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divanei

A Clássica e Arrebatadora Travessia Rui Braga x Rebouças - Mauá, Itatiaia

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Mapinha da revistinha do Beck

 

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A CLASSICA E ARREBATADORA: TRAVESSIA RUI BRAGA X REBOUÇAS- MAUÁ, ITATIAIA-RJ/MG.

 

Foi na década de 90 a primeira vez que pus meus pés no Planalto de Itatiaia, também conhecido como parte alta. Na ocasião, escalamos o Pico das Agulhas Negras e fomos até a Cachoeira do Aiuruoca. Pegamos um frio de lascar e quase morremos congelados no acampamento ao redor do Hotel Alsene, perto da portaria do Parque Nacional. Já naquela época eu havia ouvido falar da TRAVESSIA REBOUÇAS X MAUÁ. Seria uma das mais clássicas travessias do Brasil, mas estava proibida pela administração do Itatiaia. Os rumores de andarilhos que haviam sido pegos nesta trilha e levado multas pesadas e também de alguns excursionistas experientes que chegaram até a serem processados pelo parque, me fizeram ficar bem longe desta trilha. Não que eu não tivesse me ariscado em outras travessias igualmente proibidas, mas pela dificuldade de acesso à própria parte alta, que é desprovida de transporte, me fez protelar a tal travessia. Em 2008 com a reabertura da Rui Braga, que é a trilha que liga a parte baixa do parque a parte alta, me animei a percorrer a Travessia da Serra Negra, que liga o Vilarejo de Maromba a parte alta e depois usando a própria Trilha Rui Braga , desci à sede do Parque Nacional. Essa travessia também é lindíssima e tive uma satisfação enorme em percorrê-la sozinho, dormindo em lugares totalmente isolados da civilização. Mas tendo percorrido praticamente todas as clássicas travessias de boa parte do Brasil, me faltava no curiculum essa caminhada. Muitos foram os e-mails que enviei ao Parque Nacional, na tentativa de conseguir a tal autorização. Aproveitando um feriado municipal e desta vez com as autorizações em mãos, partimos para Resende-RJ. Eu, o Fábio e a Vera. O Fábio é um amigo do trabalho, que há tempos me enchia a paciência para eu leva-lo comigo para uma travessia e a Vera é a namorada do Jony, um amigo que mora em Valência-RJ e que se juntaria a nós em Resende-RJ.

Partimos da rodoviária de Campinas às 19h40min no dia 26 de Julho, justamente no aniversário de Sumaré. Nosso ônibus seguiu até São José dos Campos e de lá embarcamos às 23 horas para Resende-RJ, aonde chegamos pouco depois das 2 horas da manhã e nos juntamos ao Jony. Aproveitamos às 3 horas de espera, já que o ônibus para a pequena cidade de Itatiaia só sairia às 05 horas da manhã, em uma revisão rápida nas mochilas, logo notamos que estávamos com excesso de comida e como não havia guarda volumes na rodoviária de Resende colocamos tudo em um grande saco e guardamos no topo de uma grande árvore. Havíamos acabado de inventar uma nova maneira de guardar as coisas e se posto de gasolina é rodoviária de maluco, árvore é guarda volume de mochileiro (rsrsrsrsrsrsrsrs)

Às 05 da manhã encosta o ônibus para Itatiaia-RJ e às 07 horas já estávamos embarcando para o Parque Nacional no ônibus que sai bem enfrente a sua igreja principal. O ônibus vai em direção a serra e em 40 minutos pára na primeira guarita do Parque Nacional de Itatiaia. Logo sobe um funcionário do parque e avisa que se tiver alguém que vai entrar no parque como turista terá que descer e pagar as devidas taxas. Só havia nós de turistas, os outros eram todos funcionários e trabalhadores das pousadas e hotéis que funcionam dentro da Unidade de Conservação. Sendo tratados com uma educação de jagunço com cólica de rin, preenchemos os documentos burocráticos do parque e carimbamos nossa autorização para as duas travessias, primeiro a Rui Braga e depois a Rebouças-Mauá e também pagamos as taxas de 22 reais pelos três dias de caminhada. Voltamos para o coletivo, que subiu por mais uns 15 minutos e nos deixou a 1 km da entrada da trilha. Jogamos as mochilas às costas e subimos até o grande poço da Maromba, onde a estrada acaba junto a mais uma guarita, onde novamente temos que apresentar a autorização. Antes de partimos definitivamente trilha acima, resolvemos conhecer a poção e tomar um café. O local tem uma das águas mais limpas e cristalinas de toda a região, mas nem isso foi suficiente para evitar que a Vera torcesse o nariz quando viu que usaríamos a água do poção para fazermos o café. E foi aí que conclui que a menina jamais tivera em contato com os meios naturais, tava na cara que ela era totalmente urbana e a partir daí eu já sabia que teria que ter muita paciência com ela. A nossa companheira de caminhada entraria em um mundo novo, totalmente desconhecido para ela, mas isso nunca me preocupou, pois eu já estava acostumado com novatos nas trilhas. Todos nós já fomos novatos um dia e é sempre um prazer apresentar o mundo das montanhas e das caminhas para os amigos.

 

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, tomamos nosso café, onde comemos um pão amassado com uma horrível pasta de amendoim. Pegamos nossas mochilas e começamos a caminhada quase às 10 horas da manhã, que é o limite máximo que se pode começar a trilha. Ao passarmos pela placa de identificação da Trilha Rui Braga, com os dizeres: “caia fora se você não tem autorização”, andamos mais uns 15 minutos até uma saída à direita, onde uma porteira exibe uma placa já apagada pelo tempo dizendo que aquela é uma área controlada pelo exército, ignorando o aviso da proibição passamos a porteira e nos lançamos trilha adentro. Na primeira vez que passei por aqui, descendo essa trilha em 2008, encontrei um caminho totalmente interditado, com grandes árvores e muitos bambus obstruindo o caminho. Agora a trilha parece uma estradinha de tão aberta. O caminho é bonito, as árvores são gigantescas e hora ou outra é possível avistar as grandes montanhas do outro lado do vale que margeamos pela direita. Na beira do caminho vamos nos deparando com muito terreno remexido e revirado, sinal que os catetos e os queixadas passaram por aqui nesta madrugada. Vamos ganhando altura aos poucos e a trilha vai ziguezagueando montanha acima com muito pouco aclive e só 2 horas depois é que passamos por um ponto de água e então paramos para um descanso mais demorado. O Fábio é quem parece mais sofrer com a caminhada, pois alem de ter que carregar seu peso de 140 quilos, ainda teve a ingrata missão de carregar suas coisas em uma mochila que pegou emprestado do seu irmão, que trabalha no exército brasileiro, uma mochila desconfortável e desengonçada, mais uma porcaria do nosso EB. A caminhada segue. Um pé na frente do outro e sem muitas mudanças. Nossa intenção é chegar ao Abrigo Macieira e lá fazer o nosso almoço, mas passam horas e horas e esse abrigo nunca chega. A trilha começa a se fechar e logo algumas árvores são cruzadas por cima, já que tombaram sobre a trilha. Finalmente lá pelas 16 horas chegamos a uma placa que indica a continuação da Rui Braga, mas não fala nada do abrigo. Pegamos então para a direita e aproveito para acelerar na frente na tentativa de avistar algo que possa me dar a impressão que estamos chegando ao Macieira. Menos de 10 minutos depois enxergo o telhado e dou um grito de alívio.

No abrigo Macieira tudo está com em 2008. Nem a reabertura da tradicional travessia conseguiu fazer com que o Parque Nacional pudesse restaurar esse patrimônio público. O casebre ainda continua de pé, mantém a garra e a força dos montanhistas que não desistem nunca. Ver o abrigo quase caindo é de dar dó e eu e o Jony não deixamos de nos indignar com tanto descaso. Em 2008 acampei sozinho no abrigo e foi uma das maiores experiências que tive na vida como montanhista solitário descrevo abaixo um trecho do relato de 2008:

..........” O abrigo Macieiras, a exemplo do abrigo Massena, não passa de uma tapera. Parte do assoalho afundou. Existem infiltrações por todos os lados, não há mais água nas torneiras, por isso sou obrigado a procura-la trinta metros a baixo junto a um riacho . O lugar é realmente macabro, lembra as casas de filmes de terror. Poderia servir muito bem de morada para espíritos malíguinos, demônios, assombrações, exus alados , seres extraterrestre e aventureiros céticos , como eu .Por ser minha última noite na travessia, resolvo fazer um banquete. Enquanto meu fogareiro faz sua parte, aproveito para dar uma organizada na casa. Encontro um velho cobertor pendurado na parede e uso-o para forrar minha cama. Estendo meu saco de dormir e acendo uma vela. Fico sentado na varanda olhando para floresta escura e pensando nas coisas de ruim que poderia ter me acontecido. Poderia ter quebrado uma perna, ser picado por uma cobra, ser arrastado pelo rio, atingido por um raio, cair no abismo, atacado por um enxame de vespas, sofrido um ataque cardíaco, ter sido estraçalhado por uma onça, me engasgado com a comida, ser atingido pela queda de uma árvore, escorregado e batido a cabeça no chão, ter morrido de hipotermia, etc..A relação de perigos imaginários ou reais são bastante grandes. Estar sozinho requer muito cuidado e uma boa dose de experiência no que se está fazendo. Sei que ainda tenho muito a aprender , mas depois de quase vinte anos perambulando por quase todo tipo de lugar, consegui adquirir um conhecimento que me faz caminhar por lugares ermos como se estivesse no quintal de casa”......................

