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Leia aqui o relato original com fotos!¬†ūüď∑

 

Porto Covo é uma pequena vila do litoral alentejano na linha da magnífica Costa Vicentina, a menos de 2h de carro de Lisboa, no conselho de Sines. Um combo de cidadezinha charmosa com paisagens naturais incríveis!

A cidade em si é bem pequena, são basicamente umas três ruas principais e uma praça central. No verão, turistas e portugueses enchem as esplanadas dos cafés e restaurantes e as lojinhas praianas. As encantadoras casas típicas alentejanas, brancas com detalhes azuis, e a igrejinha no Largo Marquês de Pombal dão aquele ar aconchegante de interior.

Ficamos acampados no¬†Camping do Vizir, que √© bem pertinho do centro e tem uma super infra estrutura! Pra quem n√£o quiser ficar em barraca, h√° outras op√ß√Ķes como os bungalows. Os valores para campismo s√£o bem simp√°ticos e o lugar √© pet friendly!

Para comer indico o restaurante Taska do Xico, bem no centro. Ficamos na área externa por causa do Banoffe, mas há uma varanda interna com uma vista linda (e provavelmente bem disputada, talvez seja melhor reservar)! Provamos a feijoada de choco, deliciosa e bem temperada! Os preços são bem justos, especialmente se comparado à outros restaurantes da cidade.

Para o cafézinho vale conhecer a Gelataria e Cafetaria Marquês, bem ao lado da igreja. A área externa é agradável pra ficar vendo a vida passar, mas a decoração do lugar também é um charme! A especialidade doce da casa é o pastel de laranja, amêndoa e gila (um tipo de abóbora).

Muitas das praias são acessíveis a pé, entre elas a famosa Praia Grande. O nome talvez não seja o mais adequado, já que a extensão dela não é assim tão grande (o que eu particularmente prefiro), mas por ser uma das mais procuradas, é uma das praias que tem mais infra estrutura e consequentemente, que ficam mais cheias.

As praias vizinhas, delineadas pela encosta de falésias, são mais vazias e poéticas. Para ir de uma a outra há um caminho simples e plano, com paisagens que vão ficando mais lindas a cada quilometro percorrido por entre campos de suculentas e flores exóticas.

O acesso até as praias é feito através de escadinhas nas encostas. Só não se anime muito, apesar de lindas, o mar de azul profundo é gelado como a grande maioria das praias da costa portuguesa! Pode ser que a melhor pedida seja mesmo ficar pela areia.

No fim do dia escolha um cantinho bem em frente ao mar pra admirar o p√īr do sol perfeito!

Estar de carro (ou bicicleta) facilita no acesso à outras praias mais distantes, como a Praia da Ilha do Pessegueiro. A estradinha de acesso já revela ao longe a ilha que dá nome à praia. Não cheguei a conhecê-la mas durante o verão há travessias de barco até lá.

Achei a paisagem bem impactante! Meio¬†Irlanda, meio Star Wars!¬†‚̧ԳŹ

Se tiver mais de um dia, vale a pena esticar mais meia hora at√©¬†Vila Nova de Milfontes. O vilarejo √© t√£o fofo quanto¬†Porto Covo, mas as paisagens s√£o um pouco diferentes. A cidade √© banhada pelo¬†Rio Mira, que proporciona um pedacinho de √°guas l√≠mpidas e calmas ao p√© do Forte de S√£o Clemente. Do outro lado do rio, a Praia das Furnas se estende at√© a abertura para o Oceano Atl√Ęntico. Um bom lugar para ver tudo isso do alto √© a rotat√≥ria do Farol de Milfontes, onde tamb√©m fica a est√°tua do Arcanjo.

De lá se tem acesso a algumas praias mais voltadas para o lado do rio, mas fomos atraídos por um campo de flores no lado oposto, digno de fundo de tela do Windows, e acabamos descobrindo a Praia do Carreiro das Fazendas. Linda, enorme e vazia!

Essa é uma sugestão de roteiro para 2 dias pelas praias alentejanas, mas se tiver mais tempo, certamente vale a pena percorrer com mais calma a Costa Vicentina!

 

