entrei na fila correta, um agente perguntou para onde estávamos indo, carimbou os nossos passaportes e nos mandou seguir “adelante”.

Logo em seguida teria a vistoria dos veículos. O nosso agente estava estressado, talvez pelo fato de termos chegado ali logo na hora em que ele estava tomando o seu chimarrão. Perguntou para onde estávamos indo e mandou eu abrir o porta-malas. Deu uma olhada nas malas e pediu o seguro carta-verde. Entreguei o documento pra ele e, como eu temia, ele perguntou o por quê de o seguro estar no nome da Dionísia e não no nome da Carolina, que era a proprietária do carro. Nesse momento, eu tive vontade de me teletransportar até a agência de seguros e “grudar” no pescoço da corretora responsável pelo documento assim como o Homer Simpson faz com o Bart.

Voltemos há uns 15 dias atrás. Mandamos fazer o carta-verde com a mesma corretora que já faz o seguro normal do carro e da casa da Dionísia. Quando ela entregou o carta-verde no nome da Dionísia e não no nome da Carolina, eu questionei com as meninas. As meninas questionaram com ela. E ela veio com uma “conversinha” fiada de que o seguro normal do carro já estava no nome da Dionísia e por isso o carta verde tinha que sair no nome dela também. Eu não engoli essa conversa. Cheguei a dizer na época: “Não é ela que vai ter que lidar com a Polícia Caminera!” Mas daí, “é o Flavinho que é enjuado”, “o Flavinho é isso”, “o Flavinho é aquilo”. E, como eu já havia insistido com o cambão, não queria comprar outra briga. E assim deixamos. E agora estávamos com um pepino nas mãos.

Voltando ao agente estressado... Mantive a calma e expliquei com firmeza para ele o que a corretora explicou. Não adiantou. O cara levantou ainda mais a voz e começou a brigar comigo. Mas mesmo assim ele nos liberou, mas não parava de enfatizar que estávamos errados. Eu entrei no carro, reclamei o óbvio com a Lidiane e o agente bateu a minha porta. Nisso o Alcivar passou um rádio perguntando se havia dado algum problema. Eu respondi pra ele o que havia acontecido e ele falou para seguirmos a viagem. Ele seguiu com o seu motorhome e eu fiquei parado, perguntando para as meninas se voltávamos para fazer um seguro novo naquele mesmo local onde o Alcivar tinha feito o dele. Ficou todo mundo indeciso. E o Alcivar nos chamando pelo rádio... Decidimos seguir em frente.

Daí, sem sabermos o motivo, o Alcivar entrou em Puerto Iguazu! ::putz::::putz::::putz:: Eu, que já estava atordoado com toda aquela situação, indaguei-me por que motivos o Alcivar tinha entrado ali. Encostamos para esperar ele voltar e, inacreditavelmente, vimos ele adentrar mais ainda na cidade que não tinha nada a ver com o planejado do roteiro! Aquilo foi a deixa para eu decidir sozinho voltar e fazer um seguro carta verde novo. Psicologicamente, aquilo não foi fácil. Mas era necessário, afinal, se aquele agente já havia se estressado todo, imagina um policial caminero corrupto!!!

Voltamos e, por sorte, acabou não demorando. Explicamos para um policial que estávamos saindo para fazer o seguro e ele nos mandou por uma passagem onde não era necessário pegar fila. Chegamos ao estabelecimento em questão e, como não havia mais ninguém lá, fizemos rapidamente o seguro carta verde, ao custo de R$ 80,00. E, assim, voltamos novamente para a aduana. Mais uma vez não pegamos fila e, na hora da vistoria do veículo, pegamos uma mocinha tímida, que simplesmente perguntou para onde estávamos indo e se tínhamos o tal seguro. Respondemos que sim e ela nos mandou seguir, sem vistoriar carro e nem documentação. Conclusão que eu tirei? Toda uma dor de cabeça causada por PREGUIÇA da corretora que não quis trocar uma droga de nome no documento!!! Passado o imbróglio, a Carolina disse: “1 x 0 pro Flavinho.”

Chegamos então no mesmo local onde o Alcivar se perdeu de nós. Acreditávamos que ele estaria esperando por ali nas margens da rodovia, o que não aconteceu. Já era quase 11h00 e nem havíamos saído do lugar! Decidi sozinho, seguir viagem rumo a Ruta 12, acreditando que encontraria o Alcivar em algum ponto da viagem. As meninas estavam apreensivas. Eu, estava irritado com toda aquela situação. Rodamos uns 20 quilômetros. “Será que voltamos para procurar o Alcivar em Puerto Iguazu?” – perguntou uma das meninas. “Isso não faz sentido.” – respondi.

Chegamos então a um grande posto da Polícia Caminera. Um guarda nos parou, pediu os documentos e pediu que abrisse o porta malas. Deu uma olhada superficial na bagagem e nos liberou sem problemas. Resolvemos então encostar o carro (num local em que os mesmos policiais não causassem problemas) para perguntar a eles se haviam visto um motorhome, ou um trailer, passar por ali. Tive que perguntar para uns três policiais, até que teve um que disse que viu passar um motorhome por ali.

Retomamos o nosso rumo e, uns 20 quilômetros depois, encontramos de longe o motorhome do Alcivar na entrada de um posto Shell. Todos, de ambos os veículos, ficaram “emocionados”, ou aliviados. Nem fiz questão de parar o carro (pois senão ficaríamos mais tempo parados perguntando isso e aquilo, etc...) e fiz sinal para o Alcivar no seguir. E, agora sim, estávamos seguindo a nossa viagem tranquilamente, sempre pela Ruta 12.

Já na parte da parte, por volta de umas 15h00, passamos por Posadas e decidimos entrar em Ituazingó para almoçar no mesmo cassino que eu e a Lidiane havíamos almoçado em 2012. Entramos na cidade, achamos o cassino facilmente (Hotel Cassino Manantiales) e descobrimos que agora o restaurante do estabelecimento só funcionava a noite. O Alcivar disse que ele e a Maria já haviam lanchado um pouco antes e, como nós também estávamos petiscando alguma coisa, decidimos tocar direto até Corrientes.

De Foz do Iguaçu até Corrientes pegamos uns três pedágios, e o valor total que pagamos em todos eles foi menos do que uns vinte reais – preço de um único pedágio paranaense. Antes de chegar a Corrientes, paramos num posto para abastecer e comprar refrigerantes, croissants e alfajores. Paguei no litro da gasolina a quantia de 22,99 pesos argentinos, ou R$ 4,82 o litro – acredito que foi a gasolina mais cara que paguei durante toda a viagem.

Chegamos em Corrientes por volta das 18h00 e conseguimos encontrar facilmente o nosso hotel – com a ajuda dos meus mapas impressos do Google Maps e do aplicativo Waze. O hotel escolhido foi o Corrientes Plaza Hotel, mesmo hotel que já havíamos ficado em 2012 (não sei se vocês já perceberam, mas eu sou um cara nostálgico rsrs). Gostei dele por estar encravado bem no centro e no calçadão da cidade, podendo fazer assim tudo a pé mesmo. Dessa vez – e assim seria na maior parte da viagem – eu e a Lidiane ficamos num quarto e a Carol mais a Dionísia ficaram em outro. Cada dupla pagou pelo quarto a quantia de 1.125,00 pesos (R$ 236,25) e, o estacionamento, a quantia de 150,00 pesos (R$ 31,50). Havia esquecido de ver essa questão do estacionamento na hora de reservar o hotel, mas eles já haviam avisado de antemão por e-mail. O Alcivar demorou um pouco mais (umas 3 horas) para encontrar um local adequado para encostar o seu motorhome.

Fizemos mais algumas compras de suprimentos no supermercado e, depois que reencontramos o Alcivar (que havia pego um táxi), fomos jantar em algum restaurante ali do calçadão – já era umas 22h30. Estávamos cansados e não ficamos escolhendo muito o restaurante. Escolhemos um qualquer e jantamos razoavelmente por R$ 44,10 por casal. Depois fomos embora descansar, pois amanhã a viagem seria mais longa.

 

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Dia 4 – terça-feira, 14 de março de 2017.

De Corrientes a Salta.

 

O objetivo do dia seria rodar até Salta, uma viagem “mediana” que totalizaria 836 quilômetros. Sendo assim, acordamos mais cedo, por volta de umas 7h00. Tomamos o café da manhã – que não é farto como o café da manhã brasileiro – e deixamos o hotel para encontrar o Alcivar, a Maria e o motorhome deles. Fazia um bonito dia de sol.

Encontramos o Alcivar não tão longe dali e partimos rumo a saída da cidade. O relógio marcava umas 8h00 e, por isso, o trânsito estava um pouco intenso. Entramos numa “rotonda” e eu saí dela logo em seguida. O Alcivar, não. Encostei e liguei o pisca alerta para esperar ele sair de lá. De repente ouvimos buzinas e eu vi pelo retrovisor carros parando – inclusive o motorhome – e motoristas saindo dos seus veículos. “Ah não... o Alcivar bateu em alguém!” – pensei. A Carol saiu do nosso carro para auxiliar o Alcivar naquela situação tensa. Logo em seguida eu também fui lá, e por fim a Dionízia também foi. Quando cheguei ao local, vi um argentino batendo boca com o Alcivar. Quando perguntei pra Carol o que tinha acontecido, ela respondeu: - “Foi o argentino que bateu no Alcivar.” Fiquei aliviadíssimo. O problema era que o argentino queria chamar a polícia e, obviamente, o Alcivar não queria, pois (1) iria atrasar em muito a nossa viagem e (2) não aconteceu praticamente nada em nenhum dos dois veículos. Também entrei na briga, mas para evitar problemas maiores, fornecemos o número do seguro carta verde do Alcivar e mais o número dos seus documentos (o Alcivar obviamente não queria fazer isso, pois daí o argentino encrenqueiro poderia fazer o B.O. do jeito que ele queria. Mas decidimos correr esse risco, até porque não aconteceu praticamente nada! Provavelmente o argentino queria acionar o seguro dele... vai saber...). Enquanto isso, a Maria olhava desconsoladoramente para o farolzinho verde que ficava na lateral do motorhome, que foi a única coisa que estragou no acidente. E a Dionízia ficou conversando com a mulher do argentino, que também parecia estar com “preguiça” daquela situação. O carro do argentino deu uma leve amassada, ou arranhado, como vocês podem ver na foto. Tiramos fotos dos documentos do argentino, assim como também da placa do seu carro, e fomos embora dali.

 

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A esposa do argentino barbeiro apontando para o "estrago" do carro deles.

 

Pegamos um pouco de engarrafamento, cruzamos a ponte, passamos por Resistencia e entramos na Ruta 16 (ou já havíamos entrado, não sei). Passamos por Província de la Plaza, Quitilipi, Saenz Peña e, em Pampa del Infierno, abastecemos e paramos um pouco para o Alcivar descansar. Paguei no litro da gasolina a quantia de 22,15 pesos (R$ 4,65).

Durante esse percurso, “almoçamos” sanduíche de queijo e tomate, acompanhado de uma boa e gelada Coca-Cola.

Após o descanso do Alcivar, continuamos a viagem, cruzando Los Frentones, Los Pirpintos e Monte Quemado. Se não me engano, é após essa Monte Quemado que a rodovia dá uma boa piorada, contendo alguns buracos significativos.

Alguns quilômetros antes de Joaquín V. Gonzales – se não me engano, em El Quebrachal – abasteci o carro com a gasolina argentina mais barata da viagem: 19,50 pesos (R$ 4,09).

Rodamos mais alguns quilômetros e agora entramos na Ruta 9, e seguimos rumo ao Norte cruzando Rio Piedras, Palomitas e Cabeza de Buey. Daí entramos na rodovia que dá acesso a Salta (não lembro o número da Ruta) e, por fim, chegamos a cidade destino por volta das 19h45.

Eu já estava com os meus mapas “posicionados” e com o Waze acionado. Já havia caído a noite. O Alcivar parou e me disse que queria encontrar um camping para encostar o motorhome. Não concordei com a idéia dele e mandei ele me seguir, pois acreditava que ele pudesse deixar o seu veículo no estacionamento do hotel que ficaríamos, ou pelo menos ali perto.

