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André Amaral1502434479

Huaraz, Trujillo, Chiclayo, Cajamarca, Lima e Ica - Descobrindo o nada badalado norte do Peru

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O seguinte relato é atrasado pq a falta de tempo do ultimo ano não me permitiu escrever e organizar tudo antes. Mas estou fazendo agora pois pode ser útil, eu mesmo não achei muita informação sobre alguns lugares que visitei e descobri tudo por lá na raça

Em outubro de 2016 fui para Chiclayo, no norte do Peru, por causa de uma promoção de passagem (paguei somente R$630 ida e volta!) e iniciei meu mochilão de 19 dias por lá sem roteiro definido, o unico planejamento era passar alguns dias a mais em Huaraz pra fazer o trekking Santa Cruz. Não sei se vou conseguir transmitir isso no relato, mas essa viagem foi muito mais que visitar locais bonitos, eu consegui experimentar o dia-a-dia deles lá em várias situações, desde as mais simples até as mais inusitadas como vender flores na porta do cemitério!

No final vou postar todos os preços de forma mais detalhada, durante o relato não vou focar muito nisso. 


Dia 1 - 21/10 - Chiclayo
Pousei em Chiclayo por volta de umas 14h da tarde. Fiz uma reserva pelo hostelworld no hostel "Casa Cima" dias antes da viagem e o Liam, dono do hostel, entrou em contato comigo e disse que me encontraria no aeroporto pois o hostel era bem próximo e caminhariamos até lá. Achei diferente e curioso, mas ele não cobraria nada por isso e aceitei de boa. No caminho do aeroporto até o hostel fomos conversando e descobri que ela é um ex-militar inglês que vive em Chiclayo pois se casou com uma peruana e tem uma filha. O hostel não é bem um hostel, é um apartamento grande, na cobertura, que ele vive com a esposa e filha e aluga 3 quartos para hospedes. Antes de chegar no hostel paramos num botequinho pra conversar mais e beber algo. EM seguida fomos pro hostel pra eu deixar minhas coisas e depois eu precisava trocar dolares por soles. O Liam se ofereceu e foi comigo até o centro trocar dolares em lugares confiaveis, pegamos um taxi por 4 soles (eu não planejava andar de taxi na viagem, queria economizar né, mas quando descobri o preço deles em chiclayo me dei a esse luxo em algumas situações hahaha). Era umas 17h ainda e em um folheto da cidade que o Liam me entregou vi que a praia ficava a uns 9km de chiclayo e tinha um pier lá. Decidi que iria até lá pra ver o por do sol do pacifico e o Liam me explicou como chegar lá de forma economica (a palavra magica do mochileiro hahaha). O transporte público de Chiclayo não possui onibus, possui "Kombis" que na verdade são vans, o pessoal das grandes cidades e que já foram pra região periferica ou mais distantes sabem do que eu estou falando. Segui a infos do Liam de onde pegar a Kombi e em qual direção ir, cheguei na garagem das kombis, perguntei qual ia pra "Pimentel" e peguei uma. Me custou 3 soles e eu rodei 9km até lá. Cheguei, caminhei pelo pier, tomei um suco e usei o wi-fi, apreciei o por do sol, comi um espetinho na rua (que até hoje não sei exatamente que carne era HAHAHA), e peguei a kombi de volta pro centro Chiclayo e depois um taxi até o hostel. Chegando na cidade, fui comer numa lanchonete quase ao lado do hostel.

 

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-Pier em Pimental

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-Por do Sol em Pimentel

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-Espetinho de Rua


https://photos.app.goo.gl/Su4N7kypVY35SwUK2
-Nesse link tem um video do cobrador anunciando o destino da kombi e abrindo a porta pros passageiros

 

Dia 2 - 22/10 - Chiclayo
Eu li que Chiclayo ficava numa região rica em arqueologia, com várias descobertas importantes de culturas pré-incas, os mochas eque viveram entra 100 a.c. e 800 d.c. entre outros. Sabendo disso e seguindo algumas dicas do Liam, decidi que ia pra uma cidade vizinha visitar 2 museus e em seguida ia pra outra cidade para o complexo arqueológico Túcume com piramides de 2000 anos atras. Aí começa a aventura! Fui umas 8h pra garagem das kombis novamente e peguei uma até Lambayeque. Lá visitei o museu Brüning e o museu Tumbas Reales de Sipán. O museu Brüning é simples, não achei tão legal, mas possui uma ala com itens do culto sexual dos mochas enorme, nunca tinha visto tanta escultura de pênis hahahaha. Os caras esculpiam pênis em todas as ceramicas! hahaha Em seguida fui caminhando pro museu Tumbas Reales de Sipán, esse sim era interessante de modo geral. A história do senhor Sipán, um dos achados mais importantes da arqueologia mundial pois ele se tratava de um grande governador e a sua tumba estava intacta, nunca foi saqueada nem nada, e por isso puderam estudar a fundo tudo. 
Em seguida peguei outra kombi e fui pra um vilarejo vizinho visitar o complexo arqueologico com umas piramides e tal. A kombi me deixou no vilarejo umas 11h, estava tendo uma feira de rua a aproveitei caminhar lá. Em seguida peguei um tuk-tuk que me deixou na entrada do complexo. E como a região lá é um deserto, chegou a hora de caminhar no sol infernal hahaha
O Complexo possuia 26 estruturas em piramides mocha, e muita coisa ainda estava sendo estudada e visitantes não acessar algumas areas. Foi legal e diferente, subi num mirador pra ter uma vista completa do complexo. Após umas 3h por lá peguei um tuk-tuk de volta pro vilarejo, almocei por incriveis 6 soles num restaurante familiar pequeno que tinha 2 mesas somente, conversei um monte com a mesa do lado e com a dona do restaurante que disse que foi a primeira vez que alguém de outro país comeu lá. (pra vocês terem ideia de como não é comum turistas naquela região e muito menos ainda mochileiros que se permitem a ter essa experiencia de transporte publico e de forma economica, sem auxilio de agencias hahaha)
E bom, não sou a pessoa mais fascinada do mundo por arqueologia, mas já que estava lá tinha que conhecer tudo isso né. E que bela escolha! Sai fascinado pela história, cultura, costumes. Aprender tudo vendo os vestigios da época ao vivo e visitando os próprios lugares é uma bela experiência!
Peguei uma kombi de volta direto pra Chiclayo e cheguei umas 17h por lá. Na noite do dia seguinte eu iria pra Cajarmaca por indicações do Liam e um taxista que conversei bastante e então fui comprar a passagem. Passei no mercado comprar algumas coisas pra comer. E depois no hostel fui ver o que poderia fazer no dia seguinte e descansar. Estava acabado por causa do sol do deserto hahaha

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- Ceramica XXX

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- museu tumba reales de sipán, a construção do museu é no mesmo formato em que as piramides da época eram construidas

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- mirador para as piramides. Como elas foram construidas de adobe a 2000 anos, por fora elas são assim bem diferentes do conceito de piramide que conhecemos

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-Escavações

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Dia 3 - 23/10 - Chiclayo
Decidi que iria pra outro complexo arqueologico nesse dia, no caso o local em que encontraram a tumba do sr Sipán, e em seguida iria pra o "Santuario Histórico Bosque de Pómac" que nada mais é que um bosque no meio do deserto que com umas piramides de 1000 anos atras também, mas por já terem sido exploradas e estudada, era possivel subir no topo delas!
Bom, umas 8h sai e fui pegar a kombi pra Huaca Rajada que ficava numa cidade vizinha também pra conhecer o complexo arqueológico onde encontraram a tumba do Sr Sipan. Lá estava tendo uma excursão de uma escola com um professor dando explicações, perguntei pro auxiliar se eu poderia ir seguindo eles pra ouvir tudo e permitiram, aprendi mais um monte de coisas, animal!!! De lá peguei uma kombi e voltei pra Chiclayo pra pegar outra kombi em direção ao bosque. Paguei 5 soles e viajei 60km de Kombi até a entrada do bosque na beira da rodovia, lá almocei num restaurante na beira da estrada também quase em frente ao bosque. Comida feita num fogão a lenha, que delicia! Me custou 10 soles.
Depois de alimentado, paguei 10 soles pra um tuk-tuk rodar comigo dentro do bosque já que cada ponto de visita lá dentro ficava bem distante, rodamos uns 30km no total lá dentro. Lá vi uma arvore com mais de 500 anos de idade, subi num mirador pra ter uma vista completa do bosque que floresceu em pleno deserto por conta de um rio que passa por lá, e depois fui ver 2 piramides que havia no meio do bosque e que era praticamente um parque de diversão pois é aberto pro publico subir nela e tudo mais.
Depois peguei uma kombi na beira da estrada novamente para chiclayo. Enquanto esperava a kombi, um caminhãozinho parou me oferecendo carona, mas eles iam até metade do caminho só e eu teria que pegar uma kombi de qualquer jeito, no caso a mesma que passaria ali. Recusei e esperei a kombi ali mesmo. Chegando em chiclayo umas 17h fui arrumar minhas coisas, comi algo e fui pra rodoviaria pegar o onibus umas 20h pra Cajamarca. A viagem duraria a madrugada toda e eu aproveitei pra dormir e economizar uma diaria.

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-Representação da tumba do senhor sipán no local real onde foi encontrado, porém a ossada e tesouro real estão no museu que visitei no dia anterior

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-Vista do bosque seco em cima de um mirador

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-Topo da piramide

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-No meio do nada esperando a Kombosa hahaha

 

E assim terminou minha passagem por Chiclayo. Fui na cara e na coragem e curti demais, aprendi um monte! Foi o tipo de rolê que eu escolheria não fazer se tivesse planejado antes, e que não saberia o que estaria perdendo.

Continua...