Exausto, o Fábio aproveita a nossa parada no abrigo para dormir e urrar. Seu ronco é tão alto que afugenta qualquer possibilidade de sermos visitados por algum animal selvagem. Coloco logo os fogareiros para funcionar. Arroz, linguiça com batatas, suco de jabuticaba, serão o nosso almoço. A Vera ficou “bicuda” porque queria cozinhar. E´ a primeira vez que vejo uma mulher ficar brava porque não a deixaram fazer o rango, venceu o clube do Bolinha, como ela mesmo disse(rsrsrsrssr). O tempo vai passando e a vontade de ficar por ali mesmo vai meio que tomando conta da gente. Aproveito o tempo ocioso para dar uma melhorada na mochila do Fábio. Já são quase 05 horas da tarde quando jogamos nossas mochilas às costas e partimos rumo ao Abrigo Massena, onde pretendíamos acampar. A trilha alterna capões de mata e campo aberto e logo sem avisar a noite cai, o que faz com que a Vera queira retornar imediatamente ao abrigo anterior. A saída de vez aos campos de altitude a deixa um pouco mais calma, já que a lua trata logo de transformar a noite em quase dia. E´ uma noite linda, com um céu qualhado por bilhões de estrelas. Não faz frio e nem venta. Nossa caminhada apesar de cansativa se torna um passeio espetacular e a apreensão da Vera desaparece e as duas horas seguintes é de pura contemplação. A trilha foi claramente desviada de seu trajeto original, na intenção de fazer com que os caminhantes se afastassem das grandes e perigosas erosões. Quando a trilha faz uma grande curva para a esquerda é que consigo perceber que o abrigo Massena não está longe e logo passamos pela área alagada, onde algumas telhas foram colocadas para evitar que se enfiem os pés na lama. Estamos agora claramente em um grande vale e logo aparece meio que de supetão o telhado do Abrigo Massena.

 

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São 08 horas da noite quando abrimos a porta do abrigo, que foi construído a muitas décadas para ser uma pousada, mas hoje só sobraram a sala da lareira. Da mesma forma que o Abrigo Macieira, o Massena está abandonado a sua própria sorte. É outro patrimônio público fadado ao desaparecimento. Alem de quase caindo, a sujeira tomou conta de tudo. Tentamos dar uma limpada no local para deixá-lo mais habitável. Aproveitamos a madeira que entulhava a frente do abrigo e acendemos a lareira. No que era sombrio, se fez a luz e se encheu de calor. No abrigo, alem da lareira, uma grande mesa de madeira, um banco e um pequeno armário são os “móveis” que compõem o bucólico cenário. Como havíamos almoçado muito tarde, resolvemos apenas tomar um café. O Jony montou sua barraca, mas eu e o Fábio resolvemos apenas estender nossos isolantes sobre um plástico. Fomos dormir lá pelas 10 horas da noite, mas de madrugada acordo com uma dor de estômago terrível e com um frio devastador. Além do mais, os abalos sísmicos provocados pelos roncos do Fábio acabaram transformando nossos sonos em um verdadeiro inferno (rsrsrsrsr). Tomei um remédio e com a ajuda do Jony, que me emprestou um gorro e uma luva, voltei a dormir. Meu mal súbito eu não consegui descobri de onde veio, mas na falta de quem culpar, boto a culpa no desgraçado da pasta de amendoim.

O dia amanhece lindo e cheio de sol. Acima do abrigo Massena existe outra pequena casa, também em ruínas e foi lá que tentei conseguir água para nosso café. A água não encontrei, mas encontrei um cenário deslumbrante. Um mar de nuvens tomou conta de todo o vale do Paraíba. Ao ver o cenário, desci correndo para chamar o Jony e a Vera e foi lá que ficamos por um bom tempo nos maravilhando com tamanha beleza. Voltamos ao abrigo, onde o Fábio continuava com sua tentativa de por a construção abaixo com seu ronco. Desmontamos tudo, tomamos café e partimos. A trilha parte bem enfrente ao abrigo e logo entra na mata, onde um pequeno córrego abastece nossos cantis e em mais alguns minutos de subida chegamos a uma bifurcação. A trilha da esquerda é a variante conhecida como Trilha do pinheirinho, que em um dia de caminhada atingirá a rodovia que parte da Via Dutra em direção a Garganta do Registro, a uns 10 km de Engenheiro Passos. Nosso caminho segue para a direita. Estamos bem nas costas das Prateleiras e teremos que fazer uma grande curva para esquerda até atingirmos o vale que nos levará para a Parte alta do Parque Nacional. A caminhada é tranquila e sem grandes desníveis. O cenário é lindo e pra todo lado que se olhe há algo para se admirar, caminhar em campos de altitude é mesmo um prazer do tamanho do mundo.

 

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Às 11 horas da manhã atingimos o vale que separa a cadeia de montanhas do Pico das Prateleira e a cadeia de montanhas das Agulhas Negras. Aqui também a trilha foi desviada mais para a esquerda, já que em 2008 ela corria bem por dentro do Vale e agora ela o bordeja. Conforme vamos caminhando, o Pico das Agulhas Negras vai surgindo à nossa frente com toda a sua monstruosidade. Alguns charcos são eventualmente cruzados e ao longe já avistamos a turistada que vão se dirigindo aos pés das Prateleiras. Logo interceptamos a trilha e a placa que indica o caminho para quem quer subir à montanha famosa. Em 2008 não tive tempo de escalar as Prateleiras, mas desta vez, mesmo com o tempo pra lá de limitado, largamos nossas mochila com o Fábio, que estava cansado de mais para encarar essa trilha extra, e subimos aceleradamente. Estas formações rochosas são realmente de tirar o fôlego. Eu já havia visto muitas fotos das Prateleiras, mas nenhuma havia me convencido de que o local era realmente belo. Mas a chegada aos pés da formação me fez rever os meus conceitos. Um laguinho e uma pedra em formato de tartaruga foi o suficiente para fazer com que eu me apaixonasse por aquele lugar. Eufórico, sai arrebentando o mato no peito, até que eu chegasse às margens do lago e por lá fiquei por um bom tempo, até que o Jony chegasse para me fazer companhia.

A Vera não aguentou esperar, subiu à frente e escalaminhou as Prateleiras até o seu platô inferior, aonde todo mundo vai. Lá nos esperou pacientemente. Eu e o Jony atravessamos novamente os tufos de capim e fomos seguindo de pedra em pedra e logo nos juntamos a Vera. Eu e o Jony estávamos imbuídos no propósito de chegar ao topo e até tentamos arrastar a Vera conosco, mas conforme a escalaminhada ia ficando mais perigosa, nos rendemos ao apelo da garota e a deixamos voltar. São poucas as pessoas que chegam ao topo, a maioria prefere mesmo admirar as Prateleiras da sua base. Nós dois seguimos enfrente até encontrarmos uma galera que estava fazendo rapel. Junto a esse grupo uns guias cadastrados do Parque Nacional nos aconselha a voltar. Dizem que é impossível chegar sem corda, que o caminho é confuso e perigoso. Como sempre “caguei e andei” para guia, apesar de ter alguns amigos nesta profissão, mandamos estes a merda e seguimos enfrente. O caminho passa por uma grande gruta, faz uma curva para a esquerda e depois de alguns trepa pedras, chegamos a uma grande janela, onde o melhor caminho é cruzando por baixo. Existem alguns lances perigosos, mas nada que não possa ser transposto. Depois começa a grande subida em direção ao cume da pedra. Não há propriamente um caminho a seguir, cada um tem que subir por onde acha que é mais seguro. Existe uma parte que é potencialmente perigosa. E´ preciso pular de uma pedra com uma altura de uns dois metros e meio, que fica junto a um abismo que não dá chance para haver erros. Depois é preciso confiar na aderência das botas e subir uma parede com uma enorme inclinação. Quem não está familiarizado com esse tipo de atividade, é melhor mesmo ficar tomando conta das mochilas na bifurcação da trilha. Finalmente a uma e meia da tarde eu e meu amigo Jony atingimos os 2.548 metros do PICO DAS PRATELEIRAS. Sem dúvida uma das visões mais espetaculares de todo o Parque Nacional de Itatiaia. Alem de uma vista privilegiada de toda a cadeia de Montanhas das Agulhas Negras, temos ainda a oeste a imponente SERRA FINA e toda a sua cadeia de montanha ao redor. No cume das Prateleiras, um livro dentro de uma caixa de alumínio serve para que os poucos esforçados e corajosos deixem seu recado para os outros montanhistas. Vista de cima a Pedra da Tartaruga mais parece uma pitanga a nordeste vê-se o Morro do Couto que com 2.685 metros é um dos mais altos do Parque. Nossa vontade era de ficar ali por horas, mas a travessia tem de continuar. Então tratamos logo de descer em passos acelerados, mas sempre tomando cuidado com as perigosas fendas. Passada as partes perigosas e já aos pés das Prateleiras, eu e o Jony nos lançamos numa corrida montanha abaixo, saltando de pedra em pedra em uma jornada quase que suicida e em poucos minutos demos nosso último salto e nos reencontramos com o nossos amigos Fábio e Vera, que já nos esperavam com um “animado” cochilo à beira da trilha.

