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Evandro Sanches

Marrocos-16 dias 31-10 a 15-11-2017

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Olá, pessoal que frequenta o site “Mochileiros.com”. Depois de muita enrolação, segue aqui o meu relato de uma viagem de 16 dias pelo Marrocos, a partir da Espanha, de 31 de outubro a 15 de novembro de 2017. Fez parte de uma viagem maior que começou em 30 de agosto e em que percorri Portugal, Suíça, Itália, Londres, Paris, Madri, e que finalizei com o Marrocos. Por sua vez, essa viagem “maior” fez parte de um 2017 semi-sabático e que me trouxe muuuita realização. As informações que obtive neste site nessa e em praticamente todas minhas viagens recentes sempre foram muito relevantes. Então, está aqui minha retribuição. Precisando, é só entrar em contato que tenho o maior prazer em ajudar a esclarecer qualquer dúvida. Vamos lá:

30-10: Da estação Sur de autobus de Madrid (bem próxima ao metrô Mendes Alvaro, uns dois minutos a pé) pra Tânger, no Marrocos (passagem comprada pela Internet da “InterBus” dois dias antes – três trechos, de ônibus entre Madrid/Algeciras, das 22:00 às 6:00, e depois, saindo literalmente ao lado de onde o ônibus anterior te deixa, para o trecho Algeciras/Tarifa, das 7:00 às 7:35 - e travessia do Estreito de Gibraltar, a partir das 8:00, tudo por uns € 65,00 – no detalhamento da passagem, só a travessia do estreito consome € 38,00). O trecho intermediário não estava explícito na passagem, o que me preocupou um pouco, mas deu tudo certo. Detalhe: é bom ficar de olho nesta passagem pra quem pretende fazer esse trecho de ônibus, pois, ao contrário do Brasil, não é tão comum se viajar de ônibus pela Europa, ou seja, as passagens podem se esgotar, a depender do trecho em questão. Então, é bom compra-la o quanto antes. Teria sido possível um preço melhor se tivesse comprado ainda antes, mas tinha dúvidas quanto a permanecer ou não mais dias na Espanha (acabei ficando um pouco mais do que o previsto, pois Madri mereceu, êta cidade incrível).

31-10: Uma dúvida que me consumiu nesta viagem foi quanto ao tempo necessário pra aduana, imaginava que poderia não ser suficiente. Mas, na verdade, a “aduana” Espanha-Marrocos é feita na própria embarcação e até que foi rápido. Me pareceu que a embarcação só parte depois que a aduana encerra seus trabalhos. Ou seja, sem estresse. Chegando a Tânger, consegui uma carona até a rodoviária ao ajudar uma senhora com suas malas. Como teria 16 dias no Marrocos e estava ansioso para chegar em Chefchaouen, abri mão de conhecer Tânger, que me pareceu uma cidade super interessante e de boa infraestrutura urbana, para os padrões de uma país emergente. Fica pra próxima viagem. Por 35 dirhans (a moeda marroquina) o equivalente a três euros, comprei uma passagem pra Chefchaouen. Pra se ter uma base, taxistas se ofereciam pra fazer o trajeto por 60 euros. Cada euro vale 11 dirhans. Façam as contas e vejam de quanto seriam as perdas. Foi uma viagem de pouco mais de 100 km feitos em quase três horas. Mas valeu imensamente pela economia. Além de que, te dá uma noção da realidade marroquina e passa por Tetuão, uma das mais importantes do norte do Marrocos.

Chegando em Chefchaouen, neguei todo o assédio de taxistas e quem mais fosse que oferecia serviços e hotel, pra conseguir chegar sozinho às proximidades da medina (cidade velha), a menos de 1,5 km, e procurar um hotel. Achei o Hotel Zerktouni (bem simples), na Rua Zerktouni, 9 (tel 0539882694). Assim como a maioria dos hotéis locais, alguém sempre fala espanhol ou algo parecido, então dá pra se virar numa boa. 100 dirhans por uma diária. Viva o Marrocos I. Deixei minhas coisas e fui pra medina, a menos de 100 metros do hotel. Pra quem não sabe, medina é o que corresponderia ao centro histórico de uma cidade marroquina, cercado por muralhas. Nela, funcionam mercados, feiras, casas de artesãos, barbearias, mesquitas, lares, restaurantes, ambulantes e todo tipo de comércio tradicional. Geralmente, são muito interessantes e tentadores para “ocidentais”. E bem fáceis de se perder, é sempre bom estar acompanhado por um mapa ou ter algum ponto de referência, como um cartão do hotel ou uma mesquita mais famosa (sempre há inúmeras, pra todo lado). E é um lugar privilegiado para se entrar em contato com o que há de mais tradicional no país, e, ao contrário do que se vê mundo afora, ou seja, muita coisa fake, aqui tudo me pareceu autêntico. Por exemplo, as pessoas vestem o que realmente corresponde aos seus hábitos. Mas é perceptível que, fora da medina, diminui consideravelmente o número de pessoas com indumentária tradicional, e o comércio vende de tudo que se venderia no Brasil, por exemplo.

Andei um pouco ao léu, fiz uma refeição (delicioso tajine de frango ao molho de limão com batatas fritas e suco de laranja natural por 47 dirhans, pouco mais de 4 euros, no restaurante Assaada, bem próximo à porta “Bab El Aín” da medina). Viva o Marrocos II. Quem viaja pra cá vai sempre encontrar essa opção de alimento, que é o Tajine, uma modalidade de preparo, servido quentinho em uma espécie de prato de barro coberto por uma tampa também de barro que conserva o calor por um certo tempo. Tem de vários tipos. Continuei andando pela medina, tirei fotos de casinhas e cenários azuis – o forte de Chefchaouen - e fui parar na mesquita espanhola, como eles chamam uma certa construção já fora da cidade mas bem próximo dela, a uns cinco minutos de caminhada após atravessar a porta Bab Onsar, e o rio Ras El Maa, e indo um pouco além, até alcançar a tal mesquita, pequenina e que nunca chegou a ser usada, que dá pra uma bela vista panorâmica dos arredores. Voltei, me perdi, me reencontrei geograficamente, belisquei “docinhos-mara”, comprei pão caseiro e queijo. Show de bola. Daí você volta pro hotel e dá de cara com gente ali ajoelhada fazendo orações, sem falar das mesquitas que, cinco vezes ao dia, anunciam as preces em alto e bom som. Benvindo ao Marrocos. Obs: Chefchaouen se mostrou um bom lugar para trocar euros por dirhans. Aqui encontrei quem me desse 10,80 dirhans por euro, o que é praticamente a cotação que aparece na net como câmbio oficial. Não sei como seria em Tânger, pois não tive a oportunidade de explorá-la, tão grande era minha vontade de conhecer Chefchaouen.   

OBS: na verdade, depois de 16 dias no Marrocos, verifiquei que as casas de câmbio praticam valores muuuito parecidos, todas nessa faixa.

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Foto: Chefchauen (significa algo como “olhe as montanhas”) vista da “casbá”, ou seja, a parte fortificada da medina. Esta cidade se tornou minha maior paixão no Marrocos. Chama atenção pela maioria das casas adotarem uma coloração azul. A origem disso é incerta, mas parece estar ligado a tradições judaicas, seus primeiros habitantes. Mas há também quem diga que essa cor espanta mosquitos.

01-11: Acordei tarde, me distrai com a internet, mensagens, facebook. Ontem, zanzando por aqui encontrei outro hotel mais barato, mais limpinho e dentro da medina (Hotel Abi Khancha, em frente à mesquita de mesmo nome, Avenue Assaida Alhorra, 57, por 60 dirhans a diária, tel. +212539986879, +212602246223 e +212626878426, [email protected]) e lá fui eu trocar de hospedagem. Fiquei tão entusiasmado com o dia anterior que resolvi abdicar das trilhas que pretendia fazer nos arredores em prol de mais uma procura pelos melhores ângulos da cidade azul. E valeu a pena, pois ela não decepciona. É única mesmo. Além do entusiasmo com a cidade, incrível, tem o fato de se estar mergulhando na rotina local, com tudo o que ela contém e ainda mais na cidade velha (a medina), com aquele “trupé” de mulas, motos, corredores estreitos, pórticos, pequenas praças e feiras, o colorido dos produtos à venda expostos nos muros e nas lojas, os habitantes locais entrando e saindo das mesquitas (numerosas, em todo lugar tem uma), enfim, a realidade marroquina em gênero, número e grau, com toda sua intensidade em odores, cores e afetos, é notório que esse país não quer que você fique indiferente a ele. Encantador e envolvente. E assim foi o dia, entre mercados de rua com produtos ultracoloridos, comidinhas e bebidinhas curiosas (tipo suco de tâmara, muito doce mas tem lá seu valor gastronômico, por 12 dirhans). Mandei pro papo também um tajine de carne com ovo (30 dirhans) e um cuscuz de carne de cordeiro com legumes (35 dirhans), mais suco de laranja (a laranja daqui tem um “tchan” – 12 dirhans – na Espanha é quase sempre extremamente ácida). No caso do cuscuz, é praticamente o que se come em Pernambuco e diferente do baiano, ou seja, feito com farinha de milho mas comido seco, com a carne e os legumes por cima. Muito bom!   

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Foto: sucessão de construções coloridas na medina, com o onipresente azul. É tudo assim grudadinho uma casa na outra, dando pra corredores estreitos pra circulação (carros não entram). E muitas parreiras nos telhados. Às vezes, formam um verdadeiro túnel com seu emaranhado. Pra quem puder, procurem ficar hospedados dentro da medina para se ter uma noção melhor do que há de mais tradicional por aqui.

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Foto: ruelas estreitas com produtos à venda nos muros.

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Fotos: dois dos recantos mais charmosos da medina em Chefchauen.

 

 

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02-11: Cortei a barba em um barbeiro da medina (15 dirhans); comi um doce que eu não consigo entender o nome quando o carinha vende (2 dirhans cada, geralmente compro uns 3 cada vez que passo ali – fica na rua da praça principal da medina). Se eu disser que é muito bom, não dá ainda a dimensão real da coisa. É divino. Antes, tentei uma atividade sugerida pelo Lonely Planet, que é acompanhar o leito do rio Ras El Maa, a partir do portão Bab Onsar da medina, até a Avenida Melilla, mas, contrariando o guia, já não é possível fazer esse percurso integralmente pois acredito que algumas mudanças ao longo do trajeto bloquearam a passagem dos pedestres. E já não se encontra em bom estado de conservação e limpeza, apesar de uma restauração ocorrida há alguns anos. Há muito lixo acumulado dentro do rio (saquinhos plásticos, recipientes de comida e artigos de limpeza, até bichinho de pelúcia jogado no fundo eu vi).

