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Alan Rafael Kinder

EL CALAFATE E EL CHALTEN – FEVEREIRO/2020 (10 DIAS)

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1º DIA (08/02/2020) – AEROPORTO CWB.EZE.FTE / EL CALAFATE


Nós moramos no interior de Santa Catarina, mas como nosso voo saía de Curitiba/PR, no dia anterior fizemos parte da viagem até nossa casa de praia, passamos o dia por lá, fizemos o restante da viagem até o aeroporto apenas de noite. Foram cerca de 04 horas de viagem de carro ao total, mas compensou muito comprar as passagens saindo de CWB.

Eu comprei a reserva de estacionamento antecipadamente, então assim que chegamos foi só utilizar o QRCODE no terminal.

Pegamos no estacionamento oficial do aeroporto - PareBem - no Bloco C (que fica a 200m do terminal de embarque) por 11 dias no valor de R$ 108,90 (dividindo por três ficava R$ 36,30 para cada um).

Detalhe, fiz a reserva das datas do estacionamento com folga de horários. Quando retornamos, ao final da viagem, chegamos muito mais cedo do que o previsto devido a mudança nos horários dos voos. Mesmo que havia um aviso alertando sobre saídas antecipadas (até 03 horas de tolerância), não tivemos qualquer problema em sair do estacionamento – o QRCODE foi reconhecido normalmente e a cancela abriu automaticamente.

Chegamos bem cedo no aeroporto (04 horas antes do voo), o que foi absurdamente oportuno, visto que nosso voo de volta estava inconsistente (um dos voos de conexão pousava após o voo que deveríamos pegar estaria decolando – basicamente impossibilitando pegá-lo). Aproveitei e fui até o guichê da Aerolínias Argentinas e consegui – após 45 minutos – resolver o problema. Não teríamos mais tantas conexões para retornar, entretanto, o tempo em Buenos Aires diminuiu drasticamente, e dessa forma, teríamos que correr para embarcar no voo.

Aqui realmente havia um problema com a passagem de retorno. Como compramos as passagens a muitos meses atrás, houveram diversas mudanças no itinerário - o que acabou ocasionando essa 'incoscistência'. Basicamente, o vôo de EZE para POA aterrisava uma hora após o vôo de POA para GRU, que tínhamos que embarcar. Quando o atendende da Aerolinas Argentinas viu isso, logo começou a tomar as providências para corrigir nossa situação - por isso que digo que foi extremamente oportuno termos chegado mais cedo e conferido a situação. No final das contas, não passaríamos mais por POA ou GRU, nosso vôo saíria de EZE direto para CWB.

Embarcar em Curitiba foi super fácil, bastou apresentar o ticket de embarque, passar pelo Raio X e passar pela Receita Federal, e já estávamos no portão aguardando o avião.

O voo foi tranquilo (foi oferecido um bolinho doce e bebida a escolha durante este voo).

Ficamos confusos quando chegamos no Ezeiza em Buenos Aires – era muito grande lá – e demoramos para descobrir que tínhamos que trocar de terminal para nosso próximo voo.

A regra de ouro aqui é ‘quem tem boca vai a Roma’. Sério gente, se tiver confuso, procura alguém, qualquer pessoa, e pede ajuda. Eu fiz isso tantas vezes e não me envergonho nada.

Bom, basicamente, ao pousar, saímos do avião onde um ônibus aguardava os passageiros e nos levava até o portão apropriado, de lá, era fácil ver os guichês da imigração (e haviam placas instruindo os passageiros, que são divididos por grupos: Argentinos, Mercosul, e estrangeiros).

A imigração foi demorada, tinha muita fila, porém o atendimento em si é bem direto: apenas perguntam onde você vai ficar e qual é o número do teu próximo voo (eu basicamente mostrei os documentos para o agente). Sinceramente, o procedimento todo é muito simples, é praticamente impossível você se ‘perder’ no meio dele.

Depois da imigração, passamos entre o Tax Free e as esteiras para retirar as malas (não tínhamos nenhuma despachada, então apenas aceleramos em busca de instruções).

Como havia dito, estávamos confusos quanto ao o que fazer, então entre ir e vir perguntando para qualquer pessoa o que se devia fazer, descobrimos que era necessário sair do Terminal A e nos dirigir até o Terminal C.

Para sair, era necessário passar as mochilas e pertences no Raio X (o que foi super sossegado – eles pedem apenas para tirar casacos grossos e os cintos).

No final das contas, após toda a correria, encontramos nosso portão de embarque, e esperamos abrir o embarque de nosso voo (quando fizemos o checkin em CWB, já nos deram os tickets dessa conexão, então não precisamos fazer um novo checkin).

Mesmo com toda essa enrolação, chegamos com folga no portão de embarque – conseguímos usar o banheiro e relaxar um tantinho nas cadeiras. Depois seguimos para o avião.

Para outros que vão viajar pela primeira vez, e são grandes como nós (mais de 185cm) – os bancos que ficam nas saídas de emergência tem alguns centímetros a mais para as pernas, porém eles não reclinam. Fora isso, a aeromoça vai pedir se você sabe os procedimentos em caso de emergência (abrir a porta e o que fazer – tem uma cartilha em inglês e espanhol explicando tudo). Entre reclinar e ter esse espaço extra para as pernas, ficamos com a segunda opção.

A aterrissagem em Calafate FTE foi bem divertida, tem tanto vento lá que o avião ficava balançando anormalmente – inclusive, após pousar meio de lado, a tripulação do avião seguiu com uma salva de aplausos (não sei, mas deve ter sido uma aterrissagem bem complicada). Nos foi oferecido um pacotinho com grãos e sementes e bebida a escolha durante o voo.

Já no aeroporto de El Calafate, saímos (sem ter nada despachado bastava colocar a mochila e andar) e buscamos algum transfer que pudesse nos levar até a cidade (que fica a 12km de distância). Dentro do aeroporto existem empresas oferecendo esse serviço – perguntei a uma atendente e a mesma anunciou que seriam 1.000 pesos por pessoa (Vespatagônia), e que seria de van, mas teria que aguardar a mesma encher. Nossa.

Eu havia lido em outros relatos que essa corrida era muito mais barata, então agradeci a atendente e fui em busca de outras ofertas. Saindo efetivamente do aeroporto existem taxis à disposição (lá se chamam Remis), e o preço da corrida era de 1.200 pesos, porém, não por pessoa, e sim por corrida. Pensa na alegria! Como estávamos em três, ficou por 400 pesos por cabeça. E ainda ganhei um voucher com desconto caso desejasse retornar da cidade até o aeroporto por 800 pesos a corrida (mas não o utilizei).

Na saída do aeroporto, antes de pegar o taxi, foi preciso passar as mochilas e coisas de metal no Raio X (como sempre).

Eu não sei o que havia acontecido em El Calafate, mas era um dia absurdamente quente. O taxista até mesmo fechou os vidros e ligou o ar condicionado devido ao calor. Destaque para o senhorzinho, super gentil conosco.

Chegando no FOLK HOSTEL, agradecemos ao taxista e pagamos a corrida. Na entrada do hostel, um doguinho estava deitado, recepcionando as pessoas.

Aparentemente os comerciantes locais alimentam os dogs e colocam ‘coleiras coletivas’ neles. É possível ver nos estabelecimentos diversas jarras com ‘tips’ para os dogs.

Fizemos o checkin (eu já havia pago antecipadamente pelos dois dias que ficaríamos hospedados aí), o recepcionista nos passou as regras gerais e nos levou até nosso quarto – era um quarto triplo (na verdade compartilhado, porém como estávamos em três foi uma mão na roda).

Foram dois dias no Folk Hostel, em um quarto para três pessoas, sem toalhas, banheiro coletivo, e café da manhã adequado. Tudo muito limpo e organizado. Pagamos R$ 255,19 (ficou R$ 85,06 por pessoa) em 11 de outubro de 2019, por cartão de crédito (ARS 3.272,73, IOF R$ 15,30, dólar em R$ 4,25).

Deixamos nossas coisas no quarto e decidimos ir até o mercado La Anonima que fica a alguns minutos de distância.

Fizemos as compras essenciais, meu amigo pegou uma toalha (pois não havia levado) por cerca de 805 pesos (teve desconto promocional e saiu por 483 pesos) – no hostel podia-se alugar por 100 pesos ao dia, porém não sabíamos se haveria toalha no hotel em El Chalten, então na dúvida, asseguramos a compra. Além disso, como não levamos absolutamente nada do Brasil, tivemos que comprar shampoo (ARS 245,00), sabonetes (ARS 103,20, três unidades), desodorante (ARS 158,00), escovas (ARS 123,20, três unidades) e pasta de dente (ARS 112,00), papel higiênico (ARS 49,70) – e também nosso ‘almoço’ de trilha: bolachinhas COQUITAS (ARS 234,00, três unidades) e geleia de morango (ARS 91,00). 

Pegamos também um cacho de bananas por 228,98 pesos (ARS 129,00 ao kg).