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Dia 4 - 24/10 - Cajamarca
Sai de Chiclayo no dia anterior às 20h e cheguei em Cajamarca umas 5h da manhã. Eu não sabia nada de Cajamarca e fui parar lá apenas por indicação, então eu ia passar o dia lá e dependendo como fosse procuraria um hostel pra ficar mais um dia por lá. Cajamarca fica numa região alta, à 2.700mts de altura, e foi bom eu ter ido pra lá pois dei uma aclimatada leve em uma cidade não tão alta, já que dias depois eu iria pra Huaraz. Cheguei às 5h na rodoviária e ainda estava muito escuro, pedi pra deixar minha mochila no guarda-volumes (praticamente todas as empresas fazem isso pra você lá de graça), aguardei o dia começar a clarear e sai caminhar pela cidade em direção ao centro, parei só para tomar um café num carrinho de rua igual desses hotdog mas que servia um suco tradicional deles lá e pão, conversei com o casal que cuidava do carrinho e o outro cara que tomava café lá também e segui para a plaza de armas. A cidade possui uma praça muito charmosa, uma das mais bonitas que já vi, possui uma igreja antiga que não há torres como todas as outras pra evitar pagar impostos na época colonial e várias construções antigas muito bem preservadas e pintadas. Próximo dali há uma escadaria que permite subir num mirador pra ter uma vista do alto da cidade, consegui subir a tempo de ver o sol nascer. Foi lindo ver o sol surgindo entre as montanhas e iluminando a cidade que fica num grande vale plano cercado de montanhas (que não possuem os picos nevados como mais ao sul do Peru, já que ali o clima é quente e mais próximo do equador e da amazônia peruana). Depois disso voltei ao centro pra ver em algumas agências os passeios disponíveis, e fechei 2. Um até o Cumbemayo e outro até ventanilla de otuzco. Como ainda faltava 2 horas para o passeio ainda, fui caminhar mais um pouco, tomar um café mais reforçado numa cafeteria ali perto e usar o wi-fi um pouco pra pegar mais infos da cidade. Um ponto curioso é que cajamarca recebe turistas e tem uma estrutura melhor que chiclayo, mas a grande maioria é de origem peruana mesmo. Não vi ninguém de outra nacionalidade por lá, e olha que rodei algumas agências até achar o menor preço e depois todos os micro ônibus foram juntos e chegaram juntos no local de visita. Outra coisa é que o povo local em grande maioria é descendente de cajamarquinos, e é comum falarem no dialeto deles e preservar a cultura, tanto que as roupas deles são bem tradicionais e não é nada encenado como em outras regiões do Peru que é tudo pra turista ver, lá o pessoal vive dessa forma mesmo.
Bom fomos até cumbemayo, um campo arqueológico que possui o aqueduto de 8km que leva água das montanhas até a cidade e que foi construído em 1.000a.c. Bom, isso é o que parece, mas o guia disse que estudos mostraram que a cidade de Cajamarca possuía um abastecimento de agua muito bom o que não era preciso isso, o que traz a hipótese que o aqueduto era na verdade pra uma espécie de santuário e culto à água, pois o próprio local onde começa o aqueduto também possui uma formação rochosa bem diferente e é um santuário para a natureza, inclusive eram feitos sacrifícios em um altar de pedra. O aqueduto apesar da simplicidade impressiona como a mais de 3.000 anos atrás conseguiram construir um aqueduto que levava água por mais de 8km e tendo um desnível de no máximo alguns metros em sua extensão de 8km pelas MONTANHAS! A formação rochosa do local também é cercada de mistérios e há várias lendas. Vale muito a pena conhecer o local! Foi lá que eu tomei o meu primeiro chá de coca vendido por um cajamarquino na entrada do sitio. O nosso guia, que não me lembro o nome agora, foi sensacional, ele também era descendente de cajamarquino e falava o dialeto do povo, além de tudo ele também era um historiador e estava prestes a publicar um livro sobre a história local e tudo mais, nosso grupo fez uns caminhos diferentes dos outros grupos com outros guias e tenho certeza que aprendemos bem mais graças aos conhecimentos do nosso guia. Certo momento enquanto ele contava uma lenda cajamarquina entre as montanhas, 3 crianças que moravam dentro da região do sítio cantaram no idioma deles uma música sobre essa lenda. Posso até ter sido enganado e toda essa parte ter sido encenação, mas de qualquer forma foi bonito! hahaha Cada um do grupo deu 1 sole pra cada criança hahaha
Bom, voltamos pra cidade, fui almoçar e depois iríamos para outro passeio. Esse daria pra ter ido de transporte público mas também era bem barato e ele passava em outros pontos então decidi ir com a agência. O Guia era mais baixo nível que o anterior mas explicou algumas coisas, passamos num bosque de flores, numa fazenda de queijo, e fomos finalmente até ventanilla de otuzco, que é um cemitério já da época Inca em que numa formação rochosa havia um monte de janelinhas que era os túmulos. Nada tão extravagante no passeio, mas interessante. Nesse passeio eu conheci a Carla, uma bombeira que vivia em Lima e foi pra Cajamarca fazer um curso e tinha um day-off. Na volta desse passeio peguei informações com o guia pra ir até as águas termais da cidade, a Carla decidiu me acompanhar e descemos no meio do caminho pra pegar uma kombi e ir até o local por conta própria. Paramos quase ao lado das águas termais “Baños del Inca”, pagamos uma mixaria pra entrar e reservei por 30m uma banheira particular. Como já estava escuro a piscina comunitária já estava fechada. Há uma parte do local que é possível ver o solo vulcânico e água surgindo de lá a temperaturas altíssimas. Tem uma placa dizendo que se cair morreu hahaha depois disso peguei um taxi até uma galeria perto do centro, jantei por lá e caminhei até a rodoviária. Decidi que partiria pra Trujillo aquela noite, os outros passeios em Cajamarca eram só com agências mesmo, mais distantes, e não muito diferente dos que eu já tinha feito ou não me chamaram muita a atenção. Me despedi da Carla ainda na galeria mas mantivemos contato, eu iria pra Lima alguns dias depois e talvez ela já estaria lá também.
Valeu super a pena passar por Cajamarca, é uma cidade que está crescendo turisticamente e possui planos de o aeroporto local receber voos diretos de Cusco para quem sabe aumentar o movimento turístico, já que o aeroporto da cidade só recebe voos direto de Lima hoje e via terrestre direto de Lima a viagem é muito longa. Mas se tiver a oportunidade vale a pena conhecer a cidade e passar lá pelo menos mais um dia. 

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I4_PsB795aOdAW6U2tcQW2ToX49hUVrtcU0C1JIBNmbVp2ZIdpcrf-bAoXE7DAHf6owAyb1SRK8SMcLhB-jjS19Wb7UpVaFx3FLl2aEDINZWj-_ibBjbjCl8A5zl0eAPiTAdPeUEQhBUZnKiwIoj2oUgkdVvECOwMmXV81UWGHHHcyWgNS4NvBPtS8yaAZn6nYV_NOmHxCQ3CVknBeCxm7j1rI_MK4ycLGWbppmFsemuKsZitvTg-9ACMb5xVI7ZnusyqIzhARer75YvgoirNF6JR6WQhJpkRhjqGmlMxOvPvAqtfRYJ2LkFj7n8UVo2sd24KZi1brsetnTeh60vk0bCrsWf3SdS0XGlmL7INik4t9RLLGGNXBRh6dWVeBJrHSXgbao4zKVITRG3aeBkGwmsLnk0uvc6lLOaFCbJv4mQTpvJvMyuKGeuEq74SbulSkO5Yf76VQ0QPm8Ycl2OjQR2Cg4dRX2AuXi86oyUz7KdGJdmhIL9PGUnlRGvfCsx5bmQafD_FHNQ42oda3gxvSFgwllnkUwZp0pzRmYEfTPmNwe55r35fGUJLznxmaqpvWcYwenYYEWnsk36PA_hlNEMRHH1_LCssP3md68-_8V3W52r5qEj9_QPT7lPVNNAL7zosTsSrXxwuuc_3tywitZ_j-1HZ8Banma3=w1435-h808-no-Cumbe Mayo, um santuário pré-inca

aUqzC57Y_Rpjb21Dz-yU8RSBW7QvNryNMHoHp3Kx-qFVd6PkEk3huIinnf8QhGmF_yHxbrP4ckKiacUA7QVoVSTB3yXVlPaLKQLYIjPKncJ0O8V57T8wSp9CxvSgrVT8H34_gkl7-KKhlAhIWWZmtsh9GxfIRkNyD3FtcA0cGs9CMMt9nQIASjcOkp1a-_TqChewlK_4ozVPlHFz0n5e_3DOru71Sg7nNHOo368jMHGaoHnrgRMmVxo0CGvId90Qb-tWcoit0PjQxjeJfdgSn5us_nq8nnt5HLBJiiCXQTejjxmZ0KM0cblYe7teifwP9EyX6n1YdkIYmWZ-6cO5LBW111LvkAfzvu9QW9NQCpJWoK72WwOeZqJImtYVd11n_Fi1xqkX54tjaQyq0W3rrX6bAHYQa7nzxxXAWawSvaTPduSTAayQ0OyllS0Z_f13QnNlQ2mb2euNqVroq6hOZbrU4xeuxXbyTG5d_7vm5FtrYWd4sAcJDqCdcverBaS8YIEgTYAT0CgBHutBP455y1OMu5Gw-R0WQbtPZCukWFtX30Qvci2-jhMKKiSzBslA8a_68DZgKHCBLWaNKfrwj2e7FBwH28HKsF00pGr6s1VQVl2thVYG7x6adbB31jHrYRae4ZA0Pf3u68QWWHu2f1NkufbupBEt5aj5=w1076-h807-no-Rocha que lembra um moai

Tjn1RTexER4Cj4U9hMqsoi4wWyfI62K2hz_xcjVvMSc2NmZX3eCtGPjTSEacmaDcWa8sSxrX-ZDGZkRBvD7Hb3a1LO6Ql9d1aBP0goQIhwpxrwQEzpMbtmrcrzogF5LlsdWaaGHtG8_fGhbdrwsc6gm3DVIDRBvIkZMXpLjAJydxeHQ-VtYekF31dS_Qu7VyvBSTC-_sZYBQmTA604tGrGw7PF3A-gM0vBIPwEhbjbVAW58qp9q5KE5zpJD2MURLsw5PwJsoi7F1P1gKl851DHg3pevmBpEEgNs7axaOEbCyQy7l7zZfaYxsgM2sV_DJYjP7ZbYskGDPMMdxueNCeblCoqrdZ-6Ql9tYzKgi_axfL-boUt6l5yqV8D88u3RAUzaIQI_Gh1w408Co73ZpJHmI69vzWU8E-eUKZFI2ElDryo4FWoswDUJSqZbNqbQ7_PEsXVi92-9sLEePmip8ZOUJAgPp4lzhDvrLZgAWOa1kfB4t9aoKILm6Rjzfp4Zvr1lUVCNQW9zs6XS9mSNTl8JFUfDaGoXEuG5bhUEu_eVOTcaOtgMwzAKbP9wAm8UHbadqgrS6PidSrH3dvb9EwSEhEqpSya5OxTbA_1cmKAR1d9qQY_NKEVlGilEyql5OzQPasPyvOeLc8RllN1cvFBZsIMxhXKpdGIKW=w454-h807-no

-Meu primeiro chá de coca

 

aJKuV6OA5Ra3tp2A2szXng1euNBJvdlub3xfpK_0Qdwi6y5GaHFYCfPEMmEX-MEp0X_G3IunNNCCa-t5m-2TJ3Q1ziQE3Yv_z7ptRcPTMLFAN8ICSboTkA0E9JOc4m2cVPFLI0ijJtHr541JtTNbI9MmOrhZDSqXWSzXu2nb7iFbEWRxwJpv4bE31dE5rDALxGI95IM0ILkKdWJM_sNkOoVv6r_9wxD5P64GOp_R3LxhgMEXs2E9dkvIn_zDyCN-pguqeJpfVMiMkgoQGlsOf1aGXtS7qhWy2hr_QA3Dkd6C0Oq80bhEbmTkd4vOptk0ahqOlRyXvSG1x8IHNp524QakIpEwpqCmwukBk9NN7WZG-g2W3ZtcnqPEP-eAi0u_ik54RZbLU6CvHoKVmJOfxYgWyJeW-ucio32dT_BRJNaX80OJbwWDYzN2ikCsvIoDt8ulqzkqt-S8wA5AUJ8WtOLHUXyXr33CayhpaFgYgkDM1--4A-wFUc5o-xhpqc3hRXiO9CMjuD27sSCmzr4f2-HX0esRRWgEsMTMQAtWp9L8K9-iPCnMVpY7ffZX9-S5ApOaqhXsjL09I9AJ-RyqC4mmHVKe54NfPDy5pQZBB44_fDRfaBXLlEEEwSAZboaorUF5HgpFzdT0YAPcXIfKvd5dR263jNbqmWH1=w454-h807-no

-Aqueduto

 

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-XwQv4Ldy5nC7b1nroebxzZiyprQq_XIZyrWc2KypEPfLE3EqRcGF7zW4XmZk7q65j5YwMemNMU6rANyDCtGuL_-AqMTas4gV9qvkpG3-bmTsxJ0pTqquGsXYEBncUuP2t5eza4I3yJ4b2tbyIh-niJM3XdbcYEaggPE76ecCbdi3xjxxro4Iqo-yt1UN_l75oylYhws3O1DTp9h7IjR90j19zxkwWlM5720YZk2K2QbONLJFRKFtSmuPQm7A4TolojtoLzR5XBIXgjEiKUssTSRKaBChcECm_QqAiL1pNixj4JA7i_1WMRuJfubtkXX_anL_2gCZMoE_GI-S4F-edNxBVEoocubBjLjyWzKX9IZyeBBd7db8eMvpT-D2GGk-DZH52DHM06ctk_mHXnCp6HJQQ98FvTo9xZYF5i__kPUa3Cc0KZbVsTS8amKJXRNQXVOh_rXkmZjW3PFFKy-6dlAKX5WsSlNHGNl9qE2cL6nPDdzRSBn-3F9lm93wApzwTdRkBxTo-znbYOsLcXJPpH0GS1cMWJVErb5LEb1FGiR39kuJOHr120RPqFucUgAInmX-lBq-XCUpBUqoZGH8YCifphm9dUUTmAnOV2AxPfmnKWpz7wbKStlv7FEutjWQPqq6Ozxl3ZNba6PTYxyFU3bHfxEGeRUrq3u=w1440-h469-no-Ventanillas de Otuzco

5trm02hv51gnOotR3BQFpYTKu1nOXzMCdCNSIcSswmzeRbTORjxZHxz8kUPuuJmoKUNOlYM3NxPabYkdhzYX1qsxiS_933-k-wwQclSorw0BZ8wKzyu3V1s6Tz2H4qW9Zrys46g3fg-I7IuE_Az0wMoPptkykUXtoBNhsBOvvAVKISSU8-VIG4kvFvJC-yTwog0rojF_U114C6rxLbtc4wUVK4J3aaOjx2L0zeX-PXYRqTCH163VGqXxZhqH7ZxheEVTFuW43RuTtSq6FBKGcE6IRgpPTh2pZWtt6uc-ULXRVZQgzx-sbrOelyaKCK3ytr00KWp2AEQtI7-yWdnQ_3KlBZLgJeTHK4EHb4De7dZYigrihhpyKUgav_0rYW9LPFVPA-gvGniqlQP3VwgxS02XKcZ54lb-spdIDA-679dpBO-nzEJm5Esg9YdVTKhPl2VmZiQfZIXbm7WOVq6jPRBjlK2TVZQoXE-HABQkbsT_wgn2g6XiVrXk5cc7CWBd-FsWbtDQ-6JtYmXxSWiUgaUT8sLQ6Ib0YTKOvgjJq8P1He3y1x417RqnNxIaofTd0TQXdkfS0c3GbjxHxfZNMdoWJ1sKn88tdMBZiQPED4w=w1435-h808-no

-Baños del Inca

 

Continua...

