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Marrocos-16 dias 31-10 a 15-11-2017

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Olá, pessoal que frequenta o site “Mochileiros.com”. Depois de muita enrolação, segue aqui o meu relato de uma viagem de 16 dias pelo Marrocos, a partir da Espanha, de 31 de outubro a 15 de novembro de 2017. Fez parte de uma viagem maior que começou em 30 de agosto e em que percorri Portugal, Suíça, Itália, Londres, Paris, Madri, e que finalizei com o Marrocos. Por sua vez, essa viagem “maior” fez parte de um 2017 semi-sabático e que me trouxe muuuita realização. As informações que obtive neste site nessa e em praticamente todas minhas viagens recentes sempre foram muito relevantes. Então, está aqui minha retribuição. Precisando, é só entrar em contato que tenho o maior prazer em ajudar a esclarecer qualquer dúvida. Vamos lá:

30-10: Da estação Sur de autobus de Madrid (bem próxima ao metrô Mendes Alvaro, uns dois minutos a pé) pra Tânger, no Marrocos (passagem comprada pela Internet da “InterBus” dois dias antes – três trechos, de ônibus entre Madrid/Algeciras, das 22:00 às 6:00, e depois, saindo literalmente ao lado de onde o ônibus anterior te deixa, para o trecho Algeciras/Tarifa, das 7:00 às 7:35 - e travessia do Estreito de Gibraltar, a partir das 8:00, tudo por uns € 65,00 – no detalhamento da passagem, só a travessia do estreito consome € 38,00). O trecho intermediário não estava explícito na passagem, o que me preocupou um pouco, mas deu tudo certo. Detalhe: é bom ficar de olho nesta passagem pra quem pretende fazer esse trecho de ônibus, pois, ao contrário do Brasil, não é tão comum se viajar de ônibus pela Europa, ou seja, as passagens podem se esgotar, a depender do trecho em questão. Então, é bom compra-la o quanto antes. Teria sido possível um preço melhor se tivesse comprado ainda antes, mas tinha dúvidas quanto a permanecer ou não mais dias na Espanha (acabei ficando um pouco mais do que o previsto, pois Madri mereceu, êta cidade incrível).

31-10: Uma dúvida que me consumiu nesta viagem foi quanto ao tempo necessário pra aduana, imaginava que poderia não ser suficiente. Mas, na verdade, a “aduana” Espanha-Marrocos é feita na própria embarcação e até que foi rápido. Me pareceu que a embarcação só parte depois que a aduana encerra seus trabalhos. Ou seja, sem estresse. Chegando a Tânger, consegui uma carona até a rodoviária ao ajudar uma senhora com suas malas. Como teria 16 dias no Marrocos e estava ansioso para chegar em Chefchaouen, abri mão de conhecer Tânger, que me pareceu uma cidade super interessante e de boa infraestrutura urbana, para os padrões de uma país emergente. Fica pra próxima viagem. Por 35 dirhans (a moeda marroquina) o equivalente a três euros, comprei uma passagem pra Chefchaouen. Pra se ter uma base, taxistas se ofereciam pra fazer o trajeto por 60 euros. Cada euro vale 11 dirhans. Façam as contas e vejam de quanto seriam as perdas. Foi uma viagem de pouco mais de 100 km feitos em quase três horas. Mas valeu imensamente pela economia. Além de que, te dá uma noção da realidade marroquina e passa por Tetuão, uma das mais importantes do norte do Marrocos.

Chegando em Chefchaouen, neguei todo o assédio de taxistas e quem mais fosse que oferecia serviços e hotel, pra conseguir chegar sozinho às proximidades da medina (cidade velha), a menos de 1,5 km, e procurar um hotel. Achei o Hotel Zerktouni (bem simples), na Rua Zerktouni, 9 (tel 0539882694). Assim como a maioria dos hotéis locais, alguém sempre fala espanhol ou algo parecido, então dá pra se virar numa boa. 100 dirhans por uma diária. Viva o Marrocos I. Deixei minhas coisas e fui pra medina, a menos de 100 metros do hotel. Pra quem não sabe, medina é o que corresponderia ao centro histórico de uma cidade marroquina, cercado por muralhas. Nela, funcionam mercados, feiras, casas de artesãos, barbearias, mesquitas, lares, restaurantes, ambulantes e todo tipo de comércio tradicional. Geralmente, são muito interessantes e tentadores para “ocidentais”. E bem fáceis de se perder, é sempre bom estar acompanhado por um mapa ou ter algum ponto de referência, como um cartão do hotel ou uma mesquita mais famosa (sempre há inúmeras, pra todo lado). E é um lugar privilegiado para se entrar em contato com o que há de mais tradicional no país, e, ao contrário do que se vê mundo afora, ou seja, muita coisa fake, aqui tudo me pareceu autêntico. Por exemplo, as pessoas vestem o que realmente corresponde aos seus hábitos. Mas é perceptível que, fora da medina, diminui consideravelmente o número de pessoas com indumentária tradicional, e o comércio vende de tudo que se venderia no Brasil, por exemplo.

Andei um pouco ao léu, fiz uma refeição (delicioso tajine de frango ao molho de limão com batatas fritas e suco de laranja natural por 47 dirhans, pouco mais de 4 euros, no restaurante Assaada, bem próximo à porta “Bab El Aín” da medina). Viva o Marrocos II. Quem viaja pra cá vai sempre encontrar essa opção de alimento, que é o Tajine, uma modalidade de preparo, servido quentinho em uma espécie de prato de barro coberto por uma tampa também de barro que conserva o calor por um certo tempo. Tem de vários tipos. Continuei andando pela medina, tirei fotos de casinhas e cenários azuis – o forte de Chefchaouen - e fui parar na mesquita espanhola, como eles chamam uma certa construção já fora da cidade mas bem próximo dela, a uns cinco minutos de caminhada após atravessar a porta Bab Onsar, e o rio Ras El Maa, e indo um pouco além, até alcançar a tal mesquita, pequenina e que nunca chegou a ser usada, que dá pra uma bela vista panorâmica dos arredores. Voltei, me perdi, me reencontrei geograficamente, belisquei “docinhos-mara”, comprei pão caseiro e queijo. Show de bola. Daí você volta pro hotel e dá de cara com gente ali ajoelhada fazendo orações, sem falar das mesquitas que, cinco vezes ao dia, anunciam as preces em alto e bom som. Benvindo ao Marrocos. Obs: Chefchaouen se mostrou um bom lugar para trocar euros por dirhans. Aqui encontrei quem me desse 10,80 dirhans por euro, o que é praticamente a cotação que aparece na net como câmbio oficial. Não sei como seria em Tânger, pois não tive a oportunidade de explorá-la, tão grande era minha vontade de conhecer Chefchaouen.   