 

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As 14h30min, essa foi a hora que atingimos o início do final da estrada do Parque Nacional. Estamos agora caminhando sobre a BR mais alta de todo o Brasil, que no seu ponto mais alto vai atingir os 2.400 metros de altitude. Na verdade de estrada não tem nada, é apenas uma trilha mais larga, mas agora com calçamento. Logo avistamos a cachoeira das Flores e um monte de turista se divertindo em suas águas geladas. Passamos batido, já estávamos mais que atrasados. Nosso objetivo agora seria tentar passar pelo Abrigo Rebouças sem ser barrado pelos fiscais do Parque. Estávamos com a autorização, mas ficamos com medo de sermos barrados por causa do horário já mais que tardio. Na verdade teríamos mesmo era que caminhar quase uma hora depois do abrigo Rebouças e chegando la deixar a autorização e fazer os tramites burocráticos e depois voltar mais uma hora para o Abrigo Rebouças, que é de onde parte a Travessia conhecida como REBOUÇAS X MAUÁ. Se fizéssemos isso, poderíamos dar adeus a nossa travessia. Quando chegamos ao Rebouças, encontramos um funcionário que estava encarregado da limpeza. Sem pensar joguei todas as autorizações nas mãos deles, mostramos os tikts de pagamento da travessia e antes que ele nos fizesse muitas perguntas, “picamos a mula” e fomos torcendo para não encontrar mais ninguém do parque pela frente. Passamos pela área de camping que fica junto ao próprio abrigo Rebouças, atravessamos o lago e pegamos a trilha que segue em direção ao Pico das Agulhas Negras. A cada passo, a cada minuto de caminhada, a cada pedra vencida, o Agulhas Negras nos apresentava mais fascinante. Ele é a grande atração do Parque Nacional e também o cume mais alto, 2.791 metros de altitude, mais baixo apenas que a Pedra da Mina, ponto culminante de toda a Serra da Mantiqueira.

Meia hora de caminhada e depois de atravessar a grande ponte pencil, onde o Fábio e a Vera quase empacou (rsrsrsrsr), chegamos à bifurcação, onde Seguindo uma placa nos indica a direção das Cachoeiras o Aiuruoca e a Pedra do Altar. nesta direção, uns 20metros depois temos uma saída para a esquerda, mas nós acabamos pegando para a direita, quase reto mesmo. A trilha vai seguindo em nível quase paralela a cadeia de montanhas das Agulhas e depois começa a subir. Já no alto somos apresentados a formação rochosa conhecida como ASA DE HERMES (2.630 metros) e foi lá também que encontramos o Marcelo, um montanhistas que conhecemos no topo da Pedra da Mina, na Travessia da Serra Fina. Ele estava voltando de uma tentativa de escalar a própria Asas de Hermes, mundo pequeno esse. Despedimos-nos do nosso amigo e seguimos enfrente. A trilha desceu a um a área alagada, onde o Jony tentava feito uma gazela do brejo, passar sem molhar a bota. Eu que já não estava nem aí para minha bota fui passando de qualquer jeito. Acho que foi nesse trecho que deixamos escapar a trilha correta ou então teríamos mesmo era ter pegado para a esquerda no início da trilha. O certo é que sem querer acabamos foi mesmo subindo a Pedra do Altar (2.665). Pra piorar, alem de estarmos fora da trilha, o sol já começava a se por no horizonte. Passamos pela Pedra do Altar e seguimos enfrente, seguindo um vestígio de trilha, até que o próprio vestígio também deixou de existir. AGORA FERROU!!!!! Paramos em uma ilha de pedra e ficamos tentando ver onde foi que erramos. Tentei consultar o mapa topográfico, mas a canseira e falta de luz, já começava a afetar o raciocínio. Eu sabia que o nosso caminho teria que passar pelo vale das nascentes do Aiuruoca. E lá estava ele, bem a nossa frente, um vale lindo, mas como descer até ele a noite e sem trilha? Largamos as mochilas e eu e o Jony saímos à procura de uma solução. Tentamos reencontrar a trilha em todas as direções e a única coisa que conseguimos foi ver o Jony ser engolido por um buraco (kkkkkkkk). Tentamos descer ao vale enfrentando a descida na raça e no peito. Chegamos a uma parte plana, onde poderíamos até montar nossas barracas, se não fosse um pântano. Como o que não tem remédio, remediado está, voltamos para junto do Fábio e da Vera e aí tomamos a atitude mais radical: montar nossas barracas encima do capim mesmo. Amassamos o capim com os pés e com o corpo e em uma área mais inclinada que um tobogã, montamos nossa casa de mato. Vesti todas as minhas blusas, meias, calças, camisas, gorros e luvas. Fiquei pronto para virar um picolé com dignidade.

Nossa janta seria improvisada. Em uma panela de água juntei um pacotinho de arroz que havia sobrado do dia anterior e estava em ótimo estado, coloquei dois pacotes de macarrão instantâneo, dois pacotes de feijão pronto, uma cebola picada, meu tempero especial, dois dentes de alho e para finalizar um pacote de molho quatro queijos. Jantamos e nos “pinchamos” para dentro da barraca. Foi nessa hora que começamos a ouvir os soluços da Vera. A Vera entrou em pânico. Era a primeira vez que ela dormirá em uma barraca e pior, perdida em algum lugar entre a Pedra do Altar e o Vale do Aiuruoca, ou seja, em um mundo hostil e perigoso, pelo menos na visão dela. Mais a coisa ficou feia e a menina entrou mesmo em choque. O Jony a todo instante tentava acalma-la. Não havia mesmo mais o que fazer. Estávamos longe de tudo, não havia outro socorro e então tivemos que apelar para o super rivotril, o amigo para as horas difíceis. Ela tomou o calmante e apagou e no outro dia acordou renovada. Ela sobreviveu. Quando perguntamos do que ela tinha medo, ela nos contou que o medo era da montanha. Ter medo da montanha é o primeiro passo para uma vida longa como montanhista (rsrsrsrsrsr).

 

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O dia amanheceu realmente lindo. Tive uma noite espetacular, dormi tão bem que nem ouvi o Fábio roncar, ainda teve o fato de eu ter acordado fora da barraca, que havia sido montada em uma área íngreme e então fui escorregando, escorregando e acabei passando pela porta e fiquei apenas com a cabeça dentro da barraca. A primeira coisa que fiz quando me levantei foi pegar meu mapa topográfico e analisá-lo melhor, agora com luz natural e sem a correria da noite anterior. Vi logo de cara onde estava o erro: Deveríamos ter feito uma grande volta para a esquerda, praticamente se afastando da Pedra do Altar e não ter passado rente a Pedra. No fim acabamos foi dormindo em um lugar a uns 500 metros da trilha principal. Segui para a esquerda e fui galgando os morros até localizar a entrada do Vale das nascentes do Rio Aiuruoca. Voltei para o acampamento e agora mais tranquilo, fui tomar meu café junto aos meus companheiros. Desarmamos tudo, pegamos as mochilas e seguimos nosso caminho, mas em vez de tentar voltar para a trilha principal, fomos descendo pelo mato mais ralo, onde uma rampa nos levou direto para dentro do Vale, bem à beira do riacho e ali paramos para comemora nossa volta à trilha principal.

Estamos em uma das principais nascentes do Rio Aiuruoca, a trilha corre ao seu lado e é muito larga. Em poucos minutos de caminhada passamos por uma área plana e perfeita para acampar, justamente um dos locais que eu pensava em acampar na noite anterior. Alguns charcos são cruzados e logo surgem ao lado da trilha pequenas ripas de madeira pintadas de vermelho, marcações estas que vão nos acompanhar praticamente pelo resto da Caminhada. São marcações inúteis, já que a trilha está bem aberta e consolidada. Ao cruzarmos o rio, encontramos, para nossa surpresa, muito gelo acumulado nos barrancos, sinal que a temperatura foi baixíssima nesta madrugada. Mais uma vez o Rio Aiuruoca é cruzado, mas sem percebermos estávamos deixando-o para trás e nem vimos a trilha que poderia nos levar até a famosa cachoeira do Aiuruoca. Também não fiz muita questão de procurar a trilha, já que estávamos pra lá de atrasados. A nossa frente vai surgindo os OVOS DE GALINHA, formação rochosa deslumbrante. A trilha vai seguindo em nível e passa ao lado dos Ovos de Galinha, mas antes mesmo de fazer uma grande volta para a direita foi que percebemos que a trilha para a cachoeira havia ficado para trás e então tivemos que descer até o fundo do vale para abastecermos os nossos cantis. Retomamos nosso caminho até pararmos novamente em um dos ovos isolados, bem atrás da formação principal. O tempo está quente e não venta. A visão do Vale do Aiuruoca é realmente de encher os olhos. Minha vontade é de largar a mochila e escalar os Ovos de Galinha, mas logo me lembro de que estamos muito atrasados e então apresso meus companheiros e retomamos a caminhada, que vai subindo e ganhando altura lentamente até que alcançamos o selado, onde seria possível montar algumas barracas.

 

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De cima do platô, o nosso horizonte se alargou muito. O pico do Papagaio e várias outras montanhas nos brindam com um espetáculo natural. A trilha segue para a esquerda e depois faz uma grande curva para a direita e nos joga na cara uma das paisagens mais lindas da travessia. Eu já havia ouvido falar muito da face oculta do pico das Agulhas Negras, mas nunca havia me passado pela cabeça se tratar de um lugar tão impressionante. A paisagem é ARREBATADORA, palavra que fiz questão de figurar como base do título deste relato. E é isso mesmo, um vale gigantesco, com um lago no meio e a cadeia de montanha das Agulhas negras que se erguem quase na vertical, tendo como bônus ainda a Asa de Hermes. Estamos no famoso VALE DOS DINOSSÁUROS, completamente arrebatados, desconsertados diante de tamanha beleza. Descemos depressa ao fundo do vale e paramos diante de um singelo riacho, não um riacho qualquer. Estamos bem na nascente do Rio Preto, o mesmo rio que vai cruzar pelos vilarejos de Maromba, Maringá e Mauá. Fizemos uma pausa longa e não poderia ser diferente, é um lugar mágico, uma sensação de total isolamento nos acomete, alguma coisa nos prende naquele lugar e ficamos largados la por muito tempo. A travessia nos chama novamente. Vamos seguindo vagarosamente, tomando como base à nossa frente uma grande lâmina de pedra que parece saltar de dentro da terra feito uma espinha dorsal de um grande dinossauro. Passamos pelo dinossauro e depois de escalá-lo para algumas fotos para posteridade, voltamos para a trilha que vai suavemente virando para a esquerda, chega a uma área de camping e se perde no bambuzal.

