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Lívia Mara Silva

VIAGEM 22 DIAS - CHILE (SAN PEDRO DE ATACAMA E SANTIAGO), BOLÍVIA (UYUNI) E PERU (SALKANTAY, CUSCO E MP)

Posts Recomendados

Em 26/06/2017 em 23:00, Lívia Mara Silva disse:
Jenifferaraujo disse:

to e amando, estou planejando a algum tempo essa viagem também e se voce pudesse me ajudaria muito se pudesse me passar essa planilha de valores gastos para eu ja ter uma base e ir me planejando.

 

Grande abraço. :)

Oi, Livia!

Você pode enviar um email com a planilha? [email protected]

Brigada! =)

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@rebeca_carvalho Rebeca, 

enviei a planilha!

Sim... Eles são ótimos! Você não vai precisar se preocupar com nada! Eu não fiz a tirolesa não. Confirme com eles, mas acho que a essa empresa não permite a tirolesa. Você ainda vai pegar o novo acampamento deles, que deve ser mágico! Aproveite e depois conte para gente como foi! QQ duvida, só falar!

  • Gostei! 1

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@thiagodantas Oi, Thiago!

 

 

Que pena! Acho que fiquei um pouco distante do site e acabei não respondendo a tempo.. Me desculpe! Em relação ao que colocar na mochila, leve repelente. O segundo dia é cruel em relação aos mosquitos...

E se tiver como: Fôlego! ahahahaha

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58 minutos atrás, Lívia Mara Silva disse:

@rebeca_carvalho Rebeca, 

enviei a planilha!

Sim... Eles são ótimos! Você não vai precisar se preocupar com nada! Eu não fiz a tirolesa não. Confirme com eles, mas acho que a essa empresa não permite a tirolesa. Você ainda vai pegar o novo acampamento deles, que deve ser mágico! Aproveite e depois conte para gente como foi! QQ duvida, só falar!

Muito obrigada!!!! Recebi aqui! Depois vou dar uma olhada com calma! Pode deixar q depois conto como foi!!! E daqui a pouco tiro mais dúvidas!!🤣🤣🤣

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12 horas atrás, Lívia Mara Silva disse:

@amauryoliveirabatista Amaury,

Atacama é tudo de lindo! É bem diferente da parte que fui no Peru.. Na verdade, eu acho que é diferente de tudo que há no mundo. Vale muito a pena. Vou enviar a planilha... Se precisar de algo, tiver alguma duvida, pode falar....

 

 

Muito obrigado pela colaboração to muito afim de fazer esse roteiro de vocês no Peru, abraço.

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    • Por victoralex
      "Amigos, amigas...damas y caballeros...ladies and gentlemen. ¡Bienvenidos al Desierto de Atacama!"
      É com essa saudação caricata de Miguel, um dos guias que nos acompanhou nos passeios durante a semana, que inicio o relato de um dos lugares mais impressionantes que eu já estive. E não, não é mentira quando você estiver lendo esse ou outros relatos. O negócio é brabo mesmo. O Atacama é um lugar que consegue misturar em um raio de 100km: clima árido, clima andino, fauna e flora do Altiplano Andino, lagunas salgadas e doces, cenotes de água salgada, cultura inca e atacameña, astronomia, meteoritos...É como se o mundo tivesse escolhido um lugar específico do mundo pra colocar um monte de fatores relacionados a natureza e à ciência juntos. E tudo isso deu muito certo!

      Fomos eu e minha namorada Carolina passar 1 semana exclusivamente no Atacama. Antes de mais nada, vimos muitos relatos de gente que passou 1,2 dias por lá antes de ir pro Falar de Uyuni, na Bolívia. Não só não fizemos isso como a maioria dos guias e do pessoal que conhecemos lá não recomendam. Separe suas viagens. O Atacama tem muita, mas muita coisa pra fazer, 7 dias é até pouco pelo tanto de coisa que a gente poderia ter feito. E outra, A Bolívia é tão plural quanto o Chile. Aproveite para ir para Uyuni quando for fazer uma trip pela natureza de lá. A mesma coisa com o Chile! O Atacama merece mais que 2-3 dias! 
      Em todas as empresas e restaurantes que está no texto, estou deixando um link para você conferir os serviços.

      Dando créditos, um link que nos ajudou muito foi esse aqui, do Viagem na Viagem.

      E um relato daqui do Mochileiros que também foi bem útil: 
       Bom, vamos começar com coisas práticas:

      1. Gastos 
      Passagens aéreas: R$ 1043,00 x 2 pessoas = R$ 2086,00 - (GRU-SCL-CJC)
      Hospedagem: R$1028,00 
      Todos os passeios: R$ 1400,00 x 2 pessoas = R$ 2800,00
      Seguro-viagem: R$ 63,50 x 2 pessoas = R$ 127,00
      Gastos com comida, souvenir, transfer, etc) = R$ 340,00 x 2 pessoas = R$ 680,00

      Total sem passagem aérea: R$ 4635,00 / 2 = R$ 2317,50 por pessoa

      Total com passagem aérea: R$ 6721,00 / 2 = R$ 3360,50 por pessoa

      Sim! Não foi tão caro, comparando com os preços que a gente viu nos relatos antes de ir (5k+ por pessoa). Acho que isso é produto de duas coisas:

      i) Pegamos uma sorte com o dólar. Fizemos a conversão BRL USD-CLP e, por conta dos protestos em Santiago desde outubro/2019, conseguimos pegar uma cotação de 800 CLP/USD, o que ajudou muito (antes dos protestos o câmbio estava 600 CLP/USD);

      ii) Bom senso mesmo. Vamos falar na seção dos passeios, mas lá muitas das agências são careiras e, por um serviço muito similar às outras, mais baratas. O termo que ouvimos lá foi "los nuevos ricos brasileños". Basicamente tem muito brasileiro que não tá se importando em gastar e vão no serviço mais confortável. Na maioria das vezes de agências brasileiras (FlaviaBia, Araya, etc). Pelo que vimos, a diferença maior é que nessas os tours são feitos em português. Mas como queríamos falar espanhol a vera, a gente foi na Flamingo e foi perfeito! E metade do preço das duas citadas ali atrás. Então vai de cada um! Não perca dinheiro a toa  .

      2. Hospedagem
      Ficamos no Antawhara Atacama Hostal. A hospedagem é justa. Como não tínhamos tanto budget, procuramos algo que alinhasse privacidade com praticidade. O Antawhara nos atendeu muito bem no quesito conforto (as camas são confortáveis, banheiro privativo é bom e o café da manhã é muito gostoso). No entanto, o banheiro é bem pequeno. E eu perdi um chinelo lá, sabe-se lá como hehe.

      Mas no geral, duas críticas que vimos que não procede: i) Os chuveiros são quentes sim! A galera reclama que era frio, mas bastava ajustar o aquecedor do lado de fora de cada quarto! E ii) Vocês vão ler muitos relatos de como é importante ficar perto da Caracoles, Blabla, centro, etc...Tudo balela! O Hostel ficava 10min andando da Caracoles, era um passeio bem legal de ir andando porque você passa por uns mercadinhos, por padarias (alias, MELHOR pão! Vão na padaria La Franchuteria). Além de ter uma vista fudida do deserto (o centro fica no meio da cidade, o que não dá pra ver nada!).

      Carolina e a vista da frente do Anthawara. Melhor que ver a rua, não?
       
      3. Roupas e calçados
      Tinha levado um tênis de corrida, já que estava imaginando que íamos andar bastante. No entanto, o que não lembrei era que andaríamos na terra/areia! E meu tênis não aguentou! Tive que comprar uma bota de trekking por lá. Já que já teria que comprar uma, e já estava perto do natal, desembolsei um pouco mais para uma bota da North Face. E achamos que os preços lá davam bem ok. Comparando em relação com o Brasil, claro. Qualquer bota da North Face você paga mais de 500 reais aqui. Pagamos 400. Carolina levou um tênis de cano alto de treino, que deu super certo. Acho que é a partir daí que se deve levar. Um tênis que tenha cola suficiente para não desgrudar com tanto que você caminha na areia. Ou talvez seja o jeito que eu ando, já que em uma viagem à Patagônia Argentina (clique no link, caso queira ler o relato de lá!) minha bota abriu também, da mesma forma! Só não vá de sandália ou chinelo, como vimos umas meninas! Devem ter sofrido, coitadas!
      Sobre roupas, lembre-se que a amplitude térmica do Atacama é bem alta. Então você está num calor infernal de dia e num frio do cão a noite. Inclusive, falaremos, que no tour astronômico, mesmo com uma jaqueta corta-vento que em tese aguenta até -8 graus, senti que podia ter colocado mais uma blusa. Levei um fleece e essa jaqueta na viagem, e foi ótimo! O importante é focar no corta-vento, já que venta muito no Atacama!
      Outro ponto foi uma dica que, quando fui à Patagônia, também levei: aquelas calças anfíbio de trilha, que você pode tirar a parte de baixo para virar bermuda. Foi útil demais! Pra quem gosta de fazer trilha como a gente gosta, vale muito a pena! Usamos tanto a calça quanto a bermuda!
      E por último, não esqueça de um bom chapéu. O Sol é estarrecedor, então se preocupe com isso. Mesma coisa com protetor solar. E como venta, procure aqueles chapéus que tem a cordinha para ele não voar! Eu particularmente gosto bastante deles, então deu tudo certo .
      4. Agência e Cronograma
      Como era nossa primeira vez no Atacama, ouvimos as dicas de colegas e relatos e contratamos uma agência para fazer 5 passeios, onde conseguimos descontos quando comparado com os preços individuais. Fora isso, fizemos uma pedalada sozinhos e também fomos ao observatório ALMA. Falaremos disso mais em baixo. 

      Em relação à agência, como disse ali em cima, evite essas agências careiras como a FlaviaBia e a Ayara e também a Ayllu. Elas são o dobro, triplo do preço da agência Flamingo, que foi a que escolhemos, por um serviço muito similar. Os passeios foram incríveis e pegamos 2 guias durante os 5 passeios que tornaram nossa experiência ainda melhor. Os tours foram em um mix de espanhol e inglês, mas os guias falam português para quem quiser! E até alemão! Como queríamos treinar nosso espanhol, a gente até perguntava em espanhol as coisas hehe (e fomos elogiados!). Faz parte da experiência da latinoamericana. O tour astronômico fizemos com a Space, mas faríamos com a Flamingo sem problemas! Na Flamingo, fechamos 5 passeios por 1000 reais cada pessoa, o que foi o melhor preço que vimos em todas as agências. Ainda, tirando o passeio o primeiro passeio de meio-dia para o Vale de la Luna, todos os passeios tem algum tipo de comida inclusa (café, almoço e coquetel, ou uma combinação entre eles). Ainda, o preço que to falando aqui já tá incluso o preço da entradas dos parques, que é pago separado. Valeu muito a pena mesmo!
      Se conseguirem escolher por guias, pegamos dois guias maravilhosos: O Miguel e a Cheryl. O Miguel fez 3 passeios com a gente e a Cheryl 2. Amplos conhecedores da fauna, flora e geografia da região, a experiência ficou ainda melhor com as aulas deles! 
      Outra bacana é: compre os passeios por lá, em San Pedro, quando chegar. Não seja nóia. Os preços ficam lá em cima com antecedência. E tem muita agência na cidade. Então dá pra negociar por lá, fechando pacotes específicos, etc. Vimos essa dica em algum relato e seguimos. Foi certeiro. 
      Sobre fazer essa viagem alugando uma 4x4 e ir sozinho, consideramos a possibilidade, mas deixaremos para a próxima. O plano é incluir o norte da Argentina numa trip dessas, saindo do Brasil e terminando em San Pedro de Atacama. Pelo que conversamos lá é preciso um investimento em GPS por satélite, o carro adequado, etc...Vimos algumas pessoas fazendo isso por lá! 
      Por fim, fazer a trip com a agência facilita muita coisa, mas é de certa forma, corrido. Você acaba tendo que seguir o cronograma do tour, e com exceção de 1 passeio que nos demos muito bem com a galera que tava junto, a sua experiência fica dependendo do clima do negócio. Por outro lado, é a melhor opção para quem nunca foi pra lá, já que você conhece tudo e dicas e guias da região! Por exemplo, em um dos passeios o pessoal era muito mala. Gente mal educada mesmo, atrapalhando o guia nas explicações, atrasando o cronograma, etc...Então é isso, como era nossa primeira vez, contratamos as agências para saber qual é. Na próxima, com certeza vamos fazer sozinhos alugando nosso próprio carro! Acho que é essa a melhor decisão: a primeira vez com agência e as próximas sozinhos!
      Bom, nosso cronograma foi:
      Dia 1, domingo 1/dez: 
      7:00 - Voo LATAM - GRU-SCL (chegada às 12h) e às 16:00 - Voo LATAM - SCL - CJC (chegada às 18h30). 
      Dia 2, segunda-feira 2/dez: Valle da la Luna (Flamingo) e Tour Astronômico às 23h (Space)
      Dia 3, terça-feira 3/dez: Pedalada até Pukara de Quitor e Valle de Marte (por conta) e Laguna Cejar (Flamingo)
      Dia 4, quarta-feira 4/dez: Lagunas Altiplânicas (Flamingo)
      Dia 5, quinta-feira 5/dez: Ruta dos Salares (Flamingo. É o passeio mais similar ao Salar de Tara, que está fechado há 2 anos)
      Dia 6, sexta-feira 6/dez: Geyser del Tatio (Flamingo) e vila de San Pedro 
      Dia 7, sábado 7/dez: Observatório Alma e voo CJC-SCL às 21h
      Dia 8, domingo 8/dez: Voo SCL-GRU ás 6:30.
       