OBS: na verdade, depois de 16 dias no Marrocos, verifiquei que as casas de câmbio praticam valores muuuito parecidos, todas nessa faixa.

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Foto: Chefchauen (significa algo como “olhe as montanhas”) vista da “casbá”, ou seja, a parte fortificada da medina. Esta cidade se tornou minha maior paixão no Marrocos. Chama atenção pela maioria das casas adotarem uma coloração azul. A origem disso é incerta, mas parece estar ligado a tradições judaicas, seus primeiros habitantes. Mas há também quem diga que essa cor espanta mosquitos.

01-11: Acordei tarde, me distrai com a internet, mensagens, facebook. Ontem, zanzando por aqui encontrei outro hotel mais barato, mais limpinho e dentro da medina (Hotel Abi Khancha, em frente à mesquita de mesmo nome, Avenue Assaida Alhorra, 57, por 60 dirhans a diária, tel. +212539986879, +212602246223 e +212626878426, rahmouni000@gmail.com) e lá fui eu trocar de hospedagem. Fiquei tão entusiasmado com o dia anterior que resolvi abdicar das trilhas que pretendia fazer nos arredores em prol de mais uma procura pelos melhores ângulos da cidade azul. E valeu a pena, pois ela não decepciona. É única mesmo. Além do entusiasmo com a cidade, incrível, tem o fato de se estar mergulhando na rotina local, com tudo o que ela contém e ainda mais na cidade velha (a medina), com aquele “trupé” de mulas, motos, corredores estreitos, pórticos, pequenas praças e feiras, o colorido dos produtos à venda expostos nos muros e nas lojas, os habitantes locais entrando e saindo das mesquitas (numerosas, em todo lugar tem uma), enfim, a realidade marroquina em gênero, número e grau, com toda sua intensidade em odores, cores e afetos, é notório que esse país não quer que você fique indiferente a ele. Encantador e envolvente. E assim foi o dia, entre mercados de rua com produtos ultracoloridos, comidinhas e bebidinhas curiosas (tipo suco de tâmara, muito doce mas tem lá seu valor gastronômico, por 12 dirhans). Mandei pro papo também um tajine de carne com ovo (30 dirhans) e um cuscuz de carne de cordeiro com legumes (35 dirhans), mais suco de laranja (a laranja daqui tem um “tchan” – 12 dirhans – na Espanha é quase sempre extremamente ácida). No caso do cuscuz, é praticamente o que se come em Pernambuco e diferente do baiano, ou seja, feito com farinha de milho mas comido seco, com a carne e os legumes por cima. Muito bom!   

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Foto: sucessão de construções coloridas na medina, com o onipresente azul. É tudo assim grudadinho uma casa na outra, dando pra corredores estreitos pra circulação (carros não entram). E muitas parreiras nos telhados. Às vezes, formam um verdadeiro túnel com seu emaranhado. Pra quem puder, procurem ficar hospedados dentro da medina para se ter uma noção melhor do que há de mais tradicional por aqui.

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Foto: ruelas estreitas com produtos à venda nos muros.

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Fotos: dois dos recantos mais charmosos da medina em Chefchauen.

 

 

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02-11: Cortei a barba em um barbeiro da medina (15 dirhans); comi um doce que eu não consigo entender o nome quando o carinha vende (2 dirhans cada, geralmente compro uns 3 cada vez que passo ali – fica na rua da praça principal da medina). Se eu disser que é muito bom, não dá ainda a dimensão real da coisa. É divino. Antes, tentei uma atividade sugerida pelo Lonely Planet, que é acompanhar o leito do rio Ras El Maa, a partir do portão Bab Onsar da medina, até a Avenida Melilla, mas, contrariando o guia, já não é possível fazer esse percurso integralmente pois acredito que algumas mudanças ao longo do trajeto bloquearam a passagem dos pedestres. E já não se encontra em bom estado de conservação e limpeza, apesar de uma restauração ocorrida há alguns anos. Há muito lixo acumulado dentro do rio (saquinhos plásticos, recipientes de comida e artigos de limpeza, até bichinho de pelúcia jogado no fundo eu vi).

Visitei a Casbá ao lado da “Grande Mesquita”, na praça Outa El Hammam (acho que foi cerca de dois euros), que recomendo pois tem, entre jardins, muros e torres, uma mostra que resgata a importância da mulher na sociedade marroquina, algo bem relevante num país árabe. Ali nos lembram da significativa participação das mulheres na política (perfazem mais de 80 parlamentares – no Brasil são quantas mesmo? Rolou uma vergonhinha alheia). À noite, jantar no restaurante Assaada (cuscus com carne de cabra). Depois,  repeti um mesmo programa por todos os três dias que estive ali: ida à Mesquita Espanhola, pra ver o por-do-sol. E um pouco além, numa trilhazinha em direção às montanhas (lado oposto ao da cidade), pra me isolar e assim captar melhor as energias desse lugar tão especial. Era lua cheia e tem umas pastagens, umas oliveiras, uns cactos, numa paisagem que se tornou mais especial ainda diante dos sentimentos que surgem numa despedida, já que era meu último dia por ali. Que “demais”! Obrigado, Chefchaouen! Você já mora no meu coração!

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Foto: doce muito comum, mas que eu não me recordo o nome (eles diziam mas eu não conseguia entender direito – quem souber, dá um toque, por favor), vendido nas ruas por ambulantes. Delicioso. É uma massa frita coberta com uma calda e gergelim.

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Foto: Chefchauen vista da trilha pra mesquita Espanhola.

