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Gedielson

Expedição Monte Roraima - 8 Dias - Venezuela - Guiana - Brasil

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Resolvi fazer este relado de viagem principalmente pela pouca orientação que encontrei para fazer a expedição para o Monte Roraima.

Tive dúvida do que levar, mas, principalmente do que NÃO levar. Incerteza com que guia contratar. Incerteza com comida e pouca orientação sobre preparo físico necessário.

 

Espero com este relato suprir algumas dessas deficiências que outros aventureiros possam ter.

 

1 – Diário de bordo

2 – O que levei para o Monte Roraima

3 – Como contratar um guia

4 – O que comer e o que beber

5 – Preparo físico necessário para subir o Monte Roraima

6 – Despesas

7 – Conclusão

 

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1 – Diário de Bordo

 

DIA 1

 

Saímos de Londrina, eu Ana e Maurício às 13:25.🛫 Chegamos em Congonhas com pouco menos de uma hora.

O voo para Brasília saiu às 17h. Uma hora  e meia de viagem. 

Chegando em Brasília tínhamos mais de 4 horas de espera até o voo para Boa Vista.

Bom que deu tempo de conhecer o aeroporto, que é muito grande e bonito. Faz jus a capital do Brasil.

Deu tempo de jantar (R$ 28,00) e até de comer uma sobremesa (R$ 36,00).

 

De Brasília saímos às 22:45 e chegamos em Boa Vista a 1:20 (horário local, uma hora a menos do horário de Brasília).

 

Em Boa Vista desembarcamos e pegamos um táxi (R$ 40,00) para o hotel (R$ 110,00).🛬

 

No hotel chegamos umas 2h da manhã.

O Hotel Magna era bem simples, mas suficiente.

Tinha até condicionado, mas o chuveiro não tinha a opção de quente. Tudo bem que faz muito calor em Boa Vista, mas água fria e tenso. Depois ficamos sabendo que somente hotéis de luxo que tem chuveiro elétrico em Boa Vista

 

Procuramos dormir logo pq as 6 da manhã o táxi já ia passar nos pegar.

 

 

DIA 2

 

Acordamos as 5:15 de uma noite não dormida muito bem.

Pernilongos e poucas horas de sono.

 

As 6h em ponto o táxi chegou.🚖

 

Partimos em direção a Pacaraima. Um pouco mais de 2 horas de viagem. Com direito a uma parada para tomarmos um café da manhã no Quarto de Bode.🐐

 

Chegando em Pacaraima o nosso guia Leopoldo já nos aguardava e a partir de então era com ele que a gente seguiria o restante da viagem.

 

Pacaraima aparenta ser uma cidade bem pequena, mas estava com um fluxo bem grande de pessoas. Acho que a maioria era venezuelanos.

 

Atravessar a fronteira foi bem tranquilo. Do lado brasileiro nem precisamos fazer trâmite algum (pelo menos eu acho que não precisava 🤔). 

Do lado venezuelano foi uns 20 min, isso graças ao auxílio do  guia. Senão penso que demoraria mais.

 

Para ingressar do lado venezuelano vc passa por tbm por uma fiscalização da guarda Bolivariana que tbm foi sussa. Mas, segundo informações ela geralmente não é tranquila. Ficam criando dificuldades para poder vender a facilidade. Mas não foi nosso caso.

 

Depois da fronteira, mais uns 20 min chegamos em Santa Elena de Uairen e fomos direto para a base do guia, que já ajeitou as nossas mochilas no carro que nos levaria até a reserva de onde começa a expedição.

 

O guia nos apresentou a equipe que nos acompanharia, Omar, sua esposa (até agora não sei o nome dela 😂) e Valentim. Depois se juntaria a nós o cozinheiro Armando. Tbm conhecemos outros dois brasileiros que fariam a expedição com nós, Guilherme e Gabriel.

 

Logo partimos. Umas 10h.

A previsão era de umas duas horas de viagem até chegar no Parque Nacional Canaima, mas o carro que estávamos deu um problema mecânico no meio da estrada.

Então o motorista ligou para um outro que veio nos socorrer e trocamos de carro. Com isso atrasamos cerca de uma hora.

A rodovia foi tranquila. A parte de estrada de chão é de muito sacolejo. Se não for um veículo traçado não daria conta.

 

Quando chegamos na reserva de onde parte a expedição, tivemos que pagar uma taxa de R$ 30,00.

A informação é que era R$ 10,00, mas, aparentemente subiu (deve ser a puta inflação venezuelana).🤑

 

Ainda nesta reserva fizemos um lanche e então partimos para 12 km de caminhada.

 

Iniciamos por volta das 14:30.   Screenshot_20181016-102625_1.thumb.jpg.f5c09e053fb50ef6eda1dc677833f61e.jpg

 

Não estava sol, o que facilitou um pouco, mas a caminhada não foi fácil.

Um trekking de 12 km com uma mochila de uns 13 kg pra quem não tinha dormido direito não é fácil pra ninguém.😲

 

Chegamos no local do acampamento por volta das 19:00h, exaustos.

Ajudamos montar as barracas e descemos para o Rio Tel para tomar aquele banho frio.

 

Não demorou muito para o jantar ficar pronto. Uma macarronada com carne moída. Muito boa!

 

Comemos, o guia nos deu algumas orientações sobre o dia seguinte e jogamos um pouco de conversa fora, depois dormimos, com uma chuva que se aproximava.

 

De madrugada choveu um pouco.

 

DIA 3

 

 

Eu acordei bem cedo. Foi uma noite bem dormida. Às 5:30 já estava de pé.

 Serviram o café da manhã às 6:30, omelete com uma espécie de “massinha” de pão frita.

 A programação era de sairmos a 7h, mas com a chuva que começou a cair e não dava para seguir viagem.

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Não pela chuva em si, mas sim pela cheia do rio que teríamos de atravessar.

 

Esperamos até às 10 horas e Omar resolveu que dava para tentar. Então seguimos.

 

Para atravessar o rio Tek foi tenso. Primeiro atravessaram nossas mochilas e depois um a um.

O rio estava bem cheio e a correnteza era forte. Mas demos conta. Isso graças ao ótimo trabalho realizado pelos guias.

 

Esta foi a primeira etapa, pq outras duas travessias do rio Kukenan nos aguardava.

 

Paramos para o almoço, até pq não dava ainda para atravessar o rio Kukenan por causa da sua cheia.

Prepararam e serviram o almoço, uma salada variada com pão.

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Ao seguirmos, atravessamos o Kukenan em dois pontos.

O primeiro ponto foi tranquilo. A segunda é necessária a ajuda de uma corda esticada de lado a lado.

 

Seguimos para uma caminhada de aproximadamente 3 horas. Deve ter dado uns 8 KM, mas pareceu ter andado uns 80 😅.

Boa parte com um sol forte, outras com o tempo encoberto, mas sem chuva.

Essa subida exige bastante preparo.

 

Chegamos no acampamento. Mais um banho bem frio. Aquele velho e bom “banho checo”.

 

Barracas montadas, foi hora de descansar um pouco. Já tirei um cochilo e acordei com a janta servida na porta da barraca, frango, arroz e batata cozida.

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Exaustos, dormimos fácil.

Amanhã é o dia de concluirmos a subida e finalmente chegar ao topo.

 

DIA 4

 

Acordamos cedo e o café foi servido assim que arrumamos as mochilas.

Logo partimos para a etapa final da subida.

 

Foi uma subida quase toda por dentro da mata.

A trilha em si já é um espetáculo.

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Foram aproximadamente 5 horas de subidas e descidas.

Passando por pequenos riachos, alguns mirantes onde era possível ver toda extensão do paredão do Roraima e o "Poço das lágrimas".

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Alcança o topo é muito gratificante. A sensação de conquista, de missão cumprida, de superação é difícil descrever.

 

Tudo que vimos debaixo foi sensacional. A impressão que se tem e que de cima não pode superar aquilo que já vimos.

 

Mas, por incrível que pareça, supera sim. 😲

A vista é sensacional. Apreciar o Kukenan, o sol, as nuvens, a vista de toda trilha que fizemos, o paredão visto de cima.

As palavras são poucas para descrever.

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E isso foi só no momento da chegada, em um minúsculo pedaço do tepui que ficamos por alguns minutos.

 

Depois de apreciar a vista e tirar umas fotos de um mirante, fomos rumo ao Hotel Índio, que nesta noite nos serviu de abrigo. É uma espécie de caverna com vista voltada para o Kukenan.

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O almoço foi servido (macarrão com carne moída).

Descansamos um pouco e fomos conhecer as Jacuzzis.

 

Ficava uma cerca de 30 min de caminhada do nosso “hotel”.

 

A água é totalmente transparente, de uma pureza sem igual.

Muito fria tbm. Confesso que deu trabalho para entrar. Mas não tem como estar lá e não entrar. O passeio seria incompleto. Por mais frio que seja, vale a pena. É uma beleza sem igual.

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Ao retornarmos foi servido um chocolate quente e pipoca.

 

Foi possível apreciar um pouco de pôr do sol, mas com nuvens.

 

Não demorou muito e jantamos (sopa de legumes com macarrão).

 

Ficamos um tempo conversando e tirando fotos da lua e das estrelas.

 

Logo depois dormimos.

 

Amanhã é dia de irmos para outro hotel.

12 km de treking.

 

 

DIA 5

 

O horário programado para acordar este dia não foi diferente dos outros, acordamos as 6, para tomarmos café as 6:30 e saída umas 7:30.

 

O dia amanheceu com um céu muito limpo.

 

Tomamos café da manhã que foi servido com uma espécie de panqueca com goiabada e uma porção de frango desfiado com umas misturas que nem sei o que é.

Sei que parece que não combina, mas é bom.

 

Mochilas arrumadas, partimos para outro hotel, Hotel Quati, este do lado brasileiro.

 

São 12 km de trekking.

 

A imensidão do tepui impressiona. Vc anda e parece que não tem fim.

E embora seja um lugar peculiar pelas suas características, é possível perceber que o cenário vai mudando de um lugar a outro.

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Por este caminho de 12 km paramos em alguns pontos para conhecer e “sacar unas fotitas”.

Existe até uma réplica da nave de Star wars 😁🖖

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O ponto alto da caminhada é a passagem pelo "El Foço".

Trata-se de um poço de um raio de uns 20/30 metros e uma profundidade de uns 30/40 metros.

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Uma pequena cascata cai de cima e é possível ver a lagoa que se forma no fundo. Uma lagoa de água transparente.

 

Se de cima já impressiona, poder descer ao fundo então é espetacular.

 

O caminho não é dos mais fáceis, mas a ajuda do nosso guia Omar mais uma vez fez toda diferença.

 

O acesso ao fundo do "El Foço" é feita por uma caverna lateral.

 A descida já vale a pena.

Parece que vc está em um cenário de algum filme do tipo "mundo perdido" ou filmes que retratam o período pré-histórico.

 

O fundo do poço é muito melhor do que eu podia esperar.

Tem um aspecto dourado, desde sua água até suas paredes. Quando o sol bate por suas fendas o dourado fica ainda mais vivo.

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A hora de entrar na água foi o momento mais desafiador. Sem dúvida foi a água mais fria que já experimentei até hoje. Ao colocar os pés na água, parecia que estavam sendo cortados. Doía a alma. E o foda é que para chegar na parte aberta, molhar só os pés não é suficiente, é preciso molhar pelo menos até a cintura.

 

Fui o primeiro a entrar, já que percebi alguma hesitação por parte dos meus companheiros de viagem. Depois os outros vieram tbm. Todos nós com muitos gritos de "pqp" e suspiros de "Jesus". 😝

 

Valeu muito a pena. Olhar aquela imensidão de baixo para cima valeu o perrengue da água geladamente cortante.

 

Depois do "El Foço" fomos para ao "Punto Triple", que é a tríplice fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana.

Não é nada além de um marco que sinaliza a fronteira dos 3 países, mas é bem interessante saber que vc com apenas um passo pode mudar de país.

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Do lado guiano é possível observar um labirinto de rochas.

Já do lado brasileiro o cenário muda um pouco e é possível observar árvores.

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Seguimos então pelo lado brasileiro e com cerca de uma hora de caminhada chegamos ao Hotel Quati, onde um delicioso almoço nos aguardava (feijoada).

 

 

Almoçamos, descansamos alguns minutos e fomos a um mirante onde se pode observar a savana brasileira e o Roraiminha. A vista mais uma vez surpreendeu.

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Na volta passamos por um pequeno riacho para tomarmos banho. Dessa vez não tão frio.

 

Ao retornarmos um chocolate quente foi servido, acompanhado de pipoca e bolacha de água e sal.

 

Jogamos um pouco de conversa fora. Logo a noite caiu e a janta foi servida.

Mais uma vez uma sopa de legumes. O que caiu muito bem, até pq fazia bastante frio.

