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Travessia da Serra de Gredos (Espanha) - jun-jul/19


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Laguna de los Caballeros

Início: Cuevas del Valle
Final: Tornavacas
Duração: 11 dias
Maior altitude: 2394m em Pico La Covacha
Menor altitude: 611m em Jarandilla de la Vera
Dificuldade: média para quem está acostumado a longas travessias com mochila cargueira. Há grandes subidas e descidas quase todos os dias, com desníveis positivos (subidas) que chegam a 995m.

A Serra de Gredos se situa na porção central da cordilheira chamada Sistema Central da Península Ibérica e se estende no sentido leste-oeste por cerca de 120km. Fica 150km a oeste de Madri e está inserida nas comunidades autônomas de Castela e Leão e Extremadura (comunidades autônomas na Espanha são mais ou menos como estados no Brasil). Ela está dividida em Maciço Oriental, Maciço Central e Maciço Ocidental. Nesse trekking eu percorri de ponta a ponta o Maciço Central, que vai de Puerto del Pico a Tornavacas. Do 1º ao 9º dia eu caminhei dentro dos limites do Parque Regional de la Sierra de Gredos.

QUANDO IR

O único problema dessa minha caminhada foi a época escolhida. Em final de junho e início de julho o calor chega próximo dos 40ºC, o que é bastante desgastante e inapropriado para o trekking. No início de junho há o risco de ainda haver bastante neve nos picos mais altos. Creio que a melhor época seja o outono (setembro a início de outubro), antes das neves do final de outubro.

CAMPING SELVAGEM

O camping selvagem é proibido em toda a Espanha. Ou permitido com muitas restrições em algumas comunidades e parques. Vamos detalhar isso um pouco.

Primeiro é preciso falar da pequena confusão que existe na Europa entre os termos "camping selvagem" e "bivaque". No Brasil entendemos ambos os termos como pernoitar em um local não estruturado, não destinado a esse fim, escolhido ao acaso. A diferença para nós é que o "camping selvagem" pressupõe montar uma barraca ou alguma cobertura, e o "bivaque" é simplesmente dormir a céu aberto, com um saco de dormir ou saco de bivaque apenas.

Na Europa nem sempre o entendimento é dessa forma. No caso da Espanha, segundo os sites consultados, os conceitos são os seguintes:
. acampada libre: montar a barraca e permanecer vários dias com ela montada num local não estruturado
. acampada nocturna ou pernocta con tienda: montar a barraca ao anoitecer e desmontar ao amanhecer, típico de uma caminhada de longa duração
. vivac: dormir sem barraca ou outra cobertura montada

Já em outros países, como a França, os dois conceitos acima de "acampada nocturna" e "vivac" são chamados de "bivouac", ou seja, para os franceses bivacar é passar uma noite num local não estruturado, com ou sem barraca. Já a "acampada libre", a ideia de permancer vários dias com a barraca montada, na França se chama "camping sauvage".

Como estamos tratando da Espanha nesse relato, vamos colocar esses termos tal como os espanhóis os entendem.

A "acampada libre" (pernoite com barraca montada por vários dias) é proibida em toda a Espanha, inclusive em todos os parques nacionais e regionais. Algumas comunidades autônomas a permitem, mas com muitas restrições (ver abaixo). Já a "acampada nocturna" é permitida em três dos dez parques nacionais da Espanha continental (Ordesa y Monte Perdido, Picos de Europa e Sierra Nevada), com restrição de horário para montar e desmontar a barraca e somente acima de determinada altitude. O "vivac" (pernoite sem barraca) é permitido apenas nos três parques citados e no Parque Nacional de la Sierra de Guadarrama. A questão fica nebulosa quando a normativa do parque proíbe explicitamente a "acampada libre" mas não fala nada sobre a "acampada nocturna" e o "vivac".

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Pico La Covacha (2394m), ponto mais alto do trekking

Quando o trekking é feito fora das unidades de conservação o que vale é a legislação do município e da comunidade autônoma. Fontes de consulta sobre as normas das comunidades autônomas são este site e este site. Neles vemos que a maior parte das 17 comunidades autônomas proíbe a "acampada libre" e a "acampada nocturna", ou as permite com muitas restrições como: distância mínima de cidades e estradas, número reduzido de barracas e pessoas, tempo máximo de permanência, exigência de permissão das autoridades locais. Mas a legislação do município é superior à da comunidade autônoma, o que torna ainda mais difícil saber se o acampamento (com ou sem barraca) é permitido em determinado local.

Este trekking atravessa duas unidades de conservação: o Parque Regional de la Sierra de Gredos e a Reserva Natural Garganta de los Infiernos. No primeiro a "acampada libre" é proibida, sem fazer menção à "acampada nocturna" e ao "vivac"; no segundo as três formas de pernoite são proibidas (veja aqui e aqui). Nos arredores desses parques vale a legislação das comunidades autônomas de Castela e Leão e Extremadura. Ambas também proíbem a "acampada libre" (veja aqui e aqui), sem referência nos textos oficiais à "acampada nocturna" e ao "vivac".

O que fazer durante uma longa travessia então?
Se você for adepto do bivaque (dormir apenas com saco de dormir, sem barraca) não deverá ter problema algum. Se quiser montar a barraca, escolha um local bem discreto e afastado, fora do caminho e bem longe de estradas e casas. Monte a barraca ao anoitecer e desmonte ao nascer do sol. Deixe o local exatamente como o encontrou, as regras de mínimo impacto devem ser sempre seguidas (veja aqui). Para quem gosta de fazer fogueira, é melhor esquecer.

REABASTECIMENTO DE COMIDA

O único mercado ao longo de todo esse trekking está na cidade de Jarandilla de la Vera, por onde passei no 10º dia. O Refúgio Elola (3º dia) serve refeições. A cidade de Bohoyo (7º dia) tem um restaurante e dois bares. O Camping La Guilera (8º dia) tem restaurante. Algumas pequenas cidades do caminho têm mercearia ou padaria mas é melhor não contar pois fecham para a siesta por várias horas durante o dia.

Nas duas pontas desse trekking:
1. Cuevas del Valle tem restaurante e mercearia
2. Tornavacas tem mercearia
Como esse pequeno comércio pode estar fechado, é recomendável trazer a comida de uma cidade maior, como Madri.

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Serra de Gredos

1º DIA - 25/06/19 - de Cuevas del Valle à crista da Serra de Gredos

Duração: 4h (descontadas as paradas e erros)
Maior altitude: 1839m na crista da Serra de Gredos
Menor altitude: 844m em Cuevas del Valle
Resumo: nesse dia encarei a subida inicial da Serra de Gredos a partir da cidade de Cuevas del Valle, com desnível de 995m desde essa cidade à crista da serra

Na Estacion Sur em Madri tomei o ônibus da empresa Samar às 11h para a cidade de Cuevas Del Valle. Desci do ônibus às 13h52 e aproveitei que havia um restaurante a poucos metros para uma última refeição decente antes de entrar na trilha. Altitude de 844m. Iniciei a caminhada às 15h05 cruzando o asfalto da N-502 e depois a cidadezinha de Cuevas del Valle no sentido norte. Como era hora da siesta, o lugar estava completamente deserto. O calor ajudava a manter as pessoas dentro de casa, longe daquele sol forte. Há uma bica de água fresca num largo logo à entrada da cidade para abastecer os cantis já que não haverá muitas fontes nesse dia. Passei à direita da Capela de Nossa Senhora das Angústias e na bifurcação seguinte tomei a direita, subindo e seguindo a sinalização da GR 293 em direção a Puerto del Pico (para mais informações sobre as trilhas GR: es.wikipedia.org/wiki/Sendero_de_Gran_Recorrido). Esse caminho é chamado de Calzada Romana.

Mas logo tive de fazer a primeira parada na sombra, por 30 minutos, pois o sol estava fritando. Continuando a subida, fui à direita na bifurcação e encontrei um cocho com água corrente, mas cheio de lama ao redor. Às 16h08 cruzei a N-502 e continuei subindo pelo calçamento de pedras da Calzada Romana. Parei mais três vezes na sombra. Às 17h34 cruzei mais uma vez a N-502 e 17 minutos depois parei na última água do dia para completar todos os cantis. O caminho faz um zigue-zague e já se avista Cuevas del Valle bem abaixo. Passo pelas ruínas do Portazgo (posto de pedágio do século 13) às 18h07 e 10 minutos depois termina a Calzada Romana junto à rodovia (altitude de 1371m). Esse lugar se chama Puerto del Pico (puerto em espanhol significa passo entre montanhas) e aqui entro nos limites do Parque Regional de la Sierra de Gredos. Puerto del Pico é o limite natural entre os maciços central e oriental da Serra de Gredos.

Continuo por caminho paralelo à N-502 com a extremidade oriental do Maciço Central da Serra de Gredos à minha esquerda esperando para ser "escalada". Entrei no primeiro asfalto à esquerda e caminhei apenas 70m até um portão de ferro com mata-burro ao lado. Não cruzei o portão, entrei na trilha à esquerda antes dele às 18h25. Uns 170m depois entroncou uma outra trilha vindo da esquerda e a segui até encontrar uma cerca. Acompanhei a cerca subindo para a esquerda e ao final dela a trilha desapareceu por alguns metros. Segui os totens e a reencontrei. Já estava subindo a encosta da Serra de Gredos. Do outro lado de Puerto del Pico, a leste, avisto bem marcada a trilha de ascensão ao Pico Torozo, este pertencente ao Maciço Oriental da Serra de Gredos.

A subida pareceu ter fim aos 1622m, às 19h28, mas continuou. Procurei me manter à direita para chegar logo à crista. Novamente a subida pareceu ter fim aos 1749m, às 20h19, porém só atingi mesmo a crista da Serra de Gredos às 20h43, aos 1839m. Logo surgiu um aceiro vindo da direita e o tomei para a esquerda. Em 200m cheguei a uma estrada de terra bem no alto da serra (!?) e resolvi parar às 21h17 num lugar plano, abrigado do vento e sem tantas pedrinhas para montar a barraca. A primeira impressão da Serra de Gredos foi empolgante, com ampla visão em 360º. Há muitas formações rochosas de formatos curiosos, com grandes pedras equilibradas umas sobre as outras. Dali do alto também pude contemplar um belo pôr-do-sol às 21h45. Altitude de 1814m.

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Serra de Gredos

2º DIA - 26/06/19 - pela crista da Serra de Gredos até o Pico Peña del Mediodía

Duração: 6h35 (descontadas as paradas e erros)
Maior altitude: 2221m em Peña del Mediodía
Menor altitude: 1810m
Resumo: caminhada para oeste pela crista da Serra de Gredos, porém quase não há trilha definida. Procurar o caminho (ou abrir caminho) entre as moitas de piorno foi cansativo.

Do local onde acampei na crista podia avistar toda a paisagem dos vales ao norte da Serra de Gredos e a continuação da serra para oeste, meu destino nos próximos dias. 

Deixei o acampamento às 10h42 e voltei a caminhar pela estrada no sentido oeste, mas quando ela fez uma curva para a direita (norte) subi à esquerda sem trilha seguindo totens para me manter na crista da serra. Às 11h39 um amontoado de rochas com uma coluna no topo me chamou a atenção e subi para conferir o que havia ali. Trata-se do cume La Fría, onde foi instalado um vértice geodésico. A visão para oeste se amplia bastante.

Na continuação, me deparei com um grupo de cabras montesas que imediatamente fugiu, porém um filhote ficou para trás, no alto de uma pedra, apavorado com a minha presença. Ele saiu bem na foto, rs. A encosta norte da serra nesse ponto tem várias estradas de terra e há mais em construção, o que tira todo o "clima" de montanha do lugar. 

Às 12h25 cruzei uma fileira de mourões sem cerca (ainda) e 32 minutos depois encontrei uma bica de água quase seca, apenas um fio escorria, mas consegui coletar mais abaixo e bebi o máximo que pude pois as fontes são muito raras nessa serra (essa foi a única água desse dia). Um marco de madeira fincado tem uma plaquinha "Senda Puerto del Arenal". Continuei às 13h55 e 190m depois cheguei a uma placa em que se lê: Puerto del Arenal - Ruta Navarredonda-Puerto del Arenal PR-AV 45 (mais informações sobre as trilhas PR em es.wikipedia.org/wiki/Peque%C3%B1o_Recorrido). Nesse ponto chega uma trilha que vem da localidade de El Arenal pela vertente sul da Serra de Gredos e que serve como rota de fuga ou início alternativo a esse trekking. Já vinha avistando El Arenal lá embaixo no vale desde o Pico La Fría.

Às 16h11 outra placa: Puerto de La Cabrilla - PR-AV 44, que é outro caminho de El Arenal a Navarredonda de Gredos. A partir daqui a serra começa a se mostrar mais florida pois surgem os grandes campos de piorno, que dá flores amarelas em abundância. A dificuldade era abrir caminho entre os piornos já que não encontrava trilha definida e contínua.

Às 20h05 alcanço a maior altitude do dia no Pico Peña del Mediodía, de 2221m, também com uma coluna e um vértice geodésico. A partir desse pico aparece uma trilha ininterrupta, antes só pedaços de trilhas. Continuando para oeste, 400m depois do pico desvio alguns metros à direita até um marco de granito para fotos. A partir do marco a trilha inicia uma longa descida a um outro "puerto". Desconfiei que seria difícil encontrar um lugar plano para a barraca, então procurei nas imediações do marco, onde o terreno era plano e as moitas de piorno me davam alguma proteção contra o vento. Altitude de 2211m.

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Cabra montesa e ao fundo os picos Almanzor e La Galana

3º DIA - 27/06/19 - do Pico Peña del Mediodía ao Refúgio Elola

Duração: 8h30 (descontadas as paradas e erros)
Maior altitude: 2262m
Menor altitude: 1948m na Laguna Grande
Resumo: continuação pela crista da Serra de Gredos passando por dois refúgios em ruínas e descida ao Circo de Gredos, com a Laguna Grande e o Refúgio Elola

Iniciei a caminhada do dia às 9h10, passei pelo marco de granito e comecei a descer ao Puerto del Peón. A decisão de acampar lá no alto se mostrou muito acertada pois encontrei um grupo enorme de jovens bivacando cerca de 300m antes do puerto. Como é proibido montar barraca eu teria no dia anterior que caminhar bem mais e me afastar deles para poder acampar. Às 9h42 passei pela placa que indica o Puerto del Peón, local que marca uma travessia no sentido sudeste-noroeste da Serra de Gredos e que provavelmente era o roteiro daquele grupo pois não os vi mais.

Na continuação para sudoeste, a trilha cai por algum tempo para a vertente norte da serra e depois obriga a subir à crista outra vez. Cruzo mais campos de piornos floridos mas em seguida chego a uma região mais árida da serra, um local praticamente só de pedras, e ali, às 11h14, me deparo com as ruínas do Refúgio Los Pelaos, todo de pedras. Há bons espaços para pernoitar protegido do vento desde que você não se impressione com as paredes prestes a desabar. O local também é rota de uma travessia no sentido norte-sul da Serra de Gredos. Uma caminhada alternativa seria subir ao Pico La Mira, de 2343m (desnível de apenas 91m desde as ruínas), mas não encarei. O mais importante: tem água.

Às 12h33 prossegui na trilha para oeste e 190m após as ruínas atinjo a maior altitude do dia, 2262m (alcançarei outra altitude igual ainda nesse dia). No horizonte a oeste já avisto uma cordilheira com os picos Almanzor, La Galana e o passo Portilla del Rey, pelo qual passarei entre a Laguna Grande e as 5 Lagunas. A trilha volta a cruzar o tapete amarelo de flores e a crista continua o seu sobe-e-desce. Caminho por alguns trechos com calçamento de pedras. Às 15h05 fui à esquerda (sudoeste) numa bifurcação seguindo os totens, sem trilha definida (à direita teria descido a um estacionamento chamado La Plataforma).

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Campos de piorno

Às 15h21 avistei a oeste o Refúgio del Rey, ainda bem distante. Desci e ao subir ao topo da colina seguinte visualizei a trilha à frente e abaixo. Desci novamente e a encontrei às 16h29. Com mais 8 minutos cheguei ao Puerto de Candeleda (com placas indicando ser a PR-AV 46), outra rota que cruza a serra de norte a sul. Parei para descansar e comer, e para meu espanto apareceu um outro louco solitário fazendo a travessia da serra com um enorme mochilão com não-sei-quantos litros de água. Conversamos um pouco e ele seguiu na frente. Às 17h22 continuei na direção oeste numa longa subida, percorrendo depois uma crista para o norte. Às 18h06 fui à direita numa bifurcação para ver de perto as ruínas do Refúgio del Rey. Ao lado fizeram um cercado com as pedras desabadas que serve como abrigo do vento para um bivaque. Perto do refúgio encontrei água quase parada mas 80m à frente (norte) havia uma ótima bica. Continuei para o norte por uma trilha larga às 18h55. 

Às 19h17 cheguei a uma cabeceira de vale com capim bem verde e bastante água, ao contrário da secura que vinha enfrentando até aqui. Seguindo os totens cruzei o riacho e subi por um caminho construído com pedras, passando por pequenas lagoas. Às 19h52 uma bonita visão para a esquerda (oeste) das montanhas pontiagudas próximas à Laguna Grande, meu destino nesse dia. Porém a laguna estava bem longe ainda e a descida direta para oeste não se mostrou animadora pela inclinação e ausência de trilha. O jeito foi continuar para o norte, dando uma volta bem grande, mas por trilha bem marcada e segura. Aqui atinjo também a maior altitude do dia, 2262m. Fui à esquerda na bifurcação e comecei a descer. Às 20h33 cheguei a uma bifurcação em T e continuei descendo para a esquerda. À direita se vai à Plataforma e esse é um caminho bastante usado para chegar ao Refúgio Elola em cerca de 5h. Passei por uma fonte de água e continuei no rumo sudoeste até as margens da Laguna Grande. Contornei toda sua margem leste e sul para enfim chegar ao Refúgio Elola às 21h36, quase no pôr do sol. Esse local é conhecido como Circo de Gredos.

Este refúgio foi o único que encontrei guardado, ou seja, com guardiões, que aliás estavam jantando e por sorte sobrou alguma janta para mim também. Dentro do refúgio deve-se usar apenas chinelos ou crocs, disponíveis em prateleiras na entrada. Há armários com chave. Os quartos são coletivos e têm beliches bem largas onde dormem muitas pessoas uma ao lado da outra, por sorte havia pouca gente e não precisei dormir espremido. A reserva costuma ser obrigatória mas pelo número pequeno de hóspedes não houve problema em não tê-la feito. O banheiro não tem vaso sanitário e sim uma peça de metal com buraco no chão, como no Nepal. Altitude de 1958m.

Talvez o principal destino dos montanhistas que procuram esse refúgio seja o Pico Almanzor, o mais alto da Serra de Gredos, com 2591m.

Editado por rafael_santiago
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Laguna Bajera, uma das 5 Lagunas

4º DIA - 28/06/19 - do Refúgio Elola às imediações de 5 Lagunas

Duração: 5h10 (descontadas as paradas e erros)
Maior altitude: 2367m em Portilla del Rey
Menor altitude: 1896m
Resumo: caminhada de Laguna Grande a 5 Lagunas através do passo Portilla del Rey. Quis evitar a subida direta de 5 Lagunas a Portilla de las 5 Lagunas para chegar à Garganta de Bohoyo, então tive de procurar um caminho alternativo (o que me tomou mais dois dias - sim, exagerei nas paradas por causa do calor)

Saí do refúgio às 9h58 na direção norte pela margem oeste da Laguna Grande. Na sua extremidade norte fui à esquerda na bifurcação e comecei a subir a encosta pedregosa da montanha em zigue-zagues. Subi até os 2066m e logo iniciei a descida, às 11h07. A descida dessa encosta terminou às 11h28, cruzei um riacho pelas pedras no meio de um campo chamado Pradera del Gargantón e voltei a subir em zigue-zagues. Às 13h31 cheguei a Portilla del Rey, um passo de montanha que foi o ponto mais alto do dia (2367m), e o lance final foi uma escalaminhada por um canchal (em espanhol) ou scree (em inglês), uma ladeira de pedras desmoronadas. Mas não gostei do que vi lá do alto. Gostei sim da visão espetacular do Circo de 5 Lagunas e da verdíssima Laguna Cimera bem abaixo, porém a continuação do meu caminho em direção à Garganta de Bohoyo seria por uma ladeira de pedras enorme e bem íngreme a sudoeste da Laguna Cimera. Ladeira que atinge a chamada Portilla de las 5 Lagunas, de altitude semelhante à de Portilla del Rey, onde eu estava. Aquele caminho me pareceu arriscado. Havia alcançado um grupo que avistara pela primeira vez na Laguna Grande e conversei com o líder para confirmar se seria aquele mesmo o meu caminho. Ele disse que seria um pouco arriscado ir por ali e que deveria haver um outro caminho mais abaixo nas 5 Lagunas.

Deixei o grupo todo sair primeiro pois aquela descida inclinada à Laguna Cimera, por pedras soltas e sem um caminho marcado, eu preferi fazer devagar e com cuidado. Saí de Portilla del Rey às 14h13 e cheguei próximo da Laguna Cimera às 14h56. Não desci até a margem, girei à direita (norte) e me dirigi à segunda lagoa, a Laguna Galana. O grupo parou nessa lagoa e eu continuei descendo, passando pelas lagunas Mediana, Brincalobitos e Bajera. Uma plaquinha me diz que estou na PR-AV 35. O caminho de pedras que desce dessas lagunas não é fácil, levei 1h30 para chegar ao final da ladeira desde a Laguna Cimera. Continuei descendo para o norte, mas parei nesse nível abaixo das lagunas (cerca de 850m após a Laguna Bajera) para explorar alguns caminhos que eu tinha gravado no gps e que poderiam ser alternativas àquela ladeira que eu evitei. Porém não encontrei nenhum deles e resolvi acampar no lugar mais discreto que havia (embora fosse um campo aberto) para resolver o que fazer no dia seguinte. Altitude de 1907m.

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Laguna de Majalaescoba

5º DIA - 29/06/19 - das imediações de 5 Lagunas a Las Lagunillas

Duração: 4h40 (descontadas as paradas e erros)
Maior altitude: 1950m em Las Lagunillas
Menor altitude: 1525m na Garganta del Pinar
Resumo: continuação da procura por um caminho para chegar à Garganta de Bohoyo, uma alternativa à subida direta de 5 Lagunas a Portilla de las 5 Lagunas 

Comecei a caminhar às 9h17 ainda com a idéia de que encontraria uma trilha alternativa. Continuei descendo para o norte (como se fosse para a cidade de Navalperal de Tormes) pela margem direita da Garganta (rio) del Pinar, que se origina das 5 Lagunas, e passei pela Laguna de Majalaescoba. Por ser um sábado comecei a encontrar gente subindo para as 5 Lagunas e resolvi perguntar. As respostas contradiziam o que o líder do grupo havia me falado no dia anterior: o caminho era mesmo por aquela ladeira enorme de pedras, não era tão ruim quanto parecia e não havia outro caminho conhecido. Essas informações me deixaram numa sinuca pois eu já havia descido muito desde a Laguna Cimera e o caminho a partir dela também foi bastante difícil. Para completar, o calor estava de rachar. Continuei descendo. 

Às 12h14, 2,3km depois do abrigo Chozo de la Barranca, parei numa sombra à margem do rio (Garganta del Pinar) pois não estava aguentando o calor. Resolvi explorar uma trilha que aparecia no gps e estava do outro lado do rio. Realmente ela existia e poderia ser a alternativa que eu procurava. Porém só consegui ter coragem para voltar a caminhar depois das 16h, quando o calor já não era tão forte. Continuei então para o norte, agora pela margem esquerda da Garganta del Pinar por 1,1km e comecei a subir a colina. Encontrei uma fonte de água na subida. Às 16h40 cruzei uma porteira de arame num muro de pedras. Alcancei uma clareira onde deveria haver uma trilha voltando para o sul, mas apesar dos totens não a encontrava. Depois de muita procura (e outra pausa na sombra) finalmente a achei às 18h34. Segui por ela para o sul e sudoeste e encontrei às 19h54 o Refugio de Los Barquillos, refúgio livre (não guardado) com banco-cama e lareira, construído em pedra e coberto com telhas. Nele chegava uma outra trilha vindo do norte. A vista para o Circo de 5 Lagunas era privilegiada. 

Às 20h13, continuei para sudoeste e na bifurcação 220m depois do refúgio fui à direita pois a esquerda desce a encosta. Às 20h44 alcancei uma grande clareira forrada de capim que cruzei para a direita para tomar a trilha que subia para oeste entre moitas de piorno. Mas na primeira bifurcação, 110m depois, fui à esquerda (sul). Ao chegar a uma amplo circo glacial (com uma lagoa) às 21h08 a trilha pareceu sumir, mas mantendo a direção sudoeste ela reapareceu. Desci até um riacho seco, cruzei-o e encontrei um bom lugar para acampar às 21h35. Esse local é referenciado nos mapas com o nome genérico de Las Lagunillas. Altitude de 1940m. Água corrente havia a 300m dali, além da lagoa, mas era pouca.

Estava num caminho muito promissor, mas ainda pairava a dúvida se conseguiria chegar por ele à Garganta de Bohoyo.

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Las Lagunillas

6º DIA - 30/06/19 - de Las Lagunillas ao Refugio El Lanchón

Duração: 5h15 (descontadas as paradas e erros)
Maior altitude: 2390m próximo ao Pico Meapoco
Menor altitude: 1726m em Refugio El Lanchón
Resumo: nesse dia encontrei finalmente um caminho alternativo para chegar à Garganta de Bohoyo. Subi 450m e desci 664m.

Desmontado o acampamento, saí às 9h47 para explorar a trilha marcada no gps que subiria as encostas rochosas do circo glacial e quem sabe me levaria à Garganta de Bohoyo. Porém ela não existia - mais um balde de água fria... 

Fui pegar água perto da lagoa e já estava tomando o caminho de volta à Garganta del Pinar às 11h33 quando olhei para o fundo do vale e vi um totem. Uma esperança! Segui-o e encontrei finalmente uma trilha para o fundo que, após cruzar grandes blocos de pedra, continuou e subiu a encosta de pedras até o alto! Agora estava bem mais fácil atingir o meu objetivo. 

No alto às 13h32 encontrei vários caminhos para o sul e para oeste. Cruzei um muro de pedras que corria de norte a sul e parei para estudar qual seria o melhor caminho. Avistei uma casa 280m a noroeste, no meio das moitas de piorno, e fui até lá para ver. Era o Refúgio de Regajo Largo, livre também (como todos os seguintes), com bancos-camas e lareira, construído em pedra e coberto com telhas. Mas estava cheio de vespas. E o percurso de ida e volta até ele foi meio varação de mato pois não havia um caminho aberto no meio do piorno.

Cruzei às 15h22 o muro de pedras de volta e 60m a leste dele entrei numa trilha que apontava para o sul com totens. A trilha foi girando para sudeste e logo sumiu entre as moitas floridas de piorno. Continuei para sudeste, mas logo quebrei para a direita (sul) seguindo os totens nas lajes de pedra e depois na subida de pedras soltas. Às 16h19 alcancei outro muro de pedras que corria na direção noroeste-sudeste, cruzei-o e fui para a esquerda (sudeste). Esse muro terminou numa encosta rochosa íngreme que subi às 17h por indicação de um grande totem no alto. Cruzei um chapadão (maior altitude do dia, 2390m) nas proximidades do Pico Meapoco e desci na direção sul até outra encosta rochosa, mas desta vez quebrei para a direita (sudoeste) e comecei a descer às 17h37 em direção à tão esperada Garganta de Bohoyo. Objetivo alcançado!