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Foto: dentro da casbá ao lado da “Grande Mesquita”, na praça Outa El Hammam.

03-11: despedida de Chefchaouen, que gostei tanto. Passaria muitos outros dias ali, se pudesse, tranquilamente. Assim, acabaria indo também pros parques nacionais ao redor, como o Talassemtane, bem próximo, fazer umas trilhas e conhecer cachoeiras, bem recomendadas. Conforme outro relato do “mochileiros.com”, é possível pegar um taxi e ir, mas os taxistas foram muito mercenários, queriam quantias astronômicas pra ir da rodoviária até o centro, imagina num roteiro saindo da cidade. Então, pensei: “se aparecer outro turista que vá, rachamos e vamos”, mas o “outro turista” a fim de natureza, não apareceu. Na verdade, muita gente tá ali é por causa do... haxixe! A região é grande polo produtor, consumidor e de tráfico de haxixe. Até crianças vendem na rua, apesar de ser proibido. Bom, não rolaram as trilhas mas nada como um bom motivo pra se voltar outra vez para um lugar que te cativou, não é mesmo? Hoje posso garantir que o Marrocos proporciona bem mais do que apenas 16 dias de viagens incríveis.

Passagem comprada no dia anterior para Fez, empresa CTM, na própria rodoviária (pra não correr risco de não haver na hora - o ônibus saiu lotado, ou seja, não haveria): 75 dirhans mais 5 por uma mala (no Marrocos, as empresas de ônibus cobram esse valor por cada mala depositada no bagageiro). O ônibus saiu às 10:45 de Chefchaouen, chegando às 15:30 em Fez. Foi um trajeto tranquilo, montanhoso até Oussani (ou seja, cheio de curvas), com o predomínio de oliveiras e criação de cabras, e raramente hortaliças, tornando-se mais plano depois, num trecho voltado para o plantio mecanizado, com quase toda a zona rural ocupada por terra arada esperando a chuva pra plantar, provavelmente cereais (no Marrocos e nos países Mediterrâneos, é no outono e inverno que temos a maioria das chuvas, mas nada que atrapalhe os planos de um viajante, já que chove muito pouco – nesse setembro e outubro por Portugal, Espanha, Itália e Marrocos, só peguei um dia de chuva em Florença, na Itália, e nada muito volumoso).

Esperava que Fez fosse uma Chefchaouen maior. Engano total. Amanhã irei na medina, mas já dá pra dizer que o lado moderno da cidade pode até impressionar. Avenidas amplas, com frequentes fontes jorrando água abundante, gramados, flores e “passeios” largos e ladeados por árvores e palmeiras. Numerosas famílias frequentando. Carroças que mais pareciam carruagens à disposição de quem quisesse um passeio mais requintado. Shopping igual a todos os outros mundo afora com preços idem (praticamente os mesmos do Brasil, talvez um pouquinho menos caros, com a maioria das mesmas franquias). O shopping “Borj Fez” que está próximo ao hostel em que me hospedei tem também Carrefour, onde lá fui eu comprar provisões de chocolates, torradas, biscoitos, água e maçãs. O hostel está vinculado à rede Hi Hostel e nele me hospedei por quatro dias (Rua Abdeslam Seghrini, Ville Nouvelle, R$ 27,00 a diária). Não se encontra na medina (30 minutos de distância, caminhando), o que acabei gostando pois me deu a oportunidade de explorar um trecho da cidade que talvez nem chegasse a conhecer caso tivesse me hospedado por lá.

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Foto: passeio público ao longo da avenida Hassan II, bem próximo ao hostel.

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Foto: loja próxima ao hostel, de moda masculina. Diferente, né? Essa é uma das opções de vestimenta por aqui. Mas nem todos os homens se vestem assim. Só os mais tradicionais, sejam mais velhos ou não. Grande parte se veste como no Brasil.

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Foto: e vejam só quem eu encontrei fazendo uma boquinha por aqui, num outdoor gigantão. Inusitado.

 

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04-11: Passeio por Fez. Saí de manhã do hostel com a intenção de conhecer a medina, no que foi um dia, digamos, teeeenso! Já li trocentos relatos de gente que se viu ou em maus lençóis pelo assédio ou mal entendidos com pretensos guias ou gente “querendo” ajudar. Estava vacinadíssimo pra essas situações. E lá fui eu seguindo meu guia Lonely Planet, melhor do que qualquer outro de carne e osso competente ou não. É um caminho linear, mas com desvios pra atrações próximas, onde se passa por um portal lindão, depois pelo bairro judeu, onde havia uma sinagoga e um cemitério em evidência (este estava fechado por ser sábado).

