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Flavius Neves Jr.

Viagem de carro para San Pedro de Atacama, passando por Salta, Tilcara e Antofagasta - março/2017

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Dia 6 – quinta-feira, 16 de março de 2017.

De Salta a Tilcara.

 

Hoje iríamos embora de Salta e faríamos uma viagem curta até Tilcara. O tempo estava fechado, um pouco nublado e chuvoso. Uma pena, pois a idéia era entrar em Purmamarca e visitar o Cerro 7 Colores.

Fomos pelo caminho da “cornisa”, um trecho de faixas simples e demasiadamente sinuoso – rodávamos entre 40 a 60 quilômetros por hora. Quanto ao caminho em si, não achei nada de mais – não encontramos nenhum atrativo. Outro caminho possível é ir pela cidade de General Guemes que, segundo o Google Maps, acaba ficando mais rápido – mesmo sendo poucos quilômetros mais distante.

Em San Salvador de Jujuy, paramos para abastecer: paguei R$ 4,29 o litro da gasolina. Seguimos viagem e, como ainda chovia e fazia frio, além de estar um pouco nublado, decidimos não entrar para o acesso a Purmamarca. Uns 20 quilômetros depois chegamos a Tilcara.

 

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Chegando em Tilcara.

 

Almoçamos no ótimo restaurante Los Puestos, situada na calle (ou avenida) Belgrano, esquina com a calle Padilla. O prato Napolitana, que consiste numa porção de carne a parmegiana, serve bem três pessoas. Como não sabíamos, pedimos duas Napolitanas, uma de carne e outra de frango, e acabou sobrando muito. A Dionísia pediu um salmão e a Carol uma lasanha vegetariana. Para beber, foi pedido água e eu mais o Alcivar pedimos a cerveza artesanal Tilcara, do qual eu não gostei, por ser muito forte. A conta fechou em 1.105,00 pesos, ou R$ 77,35 por casal. Ainda pedimos para levar “para viagem” as muitas sobras da Napolitana.

Depois, tivemos uma certa dificuldade para chegar ao hotel – principalmente o Alcivar com o seu motorhome, visto que as ruas de Tilcara são bem estreitas. Como havia chovido muito, algumas áreas estavam intransitáveis. Por fim, conseguimos chegar ao nosso hotel: o Las Marías, um hotel muito bom (e também muito caro) escolhido pela Carol. Aproveitei o luxo do hotel para relaxar em um banho de banheira.

 

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Nossa recepção no Hotel Las Marías.

 

Ficamos sabendo mais tarde que as fortes chuvas que caíram sobre Tilcara ocasionaram a destruição total e parcial de algumas casas locais. O poder público não se omitiu e convocou diversos policiais – tanto da Província de Jujuy como os Camineros federais – que estavam espalhados pelas ruas tilcarenses. O Alcivar tinha estacionado o motorhome na rua em frente ao hotel, mas as recepcionistas ficaram com medo de um novo deslizamento e pediram para ele estacionar o seu veículo em uma rua paralela a aquela, perto de um estacionamento alternativo do hotel.

À noite acabamos jantando no motorhome do Alcivar o que restou do almoço, acompanhado de vinho e uma boa e gelada Coca-Cola. Fomos dormir torcendo para que a previsão do tempo estivesse certa para o dia de amanhã: sol, sem nuvens e sem chuvas.

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Dia 7 – sexta-feira, 17 de março de 2017.

Passeios em Tilcara e Purmamarca.

 

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O dia amanheceu ensolarado. Sendo assim, por volta das 9h00, partimos de Tilcara e seguimos para Purmamarca para conhecer o Cerro 7 Colores. Chegamos à pequena cidade e, ainda na rodovia, já é possível vislumbrar o belo cenário do cerro. Procurei algum bom mirante para tirar algumas fotografias, mas não achei por ali. Então entramos na cidade e fomos em direção ao cerro.

Chegamos em determinado ponto da pequena cidade, estacionamos o carro e continuamos o nosso passeio a pé. Chegando perto do cerro, tem um pequeno morro em frente a ele. Ali é um bom mirante, mas havia placas avisando que é proibido subir o mesmo. Decidimos obedecer ao aviso e continuamos seguindo o nosso caminho.

Enfim, chegamos ao Cerro 7 Colores e batemos diversas fotos – só havia nós e mais três argentinos. Bem em frente ao cerro havia um amontoado de pedras, em forma de pirâmide: não sei o que era aquilo, mas certamente deve ter algum cunho religioso local. Esses amontoados de pedras – em tamanhos menores – se tornaria algo facilmente encontrado daqui para frente em nossa viagem.

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Cerro 7 Colores, Purmamarca.

 

Saindo dali, encontramos um nativo vendendo artesanato em uma pequena mesa. Foi aí que descobrimos que ali era a entrada do “morro mirante” que tinha as placas de “proibido subir” – estávamos agora do outro lado do morro. O nativo cobrava parcos 5,00 pesos (R$ 1,05) por pessoa para subir o morro. Lá em cima tiramos mais fotos.

 

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Retornamos ao carro e seguimos em direção ao Paseo Colorado. Chegamos perto do local e fomos informados por um policial que não era possível entrar de carro em conseqüência das fortes chuvas já citadas. Para ir a pé, levaria cerca de uma hora, ida e volta: o pessoal não quis encarar a “empreitada”.

Saindo da cidade, paramos no acostamento, onde havia alguns cidadãos locais vendendo artesanato. Uma mulher estava com um “bebê” lhama enfeitado, muito bonitinho. Aproveitamos para alimentar e tirar muitas fotos desse animalzinho tão dócil. A mulher não quis cobrar nada, mas mesmo assim eu dei a ela 60,00 pesos (R$ 12,60). Foi então que percebi que ali era, da rodovia, o melhor local para tirar fotos do Cerro 7 Colores.

 

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Voltamos para Tilcara e demos uma parada no El Molle, uma pequena loja situada na calle Belgrano que vende alfajores artesanais. Comprei alguns alfajores e um pote de doce de leite.

Em seguida, fomos para o Pucará de Tilcara, um dos sítios arqueológicos pré-hispânicos que se distribuem ao longo da Quebrada de Humahuaca. “Pucará” é uma palavra quéchua que significa “fortaleza”. Chegando perto desse sítio já é possível avistar alguns mochileiros. A entrada custou 100,00 pesos (R$ 21,00) por pessoa; argentinos pagam meia entrada. Fomos conhecer o local sozinhos, sem guia (também não foi nos dada essa opção, mas acredito que tenha); recebemos apenas um guia impresso em espanhol.

 

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Eu, ao lado das bandeira da Argentina e da bandeira Whipalla, um dos símbolos dos povos andinos.

 

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Tiramos algumas fotos dos cactus de tamanho considerável e, obviamente, das construções antigas dos índios. Subimos até ao polêmico monumento do Pucará: uma pirâmide construída em 1935 em homenagem aos primeiros arqueólogos que trabalharam no sítio. “Lamentavelmente, para sua edificação, destruíram-se numerosas habitações, oficinas e uma praça principal, esta última ocupada durante o momento incaico.” – informa o guia impresso. Por fim, ficamos lá em cima do Pucará vislumbrando o belo cenário do local, além de tirar mais fotos.

 

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Da esquerda para a direita: Carol, Dionízia e Lidiane; ao fundo, a polêmica pirâmida do Pucará de Tilcara.

 

Decidimos almoçar novamente no restaurante Los Puestos. Dessa vez pedimos uma napolitana, uma costela, uma salada, duas empanadas de queijo e, para beber, água. Destaque para a costela, que estava ótima, muito boa mesmo! O total da conta ficou em 775,00 pesos, ou R$ 54,25 por casal. Fiquei impressionado do tanto que esse restaurante é bom e barato! Recomendadíssimo!

Dali, seguimos para uma praça da cidade, central, onde fica uma feira artesanal. Em comparação com Salta e San Pedro de Atacama, achei o artesanato de Tilcara muito fraco, sem muitas opções.

 

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Rua típica de Tilcara.

 

Deixei o pessoal na feira e segui – com a ajuda de um mapa que recebemos no hotel – para a igreja central da cidade, a Iglesia Virgen del Rosario y San Francisco de Asis. Já que gosto muito de futebol, queria conhecer a tal “santa maldita”. A história é engraçada. A seleção de futebol da Argentina fez a preparação para a Copa do Mundo de 1986 em Tilcara, pois ali eles encontrariam uma região parecida com a qual encontrariam no México, o então país sede. Como não poderia ser diferente, a seleção argentina foi muito bem tratada pelo povo de Tilcara. Diz que foi uma festa só! Mas, antes de deixarem a cidade, o falastrão técnico argentino ficou sabendo de uma “santa milagreira” e, por isso, levou junto todos os seus comandados – incluindo o craque Maradona – até a tal santa para pedir a "bença" e prometeu que, se eles ganhassem a Copa, voltariam para Tilcara com o objetivo de agradecê-la. O resultado? A Argentina ganhou a Copa, mas a pacata Tilcara nunca mais viu nem a sombra da seleção argentina. E, desde então, a Argentina nunca mais ganhou uma Copa do Mundo! ::lol4::::lol4::::lol4:: Essa curiosa história é conhecida como “A Maldição de Tilcara”, e foi relembrada pelo jornalista Ariel Palacios às vésperas da final da Copa do Mundo de 2014, entre Alemanha e Argentina. http://sportv.globo.com/site/SporTV-na-Copa/noticia/2014/07/maldicao-por-promessa-nao-cumprida-assombra-argentina-lembra-escritor.html

Não acredito em santos, mas gostei desse “causo” e queria tirar uma foto com essa santa para mostrar para alguns amigos que também gostam de futebol. O problema é que provavelmente a santa da igreja em que eu fui não era a santa maldita de Tilcara ::putz::::putz::::putz:: . Ao sair da igreja, perguntei para um rapaz nativo que estava trajado com um uniforme do Real Madrid sobre essa maldição, e ele não soube me responder. Eu acho que o povo local de cidades que possuem esses tipos de causos ficam com vergonha dessas histórias. Em 2012, em Bariloche, eu perguntei em um centro de informação ao turista, que fica no centro da cidade, onde era a suposta casa de Adolf Hitler, pois eu tinha visto um documentário no canal National Geographic sobre uma teoria maluca de que o líder nazista não havia suicidado no final da Segunda Guerra Mundial, e sim havia fugido de submarino para a Patagônia argentina e teria morado, até a sua velhice e respectiva morte, em San Carlos de Bariloche (rsrsrs). A mulher fechou a cara pra mim e disse não saber de nada. Ah, e pra constar, eu também não acredito que Hitler morou em Bariloche; mas que o causo é engraçado, isso é (rsrsrsrs).

Do meu “turismo religioso”, segui para o hotel. O pessoal chegou logo em seguida. Eram umas 15h00. As outras opções de turismo que tínhamos era a Garganta del Diablo, porém, só poderia ser feito a pé, pois, mais uma vez, a chuva deteriorou o caminho em que os carros passavam. Como era uma caminhada muito longa, ninguém animou de ir. E, a outra opção, era ir até Humahuaca, a uns 40 quilômetros de Tilcara. O pessoal não mostrou muito ânimo e, como eu sabia que no Atacama a “pegada” seria mais forte, não quis forçar muito. Tem também o pequeno vilarejo de Iruya, mas esse passeio é muito mais longo e acredito que teria que separar um dia só para ele.

Então, descansamos e, a noite, acabamos apenas lanchando um prato de frios no hotel. O dia seguinte prometia ser intenso: cruzar a Cordilheira dos Andes, Salinas Grandes, fronteira Argentina-Chile pelo Paso Jama e Deserto do Atacama. A Carol ficou assustadíssima com uma informação de um suposto fechamento do Paso Jama em vista das condições climáticas. Ela me perguntou se haveria outro caminho e eu respondi que só haveria o Paso Sico, caminho que exigiria voltar para Salta e pegar muita estrada de chão (ou rípio), o que certamente atrasaria em um dia a nossa viagem. Ela pediu para a recepcionista do hotel ligar para a Polícia Caminera, que não souberam responder sobre essa possível interdição. Mais tarde, os ânimos se acalmaram quando a Carol viu no Facebook relatos de pessoas que chegaram no final da tarde daquele mesmo dia em San Pedro do Atacama, passando pelo Paso Jama. Enfim, não sei se o Paso Jama é fechado ou não em condições climática adversas.

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Aguardando o restante do relato.

Pretendo ir em Julho até San Pedro de Atacama de carro.

E se até o Atacama as condições climáticas forem favoráveis vamos (eu e meu namorado) subir até Cusco-Peru.

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Dia 8 – sábado, 18 de março de 2017.

De Tilcara a San Pedro de Atacama, passando por Salinas Grandes.

 

Acordamos cedo, por volta de umas 7h00, tomamos café e partimos rumo a San Pedro de Atacama, uma viagem curta de 436 quilômetros. Segundo o Google Maps, a viagem, sem paradas, duraria cerca de cinco horas. Mas, como pararíamos nas Salinas Grandes e no Paso Jama, esse tempo aumentaria. A intenção era chegar em San Pedro não muito tarde, pois a nossa agenda de turismo ficou cheia – tínhamos que chegar na cidade e, no mesmo dia, fazer o câmbio e quitar os passeios que havíamos agendado. Nossa programação ficou assim: 1º dia – visitar o Observatório Alma (passeio gratuito) na parte da manhã e, a tarde, conhecer o Valle de La Luna; 2° dia – conhecer Piedras Rojas, laguna Tuiajito e Lagunas Miscanti e Miñiques (todos por nossa conta) e, a noite, tour astronômico (com a agência Space); 3° dia – de manhã conhecer o Geyser del Tatio e, a tarde, Lagunas Escondidas (ambos com agências).

O tempo estava ótimo, ensolarado. Adentramos na Ruta 52, passamos por Purmamarca e, alguns quilômetros depois, começamos a subir os Andes em zigue-zague. O motor-home do Alcivar sentiu mais a subida, não conseguindo passar dos 40 km/h; o Corolla não sentiu nada. Após muitas curvas e depois de subir muito, avistamos uma pedra que marcava a altitude em que estávamos: 4.000 e poucos.

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Quando passamos a descer, a Lidiane disse que havia avistado um lago lá embaixo. Eu não vi, pois estava com um olho nas curvas e outro no retrovisor, acompanhando o motor-home. Mais adiante, avistei uma grande área branca na nossa frente. “Eu acho que ali é o salar.” – mencionei. E a Lidiane retrucou: “Ah, foi esse o ‘lago’ que eu vi!”

A rodovia passa por entre as Salinas Grandes. Logo no começo tem um ponto de parada a esquerda, com duas esculturas grandes feitas de sal e uma bandeira da Argentina e outra da Wiphalla hasteadas. Decidimos parar ali. Quando descemos e chegamos bem perto do salar, tivemos uma grata surpresa: o sal tinha derretido o suficiente para formar um lindo espelho da água, que refletia toda a paisagem! Como não poderia ser diferente, ficamos fascinados com aquela paisagem espetacular; um privilégio estar ali.

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Salinas Grandes, Argentina.

 

Depois de ficarmos um bom tempo no salar e de tirarmos muitas fotos, voltamos à estrada rumo ao desconhecido. O cenário agora passa a ficar desértico. Rodamos alguns quilômetros, cruzamos Susques e, uns 120 quilômetros depois chegamos ao Paso Jama.

Antes de passar pela aduana, paramos num posto YPF que tem por ali – conforme explicou um dos nossos amigos aqui do Mochileiros.com. Aqui foi, realmente, o litro da gasolina mais cara que eu já paguei na vida: R$ 4,89! Pedimos para encher o tanque de ambos os veículos. Enquanto esperávamos pelo serviço – o que demorou um certo tempo, visto que havia somente um frentista de pouca prática – eu fui consultar com alguns motoqueiros brasileiros, que também esperavam pelo abastecimento, sobre o seguro Soapex: eles nem sabiam o que era isso. Deu tempo ainda de consultar uns caminhoneiros, também brasileiros, sobre o tal seguro: eles também de nada sabiam. Lembro a vocês que tentei fazer ainda no Brasil esse suposto seguro obrigatório para transitar no Chile, mas o site dava erro na hora de pagar. Como ninguém tinha conhecimento do Soapex – nem mesmo o frentista solitário de pouca prática – decidimos seguir rumo a aduana. Antes, porém, tive que emprestar alguns pesos para o Alcivar, já que o sistema do posto não passava cartão de crédito/débito com chip.

Ao chegar na aduana, somos abordados por um policial argentino, que nos entrega um pequeno papel retangular e nos informa que devemos estacionar no prédio oficial, a esquerda, para então efetuar os trâmites burocráticos. Dentro do prédio encontramos uma sala com 6 guichês. Devemos passar em todos eles – a cada guichê, um carimbo é dado no papel retangular que recebemos do policial argentino na entrada da aduana. Pelo que eu lembre, um guichê é para carimbar no passaporte a saída da Argentina, o outro carimba a entrada no Chile e tem um que solicita o documento do veículo. Nesse, eu aproveitei para perguntar do Soapex e, surpreendentemente, ele não soube informar nada de concreto. Continuando com os guichês...: um deles entrega um formulário que solicita que você anote o que está levando para o Chile. Para andar mais rápido, eu pedi ajuda para o oficial, que me atendeu prontamente (esse documento fica conosco e deve ser devolvido quando sairmos do país). Lembro também que temos que informar para que local do país que estamos indo. E foi isso.

Passados todos os guichês, é hora da vistoria nas bagagens e no carro. Um oficial muito solícito e educado foi responsável pela nossa vistoria. Primeiro ele pede que abra o porta malas e, então, ele solicita que abramos cada mala para ele poder verificar, superficialmente, o que há dentro delas. É um processo um pouco cansativo (rsrs). Depois, ele dá uma pequena verificada dentro do carro. Nesse processo, algumas frutas foram confiscadas. No motorhome do Alcivar foi confiscada um pote de mel. Aliás, eu pensei que a vistoria no motorhome iria demorar um bocado, visto que ele tem inúmeros compartimentos. Mas o vistoriador não fez muita questão – só verificou o básico e os liberou. Finalizadas as vistorias, hora de continuar com a viagem. Ao sair da aduana, um policial pede aquele papel retangular, que agora está com todos os carimbos dos seis guichês.

Poucos metros após a aduana chega-se a linha da fronteira, com a clássica placa rodoviária. Eu queria bater uma foto ali, mas ela estava quebrada bem na parte onde ficava a bandeira do Chile. Seguimos viagem. Ali já estávamos no Deserto do Atacama. Para mim, era a realização de um sonho. Muito gratificante. Podíamos observar algumas pequenas lagunas que contrastavam com o deserto, formando belos cenários. Também podíamos ver vários vulcões e montes com os seus picos nevados.

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Corolla e o motor-home do Alcivar, já no Deserto do Atacama.

 

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Da esquerda para a direita, no vislumbrante Deserto do Atacama: Maria, Alcivar, eu, Lidiane e Dionísia.

 

A alguns poucos quilômetros de San Pedro, há um mirante (ou mais), na beira da rodovia, que fica em frente ao vulcão Licancabur, vulcão este bem visível da cidade. Deve ser ótimo para tirar fotos daquele mirante, mas acabei passando despercebidamente por ele – só o notei na viagem de volta.

Do Paso Jama até San Pedro, rodamos pouco mais do que 150 quilômetros. E, enfim, chegávamos na movimentada, porém pequena, cidade de San Pedro de Atacama. Eram umas duas ou três horas da tarde – agora não lembro. Logo na entrada da cidade há uma aduana. Perguntei para uma oficial dali se havia necessidade de parar para apresentar algum documento, mas ela respondeu que aquela aduana serve apenas para quem chega do Paso Sico. Fomos então encontrar o nosso hotel. Não demorou muito e já deu para perceber que os chilenos são intensamente irritados quando estão ao volante: uma leve parada já é o suficiente para você tomar um buzinaço. Considerando isso, mais com o fato de que não é fácil manobrar um motor-home em qualquer cidade que seja, resolvemos deixar o motor-home estacionado (juntamente com os seus proprietários) em uma rua larga e fomos atrás do nosso hotel.

Meu mapa impresso do Google Maps pouco ajudou na nossa procura do hotel. Também não era muito fácil pedir informações, visto que a maioria das pessoas que estão ali são turistas. Por sorte, entrei em uma rua que deu em uma praça, aonde havia um ponto de informações ao turista. O atendente gentilmente nos forneceu um mapa da cidade e desenhou o trajeto que devíamos fazer para chegar ao nosso destino.