Outra coisa que optamos foi de não trazermos squeezes do Brasil, mas comprar garrafinhas de água no mercado – e foi também muito sensato – pois havia uma garrafa de 1L com aqueles bicos específicos para tomar água, e era absurdamente barato (ARS 210,00, três unidades).

Eu havia lido que é muito incomum os estabelecimentos entregarem sacolas por lá, então havia levado três sacolas plásticas do Brasil – e realmente foram úteis para carregar as compras (no mercado até haviam caixas a disposição de clientes).

Demos um pulinho também na farmácia onde compramos um protetor solar – a maior facada de toda a viagem – pelo preço de 1.520 pesos.
Realmente é importante usar protetor solar (não é porque é frio que não queima), entretanto, como a maioria do corpo fica protegida por roupas, você possivelmente gastará muito pouco do protetor, dessa forma, compre um potinho menor.

O nosso protetor (tamanho grande) sobrou bastante, e quando voltamos ao Brasil deixamos ele no hotel.

Depois das compras, retornamos para o hostel, e fizemos um breve lanche (as bananas de antes). Como estava muito quente, e não tivemos a oportunidade de tomar uma ducha desde que chegamos, estava eu e o Diego sem camisa na área comum do hostel, e não demorou para o responsável chegar até nós e alertar ‘T-Shirt! T-Shirt!’ hahaha. Ok, não pode ficar sem camisa na área comum! :D O legal foi um outro rapaz também comendo mais afastado em um canto, sem camisa, que ao ouvir a nossa bronca, prontamente colocou a camisa também.

Beleza, depois da bronca e do lanchinho, cada um foi tomar um banho, e aproveitamos para ajeitar nossas coisas. Após isso, saímos novamente do hostel em busca de um lugar para comer algo.
Era início de viagem, e eu estava preocupado com a quantidade de dinheiro que levamos, então ficava toda hora fazendo cálculos para não correr o risco de zerar tudo (na verdade, sobrou grana, mas nesse momento eu não sabia disso).

Encontramos um lugarzinho super bacana e receptivo – La Zorra – e realmente foi uma excelente opção para nossa janta. Praticamente todos os estabelecimentos lá tem o ‘Happy Hour – HH’, que é um período do dia que algumas cervejas oferecidas tem preços promocionais. Nesse primeiro dia, infelizmente não chegamos a tempo de aproveitar a promoção – um copo de 500ml de Golden Ale sairia por 120 pesos (mas pagamos o preço normal de 190 pesos). Não posso reclamar das cervejas desse lugar, todas boas, e nossa, são 500ml, mal tomamos o segundo copo. Eles oferecem gratuitamente amendoim como acompanhamento para a cerveja. Para comer, decidimos pegar pizza (uma para cada). No cardápio não aparecia a gramatura dela, nem havia uma foto para nos basearmos – mas decidimos arriscar – e foi, para nossa surpresa, mais do que o suficiente – era um pedaço generoso e bem recheado. Também pegamos batatas fritas.

A Pizza com Bacon saiu por 290 pesos, as Papas Galas (Batata Frita com Bacon) também por 290 pesos.

Depois de comermos, voltamos para o hostel, era cerca de 21:00 horas, e o céu ainda estava claro (começando a escurecer), e temperatura havia caído significativamente – estávamos apenas de camisetas, e já não era mais confortável ficar apenas com elas (não ventava – isso é importante).

Chegamos no hostel, ajeitamos nossas mochilas para o próximo dia, e caímos na cama – foi um tombo só.

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2º DIA (09/02/2020) – PERITO MORENO / MINITREKKING


Acordamos cedo (foi colocado alarme). Como deixamos tudo ajeitado na noite anterior, apenas levantei e fui ao banheiro, e depois seguimos até a área comum do hostel para tomar nosso café da manhã – qual era satisfatório, tinha variedade e servia ao seu propósito.

Estava previsto que nosso transfer chegaria as 08:30 no hostel. Mas enquanto estávamos ainda comendo, apareceu uma van com a logomarca da Hielo y Aventura (a operadora oficial do Minitrekking), e o motorista entrou no hostel, chamou algumas pessoas, que se apresentaram, e seguiram seu caminho.

Obviamente, fiquei preocupado, eram 08:10 – será que haviam esquecido de nós? Terminei de comer apressado e fui até a atendente do hostel, e tentei me comunicar (haha). Falei que estávamos esperando o transfer, e pedi se esse que partiu poderia ter esquecido de nós. Ela logo sorriu e me acalmou, falando que um outro transfer ainda viria.

De cara eu não entendi ao certo, mas depois pude perceber que esse é o formato de organização da Hielo y Aventura, afinal, eles oferecem, além do Minitrekking, o Safári Náutico, o Big Ice, e o passeio pelas passarelas. Então eles separam seus clientes em grupos.

Não demorou muito, e apareceu um micro ônibus, o motorista saiu e nos chamou (e uma garota que também estava hospedada). O motorista solicitou o voucher que você recebe ao efetuar a compra do serviço (pode ser físico ou o PDF no celular). Entramos e seguimos viagem embarcando outras pessoas, todas optantes pelo Minitrekking, e depois de certo momento, o micro ônibus seguiu em direção ao Perito Moreno – durante o passeio até lá, eventualmente recebíamos informações a respeito do lugar em diferentes línguas pelo sistema de som. 

Um pouco após entrar no parque, o micro ônibus fez uma parada para que as pessoas pudessem usar alguns banheiros disponíveis (e esticar as pernas). Não muito depois, havia uma outra parada onde um fiscal do parque entrava, e efetuava a cobrança da entrada do parque. E mais adiante uma última parada em um mirante que permitia ver o Perito Moreno da rodovia de acesso.

O preço para nós foi de 800 pesos por pessoa, a fiscal pergunta de onde você é, e pede para ver o passaporte (ou documento de identificação). As entradas tem preços diferentes dependendo da tua nacionalidade.

É importante tomar nota que aceitam apenas pesos argentinos nesse momento, e em espécie, por isso é fundamental que você tenha uma pequena reserva.

Depois disso, seguimos até as passarelas onde tivemos cerca de 01:40 horas para aproveitar como quiséssemos.

As passarelas são enormes, e são bem sinalizadas – a área central possuía a coloração amarela, e, segundo a guia que nos acompanhou, era possível de ser feita no tempo que nos haviam dado (as demais rotas tomariam mais tempo).

Bom, aproveitamos da melhor forma possível as passarelas, fizemos toda a área amarela, e sim, a guia tinha razão – seria impossível tentar fazer as outras rotas em tão pouco tempo. Realmente tivemos que correr no final pra chegar a poucos minutos do combinado (sério, correr, suar).

Talvez para quem vai com mais tempo de folga, dá pra curtir com mais paz essa paisagem absurdamente linda. Mas para outros que como nós, optarem pelo Minitrekking, eu sugiro que, no início do passeio pelas passarelas, a guia vai juntar o grupo e dar informações genéricas (nada realmente importante) – nós logo que percebemos isso, corremos pelo lado oposto do trajeto correto, dessa forma, chegaríamos nos ‘locais de foto’ sem ter um grupo enorme atrapalhando. Na boa, foi uma excelente decisão, porque você não vai conseguir uma foto super bacana com 30 pessoas na tua frente, ou tu vais perder todo teu tempo tentando tirar uma única foto.

Pois bem, após retornarmos ao micro ônibus, seguimos até o Puerto Bajo de las Sombras, onde nos dirigimos até o barco (com outros grupos – pessoas que vieram com seus próprios carros e compraram o passeio do Minitrekking) e embarcamos. Para embarcar você precisa apresentar o voucher que você recebe ao efetuar a compra do serviço (pode ser físico ou o PDF no celular). O passeio de barco percorre o lago em direção ao refúgio que serve de base para as atividades em cima da geleira. Durante a navegação, recebemos informações em diversas línguas e em determinado momento é autorizado ir na parte superior externa do barco para fotografar. É um negócio meio caótico, porque todo mundo faz isso, e meio que não cabe a galera toda lá, então resta ter paciência – de toda forma, não vi a possibilidade de tirar boas fotos nesse momento (mas já é possível sentir o frio da geleira caso você saia na parte externa).

Chegando ao outro lado, no pé da geleira, os guias formam dois grupos: uma para a língua inglesa e outro para a espanhola; e assim cada um vai indo em direção ao grupo desejado. Nós decidimos esperar que todas as pessoas escolhessem seus grupos, e olhamos para o que tinha menos idosos ou pessoas que poderiam atrasar o passeio. E escolhemos o oposto. Também é uma decisão razoável, visto que o passeio sob o gelo tem horário definido, e se alguém tem muita dificuldade para fazê-lo, todo o grupo acaba tendo que aguardar o mais lento, e assim menos paradas para fotografar (os guias pedem para não utilizar o celular enquanto se caminha, apenas nos momentos de parada, pois caso você venha a cair, poderá arremessar o aparelho para um local impossível de resgatá-lo – eu decidi carrega-lo na minha mão mesmo assim).