Visitei a Casbá ao lado da “Grande Mesquita”, na praça Outa El Hammam (acho que foi cerca de dois euros), que recomendo pois tem, entre jardins, muros e torres, uma mostra que resgata a importância da mulher na sociedade marroquina, algo bem relevante num país árabe. Ali nos lembram da significativa participação das mulheres na política (perfazem mais de 80 parlamentares – no Brasil são quantas mesmo? Rolou uma vergonhinha alheia). À noite, jantar no restaurante Assaada (cuscus com carne de cabra). Depois,  repeti um mesmo programa por todos os três dias que estive ali: ida à Mesquita Espanhola, pra ver o por-do-sol. E um pouco além, numa trilhazinha em direção às montanhas (lado oposto ao da cidade), pra me isolar e assim captar melhor as energias desse lugar tão especial. Era lua cheia e tem umas pastagens, umas oliveiras, uns cactos, numa paisagem que se tornou mais especial ainda diante dos sentimentos que surgem numa despedida, já que era meu último dia por ali. Que “demais”! Obrigado, Chefchaouen! Você já mora no meu coração!

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Foto: doce muito comum, mas que eu não me recordo o nome (eles diziam mas eu não conseguia entender direito – quem souber, dá um toque, por favor), vendido nas ruas por ambulantes. Delicioso. É uma massa frita coberta com uma calda e gergelim.

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Foto: Chefchauen vista da trilha pra mesquita Espanhola.

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Foto: dentro da casbá ao lado da “Grande Mesquita”, na praça Outa El Hammam.

03-11: despedida de Chefchaouen, que gostei tanto. Passaria muitos outros dias ali, se pudesse, tranquilamente. Assim, acabaria indo também pros parques nacionais ao redor, como o Talassemtane, bem próximo, fazer umas trilhas e conhecer cachoeiras, bem recomendadas. Conforme outro relato do “mochileiros.com”, é possível pegar um taxi e ir, mas os taxistas foram muito mercenários, queriam quantias astronômicas pra ir da rodoviária até o centro, imagina num roteiro saindo da cidade. Então, pensei: “se aparecer outro turista que vá, rachamos e vamos”, mas o “outro turista” a fim de natureza, não apareceu. Na verdade, muita gente tá ali é por causa do... haxixe! A região é grande polo produtor, consumidor e de tráfico de haxixe. Até crianças vendem na rua, apesar de ser proibido. Bom, não rolaram as trilhas mas nada como um bom motivo pra se voltar outra vez para um lugar que te cativou, não é mesmo? Hoje posso garantir que o Marrocos proporciona bem mais do que apenas 16 dias de viagens incríveis.

Passagem comprada no dia anterior para Fez, empresa CTM, na própria rodoviária (pra não correr risco de não haver na hora - o ônibus saiu lotado, ou seja, não haveria): 75 dirhans mais 5 por uma mala (no Marrocos, as empresas de ônibus cobram esse valor por cada mala depositada no bagageiro). O ônibus saiu às 10:45 de Chefchaouen, chegando às 15:30 em Fez. Foi um trajeto tranquilo, montanhoso até Oussani (ou seja, cheio de curvas), com o predomínio de oliveiras e criação de cabras, e raramente hortaliças, tornando-se mais plano depois, num trecho voltado para o plantio mecanizado, com quase toda a zona rural ocupada por terra arada esperando a chuva pra plantar, provavelmente cereais (no Marrocos e nos países Mediterrâneos, é no outono e inverno que temos a maioria das chuvas, mas nada que atrapalhe os planos de um viajante, já que chove muito pouco – nesse setembro e outubro por Portugal, Espanha, Itália e Marrocos, só peguei um dia de chuva em Florença, na Itália, e nada muito volumoso).

Esperava que Fez fosse uma Chefchaouen maior. Engano total. Amanhã irei na medina, mas já dá pra dizer que o lado moderno da cidade pode até impressionar. Avenidas amplas, com frequentes fontes jorrando água abundante, gramados, flores e “passeios” largos e ladeados por árvores e palmeiras. Numerosas famílias frequentando. Carroças que mais pareciam carruagens à disposição de quem quisesse um passeio mais requintado. Shopping igual a todos os outros mundo afora com preços idem (praticamente os mesmos do Brasil, talvez um pouquinho menos caros, com a maioria das mesmas franquias). O shopping “Borj Fez” que está próximo ao hostel em que me hospedei tem também Carrefour, onde lá fui eu comprar provisões de chocolates, torradas, biscoitos, água e maçãs. O hostel está vinculado à rede Hi Hostel e nele me hospedei por quatro dias (Rua Abdeslam Seghrini, Ville Nouvelle, R$ 27,00 a diária). Não se encontra na medina (30 minutos de distância, caminhando), o que acabei gostando pois me deu a oportunidade de explorar um trecho da cidade que talvez nem chegasse a conhecer caso tivesse me hospedado por lá.

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Foto: passeio público ao longo da avenida Hassan II, bem próximo ao hostel.

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Foto: loja próxima ao hostel, de moda masculina. Diferente, né? Essa é uma das opções de vestimenta por aqui. Mas nem todos os homens se vestem assim. Só os mais tradicionais, sejam mais velhos ou não. Grande parte se veste como no Brasil.

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Foto: e vejam só quem eu encontrei fazendo uma boquinha por aqui, num outdoor gigantão. Inusitado.

 

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05-11: Visita a Rabat. Fui parar na capital do Marrocos devido a um erro bisonho. Comprei uma passagem de trem pra visitar Meknes (22 dirhans), próxima a Fez. Mas, ali, temos duas estações de trem. Me sentindo na Suíça, deixei passar a primeira e esperei pela segunda, mais próxima da medina, isso segundo o google maps. Que passou sem que o trem parasse. E lá fui eu à procura do fiscal ou um funcionário que soubesse inglês ou espanhol e me esclarecesse pra onde o trem estava indo agora e como fazer pra voltar. Esclarecido tudo, mudei de planos. Fui à Rabat, capital do Marrocos (mais 80 dirhans), a três horas de viagem de Fez, deixando Meknes pro dia seguinte. Valeu a pena, pois é bastante diferente das demais até então, tem uma infraestrutura urbana interessante, avenidas amplas, está à beira-mar e possui uma medina em que ninguém “enche muito seu piquá”, dando mais autonomia pra apreciar as lojas sem perturbação e maracutaias. Ao lado direito da estação de trem, bem próximo a ela, temos o Museu de Arte Contemporânea e o Museu de Arqueologia (não os visitei pois o tempo era escasso e havia chegado às 13:00, tendo só a tarde para o passeio e depois mais três horas de volta pra Fez). Mas deu pra chegar ao Palácio Real (também pertinho). Não tem como entrar nas construções mas é um agradável passeio pelos jardins. Um dos guardas, muito simpático e admirador do Brasil (fez referências ao Gabriel Medina e ao Mineirinho, sendo fã de surf e até arriscando umas palavras em português) sugeriu um passeio à Challa, a uns quinze minutos caminhando, em que temos ruínas romanas e islâmicas num espaço que foi adotado por cegonhas (dezenas e mansinhas) que ali fizeram seus ninhos no alto das ruínas, um lance meio “Voulubilis”, próxima a Meknes (que eu tinha resolvido que não visitaria). Interessante. Dali, peguei um táxi (15 dirhans) até a casbá (parte fortificada) da medina (o trecho da cidade entre as muralhas). A casbá vale uma conferida, principalmente o Jardim Andaluz. E as vistas do mar são monótonas, tudo muito reto e sem verde, mas mar é mar e eu queria ter uma noção de como ele se apresenta por ali, como são as praias. Era domingo e as praias estavam cheias (muitos surfistas e mar com ondas significativas). A casbá é significativamente mais alta que o terreno ao redor, gerando vistas panorâmicas interessantes, além do que ali temos a foz de um rio que traz um bonito complemento à paisagem local. Voltei pra Fez (85 dirhans), comi uma lasanha (40 dirhans) e tomei um suco de laranja (10 dirhans), dei uma andada e fui pro hostel.

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Foto: Ruína romana em Challa, Rabat.

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Foto: Beira-mar vista da casbá da medina de Rabat.

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Foto: fim de tarde em Rabat, com o passeio público lindão e bem frequentado.

 

06-11: Fui de manhãzinha até o Museu Nejjarine na medina de Fez (20 dirhans), que não tinha conseguido visitar dois dias antes (depois dos perrengues com os guias e ter perdido tempo demais, cheguei até ele quando estava sendo fechado). Acredito ser um passeio obrigatório aos locais interessantes da medina, pois abriga o que foi uma espécie de hotel para os mercadores da época, além de que seu acervo é bem conservado e interessante. Depois, mesmo tendo resolvido não ir pra Voulubilis (ruínas romanas) nem Moulay Idris (mausoléu), queria conhecer Meknes (22 dirhans por trem), a cidade próxima desses locais. Um passeio por agência contactado pelo hostel orçava em 1.000 dirhans um tour de um dia por estes lugares, saindo às 10 da manhã (te buscam). Achei carézimo, e pra quem já tinha visitado a própria Roma e Pompeia uns dias antes, me desinteressei. Mas ali cheguei – a Méknes - meio tarde (além da visita ao Nejjarine, lavei roupa de manhã no hostel). Resolvi que iria andando mesmo até a medina, pra assimilar melhor a cidade. E foi bem legal. Come-se aqui, bebe-se ali, fotografa-se acolá. E assim se chega ao pórtico da medina, que tem à sua frente uma praça em que muita coisa acontece, no que seria uma Jema El Fina (a mítica praça de Marrakeche) menor e menos famosa. Um cara com a cobra no pescoço, macacos de Gibraltar com camiseta de Messi e Ronaldo, gente dançando, vendendo, turistando... gostei muito desse passeio descomprometido e bem agradável. Adentrando a medina, uma quantidade razoável de restaurantes variados para todos os bolsos. Recomendo.

