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Marrocos-16 dias 31-10 a 15-11-2017

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Olá, pessoal que frequenta o site “Mochileiros.com”. Depois de muita enrolação, segue aqui o meu relato de uma viagem de 16 dias pelo Marrocos, a partir da Espanha, de 31 de outubro a 15 de novembro de 2017. Fez parte de uma viagem maior que começou em 30 de agosto e em que percorri Portugal, Suíça, Itália, Londres, Paris, Madri, e que finalizei com o Marrocos. Por sua vez, essa viagem “maior” fez parte de um 2017 semi-sabático e que me trouxe muuuita realização. As informações que obtive neste site nessa e em praticamente todas minhas viagens recentes sempre foram muito relevantes. Então, está aqui minha retribuição. Precisando, é só entrar em contato que tenho o maior prazer em ajudar a esclarecer qualquer dúvida. Vamos lá:

30-10: Da estação Sur de autobus de Madrid (bem próxima ao metrô Mendes Alvaro, uns dois minutos a pé) pra Tânger, no Marrocos (passagem comprada pela Internet da “InterBus” dois dias antes – três trechos, de ônibus entre Madrid/Algeciras, das 22:00 às 6:00, e depois, saindo literalmente ao lado de onde o ônibus anterior te deixa, para o trecho Algeciras/Tarifa, das 7:00 às 7:35 - e travessia do Estreito de Gibraltar, a partir das 8:00, tudo por uns € 65,00 – no detalhamento da passagem, só a travessia do estreito consome € 38,00). O trecho intermediário não estava explícito na passagem, o que me preocupou um pouco, mas deu tudo certo. Detalhe: é bom ficar de olho nesta passagem pra quem pretende fazer esse trecho de ônibus, pois, ao contrário do Brasil, não é tão comum se viajar de ônibus pela Europa, ou seja, as passagens podem se esgotar, a depender do trecho em questão. Então, é bom compra-la o quanto antes. Teria sido possível um preço melhor se tivesse comprado ainda antes, mas tinha dúvidas quanto a permanecer ou não mais dias na Espanha (acabei ficando um pouco mais do que o previsto, pois Madri mereceu, êta cidade incrível).

31-10: Uma dúvida que me consumiu nesta viagem foi quanto ao tempo necessário pra aduana, imaginava que poderia não ser suficiente. Mas, na verdade, a “aduana” Espanha-Marrocos é feita na própria embarcação e até que foi rápido. Me pareceu que a embarcação só parte depois que a aduana encerra seus trabalhos. Ou seja, sem estresse. Chegando a Tânger, consegui uma carona até a rodoviária ao ajudar uma senhora com suas malas. Como teria 16 dias no Marrocos e estava ansioso para chegar em Chefchaouen, abri mão de conhecer Tânger, que me pareceu uma cidade super interessante e de boa infraestrutura urbana, para os padrões de uma país emergente. Fica pra próxima viagem. Por 35 dirhans (a moeda marroquina) o equivalente a três euros, comprei uma passagem pra Chefchaouen. Pra se ter uma base, taxistas se ofereciam pra fazer o trajeto por 60 euros. Cada euro vale 11 dirhans. Façam as contas e vejam de quanto seriam as perdas. Foi uma viagem de pouco mais de 100 km feitos em quase três horas. Mas valeu imensamente pela economia. Além de que, te dá uma noção da realidade marroquina e passa por Tetuão, uma das mais importantes do norte do Marrocos.