Encontramos o nosso hotel sem problemas, até porque ele fica localizado bem perto do centro da cidade. O motorhome, por ser muito maior que um carro convencional, demorava um pouco em certas curvas da cidade, e isso resultava em “buzinassos” de motoristas argentinos. Obviamente, isso desgastou o Alcivar, que já estava cansado pelo dia de viagem.

O hotel escolhido para ficarmos em Salta foi o Posada de las Nubes, um simpático hotel familiar que fica situado na calle Balcarce nº 639. O custo, para duas diárias, ficou por volta de R$ 360,00 (havíamos pago adiantado pelo Booking, o que não é aconselhável, visto que praticamente todo hotel argentino dá desconto se o pagamento for em “efectivo”). O hotel é recomendadíssimo. Atendimento 10, localização 10, roupa de cama 10 (segundo a Lidiane, Carol e Dionízia, foi a melhor roupa de cama que pegamos em toda a viagem – e olha que ficamos num hotel muito mais caro em Tilcara. A roupa de cama é super macia e limpa). O estacionamento é pago separadamente: cerca de R$ 25,00 por dia. O café da manhã é super simples, mas achei algo normal tratando-se de Argentina.

O motorhome não passava pela entrada do estacionamento do hotel. A solução, então, foi deixá-lo em frente ao hotel. O único custo era o da “Área Azul”: cerca de R$ 30,00 para ficar estacionado o dia inteiro.

Cansado, acabei indo dormir sem jantar. A Lidiane ficou comigo. A Carol e Dionízia foram jantar num bom restaurante que fica ao lado do hotel.

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Legal... bastante informacoes atualizadas e com preço!! Aguardando o resto da trip... vou fazer o msm roteiro em outubro...

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Dia 5 – quarta-feira, 15 de março de 2017.

Passeios em Salta.

 

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Entrada do Posada de Las Nubes, agradável hotel aonde ficamos hospedados em Salta.

 

Após uma ótima noite de descanso, nos levantamos e tomamos o café da manhã. O dia estava nublado e fazia um certo friozinho. Fomos tirar o Corolla do estacionamento para irmos até a Plaza 9 de Julio, porém um senhor nos disse que compensaria ir andando, visto que a praça era perto dali e que seria muito difícil acharmos uma vaga para estacionar. Decidimos seguir o conselho do prestativo senhor.

Com o meu mapa em mãos, fomos andando pela calle Bartolome Mitre, rua paralela a calle Balcarce, rumo a Plaza 9 de Julio. São apenas seis quadras até a praça e, por isso, chegamos rapidinho, caminhando sem pressa. A Carol ia tirando fotos das construções antigas.

Chegamos na simpática praça e, o primeiro local que fomos conhecer foi a Catedral Basílica, construída no século XIX. Depois passeamos pela Plaza 9 de Julio em si. Já se percebe que a população local tem traços indígenas mais marcantes. Em seguida, fomos até ao Museo de Arqueologia de Alta Montaña, que também fica ali, ao lado da praça. Como o museu só abriria às 11h00, decidimos passar o tempo passeando pelo comercio local: não compramos nada, só olhamos.

 

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Catedral Basílica da Plaza 9 de Julio.

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Interior da Catedral Basílica.

 

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Plaza 9 de Julio.

 

Assim que o relógio marcou 11h00, voltamos para o museu, que tem como o ponto alto da visita as exposições das múmias de crianças incas: são três, sendo expostas uma de cada vez, alternando-as de tempos em tempos. A que vimos foi a Niña de Rayo. Como é proibido tirar fotos das mesmas, tirei para vocês uma foto do informativo do museu contendo a foto e descrição de cada múmia. A entrada do museu custou 100 pesos por pessoa (R$ 21,00).

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Múmias de crianças do Museo Alta Montaña (é proibido tirar fotos da múmia que fica exposta no museu).

 

Quando saímos do museu, sentimos a mudança do clima: o tempo abriu e fazia um certo calor. Como a Carol tinha esquecido a sua Go Pro no hotel, decidimos voltar todos para o estabelecimento e aproveitamos para colocarmos roupas mais frescas.

Seguimos então – a pé novamente – para um restaurante muito bem conceituado pelo TripAdvisor: Él Charrua, situado na calle (ou avenida) Caseros, perto da Plaza 9 de Julio. Achamos facilmente o estabelecimento, mais uma vez com a ajuda do meu mapa impresso do Google Maps (rsrs). Eu e a Lidiane pedimos um bife de picanha com papas fritas, o Alcivar e a Maria idem, e a Carol mais a Dionízia pediram um macarrão de espinafre; bebemos água e mais uma garrafa de 1 litro da cerveza Salta. A conta da mesa ficou em 915,00 pesos, ou R$ 64,05 por casal. Achei barato – esperava uma conta bem mais salgada, até porque comemos muito bem.

Depois de comermos satisfatoriamente muita carne (com exceção da Carolina), seguimos até ao Teleférico San Bernardo, que fica há umas duas ou três quadras dali. Chegamos ao parque onde fica o teleférico e visitamos a feira local. A Lidiane e a Maria compraram alguns lenços.

Quando fomos comprar os tickets para o teleférico, a mulher perguntou para nós: “Ida e volta?” Eu e o Alcivar pensamos a mesma coisa e rimos da situação. Daí a mulher explicou que pode-se descer por uma trilha, que sai não sei aonde. Depois, quando chegamos lá em cima, também vi que algumas pessoas sobem de carro. O preço do teleférico, ida e volta, saiu a 150,00 pesos por pessoa (R$ 31,50).

Conforme subíamos, já podíamos visualizar uma boa paisagem da cidade. Particularmente, gosto muito de teleféricos – gosto mais daqueles de cadeirinhas. A paisagem em si não tem nada demais, pois é somente a visão da cidade. Lá em cima tem um pequeno parque com algumas cascatas. Tem também um mirante (ou mais, não lembro), uma lanchonete e umas barraquinhas de artesanatos. Aproveitei para comprar uma camisa nativa, que paguei 200,00 pesos (R$ 42,00), e uma touca, que paguei 75,00 pesos (R$ 15,75). Compramos também um presente para minha mãe e alguns imãs de geladeira. Quanto aos descontos, os vendedores não são muito afeitos a essa prática – o máximo que consegui foi dois imãs de geladeira que ganhei quando comprei a minha camisa.

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Na parte de cima do teleférico San Bernardo.

 

Escrevendo esse diário agora, me bateu um arrependimento de não ter comprado mais uma camisa nativa... Outra coisa que acho muito legal são aqueles jogos de xadrez com as peças personalizadas para a cultura local (algo muito comum no Nordeste brasileiro também): nas feirinhas de Salta tinham bastante desses jogos, assim como também em San Pedro de Atacama. Mas, como não sou um exímio xadrezista e, não tendo muito espaço para colocá-lo na nossa casa, acabei não comprando.

Passeio feito, compras feitas, hora de voltar para o hotel. As meninas ficaram com preguiça de voltar a pé; decidimos então pegar dois táxis, que saíram a um custo de 50,00 pesos (R$ 10,50) para cada carro. A Dionízia, que já estava intrigada com o comércio local que parecia estar sempre fechado, perguntou o motivo para o taxista. Ele respondeu que o costume local é trabalhar até as 11h00 ou 12h00 e, depois, aproveitar a “siesta” (aquele sono gostoso depois do almoço). O comércio, então, reabre a partir das 16h00, e funciona até umas 20h00. Eu, que sou adepto da sesta, gostei muito desse costume.

Ao chegar ao hotel, o pessoal foi dormir. Eu aproveitei para fazer algumas anotações e calcular os custos da viagem. Depois fui a um supermercado comprar alfajores e uma cerveza Salta litrão para um amigo. Já era noite e começou a chuviscar.

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Interior da Posada de Las Nubes.

 

Depois, fomos jantar no restaurante ao lado do hotel: Jovi Dos. Essa janta foi “engraçada”. Pedimos empolgados uma parrillada simples, pois tínhamos visto no almoço de hoje um grupo de argentinos comendo uma parrillada com a “boca boa”, que consiste em vários pedaços de carnes servidos na brasa. O problema era os tais pedaços de carne... Ao chegar o prato, peguei um pedaço de carne meio amarelada. Ao colocá-lo na boca, senti um gosto horrível. Pensei que era carne de porco mal passada. E acabei engolindo aquilo. Passei para a Lidiane experimentar, já que ela gosta de porco. Ela acabou cuspindo o pedaço de carne no seu prato. O Alcivar ficou curioso e também experimentou. Foi aí que ele diagnosticou que carne era aquela (o Alcivar trabalhou muitos anos no ramo frigorífico): “teta” de vaca. Na nossa parrillada tinha também tripas. O Alcivar, corajoso, experimentou uma e, muito discretamente, acabou cuspindo a tal tripa num guardanapo. E a nossa janta foi assim: a cada pedaço esquisito de carne, era uma emoção diferente ::lol4:: . O Alcivar queria reclamar com a garçonete pelo fato de ela não ter avisado que a parrillhada incluía tais pedaços exóticos para nós brasileiros. Desaconselhamos ele a fazer isso (rsrs). Ficamos imaginando se tivéssemos pedido uma “parrillada super”, e demos boas risadas da situação. Não lembrava de outra ocasião de ter pedido uma parrillada, mas então a Carol me recordou que uma vez, em Buenos Aires, pedi uma e, ao cortar uma morsilha (só pra ver como era, pois não comi), ela quase vomitou (rsrsrs). O total da janta ficou em 785,00 pesos, que incluiu, além da parrillada, um prato de nhoquis, papas fritas, purê de papas e água mineral = R$ 55,00 por casal. O restaurante é bom, nós é que pedimos o prato errado.

Depois caminhamos pela calle Balcarce no sentido contrário a Plaza 9 de Julio e acabamos descobrindo que ela tem um centro de barzinhos e restaurantes muito bacanas.

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Todos empolgados quando a parrillada foi servida - pelo semblante da Dionízia, parecia que ela já previa a cilada da qual entraríamos.

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    • Por MarisaBrugnara
      Destino: Deserto do Atacama. Vontade: dirigir por várias das estradas mais bonitas e inóspitas da nossa América do Sul.  Além disso, a gente só sabia que ia passar pela fronteira por Dionísio Cerqueira e ir seguindo o caminho mais curto que o GPS nos deu até lá. Não reservamos hostel, muito menos passeios. A pesquisa sobre documentação do carro, itens obrigatórios, clima e alguns destinos foi suficiente. O resto, o destino deu conta: uma rota sem roteiro.

      Antes de atravessar a fronteira, decidimos dormir em Francisco Beltrão que fica a 470 km de Curitiba, só pra descansar. Atravessamos a fronteira entre Dionísio Cerqueira e Bernardo de Irigoyen pra fazer o câmbio de reais para pesos e a Carta Verde já no lado argentino. Só é necessário preencher uma ficha de imigração na aduana informando seus dados pessoais e destino. GUARDE ESSA FICHA! Não cobram nenhuma taxa e não revistam o carro. O câmbio paralelo vale muito mais a pena do que o câmbio das casas de câmbio.
      1 real = 12 pesos – paralelo
      1 real = 8,5 pesos – casas de câmbio
      Carta verde: só existem 2 opções: 15 ou 30 dias. Pagamos (em reais mesmo) 100 reais pra 30 dias. Pedem o documento do carro, do motorista e tiram uma foto do carro.
      Os postos de gasolina ali aceitam reais ou pesos (enchemos o tanque em reais, pois valeu mais a pena).
      As estradas são ótimas na Argentina, e os pedágios quase inexistentes são baratos. Foram 4 ao todo, o mais barato 10 pesos e o mais caro 60 pesos.
      Recomendo parar em Ituzaingó pra dormir e abastecer o porta-malas com macarrão e empanadas, pois os mercados e lanchonetes são bem baratos. Além disso, é uma cidadezinha quente e “praiana” no meio do continente. O Rio Paraná passa por lá dividindo a Argentina e o Paraguai, e é usado como praia, muitos gaúchos preferem ir pra lá no verão ao invés de subir pras praias de Santa Catarina.
      Depois de Ituzaingó a viagem realmente começou. Assim que saímos da RN 12 e entramos na reta infinita da RN 16 a cor da bandeira da Argentina começa a fazer sentido. Um céu de azul imenso onde não se consegue enxergar o fim daquela terra encharcada pelos Chacos, tudo ainda a 200m do nível do mar. Vários povoados, algumas cidades grandes, muitas fazendas e várias opções de postos de combustível, ainda. As estradas são lisas e pouco movimentadas. Tivemos que ultrapassar caminhões pouquíssimas vezes, o cuidado maior é com animais atravessando a pista. Ambulantes vendem morangos gigantes e suculentos na estrada por apenas 80 pesos o kg.

