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15 dias de Porto Alegre-RS a Itajaí-SC passando pelos cânions e Bombinhas - com valores (Dez/2020)


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Fala pessoal, decidi compartilhar meu relato de viagem. Foi um pequeno mochilão, eu e meu marido, entre o RS e SC em dezembro/2020 de pandemia, bandeira vermelha e tudo mais. O relato vale muito a pena especialmente para quem quer fazer essa região sem carro (porque nem eu nem meu marido dirigimos).

 

VIAJAR EM PANDEMIA? 

Não que eu deva satisfação para alguém aqui mas vamos lá. Eu comprei a passagem em Julho na certeza que em Dezembro as coisas iriam melhorar. Não foi o que ocorreu, na verdade, piorou. Eu cheguei muito perto de cancelar tudo mas... Eu não sei quando terei férias novamente e sinceramente não queria ter o prejuízo das coisas que não teriam reembolso. Daí, levei em consideração que tenho contato limitado com outras pessoas que não moram na mesma casa que eu. Moro apenas com o meu marido e não somos grupos de risco. Durante toda a viagem, nos esforçamos em nos cuidar, levamos um pacote de máscara descartável com 50 unidades (usamos duas por dia) e alcool gel. Para o voo, levamos a N-95. Evitamos aglomerações (embora no relato vou descrever os momentos de mais risco) e comemos basicamente nas hospedagens ou pedindo IFood. Também praticamente todas as atrações que visitamos foram ao ar livre. Na volta, decidi fazer um teste de covid por desencargo - que deu negativo. 

Sabendo disso, que cada um decida por si e tenha ciência do risco que corre, tanto de sua própria saúde quanto as das pessoas que ama (muito embora ainda sei que julgadores julgarão, neste caso, sugiro que perca mais tempo cuidando da sua vida e não lendo relatos como esse que você obviamente discorda).    

 

ROTEIRO:

17/Dez - Voo GRU > POA - Orla do Guaiba, Estádio Beira-Rio

18/Dez - Parque Moinhos de Vento, Parque da Redenção, Monumento Açorianos, Centro Histórico, Farol Santander, Passeio de Barco no Guaiba.

19/Dez - Ônibus POA > Gramado - Minimundo, Lago Negro, rápida volta pela cidade

20/Dez - Parque do Caracol, Catedral de Pedra, Le Jardin Parque de Lavanda  

21/Dez - Carona Gramado > Cambará do Sul - Circuito das Águas (Cachoeira dos Venâncios, Passo do S e Passo da Ilha)

22/Dez - Cânion Fortaleza

23/Dez - Cânion Itambézinho - Táxi Itambézinho > Praia Grande

24/Dez - Trilha do Rio do Boi

25/Dez - Táxi Praia Grande > Torres - Parque da Guarita

26/Dez - Ônibus Torres > Itapema - Uber para Bombinhas

27/Dez - Bombinhas

28/Dez - Bombinhas

29/Dez - Morro do Macaco, Praia da Conceição e Mariscal - Uber Bombinhas > Itajaí

30/Dez - Beto Carrero

31/Dez - Voo NVT > GRU - Fim 

 

CUSTOS PARA 2 PESSOAS:

Voo GRU > POA / NVT > GRU  R$629,30 
   
Hospedagens  
Porto Alegre - Booking - Master Grande Hotel  R$254,10 
Gramado - AirBNB - Suíte perto do Lago Negro  R$380,85 
Cambará - Booking - Economize $ Dona Ursula  R$156,00 
Praia Grande - AirBNB - Cabana Rio do Boi  R$352,62 
Torres - Booking - Apartamento perto da lagoa  R$153,00 
Bombinhas - AirBNB - DAX Bombinhas Hostel  R$475,40 
Itajaí - AirBNB - Bem Estar Loft  R$408,54 
   
Passeios  
Barco Guaiba - Peixe Urbano  R$28,97 
Minimundo  R$96,00 
Parque do Caracol  R$40,00 
Rota das Águas e Cânions  R$530,00 
Trilha Rio do Boi  R$220,00 
Beto Carrero  R$360,00 
   
Transportes  
ônibus POA > Gramado  R$91,33 
carona Gramado > Cambará  R$50,00 
táxi Cambará > Praia Grande  R$100,00 
táxi Praia Grande > Torres  R$80,00 
ônibus Torres >  Itapema  R$188,80 
uber Itapema > Bombinhas  R$72,00 
uber Bombinhas > Itajaí  R$125,00 
   
Outros - Alimentação, Ubers e 99 diversos, presentes, compras, etc  R$1.900,00 
   
TOTAL:  R$6.691,91 

 

DIA 1

Estava esperando um aeroporto lotado com filas e filas de check-in mas a real é que o movimento estava 'ok'. Nem muito cheio nem muito vazio. Voei pela Gol - praticamente cheio. Chegando em Porto Alegre, ali sim, aeroporto deserto. Pedi um Uber até o Master Grande Hotel que deu coisa de R$10,00. Deixamos nossas mochilas lá e caminhamos até a Usina do Gasômetro. A cidade em si estava relativamente vazia e foi bem tranquilo andar até a Usina e depois pela Orla até o Estádio do Beira-Rio, que vimos apenas por fora. Do estádio voltamos de Uber pra Usina pra apreciar o pôr do sol que tava incrível. Voltamos pro Hotel e jantamos IFood.

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Estádio Beira-Rio

 

DIA 2

Café da manhã do hotel limitado por causa da pandemia mas tudo com bastante segurança, itens embalados com plástico filme e bastante distância entre as poucas mesas. De Uber, fomos até o Parque Moinhos de Vento. Bem bonitinho, fiquei bem surpresa que tem tartarugas nos lagos. De lá, caminhamos até o Parque da Redenção. O sol estava beeem quente mas sobrevivemos. Visitamos também a ponte de pedras e o Monumento dos Açorianos. Voltamos de Uber pro Hotel pra um pequeno pit stop, depois fomos ao Centro Velho da cidade. O Centro Cultural Mário Quintana estava fechado, só tiramos fotos por fora. Visitamos a exposição do Farol Santander que estava absolutamente vazio - apenas eu e meu marido de visitantes. Pra encerrar o dia, fizemos o passeio de barco pelo Guaiba. A dica aqui é não comprar pelo Cisne Branco, tem um outro barco ali do lado da Usina que cobra R$25,00 por pessoa e nós ainda pagamos menos comprando pelo Peixe Urbano. O barco só sai com no mínimo 15 pessoas (mesmo tendo capacidade para 200) e aparentemente o único horário que tem esse tanto gente é o das 18h. O passeio foi muito bonito e foi o que mais gostei de fazer em Porto Alegre. Voltamos a pé para o hotel e jantamos mais um IFood.

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Parque Moinhos de Vento

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Parque da Redenção

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Tartarugas no Parque da Redenção

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Casa de Cultura Mário Quintana

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Monumento Açorianos

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Passeio de Barco no Guaiba

 

DIA 3

Após o café da manhã, fomos a pé até a rodoviária. De lá, pegamos um ônibus semi-direto para Gramado. Da rodoviária de Gramado também decidimos ir a pé até nosso AirBNB próximo ao Lago Negro. Chovia fraco quando chegamos. Apenas deixamos as malas no quarto e saímos para ir direto ao Minimundo. Acho que queria mais visitar o lugar de ouvir falar, mas na prática não achei que valeu muito a pena pelo valor do ingresso. De lá, andamos até o centro. A cidade sim estava cheia e foi difícil manter a distância das pessoas o tempo todo, por isso, acabamos não parando em lugar nenhum. Procuramos algum mercado maior e mais distante do centro para comprar algumas comidas congeladas, pães e frios. Voltamos de Uber para a nossa hospedagem. A motorista que pegamos começou a falar sobre algumas atrações de Gramado - eu não tinha interesse em ir em quase nada que não fosse o Parque do Caracol. Daí ela citou o Jardim de Lavanda e fiquei com isso na cabeça. Como estavamos bem perto do Lago Negro, fomos até lá. Como já era quase noite, tinha poucas pessoas por ali e os pedalinhos não funcionavam mais. Apesar da enorme quantidade de mosquitos, foi agradável. Voltamos para o quarto para jantar uma lasanha congelada e fim de dia. 

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Minimundo

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Centro de Gramado

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Lago Negro

DIA 4

Chamamos um Uber para ir até o Paque do Caracol. Não pegamos o bondinho, entramos pela entrada principal mesmo. De lá, fomos no mirante da Cascata do Caracol - muito bonita. Depois pegamos a trilha para as corredeiras que precedem a queda principal - provavelmente mais bonitas que a própria cascata. Continuamos até a barragem e logo em seguida fomos ao Centro Histórico Ambiental, um pequeno museu com várias informações bem interessantes. Antes de ir embora, arrisquei pagar pra subir no Observatório. Até agora não sei se valeu a pena ter gasto esse dinheiro extra pra ver a cascata um pouco mais de cima.

Saindo do parque, tivemos a sorte de ter um Uber logo na porta esperando uma corrida para a volta. Fomos até o centro de Canela para conhecer a Catedral. Sentamos em um banco qualquer para comer os lanches que tinha preparado para o almoço. Feito isto, tomamos outro Uber até o Jardim das Lavandas que a motorista do dia anterior indicou. É um jardim bem lagalzinho, acho que valeu a pena a visita. Ainda era cedo, voltamos para a hospedagem, trocamos de roupa e fomos conhecer outros lados da cidade a pé. Passamos novamente pelo Lago Negro - que desta vez estava sim cheio - depois fomos até o Pórtico da Avenida das Hortências apenas para foto, conhecemos a capela que faz casamentos ao estilo Las Vegas e fomos até a Cascata Véu de Noiva que de nada valeu a pena pois o cheiro é de esgoto mesmo. Como o centro da cidade estava cheio, não perdemos muito tempo por lá, passamos em uma loja de lembrancinhas para comprar alguns presentes e logo voltamos para nossa hospedagem.

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Mirante da Cascata do Caracol

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Corredeiras

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Jardim de Lavandas

DIA 5

Conseguimos uma carona - aqui pelo Mochileiros! com o Fernando Lucio - de Gramado para Cambará do Sul. Isso nos ajudou demaaais já que não existe ônibus direto para este trajeto. Em Cambará tive uma pequena decepção com o AirBNB de lá mas como seria apenas 2 noites, não me preocupei muito com isso. Antes de chegar lá, estava em contato com a Agência Rota Aparados desde Agosto (Ederson - 54 9964-1033) por isso fui direto lá com eles. Eu só tinha intenção de conhecer os cânions mas como haviamos chegado mais cedo na cidade e o dia estava bonito com sol, decidi também fazer o Circuito das Águas. Negociei um valor a vista com eles, os 3 passeios - Circuito das Águas, Fortaleza e Itambezinho - por R$530,00 já com a entrada para a Cachoeira dos Venâncios. Sinceramente, não sei se encontraria um valor melhor que esse para tudo o que fizemos. 

Apenas nos trocamos e já saímos para fazer o Circuito das Águas num grupo de 6 pessoas mais o guia. As estradas são péssimas, o que justificou o valor pago. Passamos primeiro na Cachoeira dos Venâncios para banho e apreciar todas as demais quedas. De lá seguimos para o Passo do S com direito a vista da Cachoeira do S que é uma mini Catarata. O passeio termina no Passo da Ilha. Eu simplesmente AMEI esse passeio e fico muito feliz de ter chego mais cedo em Cambará e ter podido fazer ele. 

Este dia jantamos em um restaurante chamado Máquina do Tempo em Cambará, tinha apenas mais dois clientes além de nós, porções bem gostosas. 

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Cachoeira dos Venâncios

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Cachoeira do S

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Passo da Ilha

DIA 6

Tanto nesse dia quanto no dia seguinte, a gente deu MUITA SORTE do tempo estar aberto. O verão tem muito risco dos cânions encherem de neblina e ficar sem visibildiade mas pegamos o tempo bom, céu azul e sol. Enfim... Dia de conhecer o cânion Fortaleza. Foi um grupo de 4 pessoas mais o guia. Estrada bem ruim até a entrada do parque. Fizemos primeiro a trilha do Mirante e depois a trilha da Pedra do Segredo. Todas as trilhas, ida e volta, dão em torno de 7km. O Fortaleza é tão impressionante que fotos não conseguem dar a noção da altura e da beleza do lugar. Visto que não há nenhum tipo de estrutura turística ou de segurança por ali, precisa tomar cuidado com qualquer passo em falso. Nós saímos da cidade as 8h e voltamos as 13h. Depois do passeio descansamos bastante e demos um rápido passeio pela pequena cidade. Cambará, mesmo no verão, é bem geladinho a noite. Pegamos cerca de 10 graus em pleno dezembro, então precisa levar um casaco de frio. 

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Cânion Fortaleza da pela trilha do Mirante

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Pedra do Segredo

 

DIA 7

Dia de conhecer o cânion Itambézinho. Nesse dia aconteceu o seguinte: arrumamos nossas mochilas e saímos com todas elas já para o passeio. Neste passeio só estávamos nós dois e o guia. Fizemos a Trilha do Cotovelo e a Trilha do Vértice, também com certca de 7km as duas juntas. No Fortaleza, não é possível ver onde o cânion começa, já no Itambézinho é possível na Trilha do Vértice, como o próprio nome diz. O Itambézinho é impressionante também, tanto quanto o Fortaleza. Eu não saberia escolher qual dos dois é mais bonito, precisa conhecer os dois. Por volta das 12h, pegamos nossas bagagens no carro e dispensamos o guia. Um taxista de Praia Grande foi nos buscar ali (Sérgio - 48 9126-3642). Essa foi a solução que encontrei para economizar no transfer entre as duas cidades (Cambará X Praia Grande), já que o Itambézinho fica na metade do caminho, paguei metade do valor (R$100,00). 

Já em Praia Grande, apenas passamos no mercado para comprar nosso lanche de trilha e janta dos dias seguintes. 

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Vistas da Trilha do Cotovelo

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Vistas da Trilha do Vértice

 

DIA 8

Dia de fazer a Trilha do Rio do Boi. Fechamos o passeio com a agência Bixo do Mato (Bruna - 48 8865-7819) que também estava conversando há um bom tempo, desde Agosto provavelmente. Pagamos R$220,00 para fazer a trilha porque havia um outro casal conosco no mesmo dia, por isso barateou. A Bruna não me cobrou o transporte até o início da trilha (foi algo que não tinha ficado muito claro, eu pensei que tava incluso quando fechei mas ela não me cobrou porque o guia estava de carro e mais duas pessoas que iriam neste dia, desistiram, então pudemos ir no carro do guia).

A trilha tem 14km de extensão entre ida e volta. Iniciamos ela por volta das 10h e voltamos por volta das 17h. Recebemos caneleiras para proteção tanto contra possíveis picadas de cobra quanto das pedras do rio. A primeira parte da trilha é em meio a mata e, depois, pelas pedras no rio, realizando diversas travessias. Molha tudo até a coxa. Fizemos duas paradas para banho de cachoeira, uma na ida e outra na volta. Fizemos outras paradas menores apenas para retomar o fôlego e uma parada maior no fim da trilha, antes de iniciar o retorno.

É uma trilha pesadinha sim mas nada impossível para quem tem o mínimo de preparo físico. A grande dificuldade é pisar nas pedras nas travessias do rio. No entanto, como meu guia foi com calma e paciência, não foi nada de outro mundo. A trilha em si acaba pouco antes dos grandes paredões que a gente vê da Trilha do Cotovelo, lá em cima. E sempre bom lembrar que o fim da trilha é apenas a metade do caminho, precisa voltar tudo de novo. De qualquer forma, é tudo belíssimo, mais uma daquelas coisas que fotos não conseguem transmitir. 

Por causa da pandemia só pode entrar 75 pessoas por dia na trilha então a gente cruza com poucas pessoas durante o percurso e de forma muito breve.

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Início da trilha e o começo em meio a mata

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Parte da trilha no rio, em meio a pedras e realizando diversas travessias.