Chegando em Chefchaouen, neguei todo o assédio de taxistas e quem mais fosse que oferecia serviços e hotel, pra conseguir chegar sozinho às proximidades da medina (cidade velha), a menos de 1,5 km, e procurar um hotel. Achei o Hotel Zerktouni (bem simples), na Rua Zerktouni, 9 (tel 0539882694). Assim como a maioria dos hotéis locais, alguém sempre fala espanhol ou algo parecido, então dá pra se virar numa boa. 100 dirhans por uma diária. Viva o Marrocos I. Deixei minhas coisas e fui pra medina, a menos de 100 metros do hotel. Pra quem não sabe, medina é o que corresponderia ao centro histórico de uma cidade marroquina, cercado por muralhas. Nela, funcionam mercados, feiras, casas de artesãos, barbearias, mesquitas, lares, restaurantes, ambulantes e todo tipo de comércio tradicional. Geralmente, são muito interessantes e tentadores para “ocidentais”. E bem fáceis de se perder, é sempre bom estar acompanhado por um mapa ou ter algum ponto de referência, como um cartão do hotel ou uma mesquita mais famosa (sempre há inúmeras, pra todo lado). E é um lugar privilegiado para se entrar em contato com o que há de mais tradicional no país, e, ao contrário do que se vê mundo afora, ou seja, muita coisa fake, aqui tudo me pareceu autêntico. Por exemplo, as pessoas vestem o que realmente corresponde aos seus hábitos. Mas é perceptível que, fora da medina, diminui consideravelmente o número de pessoas com indumentária tradicional, e o comércio vende de tudo que se venderia no Brasil, por exemplo.

Andei um pouco ao léu, fiz uma refeição (delicioso tajine de frango ao molho de limão com batatas fritas e suco de laranja natural por 47 dirhans, pouco mais de 4 euros, no restaurante Assaada, bem próximo à porta “Bab El Aín” da medina). Viva o Marrocos II. Quem viaja pra cá vai sempre encontrar essa opção de alimento, que é o Tajine, uma modalidade de preparo, servido quentinho em uma espécie de prato de barro coberto por uma tampa também de barro que conserva o calor por um certo tempo. Tem de vários tipos. Continuei andando pela medina, tirei fotos de casinhas e cenários azuis – o forte de Chefchaouen - e fui parar na mesquita espanhola, como eles chamam uma certa construção já fora da cidade mas bem próximo dela, a uns cinco minutos de caminhada após atravessar a porta Bab Onsar, e o rio Ras El Maa, e indo um pouco além, até alcançar a tal mesquita, pequenina e que nunca chegou a ser usada, que dá pra uma bela vista panorâmica dos arredores. Voltei, me perdi, me reencontrei geograficamente, belisquei “docinhos-mara”, comprei pão caseiro e queijo. Show de bola. Daí você volta pro hotel e dá de cara com gente ali ajoelhada fazendo orações, sem falar das mesquitas que, cinco vezes ao dia, anunciam as preces em alto e bom som. Benvindo ao Marrocos. Obs: Chefchaouen se mostrou um bom lugar para trocar euros por dirhans. Aqui encontrei quem me desse 10,80 dirhans por euro, o que é praticamente a cotação que aparece na net como câmbio oficial. Não sei como seria em Tânger, pois não tive a oportunidade de explorá-la, tão grande era minha vontade de conhecer Chefchaouen.   

OBS: na verdade, depois de 16 dias no Marrocos, verifiquei que as casas de câmbio praticam valores muuuito parecidos, todas nessa faixa.

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Foto: Chefchauen (significa algo como “olhe as montanhas”) vista da “casbá”, ou seja, a parte fortificada da medina. Esta cidade se tornou minha maior paixão no Marrocos. Chama atenção pela maioria das casas adotarem uma coloração azul. A origem disso é incerta, mas parece estar ligado a tradições judaicas, seus primeiros habitantes. Mas há também quem diga que essa cor espanta mosquitos.

