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    • Por FláviaMonize
      Noronha - que lugar incrível! Que beleza deslumbrante!
      Um local único no mundo! Uma ilha de pedras vulcânicas com águas cristalinas e de uma cor turquesa incrível! A oportunidade de admirar uma natureza completamente preservada, repleta de vida marinha em total equilíbrio com os seres humanos. Um destino desejo, de luxo, mas ao mesmo tempo rústico e simples, 0% frescura, em que a natureza é a estrela principal!
      Tivemos a oportunidade de ficar por oito dias nesse paraíso, entre 19 e 26 de dezembro de 2020. Sim, eu sei, estamos em pandemia. Mas infelizmente, perderíamos nossa passagem se não fossemos agora, e a ilha possui um rigoroso controle, em que você precisa fazer teste PCR para entrar e sair. Claro, em Noronha havia algumas limitações, mas valeu muitooo a pena!
      Antes de ir, é importante dedicar um tempo para dar uma pesquisada sobre a ilha, as praias e os principais passeios, para conseguir aproveitar ao máximo. Há muitas opções, e possibilidade de ter experiências muito diferentes em Noronha. Nós curtimos muito experiências de contato com natureza, e foi isso que valorizamos em nosso roteiro. 
      Os melhores meses são setembro e outubro, fora da época de chuva e com mar mais calmo, o que dá melhores condições de banho e também visibilidade para os mergulhos, além de preços melhores. Infelizmente, tínhamos agendado para setembro, mas o vôo foi sendo cancelado e remarcado até dezembro, e acabamos pegando o mar mais agitado. 
      Ao reservar seu lugar no vôo, pegue uma poltrona do lado esquerdo, para ter uma visão privilegiada do Morro Dois Irmãos, cartão postal da ilha, já na aterrisagem. 
      Aproveite também e pague as taxas antes de embarcar, para eliminar tempo de fila no aeroporto. A primeira é a taxa de preservação ambiental, cujo valor é proporcional ao número de dias em que ficará na ilha, e pode ser paga pelo site: http://www.noronha.pe.gov.br/turPreservacao.php. A segunda, é o ingresso de entrada no Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha, que dá acesso às praias mais bonitas da ilha, e pode ser paga pelo site: http://www.noronha.pe.gov.br/turPreservacao.php. 
       
      Primeiro dia - 19/12
       
      Pousamos na ilha por volta das 17 horas, em um vôo de uma hora partindo de Recife. Pois é, a ilha fica a cerca de 500 km da costa, o que faz com que tenha até mesmo um fuso horário diferente, de uma hora a mais do que o horário de Brasília. Por isso, ao chegar, já ajuste o horário de seu relógio e celular!
      Seguimos o conselho de vários blogs, e não aceitamos o transfer que é oferecido pelas empresas de turismo para a pousada. Pelos relatos, este transfer é bastante demorado, pois te levam primeiramente para uma apresentação, na tentativa de te vender passeios, e depois passam por várias pousadas para deixar todos. Escapamos e pegamos um táxi direto para a pousada, a tempo de deixar a mala e correr para curtir o primeiro pôr do sol, na praia do Cachorro. 

       
      Se prepare para andar muito em Noronha! Só para descer para esta praia e voltar, encaramos uma bela descida e subida em uma ladeira íngreme. Deu canseira, mas valeu a pena, claro!
      Na volta, por indicação do taxista, fomos jantar no restaurante Delícias da Ná. Pedimos uma carne de sol, com queijo coalho grelhado, arroz, macaxeira frita e farofa de banana da terra. O restaurante é simples, a comida saborosa, mas o preço salgadinho. A conta saiu quase R$ 200,00, para dois. Bem-vindo a Noronha!
       
      Segundo dia (20/12)
       
      Vi que muitas pessoas contratam o passeio Ilha Tour, em que um guia te leva de buggy para conhecer todas as praias da ilha. Particularmente, acho que só vale a pena se você tiver pouco tempo, ou se fizer questão de um guia, pois é fácil conhecer todas as praias por conta. Como tínhamos uma semana, essa foi a nossa opção! 
      Usamos muito o ônibus por lá! São dois ônibus cruzando a ilha de ponta a ponta, trafegando pela BR e entrando em ruas em alguns pontos. É possível ter acesso ao itinerário pelo aplicativo Moovit, que inclusive aponta a sua localização em tempo real, bem como todos os pontos de parada. Mas, depois do primeiro dia, você já estará bem habituado, e será fácil se localizar. Um ônibus vem em sentido Sueste - Porto, e o outro, sentido Porto - Sueste. Como o percurso é curto, você provavelmente não aguardará mais do que meia hora do ponto de ônibus. Não pagamos nada pelo ônibus, mas creio que a gratuidade seja temporária, por conta da pandemia.  
      Para algumas praias, como a do Porto e Sueste, a parada do ônibus é a um passo da praia. Já para outras, como Praia do Leão e Cacimba do Padre, é preciso alguma caminhada por estrada de terra. Pelo Google Maps é possível se orientar por estas estradinhas.
      Quando estiver cansado, sempre há a opção de pedir um táxi. Por muitas vezes fomos às praias de ônibus e a tarde, cansados, voltamos de táxi. Usamos a Nortax que é uma espécie de associação de taxistas, e gostamos muito do serviço. É rápido, e os preços são tabelados. Dependendo da distância, pagava-se R$ 26,00, R$ 34,00 ou R$ 40,00.
      Noronha também tem uma cultura forte de carona, e volta e meia nessas estradas alguém oferecia uma carona de buggy!
      Particularmente, a menos que esteja em quatro ou cinco pessoas, também não acho que vale a pena alugar buggy. A diária estava R$ 350,00, mais o combustível (R$ 7,00 o litro!), ou seja, é preciso pegar muitooo táxi para chegar neste valor!
       
      Neste dia, acordamos cedo e fomos conhecer as praias do mar de dentro. Começamos pela praia do cachorro, de onde uma pequena trilha leva a praia do meio. O acesso à praia do cachorro é por uma escadaria de pedra abaixo da Vila dos Remédios. Tem um ponto de ônibus na praça.
       

       
      Da praia do meio, você passa entre o famoso Bar do Meio para chegar à praia da Conceição, em cuja ponta esquerda se localiza o morro do Pico. 

       
      Todas as três praias belíssimas e com o turquesômetro a mil! A cor da água é belíssima!
      As praias são todas bastante selvagens e preservadas, o que eu amo! Mas se você é do tipo que gosta de "estrutura", se prepare para encontrar praias que nem sempre possuem cadeiras e guarda-sóis e também restaurantes / barzinhos. 
      Em época de mar calmo, dizem que a praia da Conceição é boa para a prática de snorkel. Aliás, esta é outra boa dica: compre e leve seu próprio equipamento. Na ilha há muitos lugares que alugam mas, por uma diária de R$ 20,00, e contando que diversas praias são boas para a prática, compensa adquirir o seu próprio. Compramos pelo mercado livre um bom conjunto de máscara e snorkel por cerca de R$ 100,00.
      Tentamos passar para a próxima praia, a do Boldró, pelas pedras, mas não conseguimos. Não sei se em época de maré baixa isso muda. De qualquer forma, optamos por voltar e almoçar na vila dos Remédios. 
      A tarde, tomamos um táxi e fomos conhecer a praia do Boldró. 

       
      Com vista para o Morro Dois Irmãos, dizem que também é um bom lugar para ver o pôr do sol. Mas, optamos por voltar e ir a um dos pontos mais famosos da ilha para este momento: o Fortinho do Boldró. 
      No caminho, aproveitamos para ir ao Projeto Tamar e ICMBio para retirar nossa carteirinha do Parnanoronha e realizar o agendamento de trilhas. Faça esse agendamento o quanto antes, pois as vagas são limitadas e algumas trilhas são bem concorridas!
      O Fortinho do Boldró é um espaço em que as pessoas se reúnem para admirar o pôr do sol.  Sentados nas pedras, ouvindo um som ao vivo e tomando uma cerveja, o espetáculo é certo! Chegue cedo para garantir um bom lugar! Neste dia, o sol deu um verdadeiro show!

       
      Voltando à Vila dos Remédios, jantamos no Empório São Miguel, uma opção de bom custo x benefício.
       
      Terceiro dia (21/12)
       
      Este foi o dia que dedicamos a conhecer as praias mais belas e famosas da Ilha. 
      Começamos pela Praia do Sancho, que já foi eleita quatro vezes a mais bonita do mundo pelo Trip Advisors! Olha a responsa!
      E olha, por mais que você já tenha visto mil fotos e assistido dezenas de vídeos sobre esta praia, nada se compara a ter a oportunidade de admirá-la pessoalmente. A cor da água é simplesmente INCRÍVEL. Começa com tons de turquesa que se transformam em um verde água, ao mesmo tempo em que é tão cristalina, que do mirante é possível ver peixes, tubarões e arraias nadando bem na beiradinha. De tirar o fôlego!
      Descendo no ponto de ônibus mais próximo, é preciso uma caminhada de cerca de 15 minutos até o PIC Golfinho (Ponto de Informação e Controle), onde você precisa apresentar sua carteirinha do Parnanoronha. Neste ponto você encontra uma pequena lojinha, lanchonete e também banheiro e duchas. Depois, mais uma pequena caminhada sobre uma passarela te leva entre a mata até o Mirante. Quando fomos, o PIC estava abrindo às 09:00 hrs. Fique atento a isto!

       
      Chegando ao Mirante da Praia do Sancho, e seguindo pela direita, é possível chegar ao Mirante mais famoso da Ilha: o Mirante do Morro Dois Irmãos, que dá uma vista impressionante do Cartão Postal de Noronha.

       
      É preciso se atentar para os horários de subida e descida à praia do Sancho. Há alternância a cada hora entre subida e descida. 
      A descida para a praia é feita por uma escada de ferro instalada em uma fenda entre as pedras. Creio que não seja muito recomendada para claustrofóbicos, obesos e idosos. Um pouco chatinha, mas vale muito a pena!
      A praia é tão bela lá de baixo quanto do mirante. Um paredão enorme de pedras rodeia toda a faixa de areia e, em época de chuvas, dizem que chega a se formar uma cachoeira. Deve ser incrível!
      Mesmo com mar agitado conseguimos ver muitos peixes com o snorkel. Lembre de levar o seu!

       
      Comemos um sanduíche natural no PIC Golfinho mesmo, e fomos para a Cacimba do Padre. Não é preciso voltar para a BR, há uma estradinha no meio do caminho que leva ao caminho para ela. 
      A Praia da Cacimba do Padre fica atrás do Morro Dois Irmãos. É uma praia longa, linda e de ondas bem fortes. Estava cheia de sufistas quando fomos!
      No canto esquerdo da praia há uma trilha de degraus de pedra que dá acesso à Baía dos Porcos, a segunda praia mais bonita da ilha. 
      A cor da água é incrível, o mesmo misto de turquesa e verde claro da Praia do Sancho. Também é possível fazer snorkel aqui e tirar belas fotos!

       
      Atenção para a dica: no topo da pedra que fica entre a Cacimba do Padre e a Baía dos Porcos está o melhor mirante da ilha!
      É a oportunidade de ficar pertinho do Morro Dois Irmãos e admirá-lo bem de perto. Incrível!

       
      Anota aí mais uma dica boa: caminhando pela direita da Cacimba do Padre, você passa pela Praia da Quixabinha e chega à Praia do Bode. No canto direito da Praia do Bode, há uma pedra, de onde se tem uma vista belíssima do pôr do sol.

      Se não estiver com pique para isso, assista o pôr do sol da areia da própria Cacimba do Padre. Ali o sol também dá espetáculo!

       
      Quarto dia (22/12)
       
      Este foi o dia que dedicamos a conhecer as praias do Mar de Fora. 
      Começamos com a praia do Sueste que, em época de mar agitado, é a melhor para mergulho. 
      O ônibus já te deixa na entrada no PIC Sueste onde, como no PIC Golfinho, há uma pequena lanchonete, guarda-volume, banheiros, ducha e também um ponto para aluguel de snorkel, colete salva-vidas e nadadeiras (R$ 20,00 cada um). 
      Para mergulhar no canto direito da praia, onde se concentra a vida marinha, é preciso estar com o equipamento completo. Já no canto esquerdo, o mergulho não é permitido, por se tratar de uma área de estudo e preservação. 
      É possível fazer o mergulho por conta, mas para quem não tem muita experiência, ou quer ter a certeza de ver animais como lagostas, tartarugas e arraias, o melhor é contratar um guia. Há sempre diversos guias credenciados no PIC oferecendo este serviço. 
      Contratamos e não nos arrependemos! O valor foi de R$ 130,00 para duas pessoas, por cerca de uma hora de mergulho, mais R$ 70,00 para fotos e filmagem. O mergulhador vai nadando na frente, com uma bóia amarrada na cintura, onde nos seguramos para ser guiados por ele. 
      Apesar de o mar estar um pouco mexido, vimos muitos peixes, arraias, polvo e uma tartaruga gigante! É indescritível a sensação de nadar ao lado de uma dessas! 
      Novamente, comemos um sanduíche no próprio PIC, e pegamos a trilha que leva à Praia do Leão. No meio do caminho, há uma bifurcação para o Mirante da Praia do Leão, e Forte São Joaquim do Sueste. Ambos lindos, valem muito a pena!


      Depois, mais uma caminhada até a Praia do Leão. Ali, há outro PIC (Ponto de Informação e Controle), e uma passarela que leva até um mirante para a Praia. 
      Achei a praia bonita, mas nada demais. A responsável pelo PIC nos aconselhou a voltar para vê-la no período da manhã, pois a experiência seria totalmente diferente. Decidimos fazer isso então no dia seguinte. 
      Fomos ver o pôr do sol em outro ponto famosíssimo para isso: o Bar do Meio, que fica entre as praias do Meio e da Conceição. A estrutura é linda, tem uma deliciosa música ao vivo, e uma vista privilegiada para curtir o sol se pondo. Mas prepare o bolso: o couvert é de R$ 15,00 por pessoa, e um baldinho com cinco long necks custou impressionantes R$ 90,00. Aquela experiência de uma vez na vida! rsrsrs
      Jantamos novamente no Empório São Miguel, onde pedimos uma pizza de camarão deliciosa. Ótimo custo x benefício!
       
      Quinto dia (23/12)
       
      Seguindo a recomendação, voltamos à Praia do Leão. E como valeu a pena!!
      Se programe para conhecer esta praia pela manhã, porque realmente, a cor da água é impressionante! Dizem que é a terceira praia mais bonita da ilha, depois do Sancho e Baía dos Porcos, mas há quem a considere a mais linda!
      Fique atento ao horário de abertura do PIC. Quando fomos, abria às 09, como os demais. 

       
      Depois da passarela, uma pequena trilha te leva até a praia. Há piscinas naturais nos cantos direito e esquerdo da praia, mas não é permitido nadar nelas, por se tratarem de áreas de preservação. Aliás, a Praia do Leão é o principal ponto de desova de tartarugas da ilha e, por isso, não é possível acessar algumas partes da areia. 
      Na piscina do canto direito avistamos filhotes de tubarão. Incrível!
      A tarde, voltamos para a Vila dos Remédios e tomamos um açai no Açai Raízes de Noronha. Anota a dica: é delicioso! 
      Optamos por fazer o passeio de barco menos tradicional, que sai no final da tarde para aproveitar o pôr do sol. O barco sai do porto e, logo no início, são disponibilizadas pranchas para a atividade de Aquasub. Essas pranchas, amarradas ao barco, permitem que você plane ou mergulhe na água. Especialmente na praia do Porto é possível avistar uma rica vida marinha e até um navio naufragado. 
      A seguir, o barco segue até o Morro Dois Irmãos, e depois retorna para a praia do porto, onde é possível curtir um belíssimo pôr do sol, enquanto saboreia um churrasco de peixe preparado na hora. 