      Decidimos parar para dormir em Monte Quemado, ponto de parada quase obrigatória para os motoqueiros. Tem apenas um hotel na beira da estrada que serve almoço e jantar, mas preferimos cozinhar macarrão com nosso fogareiro portátil. Economizamos muitos pesos com isso. A única parte ruim e esburacada da estrada dura uns 20km na saída de Monte Quemado. A partir daqui, já é possível enxergar a silhueta das montanhas que escondem as tão esperadas curvas.
      Depois da ferradura do mapa, começa o trecho mais surreal da viagem. Entramos na RN 9 – sem dúvidas, a rodovia mais bonita do norte da Argentina - e só o que se vê são montanhas. Por todos os lados. Secas, rochosas, com cactos, nevadas, de pedras, coloridas, rachadas, de todos os tipos possíveis. Alpacas, Vicunhas, Lhamas e Guanacos atravessam a rodovia e uma paisagem totalmente diferente aparece a cada km. Foto nenhuma é capaz de registrar essa imensidão.

      San Salvador de Jujuy é uma cidade enorme e barata. Perto dali ficam Purmamarca, Tilcara e Humahuaca: os passeios turísticos oferecidos por eles. Fique esperto com o horário de funcionamento do comércio: tudo fecha antes das 13 e reabre depois das 17.
      Encha o tanque em San Salvador de Jujuy. Depois dali, não há sinal de celular e o próximo posto fica a 200 km, em Susques. Mas não conte com isso! Um posto que fica a 3896 m de altitude nem sempre tem combustível. Não confie em todos os postos que aparecem no gps. Meu gps mostrou um numa cidade a 20 km de Jujuy. Chegamos lá, e era um posto desativado. Decidimos voltar a Jujuy para encher o tanque e garantir a viagem, foi a melhor decisão que tomamos. Dali pra frente, quase não há civilização.
      Então, conte com o trecho Jujuy > Paso de Jama  = 330 km. Não é necessário levar combustível extra.
      No hostel em Jujuy, fizemos o seguro de carro obrigatório para entrar no Chile: o Soapex. É feito pelo site mesmo, custou 12 dólares para 10 dias. Aqui, foi a primeira vez que reservamos um hostel, queríamos garantir pelo menos a primeira noite no Atacama pra decidir o que fazer nos outros dias. Encontramos 3 mineiros que estavam voltando do Atacama de moto. 1 deles, passou por algum objeto na pista e isso quebrou o cárter da moto, ele estava esperando o guincho pra voltar ao Brasil.

      Perguntamos a eles quanto tempo levaria nesse trecho Jujuy/ Atacama. Eles disseram que não faziam ideia, pois pararam tanto pra tirar foto de estrada, pedrinha verde, pedrinha amarela, plantinhas, nuvem, salares, curvas... que perderam as contas. E é fato, tambem não fazemos ideia de quanto tempo levamos. A cada km, a cada fim de curva, uma surpresa.  Pra esse trecho, saia cedo e aproveite o dia todo. Tínhamos pensado em parar em Susques pra dormir, mas conversando com eles vimos que não valia a pena, é um vilarejo com pouquíssimos hotéis caros e faz muito, muito frio.
      Depois de 2.000m de altitude, pisar no acelerador não é a mesma coisa. O carro vai perder potência, a luz do motor vai acender, o aviso de neve na pista vai aparecer. Mas quem fizer essa viagem vai entender que andar acima de 60km/h não é necessário – e nem é possível com tantas curvas de 180 graus.
      (Não é preciso ir até Humahuaca pra ver montanhas coloridas, elas estão por toda parte. Essa é a estrada entre San Salvador de Jujuy e Purmamarca).
      Atenção para a fronteira da Argentina com o Chile, o Paso de Jama: como fica a 4800m de altitude, às vezes fecha por condições meteorológicas. Conferir antes de sair nesse site:
      https://pasosfronterizos.com/paso-jama.php
      Ali em Jama, deixamos o carro estacionado e fomos fazer os trâmites aduaneiros. O frio, o vento e a altitude aceleram o coração e nos dão uma falta de ar repentina. Na aduana, pedem apenas nossas identidades, documento do carro, carteira de motorista do condutor e AQUELA FICHA que preenchemos na fronteira do Brasil com a Argentina. Isso acontece várias vezes em vários guichês diferentes. Carros particulares tem preferência na fila J (escapamos das filas enormes dos ônibus de turistas e do raio-x das malas). GUARDE TODOS OS PAPÉIS QUE A ADUANA TE ENTREGAR, eles serão devolvidos na volta. Depois, tivemos que parar o carro debaixo de uma parte coberta no meio da pista na saída da aduana, tirar tudo de dentro e colocar sobre uma mesa para o guarda abrir e apalpar todas as mochilas/sacolas/sacos de dormir e ver se não estávamos levando nada perecível – o controle deles é muito rígido com frutas e legumes, por isso levamos apenas macarrão, molho e enlatados para passar a fronteira. Se precisar, ali tem um posto de combustível, mas tocamos direto até o Atacama ainda com a gasolina de Jujuy.
      Depois de Jama, há uma declive imenso de uns 2500m de altitude durante 150 km até o Atacama, sempre vigiados pelo imponente vulcão Licancabur. Do lado direito, fica a Bolívia, e por todos os lados, cadeias de montanhas e vulcões. O vento forte dificulta a direção e quase tira o carro do chão quando carros passam do outro lado da pista.

      O ATACAMA
      O destino viajante veio a nosso favor mais uma vez. O hostel que havíamos reservado – Valle del Desierto - ficava retirado do centro da cidade (escolhemos assim pra ter um lugar seguro para deixar o carro, pois no centro é tudo muito apertado e não tem estacionamento) e era cuidado por um casal de brasileiros, o Gabriel e a Carol. Foi o melhor lugar que podíamos ter achado, com direito a churrasco brasileiro, fogueira nas noites mais frias e uma vista do Licancabur, que ficava em tons rosados todos os dias na hora do pôr do sol. Haviam várias kombis viajantes estacionadas e gente do mundo todo, pois era véspera do feriado das festas pátrias – do dia 14 ao dia 19 – e vários intercambistas de Santiago sobem para o deserto.
                 
      Ficamos cerca de 10 dias ali, na primeira semana aproveitamos o sossego, nos últimos 2 dias os banhos que eram ótimos já começaram a ficar frios devido ao feriado (o hostel  e a cidade ficaram lotados!).
      A cidade é bem pequena, e só há comércio voltado para o turismo.
      Há várias vendinhas, quitandas e sorveterias espalhadas pela cidade. Usamos várias, pois cozinhamos bastante no hostel. Nas vendinhas não há bebidas alcoólicas, pois elas só podem ser compradas em Botillerías por motivos de legislação. É seguro tomar água da torneira quando a cidade está vazia, quando está cheia, prefira água engarrafada.
      Como nem só de macarrão vive o viajante, comemos muitas empanadas, que são bem grandes, tem quase em todas as vendinhas e custam sempre cerca de 1500 pesos. Também tomamos muito chá de coca, que é um ótimo digestivo. Nem procure restaurantes, vá direto ao Los Carritos. A comida é MUITO boa e é o melhor custo benefício da cidade. Peça os nomes mais esquisitos e se surpreenda com o que vai vir. Pra quem está com fome: 2500 pesos. Pra quem está com muita fome: 3800 pesos. Tem opções vegetarianas também.
      Os sorvetes, a Chicha Cocida (que é uma bebida alcoólica) e o Mote com Huesilhos têm sabores muito diferentes de qualquer coisa que você já tenha comido. As pêras são mais suculentas, os cactos tem frutos e aquelas árvores com florzinhas amarelas deixam cair ao chão castanhas duras e doces. Guarde esses nomes e se surpreenda com os sabores: ayrampo, chañar, rica rica, algarrobo, pomelo rosado, llucuma.
      Como em setembro é o final do inverno, pegamos vários tipos de clima. O sol é a única certeza. Os narizes sangraram nos dias de 4% de umidade e nuvens apareceram no céu quando uma frente fria se aproximou. Nesses dias, já não era possível colocar shorts e camiseta durante o dia sem um corta-vento e as noites eram salvas pelas segundas peles e o saco de dormir usado sob as cobertas. Importante: leve pelo menos um conjunto de segunda pele, 1 par de meias de inverno e um saco de dormir simples, mesmo que seja no verão. Eles salvaram a minha vida. Durante algumas madrugadas, fizeram temperaturas negativas – mesmo não sendo típico da época do ano – e tive que dormir de segunda pele, dentro do saco de dormir, debaixo das cobertas do hostel! Quando esfriava assim durante a madrugada, dava pra perceber quando saíamos de manhã que os vulcões estavam mais brancos de neve que no dia anterior.
      Ir de carro traz liberdade, economia e a certeza de que é o caminho que faz a viagem valer a pena. Os passeios oferecidos pelas agências são bem caros e engessados. Como não tínhamos horário para sair e chegar, íamos pegando dicas com quem conversávamos pra decidir o próximo destino. San Pedro fica no centro do Atacama, e é impressionante como a paisagem muda ao redor, mesmo num raio de poucos quilômetros.
      Sal encrustado em rochas que parecem lunares e dunas gigantescas brilhando ao pôr do sol no Valle de la Luna, lugares jamais pisados pelo homem no Valle de Marte, uma vista surreal de montanhas intercaladas por outras montanhas na Piedra del Coyote, uma estrada com vento salgado e quente que termina na Laguna Tebinquinche, onde a vida parece não existir, mas existe. De repente, numa estrada que corta uma laguna seca, duas crateras cheias de água não tão salgada assim formam os Ojos del Salar. A surpresa maior fica com Toconao, a cidade vizinha que abriga o Valle de Jere - desconhecido até mesmo por alguns moradores de San Pedro – um oásis em meio ao nada, que foi habitado por alguns dos povos que deram origem a bandeira Wiphala e deixaram suas marcas nas rochas. Esses são os destinos mais bonitos e de estradas mais alucinantes de até 3000 pesos por pessoa para serem visitados ao redor de San Pedro.
        
      Há quem prefira mergulhar literalmente nas atrações naturais desse lugar. Para esses, existe a laguna Cejar por exemplo, onde é possível boiar em suas águas mais salgadas do que as do mar morto, por um preço que é tão salgado quanto ela (apenas a entrada é 15.000 pesos). Dispensamos também o passeio das Lagunas Altiplânicas - que custaria uns 80.000 pesos sem incluir as entradas – pois no caminho passamos por lagunas por toda parte e em todas as altitudes.
      Ah, o céu: não é preciso andar mais do que 2 metros na rua – ou no quintal do hostel mesmo -para conseguir enxergar todas as constelações, planetas, galáxias, estrelas cadentes. Ele faz valer a pena boca e nariz ressecados da baixa umidade, do sal, do sol e do frio. No hostel, um hóspede tinha um telescópio. Conseguimos ver a Lua e vênus em questão de segundos.
      ___________________________________________________
      Voltar pelo mesmo caminho da ida dá uma perspectiva totalmente diferente de todos os lugares que havíamos passado. Leve tudo que quiser, pois na fronteira por Jama do Chile pra Argentina não fazem revista no carro. Pegamos um clima tão diferente que a estrada parecia outra. Mais vento, mais neve. Tivemos o prazer de ver uma raposa chilena e um tatu atravessando a rua. Só ficamos devendo a Vizcacha, que com certeza passamos por várias, mas não conseguimos enxergar nenhuma.
      Na Argentina, há muita polícia rodoviária. Éramos parados em quase todas as saídas das cidades. Em uma das únicas duas vezes que pediram nossos documentos, demos carona a um policial – é bem normal pedirem carona nas estradas argentinas. Procuramos evitar por segurança, mas como era um policial, e íamos tocar direto até perto da fronteira, aceitamos.  Na outra que fomos parados, estava acontecendo um protesto de caminhoneiros: o policial pediu pra verificar os 2 triângulos e o extintor. Não é mito, levem!
      Há muitos relatos de polícia corrupta na Argentina, mas é mais ao sul da RN 14 onde o país se aproxima com o Uruguai. Antes de ir, havia conversado com um amigo Argentino e evitamos a fronteira por Uruguaiana exatamente por causa disso. Como queríamos entrar mais ao sul do Brasil do que na ida, passamos por São Borja. Eles pedem apenas os documentos, não revistam o carro, e cobram uma taxa de 450 pesos ou 57 reais por pessoa.