 07-11: Saída às 8:30 da estação de trem de Fez em direção à Marrakeche (oito horas de viagem a 311 dirhans em primeira classe – assim, há mais espaço pras bagagens, mas não é tão diferente da segunda classe - e muito tempo pra botar o relato em dia, ler e apreciar a paisagem). Lá chegando, daria início a sete dias e seis noites reservados do Brasil ainda em abril, e que deixei pago parcialmente (no total, são 420 euros, 200 pagos antecipadamente), incluindo um tour de cinco dias pelo interior com o mítico passeio pelo Saara, com quase tudo pago (hospedagem, guia, uma refeição por dia e deslocamentos). Assim resolvi pois imaginei que no interior do Marrocos talvez poucas pessoas conseguiriam se comunicar em inglês e espanhol (o que até então não tinha sido problema mas gera alguns impedimentos onde a comunicação se faz necessária). E encontrei em um site uma referência a dois irmãos portugueses (Rita e João) que vivem em Ouarzazate e ali tem pousada, e que organizam este e outros tours. Bem adequado. Além de que te pegam na estação que você chega (ou aeroporto) e te levam até ali quando tudo acaba. Cômodo, principalmente se você se hospeda na medina, onde sempre é possível se perder antes de se familiarizar com o traçado urbano. O site deles para contato é http://www.darrita.com/hotel-marrocos/viajar/tours/ e já adianto que são super gente boa e atenciosos, tiram todas as suas dúvidas, que, no meu caso, foram muuuuitas, agradeço a paciência deles. O Hotel em Marrakeche, já incluso no tour: Riad Dar El Masa ([email protected]), cinco minutos a pé da mítica praça Jema El Fina e dentro da medina. É só avisar quando se dará a chegada na cidade que eles te pegam no aeroporto ou onde quer que seja (no meu caso, foi na estação ferroviária). Vale dizer que, pra quem tem menos tempo, é possível realizar o passeio ao Saara em um tour de 3 dias, portanto, bem mais rápido, e que é feito por várias agências, como também pelo pessoal do hostel Equity Point Marraqueche (http://www.equity-point.com/our-hostels/equity-point-marrakech-hostel/general-information.html), um dos melhores do mundo, e que sai por 90 euros, se não me falha a memória, mas é possível encontrar por até menos (60 euros). Mas, apesar de passarem pelo mesmos roteiro que eu faria com o grupo, deduzi que em três dias tudo poderia ser rápido demais, comprometendo um melhor aproveitamento. Além do que, pelos relatos que li, há uma diferença muuuito significativa quanto aos aposentos e tendas (no deserto) usados por cada passeio. Há relatos até de grupos que dormem ao relento e em colchonetes (quanto à comodidade, o passeio que fiz é nota dez, tendas com banheiro privado e água quente no chuveiro, além de colchões muito confortáveis, além de uma comida maravilhosa no acampamento). Pois bem, com a chegada em Marraqueche, não há como relaxar enquanto não se vai à praça Jema El Fina. E como era fim de tarde, havia muito tempo até a noite adentro. Pra quem acaba de chegar ao Marrocos, certamente o impacto desse microcosmo nacional é gigantesco. Pra mim, que já circulava há algum tempo por aqui, o impacto foi reduzido, o que não diminui as virtudes do lugar, bastante interessante. Foi a maior praça-feira que vi no país, está rodeada pelo comércio de produtos tradicionais (e outros nem tão tradicionais assim) e lá estão também os encantadores de serpente (hipnóticos - conforme a tarde cai eles se vão, à noite já não os via mais, portanto, se quiser vê-los, vá com luz natural), as barraquinhas de comidas e bebidas tradicionais (novamente, destaque pro maravilhoso suco de romã, além de lesmas cozidas, lanches, assados, cérebro de carneiro cozido, sopas etc.), contadores de histórias, dançarinos (ou coisa parecida) etc. Passeio obrigatório.

A imagem pode conter: 2 pessoas, pessoas sentadas, sapatos e atividades ao ar livre

Foto: nesta altura do século XXI, acho que não está exatamente nos planos de ninguém encontrar um encantador de serpentes por aí. E eis que ele aparece, lá na Praça Jema El Fina, em Marrakeche. Aliás, vários deles. Não acredito que por muito tempo. Os bichos devem estar estressadíssimos e, se duvidar, nem presa têm mais. Então, o que pesará mais: a sobrevivência de um modo milenar, intrigante e sedutor de ganhar o pão ou a natureza que clama por humanidade? A discussão sobre a festa do peão nem é tão diferente disso. 

A imagem pode conter: 1 pessoa, sorrindo, fruta, comida e área interna

Foto: Praça Jema El Fina

A imagem pode conter: 1 pessoa, sentado, chapéu e atividades ao ar livre

 

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08-11: O roteiro deste dia foi o seguinte: Marraqueche - Talouet - Ait Benhaddou - Ouarzazate, passando pelo vale do Ounila, pelas montanhas do Alto Atlas e em uma cooperativa de fabricantes de óleo de argan, entre outros produtos locais. Já nesse trecho ficaram claríssimos o ponto alto e o ponto fraco do passeio.

Como os irmãos organizadores Rita e João são portugueses, é com falantes da nossa língua que se viaja, no caso, 14 pessoas numa van, com 4 portugueses e os demais, brasileiros, mais o motorista e o guia marroquinos. E isso facilita a integração. Demos sorte pois a harmonia que reinou no grupo foi incrível, gente muito diferente entre si mas todo mundo muito colaborador e sintonizado. Muito provavelmente, nos demais passeios imensamente mais curtos e baratos, corre-se o risco disso não ocorrer, pois incluem gente do mundo todo e uma grande variedade de idiomas. Mas também poderia ser até melhor. Achei importante garantir-me na opção mais cômoda. Vale a pena lembrar que quem quiser arriscar e viajar sozinho com ônibus (não há trens de Marraqueche para essa região) não terá tantas dificuldades, o povo local é muito prestativo, e aí sim você economizará horrores, pois tudo é muuuito barato. O único inconveniente mesmo foi onde há turismo de massa como em Fez, com os pretensos informantes-guias aproveitadores - fuja deles. Foi o único “porém” em toda a viagem.

Quanto ao ponto fraco, trata-se do seguinte. O guia marroquino obedece ao que entendi como sendo um padrão por aqui: guiar, geralmente significa “conduzir” os turistas até onde haja interesse, principalmente viabilizando a logística pra quem não domina a língua local, mas sempre enfatizando restaurantes, lojas e feiras, que, confesso, eram mesmo as prioridades para parte do grupo. E há informações de menos, comércio de mais, e pouco destino cultural, pois os guias querem mesmo é comissão nas vendas. Enfim, desse ponto de vista, o roteiro poderia ser imensamente melhor aproveitado. E, como o pacote só se responsabilizava por uma refeição por dia, geralmente, os locais escolhidos pelo guia em trechos remotos do caminho em que não havia qualquer outra segunda opção de estabelecimento a preço justo, cobravam em média TRÊS vezes mais do que qualquer outro local decente que eu havia frequentado durante a fase “solitária” da viagem. Se soubesse, teria feito antecipadamente lanchinhos por minha própria conta, e comprado frutas pra comer no caminho. Enfim, nada contra o Marrocos e nem muito diferente da lógica global de extorquir turistas em excursão, taí os ônus e bônus da opção por viajar nesta modalidade. Mas vale lembrar também que TODAS as acomodações e refeições já incluídas no pacote (os jantares) foram excelentes. Ao final do dia, chegamos a Ouarzazate, onde jantamos e pernoitamos no Riad Dar Rita (http://www.darrita.com/hotel-marrocos/).
 

Obs: tinha uma curiosidade gigantesca por conhecer Ait Benhaddou, acho que foi o local do Marrocos que mais despertou minhas fantasias geográficas e me impulsionou a fazer a viagem. E foi incrível conhecê-lo.  Mas o encontrei em um péssimo estado de conservação, além de ser infinitamente menor do que imaginava, parece mesmo um cenário artificial e não um patrimônio histórico digno desse título. Além do que, o rio ao lado estava quase totalmente seco e o tempo nublado, acho que tudo conspirou para minimizar meu encontro. Enfim, um dos poucos lugares que não corresponderam às minhas expectativas. Deu vontade de morar por ali e criar uma ONG pra resguardar melhor aquele patrimônio tão maltratado.

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Foto: este foi o grupo que acompanhei no tour do deserto (6 noites, 7 dias, 430 euros, 4 portugueses e 10 brasileiros), nesse momento em Ait Benhaddou. Todo mundo aí tem o seu valor, mas o casal carioca composto pelo PC – Paulo César (de verde, atrás de mim), e sua esposa Márcia (ao seu lado direito, com a sacolinha azul) tinha que ser declarado patrimônio nacional. Figuríssimas...

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Foto: Vale do Ounila, no caminho para Ouarzazate.

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Foto: aspecto da região do Alto Atlas, no caminho para Ouarzazate.

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Foto: Ait Benhaddou, tão linda e tão maltratada.

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Foto: romãs, uma constante como sobremesa junto às refeições marroquinas. O suco dela é algo de insuperável, refrescante e terapêutico. Aqui elas são bem mais suculentas do que no Brasil.

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09-11: Ida pro Erg Chebbi, o mítico passeio ao deserto do Saara. Roteiro: Ouarzazate – Agdz - Vale do Draa, o maior rio do Marrocos – Nkob - Tazzarine - Alnif - Rissani - Merzouga. O que eu não esperava era que a maioria das localidades citadas no roteiro seriam apenas avistadas ao longe. De fato, pelo tempo que dispúnhamos e a grande distância a ser percorrida, não daria mesmo para um detalhamento de cada lugar. Apenas em Rissani é que houve uma parada mais demorada para se visitar um mercado local, interessante para adentrar melhor no cotidiano do Marrocos profundo. De qualquer forma, não haveria nada capaz de desviar a atenção de quem quer que fosse da atração principal, o percurso em direção às dunas do Erg Chebbi (já fazem parte do Saara).

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Foto: estipulava o roteiro que visitaríamos Agdz, o local ao pé da montanha na foto. E teria sido interessante cruzar o palmeiral e alcançar o povoado, dar um giro por lá. Mas tudo se resumiu a uma contemplação ao longe.

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Foto: mercado de animais em Rissani, com a cidade ao fundo.

Após as paradas em vistas panorâmicas (destaque para os palmeirais, casbás e souks – os mercados) e restaurante para almoço, se chega a uma espécie de hotel, base para que se troque de veículo pra outro mais apropriado às areias, e dali se vai até onde estão os dromedários que fazem o restante do percurso até o acampamento, onde se janta e passa a noite. Ali rola toda uma curiosa “mise en scène” onde os dromedários reinam. Mansinho, lento e simpático, toda atenção é pra eles, é um tal de arreia pra cá, fotografa pra lá, e ele ali, impassível, parece não se dar conta de coisa alguma. Achei muito confortável, ao contrário de outros viajantes. Infelizmente, o tempo estava nublado e, assim, duas coisas a lamentar: o pôr-do-sol ficou pra outra oportunidade e não foi possível à noite avistar aquele céu lindo e limpo dos meus sonhos, tão aclamado em prosa e verso por todos que ali estiveram e viveram essa experiência.