 

Mais um pouco de conversa, Conhaque e Rum para aquecer e fomos dormir. Até pq o dia foi cansativo tbm.

 

DIA 6

 

Acordamos as 5 da manhã para ir ao mirante ver o sol nascer.

 

O dia estava claro, mas quando chegamos no mirante o céu fechou e deu para ver bem pouco do sol mesmo.

Mas mesmo assim a beleza foi espetacular.

 

Voltamos ao hotel e tomamos café da manhã (um pão assado, com ovo, acompanhou goiabada).

 

As 8 horas partimos para a aventura do dia.

 

Foram 4 horas de caminhada para ir e 4 horas para voltar. Nada fácil. E isso pq estava somente com uma mochila de ataque.

 

Iniciamos a caminhada com o tempo fechado e logo começou a chover.

 

Conhecemos aquilo que chamam de Jacuzis Brasileiras.

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Passando por uma área que parecia um “jardim japonês”. Quando chegamos neste ponto o sol abriu um pouco.

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Neste dia experimentamos da grande variação climática do Monte Roraima. Chuva, sol, frio e calor tudo isso com diferença de poucos minutos.

 

Conhecemos também Lago Gladys, que quando chegamos estava encoberto por nuvens. Abriu um pouco, mas sem muita visibilidade.

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Seguimos em direção a “proa”. Passamos pelos destroços de um helicóptero da Tv Globo que caiu ali no ano de 1998.

O caminho não é fácil. O labirinto se torna bem mais complexo com chuva.

Finalmente chegamos, mas o mal tempo não deu trégua. Apesar de ter parado a chuva, o tempo não abriu e vimos apenas o cinza de uma nuvem que insistia em não sair (nem tudo são flores 😏).

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Na volta, passamos novamente pelo Lago Gladys, agora totalmente visível e também passamos por um mirante espetacular, com o céu aberto.

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Voltamos para o Hotel Quati. Almoçamos. Descansamos um pouco.

Logo a noite chegou. A janta foi servida.

Jogamos um pouco de conversa fora. Muitas risadas e fomos dormir. Acredito que esta foi a noite mais fria de todas.

 

DIA 7

 

Acordamos por volta das 5:00. A expectativa era de pegar um belo nascer no sol no mirante próximo do hotel Quati. E lá fomos nos.

 

O céu que estava um tanto fechado abriu e contemplamos uma cena magnifica.

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Armando, o cozinheiro ainda nos presenteou com um chá quente enquanto apreciávamos a vista.

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Este foi o dia de regressarmos para a parte da entrada do topo do Monte Roraima.

 

Foram mais 12 km de caminhada. Um dia de muito sol.

 

No caminho passamos pelo Vale dos Cristais. O nome já diz tudo. A quantidade dos cristais impressiona.

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Depois de mais algumas horas de caminhada chegamos ao hotel Principal (fica bem de frente com o “Maverick – Ponto mais alto do Monte Roraima), bem próximo do hotel Índio que havíamos ficado no primeiro dia no topo do Roraima.

 

Almoçamos e logo já saímos para conhecer a La Ventana. Um dos principais destinos para quem vai ao Roraima.

Logo que chegamos o céu estava aberto. Foi possível apreciar a imensa vista que La Ventana proporciona, inclusive do Kukenan, que parece estar muito perto e também de outros tepuis.

A vista não durou 5 minutos. O tempo fechou. Esperamos alguns minutos, mas, sem chance.

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Na volta passamos pela cachoeira Catedral e aproveitamos para tomar banho (frio, claro 😁).

 

Retornamos ao hotel Principal já quase noite. Jantamos e logo dormimos.

 

 

DIA 8

 

Dia que iniciamos a descida e retorno do monte.

Começamos logo cedo, umas 7 da manhã.

 

Embora a descida seja um pouco mais fácil, ela exige bastante cuidado e preparo físico.

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Por volta do meio dia chegamos no “acampamento base” onde almoçamos.

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Seguimos o trekking. Atravessamos o rio Kukenan e logo chegamos no rio Tek, lugar de nossa última noite de acampamento.

 

 

Ali tomamos banho. Agora já não tão frio, até pq fazia muito calor.

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No começo da noite tivemos a oportunidade de reunirmos com os nossos guias e carregadores para um bom bate papo, avaliação da expedição e agradecimentos.

 

Passadas as formalidades, jantamos e demos fim nos últimos álcoois. Acompanhado de muita descontração e risada.

 

DIA 9

 

Solicitamos ao guia que excepcionalmente neste dia iniciássemos a caminhada mais cedo, com o intuito de evitar o sol muito forte. Então iniciamos por volta das 6:20.

 

Foi uma boa, pois o céu estava bem aberto e o sol castigava.

Apesar do sol, dos 12 km a serem percorridos e o soma do cansaço dos outros dia, até que foi tranquilo este retorno.

 

Chegamos de volta na comunidade indígena de onde havíamos iniciada a expedição por volta das 11 horas. Exaustos!

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Não demorou muito para Leopoldo chegar com uma cerveja gelada para matar a sede.

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Ainda nos serviram um último almoço. Um mega prato com arroz, frango assado, saladas e banana frita. Acompanhado de refrigerantes e cerveja.

 

Ainda ali na comunidade compramos alguns souvenirs e retornamos para Santa Helena e passamos a fronteira para o Brasil.

 

Pegamos um taxi até Boa Vista. Chegamos por volta das 19:00h. procuramos um hotel onde podemos tomar banho e descansar um pouco até a hora do nosso vôo (1:00h).

 

Chegamos em Londrina no dia seguinte as 13:00h.

 

 

2 – O que levei para o Monte Roraima

 

Este tópico é um tanto pessoal, então, pode ter coisas que eu considere importante que para outra pessoa não seja tão importante assim e vice versa.

 

Mas, uma coisa que você tem que ter em mente: LEVE O MÍNIMO DE PESO POSSÍVEL.

Existe a possibilidade de vc contratar alguém para carregar a sua mochila. Não sei informar aqui quanto custa esse serviço, mas os guias oferecem. Não foi o nosso caso, cada um carregou a sua mochila.

Então, se vc é do tipo que carrega a sua própria mochila (o que acho que seja o mínimo que deve fazer um mochileiro), cuidado com o peso.

O peso pode variar de pessoa para pessoa, mas, considero que o limite ideal seria 10 kg. A minha foi com uns 13 kg. Tenho uma mochila de 60 litros.

Vc tem que pensar que vai andar muito e em terrenos acidentados, com subidas, descidas, calor, frio.

O total que caminhamos pelos 8 dias de trekking deu pelo menos 90 Km e boa parte desse percurso foi com a mochila nas costas.

A recomendação que dou é que racione muito bem o que for levar. Uma das integrantes da nossa expedição teve alguns problemas por causa do peso excessivo da mochila.

Bem, vamos lá, o que levei?

-Protetor solar – Indispensável. O sol não pega leve. Não economize no uso. Ainda que esteja nublado, passe o protetor solar.

-Repelente – Indispensável. Antes de chegar ao topo o Monte Roraima os mosquitos quase te carregam.

-Shampoo – Levei uma quantidade bem pequena em um frasco pequeno. Tem quem só faz uso mesmo de sabonete.

-Condicionador – Levei uma quantidade minúscula em um frasco tipo esses de hotel. Este é um item dispensável para muitos. Eu mesmo quase não usei.

-Pente – quase não usei tbm.

-Fio dental, escova e pasta de dente.

-Desodorante – bem importante, já que vc pode ficar sem coragem de muito banho frio rsrs.

-Lenço umedecido – Levei dos pacotes pq pensei que fosse tomar menos banho do que tomei. Um só seria mais que suficiente.

-1 Sabonete.

-Boné.

-Touca.

-4 Pares de meias – dá pra tentar levar menos e ir lavando pelo caminho. Se eu fosse hj levaria só 3. Tem muito lugar para lavar e demos sorte de pegar sol na maioria dos dias. O segredo não é só estender as roupas lavadas na barraca ou nos hotéis, até pq la possivelmente não secará. Tem que estender na mochila enquanto vc caminha. Comigo funcionou muito bem.

-6 Camisetas – Hj eu levaria apenas 4. No mesmo esquema do item acima.

-4 Cuecas e uma sunga – Hj levaria apenas 3 cuecas.

-1 Calça de moletom – Achei que foi importante para o frio que faz dnoite.

-3 Blusas – Considero importante essa quantidade. Foi o suficiente pra mim. Na medida. Não sobrou e não faltou. É interessante levar, várias ao invés de uma só. Como tem bastante variação de temperatura, é importante que seja em “camadas”. Em algum momento uma só vai resolver. Outro momento vai precisar de duas... três...

-1 Prato plástico e talheres de plástico – Totalmente dispensável. Os guias levam todos os utensílios para as refeições.

-1 Chinelo – Acho que é bem importante para dar aquela relaxada depois de um longo dia de caminhada.

-1 Bermuda.

-1 Calça de trekking modular – aquelas que é calça mas vira bermuda tbm.

-Remédios – Isso é bem de uso pessoal. Cada um sabe das suas necessidades. Mas, penso que um relaxante muscular é indispensável.

-1 Lanterna de cabeça – Muito útil, principalmente na hora das refeições noturnas.

-4 pinhas reservas para a lanterna de cabeça. Uma apenas seria suficiente.

-1 Lanterna de mão – dá para dispensar, as vezes a lanterna de cabeça é o suficiente, mas até que usei.

-3 Power Bank – Não dá para ir em um lugar como o Monte Roraima e correr o risco de ficar sem bateria para tirar fotos. Mas aqui eu exagerei. Poderia ter levado só um de 20.000mah. Mas, atenção, se seu power bank não for bom, leve mais de um.

-GoPro e alguns acessórios, incluindo baterias extras.

-Isolante térmico/colchão inflável – Eu tenho um muito bom da Ziggy Aztek.

-Saco de dormir – Tenho um que é para até 0º. Foi mais que suficiente.

-1 Toalha para banho  - Tipo microfibra.

-1 Capa de chuva – Indispensável e deve deixar sempre acessível.

-Capa protetora de chuva para mochila – Usei pouco, mas, foi por sorte de não ter pegado muita chuva.

-Gel de suplemento de nutrição – Eu não dava muito para esses gelzinho que vc compra por exemplo na Decathlon. Eu levei apenas 10 e poderia ter levado pelo menos 15. No trekking faz toda a diferença. O sabor frutas vermelhas é o que mais gosto.

-Levei algumas comidas – Tratarei em tópico próprio.

 

3 – Como contratar um guia

 

Não tem como vc fazer o trekking sem um guia. Para entrar no parque em que o Monte Roraima está localizado já precisa deles e para andar pelo tepui então, certamente se perderia nos primeiros 10 passos sozinho.

Uma das dificuldade e maior receio que eu tinha era sobre a contratação do guia.

Não consegui encontrar muitas referências na internet e com as poucas referências encontrei o guia Leopoldo e arrisquei contratar.

Leopoldo é venezuelano. Os guias venezuelanos são bem mais baratos que os brasileiros, em média 50% mais barato.

Quando falei para alguns amigos que havia contratado venezuelanos, ouvi muita coisa do tipo: eles abandonam as pessoas lá em cima; eles não dão comida; não tem garantia nenhuma se eles vão prestar o serviço como contratado...

De fato, vc não tem nenhuma garantia de que o serviço vai ser mesmo prestado. Até o último instante eu ainda estava receoso.

Logo que entrei em contato o guia (fevereiro de 2018) ele pediu um adiantamento de 50% do valor. Em abril eu depositei os 50%. Realmente ele poderia ter sumido com a grana. O que eu faria? Contrataria um advogado para tentar reaver um deposito que fiz para um venezuelano? As chances de sucesso seriam poucas.

Mas o Leopoldo e seus auxiliares me surpreendeu positivamente.

Tudo o que foi contratado foi cumprido. Absolutamente nada ficou a desejar. Desde o primeiro momento em que ele enviou o taxi a nos pegar em Boa Vista até o retorno.

Fomos muito bem tratados pela sua equipe, com toda atenção e cuidado que o Monte Roraima merece. Fomos muito bem alimentados.

Eu recomendo o Leopoldo pq experimentei de seus serviços, mas, aparentemente tem outros bons tbm.

Também sei que tem como contratar o guia direto em Pacaraima (última cidade do lado brasileiro) ou em Santa Elena de Urairén. Mas, para isso vc vai precisar de pelo menos mais um dia. No nosso caso, como programamos com bastante antecedência, chegamos em Santa Elena e com uma hora já saímos para a expedição.

Deixo o contato do Leopoldo e de um outro guia que me atendeu muito bem tbm.

 

Leopoldo +58 424-9115872

Imeru +58 414-1402438

Wenber +58 424-9622689

 

4 – O que comer e beber

 

Quando contratamos o guia, no pacote já estava incluído a alimentação. Café da manhã, almoço e janta.