01-11: Acordei tarde, me distrai com a internet, mensagens, facebook. Ontem, zanzando por aqui encontrei outro hotel mais barato, mais limpinho e dentro da medina (Hotel Abi Khancha, em frente à mesquita de mesmo nome, Avenue Assaida Alhorra, 57, por 60 dirhans a diária, tel. +212539986879, +212602246223 e +212626878426, rahmouni000@gmail.com) e lá fui eu trocar de hospedagem. Fiquei tão entusiasmado com o dia anterior que resolvi abdicar das trilhas que pretendia fazer nos arredores em prol de mais uma procura pelos melhores ângulos da cidade azul. E valeu a pena, pois ela não decepciona. É única mesmo. Além do entusiasmo com a cidade, incrível, tem o fato de se estar mergulhando na rotina local, com tudo o que ela contém e ainda mais na cidade velha (a medina), com aquele “trupé” de mulas, motos, corredores estreitos, pórticos, pequenas praças e feiras, o colorido dos produtos à venda expostos nos muros e nas lojas, os habitantes locais entrando e saindo das mesquitas (numerosas, em todo lugar tem uma), enfim, a realidade marroquina em gênero, número e grau, com toda sua intensidade em odores, cores e afetos, é notório que esse país não quer que você fique indiferente a ele. Encantador e envolvente. E assim foi o dia, entre mercados de rua com produtos ultracoloridos, comidinhas e bebidinhas curiosas (tipo suco de tâmara, muito doce mas tem lá seu valor gastronômico, por 12 dirhans). Mandei pro papo também um tajine de carne com ovo (30 dirhans) e um cuscuz de carne de cordeiro com legumes (35 dirhans), mais suco de laranja (a laranja daqui tem um “tchan” – 12 dirhans – na Espanha é quase sempre extremamente ácida). No caso do cuscuz, é praticamente o que se come em Pernambuco e diferente do baiano, ou seja, feito com farinha de milho mas comido seco, com a carne e os legumes por cima. Muito bom!   

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Foto: sucessão de construções coloridas na medina, com o onipresente azul. É tudo assim grudadinho uma casa na outra, dando pra corredores estreitos pra circulação (carros não entram). E muitas parreiras nos telhados. Às vezes, formam um verdadeiro túnel com seu emaranhado. Pra quem puder, procurem ficar hospedados dentro da medina para se ter uma noção melhor do que há de mais tradicional por aqui.

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Foto: ruelas estreitas com produtos à venda nos muros.

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Fotos: dois dos recantos mais charmosos da medina em Chefchauen.

 

 

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Muito bom relato,fim de ano irei conhecer se o euro abaixar o valor

Uma dúvida,se viaja com locais no país com qualquer roupa ou somente com trajes islâmicos, ou seja,corpo coberto,como cita outro relato?

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Olá, D Fabiano! Então, o Marrocos é um país bastante tolerante quanto à indumentária, principalmente em relação a estrangeiros. Vi de tudo por ali, até garotas com camisetas cavadas, mangas curtas, blusa de alcinha, e quanto aos homens só não vi gente sem camisa ou de bermudas. Mas entre estrangeiros é comum usar bermuda. Mesmo entre eles, há uma grande parcela que já não usa vestes tradicionais. 

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11-11: Ouarzazate - casbah Taourirt - casbah Tifoultoute - estúdio de cinema - Alto Atlas – Marraqueche. Depois de pernoitar no Dar Rita (Ouarzazate), o destaque nesta volta pra Marraqueche, foi o Atlas Studio (bem próximo a Ouarzazate), onde vários filmes hollywoodianos foram rodados (Gladiador, O Segredo da Múmia, a versão recente de Bem Hur, Noé, Kundun etc.). Muito legal, pois visita-se o que sobrou dos cenários, que se tornam uma fonte de renda (ingresso a 40 dirhans), mas dá pra dizer que tudo é infinitamente menos imponente do que se torna no cinema. Os cenários que representam a “Arábia”, a “China” e o “Egito” estão a cerca de trinta metros ou menos um do outro e parecem meio “toscos”, sem glamour algum. Dizem ali que é bem mais barato para os estúdios se utilizarem desses cenários pré-montados em meio à paisagem local e também dos baixos custos (figurantes baratinhos, além de serem autêntico povo marroquino – árabes, bérberes etc.) e incentivos do governo. Dá pra tirar umas fotos bem legais em tronos, pagodes, “ruínas”. Bem divertido. Depois, retorno a Marraqueche, com pausas para simplesmente avistar as casbahs citadas no roteiro. Ali chegando novamente no bacana Riad Dar El Masa, após o banho, parte do grupo foi almoçar em um restaurante próximo e a outra parte foi comer na praça Jema El Fina, inclusive eu, pois não queria perder de forma alguma mais uma oportunidade de aproveitar a praça e suas não poucas atrações.

