Esse é mais um dos inúmeros relatos que aparecem aqui todos os dias...
Mas, para mim, tem um significado especial. É a primeira vez desde 2010 que viajo com meus pais de carro (desde que comecei a trabalhar de verdade não consegui mais conciliar minhas férias e meus destinos com os deles). A princípio iriam apenas meus pais, eu e meu namorado, mas minha mãe bateu o pé e disse que meu irmão iria junto. Agora sim, viajaríamos bem apertados lá atrás, mas fazer o quê?!
Em 2013 meu namorado foi a Santiago com os pais e eu fui depois com meu irmão. Mostrei as fotos do Atacama para meu pai e ele ficou maravilhado. Mas, ele sempre teve medo de viajar para o “estrangeiro”. Em 2014 consegui convencê-lo a ir com a gente (eu e meu namorado) fazer compras em Ciudad del Este. Minha mãe animou e ele topou. Depois que ele aprendeu o caminho e viu que não era o fim do mundo, voltou lá mais duas vezes!
Li o relato de cabo a rabo e fui atrás de mais e mais relatos, mostrei para o meu namorado que comprou a ideia e começamos a pesquisar mais.
Um belo dia virei para o meu pai e disse: “pai, teve um cara lá no fórum que foi de Caldas Novas até o Atacama de carro. Acredita?!” E ele respondeu: “Hmmm”, virou e continuou fazendo as coisas dele.
Passado algum tempo ele me chamou e disse: “quanto ficaria para fazer essa viagem? ”, eu disse que não sabia, mas que podia pesquisar. E ficou combinado que depois que eu apresentasse os custos da viagem ele iria decidir se ia ou não. Eu já tinha meu plano B que era comprar a primeira passagem barata para o exterior kkkkkkkkk
Fiz o que ele pediu e depois de 1 mês de pesquisas, entreguei o orçamento da viagem. Ele pensou por mais duas semanas, me encheu de perguntas (muitas perguntas) e falou que queria ir. Achei que ele ia dar para trás depois de algum tempo, tanto que nem confirmei com meu namorado que iríamos. O tempo foi passando e eu me toquei que era verdade. Então ficamos 1 mês ensaiando como contar para minha sogra que iríamos viajar de carro para outro país. Contamos morrendo de medo, mas no final tudo deu certo (foi muito melhor do que imaginamos).
Agora oficialmente iríamos para o Atacama de carro!
Roteiro
Nosso roteiro ficou assim:
1. Brasília – São José do Rio Preto (733km)
2. São José do Rio Preto – Foz do Iguaçu (858km)
3. Foz do Iguaçu – Posadas (318km)
4. Posadas – Santa Fé (793km)
5. Santa Fé – Mendoza (908km)
6. Mendoza – Santiago (364km)
7. Santiago
8. Santiago – Embalse el Yeso – Santiago (224km)
9. Santiago – Valparaiso – Viña del Mar – Santiago
10. Santiago – Copiapó (806km)
11. Copiapó – San Pedro (859km)
12. San Pedro
13. San Pedro
14. San Pedro
15. San Pedro
16. Uyuni
17. Uyuni
18. Uyuni
19. Uyuni
20. San Pedro
21. San Pedro – Salta (597km)
22. Salta – Resistencia (824km)
23. Resistencia – Assunção (329km)
24. Assunção – Foz do Iguaçu (334km)
25. Foz do Iguaçu
26. Foz do Iguaçu
27. Foz do Iguaçu – São José do Rio Preto (864km)
28. São José do Rio Preto – Brasília (733km)
Seguros
Fizemos seguro viagem pela Porto Seguro (única seguradora que cobria viagem feita com veículo próprio), plano Mundo 120 Bronze, no valor de R$ 326,58 por pessoa.
O Seguro CARTA VERDE foi feito também pela Porto Seguro, no valor de R$252
Contratamos o seguro SOAPEX pela internet no valor de 11 dólares = R$ 40,23 (com iof e conversão).
E por fim, a extensão do seguro do carro para América do Sul, no valor de R$397,30.
PID
Eu e meu namorado tivemos que tirar a Permissão Internacional para Dirigir, pois a embaixada do Chile nos informou que era obrigatório possuir. O custo foi de R$290 cada.
Meu pai já tinha a dele e ainda estava na validade.
Adesivos
Mandamos fazer uns adesivos para colocar nas portas do carro e na traseira, nos custou R$90
Conect Car
Compramos a TAG do Conect Car pra evitar filas e acreditem, isso ajuda muito! Nos custou R$ 220 na primeira leva da viagem e na volta colocamos mais R$ 30.
