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Travessia do Cassino - Rio Grande do Sul - Setembro 2022 (Da pra escrever até um livro dessa travessia)

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Comecei a planejar a travessia do Cassino em janeiro de 2022.

Planejamento da minha mochila. (com todos os manipulados e itens do kit de emergência)

Planejamento da minha alimentação. (considerando proteína, carboidratos e gorduras - separados por café, almoço e janta)

15 dias antes da viagem, meu companheiro desistiu por motivo de força maior. Eu já estava com um pouco de receio de ir, fui sozinho mesmo. A emoção mais intensa que existe é o medo, e principalmente o medo do desconhecido. Então imaginem. Vou resumir o máximo da travessia pra não ficar muito densa ok?

Fiz meus Check-ins de itens duas vezes na semana antes de ir viajar.

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 Depois de 20h de viagem, cheguei no hotel era umas 5h da manha.

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Só de pisar na (cidade) Praia do Cassino já me deu 20 tipo de tremedeira. Tomei um banho. Cheguei as 5h (02-set-22) e dormi até as 10h. Fui conhecer a cidade, mercado, rodoviária, pegar telefones de taxi, conhecer a faixa de areia, pegar lembranças, fui bater perna. Olhei a tábua das marés e a previsão do tempo, fiz mais um Check-in de itens, fui dormir as 22h mas não consegui dormir e fiquei acordado até as 5h do dia seguinte. (03-set-22) Chovia muito e o meu planejamento de começar cedo tinha ido por água baixo. Imagine eu sentado na recepção do hotel com tudo pronto esperando a chuva passar. 10h00 parou, iniciei a caminhada 11h da manhã, atrasado e com bastante medo, pedi pro taxi me deixar um pouco pra frente, fora da cidade. Para o primeiro dia caminhei bem. O céu ficou sem nuvem eu estava cheio de energia e no começo há rios bem altos pra passar.

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DIA 01 - Quando coloquei o pé na areia e caminhei neste primeiro dia a adrenalina foi estabilizando um pouco, isso não significa que eu dormi bem a noite. O tempo estava perfeito. É realmente muito difícil atingir 40km ao dia. isso eu só fui descobrir quando decidi parar para montar o acampamento. Parei ao lado de um rio e atrás de uma duna. Perfeito. Open bar de água.

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Na manha do DIA 2 acordei era umas 6h00 fiz café com bastante calma e só comecei a caminhar depois do sol ter nascido. O tempo estava bastante favorável.

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Basicamente eu caminhava 1 hora e parava descansar 10 minutos. Esse dia rendeu bastante pois estava muito favorável e com pouco vento. 35 a 40km de 8 a 10 hrs por dia de caminhada. Neste dia 02 eu estava caminhando e tinha mapeado algumas casas para abastecimento de água então apertei o passo e enxerguei as 3 caixas de água, então fui na direção. Quando cheguei não havia ninguém nas casas e elas pareciam abrigos contra furacões pois estavam todas seladas. Então fui até a outra casa ao lado e nada. Já estava passado da hora de subir o acampamento e eu só tinha 400ml de água. Então deixei a mochila no abrigo de madeira, e sai na praia andar pra frente e coletar água. A água da região tem um tom amarelado devido a matéria orgânica e há um parasita que vem do canal biliar do boi, ataca o fígado chamado Saguaipé (morador do local que me disse)

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Então eu me instalei no abrigo do pescador.

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Dia 03 - do 2 pro 3 dia foi o melhor pois o chão era bom o abrigo foi bom, estava bem protegido do vento, então foi um resort. Neste dia também havia bastante sol e sem nuvens. Estava estranha pois eram as melhores condições possíveis naquele lugar que vira o tempo no estalar dos dedos (só depois eu descobri isso). Acordei bem cedo, levantei o acampamento, meu café da manha era Uva passa, ameixa seca, tamara jumbo, banana passa, ou seja, frutas secas altamente calóricas.

As dores aumentam bastante, a mochila estava ali com 23 a 26 KG, eu acredito que ela tenha ido pra 27kg pois a areia e a água que ficava na barraca, nos primeiros dias deu pra sentir que parecia 1 tonelada. Passando o dia caminhando e encontrando expedições, onibus, tratores, meu destino era acampar no farol. Próximo do farol dei com a mão e o cara parou, eu pedi água ele me convidou pra tomar café na base de apoio de extração de pinus. Então pude usar wifi, tomar um café comer algo do próprio apoio e recarregar minhas águas. Ali é uma base de extração de pinus, há várias frentes de trabalho atuando, então eles puxam madeira com os "fora de estrada" que são tipo uns tratores que puxam tora. Como ele ia até o verga na outra frente de extração eu tive o privilégio de acompanhar ele até lá. Que era o meu alvo do dia 3.

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Era aproximadamente 12h00 eu poderia parar por ali e acampar nos pinus ou continuar caminhando, as dores são altamente dolorosas (kkk). Decidi continuar caminhando. até ficar realmente insuportável a dor e o cansaço. Então encontrei um rio perfeito e uma duna, a configuração do sucesso e parei por ali mesmo. Neste dia tomei banho e fiz um coquetel para comemorar o progresso.