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Cachoeiras que paramos para banho - uma na ida e outra na volta

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O fim da trilha

 

DIA 9

Eu resolvi meio em cima da hora que faríamos nesse dia 25 de Dezembro. Acabamos por chamar o Sérgio, o taxista, e pedimos para ele nos levar para Torres. Cobrou mais R$80,00. Era o que dava pra fazer já que não tinha ônibus no dia. Eu queria conhecer Torres principalmente por causa dos paredões, óbvio, mas a praia, que já não é lá tãããão bonita, tava meio cheia e acabou que não deu muita graça. Demos uma volta rápida ali pelo Parque da Guarita para tirar algumas fotos e voltamos para o nosso AirBNB local. 

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Vistas do Parque da Guarita

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Oh No Oh No 

 

DIA 10

Pegamos um ônibus da rodoviária de Torres até Itapema, cerca de 6 horas de viagem. Da rodoviária de Itapema solicitei um 99 para nos levar a Bombinhas, nosso próximo destino. Eu nem sei porque escolhi a região de Bombinhas, ouvia muito falar mas pequisei bem pouco sobre o local. Decobri que existe apenas uma estrada de entrada na peninsula e esta vive com muito trânsito. O meu trajeto de Itapema até lá deu 42 reais mais o pedágio de 29. 

A nossa hospedagem em Bombinhas foi em um hostel e foi a primeira que reservei nesta viagem porque na época (em meados de Setembro quando estava pesquisando) boa parte das opções já estavam esgotadas e este hostel era a opção de melhor custo benefício com cancelamento gratuito. Obviamente, um hostel não é o melhor lugar para manter distância de outras pessoas mas no geral não foi ruim. Nosso quarto era privativo e todas as vezes que precisei usar o banheiro para tomar banho, estava vazio. O maior 'problema' era mais no uso da cozinha. 

Como chegamos já era fim de tarde lá só deu tempo de dar uma rápida andada na praia de Bombas. A região estava bem cheia e foi o lugar de mais risco que estivemos. Como não gostamos de ficar na areia, o que dava pra fazer pra minimizar os riscos é correr direto pro mar evitar ficar na areia com as pessoas.

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Primeira volta pela praia de Bombas

 

DIA 11

CHOVEU O DIA INTEIRINHO. O TEMPO TODO. Foi um sinal de que jamais deveria ter ido pra praia. A gente só conseguiu sair do hostel já era umas 17h pra um rápido banho de mar na praia de Bombinhas mas no geral foi um dia perdido. 

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Banho de mar em Bombinhas depois da chuva torrencial

 

DIA 12

Embora tivesse chovido de madrugada, fomos presenteados com um pouco de sol pela manhã PORÉM... foi um dia decepcionante. Por causa da chuva, o mar ficou cinza/ verde escuro. Aquela água azul das fotos que a gente vê não tava rolando. Eu tinha levado meu snorkel para poder fazer uns mergulhos mas a visibilidade era zero. Aliás, abaixo de zero. Nesse dia, fomos andando até a famosa praia da Sepultura que estava APINHADA DE GENTE. Passei muito rápido pelas pessoas apenas pra tentar fazer o snorkel mas sem sucesso. Pulamos pra praia da lagoinha que ai dava pra ver alguns peixinhos mas do lado de fora da água porque mergulhando você trombava com as pedras. No fim, frustrados, voltamos pra praia de Bombinhas e ficamos por lá já que era o lugar mais vazio pra curtir o mar em si. 

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Marzão cinza/ verde escuro

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'que raios eu vim fazer aqui'

 

DIA 13

Esse dia eu tinha conseguido uma carona pra Itajaí pelo BlaBlaCar mas o cara ia sair as 23h, então eu meio que tinha arrumado coisas pra fazer mesmo após o check out já que iríamos embora bem tarde. Visto que já tinha desistido de mar por causa das chuvas, fomos fazer a trilha do Morro do Macaco. Chamei um Uber pra nos levar até lá. Em Bombinhas, Uber é uma raridade, é sempre um risco contar com eles, nessa hora eu dei sorte. Fazia sol e muito calor este dia. A vista lá de cima é bem bonita mas não rolou de tirar foto na 'pedra principal' porque tava rolando uma fila pra ir ali. Buscamos locais alternativos para fotos e ficou bacana.

Lá de cima notamos que as praia 'de fora', pro mar aberto, estavam com a água mais limpa, especialmente a praia da Conceição. Eu nem estava com roupa de banho por baixo mas resolvi que ia curtir aquela praia. Comprei o biquini mais barato da loja mais próxima só pra ia na praia da Conceição que esta sim estava com a água clara. Pena que não estava com snorkel, mas de qualquer forma, ali não parece muito adequado para a prática. Curtimos a praia ali por algum tempo e depois resolvemos ir embora caminhando até o hostel (cerca de 8km) mas como só iríamos embora as 23h tava tranquila de horário. 

SÓ QUE AI.... O cara do BlaBlaCar me manda uma mensagem 18h falando que não ia mais fazer o trajeto. Fiquei desolada, o cara me avisa em cima da hora que não vai poder fazer. Entrei em pânico, ia tomar um banho quando chegasse no hostel mas nem isso fiz. Cheguei a conclusão que teria que ir de Uber. A corrida ficou uma fortuna, mais especificamente R$125,00... e levou 1h30 por causa do trânsito mas no fim, deu certo. Chegamos em Itajaí até mais cedo do que esperávamos, era umas 20h30. 

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Vista do Morro do Macaco - a esquerda o mar de dentro 'sujo' e a direita o mar aberto mais limpo (Praia do Mariscal)

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Quando a gente mirou na Praia da Conceição de cima do morro e viu que tava 'um filé' como me disseram kkkkkkkkk

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Curtindo a Praia da Conceição com o biquini comprado 30 minutos antes

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Chegando em Itajaí depois de ter levado o cano da carona do BlaBlaCar toda detonada

 

DIA 14

Fomos para o parque do Beto Carrero. Aqui em São Paulo, desde que o Playcenter faliu e o Hopi Hari nunca mais foi o mesmo após o acidente na Torre, o Beto Carrero se tornou o parque de diversões mais próximo de mim. Comprei o ingresso um dia antes pelo site, R$280,00 o casal. Fomos pra lá de Uber também, a partir do centro de Itajaí. Demos MUITA SORTE de não pegar o parque muito cheio, conseguimos andar em todos os principais brinquedos e a maior fila que pegamos não gastou mais que 30 minutos. Confesso que me senti uma adolescente e chorei quando andei na primeira montanha russa depois de sei lá quantos anos. Gostei muito do parque, tem muitos atrativos e eles estão cuidando bastante da limpeza agora em pandemia. Eu me diverti demais e indico fortemente a todos (já quero voltar, inclusive).

Para voltar pra Itajaí, tava dificil conseguir Uber ou 99... A BR tava com bastante trânsito e os motoristas não quiseram aceitar a corrida. Como alternativa, pedi uma corrida até a Balsa de Navegantes e ai conseguimos transporte. Custou 32 reais essa corrida e atravessamos a Balsa como pedestres. Depois, andamos mais cerca de 2km até o nosso AirBNB, encerrando o dia. 

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Bem feliz num parque de diversões depois de sei lá quantos anos

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Travessia da balsa Navegantes X Itajaí

 

DIA 15

Nosso voo saiu de Navegantes as 11h05 - fomos para lá de Uber também, encerrando o mochilão.

 

CONCLUSÃO

Achei que valeu muito a pena. Apesar de os dois dias em Bombinhas terem sido frustrantes, todo o resto da viagem foi muito bem aproveitado mesmo sem carro. Os cânions são absolutamente incríveis e demos a sorte de conseguir tempo aberto em todos os dias que estivemos por lá. Além disso, foi uma viagem completa - cidade, serra, praia, de um calor de 30 graus pra um frio de 10 graus - tudo numa mochila. Apesar de ter sido um ano lixo pra maioria de nós, me sinto muito privilegiada de ter tido essa oportunidade. Agora é torcer para dias melhores a frente e podermos viajar sem mais preocupações.

 

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Olá, boa tarde! Muito obrigado por compartilhar as belíssimas fotos. Realmente não acho que da pra julgar viajar durante esse momento que estamos vivendo, já que estamos a quase um ano em pandemia. Estou indo para o Sul agora em Janeiro a trabalho e vou aproveitar para conhecer alguns lugares.

Abraços,

Gustavo Woltmann

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Show o relato, é interessante postar esse adicional da situação das viagens do Brasil na pandemia, com certeza terá relevância histórica no futuro (para quem quiser ver como estava). Saudades de RS com tudo o que tem direito ::love::

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8 horas atrás, StanlleySantos disse:

Show o relato, é interessante postar esse adicional da situação das viagens do Brasil na pandemia, com certeza terá relevância histórica no futuro (para quem quiser ver como estava). Saudades de RS com tudo o que tem direito ::love::

Nunca tinha ido pro RS e estou muito positivamente suspresa com tanta coisa legal que tem pra fazer por lá. Minha próxima vez no estado, espero que seja pra fazer a travessias da praia do cassino que tenho muita vontade também 

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Em 03/01/2021 em 01:01, rafa_con disse:

Fala pessoal, decidi compartilhar meu relato de viagem. Foi um pequeno mochilão, eu e meu marido, entre o RS e SC em dezembro/2020 de pandemia, bandeira vermelha e tudo mais. O relato vale muito a pena especialmente para quem quer fazer essa região sem carro (porque nem eu nem meu marido dirigimos).

 

VIAJAR EM PANDEMIA? 

Não que eu deva satisfação para alguém aqui mas vamos lá. Eu comprei a passagem em Julho na certeza que em Dezembro as coisas iriam melhorar. Não foi o que ocorreu, na verdade, piorou. Eu cheguei muito perto de cancelar tudo mas... Eu não sei quando terei férias novamente e sinceramente não queria ter o prejuízo das coisas que não teriam reembolso. Daí, levei em consideração que tenho contato limitado com outras pessoas que não moram na mesma casa que eu. Moro apenas com o meu marido e não somos grupos de risco. Durante toda a viagem, nos esforçamos em nos cuidar, levamos um pacote de máscara descartável com 50 unidades (usamos duas por dia) e alcool gel. Para o voo, levamos a N-95. Evitamos aglomerações (embora no relato vou descrever os momentos de mais risco) e comemos basicamente nas hospedagens ou pedindo IFood. Também praticamente todas as atrações que visitamos foram ao ar livre. Na volta, decidi fazer um teste de covid por desencargo - que deu negativo. 

Sabendo disso, que cada um decida por si e tenha ciência do risco que corre, tanto de sua própria saúde quanto as das pessoas que ama (muito embora ainda sei que julgadores julgarão, neste caso, sugiro que perca mais tempo cuidando da sua vida e não lendo relatos como esse que você obviamente discorda).    

 

ROTEIRO:

17/Dez - Voo GRU > POA - Orla do Guaiba, Estádio Beira-Rio

18/Dez - Parque Moinhos de Vento, Parque da Redenção, Monumento Açorianos, Centro Histórico, Farol Santander, Passeio de Barco no Guaiba.

19/Dez - Ônibus POA > Gramado - Minimundo, Lago Negro, rápida volta pela cidade

20/Dez - Parque do Caracol, Catedral de Pedra, Le Jardin Parque de Lavanda  

21/Dez - Carona Gramado > Cambará do Sul - Circuito das Águas (Cachoeira dos Venâncios, Passo do S e Passo da Ilha)

22/Dez - Cânion Fortaleza

23/Dez - Cânion Itambézinho - Táxi Itambézinho > Praia Grande

24/Dez - Trilha do Rio do Boi

25/Dez - Táxi Praia Grande > Torres - Parque da Guarita

26/Dez - Ônibus Torres > Itapema - Uber para Bombinhas

27/Dez - Bombinhas

28/Dez - Bombinhas

29/Dez - Morro do Macaco, Praia da Conceição e Mariscal - Uber Bombinhas > Itajaí

30/Dez - Beto Carrero

31/Dez - Voo NVT > GRU - Fim 

 

CUSTOS PARA 2 PESSOAS:

Voo GRU > POA / NVT > GRU  R$629,30 
   
Hospedagens  
Porto Alegre - Booking - Master Grande Hotel  R$254,10 
Gramado - AirBNB - Suíte perto do Lago Negro  R$380,85 
Cambará - Booking - Economize $ Dona Ursula  R$156,00 
Praia Grande - AirBNB - Cabana Rio do Boi  R$352,62 
Torres - Booking - Apartamento perto da lagoa  R$153,00 
Bombinhas - AirBNB - DAX Bombinhas Hostel  R$475,40 
Itajaí - AirBNB - Bem Estar Loft  R$408,54 
   
Passeios  
Barco Guaiba - Peixe Urbano  R$28,97 
Minimundo  R$96,00 
Parque do Caracol  R$40,00 
Rota das Águas e Cânions  R$530,00 
Trilha Rio do Boi  R$220,00 
Beto Carrero  R$360,00 
   
Transportes  
ônibus POA > Gramado  R$91,33 
carona Gramado > Cambará  R$50,00 
táxi Cambará > Praia Grande  R$100,00 
táxi Praia Grande > Torres  R$80,00 
ônibus Torres >  Itapema  R$188,80 
uber Itapema > Bombinhas  R$72,00 
uber Bombinhas > Itajaí  R$125,00 
   
Outros - Alimentação, Ubers e 99 diversos, presentes, compras, etc  R$1.900,00 
   
TOTAL:  R$6.691,91 

 

DIA 1

Estava esperando um aeroporto lotado com filas e filas de check-in mas a real é que o movimento estava 'ok'. Nem muito cheio nem muito vazio. Voei pela Gol - praticamente cheio. Chegando em Porto Alegre, ali sim, aeroporto deserto. Pedi um Uber até o Master Grande Hotel que deu coisa de R$10,00. Deixamos nossas mochilas lá e caminhamos até a Usina do Gasômetro. A cidade em si estava relativamente vazia e foi bem tranquilo andar até a Usina e depois pela Orla até o Estádio do Beira-Rio, que vimos apenas por fora. Do estádio voltamos de Uber pra Usina pra apreciar o pôr do sol que tava incrível. Voltamos pro Hotel e jantamos IFood.

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Estádio Beira-Rio

 

DIA 2

Café da manhã do hotel limitado por causa da pandemia mas tudo com bastante segurança, itens embalados com plástico filme e bastante distância entre as poucas mesas. De Uber, fomos até o Parque Moinhos de Vento. Bem bonitinho, fiquei bem surpresa que tem tartarugas nos lagos. De lá, caminhamos até o Parque da Redenção. O sol estava beeem quente mas sobrevivemos. Visitamos também a ponte de pedras e o Monumento dos Açorianos. Voltamos de Uber pro Hotel pra um pequeno pit stop, depois fomos ao Centro Velho da cidade. O Centro Cultural Mário Quintana estava fechado, só tiramos fotos por fora. Visitamos a exposição do Farol Santander que estava absolutamente vazio - apenas eu e meu marido de visitantes. Pra encerrar o dia, fizemos o passeio de barco pelo Guaiba. A dica aqui é não comprar pelo Cisne Branco, tem um outro barco ali do lado da Usina que cobra R$25,00 por pessoa e nós ainda pagamos menos comprando pelo Peixe Urbano. O barco só sai com no mínimo 15 pessoas (mesmo tendo capacidade para 200) e aparentemente o único horário que tem esse tanto gente é o das 18h. O passeio foi muito bonito e foi o que mais gostei de fazer em Porto Alegre. Voltamos a pé para o hotel e jantamos mais um IFood.

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Parque Moinhos de Vento

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Parque da Redenção

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Tartarugas no Parque da Redenção

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Casa de Cultura Mário Quintana

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Monumento Açorianos

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Passeio de Barco no Guaiba

 

DIA 3

Após o café da manhã, fomos a pé até a rodoviária. De lá, pegamos um ônibus semi-direto para Gramado. Da rodoviária de Gramado também decidimos ir a pé até nosso AirBNB próximo ao Lago Negro. Chovia fraco quando chegamos. Apenas deixamos as malas no quarto e saímos para ir direto ao Minimundo. Acho que queria mais visitar o lugar de ouvir falar, mas na prática não achei que valeu muito a pena pelo valor do ingresso. De lá, andamos até o centro. A cidade sim estava cheia e foi difícil manter a distância das pessoas o tempo todo, por isso, acabamos não parando em lugar nenhum. Procuramos algum mercado maior e mais distante do centro para comprar algumas comidas congeladas, pães e frios. Voltamos de Uber para a nossa hospedagem. A motorista que pegamos começou a falar sobre algumas atrações de Gramado - eu não tinha interesse em ir em quase nada que não fosse o Parque do Caracol. Daí ela citou o Jardim de Lavanda e fiquei com isso na cabeça. Como estavamos bem perto do Lago Negro, fomos até lá. Como já era quase noite, tinha poucas pessoas por ali e os pedalinhos não funcionavam mais. Apesar da enorme quantidade de mosquitos, foi agradável. Voltamos para o quarto para jantar uma lasanha congelada e fim de dia. 