Hotéis
Fizemos todas as reservas pelo Booking.com. Fora do Brasil, pagamos todas as diárias em dólares (já tínhamos nos programado para isso)
São José do Rio Preto: Hotel Plaza Inn
Foz do Iguaçu: Hotel Baviera Iguassu
Posadas: La Mision Posadas
Santa Fé: Hostal Santa Fe De La Veracruz
Mendoza: Hotel Ibis Mendoza
Santiago: Bellavista Apartments
Copiapó: Hotel Chagall
San Pedro: Hotel Dunas
Salta: Hotel del Antiguo Convento
Resistência: Gala Hotel & Convenciones
Assunção: La Casa Arthaus
Foz do Iguaçu: Hotel Baviera Iguassu
São José do Rio Preto: Hotel Plaza Inn
Os custos da viagem foram divididos por 5 pessoas, mas para facilitar as contas aqui vou separar entre "pai" e "eu", onde pai corresponde a 3 pessoas e eu a duas pessoas. Nem todos os lugares terão os custos do meu pai porque ele jogava as notinhas foras ante de me passar o valor... só no final da viagem que ele entendeu que precisava delas para colocar nas minhas planilhas. Ah, também ganhei o apelido da "louca das planilhas", mas eu prefiro ficar organizada durante a viagem toda do que ficar devendo dinheiro porque não me organizei direito.
Alimentação
Calculei alimentação da seguinte maneira:
R$ 25 para o café da manhã por pessoa
R$ 50 para o almoço por pessoa
R$ 50 para o jantar por pessoa
Vale ressaltar que apenas eu e meu namorado seguimos a risca essa parte, meus pais e meu irmão sempre extrapolavam o limite estabelecido.
Sem mais delongas, vamos ao relato!
24/12/17 - Domingo - Brasília / São José do Rio Preto
Abastecemos o carro na noite anterior. Encontrei com meus pais por volta das 07:00 da manhã, colocamos todas as coisas na caçamba da camionete e às 08:03 saímos de casa. Preferimos ir pela estrada de Goiânia que é duplicada mesmo pagando pedágio. Às 09:20 chegamos no Jerivá e tomamos café da manhã.
Animação na estrada
Nesse dia passamos por 7 assaltinhos, quer dizer, pedágios:
Alexânia GO: R$ 4,90 às 9:04
Anápolis Go: R$ 3,60 às 10:11
Professor Jamil GO: R$ 5,20 às 11:19
Itumbiara GO: R$ 6,30 às 12:24
Prata MG: R$ 5,60 às 14:36
Fronteira MG: R$ 3,30 às 15:49
Onda Verde SP: R$ 5,20 às 16:24
Paramos para almoçar no Trevão em Minas Gerais às 13:40 e de lá seguimos para Frutal, onde eu queria tomar um suco de abacaxi que minha chefe havia recomendado. Procuramos pela tal barraquinha na beira da estrada, mas era 24 de dezembro à tarde e ninguém estava mais trabalhando. Paramos para abastecer, o diesel S10 custava R$ 3,379, colocamos 65,86 litros, o que nos custou R$ 222,54 e consumo ficou na casa de 8,8km/l.
Chegamos em São José do Rio Preto às 17:00. Dava pra ter andado mais, dava. Mas como somente meu pai e meu namorado estavam dirigindo achei melhor andarmos apenas 733km nesse dia, já que teríamos muitos dias ainda pela frente. Fizemos o check-in no hotel, tomamos um banho, descansamos e depois fomos jantar.
Ceia de natal
Gastos do dia:
Abastecimento do dia 23/12: R$ 183,23
Conect Car: R$ 220
Café da manhã: pai: R$ 17,50
Café da manhã eu: R$ 12,00
Almoço pai: R$47,54
Almoço eu: R$ 47,53
Abastecimento em Frutal: R$ 222,54
Hotel pai: R$ 199,52
Hotel eu: R$ 165,12
Jantar pai: R$ 89
Jantar eu: R$ 64
Total do dia: R$ 1.267,98
Total Pai: R$ 666,44
Total Eu: R$ 601,53
25/12/17 - Segunda - São José do Rio Preto / Foz do Iguaçu
Acordamos e fomos tomar café da manhã às 07:20. Fizemos check-out no hotel e pegamos a estrada.