Fotos: Atlas Studios, próximo a Ouarzazate

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Foto: Montanhas do Atlas, entre Ouarzazate e Marraqueche

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Foto: Feliz da vida nas barracas de comida da praça Jema El Fina, com parte do grupo que acompanhei ao deserto

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12-11: Assim seria o sexto dia do tour: visita cultural da medina de Marraqueche com guia oficial local falando português. Bom, Além do hotel e do guia ao longo do dia, o roteiro do passeio vinculado ainda ao tour da agência incluía uma caminhada com as seguintes visitas:

- Escola corânica Ben Youssef;

- Museu de Marrakech;

- Souks (mercados) e Praça Jema El Fna;

- Palácio Bahia;

- Bairro Judeu;

- Túmulos Saadianos.

Entretanto, as entradas pros monumentos são por conta de cada turista, e se visitados todos, totalizariam cerca de 10 a 12 €.             

 Mas, de tudo isso, só rolou mesmo o Palácio Bahia (incrível, ainda mais com as informações ultra relevantes do guia - esse é um lugar em que é imprescindível a presença de um) e os mercados ao redor da praça Jema El Fina. Isso porque o foco da maioria do grupo era compras, e o guia direciona as coisas pra isso mesmo, provavelmente beneficiado por comissões. Ou seja, após consulta aos integrantes, constatou-se que a maioria abriria mão da escola, do museu e dos túmulos. Assim, após o palácio Bahia, fomos “conduzidos” a um herbanário (Herboriste Marrakech, número 15, Rue du Domaine, El Mellah) conhecer as propriedades terapêuticas das plantas e produtos marroquinos (não se paga nada pela visita mas acaba se comprando vários produtos, tão boa é a acolhida e tão significativas as informações prestadas, são profissionalíssimos) seguido de uma “visita” ao “Complexe d’Artisanat Bouchaib” (7, Derb Baissi, Rue da La Kasbah), em que se tem uma oferta de praticamente todos os artesanatos encontrados nos “souks” (mercados da medina) a um preço tabelado sem direito a pechinchas ou descontos. É interessante pela grande oferta e boa qualidade dos produtos e também pra quem não domina a arte de pechinchar. Pra quem tem esse dom e um “timing” pra farejar bons preços e boa qualidade, claro que os souks valem mais a pena. Eu, que sofro de ansiedade e me deixo levar pelas emoções, preferi a primeira opção. Depois, fomos ao bairro judeu e ao seu “soukh”, seguido de um passeio pela praça J’ma el Fna (lê-se “Jemalfina”, com “mal” como sílaba tônica), onde estão os “encantadores de serpente”, surreal. As najas (ou algo parecido) eriçadas pela vibração do oboé é qualquer coisa de louco. Fico imaginando que é uma “atividade” fadada à extinção pois em algum momento preponderarão os questionamentos sobre tortura aos animais e essa atividade será proibida. Não dá pra imaginar que os numerosos macacos, cobras e cavalos tem ali tratamento digno, ainda mais sob o sol escaldante ou o stress provocado pela movimentação de passantes e curiosos. Dizem que as cobras são sedadas e têm as presas retiradas para evitar acidentes.

Enfim, Marraqueche é um destino obrigatório, seja pela incrível praça que é também um microcosmo de todo Marrocos, como também por toda cidade, inclusive fora da medina, com sua cor roxo-terra característica, onipresente, e seus numerosos jardins, que acabei não visitando minuciosamente, mas avistei nos meus deslocamentos.   