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Minimundo

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Centro de Gramado

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Lago Negro

DIA 4

Chamamos um Uber para ir até o Paque do Caracol. Não pegamos o bondinho, entramos pela entrada principal mesmo. De lá, fomos no mirante da Cascata do Caracol - muito bonita. Depois pegamos a trilha para as corredeiras que precedem a queda principal - provavelmente mais bonitas que a própria cascata. Continuamos até a barragem e logo em seguida fomos ao Centro Histórico Ambiental, um pequeno museu com várias informações bem interessantes. Antes de ir embora, arrisquei pagar pra subir no Observatório. Até agora não sei se valeu a pena ter gasto esse dinheiro extra pra ver a cascata um pouco mais de cima.

Saindo do parque, tivemos a sorte de ter um Uber logo na porta esperando uma corrida para a volta. Fomos até o centro de Canela para conhecer a Catedral. Sentamos em um banco qualquer para comer os lanches que tinha preparado para o almoço. Feito isto, tomamos outro Uber até o Jardim das Lavandas que a motorista do dia anterior indicou. É um jardim bem lagalzinho, acho que valeu a pena a visita. Ainda era cedo, voltamos para a hospedagem, trocamos de roupa e fomos conhecer outros lados da cidade a pé. Passamos novamente pelo Lago Negro - que desta vez estava sim cheio - depois fomos até o Pórtico da Avenida das Hortências apenas para foto, conhecemos a capela que faz casamentos ao estilo Las Vegas e fomos até a Cascata Véu de Noiva que de nada valeu a pena pois o cheiro é de esgoto mesmo. Como o centro da cidade estava cheio, não perdemos muito tempo por lá, passamos em uma loja de lembrancinhas para comprar alguns presentes e logo voltamos para nossa hospedagem.

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Mirante da Cascata do Caracol

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Corredeiras

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Jardim de Lavandas

DIA 5

Conseguimos uma carona - aqui pelo Mochileiros! com o Fernando Lucio - de Gramado para Cambará do Sul. Isso nos ajudou demaaais já que não existe ônibus direto para este trajeto. Em Cambará tive uma pequena decepção com o AirBNB de lá mas como seria apenas 2 noites, não me preocupei muito com isso. Antes de chegar lá, estava em contato com a Agência Rota Aparados desde Agosto (Ederson - 54 9964-1033) por isso fui direto lá com eles. Eu só tinha intenção de conhecer os cânions mas como haviamos chegado mais cedo na cidade e o dia estava bonito com sol, decidi também fazer o Circuito das Águas. Negociei um valor a vista com eles, os 3 passeios - Circuito das Águas, Fortaleza e Itambezinho - por R$530,00 já com a entrada para a Cachoeira dos Venâncios. Sinceramente, não sei se encontraria um valor melhor que esse para tudo o que fizemos. 

Apenas nos trocamos e já saímos para fazer o Circuito das Águas num grupo de 6 pessoas mais o guia. As estradas são péssimas, o que justificou o valor pago. Passamos primeiro na Cachoeira dos Venâncios para banho e apreciar todas as demais quedas. De lá seguimos para o Passo do S com direito a vista da Cachoeira do S que é uma mini Catarata. O passeio termina no Passo da Ilha. Eu simplesmente AMEI esse passeio e fico muito feliz de ter chego mais cedo em Cambará e ter podido fazer ele. 

Este dia jantamos em um restaurante chamado Máquina do Tempo em Cambará, tinha apenas mais dois clientes além de nós, porções bem gostosas. 

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Cachoeira dos Venâncios

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Cachoeira do S

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Passo da Ilha

DIA 6

Tanto nesse dia quanto no dia seguinte, a gente deu MUITA SORTE do tempo estar aberto. O verão tem muito risco dos cânions encherem de neblina e ficar sem visibildiade mas pegamos o tempo bom, céu azul e sol. Enfim... Dia de conhecer o cânion Fortaleza. Foi um grupo de 4 pessoas mais o guia. Estrada bem ruim até a entrada do parque. Fizemos primeiro a trilha do Mirante e depois a trilha da Pedra do Segredo. Todas as trilhas, ida e volta, dão em torno de 7km. O Fortaleza é tão impressionante que fotos não conseguem dar a noção da altura e da beleza do lugar. Visto que não há nenhum tipo de estrutura turística ou de segurança por ali, precisa tomar cuidado com qualquer passo em falso. Nós saímos da cidade as 8h e voltamos as 13h. Depois do passeio descansamos bastante e demos um rápido passeio pela pequena cidade. Cambará, mesmo no verão, é bem geladinho a noite. Pegamos cerca de 10 graus em pleno dezembro, então precisa levar um casaco de frio. 

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Cânion Fortaleza da pela trilha do Mirante

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Pedra do Segredo

 

DIA 7

Dia de conhecer o cânion Itambézinho. Nesse dia aconteceu o seguinte: arrumamos nossas mochilas e saímos com todas elas já para o passeio. Neste passeio só estávamos nós dois e o guia. Fizemos a Trilha do Cotovelo e a Trilha do Vértice, também com certca de 7km as duas juntas. No Fortaleza, não é possível ver onde o cânion começa, já no Itambézinho é possível na Trilha do Vértice, como o próprio nome diz. O Itambézinho é impressionante também, tanto quanto o Fortaleza. Eu não saberia escolher qual dos dois é mais bonito, precisa conhecer os dois. Por volta das 12h, pegamos nossas bagagens no carro e dispensamos o guia. Um taxista de Praia Grande foi nos buscar ali (Sérgio - 48 9126-3642). Essa foi a solução que encontrei para economizar no transfer entre as duas cidades (Cambará X Praia Grande), já que o Itambézinho fica na metade do caminho, paguei metade do valor (R$100,00). 

Já em Praia Grande, apenas passamos no mercado para comprar nosso lanche de trilha e janta dos dias seguintes. 

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Vistas da Trilha do Cotovelo

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Vistas da Trilha do Vértice

 

DIA 8

Dia de fazer a Trilha do Rio do Boi. Fechamos o passeio com a agência Bixo do Mato (Bruna - 48 8865-7819) que também estava conversando há um bom tempo, desde Agosto provavelmente. Pagamos R$220,00 para fazer a trilha porque havia um outro casal conosco no mesmo dia, por isso barateou. A Bruna não me cobrou o transporte até o início da trilha (foi algo que não tinha ficado muito claro, eu pensei que tava incluso quando fechei mas ela não me cobrou porque o guia estava de carro e mais duas pessoas que iriam neste dia, desistiram, então pudemos ir no carro do guia).

A trilha tem 14km de extensão entre ida e volta. Iniciamos ela por volta das 10h e voltamos por volta das 17h. Recebemos caneleiras para proteção tanto contra possíveis picadas de cobra quanto das pedras do rio. A primeira parte da trilha é em meio a mata e, depois, pelas pedras no rio, realizando diversas travessias. Molha tudo até a coxa. Fizemos duas paradas para banho de cachoeira, uma na ida e outra na volta. Fizemos outras paradas menores apenas para retomar o fôlego e uma parada maior no fim da trilha, antes de iniciar o retorno.

É uma trilha pesadinha sim mas nada impossível para quem tem o mínimo de preparo físico. A grande dificuldade é pisar nas pedras nas travessias do rio. No entanto, como meu guia foi com calma e paciência, não foi nada de outro mundo. A trilha em si acaba pouco antes dos grandes paredões que a gente vê da Trilha do Cotovelo, lá em cima. E sempre bom lembrar que o fim da trilha é apenas a metade do caminho, precisa voltar tudo de novo. De qualquer forma, é tudo belíssimo, mais uma daquelas coisas que fotos não conseguem transmitir. 

Por causa da pandemia só pode entrar 75 pessoas por dia na trilha então a gente cruza com poucas pessoas durante o percurso e de forma muito breve.

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Início da trilha e o começo em meio a mata

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Parte da trilha no rio, em meio a pedras e realizando diversas travessias.

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Cachoeiras que paramos para banho - uma na ida e outra na volta

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O fim da trilha

 

DIA 9

Eu resolvi meio em cima da hora que faríamos nesse dia 25 de Dezembro. Acabamos por chamar o Sérgio, o taxista, e pedimos para ele nos levar para Torres. Cobrou mais R$80,00. Era o que dava pra fazer já que não tinha ônibus no dia. Eu queria conhecer Torres principalmente por causa dos paredões, óbvio, mas a praia, que já não é lá tãããão bonita, tava meio cheia e acabou que não deu muita graça. Demos uma volta rápida ali pelo Parque da Guarita para tirar algumas fotos e voltamos para o nosso AirBNB local. 

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Vistas do Parque da Guarita

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Oh No Oh No 

 

DIA 10

Pegamos um ônibus da rodoviária de Torres até Itapema, cerca de 6 horas de viagem. Da rodoviária de Itapema solicitei um 99 para nos levar a Bombinhas, nosso próximo destino. Eu nem sei porque escolhi a região de Bombinhas, ouvia muito falar mas pequisei bem pouco sobre o local. Decobri que existe apenas uma estrada de entrada na peninsula e esta vive com muito trânsito. O meu trajeto de Itapema até lá deu 42 reais mais o pedágio de 29. 

A nossa hospedagem em Bombinhas foi em um hostel e foi a primeira que reservei nesta viagem porque na época (em meados de Setembro quando estava pesquisando) boa parte das opções já estavam esgotadas e este hostel era a opção de melhor custo benefício com cancelamento gratuito. Obviamente, um hostel não é o melhor lugar para manter distância de outras pessoas mas no geral não foi ruim. Nosso quarto era privativo e todas as vezes que precisei usar o banheiro para tomar banho, estava vazio. O maior 'problema' era mais no uso da cozinha. 

Como chegamos já era fim de tarde lá só deu tempo de dar uma rápida andada na praia de Bombas. A região estava bem cheia e foi o lugar de mais risco que estivemos. Como não gostamos de ficar na areia, o que dava pra fazer pra minimizar os riscos é correr direto pro mar evitar ficar na areia com as pessoas.

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Primeira volta pela praia de Bombas

 

DIA 11

CHOVEU O DIA INTEIRINHO. O TEMPO TODO. Foi um sinal de que jamais deveria ter ido pra praia. A gente só conseguiu sair do hostel já era umas 17h pra um rápido banho de mar na praia de Bombinhas mas no geral foi um dia perdido. 

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Banho de mar em Bombinhas depois da chuva torrencial

 

DIA 12

Embora tivesse chovido de madrugada, fomos presenteados com um pouco de sol pela manhã PORÉM... foi um dia decepcionante. Por causa da chuva, o mar ficou cinza/ verde escuro. Aquela água azul das fotos que a gente vê não tava rolando. Eu tinha levado meu snorkel para poder fazer uns mergulhos mas a visibilidade era zero. Aliás, abaixo de zero. Nesse dia, fomos andando até a famosa praia da Sepultura que estava APINHADA DE GENTE. Passei muito rápido pelas pessoas apenas pra tentar fazer o snorkel mas sem sucesso. Pulamos pra praia da lagoinha que ai dava pra ver alguns peixinhos mas do lado de fora da água porque mergulhando você trombava com as pedras. No fim, frustrados, voltamos pra praia de Bombinhas e ficamos por lá já que era o lugar mais vazio pra curtir o mar em si. 

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Marzão cinza/ verde escuro

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'que raios eu vim fazer aqui'

 

DIA 13

Esse dia eu tinha conseguido uma carona pra Itajaí pelo BlaBlaCar mas o cara ia sair as 23h, então eu meio que tinha arrumado coisas pra fazer mesmo após o check out já que iríamos embora bem tarde. Visto que já tinha desistido de mar por causa das chuvas, fomos fazer a trilha do Morro do Macaco. Chamei um Uber pra nos levar até lá. Em Bombinhas, Uber é uma raridade, é sempre um risco contar com eles, nessa hora eu dei sorte. Fazia sol e muito calor este dia. A vista lá de cima é bem bonita mas não rolou de tirar foto na 'pedra principal' porque tava rolando uma fila pra ir ali. Buscamos locais alternativos para fotos e ficou bacana.

Lá de cima notamos que as praia 'de fora', pro mar aberto, estavam com a água mais limpa, especialmente a praia da Conceição. Eu nem estava com roupa de banho por baixo mas resolvi que ia curtir aquela praia. Comprei o biquini mais barato da loja mais próxima só pra ia na praia da Conceição que esta sim estava com a água clara. Pena que não estava com snorkel, mas de qualquer forma, ali não parece muito adequado para a prática. Curtimos a praia ali por algum tempo e depois resolvemos ir embora caminhando até o hostel (cerca de 8km) mas como só iríamos embora as 23h tava tranquila de horário. 

SÓ QUE AI.... O cara do BlaBlaCar me manda uma mensagem 18h falando que não ia mais fazer o trajeto. Fiquei desolada, o cara me avisa em cima da hora que não vai poder fazer. Entrei em pânico, ia tomar um banho quando chegasse no hostel mas nem isso fiz. Cheguei a conclusão que teria que ir de Uber. A corrida ficou uma fortuna, mais especificamente R$125,00... e levou 1h30 por causa do trânsito mas no fim, deu certo. Chegamos em Itajaí até mais cedo do que esperávamos, era umas 20h30. 

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Vista do Morro do Macaco - a esquerda o mar de dentro 'sujo' e a direita o mar aberto mais limpo (Praia do Mariscal)

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Quando a gente mirou na Praia da Conceição de cima do morro e viu que tava 'um filé' como me disseram kkkkkkkkk

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Curtindo a Praia da Conceição com o biquini comprado 30 minutos antes

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Chegando em Itajaí depois de ter levado o cano da carona do BlaBlaCar toda detonada

 

DIA 14

Fomos para o parque do Beto Carrero. Aqui em São Paulo, desde que o Playcenter faliu e o Hopi Hari nunca mais foi o mesmo após o acidente na Torre, o Beto Carrero se tornou o parque de diversões mais próximo de mim. Comprei o ingresso um dia antes pelo site, R$280,00 o casal. Fomos pra lá de Uber também, a partir do centro de Itajaí. Demos MUITA SORTE de não pegar o parque muito cheio, conseguimos andar em todos os principais brinquedos e a maior fila que pegamos não gastou mais que 30 minutos. Confesso que me senti uma adolescente e chorei quando andei na primeira montanha russa depois de sei lá quantos anos. Gostei muito do parque, tem muitos atrativos e eles estão cuidando bastante da limpeza agora em pandemia. Eu me diverti demais e indico fortemente a todos (já quero voltar, inclusive).

Para voltar pra Itajaí, tava dificil conseguir Uber ou 99... A BR tava com bastante trânsito e os motoristas não quiseram aceitar a corrida. Como alternativa, pedi uma corrida até a Balsa de Navegantes e ai conseguimos transporte. Custou 32 reais essa corrida e atravessamos a Balsa como pedestres. Depois, andamos mais cerca de 2km até o nosso AirBNB, encerrando o dia. 

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Bem feliz num parque de diversões depois de sei lá quantos anos

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Travessia da balsa Navegantes X Itajaí

 

DIA 15

Nosso voo saiu de Navegantes as 11h05 - fomos para lá de Uber também, encerrando o mochilão.

 

CONCLUSÃO

Achei que valeu muito a pena. Apesar de os dois dias em Bombinhas terem sido frustrantes, todo o resto da viagem foi muito bem aproveitado mesmo sem carro. Os cânions são absolutamente incríveis e demos a sorte de conseguir tempo aberto em todos os dias que estivemos por lá. Além disso, foi uma viagem completa - cidade, serra, praia, de um calor de 30 graus pra um frio de 10 graus - tudo numa mochila. Apesar de ter sido um ano lixo pra maioria de nós, me sinto muito privilegiada de ter tido essa oportunidade. Agora é torcer para dias melhores a frente e podermos viajar sem mais preocupações.