Nesse dia passamos por 6 assaltinhos:
José Bonifácio SP: R$ 5,20 às 8:48
Floresta PR: R$ 13,40 às 14:09
Campo Mourão PR: R$ 13,40 às 15:01
Corbélia PR: R$ 13,40 às 16:11
Céu Azul PR: R$ 11,70 às 17:03
São Miguel do Iguaçu PR: R$ 15,30 às 17:55
Paramos para almoçar em Maringá e já aproveitamos para abastecer, o diesel S10 custava R$ 3,31, colocamos 66,10 litros, o que nos custou R$ 204,91 e consumo ficou na casa de 8,9km/l.
Chegamos no hotel em Foz do Iguaçu às 18:20 debaixo de chuva. Fizemos o check-in e descansamos um pouco. Saímos para jantar numa churrascaria chamada Jardim da Cerveja que ficava do outro lado da rua, indicação do funcionário do hotel. A comida estava boa, mas o atendimento foi péssimo. Parecia que os garçons não queriam estar trabalhando no feriado e descontavam sua raiva nos clientes. Não recomendo.
Gastos do dia:
Abastecimento em Maringá: R$ 204,91
Almoço pai: R$ 78,95
Almoço eu: R$ 43,65
Hotel pai: R$ 300
Hotel eu: R$ 240
Jantar pai: R$ 150
Total do dia: R$ 1.017,51
Total Pai: R$ 631,40
Total Eu: R$ 488,56
26/12/17 - Terça - Foz do Iguaçu / Posadas
Tomamos café às 06:30 e saímos às 07:00 para Ciudad del Este, precisávamos trocar dinheiro e comprar meu drone. Vinha acompanhando a cotação pela internet há 3 semanas e vi que era mais jogo trocar pesos argentinos, guaranis e bolivianos lá em CDE mesmo.
Se me lembro bem, nosso cambio ficou assim:
5,56 reais = 1 peso argentino
1 dólar = 19 pesos argentinos
1 real = 1.601 guaranis
Comprei meu drone na Mega Eletrônicos, loja lotada, fila pra pagar, pra tirar o produto, pra testar, mais de duas horas na loja...
Pegamos um ônibus até a ponte, desci com meu namorado e meus pais foram para o hotel arrumar as malas. Desci na ponte para declarar, pois não queria ter problemas na volta para o Brasil e nem em viagens futuras. Bom, chegando la na receita federal fiz a declaração de bens, o drone foi levado para análise (para saber se o valor que declarei batia com o valor real da mercadoria) e depois fui pagar no caixa eletrônico do banco do Brasil pagar a GRU que foi gerada...
Problema 1: o caixa não tinha leitura biométrica
Problema 2: eu não sabia (e não sei até hoje) a minha senha de letras
Problema 3: a senha estava anotada na minha carteira que tinha ficado no Brasil
Problema 4: eu não consegui transferir o dinheiro (tentei aumentar o limite antes de viajar, mas não tinha dado certo) para meu pai fazer o pagamento
Já estava preocupada quando o fiscal da receita disse: "Olha, você só pode retirar a mercadoria daqui quando efetuar o pagamento e comprovar. Enquanto não fizer isso, a mercadoria fica retida aqui". Aí desesperei de vez! Meu pai me ligou e disse que tinha dinheiro na conta. Ele efetuou o pagamento, me mandou o comprovante e enviei para o e-mail da receita federal. Depois que o fiscal conferiu no sistema ele me entregou o drone e a declaração de importação, com ela posso sair do Brasil e retornar sem problemas.
Retornamos para Foz, paramos no Mcdonalds para comer algo (na verdade eu não posso comer pão, sou celíaca, então comi apenas batata frita e meu namorado comeu o sanduíche) e depois fomos para o hotel e terminamos de colocar as coisas no carro, fizemos o check-out e fomos abastecer, o diesel S10 custava R$ 3,597, colocamos 43,03 litros, o que nos custou R$ 154,78 e consumo ficou na casa de 9km/l. Perguntamos se eles vendiam o adesivo de velocidade para colocar no carro, mas ele disseram que só encontraríamos na Argentina mesmo. (Há uma lei na argentina que diz que veículos como camionetes devem ter um adesivo de velocidade de 110km/h refletivo colado na traseira do veículo, se você não tiver pode ser multado ou pior, ser parado pela caminera e ter que pagar uma bela grana para ser liberado).
Seguimos em direção a Puerto Iguazu na Argentina. E para nossa surpresa a Aduana Argentina estava lotada, ficamos mais ou menos 1 hora e meia na fila. Olharam nossos documentos, carimbaram os passaportes, conferiram a carta verde e documento do veículo, perguntaram onde a dona estava (o carro está no nome da minha mãe), olharam a caçamba do carro e perguntaram também qual era o nosso destino final e respondemos: Santiago.