O que acontece nesta área de camping é que todo mundo passa reto e acaba entrando na mata e vai consolidando a trilha de tal forma que quase todo mundo acaba se perdendo por aqui. Mas é só prestar atenção, que logo se vê que a trilha passa pela direita do camping e segue sempre aberta e batida, logo à frente vai entrar em outra matinha e descer até o vale, que é cruzado por dois pequenos riachos e foi em um deles que estacionamos nossos esqueletos cansados, onde resolvemos fazer o nosso almoço, já era mais que hora. A nossa frente o Pico do Marimbondo ou Pico do Maromba (2.619 m), ao lado dele já era possível avistar as 4 ou 5 araucárias isoladas, que assinalam que o acampamento do Rancho Caído estava bem perto. Já são quase uma hora da tarde e o nosso estomago já grudou nas costelas. A Vera pede para fazer o almoço e só para nos esculhambar e se vingar da minha pessoas , ela resolve fazer um banquete, ( menina vingativa,rsrsrsrsrsr).Enquando o manjar dos deuses cozinhava, o nosso amigo Jony resolve tomar banho nas gélidas águas do riacho. Parecendo uma râ do planalto, o menino lutava desesperadamente com a Vera, que queria a qualquer custo jogá-lo nas profundezas do riacho, que não passava de meio metro. Por fim ele acabou entrando na água por meros alguns segundos e depois ficou arrotando para todo mundo que havia tomado banho. Sorte dele que os sapos flamenguinho não estavam em fase de acasalamento. Eu, que na Serra Fina já havia quase batido o record mundial , ficando 5 dias sem tomar banho, só perdendo para o D. João VI, não quis nem saber de água fria.

 

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Passado mais de uma hora depois que resolvemos nos sentar à beira daquele riacho é que nos animamos a ir embora. Logo à frente cruzamos o segundo riacho e subimos o barranco enfrente, passamos pelo meio das araucárias e por incrível que pareça não encontramos qualquer vestígio do tal Rancho caído. Nenhuma placa, nenhuma trilha, nada. Essa seria a área de camping oficial do Parque nacional, destinada aos grupos que realizam a Travessia. Talvez a gente não tenha mesmo procurado direito, mas deveria pelo menos ter uma identificação oficial. Isso significa que as coisas no parque realmente mudaram muito pouco, organização não é o forte dos Parques Nacionais do Brasil. Sem encontrar o rancho, passamos mesmo batidos pelo local e vamos adentrando em um vale, mas logo à frente a trilha vira à direita, entra na mata e começa a subir e logo nivela e pouco tempo depois estamos no grande mirante, sentados e apreciando a paisagem que se descortina à nossa frente, onde os vilarejos já podem ser avistados. Ao longe a Pedra Selada parece marcar o ponto mais alto da região, aos nossos pés, florestas que não acabam mais.

Começamos a descer o famoso “mata cavalo”, um zigue-zague que nem faz jus a fama do lugar. E uma descidinha sem muito declive, pelo menos não igual as que nós estamos acostumados a enfrentar. Apenas uma hora é o tempo que levamos para descer e logo no fim da descida, encontramos uma área de camping e 50 metros depois um belo riacho nos molha a goela. Atravessamos o riacho e seguimos para a esquerda e vamos tendo ao nosso lado outro gigantesco vale. Logo a trilha vai se afastando do vale e tomando outro rumo. Chegamos a uma bifurcação com duas trilhas igualmente abertas. Paramos por um momento para decidir que rumo tomaríamos. A trilha enfrente deveria ser o caminho oficial da travessia, mas como sempre não havia qualquer placa ou indicação. Olhando no mapa vejo logo se tratar da trilha que vai sair no Vale das Cruzes, que é um caminho que nos levará entre o vilarejo de Maringá e Visconde de Mauá. A trilha da esquerda é a trilha que vai sair bem na famosa Cachoeira do Escorrega. Já que não conhecíamos nenhuma das trilhas, resolvemos pegar para a esquerda. Já era 17h30min e com certeza teríamos que atravessar toda a floresta no escuro. Realmente é uma trilha larga e muito consolidada que vai seguindo mata adentro. E’ uma mata de árvores gigantescas e por isso mesmo a noite chegou mais cedo. No início fui à frente sem lanterna, me guiando pelo faro. Vez ou outra, apesar de a trilha ser bem plana, acabo enfiando a canela em algum tronco caído. Até que em um ponto o caminho acaba sem aviso prévio. Esse era o meu medo, perder a trilha no meio da noite. Acendo a lanterna e vejo que sem mais nem menos a trilha foi desviada para a esquerda. Não tenho certeza, mas esta trilha interrompida deve provavelmente ser a trilha que vai sair La na cachoeira Véu de noivas, citada pelo Sergio Beck em uma das suas antigas revistas. Seguindo então uma fita que servia de marcação, pegamos para a esquerda e logo a trilha vai voltando ao seu rumo, ou seja, curvando-se de novo para a direita.

E’ uma delicia caminhar por essa trilha á noite. A Vera e o Fábio parece estarem se divertindo muito. E’ um misto de medo e contemplação, é a primeira vez que caminham à noite na mata. Estamos todos felizes e por incrível que parece a canseira parece que foi embora. Vamos cruzando vários rios de águas cristalinas. Por entre a floresta, uma lua espetacular despeja seu luar sobre nós e não demora muito chegamos a um lugar aberto, onde a trilha acaba em uma casa com uns cachorros barulhentos, mas extremamente mansos. São 19h00min e logo sai de dentro da casa um senhor muito educado, que nos indica o caminho a seguir. No escuro vou à frente e logo atolo meus pés na lama. Pra sacanear, não digo nada e vejo o Fábio atolar até o pescoço e recebo logo de presente um elogio para minha santa mãezinha (rsrsrsrsr). Andamos mais 1 km e desembocamos na porteira que da acesso a espetacular CACHOEIRA DO ESCORREGA, a principal atração destas redondezas. Chegamos ao fim da trilha. Tiramos uma clássica foto enfrente a placa da cachoeira e partimos pela estradinha asfaltada e logo passamos pela entrada do poção, que nem chegamos a visitar, já que a escuridão não nos deixava ver nada mesmo. As oito da noite adentramos no Vilarejo de Maromba, onde rolava um festival de inverno. Não preciso nem dizer que viramos atração turística no singelo vilarejo, com direito a pedido para fotos e tudo mais. Só faltaram nos perguntar onde foi que deixamos estacionada nossa nave espacial. E foi ali, enfrente a igrejinha de São Miguel, que nos juntamos para última e derradeira foto, marcando assim o encerramento da nossa travessia.

Vinte anos depois, concluo a clássica travessia da Serra da Mantiqueira que ainda me faltava. Melhor, tive o prazer e a honra da companhia destes fantásticos amigos, que como sempre, me aturaram em mais uma jornada pelos confins e submundo das montanhas e florestas deste incrível país. Vi um Fábio determinado, que mesmo acima do peso aguentou o tranco sem reclamar e provou que o impossível não existe no excursionismo, quando se tem vontade a gente vai e faz. Vi a Vera torcer o nariz para a cristalina e pura água do poço da Maromba e acabar a jornada tomando água do brejo. Com certeza essa Vera não é mais a mesma. E’ agora uma Vera transformada, contaminada pelo vírus que a muitos anos nos contaminou e que do qual não queremos nos curar nunca mais. O Jony, apesar de tê-lo conhecido há tão pouco tempo, já o considero como um irmão. E’ incrível como nos identificamos, alem do cara ser um artista como poucos e qualquer dia destes terei que entrar na fila para pegar autógrafo dele. E essa foi a nossa história da TRAVESSIA RUI BRAGA X REBOUÇAS-MAUÁ , clássica e arrebatadora.

Divanei Goes de Paula -= Agosto 2012

Fotos desta travessia:

 

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Olá Divanei!

 

 

Realmente, clássica e arrebatadora, tão arrebatadora quanto o belo relato, aliás como todos os que tenho lido de sua autoria. Vi e curti no Facebook, agora comento aqui...

 

Meu caro, como sempre os ingredientes do perrengue são excelentes: trilha clássica, aventuras, perigos, guias indo à m#[email protected], uns desvios fora do previsto, boas comidas, dormindo só com a cabeça dentro da barraca... Estranhei a novidade do Rivotril, meio insólito. Quer dizer que carrega uns comprimidos desses para os novatos que entram em pânico tomarem um "boa noite cinderela"? Conta aí direito essa história! Rsrs!

 

Tirando a brincadeira, fico triste em ver como nosso patrimônio histórico está abandonado em vários lugares e no PNI continua igual. Uma lástima.

 

Abração e parabéns pela pernada e pelo relato.

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Getulio , Otávio, Rodrigo e Francisco,

Infelismente as fotos não refletem as belezas desta travessia. Também não tenho nenhuma esperança nas mudanças do Parque Nacional e escrevão aí, o primeiro imprevisto que acontecer por lá nas travessias , eles voltam a fechá-la. Só reabriram porque não co0nseguiram aguentar a pressão. Quanto ao rivotril, sou eu que tomo mesmo. Um imprevisto na vida me pegou aos 40 anos, mas já , já estarei me livrando dele,rsrsrsrsrsr.

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Salve Divanei!