 

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Eu tinha respondido um tópico seu sobre guias de Praia Grande e agora no seu relato, vi que fizemos as trilhas do Cânion Fortaleza e do Rio do Boi, no mesmo dia :D Espero que tenha gostado de SC!

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17 horas atrás, rafa_con disse:

Nunca tinha ido pro RS e estou muito positivamente suspresa com tanta coisa legal que tem pra fazer por lá. Minha próxima vez no estado, espero que seja pra fazer a travessias da praia do cassino que tenho muita vontade também 

uma pergunta. Vc sentiu muita dificuldade no transporte entre as cidades em SC por ser precário mesmo? Ou acha que foi apenas por ser alta temporada nos lugares? Vou agora em Março (fora da temporada das praias por já ser mais ou menos fim de verão lá, justamente pra não pegar o povão) bater perna em algumas cidades, sem transporte próprio tbm. Tinha esperanças de que a doença já estivesse amenizada até lá, tanto que essa viagem foi fruto de um cancelamento de um mochilinho em Minas que deveria ter ocorrido em setembro do ano passado, uoh.

 

Aprovo demais a ideia da praia do cassino, eu sou doido pra fazer a travessia tbm. Na minha próxima ida ao estado quero fazer isso e a travessia da ferrovia do trigo, numa viagem só. 

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7 horas atrás, SilviaAlves disse:

Eu tinha respondido um tópico seu sobre guias de Praia Grande e agora no seu relato, vi que fizemos as trilhas do Cânion Fortaleza e do Rio do Boi, no mesmo dia :D Espero que tenha gostado de SC!

HAHAHAHA mas que coincidência! A região ali do cânions é maravilhosa, mas Bombinhas achei que ficou devendo (embora a culpa tenha sido mais da chuva né) mas acontece :) 

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4 horas atrás, StanlleySantos disse:

uma pergunta. Vc sentiu muita dificuldade no transporte entre as cidades em SC por ser precário mesmo? Ou acha que foi apenas por ser alta temporada nos lugares? Vou agora em Março (fora da temporada das praias por já ser mais ou menos fim de verão lá, justamente pra não pegar o povão) bater perna em algumas cidades, sem transporte próprio tbm. Tinha esperanças de que a doença já estivesse amenizada até lá, tanto que essa viagem foi fruto de um cancelamento de um mochilinho em Minas que deveria ter ocorrido em setembro do ano passado, uoh.

 

Aprovo demais a ideia da praia do cassino, eu sou doido pra fazer a travessia tbm. Na minha próxima ida ao estado quero fazer isso e a travessia da ferrovia do trigo, numa viagem só. 

Então, o único ônibus que eu usei em SC foi entre Torres e Itapema. Era um bom ônibus e não tava muito cheio. Tinha banheiro, ar-condicionado... Nada a reclamar. Era da Expresso São José a companhia e a linha completa saia de Tramandaí e ia até Balneário Camboriú. Problema é que meio difícil achar informação na internet sobre as linhas de ônibus intermunicipais, eu só descobri chegando lá e foi até por isso que acabei indo pra Torres, pra pegar esse ônibus (até então eu não tinha ideia de como sairia de Praia Grande e chegaria em Bombinhas hahahahaha). 

Então assim, não diria que seja precário mas as opções podem ser limitadas talvez... 

O pessoal da região também fala que usa muito BlaBlaCar e até por isso eu tentei usar (embora tenha dado errado), mas no geral parece ser um app bem popular. 

De resto foi tudo na base do Uber e 99. Daí ali na região de Balneário Camboriú e arredores é bem fácil conseguir Uber entre as cidades das redondezas, talvez você demore um pouco pro cara aceitar mas consegue sim de um jeito ou de outro. Só em Bombinhas que ai tem só uns 2 ou 3 carros trabalhando e nem sempre tão disponíveis, ai é um pouco mais complicado. O maior problema acaba sendo o preço, dependendo do trânsito.

Mas isso eu to falando da região ai mais do litoral né, se vc for pra serra pode ser outra realidade.

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1 hora atrás, rafa_con disse:

Então, o único ônibus que eu usei em SC foi entre Torres e Itapema. Era um bom ônibus e não tava muito cheio. Tinha banheiro, ar-condicionado... Nada a reclamar. Era da Expresso São José a companhia e a linha completa saia de Tramandaí e ia até Balneário Camboriú. Problema é que meio difícil achar informação na internet sobre as linhas de ônibus intermunicipais, eu só descobri chegando lá e foi até por isso que acabei indo pra Torres, pra pegar esse ônibus (até então eu não tinha ideia de como sairia de Praia Grande e chegaria em Bombinhas hahahahaha). 

Então assim, não diria que seja precário mas as opções podem ser limitadas talvez... 

O pessoal da região também fala que usa muito BlaBlaCar e até por isso eu tentei usar (embora tenha dado errado), mas no geral parece ser um app bem popular. 

De resto foi tudo na base do Uber e 99. Daí ali na região de Balneário Camboriú e arredores é bem fácil conseguir Uber entre as cidades das redondezas, talvez você demore um pouco pro cara aceitar mas consegue sim de um jeito ou de outro. Só em Bombinhas que ai tem só uns 2 ou 3 carros trabalhando e nem sempre tão disponíveis, ai é um pouco mais complicado. O maior problema acaba sendo o preço, dependendo do trânsito.

Mas isso eu to falando da região ai mais do litoral né, se vc for pra serra pode ser outra realidade.

Entendo. Olha, lamento que tenha tido uma má experiência com o blablacar, desiste dele não, achei ele muito útil quando estive em RS, não queria saber de outro transporte. Mas obrigado pelas infos! 

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Em 05/01/2021 em 10:12, SilviaAlves disse:

Eu tinha respondido um tópico seu sobre guias de Praia Grande e agora no seu relato, vi que fizemos as trilhas do Cânion Fortaleza e do Rio do Boi, no mesmo dia :D Espero que tenha gostado de SC!

Silvia , moro na grande Floripa e faço "guiadas "em passeios até 150 km daqui , praias ou serra... se voltarem e quiserem mais informações,só entrar em contato 48 .98438.1947

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    • Por Matheus Verdan
      Fala Galera,
      Venho compartilha com vcs minha viagem de moto pelo sul no brasil realizada em outubro de 2020 pelas serras mais famosas entre os motociclistas no Brasil.
      Saímos do Rio de Janeiro em direção as duas serras mais famosas entre os motociclistas no Brasil, a serra do Rio do Rastro e a Serra do Corvo Branco passando pela cidade de Gramado. Essa viagem foi feita com 3 integrantes, eu Matheus Verdan, meu pai Sergio Verdan e minha mãe Elinete Verdan.
      Conhecemos diversos pontos turísticos como:
      - Rua Torta;
      - Catedral de Gramado;
      - Cascata/Cachoeira do Caracol;
      - Cascata/Cachoeira do Moinho;
      - Rua Coberta; - Festival de Cinema Nacional de Gramado;
      - Catedral de Canela; - Vinícola Jolimont;
      - Cascata/Cachoeira do Avencal;
      - Serra do Corvo Branco;
      - Serra do Rio do Rastro.
       
      Passamos pelas cidades de:
      - São Paulo;
      - Curitiba;
      - Balneário Camboriu;
      - Joinville;
      - Urubici;
      - Gramado;
      - Canela;
      - Lauro Muller;
      - Dentre outras...
      Espero que gostem do vídeo!!!!! 
      https://youtu.be/cNJmS5ZIGic
       
       
    • Por StanlleySantos
      Primeiro de tudo, MAS MANO QUE FRIO DA PESTE É ESSE QUE FAZ NO SUL???!!! 
      Ok, provavelmente não é nada perto do uruguai, patagônias, ou a serra catarinense (que registrou temperaturas negativas nessas semanas fácil, fácil). Mas para um nortista acostumado com quentura....
       
      Bom, o objetivo deste relato é passar infos atualizadas sobre muitos lugares, sejam eles conhecidos e relatados, ou não. Muitas atrações do estado passam batido, então creio que seja justo falar sobre o máximo de lugares, sem passar spoilers. A época escolhida para esta visita foi a primeira quinzena de agosto, junto com a ex, até pq gostaria de conhecer um pouco do inverno gaúcho. Moro em Manaus, ou seja, com 25 graus os caboclos já estão passeando no centro com moletom achando que estão no filme do frozen   imagina pegando 1 grau em gramado!!!
      Costumo tentar economizar nas viagens, e como falam que Gramado, em particular, é um destino que arranca o couro da pessoa, em termos de gastos, quis ver se era tudo isso mesmo. Cada um Levou R$ 1.700,00 para duas semanas no estado, levei um cartão de crédito que não foi usado, e uma poupança de emergência de 500 mangos, que acabou sendo usada mais para comprar mimos para mim 

      Quando você mora numa cidade que não tem trem e viaja para uma que tem corre o risco de cometer esses retardos mentais aí
       
      Chegamos no dia 07/08 em POA, basicamente o dia foi reservado para conhecer as rotas de ônibus e planejar os próximos dias num apartamento reservado pelo Booking no partenon (bairro próximo do centro, bem guarnecido de ônibus, aliás, gostei do abastecimento da frota de ônibus da cidade, mesmo em horários de pico, dificilmente peguei buzu lotado). A passagem estava custando R$ 4,70 (AGO/19), e POA conta com um trem a R$ 4,20 que parte do mercadão e faz a conexão com alguns distritos do interior, até Novo Hamburgo. Sim, Novo Hamburgo, a cidade dos calçados (atenção mochileiras!) Então segue a primeira dica do tio, quer conhecer Novo Hamburgo, economizar no transporte, e não quer ficar dependendo de Uber/ônibus? Um trem partindo do centro é uma opção a considerar. De trem vc faz a conexão aeroporto-centro tbm.
      O plano era conhecer algumas cidades do estado e fazer a famosa travessia da Ferrovia do Trigo, que liga Guaporé a Muçum. Antes eu soubesse que iria dar ruim.... depois eu explico essa marmota. Destinos definidos, andaríamos pela capital, curtindo alguns pontos. 
      No dia 08 resolvemos sair cedinho para conhecer o famoso parque farroupilha. O parque mais famoso (e bonito a meu ver), colado ao centro da cidade, também. Quem for se hospedar no centro, pode até ir andando. Falam da violência em Porto Alegre, e realmente, vejo que há um problema de marginalização e pobreza na metrópole (como toda grande cidade), mas, apesar dos inúmeros mendigos nas proximidades da rodoviária, não me senti inseguro andando pelo centro. A polícia se fazia presente, e muitas pessoas passeavam com seus cães de boinha (o povo se compromete bastante com a causa animal lá, vários cachorródromos, pouquíssimos cães de rua, pelo menos no centro e adjacências, e muitos cães agasalhados, a coisa mais engraçada do mundo )

      Le parque farroupilha no seu esplendor verde

      Aquela foto bem maneira e clássica no centrão

      Para quem é de uma fé do oriente, o parque conta com um mini-templo, com uma arte elaborada. 
      De lá seguimos para o Parque moinhos de vento (conhecido como Parcão), como o clima estava bem agradável (sol + frio), arriscamos ir também a pé, super de boa. Existem patinetes e bicicletas para locação pelos aplicativos locais, então se você quer poupar um tempo indo de um lugar para outro, é uma boa.



      Para quem quer fazer a famosa foto declarando o amor à capital, tem um letreiro bem bonito no parcão.
      Deixamos de conhecer na ocasião os parques Germânia e o Província de Shiga, dos quais falam muito bem. Mas fica para a próxima viagem. Hora do almoço, fomos para o centro procurar um pouco de culinária porto alegrense. No caminho passamos pela Rua Gonçalo de Carvalho, que diz a lenda que é a rua mais bonita do Brasil (e algumas fontes dizem que foi eleita a mais bonita do mundo). Pessoalmente achei ela bem bonita e limpa, mas creio que tal título é exagero.

      A tão comentada Gonçalo de Carvalho
      O gaúcho adora comer: isso é fato. E é um carnívoro por natureza. Além do tradicional churrasco, o povo é viciado em fast food (no dia que os gaúchos forem extintos da terra Mcdonalds entra em crise), com ênfase no famoso Xis, que nada mais é que uma versão "anabolizada" dos sanduíches tradicionais, sendo de duas a três vezes maior, e recheado de maionese  claro, é duas vezes mais caro que os sanduíches dos outros estados, mas vai por mim, enche que uma beleza. Xis coração (de frango) deles é uma coisa divina 😍  Agora para almoço, existem as famosas alaminutas, que basicamente é arroz, feijão preto, ovo mal passado, saladinha, batata frita e a proteína, que varia. No norte chamamos de PF (Prato Feito).
      GAÚCHO NÃO COME FARINHA!!! 🤬😱🤯 e pro amazonense, isso é quase um pecado  além do fato de quase não ter visto peixe nos restaurantes, outro vício do povo do norte. 

      "Não tem farinha"

      Pois é, tipo isso
      Seguimos pelo centro, conhecemos o Mercadão municipal (o grande centro de comércio alimentício da cidade, parada mais que obrigatória para o visitante), e aqui já começa uma história engraçada: existe um costume de cunho religioso de deixar moedas no centro do mercadão, uma espécie de tributo ao Bará, que seria uma entidade da prosperidade da cultura afro-brasileira. Minha companhia simplesmente olhou uma moedinha no chão e pegou na naturalidade. Eu, olhando as pessoas jogarem as moedas no meio, tive um pressentimento de que elas deveriam ficar lá (turista que acabou de chegar ne, besta, sem saber dos causos), mas a dita cuja guardou no bolso e fomos embora. Ao longo da viagem ela perdeu uma jaqueta jeans e seu saco de dormir , e na volta para POA, resolveu devolver o dobro do valor para se livrar de qualquer "azaração" 

      Le mercadão. Passe por aqui para comprar lembrancinhas ou ingredientes para um chimarrão ou churrasco

      O interior com o espaço de agradecimento à entidade guardiã no centro.
      O centro de POA não só tem uma variedade de lojas e lanches, como também reúne vários museus e espaços de cunho cultural e histórico. Para terminar o dia, visitamos: o museu de arte do Rio Grande do Sul, que na ocasião estava recebendo uma exposição em homenagem ao modernista Xico Stockinger, o museu do Comando Militar do Sul, com uma exposição histórica do arsenal utilizado pelas forças armadas ao longo da história mais recente, e a casa de cultura Mário Quintana, que não estava tendo nenhuma programação em particular, mas como vc não pode passar por POA sem conhecer, ne...

      Casa de cultura Mário Quintana


      War.......War never changes
      O Museu do Gasômetro se encontrava fechado na ocasião (diz que desativado por tempo indeterminado), então o dia terminou com um pôr do sol gelado na Orla do Guaíba. Com a ventania que empurrava o frio até os ossos, deve ser o lugar mais frio da capital no inverno  uma tristeza saber que o lago do guaíba está poluído, é uma paisagem muito bonita para atividades ao ar livre, que me fez lembrar da boa e velha ponta negra, em Manaus.


      A orla é ponto obrigatório no final da tarde, para ver a vida gaúcha acontecendo, ou fazer um passeio, ou exercício.
      Dia 09-10: De POA para Torres.
      Decidimos que iríamos sair cedo no dia seguinte para a cidade de Torres, afinal, a praia mais bonita do estado está lá. Claro, parece loucura ir numa praia no inverno, mas Torres possui belas paisagens, e pontos interessantes a serem conhecidos, e acredito que valeu a visita de um dia e meio a essa pequena cidade. Recapitulando: Torres fica boa a partir do reveillón, pois o verão sulista chega no seu clímax no fim do ano, aí a cidade lota de gente. Mas em compensação no inverno você tem os parques e o litoral só para você e mais meia dúzia de visitantes  o que é mais a minha cara.
      Pegamos um blablacar baratinho (30 reais, quando você paga bem mais indo de ônibus), e chegamos ainda de manhã no litoral. Dica: o blablacar funciona muito bem no estado, dá para conseguir muita carona barata para cidades visitadas como pelotas, gramado, cambará, entre outros. 