Como já disse anteriormente, tinha receio se eles realmente serviriam isso e o que serviriam.

Por conta deste receio, eu e meus amigos acabamos levando algumas coisas de comer, do tipo, amendoim, bolacha, chocolate, salgadinho (chips), salame, sopão...

Levamos essas coisas com medo de passar fome, assim teríamos alguma coisa para comer. Mas, não precisava.

Fomos muito bem servidos pela agência.

Serviram macarrão com molho de carne moída, macarrão com molho de atum, arroz com molho de batata e frango, arroz com feijoada enlatada, saladas, sopas com legumes e macarrão, panquecas, pão, alguns pães típicos (não sei os nomes), pipoca, chás, café e chocolate quente, algumas frutas como laranja, melancia e melão.

A comida que serviram foi o suficiente, mas o que levamos de extra acabou sendo útil nos longos caminhos das trilhas. É bom ter um pacote de bolacha a mão ou um chocolate.

Nós levamos tbm uma garrafa de vinho, jurupinga e conhaque. Mas isso vai de cada um. Nas noites frias vai muito bem.

Se vc for cheio(a) de “nojinho”, talvez devesse repensar ir para um trekking desses. Vc esta no meio do nada, com uma outro cultura e acaba se virando como pode. Mas, se vc come Mc Donalds então pode comer qualquer coisa rsrs.

 

5 – Preparo físico necessário para subir o Monte Roraima

 

Não subestime o Monte Roraima. Não é um trekking fácil. Não é para qualquer um.

Não escrevo isto para te desmotivar de ir lá, escrevo para que vc vá preparado.

É importante que vc tenha algum preparo físico, alguma resistência.

Vc vai enfrentar a caminhada (andamos um total de pelo menos 90 km), sol forte, frio, chuva, sobe e desce em pedras e barrancos e o peso da sua mochila.

Não sou preparador físico, mas, para um maior aproveitamento da sua aventura, prepare-se fisicamente. Mesmo sendo leigo no assunto, recomendo que vc tenha resistência de correr de 7 a 10 km (por exemplo) para fazer uma subida tranquila e aproveitar ao máximo.

A resistência é importante tbm pq vc anda todos os dias, sem descanso. O descanso é somente de noite. Se não estiver devidamente preparado o seu corpo não consegue recuperar.

 

6 – Despesas

 

R$ 1.250,00 Passagem aérea de Londrina até Boa Vista (ida e volta).

R$ 1.400,00 Pacote com o guia para uma expedição de 8 dias (incluído alimentação)

R$ 100,00 Taxi de Boa Vista até a fronteira com a Venezuela (ida e volta).

R$ 30,00 Entrada no Parque Nacional Canaima.

R$ 180,00 Hotel – este valor dividido em 3, uma média de R$ 60,00 para cada.

R$ 150,00 Alimentação antes e depois da expedição.

R$ 80,00 Taxi em Boa Vista (dividido em 3).

*Outros custos com material, roupas e acessórios não foram relacionados (e foi bastante).

 

7 - Conclusão

 

Subir o Monte Roraima foi a realização de um sonho. Foi uma superação pessoal. O lugar é indescritível, exuberante, de uma beleza única. Nunca vi nada parecido em lugar algum. As fotos e vídeos não são suficientes para descrever. Nem mesmo o mais detalhado relado seria capaz.

Ficar 8 dias sem comunicação externa é um capítulo a parte que com certeza colaborou bastante pare esse sucesso. Vc desliga do mundo externo, celular, internet e similares. Seu contato é com a natureza quase que exclusivamente.

Por cada lugar que vc passa se surpreende, causa admiração e até mesmo se emociona.

Se vc tem a intenção de conhecer o Roraima, pesquise, se prepare e vá. Vale muito a pena.

Tenho certeza que será uma experiência para o resto de sua vida.

 

Screenshot_20181121-174532_1.jpg

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Uau! Que relato magnífico!

Eu moro perto, no Amazonas, sairia mais barato a passagem pra Roraima. 

Eu quero muito fazer meu primeiro mochilão para um lugar assim, pensei na cachoeira El dourado aqui no Amazonas, porem vi que ela é bem inacessível

Monte Roraima (através do seu relato) está na minha lista! 😁

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@Gedielson Muito bom o relato! Obrigado!

Que época do ano você fez a viagem?

Realmente ainda hoje não tem muita informação por aqui desse rolê. Achei que encontraria um milhão de pessoas que fizeram esse rolê por aqui, mas não tem tanta assim não.

Li aqui o pessoal do site falando muito mal de guias venezuelanos. Você acha que deu sorte ou a maioria é honesta por lá?

Eu mesmo teria receio de contratar guias de lá, ainda mais tendo que adiantar a grana.

O que eles levam e o que você tem que levar? Eles já ajustaram isso antes co você?

Eu vi que você não levou barraca. É só isso que eles levam ou tem como eles levarem as outras coisas também? Pergunto porque eu não tenho equipamento de Camping. Teria que alugar de qualquer forma.

Valeu!

Abraço,

Felipe

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    • Por Alexandre Manoel da Silva
      Olá, Alguém mais esta planejando fazer o trekking para o Monte Roraima no final de Agosto, começo de Setembro desse ano (2020)?
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      Este post é um relato sobre o auge de nossa viagem pela Patagônia: o Parque Nacional Torres del Paine (TDP),  símbolo da beleza exuberante da Patagônia Chilena e o destino dos sonhos dos amantes da natureza de todo o mundo. Vamos contar como foram os 5 dias de trekking, o famoso Circuito W.
      Tem muitas outras informações no meu blog: www.mawaybr.com.br
      Tem um post com os custos desta viagem AQUI e outro sobre como fazer as reservas AQUI.
      Acompanhe nossas aventuras no Facebook ou Instagram
        Relato de Viagem">Relato do trekking realizado de 12 a 16 de Janeiro de 2017. Dia 1 - atento às regras
      Caminhamos desde o nosso hostel em Puerto Natales até a rodoviária. Compramos a passagem no próprio hostel. Existem várias empresas que fazem este percurso e não há diferença significativa no valor.
      A rodoviária fica lotada de trilheiros com suas mochilas enormes! Todos muito animados para a trilha de suas vidas. Durante o percurso até a entrada do parque é possível ver os guanacos pulando as cercas e a linda cadeia de montanhas ao fundo.
      Na Portería Laguna Amarga enfrentamos uma longa fila para preenchermos o termo de compromisso e pagarmos a taxa de entrada.
      É necessário assistir um pequeno vídeo com informações gerais e as regras do parque. Uma das mais importantes: não é permitido fazer fogo fora das áreas delimitadas(!!!). Entramos em outro ônibus (valor já incluso) que nos levou até a Portería Pudeto.
      CRIAMOS UMA COLEÇÃO DE CAMISETAS INSPIRADA NO CIRCUITO W, VEJA AQUI.

      Fomos os últimos a pegar o catamarã que cruzou o Lago Pehoe. A viagem não poderia iniciar de melhor maneira, à nossa direita, o imponente Los Cuernos! Compramos o bilhete do catamarã durante o trajeto.   Chegamos ao Refugio Paine Grande sem reservas e por sermos os últimos a chegar no camping, as meninas da recepção nos deixaram ficar. Muito obrigada, meninas! (AVISO: aconselho fortemente que você não faça isso!! )
      Armamos a barraca, deixamos nossas mochilas e fomos apenas com a mochila de ataque até o mirante Grey. Muito cuidado com as comidas deixadas nas barracas, a raposa-colorada (Lycalopex culpaeus) adora lanchinhos fora de hora. Infelizmente, o que mais me impressionou neste percurso não foi a linda paisagem ao meu redor, mas o resultado do maior incêndio florestal do Chile em 2012: 18 000 hectares  queimados. Uma tristeza  ver as marcas desta grande tragédia e por isso repito: siga as regras do parque, não faça fogo nem use seu fogareiro fora das áreas destinadas. Precisamos cuidar e respeitar a natureza. Aquele lugar é espetacular e todos têm o direito de visitá-lo e apreciá-lo. Depois de quase 3 horas de caminhada e muito vento no caminho, chegamos ao Mirador Grey. O tempo estava bem fechado. A geleira Grey se misturava com o céu e não dava para saber onde terminava a geleira e começava o céu. A geleira é um local impressionante! Dia 2 -  café com montanha
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      Deste dia em diante, não tiramos mais aquela imagem da cabeça e estava decidido: iríamos naquele ofurô e ponto final. Não era nossa intenção ficar na cabana, mas no site estava bem claro: somente hóspedes das cabanas tinham acesso ao ofurô. Bem, com muita, mas muita dor, reservamos a tal cabana e sonhamos com este dia desde então. Parte deste valor eu havia ganho de presente de aniversário, muito obrigada Celzinha!
      Na trilha para o Refugio Los Cuernos, o sol finalmente resolveu aparecer de forma muito marcante, acentuando ainda mais a cor da lagoa. Para quem está fazendo o W invertido é descida na maior parte. Eu senti por quem estava subindo... Na minha opinião o trecho de trilha mais lindo! O vento intenso levantava a água da lagoa e até DOIS arcos-íris se formavam na nossa frente ao mesmo tempo, arrancando gargalhadas dos dois bobos incansáveis ao admirar tamanha beleza.
      Então, finalmente chegamos às cabanas e, ansiosos, vimos de longe o tal ofurô. Corremos para checar o tão sonhado ofurô de perto. Mas o que encontramos foi uma placa: MANUTENÇÃO!     CRIAMOS UMA COLEÇÃO DE CAMISETAS INSPIRADA NO CIRCUITO W, VEJA AQUI.   Mas que #@$%&! Ficamos muito putos, bravos, arrasados tristes com a notícia, afinal estávamos esperando há anos por aquele dia, mas não tinha nada que pudéssemos fazer. A cabana era linda, tinha uma lareira, toalha limpinha, cama fofinha e chuveiro gostoso!
      Fomos conhecer o refúgio, admirar o Los Cuernos e conversar com nossos amigos e quando retornamos encontramos uma garrafa de vinho chileno e alguns docinhos. A princípio, tive a certeza que havia sido o Antonio quem preparou aquela linda surpresa (tipo cena de filme mesmo! Imaginem que romântico: uma cabana de madeira, um vinho, lareira e aquela vista incrível). Ele perdeu a chance de ganhar muitos pontos (e na sequência perder muitos mais, é claro) ao não confirmar que havia sido ele - não foi, acreditamos que foi a forma do refúgio se desculpar por destruir nossos sonhospelo inconveniente. Após muitas risadas e desapontamento (nunca vou esquecer da cara do Antonio não conseguindo confirmar que havia sido ele o autor da ideia romântica) aproveitamos o delicioso vinho. Dia 4 - meu querido saco de dormir
      A noite na cabana não foi tão tranquila quanto imaginávamos, o vento era tão forte que parecia que a cabana se desmontaria. Não sobrou dinheiro para queríamos comprar a pensão completa no refúgio, fizemos nossa comida na mesma cozinha reservada para o pessoal do camping.
      Seguimos rumo ao acampamento El Chileno. Neste dia enfrentamos as 4 estações do ano, inclusive chuva. Existe um cruzamento, e você pode optar por ir para o Hotel Las Torres ou um atalho para o acampamento - é claro que optamos pelo atalho!
      No caminho vimos os bombeiros resgatando alguém em uma maca, ficamos muito assustados (depois ouvimos boatos de que a menina havia torcido o tornozelo - o que a impossibilitou de terminar a trilha, por isso todo cuidado é pouco).
      Chegando no refúgio, fizemos o check-in e fomos procurar uma plataforma para colocar nossa barraca. Dica: chegue o mais cedo que puder e coloque sua barraca, as plataformas estão colocadas num barranco, e se estiver chovendo (como estava) o chão molhado quase te impedirá de chegar em sua barraca sem cair alguns tombos.
      O jantar no refúgio foi extremamente agradável, nada de macarrão com vina, ou salsinha como vocês dizem. Entrada, prato principal e sobremesa, tudo com raio gourmetizador ativado! Não havia opção de reservar o local de camping sem todas as refeições inclusas (sim, eles são bem espertinhos).
      Ficamos na área de convivência do refúgio até tarde conversando, quando nossa amiga Tânia chega desesperada dizendo que estava entrando água dentro da barraca dela. Conseguimos alguns sacos de lixo e o Antonio foi ajudar o Beto com o "pequeno" problema. Logo em seguida entra outro trilheiro com seu saco de dormir completamente encharcado, eu entrei em desespero! Já imaginei meu saco de dormir molhado, seria o fim (que exagerada!). Pedi ao Antonio que conferisse se nossa barraca estava molhada, e para minha alegria, tudo estava completamente seco. Dia 5 - sonho realizado
      Antonio nunca havia visto neve e sempre falou que se fosse para ver neve, que fosse na montanha. Estávamos tomando café no refúgio quando vejo um ser saindo correndo gritando "Está nevando, está nevando". Parecia uma criança vendo neve pela primeira vez - e na montanha, como ele havia sonhado!
      Eu não fiquei assim tão feliz, afinal isso significava que o tempo estaria fechado nas Torres - e como eu queria ver aquelas meninas!  Tomamos um café super reforçado (incluído em nosso pacote) e seguimos a trilha até às Torres. Ao contrário dos outros dias, neste caminhamos muito rápido e os joelhos reclamaram um tanto (DICA: se puderem fazer a trilha no seu tempo, sem correr, é melhor. Fizemos isso todos os outros dias e não sentimos dor alguma).
      A trilha é pesadinha, mas isso não impede que jovens, crianças e idosos a façam, cada um no seu ritmo, no seu tempo. Eu não sabia quem eu admirava mais, se as famílias com crianças ou o grupo dos mais experientes. Quando fomos chegando pertinho da lagoa o coração foi acelerando. O Antonio foi na frente e lá do alto chamou minha atenção ao gritar uma linda declaração <3.
      Quando finalmente meus olhos encontraram as meninas (as Torres) não pude me conter de emoção - me faltam adjetivos para descrever a beleza deste local. Encontramos nossos amigos Daniel, Daniela, Beto e Tânia lá no topo, foi uma delícia compartilhar aquele momento com nossos novos amigos.
      Mas foi o tempo de contemplarmos a paisagem, tirar algumas fotos (nossa e da Maiza, coitado do Antonio) que o tempo virou completamente. As nuvens encobriram o céu azul e as Torres, e a neve começou a cair - "não era neve que você queria Antonio?"
      Muita neve! O vale também ficou completamente encoberto. A emoção de completar o circuito W, nossa primeira travessia, foi indescritível. Sensação de superação e eterna gratidão.