 

[...] Quanto ao rivotril, sou eu que tomo mesmo. Um imprevisto na vida me pegou aos 40 anos, mas já , já estarei me livrando dele,rsrsrsrsrsr.

 

É só continuar neste teu ritmo de pernadas que com o ar da montanha logo logo supera isso! Força guerreiro!

Grande abraço!

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Parabéns Divanei por mais duas belas travessias e mais um ótimo relato. ::otemo::

 

"Mas os dias que estes homens passam nas montanhas, são os dias em que realmente vivem. Quando as cabeças se limpam das teias de aranha, e o sangue corre com força pelas veias. Quando os cinco sentidos recobram a vitalidade, e o homem completo se torna mais sensível, e então já pode ouvir as vozes da natureza, e ver as belezas que só estavam ao alcance dos mais ousados."

Reinhold Messner.

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Fala Divanei.

Que big relato hein. Parabéns.

 

Uma pena que vcs não pegaram aquele trecho entre o Macieiras e o Massenas durante o dia.

Tem um vale ali que possui um visual do caramba.

Veja a foto:

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Tem uma neblina forte porque passamos ali quase no final da tarde.

Do lado esquerdo da foto aparecem alguns escorregamentos de pedras enormes. É muito lindo.

A uns 20, 30 anos atras ali se iniciava a Trilha Reconter que terminava lá no Rancho Caído. Até na carta topográfica ela aparece anotada.

Tomara que o Parque reabra essa trilha agora. Com certeza eu não pensaria 2x em fazer essa travessia, pois tem um dos melhores visuais do Parque.

 

Por pouco quase que a gente se encontra lá sem querer hein.

No dia 21 pela manhã eu tava iniciando a caminhada ali no Rebouças, chegando por volta das 14:00 hrs lá no Rancho Caído.

O relato tá nesse link: clique aqui

 

Que coragem em tomar banho naqueles riachos que cruzam a trilha hein. A água é geladíssima. E que sorte vcs deram em ter um funcionario do PN lá no Rebouças. Ir e voltar até o Posto Marcão ia lhe tomar umas 2 hrs.

 

 

 

 

Abcs

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Fala Franscisco, blz?

 

Obrigado pelo elogio, mas não sou tudo isso. ::otemo::::otemo::::otemo::::otemo::::otemo::::otemo::

O que eu faço é, o que na minha opinião muita gente deveria fazer.

Divulgar trilhas por onde a gente vai e colocar a maior quantidade de informações e dicas possíveis no relato.

A divulgação é para que a trilha não fique disponível p/ poucos.

Acho que esse é o intuito.

 

Todas as trilhas que fiz até hoje sempre posto o relato aqui. Algumas mais recentes estão lá no blog, porque não tenho tempo disponível p/ formatar e colocar aqui e depois ficar acompanhando as postagens.

 

Muita gente é contra isso, porque vc tá disponibilizando p/ todo tipo de público.

Até p/ aqueles que não respeitam a natureza e detonam a trilha.

Mas é um risco que temos de correr.

Mas lá no fundo mesmo, creio que talvez não seja só isso.

 

 

 

Valeu

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E' Augusto,

Foi por pouco que não fizemos juntos esta travessia. Li o seu relato e também notei que esta caminhada estava engasgada. Como vocÊ disse, este era um dos elos que estava faltando na nossa vida de montanhinstas pela Mantiqueira. Claro que existem outras inúmeras caminhadas por esta Serra, mas a Rebouças -Mauá era a clássica das clássica que nos faltava. Compartilho com você e com os outros amigos de que o conhecimento deve ser repassado. Alguns nos criticam e dizem que escrevemos( em algum casos enforcando a lingua portuguesa) para alimentar o nosso ego, talvez até seja mesmo. Escrever os relatos nos faz bem. Estamos contando a nossa história e a dos que nos acompanham. O que seria da história do mundo se outros não resolvessem contá-la. Um dia destes encontrei um grupo fazendo uma trilha no litoral, carregando um dos meus relatos como guia, do mesmo geito que eu carrego os relatos de outros amigos aqui do mochileiros e de outros sites.E' o conhecimento sendo passado adiante e um dia talvez quando eu nem estiver mais por aqui, meus filhos ou meus netos poderão pegar estes documentos e refazer estas caminhadas e aí a missao estará mais que cumprida. Um abraqço a todos.

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    • Por carlosfilho
      Resumidamente, estou procurando um companheiro ponta firme e casca grossa afim de uma travessia hardcore com nível de dificuldade maior do que a Famosa Serra Fina!!
       
      QUEM ESTIVER AFIM LEIA O RELATO INTEIRO PARA VER SE ENCARA
       
      clássica Travessia Rebouças Mauá está interditada faz muito tempo. O Acesso por meios legais, ou seja, pela portaria do parque é de fato impossível, porém existe meios para acessar esta trilha a partir de um acesso em engenheiro passos que na verdade é um desafio muito maior do que a própria rebouças máua.
       
      Este acesso na verdade é uma trilha de caçadores e catadores de pinhão que não pode ser classificada exatamente como uma trilha, e sim como um complexo mosaico de trilhas, uma vez que existem várias bifurcações oriundas da exploração da mata. Em 2007 consegui atingir a crista de itatiaia após 12 horas de caminhada nesta mata infernal, ocasião aonde havia algumas fitas, colocadas pelo Sérgio Beck (conhecem?) que me ajudaram muito. Porém nesta mata perdi 2 dos 3 litros d'água que carregava e para piorar perdi a carta topográfica do local, uma vez na crista não há trilhas e a navegação por mapa era fundamental. Neste dia andei por 16 horas!!! 6 horas em completa escuridão até achar um local para acampar, sem uma gota de água. No dia seguinte só fui achar água as 12:00 mais ou menos, não preciso nem dizer o estado que eu estava. Pois bem, neste dia ainda tive problemas de navegação e acabei me perdendo em altas tocheiras de capim navalha perto do abrigo massena, fiquei um caco!! Acampei e resolvi abortar a viagem no dia seguinte e sai correndo feito louco para conseguir driblar a fiscalização do parque e sair pela portaria.... UFA!!
       
      Bom, em 2008 voltei, a trilha no meio da mata estava horrivelmente fechada, sem sinal das fitas , após umas 7 horas de caminhada fui surpreendido por caçadores apontando armas para mim, e para piorar a situação tinha um porco do mato morto pendurado de cabeça para baixo, eles acharam que eu era do IBAMA, troquei um papo com o pessoal e resolvi continuar a trilha, mas como não achava o caminho certo tive que fuçar perto do acampamento dos caras e percebi que um deles me seguia, resolvi abortar novamente e voltei no mesmo dia tudo aquilo que andei, por sorte na ida havia marcado a trilha com fitas, e ganhei muito tempo.
       
      Bom este ano vou voltar, planejo fazer toda a viagem em 3-4 dias porém não será em qualquer feriado (estarei em férias) estou procurando um parceiro de trip pois estou cansado de fazer travessias sozinho. Na verdade procuro parceria para projetos mais ambiciosos inclusive (alta montanha), é melhor que se tenha alguma ou muita experiência em travessias, pois não adianta apenas ter bom preparo físico, em algumas ocasiões o preparo psicológico é o que mais conta.
       
      se você curtiu o relato e estiver afim de ir nesta viagem entre em contato para conversarmos melhor.
       
       
      Abraços
    • Por Demetriusrj
      Fala galera, o negócio é o seguinte. Dia 23 de junho (domingo) foi o dia da SUPER LUA e na noite do dia 22 (sábado) para o dia 23 (domingo) tínhamos a certeza de que a lua estaria maravilhosa, então decidimos fazer uma mega Travessia sob a luz do luar. Os aventureiros eram, eu (Demetrius), o Chico bala e o Airton. Decidimos fazer as duas Travessias do Parque de uma só vez. A Ruy Braga, no sentido Sede – Rebouças (subindo) conexão com a Travessia Rebouças – Mauá, Via Rancho Caído. Decidimos parar a Travessia em Maromba, na Cachoeira do Escorrega e não em Visconde de Mauá.
       
      Começamos a Travessia Ruy Braga (Perto da Cachoeira Véu da Noiva), às 08:30 hs da manhã do dia 22 de junho (sábado) e começamos a subir. O tempo estava fechado e com muitas nuves.
       
      Levei os dois amigos para conhecer o antigo Abrigo Lamedo, mas por pouco não sofremos uma tragédia, pois fomos atacados por abelhas e o meu amigo Airton levou aproximadamente umas 20 (vinte) picadas de abelhas. É isso mesmo, umas 20 picadas. Eu tomei uma, pois fui o primeiro a descer, o Chico tomou umas 4 e o nosso amigo acabou tomando a pior. Que bom que ele não é alérgico, pois se fosse, estaríamos com sérios problemas. Então fica a dica. Não entrem no Abrigo Lamedo.
       
      Chegamos na região do Abrigo Rebouças por volta dàs 15:30 hs. Foram 7 horas de subida. Durante a semana a AMAN (academia militar) estava fazendo exercícios por lá e as barracas ainda estavam montadas, só com uma pessoa tomando conta e essa pessoa era amigo nosso, então decidimos sair da ventania e entrar na barraca para fazer nosso rango, tomar um café e partir para a segunda Travessia.
       
      Saímos do Abrigo Rebouças às 17:00 hs. Muita névoa e tempo fechado. Estávamos tendo a certeza de que não iríamos ver a SUPER LUA, mas continuamos.
      E por volta das 21:00 horas e depois de muita ventania que levaram as nuvens para longe, a grande lua cheia, a SUPER LUA, apareceu e nos acompanhou até o final.
      Por volta das 22:00 hs paramos para tomar uma sopa quente. Como tínhamos apenas um fogareiro era uma sopa de cada vez e quando um estava fazendo a sopa, os outros estavam descansando.
       