Às 19h29 passei pelo Refúgio El Belesar mas não fui até ele pois vi um sujeito entrar nele assim que me viu. Às 20h25 o Rio Bohoyo se estreita num cânion e logo abaixo cruzo o rio para a margem esquerda. Parte do caminho é por grandes lajes de pedra. Às 20h58 cruzei novamente o Rio Bohoyo exatamente onde há um poço à direita chamado Baños de las Sirenas (sereias). Às 21h43 cheguei ao meu objetivo do dia, o Refúgio El Lanchón, todo de pedras também. Poderia ter dormido dentro dele, na plataforma que serve como cama, mas estava muito sujo lá dentro, então dormi na barraca mesmo. Aliás foi um dos refúgios mais precários que conheci, melhor evitá-lo. O Rio Bohoyo corre a poucos metros e é fácil coletar água. Altitude de 1726m. 
 

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Garganta de Bohoyo

7º DIA - 01/07/19 - do Refugio El Lanchón à serra entre Bohoyo e Navalonguilla

Duração: 7h20 (descontadas as paradas e erros)
Maior altitude: 1966m no alto da serra entre Bohoyo e Navalonguilla
Menor altitude: 1132m no restaurante El Vergel de Gredos, em Bohoyo
Resumo: o trajeto desse dia é uma ferradura que vai para o norte e volta para o sul, um grande arco, mas o único caminho viável entre a Garganta de Bohoyo e Navalonguilla. Desnível de 818m entre a cidade de Bohoyo e a serra entre Bohoyo e Navalonguilla

Comecei a caminhar às 8h19 ainda pela margem direita da Garganta de Bohoyo. Às 9h31 fui à direita na bifurcação para conhecer o Refugio La Longuilla. Uma plaquinha com as faixas branca e amarela indica ser esta trilha a PR-AV 16. O refúgio é todo de pedras com telhas, tem bancos-camas e lareira. Estava cheio de vacas ao redor. Continuei para oeste por trilhas de vaca e cheguei a uma ladeira calçada, que desci e tomei a direita na bifurcação (com um X branco e amarelo à esquerda, sinalização PR). 

Às 10h32 cheguei ao Refugio La Redonda, também todo de pedras com telhas, bancos-camas e lareira. Uns 90m depois cruzei um portão de ferro. Às 10h56 outro refúgio nos mesmos moldes dos dois últimos: Refugio La Secá. As árvores vão reaparecendo e a trilha quebra de noroeste para norte. Às 11h37 entro na sombra rala da mata. O que incomoda mesmo são as moscas na cara. Às 11h51 a trilha é dupla e a floresta é de carvalhos (robles).

Às 12h33 chego a um pasto com vacas e uma estrada de terra para a direita. Uma placa indica uma fonte 100m para a esquerda mas não fui até lá. Seguindo pela estrada cruzei uma porteira de ferro, segui em frente num cruzamento de caminhos e cheguei a um estacionamento às 13h05. Havia um painel informativo sobre a Senda de la Garganta de Bohoyo com mapa. Continuando pela estrada de cascalho para o norte passei pela entrada do Camping Los Chozos de Gredos e atingi às 13h22 o asfalto da rodovia AV-P-539. Fui para a esquerda e em 7 minutos cruzava a ponte sobre a Garganta de Bohoyo. Ao lado do rio está o restaurante El Vergel de Gredos. Era hora do almoço e o sol estava fritando, para variar. Parei para descansar, beber água gelada e comer. Menu do dia a 10 €. 

Continuei às 14h27 pelo asfalto e uma placa me diz que estou na etapa 20 da GR 293 (a mesma da Calzada Romana e que é chamada de "A Vueltas con Gredos" por dar uma volta quase completa ao redor da serra). Cheguei às 14h37 à pequena cidade de Bohoyo e um painel agora me informa que a caminhada dali até a cidade de Navalonguilla será a etapa 21 da GR 293. Há uma fonte de água ao lado. Altitude de 1148m.

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Garganta de Bohoyo

Um outro painel, no outro lado da praça, mostra um mapa do Parque Regional de la Sierra de Gredos com todo o trajeto que fiz desde Cuevas del Valle. Dentro do meu percurso planejado, o limite do parque será no Pico Covacha, por onde passarei no 9º dia. O caminho para Navalonguilla estava diretamente para o sul a partir dali mas quis dar um giro pela cidade para conhecer, apesar do calor terrível. Essas pequenas cidades da Espanha são sempre uma linda surpresa, cheias de detalhes arquitetônicos e muita história. Há várias casas de pedra com sacadas de ferro fundido e algumas 
fontes de pedra também. Cegonhas sem nenhum pudor fazem enormes ninhos nas cumeeiras e até na torre do sino da igreja. Um bar parecia estar aberto, embora fosse hora da siesta.

Feito o reconhecimento, tomei a direção sul pela Calle de las Escuelas e saí da cidade às 15h14. Um outro painel informa que a Ruta Bohoyo-Navalonguilla é também a PR-AV 57 - Senda Camino del Piesnillo (além de ser a GR 293). Subi por um caminho concretado, passei por uma quadra de esporte e às 15h28 subi à esquerda pois a direita levava a um galpão, mas 35m depois fui à esquerda de novo pois à direita havia um sinal de X (caminho errado). Bohoyo vai ficando lá embaixo à esquerda. Mas tive de parar numa sombra por 37 minutos pois não aguentava mais o calor. Às 16h27 cruzei uma porteira de ferro e a estradinha de terra vira trilha. Em 4 minutos já avisto a Garganta de Bohoyo, onde passei esta noite.

Às 17h02 cruzo um muro de pedras e paro numa grande sombra, mas a trilha quase desaparece e gastei um tempo procurando-a (após o muro de pedras deve-se subir um pouco à direita, mesmo sem trilha no início, e tomar a direção sul). Às 17h51 alcanço uma estradinha de terra que tomo para a esquerda (X à direita). À frente (sul) já avisto a colina que devo subir, com a trilha bem marcada. Em 7 minutos tomo a direita na bifurcação (X à esquerda) e subo a um portão com pasto e vacas logo depois. Ali há uma fonte de água mas com pouca vazão. Melhor caminhar mais 150m para encontrar uma boa fonte acima do pasto e do muro de pedras (mesmo assim filtrei com o filtro Sawyer Squeeze). Essa é a última água do dia.

Voltei a caminhar às 18h48 e aí o bicho pega. Só subida. Às 18h58 fui à direita numa bifurcação. E dá-lhe ladeira em zigue-zague! A vista para a Garganta de Bohoyo é cada vez mais ampla. Às 20h26 avisto o chapadão no alto e com mais 12 minutos vou à esquerda numa bifurcação em T. Às 20h53, antes de um refúgio no meio do campo de piornos, cruzo o longo muro de pedras que aparece à direita (com placa apontando Navalonguilla). A partir dali a trilha começa a descer, então procurei um lugar plano perto do muro (abrigo do vento) para montar a barraca. Esse é o ponto mais alto do dia, 1966m, com desnível de 818m desde a cidade de Bohoyo.

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Garganta de los Caballeros

8º DIA - 02/07/19 - da serra entre Bohoyo e Navalonguilla à Laguna de los Caballeros

Duração: 9h (descontadas as paradas e erros)
Maior altitude: 2021m em Laguna de los Caballeros
Menor altitude: 1134m em Camping Restaurante La Guilera
Resumo: nesse dia passei pela cidade de Navalonguilla e a vila de Navalguijo para em seguida me distanciar de tudo novamente ao percorrer a Garganta de los Caballeros e subir à laguna de mesmo nome, num desnível de 887m desde o Camping Restaurante La Guilera

Comecei a caminhar às 8h52 descendo na direção oeste. Às 9h14 passei por uma fonte quase seca na descida. Às 9h33 chego a um amplo espaço bom para acampar e bivacar protegido pelas grandes pedras. Dali já é possível avistar a cidade de Navalonguilla. Encontrei um portão de ferro todo amarrado, foi mais fácil pular o muro de pedras. A descida continua em zigue-zagues por uma crista. Às 10h27 cheguei a um cocho com água corrente e parei para me refrescar por 30 minutos. Às 11h04 cruzo uma porteira de ferro e a trilha vai virando uma estrada precária. Passo por mais um cocho, porém este está seco. Cruzo outra porteira de ferro e a estrada passa a ser concretada. Onde entronca um outro caminho vindo da esquerda há um painel informativo sobre a Ruta Navalonguilla-Bohoyo semelhante ao da saída de Bohoyo. Às 11h41 alcanço a Ermita de Nuestra Señora de los Leones com uma fonte de pedra com água corrente em frente. Com mais 15 minutos pelo asfalto chego à igreja de pedra de Navalonguilla. Altitude de 1199m.

Passeei pelas ruas estreitas da pequena cidade e vi pela primeira vez a fachada das casas recobertas por telhas. Fui até o Museo de la Transhumancia, mas funciona só de sábado, domingo e feriado. Transumância é o deslocamento de rebanhos para locais que oferecem melhores condições de clima durante certa época do ano. Como sempre, era hora da siesta e até o Bar Pedro estava fechado. A única fonte de água que encontrei na cidade (em frente à igreja) estava seca. Segui a placa de Navalguijo, meu próximo destino, e às 12h16 deixei Navalonguilla tomando a rodovia AV-P-537. 

Uma placa me informa que o percurso dali até a cidade de Nava del Barco é a etapa 22 da GR 293, mas na ponte da Garganta de los Caballeros irei à esquerda, deixando essa GR. Às 12h36 passei em frente ao Camping Restaurante La Guilera, que espantosamente estava aberto e funcionando, mas não parei. Menu do dia por 9 €. Ali também fica o Hostal Rural Los Alisos.

Às 12h48 cruzei a ponte sobre o verdíssimo e transparente rio Garganta de los Caballeros e parei para descansar e me refugiar do sol forte. Algumas pessoas nadavam no rio. Fiz meu almoço nas mesinhas de piquenique sob as árvores. Às 13h13 encarei a subida de asfalto onde dava pra fazer ovos mexidos de tão quente. Compensava a bonita vista à esquerda para o selado onde acampei esta noite. Passei pela Ermita de San Miguel e às 13h31 alcancei a minúscula Navalguijo, completamente deserta, uma vila-fantasma. Numa bifurcação com casa de pedras e fonte de água não havia placa - fui à esquerda. Há fachadas recobertas por telhas aqui também, além de lindas casas de pedras. Às 13h39, numa outra bifurcação com fonte, a placa indica Laguna de los Caballeros a 5h de caminhada pela PR-AV 40, à esquerda. A civilização fica para trás de novo.

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Poço na Garganta de los Caballeros

Às 13h47 vou à direita numa bifurcação sem placa e cruzo a Puente de Arguijo. Mais 4 minutos e paro para ler o painel informativo sobre a Laguna de los Caballeros. Fim da estrada concretada, agora estradinha de terra. Vou à esquerda na bifurcação e às 14h09 cruzo um riacho e uma porteira de ferro verde. A estradinha vira trilha. 

Às 14h22 a visão se abre à esquerda para o amplo vale da Garganta de los Caballeros e montanhas ao fundo. Cruzo um riacho pelas pedras e aparece um calçamento na trilha. Olhando para trás identifico ainda o selado onde dormi esta noite. Às 15h13 chego à cachoeira Chorrera del Lanchón, um dos principais atrativos dessa trilha. Ela despenca numa fenda do paredão rochoso e estava com bem pouca água. Tentei me aproximar mas não cheguei à queda pois a vegetação dificultava bastante. Me escondi do sol forte por um bom tempo e só saí às 16h43. 

Subindo, cruzei uma tronqueira, um riacho e caminhei por uma ladeira com calçamento e lindas lagoas verdes transparentes ao longo do rio à esquerda. Às 17h50 passei pelo Refugio de las Llanaíllas, mas ficava fora da trilha principal e não procurei caminho até ele. Parei 8 minutos depois num pequeno abrigo de pedra coberto de palha e com banco-cama. Continuei às 18h14 e às 18h42 cheguei à Antigua Mina de Blenda, que se resume hoje a ruínas de casas de pedra e peças de ferro espalhadas pelo chão.

Às 18h54 cruzei pelas pedras a Garganta (rio) de los Caballeros para a margem direita verdadeira e encontrei a Fuente de Majá Baera com água corrente. Às 19h20 cheguei ao Refugio de Malacantones, de pedras e telhas com bancos-camas e lareira. Às 19h58 cruzo novamente a Garganta de los Caballeros. O lugar é bastante distante e isolado e começo a ter a impressão de que poderia encontrar ou avistar algum animal selvagem, mas em vez disso me deparo com vacas pastando (por enquanto...). Depois de cruzar moitas de piornos, às 21h06 chego enfim à Laguna de los Caballeros e seu circo glacial. Procuro um lugar abrigado do vento e monto a barraca num espaço pequeno entre moitas de piorno. Altitude de 2021m.

Pego as garrafas para coletar água da laguna e quando olho para a encosta da montanha ao norte vejo um animal grande passando. Era um javali! E tinha um filhote o seguindo. Como não sei sobre a reação desses animais, e por ela (devia ser uma fêmea) ter uma cria, tratei rapidamente de me enfiar na barraca e fazer o mínimo de sinal de vida. Fiquei de ouvidos alertas e num momento ouvi o ronco do bicho próximo da barraca. Mas depois não ouvi mais nada e pude relaxar e dormir.

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Pico Las Azagayas

9º DIA - 03/07/19 - de Laguna de los Caballeros a Jarandilla de la Vera

Duração: 9h10 (descontadas as paradas e erros)
Maior altitude: 2394m em Pico La Covacha
Menor altitude: 611m em Jarandilla de la Vera
Resumo: um dia longo e difícil percorrendo inicialmente alguns dos cumes mais altos da Serra de Gredos para em seguida descer 1783m até a cidade de Jarandilla de la Vera

Quando comecei a caminhar nesse dia não tinha idéia de quão extenuante ele seria. A travessia da crista rochosa dos picos La Covacha e Las Azagayas foi o trecho mais exigente de todo esse trekking.

Deixei o acampamento da Laguna de los Caballeros às 9h44 felizmente sem sinal do javali e seu filhote. Em vez disso eram as vacas que visitavam a laguna nessa hora. Contornei a lagoa pela margem esquerda (sul) e tomei a trilha de subida da encosta. É uma subida por canchal (ladeira de pedras desmoronadas) também mas a trilha está definida e sinalizada por totens. Às 10h20 atingi a crista e pude visualizar o outro lado (sul) mas estava mesmo é num selado, ou seja, tinha de subir bastante ainda. Às 10h38 fui para a direita (noroeste) na crista e subi por caminho praticamente só de pedras. Escalaminhei uma parede, subi por lajes e segui os totens. Às 11h31 atinjo o cume do Pico La Covacha (2394m), ponto mais alto de todo esse trekking, com coluna de concreto e vértice geodésico. A visão é de 360º. A longa crista que se estende para oeste é o limite entre as comunidades autônomas de Castela e Leão (ao norte, província de Ávila) e Extremadura (ao sul, província de Cáceres). Dali observo que a face esquerda (sul) dessa crista é recoberta de piornos, enquanto a cumeeira e a face direita (norte) são de pura pedra. Continuando às 11h56, avisto dois lagos bem distantes ao norte e um deles tem uma barragem (a maior com barragem é a Laguna del Barco ou Laguna de Galin Gómez e a menor é a Laguna Cuadrada). 

O caminho pela crista é um sobe-e-desce por pedras e a dificuldade vai aumentando. Às 12h17, junto ao marco de granito do Pico El Poyo, fui alcançado por um casal (que surpresa!) que subiu de uma cidade próxima só para percorrer essa crista. Dali já avisto uma outra crista para o sul que descerei após terminar essa de cumes em que estou. Porém dali em diante a dificuldade foi ainda maior, as ladeiras de pedras se tornaram bastante íngremes. O trecho próximo ao Pico Las Azagayas (2367m), aonde cheguei às 12h47, foi o mais difícil. 

Continuo mais 240m para oeste de Azagayas e finalmente termina essa crista rochosa. Ufa! Alcanço assim às 13h24 a outra crista que avistei e ali há caminhos para a direita (noroeste) e esquerda (sul), dependendo do roteiro que se quer fazer. O meu destino era para o sul. Uma placa ali aponta para os picos Covacha e Azagayas e diz "Ruta Travesía de la Alta Extremadura". Nesse local estou saindo do Parque Regional de la Sierra de Gredos e estou nos limites da Reserva Natural Garganta de los Infiernos, mas não entro nela nesse dia (só no dia seguinte). Também estou deixando a comunidade autônoma de Castela e Leão e entrando na de Extremadura. Isso corresponde (mais ou menos) a sair de um estado e entrar em outro no Brasil. 

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Laguna de los Caballeros

Às 13h58 inicio a descida da crista entre piornos floridos, porém na parte mais baixa dela (selado) um impasse: à minha frente (sudoeste) ela sobe para uma sucessão de cumes rochosos (Cerro Estecillo) que eu temia que fossem tão difíceis quanto os anteriores. O próprio nome não é animador: Cuerda Mala. E eu precisava descer e não subir mais. Que alternativas tenho? À minha direita (oeste) se abriu um amplo vale e tento descer a ele, mas a trilha e os totens vão sumindo e resolvo voltar à crista para tentar o outro lado (leste) às 14h43. Inicialmente há uma trilha descendo mas ela desaparece e continuo na direção de totens, porém num caminho complicado entre pedras e moitas duras de piorno. Às 15h55 cruzo uma riacho pelas pedras (primeira água desde a Laguna de los Caballeros) e o acompanho na sua descida pela encosta pois avisto trilha abaixo na direção que eu preciso (sul). Uma vez na trilha bem marcada às 16h24, passo por campos de piorno, mais pontos de água e por vacas pastando. Às 17h44 cruzo um muro de pedras por um portão de ferro caído e encontro caminhos para o norte, sul e oeste, com muitos totens. O caminho que chega do norte vem do Cerro Estecillo e é a alternativa que rejeitei lá no alto 3 horas antes, mas deve ser a trilha mais usada. Se é pior ou melhor do que a opção que fiz só saberei quando um dia repetir essa travessia.

Avisto dali uma grande clareira na crista a sudoeste com a Capela-Refúgio de Nuestra Señora de las Nieves e é para lá que devo seguir. Às 18h05 desço para oeste mas a trilha vai girando para o sul. Passo por uma choupana redonda de pedras, coberta de palha e quase desabando. Bem abaixo cruzo às 18h48 um riacho pelas pedras e paro por 17 minutos. Na encosta oposta passo a seguir um canal de água e depois uma trilha. Às 19h34 chego à Capela-Refúgio de Nuestra Señora de las Nieves e de lá avisto a pequena cidade de Guijo de Santa Bárbara. Na descida para a cidade há um trecho inclinado com pedras soltas meio complicado. Tomo a direita numa bifurcação, cruzo uma pequena ponte de madeira e atravesso uma mata de carvalhos (robles). No cruzamento de caminhos com painel sobre a fauna sigo em frente. Saio numa estrada às 20h29 e vou para a esquerda. Após uma longa curva para a esquerda essa estrada desemboca em outra e vou para a direita. Na bifurcação seguinte desço à esquerda na direção da cidade, mas estava errado, a rua termina numa casa. Voltei e tomei a direita.

Algumas curvas depois já estou entrando na cidade de Guijo de Santa Bárbara, às 21h06. Numa bifurcação em que há um painel da Reserva Natural Garganta de los Infiernos vou para a esquerda seguindo a placa de Jarandilla (se tivesse tomado a direita teria conhecido o centro e suas casas mais antigas). Às 21h20 saio da cidade e a placa na estrada indica Jarandilla de la Vera a 3,5km (o gps mediu 4,5km). Mesmo tarde resolvi ir para Jarandilla porque lá há um camping e porque esse trecho de asfalto seria melhor fazer nesse horário mais fresco, sem o forte calor que começa logo cedo. Há um caminho mais curto entre as duas cidades, mas naquele momento não tinha essa informação como certa. Cheguei ao centro de Jarandilla de la Vera às 22h18, já de noite, e me surpreendi com a agitação da pequena cidade. A rua principal tem bares e restaurantes com mesas na calçada e o movimento era grande. 

Procurei pelo Hostal Marbella mas ele fechou já há alguns anos. A partir do centro caminhei mais 1,3km para o norte (parte pela rodovia, no escuro) até o Camping Jaranda, aonde cheguei às 22h42, a tempo ainda de jantar. Altitude de 616m.

Editado por rafael_santiago
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Poço na Garganta del Yedrón

10º DIA - 04/07/19 - de Jarandilla de la Vera à Garganta de los 3 Cerros (ou quase)

Duração: 6h15 (descontadas as paradas e erros)
Maior altitude: 1476m em Collado de las Yeguas
Menor altitude: 611m em Jarandilla de la Vera
Resumo: primeiro dia da Ruta de Carlos V com início em Jarandilla de la Vera, subida de 865m e descida de 435m até o local de acampamento

Jarandilla de la Vera é a primeira cidade desse trekking que tem supermercado (Carrefour Express, Dia e Coviran).

Saí do Camping Jaranda às 10h45 e fui ao centro para duas coisas: comprar mais comida e pegar informações sobre a Ruta de Carlos V (PR-1 ou PR CC 1), que liga Jarandilla de la Vera a Tornavacas. Porém no posto de informação turística o sujeito não quis nem me dizer onde iniciava essa trilha, alegando que ela não estava em boas condições e que eu iria me perder. Aquela conversa mole de sempre. 

Saindo do posto de informação às 11h52 tomei a direção do Camping Jaranda (norte) e logo após o Hotel Rural Robles entrei à direita na rua com marco de madeira com plaquinha PR-CC 1 (e faixas branca e amarela de PR). Depois novamente na primeira rua à direita, com placa "GR 111 - A Guijo de Santa Bárbara 1 hora" e as faixas branca e vermelha de GR. Após uma curva para a esquerda uma bifurcação: tomei a esquerda e o calçamento dá lugar a uma rua de terra (a direita sobe a Guijo de Santa Bárbara em 2,5km). Uma placa informa que estou na Ruta de los Puentes, sinalizada com faixas branca e verde de trilha local. A rua termina no portão de uma cerca à esquerda e ali nasce a trilha, às 12h13. Tomo o rumo norte por dentro da mata e 120m depois vejo o Camping Jaranda entre as árvores à esquerda. 

Às 12h30 cruzo a Puente de Palo (de madeira e pilares de pedras) sobre a Garganta de Jaranda e encontro a primeira placa da Ruta de Carlos V para confirmar que estou no caminho certo. Cerca de 110m depois chego a uma estrada de terra e vou para a esquerda por 160m, onde tomo a estradinha à direita numa curva bem fechada. Cruzo um pomar com cerejas maduras e aproveito para me deliciar. Subindo ainda por estradinha chego a uma rodovia (que vem de Guijo de Santa Bárbara, à direita). Vou para a esquerda por 110m e entro na trilha à direita para dentro da mata com sinalização de PR-CC 1. Às 13h04 chego a uma bifurcação em T e vou à direita, mas por apenas 20m, entrando numa trilha que sobe à esquerda com sinalização PR. Às 13h14 vou à esquerda em nova bifurcação e 4 minutos depois, antes de sair da sombra da mata, paro por causa do calor. Continuo às 13h35. Na subida avisto a cidade de Jarandilla ficando para trás, bem como Guijo de Santa Bárbara e a Capela-Refúgio de Nuestra Señora de las Nieves.

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Vista do Collado de las Yeguas

Às 13h54 encontro uma estrada de terra onde devo ir para a esquerda (oeste), mas antes vou conferir a tal Fuente de los Pilones que a placa indica. O que encontro é um cocho de concreto com água parada e cheio de abelhas. Mesmo sem pegar água paro na sombra de um carvalho centenário para um lanche. Voltando à estrada de terra às 14h31 vou à esquerda (oeste) e em 250m ela termina numa bifurcação de trilhas - vou para a direita reentrando na mata. Segui a sinalização PR e ao sair da mata há uma casa de pedra no alto à direita. Mais 160m e alcanço às 15h uma casa de pedras abandonada com placa de Senda de las Culatas, o início de uma trilha que desce à cidade de Aldeanueva de la Vera, que avistaria daí a alguns minutos. Numa bifurcação 60m depois da casa abandonada vou à direita e cruzo uma cerca aberta.

A partir daí já visualizo a crista de serra que terei de transpor em meu caminho para Tornavacas e logo entro no grande vale da Garganta (rio) del Yedrón. Cruzo uma ponte de madeira sobre esse rio às 16h10, após um lanche junto a um lindo poço de águas transparentes e fundo de pedras (essa foi a primeira água do dia). Agora pela margem direita verdadeira do rio a subida se dá em zigue-zague. Às 17h08 alcanço uma bifurcação em T e subo para a direita; à esquerda desce a Senda de los Arrieros, outro caminho para Aldeanueva de la Vera. Com mais 140m, às 17h12, chego ao Collado de las Yeguas, ponto mais alto da Ruta de Carlos V (1476m). Aqui entro na Reserva Natural Garganta de los Infiernos, aquela que apenas "toquei" nas proximidades de Cuerda Mala no dia anterior. Uma placa me informa que tenho mais 4h30 até Tornavacas. A quantidade de lixo na trilha foi a maior até agora em toda essa travessia. Isso ajuda a explicar a proibição do camping selvagem nos parques da Espanha.

Parei para descansar e retomei a caminhada apenas às 18h24, descendo no sentido norte-noroeste com todo visual da reserva natural à minha frente. Logo estou caminhando na encosta da margem esquerda da Garganta del Hornillo, rio ao qual desço para cruzar por uma ponte. Ali descanso por 24 minutos. Na clareira 110m depois da ponte vou à esquerda às 19h19 seguindo as placas. Dez minutos depois vou à esquerda na bifurcação e aparece um calçamento de pedras na trilha. Às 19h38 cruzo a ponte sobre o Arroyo de Colmenillas, que se junta à Garganta del Hornillo formando a Garganta del Collado de las Yeguas, a qual mais abaixo se afunila num profundo cânion. Às 19h56 entro na floresta de carvalhos e logo passo pelos Escalerones, uma clareira à esquerda com degraus de pedra que dão vista para o cânion. Às 20h22 passo por uma fonte de água (Fuente Peñalozana, a última do dia). A partir do Collado (selado) de la Encinilla, às 20h52, inicia uma descida em zigue-zague pela mata. Comecei a procurar algum lugar onde pudesse montar a barraca pois já avistava casas à frente e ouvia latidos ao longe. Na descida estava difícil encontrar um lugar plano, então tratei de parar num que achei às 21h13 mesmo sendo um pouco cedo ainda. Altitude de 1041m.

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Garganta de los 3 Cerros e a Ponte Nova

11º DIA - 05/07/19 - da Garganta de los 3 Cerros a Tornavacas

Duração: 3h45 (descontadas as paradas e erros)
Maior altitude: 1041m no local de acampamento
Menor altitude: 716m
Resumo: segundo dia da Ruta de Carlos V com descida de 325m e chegada a Tornavacas. Nesse dia pretendia ainda subir o Pico Calvitero para encerrar a caminhada na cidade de Candelário, porém o calor terrível que fazia diariamente alterou os meus planos.

Deixei o local de acampamento às 9h33 e continuei descendo. Em 5 minutos cheguei a uma bifurcação em T com a trilha mais marcada e placas informando as distâncias a Jarandilla (17,5km) e Tornavacas (9,5km). Desci à direita e uns 80m depois vi que a fonte de Robledo Hermoso secou completamente. Aos poucos a visão vai se ampliando para os vales dos rios Garganta de los 3 Cerros e Garganta de los Infiernos. Depois avisto a Ponte Nova, para onde devo descer. Às 10h18 nova bifurcação com placas. Uma delas aponta Pilones 1 hora para a esquerda, este um dos mais bonitos atrativos da Reserva Natural Garganta de los Infiernos, porém não estava no meu roteiro. Continuei para a direita e em 4 minutos cheguei à Ponte Nova (ou Ponte de Carlos V), que de nova não tem nada pois tem origem medieval. Ela cruza a Garganta de los 3 Cerros, que mais abaixo se junta à Garganta del Collado de las Yeguas para formar a Garganta de los Infiernos. Essa foi a única água da trilha desse dia (a próxima só em Tornavacas).