Leia aqui o relato original com fotos!¬†ūüď∑

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    • Por fernandobalm
      Considera√ß√Ķes Gerais:
      N√£o pretendo aqui fazer um relato detalhado, mas apenas descrever a viagem com as informa√ß√Ķes que considerar mais relevantes para quem pretende fazer um roteiro semelhante, principalmente o trajeto, pre√ßos, hot√©is, meios de transporte e informa√ß√Ķes adicionais que eu achar relevantes.
      Nesta √©poca eu ainda n√£o registrava detalhadamente as informa√ß√Ķes, ent√£o pre√ßos muitas vezes v√£o ser estimativas e albergues, hot√©is e meios de transporte poder√£o n√£o ter informa√ß√Ķes detalhadas, mas procurarei citar as informa√ß√Ķes de que eu lembrar para tentar dar a melhor ideia poss√≠vel a quem desejar repetir o trajeto e ter uma base para pesquisar detalhes.
      Sobre os locais a visitar, só vou citar os de que mais gostei ou que estiverem fora dos roteiros tradicionais. Os outros pode-se ver facilmente nos roteiros disponíveis. Os meus itens preferidos geralmente relacionam-se à Natureza e à Espiritualidade.
      Informa√ß√Ķes Gerais:
      Meu objetivo era fazer uma peregrina√ß√£o. Por isso procurei ficar em albergues associados √† peregrina√ß√£o durante o caminho. Mas aproveitei tamb√©m para conhecer Madrid e algumas cidades de Portugal. Obtive a credencial de peregrino e muitas informa√ß√Ķes na Associa√ß√£o de Confrades e Amigos do Caminho de Santiago (https://www.santiago.org.br). N√£o me preocupei com conforto nem com luxo.
      Minhas paradas foram mais ou menos as seguintes com as respectivas dist√Ęncias caminhadas, salvo algum esquecimento (n√£o tenho mais a credencial para confirmar, doei-a para a Associa√ß√£o de Amigos do Caminho):
      4.a 28/3: Saint-Jean-Pied-de-Port a Roncesvalles - 30 km
      5.a 29/3: Roncesvalles a Villava - 30 km
      6.a 30/3: Villava a Pamplona - 4 km
      S√°b 31/3: Pamplona a Cirauqui - 30 km
      Dom 01/4: Cirauqui a Los Arcos - 32 km
      2.a 02/4: Los Arcos a Torres del Rio - 14 km
      3.a 03/4: Torres del Rio a Logro√Īo - 18 km
      4.a 04/4: Logro√Īo a N√°jera - 27 km
      5.a 05/4: N√°jera a Redecilla del Camino - 30 km
      6.a 06/4: Redecilla del Camino a San Juan de Ortega - 35 km
      S√°b 07/4: San Juan de Ortega a Burgos - 23 km
      Dom 08/4: Burgos a Tardajos - 11 km
      2.a 09/4: Tardajos a Castrojeriz - 30 km
      3.a 10/4: Castrojeriz a Carrion de los Condes - 45 km
      4.a 11/4: Carrion de los Condes a Sahagun - 38 km
      5.a 12/4: Sahagun a Mansilla de las Mulas - 36 km
      6.a 13/4: Mansilla de las Mulas a Leon - 18 km
      S√°b 14/4: Leon a Villadangos del P√°ramo (?) - 20 km
      Dom 15/4: Villadangos del P√°ramo (?) a El Ganso - 39 km
      2.a 16/4: El Ganso a Molinaseca - 32 km
      3.a 17/4: Molinaseca a VillaFranca del Bierzo - 27 km
      4.a 18/4: VillaFranca del Bierzo a Alto de Polo - 36 km
      5.a 19/4: Alto de Polo a Sarria - 31 km
      6.a 20/4: Sarria a Ligonde - 36 km
      S√°b 21/4: Ligonde a Arz√ļa - 37 km
      Dom 22/4: Arz√ļa a Monte do Gozo - 33 km
      2.a 23/4: Monte do Gozo a Compostela - 5 km
      Eu n√£o sou crist√£o. Meu objetivo n√£o era a institui√ß√£o Igreja, mas sim a viv√™ncia espiritual que transcende as institui√ß√Ķes religiosas e remonta √† Natureza mais profunda do Universo.
      A rota que escolhi foi o Caminho Francês, saindo de Saint-Jean-Pied-de-Port. São cerca de 800 Km.
      Foi muito f√°cil achar informa√ß√Ķes sobre esta peregrina√ß√£o. Ela √© muito conhecida e h√° muitos brasileiros que a fazem. Pode-se encontrar informa√ß√Ķes em https://www.santiago.org.br, https://www.eurodicas.com.br/caminho-de-santiago-de-compostela, http://www.caminhodesantiago.com.br e http://www.melhoresdestinos.com.br/caminho-de-santiago-roteiro-dicas.html. Para hospedagem veja:
      http://caminodesantiago.consumer.es/albergues/#camino-frances
      Em Madrid e Portugal obtive mapas e roteiros turísticos gratuitos das cidades .
      Durante o Caminho geralmente fui muito bem tratado e muita gente, incluindo agricultores, ofereceu gratuitamente ou a preços reduzidíssimos alimentos, como maças e outros produtos, que em geral recusei, procurando não ofender os ofertantes, para deixá-los para quem estivesse em dificuldades. Foram raras as pessoas rudes durante o Caminho.
      A sinaliza√ß√£o pareceu-me muito boa. Em rar√≠ssimas ocasi√Ķes fiquei em d√ļvida devido √† falta de sinaliza√ß√£o. Al√©m disso, quase todos conheciam o Caminho e estavam quase sempre dispostos a auxiliar¬†.
      Houve alguns trechos em que a peregrinação seguia por rodovias, o que fez com que fosse necessário ficar bastante atento para evitar acidentes.
      Houve muitos atrativos naturais, culturais, hist√≥ricos e religiosos ao longo do caminho, como rios, parques, bosques, montanhas, igrejas, santu√°rios, constru√ß√Ķes antigas (da Idade M√©dia e da Idade Moderna principalmente), centros culturais, itens da cultura local, etc.¬†
      Achei que as igrejas, apesar de espetaculares, geralmente tinham um astral carregado, com muitas imagens com aspecto de sofrimento. Em conversa com um padre sobre o assunto, ele me disse que isso se devia a serem de uma época em que houve muitas dificuldades, pestes, doenças, guerras, etc, que as pessoas pensavam serem castigos de Deus. Havia muitas igrejas e santuários enormes, com muitos ornamentos, em localidades pequenas. Em muitas havia símbolos do poder do Estado, provavelmente das idades medieval e moderna.
      A maioria absoluta das minhas refei√ß√Ķes foram feitas com compras de supermercado, padaria ou similares. Pizza, p√£o, queijo, vegetais, frutas e eventualmente algum doce (eu sou vegetariano). Raras vezes fui a restaurantes ou pedi o menu do peregrino.
      Achar água potável ao longo da peregrinação foi razoavelmente fácil em alguns poucos trechos. Havia fontes que as pessoas disseram ser confiáveis e de que bebi.
      Minha mochila estava razoavelmente leve. Cerca de 7 kg, mas às vezes ficava mais pesada devido a comida e água que eu carregava.
      Em algumas vezes houve chuva e nos primeiros dias houve neve ‚ĚĄÔłŹ. Estas estiverem entre as situa√ß√Ķes mais dif√≠ceis durante o trajeto.¬†ūüėü
      Havia muita gente fazendo o Caminho. Encontrar peregrinos era muito fácil e era possível estar em grupo todo o tempo se fosse desejado.
      Algo que me surpreendeu foi a quantidade de cruzes e respectivas dedicat√≥rias devido a pessoas que aparentemente morreram fazendo o caminho. E algumas delas ficavam em locais tranquilos, em que era dif√≠cil imaginar algum acidente ou cataclisma. Mas nunca se sabe o que pode acontecer, ainda mais considerando as diferentes condi√ß√Ķes de sa√ļde dos peregrinos e o imponder√°vel.
      Achei as espanholas lindas. Várias vezes fiquei admirando sua beleza. Acho que é meu padrão favorito de beleza.
      A circulação entre Espanha, França e Portugal foi livre, sem nenhuma checagem de documentos.
      Não tive nenhum problema de segurança durante o Caminho nem em Madrid nem em Portugal. Porém a Cidade do Porto e Lisboa pareceram-me não ter a mesma tranquilidade de segurança do que as outras.
      A Viagem:
      Minha viagem foi de SP (Guarulhos) a Madrid em 18/3/2007. A volta foi de Madrid a SP (Guarulhos) em 4/5/2007. Na ida e na volta fiz conexão em Buenos Aires. Os voos foram pela Aerolíneas Argentinas (https://www.aerolineas.com.ar/pt-br) A passagem de ida e volta custou aproximadamente US$ 995.00, incluindo todas as taxas.
      Brasileiros n√£o precisavam de visto para entrar na zona Schengen, que inclui a Espanha, a Fran√ßa e Portugal. Era necess√°rio um seguro de sa√ļde, mas a Associa√ß√£o dos Amigos do Caminho me disse que bastava um documento do Minist√©rio da Sa√ļde dizendo que eu era coberto pelo SUS, pois existia acordo de reciprocidade de atendimento entre Brasil e Espanha. E foi o que eu levei, obtido no escrit√≥rio do Minist√©rio em SP. Por√©m o agente da imigra√ß√£o n√£o me pediu nada al√©m do passaporte, perguntou o que eu iria fazer, e quando respondi que pretendia fazer o Caminho de Santiago, disse que n√£o era perigoso, era divertido, prontamente carimbou meu passaporte e autorizou a entrada sem nenhum problema .