      O passeio custou R$ 230,00 por pessoa. Pelo que entendi, a diferença do passeio de barco tradicional é que neste há uma parada na Praia do Sancho para mergulho de snorkel. Também deve ser lindo!
       
      Sexto dia (24/12) 
       
      Acordamos bem cedo para fazer o que é, na minha opinião, o melhor passeio de Noronha: a Canoa Havaiana!
      Às 05:20 já estávamos na praia do porto, onde, depois de uma pequena aula, embarcamos na canoa para ver o sol nascer de dentro do mar. Uma experiência inesquecível!


      Depois, seguimos para a praia da Conceição, onde há uma pausa para mergulho. No caminho, cruzamos com uma grande quantidade de golfinhos!
      Dizem que em 98% dos dias é possível ver golfinhos! E como as canoas não possuem motores, eles chegam bem perto mesmo, e chegam inclusive a saltar rodopiando. Emocionante!
      Na volta, mais uma parada na praia do Porto para desfrutar um pouco mais da companhia dos golfinhos. O passeio todo tem a duração de duas horas. Fizemos com a Noronha Canoe Clube, cujo serviço é excelente e recomendo demais! Custou R$ 180,00 por pessoa. 
      Depois de um pulinho da capelinha, tiramos um tempinho para fazer mergulho com snorkel na Praia do Porto. Novamente, vimos filhotes de tubarões! Para quem não tem equipamento, há local para aluguel no porto. 
      Seguimos então para a Cacimba do Padre para provar o famoso peixe assado na folha de bananeira da Barraca Duas Irmãs. O valor é de R$ 120,00 para duas pessoas, e vem com diversos acompanhamentos: arroz, feijão, macaxeira frita, farofa e salada. Delicioso!

       
      Voltamos à Baía dos Porcos, nossa praia preferida. A água turquesa em meio ao paredão de pedras é impressionante! Um paraíso!

       
      Neste dia, jantamos no famoso Xica da Silva. Pedimos de entrada um ceviche, como prato principal o delicioso Sinfonia dos Mares (carangueijo, lula, peixe, lagosta e mexilhão ensopados, com arroz e uma farofa incrível) e de sobremesa mil folhas de tapioca com goibada e sorvete de coco. Preço salgado, mas delicioso!
       
      Sétimo dia (25/12)
       
      Este foi o dia dedicado às trilhas! 
      Agendamos a Trilha do Atalaia longa para as 07:30. O início é na Vila dos Trinta, próximo ao supermercado Poty. Lá há um Portal, onde é preciso apresentar o comprovante de agendamento. Para a trilha curta não é necessário guia, diferente da longa - você precisa agendar com um guia por conta própria.  Pagamos R$ 125,00 cada um. Neste portal também há aluguel de snorkel e colete salva-vidas, necessários para o mergulho nas piscinas naturais. O valor é de R$ 20,00 cada. 

       
      A trilha até a primeira piscina natural leva cerca de 20 minutinhos, e passa em meio à mata. Chegando lá, há um responsável do ICMBio controlando a entrada na piscina. É permitido que cada grupo permaneça na água por um período de 30 minutos. Para não prejudicar os corais, só é permitido flutuar sobre a piscina. Foi o melhor mergulho que fizemos em Noronha! A água é absurdamente cristalina, um aquário!
       

      Voltamos pela mesma trilha e, no meio do caminho, o grupo se divide: quem vai fazer a trilha longa, segue por outro caminho. Particularmente, acho que quem não opta pela trilha longa, acaba perdendo uma parte belíssima do trajeto. É uma caminhada por um desfiladeiro de pedras vulcânicas, com aquele mar azul incrível abaixo. 

       
      Descendo, há a pausa para mergulho na segunda piscina natural. Continuamos a trilha caminhando sobre as pedras na beira do mar até a terceira piscina, com pausa para mais um mergulho. 

       
      A trilha toda tem duração de cerca de quatro horas. Achei o caminho lindíssimo, uma experiência única. Mas confesso que não acredito que seja para todos. Como uma pessoa não muito afeita a esportes (rsrsrs), achei um pouco cansativa, especialmente esta caminhada final sobre as pedras. 
       
      Voltamos a pousada para descansar e recarregar as baterias para a segunda trilha do dia: Trilha do Piquinho. 
      O Piquinho é um morro menor, próximo ao Morro do Pico. Do alto dele é possível ter uma visão 360° da ilha e admirar um pôr do sol espetacular!
      A trilha tem início na mata, próximo à pousada teju Açu, e dura cerca de 30 a 40 minutos para subir, e o mesmo tempo para descer. Não é necessário contratar um guia, mas acho altamente recomendável, pelo risco e especialmente pensando que na volta já estará escurecendo. Pagamos R$ 100,00 por pessoa. 

       
      Depois de um trecho íngreme na mata, tem início a parte mais tensa da trilha: é preciso escalar um paredão de pedras para chegar ao topo. 

       
      É aquele tipo de coisa que faz a gente pensar: "Meu Deus! Onde eu fui me enfiar?" rsrsrs
      Essa trilha definitivamente não é pra todo mundo! Como boa pessoa com fobia de altura, confesso que tremi na base para subir. Dizem que as pedras são tão bem encaixadas que é impossível rolarem. Mas que bate um medo... Ah, bate!
      No fim, a recompensa!
       
      Depois dessa aventura, jantamos no Salviano Sushi, na Vila dos Trinta. Uma ótima pedida para quem curte comida japonesa! Uma dica: peça o temaki jumbo, com cavala ou atum, ambos fresquinhos, pescados na ilha mesmo. Uma delícia!
       
      Oitavo dia (26/12)
       
      Acordamos de madrugada para ver o sol nascer no Forte de Nossa Senhora dos Remédios. Dizem que o nascer do sol na capelinha é ainda mais lindo, mas como ainda não tínhamos visitado o Forte, optamos por ir lá mesmo! Apesar das nuvens, achei lindo!

      O Forte é um lugar bem bacana para visitar. Todo revitalizado, é lindo, e tem uma vista maravilhosa de Noronha. 
      Depois, seguimos para a Praia da Conceição, para relaxar um pouco e curtir nossas últimas horas na ilha. 

       
      Passadinha na Praia do Cachorro na volta
       

       
      E então almoçamos, e partimos para o aeroporto, com dor no coração de deixar este paraíso!
       
      Sei que meu relato ficou bastante longo, mas busquei colocar todas as informações que sei que teriam facilitado muito minha estadia em Noronha se tivesse tido acesso antes!
      Noronha é um paraíso indescritível, a oportunidade de vivenciar uma imersão na natureza como acredito que pouquíssimos lugares no mundo consigam proporcionar!
      Uma das coisas que mais amei na ilha foi justamente este foco na natureza e o quanto a ilha é democrática. Em Noronha, não há espaço para esta história de restaurante ou hotel com praia privativa. As pousadas estão todas no centro, e a praia é para todos! Inclusive, dizem que uma rede de hotéis propôs fechar a Praia da Conceição com a construção de um resort, e foi barrada pelos moradores locais. Verdade ou não, esta impressão de mundo paralelo, te faz se sentir completamente imerso em Noronha: seja mergulhando com os animais, fazendo amizade com os locais ou mesmo curtindo as praias, a experiência é única. 
      Não se deixe levar por esta história de que viajar para Noronha não vale a pena, pois é tão caro que é melhor viajar para o exterior. Será que é possível encontrar por aí um lugar tão único e paradisíaco quanto Noronha e contar ainda com a receptividade calorosa e alegria dos brasileiros? Acho que não. E por isso, eu digo para todos: Noronhe-se! 
       
       

       
       


    • Por Vanessa Suk
      Relato Caminho Português de Santiago de Compostela
      Primeira vez escrevendo um relato de viagem, e como toda primeira vez tem que ser especial, esse relato é sobre uma viagem muito especial. A experiência mais incrível até hoje, difícil, intensa, enriquecedora.
      Desde a primeira vez que ouvi falar sobre o Caminho de Santiago eu quis percorrê-lo e foram mais ou menos seis anos até que esse sonho pudesse ser realizado.
        Eu sempre gostei de caminhar, me dá a sensação de liberdade. E neste caso não seria apenas caminhar, seria uma longa jornada passando por muitas cidades e pequenas vilas que eu desconhecia completamente ou apenas ouvira falar de seus nomes. Seria muito mais do que caminhar ou querer apenas alcançar um destino, afinal, se a intenção fosse apenas chegar existiam maneiras mais fáceis do que andar centenas de quilômetros a pé. Percorrer o Caminho de Santiago tem um significado muito particular para cada um de seus peregrinos, cada pessoa com quem encontramos pelo caminho tem uma história de vida, uma história com o caminho e um porque só seu de estar ali.
      O Caminho de Santiago de Compostela é uma das peregrinações mais conhecidas em todo o mundo. A peregrinação tem como destino final a cidade de Santiago de Compostela na região da Galícia na Espanha, onde por volta do ano 830 d.C. foi encontrado o túmulo do apóstolo Tiago. A noticia dessa descoberta foi levada ao rei Afonso II de Astúrias que viajou até o local da descoberta partindo da sede de seu reino. Chegando lá e após confirmar a descoberta mandou construir uma capela e tornou-se o primeiro peregrino oficial. Dessa forma surgiu um dos mais importantes centros de peregrinação cristã.  Ao longo dos séculos, milhares de pessoas têm percorrido os caminhos que levam a Santiago de Compostela em busca de reflexão, autoconhecimento e para professar a sua fé.
      Existem muitas rotas para se chegar até Santiago de Compostela e alguns pontos mais conhecidos e procurados para iniciar o percurso, porém na verdade cada um pode iniciar o seu caminho onde bem quiser. Após muita pesquisa, leitura sobre o caminho e planejamento., resolvi que dos muitos caminhos que levam a Santiago de Compostela iria percorrer o Caminho Português Central.
      O Caminho Português é a segunda rota mais utilizada para se chegar até Santiago de Compostela na Espanha, perdendo apenas para o famoso Caminho Francês, cujo percurso total tem aproximadamente 800 km e costuma ser feito de 30 a 40 dias passando por diversas regiões da Espanha. Ainda é um sonho caminhar esses 800 km, mas diversas razões me levaram a escolher para essa primeira vez o Caminho Português Central. A principal razão é que essa seria a minha primeira vez em uma experiência desse tipo, uma peregrinação que exige tantos dias de caminhada. Eu nunca tinha feito antes um trekking que durasse vários dias, por exemplo, então, mesmo não sendo uma pessoa sedentária eu não fazia idéia de como meu corpo reagiria a um esforço tão prolongado. Nos meses que antecederam a viagem me preparei fisicamente, fiz muitas trilhas em montanhas, caminhadas e musculação para fortalecer o corpo e isso tudo foi bem importante. Enquanto planejava me encantei pela idéia de caminhar pelo norte de Portugal e por parte da Galícia na Espanha e a viagem ia então tomando forma.
      Cada viajante faz seu próprio caminho. É o que se diz a respeito dos peregrinos. Oficialmente esse caminho inicia em Lisboa. Segundo muitos relatos não há muitos albergues peregrinos municipais entre o trecho Lisboa e Porto, por isso a grande maioria das pessoas opta por iniciar no Porto e foi o que decidi fazer também. Mas com certeza em outra oportunidade com mais tempo disponível gostaria de fazer esse Caminho iniciando em Lisboa.
      Partindo da Catedral da Sé no Porto até alcançar a Catedral de Santiago de Compostela foram 245 km de caminhada em 11 dias.

       Antes de detalhar cada etapa da minha peregrinação quero descrever um pouco os dias de viagem em Portugal que antecederam o seu inicio. Infelizmente não tenho uma planilha de gastos, pois sou péssima com isso. Em todas as viagens anoto os gastos nos primeiros dias e depois acabo deixando isso pra lá quando percebo que o dinheiro vai ser suficiente. (RS) Não vou detalhar muito essa parte da viagem, mas sim eu gostei bastante dessa etapa. Encantei-me com a hospitalidade dos portugueses desde o primeiro momento, a maioria com quem conversei demonstrou gostar dos brasileiros. Em Portugal tem muitos brasileiros também, nos restaurantes, hostel e em toda parte. A maioria bastante solicita com a recém chegada que era eu.
       