      5. Relato
      Dia 1:  Voo SP-SCL-Calama - 1/dez/2019
      O voo saiu de SP logo de manhã, às 7h da manhã. Saímos de madrugada de casa (Somos de SP). Voo tranquilo até Santiago. Estávamos preocupados com os protestos, com câmbio, etc...E descobri uma coisa muito importante: o melhor câmbio a se fazer é lá em San Pedro de Atacama mesmo. Sim, lá tem casas de câmbio, algumas, principalmente na Rua Toconao. A cotação que vimos no aeroporto foi 720 CLP/USD, enquanto em San Pedro conseguimos por 800 CLP/USD. 
      O voo SCL-Calama saiu às 16h e, ao chegar no aeroporto de Calama, pegamos o transfer Licancabur. Todos os transfers que vimos eram o mesmo preço, a diferença era que esse dava pra reservar antes. Fizemos a reserva enquanto estávamos no aeroporto de Santiago ainda. Ao desembarcar em Calama, tinha uma plaquinha com meu nome nos aguardado. E sim, a van nos deixa no Hostel.
      Chegada no hostel umas 20:30, banho, comida e cama. A viagem tava só começando!
      Dia 2: Burocras, Vale de la Luna e Tour Astronômico - 2/dez/2019
      Passamos a manhã fechando os passeios da semana. Como disse lá em cima, fechamos com a Flamingo todos os passeios, com excessão do Tour Astronômico, que fechamos com a Space. A Flamingo tem também um tour astronômico, e tenho certeza que é de ótima qualidade. A questão aqui foi ter fechado o Space antes da Flamingo. Acho que se tivéssemos ido primeiro na Flamingo, ganharíamos um desconto com o astronômico deles.
      Almoçamos já no primeiro dia num restaurante excelente: El Huerto. Comida simples e ambiente muito agradável, com preços bem ok e pratos que dá pra dividir. Às 16h, teríamos nosso primeiro tour: o Vale de la Luna, com a Flamingo. 
      O tour é legal e você consegue conhecer a Cordillera del Sal, uma das 3 cordilheiras da região. O Vale de la Luna é só uma parte da Cordillera e você conhece vários picos. Mas preferiria ter feito o passeio sozinho de bike, já que o tour para nos lugares e sai com intervalos rápidos. Como é perto de San Pedro, dava pra ir pedalando e ficando mais tempo em cada lugar. Por outro lado, o tour te permite levar pra um lugar bem massa de ver o pôr do sol. E claro, as aulas de geografia, fauna e flora do lugar!

      "Las Tres Marias", escultura natural do Vale de la Luna

      Cordillera del Sal

      Poner del sol na Cordillera del Sal
      De volta à San Pedro pelas 20h30-21h, jantamos uma empanada (sobre isso, experimente a empanada de pino! É o sabor típico deles, um recheio de carne moída, ovo e um tempero típico. É do caralho.) pela Caracoles e fizemos hora até o tour astronômico da Space. Escolhemos a Space depois de ver várias avaliações de que eles são o melhor tour para ver as estrelas do Atacama. E, de fato, eles tem a melhor estrutura: o tour acontece numa fazenda afastada da cidade, onde há pouca luz e barulho. Ainda, ele inclui guia pra falar sobre astronomia e curiosidade científicas do lugar. Diferente do que tínhamos visto, não há um "tour místico" e um "tour científico", é só o científico mesmo, com aulas sobre as constelações ao ar livre, orientações de navegação nas estrelas, etc...Depois de uma palestra com aqueles pointers para o céu, a vantagem da Space é ter a disposição vários telescópios para olhar o céu. E é surreal. Você olha para o céu e vê um clarão, que a priori parecia realmente uma grande nuvem. Mas na verdade era todo o feixe da Via Láctea passando logo acima de você! Valeu muito a pena e, apesar de ser a mais cara, o tour foi bem completo, já que depois eles te convidam para uma casa para tomar chocolate-quente ou chá/café.
      Algumas dicas pro tour astronômico: i) Leve blusa. Sim, o deserto faz bastante frio a noite, mesmo no verão, como o nosso caso. E você fica bastante tempo ao ar livre. Levei uma corta-vento que aguentava até -8 graus e acho que foi no limite, porque fica bem frio mesmo. ii) A Space, por ser a agência que faz esse tour mais famosa, é também a mais cara. Pegamos por garantia mesmo, mas fiquei muito curioso como seria o tour astronômico da Flamingo. Até porque na Flamingo eles incluem uma foto no preço. Já, a Space, não. Tenho certeza que o tour é do mesmo nível, e pelo que eles falaram, nesses tours alternativos eles incluem uma versão mais mística, com curiosidades da cultura atacameña com o céu. Parece ser bem legal! Na próxima com certeza farei com eles. Além disso, o passeio com a Space vai bastante gente, um ônibus inteiro. Pra quem gosta de um clima mais intimista, talvez valha a pena ir com outra agência mais intimista. Na Space, os tours são em inglês ou espanhol. iii) Fique de olho no calendário lunar! Marcamos o tour no primeiro dia de viagem porque a lua já estava crescente. Durante os períodos de lua cheia, as agências não fazem o passeio pela invisibilidade. Então planeje sua viagem para não perder o tour! Imagino que ver o céu durante a lua nova deve ser a melhor experiência possível! No entanto, por estar em lua crescente, conseguimos tirar umas fotos bem bacana da Lua . Por último, iv) conseguimos ver um céu surreal. No entanto, a guia disse que poderia ficar muito melhor! Isso porque, uma das vantagens de se ver o céu no Atacama e o porquê de ser tão famoso tem a ver com o quão seco é o clima. Um clima seco significa menos vapor d'água no ar. E, portanto, menos refração da luz que vem dos astros. Logo, o melhor mês de ver as estrelas é em junho, o mês mais seco do ano e também quando o hemisfério sul fica com o céu de inverno, com muito mais opções de constelações e planetas para se ver! Mas deve ser um frio do caramba hehe. Mas a próxima com certeza vamos fazer em junho!
      De volta a San Pedro, hotel e cama!

      Com a lua crescente, deu pra tirar uns fotões da Lua!
       
      Dia 3: Pedalada até Pukara de Quitor, Valle de Marte e Laguna Cejar - 3/dez/2019
      O dia 3 começou com um belo café da manhã no Anthawara e fomos direto para a Caracoles procurar algum lugar de aluguel de bike. A ideia era ir pedalando até Pukara de Quitor, ruínas arqueológicas de um forte antigo do pueblo atacameño e também, se desse tempo, ir até o Valle de Marte, que era mais ou menos no caminho. Às 16h, teríamos o passeio com a Flamingo para a Laguna Cejar. Alugamos uma bike pra cada por um preço bem ok (CLP 6000 as duas bikes por 6 horas, o que dá uns 6,25 dólares). Todas as bikes alugáveis de San Pedro são MTB (moutain bike), já que você anda em muito buraco e terra. A pedalada até Pukara de Quitor se faz em uns 20 minutos, é bem tranquilo. Lá, se paga a entrada no parque (2500 pesos).  As ruínas em si estavam fechadas (dez/2019) por conta de uma chuva forte no deserto em fev/2019, que fez as ruínas entrarem em manutenção. Porém, o legal era fazer a trilha de uns 3-4km que têm vários mirantes para ver tanto a cidade, quanto a paisagem e claro, as ruínas em si. O passeio foi bem bacana, a trilha é tranquila a foi um ótimo start pra nossa pedalada! Só não esqueçam de levar bastante água já que você acaba pedalando no sol e no deserto!
      As ruínas são bem legais de se ver. A história do lugar é bacana e, durante a trilha há vários painéis explicando a história do lugar. Basicamente aquilo foi um forte que foi construído pelos pueblos atacameños para se proteger de invasões estrangeiras: primeiro dos Incas e, anos mais tarde, dos espanhóis. É bem massa!

      Pedalada até Pukara de Quitor!

      Vulcão Licancabur, vista da trilha dos miradores de Pukara de Quitor

      As ruínas, que estavam fechadas, mas que durante a trilha dá pra se ter uma ótima vista do forte!
      Trilha feita e refeita, pegamos nossas bikes mais uma vez para pedalar até pelo menos a entrada do Valle de Marte. Tínhamos pouco tempo, então não daria tempo de entrar no parque, mas só circular por lá já valeria a pena. E não é que foi, se não a mais legal experiência da viagem, uma das? O porquê? Pelo sentimento de ir offroad. Vamos explicar que a história é boa!
      No caminho para o Valle de Marte, saindo de Pukara de Quitor, paramos para descansar na estrada e ficar olhando a paisagem. Aí, curioso, saí um pouco da pista para chegar mais perto das montanhas e pá: acabei pisando numa área de areia movediça! É surreal, nunca tinha visto uma area movediça antes! Realmente você afunda! E é bem camuflado, então é pra tomar cuidado! Porque parece que a areia tá seca e dura, mas na verdade há uma lama embaixo te esperando para te sugar! E aí é que nos demos conta que ali do lado passava um riacho de água salgada, que estava seco! Ficamos tão entusiasmados com o pico que amarramos as bikes perto da estrada e seguimos a pé pelo o caminho de sal (aliás, a região também faz parte da Cordillera de Sal, e você pode, como eu fiz, inclusive colocar na boca o sal do chão. É realmente sal! Haha) e demos de cara com umas montanhas bizarras, totalmente off-road! Parecia realmente que estávamos em Marte! O rolê foi legal por conta disso! Foi uma aventura bem animal! Do nada, estávamos pedalando no meio de Tattooine (planeta que o Luke e Anakin Skywalker cresceu, de Star Wars hehe)!

      Pedalada off-road pelos arredores do Valle de Marte!

      Carolina e Tattoine

      Off-road e areia movediça
      De volta às bikes, pedalamos até San Pedro porque às 16h teríamos o passeio para a Laguna Cejar com a Flamingo. Apesar de se chamar "Laguna Cejar", o passeio é muito mais que isso! Você visita lugares como Ojos del Salar, Laguna Tebinquiche e Laguna Piedra. O passeio da Flamingo foi bem legal. Primeiro, porque pelo fato de eles servirem um coquetel no fim do passeio em frente à Laguna Cejar, ao pôr do sol. Segundo porque o guia que pegamos, Miguel, de tanta experiência que tem já sabe dos esquemas! Ele organizou os horários de forma que pegássemos a Laguna Cejar e Piedra por último, já com o lugar vazio! E de fato, só tinha a nossa van e de outra agência por lá para ver o pôr-do-sol. Por isso uma boa agência com bons guias faz diferença! 
      O passeio começa com a Laguna Tebinquiche, laguna espetacular do Salar de Atacama. Se faz um trekking ao redor da laguna, que não é nadável. Inclusive, a Laguna é cheio de vida microscópica, sendo objeto de estudo da origem da vida! Têm várias placas explicativas pela vida microscópica do lugar. 
       
      Laguna Tebinquiche e sua vida microscópica!
      De lá, fomos para os Ojos de Salar, um cenote no meio do deserto. Cenote, para quem não sabe, são formações geológicas que dão acesso à águas subterrâneas. Vale lembrar que, apesar do Atacama ser o deserto mais seco do mundo, lá tem muita água! E o segredo tá tanto nas chuvas de verão, que ocorrem em fevereiro, quanto nos lençóis freáticos. E o cenote dos Ojos de Salar dá acesso a um deles! E o melhor, é nadável! Ninguém do tour se animou, com excessão de nós, brasileiros, sedentos por pular em uma piscina/laguna/mar! Típicos! Pulamos lá de cima e foi bem legal, o cenote é bem fundo e é uma mistura de água salgada com água doce! Foi engraçado porque todo mundo ficou com uma cara tipo "Brazilians...". Mas é isso, se dá pra nadar a gente nada! YOLO, certo? Haha.

      Deixe 2 brasileiros e um cenote juntos no meio do deserto. A gente pula mesmo! ✌️
      De lá, fomos direto pro complexo que contém tanto a Laguna Cejar quanto a Laguna Piedras. Ambas são salgadas, mas a única que é nadável é a Piedras, apesar do passeio ser identificado como Cejar. O lugar é totalmente preparado para os banhistas: vestiários, duchas, banheiros...e é muito legal! Você realmente não afunda de tanto sal que a água têm! A água é de boas (apesar da Carolina ter achado geladíssima hehe), só tem que tomar muito cuidado para não machucar ao entrar: o sal de fora cristaliza, e é muito fácil se cortar ali. Eu mesmo machuquei a minha mão. Além disso, não ouse molhar seu cabelo porque, uma vez que o negócio cristaliza, é difícil de tirar. Só tirar o sal do corpo já foi difícil, imagina com do cabelo. Como já disse, lá tem um complexo para tomar ducha e se trocar!