Mas nem dá pra ficar triste, pois o acampamento é muito legal, tanto pela estrutura (tendas cobertas – há passeios em que as tendas estão a céu aberto – com banheiro e chuveiro com água quente, pois há um gerador de energia que fica ligado até que todos durmam). O jantar é servido numa tenda maior lindona (aliás, todas são) e é comida boa demais, foi das melhores refeições que todos fizeram no Marrocos, principalmente a carne bovina, não devendo nada aos melhores restaurantes. Após o jantar dos sonhos, todos vão pra fora da tenda onde há uma fogueira e os auxiliares berberes fazem uma apresentação animada com vários instrumentos (atabaques, castanholas...) e músicas tradicionais. Depois de um certo tempo, foi a vez do nosso grupo de turistas mostrar seus dotes musicais, mas em breve ficou claro que eles não existiam, então, os berberes retomaram o controle. Mas foi divertido, com direito a trenzinho, pretensas danças do ventre, coralzinho tímido... Quando quase todo mundo já tinha ido dormir, resolvi tentar subir a duna maior ao lado do acampamento pra ter uma noção do como é a vista lá de cima. Existe uma certa corda cuja localização só ficou clara de manhã, com luz natural, pra auxiliar nesta “ascensão”. Mas nada de achar a corda à noite, e é muito difícil enfrentar a duna encarada de frente. Ficou pra manhã do dia seguinte. Combinei de acordar o povo pra gente acompanhar o nascer do sol no alto da duna.     

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Foto: dunas de Erg Chebbi, deserto do Saara

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Foto: E lá fomos nós numa alegria só pro acampamento. Pena que o tempo nublado abortou nosso pôr-do-sol e as míticas sombras projetadas na areia.

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Ótimo relato! Você é um ótimo contador de histórias. Parabéns! Aguardo a continuação.

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10-11: neste quarto dia de viagem programada, o roteiro informado pela organização foi esse:

 

“Acampamento nas dunas de Erg Chebbi - Merzouga - Erfoud - Tinjdad - Gargantas do Todra - Boulmane - Kelaa Mgouna - Skoura - Ouarzazate. Nascer do sol no deserto, passeio de dromedário de volta ao transporte. Partida em direção às gargantas do Todra e passagem por Erfoud. Passagem por Boulmane do Dades e o Vale das Rosas. Passagem por Skoura pela Rota das 1000 kasbahs - jantar e dormida em Ouarzazate no  Riad Dar Rita http://www.darrita.com/hotel-marrocos/.”

 

Ou seja, muitos destinos, grandes distâncias, pouco tempo em cada lugar e, às vezes, mera contemplação ao longe. Tanto que nem saberia hoje dizer ao certo qual é qual, retive poucos deles na memória, mesmo sendo interessantíssimos. Hoje, imagino que não seria uma má ideia passar uns dias em Ouarzazate e explorar melhor os arredores. Eu acho estes vales cobertos por palmeiras, contrastando com as montanhas e seus vilarejos avermelhados, tão incríveis que ainda quero ter a oportunidade de vivenciá-los melhor um dia. Gostaria de saber de quem já fez isso se vale mesmo a pena.

 Ao contrário do entardecer do dia anterior, a madrugada foi brindada com tempo limpo e prometia ser um espetáculo. Mas foi frustrante descobrir que havia lua minguante, com iluminação significativa, daí, aquele céu escuro cheio de estrelas nunca antes tão brilhantes ficou pruma outra viagem. Acordei o povo e simbora subir a duna. Esforço “mega”, a areia fofa não aliviava com a perna afundando até o joelho e a cumeeira se aproximando mas ainda distante do topo da duna maior. Atingido o espigão, melou! Ao avistar o lado oposto da duna aliado ao vento forte que surge como que do nada nesse ponto, bateu uma vertigem intensa. Sempre sofri disso, mas, nesse caso, aquele vento potencializa a sensação de insegurança, além do cansaço significativo. Desisti de subir, infelizmente. A pressão baixou, o estômago revirou, tudo se converteu numa diarreia. Avisei o povo que não estava bem, uma médica que viajava no grupo me deu um comprimido, tomei e voltei pra tenda, me deitei no chão esperando a hora de ir embora. Alguns minutos depois e já com os dromedários prontos, vieram me chamar pra partir. Eu já estava bem melhor e fomos. O dromedário é um animal muito dócil, de movimentos lentos, imensamente mais obediente e manso do que um cavalo. Tem uma adaptação no arreio que o torna muito confortável. Houve quem reclamasse, mas deduzi que depende de você se acomodar bem antes da partida. Ou então vai sofrer um pouco no percurso, sempre em linha indiana.

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Foto: o acampamento, muitíssimo confortável, as dunas e o sol radiante que a gente quis muito e não teve no dia anterior. Mas neste novo dia compensou tudo! Paisagem e experiência incríveis!

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Foto: Dromedários e bérberes aguardando o momento da saída do acampamento.

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Foto: tem como voltar pro Brasil feliz sem ver as míticas sombras da “caravana” projetadas na areia? Pois é, estava chateado por não ter sido possível no entardecer do dia anterior, mais eis que neste dia o sol ajudou e o desejo se realizou!

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Foto: volta do passeio ao Erg Chebbi. Esta foto foi tirada por um dos auxiliares. Sabe cozinhar, conversa com todo mundo (não domina nenhum idioma mas se comunica como ninguém), toca vários instrumentos (como ficou claro na confraternização na noite anterior) e talvez seja um fotógrafo nato dos muito bons. Eu dou aula de geografia e gosto de viajar. Confesso que conviver com essa moçada no acampamento (são vários auxiliares) me permitiu perceber o quanto eu ainda tenho que aprender nessa vida.

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Foto: Garganta do Todra

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Foto: Tinghir. Este é um local do roteiro em que ficaria por um tempo maior pra explorá-lo melhor. Pra ver em detalhes este contraste incrível entre os palmeirais, cidades avermelhadas e montanhas.

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Foto: Tinghir

 

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Que lugares incríveis. Vc é excelente contador de histórias + fotógrafo (e o auxiliar comunicativo também). Pena a noite nublada no deserto, nunca tinha pensado nessa possibilidade. Adorei seu relato, obrigada por compartilhar!

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    • Por FlavioToc
      Observei que há poucos relatos sobre o Marrocos de carro e eu estava em débito quanto a contar a história desta viagem, então resolvi escrever agora. E também pela gratidão ao povo marroquino pela hospitalidade, gentileza e simpatia.  Escolhemos viajar em março por ser o fim do inverno e porque gostaríamos de ver neve. As temperaturas oscilaram entre 2º e 13ºC, com exceção do Sahara onde foi de 16° a 22°C. Ah, e é um destino muito seguro e bastante econômico, que são palavras mágicas para mim.

      O Marrocos por todo o exotismo povoa minha mente há décadas, então quando soube que tinha surgido uma empresa aérea que fazia voos diretos e em 9 horas, achei que era a hora. A cotação do dólar e euro começou a subir sem parar, isso sempre ocorre quando estou prestes a viajar, e só faltavam as passagens. Decidimos minha esposa e eu, que tinha que ser naquele momento. Por sorte durante a viagem o dólar e euro baixaram e a Royal Air Marroc devolveu-me a diferença, que foram uns R$ 800, nas duas passagens.

      Um probleminha era que os idiomas oficiais eram o francês, árabe e berbere. Meu inglês é capenga, mas soube que dava para se virar bem com o espanhol, então com a cara e coragem, nós fomos. Tratei de escolher apenas hospedagens nas quais falassem espanhol (tem lá embaixo no Booking).

      A aventura começou ao entrar no avião com a tripulação falando francês, alguns homens usando roupas típicas, todas as mulheres usando lenço (hijab) e músicas árabes de fundo, me parecia que só tinha nós dois de brasileiros. O voo atrasou uma hora e meia, devido a um temporal em Guarulhos. E ao chegarmos a Casablanca vimos o quanto é rigorosa a imigração, sendo nós e outro casal separado para a revista, mas deu tudo certo e nem perguntaram sobre o chimarrão e cinco quilos de erva-mate que levávamos.

      Incluímos neste roteiro as quatro cidades imperiais que são Marrakech, Fez, Meknes e Rabat. E acrescentamos Chefchaouen, Ifrane, Ouarzazate, Merzouga, Tinghir e Casablanca todas de grande importância turística.

      Coloquei abaixo com as fotos um mapa de nosso roteiro.

      Visão geral sobre turismo no Marrocos

      O Marrocos é um país de enormes contrastes. O país tem praias, montanhas, neve, deserto, cidades históricas e culturais. A cada 50 km a paisagem muda totalmente. Nas cidades grandes convive a mistura de modernidade e tradição. Não é todo lugar que se pode almoçar em um restaurante fundado em 1150 ou dormir em um hotel do ano 1348. E por falar em neve, as Montanhas Atlas têm neves eternas, ou seja, neves permanentes no topo, lindas.

      É um país seguro e de pessoas alegres, amáveis e que respeitam o turista. A polícia é muito educada e eficiente. São muito tolerantes e respeitadores quanto a outras religiões. Não há problemas para que mulheres viajem sozinhas, claro que devem se cobrir mais e não usar roupas muito justas por respeito a seus costumes. Também não precisam usar o lenço (hijab). Podem até ouvir uma cantada, tipo “quer casar comigo?” ou “quero casar com uma garota brasileira” e não se admire se em português.

      Todas suas fotos parecerão profissionais, porque além dos cenários incríveis a iluminação é perfeita. Por isso que Ouarzazate é chamada de Hollywood do Marrocos. Ocorrem muitas filmagens e não só de filmes com a temática árabe ou com deserto, mas até com temas europeus ou chineses por exemplo.

      Você vai ouvir muito as palavras:

      -Medina – É a cidade antiga que fica dentro das muralhas, ou seja, uma fortificação. Os portões das medinas são chamados de Bab, por exemplo, em Meknes tem a Bab El Mansour.

      -Souk, zoco, (espanhol), souq (inglês) – que se refere à zona comercial ou bazar dentro da medina. Há o souk dos couros, dos frutos secos, das joias, dos calçados, etc.