Pra encontrar a sinagoga é necessário pedir ajuda aos locais pois ela se encontra escondidinha. Daí você acaba conversando com um, com outro, e contatos vão sendo feitos. Assim, alguém aparecerá querendo “ajudar”. Antes que essas ajudas ficassem caras demais, resolvi optar por contratar um guia pra ir direto ao ponto e economizar tempo. Escolhi um figurinha meio com cara de humilde e menos falastrão. Pra evitar mal entendidos, já combinamos um preço (cem dirhans), determinamos um tempo (três horas) e lá fomos nós. Ele insistiu na necessidade de contratar um taxi que nos levaria até o outro lado da medina, onde poderíamos encontrar mais rapidamente aquilo que eu entendi que seriam as tinturarias, ou “os homens que trabalham com os pés”, nas suas palavras, já que eu não sabia dizer tinturaria nem curtume em inglês. Insisti com o guia para que fôssemos a pé mesmo, ao que ele concordou, mas insistiu que demoraria pra chegar nas tinturarias. Diante do que eu entendi que seria um “traço” de honestidade do cara, concordei então com o tal do taxi, isso pra economizar tempo (vai vendo no que deu). E lá fomos nós pro outro lado da medina, segundo ele, pra me mostrar também a Fez “real”, as oficinas, as fábricas, a gente simples sem máscaras ou assédio constante, o dia-a-dia dos habitantes locais, e isso, para um professor de geografia como eu, é ouro. Achei a proposta interessante, mas como nada tenho contra a massa ensandecida da turistaiada louca, muito pelo contrário, gosto de encontrar o pessoal do mundo todo nessa montanha russa de curiosidade, fome e sede de cor, som e sabor (abro mão do consumismo, até porque não tenho dinheiro, mas nem vontade de comprar mil coisas tenho, isso depois de trocentas viagens em que, chegando em casa, você se arrepende da bagagem extra que fazia sentido lá mas já não faz sentido cá), assim, concordei desde que chegássemos ao lugar “onde os caras trabalham com os pés” (tinturaria), economizando meu precioso tempo. Daí, fomos por um trecho realmente menos atraente, mais próximo ao ritmo local porém mais tedioso. Mas muuuuito tedioso mesmo. E o guia insistindo em me levar a uma fábrica de cerâmicas. Assim, entre teares, oficinas e padarias, acabamos chegando ao lugar “em que se trabalha com os pés”, ou seja, um curtume... e nada da tinturaria. Segundo o guia, essa só estava em atividade pela manhã. E isso, além de não ser verdade, ele só disse nesse momento. Juro que me senti um idiota, um coió-de-mola (como dizem no interior de São Paulo), um completo imbecil por insistir naquilo que todo mundo implora pra não fazer. E o cara querendo me levar pra fábrica de cerâmica. Peguei o relógio e vi que ainda faltava muito pra completar as três horas combinadas, mas conclui que aquela merda tinha que se encerrar ali mesmo pra que pudesse de fato ganhar o que restasse do meu dia. Contive meus impulsos homicidas que só fazem a coisa piorar quando acaba em briga, mas deixei claro que não era nada daquilo o que eu queria. Abortei os planos de continuar com o guia, paguei o que combinei, peguei um táxi e voltei pra estaca zero e com menos uma hora e meia de atividade possível nesse dia. Mereci tudo mas não aprendi nada, vai vendo.

Novamente no bairro judeu, na estaca zero, o mapa do Lonely Planet me deixou confuso. Um cara com muleta, percebendo minha situação, se aproximou, puxou assunto e me pareceu muito instruído, foi se insinuando, falando do Brasil, daí há pouco já era o meu melhor amigo de infância. E começou a falar das muitas atrações escondidas pelas redondezas inclusive o mais incrível jardim de Fez (Jnam Sbil, lindão), enfim, fez meus olhos brilharem. E foi me conduzindo pelo emaranhado de ruas confusas e eu insistindo pra que ele me deixasse, que não precisava de ajuda, que era só indicar o caminho e o cara insistindo que pra ele seria importante se mexer. Ao findar o percurso, já ao lado do jardim, sinalizou por onde eu deveria ir e ficou ali esperando... Eu, constrangidíssimo, dei tchau, apertei a mão dele e ele então pediu uma “ajuda”. Dei 10 dirhans, e ele reclamou. E aqui eu digo, moçada, que o verdadeiro talento desse povo que assim age, é justamente saber exatamente o que fazer pra te deixar constrangido. Eu agora, pensando naquela cena, acho que teria sido bom dizer “você quem quis vir, por sua conta”, “foda-se a ajuda, não lhe devo nada” e por aí vai, mas o cara já te selecionou pelo seu perfil, eles sabem quem escolher... sim, fui um pato mega! Ou seja, não aceite a ajuda desse povo que se prontifica. Ninguém está ali pra fazer amizade! 

Pois bem, acatei a sugestão do Lonely Planet (recomendadíssimo) de fazer um percurso a pé que consiste em atravessar o portal Bab Boujloud, virar à esquerda e em seguida à direita, e ir descendo essa viela até o fim, observando os açougues com cabeça de camelo chamando a atenção (e dono bonzinho que deixa fotografar), a madrassa (lugar em que se aprende os ensinamentos do Corão) Bou Inania (20 dirhans e interessantíssima, aqui vale tentar um guia pra explicar um pouco de tudo), um mecanismo (a clepsidra) que funcionava como relógio mas hoje está desativado, o acesso ao museu Nejarine, que foi uma antiga hospedaria para viajantes endinheirados (bem legal, também por 20 dirhans, mas tem que sair um pouco da viela e vale cada centavo), além do visual único proporcionado pelas lojas e comércio borbulhante que se tem ali (e um incrível suco de romã, nos inúmeros locais que o fazem ao longo desse trecho, que fica na história gastronômica da viagem), como a confecção de tronos matrimoniais (uma tradição local, meio brega, porém, tradição), inusitado e muuuito interessante. Chegando ao fim da viela, vira-se à direita e imediatamente à esquerda e segue-se, assim contornando a universidade (a mais antiga do mundo) e a mesquita Kairaouine (em ambas não-muçulmanos não estão autorizados a entrar, infelizmente). Assim se chega a uma espécie de mini-praça, onde se encontram os artesões que trabalham com metais e coisas do gênero, atravessando o trecho em que se vende luminárias tipo lâmpada do Aladim, em lojas com cenários encantadores. Depois, é só seguir à esquerda da praça, descendo a rua dos tingidores. Mais adiante, se chega à praça R’cif, enorme, onde temos mini-táxis e ônibus pra todo lugar.