Seguimos na estrada de pista dupla, asfalto bom, sem acostamento e com a sinalização um pouco confusa (os avisos de fim da terceira faixa apareciam somente depois que a faixa já tinha terminado, avisos de retorno e saída da pista só apareciam depois que você tinha perdido a saída, depois de uns dias acostumamos com a sinalização caótica deles). Paramos no primeiro posto de gasolina e compramos o adesivo refletivo.
Importante ressaltar: somente nesse trecho de Puerto Iguazu até Misiones fomos parados 5 vezes pela polícia caminera 1 vez pela Gendarmeria. Em todas as vezes eles pediram o documento do carro, CNH, carta verde, abaixamos os vidros, colocaram a cabeça dentro do carro para olhar todo mundo, perguntaram de onde estávamos vindo e para onde iríamos e só! Não fomos multados, não tivemos que pagar propina, fomos tratados com educação, nenhum policial foi grosso conosco em todo território argentino.
Adesivo de 110km/h exigido na Argentina para camionetes
Nesse dia passamos por apenas 2 assaltinhos:
Colonia Victoria ARG: AR$ 20 às 14:00
Santa Ana ARG: AR$ 20 às 17:50
Paramos em San Ignácio em Misiones para visitarmos as ruínas jesuíticas.
Como eram as ruínas antigamente
O ingresso que você paga te dá o direito de visitar as outras 3 missões jesuíticas na Argentina (por 15 dias), como não sabíamos disso não nos programamos para visitá-las. Seguimos para o nosso hotel em Posadas. Chegamos por volta das 18:30, estava sol e fazendo bastante calor. O Hotel era 3 estrelas, bem novo, quarto amplo, muito bom! Arruamos nossas coisas e descemos para jantar às 20:00. Experimentamos a especialidade do hotel: wok de vegetables. Excelente pedida!!
Gastos do dia:
Ônibus Foz/CDE: R$ 26,25 (5 pessoas)
Ônibus CDE/Foz: R$ 26,25 (5 pessoas)
Ônibus CDE/Foz: R$ 10,50 (2 pessoas)
Drone: U$ 1.113
Bateria drone e cartão de memória: U$ 143
Declaração drone: R$ 1.343,28
Almoço eu: R$ 22,50
Abastecimento em Foz: R$ 154,78
Pedágios: AR$ 40
Ruínas Jesuíticas pai: AR$ 510
Ruínas Jesuíticas eu: AR$ 340
Águas: AR$ 40
Adesivo 110 km/h: AR$ 85
Hotel pai: U$ 100
Hotel eu: U$ 80
Jantar pai: AR$ 800
Jantar eu: AR$ 510
Total do dia: R$ 1.583,56 AR$: 2.325 U$: 1.436
Total Pai: R$ 129,89 AR$: 1.392,50 U$: 100
Total Eu: R$ 1.453,67 AR$: 932,50 U$: 1.336
27/12/17 - Quarta - Posadas / Santa Fé
Tomamos café às 07:00 da manhã, fizemos check-out do hotel e seguimos em direção a Santa Fé.
Paramos para abastecer em Fachinal, o diesel S10 custava AR$ 25,62, colocamos 39,81 litros, o que nos custou AR$ 1020 e consumo ficou na casa de 9km/l.
Fizemos um pequeno desvio do roteiro original, meu pai queria ir até Uruguaiana, na verdade atravessar a ponte de Paso de los Libres até Uruguaiana e voltar, mas consegui convencê-lo de que iríamos perder muito tempo na imigração, então fomos apenas até a margem do rio Uruguai do lado de Paso de los Libres.
Na outra margem do rio está a cidade de Uruguaiana/BR
Aproveitamos já almoçamos (pedimos uma parrillada familiar) e abastecemos em Paso de los Libres, o diesel S10 custava AR$ 26,48, colocamos 34 litros, o que nos custou AR$ 902 e consumo ficou na casa de 9km/l.
Nesse dia pegamos estradas em dois extremos: mão dupla, cheia de buraco, nenhum posto de gasolina por quase 200km de estrada, 3 postos de polícia caminera (fomos parados em todos), nada em volta da estrada e depois pegamos pista duplicada por uns 100km só de reta, asfalto bom e com acostamento (aí deu para tirar o atraso da pista ruim.)