Em poucos minutos chegávamos ao Hotel e Camping Takha Takha, estabelecimento que havia reservado pelo Booking.com. O hotel fica situado na extremidade sentido Oeste da calle Caracoles. No check-in é informado que devemos pagar as diárias adiantado. Como havíamos levado dólares, pagamos sem o imposto chileno de 19%. Pagamos, cada dupla, o total de 328,00 dólares por 4 diárias em 1 quarto de casal.

Como não havia vaga no camping para o motor-home do Alcivar, as meninas foram procurar outro local para eles ficarem. Enquanto isso, eu fui até a calle Toconao para trocar os nossos dólares por pesos chilenos. Quando nós estávamos em Salta, 1 dólar valia 666,00 pesos chilenos. Cotei as moedas em pelo menos cinco casas, e os preços realmente variam bastante – o que é engraçado, já que uma casa fica literalmente no lado da concorrente. A título de exemplo, na primeira casa em que entrei, o dólar estava 650,00 pesos e o real 185,00, na outra 655,00/165,00, na penúltima em que entrei 652,00/188,00 e, por último, entrei na casa de câmbio Gambarte: 1 dólar = 658,00 pesos chilenos (1 real = 190,00 pesos), sem dúvida a melhor cotação! Dois dias depois, quando fui trocar mais dinheiro nessa mesma casa, um brasileiro na fila me disse que poucos dias antes eles estavam pagando o dólar em uma cotação um pouco melhor.

Voltei ao Takha Takha e encontrei as meninas, que tinham achado um ótimo camping para que o Alcivar e a Maria pernoitassem com o seu motor-home: Camping Casa Campestre, situado a alguns poucos metros do Takha Takha, sentido Oeste, ao fim da calle Caracoles. O Alcivar e a Maria pagariam 22,00 dólares por dia nessa estadia, mais alguns dólares a cada abastecimento de água e energia elétrica (não lembro dos valores exatos). A área do camping, em si, é visualmente melhor do que a área do camping do Takha Takha – mais organizado. Todos estavam felizes por encontrarem um local tão aconchegante para o casal Alcivar e Maria.

Enquanto a turma conversava, eu acabei observando uma placa de um determinado motor-home, que tinha o logo da Euro. Cheguei mais perto e constatei: a placa realmente era da Europa. Não acreditei no que tinha visto! Coincidentemente os donos de tal motor-home, um casal, haviam acabado de chegar ao camping, vindo de um mercadinho, e a Carol começou a conversar com eles em inglês. Ela era turca e o senhor era alemão. Ficamos sabendo que eles viajam pelo mundo com o seu veículo. Obviamente, eles vieram da Europa via navio. Fiquei pasmado, pois não sabia que esse tipo de transporte era possível – rodar com um carro europeu em países sulamericanos. Depois, acabaríamos encontrando vários motor-homes com placas da Europa pelo Atacama. Ainda nesse camping, conhecemos um outro cara que também veio com o seu motor-home: ele era brasileiro, veio de Uberlândia-MG e, segundo o que nos contou, já era a oitava vez que ele vinha para o Atacama.

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Nós, no Camping Campestre, onde o Alcivar e Maria ficaram hospedados em seu motor-home. O casal que está conosco são europeus: ele alemão e ela turca - viajam o mundo também de motor-home.

 

Eu e a Lidiane deixamos o pessoal conversando e voltamos para a Caracolles para procurar as agências 123Andes e Turismo Mitampi, a fim de acertar os passeios do Geyser del Tatio e Lagunas Escondidas, respectivamente. O sol ainda raiava no final da tarde em San Pedro de Atacama. A agência 123Andes fica ali perto do Takha Takha, mas encontrava-se fechada. Seguimos então Caracolles adentro à procura da agência Turismo Mitampi. A calle Caracoles, principal rua de San Pedro, é bem rústica e, naquele horário, já havia bastante turistas andando por ela. O que chamou a atenção também era a presença de inofensivos cachorros de grande porte, que andam soltos pela rua. As pessoas lhe oferecem passeios e também fazem convites para entrarem em seus restaurantes. Concluí comigo mesmo que foi a melhor coisa eu ter agendado esses dois passeios com antecedência, pois não haveria tempo hábil para cotar passeio por passeio naquele curto espaço de tempo.

Já na outra ponta da calle Caracoles, encontramos a agência Turismo Mitampi. O Luis Frias nos atendeu – parece que ele é o dono da agência. Eu havia agendado o passeio das Lagunas Escondidas no mês passado, e havia pago 25% do valor total do passeio como entrada, via Pay Pal, por cartão de crédito. Ao pagar o restante do passeio em seu escritório, o Luis ofereceu se nós não queríamos trocar o passeio das Lagunas Escondidas pelo passeio da Laguna Cejar. Mantive a minha escolha e paguei a quantia de 90.000 pesos chilenos referente a 75% do passeio para 6 pessoas. Trocando em miúdos, o valor total do passeio ficou em um pouco mais do que R$ 100,00 por pessoa.

Voltando para o nosso hotel, encontramos a agência 123Andes aberta. Essa é uma agência de brasileiros feita para atender brasileiros. Quem nos atendeu foi a Bianca, uma simpática jovem que tem, como um dos seus objetivos, ir morar em Hong Kong (ela trabalharia temporariamente em San Pedro para depois ir morar em Cusco, no Peru). Ela nos deu muitas dicas enquanto eu fazia o acerto do passeio Geyser del Tatio. Eu também já havia acertado uma quantia correspondente a 20% do valor total com antecedência, dessa vez, por transferência bancária. Agora eu acertava o restante, pagando a quantia de 120.000 pesos chilenos referente ao passeio para a nossa turma: 6 pessoas. Para cada pessoa, o passeio custou um pouco mais do que R$ 125,00.

Agora farei um breve relato sobre a Laguna Cejar e Lagunas Escondidas. Eu queria muito fechar o passeio da Laguna Cejar com a 123Andes, laguna essa que tem como maior atrativo entrar nela e ficar boiando naturalmente, fenômeno causado pelo alto índice de sal encontrado nela. Entretanto, em meados de novembro de 2016, vi aqui no Mochileiros.com a informação de que essa laguna estava fechada por conta de contaminação de arsênio, informação essa confirmada, via e-mail, pela Camilla Duarte da agência 123Andes. Fiquei triste, mas não desisti, até que descobri que as Lagunas Escondidas, um passeio relativamente novo, oferecia o mesmo atrativo. Perguntei desse passeio para a Camilla, mas ela me respondeu que a 123Andes não oferecia esse passeio visto que as Lagunas Escondidas estariam também contaminadas por arsênio. Daí eu fiquei magoado mesmo! Entretanto, algumas semanas depois, uma moça fez um relato aqui no Mochileiros.com de uma viagem que fez ao Atacama e, surpreendentemente, ela não só conheceu as Lagunas Escondidas, como também entrou em uma delas. Mas não estaria ela contaminada? Perguntei para ela, e a resposta foi de que algumas lagunas estariam contaminadas, já outras não. Pesquisei no Tripadvisor as agências que faziam o passeio das Lagunas Escondidas e, depois de alguns e-mails enviados fazendo as cotações, fechei com a agência Turismo Mitampi. Agora, na agência 123Andes, a Lidiane aproveitou a simpatia da Bianca e perguntou: “As Lagunas Escondidas não estão contaminadas?” (ela estava com medo e não queria deixar eu entrar). E a resposta da Bianca foi de que , nem as Lagunas Escondidas e nem a Laguna Cejar estavam contaminadas. O problema todo foi causado, ela explicou, por uma briga política envolvendo os nativos que administram os parques e a prefeitura (ou as agências de turismo, não recordo exatamente). Os nativos fecharam a Laguna Cejar e, então, inventou-se essa história da contaminação. Mas agora já estava aberta novamente. Quanto ao arsênio, a Bianca concluiu: - “As duas lagunas possuem arsênio na água, mas você só vai morrer contaminado por ela se nadar na laguna todos os dias durante 10 anos.”

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San Pedro de Atacama.

 

A noite, saímos todos para jantar, e escolhemos o tradicional restaurante Adobe. Pedi o típico prato chorillama, que consiste em carnes picadas acompanhado de ovo frito e batatas fritas – muito gostoso. A conta ficou aproximadamente R$ 70,00 por casal. Acabamos indo embora bem na hora que um animado grupo andino começou a tocar umas animadas músicas tradicionais – estávamos bem cansados.

Quanto à conversão, adotei o seguinte método. Ainda no Brasil, comprei o dólar a R$ 3,38. Em San Pedro do Atacama, o dólar estava sendo comprado na casa de câmbio Gambarte por 658 pesos chilenos. A janta no Adobe, por exemplo, ficou em 13.433,33 pesos chilenos por casal. Então eu divido 13.433,33 por 658 = 20,41 dólares. 20,41 dólares x R$ 3,38 = R$ 68,98. Confuso? hehehe... Pra facilitar, cada 1.000 pesos chilenos (cédulas verdes) equivalem a praticamente R$ 5,00; cada 10.000 pesos chilenos (cédulas azuis) equivalem a praticamente R$ 50,00. Importante fixar bem a diferença entre essas duas cédulas para não fazer confusão – a Dionísia, por exemplo, em um dado momento estava pensando que as suas cédulas de 10.000 eram 1.000 pesos. Ainda bem que o pior não ocorreu. Também há as cédulas de 2.000 pesos (roxas), 5.000 pesos (rosa) e 20.000 (laranja).

 

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Dia 9 – domingo, 19 de março de 2017.

Dia "1 do 3" em San Pedro de Atacama - Observatório ALMA e Vale de la Luna.

 

            Após uma gostosa noite de descanso na confortável cama do hotel Takha Takha, acordamos e tomamos um também gostoso café da manhã nas dependências do hotel. Havíamos combinado de nos encontrar na frente do hotel por volta de umas 8h00, para então cruzar de uma ponta a outra a calle Caracoles para, por fim, procurar o ponto de encontro de onde partiria, pontualmente às 9h00, o ônibus do Observatório Alma. E foi isso o que fizemos. Fazia um bonito dia de sol.

            O endereço do ponto de encontro – calle Tumisa, esquina com Av. Pedro de Valdivia, em frente ao “Pueblo de los Artesanatos” – é bem detalhado no documento (tipo um “voucher”) que o Observatório Alma lhe envia por e-mail assim que você finaliza o seu cadastro no site da instituição. Eu havia reservado tranquilamente para as 6 pessoas da nossa turma, isso no final do mês de dezembro de 2016. O passeio é gratuito, e só pode ser feito aos sábados e domingos.

            Chegamos ao tal local, mas não soubemos identificá-lo de imediato. Perambulamos pelas redondezas do local, perguntando para um grupo e outro de pessoas sobre a visita ao Alma, até que achamos uma família de chilenos que também estavam procurando o mesmo ponto que o nosso. Não demorou muito e eu achei um rapaz francês trajado com uma jaqueta do Observatório Alma – ele era um dos guias. Perto do horário combinado começou a chegar vários turistas e, as 9h00, chega o ônibus que nos levaria ao Alma. O guia coordena, de maneira muito gentil e educada, a entrada dos passageiros: entram primeiro aqueles que tinham em mãos a confirmação da visita, depois entram os que estariam numa “fila de espera” e, por ultimo, se sobrar vagas, entram quem não fez nenhuma reserva. Felizmente, todos que estavam ali, algo em torno de 40 pessoas, conseguiram entrar. O ônibus era novo e muito limpo, o que me impressionou por ser uma visita gratuita (eu até estava imaginando que o nosso meio de transporte seria uma van).

            O ônibus pega a ruta 23, a mesma que leva ao Paso Sico, Piedras Rojas e Lagunas Miscanti e Miñiques. Uns 40 quilômetros depois, chega-se ao pórtico de entrada do Observatório Alma. Reforço o lembrete de que não pode-se fazer qualquer tipo de visita a esse local que não seja por esse meio oficial (de ônibus), ou seja, não pode-se pegar um carro ou moto, por exemplo, e aparecer por lá – mesmo que você tenha agendado a visita pela internet. Após passar pelo pórtico, rodamos mais alguns quilômetros e enfim chegamos ao nosso destino.

            Ao desembarcamos no pátio do observatório, somos divididos em dois grupos: um para a língua inglesa e outro para a língua espanhola. Ambos os grupos são guiados por um guia específico. Ali no pátio mesmo, o guia leva uns 30 minutos para se apresentar e explicar um pouco sobre a instituição, da rotina dos funcionários, dos países envolvidos no projeto (Chile, EUA, Japão e alguns países da Europa) e dos critérios (alta altitude e baixa umidade) para a escolha do local onde seriam instaladas as gigantescas 66 antenas. De antemão, ele já avisa – sempre de modo amigável – que o Alma, por motivos de segurança, não libera a visitação dessas antenas, que estão localizadas a alguns quilômetros dali, a mais de 5.000 metros de altitude; o máximo que podemos conhecer é uma antena ou outra que de vez em quando descem para manutenção.

Na parte externa do Alma, com vulcão ao fundo

Pátio externo do Alma, com vulcão ao fundo.

            Em seguida, entramos em um dos prédios e, em um corredor do andar de cima, o guia “Marquinho” (apelido que eu coloquei nele por ser um tanto parecido com um amigo meu) nos dá uma pequena aula de física sobre como as antenas ali instaladas conseguem visualizar ondas de luz a fim de captar imagens do espaço sideral (como não sou bom em física, não sei se usei os termos corretos, mas foi isso que eu entendi). Nesse corredor há duas maquetes de Lego, montadas por universitários, sendo uma maquete da antena padrão usada pelo Alma e a outra maquete de um veículo que foi projetado exclusivamente para transportar essas antenas.

            Descemos então para outro corredor, onde ali conhecemos separados por uma vidraça, alguma parte de todo o maquinário científico ali usado. Em um certo momento, um cientista deixou o que estava fazendo, veio até ao nosso grupo e deu um broche do Observatório Alma para a única criança entre nós – confesso que queria um também (rsrs).

            Na sequência, assistimos a um pequeno vídeo institucional e então fomos para uma sala de computadores, onde trabalhavam três cientistas. Numa lousa branca, estava escrito, em espanhol, a célebre frase do Chaves: “A vingança nunca é plena, mata a alma e a envenena.”

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            Por fim, saímos do prédio e seguimos para onde fica estacionado o gigantesco veículo que transporta as antenas e, onde ficam também, as antenas que necessitam de manutenção. Nesse dia, estava ali presente um dos técnicos responsável pela manutenção das antenas que, por meio do seu “modesto” notebook, movimentava a engenhosa antena. Qual não foi a nossa alegria quando ele deixou, para quem quisesse, movimentar a antena. Ele perguntava para qual lado queria direcionar a antena e, então, ele explicava as latitudes e longitudes. Adicionávamos então as tais coordenadas no notebook e, após um simples toque no botão Enter, a gigantesca antena se movimentava para a posição escolhida. Muito legal! Da nossa turma, somente eu e a Carol tivemos a curiosidade de manusear aquele caríssimo aparelho.

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Ao fundo, uma das antenas em manutenção.

 

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Eu e Alcivar com o nosso simpático guia "Marquinho".         

 

   Fim do passeio, voltamos a San Pedro com o mesmo ônibus e, no horário previsto – 13h00 – fomos deixados no mesmo lugar que havíamos embarcado. Passando pela Caracoles, aproveitamos para comprar alguns souvenires: imãs de geladeira (1.500 pesos cada), patches bordados (1.500,00 pesos cada), um colar para a Lidiane (2.000 pesos) e um chapéu para mim (3.000,00 pesos).

            Seguindo as sugestões do nosso amigo Filipe Rocha, aqui do site Mochileiros.com (https://www.mochileiros.com/topic/52300-atacama-7-dias-out-2016-passeios-dicas-e-toda-informa%C3%A7%C3%A3o-que-voce-precisa-saber-fotos/), escolhemos sem demora o restaurante Picada del Índio, situado na calle Tocopilla, para o nosso almoço. Pedi o prato lomo a lo pobre (que é praticamente a mesma coisa que o chorrillama – não recordo se a diferença fica por conta do tipo da carne ou do modo como ela é servida), que acaba servindo duas pessoas. Juntamente com os outros pratos servidos, a conta ficou, por casal, a quantia de R$ 46,40 (9.033,33 pesos). Após o almoço, na calle Caracoles, tomamos um gostoso sorvete na Heladeria Babalu, que contém sorvetes com sabores de frutas típicas atacamenhas. A casca com uma bola custa algo em torno de R$ 10,00.

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Restaurante Picada del Índio.

 

            Descansamos um pouco nas nossas hospedagens e, mais tarde, seguimos, todos juntos no Corolla, para o Valle de La Luna. Logo que sai de San Pedro, pela Ruta 23, pega-se a entrada a esquerda, também pavimentada de asfalto. Só que o mané aqui não viu a placa indicativa e achou que era mais pra frente – embora eu tenha pesquisado exaustivamente o trajeto pelo Google Street View. Fomos parar na entrada para o Vale da Muerte; lá, as nativas nos explicaram o caminho do Valle de La Luna.

            Superando o pequeno percalço, chegamos tranquilamente no Valle de La Luna. Ali já ficou claro para nós que quem manda em todos os parques nas redondezas de San Pedro de Atacama são os índios. São sempre eles que recebem o dinheiro das entradas. Segundo o tíquete que recebemos após o pagamento, o nome oficial do parque é “Asociación Indígena Valle de La Luna”. A propósito, a entrada custou 6.000,00 pesos chilenos por casal (R$ 30,00).

            Seguimos parque adentro e a nossa primeira parada foi na Caverna do Sal. Entramos nela, andamos um pouco, mas quando a coisa começou a ficar escura e necessitou ter que se agachar demais, as meninas acharam perigoso e decidiram voltar – e assim o fizemos. Pelo que entendemos, a saída do caminho fica ali perto da entrada do mesmo.

            Continuamos o nosso passeio pelo parque e paramos um pouco para algumas fotos. Nisso, o chapéu da Carolina voou e eu fiz questão de ir atrás dele. O chapéu foi rolando duna abaixo, e o vento não o deixava parar. Finalmente consegui pegar o chapéu e, para subir de volta, foi aquele sofrimento.

            Nossa penúltima parada foi nas formações rochosas Três Marias, onde batemos algumas fotos. Aqui, como em todo o parque, várias pedras são enfileiradas no chão para delimitarem até aonde nós podemos chegar, sendo proibido ultrapassar aquele limite.

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Formação rochosa Três Marias, no Valle de la Luna.

 

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Valle de la Luna.           

 

Por fim, subimos a pé um dos dois morros que servem como mirantes para apreciar o famoso por do sol do Valle de La Luna. Subimos tranquilamente e, uma vez lá em cima, contemplamos aquele lindo cenário. Alguns turistas europeus tiveram a boa idéia de levarem lá para cima um suposto bom vinho que eles degustavam enquanto apreciaram o famoso por do sol do Valle de La Luna. Fica a dica. Após o acontecido, alguns nativos funcionários do parque já ficavam por perto a fim de mandar o pessoal embora – talvez eles não deixam o pessoal ficar por lá a noite para evitar algazarras.

            Voltamos para San Pedro, já a noite, chegamos no hotel, tomamos um banho e saímos para jantar. Só fomos eu mais a Lidiane, a Dionízia e a Carolina – o Alcivar e a Maria optaram em descansar no motorhome. A Lidiane viu num aplicativo, não sei qual, um food truck chamado Burger Garden, situado na calle Tocopilla, que serve sanduíches. Bem carinho ele, mas foi muito bom. Achamos engraçado que dentro do food truck havia um chileno branco e um chileno índio. O chileno índio era o único que trabalhava, enquanto o chileno branco – um rapaz novo, que já havia morado na Austrália – apenas dançava ao ritmo da música do estabelecimento. Quando o chileno índio, que era o cozinheiro, acabava de preparar o sanduíche, ele passava o mesmo para o chileno branco que, então, para não dizer que não fazia nada, espetava o sanduíche ao meio com um palito grande de madeira. Esse foi o cômico ritual que nós presenciamos no preparo dos quatro sanduíches que pedimos – o meu demorou mais a chegar, pois o chileno dançante esqueceu de anotar o pedido. Quanto ao lanche, ele é muito gostoso e muito bem servido. Como acompanhante, vem uma batata rústica ou uma porção de cebolas fritas, ambas de muito bom gosto. O preço para dois sanduíches (o meu e o da Lidiane) e três refrigerantes ficou em torno de R$ 83,00, ou exatos 16.150,00 pesos chilenos.