      E cá estamos em Torres, que beleza!
      Chegamos na cidade e a primeira surpresa: nenhum camping aberto  E não, eu não tenho frescura em acampar no frio, eu tinha ciência de que pegaria um frio na ferrovia, então não me importaria de ficar em camping paracendo um mendigo que não tem money pro hotel. Papo vai, papo vem, nos recomendam a pousada martins, que é administrada pelo Sr. Paulo e Dona Eva, um casal simpático na melhor idade que nos acolheu como se fôssemos da família 😭 além dos quartinhos serem TDB, sério, recomendo a pousada, o tratamento cortês é um diferencial de lá. E ela fica próxima ao parque da guarita, então tem uma ótima localização também.
      Outro momento retardo mental: eu, pobre iludido, vendo a previsão do tempo esperava ver um solzinho em Torres e quem sabe poderia arriscar tomar um banho de mar gelado. O resultado foi esse:

      Alguma coisa ta me dizendo que não vou andar de sunga e calção nessa praia hoje....
      A neblina cobrindo o oceano e boa parte da cidade dava um ar desértico e de certa forma triste ao lugar, mas também dava um bom clima para sentar numa pedra, ouvir o mar e meditar, ou pensar na vida. Adorei passear da praia da Cal até os pequenos molhes de pesca, no fim do estado. Mais uma vez, se você curte uma vibe mais calma, sem todo aquele barulho e multidão, a cidade é interessante, mesmo fora da temporada.

      Como nossos egos e arrogâncias são pequenininhas e frágeis perante a grande criação

      A cerração tomando a cidade, chega a ser linda. No fundo o letreiro de Torres
      Existe um lugar curioso nessa cidade, que é a ponte Pênsil. Veja só, uma ponte de madeira de algumas dezenas de metros, onde você pode ter o prazer de mudar de estado, de RS para SC  Curiosamente era sexta da carne num açougue em Passo de Torres (SC), então muita gente de Torres (RS) atravessava o estado para fazer fila no vizinho. É meio besta, mas engraçado de certa forma

      A fotografia foi tirada em RS, só para constar. Do lado de lá fica Passo de Torres.
      O dia seguinte seria para o retorno à capital, mas também seria para curtir o parque da guarita, e o sol favoreceu a visita. O frio estava bem ameno nesse dia, então deu pra sair de short e camiseta, engraçado como as pessoas agasalhadas às vezes olhavam para mim, como se eu fosse algum alienígena 👽

      Não duvido que esse cenário seja bastante usado para ensaios fotográficos ou pedidos de casamento 

      Uma das minhas fotos favoritas dessa viagem. Na encosta, vários pescadores
       
       

      Um pouco da vida local
      Ficamos até meio-dia, e fechei mais um blablacar de volta para POA pela parte da tarde. A ideia inicial era ficar mais um dia, mas acredito que vimos o que queríamos em Torres, fora que eu queria conhecer o famoso Brique da Redenção da capital, então a estadia em Torres foi bem curtinha, mas valeu cada segundo aproveitado. Conhecemos o litoral na cerração e no céu aberto, enchendo os olhos com belíssimas paisagens. Ah, uma dica: torres é a capital do balonismo no Brasil, e no primeiro semestre (se não me engano lá para maio) acontece um encontro de balonistas que enfeita o céu. Se puder visitar, visite. 
       
      Dias 11-14: Lá vem a bendita frente fria.....e agora?
      De volta à capital, no domingo (11) começamos o dia indo para o parque farroupilha novamente, para vermos o famoso brique. E digo, se estiver na cidade, passe um domingo no parque, o brique é TRILEGAL!!!! Pois você encontra de tudo um pouco em termos de brechó, pessoalmente fiquei cativado pelas antiguidades que algumas banquinhas vendiam. Discos de vinil, louça antiga, brinquedos dos anos 90, colecionáveis, entre outros......para um coroa beirando os 30, era o paraíso.
       
      Acredite, isso vai bem longe...


      Esse simpático artista é figura conhecida no Brique. 
      Uma dica que muito gaúcho passa para quem está no parque, e adianto logo, é passar na famosa lancheria do parque. O buffet livre tem uma ótima variedade de opções para encher o bucho, e os sucos deles são de polpa pura, tudo a um preço mega justo. Sério, não deixe de visitar.
      O centro fecha aos domingos, mas, muitas atrações ficam abertas, então decidimos visitar o Jardim Botânico. Localizado no bairro de mesmo nome, próximo à PUCRS, é fácil de chegar a partir do centro, mas é necessário ônibus/uber/bici. A entrada é bem em conta, e o jardim te dá a liberdade para andar por quase todas as instalações, divididas em seções, mostrando elementos da flora da região sul (e um pouco das demais regiões). O parque Conta com um museu natural com serpentário, que é bem bacana de visitar também. 

      Lindo o espaço. Como amazonense, é interessantíssimo conhecer algumas características de um bioma diferente da floresta amazônica.

       
      Dormimos cedo de noite, pois a segunda-feira seria o dia de pegar o ônibus bem cedinho para Guaporé. Passagem comprada e tudo mais.....
      ...Mas a vida é uma caixinha de surpresas ⛈️⛈️⛈️🌧️🌧️
      Segunda, 12 de agosto, 05 da manhã. Chuva forte, e mais chuva prevista para o início da semana devido a uma frente fria que estaria visitando o estado. Bem na data em que iríamos para Guaporé! 
      Segundo a previsão, só iria limpar lá para quarta. Uma coisa é subir o estado e pegar um frio e uma cerração num trecho de 50km. Não iríamos morrer de frio pq tínhamos os equips e roupa. Outra coisa é pegar chuva o dia inteiro no meio do nada e comprometer o avanço da travessia, que na melhor das hipóteses leva de dois a três dias  . Como era um risco ao qual não queria submeter a ex, que é menos acostumada com perrengues do que eu, conversamos, houve um pouco de DR , e decidimos que o melhor seria não arriscar. Perderíamos as passagens (que custaram um braço) porque 1. o atendimento ao cliente da BENTO foi uma MERDA deixa a desejar, não recomendo, e 2. poderíamos ter solicitado o retorno dos valores se tivéssemos cancelado a viagem com 3 horas de antecedência do embarque (tecnicamente teríamos que bater na rodoviária às 3 da madrugada e torcer para ter alguém na hora que fizesse isso para a gente). Confesso que fiquei um pouco decepcionado com o serviço de coletivo intermunicipal do estado. A passagem ainda seria válida por 1 ano, conforme lei, mas para quem não voltaria ao estado sabe lá por quanto tempo, era o mesmo que nada.
      Com isso a ferrovia miou, e precisaríamos mudar o roteiro para a semana. Significaria mais gastos (pois a travessia é 0800, salvo os alimentos e água comprados para o percurso em si), fora que tínhamos nas mochilas sacos de dormir + barraca que agora ocupavam um volume desnecessário  A segunda-feira foi praticamente perdida. Com isso, só restava encontrar um lugar para ficar, e ir atrás de lembrancinhas no centro de POA.....bom, será que nossa viagem estragou?

      Era o sentimento naquela segunda
      A terça-feira veio, então decidimos que iríamos conhecer alguma cidade das várias que existem para o turismo histórico. O estado possui uma herança das grandes colonizações, que já datam de dois séculos atrás (como referência, a colonização italiana em 1875), e cidades como Farroupilha, Garibaldi, Bento Gonçalves, ou Caxias do Sul se tornam opções interessantes. Escolhemos Caxias do Sul na quarta para sexta (14 a 16). Então, o que fazer em POA até lá?

       
      Como estava com uma vontade enorme de conhecer, fomos atrás, desta vez, do Museu de Ciência e Tecnologia da PUCRS. Localizado, obviamente, nas dependências da PUC, não tão longe do jardim botânico, a entrada custa R$ 40,00 (em AGO/19), mas com direito a meia entrada para estudante, e não posso deixar de elogiar o espaço! 3 andares de puro conhecimento, atividades lúdicas, e curiosidades! É o tipo de lugar onde excursões escolares são bem-sucedidas, pois é possível dar aulas de matemática, física, biologia, geografia e história nos vários setores do espaço, sem tornar a aula chata. Como licenciado em biologia, meio que me senti em casa 😍

      A primeira coisa que você bate o olho e pensa "quero brincar", quando entra no museu

      Lembra do desafio dos cubos da série 3%? Pois é, eu reprovei 

      Visitem o museu da PUCRS, e como diria o e.t. bilu, busquem conhecimento!!
      Passamos uma manhã e uma tarde no museu, é muita coisa para conhecer e interagir, você tira um dia inteiro somente para isso. Ah, existe também um planetário na cidade, que vale a visita para os que têm um interesse mínimo por astronomia, ou querem reviver aquela aulinha de ciências sobre o universo. Pelo cansaço e pelo horário, acabamos não indo.
      Dia 15: La Cittá pela terra da Uva
      No dia 14, conseguimos arrumar mais um blablacar para Caxias do Sul, esta localizada no coração da Serra gaúcha. Infelizmente o transporte saiu tarde, e não daria tempo de conhecer a cidade ainda na quarta. Algumas pessoas disseram que não valia a pena conhecer Caxias, por "ela ser industrial demais e quase não ter nada para se ver". Pessoalmente, não posso concordar com tais afirmações, pois Caxias possui roteiros histórico-culturais tanto no centro urbano quanto na zona rural (Rota dos Imigrantes, distrito de Criuva, Ana Rech), embora seja necessário um carro próprio para esses destinos. Então, o que fazer?
      Como dito, existe o roteiro "La Cittá", onde você tem acesso a vários pontos turísticos no centro urbano, e tem uma noção da história da colonização italiana nos vales da Serra Gaúcha. Seria isso que faríamos. 
      Antes de tudo, tomei conhecimento sobre um autêntico château brasileiro, o Castelo Lacave, uma fortaleza erguida em 1968 como um sonho de um uruguaio, teve sua propriedade passada entre famílias, e na atualidade funciona como vinícola, restaurante gourmet, ponto turístico e local para a realização de eventos. O tour guiado custa R$ 16,00 (AGO/19), e é falado sobre a história do lugar (nada que você não ache na internet, rs), incluindo uma degustação dos vinhos locais. Além do mais, ele foi todo decorado com uma temática medieval, o que torna a visita ainda mais imersiva.

      O modo de construção dos castelos com a união de blocos gigantes é uma coisa charmosa

      O legal da visita são algumas réplicas de esculturas conhecidas, como a "bocca della verittà", que arranca a mão de quem mente, entre algumas outras. Sem dúvidas o custo-benefício da visita é bem justo a meu ver.

      "Eu sou um tremendo partidão e isso é verdade!"
      Após essa visita, partimos para o centrão. No roteiro "La Città" conhecemos: o Monumento ao Imigrante, algumas catedrais, como a de São Pelegrino (a mais bonita da cidade, com uma arte sacra interna de emocionar), e a Paróquia Santa Teresa D'ávila, na praça Dante Alighieri, o Museu Municipal, onde você aprende sobre a colonização italiana, embora no monumento você também tem uma aula de história, o Museu Memorial dos ex-combatentes da FEB (Força Expedicionária Brasileira), onde você aprende um pouco sobre a participação do Brasil na segunda guerra, o Museu casa de pedra, que reproduz uma típica residência italiana do século passado, e o Pavilhão da festa da uva, onde estava rolando um rodeio de acesso 0800 no final do dia. Roteiro que pode e foi feito em um dia inteiro. 

      Praça Dante Alighieri com a paróquia Santa Teresa

      Exposição da imigração italiana no museu municipal

      Catedral de São Pelegrino
      Sobre Caxias: cidade tranquila, mesmo sendo grande (a segunda mais populosa do estado e a maior da serra gaúcha), com muitas alternativas turísticas, e quase todas gratuitas! Para quem procura algo mais culto e histórico, e não quer gastar muito além do transporte e alimentação, acredito que a cidade seja um prato cheio. Mas para curtir tudo o que ela tem a oferecer, super recomendo um carro, próprio ou alugado. 
      Dias 16-20: A jóia da Serra Gaúcha, Gramado
      Os dias finais do mochilinho pelo estado seriam na grande atração capitalista do estado, Gramado  Tivemos a bendita sorte de arrumar um blablacar de Caxias para Gramado na manhã de sexta. Para isso é necessário descer a serra e subir novamente, com direito a enjôo para quem não for acostumado(a). Chegamos numa tarde ensolarada, e com aquela expectativa de dar de cara com uma geada matinal morrendo. Muita gente vai pra serra pra sentir aquele clima europeu de frio, neblina e geada, e acontece uma coisa dessas . Mas a previsão do tempo mais uma vez estava alertando sobre outra frente fria, então seria bem possível que minhas preces fossem atendidas.

      Legendas são dispensáveis
      Ficamos em parte no Eleganz hostel & suites, como uma reserva de última hora (pois era para chegarmos em gramado somente no sábado), e super indico esse hostel. Atendimento de excelência, um ambiente SUPER chique, padrão hotel mesmo, com café da manhã TOP dos TOP, e camas confortáveis. A diária foi de na faixa de 80 reais para um casal, que está até bom para os padrões gramadenses. Faço questão de fazer essa recomendação.
      A tarde foi usada para conhecer um pouco da elegante cidade, com a educação dos motoristas, a ausência de semáforos, e a sensação de segurança nas ruas. Chega a ser difícil de acreditar ver tanta gente andando com os celulares na mão, bem arrumada, indo para cá e lá, sem preocupações. Visitamos o Museu de Chocolate da Lugano, que custou R$ 35,00 (AGO/19), com direito a desconto para estudante, deixo destacado isso porque 90% das atrações de gramado possuem desconto para estudantes, crianças pequenas, idosos, e não lembro mais quem, então você economiza HORRORES se você tiver aquela sua carteirinha estudantil de meia entrada, ou similar, atualizada, claro. Já anota a dica. Depois ficamos rodando pelo centro, que é super de boa para passear.

      Le rua torta, que passa 24 horas do dia com gente tirando foto, mas o que tem de mais, é só uma rua torta 

      Le paróquia São Pedro. Cartão-postal da cidade. 
      Terminamos o dia no lago Joaquina Rita Bier, com aquele pôr do sol digno de filme romântico. Agradecemos pelas coisas boas da viagem.

      Gramado e seu clima para romances
      O segundo dia foi dedicado ao Mini-Mundo, que a meu ver é uma atração obrigatória da cidade. Parece frescura, mas o lugar é mágico! Uma cidade-miniatura, que inclusive possui réplicas de prédios históricos do Brasil e do mundo. Não só o mundo minimizado é bonito e bem feito, como o tratamento recebido é digno de aplausos! Uma dica: pegue uma visita guiada com o Sr. Nelson, um verdadeiro P R O F I S S I O N A L que ama o que faz, nos ensinando alguns truques para tirar boas fotos, e divertindo o tour com suas piadas de gaúcho  O valor em AGO/19 era de R$ 42,00, também com direito a desconto.

      os gigantes na estrada em obras

      A riqueza dos detalhes gera fotos maravilindas
      O passeio no mini-mundo é uma atividade que toma uma manhã e um pedaço da tarde se a pessoa quer conhecer cada centímetro do parque, e melhor: o espaço está em constante expansão, ganhando novos personagens e estruturas. Será que um dia teremos um mini teatro amazonas?
      O final da tarde foi basicamente dedicado à compra de lembrancinhas, e a noite foi dedicada a um delicioso Fondue (/fɔ̃'dy/ e se fala fún-di, e dá para fazer piadas sujas com essa palavra sim ). O fondue, assim como o café colonial, a cuca de forno a lenha, e o trudel, são especialidades de gramado que merecem ser experimentadas. Você gasta muito com isso? A resposta é: depende de onde você procura. Para você ter uma noção, a sequência do fondue varia entre os restaurantes, de 35,00 a 150,00. O café colonial, idem. Então uma pesquisa antecipada se faz necessária. Um "marketeiro" me enrolou num papo me convencendo a jantar num restaurante de custo meio elevado no centro, com histórias sobre "o melhor fondue de gramado" e "prêmios garfos de ouro", e acabei indo pagar pra ver. Éramos dois pobres fudidos visitantes sentados ao lado de uma família de empresários e modelos, querendo enfiar a cara no chão pq éramos os únicos no recinto que não queriam vinho para acompanhar a sequência. Mas a comida era boa (e vou comparar com o q, se nunca comi esse troço?). Quase infarto com a conta (na verdade só me atentei ao valor se fosse pago no cartão), mas essa é uma outra história...valeu a pena? Valeu, com certeza 
      Nosso café da manhã estava incluso nas nossas hospedagens, e como ficamos em locais com cozinha compartilhada, boa parte das refeições foram compradas no supermercado e feitas na panela, poupando também um senhor dinheiro. E sem arrependimento.
      Para minha alegria, na madrugada de domingo caiu uma senhora chuva, e com isso veio a cerração, que envolveu a cidade numa neblina maravilhosa para passear nas ruas da cidade e tirar boas fotos. Enfim, era pra isso que fui à Serra.
       