       
      CRIAMOS UMA COLEÇÃO DE CAMISETAS INSPIRADA NO CIRCUITO W, VEJA AQUI.
      Escrevi um post com os custos desta viagem AQUI.
      Bons ventos!
       
       
    • Por Tadeu Pereira
      Salve salve mochileiros!
      Segue o relato da trilha feita no Réveillon rumo ao Pico do Corcovado situado no município de Ubatuba no litoral norte de São Paulo.
      --> 24km ida e volta 
      --> Nível de dificuldade: DIFÍCIL (trilha extensa com várias bifurcações no início e muita mas muita subida rss)
       
      Partida - 30/12/19 - Partida 18:00pm - São Paulo x Caraguatatuba x Praia da Lagoinha x Praia do Bonetinho - Ônibus R$65,00 - Transporte público R$5,50
           Dia 30 de Dezembro geralmente costumo me organizar com antecedência o que vou fazer na virada pra não passar apuros nas correrias de final de ano. Mas ao contrário deste ano de 2019 eu não segui o protocolo e resolvi tudo na última hora, e lá estávamos nós, eu Tadeu e meu amigo Léo no dia 30 de Dezembro partindo de São Paulo capital sentido Caraguatatuba no litoral norte de São Paulo pelo empresa de ônibus Litorânea onde compramos as passagens por R$65,00. Em meio a milhares de pessoas correndo pra lá e pra cá no Terminal Rodoviário Tietê, nós conseguimos as passagens para às 18:00 com previsão de chegada para às 20:35. Chegamos por volta das 21:30 em Caraguatatuba por causa do trânsito intenso na rodovia de final de ano.

      Terminal Rodoviário Tietê 
           Em Caragua o clima estava abafado mas sem nenhum sinal aparente de chuva. A previsão mostrava clima aberto pro dia 30 e 31 com 20% de chuvas isoladas. Aguardamos por um tempo no terminal para aguardar nosso proximo ônibus e neste tempo aproveitamos e caminhamos por uns 5 minutos até o supermercado Shibata que fica próximo ao terminal rodoviário para comprar comida e água para passar a primeira noite no camping. Compras feitas, retornamos ao terminal e então pegamos um ônibus de transporte público na rodoviária de Caraguatatuba com sentido a Ubatuba por R$5,50 e depois de 1 hora descemos no ponto da praia da Lagoinha próximo ao Mercado Garotão e ao Condomínio SARELA - Recanto da Lagoinha onde caminhamos até sua entrada na 1ª guarita e continuamos por dentro do condomínio até a 2ª guarita que é onde fica o início da Trilha da Sete Praias. Caminhamos por 40 minutos passando pela Praia do Oeste e Praia do Peres caminhando totalmente no escuro iluminando com lanternas até chegar na Praia do Bonete ou Bonetinho onde passamos a primeira noite em camping selvagem ou seja, camping sem estrutura nenhuma, mas com o essencial, mar aberto e uma fonte de água potável. Ai foi só montar as barracas!   

      Camping Praia do Bonetinho

           O camping na Praia do Bonete além de selvagem é um camping proibido, na praia existe uma enorme placa lembrando os visitantes que aquele local ou aquela praia é uma propriedade particular. Então como chegamos já a noite, nós acampamos e desmontamos nossas barracas bem cedinho para ninguém ver e causar maiores problemas. Camping concluído com sucesso!  
      Subida - 31/12/19 - Partida 9:00am - Praia do Bonetinho x Pico do Corcovado - Transporte público R$5,50 

      ;
           Acordamos por volta das 6:00 da manhã e desmontamos rápido nossas barracas. Fizemos um bom café da manhã, tomamos o último banho de mar de 2019, arrumamos nossas mochilas e caminhamos de volta para o começo da trilha das Sete Praias, pois teríamos que pegar um ônibus sentido Ubatuba para descer no ponto da Praia Dura que ficava a 4,7 km de onde estávamos. Então fizemos a trilha da Praia do Bonetinho de volta para o condomínio Recanto da Lagoinha, fomos para a 1ª guarita na entrada do condomínio e caminhamos para a direita na rodovia sentido Ubatuba por uns cinco minutos até chegar em um ponto de ônibus. Até tentamos pegar carona mas os carros pareciam estar todos lotados ou com bagagens ou de pessoas chegando para passar a virada de ano no litoral. Por sorte o ônibus não demorou muito e pegamos rápido um ônibus por R$5,50 sentido Ubatuba e alguns minutos depois descemos no ponto da Praia Dura em frente ao Supermercado Praia Dura que fica também no começo da estrada do Corcovado que seria o começo da nosso caminho rumo ao imponente Pico do Corcovado. Aproveitamos e compramos no supermercado alguns mantimentos e água. Levamos 2 garrafas de água de 1 litro e 1 litro e meio cada um.
       
      (Caminho até o início da trilha)
       Supermercado Praia dura x Casa do Sr. Tozaki - Guarita do Parque Estadual Serra do Mar
      --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

      (Todo caminho percorrido) 
      Wikiloc: https://pt.wikiloc.com/wikiloc/spatialArtifacts.do?event=setCurrentSpatialArtifact&id=45109332
       Supermercado Praia dura x Casa do Sr. Tozaki - Guarita do Parque Estadual Serra do Mar x Pico Do Corcovado
           Começamos nossa caminhada para o pico por volta das 11:00 da manhã. Nosso ponto de partida foi do Supermercado Praia Dura, dali caminhamos por 1 hora os 4 Km da Estrada do Corcovado até a casa do famoso Sr. Tozaki (que infelizmente não tive a oportunidade de encontrar) onde fica situado a guarita do Parque Estadual da Serra do Mar PESM - Núcleo Picinguaba e início da Trilha do Pico do Corcovado.

      Casa Sr. Tozaki
       
      Guarita do Parque Estadual Serra do Mar - Núcleo Picinguaba
           Para subida e pernoitar no Pico do Corcovado é preciso realizar o agendamento com o Núcleo Picinguaba enviando um e-mail para [email protected] ou para [email protected] Nós até fizemos nossa parte e enviamos três e-mails para solicitar o agendamento em três emails diferentes, porém recebemos a resposta de que dois deles estavam desativados. O único e-mail que nos respondeu foi o [email protected] e disse assim: 
      ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
      31 de dez de 2019 às 13:59
      "Bom dia!
      Informamos que a Associação Coaquira de Guia de Turismo, Monitor e Condutor de Ubatuba é responsável pelo ecoturismo realizando o controle de acesso, monitoramento e manutenção do atrativo do atrativo Pico do Corcovado por meio do Termo de Autorização de Uso (TAU /FF/CORCOVADO nº 01/2018 - Processo FF nº 726/2018 - NIS 2096616) assinado pela Fundação Florestal no ano de 2018.   O atrativo Pico do Corcovado se encontra em área do Parque Estadual da Serra do Mar, Núcleo Picinguaba, Unidade de Conservação de Proteção Integral, instituída através do Decreto Estadual 13.313/79 e o principal objetivo da associação e a preservação, conservação e prática do Ecoturismo e Montanhismo de mínimo impacto no atrativo. A trilha para o Pico do Corcovado é monitorada, ou seja, há a necessidade de contratação de um Guia de Turismo ou Monitor Ambiental da Associação Coaquira para acessar o mesmo e realizar o procedimento de agendamento.   É necessário realizar o agendamento com antecedência, dessa forma poderemos indicar um condutor para acompanhar o grupo, o procedimento será confirmado após a confirmação da disponibilidade da data solicitada, preenchimento do Ofício de Solicitação de Reserva, Termo de Isenção de riscos, Termo de Responsabilidade e Ficha Médica.    Quanto a pernoite, é permitida seguindo as informações acima, agendamento e contratação de um Guia de Turismo ou Monitor Ambiental que disponibilizamos pela associação e respeitando a capacidade de carga do atrativo de 15 pessoas. As datas propícias e permitidas para atividade de camping são entre os meses de abril a outubro.  Informamos que o atrativo estará fechado para pernoite de 19/11/2019 até 19/03/2020 pois durante esse período as chuvas no local são muito intensas, com a possibilidade de ocorrência de descargas elétricas, erosões e deslizamento do solo, causando graves riscos aos usuários. O trajeto bate e volta permanece liberado, desde que as condições climáticas estejam favoráveis e após feito todo o procedimento.   Feliz 2020!   Qualquer dúvida estamos a disposição.   Att.   Diretoria do Departamento Executivo do Atrativo Trilha do Pico do Corcovado da Associação Coaquira de Guia de Turismo Monitor e Condutor de Ubatuba ______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________   --> https://www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br/pesm/nucleos/picinguaba/contato/?filter=agendar        Como não tínhamos recebido nenhuma resposta dos e-mails enviados com a autorização e o agendamento quando começamos o caminho para o início da trilha por volta das 11:00 da manhã do dia 31 de Dezembro, decidimos ir sem agendamento mesmo. Pensamos em talvez conversar na guarita sobre os emails enviados para solicitar agendamento e que não tínhamos recebido nenhuma resposta, massss não foi necessário nada disso hehehehe. Quando nos aproximamos da guarita percebemos que não havia ninguém, nem mesmo o Sr. Tozaki estava em sua residência que fica no mesmo lugar da guarita do parque. Então decidimos começar a trilha sem falar com ninguém. Sabíamos do risco de encontrar algum guarda do parque que poderia nos multar por ter feito a trilha sem autorização e agendamento, mas estávamos decididos a subir e seguimos em frente.
           Seguimos em frente depois de uma corrente na estrada em frente a guarita e começamos realmente a trilha. A trilha se inicia em um bambuzal ao lado de uma cerca e é neste ponto que a trilha traz a maior dificuldade pois têm algumas bifurcações que levam a alguns lugares diferentes. Realizamos esta trilha com Wikiloc e mesmo assim demos umas vaciladas que foram corrigidas a tempo. Recomendo que façam esta trilha ou com guia ou com gps Wikiloc pois a trilha é muito cansativa, extensa e contém algumas bifurcações principalmente no seu começo. 
           Os primeiros minutos da trilha são tranquilos, passamos por três vezes em riachos de águas geladas e potáveis, ótimas para se refrescar e beber, já que o clima com a mata fechada se torna muito quente e úmido em dias de sol forte nos fazendo suar muito. 
      -->WIKILOC:  https://pt.wikiloc.com/wikiloc/spatialArtifacts.do?event=setCurrentSpatialArtifact&id=45109332
        
       

           A trilha no começo é tranquila, caminhamos por 1 hora aproximadamente passando por 2 pontos de água até chegar na primeira placa da trilha (PESM) e também no terceiro ponto de água. Deste ponto em diante sentimos o que realmente é a trilha do Pico do Corcovado hauhauhua. Tomamos bastante água no riacho, enchemos nossas garrafas e bora começar a subir o morro que nos aguardava ahuhaua. Estávamos em 206 metros de altitude e a partir dali iriamos subir até 460 metros para o primeiro mirante da trilha.  
         
