Bem, segue o relato de mais uma aventura minha pelos estados do nosso amado Brazyl. Dessa vez, optei por fechar o trio de estados sulistas (apesar de que falta conhecer mais SC, o que me foi negado nesse ano em virtude do bendito coronga), e fui provar um pouquinho da terra do pinhão, capivaras, e berço do montanhismo tupiniquim, Paraná.
A época escolhida foi o mês de dezembro/2021, período de transição entre a primavera e o verão. Peguei um tempo bem inconclusivo, começando pela "cidade onde vc pega as 4 estações de uma só vez". Muita nuvem, muito chuvisco em certos lugares. Mas, fui fora da alta temporada, o que permitiu que eu curtisse muita coisa na tranquilidade, antes da folia que é o reveillón e o verão litorâneo. Por sorte peguei pouca chuva em termos de volume. E entendi sobre o porquê de a temporada de montanhismo ser no inverno.
Como tento ser meio economista nas viagens (vulgo pata de vaca segundo mamãe), resolvi levar 2k de choros e ver se daria para bater perna por 3 semanas no estado. Essa costuma ser minha média nas viagens.
E nesse relato, vai rolar um pouco de tudo: vou falar de uns roteiros mais manjados, assim como tentarei abordar roteiros menos falados, afinal, off the beaten path!!
Pois bem, vamos ao que interessa.
01-02/12 - chegada no estado e paixão à primeira vista
Impossível não conhecer a fama de Curitiba. Logo na minha chegada, ao passear pelas ruas, refleti sobre as simples, porém grandes medidas que poderiam ser facilmente implantadas em minha pobre Manaus (carente de boas gestões há tempos, diga-se de passagem). Os pitorescos e icônicos terminais de tubo, os inúmeros parques e praças, a arborização das ruas, as ciclovias e a limpeza das ruas são alguns dos pontos de destaque da "capital ecológica do Brasil".
Claro, a realidade curitibana fica mais limitada à porção central e elitizada da cidade, pois você não precisa se afastar muito do centro para dar de cara com problemas comuns de toda capital: pobreza, marginalização, cursos d'água poluídos e muito lixo. Passando em lugares como Vila Zumbi, ou mesmo nas dependências do Jardim Botânico (bairro) pude notar tal realidade. Mas, a cidade ao menos tenta se ajeitar.
Curitiba transpira história e arte: na região central da cidade, cada esquina corre um sério risco de ter uma boa história para contar. Entre as artes mais amadoras, a manutenção de prédios históricos, e as várias homenagens a personalidades e fatos históricos, há informação de sobra sobre a história e cultura paranaense. Uma coisa a ser notada é os murais de azulejo de Poty Lazzarotto espalhados pela cidade, alguns tombados como patrimônio cultural do estado.
A praça 19 de dezembro, símbolo da emancipação da cidade, também conhecida como praça do homem nu, agora com uma mulher nua. Acho que o movimento das estátuas feministas deve ter chiado um pouquinho.
Mais uma forma de preservação da história da cidade. Atrás, mais um mural de Lazzarotto.
Uma homenagem à comunidade oriental que contribui com o comércio local. Mural localizado no mercado municipal
Arte cachaceira?
Ótima referência, e bela mensagem de férias
Em um primeiro momento, estava interessado em conhecer um espaço menos frequentado da cidade (até porque teria muito tempo para conhecer os points manjados). Então segui para a Casa do Expedicionário.Tenho um interesse enorme pela história da Força Expedicionária Brasileira, e admiro a contribuição dos pracinhas, enfermeiras e afins para o combate ao nazifascismo na Itália, ainda mais em tempos em que conceitos sérios são tão banalizados em briguinhas de twitter. Já tinha conhecido um pequeno museu/acervo em Caxias do Sul, na serra gaúcha, este menor e com restrição de fotos.