      Aquele clima padrão europeu, adoro!
      A companhia queria passar o dia dormindo nesse frio, enquanto isso eu tratei de (tentar) conhecer Canela pela parte da manhã, embora a neblina tenha me impedido de ver muita coisa. A Icônica Catedral de Pedra infelizmente (ou felizmente, pois é uma visão igualmente espetacular) estava coberta pela neblina, então ficou difícil de observar seus detalhes.

      Que visão é essa cara!
      Pela parte da tarde, convenci minha parceira a sair, e, entre tantas opções de museus, com suas modernidades e atrações, resolvemos visitar um espaço mais alternativo. Então, conhecemos o segundo castelo da viagem, o Museu Medieval Castelo Saint George. Conhecer a história dessa edificação, e como o Senhor Gilberto Guzenski está dando o sangue para levantar bloco por bloco, e elaborando um trabalho SENSACIONAL na área da Heráldica, além da coleção de armas, entre elas algumas famosas, de fato inspira os corações dos fortes. Além da coleção de armas (algumas forjadas pelo próprio dono), e os souvenirs com temática medieval, você pode consultar as raízes de sua família com base no seu sobrenome. Quer descobrir se tem sangue azul ou de plebeu? Visite o Saint George. A entrada custa R$ 25,00 (AGO/19), com desconto apenas para anciões.

      Uma estrutura linda e imponente, e ainda em construção

       

      Stanlley dos Marinheiros dos Santos, primeiro de seu nome, O Viajante.
      Os último dois dias em Gramado foram dedicados às atrações mais naturais, como o Lago Negro e o Parque do Caracol. O Lago negro fica perto do centro, embora necessite de um uber básico para chegar lá. Reza a lenda que ele tem esse nome porque em seu entorno foram plantadas árvores nativas da floresta negra. Possui um pedalinho, que achei caro, então não brinquei.

      O Lago negro nos dias ensolarados

      E o Lago Negro em dias de Neblina. Uma visão igualmente bela para quem está de passagem
       
      O parque do Caracol se encontra afastado da cidade de Canela, Subindo a Serra mais um pouquinho. Existe uma linha de ônibus que vai para lá, mas é bem difícil de passar, tornando necessário o uso de carro próprio ou uber. Lá existe sinal de internet, então é possível voltar de aplicativo. O ingresso custou R$ 20,00 (com direito a meia entrada), e possui várias trilhas, com alguns espaços para o social. O ponto alto do passeio é a cascata do caracol. 



       
      E com isso concluía minha estadia no grandioso estado gaúcho, tchê!
       
      Agora as infos básicas:
      Gastos: Levei 1.700,00 + um cash guardado, como falei, e acabei usando o valor inteiro, mais um pouquinho da reserva. No final das contas, uns 2.000 reais muito bem gastos. Perdi um pouco por causa de ônibus, utensílios inúteis para camping, e compras pessoais, então diria que é um valor médio bom para duas semanas no estado. Me hospedei em hostels em todos os dias, pude comer durante o dia inteiro, e fiz minha própria refeição em alguns dias. É possível gastar menos? É possível, mas vai do perfil de cada um.
      Transporte: o estado é bem abastecido de estradas, e possui um sistema de ônibus que serve até bem (apesar de ter odiado o atendimento da rodoviária de POA). Alguns destinos são mais acessíveis que outros, mas como falei ao longo do relato, o Blablacar é uma opção muito barata e usada no estado, super recomendo. O uber nas cidades (mesmo em Gramado) é barato, se você estiver com pelo menos uma pessoa para rachar as despesas, se torna uma opção bem em conta. Em algumas cidades do estado tem aluguel de patinete e bicicletas como meios de deslocamento.
      Hospedagem: 90% das minhas hospedagens foram reservadas pelo Booking.com, e os preços estavam agradáveis. No centro de POA era possível encontrar diárias de 30 reais ou 50 (por dupla). Mesmo em gramado pude encontrar ótimas opções, mas claro, é necessário reservar com antecedência em caso de viagem em alta temporada, por motivos óbvios.
      Custo das atrações: muitas atrações da capital são ao ar livre, e mesmo nos museus, não havia cobrança de ingresso. O maior gasto por atração a meu ver foi na PUC, e mesmo assim, tem o desconto para estudante. Em Caxias todas as atrações do roteiro "La Città" foram 0800, e a visita ao Castelo Lacave tem um valor baixo. Os locais mais caros ficam em Gramado mesmo, e vai muito do que a pessoa procura.
      Afinal, Gramado é uma cidade cara? - Sim, e não. antes que queira botar na cabeça que quer ostentar na cidade bonita, tenha em mente que é necessário pesquisa e autocontrole. Fazer a própria comida, de vez em quando, ou poupar o Uber quando pode se deslocar a pé pelo centro da cidade, são medidas que ajudam bastante no bolso. E como já disse, tenha sua carteirinha estudantil ou comprovante em mãos, ajuda bastante.
      Lugares para conhecer: cara, eu poderia fazer um relato inteiro só falando dos lugares que não visitei  Cambará, Novo Hamburgo, Farroupilha, Bento Gonçalves, Três Coroas (que descobri só no final da viagem que possui uma estrutura bacana para o rafting), Guaporé-Muçum, Pelotas, Rio Grande, todas estas cidades, e fora outras, possuem sua importância no estado, possuindo atrações, naturais, históricas, etc. Eu não canso de dizer que é um Estado Rico em termos de coisas para fazer, e mesmo 1 mês inteiro não daria nem para 1/3 do que existe lá.
      Melhor Época: depende do lugar que você quer conhecer. Por exemplo, Torres (praias) é melhor na época mais quente, que compreende o início do ano, enquanto que a Serra Gaúcha é bem visitada no inverno (meio do ano), e Gramado possui alguns períodos especiais (Natal, Páscoa, Festival de Cinema e Inverno). Pesquisar é bom, e se atentar ao clima, no caso de atrações e atividades ao ar livre (como foi no meu caso), faz uma diferença entre fazer uma atividade ou ficar no hotel chateado. Ah sim, em setembro costuma haver o festival farroupilha de POA, e como disse antes, tem o festival de balonismo de Torres.
      Moro num estado quente e quero pegar frio, devo levar roupa pro frio no inverno? Cara, Porto Alegre tem tanto comércio de roupas para o frio, luvas, cachecol, gorros e jaquetas a preços populares, que penso que nem vale a pena comprar uma roupa provavelmente cara na sua cidade. Em POA também existe uma loja da Decathlon, onde vc pode comprar uma vestimenta de qualidade.
       
      Então é isso, gurizada! Conheçam essa baita região! 
       
    • Por Paulonishi
      Um lugar de belas praias, águas limpas e com cores fantásticas, distante num voo de apenas 50 minutos da maior cidade do Brasil…

      Essa é a encantadora Florianópolis, capital de Santa Catarina, região sul do Brasil. É uma ilha, mas também tem uma partezinha no continente, que muita gente esquece, o chamado "Estreito", com uma bela orla que é mais bonita porque dá visão para a Ilha!
      A ilha de Santa Catarina, carinhosamente chamada de Floripa ou ainda de Ilha da Magia, é um dos destinos turísticos mais procurados no verão, não só pelas suas praias paradisíacas, mas também pelas muitas opções de lazer, gastronomia e cultura.
      Fundada em 1673, tem cerca de 508 mil habitantes, sendo a 2ª mais populosa do estado (a maior é Joinville, no norte do Estado). Em sua história, já foi chamada de Ilha de Santa Catarina, Nossa Senhora do Desterro, Desterro (que nome horrível!!!)  e finalmente Florianópolis, uma triste homenagem ao maior algoz do povo Catarinense, o presidente Floriano Peixoto, que promoveu uma série de fuzilamentos na ilha e, como castigo, teve o seu nome perpetuado justamente nesse lugar.
      Possui um terreno bem acidentado, com praias espremidas entre o mar e os morros.
      As mais famosas são:
       Canasvieiras, principal reduto dos argentinos
      Jurerê, o point das baladas e festas noturnas
      Joaquina e Praia mole, o paraíso dos surfistas
      e Ribeirão da Ilha, guardiã da colonização açoriana.
      A ilha é ligada ao continente por 3 pontes. As duas de concreto são Pedro Ivo Campos e Colombo Sales. Mas a mais famosa é a terceira delas, a ponte pênsil Hercílio Luz, cartão postal de Santa Catarina. Essa velha senhora tem mais de 94 anos e esteve totalmente fechada por décadas (28 anos), até a sua total reabertura só em março de 2020. Agora pode ser visitada e, nos finais de semana, é totalmente voltada para ciclistas e pedestres, sendo um passeio gratuito e imperdível! Nos dias de maior ventania, a emoção é garantida, pois ela oscila bastante!

       
      Além de automóveis e motos, podemos chegar de ônibus, desembarcando no Terminal Rodoviário Rita Maria, logo na entrada da Cidade e bem próximo do terminal urbano. Recebe ônibus de todas as partes do Brasil e também da Argentina, Uruguai, Paraguai e Chile. 

      Se você vier de ônibus, caminhando poucos metros, já estará no terminal de integração do Centro, o TICEN, de onde partem  onibus para literalmente todos os cantos da Ilha e demais terminais. Dá para conferir as opções e horários no próprio google Maps ou no Moovit. Tem um aplicativo próprio também, o Floripa no Ponto, com todas as rotas e terminais. Vale a pena conferir!

      A outra maneira de chegar à Capital é através do Aeroporto internacional Hercílio Luz, um amplo, moderno e confortável Aeroporto, cujo novo terminal foi inaugurado em outubro de 2019. Na parte externa tem um pequeno mercado da rede Imperatiz com preços razoáveis, dando para comprar um lanchinho mais em conta. Se a fome for grande, dá para encontrar almoço por 30 reais. Não é barato, mas em se tratando de aeroporto, é uma opção a ser considerada. Nesta última vez, almocei e estava muito bom!

       
       
      O aeroporto conta com uma linha de ônibus urbano que facilita bastante a vida do mochileiro (direto para o TICEN ou TIRIO). Um Uber, por exemplo, sai pelo menos uns 30 reais para se chegar ao centro da cidade! E não se preocupe, o transporte público é bem eficiente e seguro.
      Qualquer que seja a maneira de andar por Floripa, esteja preparado para um dos seus maiores problemas… O trânsito!
      Ele se agrava ainda mais durante a temporada de verão. Os congestionamentos são frequentes e encontrar estacionamento público na região central e nas praias é uma verdadeira loteria. A maioria dos lugares tem estacionamentos particulares, e cobram na média 20 reais (ou pilas, como eles dizem... 🤭) pelo período. Por isso, sempre quando vou por lá, deixo o carro onde estou hospedado e procuro ir de ônibus para todos os lugares. Assim, não tenho stress com o trânsito infernal e nem perco tempo procurando lugar para estacionar ou correndo dos flanelinhas (sim, tem bastante e enchem o saco).

      Mas as praias e as paisagens compensam o esforço! São águas bem limpas, mas frias, em comparação ao Nordeste. Fora do verão então… Geladas! As mais quentinhas estão no Norte da Ilha.
      No quesito gastronomia, não deixe de saborear as ostras, além, é claro, da tradicional sequência de camarão, girando em torno de 100 a 150 reais para duas pessoas. É composta por camarões à milanesa, fritos e "ao bafo" (no vapor), acompanhados por filé de peixe, arroz, feijão, pirão de peixe, farofa, batatas fritas e vinagrete, muito bem servido para 2 até 3 pessoas. O melhor lugar para se provar é na Lagoa da Conceição ou na Costa da Lagoa e esses preços são de lá também.

      E qual a melhor época para ir à Florianópolis? Certamente é no verão, mas é justamente o período de maior movimento na Ilha… A alta temporada vai de 15 de dezembro ao final de fevereiro e é sinonimo de muita gente, preços altos tanto de hospedagem quanto de alimentação, além de filas e congestionamentos em todos os acessos às praias. De março até abrill, além de garantir uma temperatura agradável e menos chuvas, os preços em geral caem bastante, tornando-se uma ótima opção! Agora em dezembro, aluguei uma casa para 2 pessoas por 110 reais a diária, na Lagoa da Conceição. 
      Qualquer que seja a época escolhida, tem sempre muita coisa legal para se fazer em Floripa!
      Deixo o vídeo abaixo para ilustrar melhor esse post. Se lhe for útil, peço que deixe os seus comentários e deixe um like para incentivar a postar mais materiais.
      Vou detalhando os passeios nos próximos!
      Grande abraço! 🤠👍
      https://www.youtube.com/watch?v=JaERxlPHZ_k
       
       
       
       
    • Por Marlon Escoteiro
      Travessia do Campo dos Padres – SC – julho de 2020 – 80 km em 5 dias – Do Cânion Espraiado, Morro da Boa Vista até o Morro das Pedras Brancas

      *INFORMAÇÃO*: Essa travessia é realizada em área particular é OBRIGATÓRIO solicitar AUTORIZAÇÃO para passar nas propriedades do Campo dos Padres. Vamos respeitar os proprietários e manter o local aberto para que possamos continuar com nossas travessias e trekking.
      Entrar em contato com a Fazenda Búfalo da Neve.
      Instagram: @fazendabufalodaneve  via direct
      Fone: 48-99617 7552 Arno Philippi – 48-99152 1277 Lucas Philippi
      *IMPORTANTE*
      -NÃO FAÇA FOGO NUNCA – Use fogareiro
      -LEVE TODO O SEU LIXO EMBORA
      -TUBOSTÃO (Vamos todos começar a usar esse banheiro) nesta região estão muitas nascentes importantes de SC, é necessário mantermos o meio ambiente em equilíbrio e limpo. Temos outras áreas de montanha do Brasil como o Pico Paraná e Pedra da Mina que já estamos tendo problemas sérios de contaminação por conta das fezes, papel higiênico e dos lenços umedecidos deixados nos “banheiros” ao redor das áreas de acampamento. O TUBOSTÃO serve para vc levar tudo isso de volta para a sua casa e descartar no lixo.
       
      Vamos a Travessia
      Essa travessia eu tinha combinado com meu parceiro Bernhard que já havia ido comigo em Itatiaia, porém tive um imprevisto na empresa e acabamos não indo. Sorte nossa, pois foi bem na semana do tal ciclone bomba que destruiu muita coisa em Santa Catarina e no Campo dos Padres não foi diferente, tem áreas de mata lá que parece que passou um trator derrubando tudo. Neste interim entrou em contato comigo o Rafael @dinklerafa perguntando sobre a travessia solo que eu havia feito entre Urubici e Bom Jardim da Serra pelo PNSJ. E que ele estava programando vir para a serra catarinense fazer uma travessia, eu disse que ainda estava em aberto ir para lá e assim combinamos a parceria para a travessia. Marcamos então nos encontrar em Urubici na Pedra da Águia no vale do Rio Canoas no domingo a noite. O meu amigo Bernhard começou a trabalhar naquela semana infelizmente mas por sorte minha foi em Lages, e aproveitei a carona com ele saindo de Itajaí.
      1° Dia – Pedra da Águia
      Este dia já começou de noite. Kkkkkkk cheguei no ponto de encontro quase as 20h, garoava um pouco naquele momento quando o Bernhard me deixou no Vale do Rio Canoas junto a propriedade Pedra da Águia que serve como base para camping e estacionamento para aqueles que vão para o Cânion Espraiado. Chamei na casa e ninguém atendeu apesar de as luzes estarem acesas e ter carro ali estacionado, tão pouco sinal do meu parceiro Rafa que a esse momento já deveria estar por ali, dei uma olhada ao redor para ver se já não estava acampado, mas não encontrei. Aproveitei o ultimo facho de luz do farol do carro e montei próximo ao rio minha barraca. Quando estava ajeitando minhas coisas o Rafa aparece do meio do nada! Ele disse que o taxista deixou ele uns 5 km adiante já em direção ao Cânion Espraiado e ele teve que voltar andando pela estrada na chuva. Ali nos conhecemos e fomos conversando, um cara muito bacana. Enquanto preparávamos nosso rango o papo fluía. Acertamos alguns detalhes referente a travessia como um todo e do próximo dia também, o qual ao invés de seguir o caminho tradicional pela estrada para alcançar o Cânion Espraiado, sugeri então contornar a Pedra da Águia e passar por trás dela e seguir até a borda da Serra Geral próximo ao Corvo Branco e então seguir sentido norte bordeando os peraus até chegar ao Cânion Espraiado. Logo em seguida fomos dormir para descansar.