      Boiando na Laguna Piedras! E o Licancabur no fundo...
      Depois de nadar e aproveitar um pouco a laguna, nos encontramos com o pessoal da van para tomar nosso coquetel ao pôr-do-sol, de frente à Laguna Cejar. E que coquetel! Salaminho, baguetes, uma maionese com alho bem boa, amendoim, Lay's, tinha até Pisco Sour, suco e água, tudo a vontade! Serviço excelente da Flamingo, não deixando nenhuma outra agência pra trás. E lembrando que tínhamos toda a Laguna Cejar pra gente, uma vez que o guia, Miguel, sabia dos esquemas e dos horários para aproveitar lá. Muitas agências vã lá direto, e ele nos garantiu que aqui fica totalmente lotado de turistas, disputando lugar na laguna. 
      Agora, algumas dicas sobre o passeio: i) Ficamos muito em dúvida entre fazer esse passeio da Laguna Cejar ou as Lagunas Escondidas, que também têm lagunas de sal para mergulhar. A diferença é que as Escondidas as lagunas são artificiais, antigas minas de lítio que gerou as lagoas. E por que decidimos Cejar ou ao invés de Escondidas? Primeiro por conta do preço. Só duas agências fazem as Lagunas Escondidas, e eram agências pequenas. Já ficamos com o pé atrás nisso...Teríamos então que fechar um passeio extra com uma agência aleatória para fazer as Escondidas, sendo que o passeio da Laguna Cejar já estava no cronograma da Flamingo e ainda incluía um coquetel massa? Além de outros picos como o cenote e a Tebinquiche? Não topamos! A Laguna Cejar foi sensacional e supriu totalmente nossa vontade de nadar numa água com densidade tão baixa  Além disso, no passeio da Lagunas Escondidas eles encarecem o preço se você quiser passar por aquele "Magic Bus". um ônibus abandonado no meio do deserto fora de mão de qualquer passeio. Logo, preferimos a Cejar por ser mais cômodo e pelo tour ser bem completo, num preço justo! ii)  Não se esqueça dos trajes de banho e toalha! Além de uma muda de roupa. Lá venta bastante, então você vai querer trocar de roupa o mais rápido possível quando sair da água. 
       

      Miguel, o guia, e nosso incrível coquetel ao pôr-do-sol à beira da Laguna Cejar
      Depois do coquetel, terminamos de ver o pôr-do-sol olhando para a Laguna Cejar, que é por si só um lugar belíssimo! Láa de longe dava pra ver uns flamingos, mas nada comparado com o que veríamos nos próximos dias! É bizarro que qualquer pôr-do-sol no Atacama é um escândalo de beleza. Emocionante, mesmo! Depois do sol se por, voltamos à San Pedro e descansamos, já que no dia seguinte teríamos nosso primeiro passeio em altitude  

      Laguna Cejar y el poner del Sol ☀️
      Dia 4: Lagunas Antiplânicas, Piedras Rojas e pueblo de Toconao - 4/dez/19 (4300m de altitude)
      No dia 4 fizemos o tour das Lagunas Antiplânicas com a Flamingo. O tour incluía primeiro as Lagunas, depois iríamos almoçar no pueblo de Socaire, um outro oásis do Atacama, conhecer o mirador Piedras Rojas quase na fronteira com a Argentina, voltar pelo Salar do Atacama até a Laguna Chaxa ver uns flamingos (e foi aí que vimos flamingos DE VERDADE) e terminar o dia passando no pueblo de Toconao, o terceiro dos 3 oásis da região (San Pedro, Socaire e Toconao). Foi o nosso primeiro passeio na altitude. E nisso seguimos uma dica preciosa: planeje seus passeios em ordem ascendente de altitude. San Pedro fica a uns 2000m de altitude e você não sente nada. O problema é quando você faz os passeios que ultrapassam 4000m. E é o caso das Lagunas Antiplânicas. Os outros passeios na altitude seriam a Ruta dos Salares e o Geyser. Demos a sorte de pegar o Miguel de novo como guia, o que foi bem legal já que nos apaixonamos por ele no dia anterior! Ele sabe TUDO. Tudo mesmo! E outro ponto bacana é que, nos passeios de dia inteiro, a Flamingo te pega no hotel. 
      Miguel e a trupe chegaram às 8h e começamos a subir! E aí tá o primeiro erro que cometi nessa trip: eu subestimei a altitude. Achei que ia ser tranquilo. Mas não tínhamos nem atingido 3000m de altitude e minha cabeça já estava latejando, sem contar a dor no olho, falta de ar, etc...altitude é coisa séria! Levamos bastante remédio, inclusive um remédio de alpinista, o Diamox 250g. Dá pra tomar até 4 por dia, mas acabei tomando só 2. Ajudou, de certa forma! Continuei com dor de cabeça o dia inteiro, apesar da falta de ar passar. É pesadaço! Mas deu tudo certo!
      O passeio em si é demais. Essa é a magia do Atacama: você em questão de horas pode viver o deserto, o clima do Altiplano e das montanhas, tudo num mesmo lugar! E isso se aplica à flora e fauna. É muito legal ver como a natureza muda de acordo que íamos subindo. Primeiro que você começa a ver cores nas vegetações. Segundo, os animais: Vimos as parentes selvagens das llamas, as vicuñas, e elas são demais! Vimos várias delas em todos os passeios que fizemos nas montanhas. Chegamos a ver até um burro selvagem e uma raposa. Além de um parente andino dos coelhos, a viscachia! E claro, o Miguel sabia de tudo. Uma das partes mais legais de ter feito o tour com a Flamingo foi realmente o amplo conhecimento da fauna, flora e geografia do lugar que os guias tem. Impecável.
      As Lagunas Antiplânicas foram a primeira parada. São duas lagunas: a Laguna Miscanti e a Laguna Miñiques. E lá já é totalmente diferente das lagunas que vimos no dia anterior. É um clima totalmente característico do Altiplano! Tinha flamingo, vicuñas tomando água, gaivotas...um dos lugares mais bonitos que já vimos. E, mais uma vez, um ótimo serviço da Flamingo, com um café da manhã sendo servido a beira da Laguna Miñiques, num ponto estratégico que o conhecimento do Miguel nos trouxe, com uma vista extraordinária à luz da manhã altiplânica. 

      Laguna Miñiques e essa foto excelente 😝
      A Laguna Miñiques é a menor mas, na minha opinião, a mais bonita. Talvez porque foi lá que passamos mais tempo, por conta do café da manhã. A Laguna Miscanti foi onde conseguimos ver pela primeira vez alguns flamingos de perto. Você faz um trekking em torno da lagoa, e é muito legal parar e olhar! Por conta da altitude, tem que ir bem devagar, eu mesmo já estava sofrendo sem andar, imagina andando na trilha! Mas deu tudo certo e foi uma ótima forma de ser recepcionado pelos Andes e pelo clima altiplânico! 

      Laguna Miscanti. Essa a gente não consegue chegar tão perto quanto a Miñiques!
      De volta à van, a próxima parada era Piedras Rojas. Piedras Rojas é tipo uma uma depressão plana e tipo uma lagoa. É uma mistura dos dois. E foi um dos lugares mais bonitos que eu já vi na minha vida. Foi a primeira vez dentro da viagem que emocionei vendo a paisagem. O que eu pensava era: isso aqui é surreal. A natureza realmente não erra, ela acerta, acerta e acerta. Aquilo é majestoso. É enorme. Com olhos marejados, mas numa ventania de cortar a pele, foi uma mistura de querer ficar mais e querer sair porque o vento estava realmente forte. Além disso, no caminho até Piedras Rojas passamos por alguns mirantes e ainda chegamos mais perto da Argentina pra dar uma olhada na Laguna Tuyajto. Ali já estávamos a menos de 30km da fronteira. E o que eu mais vi foram carros de diversas nacionalidades, inclusive brasileira! Me deu ainda mais vontade fazer aquela trip que descrevi lá em cima, ir dirigindo desde SP até o Atacama, passando pelo norte da Argentina. Está nos planos!

      Piedras Rojas. Agora vocês entendem porque não consigo definir se é uma laguna, uma depressão ou algo muito louco. Mas que é bonito e emocionante, isso não há dúvidas!

      Carolina, Piedras Rojas e um vento bizarro  

      Nós e o Miguel! Uma das pessoas mais inteligentes que já conhecemos! E que tornou os passeios uma grande aula de geografia e cultura! O cara fala 4 línguas!
      De lá fomos até Socaire almoçar. E que almoço bacana. Socaire é um pueblo de ao redor de menos de 1000 habitantes. Almoçamos numa cocineria chamada Cocineria Teresita. A dona do lugar, Teresita, era uma querida e serviu pra gente uma refeição com uma sopa de entrada, um almoço que tinha opção vegetariana e com bebida inclusa. O almoço já estava incluso no passeio da Flamingo, e tínhamos o restaurante só pra gente. Era bem familiar e tornou a experiência melhor ainda!

      Carolina e a sopa de entrada do almoço! Depois ainda veio um PFzão da massa. Bom demais!
      De volta à van, o próximo ponto era a Laguna Chaxa. Uma laguna já no Salar do Atacama, foi o primeiro lugar que vimos os Flamingos de perto! Isso é importante: tem flamingo em praticamente todos os lugares do Atacama. Não só isso, existem 5 tipos de flamingos no mundo e, só no Chile, vivem 3 tipos. Isto é, o Chile é um reduto de flamingos! E foi na Laguna Chaxa que vimos eles de perto pela primeira vez. E muito perto! A laguna é um acúmulo de água salgada e enxofre, que com seu cheiro característico, fez a experiência ficar mais legal ainda. Ah, detalhe: nos relatos vimos que a galera costuma fazer passeios que só vão para o Salar do Atacama. Mas veja só, até esse momento, já tínhamos conhecido alguns pontos do Salar do Atacama, sem ter feito o passeio específico pra lá. Por isso acho que é meio furada você fazer o passeio exclusivo do Salar do Atacama já que, em outros passeios, passaremos por pontos estratégicos dele! 
      Na Laguna Chaxa a recomendação é ficar em silêncio. Isso porque devemos respeitar o habitat natural dos animais. Sempre temos que lembrar que nós que somos os forasteiros, invadindo onde eles vivem. Nada mais justo que ficarmos em silêncio. Claro que sempre tem um sem noção que faz algum barulho, mas o pessoal é educado e já reprime na hora. E ficando em silêncio você consegue ver os flamingos beeem de perto, inclusive pegar alguns deles voando, o que dá uma visão animal!
      Agora uma piada interna legal: No meio da viagem ficávamos brincando que a Carolina era um flamingo: magra, alta, bela e com pernas longas hehe. E não podia faltar uma foto dela em seu habitat natural, certo? Eis o resultado:

      Flamingos em seu habitat natural. Discovery Channel Production.
      E mais uma vez o Miguel fez diferença. Como a Laguna Chaxa é um dos points para ver os flamingos de perto, o fato de termos deixado para a tarde foi sensacional. E estratégico. i) O pessoal que vai pra lá durante os passeios do Salar do Atacama vai de manhã. E fica lotado! Fomos de tarde e estava bem tranquilo. ii) A tarde, quando o Sol já está mais baixo, os flamingos se juntam para tomar água. Então dependendo da hora que você visita o lugar, consegue vê-los, mas sóo de longe. E não foi o nosso caso! Vimos eles de pertinho! Foi incrível.

      Laguna Chaxa, Salar do Atacama e flamingos.
      De volta à estrada, a última parada foi no pueblo de Toconao, o terceiro oásis que visitamos no deserto. Toconao também tem menos de 800 habitantes! Visitamos a igreja, as lojas, e ficamos livres para passear pelo pueblo sozinhos. Passamos numa loja de lã em que eles criavam llamas! Dava até para passar a mão nelas! E, como nós somos são-paulinos e grandes fãs de futebol, ficamos impressionados com o campo society que tem por lá. A cidade é bem precária, no meio do deserto, falta água e recursos e a maioria das construções são feitas de madeira de cactus. Mas tem um dos melhores campos de futebol society que eu já vi. É galera, futebol é muuuito mais que um jogo . 