        
      Placa PESM - Parque Estadual Serra do Mar e 3º ponto de água
           Caminhamos por algumas horas e passamos pelo primeiro ponto de corda em 382 metros de altitude. Neste ponto temos um vista muito linda pois é um dos poucos pontos abertos na trilha. A subida até o primeiro mirante foi bem desgastante, mas quando chegamos, vimos o quão lindo é a vista, isso só nos deu mais ânimo para subir. Este ponto também chamado de Igrejinha nos mostrou só uma prévia do que nos aguardava no cume. Diz a lenda que à meia-noite próximo da Igrejinha seria possível ver a imagem do Frei Bartolomeu andando por lá. É claro que não ficamos lá pra ver isso kkkkkk. Neste mirante conseguimos ver o Pico do Corcovado pela primeira vez da trilha e um belo visual de algumas praias do litoral de Ubatuba. Ficamos por alguns bons minutos contemplando aquele visual e logo seguimos em frente. Neste trecho encontramos somente duas pessoas descendo a trilha, eram dois sul africanos que estavam fazendo um bate e volta. Conversando com eles descobrimos que não havia mais ninguém na trilha e nem no cume, isso significaria que não corríamos o risco de algum guarda nos ver e nos multar e também de ter a possibilidade de passar a virada de ano somente nós no cume! Yeahhhh!!! 




      Mirante ou Igrejinha
           Depois deste ponto a trilha vai ficando cada vez mais íngreme e inclinada nos castigando bastante. Caminhamos bem lentamente até chegarmos até o último ponto de água que fica a 767 metros de altitude. Paramos um pouco para mais um descanso, fizemos um lanche, tomamos bastante água, enchemos novamente nossas garrafas pois aquele seria o último ponto de água até o cume. Então levamos água o bastante pra beber no restante da trilha e para pernoitar no cume do pico sem precisar voltar para buscar mais água.

       3 km de trilha percorridos e ainda faltavam 5 km kkkkk
       
      Último ponto de água em 767 metros de altitude

      Neblina surgindo no meio da mata. Estávamos nas nuvens!
           Continuamos caminhando sempre subindo até chegarmos ao Camping 1 em 1000 metros de altitude. A subida mais uma vez nos castigou muito e paramos por diversas vezes para descanso e recuperar o fôlego. Chegamos no Camping 1 e ficamos um bom tempo descansando antes de enfrentar a última e mais difícil subida do percurso.  


      Camping 1


      O camping 1 tem espaço para aproximadamente umas 7 barracas. 
           Após este ponto, no Camping 1, a trilha deu uma trégua na subida e começamos a caminhar olhando alguns momentos para o Pico do Corcovado em uma trilha mais plana e com poucos declives. Afinal já estávamos na crista da Serra do Mar e a mais de 1000 metros de altitude. Esta parte da trilha é simplesmente incrível, havia desfiladeiros dos dois lados que conseguíamos ver por entre as árvores, mas como a visibilidade estava baixa por causa da neblina, fomos ver realmente a dimensão do lugar que estávamos trilhando somente na volta com o tempo aberto. 
       
           Caminhando por aproximadamente mais 40 minutos pela crista da Serra do Mar e chegamos em duas placas informando qual a direção que se deveria seguir. A placa da direita subindo dizia que o caminho estava em recuperação e que o acesso estava restrito, já a placa da esquerda era uma seta informando a direção a se seguir para chegar ao cume. Como estávamos seguindo a trilha com o Wikiloc resolvemos fazer a trilha de acesso restrito que era o que o nosso GPS estava guiando, mas esta trilha foi um das partes mais difíceis do caminho com uma subida quase que impossível e perigosa, mas nós conseguimos! Já a trilha da esquerda é um pouco maior com uma grande descida até um ponto de água que fica ainda mais próximo do cume e depois uma última subida mais tranquila até o cume do Pico do Corcovado, mas isso só ficamos sabendo na volta quando retornamos por este lado da trilha pois subimos pela trilha restrita.    

      Placas direcionando a trilha correta e mais fácil a se seguir
           Após alguns minutos subindo os últimos 100 metros finais e os últimos 60 metros de altitude, onde o corpo já está a ponto de explodir com a mistura de tanta ansiedade, de cansaço, de adrenalina, sede e de todo o esforço feito pra chegar até ali, nós conseguimos vencer com muita superação a última e mais difícil parte da trilha. Uma "escalaminhada" que necessita de pés e mãos livres para subir pelas raízes das árvores que nos custou muito esforço com as mochilas nas costas depois de quase 6 horas de trilha para ai sim conquistar a 1160 metros de altitude o cume do imponente PICO DO CORCOVADO em Ubatuba na Serra do Mar. Foi surreal a primeira vista de lá de cima e as lágrimas simplesmente rolaram pela minha cara suada ahauhauh! Foi incrível! 
          







           Os primeiros minutos em cima do Pico do Corcovado foram simplesmente mágicos. O tempo que estava fechado até então começou a se abrir e nos presenteou com um por do sol fantástico que nos deixou anestesiados pela beleza que estávamos contemplando. Gratidão era a palavra que mais me vinha a cabeça neste momento. Gratidão por estar ali, por ter condições e saúde pra chegar até ali, gratidão por todas as pessoas que estão comigo ou junto comigo de alguma forma, gratidão pela minha família, minha mãe, meu pai, meu irmão e minhas avós, pelos meus amigos e o mais importante grato pela VIDA! Obrigado Obrigado Obrigado... 


       






           E lá se foi o último por do sol de 2019. Após esta fantástica exibição da natureza, nós assinamos os nossos nomes no livro do cume para registrar nossa subida e fomos armar nossas barracas pois de noite faria um pouco de frio com os ventos cortantes no cume. Existem duas áreas de camping no cume do pico, uma fica próxima ao livro do cume com um espaço menor, cabendo aproximadamente umas 4 barracas (camping 3), já o outro com um espaço maior cabendo aproximadamente umas 7 barracas e não tão exposto aos ventos (camping 2). Montamos as barracas na área de camping 2 que tinha um espaço maior e menos exposto ao vento. Camping concluído com sucesso!   
           Acampamento armado, tratamos de fazer a nossa ceia de final de ano kkkk. Fizemos um ensopado de legumes e macarrão para recuperar nossas energias que perdemos nas quase 7 horas de subida intensa até o cume. Tivemos um problema com o nosso gás do fogareiro mas nada que impediu de fazer nosso rango. Barriga cheia ficamos esperando a meia-noite chegar pra ver a queima de fogos nas diversas praias que se consegue ver de cima do pico. Foi fantástico ver por 15 minutos a queima de fogos de quase 17 praias de cima do Pico do Corcovado. Foi uma visão única e surreal e que decidimos não filmar nada para ficar somente nas nossas memórias ahuahuahua. Foi fodástico! 
      Descida - 01/01/2020 - Partida 11:00am - Pico do Corcovado x Praia Dura
           Dormimos por volta de 1:00 da madrugada. Conseguimos descansar um pouco e ainda acordamos por volta das 5:00 horas da manhã para ver o primeiro nascer do sol de 2020. Coloquei o despertador e quando deu o horário sai da barraca e o céu já estava com uma coloração laranja que avisava que o sol estava a caminho. 







      Primeiro nascer do sol de 2020
                Contemplamos o nascer do sol por uns 40 minutos e voltamos a dormir e descansar pois ainda tínhamos a descida pra fazer e tínhamos que ter pernas pra descer tudo que subimos ahuahuha. Consegui ficar na barraca até umas 10:00, pois a partir desse horário o sol começa a esquentar deixando a barraca muito quente. Acordamos tomamos um pequeno café da manhã e ficamos algumas horas contemplando aquela linda paisagem com um dia maravilhoso que a natureza nos presenteou. Gratidão.




       

       
      nam-myoho-rengue-kyo
           Após desmontar nossas barracas e montar novamente as mochilas, iniciamos nossa descida pelo outro caminho. Decidimos fazer o caminho que as placas estavam indicando quando estávamos subindo na trilha e não descemos pela trilha que estava de acesso restrito. A descida começa seguindo pelo camping 2 onde acampamos. Descemos por mais ou menos uns 30 minutos e já começamos a ouvir o barulho das águas. Chegamos em um ponto de água que não sabíamos que havia ali. Descemos a 1066 metros de altitude e encontramos água ainda mais perto do cume em um riacho com águas geladas e da mais pura que já havia bebido antes. Ficamos um bom tempo neste riacho onde fizemos um bom rango, aproveitamos para tomar um bom banho nas águas geladas e seguimos em frente. 
       
       
           A trilha que se deve seguir esta antes do riacho e não seguir a diante atravessando o riacho. Fizemos este caminho e chegamos em um lugar sem saída, então retornamos e começamos a subir novamente até que vimos um trilha a direita e continuamos nela até chegarmos até as duas placas que informava o caminho. Pra quem esta descendo, a trilha correta a se seguir fica um pouco antes do riacho virando a esquerda. Como passamos direto não reparamos nesta entrada. Então retornamos entramos na trilha correta e caminhamos por uns 30 minutos até que depois de uma subida intensa chegamos nas placas que tínhamos visto antes na subida e a partir dai foi só seguir o Wikiloc novamente e seguir a trilha para descer sem se perder. 

      Placas informando o caminho correto para o cume
           Depois das placas a trilha continua por um bom tempo com terreno plano com alguns declives caminhando sobre a crista da Serra do Mar e como comentei anteriormente o visual deste lugar que não conseguimos ver na subida por causa da neblina se mostrou o quanto é mágico e surreal. Dos dois lados haviam precipícios enormes com um visual fantástico e único das cadeias de montanhas de um lado e do outro a serra do Mar contrastando com as praias. Cada vez que parávamos para descansar ficávamos um bom tempo contemplando a natureza. 









           A decida nos cansou mais que o esperado. Fizemos um bastão de trekking improvisado para ajudar na pressão que os joelhos sofrem na descida, isso nos ajudou muito. Gastamos por volta de 6 horas de descida, contando o tempo que ficamos no riacho e o tempo que perdemos na trilha. Chegamos por volta das 18:00 na guarita do PESM e ainda não havia ninguém la, nem mesmo o Sr. Tozaki estava em sua residência. Descansamos por alguns minutos em frente a guarita e seguimos rumo a rodovia para procurar um local para acampar aquela noite. No meio do caminho encontramos um mercado onde paramos para comer, ir ao banheiro, carregar nossos aparelhos de celular, comprar alguns alimentos para o próximo camping e brindar a nossa subida ao Pico do Corcovado com uma bela e gelada cerveja. Yeahhhh!!!

           Conversamos com alguns locais, e conversa vai conversa vem, resolvi perguntar se havia algum local para acampar por ali. O dono do supermercado ouvindo minha pergunta nos informou que na Praia Dura, a praia mais próxima de nós naquele momento, teria uma forma de acampar debaixo de duas pontes que passam sobre o Rio Escuro que deságua na praia. Seguindo esta informação caminhamos até a rodovia e seguimos a esquerda até as tais pontes. Chegamos nelas com pouco tempo de caminhada e logo vimos os caminhos para se chegar debaixo delas e vimos também que havia um enorme banco de areia. Ficamos um pouco receosos e com medo do local mas acampamos por ali mesmo. Camping concluído com sucesso! 
       

      Praia - 02/01/2020 - Partida 9:00am - Praia Dura x Praia da Sununga - Camping R$25,00 
           Acordamos e vimos que a praia fazia parte de um grande condomínio e que a divisa se fazia até as pontes, então estávamos acampando em um lugar que não causaria problema pra ninguém. Isto quem nos disse foi o próprio guarda que ficava rondando a praia. Acordamos tomamos um bom café da manhã, tomamos um banho de rio, desmontamos nossas barracas e fomos ao encontro de alguns amigos na praia da Sununga que ficava a uns 6 km da Praia Dura.

      Pontes sobre o Rio Escuro na Praia Dura 
           Como o trânsito ainda estava carregado na rodovia, optamos em ir a pé para a Praia da Sununga. Caminhamos pela rodovia por quase uma hora, entramos pelo Condomínio Pedra Verde na Paia Domingas Dias e atravessamos a Praia do Lázaro até chegarmos na Praia da Sununga onde encontramos mais dois amigos para finalizar nossa jornada ao Pico do Corcovado com chave de ouro. Pronto! Agora vamos dar um mergulho neste marzão prq nóiz merece! Yeahhhhhhhhhh Gratidão!!! 