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Dia 5 - 25/10 - Trujillo
Cheguei em Trujillo umas 5h da manhã também, esperei na rodoviária pelo nascer do sol e fui caminhar pela cidade em direção ao centro. Trujillo é uma cidade bem maior que as anteriores e com uma estrutura mais desenvolvida, com ônibus no transporte publico mesmo e tal, mesmo que antigos. Tomei café em uma padaria perto da praça, entrei nas igrejas que tinham por lá, e peguei um ônibus até um shopping. Precisava trocar mais dólares por soles e usar o wi-fi pra dar notícias de que eu estava vivo ainda. Usei o wi-fi e o banheiro do starbucks, que aliás é o meu banheiro preferido pra qualquer lugar que eu viajo (mesmo sem comprar nada no $tarBucks hahaha). Sentei num sofá do shopping e aproveitei pra ver o que poderia fazer em Trujillo, os passeios não me chamaram muita a atenção e eu estava acabado depois de dormir 2 noites seguidas em ônibus enquanto viajava. Decidi ficar por lá descansando confortavelmente e almoçar lá também. Depois do almoço peguei um ônibus e fui pra região da praia passar o resto do dia lá, não que eu ia entrar na água mas só pra relaxar de uma maneira diferente, decidi que seria uma espécie de day-off devido a preguiça (uma das vantagens de não ter roteiro definido). Passei a tarde toda num botequinho em frente a praia conversando com uma ou outra pessoa que aparecia por lá, e com o gentil dono do botequim. Vi o pôr do sol lá também que foi bem bonito com o pier e as canoas tradicionais dos pescadores. Peguei um ônibus de volta para o centro onde encontrei um amigo que conheci pelo couchsurfing e foi me dando várias dicas sobre tudo e tal via whatsapp. Fomos caminhando do centro até a rodoviária pois decidi que iria partir para Huaraz naquela noite mesmo e encarar mais noite de viagem no ônibus. A principal atração de Trujillo são as 2 huacas incas que a cidade abriga, por mais que eu tenha curtido demais, eu já estava cansado de ver museu e ruínas antigas e decidi não gastar sei lá, uns 40 soles pra visitar esses 2 locais e tal. Não digo para não visitarem lá, mas é que eu não estava no feeling aquele dia pra fazer isso e foi uma decisão pessoal. Provavelmente se eu fosse visitar, por estar desanimado não curtiria tanto por já estar bem desgastado.
Mas enfim, a cidade é charmosinha e valeu a pena passar por lá pra relaxar e ver Naharban que conheci pelo CS e conversar um pouco.
 

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Continua...

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André, parabéns pela "coragem" e espírito aventureiro. Realmente não se encontra muitos relatos por esta região. No aguardo da continuação...

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Dia 6 - 26/10 - Huaraz
Depois de mais uma madrugada inteira viajando de ônibus (foram 3 seguidas hahaha) finalmente cheguei em Huaraz a 3.000mts de altura, era umas 5h da manhã. Peguei um taxi até meu hostel, o Churup Guesthouse (não é o mais o econômico, mas como Huaraz era o objetivo principal da minha viagem, optei por mais conforto) . Meu check-in seria somente a partir das 13h, mas eles gentilmente me deixaram ficar numa sala de espera e quando o dia amanheceu me deixaram guardar minha mochila na sala de bagagens deles. Tomei café lá no hostel mesmo pagando alguns soles por isso. Huaraz era é a única cidade que eu havia planejado o que faria e tinha um roteiro, e o plano para o primeiro dia era ficar de boa na cidade, me aclimatar com a altitude e pesquisar nas agências os passeios e preços. Bom, eu tinha um roteiro né, mas a minha loucura me fez jogar ele fora quando eu aceitei um convite de um, até então, estranho. Vou contar essa história…
Era umas 9h da manhã e na primeira agência que cheguei para pegar infos, o cara que me atendeu manjava muito dos passeios mas não sabia dos preços e ficava perguntando para o chefe, na mesa ao lado, os valores. Achei estranho, mas ok. Minutos depois o mesmo vendedor percebeu que eu era brasileiro e me reconheceu do couchsurfing, pois eu havia publicado minha viagem lá. Ele disse que costuma receber hóspedes na casa dele pelo couchsurfing mas que não me ofereceu pois já tinha gente lá. Então ele simplesmente parou de tentar vender os pacotes, falou pra eu parar de pesquisar preços pois ele ia me ajudar, e me convidou para ir pedalar com ele às 11h. Eu aceitei na hora, na cara e na coragem, ele parecia ser uma boa pessoa. Bom, voltei ao hostel pegar minha mochila de ataque, trocar de roupa, e fui me encontrar com ele às 11h no local combinado. Ele já tinha uma bicicleta e me levou para alugar uma pra mim. Aluguei por 25 soles uma bike + capacete + luvas. E nesse meio-tempo pude conversar mais com ele e tudo foi ficando mais claro e fazendo sentido. Ele se chama Denise (com “e” no final mesmo) e é um ex-guia que largou a profissão para ser policial nas minas que ficam ao redor de Huaraz. Ele estava na agência que eu o encontrei cobrindo um amigo que trabalha lá e que não poderia trabalhar pela manhã. E digamos que ele carrega o espírito couchsurfing com ele, de proporcionar boas e novas experiências para viajantes e os ajudar.
Bom, até então eu estava tudo o máximo, mas não tinha ideia da aventura que eu me meti hahaha. A “Pedalada” dele seria pelas montanhas que cercam huaraz, pedalarÍamos quase 5 horas, fazendo um uphill por uma estrada de terra e depois um downhill por uma antiga trilha Inca. Eu ando muito de bicicleta, mas nada tão puxado assim, e eu nunca fiz um downhill! HAHAHAHA
Mas ok, eu estava em forma e ia ser uma baita experiência, isso não estava no roteiro. Colocamos as bicicletas em cima de uma kombi e fomos com ela até Paria, um distrito rural afastado de Huaraz, nesse ponto chegamos a 3.400mts de altura. Lá compramos pão, banana, chocolate e água. Seria nossa refeição naquele dia. Então iniciamos a ascensão pela estrada, não é uma subida extremamente íngreme mas ela é contínua. Possuía raros trechos de reta e mais raros ainda de descida, porém como o ponto final antes de realmente voltar pra cidade era mais alto, sempre que havia um trecho de descida era sinal de mais esforço depois pra subir de novo hahaha. Não consegui acompanhar o ritmo do Denise mas também não fui uma tartaruga, conseguimos seguir bem e confesso que conversamos pouco, precisava me concentrar para respirar pois fazer um uphill a 3.500mts de altura não é fácil. Por sorte eu não tive sintomas do mal de atitude, só o cansaço mesmo. Mas a cada 30 minutos pelo menos dávamos uma descansada. Quase no final, depois de 14km eu achei que não aguentaria pois nesse momento tive as piores câimbras da minha vida, nas 2 pernas nas mesma regiões da coxa. Naquele momento se amputaram minhas 2 pernas eu acho que ia doer menos do que as câimbras, sério, foi tenso. Ali paramos pelo menos uns 15 minutos e caminhei um pouco a pé mesmo pq pedalar tava osso. Mas só faltava 1km pra chegar até o ponto que seria somente descida e consegui pedalar mais um pouco até lá. Depois de 15.800km de subida chegamos ao ponto que iniciariamos o downhill. Apesar do cansaço, foi incrível! Pedalar em direção aos montes nevados e tendo uma vista de todo o vale de Huaraz cercado de montanhas é lindo. Não consegui tirar muitas fotos se não ia ter que parar a cada 5 minutos pois era uma vista mais bela que a aoutra.
Após contemplar a vista e descansar um pouco, hora de descer. O Caminho que faríamos é o mesmo usado por moradores que saiam dos seus vilarejos para subir aos pastos cuidar de seus animais, porém o Denise disse que é o mesmo caminho usado pelos incas quando passaram por aquela região e que possui centenas de anos. Alguns trechos do caminho eram de pedras e com escadarias com pontos que tínhamos que descer e carregar a bike, nem o Denise que era acostumado conseguir descer em cima da bike. Olha no que eu fui me meter hahaha. Mas peguei o jeito e me senti confiável e consegui acompanhar bem o Denise, teve um ponto que ele se distanciou e por causa das curvas e eu não consegui ver ele, quando eu me aproximei novamente eu vi ele empurrando a bike por um trecho que eu passei em cima da minha mesmo, sem descer, ele se assustou e perguntou se eu tinha passado sem empurrar, pq ele não conseguiu. Eu disse que sim e só depois me dei conta que desci um trecho cheio de pedras enormes hahaha.
Enfim, menos de 1h depois já havíamos chegado na cidade. Fui devolver a bike com o Denise, trocamos número de telefone nessa hora pra manter o contato. O Denise foi pra casa dele ajudar em algumas coisas que a família dele pediu e eu fui pro hostel descansar. Depois só sai comer algo ali perto mas já voltei pq estava exausto. 
E bom, o primeiro dia que o plano era só descansar se tornou um dos dias mais cansativos da viagem, mas que valeu super a pena. Posso dizer que fiz um amigo em Huaraz, que inclusive conversamos até hoje 1 ano depois, e fiz algo totalmente diferente. Um downhill numa trilha Inca cara!!! 
 

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-Pegando a Kombi até o ponto de partida já nas montanhas

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JGCRhhLUV_iCMAYbXWJBzJ50rNpxlr9GVgb1g5D2VluhYYqZr2khBsF_9DZKhP4j-BdsaxVSy_lPGhNDTrF-cqxpipK9wA14GkVFCH1yaCg40wXHyfAnmmDIL6bi62_A9mG7lmUuVQCnej8jVjLAurmHp9A2iaqGm-eItpaqwOnOvMg6f2d7nR5NlrBoNbH2hCspfVfXE71hW5wL0uSqTBKQE67UXDuux9nF34LY0FLiFVuzuY1EAplsY5GDgdX-WS2Mju3ukkMTiGLcUrTfNLmc9-1HxSkK7ATccLh_WcshUhRamNs0pHz8U71gO5UCGhI1aSibQ5n46Xa3VYHAASlaklJ1knVhLAUTpaMfo2Qxeso8XWdAuJ2l5ajyMgqow6l7ZMprxMfdO0KyL3bmh6zVvA2HdOtOofGKHQ_5TCSwzILm7WFrWBKXyQ0RvexR2ivG4fkcL8HHABMql2mVeld4lYaX6LBujh83ouvgMSCEd1L2zhxbLKbO1ZbGOXCwnx4LkMX7OEoFmx6xS4WP2tVOwLhMS2DaNNn1SQze3sBbNXQu5_jNVh9A7fNCjY-oTp3TstWKqS9f-NRtOMfrScZ5YloWFC0h2KCmdKExG-8=w1435-h808-no-A Magrela

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-Ponto final da subida depois de quase 16km. Começamos a descer a partir desse ponto

 

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-Parte da trilha inca que fizemos o downhill! (Essa parte ainda era fácil hahaha)

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- Denise, que se tornou um grande amigo e me ajudou muito nos dias seguintes em Huaraz

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E bom, foi assim meu primeiro dia em Huaraz, e que dia!

Continua...