      IR DE AVIÃO NÃO TERIA A MENOR GRAÇA. VÁ DE CARRO!
       
      Resumo de infos mais importantes:
      Dinheiro na Argentina
      - Trocar reais por pesos na fronteira com a Argentina vale bem mais a pena do que no Brasil;
      - Não troque dinheiro em Jujuy, a cotação é péssima;
      Dinheiro no Chile
      - Em San Pedro de Atacama a cotação de reais para chilenos é ótima (para setembro desse ano: 1 real = 150 pesos chilenos, sendo que em Santiago estavam pagando 1 real = 158 pesos chilenos);
      - Não tem como indicar uma casa de câmbio, tem uma rua só pra elas e todo dia os valores mudam. O jeito é sair perguntando de uma em uma e negociar;
      - Deixar para trocar reais para pesos argentinos (para gastar na volta) no Atacama não é uma boa opção, a cotação é bem ruim;
      Carro
      - Evite estacionar o carro perto das esquinas das ruas. Escapamos de um acidente que teria dado PT no carro por pouco. Como o hostel não tinha estacionamento, deixamos o carro parado na rua ao lado na vaga perto da esquina. Um motorista argentino foi fazer a curva e perdeu o controle, passou raspando por nós e bateu no carro estacionado do outro lado da rua, que ficou com o eixo dianteiro totalmente quebrado e teve que ser guinchado.
      - Os itens obrigatórios são: extintor de incêndio e 2 triângulos. Cambão rígido, mortalha e etc é MITO.
      - A gasolina tanto na Argentina quanto no Chile custa praticamente o mesmo que pagamos no Brasil, as vezes até um pouco mais caro. Mas como é bem mais pura que a daqui rende MUITO mais. Na Argentina, usamos sempre a Super e no Chile, sempre a 93. Essas são as mais baratas.
      Documentos
      - Identidade com menos de 10 anos de expedição ou passaporte, ou um ou outro, tanto faz
      - Se o carro estiver no nome do motorista, apenas o documento do carro.
      - Fizemos a PID (permissão internacional para dirigir), mas em nenhum momento foi solicitada
      - Carta Verde: seguro obrigatório para o carro na Argentina. Não foi solicitada em nenhum momento também, nem na aduana.
      - Soapex: seguro obrigatório para o carro no Chile. Não foi solicitada em nenhum momento também, nem na aduana.
      Água
      - É tirada de poços. Tomamos direto da torneira sem problemas, só recomendamos comprar engarrafada se a cidade estiver cheia – muita gente polui a água -. Custa cerca de 1800 pesos o garrafão de 6l.
       

      Carro: Fiat Uno 1.0 2016/2017
      Km rodados: 5.500
      270 litros de gasolina: R$1.300,00
      Autonomia: 20km/l
      Pneus Furados: 0
      Troca de óleo feita antes da viagem
      Gps usado: Sygic
      Pouso mais caro/barato: 600 pesos por pessoa (Argentina) / 250 pesos por pessoa (Argentina)
      Gasolina mais cara/barata: 862 pesos (Chile) / 38 pesos (Argentina)
      Frase mais dita: “Olha essa estrada!”
      Gasto: aproximadamente R$2200,00 por pessoa. Levamos apenas reais em dinheiro vivo. Usamos cartão de crédito Nubank apenas para reservar hostel e fazer o Soapex.
      Duração: 20 dias

    • Por bruno.bortoloto-do-carmo
      Olá pessoal!
       
      Seguindo a tradição de sempre devolver um pouco que esse fórum lindo ajuda a gente nos nossos roteiros, aqui vai a nossa mochila(dinha) de 15 dias desse ano.
      Regina (minha namorada) e eu tivemos de férias, juntos,  os dias 15-07 a 30-07.
      ------------- Caso queiram complementar esse roteiro, vejam o dela nesse link, como ela fala em valores, eu vou focar em outros aspectos, bele? --------------
      Decidindo aproveitar o máximo, fizemos um roteiro que passamos pelas seguintes cidades:
      San Pedro de Atacama (3 dias) Uyuni (apenas passagem) Potosí (2 dias) Uyuni (1 dia) Oruro (apenas passagem) Patacamaya (apenas passagem) Sajama (5 dias) Arica (1 dia)  
      Foi mais ou menos assim:
       
      [aereo] São Paulo  - Santiago (15/07)
      Saímos daqui de São Paulo de noite, pra pegar aquela maratona de aéreos na madrugada. Nosso voô saiu à meia noite com destino a Santiago e a expectativa era ficar 1 ou 2 horinhas no aeroporto no Chile e já pegar o seguinte pra Calama.
      [aereo] Santiago - Calama (15/07)
      Nunca tínhamos pego vôos assim, foi bem cansativo. Além disso, esquecemos de pensar no fuso horário que adicionou uma hora a mais na brincadeira. Mas aguentamos firme, nos ferramos nas comidas de aeroporto que são uns 30% mais caras, mas enfim chegamos em Calama.
      Calama (15/07)
      Chegamos em Calama de manhãzinha, lá pelas 7h. Uma das vantagens de viajar nesses horários malucos é pegar o nascer do sol no avião🤩
       
                                         Vista do avião logo quando chegávamos em Calama
       
      [transfer] Calama - San Pedro de Atacama (15/07)
      Chegamos em Calama exaustos. Não conseguimos pensar me muita coisa além de ir no banheiro e buscar um transfer pra San Pedro. Na saída do aeroporto tem vários e, até onde saiba, todos confiáveis saindo a cada 15-20min.
      [transfer] Calama - San Pedro de Atacama (15/07)
      O transfer dura mais ou menos 1h (100km) numa estrada lindássa que já da pra ter uma ideia do que se vai encontrar pela frente. Obviamente dormimos metade, mas a outra metade apreciamos o rolê rs
      San Pedro de Atacama (15/07 a 18/07, 3 dias)
      Dia 1 (15/07)
      Chegando em San Pedro, pedimos para o motorista nos deixar no Ayllu de Larache. Tínhamos reservado no Airbnb do Jorge, que a indicação era nesse local. Aparentemente era um local facilimo de chegar, seguindo a calle Tocopilla um pouco depois de sair do centro do povoado. Tivemos uma pequena dor de cabeça pra encontrar um lugar que era mais fácil do que parecia. Andamos, andamos, andamos, andamos... Pensamos que Ayllu de Larache era uma espécie de rua ou viela que chegávamos da carretera; TODAVIA, CONTUDO, ENTRETANTO Ayllu é como eles chamam os pueblos que foram a cidade de San Pedro (tem o Ayllu de Larache, tem o Ayllu de Quitor, o Ayllu de Sequitor, etc. etc.).
      Resumindo: era só a gente ter saído da carretera que estávamos na frente da pousada deles. 😑😑😑
      Chegando finalmente lá, fomos recebidos pelo Jorge, é um cara muito simpático. Ele e o pai dele, o Don Antonio, construíram as cabanas e administram o lugar. Quando chegamos nosso quarto ainda não tava liberado. Eles nos receberam na propria casa deles, fizeram café/chá e assistimos a final da copa.
      Quando nosso quarto foi liberado fomos descarregar as coisas, tomar um banho e descansar um pouco. O banheiro é fora do quarto, mas super limpo, grande e confortável; água SUPER quente, o que conta bastante quando se vai tomar banho no fim da tarde (lá faz muito frio tarda pra noite).
       

                                                                  Nosso humilde jardim de frente na pousada do Jorge ❤️
      Mais a noite com as bateria carregadas, fomos pra cidade pra jantar e olhar preços de passeios. O Jorge sempre que está livre, se oferece pra dar caronas pra cidade no carro dele; mas é super perto, da uns 10-15min a pé, e mesmo a noite (apesar de escuro e precisar de uma lanterna) é bem tranquilo o caminho.
      Como boa parte do dia as pessoas estão fazendo os roteiros, a cidade começa a funcionar mesmo no meio da tarde e todas as agencias ficam abertas até umas 20h.
      Depois  de almoçar e fazer cambio na calle Caraoles (ali tem uma loja atrás da outra pra comparar a cotação), começamos a pesquisar preços de passeios. Fechamos com umas brasileiras no Janaj Pacha o roteiro das Lagunas Altiplanicas e o passeio Astronomico para o dia seguinte.  
       
      Dia 2 (16/07)
      No dia seguinte acordamos cedinho e saímos às 6 da matina pra nos arruar pro roteiro que tínhamos programado. Eles saem cedinho pra aproveitar bastante a manhã. O roteiro, além das Lagunas Aliplanicas, ainda passaríamos no Chaxa (aquele dos flamingos!) e nos povoados de Socaire e Toconao. Acho que de todos os rolês, é o que passa por mais lugares.
      Nossa van chegou britanicamente no horário e, como descobrimos ao longo do caminho, o motorista era competentíssimo e nos fez chegar em todas as atrações antes de um grande volume de turistas/vans se acumularem; ponto de ouro nesses rolês! Pegamos quase todas as atrações vazias e com pouquíssimas pessoas. 
      Apenas uma coisa: podemos até postar várias fotos aqui e vocês podem ver tantas outras: mas na real o bagulho é muito mais doido. Foto raramente da pra se ter escala das coisas, e no Atacama tudo é monumental, principalmente as Lagunas!

                                                          Vista das Lagunas (não lembro se essa era a Miscanti ou a Miñiques rs)
      Ah bom lembrar : as Lagunas ficam em local que bate 4.000m+ de altitude, então leve suas ojas de coca. Nesse rolê eu já descobri que meu organismo não se da muito bem quando passa dos 3.500m e comecei a experimentar dores de cabeça bem desagradáveis, principalmente depois da descida. A partir daqui, meu amigo de todos os dias (e noites!) foi uma boa cartela de paracetamol.
       