Depois de ter os grupos definidos, seguimos até o refúgio, onde nos é dado um tempo para comer algo e utilizar os banheiros – também podemos deixar bolsas e outros itens em um guarda volumes dentro do refúgio (observe que não há chaves, logo não é sábio deixar coisas de valor).

Aqui também é possível pegar luvas emprestadas, caso você tenha esquecido (quando você contrata o serviço, são informados itens necessários – a luva é um destes itens). Você é obrigado a usar! E sim, é super razoável – é bem frio em cima do gelo, mesmo!

Chegado o horário combinado, os grupos seguem por trilhas curtas até uma praia de cascalho, e lá recebemos mais informações sobre a geleira (coisinhas bem interessantes de serem ouvidas), e depois segue-se até um ponto para fotografias.

Nesse momento, novamente são feitos grupos – conseguimos ficar no primeiro, e então cada grupo é levado até um local onde são colocados grampos em nossas botas. Nos é pedido para firmarmos nossos calçados (caso estejam meio soltos). Esses grampos são estranhos no início, atrapalham para caminhar no cascalho (mas no gelo é extraordinário) – e pesam um monte! Também devemos pegar um capacete e utilizá-lo.

Com todo o grupo equipado, seguimos o guia por uma trilha lateral até chegarmos no gelo. Lá o guia (sempre aguardando todos) passa instruções de como caminhar sobre o gelo – novamente dicas valiosas, parece brincadeira, mas os caras sabem o que estão falando.

Após isso, é feita a caminhada sobre o gelo. Dois guias, um no começo da fila, e outro ronda o grupo por fora, verificando áreas de risco. São feitas diversas paradas para fotografias, e os guias eventualmente nos explicam as coisas que estamos vendo. São super parceiros, e sempre buscam ajudar – mas também agem caso alguém esteja ‘passando dos limites’.
É uma experiência única, muito agradável, e acredito que logo não teremos mais a possibilidade de curtir coisas desse tipo. Houve um tempo que também era possível fazer a caminhada sobre o Glaciar Viedma, porém, devido ao degelo, se tornou muito perigoso e então foi fechado ao público.

O trajeto do Minitrekking é o ideal – não curto, nem longo demais. Serve para o propósito. Você vai ter a oportunidade de sentir o que é caminhar sobre o gelo, vai ver paisagens magníficas, e além da caminhada em si – a oportunidade de ir nas passarelas e o passeio de barco agregam muito ao programa.

De fato, é um valor elevado, mas todo serviço é prestado de forma bem profissional, e sabendo respeitar os horários, não haverá qualquer incômodo.

Pagamos R$ 2.238,68 reais pelo MiniTrekking, dividindo em três ficou R$ 746,23 por pessoa (ARS 9.000,00, IOF 134,26, dólar em R$ 4,29, pago em 16 de outubro por cartão de crédito). Tentei negociar por email para que pagássemos em pesos argentinos lá mesmo (evitando o IOF e as conversões), mas a resposta que recebi foi que se eu quisesse assegurar a vaga, eu deveria pagar antecipadamente.

No fim da caminhada ainda rola um presente não tão secreto assim – quem quiser saber de antemão que pesquise! Haha.

E depois retornamos, retiramos os grampos, devolvemos os capacetes, e pegamos uma trilha alternativa até o refúgio (bem bonita).

Nós pegamos um dia meio nublado, mesmo assim o gelo brilha um monte. Acredito que em um dia de sol você realmente precisará de óculos de sol para não ficar totalmente cego por lá.
Chegando no refúgio, temos que aguardar nosso barco retornar – como são diversos grupos, é necessário ficar atento qual é o barco correto. Qualquer coisa, basta perguntar a qualquer um dos diversos funcionários da Hielo y Aventura que tem lá (tá cheio de gente).

Pegando o barco, voltamos até o micro ônibus, dai ele parte em direção a cidade e nos devolve onde nos pegou.

Chegando na cidade, decidimos ir logo no La Zorra novamente. Dessa vez pegamos um guisado de cordeiro patagônico (a menina do caixa até brincou pois achava curioso alguém pedir sopa em um dia ‘tão quente’, eu expliquei que queria experimentar a carne de cordeio patagônico) e também algumas cervejas.

Dessa vez aproveitamos o Happy Hour e pagamos apenas 120 pesos as cervejas. O Guiso de Cordeiro Patagônico saiu por 420 pesos.

Como era relativamente cedo, e o dia fica claro até praticamente as 22:00 horas, decidimos dar uma volta até a Laguna Nimez. Seguimos o Google Maps – parecia que ele estava nos levando para um abatedouro, mas no final das contas, estava certo. Salvamos um doguinho com uma patinha machucada de outros três que estavam acuando-o. Ele nos fez companhia até a Laguna Nimez, lá nos sentamos à beira da estrada e curtimos um pouco a paisagem (de fora, não entramos na reserva). Logo surgiu uma outra doguinha, no tag dela constava ‘Evita’. Os dois ficaram conosco descansando um pouco, e depois seguimos pela rodovia por um caminho diferente de volta ao hostel.

Novamente o Google Maps nos jogou numas ruas bem estranhas, parecia que estávamos conhecendo os subúrbios da cidade. Não havia vegetação, e tinha muito lixo pelos cantos, mas né, turismo rodoviário kkk. Meu celular tinha apenas 2% de bateria e me abandonou antes de chegarmos no destino. Os doguinhos tinham desistido de nos seguir fazia um tempo já, no mínimo pensaram ‘onde esses loucos tão indo’. Mas no final das contas, conseguimos nos localizar e retornar ao hostel – mas confesso que me senti perdido por instantes.

No hostel cada um tomou seu banho, ajeitou suas coisas e nos preparamos para o próximo dia.

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5º DIA (12/02/2020) – MIRADOR CERRO TORRE / LAGUNA CERRO TORRE


Hoje, novamente levantamos às 07:00 horas, tomamos nosso café da manhã e seguimos a pé até o início da segunda trilha mais famosa de El Chalten. Estava um dia ensolarado e bonito, porém o Fitz Roy (como sempre) ficava escondido entre as diversas nuvens que o circundavam. Já era possível ver diversos outros trilheiros se dirigindo para suas caminhadas.

O início da trilha para o Cerro Torre era próximo de nosso hotel, ficava no meio da cidade, e começava com um aclive bem acentuado e ramificado.

Eu particularmente achei essa trilha muito mais bonita e compensatória que a do Fitz Roy (analisando o esforço empregado e as belezas que os cenários nos propiciavam).

Após o aclive inicial, o caminho seguia por bastante tempo alternando em a predominância das planícies, e alguns poucos montes que não apresentavam qualquer desafio.

Há um mirante bem simplório no caminho que permite ver a Cascada Margarita, porém eu realmente não achei interessante – a visão da queda da água ficava muito distante.

Eu estava ciente que havia um segundo acesso a essa trilha (ao menos assim os mapas marcavam), mas não parecia que isso estava sinalizado – de toda forma, havia um ponto específico que memorizei onde um caminho seguia para outra direção. Decidimos que no retorno passaríamos por ele.

Não muito distante do início da trilha, logo chegamos no Mirador Cerro Torre (estava lotado de grupos aguardando sua vez no melhor lugar de fotos) – é um canto realmente bonito, com alguns bancos e um daqueles banheiros. Mas sinceramente, se você seguir pelo caminho vais ter muitas outras oportunidades de fotografar paisagens similares.

Novamente, no decorrer do caminho tivemos a oportunidade de curtir diversos cenários distintos – muitos recordavam coisas que já havíamos visto no dia anterior, mas de alguma forma esse caminho parecia nos acolher melhor.

Não convém descrever toda a trilha, mas posso assegurar que valeu muito a pena passar por ela – mesmo. Em especial, um momento você percorre a costa de uma montanha, e a sua esquerda você vê um panorama lindo, composto pelo Cerro Torre ao fundo e uma floresta morta abaixo. E também há uma larga área de vegetações baixas onde o caminho ramifica incontáveis vezes entre pequenas pedras.

Em certo ponto também passamos pela intersecção que permite o acesso ao caminho que leva até as Lagunas Madre y Hija, conta com um banheiro e é agradável para descansar – mas seguimos direto.

Estava um dia quente (o último), e chegamos a fazer praticamente tudo apenas de camiseta. Apenas quando estávamos próximo do Glaciar Grande, e também quando subimos pelo Mirador Maestri que foi super necessário se encasacar por completo novamente (como já havia dito antes, esfriava horrores perto desses blocos de gelo – e sempre ventava muito).

A água do Glaciar Grande é mais barrenta, e por mais que o dia estava lindo, o Cerro Torre estava parcialmente encoberto.

A visão ao chegar aos pés da Laguna Cerro Torre já é bonita, mas naturalmente, seguimos pelo caminho que levava ao Mirador Maestri.

Esse caminho é absurdamente exigente – muito vento (que te empurra mesmo) e pedras soltas, sem contar que diferente dos demais lugares, o caminho parecia mais uma picada, e também o constante aclive tornavam esse trecho final num desafio memorável.

Mas é claro que, deste mirador tínhamos a melhor visão do Glaciar Grande – isso porque existe uma formação de rochas que impede com que você veja todo ele apenas da laguna, e lá de cima você tem uma visão panorâmica do cenário.