      Pueblo de Toconao

      Um dos melhores campos society que já vi! Os chilenos são fanáticos por futebol, como nós!
      Chegamos à San Pedro de Atacama por volta das 17h-17h30. O pôr do sol seria só pelas 20h. Perguntamos ao Miguel antes de ir se ele recomendava algum lugar para ver o pôr-do-sol na cidade. E foi batata: remendou um lugar que, se você seguir a Caracoles, para o lado oposto ao da Space, iria sair numa área bem bacana de ver o pôr-do-sol, com muitas pedras e lugares para sentar. Lá parecia ser um lugar que o povo vai pra beber durante a noite, já que tinham muitas garrafas e latas de cerveja no chão. Beleza, tomar umas por lá a noite deve ser animal, mas podiam jogar no lixo né? Até jogamos uns lixos que achamos fora. Apesar disso, o lugar é bem legal! E mais uma vez o pôr-do-sol foi espetacular! Ótima recomendação do Miguel! Só tinha a gente lá, então o povo não deve conhecer o pico. Depois disso, hotel e cama porque no dia seguinte teríamos mais um rolê na altitude...e seria o dia mais legal da viagem!

      Pôr-do-sol em San Pedro de Atacama no lugar que o Miguel nos recomendou, no fim da Caracoles!
       
      Dia 5: Ruta dos Salares (o mais próximo do Salar de Tara) - 5/dez/2019 (4500m de altitude)
      A Ruta dos Salares foi o nosso passeio mais legal! Foi uma soma de fatores, mas foi o que nos trouxe melhor lembrança. O clima, as paisagens, as pessoas...Mas antes de explicar de dar o relato, vamos explicar algo: Viajamos em dez/19 e, se alguém ou algum relato depois de 2018 te falar que foi ao Salar de Tara, é mentira. O Salar de Tara está fechado para mineração. Sim, é lamentável, já que o pessoal fala que é realmente o lugar mais legal do Atacama. A alternativa é fazer a chamada Ruta dos Salares: Ele passa pelo Salar de Atacama e ao redor do Salar de Tara. E foi sensacional! A Flamingo é uma das poucas que faz esse passeio e, por conta disso, ficamos praticamente sozinhos o dia inteiro. Mais ainda, como as pessoas ficam frustadas que você não entra no Salar de Tara em si (apesar de vê-lo por cima!), elas não se interessam tanto pelo passeio. Resultado: tinham 8 pessoas conosco, além da nossa excelente guia Cheryl, a mesma que fez o Valle de la Luna com a gente! O clima intimista fez o passeio ser o melhor de todos! Moreover, o passeio mais uma vez contou o serviço excelente da Flamingo, com um café da manhã e um almoço excelentes! Outro ponto é que esse foi o nosso segundo passeio na altitude (mais de 4000m) e, dessa vez, fui preparado! Tomei chá de coca antes de ir e foi o MELHOR remédio. Não passei mal de altitude como passei no dia anterior, apesar de ter sentido um pouco a pressão. Bom, vamos para o relato. 
      O passeio começa com um café da manhã à beira do Licancabur. E que café! Que vista! Comemos vendo o majestoso vulcão num campo todo florido! Foi uma ótima forma de iniciar o dia! E ainda por cima tava cheio de vicuñas por lá! Acabaríamos almoçando por lá também!

      Café da manhã de cara com o Licancabur, num campo maravilhoso do Altiplano pra começar o dia!
      Todo o passeio é focado na Caldera La Pacana, que basicamente é a cratera de um vulcão enorme e antigo que se situa o Salar de Tara. Você passa por várias lagunas até quase na fronteira com a Bolívia e a Argentina. A estrada é belíssima e é um dos acessos que dão na Argentina! E é bizarro ver como a cratera do vulcão é enoorme! Nesse ponto, o Salar de Tara começa logo depois! Por isso é o passeio que mais se aproxima ao Salar, porque fazendo a volta na cratera da Caldera la Pacana, consegue-se ter uma ideia da imensidão que é a formação geológica que formou o Salar de Tara. E não só isso, mas o passeio é focado no conhecimento geológico que criou o lugar. Vale lembrar que o Atacama antes de tudo foi um oceano. Não só um oceano, mas era o encontro entre o Oceano Pacífico e o Atlântico, nos tempos de Pangeia. Quando as placas tectônicas começaram a se movimentar, os Andes surgiram, e toda aquela região é referente à esse advento. Foi o passeio que mais conseguimos entender a formação geológica do lugar e a característica do altiplano andino! Foi uma aula de geografia!
      Mais uma vez vi vários carros argentinos e 1 brasileiro. Fazer essa viagem de carro deve ser incrível e, se fosse fazer, passaria pela Estrada 27 que é a que estávamos! Ambas as Estradas 27 e a que fomos no dia anterior (Estrada 23) dá na Argentina, e cada uma com uma paisagem diferente! Outro ponto importante: O passeio não tem banheiro em nenhum lugar. Na verdade, até tem, o que eles chama de "baño Inca", que é basicamente fazer xixi (e outros) atrás da pedra hehe. Deu pro gasto! A viagem passa pelos pilares da Caldera La Pacana e se extende até o Mirados Salar de Los Loyoques, onde pudemos ficar olhando a paisagem por mais de 1h! A vantagem de se fazer um passeio quase que exclusivo! Tínhamos as paisagens só para a gente!


      É bizarro a heterogeneidade do Atacama. Isso é só uma parte da cratera do La Pacana, no passeio da Ruta dos Salares. Espetacular!
      Inclusive, a imagem que se vende do Salar de Tara são os pilares da Caldera La Pacana (que não é o Salar de Tara hehe)! Os pilares são gigantes! E belíssimos! E o melhor de tudo é que, em todos os lugares desse passeio, a gente podia chegar mais perto a ver a imensidão do negócio da melhor forma. Além disso, a fauna e flora do altiplano mais uma vez se destacava, onde inclusive conseguimos ver outra vez as vicuñas e até uma raposa bem de perto!

      A raposa de boas no Altiplano Andino 🦊
      O próximo ponto foi ir à fronteira com a Argentina e Bolívia no Mirador Salar de Loyoques, mas o vento tava forte demais. Nenhum problema, já que o lugar era espetacular! Ficamos um tempo por lá e voltamos para o mesmo lugar que tomamos café para o almoço. E aí foi um momento muito legal: uma viagem boa também se faz com pessoas boas. A turma que tava no passeio era demais! Eram 7 pessoas: 1 suíça, 1 mexicana, 1 argentina (uma senhora que estava viajando sozinha! Fudido!), 2 brasileiras, a guia Cheryl e nós! E que papo legal que batemos no almoço! Foi um dos grandes momentos da viagem!
       
      Carolina e o pilar da Caldera La Pacana

      Caldera La Pacana. Não dá pra ter ideia da imensidão do negócio por foto! É demais!

      "Vai Carolina, faz uns malabares aí com o Mirador Salar de Loyoques"

      Fotão com o Licancabur!
      Depois do almoço, voltamos para San Pedro. O passeio saiu mais cedo, umas 7h da manhã, por isso chegamos umas 15-16h de volta! Tiramos uma foto com a galera do passeio para guardar na memória, já que eles fizeram parte disso! Foi demais  

      Nós, Cheryl e a galera do passeio!
      Agora aqui vai um aviso importante, já que pode acontecer com qualquer um. O Atacama é alto, e os passeios que você faz são altos. E isso significa que você tem que pegar leve na comida, já que a digestão é afetada pela falta de oxigenação do sangue. Eu já tinha passado mal com mal da montanha no dia anterior, mas no fim do dia da Ruta dos Salares acabei tendo uma intoxicação alimentar. Provavelmente porque tomei leite no café. Minha intolerância é bem baixa, nunca passo mal, com excessão se você toma a mais de 4000m de altitude! Para os que já tem o intestino fraco como eu, isso é um ponto importante, já que realmente qualquer coisa que você comer, por mais sútil que seja a intoxicação, se torna o caos. E vamos dizer que essa noite não foi das melhores hehe. O lance era esperar, tomar bastante água e evitar comer. Continuei com os sintomas até a volta para o Brasil, mas foi totalmente controlável . Então tomem cuidado! Não comam muito, não bebam álcool nos dias antecedentes e durante os passeios de altitude! Sofri com mal da montanha e com uma intoxicação muito provavelmente catalisada pela altura. Fica a dica!
      Fim do melhor dia da viagem, com direito à uma intoxicação que valeu todo minuto hehe. O passeio realmente tinha sido espetacular. 
       
      Dia 6: Geysers Del Tatio e Vila de San Pedro de Atacama - 6/dez/2019 (4700m de altitude)
      Dia do último passeio na altitude. Deixamos por último pela questão de estratégia que mencionamos: em ordem ascendente de altura. Esse é o passeio que você sobe de forma mais brusca também! Então se prepare, tome um chá de coca antes e vai na fé! A van da Flamingo nos buscou logo às 4:30 da manhã já que os geyseres são maiores pela manhã quando ainda está frio nas montanhas. E isso é importante, lá faz FRIO. Pegamos entre -4 e -6 graus. Quanto mais frio, mais evidente fica o vapor d'água. E maior a pressão da água também. Antes do relato, vamos entender o que é o lugar. "Geyser" é qualquer formação geológica que solta vapor d'água. O nome veio do Geyser original na Islândia (o qual ainda queremos conhecer!), mas são poucos lugares do mundo que os têm. O lugar que tem mais geyseres no mundo é no Parque Nacional de Yellowstone, nos EUA. E o Atacama é um deles! Lá você consegue ver jatos enormes de água saindo do chão! E mais ainda, é possível nadar nas águas termais naturais do lugar. O que claramente fizemos! Foi um passeio muito legal e deu pra entende porque é o mais famoso de todos. 
      Num frio do cão, acordamos às 3h30, com a van saindo entre 4 e 4h30. A subida é longa e chegamos lá pelas 6:30/7h. Esse passeio tem banheiros, o que foi extremamente útil pra mim já que estava no meio de uma intoxicação alimentar! São dois pontos de visita, onde é possível ver o vapor d'água saindo e também nadar, como disse. Demos a sorte de mais uma vez pegar o Miguel como guia, e conhecer um lugar desses com um amplo conhecedor da geografia foi demais! Nós dois, nerds que somos, grudamos nele perguntando várias coisas relacionadas à formação geológica, pressão, temperatura...uma aula!
      Tomamos café da manhã logo depois de ver os gêiseres. Mais uma vez, um ótimo serviço da Flamingo. Depois foi a vez de nadar nas águas termais, o que foi animal! Vale lembrar que era antes das 10h da manhã e estava um frio, nessa altura da manhã, entre 0 a 10 graus. Mas é isso, mais uma vez YOLO e lá fomos nós nadar na água a uns 35-40 graus. O mais legal foi sentir os pontos em que a água quente de baixo da terra vinha. Para não passar frio, ficávamos em cima desses pontos estratégicos. O lugar também é cheio de vestiários e lugares para trocar. O problema é o caminho entre sair da água e ir para o vestiário. Por isso que poucos pulam hehe.

      Geyseres Del Tatio, sensacional!

      Mergulho nas fontes termais!
      Depois de nadar, já era umas 11h, e começamos a voltar para San Pedro. Parece cedo, mas vale lembrar que o rolê começou às 4h30 da manhã, então a gente acaba ficando bastante tempo por lá! Mas o passeio ainda não tinha acabado! Passamos ainda pelo Vado Putana, uma região de pântano que fica na montanha, e também pelo Pueblo de Machuca. Machuca é um pueblo originalmente formado pela emigração boliviana para o Chile. É um vilarejo muito charmoso, com uma bela igreja e muitas lojinhas de artesanato. O maior meio de produção deles é a criação de lhamas. Estar no meio da montanha o torna diferente dos pueblos de Socaire e Toconao que havíamos passados nos dias anteriores. E ahh, é lá que se vende espetinho de carne de llama! Eu não comi porque né, intoxicação alimentar, mas tava com uma cara muito boa! Foi muito legal conhecer a cultura de um pueblo formado exclusivamente na montanha.
      Uma coisa que aprendemos com o Miguel foi a importância das lhamas para a cultura andina. São 4 animais da família das lhamas que vivem na América do Sul: Lhamas, Alpacas, Vicuñas e Guanaco. Esses dois últimos são selvagens e os dois primeiros domésticos. E aí que tá: As lhamas e as alpacas são consideradas sagradas justamente porque foram os primeiros animais a serem domesticados no altiplano andino. E eram usadas basicamente para 3 utilidades: carne, lã e carga. E isso é talvez o maior fundamento de identificação da cultura andina. Inclusive há muitas celebrações, rituais e cultos para as lhamas, de tão sagradas que são. E Machuca traduz muito esse sentimento sagrado que esses animais trazem. Um grande aprendizado da viagem!