Foto: detalhes encantadores do Palácio Bahia (visita obrigatória em que recomendo um guia pra decifrar tantas e tão interessantes informações, tudo ali tem múltiplos significados, foi incrível)

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Foto: mercado (soukh) nos arredores da Praça Jema El Fna (destaque para as especiarias e ao artesanato)

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À noite, comemorando o fim do tour, parte do grupo foi ao restaurante Pepe Nero (Derb Cherkaoui, 17), bem próximo (5 minutos a pé) do Hotel (Riad Dar El Masa). Muitíssimo bom e proporcionalmente caro (para os meus modestos padrões), além de super agradável. Se não me engano deixei ali uns 40 euros pela entrada, um suco e um prato de cordeiro com ervas (miudinho), uma fortuna para os padrões marroquinos, mas foi sugestão do grupo e uma boa causa (praticamente uma despedida, cada um seguiria um rumo diferente no dia seguinte).

Foto: ruas da cidade velha (medina) e o minarete de uma mesquita em Marraqueche

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Foto: minarete da mesquita Koutoubia, em Marraqueche

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13-11: Com o check out no hotel se encerrou a responsabilidade da agência que organizou o tour. Despedi-me dos participantes, alguns pegariam voo já de manhãzinha e outros continuariam um outro passeio pelas “cidades imperiais” e Chefchauen; ensaiei um bate-volta pra Essaouira mas resolvi ficar por Marraqueche mesmo, principalmente pra comprar lembrancinhas pra família e pros “parças” e, quem sabe, conhecer mais alguma coisa. Muita enrolação e dúvida sobre presentinhos depois e resolvi abolir o passeio, almoçar, ir pra estação de trem e dali pra Casablanca onde meu voo para o Brasil sairia dia 15, encerrando quase três meses de viagens. Amanhã, se for possível, vou a Essaouira de Casablanca. Caso contrário, paciência. Despesas: 50 dirhans de taxi até a estação de trem “Gare de Marrakeche” (caro, mas muitíssimo mais barato do que os 150 dirhans que o primeiro taxista abordado pediu). Passagem até Casablanca (estação Casa Voyageurs): 148 dirhans em primeira classe (quase que acabei preferindo a segunda classe, já que lá os assentos são de dois em dois, como os ônibus no Brasil, e, aqui, são como cabines para até oito pessoas, quatro de um lado e quatro do outro, umas de frente para as outras – às vezes é um pouco constrangedor principalmente quando os demais passageiros são mulheres conservadoras nada dispostas a interagir com estranhos pelas longas quatro horas de viagem).

Chegando em Casablanca (estação Voyageurs), fui para um hotel sugerido pelo taxista (20 dirhans de taxi), o Hotel Majestic (700 dirhans por duas diárias), na rua Boulevar de Paris, lindão, anos 30 (como quase tudo no centro de Casablanca), quarto imenso com duas camas, ar condicionado, frigobar, banheiro com banheira, mas já meio velhinho, precisando de umas reformas e um carinho maior com a limpeza, mas perfeito pra mim e mega bem localizado (estranhamente, no cartão do hotel, consta Avenida Lalla Yacout, 57, e não Boulevard de Paris. Mas ali também consta os telefones: 212 522 31 09 51 e 522 30 90 12, e email majestichotelcasa@gmail.com e site www.majestic-casablanca.com, pra quem se interessar. Além de que, frequentado por gente de toda África, pelo que pude perceber, com roupas curiosas, algumas muito coloridas, modelos exuberantes cheios de babados e os homens com turbantes. Surreal. Tudo gente boa, meio tímidos a um primeiro contato, mas depois super bem humorados, principalmente o pessoal da África Subsaariana, conforme situações foram surgindo no elevador, no café da manhã e nos demais espaços compartilhados.