      Cheguei em Madrid na 2.a feira 19/3. Minha bagagem n√£o havia chegado . Perguntei aos funcion√°rios do aeroporto e disseram que talvez chegasse mais tarde, pois poderia estar havendo algum tipo de opera√ß√£o contra terrorismo isl√Ęmico. Disseram para que eu deixasse o endere√ßo e telefone que levariam l√°, caso chegasse. Mas eu n√£o sabia em que hotel iria ficar e n√£o tinha telefone. Ent√£o disseram-me para voltar mais tarde para ver se havia chegado, que foi o que eu fiz.
      Passei no escrit√≥rio de turismo do metr√ī, que era integrado ao aeroporto e peguei mapa e roteiros tur√≠sticos a fazer na cidade, al√©m de sugest√Ķes de hospedagens baratas. Depois de muito procurar op√ß√Ķes, fiquei hospedado no albergue da juventude (provavelmente era o da Calle Mejia Lequerica, 21). Depois de tudo ajeitado, voltei ao aeroporto, j√° no fim da tarde, e a minha mochila estava l√°.
      Fiquei num quarto coletivo com um dançarino argentino, um japonês, franceses e outros, que foram mudando ao longo da minha estadia.
      Gostei muito de Madrid¬†. Para as atra√ß√Ķes veja https://www.esmadrid.com/pt, https://www.tudosobremadrid.com, https://www.spain.info/pt_BR/que-quieres/ciudades-pueblos/grandes-ciudades/madrid.html e https://www.lonelyplanet.com/spain/madrid. Os pontos de que mais gostei foram os parques, pra√ßas, monumentos (eram muitos, mas as Cibeles agradaram-me especialmente), os pal√°cios p√ļblicos, os museus (principalmente Reina Sofia e Prado, com destaque para a sequ√™ncia de Guernica), as igrejas, as vias arborizadas (como Paseo de Recoletos e Paseo del Prado) e a Gran Via.¬†
      Procurei conhecer todos os locais a p√©. Segui v√°rios dos roteiros que havia ganho no escrit√≥rio de turismo. Eles me pareceram muito √ļteis e bem apropriados, pois tinham muitas atra√ß√Ķes pr√≥ximas, indicando¬†ainda algumas opcionais, al√©m das que eu descobri por mim mesmo. A popula√ß√£o em geral foi muito gentil dando informa√ß√Ķes sobre os locais .
      Em uma ocasião um homem de uns 60 anos me falou para falar para o Ronaldo (jogador, acho que na época no Real) que eu tinha ido visitar o urso e o madronho. Fiquei quase um dia todo conhecendo a Gran Via. Os palácios e as igrejas pareceram-me grandiosos. Achei muito bela a estação de Atocha, onde haviam ocorrido os atentados. Gostei dos parques e praças, especialmente a Praça de Espanha e o Retiro, um dos poucos locais em que fiquei com alguma preocupação referente à segurança. Em cada um dos museus Prado e Reina Sofia também fiquei quase o dia todo. Fui no final de semana, em que eram gratuitos. As alamedas próximas a eles pareceram-me locais muito agradáveis para se caminhar. De um modo geral achei a cidade bonita, muito bem organizada e limpa. Os monumentos eram limpos, sem estarem pichados e bem conservados. No sábado à noite achei que havia esquecido meus chinelos no albergue da juventude e fui a pé até ele. Voltei mais de 11 horas da noite e a cidade parecia tranquila, sem a menor preocupação com segurança.
      No in√≠cio estava frio , chegando at√© a nevar um pouco numa tarde. Como consequ√™ncia, como eu n√£o protegi adequadamente o rosto, minha face, e especialmente minha boca, ficaram queimadas de frio ūü§ē.
      Precisei trocar de hospedagem na 6.a feira ou sábado porque não renovei minha estadia a tempo e o hostel era muito concorrido. Fui para a Pousada Sudamericana, que uma atendente me informou num guichê. Lá conheci brasileiros e italianas. Paguei US$ 40.61 pelas duas diárias.
      Fui muito bem tratado no geral. Os √ļnicos locais em que me lembro de ter sido mal tratado foram a Igreja de San Isidro e um mercado de chineses.
      No final de semana tive um pouco de dificuldade de encontrar locais abertos para fazer compras de alimentos. Tive que recorrer a mercados de chineses, que n√£o gostaram de eu pegar os produtos para ler detalhes das embalagens.
      Fiz a maioria das refei√ß√Ķes com compras de supermercados e comprei um garraf√£o de √°gua que foi suficiente para uma semana. Procurei usar o supermercado Lidl (https://www.lidl.es), que o argentino me sugeriu como tendo melhores pre√ßos. Perto do fim conheci um restaurante vegetariano muito barato chamado Maoz, perto da Pra√ßa Maior (http://maoz.com.br), mas que acho que fechou.
      Conheci v√°rios brasileiros, alguns l√° legalmente e outros n√£o. Um pintor, que estava l√° como ilegal, falou-me que estava muito sofrido e n√£o estava compensando. Ganhava 1.300 euros por m√™s e achava que n√£o valia a pena a dist√Ęncia da fam√≠lia e o que estava conseguindo enviar ao Brasil. Outra ocasi√£o em que andava pela rua encontrei um brasileiro que estava vindo de Portugal para tentar emprego. Nos albergues havia uma jogadora¬†de futebol do Brasil e outra¬†brasileira que riu de eu ter queimado o rosto de frio.¬†
      Fiquei em Madrid uma semana. Na 2.a feira 26/3 de manh√£ peguei um √īnibus para Pamplona da Continental Auto por US$ 33.31 e de l√° outro para Roncesvalles por US$ 6.11 da Autobuses Arieda (http://www.autocaresartieda.com), ambos pagos com cart√£o de cr√©dito. Na viagem conheci a mineira Patr√≠cia que morava em Estella, namorava um espanhol e estava um pouco triste, pois n√£o poderia ter sua profiss√£o reconhecida legalmente l√° e o namorado n√£o poderia ter a profiss√£o dele reconhecida no Brasil. Espero que tenham conseguido ficar juntos.
      Cheguei a Roncesvalles no fim da tarde. O chão estava coberto de neve e o clima era bem mais frio . Fiz os procedimentos para me hospedar no albergue e fui dar uma pequena volta nas redondezas e também conhecer a igreja. Fiquei um pouco assustado com a quantidade de neve e o clima. À noite jantei junto com outros peregrinos comendo o menu do peregrino, que era um prato de entrada, um principal (macarrão) e pães para acompanhar. Acho que tinha uma garrafa de vinho também. Já no quarto conversei com os peregrinos que estavam iniciando o caminho e um que já vinha de outras etapas. O espanhol que já vinha de outras estava de bicicleta e falou sobre caminhos que não eram pela estrada, mas não era o Caminho de Napoleão (que foi a rota usada pelo exército Francês para invadir a Espanha no início do século 19, contexto que provocou a vinda da família real para o Brasil). Todos comentaram que o Caminho de Napoleão poderia ser perigoso, devido à neve. O espanhol falou também de um albergue 24 h em León e que na França havia albergues privados. Eles me sugeriram não ir a Saint-Jean-Pied-de-Port porque o tempo estava ruim e não valeria à pena. Um outro espanhol, Nazco (ou um nome semelhante), estava indeciso sobre ir ou não. Eu estava convencido e decidi ir assim mesmo. Antes de dormir ainda tomei banho quente.
      No dia seguinte, 3.a feira 27/3, resolvi ir a p√© para Saint Jean. Ap√≥s o caf√© da manh√£, sa√≠ caminhando. Estava muito frio, com neblina, havia uma pequena garoa ou neve fina. Caminhei at√© o in√≠cio da estrada e pensei comigo: "Esta empreitada √© grande demais para mim. Vou desistir" . Eu n√£o tinha experi√™ncia nem equipamento nem roupas adequadas para neve. Estava de fleece e anorak leves, mas com t√™nis de pano. Mas resolvi ir um pouco mais para ver melhor a situa√ß√£o e tentar um pouco mais. Subi um pouco pela estrada e avistei uma pequena casa, que parecia ser uma capela. Fui at√© l√°, abri a porta com dificuldade, pois estava bloqueada pela neve, e vi que era muito simples, com uma imagem de Maria. Gostei muito da capela ¬†e resolvi ir um pouco mais. Logo a seguir a estrada come√ßou a descer e a neve no caminho a diminuir. A√≠ definitivamente decidi ir. E fui, sem grandes problemas, apesar de alguns cachorros bravos (ou pelo menos que latiam bastante) no trajeto ūüźē. Conforme descia o clima melhorava, a garoa passou e a neve no entorno da rodovia ia ficando cada vez menor. Encontrei Nazco no caminho subindo e ele parecia feliz por ter escolhido ir. Pegou carona at√© Saint Jean, disse que ficou olhando para ver se me via para¬†oferecer¬†carona, e agora j√° estava voltando para dormir novamente em Roncesvalles. Achei muito belas as vistas , cruzei a fronteira, procurei um posto de imigra√ß√£o para saber se precisava realizar algum procedimento, mas n√£o encontrei. Cheguei a Saint-Jean-Pied-de-Port no meio da tarde. Fui para o albergue oficial da peregrina√ß√£o, onde Jeanine, de 72 ou 81 anos, recebeu-me muito bem. Perguntei por Madame Debrill, citada no livro "Di√°rio de Um Mago" de Paulo Coelho, mas ela disse que ela j√° havia morrido e comentou que muitos perguntavam por ela. Ela me tratou muito bem ¬†e at√© fez um bom jantar para mim por 2 euros. Enquanto isso eu fui dar uma volta para conhecer a cidade, que me pareceu interessante, apesar de pequena. O quarto estava cheio de peregrinos durante a noite, vindos de muitas partes diferentes do mundo, a maioria europeus.