      Llamas na região ao redor de Machuca

      Pueblo de Machuca!
      Voltamos a San Pedro pelas 13h30. Teríamos então ainda o dia inteiro para ter o dia livre. E foi muito bacana! Conhecemos finalmente os pontos de interesse do pueblo de San Pedro de Atacama, o que inclui a igreja toda construída de madeira de cactus e também, como a grande surpresa, o Museu do Meteorito. E isso foi totalmente ao acaso! Vimos uma placa do Museu do Meteorito na cidade nos primeiros dias que chegamos. Não havíamos visto nenhum relato que o incluía no roteiro! E que museu legal! O Atacama é um dos melhores lugares para caçar meteoritos justamente porque, como o clima é bastante seco, é fácil de identificar as rochas vulcânicas e de meteorito. Aí foi que dois irmãos resolveram criar esse museu para ensinar as pessoas como reconhecer meteoritos e mostrar um pouco do trabalho que eles tem feito nos últimos anos! O museu é muito simples e com muita coisa legal, além de tudo paga meia para estudante! Recomendamos total e foi uma das boas descobertas da viagem. Em toda trip que já fiz sempre descubro coisas não planejadas que acabam se tornando ótimas memórias. Essa foi uma delas! ✌️

      Fachada do Museo del Meteorito!
      Ainda explorando San Pedro, almoçamos em mais um restaurante recomendado pelo pessoal da Flamingo: La Picada Del Indio. Almoço justo, no mesmo preço do El Huerto, mas um pouco mais "pop". Nesse aprendemos a nossa lição e pedimos um macarrão para dividir em 2. Como meu intestino ainda tava ruim, foi ótimo para não exagerar. Todos os pratos lá são bem servidos, e dá pra poupar bastante se dividirem o prato em 2 como fizemos. 
      O resto do dia foi assistir o pôr-do-sol em frente ao Hotel e descansar, já que tínhamos acordado bem cedo. Ainda, arrumar as malas já que iríamos ir embora já no dia seguinte, às 21h30. Mas ainda tinha um passeiozão a ser feito! O Observatório ALMA, que vamos falar na próxima seção!
      Dia 7: Observatório ALMA e viagem de volta pra casa  - 7/dez/2019
      Chegou o último dia e deixamos um dos melhores passeios para o final! Eu e Carolina somos, como devem ter percebido, dois nerds e curiosos. E parte disso é gostar muito de ciência e astronomia. E isso no Atacama é um prato cheio. Quando começamos a planejar essa viagem foi em janeiro de 2019, com a compra das passagens. Na mesma época, 11 meses antes, vimos em um relato que era possível visitar o ALMA, o maior observatório do Hemisfério Sul e um dos maiores do mundo! ALMA significa Atacama Large Milimeter Array (ALMA). Eles planejam, até 2024, serem responsáveis por 53% das observações do céu do mundo. É composto por 66 antenas de cooperação internacional e foi originalmente formado por um join effort da o Observatório Europeu do Sul (União Europeia), da Fundação Nacional de Ciência (EUA), do Instituto Nacional de Ciências do Japão e do governo chileno. Mas há vários países signatários e contribuidores do projeto que financiam o laboratório. Pra quem gosta de ciência, ali é o lugar para se estar. E o máximo é a democratização da ciência: se você, um instituto de pesquisa, universidade, que fecha um acordo para a utilização das antenas para dados astronômicos não publicar algum artigo científico em alguma revista top internacional em um intervalo de 1 até 2 anos, a sua base de dados se torna pública! Como um economista acadêmico que sou, adoraria que esse pensamento fosse universal em todas as áreas do conhecimento. Quem sabe um dia! 
      Mas o importante é que o ALMA oferece visitas guiadas públicas e, o melhor, de graça! Basta agendar! Fomos um pouco overexcited e reservamos em janeiro, mas dá pra reservar muito mais perto da sua trip do que nós. Eles oferecem um busão que sai de San Pedro e nos leva até o observatório. Ida e volta, na faixa. Lá é feito um passeio guiado pelas instalações internas e externas, explicações da relevância do projeto pro avanço da ciência do mundo e ainda demos a sorte de ver uma das antenas, que ficam em uma região das montanhas bem mais alto do que estávamos, em manutenção! Foi um dos momentos mais legais da viagem o passeio e, sobretudo para nós brasileiros, pela situação emergencial que nós cientistas estamos vivendo no Brasil (Dez/19, governo Bolsonaro, etc), é de extrema importância para entendermos de como a prioridade deveria ser, se não maioria, relevante, para a ciência dentro das políticas públicas de um país. E o Chile cumpriu seu papel muito bem, sabendo que está num lugar privilegiado na Terra para ver as estrelas. E isso vale também para os países signatários e financiadores do projeto. Ah, checamos e perguntamos e, apesar de ter uma bandeira brasileira por lá, o Brasil não é signatário do acordo. Isso porque, em 2015, durante o governo Dilma, quando o projeto foi inaugurado, mais uma vez não foi de prioridade do governo brasileiro ser um dos financiadores do projeto, apesar de ter sinalizado em anos interiores o interesse. Mas é isso, o Brasil tá out, e isso independe de governos. É uma questão de instituição. Ainda, infelizmente, para nos brasileiros, a ciência não é prioridade. 
      Chega de baixo astral e vamos continuar o relato! O ALMA é um passeio obrigatório para quem gosta de astronomia e ciência em geral. Aquilo lá é a fronteira do conhecimento e é um privilégio pro Chile poder sediar o laboratório. O passeio ocorre nos finais de semana pela manhã, não se esqueça de agendar no site e aproveita que é de graça!
       
      Os dados astronômicos do ALMA foram um dos responsáveis por gerar a primeira imagem do buraco negro em 2019. Eles falam isso com muito orgulho! Viva a ciência!

      Demos a sorte de ver uma das antenas em manutenção. Elas ficam a mais de mil metros acima do laboratório, onde é mais seco e sem poluição de luz.
      Voltando para San Pedro, com as malas já arrumadas e deixadas no locker do hotel (fizemos o check-out de manhã) e esperamos a nossa van para o aeroporto de Calama. Fechamos tanto a ida quanto a volta com a empresa Licancabur, que já colocamos o link acima. Valeu a pena fazer a ida e a volta para os dois já que economizamos uns 5000 pesos assim. Então quando for comprar o transfer, compre a ida e a volta juntos! Deu tudo certo e antes das 19h já estávamos no aeroporto! O voo era as 21h. De resto, só fizemos escala em Santiago e voltamos pra GRU!

      Uma última olhada para a Caracoles antes de ir embora. Que lugar!
       
      6. Conclusão
      O Atacama foi certamente um dos lugares mais especiais que eu já fui na minha vida. Já tinha conhecido Santiago e a costa chilena uns anos antes, e fazer a viagem apenas para o deserto foi determinante. Primeiro porque a cultura atacameña é totalmente diferente da cultura da capital. Isso porque em nenhum outro lugar do Chile se tem um deserto (desconsiderando, claro, a Patagônia, que é um deserto se considerarmos a definição de pluviosidade). Imagino que quando eu conhecer a Patagônia Chilena sinta a mesma coisa. Eles tem uma forma única de encarar o mundo e a natureza. Sobre isso, é uma das coisas que mais me tocou. A natureza é parte da cultura do povo atacameño. Eles vangloriam seus animais, sua flora e sua geografia. São tão privilegiados de terem em seu território um lugar tão heterogêneo mas, ao mesmo tempo, tão unido mentalmente como o deserto. Isso é forte! 
      Por outro lado, dá pra perceber, mais uma vez, como a nossa identidade latino-americana é presente em todo o continente. Tinha sentido isso na Patagônia Argentina e também em Santiago ou no México (escrevi um relato sobre o México também onde tive a mesma conclusão, e você pode conferir aqui), e agora outra vez sinto. Não importa se você está no deserto, nas montanhas, na cidade ou na costa, somos um continente unido. Podemos falar português e eles espanhol, mas temos sempre um denominador em comum. Seja o futebol (glória!), a natureza, a herança indígena, o artesanato. A cultura latino-americana é sagrada e deve ser preservada e admirada. E isso cabe a nós, latino-americanos. Temos que cuidar do nosso patrimônio e manter as tradições milenares em evidência. É isso que nos faz únicos. 
      Por fim, o Chile em 2019 e agora em 2020 tem passado por um momento muito importante em sua história. Os protestos que começaram em outubro de 2019 são um sinal para os governantes de que eles estão insatisfeitos. Como economista, sempre ouvimos que o Chile é um exemplo de nação, até por ser a única considerada desenvolvida no continente. Sim, de fato, mas algo está mudando. E faz parte do processo de desenvolvimento da população o engajamento e o conluio de querer tornar melhor. E eu entendi que é exatamente isso que o chileno está sentindo. Foi um a mais poder ir ao país nesse momento tão importante da história deles. Eu mesmo não concordando com a forma violenta que foi/está sendo o processo, mas as maiores rupturas do mundo vieram com grandes esforços. Talvez esteja acontecendo isso com o Chile. Talvez não. Só é importante dizer que eles estão num processo deles e que só eles entendem. É uma nação incrível, com a vantagem de ter uma natureza invejável e também, por que não, uma cultura institucional de dar inveja. Mas como o povo chileno é incansável, eles querem melhorar. E acho que é isso que está acontecendo! Eles merecem sempre mais e de melhor, assim como todos os hermanos latino-americanos. Espero realmente que o produto de tudo isso seja um país melhor e mais justo. 
      Obrigado Miguel, Cheryl e todo mundo que fez parte disso. O Atacama é especial. Foi uma viagem especial, com uma companhia especial (sim, você, Carolina ) e que com certeza vai estar na minha memória como uma das melhores viagens da minha vida.
      Não hesitem de mandar e-mail e/ou responder aqui no fórum. As minhas últimas viagens eu absorvi conhecimento daqui do Mochileiros e é um prazer contribuir. E mais uma vez, obrigado por terem chegado até aqui no relato. Isso aqui é minha terapia favorita!
      ¡Viva Latinoamerica! !Viva el Atacama! !Viva Chile y hasta luego! 🇨🇱
       