      2° Dia – Pedra da Águia até o Cânion Espraiado – 12km de trilha

      Acordamos cedo, ainda estava meio nublado mas entre as nuvens já víamos que iriamos ter um dia limpo pela frente. Enquanto a água ia fervendo para o café íamos desmontando o campo e arrumando a mochila. O vale do Rio Canoas nessa região é muito bonito com a vista da Pedra da Águia de fundo as araucárias na extensão do vale e o rio descendo suavemente entre as pedras. Após tudo pronto começamos nossa caminhada as 8h, os cachorros vieram nos seguindo uma parte da estrada e foram dispersando um a um, mas sobrou um pretinho que nos acompanhou toda a trilha. Logo quando contornamos a pedra da Águia passamos pela casa do Candimiro e ficamos ali um tempo de prosa com ele que nos autorizou passar pela propriedade e assim seguimos nosso rumo. Uma subida suave por uma antiga estrada que já não passa mais carro.



      Depois de uma hora e pouco de trilha chegamos a borda da Serra Geral ao sul estava a estrada da Serra do Corvo Branco na direção norte o Cânion Espraiado, paramos para curtir o visual e tirar fotos, naquele momento nos preocupamos um pouco com o cachorro pretinho que vinha nos seguindo. O caminho todo foi bordeando a serra seguindo a estradinha abandonada na margem direita do Espraiado. Em um certo ponto chegamos em uma depressão onde formava um pequeno Cânion afluente do rio Canoas em direção oposta a borda da serra geral ali tinha uma pequena faixa de mata para cruzar e adiante seguimos andando pelos campos, banhados e turfeiras que seriam uma constante em toda a travessia e também curtindo o visual do Cânion. 


      Passado das 13h paramos de frente para a cachoeira do Adão para almoçar. Tinha sobrado um macarrão com linguiça Blumenau da noite anterior e já pus na panela, ainda fervi água para um bom chá de hortelã com gengibre e ali ficamos contemplando aquele visual. Quando retornamos a caminhada vimos logo acima do vértice do Cânion que havia um objeto retangular e ficamos imaginando o que poderia ser, o Rafa falou que poderia ser uma placa informativa eu já pensei que fosse tipo um deposito/armário de madeira para guardar o material do pendulo.  Quando chegamos lá a nossa surpresa foi que era uma geladeira da Cervejaria Patagônia, eles estavam fazendo um comercial publicitário. Ali encontramos também a Carol proprietária da Fazenda Espraiado e ela nos indicou ir na cachoeira e avisou que a outra parte da borda do Cânion estava proibido passar por problemas de vizinhos e uso da área. Descemos até a cachoeira, que na realidade são 2 uma primeira menor que forma um baita poço para banho e a queda principal que desagua por 86m Cânion abaixo. Neste momento flagramos o pretinho abocanhando alguma coisa no mato e quando vimos era um tipo de roedor que em seguida ele soltou no chão.



      Logo fomos em direção a sede da fazenda onde é o camping e hostel do Cânion Espraiado. Ali conversamos com o Jacaré do Cânion que trabalha na fazenda, acertamos com ele o valor de R$ 40 pelo pernoite em camping, comemos um pastel muito bom e montamos nossa barraca, depois ficamos no galpão crioulo ao redor do fogo de chão proseando e tomando uma cerveja Patagônia com o Jacaré. Aproveitei para secar minhas meias, com os furos que minha bota tinha e os banhados no caminho esse seria um problema que eu enfrentaria todos os dias com os pés molhados. Também recarregamos o celular e aproveitamos para mandar as últimas mensagens pois a partir dali não teria mais sinal pelos próximos 4 dias. Preparei minha janta uma bela polenta com bacon e conversando com o pessoal, falaram que a partir dos 2 próximos dias viria uma frente fria muito forte. Pegamos umas dicas da trilha para o próximo dia cedo em direção ao Morro da Antena (agora montanha infinita) para ver o nascer do Sol e em seguida fomos dormir.




       


       
      3° Dia – Cânion Espraiado – Campo dos Padres – parte alta do Rio Canoas - 18km de trilha

      Acordamos as 4h30 pois queríamos estar as 7h para o nascer do sol. Já fomos desmontando a barraca e o frio já era forte na escuridão da madrugada, havia um pouco de gelo no sobreteto da barraca. Após tudo desmontado tomamos um café passado pelo Jacaré dentro do galpão e comi meu pão sírio com polengui, queijo e salame, além do meu super brownie com malto e dextrose além de algumas castanhas (esse seria meu cardápio de café da manhã de todos os dias). As 6h horas seguimos pela trilha por entre a mata até o topo do morro da Antena e já no chapadão do cume presenciamos várias poças de água congeladas.


       
      As 7h05 foi o alvorada sobre um mar de nuvens aos nossos pés e um céu limpo sobre nossas cabeças, a vista do Cânion espraiado lá de cima é linda e ainda é possível ver toda a extensão da Serra Geral com destaque para as Pirâmides Sagradas e o Morro da Igreja. Estive nesse morro em 2001 subimos eu e o meu amigo BIG Daniel Casagrande de Toyota Bandeirante, na época ainda havia a Antena em pé, hoje ela foi derrubada, lembro que nós curtimos o visual por ali e quando decidimos ir embora atolamos a Toyota e quem disse que conseguimos tirar.... foi uma longa história e uma grande aventura. Voltando a 2020, nossa ideia original era seguir bordeando até chegar no rio canoas, pois pela carta teria somente 2 faixas de mata pra cruzar morro acima. Mas ai o Jacaré nos indicou seguir pela estrada e lá adiante passando a porteira entrar na antiga estradinha, eu sabia que havia essa trilha, mas tinha receio de seguir pois era uma mata grande, e imaginava ter vários caminhos por conta do gado.





      Mas enfim mudamos nosso plano inicial e seguimos então pelo caminho sugerido. Logo que passamos a porteira eu vi uma estradinha seguindo adiante e outra descendo, supus que essa seria a estrada, ledo engano..... descemos o morro e cortamos a estradinha para lá embaixo tentar encontrar ela de novo, havia um morro bem grande de mata a frente que se estendia a leste até a borda da serra e para o lado oposto a oeste entre esse morro havia uma encosta suave de mata e a borda do profundo Cânion do rio canoas, a trilha só podia ser nesta encosta suave e fomos descendo mas não encontrei a estrada. Seguimos adiante pela mata até chegar ao rio que já formava um pequeno desnível, pensei que já fosse o começo do Cânion afluente do Cânion principal do rio canoas. Demos uma volta enorme em círculo e voltamos para o mesmo lugar. Seguimos acompanhando a estrada e tentamos mais uma vez descer na direção daquela encosta, mas a mato tava muito fechado voltamos mais uma vez para a estrada e então decidimos seguir a estrada, logo adiante vimos uma casa e antes de chegar nela uma entrada a direita com cara de estrada abandonada. Só podia ser essa. Bingo! Já era 12h passado e então paramos ali na estradinha e fizemos nosso almoço o meu seguiu o mesmo cardápio do café da manhã sendo pão sírio, polengui, queijo e salame e chá de hortelã com gengibre, e assim foi todos os dias. Depois de 40min de pausa retornamos a trilha. A trilha é em uma antiga estrada abandonada que não é mais possível transitar de carro nem de 4x4, somente a pé ou a cavalo, uma descida suave por entre a mata de araucárias até chegar em um pequeno rio que corria sentido Cânion do rio canoas. Esse era o ponto mais baixo e após o rio a trilha começava a subir. “A algumas horas atrás chegamos bem perto deste rio porem a mata estava muito fechada e o rio afunilava em um brete e não conseguimos achar um caminho para passar e acabamos voltando”.



      Lá adiante na trilha encontramos um barraco destruído e depois cruzamos com um pequeno rio onde fomos seguindo ele rio acima até a trilhar sumir no mato, ali percebemos que em algum lugar lá atrás teríamos que ter contornado o morro. Resolvemos então subir aquela encosta de mata bem fechada com muitos xaxins, bambus e mata nebular. Foi um momento um pouco tenso pois já eram umas 17h sabíamos que estávamos no rumo certo, mas não na trilha e onde estávamos não tinha como acampar. Fomos mirando o topo tendo as copas das araucárias ainda iluminados pelo sol. Quando alcançamos então a parte mais alta abriu um pequeno descampado sujo com vassouras, porem plano e com condições de acampar. Decidimos seguir ainda um pouco mais adiante até as margens do Rio Canoas, mas de qualquer forma não fomos muito longe e acampamos por ali mesmo. Aquela noite prometia muito frio, tratamos de montar nossas barracas e a escuridão já tomou conta e o frio veio junto. Arrumei minhas coisas e tratei de ferver uma água para o chá e picar o bacon, quando comecei a fritar o Rafa já sentiu o cheiro maravilhoso do bacon, e ele com aquela comida liofilizada dele. Prometo que vou tentar de novo, nem que seja levar para uma noite a liofilizada, confesso que ainda venho tentando uma comida boa e leve sem abrir mão de certos luxos que conquistei nesses 30 anos de acampamentos, mas que agora com a idade e falta de tempo para treinar a boa forma já não posso mais carregar tanta coisa, sei que tenho que diminuir peso. Nesta travessia eu pesei item por item antes de sair de casa, desde celular, meia, cueca, itens de primeiros socorros, comida, enfim tudo grama por grama e encontrei que eu carregava no corpo 3kg contanto botas, roupas, bastão...; na mochila mais 24kg contando 4 litros de água que me dispus a levar mesmo com a fartura de água da região somente para testar meu consumo e uso em cozinha. É muito interessante pesar pois sempre imaginamos o quanto levamos, mas só anotando tudo e fazendo um verdadeiro checklist é que sabemos o quanto de peso realmente carregamos e não sabemos.

       
       
      Depois da janta ainda era cedo e não conseguiria dormir, então decidi sair da barraca para ver o céu estrelado, minha saída noturna não demorou mais que o suficiente para ir ao banheiro e voltar correndo para a barraca de tanto frio que fazia. Nessa noite os termômetros bateram negativos os - 8ºC dormi no limite do frio essa noite.
       
      4° Dia – Parte alta do Rio Canoas – Cemitério – Borda da Trilha dos Índios – Morro do Campo dos Padres – Morro da Boa Vista - 15 km de trilha

      Acordamos pelas 6h mas o frio era tanto que não deu vontade de sair do saco de dormir, o sobreteto da barraca do Rafa congelou a condensação, neste quesito estava muito satisfeito com a minha Naturehike Cirrus pois o layout dela permite uma boa ventilação e evita o acumulo de condensação, mas vi que tinha que fazer alguns ajustes no sobreteto para incluir mais 2 pontos de cada lado para fixar mais espeques e poder abaixar mais a lona para o vento não entrar tanto em dias frios. Também tive minhas meias congeladas e a água nas garrafas estavam congeladas. Já pus a água para ferver e fazer meu café na Pressca e ao mesmo tempo já ir guardando minhas coisas. Mas foi difícil desmontar a barraca, os dedos doíam de tanto frio. Eram 7h30 e saímos, vimos que 1h30 era o tempo que precisávamos para começar o dia. Logo adiante avistamos uma cabana bem bonita de madeira que é a sede da Fazenda Búfalo da Neve, passamos ao lado e seguimos adiante descendo a encosta do vale do rio canoas até atingir suas margens, havia muita geada no pasto e as poças d´água no caminho estavam congeladas e também partes do rio onde a água estava parada.







      Aproveitamos para repor nossos cantis e tirar fotos com os pedaços de gelo. Essa parte é muito linda, o vale com os morros de mata de araucárias, o rio e suas curvas e os campos formavam uma bela paisagem. Fomos subindo o rio e logo alcançamos uma pequena cachoeira e uma taipa de pedra logo acima formando um caminho de tropeiros e por ali seguimos dando uma grande volta para desviar a várzea do rio que formava um banhado e suas turfeiras. Logo adiante vimos 1 casa azul e 1 galpão passamos por ela e logo a frente no vale havia um morro isolado, pelas minhas contas ali deveria ser o cemitério. Uma subida íngreme e logo no topo já vimos um quadrado de taipa e ali estava o cemitério, haviam 3 túmulos com cruz, uma lapide que não conseguimos ler e ao que parecia algumas covas abertas. Interessante imaginar um lugar inóspito daquele que outrora pessoas moravam ali em um passado não muito distante, mas longe da civilização. E tinham que ali mesmo enterrar seus entes queridos, escolheram um belo lugar para ser os Campos Elíseos destas pessoas.





      Logo descemos a encosta em direção ao rio canoas e dali iremos a leste para alcançar as bordas da Serra Geral. Naquela altura quando atravessamos o rio canoas ele era tão límpido e cheio de plantas aquáticas, uma pintura natural. Subimos uma pequena encosta e por acaso encontramos a trilha dos índios que liga a Anitápolis, dali subimos uma pequena mata e já no topo paramos para almoçar e contemplar a vista. O dia estava lindo e podia ver o horizonte bem longe, sendo possível ver a serra do tabuleiro e o contraste do mar mais a sudeste. Depois do almoço fomos bordeando os peraus tendo o Morro do Campo dos Padres na nossa direção e mais a noroeste o Morro da Boa Vista que é o ponto mais alto de Santa Catarina onde iriamos acampar. Para alcançar o morro do Campo dos Padres tivemos que dar uma volta para contornar a mata e depois seguir por uma subida bem íngreme. Bem ao longe no colo onde ligava esse morro com o morro da Boa Vista avistamos 2 capatazes campeando o gado. Alcançamos o topo do morro e ficamos um tempo ali contemplando uma das vistas mais bonitas da trilha. Depois seguimos em curva de nível até o colo e em seguida partimos para cima do Morro da Boa Vista, neste momento o Rafa começou a ficar sem água e chegou até a coletar um pouco nas turfas, eu ainda tinha água dentro do meu teste de consumo e cozinha, e ofereci para ele um pouco caso precisasse.
       





       
      Já no topo vibramos pois éramos as pessoas mais “altas” em solo catarinense, localizamos o marco geodésico e ali ao lado acampamos com a porta das barracas virada para o nascer do sol, porem naquele momento presenciamos um lindo pôr do sol, tiramos muitas fotos e vídeos e ficamos curtindo aquele momento. Já dentro da barraca tratei de fazer meu ritual de limpar e secar os pés úmidos dos charcos e passar vick vaporub, um santo remédio para o montanhista já que serve para muitas coisas. Pela primeira vez na vida levei lenço umedecido e tomei meu banho de gato, gostei do resultado melhor que toalha úmida. Tratei logo de me vestir pois fazia muito frio aos 1827m de altitude. Nesta noite cozinhei uma invenção que fiz com sopão+arroz+bacon, porem o arroz não cozinhou o suficiente e o sopão já começou a empelotar, não gostei nada. Ainda bem que sempre levo como emergência 2 pacotes de miojo e tive que atacar um com linguiça frita e queijo ralado. Durante a noite sai para ver o céu, estava menos frio que a noite anterior, mas ainda sim muito frio, consegui ficar um bom tempo ali observando as constelações e algumas estrelas cadentes, também vi ao longe a luminosidade das cidades como da grande Floripa que formava um grande clarão a leste e a oeste uma área menor porem mais luminosa a cidade de Lages. Me recolhi ao aconchego da minha barraca e dormi. Acordei com o vento batendo forte na barraca, chegando até a entortar as varetas, mas a barraca segurou bem. Não dormi muito bem pois volte e meia acordava com o vento.