      Na 4.a feira 28/3 comecei a peregrina√ß√£o. Inicialmente fui com um franc√™s (acho que se chamava Gregorian ou um nome semelhante). Juntos ficamos em d√ļvida num certo ponto e no meio da estrada fizemos sinal para uma mulher de carro na estrada, que imediatamente parou para nos dar informa√ß√Ķes . Pensei que seria uma cena altamente improv√°vel em S√£o Paulo. Seguimos e ele achou que eu estava muito lento, querendo ver muitas coisas, conversamos e ele decidiu ir na frente. Tentei ir pela rota fora da estrada e um pouco √† frente havia a entrada do Caminho de Napole√£o. Havia uma placa dizendo que era proibido seguir aquele caminho fora da temporada de ver√£o, com dizeres alertando sobre o risco em caso contr√°rio. Eu pretendia tentar ir por l√°, mas ap√≥s todas as conversas que havia tido no Brasil e l√° sobre aquele trecho, resolvi aceitar o que a placa dizia e ir pela estrada. A subida era um pouco longa, mas aceit√°vel, com as mesmas vistas espetaculares da descida. Os cachorros continuavam l√°, latindo bravios. Lembrei-me dos cachorros narrados no livro do Paulo Coelho. J√° perto de Roncesvalles encontrei Gregorian parado do lado da estrada. Estranhei e fui cumpriment√°-lo. Ele me cumprimentou alegremente e disse que estava sentindo dores nas pernas e os outros peregrinos que ele havia encontrado j√° tinham ido. Falei para ele que esperaria ele se recuperar para irmos juntos. Ele me disse que n√£o precisava, n√£o queria me atrapalhar. Eu disse que n√£o me atrapalharia em nada, ficamos conversando um pouco e depois ele come√ßou a andar vagarosamente. Acompanhei seu ritmo. Ele me perguntou se eu achava que ele tinha ido muito rapidamente. Respondi que cada um tinha seu ritmo. Est√°vamos chegando perto da capela e lhe disse que iria visit√°-la (novamente), o que daria tempo para ele descansar, mas que se quisesse seguir ficasse √† vontade, pois j√° est√°vamos pr√≥ximos da cidade. Fui e a porta estava ainda mais dif√≠cil de ser aberta devido √† neve no ch√£o e a¬†mochila nas costas dificultava a minha entrada. Mas consegui entrar e apreci√°-la de novo. Quando voltei ele j√° tinha ido. Fiquei feliz, pois significava que havia conseguido. Registrei-me no albergue e fui assistir a Missa do Peregrino, que n√£o havia assistido no primeiro dia em que cheguei em Roncesvalles. Gregorian esperou-me para jantar e jantamos o menu do peregrino sozinhos perto de 20:30. Os outros peregrinos haviam jantado perto de 19 horas. Continuava frio em Roncesvalles, mas o albergue possu√≠a aquecimento interno, o que proporcionou uma √≥tima noite de sono. Conhecemos v√°rios outros peregrinos, muitos alem√£es, um americano e outros.
      Na 5.a feira 29/3 parti rumo a Pamplona. Continuava a chover. A impermeabiliza√ß√£o do meu anorak j√° n√£o estava muito boa, ent√£o eu acabava me molhando um pouco. Havia levado um pl√°stico improvisado de casa para proteger a mala, que serviu na maioria das ocasi√Ķes. No caminho encontrei um casal de coreanos, que iria fazer o caminho devagar, estimando em 45 dias. A mulher viu que eu estava um pouco molhado e me ofereceu uma capa , que gentilmente eu recusei, pois achei que dava para ir com o que eu tinha. Como n√£o sabia se os albergues estavam abertos em Pamplona, resolvi ficar em Villava, a poucos quil√īmetros de l√°. Jantei com compras do supermercado Eroski City Villava (https://www.eroski.es/localizador-de-tiendas/supermercado/navarra/villava-atarrabia/eroskicity-villaba) por US$ 5.24 pagos com cart√£o de cr√©dito. Foram cerca de 40 km entre as localidades.
      Na 6.a feira 30/3 parti e logo cedo cheguei √†¬†Pamplona. O albergue da igreja estava fechado naquele¬†per√≠odo. S√≥ encontrei um albergue aberto dentre os que constavam no meu guia, por√©m ele s√≥ aceitava alem√£es. Mesmo assim fui at√© l√°, toquei a campainha e, quando a dona, uma alem√£ t√≠pica, atendeu, peguntei-lhe se poderia ficar aquela noite l√°. Ela disse que eles estavam abrindo justamente naquele dia e que me aceitava, mesmo eu n√£o sendo alem√£o . Por√©m deveria voltar mais tarde, pois ainda iriam arrumar as instala√ß√Ķes para os h√≥spedes. Ent√£o eu aproveitei para ir conhecer a cidade.
      Gostei muito de Pamplona . Para suas atra√ß√Ķes veja https://www.enforex.com/espanhol/fazer-pamplona.html, http://www.turismo.navarra.es/esp/organice-viaje/recurso/Localidades/2513/Pamplona.htm, https://www.lonelyplanet.com/spain/aragon-basque-country-and-navarra/pamplona e http://www.euskoguide.com/places-basque-country/spain/pamplona-tourism. Os pontos de que mais gostei foram as constru√ß√Ķes antigas, os monumentos, os parques, a catedral, as igrejas, a muralha medieval e conhecer o jogo de Pelota Vasca. Como era uma cidade relativamente grande no caminho, programei-me para ficar mais tempo e poder conhec√™-la com mais detalhes. Passeei bastante, ficando muito na √°rea em que s√£o feitas as corridas de touros, onde ficam as constru√ß√Ķes antigas e na muralha medieval. No fim do dia fui assistir jogos de pelota vasca de juvenis no gin√°sio da cidade ūüĎć. Assisti alguns, mas n√£o pude ficar at√© o fim pois n√£o quis chegar muito tarde no albergue. V√°rios outros peregrinos n√£o alem√£es estavam no albergue e eu acabei ficando no quarto com os alem√£es. Talvez por ser de t√£o longe mostraram-se interessados em conversar e saber sobre o Brasil. Quando o assunto foi para a quest√£o da viol√™ncia, tentei explicar-lhes como funcionava o PCC. Ficaram surpresos, quase incr√©dulos. Comentaram rindo tamb√©m que eu estava precisando trocar de t√™nis, pois o calcanhar estava come√ßando a quebrar devido a tanta neve e chuva, mas eu disse que iria com ele at√© o fim. Ensinaram-me algumas express√Ķes em alem√£o referentes ao caminho .¬†
      No s√°bado 31/3 descobri que havia um peregrino (acho que americano) que j√° estava no albergue e iria ficar mais, pois havia tido algum tipo de problema de sa√ļde, talvez nas pernas. Eu n√£o ouvi, mas os alem√£es me contaram que durante a noite houve muito barulho, um casal (talvez alcoolizado) chegou pedindo para ficar, mas o dono do albergue n√£o aceitou porque eles n√£o tinham a credencial de peregrinos. Ap√≥s bom caf√© da manh√£, parcialmente ofertado pelo albergue, agradeci por terem me recebido e parti. Ainda fiquei boa parte da manh√£ visitando a cidade. Depois fui rumo a Cirauqui. No caminho um casal de franceses falou-me do jeito incorreto pelo qual eu estava carregando a mochila nas costas. Achei que falaram e demonstraram de um jeito um pouco grosseiro, mas realmente a sugest√£o que deram melhorou a carga e diminuiu a dor nas costas que estava come√ßando. No fim da tarde ainda encontrei em Puente de la Reina um americano que havia conhecido em Roncesvalles, que disse que eu era "a brave man" por continuar naquele hor√°rio e depois cheguei a Cirauqui. Pela minha apar√™ncia, acho que a dona do albergue pensou que eu era um peregrino t√≠pico e me deu um prato de macarr√£o . N√£o deu tempo nem de eu recusar. Como n√£o tinha almo√ßado, comi o macarr√£o e depois comi o que havia levado (eu como muito ). Conheci uma francesa que pediu aux√≠lio com o computador, pois estava com dificuldades de entender configura√ß√Ķes em espanhol. Tentei ajud√°-la um pouco. Ela me mostrou fotos da subida da serra (acho que era a Serra do Perd√£o) e comentou do cansa√ßo para a subida. Conheci tamb√©m um franc√™s que tinha come√ßado o caminho bem antes de Saint Jean (acho que de Le Puy). Ele comentou que na Fran√ßa havia muitos caminhos a percorrer e as igrejas ficavam abertas para visitar, fato que at√© aquele ponto na Espanha nem sempre era verdade.
