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thiago gentil

Mochilão Patagônia - Ushuaia / El Calafate / El Chaltén / Circuito "O" Torres Del Paine Abr/15.

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Salve Salve Mochileiros!! ::otemo::

 

É com grande felicidade ::hahaha:: que venho compartilhar com vocês o roteiro da minha segunda investida na Patagônia!

 

A minha primeira viagem está relatada aqui http://www.mochileiros.com/ushuaia-el-calafate-el-chalten-full-day-a-torres-del-paine-novembro-2012-t76633.html

 

A viagem está programada para Outubro de 2014, mais precisamente dia 20. Desta vez a viagem será mais "técnica" digamos, estou priorizando as trilhas em El Chaltén e em Torres del Paine onde farei ou Faremos o Circuito Completo a partir do dia 01/11/14.

 

Busco Cia para fazer essa viagem, não vou mentir.. esse negócio de viajar sozinho não é comigo..rs, segue abaixo o roteiro que pretendo fazer, já com toda as especificações (Custo de passeios, valores de hospedagem, gastos com transporte, etc.)

 

Qualquer dúvida sobre o roteiro é só perguntar aqui ou via face, que segue subscrito. A distribuição dos dias ficou bem legal, (eu acho), distribuí conforme os passeios ou trilhas em cada cidade. Todos os horários descritos no roteiro estão de acordo com os oferecidos pelas empresas de transporte da patagônia, qualquer dúvida é só checar nos endereços "site" das empresas que segue também no roteiro.

 

Logo adiante, postarei um outro arquivo contendo a descrição das Roupas & Equipamentos que acho necessário para a viagem.

 

 

Trip Patagônia Out-14.xls

 

 

 

Alterei a data da viagem para Abril/15, em breve posto aqui o roteiro atualizado.

qualquer coisa, sigo a disposição!

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Confesso que eu li o título, li seu nome e pensei... 'mas eu já não li relato da patagônia desse ser?' kkkkkk

 

Cara, boa sorte! Circuito O deve ser muito fera!

 

Uns pitaquinhos que vc já deve saber, mas...

- Em El Chaltén, vc colocou uns dias de 'descanso'. No fim vc sabe que vai inventar alguma outra trilha pra fz, né? rs... Mas é sempre bom ter esses dias de gordura que se der tempo ruim ou imprevisto vc queima eles

- Pra mim, pegou dia bonito corre pro Fitz Roy! Nessa época é difícil pegar um céuzão aberto e bem limpo então eu aproveitaria pra fz essa trilha, que foi a que eu achei mais bonita.

 

 

E os gastos estão excelentes... que boa época pra ir agora, com essa desvalorização do peso argentino =)

 

Bom, tá excelente o roteiro, a viagem vai ser excepcional!

 

Beijos

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Confesso que eu li o título, li seu nome e pensei... 'mas eu já não li relato da patagônia desse ser?' kkkkkk

 

Cara, boa sorte! Circuito O deve ser muito fera!

 

Uns pitaquinhos que vc já deve saber, mas...

- Em El Chaltén, vc colocou uns dias de 'descanso'. No fim vc sabe que vai inventar alguma outra trilha pra fz, né? rs... Mas é sempre bom ter esses dias de gordura que se der tempo ruim ou imprevisto vc queima eles

- Pra mim, pegou dia bonito corre pro Fitz Roy! Nessa época é difícil pegar um céuzão aberto e bem limpo então eu aproveitaria pra fz essa trilha, que foi a que eu achei mais bonita.

 

 

E os gastos estão excelentes... que boa época pra ir agora, com essa desvalorização do peso argentino =)

 

Bom, tá excelente o roteiro, a viagem vai ser excepcional!

 

Beijos

 

Valeu Camila!! Eu também lí seu relato... e não foi só uma vez não... rs ::hãã2::

 

Então, esses dias de "Descanso" são justamente pra isso... se o tempo der merda pra ter opção de adiantar ou deixar de fazer alguma coisa.... mas confesso que dessa vez vai ser punk... muitos km de caminhada seguidos... e com peso nas costas... já estou me preparando... (com medo de arregar) rs. Vamos ver o que dá né? rs....

 

Na última, peguei um tempo fantástico no fitz vc viu?? tomara que dê a mesma sorte... Beijo!!

 

 

Vamo junto?

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Qual o preparo físico preciso pra uma viagem como essa, saberia me dizer quais são as dificuldades? Eu não posso acompanha-lo em sua trip pois já tenho uma viagem para Agosto. Mas estou começando a me interessar por estes trekkings em paisagens tão exuberantes.

 

E parabéns pela organização do seu roteiro, vou adaptar o meu em sua planilha hehehe

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Qual o preparo físico preciso pra uma viagem como essa, saberia me dizer quais são as dificuldades? Eu não posso acompanha-lo em sua trip pois já tenho uma viagem para Agosto. Mas estou começando a me interessar por estes trekkings em paisagens tão exuberantes.

Eu fui em 2012, comecei a preparação física 4 meses antes de ir... caminhando todo dia 1 hora... depois aumentei pra 2 e assim foi... até atingir 10 km por dia de caminhada... e foi suficiente... não dormi nenhum dia na montanha, fiz todas as trilhas bate e volta, sempre intercalando um dia de descanso entre as trilhas mais longas... fiz 25km num dia, no outro descansei... no outro 22km de trilha.. dia seguinte descanso.. deu pra fazer tudo "tranquilo". e eu era um sedentário fudido viu..rs

 

O lugar é tão fantástico que você nem vê o quanto está caminhando, eu começava a trilha quando percebia já estava andando a 3 horas.. sem nem sentir rs...

 

Dessa vez vai ser um pouco mais puxado por conta do Trekking em Torres del Paine 8 dias consecutivos com mais ou menos 20 kg de equipamento nas costas... dessa vez vou ter que me preparar melhor pra aguentar.

 

 

E parabéns pela organização do seu roteiro, vou adaptar o meu em sua planilha hehehe

Valeu!! ::otemo::

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Salve Salve Mochileiros!! ::otemo::

 

É com grande felicidade ::hahaha:: que venho compartilhar com vocês o roteiro da minha segunda investida na Patagônia!

 

A minha primeira viagem está relatada aqui http://www.mochileiros.com/ushuaia-el-calafate-el-chalten-full-day-a-torres-del-paine-novembro-2012-t76633.html

 

A viagem está programada para Outubro de 2014, mais precisamente dia 20. Desta vez a viagem será mais "técnica" digamos, estou priorizando as trilhas em El Chaltén e em Torres del Paine onde farei ou Faremos o Circuito Completo a partir do dia 01/11/14.

 

Busco Cia para fazer essa viagem, não vou mentir.. esse negócio de viajar sozinho não é comigo..rs, segue abaixo o roteiro que pretendo fazer, já com toda as especificações (Custo de passeios, valores de hospedagem, gastos com transporte, etc.)

 

Qualquer dúvida sobre o roteiro é só perguntar aqui ou via face, que segue subscrito. A distribuição dos dias ficou bem legal, (eu acho), distribuí conforme os passeios ou trilhas em cada cidade. Todos os horários descritos no roteiro estão de acordo com os oferecidos pelas empresas de transporte da patagônia, qualquer dúvida é só checar nos endereços "site" das empresas que segue também no roteiro.

 

Logo adiante, postarei um outro arquivo contendo a descrição das Roupas & Equipamentos que acho necessário para a viagem.

 

 

[attachment=0]Trip Patagônia Out-14.xls[/attachment]

 

 

 

 

qualquer coisa, sigo a disposição!

 

 

Man.

 

Como te falei no FACE, to bem interessado nessa TRIP... Mesmo porque, como você disse: " Sozinho é Fodsss".

 

Vou ler com calma seu planejamento e vamos se falando a respeito...

 

Uma coisa é certa, será em OUTUBRO!

 

Grande Abraço e Tamo Junto!

 

Felipe

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Valeu Camila!! Eu também lí seu relato... e não foi só uma vez não... rs ::hãã2::

 

Então, esses dias de "Descanso" são justamente pra isso... se o tempo der merda pra ter opção de adiantar ou deixar de fazer alguma coisa.... mas confesso que dessa vez vai ser punk... muitos km de caminhada seguidos... e com peso nas costas... já estou me preparando... (com medo de arregar) rs. Vamos ver o que dá né? rs....

 

Na última, peguei um tempo fantástico no fitz vc viu?? tomara que dê a mesma sorte... Beijo!!

 

 

Vamo junto?

 

Opa, valeu pelo convite... taí um lugar que eu quero voltar com certeza! O fods é que esse ano minhas férias vão ser em julho, então não rola =/ Tô pensando em pegar um calor dessa vez, fugir da neve! :)

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Ola Amigo!!

 

Acabei de voltar da Patagonia Argentina, e ja estou planejando a minha volta... porem quero fazer TDP, que nao tive tempo habil para fazer dessa vez, e voltar para El Chalten.

 

Voce já bateu o martelo quanto a essas datas? pois estou planejando para dezembro... se tiver interesse! tbm estou procurando companhia...=]

 

ultimo ano de faculdade... meu tcc ta comendo solto...e outubro nao é uma data muito boa...=/

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Fala grande!! Tranquilo??

 

Então, dezembro pra mim não rola :/ por que estou pretendendo fazer outra viagem.. ainda não sei pra onde.. mas que vou fazer é certeza! e será de pelo menos 30 dias... to pensando em sair sem rumo pela América do Sul... sem roteiro... pra poder curtir melhor os lugares que achar mais legais....

 

qualquer coisa tamo ai...

 

abraço

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aproveitando o assunto de torres del paine....rsrs...

 

vc vai levar barraca ou vai ficar em abrigos? se for barraca, vai levar qual?

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Fala Thiago, beleza?

 

Eu queria muito fazer essa viagem para patagônia, só que como seria minha primeira viagem não queria ir sozinho. Haha

 

Estou pensando em ir nessa com você, só preciso tentar trocar minhas férias de setembro para finalzinho de outubro, se eu consigo, vou contigo.

 

Já viu as passagens?

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aproveitando o assunto de torres del paine....rsrs...

 

vc vai levar barraca ou vai ficar em abrigos? se for barraca, vai levar qual?

 

Vou alugar em Puerto Natales, pra comprar é muito caro aqui no Brasil... então vou alugar mesmo, não vou ficar nos refúgios por conta dos preços $$$$, vou levar tudo nas costas... se você for alugar a barraca diretamente em cada acampamento, tem que chegar até o mesmo até as 22:00h. depois disso não consegue mais alugar!

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Fala Thiago, beleza?

 

Eu queria muito fazer essa viagem para patagônia, só que como seria minha primeira viagem não queria ir sozinho. Haha

 

Estou pensando em ir nessa com você, só preciso tentar trocar minhas férias de setembro para finalzinho de outubro, se eu consigo, vou contigo.

 

Já viu as passagens?

 

bixo me adiciona no facedruks, para conversarmos melhor!! Segue subscrito!

 

abrasss

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E aí, Thiago!

 

Obrigado por disponibilizar o seu roteiro, deu pra ter uma noção melhor dos preços!

 

To indo pra lá exatamente nessa época, e to querendo fazer o circuito W. De repente podemos trocar uma ideia!

 

 

Meu e-mail é [email protected]

 

To sem faceboook no momento, mas posso voltar com ele se vc achar melhor

 

Valeu

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E aí, Thiago!

 

Obrigado por disponibilizar o seu roteiro, deu pra ter uma noção melhor dos preços!

 

To indo pra lá exatamente nessa época, e to querendo fazer o circuito W. De repente podemos trocar uma ideia!

 

 

Meu e-mail é [email protected]

 

To sem faceboook no momento, mas posso voltar com ele se vc achar melhor

 

Valeu

 

Respondi no seu email!

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Estou começando a pesquisar e planejara agora minha viagem. Decidi o destino ontem e vamos para a Patagôna. Vou usando milhas, eu e meu marido.

 

Já li que começar por Ushuaia é o mais recomendado. Podemos ficar ate uns 20 dias, entao ha a possibilidade de ir alem do sul da Patagonia. Nunca fomos a Argentina e nem ao Chile (Iguazu nao conta, rs). Pelo que pesquisei, com as milhas que tenho, posso pegar o voo de ida e volta para qquer cidade da Argentina ou de Santiago e mais 2 voos internos (Argentina - Argentina ou Argentina- Santiago)

 

Já analisei seu planejamento e tb li seu relato na viagem anterior. Eu sou totalmente sedentária entao a sua viagem desse ano é muito pra mim, consigo fazer no maximo 1 ou 2 trekkings menores (apesar q depois q subi Wayna Picchu, eu acredito mais em mim, rs). Mas trekking de mochila, ta fora de cogitação.

 

Vou acompanhar e aprender com vcs.

 

Vamos no fim de outubro.

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Cara, to muito afim de ir tbm, mas trabalho embarcado 14x14

teria que ser no max uns 10 dias de viagem. Saio de ferias em marco de 2015 por 42 dias

e to pensando em Patagonia ou eua completo de carro..

 

to procurando cia tbm

 

abrc!

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Estou começando a pesquisar e planejar agora minha viagem. Decidi o destino ontem e vamos para a Patagôna. Vou usando milhas, eu e meu marido.

 

Já li que começar por Ushuaia é o mais recomendado. Podemos ficar ate uns 20 dias, entao ha a possibilidade de ir alem do sul da Patagonia. Nunca fomos a Argentina e nem ao Chile (Iguazu nao conta, rs). Pelo que pesquisei, com as milhas que tenho, posso pegar o voo de ida e volta para qquer cidade da Argentina ou de Santiago e mais 2 voos internos (Argentina - Argentina ou Argentina- Santiago)

 

Já analisei seu planejamento e tb li seu relato na viagem anterior. Eu sou totalmente sedentária entao a sua viagem desse ano é muito pra mim, consigo fazer no maximo 1 ou 2 trekkings menores (apesar q depois q subi Wayna Picchu, eu acredito mais em mim, rs). Mas trekking de mochila, ta fora de cogitação.

 

Vou acompanhar e aprender com vcs.

 

Vamos no fim de outubro.

 

Dá pra fazer as trilhas sim.. numa boa! Basta gostar de andar e ter um mínimo de preparo! Só no caso em Torres del Paine que pesaria um pouco mesmo, por conta do peso da mochila.. mas de resto... da pra fazer numa boa! ::otemo:: Só pra vc ter uma noção, para a viagem de 2012 eu "treinava" uma hora por dia, e 1 x por semana andava de 15 a 20 km. Nada além disso! Nem academia eu fiz. Agora, se você fizer um treino com acompanhamento certinho, da pra fazer TDP também... ainda falta um bom tempo pra Outubro!!

 

Qualquer dúvida, estou a disposição.

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Estava com Bolívia/Chile/Peru planejada e toda certa pra Agosto, mas a empresa ainda não confirmou minhas férias e fui agorinha olhar na TAM como anda a quantidade de pontos necessária pra tirar a passagem e simplesmente uma viagem que me custaria 20.000 pontos agora sai por 80.000...

 

Com isso, cogito bastante a mudança de época e de local da trip (pense em um mochilão que já foi adiado 3x por causa das benditas férias que já já vencem do trabalho!)...

 

Naturalmente minha próxima escolha seria a Patagônia e acabei me deparando com seu tópico :)

 

 

Meu problema seria essa data (Outubro), pq é mês de aniversário da minha mãe e os planos são outros pra época :(

 

 

P.S: vi agora que as datas são após o niver da minha mãe, então :D

 

Vou estudar aqui as possibilidades de passagens com os pontos da TAM :D

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    • Por AAC
      Esta viagem teve início em NOV/2017 - Trilhas pela Patagônia, Torres Del Paine, El Calafate, El Chaltén e Ushuaia, a busca de um sonho!
      Este é um relato longo, que eu expresso após 11 anos sonhando com esta viagem aqui para todos vocês.
      Preludio
      Esta história começou em São Paulo, no Brasil, quando em algum momento de 2005, sim, há mais de 11 anos, eu li um relato sobre quatro amigos que em Novembro de 1998 saíram com dois veículos Renault e desceram rumo a Ushuaia de carro. Km e mais km de rutas, 3 e 40, a mítica 40, e a partir deste momento, despertava em mim o desejo de conhecer o tal fim do mundo de qualquer forma, e inspirado por este relato, e depois por outros, inclusive que aqui li, desenhei o que seria a minha aventura perfeita a esta tal de Patagonia.
      Eu devo ter lido e relido esta e outras histórias umas 2000 vezes, e não me cansava, a cada ano eu programava e desenhava roteiros, estudava mapas, um ano eu queria ir de carro, outro de moto, no outro carro, e com isso alguns anos se passaram e eu não havia conseguido completar esta jornada, de nenhuma forma, até então.
      Em 2013, ainda em SP - Brasil, ja casado então, eu e minha esposa decidimos que iriamos em algum momento de nossas supostas férias, Dez/2013 - Jan/2014. Começamos o planejamento, desenhamos rotas, compramos mapas, tínhamos o carro, minha irmã iria trazer alguns equipamentos do Canadá para nós, ou seja, tudo planejado, nada poderia dar errado, se não fosse uma “certa" jogada do destino…
      Resumo: Meu cunhado e minha irmã nos convidaram para morar no Canadá, indo em Fev/2014 e nós aceitamos, cancelando mais uma vez a tão sonhada viagem………..
      Passa ano, vira ano e sempre falando da viagem, até que em Outubro de 2017, sentado em uma conversa com a minha esposa, chegamos em um consenso de que não conseguiremos ir juntos para a Patagonia, não até meados de Ago/2018…. E em um rompante, minha esposa diz, vai sozinho, e depois vamos de novo juntos. Isto era 21 de Outubro de 2017. Dia 22 eu comprei as passagens e sai do Canada dia 31 de outubro de 2017, exatos 9 dias após a conversa com minha esposa. Como acampamos bastante aqui no Canada, eu tinha quase tudo referente a equipamentos, e de certo, ja havia todo o planejamento mental do que eu gostaria de fazer. Como foi uma viagem sem antecedência, voei com a mente aberta, sem desenhar roteiros, sem reservas de hostel, sem nada, somente com as datas fixas dos vôos, o resto seria desenhado ao bel prazer dos ventos patagônicos, como vocês lerão abaixo.
      Este era o único roteiro planejado:
      01/NOV - Toronto > São Paulo
      04/NOV - São Paulo > El Calafate
      06, 07, 08/NOV - Reserva de campings em Torres Del Paine
      19/NOV - El Calafate > Ushuaia
      25/NOV - Ushuaia > São Paulo 
      Todo o resto fora acontecendo conforme meus passos eram dados, dava vontade, eu fazia, tava cansado? Descansava, dava vontade? Eu ia….
      E assim começa este relato.
      Sábado 04/11/2017 - Dia 01 - BRA -SP - ARG BsAs - ARG El Calafate
      Primeiro dia de viagem, meu Pai me levou para o aeroporto GRU, despachei as malas e meu Vôo saiu de SP as 07:35am rumo a Buenos Aires, 2 horas de vôo, rápido e tranquilo com um pequeno lanche a bordo. A chegada em BsAs foi um pouco conturbada, pois o primeiro vôo saiu um pouco depois do horário programado, com 30 min de delay, que a Aerolineas já havia me notificado por e-mail um dia antes, e me deixado um pouco preocupado, pois a minha próxima conexão seria bem apertada, visto que eu deveria descer do primeiro vôo, pegar a mochila, trocar $$$, (falarei mais disso a frente), e achar o portão para o próximo vôo…. Mas no final deu tudo certo e tudo se encaixou como uma luva.
      Mochilinha na mão, portão de embarque localizado, mochilona despachada de novo e agora era só esperar….
      Saindo de BsAs para El Calafate as 11:15am, vôo lotado, bem diferente do primeiro que veio vazio, do meu lado duas senhoras que estavam voando pela primeira vez… rsrsrs Estavam reluzentes com a novidade!!! Tirei umas 200 fotos para elas, pois eu estava na janela e elas não sabiam usar direito o celular!!! Lol 
      O Piloto anuncia, “Srs passageiros, sugiro fotografarem e filmarem bastante, este tempo lindo e aberto, sem absolutamente nuvens não é tão comum aqui, então aproveitem!!!” Recado dado e aceito, fotos e filmagem a rodo do avião !!! Rsrsrs