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Dia 10 – segunda-feira, 20 de março de 2017.

 Dia "2 do 3" em San Pedro de Atacama - Piedras Rojas, Lagunas Miscanti e Miñiques e tour astronômico.

 

            Quando eu fiz o acerto do passeio do Geyser del Tatio na agência 123 Andes com a Bianca, ela nos disse que, para visitar as Piedras Rojas, era bom chegar mais cedo, a fim de evitar a aglomeração de outros turistas. Seguimos o conselho dela e saímos das nossas respectivas hospedagens às 6h40. Ainda estava escuro.

            Com os meus mapas impressos do Google Maps, contendo todas as respectivas distâncias e alguns pontos de referência (tudo isso por medo de se perder no deserto e ter que aturar as consequentes reclamações), adentramos na Ruta 23 e fomos rumo a Paso Sico. Dessa vez, cada um foi no seu veículo: nós com o Corolla e o Alcivar com o seu motorhome. Após 30 quilômetros rodados, cruzamos o pequeno vilarejo de Toconao. Um pouco mais de 50 quilômetros depois, chegamos ao vilarejo Socaire. Não paramos em nenhum deles. Após mais 21 quilômetros, chegamos na entrada que dá acesso para as Lagunas Miscanti e Miñiques – passamos reto, visto que a intenção era visita-los na volta. Todo o percurso até aqui é pavimentado com asfalto. Roda-se mais alguns quilômetros e, então, o asfalto acaba. Rodamos, então, uns 30 quilômetros em estrada de rípio que, aliás, estava bem ruim, contendo muitas “costelas de vaca” – mas dá pra ir tranquilo (lembre-se que estávamos com um Corolla e um motorhome).

            Se eu não em engano, o relógio marcava umas 9h00 quando avistamos de longe as Piedras Rojas. Eu vi a cena e, acreditem, fiquei um pouco decepcionado (mas foi uma decepção momentânea) – afinal, as águas não estavam azuis claras como nas diversas fotos que eu havia visto. Seguimos reto, pois o objetivo era conhecer primeiro a menos conhecida Laguna Tuyajito, que fica a uns 10 quilômetros das Piedras Rojas.

            Chegamos enfim, à Laguna Tuyajito e, infelizmente, as águas da laguna não estavam azuis claras como nas fotos. As meninas falaram-me que o pessoal adicionavam filtros nas fotos. Recusei-me a acreditar nisso. Imaginei que a coloração das águas poderia alterar de acordo com o horário, considerando a incidência dos raios solares. Ficamos ali um pouco, batemos algumas fotos, desci até perto da laguna, avistei uma van de turistas chegando de longe e, por fim, retornamos para os nossos veículos rumo às Piedras Rojas.

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Alcivar apresentando a Laguna Tuyajito.

            No nosso retorno, quando avistamos novamente as Piedras Rojas, fiquei muito empolgado! A minha teoria da alteração das cores das águas estava certa: dessa vez, ao contrário de uma coloração sem graça, as águas das Piedra Rojas encontravam-se numa cor azul clara, que contrastava com as belas pedras vermelhas do local. O Alcivar, que dessa vez estava na frente, seguiu uma van turística, o que fez com que a gente chegasse no ponto exato para apreciarmos o local – se bem que, na verdade, acredito que qualquer lugar ali é ideal para isso. O relógio marcava umas 9h30 ou 10h00. Se as cores das águas visualmente mudaram de cor por causa do horário, conforme penso eu, o ideal é não chegar muito cedo nas Piedras Rojas. Foi muito gratificante estar ali. Tiramos muitas fotos e, como recordação adicional, levei duas pedras vermelhas.

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Piedras Rojas.           

 

Depois de um tempo naquele lugar espetacular, tomamos o caminho de volta, com destino às Lagunas Miscanti e Miñiques. Quando chegamos ao acesso que dá para o parque, o Alcivar e a Maria decidiram voltar sozinhos para San Pedro. Nós continuamos o nosso passeio. O acesso às Lagunas Miscanti e Miñiques também é de estrada de chão. Na nossa frente tinha um motorhome com placa da Europa que estava “descendo o cacete” naquela estrada ruim, fazendo um forte contraste com todo o cuidado que o Alcivar tem com o seu veículo. Quando chegamos na portaria do parque, descobrimos que dentro daquele motorhome europeu estava uma família de franceses com duas crianças; dentro do veículo encontrava-se uma bagunça enorme – viagem animada o daquela família (rsrs).

A entrada do parque custou 3.000,00 pesos por pessoa (R$ 15,00). Mais uma vez, percebe-se que a administração do mesmo é feita pelos nativos. O cenário daquelas lagunas é espetacular! Vale muito a pena o passeio. Todos os caminhos do parque são “protegidos” por pedras enfileiradas no chão, não sendo permitido passar por aquelas pedras.

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Eu, junto com um dos nativos atacamenhos que realizam a segurança do parque das Lagunas Miscanti e Miñiques.

 

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Lagunas Miscanti e Miñiques.

 

Satisfeitíssimos pelos passeios realizados, tomamos o nosso rumo de volta para San Pedro de Atacama. Decidimos parar em Toconao para comprar damascos, mas não havia, pois não era a época.

Chegamos a San Pedro por volta de umas 15h00. Almoçamos novamente no restaurante Picada del Índio. Destaco a boa comida e o bom preço desse restaurante: eu mais a Lidiane pagamos em torno de R$ 40,00 pelo nosso almoço. Depois eu fui trocar mais alguns dólares por pesos.

Fomos então até ao camping aonde o Alcivar estava hospedado e, para o nosso espanto, não achamos ele lá. Perguntamos sobre ele para a recepcionista, que nos respondeu que não havia visto eles durante o dia. “Será que ele se perdeu?” – indagaram as meninas. “Mas não tinha como ele se perder” – respondi. E não tinha mesmo, visto que o caminho é muito fácil – é só “seguir reto toda a vida.” Depois de um tempo preocupados, enfim encontramos o Alcivar e a Maria em seu motorhome. Ele foi procurar um posto de combustível para abastecer e, como já era sabido por mim, foi muito difícil de achar o estabelecimento, que parece ser o único da cidade.

Eu e a Carol havíamos ido até a agência Space, responsável pelo tour astronômico e recomendadíssima por todos, e fechamos o tal passeio, que sempre tem que ser feito no dia que será realizado o tour. Pagamos a bagatela de 20.000,00 pesos chilenos por pessoa, algo em torno de R$ 100,00.

Quando chegou a noite, fomos até ao ponto de espera da van que nos levaria até ao tour astronômico. Pegamos a van numa esquina da Caracoles, ali perto do nosso hotel, às 21h50. Eu havia comprado umas empadas por ali mesmo, que serviriam como nossa janta, visto que o passeio acabaria tarde. O Alcivar e a Maria optaram em não ir. O veículo da agência, que já estava com um bom número de turistas, pegou outros pela cidade e, depois, saiu da cidade, rodou alguns poucos quilômetros e entrou numa área perto da rodovia, que estava bem escura, não havendo nenhuma luz.

Fomos recepcionados por um alegre cachorrinho que tinha usava uma coleira de led. Daí, fomos guiados até um local aonde estava a nossa guia, que deu então início aos trabalhos do tour, ao explicar sobre as estrelas e as constelações usando uma daquelas lanternas de luz verde que alguns torcedores usam em estádios para atrapalhar a visão dos jogadores de futebol. Ficamos ali, em pé, ouvindo em espanhol a nossa guia. Não demorou muito e nós quatro acabamos ficando cansados, mesmo a visão do céu noturno sendo espetacular. Esperamos para usar os binóculos, mas, quando o usamos, acabamos nos decepcionando. Como o passeio iria demorar mais e, além do mais, teríamos que acordar muito cedo no outro dia para fazer o passeio dos Geyseres del Tatio, decidimos unanimemente em abandonar o tour astronômico. Por sorte, achamos quatro vagas em uma van que levaria um grupo de franceses de volta para San Pedro.

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Dia 11 – terça-feira, 21 de março de 2017.

Dia "3 do 3" em San Pedro do Atacama - Geyseres del Tatio e Lagunas Escondidas.

 

            Acordamos por volta das 4h00 da manhã. Estava bem escuro e frio. Não estava aquele frio insuportável, mas estava frio. No horário combinado, 4h30, a van da agência 123 Andes passa em frente ao nosso hotel. O motorista, um chileno casado com uma brasileira, e muito cheio da graça, nos recepcionou muito bem. Ele já havia pegado previamente o Alcivar e a Maria. Como eu ainda estava com muito sono, voltei a dormir.

            Quando chegamos aos Geyser del Tatio, o dia ainda estava escuro, mas passou a clarear bem logo em seguida. A van parou na entrada no parque e, sem seguida, o motorista foi recebendo 10.000,00 pesos chilenos (cerca de R$ 50,00) de cada passageiro, que era o pagamento para a entrada no parque.

Antes de sairmos da van, o nosso motorista frisou muito bem de que não deveríamos ultrapassar as famosas pedras sinalizadoras do Atacama ali naquele ambiente, para não corrermos o risco de sermos fortemente queimados pelas águas dos geyseres. Daí ele contou uma daquelas histórias de um turista teimoso, que não obedeceu a orientação e que quase morreu pela sua desobediência.

            Saindo da van, deu para sentir que o frio estava bem mais rigoroso. Sempre caminhando pelos perímetros estabelecidos pelas pedras ao chão, fomos conhecendo os geyseres de perto, o que foi muito gratificante.

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Geyser del Tatio.

 

            Castigados pelo frio, voltamos para dentro da van, onde então conversamos um pouco com os nossos pares: um jovem casal do Rio Grande do Sul e uma jovem da Alemanha, muito bonita por sinal. O rapaz, diabético, iria subir no outro dia um dos vulcões das redondezas. A Lidiane, que tem um primo diabético, perguntou preocupadamente ao gaúcho se ele havia avisado ao pessoal da agência que ele contratou para subir o vulcão de que ele tinha diabete. Ele não avisou, preferindo correr o risco. O Alcivar riu da situação, dizendo que os nativos do Atacama gostam demais de um dinheirinho para se preocupar com a diabete do rapaz. Quanto a alemã bonita, conversa vai e conversa vem, descobrimos que ela não viaja para o Brasil por medo da falta de segurança. Mal sabia ela que praticamente um mês após a nossa viagem, já em terras tupiniquins, a Dionísia seria assaltada a mão armada e teria o seu Toyota Corolla roubado.

            Depois, ainda nos geyseres, tomamos um gostoso café da manhã. O nosso motorista estava cheio da graça pra cima da moça da Alemanha. Enquanto isso, alguns turistas corajosos entravam na pequena laguna de águas termais que tem por ali.

Em seguida, seguimos o nosso rumo até o Pueblo de Machuca. Durante o trajeto, quando avistava algum animal nativo por perto, o motorista parava a van e nos dava uma breve explicação do animal e dos seus respectivos costumes.

            Pueblo Machuca é um pequeno vilarejo visivelmente parado no tempo. Ficamos ali por um tempo. Conhecemos uma velha igrejinha do vilarejo, que foi construída em 1930. Lá dentro estava muito feio, nem cheguei a entrar. A propósito, quem abriu a igreja para nós foi uma velha índia trajada com vestes típicas – ela cobrava alguns mil pesos para quem quisesse tirar uma foto com ela. Enquanto isso, o Alcivar e a Carol degustavam, respectivamente, um espetinho de carne de lhama e uma empanada de queijo.

            De volta a San Pedro, almoçamos novamente no famigerado restaurante Picada del Indio (14.300,00 pesos por casal, ou R$ 73,45). Em seguida, cada um foi para o seu canto e eu aproveitei para voltar em uma casa de cambio da calle Toconao a fim de comprar algumas garrafas de 2 litros do – no mínimo curioso – refrigerante Inka Cola. Eu já havia ouvido falar desse singular refrigerante peruano de cor amarela; não pensei duas vezes em levar essa raridade para o Brasil. Paguei 1.450,00 pesos (R$ 7,44) por cada garrafa. E a bebida é gostosinha, hein! É docinho; parece que você está bebendo uma goma de mascar. Lembrei na hora do também peculiar guaraná Jesus, do Maranhão – mas esse é rosa. A propósito, ambos os refrigerantes, de tanto sucesso local que promoveram, foram comprados pela Coca-Cola.

            Enfim... Agora iríamos para o nosso último passeio no Atacama: as Lagunas Escondidas. No horário combinado pela agência Mitampi, 14h55, estávamos todos lá – eu, Lidiane, Carol, Dionízia, Alcivar e Maria. Para a minha surpresa, a agência estava fechada. Mas logo encontramos uns maloqueiros que pareciam trabalhar para a agência, que informaram que a van chegaria as 15h30. Nesse meio tempo o Luis, suposto dono da agência, chegou e eu fiquei mais tranquilo. Enquanto isso, as meninas tomavam um sorvete ali ao lado, na Heladeria Babalu. Encontramos também um jovem casal de brasileiros que fariam o mesmo passeio.

            Um pouco depois das 15h30, a nossa van chega. Era um veículo maior que o usual, e ele estava cheio. O coordenador da “barca” era um suposto jamaicano (pra mim ele era um haitiano que inventou que era da Jamaica) alto, bombado mesmo, que parecia ter saído do filme O Predador, estrelado por Arnold Scwarzenegger. Estava na cara que ele não era chileno. Aliás, dentro daquela van tinha gente de tudo quanto é lugar do mundo.

Os únicos lugares da van que sobraram para nós foram os de trás. E, então, seguimos viagem, via Ruta 23, sentido Oeste. Percorremos por um bom tempo naquela rodovia, até que, enfim, a van entrou numa estrada não pavimentada.

Pensei, então, que já estávamos perto das Lagunas Escondidas, mas me enganei redondamente. A viagem por aquela estrada não pavimentada realmente demorou. E, aí, vieram as complicações: 1° - havia uma outra van na frente da nossa, que consequentemente formava uma forte poeira sobre nós; 2° - como a nossa van não tinha ar-condicionado, o coordenador da van (o jamaicano-haitiano bombado do filme O Predador) solicitou que ninguém abrisse as janelas para que a poeira não entrasse na van; 3° - o clima estava quente, tão quente que o motorista, um nativo do Atacama, pegava garrafas de água e a derramava sobre a sua cabeça (eu pensei que tal atitude era decorrente pelo calor que o motorista sentia, mas a Maria viu a cena e nos confirmou que na verdade o motorista estava era com sono. “Que cilada, Bino!”). Esses três fatores fizeram com que o Alcivar perdesse a paciência e pedisse para que um dos passageiros abrisse a janela. Um senhor – que depois descobriríamos que era de Brusque-SC – abriu a sua janela, mas acabou se arrependendo, visto que os raios solares passaram a refletir mais fortemente em seu seu rosto (os vidros da van eram protegidos por insulfim). O motorista da van também abriu a sua janela, mas o resultado também foi desalentador: a poeira entrava diretamente na van, castigando os passageiros. O Alcivar ficou brabo e queria tirar satisfação com o jamaicano-haitiano, mas ninguém animou em topar aquela empreitada com ele – nem um argentino, também “grandão”, que estava sentado na nossa frente. Nós só ríamos. Mesmo sozinho, o Alcivar chamou o jamaicano-haitiano que, após ouvir o Alcivar, acabou se mostrando pacífico, mas mesmo assim, nada fez para melhorar a situação dos passageiros (até porque não tinha o que fazer mesmo).

Após mais ou menos uma hora, finalmente chegamos nas Lagunas Escondidas. A entrada no ambiente, por pessoa, custou 5.000,00 pesos chilenos (cerca de R$ 25,00).

Perto da primeira laguna, e só naquela, há uma barraca com mesas e bancos, onde o pessoal deixa as suas mochilas para poderem entrar nas águas do atrativo. Enquanto alguns iam em direção às outras lagunas, eu já fui tirando a roupa de cima (já estava vestido com a roupa de banho) e entrando na laguna salgada. Eu estava tão empolgado quanto àquela pessoa que viveu anos sem nunca ter visto e entrado no mar e agora tem a oportunidade de fazê-lo. A laguna tem uma parte que é rasa e, depois, a parte que é funda. A água estava fria, mas não gelada a ponto de desencorajar o vivente. Eu já sabia que tinha que ter cuidado para não molhar os olhos, para que o sal da água não o ardesse fortemente. Mas, mesmo assim, eu pulei tão empolgado na laguna que um pouco de água acabou respingando no meu olho – e posso afirmar que ardeu mesmo. Fiquei rindo e batendo as pernas e braços aleatoriamente, até acostumar e perceber que a única preocupação ali é ficar flutuando e tomar cuidado para a água não entrar no olho. A Lidiane demorou um bocado para entrar pelo fato de água estar fria; se eu não tivesse insistido muito, ela não teria entrado.

Depois nós saímos um pouco para visitar as outras lagunas, mas acabamos encontrando um pessoal que estava voltando e dizendo que não valia a pena ir até lá, visto que as lagunas do início do trajeto estavam mais bonitas. Voltei, então, imediatamente para a primeira laguna em que estava, para boiar novamente e satisfatoriamente. Estava feliz igual pinto no lixo!

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Eu e Lidiane boiando na Laguna Escondida.

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Fazendo graça.

 

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Nós, após sair da laguna; sal grudado no corpo.

 

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O Alcivar, assim como alguns “tiozões”, não havia trago roupa de banho. Por isso, ficaram lá na barraca, sentados, jogando conversa fora. Descobrimos então que aqueles senhores eram de Brusque-SC, e que sempre viajavam juntos em uma van personalizada por um dos integrantes da trupe. 

Infelizmente, a hora de ir embora havia chegado. Tomamos um banho para tirar o sal que fica grudado no nosso corpo. Achei as duchas muito boas. Enquanto isso, o nosso motorista dormia (se lembram da afirmação da Maria ao ver o motorista jogando água sobre a cabeça?) em cima das mochilas daquele casal de brasileiros que pegou a van junto conosco. Todos a bordo, seguimos o trajeto de retorno a San Pedro de Atacama – dessa vez, mais tranquila, já que não havia mais o calor e nem a poeira. O Alcivar teve boas conversas com os “tiozões” de Brusque que, inclusive, insistiram para que nós fôssemos para Iquique, aproveitar a zona franca que tem por lá, ao invés de irmos para Antofagasta.

Após cerca de mais uma hora de viagem, paramos em um local na beira da Ruta 23, antes de San Pedro. Ali, o jamaicano-haitiano armou uma mesinha do lanche: bolachinhas, pisco e um suco artificial de morango, docíssimo. Aliás, deu para perceber que os chilenos gostam de sucos artificiais bem doces. A ideia de parar ali era para admirarmos o por do sol atacamenho – várias outras vans faziam a mesma parada.

Como recordação, o Alcivar decidiu tirar uma foto com os “tiozões” de Brusque. Daí ele teve a ideia de pedir para o nosso motorista fazer a gentileza. O nativo se posicionou, pediu para o grupo ir para um lado, para o outro, deu aquela enrolada e, finalmente, deu o clique fotográfico. Quando o Alcivar viu o resultado, ele riu demais e veio me mostrar a foto.

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A foto que o nosso motorista demorou a bater: Alcivar, de vermelho, juntamente com os "tiozões" de Brusque-SC.

 

E assim havia terminado o nosso último dia de passeios em San Pedro de Atacama. Todos nós nos demos por satisfeitíssimos pelo roteiro escolhido. Eu, da minha parte, pretendo voltar, com a intenção de aproveitar mais a pequena cidade em si – vivenciar mais o dia a dia, assim como a vida noturna (sentar num restaurante e beber uma cerveja chilena, por exemplo – algo que não fiz). A ideia de levar uma barraca e acampar num camping, como o local onde o Alcivar ficou (Camping Casa Campestre), por exemplo, me agrada muito.

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Eu e a Lidiane em San Pedro de Atacama: vai deixar saudades!

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Dia 12 – quarta-feira, 22 de março de 2017.

De San Pedro do Atacama a Antofagasta.