Dali, fui até ao escritório da CTM, empresa de ônibus, pra comprar uma possível passagem pra Essaouira pro dia seguinte. A Distância de Casablanca a Essaouira é quase a mesma de Marrakeche, pois é como se formassem os vértices de um triângulo equilátero. Mas, enquanto de Marrakeche a viagem dura 2 horas, indo de Casablanca, pelo litoral, dura 6 horas (são inúmeras paradas ao longo do caminho). Enfim, desisti. E não podia ter sido melhor, pois fiquei em Casablanca, o que se mostrou muito acertado. E Essaouira fica pruma próxima, pois sou desses que voltam quando gosta muito de um determinado destino.      

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14-11: Muita gente não vê graça em Casablanca. Claro, é uma questão de gosto. E acho que a maioria vem cheio de expectativas para o passeio no deserto ou às mais tradicionais “cidades imperiais” (Rabat, Fez, Méknes, Marraqueche...). Particularmente, apesar de serem cidades diferentíssimas, depois de Chefchaouen (desses lugares em que passaria semanas, se possível), foi o lugar que mais gostei no Marrocos. Muito mesmo. E o que fiz ali de tão incrível assim? Quando comecei esta longa viagem, passei um dia em Casablanca pra baratear a passagem pra Lisboa, bem mais em conta com essa parada. Isso serviu também pra me testar e saber se conseguiria me virar sozinho ou se teria que depender de agência pros passeios no Marrocos (e a resposta pra essa pergunta é que não é necessário, dá pra se virar sozinho). Fiquei no hotel Íbis, ao lado da estação de trem Casa Port (750 dirhans, com café da manhã, uma fortuna para os padrões marroquinos). Naquele dia (31 de agosto), só deu pra dar uma voltinha pelas redondezas da estação de trem Casa Port e uma ida à mesquita Hassan II. Tinha gostado tanto da mesquita (há visitas guiadas ali, a única no Marrocos em que um não muçulmano pode entrar) que pretendia voltar a ela e conhecer o seu interior, coisa que naquele momento não tinha sido possível (fui tarde demais, já estava fechada). Assim, nesse dia 14 de novembro, depois de uma visita à medina local (pequenina) optei por fazer o tour a pé sugerido pelo guia impresso do Lonely Planet pra focar na arquitetura em Art Déco tão presente no centro de Casablanca, e no dia seguinte ir à mesquita pela manhã.

Foto: aspecto da arquitetura predominante no centro de Casablanca

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É como se fosse o centro velho de São Paulo, mas com a diferença de que está bem conservado e vibrante, ruas cheias, cafés e restaurantes aos montes, em compasso de cidade grande, e gente de vários cantos da África, nota-se a grande variedade de trajes e tipos humanos. Adorei com intensidade máxima. Fiz o tour, contemplei e fotografei os prédios mais significativos, as avenidas repletas de palmeiras, a praça das Nações Unidas com sua fonte “dançante”, as demais praças (algumas em restauração), fui à medina (infinitamente menor do que a de Fez ou a de Marraqueche), à igreja do Sagrado Coração (também sendo restaurada) e terminei o passeio na minha cereja do bolo, no Gauthier Bain Turc. No caso, um “banho turco” só pra homens. Combinei uma massagem e um banho. Você paga 50 dirhans de entrada, 100 dirhans por uma massagem incrível de meia hora (também tinha de uma hora por 180 dirhans; se soubesse que era tão boa teria optado por ela, mas era um teste, então... fica pra uma próxima viagem), mais 35 por um roupão ou uma toalha, a escolher.