      Chegada as 02:30pm, super tranquila, peguei a mochila, tirei a capa de proteção, embalei tudo e perdi uns 15 minutos em êxtase por ter chego a Patagônia, por estar dentro do meu sonho, e também observando o aeroporto e as pessoas sairem e pegarem taxis ou vans em sentido a cidade.
      Depois destes minutos de êxtase, dei-me conta que não tinha reserva de nenhum hostel ou similar, e que deveria procurar algo pra começar… kkkkkkk
      Tentei conexão com a internet do aeroporto de El Calafate, mas como vim a descobrir depois, a internet na Patagônia não é lá muito funcional… e a net do aeroporto não estava funcionando.
      Bem, pedi um taxi....
      taxista: “Para onde sr?” 
      Eu: Não sei, me leva para a cidade…..
      Taxista:”Como assim? Vc não sabe par onde vai? Não tem reserva?” 
      Eu: Não, não tenho…. Me leva para a cidade q está bom… vc me indica algum hostel?
      Taxista:”Chê, você é doido…kkk vamos então!
      Batemos um papo durante os 16km de distância entre o aeroporto e a cidade e acabei parando no America del Sur Hostel, paguei os absurdos ARG$480 pelo táxi, o preço é tabelado, e fui para a porta do hostel.
      Recepcionista me pergunta, tem reserva? Digo, eu não, tem cama? Recepcionista, tá é doido….kkkk mas tem sim… cama comprada, lá vamos nós começar a passear pelo hostel e arrumar as coisas e pegar informações.
      O staff do hostel foi muito bacana, me ajudaram com todas as informações que eu necessitei, o hostel em si é muito bonito e bem infra estruturado, por sinal posso dizer que foi o mais legal/bacana que eu fiquei durante esta trip. Paguei CAD$ 20 pelo quarto, este com 4 camas beliche e locker espaçoso o suficiente para colocar a mochila inteira dentro. Você tera que usar seu próprio cadeado para tal, não se esqueça. Banheiros dentro do quarto e água quente ok!
      Bem, passagem para Puerto Natales no Chile comprada, agora é só curtir um pouco o hostel e descansar.
       
      Domingo 05/11/2017 - Dia 2 - ARG El Calafate - CHL Puerto Natales
       
       
      De acordo com o staff do Hostel o ônibus passaria na porta do hostel as 5:45am, acordei mais cedo, empacotei tudo que precisava e sai para tomar meu desajuno. Café da manhã incluso na diária, e bem completo, com direito a pães, ovos, cream cheese, dulce de leche, café leite, sucos entre outras coisinhas.
      Conversei um pouco com uma Californiana que também iria para TDP e pegamos o ônibus.
      Viagem tranquila e sem percalços, com uma parada no meio do nada para café e WC.
      Alfândega tranquila e sem novidades, leva um tempinho para passar para o Chile, mas nada fora do normal. Aqui, se você tem algo proibido, você será revistado, inclusive eles tem raio-x para verificar sua bagagem. Você não pode carregar nada de frutas-verduras, mel, carnes, etc… inclusive carne seca.
      Foram 352km rodados em 04h30m, chegada em Puerto Natales tranquila, fui caminhando até o Hostel Last Hope, uns 10 quarteirões da rodoviária… Hostel bem honesto, CHL$13.800 pagos, quartos com 4 camas tipo beliches, e locker pequeno, serve para guardar valores e pequenos itens, a mochila não cabe e ficou no chão. Banheiro e chuveiros compartilhados e fora dos quartos, banho quente ok. Larguei tudo pelo hostel e fui passear na charmosa cidade de Puerto Natales para buscar algumas coisas que eu precisava.

      Lembrando que, na Patagonia, tudo fecha para almoço e só abre a tarde, tipo 4:30pm…kkkkkk e par piorar, ainda chegue no Domingo!! Bem, achei um mercado aberto, comprei algumas coisas tipo amendoim e chocolates para levar, e comida para minha janta.

      PS: Não espere muito dos mercados de Puerto Natales, não tem muita variedade, e se você der azar como eu de chegar em um Domingo, vai pegar todas as prateleiras vazias….
      Bem compras feitas, fui em busca de álcool para meu fogareiro, no mercado não tinha, então a próxima parada foi em um posto de gasolina. 
      Bem, no chile não tem álcool combustível, mas o anti congelante para carros é basicamente álcool e serve como tal. Cheguei no posto e perguntei sobre para o frentista, e o mesmo me informou que o anti congelante estava no armário do posto, o rapaz que estava com a chave do armário so voltaria no dia seguinte… como embarco amanha as 7am não daria para esperar, fui em busca do plano C = Farmácia.
      Lembra que era Domingo? Pois bem, tudo fechado kkkk mas descobri que uma farmácia tem q estar sempre aberta, então me disseram para bater na porta. Foi o que fiz e alguém abriu para mim!!!! Aleluia! Fui direto na prateleira e achei a última garrafa de álcool disponível na cidade, acredito!!! Kkkkk Álcool comprado, voltei ao hostel para jantar e descansar.
      Comprei a passagem para TDP no Hostel mesmo, o preço é o mesmo que na rodoviária, então sem problemas. Fui jantar e descansar.
      Segunda-Feira 06/11/2017 - Dia 3 - CHL Puerto Natales - CHL Torres del Paine Camping Las Torres
       

      Levantei bem cedo para arrumar tudo e tomar cafe, também incluso no preço, com Paes, queijos, presunto, sucos, leite, etc. Acabei me atrasando e tive que correr 10 quarteirões de subida até a rodoviária para não perder o ônibus. Detalhe, 19.5kg de mochila!!!! Kkkkkkk Peguei o ônibus e lá fui para Torres del Paine.

      116km rodados em 1h35m, viagem rápida e tranquila. O ônibus para na portaria, la pagamos as entradas e assistimos o vídeo explicativo sobre as regras, na sequência pegamos o ônibus que faz o transfer do pessoal da entrada do parque para o Camping Las Torres.
      Ao chegar na portaria do hotel Torres, caminhei um pouco até a entrada do camping, aonde fiz meu check in e fui procurar um spot para montar minha barraca.
      Barraca montada e pronta, pequei a mochila de ataque com agua e lanche, alem das roupas impermeáveis e fui a caminho “das torres”!!!!!

      Eu estava empolgado, muito empolgado! Empolgado ao extremo!!!! Eu ja falei que estava empolgado? Kkkkk 
      Afinal depois de mais de 11 anos vendo fotos e lendo relatos, eu estava lá! Indo, caminhando em TDP!!! Não cabia em mim de tanta felicidade! Por isso comecei a trilha para as Torres empolgadíssimo, indo a milhão montanha acima! Primeiro erro, isso iria cobrar um preço, que logo vocês saberão.
      Clima perfeito, céu azul, quase sem nuvens, temperatura super agradável, calor rolando, subi a montanha como se não houvesse amanhã, parei para um brevíssimo descanso, segundo erro, no camping Italiano, tomei agua, comi um snack e continuei subindo.
      Como era de se esperar, cheguei no último km quase morto, cansado, e o último KM é o pior, com uma subida de pedra horrível e chata, que eu ja sabia, mas a empolgação me cegou ate este momento.

      Meus joelhos começaram a reclamar, e a energia havia acabado, cada pedra escalada parecia que meu coração iria sair pela boca. O que ajudou foram as pessoas que estavam descendo, te dão a maior força! “Tá chegando”, “Vai que você consegue!”, “Não desiste, você está quase” e por ai vai, te dá o maior animo, e realmente me ajudou a chegar lá!
      Quando cruzei a última pedra e visualizei as torres e o lago, meus olhos marejaram, não aguentei. Parei por um minuto em um choro interno. Mas um choro de conquista, de realização, da pura felicidade. É engraçado mas não me conti, passado um minuto, caminhei em direção ao lago das torres e caminhei sem sentido batendo fotos e fazendo vídeos.
      Me dei conta que precisava descansar um pouco, e ao mesmo tempo começou um vento forte com chuva, tive que por a roupa impermeável, sentei e descansei, comi mais um snack, tomei agua, respirei um pouco e aproveitei a vista e o momento.
      Bati mais fotos, filmei e comecei a me preparar para a descida, afinal no topo da montanha o clima não estava mais muito amigável.

      Do camping Las torres até a base do mirador foram 10.30km, 3h40m, 812m de acensão.
      Iniciada a volta, logo no começo da descida de pedras, tomo um belo de um escorregão e caio sentado, como se não bastasse, um dos bastões escapa da minha mão, cai, bate em um pedra e ricocheteia no meu nariz!!!!! Além de cair tomo uma bastonada no nariz!! Kkkkkkk Vou falar que ficou doendo por 3 dias essa pancada! Kkkk Me levanto e continuo, a volta ocorre sem problemas ate a barraca.
      No camping torres, toda a infra estrutura estava funcional, WC, chuveiros, agua quente etc, tomo um belo banho, e vou preparar minha janta, fico ainda um pouco caminhando pelo camping e vou dormir na sequencia. Desnecessário dizer que simplesmente desmaiei.
      Terça-Feira 07/11/2017 - Dia 04 TDP Camping Las Torres - Camping Francés
      Acordo cedo, não lembro a hora, mas era bem cedo, preparo meu café da manhã de ovos mexidos com bacon e café preto que eu adoro, empacoto tudo e me preparo para caminhar até o Camping Francés.
      Começo a caminhada empolgado, localizo o inicio da trilha e meto o pé!
      Bem, vocês se lembram que no dia anterior falei que pagaria um preço por um erro cometido, pois bem, o preço começou a ser cobrado aqui, a apenas 1 hora de trilha iniciada….
      Começo a sentir um incomodo na minha perna direita, para ser preciso no músculo da batata da perna direita, não precisa dizer que a distensão leve chegou apenas alguns minutos depois………………
      A partir dai tudo se complicou, mochila pesada, trilha de pedra com bastante partes de agua, e por ai vai…. 2 horas depois não conseguia apoiar meu pé direito completo no chão, a trilha se tornou um pesadelo.

      No mapa do parque, o tempo de trilha é de 6h30m do camping torres até o camping Frances, levei 8h50m para percorrer os 17.04km de trilha. Parei bastante para fotos e vídeos também! Cheguei no camping Francés morto, exausto, só cheguei pois estava com bastões de caminhada, que me permitiram caminhar sem ter que apoiar todo o pé direito no chão. Honestamente se não fossem os bastões não teria chego. Localizei o check in do camping, e corri o mais rápido que eu pude para armar a barraca e tomar banho.
      Banho quentinho tomado, higiene feita, fui preparar a janta. Emocional recuperado, estômago apaziguado, hora de cuidar das pernas e pés. Tomei um anti inflamatório para meu músculo distendido, cuidei dos meus pés e desmaiei pela segunda noite consecutiva. Sono dos anjos.
       

      Quarta-Feira 08/11/2017 - TDP Camping Francés - Vale Francés
      Acordei recuperado, energias mil, afinal eu estava na Patagonia, caminhando em TDP! E hoje o dia prometia, eu tinha reservado duas noites no camping Frances, então hoje eu caminharia leve pelo vale do Francés ate o mirador Britânico, e foi exatamente isso que eu fiz.
      Abro um parênteses aqui, quanto acordei, percebi que o anti inflamatório fez efeito, e eu me sentia bem melhor das dores, o que significa que eu estava sim sentindo dores ruins, mas eu conseguia caminhar sem a ajuda dos bastões. Por isso, como iria só com mochila de ataque, paguei para ver como seria o dia.
      E o dia foi ótimo, clima perfeito como nos outros dias, sensação a mil de estar em TDP e um incomodo em meu calcanhar esquerdo……
      Percorri os 7.36km para o mirador Britânico em 3h40m, vale ressaltar aqui que o último km também é uma bela subida de pedras ao melhor estilo Mirador Torres, mas menos pior por assim dizer.
      Um ponto interessante é que no camping Francés voce escuta o som de avalanches, e que do mirador Frances e mirador Britanico voce com sorte conseguira ver alguma, eu vi!!!! Kkkkkk
      Voltei ao camping Frances e como de costume, tomei um excelente banho quente, jantei, bati um pouco de papo com os outros caminhantes, cuidei dos meus pés e capotei.
       
      Quinta-Feira 09/11/2017 TDP Camping Francés - Camping Paine Grande - Puerto Natales
      Lembram do incomodo no meu calcanhar esquerdo?
      Pois bem, levantei, WC, cafe da manha e preparação para caminhar até o Camping Paine Grande.
      Aqui a história tem um desfecho, eu descobri que tinha bolhas de sangue em meus calcanhares…. Sim terríveis bolhas… explico: eu nasci com as pernas tortas, e levei meus primeiros 9 anos de vida usando botas ortopédicas para tentar corrigir o problema. Por isso, tenho calos “cronicos" nos dois calcanhares, que camuflaram as bolhas!!! Como eu machuquei a perna direita, sobrecarreguei o calcanhar esquerdo, de acordo com meu amigo médico….
      Aqui vale outra ressalva: Eu só tinha reserva para os campings feita até hoje, 1 noite torres, 2 noites francês, eu não havia conseguido as reservas da (Terrivelmente péssima empresa), vértice patagonico, eles não atendem telefone e muito menos respondem e-mail, eu liguei para eles mais de 200x sem brincadeiras….. e sem sucesso.
      Seguindo as indicações do gerente do hostel, se eu chegasse e pedisse eles são obrigados a te “liberar" para acampar, mediante pagamento em especie, lógico.
      Ressalva feita, eu discuti comigo mesmo e as opções seriam, caminhar ate Paine Grande e ver como minha perna + calcanhar reagiria, se estivesse ok, acampava no Paine Grande, se não, pegava o catamarã para Pudeto e consequentemente voltaria para Puerto Natales antes do previsto.
      Desnecessário dizer que mal consegui chegar em Paine Grande com a bendita distensão e as bolhas. 9.44km percorridos em 3h, Fui direto para a fila do catamarã e embarquei no das 11h30am sentido Pudeto > Puerto Natales.

      Cheguei na cidade e parei no primeiro Hostel na frente da rodoviária, não me lembro o nome, a dor não me deixava pensar muito, e paguei caro pois não tinha mais quartos compartilhados, somente single, a dona até tentava ser simpatica, a internet não funcionava e a casa toda de madeira rangia ao menor passo que você desse.
       Não era ruim, mas o fato de pagar caro, estar sentido dores, e não ter internet, me deixaram puto da vida e descontente, sem contar que foi o café da manha mais fraco de todos os hostels ate agora.
      O fato de ficar sem internet por si so não era um problema, mas como minha esposa estava em casa, falar com ela um pouco seria muito bom, visto que ela estava a 10.000km de distância, e também seria interessante pesquisar meus próximos passos/hostels durante os próximos dias.
      Ponto bom, ficar em um quarto sozinho me deu certa liberdade, lavei roupas no WC e sequei no aquecedor do quarto, dormi a vontade e tive a liberdade de cuidar das minhas bolhas tranquilamente. Ou seja, tudo tem o seu lado bom, e estes próximos dois dias de descanso seriam fundamentais para o resto da viagem.
       