      Retorno - 03/01/2020 - Partida 8:00am - Praia da Sununga x Caraguatatuba x São Paulo - Transporte público R$9,00 - Van R$70,00
         Dormimos este dia na Praia da Sununga no Camping Guarani pagando R$25,00 para dormir com chuveiro quente e cozinha compartilhada. Acordamos bem cedo e fomos para o ponto de ônibus na rodovia pegar um ônibus para Caraguatatuba. Pagamos R$9,00 até Caraguá e demoramos umas 2 horas para chegar por causa do trânsito. Na rua ao lado do Terminal Rodoviário de Caraguatatuba haviam várias vans com transportes alternativos para São Paulo. Conseguimos uma por R$70,00 e fomos direto e mais rápido para o Terminal Rodoviário do Tietê em São Paulo finalizando nossa aventura de final e começo de ano hauhauhaua! Valeu! Feliz 2020...

      Paparazzi nos fotografou no ponto de ônibus kkk
       
       
      Gratidão!
       
       
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    • Por rafael_santiago
      Lago Nesbøvatnet
      Início: Finse
      Final: Vassbygdi
      Duração: 3 dias
      Maior altitude: 1643m
      Menor altitude: 89m em Vassbygdi
      Dificuldade: média para quem está acostumado a longas travessias com mochila cargueira. A maior subida tem desnível de 419m.
      O Parque Nacional Hallingsskarvet é um parque pequeno ao norte do platô Hardangervidda, maior platô de montanha do norte da Europa. Ele se situa ao norte da famosa estrada de ferro Oslo-Bergen, próximo à estação de Finse, a cerca de 190km de Oslo e 120km de Bergen (em linha reta). 
      Nesse trekking eu percorri de sul a norte o parque e emendei com a caminhada do Cânion Aurlandsdalen, bastante famoso por lá pela incrível beleza.
      Para saber sobre trekking na Noruega sugiro a leitura da introdução do relato www.mochileiros.com/topic/89222-travessia-do-parque-nacional-hardangervidda-noruega-jul19.
      O problema do trekking na Noruega e na Escandinávia em geral é o alto índice de chuva. Eu tive três dias seguidos de sol nessa caminhada e isso foi uma grande sorte.
      Não há problema de escassez de água nesse percurso e nem todos os riachos e fontes estão descritos no texto pois são muitos.

      Lagos parcialmente congelados mesmo no verão
      1º DIA - 01/08/19 - de Finse ao Refúgio Geiterygghytta
      Duração: 5h20 (descontadas as paradas)
      Maior altitude: 1643m
      Menor altitude: 1219m
      Resumo: esse dia tem um desnível considerável de 419m de subida e depois de 424m de descida mas não é cansativo pois é bastante gradual
      No dia 29/07 eu interrompi a longa travessia do Parque Nacional Hardangervidda ao Parque Nacional Hallingsskarvet no 7º dia do percurso (relato em www.mochileiros.com/topic/89222-travessia-do-parque-nacional-hardangervidda-noruega-jul19) por causa da chuva que chegou e ainda duraria mais dois dias. Fui de trem para a cidade de Geilo, me hospedei no Hostel HI e esperei a melhora no tempo prevista no yr.no.
      Nesse dia, 01/08, voltei de trem a Finse e retomei a caminhada com tempo bom. Finalizada a etapa do Parque Nacional Hardangervidda, agora ia entrar no Parque Nacional Hallingsskarvet.
      Embarquei em Geilo às 13h e desci na estação de Finse às 13h38. Altitude de 1228m. Cruzei a estrada de ferro e segui a placa de Geiteryggen após o portão de madeira. Subi pela rua principal de cascalho e segui a sinalização do T vermelho entrando numa trilha à direita, cerca de 300m depois da linha férrea. Subi a colina ao norte, passei pelo local onde acampei no dia 29 e parei por 13 minutos para contemplar a magnífica Geleira Hardangerjøkulen, a sexta maior da Noruega. Ao cruzar o primeiro riacho, às 14h20, estava entrando nos limites do Parque Nacional Hallingsskarvet. Continuei no rumo norte, cruzei uma ponte suspensa e em seguida outro riacho pelas pedras às 14h43. Voltei a subir e a vegetação, que era só rasteira, some de vez, ficando só o terreno de pedras, mas sem dificuldade para caminhar. Às 15h32 começam a aparecer as manchas de neve que tenho de cruzar, com largura de 30m a 70m, mas sem problema de escorregar. A bota impermeável é importante nessa hora também.

      Cruzando campos de neve
      Às 15h57 alcancei o Refúgio Klemsbu, particular e trancado. Fiz uma pausa ali. Algumas pessoas que caminhavam sem mochila (e até com cachorro) tomaram ali uma trilha para o norte e subiram o Pico Sankt Pål. Eu continuei às 16h39 para nordeste (direita na bifurcação) e subi cruzando mais duas manchas de neve até atingir a maior altitude do dia (1643m, desnível positivo de 419m desde Finse). Ali há um campo de neve muito extenso mas felizmente não foi preciso cruzá-lo, está à esquerda do caminho. À direita surge um bonito lago com placas de gelo flutuando como icebergs. Inicia a descida. Cruzo mais uma mancha de neve e depois um riacho pelas pedras. Às 17h52 avisto o Lago Omnsvatnet. A trilha desce, cruza um riacho e se aproxima do lago, voltando a ter vegetação rasteira e depois capim, pasto para as ovelhas. Às 18h23 atravesso mais uma mancha de neve de uns 40m e às 19h outra de cerca de 60m.
      Às 19h21 alcanço um conjunto de lagos e passo a caminhar pelo seu lado direito. Cruzo pelas pedras um riacho que vem de uma bonita cachoeira despencando do paredão à direita. Às 19h55 avisto o refúgio na outra ponta do lago. Cruzo outro riacho às 20h14 e saio dos limites do Parque Nacional Hallingsskarvet. Alcanço o Refúgio Geiterygghytta às 20h32, numa altitude de 1230m. Esse refúgio é da DNT e do tipo staffed (com funcionários), não se pode cozinhar, não há comida para vender (só chocolates e biscoitos) e o anfitrião não me deixou nem usar o banheiro se não consumisse algo ou acampasse na área designada pagando NOK 100 (US$ 12,09)! Perguntei de acampamento livre (selvagem) e ele me mandou acampar longe, fora da visão do refúgio. Pelo que pude ver era um lugar muito bem arrumado, parecendo um hotel, e a presença de barracas espalhadas podia desagradar àquele público sofisticado. 
      Em frente a esse refúgio passa uma estrada de cascalho que começa na rodovia 50 muito próximo de um túnel. Como passa um ônibus nessa rodovia essa estradinha pode ser uma rota de fuga ou um início/final alternativo à caminhada. São 3,6km dali até a rodovia. Porém há pouquíssimos horários: um ônibus por dia (às 13h10) em direção a Flåm (oeste) e um ônibus por dia (às 9h40) em direção a Ål (leste) (horários de julho e agosto de 2019).
      Saí do refúgio às 20h42 e caminhei pela estrada de cascalho para a esquerda (noroeste) até sair da visão do refúgio. Começaram a aparecer as barracas dos alternativos, dos que preferem a liberdade ao conforto. Os melhores lugares, que eram perto da cachoeira à esquerda da estradinha, já estavam ocupados, então entrei na trilha de Østerbø, com placa, à direita, e subi até encontrar um lugar plano e um pouco afastado do caminho. Havia água corrente por perto. Altitude de 1252m.

      Lagos de montanha
      2º DIA - 02/08/19 - do Refúgio Geiterygghytta a Østerbø (ou quase)
      Duração: 5h30 (descontadas as paradas)
      Maior altitude: 1395m
      Menor altitude: 1050m no acampamento do fim do dia
      Resumo: dia de vários sobe-e-desce mas sem desníveis significativos, sendo o maior deles de 320m de descida da maior altitude do dia (1395m) aos 1075m do Refúgio Steinbergdalen
      Deixei o local de acampamento às 11h41 e segui a trilha no rumo norte. Em 4 minutos cruzei um riacho pelas pedras. Às 12h11 o mapa do gps mostrava que eu estaria cruzando a rodovia 50 porém não havia rodovia nenhuma - havia sim, estava muitos metros abaixo de mim na forma de um extenso túnel! E com mais 9 minutos avistei a tal rodovia 50 bem abaixo à esquerda margeando um lago. Infelizmente a trilha vai se aproximar dela e esse dia não será dos mais bonitos e agradáveis. Às 12h40 sigo à esquerda numa bifurcação com placa apontando para o Refúgio Steinbergdalen; à direita se vai a Kongshelleren (refúgio) e Iungsdalshytta (refúgio). Cerca de 6 minutos depois cruzo um riacho mais largo pelas pedras e paro por 18 minutos.
      Às 13h16 atravesso uma ponte metálica sobre um bonito rio com pedras e, subindo, cruzo uma porteira feita de ripas de madeira. Subo mais e atinjo um mirante chamado Bollhoud às 13h37. Passo por bonitos e tranquilos lagos de montanha e às 13h57 cruzo um riacho. Às 14h26 atravesso outra ponte metálica e encontro uma placa com o nome do local: Breibakkao. O riacho que cruzei forma uma bonita cachoeira à minha esquerda. Às 14h44 parei por 30 minutos num bonito mirante chamado Driftaskar, de onde avisto o Refúgio Steinbergdalen (ou Steinbergdalshytta) perto do lago Vetlebotnvatnet e da famigerada rodovia 50. 
      Na descida cruzei um riacho por uma ponte de tábuas às 15h39. No portão na chegada ao refúgio há uma bifurcação em que à direita se vai também a Kongshelleren (refúgio) e Iungsdalen (refúgio). Entrei no Refúgio Steinbergdalen às 15h49 e ele é particular (não é da DNT), mas a anfitriã me deixou usar o banheiro sem pagar pois eu estava só de passagem. É uma casa bem típica norueguesa, de madeira com vegetação sobre o telhado para manter o isolamento térmico e a estabilidade da casa. É recomendável (ou obrigatório em alguns casos) tirar o calçado antes de entrar, a menos que o anfitrião diga o contrário. A rodovia 50 está a apenas 450m e é possível tomar o mesmo ônibus que liga Ål a Flåm se for necessário.
      Saí às 16h04 pelo lado direito do refúgio e tomei uma trilha que subia a encosta à direita com placa de Østerbø. E como subiu!!! Não era uma subida íngreme, mas tinha muitas pedras e parecia não ter mais fim. A visão da rodovia 50 logo abaixo à esquerda tirava todo o clima de montanha e fez daquele trecho longo de subida um tédio. Na descida, ainda pela encosta, parei num riacho às 17h18. Às 18h05 atravessei a ponte de tábuas sobre outro riacho que despencava do paredão à direita em bonitas quedas. Começo a avistar a vila de Østerbø bem abaixo no vale. Desço mais e às 18h40 alcanço um grande campo com uma cachoeira grande ao fundo. Ali já comecei a pensar se valeria a pena ir até Østerbø (ainda 3,8km à frente) pois o local parecia mais urbanizado e eu poderia ter dificuldade para encontrar um lugar para camping selvagem. Cheguei a perguntar sobre isso a uma garota que vinha (sozinha) atrás de mim, mas ela não sabia como era Østerbø. Vi que ela e um casal pararam ali para acampar e resolvi parar também, apesar de muito cedo ainda. Havia água bem próximo dali, no Rio Grøna. Altitude de 1050m.

      Cânion Aurlandsdalen
      3º DIA - 03/08/19 - de Østerbø a Vassbygdi
      Duração: 6h50 (descontadas as paradas)
      Maior altitude: 1074m próximo ao acampamento
      Menor altitude: 89m em Vassbygdi
      Resumo: longa descida de 985m percorrendo o interior do Cânion Aurlandsdalen, famoso na Noruega pela grande beleza
      O trekking de hoje pode ser feito em forma de bate-e-volta de um dia a partir das cidades de Flåm ou Aurland, onde há campings e hotéis. Tomando o ônibus às 8h15 em Flåm ou 8h25 em Aurland se chega às 9h15 a Østerbø, um bom horário para iniciar a caminhada pois há ônibus à tarde para retornar a Flåm e Aurland (veja os horários nas informações adicionais).
      Comecei a caminhar às 8h21, cruzei a ponte de madeira sobre o Rio Grøna, desci até o vale do Rio Grøndalagrovi e o segui para a esquerda (oeste). Descendo, passei por uma casa vazia à minha direita e cruzei um portão de ferro. Atravessei uma mata e às 9h12 cheguei a uma estradinha de terra, onde fui para a direita. Aparecem as primeiras casas. Às 9h18 alcanço uma estrada de asfalto após uma cancela e sigo para a direita, continuando pela esquerda na bifurcação. A rodovia 50 está a apenas 120m à esquerda da cancela e é possível tomar o mesmo ônibus que liga Ål a Flåm se for necessário. Me mantive na estrada principal e cheguei aos refúgios de Østerbø às 9h28. São dois, um ao lado do outro. O primeiro é o Østerbø Fjellstove, particular, e o segundo é o Aurlandsdalen Turisthytte, pertencente à DNT e do tipo staffed. A tão esperada trilha do Cânion Aurlandsdalen começa no meio dos dois.
      Por ser um sábado havia dezenas de pessoas iniciando a trilha, e até um grupo de voluntários (?) dando orientações. O caminho aponta para o norte ainda como uma estradinha de cascalho, que tomei às 9h50. Altitude de 833m. Numa curva de 180º para a esquerda cruzei a ponte sobre o Rio Langedøla e havia uma sinalização um pouco confusa. Não entrei na primeira trilha à direita com T vermelho pintado na pedra, continuei descendo a estradinha e entrei na trilha seguinte à direita também com T vermelho pintado, mas muito mais estreita que a primeira (aqui aparentemente os dois caminhos servem, o importante é se aproximar do lago e evitar as outras trilhas). Passei por mais uma casa à minha esquerda e comecei a contornar o bonito Lago Aurdalsvatnet pela margem norte e depois oeste. Aparece a primeira placa de marcação de distância, 18km para a frente (até Vassbygdi) e 1km para trás (desde os refúgios de Østerbø).