Fuçamos um pouco naquele ponto e descemos, pelo lado oposto, para dentro de uma floresta (havia vagamente uma trilha) – e encontramos uma pequena cascata. Decidimos fazer nosso almoço aí mesmo, pois ventava muito no mirador, e lá estávamos em uma baixada. Abastecemos nossas garrafas e retornamos até a laguna.

Peguei a melhor recordação que podia neste lugar – uma pequena pedra com detalhes em quartzo que estava mergulhada na laguna.

Como estávamos aí, decidimos visitar o acampamento D’Agostini, que ficava logo ao lado da laguna, mas diferente dos outros, fora do caminho. Muito similar ao Poincenot, todavia o cenário em si era diferente – aqui as copas das árvores eram mais brandas, permitindo que mais raios solares passassem (e possivelmente chuvas), e o solo era mais arenoso. Todos os acampamentos sempre tinham pessoas e barracas.

Depois disso, voltamos pela trilha e fizemos aquele caminho que havia memorizado na vinda.

Em um momento inicial, ficamos preocupados que não se tratasse de um retorno, mas sim um acesso para outra região que desconhecíamos. Esse trajeto iniciou com um aclive forte, e curvava por vezes fazendo com que nós parecíamos estar retornando a laguna (mas não era verdade).

Entendi o porque dele não estar sinalizado como opção de retorno: o caminho envolvia um declive extremamente acentuado, com áreas que era necessário se agachar e sentar para descer – mas nada muito complicado ou arriscado. Entretanto, esse caminho nos proporcionou a possibilidade de vermos cenários bem específicos (como uma enorme pedra rachada ao meio – e com alguns garotos fumando por lá) e ironicamente, logo a frente, o Monumento ao Viajante Distraído, que trata-se de uma árvore enorme e isolada, toda queimada, com um memorial em frente dizendo que foi uma bituca de cigarro que havia causado isso.

Esse retorno nos devolveu a cidade em um ponto bem mais ao norte, e ao chegarmos na cidade, passamos em frente de uns paredões onde alguns grupos praticavam escalada.

Como sempre, vale destacar que o vento constante deixava tudo muito frio, e já estávamos andando com nossas jaquetas – mesmo o dia todo tendo sido quente.

Chegamos na cidade cedo, e decidimos ir logo procurar um lugar para comer – dessa vez optamos pelo La Zorra (qual havíamos visitado em El Calafate). O Happy Hour começava mais cedo, então pegamos nossas cervejas (ARS 130,00 a unidade no Happy Hour) e eu escolhi um sanduíche quente (Piggy's, ARS 420,00, acompanha algumas batatas).

Depois de comer voltamos para o hotel, mas no caminho paramos em uma agência de turismo para nos informarmos a respeito do Glaciar Huemul e da Estancia Los Huemules, e também em uma farmácia para comprar um anti-inflamatório e um daqueles batons de manteiga, e também uma voltinha em uma loja de camping pra ver os custos de capas de chuva – pois eu havia consultado o Wind Guru e a previsão para o próximo dia não seria nada boa (não pegamos as capas), e por fim, chegando ao hotel fizemos o de praxe.

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6º DIA (13/02/2020) – LAGUNAS MADRE Y HIJA / MIRADOR FITZ ROY


Assim como no dia anterior, nos levantamos as 07:00 horas, entretanto a temperatura havia caído um monte! O céu estava encoberto e parecia que poderia chover a qualquer momento.

Antes de mais nada, nos dirigimos até aquela agência de turismo que havíamos parado no dia anterior, e contratamos dois serviços: transfer até o Lago del Desierto com entrada para o Glaciar Huemul para o próximo dia (ARS 1.700,00 por pessoa); e depois o transfer até a entrada da Estancia Los Huemules (ARS 550,00  por pessoa, ida e volta, entrada de ARS 800,00 paga na hora em espécie).

Depois seguimos novamente até o início da trilha para a Laguna Cerro Torre – mas dessa vez, diferente de ontem, a cidade estava muito mais quieta (ainda dormindo) e mal se viam pessoas buscando as trilhas. Além disso, ventava horrores – é incrível isso, o vento reduz a sensação térmica pra caramba, além de eventualmente te empurrar ou segurar teus passos.

Fizemos tudo como no dia anterior, até chegarmos aquela intersecção que dava início a trilha que levava para as Laguna Madre y Hija.

A partir desse trecho, já era perceptível que estávamos seguindo um caminho bem menos utilizado – afinal, essa conexão costuma ser utilizada apenas pelos campistas que buscam alternar entre o Poincenot e o D’Agostini – a trilha em si não nos leva até um glaciar, mas sim em duas lagunas enormes que se formam entre a Laguna de Los Tres e a Laguna Cerro Torre (mesmo assim, essa conexão tem 08km).

Optamos por fazê-la ao contrário, e não demorou muito para entrarmos em uma floresta enorme (até então a maior em proporção que tínhamos visto) – o caminho seguia bem visível cortando uma enorme lomba, qual criava um aclive rigoroso e constante, com pouquíssimas áreas planas. Eu havia lido sobre isso, mas não imaginava a dimensão. Naturalmente subimos intercalando pausas para descanso – e em uma dessas pausas percebemos um caminhante vindo em passos rápidos na mesma direção que nós – reconhecemos ele ao se aproximar e nos cumprimentamos. Tratava-se do guardaparque que nos havia dado as instruções em inglês no primeiro dia em El Chalten. O interessante é que ele caminhava com roupa comum e aparentemente, pelo seu equipamento, iria acampar em algum ponto (muito provavelmente é algo que os guardaparques fazem com frequência para assegurar que os demais trilheiros estejam obedecendo as regras do parque). Ele disparou na frente, habituado com as trilhas do parque – não havia a menor chance de seguir aquele ritmo.

Ainda havia muita subida pela frente, mas mantemos nosso passo até o topo (esse trecho tem cerca de 02kms de distância). A parte boa é que não há mais nenhum aclive rigoroso depois deste – você pode simplesmente caminhar e curtir a paisagem.

Diferente das demais trilhas, essa aqui nos trouxe dois cenários novos: um de floresta densa com vegetação baixa entre árvores; e também uma área extensa de campos invernais e planos, protegidos por uma enorme parede de árvores e muitos galhos secos no chão.

Nestes períodos o clima amenizou um pouco e tivemos alguns breves instantes de aberturas com o sol.

Também posso dizer que é, sem dúvidas, das trilhas gratuitas de El Chalten, a que mais tem presença de pássaros. Supostamente é onde se pode ver Huemules, entretanto, não tiver qualquer sorte em vê-los (dizem que você não os vê, mas eles sempre estão te vendo).

Conforme avançávamos o clima voltou a piorar (e muito), ao ponto de termos ventos ainda mais fortes, e depois, uma garoa incessante que congelava onde quer que encostasse.
Foi assim que tivemos o primeiro contato com as Lagunas Madre y Hija. Me afastei um pouco da trilha e cheguei até a margem da Laguna Madre (a maior), em um de seus extremos – havia praticamente uma praia de cascalho escuro em chapas. O vento era absurdo mesmo nesse momento.

Interessante apontar que vimos pouquíssimos trilheiros em todo trajeto desta conexão – realmente quase ninguém passava por esses quilômetros (especialmente neste dia chuvoso).
Seguimos pela trilha e decidimos buscar um refúgio natural onde pudéssemos almoçar, o que era praticamente impossível, pois a vegetação na costa da Laguna Madre era de pedras e árvores médias (basicamente tufos) isoladas – e muito musgo no chão.

Achamos um ponto onde haviam três dessas árvores formando uma parede de meio círculo, e tanto musgo no chão que até dava pra sentar confortavelmente – e foi aí que almoçamos.
Certo momento enquanto comíamos, uma garota passava na direção oposta nossa, e assim não conseguia nos ver parados onde estávamos – sempre que pegávamos uma bolacha do pacote, dava um barulho de plástico embrulhando (mais estridente do que o fim do mundo que a ventania fazia de barulho) – e isso deu um susto enorme na garota, que colocou a mão no peito e depois suspirou sorrindo.

Também percebi nesse momento que furei (não sei onde) minha jaqueta – triste.

Devidamente almoçados, seguimos pelo caminho que logo começou a subir, afastando-se brevemente da Laguna Madre. Andamos por uma área de árvores similares a pinos, porem de porte médio, e o chão estava encharcado devido a garoa constante. Mais uma vez – o vento continuava incessante e terrivelmente gelado.

Não demorou muito chegamos em um tope onde podemos ver as Lagunas Madre y Hija de um mirante natural – infelizmente o clima estava péssimo e não deu de ficar muito tempo por lá. Seguimos caminho e felizmente, mais adiante, depois de andarmos por um bocado de tempo onde o vento nos chicoteava – surgiu uma floresta com troncos altos e copa bem fechada.
O caminho foi curto por ela, e prestes a sair da proteção dela para seguir a trilha em um descampado rochoso que circulava um moro, notamos que a garoa havia se transformado em chuva. Decidimos voltar uns metros e nos preparar – tiramos os sacos de chuva para as mochilas e apertamos nossas roupas (luvas, gorro, botões e zíperes).