      Sexta-Feira 10/11/2017 - CHL Puerto Natales - ARG El Calafate - El Chaltén
       
      Sábado 11/11/2017 - El Chaltén - Camping Poincenot - Laguna de Los Três
      Acordei cedo, fui até um café em frente ao hostel, comi um tostado de queso e jamon, café e ovos, terminei meu desajuno e fui até os guarda parques pegar mais informações e partir para trilhas, como as trilhas são relativamente mais curtas, não me preocupei em sair super ultra cedo.
      Após conversar com os guarda parques, decidi subir para o camping Poincenot, rumo a laguna de los três. A trilha começou e terminou super tranquila, sem graus de dificuldade, e relativamente plana e sem percalços. Como de costume, a última milha sempre é a mais difícil, pedras, subidas, mais pedras e tal, mas nada fora do padrão patagonico de ser!! Kkkk
      Foram 10.70km caminhados em 03h11m com 401m de ascensão até o camping Poincenot, e depois mais 2.27km caminhados em 01h19m com 351m de acénsão em pedras, do Poincenot  até a laguna de los três. 
      Voltei, armei acampamento, preparei tudo, jantei, descansei, conversei com um casal de argentinos gente boa, conheci outro argentino muito gente boa também, papeamos e entrei para a barraca para descansar. No camping Poincenot é somente uma área para acampar, não possui nada, somente uma “casinha" que nada mais é do que um buraco no chão para fazer as suas necessidades, não possui chuveiros ou qualquer outro tipo de serviço. Neste dia o banho foi de toalhinha…kkkkkkk
      Domingo 12/11/2017 - Camping Poincenot - Camping De Agostini - Laguna Torre
      Como de costume, acordei cedo, tomei café, arrumei tudo e parti rumo ao próximo acampamento. Fora uma noite muito tranquila, sem novidades, um descanso providencial.
      Caminhei por uma trilha transversal, que liga as trilhas da Laguna de Los Três com a Laguna Torre. Trilha calma e tranquila, 10.85km, em 03h14m com 151m de elevação, trilha super plana e sossegada, encontrei um grupo de brasileiros, conversamos um pouco e segui caminho até o camping. Como de costume, arrumei o acmpamento, fui passear até a Laguna, voltei e descansei, dia calmo e sem novidades.
      Segunda-Feira 13/11/2017 - Camping De Agostini - El Chaltén
      Acordei, como de praxe tomei café debruçado nos mapas das trilhas e desenhei o que seria os meus próximos dias. A ida a Laguna Toro e a sequencia O “Passo Del Viento” !!!! 
      Obrigatóriamente eu deveria voltar para a cidade, não se pode fazer esta trilha sem prévia autorização dos guarda parques, sob pena de tomar uma bela e cara multa se você for pego. 
      Foram 9.71km de caminhada descendo a montanha em direção a cidade, feitos em 2h52m.
      Como não era a minha intenção, planejei a volta para a cidade, e neste dia voltei para o Hostel, tomei um delicioso e merecido banho quente e cai na rua para providenciar tudo o que eu precisaria para meu próximo dia.
      Para fazer a trilha da Laguna toro + Paso Del viento, você necessita de uma cadeirinha de rapel, com as respectivas cordas e mosquetões, pois em um determinado ponto desta trilha, existe uma tirolesa para cruzar o rio Tunel, e você devera possuir tudo isso para faze-la, sem este equipamento, você não consegue a autorização.
      Já seabendo destes requisitos, fui até uma loja de aluguel de equipamentos, aluguei tudo o necessário e voltei para o hostel para arrumar tudo, jantar e descansar para a próxima trilha.
      Terça-Feira 14/11/2017 - El Chaltén - Laguna Toro
      Acordei não muito cedo, pois antes de entrar na trilha precisava da minha autorização, e os guarda parques so começavam atender as 9am. O bom é que a trilha começa atrás da casa dos guarda parques….rsrsrrsr
      De posse de todo o meu equipamento, me apresentei, preenchi todos os papeis necessários, você é obrigado a mostrar para eles todo o seu equipamento, como, cinto de rapel com linha da vida e mosquetões, fogareiro com comida, bastões de caminhada, mapa de papel das região, GPS (não obrigatório mas recomendado), Radio VHF, (não obrigatório mas recomendado), barraca e saco de dormir, etc. Basicamente tudo para um camping.
      Tudo mostrado o guarda parques me disse que não recomenda que eu fizesse esta trilha solo, mas me autorizou. Ele me explicou que legalmente não pode me proibir de fazer sozinho, mas definitivamente não é recomendado. Ele ainda me disse que provavelmente eu ficaria bem por possuir experiência anterior em rapel e resgate em cordas, mas me recomendou muita atenção e cuidado, com bastante precaução.
      Observação importante aqui: Você assina sobre sua responsabilidade que qualquer problema que você tenha é sua a responsabilidade, e se eles tiverem que te resgatar, você ira arcar com todos os custos necessários e pertinentes ao resgate. Lembrando que é uma região bem difícil de resgate.
      Burocracia cumprida, segui montanha acima em direção a Laguna Toro.
      16.74km caminhados em 5h37m, 698m de elevação, com um pico de subida de 1040m de altitude. É uma bela e cansativa subida, com uma bela descida na sequencia.
      Nestes dois dias de descanso que antecederam o dia de hoje, eu tive uma recuperação excepcional da distensão na perna, e uma excelente melhora nos meus calcanhares, (bolhas), e extremamente motivado para fazer esta trilha, a fiz em tempo recorde, rsrsrs.
      Esta não é propriamente uma trilha fácil, muito barro e água, muitas de subida lisa, muita descida lisa, vacas selvagens e muito pasto, pasto até não acabar mais, e por todo este pasto, charco e turba, muito charco e muita turba encharcada.
      É muito fácil se perder nesta trilha, e muito fácil atolar também, em algumas partes, o pasto turba é fundo, e você pode se enrascar sozinho….rsrsrs
      Nada de ruim aconteceu e cheguei tranqüilamente ao acampamento Lagura Toro.
      Escolhi um belo spot para montar minha barraca e como a dita laguna fica um pouco depois do camping, fui caminhar um pouco.
      Como de praxe, jantei me arrumei e fui descansar… so que não! Rsrsrs
      3:30 da madrugada, acordo ouvindo algo no arredor da minha barraca….humano? Não…
      Sim um animal, meio distante ele começa a circundar minha barraca, 1, 2 voltas em torno….
      Minha mente calcula possibilidades: Vaca? Veado? Não, eles tem casco e o barulho é diferente, eles não são animais noturnos….
      Lebre? Acho q não, elas não espreitam….
      Zorro ou Puma? Talvez……. Minha mente estava a milhão… estou acordadissimo e alerta, minha faca na mão, continuo deitado em silencio completo, só pressentindo e avaliando…..
      O suposto animal dá mais uma volta mais perto da minha barraca e “encosta" o focinho na minha cabeça e “respira”…. Uma bela de uma fungada na qual senti até o ar quente!!!!
      A barraca é diminuta, minha cabeça estava encostada na parede, nesta hora com a minha faca em mãos, bati com toda força a faca em uma frigideira que eu tinha, fazendo um estridente barulho, imediatamente abri o zíper da barraca e olhei ao redor…. Como era de se esperar não vi nada….
      Acabou que acordei quatro pessoas que estavam também acampando, e nada vimos.
      Não conseguia mais dormir, ficava pensando na sensação do animal encostando o “nariz” na minha cabeça, e um pouco depois comecei a sentir o famoso vento patagonico.
      Sim amigos, ele faz barulho igual ao Godzilla, e bate forte, muito forte.
      Depois que começou a ventar foi mais difícil ainda voltar a dormir…
      Quarta-Feira 15/11/2017 - Laguna Toro - El Chalten
      A barraca aguentou super bem toda a pressão, entortou, balançou, chacoalhou mas aguentou excepcionalmente bem!!! Mas o pior eu descobri ao amanhecer… este vento todo rugindo, levanta muita poeira, um pó extremamente fino, que entrou em tudo, barraca, mochila, roupa, saco de dormir… em resumo, tudo! Eu tinha 3mm de pó dentro de tudo!!! Kkkkkkkk
      Com muito custo consegui fazer um café com pó….rsrsrrr mesmo depois do vento arremessar meu fogareiro com água e tudo a mais de 200m de distancia!!! Kkkkk Sim, não estou brincando, mas no final deu tudo certo.
      Uma nota:
      Em El Chalten não tem previsão do tempo, o mais perto que existe é a previsão de El Calafate, o que torna impreciso, você pode consultar o windguru mas também não é exato, e eu sabia que o dia de hoje existia uma previsão de piora com aumento significativo de ventos e tempo fechado.
      Tal qual previsto, o dia amanheceu terrível, ventos fortíssimos, chuva, nuvens fechando tudo….
      A idéia de ir ao passo Del viento era a de justamente ver os gelos glaciares patagonicos, um dos três campos de gelo do mundo, os outros dois estão no polo sul e na Groenlândia.
      No acampamento os ventos estavam na ordem de 100km/h, tudo fechado por nuvens, chuva… imagina no passo Del viento, so para chegar lá são 6 horas de caminhada em pedras para ir, e mais 6 horas para voltar….
      Visto que teria 48 horas de mau tempo, eu não teria esse tempo livre, a prudência me fez abortar a ideia de visitar o passo Del Viento, o pessoal que estava no camping junto comigo até tentaram me convencer, mas não aceitei a idéia e no final todos decidiram descer comigo. Seria a melhor decisão tomada, visto o mau tempo.
      O tempo de fato não melhorou este dia, e voltamos para a cidade para desfrutar de um bom banho quente e descansar mais um pouco.
      Quinta-Feira 16/11/2017 - El Chaltén - El Calafate
      Acordei, arrumei tudo, almocei e embarquei para El Calafate novamente, este dia foi sem novidades, somente aproveitando para caminhar a esmo e descansar… aproveitei para caminhar pelas ruas de El Calafate, coisa que até então não havia feito ainda.
      Sexta-Feira 17/11/2017 El Calafate - Glaciar Perito Moreno
      Na noite anterior comprei um pacote no próprio hostel, America Del sur, de passeio para o Glaciar Perito Moreno, com um extra de passear em uma estancia local com apoio de guia.
      Foram ARG$700 pesos pelo passeio que me pegou na porta do hostel as 7am.
      Ida tranquila, conhecemos uma estrada de rípio muito bonita, o clima realmente ajudou aqui, céu limpo e muitas belas paisagens. Conhecemos uma bela estancia gaucha, com seus costumes e animais de criação, tomamos café, ouvimos um pouco de história, passeamos pela propriedade e voltamos para o ônibus. Durante todo o percurso, a guia e o motorista explicam coisas sobre historia local e as paisagens, inclusive parando para fotos, recomendo este passeio.
      Chegamos no Glaciar, ouvimos as instruções da guia e seguimos cada um para seu lado, a caminhar e apreciar o glaciar. Tínhamos basicamente 3 horas livre de passeio.
      Passeei, filmei, fotografei, observei, vi gelo caindo, e realmente o Glaciar é muito grande… valeu cada minuto apreciando. Não achei que vale a pena navegar. O barco não chega perto do glaciar por segurança, e em alguns pontos a plataforma fica mais perto do glaciar do que o barco, então não fiz esta parte do passeio e economizei uns pesos!!! Kkkk 
      Na hora combinada, todos se encontraram no ônibus e voltamos para a cidade, lembrando que o glaciar fica a 80km de distancia da cidade de El Calafate.
      O Resto do meu tempo livre gastei passeando pela cidade.
      Sábado 18/11/2017 - El Calafate
      Aqui mais um dia aproveitando a cidade de Calafate e comprando lembranças para a família. Aproveitei o tempo para um tour gastronômico e experimentando sorveterias deliciosas! Rsrs
      Dia calmo e sem novidade, aproveitei para organizar muitas coisas do equipamento, falar com a família, organizar finanças e descansar mais.
      Para ir ao aeroporto no dia seguinte, contratei um taxi no hostel mesmo, caríssimos ARG$300, imagina? Preço tabelado…
      Domingo 19/11/2017 - El Calafate - Ushuaia
      Ushuaia é uma cidade impar, cravada no final de tudo, aonde o vento faz a curva, e os mares se encontram, ela tem um charme especial, magnético, ela é simples, cravada no pé das montanhas, mas com charme único.
      Como em Ushuaia decidi não fazer trilhas para acampar, mudo aqui um pouco o estilo do relato, deixando de lado o dia a dia e focando na cidade.
      Conheci no Hostel um brasileiro, Bruno, e dois argentinos, Nicolas e Julian, pessoal gente muito boa, fizemos amizade e combinamos um passeio os 4 no Parque Nacional Tierra ele Fuego, ARG$500 pelo transfer ida e volta + ARG$300 de entrada do parque, passamos pelo correio do fim do mundo, caminhamos pelas trilhas do parque, circundando o canal de Beagle, visitando a Laguna Roca e finalizando no “final” da Ruta 3.
      Quando cheguei na mitica placa do final da ruta 3, aquela mesmo que eu tinha visto tanto em fotos, um sorriso não saia do meu rosto, um misto de alegria e felicidade por tel alcançado um sonho. Nem parecia verdade, mas era…
      Neste mesmo dia, combinamos de jantar uma Centolla, (pronuncia-se cem-tô-ja), no Chiko Restaurant, típico carangueijo gigante da patagonia, também conhecido como King crab. Fomos ao restaurante e experimentamos um Chupe de Centolla, servido com um creme delicioso de batata e queijo parmesão, valeu cada centavo, comemos e bebemos muito bem, saiu ARG$750 para cada um dos quatro, um pouco caro mas experimentem, realmente delicioso!
      Em minha exclusiva opinião, eu achei a Patagônia um pouco cara, mesmo morando no Canada, e gastando em dólar, achei tudo muito caro, o que me fez optar por alguns passeios e  pular outros.
      Caminhei muito a pé, economizando para comer outro prato que eu gostaria de experimentar, o salmão com centolla e batatas noissetes. Desnecessário dizer que estava delicioso! Experimentem.
      Fui visitar o Museo Marítimo y Del Presidio de Ushuaia, ARG$300 pesos e vale para dois dias se assim você quiser, basta ao final do seu passeio solicitar o carimbo para poder voltar no outro dia.
      Passeio tranquilo, aonde você aprenderá sobre a história local e da prisão e conhecera um pavilhão intocado, todo original, recomendo.
      Tambem fiz a navegação do Canal de Beagle, ARG$1700, aproximadamente 6 horas de passeio ida e volta, você sai do porto, conhece o canal de beagle, o farol do fim do mundo, pequenas ilhas pelo canal, vê muitos pinguins e lobos marinhos, para na beira de uma ilha cheia de pinguins e volta. Todo o passeio tem guias explicando tudo em espanhol e inglês. Passeio bem tranquilo e agradável. Como previsto bastante vento, chuva e frio, vá agasalhado.
      Eu e o Julian fizemos a trilha da Laguna Esmeralda, o Bruno e o Nicolas ja tinham partido, trilha cheia de lama e barro. A trilha em si não é difícil, o problema é escapar do barro e da lama, sem dizer dos campos de turba, terríveis. Vi muita gente afundando a perna até o joelho no barro ou na turba, inclusive ajudamos uma menina com o namorado a sair da lama, ela estava presa na lama acima do joelho.
      Como estávamos usando bastões, fomos tateando o terreno antes de pisar e nos demos bem!!! Fica a dica. O pessoal que não estava usando literalmente se afundou na lama…. Rsrsrs
      Linda Laguna, verde emeralda, dai o nome, mas voltamos logo pois o tempo não ajudou muito. Avistamos também as castoreiras, mas nenhum castor
      Fui passear no shopping center Passeo del fuego, visitei o Museo del Fin del Mundo, andei pelos “duty frees” da cidade, conheci todas as ruas e avenidas, fui jantar um “tenedor libre”, (rodizio) de carnes argentinas! Kkkkkk
      Esta foi uma atração a parte, o Julian fez questão de me levar a uma churrascaria de rodízio para que eu experimentasse todas as carnes argentinas, inclusive o tão famoso cordeiro patagonico de Ushuaia, uma delicia a parte. Provei todos os cortes e sabores, realmente uma delicia, me apaixonei por uma costela, que infelizmente não me recordo o nome, mas fica a dica, experimentem!!!!
      Sábado 25/11/2017 - Ushuaia - São Paulo
      Dia de voltar, a última parte da minha trip acabou. Ficou a vontade e acampar no parque nacional, o tempo não ajudou, mas a aventura foi maravilhosa, gosto de quero mais.
      Se eu planejasse não teria sido tão perfeito, tudo tão acertado. Aproveitamento máximo, agora é so planejar a volta com a esposa, quem sabe o ano que vem!!!!! 
      Resumão de dicas
      Dinheiro / Cartões de Crédito
      Eu levei cartões de crédito e US$700, que troquei uma parte por pesos no aeroporto de Buenos Aires.
      As cidades pequenas não tem casa de cambio oficial, você poderá trocar dinheiro com os comerciantes, muitas vezes não vale a pena. Esteja preparado para isso. Nem todos aceitam dólares, principalmente na alta temporada, aonde tem muita oferta.
      Tanto no Chile quanto na Argentina, você encontrara bancos e caixas eletronicos, você poderá sacar e moeda local sem problemas, no Chile esta foi a minha única opção, precisava de peso chilenos em pleno Domingo e iria sair as 7am da segunda. Na próxima viagem levo um mínimo de dólares e saco tudo no local, não tive problemas com cotações ou taxas abusivas, na verdade foi bem prático e simples sacar no cartão.
      Hostel / Hotel 
      Não reservei praticamente nada, chegava e procurava, usei o aplicativo Hostelword, magnífico e funcional, não tive nenhum problema, usei e abusei, imprecindivel para a viagem.
      So tome cuidado com a alta temporada, você pode não ter a mesma sorte.
      Dias livres
      Programe dias livres entre as trips/cidades/passeios, como eu expliquei acima, se algo te acontece, você tem tempo para respirar e se ajeitar, os dias de decanso foram fundamentais para a minha recuperação e aproveitamento da viagem depois. Não abra mão disso, ou diminua o numero de passeios/cidades. Não corra riscos desnecessários correndo entre cidades, deixe algo para depois, é uma excelente desculpa para voltar!  
      Comida
      Não abro mão de experimentar a culinária local em minhas viagens, mas normalmente sai caro, por isso, nos outros dias usei e abusei da cozinha do hostel e comprei comida em supermercados locais, você gasta menos e tem a chance de fazer muitos amigos!!!!
      Segurança
      Em todas as cidades que visitei pela Patagonia, não me senti inseguro em nenhum momento. Andei sozinho por tudo e sempre muito tranquilo. No hostel use o locker para coisas de valor, passaporte e eletronicos. Eu deixei várias vezes celular carregando na tomada sem estar perto e não tive problemas. Inclusive todo o meu equipamento, como mochila cargueira etc, ficava sempre no chão do quarto.
      Aeroporto
      Hoje em dia voar é super tranquilo, mas a segurança no aeroporto e muito maior e rigorosa, evite itens proibidos nas malas de mão, leve uma mala pequena ou mochila pequena com você e despache a mochila maior. Leve uma garrafa de água vazia e deixe para encher no bebedouro depois do raioX. Quanto mais leve no aeroporto melhor, e sempre confuso e so piora com as pessoas demorando para embarcar com suas mochilas gigantescas que não cabem no guarda volumes do avião, evite fila, todos vão entrar na aeronave, sem excessão, normalmente quem esta no fim do avião embarca primeiro, então fila é inútil.
      Dica pessoal
      Vá leve, indepente se você esta indo para turistar, ou indo para trilhar, vá leve. O máximo que você puder. Corte peso de tudo, roupas desnecessárias, objetos sem uso para viagem, corte tudo, ainda mais se você estiver indo para trilhas, lembre-se que você vai carregar isso por todo o tempo, inclusive no aeroporto! Kkk 
      Equipamentos que eu levei
      Barraca The North Face Stormbreak 2
      Colchão Big Agnes Insulated AirCore Ultra 3 season
      Saco de dormir The North Face Aleutian -7C
      Mochila Deuter ACT Lite 65 +10
      Mochila de ataque ultralight
      Fogareiro Trangia 27-4 UL (otimizado para uma pessoa só)
      Bastões de caminhada Black Diamond Trail Poles Aluminum 460GR
      Lanterna de cabeça Petzl Zipka 200 lumens
      Lanterna de barraca Coghlan’s Led Micro Lantern
      Canivete suíço Victorinox com faca, e mais algumas funções
      100 metros de paracord 550
      2 Sacos de compressão Outdoor Research UL (1 para saco de dormir, 1 para roupas) 
      1 Filtro de água Sawyer mini
      2 garrafas de água flexíveis platypus 1L e 500m
      1 pá cat hole
      1 Powerbank 20.000 mAh Aukey
      Mosquetões variados para múltiplos usos
      Sacos plásticos diversos (lixo, etc)
      Fita adesiva Gorilla Tape / Silver Tape
      Câmeras video/foto
      1 Gopro Session com SD Card de 64GB
      1 Iphone SE 64GB
      Comida
      15 pacotes variados de comida liofilizada incluindo refeições, carne seca, (Jerk beef) e cafés da manhã
      Café solúvel Starbucks VIA Instant, embalados individualmente
      Pelas cidades que passava comprava sempre algo mais, doces/chocolates, amendoins, macarrão, etc.
      Roupas
      2 calças segunda pele, sendo uma ventilada especial para esportes
      2 camisetas de manga longa, sendo uma especifica para caminhadas e transpiração
      2 camisetas manga curta dry fit
      1 shorts curto dry fit
      1 calca/bermuda nylon Columbia
      1  fleece fino Mountain Warehouse
      1 jaqueta ultralight Columbia
      1 colete ultralight Patagonia
      3 pares de meia liner isocool Mountain Warehouse
      1 par de meia Columbia para frio intenso 
      2 pares de tenis ultralight para trekking Columbia, de cano baixo
      1 Chinelo
      1 Boné 
      1 Gorro de lã
      1 luva liner (Bem fina)
      1 luva (mais grossa
      1 óculos de sol 100% uvAB filter
      1 jaqueta ultralight impermeável Columbia
      1 calça ultralight impermeável Mountain Warehouse
      1 Neck Gaiter/Pescoçeira de fleece Quechua
      1 Neck Gaiter/Pescoçeira dry fit Nike
      Farmácia pessoal
      Antibiótico
      Anti inflamatorio
      Anti Diarreia
      Anti Enjoo
      Anti Gases
      Pomada antibiotica
      Gases + Esparadrapo
      Colirio
      Carvão ativado (Diarreia leve, intoxicação alimentar/veneno)
      Protetor solar (imprescindível)
      Super cola/Superbonder (Serve para fechar pequenos cortes na pele, sem sangue)
      Aquatabs (para purificar água)
      Alfinete de segurança e agulha
      Palito de dente + Pinça pequena (Meu canivete suíço tem e sempre uso)
      Kit de Higiene pessoal
      Escova de dentes
      Fio dental
      Pente 
      Aparelho de barbear
      Sabonete liquido biodegradável multi uso (serve para banho, cabelo e roupas)
      Condicionador de cabelo
      Gel para cabelo
      Lencos humidecidos
      Mini espelho
      APPs usados no celular (Iphone)
      Gaia GPS - Este app merece um tópico a parte, mas resumindo, GPS com mapas topográficos e trilhas do mundo todo offline, pago a assinatura anual e foi sem dúvida o que eu mais usei para tudo.
      XE Currency Pro - Sem dúvida o melhor app para converter moeda offline, ele usa seu ultimo acesso a internet como ref. Bem preciso, usei muito nas confusas conversões de pesos x dolares
      Google Maps - Fiz o download de mapas offline das cidades que iria caminhar.
      Google Translate - Com línguas offline just in case
      Hostelword - Para reservar hostels pelo mundo
      Airbnb
      Trivago
      Netflix - Com uns filmes offline para assistir durante os voos kkkkkk
      Lastpass - Carteira de senhas digitais
    • Por trotatorres
      COMO CHEGAR?
      Avião
      Se a opção é ir de avião, deve-se tomar algum que vá até a cidade de Santiago ou Buenos Aires e de aí uma conexão até Punta Arenas(Chile), Rio Gallegos(Argentina) ou El Calafate(Argentina)- a partir dessas duas cidades, me reporto às explicações referentes a viagem de ônibus.
       