      -Riad – São mansões ou palacetes tradicionais sem janelas para o exterior, as salas e quartos abertos para o pátio interno ajardinado que muitas vezes tem árvores e fonte para refrescar. Abrigavam famílias numerosas e endinheiradas, hoje é uma palavra para hospedagem, ou seja, é um pequeno hotel sempre com decoração típica. Hospedagem que recomendo e é quase obrigatória, pela experiência, em Chefchaouen, Fes e Marrakech entre as cidades deste roteiro.

      -Kasbah – são palácios fortificados. Normalmente são de adobe (mistura de terra e palha) é um tipo de arquitetura muito comum no Marrocos. Tanto que, entre Ouarzazate e Thingir é chamado de Vale dos Mil Kasbahs. Alguns atualmente servem como hotéis.

      -Ksar – é uma cidadela fortificada e pode conter vários kasbahs. O mais famoso é o Ksar Ait Bem Haddou em Ouarzazate.

      -Bérbere – são os habitantes originais do Marrocos e de seus vizinhos Argélia, Mali, Tunísia antes da chegada dos árabes no ano 681. São diversos grupos ou tribos e sua cultura é muito forte e influente no dia a dia. Não confundir com índios, como li alguém citar. Tem uma cultura com escrita bem antiga derivada dos fenícios. Tiveram também influencia grega e romana. O grupo mais conhecido pelo cinema são os touaregs.

      -Djellaba - é o traje típico masculino.

      -Kaftan – é o vestido típico feminino. Assim como os trajes masculinos, tem para o inverno, o verão, para o dia a dia e para festas. Aliás, as mulheres vão ficar encantadas com a beleza dos mais festivos em exposição nas lojas.

      -Hijab – é o lenço feminino. Não é obrigatório. Também chamado nas lojas de pashmina. É uma boa opção de presente. Bem baratos e de boa qualidade.

      Baboucha ou babouche – São chinelos típicos. Tem para homens e para mulheres. São muito decorativos. Outra boa opção para presente. Também são bem baratos.

      -Dirham – É a moeda (abreviação MAD), que vale 10 a 11 por um Euro. Euros também circulam muito bem no comércio e hotéis. Bem fácil de converter, até de cabeça, para reais. Por exemplo, 200 MAD. Tire um zero e multiplique por 10 ou 11 (como preferir), o resultado é 20 Euros.

      -Hamman – É o conhecido banho turco. É um ritual de banho, esfoliação e massagem. Nós fizemos os dois juntos em Marrakech em nosso riad. Adoramos! Creio ser uma experiência obrigatória. E a moça que fez tinha mãos de fada, nada daquela coisa bruta que se vê em filmes.

      Coloquei os hotéis que ficamos para referência de preços (ver no Booking) e de localização, que no caso das cidades grandes também incluía o problema de chegar de carro. Isso porque dirigir dentro das medinas como em Marrakech e Fez é um problema.  Todos tinham nota acima de 8 na época.

      Muitas atrações são livres ou muito baratas. Apenas mais caros foram os ingressos com guia na Mesquita Hassan em Casablanca e o Jardim Marjorelle em Marrakech. Mas valem todos os centavos. Estes não se comparam aos valores na Europa, são muito menores.

      Se for comprar algo mais caro tenha uma noção de preços antes de entrar em uma negociação. É uma experiência marcante que pode levar horas. Nós compramos um lindo casaco de couro de camelo para minha esposa. O preço começou em umas três vezes mais, saímos, voltamos umas duas vezes e novas discussões de valores. Então soube quanto era a faixa de preços lá no riad e também com outro vendedor e no final quando já estávamos quase brigando fechamos em 80 Euros, ficamos amigos, nos abraçamos e conversamos.

      Para mais informações veja no site:http://www.marrocos.com/
      A culinária

      Mundialmente famosa e exótica com muitos temperos, mas nada que desagrade a maioria dos paladares (ah..., tem o cominho) e há também muitos pratos vegetarianos. Não tem esquisitices. Não estranhamos e gostamos muito. É bem variada e os mais populares são:

      -Cuscuz – Que é feito com sêmola um tipo de trigo duro. Quem gosta do cuscuz paulista vai gostar porque é semelhante, mas melhor.

      -Tajine – Costuma ser alguma carne bovina, cordeiro, frango, peixe. É como uma carne de panela muito macia. São cozidos lentamente em uma panela de barro com o mesmo nome.

      -Mechui – Cordeiro assado lentamente e muito macio.

      -Sopas – As mais comuns são a harira e baissa de habas (favas). Tomávamos todos os dias e muitíssimo barata.

      -Paella – Espanhola. Servida no litoral. Como em Rabat.

      -Pastella ou pastilla – É um prato bastante exótico com uma carne como frango ou pombo com ameixas, amêndoas e mel, cobertos por uma fina massa folhada e cobertos com açúcar de confeiteiro. Mistura salgado e doce. É bem gostoso e bonito.

      -Pinchito – são espetinhos. Semelhantes aos que conhecemos.

      -Kebab – são espetinhos de carne moída. Bem conhecidos por aqui.

      -Amlou – é conhecida como a “Nutella marroquina”. É deliciosa, mas não achamos semelhança, é bem fluída, não pastosa. Confeccionada com amêndoas, mel e óleo de argan.

      Todos os pratos são acompanhados com pão à vontade.

      Nas cidades maiores há também várias opções de comida internacional, de mexicana a tailandesa.

      Muitas vezes, como estávamos em dois, um pedia um cuscuz e outro um tajine e cada um comia um pouco de cada. Em todos os lugares são pratos muito fartos. Só em Marrakech são um pouco menores, mas nunca faltou comida. Todos os cardápios são pelo menos em francês, inglês e espanhol e tem foto da comida, além da descrição.

      Não deixe de entrar em uma pâtisserie (confeitaria) para fazer um lanche e ficará encantado com a variedade de doces. São de um sabor delicado e não muito doces. Usam mel, amêndoas, gergelim. E não deixe de tomar o suco ou batido de amêndoas, que é fantástico, vem quase copo de liquidificador. Mesmo assim foi um para cada.

      Vai se esbaldar comendo tâmaras e tem uma grande variedade. Procurei comprar embaladas. São deliciosas.

      Azeitonas, eu nem imaginava que havia tantas variedades. Servem até no café da manhã. E na maioria das vezes antes de qualquer refeição já colocam na mesa pão e azeitonas.


       
      Como é dirigir no Marrocos

      Dirigir no Marrocos é fácil e uma experiência incrível que te faz sentir na pele os lugares por onde passa, viajando no teu ritmo e desfrutando do trajeto, não só dos destinos.

      Nosso roteiro deu uns 2000 km, mas rodamos um total de 3600 km.

      Alugamos o carro pela internet pelo site https://www.economycarrentals.com
      que apresentou os melhores preços (até a metade de outros) e não tinha taxas extras. A locadora foi a Europcar, e escolhemos um i30, na falta nos ofereceram como upgrade o Qaskay que é uma SUV do porte do Jeep Compass. Um detalhe maravilhoso que era a diesel, o que fez a diferença, porque fez 22,5 km/l. Pagamos pela diferença R$ 120 (convertidos). Então, lá escolha o diesel. Uma coisa que não entendi é que no ticket da máquina de cartão apresentou a palavra débito, apesar de ter escolhido o crédito. E no fim das contas saiu mesmo no crédito na fatura do cartão. Não entenderia mesmo em português, muito menos em francês. Mas na próxima vez lá, já sei e tudo bem. Portanto, não se preocupem com isso. Se quiseres saber o preço dos combustíveis lá para planejamento veja em https://www.globalpetrolprices.com/gasoline_prices/ que mostra a média dos valores praticados em todos os países.

      Evite dirigir nas grandes cidades que pode ser confuso e também para não perder a vaga do estacionamento, que em geral é na rua com “flanelinhas” licenciados, custou 2 Euros por noite em todos os lugares. Pode ficar tranquilo que ninguém mexe. Não vá deixar coisas de valor à vista, é claro. Nestas use táxis que são baratos.  As placas de sinalização são em árabe e alfabeto ocidental. Verá algumas em bérbere nas autoestradas (escrita que lembra a dos fenícios). Não é necessária a PID (Permissão Internacional para Dirigir).

      As estradas são de ótima pavimentação e poucas têm pedágios sendo a maioria baratos (foram valores como 6, 8 ou13 MAD, ou seja, 1 Euro), a exceção é a que vai de Marrakech à Casablanca.

      A polícia é bastante simpática, então também seja. Não ultrapasse os limites de velocidade que com 90% de chances você trará como “souvenir” uma multa. Têm radares em todas as estradas inclusive as mais desertas. Minha principal atenção foi com a placa Ralentir (desacelere) que é uma pegadinha no sentido literal mesmo. Leia neste post https://www.tempodeviajar.com/como-escapar-gendarmerie-royale-marrocos/ lá tem todas as informações necessárias para dirigir com tranquilidade no Marrocos.

      Chefchaouen nos mapas pode aparecer El Aiún. Por sinal, no Google mostra no menú a opção El Aiún, Chefchaouen, Marrocos. É esta mesmo.

      SAINDO DE CASABLANCA

      Total: 2000 km

      1º Dia 05/3- Chegada a Casablanca

      Chegada ao hotel no final da tarde, por conta dos atrasos. Então, o previsto para fazer não deu certo e ficaram várias atrações para outra viagem.

      Pernoite em Casablanca – Le Trianon Luxury Hotel & SPA. Escolhi pela nota no Booking na época superior à 8 e pela localização perto de várias atrações e junto ao Twin Center que é uma referência. O custo-benefício dos hotéis em Casablanca é baixo. Neste mesmo, o café da manhã era a parte e custava 7 Euros por pessoa. Tomamos café em uma lanchonete.

      2º Dia 06/3- Casablanca – Rabat – 85 km – 1:00 h

      - Mausoléu de Mohammed V

      - Torre Hassan

      - Kasbah dos Oudaias. É uma fortaleza cheia de residências ainda usadas atualmente. Não é necessário guia, mas se quiser combine, inclusive se entrar em uma casa vão querer te cobrar a parte, então trate antes.

      - Jardim Andaluz

      - Chellah (antiga necrópole que foi construída fora das muralhas pelos Merenidas no século XIII, que abriga as ruínas da antiga cidade romana). Hoje é um bonito jardim que dá vontade de passar uma tarde. É cheio de cegonhas e seus ninhos.

      - Palácio Real. Não pode tirar fotos.