       
      Chegada em Portugal
      Não é toda hora que a gente pode fazer uma viagem à Europa em tempos de real tão desvalorizado, então antes de rumar a Santiago de Compostela a idéia era conhecer um pouco de Lisboa e Coimbra a ultima cidade a ser inclusa no roteiro.
      Cheguei a Lisboa no dia 13 de agosto no período da manhã. Vôos noturnos pra mim são bem cansativos, pois raramente consigo dormir, mas o vôo foi bem tranqüilo. Vôo da Cia aérea Azul, que saiu por um preço razoável após muitos dias de pesquisa (R$ 2850,00 aproximadamente ida e volta saindo de Viracopos para Lisboa e a volta do Porto para Lisboa). Ter comprado um vôo multitrip ( quando a ida e a volta são rotas diferentes, como nesse caso) foi ótimo para a logística da viagem, assim pude conhecer duas importantes cidades antes de fazer o caminho e no final não precisei voltar até Lisboa.
      A imigração em Lisboa foi bem tranquila, a funcionaria que me atendeu não perguntou nada sobre dinheiro ou seguro (embora o seguro seja obrigatório) me perguntou quanto tempo eu ficaria por lá e eu expliquei que faria o caminho e a moça me pareceu bem curiosa sobre isso.
      Em Lisboa é muito fácil se locomover com o transporte público, fui de metrô até o Brothers Hostel  que já estava reservado.  O hostel fica a poucos minutos de caminhada do centro e da Avenida Liberdade.  Cheguei ao hostel por volta das 10 horas da manhã, o check-in seria somente às 15 horas, porém o local cobrava um valor por hora para deixar a mochila lá antes do check-in... Achei aquela recepção bem frustrante e claro, não paguei, fui dar uma volta pelas redondezas com meu mochilão nas costas. Fora isso a recepção do hostel nem sempre tinha pessoas que falassem português, apenas inglês, o quarto era um pouco apertado, o café da manhã era muito bom, tinha uma cozinha para esquentar comida e os banheiros estavam sempre limpos. Bom custo benefício.
      Apesar de bastante cansada, já nesse primeiro dia foi possível ver e me encantar com muita coisa. A famosa Praça do Comercio, os Arcos da Rua Augusta, o rio Tejo, que tanto me lembrou dos antigos poetas.  A região central mais antiga é repleta de monumentos históricos e estatuas que homenageiem personagens importantes portugueses.
      Em agosto o verão europeu está no auge, nesses dias que passei por lá fez bastante calor, porém no fim da tarde sempre batia um vento gelado. É a alta temporada de férias dos europeus então havia turistas para todos os lados, pessoas com diferentes idiomas pelas ruas, restaurantes e praças.  Apesar da cidade parecer bem cheia como a minha intenção não era pular de um ponto turístico a outro isso não foi um problema, mas a fila era notável em alguns locais.
      No segundo dia fui conhecer o bairro do Belém. Foi um dos lugares que mais gostei em Lisboa. Novamente usando o transporte público, metro e comboio (trem). Não fui a nenhuma atração paga e foi um dos dias mais proveitosos. Conheci o Padrão dos Descobrimentos, que com sua imponência homenageia os navegadores portugueses que desbravaram os mares ao longo da história. A famosa Torre de Belém que eu queria muito ver, em frente à torre tem um parque cujo nome não me lembro e seguindo em frente fica o museu do combatente.
       Após almoço no Café do Forte bem próximo a Torre de Belém, atravessando a avenida e caminhando um pouco fica o Centro Cultural do Belém e logo depois o Mosteiro dos Jerônimos, onde havia visitação gratuita, uma igreja imensa e muito bonita por dentro e por fora. Depois segui para um lugar bem tradicional onde foi inevitável pegar uma fila grande, Pastéis de Belém, o verdadeiro é feito nessa pastelaria, em todos os outros locais chamam de pastel de nata. Não é um lugar caro, cada pastel custa 1,15 euros. Comprei alguns e fui comer em outro parque bem pertinho dali com bastante sombra para descansar daquele calorão.
      Ainda no fim da tarde mais uma caminhada até o MAAT, Museu de arte, arquitetura e tecnologia, onde na área externa tem-se uma bonita vista do rio Tejo. Passei ainda pela Ponte 25 de Abril que liga a cidade de Lisboa com a cidade de Almada. Na ponte há uma visita guiada que eu queria ter feito, mas devido ao horário não foi possível.
      No dia seguinte fui conhecer outros bairros em Lisboa. Bairro Alto, Alto Chiado e Santa Maria Maior, no Bairro alto você pode chegar usando o elevador de Santa Justa, o tradicional bonde (eléctricos) ou apenas subir a ladeira que foi o que eu fiz.
       O almoço foi na Fabrica da Nata, uma pastelaria tradicional com preços acessíveis, além dos pastéis de nata que custa um euro, há diversas opções de sanduíches quentes ou frios e vinhos.
      Foi mais um dia batendo perna pela cidade. Encantei-me pelas paisagens na freguesia de Santa Maria Maior, onde fica o Castelo de São Jorge, À tarde, novamente na Baixa de Lisboa, resolvi provar o gelato na Amorino´s, na casquinha o gelato é servido em formato de flor.
      Dia seguinte parti para a cidade de Coimbra. Viagem de ônibus de quase duas horas que custou 14,50 euros (comprei a passagem no terminal de ônibus, mas comprando antecipadamente provavelmente sairia mais barato).
      Em Coimbra fiquei hospedada no NX Hostel que eu recomendo muito pela minha experiência lá. Todos os funcionários foram atenciosos e simpáticos. O hostel funciona em um antigo casarão reformado e as instalações não deixam a desejar em nada. O café da manhã tem muitas opções e é servido em uma área externa, local bem agradável para começar o dia. Fiquei em um quarto misto para 4 pessoas. O hostel fica na Praça da Republica e bem perto da Universidade.
      A famosa Universidade de Coimbra é a alma da cidade, uma das universidades mais importantes de Portugal e até do mundo é impensável ir a Coimbra e não visitar a Universidade. A visita é gratuita e pode-se circular por quase todos os complexos. Bem próximo dali fica o Jardim Botânico, um lugar enorme com inúmeras espécies de arvores e plantas.
      Coimbra é uma cidade grande com certo charme de cidade pequena. O centro histórico com suas ruas estreitas, a Catedral da Sé, O Seminário Maior onde se tem uma vista do alto da cidade e com certeza um passeio pela margem do rio Mondego não pode faltar.
      Coimbra foi a ultima cidade a ser incluída em meu roteiro. Não gosto da idéia de ficar pulando de cidade em cidade sem conhecer nada direito. Gosto de ter tempo para apreciar as coisas sem correria, andar e gastar mais tempo onde achar interessante. Por isso não parei em muitas cidades nesses dias antes do caminho e não me arrependo. Coimbra foi inclusa também por ser uma das mais importantes cidades no caminho entre Lisboa e a cidade do Porto, e a idéia era fazer um roteiro seguindo nessa direção.
      Foram dois dias ali e mais uma vez mochila nas costas, hora de partir para o Porto.  A viagem de ônibus durou cerca de uma hora e custou 12,50 euros.  Nessa primeira passagem pela cidade me hospedei no Alma Porto hostel, que fica a poucos minutos de caminhada do terminal de ônibus o que facilitou bastante a minha chegada. Afinal quem viaja de forma independente sempre tem aquela estranha sensação de chegar a um lugar novo e pensar “e agora pra onde vou?”.  Nesse caso foi só caminhar algumas ruas.
      O hostel era também um grande e antigo casarão, com paredes de pedra, quartos grandes e espaçosos. Apenas o café da manhã era fraco, mas no geral um bom custo beneficio.
      E desde a chegada à cidade onde iniciaria minha peregrinação um misto de felicidade e ansiedade ia tomando conta de mim.
       Fiz o check-in no hostel me acomodei e fui em direção a Rua de Santa Catarina almoçar no Fabrica da Nata, além de já conhecer e gostar de lá não queria perder tempo procurando um lugar para comer.  A  Rua de Santa Catarina é uma importante região comercial, tem lojas, restaurantes shoppings e camelôs por toda sua extensão.
      Lembro que quando saí de Lisboa pensei em passar os próximos dias antes do caminho fazendo passeios mais pontuais, mas por mais que eu quisesse passar um tempo desacelerando antes de começar a peregrinar eu não conseguia. Não consegui não andar pra cima e pra baixo em Coimbra e tampouco consegui no Porto. Eu não esperava ver tudo em poucos dias, mas de qualquer forma era a minha primeira vez no velho continente, e em todos esses lugares por onde passei tinha a sensação de ter muita coisa para ser vista, muita coisa que valia a pena ser vista. Sempre gostei muito de história e em Portugal a história se mostra em toda parte, tudo é bastante antigo é um país que valoriza muito a sua história e como brasileira me identificava muito com essa história da qual estava conhecendo um pouco mais nessa viagem. Então tudo bem eu não desacelerei aproveitei o que foi possível desses dias no Porto enquanto tratava dos últimos preparativos para a minha grande jornada rumo a Galícia.
      Antes da viagem me disseram que o Porto tem uma atmosfera um pouco mágica e é verdade. No bairro da Ribeira às margens do Rio Douro, sentindo a brisa gelada do final de tarde eu tive essa mesma sensação sobre a cidade. Caminhei pelas estreitas ruas de paralelepípedo, algumas abarrotadas de turistas, fique impressionada com a estação São Bento, que de fora nem parecia uma estação de trem, visitei a torre dos Clérigos e o mercado Bolhão.
      Um dia antes do inicio do meu caminho era a hora dos últimos preparativos. Passei em um mercado perto do hostel e comprei algumas coisinhas pra comer durante o dia seguinte. Passei também em uma loja de produtos eletrônicos onde pedi pra darem uma olhada no meu celular que não estava carregando direito. Disseram-me que o problema era o cabo, então comprei outro cabo para carregar o celular e achei que o problema estava resolvido. Voltei ao hostel, deixei lá as coisas que havia comprado e parti em direção a Catedral da Sé.
      Tinha algumas dúvidas sobre o inicio do caminho então pretendia ir até o Centro de Acolhimento a Peregrinos do Caminho de Santiago, na Capela Nossa Senhora das Verdades que fica numa rua logo abaixo a Catedral, porém o local estava fechado. Fui então ao centro de informações turísticas onde uma funcionária muito solicita me deu um mapa do percurso do caminho na cidade do Porto e me explicou a diferença entre as setas que indicam o caminho central e as setas que indicam o caminho da Costa. Na verdade não teria como confundir os dois caminhos, mas só percebi depois.
      O caminho de Santiago é todo sinalizado por setas amarelas, então basicamente é só seguir na direção das setas até o próximo ponto de parada. Mas eu ainda não estava muito segura se seria realmente tão simples e se o caminho principalmente nessa região tão urbana seria bem sinalizado então com o mapa na mão resolvi seguir as primeiras setas do caminho para “estudar” esse inicio do percurso e confesso que me atrapalhei um pouco, num certo ponto a seta apontava para uma rua que teria que atravessar e depois eu não achava a outra seta. Claro, eu tinha o mapa, mas queria entender a lógica das setas. Não era mesmo difícil segui-las e fui treinando o percurso até chegar numa rua não muito longe da Catedral e que seguiria numa reta quase interminável e claro vi pelo mapa que dali era muito simples seguir.
       Em lugares que não conheço muito bem eu tenho a grande tendência de me perder e não tenho muito senso de direção, então um dos maiores medos que eu tinha era de me perder e acabar perdendo tempo indo na direção errada, mas verificando essa pequeno trecho do caminho eu me senti mais preparada para não cometer erros desse tipo.
      Faltava apenas comprar uma vieira de Santiago, uma concha com a cruz de Santiago que me disseram que eu encontraria na Torre dos Clérigos. Na verdade encontrei a vieira em uma loja de artigos religiosos quase em frente à torre que custou muito mais caro do que custa em qualquer outro lugar...  Enfim, erros que a gente acaba cometendo em viagem, mas não pague mais do que 1 ou 1,50 euros por uma vieira.  A vieira é um dos mais conhecidos  símbolos do caminho de Santiago e eu queria sim tê-la na minha mochila  no dia seguinte.
      Voltei cedo para o hostel naquela noite, deixei tudo o mais organizado possível para o dia seguinte e separei a roupa que ia usar.  Eu raramente consigo dormir cedo, mas queria ao menos deitar cedo e descansar um pouco o corpo.
      Caminhando
      1° dia. Do Porto até Vilarinho, 26,9km

      Acordei por volta das cinco e meia da manhã. Nunca fui fã de acordar cedo então já estava começando a superar um grande desafio. Como tinha deixado tudo organizado me arrumei bem rápido, tentando não fazer barulho e apenas com a luz de uma lanterna para não incomodar as outras pessoas do quarto. Em poucos minutos já estava na rua ainda com céu escuro, caminhando em direção a Catedral da Sé.
      Do hostel até a Catedral teria que caminhar mais ou menos 25 minutos e como queria ir por um caminho mais curto e diferente dos que tinha feito antes, pedi informação a um senhor na rua e o mesmo me disse que para ir a pé a catedral estava muito longe, mas me indicou o caminho de qualquer forma. Já que distancia não era um problema pra mim segui para o ponto zero da minha caminhada já com o dia amanhecendo.

      A imensa Catedral da Sé no Porto parece ainda mais imponente nas primeiras horas da manhã. Sem a multidão de turistas, o céu ainda adquirindo as cores daquele novo dia e naquele grande pátio em frente à catedral apenas algumas pessoas de mochila nas costas que tinham com certeza o mesmo destino que eu. Fiz ali uma oração, pedi a Deus para guiar meus passos no caminho. Sentei em um degrau, comi alguma coisa e tomei um suco. Logo em seguida comecei a seguir as setas amarelas.
      Como havia estudado esse primeiro trecho do caminho, não tive dificuldade. Caminhei firmemente, sem pressa, no meu ritmo.  Quando o caminho chega à Rua de Cedofeita se estende numa reta quase sem fim e foi seguindo por ali que escutei o primeiro “Buen Camino” do meu caminho e aquilo encheu meu coração de alegria. Mais a frente, parei em um mercado para comprar água e me atrapalhei para voltar ao caminho certo...
      Nesse primeiro dia a paisagem é predominantemente urbana. Muitos carros, apenas ruas de asfalto e bairros industriais. Em alguns pontos mal havia acostamento para caminhar e era preciso tomar bastante cuidado com os carros. Ainda estava tudo bem diferente do caminho que imaginei.  Apenas chegando a Moreira da Maia a paisagem urbana vai se distanciando dando lugar ao verde do interior.  O calor era intenso, não havia muita sombra.
      No município de Araújo comecei a caminhar com o Ricardo, que é português e com quem conversei muito sobre muitas coisas. Fomos até a cidade de Vilarinho, onde nos hospedamos no albergue particular Casa de Laura por 12 euros (valor normalmente cobrado nos albergues particulares). O lugar era bem confortável e não havia muitas pessoas hospedadas lá. Após tomar um banho e lavar as roupas saímos para comer perto dali.
      Vilarinho é uma cidade bem pequena, não havia nada para fazer por ali. Como não estávamos cansados Ricardo e eu fomos até a praia de uber a poucos minutos dali.  Um passeio bem inusitado e bem agradável.
      2° dia. De Vilarinho a Barcelos 28,1km


      Acordei bem disposta, me alonguei como café da manhã, comi bolinhos que ainda tinha na mochila e pé na estrada novamente.  A paisagem era completamente diferente do dia anterior e o caminho tomou outra forma. Muito verde, ruas de paralelepípedo, um rio bem tranqüilo que refletia a ponte sobre ele. O cenário ideal para caminhar e se conectar com o caminho e com você mesmo.
      Você pode escolher caminhar sozinho, mas sempre haverá no seu caminho boas companhias. A conversa sempre começa com um “buen camino”, a saudação oficial no caminho de Santiago e logo se tem um novo companheiro de jornada, ainda que seja apenas por algumas horas ou alguns quilômetros. 

      Nessa manhã conheci um grupo de mulheres que estavam caminhando juntas  desde a saída de seu albergue e me convidaram a caminhar junto com elas e claro, eu aceitei.  Eram elas, Maria, de Portugal, Cecilie, uma jovem indonésia que mora na França e Katerine, uma senhora canadense.  Conhecer pessoas tão diferentes de mim é certamente um dos presentes que o caminho nos oferece. Juntas nós quatro caminhamos alguns bons quilômetros naquele dia de baixo de um sol muito forte que parecia só piorar com o passar do dia.