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Dia 7 - 27/10 - Huaraz
No roteiro original o plano para o segundo dia era ir pro glaciar pastoruri, porém depois da aventura do dia anterior decidi ficar na cidade pra descansar. Dormi até umas 10h da manhã (primeira vez q dormi bastante desde o início da viagem) e sai caminhar e conhecer a cidade de fato, pois no dia anterior conheci o Denise já na primeira agência e não tive tempo de ver a cidade. Bom, lá estou eu caminhando indo em direção ao mercado municipal e quem eu encontro no caminho? O Denise! hahaha
A cidade não é tão grande então esse tipo de coisa acontece mesmo. No dia anterior eu tinha comentado pra ele que eu trabalhava com TI e ele comentou que estava com problemas no computador dele, me ofereci pra ajudar (era o mínimo depois dele ter me levado pra pedalar né). Fui até a casa dele e dei uma limpa no pc dele. Deu a hora do almoço e ele sugeriu irmos numa cevicheria e lá fomos. Um restaurante bom, meio afastado da praça central e frequentado somente pelo povo local, ou seja, comida autêntica por um preço justo. Comemos cada um ceviche com choclo delicioso. Depois disso o Denise precisava encontrar um cereal específico lá que a família dele pediu pra ele comprar já que todos estavam trabalhando. Como eu não tinha planos e ele convidou pra ir junto, fui com ele caminhar e conversar mais.
Caminhamos até um local meio afastado do centro em que 2 vezes por semana funciona uma feira em que o pessoal que vive no campo traz seus produtos para serem vendidos, havia de tudo lá, desde animais vivos até plantas exóticas, e o local era mega sujo e a céu aberto. Por recomendação do Denise eu não tirei fotos e nem dei muita pinta de turista, aliás não vi nenhum turista lá também, é um negócio bem voltado pro povo local mesmo. O Denise comprou o que precisava e então caminhamos até a casa da família dele deixar a compra lá. De lá o Denise ia passar no escritório do parque nacional de Huascarán conversar com um amigo e pegar alguns mapas com ele, pois por mais que o Denise não seja mais guia ele contribui muito ainda com o pessoal que trabalha na área e ama as montanhas. Aproveitei pra comprar meu boleto turístico para visitar os pontos dentro do parque nos próximos dias. Depois disso fui com ele até o cemitério da cidade, onde sua mãe e irmã trabalhavam vendendo flores na porta e ele foi ajudar elas. Eu não queria atrapalhar e por isso fiquei de canto só olhando, só de estar ali já estava sendo uma baita experiência (também sou de uma origem muito humilde, por isso valorizo muito esse tipo de coisa), mas em certo momento um casal de gringos queriam comprar umas flores e só falavam inglês, aí eu ajudei na venda traduzindo algumas coisas hahaha (O Denise fala inglês, mas ele tinha ido buscar mais flores no carro nesse momento). Por volta de umas 17h me despedi de todos e voltei para o hostel, o Denise disse que cuidaria de reservar meu passeio no dia seguinte para o Glaciar Pastoruri por um preço justo e com uma boa agência. Dito e feito, horas depois ele me mandou um whats dizendo que umas 8:30 o micro ônibus passaria no meu hostel e me custaria 35 soles. Conheci uma americana no hostel que havia acabado de voltar do trekking Sta Cruz, que eu faria nos dias seguintes, e saímos pra comer uma pizza e conversar, ela contou como foi a experiência e deu pra eu ter uma ideia do que esperar. Assim acabou o segundo dia em Huaraz, esse sim foi de descanso hahaha (Quase nehnuma foto pq o dia foi leve)

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6BcxL7_l_Dt8jT7d_tOL6kgULCJowGASn89_afsP3rVc1BwLTJFmyxYTEuOx-w_z2qX5hqj355mWdeQd90xa0i1sJ6RY1H28dFJs03wbXXxhzbIQdGGAA4p-Wu8wMi5Kgs2EHtuGKSohdxEIk0JifCi3ZBVkYDAkFMWQNkn76GuoZFq73NybLhzFh-fag-GH4SKPiA6p7-5HSAI9JWkKMDfqdoydkVGiU2bYQgCOWmY8yOfhYe-e5KwMfP-OmlI31fgjQuJ1XONuQmmu9xBSl6V-c9prEe1quNunssNngohp2bGwxnVBKyd5gIsP147FLCtiCQ4CM7QNjCmwsio-hu0TsbmHwEfxrChQIN86PHbzKTj3SKwSZJyImhDWVSgaCbSBQlrtl5H-_58dUAQOPXMvlDVddat_UfaRCQSBq2x5dcvLy6NiuU6XPx_qpQQyy09BvzwlkLNwTfOQ4u62E3G_bH83Ns_jng9Z_svKY99erC73t3Ti2bmQ0HdR2_vneIuNE_qy1x4rgoLhVfteNgAhZPzYxfikrj3OoJbtzy-ex-gvBID-xQcoy2eZkAGwowhPE6NmpcDWbZj0HnNvCYD1-g29WdZC8FtOdvXlQwjGfVdO-lGyVCPsfcfD05B-ECI37mZeAFvoM-1XPouA05F4EYkHpZlWe__x=w1435-h808-no

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-La gordita

Continua...

  • Gostei! 1

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Dia 8 - 28/10 - Huaraz
Como combinado no dia anterior com o Denise, por volta de umas 9h o micro passou no meu hostel para me buscar e irmos até o glaciar pastoruri. No micro havia um grupo de estudantes do ensino médio e mais um ou outro turista. O Guia que nos acompanhou era também uma espécie de professor, e no caminho até o Glaciar que durou no máximo umas 2h, com algumas paradas, ele foi dando várias informações e contando histórias. Eu gostei, aprendi algumas coisas sobre o clima e história da região. No caminho de ida o onibus fez uma parada em um restaurante onde podiamos tomar chá de coca e comprar folhas também, e quem quisesse almoçar lá quando voltássemos teria que deixar reservado. Não reserver pois eu tinha levado alguns lanchinhos e almoçaria mais tarde na cidade mesmo. Em certo momento da viagem o ônibus sai da estrada asfaltada e pega uma estrada de terra, de boas condições, em direção as montanhas, esse trecho já faz parte do parque nacional huascaran. Ele faz a primeira parada no posto de controle onde quem não tem compra o bilhete para entrar no parque ou quem já comprou na cidade apresenta o bilhete. Em seguida ele faz mais 2 paradas, uma numa fonte de agua natural gaseificada e outra na pequena laguna de 7 colores, onde dependendo do clima, sol, temperatura, a água assume uma cor diferente. Não achei nada demais esses 2 lugares, a não ser a bela vista proporcionada ao fundo. Mais um pouco chegamos a base a 5.000mts de altura e de lá subiriamos até o Glaciar. Fomos um dos primeiros a chegar e o clima estava bom, só um pouco nublado, o que foi bem tranquilizador pois na estrada dava pra ver alguns trechos que chovia muito. E aí fica uma lição importante sobre as montanhas, o clima muda muito rápido, é incrivel! Do nada uma chuva cede espaço pra um céu limpo, mas do nada o inverso acontece também. Ok, da base começamos a subir e caminhamos cerca de 2,5km até o glaciar, nesse momento o guia deixa cada por si e apenas acompanha caso alguém passe mal ou algo assim, e como muitas pessoas vão lá, todos se misturam. A caminhada de 2,5km faz vocẽ subir uns 400mts, saindo de 5.000mts e indo pra 5.4000mts, e nesse trecho vi muita gente passando mal, dores de cabeça, cansaço, vomito, tudo por causa da altitude. Como eu já tinha pedalado 2 dias antes e ficado mais 1 dia na cidade de boa, estava super aclimatado já e não senti nada além de um cansaço um pouco mais forte que o normal, por isso estar aclimatado é muito importante. A caminhada é tranquila em um trecho quase que asfaltado, nivel fácil, faz muito muito frio e é dificil ficar sem luvas ou gorro, mas o que pega mesmo é a altitude. Ao chegar o Glaciar é lindo, imponente e curioso também, achei o máximo! O tempo estava começando a fechar e começou a “garoar”, porém devido a altitude e o frio essas gotas se tornavam em neve. No total devo ter ficado quase 1h lá em cima, tirei fotos, admirei tudo, e quando a chuva/neve começou a engrossar comecei a descer, pois descobri que neve molha! hahahahaha
Fim do passeio, voltamos pro restaurante na estrada onde quem reservou o almoço comeu, e depois voltamos pra cidade. E novamente quase logo após descer do onibus, encontro o Denise caminhando pela rua! E nesse momento que eu fui me dar conta o quão popular ele é, ele conhecia todo mundo do comércio local, telefone tocando a todo momento, ele é mega querido na cidade. É aquele tipo de cara que se tornaria vereador fácil fácil por causa da carisma hahaha Enfim, chegando lá ele já tinha cuidado das coisas pra eu começar o trekking Santa Cruz no dia seguinte, conseguiu um ótimo preço pra mim e se certificou que o guia que iria com o grupo era bom, os equipamentos de boa qualidade, a comida era boa e suficiente, enfim, viu todos os detalhes pois ele já trabalhou como guia nesse trekking e sabe como deve ser as coisas. Ele me deu todas as dicas necessárias e ainda foi comigo até o mercado popular comprar uma capa de chuva. Paramos numa lanchonete pra comer alguma coisinha e nos despedirmos pois 2 dias depois ele voltaria para a região das minas trabalhar como policial e só voltaria pra Huaraz 23 dias depois. Agradeci por tudo que ele fez por mim sem querer nada em troca, não sei se consegui expressar tudo aqui no relato mas o Denise foi uma espécie de anjo pra mim, é uma das pessoas mais bondosas que eu já conheci e sem dúvidas vou me lembrar dele pelo resto da minha vida, aprendi muito com ele sobre, digamos assim, sobre fazer o bem sem esperar nada em troca!
Passei no mercado comprar algumas coisas pra levar no trekking que se iniciaria no seguinte, voltei ao hostel e deixei tudo pronto para o dia seguinte pois a van passaria umas 5h~6h me recolher.

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Dia 9 - 29/10 - Huaraz
Um pouco antes das 6h uma van passou me pegar no hostel, ela estava meio vazia ainda e só tinha 3 pessoas + o motorista. Fomos passando em outros hostels e recolhendo mais gente pra finalmente completarmos um grupo com 13 pessoas, dos mais diferentes locais, Inglaterra, País Basco, França, Austrália, Nova Zelândia, Suécia, Polónia e eu, o Brasileiro perdido lá no meio hahahaha. Iniciamos o trekking pela por cashapampa e paramos num vilarejo no meio do caminho para tomar café. Nesse momento sentei na mesa com os 2 bascos e comecei a ficar amigo deles. Do café seguimos mais 1 horinha de estrada para o local em que começariamos o trekking. Lá encontramos nosso guia, cozinheiro e o muleiro, eles haviam acabado de completar um trekking com outro grupo que fez o percurso inverso do qual faríamos e já iniciaria outro conosco. Iniciamos a caminhada no primeiro dia por volta de umas 11h sempre seguindo o sentido contrário de um rio que corria entre 2 montanhas que formavam um estreito vale cheio de pequenas quedas de água, lindas paisagens! E às 14h já estávamos no primeiro acampamento que é já ficava numa parte mais larga e plana do vale, o cozinheiro chegou quase junto conosco e preparou um almoço leve pq não jantariamos tão tarde. A caminhada desse primeiro dia foi bem tranquila e fomos num ritmo super bom, quase não paramos, todos estavam bem fisicamente. Contando os 4 dias de trekking que fariamos e dando um spoiler, o primeiro dia só não é mais fácil que o ultimo dia, mas ainda é tranquilo. Como ainda tínhamos muito tempo foi o momento de todos conversarem e se conhecerem melhor. Tirando o Australiano que era mega chato e isso se provou no final do trekking onde todos reclamaram dele, o grupo era demais! O Julio, nosso guia, nos levou até uma pedra de uns 3 mts pertinho do acampamento para “brincarmos” de escalar até o jantar ficar pronto. Voltamos e conversamos mais ainda, jantamos e umas 20h já estamos indo para as barracas dormir. Eu dividi a barraca com os 2 bascos, a Enara e o Gari, nós 3 tínhamos conhecido um ao outro naquela manhã no café da manhã e a noite estávamos dividindo alguns metros quadrados da barraca hahahaha Mas foi muito legal e engraçado, parecia que eramos amigos a anos e falávamos de tudo, cada um com sua história, sonhos, pensamentos e tudo mais, foi incrível! Alias se tem uma coisa que marcou minha viagem muito mais do que os lugares e paisagens que eu vi, foram as pessoas. Essas sim fizeram toda a diferença e deixaram tudo mais mágico! E foi assim também com esses 2 bascos filhos da mãe que praticamente me adotaram no trekking e viraram meus amigos hahahaha

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    • Por Yara Almeida
      Ei, tudo bem?
      Alguém sabe me dizer como está Machu Picchu para 2021? Digo com relação à liberação do Parque e etc. Obrigada! Uma amiga e eu estamos nos organizando para irmos em Julho, caso tenha mais alguém, entre em contato pra gente combinar um comboio legal rsrs. 
    • Por Trip-se!
      Em setembro de 2018, fizemos uma viagem ao Chile e Peru.
      Roteiro - 24 dias
      São Paulo > Santiago > Valparaíso > San Pedro do Atacama > Tacna > Arequipa > Cusco > Ollantaytambo > Aguas Calientes > Machu Picchu > Cusco > Lima.
       