                  Almoçamos na praia junto ao Kasbah dos Oudaias 180 MAD (para dois)

      Pernoite em Rabat – Riad Meftaha


       
      3º Dia 07/3- Rabat – Chefchaouen

      – 250 km – 3:35 h

      Chefchaouen é imperdível!  Conhecida como “cidade azul”, é uma das cidades mais coloridas do mundo, muito fotogênica e autêntica. Você se sente voltando mil anos no tempo. Parece que todos os moradores usam roupas tradicionais, até os meninos usam a jelaba e com capuz parecem magos de um filme de Harry Potter. Quem gosta de gatos vai adorar, porque são muitos pelas ruas e todos bem tratados, estes tendo sido até objeto de um estudo de universidade. São muitas as opções para refeições e também bem econômicas, na praça é uma pechincha.

      Pernoite em Chefchaouen – Dar Zambra. Este hotel fica dentro da medina, bem no alto, então tem que contratar carregadores (combine antes) ou terá que subir pelas ruelas e escadas com tudo nas costas.

      Todas as atrações na cidade estão listadas abaixo.


       
      4º Dia 08/3- Chefchaouen

      -Cidade antiga e medina. Exige muito das pernas para percorrer os labirintos de ruelas e escadarias. É o que mais se faz lá, olhar, descobrir e encantar-se.

      -Castelo central

      -Mesquita com minarete octogonal

      -Lavanderia pública Rass Elma

      Pernoite em Chefchaouen – Dar Zambra


       
      5º Dia 09/3 –Chefchaouen – Volubilis

       165 km– Méknes Total: 200 km –

      Volubilis – Méknes 34,3 Km 44 min.

       

      Volubilis

      - Volubilis (imensas ruínas romanas datando de 28 A.C). Nós paramos junto a uma cerca e avistamos de longe. Não tivemos tempo para visitar.


       
      Meknes
                  Meknes é uma cidade surpreendentemente linda. Quando estávamos chegando a gente começou a ficar de boca aberta. Os roteiros turísticos não lhe dão a devida importância, mas é uma das cidades que o guia Lonely Planet recomenda para a visita em 2019. Nós moraríamos lá, se pudéssemos.

      - "Tour des remparts", circuito das muralhas, que passa pelas diversas portas ("babs") da cidade; fizemos com uma carruagem. A cidade antiga é cercada por três conjuntos de muralhas, sendo uma dentro da outra e a externa com 12 metros de largura.

      - Mausoléu de Moulay Ismail (construtor da fortaleza, que teve 500 mulheres e 800 filhos!), uma das poucas mesquitas que podem ser visitadas, exibindo trabalhos decorativos riquíssimos;

      - Bab El Mansour

      - Medersa Bou Inania

      - Palácio Real, com seus fantásticos estábulos, com capacidade para 12.000 cavalos e respectivos cavaleiros, os silos, com capacidade de armazenagem de 2 anos,  o reservatório com uma "nouria" (monjolo), apto a alimentar de água tanto o palácio, quanto a "medina",  além dos jardins suspensos com oliveiras. Uma obra de engenharia militar. Um guarda se ofereceu por um pequeno valor nos servir de guia.

      - Ville Nouvelle (cidade nova), onde estão localizados os hotéis e restaurantes, mais parecendo um "mercado persa". Quanto ao artesanato, seu forte são os "damasquinados": semelhantes aos trabalhos encontrados em Toledo (Espanha), só que elaborados com ferro e prata. 


       
      Pernoite em Meknes – Riad Yacout, este fica dentro da muralha, uma localização privilegiada e perto de tudo. O riad era lindo e com uma decoração muito autêntica. O ano de fundação era por volta de 1750 se não me engano. 6º Dia 10/3 - Méknes – Fez 64 km

                  Fez é uma das cidades mais antigas do Marrocos, sua fundação foi 789. É misteriosa e cultural, é maior medina que não entram carros do mundo. Percorrer suas ruas e ruelas é a principal atração. E ficará impressionado com a qualidade dos objetos de couro, com as cerâmicas, dos ladrilhos, com as portas, bem, a lista é longa. Porque você vai se surpreender a todo o momento. Precisaríamos ter ficado mais uns dois dias pelo menos.

      - Bab Boujloud – o portão azul, principal entrada para a Medina

      - Medersa Bou Inania (medersa ou madrassa)

      - Dar-el-Makhzen (Palácio Real)

      - Bairro judeu Fez Mellah

      - Santuário de Moulay Idriss I

      - Padaria comunitária. São bem comuns até hoje. As pessoas levam o seu pão para assar lá.

      - Medina

      - Jardin Jnan Sbil

      - Palacio Glaoui

      - Al-Karaouine University – Foi fundada em 859 por Fatima Al-Fihri e é a mais antiga universidade ainda em funcionamento contínuo do mundo de acordo com a UNESCO. Mas não se pode entrar, pena.

      - Museu de Artes e Ofícios de Madeira de Nejarine

      - Tombeaux merinides (Tumbas dos Merenitas)- Vista da cidade

      - Quartier tanneurs – quarteirão de tingimento de couros

      -Borj Nord (Museu das Armas) Fortaleza no alto de uma colina

      -Dar-el-Makhzen (Palácio Real)

      Observação: Serviço Oficial de Guias em Fez é tabelado: Meio- dia: 200 MAD inclui apenas visita a medina.

                  Nós contratamos um guia que foi chamado pelo gerente de nosso riad para otimizar o tempo, então nosso tour começou por volta das onze horas até lá pelas quatro e meia da tarde. Foi meio corrido e com muita informação. Depois ande sem guia, então vai se perder e se achar entre as 10.000 ruelas (isso mesmo) que compõem esta medina. Nós tínhamos como referência a Bab Boujloud, o portão azul, já que nosso riad ficou próximo.

                  No outro dia era sexta-feira e no Marrocos que é muçulmano, equivale ao domingo. Então, dentro da medina a maioria do comércio estava fechado. Utilizamos o serviço de um guia para conhecer a parte fora da medina. Ele foi com uma van, e este sim foi maravilhoso, com muitas explicações inclusive sobre sua religião.

                  Esta hospedagem merece uma referência especial, já que nunca na vida fomos tão bem acolhidos em um hotel quando lá. O gerente nos colocou sob os cuidados do Hassan, e tudo que precisamos, ele nos auxiliou. Levou o carro que estava com pneu furado para conserto, conseguiu os guias, a compra de remédio para tosse (gripei) e um monte de coisas. Este riad é um palácio literalmente e nos deram uma suíte enorme que tinha até sala com sofás e o ambiente finamente decorado. Daria para passar um dia só fotografando os detalhes de tudo. Este riad foi construído em 1373. Bem antigo, mas reformado e belíssimo.

      Pernoite em Fez – Riad Al Makan – creio que melhor localização é impossível.


       
      7º Dia 11/3 – Fez
      Pernoite em Fez – Riad Al Makan


       
      8º Dia 12/3 - Fez – Ifrane 72 km
                  Ifrane é chamada de “Suíça Marroquina” e os tours normalmente só fazem uma passagem de umas horas, ela é mais “ocidental”, mas a natureza em volta é belíssima.  Mas nós queríamos ver neve, por isso resolvemos ficar um pouco e ter um tempo para descansar. Fizemos até bonecos de neve e interagimos bastante com as pessoas.

      -Estação de esqui.

      -Bosques de cedro com os macacos de Gibraltar, são a mesma espécie e bem mansos. Podemos nos aproximar sem que agridam. Entramos em uma estrada ao lado do hotel e ao longo do percurso víamos as pessoas fazendo pic-nic.

      -Nascentes de água

      -Parque das Cascatas de Vitel

      -Termas Naturais de Ras El Ma

      Pernoite em Ifrane – Hôtel Relais El Maa, sem café da manhã. Tinha uma lanchonete junto, mas comemos todas as refeições em um restaurante a poucas quadras.


       
      9º Dia 13/3 – Ifrane
      Pernoite em Ifrane - Hôtel Relais El Maa


       
      10º Dia 14/3 - Ifrane – Merzouga 400 km – tempo estimado de viagem 6:00h
                  Atenção ao tempo de viagem, que pode ser maior dependendo das paradas. Leve água e coisas para comer, porque não dará tempo para almoço se você quiser chegar até às quatro da tarde para ir de dromedário ao acampamento no deserto. Este horário tinha sido combinado por e-mail com nosso riad, e a finalidade é estar no acampamento ao por do sol. Foi o trecho mais longo que dirigimos e é demorado por conta das várias cidadezinhas que passamos. Muitas gostaríamos de ter parado um pouquinho.

      O passeio com dromedários até o acampamento no deserto foi uma experiência e tanto. Levamos em torno de uma hora e meia de dromedário. O jantar foi preparado no acampamento e o desjejum quando retornamos ao riad.  Creio não ser necessário falar o quanto isso foi emocionante. Ah, e era nosso aniversário de 24 anos de casamento.


       
      Pernoite em Merzouga no deserto em uma tenda
      11º Dia 15/3– Merzouga

      -Tour das dunas (visita a aldeia Khamlia, Minas Mfiss e oásis Tissardmine. Preço 500 MAD por pessoa (+- R$ 200,x2), achamos meio caro, mas cômodo pois tínhamos combinado tudo antes por e-mail. Foi em torno de quatro horas. Visitamos:

      -Aldeia e oásis de Hassilabied, aldeia e oásis de Merzouga, músicos Gnawa na aldeia de Khamlia, Dunas de Iqri, aldeia de Tisserdmine, nas dunas, visitar o Depôt Nomade (loja de tapetes e museu), planalto negro de cobalto vulcânico da Hamada du Ghir. Passa pelos caminhos de uma antiga rota do Paris Dakar, também verá nômades acampados junto às dunas.

                  À tarde fomos à Rissani para ver o mercado. Andamos por dentro de um kasbah que tinha várias famílias morando. Faltou conhecer o centro de Merzouga.
      Pernoite em Merzouga - Kasbah Azalay Merzouga. Esta hospedagem tem uma linda vista para o deserto e você vai querer ver o sol nascer. O traslado até o acampamento, o acampamento e jantar no deserto foram organizados por eles e combinado por e-mail. Creio que todos os hotéis ou riads também façam.


       
      12º Dia 16/3 – Merzouga – Tinghir - Boumalne Dades 252 km

                  Em Tinghir (ou Tinerhir), dê uma parada obrigatória e contemple a cidade oásis.

      -Gargantas do Dadés. É um desfiladeiro incrível e que vai render umas fotos impressionantes. Não deixe de dirigir até o alto.

      -A Garganta de Todra, é outro desfiladeiro, com paredes com mais de 200m de altura.

      -Vale das Rosas em Kelaat-M’Gouna, Jbel Saghro, La Vallée Des Figues, Vale das rochas Dedos de Macaco, Vale dos Pássaros.