      Cecilie eu na verdade já tinha visto no dia anterior em um café, andava rápido, estava sempre um pouco à frente, Maria foi com quem eu mais conversei, foi uma grande companheira nesse dia. Katerine, uma inspiração pra mim, estava fazendo o caminho aos 65 anos de idade, infelizmente não pode seguir conosco até o final naquele dia, pois estava bem cansada e precisou parar antes.
      Seguimos em frente, passando por plantações de milho, bosques, ruas de terra, ruas de asfalto, muitas igrejas e para minha felicidade vários campos de girassóis. Foram longos trechos sem sombra alguma, poucos lugares com água potável e depois do almoço foi ainda mais cansativo.  Maria e eu paramos varias vezes para descansar. Cecilie sempre na frente até que a perdemos de vista.  Levamos muitas horas até chegar a Barcelos.
      A cidade é bem turística, logo na entrada tem um enorme galo, um dos símbolos de Portugal. Infelizmente estava tão cansada que não consegui ver muita coisa da cidade.
      Chegando ao albergue Cidade de Barcelos, após um penoso dia o lugar estava lotado. A senhora responsável pelo local nos disse que só havia um pequeno quarto onde poderíamos dormir em colchões se não nos importássemos em dividir o lugar com uma garota que já estava lá. Não nos importamos e a garota era Cecilie que havia chegado um pouco antes. Nesse albergue não havia um valor específico para pagar, era só fazer uma doação com valor que pudesse pagar colocando o dinheiro em uma caixinha.
      Foi nesse dia que fiquei sem celular, pois meu aparelho quebrou. Não havia o que fazer sobre isso além de me conformar. Felizmente para tirar fotos tinha levado uma câmera e tinha um tablet então não fiquei completamente incomunicável.
      Maria teve muitas bolhas nos pés, teve que ir ao centro médico e infelizmente não iria seguir no caminho. O quartinho onde estávamos no albergue era bem abafado então para não passar tanto calor à noite pegamos nossos colchões e nossas coisas e aceitamos a sugestão da dona do local e dormimos na recepção do albergue. Simples assim, sem frescura, grata por mais um dia na jornada que eu havia escolhido. Na simplicidade você percebe que tem tudo àquilo que precisa.
      3°dia De Barcelos até Portela de Tamel 10 km

      No caminho de Santiago nenhum dia é igual ao outro. A paisagem muda constantemente, o tipo de solo muda quase que a cada curva. Algumas pessoas você encontra varias vezes ao longo dos dias, outras caras novas vão surgindo. Com o passar dos dias o corpo vai sentindo o esforço prolongado também. Doem os pés, as pernas as costas... Às vezes alguma dor vai incomodar bastante. Tem dias em que é mais fácil se manter em movimento, em outros, você quer parar a todo instante.
      A única rotina consistia em acordar bem cedo, me arrumar, arrumar a mochila e partir. E ao chegar ao próximo local de descanso, tomar um banho, lavar a roupa e comer. Não dava pra fugir disso. 
      Nesse terceiro dia Cecilie e eu seguimos juntas. Devido ao cansaço do dia anterior, fizemos uma das etapas em duas partes, caso contrario seria um percurso de quase 34 km e o calor estava fortíssimo. Não havia muitas opções de albergues antes de chegar a Ponte de Lima, então nesse dia o trajeto foi de apenas 10 km até Portela de Tamel, uma vila minúscula onde além do albergue havia uma igreja, um restaurante e mais nada.
      Por ter feito um trajeto mais curto que os outros dias foi relativamente mais fácil. Cecilie e eu conversamos bastante apesar do meu inglês não ser dos melhores. Nesse dia encontrei um casal de brasileiros, até então não havia encontrado ninguém do Brasil.
      Chegamos ao albergue por volta das 10 horas da manhã e o local só abria às 14 horas. Ficamos esperando abrir no restaurante em frente onde tomamos algumas cervejas. Não havia nada para fazer por ali então foi um dia de descanso.
      4° Dia De Portela de Tamel até Ponte de Lima 23,7 km


      Mais um dia de lindas paisagens. O caminho te leva por bosques, trilhas, videiras. Provavelmente um dos dias mais bonitos em relação ao visual em todo o trajeto. A paisagem jamais te deixa entediado.
      Comecei o dia sozinha novamente. Em paz com meus pensamentos. Apreciando a minha companhia, com um longo caminho ainda pela frente, mas firme em cada passo.
      Ainda nas primeiras horas do dia conheci o Alberto, um italiano que me fez companhia durante todo esse dia. Alberto não falava muito bem inglês e eu também não, mas quando duas pessoas querem se comunicar elas dão um jeito de se entender e assim passamos o dia. Às vezes ele não me entendia e eu tinha que repetir alguma frase ou eu não o entendia e ele se esforçava pra me falar com outras palavras.
      Com o passar dos dias as suas pernas vão se acostumando com o esforço, mesmo assim ainda doem, principalmente quando você para por alguns minutos. Alberto às vezes caminhava junto comigo e às vezes eu acabava ficando para trás.
       Seguindo tranquilamente num percurso bastante agradável, com bastante sombra, cruzando pequenas vilas, trilhas em meio à natureza e nisso um sentimento de gratidão vai se intensificando. Gratidão por estar ali no caminho e tudo dar tão certo. Naquele dia já havia me acostumado bem a acordar tão cedo, pular da cama e em pouco tempo estar no meu caminho. Para muitas pessoas isso é simples, mas eu definitivamente não sou uma pessoa matinal, há anos trabalho no período da tarde, sempre tive o costume de dormir tarde, mas nessa jornada consegui transpor mais essa dificuldade e sim eu estava orgulhosa de cada pequena conquista durante todo o meu caminho.
      Eu que sempre me considerei muito distraída e avoada, aprendi a estar atenta. Por muitas vezes eu me perguntava se estava no caminho certo e quase sempre quando pensava isso logo via outra seta amarela para tirar minhas incertezas. Então logo eu pensava. Ok está tudo certo é só continuar seguindo, você está indo bem.
       Em muitos momentos eu sentia que o caminho é uma metáfora da vida. Na vida a gente às vezes fica confusa sem saber se está no lugar certo, no emprego certo, com as pessoas certas, a gente quase implora por um sinal, mas a falta de um sinal também pode indicar que estamos tomando o rumo errado. No caminho e na vida também.
      Nesse dia cheguei a Ponte de Lima por volta do meio dia. Quase não senti a caminhada, não senti o cansaço que geralmente sentia na chegada. Reencontrei o Alberto na ponte principal da cidade, ele já havia ido até o albergue público e como só abriria às 15 horas, procuramos um lugar para almoçar e tomar cerveja, porque aquele calor pedia uma cerveja gelada.
      Ponte de Lima é uma das cidades mais encantadoras desse caminho. Com certo ar medieval, construções muito antigas em paredes de pedra, banhada pelo rio Lima. Muitos peregrinos iniciam ali o seu caminho e a cidade estava também cheia de turistas.
      O albergue público ficava logo depois da ponte, em um edifício muito antigo como quase todos da cidade. No quarto onde fiquei havia uma varanda com uma linda vista da cidade e principalmente da ponte e do rio. O quarto era enorme com aproximadamente 30 camas, o único que não eram camas beliche e tinha um armário enorme para cada pessoa, um luxo para um albergue público.
      Foi ótimo ter chegado cedo à cidade, acabou sendo um dos dias mais proveitosos. Alberto e eu fomos passear no rio, tentei tomar sol, enquanto ele entrou na água que parecia gelada.
      É engraçado como em tão pouco tempo a gente se aproxima das pessoas que conhecemos em viagens a ponte de ter conversas tão sinceras e reflexivas sobre a vida, os planos, o futuro...  Alberto é muito inteligente, mesmo sem falar inglês tão bem falava pelos cotovelos e naquela vibe boa praticamos um pouco de yóga.
      Saímos dali, novamente para sentar em um bar e tomar uma super bock, uma das cervejas mais tradicionais em Portugal. À noite jantamos junto com outros italianos e Alberto ia traduzindo a conversa toda para mim.
      5° Dia de Ponte de Lima até Rubiães 17,9 km

      O caminho vai nos surpreendendo todo o tempo. No caminho português central não há muita dificuldade técnica, no geral basta ter disposição para caminhar bastante. Porém essa etapa foge bastante à regra.
      Nessa etapa temos muitas subidas por trilhas em meio à mata e muitas pedras nessas subidas. Foi de grande ajuda nesse trecho ter um bastão de caminhada. Mesmo onde só havia trilhas de pedras as setas amarelas estavam lá, mas é preciso ter mais atenção. Houve um momento em que quase segui errado e fui chamada de volta ao rumo certo pela Carie, australiana que conheci no primeiro dia e vira e mexe reencontrava.
      E esse foi o primeiro dia caminhando sozinha. No caminho nunca se está completamente só e nessa altura já havia muitas caras conhecidas com quem reencontrava frequentemente. Eu também já me tornara um rosto conhecido para muitos deles. Ainda que não pudesse me comunicar tão bem com todos devido principalmente as diferenças de idiomas, era como fazer parte de um grupo, andávamos quase no mesmo ritmo, parávamos nas mesmas cidades, dormíamos nos mesmos albergues e até no mesmo quarto que era sempre coletivo.
      Como mulher que frequentemente viaja sozinha, a minha principal preocupação é a segurança. Em nenhum momento em todo o caminho me senti insegura ou com medo. Obviamente estava sempre atenta, como brasileira, infelizmente a gente se acostuma com a sensação de que pode estar em risco em certos lugares ou situações, mas em todo meu percurso não houve nenhum momento que tivesse sentido algo assim, mesmo caminhando sozinha por muitos quilômetros. Havia muitas mulheres de todas as idades, também fazendo o caminho sozinhas.
      No Brasil ainda existe um grande tabu com relação a mulheres que viajam sozinhas. Entre europeus e em muitos países do mundo isso é completamente normal.  Muita gente reage com estranheza quando digo que faço esse tipo de viagem sozinha, mas para mim isso já se tornou algo normal.
      Para mim é inconcebível não apreciar a minha própria companhia. Então estar ali caminhando sozinha, em paz, me parecia tão natural quanto respirar.
      Uma manhã de caminhada bem intensa, mesmo com calor e as subidas pesadas, o percurso praticamente todo teve a sombra dos bosques, o que no verão europeu é uma verdadeira benção.
      Chegando ao albergue de Rubiães faltava quase uma hora para o local abrir.  Era um lugar no meio do nada. Bem em frente ao albergue havia um restaurante fechado. Cheguei a pensar que não haveria onde comer ali. Felizmente seguindo pela rodovia havia um restaurante e um pouco mais adiante um pequeno mercado.
      O albergue era bem agradável, com salas bem arejadas e até uma área externa com espreguiçadeiras e vista para as montanhas. Foi uma tarde tranquila com tempo de sobra para descansar.
      6° Dia De Rubiães a Tuí 20 km



      Mais um dia cheio de grandes novidades nessa longa jornada. Deixando Rubiães para trás, caminhando entre bosques e trilhas, antes de encontrar um lugar para tomar o café da manhã encontrei com um peregrino alemão muito disposto a conversar e que me fez um milhão de perguntas. Felizmente ele parecia não se importar muito com meu inglês ainda mais travado devido à fome e o sono.
      A pergunta que um peregrino mais ouve é “Por que está fazendo o caminho?” E claro, o alemão me fez essa pergunta. Não há uma resposta única e exata para essa pergunta. Geralmente eu tentava simplificar a conversa dizendo que eu sempre quis fazê-lo. Mas havia muito mais do que isso.
       Aquele era o momento perfeito para fazer o caminho. Havia passado por algumas mudanças na vida, saí de um trabalho que já não me deixava feliz, me decepcionei com algumas pessoas. Não estava triste, deprimida, nem nada disso. Muito pelo contrario, eu me sentia leve, sentia que tinha tirado um peso das costas. Sentia-me rompendo com o que já não fazia sentido e fazer o caminho iria celebrar tudo isso. Era um momento para mim. Um momento de reflexão, e autoconhecimento. Uma forma de me afastar de tantas coisas e me aproximar de mim mesma.
      Desde o momento em que comprei as passagens uma semana depois de ser demitida eu me senti em paz. Não queria provar nada pra ninguém, era apenas eu sendo eu mesma, aquela que vai até o fim quando quer realizar algo. Eu queria apenas me re-conectar comigo mesma, restaurar a fé que eu sempre tive em mim, a minha coragem e a minha força pra continuar seguindo em frente. Quando contei que a viagem estava confirmada uma amiga me disse “essa viagem vai te re-equilibrar”.  Não poderia estar mais certa.
      Não falei nada disso com o alemão, mas falei sobre planos para o futuro e desejos de mudança até chegarmos num local chamado São Bento da Porta Aberta, onde paramos para o café da manhã.
      Segui caminho envolta em meus pensamentos e me dei conta que naquele dia eu chegaria a Espanha e aquilo me deu um novo gás para caminhar. O clima estava mais ameno e isso sempre ajuda no caminhar.
        Estava tão animada que parecia que eu estava flutuando, principalmente depois que comecei a ouvir música. Mas não qualquer música, só as que me trouxessem energias positivas. Não era nada prático ouvir música com um tablet, mas era o que eu tinha depois que fiquei sem celular.
      Em algum ponto antes de chegar a Valença, um casal que estava passando de carro parou ao meu lado e me fez muitas perguntas sobre o caminho, quantos dias eu já havia caminhado, quantos quilômetros e coisas do tipo. Pareciam bastante interessados e curiosos. Me ofereceram uma garrafa de água e me desejaram felicidades no caminho.
      Já em Valença do Minho, ultima cidade portuguesa no caminho português, encontrei dois dos mais simpáticos amigos desta jornada, Paolo e seu pai Roberto ambos da Guatemala. Foi uma companhia muito agradável, sobretudo em um trecho tão emblemático no caminho, afinal adentraríamos em pouco tempo na sonhada região da Galícia na Espanha. Caminhamos sem pressa por Valença cuja parte histórica estava bem movimentada, havia muito comércio voltado ao turismo e um forte de onde se via o Rio Minho e a Ponte Internacional Tuí-Valença  que separam os dois países. Vale à pena desviar-se um pouco do caminho para conhecer essa região de Valença. Paramos para uma cerveja no Fronteira, “ultimo bar português do Caminho de Santiago”. 
      Atravessamos a Ponte Internacional Tuí-Valença e iniciamos uma nova etapa do caminho. Não mudava apenas a cidade dessa vez, agora seria outro idioma, já no país de destino, o fuso horário com uma hora a mais com relação ao horário de Portugal.
      Tuí é a ultima cidade para se iniciar o Caminho de Santiago nessa rota, já que para obter a compostela, o documento emitido na oficina de peregrinos que comprova que a pessoa percorreu o Caminho de Santiago, é preciso caminhar pelo menos 100 km (para quem faz o caminho de bicicleta é necessário ao menos 200 km).

      Em Tuí me senti na idade média. Com uma catedral românica, construções de muitos séculos atrás, ruas estreitas de pedra e suas ladeiras que desembocavam perto das margens do rio. Me senti privilegiada mais uma vez por estar no caminho e assim ter a chance de conhecer lugares tão peculiares que dificilmente eu visitaria se não o estivesse percorrendo.
      Era um domingo. Os dias de verão na Europa são longos, pois o sol se põe por volta das 21 horas. Então para quem está disposto a enfrentar as altas temperaturas é uma ótima época para fazer o caminho. Dá tempo de fazer o percurso do dia, descansar e conhecer as cidades antes de cair à noite.
      Após o almoço descansei em um parque na margem do rio, perambulei pelas ruazinhas da cidade, mandei mensagem para a família informando que já estava na Espanha. Sentei numa praça para tomar sorvete e pensar no quanto já havia percorrido do caminho e o quanto ainda faltava percorrer.
      7° Dia De Tuí a O Porriño 15,6 km

      Acordei às 6 horas, dormi de novo e acordei uma hora depois, ainda confusa com o fuso horário diferente. Olhei em volta e vi que era a única pessoa ainda na cama. Tratei de pular de lá e me arrumar. Roberto quando me viu pronta para sair ficou impressionado com a minha rapidez. Encontrei um lugar para tomar café da manhã ainda antes de sair da região central da cidade. Logo depois encontrei com Franziska, uma jovem alemã que estava fazendo o caminho com a mãe e a tia e quase sempre nos encontrávamos-nos mesmos albergues. Nessa ultima etapa elas haviam pernoitado em Valença ao invés de Tuí.
      Nessa etapa já se observa um número muito maior de peregrinos, principalmente nos primeiros quilômetros, aos poucos com cada um no seu ritmo a pequena multidão vai se dispersando.
      Em Portugal o caminho sempre adentra em bosques, trilhas em meio à mata, estradas de terra ou de pedra. Quando havia alguma avenida ou rodovia, quase sempre você devia cruzá-la ou andar apenas alguns metros e já estaria novamente em meio à natureza. Mas essa primeira etapa já em solo espanhol se diferenciava bastante nesse sentido. Havia muitos trechos para percorrer em ruas de asfalto, ao lado de grandes veículos e nesses trechos em específico o caminho se torna um pouco maçante.
      Foi um percurso bem cansativo para mim. Além de caminhar em uma paisagem não tão convidativa em boa parte do trajeto, o calor estava cada vez mais intenso e eu senti nesse dia muita dor nas costas, provavelmente não havia arrumado as coisas muito bem na mochila. Sentia vontade de parar o tempo todo. Sentia certa inveja de algumas pessoas que carregavam mochilas minúsculas e pareciam estar passeando no bosque. Mas estas pessoas certamente haviam contratado o serviço que transporta bagagens até o próximo destino.
      O roteiro que eu estava seguindo no aplicativo Buen Camino indicava como próximo local de parada uma cidade chamada Mos, porém vi que seria outro lugar sem muita coisa para se ver ou fazer. Resolvi então adaptar essa parte do roteiro e decidi encerrar essa etapa um pouco antes de chegar a Mos, na cidade de O Porriño, além de aliviar um pouco o cansaço que foi grande nesse dia, simpatizei com a cidade assim que cheguei por lá.
      À tarde acabei encontrando novamente com Franziska, na avenida principal da cidade. Junto com sua mãe e sua tia tomamos uma cerveja ao estilo alemão. 
       