      Começamos nossa jornada no Chile, em Santiago, Valparaíso e San Pedro do Atacama, cujos relatos seguem abaixo:
       
       
      No ônibus das 20:30, deixamos San Pedro do Atacama em direção a Arica, cidade chilena fronteira com o Peru. Seriam 8 horas de viagem, que à noite tínhamos esperança de sequer vermos passar. Com o coração apertado de deixar aquele lugar que tinha acordado tanto dentro de nós, nos despedimos do céu mais estrelado do mundo prometendo, para o Universo e uma para a outra, que voltaríamos logo, em breve, a tempo de não esquecermos toda a emoção que sentimos, nem de deixarmos a brutal rotina do acordar-trabalhar-dormir nos transformar em marionetes que fazem o uso da palavra "sabático" para justificar o tempo em que resolveram ser felizes. Logo nós, que tínhamos acabado de enxergar o não tamanho do mundo.
      Chegamos em Arica ainda escuro. Claudio (amigo que fizemos no Atacama, junto com seu fiel cão Lucky, artista plástico de Valparaíso que, cansado do mesmo todo-dia da vida e do consumo sentimental das relações obrigatórias, encontrou em San Pedro um porto. Breve e temporário.) tinha nos dito que, ao chegarmos, deveríamos atravessar a rua para a outra rodoviária, a internacional, onde poderíamos pegar um ônibus para o Peru. Foi uma ótima dica, ou teríamos ficado perdidas na escuridão da falta de informação e sinalização.
      Ao chegarmos na rodoviária internacional, que mais parecia o ponto final de uma linha de ônibus bem acabada em uma cidade quase fora do mapa, uma mulher sentada numa mesa nos informou que o ônibus para Tacna só sairia a partir das 8:30 da manhã. Eram 4:30 da madrugada. A outra opção, como ela sugeriu, era atravessar a fronteira com um dos muitos motoristas de carro que faziam ofertas de assentos pelo mesmo valor dos ônibus. Não, só se fôssemos loucas de aceitar. Assistimos demais "Presos no Estrangeiro" para arriscarmos uma prisão por tráfico de drogas com um estranho que diria que era tudo nosso, das gringas. Nunca. Resolvemos dar uma volta na rodoviária para despistar a mulher que nos alucinava com essa ideia, quando ouvimos sem muita certeza, o motorista de um ônibus gritar "Tacnabus, Tacnabus" e corremos para confirmar a informação. O ônibus ia para a Bolívia, mas primeiro pararia no Peru, em Tacna, para onde estávamos indo. Com o dinheiro guardado na calcinha, entramos no ônibus e seguimos para o nosso próximo destino.
      Na fronteira: sai do ônibus, carimba passaporte de entrada no Peru, passa as mochilas no raio X, tira o vinho da mochila, mostra que é vinho, guarda a garrafa, volta as mochilas para o bagageiro, sobe no ônibus. E em 40 minutos, chegávamos em Tacna.
      *ATENÇÃO! Ao desembarcar no aeroporto em Santiago do Chile, na entrada no país, além do passaporte carimbado, também entregam um papelzinho, aparentemente sem nenhum valor e sem nenhuma explicação. GUARDE-O DENTRO DO PASSAPORTE! Na travessia da fronteira, esse papel é exigido.
       
      TACNA
      Não esperávamos encontrar em Tacna a cidade charmosa e acolhedora que descobrimos. De habitantes tacanhamente tímidos, que nos olhavam surpresos e alegres ao perguntarmos seus nomes, essa cidadela conquistou nossos corações, receosos de não conseguirem mais se apaixonar depois de conhecer o Atacama. Mas Tacna é leve, florida, descompromissada, como que se viesse só para provar que é possível amar depois de amar. 
      O sotaque, de tanta timidez, torna o espanhol mais difícil aos ouvidos. Os bancos das praças possuem tetos de flores para fazer sombra. Na Plaza de Armas - nome de todas as praças principais de todas as cidades do Peru - há fotógrafos velhinhos andando sob o sol, sorrindo e sugerindo um retrato para a posteridade, como um pedaço de tempo congelado entre as flores coloridas, as palmeiras altíssimas, a fonte imponente, o arco marcante da cidade e, sempre, a igreja. 
      As lojas são todas setorizadas, de forma que os supostos concorrentes são colegas vizinhos, e você jamais vai conseguir tirar uma xerox se estiver próximo dos açougues ou dos consultórios ortodônticos, uma pequena obsessão tacniana. Por toda a rua principal, há galerias como camelódromos, com cabines de câmbio, tabacaria, lojas de joça e manicures enfileiradas em carteiras escolares oferecendo seus serviços. 
      Em Tacna você vira a esquina e se depara com uma padaria a céu aberto no meio da rua! Carrinhos de pães perfumam o entardecer e nos transportam para uma imaginada infância peruana. Foi ali que também comemos o melhor hambúrguer de cordeiro da nossa vida. No "Cara Negra", uma sanduicheria especializada em cordeiro, que eles criam lá mesmo no sítio atrás do bar. É descolado e tem drinks deliciosos. Faz valer a visita na cidade.
      Por todos os lugares que passamos, sempre procuramos pelo Mercado Central, que é onde encontra-se a essência do local. O Mercado Central de Tacna é imperdível. Tem de tudo. Especiarias, ervas, carnes, queijos, farinhas, biscoitos, frutas, verduras, doces, produtos de limpeza e muitas, muitas casas de sucos. Na "Juguería Sra Rosita", uma simpática senhora de sorriso frouxo e vontade de conversar, tomamos maravilhosos sucos de melão e de morango, muitíssimo bem servidos, de ficar na memória. Conhecemos também Miguel, dono de uma barraca de remédios de plantas medicinais, que sabia a erva ideal para absolutamente todo tipo de enfermidade.
      Ao caminharmos de volta para o hotel, bem encantadas com a surpresa de Tacna, uma vendedora nos parou para oferecer azeite. Ao agradecermos e sorrirmos, ela trocou a oferta para um branqueador dental. Talvez por marketing, ou pela já citada fixação por dentes perfeitos dos habitantes da li. Tomara. 
      Por fim, antes de partirmos, passamos por uma casa roxa, um centro de, como dizia a placa, "Magia y Diversión". Sem isso, qual seria mesmo o sentido de tudo? Com a delicadeza dessa mensagem tão sutil e necessária, seguimos nossa viagem em direção a Arequipa.
       







       
       
      - Onde ficamos:
      Ficamos no Nice Inn Tacna, no centro da cidade, com atendimento muito cordial. As pessoas são super simpáticas, o quarto era confortável, chuveiro quente e café da manhã bem simples. 
      Nice Inn Tacna - Av Hipólito Unanue 147, Tacna 23001, Peru / Telefone: +51 52 280152 / booking.com/hotel/pe/nice-inn-tacna.es.html - Onde comemos:
      Cara Negra - Cnel. Bustios 298 / Telefone: +51 952 657 540 / @caranegraoficialtacna / facebook.com/caranegraranchosanantonio/ - Onde fomos:
      Mercado Central de Tacna - Calle Francisco Cornejo Cuadra 809, Tacna 23003, Peru Plaza de Armas - Paseo Cívico de Tacna, Tacna 23001, Peru  
       Seguimos para Arequipa, Cuzco, Ollantaytambo, Aguas Calientes, Machu Picchu e Lima, que detalharemos em post separados. 
      https://www.instagram.com/trip_se_/
    • Por Albatti
      Nossa viagem teve início em julho de 2019 e terminou 41 dias depois, em agosto de 2019.
      Viajamos, eu e minha esposa, de forma relativamente barata, ficando em hostels, AirBnB e pequenos hotéis. A maior parte dos trajetos fizemos de ônibus, mas alguns trechos optamos por voos baratos, o que ajudou a cumprir o extenso roteiro que fizemos. Inclusive a ida de São Paulo a Jujuy compramos as passagens de ida e volta com milhas aéreas numa promoção da Gol com a aerolineas argentinas. O lado ruim do passeio foi que acabou "rápido". Apesar de ser nossas mais longas férias, por incrível que pareça ficou a sensação de que "passou rápido".
      Vou sintetizar o que fizemos de forma a dar uma ideia de cada local. Se alguém quiser alguma informação que possa ajudar no planejamento de viagem, é só entrar em contato.
      . São Paulo - Jujuy - o voo foi tranquilo e, inclusive, pudemos ver o eclipse parcial do sol. Fizemos escala em Buenos Aires, assistimos ao jogo entre Brasil e Argentina no porto Madero e, no dia seguinte logo cedo, partimos para Jujuy;
      . Jujuy - Quebrada de Humahuaca - chegamos no aeroporto e dividimos um taxi até o terminal de ônibus. De lá tomamos um ônibus pra Purmamarca, onde ficamos hospedados por duas noites no excelente La Valentina Hostal (R$ 125 o casal). Conhecemos o Cerro de los Siete Colores, caminhamos pelo paseo de los colorados, ficamos à toa no pequeno, belo e tranquilo vilarejo. Também fomos a cidade de Tilcara e as ruínas de Pucará de Tilcara (recomendo muito fazer o passeio com o guia local incluído no valor da entrada). Por fim, conhecemos Humahuaca e as Serranias del Hornocal. O NOA (Noroeste Argentino) tem paisagens maravilhosas e grandiosas. Aliás, o que não faltou nessa viagem foram grandes paisagens, daquelas onde o horizonte parece bem distante. Nossa intenção era conhecer Salta e Cafayate na volta, pois, em 38 dias nosso voo sairia da mesma Jujuy. No fim das contas, Salta e Cafayate ficaram para outra viagem, pois ficamos mais tempo em alguns lugares e voltamos a Jujuy no mesmo dia em que nosso voo retornaria ao Brasil.

      . Purmamarca - San Pedro de Atacama - tomamos o ônibus da empresa Andesmar as 03:40 hs da madrugada, na entrada de Purmamarca (atrasou meia hora, o que fez a gente pensar que seríamos deixados pra trás,,, mas não hehe, ainda bem). A viagem foi tranquila e cruzamos a fronteira com o Chile no Paso de Jama. O ônibus chegou antes e ficamos cerca de 1 hora esperando para fazer os trâmites de entrada. Mas foi bem tranquilo e logo estávamos descendo em direção a San Pedro. Esse trecho da viagem é fantástico. Chegamos as 11hs da manhã. Ficamos 4 noites nessa pequena cidade de adobe, num AirBnB que não recomendo (La Estancia - R$ 150 o casal), pois era um pouco afastado do centro e faltou água quente. Na verdade, nos receberam na chegada e depois nunca mais apareceram (no último dia deixamos as chaves com um bilhete e fomos embora).

      . San Pedro de Atacama - já havia estado na cidade algumas vezes. Local bem legal, com aquele clima gostoso de aventura. Fizemos vários passeios maravilhosos: Laguna Cejar, Lagunas Altiplânicas, Salar de Atacama, Geisers del Tatio, Valle de la Luna, Tour astronômico, mas o que mais gostamos foi o passeio de bike pela Garganta del Diablo. Fizemos uma breve pesquisa e contratamos tudo lá mesmo,,, Alugamos duas bikes, compramos águas e empanadas e partimos em direção a Pukará de Quitor. Pagamos a entrada na estradinha que leva a garganta del diablo, ouvimos as explicações do que havia no local e fizemos a volta completa pela garganta até a igreja de San Isidro. Passeio gostoso e bem divertido. Depois voltamos pela estradinha até Pukara de Quitor. Subimos até o ponto mais alto com uma vista incrível do pôr do sol. O tour astronômico também foi sensacional. Valeu a pena. Uma dica é comprar empanadas, pois são gigantes e muito gostosas (e baratas). O melhor de San Pedro foi ter conhecido uma bonita família da Alemanha na gélida laguna Cejar,,, as amizades improváveis que surgem nessas viagens são um verdadeiro tesouro. 