      Na volta nos deixaram na cidade lá pelas 13h. Almoçamos nos famosos trailers do centro da ciadade, melhor local pra conseguir uma comida simples e relativamente barata por San Pedro (infelizmente se gasta muito com comida). Daí passeamos um pouco pelo centro, mas logo voltamos pras cabanas porque minha dor de cabeça estava insuportável.
      Voltando, o Jorge nos indicou um mercadinho nas cercanias, onde fomos várias vezes fazer compras e economizamos MUITO. No nosso quarto ainda tinha uma mini-cozinha, então pudemos variar entre lanches e umas comidinhas rápidas. Recomendamos!
      Mais a noite, voltamos pro centro da cidade pra jantar e fechamos o roteiro astronômico com o proprio Janaj Pacha; importante ressaltar que, apesar de termos fechado com eles, por ser um roteiro bastante específico, eles repassam pra outra pessoa

      Comemos uma pizza de palta/abacate com palmito e azeitonas + cerveja cusqueña no Pachacutec, recomendamos!
      Dia 3 (17/07)
      No dia seguinte acordamos bem devagar, sem olhar no relógio e sem despertador. Passamos pela manhã novamente no mercado pra estocar água e comprar mais coisinhas pra viagem.
      Info importante pra quem quer ir à Uyuni sem ser pelo Salar: Também aproveitamos esse dia pra irmos até o centro novamente pra comprar a passagem de ônibus até Uyuni na Rodoviária.Existem três empresas que fazem o trajeto, mas apenas uma sai de San Pedro de Atacama: a Cruz del Norte, com saídas diárias às 3AM. As outras duas (Atacama 2000 e outra que não me lembro o nome) vendem em San Pedro mas só saem de Calama com saídas diárias às 5 e 6 da manhã, fazendo com que a pessoa vá pra lá um dia antes e pernoite por lá, já que o primeiro busão pra Calama é muito tarde pra conseguir pegar esse vai até Uyuni.
      Na dúvida, se forem fazer esse trajeto, vão de Cruz del Norte que é bem mais cômodo!
      De noite fomos para o roteiro Astronômico. Combinamos com as meninas do Janaj Pacha de nos encontrar umas 20:30 pra que elas nos apresentasse a galera que nos levaria. Como tínhamos jantado em caso nesse dia, buscamos um lugar pra tomar um café; mas um café CAFÉ. Toda pessoa que toma café diariamente tem um baque em San Pedro, porque lá eles só servem café instantaneo. Nossa busca nessa noite foi por isso! rs Único lugar que encontramos um foi no Barros Cafe e, olha, recomendamos!
      O roteiro em si foi ótimo e também recomendamos! Eles nos levam pra uma casa num local afastado da cidade onde estudantes de astronomia fazem essa atividade. Consiste basicamente em aprender a ler o céu estrelado (que em Atacama é BEM visível) e depois focalizar em estrelas, nebulosas, e planetas. Pra quem gosta, é prato cheio!
      [busão] Uyuni - Potosí (18/07)
      Jorge novamente foi MUITO solícito e nos ajudou a chegar ao centro da cidade às 3 da madrugada. Não pediu nada em troca da carona, mas fizemos questão de pagá-lo.
      Chegando lá tinham várias pessoas esperando (cerca de 10-15); o ônibus foi quase cheio. Seu caminho também passa por Calama, fazendo uma pausa longa pra encher o ônibus. A viagem em si é linda e sugiro que façam nesse horário, pois aproveitam a estrada do amanhecer até a tarde, vendo todas as mudanças de vegetação! É lindão! Você acaba nem percebendo as 10 horas de viagem rs

                                                                                      Vista da parada na migra -- que frio!! 
       
      [busão] Uyuni - Potosí (18/07)
      Chegando a Uyuni, como tínhamos desistido da ideia de ir ao Salar por que$$tões de ordem financeira, usamos a passagem só como pulo pra conhecer Potosí, um sonho antigo de historiador (o/). Chegando por lá, também não tinhamos boletos, mas não foi difícil de conseguir. Tem várias companhias que fazem a cada 15-30 min o caminho pra Potosí. Foram mais 4 horas de viagem, chegando já num limite de corpo/mente hehe
      Potosí (18/07 - 20/07, 2 dias) 
      Dia 1 (18/07)
      Chegamos no fim da tarde em Potosí. Alugamos o apartamento do Luís/Anita inteiro pelo Airbnb bem no centro, local perfeito. Mas melhor que a localização é o próprio apê: é um sobradinho antigo, onde eles moram na parte de cima e o apartamento dos fundos fica independente. Tem sala, cozinha equipada, banheir(ão!) e uma cama confortabilisisma. Depois de uma viagem laaaaaaaaarga como fizemos, foi um porto seguro chegar no apartamento deles!
      No dia saímos só pra jantar e dar uma breve reconhecida no quarteirão. Como estava tarde, não queríamos arriscar, mas pareceu bem tranquilo à noite.
      Além disso, Potosí fica a quase 4.100m acima do nível do mar, uma das cidades mais altas do mundo. Tive já na chegada problemas com a altitude e não tinha como ficar arriscando. O destino depois do jantar foi paracetamol, chá de coca e cobertor!

                       Nossa peatonal charmosa na noite que chegamos, linda demais!
      Dia 2 (19/07)
      Não tínhamos muitos planos pra Potosí. Sabia só que não queria fazer o tour antropologico de conhecer as minas (ainda em funcionamento) nem a praça onde os mineiros vão pra trocar cigarro. Mas Potosí é uma cidade colonial. E o que cidades coloniais tem de melhor? I-gre-jas!
      Primeiro fomos na base de turismo, que já fica numa antiga Torre de la Compañia de Jesus que os jesuítas construíram no séc. XVIII. Ali você pode já ver suas primeiras vistas panorâmicas da cidade, do alto da torre.
      Depois rumamos pro Convento de la Iglesia de San Francisco, onde você pode visitar os quartos dos antigos padres residentes, mas o prato principal é o mirador e as criptas! O mirador foi o melhor que visitamos, pois se pode percorrer por uma boa parte do telhado (e se não se segurar bem, o vento te leva!).

                                Vista do mirador da iglesia de San Francisco -- quem aí conhecia a versão Assassins' Creed Bolívia?
      A parte chata de Potosí, pelo menos pra mim? Dei game over no primeiro rolê. Dor de cabeça constante, não aguentei a altitude de lá. Fomos de lá direto pro apê e recolhemos os hominhos do campo. Sorte que uma baita chuva armou e, de fato, não íamos conseguir aproveitar muito mais. Nisso, valeu muito a pena mais uma vez a escolha do apê do Luís e da Anita!
       
       
      Dia 2 (20/07)
       
      No segundo e último dia em Potosí, tínhamos três missões: conhecer mais alguma igreja, trocar dinheiro e voltar a tempo do almoço para partirmos pra Uyuni novamente. Primeiro fomos na Iglesia Catedral que fica bem no centro do centro da cidade. É lindíssima e também possui um mirador do alto de uma das torres. Como Potosí é uma cidade bem alta e o centro não tem quase predio, os mirantes são sempre passeios bem legais rs

                                                      Mais um mirador pra conta, mais uma vista linda!
      Agora a missão trocar dinheiro: onde? Nos indicaram a Casa Fernandes, tradicional e segura, mas não vimos nenhum dos dias aberta. Daí indicaram o mercado em uma galeria perto do mercado municipal, que fica em uma praça na parte de trás da calle Junin. É uma galeria bem simples com boxes pequenos e, pelo que entendemos, todas fazem cambio!
       
      Missões cumpridas, voltamos pro apê pra almoçar e pegar nossas coisas e ir de volta pra Rodoviaria.
       
      [busão] Potosí - Uyuni (20/07)
       
      No caminho de volta, nenhuma surpresa. Vários ônibus diários de Potosí a Uyuni e super fácil de comprar. Chegando uma hora antes, é suficiente.
      Dica: Todos os terminais da Bolívia cobram taxa de embarque separadamente da passagem (alguém sobre no ônibus antes dele sair e vai cobrando). É coisa pouca, 1bob, mas é bom guardar moedas pra isso! Nós não guardamos e passamos vergonha haha
       
      Uyuni (20/07 a 21/07, 1 dia)
       
      Chegando a Uyuni já no fim da tarde, fomos pro nosso hostel. Alugamos um quarto privativo no Hostal Oro Blanco (https://www.hostaloroblancouyuni.com/). A cidade é bem pequena, e a área turística, então, ocupa uma dúzia de quarteirões no máximo.
       
      A cidade em si só existe como dormitório e suporte para os turistas que vão ao Salar. Como nossa intenção principal era chegar no parque Sajama, apenas dormimos no hostel para pegarmos o trem no dia seguinte a Oruro. E realmente, meio dia foi mais que suficiente pra uma cidade que não tem absolutamente nada haha
       
      Único destaque, caso passem por aqui, é o restaurante Pachamama. Ele fica logo virando a esquina à direita na peatonal em sentido contrário à estação ferrocarril. É um restaurante muito simples, que só uma vozinha boliviana atende; tenha paciência, pois ela anota os pedidos e faz a comida (e quando dizemos faz, ela FAZ, do começo ao fim). Muita gente entrou e saiu nervosa porque não foi atendido; nós não tínhamos pressa e fomos recompensados com a melhor comida de vó ❤️

                        Além de comida de vó, tem chazinho de coca vó! Aquece o coração ❤️ 
       
      [trem] Uyuni - Oruro (21/07)
      Pegamos o trem noturno. Coloco aqui dia 21 pois compramos o da meia noite. São algo como 4 saídas semanais a Oruro, por duas companhias diferentes.
      Dica: O valor é muito barato, portanto, não economizem se forem no inverno e no noturno. A classe econômica é um FRIO da porra! Ainda mais o dia que fomos, que nevou. Aí já viu, viramos pinguim no trem haha
       
      [van] Oruro - Patacamaya (22/07)
       
      Aqui começou a parte incerta do roteiro. De Oruro até Sajama tínhamos apenas indícios de como chegar. Mas no fim é bem simples!
      Primeiro que a estação de trem não é próxima a de ônibus. Não parece ser tão distante, também, mas no horário que chegamos (7h) o ideal era pegar um táxi.
      Já no táxi perguntamos como faríamos para chegar até Patacamaya, o ponto médio até Sajama. Na rodoviária o taxista gentilmente nos deixou perto das vans e nos apontou quais pegar.
      Aparentemente as vans saem com bastante recorrência; chegamos lá e tinha uma pronta pra sair. Esperamos algo como 15-20 min para encher o carro e partimos.
      A viagem durou cerca de 1h30, no máximo, num caminho bastante tranquilo.
       
      [van] Patacamaya - Sajama (22/07)
       
      Chegamos a Patacamaya estourando 9 da manhã. Sabíamos, segundo relatos, que uma van saía daqui às 13h.
      Chegando lá, uma confusão do cacete na rua que servia como terminal de ônibus, vans, mercado e tudo mais (além da lama da neve que tinha caído e tava secando rs), fomos procurar onde saía a tal da van pra Sajama.
      “Ahí!”, “Allá”, “Más adelante!”, “En frente del mercadito”... nossa referencia era que as vans saíam em frente ao “Restaurante Capitol”; não encontramos o tal restaurante, mas encontramos as vans. Haha
       
      Não sei se a quantidade de vans e horários aumentaram, mas quando chegamos já estavam enchendo uma pra partir. Estávamos em dois (Regina e eu) e mais três franceses. Esperamos algo como 30-45 min ali; como não vinha ninguém, o cara da van decidiu partir com 5 mesmo e bem mais cedo que o esperado, às 10h.
       
      Dois parêntesis aqui:
      Tudo na nossa viagem deu certo, tudo. Mas conversando com os franceses, vimos que tivemos foi sorte e estávamos certos em esperar algum contratempo. Eles tiveram. Vieram de Oruro a Patacamaya um dia antes que nós, mas ficaram presos na cidade por conta da nevasca que fez as estradas até a divisa com o Chile fechar. A Regina foi até o banheiro em Patacamaya. Era um dos “baños publicos”, porém dentro da casa de uma pessoa. Ela entrou, a porta trancou e quando foi sair a pessoa estava longe e ela ficou um bom tempo pra conseguir sair; se forem aproveitar a parada pra ir no banheiro, vão em dois rs Chegamos a Sajama depois de umas 3 horas de viagem e, quanto mais avançávamos na estrada mais neve víamos. Parece que a nevasca tinha sido das brabas mesmo; sorte pra nós!

                                                             Essa era nossa visão na estrada. Achávamos que tínhamos nos ferrado...

              ...masss nossa sinhora da boa viage ajuda bastante nois, e deu um céu bonito, neve e muitas lhaminhas num cenário pra lá de bucólico!
       
      Sajama (22/07 a 27/07, 5 dias)

      Chegamos exaustos de 7h de viagem de trem + 5 de van, sem contar as paradas. Então a única coisa que queríamos era chegar no hostel. Ficamos no Hostal Osasis (http://hostal-oasis.com/) que fica bem na entrada da cidade.