Passamos por 2 assaltinhos:
Fachinal ARG: AR$ 8 às 09:20
Paraná ARG: AR$ 35 às 19:11
Chegamos em Santa Fé às 19:45, lembra que falei lá em cima da sinalização argentina ser muito doida? Pois é, a saída vem antes da placa e nós passamos obviamente. Tivemos que dar uma volta enorme na cidade até conseguirmos achar um retorno e o GPS parar de mandar a gente ficar dando voltas aleatórias na cidade. Fizemos o check-in no hotel, aí veio a primeira surpresa da viagem: o prédio era muito bonito, bem no centro da cidade, a rua da frente era fechada e cheia de lojas, porém os quartos... ah, os quartos... velhos, cama horrível, você afundava nela (eu particularmente detesto colchão mole, mas tava ruim até pro meu namorado que é adepto), o banheiro tinha um cheiro ruim, mas fazer o que?! Tá no inferno, abraça o capeta!
O jantar no hotel era muito caro, então fomos até o McDonalds que ficava umas 3 quadras do hotel. A cidade estava bem movimentada, não ficamos com medo de andar nesse trecho. O McDonalds parecia que tinha sido tomado por todas as crianças de Santa Fé, tava uma bagunça, criança correndo, pai gritando, gente te empurrando, o caos
Voltamos para o hotel e tentamos descansar, mas foi difícil...
Esse é mais um dos inúmeros relatos que aparecem aqui todos os dias...
Mas, para mim, tem um significado especial. É a primeira vez desde 2010 que viajo com meus pais de carro (desde que comecei a trabalhar de verdade não consegui mais conciliar minhas férias e meus destinos com os deles). A princípio iriam apenas meus pais, eu e meu namorado, mas minha mãe bateu o pé e disse que meu irmão iria junto. Agora sim, viajaríamos bem apertados lá atrás, mas fazer o quê?!
Em 2013 meu namorado foi a Santiago com os pais e eu fui depois com meu irmão. Mostrei as fotos do Atacama para meu pai e ele ficou maravilhado. Mas, ele sempre teve medo de viajar para o “estrangeiro”. Em 2014 consegui convencê-lo a ir com a gente (eu e meu namorado) fazer compras em Ciudad del Este. Minha mãe animou e ele topou. Depois que ele aprendeu o caminho e viu que não era o fim do mundo, voltou lá mais duas vezes!
Em 2014 resolvemos que iríamos todos para a Disney, mas a empresa que eu trabalhava faliu e com isso perdi minhas férias, consegui apenas 9 dias de folga, mas que ficaria inviável viajar com eles para os Estados Unidos, então fui com meu namorado para Machu Picchu (http://www.mochileiros.com/cusco-aguas-calientes-machu-picchu-lima-paracas-ica-nazca-30-08-a-07-09-2014-muitas-fotos-t101509.html) e eles partiram para a Disney. Adoraram!
Esse ano eu tinha pensado em voltar à Disney (acabei indo em 2016), depois pensei em visitar a “família” do meu namorado no México, aí cogitei San Andrés e então resolvi passear pelo mochileiros.com e me deparei com o relato do Flavius: https://www.mochileiros.com/topic/58848-viagem-de-carro-para-san-pedro-de-atacama-passando-por-salta-tilcara-e-antofagasta-mar%C3%A7o2017/?tab=comments#comment-644684 e pensei: “por que não?!”
Li o relato de cabo a rabo e fui atrás de mais e mais relatos, mostrei para o meu namorado que comprou a ideia e começamos a pesquisar mais.
Um belo dia virei para o meu pai e disse: “pai, teve um cara lá no fórum que foi de Caldas Novas até o Atacama de carro. Acredita?!” E ele respondeu: “Hmmm”, virou e continuou fazendo as coisas dele.
Passado algum tempo ele me chamou e disse: “quanto ficaria para fazer essa viagem? ”, eu disse que não sabia, mas que podia pesquisar. E ficou combinado que depois que eu apresentasse os custos da viagem ele iria decidir se ia ou não. Eu já tinha meu plano B que era comprar a primeira passagem barata para o exterior kkkkkkkkk
Fiz o que ele pediu e depois de 1 mês de pesquisas, entreguei o orçamento da viagem. Ele pensou por mais duas semanas, me encheu de perguntas (muitas perguntas) e falou que queria ir. Achei que ele ia dar para trás depois de algum tempo, tanto que nem confirmei com meu namorado que iríamos. O tempo foi passando e eu me toquei que era verdade. Então ficamos 1 mês ensaiando como contar para minha sogra que iríamos viajar de carro para outro país. Contamos morrendo de medo, mas no final tudo deu certo (foi muito melhor do que imaginamos).