      No domingo 01/04, meu anivers√°rio, fui para Los Arcos. Foi um dos melhores dias da caminhada . O tempo estava bom, as dores nas costas haviam sumido, passei por uma fazenda que tinha um dispositivo que oferecia alguns goles vinho aos peregrinos (somente para experimentar). Pela manh√£ em Estella, reencontrei uma alem√£ de cerca de 60 anos que tinha conhecido em Roncesvalles. Ela estava sentada numa escada e quando fui cumpriment√°-la come√ßou a chorar nos meus ombros. Disse que seus joelhos n√£o estavam aguentando e que n√£o conseguia acompanhar os mais jovens . Eles tinham ido comprar algo e na volta iria decidir se continuaria com eles ou n√£o. Procurei ouvi-la e fazer pondera√ß√Ķes para acalm√°-la, fiquei com ela algum tempo at√© que se animasse e quando uma de suas amigas estava voltando, prossegui viagem. Cheguei a Los Arcos no fim do dia. N√£o tinha alimentos para o jantar e tudo estava fechado. Falei sobre isso com os holandeses que estavam √† mesa e eles muito aborrecidos ofereceram-me parte de seu jantar, que eu recusei. Depois de perguntar e procurar orienta√ß√Ķes descobri um local aberto e pude comprar comida. Durante a madrugada esfriou muito ¬†e, como n√£o havia aquecimento interno, precisei levantar algumas vezes e colocar agasalhos.
      Na 2.a feira 02/04 pretendia ir a Logro√Īo. Foi o dia mais dif√≠cil da peregrina√ß√£o . Teria sido melhor eu ter ficado dormindo . Um peregrino que dormiu no mesmo quarto que eu comentou que durante toda a noite havia chovido. Estava chovendo quando fui tomar caf√©. Ap√≥s o caf√© preparei-me, coloquei a capa na mala e o anorak em mim, peguei o guarda-chuva e fiquei esperando a chuva passar ou diminuir (era de m√©dia intensidade). O franc√™s que havia partido de Le Puy falou-me sorrindo que eu iria esperar bastante. Depois de cerca de meia a uma hora, vendo a hospitalera belga limpar a frente do albergue com um rodo ou vassoura, decidi partir. O tempo estava bem hostil, chuva, frio, vento. Conforme foi avan√ßando a hora esquentou um pouco e houve alguns momentos em que a chuva diminuiu e quase parou. Mas depois voltou forte ūüĆßÔłŹ. Quando fui cruzar um curso de √°gua numa √°rea rural, que parecia uma enorme enxurrada, n√£o avaliei bem a for√ßa da correnteza nem a profundidade. Quando dei um passo no meio, afundei mais do que a cintura, perdi um pouco do equil√≠brio e quase ca√≠ para tr√°s na correnteza com o peso da mochila . Tive que fazer for√ßa na perna e no joelho, o que talvez tenha me custado caro para depois. Na hora n√£o senti nada. Depois disso decidi parar em Torres del Rio. Achei que n√£o valia a pena continuar naquelas condi√ß√Ķes. Estava ensopado, hipot√©rmico e cansado¬†. Pouco antes de mim chegou um casal de Murcia. √Ä noite, come√ßou uma enorme dor na minha perna direita , a mesma que havia for√ßado no curso de √°gua. Eram fisgadas, principalmente quando apoiava a perna no ch√£o. Fui mancando comprar a comida para o jantar. Conheci uma alem√£, que comentou que poderia ser porque eu tinha ficado com os p√©s molhados por muito tempo. Talvez fosse algum tipo de dor reum√°tica. Ela estava com os p√©s machucados. Progredi bem menos do que eu pretendia. Cheguei a pensar que n√£o conseguiria continuar ou pelo menos n√£o conseguiria terminar no tempo necess√°rio para ir a Portugal.
      Na 3.a feira 03/04 fui para Logro√Īo. Fui devagar, pois havia momentos em que do√≠a muito a perna. Com o tempo eu fui achando uma posi√ß√£o em que do√≠a menos, mas periodicamente voltavam algumas fisgadas. Ap√≥s chegar, mesmo com um pouco de dor, mas sem a mochila nas costas, fui dar uma volta na cidade. Gostei tamb√©m . Embora menor do que Pamplona, pareceu-me bem interessante.
      Em alguma destas paradas conheci um espanhol, que iria parar temporariamente o Caminho para encontrar os pais e disse que gostaria de me reencontrar mais para frente, algumas alem√£s, que fizeram uma disputa de Liga dos Campe√Ķes para ver quem cozinhava mais r√°pido e muitas francesas, que me ofereceram espaguete que haviam feito, que gentilmente eu recusei. Tamb√©m havia conhecido um casal de holandeses, cuja mulher era enfermeira. Quando ela me reencontrou, perguntou o que havia ocorrido com minha perna. Eu contei e ela me sugeriu andar menos em cada dia e mais devagar.
      Num outro episódio, um homem falou-me "Bom Dia!" e eu respondi com a mesma expressão, achando que pudesse ser português ou que tivesse percebido que eu era brasileiro. Talvez ele fosse da Galícia, em que se usa uma expressão parecida no dialeto local. Ele me chamou para conversar e me ofereceu trabalhar na sua companhia, que era algo como um circo itinerante. Pensei no pintor que havia conhecido em Madrid e me interessei em saber detalhes. Disse que pagava 200 euros, mais hospedagem, alimentação e tabaco. Se soubesse dirigir pagava mais 100 euros. Pensei comigo que isso era trabalho escravo . Ri, agradeci, mas nem continuei na conversa, pois era um quarto do que o pintor brasileiro ganhava em Madrid.
      Na 4.a feira 04/04 estava melhor, mas ainda havia dor de vez em quando. Decidi ir para Nájera, mas se não desse, pararia antes. Mas consegui. Cheguei a Nájera no meio da tarde. Lá encontrei um homem de uns 70 anos que vendo que eu era peregrino, convidou-me a conhecer a igreja de sua família (acho que era do século 15). Achei-a espetacular e fiquei surpreso com uma igreja particular daquele tamanho. No Brasil só havia visto igrejas particulares (que não fossem da Instituição Igreja) dentro de fazendas e eram bem menores. Dei uma pequena volta pela cidade e fui descansar. Não fui conhecer as tumbas dos reis porque estava um pouco cansado e para não forçar a perna, que estava melhor.
      Na 5.a feira 05/04, sentindo a perna bem melhor, resolvi tentar ir um pouco além. Fui até Redecilla del Camino. No caminho passei por Santo Domingo de la Calzada, onde parei para conhecer alguns pontos, principalmente os históricos e religiosos, que havia visto nos guias. No caminho uma espanhola me ultrapassou e depois nos encontramos no albergue à noite, quando falou que o mais importante era não ter mais chuva.
      Num dos dias conheci um espanhol chamado Angel, a quem ofereci parte do meu jantar, mas ele disse que iriam comer muito bem, pois estavam cozinhando. Em outra ocasião, a alemã que estava com os pés doendo perguntou-me sorrindo se eu já havia comido algo diferente de pizza. Reencontrei o americano que tinha passado em Puente de la Reina, ele se surpreendeu e me disse que quando eu o passei na estrada, esperava não mais me encontrar. Falei para ele que tinha ocorrido um problema com minha perna. Em um dos locais voltei a comer o menu do peregrino (novamente foi macarrão o prato principal) por 7 euros.