       



      . San Pedro - Arica - Tacna - Lima - esse foi um dia lonnnngo, mas, ao mesmo tempo, tranquilo. Saímos as 22 horas de San Pedro e chegamos as 06:00 hs da manhã em Arica. Queríamos conhecer as cuevas de Anzota, mas o receio de demorar na imigração e perder o voo fez com que deixássemos pra outra vez. De lá, tomamos um taxi compartilhado de uma espécie de empresa que fica ao lado do terminal de ônibus e cruzamos a fronteira com o Peru (desde que tomamos o taxi em Arica, mais os trâmites de fronteira e a chegada na rodoviária de Tacna levamos cerca de 1 hora no total). Tinha uma baita fila na imigração, mas andou rápido. Era nossa terceira fronteira. Chegamos em Tacna, tomamos um café da manhã próximo ao terminal de ônibus, trocamos algum dinheiro e fomos pro aeroporto. Lá ficamos algumas horas esperando até a partida para Lima. O voo foi pela Viva Air Peru, custou 65 dólares por pessoa (com as bagagens incluídas). Pela distância enorme entre as duas cidades achamos o valor bastante bom. Saímos pontualmente as 14:45 hs e chegamos as 16:30hs no aeroporto de Lima. De lá fomos pro bairro Miraflores, onde havíamos reservado o AirBnB da Diana. Vou comentar aqui porque foi o melhor AirBnB da viagem: um quarto enorme, com banheiro, tv a cabo, wifi e etc. A localização é excelente (Calle Porta 264 en Miraflores - R$ 98 o casal) e a Diana gente finíssima. Muito amável e prestativa. Acabei deixando pra avaliar ela depois da viagem e descobri que não podia porque o AirBnB dá o prazo de 15 dias pra avaliações. Daí resolvemos deixar a dica aqui, pra quem for a Lima.
      . Lima - foram 2 noites em Lima, adoramos o bairro de Miraflores. A cidade está sobre uma espécie de falésia, sendo que se vê a praia lá do alto. É uma região bem bonita com área pra caminhada, recreação e belos jardins, acompanhados da vista do mar, que fica uns 65 metros abaixo. Essa região é conhecida como Malecón. Fizemos diversas vezes a caminhada desde o shopping Larcomar até o farol e também nas imediações da Praça Kennedy. Em um dos dias acordamos cedo e saímos em direção ao centro histórico e catacumbas do convento de São Francisco, as quais recomendo como um passeio "diferente". A noite fomos até o Parque la Reserva (também conhecido como parque das águas - uma curiosidade é que choveu um pouco neste dia, coisa rara em Lima). Um passeio bem legal e que gostamos bastante. O parque é meio afastado e tomamos um taxi. Na volta tivemos que pechinchar porque os valores variavam muito e já era tarde. Queríamos muito conhecer o museu de arqueologia, mas estava em reforma por 2 anos. Desta forma, fomos ao Museu Larco. Pra quem curte arqueologia esse é um museu imperdível, pois além de estar em uma propriedade linda, o acervo é incrível. Vale a pena o passeio guiado, pois é barato e nos deu informações bem legais. O restaurante do museu também vale a pena (não é barato, mas também não é um valor abusivo). Além deste museu conhecemos o Museu de Arte de Lima, o sítio arqueológico de Huaca Pucllana e o bairro Barranco. Lima foi uma grata surpresa, em especial o museu Larco, a comida muito boa (lomo saltado, papa a la huacachina, frutos do mar, etc...), e a beleza do Malecón. Depois de dias muitos bons partimos em direção ao terminal de ônibus da empresa Oltursa, em direção a Huaraz.



      . Huaraz - a cidade mudou bastante desde a última vez (em 2003) que estive lá. Ficou um pouco mais feia e bem maior do que era. Chegamos e fomos pra um AirBnB que havíamos reservado (El Alamo Amuk - R$ 55 o casal). O local era razoável, um quarto enorme com banheiro dentro, porém um pouco inferior as fotos que vimos. O problema foi que ficamos 2 (dos 4 dias) sem água, devido a manutenção da prefeitura naquela rua (baita azar,,,, não foi culpa do local, mas mesmo assim não foi nada agradável... ). Havia combinado os possíveis passeios uns meses antes com a agência Scheler (whatsapp +51 943 397 706 - site: http://www.schelerhuayhuashtrek.com/) e nos demos bem. O cara (o Scheler) foi totalmente solícito, gente finíssima (ajudou em tudo), e os passeios ocorreram de forma excelente. Nos arrependemos de não ter ficado na pousada dele. Fizemos os seguintes passeios: Llanganuco (imperdível,, no caminho conhecemos outras cidadezinhas da região, inclusive a histórica cidade de Yungay - soterrada em segundos, por uma avalanche em 1970 - tomamos sorvetes típicos, doces de leite tradicionais da região e queijos), Glaciar Pastoruri (chega-se a cerca de 5050 metros de altitude - cansativo mas gostamos bastante), Sítio Arqueológico Chavín (quem gosta de arqueologia esse é o lugar - na pirâmide principal é possível entrar nas galerias subterrâneas,,, um local incrível). Tínhamos a intenção de ir até a laguna 69 e laguna Parón, mas o tempo não ajudou e ficará para uma próxima viagem. Uma dica é conhecer o excelente museu arqueológico de Ancash e tomar um suco de limão com ervas na creperia do Patrick (na avenida principal). Na noite do último dia fomos ao terminal da empresa Linea Bus, onde viajamos para a cidade de Trujillo.

           



      . Trujillo - chegamos na cidade umas 06:30hs da manhã. Tomamos um taxi até o hotel Strenua Las Quintanas (R$ 81 o casal). Excelente local (banheiro, frigobar, microondas, cafeteira, tv a cabo, café da manhã excelente no quarto e muita simpatia). Não fica tão próximo ao centro mas fizemos a pé o trajeto numa boa. O próprio hotel ofereceu o tour que fizemos. Visitamos as Huacas Esmeralda e Arco Íris, depois fomos a cidade de barro de Chan Chan (centro da cultura Chimú). O tour nos levou para almoçar na praia em Huanchaco. Poderíamos comer em qualquer restaurante. Escolhemos um com vista. Provamos o famoso ceviche da região. Tivemos ainda tempo de dar uma voltinha pela praia e caminhar até o pier. Depois o passeio seguiu em direção a Huaca de la Luna (cultura moche,,,, local imperdível). A noite curtimos a belíssima praça central de Trujillo. Uma cidade com um centro histórico bem preservado e multicolorido. No dia seguinte tomamos um tour para conhecer o complexo El Brujo. Depois de cerca de 1 hora chegamos ao complexo. Visitamos o sítio arqueológico e depois o museu. Pela forma como foram encontrados seus restos mortais, a Dama de Cao foi alguém muito importante,,, provavelmente uma governante. A huaca (como eles chamam os templos) é impressionante. O interessante é observar que se pode ver dezenas dessas huacas pelas redondezas. Há centenas delas na região. Foram culturas muito organizadas e poderosas, que persistiram por séculos. A quantidade de objetos de arte, inclusive feitos de ouro, é muito grande. Uma curiosidade é que em quase todos os sítios arqueológicos da região é possível ver o Viringo (o cachorro sem pelos que era comum na época das antigas culturas da região). Após visitar o museu voltamos pra Trujillo, descansamos e tomamos um ônibus para Chiclayo (3:30 hs de viagem). Nos sentimos os "indianas jones" nessa viagem.






      . Chiclayo e Lambayeque - Chiclayo é uma cidade enorme,,, achamos Trujillo bem mais bonita. Nos alojamos no Hostal Satélite (55 reais o casal). É um alojamento bemmmm simples e fica numa avenida afastada do centro. A dona é muito simpática e o "coronel" (o cachorrinho super amável) deu as boas vindas. Mas o local é muito simples mesmo. Contratamos um tour que nos levou para Huaca Rajada, onde visitamos o sítio arqueológico (onde foi encontrada a tumba do Sr. de Sipán), bem como o pequeno mas interessante museu local. Foi um passeio que valeu a pena. Logo depois o tour seguiu para a vizinha Lambayeque. Primeiro paramos para um almoço e compra de um doce típico local (o alfajor King Kong,,,, não curtimos o doce não hehe). Fomos para o museu arqueológico Bruning e, logo depois, a cereja do bolo, o museu Tumbas Reales de Sipán. Sensacional !!! (pena que não permite fotos internas). Faltou conhecer o "estranho" parque Yortuque, um local com estátuas bem loucas,,, e a cidade praiana vizinha de Pimentel (precisaria ficar cerca de 3 dias para conhecer com calma o local). Uma dica pra comer são os cafés/restaurantes que ficam na praça da catedral de Santa Maria (praça chamada parque principal). Bom preço e comida excelente. A noite tomamos um mega super ultra confortável ônibus da empresa Movil em direção a cidade de Chachapoyas.




      . Chachapoyas - está aí uma região com muito a oferecer. Chegamos logo cedo na pequena e bela cidade,,, um ar de interior com um centro bem preservado e com casas em tom marrom e bege. Nossa hospedagem foi em um AirBnB na Jirón Junin, n° 731 (R$ 89 reais o casal) . Gostamos do local, um quarto separado (com banheiro e tv) na casa da Sra. Ritha. Muito simpática e receptiva. Há poucas quadras do centro e de frente para uma pizzaria familiar muito boa. Ficamos 4 dias na região e contratamos alguns passeios na praça principal. Conhecemos os seguintes lugares:
       -> Kuélap - imperdível,,, partimos na van em direção ao povoado de Nuevo Tingo. Pra chegar na cidade murada dos Chachapoyas, a mais de 3.000 metros de altitude, tomamos um teleférico que por si só é uma atração (são 4 km percorridos em cerca de 20 minutos). A cidade é toda murada, possui apenas três entradas e tem construções circulares. Foi um passeio excelente, apenas o guia era meia boca,,, um cara muito ruinzinho (no passeio seguinte trocamos de agência e o outro guia foi muito bom). Neste local também fizemos amizade com um casal de viajantes da Austrália. No caminho para Kuélap estão as ruínas de Macro, as quais é possível acessar passando por uma espécie de gôndola com cabos de aço para cruzar o rio. Não conseguimos ir pela falta de tempo, mas pareceu interessante.




        -> Catarata Gocta - fizemos por conta própria. Tomamos uma van - transporte público - até um ponto na estrada onde há tuc-tucs. Um deles nos levou 5 km acima até Cocachimba, o vilarejo onde tem início a trilha para a parte baixa da catarata. Ficamos fãs dos tuc-tucs,,, são baratos e estão por todos os lados. Compramos as entradas e partimos pela trilha (6 km em cerca de 2:45hs). A trilha é tranquila, bem marcada e não necessita guia. É mais tranquilo (fisicamente) ir do que voltar . Chegamos na frente da catarata (na verdade são duas quedas somando 771 metros). É claro que entrei na água gelada,,,, nadei até o outro lado do laguinho e fiquei curtindo a paisagem por um tempo (não vimos ninguém mais se aventurar a nadar ali). Uma sensação incrível de leveza. É um passeio muito bonito e agradável. Na volta, quase no final da trilha, havia uma casinha onde o morador local vendia café (que ele mesmo cultivava), variedades de cachaça (produzidas por ele) e a bebida chamada "arapa" (ou algo assim,,, derivada do bagaço de cana e muito apreciada localmente por ser barata e ter algo de álcool). Pra adoçar eles usam a "panela", um adoçante que acho que é rapadura moída. Ainda almoçamos em Cocachimba e voltamos a Chachapoyas via tuc-tuc + van na estrada.



       -> Pueblo de los muertos - caminhamos até a rodoviária da cidade e tomamos uma van em direção a cidade de Lamud. Passamos por Luya e poucos quilômetros depois descemos na praça principal de Lamud (creio que 1:30hs de viagem). Perguntando aqui e ali nos indicaram um local próximo (1 quadra e meia descendo a praça). Trata-se um pequeno galpão com algumas múmias e artefatos arqueológicos repleto de botas de plástico (estilo galochas) e roupas para quem vai explorar a Caverna Quiocta. Uma moça nos recebeu e deu informações sobre o "pueblo de los muertos", disse que era domingo e que estava sem as chaves do sítio arqueológico. Pediu para esperarmos um pouco e se foi. Ficamos ali observando os folders colocados nas paredes e vimos que há muitos lugares para explorar a partir de Lamud. Havia opções para a Caverna Quiocta, para os Sarcófagos Karajia e para outros locais com sarcófagos menos conhecidos. Depois de um tempo ela nos cobrou dois tíquetes (um valor simbólico) e deu as chaves pra gente. Perguntamos como podíamos fazer para chegar lá. Ela ficou surpresa e perguntou se não estávamos de carro. Dissemos que não,,,,, daí ela indicou os tuc-tucs da esquina. Combinamos o preço com o motorista e ele nos levou. São cerca de 9 km até o início da trilha. Haja bunda,,,,  Começamos a descer até a encosta onde fica o local onde ficavam depositadas as urnas funerárias. A trilha é uma descidona boa,,, mas em uns 40 minutos estávamos no portão de entrada. Abrimos com as chaves que a moça nos deu e ficamos ali por cerca de 1 hora. No caminho é possível ver, bem ao longe, a catarata Gocta. O local é impressionante, com vistas alucinantes do penhasco e um tanto quanto perigoso quanto à quedas. Tem que ir com muito cuidado e não abusar. Ainda há alguns sarcófagos inacessíveis que se vê na encosta, mas as "casinhas" onde ficavam a maioria deles estavam vazias e semi destruídas. Com certeza caçadores de tesouros retiraram quase tudo dali. O fato de estarmos sós neste lugar foi algo diferente. Fechamos o portão com as chaves e retornamos pela trilha morro acima. O tuc-tuc estava lá esperando e nos levou de volta a Lamud. O local onde pagamos os tickets estava fechado, assim que (conforme combinado), deixamos as chaves na farmácia chamada "Botica Sanchez". Almoçamos e retornamos de van para Chachapoyas, felizes e cansados.
       