      Cânion Aurlandsdalen
      Quando deixo as margens do Lago Aurdalsvatnet no sentido oeste aparece um espaço plano e gramado ótimo para acampar. Até aí não havia visto nenhum lugar adequado para acampar e daí em diante apareceram bem poucos também pois o solo muitas vezes era de turfeira (?), fofo e úmido. A trilha percorre a mata exuberante, numa mudança significativa de ambiente em relação aos dois dias anteriores no alto da montanha. A placa de 17km se encontra sobre um portão de ferro e na descida seguinte a beleza de Aurlandsdalen começa a se mostrar. Um lindo lago bem abaixo espelha as montanhas verdejantes. A descida até a margem leste desse lago (Nesbøvatnet) foi por uma trilha íngreme beirando a ribanceira. 
      Aurlandsdalen é também uma trilha histórico-cultural e às 10h32 aparece a primeira placa com texto sobre a história e fotos antigas do lugar. Às 10h36 cruzei uma ponte de tábuas sobre um riacho e 2 minutos depois alcancei a casa Nesbø, às margens do Lago Nesbøvatnet, sede de uma fazenda do século 17. A trilha continua margeando o lago e às 10h49 alcanço uma bifurcação num local chamado Tirtesva. A trilha íngreme à direita sobe para outro caminho: Vassbygdi via Bjønnstigen, e uma placa alerta para o risco dessa rota já que cruza uma área de avalanches. Me mantive na trilha mais usada, que segue à esquerda, e uns 520m depois de Tirtesva cheguei a um bonito lago (uma extensão do Lago Nesbøvatnet). Parei para curtir o lugar e tomar água fresca do riacho ao lado. O gramado ali daria um bom local de acampamento também.
      Continuei às 11h19 e o lago se afunila num rio, que seguirei pela margem direita até o final do dia. Agora a sensação é de caminhar no fundo de um cânion mesmo, com a altas paredes se erguendo em ambos os lados. O rio e a vegetação das encostas ficam cada vez mais bonitos. Às 11h43 a trilha é um caminho estreito escavado no paredão de pura rocha. Um corrimão dá segurança nas partes mais estreitas (principalmente se houver neve). Às 11h52 surge abaixo o bonito Lago Vetiavatnet, o último grande lago dessa caminhada. 
      Às 12h05 alcancei uma bifurcação num lugar chamado Heimrebø. À esquerda se vai a Berdalen, que é um local a 370m dali na rodovia 50 onde passa o mesmo ônibus de Ål a Flåm. Segui à direita e a trilha faz uma grande curva embicando para o norte e se afastando muito da rodovia 50 (felizmente não mais visível após Østerbø). Às 12h47 vem da direita a rota Vassbygdi via Bjønnstigen, aquela iniciada em Tirtesva e que vem pelo alto. 
      Às 12h55 cheguei a um local com uma trilha saindo para a esquerda e uma movimentação de pessoas indo e vindo de lá - fui ver o que era. Caminhando cerca de 100m chega-se a Vetlahelvete, ou little hell cave, uma reentrância no paredão rochoso com um pequeno lago dentro e iluminação vindo da abertura no alto. Há um bonito mirante nas pedras mais altas do outro lado. Voltei à bifurcação, tomei um lanche e continuei descendo às 13h16. A marcação ali mostra que estou bem no meio do caminho: já percorri 9km e faltam 10km. Em 5 minutos tenho uma visão espetacular do cânion com o rio correndo lá embaixo e pessoas minúsculas ao longo da trilha bem ao lado do rio, ou seja, tinha uma descida bem grande pela frente. Às 13h24 parei para beber a água fresca de uma quedinha ao lado da trilha. Desci pela trilha em zigue-zague e às 13h46 já estava às margens do rio, onde algumas pessoas mergulhavam e logo saíam pois a água devia estar bem fria. 

      Fazenda Sinjarheim
      Às 14h08 uma nova bifurcação. À esquerda se vai a Stondalen, que é outro local na rodovia 50 onde passa o ônibus de Ål a Flåm, outra rota de fuga, porém essa bem longa (7km). Vou à direita e em 5 minutos avisto, pendurada na enorme encosta, a Fazenda Sinjarheim, principal ponto de parada nesse trekking. Cruzo uma ponte de madeira sobre o riacho que vem de uma imensa cachoeira despencando do paredão e às 14h30 chego à fazenda. Casas de madeira com vegetação sobre o telhado e anunciado apenas em norueguês (demonstrando que poucos estrangeiros passam por ali): "sal av kaffi og mjelkekaker - kom inn", "venda de café e bolo de leite - entre". Muita gente ali descansando e se recuperando do calor pois já estávamos a 591m de altitude e a temperatura havia aumentado com a descida e por causa do horário. Muito calor para os noruegueses pois para mim estava bem agradável. Saindo da fazenda às 14h51, a descida se tornou bastante íngreme e às 15h10 já estava próximo ao rio de novo. Após duas casas de madeira, num local chamado Almen, olhei para trás e o cenário era espetacular, com duas grandes cachoeiras brotando dos paredões, último cenário de tirar o fôlego desse trekking.
      Quando vi os horários de ônibus em Østerbø pensei em tomar o das 19h para Flåm, o último. Mas pelo avanço rápido que vinha fazendo após entrar na mata resolvi apertar um pouco o passo e ver se conseguia pegar o das 16h40. A descida terminou numa clareira às 16h03 e 8 minutos depois alcancei um final de estrada de cascalho, continuando em frente, sempre pela margem direita do rio. Estava apressado por causa do horário do ônibus mas não resistia a comer as framboesas próximas à cerca à direita da estradinha. Para trás me despeço dos grandes paredões do Cânion Aurlandsdalen. Continuando sempre em frente me aproximo das primeiras casas de Vassbygdi e finalmente chego ao ponto de ônibus, em frente a uma lanchonete, às 16h27, e estava lotado. Altitude de 89m. O ônibus apareceu no horário e somente uma parte daquele povo todo o tomou pois a maioria esperava o ônibus de volta a Østerbø, onde deixaram seus carros. A viagem a Flåm durou 30 minutos e percorreu o maravilhoso fiorde Aurlandsfjorden. Em Flåm acampei no Camping e Hostel HI.

      Cânion Aurlandsdalen
      Informações adicionais:
      . para saber os preços de hospedagem e refeições nos refúgios da DNT consulte os valores atualizados em english.dnt.no/routes-and-cabins. Para se tornar membro da DNT e ter descontos o valor da anuidade é NOK 695 (US$ 84), valor de 2019 para adultos de 27 a 67 anos.
      . Camping e Hostel HI em Flåm: NOK 160 (US$ 19,34) para uma barraca com uma pessoa. A ducha quente custa NOK 20 (US$ 2,42) a cada 6 minutos (funciona com moeda ou ficha comprada na recepção). O hostel estava lotado no início de agosto. Site www.hihostels.com.
      . mapa do parque com as trilhas e refúgios: ut.no/kart
      . a temperatura mínima durante a noite fora da barraca foi 7ºC
      . para planejar qualquer viagem de ônibus, trem ou barco na Noruega: en-tur.no (clique em Meny e selecione English)
      . ônibus de Vassbygdi a Aurland e Flåm: 10h20 (sáb e dom), 14h10 (diário), 16h25 (sáb e dom), 16h40 (diário), 19h (diário) (horários de julho e agosto de 2019)
      . trens na Noruega: www.vy.no/en
      . não há supermercado nem em Finse, nem em Vassbygdi e em nenhum lugar desse percurso. Só há mercado em Aurland e Flåm, alcançadas de ônibus a partir de Vassbygdi. Só há refúgios do tipo staffed (da DNT) e particulares nesse caminho e eles não vendem comida para preparar (apenas guloseimas), mas servem café da manhã e jantar.
      . roteiro adaptado a partir das informações do guia Walking in Norway, de Connie Roos, Editora Cicerone
      Rafael Santiago
      agosto/2019
      https://trekkingnamontanha.blogspot.com.br
    • Por Filomena Almeida
      Meu nome é Filomena (Filó), sou Técnica em Eletrônica, trabalho nesta área, adoro viajar e fazer trilhas. Tenho desgaste da cartilagem dos joelhos. Na época do trekking, eu tinha 52 anos (janeiro de 2018).
      Eber trabalha na mesma empresa que eu, é meu amigo e companheiro de trilhas. Difícil encontrar alguém pra te acompanhar nessas aventuras rsrsrs. 
      Não aconselho quem é totalmente sedentário a fazer o circuito. É PUXADO! Principalmente, a última parte da trilha até a base das torres.
      Mas, é possível para quem pratica alguma atividade física.
      Encontramos várias pessoas com idade na faixa de 60 e 70 anos fazendo o Circuito W com facilidade. Carregando aquelas cargueiras enormes!!!
       
      E assim começa a nossa aventura…
       Saímos de São Paulo às 22:30(vôo era às 21:40).
      Voamos bem até Santiago, onde chegamos à 01:10 do dia 06/01. Demoramos um tempão para estacionar e depois imigração.
      Saímos do Aeroporto 02:30 da manhã em direção à casa do Ângelo(fomos pela Transvip) Chegamos lá às 03:30. Ele estava acordado nos esperando. (Agradeço demais). Ele chamou um carro pra gente voltar para o aeroporto. Às 08:00 o carro estava lá nos aguardando.
      Gastos até aqui.
      Eber: 53,50 Uber da casa dele até aeroporto.
      Filó: 13,57, Uber até Tatuapé e ônibus até aeroporto.
      Lanche no aeroporto: Las Baguetes: 92,00😱😱😱( duas baguetes, um pão de queijo e dois chocolates quentes)
      Transporte aeroporto casa do Ângelo (ida e volta): 20 dólares cada um.
      Como não tínhamos tempo, fizemos câmbio no Aeroporto mesmo( paga -se uma taxa maior).
      Saímos às 11:10. Vôo tranquilo até o pequeno aeroporto de Puerto Natales. Chegamos as 14:10. Chegamos com chuva e frio.
       
      Pegamos um micro ônibus para o centro ( 2000 pesos cada um). Ele nos deixou na porta do hostel Danicar.
      Fizemos check in e fomos procurar um lugar para almoçar. Por indicação da Bete Doriana😁😁😁 fomos no El Bote(bom restaurante e com preço justo).
      Passamos no supermercado e compramos nossa refeição para um dia, na trilha (pão integral, salaminho, todinho, biscoitos, água).
      E chovendo….
      Voltamos pro hostel, descansamos um pouco e fomos até a rodoviária para conhecer o caminho é marcar o tempo que gastaríamos.
      Voltamos pro hostel, organizamos nossa mochila e fomos dormir…
       
      Dia 07/01
       
      Acordamos às 05:30, tomamos café e cadê as pessoas do hostel??? Elas iam guardar as nossas coisas. A gente levou o mínimo possível para Torres Del Paine.
      Bati na porta do quarto da dona do hostel e apareceu uma moça, na recepção em cima da hora. Guardou o que não levaríamos e saímos correndo para a rodoviária.
       
       
       Pegamos o ônibus para TDP ( comprei a passagem pela internet na Bussur).

       
      Depois de uma hora e meia chegamos em Laguna Amarga, entrada do Parque Torres Del Paine. Todos têm que passar por aqui. Aqui compramos o ingresso para o Parque (21000 pesos), preenchemos um formulário onde concordamos com as regras do parque, principalmente em relação a questão do fogo.
      Assistimos um vídeo, onde fala da preservação e das multas e penalidades que sofrerão quem causar um incêndio no parque.
      Às 09:10 saímos de Laguna Amarga em direção a Pudeto ( mesmo ônibus). Chegamos lá 10:20. Gostaríamos de ter pegado o catamarã das 09:00, mas impossível. ( Demora-se muito na entrada do Parque.
      Pegamos o das 11:00 que saiu às 11:20😐😐😐
              
       
      Depois de uma pequena viagem pelo maravilhoso
      Lago Pehoe, chegamos em Paine Grande.
      Que lugar maravilhoso! A localização é incrível e o abrigo é muito bom!
      Estávamos muito eufóricos! Queríamos ir logo para o acampamento Grey…
      Fizemos check in, deixamos nossas mochilas no quarto e fomos direto para trilha.