Agora oficialmente iríamos para o Atacama de carro!
Roteiro
Nosso roteiro ficou assim:
1. Brasília – São José do Rio Preto (733km)
2. São José do Rio Preto – Foz do Iguaçu (858km)
3. Foz do Iguaçu – Posadas (318km)
4. Posadas – Santa Fé (793km)
5. Santa Fé – Mendoza (908km)
6. Mendoza – Santiago (364km)
7. Santiago
8. Santiago – Embalse el Yeso – Santiago (224km)
9. Santiago – Valparaiso – Viña del Mar – Santiago
10. Santiago – Copiapó (806km)
11. Copiapó – San Pedro (859km)
12. San Pedro
13. San Pedro
14. San Pedro
15. San Pedro
16. Uyuni
17. Uyuni
18. Uyuni
19. Uyuni
20. San Pedro
21. San Pedro – Salta (597km)
22. Salta – Resistencia (824km)
23. Resistencia – Assunção (329km)
24. Assunção – Foz do Iguaçu (334km)
25. Foz do Iguaçu
26. Foz do Iguaçu
27. Foz do Iguaçu – São José do Rio Preto (864km)
28. São José do Rio Preto – Brasília (733km)
Seguros
Fizemos seguro viagem pela Porto Seguro (única seguradora que cobria viagem feita com veículo próprio), plano Mundo 120 Bronze, no valor de R$ 326,58 por pessoa.
O Seguro CARTA VERDE foi feito também pela Porto Seguro, no valor de R$252
Contratamos o seguro SOAPEX pela internet no valor de 11 dólares = R$ 40,23 (com iof e conversão).
E por fim, a extensão do seguro do carro para América do Sul, no valor de R$397,30.
PID
Eu e meu namorado tivemos que tirar a Permissão Internacional para Dirigir, pois a embaixada do Chile nos informou que era obrigatório possuir. O custo foi de R$290 cada.
Meu pai já tinha a dele e ainda estava na validade.
Adesivos
Mandamos fazer uns adesivos para colocar nas portas do carro e na traseira, nos custou R$90
Conect Car
Compramos a TAG do Conect Car pra evitar filas e acreditem, isso ajuda muito! Nos custou R$ 220 na primeira leva da viagem e na volta colocamos mais R$ 30.
Hotéis
Fizemos todas as reservas pelo Booking.com. Fora do Brasil, pagamos todas as diárias em dólares (já tínhamos nos programado para isso)
São José do Rio Preto: Hotel Plaza Inn
Foz do Iguaçu: Hotel Baviera Iguassu
Posadas: La Mision Posadas
Santa Fé: Hostal Santa Fe De La Veracruz
Mendoza: Hotel Ibis Mendoza
Santiago: Bellavista Apartments
Copiapó: Hotel Chagall
San Pedro: Hotel Dunas
Salta: Hotel del Antiguo Convento
Resistência: Gala Hotel & Convenciones
Assunção: La Casa Arthaus
Foz do Iguaçu: Hotel Baviera Iguassu
São José do Rio Preto: Hotel Plaza Inn
Os custos da viagem foram divididos por 5 pessoas, mas para facilitar as contas aqui vou separar entre "pai" e "eu", onde pai corresponde a 3 pessoas e eu a duas pessoas. Nem todos os lugares terão os custos do meu pai porque ele jogava as notinhas foras ante de me passar o valor... só no final da viagem que ele entendeu que precisava delas para colocar nas minhas planilhas. Ah, também ganhei o apelido da "louca das planilhas", mas eu prefiro ficar organizada durante a viagem toda do que ficar devendo dinheiro porque não me organizei direito.
Alimentação
Calculei alimentação da seguinte maneira:
Vale ressaltar que apenas eu e meu namorado seguimos a risca essa parte, meus pais e meu irmão sempre extrapolavam o limite estabelecido.
Sem mais delongas, vamos ao relato!
24/12/17 - Domingo - Brasília / São José do Rio Preto
Abastecemos o carro na noite anterior. Encontrei com meus pais por volta das 07:00 da manhã, colocamos todas as coisas na caçamba da camionete e às 08:03 saímos de casa. Preferimos ir pela estrada de Goiânia que é duplicada mesmo pagando pedágio. Às 09:20 chegamos no Jerivá e tomamos café da manhã.