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Neste dia foi eu armei a barraca deixei ela aberta e fiquei só curtindo o barulho do mar enquanto minhas costas estavam 400% sobrecarregadas e os pés estavam com início de bolhas. Adiantei a janta também com um coquetel de carne com ervilha liofilizada!!

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Comecei usar Minâncora logo que armo o acampamento e antes de realmente dormir, vaselina nos pés, então eu passava de tênis mesmo nos rios. Já era possível observar o Albardão iluminando pela noite. Pense num vento de cortar o lombo!!!! As noites eram bem frias eu acredito que ficava entre 2 e 6 graus. 

DIA 4 - decidi acordar bastante cedo e iniciar cedo para poder obter o máximo do percurso. O roteiro de captação de água ja estava estabelecido. A configuração da mochila também. O nascer do sol foi inesquecível!!

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Neste dia alcancei o Farol Albardão (neste dia o pessoal confirmou que é difícil encontrar água corrente após o albardão por uns 50km) e através de uma conversa humilde consegui abastecer as águas e um pouco de Wifi para ver a previsão do tempo. A previsão estava marcando garoa neste mesmo dia, chuva para o dia seguinte e tormenta com ventos de 60km/h para dali 2 dias. Ali onde eu me deparei que estava contra o tempo e que a merda não poderia alcançar o ventilador. Saí vazado do Albardão, dito e feito começou a garoar e ventar bastante, continuei por um tempo, tive que para armar o acampamento. Devo ter caminhado entre 38 e 42km. (eu tinha um problema com a água e com a tempestade, ok fique calmo) Ali eu demorei um bom tempo pois havia bastante vento e uma garoa. É onde você chora em posição fetal. Entretanto, eu tinha enterrado as laterais e com uma pá de junta cavado buracos e os specs estavam bem firmes. Me sentia seguro apesar de ficar com o ** na mão. Analgésico e antiinflamatório para a dorsal é um boa noite cinderela, nem vi as coisas apaguei.

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Dia 5 - Amanheceu completamente nublado, neste dia não encontrei ninguém. Passei o dia todo sozinho e caminhando. A neblina era tanta que parecia um inferno. Fazia tratamento para os pés e tomava bastante água. Confesso que estava com bastante medo pois tinha que apurar o passo. Vi no GPS a casa do Sr Ricardo, achei que iria encontrar gente, mas apenas tinha ruínas e dunas. Eu soube que ele se mudou mais pra dentro, uns 5km pra dentro das dunas. Neste dia o tempo estava fechando e o vento virou. Eu estava a poucas horas de Hermenegildo, entretanto tinha que passar mais uma noite na duna, no meio da tormenta. Um único elemento surge no meio da neblina, é um morador indo buscar mantimentos em Palmares, pedi água, ele me ofereceu chá, estava muito frio. Pedi uma mão até Hermenegildo. Já em hermenegildo procurei um mercado para trocar as minhas águas. e fiz uma refeição calórica com as comidas da padaria. Eu estava em dúvida se ficaria em um camping, fiquei no centro da cidade. Eu ia pedindo para as pessoas informações até que encontrei um lugar para passar a noite e ter um chuveiro quente, valorizando cada momento. Fiz uma amizade tão simples com o rapaz da pousada que ele me emprestou até a moto dele kkkk Nesta noite fez muito frio e caiu uma chuva moderada.

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Dia 6 - Acordei cedo peguei o trecho e ficou apenas 12km para terminar. O tempo estava razoável.

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Retornei para a Praia do Cassino, procurei uma lavanderia, fui no mercado ai eu estava no resort. Fiquei mais um dia no hotel devido à tormenta que estava previsto praquele dia.

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Cassino - Hotel Atlântico Praia (super recomendo) - (53) 32361350 Qualidade 5/5

Cassino - Taxi em Praia do Cassino - Marcelo (era da marinha) (53) 99128-3938 - Parceria 5/5

Cassino - O melhor restaurante é o "Health Restaurante" que fica ao lado do Posto Ipiranga 24hrs anexo a uma farmácia Panvel.

Cassino - A lavanderia fica 1 quadra desse restaurante. Bem fácil encontrar.

Hermenegildo - Onde ficar em hermenegildo? Pousadinha altamente confortável com tv, quarto e banho quente - Magda (53)99953-2423 - Gente boa demais 5/5

Para voltar da Barra do Chuí para Praia do Cassino: Caminhe até o centro onde tem uma rotatória  (prox de um mercado), fácil de achar. Pegue um ônibus até Chuí. De Chuí você vai parar em outra estação (esqueci o nome - todo mundo sabe lá). Dessa estação ela vai direto até a praia do cassino. Leve uns R$120 em dinheiro na mochila.