Eu não sei explicar – mas era terrível. O vento ficava tirando meu capuz, e a chuva entrava por todos os cantos (mesmo com equipamento impermeável e algumas peças resistentes à água). 
Decidimos que era melhor correr ao invés de caminhar – então íamos aos pulos evitando as poças que se formavam no caminho. A chuva vinha de frente devido ao vento, então eu tentava correr com a cabeça baixa e uma mão segurando o capuz.

Foi assim por um bom tempo, eventualmente parando em áreas cobertas de pequenos agrupamentos de árvores – acabamos passando rapidamente da intersecção que levava para o acampamento Poincenot ou o caminho que decidimos tomar, que levava até a Laguna Capri.

Curiosamente, após este ponto, o caminho percorre a lateral da montanha levando ao outro lado (qual já tínhamos passado da última vez, mas devido a chuva, tudo estava diferente) e dessa forma não ventava mais tanto, e também aqui a chuva mal podia ser considerada uma garoa.

Sorrimos de nervoso por termos saído da chuvarada, e demos uma checada nas nossas roupas e mochilas pra ver quão molhadas elas ficaram.

Continuamos pelo caminho até aquela intersecção que levava para as margens da Laguna Capri, e ao Mirador Fitz Roy, qual foi a escolha desta vez.

Por mais que agora apenas garoava, o céu continuava totalmente nublado, e quando chegamos no mirante, não foi possível ver absolutamente nada além de uma grande massa de névoa.
Foi, num contexto geral, um dia muito feio – mas mesmo assim concluímos a trilha felizes.

Como retornamos cedo da trilha, decidimos ir para o hotel relaxar um pouco e aguardar entardecer para ir atrás de algum lugar para jantar.

Dessa vez, deixamos as mochilas e as jaquetas no hotel e fomos apenas de fleece – não chovia e já tínhamos tomado banho.

A ideia era parar no La Zorra, mas o lugar estava lotado, então atravessamos a rua até o La Birra – conseguimos um cantinho para nós ainda.

Interessante que o clima mudou e o sol queimava nossas costas dentro do estabelecimento (apesar que se olhássemos para o horizonte, era possível ver nuvens negras) – decidimos nos levantar e ir em outra mesa, qual não batia sol.

Pegamos nossas cervejas (ARS 130,00 a unidade, no Happy Hour) e a comida (ARS 350,00, mas não lembro o que peguei), e depois, ao sair, meu amigo se deu conta que havia esquecido seu gorro na mesa anterior (qual agora já estava ocupada). Foi então lá procurar e não achou mais nada – alguém possivelmente pegou ele, enfim azar.

Conforme voltávamos para o hotel, novamente já era possível sentir a mudança de clima – fortes ventos vinham pelas costas e não demorou para começar a chover, o que acabou molhando um bocado nossos fleeces.

Durante a volta, paramos em uma loja de roupas e souvenires para o Diego escolher uma touca nova (ARS 500,00), e depois continuamos até o hotel.

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7º DIA (14/02/2020) – GLACIAR HUEMUL / LAGO DEL DESIERTO / CHORRILLO DEL SALTO


Acordamos cedo como sempre, tomamos nosso café da manhã, separei o voucher do transfer que nos levaria até o Lago del Desierto, e aguardamos no lado de fora do hotel.

Precisamente as 08:00 horas surgiu uma caminhoneta adaptava para turismo, qual nos levou por toda a Ruta 23 em direção ao Lago del Desierto – antes de sairmos, ela passou por outras ruas pegando outros passageiros.

A caminhoneta contava com sistema de áudio que nos dava informações interessantes conforma passávamos pelos pontos (em espanhol e inglês), e tivemos também duas paradas no caminho para fotografias – uma em um ponto com corredeiras ao lado da estrada, e outra num marco histórico onde as tropas chilenas fizeram suas defesa contra as argentinas durante a disputa destas terras (a décadas atrás) – é muito bacana ouvir a história do lugar, e o marco registra os nomes da resistência chilena, como uma homenagem e uma lembrança, para que isso nunca volte a acontecer.

Conforme nos aproximávamos do fim da estrada, haviam alguns lagos (parecia um mangue) com uma vegetação bem bonita, que contrastava com a água transparente de lá – infelizmente o veículo não parava aí por perto, se não eu teria me aproximado para fotografar.

Por fim, ao final da Ruta 23, chegamos ao Lago del Desierto (que era muito diferente do que eu estava imaginando) – todo local era muito bem estruturado, e havia realmente um porto lá (não apenas um píer mal cuidado). Logo que chegamos nos dirigimos até o guichê de entrada para a propriedade particular que dá acesso ao Glaciar Huemul (a entrada na hora custa 400 pesos, mas nós pegamos o pacote com a agência de turismo) – apresentei o voucher e entramos.

O lugar contava com mesas para fazer lanches, tinha banheiros (bem cuidados – se você não pagava a entrada, precisava pagar um valor para usá-los), e também tinha um restaurante (que não entrei).

Enfim, seguimos logo para o início da trilha – a previsão para fazê-la é de cerca de 30 minutos (no máximo 45 minutos) – o trajeto consiste na parte inicial percorrendo uma floresta muito limpa, mas escura devido a copa extremamente fechada, e com um riacho de águas cianas correndo forte. Também era possível ver diversos rostos nos musgos (obviamente, não era natural), e isso trazia uma sensação diferente para esse lugar. A segunda parte do caminho consistia em um aclive muito acentuado, com diversas saídas para mirantes simplórios daquele mesmo rio (placas apontavam para essas saídas como cascatas, mas parecia apenas uma corredeira).

O caminho é bem definido e conta com cordas para auxiliar na subida em trechos mais íngremes – é bom notar que o solo aqui era mais fofo e escorregadio que o das trilhas de El Chalten.
Chegando quase ao final, a paisagem muda drasticamente – a floresta fechada dá lugar para as pedras e alguns poucos arbustos com aspecto resistente. O caminho segue por um leve aclive e logo é possível ver uma das imagens mais extraordinárias que pude presenciar em minha viagem – a laguna em frente ao Glaciar Huemul – é simplesmente fantástica!

Não desmerecendo tudo o que vi antes, mas felizmente desta vez tivemos a sorte do clima estar a nosso favor e isso definitivamente contribuiu muito para a experiência.

Andando um pouco mais (e pegando mais uma lomba acentuada), é possível subir pela lateral e chegar sobre algumas pedras (requer um pouco de esforço) que nos dão uma visão panorâmica do vale da Ruta 23, do Glacial Huemul e do Lago del Desierto visto por cima.

Aparentemente era possível chegar até o Glaciar Vespignani por aqui, porém havia uma placa alertando e proibindo o acesso devido aos riscos.

Depois de curtimos muito o lugar, retornamos pela trilha até as mesas onde fizemos nosso almoço – demoramos cerca de 45 minutos para fazer tudo por lá (porque extrapolamos subindo a lateral que dá acesso àquele mirante).

Como ainda tínhamos tempo até o transfer retornar para nos buscar, decidimos fazer uma trilha que contorna todo o Lago del Desierto (sabíamos que não seria possível concluir o trajeto todo, mas faríamos até onde dava). De início pegamos o caminho errado que levava até o porto – a trilha tem início através de uma pequena ponte pênsil (onde eu fiz um belo corte no meu dedo).

É sem dúvidas um caminho muito lindo e diferente, a paisagem parece antiga, mesclando pedras maiores que as que costumamos ver, e troncos velhos com musgos caídos sobre o caminho, obrigando por vezes desviarmos ou passarmos por cima. Sem contar que tem o lago logo ao lado contribuindo muito para a paisagem.

Essa trilha leva até o lado oposto do Lago del Desierto, onde muitas pessoas e ciclistas pegam outra trilha de diversos dias até a Villa O’Higgins, que fica no Chile, e é o começo da famosa Carreteira Austral (uma espécie de BR-101 deles).

Depois de termos percorrido um bom tanto dessa trilha, voltamos e, como ainda era cedo, decidimos aguardar o transfer em uns bancos que haviam na área central em frente ao guichê da trilha que levava ao Glaciar Huemul. Aí encontramos um ciclista chileno, que havia esquecido suas sapatilhas no acampamento no outro lado do lago, e estava aguardando um amigo traze-las. 

Enquanto esperávamos, ficamos conversando – ele já tinha passado alguns meses no Rio de Janeiro, por isso tinha alguma facilidade com o nosso idioma. Passado mais um tempo, surgiram dois ciclistas que haviam pago pelo transfer de barco do outro lado do lago (se não me falha a memória, custa 2.000 pesos argentinos por pessoa, só não sei se esse preço é com as bicicletas ou apenas para a pessoa). Alguns optam por enviar as bicicletas de barco e fazem a trilha lateral – economizando alguns trocados e curtindo o passeio.