                                                                     Vista da praça central e igreja ❤️ 
      Sobre hospedagem, importante abrir pequeno-grande um parêntesis: Sajama é uma vila indígena aymara que vive basicamente do turismo de montanhismo de gringos e galera, igual a gente, que quer conhecer um local diferente e ficar entocado na montanha. Apesar das atrações ser bem parecidas às do Atacama (contando com geisers, lagunas altiplanicas, etc., etc., apesar de proporções modestas) é um local bem menos badalado.
      Quando saímos para a viagem, gostamos de deixar tudo certinho, principalmente as reservas pra não termos surpresa. Os dois únicos hostals  que tem site em Sajama são: Oasis e Sajama.
      Entretanto, cada uma das famílias da cidade tem seu próprio alojamento, muitos inclusive sem nenhuma propaganda, já que o acesso a internet já é bem limitado.
      Então, podem ir sem medo de não ter reserva, pois além de contribuírem com a uma maior rotatividade da economia local, vocês podem ajudar essas famílias que acabam perdendo clientes pros dois maiores hotéis da vila.
      Caso ainda sim queiram ir com a estadia garantida e agendada, vou deixar aqui o contato de whatsapp da Reina: +591 74840766. Nós conhecemos por meio da sua mãe, que tem tienda America em uma das praças da cidade. A hospedagem dela é um pouco mais pra dentro na cidade, cabaninhas muito simpáticas e recém-construídas, além de terem um preço mais em conta.
      Um alerta: se vocês, assim como eu, tiveram problemas de adaptação com a altitude, peguem leve em Sajama! Aqui é ainda mais alto que Potosí, já que a região fica a 4.200+ de altitude. Isso influenciou bastante no nosso ritmo e foi muito bom termos ficado bastante tempo! Quase todos os passeios são longe, não existe um complexo de transporte e roteiros turísticos aqui. A prática é você fechar com moradores que tem carro, e eles em geral apenas levam; dificilmente ficam com você para trazer de volta.
      Levando em conta que boa parte das atrações ficam a, pelo menos, 6-8km de distância, precisa-se estar bem adaptado à altitude e com bastante preparo! 
      Nossos passeios fora basicamente dois nesses dias:
      Mirador de Sajama, que fica bem próximo à vila. Por um sendero que começa por uma das ruas do povoado, você segue em direção ao monte mais próximo. É bem fácil de encontrar, apesar de tudo estar bem nevado e ter sido difícil de encontrar o caminho. Pelo mesmo motivo, foi difícil chegar ao topo (além da falta de ar haha ), mas conseguimos ir até a metade do caminho e valeu super a pena! Com o local mais seco, tenho certeza que vocês vão conseguir ir até o topo, não é muito íngreme e até a Regina que tem problemas de joelho foi traquilamente.
                                                                     Mirador a meia altura!
      Laguna Huañacota, que fica a mais ou menos uns 9km do povoado. Como dissemos, é possível ir de carro e voltar a pé, é o que geralmente as pessoas fazem. No nosso caso, fizemos os mais de 18km de ida-volta à pé, beeem devagar. Foi cansativo mas valeu a pena, tendo inclusive uma companheira por boa parte do caminho, uma perrita chamada Luna que foi nos mordendo o calcanhar até a laguna! rs No mesmo caminho dessa laguna existe algumas termais; a principal fica entrando por uma bifurcação da estrada principal, mais ou menos ha uns 2-3km da cidade. Acabamos não indo, mas vale a pena!
                                       Panorâmica da Laguna Huñacota (Luna pode ser vista pro canto direito da foto haha)
      Os dois passeios são coisa pra metade de um dia; mesmo a laguna e seus muitos km a ser percorridos podem ser feitos em 6 horas tranquilamente. Caso pensem em passar nas termais, saiam mais cedo que conseguem fazer tudo em 8-10h tranquilo.
      Apesar de ainda existirem outras muitas atrações (pelo menos mais uma laguna e geiseres, além de pueblos próximos) acabamos por optar por descansar e viver um pouco o vilarejo. O esquema é muito familiar e não existem restaurantes; para você almoçar ou jantar, precisa falar em alguma das tiendas com as cholas e marcar um horário que passarão para comer. Fazendo isso em um lugar a cada dia, você conhece diversas famílias e conversa com muitas pessoas.
      Com isso aprendemos muito sobre o funcionamento da cidade. É literalmente uma comunidade indígena que se urbanizou e semi-modernizou; aqui, todos tem responsabilidade para com o bem público. Todos os meses, no dia 28, as pessoas da cidade se reúnem pra conversar sobre o que tem acontecido, os problemas e as soluções, construções que precisam ser feitas, etc. Também são os proprios moradores que fazem a limpeza das ruas e, pelo que nos foi dito, fazem uma coleta seletiva e o que podem vendem/reciclam em La Paz.

              Fiz questão de tirar foto da placa de uma das pontes da cidade, por constar essa parada do trabalho popular.
      O parque, como sabem, tem uma entrada que custa 100bobs por pessoa; infelizmente, pelo que nos foi dito, esse dinheiro não é revertido para a comunidade, apesar do governo entrar com uma parte das obras estruturais, mas ao que parece boa parte é feita pelos próprios moradores. Acho que conhecer mais sobre o pueblo e seus moradores, pra mim, foi um dos pontos altos do rolê e valeu mais que qualquer laguna, geiser ou mirador. Se forem até lá, façam isso!

        Vista da Tienda America, lugar onde almoçamos algumas boas vezes com a dueña Benigna e conhecemos bastante da cidade.
       
      [van] Sajama - Tambo Quemado  e [busão] Tambo Quemado - Arica (28/07)
      Essa foi uma das dificuldades que encontramos, principalmente de encontrar relatos precisos sobre como chegar no Chile a partir de Sajama. Como o lugar é um pueblo e não tem rodoviária nem serviço de transporte que não seja até Patacamaya, o caminho mais fácil e lógico é o de Oruro-La Paz. Se o roteiro de vocês for esse, vão sem medo.
      Se tiverem como objetivo chegar em Arica, vocês precisam conseguir uma van até Tambo Quemado, que é uma parada de caminhões próxima à divisa Bolivia-Chile. Logo que chegarem na cidade, conversem com alguém da trans-sajama.  Demos sorte de conhecer o David, um senhor muito gentil que, por coincidência, iria à Tambo no dia que partiríamos (calhou de ser o dia que tem uma feira de artesanato que eles vão rs). De qualquer forma, não é nada difícil de conseguir uma carona até lá. É preciso chegar cedinho, lá pelas 8h, pois o primeiro busão de La Paz pro Chile começa a passar por ali la pelas 9h30-10h. Pelo que nos disseram são um total de 5 ônibus e, com certeza, um deles vai ter lugar.
      No nosso caso, o primeiro que passou já tinha exatamente dois lugares vagos e fomos nele mesmo! Por ser internacional, eles aceitam tanto bolivianos quando pesos chilenos; pagamos 100 bolivianos por passagem, se não me engano.
      Mas é basicamente isso; sem muitos problemas conseguimos chegar no Chile.
      Ah, importante! 🧐 na fronteira nos pediram a carteirinha de vacinação internacional de febre amarela; não esqueçam de levar!
      A viagem dura umas 5h e, logo no começo, passa-se pelo parque Lauca (parque irmão do Sajama do lado Chileno); se tiverem o interesse, vale descer e conhecer e depois pegar outro ônibus, apesar de ser um rolê caro, visto que se paga o preço cheio da viagem duas vezes. Pela janela já é uma ótima visão! ❤️ 

                                                                                             Vista da janela do busão do Parque Lauca ❤️         
      Enfim, a viagem envolve a descida dos Andes de 4.200m até o nível do mar. Pode se preparar pra bastante sono e vertigem; mas é lindo também e foto nenhuma consegue captar o que se vê com os olhos ali, sem dúvida algo que vale a pena ser feito!
       
      Arica (28/07 a 29/07, 1 dia)
      Chegamos em Arica no meio da tarde. A cidade costaneira do lado do Pacífico fica muito, mas MUITO próxima do Peru. Já no terminal é possível ver ônibus que partem para Tacna, que fica algo como 50km de Arica. Infelizmente não tínhamos tempo, mas nossos planos era ter subido até Cusco, passando por Arequipa, como muitas pessoas fazem.
      Saímos da rodoviária e estranhamos o asfalto e o trânsito, depois de tanto tempo em Sajama. 
      Ficamos no aribnb do Sebástian e Ricardo, que fica bem pertinho da praia.

                                                                   Coisas que aderimos à dieta quando voltamos: pão com palta (abacate)
      Arica foi apenas um local pra que a gente voltasse pro Brasil, então nem pensamos muito onde ir ou o que aproveitar. Chegamos de Sajama e só pensamos em cair na cama e dormir.
      No dia seguinte, arrumamos nossa mala e deixamos tudo pronto pra sairmos à noitinha.
      Saímos pra explorar a cidade. Arica é uma cidade bem pequena e, ficando onde ficamos, da pra ir e voltar a pé ao centrinho que tem a maior parte das atrações.

                                                                              Dia nublado e na praia, vendo o Pacífico! 
      No fim da noite, combinamos com Sebastian um Uber que nos levaria ao aeroporto e partimos.
      [aereo] Arica - Santiago (29/07) e Santiago São - Paulo (30/07)
      De novo passamos a noite no aereo, dessa vez mais cansados ainda. Mas, apesar de tudo isso, voltamos pro Brasil revigorados!
       
       

    • Por aletchos
      Pessoal, estive no Deserto do Atacama em agosto de 2016 e queria colocar aqui meu relato para ajudar o pessoal do fórum que está planejando uma trip para lá.
       

      Como chegar no Deserto de Atacama
       
      Para visitar o Deserto de Atacama você quase certamente ficará hospedado em San Pedro de Atacama, um povoado com 3 mil habitantes instalado no meio do deserto e que serve de base para todos os principais passeios ao Deserto do Atacama.
       
      De avião
       
      O aeroporto mais próximo fica na cidade de Calama, situada a aproximadamente 1 hora e 20 minutos de carro de San Pedro de Atacama. Calama é o principal ponto de chegada para quem chega de avião ao Deserto do Atacama.
       
      Paguei 76 dólares pelo voo de ida e volta pela Sky Airline, saindo de Santiago.
       
      No aeroporto mesmo existem umas 5 empresas de transfers que fazem o trajeto Calama – San Pedro de Atacama. Todas cobram um preço tabelado de 12.000 pesos ida e 20.000 ida e volta.
       
      Se você chega e sai de Calama, feche ida e volta e informe o dia e horário do seu voo de volta que eles irão pegar você no seu hotel/hostel a tempo do seu voo de volta.
       
      Sobre qual empresa escolher, todas parecem sérias e estruturadas, mas a Transfer Vip aparentemente possui mais carros, o que pode ser uma vantagem.
       
      De ônibus
       
      Você também pode chegar a San Pedro de Atacama de ônibus. A viagem saindo de Santiago leva quase 24 horas, o que certamente é cansativo.
       
      Com a Tur Bus você consegue comprar passagens até San Pedro, e com a Pullman Bus você chega até Calama.
       

      Quanto gastei no Deserto de Atacama
       
      Bom, gastos são sempre importantes, mas cada um sabe o budget que tem e o que pode gastar em uma viagem.
       
      Eu anotei absolutamente tudo o que gastei nessa viagem, dos passeios ao chocolate. Usei um app que gosto demais, que é o Travel Pocket (recomendo!). Segundo minhas anotações no app, meus gastos ficaram assim:
       
      CLP 339.250,00 (pesos chilenos, aproximadamente 522 dólares); USD 575,00; e BRL 1.386,00 (neste valor está apenas a passagem para o Brasil).  
      Assim, podemos dizer que minha viagem no total saiu por algo como R$ 5.220,00 (considerando 1 real como 3,5 dólares).
       

      Quando ir ao Deserto de Atacama
       
      O Deserto do Atacama é um destino que pode ser visitado durante todo o ano, sem restrições. O tempo é extremamente seco e raramente chove.
       
      Temperaturas. Basicamente, essa é a principal questão envolvendo o clima que você vai se preocupar. A amplitude térmica é muito grande por lá, ou seja, você vai pegar frio à noite e nas primeiras horas da manhã e calor durante o dia.
       
      Nos meses de verão (mesmo período do verão no Brasil) você terá temperaturas mais altas durante o dia, e no inverno (período em que eu estive por lá) já não tão altas. Por outro lado, no inverno você terá noites e manhãs mais frias do que no verão.
       
      Para você ter ideia, no passeio aos Geysers del Tatio eu peguei -13 graus logo ao amanhecer. Na tarde, já de volta a San Pedro, a temperatura estava um pouco acima de 20 graus, ou seja, uma diferença de 33 graus no mesmo dia!
       

      Geysers del Tatio – Temperatura quando estive por lá foi -13 graus!
       
      Os períodos com temperaturas mais amenas e uma amplitude térmica não tão grande é de março a maio e de setembro a novembro, portanto esses seriam os melhores meses para visitar o Deserto do Atacama, mas, como falei antes, você tem condições climáticas para visitar o Atacama durante todo o ano.
       