Inaugurado pela Legião Paranaense do Expedicionário após a segunda guerra, o espaço é simplesmente INCRÍVEL!!! Aqui você faz uma verdadeira viagem ao passado através dos espaços e do seu acervo. Cada peça, cada informativo, cada arte nos leva a uma reflexão sobre os fatos da guerra. A própria praça do expedicionário conta com réplicas de um blindado (exército), um caça (aeronáutica) e um torpedo/âncora (marinha). A entrada é gratuita, e você pode "fazer doações para a manutenção do espaço em troca de lembranças como camisas ou patchs" (o que a meu ver parece uma compra )
M3 stuart e P-47 thunderbolt, algumas toneladas de democracia para cima dos outrora inimigos da paz
Magnífico
Um acervo rico e organizado. Uniformes de soldados e oficiais aliados, e no fundo um esquema das operações brasileiras na itália.
Sala dedicada a Max Wolff Filho, considerado um herói de guerra paranaense.
Nesse mesmo dia, resolvi conhecer a primeira praça da cidade, até pela localização privilegiada. O passeio público acabou se tornando um dos meus pontos favoritos da capital, sendo visitado quase que diariamente. A limpeza, organização, arborização, as fontes de água, os peixes, os espaços para crianças, os espaços para idosos, e o zoológico 0800 de aves da fauna nativa e exótica me cativaram bastante.
Paz de corpo e espírito na selva de pedra
dificil não tirar um cochilinho por aqui. Aliás, foi o que acabei fazendo
O auto de natal foi um espetáculo de encher os olhos, o bom de viajar em época natalina é ter esses bônus nos locais.
No dia 2, teria o dia inteiro para conhecer pelo menos uma ou duas atrações mais visitadas, então comecei o dia com o Mercado Municipal. Bem próximo da rodoferroviária de Curitiba, este espaço tem um acervo interessante para o local. Há um setor de produtos orgânicos, e um espaço voltado para produtos orientais bem consolidado. Curiosamente não achei souvenirs nesse local.
Mais um local sem espaço para moedinhas, como o que existe no mercado de POA.
Visita feita, resolvi conhecer o popular Jardim Botânico. Como era um dia de semana, o espaço estava tranquilo, apesar de o tempo não estar tão legal. Mesmo assim, aproveitar aquele espaço natural para sentir a vibe da primavera curitibana foi uma agradável experiência.
A galeria das 4 estações, com as espécies típicas de cada estação, com "as quatro estações" de Vivaldi de música de fundo. Uma bela sacada.
A icônica estufa, vista de um ângulo menos convencional
Um drone viria bem a calhar nessas horas
Ainda na manhã, tentei conhecer o Teatro Paiol, porém este estava fechado. Após o almoço, pensei em ir conhecer o Museu Oscar Niemeyer (o famoso olhão), porém, sabe aquela vontade que passa do nada quando você está prestes a realizar uma ação, como se você fosse um sims e alguém estivesse controlando suas ações? Com isso, resolvi conhecer, ao invés disso, o Bosque do Papa/memorial polonês. Construído para fazer referência à imigração polonesa no país, também serve de homenagem ao papa João Paulo II (também polonês) na época em que este visitou Curitiba. O espaço é pequeno, porém bem simpático, com as casas construídas segundo a arquitetura própria. Há uma lojinha de souvenirs e uma pequena capela com a imagem da Nossa Senhora de Częstochowa, padroeira dos poloneses. Um local de silêncio, contemplação da natureza, e conhecimento sobre uma cultura diferente.
Simpático e bem organizado, para dizer o mínimo.
A capela e uma referência ao popular pontífice
A igreja católica que me perdoe, mas não parece que ele está preparando um Jutsu?
Para encerrar o dia, pensei em conhecer o Museu do Holocausto, localizado na mesma região. Infelizmente não foi possível, pois para o acesso é necessário agendamento prévio. Este museu expõe relatos e memórias de vítimas e sobreviventes daquele período negro da história da humanidade, levando a reflexões diversas.
Com isso, dava o dia por encerrado, e só restava planejar o futuro de minha estadia no estado.
Saudações, mochileiros!