De toda forma, a mulher (do casal de ciclistas) se aproximou quando o chileno conversou com ela, e não demorou para percebermos que ela era brasileira (de São Paulo, casada com um espanhol – qual estava na outra bicicleta). Conversamos mais um tanto, e depois que chegou nosso transfer nos despedimos e retornamos para a cidade.

Pedimos para o motorista nos deixar no acesso para o Chorrillo del Salto (que fica próximo da cidade, pela Ruta 23), e fizemos o caminho até a cachoeira – bonita, porém tinha muita gente e não faziam questão de dar vez aos outros para fotografar. Vimos que havia um acesso lateral que subia com muito aclive até o topo da cachoeira (o próprio motorista do transfer havia indicado a presença de algumas poças na parte superior). Lá de cima, com bastante cuidado (fiquei afastado das bordas da cachoeira) dava de ter uma visão bacana do panorama local – seguimos um pouco ainda por caminhos diversos que se cruzavam e decidimos descer novamente para começar o retorno até a cidade.

Pegamos uma trilha diferente daquela que utilizamos para subir, e acabamos saindo em um outro ponto que até nos deixou confusos por uns instantes, mas logo nos localizamos e seguimos até a Ruta 23. A trilha que leva até a cidade passa pelas laterais da estrada, cruzando duas vezes a via (é possível fazê-la de bicicleta) – ela é bonita e relativamente curta – o trecho final obriga caminhar pela própria estrada por um tempo e bem no fim junta-se novamente até onde começa a trilha para a Laguna Capri (no estacionamento que é o ponto de início da trilha, já na cidade).

Aí nesse momento começou a ventar um monte, e daí caminhamos em direção ao hotel, mas observando algum lugar diferente para comermos algo – bem próximos do hotel, vimos um PUB chamado Cayetano, e decidimos ver o que tinha por lá.

O ambiente era pequeno, e tinha uma decoração focada em rock internacional (vinis e pôsteres de diversas bandas e cantores). Fizemos nosso pedido (ARS 490,00, um pão com hamburguer), e a sagrada cerveja (ARS 190,00, meio aguada).

Depois voltamos para o hotel com o vento a favor – cada passo valia por dois.

Ao entrar no hotel, a atendente avisou que a agência e turismo havia ligado para lembrar sobre o transfer do próximo dia – achei bacana.

Nos ajeitamos e preparamos as coisas, e daí caímos na cama.

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8º DIA (15/02/2020) – LAGUNA DEL DIABLO / LAGUNA VERDE / LAGUNA AZUL


Como sempre, acordamos cedo, tomamos o café e aguardamos o transfer na entrada do hotel – meu amigo ainda não tinha saído quando a van chegou, mas o motorista aguardou bem de boas.

Já tínhamos ido com essa mesma empresa (e motorista) no primeiro dia em El Chalten (quando fizemos a trilha para o Fitz Roy). Como de costume, a van passou para pegar mais passageiros, mas tinha apenas mais um – que descobrimos depois ser um gaúcho, qual estava com a família e pegou o transfer até a Hosteria El Pillar onde havia deixado o carro no dia anterior.

Seguimos o mesmo trecho de ontem, nos despedimos do homem quando o mesmo desceu na Hosteria El Pillar, e depois de mais alguns minutos o motorista nos deixou no acesso a Estância Los Huemules, nesse momento também nos deu instruções de como ocorreria o retorno ao final da tarde.

Seguimos pelo acesso até a portaria do local, onde fomos recebidos por uma guardaparque, qual nos deu instruções diversas sobre o lugar – que é uma propriedade privada, e que é considerada parte do parque nacional, mesmo estando fora dos limites dele. Assinamos uma lista de presença, a guardaparque pediu quais as trilhas desejávamos fazer (não é possível fazer todas em um único dia), pagamos a entrada de 800 pesos por pessoa, e seguimos para o início da trilha que nos levava até a Laguna del Diablo.

O início da trilha nos obriga passar pelas estradas internas do loteamento que faz parte do lugar, vimos dezenas de lebres que ficavam na beira da estrada pegando sol e corriam ao nos perceber.

Não demorou para chegarmos no início efetivo da trilha, devidamente sinalizada, e por lá seguimos.

As trilhas de El Chalten são muito bem cuidadas e sinalizadas, mas o trabalho que foi feito nessa propriedade privada extrapolava isso – tudo parecia melhor mantido, e não bastasse isso, a paisagem local era diferente.

A trilha seguia inicialmente o curso do rio, e estava garoando, mesmo assim pudemos ver diversos pássaros, em especial uns pica-paus que fazia um escândalo quando nos aproximávamos. O caminho envolvia diversas lombas, e muitos pontos de água e pontilhões que auxiliavam a passagem. O solo aqui era mais rico e escuro, e a vegetação mais similar a florestas úmidas – mas longe das nossas do Brasil.

Mais adiante, a trilha se afastava do curso do rio, e nos levava para um caminho de manutenção (onde possivelmente passavam quadriciclos) – me sentia no primeiro filme do Jurrasic Park – e depois nos propiciava uma visão extraordinária do vale (era realmente lindo, diferente, único).

Depois passamos por uma floresta extremamente alta e escura, com galhos mortos, porém tinham uma coloração mais vivaz que os cenários similares de El Chalten. E por fim, quase chegando na Laguna del Diablo, subimos até uma intersecção qual levava para a laguna, e o outro caminho por uma ponte até o Posto Cagliero (um lugar no outro lado da laguna, onde ofereciam café por 500 pesos) – decidimos não ir para lá, e seguimos direto até a laguna.

Ventava horrores e o céu estava muito fechado. Não era possível enxergar bem o glaciar, mas acho que entendi o porquê do nome – onde o glaciar fica parecia uma enorme boca, e de lá saiam nuvens baixas simulando uma porta para as profundezas (sim, muita imaginação).

A água da laguna não era das mais lindas de se ver, e como o clima estava terrível (com eventuais rajadas com chuva), retornei até um lugar mais protegido e esperei meu irmão e meu amigo retornarem (eles queriam avançar um pouco mais – aparentemente tem uma pequena queda da água próxima de um bosque lá).

Retornando pelo mesmo caminho de antes, basicamente no primeiro quilometro da trilha, tinha uma intersecção que levava para a Laguna Verde. Estávamos procurando um lugar para nosso almoço, e tínhamos visto uma mesa e bancos num lugar no início da trilha (mas já dentro dela cerca de meio quilometro). Não conseguimos comer lá pois, além de estar tudo molhado, a chuva caia forte naquele lugar. Então seguimos para a Laguna Verde e pouco antes de termos de passar por uma ponte pênsil sobre um grande vão, havia outra mesa e bancos, dessa vez mais protegidas, e então ficamos por lá para almoçar.

Depois seguimos pelo caminho, que logo após a ponte pênsil mudava drasticamente de cenário – de novo Jurrasic Park (a parte dos velociraptors) – com um aclive entre um capim que chegava até nossa cintura, e impedia de vermos por onde a trilha passava a frente.

Andamos sempre atentos em busca de Huemules ou outros animais, mas tirando os pássaros, não tivemos mais sorte.

Caminhando por um aclive suave chegamos até a Laguna Verde, qual possui um pequeno mirante se for sair para a esquerda (tem placas) – é uma espécie de deck elevado próximo da água – muito lindo.

Voltamos e seguimos pela trilha que agora nos levaria até a Laguna Azul (é a mesma trilha) – era uma conexão bem curta, porém muito alta, com um aclive bem acentuado que ziguezagueava até o topo. A Laguna Azul fica do lado da Laguna Verde, porém tem um desnível com muitos metros.

Chegando então nesse topo, nos deparamos com a Laguna Azul – que foi a paisagem mais linda que eu pude presenciar em toda a minha viagem.

Nesse ponto inicial, é possível ver as duas lagunas, lado a lado, apenas dando alguns passos.

Seguimos pelo caminho que percorria o topo da costa da Laguna Azul, e passava entre pedras e árvores coloridas (também tinha flores e muitos pássaros).

Em certa parte, havia um pequeno lago a nossa esquerda, com uma pedra enorme circular ao centro e algumas plantas que cresciam dentro da água – chamava muito a atenção pois contrastava muito com as outras paisagens que eventualmente víamos.

Quando estávamos bem próximos da calha da laguna, onde toda a sua água escoava, o vento começou a se intensificar ao ponto de eu ter que me agachar e me apoiar em uma pedra – só esperando as rajadas passarem. O problema, além de ser um vento forte a ponto de segurar o movimento, é que ele é totalmente inconsistente – hora vem de um lado, outras vezes de outro, mudando rapidamente sua direção.

Estava um pouco a frente do demais, então os aguardei e, observando nosso horário, decidimos que ainda seria possível visitarmos a Playita – assim, um pouco a frente, onde surge a interseção que retorna até a recepção do local, temos a opção de atravessar uma pequena ponte (ela é firme, mas bem simplória) que leva até uma praia no lado oposto da laguna.