Subindo, às 11h02 entrei na floresta de carvalhos e 240m depois cheguei a uma estradinha de terra, onde aproveitei a sombra para descansar. Fui para a esquerda. Às 11h37 entroncou uma outra estradinha vindo da esquerda e eu saio da mata para a direita. Às 11h45 chego ao Collado de las Losas, um cruzamento de muitos caminhos (com placas): primeiro vou à direita numa estrada de terra, mas 25m depois entro à esquerda numa trilha com placa de Ruta de Carlos V. Desço pela sombra da mata de novo e assim passo para a outra vertente dessa pequena serra, entrando no vale de Jerte. Uns 130m abaixo vou em frente num cruzamento em que à esquerda se desce à cidade de Jerte, visível lá embaixo no vale. 

Às 12h16 aparece a primeira plantação de cerejas e eu não resisto a roubar algumas. Às 12h24 a trilha termina numa estrada de terra e vou para a direita. À esquerda da estrada outra plantação enorme de cerejas. Dali já visualizo a Serra de Candelário, meu suposto destino nesse dia. Nas duas bifurcações seguintes vou à esquerda e na trifurcação às 12h40 sigo pelo caminho do meio. Às 12h52 vou à direita numa bifurcação em T e 4 minutos depois vou à esquerda, descendo e quase voltando. Às 13h01 chego a uma estrada e vou para a esquerda. Quatro minutos depois vou à direita e saio da Reserva Natural Garganta de los Infiernos. A partir daqui a Ruta de Carlos V coincide com uma etapa da famosa e longa trilha GR 10, que vai de Valência a Lisboa. 

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Garganta de los 3 Cerros e Garganta de los Infiernos

Os pés de cereja são milhares, o Vale de Jerte é um dos maiores produtores dessa fruta na Espanha, e eu não resisto a comer punhados delas, mesmo quentes do sol (as consequências disso viriam rapidinho...). A estradinha se torna concretada e às 13h58 tomo o caminho à esquerda, de terra, entrando na trilha à direita 30m depois. Ela parece terminar num portão de ferro mas continua à direita dele. Às 14h17 a Ruta de Carlos V continua pelo asfalto. Uns 190m depois vou à esquerda na bifurcação e cruzo a ponte sobre o Rio Jerte. A GR 10 continua à direita em direção a Puerto de Tornavacas. Subo 200m e tomo à direita a rua principal da cidade de Tornavacas. A caminho do centro parei para descansar junto a uma fonte de água potável com banco às 14h33. 

Ali decidi abortar a continuação da travessia em direção à cidade de Candelário porque o calor estava realmente insuportável (além do ar seco) e eu teria um desnível de 1498m a enfrentar até o Pico Calvitero ainda nesse dia. A escassez de fontes de água era um grande problema nesse calor todo. Dei por encerrada a caminhada e esperei o próximo ônibus para Salamanca, que só passou às 19h16 (ônibus para Plasencia para no dia seguinte tomar outro para Salamanca). Em Salamanca vi um termômetro de rua marcar 37ºC. 

Altitude em Tornavacas: 902m (no ponto de ônibus da rodovia)

Informações adicionais:

. Folheto do Parque Regional de la Sierra de Gredos com mapa: patrimonionatural.org/documentos/descarga/folletos/sierra-de-gredos-455

. Refúgio Elola: pernoite 10 €, almoço ou jantar com menu do dia 12,50 €, café da manhã 5 €, meia pensão 25,50 €, pensão completa 31 €. Reserva obrigatória pelo site www.refugiolagunagrandegredos.es.

. Camping Jaranda: barraca 10 € (para 1 pessoa), jantar a la carte com preços em torno de 10 €. Wifi grátis. Site: campingjaranda.es

. ônibus Madri-Cuevas del Valle: samar.es

. ônibus Madri-Bohoyo: www.cevesa.es

. ônibus Madri-Jarandilla de la Vera: samar.es

. ônibus Madri-Tornavacas: www.cevesa.es

. roteiro adaptado a partir das informações do guia Lonely Planet Walking in Spain, 3ª edição, 2003

Rafael Santiago
junho-julho/2019
https://trekkingnamontanha.blogspot.com.br

 

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Percurso completo da travessia na imagem do satélite

 

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Percurso completo da travessia na imagem topográfica

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    • Por rafael_santiago
      Siete Picos
      Início: Cercedilla
      Final: Cercedilla
      Duração: 5 dias
      Maior altitude: 2427m no Pico Peñalara 
      Menor altitude: 1027m na ponte sobre o Rio Manzanares
      Dificuldade: média para quem está acostumado a trilhar com mochila cargueira. Há muita subida e muita descida todos os dias, com desníveis positivos (subidas) que chegam a 1227m (4º dia) e 1435m (1º dia).
      A Serra de Guadarrama se localiza a cerca de 70km a norte-noroeste de Madri e é avistada tanto dessa cidade quanto da cidade de Segóvia. Para proteger seus recursos naturais foi criado o Parque Nacional de la Sierra de Guadarrama.
      Esse parque nacional é bastante novo, criado em junho de 2013, mas ele veio para ocupar áreas já pertencentes a dois outros parques: o Parque Natural de la Cumbre, Circo y Lagunas de Peñalara, de 1990, e o Parque Regional de la Cuenca Alta del Manzanares, de 1985.
      Há vários roteiros possíveis de caminhada pelo parque nacional, com duração de um ou vários dias. Eu escolhi fazer um trajeto de forma circular a partir da cidade de Cercedilla que percorresse seis dos cumes mais altos da serra: Peñalara (2427m), Cabeza de Hierro Mayor (2376m), Bola del Mundo ou Alto de las Guarramillas (2254m), La Maliciosa (2219m), Siete Picos (2117m) e Peña Águila (2011m). Essas altitudes parecem bastante modestas, inclusive se comparadas às montanhas mais altas do Brasil, porém todos esses picos ficam cobertos de neve no inverno, o que obriga ao uso de equipamentos apropriados. 
      A maior parte desse meu trajeto acontece dentro da área do parque nacional, com uma pequena parte dentro da área atual do Parque Regional de la Cuenca Alta del Manzanares, porém não há nenhuma sinalização nas trilhas indicando os limites desses parques. Por não ter essa informação exata, prefiro não mencionar no texto onde possivelmente entro e saio deles.
      QUANDO IR
      Para trekking o verão, para esqui o inverno. Como nos meses de férias de verão há muita procura por essa região, o guia Lonely Planet recomenda o trekking nos meses de junho e setembro. 
      CAMPING SELVAGEM
      O camping selvagem é proibido em toda a Espanha. Ou permitido com muitas restrições em algumas comunidades e parques. Vamos detalhar isso um pouco.
      Primeiro é preciso falar da pequena confusão que existe na Europa entre os termos "camping selvagem" e "bivaque". No Brasil entendemos ambos os termos como pernoitar em um local não estruturado, não destinado a esse fim, escolhido ao acaso. A diferença para nós é que o "camping selvagem" pressupõe montar uma barraca ou alguma cobertura, e o "bivaque" é simplesmente dormir a céu aberto, com um saco de dormir ou saco de bivaque apenas.
      Na Europa nem sempre o entendimento é dessa forma. No caso da Espanha, segundo os sites consultados, os conceitos são os seguintes:
      . acampada libre: montar a barraca e permanecer vários dias com ela montada num local não estruturado
      . acampada nocturna ou pernocta con tienda: montar a barraca ao anoitecer e desmontar ao amanhecer, típico de uma caminhada de longa duração
      . vivac: dormir sem barraca ou outra cobertura montada
      Já em outros países, como a França, os dois conceitos acima de "acampada nocturna" e "vivac" são chamados de "bivouac", ou seja, para os franceses bivacar é passar uma noite num local não estruturado, com ou sem barraca. Já a "acampada libre", a ideia de permancer vários dias com a barraca montada, na França se chama "camping sauvage".
      Como estamos tratando da Espanha nesse relato, vamos colocar esses termos tal como os espanhóis os entendem.
      A "acampada libre" (pernoite com barraca montada por vários dias) é proibida em toda a Espanha, inclusive em todos os parques nacionais e regionais. Algumas comunidades autônomas a permitem, mas com muitas restrições (ver abaixo). Já a "acampada nocturna" é permitida em três dos dez parques nacionais da Espanha continental (Ordesa y Monte Perdido, Picos de Europa e Sierra Nevada), com restrição de horário para montar e desmontar a barraca e somente acima de determinada altitude. O "vivac" (pernoite sem barraca) é permitido apenas nos três parques citados e aqui no Parque Nacional de la Sierra de Guadarrama. A questão fica nebulosa quando a normativa do parque proíbe explicitamente a "acampada libre" mas não fala nada sobre a "acampada nocturna" e o "vivac".
      Quando o trekking é feito fora das unidades de conservação o que vale é a legislação do município e da comunidade autônoma. Fontes de consulta sobre as normas das comunidades autônomas são este site e este site. Neles vemos que a maior parte das 17 comunidades autônomas proíbe a "acampada libre" e a "acampada nocturna", ou as permite com muitas restrições como: distância mínima de cidades e estradas, número reduzido de barracas e pessoas, tempo máximo de permanência, exigência de permissão das autoridades locais. Mas a legislação do município é superior à da comunidade autônoma, o que torna ainda mais difícil saber se o acampamento (com ou sem barraca) é permitido em determinado local.
      Este trekking atravessa duas unidades de conservação: o Parque Regional de la Cuenca Alta del Manzanares e o Parque Nacional de la Sierra de Guadarrama. Em ambos a "acampada libre" é proibida (veja aqui e aqui). Como mencionei, o "vivac" (dormir sem barraca montada) é permitido no Guadarrama, mas somente no núcleo Peñalara e acima de 2100m de altitude (veja aqui). Nos arredores desses parques vale a legislação das comunidades autônomas de Madri e Castela e Leão. Ambas também proíbem a "acampada libre" (veja aqui e aqui), sem referência nos textos oficiais à "acampada nocturna" e ao "vivac".
      O que fazer durante uma longa travessia então?
      Se você for adepto do bivaque (dormir apenas com saco de dormir, sem barraca) não deverá ter problema algum. Se quiser montar a barraca, escolha um local bem discreto e afastado, fora do caminho e bem longe de estradas e casas. Monte a barraca ao anoitecer e desmonte ao nascer do sol. Deixe o local exatamente como o encontrou, as regras de mínimo impacto devem ser sempre seguidas (veja aqui). Para quem gosta de fazer fogueira, é melhor esquecer.
      REABASTECIMENTO DE COMIDA
      Há mercados em Cercedilla (1º e último dias) e Manzanares El Real (onde pretendia ficar no Camping El Ortigal no 3º dia). Puerto de Cotos (1º e 2º dias) tem o bar-restaurante Venta Marcelino, além do restaurante do Refugio de Cotos. Puerto de Navacerrada (4º dia) tem restaurantes e um pequeno comércio, mas encontrei tudo fechado.

      Vista do Pico Peña Águila
      1º DIA - 17/06/19 - de Cercedilla a Puerto de Cotos com subida do Pico Peña Águila
      Duração: 8h05 (descontadas as paradas e erros)
      Maior altitude: 2011m no Pico Peña Águila
      Menor altitude: 1140m na ponte do Rio de la Venta, em Cercedilla
      Resumo: nesse dia encarei as primeiras subidas da caminhada com desníveis de 871m desde Cercedilla ao Pico Peña Águila, depois 149m até Puerto de la Fuenfría e 415m da rodovia CL-601 até Puerto de Cotos
      Na estação Chamartín, em Madri, tomei às 8h10 o trem Renfe com destino à pequena cidade de Cercedilla, aonde cheguei às 9h20. Demorei algum tempo para encontrar o início da trilha para o Pico Peña Águila pois não havia indicação e o caminho não era nada óbvio. O trajeto é o seguinte: saindo da estação do trem deve-se descer a rua à esquerda (sudoeste) por 100m até sua guinada para a esquerda (sudeste), onde ela passa por baixo da linha férrea através de um túnel - não é pelo túnel o caminho. Exatamente nessa guinada deve-se cruzar a ponte (Rio de la Venta) e o estacionamento em frente (ainda sentido sudoeste) para encontrar sob as árvores uma trilha com placas de Sendero Ródenas (toda pichada) e Camino Puricelli (com mapa). Outra alternativa é caminhar a partir da plataforma da estação ao longo da linha férrea para sudoeste e encontrar a mesma trilha num ponto acima das citadas placas.
      A partir das placas a trilha sobe em zigue-zague até uma rua de terra que deve ser tomada para a direita, subindo em direção norte (a trilha que sai à direita antes de alcançar a rua não serve). O casarão bem nesse encontro da trilha com a rua de terra funcionava como Albergue El Colladito, mas agora é uma escola infantil (o que não deixa nenhuma opção barata de hospedagem na cidade). Dali já avistei os Siete Picos, o Pico Bola del Mundo (Alto de las Guarramillas é o nome verdadeiro) e Pico La Maliciosa, meus objetivos para os próximos dias nesse trekking, todos a nordeste. Eram 10h20.
      Caminhei 640m por essa rua de terra (ignorando um caminho que sai para a direita logo no início dela) e às 10h32 entrei numa trilha à direita (norte) onde há uma placa de Parque Regional de la Cuenca Alta del Manzanares. É um atalho que me levou a caminhar entre muros de pedra e subir a uma clareira alta com a primeira visão ampla para as serras, com destaque para os Siete Picos. Caminhando na direção de uma casa vazia à esquerda (oeste) reencontrei a estrada de terra e segui nela para a direita (norte), mas por apenas 200m pois entrei na trilha à esquerda (noroeste), subindo entre pinheiros. Ali há um cocho de pedra com água corrente. Nas árvores há marcações de PR (Pequeño Recorrido = Percurso Pequeno; es.wikipedia.org/wiki/Pequeño_Recorrido), que são duas faixas horizontais, uma branca acima e outra amarela abaixo.
      Às 11h55 cruzei uma estrada de terra (com círculos vermelhos pintados nas árvores) e continuei subindo pela trilha. Alcancei enfim às 12h09 a crista da serra e nela uma bifurcação em T, onde fui para a direita (norte). Nesse ponto estou entrando na famosa e longa trilha GR 10, que vai de Valência a Lisboa (as marcações em tinta branca e vermelha vão aparecer mais acima). Para mais informações sobre as trilhas GR: es.wikipedia.org/wiki/Sendero_de_Gran_Recorrido. Não cruzo o muro de pedra da crista por enquanto. Deixo para trás a floresta de pinheiros e continuo paralelamente ao extenso muro de pedras. Já avisto o cume do Pico Peña Águila, com as encostadas tomadas pelo tapete amarelo das flores piorno. A trilha cruza finalmente o muro de pedras apenas 140m antes do cume, aonde cheguei às 13h17. Visão espetacular num dia de céu limpíssimo: La Pinareja e Montón de Trigo ao norte (cumes da Serra Mujer Muerta); Peñalara a nordeste; Siete Picos, Cabeza de Hierro Mayor, Cabeza de Hierro Menor, Bola del Mundo (esses três em Cuerda Larga) e La Maliciosa a leste. Altitude de 2011m e desnível de 871m desde Cercedilla. O vento estava forte e bem frio e usei o muro de pedra como proteção para tomar meu lanche.

      Pico Peña Águila com piornos floridos
      Às 14h iniciei a descida no sentido oposto ao que cheguei (nordeste) e em 12 minutos caí numa estradinha de terra muito chata. Caminhei por ela até um portão de ferro que cruzei às 14h42 e fechei com atenção seguindo a recomendação da placa (para o gado não fugir). Ali passava uma estrada tediosa de terra, mas procurei por trilha e encontrei uma no sentido nordeste, não muito óbvia no começo. A ela entroncou uma outra vindo da direita chamada Camino Viejo de Segovia. Atravessei uma ponte de madeira (água boa), outra ponte (quase sem água) e à direita surgiu a trilha conhecida como Calzada Romana. A Calzada Romana faz uma curva para a direita e eu preferi me manter no Camino Viejo de Segovia por ser mais direto, por isso segui à esquerda. Porém 190m depois fui à direita e passei a caminhar pela larga Calzada Romana, mas por menos de 100m pois alcancei uma estrada de terra às 16h06. Esse é um importante cruzamento de caminhos, inclusive de uma das rotas do Caminho de Santiago: Puerto de la Fuenfría.
      Observação: se tivesse caminhado à esquerda na estrada tediosa teria continuado na GR 10 e chegado a esse mesmo lugar. A partir dali a GR 10 toma a direção sul.
      Um dos significados da palavra puerto em espanhol é "paso entre montañas" ou "collado de montaña", portanto os puertos costumam ser lugares altos que dão passagem de uma vertente a outra da serra/montanha. Após a subida até esse puerto iniciaria uma suave descida.
      Há diversas placas nesse local indicando e explicando os muitos caminhos que por ali passam. Tantas placas que levei algum tempo para encontrar qual seria a continuação do meu caminho em direção a Puerto de Cotos. Mas era só continuar no meu sentido nordeste por uma estradinha de terra entre pinheiros. Um cocho de pedra tinha água corrente. Na primeira bifurcação fui à direita e na segunda, à esquerda. Às 16h44 a estradinha vira trilha e passo a caminhar pelo Carril del Gallo (sem placa mostrando essa informação). Às 17h41 cheguei a uma grande clareira usada como pasto e parei para descansar por 17 minutos com uma vista bastante ampla e bonita.
      Continuei no sentido sul (e depois leste) e reentrei na mata de pinheiros. Cruzei uma ponte de troncos e 130m depois alcancei uma estrada de terra, que tomei para a esquerda (norte) (aqui fui explorar uma alternativa à estrada mas não deu em nada, a trilha fechou; gastei 40min nisso). Desprezando as trilhas que nasciam dessa estradinha, às 19h11 cheguei ao asfalto da CL-601, exatamente num local chamado Las 7 Revueltas. Cruzei a cancela e desci à esquerda (nordeste) pela rodovia por 730m até uma cancela igual (à direita), onde entrei numa estradinha de asfalto entre pinheiros. Altitude de 1409m. Parei para descansar por 22 minutos. Nas bifurcações continuei no asfalto até encontrar às 20h35 uma estradinha de terra à direita (leste) com placa de Puerto de Cotos a 3,2km. Passei por quatro riachos e alcancei as casas de Puerto de Cotos às 21h33, ainda com luz do dia (o sol estava se pondo às 21h45). Altitude de 1824m (desnível de 415m desde o asfalto da CL-601). 
      Puerto de Cotos não chega nem a ser uma vila, o lugar se resume a uma estação de trem onde funciona um refúgio de montanha (El Refugio de Cotos), o Centro de Visitantes do Parque Nacional Sierra de Guadarrama e um bar-restaurante (Venta Marcelino). Como é proibido acampar de forma livre e não há camping pago busquei hospedagem no refúgio, onde fui o único hóspede da noite já que era uma segunda-feira (no final de semana estava lotado). Lá fui atendido pelo Carlos, que me preparou um saboroso jantar. O único problema ali foi o banho pois a água não esquentava de jeito nenhum. 
      Além do trem há ônibus ligando Puerto de Cotos a Madri (veja nas informações adicionais). 

      Laguna de los Pájaros
      2º DIA - 18/06/19 - Pico Peñalara 
      Duração: 5h20 (descontadas as paradas e erros)
      Maior altitude: 2427m no Pico Peñalara 
      Menor altitude: 1816m na estação de trem de Puerto de Cotos
      Resumo: circuito passando pelo cume do Pico Peñalara a partir de Puerto de Cotos num desnível de 611m
      Após o café da manhã no Refugio de Cotos e uma boa enrolação saí às 11h36 para subir o Pico Peñalara com mochila de ataque apenas. Meu plano era subir pela crista do lado sul-sudoeste e descer pelo lado norte-nordeste, retornando pela face leste do pico. Passei pelo Centro de Visitantes Peñalara do Parque Nacional Sierra de Guadarrama para pegar informações e continuei no sentido nordeste por 370m. Logo após a curva do Mirador de la Gitana continuei pela trilha principal, a RV2, à esquerda (voltaria pela trilha da direita, a RV8). Após vencer um desnível de 611m desde o refúgio, com trechos em zigue-zague e grandes manchas de neve próximas ao caminho, alcancei o cume do Pico Peñalara às 13h34. Ele é o ponto mais alto da Serra de Guadarrama e das províncias de Madri e Segóvia. Dali se avistam Cabeza de Hierro Mayor, Cabeza de Hierro Menor, La Maliciosa e Bola del Mundo ao sul; Siete Picos, Peña Águila, Montón de Trigo e La Pinareja a sudoeste; Segóvia a noroeste.
      Iniciei o retorno às 14h46 seguindo a crista no sentido norte-nordeste. Cerca de 540m depois, num trecho com grandes blocos de pedra, desci pela face direita da crista, mas estava errado, o caminho foi sumindo e a descida se complicando. Voltei e desci pelo lado oposto, à esquerda da crista, onde havia uma trilha mais fácil. Observei depois que algumas pessoas continuavam pelo alto da crista, mas pelo que vi é preciso saltar grandes blocos de pedra bastante expostos. 
      Desci por trilha bem marcada e alcancei às 16h45 a Laguna de los Pájaros, onde uma placa alerta para a proibição de banho e a permanência a menos de 3m da margem para evitar a mortalidade de anfíbios, entre outros motivos (porém poucos minutos depois encontrei vacas pastando livremente às margens de outras lagoas). Ali tomei a trilha da direita (sul) e efetivamente iniciei o retorno a Cotos. Cruzei com um grupo grande com mochilas cargueiras que pretendia bivacar no Peñalara sem nenhum medo do vento frio da noite. Às 18h13 parei para fotos no Mirador de Javier e tomei o atalho que sai à direita dele para alcançar em 12 minutos a Laguna Grande de Peñalara, que é cercada com um cabo de aço para evitar a aproximação.
      Saindo da Laguna Grande às 18h54 desci por uma passarela de madeira e depois trilha até a casinha de vigilância e continuei na trilha em frente (ignorando as trilhas da direita e da esquerda). Reentrei na mata, passei por uma bica e reencontrei a trilha da ida (RV2) às 19h38. Passei pelo Centro de Visitantes, pela Venta Marcelino (fechada) e estava de volta ao refúgio às 20h10.

      La Pedriza
      3º DIA - 19/06/19 - de Puerto de Cotos a La Pedriza
      Duração: 7h50 (descontadas as paradas e erros)
      Maior altitude: 2376m no Pico Cabeza de Hierro Mayor
      Menor altitude: 1478m no acampamento em La Pedriza
      Resumo: subida de Puerto de Cotos ao cordão montanhoso Cuerda Larga num desnível de 560m e descida ao "parque" rochoso de La Pedriza num desnível de 898m
      Há dois caminhos possíveis para subir à crista de Cuerda Larga a partir de Puerto de Cotos. Um deles sai diretamente para o sul e passa próximo ao Albergue El Pingarron, o outro sai para leste e é 1,3km mais longo, porém foi o que escolhi (talvez tenha menos sobe-e-desce).
      Saí do refúgio às 10h53 no sentido leste e atravessei todo o estacionamento que fica ao longo da rodovia M-604. No final do estacionamento desci uma escada de madeira e encontrei na mata a trilha que me levaria a Cuerda Larga. Porém ao sair da mata, apenas 170m depois, a trilha sumiu. Cruzando o campo na direção sudeste, entrei em outra mata e reencontrei a trilha junto a uma pequena ponte de tábuas. Uma outra trilha entroncou nessa vindo da rodovia também. Um círculo amarelo pintado nas árvores confirma o caminho. Tomo o rumo sul e depois sudeste, direções que manterei por algum tempo. Cruzo um riacho pelas pedras e desemboco numa estrada, na qual vou para a esquerda, descendo. Atravesso a ponte sobre o Arroyo de las Cerradillas. Encontro outra estrada às 12h01 e desta vez vou para a direita, subindo por um vale com o Arroyo de las Cerradillas à direita. Surgem caminhos à esquerda que exploro tentando evitar a monotonia da estrada, mas foi só perda de tempo (apesar dos sinais vermelhos pintados nas árvores). Felizmente logo a estrada vira trilha (na bifurcação vou à direita), cruzo três pontes, a trilha dá uma guinada para o norte e chego a uma bifurcação com placas às 14h34. Da direita vem a trilha do Albergue El Pingarron, o outro caminho de Cotos. Eu sigo para a esquerda retomando o rumo sul.
      Cruzo quatro riachos em sequência, formadores do Arroyo de las Cerradillas. Alcanço o limite das árvores (1825m) e passo a subir por entre moitas de piornos floridos. Depois vem a parte mais inclinada da encosta da serra com a dificuldade de caminhar por um terreno chamado de canchal (em espanhol) ou scree (em inglês), uma ladeira de pedras desmoronadas. Cruzo um riacho para a direita às 15h26 e essa será a última água até descer para a outra vertente no final do dia. 

      La Pedriza
      Às 16h40 alcanço enfim a crista de serra conhecida como Cuerda Larga. Desnível de 505m desde as placas. Dali avisto as formações rochosas de La Pedriza, a cidade de Manzanares El Real, meu objetivo deste dia, e bem distante no horizonte a capital Madri. Sigo para a esquerda (nordeste) na bifurcação em T às 17h02. O Pico Cabeza de Hierro Menor (2374m segundo a Wikipedia), segundo mais alto de Cuerda Larga, fica apenas 300m à direita dessa bifurcação, mas não fui até ele.
      Seguindo pela crista (PR-M 11), um desvio de apenas 40m à esquerda me leva ao cume mais alto de Cuerda Larga, o Pico Cabeza de Hierro Mayor, com 2376m de altitude pelo meu gps. Ele é o segundo em altitude da Serra de Guadarrama, perdendo apenas para o Peñalara. Avisto lá do alto o estacionamento de Puerto de Cotos onde iniciei a caminhada desse dia e também as montanhas: Peñalara ao norte; La Pinareja, Montón de Trigo, Siete Picos, Peña Águila e Bola del Mundo a oeste; La Maliciosa a sudoeste; La Pedriza e Manzanares El Real a sudeste; e ao sul-sudeste os prédios de Madri. Desnível de 560m desde o refúgio em Puerto de Cotos. 
      Continuando pelo sobe-e-desce da crista no sentido leste passo pelos outros cumes de Cuerda Larga: às 18h08 pela Loma de Pandasco (2247m, segundo a Wikipedia, não fui medir cada um), às 19h06 por Navahondilla (2234m) e às 19h15 por Asómate de Hoyos (2242m). Nesse trajeto tive o primeiro contato com as cabras montesas e estavam em grande número, mas são mansas e ariscas. Cerca de 310m após o último cume sigo os totens e faixas pintadas à direita e abandono a crista de Cuerda Larga, que segue para nordeste, em favor de uma crista secundária a sudeste que me leva ao "parque" rochoso de La Pedriza. O lugar é incrível, com formações fantásticas de granito, algumas lembrando o nosso Parque Nacional de Itatiaia. Há inúmeros caminhos em La Pedriza, muitos deles usados por escaladores para acesso às pedras e suas vias. Vários outros levam ao vale do Rio Manzanares, o qual eu deveria percorrer para alcançar o Camping El Ortigal, a caminho da cidade de Manzanares El Real.
      Dos muitos caminhos ao Rio Manzanares optei pelo mais direto, passando pelo Refugio Giner de los Rios (PR-M 2). Após descer 330m (de altura) desde a crista de Cuerda Larga pela PR-M 2, às 21h02 chego a uma bifurcação em T em Collado del Miradero e vou para a esquerda (ainda PR-M 2), reentrando no bosque de pinheiros cerca de 100m depois. Voltam a aparecer as fontes de água e com elas os locais propícios para o bivaque para quem se aventura escalando as muitas pedras do entorno. Já estava começando a anoitecer (quase 22h) e o camping ainda estava muito longe, então parei no primeiro local plano que encontrei, na altitude de 1478m, para pernoitar. 