        -> Revash e Museu de Leymebamba - saímos num tour em direção a pequena vila de San Bartolo. Depois de umas 2 horas chegamos na pracinha de onde sai a tranquila caminhada (uma meia hora) até os mausoléus de Revash. Impressionante as casinhas pintadas de vermelho e branco. Muito bem conservadas. Na região há diversas delas, mas essas são as mais acessíveis. Dá pra chegar bem pertinho mesmo. Tiramos algumas fotos, curtimos a paisagem e retornamos à van. Logo em seguida seguimos para a cidadezinha de Leymebamba, onde almoçamos e fomos ao interessantíssimo museu (que fica meio afastado do povoado). Um museu muito bem organizado com um acervo único: mais de 200 múmias e objetos encontrados nas encostas da laguna de los condores (3 dias o passeio até o local - não fizemos), além de explicação da cultura Chachapoyas, maquetes, animais mumificados, instrumento feito de concha marinha chamado "pututu" (inclusive se pode soprar para escutar o som), etc. O bom é que se pode tirar fotos sem restrições. Logo após a rica visita guiada regressamos para Chachapoyas. Foi um grande dia !




      O potencial turístico da região é muito grande,,, não conhecemos vários lugares: cânion de Sonche, ruínas de Macro, sarcófagos de Karajía, caverna Quiocta, trekking gran Vilaya, etc). Além disso, cada ano se descobrem novos sítios arqueológicos. Há passeios mais "nervosos" como o trekking até a laguna de los condores (3 dias no total) e o "nervosíssimo" e absolutamente incrível Gran Pajatén. Recomendamos muito o norte do Peru, repleto de belezas naturais, sítios arqueológicos, museus, boa comida, etc. Os preços são mais baratos que a região de Cusco e há poucos turistas e muito o que ver. Como curiosidade, não encontramos brasileiros em Huaraz, Trujillo, Chiclayo e Chachapoyas. Também não deu pra conhecer a região de Cajamarca e as praias do norte do país... quem sabe um dia...
      Na madrugada, seguimos viagem numa van turística em direção ao aeroporto da cidade de Jaén, a 220 km (umas 4 horas), onde saiu nosso voo para Cusco (com escala em Lima).
      Pequeno aeroporto em Jaen:

      De dentro do Tuc-Tuc próximo ao aeroporto de Lima (demos uma voltinha até chegar a hora do voo para Cusco):
      . Cusco - chegamos mais uma vez na espetacular cidade de Cusco. Vendo as pedras que formam a base das construções não há como não tentar imaginar como era a cidade no auge do império Inca. Chegamos no aeroporto e já negociamos um taxi até o lúdico e pitoresco Hostal Royal Frankenstein (R$ 75 o casal), do alemão Ludwig, uma cara gente boa e muito bem humorado que dá todas as dicas que precisar. O hostal é simples, limpo e com excelente localização (em cada canto tem algo inusitado). Recomendamos ! Como em outras viagens já havíamos conhecido Machu Picchu, o Vale Sagrado dos Incas e uma boa parte de lugares da região, nos concentramos onde ainda não havíamos estado. Curtimos a cidade em si,,, caminhamos sem rumo pelas ruas, almoçamos um almoço bem fraquinho no mercado municipal, assistimos a uma apresentação de dança folclórica e deitamos no gramado em frente a Qoricancha (centro religioso Inca). No dia seguinte tomamos um tour para o sítio arqueológico de Moray (enormes círculos em terraços, com vários níveis, que devem ter servido de adaptação para cultivo de milho e batatas). Um local muito bonito! Fizemos paradas em alguns lugares onde há apresentações de como os antigos tingiam os tecidos para fazer roupas e de como era a produção de cerâmica; venda de chocolates com sal de Maras; e etc. Finalizamos o dia nas salinas de Maras,,, outro local bastante peculiar. Valeu a pena conhecer. No dia seguinte fizemos uma caminhada da plaza de armas em direção a Saqsaywaman. Visitamos o sítio arqueológico e fomos ao nosso objetivo principal: brincar no escorregador natural de pedra, chamado "suchuna" (garantimos que a descida é veloz ). Depois caminhamos até o sítio arqueológico de Qenqo e regressamos a pé até Cusco. Fomos dormir cedo porque, conforme havíamos combinado com a guia Suzana, as 3 hs da madrugada sairíamos em direção a Waqrapukara, uma joia da região.
      Hostal Royal Frankenstein - Cusco:

      A tinta na mão da moça vem de um bichinho que fica num cactus da região:









      . Waqrapukara ("waqra": chifres; "pukara": fortaleza) - esse é um daqueles lugares únicos,,, uma rocha gigante na beira do cânion do rio Apurímac, com duas saliências (como se fossem orelhas ou chifres), com um platô plano no alto. Acredita-se que o local foi construído pela cultura Kana e que era usado como local cerimonial, posteriormente foi dominado pelos Incas que agregaram construções ao local e agregaram a função de fortaleza ao local. É como se fosse uma pequena Machu Picchu. As 4 hs da manhã a Suzana apareceu com o motorista (um primo dela) e saímos em direção a rota que passa por Sangarará. Paramos para tomar café da manhã em um vilarejo a beira da estrada. Depois, cruzamos uma lagoa muito grande e teve início uma estradinha de terra bem estreita e cheia de curva pela encosta (uns 9 km), até que a única forma de seguir era a pé. O carro nos deixou ao lado de uma pequena lagoa de águas escuras onde havia uma casinha de um criador de ovelhas e alpacas. De lá subimos pela trilha na lateral direita da lagoa e logo tomamos uma parte mais plana e alta. A trilha é super bem marcada e tranquila, mas a falta de fôlego nos fez lembrar que estávamos a 4.500 metros de altitude. Depois de um tempo começamos a descer suavemente e, umas 2 hs depois, chegamos a Waqrapukara (cerca de 8 km de trilha). O céu estava muito azul,,, um dia maravilhoso. O local é impressionante, repleto de escadarias de pedra e construções. Não pagamos nada para entrar, apenas anotamos os nomes no livro do guarda parque. Ficamos um tempo por lá e a Suzana realizou uma espécie de agradecimento a Pacha Mama. Havia apenas alguns gatos pingados por lá. Pouquíssima gente. Depois de um tempo começamos a regressar. A volta é uma subida suave, mas que cobra seu preço. Levamos um pouco mais de 3 horas para chegar ao carro, com direito a várias paradas para beber água. Regressamos a Cusco cansados e muito felizes. Obs.: há outras rotas para conhecer Waqrapukara: pelo vilarejo de Huayqui (penso que essa deva ser a rota mais bonita, pois segue a encosta do cânion - também acredito que deva ser a mais fácil de se fazer por conta própria, pois há transporte de Cusco até Acomayo, e de lá até Huayqui), e por Santa Lucía.




      . Yauri/Espinar - saímos cedo do hostal Frankenstein e um taxi nos deixou num terminal de ônibus na rua Huayruru Pata (terminal Sicuani - empresa Coliseo), de onde saem coletivos para Sicuani. Depois de uns 140 km e 2 horas e pouco de viagem, fomos deixados na garagem da empresa (Av. Cesar Alvarez). Perguntamos e, próximo dali, saíam os ônibus para Yauri. Mais 70 km e quase 2 horinhas e chegamos na cidade (que é bem grandinha). Tomamos nosso tradicional tuc-tuc e descemos na praça principal, onde lemos que haviam vários pequenos hotéis. Ficamos no excelente e frio Real Apart Hotel (R$ 60 reais o casal). Foi uma positiva surpresa, por isso recomendamos. Na manhã seguinte um tuc-tuc nos deixou onde saíam os ônibus para os Três Cañones de Suykutambo. É preciso chegar antes das 8 hs, pois só há um único ônibus no dia, saindo cedo e regressando de tardezinha. Quase não conseguimos um lugar. Em pouco tempo havia muita gente do campo (com muitas crianças pequenas) e ônibus saiu mega lotado, com gente em cima uns dos outros (literalmente). Depois de uns 30 km descemos numa parada que fica bem no encontro dos três cânions. O motorista advertiu para não perdermos o horário da volta, que seria as 15:30hs. Descrevo o local como surpreendente, com sítios arqueológicos da cultura Cana e paisagens absurdamente belas. Cruzamos o rio Apurímac (um rio maravilhoso) e pegamos uma trilha até o alto de um dos paredões. A subida é boa (vale lembrar toda a região está acima dos 4.000 metros,,, ufaaa!). Tiramos umas fotos e apreciamos a vista. Depois retornamos por um caminho que tem inicio próximo da parada do ônibus e que nos levou até um sítio arqueológico chamado T'aqrachullo (ou Maria Fortaleza). O local é turístico e tem indicações. Subimos até o alto de outro paredão onde a vista dos três canions é fantástica (essas subidas são de cerca de 100 metros de desnível). Lá no alto tem muitas ruínas do sítio arqueológico, com construções circulares (típicas da cultura Cana). Descemos pelo mesmo caminho e seguimos as indicações até outras ruínas fantásticas (de onde já se pode observar a presença da arquitetura Inca). Depois retornamos a estrada e fomos caminhando (7 km) até as ruínas de Mauk'allaqta. Cruzamos novamente o rio por uma ponte de metal antiga e pegamos a trilha até o sítio arqueológico. Este era ainda mais incrível que os demais, com dezenas e dezenas de construções circulares, inclusive uma "chulpa" (urna funerária) com a cúpula de pedra. Ficamos um tempo aí e voltamos a estrada para esperar o ônibus que nos levaria de volta a Yauri. Por sorte, um casal muito gente boa (de Arequipa) estava passando de caminhonete e ofereceu carona. Era um casal que havíamos visto no início do dia próximo aos três cânions. Voltamos e nos deixaram na praça onde ficava nosso hotel. Quando descemos do carro vimos que eles também estavam hospedados no mesmo local. Coincidência boa. Depois jantamos juntos num restaurante típico local e acabamos por fazer amizade com eles. No dia seguinte pegamos o ônibus de volta a Sicuani e, de lá, uma van até Puno, onde dormimos uma noite e depois seguimos viagem até La Paz, via desaguadero. Não deu tempo de conhecer K'anamarka e outras atrações da região (termas, vilarejos e etc). São necessários pelo menos 2 dias livres (sem contar a chegada e a saída) para conhecer bem o local.










      . La Paz - chegamos em La Paz pela manhã, a viagem e a passagem pela fronteira foram tranquilas pra gente, porém não podemos deixar de registrar que algumas pessoas levavam chocolates (comprados em Cusco) e (absurdamente a nosso ver) ficaram retidos. Bem,,, da rodoviária seguimos a pé em direção ao Loki Boutique La Paz (R$ 112 o quarto de casal - um pouco acima do que vínhamos pagando em hospedagem até então). O quarto e o banheiro são excelentes. O único probleminha é que, durante a noite, ouvíamos ratos dentro das paredes do antigo casarão (mais especificamente numa das tomadas do quarto). Gravei e mostrei para a administração do hostal, mas não tinham outro quarto,,, assim que ficamos ali mesmo. Muito estranho dormir com os ratos fazendo ruídos a noite toda. Já estivemos muitas vezes em La Paz, uma cidade única,,, ainda mais agora, com o sistema de teleféricos cruzando a cidade de cima a baixo. É uma mescla de caos urbano com um ar de aventura. Muitos mochileiros de todo o mundo cruzando as ruas agitadas e, ao fundo, a paisagem maravilhosa do nevado Illimani. Nosso objetivo inicial era descansar na cidade e fazer alguma trekking/montanhismo. Desistimos do Sajama pelo alto custo que implicaria e acabamos não indo desta vez ao Parque Condoriri, onde pretendíamos conseguir algum transporte até a trilha que leva ao Pico Áustria (um mirante maravilhoso). Acabou que aproveitamos pra curtir a cidade em si e descansar uns dias. Andamos muito a pé e de teleférico. Visitamos: Calle Jaén (artesanatos), Mirador Killi Killi, Parque Urbano Central, Mirador Laikakota (o escorregador de cimento liso vale muito a pena), Zona Sul da cidade, inclusive fomos ao Valle de la Luna. Na volta paramos em outro escorregador (altíssimo) de cimento. Ficamos ali brincando por um tempo até retornar ao centro da cidade de teleférico. Um lugar bem legal é o café chamado Kuchen Stube (rua Rosendo Gutierrez - próximo a praça Eduardo Avaroa). Nos dias em que ficamos em La Paz houve desfiles por toda a cidade. Foi muito legal ver o pessoal ensaiando nas praças à noite e desfilando nos dias seguintes. Teve até uma espécie de desfile de carnaval (um megaevento da cidade). Fomos convidados pelo Juan, pela Miroslávia e por seu filho Nils (amigos de longa data e donos da agência de turismo http://hikingbolivia.com/ - aproveito para indicar a agência pela competência e honestidade deles) para um jantar e depois para participar de uma cerimônia tradicional local para pedir um ano bom a Pacha Mama. A cerimônia foi bastante diferente de tudo que havia participado. Um momento interessantíssimo da viagem e expressão da cultura local. Na noite seguinte viajaríamos de ônibus até Cochabamba, entretanto, conseguimos um voo pela BOA (https://www.boa.bo/) por incríveis 99 reais. Partimos logo cedo para Cochabamba.