Eu já ia embora meio triste, pois não encontrei os famosos tintureiros que são a imagem símbolo de Fez. Mas passava um jovem que lê pensamentos, captou meu instinto geográfico e “turistólogo” e já perguntando de onde eu era e se queria seguir com ele que ia encontrar o pai que trabalhava no “lance”. Daí, pensei: “já é fim de tarde e essa é minha chance de conhecer o tal do lugar. É isso ou nada, independentemente das consequências, que com certeza virão, não tenho dúvida” (estava muito desiludido com as maracutaias locais). E lá fui eu. O pai, na verdade, era funcionário de uma loja de artigos de couro (sacaram?), das muitas que rodeiam o curtume/tinturaria, formando uma barreira, tornando impossível que seja visto da rua e possibilitando um cinturão de contenção do cheiro ruim que dali exala. Então, como um bônus, a loja leva os clientes até o terraço, de onde se avista o processo. E vende seus artigos de couro. Que eu não queria. E vai convencer o pai do moço de que eu não precisava de uma jaqueta de 300 euros pra ser feliz. Então, me prontifiquei a dar uma gorjeta pelo favor de me deixar dar uma espiadinha e tirar umas fotinhas. Perguntei quanto costumavam dar os turistas que vinham ali, mas disseram que era por minha conta. Então, finalizada a atividade, tirei uma nota de 20 dirhans (uns 7 reais) da carteira. A cara que fizeram entrou pra história das intrigas internacionais. Me devolveram como se fosse esmola, se dizendo ofendidos, juntamente com um discurso, meus amigos, que me fez sentir uma mistura de Tio Patinhas com o próprio demônio. Mas eu saquei a paradinha. O pai ganha seus trocos com turistas sedentos de imagens-fetiche e potenciais compradores de artigos de couro que lhe garantam comissões (e os preços, pra quem gosta desses artigos, dizem que são os melhores), mas não tem permissão pra explorar a turistaiada, pois toda a transação ocorre longe da presença do dono da loja e dos demais funcionários. Então, provavelmente, se você se sentir coagido, creio que é só sair perguntando quem é o dono e como é que a coisa funciona de fato que acredito que resolve tudo. Mas é uma cena muito constrangedora. E não foi o que eu fiz. Na verdade, o pai acabou pegando o dinheiro que eu ofereci e eu me mandei sem querer saber de mais nada. Ou seja, três momentos tensos num só dia e todos previsíveis, o que me deixa com aquela sensação de que daria pra se evitar. Enfim, bola pra frente. Na volta pro hostel e já fora da medina, jantei um tajine de sardinha muito bom por 30 dirhans. Delicioso. Esse restaurante fica em um dos estabelecimentos em frente da estação de trem Gare de Fez (a uns 120 metros dela), com preços camaradas.  

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Foto: feirante próximo à medina de Fez. Durante toda a viagem, procurei evitar fotografar o povo local, principalmente mulheres, pois percebi que eles entendem isso como invasivo. Entretanto, essa foto ficou natural pois foi tirada por um guia local do qual usufrui os serviços.

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Foto: jardim Jnam Sbil, próximo à medina de Fez.

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Foto: portal Bab Boujloud, acessando a medina de Fez.

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Foto: Tingidores - imagem curiosa e condições de trabalho medievais e medonhas.

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Foto: os tingidores não são vistos por quem passa pelas ruelas da medina pois se encontram neste local cercado de lojas por todos os lados.

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05-11: Visita a Rabat. Fui parar na capital do Marrocos devido a um erro bisonho. Comprei uma passagem de trem pra visitar Meknes (22 dirhans), próxima a Fez. Mas, ali, temos duas estações de trem. Me sentindo na Suíça, deixei passar a primeira e esperei pela segunda, mais próxima da medina, isso segundo o google maps. Que passou sem que o trem parasse. E lá fui eu à procura do fiscal ou um funcionário que soubesse inglês ou espanhol e me esclarecesse pra onde o trem estava indo agora e como fazer pra voltar. Esclarecido tudo, mudei de planos. Fui à Rabat, capital do Marrocos (mais 80 dirhans), a três horas de viagem de Fez, deixando Meknes pro dia seguinte. Valeu a pena, pois é bastante diferente das demais até então, tem uma infraestrutura urbana interessante, avenidas amplas, está à beira-mar e possui uma medina em que ninguém “enche muito seu piquá”, dando mais autonomia pra apreciar as lojas sem perturbação e maracutaias. Ao lado direito da estação de trem, bem próximo a ela, temos o Museu de Arte Contemporânea e o Museu de Arqueologia (não os visitei pois o tempo era escasso e havia chegado às 13:00, tendo só a tarde para o passeio e depois mais três horas de volta pra Fez). Mas deu pra chegar ao Palácio Real (também pertinho). Não tem como entrar nas construções mas é um agradável passeio pelos jardins. Um dos guardas, muito simpático e admirador do Brasil (fez referências ao Gabriel Medina e ao Mineirinho, sendo fã de surf e até arriscando umas palavras em português) sugeriu um passeio à Challa, a uns quinze minutos caminhando, em que temos ruínas romanas e islâmicas num espaço que foi adotado por cegonhas (dezenas e mansinhas) que ali fizeram seus ninhos no alto das ruínas, um lance meio “Voulubilis”, próxima a Meknes (que eu tinha resolvido que não visitaria). Interessante. Dali, peguei um táxi (15 dirhans) até a casbá (parte fortificada) da medina (o trecho da cidade entre as muralhas). A casbá vale uma conferida, principalmente o Jardim Andaluz. E as vistas do mar são monótonas, tudo muito reto e sem verde, mas mar é mar e eu queria ter uma noção de como ele se apresenta por ali, como são as praias. Era domingo e as praias estavam cheias (muitos surfistas e mar com ondas significativas). A casbá é significativamente mais alta que o terreno ao redor, gerando vistas panorâmicas interessantes, além do que ali temos a foz de um rio que traz um bonito complemento à paisagem local. Voltei pra Fez (85 dirhans), comi uma lasanha (40 dirhans) e tomei um suco de laranja (10 dirhans), dei uma andada e fui pro hostel.

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Foto: Ruína romana em Challa, Rabat.

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Foto: Beira-mar vista da casbá da medina de Rabat.

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Foto: fim de tarde em Rabat, com o passeio público lindão e bem frequentado.

 

06-11: Fui de manhãzinha até o Museu Nejjarine na medina de Fez (20 dirhans), que não tinha conseguido visitar dois dias antes (depois dos perrengues com os guias e ter perdido tempo demais, cheguei até ele quando estava sendo fechado). Acredito ser um passeio obrigatório aos locais interessantes da medina, pois abriga o que foi uma espécie de hotel para os mercadores da época, além de que seu acervo é bem conservado e interessante. Depois, mesmo tendo resolvido não ir pra Voulubilis (ruínas romanas) nem Moulay Idris (mausoléu), queria conhecer Meknes (22 dirhans por trem), a cidade próxima desses locais. Um passeio por agência contactado pelo hostel orçava em 1.000 dirhans um tour de um dia por estes lugares, saindo às 10 da manhã (te buscam). Achei carézimo, e pra quem já tinha visitado a própria Roma e Pompeia uns dias antes, me desinteressei. Mas ali cheguei – a Méknes - meio tarde (além da visita ao Nejjarine, lavei roupa de manhã no hostel). Resolvi que iria andando mesmo até a medina, pra assimilar melhor a cidade. E foi bem legal. Come-se aqui, bebe-se ali, fotografa-se acolá. E assim se chega ao pórtico da medina, que tem à sua frente uma praça em que muita coisa acontece, no que seria uma Jema El Fina (a mítica praça de Marrakeche) menor e menos famosa. Um cara com a cobra no pescoço, macacos de Gibraltar com camiseta de Messi e Ronaldo, gente dançando, vendendo, turistando... gostei muito desse passeio descomprometido e bem agradável. Adentrando a medina, uma quantidade razoável de restaurantes variados para todos os bolsos. Recomendo.