      Sierra de los Porrones
      4º DIA - 20/06/19 - de La Pedriza a Puerto de Navacerrada
      Duração: 8h10 (descontadas as paradas)
      Maior altitude: 2254m no Pico Bola del Mundo
      Menor altitude: 1027m na ponte sobre o Rio Manzanares
      Resumo: descida de La Pedriza ao Rio Manzanares, em seguida subida aos picos La Maliciosa e Bola del Mundo e descida a Puerto de Navacerrada. Diferença de 1227m entre os pontos mais alto e mais baixo do dia.
      Esse dia e o dia seguinte são de escassez de água. É preciso reabastecer os cantis nas poucas fontes encontradas no começo desse dia para durarem até a tarde do dia seguinte (a menos que se consiga água em Puerto de Navacerrada, que não foi o meu caso). 
      De manhã fui explorar o entorno do local onde acampei e encontrei um lajedo com pedras de diversos formatos e tamanhos, uma miniatura do Lajedo do Pai Mateus de Cabaceiras(PB). É bom lembrar que o acampamento selvagem é proibido em quase todos os parques nacionais da Espanha, inclusive neste, mas eu montei a barraca já à noite, desmontei logo cedo e não deixei nenhum vestígio do meu pernoite no local.
      Comecei a caminhar às 8h18 ainda descendo. Apenas 340m depois do local de pernoite, aos 1433m de altitude, encontrei um cruzamento de trilhas mas fui em frente pois era o caminho mais rápido ao Refugio Giner de los Rios e depois ao Rio Manzanares. Continuo na PR-M 2. Aos 1256m encontrei a primeira água do dia. Às 9h28, na altitude de 1179m, uma placa aponta para o refúgio à esquerda, num desvio de 150m da trilha principal. Cruzei uma pequena ponte e depois uma clareira para subir ao refúgio, que encontrei em bom estado porém trancado. A bica ao lado estava quase seca. A clareira tem espaço de sobra para acampar porém logo cedo já começam a passar os trilheiros e escaladores uma vez que há um estacionamento a 2km dali. Voltei à trilha principal às 10h08.
      Às 10h39 cheguei ao Punto de Información Canto Cochino, mas estava fechado (só abre de sábado, domingo e feriado das 9h às 17h). Esse é o ponto de convergência de pelo menos quatro trilhas que descem de La Pedriza e as placas indicam esses caminhos. Foi também o local onde vi mais gente. Dali tomei a direção sul por um calçamento e cruzei às 10h58 a ponte sobre o Rio Manzanares, encontrando do outro lado uma estrada e um pequeno estacionamento. Essa ponte é o ponto de menor altitude do dia e de todo o trekking (1027m) e a última água do dia.
      A estrada quebra para a direita e ao fazer uma curva para a esquerda encontro dois grandes estacionamentos e um ou dois bares (se fosse ao Camping El Ortigal teria que tomar a direção sul aqui). Ao final dos estacionamentos cruzo o asfalto e entro na trilha em frente (oeste). Na bifurcação uns 35m depois vou à esquerda (pois a direita morre no asfalto mais à frente). Cerca de 1,1km depois da bifurcação chego às 11h31 a um cruzamento de trilhas, onde vou para a esquerda, quase voltando. Meu objetivo é subir à crista da Sierra de los Porrones e descer à cidade de Puerto de Navacerrada para pernoite. 

      Sierra de los Porrones
      Não percebi uma trilha saindo para a direita e subi até um muro de pedras que fui contornando para a direita até reencontrar a trilha no sentido oeste novamente. Às 12h21 cruzei uma estrada de terra e parei para descansar e me refrescar do forte calor. Os insetos também estavam incomodando um bocado. Nesse ponto há algumas placas e uma delas apontava para o Pico La Maliciosa, meu destino. Faixas amarelas e brancas pintadas indicam ser uma rota de Pequeño Recorrido, nesse caso a PR-M 16. Havia um cocho de pedras mas as bicas estavam secas. Às 13h05 retomei a caminhada agora subindo bastante. Nessa subida pela encosta norte da Sierra de los Porrones tive de fazer mais algumas paradas longas porque o calor estava me tirando a energia. Às 15h53 atingi a crista da serra e fui à direita na bifurcação, subindo, pois a trilha da esquerda desce pela vertente sul da serra. Às 17h22 avistei uma grande formação rochosa à frente e uma nítida trilha subindo ao seu cume: era o Pico La Maliciosa, uma dura subida ainda a enfrentar. As árvores desaparecem.
      Alcancei o cume de La Maliciosa às 18h57 e havia mais duas ou três pessoas. Conversei com um rapaz de Madri que veio fazer um bate-e-volta desde a capital até esse pico e já ia retornar! La Maliciosa é o pico mais alto da Sierra de los Porrones, com 2219m, e dali se avistam: Bola del Mundo e Pico Peñalara ao norte; Cabeza de Hierro Mayor e Cabeza de Hierro Menor a nordeste; La Pedriza a leste; Manzanares El Real e o reservatório Embalse de Santillana a sudeste; Madri ao sul-sudeste; Navacerrada a sudoeste (não é Puerto de Navacerrada, que fica mais acima e não se vê dali); Peña Águila e Siete Picos a oeste.
      Retomei a caminhada às 19h18 em direção a Bola del Mundo e suas horríveis antenas parecendo três foguetes prestes a ser lançados. Continuei pela crista da serra por mais 520m no sentido noroeste e tomei a direita (norte) na bifurcação onde a esquerda desce a vertente sul em direção à cidade de Navacerrada. Desci por um caminho de pedras com bifurcações mantendo a direita e cruzei na parte mais baixa uma outra trilha que corria no sentido leste-oeste. Subi a encosta oposta por caminho largo e cheguei a Bola del Mundo, ou Alto de las Guarramillas, às 20h32. Aqui retorno ao cordão montanhoso Cuerda Larga já que esse pico é o mais ocidental dele, com altitude de 2254m. Mas aquelas antenas causam tanto incômodo que não parei, segui para oeste, agora por estradinha concretada (350m a leste de Bola del Mundo se situa o Ventisquero de la Condesa, local onde nasce o Rio Manzanares, mas não fui até lá para conferir se seria fácil coletar água abaixo do nevado). 
      Desci 850m pela estradinha e cheguei a um bar-restaurante que deve funcionar somente no inverno, quando a pista de esqui da face oeste da montanha entra em atividade. Ao lado do bar-restaurante fica a chegada do teleférico que parte de Puerto de Navacerrada, mas a inclinação e o terreno de pedras soltas dificultam a descida direta por ali. Tive de descer pela estradinha de concreto mesmo, com todas as suas curvas e zigue-zagues. Às 21h35 cruzei a cancela ao lado do ponto de partida do teleférico e com mais 5 minutos cheguei a Puerto de Navacerrada, cortada pela rodovia M-601. Altitude de 1862m. Procurei hospedagem no Albergue Peñalara, mas estava fechado. O único lugar aberto e funcionando era o Hotel Residência Navacerrada, porém a mulher fez uma cara de assustada quando me viu entrar de mochila cargueira nas costas e foi logo dizendo que o hotel estava lotado. Já era noite. A única saída era acampar. Procurei o início da trilha do dia seguinte, desviei para dentro da mata com lanterna e encontrei um lugar plano, espaçoso e muito discreto para montar a barraca a menos de 300m da rodovia. 
      Há trem e ônibus ligando Puerto de Navacerrada a Madri (veja nas informações adicionais). 

      Siete Picos
      5º DIA - 21/06/19 - de Puerto de Navacerrada a Cercedilla
      Duração: 6h05 (descontadas as paradas)
      Maior altitude: 2117m no Pico Somontano, em Siete Picos
      Menor altitude: 1149m na ponte do Rio de la Venta, em Cercedilla
      Resumo: subida de Puerto de Navacerrada aos Siete Picos num desnível de 255m e descida a Cercedilla num desnível de 968m
      Desmontei acampamento e voltei à rodovia para ver se havia algum lugar aberto para tomar um café da manhã, mas continuava tudo fechado. Iniciei a caminhada do dia às 8h45 entrando na trilha sinalizada como "Sendero Arias" e "Estacion Ferrocarril" localizada entre o Hotel Residência Navacerrada e o estacionamento dos restaurantes/cafeterias mais acima. Após uma plataforma de teleférico à esquerda o caminho trifurca e fui para a direita. Cruzei uma cancela de ferro e subi à direita e depois esquerda na bifurcação. Cheguei a uma cerca de troncos finos que delimita uma pista de esqui pequena (talvez para iniciantes) e parei para tomar meu desjejum. Às 9h41 continuei subindo pela floresta de pinheiros e alcancei uma grande clareira com outro teleférico. À frente (oeste) já avisto toda a extensão dos Siete Picos. 
      Percorro no sentido sudoeste por 230m um caminho largo que vem do teleférico mas o abandono para tomar um outro um pouco mais estreito à esquerda que me leva à formação rochosa com a pequena estátua da Virgen de las Nieves. Dali se avistam o Pico Peñalara, Bola del Mundo, Puerto de Navacerrada e La Maliciosa. A trilha continua a partir dali e corre paralela ao caminho largo que abandonei. Às 10h48 chego a uma grande clareira gramada onde caberiam muitas barracas, ainda com um lindo mirante uns 100m depois (porém não há água). Retomo às 11h07 o caminho largo que havia abandonado e ele começa a se estreitar ao cruzar uma outra trilha - continuo em frente (noroeste) e tomo a esquerda na bifurcação 45m depois. Começo a subir em direção aos cumes de Siete Picos. Nos 2109m de altitude vou à esquerda numa bifurcação em T e 165m depois já estou no ponto mais alto, o pico conhecido como Somontano, de 2117m, às 11h44. Desnível de 255m desde Puerto de Navacerrada. Porém uma forte neblina havia tomado conta do lugar, mal me deixando ver a formação rochosa do pico, o mais oriental do conjunto.

      Piornos floridos
      Às 12h12 continuo pela trilha da crista, que se divide em várias, mas tento sempre me manter na mais alta. Passo por mais um dos cumes, ainda com muita neblina, e às 12h38 surge uma bifurcação em que se deve continuar à esquerda pois a direita desce a vertente norte da montanha. Na bifurcação seguinte vou para a esquerda e passo por mais um dos cumes. A neblina começa a se dissipar e o dia volta a ficar perfeito para fotos. Paro por 46 minutos para almoçar e curtir o visual. Antes de descer a encosta sul da montanha faço um desvio de uns 50m para alcançar mais um dos cumes às 14h37.
      A partir desse ponto inicio a descida e aos poucos reentro na mata de pinheiros. Na altitude de 1906m saio da trilha principal para subir (escalaminhar) o Pico de Majalasna (1935m), o mais ocidental dos cumes de Siete Picos e um tanto afastado dos outros que se encontram na crista. Do seu alto, às 15h36, avisto La Maliciosa e Peña Águila (as nuvens não me deixam ver mais que isso). Só retomo a caminhada às 16h33. Continuando a descida passo por duas fontes de água mas com muito pouca vazão. Essas fontes são a primeira água que encontro desde o Rio Manzanares, na manhã do dia anterior. Às 17h46 cruzei uma estrada de terra com diversas placas e seguindo 120m para oeste encontrei uma bica com mais água sob um abrigo de pedras (Refúgio del Aurrulaque). Parei para descansar e beber bastante água. Ao cruzar essa estrada de terra estou cruzando novamente a GR 10.
      A partir do abrigo tomei às 18h35 a Vereda Alta: desci no rumo noroeste, cruzei outra estrada de terra e na bifurcação abaixo fui à direita (à esquerda um X pintado numa árvore). Às 18h59 parei em mais uma fonte de água. Surgem trilhas vindo da direita e sigo por 115m um muro de pedras, mas ele continua à direita numa bifurcação em que vou para a esquerda. Às 19h41 chego a uma clareira com muitos caminhos para todos os lados. Fica até difícil descrever em detalhe o que fiz, para resumir tomei a direção sudoeste e alcancei o Caminho del Agua, uma trilha bem larga em que há um cano semi-enterrado. Às 20h13 vou à direita numa bifurcação e já começo a marcar algum lugar discreto para acampar em caso de necessidade, porém logo encontro um portão de ferro e depois algumas casas. Às 20h30 chego à periferia de Cercedilla. Primeiro cruzo uma rua e continuo na trilha em frente. Mais abaixo a trilha termina no asfalto da M-966, onde vou para a esquerda. Com mais 290m, às 20h47, estou na estação ferroviária de Cercedilla, onde tudo começou cinco dias atrás. 
      Ainda havia trens e ônibus para Madri mas eu não tinha reservado nenhum hostel lá e ia chegar muito tarde (o trem sairia 21h33 e deveria chegar a Madri às 22h37). Procurei hospedagem em Cercedilla mas só encontrei lugar caro. O jeito foi me meter na floresta de novo e encontrar um lugar afastado para montar a barraca. No dia seguinte peguei o trem das 8h30 e cheguei às 9h35 à estação de Chamartín, em Madri. Há opções de ônibus também (veja nas informações adicionais). 

      Siete Picos
      Informações adicionais:
      . site oficial do Parque Nacional de la Sierra de Guadarrama: www.parquenacionalsierraguadarrama.es/es
      . mais informações em:
      www.comunidad.madrid/servicios/urbanismo-medio-ambiente/parque-nacional-sierra-guadarrama

      www.miteco.gob.es/es/red-parques-nacionales/nuestros-parques/guadarrama
      . parques nacionais da Espanha: www.miteco.gob.es/es/red-parques-nacionales/nuestros-parques
      . trens na Espanha: www.renfe.com
      . ônibus 680 - Madri-Cercedilla-Madri: 
      www.crtm.es/tu-transporte-publico/autobuses-interurbanos/lineas/8__680___.aspx
      . ônibus 684 - Madri-Cercedilla-Madri: www.crtm.es/tu-transporte-publico/autobuses-interurbanos/lineas/8__684___.aspx?origen=2
      . ônibus 691 - Madri a Puerto de Navacerrada e Puerto de Cotos
      www.crtm.es/tu-transporte-publico/autobuses-interurbanos/lineas/8__691___.aspx
      . Refúgio em Puerto de Cotos: 32 € o quarto coletivo com café da manhã e jantar, banheiro no corredor. Mais preços no site elrefugiodecotos.com.
      . roteiro adaptado a partir das informações do guia Lonely Planet Walking in Spain, 3ª edição, 2003
      Rafael Santiago
      junho/2019
      https://trekkingnamontanha.blogspot.com.br

      Percurso completo da travessia na imagem do satélite
    • Por Marco_AV
      Fala pessoal! 
      Faz um tempo desde minha última postagem.. pandemia postergou várias viagens planejadas, mas aqui estamos para mais um relato! Apesar de já ter feito algumas trilhas e escaladas em algumas viagens, como por exemplo a Table Mountain na África do Sul e o Monte Etna na Itália, essa foi a primeira viagem que fiz especificamente para isso, portanto, merece um relato mais detalhado, principalmente para aqueles que, assim como eu, são aventureiros de primeira viagem. Sem mais delongas, vamos ao relato! 
      Bom, eu e mais um amigo, após descobrir sobre o Parque Nacional do Itatiaia (1° parque nacional do Brasil que abrange três estados do Brasil, São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro), ficamos ansiosos para fazer as trilhas do parque. Alguns pontos aqui.. Eu achei muito mal explicado as coisas no site do parque, tive que caçar diversas fontes de informações pra conseguir ir certinho. Pela lista de guias do site, fechamos com o guia Ian, da agência Bem da Terra, e acabamos acertando em cheio.. o guia era super gente boa e atencioso! Ficou R$ 450,00 para duas pessoas para irmos na segunda-feira ao Pico das Agulhas Negras. É necessário também ingresso para entrar no parque, que estava incluso nesse valor, e pedimos ao guia para comprar um dia a mais de visitação, o que nos poupou um tempo extra de ter que fazer isso na hora. Um casal de amigos meus foram ao parque recentemente e me recomendaram a Pousada Bululu, onde ficamos também. O dono, Bululu é um cara muito simpático e fez toda diferença durante nossa estadia.. a pousada fica à 20 minutos da entrada da estrada que vai pro parque e cerca de 5 minutos do centro da cidade. Pagamos R$ 260,00 a diária para duas pessoas com café da manhã incluso.. destaque para a pousada: 

      Vista da pousada acima.. passa um riozinho bem do lado. 
      Escolhemos o feriado de 7 de setembro, saímos no sábado, com retorno previsto para a terça-feira. Existem algumas maneiras de chegar no parque.. como saímos de Campinas, fomos pela Dom Pedro / Dutra.. escolha errada. Pegamos muito trânsito, mesmo saindo no sábado, levando em torno de 6 horas pra chegar em Itamonte (Aqui vale uma ressalva.. o parque é muito grande, então dependendo do atrativo que você quiser visitar, é recomendado ficar na cidade mais próxima e, no nosso caso, Itamonte era essa cidade.. que fica em Minas Gerais). Chegando na cidade, passamos no mercado para comprar comida para os dias do parque (coisas pra lanches, frutas, água, castanhas, etc.). 
      1° Dia - Prateleiras
      Bom, como tínhamos um dia longo pela frente na segunda-feira, queríamos conhecer o parque e fazer alguma trilha mais tranquila e menos cansativa no domingo. Saímos da pousada às 9 horas e fomos em direção ao parque.. após 20 minutos na estrada, a entrada do parque fica à 15 km em uma estrada muito (MUITO!) ruim.. leva em torno de 1 hora para percorrer esses 15km.. é triste de ver a situação precária da estrada, considerando que é uma BR. O desprezo é um espelho do que acontece em várias áreas do país.. mas, enfim. Chegamos na entrada do parque por volta das 11 horas (quase sempre pega-se fila pra entrar no parque, precisa preencher alguns termos, dizer qual atrativo você vai, etc.), estacionamos logo na entrada.. outro ponto a ressaltar aqui. O parque é muito grande.. da entrada do parque até o Abrigo Rebouças que é o mais próximo das trilhas dá em torno de 3km, ou seja, pra ir e voltar pra entrada são 6km que você terá a mais além do percurso da trilha, então, procure parar o mais próximo possível do começo da trilha que você for fazer. Acabamos optando pelo Pico das Prateleiras, onde à princípio iriamos até a base dela, pois até o cume precisaria de guia e seria mais exaustivo também. A ida até a base é bem tranquila.. leva em torno de 1 hora.. porém, chegando lá, quisermos ir um pouco mais, e desse pouco mais, acabamos indo até o cume 😬, pois nos enturmamos com um pessoal que estava com guia e acabamos indo junto.. Valeu todo o esforço que não tínhamos planejado (e que não foi pouco!). A vista de lá era surreal! 
       
      Ao longo da trilha.


      Há alguns trechos como esse, onde você tem que passar por dentro das rochas. 

      Vista do cume. Observação para a caixa metálica, onde contém um livro que as pessoas que sobem podem assinar, deixar alguma mensagem, etc.
      Na volta do cume, o pessoal ia fazer um rapel em um dos pontos e nos seguimos sem eles.. quando chegamos na base, a gente não conseguia encontrar o caminho de volta e aqui fica um adendo.. o Prateleiras é muito mais simples do que o Agulhas Negras, mas, sempre optem por um guia, ou alguém que já conheça o percurso para evitar se perderem igual aconteceu com a gente. Por sorte, tinham algumas pessoas lá que nos auxiliaram na volta.. Todo esse percurso, até o carro que estava quase na portaria 😪 levou em torno de 5/6 horas, mais 1h30 até a pousada, chegamos em torno das 18:30. Resumindo, tínhamos um longo dia pela frente na segunda e chutamos o balde no domingo, rs. Mas, valeu todo o esforço! E um check em um dos atrativos mais visitados no parque. Chegando na pousada, jantamos e logo fomos dormir.. tínhamos que estar na entrada do parque as 7 horas da manhã para encontrar o guia 😬.
      2° Dia - Pico das Agulhas Negras
      Acordamos as 04:30 da manhã para conseguir chegar ao parque as 7hrs. Ponto positivo para a pousada, que deixou preparado o café da manhã mesmo nesse horário. Como eles estão acostumados com o pessoal saindo cedo, bastou falar para o Bululu que ele já se dispôs a fazer essa gentileza pra gente. Bom, nos reunimos com o pessoal que ia junto com a gente para a trilha, e fomos em 11 pessoas (2 guias). Eu acho que foi mais gente do que deveria, para esse tipo de trilha, considerando que tem vários trechos com rapel, demora muito para todo mundo caminhar junto.. acredito que um grupo de 4 a 5 pessoas seja o ideal. Enfim, seguimos do Abrigo Rebouças em direção ao Pico das Agulhas Negras, sendo que o trajeto todo, subindo e descendo duraria em torno de 8/9 horas. Até a base do pico é bem tranquilo, caminhada sem muitos esforços.. à partir da base é que a coisa começa a complicar (bem mais do que o Prateleiras). A diferença entre as duas é que o Agulhas tem muitos mais trechos de pedra e o esforço com os joelhos e com os braços é muito maior..

      Primeiro trecho de rapel.

      Eu, Gui e Ian (nosso guia) no segundo trecho de rapel, à 10 minutos do cume.

      Vista do cume das Agulhas Negras (na verdade esse cume é o que chamam de cume "falso", pois existe um ao lado, que é preciso fazer 1 rapel de descida e mais um de subida, e é o verdadeiro cume, onde também fica localizado o livro para assinar. Obviamente que fomos, mas nem todos os guias levam até lá, e também nem todas as pessoas vão, pois é um pouco mais complicado e exige mais, psicologicamente e fisicamente).

      Foto do cume do Agulhas Negras, à 2791m de altitude 🤘
      Como tinham algumas pessoas lá, demorou mais do que o previsto para descermos, sendo que começamos o retorno em torno de 13:30hr, o sol estava estralando! No retorno, na parte do segundo rapel, há uma possibilidade de fazer o rapel por um outro trecho, com 18 metros de altura.. foi muito massa!

      Segundo trecho do rapel, no retorno.
      A volta exige bem mais do que a ida.. uma por já estar cansado, e outra pelas pedras, que te fazem usar muito os joelhos e os braços.. Após um dia muito limpo, com muito sol, chegamos de volta no abrigo rebouças por volta das 17:30hr, e o tempo lá muda demais.. as 18hrs já estava fazendo 7, 8° graus.. ou seja, é sempre bom levar uma blusa reforçada, além de que, no cume das montanhas venta demais, e eu sempre ficava tirando e colocando a blusa..

      Na ponte do abrigo, com o pico das Agulhas Negras ao fundo, iluminado pelo sol já se pondo.
      Não preciso dizer que nosso retorno foi muito cansativo.. acumulando os dois dias de trilha, estávamos exaustos, mas de mente aberta e havíamos superado nossos medos de altura, rs. No retorno a pousada, só nos restou tomar um belo banho quente, jantar e preparar para o retorno no dia seguinte. Optamos por voltar por Minas, a estrada é de maioria pista única, mas o caminho é bem bonito, então valeu a pena! Espero fazer outras trilhas em breve, me despertou um sentimento muito bom, de superação e aventura.. e, espero ter ajudado também os montanhistas de primeira viagem, assim como eu!
      Obrigado e até a próxima!

    • Por Robson De Andrade
      Se o mundo não acabar, lá vou eu kkkkk
      Já não dava para adiar o inadiável, tinha de ser agora ou sabe se lá quando.
      Sai de Porto Alegre às 13 horas do dia 28, previsão de chegada lá por volta das 16 horas.
      Passagem de volta só na Estação Rodoviária de Muçum, vou lá pegar a minha kkkk
      As estradas para o interior são muito boas, a paisagem é agradável aos olhos a primeira vista.
      Em Guaporé desci numa calçada, vi um táxi e pedi para me levar até o Hotel 55 54 9106-7404
      Ande com um pouco de dinheiro rapaz, tive que ir numa agência sacar para pagar o taxista.
      No Hotel Rocenzi ninguém usava máscara, foi assim até o dia seguinte a minha saída.
      Fim de tarde tive que ir num mercado local debaixo de chuva, por insistência do Sr. Rocenzi levei seu guarda-chuva rsrs
      Tudo de boa no hotel, só aguardar pelo dia seguinte.
      Meu plano era sair sem café da manhã e caminhar até os trilhos, só que não.
      Fiquei para o café da manhã, deveria ter comido mais rsrs
      E o plano de ir a pé também rodou, chamei um táxi que me deixou na estação, a chuva caiu logo em seguida, teria tomado ela na cidade se tivesse saído a pé.
      Ajustei a mochila nas costas protegida com sua capa, usei uma jaqueta impermeável que comprei em Porto Alegre, na Decathlon, já sabendo que ficaria feio o tempo durante a minha travessia.
      A estação reformada de Guaporé.

      Primeiro Dia: Chuva, chuva e mais chuva
      "Não é um dia ruim só porque está chovendo." segui de boa, não tinha me entusiasmado tanto assim rsrs
      Os primeiros passos são... sei lá os primeiros passos, um pouco chato, margeando casas, estradas, lixo visível nas beiradas...
      Quando cheguei no meu primeiro túnel abri um sorrisinho, fiz o mesmo quando cheguei no meu primeiro viaduto.

      Choveu praticamente o dia todo e quando parava tinha de tirar a jaqueta impermeável para logo em seguida botar ela outra vez, o terreno castiga e os pés começam a sofrer, todo o caminho é só pedras, dormentes.
      Dentro dos tuneis bateu uns pensamentos sobre a morte, a solidão que me seguiram por boa parte da travessia. Eu tive a ideia de parar e desligar a lanterna para ficar naquele estado de completa escuridão e silêncio, talvez aquele fosse o mais próximo da morte estando vivo, consegue imaginar escuridão total e silêncio? Mas eu estava vivo e tinha de seguir, que alívio trouxe cada luz da saída.
      Fiz uma pausa para comer, descobri que tinha comprado pão de alho, não era bem isso que queria haha
      Nunca mais quero saber de pão de alho e atum em óleo.
      Optei por não fazer fogo, enlatados são uma boa opção, barrinhas de amendoim também, pão de alho não rsrs

      Lá pela metade do dia fez um solzinho. E o resto da tarde cairia mais chuva.
      Chuva pra caralho! cheguei na estação abandonada com a bota encharcada, a água escorreu da calça para a coitada da bota.
      A estação abandonada me segurou, ali tirei as botas e segui de chinelo, os meus pés agradeceram, os ombros não tinham muita escolha, lá perto do fim da tarde já chegava no meu limite.
      Parei perto do Recanto da Ferrovia; não estava nos meus planos ir lá. Quando cheguei  fui recebido por um cachorro muito simpático, não vi uma alma humana, já tava querendo vazar dali, até que o proprietário do lugar, o Clair surge nada simpático se comparado com seu cão. Acho que pensou que estava invadindo, depois disse que tinha que ter reserva, trocamos umas ideias, cada um no seu cada um, acabei ficando assim mesmo, pra mim tava bom, ali tomei banho, escovei os dentes e me reorganizei para vazar pela manhã.
      O trem passou algumas vezes durante a noite, fazendo um tremendo barulho.