      Ônibus
      Existem duas formas de se chegar ao sul da patagônia em ônibus, uma é pela Argentina e a outra é pelo Chile, nas duas opções você deverá chegar até a capital do respectivo país.
      Para a escolha de"por onde descer", depende de o que cada um quer conhecer antes de chegar ao destino final-torres del paine ou mesmo se quer ir diretamente para lá.
      Descendo-se pela Argentina, você poderá fazer escalas em muitas cidades, como Bariloche e San Martin de los Andes. Ambas com muitas trilhas e montanhas por percorrer, mas que não serão alvo desse site.
      Pelo Chile também são muitas as opções: Pucón, Osorno, Puerto montt, P. Varas, ilha de Chiloé, etc, etc, etc...
      Agora vamos ao roteiro de viagem direta até torres del paine.
      As empresas que fazem a viagem Rio- Santiago são duas, PLUMA, com saídas do Rio e São Paulo, passando por diversas cidades do Sul Brasileiro, e a chilena CHILE BUS, que sai exclusivamente de São Paulo. Ambos serviços são parecidos, com direito à algumas refeições e bebidas, sem falar nos muitos vídeos, que vão ajuda-lo a passar as singelas 60h de viagem.
      A viagem a princípio não oferece muitas belezas, passando pelo sul do Brasil e atravessando a Argentina de leste à oeste, reparem que eu disse à princípio, porque quando você está quase louco de tédio, querendo matar seu vizinho de poltrona, o ônibus chega a província de Mendonza, onde começará a subida da cordilheira, para lá do outro lado, chegar ao Chile.
       
      Desde longe você já poderá avistar a cadeia montanhosa com vários de seus picos nevados. A medida que se entra propriamente na cordilheira, as belezas serão muitas. A estrada vai seguindo o curso do rio Mendoza, passando por alguns povoados cordilheiranos como Uspallata e Cuerno Vacas, ambos muito bonitos.
       
      Quase na aduana Argentina, já nos 2800 metros sobre o nível do mar, fique muito atento à direita do ônibus! Se erguerá o sentinela de pedra(Aconcagua) com seus quase 7000m, a chance para foto será mito rápida, por isso se informe bem com o ajudante do ônibus para saber quando o monstro vai ser avistável. Será uma visão inesquecível.
       
      Passados todos os trâmites das duas aduanas, você passará por outra beleza, a estação de ski de Portillo( já foi sede do mundial de ski), que no verão está desativada, e um pouco depois, a "laguna inka" uma linda lagoa do lado do hotel portillo. A partir daí começa-se a descer em direção à Santiago e em 3h você já esta na capital Chilena.
       
      . fronteira Chileno - Argentina, paso los pajaritos
       
      1º ALTERNATIVA
      A partir de Santiago você pode tomar um ônibus que vai direto até PUNTA ARENAS, cidade nas margens do estreito de Magalhães. Mas isto dependerá do dia que você chegar em Santiago, pois esse ônibus sai somente segundas, quartas e sextas. Empresa CRUZ DEL SUR, no mesmo terminal que você chegou. O preço da passagem depende da época do ano, porque do início de dezembro até o começo de março todos os transportes no Chile ficam mais caros pelo menos 50%! Se for o seu caso de viajar nessa época, a saída sai por uns 70 dólares pelas 36h de bus até Punta Arenas. Vale dizer que é aconselhável averiguar imediatamente depois de chegar em Santiago, a disponibilidade de vagas e o dia que sairá.
      Se for o caso de você ter que esperar alguns dias para tomar o ônibus para P. Arenas, vale mais a penas ficar esses dias em Osorno e arredores. Pois esse ônibus sai de Santiago e vai até Osorno, onde fará uma baldeação e seguirá até seu destino final(punta arenas). Desta forma, você pode ir até Osorno(com a passagem Osorno- P. Arenas já devidamente comprada) e ali esperar de maneira mais agradável a saída para o Punta Arenas.
       
      Agora já estamos em Osorno e prontos pra partir par a patagônia, o ônibus da cruz del sur sai mais ou menos as 12:00 ; o rumo é para leste em direção a cordilheira, fiquem de olho por que esta parte da viagem é espetacular! Fazendas, lagos, cachoeiras e todos os tipos de paisagens passam diante de seus olhos. Mais algumas horas e chega-se ao posto fronteiriço "los pajaritos". Já do lado Argentino, mais paisagens fantásticas! Você estará dentro da região do parque nacional NOHUEL HUAPI, onde estão os cerros tronador, catedral e tantas outras famosas montanhas. O lago que dá nome ao parque é de perder o fôlego de tão lindo, rios cristalinos, cabanas de montanha...com certeza você fará uma promessa de passar por esta lugar na próxima viagem, ou mesmo de passar o resto de seus dia por ali!
       
      Algum tempo depois a estrada passa por algumas cidades como Villa la Angostura(linda!!!), Bariloche e El Bolson, onde o ônibus faz uma parada.
      Apartir desse ponto a viagem se torna monótona, com uma infinita paisagem de pampas e mais pampas, o famoso deserto gelado patagônico. No outro dia você novamente entra no Chile pelo passo fronteiriço "austral". Pela tarde chega-se em Punta Arenas.
      É hora de achar um lugar pra ficar, o que é bastante fácil, pois assim que você chegar na rodoviária serão muitas as senhoras e outras nem tão senhoras assim, oferecendo suas pensões e albergues, aí é fácil, só escolher um bom "custo- benefício" e se hospedar. Em geral essas mulheres te hospedam em suas próprias casas, o que é muito comum no Chile, não é algo luxuoso nem nada, mas em geral é limpo e seguro. O preço no verão de 2001 estava na base dos 3500 pesos chilenos(uns cinco dólares), com direito à café da manhã. Minha dica é o MIRAMAR, , bem na rua do mirador (mirante)da cidade. Por falar em ele com certeza é a primeira pedida para o dia da chegada, possui uma bela visão da cidade.
      Em PUNTA ARENAS vale a pena uns passeios antes de partir para Puerto natales, a cidade oferece boas opções de passeios:
      Pinguineiras:se você quiser conhecer colônias de pingüins Magalhânicos essa é a pedida, o passeio é de umas 4h, leve abrigo por que venta inacreditavelmente na área!
      Se a idéia é comprar algum equipamento, vá até a zona franca da cidade, onde se pode encontrar alguma variedade de material. Principalmente da marca chilena Doite (boa), mochilas, sacos de dormir, e tudo quanto é coisa para camping, mas atenção: não possui nada de vestimenta muito técnico, tampouco material de escalada ou botas. Para compras de materiais mais técnicos, a opção é em Santiago, onde existem dezenas de lojas especializadas.
      2ªALTERNATIVA
      A partir de Santiago tomar um ônibus para Puerto Montt (porta de entrada da patagônia chilena), e dessa cidade um navio até PUERTO NATALES(cidade base vizinha à torres del paine).
      Foi dessa maneira que cheguei em torres del paine em 1998. É uma viagem linda e inesquecível, que ganha muitos pontos em relação à viagem de ônibus. A empresa que faz a viagem se chama NAVIMAG, e possui escritório em Santiago e no porto de P. Montt.
       
      De minha parte posso testemunhar como foi a viagem. O navio se mete pelos fiordes chilenos por quatro dias, até sua chegada em P.N. São servidas três refeições diárias, passam palestras sobre a população indígena patagônica, fauna e flora. Mas quem quer saber de palestras e filmes quando lá fora passa tudo ao vivo! Geleiras, focas , baleias e o clima mais louco que já vi em toda minha vida, chuva, vento e sol em repentinas e rápidas mudanças.
       
      BARCO PELOS FIORDES
      Viajei na classe mais barata, lá no fundo do navio em um grande quarto com dezenas de beliches triplos. O que a princípio pode parecer um desconforto e falta de privacidade se transforma em ótima oportunidade para conhecer gente do mundo todo, em geral trekkers e montanhistas indo para torres del paine.
      Para quem foi de ônibus até Punta Arenas ainda falta ir até Puerto Natales, na rodoviária existem várias empresas que fazem o trajeto. A cidade é pequena e não oferece nada de especial, aproveite o tempo na cidade para dar uma volta pelo porto(o pôr-do-sol é muito bonito), fazer todas as compras de mantimentos para a viagem e procurar a passagem mais barata para o parque. Quanto à passagem são quase todas o mesmo preço (quinze dólares ida e volta).
       
      Um esclarecimento quanto ao ônibus para o parque:
      Esse transporte vai até o parque, passando por quase todas as entradas. Você poderá descer em qualquer uma. A passagem é de ida e volta e te da direito a locomover-se dentro do parque pelo trajeto que o ônibus realiza. Ou seja, você pode ir de uma portaria à outra do parque com a passagem que adquiriu em P. Natales(sempre pela mesma empresa). Vale lembrar que você poderá voltar o dia que bem entender, não sendo necessário marcar nada, basta você estar em alguma portaria do parque na hora que o seu ônibus passar, é só se informar na ida com o motorista para saber os horários.
    • Por chiconeto
      [info]No tópico Torres Del PAine Guia de informações você encontra Informações do Parque. torres-del-paine-guia-de-informacoes-t63246.html[/info]
       
      No ancoradouro do Lago Pehoé, que fica em frente ao Refúgio Pehoé, sai um barco chamado Hielos Patagonicos, que cruza o lago e te deixa a 2 minutos de Pudeto.
      Ali, vc pega o ônibus de volta a Natales.
      Só fique esperto quanto ao horário do ônibus.
      Como o barco é caro, vc tb pode optar por ir a pé, contornando o lago, o que significa uma bela caminhada.
      Mais uma vez, sua referência deve ser o horário do busão.
       
      Abraços,
       
      Chico Neto
    • Por Patricia Senatore Grillo
      Saudações, galera!
       
      Estamos aqui, meu marido Diego e eu, para compartilhar com vocês a nossa experiência pela Patagonia (Argentina e Chilena) no final de Janeiro/2017.
       
      A viagem foi tomando forma uns 5 meses antes, aproximadamente, quando começamos a esboçar o que gostaríamos de conhecer. A vontade de conhecer a Patagonia vem de antes e, como para muitos, surgiu vendo as fotos das Torres del Paine . Depois de vários relatos e conversas empolgadas, decidimos que começaríamos com El Calafate, tentaríamos completar o Circuito W (TdP) e que estenderíamos a viagem por El Chalten e Ushuaia. Como tínhamos um limite de dias (e principalmente de orçamento! Hehehe!), tivemos que selecionar quais eram os passeios que iríamos priorizar e nosso roteiro ficou assim:
       
      1º dia – 23/01: Voo Guarulhos – El Calafate. Tarde livre.
      2º dia – 24/01: Mini Trekking no Perito Moreno.
      3º dia – 25/01: Ônibus para Puerto Natales. Tarde livre.
      4º dia – 26/01: TdP - 1º dia do Circuito W.
      5º dia – 27/01: TdP - 2º dia do Circuito W.
      6º dia – 28/01: TdP - 3º dia do Circuito W.
      7º dia – 29/01: TdP - 4º dia do Circuito W.
      8º dia – 30/01: TdP - 5º dia do Circuito W. Retorno para Puerto Natales.
      9º dia – 31/01: Ônibus para El Calafate e, de lá, ônibus para El Chalten (*)
      10º dia – 01/02: Fitz Roy
      11º dia – 02/02: Laguna Torre. Ônibus para El Calafate.
      12º dia – 03/02: Voo para Ushuaia. Tarde livre.
      13º dia – 04/02: Navegação Canal Beagle + Caminhada na Pinguinera.
      14º dia – 05/02: Parque Nacional Tierra del Fuego.
      15º dia – 06/02: Voo Ushuaia – Guarulhos.
       
      (*) No início nossa ideia era dormir em El Calafate e seguir para El Chalten no dia seguinte, mas a viagem ocuparia a manhã toda, inviabilizaria fazer o Fitz Roy nesse primeiro dia e, se o tempo não colaborasse no dia seguinte, a principal trilha de El Chalten iria pro brejo . Decidimos encarar duas viagens no mesmo dia e ganhar o dia seguinte inteirinho em El Chalten. E, como vocês verão mais pra frente, foi uma decisão excelente!
       
      Roteiro definido, tínhamos duas grandes missões a seguir: fazer as reservas do que fosse necessário e pensar nos preparativos.
       
      RESERVAS:
       
      a) TORRES DEL PAINE – CIRCUITO W:
       
      * O Circuito W, em Torres del Paine, oferece dois modos de alojamento: camping ou refúgio. Para quem tem o hábito de acampar, os equipamentos e o costume de carregá-los nas costas durante todo o caminho, é a opção mais barata. (Os campings alugam barraca, isolante térmico e saco de dormir, mas para alugar todos os equipamentos já não fica tããããão mais em conta...). Como não temos nenhum destes e seria nosso primeiro trekking longo com mochila nas costas, decidimos pelo nível easy e optamos pelos refúgios.
       
      * É importante definir o sentido do circuito (fizemos o sentido normal: Torres → Grey), a quantidade de dias e fazer as reservas com muita antecedência. Geralmente as pessoas fazem o W em 04 dias/03 noites ou 05 dias/04 noites. Pelo mesmo motivo que escolhemos o refúgio, optamos pela segunda opção.
       