      Victor Hugo Alexandrino


    • Por Thiago e Priscila Blumenau
      Olá amigos da comunidade Mochileiros.com.
      Aqui é o Thiago e a Priscila. Nós moramos na cidade de Blumenau-SC.
      Em dezembro de 2018 fizemos nossa viagem de carro até San Pedro de Atacama no Chile. 
      A comunidade mochileiros.com nos ajudou bastante, pois no site conseguimos várias dicas e conhecemos outras pessoas que também nos ajudaram com informações. Por esse motivo queremos compartilhar nossa experiência. E quem sabe poder ajudar ou até mesmo encorajar outras pessoas a saírem do sofá e encarar essa aventura.
      Para realizar esta viagem primeiro nós fizemos algumas pesquisas, como por exemplo: documentos necessários, seguros obrigatórios, melhor roteiro, condição das estradas, hotéis, pontos turísticos, custo com passeios, custo com alimentação, custo com gasolina, custo com pedágios, melhor câmbio, o que levar na bagagem, etc. 
      Juntamos todas essas informações numa planilha e então começamos a trabalhar nela. Então no mês de Setembro/2018 começamos a fazer as contas e preparar tudo o que precisava para viajar.
      Nessa primeira parte vamos tentar abordar o máximo de informações com relação ao roteiro, situação das estradas, GPS, câmbio, aduanas, seguros, itens obrigatórios, pedágios e combustível. 
      Na segunda parte vamos falar um pouco sobre San Pedro de Atacama e sobre os nossos passeios.
      Então vamos ao que interessa:
      Nessa viagem foram 04 pessoas: Eu (Thiago), minha esposa Priscila, meu Pai e a namorada do pai.
      Saída de Blumenau: 22/12/2018.
      Chegada em San Pedro de Atacama: 25/12/2018.
      Saída de San Pedro de Atacama: 31/12/2018.
      Chegada em Blumenau: 03/01/2019.
      Carro utilizado: Peugeot 207, ano 2012. Motor 1.4, c/ 04 portas.
      Roteiro/Condição das estradas/Pedágios:
      Dia 01 - Blumenau - SC x São Borja - RS. Total: 860 Km.
      Esse caminho é o mais curto, porém tem muitos trechos com pista ruim (buracos, desníveis, etc.), além disso tem muitos radares e lombadas eletrônicas. O motorista tem que ficar atento.
      Pedágios:  Nenhum.
      Dia 02 - São Borja-RS x Presidência Roque Sáenz Peña - Argentina. Total: 620 Km.
      As estradas são boas, pelo menos são melhores que do que as do Brasil.
      Pedágio 01: logo que passa a Aduana, já tem um guichê de pedágio. Valor pago em moeda brasileira: R$ 50 para veículos de passeio. (na volta ao Brasil, o valor é R$ 65)
      Pedágio 02: RN-12 aprox. no Km 1262. Valor: 50 Pesos Argentinos.
      Pedágio 03: RN-16 aprox. no Km 05. Valor: 40 Pesos Argentinos.
      Pedágio 04: RN-16 aprox. no Km 60. Valor: 65 Pesos Argentinos.
      Dia 03 - Presidência Roque Sáenz Peña (Argentina) x Salta (Argentina). Total: 630 Km. 
      As estradas também são muito boas.
      Observação: na RN-16, entre os KM 410 e 481 a estrada é "horrível". Tem muitos buracos. Buracos gigantes. Você vai perder tempo desviando deles.
      Pedágios: RN-09 chegando na cidade de Salta. Valor: 25 Pesos Argentinos.
      Dia 04 - Salta (Argentina) x San Pedro de Atacama (Chile). Total: 580 Km.
      As estradas também são muito boas.
      Observação: Nós usamos o caminho Paso de Jama, que é melhor, pois é todo asfaltado até San Pedro de Atacama.
      Pedágios:  Nenhum.
      *Na volta pra casa fizemos o mesmo trajeto. 
      Hospedagem:
      Dia 01 - Dormimos na casa de parentes. Não tivemos gastos com hospedagem nesse dia.
      Dia 02 - Ficamos hospedados no hotel de campo El Rebenque, que fica na cidade de Presidência Roque Sáenz Peña (Argentina).
      Dia 03 - Ficamos hospedados no hotel Pachá, que fica na cidade de Salta (Argentina).
      Dia 04 - Ficamos hospedados no hostal Casa Lascar, que fica em San Pedro de Atacama (Chile).
      Aqui dormimos dia 25, 26, 27, 28, 29 e 30 de dezembro/2018.
      *Na volta pra casa ficamos nos mesmos hotéis.
      Câmbio:
      Peso Argentino: nós trocamos todo o dinheiro brasileiro por Peso Argentino na aduana, que fica logo depois da Ponte internacional, saindo de São Borja-RS.
      Valeu muito a pena trocar o dinheiro na aduana, pois pagamos 0,10 por cada Peso Argentino. Já em Blumenau a melhor taxa que encontramos foi 0,15.
      Comparação de preços Blumenau x Aduana Argentina:
      R$ 1 Mil reais trocados em Blumenau valem: 6.666 Pesos Argentinos (sendo: 1000 / 0,15)
      R$ 1 Mil reais trocados na Aduana valem: 10.000 Pesos Argentinos (sendo: 1000 / 0,10)
      Peso Chileno: nós trocamos R$ 1 Mil (reais) em Pesos Chilenos aqui em Blumenau, para ter um pouco de dinheiro na chegada à San Pedro de Atacama.
      O restante do dinheiro brasileiro nós trocamos em San Pedro de Atacama. Trocar o dinheiro em San Pedro valeu muito a pena, pois recebemos 170 Pesos Chilenos por cada R$ 1,00 (Real). Já em Blumenau a melhor taxa que encontramos foi de 154 pesos Chilenos por cada R$ 1,00 (Real).
      Comparação de preços Blumenau x San Pedro de Atacama:
      R$ 1 Mil reais trocados em Blumenau valem: 154.000 Pesos Chilenos (sendo: 1000 x 154)
      R$ 1 Mil reais trocados em  San Pedro de Atacama valem: 170.000 Pesos Chilenos (sendo: 1000 x 170)
      *Compare antes de trocar seu dinheiro.
      Combustível / Postos de abastecimento:
      Na Argentina tem dois tipos de gasolina: a Super (comum) e a Infinia (aditivada).
      Infinia: variava de 45 a 48 pesos.
      Super: variava de 41 a 44 pesos.
      *Abastecemos com gasolina Infinia nos Postos YPF.
      *No Chile não abastecemos, por isso não informamos os tipos e preços que existem.
      Na Argentina tem muitos postos de abastecimento durante o trajeto. O último posto fica bem próximo da Aduana, no Paso Jama (divisa entre Argentina e Chile).
      Depois da Aduana não tem mais posto durante o caminho. Vai ter um posto somente em San Pedro Atacama (distância entre Aduana e San Pedro Atacama: 160 KM aprox.)
      GPS:
      Nós utilizamos dois aplicativos de geolocalização: o Google Maps e o Maps.me. Levamos dois Smartphones, em um deles usamos o Maps.me e no outro com Google Maps.
      Antes de sair nós fazíamos os trajetos pela rede WiFi e depois saíamos para a estrada. Os dois aplicativos funcionaram muito bem no modo off-line.
      Dica: o aplicativo Maps.me funciona totalmente no modo off-line. Para isso é necessário baixar os mapas off-line da região que você vai passar. Exemplo: nós baixamos todos os mapas da Argentina, do Chile e também dos estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. 
      Seguros obrigatórios para seu carro:
      Na Argentina: seguro Carta Verde. Você pode fazer em qualquer corretora de seguros.
      Ele cobre danos a terceiros em caso de acidentes.
      Nós fizemos o seguro com a Porto Seguro, com a cobertura de até 15 dias. Custo: R$ 125. Débito em conta corrente.
      No Chile: seguro SOAPEX. Você pode fazer este seguro com a HDI do chile. Só digitar no Google "HDI Chile".
      Ele cobre danos a terceiros em caso de acidentes.
      Nós fizemos o seguro direto no site da HDI Chile, com a cobertura de até 10 dias. Custo: R$ 40. Pagamento somente no cartão de crédito. 
      *Veja se o seu cartão está liberado para realizar esta compra.
      Observação: em nenhum momento a polícia ou aduana nos cobrou esses documentos.
      Seguros para você:
      Nós optamos por não fazer nenhum seguro de vida ou de acidente. 
      Mas as empresas de seguro oferecem inúmeras modalidades.
      Avalie a que melhor se enquadra com seu bolso.
      Itens obrigatórios para o carro:
      Na Argentina:
      Vários blogs e pessoas nos disseram que teríamos que levar um monte de coisas no carro.
      Então nós entramos em contato com o departamento de trânsito da Argentina e também com o consulado Argentino no Brasil que fica em Florianópolis.
      Segundo eles, os itens obrigatórios são:
      - 01 Extintor de incêndio (exceto em motos);
      - 02 triângulos de segurança;
      - Além dos demais exigidos no Brasil (pneu estepe, chave de rodas e macaco).
      E tem também os itens recomendados: (notem que são recomendados, não obrigatórios)
      - Kit de primeiros socorros;
      Portanto, não é obrigatório levar o tal do "cambão", que muitos blogs informam ser obrigatórios.
      No Chile:
      Considerar todos os itens obrigatórios citados acima.
      E no Chile todos os motoristas são obrigados a ter no carro um "colete refletivo". Caso o motorista precise sair do carro para alguma manutenção ou emergência ele precisa estar vestindo o colete. Isso é LEI NACIONAL. Na dúvida leve um colete também.

      Observação:
      Na Argentina fomos parados diversas vezes pela polícia. Em quase todas as cidades que passamos ao longo do caminho a polícia nos parava para solicitar algum documento.
      Algumas vezes eles pediam os documentos de identidade e do carro. Em outras eles faziam o teste de bafômetro. Mas em nenhum momento a polícia precisou revistar o nosso carro.
      No Chile não fomos abordados.
      Aduana Brasil x Argentina: Muito tranquilo.
      O atendente solicita os documentos do carro e identidades.
      Preenche um formulário no computador.
      Por último entrega um recibo (parecido com um cupom fiscal de mercado). Este recibo precisa ser bem guardado, pois ele será útil na Aduana Argentina x Chile.
      Não tem custo.
      Aduana Argentina x Chile: chato/demorado (pode ter fila e os atendentes são malas)
      A Aduana que nós passamos foi no Paso Jama.
      Tem 06 guichês.
      É necessário preencher um formulário em espanhol. Nesse formulário tem uma parte que fala se você está levando algum alimento que é "proibido".

      Após passar em todos os guichês eles entregam um recibo (parecido com um cupom fiscal de mercado). Este recibo precisa ser bem guardado, pois ele será útil na Aduana Chile x Argentina.
      Comidas não podem passar. Exemplo: frutas, verduras, carnes, lanches, etc. Tudo que é animal ou vegetal fica na Aduana. Alimentos processados passam. Alegação deles é que pode haver alimentos contaminados ou pragas. Se no formulário estiver a opção NÃO, mas na hora de revistarem o carro eles encontrarem alguma coisa, você leva uma multa.
      Após sair dos guichês vem um fiscal da vigilância sanitária e inspeciona o carro.
      Só depois de inspecionar o carro você está livre para seguir viagem.
      Não tem custo.
      *Na volta pra casa é necessário fazer tudo de novo, porém a vigilância sanitária não revistou o carro dessa vez.
      Espero que tenham gostado dessa primeira parte.
      Se tiverem algum comentário ou dúvidas por favor nos retorne.
      Um abraço.
    • Por VoandoAltoFH
      Assista em Video no Youtube - Atacama
       
      Vou comentar sobre a minha viagem em San Pedro de Atacama e seus perrengues.
      Pra ser direto ao ponto, tive prejuízo nessa viagem porque não consegui aproveitar quase nada, tampouco realizar os passeios, já que choveu em todos os dias que estive na cidade.
      O mais importante de tudo, evite vir no verão, entre os meses de Dezembro à Março, pois são épocas de chuvas, mais conhecido como "Inverno Altiplânico". Por mais que o local seja deserto, no verão ele chove muito, a ponto de alagar toda a cidade.
      Consequentemente as estradas e as pontes ficam destruídas ou alagadas, os parques e os passeios ficam fechados. No pior dos casos você não consegue nem sair da cidade, porque todos os acessos estão fechados e os ônibus não chegam ao local.
      Isso eu digo também para as pessoas que irão fazer o trajeto do Chile até o Peru, ou vice-versa, entre as cidade de Arica e Tacna, já que as chuvas afetam também essa região, então as estradas ficam fechadas. Isso farei um outro video mais detalhado.
      Ademais algumas agências de turismo acabam cobrando o dobro do preço, pois alguns de seus veículos são movidos com tração nas 4 rodas. Nesse quesito eu recomendo para que não alimente esse tipo de empresa aproveitadora.
      Então a pior coisa é você visitar nesse período que comentei, você pode acabar jogando o tempo e o dinheiro no lixo. Por conta das chuvas, ocorrem vários blecautes, com isso você ficam sem eletricidade e internet.
      Os restaurantes na cidade são caríssimos, então se estiver num hostel com cozinha, aproveite ao máximo para ir ao mercado e preparar a sua própria comida para poder economizar.
      O período mínimo de estadia na cidade seriam de 5 dias, para realizar com aperto os passeios oferecidos. Lembrando que 1 dia você vai gastar para se acostumar com a altitude, também para pesquisar e fechar os passeios com as agências de turismo. 
      Caso queira um prazo um pouco mais folgado e tranquilo, recomendo 7 dias ou 1 semana. Se for incluir o passeio ao Salar de Uyuni (Bolivia), terá que acrescentar de 3 a 4 dias a mais na viagem.
      Se o clima não estiver muito legal, ao invés de fechar o pacote todo, feche de 2 em 2 passeios e assim conseguir algum desconto. Terá menos dor de cabeça na hora de ser reembolsado.
      Tenha em mente que irá gastar só nos passeios em torno de 120.000 a 200.000 pesos chilenos, que dá em torno de R$ 700,00 a R$ 1.200,00 por pessoa. Estou falando de tours (passeios) principais.
      Ao incluir o Salar de Uyuni, os valores superam os R$ 2.000,00.

      * Dicas
      1. Evite vir para San Pedro de Atacama no verão entre os meses de Dezembro à Março, por conta das chuvas que impossibilitam os passeios. Prefira o Outono ou Primavera.
      2. Já efetue o câmbio de moedas, se possível em Santiago, pois as cotações em San Pedro de Atacama é bem desfavorável.
      3. Quando for negociar os passeios, negocie ou pague em pesos chilenos, pois em dólares acaba meio que perdendo um pouco na conversão dos valores.
      4. Sempre pense em alternativas como por exemplo ir para Bolivia e visitar o Salar de Uyuni. Os veículos que realizam esse passeio são 4x4 (tração nas quatro rodas).
      5. Antes de vir para a cidade, veja a previsão do tempo para os próximos 5 a 10 dias.
      6. Reserve no mínimo 1 a 2 dias de hospedam, não o período todo, para o caso de ter que alterar os planos tipo sair da cidade ou mudar de hostel.
      7. Evite fechar todos os passeios e pagá-los antecipadamente, pois dependendo das condições climáticas, terá dor de cabeça para ser reembolsado. 
      8. Escolha hostel que esteja mais próximo ao centro da cidade, ou seja, da Praza San Pedro de Atacama ou dos Caracoles.
      9. Tenha roupas para o frio e calor. Há uma grande variação de temperaturas, inclusive valores negativos.