Bem, segue o relato de mais uma aventura minha pelos estados do nosso amado Brazyl. Dessa vez, optei por fechar o trio de estados sulistas (apesar de que falta conhecer mais SC, o que me foi negado nesse ano em virtude do bendito coronga), e fui provar um pouquinho da terra do pinhão, capivaras, e berço do montanhismo tupiniquim, Paraná.
A época escolhida foi o mês de dezembro/2021, período de transição entre a primavera e o verão. Peguei um tempo bem inconclusivo, começando pela "cidade onde vc pega as 4 estações de uma só vez". Muita nuvem, muito chuvisco em certos lugares. Mas, fui fora da alta temporada, o que permitiu que eu curtisse muita coisa na tranquilidade, antes da folia que é o reveillón e o verão litorâneo. Por sorte peguei pouca chuva em termos de volume. E entendi sobre o porquê de a temporada de montanhismo ser no inverno.
Como tento ser meio economista nas viagens (vulgo pata de vaca segundo mamãe), resolvi levar 2k de choros e ver se daria para bater perna por 3 semanas no estado. Essa costuma ser minha média nas viagens.
E nesse relato, vai rolar um pouco de tudo: vou falar de uns roteiros mais manjados, assim como tentarei abordar roteiros menos falados, afinal, off the beaten path!!
Pois bem, vamos ao que interessa.
01-02/12 - chegada no estado e paixão à primeira vista
Impossível não conhecer a fama de Curitiba. Logo na minha chegada, ao passear pelas ruas, refleti sobre as simples, porém grandes medidas que poderiam ser facilmente implantadas em minha pobre Manaus (carente de boas gestões há tempos, diga-se de passagem). Os pitorescos e icônicos terminais de tubo, os inúmeros parques e praças, a arborização das ruas, as ciclovias e a limpeza das ruas são alguns dos pontos de destaque da "capital ecológica do Brasil".
Claro, a realidade curitibana fica mais limitada à porção central e elitizada da cidade, pois você não precisa se afastar muito do centro para dar de cara com problemas comuns de toda capital: pobreza, marginalização, cursos d'água poluídos e muito lixo. Passando em lugares como Vila Zumbi, ou mesmo nas dependências do Jardim Botânico (bairro) pude notar tal realidade. Mas, a cidade ao menos tenta se ajeitar.
Curitiba transpira história e arte: na região central da cidade, cada esquina corre um sério risco de ter uma boa história para contar. Entre as artes mais amadoras, a manutenção de prédios históricos, e as várias homenagens a personalidades e fatos históricos, há informação de sobra sobre a história e cultura paranaense. Uma coisa a ser notada é os murais de azulejo de Poty Lazzarotto espalhados pela cidade, alguns tombados como patrimônio cultural do estado.
A praça 19 de dezembro, símbolo da emancipação da cidade, também conhecida como praça do homem nu, agora com uma mulher nua. Acho que o movimento das estátuas feministas deve ter chiado um pouquinho.
Mais uma forma de preservação da história da cidade. Atrás, mais um mural de Lazzarotto.
Uma homenagem à comunidade oriental que contribui com o comércio local. Mural localizado no mercado municipal
Arte cachaceira?
Ótima referência, e bela mensagem de férias
Em um primeiro momento, estava interessado em conhecer um espaço menos frequentado da cidade (até porque teria muito tempo para conhecer os points manjados). Então segui para a Casa do Expedicionário.Tenho um interesse enorme pela história da Força Expedicionária Brasileira, e admiro a contribuição dos pracinhas, enfermeiras e afins para o combate ao nazifascismo na Itália, ainda mais em tempos em que conceitos sérios são tão banalizados em briguinhas de twitter. Já tinha conhecido um pequeno museu/acervo em Caxias do Sul, na serra gaúcha, este menor e com restrição de fotos.