      * Os campings e refúgios são administrados por 02 empresas: a Fantastico Sur (http://www.fantasticosur.com/pt/) e a Vertice Patagonia (http://www.verticepatagonia.com/es). No site de ambas, elas oferecem o “pacote” do W completo, mas vai sair mais caro do que fechar cada noite diretamente na empresa responsável por determinado refúgio! Ou seja, entrem nos dois sites, vejam se as datas de disponibilidade para cada refúgio/camping casam e economizem uma graninha . Mais uma vez, façam isso com muita antecedência! Reservamos os refúgios em Setembro/16 e só conseguimos casar as datas em todos eles para o final de Janeiro/17!
       
      * Você só pode iniciar o Circuito W se tiver todas as reservas feitas. Caso contrário, corre o risco de ser barrado na entrada da Parque.
       
      * Preocupados com o peso da mochila e em dar conta de carregá-la sem sofrimento, fechamos a opção Full Board (jantar / café da manhã / box lunch). Nossas reservas, portanto, foram:
      El Chileno (Fantastico Sur) (US$ 137 / pessoa)
      Los Cuernos (Fantastico Sur) (US$ 137 / pessoa)
      Paine Grande (Vertice) (US$ 110 / pessoa)
      Grey (Vertice) (US$ 110 / pessoa)
       
      b) PASSAGENS AÉREAS:
      * Achamos a melhor opção pelas Aerolíneas Argentinas, comprando como múltiplos destinos: Guarulhos – El Calafate – Ushuaia – Guarulhos. (R$ 1.658,88/pessoa, com taxas).
       
      * Ao contrário do que pensamos no início, voar de El Calafate para Ushuaia não aumentou muito o valor gasto com as passagens e economizou boas horas de estrada.
       
      *Dica: Procure opções de passagens com tempo de escala considerável em Buenos Aires. Mais para frente falaremos sobre o câmbio e você entenderá o porquê isso é tão importante.
       
      c) HOSPEDAGENS:
       
      * A maior parte dos hostels que ficamos fechamos pelo Booking.com. Definitivamente, a hospedagem na Patagonia não é das mais baratas pelo que oferece, e quanto mais você enrolar para fechá-las mais caro e piores serão as opções (como foi o nosso caso). Mas já que quem está na chuva é pra se molhar…
      Os valores a seguir se tratam de quartos (casal) com banheiro privativo:
      El Calafate: Hostel Del Glaciar Pioneros (US$ 45 / diária)
      Puerto Natales: Hostel Arkya (US$ 51 / diária)
      El Chalten: Hotel Lago del Desierto (US$ 85 / diária)
       
      * Quando fomos procurar hospedagem em Ushuaia foi ainda pior! Tudo absurdamente caro, oferecendo ainda menos comodidade. E os mais baratos (que não eram nada baratos!) eram longe do centro e do porto. Já quase desesperados descobrimos sem querer o AirBnb. É uma plataforma onde as pessoas oferecem quartos em suas casas ou casas/apartamento para aluguel. Fechamos um studio (tipo kitnet) com a Verônica, por R$ 240,00 a diária. (https://www.airbnb.com.br/rooms/11618009)
      Nas próximas viagens com certeza usaremos mais o AirBnb!
       
      d) PASSEIOS:
       
      * Reservamos antes da viagem os dois passeios principais (Mini Trekking Perito Moreno e Pinguinera). Como teríamos o roteiro bastante apertado e iríamos na alta temporada, não quisemos correr o risco de perder a chance de fazê-los.
       
      * Mini Trekking Perito Moreno: A única empresa que pode realizar esse passeio é a Hielo y Aventura (http://www.hieloyaventura.com/). Eles ofertam o Mini Trekking e o Big Ice, que é a versão mais longa. Fechamos o Mini por AR$ 1800/pessoa. Contando a conversão por dólar e as taxas do cartão de crédito, saiu R$ 456,99/pessoa.
       
      * Pinguinera: Várias empresas oferecem duas opções diferentes de passeios: navegação no Canal Beagle ou Navegação Pinguinera (sem descer do barco). A única empresa autorizada a descer na Pinguinera é a PiraTour (http://www.piratour.com.ar/), que até algum tempo atrás também vendia esses dois passeios separados. A boa notícia é que a PiraTour agora juntou os dois passeios e você pode fazer a navegação no Canal Beagle (Isla de los Passaros, Isla de los Lobos e Farol Les Eclaireurs) junto com a caminhada na Pinguinera. Fizemos a reserva pela agência Brasileiros em Ushuaia (http://www.brasileirosemushuaia.com.br/), que revende o passeio da PiraTour pelo mesmo preço (fizemos contato com ambas!), mas com a comodidade de transferência em conta bancária da empresa no Brasil, em reais. Ok, a cotação que eles praticam para o Real é menor do que a oficial pelo Banco de La Nación Argentina, mas ainda assim compensa pelo fato de não converter pra dólar e não pagar o IOF do cartão de crédito. Saiu R$ 509,00/pessoa.
       
      e) ÔNIBUS:

      * A única passagem de ônibus que compramos com antecedência foi a de El Calafate para Puerto Natales, pois se desse alguma zica e não conseguíssemos comprar para o dia estipulado, furaria nosso roteiro inteirinho. No fim acho que nem teria sido preciso, tem muita oferta. Mas… Compramos ida e volta pela Bus-Sur por US$ 61,42/pessoa (http://bussur.com/).
       
       
      PREPARATIVOS:
      a) PREPARO FÍSICO:
      Para fazer esse tipo de viagem você não precisa ser maratonista ou atleta olímpico, mas isso não significa que você não precisa se preparar para a jornada. No nosso caso, ao final da viagem, foram aproximadamente 133km de trilhas, com desníveis consideráveis em alguns momentos.
      Meu marido tem um condicionamento melhor que o meu, que fui sedentária por muitos e muitos anos da minha vida. Mas em Maio/2016 havia começado a correr com o acompanhamento de uma assessoria esportiva e digo com toda convicção que fez toda a diferença. Comparo essa viagem da Patagonia com a subida ao Pico da Bandeira em 2013 e, uau, me sinto outra pessoa!
      Além dos exercícios, fizemos algumas trilhas com a bota de trekking para amaciar e fizemos uma trilha de 15km com a mochila relativamente pesada nas costas, para sentir como seria.
       
      Fica a dica: se decidir fazer uma viagem assim e não tiver o hábito de se exercitar, comece alguns meses antes a caminhar/correr, faça trilhas experimentais, carregue peso na mochila, amacie seu calçado. Vai fazer toda a diferença e vai permitir que você aproveite com muito mais satisfação a viagem!
       
      b) EQUIPAMENTOS:
       
      Se você não tem os equipamentos básicos para trekking, vai precisar investir neles antes da viagem.
      São itens indispensáveis: bota impermeável, meias para trekking, casaco impermeável/corta-vento, calça impermeável, segunda pele, mochila cargueira adequada e bastões de trekking.
       
      * Botas: Há várias marcas e modelos no mercado. O importante é que seja impermeável e respirável: isso vai impedir que seu pé se molhe em caso de chuva ou nas travessias de riachos/lama ao mesmo tempo em que permite que as gotículas de água/suor saiam. Pela internet geralmente você encontra melhores preços, mas é fundamental que você tenha experimentado antes. Uma bota confortável para uma pessoa não necessariamente será adequada para outra. Antes de comprar nós fomos até a Arco e Flecha, loja especializada em São Paulo, e provamos vários modelos. Diego escolheu um modelo da Salomon que no Brasil estava com o preço mais salgado, mas seu tio estava nos Estados Unidos e trouxe de lá pelo equivalente a R$500,00. Eu me adaptei à Snake Fuse Dry e achei no site Alta Montanha (https://lojaam.com.br/) por R$ 454,77, frete grátis. As duas botas foram sensacionais durante a viagem: confortáveis, impermeabilidade aprovada com sucesso, não sentíamos aquela vontade desesperadora de tirar a bota ao final do dia inteiro de caminhada e NENHUMA bolha ou machucado no pé.
       
      * Meias para trekking: Pode parecer besteira, mas não é. Também ajudarão a manter seus pés secos e evitam o atrito das costuras de meias normais. Compramos na Decathlon 2 pares por R$39,90.
       
      * Casaco impermeável e corta-vento: Esse foi um item que nos tomou bastante tempo. São várias as opções e algumas extremamente caras. Precisávamos de um casaco que suportasse um dia inteiro de chuva, se fosse o caso, e que fosse o mais respirável possível, visto que estaríamos em movimento e, portanto, iríamos suar. Em uma visita na Decathlon, o vendedor nos indicou um modelo específico para trekking e nos passou as dicas de um bom impermeável. Mas, considerando o tanto de coisas que precisávamos comprar, o valor ainda estava pegando (na faixa de R$ 280). Foi aí que comecei a fuçar opções e descobri que as jaquetas impermeáveis da seção de Vela e Esportes Náuticos tinham as mesmas características. Engraçado é que quando você pergunta pro vendedor a respeito, eles fazem uma cara de “não foi feito pra isso, não é a mais adequada...”. Mas pesquisei um montão a respeito e decidi que iria comprar (Raincoastal, da Tribord). Paguei R$ 190, uma economia de R$ 90 em cada! E obviamente funcionou! Cortava o vento suficientemente bem e pegamos vários momentos de chuva sem nos preocupar.
       
      * Calça impermeável: foi o último item que compramos, não estávamos dando muita importância mas tivemos a recomendação veemente de um casal de amigos que havia voltado do Circuito O. Comprei na Decatlhon por R$ 69,90. E vou dizer que foi bastante útil! Vimos muitas pessoas que chegavam no refúgio embaixo de chuva sem elas e, por isso, com a bota encharcada. Vale lembrar que a bota é impermeável, mas se você estiver usando uma calça normal e esta calça ficar muito molhada com a chuva, a água vai escorrer por dentro do cano da bota. Não vai adiantar nada ela ser impermeável…
       
      * Mochila: Diego já tinha uma de 78l da Trilhas e Rumos, mas eu precisava comprar uma pra mim. Se você também precisa, sugiro pesquisar fóruns específicos para saber mais. Em resumo, ela precisa ser o mais regulável possível, ter um bom costado e barrigueira, além da capa de chuva. Optei por um modelo da Kailash (58l + 23l) que achei em promoção na Orientista (http://www.orientista.com.br/) e paguei R$ 352,50. Também foi um bom investimento. A mochila é espaçosa, de qualidade e foi confortável carregá-la ao longo da viagem. Tem váááááários compartimentos menores internos e na mochila de ataque.
       
      * Bastões de trekking: Esse foi o item da discórdia. Eu batia o pé que precisava, Diego dizia que não. Eu falava que compraria pra mim e que não iria emprestar se ele precisasse e ele ria. Mas aqueles nossos amigos do Circuito O também recomendaram os bastões e no final, um pouco contrariado, Diego acabou concordando em comprar pra ele também. Na Decathlon, R$ 49,90 cada. E vou te falar uma coisa… os bastões foram os nossos melhores amigos! O Diego até deu o braço a torcer já no início da viagem… hehehehe. Além de aliviar para as articulações do joelho e ajudar (muito!) nas subidas e descidas, eles foram incríveis para atravessar os trechos de muita lama – tanto para “testar” a profundidade do rolê quanto para ajudar no equilíbrio quando o caminho possível era em cima de um pedaço de tronco.
       
      c) CÂMBIO
       
      Essa foi uma das decisões que mais nos gerou dúvidas. O que levar? Dólar? Real? Peso Argentino? Troca aqui? Troca lá?
       
      Em resumo:
      * Não vale a pena trocar Real por Peso Argentino no Brasil, a cotação é bem inferior.
      * O dólar estava alto na época da viagem, o que tornava essa opção também ruim.
      * A cotação de Buenos Aires (Banco de La Nación, no aeroporto) era a melhor possível, porém tínhamos receio se daria tempo de fazer o câmbio no período curto da escala (daí a dica de fazer uma escala maior em Buenos Aires...).
      * Se não desse tempo de fazer o câmbio em Buenos Aires, teríamos que fazer em El Calafate, porém, não chegaríamos no horário de funcionamento da agência do Banco de La Nación e não teríamos tempo nem no dia seguinte. Teríamos que trocar o dinheiro em algum hostel ou comércio (não há casas de câmbio em El Calafate) e a cotação seria pior que a do Brasil.
       
      Depois de muita pesquisa e cálculos em planilhas do Excel feitos pelo Diego ãã2::'> , decidimos que levaríamos uma parte relativamente pequena em dólar (US$ 350,00 / no câmbio de R$ 3,33) e que trocaríamos o resto lá, torcendo para dar tempo de fazer isso em Buenos Aires.
       
      d) ARRUMANDO A MOCHILA:
       
      Levamos basicamente:
      Roupas íntimas e meias
      2 calças para trilhas
      2 segundas peles
      4 camisetas
      2 fleeces
      Calça impermeável
      Jaqueta impermeável
      Calça de moleton para dormir
      Gorro, Luvas, Cachecol
      Chinelo
      Itens de higiente e de primeiros socorros (band-aid, antialergico, Dorflex).
      Castanhas (ficamos com receio de que o box lunch dos refúgios não fosse suficiente…)
       
      Antes do Circuito W, tiramos parte das roupas e deixamos em uma mochila de ataque no hostel em Puerto Natales para diminuir ainda mais o peso das mochilas.
      A verdade é que você vai usar a mesma roupa várias vezes. E todo mundo também usará, o que faz com que se sinta menos mal. Hahaha!
      Durante as trilhas não usamos o fleece nenhuma vez. Nosso “uniforme” básico era a segunda pele, camiseta e calça. No início das caminhadas (até esquentar), nos trechos de muito vento ou nos momentos de chuva, vestíamos a jaqueta impermeável e quando necessário, a calça impermeável. Em vários momentos, principalmente no Circuito W quando parávamos nos miradores, usávamos as luvas antes que as mãos congelassem!
      Não esqueçam do chinelo (ou crocs )! No final de cada dia eles serão bons companheiros .
       
       
       
      Reservas feitas, equipamentos comprados e mochila pronta, chegou a hora de partir!
      Vamos fazer um breve relato de cada dia de viagem, com algumas dicas de lugares para comer e passear, nossas impressões de cada passeio, valores atualizados e tempo gasto, ok?
       
       
      1º dia – 23/01: Chegando em El Calafate
      Saímos 06h45 de Guarulhos e chegamos em Buenos Aires (escala) por volta de 08h40, horário local (lembrando que lá não tem horário de verão). Passamos pela imigração e enquanto o Diego foi despachar novamente as mochilas, fui na fila do Banco de La Nación para fazer o câmbio. Apesar da fila grande, tivemos tempo de trocar o dinheiro e pegamos uma ótima cotação: R$ 1,00 = AR$ 5,60.
      Embarcamos às 11h05 para El Calafate. Dica: Se possível, sente do lado direito do avião (de quem olha para a cabine do piloto), pois chegando em El Calafate você vai ver o lago Argentino e um rio ambos de um azul-coisa-mais-linda .
      Desembarcamos às 14h20. Fechamos o transfer do Aeroporto ao hostel com a Ves Patagonia no valor de AR$ 240/pessoa, ida e volta (eles já anotam a data de retorno e o horário do vôo e já deixam pré-combinado o horário aproximado que te buscarão no hostel). Check-in feito e mochilas no hostel, saímos para conhecer El Calafate. A cidade é linda! Tranquila, pequena e quase tudo acontece na rua principal, a Av. San Martin.
      Aproveitamos para passar na rodoviária e já comprar as passagens para El Chalten. Várias empresas oferecem esse trajeto, mas fechamos com a Taqsa por ser uma das mais em conta e que oferece o horário de retorno mais tarde. Como compramos a ida para o horário da tarde (quase todo mundo compra o horário da manhã), pagamos um pouco mais barato (AR$ 760 ida/volta).
      Também precisávamos fechar o transfer para o passeio no Perito Moreno do dia seguinte. Bem, a surpresa foi de que não havia mais transfer disponível. Explico: por conta do mini trekking, precisaríamos estar no local de encontro no parque às 9h45, porém já não tinham mais vagas no transfer da Hielo y Aventura, e todas as outras empresas que fazem o transfer saem em um horário mais tarde, que não chega a tempo do passeio. Portanto, se você for fechar o mini trekking com antecedência como fizemos, inclua o transfer! A única saída possível foi combinar com um taxi. Neste caso, outra dica: apesar de parecer tabelado, os preços dão uma ligeira variada quando você pergunta em lugares e taxistas diferentes. Fechamos com o Martín, que nos buscaria no hostel no dia seguinte, por AR$ 2.000. É caro, mas ele teria que esperar aproximadamente 4h enquanto estivéssemos no mini trekking e depois nos levaria às passarelas do parque por mais aproximadamente 2h.
      Com o final do dia livre, resolvemos passear na Laguna Nimez (entrada: AR$ 150), dica da recepcionista do hostel. Do ladinho do Lago Argentino, é um aviário natural com cerca de 80 espécies. Há um circuito de 2,5km para se percorrer e observar as aves, com alguns miradores e placas informativas. O lugar é bem bonito e nunca vimos tantas margaridinhas num mesmo lugar. Parecia que o lugar estava decorado para uma festa, com o tantão de flores que margeavam os caminhos! Lá foi nosso primeiro contato com o vento na Patagonia – pensa em um vento que não deu trégua! Esse passeio é uma opção para quem está com algumas horinhas livres e não tem outro passeio programado. Além deste existem muitas outras opções de passeios em El Calafate – passeio de caiaque, aluguel de bicicleta, outros glaciares para visitar… Maaaaas, como não tinhamos tempo nem orçamento, essa foi uma boa opção.
      Com fome, já que só tínhamos comido no avião, saímos da Laguna Nimez direto para o Don Diego, indicação que lemos aqui no Mochileiros. O lugar é aconchegante, boa música , chopp artesanal e um hambúrguer de cordeiro sensacional (AR$ 306/pessoa).
      Antes de voltar ao hostel passamos em uma lojinha na Av. San Martin e compramos um lanche já pronto (e enorme) para o passeio do dia seguinte (AR$ 120).
      Já era tarde, mas ainda era dia . No verão patagônico os dias são bem longos: 6h-6h30 já está claro e por volta das 22h parece ainda final de tarde.
       