      Segundo Dia: Sol
      O sol já dava as caras quando passei pelo Viaduto Pesseguinho, este também vazado, dava pra andar num bom ritmo pelo meio e dificilmente você vai cair se ficar só no meio. Andava parando para olhar ao redor, meu medo de altura não é lá grande coisa, mesmo assim eu senti que ia travar por lá junto do receio do trem passando por ali, imagina a correria ali rsrs
      Há placas com avisos de que não é permitido fazer passeios por ali. Bem, o que não é permitido? kkk
      Tomem cuidado dentro dos tuneis, eu tropecei uma vez e quase fui ao chão, fora que meu pé torceu umas duas vezes; sem grandes problemas.
      Parte de alguns tuneis desabaram e devem estar desabando, vi água saindo das paredes no meio de um túnel, não precisei correr até um daqueles "abrigos". Havia dormentes arrebentados e soltos dentro do túnel, sinal de que poderia dar merda.
      Há um túnel de mais de 1200 metros, este deu pra perder a noção do tempo por lá, e outros que você sonha kkkk
      Tentei seguir uma trilha perto de um túnel, ela ia pra cima de um morro, subi com mochila e tudo, até que vi uma fita, acho que era uma fita vermelha, fiquei receoso sobre aquilo, desci rapidinho, mas de ré em alguns pontos, caso contrário a queda seria engraçada kkkk
      Ao longo do caminho se vê locais de acampamentos, eu sabia que mais tarde teria que procurar um, os bons foram ficando para trás.
      Há lixo deixado pelo caminho, guardem o seu lixo e jogue na lixeira da cidade mais próxima.
      Fiz o meu almoço diante desta linda paisagem e o rio Guaporé nervoso lá embaixo
      ,
      Segui com o sol de rachar.
      Percebi que o lugar não é totalmente isolado; há sítios e fazendas por quase todo caminho, às vezes ouvia pessoas falando, cachorros latindo, carros transitando por alguma estrada... Há sinal de telefone e até o 3g tava dando sinal em alguns trechos haha
      Achei uma cachoeira perto de um túnel, melhor água que tomei, haha
      Água não falta pelo caminho, obviamente de procedência duvidosa, usem clorin moças e rapazes kkk

      Uma surpresa no trilho, tomando um sol talvez?

      A mochila já castigava novamente, os pés pediam para parar e minha teimosia de continuar era maior.
      Saindo de um certo túnel, já tinha perdido as contas de qual era, mas era perto do ponto mais "turístico". Ali vi pessoas de bobeira, a primeira impressão é de manter distância e ficar esperto, mas vi que era um casal, trocamos algumas ideias e segui...
      Mais pra frente, encontro outras pessoas, um grupo de amigos fazendo a travessia até Guaporé, trocamos umas ideias também.
      Havia pessoas em outro túnel com lanternas, poxa vida ali percebi que não estaria mais sozinho rsrs saindo dali mais um grupo de pessoas, que estavam retornando, segui junto deles, conversamos sobre como fui parar ali, de onde era, para onde vamos...
      Confesso que foi a primeira vez que senti seguro ao caminhar por outro túnel, na verdade a companhia das pessoas que tinha acabado de conhecer trouxe essa sensação, um deles se ofereceu para carregar minha mochila, passamos por trabalhadores fechando um lugar que tinha uns arcos, e mais pessoas surgiam, quando saímos do túnel tinha praticamente dezenas de pessoas do outro lado. O rapaz  apertou minha mão, desejou me sorte e perguntou meu nome, respondi e ele me disse o seu, e seguimos nossos caminhos.
      Segui desviando das selfies, dos caras das agências kkkk fui parar lá no meio do v13, cansado, a paisagem maravilhosa, até que mais gente se aproximou e eu tinha de ir. Por ali passou pessoas com cachorros, crianças, dei boa tarde, uma mulher me perguntou o que estava fazendo ali com a mochila nas costas, há maluco para tudo né? rsrs
      E assim uma hora você está completamente sozinho, no outro dia encontra pessoas dispostas a carregar sua mochila, apertar sua mão e lhe desejar sorte. Experimente um pouco de solidão e boas companhias também
      E continuei com minha teimosia, só pararia se achasse um lugar para acampar quando o sol já tava se escondendo, muitos paredões de pedras... Fique atento aos sinais do corpo rapaz, é hora para tudo, hora de caminhar, hora de parar, de cansar, de descansar... Terminei o dia exausto, montei a barraca e tentei dormir, a noite choveu pra caralho e o fim estava próximo.

      Terceiro dia
      O último dia começou, escovei os dentes, desmontei a barraca, arrumei as coisas, já não estava me sentindo bem, o cansaço do dia anterior ainda estava lá, andava cambaleando, a água estava ficando intragável, só queria parar. Acabei sonhando com mais tuneis e viadutos, pensei que o v13 estava a minha frente, quando na verdade já tinha passado por ele, encontrei um casal indo na direção contrária, apenas um bom dia.
      Quando vi a plaquinha de Muçum vi que o meu "sonho cansado" tinha chegado ao seu fim.
      A travessia pede prudência, paciência e resistência.
      São quase 60km caminhando por dormentes, pedras, tuneis e viadutos.
      Em Muçum me hospedei no Hotel Marchetti 55 51 9566-8544 muito bom o lugar.
      Almocei no Kiosque da Praça, os caras não usavam máscara huehue Mas a comida compensou.
      A noite pedi um hambúrguer que fica ao lado do hotel, havia alguns jovens no local vivendo como se não houvesse segunda-feira haha
      As passagens para Porto Alegre são vendidas na estação rodoviária, só aceitam dinheiro.
      Em POA me hospedei na chegada no POA ECO HOSTEL 55 51 3377-8876. Fiz a reserva pelo HostelWorld
      Na volta para POA fiquei hospedado POA CENTRAL - Acomodação Econômica 55 51 9415-5531.
      Se um dia retornar optaria pelo POA ECO HOSTEL sem dúvidas
      A empresa que opera por aqueles lados é a Bento Transporte, comprei a passagem até Guaporé pelo app da Veppo.
      http://www.bentotransportes.com.br/horarios
      Minha viagem não terminou em Porto Alegre como previsto, mas em Santa Catarina, e isso é uma outra história
      Agora devo estar de quarentena, quem sabe? rsrs
      Até a próxima.




    • Por Patricia Lopes Szcspanski
      Circuito vale europeu caminhante, 9 dias em Santa Catarina.
      Desde de que fiquei sabendo da existência desse caminho em Santa Catarina, sonho em faze lo. Amigos me falaram, foram de bike. De bike o circuito é um pouco maior, mas passa pelas mesmas cidades. Não é um caminho peregrino, é mais um caminho contemplativo. Repleto de cachoeiras, serras, morros, mata nativa, e as influências da colônia européia. Dentre as cidades que o caminho contempla está Pomerode, a cidade mais alemã do Brasil, já Rio dos Cedros prevalece a influência italiana, e assim por diante.
      Convidei amigos, e a princípio, duas amigas toparam ir comigo, iríamos em 4 pessoas: eu, meu marido Adriano e duas amigas. A proposta era caminhar dia a dia e fazer os pousos no carro mesmo, já que o carro é grande e os bancos traseiros podem ser virados pra trás e sobra espaço para uma boa cama. Adriano seria o apoio, percorrendo os trechos de carro e nos esperando sempre com um almoço providenciado. 
      Mas bem perto da data estimada, uma das amigas desistiu de ir por problemas pessoais, fiquei apenas com a parceria de Luci, 64 anos (a idade de minha mãe) japonesa, pequena em estatura e grande em valentia, garra e determinação! 
      Decidi levar meus filhos: Heitor de 17 anos e Heloísa de 12, eles não tem nenhum hábito caminheiro, são crianças tipicamente contemporâneas, ligadas à internet e acostumados à vida mansa da cidade grande, a uma realidade em que os pais trabalham e nada lhes falta em casa, sendo assim seria muito bom pra eles sair da zona de conforto, passar uns perrengues brandos ao lado do pai e da mãe, além do contato com a natureza que eles bem sabe que eu muito aprecio. Tava decidido: iríamos em 5: eu, Adriano, Luci, Heitor e Heloísa. 
      A viajem a princípio foi planejada pra ser em Abril, quando eu estaria de férias, mas por causa da pandemia minhas férias foram adiantas, e eu me conformei que não iria a lugar algum. Em meados de maio recebo a notícia que minhas férias tinha que sair e seria no mês seguinte: junho! A princípio protelei, pois o vale europeu é uma região serrana, chuvosa, em junho seria muito frio e não poderia aproveitar as cachoeiras. Mas, resolvi que não iria deixar passar, partiu vale europeu.
      Vou resaltar aqui que não conhecei o caminho pelo começo. O começo é em Indaial, eu comecei por Benedito novo zinco, pois deixei agendado previamente um passeio de trem em Apiúna dia 13 - o trem só faz o passeio uma vez por mês - então precisaria chegar em Apiúna dia 13, e como sai de Londrina no dia 11, iniciamos o caminho 2 cidades pra trás: Benedito Novo.
       
      1° dia vale europeu - chegada em Benedito Novo cachoeira do zinco.
      Saímos à 1:00 do dia 11 de junho, passamos por serração, neblina, e eu, que apesar de estar com muito medo do trânsito, cai no sono... Mas a maior neblina parecia ser mesmo no trecho de Tamarana faxinal... Depois passou... Ou eu que dormi né...
      Chegamos as 13, na cachoeira do zinco onde segundo os mapas seria o ponto de chegada do dia anterior e o início do próximo... no meu caso, o ponto de partida.
      O caminho promete começar na lanchonete do zinco. Mas na cachoeira do zinco, não tinha nenhuma lanchonete! Então ali no meio do mato, com o carro parado no meio do nada, conforme fomos descendo do carro e nos desnumblando com a paisagem, abrindo o porta malas e separando as coisas... As crianças começaram a protestar: - mas chegou? É aqui? Como assim?...
      Frio sim, mas não como esperado, descendo do carro já tiramos as blusas, o sol tava até quentinho.
      Fui até a água, tirei o tênis, molheis os pés... Bem queria ter feito um banho, mas eu tinha guarda costas!! Heloísa tinha pressa... Li que tem como contemplar a cachoeira lá de baixo, vi em algum lugar que tinha um mirante... Mas tudo ficou por ver...
      Como o esperado, o comportamento das crianças não era animador, Heloísa tinha a cara amarrada, tipo: onde eu fui amarrar meu burro!! Preocupada com o secador de cabelos... Com lavar as mãos depois de comer frutas... E Heitor, eternamente cuidadoso e medroso, com medo da chuva (nem tava armando chuva), da altitude, de bichos... Nenhum deles relaxava, preferiram não descer do carro, como que estiverem passando pelo parque dos dinossauros... Com muito custo e insistência, desceram!
      Ali almoçamos pão com atum, bolo, frutas... Ali começamos nosso caminho... mas vesti a blusa de novo... Depois de entrar na água gelada, deu frio!
      No primeiro passo dado, parecíamos duas crianças que ganham um doce, empolgadas, desnumbladas, tudo era lindo, e agora, escrevendo esse resumo, vejo que ali não havia diferença de idade - Luci tem idade da minha mãe - mas eramos mesmo duas crianças brincando de caminhar... Tudo ela dizia: que lindo, que gostoso... Repetia isso como um mantra, a cada minutos, a cada árvore... atrás dessas palavras havia muita gratidão, e a conversa que se seguia iria só confirmar a valiosa história de vida daquela pequena grande mulher guerreira que viveu a vida em função dos filhos, mas que agora olha pra si, e sabe ser grata pela dádiva da vida.
      Olhando no mapa e seguindo rumo à saída de Benedito novo, 8 km depois, pegariamos seguido a Rodeio. Assim fizemos, achamos a saída pra rodeio aos 7 km, e conversando com uns trabalhadores que estavam fazendo roçagem, concluímos que tal lanchonete do zinco realmente existia, estava um pouco mais pra frente, sendo assim, pulamos 1 km do caminho...
      Seguindo em direção a Rodeio... Uma trilha encantadora rodeada por eucaliptos, sem sol, não por estar nublado, mas pelas sombras das árvores no entardecer, com bastante subidas mas também descidas, fomos presenteadas por um lindo por do sol, tão lindo que me emocionei, com lágrimas nos olhos eu pensava: se o primeiro dia é assim, imagine os outros!
      Muita subida, mas nada de mais, seguimos conversando sobre a vida... Sonhos e gratidão, eis que um lugar incrível nos chama atenção: uma lanchonete deserta e toda decorada de bicicletas, na fachada uma bicicleta gigante em madeira de uns 3 metros, e cada detalhe da lanchonete feito em madeira maciça, outra bicicleta em madeira um pouco menor do lado de lá, e conforme tirávamos fotos, percebemos o portão aberto, entramos... Nada, vazia... Banheiros abertos, limpos, com papel, sabonetes de erva doce... Nossa, nada como parar no meio de uma trilha no mato, num banheiro desses... E quando estávamos indo embora, lá vem nosso carro de apoio... Avistamos a blazer do Adriano, que chega contando notícias nada animadora de Rodeio: é uma cidade que não tem nada, só uma lanchonete que só tinha 2 pastéis e nós comemos (esse pastel depois vai dar o que falar)
      Faltavam 8 a 9 km para Rodeio, já eram 17 já e começava a anoitecer... Que tal ficar ali? Aliás tinha banheiros... E o dono não tava em casa... (Lembrei da Susi) mas não é chegou o proprietário!!! Fizemos a proposta e ele nos ofereceu um barraco, uma especie de barracão onde estacionamos e podemos armar a barraca por 15 reais por pessoa, tinha até banho quente, ali jantamos pão, tomamos banho, brincamos de esconde esconde.. olhamos as fotos, postamos, mandamos notícias (tinha até wi fi. Destaque para show que havia no céu: sem quase nada de iluminação artificial, o céu tava um espetáculo de encher os olhos.
      Armamos barraca dentro do barracão, e arrumamos o carro pra servir de quarto, as crianças ficaram com o carro, na barraca dormiu eu, Luci e Adriano.
      Eu acordei várias vezes na madrugada, muito desconfortável, duro, e dava pra sentir as pedras, mas, tava dentro da proposta.
      Sobre o trajeto e a caminhada, apenas 15 km dos 25 prometidos pra hoje, mas porque encontramos a oportunidade de pouso antes. É claro, contemplamos muito, paramos pra isso, fotografamos, mas fora isso, o ritmo foi puxado, Luci anda ligueiro... Chegamos até a correr na descida.
      Este relato foi feito picado, comecei a fazer lo na barraca neste dia, mas não dei conta, termino hoje... 9 dias depois, com a conclusão de que a planilha disponível no site não bate com uma oferecida a nós no 3° dia de Caminho em um hotel em que passamos, segundo a dona do hotel, a planilha oferecida por ela é atual, e a uma divergência de distância: na referida planilha atual a previsão é de 19,20 km e a descrição é que o bar das bikes (a bicicleta de madeira gigante) aparece no km 6 pra 7. E nós passamos por ela no km 15 a contar do zinco e por lá paramos. Desconfio que o caminho não é nem o mesmo... A tal planilha atual descreve esse trecho como Benedito Novo estava geral da liberdade até Rodeio, e a planilha do site que seguimos descreve como Benedito Novo zinco até Rodeio. Na época, ainda não tínhamos a tal planilha atualizada.
      Fim do primeiro dia! Resumo: cachoeira, entadecer, subidas, um céu estrelado memorável, momentos em família, melhor não poderia ser.
       
      2° dia Vale Europeu: 12/06/202 - sábado
      Benedito Novo/Rodeio/Ascurra/Apiúna
      Começo lembrando que ontem deixamos uma parte do percurso por fazer: cerca de 9 km, por ter encontrado um pouso na lanchonete das bike. Sendo assim, a ideia era acordar bem cedo pra tirar o atraso. A distância prevista pra hoje era de 19,80 km, seria fácil incluir mais 9 km e chegar antes das 12 ou 13 no mais tardar.
      Não foi difícil acordar cedo... Foi uma noite mau dormida: acordei a noite toda, a cama na barraca estava dura, sentia cada pedrinha, o frio não tinha o que esquentava... 4:30 estávamos de pé. Desmontamos a barraca e dobramos as cobertas, as crianças ainda dormiram no carro, com a temperatura abaixo dos 10 graus, nos paramentamos de agasalhos e partiu. Adriano foi conosco até a saída da estrada principal, cerca de uns 200 m, isso pra gente não errar o caminho no escuro... E não é que a gente errou! 🤦
      Com uma boa lanterna de cabeça, na cabeça da Luci - a do celular parecia não valer nada - ao visualizar a estrada principal, os fundos do bar das bikes, seguimos sozinhas, Adriano voltou... Fiquei pensando... E se ele erra o caminho, ele tá só com a luz do celular, e se cai num buraco, as crianças estão dormindo sozinhas no carro... A gente só pensa bobagem!
      Seguimos num passo apertado e sem muito desnumbre... Tava um breu! Me fez lembrar o caminho das catedrais... Completamente escuro. Foi o dia em que saimos mais cedo e com mais escuro. Na minha cabeça, tínhamos que chegar em Apiúna o mais cedo possível, pra não perder o passeio de trem agendado (atenção, o passeio agendado é domingo, e hoje é sábado, mas eu ainda não me dei conta disso) e o caminho rendeu... Andamos mais de 5 km sem paradas, até que o dia começa a clarear e revelar as belezas do lugar, a trilha sonora dos passarinhos, dos quero quero... E as 7 hs o sol brota sorridente lá das montanhas, um espetáculo que de novo... Me emociona, sigo cantando com lágrimas nos olhos que 🎶 a felicidade está no caminho...
      Casinhas no alto da montanha, uma luz e um colorido sem igual fazem o cenário parecer um quadro impressionista.
      A igreja de Rodeio, capela Nossa senhora de Lourdes, por dentro, no altar uma mesa cujo o pé, digo, a base, um tronco de árvore no seu formato original, mas todo trabalhado com entalhes e um desenho primoroso em alto relevo de uma mão (dizem que se reconhece um bom desenhista pelo desenho de mãos e pés) um sagrado coração e a imagem de um homem na época cristã, assim também é a base de uma mesinha que serve de altar para nossa senhora de Lourdes.
      Em frente a igreja já está o céu, o Cristo de braços abertos rodeado por anjos segurando hortências azuis, e pra baixo segue se o caminho dos anjos. Nessa hora pararam 3 carros com várias pessoas pra tirar fotos, a galera tirou fotos nossas diante do Cristo, e tiramos fotos da galera deles, todos juntos. Eram de Blumenau. Confesso que a espectativa que eu tinha para o caminho dos anjos não se superou: a informação que eu tinha é que era uma subida imensa com anjos dos dois lados, e aí... Se chegava ao céu. Acho que no circuito caminhante acontece o contrário: o céu aparece primeiro (Cristo e os anjos) além do que, pela internet as fotos desse lugar os anjos e todo o caminho está emoldurado por hortências, e quando passamos, as hortências estavam todas mortas, pouquíssimas ainda tinham cor pra se fazer notar, e os anjos precisam carecer de uma reforma: havia anjos sem cabeça, anjos sem dorso, ou tão sujos que mau se via a face, mesmo assim é muito bonito e capaz de encantar e até surpreender quem talvez não tivesse em mente uma descrição mais bonita do que vi pessoalmente. Descendo um pouco, uma casinha tão simples, mas sem muros ou portão, com uma linda e enorme gruta no quintal, tão grande que até parece uma construção pertencente ao caminho - e é - convida a entrar... Sou surpreendida pela dona da casa e entendo que estou entrando em prioridade alheia, peço licença pra ir até a gruta... E nos fundos, um córrego, águas limpídas e convidativas, de fácil acesso, eu se morasse ali tomaria banho de córrego todo dia! Uma riqueza de quintal. Trocamos um dedinho de prosa, a moradora tinha muitas queixas do lugar: "o quintal é bonito mas dá trabalho cuidar, aqui é tudo muito úmido e frio, mesmo nos dias de sol..." O quintal do vizinho é sempre mais verde!
      Seguimos encontramos uma especie de pia, uma torneira no meio da trilha que convidava: "Sirva se, agua de poço artesiano 100% natural"
      Juro que nunca bebi uma água tão gostosa!!!
      Chegamos em Ascurra com a impressão de uma simpática cidade, um lindo letreiro com as palavras: #eu ❤️ Ascurra, uma igreja... praça... Aliás... Que igreja linda!!! Igreja de santo Ambrósio: datada de 1927, com colunas imponente na fachada externa, uma grande escadaria, no interior, lindos arcos entrecruzados no teto lembrando uma influência gótica, no altar, a mesa feita com a base de árvore entalhada igual à igreja de Rodeio, mas única, artesanal, vitrais coloridos, painéis imensos com pinturas de imagens de santo, meias colunas dividindo as partes da igreja e em cada divisão uma pintura diferente, servindo as colunas como molduras, nichos nas laterais com oratórios e imagens em tamanho grande de Santos... E uma paz que só estando lá!!! Paramos, fotografamos, agradecemos e fizemos nossos pedidos!! Lindo demais, talvez a igreja mais bonita de todo o Vale.
      No meio do caminho foi preciso dispensar um pouco os agasalhos, o sol já brilhava forte e o calor já era suficiente. A blusa mau cabia na bolsa.
      Seguimos por um trecho plano, de rodovia, tiramos foto zoando as placas de velocidade: 80 km por hora, paramos no meio da rodovia pra fazer fotos com o temporizador, usando pedrinhas pra segurar o celular, pra que nós duas aparecemos na foto passando pela placa proibido ultrapassagem, depois postei fazendo piada de que só não ultrapassei a Luci porque era proibido kkkk. Entrei dentro de uma manilha gigante na beira da rodovia, coisa de criança... E chegando na igreja matriz de Apiúna já as 13 hs fomos recebidas com uma delícia marmita, estava Verde de fome, mas antes, fui conhecer a igreja que aliás, estava fechada. Mas na fachada externa claramente estilo gótico brasileiro: duas torres pontiagudas, uma rosácea. Do lado um pequeno oratório. Chegamos aos 29 km (vontade de andar mais um só pra fechar 30 kkk), sentia que havia uma bolha no meu pé esquerdo, bem na sola do pé, chegando perto dos dedos, estava sentindo isso já a alguns km atrás, mas enquanto estamos andando, não incomoda tanto, agora sabendo que tínhamos chegando, parece que o pé entende e começa a doer, mas era uma dor de quem andou muito mesmo, e de bolha, eu furaria ela mais tarde. Enquanto saboreava minha marmita, mandei uma mensagem pra organização do passeio de trem em Apiúna dizendo: "boa tarde, cheguei na cidade, pode me mandar a localização?"
      A resposta veio rápido, antes mesmo do fim da marmita: continha a localização pedida e a seguinte mensagem: "lembrando que seu passeio é amanhã"
      Putz! Eu poderia jurar que era domingo, e ainda era sábado!!! Data do passeio: 13/06!!!
      Estávamos programadas pra comer e ir até o endereço do passeio... Mas agora, amanhã teríamos que ficar na cidade de boa durante a manhã, passear a tarde no trem (horário do passeio 15 hs) e seguir o trajeto depois das 16, e se assim fosse chegaríamos tarde no destino seguinte (Indaial), ou, ir até indaial no dia seguinte a pé cumprindo a planilha e voltar até Apiúna de carro tudo isso antes das 15.
      Pois foi essa a escolha. Decidimos que iríamos seguir o circuito no dia seguinte a pé e voltar de carro. Ficamos então com a tarde livre... Muito cansadas mas bem dispostas, somado a disposição do nosso apoio, partiu conhecer a rota das Cachoeiras: rodamos de carro mais de 40 km em meio as montanhas, por estradas que subiam tanto que parecia que o carro iria tombar pra trás, caminhos com desfiladeiros, precipicios, sem acostamento e com as laterais rompidas sabe se lá porque, e que dariam em buracos no vale... Não encontramos nenhuma Cachoeira. Claro que deve ter... Mas acho que um guia nesse caso ajudaria... Mas passamos por lindos lugares.
       Entravamos e saíamos do carro com dificuldades e dizendo: aí ai ai... Tudo doía! Mas Luci era uma Fortaleza, a queixa parava por aí... Eu tinha no rosto um grosseirão, em torno do nariz e boca sentia que a pele estava cheia de brotoejas e descamando, efeito do frio, como se fossem queimaduras do frio.
      Já entardecendo e precisando viabilizar um lugar com banho e descanso. Então fomos pra um posto, e lá, bem conversadinho, banho quente de cortesia, e a autorização pra ficar. Colocamos todas as malas em cima da blazer, arrumamos a cama e boa. Porém a cama mais uma vez era dura, acordei a noite inteira, as luzes do posto acessar durante toda a noite pois o posto era 24 hs e era noite de sábado, e Adriano acordou no meio da noite com um playboizinho mechendo nas nossas coisas!! Segundo Adriano, quando ele viu e abriu a porta do carro, saltou de dentro da blazer, o cara disfarça e tira a mão correndo de sabe lá o que que tava mechendo... Só notamos a falta da tampa do porta escova de dentes, que tava pra fora e bem no local onde o Adriano contou que o cara tava fuçando, de certo na pressa de tirar a mão, melhor era esconder a tampa do que colocar no lugar de novo...
       