       
      Uma trilha linda! Cheia de flores diversas, pássaros e cachoeiras, lagos...uma visão triste são as árvores queimadas em boa parte da trilha... são sinais incêndio que aconteceu e que quase devastou o Parque 😞😞😞
                       
       
       Primeiro,  chegamos ao Mirador Grey, melhor lugar para contemplar o Glaciar Grey, várias placas de gelo se desprendem dele e vão descendo lago abaixo
      Apesar da previsão ser de chuva, estava um dia lindo, sol brilhando! Fomos com tempo bom até quase o Acampamento Grey
      Quase chegando lá começou a chover.
      Toda a nossa volta foi debaixo de chuva.
      Saída de Paine Grande: 12:20
      Acampamento Grey:16:20
      Saída do acampamento Grey: 16:40
      Chegada em Paine Grande: 19:00
      Andamos 22 km.
      Nossos companheiros de quarto era um casal, ela: carioca,  ele: mineiro de Juiz de Fora
      Eles fizeram de Las Torres para Paine Grande, contrário da gente.
       
      Dia 08/01/18
       
      A noite foi boa. Cama boa e quente.
      Acordamos as 06:00, nos arrumamos e fomos tomar café. Comi bastante 😊😊😊
      Pegamos o nosso lanche de trilha e em baixo de chuva saímos em direção au acampamento Italianos. Isso era 08:15.
      Choveu praticamente todo o trajeto. Muita lama pelo caminho.  Mochila pesada(12 kg, a minha) e a minha jaqueta da Decathlon que dizia ser impermeável….nada tinha de impermeabilidade.
      Chegamos ao acampamento Italianos às 11:00. Muita chuva!!🌧🌧🌧🌧
       Este acampamento é simples, ruim mesmo!
      Não vi chuveiros. O banheiro é fossa. Fedido pra caramba ( ainda bem que não achamos vaga nele! Ele é grátis, administrado pelo Conaf).
      Deixamos nossas mochilas em frente a casinha do guarda e fomos para o Mirador Frances. Aqui, estamos na parte central do W. O final dessa trilha seria o Mirador Britânico, mas por causa das chuvas, este Mirador estava fechado. Teríamos que atravessar um rio e estava muito perigoso.
      Fomos até o Mirador Frances (muito chuva! Parte que eu fiquei desanimada. Minha jaqueta não me protegia(JAQUETA QUECHUA QUE NÃO SEGUROU A CHUVA, A DECATHLON TROCOU A MESMA, QUANDO VOLTEI), muito frio!
      Deste ponto a gente vê as avalanches do Glacial Frances. Mesmo com chuva, um monte de gente fica lá sentados...de repente você escuta um barulho de trovão e lá vem a avalanche…
      Fizemos nosso lanchinho e iniciamos a descida.
      De volta ao Italianos. Pegamos nossas mochilas e caminhamos mais dois quilômetros até o Frances. Chegamos às 14:10. Na recepção do acampamento (um quartinho) tinha uma placa dizendo: (volto em poucos minutos)...e lá se foi mais de uma hora esperando 😞😞😞
      Tudo que eu queria era um banho quente, tirar as roupas molhadas…
      A pessoa responsável chegou, e nos indicou quais seriam as nossas barracas. O banheiro ficava muito longe de onde estávamos!!!
      Peguei minhas coisas e lá fui eu... comecei o banho e água estava morninha, no final estava congelando ⛄⛄⛄⛄
      Lembram do banho quente que eu queria????
      Pois é.
      Depois vimos uma placa, onde dizia: banho quente das 18:00 às 22:00😡😡😡
      Primeira noite acampada. Não foi fácil.
      O acampamento fica no meio de árvores, em baixo de uma montanha com neve nos picos.
      Não tinha como medir a temperatura, mas com certeza estava na casa do zero grau! E o vento?
      Parecia que as árvores cairiam sobre a barraca e outras vezes parecia que a barraca sairia voando….
      Aqui não tinha refeições. Então levamos lanches de Puerto Natales. Nossa janta, café da manhã e almoço foram lanches.
       
      Dia 09/01/18
      Acordamos cedinho, tomamos nosso café e lá fomos nós em direção ao Acampamento das Torres Central.
      Saímos às 08:45 do acampamento Frances.
      O trajeto entre Frances e Torres Central é um dos mais bonitos do circuito W.
      Quatro quilômetros depois do Frances a gente chega no Refúgio e acampamento Los Cuernos. Lugar bem bacana!! Do lado direito você tem o magnífico Lago Nordenskjöid e do lado esquerdo a imponente formação rochosa de Los Cuernos. Ao passar pela praia de pedras na beira do Lago vimos uns russos e holandeses tomando banho nas águas geladas ⛄⛄⛄⛄⛄😱😱😱😱😱que coragem!!!!
       
       
      Depois de duas horas estávamos no Abrigo Los Cuernos, fomos ao banheiro, descansamos um pouquinho e seguimos. Muitos trechos de subida e com a mochila pesada, sentimos bastante cansaço…( neste dia meu ombro ficou inchado). Às 12:15 paramos em um lugar maravilhoso para almoçar ( aqui acabamos com os nossos suprimentos que havíamos comprado em Puerto Natales). Subimos em uma pedra bem alta e lá a visão era maravilhosa!!! Via-se todo o lago e ficamos ali um bom tempo olhando aquela maravilha…
       
       
      Los Cuernos

      A visão mais linda do Lago Nordenskjöid
       
       Chega de moleza! Mochila nas costas e vamos seguir…
      Passamos por desfiladeiros, pontes cinematográficas, flores e vegetação típica do lugar e a gente dizia: será que falta muito?
      Tinha uns americanos mais ou menos juntos com a gente, ele nos perguntaram a mesma coisa…
      Faltava mais ou menos 4 km. Andamos mais um pouco e lá estava o complexo Las Torres 🙏🙏🙏👏👏👏👏
      Durou pouco nossa animação!!!😞😞😞😞
      A gente via o complexo, mas realmente a distância até lá era de 4km… 
      Fazer o quê???!!!
      Vamos embora, tá perto.
      Então às 16:15 chegamos no nosso acampamento... MORTOS!!!
      O moço levou a gente até as nossas barracas e nos instalamos. Tomamos um bom banho e descansamos até a hora do jantar. Nosso horário era de 20:30 às 21:30. Estávamos com bastante fome!!! Não gostamos dos serviços da Fantástico Sur. Eles colocam você em alguma mesa que já tem outras pessoas( fazem isso até completar toda os lugares da mesa). Saladas, pães e sucos são de uso comum e quando você chega, às vezes já acabou e então você precisa ficar pedindo. Com tanta fome! O jantar era purê de abóbora com uns cubinhos de carne. Foi pouco!!!!😠😠😠😠
      Bora dormir, no dia seguinte será o ÁPICE da nossa trilha…
       
      Dia 10/01/2018
      Acordamos cedo. Nosso horário de café era das 08:00 às 09:00. Tomamos café, pegamos nosso lanche de trilha e às 09:10 saímos em direção às Torres. Muita gente no trajeto. Muitas pessoas que vão, somente, até elas. Primeira subida já dava uma pequenina amostra do que seria este dia!!!
      Passamos por um grupo guiado que tinha um casal de brasileiros, depois encontramos um outro casal da zona sul de São Paulo e ele disse que não aguentaria e que a primeira coisa que faria quando voltasse pra São Paulo era procurar uma academia. Ele tem 58 anos.
      Disse a ele que a gente se via lá em cima…
      Continuamos nossa subida. Logo depois veio uma descida, desfiladeiro com rolamentos de pedras!!!

       Depois desse lugar a gente chega no Acampamento Los Chilenos. Parada pro banheiro, água e vamos que vamos, pois faltam 4km até as Torres…
      A partir desse ponto a gente tem praticamente só subida 😱😱😱😱
      Uma boa parte é entre árvores, bosques lindos, cachoeiras...
                         
       
       E continua subindo…
      O último 1,5km é o mais difícil! A subida é bem ingrime e de pedras. É uma parte que dá medo, pois o vento é forte.
      Tinha um casal com bebezinho bem pertinho da chegada nas Torres!!! Aliás, vimos muitas crianças neste trajeto. Crianças e idosos! Pessoal PORRETA! Todo o meu respeito.

       
      Com passinhos curtos... chegamos na base das Torres 👏👏👏👏😁😁😁😁
      Que felicidade! Objetivo alcançado! Obrigada meu Deus!!!

       
      Vamos almoçar e depois fotos...o vento era tão forte que nos enchia a boca de areia...
      Estava muuuuuuuiiiiiito frio e ventava muito forte!
      Falei pro Eber: vamos tirar nossas fotos e voltar.
      Tiramos fotos e não nos aventuramos a saltar ou explorar as pedras, pois o vento poderia nos derrubar.

      Hora de começar a descida... muita gente subindo, outras descendo.
      O último 1,5km foi difícil pra subir. Certo? Também é difícil pra descer. Você tem a sensação que vai rolar pirambeira abaixo…
      Não tem onde se agarrar, caso caia. E os joelhos são bastante exigidos.
      Lembram do casal da zona sul de São Paulo?
      Encontramos com ele na descida. Faltava uns 40 minutos pra eles chegarem nas Torres.
      Fizemos a descida de forma tranquila…
      Gente, banheiro é um problema, principalmente, pra nós mulheres...a trilha é muito movimentada e a maior parte do trajeto não tem árvores grandes, ou seja, você passa um aperto danado 😬😬😬
      Chegamos no acampamento por volta das 17:30 e de lá a gente podia ver as Torres com toda aquela imponência… E nossa sensação era difícil explicar: conquista, superação, realização, em fim... CONSEGUIMOS!!!!!!
      Banho e jantar reconfortantes, última noite em TDP.
      Atenção para essa DICA: programe-se para sair de TDP no fim do dia. Tem um ônibus para Puerto Natales às 13:00 e ou às 19:00.
      A gente não pesquisou os horários de saída de ônibus, do Parque. Então ficamos mais uma noite lá, ou seja, mais gastos com essa noite, jantar e café da manhã! É o pior: esperar até às 13:00 para voltar a Puerto Natales.
      Mas, a gente conseguiu uma carona até às entrada do Parque e de lá pegamos um ônibus.
      Chegamos cedo em Puerto Natales, conseguimos lavar nossas roupas ( tem várias lavanderias, combram por quilo de roupas), passeamos, almoçamos na famosa pizzaria Mesita Grande...
      Dormimos e no dia seguinte partimos em direção a El Cháten e El Calafate...mais trilhas e mais aventuras vem por aí…
       
      Informações importantes:
      Duas empresas particulares administram a maior parte dos acampamentos e abrigos:
      www.verticepatagonia.cl e www.fantasticosur.com.
      Você também pode reservar alguns acampamentos gratuitos no CONAF.
      http://www.parquetorresdelpaine.cl
      A Vertice é complicada. Você não consegue fazer reserva online. Você manda um e-mail e fica esperando eles confirmarem a reserva e te mandar um link para fazer o pagamento. Eles demoram muito pra responder e enquanto isso você vai perdendo as vagas nos outros abrigos e acampamentos. Eu enviei o primeiro e-mail no dia 23/08/17. Queríamos a reserva para 07/01/18. O meu amigo já tinha enviado no início de agosto…
      Era triste 😢😢😢as vagas da Fanstaticosur iam se acabando e nada deles responderem…
      Mandei vários e-mails, em espanhol, inglês, português e finalmente, quando já pensávamos em outro destino, eles me responderam: dia 07/09/17. Confirmaram nossa reserva e aí fomos reservar os outros lugares com a Fantasticosur. Não encontramos mais vagas nos abrigos. Então ficamos acampampados. Alugamos as barracas. Não queríamos carregar peso.
      A gente já encontra a barraca montada. Muito prático!
      Não tem sinal de celular. Nos abrigos tem wi-fi, mas não compensa pagar seis dólares por hora. Conexão ruim e muita gente usando.
       
      Ah! Parei de colocar os valores gastos…
       Mas, eu gastei R$6000,00 ao todo: passagem, hospedagem, comida...este valor foi o total da viagem que incluiu El Cháten e El Calafate.
      Isso foi a dois anos atrás, mas espero que ajudem quem quer fazer essa linda e maravilhosa viagem...
      NENHUMA CÂMERA PODE CAPTURAR A BELEZA QUE NOSSOS OLHOS PODEM



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