      Sobre o Hostel Del Glaciar Pioneros: suficiente, porém simples. A cama não era a mais gostosa do mundo, mas confortável. Água quente, calefação funcionando, limpo. As paredes pareciam de papelão, o que dava a impressão que a pessoa do quarto ao lado estava sentada no pé da sua cama, mas tudo bem . Café da manhã simples: pão, bolo, leite, chá, café ruim, manteiga, doce de leite.
       
      Laguna Nimez by Paty Grillo, no Flickr
       
      Hamburguer de Cordeiro no Don Diego by Paty Grillo, no Flickr
       
      A noite na Patagonia by Paty Grillo, no Flickr
       
       
      2º dia – 24/01: Perito Moreno
       
      Martín (o taxista) nos buscou como combinado e saímos rumo ao Perito Moreno por volta de 07h30. No caminho ele parou em um mirador do lago Argentino, nos contou algumas curiosidades sobre a geografia local e nos apresentou um arbusto de calafate, uma frutinha roxa que tem um gosto que lembra framboesa (pelo menos eu achei!). Enfim, foi um bom anfitrião!
      Entrada do Parque Nacional Los Glaciares paga (AR$ 250), nos aproximamos do primeiro mirador com vista para a geleira (Mirador de Los Suspiros. Imagine o motivo desse nome…) e foi nesse momento que o Perito Moreno começou a dar o ar da graça e a impressionar (e essa sensação só aumentou ao longo do dia!).
      Os glaciares são grandes depósitos de neve compactada, transformada em gelo e acumulada ao longo de milhares de anos. O glaciar Perito Moreno é imenso e uma das maiores reservas de água doce do mundo.
      Chegando ao ponto de encontro, embarcamos em um catamarã e partimos. O desembarque acontece em um local com uma estrutura legal, contendo um espaço para alimentar-se (na volta) e para você deixar suas coisas durante o mini trekking, além de banheiros (se você já foi pra Bolívia, você vai se sentir em um banheiro de hotel 5 estrelas!). A caminhada começa por passarelas, continua em terra firme, até chegar o momento mais esperado: colocar os grampões e andar no gelo! Não dá para descrever a experiência, nem o lugar: é incrível! O tamanho, a beleza, o silêncio, a textura! A sensação ao pisar pela primeira vez no gelo e perceber que os grampões funcionavam, subir, descer… E para ajudar tínhamos um céu muito azul.
      Para evitar pisar em lugares onde o gelo possa ceder, se caminha o tempo todo em fila indiana seguindo as orientações do guia. Em alguns trechos pisamos em partes mais “transparentes” que dão a impressão de que não suportarão o peso, mas suportam e causam curiosidade (e certo estranhamento). (Pausa para contar um “causo”: na metade do caminho, enquanto estávamos parados aguardando o guia definir por onde continuaríamos, Diego viu um desses lugares mais transparentes e foi dar um “pisãozinho”, ainda impressionado pelos lugares que caminhamos. E o que aconteceu? O gelo cedeu e ele afundou a perna até o joelho, até ter tempo de segurar na parede de gelo à frente e recuperar o equilíbrio . Pois é, a fila indiana não é à toa! Depois disso, pisávamos e-xa-ta-men-te onde a pessoa da frente pisasse também! ).
      Finalizamos o Mini Trekking com direito a surpresa final (nós já tínhamos lido em alguns relatos, mas se você ainda não leu, não somos nós quem vamos contar!) e a certeza de que cada centavo valeu a pena! É um passeio caro, mas na nossa opinião é um daqueles que não se deve abrir mão.
      De volta do catamarã, partimos para as passarelas em frente ao glaciar. São 4 circuitos possíveis, mas os principais são o amarelo e vermelho. Nas passarelas é possível se aproximar da zona de ruptura: onde você tem uma visão privilegiada do glaciar e pode acompanhar o momento em que pedaços de gelo se soltam e caem, fazendo um estrondo como se fosse um trovão. Demais!
      E se a altura do glaciar impressionou no começo do mini trekking, a extensão agora é o que mais vai chamar a atenção: é uma imensidão de gelo que se mistura com montanhas nevadas e um lago lindo. E você que achou durante o mini trekking que estava no meio do glaciar, se sentindo mega aventureiro, percebe que só andou na beiradinha-inha-inha-inha dele e que somos uma miniatura perto da grandeza da natureza.
      Voltamos a El Calafate por volta das 18h e decidimos que seria um bom dia para comer o famoso cordeiro patagônico. Pedimos indicação para o taxista e também no hostel e acabamos escolhendo a opção que a recepcionista nos deu: La Marca, “a parrilla del pueblo”. Bom… Pense em uma comida feia, onde você não conseguia identificar o pedaço de cada carne, extremamente gordurosa, com consistência de carne velha e sem gosto. Deixamos praticamente toda a comida intocada . Ficamos decepcionados e mais pobres (foi a refeição mais cara de toda a viagem! AR$ 352 / pessoa). Lição aprendida: confie nos taxistas e moradores e não nos vale-descontos de hostel.
      Resolvemos ir beber pra esquecer o desapontamento e fomos no La Zorra, uma cervejaria com várias opções artesanais e que também foi muito bem avaliada em outros relatos. Bem, lá recuperamos a alegria de viver . Cerveja boa, lugar legal, boa trilha sonora (cerca de AR$ 80 a 90 o pint, de acordo com o tipo da cerveja).
      No dia seguinte iríamos para Puerto Natales e achávamos que as coisas lá seriam mais caras. Passamos então no mercado (La Anonima, fica na Av. San Martin, como quase tudo) e compramos água, uns pacotes de batata e bolinhos. Importante: tanto na Argentina quanto no Chile não tem sacolinhas nos mercados. Se não quiser comprar uma, deixe espaço na mochila de ataque.
       
      A caminho de Perito Moreno by Paty Grillo, no Flickr
       
      Calafate by Paty Grillo, no Flickr
       
      Mini Trekking no Perito Moreno by Paty Grillo, no Flickr
       
      Mini Trekking no Perito Moreno by Paty Grillo, no Flickr
       
      Perito Moreno visto das passarelas by Paty Grillo, no Flickr
       
       
      3º dia – 25/01: Puerto Natales
       
      Pagamos a taxa de embarque na rodoviária de El Calafate (AR$ 10 / pessoa) e partimos às 08h para Puerto Natales. O ônibus da Bus Sur era confortável, o funcionário simpático e recebemos um kit com suco, bolachinhas e barra de cereal para a viagem. É legal perceber a mudança da paisagem durante as viagens. Mais distante dos lagos e das montanhas nevadas a Patagônia se torna um grande deserto, com arbustos quase rasteiros e muita pedra.
      Passamos pela imigração do Chile (e durante toda a viagem digo que foi a mais criteriosa e demorada) e chegamos na rodoviária de Pt. Natales por volta das 13 h. Atenção: não tenha frutas ou qualquer outro alimento fresco na mala durante a passagem na imigração, ou elas ficarão de presente para os trabalhadores de lá .
      Puerto Natales é uma cidade pitoresca. Praticamente não há casas de alvenaria; algumas são pré fabricadas em madeira e muitas outras parecem um container. É uma cidade simples. Não sei ao certo se a achei bonita.
      Precisávamos trocar dinheiro, mas as casas de câmbio ficavam afastadas da rodoviária. Com preguiça de ir trocar o dinheiro e voltar na rodoviária para comprar a passagem para Torres del Paine, pagamos em pesos argentinos (e foi uma cotação justa) – compramos ida e volta pela Buses Goméz por AR$ 415.
      Deixamos as coisas no hostel e fomos conhecer a cidade e procurar a Câmbio Sur (todos os relatos dizem que é a que oferece a melhor cotação). Era uma quarta-feira, mas tinham muitos comércios (inclusive outras casas de câmbio) fechados. Ficamos preocupados que fosse algum feriado, mas a Câmbio Sur estava aberta e, no final da tarde, vários outros comércios que vimos fechados antes, abriram também. Não entendemos muito bem o motivo. O câmbio do dólar valia mais a pena, e trocamos US$ 1 = CH$ 640 (O Real estava R$ 1 = CH$ 160).
      Os principais restaurantes de Puerto Natales ficam ao redor da Plaza das Armas. Almoçamos no Espacio Nandú, um restaurante que fica “escondido” dentro de uma loja de souvenirs. Um prato e uma cerveja Austral sai por volta de CH$ 10.450. Não é uma comida deliciosa e inesquecível, mas é muito bem servida e vinha com arroz. Na Argentina/Chile o arroz é mercadoria rara, poucos lugares oferecem e vão ser sempre ruins e sem gosto. Hahahaha. Mas nosso hábito alimentar de brasileiro-que-sabe-o-que-é-comer-bem sentia falta do arroz e aproveitava quando ele estava disponível. De sobremesa entramos em uma sorveteria artesanal e pedimos um de doce de leite e outro que não lembro o nome, mas todo mundo pedia e resolvi arriscar (ruim, tinha gosto de chiclete! ) (CH$ 1.500).
      Há um único mercado grande na cidade, que é o Unimac. Compramos atum, queijo, tomate e pão para fazer o lanche do primeiro dia em Torres del Paine, além de Tang (mesmo sendo ruim, é uma opção bem prática para dissolver na garrafa de água e acompanhar as refeições!).
      Voltamos ao hostel para esvaziar o que fosse possível das mochilas e fazer os preparativos para Torres del Paine. Não estavámos com muita fome no jantar, então resolvemos ir em uma cervejaria e só pedir alguma porção pra beliscar. Fomos primeiro na Baguales. O lugar era legal, meio medieval e lotado, mas a cerveja estava em falta (só tinha a Negra) . Saímos de lá para a Cervezas Natales, outra cervejaria artesanal. Simples, o único tipo produzido era a Rubia que não era ruim, mas também não é nada de mais. Pedimos umas fritas pra acompanhar e gastamos CH$ 5.100 / pessoa.
       
      Sobre o Hostel Arkya: simples, mas os quartos eram bonitões e mais confortáveis que do hostel de El Calafate. Não podia cozinhar, mas podia usar a geladeira, microondas e os utensílios. O café da manhã poderia ser melhor: café, só solúvel. Banheiros limpos, espaçosos e com chuveiro bom. Calefação funcionava bem. Os recepcionistas eram simpáticos e deram boas dicas.
       
      Puerto Natales by Paty Grillo, no Flickr
       
      Espacio Nandú by Paty Grillo, no Flickr
       
       
      4º dia – 26/01: TdP - 1º dia do Circuito W
      Pegamos o transfer pra Torres Del Paine às 07h30. Descemos na Laguna Amarga, onde pagamos a entrada (CH$ 21.000), assinamos um termo de compromisso informando o circuito que faríamos e assistimos um vídeo obrigatório com as regras do parque. Lemos em alguns relatos de que a entrada do parque só poderia ser paga em efetivo, porém tinha a opção de pagar com o cartão de crédito também.
      Como faríamos o W no sentido tradicional, da portaria do parque pagamos pelo transfer que nos levaria até o hotel Las Torres (CH$ 3.000). É uma opção interessante, pois economiza uma pernada, certa subida e uma paisagem que ainda não será nada de especial. Chegando no Las Torres foi dado início ao desafio!
      Comemos algumas castanhas, separamos os bastões, demos a última ajeitada na mochila e iniciamos a caminhada para o El Chileno às 10h30. O tempo estava bom e dali víamos, longe, as torres – lindonas! O caminho já vai se mostrando bonito logo de cara. Rios bem azuis, água limpíssima, montanhas deixando tudo ainda mais legal. Durante todo o circuito não faltarão lugares para encher a garrafa de água, portanto não é preciso se preocupar em sair com vários litros – e toda a água do parque é potável. Logo começamos a subir e, bem, foi um lembrete do desafio dos próximos dias: a mochila ainda era algo que se fazia perceptível e quando eu parava para recuperar o fôlego logo na primeira hora, pensava como seria dar conta de tantos km… Seguimos o caminho e quando a subida acabou estávamos em um vale lindo, com um rio abrindo caminho lá embaixo. Foi nesse momento que recebemos a segunda “boas-vindas” do vento patagônico. Ventava muito forte e, pior, na direção do barranco . Eram rajadas de vento que poderiam nos derrubar se déssemos bobeira. Quando ficava mais forte parávamos, “fincávamos” pés e bastões no chão, e quando diminuía seguíamos a caminhada. Foi um trecho curto e, passando por ele, chegamos ao refúgio El Chileno às 12h30. Lembra do tempo bonito do início? Bem, é a Patagonia. O tempo muda quantas vezes ele quiser durante o dia. Chegamos no El Chileno com o início da chuva e as torres, que deveriam ser vistas dali, já estavam boa parte encobertas.
      O refúgio é praticamente uma casa com quartos e banheiros compartilhados, um refeitório que também servia como espaço de convivência e uma sala com lareira onde as pessoas poderiam se esquentar ou secar o que estivesse molhado. Fizemos o check-in e a chuva lá fora apertando, as torres já totalmente encobertas. A ideia inicial era seguir naquela mesma tarde para a base das torres, mas dado o tempo abortamos a missão e decidimos deixar pro dia seguinte. Essa escolha tornaria o dia seguinte mais puxado, mas poderia nos dar alguma chance de ver as torres.
      Passamos o resto do dia no refúgio, sem muito o que fazer. Tomamos um banho (meu chuveiro demorou um pouco, mas esquentou. O Diego não teve a mesma sorte e tomou banho frio) e passamos a tarde jogando damas. Quando o tédio chegou no limite resolvemos beber. A cerveja no refúgio (e em todos eles) é caríssima, então compramos um litro de vinho por CH$ 7.000, que era a opção mais barata. Devo mencionar que o vinho vem uma caixa longa vida, tipo leite? Era zoado, mas pelo menos era seco – o que o tornou infinitamente melhor que qualquer Sangue de Boi .
      Não havíamos visto ainda nenhum brasileiro até então e reconhecemos o primeiro pela bandeira no chinelo Havaianas . Conhecemos o casal mineiro Daniel e Monica, que também fariam o W – ele estava comemorando seu aniversário de 60 e poucos anos . Os encontraríamos nos refúgios nos próximos 3 dias.
      A janta nos refúgios é servida em um horário pré-estipulado por eles (19h ou 20h) e vem em porções individuais. No El Chileno o menu foi uma sopa de legumes, arroz com uma carne de boi com molho tipo madeira e uma sobremesa de maçã e frutas secas. Vem em uma quantidade bem servida.
       
      Começo do W by Paty Grillo, no Flickr
       
      Indo para El Chileno by Paty Grillo, no Flickr
       
      El Chileno by Paty Grillo, no Flickr
       
      El Chileno by Paty Grillo, no Flickr
       
       
      5º dia – 27/01: TdP - 2º dia do Circuito W
      Acordamos bem cedo, tomamos café às 07h e saímos para a subir até a base das torres às 07h40. Já não chovia e o tempo parecia que ficaria bom. O caminho até as torres é lindo. Você passa por um bosque bem legal e tem momentos em que a trilha é seguindo por um riachinho de degelo. Passando da metade do caminho o tempo voltou a fechar e a chover, mas bem menos que no dia anterior. Chegamos na placa do acampamento Torres e dali faltava pouco para começar a subida. O último km (aproximadamente) da trilha para a base das torres é só subida, em um “mar de pedras”. A trilha é bem demarcada por estacas, basta prestar um pouco de atenção e tomar cuidado para não pisar em pedras soltas. Os bastões ajudaram muito nesse momento. Li em vários relatos que essa subida era do mal, mas acho que me preparei para algo tão tão tão ruim que achei mais tranquila do que imaginava, apesar de cansativa. A neblina havia ficado bem mais intensa e quando chegamos na base das torres (às 10h)… cadê as torres? Não deu pra ver nada. Nadinha. Nem um pouquinho. Mas, ainda assim, a paisagem é espetacular: a cor da água é um tom de esmeralda incrível, mesmo com o tempo cinza.
      Tiramos algumas fotos e ficamos um certo tempo admirando a cor daquele lago, porém não demoramos muito pois teríamos uma loooonga viagem pela frente. Durante a decida para o El Chileno adivinha quem apareceu? Nosso grande amigo sol! Confesso que deu vontade de subir novamente às torres para ver se elas apareciam lá em cima, mas só de lembrar da subida e do quanto ainda teríamos que andar nesse dia, a vontade passou rapidinho.
      Chegamos de volta ao El Chileno às 12h30, descansamos um pouco e comemos o box lunch, que por sinal era bem mais caprichado do que imaginávamos. Nos box lunch de todos os refúgios que frequentamos vinham uma fruta, um lanche caprichadão, uma barrinha de cereais, um saquinho de castanhas com uva passas (eca, passas!) e um chocolate. Ou seja, na nossa opinião nem precisaríamos ter levado os alimentos a mais que levamos… era só peso extra.
      Saímos do refúgio às 13h20, passamos naquele vale do primeiro dia – novamente com muito vento – até encontrar a placa que nos direcionava para o Los Cuernos. A partir dali começamos a avistar o lago Nordenskjold, um lago imenso também de um tom esmeralda que impressiona. Nessa altura do dia o céu já estava bem azul e as montanhas praticamente sem nuvens, ou seja, a paisagem estava incrível.
      Mais adiante passamos por um trecho com muita lama, muita lama, muita lama (eu já falei muita lama?). Nessas horas era preciso se equilibrar em troncos e procurar os caminhos que afundavam menos.
      Esse trecho da viagem é razoavelmente tranquilo – tem algumas subidas, mas nada comparado com a subida para as torres. O que cansa realmente é a distância: do El Chileno para o Los Cuernos são cerca de 16 km. Depois de muito andar, sempre margeando o lago, chegamos ao refúgio às 18h20. Esse refúgio era mais bonitão, e dessa vez não faltou água quente para tomar banho . No jantar foram servidos uma sopa (essa era bem ruim), um salmão com purê (estava um pouco sem tempero, mas para quem andou o dia inteiro estava ótimo) e mousse de limão. Mais uma vez compramos o vinho da caixinha de leite (dessa vez CH$ 8.000) e, terminando o vinho, desmaiamos.
       