      Passamos pelo Rancho Caído por volta das 23:20 hs e chegamos ao final da Travessia na Cachoeira do Escorrega na Vila de Maromba as 03:10 hs da manhã do dia 23 de junho (domingo). Foram quase 19 horas caminhando. Muito cansado, mas muito feliz.
       
      Travessia linda e maravilhosa, mais ainda ter realizada sob a luz do Lua da MEGA SUPER LUA.
       
      Segue as fotos.
       

       

       

       

       

       

       

       

       

       

       

       

       

       

       

       

       

       

       

       

       

       

       

       

       

       

       

       

       

       

       

       

       

       

       

       

       

       

       

       

       

       

       

       

       

       

    • Por Samuel Oscar
      Fala, GALERA!
       
      Depois de muito tempo utilizando e usufruindo deste site que sempre me auxilia nas TRIPS, segue meu primeiro relato e meu vídeo de uma travessia incrível, mas que não saiu como o planejado.
      Primeiramente, quero agradecer as belas informações que obtive nos relatos do Rafael Santiago e do Augusto e a outros colaboradores que descrevem como poucos uma aventura. Obrigado! :'> :'>
       
      Vou separar o relato em três etapas, sendo a primeira com informações de minha aventura em um dia, a segunda com o video desta TRIP e a ultima com informações e dicas do trajeto tradicional em dois dias.
       
      ETAPA 01
       
      A travessia se iniciou no dia 04/05/2013 no abrigo Rebouças. A trilha passa pela base do Pico da Pedra do Altar (sendo possível acessar o cume), desce ao Vale Aiuruoca (Cachoeira Aiuruoca) e contorna os Ovos da Galinha, adentra o Vale dos Dinossauros (nascentes do Rio Preto) e desce por dois percursos: o oficial, pelo Mata-Cavalo até o Vale das Cruzes, entre Mauá e Maringá e o segundo a Maromba (Cachoeira do Escorrega), sendo este ultimo o escolhido pelo grupo.
       
      O grupo foi formado por 19 pessoas e os atletas eram: Meu amore Pâmela, Rafael, Jeff, Felipe, Leandro Roots, Jaque, Edu e Daiane, todos de São Paulo-SP, Lielto, de Curitiba-PR, minha cunhada Patricia e meu irmão Isaque, de Caraguatatuba-SP, o casal Jú e Gui, de São José dos Campos-SP, Klemilson e Adriano Kako, de Guarulhos-SP, Nelson, de Tietê-SP, João e Lívia, de Volta Redonda-RJ e eu, Samuel, de Pindamonhangaba-SP.
       
      [flickr]
      935181_524694217576542_2133916132_n por SAMUPBA, no Flickr[/flickr]
       
      Depois de muitas sugestões, informações e acertos no evento criado no facebook, seguimos ao encontro de todos no posto do Marcão (Portaria da parte Alta do Parque). Por volta das 09:30hrs, depois de todos assinarem a entrada e organizarem as mochilas, partimos para o Abrigo Rebouças.
       
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      941381_642049809143188_1232874135_n por SAMUPBA, no Flickr[/flickr]
       
      Seguimos pelo mesmo caminho que leva ao Agulhas Negras até a bifurcação depois da Ponte Pênsil.
       
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      320888_10200456893958071_1720296346_n por SAMUPBA, no Flickr[/flickr]
       
      Pouco mais de 100m depois da ponte, tomamos à esquerda na primeira bifurcação (com placa Pedra do Altar) e à esquerda, novamente, na segunda bifurcação, 30m depois da primeira, esssa mais sútil e com placa (à direita se vai à Asa de Hermes, curiosa formação que tem o nome devido a uma pedra inclinada em seu topo, que lembra a asa do capacete de Hermes, mensageiro dos Deuses no Olímpio). Nesta altura o Belo Pico Agulhas Negras ja se torna bem oponente na travessia.
       
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      Na subida acentuada paramos para um lanche com muitas risadas.
      (Adriano Kako, Presidente Gui e Leandro Roots: pessoas que não podem faltar numa TRIP).
       
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      601941_10200456901598262_865611453_n por SAMUPBA, no Flickr[/flickr]
       
      Energias renovadas, seguimos subindo até uma clara bifurcação: a direita leva à Pedra do Altar, ponto mais alto de toda travessia, a 2.575m. Neste ponto, o grupo se separou. Meu amore Pamela, o Rafa, o Gui, o Lielto e o Jeff seguiram comigo para desbravar o Pico (VISUAL MASSA).
       
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      GOPR5419 por SAMUPBA, no Flickr[/flickr]
       
      Após alguns minutos no cume, retornamos a trilha, rumo ao encontro do restante do grupo. No decorrer do trajeto muitas atraçõe sensacionais como por exemplo Ovos da Galinha .
       
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      O reencontro foi em um local suspeito a ser o Rancho Caído (piso plano e protegido). Mas, o mesmo, de acordo com relatos, não demonstrava ser o local de acampamento. Pelas minhas pesquisas, o local deveria abrigar, mais ou menos,15 barracas.
      Surgiram algumas dúvidas e, conseqüentemente, os perrengues começaram, pois o grupo desejou seguir a trilha para tentar achar o local que poderia abrigar as 15 barracas. Porém, não o encontramos antes do anoitecer. Por via, o psicológico do grupo começou a ficar abalado. Não apenas pelo cansaço, mas, também pelo piso e a descida com muitas pedras.
       
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      Após muitas horas procurando pelo local, tudo indicava que iríamos direto ao final da travessia: "Maromba". Depois que pasamos pela última bifurcação (seguimos pela esquerda), o grupo se separou pois, todos estavam muito cansados. Uma parte do grupo (Gui, Jú, Edu, Daiane, Leandro Roots, Jeff, klemilson e Adriano) optou por montar as barracas perto da trilha e, Jaque e Nelson também optaram pelo camping selvagem, no final da trilha.
       
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      O restante do grupo seguiu em direção a Maromba, rumo a um camping na cidade.Por volta das 23:00hrs, chegamos a Cachoeira do Escorrega. De acordo com algumas informações que conseguimos pela redondeza, o camping ficava a 3 km. Como estavámos muito cansados, tanto física como psicologicamente , decidimos ir em busca de alguma pousada.
       
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      A salvação foram 3 chalés, sendo dois para os casais (João e Livia, Isaque e Patricia) e o outro para o Rafael, o Felipe, o Lielto -que se acomodaram pelos comodos- e uma cama de casal para eu e a Pâmela. O resgate estava programado para as 12:00hrs na Cacho do Escorrega e o mesmo, com alguns minutos de atraso, chegou no local acordado. Ufaaaaaaa! Estava preocupado, com muito receio do resgate nos deixar na mão, mas o motorista AMARILDO pessoa muito honesta cumpriu com o combinado. Por fim, depois de muitos perrengues, tudo acabou bem. Com certeza, teremos boas lembranças e histórias para toda a vida. Como Guilherme Cavalari diz:
       
      "Cada um tem que encontrar a tua estrada o teu veiculo a tua trilha.
      Não existe padrão ou certo e errado, o importante é as pessoas arriscarem estar disponível para coisas diferentes para as novidades e concerteza "arriscar" pois, esta cada vez mais claro que a vida ta no movimento, onde não tem o movimento não tem vida... "
       
      Viajar e desbravar a natureza faz com que agente se sinta-se muito vivo, porque os movimento que decorrem uma travessia como esta , da o grande sentido da vida em um grupo como este que, tive o privilegio e o prazer de participar.
       
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      225640_642070322474470_1845985230_n por SAMUPBA, no Flickr[/flickr]
       
      ETAPA 02
       

      VISITE MEU CANAL... INCREVA-SE
       
       
      ETAPA 03
       
      Segue abaixo o DOC que levei com as informações que obtive pela net e pelo site:
       
      1º DIA: DO ABRIGO REBOUÇAS AO RANCHO CAÍDO (14,7Km) duração 07hrs.
      2º DIA: DO RANCHO CAÍDO A MAROMBA (8,5km) duração 04hrs.
       
      PERCURSO: Sem grandes aclives. Algum degrau ou outro para percorrer nos trechos mais planos. Porém em dias claros e devido aos Campos de Altitudes é recomendado protetor solar e chapéu. Há bastantes pontos de água, somente no segundo dia que se leva cerca de 2 horas para o primeiro ponto de água.TOTALIZANDO - 23,2km de travessia.
       
      LOGISTICA:
       
      Deixamos os carros no Posto do Marcão (entrada do parque).
      Resgate em Maromba (R$35,00 por pessoa). Contato Amarildo (03591297522) trabalha com kombi e tem muitos amigos que tambem trabalham, com transporte.
       