      3° dia Vale europeu - 13/06/2021 - de Apiúna à Indaial
      Saímos bem cedo, acho que 5:30, ainda com escuro, antes de sair tomamos café e frutas, passei uns cremes de rosto da Luci em volta do meu nariz e boca, saímos do posto e teríamos que voltar uns 8 km até pegar pra Indaial, pela rodovia, um caminho já conhecido de ontem, e assim partimos: uma rodovia perigosa e sem acostamento, no escuro não há muito o que contemplar, então o passo era largo.
      Estava inscrita em uma corrida virtual hoje, de 3 km apenas, então contei a Luci e na hora ela topa... Boa, partiu correr 3 km. Já havíamos andando 2 e o caminho era plano, parei o aplicativo e recomecei em modalidade corrida, mas com muito agasalho, mochila e cajado na mão, a corrida era na verdade uma caminhada de passos maiores, em 30 minutos, 3 km com Pace de quase 10 kkkk - quase - 9,58 na verdade. Encerrado, paramos e tiramos a primeira foto do dia: só eu pra constar na tela da corrida. Reiniciei o aplicativo de distância e prosseguimos.
      Serviu pra esquentar: mas ainda escuro e cedo demais pra tirar as blusas, seguimos... O dia começava a clarear quando passamos na bifurcação que pegava para Indaial no momento em que passava nosso apoio por nós, a partir de agora a estrada segue pelo meio da cidade, começam a surgir casas num cenário pitoresco, passamos pela igreja Luterana de Ascurra. O caminho margeava o rio Itajaí Açu, passamos por uma casinha que de longe avistei um corcel I 4 portas, laranja, e o provável dono na frente da casa agoando as plantas... Ah... Puxei conversa, pedi licença pra fotografar o corcel, contei que um dia tivemos um também e meu marido morre de saudades... A conversa vai longe, olhamos o "quintal" da casa que além de um lago cheio de plantas tipo de flor de lótus, patos, horta, flores... Ainda tem um morro nos fundos com uma trilha que nos chama atenção. A gente pergunta e ele responde que a trilha é do gado, mas que de vez em quando tem que subir, pois lá de cima vem água encanada das nascentes, e que quando chove demais é preciso ir até lá pra desentupir os canos. Ficamos encantadas!!! E seguimos.
      Em todo o trajeto, todos os dias passamos por pontes, quando elas não estão no meio do caminho, estão próximas, a vista, e desviamos pra passar por elas, só pra cruzar e voltar, ver a vista de lá, fotografar... Como duas crianças mesmo, só pelo gosto de passar na ponte! Igrejas luteranas tem de monte, sempre passamos por uma, e são lindas, e a e hoje... Um casamento: uma noiva saindo da igreja, linda! Passamos pela capela Nossa senhora Aparecida, fomos até a porta e dava pra ver que a mesa do altar tinha a mesma característica: a base feita de tronco de árvore entalhado.
      Na chegada, 28,36 km, almoçamos um delicioso pão com mortadela e já partimos de carro pra Apiúna, pelo mesmo caminho que percorremos, ou seja, voltamos todo o trajeto, pois hoje era enfim o dia do passeio de trem! E é muito gostoso ver de carro o tamanho da distância que percorremos a pé, nem da pra acreditar... A canseira era tanta que o sono bateu, o cansaço era grande, olho pro banco de trás e vejo que a Luci também está no mesmo estado: " pescando" e dormido. Tento não dormir e continuar a contemplar o caminho percorrido a pé, mas... Também cochilo.
      Chegando lá, descemos do carro com dificuldades: tudo dói! Descemos e alongamos, eu sigo mancando, a bolha que ontem eu furei voltou a encher e eu sentia a água dentro da bolha "chacoalhar" no meu pé desde de os últimos km do percurso de hoje.
      Chegamos cedo, as 14. O passeio é as 15. Dá tempo de pegar os bilhetes e escolher um lugar pra sentar. O lugar é lindo e cheio de cenários para fotos: portais com flores, carroças, bancos de madeira... Sentamos e ali mesmo tiro o tênis e furo de novo minha bolha da sola do pé, recoloco o tênis, continuo mancando...
      No sol, um calor gostoso e impossível ficar com blusa, na sombra... Um friioo... Tem que pôr blusa! Adriano deita no banco ao sol, faz das blusas um travesseiro e tira um bom cochilo, enquanto a gente aproveita o tempo pra tirar fotos nos cenários ao redor, e ver as fotos do dia.
      O trem chega apitando, e curioso é que a linha do trem é finita. Acaba Ali mesmo, mas o trem vai e volta... Por onde? Volta de ré?
      Embarcamos todos, tiramos fotos das janelas e inicia se um áudio com orientações sobre o percurso e orientações de segurança: "não coloque a cabeça pra fora, mãos... Não levante..." Heitor está do meu lado e me dá tanta bronca que mais parece minha mãe! Está com medo... O passeio começa e Maria fumaça sai apitando e fumaciando tudo... Passa pela mata, nas margens muitas casinhas singelas e precárias, chega a um ponto onde uma vista previlegiada do rio Itajaí Açu, túnel... Todos gritam... Muito legal, algumas luzes de celular mostram que o túnel é úmido, e depois do túnel logo chega a usina. O trem para e o áudio continua a explicar a história daquele trem, desde de sua construção até quando se torna obsoleto com a chegada das estradas, e que na verdade aquele trecho foi refeito para o passeio. Aí vem a surpresa que revela como o trem volta: basta virar o encosto para o outro lado, e sentar do contrário. Pronto! O trem volta pelo mesmo caminho. É um caminho reto. A volta é didática: parada pra encher os reservatórios de água (não lembro quantos mil litros) e depois uma para nova parada em cima do viaduto pra mostrar a capacidade de vapor, pede pra que a gente olhe pela janela e o que vimos é como se fosse tirar a pressão de uma panela de pressão, mas impressionante!!! O precedimento é repetido dos dois lados do trem, duas vezes pra que todos vejam, da pra ver que as pessoas que estão na rua, em baixo do viaduto, se desnumbram com a cena. O trem segue e finaliza o passeio no mesmo lugar em que começou. Saímos satisfeitos e felizes, e ainda tiramos fotos, tomamos sorvete e seguimos de volta pra Indaial, onde hoje foi o ponto de chegada da caminhada.
      Em Indaial, hoje muito cansadas e tudo doendo, acabamos topando a diária no hotel fink. Ponto de partida do caminho. O caminho começa aqui. Relembro que nossa opção foi começar por Benedito Novo pelo fato de não poder sair de Londrina antes do dia 11, e queríamos estar em Apiúna no dia 13 para o passeio de trem, só se chega em Apiúna no 8° dia de Caminho e se assim fosse, teríamos que sair 8 dias antes do dia 13, pois o trem só tem uma vez por mês.
      Sendo o hotel fink em Indaial o ponto de partida: lá adquirimos nossa credencial: com 3 dias de atraso. Custo: 20 reais. Junto com a credencial vem também uma planilha dia a dia que seguindo a dona do hotel, atualizada, e que aos poucos fomos notando algumas diferenças com a planilha oferecida pelo site oficial do vale. Custo da hospedagem: 280 para os 5. Pouco mais de 50 reais por pessoa, incluso café da manhã. Não é caro, mas para a família, se for pagar isso ao longo dos 9 dias, pesa!
      Banho quente, cama boa... O quarto tinha uma cama de casal onde dormimos as 3 meninas: eu, Luci e Heloísa, e duas camas de solteiro para os meninos. Estávamos tão cansadas que foi difícil ver as fotos do dia, mandar notícias e tudo mais sem que o celular caísse da mão... Lógico, não consegui escrever nada... Logo adormecemos. Dessa vez um sono só! Sem acordar de madrugada... Nada! Merecido descanso.
       
      4° dia vale Europeu - 14/06/3/21 - De Indaial à Timbó. 
      Pra aproveitar o pouso em hotel, dormimos até mais tarde, até porque o café da manhã era servido as 6:30. Então 6 hs estávamos nos arrumando. Não teve como não pensar: "a essa hora já estávamos longe ontem"...
      Mas mereciamos. Tomamos um café de rainha: ovos, bauru feito na chapinha, mamão, bolo, pão de queijo, suco de laranja, pão com requeijão, e ainda fizemos um lanchinho pra levar... 
      Meu rosto melhorou bastante passando o hidratante, antes de sair passo de novo o creme. As dores no corpo se foram e nada mais dói. Era quase 8 quando saímos, as crianças ainda dormiam, Adriano ficou de acorda las pro café, e nós, agora com as devidas credenciais e carimbo, com a planilha "atualizada" na mão, nos orientamos com a dona do hotel pra saída daquele dia e lá fomos nós para o quarto dia, rumo a Timbó.
      Demoro a perceber que estou sem os óculos, sei que usei ontem pra ver o celular antes de dormir, mas não faço idéia de onde estejam.
      Seguindo orientações, tínhamos que caminhar até a ponte dos Arcos, mas a sinalização de placas até lá e a planilha é bem confusa, porém é um ponto conhecido por todos na cidade. Procurando por orientações das setas brancas a gente se perde fácil nesse trecho, e lá se foram uns 2 km perdidas... 
      Achamos a tal ponte! E como os moradores disseram, eram duas pontes sobre o rio Itajaí Açu: uma paralela a outra, quando entramos na ponte dos Arcos, as pessoas num vai e vem que parecia segunda feira - e era - muito trânsito de carros, e de lá... Avista se a outra ponte: uma ponte mais normal. A ponte dos Arcos como o próprio nome diz, é formada por Arcos nas laterais, com passagem para duas vias de carros e duas passarelas para pedestre nas laterais. Quando saímos do outro lado, a indicação de pegar pra direita, independente da indicação, decidimos ir até a outra ponte, passar por ela e voltar, só por gosto, só pra poder fotografar a ponte dos Arcos à distância... Ida e volta na ponte, realizado o desejo de passar por pontes, lá fomos nós, só agora começam a aparecer setas brancas com uma certa regularidade. Eu já tinha colocado no Google maps o endereço de Timbó, por enquanto as indicações batiam.
      No trecho de atravessar a BR, muita confusão! Carência de setas, e uma obra no meio do caminho nos deixou completamente perdidas... Adriano que tentava seguir pelo mesmo caminho também encontrava dificuldades pra se orientar pela planilha e pelas setas que nesse trecho, não existem!!!
      Então íamos pelos próximos pontos de referência da planilha: como chegar a igreja tal... Tivemos que atravessar em meio ao canteiro de obras: muito barulho de máquinas, buracos, monte de pedras empilhadas... Passamos por ali perguntando para os trabalhadores: "pode mesmo passar aqui?" Atolamos o pé no barro branco que mais parecia argila, escorregamos... Enfim, depois de passar em meio ao canteiro de obras, cruzamos a BR... 
      Adriano deu a volta sabe se lá por onde e conseguiu atravessar, a partir daí, seguiu pra Timbó onde ia nos esperar.
      Seguimos agora guiadas pelas setas brancas que reapareceram, e já onze horas passamos por um bosque de Pinheiros cercados por uma cerca de arame farpado... Eu que adoro bosques assim, achei um buraco na cerca e pulei lá dentro. Incrível como depois de colocar os dois pés dentro desse bloco de Pinheiros e estar em suas sombras, muda tudo: o ar é puro, a sombra é densa e o clima é outro, frescor que se não fosse pelo corpo quente de estar caminhando sob o sol a pino e de agasalhos, eu diria que dentro da "floresta" é frio, sinto o frescor de estar dentro do mato, caminho um pouco entre os Pinheiros, fotógrafo, coloco o temporizador pra fazer fotos de mim mesma, aceno pra Luci pra que ela entre também, mas ela, prudente, prefere ficar na beira da estrada me esperando. Fico ali não mais que 15 minutos, saio pelo mesmo buraco na cerca que entrei e seguimos.
      Seguimos pelo caminho rural, de vez em quando uma seta branca, já quase meio dia encontramos um bar, uma venda no meio do nada. O bar é um luxo: com detalhes em madeira maciça, rústico. A dona, paranaense nos conta alguma coisa sobre Arapongas eu acho, Luci toma um café, e eu, acabo tomando mesmo é um sorvete! E água! Devem faltar 10 km ou pouco mais e eu não bebi quase nada de água. Me chama atenção uma cabeça de gado na parede, tipo empalhado, usando máscara, o relógio de parede feito de forma artesanal com uma roda de carroça e garrafas azuis de Skol, e já indo embora: uma gatinha coisa mais linda! De três cores, mas arisca! Tentei pegar no colo mas levei foi uma unhada no peito que por sorte, com as blusas, não pega muito! 
      Seguimos admirando e contemplado as serras, os morros... Sempre avista se uma casinha lá longe no meio das montanhas, que faz a gente acreditar que estamos dentro de um quatro, dentro de um filme! As propriedades na beira da estrada... Com lagoas e lindas flores nas cercas... já passa do meio dia quando chegamos a uma bifurcação onde uma placa indica: CACHOEIRA RECANTO BRILHO DO LUAR. Mas a seta branca manda subir. Os cachorros da propriedade que fica na beira da estrada chega latindo nos assusta, mas o dono vem atrás e resolvemos perguntar: "e essa cachoeira? É longe?" E pra nossa surpresa ele responde: "a 50 metros". Não precisou nem falar, só olhamos uma pra outra, e olhamos pro dono da casa e provável prioritário da cachoeira, ele disse pra gente: vão lá! Pode ir...
      Realmente, não mais que 50 metros. Era um lugar com algumas mesinhas e tudo mais, tipo, com infraestrutura pra se fazer um churras... E muito limpo, não havia lixo algum, eu já logo tirei a mochila das costas, tirei a blusa, fiquei só com top, tirei os tênis e meias, entrei devagar margeando a cachoeira, tinha um caminho feito com madeiras até a queda d'água que descia pela pedra, uma pedra enorme num angulo que parecia um escorregador gigante, de onde a água deságua... Dava pra deitar sobre a pedra e lá ficar, e a pedra não era toda tomada pela água, só no meio é que corria a água, talvez depois de chuvas o volume aumentasse, mas era mansa, com as pedras secas era possível subir até lá em cima. A água descia e formava uma enorme piscina que eu não me atrevi a entrar, embora o fundo fosse visível nas bordas... O meio, sabe lá né. A água... Gelada como água da geladeira!!! Não tive coragem de molhar além dos quadris. Luci tirou os tênis e molhou os pés, nada mais. Ficamos por ali cerca de meia hora. Voltamos.
      Seguindo pela indicação das setas brancas, um caminho em meio a mata nativa, uma vegetação linda, aqueles arbustos que tomam conta das árvores, flores pelo caminho e uma subida de tirar o fôlego, forte concorrente pra ser eleita a mais terrível do circuito, quase um rapel! Fizemos um bom uso do cajado. Subimos em silêncio e eu... Até pensava em parar pra descansar, mas fui no ritmo da Luci, me senti mais velha do que ela ao ser deixada pra trás, então apressei o passo, foram ... Sei lá, uns 2 km de subida assim, parecia que estávamos subindo um escorregador, no caminho eu ia pensando na blazer, se subiu tudo aquilo sem problemas.
      Passamos por uma entrada secundária que era uma descida tão grande que mais parecia um buraco. A curiosidade bateu e desci, cerca de uns 50 m de um lindo caminho, uma propriedade encantadora, uma das mais lindas talvez... Um lago com patinhos, ao redor, mata muito bem cuidada e preservadas, nos fundos uma casa linda, uma roda d'água em movimento nos fundos da lagoa. Cheguei com receio de cachorro, chamei por "ó de casa", nada, ninguém em casa. Meio de longe só fotografei, não quis me adentrar na propriedade alheia.
      Subindo e subindo... Uma capelinha, uma placa do circuito anuncia um hotel: Hospedagem rural fazenda sacramento. Paramos pra tirar fotos enquanto chega um carro, uma moça pergunta: "estão precisando de algo? Água, banheiro?" Falamos que estamos fazendo o circuito, que está tudo bem... Mais pra frente vou lembrar essa mesma moça que agora esbanja simpatia, negando pra gente um simples carimbo na credencial. Ela nos diz: pra Timbó ainda falta uns 8 km, mas pelo menos não tem mais subida! E gente contando que só tinha uns 4... Pelo menos, não tem mais subida. E não tinha mesmo, descemos e descemos... Entrando na cidade, mais pontes: em meia hora duas pontes pencil, lindas, andamos e tiramos as clássicas fotos de costas, andando pela ponte... Passamos pelo Museo da música que a essa hora já estava fechado. Quando chegamos já era quase 17 hs. Chegamos em um lindo parque com mais uma ponte pencil, Adriano e as crianças já haviam passeado por ali, mas mesmo muito cansadas, ainda passeamos por todo o parque. Do outro lado da ponte, uma linda casa em estilo enxamel, e por trás de casinha, uma linda escadaria, mais uma roda d'água, tratava se de um lugar turismo, um parque que marca o início e o fim do circuito do vale europeu. Tudo muito bonito. Finalizamos o trajeto de hoje com 40 km, apesar do record em distância, a bolha do pé totalmente sanada, e o cansaço é grande, mas dores não temos mais. Nos sentimos mais fortes. Carimbamos nosso passaporte num hotel tão bonito e luxuoso que não tivemos coragem de perguntar o preço. 
      Não achamos nenhum posto possível para passar a noite, então procuramos jantar em uma lanchonete, em seguida: sorveteria 60 sabores!!! 😃 Que delícia: sorvete sabor de nozes, sensação, maçã verde... Orientamos as crianças a irem no banheiro sabendo que depois não teria mais como. Voltamos ao lugar estacionado, perto da tal praça e parque que foi ponto de nossa chegada, e ali mesmo, no centro da cidade, arrumamos nossas camas: malas por baixo, colchonetes por cima, escovamos os dentes com água das garrafinhas, deitados agasalhadas, sem banho, não era nem 21 hs e todo mundo na cama, quer dizer: no carro... Momento de ver fotos e mandar mensagens, usei o celular até dormir (o que não demorou) e a bateria ficou abaixo de 50, no carregador da bateria do carro ficou o carregador externo, pra garantir nossas baterias de amanhã pelo caminho. 
      E sabe que já estamos nos habituando com essa cama que hoje, até parece bem mais confortável... Dormimos, acordei algumas vezes, mas dormi bem.
       
      5° dia vale europeu - Timbó à Pomerode - 15/06
      Acordamos cedo, mas nem tanto... Antes das 6! Dessa vez deu até vontade de ficar na cama... Mas levantamos e comemos frutas e um resto de pão que ainda tinhamos, arrumamos frutas na mochila e partimos as 6:30, sem banheiro, só escovamos os dentes com água de garrafas, mas como o pouso era numa vaga no centro da cidade... Sem banheiro, e assim Adriano prometeu acordar às crianças e já sair dali em direção à algum posto onde pudessem usar banheiro. Nosso banheiro foi o mato, mas ainda demorou um bocado pois até a gente fazer a primeira parte do trajeto, uma parte urbana... E com tudo fechado, a cidade ainda dormia... banheiro pra nós demorou.
      Logo quando a gente entra em espaço rural, árvores margeando a estrada e uma nuvem de passarinhos brinca no céu, todos faceiros e assanhados... não estão migrando pra lado nenhum... Estão apenas celebrando o novo dia, são várias nuvens, elas vem e voltam pras copas das árvores, como se ali fosse o pique de um pega pega no céu. As árvores estão repletas de passarinhos... todas elas, e os bandos ficam se alternando pra apresentar no céu o balé das andorinhas. Acho que são andorinhas, são pássaros pretos e muito pequenos, mas se "uma andorinhas só não faz verão"... Um monte com certeza faz porque e lindo de ver... Ficamos ali olhando pra cima um bom tempo, inutilmente tentando fotografar, gravar... Nada pode registrar com exatidão a beleza daquele espetáculo. Aliás, todos os dias a essa hora, em estradas assim a perder de vista... Sempre caminhamos embaladas por trilha sonora do canto dos passarinhos... E muitas vezes eles estão ao nosso lado nos fazendo companhia: são pequenos, azuis, cinza, verdes, pretos, brancos... Como é bonito ver passarinhos solto na natureza. Fico pensando que gosto pode ter alguém que cria passarinhos em gaiola!!!! Nunca entendi essa ideia de se ter passarinho como bicho de estimação.
      Já na SC 110, uma capela a beira da rodovia nos faz atravessar a pista, e entrar... Lá, vitrais coloridos com lindas imagens, e no teto, uma pintura ilusionista nos remete ao céu... Uma paz... Atrás da igreja, um cemitério com o mesmo nome da igreja: São Roque.
      Ainda perto dali passamos por uma escola municipal e o que me chama atenção é as crianças em idade de ensino fundamental, brincando na quadra de bola queimada, o professor olhando, todos de máscara, sem exceção! E fico a pensar: tai a nossa nova realidade... E como é difícil praticar esportes com máscaras! Principalmente envolvendo corridas, tanto que futebol e outros esportes em equipe jogam sem ela (claro, sabemos que eles fazem teste rotineiramente e seguem uma série de protocolos). Ao ver crianças tão pequenas se acostumando ao uso de máscaras até na hora de jogar bola queimada, penso que o mundo nunca mais será o mesmo! Máscaras farão parte do nosso dia a dia tão costumeiramente que serão como os celulares: os jovens de amanhã não terão lembrança de um mundo sem máscara! 
      Em frente a escola num canteiro... Um balanço enorme instalado ali... Porque eu não sei... Ah!!! Um balanço!!!!!! Não resisto!!! Deixo meu cajado num cantinho e corro sentar nele!!! Dá pra perceber que atrás do balanço tem um pequeno morro, que o balanço tem corda de sobra pra que se suba no barraco levando uma ponta da corda e consequentemente, o balanço... De forma que a largada seja lá de cima do barraco, e isso faça o balanço ir parar nas alturas!!!! Lógico!!! Me lembro de Minas (em Minas, em uma das paradas na casa de uma família, um balanço amarrado a uma árvore imensa, um barranco atrás... Dava pra balançar tão alto que quase cheguei ao céu!!!) Mas agora eu não tive coragem de subir no barranco, até porque em Minas eu fui puxada pro barranco depois de sentar no balanço pelo dono da casa... Mesmo dependo só do meu impulso... Que delíiiiciiaa!!! Enquanto balanço eu canto pra mim mesma que "🎶a felicidade está no caminho..." E ou a música, ou o próprio balançar, ou os dois me fazem encher os olhos d'água. Tenho que deixar a Luci balançar também né!!! Ela balança, adora... Ficamos ali mais um tempo, mais um pouco pra mim, mais uma vez pra ela... Duas crianças brincando...
      O próximo trecho a chamar a atenção foi uma área cercada e um lago repleto de flores de lótus, eu nunca tinha visto uma flor de lótus, é de uma beleza hipnotizante, dava vontade de ficar olhando e não sair mais de lá... É como uma música boa... Só de olhar faz bem, faz a gente se encantar pela beleza, a gente se alegra por estar ali vendo, os olhos se enchem de tanta beleza é como se tudo no mundo fosse tão bonito quanto... Você esquece do resto! Simples assim... Essa sensação é fácil de entender quando estamos diante de coisas monumentais como quenios, picos, cavernas, desfiladeiros, infinitos, cachoeiras majestosas (cito exemplos de coisas que eu já vi e já senti essa sensação) mas foi uma flor!!!! É a delicadeza que encanta! Uma beleza que te preenche.
      Mais pra frente, de novo uma floresta de Pinheiros, cercada, dessa vez eu e Luci pulamos lá dentro, o acesso tava mais fácil... Andamos, tiramos fotos, usamos o temporizador, curtimos a floresta...
      O caminho ainda reservava mais pontes, na maioria das vezes pontes pequenas que cruzam córregos que vão pra propriedades particulares... Nós, só íamos e voltamos só pra dizer que passamos por lá. Lamento não ter contando os quantas pontes passamos. Passamos por uma parte cuja vegetação nativa encantava: uma cortina de cipós era tão bonita que parecia coisa de decorador, e era né, o maior de todos os arquitetos: Deus, a Mãe Natureza... Conversamos sobre essas passagens onde a natureza é intocável, onde as cachoeiras e a vegetação é inacessível, que ali a única interferência é a estrada de chão que passa. Como é bonito passar por lugares assim, e por aqui as pessoas parecem saber o valor dessa riqueza pois não há lixo, apesar dessa característica vegetação nativa e intocável em muitos trechos, a região é habitada, mas não vimos descarte irregular em nenhum lugar dos 245 km em que andamos, uma ou outra latinha em meio as rodovias, que diferença! Essa deve ser uma das razões do nome Vale Europeu.
      Ainda na estrada de chão numa bonita propriedade rural com uma casa em estilo enxamel, um cachorro nos assusta de verdade... Não deixa a gente passar, avança na gente, somos socorridas pela dona do bichinho que jura, é manso... Mas fica difícil de acreditar, ela precisa pegar no colo! Foi o avanço de cachorro que eu mais tive medo do caminho.
      Saímos da estrada rural. Normalmente o dia é divido em três etapas: a saída que quase sempre passa pela cidade e rodovias, a parte rural ou em meio as matas, e a aproximação com a cidade de chegada em meio ao perímetro urbano e ou rodovia de novo. E já perto de Pomerode, de novo cachorros! Mas sempre quando vem cachorros assim eu primeiro tento a conversa mole, e funcionou: o bichinho abanou o rabo e se derreteu todo. Aliás, já eram dois, uma cachorra grande e um pretinho, a cachorra é tão afável que chega a deitar no asfalto de rolar de barriga pra cima pedindo atenção. E pronto! Temos companhia! Eles nos seguem por um bom trecho. A cachorrinha fica em um ponto de ônibus porque as pessoas começam a conversar com ela inclusive chamando pelo nome: Lady. As pessoas nos contam que ela é da redondeza, e por lá ela fica, aos carinhos do pessoal do ponto de ônibus, e a gente segue na companhia do cachorrinho preto que nos seguiu por 5 ou 6 km, inclusive na rodovia, e a gente... Morrendo de medo dele ser atropelado naquela rodovia apertada e sem acostamento. 
      Entrando em Pomerode, ausência total de setas brancas, sabemos que temos que chegar no portal de entrada na cidade, mas uma bifurcação aponta pra Blumenau, e nada de setas. Jogo no Google: portal de Pomerode, me informo com moradores, a gente vai por essas informações, e pelo meio da cidade, abandonando as orientações das setas brancas. Viramos uma esquina e pá: a galera lá tomando sorvete! A surpresa nos faz esquecer nosso amigo cachorro que até aquele momento estava conosco... Conversando com Adriano e as crianças que nos dizem estarmos próximos ao portal. Terminamos de chegar acompanhadas pela galera e quando vamos contar que o cachorrinho veio junto, já não tá mais! Seguiu sozinho!
      Caminhamos aquele último quilômetro acompanhadas das crianças e Adriano, ouvindo os relatos de todos sobre os passeios do dia: foram no zoológico, na vila dos dinossauros, no Museo... Muitos bichos lindos no zoológico... E nós ainda tinhamos que almoçar, estávamos cansadas, acabamos dizendo que tudo bem ficar sem ir no zoológico né, afinal, a galera toda já foi... Não vão querer ir de novo! Fizemos a foto de final da caminhada em frente ao portal: 24,58 e mais algumas fotos, ali mesmo era possível carimbar a credencial e partiu almoço.
      O almoço estava no carro nos esperando... Uma marmita fria mas deliciosa, o carro que estava estacionado na praça da cidade do lado do letreiro: eu amo Pomerode... Serviu de ponto para um delicioso descanso: Adriano dormiu uma boa soneca pós almoço, Luci também, eu dei umas pescadas e depois de um merecido descanso, fomos procurar um pouso que aliás, estava bem próximo de nós: ali mesmo em frente ao portal ficava um hostel, com um anúncio de pouso coletivo ou coisa assim. Entramos e um jovem muito simpático nos atende, liga pra mãe e pergunta quanto ele deve fazer, desliga o telefone e faz um excelente preço: 240 reais. Ficamos com o hostel que não servia café mas tinha uma cozinha coletiva, porém éramos os únicos hóspedes. Tivemos que esperar o menino terminar de limpar o quarto, o que durou cerca de meia hora ou mais, entramos no quarto muito confortável com uma cama de casal e duas beliches (até sobrou cama) banho quente e partiu mercado: compramos pizza pra fazer e pães com mortadela pra amanhã. Descanso garantido... Dormi como rainha.
      Depois Heitor contou que ouviu de madrugada alguém bater na porta e perguntar se tinha alguém, provavelmente em busca de pouso... Mas ninguém atendeu o pobre... Aquela casinha parecia ter apenas a gente mesmo. Eu não ouvi nada. 
       