Parece que é perto, e não dá de ver certo por onde a trilha passa, mesmo assim seguimos o único caminho possível. Depois de um bocado, tem uma intersecção que leva ao Rio Eléctrico e o outro caminho para a Playita – seguimos, e logo percebemos por onde a trilha passava: rente a montanha, com muita inclinação e um penhasco que levava direto para a Laguna Azul.

É um trecho delicado, o caminho é apertado, e eventualmente precisa-se dar passos longos – sempre com o penhasco ao lado. Depois de passar dessa parte – que apesar de tudo é muito bonita – a trilha nos levou para uma floresta alta, com árvores de troncos largos e de uma copa mais verde e viva. Eventualmente era possível ver pequenos galhos com partes raspadas, que segundo a guardaparques, é uma marcação dos Huemules machos, que a usam para demarcar o território. Logo adiante a trilha volta para a margem da laguna, já no mesmo nível, e então chegamos na Playita, que é de onde vem a água que alimenta a Laguna Azul (mais pra cima tem uma cachoeira, mas não havia formas de chegar lá sem sair da trilha).

A Playita é extraordinária, conseguimos chegar bem perto da água e perceber quão límpida ela é, e eventualmente, pequenas lufadas formavam ondinhas sobre o lago. Tivemos ainda mais sorte de o clima abrir e o sol refletir na água.

Curtimos o lugar, mas logo voltamos porque percebemos que essa nossa visita nos custou mais tempo do que o esperado. O restante do caminho é muito similar ao trecho inicial, apesar de voltarmos por outro acesso, e no fim, chegamos até o Centro de Visitantes novamente (portaria). Na verdade, chegamos muito cedo – a guardaparques tinha mencionado que esse trecho final tomaria cerca de duas horas, mas fizemos ele em menos de trinta minutos.

Ao chegar lá, a guardaparque pediu se vimos algum animal nas trilhas, em especial Huemules, eu mencionei apenas as lebres, e daí assinamos novamente o livro de controle.

Aguardamos no Centro de Visitantes (lá tem um museu que é aberto, e conta a história de região e diversos fatos curiosos) e quando estávamos próximos do horário de retorno, voltamos até o acesso da estância.

Enquanto aguardávamos próximos da Ruta 23, veio uma garota e sentou no lado oposto do acesso – estávamos conversando em português e de repente ela se aproximou e falou em português conosco também. Ela inclusive pegou o mesmo transfer de volta para a cidade que nós. Enquanto conversamos, ela comentou sobre um local bacana que havia jantado, e decidimos ir lá também – ela foi conosco.

O restaurante se chamava La Mafia Trattoria, e trabalhava especificamente com massas e vinhos – e também com reservas. Tivemos uma sorte anormal quando chegamos lá (sem reservas) e havia uma mesa disponível para quatro pessoas. Fizemos nossos pedidos, conversamos um pouco mais, e saímos. Enquanto íamos para o hotel, dado o momento, nos despedimos da garota e seguimos nosso caminho.

Já no hotel, descansamos e nos preparamos para o último dia líquido da viagem. Mas antes disso, verifiquei nossas economias e descobri que – ou gastamos muito pouco, ou levamos muito dinheiro para a viagem (acho que os dois) – então combinamos de comprar mais alguns souvenires no próximo dia, já que não era uma boa trazer tantos pesos argentinos de volta para o Brasil (e a conversão era horrível).

Peguei uma garrafinha suco de laranja com 600ml no hotel por 75 pesos (no outro dia aumentaram para 80 pesos).

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9º DIA (16/02/2020) – LOMA DEL PIEGLE TUMBADO


Havia ventado muito durante a noite anterior, porém, quando levantamos, o dia se mostrava muito lindo, quase sem vento. Tomamos nosso café da manhã e nos dirigimos para a Loma del Piegle Tumbado.

Enquanto caminhávamos em direção ao Centro de Informações Turísticas (essa trilha inicia no mesmo local que a que leva ao Mirador de Los Condores e de Las Águilas), observamos que as montanhas ao redor da cidade estavam com seus picos todos brancos (e definitivamente não estava assim no dia anterior).

O caminho que leva a um dos mirantes mais lindos de El Chalten é basicamente uma subida de dez quilômetros, com pouquíssimas partes planas, o que faz dela uma trilha bem cansativa (ainda mais em um dia ensolarado com o que pegamos).

A parte inicial e a final são as mais exigentes, com aclives mais acentuados, porém a final ainda conta com o solo irregular de pedras e muito, mas muito frio e vento.

No começo passamos por um pasto, com vacas selvagens soltas (ela vem pra cima se não forem com a sua cara – como foi o caso do Diego), e depois do pasto em uma região de floresta média, com galhos entrelaçados e eventualmente pequenos riachos (evitamos de pegar água destes pontos porque ainda haviam sinais – bosta – das vacas selvagens).

A floresta ficava cada vez mais fechada e baixa, e conforme chegávamos mais acima, tivemos os primeiros relances de neve onde o sol ainda não havia batido.

Do nada, a floresta se abria e logo se tornava alta e ampla, com árvores mais velhas e resistentes – sempre com muito aclive no caminho.

Depois de muita subida chegamos em uma clareira com uma placa avisando que estávamos em um mirante, porém claramente não era o lugar certo. Tinha acúmulos razoáveis de neve em pontos específicos e alguns poucos trilheiros sentados fazendo seus lanches.

Decidimos seguir, e aqui a trilha mudava completamente, passando agora por pedras soltas e chapas de cascalho, sem nenhuma vegetação. A partir deste ponto, só existem mais dois riachos (com águas limpas) e conforme a mesma segue, mais neve acumulada pode ser vista.

Essa pegada final é exigente, e nos leva para uma área aberta, sem trilha, apenas com algumas varas sinalizando o caminho correto, até chegarmos efetivamente no mirante da Loma del Piegle Tumbado.

É um lugar mágico, e haviam muitas pessoas lá em cima descansando. Avançamos até encontrarmos umas pedras que se destacavam e subimos nelas para capturar as melhores fotos.
Alguns poucos trilheiros faziam uma subida próxima que levava até o cume de uma montanha, totalmente nevada, e absurdamente inclinada (sério) – estimamos que, se quiséssemos subi-la, teríamos que reservar umas três horas só para esse curto trajeto. Parece que de lá é possível fazer fotos panorâmicas de toda região.

Não ficamos muito tempo aí, pois o frio era muito intenso – as pontas dos dedos doíam, e minha boca estava cheia de feridas devido ao vento cortante. O problema aqui era o frio mesmo.
Retornamos até aquela placa que mencionei antes, e logo depois dela, já dentro da floresta, achamos alguns galhos onde nos sentamos e fizemos nosso almoço.

Depois retornamos até a cidade, eu conseguia descer rápido, mas meu irmão e meu amigo sentiam os joelhos na descida, então eventualmente parava e curtia a paisagem enquanto esperava por eles.

Antes de chegarmos ao hotel, paramos em uma loja de souvenires e gastamos praticamente tudo que tínhamos em chocolates e outras coisinhas. Depois deixamos tudo no hotel e buscamos algum lugar para jantar e beber.

Seguimos pela avenida e paramos em uma sorveteria chamada Domo Blanco – era um lugar muito bonito e aconchegante (tinha até uma fonte com moedas dentro), e estava lotado.
Iríamos fazer nosso pedido e comer por aí, mas por acaso havia um casal que estava hospedado no mesmo hotel que nós – e eu já havia conversado com a senhora em outro momento. Eles estavam acabando de se servir e fizeram a gentileza de ceder seus lugares para nós, então aproveitamos o sorvete dentro da sorveteria.

A opção 1/4 no Domo Blanco, com três sabores, saiu por ARS 250,00.

Depois seguimos ainda pela avenida principal e decidimos parar em um restaurante chamado Monte Rojo, lá pegamos algumas cervejas (ARS 200,00 a unidade, acompanha um pouco de batatas fritas) e experimentei um Bife de Chorizo com Guarnicíon (o prato custou 850 pesos, mas era enorme) – a carne vem em uma fatia larga e quase nada temperada (nem com sal), e de acompanhamento escolhi salada (poderia ter pego fritas). Estava muito bom o prato, apesar de ser diferente, e infelizmente era muito para mim e acabei sobrando – ninguém estava com mais fome e ficou assim mesmo.

Depois disso voltamos para o hotel para ajeitar nossas coisas, e nos preparar para acordarmos cedo no próximo dia.

No hotel combinei com a atendente de nos deixar um café da manhã feito mais cedo, já que tínhamos que estar na rodoviária as 07:30 horas para pegar nosso ônibus de volta para o aeroporto.