 

Tomamos um gostoso café da manhã no Takha Takha, na companhia do cachorro do hotel. A funcionária do estabelecimento foi super atenciosa com a gente. Fizemos um pouco de contas para ver o quanto de pesos chilenos ainda usaríamos, visto que passaríamos mais três dias no Chile. A Dionízia me passou alguns dólares e eu saí rumo a calle Toconao para efetuar o câmbio. Ao sair da recepção do hotel, me deparei com duas jovens, visivelmente turistas, andando a cavalo. San Pedro, realmente, tem passeios para todos os gostos.

Na calle Toconao, não achei a casa de câmbio Gambarte aberta. Decidi então dar uma pequena volta na Caracoles. Nesse meio tempo, acabei encontrando o Alcivar. E, não muito tempo depois, encontramos a Carolina correndo na calle Caracoles juntamente com outra turista. Perguntei para ela o que tinha acontecido, e ela explicou que aquela turista que estava com ela juntamente com sua amiga, ambas dos Estados Unidos, estavam andando a cavalo, até que uma delas veio a cair e ficou visivelmente ferida e em estado de choque. Nenhuma das duas falava espanhol, e parece que o guia também não falava inglês. Como o acidente foi em frente ao Takha Takha, a Carol presenciou o pós-acidente e, então, acabou por ajudar a outra americana. Nesse instante em que nos encontramos a ambulância já havia chego e levado a americana acidentada para o hospital local. Coitadas, ficamos com muita pena delas.

A casa de câmbio Gambarte não abria e, como tínhamos que ir embora, decidi trocar os dólares da Dionízia em outra casa de câmbio mesmo. Tínhamos combustível suficiente para chegar até Antofagasta, assim como o motor-home do Alcivar. Quando a Carol voltou do hospital, nos despedimos da bela San Pedro de Atacama, rumo a Antofagasta, seguindo Ruta 23 adentro. No percurso fizemos uma breve reflexão de como um turismo em San Pedro pode ser perigoso: altas altitudes, subir um vulcão sem um mínimo de preparo (isso pode incluir o guia), águas ardentes dos geyseres que podem ocasionar queimaduras de terceiro grau, placas de sal nas lagunas que podem cortar profundamente os nossos pés, quedas de cavalos...

No caminho, passamos no meio de uma área extensa onde haviam instaladas aquelas hélices gigantescas geradoras de energia eólica. Chegando em Calama, pegamos a Ruta 25 sentido Antofagasta; não houve necessidade de entrar na cidade. Passamos por um posto policial rodoviário que, assim como é costume no Brasil, não havia policiais. Cruzamos a cidade de Sierra Gorda. Encontramos ainda nesse percurso, na beira da rodovia, algumas ruínas do que parecia ser uma vila; mesmo não sabendo do que se tratava, paramos brevemente ali e a Carol tirou algumas fotos. E, antes de chegar a Antofagasta, passa-se por um pedágio, onde paga-se algo em torno de 2.000,00 pesos chilenos. Durante todo esse trajeto, reparei em uns modelos diferentes – e muito bonitos – de caminhões que cruzavam por nós, modelos esses que não existem no Brasil.

Chegamos enfim no nosso destino do dia. Entramos na cidade de Antofagasta pela Avenida Salvador Allende, onde já podíamos ver o mar do Oceano Pacífico; é algo surreal essa paisagem deserto-mar. Já na avenida, encontramos um posto Copec, e o Alcivar aproveitou para estacionar o seu motor-home por ali e verificar se poderia deixar o veículo para pernoite. Enquanto isso, nós fomos procurar o nosso hotel. Antofagasta, geograficamente falando é – tal como o Chile – estreita e comprida. O município tem o mar de um lado, a cidade no meio e montes desérticos do outro lado.

Sem muitas dificuldades, chegamos na nossa estadia: o Victoria Hotel. Tivemos duas ingratas surpresas: primeiro, que o Corolla não passava pela rampa da garagem do hotel e, segundo, que nós tínhamos que pagar o IVA, imposto esse que turistas estrangeiros não pagam se efetuarem a transação em dólares. E, realmente, quando fiz a reserva pelo Booking, não constava nada que eles isentariam esse valor. Saliento que não foi fácil achar hotéis baratos em Antofagasta, pelo menos procurando pelo Booking, como nós fizemos. Pagamos, por um quarto de casal, a quantia de aproximadamente R$ 466,00, já com o IVA incluso (que foi de aproximadamente R$ 74,00) Fora esses detalhes, a nossa estadia nesse estabelecimento, que aparenta ser novo, foi muito boa, incluindo o atendimento dos funcionários, que sempre foram muito solícitos.

Retornamos para o centro da cidade pela avenida beira-mar da cidade. Percebemos também que a locomoção em Antofagasta é muito simples. Aproveitei para parar em um outro posto para encher o tanque do carro. Pagamos pelo litro da gasolina a quantia de 736 pesos chilenos, o que equivale, segundo as transações cambiais que realizei (compramos o dólar a R$ 3,38 e, a cada 1 dólar adquirimos 658 pesos chilenos), a quantia de R$ 3,78 o litro – praticamente o mesmo valor praticado no Brasil. Enquanto isso, a Dionísia e a Carol haviam visto um condomínio horizontal ali perto, local propício para o Alcivar pernoitar com o seu motor-home, e então elas foram para lá. Passaram-se mais de 15 minutos e elas não voltaram. Eu e a Lidiane ficamos seriamente aflitos, visto que elas estavam sem celular. A cidade parecia ser muito calma, mas queira ou não, não a conhecíamos. Finalmente, depois de quase uns 10 minutos de preocupação, elas voltaram. Combinamos, então, de não nos separarmos novamente em tais circunstâncias: cidade do qual não conhecemos, fora do nosso país, sem celular e duas mulheres sozinhas. O motivo da demora foi que elas procuraram outros locais por ali perto para o Alcivar deixar o motor-home, mas sem sucesso.

O Alcivar não pôde ficar no posto Copec. Fomos então até ao Shopping da cidade, o Mall Plaza, que fica na avenida beira-mar. O Alcivar deixou o motor-home estacionado ali por perto (não cabia no estacionamento do shopping). Almoçamos, por volta das 16h00, na praça de alimentação do shopping: frangos fritos da rede KFC e pizza da rede Pizza Hut (a pizza estava bem gordurosa). Converti rapidamente o preço do Big Mac chileno, e acabei constatando que está o mesmo valor praticado no Brasil. Não raro encontrávamos colombianos trabalhando no comércio chileno (restaurantes, postos de gasolina, hotel).

Já no final da tarde, estacionamos os nossos veículos na avenida beira-mar. Aqui, sentimos o cheiro bem característico do mar. Sentamos na mureta do calçadão e, então, voltados para o mar, contemplamos o  belo pôr do sol da região.

O Alcivar conversou com um flanelinha e conseguiu deixar o seu veículo no estacionamento do Mc´Donalds, que também fica ali na avenida beira-mar, ao lado de um balneário artificial. Cansados, decidimos não sair a noite. Sendo assim, cada um de nós ficou na sua estadia – eu, Lidiane, Carol e Dionísia no hotel e o Alcivar e Maria no motor-home.

 

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    • Por victoralex
      "Amigos, amigas...damas y caballeros...ladies and gentlemen. ¡Bienvenidos al Desierto de Atacama!"
      É com essa saudação caricata de Miguel, um dos guias que nos acompanhou nos passeios durante a semana, que inicio o relato de um dos lugares mais impressionantes que eu já estive. E não, não é mentira quando você estiver lendo esse ou outros relatos. O negócio é brabo mesmo. O Atacama é um lugar que consegue misturar em um raio de 100km: clima árido, clima andino, fauna e flora do Altiplano Andino, lagunas salgadas e doces, cenotes de água salgada, cultura inca e atacameña, astronomia, meteoritos...É como se o mundo tivesse escolhido um lugar específico do mundo pra colocar um monte de fatores relacionados a natureza e à ciência juntos. E tudo isso deu muito certo!

      Fomos eu e minha namorada Carolina passar 1 semana exclusivamente no Atacama. Antes de mais nada, vimos muitos relatos de gente que passou 1,2 dias por lá antes de ir pro Falar de Uyuni, na Bolívia. Não só não fizemos isso como a maioria dos guias e do pessoal que conhecemos lá não recomendam. Separe suas viagens. O Atacama tem muita, mas muita coisa pra fazer, 7 dias é até pouco pelo tanto de coisa que a gente poderia ter feito. E outra, A Bolívia é tão plural quanto o Chile. Aproveite para ir para Uyuni quando for fazer uma trip pela natureza de lá. A mesma coisa com o Chile! O Atacama merece mais que 2-3 dias! 
      Em todas as empresas e restaurantes que está no texto, estou deixando um link para você conferir os serviços.

      Dando créditos, um link que nos ajudou muito foi esse aqui, do Viagem na Viagem.

      E um relato daqui do Mochileiros que também foi bem útil: 
       Bom, vamos começar com coisas práticas:

      1. Gastos 
      Passagens aéreas: R$ 1043,00 x 2 pessoas = R$ 2086,00 - (GRU-SCL-CJC)
      Hospedagem: R$1028,00 
      Todos os passeios: R$ 1400,00 x 2 pessoas = R$ 2800,00
      Seguro-viagem: R$ 63,50 x 2 pessoas = R$ 127,00
      Gastos com comida, souvenir, transfer, etc) = R$ 340,00 x 2 pessoas = R$ 680,00

      Total sem passagem aérea: R$ 4635,00 / 2 = R$ 2317,50 por pessoa

      Total com passagem aérea: R$ 6721,00 / 2 = R$ 3360,50 por pessoa

      Sim! Não foi tão caro, comparando com os preços que a gente viu nos relatos antes de ir (5k+ por pessoa). Acho que isso é produto de duas coisas:

      i) Pegamos uma sorte com o dólar. Fizemos a conversão BRL USD-CLP e, por conta dos protestos em Santiago desde outubro/2019, conseguimos pegar uma cotação de 800 CLP/USD, o que ajudou muito (antes dos protestos o câmbio estava 600 CLP/USD);

      ii) Bom senso mesmo. Vamos falar na seção dos passeios, mas lá muitas das agências são careiras e, por um serviço muito similar às outras, mais baratas. O termo que ouvimos lá foi "los nuevos ricos brasileños". Basicamente tem muito brasileiro que não tá se importando em gastar e vão no serviço mais confortável. Na maioria das vezes de agências brasileiras (FlaviaBia, Araya, etc). Pelo que vimos, a diferença maior é que nessas os tours são feitos em português. Mas como queríamos falar espanhol a vera, a gente foi na Flamingo e foi perfeito! E metade do preço das duas citadas ali atrás. Então vai de cada um! Não perca dinheiro a toa  .

      2. Hospedagem
      Ficamos no Antawhara Atacama Hostal. A hospedagem é justa. Como não tínhamos tanto budget, procuramos algo que alinhasse privacidade com praticidade. O Antawhara nos atendeu muito bem no quesito conforto (as camas são confortáveis, banheiro privativo é bom e o café da manhã é muito gostoso). No entanto, o banheiro é bem pequeno. E eu perdi um chinelo lá, sabe-se lá como hehe.

      Mas no geral, duas críticas que vimos que não procede: i) Os chuveiros são quentes sim! A galera reclama que era frio, mas bastava ajustar o aquecedor do lado de fora de cada quarto! E ii) Vocês vão ler muitos relatos de como é importante ficar perto da Caracoles, Blabla, centro, etc...Tudo balela! O Hostel ficava 10min andando da Caracoles, era um passeio bem legal de ir andando porque você passa por uns mercadinhos, por padarias (alias, MELHOR pão! Vão na padaria La Franchuteria). Além de ter uma vista fudida do deserto (o centro fica no meio da cidade, o que não dá pra ver nada!).

      Carolina e a vista da frente do Anthawara. Melhor que ver a rua, não?
       
      3. Roupas e calçados
      Tinha levado um tênis de corrida, já que estava imaginando que íamos andar bastante. No entanto, o que não lembrei era que andaríamos na terra/areia! E meu tênis não aguentou! Tive que comprar uma bota de trekking por lá. Já que já teria que comprar uma, e já estava perto do natal, desembolsei um pouco mais para uma bota da North Face. E achamos que os preços lá davam bem ok. Comparando em relação com o Brasil, claro. Qualquer bota da North Face você paga mais de 500 reais aqui. Pagamos 400. Carolina levou um tênis de cano alto de treino, que deu super certo. Acho que é a partir daí que se deve levar. Um tênis que tenha cola suficiente para não desgrudar com tanto que você caminha na areia. Ou talvez seja o jeito que eu ando, já que em uma viagem à Patagônia Argentina (clique no link, caso queira ler o relato de lá!) minha bota abriu também, da mesma forma! Só não vá de sandália ou chinelo, como vimos umas meninas! Devem ter sofrido, coitadas!
      Sobre roupas, lembre-se que a amplitude térmica do Atacama é bem alta. Então você está num calor infernal de dia e num frio do cão a noite. Inclusive, falaremos, que no tour astronômico, mesmo com uma jaqueta corta-vento que em tese aguenta até -8 graus, senti que podia ter colocado mais uma blusa. Levei um fleece e essa jaqueta na viagem, e foi ótimo! O importante é focar no corta-vento, já que venta muito no Atacama!
      Outro ponto foi uma dica que, quando fui à Patagônia, também levei: aquelas calças anfíbio de trilha, que você pode tirar a parte de baixo para virar bermuda. Foi útil demais! Pra quem gosta de fazer trilha como a gente gosta, vale muito a pena! Usamos tanto a calça quanto a bermuda!
      E por último, não esqueça de um bom chapéu. O Sol é estarrecedor, então se preocupe com isso. Mesma coisa com protetor solar. E como venta, procure aqueles chapéus que tem a cordinha para ele não voar! Eu particularmente gosto bastante deles, então deu tudo certo .
      4. Agência e Cronograma
      Como era nossa primeira vez no Atacama, ouvimos as dicas de colegas e relatos e contratamos uma agência para fazer 5 passeios, onde conseguimos descontos quando comparado com os preços individuais. Fora isso, fizemos uma pedalada sozinhos e também fomos ao observatório ALMA. Falaremos disso mais em baixo. 

      Em relação à agência, como disse ali em cima, evite essas agências careiras como a FlaviaBia e a Ayara e também a Ayllu. Elas são o dobro, triplo do preço da agência Flamingo, que foi a que escolhemos, por um serviço muito similar. Os passeios foram incríveis e pegamos 2 guias durante os 5 passeios que tornaram nossa experiência ainda melhor. Os tours foram em um mix de espanhol e inglês, mas os guias falam português para quem quiser! E até alemão! Como queríamos treinar nosso espanhol, a gente até perguntava em espanhol as coisas hehe (e fomos elogiados!). Faz parte da experiência da latinoamericana. O tour astronômico fizemos com a Space, mas faríamos com a Flamingo sem problemas! Na Flamingo, fechamos 5 passeios por 1000 reais cada pessoa, o que foi o melhor preço que vimos em todas as agências. Ainda, tirando o passeio o primeiro passeio de meio-dia para o Vale de la Luna, todos os passeios tem algum tipo de comida inclusa (café, almoço e coquetel, ou uma combinação entre eles). Ainda, o preço que to falando aqui já tá incluso o preço da entradas dos parques, que é pago separado. Valeu muito a pena mesmo!
      Se conseguirem escolher por guias, pegamos dois guias maravilhosos: O Miguel e a Cheryl. O Miguel fez 3 passeios com a gente e a Cheryl 2. Amplos conhecedores da fauna, flora e geografia da região, a experiência ficou ainda melhor com as aulas deles! 
      Outra bacana é: compre os passeios por lá, em San Pedro, quando chegar. Não seja nóia. Os preços ficam lá em cima com antecedência. E tem muita agência na cidade. Então dá pra negociar por lá, fechando pacotes específicos, etc. Vimos essa dica em algum relato e seguimos. Foi certeiro. 
      Sobre fazer essa viagem alugando uma 4x4 e ir sozinho, consideramos a possibilidade, mas deixaremos para a próxima. O plano é incluir o norte da Argentina numa trip dessas, saindo do Brasil e terminando em San Pedro de Atacama. Pelo que conversamos lá é preciso um investimento em GPS por satélite, o carro adequado, etc...Vimos algumas pessoas fazendo isso por lá! 
      Por fim, fazer a trip com a agência facilita muita coisa, mas é de certa forma, corrido. Você acaba tendo que seguir o cronograma do tour, e com exceção de 1 passeio que nos demos muito bem com a galera que tava junto, a sua experiência fica dependendo do clima do negócio. Por outro lado, é a melhor opção para quem nunca foi pra lá, já que você conhece tudo e dicas e guias da região! Por exemplo, em um dos passeios o pessoal era muito mala. Gente mal educada mesmo, atrapalhando o guia nas explicações, atrasando o cronograma, etc...Então é isso, como era nossa primeira vez, contratamos as agências para saber qual é. Na próxima, com certeza vamos fazer sozinhos alugando nosso próprio carro! Acho que é essa a melhor decisão: a primeira vez com agência e as próximas sozinhos!
      Bom, nosso cronograma foi:
      Dia 1, domingo 1/dez: 
      7:00 - Voo LATAM - GRU-SCL (chegada às 12h) e às 16:00 - Voo LATAM - SCL - CJC (chegada às 18h30). 
      Dia 2, segunda-feira 2/dez: Valle da la Luna (Flamingo) e Tour Astronômico às 23h (Space)
      Dia 3, terça-feira 3/dez: Pedalada até Pukara de Quitor e Valle de Marte (por conta) e Laguna Cejar (Flamingo)
      Dia 4, quarta-feira 4/dez: Lagunas Altiplânicas (Flamingo)
      Dia 5, quinta-feira 5/dez: Ruta dos Salares (Flamingo. É o passeio mais similar ao Salar de Tara, que está fechado há 2 anos)
      Dia 6, sexta-feira 6/dez: Geyser del Tatio (Flamingo) e vila de San Pedro 
      Dia 7, sábado 7/dez: Observatório Alma e voo CJC-SCL às 21h
      Dia 8, domingo 8/dez: Voo SCL-GRU ás 6:30.
       
      5. Relato
      Dia 1:  Voo SP-SCL-Calama - 1/dez/2019
      O voo saiu de SP logo de manhã, às 7h da manhã. Saímos de madrugada de casa (Somos de SP). Voo tranquilo até Santiago. Estávamos preocupados com os protestos, com câmbio, etc...E descobri uma coisa muito importante: o melhor câmbio a se fazer é lá em San Pedro de Atacama mesmo. Sim, lá tem casas de câmbio, algumas, principalmente na Rua Toconao. A cotação que vimos no aeroporto foi 720 CLP/USD, enquanto em San Pedro conseguimos por 800 CLP/USD. 
      O voo SCL-Calama saiu às 16h e, ao chegar no aeroporto de Calama, pegamos o transfer Licancabur. Todos os transfers que vimos eram o mesmo preço, a diferença era que esse dava pra reservar antes. Fizemos a reserva enquanto estávamos no aeroporto de Santiago ainda. Ao desembarcar em Calama, tinha uma plaquinha com meu nome nos aguardado. E sim, a van nos deixa no Hostel.
      Chegada no hostel umas 20:30, banho, comida e cama. A viagem tava só começando!
      Dia 2: Burocras, Vale de la Luna e Tour Astronômico - 2/dez/2019
      Passamos a manhã fechando os passeios da semana. Como disse lá em cima, fechamos com a Flamingo todos os passeios, com excessão do Tour Astronômico, que fechamos com a Space. A Flamingo tem também um tour astronômico, e tenho certeza que é de ótima qualidade. A questão aqui foi ter fechado o Space antes da Flamingo. Acho que se tivéssemos ido primeiro na Flamingo, ganharíamos um desconto com o astronômico deles.
      Almoçamos já no primeiro dia num restaurante excelente: El Huerto. Comida simples e ambiente muito agradável, com preços bem ok e pratos que dá pra dividir. Às 16h, teríamos nosso primeiro tour: o Vale de la Luna, com a Flamingo. 
      O tour é legal e você consegue conhecer a Cordillera del Sal, uma das 3 cordilheiras da região. O Vale de la Luna é só uma parte da Cordillera e você conhece vários picos. Mas preferiria ter feito o passeio sozinho de bike, já que o tour para nos lugares e sai com intervalos rápidos. Como é perto de San Pedro, dava pra ir pedalando e ficando mais tempo em cada lugar. Por outro lado, o tour te permite levar pra um lugar bem massa de ver o pôr do sol. E claro, as aulas de geografia, fauna e flora do lugar!