      Na 6.a feira 06/04 fui para San Juan de Ortega, um lugar bem frio¬†. No caminho, por querer seguir estritamente as setas, acabei entrando num bosque cheio de vegeta√ß√£o e espinhos. Quando cheguei na margem do rio, achei melhor n√£o atravessar e voltar para a estradinha, pois aquela √°gua fria na perna que ainda n√£o estava 100% poderia ser desastrosa. Quando fui voltar, acabei trope√ßando em algum cip√≥ ou tronco e ca√≠ com a m√£o, o pulso e um pouco do bra√ßo em cima de espinhos (parecia ser do tipo Coroa de Cristo). Eles entraram na minha carne. Doeu . E n√£o foi s√≥ na hora. O inc√īmodo que eles causaram durou por quase uma semana. Por coincid√™ncia era sexta-feira santa. Eu que sempre achei que Jesus espiritualmente estava muito acima da viol√™ncia que sofreu, pude sentir na carne um infinit√©simo do que foi aquela viol√™ncia. No fim da tarde cheguei a San Juan de Ortega e o padre, j√° um pouco idoso, estava recebendo os peregrinos e fornecia uma pequena sopa simb√≥lica. Um suposto americano me disse que n√£o havia nenhum local para se comprar comida l√°, mas acho que ele tinha entendido errado e os locais estavam fechados somente naquele hor√°rio. De qualquer modo, com esta informa√ß√£o, como eu n√£o tinha levado comida, comi a sopa do padre com prazer e pensando que seria meu jantar. Depois descobri que havia um restaurante, em que mais tarde fomos jantar. Reencontrei o casal de M√ļrcia, que riu quando perguntei ao dono do restaurante como era a salada e ele respondeu que era verde. Conversando com o americano, ele disse que era m√©dico, era irland√™s mas vivia h√° muito nos Estados Unidos. Conversamos sobre a busca espiritual e ele parecia estar descobrindo um novo mundo . √Ä noite passei muito frio , pois s√≥ havia um cobertor muito fino e l√° era frio e √ļmido.
      No s√°bado 07/04 fui para Burgos. Gostei muito de Burgos . Para suas atra√ß√Ķes veja
      https://www.lonelyplanet.com/spain/castilla-y-leon/burgos, https://www.spain.info/pt_BR/que-quieres/ciudades-pueblos/otros-destinos/burgos.html,¬†http://www.aytoburgos.es/turismo-en-burgos e https://www.inspirock.com/spain/burgos-trip-planner. Os pontos de que mais gostei de burgos foram a catedral, as √°reas naturais, as constru√ß√Ķes hist√≥ricas e religiosas, os monumentos e o rio. Fui recebido no albergue com uma azeitona no palito de cortesia. Programei-me para poder ficar razo√°vel tempo e conhecer a cidade.
      No domingo 08/04, Páscoa, fiquei visitando Burgos quase o dia inteiro. Pela manhã reencontrei o casal de holandeses e a enfermeira me disse que minha perna parecia bem melhor ao observar meu caminhar, ao que eu respondi dizendo que sim, tinha melhorado muito. No fim da tarde reencontrei a alemã de cerca de 60 anos e ela parecia bem e feliz . Narrou-me que havia assistido bem de perto a celebração de Páscoa e ficado bem próxima ao bispo ou responsável pela celebração. Fiquei feliz. No fim do dia fui para Tardajos, um local bem próximo, pois saí tarde de Burgos. Eu jantei e após admirar o céu, fui dormir. A mesma alemã estava lá e ficamos no mesmo quarto com outros peregrinos. Não a vi mais depois disso.
      Na 2.a feira 09/04 fui para Castrojeriz. Encontrei à noite no albergue o casal de jovens alemães que havia se formado no primeiro dia da viagem em Roncesvalles, com uma garrafa de vinho. Sentei com eles e perguntaram se não me importava que fumassem (acho que era maconha), ao que respondi que não. Ofereci-lhes parte do jantar e aceitaram e no fim pediram uma parte do chocolate preto que eu tinha. Dei-lhes. Ofereceram-me um pouco de vinho e, para não gerar uma situação embaraçosa e também para experimentar, aceitei um pouquinho. O hospitaleiro zangou-se conosco  (ou com eles), disse que não era adequado ficar bebendo e fumando maconha numa peregrinação. Este não era bem o tipo de caminhada que eu desejava, eu não pretendia ser um turista, mas sim um peregrino.
      Na 3.a feira 10/04 pedi desculpas ao hospitaleiro pelo dia anterior, mas ele disse que o problema não havia sido comigo. Saí com o propósito de andar bastante. Perto da hora do almoço encontrei o casal de alemães da noite anterior e a moça ofereceu-se para pagar algo para eu comer. Mas eu não costumo parar para almoçar durante as caminhadas, então agradeci e delicadamente recusei. Prossegui até Carrion de los Condes. Num pequeno empório da cidade comprei os pães que restavam e depois ouvi os fregueses reclamando que não havia pão. O próprio dono veio comentar comigo para aproveitar bem o pão, pois havia acabado com seu estoque. Pensei até em devolver alguns, mas eram poucas peças grandes e ficou inviável . Lá conheci um alemão (Matiah - não sei se é assim que se escreve) e um francês. Ficamos apenas nós 3 num albergue pequeno, jantamos juntos e compartilhamos parte do jantar . Conversamos sobre o caminho, atualidades europeias e várias outras coisas. O meu sono foi muito bom.
      Na 4.a feira 11/04 fui até Sahagun. Na 5.a feira 12/04 fui até Mansilla de las Mulas. Numa das paradas fiquei num albergue com alemãs, sendo uma luterana, que não se conformava com as regras que o padre do albergue tinha feito para os hóspedes. O padre irritou-se com ela e se desentenderam durante à noite, mas nada grave. Foi para ele que perguntei sobre o astral das imagens nas igrejas. No dia seguinte reencontrei a alemã parada descansando. Ela me disse que tinha algum problema na perna e tinha que andar devagar. Fiquei comovido pela expressão dela  e lhe desejei boa sorte. Na outra parada reencontrei o francês e ele me disse rindo que havia encontrado Matiah perto de 20 h e este ainda iria para uma localidade à frente. Num dos albergues encontrei italianos de Verona, falei-lhes sobre o titulo italiano do início da década de 1980, com Briegel, algo que muito os surpreendeu que eu lembrasse.
      Numa ocasião conheci sulafricanos, comentei da minha passagem por Johanesburgo e concordaram comigo de que não havia um relacionamento amistoso entre negros e brancos. Quando eu disse que era do Brasil, a mãe deles citou Maradona, que seu filho rapidamente corrigiu. Em outra ocasião, um dos hospitaleiros me ofereceu uma bota , quando falei que minha perna não estava muito boa, mas eu delicadamente recusei. Certa vez, estava cantando e um alemão apareceu, perguntou de onde eu era, falou do Pelé, eu tirei o agasalho e mostrei a camisa do Santos, time do Pelé. Paradas à frente, ele comentou com outra peregrina que enquanto muitos caminhavam reclamando, ele me havia visto cantando . Como eu não seguia exatamente os horários dos europeus, começava mais tarde e parava mais tarde, em alguns albergues hospitaleiros pediram-me para acelerar. Em um deles, um nem me deixou tomar café. Acabei de usar o banheiro e ele me falou para partir . Em Carrion de los Condes as faxineiras municipais encontraram-me tomando café quando chegaram para limpar o albergue . No meio de um trajeto duas peregrinas espanholas pediram para tirar uma foto comigo, que aparentava um peregrino do caminho.
      Quando o clima esquentou e o sol come√ßou a ficar mais forte, comecei a ficar queimado, principalmente nas orelhas ‚ėÄÔłŹ. Meu protetor solar estava fora de validade e acho que n√£o estava me protegendo adequadamente. Procurei colocar toalhas nos pesco√ßo e nas orelhas e pl√°sticos nos bra√ßos e m√£os. A quest√£o do pesco√ßo e das orelhas foi resolvida, mas acho que os pl√°sticos fizeram concentrar suor e me geraram alergia . Quando eu entrei numa pequena igreja, muito antiga, em que estava sendo feita limpeza por faxineiras, percebi que elas pararam surpresas com a minha apar√™ncia, com tudo aquilo, talvez achando que eu era um peregrino das antigas .
      Na 6.a feira 13/04 fui até Leon. Levei bastante tempo entre a chegada às bordas de Leon e a chegada ao albergue. Percebi como a cidade era grande, com um ampla zona comercial ou industrial. Fiquei hospedado no albergue das Irmãs Carbajalas. Nem procurei o albergue 24 h, pois imaginei que teria ambiente turístico, com pouco silêncio para dormir. Como cheguei no meio da tarde, saí para conhecer um pouco a cidade. Fiquei bastante tempo comendo, cerca de 1 hora (eu não tinha almoçado), do que uma hospitaleira fez piada . À noite fomos a uma pequena celebração na igreja das irmãs.
      No s√°bado 14/04 fui conhecer um pouco mais Le√≥n. Gostei da cidade . Para as atra√ß√Ķes veja http://www.turismoleon.org, http://www.turisleon.com/es e http://www.leon.es. Numa igreja, quando fui entrar numa sala para conhecer, o padre assustado me perguntou aonde eu ia. Quando lhe disse que iria somente ver o que havia, ele me disse que n√£o havia problema e s√≥ tinha me chamado porque as pessoas v√£o entrando e n√£o se sabe para onde v√£o. √Ä tarde fui para alguma cidade pr√≥xima. Acho que era Villadangos del P√°ramo.