      Para chegar nas Gargantas de Dadés: Em Boumalne pegar a R 704. E para ir à Garganta de Todra pegar a R 703 e andar uns 17 km.

      -Kelaat M’Gouna – Entrada para o Vale das Rosas. Aproveite para olhar as lojinhas e comprar uns perfumes, que são de excelente qualidade e com essências locais (influência francesa), são lembrancinhas boas e baratas.

      Pernoite em Boumalne Dades – Maison D’Hotes Restaurant Chez L’Habitant Amazigh


       
      13º Dia 17/3 - Boulmane – Skoura – Ouarzazate
                  Este trajeto é conhecido como o Vale dos Mil Kasbahs” e realmente são muitos.

      - Em Skoura com Kasbah Amerhidil e Sidi El Mati.

                  Ouarzazate é uma maravilhosa cidade com vários atrativos onde dá para sentir o dia a dia das pessoas e também pode servir de base para visitar os arredores até 100 km. É conhecida como a “Hollywood do Marrocos” devido à produção de filmes.

       Em Ouarzazate:

      - Kasbah Tifoultoute

      - Kasbah Taourirt

      - Kasbah des Cigognes

      - Ksar de Ait Ben Haddou. Impressionante. É uma cidade fortificada fundada em 757 e ainda vivem lá algumas famílias. Lá foram feitos muitos filmes como Lawrence da Arábia, O Gladiador, A múmia, Alexandre, etc. Fica a 30 km da cidade em direção de Marrakech. Indo pela N9 e depois pegar P1506 e andar uns 9 km. Nós preferimos ir e voltar para Ouarzazate.

      - Museu do Cinema

      - Estúdios de Cinema Atlas. Não foi possível entrar porque estava acontecendo uma filmagem.

      - Estúdios de Cinema CLA. Vá, só se tiver tempo. Eram objetos de cenários bem velhos, mas rendem boas fotos.

      - Bairro típico de Taourirt

      - Bairro típico de Tassoumaat,

      - Oásis Fint. Passamos umas horas e é muito relaxante estar entre as tamareiras.

      -Museu do cinema. Fica junto ao Kasbah Taourit.  Aproveite para entrar nas lojinhas em volta. Lá encontrará peças incríveis, inclusive antiguidades.


       
      Pernoite em Ouarzazate – Hotel Dar Rita. Ela, a Rita é portuguesa e tem um excelente site com informações sobre o Marrocos: http://www.darrita.com/hotel-marrocos/. Mais informações também com: http://www.joaoleitao.com/viagens/marrocos/ (é irmão da Rita)
      14º Dia 18/3 – Ouarzazate

      Pernoite em Ouarzazate - Hotel Dar Rita
      15º Dia 19/3 - Ouarzazate – Marrakech 196 km

      O tempo de viagem de Ouarzazate à Marrakech é em torno de 4 a 5 horas, mas depende das paradas. Uma coisa que eu tinha muita vontade era de cruzar as Montanhas Atlas, e foi realmente fantástico com cenários de indescritível beleza.

                  Todas as atrações de Marrakech custam em torno de 10 MAD (1 Euro).

      É melhor usar táxis para se locomover para fora da medina e negocie antes. Nós fomos ao Jardim Marjorelle de Tuk tuk.

      Não se hospede muito longe da praça, pois ela será sua referência para tudo.

      - Jemaa el Fna. De dia é uma coisa, e à noite se transforma numa mistura de magia com luzes, cores e aromas. Falta-me talento literário para descrever melhor o que se sente e vê. É a principal praça de Marrakech e uma das mais famosas do mundo e é onde a vida pública acontece. É bem movimentada durante o dia, mas ao cair da noite é quando tudo acontece. Parece que toda a população e turistas vão para lá e é impossível não sorrir o tempo todo ao ver todo mundo tão alegre e se divertindo, comendo, assistindo os vários espetáculos que estão acontecendo (como encantadores de cobras, malabaristas, etc). Nas ruas da medina chega a acontecer congestionamento de gente a pé. Sério, eu vi, então já esteja por lá ao entardecer e fique até lá pelas nove da noite quando o movimento diminui.

                  E a gente tem que ter cuidado são com as motos tipo “mobiletes” que andam a toda entre as pessoas dentro da medina.

      - Mesquita Koutoubia com minarete de 70 m.

      - Tumbas Saadianas

      - Palácio Real

      - Palácio Bahia que é lindo

      - Palacio El Badi em ruínas, pois foi saqueado para construir Méknes

      - Medersa Ben Youssef

      - Museu Dar si Said – Museu de artes de Marrakech (vale mais pela arquitetura)

      - Museu de Marrakech

      - Qoubba Almorávida – fica perto da Medersa Bem Yousef

      - Jardim Majorelle (entrada 20 MAD + 15 para o Museu Berbere). Superou todas as expectativas. Não dá para deixar de ir. Está junto a uma casa que pertenceu a Yves Sain Lawrent e é inspirado nos jardins islâmicos, tem uma coleção de cactos e palmeiras de todo o mundo, tudo com descrição. Lá vimos, do Brasil buriti e butiá. Reserve umas três horas pelo menos, porque é enorme e cheio de coisas para ver. Imperdível também é o Museu Bérbere, e isso que não sou muito de museus.

      - Gueliz e Ville Nouvelle (parte mais moderna, tem até um Carrefour (onde dá para comprar bebidas alcoólicas)

      - Cyber Park. Fica bem próximo da entrada da medina. É bonito, mas vá se tiver tempo ou na volta do Jardim Marjorelle se quiser dar uma parada.

      - Muralha da Medina.  Ver os portões Bab Agnou (mais importante) e Babe Rob além de Bab Debbagh, que dá acesso aos curtumes, e também no Bab Aghmat.

      - Souk do Ouro, souk das frutas, Souk Semmarine (sandálias, babouches, jóias, puffs), Souk Ableuh (especiairias, azeitonas), Souk Kchacha (frutos secos), souk dos instrumentos musicais, Souk do tapetes, Souk Mouassine, Souk El Khemis, Souk Siyyaghin (jóias, ouro), Souk Smata (babouches, cintos).

      - Maison de la Photographie

      Pernoite em Marrakech – Riad El Wiam

      16º Dia 20/3 – Marrakech

      Pernoite em Marrakech – Riad El Wiam


       
      17º Dia 21/3 –
      Pernoite em Marrakech – Riad El Wiam


       
      18º Dia 22/3 - Marrakech – Casablanca 242 km Tempo estimado 3:30h
                  Gastamos a manhã neste trecho, que é uma autopista, com pedágio caro. Fizemos check-in adiantado no hotel em Casablanca. Deixamos o carro estacionado na frente do hotel e à tarde pegamos um táxi para ir ao Morocco Mall. Este é o maior shopping center da África e nosso objetivo foi ver um aquário gigante  no qual tem um elevador que passa por dentro. É maravilhosa a sensação que “lembra um mergulho”. Se paga uma pequena taxa e pode fotografar, mas sem usar flash. Nem vimos lojas, porque eram só daquelas grifes bem esnobes como Chanel, Louis Vuitton e Cartier.

                  Depois demos uma caminhada pela Boulevard de la Corniche, que é uma avenida na beira-mar. Voltamos para o hotel.

                  Casablanca é uma cidade muito bonita que tem a mistura de arquitetura do tempo da colonização francesa e a modernidade. O trajeto do aeroporto ao hotel, os arredores do hotel, o percurso até a Mesquita e ao Morocco Mall foi o que vimos e nos deixou uma ótima impressão e desejo de quando retornar ver o que faltou.


       
      Pernoite em Casablanca – Le Trianon Luxury Hotel & SPA.
      19º Dia 23/3 – Casablanca

      Entregar o carro no aeroporto.

      Retorno – Partida 12:20h


      Vídeo do Youtube sobre as experiências no Marrocos:

      https://www.youtube.com/watch?time_continue=178&v=awQEEEWLYq0


      Nossos custos (2 pessoas) foram 2116 Euros assim discriminados:

      -Almoço e jantar –   630

      -Lanches -                 112

      -Hotéis/riads -           876 (alguns mais simples outros bem legais, mas todos muito bons)

      Atrações -                    50

      Aluguel do Carro -     265 (para todo o período)

      Diesel -                      183


       
      Para ter uma ideia dos custos de um destino uso o https://www.numbeo.com/cost-of-living/ pode conferir que é bem aproximado e em média gastei sempre um pouco menos.


       
      Frases úteis em Francês, expressões francesas do dia-a-dia que ajudam a parecer mais simpático.
      Sim = Oui

      Não = Non

      Obrigado = Merci

      Salut = Oi / Tchau

      Ça va = Tudo bem (pode ser pergunta ou resposta)

      Bom dia = Bonjour (usado o dia inteiro)

      Boa tarde = Bonsoir (aos finais de tarde)

      Boa noite = Bonne Nuit

      Adeus = Au revoir

      Palavras em árabe

      Saudações:

      -As-salam alaykom = “que a paz esteja com você”, pronúncia: assalam-aleicûm

      -Responda a esta saudação padrão com "Wa Alykom As-salam, pronúncia

      aleicûm-assalam,= que a paz esteja com você também, pronúncia: aleicûm-assalam

      -Salam = Oi! – cumprimento informal

      - Shukran = Obrigado

      -Agradecendo o chá de menta: antes de beber, olhando nos olhos do anfitrião dizer: bi saha


       
                  Foram nossas experiências mais incríveis:
      -Visitar os mercados e souks sentindo suas cores e aromas

      -Passar a noite em um acampamento no deserto do Sahara

      -Ir até o acampamento de dromedário

      -Percorrer a gigantesca medina de Fez

      -Conhecer Chefchaouen, a cidade azul

      -Andar e se encantar à noite pela Praça Jemaa el Fna em Marrakech

      -Dirigir. Subindo para as Montanhas Riff, passando por lugares indescritíveis  como a Garganta Dades, ir ao deserto, se emocionar ao chegar em cidades como Méknes e tantos outros lugares

      -Cruzar as Montanhas Atlas e ver neves eternas, vales e vilarejos

      -Maravilhar-se com os vales verdejantes no deserto e o aproveitamento de toda terra fértil.

      -Conhecer as pessoas, com um pouco de sua cultura e religião e ter a oportunidade de interagir com elas. Fizemos amigos lá. Levamos as melhores lembranças.





