Animação na estrada
Nesse dia passamos por 7 assaltinhos, quer dizer, pedágios:
Paramos para almoçar no Trevão em Minas Gerais às 13:40 e de lá seguimos para Frutal, onde eu queria tomar um suco de abacaxi que minha chefe havia recomendado. Procuramos pela tal barraquinha na beira da estrada, mas era 24 de dezembro à tarde e ninguém estava mais trabalhando. Paramos para abastecer, o diesel S10 custava R$ 3,379, colocamos 65,86 litros, o que nos custou R$ 222,54 e consumo ficou na casa de 8,8km/l.
Chegamos em São José do Rio Preto às 17:00. Dava pra ter andado mais, dava. Mas como somente meu pai e meu namorado estavam dirigindo achei melhor andarmos apenas 733km nesse dia, já que teríamos muitos dias ainda pela frente. Fizemos o check-in no hotel, tomamos um banho, descansamos e depois fomos jantar.
Ceia de natal
Gastos do dia:
25/12/17 - Segunda - São José do Rio Preto / Foz do Iguaçu
Acordamos e fomos tomar café da manhã às 07:20. Fizemos check-out no hotel e pegamos a estrada.
Nesse dia passamos por 6 assaltinhos:
Paramos para almoçar em Maringá e já aproveitamos para abastecer, o diesel S10 custava R$ 3,31, colocamos 66,10 litros, o que nos custou R$ 204,91 e consumo ficou na casa de 8,9km/l.
Chegamos no hotel em Foz do Iguaçu às 18:20 debaixo de chuva. Fizemos o check-in e descansamos um pouco. Saímos para jantar numa churrascaria chamada Jardim da Cerveja que ficava do outro lado da rua, indicação do funcionário do hotel. A comida estava boa, mas o atendimento foi péssimo. Parecia que os garçons não queriam estar trabalhando no feriado e descontavam sua raiva nos clientes. Não recomendo.
Gastos do dia:
26/12/17 - Terça - Foz do Iguaçu / Posadas
Tomamos café às 06:30 e saímos às 07:00 para Ciudad del Este, precisávamos trocar dinheiro e comprar meu drone. Vinha acompanhando a cotação pela internet há 3 semanas e vi que era mais jogo trocar pesos argentinos, guaranis e bolivianos lá em CDE mesmo.
Se me lembro bem, nosso cambio ficou assim:
Comprei meu drone na Mega Eletrônicos, loja lotada, fila pra pagar, pra tirar o produto, pra testar, mais de duas horas na loja...

Pegamos um ônibus até a ponte, desci com meu namorado e meus pais foram para o hotel arrumar as malas. Desci na ponte para declarar, pois não queria ter problemas na volta para o Brasil e nem em viagens futuras. Bom, chegando la na receita federal fiz a declaração de bens, o drone foi levado para análise (para saber se o valor que declarei batia com o valor real da mercadoria) e depois fui pagar no caixa eletrônico do banco do Brasil pagar a GRU que foi gerada...
Já estava preocupada quando o fiscal da receita disse: "Olha, você só pode retirar a mercadoria daqui quando efetuar o pagamento e comprovar. Enquanto não fizer isso, a mercadoria fica retida aqui". Aí desesperei de vez! Meu pai me ligou e disse que tinha dinheiro na conta. Ele efetuou o pagamento, me mandou o comprovante e enviei para o e-mail da receita federal. Depois que o fiscal conferiu no sistema ele me entregou o drone e a declaração de importação, com ela posso sair do Brasil e retornar sem problemas.
Retornamos para Foz, paramos no Mcdonalds para comer algo (na verdade eu não posso comer pão, sou celíaca, então comi apenas batata frita e meu namorado comeu o sanduíche) e depois fomos para o hotel e terminamos de colocar as coisas no carro, fizemos o check-out e fomos abastecer, o diesel S10 custava R$ 3,597, colocamos 43,03 litros, o que nos custou R$ 154,78 e consumo ficou na casa de 9km/l. Perguntamos se eles vendiam o adesivo de velocidade para colocar no carro, mas ele disseram que só encontraríamos na Argentina mesmo. (Há uma lei na argentina que diz que veículos como camionetes devem ter um adesivo de velocidade de 110km/h refletivo colado na traseira do veículo, se você não tiver pode ser multado ou pior, ser parado pela caminera e ter que pagar uma bela grana para ser liberado).
Seguimos em direção a Puerto Iguazu na Argentina. E para nossa surpresa a Aduana Argentina estava lotada, ficamos mais ou menos 1 hora e meia na fila. Olharam nossos documentos, carimbaram os passaportes, conferiram a carta verde e documento do veículo, perguntaram onde a dona estava (o carro está no nome da minha mãe), olharam a caçamba do carro e perguntaram também qual era o nosso destino final e respondemos: Santiago.