      "Las Tres Marias", escultura natural do Vale de la Luna

      Cordillera del Sal

      Poner del sol na Cordillera del Sal
      De volta à San Pedro pelas 20h30-21h, jantamos uma empanada (sobre isso, experimente a empanada de pino! É o sabor típico deles, um recheio de carne moída, ovo e um tempero típico. É do caralho.) pela Caracoles e fizemos hora até o tour astronômico da Space. Escolhemos a Space depois de ver várias avaliações de que eles são o melhor tour para ver as estrelas do Atacama. E, de fato, eles tem a melhor estrutura: o tour acontece numa fazenda afastada da cidade, onde há pouca luz e barulho. Ainda, ele inclui guia pra falar sobre astronomia e curiosidade científicas do lugar. Diferente do que tínhamos visto, não há um "tour místico" e um "tour científico", é só o científico mesmo, com aulas sobre as constelações ao ar livre, orientações de navegação nas estrelas, etc...Depois de uma palestra com aqueles pointers para o céu, a vantagem da Space é ter a disposição vários telescópios para olhar o céu. E é surreal. Você olha para o céu e vê um clarão, que a priori parecia realmente uma grande nuvem. Mas na verdade era todo o feixe da Via Láctea passando logo acima de você! Valeu muito a pena e, apesar de ser a mais cara, o tour foi bem completo, já que depois eles te convidam para uma casa para tomar chocolate-quente ou chá/café.
      Algumas dicas pro tour astronômico: i) Leve blusa. Sim, o deserto faz bastante frio a noite, mesmo no verão, como o nosso caso. E você fica bastante tempo ao ar livre. Levei uma corta-vento que aguentava até -8 graus e acho que foi no limite, porque fica bem frio mesmo. ii) A Space, por ser a agência que faz esse tour mais famosa, é também a mais cara. Pegamos por garantia mesmo, mas fiquei muito curioso como seria o tour astronômico da Flamingo. Até porque na Flamingo eles incluem uma foto no preço. Já, a Space, não. Tenho certeza que o tour é do mesmo nível, e pelo que eles falaram, nesses tours alternativos eles incluem uma versão mais mística, com curiosidades da cultura atacameña com o céu. Parece ser bem legal! Na próxima com certeza farei com eles. Além disso, o passeio com a Space vai bastante gente, um ônibus inteiro. Pra quem gosta de um clima mais intimista, talvez valha a pena ir com outra agência mais intimista. Na Space, os tours são em inglês ou espanhol. iii) Fique de olho no calendário lunar! Marcamos o tour no primeiro dia de viagem porque a lua já estava crescente. Durante os períodos de lua cheia, as agências não fazem o passeio pela invisibilidade. Então planeje sua viagem para não perder o tour! Imagino que ver o céu durante a lua nova deve ser a melhor experiência possível! No entanto, por estar em lua crescente, conseguimos tirar umas fotos bem bacana da Lua . Por último, iv) conseguimos ver um céu surreal. No entanto, a guia disse que poderia ficar muito melhor! Isso porque, uma das vantagens de se ver o céu no Atacama e o porquê de ser tão famoso tem a ver com o quão seco é o clima. Um clima seco significa menos vapor d'água no ar. E, portanto, menos refração da luz que vem dos astros. Logo, o melhor mês de ver as estrelas é em junho, o mês mais seco do ano e também quando o hemisfério sul fica com o céu de inverno, com muito mais opções de constelações e planetas para se ver! Mas deve ser um frio do caramba hehe. Mas a próxima com certeza vamos fazer em junho!
      De volta a San Pedro, hotel e cama!

      Com a lua crescente, deu pra tirar uns fotões da Lua!
       
      Dia 3: Pedalada até Pukara de Quitor, Valle de Marte e Laguna Cejar - 3/dez/2019
      O dia 3 começou com um belo café da manhã no Anthawara e fomos direto para a Caracoles procurar algum lugar de aluguel de bike. A ideia era ir pedalando até Pukara de Quitor, ruínas arqueológicas de um forte antigo do pueblo atacameño e também, se desse tempo, ir até o Valle de Marte, que era mais ou menos no caminho. Às 16h, teríamos o passeio com a Flamingo para a Laguna Cejar. Alugamos uma bike pra cada por um preço bem ok (CLP 6000 as duas bikes por 6 horas, o que dá uns 6,25 dólares). Todas as bikes alugáveis de San Pedro são MTB (moutain bike), já que você anda em muito buraco e terra. A pedalada até Pukara de Quitor se faz em uns 20 minutos, é bem tranquilo. Lá, se paga a entrada no parque (2500 pesos).  As ruínas em si estavam fechadas (dez/2019) por conta de uma chuva forte no deserto em fev/2019, que fez as ruínas entrarem em manutenção. Porém, o legal era fazer a trilha de uns 3-4km que têm vários mirantes para ver tanto a cidade, quanto a paisagem e claro, as ruínas em si. O passeio foi bem bacana, a trilha é tranquila a foi um ótimo start pra nossa pedalada! Só não esqueçam de levar bastante água já que você acaba pedalando no sol e no deserto!
      As ruínas são bem legais de se ver. A história do lugar é bacana e, durante a trilha há vários painéis explicando a história do lugar. Basicamente aquilo foi um forte que foi construído pelos pueblos atacameños para se proteger de invasões estrangeiras: primeiro dos Incas e, anos mais tarde, dos espanhóis. É bem massa!

      Pedalada até Pukara de Quitor!

      Vulcão Licancabur, vista da trilha dos miradores de Pukara de Quitor

      As ruínas, que estavam fechadas, mas que durante a trilha dá pra se ter uma ótima vista do forte!
      Trilha feita e refeita, pegamos nossas bikes mais uma vez para pedalar até pelo menos a entrada do Valle de Marte. Tínhamos pouco tempo, então não daria tempo de entrar no parque, mas só circular por lá já valeria a pena. E não é que foi, se não a mais legal experiência da viagem, uma das? O porquê? Pelo sentimento de ir offroad. Vamos explicar que a história é boa!
      No caminho para o Valle de Marte, saindo de Pukara de Quitor, paramos para descansar na estrada e ficar olhando a paisagem. Aí, curioso, saí um pouco da pista para chegar mais perto das montanhas e pá: acabei pisando numa área de areia movediça! É surreal, nunca tinha visto uma area movediça antes! Realmente você afunda! E é bem camuflado, então é pra tomar cuidado! Porque parece que a areia tá seca e dura, mas na verdade há uma lama embaixo te esperando para te sugar! E aí é que nos demos conta que ali do lado passava um riacho de água salgada, que estava seco! Ficamos tão entusiasmados com o pico que amarramos as bikes perto da estrada e seguimos a pé pelo o caminho de sal (aliás, a região também faz parte da Cordillera de Sal, e você pode, como eu fiz, inclusive colocar na boca o sal do chão. É realmente sal! Haha) e demos de cara com umas montanhas bizarras, totalmente off-road! Parecia realmente que estávamos em Marte! O rolê foi legal por conta disso! Foi uma aventura bem animal! Do nada, estávamos pedalando no meio de Tattooine (planeta que o Luke e Anakin Skywalker cresceu, de Star Wars hehe)!

      Pedalada off-road pelos arredores do Valle de Marte!

      Carolina e Tattoine

      Off-road e areia movediça
      De volta às bikes, pedalamos até San Pedro porque às 16h teríamos o passeio para a Laguna Cejar com a Flamingo. Apesar de se chamar "Laguna Cejar", o passeio é muito mais que isso! Você visita lugares como Ojos del Salar, Laguna Tebinquiche e Laguna Piedra. O passeio da Flamingo foi bem legal. Primeiro, porque pelo fato de eles servirem um coquetel no fim do passeio em frente à Laguna Cejar, ao pôr do sol. Segundo porque o guia que pegamos, Miguel, de tanta experiência que tem já sabe dos esquemas! Ele organizou os horários de forma que pegássemos a Laguna Cejar e Piedra por último, já com o lugar vazio! E de fato, só tinha a nossa van e de outra agência por lá para ver o pôr-do-sol. Por isso uma boa agência com bons guias faz diferença! 
      O passeio começa com a Laguna Tebinquiche, laguna espetacular do Salar de Atacama. Se faz um trekking ao redor da laguna, que não é nadável. Inclusive, a Laguna é cheio de vida microscópica, sendo objeto de estudo da origem da vida! Têm várias placas explicativas pela vida microscópica do lugar. 
       
      Laguna Tebinquiche e sua vida microscópica!
      De lá, fomos para os Ojos de Salar, um cenote no meio do deserto. Cenote, para quem não sabe, são formações geológicas que dão acesso à águas subterrâneas. Vale lembrar que, apesar do Atacama ser o deserto mais seco do mundo, lá tem muita água! E o segredo tá tanto nas chuvas de verão, que ocorrem em fevereiro, quanto nos lençóis freáticos. E o cenote dos Ojos de Salar dá acesso a um deles! E o melhor, é nadável! Ninguém do tour se animou, com excessão de nós, brasileiros, sedentos por pular em uma piscina/laguna/mar! Típicos! Pulamos lá de cima e foi bem legal, o cenote é bem fundo e é uma mistura de água salgada com água doce! Foi engraçado porque todo mundo ficou com uma cara tipo "Brazilians...". Mas é isso, se dá pra nadar a gente nada! YOLO, certo? Haha.

      Deixe 2 brasileiros e um cenote juntos no meio do deserto. A gente pula mesmo! ✌️
      De lá, fomos direto pro complexo que contém tanto a Laguna Cejar quanto a Laguna Piedras. Ambas são salgadas, mas a única que é nadável é a Piedras, apesar do passeio ser identificado como Cejar. O lugar é totalmente preparado para os banhistas: vestiários, duchas, banheiros...e é muito legal! Você realmente não afunda de tanto sal que a água têm! A água é de boas (apesar da Carolina ter achado geladíssima hehe), só tem que tomar muito cuidado para não machucar ao entrar: o sal de fora cristaliza, e é muito fácil se cortar ali. Eu mesmo machuquei a minha mão. Além disso, não ouse molhar seu cabelo porque, uma vez que o negócio cristaliza, é difícil de tirar. Só tirar o sal do corpo já foi difícil, imagina com do cabelo. Como já disse, lá tem um complexo para tomar ducha e se trocar!

      Boiando na Laguna Piedras! E o Licancabur no fundo...
      Depois de nadar e aproveitar um pouco a laguna, nos encontramos com o pessoal da van para tomar nosso coquetel ao pôr-do-sol, de frente à Laguna Cejar. E que coquetel! Salaminho, baguetes, uma maionese com alho bem boa, amendoim, Lay's, tinha até Pisco Sour, suco e água, tudo a vontade! Serviço excelente da Flamingo, não deixando nenhuma outra agência pra trás. E lembrando que tínhamos toda a Laguna Cejar pra gente, uma vez que o guia, Miguel, sabia dos esquemas e dos horários para aproveitar lá. Muitas agências vã lá direto, e ele nos garantiu que aqui fica totalmente lotado de turistas, disputando lugar na laguna. 
      Agora, algumas dicas sobre o passeio: i) Ficamos muito em dúvida entre fazer esse passeio da Laguna Cejar ou as Lagunas Escondidas, que também têm lagunas de sal para mergulhar. A diferença é que as Escondidas as lagunas são artificiais, antigas minas de lítio que gerou as lagoas. E por que decidimos Cejar ou ao invés de Escondidas? Primeiro por conta do preço. Só duas agências fazem as Lagunas Escondidas, e eram agências pequenas. Já ficamos com o pé atrás nisso...Teríamos então que fechar um passeio extra com uma agência aleatória para fazer as Escondidas, sendo que o passeio da Laguna Cejar já estava no cronograma da Flamingo e ainda incluía um coquetel massa? Além de outros picos como o cenote e a Tebinquiche? Não topamos! A Laguna Cejar foi sensacional e supriu totalmente nossa vontade de nadar numa água com densidade tão baixa  Além disso, no passeio da Lagunas Escondidas eles encarecem o preço se você quiser passar por aquele "Magic Bus". um ônibus abandonado no meio do deserto fora de mão de qualquer passeio. Logo, preferimos a Cejar por ser mais cômodo e pelo tour ser bem completo, num preço justo! ii)  Não se esqueça dos trajes de banho e toalha! Além de uma muda de roupa. Lá venta bastante, então você vai querer trocar de roupa o mais rápido possível quando sair da água. 
       

      Miguel, o guia, e nosso incrível coquetel ao pôr-do-sol à beira da Laguna Cejar
      Depois do coquetel, terminamos de ver o pôr-do-sol olhando para a Laguna Cejar, que é por si só um lugar belíssimo! Láa de longe dava pra ver uns flamingos, mas nada comparado com o que veríamos nos próximos dias! É bizarro que qualquer pôr-do-sol no Atacama é um escândalo de beleza. Emocionante, mesmo! Depois do sol se por, voltamos à San Pedro e descansamos, já que no dia seguinte teríamos nosso primeiro passeio em altitude  

      Laguna Cejar y el poner del Sol ☀️
      Dia 4: Lagunas Antiplânicas, Piedras Rojas e pueblo de Toconao - 4/dez/19 (4300m de altitude)
      No dia 4 fizemos o tour das Lagunas Antiplânicas com a Flamingo. O tour incluía primeiro as Lagunas, depois iríamos almoçar no pueblo de Socaire, um outro oásis do Atacama, conhecer o mirador Piedras Rojas quase na fronteira com a Argentina, voltar pelo Salar do Atacama até a Laguna Chaxa ver uns flamingos (e foi aí que vimos flamingos DE VERDADE) e terminar o dia passando no pueblo de Toconao, o terceiro dos 3 oásis da região (San Pedro, Socaire e Toconao). Foi o nosso primeiro passeio na altitude. E nisso seguimos uma dica preciosa: planeje seus passeios em ordem ascendente de altitude. San Pedro fica a uns 2000m de altitude e você não sente nada. O problema é quando você faz os passeios que ultrapassam 4000m. E é o caso das Lagunas Antiplânicas. Os outros passeios na altitude seriam a Ruta dos Salares e o Geyser. Demos a sorte de pegar o Miguel de novo como guia, o que foi bem legal já que nos apaixonamos por ele no dia anterior! Ele sabe TUDO. Tudo mesmo! E outro ponto bacana é que, nos passeios de dia inteiro, a Flamingo te pega no hotel. 
      Miguel e a trupe chegaram às 8h e começamos a subir! E aí tá o primeiro erro que cometi nessa trip: eu subestimei a altitude. Achei que ia ser tranquilo. Mas não tínhamos nem atingido 3000m de altitude e minha cabeça já estava latejando, sem contar a dor no olho, falta de ar, etc...altitude é coisa séria! Levamos bastante remédio, inclusive um remédio de alpinista, o Diamox 250g. Dá pra tomar até 4 por dia, mas acabei tomando só 2. Ajudou, de certa forma! Continuei com dor de cabeça o dia inteiro, apesar da falta de ar passar. É pesadaço! Mas deu tudo certo!
      O passeio em si é demais. Essa é a magia do Atacama: você em questão de horas pode viver o deserto, o clima do Altiplano e das montanhas, tudo num mesmo lugar! E isso se aplica à flora e fauna. É muito legal ver como a natureza muda de acordo que íamos subindo. Primeiro que você começa a ver cores nas vegetações. Segundo, os animais: Vimos as parentes selvagens das llamas, as vicuñas, e elas são demais! Vimos várias delas em todos os passeios que fizemos nas montanhas. Chegamos a ver até um burro selvagem e uma raposa. Além de um parente andino dos coelhos, a viscachia! E claro, o Miguel sabia de tudo. Uma das partes mais legais de ter feito o tour com a Flamingo foi realmente o amplo conhecimento da fauna, flora e geografia do lugar que os guias tem. Impecável.
      As Lagunas Antiplânicas foram a primeira parada. São duas lagunas: a Laguna Miscanti e a Laguna Miñiques. E lá já é totalmente diferente das lagunas que vimos no dia anterior. É um clima totalmente característico do Altiplano! Tinha flamingo, vicuñas tomando água, gaivotas...um dos lugares mais bonitos que já vimos. E, mais uma vez, um ótimo serviço da Flamingo, com um café da manhã sendo servido a beira da Laguna Miñiques, num ponto estratégico que o conhecimento do Miguel nos trouxe, com uma vista extraordinária à luz da manhã altiplânica. 

      Laguna Miñiques e essa foto excelente 😝
      A Laguna Miñiques é a menor mas, na minha opinião, a mais bonita. Talvez porque foi lá que passamos mais tempo, por conta do café da manhã. A Laguna Miscanti foi onde conseguimos ver pela primeira vez alguns flamingos de perto. Você faz um trekking em torno da lagoa, e é muito legal parar e olhar! Por conta da altitude, tem que ir bem devagar, eu mesmo já estava sofrendo sem andar, imagina andando na trilha! Mas deu tudo certo e foi uma ótima forma de ser recepcionado pelos Andes e pelo clima altiplânico! 

      Laguna Miscanti. Essa a gente não consegue chegar tão perto quanto a Miñiques!
      De volta à van, a próxima parada era Piedras Rojas. Piedras Rojas é tipo uma uma depressão plana e tipo uma lagoa. É uma mistura dos dois. E foi um dos lugares mais bonitos que eu já vi na minha vida. Foi a primeira vez dentro da viagem que emocionei vendo a paisagem. O que eu pensava era: isso aqui é surreal. A natureza realmente não erra, ela acerta, acerta e acerta. Aquilo é majestoso. É enorme. Com olhos marejados, mas numa ventania de cortar a pele, foi uma mistura de querer ficar mais e querer sair porque o vento estava realmente forte. Além disso, no caminho até Piedras Rojas passamos por alguns mirantes e ainda chegamos mais perto da Argentina pra dar uma olhada na Laguna Tuyajto. Ali já estávamos a menos de 30km da fronteira. E o que eu mais vi foram carros de diversas nacionalidades, inclusive brasileira! Me deu ainda mais vontade fazer aquela trip que descrevi lá em cima, ir dirigindo desde SP até o Atacama, passando pelo norte da Argentina. Está nos planos!

      Piedras Rojas. Agora vocês entendem porque não consigo definir se é uma laguna, uma depressão ou algo muito louco. Mas que é bonito e emocionante, isso não há dúvidas!

      Carolina, Piedras Rojas e um vento bizarro  

      Nós e o Miguel! Uma das pessoas mais inteligentes que já conhecemos! E que tornou os passeios uma grande aula de geografia e cultura! O cara fala 4 línguas!
      De lá fomos até Socaire almoçar. E que almoço bacana. Socaire é um pueblo de ao redor de menos de 1000 habitantes. Almoçamos numa cocineria chamada Cocineria Teresita. A dona do lugar, Teresita, era uma querida e serviu pra gente uma refeição com uma sopa de entrada, um almoço que tinha opção vegetariana e com bebida inclusa. O almoço já estava incluso no passeio da Flamingo, e tínhamos o restaurante só pra gente. Era bem familiar e tornou a experiência melhor ainda!