-

Considerações finais

Onde eu errei:

  1. Barraca muito pesada, ela armazena bastante areia e umidade durante a travessia;
  2. sistema de purificação de água que eu levei era somente com garrafa PET, com o passar dos dias, de tanto apertar para passar no filtro, a pet começava partir. As garrafas tinham que ser de inox, e a metodologia diferente. Clorin eu tinha;
  3. Levei itens desnecessário como prato, espoja e detergente. Não usei.;
  4. não levei um comunicador via satélite tipo spot-X. Corri um risco de vida calculado;

Recomendações:

  1. Esteja bem preparado fisicamente, principalmente pra evitar lesões, porque as dores aparecem e não te perdoam;
  2. Condicionamento físico não se cria em pouco tempo. cuidado;
  3. Eu poderia ter saído com menos água;
  4. barraca mais leve possível, recomendo kkkk de cicloturismo tipo a naturehike cirrus 2; (to até hoje com algumas dores na dorsal).
  5. Se estiver com tempo aberto e bom vento, aproveite pra caminhar o máximo possível.
  6. tratamento de bolha sempre, Minâncora + vaselina + meia dupla.
  7. olhar as tábua de maré é interessante.
  8. separar o café da manha por porções diárias é essencial para não perder tempo.
  9. manipulados podem auxiliar no desempenho.

Dúvidas pode enviar aqui e via e-mail eqnuyrzs5@relay.firefox.com

Atenciosamente, Bandit. 

Editado por BanditHawk
Sequencia das imagens ajustadas e informações uteis para o leitor

Featured Replies

  • Silnei featured this tópico
Postado
  • Membros

Muito bom relato! Obrigada por compartilhar. Além da parte física, imagino que o psicológico precisa estar em dia, andar por quilômetros, dias e dias, sempre com a mesma paisagem não deve ser fácil. Um dia quero ter coragem para viver essa experiência também. 

Postado
  • Membros

Excelente relato Marcelo.
Mais algumas semanas e vc já vai estar 100% recuperado rssss. Eu fiquei quase 2 meses com um dedo do pé dormente (algum problema no nervo).
Parabéns pela superação.

  • 1 mês depois...
Postado
  • Membros

Salve!

Belo relato! É uma travessia e tanto para se fazer a pé. Já a fiz 3x, vagarosamente, curtindo, parando e acampando pelo caminho, mas de jipe. Já é uma baita trip.

Eu que gosto e sou acostumado há tempos com expedições e trekkings longos em travessias de montanha de 5, 6 dias e mais, ainda não me convenci a fazê-la a pé. Exige bom planejamento e cuidado com o que levar e uma atenta observação das previsões climáticas. Pegar tempestade ali é um grande risco e o socorro, caso necessário, complexo, mesmo para equipes preparadas.

Bolhas nos pés é um problema sério neste tipo de empreitada, então considerar muito bem o calçado a usar, pois tem que ser algo que já esteja adaptado ao corpo, que não machuque os pés, e mesmo assim corre-se o risco de ter ocorrências em razão do tipo de piso / mudanças de pisada (areias de diferentes densidades, concheiros, etc). Kit para cuidados dos pés e, sobretudo o autoconhecimento, resolvem.

Outro aspecto a ser seriamente considerado é a solidão. Fazer uma trip dessas, solo, não é para qualquer um, e aí abre-se um grande parênteses.. Foste guerreiro e encarou bem, mesmo com a desistência do comparsa e dos perrengues. Soube de várias desistências ali, já no segundo dia, em que a pessoa ao se defrontar com aquela imensidão se deu conta do tamanho da distância a percorrer, do vento, da areia, da solidão, e por fim deu meia volta e retornou ao Balneário de Cassino ou à Barra do Chuí. Parabéns pela superação e conclusão do percurso!
 

Saúde e boas trips!

  • 5 meses depois...
Postado
  • Membros

Muito legal o seu relato, gostei! Estou pensando em fazer essa travessia há muito tempo, parabéns!

 

 

  • 4 meses depois...
Postado
  • Membros

Muito bom o relato. Penso em fazer em breve. Minha dúvida era em relação a água, levar muito ou captar no caminho. Estava imaginando caminhar por volta de 25 km por dia, mas pelo visto é possível andar bem mais.

 

 

  • 7 meses depois...
Postado
  • Autor
  • Membros
Em 01/09/2023 em 21:08, tiagofas disse:

Muito bom o relato. Penso em fazer em breve. Minha dúvida era em relação a água, levar muito ou captar no caminho. Estava imaginando caminhar por volta de 25 km por dia, mas pelo visto é possível andar bem mais.

 

 

Boa tarde colega. Desculpe a demora.

Levar muita água pode aumentar o peso na mochila. Qualquer 1 ou 2 kilos viram toneladas.

É possível levar sim desde que você suporte o peso (condicionamento físico). Se eu fosse fazer novamente, andaria sempre com no máximo 2 litros, sendo interessante 1,5L.

O problema mora após a base (Albardão) da marinha que possui poucas nascentes de rios. Estrategicamente é interessante apertar o passo para chegar em Hermenegildo pra não ficar a mercê da natureza.

Sim é possível andar 25km+ desde que se acorde bem cedo (tipo 4h da manhã)

Se houver alguma dúvida mande-me e-mail:

eqnuyrzs5@relay.firefox.com 

(esse email direciona para meu email pessoal.)

Obrigado, até!!

  • 1 mês depois...
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E o planejamento da alimentação

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