      Sobre o tempo ser seco, leve Bepantol e um hidrante e beba bastante água. É que com o tempo seco, sua boca e pele ficarão secas (incrivelmente secas), então você deve passar o Bepantol nos lábios o dia todo ou vai ficar com a boca parecendo a lua cheia de crateras!
       

      Onde ficar em San Pedro de Atacama
       
      A não ser que você procure algo muito específico, você certamente ficará hospedado em San Pedro de Atacama. É aqui que estão as agências e de onde saem os passeios para visitar o Deserto do Atacama.
       
      A cidade é praticamente toda voltada para o turismo, então você encontra opções de hospedagem para todos os bolsos e gostos. Saiba, contudo, que você está no meio do deserto e, em razão disso, recursos são escassos. São comuns relatos de falta de água, falta de água quente, falta de luz, internet, etc. Também em razão disso os preços são relativamente mais caros do que em outros lugares que já visitei.
       

      As ruas bucólicas de San Pedro de Atacama. Na foto, a rua Caracoles.
       
      Li praticamente todos os reviews de todos os lugares, peguei recomendações de blogueiros que confio que estiveram por lá, e acabei fechando no Booking.com. Certamente não é a opção mais barata, mas longe de ser mais cara. Tinha um café da manhã excelente, um quarto extremamente confortável e limpo, banheiro ótimo com água quente, Wi-Fi que funcionava razoavelmente bem, excelente localização e um igualmente excelente atendimento (em breve um review mais detalhado).
       
      O Hotel Pat'ta Hoiri é uma boa opção para quem está disposto a investir um pouco mais em conforto, sem pagar os preços estratosféricos de alguns hotéis de San Pedro de Atacama. Contudo, certamente não é a opção para os mochileiros que querem economizar ao máximo!
       
      Além da análise preço, a localização é um fator relevante. A principal rua de San Pedro de Atacama é a Caracoles, onde estão a maioria das agências e serviços que você precisa (farmácia, restaurantes, bares, etc). Grande parte do comércio está na Caracoles ou nas ruas próximas, portanto o mais próximo que você ficar daqui, melhor.
       
      De todo modo, San Pedro não é uma cidade muito grande, então com alguns minutos de caminhada você chega à grande maioria das hospedagens. Contudo, quando você está cansado do dia inteiro de passeios, é sempre melhor que o restaurante ou bar que você vai jantar esteja o mais próximo possível de onde você está ficando. Enfim, um ponto a considerar!
       
      Um hostel que também é muito bem avaliado e que já bons reviews de blogueiros é o Hostal Lickana. Esse hostel fica muito bem localizado e tem excelente reviews no Booking.com também e tem preços mais em conta que o Hotel Pat'ta Hoiri.
       
      Estou escrevendo um post com uma pesquisa bem extensa de preços comparados com as avaliações de outros viajantes e opiniões de blogueiros e logo posto aqui para vocês.
       

      Onde comer em San Pedro de Atacama
       
      Apesar de ser um povoado pequeno e simples, San Pedro de Atacama oferece opções excelentes de comida. Na Rua Caracoles estão bons restaurantes, mas nas ruas próximas você encontra outras opções interessantes também.
       
      Vou relatar aqui os lugares onde comi, o que comi e quanto gastei exatamente em cada refeição, mas fico extremamente feliz se vocês colocarem outras opções nos comentários, assim aumentamos as opções para quem está lendo esse post aqui.
       
      Restaurante La Casona, na Rua Caracoles
       
      Restaurante muito bom, comida extremamente bem servida (mata a fome e sobra) e de qualidade. Paguei 15.070 pesos pelo menu do dia (foto abaixo) e uma cerveja.



       
      Restaurante Blanco, na Rua Caracoles
       
      Outro excelente restaurante na Caracoles, talvez um dos melhores da cidade. Paguei 20.405 pesos pelo jantar, com vinho e água. O menu do dia, que saia por 10.000 pesos (o meu saiu mais caro pelo vinho e água), está descrito na foto abaixo, juntamente com as fotos dos pratos que consegui tirar por lá.
       



       
      Restaurante La Pica del Indio, Rua Tocopilla
       
      Restaurante um pouco mais em conta, que fica na rua Tocopilla, uma travessa da Caracoles. Gastei 8.140 pesos para comer um ceviche como entrada e peito de frango com batatas de prato principal. O valor do menu, com sobremesa, era 4.500 pesos, mas como bebi duas cervejas o preço subiu! O frango não estava muito bom, mas é uma opção mais em conta para quem quer pagar menos.
       





       
      Restaurante Delicias del Carmen, Rua Caracoles
       
      Outro bom restaurante na Caracoles. Paguei 12.100 pesos por uma entrada de salada de quinoa e frango com fritas, e também bebi uma cerveja por lá. Uma outra opção do cardápio, pelo mesmo valor, era uma caesar salad. Fotos abaixo!
       


       
      Restaurante Tierra Natural, Rua Caracoles
       
      Aqui, paguei 9.900 pesos por um frango com batatas salteadas e uma Coca-Cola. Comida muito boa, feita com ingredientes orgânicos e naturais e um clima muito legal. Achei o serviço um pouco atrapalhado, mas acredito que isso se deu pois já era mais tarde do que o normal.
       

       
      Restaurante Adobe, Rua Caracoles
       
      Outro excelente restaurante de San Pedro. Jantei aqui em duas ocasiões. Na primeira, comi uma pizza muito boa e duas Coca-Colas, que me saíram por 16.830 pesos. A pizza alimenta duas pessoas que não comem muito (vou ficar devendo a foto)!
       
      Na segunda vez, um risoto de quinoa e uma Coca, que me saíram por 13.305 pesos.
       

       
      Fora essas opções acima, existem tantas outras na própria Caracoles. E como falei antes, ficaria feliz se outras pessoas pudessem comentar no post outras opções que usaram.
       
      Além dos restaurantes acima, também tomei uns chopps e comi uma pizza que eles mesmo fazem no Bar Chelacanbur, que fica também na Caracoles. Por lá, na final do futebol masculino da olimpíada e vendo o Brasil levar o ouro, deixei 12.500 pesos numa pizza que foi dividida em 5 pessoas e em uma quantidade de cerveja que me deixou relativamente bêbado!
       

      Agências de Viagem em San Pedro de Atacama
       
      Uma das grandes dúvidas na viagem ao Deserto do Atacama diz respeito às agências de viagem, afinal são muitas opções! Outra dúvida é se devemos fechar os passeios com antecedência ou se deixamos para fechar quando estivermos lá.
       
      Vou tentar responder essas dúvidas!
       
      Qual agência escolher?
       
      Como falei, são muitas. E os critérios de escolhas são muitos e muito pessoais também.
       
      Antes de qualquer coisa, só queria colocar que usei três agências diferentes e não recebi qualquer apoio delas por ter o blog. Aliás, elas sequer sabiam (e nem devem saber) do blog. Só escrevo isso pois li algumas críticas no TripAdvisor para alguns blogueiros que recomendavam passeios de agências que ofereceram apoio a esses blogueiros e o serviço e preço prestado por essas agências aparentemente não foi tão bom (e não estou fazendo qualquer julgamento aos blogueiros, agências ou a pessoa que escreveu no TripAdvisor).
       
      Enfim, vou dizer como eu escolhi a minha agência.
       
      No hotel que fiquei, o dono recomendou a agência Latchir. Visitei e verifiquei os preços, que eram bons. Os passeios são quase todos distantes de San Pedro, ou seja, você vai ter que percorrer longas distâncias de carro. É importante pagar barato, mas o barato pode sair caro, pois seu trajeto (seja de ônibus, van, pickup, etc) pode ser um inferno, isso sem falar no carro quebrar ou até algum acidente.
       
      Depois, visitei a Ayllu, muito recomendada por blogueiros e brasileiros que visitam o Deserto do Atacama. Achei a Ayllu com um preço alto (por vezes seis vezes mais caras que as demais), mas não fechei nenhum passeio com eles para dizer se o preço compensa ou não. Contudo, dada a grande diferença, acho bem difícil que valha até 6 vezes mais.
       
      Depois, visitei a Grado 10, também muito bem falada pelos viajantes brasileiros. Em termos de preço, saiu mais caro que a Latchir, mas bem mais barata que a Ayllu. Acabei fechando com eles.
       
      Por que escolhi a Grado 10? Bons reviews no Trip Advisor e em blogs no Brasil e, principalmente, pelo grande diferencial: O caminhão!
       
      Todas as demais agências fazem os trajetos em vans, micro ônibus ou pickups. A Grado 10 faz num caminhão overland adaptado para esse tipo de viagem. Eu já conhecia esse tipo de caminhão há muitos anos, pois meu grande sonho de viagem é cruzar a África num desses. Quando bati o olho não teve jeito! Apesar de ser rústico, o caminhão é extremamente confortável por dentro, com bancos reclináveis e janelas grandes. No Valle de la Luna pudemos assistir ao nascer da lua de cima do caminhão e na Laguna Cejar ficamos lá em cima enquanto o caminhão ia para o lugar onde faríamos nosso brinde da tarde!
       

       
      Claro que isso é um pequeno detalhe e que me cativou, mas achei o serviço excelente também. A nossa guia (Camila) era excelente, prestativa, com muito conhecimento e falava espanhol e inglês, mas todos os brasileiros entendiam ela sem problema algum.
       
      A Grado 10 só tem 4 passeios, os mais tradicionais: Laguna Cejar, Valle de La Luna, Geysers del Tatio e Lagunas Altiplanicas (sem Piedras Rojas). Fechei os 3 primeiros com eles e paguei 80.000 pesos.
       
      Também li bons reviews sobre a agência Atacama Connection e fechei com eles apenas o Lagunas Altiplanicas com Piedras Rojas (pois a Grado 10 não fazia Piedras Rojas). Tudo ocorreu bem, o veículo era um micro ônibus confortável, a guia tinha conhecimento e era muito prestativa, mas não tinha a mesma vibe do caminhão da Grado 10 hehe! De todo modo, nada a reparar quanto ao serviço prestado pela Atacama Connection. O preço que paguei por esse passeio foi 35.000 pesos.
       
      Por fim, fiz o Salar de Tara com a agência Crisol(não achei site, por isso estou indicando o Facebook). Honestamente, não pesquisei absolutamente nada sobre essa agência, fechei o passeio um dia antes depois de sentar num bar com uns brasileiros que iam no dia seguinte e recomendaram. O carro e o guia eram muito bons e o passeio foi excelente também, portanto não tenho absolutamente nada a reportar sobre eles.
       
      Um post que me ajudou bastante na avaliação de agências foi este aqui, do Viaje na Viagem, além, claro, do Trip Advisor.
       
      Geralmente, quando os passeios saem muito cedo da manhã (como é o caso dos Geysers del Tatio, que você sai próximo das 5, dependendo da época do ano) as agências oferecem café da manhã durante o passeio. Nos passeios de longa duração também é oferecido almoço, portanto a inclusão de refeições é um ponto também a ser observado na sua escolha.
       
      Devo reservar com antecedência?
       
      Sendo bem objetivo, não vejo razões para você reservar com antecedência.
       
      São muitas opções de agência e você dificilmente ficará sem poder fazer algum passeio que queira fazer. Ainda, quase todas aceitam uma chorada e concedem um desconto no preço inicial, então minha recomendação é que você feche os passeios apenas quando chegar em San Pedro de Atacama.
       

      Passeios no Deserto de Atacama
       
      Existem muitas opções do que fazer por lá.
       
      Os passeios tradicionais são 4:
       
      Valle de la Luna: O mais próximo de San Pedro, fica há uma meia hora do centro da cidade. Nesse passeio você faz uma visita guiada dentro do Valle de La Luna, que tem formações muito lindas. Ao final do dia, você sobe até onde fica a pedra do Coyote para ver o por do sol. Quando estive por lá também era época de lua cheia, e de lá vimos a lua nascer junto com o por do sol, foi lindo!
       




       
      Neste post aqui conto um pouco mais sobre o passeio ao Valle de La Luna e também mostro algumas das fotos que tirei por lá.
       
      Geysers del Tatio: Nesse passeio você sairá bem cedo de San Pedro (perto das 4 ou 5 da manhã), pois os geysers são mais ativos antes de o sol nascer. O problema é que faz muito frio por lá, e você deve ir preparadíssimo. Em agosto, quando estive lá, peguei temperaturas de -13 graus.
       