 07-11: Saída às 8:30 da estação de trem de Fez em direção à Marrakeche (oito horas de viagem a 311 dirhans em primeira classe – assim, há mais espaço pras bagagens, mas não é tão diferente da segunda classe - e muito tempo pra botar o relato em dia, ler e apreciar a paisagem). Lá chegando, daria início a sete dias e seis noites reservados do Brasil ainda em abril, e que deixei pago parcialmente (no total, são 420 euros, 200 pagos antecipadamente), incluindo um tour de cinco dias pelo interior com o mítico passeio pelo Saara, com quase tudo pago (hospedagem, guia, uma refeição por dia e deslocamentos). Assim resolvi pois imaginei que no interior do Marrocos talvez poucas pessoas conseguiriam se comunicar em inglês e espanhol (o que até então não tinha sido problema mas gera alguns impedimentos onde a comunicação se faz necessária). E encontrei em um site uma referência a dois irmãos portugueses (Rita e João) que vivem em Ouarzazate e ali tem pousada, e que organizam este e outros tours. Bem adequado. Além de que te pegam na estação que você chega (ou aeroporto) e te levam até ali quando tudo acaba. Cômodo, principalmente se você se hospeda na medina, onde sempre é possível se perder antes de se familiarizar com o traçado urbano. O site deles para contato é http://www.darrita.com/hotel-marrocos/viajar/tours/ e já adianto que são super gente boa e atenciosos, tiram todas as suas dúvidas, que, no meu caso, foram muuuuitas, agradeço a paciência deles. O Hotel em Marrakeche, já incluso no tour: Riad Dar El Masa (darelmasa@gmail.com), cinco minutos a pé da mítica praça Jema El Fina e dentro da medina. É só avisar quando se dará a chegada na cidade que eles te pegam no aeroporto ou onde quer que seja (no meu caso, foi na estação ferroviária). Vale dizer que, pra quem tem menos tempo, é possível realizar o passeio ao Saara em um tour de 3 dias, portanto, bem mais rápido, e que é feito por várias agências, como também pelo pessoal do hostel Equity Point Marraqueche (http://www.equity-point.com/our-hostels/equity-point-marrakech-hostel/general-information.html), um dos melhores do mundo, e que sai por 90 euros, se não me falha a memória, mas é possível encontrar por até menos (60 euros). Mas, apesar de passarem pelo mesmos roteiro que eu faria com o grupo, deduzi que em três dias tudo poderia ser rápido demais, comprometendo um melhor aproveitamento. Além do que, pelos relatos que li, há uma diferença muuuito significativa quanto aos aposentos e tendas (no deserto) usados por cada passeio. Há relatos até de grupos que dormem ao relento e em colchonetes (quanto à comodidade, o passeio que fiz é nota dez, tendas com banheiro privado e água quente no chuveiro, além de colchões muito confortáveis, além de uma comida maravilhosa no acampamento). Pois bem, com a chegada em Marraqueche, não há como relaxar enquanto não se vai à praça Jema El Fina. E como era fim de tarde, havia muito tempo até a noite adentro. Pra quem acaba de chegar ao Marrocos, certamente o impacto desse microcosmo nacional é gigantesco. Pra mim, que já circulava há algum tempo por aqui, o impacto foi reduzido, o que não diminui as virtudes do lugar, bastante interessante. Foi a maior praça-feira que vi no país, está rodeada pelo comércio de produtos tradicionais (e outros nem tão tradicionais assim) e lá estão também os encantadores de serpente (hipnóticos - conforme a tarde cai eles se vão, à noite já não os via mais, portanto, se quiser vê-los, vá com luz natural), as barraquinhas de comidas e bebidas tradicionais (novamente, destaque pro maravilhoso suco de romã, além de lesmas cozidas, lanches, assados, cérebro de carneiro cozido, sopas etc.), contadores de histórias, dançarinos (ou coisa parecida) etc. Passeio obrigatório.

A imagem pode conter: 2 pessoas, pessoas sentadas, sapatos e atividades ao ar livre

Foto: nesta altura do século XXI, acho que não está exatamente nos planos de ninguém encontrar um encantador de serpentes por aí. E eis que ele aparece, lá na Praça Jema El Fina, em Marrakeche. Aliás, vários deles. Não acredito que por muito tempo. Os bichos devem estar estressadíssimos e, se duvidar, nem presa têm mais. Então, o que pesará mais: a sobrevivência de um modo milenar, intrigante e sedutor de ganhar o pão ou a natureza que clama por humanidade? A discussão sobre a festa do peão nem é tão diferente disso. 

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Foto: Praça Jema El Fina

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08-11: O roteiro deste dia foi o seguinte: Marraqueche - Talouet - Ait Benhaddou - Ouarzazate, passando pelo vale do Ounila, pelas montanhas do Alto Atlas e em uma cooperativa de fabricantes de óleo de argan, entre outros produtos locais. Já nesse trecho ficaram claríssimos o ponto alto e o ponto fraco do passeio.