      8° Dia De O Porriño a Pontevedra 34,9 km

      A maior etapa desse meu caminho. E ficou ainda mais longa devido a ter encurtado a etapa do dia anterior. Poderia ter dividido essa etapa em duas parando em Redondela, mas isso renderia um dia a mais para chegar a Santiago.  Além disso, o clima no período da manhã estava bem diferente dos dias anteriores, o céu muito cinza, temperatura ligeiramente mais baixa amenizando o calor. Não imaginei que seria tão difícil chegar a Pontevedra.
      Acordei às 7 horas, o que é bem tarde para quem teria tantos quilômetros pela frente. Me arrumei voltei ao caminho, parei num café na avenida principal da cidade e quando me pus novamente em marcha já eram 8 horas. Acabei perdendo muito tempo nessas primeiras horas da manhã. Claro, não poderia deixar de tomar café da manhã. Na maior parte do caminho se você não aproveitar e parar no primeiro café aberto para tomar café da manhã ou matar a fome durante o dia pode levar muito tempo e muitos quilômetros até encontrar outro lugar para comer ou comprar algo.
      Até chegar a Redondela foi razoavelmente tranqüilo, apesar das muitas descidas para testar os joelhos. No período da tarde ainda com muito chão pela frente viriam muitas subidas. Mas o caminho é bem interessante nesse trajeto, bosques, cidades, pontes, rios, trilhas de pedras, mata mais fechada, outro bosque, outra cidade, rodovias. Um caminho longo, mas, nada maçante como no dia anterior.
      Parei para almoçar em um local simples, porem com uma vista linda e um pouco escondida ao fundo e ao sair de lá o calor já era intenso. Estava aliviada, pois tinha andado um tempão com outro peregrino que parecia não desgrudar de mim, como demorei no almoço ele resolveu seguir na frente sozinho. Mais a frente, parei um pouco conversando com algumas garotas muito animadas, uma portuguesa e outra espanhola, essa ultima contou que havia caminhado 5 km a mais porque se perdeu...
       Como elas iriam ainda demorar por ali segui meu rumo novamente. Passei por uma auto-estrada onde tive que andar ao lado de enormes caminhões. Logo depois passei pela linda cidade de Pontesampaio, que parecia ter congelado no tempo. Ali, uma senhora estava em seu quintal enquanto eu passava em frente a sua casa, com muita vontade de conversar me falou sobre ter percorrido o caminho muitas vezes e contou da sua vida, perguntou se podia ajudar em algo.

      Andei depois por um bom tempo sem avistar mais ninguém e a animação foi se esvaindo. Ao menos tinha certeza do caminho, pois era bem demarcado e cheio de sobe e desce. Quando achei que já estava bem perto o mapa mostrava uma bifurcação onde entraria em um bosque ou iria pela auto-estrada. Fui pelo bosque, que mais parecia um labirinto sem fim. Embora o aplicativo indicasse que estava indo na direção certa a impressão que eu tinha era de andar em círculos. Ia margeando um pequeno fluxo de água quando encontrei um morador local que me disse que até o final daquele bosque seriam 2 km e pela auto-estrada seria mais rápido porem não havia acostamento. Eu não queria acreditar que ainda andaria tanto para sair daquele bosque infinito, mas não tinha o que fazer.
      No albergue publico em Pontevedra não havia mais vagas. Fui até outro albergue, o Aloxa Hostel que também não tinha mais vagas e o senhor na recepção me ajudou entrando em contato com outros dois albergues na cidade que também já estavam cheios. Ele me pediu para esperar e depois de atender outras pessoas que tinham feito reserva me disse que tinha uma cama, e perguntou se eu não me importaria de ficar no quarto junto com um grupo grande. Eu estava desde o inicio dormindo em albergues públicos então porque me importaria?  Fiquei sim muito aliviada por ter um lugar para descansar, depois de tantas horas “na estrada”.
        Com certeza o senhor Pedro que me atendeu na recepção não tem idéia do quanto me ajudou naquele dia. Aquele foi o único momento em todo o caminho em que fiquei realmente preocupada. Se não tivesse conseguido ajuda lá talvez tivesse que ir a muitos outros lugares até conseguir um local para passar a noite ou gastar muito ficando em algum hotel. Ele me recomendou que eu fizesse reserva no meu próximo destino para não correr o risco de ter dificuldades com a hospedagem novamente, verifiquei as opções e ele ligou para mim e reservou.
       Me senti abençoada por ter encontrado tamanha ajuda no momento em que mais precisei. Senti naquilo tudo a magia do caminho. Eu não estaria abandonada no fim daquela jornada, eu teria um lugar para descansar, tomar um banho, lavar minhas roupas, enfim, cumprir meu ritual diário sempre que finalizava outra etapa. Eu senti o meu coração cheio de gratidão e a certeza de estar onde devia estar.
      Essa magia do caminho se manifesta das mais diferentes maneiras. Como nesse mesmo dia, quando eu caminhei quase 35 km e achei que não teria energia para mais nada além de dormir. Mas depois de tomar um banho e me alimentar eu me sentia renovada, eu me sentia leve novamente. E ainda fui presenteada naquele longo dia com outra cidade das mais encantadoras do caminho. Era como se todo o meu esforço fosse recompensado. Era mais uma vez o caminho como uma metáfora da vida. Naquele dia eu senti o caminho me ensinado que eu sempre tinha força para seguir em frente, por maiores que fossem as dificuldades. E os problemas que surgissem eu poderia contornar e eu precisava ter fé.
      Foi uma pena não ter tido muito tempo de conhecer direito a cidade de Pontevedra, pois a cidade é realmente encantadora. Com ruas de pedra, edifícios medievais, monumentos, praças e estreitas vielas, além da lindíssima Igreja da Virgem Peregrina À noite a cidade se torna ainda mais agradável. Muitos restaurantes, bares com mesas ao ar livre, uma combinação interessante entre a história tão viva em cada detalhe do centro histórico e a modernidade de uma pequena cidade turística.

      Andando por aquelas ruazinhas, já nem parecia que tinha caminhado mais do que nunca na minha vida. Me sentia relaxada, absorta por aquela cidade. Antes de voltar ao hostel, comprei um pedaço de pizza e um chá gelado, sentei na escada de uma igreja para comer e apreciar um pouco mais daquela noite.
      9° Dia De Pontevedra a Caldas de Reis 21 km


      Saindo de Pontevedra, passando pela ultima vez por seu centro histórico, ainda dominada pelo sentimento de encantamento e gratidão por aquela cidade. Nos primeiros quilômetros o caminho me lembrava uma procissão, tamanha a quantidade de pessoas.
      Não foi uma etapa tão longa, mas para mim foi com certeza a mais sofrida. Talvez pelo esforço do dia anterior, meus pés doeram muito durante quase todo o trajeto. Cheguei a pensar que acabaria com bolhas, tão temidas por todos os peregrinos. Nunca senti tanto a sola dos meus pés. Para piorar a minha situação durante esse trajeto o caminho era em sua maior parte em estradas de terra com muitas pedras, grandes, pequenas, de todos os tipos, mas muitas pedras sob meus pés já cansados.
      Usei no caminho botas de trilha intensiva, que eram um tamanho maior que o meu e também meias específicas para trilhas e até aquele dia não tive problema algum com os pés. Por iisso acho que o problema não foi o calçado e sim o cansaço acumulado que não combinou com as pedras do meu caminho. Pela primeira vez eu tive que parar, sentar em um lugar qualquer, descalçar as botas e as meias e examinar a situação dos meus doloridos pés. Felizmente nenhum sinal de bolha e não houve bolha até o fim, mas aquela dor seguiu comigo.
      Em meio a esse sofrimento, me consolava o fato de ter feito uma reserva em um albergue particular, afinal seria uma preocupação a menos. Nas cidades mais próximas a Santiago era de se esperar que os albergues públicos ficassem logo sem vagas. Geralmente custam entre cinco e seis euros e os particulares custam normalmente o dobro disso, mas às vezes vale a pena gastar um pouco mais.
      Em Caldas de Reis fiquei no Albergue Timonel, que custou 10 euros. Fica logo na entrada da cidade próximo a ponte. Um lugar simples, porem do qual não tive do que reclamar. Dividi o quarto com apenas duas pessoas, uma jovem garota com sua mãe, que também eram peregrinas. Uma companhia bem tranquila.
      A cidade de Caldas de Reis é bem pequena e tranquila. Provavelmente se não fosse o fluxo constante de peregrinos, seria uma cidade muito pacata. Com uma ponte logo na entrada da cidade, como em quase todas as cidades da região, a cidade tem uma Fonte de água termal. Uma senhora que atendia em um restaurante em frente ao albergue me deu uma maçã e me recomendou que eu fosse até a fonte e ficasse com os pés na água por uns 30 minutos, disse que ajudaria a diminuir as dores das quais eu havia lhe falado. E lá fui eu meter os pés na água quente.
      Apesar de não haver muito a se fazer ou ver na cidade, dei umas voltas à tarde. O clima estava agradável. Voltei cedo para o albergue. Aproveitei que dessa vez teria um pouco mais de privacidade para descansar.  
       
      10° Dia De Caldas de Reis a Padrón 19,2 km


      Com os pés praticamente recuperados do dia anterior segui meu rumo. Sempre no meu ritmo, sem pressão, firme e forte. Após 10 dias a mochila nas costas já fazia parte de mim. Me acostumei a acordar bem cedo dia após dia e continuar em frente. Cada dia era único, cheio de surpresas. Cada dia trazia uma infinidade de paisagens que mudavam a cada curva. Queria ter fotografado tudo, cada vez que me deparava com algo novo, cada vez que a natureza me brindava com sua beleza de maneira diferente. Mas era importante manter-me caminhando. E foi o que eu fiz. E tentei guardar tudo aquilo em fotografias mentais, aquelas imagens que vem a cabeça e te trazem um sorriso ao rosto. Aquelas memórias que vem junto com a sensação de liberdade, sonho realizado e fé.
      Em determinado ponto daquela etapa parei em uma igreja, onde havia na parte de trás um cemitério vertical. Ali conheci uma simpática família de portugueses, mais adiante conheci alguns peregrinos que viviam nas Ilhas Tenerife. Eram pessoas de muitos lugares diferentes, historias e motivações diferentes e todos com um objetivo comum ali.
      Em Padrón parecia ser o meu dia de sorte. Não fiz reserva em albergue então fui direto ao albergue municipal. Chegando lá já havia uma fila grande, inclusive havia alguns brasileiros que eu tinha conhecido vários dias antes. Fiquei com a penúltima vaga do albergue para aquele dia, e como fui uma das ultimas a conseguir vaga, fiquei em um quarto menor, com apenas quatro camas e um banheiro exclusivo. Não parecia nada com um quarto de albergue publico, onde normalmente são dezenas de pessoas no mesmo ambiente. Mais uma vez tive sorte também com as companheiras de quarto, que nesse caso eram duas garotas portuguesas peregrinando juntas e no fim da tarde para minha surpresa depois de muitos dias Cecilie chegou para ficar com a ultima vaga no albergue.


      Quando saí para conhecer a cidade a mesma já estava em plena siesta ( horário no período da tarde em que os espanhóis tiram para descansar). Havia poucas pessoas na rua, alguns turistas ou peregrinos perdidos como eu.
      Padrón foi uma interessante surpresa após a tediosa Caldas de Reis. Com quase tudo fechado relaxei por um tempo no jardim botânico da cidade, visitei a igreja de Santiago de Padrón e descansei um pouco mais sob a sombra das arvores na margem do rio em mais um longuíssimo dia de verão espanhol. No fim da tarde a cidade pareceu se encher de vida novamente. Diversas ruas exclusivas para pedestres com mesas ao ar livre, muitos bares e restaurantes onde era servido o prato típico da cidade, Pimentos de padrón.  A impressão que eu tive é que a cidade inspira certo entusiasmo ao peregrino, afinal chegar até ali significa ter superado muitos quilômetros, dificuldades, dores no corpo e todo tipo de imprevisto que possa ter surgido.
      Esse clima de ansiedade e animação era bem perceptível no albergue. Bastante gente reunida na cozinha até tarde, diferente do que costuma acontecer nos albergues, onde a ordem é o silencio e o respeito ao descanso de todos.  Mas naquela noite observei uma agitação alegre e contagiante compartilhada por todos. Não poderia ser diferente afinal, estávamos muito perto do sonhado destino.
      11° Dia de Padrón a Santiago de Compostela 24,5 km