      1º DIA:
       
      Portaria do parque (Posto Marcão) ao Abrigo Rebouças (30min)
      Direção ao mesmo caminho que leva aos Agulhas Negras até a bifurcação depois da ponte pênsil. Pouco mais de 100m depois da ponte toma-se a esquerda na primeira bifurcação (com placa Pedra do Altar) e à esquerda novamente na segunda bifurcação CUIDADO, 30m depois da primeira, essa mais sutil e sem placa (à direita se vai à Asa de Hermes, curiosa formação que tem o nome devido a uma pedra inclinada em seu topo, que lembra a asa do capacete de Hermes, mensageiro dos Deuses no Olímpio).
      Na subida acentuada uma clara bifurcação leva à direita à Pedra do Altar ponto mais alto da travessia toda, a 2.575m, na direção do Altar e ao chegar a um pequeno descampado deixar a mochila para subir suave, não leva mais que 10 minutos. Junto do topo encontra-se uma trilha à direita que segue na direção da Pedra do Sino.
      A trilha passa aos pés do grande rochoso que é a Pedra do Altar e logo inicia a descida ao Vale do Rio Aiuruoca. Uma curiosidade: nesse momento estamos saindo do estado do Rio e passando para terras mineiras.
      Em direção à Cachoeira do Aiuruoca e já no vale das nascentes do rio, passa-se por vários pequenos riachos que se convergem e seguem na direção norte e pouco antes de chegar na cachoeira, encontra-se uma bifurcação à direita que serve de atalho e nesse ponto encontra-se uma vareta com a ponta pintada de vermelho, que se encontra em vários outros pontos dessa travessia.
      Nesse ponto diverge a 2 travessias do PNI. Para o norte (esquerda) segue a Travessia da Serra Negra e cruzando o rio e seguindo para sudeste (mais pela direita) é a Rebouças-Mauá , seguindo a intrigante formação de pedras arredondadas sobrepostas a uma base conhecida como Ovos da Galinha o topo da mesma permite uma bela visão do vale das nascentes do Aiuruoca e a lateral da Pedra do Sino, que parece estar bem próximo.
      A caminhada pela trilha continua em direção ao topo da crista e outras varetas vão aparecendo pela subida ao chegar no topo do selado (Visual maravilhoso) que dá acesso ao Vale dos Dinossauros a um mirante aos 2507m que deixa boquiaberta com tamanha beleza.
      À direita, a quase onipresente Pedra do Sino. À esquerda, mais distante, a Pedra Selada de Mauá. E mais à esquerda, ainda bem mais distante, o Pico do Papagaio. Bem a frente, gigantes e magníficos, o Vale dos Dinossauros e uma longa crista culminando no imponente Pico da Maromba e um pouco mais abaixo o Marombinha se destacam na última crista que separa o vale de Visconde de Mauá das partes altas do PNI e na base desses dois picos é possível visualizar um pequeno trecho de mata atlântica com vários matacões no topo, que é o local onde o Rancho Caído está localizado e é lá que finaliza a caminhada do dia.
      A descida, a trilha dá uma grande volta em forma de ferradura (neste momento que se entendi o sentido da travessia. Se a trilha da travessia fosse objetiva ela passaria pelas laterais das Agulhas e não faria todo este enorme “s” que faz em seu percurso. Porém teria-se a vista de outras belezas como a Pedra do Altar, a Cachoeira Aiuruoca, a Pedra do sino, os Ovos da Galinha entre outros), inicialmente pela borda do imenso Vale dos Dinossauros, numa bifurcação onde um rabicho de trilha avança por entre o bambuzal, a trilha principal segue para a direita, contornando os bambus e nesse ponto existe uma vareta para sinalizar o caminho correto e ali ela é bem útil. Dalí o Rancho Caído já aparece do outro lado do vale ao lado de um trecho de mata atlântica, mas até chegar lá ainda tem de seguir descendo por entre a vegetação alta com bambuzinhos pelo caminho. Descendo por voçorocas, a trilha não demora mais que uns 15 minutos para chegar em 2 riachos e pouco mts antes de cruzá-los encontra-se uma bifurcação que sai à direita e segue margeando um dos riachos.
      ate chegar ao Rancho Caído que fecha no vale, O lugar é um grande descampado que fica no interior da mata, protegido e suficiente para umas 15 barracas.
       
       
       
      2º DIA:
       
      A trilha desce até um riacho e sobe até um ótimo mirante que proporcionou visão das Agulhas e Pedra do Sino para trás (sudoeste) e Visconde de Mauá e Pedra Selada para a frente (nordeste). Desse mirante passamos para a outra vertente dessa serra e começamos aos 2310m de altitude a longa porém suave descida chamada de Mata-Cavalo, na qual avistamos também o Vale do Paraíba ainda coberto por um tapete de nuvens. Na descida e topa-se com uma bifurcação que à esquerda morria numa clareira de acampamento que devia comportar bem umas três barracas apenas. .
       
      Voltando à trilha principal e mais uns 50 mts chega-se ao 1º riacho (2hrs meia). Seguindo a trilha, de vez em quando aparecem algumas aberturas mostrando todo o trajetoo a descer e cerca de 5 minutos depois do riacho encontro a 1ª bifurcação importante (1952m) na trilha, marcado por uma enorme bromélia junto da árvore. A trilha em frente vai sair no Vale das Cruzes, entre Maringá e Visconde de Mauá sendo a saída oficial e para esquerda terminar na Cachoeira do Escorrega (4,7km cerca de 30 minutos antes da Vila da Maromba).
      Dicas:
       
      # Se não conseguir deixar o comprovante em Visconde de Mauá ao término da travessia, é possível avisá-los pelo e-mail do Abrigo Rebouças.
      # Sinal de celular da VIVO só consegui na crista onde estão os Picos da Maromba e Marombinha.
      # Distâncias
      Posto Marcão até Abrigo Rebouças: + - 3 km
      Abrigo Rebouças até Rancho Caído: + - 12 km
      Rancho Caído até Cachoeira do Escorrega: + - 8,5 km.
      # Água não é problema nessa travessia, já que a trilha cruza com inúmeros riachos. O problema é o Sol, já que não existem áreas de sombra.
      Protetor solar e chapéu são itens obrigatórios.
       
      # Algumas altitudes dos lugares que passaremos:
      Posto Marcão: 2450 mts
      Morro do Couto: 2680 mts
      Abrigo Rebouças: 2350 mts.
      Pedra do Altar: 2530 mts
      Cachoeira do Aiuruoca: 2360 mts
      Ovos de Galinha: 2400 mts
      Rancho Caído: 2300 mts
      Cachoeira do Escorrega: 1400 mts
       
      Creditos as fotos:
      Jeff Walker, Felipe Santos e Jaqueline Barbosa
       
      Qualquer duvida é soh GRITAR
      Desculpe os erros de um primeiro RELATO
    • Por rafael_santiago
      Cachoeira do Aiuruoca
       
      As fotos estão em http://lrafael.multiply.com/photos/album/135/135" onclick="window.open(this.href);return false;.
       
      A travessia Rebouças-Mauá é uma caminhada clássica do Parque Nacional do Itatiaia que permaneceu proibida durante cerca de duas décadas, até ser oficialmente reaberta em junho de 2011. Ela tem início no abrigo Rebouças, passa pela base da Pedra do Altar, desce ao vale do Aiuruoca, contorna os Ovos da Galinha, adentra o Vale dos Dinossauros (nascentes do Rio Preto) e desce pelo Mata-Cavalo até o Vale das Cruzes, entre Mauá e Maringá.
       
      Para mim essa caminhada tem um significado especial pois deveria ter sido a minha primeira travessia se o tempo tivesse permitido. Na ocasião, decidimos abortar no abrigo Rebouças devido à chuva, frio intenso e neblina depois de ter caminhado desde a sede do parque, na parte baixa. Isso foi em 1991. Logo depois as travessias no Itatiaia foram todas fechadas.
       
      No ano passado eu e alguns amigos quase fizemos essa travessia, mas novamente o tempo não ajudou e cancelamos a viagem. No final de semana passado essa pendência finalmente foi acertada, e em grande estilo. O Rodrigo ficou responsável pela autorização para a travessia (solicitada pelo e-mail [email protected]) e eu me incumbi de fechar um transporte para nos levar de Itanhandu à portaria do parque.
       
      1º DIA: DO ABRIGO REBOUÇAS AO RANCHO CAÍDO
       
      Na sexta-feira partimos de São Paulo eu, Rodrigo, Gibson, Ronald e Amarildo no ônibus da Cometa das 23h30 em direção a Itanhandu, onde desembarcamos às 4h07. Às 4h45 chegou o nosso transporte, a kombi do Amarildo de Itamonte, que nos levou até a portaria da parte alta do parque, mas não sem antes termos uma parada numa padaria de Itamonte para um rápido dejejum.
       
      Chegamos à portaria do parque (Posto Marcão) às 7h15, preenchemos e assinamos a papelada e demos início à caminhada às 7h45 com muito frio pois o sol ainda não havia alcançado o começo da estrada que leva ao Rebouças. Na portaria o termômetro acusava 5ºC. A altitude é de 2444m. Uma pausa próximo ao abrigo, 3km depois, para pegar água e terminar de ajeitar as mochilas e partimos às 8h45 com sol mais forte, logo começando a dispensar as blusas grossas.
       
      O caminho é o mesmo que leva às Agulhas Negras até a bifurcação depois da ponte pênsil. Pouco mais de 100m depois da ponte toma-se a esquerda na primeira bifurcação (com placa) e à esquerda novamente na segunda bifurcação, 30m depois da primeira, essa mais sutil e sem placa (à direita se vai à Asa de Hermes). Na subida acentuada que se segue paramos para descansar e ver os vários grupos que se aventuravam na subida das Agulhas. Às 10h20, no final da subida, uma clara bifurcação leva à direita à Pedra do Altar. Mas nosso caminho era à esquerda, descendo. Observação: esse é o ponto mais alto de toda a travessia, 2575m.
       
      A trilha passa aos pés do grande rochoso que é a Pedra do Altar e logo inicia a descida ao Vale do Rio Aiuruoca. Uma curiosidade: nesse momento estamos saindo do estado do Rio e passando para terras mineiras. Logo se avista no fundo do vale, mais para a direita, a intrigante formação de pedras arredondadas sobrepostas a uma base conhecida como Ovos da Galinha. E à direita vai surgindo a bela Pedra do Sino (9ª montanha mais alta do Brasil segundo o Anuário Estatístico do IBGE), com sua encosta esquerda bem alongada, por onde se tem acesso fácil ao cume. Alcançamos o Rio Aiuruoca e o atravessamos sem dificuldade para chegar às 11h45 a sua bela cachoeira, caminhando pela margem direita.
       