      Bosque by Paty Grillo, no Flickr
       
      Subida às Torres Del Paine by Paty Grillo, no Flickr
       
      Torres Del Paine... sem torres! by Paty Grillo, no Flickr
       
      De El Chileno para Los Cuernos by Paty Grillo, no Flickr
       
      De El Chileno para Los Cuernos by Paty Grillo, no Flickr
       
      Lama no caminho... by Paty Grillo, no Flickr
       
       
      6º dia – 28/01: TdP - 3º dia do Circuito W
      Neste dia faríamos a “perninha” do meio do W. Saímos de Los Cuernos após o café (07h50). O inicio da trilha é ainda margeando o lago esmeralda, que estava especialmente bonito com o reflexo do sol, além de alguns trechos que formam tipo uma praia com pequenas pedras. Havíamos sido avisados por dois brasileiros que estavam fazendo o trajeto ao contrário que encontraríamos uma subida boa pela frente. De fato há um trecho bem íngreme antes de chegar no camping do Francês, mas vencida a subida, do Francês até o camping Italiano é um pulinho (chegamos às 10h).
      No camping Italiano há uma guarderia e, apesar da placa que dizia ser obrigatório se registrar com o guarda, o guarda apenas acenava para as pessoas que chegavam. Lá todo mundo deixa a mochila encostada em alguns troncos de árvores para poder subir o trecho do Vale do Francês sem peso. Colocamos a capa de chuva nas mochilas, achamos um lugar bom para deixá-las, comemos umas castanhas e começamos a subida às 10h20. No início da trilha o caminho é no meio das pedras e lembra um pouco a trilha de subida para a base das torres. Achei um pouco menos sinalizado: na verdade as estacas eram mais espaçadas e em alguns momentos pegávamos o caminho “errado”, tendo que procurar por onde continuar e acertar o trajeto. Depois do trecho das pedras o caminho segue por meio de um bosque, também íngreme. Chegamos ao mirador Francês às 11h50.
      O mirador Francês fica bem de frente a uma montanha com bastante neve e um glaciar, rodeado por outras montanhas nevadas e com uma vista bem bonita do vale do Francês. Ventava bastante ali. Tiramos algumas fotos, descansamos e acabamos decidindo (ou melhor, eu acabei decidindo...rsrs) não subir até o mirador Britânico. Achei a subida até ali mais puxada, minhas pernas doíam e teríamos novamente um longo caminho até Paine Grande. Muitas pessoas que encontramos ao longo do caminho diziam que não havia muita diferença nas duas vistas: no Britânico teoricamente você só veria o vale mais do alto. Vai saber né...?!
      Começamos a descer e chegamos no Italiano às 13h30. Aproveitamos o tempo de descanso da descida para almoçarmos (box lunch) e retomamos a caminhada às 14h15. Do Italiano ao Paine Grande são 7,5km, mas o trecho é tranquilo (inclusive no mapa do parque é classificado como nível fácil). No caminho há uma espécie de “cemitério de árvores”, com várias árvores cinzas (quase brancas) e sem folhas, resultado do incêndio de alguns anos atrás, e um lago mais acinzentado (Lago Sköttsberg) que também tem um visual bem bacana.
      Mais próximo de Paine Grande começamos a avistar o lago Pehoé, num tom de azul royal e também muito muito muito bonito. Chegamos às 17h no refúgio. O refúgio Paine Grande é enorme e o achei com a melhor estrutura de todos eles. Tem vários espaços de convivência – salas com lareira e jogos – além de um bar no mesanino com a vista linda do lago. Nos refúgios da Vertice há edredons bem gordos em vez de saco de dormir e os quartos são bem mais confortáveis.
      Depois do banho quente fizemos hora no bar (cerveja a CH$ 3.000 cada) até dar a hora do jantar. Achei que foi a melhor refeição do circuito W: sopa de legumes, frango com molho de mostarda, batatas e abóbora assada e strudel de maçã.
       
      Vale do Francês by Paty Grillo, no Flickr
       
      Vale do Francês by Paty Grillo, no Flickr
       
      Mirador Francês by Paty Grillo, no Flickr
       
      Vale do Francês by Paty Grillo, no Flickr
       
      Lago Sköttsberg by Paty Grillo, no Flickr
       
      Árvores cinzas by Paty Grillo, no Flickr
       
      7º dia – 29/01: TdP - 4º dia do Circuito W
       
      Como esse seria o dia mais tranquilo de todo o circuito (o tempo previsto de caminhada era menor), estavámos exaustos e queríamos aproveitar o conforto do refúgio Paine Grande, decidimos não ter hora para acordar. Tomamos café tranquilamente e, assim como o jantar, foi o melhor café da manhã de todos os refúgios. Começamos a trilha em direção ao Grey às 09h10 e sob um tempo nublado, já logo no início tivemos que colocar os impermeáveis pois começou a chover – e não parou durante todo o percurso.
      O caminho até o primeiro mirador Grey é relativamente tranquilo, passando pelo lago Los Patos, e o que incomodou mais foi o vento gelado e o chuvisco no rosto . Do mirador se via parte do glaciar, muito bonito mesmo com o tempo nublado. Foi no mirador que voltamos a pegar um vento bastante forte, como o do primeiro dia, e ficar sem luvas era praticamente impossível. Dali até o refúgio o caminho começou a ficar mais cansativo: trechos de descida mais acentuadas com muitas pedras.
      Chegamos às 13h10 no refúgio Grey, deixamos nossas roupas para secar e comemos nosso box lunch. Dali até o segundo mirador são só mais 15 minutinhos e decidimos esperar um pouco para ver se o tempo melhorava – deu tempo de tirar até um cochilo. Como a chuva continuou durante toda a tarde, decidimos ir ao mirador debaixo de chuva mesmo. O caminho é tranquilo e curto e chegando lá tem várias trilhazinhas pequeninas para ver o glaciar de ângulos diferentes. Tiramos algumas fotos e voltamos ao refúgio. Depois do banho o sol saiu e o céu ficou azul – por 5 minutos!
      O jantar foi frango com batatas e mousse de pêssego (gosto de Tang!) e como nossos pesos chilenos estavam contados para o catamarã, a cerveja da noite foi em dólar mesmo (US$ 6). Aliás, em todos os refúgios era possível pagar em dólar.
       
      Indo para o Grey by Paty Grillo, no Flickr
       
      Glaciar Grey by Paty Grillo, no Flickr
       
      Glaciar Grey by Paty Grillo, no Flickr
       
       
      8º dia – 30/01: TdP – Último dia do Circuito W
      Chegou o nosso último dia em Torres Del Paine. Há 5 opções de horários de saída do catamarã em Paine Grande, mas só 2 opções de horário de volta do ônibus em Pudeto – 13h ou 19h. Decidimos pegar o catamarã das 11h30 para depois pegar o ônibus das 13h, por isso saímos bem cedo do refúgio Grey.
      Lembrando das decidas que pegamos no dia anterior, estávamos cansados por antecipação pensando nas subidas daquele dia, mas até que foi menos exaustivo do que imaginamos. O tempo continuava nublado e chuvoso, mas ventava menos. Após aproximadamente 4h finalizamos o trajeto e chegamos ao Paine Grande.
      O horário previsto de saída do catamarã era às 11h35, mas ele saiu de fato quase 12h. Nâo é preciso comprar com antecedência e você paga o ticket lá dentro do barco mesmo (CH$ 18.000). Após cerca de meia hora o catamarã chegou em Pudeto, onde vários ônibus (de diversas empresas, inclusive o nosso) já aguardavam.
      Comemos nosso box lunch dentro do ônibus mesmo e aproveitamos para nos despedir das paisagens do parque: o caminho do ônibus de Pudeto até Laguna Amarga passa por lugares lindíssimos com uma visão panorâmica do parque. Chegamos em Puerto Natales por volta das 16h, voltamos ao hostel e à civilização .
      O jantar em Puerto Natales foi em um local indicado pela recepcionista do hostel: a pizzaria Mesita Grande (CH$ 9.700 / pessoa). Como o próprio nome diz, no lugar há uma mesa grande compartilhada e as pizzas são montadas na hora e individuais (e grandes!), além do chopp gelado. Na trilha sonora, MPB. . As pizzas eram bem gostosas e o lugar agradável, recomendamos! Além do mais, a mesa grande favorece a interação com outras pessoas. O assunto? Torres Del Paine, óbvio!
       
      Mesita Grande by Paty Grillo, no Flickr
       
       
      9º dia – 31/01: Indo para El Chaltén
       
      Felizes e cansados com o término do circuito W, era hora de ir para a próxima parada da viagem: El Chaltén.
      Pegamos primeiro o ônibus para El Calafate (7h45) e chegamos 12h45, dentro do horário previsto, mesmo com a demora na fronteira. De lá, o ônibus para El Chaltén sairia só as 18h e tínhamos a tarde livre para nos despedir da cidade e… comer . Para não ficarmos carregando as mochilas, pagamos para deixá-las na Taqsa (a empresa de ônibus) na rodoviária (AR$ 20 cada).
      Almoçamos uma milanesa no La Lechuzita (AR$ 262) e fomos experimentar o tal sorvete de calafate de sobremesa na Acuarela Helados Artesanales (AR$ 70). Aproveitamos para passar no La Anonima novamente e comprar os ingredientes para fazer o lanche do dia seguinte em El Chaltén.
      Os ônibus na Patagônia são bem pontuais e o da Taqsa era semi-leito, espaçoso e mais confortável. Conforme o ônibus se aproximava de El Chalten avistamos o Fitz Roy, bem bonitão. Chegamos na rodoviária às 20h50, pegamos o mapa da cidade lá mesmo, no centro de informações ao turista e fomos ao hotel.
      El Chalten é um ovinho, mas é uma cidadezinha gostosa. Muitos bares, cervejarias, restaurantes e hoteis. E de plano de fundo, a vista do Fitz Roy.
      No próprio hotel reservamos o transfer para o dia seguinte que nos levaria até a hosteria Pilar (AR$ 150). *Há duas formas de chegar na Laguna de Los Tres: pela trilha principal (nesse caso você vai e volta pelo mesmo caminho) ou ida pela trilha que sai da hosteria Pilar e volta pela trilha principal. Quase todo mundo escolhe a segunda opção, pois você passa por lugares diferentes, além de economizar uma subida no começo.* Em El Chaltén não é preciso pagar nenhum tipo de entrada para as trilhas.
      Passeio planejado, saímos para jantar. Na esquina do hotel havia uma cervejaria que parecia um lugar legal e o recepcionista tinha dito que abriria às 22h. Resolvemos ir lá, mas ficamos esperando um pouco e nada da cervejaria abrir. Desistimos e fomos no Patagonicus, 2 quarteirões abaixo (AR$ 215 / pessoa). É uma pizzaria e tem a cerveja artesanal deles. O lugar é legal, mas tanto a cerveja quanto a pizza são ruins . Hahaha.
       
      Sobre o Hotel Lago del Desierto: ficamos em duas acomodações diferentes por conta de termos alterado o roteiro em cima da hora. A primeira parecia quarto de vó. Decoração velha e o banheiro cheirava mofo. A segunda foi mais confortável, com uma cama grande. Mas ambos os banheiros eram muito muito pequenos. Para lavar o pé você fazia a pose do flamingo, pois não conseguia se mexer no box . O café da manhã era bom.
       
      El Chalten by Paty Grillo, no Flickr
       
       
      10º dia – 01/02: Fitz Roy / Laguna de Los Tres
      Acordamos cedinho, tomamos café e preparamos o tradicional lanche de atum para o almoço. Às 8h o transfer nos buscou, pegamos outras pessoas em outros hoteis e chegamos na hosteria Pilar às 9h. Bem, a paisagem dali já é bonita. Dali víamos o Fitz Roy de outro ângulo e várias outras montanhas legais.
      Iniciamos a caminhada e após algum tempo andando em meio aos bosques chegamos no mirador do Glaciar Piedras Blancas – bem bonito por sinal. Mais um tanto de caminhada e chegamos em um trecho descampado e colorido, um pouco antes do acampamento Poincenot. Até o acampamento (e pouco depois dele) o trecho foi bem tranquilo de se fazer e mal percebemos os 9km.
      Faltando 1km encontramos a famosa placa: a que diz que o trecho seguinte é de nível difícil, exige preparo físico e terá uma subida de 400m de altitude . A partir dali, pedras, mais pedras, subida, mais subida. Sobe mais um pouco. Pula mais pedras. Continua subindo . Para quem é do estado de SP, parece a Serra de Taubaté, versão a pé! Quando achávamos que já tínhamos subido um monte, escutamos um cara dizendo que “já foi metade” . No final, quando você acha que não tem mais onde subir e o terreno fica um pouco mais plano, é só pra descansar um pouco e continuar subindo mais a frente. Foi o km mais difícil da minha vida . Mas… foi o lugar mais incrível da minha vida também . Quando finalmente você chega na Laguna de Los Três (perto das 12h30), você mal acredita que aquela paisagem que está diante de você é real. A laguna é de um azul forte e lindo e o Fitz Roy é absolutamente incrível. Diferente das Torres del Paine, dessa vez o tempo estava perfeito, céu azul, sol e pouquíssimas nuvens – nenhuma delas em cima do Fitz Roy. Ficamos na beira da laguna por mais de 1h, admirando cada pedaço da paisagem e tirando muuuuuitas fotos. Almoçamos por ali também e o conjunto foi melhor que qualquer restaurante 5 estrelas .
      No caminho de volta, quando vemos o rio lá embaixo e as pessoas subindo com cara de cansaço, percebemos o quanto de fato subimos. E a descida também não é fácil, por causa das pedras: os joelhos doem, as pernas cansam muito. Passando pelo acampamento Poincenot o caminho voltou a ficar tranquilo e foi apresentando outras belezas e outras paisagens. A laguna Capri, no meio do caminho, é espetacular. Finalmente, chegando mais perto de El Chaltén, começou uma descida com a vista do vale e o Rio de Las Vueltas lá embaixo. A descida continuou por quase 2km até chegar na cidade e, depois de tanto descer, ficamos felizes em ter escolhido a opção de começar a trilha pela hosteria Pilar .
      Do final da trilha, cansados, até o hotel que estávamos parecia que tinha mais vários km. Aproveitamos o caminho para xeretar as opções de restaurantes e definir onde jantaríamos depois de um bom banho. Acabamos escolhendo um bar que vimos em outro relato, o Cayetano. Escolha excelente! Cerveja artesanal gostosa (Supay) e tinha happy hour, 2 pints por AR$ 100. Pedimos um hamburguer (AR$ 190) que era imenso e saboroso. Comemos tanto que no final do lanche estávamos derrotados. Voltamos nos arrastando pro hotel .
       
      Glaciar Piedras Blancas by Paty Grillo, no Flickr
       
      Subida do Fitz Roy by Paty Grillo, no Flickr
       
      Fitz Roy by Paty Grillo, no Flickr
       
      Senda Fitz Roy by Paty Grillo, no Flickr
       
      Laguna Capri by Paty Grillo, no Flickr
       
      Hamburguer do Cayetano Bar by Paty Grillo, no Flickr
       
       
      11º dia – 02/02: Laguna Torre
      Depois do cansaço do dia anterior, decidimos que acordaríamos mais tarde e que só faríamos a trilha até o mirador del Torre. Tomamos café, preparamos novamente nosso lanche, fizemos o chekout e deixamos as mochilas guardadas no hotel. Saímos às 9h50.
      Até o mirador del Torre são 3km, com uma certa subida no início. Fizemos bem devagar por ser um trecho bem curto e tínhamos o dia todo à disposição. Chegamos nele em 50 minutos. O tempo estava meio nublado e o cerro Torre estava encoberto por nuvens. Ainda assim a paisagem era bonita. Tiramos algumas fotos, sentamos e… não aguentamos. Decidimos que iríamos andar os 6km que faltavam para chegar na laguna Torre.
      A caminhada foi bastante tranquila, a maior parte plana. Alguns trechos descampados, outros com árvores sem folhas e secas, alguns poucos trechos de bosque e mais próximo do final se margeava o rio Fitz Roy. É importante dizer que só nessa parte final é possível encher a garrafa de água, ou seja, lembre-se de enchê-la antes de começar a trilha.
      Completados os 9km chegamos à laguna Torre e, sinceramente, perto do Fitz Roy ela fica bastante sem graça. Mas como o caminho foi fácil, deu pra perdoar .
      Voltamos para El Chalten por volta das 15h30. Procuramos um bar onde o happy hour começasse às 16h e a cervejaria Don Guerra foi a escolhida (2 pints por AR$ 120 e uma porção de batata com bacon e cheddar – muito boa! - por AR$ 155). Antes de pegar o ônibus de volta para El Calafate iríamos jantar e cansados de comer lanche e pizza, procuramos um lugar que não fosse tãããão caro como quase todos de El Chaltén. Recebemos a indicação do Techado Negro, com pratos na faixa de AR$ 150 a 160. Diego escolheu um nhoque e eu comi um frango a milanesa com arroz (sem gosto, claro).
      Pegamos o ônibus da Taqsa às 19h30 e dormimos quase todo o trajeto. Chegamos embaixo de chuva em El Calafate, às 22h20, e fomos direto para o hostel.
       