      No domingo 15/04 aproveitei para andar bastante e fui para El Ganso. Achei este lugar tranquilo e meio afastado, exatamente do tipo de que gosto. No caminho passei por Astorga (http://turismoastorga.es), em que fiquei algum tempo para conhecer as obras arquitet√īnicas e hist√≥ricas. Achei-a uma localidade muito bela .
      Numa ocasi√£o, vi um homem velho parado numa pequena povoa√ß√£o, era a √ļnica pessoa vis√≠vel ali, cumprimentei-o, ele respondeu s√©rio, e continuei. Acabei caindo em pensamentos e perdendo a aten√ß√£o e iria errar o caminho, quando ouvi gritos ao longe. Era o homem alertando-me para o erro. Voltei um pouco e reencontrei as setas e o caminho correto. Isso foi providencial, pois estava amea√ßando chuva e eu n√£o queria correr o m√≠nimo risco de voltar a dor na perna. Fiquei feliz e quando olhei de volta para agradec√™-lo, ele havia sumido. Impressionante como ele foi r√°pido, pois havia uma larga extens√£o para ele andar at√© eu n√£o poder mais v√™-lo. A apar√™ncia fr√°gil dele enganou-me . Em outra situa√ß√£o um hospitaleiro comentou que achava que alguns peregrinos eram bon vivant e aproveitadores e parecia aborrecido com isso, apesar de depois completar que havia alguns pelos quais valia a pena se sacrificar.
      Na 2.a feira 16/04 fui até Molinaseca. Entre El Ganso e Molinaseca passei por Foncebadón e pela Cruz de Ferro, um ponto bem alto com uma cruz em que os peregrinos deixam pedras das localidades de onde vêm.
      Achei Foncebad√≥n muito interessante, medieval, com suas antigas constru√ß√Ķes de pedra. Entrei numa pequena igreja de pedra para conhec√™-la. Estava havendo uma missa. N√£o havia ningu√©m assistindo. Dois padres estavam rezando, um em latim, que s√≥ olhava para baixo, e outro em espanhol, que olhava para a igreja vazia. Eu estava com toalha no pesco√ßo e orelhas e pl√°stico nas m√£os. O padre que rezava em espanhol olhou para mim como quem estava vendo um extra-terrestre . Delicadamente eu comecei a admirar a igreja e conhecer suas partes, procurando atrapalhar o m√≠nimo a celebra√ß√£o. Quando eu j√° ia indo, chegou a hora do Pai Nosso. O primeiro padre come√ßou em latim, o segundo repetiu em espanhol e eu repeti em portugu√™s. Acho que a√≠ o primeiro padre teve certeza de que havia mais algu√©m na igreja e passou a esperar um tempo a cada frase para que eu pudesse repeti-la em portugu√™s. A cara do padre que rezava em espanhol ficou ainda mais espantada . Quando acabou o Pai Nosso eu acenei com a cabe√ßa cumprimentando-o e o agradecendo e me fui.
      No meio da tarde, após longa subida, cheguei à Cruz de Ferro. Cumprimentei dois peregrinos que lá estavam, sem perceber que um deles chorava, parecendo estar sob emoção profunda. Logo saí para conhecer os arredores para deixá-lo em paz em sua aparente homenagem a alguém. Após algum tempo olhando os arredores, quando ele se afastou um pouco da cruz, voltei para observá-la. Peguei uma pedra de lá que minha prima Bernadeth havia pedido. Depois me arrependi, pois poderia ter pego de muitos outros lugares, e peguei justamente de um local para onde as pessoas levam suas pedras para depositar por suas crenças.
      No fim do dia cheguei a Molinaseca, onde já na entrada vi uma propaganda da Casa do Elias, que dizia ser o amigo dos peregrinos. Fiquei meio desconfiado com a propaganda, mas fui lá e realmente ele atendeu muito bem . Em seu empório ele tinha muitas coisas, e comprei queijo de ovelha misturado com vaca e mais algumas coisas. À noite no hostel reencontrei Gregorian, que parecia bem e estava viajando com os alemães, um dos quais havia falado de Pelé. Reencontrei as francesas que me haviam oferecido espaguete e me haviam visto com a perna dolorida. Elas ficaram muito contentes, gritaram e me cumprimentaram efusivamente . Acho que pensaram que eu não conseguiria prosseguir na situação em que me viram. Gregorian convidou-me para uma cerveja, mas eu recusei, fui tomar banho e jantar. Como já era tarde, acabei ficando só na sala de jantar. Quando voltaram das cervejas, vários me cumprimentaram em voz alta e os que estavam dormindo pediram silêncio .
      Na 3.a feira 17/04 fui para VillaFranca del Bierzo. A alergia melhorou, mas ainda incomodava. Minhas mãos e braços ficavam muito inchados, provavelmente pelo calor dos plásticos. Passei por Ponferrada (https://www.ponferrada.org/turismo/en), em que achei o Castelo Templário espetacular . O albergue de VillaFranca era todo estilizado, preocupado com o meio ambiente e sustentabilidade e com inclinação esotérica.
      Numa das paradas, por um hospitaleiro que anteriormente tinha sido guerrilheiro (acho que do ETA ou alguma organização semelhante), fiquei sabendo que no dia em que eu havia tomado aquela chuva, que me custou aquela enorme dor na perna, um inglês (portanto provavelmente alguém acostumado à neve) havia optado por seguir o Caminho de Napoleão no início do caminho em Saint Jean, só que como lá era muito mais alto, ao invés de chuva ele pegou neve, provavelmente se perdeu, caiu num buraco, acabou tendo hipotermia e, mesmo sendo socorrido após algum tempo, não resistiu e morreu. Por alguns dias de diferença eu escapei desta nevasca . Em outra ocasião, ao ir comprar alimentos, a dona do estabelecimento ofereceu-me gratuitamente uma maça, mas quis pagar por ela, aí a mulher achou muito o que eu dei e colocou mais itens.
      Na 4.a feira 18/04 fui at√© Alto do Polo. No in√≠cio da tarde, na base da subida para o Cebreiro, encontrei o alem√£o que me falou de Pel√©, e ele j√° tinha parado num albergue e me falou que era melhor subir para o Cebreiro pela manh√£, quando se est√° descansado. Seu amigo explicou-me o significado de herzlich willkommen, como vindo do cora√ß√£o. Logo a seguir, perto de 14 hs encontrei um brasileiro, dono de um albergue, que me falou que a subida at√© o Cebreiro levaria cerca de 5 ou mais horas, e que eu pegaria os albergues l√° em cima lotados chegando tarde. Mas eu decidi ir assim mesmo, s√≥ que fui preocupado. Fui t√£o concentrado, que acabei subindo em 2:45 hs. Mesmo assim ainda parei algumas vezes para desfrutar da paisagem . No caminho encontrei outro peregrino conhecido (acho que era alem√£o ou do leste europeu) pegando √°gua de uma fonte. Perguntei se era confi√°vel, ele disse que sim, e resolvi experimentar tamb√©m. Havia um cemit√©rio logo no in√≠cio daquele povoado de origem celta. Como ainda era cedo, agora sem a press√£o do hor√°rio, resolvi seguir um pouco mais. A vista l√° de cima era espetacular . Fui at√© Alto de Polo, onde fiquei num albergue que era tamb√©m bar ou restaurante. Fiquei s√≥. Quando a dona me disse que tratava bem os peregrinos, perguntei-lhe quanto era a contribui√ß√£o padr√£o ou sugerida e ela me disse 5 euros. Em frente havia outro hotel ou restaurante, pedi para ver o menu, para ver se achava algo mais barato, mas n√£o achei e resolvi jantar no local em que estava hospedado, at√© como forma de pagar algo mais a elas. Por√©m neste hotel em frente reencontrei o franc√™s que havia conhecido junto com Matiah junto com uma amiga. Conversamos at√© o prato deles chegar e eu voltei para jantar no albergue em que estava. A mo√ßa (provavelmente filha da dona) fez o menu do peregrino para mim, incluindo um copo de vinho. Fiquei sozinho no albergue. A noite foi muito boa ūüĎć. Peguei alguns cobertores adicionais de outras camas, pois achei que estava um pouco frio.