      Carolina e a sopa de entrada do almoço! Depois ainda veio um PFzão da massa. Bom demais!
      De volta à van, o próximo ponto era a Laguna Chaxa. Uma laguna já no Salar do Atacama, foi o primeiro lugar que vimos os Flamingos de perto! Isso é importante: tem flamingo em praticamente todos os lugares do Atacama. Não só isso, existem 5 tipos de flamingos no mundo e, só no Chile, vivem 3 tipos. Isto é, o Chile é um reduto de flamingos! E foi na Laguna Chaxa que vimos eles de perto pela primeira vez. E muito perto! A laguna é um acúmulo de água salgada e enxofre, que com seu cheiro característico, fez a experiência ficar mais legal ainda. Ah, detalhe: nos relatos vimos que a galera costuma fazer passeios que só vão para o Salar do Atacama. Mas veja só, até esse momento, já tínhamos conhecido alguns pontos do Salar do Atacama, sem ter feito o passeio específico pra lá. Por isso acho que é meio furada você fazer o passeio exclusivo do Salar do Atacama já que, em outros passeios, passaremos por pontos estratégicos dele! 
      Na Laguna Chaxa a recomendação é ficar em silêncio. Isso porque devemos respeitar o habitat natural dos animais. Sempre temos que lembrar que nós que somos os forasteiros, invadindo onde eles vivem. Nada mais justo que ficarmos em silêncio. Claro que sempre tem um sem noção que faz algum barulho, mas o pessoal é educado e já reprime na hora. E ficando em silêncio você consegue ver os flamingos beeem de perto, inclusive pegar alguns deles voando, o que dá uma visão animal!
      Agora uma piada interna legal: No meio da viagem ficávamos brincando que a Carolina era um flamingo: magra, alta, bela e com pernas longas hehe. E não podia faltar uma foto dela em seu habitat natural, certo? Eis o resultado:

      Flamingos em seu habitat natural. Discovery Channel Production.
      E mais uma vez o Miguel fez diferença. Como a Laguna Chaxa é um dos points para ver os flamingos de perto, o fato de termos deixado para a tarde foi sensacional. E estratégico. i) O pessoal que vai pra lá durante os passeios do Salar do Atacama vai de manhã. E fica lotado! Fomos de tarde e estava bem tranquilo. ii) A tarde, quando o Sol já está mais baixo, os flamingos se juntam para tomar água. Então dependendo da hora que você visita o lugar, consegue vê-los, mas sóo de longe. E não foi o nosso caso! Vimos eles de pertinho! Foi incrível.

      Laguna Chaxa, Salar do Atacama e flamingos.
      De volta à estrada, a última parada foi no pueblo de Toconao, o terceiro oásis que visitamos no deserto. Toconao também tem menos de 800 habitantes! Visitamos a igreja, as lojas, e ficamos livres para passear pelo pueblo sozinhos. Passamos numa loja de lã em que eles criavam llamas! Dava até para passar a mão nelas! E, como nós somos são-paulinos e grandes fãs de futebol, ficamos impressionados com o campo society que tem por lá. A cidade é bem precária, no meio do deserto, falta água e recursos e a maioria das construções são feitas de madeira de cactus. Mas tem um dos melhores campos de futebol society que eu já vi. É galera, futebol é muuuito mais que um jogo . 

      Pueblo de Toconao

      Um dos melhores campos society que já vi! Os chilenos são fanáticos por futebol, como nós!
      Chegamos à San Pedro de Atacama por volta das 17h-17h30. O pôr do sol seria só pelas 20h. Perguntamos ao Miguel antes de ir se ele recomendava algum lugar para ver o pôr-do-sol na cidade. E foi batata: remendou um lugar que, se você seguir a Caracoles, para o lado oposto ao da Space, iria sair numa área bem bacana de ver o pôr-do-sol, com muitas pedras e lugares para sentar. Lá parecia ser um lugar que o povo vai pra beber durante a noite, já que tinham muitas garrafas e latas de cerveja no chão. Beleza, tomar umas por lá a noite deve ser animal, mas podiam jogar no lixo né? Até jogamos uns lixos que achamos fora. Apesar disso, o lugar é bem legal! E mais uma vez o pôr-do-sol foi espetacular! Ótima recomendação do Miguel! Só tinha a gente lá, então o povo não deve conhecer o pico. Depois disso, hotel e cama porque no dia seguinte teríamos mais um rolê na altitude...e seria o dia mais legal da viagem!

      Pôr-do-sol em San Pedro de Atacama no lugar que o Miguel nos recomendou, no fim da Caracoles!
       
      Dia 5: Ruta dos Salares (o mais próximo do Salar de Tara) - 5/dez/2019 (4500m de altitude)
      A Ruta dos Salares foi o nosso passeio mais legal! Foi uma soma de fatores, mas foi o que nos trouxe melhor lembrança. O clima, as paisagens, as pessoas...Mas antes de explicar de dar o relato, vamos explicar algo: Viajamos em dez/19 e, se alguém ou algum relato depois de 2018 te falar que foi ao Salar de Tara, é mentira. O Salar de Tara está fechado para mineração. Sim, é lamentável, já que o pessoal fala que é realmente o lugar mais legal do Atacama. A alternativa é fazer a chamada Ruta dos Salares: Ele passa pelo Salar de Atacama e ao redor do Salar de Tara. E foi sensacional! A Flamingo é uma das poucas que faz esse passeio e, por conta disso, ficamos praticamente sozinhos o dia inteiro. Mais ainda, como as pessoas ficam frustadas que você não entra no Salar de Tara em si (apesar de vê-lo por cima!), elas não se interessam tanto pelo passeio. Resultado: tinham 8 pessoas conosco, além da nossa excelente guia Cheryl, a mesma que fez o Valle de la Luna com a gente! O clima intimista fez o passeio ser o melhor de todos! Moreover, o passeio mais uma vez contou o serviço excelente da Flamingo, com um café da manhã e um almoço excelentes! Outro ponto é que esse foi o nosso segundo passeio na altitude (mais de 4000m) e, dessa vez, fui preparado! Tomei chá de coca antes de ir e foi o MELHOR remédio. Não passei mal de altitude como passei no dia anterior, apesar de ter sentido um pouco a pressão. Bom, vamos para o relato. 
      O passeio começa com um café da manhã à beira do Licancabur. E que café! Que vista! Comemos vendo o majestoso vulcão num campo todo florido! Foi uma ótima forma de iniciar o dia! E ainda por cima tava cheio de vicuñas por lá! Acabaríamos almoçando por lá também!

      Café da manhã de cara com o Licancabur, num campo maravilhoso do Altiplano pra começar o dia!
      Todo o passeio é focado na Caldera La Pacana, que basicamente é a cratera de um vulcão enorme e antigo que se situa o Salar de Tara. Você passa por várias lagunas até quase na fronteira com a Bolívia e a Argentina. A estrada é belíssima e é um dos acessos que dão na Argentina! E é bizarro ver como a cratera do vulcão é enoorme! Nesse ponto, o Salar de Tara começa logo depois! Por isso é o passeio que mais se aproxima ao Salar, porque fazendo a volta na cratera da Caldera la Pacana, consegue-se ter uma ideia da imensidão que é a formação geológica que formou o Salar de Tara. E não só isso, mas o passeio é focado no conhecimento geológico que criou o lugar. Vale lembrar que o Atacama antes de tudo foi um oceano. Não só um oceano, mas era o encontro entre o Oceano Pacífico e o Atlântico, nos tempos de Pangeia. Quando as placas tectônicas começaram a se movimentar, os Andes surgiram, e toda aquela região é referente à esse advento. Foi o passeio que mais conseguimos entender a formação geológica do lugar e a característica do altiplano andino! Foi uma aula de geografia!
      Mais uma vez vi vários carros argentinos e 1 brasileiro. Fazer essa viagem de carro deve ser incrível e, se fosse fazer, passaria pela Estrada 27 que é a que estávamos! Ambas as Estradas 27 e a que fomos no dia anterior (Estrada 23) dá na Argentina, e cada uma com uma paisagem diferente! Outro ponto importante: O passeio não tem banheiro em nenhum lugar. Na verdade, até tem, o que eles chama de "baño Inca", que é basicamente fazer xixi (e outros) atrás da pedra hehe. Deu pro gasto! A viagem passa pelos pilares da Caldera La Pacana e se extende até o Mirados Salar de Los Loyoques, onde pudemos ficar olhando a paisagem por mais de 1h! A vantagem de se fazer um passeio quase que exclusivo! Tínhamos as paisagens só para a gente!


      É bizarro a heterogeneidade do Atacama. Isso é só uma parte da cratera do La Pacana, no passeio da Ruta dos Salares. Espetacular!
      Inclusive, a imagem que se vende do Salar de Tara são os pilares da Caldera La Pacana (que não é o Salar de Tara hehe)! Os pilares são gigantes! E belíssimos! E o melhor de tudo é que, em todos os lugares desse passeio, a gente podia chegar mais perto a ver a imensidão do negócio da melhor forma. Além disso, a fauna e flora do altiplano mais uma vez se destacava, onde inclusive conseguimos ver outra vez as vicuñas e até uma raposa bem de perto!

      A raposa de boas no Altiplano Andino 🦊
      O próximo ponto foi ir à fronteira com a Argentina e Bolívia no Mirador Salar de Loyoques, mas o vento tava forte demais. Nenhum problema, já que o lugar era espetacular! Ficamos um tempo por lá e voltamos para o mesmo lugar que tomamos café para o almoço. E aí foi um momento muito legal: uma viagem boa também se faz com pessoas boas. A turma que tava no passeio era demais! Eram 7 pessoas: 1 suíça, 1 mexicana, 1 argentina (uma senhora que estava viajando sozinha! Fudido!), 2 brasileiras, a guia Cheryl e nós! E que papo legal que batemos no almoço! Foi um dos grandes momentos da viagem!
       
      Carolina e o pilar da Caldera La Pacana

      Caldera La Pacana. Não dá pra ter ideia da imensidão do negócio por foto! É demais!

      "Vai Carolina, faz uns malabares aí com o Mirador Salar de Loyoques"

      Fotão com o Licancabur!
      Depois do almoço, voltamos para San Pedro. O passeio saiu mais cedo, umas 7h da manhã, por isso chegamos umas 15-16h de volta! Tiramos uma foto com a galera do passeio para guardar na memória, já que eles fizeram parte disso! Foi demais  

      Nós, Cheryl e a galera do passeio!
      Agora aqui vai um aviso importante, já que pode acontecer com qualquer um. O Atacama é alto, e os passeios que você faz são altos. E isso significa que você tem que pegar leve na comida, já que a digestão é afetada pela falta de oxigenação do sangue. Eu já tinha passado mal com mal da montanha no dia anterior, mas no fim do dia da Ruta dos Salares acabei tendo uma intoxicação alimentar. Provavelmente porque tomei leite no café. Minha intolerância é bem baixa, nunca passo mal, com excessão se você toma a mais de 4000m de altitude! Para os que já tem o intestino fraco como eu, isso é um ponto importante, já que realmente qualquer coisa que você comer, por mais sútil que seja a intoxicação, se torna o caos. E vamos dizer que essa noite não foi das melhores hehe. O lance era esperar, tomar bastante água e evitar comer. Continuei com os sintomas até a volta para o Brasil, mas foi totalmente controlável . Então tomem cuidado! Não comam muito, não bebam álcool nos dias antecedentes e durante os passeios de altitude! Sofri com mal da montanha e com uma intoxicação muito provavelmente catalisada pela altura. Fica a dica!
      Fim do melhor dia da viagem, com direito à uma intoxicação que valeu todo minuto hehe. O passeio realmente tinha sido espetacular. 
       
      Dia 6: Geysers Del Tatio e Vila de San Pedro de Atacama - 6/dez/2019 (4700m de altitude)
      Dia do último passeio na altitude. Deixamos por último pela questão de estratégia que mencionamos: em ordem ascendente de altura. Esse é o passeio que você sobe de forma mais brusca também! Então se prepare, tome um chá de coca antes e vai na fé! A van da Flamingo nos buscou logo às 4:30 da manhã já que os geyseres são maiores pela manhã quando ainda está frio nas montanhas. E isso é importante, lá faz FRIO. Pegamos entre -4 e -6 graus. Quanto mais frio, mais evidente fica o vapor d'água. E maior a pressão da água também. Antes do relato, vamos entender o que é o lugar. "Geyser" é qualquer formação geológica que solta vapor d'água. O nome veio do Geyser original na Islândia (o qual ainda queremos conhecer!), mas são poucos lugares do mundo que os têm. O lugar que tem mais geyseres no mundo é no Parque Nacional de Yellowstone, nos EUA. E o Atacama é um deles! Lá você consegue ver jatos enormes de água saindo do chão! E mais ainda, é possível nadar nas águas termais naturais do lugar. O que claramente fizemos! Foi um passeio muito legal e deu pra entende porque é o mais famoso de todos. 
      Num frio do cão, acordamos às 3h30, com a van saindo entre 4 e 4h30. A subida é longa e chegamos lá pelas 6:30/7h. Esse passeio tem banheiros, o que foi extremamente útil pra mim já que estava no meio de uma intoxicação alimentar! São dois pontos de visita, onde é possível ver o vapor d'água saindo e também nadar, como disse. Demos a sorte de mais uma vez pegar o Miguel como guia, e conhecer um lugar desses com um amplo conhecedor da geografia foi demais! Nós dois, nerds que somos, grudamos nele perguntando várias coisas relacionadas à formação geológica, pressão, temperatura...uma aula!
      Tomamos café da manhã logo depois de ver os gêiseres. Mais uma vez, um ótimo serviço da Flamingo. Depois foi a vez de nadar nas águas termais, o que foi animal! Vale lembrar que era antes das 10h da manhã e estava um frio, nessa altura da manhã, entre 0 a 10 graus. Mas é isso, mais uma vez YOLO e lá fomos nós nadar na água a uns 35-40 graus. O mais legal foi sentir os pontos em que a água quente de baixo da terra vinha. Para não passar frio, ficávamos em cima desses pontos estratégicos. O lugar também é cheio de vestiários e lugares para trocar. O problema é o caminho entre sair da água e ir para o vestiário. Por isso que poucos pulam hehe.

      Geyseres Del Tatio, sensacional!

      Mergulho nas fontes termais!
      Depois de nadar, já era umas 11h, e começamos a voltar para San Pedro. Parece cedo, mas vale lembrar que o rolê começou às 4h30 da manhã, então a gente acaba ficando bastante tempo por lá! Mas o passeio ainda não tinha acabado! Passamos ainda pelo Vado Putana, uma região de pântano que fica na montanha, e também pelo Pueblo de Machuca. Machuca é um pueblo originalmente formado pela emigração boliviana para o Chile. É um vilarejo muito charmoso, com uma bela igreja e muitas lojinhas de artesanato. O maior meio de produção deles é a criação de lhamas. Estar no meio da montanha o torna diferente dos pueblos de Socaire e Toconao que havíamos passados nos dias anteriores. E ahh, é lá que se vende espetinho de carne de llama! Eu não comi porque né, intoxicação alimentar, mas tava com uma cara muito boa! Foi muito legal conhecer a cultura de um pueblo formado exclusivamente na montanha.
      Uma coisa que aprendemos com o Miguel foi a importância das lhamas para a cultura andina. São 4 animais da família das lhamas que vivem na América do Sul: Lhamas, Alpacas, Vicuñas e Guanaco. Esses dois últimos são selvagens e os dois primeiros domésticos. E aí que tá: As lhamas e as alpacas são consideradas sagradas justamente porque foram os primeiros animais a serem domesticados no altiplano andino. E eram usadas basicamente para 3 utilidades: carne, lã e carga. E isso é talvez o maior fundamento de identificação da cultura andina. Inclusive há muitas celebrações, rituais e cultos para as lhamas, de tão sagradas que são. E Machuca traduz muito esse sentimento sagrado que esses animais trazem. Um grande aprendizado da viagem!

      Llamas na região ao redor de Machuca

      Pueblo de Machuca!
      Voltamos a San Pedro pelas 13h30. Teríamos então ainda o dia inteiro para ter o dia livre. E foi muito bacana! Conhecemos finalmente os pontos de interesse do pueblo de San Pedro de Atacama, o que inclui a igreja toda construída de madeira de cactus e também, como a grande surpresa, o Museu do Meteorito. E isso foi totalmente ao acaso! Vimos uma placa do Museu do Meteorito na cidade nos primeiros dias que chegamos. Não havíamos visto nenhum relato que o incluía no roteiro! E que museu legal! O Atacama é um dos melhores lugares para caçar meteoritos justamente porque, como o clima é bastante seco, é fácil de identificar as rochas vulcânicas e de meteorito. Aí foi que dois irmãos resolveram criar esse museu para ensinar as pessoas como reconhecer meteoritos e mostrar um pouco do trabalho que eles tem feito nos últimos anos! O museu é muito simples e com muita coisa legal, além de tudo paga meia para estudante! Recomendamos total e foi uma das boas descobertas da viagem. Em toda trip que já fiz sempre descubro coisas não planejadas que acabam se tornando ótimas memórias. Essa foi uma delas! ✌️

      Fachada do Museo del Meteorito!
      Ainda explorando San Pedro, almoçamos em mais um restaurante recomendado pelo pessoal da Flamingo: La Picada Del Indio. Almoço justo, no mesmo preço do El Huerto, mas um pouco mais "pop". Nesse aprendemos a nossa lição e pedimos um macarrão para dividir em 2. Como meu intestino ainda tava ruim, foi ótimo para não exagerar. Todos os pratos lá são bem servidos, e dá pra poupar bastante se dividirem o prato em 2 como fizemos. 
      O resto do dia foi assistir o pôr-do-sol em frente ao Hotel e descansar, já que tínhamos acordado bem cedo. Ainda, arrumar as malas já que iríamos ir embora já no dia seguinte, às 21h30. Mas ainda tinha um passeiozão a ser feito! O Observatório ALMA, que vamos falar na próxima seção!
      Dia 7: Observatório ALMA e viagem de volta pra casa  - 7/dez/2019
      Chegou o último dia e deixamos um dos melhores passeios para o final! Eu e Carolina somos, como devem ter percebido, dois nerds e curiosos. E parte disso é gostar muito de ciência e astronomia. E isso no Atacama é um prato cheio. Quando começamos a planejar essa viagem foi em janeiro de 2019, com a compra das passagens. Na mesma época, 11 meses antes, vimos em um relato que era possível visitar o ALMA, o maior observatório do Hemisfério Sul e um dos maiores do mundo! ALMA significa Atacama Large Milimeter Array (ALMA). Eles planejam, até 2024, serem responsáveis por 53% das observações do céu do mundo. É composto por 66 antenas de cooperação internacional e foi originalmente formado por um join effort da o Observatório Europeu do Sul (União Europeia), da Fundação Nacional de Ciência (EUA), do Instituto Nacional de Ciências do Japão e do governo chileno. Mas há vários países signatários e contribuidores do projeto que financiam o laboratório. Pra quem gosta de ciência, ali é o lugar para se estar. E o máximo é a democratização da ciência: se você, um instituto de pesquisa, universidade, que fecha um acordo para a utilização das antenas para dados astronômicos não publicar algum artigo científico em alguma revista top internacional em um intervalo de 1 até 2 anos, a sua base de dados se torna pública! Como um economista acadêmico que sou, adoraria que esse pensamento fosse universal em todas as áreas do conhecimento. Quem sabe um dia! 
      Mas o importante é que o ALMA oferece visitas guiadas públicas e, o melhor, de graça! Basta agendar! Fomos um pouco overexcited e reservamos em janeiro, mas dá pra reservar muito mais perto da sua trip do que nós. Eles oferecem um busão que sai de San Pedro e nos leva até o observatório. Ida e volta, na faixa. Lá é feito um passeio guiado pelas instalações internas e externas, explicações da relevância do projeto pro avanço da ciência do mundo e ainda demos a sorte de ver uma das antenas, que ficam em uma região das montanhas bem mais alto do que estávamos, em manutenção! Foi um dos momentos mais legais da viagem o passeio e, sobretudo para nós brasileiros, pela situação emergencial que nós cientistas estamos vivendo no Brasil (Dez/19, governo Bolsonaro, etc), é de extrema importância para entendermos de como a prioridade deveria ser, se não maioria, relevante, para a ciência dentro das políticas públicas de um país. E o Chile cumpriu seu papel muito bem, sabendo que está num lugar privilegiado na Terra para ver as estrelas. E isso vale também para os países signatários e financiadores do projeto. Ah, checamos e perguntamos e, apesar de ter uma bandeira brasileira por lá, o Brasil não é signatário do acordo. Isso porque, em 2015, durante o governo Dilma, quando o projeto foi inaugurado, mais uma vez não foi de prioridade do governo brasileiro ser um dos financiadores do projeto, apesar de ter sinalizado em anos interiores o interesse. Mas é isso, o Brasil tá out, e isso independe de governos. É uma questão de instituição. Ainda, infelizmente, para nos brasileiros, a ciência não é prioridade. 
      Chega de baixo astral e vamos continuar o relato! O ALMA é um passeio obrigatório para quem gosta de astronomia e ciência em geral. Aquilo lá é a fronteira do conhecimento e é um privilégio pro Chile poder sediar o laboratório. O passeio ocorre nos finais de semana pela manhã, não se esqueça de agendar no site e aproveita que é de graça!
       