      Caminho para a Laguna Torre by Paty Grillo, no Flickr
       
      Laguna Torre by Paty Grillo, no Flickr
       
       
      12º dia – 03/02: Chegando em Ushuaia
      Acordamos um pouco mais tarde, tomamos café e fizemos o check out para aguardar a chegada do transfer da Ves Patagonia. Nosso vôo era 12h30 e a van iria nos buscar às 10h – na verdade ela chegou eram quase 10h40.
      Chegamos em Ushuaia às 13h50. Como havíamos fechado o passeio da pinguinera com a Brasileiros em Ushuaia tínhamos o transfer nos aguardando na chegada (isso é bastante comum e não foi preciso nem barganhar, eles próprios já ofereceram).
      Deixamos as coisas no studio que havíamos reservado no AirBnb e fomos dar uma circulada pela cidade. Ushuaia é a maior das cidades que visitamos, bastante movimentada, às margens do Canal Beagle e rodeada por montanhas nevadas. No dia em que chegamos o tempo estava nublado e chuvoso. Apesar de se vender como a cidade mais austral do mundo, Ushuaia na verdade não é. Puerto Williams (pertencente ao Chile) fica um pouco mais ao sul, mas os hermanos contam uma historinha de que “não é bem uma cidade, é uma base militar, blá-blá-blá” e não abrem mão do título de Ushuaia. Ainda assim, a sensação de estar na pontinha da América do Sul é muito legal!
      Fomos procurar um lugar para almoçar e acabamos escolhendo (pelo preço) o Marcopolo Freelife, um café-restaurante que fica em uma porta pequenina na Av. San Martin, no quarteirão seguinte da agência Brasileiros em Ushuaia. Lá, além das opções de café e lanches, existe o Menu do Dia. Você pode pedi-lo com bebida OU sobremesa por AR$ 180 ou com os dois por AR$ 200. Neste dia o menu era um bife (enooooorme, delicioso e muito bem feito! :'> ) acompanhado por uma salada de repolho, cenoura e maçã, com um molhinho também delicioso. A sobremesa você podia escolher entre salada de fruta, pudim de pão, flan, gelatina.
      Bem alimentados e felizes, fomos explorar Ushuaia. Passamos na central de informações ao turista, em frente ao porto, e pegamos um folheto com todos os horários dos “buses de linea regular”, que na verdade são vans que saem de um terminalzinho ali perto e vão para os diversos pontos turísticos, com preço tabelado. Antes de descobrirmos essa opção havíamos perguntado o preço dos taxis e, caso você consiga encher o carro, até acaba compensando.
      Como estava friozinho, fomos tomar um chocolate quente (tínhamos recebido um vale gratuito da agência) na Chocolates El Turista e aproveitamos para experimentar os chocolates em ramas que vimos em toda a Patagônia e pareciam super gostosos. Na verdade, eram mais bonitos que saborosos (achei muuuuito doce), além de caros.
      No studio que estávamos havia uma cozinha americana bem equipada, e considerando que comer na Patagônia não é barato, passamos no mercado e compramos, além dos ingredientes do tradicional lanchinho de trilha, um macarrão esperto para as nossas jantas e coisas para o café da manhã. Lá em Ushuaia tem o La Anonima e o Carrefour, fomos no La Anonima que era relativamente mais perto. Lá também compramos a cerveja Beagle por AR$ 32,50 (nas lojas da Av. San Martín você não achava por menos de AR$ 60!!!) e uns litrões da cerveja Patagônia, aquela que vende em vários mercados do Brasil, também por preços beeem baixos.
      Ao final do dia jantamos nosso macarrãozinho e bebemos bem!
       
      Sobre o studio: lindo, confortável, moderno, melhor chuveiro da vida. Vale muito a pena! A única coisa não tão boa é que ficava no alto e, apesar de perto da avenida principal de Ushuaia, era uma subida monstro pra voltar.
       
      Ushuaia by Paty Grillo, no Flickr
       
       
      13º dia – 04/02: Navegação Canal Beagle + Caminhada na Pinguinera
      Acordamos cedinho e o tempo estava lindo! Depois do café e com as mochilas de ataque prontas, saímos a pé para o porto. Tínhamos que apresentar o voucher na Piratour (lembra que falamos que a Brasileiros em Ushuaia só revende o passeio?), pagar a taxa do porto (AR$ 20) e também a entrada na Estância Harberton (AR$ 240) – ambos não estavam inclusos no valor do passeio.
      Entramos em um barco grande e confortável (às 09h), com dois guias e a equipe de marinheiros. Durante a navegação ficávamos a maior parte do tempo dentro do barco e saíamos para a parte externa superior do barco quando chegávamos perto das diversas ilhas. Não que não pudéssemos ficar lá fora o tempo todo, mas pensem em um vento forte e um frio?!
      Quando o barco se afastou foi possível ter uma vista bem legal de Ushuaia e, com o tempo aberto, as montanhas ao redor estavam ainda mais bonitas. A primeira parada foi na Isla de los Pájaros, onde vemos os Cormoranes. São pássaros que de longe parecem pinguins (por conta da cor), mas que na verdade têm o pescoço bem mais comprido e voam. É impressionante a quantidade de pássaros na ilha! (E também o barulho e o cheiro de peixe!). Sempre que se aproximava das ilhas o barco desligava o motor e ficava um tempo lá, para a gente curtir.
      A parada seguinte foi na Isla de Los Lobos, com leões marinhos – lindos, fofos, gordos, todos amontoados uns em cima dos outros! Na ilha também fica o farol Les Eclaireurs, que alguns chamam erroneamente de farol do fim do mundo. O guia explicou que o verdadeiro farol do fim do mundo fica beeeeeeeeeeeem longe dali – e vimos no mapa depois que ele estava certo. A paisagem é incrível! Os animais, as montanhas de fundo, o reflexo na água… não é difícil tirar várias fotos sensacionais.
      Dali até a Estância Harberton é um bom tempinho de navegação. No caminho passamos por Puerto Williams e escutamos a história da estância Harberton, do Canal Beagle, da nevegação do comandante Fitz Roy… Estávamos mais ou menos na metade do caminho quando o guia nos convidou a sair para a parte externa e o barco desligou o motor… era uma baleia! Achei bem legal o fato do barco ter deixado de lado seu roteiro e ter desviado o caminho seguindo a baleia por algum tempo. Aliás, os guias e os marinheiros estavam tão empolgados quanto a gente. Rsrs. Parece que não é algo muito comum por ali.
      Chegamos na Estância Harberton e o nos dividimos em 2 grupos menores. Ficamos no grupo que iria primeiro à Pinguinera, enquanto o outro aproveitaria o tempo livre para comer. Entramos em um barquinho pequeno e lá fomos nós. No caminho o guia foi dando algumas orientações: basicamente deveríamos ficar todos juntos, não fazer barulho, não correr, não abraçar os pinguins e nem trazê-los para casa. Chegamos na ilha e, gente, é SEN-SA-CIO-NAL. São muuuuuuuuuuuuuuitos pinguins e eles não estavam nem aí pra gente. Ou seja, eles continuaram por perto e nós ficamos tão entusiasmados quanto uma criança que ganhou um presente legal. Hahaha. Lá na ilha é possível ver três espécies diferentes de pinguins: de Magalhães (em maior quantidade), Papúa (menor quantidade, mas ainda assim são vários) e Rei (de acordo com o guia, existem apenas 3 na ilha. Nós vimos 2.). Os pinguins de Magalhães são menores, branco e preto, os Papúa têm bico e pés laranjas e o Rei… Ah, o Pinguim Rei é a coisa mais linda e desengonçada do mundo! Eles são grandes (uns 90 cm?!) e tem um tom de amarelo muito intenso na penagem . Caminhamos por cerca de 1h na ilha, mas parece que durou 15 minutos. Não cansamos de vê-los e admirá-los. Esse também é um passeio beeeeeeeem caro, mas que na nossa opinião não se deve deixar de fazê-lo. A sensação e as lembranças depois são incríveis. E pinguins são… pinguins! Bichos legais!
      Voltamos para a Estância e, enquanto aguardávamos o segundo grupo, tivemos um tempo para comer. Lá tem um restaurante, mas nós já estávamos pobres da viagem e levamos nosso lanchinho mesmo. Com o retorno do segundo grupo da Pinguinera fomos ao Museu de Ossos de Aves e Mamíferos Marinhos Acatushún (ingresso incluso no valor do passeio). É um lugar pequeno, mas com um acervo legal e deu para aprender algumas curiosidades.
      Terminada a visita, entramos em um ônibus e pegamos a estrada de volta (pois é, a volta não é por navegação). No caminho ainda há uma parada para ver as árvores bandeiras, árvores que crescem para um único lado devido a força dos ventos patagônicos, que naquela região sopram sempre na mesma direção. Chegamos em Ushuaia pouco depois das 17h.
      Jantamos em casa e depois saímos para o Dublin Bar, para terminar o dia com uma cervejinha. O lugar é bem legal e cheeeeeeeeeeio. Chegamos e conseguimos sentar no balcão, mas uns 10 minutos depois já não tinha condições de achar um lugar. Tomamos a Beagle e experimentamos a cerveja Cape Horn de noz, beeeeeem gostosa, além de uma porção de salame para petiscar. A conta ficou AR$ 160 / pessoa.
       
      Canal Beagle by Paty Grillo, no Flickr
       
      Isla de Los Lobos by Paty Grillo, no Flickr
       
      Isla de Los Lobos by Paty Grillo, no Flickr
       
      Farol Les Eclaireurs by Paty Grillo, no Flickr
       
      Pinguinera by Paty Grillo, no Flickr
       
      Pinguinera by Paty Grillo, no Flickr
       
       
      14º dia – 05/02: Parque Nacional Terra do Fogo e Laguna Esmeralda
      Bem, esse seria nosso último dia disponível para passeio e tínhamos reservado ele para o Parque Nacional Tierra del Fuego. Por conta dos relatos que lemos também tínhamos vontade de conhecer a Laguna Esmeralda, mas olhando os horários dos transfers achávamos que não iria dar tempo de conciliar e começamos a tentar nos convencer da nossa escolha – afinal ir à Ushuaia e não ir ao parque é tipo ir à Paris e não ver a Torre Eiffel. “Já vimos várias lagunas bonitas”. “Tudo bem, temos que priorizar o passeio”. “Não dá pra ter tudo na vida...”.
      Pegamos o transfer às 9h (AR$ 400 ida e volta) e uns 30 minutos depois já estávamos na portaria do parque. Pagamos a entrada (AR$ 130) e fomos para o início da trilha escolhida. No Parque Nacional Tierra del Fuego são 4 trilhas longas principais (Pampa Alta, Costera, Hito XXIV e Cerro Guanaco) e outras curtas (Paseo de la Isla, Laguna Negra, Mirador Lapataia, Del Turbal, Castorera e de la Baliza). Os transfers passam por três pontos principais dentro do parque e você pode pegá-los em qualquer um deles.
      Na noite anterior havíamos decidido fazer a Senda Costera, que vai da Ensenada Zaratiegui (onde fica o correio do fim do mundo) até o cruzamento da Ruta 3 com o Lago Roca. São 8km margeando a bahia Lapataia. Descemos então no primeiro ponto do transfer e antes de começar a trilha entramos no correio do fim do mundo. O lugar é muito legal, tem um ar meio mágico, mas qualquer coisa que você queira de lá obviamente você paga – inclusive para carimbar o passaporte (AR$ 30). Ok, o carimbo é tradicional e tal, mas passamos a vez. As fotos, a experiência e as histórias seriam mais lembradas que o carimbo no passaporte. Mas aí é de cada um, né?!
      A trilha é muito tranquila e, embora as pessoas digam que leva-se em média 4h para percorrê-la, nós fizemos em 2h30. O caminho é quase todo plano e, perto das trilhas que já havíamos feito, era quase como andar num corredor de shopping . Confesso que a paisagem me surpreendeu muito, não esperava que fosse ser tão bonita. As cores da água ao longo do caminho, as praias de pedrinhas e a paisagem no horizonte formavam um conjunto inesquecível. Mais uma vez o céu azul ajudou bastante .
      Terminamos a trilha perto de 12h e foi aí que olhamos um pro outro e decidimos: “vai dar tempo!” . Sim, não tínhamos conseguido superar o fato de não ir à Laguna Esmeralda. Hahaha! A questão é que, embora no papel com os horários das vans apareçam saídas de hora em hora, são empresas diferentes que oferecem o trajeto e se você fechou com uma, você só vai poder pegar o horário daquela (na teoria). Não tínhamos nos atentado a isso e a nossa empresa só sairia às 15h. Um rapaz no Centro de Visitantes Alakush sugeriu que fossemos até o outro ponto de ônibus, para tentar ver se alguém de outra empresa topava levar a gente de volta para Ushuaia. Fomos caminhando pela estrada de terra e decidimos cortar caminho pelo Paseo de La Isla, que sairia no lugar desejado e pelo menos iria tirar a gente da estrada, onde engolíamos poeira sempre que passava um carro. São 600m de trilha (aliás, um trajeto lindíssimo!) e a gente conseguiu se perder em uma bifurcação e voltar para o começo! Achamos então que seria melhor diminuir nossa expectativa e abrir mão da Laguna Esmeralda. Saímos cabisbaixos e fomos pedir carona para um micro ônibus que estava vindo. Demos um miguézinho se não poderíamos voltar para Ushuaia com ele e mostramos o ticket da outra empresa, mas o motorista num primeiro momento disse que não, mas que nos deixaria no ponto de ônibus. Masssss… ele mudou de ideia, não parou no ponto final (que não tinha ninguém esperando por ele) e começou a ir embora, com a gente. Perguntamos de novo se eles nos daria carona e então ele sorriu e disse que poderíamos ir com ele, sim . No meio do caminho ele cruzou com o motorista que havia levado a gente e que sabe-se lá por qual motivo estava no parque aquele horário e nos “devolveu” para a empresa certa. Rsrs.
      Chegamos no terminal de Ushuaia e acabamos fechando com o mesmo motorista para ir para a Laguna Esmeralda (AR$ 300 ida e volta). Ele saiu imediatamente com a gente e combinou que nos buscaria às 19h (não sem ficar realmente espantado que faríamos os dois passeios no mesmo dia! Rsrs).
      Começamos a trilha para a Laguna Esmeralda por volta das 15h. Tinham muuuuuitas pessoas na trilha, indo ou voltando, muitas crianças e muitos cachorros (!). O caminho é bem marcado e há sinalizações com plaquinhas azuis nos troncos das árvores, não tendo necessidade alguma de guia. Em relação à dificuldade do trajeto, pior que a subida com certeza é a quantidade de lama. Lembra quando falamos no Circuito W de um trecho com muita lama? Para a Laguna Esmeralda é dez vezes pior. Na primeira metade da trilha até que dava para se equilibrar em uns pedaços de troncos e raízes de árvores, mas chegamos em um trecho após a primeira subida que não tinha pra onde correr. Rsrs. Era lama suficiente para chegar na canela e só restava dobrar as calças e procurar alternativas de caminho em que o estrago não fosse tão grande . Mas nem tudo é desgraça e durante a trilha também é possível ver castoreras incríveis e andar em um solo de turba. A turba é um tipo de solo esponjoso formando pela decomposição de material orgânico e andar nela é muuuuuuuito legal! Parece que você está em um colchão de molas e tem vontade de sair pulando!
      Depois de 1h30 chegamos na Laguna Esmeralda. O tempo já estava nublado novamente, mas ainda assim a água é muito verdinha e vale a pena ir! As montanhas ao fundo completam a paisagem. Estávamos exaustos da correria que fizemos, fora o cansaço acumulado por ser o último dia de viagem. Ficamos cerca de 1h lá na laguna, descansando e curtindo a paisagem, para tomar coragem de voltar. Mais 1h30 de descida e estávamos prontos para aguardar o transfer, que chegou na hora certinha.
      Nossos pesos argentinos e dólares tinham acabado e quase ninguém aceita real por lá. Como ainda precisaríamos comer, pagar o taxi para o aeroporto e queríamos comprar alguns presentes, pedimos para o motorista nos deixar perto do final da Av. San Martín e fomos no Hotel Antartica fazer o câmbio. Dica: é Hotel mesmo. Fomos primeiro no HoStel Antartica e lá eles não trocam! O Hotel Antartica fica em uma travessa da San Martín e a cotação foi menor que a oficial, claro, mas melhor do que imaginávamos que seria: R$ 1 = AR$ 4,80.
      Paramos para comer um hamburguer no Banana Burger (AR$ 185. Lanche grande, mas nada de especial. Acho que não vale...), passamos em um mercadinho para comprar algumas Cape Horn (AR$ 74) e voltamos para casa, mortos.
       
      Correio do Fim do Mundo by Paty Grillo, no Flickr
       
      Parque Nacional Tierra del Fuego by Paty Grillo, no Flickr
       
      Castorera no caminho da Laguna Esmeralda by Paty Grillo, no Flickr
       
      Laguna Esmeralda by Paty Grillo, no Flickr
       
       
      15º dia – 06/02: Volta para casa
      Enfim último dia, estávamos muito felizes por ter conseguido completar todas as trilhas e passeios que havíamos planejado, foram 14 dias de paisagens maravilhosas, experiências incríveis e uma grande sensação de dever cumprido. Nesse último dia pegaríamos o vôo de volta para casa às 15h40.
      Fizemos o check out às 10h e conseguimos deixar as mochilas na agência Brasileiros em Ushuaia até o horário do vôo. Aliás, o pessoal da agência é bem simpático e disponível. Indicamos!
      Fomos nos despedir de Ushuaia comprando alguns presentes (vinhos, alfajor, cerveja) e almoçamos novamente no Marcopolo, o lugar do almoço + sobremesa por AR$ 180. Neste dia o menu foi um bifão com molho branco e champignon, com batatas acompanhando. De novo estava deliciosamente bem preparado! Ganhou o título de melhor comida da viagem.
      Hora de partir e pegamos um taxi para o aeroporto por AR$ 115 (taxímetro), opção que fica mais em conta que fechar um transfer em agência (que se paga cerca de AR$ 120 por pessoa).
       
      Menu do Dia no Marcopolo by Paty Grillo, no Flickr
       
       
       
      Podemos dizer que valeu. Valeu cada paisagem, cada km andado, cada desafio cumprido e valeu até mesmo cada centavo que pagamos. A Patagônia é incrível! Voltamos cheios de lembranças e histórias. E, claro, muuuuuuuuuuuuuuitas fotos!
    • Por Mochileiros.com
      O Parque Nacional Torres del Paine está localizado na Região de Magalhães ao sul da Patagônia chilena. É considerado um dos mais belos parques nacionais da América do Sul. Tem uma área de aproximadamente 242.000 hectares, na qual se encontra a cadeia montanhosa Del Paine, com as mundialmente famosas Torres del Paine e os não menos conhecidos Cuernos del Paine. Lagos, rios, cascatas e glaciares estão em perfeita harmonia no parque.
      O circuito "O" em Torres del Paine é o percurso completo de aproximadamente 110 quilômetros, em torno da Cordilheira del Paine, que geralmente é percorrido entre 6 e 10 dias. O Circuito "W" é uma versão abreviada do "O" com uma média 60 Km que é realizado entre 4 e 6 dias.  
      Confira relatos e mais informações sobre este destino acessando as tags: 
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