      * Média de preço dos passeios (em peso chileno): Nome do Passeio / Horas / Valor do Passeios / Valor da entrada / Total.
      Valle de la Luna (meio período): 15.000 / 3.000 = Total: 18.000 pesos
      Termas Puritama (meio período): 15.000 / 15.000 = Total: 30.000 pesos
      Geysers del Tatio (meio período manhã, incluso café da manhã): 30.000 / 10.000 = Total: 40.000 pesos
      Laguna Cejar (meio período tarde): 18.000 / 17.000 = Total: 35.000 pesos
      Lagunas Altiplânicas (meio período manhã, incluso café da manhã): 28.000 / 5.500 = Total: 33.500 pesos
      Valle del Arcoiris (meio período manhã, incluso lanche): 25.000 / 3.000 = Total: 28.000 pesos
      Salar de Tara (integral, incluso café e almoço): 50.000 pesos
      Stargazing ou Tour astronômico (noite ou madrugada, alguns oferecem lanches): 20.000 pesos
      Mirador de Piedras Rojas (integral, incluso café e almoço): 50.000 / 5.500 = Total: 55.500 pesos
      Pukará de Quitor: 3.000 pesos
      * Bolivia
      Salar de Uyuni (3 dias, com hospedagem e alimentação): 130.000 pesos chilenos / 250 pesos boliviano (entrada)
      Salar de Uyuni (4 dias, com hospedagem e alimentação): 150.000 pesos chilenos / 250 pesos boliviano (entrada)

      Obs: Não tenho agência ou qualquer patrocínio, apenas peguei as cotações de 3 a 4 agências locais e inseri os valores para simples consulta.
    • Por Igor Bagnara
      INTRO
      Depois de 8 meses finalmente estou encontrando coragem pra escrever o relato do mochilao pela América do Sul, espero conseguir lembrar de tudo hahaha
      Eu nunca havia feito uma viagem internacional, nem viajado sozinho, mas o desejo de percorrer a América do Sul já estava dentro de mim há um bom tempo. Lembro na época de faculdade, quando estava vendo uma matéria sobre Machu Picchu na casa da minha namorada e disse: Um dia eu irei, nem que seja sozinho!
      Um segundo depois eu me arrependi, pela cara dela de brava e a frase: Ah bonitão, então vai me deixar e viajar sozinho é? (HAHAHA)
      Anos depois, foi o que acabei fazendo... Mesmo sem querer.
      Comecei a me planejar pra ir e a correr atrás de companhia, a princípio de amigos, depois de pessoas aqui no mochileiros ou em grupos de viagem do Facebook. Porém, o medo de ir sozinho me fez correr atrás de TUDO, me organizar e querer saber todos detalhes. Com o tempo passando, as frustrações de encontrar alguém e a coragem crescendo, defini que queria e precisava trilhar esse caminho sozinho.
      Vamos deixar o blá-blá-blá de lado e efetivamente começar a falar dos preparativos.
      Usei três roteiros como base para o meu, porém eram todos antigos, mas completos. O principal foi o do Rodrigo @rodrigovix, que inclusive foi base para o da Mari (@vidamochileira usei a planilha dela pra criar a minha) e o de uma terceira menina que esqueci o nome 😅.
      Comecei a anotar as dicas sobre roupa, calçado, onde ir assim que chegar, onde trocar dinheiro... Foi de uma ajuda absurda.
      BAGAGEM
      Levei duas mochilas, a de 50l Forclaz da Quechua e uma de ataque que tenho desde o ensino médio.
      Tentei levar coisas suficientes para uma semana de uso, foi mais ou menos assim:
      08 camisetas 02 shorts 01 conjunto segunda pele (usei MUITO) 01 calça jeans (usei pouco) 01 calça de trilha que vira shorts (usei muito) 01 calça moletom 01 blusa fleece 01 blusa corta vento 01 blusa moletom 01 touca 01 bota (timberland basica, peguei na promo por 100 reais e deu conta) 01 toalha de microfibra (decathlon) 01 par de chinelo 08 cuecas 06 pares de meia 01 bastão da caminhada (não usei pq sou burro) Medicamentos Necessaire Pelo que eu me lembre, foi basicamente isso e algumas coisas pequenas como documentos, cadeado, hidratante, bandana, kindle (nem li) e afins.

       
      ROTEIRO

      Mudei milhares de vezes antes do início e esse era o roteiro original, PORÉM ocorreram mudanças forçadas hahaha
      Tive que passar dia 03 em Sucre e tirar Paracas do roteiro, ou seja, até dia 12 é preciso jogar tudo um dia pra frente, o resto continuou igual.
      DICAS
      APP:
      Google Maps Offline - Baixem o mapa de TODOS lugares que irão e deixem salvo no google maps, salvou minha vida mais de uma vez! (atenção pro prazo de armazenamento) Uber - Usei em cidades que possuiam pra saber o preço justo e negociava com os taxis. Moeda - Mostra a cotação atual da moeda (valor comercial, não o de compra) Booking - Reservas de hostel com cancelamento grátis (atenção no prazo para cancelar) COMPRAS PRÉ VIAGEM:
      Vôo SP - Santa Cruz de la Sierra Vôo Santa Cruz - Sucre Ônibus Sucre x Uyuni  Vôo Lima - Cusco O resto deixei TUDO pra fechar na hora. Mas aconselho a reservar pelo Booking locais com cancelamento grátis só por segurança, passei um perregue por conta disso.
       
       
      DIA 1 - O SUSTO ANTES DO COMEÇO
      Três dias antes da viagem (30/12), descubro que meu voo de Santa Cruz para Sucre seria ADIANTADO. Assim, eu não conseguiria embarcar, visto que ele estaria saindo a hora que eu estivesse pousando do voo Guarulhos-Santa Cruz. Tive que adiar esse voo pra Sucre, o que me fez perder o ônibus noturno de Sucre pra Uyuni.
      Ou seja, mal começou e os planos indo pro ralo, mas eu estava consciente que poderia dar ruim esse primeiro dia, era um risco calculado.
      E como dizem, há males que vem para o bem.
      Eu iria viajar dia 2 de janeiro e fui passar a virada de ano na casa da minha Madrinha. De lá, meu pai daria carona até o aeroporto. Tudo pronto, me despedi de todos e partiu!
      Quando estou na fila pra pegar a passagem, procuro minha doleira, onde estavam meu passaporte e toda grana da viagem, e... TCHARAM: NADA! O desespero foi tanto que joguei o mochilao no chão e saí abrindo tudo ali mesmo. Liguei pros meus pais, pedi pra olharem no carro, mas não acharam. Liguei pra minha madrinha e nada na casa... Não era possível, eu não tinha mexido e tinha certeza que havia levado a doleira.
      Estava explicando a situação pra moça do guichê pra tentar não perder o vôo, até que recebo o telefonema salvador, meu pai achou DEBAIXO do banco e estava voltando. Porém, não daria tempo pra retirar a passagem e fazer o check-in.
      Tive que usar toda minha lábia e desenrolar com a atendente. Consegui que ela deixasse tudo adiantado pra retirar sem fila e burocracia só precisando apresentar o passaporte. No fim, foi correria mas deu certo! Inclusive, a primeira coincidência ocorreu na hora do embarque.
      Lembram que eu havia entrado em contato com diversas pessoas pra companhia? Um deles era o Kaique. E não é que ele manda msg no whats falando que está me vendo na fila do embarque?! Combinamos de nos encontrar em Santa Cruz de la Sierra. Também era a primeira viagem solo e internacional dele, ainda usou umas partes do meu roteiro como base.
      O voo foi tranquilo, o primeiro contato com o espanhol foi meio assustador, as aeromoças falavam bem rápido e eu não entendia muita coisa dos avisos no alto falante.
      Desci na Bolívia e fui passar pela alfândega. Estou lá, suave, vendo o Policial passar por todo mundo e parar em quem? Eu, óbvio.
      Fiquei todo atrapalhado pra achar passaporte e responder. Ele ainda me olha o passaporte, minha cara, passaporte, minha cara... Eu já tava quase baixando as calças e indo pra salinha, até que ele resolveu me liberar.
      Encontrei o Kaique e fomos dar um pulo no centro de Santa Cruz pra trocar dinheiro, visto que havia lido que em Sucre não há locais pra troca perto do aeroporto.  Lembrei das recomendações sobre táxi e tentamos negociar a ida pro centro, tava caro... Perguntei pra uma tia da limpeza do aeroporto e descobri que tinha busao pro centro por menos de 5 reais, enquanto o taxi sairia por 40 reais!
      Na plaza central, o Kaique comprou um chip e fomos fazer o câmbio. Demoramos muito e começamos a correr pra voltar a tempo. Não teria como pegar o ônibus, então fomos até a avenida principal atrás de táxi. Perguntei em um local se tinha algum lugar pra pedir e o valor médio.
      Foi ali que tive o primeiro contato com os táxis ilegais da Bolívia. O cara deu sinal pra um carro bem velho e perguntou o preço pro aeroporto. Ficou em 60 bols e deu tempo de embarcar no "teco teco" da Amaszonas rumo a Sucre.
      Na hora de retirar as mochilas, eu comentei com o Kaique sobre dois mochiloes enormes e que apostava que estavam indo fazer a mesma trip. Fui ao banheiro e, ao voltar, o destino prepara outra surpresa: o Kaique conversando com o casal das mochilas... Era o Cleverson, um cara que eu havia conversado nos preparativos da viagem tbm! Estava acompanhado da Cintia, na real eles nos salvaram, pois já era noite e eu e o Kaique teríamos que achar onde dormir pra pegar o bus na noite seguinte.

      Dividimos o táxi, fomos onde eles estavam hospedados e conseguimos vaga! Logo tentamos ir até a rodoviária trocar as passagens do ônibus que são bem concorridas, porém já estava fechada. Voltamos a pé, curtindo um pouco de Sucre e caçando um lugar pra comer. Achamos uma lanchonete, comemos hambúrguer com soda (ruim, parecia sem gás) e rodamos por algumas praças. Fomos dormir depois de um primeiro dia louco, a empolgação era contagiante.
    • Por LuquinhasDeMochila
      Antes de começar este relato gostaria de agradecer IMENSAMENTE ao ilustre @rodrigovix, um dos grandes responsáveis por tudo isso ter acontecido. Para quem não conhece acho difícil estar procurando estes relatos e não o conhecer, ele é um dos responsáveis por escrever um dos relatos mais lidos (se não o mais) aqui do Mochileiros.
      - Man, muito obrigado por me inspirar e me estimular a seguir o mesmo caminho para realizar a experiência mais foda que eu já realizei na vida até o momento. Cerca de 90% desta viagem foi baseada em seu roteiro e seguida A RODO, cada mínimo detalhe.
      Mas ok, agora vamos ao que interessa! Ajeita essa coluna na cadeira, pegue aquela pipoquinha, coloca a coca no copo e se senta que lá vem MUITA história! 😆
      Tudo começou no início de 2016. Eu e meu amigo David (que por sinal será muito citado neste relato... grandes emoções nessa viagem ein, mano? HAHAH aguardem!) formulávamos o projeto da mochilar pela américa do sul. Após todo o processo de coleta de dados, ler 73 relatos e mudar de ideia 14x (vai pensando que planejar viagem é de boa, fiu) decidimos o que seria uma das melhores escolhas de nossas vidas: MOCHILAR pela BOLÍVIA, CHILE e o PERU por exatos: 21 dias. Loucura para alguns? Talvez. Mas era a loucura que a gente sonhou, planejou e imaginou por 1 ano. E ela finalmente iria acontecer.
      A priori iríamos eu e o David. Mas faltando apenas 1 mês para o início meu primo João Paulo resolveu de última hora (DO NADA!) comprar a passagem e embarcar nessa maluquice junto com a gente.
      Irei dividir este relato em várias partes. Procurarei descrever cada detalhe, mostrar as fotos de cada local e de cada situação e tentar passar um pouco para vocês de uma experiência totalmente ÚNICA. Entretanto, faz 2 anos que fiz essa viagem e não lembro exatamente dos valores de cada coisa (eu não anotei nada 😐), somente do valor total que gastei, então infelizmente isso não será um diferencial aqui neste relato, beleza? Mas vou me esforçar para lembrar os mais importantes ao longo da escrita.
      Não se incomode caso esse relato se assemelhe em váááários pontos com o do RodrigoVix. Vou pegar a estética do dele pois está muito foda, porém vou trazer a MINHA experiência o que foi totalmente diferente em vários pontos, fechou?
      Bom, seguindo o protocolo você deve estar se perguntando: Mas Luquinhas, primeiramente o que eu preciso para fazer um mochilão pela América do Sul? 🤔 A PRIMEIRA COISA QUE TODO MUNDO ME PERGUNTA E SEMPRE QUER SABER e foi a primeira coisa que eu quis saber antes de fazer o meu também rs você precisa: coragem para se desafiar e se conhecer, vontade de sair de uma bolha que as vezes nem imagina que vive e claro... a bendita grana! Tentamos fazer a melhor viagem, da forma mais econômica (dentro das nossas formas de curtir uma viagem) e foda possível. E o resultado: levamos 1200 dólares e ainda voltamos com 100 no bolso, GRUUVA. TUDO. Mais uma vez, eu disse TUDOOOOOO, desde um pão de queijo na rodoviária, a bota comprada na internet, tudo tudo tudo, saiu por aproximadamente 7.000 reais. Fruto de pessoas que sabem pechinchar e não ligavam pra comer bem e dormir em hotel HAHAHA Nossa grana era pra aproveitar a maior quantidade de passeios possível. 
      Bom, mas além disso, aqui vai uma relação do que eu levei, anote aí!
      Com antecedência:

      - PASSAGEM BRASIL (São Paulo) X SANTA CRUZ | SANTA CRUZ X BRASIL

      - PASSAGEM AMASZONAS DE SANTA CRUZ X SUCRE

      - SEGURO VIAGEM - (Escolhi a MONDIAL TRAVEL)
      - INGRESSO PARA MACHU PICHU: Muitas pessoas falam que precisa comprar com antecedência. Isso porque o limite máximo de pessoas (por dia) em MP é de 2500 e, em períodos de alta estação esse número pode se esgotar rapidamente. Mas sinceramente eu acho muito difícil... relaxe, você vai conseguir comprar de boa. Chegamos em Cusco e na mesma hora já compramos para o dia seguinte, foi  muito tranquilo.