A massagem é igual às nossas, uma massagem relaxante. Mas bem boa mesmo. No banho, é um cara que te lava, literalmente. Eles te põe numa espécie de cama de pedra, te ensaboam, te lavam e finalizam com uma ducha, como se você fosse uma espécie de carro e eles o lava-jato. Surreal e bem legal. O processo todo, incluindo todo esforço pra dizer o que queria e entender os preços pra não dar mancada (depois, um dos caras encontrou uma tabela em francês que eu traduzia com o aplicativo de idiomas), durou uma hora e meia e valeu muuuito a pena. E tudo foi muito engraçado. O banho turco encontra-se numa área nobre da cidade e vale muitíssimo a pena dar uma zanzada por ali, apreciar os passeios públicos (numerosos) e a arborização com palmeiras (me impressionou bastante).

Fotos: Avenidas de Casablanca, ladeadas por palmeiras

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Ou seja, um dia incrível que potencializou minha admiração por Casablanca. Mas me absorveu tanto por ali que não deu tempo de chegar até a mesquita (o banho se encerrou lá pelas 19:00), que ficou pra manhã do dia seguinte (meu voo pro Brasil sairia às 15:10). Pra melhorar ainda mais, chegando nas redondezas do hotel, resolvi que jantaria num restaurante bem legalzão, fugindo da proposta econômica. Das várias boas opções por perto, escolhi o “Oukaimeden Restaurant” (21, Boulevard 11 Janvier - tel. 0522 480490, uma quadra e meia do hotel – oukaimeden.restaurant@gmail.com). Tudo incrível (sem contar que você está feliz demais, tudo se torna mágico). Veio cesta de pães de entrada com patês, depois uma sopa “Royale” acompanhada por torradas, e um “filet de Boeuf” com champignons, além do suco de laranja, que eu vou te falar, hein! Divino, maravilhoso, chave de ouro. Tudo por 133 dirhans (uns 40 e poucos reais). Foi gorjeta gorda pro garçom, elogios rasgados pra todo mundo (cozinheiro, garçom, até o povo marroquino entrou no discurso). Isso é a felicidade!

Foto: artesanato à venda na medina de Casablanca

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  • 1 mês depois...
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Como é andar de ônibus no país sem falar francês?

É verdade que mala é cobrada de forma diferente cada?Como é?

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Olá, D FABIANO! Então, paguei 5 dirhans (uns 2,50 reais) pela mala, que é sempre cobrada à parte ao se deslocar de ônibus. Fiz dois trechos com ônibus: Tânger-Chefchaouen e Chefchaouen-Fez. Em Tânger quase todo mundo entende espanhol (é muto próximo da Espanha) e em Chefchaouen me comuniquei em inglês, numa boa. Nos demais trechos, usei trem (comunicando-me em inglês, tanto nos guichês quanto com os conferentes nos vagôes) e durante sete dias com uma van em um  tour, com todo o pessoal falando português e o guia espanhol. Comigo foi tudo muito tranquilo, o povo marroquino é muito solícito, dá pra se virar muito bem. E todos os taxistas também falam algum outro idioma ou sabem ao menos o básico de inglês e espanhol, além do francês e árabe. Mas, neste caso, vale a pena só pegar táxi com taxímetro ou você sai no prejuízo. Assim, mesmo que ele não fale seu idioma, o preço será em dirhans e estará registrado. 