Como os irmãos organizadores Rita e João são portugueses, é com falantes da nossa língua que se viaja, no caso, 14 pessoas numa van, com 4 portugueses e os demais, brasileiros, mais o motorista e o guia marroquinos. E isso facilita a integração. Demos sorte pois a harmonia que reinou no grupo foi incrível, gente muito diferente entre si mas todo mundo muito colaborador e sintonizado. Muito provavelmente, nos demais passeios imensamente mais curtos e baratos, corre-se o risco disso não ocorrer, pois incluem gente do mundo todo e uma grande variedade de idiomas. Mas também poderia ser até melhor. Achei importante garantir-me na opção mais cômoda. Vale a pena lembrar que quem quiser arriscar e viajar sozinho com ônibus (não há trens de Marraqueche para essa região) não terá tantas dificuldades, o povo local é muito prestativo, e aí sim você economizará horrores, pois tudo é muuuito barato. O único inconveniente mesmo foi onde há turismo de massa como em Fez, com os pretensos informantes-guias aproveitadores - fuja deles. Foi o único “porém” em toda a viagem.

Quanto ao ponto fraco, trata-se do seguinte. O guia marroquino obedece ao que entendi como sendo um padrão por aqui: guiar, geralmente significa “conduzir” os turistas até onde haja interesse, principalmente viabilizando a logística pra quem não domina a língua local, mas sempre enfatizando restaurantes, lojas e feiras, que, confesso, eram mesmo as prioridades para parte do grupo. E há informações de menos, comércio de mais, e pouco destino cultural, pois os guias querem mesmo é comissão nas vendas. Enfim, desse ponto de vista, o roteiro poderia ser imensamente melhor aproveitado. E, como o pacote só se responsabilizava por uma refeição por dia, geralmente, os locais escolhidos pelo guia em trechos remotos do caminho em que não havia qualquer outra segunda opção de estabelecimento a preço justo, cobravam em média TRÊS vezes mais do que qualquer outro local decente que eu havia frequentado durante a fase “solitária” da viagem. Se soubesse, teria feito antecipadamente lanchinhos por minha própria conta, e comprado frutas pra comer no caminho. Enfim, nada contra o Marrocos e nem muito diferente da lógica global de extorquir turistas em excursão, taí os ônus e bônus da opção por viajar nesta modalidade. Mas vale lembrar também que TODAS as acomodações e refeições já incluídas no pacote (os jantares) foram excelentes. Ao final do dia, chegamos a Ouarzazate, onde jantamos e pernoitamos no Riad Dar Rita (http://www.darrita.com/hotel-marrocos/).
 

Obs: tinha uma curiosidade gigantesca por conhecer Ait Benhaddou, acho que foi o local do Marrocos que mais despertou minhas fantasias geográficas e me impulsionou a fazer a viagem. E foi incrível conhecê-lo.  Mas o encontrei em um péssimo estado de conservação, além de ser infinitamente menor do que imaginava, parece mesmo um cenário artificial e não um patrimônio histórico digno desse título. Além do que, o rio ao lado estava quase totalmente seco e o tempo nublado, acho que tudo conspirou para minimizar meu encontro. Enfim, um dos poucos lugares que não corresponderam às minhas expectativas. Deu vontade de morar por ali e criar uma ONG pra resguardar melhor aquele patrimônio tão maltratado.

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Foto: este foi o grupo que acompanhei no tour do deserto (6 noites, 7 dias, 430 euros, 4 portugueses e 10 brasileiros), nesse momento em Ait Benhaddou. Todo mundo aí tem o seu valor, mas o casal carioca composto pelo PC – Paulo César (de verde, atrás de mim), e sua esposa Márcia (ao seu lado direito, com a sacolinha azul) tinha que ser declarado patrimônio nacional. Figuríssimas...

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Foto: Vale do Ounila, no caminho para Ouarzazate.

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Foto: aspecto da região do Alto Atlas, no caminho para Ouarzazate.

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Foto: Ait Benhaddou, tão linda e tão maltratada.

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Foto: romãs, uma constante como sobremesa junto às refeições marroquinas. O suco dela é algo de insuperável, refrescante e terapêutico. Aqui elas são bem mais suculentas do que no Brasil.

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09-11: Ida pro Erg Chebbi, o mítico passeio ao deserto do Saara. Roteiro: Ouarzazate – Agdz - Vale do Draa, o maior rio do Marrocos – Nkob - Tazzarine - Alnif - Rissani - Merzouga. O que eu não esperava era que a maioria das localidades citadas no roteiro seriam apenas avistadas ao longe. De fato, pelo tempo que dispúnhamos e a grande distância a ser percorrida, não daria mesmo para um detalhamento de cada lugar. Apenas em Rissani é que houve uma parada mais demorada para se visitar um mercado local, interessante para adentrar melhor no cotidiano do Marrocos profundo. De qualquer forma, não haveria nada capaz de desviar a atenção de quem quer que fosse da atração principal, o percurso em direção às dunas do Erg Chebbi (já fazem parte do Saara).

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Foto: estipulava o roteiro que visitaríamos Agdz, o local ao pé da montanha na foto. E teria sido interessante cruzar o palmeiral e alcançar o povoado, dar um giro por lá. Mas tudo se resumiu a uma contemplação ao longe.

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Foto: mercado de animais em Rissani, com a cidade ao fundo.

Após as paradas em vistas panorâmicas (destaque para os palmeirais, casbás e souks – os mercados) e restaurante para almoço, se chega a uma espécie de hotel, base para que se troque de veículo pra outro mais apropriado às areias, e dali se vai até onde estão os dromedários que fazem o restante do percurso até o acampamento, onde se janta e passa a noite. Ali rola toda uma curiosa “mise en scène” onde os dromedários reinam. Mansinho, lento e simpático, toda atenção é pra eles, é um tal de arreia pra cá, fotografa pra lá, e ele ali, impassível, parece não se dar conta de coisa alguma. Achei muito confortável, ao contrário de outros viajantes. Infelizmente, o tempo estava nublado e, assim, duas coisas a lamentar: o pôr-do-sol ficou pra outra oportunidade e não foi possível à noite avistar aquele céu lindo e limpo dos meus sonhos, tão aclamado em prosa e verso por todos que ali estiveram e viveram essa experiência.