      Os dados astronômicos do ALMA foram um dos responsáveis por gerar a primeira imagem do buraco negro em 2019. Eles falam isso com muito orgulho! Viva a ciência!

      Demos a sorte de ver uma das antenas em manutenção. Elas ficam a mais de mil metros acima do laboratório, onde é mais seco e sem poluição de luz.
      Voltando para San Pedro, com as malas já arrumadas e deixadas no locker do hotel (fizemos o check-out de manhã) e esperamos a nossa van para o aeroporto de Calama. Fechamos tanto a ida quanto a volta com a empresa Licancabur, que já colocamos o link acima. Valeu a pena fazer a ida e a volta para os dois já que economizamos uns 5000 pesos assim. Então quando for comprar o transfer, compre a ida e a volta juntos! Deu tudo certo e antes das 19h já estávamos no aeroporto! O voo era as 21h. De resto, só fizemos escala em Santiago e voltamos pra GRU!

      Uma última olhada para a Caracoles antes de ir embora. Que lugar!
       
      6. Conclusão
      O Atacama foi certamente um dos lugares mais especiais que eu já fui na minha vida. Já tinha conhecido Santiago e a costa chilena uns anos antes, e fazer a viagem apenas para o deserto foi determinante. Primeiro porque a cultura atacameña é totalmente diferente da cultura da capital. Isso porque em nenhum outro lugar do Chile se tem um deserto (desconsiderando, claro, a Patagônia, que é um deserto se considerarmos a definição de pluviosidade). Imagino que quando eu conhecer a Patagônia Chilena sinta a mesma coisa. Eles tem uma forma única de encarar o mundo e a natureza. Sobre isso, é uma das coisas que mais me tocou. A natureza é parte da cultura do povo atacameño. Eles vangloriam seus animais, sua flora e sua geografia. São tão privilegiados de terem em seu território um lugar tão heterogêneo mas, ao mesmo tempo, tão unido mentalmente como o deserto. Isso é forte! 
      Por outro lado, dá pra perceber, mais uma vez, como a nossa identidade latino-americana é presente em todo o continente. Tinha sentido isso na Patagônia Argentina e também em Santiago ou no México (escrevi um relato sobre o México também onde tive a mesma conclusão, e você pode conferir aqui), e agora outra vez sinto. Não importa se você está no deserto, nas montanhas, na cidade ou na costa, somos um continente unido. Podemos falar português e eles espanhol, mas temos sempre um denominador em comum. Seja o futebol (glória!), a natureza, a herança indígena, o artesanato. A cultura latino-americana é sagrada e deve ser preservada e admirada. E isso cabe a nós, latino-americanos. Temos que cuidar do nosso patrimônio e manter as tradições milenares em evidência. É isso que nos faz únicos. 
      Por fim, o Chile em 2019 e agora em 2020 tem passado por um momento muito importante em sua história. Os protestos que começaram em outubro de 2019 são um sinal para os governantes de que eles estão insatisfeitos. Como economista, sempre ouvimos que o Chile é um exemplo de nação, até por ser a única considerada desenvolvida no continente. Sim, de fato, mas algo está mudando. E faz parte do processo de desenvolvimento da população o engajamento e o conluio de querer tornar melhor. E eu entendi que é exatamente isso que o chileno está sentindo. Foi um a mais poder ir ao país nesse momento tão importante da história deles. Eu mesmo não concordando com a forma violenta que foi/está sendo o processo, mas as maiores rupturas do mundo vieram com grandes esforços. Talvez esteja acontecendo isso com o Chile. Talvez não. Só é importante dizer que eles estão num processo deles e que só eles entendem. É uma nação incrível, com a vantagem de ter uma natureza invejável e também, por que não, uma cultura institucional de dar inveja. Mas como o povo chileno é incansável, eles querem melhorar. E acho que é isso que está acontecendo! Eles merecem sempre mais e de melhor, assim como todos os hermanos latino-americanos. Espero realmente que o produto de tudo isso seja um país melhor e mais justo. 
      Obrigado Miguel, Cheryl e todo mundo que fez parte disso. O Atacama é especial. Foi uma viagem especial, com uma companhia especial (sim, você, Carolina ) e que com certeza vai estar na minha memória como uma das melhores viagens da minha vida.
      Não hesitem de mandar e-mail e/ou responder aqui no fórum. As minhas últimas viagens eu absorvi conhecimento daqui do Mochileiros e é um prazer contribuir. E mais uma vez, obrigado por terem chegado até aqui no relato. Isso aqui é minha terapia favorita!
      ¡Viva Latinoamerica! !Viva el Atacama! !Viva Chile y hasta luego! 🇨🇱
       
      Victor Hugo Alexandrino


    • Por Thiago e Priscila Blumenau
      Olá amigos da comunidade Mochileiros.com.
      Aqui é o Thiago e a Priscila. Nós moramos na cidade de Blumenau-SC.
      Em dezembro de 2018 fizemos nossa viagem de carro até San Pedro de Atacama no Chile. 
      A comunidade mochileiros.com nos ajudou bastante, pois no site conseguimos várias dicas e conhecemos outras pessoas que também nos ajudaram com informações. Por esse motivo queremos compartilhar nossa experiência. E quem sabe poder ajudar ou até mesmo encorajar outras pessoas a saírem do sofá e encarar essa aventura.
      Para realizar esta viagem primeiro nós fizemos algumas pesquisas, como por exemplo: documentos necessários, seguros obrigatórios, melhor roteiro, condição das estradas, hotéis, pontos turísticos, custo com passeios, custo com alimentação, custo com gasolina, custo com pedágios, melhor câmbio, o que levar na bagagem, etc. 
      Juntamos todas essas informações numa planilha e então começamos a trabalhar nela. Então no mês de Setembro/2018 começamos a fazer as contas e preparar tudo o que precisava para viajar.
      Nessa primeira parte vamos tentar abordar o máximo de informações com relação ao roteiro, situação das estradas, GPS, câmbio, aduanas, seguros, itens obrigatórios, pedágios e combustível. 
      Na segunda parte vamos falar um pouco sobre San Pedro de Atacama e sobre os nossos passeios.
      Então vamos ao que interessa:
      Nessa viagem foram 04 pessoas: Eu (Thiago), minha esposa Priscila, meu Pai e a namorada do pai.
      Saída de Blumenau: 22/12/2018.
      Chegada em San Pedro de Atacama: 25/12/2018.
      Saída de San Pedro de Atacama: 31/12/2018.
      Chegada em Blumenau: 03/01/2019.
      Carro utilizado: Peugeot 207, ano 2012. Motor 1.4, c/ 04 portas.
      Roteiro/Condição das estradas/Pedágios:
      Dia 01 - Blumenau - SC x São Borja - RS. Total: 860 Km.
      Esse caminho é o mais curto, porém tem muitos trechos com pista ruim (buracos, desníveis, etc.), além disso tem muitos radares e lombadas eletrônicas. O motorista tem que ficar atento.
      Pedágios:  Nenhum.
      Dia 02 - São Borja-RS x Presidência Roque Sáenz Peña - Argentina. Total: 620 Km.
      As estradas são boas, pelo menos são melhores que do que as do Brasil.
      Pedágio 01: logo que passa a Aduana, já tem um guichê de pedágio. Valor pago em moeda brasileira: R$ 50 para veículos de passeio. (na volta ao Brasil, o valor é R$ 65)
      Pedágio 02: RN-12 aprox. no Km 1262. Valor: 50 Pesos Argentinos.
      Pedágio 03: RN-16 aprox. no Km 05. Valor: 40 Pesos Argentinos.
      Pedágio 04: RN-16 aprox. no Km 60. Valor: 65 Pesos Argentinos.
      Dia 03 - Presidência Roque Sáenz Peña (Argentina) x Salta (Argentina). Total: 630 Km. 
      As estradas também são muito boas.
      Observação: na RN-16, entre os KM 410 e 481 a estrada é "horrível". Tem muitos buracos. Buracos gigantes. Você vai perder tempo desviando deles.
      Pedágios: RN-09 chegando na cidade de Salta. Valor: 25 Pesos Argentinos.
      Dia 04 - Salta (Argentina) x San Pedro de Atacama (Chile). Total: 580 Km.
      As estradas também são muito boas.
      Observação: Nós usamos o caminho Paso de Jama, que é melhor, pois é todo asfaltado até San Pedro de Atacama.
      Pedágios:  Nenhum.
      *Na volta pra casa fizemos o mesmo trajeto. 
      Hospedagem:
      Dia 01 - Dormimos na casa de parentes. Não tivemos gastos com hospedagem nesse dia.
      Dia 02 - Ficamos hospedados no hotel de campo El Rebenque, que fica na cidade de Presidência Roque Sáenz Peña (Argentina).
      Dia 03 - Ficamos hospedados no hotel Pachá, que fica na cidade de Salta (Argentina).
      Dia 04 - Ficamos hospedados no hostal Casa Lascar, que fica em San Pedro de Atacama (Chile).
      Aqui dormimos dia 25, 26, 27, 28, 29 e 30 de dezembro/2018.
      *Na volta pra casa ficamos nos mesmos hotéis.
      Câmbio:
      Peso Argentino: nós trocamos todo o dinheiro brasileiro por Peso Argentino na aduana, que fica logo depois da Ponte internacional, saindo de São Borja-RS.
      Valeu muito a pena trocar o dinheiro na aduana, pois pagamos 0,10 por cada Peso Argentino. Já em Blumenau a melhor taxa que encontramos foi 0,15.
      Comparação de preços Blumenau x Aduana Argentina:
      R$ 1 Mil reais trocados em Blumenau valem: 6.666 Pesos Argentinos (sendo: 1000 / 0,15)
      R$ 1 Mil reais trocados na Aduana valem: 10.000 Pesos Argentinos (sendo: 1000 / 0,10)
      Peso Chileno: nós trocamos R$ 1 Mil (reais) em Pesos Chilenos aqui em Blumenau, para ter um pouco de dinheiro na chegada à San Pedro de Atacama.
      O restante do dinheiro brasileiro nós trocamos em San Pedro de Atacama. Trocar o dinheiro em San Pedro valeu muito a pena, pois recebemos 170 Pesos Chilenos por cada R$ 1,00 (Real). Já em Blumenau a melhor taxa que encontramos foi de 154 pesos Chilenos por cada R$ 1,00 (Real).
      Comparação de preços Blumenau x San Pedro de Atacama:
      R$ 1 Mil reais trocados em Blumenau valem: 154.000 Pesos Chilenos (sendo: 1000 x 154)
      R$ 1 Mil reais trocados em  San Pedro de Atacama valem: 170.000 Pesos Chilenos (sendo: 1000 x 170)
      *Compare antes de trocar seu dinheiro.
      Combustível / Postos de abastecimento:
      Na Argentina tem dois tipos de gasolina: a Super (comum) e a Infinia (aditivada).
      Infinia: variava de 45 a 48 pesos.
      Super: variava de 41 a 44 pesos.
      *Abastecemos com gasolina Infinia nos Postos YPF.
      *No Chile não abastecemos, por isso não informamos os tipos e preços que existem.
      Na Argentina tem muitos postos de abastecimento durante o trajeto. O último posto fica bem próximo da Aduana, no Paso Jama (divisa entre Argentina e Chile).
      Depois da Aduana não tem mais posto durante o caminho. Vai ter um posto somente em San Pedro Atacama (distância entre Aduana e San Pedro Atacama: 160 KM aprox.)
      GPS:
      Nós utilizamos dois aplicativos de geolocalização: o Google Maps e o Maps.me. Levamos dois Smartphones, em um deles usamos o Maps.me e no outro com Google Maps.
      Antes de sair nós fazíamos os trajetos pela rede WiFi e depois saíamos para a estrada. Os dois aplicativos funcionaram muito bem no modo off-line.
      Dica: o aplicativo Maps.me funciona totalmente no modo off-line. Para isso é necessário baixar os mapas off-line da região que você vai passar. Exemplo: nós baixamos todos os mapas da Argentina, do Chile e também dos estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. 
      Seguros obrigatórios para seu carro:
      Na Argentina: seguro Carta Verde. Você pode fazer em qualquer corretora de seguros.
      Ele cobre danos a terceiros em caso de acidentes.
      Nós fizemos o seguro com a Porto Seguro, com a cobertura de até 15 dias. Custo: R$ 125. Débito em conta corrente.
      No Chile: seguro SOAPEX. Você pode fazer este seguro com a HDI do chile. Só digitar no Google "HDI Chile".
      Ele cobre danos a terceiros em caso de acidentes.
      Nós fizemos o seguro direto no site da HDI Chile, com a cobertura de até 10 dias. Custo: R$ 40. Pagamento somente no cartão de crédito. 
      *Veja se o seu cartão está liberado para realizar esta compra.
      Observação: em nenhum momento a polícia ou aduana nos cobrou esses documentos.
      Seguros para você:
      Nós optamos por não fazer nenhum seguro de vida ou de acidente. 
      Mas as empresas de seguro oferecem inúmeras modalidades.
      Avalie a que melhor se enquadra com seu bolso.
      Itens obrigatórios para o carro:
      Na Argentina:
      Vários blogs e pessoas nos disseram que teríamos que levar um monte de coisas no carro.
      Então nós entramos em contato com o departamento de trânsito da Argentina e também com o consulado Argentino no Brasil que fica em Florianópolis.
      Segundo eles, os itens obrigatórios são:
      - 01 Extintor de incêndio (exceto em motos);
      - 02 triângulos de segurança;
      - Além dos demais exigidos no Brasil (pneu estepe, chave de rodas e macaco).
      E tem também os itens recomendados: (notem que são recomendados, não obrigatórios)
      - Kit de primeiros socorros;
      Portanto, não é obrigatório levar o tal do "cambão", que muitos blogs informam ser obrigatórios.
      No Chile:
      Considerar todos os itens obrigatórios citados acima.
      E no Chile todos os motoristas são obrigados a ter no carro um "colete refletivo". Caso o motorista precise sair do carro para alguma manutenção ou emergência ele precisa estar vestindo o colete. Isso é LEI NACIONAL. Na dúvida leve um colete também.

      Observação:
      Na Argentina fomos parados diversas vezes pela polícia. Em quase todas as cidades que passamos ao longo do caminho a polícia nos parava para solicitar algum documento.
      Algumas vezes eles pediam os documentos de identidade e do carro. Em outras eles faziam o teste de bafômetro. Mas em nenhum momento a polícia precisou revistar o nosso carro.
      No Chile não fomos abordados.
      Aduana Brasil x Argentina: Muito tranquilo.
      O atendente solicita os documentos do carro e identidades.
      Preenche um formulário no computador.
      Por último entrega um recibo (parecido com um cupom fiscal de mercado). Este recibo precisa ser bem guardado, pois ele será útil na Aduana Argentina x Chile.
      Não tem custo.
      Aduana Argentina x Chile: chato/demorado (pode ter fila e os atendentes são malas)
      A Aduana que nós passamos foi no Paso Jama.
      Tem 06 guichês.
      É necessário preencher um formulário em espanhol. Nesse formulário tem uma parte que fala se você está levando algum alimento que é "proibido".

      Após passar em todos os guichês eles entregam um recibo (parecido com um cupom fiscal de mercado). Este recibo precisa ser bem guardado, pois ele será útil na Aduana Chile x Argentina.
      Comidas não podem passar. Exemplo: frutas, verduras, carnes, lanches, etc. Tudo que é animal ou vegetal fica na Aduana. Alimentos processados passam. Alegação deles é que pode haver alimentos contaminados ou pragas. Se no formulário estiver a opção NÃO, mas na hora de revistarem o carro eles encontrarem alguma coisa, você leva uma multa.
      Após sair dos guichês vem um fiscal da vigilância sanitária e inspeciona o carro.
      Só depois de inspecionar o carro você está livre para seguir viagem.
      Não tem custo.
      *Na volta pra casa é necessário fazer tudo de novo, porém a vigilância sanitária não revistou o carro dessa vez.
      Espero que tenham gostado dessa primeira parte.
      Se tiverem algum comentário ou dúvidas por favor nos retorne.
      Um abraço.
    • Por VoandoAltoFH
      Assista em Video no Youtube - Atacama
       
      Vou comentar sobre a minha viagem em San Pedro de Atacama e seus perrengues.
      Pra ser direto ao ponto, tive prejuízo nessa viagem porque não consegui aproveitar quase nada, tampouco realizar os passeios, já que choveu em todos os dias que estive na cidade.
      O mais importante de tudo, evite vir no verão, entre os meses de Dezembro à Março, pois são épocas de chuvas, mais conhecido como "Inverno Altiplânico". Por mais que o local seja deserto, no verão ele chove muito, a ponto de alagar toda a cidade.
      Consequentemente as estradas e as pontes ficam destruídas ou alagadas, os parques e os passeios ficam fechados. No pior dos casos você não consegue nem sair da cidade, porque todos os acessos estão fechados e os ônibus não chegam ao local.
      Isso eu digo também para as pessoas que irão fazer o trajeto do Chile até o Peru, ou vice-versa, entre as cidade de Arica e Tacna, já que as chuvas afetam também essa região, então as estradas ficam fechadas. Isso farei um outro video mais detalhado.
      Ademais algumas agências de turismo acabam cobrando o dobro do preço, pois alguns de seus veículos são movidos com tração nas 4 rodas. Nesse quesito eu recomendo para que não alimente esse tipo de empresa aproveitadora.
      Então a pior coisa é você visitar nesse período que comentei, você pode acabar jogando o tempo e o dinheiro no lixo. Por conta das chuvas, ocorrem vários blecautes, com isso você ficam sem eletricidade e internet.
      Os restaurantes na cidade são caríssimos, então se estiver num hostel com cozinha, aproveite ao máximo para ir ao mercado e preparar a sua própria comida para poder economizar.
      O período mínimo de estadia na cidade seriam de 5 dias, para realizar com aperto os passeios oferecidos. Lembrando que 1 dia você vai gastar para se acostumar com a altitude, também para pesquisar e fechar os passeios com as agências de turismo. 
      Caso queira um prazo um pouco mais folgado e tranquilo, recomendo 7 dias ou 1 semana. Se for incluir o passeio ao Salar de Uyuni (Bolivia), terá que acrescentar de 3 a 4 dias a mais na viagem.
      Se o clima não estiver muito legal, ao invés de fechar o pacote todo, feche de 2 em 2 passeios e assim conseguir algum desconto. Terá menos dor de cabeça na hora de ser reembolsado.
      Tenha em mente que irá gastar só nos passeios em torno de 120.000 a 200.000 pesos chilenos, que dá em torno de R$ 700,00 a R$ 1.200,00 por pessoa. Estou falando de tours (passeios) principais.
      Ao incluir o Salar de Uyuni, os valores superam os R$ 2.000,00.

      * Dicas
      1. Evite vir para San Pedro de Atacama no verão entre os meses de Dezembro à Março, por conta das chuvas que impossibilitam os passeios. Prefira o Outono ou Primavera.
      2. Já efetue o câmbio de moedas, se possível em Santiago, pois as cotações em San Pedro de Atacama é bem desfavorável.
      3. Quando for negociar os passeios, negocie ou pague em pesos chilenos, pois em dólares acaba meio que perdendo um pouco na conversão dos valores.
      4. Sempre pense em alternativas como por exemplo ir para Bolivia e visitar o Salar de Uyuni. Os veículos que realizam esse passeio são 4x4 (tração nas quatro rodas).
      5. Antes de vir para a cidade, veja a previsão do tempo para os próximos 5 a 10 dias.
      6. Reserve no mínimo 1 a 2 dias de hospedam, não o período todo, para o caso de ter que alterar os planos tipo sair da cidade ou mudar de hostel.
      7. Evite fechar todos os passeios e pagá-los antecipadamente, pois dependendo das condições climáticas, terá dor de cabeça para ser reembolsado. 
      8. Escolha hostel que esteja mais próximo ao centro da cidade, ou seja, da Praza San Pedro de Atacama ou dos Caracoles.
      9. Tenha roupas para o frio e calor. Há uma grande variação de temperaturas, inclusive valores negativos.