      Acordei às 5 da manhã para iniciar a minha ultima etapa deste cainho. Acho que ninguém consegue dormir muito no ultimo dia. Tomei café da manhã bem perto do albergue, no café de D. Pepe que se despedia com abraços calorosos de cada peregrino que passava por lá.
      Saindo dali, caminhando pela primeira vez antes do sol nascer, conheci a Marta, uma portuguesa, muito querida que me fez companhia nesse dia. Eu estava há muitos dias sem falar muito português e quando comecei a conversar com a Marta parecia que estava falando sem parar. Falamos sobre viagens, sobre a vida e sobre o caminho.
      Ter a certeza da chegada mudou bastante o meu caminhar naquela manhã. Não sentia dores nas pernas ou nos pés. Não sentia o peso da mochila e não me incomodava com o calor. O dia foi amanhecendo calmamente enquanto seguia sem ver a hora passar. Mas ainda que anestesiada pela certeza da chegada, foi uma longa etapa.
      Eu me perguntava durante aqueles dias como seria a minha chegada e tive a sorte de ter nesse dia pessoas do bem e com boas energias dividindo comigo aquele momento.  Em certo ponto da caminhada reencontrei a Márcia que fazia a peregrinação junto com seus pais e mora em Viana do Castelo, cidade próxima ao Porto.  Estavam no mesmo albergue que eu no dia anterior. Contei a eles um pouco da minha história, de sair sozinha do Brasil e ir a Europa fazer o caminho de Santiago, que era um desejo antigo. Lembro que me disseram o quanto eu era corajosa por ter feito isso.
      Acho que realmente é preciso muita coragem para realizar um sonho. Não é fácil estar em um país estranho, percorrendo um caminho solitário durante tantos dias. Não é fácil tomar a decisão de fazer algo audacioso quando você está num momento de incertezas na vida. Então acho que fui bem corajosa.  Foi pensando em tudo isso que as lágrimas vieram aos meus olhos quando já na cidade de Santiago de Compostela nos aproximávamos da catedral.
      A Praça do Obradoiro onde está situada a Catedral de Santiago de Compostela é certamente um lugar que reúne muitas emoções. Finalmente eu estava lá entre risos e lagrimas. Transbordando de alegria, fé e gratidão.
      É difícil descrever a sensação que tive naquela chegada, sem dizer muitas frases que seriam puro clichê ou que até parecessem obvias demais. Eu posso dizer que foi uma felicidade e uma realização imensa estar em Santiago de Compostela após um longo caminho. Estar ali era a recompensa pela minha coragem, pela minha determinação, por cada passo dado, cada dor que eu senti no meu corpo. Era a certeza de que Deus e o apóstolo Tiago me guiaram durante todo o meu caminho. A certeza de que a minha fé nos meus passos me levou até ali.
      Depois de curtir a chegada fomos até a oficina de atenção ao peregrino onde a espera era de pelo menos duas horas para apresentar a credencial com os devidos carimbos e receber a Compostela, atestando que a peregrinação foi concluída. São emitidos dois documentos, um deles com as informações de onde foi o inicio da peregrinação, qual rota foi feita e a quantidade de quilômetros e o outro documento que é opcional e de caráter religioso e todo escrito em latim.  A Compostela custa 1,50 euros e ali também se pode comprar a vieira de Santiago e outras recordações da chegada.
      Em Santiago de Compostela
      No dia anterior havia feito reserva no albergue Sixtos no Caminho que para minha surpresa era de uma família de brasileiros. O albergue era excelente. Ambiente acolhedor, muito limpo e arejado. Cama bem confortável, tomada e lâmpada individual, além de uma cortininha para que cada um tenha um pouco de privacidade. A poucos minutos de caminhada da região central e também muito perto do terminal de ônibus, foi uma ótima escolha.
      Resolvi ficar dois dias na cidade. Depois de tantos dias eu merecia uma pequena pausa para conhecer um pouco da capital da Galícia. Uma das coisas interessantes nesses dois dias é que enquanto passeava pela cidade ia encontrando o tempo todo algum velho conhecido do caminho.
      Para todos os peregrinos, em especial aos católicos, um evento bem especial é assistir a missa do peregrino. O caminho todo é um até de fé e aquele era para mim um momento de agradecer por tantas bênçãos no meu caminho e na minha vida.  A missa na época da minha peregrinação estava ocorrendo na igreja de São Francisco, que fica bem próxima a Praça de Obradoiro, devido às obras na catedral. Outro importante ritual é o abraço ao Apóstolo, a estátua românica que recebe os peregrinos está sobre a cripta que contém a urna com as relíquias do Apóstolo, este ritual simboliza o amável acolhimento do apóstolo após o esforço da peregrinação.
      Um lugar imperdível em minha opinião é o Museu das peregrinações e de Santiago, que conta com riqueza de detalhes a historia do caminho de Santiago através dos séculos, sua origem e as mudanças e transformações nos costumes dos peregrinos ao longo do tempo. É possível conhecer também a origem e o significado de cada um dos muitos símbolos do caminho. O museu apresenta também outras importantes rotas de peregrinação pelo mundo, Roma e Jerusalém, que junto com Santiago de Compostela formam as três grandes peregrinações Cristãs mais conhecidas. O museu é gratuito aos sábados à tarde, para minha sorte justamente quando eu estava lá e também aos domingos durante todo o dia.
      Outro ponto interessante na cidade, recomendado por uma moradora local, é o mercado de abastos, a segunda atração mais visitada na cidade, onde é possível comprar diversas iguarias da região e também se deliciar com a culinária local.
      A cidade é repleta de atrações para todos os gostos, igrejas, mosteiros, parques e museus. Acho que mais interessante do que ir de um ponto turístico a outro é se permitir explorar livremente a cidade, bater perna pelo centro histórico, relaxar sem compromisso. Sentar em um café ou em uma praça e observar o movimento da cidade.
      Escolhi fazer isso na tão emblemática Praça de Obradoiro, observar os grupos animados, tirando as mais criativas fotos, muitos peregrinos cansados tirando as mochilas das costas e descalçando as botas, algumas pessoas cantando e outras fazendo suas orações. A praça estava sempre cheia de gente durante todo o dia, formando uma egrégora de paz.
      Ao menos para mim o compromisso era cumprir a minha jornada. Feito isso, a idéia era apenas curtir os próximos dias, tanto em Santiago, quanto nas cidades que viriam depois. Inicialmente  havia pensado em fazer a prolongação do caminho caminhando mais três dias até chegar a Finisterre e depois caminhar até Muxia, outra prolongação do caminho. Devido principalmente ao fato de ter poucos dias até a data da minha volta ao Brasil, resolvi manter os dois locais no roteiro, porém a prolongação do caminho ficaria para uma próxima ocasião.
      Finisterre

      A viagem de ônibus de Santiago até Finisterre dura pouco mais de uma hora. A cidade fica na região conhecida como Costa da Morte, na região costeira da Galícia. A região recebeu esse nome por causa dos muitos naufrágios ocorridos ao longo da costa rochosa e traiçoeira.
      Em Finisterre me hospedei no albergue Arasolis, que fica na rua com o mesmo nome. A cidade não tem terminal de ônibus, os mesmos param na rua principal onde fica também o guichê de venda de passagens. Após sair do ônibus é só entrar à direita e em poucos minutos encontrará o albergue.  O proprietário do local recebe a todos de maneira muito amável e alegre, contando suas historias de vida e presenteando a todos com uma concha e um cartão postal da cidade e as meninas ganham também uma pulseira. Além disso, me deu ótimas dicas sobre o que fazer na cidade. O lugar tem uma cozinha de uso coletivo. Fica bem próximo á praia também.
      Fiquei dois dias na cidade, queria aproveitar a proximidade com o mar e relaxar.  A principal atração da cidade é o Faro de Finisterre, o farol, onde termina o caminho para quem faz a prolongação do mesmo até a cidade de Finisterre.  Ali fica o totem indicando o quilometro 0,0 para os peregrinos. O farol fica a três quilômetros do centro da cidade e para chegar é só seguir as indicações na cidade e depois seguir a estrada. Uma subida bem peculiar e bonita em minha opinião, do lado esquerdo avista-se o mar e em certo ponto do caminho tem uma estátua de um peregrino. Lá em cima tem também uma loja de suvenires e um restaurante que parecia ser bem caro. 
      O farol do Cabo Finisterra, ainda ativo nos dias de hoje, é o farol localizado mais no oeste da Europa e tem grande importância para a navegação na região da Costa da Morte.  Há uma tradição entre os peregrinos de prolongar o caminho até ali e queimar peças de roupa antes de regressarem as suas casas. Conforme me recomendou El gato, no albergue deixei para ir até lá ao anoitecer para poder ver o por do sol na encosta do Cabo e valeu muito à pena. Daquele ponto ver o  sol se pondo no mar foi um espetáculo lindíssimo e até mesmo um privilégio para quem tem a chance de conhecer a cidade. É bom levar uma lanterna, pois na volta para a cidade, descendo a estrada a única luz vem dos poucos carros que passam por ali.

       
      No dia seguinte pela manhã caminhei até a praia de Langosteira, no outro extremo da cidade. Naquela manhã o vento era tão forte como eu só havia visto na Patagônia. Mesmo com a ventania a praia era muito bonita, as areias cheias de conchinhas e quase deserta a não ser pelos peregrinos que ali chegavam.
      À tarde, para minha surpresa, o tempo esquentou bastante, não havia nenhum sinal da ventania de algumas horas antes. Então aproveitei o clima favorável para tomar sol na pequena praia da Riveira.  Conheci também o Museu da Pesca, bem próximo da praia, um museu pequeno, mas bem interessante que conta a história da pesca e da navegação na Costa da Morte.
      A cidade tem alguns cafés e restaurantes, e alguns destes especializados em peixes e frutos do mar. Um restaurante que eu gostei muito foi o Baleas, fui lá duas vezes, a especialidade são as massas, muito saborosas e os preços eram razoáveis. Outro restaurante muito bom e com atendimento acolhedor, o Frontera, em frente à parada de onibus, os dois locais tinham muitas opções vegetarianas, o que não era muito comum em algumas cidades por onde passei.

      Outro lugar com um visual incrível para apreciar o por do sol é a praia Mar de Fora. Cerca de quarenta minutos de caminhada do centro da cidade até lá, mas vale muito à pena.
      Muxia

      Outra cidade na Costa da Morte onde a fé e as tradições religiosas  se ligam aos caminhos de Santiago é Muxia. Há cerca de 30 minutos de onibus saindo de Finistere, num caminho que deixou meu estomago embrulhado. Uma cidade pequena, porém muito simpática. O ultimo destino dessa empreitada pela Europa.
      Em Muxia me hospedei no albergue/hostel Bela Muxia. Mais uma vez a recepção foi excelente. Quando cheguei ao local ainda faltava uma hora para o horário de check-in, poderia esperar claro, mas comentei com o senhor na recepção que tinha ficado um pouco enjoada pela viagem de ônibus e o mesmo foi muito solicito comigo e me deixou ir para o quarto naquele mesmo instante. Além da ótima recepção o lugar era muito agradável, tinha uma cozinha bem grande e um lindo terraço com vista da cidade onde era possível avistar também o mar. Uma pena que fiquei somente um dia na cidade.
      A praia de A Cruz, indicação de um morador da cidade tem águas claras, mar calmo e um visual muito bonito. Passei horas ali aproveitando um dia lindo de muito sol.
      O principal ponto de interesse na cidade é o Santuário Virxe de La barca (Virgem da Barca) Segundo a lenda o apóstolo Tiago foi até Muxia, implorar a Deus que seus sermões tocassem as pessoas. Nesse momento então, a virgem teria aparecido a ele num barco de pedra puxado por anjos e lhe disse que voltasse a Jerusalém, pois a sua missão naquela terra havia terminado, Tiago retornou conforme a virgem lhe havia dito, porem havia plantado ali a semente da fé cristã que viria a florescer futuramente.
      Há também lendas sobre as pedras localizadas no rochedo de Muxia. As pedras teriam relação com o barco da virgem em sua aparição e também lendas sobre propriedades curativas.
      Ainda ali no rochedo, complementando de forma peculiar a paisagem o monumento “A Ferida”, dedicado aos voluntários que durante meses limparam as praias da Costa da Morte após um desastre que provocou o derramamento de óleo combustível naquela região. È uma das maiores esculturas de toda a Espanha, com mais de 11 metros de altura, é dividido em duas partes e simboliza a ruptura e o impacto que esse desastre causou a costa Galega. A obra pode ser vista de muito longe pelos bascos que se aproximam da costa.
      Ali no rochedo a vista do por do sol é belíssima. Infelizmente não fiquei para ver. Ainda faltava pelo menos duas horas para o sol se por quando voltei ao centro da cidade para meu ultimo jantar no meu restaurante favorito por ali.
       
       
       
       
       
       
       
       
    • Por Damarens Santos
      Olá galera viajanteeeee. 🤩 Vim fazer falar um pouco sobre minha viagem em 02/2020 em Fortaleza e Jeri   Comprei minhas passagens para Fortaleza pela decolar em uma promoção 657,00 saindo de GRU (uma semana depois baixou para 400,00 kkkkkkkk DIFICIL ). Fizemos as reservas pelo site Airbnb com cupom de desconto  (vou deixar o cupom no final do post) fechamos 4 dias em Jeri na Pousada Casa Flor do Mar e 4 dias em um Flat no hotel Tulip. Como boa viajante, fiz a reserva do flat no meu nome e da pousada no nome do meu namorado, ambos tinham descontos então saiu bem em conta pra nos (400,00 em cada lugar).   06/02 a 12/02 - SP x FOR   1º dia: Nosso voou saiu as 23:30 de SP com chegada as 03:00 em FOR. Decidimos ir pra Jeri primeiro para curtir o fds lá e fortaleza depois, então fechamos com a agência Enseada Turismo  o transfer até Jeri. Do aeroporto até o ponto de partida para Jeri no centro, pegamos um Uber, que deu R$ 19,50 e fomos direto ao ponto de encontro para saída a Jeri, que seria as 04:00. Fechamos o transfer até Jeri com passeios do lado Leste incluso por R$150,00 cada (OBS: existe a empresa Fretcar que faz esse serviço de transfer, porém ele sai em horas fixas... se não me engano o primeiro sai as 07:00 e custa em torno de R$30/40 reais, mas pra otimizar tempo optamos pelo transfer, estava incluso ida e volta + alguns passeios do lado leste). Depois de horas de ônibus (aproximadamente 5:00 com parada pra café da manhã) chegamos até um ponto de apoio onde pegamos as Jardineiras (4x4) pra começar os passeios. O nosso estava incluso o Passeio pela Lagoa do Paraíso, Árvore da Preguiça, entrada free na famosa Alchimist Beach Club e Pedra Furada, como passeio adicional havia a Lagoa do Amâncio por R$30,00 (durante os passeios as malas ficam na própria jardineira). Fechamos na nossa pousada por volta das 17:15 da tarde e saímos pra jantar.   OBS E DICAS: *No café da manhã eles pararam em um local que o café é por peso (pão com frios + copo de leite com café saiu uns R$9,00/11,00) Na hora do almoço estávamos no Alchimist Beach Club, não comemos lá pq achamos as coisas mtt caras (uma cerveja long neck lá custou R$17,00 KKKK). Tomamos um café mais reforçado justamente para não consumir nada neste local por conta dos preços. *A ida até a Pedra furada se resume em caminhada rs. Lá eles falam que o caminho é pesado, 40 minutos de caminhada com uma decida ruim... tudo isso pra vc fechar com os “juber” ou seja charretes, mas a caminhada é tranquila... fizemos em 30 minutos até a pedra. *Na rua SAN FRANCISCO, na vila de Jeri vc encontra refeições a partir de 10,00. ISSO MESMO, nem em Campinas eu encontro estes preços kkkkk (eu não como frutos do mar então os PF’s da vida me fazem mtt feliz, ainda mais quando pago barato. Comi barato e MTT bem, obg). *O que mais me incomodou na vila foi as moscas, puts isso me estressou pq toda vez que vc senta pra comer vem umas 20 em cima da mesa, da comida e tal. Então procure por restaurantes climatizados caso queira paz. A noite tem varias barraquinhas pela rua que vende comida... porém este valor que paguei foi sempre em restaurantezinhos. Aproveitamos que estávamos pelo centrinho anoite para andar e procurar pelo passeio do Lado Oeste, já havíamos cotado com várias empresas antes da viajem (a média de valor era R$350,00 no buggy privativo, R$175,00 buggy compartilhado, R$400,00 quadriciclo e R$75,00 a jardineira), mas optamos por fechar lá em busca de encontrar algo em conta e BINGOOOOO. Encontramos o passeio de quadriciclo por 350,00 e o buggy 300,00.   2º dia: Acordamos e vimos o dia lindo, corremos e ligamos para agência de quadriciclo que iriamos fazer o passeio para fechar para aquele dia. Saímos para o passeio as 9:30, pegamos um guia tão legal que nos deixou super a vontade, passamos pelo mesmo local mais de uma vez para aproveitar quando estava vazio *-* o passeio durou cerca de 5/6 horas. (o guia vai na moro e vc vai pilotando o quadriciclo)   3º dia: tiramos o dia pra descansar. Fomos até a praia de manhã (praia da vila) e a tarde ver o por do sol nas dunas   4º dia: Fomos até a praia da malhada que é mtt linda e aproveitamos pra ir no comercio a tarde, voltamos pra fortaleza as 16:00. Da Vila de Jeri até o ponto de encontro fomos de 4x4 e levou cerca de 1:00. O ponto de encontro é a única parada que se faz até fortaleza, la ficamos 2:00 esperando todas as 4x4 chegarem para lotar o ônibus e irmos embora. Chegamos em nosso flat em fortaleza as 24:00   5º dia: Já havíamos fechado com o Felipe (fechei via whats na volta de jeri para o dia seguinte) o passeio pelas 3 praias (Morro Branco, Praia das Fontes e Canoa Quebrada) de buggy por R$ 110,00 cada (canoa quebrada fica 250 km de Meireles então o passeio foi mtt cansativo rs não achei que compensou mtt, a praia das fonte na minha opinião é uma enganação tremenda kkkkkkk pq são 3 bicas de água escrito que é fonte, fora que se vc não fechar o buggy vc tem que ir caminhando até as falésias e morro branco (que é bem longuinho) então praticamente eles te forçam a fechar o buggy pra conhecer).   6º dia: Compramos o passeio pelo peixe urbano por R$60,00 o casal com a Girafa tur. O passeio saiu as 7:00 com chegada as 19:00. Chegando la eles vão te deixar em um restaurante carinho tbm, porém, na mesma rua do restaurante na frente dos buggeiros tem um restaurante, comida caseira mtt gostosa, prato para 2 pessoas por 35,00. Descendo o restaurante já na praia, tem um quiosque a direita com preços excelentes! (Cerveja por 9,00 600ml). A noite fomos jantar na Barraca da Boa na orla de Meireles, ceva por R$ 9,00 prato de picanha pra 2 por 60,00 (achamos o preço ótimo).   7º dia: Fomos para a Praia do futuro, pois queríamos conhecer o famoso Croco Beach, achei o local mtt cheio e os preços mtt salgados, então fomos pra barraca ao lado esquerdo Barraca Marulhos e fechamos um bangalô na areia com R$100,00 de consumação. Os preços de lá são excelentes e o serviço de primeira. Eles deixam um cooler do seu lado com cerveja já pra vc ficar à vontade. RECOMENDO. A tarde resolvemos andar pelo mercado central e depois ja fomos pro aeroporto.
      CUPOM DE DESCONTO Cadastre-se com meu link e você vai ganhar até R$179 de desconto em sua primeira viagem. https://abnb.me/e/H1L0MFhG83?suuid=9cccd5d0-3bc8-4949-b7ad-25927809bf1e&slevel=0