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    • Por Ana Caroline Cunha
      Olá gente!
      Nem acredito que chegou a minha hora de deixar um relato de viagem haha eu pesquisei muito aqui nesse fórum e uma das grandes razões da viagem ter saído do papel e eu ter feito o meu primeiro mochilão sozinha foi as informações que encontrei por aqui. 
      Primeiramente, a base da minha viagem foi o relato da @appriim que está completinho nesse link aqui. Encontrei ela aqui no Mochileiros e no fim somos da mesma cidade e temos vários amigos em comum (e em breve espero que saia o encontro pessoalmente né Ana? haha)
      Fiz algumas alterações porque eu tinha alguns dias a mais que ela, então segue abaixo uma visão geral do meu roteiro e depois nos comentários vou escrevendo dia a dia.
      17/12/2019 - Florianópolis > Ushuaia
      18/12/2019 - Ushuaia - Carimbei o passaporte, comprei o ônibus para Punta Arenas e fiquei andando na cidade sem rumo
      19/12/2019 - Ushuaia - Passeio na Pinguinera + Canal Beagle e trilha no Glaciar Martial 
      20/12/2019 - Ushuaia - Laguna Esmeralda
      21/12/2019 - Ushuaia - descanso e andei pela cidade sem rumo de novo
      22/12/2019 - Ushuaia deslocamento > Punta Arenas - 12h de ônibus durante o dia
      23/12/2019 - Punta Arenas - fiz o câmbio e andei pela cidade, pela orla, fui ao mirante e cemitério as 17h peguei o ônibus para > Puerto Natales - 3h
      24/12/2019 - Puerto Natales - Aluguei um carro com o pessoal do hostel e fomos até o Parque Torres del Paine, fazendo o "Full Day" que vende em agências de forma privada
      25/12/2019 - Puerto Natales - Descanso
      26/12/2019 - Puerto Natales - Trilha Base de Torres del Paine 
      27/12/2019 - Puerto Natales deslocamento > El Calafate - 7h de ônibus durante o dia 
      28/12/2019 - El Calafate - Laguna Niemez, Lago Argentino e andei pela cidade
      29/12/2019 - El Calafate - Mini Trekking no Glaciar Perito Moreno
      30/12/2019 - El Calafate deslocamento > El Chalten - 3h de ônibus saindo as 8h
      31/12/2019 - El Chalten - Laguna de los Três / Fitz Roy 
      01/01/2020 - El Chalten - Descanso 
      02/01/2020 - El Chalten - Chorrillo Del Salto 
      03/01/2020 - El Chalten - Mirador de Los Condores e Las Aguilas 
      04/01/2020 - El Chalten - Laguna Torres / Cerro Torre
      05/01/2020 - El Chalten - Madre e Hija
      06/01/2020 - El Chalten - Descanso
      07/01/2020 - El Chalten deslocamento > El Calafate - 3h de ônibus, saindo as 8h, andei sem rumo pela cidade
      08/01/2020 - El Calafate - Lago Argentino, andei pela cidade e meu voo saiu as 19:30h para Buenos Aires > Florianópolis
      09/01/2020 - Chegada em Florianópolis 
      Gastos aproximados: 
      DESLOCAMENTO: R$ 3.000,00
      R$ 2.139,00 passagem aérea Aerolíneas Argentinas | Ida: Floripa > Buenos Aires > Ushuaia | Volta: El Calafate > Buenos Aires > Floripa R$ 180,00 entre taxi, uber, transfer aos lugares R$ 530,00 deslocamentos de ônibus R$ 135,00 aluguel de carro por 1 dia em Puerto Natales (o carro foi dividido em 4 pessoas) HOSPEDAGEM: R$ 1.280,00
      Ushuaia: ANTARCTICA HOSTEL Punta Arenas: HOSTEL ENTRE VIENTOS Puerto Natales: WE ARE PATAGONIA BACKPACKERS (pagamento em dólar estamos isentos de 19% do imposto) El Calafate: FOLK HOSTEL El Chalten: LO DE TRIVI El Calafate: FOLK SUITS Reservas feitas pelo Booking e HostelWorld
      PASSEIOS: R$ 1.650,00
      Mini Trekking Perito Moreno - R$ 700,00 - comprado no Brasil valor com cartão de crédito e IOF Pinguinera + Canal Beagle - R$ 742,00 - pago no Brasil valor com cartão de crédito e IOF | observação importante: se fazer a caminhada com os Pinguins em Punta Arenas é metade do preço e rola reservar lá mesmo no próprio hostel pro dia seguinte. Entrada Parque Torres del Paine - R$ 185,00 (paguei o preço de 2019 ainda) ALIMENTAÇÃO: R$ 1.200,00 (tem mercado, cerveja, vinho e alfajor nessa conta haha)
      BAR: R$ 200,00 (isso são os extras dos dias que fui pro bar e só consumi álcool)
      SEGURO VIAGEM: R$ 215,00
      TOTAL GASTO R$ 8.000,00 (contando souvenir, extras que eu possa ter esquecido de anotar e etc)
      Conversões realizadas: 
      1 real > 13,60 pesos argentinos (Aeroporto Ezeiza de Buenos Aires)
      1 real > 185 pesos chilenos (Casa de Câmbio em Punta Arenas)
      1 real > 16 pesos argentinos (Restaurante Casimiro em El Calafate)
      Fiz umas outras conversões zoadas porque tive perrengue de dinheiro que conto depois hahah mas essas três foram as principais que acho que vale citar. 
      TOTAL QUE GASTEI EFETIVAMENTE: R$ 8.900,00 (perdi R$ 900,00 por um golpe na conversão do câmbio no Banco do Aeroporto Ezeiza, eu dei R$ 3.200,00 e eles me converteram como se eu tivesse trocando R$ 2.300,00, fui perceber só agora que já estava no Brasil, foi falta de atenção minha como recém mochileira que achava que tinha pensado em todos os detalhes, só que não... 💔💔)
       
      Aos poucos vou contando aqui sobre a viagem dia-a-dia, ah eu também fui postando tudo no meu Instagram (@anavoando), os stories estão salvos no destaques e fui escrevendo no feed também.
      Ah, leiam o post da Ana que citei lá no começo, eu li e reli um milhão de vezes e ela dá várias dias ótimas!! 
       




       
      Espero que gostem! 
      Continuarei aos poucos,
      Ana Caroline
    • Por Alan karleno
      Fala Mochileiros..
      Procuro dicas para aperfeiçoar o meu roteiro e a quantidade de dias que se faz interessante para cada local. Planejo o roteiro entrando pela Argentina (buenos Aires), saindo pelo Chile (Santiago), em junho de 2020. Tenho 25 dias disponíveis. 
      Vôo. Teresina & buenos Aires (buenos Aires 3 dias).
      Vôo. Buenos Aires & Bariloche (Bariloche  + Villa la angostura 5 dias). 
      Vôo. Bariloche & Buenos Aires e Buenos Aires Ushuaia. (Dia para viagem). 
      Vôo. Ushuaia & El Calafate (4 dias El Calafate).
      Ônibus. El Calafate & Puerto Natales (5 dias Puerto Natales + Parque torres del paine). 
      Ônibus. Puerto Natales & Puta Arena (2 dias Puta Arena).
      Vôo. Punta arenas & Santiago ( 4 dias Santiago) + VALLE NEVADO ou FARELLONES.
      Vôo. Santiago & Teresina. 
      1 dias para emprevisto.
      Quero aproveitar ao máximo o tempo em viagem.
      Desde já agradeço pela atenção.
      Bora Mochila..
       
       
       
       
       
       
       
    • Por Antonio Domenico
      Olá pessoal, esta será a minha primeira viagem fora do país, meu inglês é bem fraco e espanhol é apenas o que eu aprendi assistindo a Usurpadora e Maria do Bairro kkk, da um pouco de medo, mas let it go!
      Vou ir deixando registrado aqui o que estou planejando para o meu mochilão, talvez sirva de ideia para algumas pessoas e super aceito dicas também. Muitas coisas do que eu estou planejando tem como referência depoimentos e dicas que li na internet.
      As passagem de avião pesquisei pelo app KAYAK, o app mostra os dias mais baratos para viajar e isso ajudou bastante. Também fazei viagem de ônibus, deixarei o link dos locais que comprarei as passagens.
      Trajetos:
      Avião Dia 24/02 - São Paulo (GRU) ---> Buenos Aires (EZE)  chegada 09:55am 
      Dia 27/02 - Buenos Aires (AEP) ---> Ushuaia (USH) chegada 08:10am
       
      Ônibus 29/02 - Ushuaia ---> Punta Arenas  55,37 DÓLARES 
      Saída 9am 
      Chegada 19:30 pm  
      29/02 - Punta Arenas ---> Puerto Natales 11,88 DÓLARES 
      Saída 21pm 
      Chegada 00:15 am 
      03/03 - Puerto Natales ---> El Calafate 23,72 DÓLARES  
      Saída 7:30 am 
      Chegada 13:30 pm  
      06/03 - El Calafate ---> El Chalten
      Saída 8 am 
      Chegada 11am  
      10/03 - El Chalten ---> El Calafate 152,38  reais
      (ainda vou decidir o horário)
       
      Avião  10/03 - El Calafate (FTE)  --> São Paulo (GRU)
      As passagem de avião ficaram em torno de 1860 reais incluindo uma bagagem de mão e uma mala.
       
      Hospedagem 
      Eu escolhi hostels pelo booking, dando preferência para os que serviam café da manhã e eram próximos de rodoviárias.
      Agora só preciso me organizar para fazer um roteiro de passeios e trilhas.
       
       
       
       


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