       
      6° dia vale europeu - 16/06 - de Pomerode à Rio dos Cedros.
      Até que acordamos cedo: umas 6 hs, mas até tomar café... Saída às 6:50. Mas... O trajeto de hoje pela planilha era só 17 km, susse. Saímos do hostel e deixamos Adriano ainda com as crianças dormindo. Passamos pelo portal amanhecendo o dia, e já pegamos a rodovia, mas a rodovia muito bonita, rodeada de mata nativa... Com o rio correndo nas margens... Logo surge um luxuoso restaurante: restaurante recanto do salto. O rio passa entre as pedras, uma ponte de madeira faz a ligação para o restaurante, em baixo da ponte uma deliciosa cachoeira. E aquela hora do dia tudo estava fechado, mas a passagem da ponte ficava aberta, entramos, eu entrei até na água - só os pés, mas já valeu!
      Saindo de Pomerode, passamos pelo Museo do imigrante, uma linda construção em estilo enxamel, a foto de um relógio enorme em um monumento registra a hora daquele momento: 8:10. Nada de setas brancas, é preciso se informar com funcionários do Museo.
      Passamos por mais uma igreja luterana (são muitas lá) e em frente a uma linda roda d'água (também são muitas).
      Pela rodovia uma placa indica que cruzamos a fronteira de Pomerode com rio dos Cedros, brincamos com isso: tipo, aqui Pomerode, aqui Rio dos Cedros, em uma diferença de um pulinho.
      Já são cerca de 11 horas e como o trajeto de hoje é pequeno ... Não custa desviar um pouquinho...
      Avistamos uma igreja láaaa no alto, a rua nem é nosso caminho, mas bem dispostas vamos até lá...
      E chegando lá: uma subida quase na vertical de... Uns 150 a 200m, mas de respeito hem! Ficamos imaginando as velhinhas beatas pra ir à igreja todos os domingos!!! Bom, a igreja por fora é linda e por dentro estava fechada. Que pena.
      Fechamos o dia na praça, na igreja matriz de Rio dos Cedros, cerca de 13 hs, aos 20,59 km, nem deu pra cansar. A praça é enorme e a igreja está sendo lavada, então não dá pra entrar, chegamos a ir até lá, mas o funcionário nos atende com indiferença e nos diz que não, por ali não vai passar, procurem a entrada lateral. Ao fazer isso, outras duas moças que parecem conhecer bem a igreja nos atendem com a mesma indiferença: está fechada. Tava na cara que éramos de fora, poderiam ter sido mais maleáveis...
      Na praça fica um parque, as crianças brincam no parque, eu ainda tenho disposição pra brincar também, mas agora que já está tudo sossegado, olho no celular e vejo uma mensagem: "Patrícia, é do hostel de Pomerode, você esqueceu um agasalho bege"! Lembro que saímos e como sempre, quem organiza as coisas pra ir embora é sempre Adriano. Nem falo nada, só aviso da mensagem e lembro que dentro do bolso daquela blusa há 150,00. Bom, tá decidido né, vamos voltar de carro, já que é perto. 
      Antes vamos almoçar em um restaurante, deliciosa comida, e satisfeitos, voltamos de carro à Pomerode.
      No caminho vou lembrando que eu não fui no zoológico, que ainda é cedo e que eu não estou nem um pouco cansada hoje. As crianças endoidam!!!! Querem ir de novo. Luci não quer ir, chego a dizer que posso ir sozinha, mas as crianças batem o pé, quem ir... Luci se deixa convencer, e lá vamos nós... Blusa resgatada, partiu zoológico!
      Foi a melhor coisa esquecer a blusa. Logo na entrada do zoológico um bando de Guarás!!! Que coisa mais linda, que espetáculo, ficou encantada, mas tão encantada que poderia ficar ali que já teria válido minha visita; são aves de uma coloração vermelha intensa, nunca tinha visto... o zoológico é lindo, verde, tem pássaros coloridos, patos, macacos, pinguins!!!! Isso mesmo, pinguins!!! As crianças se sentem nossos guias, se divertem mostrando tudo já com conhecimento prévio. E o Tigre!!!! Como é lindo o tigre!!! Fico hipnotizada por eles, tanto que as crianças dizem: "mãe, já deu, vamos mãe, não olha ele no olho não" o tigre parece mesmo estressado e nervoso, parece enfadado daquele lugar, e se ele quiser dá impressão que poderá mesmo pular em cima de alguém e vencer o buraco que há entre ele e o visitante. Mas é lindo demais, ele desfila diante de nós e nos encara, o tal olho no olho é mesmo hipnotizante. Já a onça é tão bonita e encantadora quanto, mas está localizada num buraco muito abaixo de nós, e embora pareça tão nervosa quanto o tigre andando pra lá e pra cá, só conseguimos vê lá de cima pra baixo, e não rola o olho no olho. As araras e papagaios das cores mais lindas que tem na Caixa de lápis de cores de Deus: vermelhos, amarelos, verdes tão intensos que deixa no chinelo qualquer Matisse ou Van Gogh, azuis de fazer inveja a Yves Klein.
      Passamos por dentro de um viveiro de aves com passarinhos de todas a cores e tamanhos, lindo, grande, mas... Ainda acho que lugar de passarinho é mesmo na floresta, e aliás, de todos os bichos...
      A zebra: será preta de listras brancas ou branca de listras pretas? Martin que o diga! E por último, os encantadores flamingos cor de rosa... Saimos de lá satisfeitos e felizes, valeu ter esquecido a blusa! Partiu rio dos Cedros. De volta à praça da igreja, tive a ideia de falar com o padre, pedir autorização para pouso no pátio do estacionamento da igreja do lado do banheiro. Nos apresentamos como caminhantes e dissemos que estávamos fazendo o vale europeu. Mas a resposta: "não. Vocês podem ficar com a praça, é seguro lá". O padre tão simpático como os funcionários da igreja! Sendo assim, fomos pro posto que perto das 21 hs fechava, mas ali jantamos uns pães de queijo e usamos os banheiros pra escovar dentes e tal, mas banho mesmo... Hoje não deu! Pouso arrumado, esquema de sempre: malas por baixo, cama por cima... Ninguém mais reclama, partiu descanso, amanhã tem mais.
      No carregador do carro fica o carregador externo, e o celular eu olho a fotos do dia antes de dormir, mas vai amanhecer a menos de 50%. 
       
      7° dia vale Europeu, de Rio dos Cedros à Benedito Novo - 17/06
      Saímos tarde, 7 hs, e logo já estávamos em meio as estradas de terra, até passamos por um pouco de pés de café, os únicos que vi em todo o caminho, se quisesse dava até pra contar quantos pés de tão pouco, mas o suficiente pra me trazer a lembrança a imensidão da lavoura de café de Minas. O Horizonte era rodeado por montanhas e a névoa encobrindo tudo, um lindo cenário, logo estávamos subindo morros... Passamos por uma igrejinha simpática, e a subida começa a ficar cada vez mais ingrime... Até que chega a um ponto onde se vê um enorme desfiladeiro, uma visão panorâmica de encher os olhos nos faz avistar a Igrejinha que passamos a pouco como um pequeno ponto lá em baixo, rodeada pela neblina: coisa mais linda, um trecho tão lindo que merece uma parada e um tempo pra contemplação, fazemos fotos mas nada é capaz de reproduzir a beleza que vemos. 
      Vimos nascentes brotando em meio a vegetação nas encostas das montanhas, e algumas pequenas cachoeiras e córregos límpidos em quintais de propriedades, quanta riqueza... Subindo, subindo... E de repente, estamos de novo no asfalto e logo chegamos ao letreiro: #eu ❤️ Benedito Novo. O letreiro é colorido e está em frente a um bonito parque, um imenso gramado Verde, um monumento de peixe e as bandeiras da cidade, um portal todo adornado com rosas para servir de cenário para os apaixonados... Linda praça. Ficamos felizes porque chegou... Só que não! O ponto de chegada ainda está longe. Seguimos agora pela rodovia SC 477 e passamos em frente a uma linda construção em enxamel com flores coloridas em floreiras, mais adiante outra igreja Luterana e dessa vez os sinos começam a badalar assim que estamos passando... Ficamos encantadas e preferimos acreditar que nossa passagem é a razão das badaladas. 
      Mais pontes, e quando menos se espera, as setas brancas nos tiram da rodovia e indica pra entrar de novo em estradas de terra (sim, por já ter passado pela entrada da cidade, saber que estávamos chegando, acreditávamos que já era última etapa via asfalto, a parte urbana do final) e pra variar... Subida! Subimos meio na incerteza, e foram cerca de uns 2 a 3 Km. Logo passamos por um trecho que indicava o caminho para doutor Pedrinho, entendemos que no dia seguinte com certeza teríamos que voltar um pouco e passar por ali. Em seguida chegamos a uma ponte para pedestre, estreita, de madeira, e que na verdade por ali passam muitas motos e bikes, a ponte dá nos fundos de um mercado, e uma trilha faz chegar a beira da estrada. A blazer está estacionada do outro lado da BR, num posto de gasolina. Fim do trajeto de hoje aos 25,55 km. Entendemos que o desvio pela estrada de terra é só uma estratégia pra deixar o caminho mais bonitos e menos urbano, pois saímos da SC 447 e nela estamos de novo. 
      Almoçamos ali uma marmita fria, mas deliciosa temperada com o melhor de todos os temperos: a fome, na companhia de Simba, um lindo cachorrão fila, branco com pintas pretas e cara de bobão, não assusta ninguém!!! Havia uma colera com plaquinha gravada o nome: "Simba. Sou grande mas sou amigo, sou do rolê e meus donos me amam" e o número de telefone. Penso em ligar mas a lojinha do lado do posto me informa que Simba é de lá, mora lá em frente e está acostumado a "conversar" com todos que passam por ali. Com ele eu me encanto: ele senta, da a patinha... ganha um pouco do nosso almoço e nossos corações. 
      Adriano nos conta que o posto não é 24 hs, e não é muito simpático, então de carro voltamos lá na praça do peixe, do #amo Benedito Novo, brincamos com as crianças e até uma corrida pra ver quem chega primeiro de um gol a outro que, lógico, quem ganha é Adriano. Essa praça fica em frente a um posto, ali estacionamos a blazer e nos informamos sobre a autorização para um pouso, mesmo não sendo 24 hs, por ali vamos ficar. Tem chuveiro só no banheiro das mulheres e o banho custa 10 reais, pagamos 4 banhos - Heloísa não quer saber - o chuveiro... Água só quebrava a friagem, nem norma pode se dizer, fazer o que! Tomamos o banho protestando cada um pra si mesmo, e devolvemos a chave com o banheiro aberto, fomos procurar algo pra comer na esperança de chegar e encontrar o banheiro ainda aberto. 
      Atravessando a rodovia um pouco pra esquerda, uma boa pizzaria: barata e gostosa, um lugar agradável, excelente atendimento, tocava Jack johnson, muito bom. Chegamos de volta em casa - a blazer estacionada nos fundos do posto - o banheiro estava fechado, bobagem acreditar que eles fechariam o posto e deixariam o banheiro feminino aberto. Mas ... O banheiro masculino (horrível) ficaria aberto a noite toda, menos mau. Atrás de onde está a blazer tinha uma oficina mecânica que ao contrário do posto, parecia não ter hora pra fechar, aliás, o atendimento já estava encerrado, mas os funcionários, uma galera de rapazes, armavam uma festa com som alto e cerveja, a noite prometia não ser muito tranquila. Arrumamos a cama e deitamos, com tudo fechado já não se ouve tanto o barulho da festa. E naquele momento em que você pega o celular pra ver fotos do dia e tal... Me lembro que o óculos que enfim havia achado em meio as malas ontem, eu tinha esquecido lá na pizzaria 🤦! Eu sei que o óculos tá com a perna quebrada, mas no momento é o único que tenho, levando e aviso que vou voltar lá na pizzaria!!! AFF, naquele frio, vento, com o cansaço do dia, lá vou eu em uma caminhada noturna e sozinha... Atravesso a rodovia, chego na pizzaria e a mesa em que comemos ainda está do mesmo jeito, ainda está tocando Jack johnson (agora upside down)... O óculos está lá, do lado do prato... Pego, agradeço, e parti pra casa quase que correndo. Mau fiz uso deles, logo dormi.
       
      8° dia Vale Europeu - de Benedito Novo à doutor Pedrinho - 18/06 Acordamos tarde, lá pelas 6 e tanto já quase 7. Até comer, se arrumar... Lembrando que ontem optamos por pouso na entrada de Benedito Novo, mas o ponto de chegada não era esse, e sim a cerca de 6 km daí, sendo assim, Adriano nos levaria de carro pra lá, onde começa de fato a trilha de hoje. Então não basta nós estarmos prontas, hoje é preciso acordar às crianças pra que todos saímos daqui de carro. 
      Mochila feita (hoje a capa de chuva vai na bolsa), dentes escovados, café tomado, crianças acordadas... Só sair com o carro... Mas o carro não sai! Sem bateria. Adriano diz que a bateria realmente nunca foi trocada, que tem mais de dois anos sem trocar e que ali onde estamos não dá pra dar tranco, e melhor é comprar outra lembrando que nos fundos do posto, ou seja, do nosso lado, a oficina mecânica que ontem ficou até tarde fazendo festa, deve ter bateria pra vender. Ele desce do carro e pede pra esperar, meche aqui meche ali, mas nada, o carro não sai do lugar. 
      Decidimos ir dali mesmo! Eu tenho plena convicção de que Adriano vai tirar o carro de lá, talvez antes mesmo de abrir a oficina. Mas nós se ficarmos esperando vai ficar muito tarde. Lembro que ontem quando passamos por aqui (a entrada de Benedito Novo) estávamos há pouco mais de 6 km da chegada (chegada que seria o começo do dia de hoje) porém ainda entramos em um trecho de estrada de terra, mas que foi dar de novo da SC 477, então se fizermos direto, sem entrar na estrada de terra, chegaremos talvez mais rápido. Luci topou na mesma hora! E assim fomos: saindo da entrada de Benedito Novo pela rodovia direto até o ponto onde de fato começaria o trecho de hoje.
      No caminho... Passamos reconhecendo os pontos de ontem: a construção em enxamel, a igreja luterana... Até que desobedecendo a setas brancas e não entramos na estrada de chão, pela rodovia surgiram belezas que não tinhamos visto: pontes, a vista do rio Benedito, a construção de um túnel no meio do caminho, um mirante com escadas circulares que oferecida uma visão panorâmica do rio e dos arredores. Continuando subindo e subindo, a prosa tá tão boa que já esquecemos que esse pequeno trecho nem tá na conta, e que a hora vai longe... E quando só faltam menos de 2km, Adriano nos acha! Mas agora a gente já não quer mais carona, já incorporamos o trecho a mais. Logo no ponto final do trecho de ontem e começo correto de hoje, paramos todos pra café (um longo café numa padaria ótima) e em seguida mercado... E lá está nosso amigo Simba, passeando pra lá e pra cá. Voltei ao mercado e comprei mais um pão pra fazer um sanduíche especial pra ele, mas quando saio do mercado, cadê? Não acho mais. 
      Nos despedimos de nossos apoios e seguimos tentando não pensar que na verdade, estamos começando o dia de hoje quase 10 hs. Deixo o sanduíche do Simba com a crianças que ficam com a missão de encontra lo, e nós, seguimos pelo trilho atrás do mercado e atravessando pela última vez a ponte de pedestre sobre o rio Benedito. 
      No caminho de hoje mais pontes, nem que seja pra ir e voltar, a gente desvia um pouquinho... Caminhos de estrada de terra lindos, com vegetação nativa, flores, pássaros... Ah... E cerejeiras... As cerejeiras chamam atenção de Luci, lembram o Japão. Propriedades com quintais de encher os olhos, com lagos, montanhas, córregos, um cenário lindo. De repente em uma entradinha... um córrego... Um lugar feio cheio de lixo reciclável, mas mesmo feio, comparado aos nossos barracões de reciclagem tava bonito, nada fora do lugar, nenhum papelzinho jogado no chão, nada disso. São materiais recicláveis amontoados numa espécie de barracão. E ao dar a volta e seguir o curso do córrego e o som das águas... Uma surpresa: uma linda cachoeira nos fundos desse lugar. A cachoeira em si é difícil de acessar pois tem uma ampla piscina que sabe se lá a profundidade, e difícil de ser contornada, mas há uma tubulação que vem de lá da queda d'água e chega até os fundos do barracão e deságua numa bica como se fosse um chuveiro gigante!!! Tipo o "bicão" de Minas (uma bica d'água num cano de PVC que fica depois de uma rotatória na saída de ... ) Só que umas 5 vezes mais forte, pois o cano de PVC aqui é de um diâmetro... Sei lá, uns 6 de raio por aí. A bica é forte e... Gelada!!! Como eu sei? Porque não resisti e entrei lá!!! Tinha prometido pra mim mesmo que não iria entrar na água!!! Mas diante de um chuveiro desses... Ah!! Olhei bem ao redor, afinal era um barracão, ninguém por perto... Pra entrar eu teria que tirar quase toda a roupa, pois é diferente de entrar só com os pés ou sentar na água, aquilo era um chuveiro!! E o frio que fazia... Depois pra mim seguir molhada! Parti do princípio que "tudo vale a pena quando a alma não é pequena" e tirei os tênis, meia, calça, blusa de frio, blusa de baixo... O top? 🤔 Pensei, pensei... Não, esse não tirei... Fui chegando perto... Friiooooo!!!!! 🥶🥶 Achando lugar primeiro para os pés, e foi!!!! Nossa que gelo!!! Acho que não fiquei nem 10 segundos! Luci só sabia dizer: cê é doida! Com o celular na mão, Luci se preparava pra bater mais fotos e eu me preparava pra mais 10 segundos: pensei: vou entrar mais e ficar mais. AFFF, devo ter ficado uns 12 segundos agora, mas só na beiradinha da bica, e ainda encolhida. Não! Assim a foto não fica boa!!! Tenho que entrar com tudo e jogar os braços pra cima como se a água estivesse quentinha!! Lá vou eu de novo... 1,2,3 e vou eu... Mas a força da água é tanta que eu simplesmente não consigo entrar na luz da bica! Levanto os braços pra cima e comemoro! Fico o máximo que consigo! Show! 
      Saio, tiro o top, torço, uso ele mesmo molhado pra me secar e me visto  com uma camiseta que está na bolsa, a blusa de manga longa por cima e o blusão de frio. A calça vai com muita dificuldade... Meias e tênis, seguimos, eu com os cabelos molhados, calça molhada e tremendo de frio...
      Logo que saimos dali cerca de uns 300 m encontramos nosso apoio, Adriano me pergunta porque estou molhada, falo que porque não resisti a um chuveiro gratuito no caminho, o único problema foi que era pior que o posto de Benedito Novo, não esquentava nem a pau! Mas ficava a dica: um bom banho gratuito de lavar a alma. Adriano nos avisa que já percorreu o trecho todo e que vamos chegar a um lugar onde não tem nada, e que já estamos quase chegando. A chegada de hoje é na igreja nossa senhora da Glória, mas a quilometragem não bate, estamos com 6 km a mais e mesmo assim ainda tem chão pra atingir a quilometragem do dia que é 26 e tantos.
      Passamos por uma igreja enorme, pegava toda a quadra, paróquia nossa Sra de Lourdes. O muro que contornava a esquina tinha um nicho pra cada santo, como se fosse uma capela pra cada um... Tanto santo que desisti de fotografar todos! 
      E mais pontes, e mais capelinhas, e mais lindas estradas... E nisso o tempo vai esfriando... Já passava das 13 e nada de sol dar as caras, o tempo fechado e o frio só que aumenta, vamos subindo e subindo... Cenários bucólicos, pitorescos... E de repente nosso apoio que já foi, voltou, passeou e continua a nos escoltar passa por nós, vai encostando o carro no intuito de parar e... O carro vai atolando!!! Como se fosse uma areia movediça!! Não dá nem tempo de tentar acelerar, a estrada sem acostamento mas também sem meio fio pois é de terra... Eu vejo aquela cena e levo as mãos na cabeça dizendo a Luci que dali o carro só sai com ajuda. Adriano saí do carro rindo pra não chorar, e não é que vinha vindo um caminhãozinho no sentido contrário! Nosso desespero não durou nem um minuto! Naquela estrada que não passava ninguém de repente surgi justo um caminhãozinho!!! São dois homens, eles param e dizem dando risada que já caíram naquela mesma situação, o terreno ali é uma espécie de lamaçal, de pantano... 
      Enquanto os homens conversarem eu abro a porta e "salvo" as crianças, a blazer parece afundar cada vez mais! Os meninos passam uma espécie de fita, uma corda larga como uma fita, e puxam de ré a blazer: a fita arrebenta!!! Pois não é que os cara tinham um cabo de aço! Nos disseram que colocaram o cabo de aço novo no carro naquele dia! Agora sim, o caminhão puxou a blazer de ré, e viva!!!!! A roda traseira inteira atolada, e a dianteira quase inteira! Comemoramos, agradecemos e eles seguiram... Adriano vai embora sem nem se quer nos falar o que tinha pra falar quando encostou a blazer no acostamento! Mas não vai muito longe... Anda cerca de uns 500 m e vira, lá fica estacionado... Ainda falo brincando: ué? Será que atolou de novo? Pelo que parece não. Está apenas nos esperando. A estrada é tão limpa que nos permite ver a blazer nos esperando.
      Mas nós não temos pressa! Ao passar pela cerca de uma propriedade, um bebê cabritinho vem correndo ao nosso encontro e dizendo: béééé... Que fofinho, quanto mais a gente conversa com ele, ele responde béééé, a cerca é longe e não alçando pra fazer um cafuné... Vamos seguindo que estamos sendo esperada mais a frente. 
      Chegamos ao ponto em que a blazer nos esperava, e Adriano nos fala que o ponto de chegada é ali. Há uma igreja mas não tem nada que indica o nome dela, também não a nada que indica o fim do caminho de hoje. A seta branca indica pra continuar, Adriano nos diz que vamos andar só mais um pouco e que a estrada acaba logo a frente, a certeza dele é tanta ele nos diz que podemos ir pra conferir, ele espera ali. Então vamos, mas a quilometragem não bate ainda. Realmente da a impressão de que a estrada acaba, mas olhando melhor há uma entradinha mais estreita e a seta branca quase passa despercebida indicando pra virar! Começa uma subida daquelas de respeito, talvez ainda maior do que aquela descrita em Timbó a Indaial. A subida é tanta que percebemos que estamos subindo o morro, o frio aumenta e cai agora uns fina garoa, a estrada de terra tem marcada como um desenho a linha que passa carro, onde a terra é tão batida, tão amassada que chega a estar escorregadia e nós precisamos andar pelas beiradas onde tem mais pedrinhas, e justamente nas beiradas se vê desfiladeiros com uma riquíssima vegetação nativa. Fico muito preocupada com Adriano que teimou em nos dizer que o caminho acabava ali, e que iria nos esperar, fico pensando quanto tempo ele vai levar pra perceber que a gente não volta tão cedo e que ele deve seguir, e se o carro vai conseguir subir tudo aquilo sem derrapar, já andamos mais de 5 km, mais de uma hora e ele ainda não passou por nós! Mando mensagens dizendo que ainda tinha muito chão e que a igreja que ele parou não é nossa senhora da Glória, mas não tem sinal de internet. Fico um pouco angustiada, comendo com a Luci, mas a angústia guardo pra mim.
      O caminho fica cada vez mais bonito em meio a neblina, ficamos pensando que talvez a capa de chuva vá ter que sair da bolsa. Passamos por uma placa que indica: Gruta de Santos Antônio. A placa diz que a gruta foi construída por um casal que teve uma graça atendida, pegamos a entrada da gruta que se trata de uma descida ingrime e uma trilha estreita, um buraco que dá até medo de olhar, uma placa diz: aproximadamente 300 m. Só de dar alguns passos na trilha já se perde a visão da estrada. Usamos a trilha pra fazer xixi, mas acabamos decidindo que não vamos crescer, naquele tempo que só piora, ameaçando chover, ali por ser em meio à mata, tudo está escuro e até parece anoitecer, além de temer estarmos descendo e perder a passagem do apoio pela estrada, voltamos e seguimos subindo... 
      Ainda demora... Mas Adriano passa por nós nos contando que ficou ali parado por um bom tempo, que apareceu um senhor bom de prosa, e a prosa foi longe, o senhor diz que realmente aquele caminho ainda ia adiante, no fim da prosa Adriano saiu e segue pelo caminho indicado, caminho esse que ele teimou em dizer que acabava ali. Adriano nos conta que quase desceu na gruta procurando por nós, que desceu um pouco, se assustou com a descida e chamou pelo nosso nome, mas resolve seguir até que nos acha logo em frente. Aliviada por vê lo, seguimos, e ele segue pra nos esperar lá na frente.
      Nossa quilometragem já passou de 30, já passa das 16 hs, o cansaço tá batendo e nada de chegar. Passamos por uma placa que indica divisão de municípios entre Benedito Novo e doutor Pedrinho. Brincamos ali, fotografamos, mas que só agora estamos chegando na parte final do caminho: a entrada em doutor Pedrinho ainda na parte de mata, e que vamos andar até chegar na parte urbana. 
      Passa por nós uma caminhonete vinda no mesmo sentindo, para, e nos oferece carona. Nos diz que depois de subir o morro, é preciso descer - faz sentido - e o senhor parece ser bom de prosa... Nos oferece laranjas, agradecemos e dizemos que vai nos pesar na viajem a pé. Ele pergunta onde estamos hospedadas e ao ouvir que não temos pouso, nos indica a pousada da Nina, e diz que vai passar por lá e deixar nossa sacola de laranja!! Agradecemos e seguimos.
      Por mais que prometemos pra nós mesmas não parar mais... A vegetação é tão encantadora que é impossível passar despercebida, folhagem quase do meu tamanho, de um verde que parece passado verniz, nascentes e cachoeiras inacessíveis...
      Enfim, já passa das 17:15 e garoa continua a cair, agora mais forte, e chegamos: aos 40,25 km. Agora sim, na igreja nossa senhora da Glória, onde a uma placa indicando o vale europeu. 
      Cansadas, o jantar foi um lanche, passamos no tal hotel da Nina, mas o preço não agrada, ficamos apenas com o carimbo da credencial, sem coragem de perguntar pela sacola de laranja que "ganhamos" no caminho,  partirmos para um posto, o único da cidade nos parece, o posto fica há cerca de 1 km da chegada de hoje. Ali nos arrumarmos o mais rápido possível, pois já está chovendo e já são quase 20 hs, o posto fecha em breve, usavamos os banheiros pra escovar dente, mas banho não tem. 20 hs já estamos na cama e uma chuva fina e constantes cai lá fora. A blazer está estacionada numa cobertura do posto ao lado passa um córrego, a força da água é tanta que parece uma cachoeira e nos garante um delicioso barulho de água. A cama hoje parece doce de boa.
       