    • Por chendailem.sousa
      Oi pessoal, 
      estou planejando ir para Marrocos e Egito em abril de 2019. 
      A ideia é passar 15 dias entre os dois países. Quanto vocês gastaram em média?
      E enfrentaram algum tipo de difuldade com violência?
    • Por Paola Acosta
      Eu e meu namorado estávamos fazendo um mochilão por alguns países na Europa. Dentro do nosso roteiro a última parada seria na África, mais precisamente em Marrakech, no Marrocos. Durante quatro dias estávamos hospedados em um Hostel localizado na Medina, bem próximo aos souks (mercados dos mais diversos utensílios locais). A localização da hospedagem foi uma ótima escolha e o Majorelle Hostel nos recebeu incrivelmente bem. 
      Estávamos viajando há 23 dias de mochila, utilizando de ônibus e vôos low cost para nos locomover até os países, quando chegamos a Marrakech já estávamos bastante cansados. Foi no último dia de estadia no Marrocos que decidimos alugar uma moto. Nunca havíamos dirigido antes, exceto em uma pequena aventura no interior do Brasil por alguns poucos minutos. Por sorte descobrimos que havia um modelo de moto a ser alugado que não exigia carteira de motorista, pois chegava a uma velocidade de apenas 80km/h.
      Deslocamo-nos até a  loja Palmekech, cujo o endereço é Ruy La Recette, nº 53 , próximo a Medina e negociamos o valor de R$ 80,00 ( cerca de 200,00 dihans) das 12h às 21h. Sabíamos que o trânsito na medina era caótico, mas optamos por nos aventurar. Em meio a carros arranhados, milhares de motos, charretes, bicicletas e pedestres nos jogamos. No começo é um pouco aterrorizante, pois os motoristas buzinam o tempo inteiro e pouco seguem regras de trânsito, mas depois de algum tempo é possível se adaptar.
      O transporte possibilitou que conhecêssemos a parte nova de Marrakech e outros pontos turísticos mais distantes da Medina. Mochilamos desde o ano de 2014 e podemos garantir que dirigir uma moto em Marrakech foi uma das vivências mais marcantes das nossas viagens. 
      Obs: Apenas o/a motorista utiliza o capacete, pois o/a passageiro(a) está isento(a) por lei.
       



      20180217_154450.mp4
    • Por Rudá Schneider
      Li no 1000 lugares pra conhecer antes de morrer sobre um trekking no Alto Atlas, alguém já ouviu falar ou tem mais informações? To pensando em fazer isso no final de janeiro de 2013..
    • Por Drisz
      Primeiramente quero agradecer o site e aqueles que indiretamente me ajudaram a montar meu roteiro. Então vamos lá, vou tentar escrever os detalhes essenciais nos quais me fizeram vir aqui inúmeras vezes.
      Bom, Marrocos era sonho exótico de uns longos anos, sou apaixonada por dança, musica árabe, e também já estava na hora de dar um primeiro passo na África, enfim este país foi o escolhido.
      Minhas ideias loucas com a europa, partem do principio em sempre fazer conexão em Paris, assim alguns dias livres, conheço outros países com calma, sem me limitar somente as capitais.
      Tentarei finalizar meu relato, pq as vezes esqueço, devido o tempo e acho que ja deixei algum relato por ai inacabado rsrs
       
      Trajeto realizado:
      14/12/2014 Paris- Marrakech
      Marrakech – tour 2 noite e 1 dia ( rumo ao deserto)
      15/12 – cidade de Quarzazate
      16/12 – chegando em Merzouga, rumo as dunas
      17/12 – volta a Marrakech, mas pulei da vam rumo ( pulo em Meknes) a Fés
      17/12 e 18/12 – Fés
      18/12 – Chefchaoeun
      19/12 – Chefchaoeun
      20/12 – Casablanca/ Rabat
      21/12- Casablanca
      22/12 – Marrakech
       
      Comprei uma passagem no vôo easyjet saindo direto do aeroporto Paris- Charles de Gaule à Marrakech
      Vôo custou : 80 €
       
      Contudo paguei assento,seguro e malas, melhor coisa que fiz foi escolher o assento, graça a deussss!!!!
      Tudo saiu por 165,08 €, caro mais enfim um investimento, depois vi preços melhores. Nada de arrependimento rs
      O que levei?
      Uma mochila de 25 litros contendo: 2 calças, 2 blusas, 1 fleece, 1 casaco, 1 echarpe, 1 toalha, 1 havaina, roupas intimas, perfume, escova de dente e creme dental. ( fim)
      Documentos , câmera, fone de ouvid, shapoom e sabonete.
       
      Dinheiro: 400 euros, seguindo meus objetivos, economizaria 200 euros, mas como esbanjei nos presentes, sobrou 80 euros.
      1 euro = 10. 80 D dirhams
       
       
      Saindo de Paris, atendimento excelente da empresa, super educados, diferente dos seus clientes, teve atropelos, empurra empurra de malas, isso se estendeu ate a chegada ao aeroporto de Marrakech. Estava muito ansiosa, mas cansada devido a viagem anterior, sentei na janela, assim virei e durmi. Ao meu lado sentaram dois árabes ( marroquinos) creio. Enfim, devido ao cansaço dormi, e acordei com pulo, cara do lado estava com mão em cima da minha coxa, ele so tirou a mão e baixou a toca cobrindo o seu rosto. Fiquei sem ação, não disse uma palavra, mas também evitei, para não dar margem para uma conversa longa e talvez com bastante baixaria rsrs
      Pensei, meu deus porque não chega logo, parece tão perto no mapa rsrs, rezei ave maria, pai nosso, e dormi de novo. E acordei ao barulho da aeromoça passando com carrinho de vendas, e bonitão virado pra mim com pernas cruzadas lendo uma revista (folheando, eu sei lá), ele tinha levantado o braço da cadeira. Quando me virei, ele deixou a revista cair em cima de mim, ahhhhh pra que???!!! Não disse uma palavra so fiz gestos, tipo não toca em mim porra, baixei o braço da cadeira, sendo reforçado pela aeromoça. Ele pediu desculpas em francês, mas não falei nenhuma palavra. Segui as recomendações de uns amigos, tipo se falo alguma coisa que eles entendam, não vão me deixar em paz tão cedo, vai insistir e insistir.
       
      Chegando ao aeroporto, coração a mil, e com olhar de matar pro cara ao lado. Enfim, Marrakech, teve empurra empurra, povo não respeita a fila, um policia gritando: passaporte em mãos!!, quando tirei o passaporte do casaco,o policial viu e disse: Brésil, Brésil!! Rsrs enfim povo pegando papel para preencher, e eu procurando uma alma gringa pra emprestar uma caneta. Imigração é desastrosa, eles carimbam na ultima pagina do seu passaporte affs!!!!
       
      Participo bom tempo do couchsurfing, tentei fazer contatos, apesar de ler alguns relatos que muitos desses encontros foram desastrosos e se sentiram pressionados a fazerem algum tour, ou seja, maioria do povo marroquino que participa do couchsurfing esta envolvido com turismo. Mas tentei, fiz um contato com um rapaz chamado Samir, aparentemente legal, levei ate um presentinho que no fim da historia voltou comigo, em breve saberão o porquê! E fiz também contato com uma menina muitoo legal, show de bola chamada Kouloud, ela me fez conhecer tudo o que eu não tive oportunidade em ver antes de chegar em Casablanca.
      Voltando ao aeroporto de Marrakech, encontrei o Samir cara fechado, claro né, disse o horário do voo errado, ele tava me esperando a mais de 3 horas vixiiii
      Nada cordial, foi logo reclamando do atraso, e eu pedindo mil desculpas, saindo do aeroporto troquei 200 euros = 2.160,00 D
      Fomos ao ponto de ônibus, discutimos sobre o preço, sobre eu não ficar na sua casa, sobre eu não ter decidio fazer o tour do deserto... stress, stress
      Paguei 30 D no bus que vai direto a praça Place Jemaa El fna
      Reservei 2 noites no hostel Riad Dia em quarto com 12 camas, paguei 21 euros, recomendo, apesar do transito de hospedes, a recepção é agradável, a senhora que administra é atenciosa, fz de tudo para você se sentir a vontade. Aprovado!! E mais fica próximo a praça. O samir me acompanhou ate o hostel, lá cortei ele diversas vezes sobre o tour do dia seguinte, enfim nos despedimos, caso eu mudasse de ideia, enviaria uma mensagem a ele.
      Cheguei em Marrakech por volta das 10:30, então sai para encarar tal praça e melhor o mercado da cidade. Vi muitos turistas, então achei que não haveria problemas em andar sozinha, errado, tive e muitos, a cada passo era parada por alguém, como tava sozinha ( evidentemente), era visível, então aproveitavam, começavam com perguntas: Espanhola?? Mexicana?? Bonjour! Buenos Dias!!, e assim vinham repertorio completo de palavras isoladas, depois pediam em casamento, alguns tentavam me puxa, foi um inferno!!! Já no mercado, me infiltrei em grupo de gringos, andei com eles, fui a 2 museus rsrs 60 D
      Museu
      Depois tentei mais uma vez anda pelo mercado, fiquei pouco assustada, mal humorada, sem noção do que fazer, a praça tava sem graça, cobras magras, não vi agitação. Fiquei deprimida. Voltei ao hostel, tomei um banho e cai na cama para pensar no 1 dia, então decidi partir pro tour ao deserto, e fechei la msm no hostel por 80 euros ( 2 noite e 1 dia), esse passeio inclui estadia, café da manhã e jantar, almoço ficava por nossa conta, ou seja, era sempre no restaurante escolhido por eles, então o preço girava em torno de 100 D e 120 D, parece barato ao converter....mas para os padrões do Marrocos é bem caro. Não estou chorando na miséria, mas pago o que é justo rsrs
      Enfim cedo de manhã, tudo arrumado, café bem caprichado por 15 D
      Partimos para tão sonhado tour, nosso guia era bastante animado, mas ainda por saber que havia 4 brasileiros, fiz amizade com outros, gente maravilhosa e espero reencontra-los por esse mundão.
      Bom o passeio fomos rumo ao Alto Atlas, creio rsrs, incrível como a paisagem muda repentinamente, de neve ao céu azul, magnífico Ourzazate, passeio bem gringo, bem turístico, acompanhado de um guia, contando e mostrando tudo sobre a cidade. Após o passeio fomos almoçar, paguei 100 D, entendi somente no segundo dia que frutas da estação é sempre a mexerica rsrs, então não pedi mais, ate porque deveriam dar de graça, ao invés de ser paga, tudo quanto é canto da cidade tem essa fruta.
      Passamos a noite em hotel em meio as rochas, no dia seguinte fomos a um vilarejo conhecer pouco da cultura local, uma forma também de vender alguns produtos, depois fomos a Garganta de Dades, lindo, impressionante as paisagens.



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