      O dia de sol estava perfeito para fotos do verde e transparente poço, assim como para uma pausa para lanche e até um cochilo ao som relaxante da queda-d'água. Ali um grupo de oito pessoas que também estava fazendo a travessia nos alcançou e seguiu na nossa frente.
       
      Explorei por ali a trilha que vai para as Cabanas do Aiuruoca pois é na cachoeira que as travessias da Serra Negra e Rancho Caído se separam. A travessia da Serra Negra desce até as cabanas, passa pelo bairro da Serra Negra e termina na vila da Maromba.
       
      Partimos às 13h10 subindo de volta alguns metros a margem do rio e quebramos para a esquerda sem atravessá-lo, iniciando a aproximação e o contorno dos Ovos da Galinha pela esquerda. Paralelas à trilha atual, valas profundas registram o local exato do caminho original, carcomido pela erosão e pelo trânsito durante décadas. Estacas de madeira finas e altas pintadas de vermelho confirmam o caminho certo durante boa parte da caminhada a partir daqui.
       
      Terminada a subida que deixava o vale do Aiuruoca para trás, alcançamos às 13h57 um mirante aos 2507m que nos deixou boquiabertos com tamanha beleza. Bem à nossa frente, gigantes e magníficos, o Vale dos Dinossauros e uma longa crista culminando no imponente Pico da Maromba. À direita, a quase onipresente Pedra do Sino. À esquerda, mais distante, a Pedra Selada de Mauá. E mais à esquerda, ainda bem mais distante, o Pico do Papagaio. Uma visão realmente estonteante.
       
      A descida que se seguiu deu a impressão de que tomaríamos a direção direta para Mauá (nordeste), porém a trilha dá uma grande volta em forma de ferradura inicialmente pela borda do imenso Vale dos Dinossauros, passa pelo Rancho Caído e fecha no vale que corre paralelo à crista do Pico da Maromba. Só então alcança a longa ladeira conhecida como Mata-Cavalo e embica de vez para nordeste.
       
      Pois bem, descemos do mirante ao Vale dos Dinossauros às 14h15 e paramos para pegar água nas nascentes do Rio Preto às 14h43, num córrego que corria para nordeste e que lá embaixo forma o largo rio que atravessa as vilas de Maromba, Maringá e Mauá. Tanto aqui como lá ele marca a divisa entre Minas e Rio, ou seja, estávamos voltando ao território fluminense. Poucos metros depois uma grande rocha clara do lado direito da trilha chama a atenção pelo topo com quatro pontas, lembrando os quatro cumes do maciço das Agulhas Negras, que aliás está exatamente atrás dela.
       
      Passamos por um bom local de acampamento mas preferimos ir até o Rancho Caído para tentar pernoitar lá. Continuando, saltamos mais dois riachos e às 16h chegamos ao Rancho, porém o outro grupo já havia tomado conta dos melhores lugares e preferimos seguir até o próximo ponto de acampamento marcado no gps. Vale dizer que nada mais resta do rancho que dá nome ao lugar, dizem que ele existia ali há muito tempo, várias décadas atrás. Algumas araucárias fora de contexto, em pleno campo de altitude, são a marca registrada do local, a 2296m de altitude. Há bastante água por perto.
       
      Continuamos pela trilha menos de 500m e tivemos que nos acomodar de alguma maneira no capim mais baixo que encontramos à direita da trilha antes de uma descida. Montadas as barracas, procuramos um ponto um pouco mais acima para assistir ao por-do-sol, porém um morro alto bem na direção do sol nos impediu de vê-lo pousar avermelhado sobre o horizonte. Dali foi voltar ao acampamento e botar os fogareiros para trabalhar em meio a mais conversas e muitas risadas. Depois cada um para seus aposentos para dar início à sinfonia de roncos que se estendeu madrugada adentro.
       
      Nesse dia caminhamos 14,7km.
       
      2º DIA: DO RANCHO CAÍDO AO VALE DAS CRUZES
       

      Pedra Selada de Mauá vista da descida do Mata-Cavalo
       
      O horário combinado de sair das tocas foi 7h. Desmontado o acampamento sem pressa, começamos a caminhar às 8h45. A trilha desceu até um riacho e subiu até um ótimo mirante que proporcionou visão das Agulhas e Pedra do Sino para trás (sudoeste) e Visconde de Mauá e Pedra Selada para a frente (nordeste). Desse mirante passamos para a outra vertente dessa serra e começamos aos 2310m de altitude a longa porém suave descida chamada de Mata-Cavalo, na qual avistamos também o Vale do Paraíba ainda coberto por um tapete de nuvens. Às 10h09 deixamos o campo de altitude e o sol forte para começar a caminhar na mata alta e fresca, na altitude de 1995m. Mais 5 minutos de descida e topamos com uma bifurcação que à esquerda morria numa clareira de acampamento que devia comportar bem umas três barracas apenas. Andamos alguns passos para a direita e paramos no riacho para um breve descanso e apanhar água.
       
      Às 10h30 uma bifurcação importante (1952m): para a esquerda a saída pela Cachoeira do Escorrega da Maromba, distante cerca de 4,7km; para a direita o caminho para o Vale das Cruzes, considerado a saída oficial, por onde continuamos. Seguiu-se um longo trecho de bambus sem nenhuma dificuldade, uma bifurcação em T onde fomos para a esquerda, um riacho que atravessamos pulando as pedras. Às 12h33 uma cachoeirinha e as primeiras casas marcam o fim da trilha, aos 1316m de altitude, desnível de 994m desde o início do Mata-Cavalo. Depois de uma porteira aberta caímos no final da estrada de terra do bairro Vale das Cruzes. Por ela bastou tocar mais 3,6km até a estrada que liga as vilas de Mauá, Maringá e Maromba. Ali às 13h30 me separei do pessoal pois tinha horário para chegar em São Paulo. Eles foram almoçar em Maringá, a 2km dali para a esquerda, para depois pegar o ônibus da Resendense que sai da Maromba às 16h45. Eu fui direto para Mauá (direita) comendo muita poeira por mais 3,5km na intenção de pegar o ônibus da viação São Miguel que saía de Mauá às 15h. Saía... faz meses que esse horário mudou para 17h. Como eu queria chegar logo em Resende, o jeito foi ficar plantado no ponto de ônibus pedindo carona. Quase 1h30 depois, já sem esperança, consegui uma carona... para São Paulo!!! Foi a sorte grande. Saímos de Mauá às 15h45 e com os congestionamentos de final de férias cheguei em casa às 21h40.
       
      Nesse dia caminhei 14,8km até Visconde de Mauá (o pessoal caminhou um pouquinho menos até Maringá).
      Total da travessia (desde o Posto Marcão até a praça central de Mauá): 29,5km.
       
      Dicas:
       
      . Assim que cheguei a Mauá fui à casa branca que fica do lado esquerdo da igreja (na entrada da vila, em frente ao campo de futebol) e depositei na caixa de metal da porta o canhoto da autorização da travessia, conforme orientação dada na entrada do parque.
       
      . O pedido de autorização para as travessias deve ser enviado no prazo mínimo de 10 dias úteis e máximo de 30 dias. Mais informações no site http://www.icmbio.gov.br/parna_itatiaia" onclick="window.open(this.href);return false;. Os e-mails são [email protected] e [email protected] (é melhor tentar nos dois e ainda ligar se eles não responderem).
       
      . No parque pagamos R$11 pelo primeiro dia e R$5,50 pelo segundo dia. Não é cobrado pernoite fora do abrigo/camping Rebouças.
       
      . O transporte de Itanhandu ao parque foi feito pelo Amarildo de Itamonte (celular Tim 35-9129-7522). Ele cobrou R$200 pelo frete em sua kombi. Para um grupo menor, pode-se contatar o sr Mauro no celular Tim 35-9176-3152. Ele tem um Fiat Uno.
       
      . A empresa que faz as linhas São Paulo-Itanhandu e Resende-São Paulo é a Cometa (http://www.viacaocometa.com.br" onclick="window.open(this.href);return false;).
       
      . Os horários do ônibus da viação Resendense (24-3354-1878) são:
      de Resende para Maromba:
      segunda a sexta: 5h30, 10h30, 15h, 15h30, 17h30
      sábado: 5h30, 14h, 15h
      domingo: 8h, 14h, 16h
      de Maromba para Resende:
      segunda a sexta: 6h, 7h40, 11h, 13h, 17h45, 19h45
      sábado: 7h40, 11h, 17h15
      domingo: 9h, 10h15, 16h45
       
      . Os horários do ônibus da viação São Miguel (24-3360-9351) são:
      de Resende para Mauá:
      segunda a sábado: 8h30, 13h40, 19h
      domingo e feriado: 8h, 19h
      de Mauá para Resende:
      segunda a sábado: 6h30, 10h15, 17h15
      domingo e feriado: 6h, 17h
       
      . As informações de linhas e horários de ônibus acima foram obtidas no posto de apoio ao turista de Visconde de Mauá em 29/07/2012. Não estou reproduzindo informações desatualizadas da internet.
       
      . Algumas altitudes da travessia:
      Posto Marcão - 2444m
      Abrigo Rebouças - 2382m
      Cachoeira do Aiuruoca - 2363m
      Rancho Caído - 2296m
      início do Mata-Cavalo - 2310m
      fim da trilha e início da estrada no Vale das Cruzes - 1316m
      Visconde de Mauá - 1042m
       
      Rafael Santiago
      julho/2012


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