      9° dia Vale Europeu - Doutor Pedrinho à Benedito Novo de novo! 19/06/21
      O dia amanheceu chovendo fraco, mas constantes. Choveu a noite inteira e o frio tá de cortar! A primeira coisa que me vem a cabeça é: hoje é dia de subir o morro até a cachoeira do zinco! Conhecemos parte desse trecho pois foi dali que começamos, foi até a cachoeira do zinco que subimos de carro pra começar o circuito, então sabemos que vamos subir muito morro acima hoje. 
      Levantamos e tomamos café, hoje sim: capa de chuva já vestida, a mochila fica por baixo, difícil acesso. Aliás, difícil será acessar até o celular. Quando saímos de Londrina pra cá tínhamos certeza de que iríamos caminhar no frio, na chuva... Mas pra nossa surpresa... Não foi bem assim, foram 8 dias de boa. Então diante desse último dia chuvoso não tem como reclamar. Adriano desde de que abriu os olhos nos diz que hoje não vai subir morro, vai fazer o caminho pela rodovia e chegar no nosso ponto de chegada indo direto, sem seguir o caminho das setas, diz que teme derrapagens morro acima, pois já conhece a subida que nos espera. Parece que todos nós acordamos com a mesma preocupação: a subida da cachoeira do zinco. Já passa das 6 e o posto já abriu, estamos com a chave do banheiro e se arrumando pra ir... Estamos prontas e as crianças continuam dormindo, coloquei a chave do banheiro no teto do carro pois não adianta devolver ainda, mas penso: não posso esquecer. Então Adriano resolve nos levar até o ponto de início ainda com as crianças dormindo e sem desfazer a cama, entramos no carro em cima das camas e ele sai com o carro - o ponto de partida não é longe, talvez menos de 1 km, poderíamos até os dali, mas... Tá chovendo né - quando chegamos lembrei da chave do banheiro no teto do carro! 🤦 Adriano fica bravo e vai ter que voltar, nos vamos voltando a pé pra ver se acha a chave caída no percurso... Já quase chegando no posto, Adriano já está voltando e conta que achou a chave caída ali mesmo no lugar onde estávamos, entregou e ufa! Pra quem não queria vir nem até o ponto de início de hoje a pé por causa da chuva, tivemos que voltar quase o trecho inteiro atrás da chave, e dar meia volta pra de fato iniciar o caminho, mas não foi nem 1 km a mais... 
      O trecho de hoje na planilha é o maior de todos os 9 dias: 31 km. Mas nós já batemos 40 né, por duas vezes, então assusta mais pensar no tamanho da subida no morro, na chuva... Penso em subir e descer pra encontrar Adriano lá em baixo e passar de 50 km hoje... Então em cima da hora, já a caminho eu proponho a Luci ir pra Benedito novo pela SC 477, já que o caminho se encerra lá, nós iremos sim pra lá, mas não na cachoeira do zinco, e sim pro centro de Benedito Novo onde ontem estávamos. Pra praça do peixe. Olho no Google maps e ele indica o caminho pela SC 477 e a distância é 21 km, uma boa distância pra hoje! Tá de bom tamanho. Luci concorda. Acenamos pra Adriano que ainda está por perto e combinamos assim: nos veremos em Benedito Novo praça do peixe, #eu amo Benedito Novo. Entramos num concenso de que já conhecemos aquele trecho, que na chuva é perigoso para o carro entrar naquela serra e subir tudo aquilo, e assim, de comum acordo, partimos. 
      Eu hoje uso a mesma camiseta de ontem desde a hora que sai da bica d'água, uma blusa de manga longa por baixo, o blusão de frio e outro blusão de frio em cima, a mochila fica até justa sob tanta roupa, em cima de tudo a capa de chuva, ando feito um robô de tanta roupa, parece que vou escalar o Everest. Luci não está muito diferente!! Ela consegue colocar até duas calças, não sei como.
      Decisão tomada, início a rota no Google por segurança, já são 7 hs mas ainda está escuro, fazemos algumas fotos pra registrar nossa caminhada na chuva, mas é difícil acessar celular. O início do caminho bate com a planilha, é aquela primeira etapa no caminho de todo dia né: sair da cidade em direção às estradas de terra. Mas não pense que hoje não tivemos trecho off roard... Uma longa estrada de chão pra percorrer em comum com as setas brancas e com o caminho do Google, muita neblina, dos dois lados um grande terreno pantanoso, e um show de pássaros no ar, um dos espetáculos mais bonitos de balé dos passarinhos da temporada, os bandos de revezam pra se apresentar no ar, fazem as mais lindas coreografias e vão para as árvores, aí sai de outra árvore outro bando e parecem executar números ainda mais difíceis, até parece combinando, olhando bem para as árvores, cada uma está repletas de andorinhas pretas... Coisa mais linda! Diante de um show como esses só pra nós, não tem como passar indiferente, paramos e admiramos!
      Ainda naquela mesma estrada de terra encontramos um senhor com guarda chuvas andando na rua, ele para e puxa uma prosa: pra onde vão, de onde vem... Nos diz que é uma pena estar chovendo naquele sábado, que quando chove no sábado, é porque vai chover 4 dias seguidos, e que pena que não vamos poder aproveitar as cachoeiras, mas diz ser possível subir até o zinco mesmo com chuva. Mas nós já acertamos com nosso apoio e realmente nossa opção hoje é por não subir morro. Seguimos.
      Na saída de doutor Pedrinho um monumento diz volte sempre pra quem vai, bem vindo pra quem chega. E numa espécie de mirante se vê uma linda vista panorâmica do rio Benedito, e uma espécie de barragem! E... Uma linda cachoeira! Ahhh quem disse que não vamos ver cachoeira hoje!!!! Cachoeira salto Donner. Não faço ideia de como faríamos pra acessa lá, mas só a vista em meio ao nevoeiro já compensou. 
      Apartir dali mudamos a nossa rota, é ali que a seta indica virar, e nós, seguimos pela SC 477... Mas estávamos enganadas quando achamos que seria uma trilha tranquila... Longe disso: a rodovia é estreita, de mão dupla, sem acostamento, com desfiladeiros em muitos pontos nos obrigado a andar uma atrás da outra em fila indiana, muitas curvas fechadas em descidas fortes que não era possível ver os carros subindo, preferimos ir na contramão dos carros e é um alívio quando tem uma terceira faixa, pelo menos os carros não passam tão perto... Andamos 10 km e encontramos um bar, Luci quer parar e tomar um café. O bar oferece até o carimbo na credencial, e vende produtos do vale como por exemplo: camiseta. Mas só tem G. Então compro uma, e reluto até pra ir ao banheiro tamanha é a dificuldade com tanta roupa, mas... Já que paramos né... 
      Ao seguir, a chuva não dá trégua, embora fraca é constante, a maior parte do trecho é descida, até nos arriscamos correr um pouco.
      De repente passamos pelo posto de Benedito novo, mercado, casa do Simba... Olha só, chegamos a Benedito Novo no já conhecido ponto de onde deveríamos ter saído ontem (se não tivéssemos saído lá da praça do peixe), sendo assim, a praça do peixe deve estar a uns 6 km daqui. Isso mesmo, o Google maps nos indicar faltar 7 km. Felizes por reconhecer o ponto, mando uma mensagem para Adriano dizendo que já estamos chegando, já estamos no posto de Benedito Novo. Seguimos andando na chuva até uns 2 km a mais quando toca meu telefone: é Adriano que parece aflito, a ligação não dá certo, e olho na nas mensagens, tem uma mensagem dele dizendo: "não saia daí, estou indo". Comento com a Luci que talvez alguma coisa possa ter acontecido na estrada talvez... Pois nós não precisamos de resgate. Consigo ligar pro Heitor, e falo com Adriano que mais uma vez... Teima comigo que estou no caminho errado (não sei o que ele entendeu de minha mensagem) mas eu, tranquila, só digo que faça o que combinamos: fique esperando na praça do peixe, pois estamos no caminho certo e chegando! Com um certo custo, assim fica. Ufa!! 
      Seguimos, passamos pelo túnel em construção, mirante em espiral, ponte, igreja luterana, construção em enxamel, praça da peixe! Missão cumprida!!! Encerramos com 22 k. Felizes e realizadas, e morrendo de frio, vamos primeiro trocar de roupas ou pelo menos, trocar de meias e tênis, tirar a capa de chuva, mas banho... Não vamos pagar de novo 10,00 por banho frio naquele posto, melhor esquecer que ontem também não teve banho e boa, sem almoço e sem banho saímos dali dispostos a ir para Apiúna em busca dos carimbos que faltam na credencial, ainda é cedo e o almoço pode ser no meio do caminho.
      Olho no mapa dos hotéis de Apiúna pra ver onde podemos ir pra carimbar a credencial, pois a intenção é passar de carro pelas cidades onde ainda não tínhamos credencial, e assim carimbar. O hotel mais próximo parece ser fazenda sacramento, Adriano vai seguindo o Google vamos subindo o morro cada vez mais, eu e Luci vamos reconhecendo o caminho e vendo que a escolha não foi ideal, escolhemos a esmo e acreditávamos ser um hotel em meio a cidade, não era, estávamos subindo morro acima, mas a quilometragem estava próxima, então... Seguimos. Quando nos deparamos com uma enorme placa do vale e reconhecemos o lugar como sendo aquele lugar lá no 4°dia de Indaial à Timbó que paramos pra tirar fotos e uma mulher loira chega de carro, para e nos perguntou se precisávamos de algo. A fazenda sacramento é enorme e a mesma mulher, agora de guarda chuvas na mão, vem na janela do carro e pergunta pra Adriano se ele é outra pessoa, diante da negativa, ela olha melhor, vê que o carro está cheio e pergunta se precisamos de algo: "somos caminhantes e precisamos de carimbo na credencial" - explicamos que quando passamos por aqui não tínhamos ainda a credencial e que já encerramos o caminho, só precisamos dos carimbos. Ela também nos reconhece e pra nossa surpresa diz que não, que não pode carimbar nossas credenciadas porque nós não nos hospedamos ali! Dizemos que viemos até ali só pelo carimbo porque a informação é que qualquer hotel ou pousada pode carimbar a credencial, ela então nos diz pra esperar, pois está esperando um hóspede, e depois que ele chegar ela pode entrar lá e pegar o tal carimbo. Agradecemos e ficamos boqueabertos olhando uns pra os outros, aquela mesma mulher que fora tão simpática e que agora fora insensível. Nesse meio tempo o tão esperado hóspede chega, ela abre a porteira e some lá pra dentro, não vamos ficar lá fora esquecidos, vamos embora... 
      E a experiência valeu pra desencanar com a credencial, não queremos mais carimbo algum, que fique faltando! Não tem problemas.
      Dali já digitamos no Google: Londrina. E seguindo as indicações, a saída se dá por doutor Pedrinho, mais uma vez passamos por Benedito Novo na SC 447, de novo reconhecendo os caminhos percorridos a pé, e chegando em doutor Pedrinho vimos as placas que indicam pegar pra cachoeira Paulista, a 10 km!!! É sábado e não são nem 14 hs, peço pra que Adriano pegue o caminho pra cachoeira, afinal é uma das atrações mais famosas do vale, e está fora de todas as trilhas. Ele segue a indicação da cachoeira e entra numa trilha muito bonita e pra variar... Ingrime! Pra quem não quis subir a serra hoje!!!! Não escapou! Vamos subindo, subindo... E chegamos a uma entrada como se fosse a um parque nacional. Um estacionamento, tudo lindo. Somos recepcionados por uma simpática moça que nos diz que é cobrado 15 reais pra entrar e fazer a trilha mesmo com chuva, ou... 40 reais pra ficar e acampar. Que pena, pelo mau tempo não compensa acampar, se não, seria o caso de ficarmos por ali até amanhã! 
      A cachoeira não é visível dali, o estacionamento fica num ponto estrategicamente posicionado pra não avistar a cachoeira, a menos que pague, basta caminhar 100 e ter acesso ao mirante. Luci diz que vai nos esperar, não quer ir. Com muito custo consigo convencer as crianças a descerem com a gente. 
      De sombrinha descemos uma trilha e passamos por um portãozinho, pronto, mais alguns passos e estamos diante do Mirante, e que espetáculo!!!! Meu Deus! Que cachoeira!!!! Como descrever...são duas cachoeiras sendo uma mais imponente que desagua lá de cima como uma cortina, e outra um pouco abaixo, ambas se encontrar antes de tocar o chão. Da pra ver que lá embaixo sopra um vendaval, mas aqui não tem nenhum vento. O vento é do volume de água. 
      Depois do Mirante tem uma trilha que sobe um morrinho e de lá, desce uma tiroleza que deve ser incrível, mas estava fechada pelo mau tempo (não que eu iria né). 
      Ainda ali naquele morrinho, dois balanços incríveis, com uma vista exuberante inclusive da cachoeira, e mesmo na chuva eu largo a sombrinha e balanço nos dois! Maravilhoso!!! 
      Tem uma entrada que dá acesso à uma trilha, a trilha começa com uma escada que desce num buraco sinistro, uma placa do lado avisa: "para acessar a parte inferior da cachoeira somente pessoas em BOAS CONDIÇÕES FÍSICAS, na dúvida não descer" olhamos de novo pelo mirante e da pra ver que a escada termina ali, no "pé" da cachoeira. As crianças ficam com medo e dizem que não descem, eu quero muito descer, então subimos com as crianças e deixam eles com a Luci, voltamos pra descer a trilha!!! 
      A trilha é estreita e o guarda chuvas esbarra em tudo, é melhor fechar. Descemos a encantadora escadaria, até 100 degraus eu contei, depois perdi as contas, no meio do caminho uma espécie de gruta, e descendo mais ainda... Lá está ela: magestosa, imponente, assustadora cachoeira Paulista! Fotografamos, mas logo depois das primeiras fotos a bateria do celular acaba! Reinício, consigo mais umas 3 ou 4 fotos e já era de novo, mas não reclamo, é daqueles típicos lugares que a foto não dá conta de mostrar toda a beleza que há.
      Satisfeitos, vamos embora e eu só lamento não conseguir acampar de sábado pra domingo. Pegamos a estrada pra Londrina só parando pra comer, ao optar por se guiar pelo Google, Adriano pegou um caminho diferente que nem por Curitiba passou, os planos de passeio no domingo acabaram ficando de lado. Chegamos em casa na madrugada do domingo, ainda a tempo de um bom descanso.
       
      Vale Europeu
      Há cerca de dois anos ouvi falar do vale, vi fotos, ouvi relatos de amigos que foram e voltaram desnumblados, passei a sonhar com esse caminho... Coloquei esse trajeto na minha lista de sonhos.
      E minha lista de sonhos tem várias classificações: desde de sonhos pequenos até sonhos insanos... Acredito que a vida é feita de sonhos, não importa se eles vão se realizar ou se vamos leva lo conosco até o fim de vida, mas alimenta Los todos os dias, acordar a cada novo amanhecer e olhar pra janela, saber que novos desafios nos esperam e que somos capazes de realiza lo, para mim é alimento.
      E eu passei a acreditar que sonhos se realizam, fazer esse caminho veio afirmar minha crença. 
      O melhor de fazer esse caminho foi estar junto da minha família. A presença deles foi determinante para consolidar minha opção de ser caminhante e da importância que essa atividade tem para mim: eles viram de perto minha felicidade, minha realização. Eu me transformei em caminhante, peregrina, mochileira ou qualquer que seja o termo a pouco tempo, e ressalto essa palavra que talvez tenha passado despercebida: TRANSFORMAÇÃO. Quando me apaixonei por caminhos fui rotulada como louca por sair andando em grandes distâncias, mas quanto mais eu caminhava, mas estabelecida parcerias que me fizeram crescer, que reafirmaram minha fé que é possível acreditar nas pessoas, que esse mundo é feito de muito mais coisa boas do que ruins. Quero sair pra caminhar como quem sai pra trabalhar, sem que ninguém precise perguntar porque, que entendam que essa paixão por caminhos é irreversível. 
      Em cada quilômetro que andei eu tinha plena consciência de que estava realizando um sonho, então andei de olhos e coração aberto pra que nada me passasse despercebido, por isso entrei nas águas mesmo no frio, me despi dos medos que tinha e fiz o meu melhor, acredito que as águas das nascentes são sagradas e tem poder curativo pra alma, alimentam... Sempre que vou à cachoeira estou com amigos que me levam pela mão pra debaixo d'água, sabem do meu medo de água, mas dessa vez estava sozinha pra enfrentar as águas, Luci muito prudente preferiu não se arriscar.
      A parceria de Luci foi determinante pro sucesso desse feito: ela com a idade da minha mãe, ao vê lá tão disposta, tão grata por cada passo, só podia apertar o passo e caminhar ao seu lado sem reclamar, e muito grata fiquei por aprender com ela. Numa viagem como esta em que a proposta era caminhar por 9 dias, chegar todos os dias e ainda providenciar um pouso que na verdade nada mais era do que uma vaga pra estacionamento, e dormir acampada e embolada com a gente... Se algo a desagradou, ela não falou... Não cabia reclamações, se a situação era aquela, então era vivenciar isso da melhor forma possível: com bom humor e gratidão! 
      Sendo assim foi um caminho sem sofrimento algum: eu não tinha preocupação com a família, tinha uma parceria e tanto, não tive dores além do normal... Só fui feliz!
      Caminhamos em parceria, conversamos sobre tudo, conheci melhor a vida e a força de Luci e se antes já a via como uma grande mulher, passei a admira lá ainda mais. Luci é um dos presentes que os caminhos me trouxeram, e sempre quando a gente divide com alguém um caminho tão longo e especial, a gente fortalece o vínculo e sela pra sempre uma amizade sólida e pra eternidade, independente da distância ou das direções distintas que a vida nos coloca.
      Sabendo disso, toda vez que vou fazer um longo caminho, se fosse por minha vontade eu gostaria que tantas outras pessoas me acompanhassem... E de certa forma, muitas pessoas eu carreguei comigo... Eu mandava mensagens, notícias, mas sobretudo carrega as comigo, pois eu não me fiz sozinha, eu sou tanta gente... Sou aqueles que torcem por mim, aqueles que apreciam minha companhia, aqueles que me oferecem ouvidos, que me estendem a mão, sou aqueles que me contam com alegria feitos mirabolantes, aqueles que quando conseguem planejar realizar seus sonhos, me chamam pra fazer parte, ou se não chamam, me contam o que fizeram... Sou tanta gente... 
      E sigo pelos caminhos em frente na expectativa de estabelecer novas parcerias que me façam crescer, velhas parcerias... Sendo assim, cada vez acredito mais que sonhos... Se realizam! 
      Devo resaltar também um caloroso agradecimento ao meu marido Adriano, que a cada vez que me permite ir e vir, fortalece nossa relação baseada no respeito do outro e na confiança, pelo apoio incondicional a essa travessia, sua presença conosco possibilitou a companhia das crianças, criou uma memória única de uma aventura em família, me trouxe segurança e tranquilidade para que eu apenas caminhasse, seu bom humor e disponibilidade foram sem dúvida, determinante para o sucesso desse caminho. Obrigada por me permitir ter asas pra voar, voar é muito bom, mas voltar ao ninho é uma das melhores partes. 
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       

































    • Por Alan Rafael Kinder
      INTRODUÇÃO
      Bom dia pessoas!
      Segue o relato da viagem em grupo que fiz neste final de semana (dias 15 e 16 de maio de 2021) até o município de Alfredo Wagner/SC, conhecida também como a capital catarinense das nascentes de Santa Catarina.

      Foto do grupo, no estacionamento - início da 'trilha de acesso'.
      De lá, seguimos por cerca de 17km em uma estrada do interior que leva até o ponto de estacionamento que dá início à 'trilha de acesso' aos Soldados Sebold.
      O caminho de carro até lá é de fácil acesso, você consegue se localizar através do GPS sem qualquer dificuldade - e quando a estrada no Maps acaba, haverão placas indicando o final do percurso até o estacionamento.
      É cobrada uma taxa de R$ 10,00 por veículo para deixa-lo estacionado (apenas dinheiro).
      Caso tenhas um veículo 4x4, podes seguir por um acesso que leva até ao acampamento (todavia você perde a chance de fazer a 'trilha de acesso').
      Para poder acessar a fazenda particular onde os Soldados Sebold estão, é necessário reservar com antecedência (mas vi pessoas chegando de carro na hora e negociando na recepção - todavia não indico pois corre-se o risco de não haver mais vagas).
      Informações específicas sobre valores e reserva podem ser obtidos diretamente no site deles: www.soldadossebold.com.br.
      Estávamos em um grupo com 06 pessoas, fizemos a reserva com duas semanas de antecedência, e conseguimos apenas vagas para o 'acampamento alto' - todas as opções de hospedagem (refúgios) e as vagas no 'acampamento baixo' já estavam ocupadas.
      O valor por pernoite acampando é de R$ 50,00 por pessoa, com acesso à toda estrutura da fazenda (mesmo que você esteja no 'acampamento alto').
      Bem, abaixo vou segmentar o relato, em ordem cronológica, falando das trilhas e da fazenda...
       
      TRILHA DE ACESSO
      Como já havia pontuado acima, a trilha começa no ponto de estacionamento, e segue inicialmente por uma larga estrada rural, passando em dois momentos por rios rasos, e depois um forte aclive até uma interseção que faz os caminhantes subirem o paredão por uma passagem, e depois retorna para uma estrada rural que leva até ao acampamento.
      O caminho em si é fácil, com apenas 7km (conforme nosso mapeamento - no site consta cerca de 6km) e 414m de elevação (qual se acumula após passar do segundo rio, até o topo do paredão).
      Ambas as passagens pelos rios podem ser feitas pelas pedras (com um pouco de trabalho - não tem um caminho bem definido). Ou tirando os calçados e passando pela água que chegará até a canela. Eu atravessei com botas de trilha de cano alto, pelas pedras.

      Primeiro rio, no primeiros momentos da trilha de acesso.

      Segundo rio, logo após o primeiro.
      Após o segundo rio, não demorará para chegar no início de um aclive acentuado pela estrada, com muitas pedras soltas. Ele é longo e sinuoso.
      Em certo momento, facilmente poderá se perceber um desvio para a esquerda (há inclusive marcações e uma plaquinha), onde saímos da estrada e pegamos uma trilha que nos levará até o topo do paredão. Trata-se de um caminho bem definido, com também muito aclive, e no final o solo argiloso fica úmido (mesmo em um dia ensolarado).
      Já no topo do paredão é possível ter o primeiro vislumbre das formações montanhosas (e dos Soldados Sebold) ao final do vale.

      Caminho pelo pasto logo após a subida do paredão (depois daqui quase não haverá mais aclives).
      A trilha percorre um pasto, disputando o espaço com algumas vaquinhas, e culmina na estrada rural, que ziguezagueia por cerca de 2km até a entrada da fazenda, com pequenas subidas e descidas. Quase chegando a porteira, temos ainda uma elevação considerável para encarar.

      Estrada rural que segue até a entrada da fazenda - já dar para ver os Soldados Sebold ao fundo.
       
      ACAMPAMENTOS BAIXO E ALTO
      Quando você chegar na porteira da fazenda, um funcionário verificará se os nomes estão na lista de reservas, daquele ponto a estrada se divide, com um caminho descendo até o 'acampamento baixo', e o outro subindo até o 'acampamento alto'.
      A recepção, os refúgios, os chuveiros, a lojinha/bar e praticamente toda estrutura da fazenda ficam no 'acampamento baixo'. Lá há sinal de wifi, tomadas para recarregar os equipamentos, água quente para banho e luz. Na cozinha compartilhada tu encontras um fogão e uma geladeira. Há algumas (poucas) mesas distribuídas pelo espaço, e também, obviamente, áreas para acampar distribuídas ao redor de toda estrutura.

      Um dos refúgios para locação na frente, a cozinha comunitária e outro refúgio ao fundo - parte da estrutura no 'acampamento baixo'.
      Há dois sanitários, três pias, e dois chuveiros (e também há um banheiro/chuveiro numa casinha de madeira pequeninha).
      Um dos chuveiros não estava esquentando nesse final de semana, e os demais ficavam mais 'fracos' quando ligados simultaneamente.
      Ah, a água é potável em todo acampamento!
      A lojinha/bar serve frituras, bolos, pinhão (nessa época) e outras coisinhas (camisas). Há também refrigerante e cerveja (Ecobier).
      Os preços são justos (considerando o isolamento do lugar - uma Ecobier de 600ml sai por R$ 10,00).
      É aceito cartão de crédito.
      Naturalmente pede-se para que todos tenham a sensibilidade com a questão do lixo, e no 'acampamento baixo' há um local para depósito de reciclados.
      Diferentemente do 'acampamento baixo', no 'acampamento alto' quase não há estrutura.
      Basicamente é um pasto enorme com vários pontos dispersos de acampamento (o espaço é bem amplo).
      Existem algumas torneiras distribuídas, e também uma pia.
      Tem uma casinha de madeira com um vaso, e ao lado de fora outra pia - mesmo durante o dia fica escuro lá, necessitando de uma lanterna para usar.
      Não há pontos de energia, nem luz, nem mesas - enfim, tem uma pegada mais selvagem.

      Conexão entre o acampamento baixo e alto, com aclive acentuado e cerca de 600m.

      Um dos lados do acampamento alto (ele é bem amplo), em foco o banheiro.
      Nós acampamos nessa área, e foi super de boas. É um pouco difícil achar áreas planas (eu não consegui - instalei a barraca da melhor forma que deu, mas ainda tinha desnível, e quem acampa sabe como isso é chato).
      Parece que os proprietários da fazenda estão tornando o local mais 'acessível' a outros públicos turísticos - estão sendo construídas cabanas e já vimos postes instalados nessa área (tudo indica que futuramente haverá energia aí também).
      Tivemos um azar terrível de um outro grupo acampar perto de nós, e fazer barulho (gritos e musica) até tarde.
      Mesmo havendo avisos sobre a questão de silêncio, parece que esse pessoal aí não sabia ler, ou muito menos ter mínimo de bom senso. Como a balbúrdia começou já no inicio da noite, não tivemos a chance de nos instalarmos em outro canto mais silencioso - e tivemos que aguentar a macaquice desses 'doutores' (uma ficava toda hora dizendo que tem CRM, outro que era engenheiro - uma piada pronta).
      Enfim, vale pontuar que os acampamentos ficam cerca de 600m um do outro. A distância não é muita, mas há um desnível considerável entre ambos, tornando essa caminhada extenuante.
      Tivemos que faze-la umas três ou quatro vezes durante nossa estadia.
       
      TRILHA ATÉ A BASE DOS SOLDADOS
      Essa trilha nos permite subir até o ponto de tocarmos a formação de rochas e arenito de Soldados Sebold. A fizemos no início de domingo, logo após nosso café da manhã.
      Ela começa em um dos extremos do 'acampamento alto' (há sinalização) e consiste em um aclive pesado por cerca de menos de 1km, onde chegamos no topo. Eu achei a subida perigosa, com muitos pontos que passava pela beirada, sem nada para impedir uma infeliz queda. O caminho também exigia que por vezes você deveria subir 'de quatro', usando as mãos para se segurar (e na boa, não é zoeira). Totalmente impossível de subir quando úmida.
      Mas obviamente, a visão lá de cima é extraordinária!

      Subida da trilha da base dos Soldados Sebold, com nuvens baixas.

      Outro ângulo durante a subida, em direção aos paredões.

      Captura de parte do acampamento alto, durante a subida para a base dos Soldados Sebold, cerca de um terço do caminho (sobe muito mais).
      Do mirante do topo, é possível subir por mais uns poucos metros e tocar nos Soldados Sebold, e deste caminho têm a opção para descer pelo caminho alternativo (que foi qual tomamos).
      É possível perceber que pouca gente opta por ele, dadas as condições da trilha (muito mais fechada e menos definida - mas sem problemas para navega-la).
      Ele é mais longo, mas achei mais seguro (apesar de também haverem pontos de exposição ao 'infinito'). Ao final você chega na interseção da trilha que leva para o 'arranha-céu' (uma trilha mais complicada que não fizemos, e exige reserva com guia credenciado), e volta por um caminho batido ao lado de um córrego até os pastos do 'acampamento alto' novamente.
      A trilha deu 2.5km (segundo nosso mapeamento), com 437m de aclive acumulado - esquecemos de mapear bem o início dela, então os números podem ser um tanto superiores.
       
      CÂNION DO LAJEADO
      Logo que terminamos a trilha até a base dos Soldados Sebold, retornamos para nossas barracas e começamos a levantar acampamento.
      Demos uma paradinha ainda no 'acampamento baixo' para usar os banheiros, tomar uma cerveja e seguimos pela 'trilha de acesso' para retornar até o estacionamento.
      Logo que saímos da fazenda, passados uns 400m, há a possibilidade de acessar o Cânion do Lajeado.
      É uma trilha extremamente curta e simples (só há uma escada para descer a parede), e tem um cenário bacana.
      Não custa nada a paradinha.

      Conforme você avança o cânion vai afunilando, mas necessita entrar na água.
      A volta foi tranquila, eu sempre acho mais fácil descer do que subir, então foi suave!
      Depois, bastou pegar os carros e encarrar a estrada até em casa.
       
      CONCLUSÃO
      Gente, vale muito a pena conhecer esse lugar - e eu sugiro ter essa experiência nesses moldes que adotamos.
      Fazer a 'trilha de acesso' e subir até os Soldados Sebold.
      Nós só subimos no domingo pois chegamos tarde no sábado, e ficava muito corrido tentar.
      O local é bem agradável para passar o dia, dá pra ficar curtindo a paisagem com tranquilidade.
      Infelizmente grupos barulhentos são comuns em todos os cantos, eu nunca vou entender a necessidade dessas pessoas virem para um canto de sossego só para fazer barulho (e ainda por cima gritar 'ninguém dorme')... e isso definitivamente estragou bastante a experiência para mim.
      Eu achei a fazenda bem estruturada, e o local é bem movimentado.
      Para nosso grupo, desconsiderando combustível, a despesa média ficou em cerca de R$ 80,00 por pessoa (considerando comida, besteirinhas que compramos por lá, entrada/pernoite e estacionamento).
      Naturalmente daria de fazer com muuuito menos.
      Enfim, foi um resumo da atividade, certamente deixei coisas de fora.
      Qualquer dúvida basta deixar uma mensagem que estarei respondendo!

      Eu praticamente no topo! @alankinder
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