      Antecedência Opcional:

      - RESERVA DO PASSEIO DO SALAR DE UYUNI COM A ESMERALDA TOURS: Aqui eu acho que vale a pena, apesar de ser muito tranquilo lá na hora, mas foi legal ver que tinha uma pessoa perguntando por meu nome na praça de Uyuni, me senti aqueles caras famosos chegando no aeroporto e um chofer esperando HAHAHAH. Mandamos um email uns 2 meses antes e fechamos por 850 bolivianos, preço média por lá mesmo.

      O que tinha dentro do meu mochilão:
      7 camisetas
      3 bermudas
      8 cuecas
      1 toca
      1 par de luvas
      1 toalha microfibra (secagem rápida)
      1 Money Belt (doleira)
      1 relógio
      1 sabonete
      1 shampoo médio
      1 protetor solar grande
      1 protetor labial
      1 repelente
      1 cadeado
      1 escova de dentes
      1 creme dental
      1 barbeador elétrico
      1 desodorante aerossol
      1 perfume
      1 cortador de unhas
      1 bepantol creme
      1 par de óculos de sol
      1 celular
      1 carregador 
      1 par de fones de ouvido
      1 caneta
      1 bloco de anotações
      1 capa de chuva
      1 pasta plástica para documentos
      1 carteira com Identidade e Cartão de Crédito Internacional
      1 mochilão + toalha de secagem rápida sdds minha toalha que perdi em um hostel em SPA 😢 (comprei no site da Decathlon por R$352,00 os dois)

      1 bota de Treking (comprei uma bem basicona na Centauro em um promoção por R$92,00... não recomendo porque estragou muito rápido, melhor investir e comprar uma melhor que dure bem mais!)
      NA PASTA DE DOCUMENTOS:
      ·        Cartões de embarque
      ·        Cartão internacional de vacina para Febre Amarela (ANVISA): dizem ser obrigatório, mas nunca pede pra ninguém. PORÉM FAÇA, custa nada!
      ·        Certificado do Seguro Viagem
      ·        Todos, eu disse TODOS os papéis que você receber durante a viagem!!!
      NO MONEY BELT:
      1200 Dólares (na época comprei o dólar no Brasil por uns 3,76 salvo engano...)
      300 Reais
      Passaporte
      03/01 Adiós Brasil!
      Estava de férias no interior de minha avó. Eu e David seguimos de Ônibus para Vitória no ES. De lá pegaríamos um voo para Sampa, onde encontraríamos com meu primo João Paulo e seguiríamos para Santa Cruz de La Sierra na Bolívia.

      Foi um longo trecho... zero saudades dormir nessa cadeira tããão confortável tsc.
      O nosso voo era as 11:30 da manhã do dia 04/01. E aí já começou a bagaceira. Era 11:00 e João Paulo (que estava vindo de Salvador) ainda não tinha chegado no aeroporto de São Paulo. Pronto! JÁ COMEÇAMOS A VIAGEM BEM, JÁ IA DAR MERDA VEI. Por sorte, faltando poucos minutos ele chegou como se nada tivesse acontecido (calmo, para variar... vocês vão ver que esse ignóbio nunca liga para nada ao longo do relato) e embarcamos para LA PUTCHARIA!
      Momento CÓPIA RODRIGOVIX porque estou com preguiça de escrever rs: No voo para Santa Cruz, os comissários nos entregam 2 formulários. Um para a Aduana, onde você declara os bens e valores que está levando, e o outro para a imigração (cuidado com as folhas carbono atrás dos formulários, não tire uma via de cima da outra). Preencha com calma. Se errar, eles te fazem preencher tudo de novo.
                 
      MAS ENFIM, DEPOIS DE UM TRECHO NÃO MTO LONGO: CHEGAMOS CARAI!
      04/01 OLÁ BOLÍVIA! Dedo no cu e gritaria!
      E, de lei, qual a primeira coisa a fazer? Cotação!
      Como em qualquer lugar do mundo, evitem ao máximo cambiar em aeroportos, shoppings ou zonas muito turísticas. Optem pelas regiões centrais, sempre que possível. Mais comércio, mais concorrência, melhores preços. Mas nesse caso iríamos fazer apenas uma escala para Sucre com a Amaszonas, então... se fudemos e tivemos que cambiar no aeroporto mesmo (estava caro p/ porra, mas é o jeito).

      Voozinho de boas, rápido... chegamos em Sucre. Sucre (2.810 m de altitude) é a capital oficial da Bolívia, diferente de La Paz (capital administrativa).
      Estava um frio do caralho e tínhamos uma única missão em Sucre: cambiar 100 dólares e seguir rumo a Uyuni, de ônibus. Aqui vai uma dica: ATENÇÃO PARA NÃO VACILAR COM OS TAXISTAS FILHAS DA PUTA!! Logo quando você vai na porta uns 200 vão vindo em sua direção falando um espanhol chato pra disgraça que te deixa nervoso. Resumindo: chore aquele desconto maroto e entre no carro do que achar mais confortável.
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      Saindo da rodoviária de Sucre: Lá nos compramos o ticket da taxa terminal (Bs.1,50), obrigatório para embarcar. Essas taxas são bem comuns nas rodoviárias desses 3 países, fiquem sempre atentos a elas. E MAAAAAAANO, que rodoviária doida da porra man.
      Estava a 1 dia e meio sem tomar banho. Neste momento entrei em um banheiro e lavei foi o cabelo na pia mesmo, pivete! Uma gritaria da porra... nós 3 estávamos sem entender nada, UMA BAGUNÇA generalizada. Foram poucos minutos em Sucre: suficientes para não vermos a hora de chegar em Uyuni e sair daquele lugar HAHAHAH.
      (Ouvi relatos que Sucre não é ruim... tenho um amigo que foi e que curtiu a cidade. Minha experiência foi breve e ruim. Só queríamos entrar no ônibus e ir pra Uyuni  logo rs.)
      Ao entrar no Ônibus conhecemos duas alemãs que estavam viajando também para o Salar do Uyuni. Pedimos água para se entupir de Dramin e aguentar a noite de sono (já estávamos enjoados com a altitude elevada e estava difícil dormir). Elas nos encarou pensando que estávamos consumindo drogas KKKKKKK Foi uma cena engraçada. Curioso que as encontramos no Chile depois, em uma longa história (que me dá raiva só em lembrar) que irei contar em breve.
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      05/01 - Chegando em Uyuni: o mistério do velhinho de capuz e guarda-chuva! O Cemitério de Trens e o maior Deserto de Sal do MUNDO!
      Eram umas 05:30 da manhã quando o Ônibus parou em uma rua deserta, chuvosa e sombria, com uma sensação térmica de 2ºC. Juro, parecia uma cena de terror. A nossa primeira experiência na Bolívia já não tinha sido das melhores. Pegamos nossos mochilões e seguimos pelas ruas a procura de um local para tomar café e se aquecer (estava um frio do CARAAAALHO mermão).
      Mendigos  bêbados nos abordavam pedindo dinheiro, a chuva começava a engrossar, um silêncio de terror, até que... no canto da rua um moço de capuz e um guarda-chuva nos abordou e disse que tinha um bom lugar para nos acolher. MANO: tá no inferno abraça o capeta. Seguimos o velho debaixo do guarda-chuva e depois de poucos minutos nossos olhos brilharam: O VELINHO ERA O DONO DO SNACK NONIS! 😍 Simplesmente a lanchonete que o RodrigoVix disse que era para tomar café em seu relato. A gente riu feito a porra de felicidade e já foi logo entrando para comer, tirar aquela tralha toda e descansar um pouco antes de fechar os passeios.  


      O Snack Nonis foi uma excelente parada. Se você tiver a oportunidade de ir lá nos mande uma foto do nosso post it que deixamos na parede (se é q ainda tem lá 😆).
      Carregamos nossos celulares, compramos umas tocas na rua, cambiamos mais uns dólares e fomos ao Esmeralda Tours para acertar o passeio ao Salar.
      Acabamos fechando com a Esmeralda Tours mesmo. Primeiro porque o atendimento foi muito bom (quem nos atendeu foi a Eva). Segundo porque a agência tinha boas referências. E terceiro porque era o melhor preço médio que havíamos encontrado. Estava saindo por Bs.800 para quem fosse retornar para Uyuni e Bs.850 para que os fossem seguir para San Pedro de Atacama (cobra-se Bs.50 pelo transfer, isso em qualquer agência). Uma dica é: Também procure pela Andrea Tours e a Cordillera para avaliar os preços... Mas é quase tudo igual.
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      O passeio pelo Salar do Uyuni dura 3 dias. No primeiro você visista o Cemitério de Trens. Pela tarde tira as fotos pelo Salar do Uyuni e durante a noite dorme no Hotel de Sal. No 2º dia você visita mais um tanto de plano de fundo do Windows, o Árbol de Piedra, e vários vales/montanhas... Já no 3º e último dia ou você pode voltar para Uyuni ou seguir direto para San Pedro do Atacama (o que foi o nosso caso), no Chile. 
      Seguimos em um 4x4 somente de BRASILEIROS. Isso mesmo! Éramos 3 e a empresa nos colocou com mais 3 meninas brasileiras. Era uma mãe que viajava com suas duas filhas. São 3 dias juntos, dormindo junto e compartilhando histórias de vida. Ensinando e aprendendo. Impossível não sentir a primeira emoção de mochilar: compartilhar a vida de uma maneira que você nunca imaginou, em locais surreais, em diferentes situações. 
      PRIMEIRA PARADA: CEMITÉRIO DE TRENS!
      Sinceramente: nada de mais. Um local legal para tirar fotos... mas não passa de uma pasto com ferragens, resumidamente HAHAHA. Ficamos uns 20-30 minutos, tiramos uma fotos e seguimos para O LOCAL MAIS FODA.

      No caminho para o Salar o carro ainda para em um poços lá, mas nada de mais também... acho que é um Geiser. Mermão, eu só sei que sai um fedorzão de ovo podre do caralho. mas numa viagem dessa, parceiro, até se a parada fosse pra ver uma galinha cagando eu não tava nem aí: TÔ NA BOLÍVIA MAAAAN! 🤩

      Mais uns Km e TCHARAM! O maior deserto de sal do MUUUUUNDO, porra! 🤩
      Confesso, foi 200x mais incrível do que eu tinha em minha cabeça. O carro dá uma parada em um restaurante no meio DO NADA onde tem 47 empresas de turismo almoçando com seus clientes, tiramos foto no marco das bandeiras, e voltamos a andar pelo enorme Salar onde faríamos paradas para ver o pôr do sol (um dos momentos mais fodas), o salar espelhado (sorte em ter visto, só ocorre em poucos meses do ano), a Isla Del Pescado e, finalmente, voltar para o hostel onde passaríamos a noite. Segue algumas fotos de cada trecho:


      O exato momento em que eu abri uma Coca e ela explodiu molhando a mesa toda. Só a PORRA DO RESTURANTE INTEIRO olhou pra mim e aquela bagunça toda, de boas. 😑

      Marco das Bandeiras

      Aqui jpá foi depois do almoço. Vamos para o meio do Salar tirar vária fotos e ficamos uns 30min pra admirar. 


      Isla Del Pescado: um vale no meio do NADA. MUITO foda e bonito pra caralho esse momento.

      A chance de ver o Salar levemente espelhado. Pausa para um foto ridícula, mas vale a recordação HAHAHAH
      Finalizamos com um pôr do sol SINISTRO que não cabe em nenhuma foto, apenas na memória. PQP, só olhar para aquela imensidão e refletir coisa pra caralho. O processo de se conhecer em um mochilão está nos mínimos detalhes. 
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      Seguimos para o nosso hostel passar a noite mais fuuuuuudida que eu já passei na vida. E foi assim que fui pego pelo MAL DA ALTITUDE, é meus amigos... torça para não ter, por que parceeeeeeeeeiro: eu quis morrer vei. Taquicardia pra caramba, falta de ar e um mal estar dos infernos. Para variar, ainda tinha um grupo de holandeses bebendo vodka na sala fazendo um barulho da porra as 3 da manhã piorando ainda aquela noite que foi uma das piores da viagem. Os primeiros perregues estavam começando a chegar, em apenas 2 dias de viagem. VAMOS Q VAMO! 

      Nota: Sim, o deserto é TODO de SAL. O chão, as paredes, as cadeiras KKKKKKKK É bizarro, experiência foda. 
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      06/01 - Salar do Uyuni 2º dia: Lagunas e mais lagunas!
      to be continue..


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