      Tel do Pedro (agente de fortaleza): 85 9665-9503 Tel do Quadriciclo de Jeri: Kart Cross Roades 88 9849-4619 Edvaldo
      Tel da agencia  Enseada Turismo: 85 9608-1222





    • Por Birovisky
      Confiram o vídeo ou o relato completo em texto e fotos abaixo do vídeo:
      Camping na cachoeira Saltão: https://rezenhando.wordpress.com/2016/05/06/camping-na-cachoeira-saltao/
      Um BIS no Camping da cachoeira Saltão: https://rezenhando.wordpress.com/2017/03/08/um-bis-no-camping-da-cachoeira-saltao/
      Confiram outros relatos de acampadas em: https://rezenhando.wordpress.com/category/camping/
      Se inscreva no nosso canal: https://www.youtube.com/c/Rezenhando
    • Por Carola_RJ
      Viagem feita em janeiro de 2020 em casal.
      Escrevi esse relato porque achei Noronha um lugar muito surreal: de lindo, de fantástico e de caro. 
      Eu quero muito voltar em Noronha e quero ajudar quem quer viajar e deseja mais autonomia e economia financeira.
      Este relato está dividido da seguinte forma:
      Dicas e informações gerais Tabela de gastos Roteiro resumido Mapa Roteiro detalhado Restaurantes 1. DICAS E INFORMAÇÕES
      Preços de Noronha: é tudo surreal de caro. Eu entendo que é uma ilha longe, de difícil acesso o que encarece a chegada de alimentos e materiais por ter que incluir o frete nisso. Também entendo que devemos preservar a natureza e devemos investir dinheiro nisso. Mas não vamos ser ingênuos, não é só por isso que é caro. Esse lugar é uma máquina de fazer dinheiro tanto para o governo quanto para muitas pessoas. Só acho que essa grana tem que ser retornada em benefícios para o meio ambiente e para a população.

      Principais conselhos antes de viajar:
      Fique rico ou não seja fresco! Se não der para ficar rico, não seja fresco. É tudo bem caro! Mas sem frescura dá para economizar e viajar de boas. Seja independente! Faça os passeios sozinhos. Leia sobre o local e vá às praias sozinho. Não precisa de guia para a maior parte das coisas. Leve água e comida. Nós levamos uma bagagem inteira, 23kg, só de mantimentos. Levamos água mineral, Gatorade, Vinhos, queijos e demais coisas para lanchar e fazer café da manhã (nossa hospedagem não tinha café). Isso não foi suficiente, faz muito calor e bebemos muita água. Mas deu uma ajudinha. Repelente. tem muito mosquito, MUITO! Tênis velho ou aqueles sapatos próprios para molhar. Tem muitas trilhas por matas e por pedras, é muito desconfortável fazer com chinelo. Nós levamos chinelo e tênis todos os dias. Leve uma mochila grande para levar para a praia. Tamanho de Noronha - a ilha tem 23km2 e 3 mil moradores. Ou seja, é um ovo! Para ter noção, Ilha Grande-RJ tem 190km2. O que quero dizer é que é perfeitamente possível fazer tudo andando. É tudo muito perto! É claro que para otimizar o tempo e fugir do sol, é bom pegar ônibus as vezes. Mas, chegando lá, vocês vão ter a dimensão de quão pequena é.
      Passagem aérea - quando você olhar nossa tabela de gastos vai ver que o preço da passagem saiu bem barato (uns 650 para cada). Saiu esse preço porque ganhamos uma passagem grátis da Gol. Quem é Cliente Diamante da Smiles tem direito a uma passagem grátis por ano para qualquer lugar do Brasil. Na verdade, você compra uma passagem ida e volta e ganha um acompanhante de graça. O preço estava uns 1300 reais por pessoa, o que já é um preço bom, mas saiu pela metade disso ao ganhar a passagem grátis. Esse negócio de ser cliente Diamante é muito bom!!! Além da passagem grátis, tem acesso a sala vip com acompanhante nos aeroportos quando está voando de gol ou companhias aéreas parceiras. Eu não tenho maturidade para sala vip e sempre saio cheia dos drinks. Outro benefício é poder despachar 3 bagagens gratuitamente sempre, poder sentar nas cadeiras confortos e ter embarque prioritário. Por tudo isso, a gente sempre transfere as milhas do cartão de crédito para o Smiles. Para ter sempre muitas milhas eu compro tudo no cartão de crédito, até um cachorro quente vai no crédito sempre!
      Taxa de preservação - Custa cerca de R$75 por dia. Você pode preencher o formulário e pagar na hora que chegar no aeroporto. Ou pode fazer tudo online, imprimir e só mostrar no aeroporto. (Obs: suuuuuuper ecológico ter que imprimir esses papéis!!!) O site para fazer online: http://www.noronha.pe.gov.br/turPreservacao.php
      Taxa de acesso ao parque - Teoricamente, não é obrigatório. Mas, a maioria das praias exige, logo você vai ter que pagar. Custa R$111, e você pode fazer pessoalmente ou pagar online, imprimir (!!!) e retirar a carteirinha lá em Noronha. O site deles: https://www.parnanoronha.com.br/ingressos
      Palestras no projeto Tamar - todos os dias às 20h. Às quartas é sobre golfinhos. Terças eu acho que é sobre tartarugas. São todas gratuitas e duram 1 hora.
      Alugar carro - tudo depende do quanto você quer gastar. Um aluguel de um Buggy custa em torno de 300 reais a diária e a gasolina custa 7,70 o litro. Tem opção de outros carros também, mas o Buggy é o mais comum. É claro que um carro oferece mais autonomia, mas é a opção mais cara e te inviabiliza de beber, pois tem blitz de tarde e de noite frequentemente. Inclusive, é imprescindível estar com a CNH. 
      Usa o Ônibus - foi a opção que escolhi. O ônibus custa 5 reais e passa de 30 em 30 minutos. Ele te leva para todos os lugares da ilha, mas é claro que não vai te deixar na porta, você vai ter que andar um pouquinho, coisa de 2, 5 ou no máximo 10 minutos.
      Taxi - o táxi tem o preço tabelado e é bem caro. Varia de 20 a 50 reais no máximo. Se você fizer uns 5 deslocamentos por dia, ainda vai sair mais barato que alugar um carro. Pegamos taxi algumas vezes também.
      Deslocamento do aeroporto para a sua pousada - primeira dica: NÃO USE O TRANSFER GRATUITO! Use o taxi que custa 30 reais e vai demorar 5 minutos. A maioria das pousadas oferece um transfer gratuito. Na verdade, é uma empresa de turismo que oferece esse serviço. E o que eles ganham com isso? Reserva de passeios! Eles vão tentar fechar todos os passeios com você, te encher o saco! Fora que eles precisam esperar a van encher, então só vão sair do aeroporto depois que TODOS os passageiros desembarcarem. E você pode dar o azar de ter que esperar um outro voo pousar. Além disso, vai ser aquela peregrinação, passando de pousada em pousada, para deixar todos. Sério, em relação a tudo que você vai gastar durante sua hospedagem na ilha, invista 30 reais e fuja desse transfer free.
      Passeio Ilha Tour - custa uns 250 reais. É um passeio que dura o dia inteiro e te leva em quase todas as praias. É uma espécie de reconhecimento da ilha. Acho que só vale a pena para quem chega na ilha completamente perdido, sem ter lido nada. Eu entendo, nem todo mundo tem tempo para programar a viagem e tal. Mas, no geral, eu acho um desperdício de tempo e dinheiro. Para quê vai conhecer um pouquinho de cada lugar e depois vai voltar nós mesmos lugares nos dias seguintes? Fora que é bom ter autonomia de ficar o tempo que quiser em cada praia...
      Passeio de canoa - custa em torno de 180 reais. O passeio sai às 5h da manhã da praia do Porto para ver o amanhecer. Vão 12 pessoas remando por 2 horas. Depois de ver o nascer do sol, remamos para a Praia de Conceição para ver os golfinhos. Então, vou contar a minha experiência! Estava muito animada para este passeio. Na verdade, foi o único que fiz. Vi várias fotos e relatos lindos do passeio. Eu amo nascer e pôr do sol, então estava muito animada. Reservei com antecedência e no dia.... Choveu pra kct!!!! O pior foi que não choveu em mais nenhum outro momento da minha estadia em Noronha. Além de chover muito,  tinha muita nuvem e não deu para ver o nascer do sol. Ok! Demos meia volta e fomos ver os golfinhos na região onde eles passam. Ficamos uma hora esperando mas eles deram um "bolo" na gente e não apareceram. Não tem como ficar pior? Tem sim! O mar estava mega agitado, balançando muito o que me deu um enjôo terrível! Imagina só... Você no meio do mar, não podendo voltar, com chuva na cabeça, enjoada...  Algumas pessoas aproveitaram para mergulhar no mar enquanto estávamos parados. Eu, obviamente, não mergulhei, fiquei com medo de estragar o mergulho deles vomitando na água. Fui firme e não vomitei. Eu nunca tinha remado na vida,acho que o ponto positivo foi aprender a remar em equipe.  Bem, apesar da minha história não ter sido boa, eu tenho certeza que é um passeio de grande potencial.
      Mergulho de cilindro - eu ouvi que custa em torno de 500 reais. Acho que não vale muito a pena porque o mar de Noronha é muito claro, com ótima visibilidade. Diversas pessoas contaram que viram mais coisas e foi mais interessante o mergulho com snorkel em águas rasas. Fora que se você nunca mergulhou de cilindro na vida, é sempre bom avaliar. A pressão incomoda bastante e nem todo mundo se acostuma bem com a respiração. Eu não mergulhei, até porque achei que tinha mais coisas interessantes para ver em terra firme, nas praias, nas trilhas.
      Aluguel de equipamentos - levamos snorkel mas na maioria das praias eles alugam. Na praia do Sueste era 25 reais o kit (snorkel, nadadeira e colete). 
      Deslocamento entre as praias - (olha para o mapa para você entender) você consegue ir andando da Praia Cacimba do Padre até a Praia da Conceição beirando a costa, andando pela areia e subindo as pedras. O que separa uma praia da outra são pedras. É tranquilo de passar na MARÉ BAIXA!!! Na maré alta não! É imprescindível olhar a tábua de marés para se guiar. Quando fomos, a maré baixa era na parte da tarde, o que se enquadrou bem no nosso roteiro. Massss, evite passar pelas pedras de chinelo porque escorrega, eu mesma levei um tombo. Também não vá descalço porque é muito quente, vai machucar seu pé e você pode pisar em algum bichinho. Se no percurso você gostar de uma praia e quiser terminar o dia nela, sem problemas, todas essas praias tem saída por trilha e são trilhas bem pequenas, super perto das estradas.
      O único trecho que não fiz porque parecia mais complexo é entre a Praia do Boldró e a Praia da Conceição. São cerca de 800 metros e leva 30 minutos para atravessar. Olha, eu não sou muito corajosa e só faço o que tenho bastante confiança e por isso não atravessei, mas muita gente vai achar tranquilo.