  • 4 meses depois...
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15-11: Cansadíssimo de toda atividade acumulada até aqui mas muito feliz mesmo, dormi até mais tarde do que o previsto e só fui chegar na mesquita Hassan II (é a maior do Marrocos, terceira maior do mundo, porém a mais alta) às 10:30 da manhã (10 dirhans de taxi, só aceitei veículo com taxímetro; fiquem de olho nisso), perdendo os dois primeiros passeios guiados (iniciaram-se às 9:00 e às 10:00) de uma hora de duração. Pra esperar o próximo, corria o risco de chegar ao hotel depois do horário do check out e até de ir pro aeroporto muito tarde, então, infelizmente, cancelei a visita ao interior da mesquita (seriam 120 dirhans), tirei umas fotos na parte externa (linda e imponente) e lá fui eu me arrumar, fazer o check out no hotel e pegar o trem pro aeroporto (43 dirhans na estação Casa Port, que fica uns dez minutos do hotel a pé, levando o trem quase uma hora pra fazer o percurso até o aeroporto). A passagem de volta para o Brasil, juntamente com a que me trouxe até o Marrocos mais um trecho entre Casablanca e Lisboa, saiu por R$ 2.600, isso comprando no final de março pela Decolar – saída às 15:10 e chegada em São Paulo às 22:40, pela Royal Air Maroc, no que foi o melhor avião que eu utilizei na minha vida. Confesso, meus amigos, que nesse ir embora bateu uma emoção tão grande que eu chorei ali mesmo, no trem, feliz demais com tudo o que o passeio proporcionou, pelas pessoas que conheci, situações vividas, nenhum imprevisto negativo lamentável, apenas perrenguinhos bobos aqui e acolá. Se tiverem a oportunidade, priorizem o Marrocos em suas viagens, é outro universo, rico em cultura, aventura, natureza, cores, sons, afetos, sabores e sabe-se lá o que mais que eu não me lembro agora. E interajam com os locais, não é um ou outro pretenso aproveitador de turistas indefesos (ou não) que vai estragar sua viagem.

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Mesquita Hassan II

E, de tudo o que vivi no Marrocos, vale ressaltar:

1 - Esquisito isso de qualificar um povo, sempre se acaba generalizando coisas impossíveis de se generalizar, mas é uma tentação a qual não resisto ao falar sobre o povo marroquino. Estar num país recentemente independente e pobre e em que sua maior preocupação é a de tomar cuidado com eventuais espertalhões pseudo-guias que vão no máximo levar alguns trocados que não te farão nenhuma falta, é realmente incrível principalmente para um brasileiro acostumado a tanta pilantragem em solo pátrio. Simpáticos e solícitos, espero que todos que viagem pra lá possam usufruir de momentos em que esse contato seja possível e, assim, poder desfrutar do que eu entendi como o maior encanto desse lugar, com o "plus" de ser uma cultura diferenciada em que cada movimento é uma aula de geografia, de história, de vida. 

2 - Chefchauen: como não gostar de uma imersão no azul? Melhor destino, melhor medina (a cidade antiga, amuralhada), melhor custo (bem mais barata que as demais), mais simpática, natureza exuberante ao redor. É isso aí, "pegou" fortemente em mim. 

3 - O passeio ao Saara: principalmente pela oportunidade de, a cruzar o país de oeste a leste, ter a oportunidade dessa imersão no Marrocos profundo, as paisagens com os palmeirais, as casbás (fortificações antigas), as feiras e os feirantes, as cidades, os artesãos, o povo, as montanhas do Atlas e, enfim, o deserto. Muitos elementos enriquecedores de qualquer viagem.

4 - Casablanca: Adorei demais. Apesar do desinteresse da maioria por ela, eu tinha lá alguma expectativa sobre como seria uma metrópole árabe sem a ostentação das primas ricas do Oriente Médio (tipo Dubai). Assim, apesar de sua periferia empobrecida ter se tornado uma imagem-síntese das contradições marroquinas, seu para mim inusitado "centro anos 20, 30", suas avenidas ornadas com palmeiras, o "banho turco", a imponência da mesquita Hassan II, enfim, seu conjunto me conquistou.

5 - As medinas de Fez e Marraqueche, provavelmente lugares não tão diferentes do que foram a seculos atrás. Assim, mais história, mais geografia, mais vida inusitada em pleno século XXI, não muito afeito a tradições. E dá-lhe encantadores de serpente, artistas de rua, gastronomia, muvuca, aperto em ruelas, becos, confusão, cores, aromas, burricos transportando fardos de coca-cola: um caleidoscópio irresistível e dinâmico que me marcou e deixou saudades. Fim.

 

 

 

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Não sabia que tem visitação turística a Mesquita .

Não há necessidade de ser islâmico para entrar?Como se comportar lá?

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