       
      É um passeio que dura o dia todo, você percorrerá uns 200 km de carro e atingirá uma altitude de 4.300 metros. Em breve, colocarei aqui o link para o post que estou escrevendo sobre o passeio.
       
      Lagunas Altiplanicas: Um dos passeios mais distantes de San Pedro. As paisagens do altiplano são espetaculares (as fotos abaixo falam por si só). Este passeio dura o dia todo e você percorrerá uns 270 km de carro ida e volta. Você vai visitar a Laguna Chaxa e o povoado de Socaire, e também as lagunas Miscante e Miñiques. É na laguna Chaxa que você verá inúmeros flamingos e terá a chance de tirar as fotos que tirei abaixo!
       




       
      Em breve, colocarei aqui o link para o post que estou escrevendo sobre o passeio.
       
      Lagunas Cejar e Tebenquiche: Esse passeio tem duração de meio dia e fica a apenas 30 km de San Pedro de Atacama. Aqui você terá a oportunidade de nadar em uma das lagunas, que tem 200 vezes mais sal que o mar. É possível também avistar flamingos, mas eu não tive essa sorte.
       
      Em breve, colocarei aqui o link para o post que estou escrevendo sobre o passeio.
       
      Além dos passeios tradicionais mencionados acima, existem outras ótimas opções do que fazer. Algumas eu listo aqui:
       
      Salar de Tara: Além dos passeios acima, também visitei o Salar de Tara. É um dos mais distantes de San Pedro e também onde você atingirá uma das maiores altitudes (pouco mais de 4.800 metros). O frio não é tão extremo como nos Geysers, mas é bom ir preparado para temperaturas baixas. É um passeio de dia inteiro e você vai rodar quase 300 km ida e volta.
       
      Em breve, colocarei aqui o link para o post que estou escrevendo sobre o passeio.
       
      Tour Astronômico: A baixa luminosidade no deserto e a baixa umidade fazem do Atacama um dos melhores lugares do mundo para se observar as estrelas.
       
      Apesar de fotografia noturna ser uma das minhas preferidas, quando cheguei em San Pedro era a primeira noite de lua cheia, e a lua cheia, em razão da sua grande luminosidade, faz com que você veja um número menor de estrelas do que o normal. Em razão disso, o tour astronômico mais conhecido do Deserto do Atacama não estava ocorrendo. Esse tour é feito pela empresa Space e você pode encontrar maiores informações no site deles.
       
      No último dia, contudo, consegui ir para o meio do deserto tirar fotos noturnas, pois a lua cheia nasceria duas horas depois do anoitecer.
       
      Vulcão Lascar: O Lascar é um vulcão ativo que fica acima dos 5.500 metros de altitude. Inúmeras agências em San Pedro oferecem um hiking para subir o vulcão. Infelizmente, meu pouco tempo no Deserto do Atacama não permitiu incluir a subida ao Lascar.
       
      Sandboard: Você pode fazer sandboard no Valle de La Muerte. Essa é outra atividade que gostaria, mas que não consegui incluir no tempo que estive por lá. Em dias de lua cheia, o pessoal faz o sandboard à noite, o que deve ser muito legal. Inúmeras agências oferecem esse passeio, então você não terá problemas em encontrar alguém que leve você até lá!
       
      Termas de Puritama: Outro que não consegui incluir, as Termas de Puritama são piscinas termais no meio do deserto, localizadas a 30 km de San Pedro. É uma excelente opção para relaxar depois de um dia cansativo no deserto. Inúmeras empresas levam você até lá e o preço é algo em torno de 9.000 pesos.
       
      Salar de Uyuni: O Salar de Uyuni fica na Bolívia, mas inúmeras agências em San Pedro fazem travessias até lá pelo deserto, que duram de 3 a 4 dias.
       
      O que levar ao Deserto do Atacama
       
      Fazer as malas para essa viagem ao Deserto do Atacama não é muito simples. Você tem que considerar que vai pegar temperaturas extremamente frias e temperaturas relativamente quentes, tudo no mesmo dia.
       
      Fora os itens básicos de higiene pessoal e vestuário, acredito que a lista abaixo é suficiente:
       
      Meias para frio: Se você tiver meias de esqui, ótimo. Você vai usar no passeio dos Geysers del Tatio e pode ser bom para dormir também. Se você não tiver meias de esqui, leve a mais grossa que você tiver. Calçado confortável: Leve sandália e um tênis confortável para fazer os passeios, já que você vai andar com frequência. Não vejo necessidade para uma bota de trekking ou algo mais pesado, a não ser que você vá fazer algum trekking mais pesado, como o Lascar. Eu estava com um tênis goretex da The North Face, que é bem reforçado, mas praticamente todo mundo que vi por lá estava com tênis normal. Se você tiver uma bota ou um tênis mais reforçado, ótimo, caso contrário não vejo necessidade de comprar um. Calça térmica: Se você tiver, será muito útil. Ainda que você não tenha uma calça térmica técnica (aquelas para esqui, frio extremo, etc), uma ceroula ou uma calça justa ao corpo e que retenha o calor já será muito boa. Blusa térmica: Basicamente, o mesmo que da calça térmica, mas para a parte de cima do corpo. Eu tenho várias, porque esquio, e você pode encontrar umas baratinhas na Decathlon e na Centauro. Fleece: O fleece é o que chamamos de segunda camada, um blusão bem quentinho e excelente para reter o calor. Além do fleece, pense em moletons também para usar como segunda camada. Jaqueta: Terceira e última camada, você pode levar um corta vento ou até algo mais pesado (eu andei com minha jaqueta de ski nos dias de muito frio). Luva e touca: Eu usei luva de ski e passei frio nos geysers, mas em todos os outros passeios me virei bem com uma luva de lã e mão no bolso. Para quem sente frio na cabeça, uma touca é bem útil por lá. Roupas leves: Além das roupas acima focadas no frio, leve roupas leve, como camisetas, calça jeans, etc, pois boa parte dos passeios serão feitos em temperatura amena. Um casaquinho não muito pesado também é muito útil para as noites em San Pedro. Filtro solar: É sol o dia todo e sol forte, não economize no FPS! Mochila de ataque: Leve uma mochila de ataque para usar durante o dia, especialmente para guardar as roupas que você for tirando e a água que você precisará carregar com você. Bepantol e hidratante: O tempo é muito seco e seus lábios e pele ficaram muito ressecados, mas ressecados como você nunca viu antes. Sua mão vai ficar áspera e seus lábios vão rachar, então evite isso ao máximo com Bepantol e hidratante. Soro fisiológico ou Sorine: Seu nariz fica desconfortavelmente seco, então use esses produtos para ajudar um pouco. Colírio: O olho também sofre com o tempo seco.  
      Espero que a lista acima ajude vocês!
       
      Como falei antes, estou escrevendo uma série de posts sobre o Deserto do Atacama, e aos poucos vou publicando e colocando o link aqui para ajudar todo mundo.
       
      Coloquei aqui as informações que relatei no meu blog e o link para o post completo com mais fotos e informações está aqui. Espero que ajude!
      Não esquece de seguir o blog no Instagram para curtir as fotos que tirei lá no Atacama! Clica aqui.
    • Por xexelo
      Continuando a postar relatos antigos e que foram sonegados aos mochileiros segue a postagem sobre a minha viagem pela Carretera Austral pelo Chile. Como minha viagem anterior, sempre tem enroscos e problemas. Desta vez por poucos quilômetros eu quase não volto mais e quase ferrei o motor.
       
      Como dá outra vez não é uma relato com detalhes sobre preços e tals. Gastei sempre o mínimo possível com alimentação e hospedagem. Devo ter almoçado em restaurantes umas 4 vezes a viagem toda. Portanto não posso dar muitas dicas sobre a alimentação na Carretera. O caso é que eu sempre perdia a hora de almoço e quando lembrava já tinha passado a cidade mais próxima. Ai tinha que lanchar o que tinha no carro mesmo. Aliás esta viagem foi um belo SPA pois de 98 Kg no início eu voltei com 92 apenas
      Levei de novo todo o equipamento de camping que acabou indo passear apenas. A Ranger se portou muito bem na estrada e se não fosse por negligência minha não teria dado problema com o arrefecimento e queimado a junta do cabeçote no final da viagem. Pura burrice.
       
      Fui sozinho porque meu tio não pode me acompanhar aquele ano e também porque a outra pessoa que tinha me garantido que ia junto deu pra trás um mês antes. Assim achei melhor seguir sozinho do que esperar mais um ano para ver se conseguia companhia para a empreitada.
       
      Mas vamos aos relatos.
       
      1º DIA – 22/12/2013 – DOMINGO.
      De Curitiba a Quarai - RS / Artigas – Uruguai – 1150 km
       
      Saí de Curitiba as 5:25 h debaixo de uma garoa fina e chata que me acompanhou até União da Vitória mais ou menos. O calor começou a chegar e por volta das 8 ou 9 horas e pegou pesado. Acho que deve ter ficado uns 30 graus ou mais.
      Como estava viajando sozinho fui dando paradas a cada 2 ou 3 horas para esticar o esqueleto.
      A estrada pelo interior tem muitas curvas, mas tem trechos bem tranquilos em que se pode desenvolver 100 a 110 Km/h (GPS) numa boa.
      Acabei não almoçando hoje, comi pão de queijo, amendoim japonês e frutas secas. Quando parei num posto para almoçar achei muito caro (era chique) R$ 21,00 o bufet livre.
      Quando cheguei a Quarai estava iniciando a hora do agito de domingo na praça central. Os carros iam parando em volta da praça e deles saiam os jovens com cadeiras de praia, coolers de cerveja e se abancavam na grama esperando a galera ficar desfilando com seus carro e com o som alto. Coisas do interior do Brasil.
      Mudei roteiro inicial e vou entrar no Uruguai pra fazer umas comprinhas básicas. Depois entro na Argentina por Salto UR / Concórdia AR.
    • Por Thais Fidelis
      Você ama o céu? Você ama admirar a Lua? E as estrelas?
       

       
      Sério! Vocês precisam ir para o Deserto do Atacama e fazer o tour Astronômico, que experiência e momento do caramba!!!! Nunca tinha vivido essa experiência na vida, e posso falar que vale a pena cada momento, cada frio ( ) e cada suspirada.
       
      Não é atoa que está entre os 10 mais belos céus do planeta Terra!
       

       
      Quando chegar em San Pedro de Atacama, já se informem do Tour, não deixe para a última hora pois o ideal não é deixá-lo para a última noite da viagem, pois o passeio não é garantido, já que em algumas ocasiões há nuvens no céu do Atacama e não é possível observar as estrelas. E o tour pode ser cancelado, um dos motivos que não é um passeio que se paga com antecedência. Se um dos motivos de ir para o Atacama é o tour astronômico, veja a fase da Lua antes de marcar sua viagem, na Lua cheia o tour não é realizado.
       
      Leve seus pedidos, você verá muitas estrelas cadentes!! ( Estrellas Fugaz en español)
       
      O tour sai da frente da agência, e a van nos leva até o meio do deserto, quando a luminosidade é zero e só as estrelas nos iluminam!!
      Ocorrem as explicações, e vamos vendo tudo o que o Guia vai explicando pelos telescópios, para mim foi uma experiência impar. Tudo muito aconchegante, é servido chocolate, chá, vinho e petiscos para nos aquecer. !!Dica - vá muito beeeem agasalhado!! Calma, você estará tão encantadx que o frio não importará.
       
      Fechei meu tour direto com o Guia - Que por sinal foi um show a parte. Explicou tudo de forma clara, atenciosa e super divertida, que para quem está tremendo de frio, é uma salvação dar umas gargalhadas. Fazia questão que todo mundo estivesse gostando e entendendo a explicação. Super recomendo!!!
      ( contato do guia: Caio Fraga - Whatsapp 55 31 8814-0654)
       
      Voltei e ainda estou apaixonada, por cada momento que vi esse céu e pensei " Caraca é de verdade, estou aqui vendo tudo isso e é de verdade!"
      Gentem! ver cada detalhe da Lua? simplesmente um sonho



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