Seguimos na estrada de pista dupla, asfalto bom, sem acostamento e com a sinalização um pouco confusa (os avisos de fim da terceira faixa apareciam somente depois que a faixa já tinha terminado, avisos de retorno e saída da pista só apareciam depois que você tinha perdido a saída, depois de uns dias acostumamos com a sinalização caótica deles
). Paramos no primeiro posto de gasolina e compramos o adesivo refletivo.
Importante ressaltar: somente nesse trecho de Puerto Iguazu até Misiones fomos parados 5 vezes pela polícia caminera 1 vez pela Gendarmeria. Em todas as vezes eles pediram o documento do carro, CNH, carta verde, abaixamos os vidros, colocaram a cabeça dentro do carro para olhar todo mundo, perguntaram de onde estávamos vindo e para onde iríamos e só! Não fomos multados, não tivemos que pagar propina, fomos tratados com educação, nenhum policial foi grosso conosco em todo território argentino.
Adesivo de 110km/h exigido na Argentina para camionetes
Nesse dia passamos por apenas 2 assaltinhos:
Paramos em San Ignácio em Misiones para visitarmos as ruínas jesuíticas.
Como eram as ruínas antigamente
O ingresso que você paga te dá o direito de visitar as outras 3 missões jesuíticas na Argentina (por 15 dias), como não sabíamos disso não nos programamos para visitá-las. Seguimos para o nosso hotel em Posadas. Chegamos por volta das 18:30, estava sol e fazendo bastante calor. O Hotel era 3 estrelas, bem novo, quarto amplo, muito bom! Arruamos nossas coisas e descemos para jantar às 20:00. Experimentamos a especialidade do hotel: wok de vegetables. Excelente pedida!!
Gastos do dia:
27/12/17 - Quarta - Posadas / Santa Fé
Tomamos café às 07:00 da manhã, fizemos check-out do hotel e seguimos em direção a Santa Fé.
Paramos para abastecer em Fachinal, o diesel S10 custava AR$ 25,62, colocamos 39,81 litros, o que nos custou AR$ 1020 e consumo ficou na casa de 9km/l.
Fizemos um pequeno desvio do roteiro original, meu pai queria ir até Uruguaiana, na verdade atravessar a ponte de Paso de los Libres até Uruguaiana e voltar, mas consegui convencê-lo de que iríamos perder muito tempo na imigração, então fomos apenas até a margem do rio Uruguai do lado de Paso de los Libres.
Na outra margem do rio está a cidade de Uruguaiana/BR
Aproveitamos já almoçamos (pedimos uma parrillada familiar) e abastecemos em Paso de los Libres, o diesel S10 custava AR$ 26,48, colocamos 34 litros, o que nos custou AR$ 902 e consumo ficou na casa de 9km/l.
Nesse dia pegamos estradas em dois extremos: mão dupla, cheia de buraco, nenhum posto de gasolina por quase 200km de estrada, 3 postos de polícia caminera (fomos parados em todos), nada em volta da estrada e depois pegamos pista duplicada por uns 100km só de reta, asfalto bom e com acostamento (aí deu para tirar o atraso da pista ruim.)
Passamos por 2 assaltinhos:
Chegamos em Santa Fé às 19:45, lembra que falei lá em cima da sinalização argentina ser muito doida? Pois é, a saída vem antes da placa e nós passamos obviamente. Tivemos que dar uma volta enorme na cidade até conseguirmos achar um retorno e o GPS parar de mandar a gente ficar dando voltas aleatórias na cidade. Fizemos o check-in no hotel, aí veio a primeira surpresa da viagem: o prédio era muito bonito, bem no centro da cidade, a rua da frente era fechada e cheia de lojas, porém os quartos... ah, os quartos... velhos, cama horrível, você afundava nela (eu particularmente detesto colchão mole, mas tava ruim até pro meu namorado que é adepto), o banheiro tinha um cheiro ruim, mas fazer o que?! Tá no inferno, abraça o capeta!
O jantar no hotel era muito caro, então fomos até o McDonalds que ficava umas 3 quadras do hotel. A cidade estava bem movimentada, não ficamos com medo de andar nesse trecho. O McDonalds parecia que tinha sido tomado por todas as crianças de Santa Fé, tava uma bagunça, criança correndo, pai gritando, gente te empurrando, o caos
Voltamos para o hotel e tentamos descansar, mas foi difícil...
Gastos do dia:
Continua...