       
      5° Dia – Morro da Boa Vista – Arranha Céu – Morro da Bela Vista do Guizoni – Campos de Caratuva - 17km de trilha

      O vento batia forte na barraca, o céu estava bem nublado predizendo que o tempo estava mudando. Como montei a barraca a sotavento, pude deixar a porta aberta e curtir o nascer do sol no horizonte enquanto preparava meu café foi um alvorada fantástico mesmo com o céu nebuloso. Tomei meu delicioso café com brownie e pão sírio/queijo/salame a combinação perfeita e rápida para o desjejum.



      Logo em seguida desmontamos todo o acampamento. Nesse dia pude testar melhor uma pratica que encontrei para usar o banheiro de forma confortável e privativo (uma dica para as mulheres). A minha barraca Cirrus tem como desmontar o tapete e o mosquiteiro interno sem desmontar a lona do sobreteto e assim deixar o chão somente na grama. Desta forma com toda a mochila arrumada ficando somente o sobreteto e a armação por último, pude dentro da barraca mesmo pôr o meu jornal no chão com cal e dar uma cagada tranquila, depois só por mais cal em cima, embrulhar o jornal, por numa sacola plástica e aí dentro do tubostão. Usei um cano de pvc de 100mm com 2 caps nas extremidades e vedou muito bem, sem cheiro nenhum ou vazamento, tem na internet como fazer. Porem só achei um pouco pesado. Da próxima vez vou testar um pote de tampa larga e de rosca de 1l que tenho em casa, pois é bem mais leve e o volume é o suficiente para uns 4 dias de trilha.
      Saímos as 8h40 para a trilha o vento era muito forte e o sol já raiava, inclusive quando fui desmontar a lona ela quase sai voando. Nos protegemos bem e começamos a descida pelo colo do Boa Vista com o Morro do Campo dos Padres que é o divisor de águas do rio Canoas e do rio Itajaí, paramos numa pequena nascente e enchemos nossos cantis e seguimos bordeando a Serra Geral. Lá pelas 11h passamos pelo rio Campo Novo do Sul que corre aos pés do Morro Bela Vista do Ghizoni e demos uma parada para um banho rápido e gelado além de aproveitar que paramos fomos almoçar. Nesse momento o tempo voltou a nublar e esfriar. Depois deste descanso subimos até a rampa que dá acesso ao Ghizoni e deixamos nossas mochilas ali e demos uma esticada até o pico do Arranha Céu que estava na borda do Cânion que na outra ponta estava os Soldados do Sebold. Voltamos as mochilas e subimos mais uma rampa e deixamos a mochila novamente e caminhamos por 2h ida e volta no chapadão do Ghizoni por um grande charco de turfeira até subir os matacões do topo onde havia o marco geodésico, ali era o terceiro ponto mais alto de SC e o Morro da Igreja é o segundo.




      O tempo já estava piorando e voltamos até a mochila já passava das 16h e vimos que não alcançaríamos o objetivo do dia, pois quando olhamos ao longe vimos que iriamos cruzar a parte mais estreita do campo dos padres onde havia perau e Cânion para os dois lados, e tínhamos pelo menos 2 morros com mata para subir e cruzar. Conseguimos somente cruzar o primeiro que tinha uma trilha bem fechada com muitos caminhos de gado até chegar num ponto bem estreito com perau e uma antiga taipa utilizada para cercear o caminho do gado e não cair precipício abaixo. Chegamos em um campo que vimos lá do Ghizoni que tinha uma vegetação diferente, a princípio eu imaginava ser de vassourão, mas a tonalidade era outra, quando chegamos lá me surpreendi em constatar que eram o bambuzinho caratuva bem comum na região do Pico Paraná e que eu nunca tinha visto por essas bandas. Ali a cerração começou a fechar então decidimos já achar um lugar plano para acampar. Montamos nossa barraca bem ao lado da trilha que era bem demarcada e única. Não deu nem uma hora e caiu um temporal, era tanta chuva e vento que tínhamos que manter tudo bem fechado. Fizemos nossa janta nessa condição, uma das escolhas que fiz pela barraca cirrus foi o avanço um pouco maior para que me possibilitasse cozinhar em condições de chuva e vento e também espaço para 2 pessoas para que a cargueira ficasse dentro da barraca. Acabamos dormindo cedo nesse dia. Apesar que durante a noite levantei algumas vezes para conferir se estava tudo em ordem e seco na barraca, pois foi a primeira chuva torrencial que ela pegava, choveu a noite toda, e tudo se manteve seco. Passou no teste.
      6° Dia – Campos de Caratuva - Morro das Pedras Brancas – Localidade das Pedras Brancas -  BR 282 - 18km de trilha

      Lá pelas 7h a chuva parou, levantamos e já fomos tomando nosso café e desmontando as coisas. A trilha a nossa frente era um rio de tanta água, fomos secando o que dava na barraca para guardar na mochila e as 8h30 saímos e logo entramos na mata que estava muito molhada e fomos subindo o aclive em diagonal, era uma trilha bem batida na encosta que descia ao Cânion do Rio Campo Novo do Sul, havia muitas árvores caídas e quebradas por conta do ciclone bomba que havia atingido a região a uma semana atrás. Quando saímos no topo o sol já despontava meio tímido, mas a chuva já havia ido embora. Tinha uma bela vista do Morro do Ghizoni e do Cânion logo abaixo.


      E fomos seguindo pelos campos e cruzando algumas faixas de mata, banhados e turfeiras até chegar ao istmo como uma “ponte” de 5m de largura que ligava o campo dos padres até o Morro das Pedras Brancas, ultimo resquício de planalto ligado a Serra Geral. Já era 12h30 atrasamos meia hora pelas nossas contas, mas ainda sim estávamos muito longe do nosso destino final que era a BR 282 onde tínhamos combinado com nosso amigo Bernhard de o encontrar as 17h. Descemos a trilha íngreme aproximadamente 500m de desnível, nesse ponto o estrago do ciclone foi bem maior, a destruição era grande por toda a trilha. Alcançamos a estrada e fomos seguindo tendo o vale do rio Santa Barbara como caminho. Passamos pela comunidade das Pedras Brancas e precisávamos de sinal de celular e internet para avisar a todos que tudo estava bem e comunicar o Bernhard que estávamos ainda 1h atrasados. Aí passamos por uma propriedade que indicava “informações pousada do vô Chico” paramos ali e conhecemos o vô um senhor nascido ali e bem gente boa que nos emprestou a internet e nos deu uma carona até a estrada. Sorte nossa pois ainda havia uns 7 km a frente com subidas e descidas, mas uma estrada rural muito linda tendo sempre as Pedras Brancas ao fundo como destaque e o vale do Rio que vinha esculpindo um bonito Cânion. Chegamos a BR e encontramos nosso amigo e assim termina nossa pernada. Somamos 80 km de trilha no total





       


























    • Por Jonas Silva ForadaTribo
      Costurando
      Nossa aventura começa ao acaso, não que nunca planejássemos percorrer a Serra Geral Catarinense, mas não estava nos planos de 2020. No entanto, uma tal de pandemia resolveu estancar nosso planejamento, e aos 45 do segundo tempo conversando com um amigo de Tubarão resolvemos seguir para essa região pouco frequentada.
      De início achei que não conseguiria, o primeiro contato com o pessoal da região assustou, uma agência enviou um orçamento de rei, junto de uma ameaça; argumentava ser a única a ter acesso à região, de outra forma eu nem deveria tentar ir. Passado o susto, conversei novamente com meu amigo que me disse ser possível fazer sem agência sim. Então comecei a garimpar. Acabei encontrando o relato aqui no mochileiros do Marlon procurei ele, que foi baita parceiro e me passou contatos dos donos da fazendas e dicas da região.
      Fim de agosto e lá fomos nós, eu e a Bruna. Como não consegui autorização com uma das propriedades (que fica em um ramal da travessia), e também não consegui mais companhia resolvemos inovar e fazer um circuito na região saindo do Cânion Espraiado indo até o Lageado e retornando ao ponto de partida. Pagamos pelas autorizações R$ 200,00 em duas pessoas para permanecer nas terras 3 dias. Negociamos no Espraiado estacionar lá durante a travessia, sem custo. Se hospedaríamos lá por 2 noites depois.
       
      O Tempo Fechou
      Saímos no dia 29/08 às 08:00 da manhã, dia limpo, coisa linda. Logo de início a subida é pesada, e para piorar a trilha é em meio a pedras de todos os tamanhos até a Montanha do Infinito. Lá de cima dava para avistar no horizonte os Campos reluzentes a alguma milhas de distância. Mal conseguíamos esperar ansiosos por caminhar naquelas banda sob um céu limpo e noite estrelada.


      Os primeiros  6 km foram tranquilos, em meio a mata de araucárias, por uma trilha (estrada antiga abandonada), basicamente um declive. Nesse trecho a única dificuldade são as pedras soltas e os vários canais de água e lagos onde os búfalos (existem muitos na região) tomam seus banhos. Avistamos duas cachoeiras distantes em meio a mata, até aí acreditamos que iríamos passar nelas. No entanto me contaram que algumas dessas provavelmente nunca ninguém foi até lá (eu filmei uma com o drone na volta, corre no youtube que tem lá).

      Depois do km 6 a coisa complica, subidas longas com pedras soltas, um descuido e o tornozelo já era. Em vários trechos a trilha some e se confunde com carreiros dos búfalos, fácil se perder e parar nos perais dos cânions. Depois dos 10 km a trilha bifurca para a Grande Cachoeira do Canoas e Casa Azul. Seguimos para a cachoeira. A trilha some em meio ao banhado e as vassouras (vegetação baixa e de muitos galhos). Adentramos um trecho de mata com muitas araucárias, trecho em que encontramos os proprietários das terras montados em cavalos e acompanhados por cães enormes. Eles ainda insistiram que passássemos no rancho para um café, porém nosso tempo não permitiu.


      A essa altura o tempo já fechara, a viração tomava conta. Tivemos dificuldade para achar a cachoeira, houve um incêndio recente ali, e a trilha havia desaparecido por completo, só restara as vassouras e com a viração não dava para ver o horizonte. Na primeira investida fomos surpreendidos por um perau de uns 400 m, ouvindo a queda tentamos progredir pela borda, mas a mata se fechou deixando a situação arriscada. De volta nas vassouras demos mais uma investida e poucos metros a frente se abriu um campo baixo e pudemos avistar a queda superior. A queda maior só avistamos de relance, como a hora já havia adiantado, e o tempo pegando escolhemos não se arriscar muito nas bordas do cânion.

      Retomamos a caminhada, consultando o mapa a cada 30 min. 2 km e saímos nos campos, a caminhada ficou mais fácil. Até a Casa Azul abandonada é possível identificar a estrada antiga. O lugar é mágico, cercas de taipa, o Canoas, a cabanha, o cemitério, e aquele cenário todo coberto pela névoa, de tirar o fôlego e insinuar miragens. Descemos e acampamos do lado do rio. Como o fogo passara por ali também, não foi difícil achar um descampado para dormir. Apagamos fácil depois dos 22 km, e a noite gelada e úmida num breu total envolvida pela neblina.

      No dia 2 começamos cedo, às 06:15 já estávamos encharcados em meio a vegetação rasteira. Com alguma dificuldade chegamos às bordas da Serra, a visibilidade variava entre 100 e 50 metros. Mesmo perante as condições climáticas que encontramos a imponência dos cânions impressiona e assusta, com uma visibilidade ruim dessas seria um terror acabar ladeira abaixo.


      Seguimos pelo vale da nascente do Canoas. Alguns quilômetros à frente estávamos novamente nas partes altas, contornamos o Morro do Campo dos Padres e descemos para a Cachoeira do Rio Campo Novo onde paramos. Devido as péssimas condições do clima (a visibilidade agora não chegava a 30 m) e o horário já adiantado, resolvemos esconder as cargueiras e seguir até o Morro da Bela Vista do Guizhoni (1804 m) o terceiro mais alto do Estado, retornando sem ir até o Lageado. Subir o Bela Vista não foi fácil, cerca de 2 km, parte em uma carrasqueira de pedras e a outra em meio ao charco dentro da mata nebular, sem trilha demarcada, foi um banho por completo, nem a roupa impermeável deu conta. Atingimos o pico, idos meio-dia. E o clima só piorava, uma pena, não conseguimos ver nada. Retornamos sob as mesmas condições, a única diferença foi que durante a descida houve um relapso no tempo e pudemos enxergar o horizonte, foi incrível.



      De volta nas cargueiras, retomamos a marcha para o Morro da Boa Vista (1824 m, o mais alto do Estado e o terceiro do Sul do Brasil). A volta até a Bifurcação perto do Morro do Campo dos Padres foi mais tranquilo, já conhecíamos o traçado, o que facilitou bastante. Afinal, nesse dia foi ainda pior a navegação. A trilha não é definida, existem muitos caminhos de vaca e muita variação do relevo, como não dava para ver na cortina de névoa seguimos o relevo, nas vezes que tentei seguir por trilhos quando consultava o mapa já havíamos saído consideravelmente da rota. De início tentei me referenciar durante as curtas aberturas entre as nuvens, mas logo percebi que aquela oscilação mudava a paisagem e nós acabávamos seguindo pontos de referência distintos (muito parecidos), o que nos levava a se perder.

      Depois de passar por um longo campo de turfas chegamos de volta à bifurcação. Largamos as mochilas e atacamos o Morro do Campo dos Padres, subimos rapidinho, e quando olho no mapa, puts, errei. Viro pro lado e com atenção percebo uma sombra medonha em meio ao branco da viração. Se jogamos, a subida é hard, um paredão 60º forrado de gramíneas, uma subida engatinhando, o mais incrível é que só víamos o paredão mal enxergamos um o outro. 30 minutos e uns 400 m percorridos com elevação de 300 m, chegamos no céu, kkkkkk. Mal víamos os arbustos do entorno, mas estávamos lá,  o mapa confere dessa vez.

      Descemos ladeira abaixo, literalmente. E partimos para o Boa Vista, pela carta de navegação, caminhamos por uma crista (meio larga) cerca de 1 h e 30 min, sempre que chegávamos no pé de algum cume ficávamos animados por ter chego. Ao consultar o mapa, era falso. Foram 3 falsos cumes e meio a visibilidade negativa, isso acabou com a graça da chegada. Depois de subir o verdadeiro levamos uns minutos conferindo a carta para comemorar com certeza a chegada.
      Montamos acampamento no cume sob um vento de 60 km/h, parecia que a barraca iria decolar. Entocados na barraca, dormimos igual pedra (foram mais 21 km nesse dia). Passou a noite ventando forte e tomado pela neblina, esta amanheceu implacável (de novo, hshs) no dia 3.

      Levantamos acampamento e seguimos pelo sul do Morro para o vale do Canoas. Em meio dos charcos e turfas. Passamos por muitos córregos e em um dos vários cânions que se formam por ali encontramos três cachoeiras vizinhas. Saímos novamente na trilha dos índios, margeando a borda da Serra Geral. Mais uma vez não vimos nada.


      Cortamos o Campo dos Padres tomando a trilha por trás da casa azul. De início foi fácil segui-la. Mas não demorou muito até se perdermos e passar 40 min caminhando nos caminhos de búfalos das encostas até avistar lá embaixo um pedaço da antiga trilha. Descemos aliviados, os pés ardiam, A Bruna com bolhas arrastando-se. Paramos para almoçar e furar as bolhas, só assim para continuar.


      Estávamos novamente na trilha demarcada e o tempo abrira, víamos as araucárias imponentes ao nosso lado e no horizonte por vezes vimos a silhueta da montanha infinita. Seguimos, carrasqueira a frente. Eram já 18:00 quando pisamos na estrada que leva ao Rancho do Cânion Espraiado. Chegamos no rancho exaustos, molhados e com um vento de mudar cavalo de invernada. Não fosse a hospitalidade do pessoal do Espraiado, deixar acamparmos dentro do celeiro, teríamos uma noite conturbada. Durante a madrugada as rajadas davam a impressão de que o próprio celeiro iria tombar. Agora que estávamos de volta, no dia 4 amanheceu limpo e pudemos aproveitar as vistas do Cânion Espraiado (fica para o próximo relato).




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