      Essa imagem acima é da Praia do Bode (inclusive, é daí que o pessoal fica para ver o pôr do sol lindíssimo), nessa parte fica uma piscininha natural. Essas pedras separam a Praia do Bode da Praia do Americano. É só para mostrar como são as pedras que separam uma praia da outra.
      Hospedagem - Esse é um ítem complexo. Lá é tudo caro e bem simples. É claro que tem umas pousadas chiques mais são absurdamente caras. É aquela lei básica: quanto mais você paga, melhor é a qualidade. Quanto a localização, é tudo bem pertinho. Não acho que esse seja um fator primordial. Nós optamos por ficar em uma suíte de uma casa de família. Não tinha café da manhã, a residência era humilde, mas os quartos têm uma vista para o mar incrível e que nos conquistou. Foi essa aqui: https://www.booking.com/hotel/br/suite-domiciliar-em-fernando-de-noronha.pt-br.html
      2. TABELA DE GASTOS
        2 pessoas 1 pessoa Passagem aérea 1270 635 Hospedagem 1600 800 Taxa ambiental 606 303 Parque 222 111 Táxi 170 85 Ônibus 120 60 Restaurante 820 410 Água 90 45 Cerveja 75 37 Passeio e equipamentos 410 205 TOTAL 5383 2691 2.1. TABELA DETALHADA DOS GASTOS
      Dia 1 2 pessoas 1 pessoa Táxi aeroporto 30 15 Ônibus 30 15 Cerveja 30 15 Jantar no Varanda 250 125 Táxi (volta do Varanda) 25 12       Dia 2     Táxi 85 42 Almoço no Bar das Gêmeas 150 75 Água 30 15 Ônibus 10 5       Dia 3     Ônibus 40 20 Aluguel de equipamentos 50 25 Almoço na Maezinha 60 30 Bebida 20 10 Jantar no Xica da Silva 220 110       Dia 4     Ônibus 40 20 Almoço no Emporio Sao Miguel 80 40 Cerveja 45 22       Dia 5     Passeio de Canoa 360 180 Almoço na Maezinha 60 30 Táxi aeroporto 30 15 Café no aeroporto 40 20 3. ROTEIRO RESUMIDO:
      Algumas coisas não saíram exatamente como eu tinha planejado, mas eu acho que o roteiro ideal e bem completinho é esse abaixo que eu vou mostrar:
      Dia 1:
      - chegada no aeroporto (16h)
      - malas na pousada
      - ida até a ICM Bio para pagar a taxa e para agendar o passeio do Pontal do Atalaia
      - pôr do sol na praia do Bode 
      Dia 2:
      - Mirante dos Golfinhos
      - Mirante Dois irmãos
      - Praia do Sancho
      - Praia da Cacimba do Padre
      - Baía dos Porcos
      - Praia do Bode
      - Praia do Americano
      - Praia do Boldró
      - Pôr do Sol no Mirante do Boldró
      Dia 3:
      - Praia do Leão
      - Praia do Sueste
      - Praia do Cachorro
      - Buraco do Galego
      - Praia do Meio
      - Praia da Conceição
      - Por do sol: bar do meio ou na praia da Conceição
      Dia 4:
      - Trilha no Atalaia
      - Mirador Air France/ Capela / Praia do Tubarão / Enseada das Caieras
      - Praia do Porto
      - pôr do sol: Forte de Nossa Senhora dos Remédios
      Dia 5:
      - Nascer do sol de canoa 5h
      - dormir até o check out da pousada
      - almoço
      - aeroporto
      4. MAPA
      No mapa abaixo estão localizados todos os pontos turísticos e separados por cor cada dia. Os restaurantes estão na cor vermelha. E os locais de pôr do sol na cor amarela .
      https://drive.google.com/open?id=1EAiu0X-cIhENWWRJyTV_6ZLGJpI6Gzhg&usp=sharing
      5. ROTEIRO COMENTADO
      Agora, vou explicar e comentar o roteiro.
      Dia 1:
      - chegada no aeroporto (16h) - pegamos o táxi por 30 reais. Já expliquei a furada do transfer free.
      - malas na pousada
      - ida até a ICM Bio/Projeto Tamar para pagar a taxa e para agendar o passeio do Pontal do Atalaia: pegamos o ônibus que deixa bem na porta da ICM Bio. Já tínhamos realizado o pagamento pela internet, levamos os comprovantes e retiramos as carteirinhas. Lá é onde são agendados os passeios/trilhas que possuem limite de pessoas. Queria muito fazer o Atalaia mas infelizmente estava tudo lotado pelos próximos 5 dias. Então, não consegui agendar.
      - pôr do sol na praia do Bode. Na verdade, nós passamos o primeiro pôr do sol no Mirante do Boldró, mas por uma questão de logística, é mais inteligente inverter. Tanto a praia do Bode quanto o Boldró ficam próximos da ICMBio e dá para ir a pé tranquilo.  
      A praia do Bode possui umas pedras em que dá para ver um belíssimo pôr do sol. No dia que fomos tinha dois casais fazendo fotos com fotógrafo. A praia possuía apenas uma pequena barraca vendendo bebidas naquele preço padrão:
      Cerveja long neck: 15 reais
      Refrigerante lata ou garrafa de água: 10 reais.
      Na volta, é só andar até a ICMBio e pegar o ônibus. Ou esperar e assistir as palestras do projeto Tamar que ocorrem todos os dias às 20h.
       

      Pôr do sol na Praia do Bode
      Dia 2:
      - Mirante dos Golfinhos: o melhor horário para ver golfinhos é em torno das 7h da manhã. Mas tem gente que foi às 10h e conseguiu ver. Chegamos às 9h e não vimos nada. Lá fica uma monitora do parque e disse que eles não haviam aparecido nem mais cedo. Entretanto, segundo ela, a taxa de aparecimento de golfinhos é de 90%. Ou seja, bem alta. Nós que demos azar mesmo. Ela empresta binóculos para observação. Ficamos uns 30 minutos esperando e decidimos seguir nosso roteiro.  A partir do Mirante dos Golfinhos tem uma trilha que beira a encosta e é linda. Essa trilha vai até o Mirante dois irmãos. 
      - Mirante Dois irmãos: você pode ir na praia do Sancho antes de ir nesse Mirante. Optamos por ir no Mirante primeiro porque tínhamos que esperar dar o horário de descida. Esse é o Mirante mais lindo de todos! É daqueles que você chega e fala "uauuuu!!!!". É o cartão postal de Noronha.
      - Praia do Sancho: acho que é a praia mais famosa de Noronha, talvez do Brasil. Ficamos muito tempo admirando a praia do alto e vendo os tubarões! Gente, que agonia! Como a água é muito clarinha, eles ficam bem visíveis. E eles ficam na parte rasa, do lado de banhistas. Os monitores juram que eles não atacam banhistas porque são muito bem alimentados com os cardumes. Outra informação importante. O acesso à essa praia é bem ingrime e apertado. Eu achei tranquilo, mas eu nunca levaria uma criança ali. É bom avaliar suas condições físicas. Outro ponto é que existem horários específicos para subir e para descer. 
      A praia é maravilhosaaaaa!!! Mas não possui nenhuma infra estrutura, não tem aluguel de barraca ou venda de bebidas, por exemplo. 

      Horários de descida e subida da Praia do Sancho
      - Praia da Cacimba do Padre: andando, em 15 min você chega na Cacimba do Padre, uma praia bem linda também. Tem uma faixa de areia bem extensa. No dia que fui, o mar estava agitado, com muitas ondas.
      - Baía dos Porcos: pela Cacimba do Padre você acessa essa área. Lá tem umas piscinas naturais lindaaaas, mas nós não fomos lá, só vimos do alto. A gente ficou com medo porque o mar estava um pouco agitado e o acesso é pelas pedras, mas acho que rolava ter descido sim. Nessas piscinas naturais não tinha faixa de areia (talvez tenha em outras épocas do ano), só pedras mesmo. Pelo mesmo acesso à Baia dos porcos tem um pico lindo, bem de frente para o morro dois irmãos. Nesse lugar você vai tirar a foto mais linda de Noronha, guarde bem esta informação!!!! Nós só fomos nesta parte e descemos.
      - Praia do Bode - ótima praia e com pôr do sol lindo. 
      - Praia do Americano - também linda. Mas ela é mais recuada e não dá para ver o pôr do sol. Ela é uma praia mais deserta, não tem nenhuma barraquinha. A gente só passou por ela porque ela estava com muita onda.
      - Praia do Boldró - tem uma faixa de areia bem extensa, muitas piscinas naturais. Tem uma barzinho com drinks.
      - Pôr do Sol no Mirante do Boldró - lá tem um barzinho com música ao vivo. Fica bem cheio porque os passeios do Ilha Tour terminam lá. Mas conseguimos pegar um lugarzinho bom.

      Mirante Dois Irmãos
       


      Fotos das pedras que levam até a Baía dos Porcos

      Pôr do Sol no Mirante do Boldró
      Dia 3:
      - Praia do Leão - talvez seja a praia mais linda de todas. Nós chegamos na praia, olhamos do alto e não tinha ninguém! Olhei aquele mar translúcido e pensei que ia passar horas naquele "piscininha". Grande engano. Lá tem um posto de controle, onde você apresenta a carteirinha e tal. A mulher já foi logo avisando: "é para entrar e molhar, no máximo, até o joelho. Esse mar é super traiçoeiro, tem 7 correntezas de retorno, está rodeado de tubarões grandes, não temos nenhum salva vidas aqui, até a gente ligar e chamar alguém para ajudar, já era!". Ela falou exatamente isso. Eu fiquei chocada porque do alto parecia muito mansinha. Enfim, descemos para pelo menos tirar umas fotos na praia privativa. Realmente vimos que o mar puxava muito, a mulher não estava exagerando. Não tinha nenhuma sombra para sentar e apreciar a vista, então... Fomos embora depois de 10 minutos! Massss.... Dizem que tem épocas do ano que vira uma piscininha mesmo. Olha, uma pena não ter me banhado nessa praia tão linda.
      - Praia do Sueste - praia muito piscininha!!!! Ideal para ficar relaxado e curtir aquela água quente cheia de peixinhos. A praia tem uma divisão, sinalizada por uma bóia. Nessa parte estão os corais protegidos e você só pode entrar de colete salva vidas. Isso é para ninguém pisar nós corais, o local é raso... é difícil ficar boiando tanto tempo, o colete ajuda muito. Se quiser alugar só o colete custa 10 reais. Mas é bom ter nadadeiras para nadar mais facilmente, e o snorkel para ver os corais. No dia que fomos, estava com muita alga na parte mais rasa e a água estava um pouco turva. Por isso, para ver os corais precisava ir mais para o fundo. A nossa história foi assim: fomos lá alugar nadadeiras e colete (snorkel nós levamos) e também alugar um armário (10 reais). No raso, eu tinha visto um filhote de tubarão e fui perguntar para a atendente como era o lance dos tubarões. Ela disse que tinha muito mas eles não atacavam. Daí eu perguntei (mas não deveria ter perguntado....): Algum tubarão já atacou alguém aqui? Ela respondeu: sim, mas porque o banhista foi negligente, levou uma pau de selfie (é proibida, mas pode levar go pro) e colocou na cara do tubarão para tirar uma foto dele e por isso o tubarão atacou o braço dele. Mas eu, mais uma vez fiz uma pergunta que não deveria ter feito: "mas foi algo sério, o que aconteceu com o braço dele?". Ela respondeu: foi amputado, perdeu o braço! Eu gelei... Kkkkkk Ela sugeriu que fossemos com um guia porque ele nos levaria nos locais certos e tal. Os guias cobram 180 reais por casal. Decidimos não contratar o guia porque ele nos levaria muito afastado e a gente só ia olhar ali na parte mais rasa mesmo. Enfim, entramos na água e eu só ouvia as pessoas falando "passou um do meu lado de 2m". Conclusão: tenho medo de tubarão, não fiz snorkel com medo deles. Podem me julgar! Fora isso, o snorkel estava me dando uma agonia, eu não estava conseguindo respirar pela boca direito, pode ter sido pelo nervoso que eu estava sentindo, mas foi tudo ótimo! As paisagens terrestres me satisfazem sempre.
      - Praia do Cachorro - bom, saímos do Sueste e pegamos um ônibus para a praia do Cachorro. Essa praia é a mais central, mais próxima da Vila dos Remédios. Não sei se é sempre assim, mas não tinha nenhuma faixa de areia, só pedras. Logo, nenhum banhista!
      - Buraco do Galego - o acesso é pela praia do cachorro. Você vai enfrentar uma longa fila para poder desfrutar e/ou tirar foto no buraco. Informação importante: só é acessível na maré baixa. 
      Eu vi um garoto fazendo um salto nele. Ali deve ter uns 4 metros de altura, mas o problema é que são muitas pedras, se você tropeça, erra o cálculo vai com a cabeça na pedra.
      O legal é que você não afunda nesse buraco. Uma força te empurra para cima, então é tranquilo de fazer a foto clássica boiando mesmo para quem não sabe boiar.
      - Praia do Meio - também estava sem faixa de areia, só com pedras. Nela você tem o famoso bar do meio que tem um por do sol bem bonito. Dizem que é caro, mas não sei porque não fui.
      - Praia da Conceição- praia linda e deliciosa. Amei ficar tomando banho nela e depois apreciando o pôr do sol. 
      - Por do sol: bar do meio ou na praia da Conceição. Optamos pela praia porque era grátis... Kkkkkk No dia seguinte, o Bruno Gagliasso postou um vídeo (olha no Instagram dele) do pôr do sol no Bar do Meio. Ou seja, pode ser que você divida a mesa com um famoso. 

      Praia do Leão

      Entardecer na Praia da Conceição

      Buraco do Galego
      Dia 4:
      - Trilha no Atalaia - a gente não fez porque não tinha vaga, mas dizem que é incrível. Nem por barco pode chegar nessa parte da ilha  porque é uma reserva natural. Que bom que é assim, né?
      - Mirador Air France / Capela / Praia do Tubarão / Enseada das Caieras: todos esses locais ficam pertinhos um do outro e são todos para admirar apenas, não são áreas de banho. Inclusive, tem várias placas avisando que não pode descer na água. Nas Caieras tem o "Buraco da Raquel" que só pode ser visto do alto, não pode descer.
      - Praia do Porto: eu adorei essa praia! Dizem que praia de Porto tem sujeira e tal, mas nessa não havia, pelo menos nada aparente, a água era cristalina e tinha MUITO filhote de tubarão,bem na beirinha. Foi muito divertido ficar ali olhando. Fomos na parte da tarde, umas 14h e estava lotado. Além dos tubarões, ali perto tem um barco naufragado que é legal de mergulhar e olhar a vida marinha. Nessa praia também tem umas piscinas naturais na maré baixa, tudo uma delícia!
      - pôr do sol: Forte de Nossa Senhora dos Remédios. A gente chegou cedo e pegou um lugar de "camarote". O forte por si só já é bem bonito e o por do sol é incrível. Você consegue ver várias praias.  Uma pena que a gente esqueceu de levar uns drinks para beber. Mas foi maravilhoso.

      Pôr do Sol no Forte Nossa Senhora dos Remédios
      Dia 5:
      - Nascer do sol de canoa 5h - já contei essa história no começo...
      - dormir até o check out da pousada
      - almoço
      - aeroporto
      6. RESTAURANTES

      Mãezinha: fica bem no centro da vila dos remédios, em frente ao ponto de ônibus. É um restaurante self service e o quilo custa 80 reais. O local é bem simples mas foi a comida mais barata que achei em toda a ilha. Um prato saia em torno de 30 reais. Eu achei a comida boa. Não sei se abre para o jantar ou apenas para o almoço.
      Empório São Miguel: durante o almoço é self service e o quilo da comida custa 90 reais. Um prato sai em torno de 40 reais. De noite é a lá carte e os pratos custam entre 50 e 80 reais por pessoa. A comida estava boa.
      Xica da Silva: Que comida deliciosa! Pedimos um prato de peixe com purê de abóbora sobre uma cama de camarões (eu pedi sem o camarão porque sou alérgica) e estava sensacional. Esse prato custou 92 reais por pessoa. O valor dos pratos é basicamente esse. Tinha uma fila de espera na chegada, mas valeu cada tempo esperado e cada real gasto.
      Varandas: comida boa. Comi um peixe com frutas caramelizadas e arroz com leite de côco. O arroz era muito saboroso, o peixe com frutas achei apenas ok, valor: +-90 reais. Meu marido pediu o "prato da boa lembrança" que custa 120 reais e te dá de brinde um prato de cerâmica de recordação. O prato era camarões com purê de banana e cebola empanada, ele achou muito bom.
      Barraca das gêmeas: localizado na praia da cacimba do padre era onde tinha para almoçar. Comemos um peixe assado na folha de bananeira. Custo: 120 reais para duas pessoas. Achei bem mais ou menos. O peixe estava sem tempero e o peixe tinha muuuuuita espinha.
      Restaurante Zé Maria: fica dentro da pousada Zé Maria. Quartas e sábados rola um festival gastronômico. Recomendaram-me e disseram que precisava de reservas. Liguei para lá para saber qual seria o menu e o valor. O menu era um buffet livre com todas as opções que você pode imaginar e o valor??? 270 reais por pessoa! Isso mesmo, pessoal! Eu não imaginava que seria algo tão caro, mas é. É claro que não fomos...
       
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