Inaugurado pela Legião Paranaense do Expedicionário após a segunda guerra, o espaço é simplesmente INCRÍVEL!!! Aqui você faz uma verdadeira viagem ao passado através dos espaços e do seu acervo. Cada peça, cada informativo, cada arte nos leva a uma reflexão sobre os fatos da guerra. A própria praça do expedicionário conta com réplicas de um blindado (exército), um caça (aeronáutica) e um torpedo/âncora (marinha). A entrada é gratuita, e você pode "fazer doações para a manutenção do espaço em troca de lembranças como camisas ou patchs" (o que a meu ver parece uma compra
)
M3 stuart e P-47 thunderbolt, algumas toneladas de democracia para cima dos outrora inimigos da paz
Magnífico
Um acervo rico e organizado. Uniformes de soldados e oficiais aliados, e no fundo um esquema das operações brasileiras na itália.
Sala dedicada a Max Wolff Filho, considerado um herói de guerra paranaense.
Nesse mesmo dia, resolvi conhecer a primeira praça da cidade, até pela localização privilegiada. O passeio público acabou se tornando um dos meus pontos favoritos da capital, sendo visitado quase que diariamente. A limpeza, organização, arborização, as fontes de água, os peixes, os espaços para crianças, os espaços para idosos, e o zoológico 0800 de aves da fauna nativa e exótica me cativaram bastante.
Paz de corpo e espírito na selva de pedra
dificil não tirar um cochilinho por aqui. Aliás, foi o que acabei fazendo
O auto de natal foi um espetáculo de encher os olhos, o bom de viajar em época natalina é ter esses bônus nos locais.
No dia 2, teria o dia inteiro para conhecer pelo menos uma ou duas atrações mais visitadas, então comecei o dia com o Mercado Municipal. Bem próximo da rodoferroviária de Curitiba, este espaço tem um acervo interessante para o local. Há um setor de produtos orgânicos, e um espaço voltado para produtos orientais bem consolidado. Curiosamente não achei souvenirs nesse local.
Mais um local sem espaço para moedinhas, como o que existe no mercado de POA.
Visita feita, resolvi conhecer o popular Jardim Botânico. Como era um dia de semana, o espaço estava tranquilo, apesar de o tempo não estar tão legal. Mesmo assim, aproveitar aquele espaço natural para sentir a vibe da primavera curitibana foi uma agradável experiência.
A galeria das 4 estações, com as espécies típicas de cada estação, com "as quatro estações" de Vivaldi de música de fundo. Uma bela sacada.
A icônica estufa, vista de um ângulo menos convencional
Um drone viria bem a calhar nessas horas
Ainda na manhã, tentei conhecer o Teatro Paiol, porém este estava fechado. Após o almoço, pensei em ir conhecer o Museu Oscar Niemeyer (o famoso olhão), porém, sabe aquela vontade que passa do nada quando você está prestes a realizar uma ação, como se você fosse um sims e alguém estivesse controlando suas ações? Com isso, resolvi conhecer, ao invés disso, o Bosque do Papa/memorial polonês. Construído para fazer referência à imigração polonesa no país, também serve de homenagem ao papa João Paulo II (também polonês) na época em que este visitou Curitiba. O espaço é pequeno, porém bem simpático, com as casas construídas segundo a arquitetura própria. Há uma lojinha de souvenirs e uma pequena capela com a imagem da Nossa Senhora de Częstochowa, padroeira dos poloneses. Um local de silêncio, contemplação da natureza, e conhecimento sobre uma cultura diferente.
Simpático e bem organizado, para dizer o mínimo.
A capela e uma referência ao popular pontífice
A igreja católica que me perdoe, mas não parece que ele está preparando um Jutsu?
Para encerrar o dia, pensei em conhecer o Museu do Holocausto, localizado na mesma região. Infelizmente não foi possível, pois para o acesso é necessário agendamento prévio. Este museu expõe relatos e memórias de vítimas e sobreviventes daquele período negro da história da humanidade, levando a reflexões diversas.
Com isso, dava o dia por encerrado, e só restava planejar o futuro de minha estadia no estado.
Editado por StanlleySantos