      * Média de preço dos passeios (em peso chileno): Nome do Passeio / Horas / Valor do Passeios / Valor da entrada / Total.
      Valle de la Luna (meio período): 15.000 / 3.000 = Total: 18.000 pesos
      Termas Puritama (meio período): 15.000 / 15.000 = Total: 30.000 pesos
      Geysers del Tatio (meio período manhã, incluso café da manhã): 30.000 / 10.000 = Total: 40.000 pesos
      Laguna Cejar (meio período tarde): 18.000 / 17.000 = Total: 35.000 pesos
      Lagunas Altiplânicas (meio período manhã, incluso café da manhã): 28.000 / 5.500 = Total: 33.500 pesos
      Valle del Arcoiris (meio período manhã, incluso lanche): 25.000 / 3.000 = Total: 28.000 pesos
      Salar de Tara (integral, incluso café e almoço): 50.000 pesos
      Stargazing ou Tour astronômico (noite ou madrugada, alguns oferecem lanches): 20.000 pesos
      Mirador de Piedras Rojas (integral, incluso café e almoço): 50.000 / 5.500 = Total: 55.500 pesos
      Pukará de Quitor: 3.000 pesos
      * Bolivia
      Salar de Uyuni (3 dias, com hospedagem e alimentação): 130.000 pesos chilenos / 250 pesos boliviano (entrada)
      Salar de Uyuni (4 dias, com hospedagem e alimentação): 150.000 pesos chilenos / 250 pesos boliviano (entrada)

      Obs: Não tenho agência ou qualquer patrocínio, apenas peguei as cotações de 3 a 4 agências locais e inseri os valores para simples consulta.
    • Por casal100
      Esse relato é dividido em cinco partes:
      .da página 1 até a 7 refere-se a viagem realizada entre dez/2007 e fevereiro/2008 de carro;
      .a partir do final da página 7 refere-se a viagem que começa no final de dez/2008 até final de fevereiro/2009 de carro.
      .a partir da pag. 15 - viagem a Torres del paine, carretera austral ..........viagem realizada de dez/2009 a fevereiro/2010.
      .a partir da pag.19 - viagem ao Perú e Equador ....vigem realizada de dez/2010 a fevereiro/2011.
      .a partir da pag.23 - viagem venezuela, amazonas, caminho da fé.... realizada entre dez/11 a fev/12.
    • Por MarisaBrugnara
      Destino: Deserto do Atacama. Vontade: dirigir por várias das estradas mais bonitas e inóspitas da nossa América do Sul.  Além disso, a gente só sabia que ia passar pela fronteira por Dionísio Cerqueira e ir seguindo o caminho mais curto que o GPS nos deu até lá. Não reservamos hostel, muito menos passeios. A pesquisa sobre documentação do carro, itens obrigatórios, clima e alguns destinos foi suficiente. O resto, o destino deu conta: uma rota sem roteiro.

      Antes de atravessar a fronteira, decidimos dormir em Francisco Beltrão que fica a 470 km de Curitiba, só pra descansar. Atravessamos a fronteira entre Dionísio Cerqueira e Bernardo de Irigoyen pra fazer o câmbio de reais para pesos e a Carta Verde já no lado argentino. Só é necessário preencher uma ficha de imigração na aduana informando seus dados pessoais e destino. GUARDE ESSA FICHA! Não cobram nenhuma taxa e não revistam o carro. O câmbio paralelo vale muito mais a pena do que o câmbio das casas de câmbio.
      1 real = 12 pesos – paralelo
      1 real = 8,5 pesos – casas de câmbio
      Carta verde: só existem 2 opções: 15 ou 30 dias. Pagamos (em reais mesmo) 100 reais pra 30 dias. Pedem o documento do carro, do motorista e tiram uma foto do carro.
      Os postos de gasolina ali aceitam reais ou pesos (enchemos o tanque em reais, pois valeu mais a pena).
      As estradas são ótimas na Argentina, e os pedágios quase inexistentes são baratos. Foram 4 ao todo, o mais barato 10 pesos e o mais caro 60 pesos.
      Recomendo parar em Ituzaingó pra dormir e abastecer o porta-malas com macarrão e empanadas, pois os mercados e lanchonetes são bem baratos. Além disso, é uma cidadezinha quente e “praiana” no meio do continente. O Rio Paraná passa por lá dividindo a Argentina e o Paraguai, e é usado como praia, muitos gaúchos preferem ir pra lá no verão ao invés de subir pras praias de Santa Catarina.
      Depois de Ituzaingó a viagem realmente começou. Assim que saímos da RN 12 e entramos na reta infinita da RN 16 a cor da bandeira da Argentina começa a fazer sentido. Um céu de azul imenso onde não se consegue enxergar o fim daquela terra encharcada pelos Chacos, tudo ainda a 200m do nível do mar. Vários povoados, algumas cidades grandes, muitas fazendas e várias opções de postos de combustível, ainda. As estradas são lisas e pouco movimentadas. Tivemos que ultrapassar caminhões pouquíssimas vezes, o cuidado maior é com animais atravessando a pista. Ambulantes vendem morangos gigantes e suculentos na estrada por apenas 80 pesos o kg.

      Decidimos parar para dormir em Monte Quemado, ponto de parada quase obrigatória para os motoqueiros. Tem apenas um hotel na beira da estrada que serve almoço e jantar, mas preferimos cozinhar macarrão com nosso fogareiro portátil. Economizamos muitos pesos com isso. A única parte ruim e esburacada da estrada dura uns 20km na saída de Monte Quemado. A partir daqui, já é possível enxergar a silhueta das montanhas que escondem as tão esperadas curvas.
      Depois da ferradura do mapa, começa o trecho mais surreal da viagem. Entramos na RN 9 – sem dúvidas, a rodovia mais bonita do norte da Argentina - e só o que se vê são montanhas. Por todos os lados. Secas, rochosas, com cactos, nevadas, de pedras, coloridas, rachadas, de todos os tipos possíveis. Alpacas, Vicunhas, Lhamas e Guanacos atravessam a rodovia e uma paisagem totalmente diferente aparece a cada km. Foto nenhuma é capaz de registrar essa imensidão.

      San Salvador de Jujuy é uma cidade enorme e barata. Perto dali ficam Purmamarca, Tilcara e Humahuaca: os passeios turísticos oferecidos por eles. Fique esperto com o horário de funcionamento do comércio: tudo fecha antes das 13 e reabre depois das 17.
      Encha o tanque em San Salvador de Jujuy. Depois dali, não há sinal de celular e o próximo posto fica a 200 km, em Susques. Mas não conte com isso! Um posto que fica a 3896 m de altitude nem sempre tem combustível. Não confie em todos os postos que aparecem no gps. Meu gps mostrou um numa cidade a 20 km de Jujuy. Chegamos lá, e era um posto desativado. Decidimos voltar a Jujuy para encher o tanque e garantir a viagem, foi a melhor decisão que tomamos. Dali pra frente, quase não há civilização.
      Então, conte com o trecho Jujuy > Paso de Jama  = 330 km. Não é necessário levar combustível extra.
      No hostel em Jujuy, fizemos o seguro de carro obrigatório para entrar no Chile: o Soapex. É feito pelo site mesmo, custou 12 dólares para 10 dias. Aqui, foi a primeira vez que reservamos um hostel, queríamos garantir pelo menos a primeira noite no Atacama pra decidir o que fazer nos outros dias. Encontramos 3 mineiros que estavam voltando do Atacama de moto. 1 deles, passou por algum objeto na pista e isso quebrou o cárter da moto, ele estava esperando o guincho pra voltar ao Brasil.

      (Não é preciso ir até Humahuaca pra ver montanhas coloridas, elas estão por toda parte. Essa é a estrada entre San Salvador de Jujuy e Purmamarca)
      Perguntamos a eles quanto tempo levaria nesse trecho Jujuy/ Atacama. Eles disseram que não faziam ideia, pois pararam tanto pra tirar foto de estrada, pedrinha verde, pedrinha amarela, plantinhas, nuvem, salares, curvas... que perderam as contas. E é fato, tambem não fazemos ideia de quanto tempo levamos. A cada km, a cada fim de curva, uma surpresa.  Pra esse trecho, saia cedo e aproveite o dia todo. Tínhamos pensado em parar em Susques pra dormir, mas conversando com eles vimos que não valia a pena, é um vilarejo com pouquíssimos hotéis caros e faz muito, muito frio.
      Depois de 2.000m de altitude, pisar no acelerador não é a mesma coisa. O carro vai perder potência, a luz do motor vai acender, o aviso de neve na pista vai aparecer. Mas quem fizer essa viagem vai entender que andar acima de 60km/h não é necessário – e nem é possível com tantas curvas de 180 graus.

      Lagunas e montanhas de cores inexplicáveis por todo caminho. 
       
      Atenção para a fronteira da Argentina com o Chile, o Paso de Jama: como fica a 4800m de altitude, às vezes fecha por condições meteorológicas. Conferir antes de sair nesse site:
      https://pasosfronterizos.com/paso-jama.php
      Ali em Jama, deixamos o carro estacionado e fomos fazer os trâmites aduaneiros. O frio, o vento e a altitude aceleram o coração e nos dão uma falta de ar repentina. Na aduana, pedem apenas nossas identidades, documento do carro, carteira de motorista do condutor e AQUELA FICHA que preenchemos na fronteira do Brasil com a Argentina. Isso acontece várias vezes em vários guichês diferentes. Carros particulares tem preferência na fila J (escapamos das filas enormes dos ônibus de turistas e do raio-x das malas). GUARDE TODOS OS PAPÉIS QUE A ADUANA TE ENTREGAR, eles serão devolvidos na volta. Depois, tivemos que parar o carro debaixo de uma parte coberta no meio da pista na saída da aduana, tirar tudo de dentro e colocar sobre uma mesa para o guarda abrir e apalpar todas as mochilas/sacolas/sacos de dormir e ver se não estávamos levando nada perecível – o controle deles é muito rígido com frutas e legumes, por isso levamos apenas macarrão, molho e enlatados para passar a fronteira. Se precisar, ali tem um posto de combustível, mas tocamos direto até o Atacama ainda com a gasolina de Jujuy.
      Depois de Jama, há uma declive imenso de uns 2500m de altitude durante 150 km até o Atacama, sempre vigiados pelo imponente vulcão Licancabur. Do lado direito, fica a Bolívia, e por todos os lados, cadeias de montanhas e vulcões. O vento forte dificulta a direção e quase tira o carro do chão quando carros passam do outro lado da pista.

      O ATACAMA
      O destino viajante veio a nosso favor mais uma vez. O hostel que havíamos reservado – Valle del Desierto - ficava retirado do centro da cidade (escolhemos assim pra ter um lugar seguro para deixar o carro, pois no centro é tudo muito apertado e não tem estacionamento) e era cuidado por um casal de brasileiros, o Gabriel e a Carol. Foi o melhor lugar que podíamos ter achado, com direito a churrasco brasileiro, fogueira nas noites mais frias e uma vista do Licancabur, que ficava em tons rosados todos os dias na hora do pôr do sol. Haviam várias kombis viajantes estacionadas e gente do mundo todo, pois era véspera do feriado das festas pátrias – do dia 14 ao dia 19 – e vários intercambistas de Santiago sobem para o deserto.
                 
      Ficamos cerca de 10 dias ali, na primeira semana aproveitamos o sossego, nos últimos 2 dias os banhos que eram ótimos já começaram a ficar frios devido ao feriado (o hostel  e a cidade ficaram lotados!).
      A cidade é bem pequena, e só há comércio voltado para o turismo.
      Há várias vendinhas, quitandas e sorveterias espalhadas pela cidade. Usamos várias, pois cozinhamos bastante no hostel. Nas vendinhas não há bebidas alcoólicas, pois elas só podem ser compradas em Botillerías por motivos de legislação. É seguro tomar água da torneira quando a cidade está vazia, quando está cheia, prefira água engarrafada.
      Como nem só de macarrão vive o viajante, comemos muitas empanadas, que são bem grandes, tem quase em todas as vendinhas e custam sempre cerca de 1500 pesos. Também tomamos muito chá de coca, que é um ótimo digestivo. Nem procure restaurantes, vá direto ao Los Carritos. A comida é MUITO boa e é o melhor custo benefício da cidade. Peça os nomes mais esquisitos e se surpreenda com o que vai vir. Pra quem está com fome: 2500 pesos. Pra quem está com muita fome: 3800 pesos. Tem opções vegetarianas também.
      Os sorvetes, a Chicha Cocida (que é uma bebida alcoólica) e o Mote com Huesilhos têm sabores muito diferentes de qualquer coisa que você já tenha comido. As pêras são mais suculentas, os cactos tem frutos e aquelas árvores com florzinhas amarelas deixam cair ao chão castanhas duras e doces. Guarde esses nomes e se surpreenda com os sabores: ayrampo, chañar, rica rica, algarrobo, pomelo rosado, llucuma.
      Como em setembro é o final do inverno, pegamos vários tipos de clima. O sol é a única certeza. Os narizes sangraram nos dias de 4% de umidade e nuvens apareceram no céu quando uma frente fria se aproximou. Nesses dias, já não era possível colocar shorts e camiseta durante o dia sem um corta-vento e as noites eram salvas pelas segundas peles e o saco de dormir usado sob as cobertas. Importante: leve pelo menos um conjunto de segunda pele, 1 par de meias de inverno e um saco de dormir simples, mesmo que seja no verão. Eles salvaram a minha vida. Durante algumas madrugadas, fizeram temperaturas negativas – mesmo não sendo típico da época do ano – e tive que dormir de segunda pele, dentro do saco de dormir, debaixo das cobertas do hostel! Quando esfriava assim durante a madrugada, dava pra perceber quando saíamos de manhã que os vulcões estavam mais brancos de neve que no dia anterior.
      Ir de carro traz liberdade, economia e a certeza de que é o caminho que faz a viagem valer a pena. Os passeios oferecidos pelas agências são bem caros e engessados. Como não tínhamos horário para sair e chegar, íamos pegando dicas com quem conversávamos pra decidir o próximo destino. San Pedro fica no centro do Atacama, e é impressionante como a paisagem muda ao redor, mesmo num raio de poucos quilômetros.

      (Onde está o Uno?)
      Sal encrustado em rochas que parecem lunares e dunas gigantescas brilhando ao pôr do sol no Valle de la Luna, lugares jamais pisados pelo homem no Valle de Marte, uma vista surreal de montanhas intercaladas por outras montanhas na Piedra del Coyote, uma estrada com vento salgado e quente que termina na Laguna Tebinquinche, onde a vida parece não existir, mas existe. De repente, numa estrada que corta uma laguna seca, duas crateras cheias de água não tão salgada assim formam os Ojos del Salar. A surpresa maior fica com Toconao, a cidade vizinha que abriga o Valle de Jere - desconhecido até mesmo por alguns moradores de San Pedro – um oásis em meio ao nada, que foi habitado por alguns dos povos que deram origem a bandeira Wiphala e deixaram suas marcas nas rochas. Esses são os destinos mais bonitos e de estradas mais alucinantes de até 3000 pesos por pessoa para serem visitados ao redor de San Pedro.
        
      Há quem prefira mergulhar literalmente nas atrações naturais desse lugar. Para esses, existe a laguna Cejar por exemplo, onde é possível boiar em suas águas mais salgadas do que as do mar morto, por um preço que é tão salgado quanto ela (apenas a entrada é 15.000 pesos). Dispensamos também o passeio das Lagunas Altiplânicas - que custaria uns 80.000 pesos sem incluir as entradas – pois no caminho passamos por lagunas por toda parte e em todas as altitudes.
      Ah, o céu: não é preciso andar mais do que 2 metros na rua – ou no quintal do hostel mesmo -para conseguir enxergar todas as constelações, planetas, galáxias, estrelas cadentes. Ele faz valer a pena boca e nariz ressecados da baixa umidade, do sal, do sol e do frio. No hostel, um hóspede tinha um telescópio. Conseguimos ver a Lua e vênus em questão de segundos.
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      Voltar pelo mesmo caminho da ida dá uma perspectiva totalmente diferente de todos os lugares que havíamos passado. Leve tudo que quiser, pois na fronteira por Jama do Chile pra Argentina não fazem revista no carro. Pegamos um clima tão diferente que a estrada parecia outra. Mais vento, mais neve. Tivemos o prazer de ver uma raposa chilena e um tatu atravessando a rua. Só ficamos devendo a Vizcacha, que com certeza passamos por várias, mas não conseguimos enxergar nenhuma.
      Na Argentina, há muita polícia rodoviária. Éramos parados em quase todas as saídas das cidades. Em uma das únicas duas vezes que pediram nossos documentos, demos carona a um policial – é bem normal pedirem carona nas estradas argentinas. Procuramos evitar por segurança, mas como era um policial, e íamos tocar direto até perto da fronteira, aceitamos.  Na outra que fomos parados, estava acontecendo um protesto de caminhoneiros: o policial pediu pra verificar os 2 triângulos e o extintor. Não é mito, levem!
      Há muitos relatos de polícia corrupta na Argentina, mas é mais ao sul da RN 14 onde o país se aproxima com o Uruguai. Antes de ir, havia conversado com um amigo Argentino e evitamos a fronteira por Uruguaiana exatamente por causa disso. Como queríamos entrar mais ao sul do Brasil do que na ida, passamos por São Borja. Eles pedem apenas os documentos, não revistam o carro, e cobram uma taxa de 450 pesos ou 57 reais por pessoa.

      IR DE AVIÃO NÃO TERIA A MENOR GRAÇA. VÁ DE CARRO!
       
      Resumo de infos mais importantes:
      Dinheiro na Argentina
      - Trocar reais por pesos na fronteira com a Argentina vale bem mais a pena do que no Brasil;
      - Não troque dinheiro em Jujuy, a cotação é péssima;
      Dinheiro no Chile
      - Em San Pedro de Atacama a cotação de reais para chilenos é ótima (para setembro desse ano: 1 real = 150 pesos chilenos, sendo que em Santiago estavam pagando 1 real = 158 pesos chilenos);
      - Não tem como indicar uma casa de câmbio, tem uma rua só pra elas e todo dia os valores mudam. O jeito é sair perguntando de uma em uma e negociar;
      - Deixar para trocar reais para pesos argentinos (para gastar na volta) no Atacama não é uma boa opção, a cotação é bem ruim;
      Carro
      - Evite estacionar o carro perto das esquinas das ruas. Escapamos de um acidente que teria dado PT no carro por pouco. Como o hostel não tinha estacionamento, deixamos o carro parado na rua ao lado na vaga perto da esquina. Um motorista argentino foi fazer a curva e perdeu o controle, passou raspando por nós e bateu no carro estacionado do outro lado da rua, que ficou com o eixo dianteiro totalmente quebrado e teve que ser guinchado.
      - Os itens obrigatórios são: extintor de incêndio e 2 triângulos. Cambão rígido, mortalha e etc é MITO.
      - A gasolina tanto na Argentina quanto no Chile custa praticamente o mesmo que pagamos no Brasil, as vezes até um pouco mais caro. Mas como é bem mais pura que a daqui rende MUITO mais. Na Argentina, usamos sempre a Super e no Chile, sempre a 93. Essas são as mais baratas.
      Documentos
      - Identidade com menos de 10 anos de expedição ou passaporte, ou um ou outro, tanto faz
      - Se o carro estiver no nome do motorista, apenas o documento do carro.
      - Fizemos a PID (permissão internacional para dirigir), mas em nenhum momento foi solicitada
      - Carta Verde: seguro obrigatório para o carro na Argentina. Não foi solicitada em nenhum momento também, nem na aduana.
      - Soapex: seguro obrigatório para o carro no Chile. Não foi solicitada em nenhum momento também, nem na aduana.
      Água
      - É tirada de poços. Tomamos direto da torneira sem problemas, só recomendamos comprar engarrafada se a cidade estiver cheia – muita gente polui a água -. Custa cerca de 1800 pesos o garrafão de 6l.
       

      Carro: Fiat Uno 1.0 2016/2017
      Km rodados: 5.500
      270 litros de gasolina: R$1.300,00
      Autonomia: 20km/l
      Pneus Furados: 0
      Troca de óleo feita antes da viagem
      Gps usado: Sygic
      Pouso mais caro/barato: 600 pesos por pessoa (Argentina) / 250 pesos por pessoa (Argentina)
      Gasolina mais cara/barata: 862 pesos (Chile) / 38 pesos (Argentina)
      Frase mais dita: “Olha essa estrada!”
      Gasto: aproximadamente R$2200,00 por pessoa. Levamos apenas reais em dinheiro vivo. Usamos cartão de crédito Nubank apenas para reservar hostel e fazer o Soapex.
      Duração: 20 dias



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