      . Torotoro - chegando no aeroporto de Cochabamba tomamos um taxi até a Av. República, onde saem as vans para Torotoro. Esperamos uns 40 minutos até lotar e saímos. Foram 137 km em cerca de 3:40hs (35 bolivianos por pessoa - uns 19 reais). Estão construindo uma rodovia nova entre Sucre e Cochabamba, mas quando fomos a estrada estava bem judiada. Antes de chegar, há vários zigue zags na estrada. Torotoro é mais uma pequena vila que uma cidade,,, tem muitos hostals, duas pizzarias e poucos restaurantes. Está a 2.700 metros de altitude. Ficamos no Hostal Torotoro (R$ 75 o casal), onde há uma entrada imitando caverna e quartos razoáveis, entretanto é bem mal administrado por duas adolescentes. Para ter água quente era necessário pedir e esperar. A pequena vila é base para passeios incríveis. Tem uma pracinha e vários edifícios com réplicas de dinossauros. Para fazer os passeios é necessário contratar um guia da cooperativa de moradores da região. Pessoas super bem treinadas e educadas. Gostamos muito da organização. O primeiro a fazer é passar no escritório de registro do Parque Nacional Tororo. A entrada custa 100 bolivianos (uns 60 reais) e vale por 4 dias. Cada tour tem um custo adicional e pode ser dividido em até 6 pessoas. Chegamos no local onde saem os guias e já montamos um grupo com 6 pessoas para conhecer o El Verguel + Cânion de Torotoro. O valor foi cerca de 160 bolivianos, que dividimos em 6. Fizemos o trajeto a pé mesmo, pois achamos mais interessante (cerca de 10 km ida e volta, contando a entrada no cânion). O guia era muito gente boa. Logo na saída da cidade há uma encosta com incríveis pegadas de dinossauros de vários tipos. Depois seguimos por uma estradinha de pedras até chegar a uma trilha que segue por uma espécie de leito seco de um rio. Neste caminho há formações rochosas bem legais e pegadas de vários períodos (Triássico, Jurássico e Cretácio) de 4 famílias de dinossauros (Anquilossáurios - quadrúpedes herbívoros; Terópodos - carnívoros; Ornitópodos - herbívoros de quatro patas que também caminham em duas; Saurópodos - os de pescoços longos). Algumas são do tamanho de uma pessoa. Chegamos num mirante de metal, de onde se vê o cânion de cima. Um lugar único! Depois de um tempo ali iniciamos a descida até o rio Verguel,,, cerca de 850 degraus de pedra. Seguimos por dentro do cânion até chegar num laguinho de água bem fria. Do outro lado uma cachoeira que o guia jurava que era de água morna. Fomos os únicos que arriscamos ir. E não é que o guia não mentiu. Uma água cristalina e morninha. O duro foi voltar pela água gelada do laguinho hehe. Regressamos lentamente, subindo os degraus e fazendo a trilha de volta até a cidade. Um dia espetacular!  Na manhã seguinte formamos um grupo com dois casais de espanhóis e o mesmo guia do dia anterior. Pagamos cerca de 600 bolivianos (100 para cada pessoa) e saímos num carro em direção a Ciudad de Itas + Caverna Umajalanta. O primeiro destino foi a Ciudad de Itas (uns 20 km de Torotoro e 1.000 metros mais alto). É uma trilha bem tranquila, passando por formações rochosas que lembram vários animais. Há inúmeras grutas e passagens entre as rochas, formadas pela erosão das chuvas. Algumas formam galerias enormes. Uma curiosidade é que foram encontrados artefatos da cultura Guarani na região ("Ita" = pedra em Guarani). Disseram que é o local mais alto (cerca de 3.700 metros) com registro dos Guaranis. Também passamos por pinturas rupestres. Foram cerca de 4 km (ida e volta). A próxima parada foi o almoço num local com uma vista sensacional. O almoço (pago a parte do passeio) foi excelente. Seguimos para o local onde fica a caverna de Umajalanta. O carro nos deixou a 1 km da boca da caverna e seguimos por uma trilha bem gostosa de se fazer e com pegadas de dinossauros pelo caminho. Antes de entrar há uma parada para colocar os capacetes com lanternas e deixar as mochilas. A caverna é magnífica e um tanto quanto "aventureira". Descemos diversas vezes em cordas com nós,,, cruzamos passagens muito estreitas e nos arrastamos entre o teto e o chão. No final há um laguinho com peixinhos sem olhos (típicos de cavernas). Outro dia incrível para não esquecer...      Regressamos a Torotoro e saímos pra comer uma pizza. Uma dica: Torotoro está entre Cochabamba e Sucre e há possibilidade de "transfer" de Torotoro para Sucre. São 6 horas de viagem de carro e só não usamos porque já havíamos comprado as passagens aéreas. Os espanhóis conseguiram fechar um carro e partiram até Sucre. No dia seguinte nós tivemos que regressar, numa épica e muito empoeirada viagem de van, a Cochabamba, pois de lá tomamos um desses voos econômicos para Sucre. Por conta de um tiozinho (muito sem noção) que atrasou a van em quase 1 hora, chegamos no aeroporto cerca de 20 minutos antes da saída do voo. Foi um desespero, pois despachamos as bagagens e embarcamos de forma imediata, mas deu tudo certo.




















      Torotoro vista no voo Cochabamba a Sucre:

      . Sucre - chegamos ao aeroporto e achamos tudo muito organizado. Pegamos uma van até o centro de Sucre por um valor muito bom (se fôssemos de táxi sairia umas 8 vezes mais). Caminhamos até o hostal La Casa Verde (R$ 150 reais o casal - foi a hospedagem mais cara de toda a viagem), bem localizado (poucas quadras da praça central) e com um excelente café da manhã. A cidade foi uma grata surpresa. O centro histórico é muito bonito, todo em estilo colonial e muito bem preservado, com muitas opções de restaurantes, cafés e lojas de chocolate e artesanato. Na praça, em frente a Catedral Metropolitana de Sucre, pegamos o ônibus do "Parque Cretácico" (horários: 9:30, 11:00, 12:00, 14:00 y 15:00 hs - de terça a domingo), uns 5 km de distância (15 minutinhos). A área pertence a fábrica de cimento "Fancesa" e, além do parque (que é interessantíssimo, muito educativo, com réplicas de dinossauros, museu e muita informação), também tem o sítio paleontológico chamado "Cal Orcko", um dos mais importantes já descobertos. Trata-se de um paredão (cerca de 110 metros de altura x 1500 metros de comprimento, inclinado em 73º), em camadas, onde estão expostas 5055 pegadas individuais de dinossauros de, pelo menos, 8 espécies. Há 462 trilhas de caminhada contínuas. Dá pra ver o paredão desde o parque (uns 300 metros de distância), mas fizemos o tour guiado (ocorre apenas das 12 as 13hs - horário de almoço da empresa de cimento), caminhando ao longo da parede. Foi sensacional ficar ali ao lado das pegadas,,, vale muito a pena!
      Planejamos conhecer Maragua, um local creca de 25 km de Sucre, com trekkings, pegadas de dinos (uma das maiores pegadas de carnívoros do mundo pode ser vista aí) e pinturas rupestres, mas pela falta de tempo deixamos para uma outra oportunidade.
      De noite, tomamos um ônibus da empresa "6 de octubre" na rodoviária de Sucre em direção à Villazón (cidade na fronteira Bolívia/Argentina), uns 420 Km de distância. Estávamos um pouquinho preocupados porque, na noite do dia seguinte, tínhamos um voo de Jujuy para Buenos Aires, e depois para o Brasil. Tinha muito chão ainda até chegar em Jujuy.









      . Villazón/La Quiaca - Jujuy - Brasil - depois de uma longa, porém tranquila viagem (cerca de 9 horas), chegamos na gélida rodoviária de Villazón (3.450 metros de altitude e -8ºC de temperatura). De lá tomamos um taxi até a fronteira (2,6 km dali) onde havia uma pequena fila,,, mas andou rápido. Ninguém revistou nada! Pegamos as mochilas e fomos caminhando 1km até a rodoviária de La Quiaca (já na Argentina). Esperamos um pouco até que achamos um ônibus para Jujuy (260 km em cerca de 5 horas). Acabou que deu tudo certo, pois tínhamos toda a tarde em Jujuy até a hora de nosso voo as 21:40hs. Deixamos as malas no novo terminal de ônibus de Jujuy e fomos até o centro pro tempo passar. Aproveitamos para almoçar, tomar um café num shopping, caminhar um pouco pelas ruas próximas e o principal: comprar algumas garrafas de vinho no supermercado! Voltamos para o terminal e esperamos passar um ônibus que nos deixaria no aeroporto.
      O mais engraçado é que, depois de fazer o check-in do voo, ouvi nossos nomes sendo anunciados no aeroporto. Fomos até o balcão da empresa e, para nossa grata surpresa, o voo estava lotado e nos mudaram para a 1ª classe. Hahaha,,, tá certo que era um avião pequeno e a 1ª classe não era algo assim fantástico, mas minhas pernas agradeceram o espaço cômodo até Buenos Aires. De lá pegamos o ônibus da empresa Tienda León (que faz o transfer gratuito de quem compra passagens da aerolineas argentinas) e fomos do aeroparque até o aeroporto de Ezeiza. Tomamos mais um chá de cadeira (umas 4 horas) e embarcamos as 06:40hs da manhã pro Brasil.


      Foi uma viagem épica , que na verdade foram muitas viagens em uma. Focamos em lugares menos conhecidos como Waqrapukara, Suykutambo, Parque Torotoro, Chachapoyas e o norte do Peru. Mas também vivenciamos grandes cidades como Cusco, Lima, La Paz, Huaraz, Trujillo, Chiclayo, Puno, Sucre e Jujuy. E ainda as pequenas e únicas Purmamarca, Tilcara, San Pedro de Atacama, Huanchaco, Lamud, Leymebamba, Yauri e Torotoro. Visitamos museus, sítios arqueológicos dos mais variados, desertos, cidades de antigas civilizações, montanhas, geleiras, mar e neve, águas termais, geisers, lagos de cor turquesa e cachoeiras,,, andamos de avião, ônibus, bicicleta, teleférico, carro, tuc-tuc,,, caminhamos trocentos quilômetros (ainda vamos fazer esta conta) entre cidades e trekkings em lugares maravilhosos e repletos de história e aventura,,, fomos do mar até 5.050 metros,,, comemos comidas típicas e deliciosas (viva o Peru),,, dormimos cinco noites dentro de ônibus, uma num aeroporto, muitas em pequenos e simples hotéis e até mesmo uma num hospital. Conhecemos muitas pessoas legais de muitas nacionalidades (chilenos, bolivianos, peruanos, argentinos, brasileiros, espanhóis, ingleses, alemães, australianos, e muitos outros),,, sendo que algumas boas amizades tiveram início. Celebramos a amizade com Juan, Miroslávia e Nils, participamos da cerimônia da Pacha Mama em La Paz e em Waqrapukara e desfrutamos da hospitalidade do maluco do Ludwig em Cusco. Por fim, brincamos muito, como deve ser, deslizamos em escorregadores de Saqsaywaman e em La Paz, nos perdemos de bicicleta na Garganta del Diablo, nadamos em lagoas geladas e, principalmente, compartilhamos um com o outro, juntos, pequenos e grandes momentos que ficarão eternizados em nossos corações. Infindáveis pequenos fragmentos de coisas boas,,, de cumplicidade,,, de entender um ao outro. O maior tesouro da viagem foi estar na melhor companhia.


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