Mas nem dá pra ficar triste, pois o acampamento é muito legal, tanto pela estrutura (tendas cobertas – há passeios em que as tendas estão a céu aberto – com banheiro e chuveiro com água quente, pois há um gerador de energia que fica ligado até que todos durmam). O jantar é servido numa tenda maior lindona (aliás, todas são) e é comida boa demais, foi das melhores refeições que todos fizeram no Marrocos, principalmente a carne bovina, não devendo nada aos melhores restaurantes. Após o jantar dos sonhos, todos vão pra fora da tenda onde há uma fogueira e os auxiliares berberes fazem uma apresentação animada com vários instrumentos (atabaques, castanholas...) e músicas tradicionais. Depois de um certo tempo, foi a vez do nosso grupo de turistas mostrar seus dotes musicais, mas em breve ficou claro que eles não existiam, então, os berberes retomaram o controle. Mas foi divertido, com direito a trenzinho, pretensas danças do ventre, coralzinho tímido... Quando quase todo mundo já tinha ido dormir, resolvi tentar subir a duna maior ao lado do acampamento pra ter uma noção do como é a vista lá de cima. Existe uma certa corda cuja localização só ficou clara de manhã, com luz natural, pra auxiliar nesta “ascensão”. Mas nada de achar a corda à noite, e é muito difícil enfrentar a duna encarada de frente. Ficou pra manhã do dia seguinte. Combinei de acordar o povo pra gente acompanhar o nascer do sol no alto da duna.     

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Foto: dunas de Erg Chebbi, deserto do Saara

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Foto: E lá fomos nós numa alegria só pro acampamento. Pena que o tempo nublado abortou nosso pôr-do-sol e as míticas sombras projetadas na areia.

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Ótimo relato! Você é um ótimo contador de histórias. Parabéns! Aguardo a continuação.

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10-11: neste quarto dia de viagem programada, o roteiro informado pela organização foi esse:

 

“Acampamento nas dunas de Erg Chebbi - Merzouga - Erfoud - Tinjdad - Gargantas do Todra - Boulmane - Kelaa Mgouna - Skoura - Ouarzazate. Nascer do sol no deserto, passeio de dromedário de volta ao transporte. Partida em direção às gargantas do Todra e passagem por Erfoud. Passagem por Boulmane do Dades e o Vale das Rosas. Passagem por Skoura pela Rota das 1000 kasbahs - jantar e dormida em Ouarzazate no  Riad Dar Rita http://www.darrita.com/hotel-marrocos/.”

 

Ou seja, muitos destinos, grandes distâncias, pouco tempo em cada lugar e, às vezes, mera contemplação ao longe. Tanto que nem saberia hoje dizer ao certo qual é qual, retive poucos deles na memória, mesmo sendo interessantíssimos. Hoje, imagino que não seria uma má ideia passar uns dias em Ouarzazate e explorar melhor os arredores. Eu acho estes vales cobertos por palmeiras, contrastando com as montanhas e seus vilarejos avermelhados, tão incríveis que ainda quero ter a oportunidade de vivenciá-los melhor um dia. Gostaria de saber de quem já fez isso se vale mesmo a pena.

 Ao contrário do entardecer do dia anterior, a madrugada foi brindada com tempo limpo e prometia ser um espetáculo. Mas foi frustrante descobrir que havia lua minguante, com iluminação significativa, daí, aquele céu escuro cheio de estrelas nunca antes tão brilhantes ficou pruma outra viagem. Acordei o povo e simbora subir a duna. Esforço “mega”, a areia fofa não aliviava com a perna afundando até o joelho e a cumeeira se aproximando mas ainda distante do topo da duna maior. Atingido o espigão, melou! Ao avistar o lado oposto da duna aliado ao vento forte que surge como que do nada nesse ponto, bateu uma vertigem intensa. Sempre sofri disso, mas, nesse caso, aquele vento potencializa a sensação de insegurança, além do cansaço significativo. Desisti de subir, infelizmente. A pressão baixou, o estômago revirou, tudo se converteu numa diarreia. Avisei o povo que não estava bem, uma médica que viajava no grupo me deu um comprimido, tomei e voltei pra tenda, me deitei no chão esperando a hora de ir embora. Alguns minutos depois e já com os dromedários prontos, vieram me chamar pra partir. Eu já estava bem melhor e fomos. O dromedário é um animal muito dócil, de movimentos lentos, imensamente mais obediente e manso do que um cavalo. Tem uma adaptação no arreio que o torna muito confortável. Houve quem reclamasse, mas deduzi que depende de você se acomodar bem antes da partida. Ou então vai sofrer um pouco no percurso, sempre em linha indiana.

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Foto: o acampamento, muitíssimo confortável, as dunas e o sol radiante que a gente quis muito e não teve no dia anterior. Mas neste novo dia compensou tudo! Paisagem e experiência incríveis!

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Foto: Dromedários e bérberes aguardando o momento da saída do acampamento.

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Foto: tem como voltar pro Brasil feliz sem ver as míticas sombras da “caravana” projetadas na areia? Pois é, estava chateado por não ter sido possível no entardecer do dia anterior, mais eis que neste dia o sol ajudou e o desejo se realizou!

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Foto: volta do passeio ao Erg Chebbi. Esta foto foi tirada por um dos auxiliares. Sabe cozinhar, conversa com todo mundo (não domina nenhum idioma mas se comunica como ninguém), toca vários instrumentos (como ficou claro na confraternização na noite anterior) e talvez seja um fotógrafo nato dos muito bons. Eu dou aula de geografia e gosto de viajar. Confesso que conviver com essa moçada no acampamento (são vários auxiliares) me permitiu perceber o quanto eu ainda tenho que aprender nessa vida.

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Foto: Garganta do Todra

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Foto: Tinghir. Este é um local do roteiro em que ficaria por um tempo maior pra explorá-lo melhor. Pra ver em detalhes este contraste incrível entre os palmeirais, cidades avermelhadas e montanhas.

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Foto: Tinghir

 

  • 3 semanas depois...
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Que lugares incríveis. Vc é excelente contador de histórias + fotógrafo (e o auxiliar comunicativo também). Pena a noite nublada no deserto, nunca tinha pensado nessa possibilidade. Adorei seu relato, obrigada por compartilhar!

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Valeu, Adriana, obrigado! É que são experiências extremamente inspiradoras. Daí, tudo ganha uma cor, um jeito, um sentimento.   

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