      Na 5.a feira 19/04 fui at√© Sarria. O albergue em que eu tinha ficado¬†n√£o tinha p√£es ou similares, que eu pudesse ir comendo enquanto caminhava. Fui ao hotel restaurante em frente e o dono, aparentemente aborrecido, disse-me que eu o havia feito mostrar todo o menu no dia anterior e n√£o tinha comprado nada. Falou-me para ir procurar em outro lugar, como o albergue em que havia ficado. Segui sem tomar caf√©. No caminho eu o vi dirigindo um trator para trabalhar na terra. Seguindo, encontrei uma mulher aparentemente dando pequenos p√£es, mas quando perguntei disse-me que era 1 euro. Achei-o muito fino para pagar 1 euro. Ela disse que poderia levar de gra√ßa, mas agradeci e segui sem levar. Mais √†¬†frente uma mulher de aparentemente mais de 60 anos estava no meio do caminho com um carimbo perguntando aos peregrinos se desejavam que colocasse seu selo na credencial. Eu disse rapidamente que n√£o e a rea√ß√£o dela pareceu-me ser de decep√ß√£o . Talvez ela ficasse feliz em alegrar os peregrinos com seu carimbo. Poderia ter dito n√£o de modo melhor, com um sorriso nos l√°bios e pondo a m√£o em seu ombro. Desci, achei um local para comprar o caf√© almo√ßo, mais √†¬†frente pedi para sentar numa mesa de uma lanchonete para comer, mas a dona me disse rispidamente que havia muitos locais p√ļblicos em que poderia sentar. Ent√£o mais √†¬†frente achei um e fiz minha refei√ß√£o. No fim da tarde cheguei a Sarria.
      Numa determinada ocasião um velho perguntou-me sobre meus pais e quando lhe disse que meu pai havia morrido com 76 anos, disse-me que meu pai havia morrido cedo. Acho que ele tinha mais do que isso. Numa parte do caminho encontrei um francês com quem caminhei algum tempo. Ele falava de como tinha optado pelos ramos do caminho mais rurais, ao invés dos urbanos, e como tinha gostado da chuva que veio em um dos dias. Nesta chuva eu tinha me atrapalhado um pouco, mas nada grave, bem diferente daquelas no início do Caminho. Estava bem mais quente. Depois de algum tempo, falei-lhe que dali para frente continuaria um pouco sozinho, para poder entrar em contato mais profundo com o Caminho.
      Numa das noites, encontrei uma fam√≠lia de espanh√≥is num albergue, cujo filho adolescente estava em d√ļvida sobre que dire√ß√£o profissional tomar. Falei-lhe da minha experi√™ncia profissional, mas ele pareceu confuso com minhas explica√ß√Ķes. Sua m√£e estava na mesa conversando com outras mulheres. Os maridos estavam lavando lou√ßa, mas participavam da conversa tamb√©m. No dia seguinte reencontrei-lhes e lhe desejei boa escolha do caminho a seguir. Eles s√≥ iriam at√© aquela cidade e continuariam a peregrina√ß√£o em outra ocasi√£o, fato comum entre os espanh√≥is.
      Na 6.a feira 20/04 fui at√© Ligonde. Antes de sair por√©m, fui procurar pelo local do Est√°dio de Sarri√°, palco da derrota brasileira em 1982. Eu me lembrava que era numa cidade grande, que n√£o era o caso de Sarria, mas estava meio confuso com o nome. Perguntei a um velho, que me disse que era em Barcelona. A√≠ eu me lembrei que realmente era e tinha sido demolido. No s√°bado 21/04 fui at√© Arz√ļa.
      Um dia encontrei um espanhol num albergue que ficou indignado pelo fato do albergue ser cobrado (6 euros). Disse que se conseguisse um carro iria peg√°-lo para ir para outro que sabia ser gratuito. Em outra ocasi√£o, quando falei para uma respons√°vel por um albergue que a situa√ß√£o econ√īmica do Brasil n√£o estava muito boa, ela sensibilizou-se e disse que poderia retirar meu nome da lista de h√≥spedes e eu n√£o precisaria pagar nada. Surpreendi-me, n√£o concordei, disse que n√£o havia problemas em pagar e que n√£o seria justo eu n√£o pagar e usufruir das doa√ß√Ķes sem estar em necessidade. Ela havia perdido a m√£e h√° pouco e parecia num estado muito sens√≠vel.
      No domingo 22/4 cheguei a Monte do Gozo, √ļltima parada antes de Compostela. Poderia ir at√© o albergue de Santiago, mas decidi ficar ali e me hospedar em Compostela na manh√£ seguinte. O hospitaleiro ofereceu-me gr√£o de bico, que experimentei um pouco , mas preferi deixar para quem n√£o tivesse conseguido comprar comida e comi a minha. Fui dar uma volta nos arredores e vi um monumento aparentemente de peregrinos num gramado pr√≥ximo. Fui l√° apreci√°-lo e vi que as est√°tuas olhavam para algum ponto. Ent√£o fiquei na posi√ß√£o delas e focalizei o ponto para que olhavam. Surpresa!!! Era a Catedral de Santiago de Compostela, o ponto final de chegada. N√£o pude conter uma enxurrada de l√°grimas ūüė≠¬†e me lembrar de tudo o que havia acontecido, desde o pensamento de desistir no in√≠cio, da morte do ingl√™s, de quase cair na enxurrada, da enorme dor na perna, de novo pensar em desistir, da queda nos espinhos, das queimaduras, da alergia, do frio, de todas as pessoas que havia conhecido, com um pouquinho de suas hist√≥rias e de tudo mais. Depois de vivenciar aquele momento, resolvi ir procurar o albergue em que ficaria em Compostela. Andei bastante, mas como era domingo, muito estava fechado. N√£o encontrei o albergue do Semin√°rio Menor. Mas pude ter uma no√ß√£o do que era a cidade. N√£o quis ir at√© a catedral. Deixei para o dia seguinte.
      Na 2.a feira 23/04, logo de manh√£, hospedei-me no albergue, que permitia que se ficasse at√© 2 ou 3 noites. Nos outros albergues do Caminho, s√≥ se podia ficar uma. A atendente me disse que ainda estavam limpando e n√£o tinham aberto, mas eu poderia deixar minha mochila e voltar depois. Pedi um cobertor a mais, ela foi pegar e disse "Esses brasileiros, sempre com frio!" . Depois fui at√© a Catedral e ap√≥s contemplar sua frente um pouco, fui assistir a missa de encerramento da peregrina√ß√£o. Nela havia um ritual diferente, o Botafumeiro, em que um incens√°rio balan√ßava pelo corredor central espalhando fuma√ßa ūüĎć. Na missa avistei o franc√™s que preferia os caminhos rurais. Terminando a missa fui novamente admirar a frente da catedral e passear um pouco pela cidade para conhec√™-la. √Ä tarde voltei para ver o local onde ficam os restos mortais de Tiago, atr√°s do altar, que muitas pessoas tocam, abra√ßam e beijam.
      Gostei de Compostela ūüĎć, mas a achei muito povoada por com√©rcio tur√≠stico, bem diferente do clima da peregrina√ß√£o que eu tinha feito. De qualquer modo, havia tamb√©m v√°rias atra√ß√Ķes vinculadas √† religiosidade e √† espiritualidade. Para as atra√ß√Ķes de Compostela veja https://viagemeturismo.abril.com.br/cidades/santiago-de-compostela e https://www.lonelyplanet.com/spain/cantabria-asturias-and-galicia/santiago-de-compostela
      Na 3.a feira 24/04 continuei passeando pela cidade, descobri que havia um √īnibus para o Porto no meio da tarde e o peguei. Perguntei se era necess√°rio algum procedimento para entrar em Portugal, mas me disseram que n√£o. Antes de partir reencontrei o alem√£o que havia me explicado sobre herzlich willkommen e Gregorian, que parecia bem. Falei-lhes do Museu do Peregrino, que havia visitado, de que havia gostado e que era gratuito. Eles haviam falado de Finisterre, o fim da terra, que √© uma continua√ß√£o tradicional do Caminho, para deixar tudo que usou na peregrina√ß√£o, e pretendiam ir at√© l√°. Eu n√£o fui com eles, pois se fosse n√£o teria tempo de ir at√© Portugal. Passei tamb√©m no local que dava certificado aos peregrinos, para registrar meu nome, mas n√£o quis o certificado. Enquanto caminhava, parei numa casa para perguntar para uma velhinha onde era o Semin√°rio Menor e ela voltou com um punhado de moedas e me deu. Devolvi e lhe disse que estava pedindo informa√ß√Ķes e n√£o dinheiro.
      Cheguei ao Porto no fim da tarde (havia uma hora de fuso). Fiquei no albergue da juventude. Já na chegada percebi que a língua não era tão igual assim e os portugueses procuravam prestar muita atenção para entender o que eu falava e vice-versa. Fiquei lá até 6.a feira 27/4.
      Gostei muito do Porto . Para suas atra√ß√Ķes veja http://www.visitporto.travel/Visitar/Paginas/default.aspx, https://www.tudosobreporto.com, https://www.feriasemportugal.com/porto e http://portoportugalguide.com/porto-portugal-pt.html. Os pontos de que mais gostei foram as pontes, o rio, o mar, as constru√ß√Ķes hist√≥ricas, as igrejas, os equipamentos culturais, os parques, a arquitetura dos est√°dios e a visita com degusta√ß√£o de vinhos gratuita (naquela √©poca) no alojamento Graham.
      Na 4.a feira 25/04, feriado nacional da Revolu√ß√£o dos Cravos, fui conhecer a parte central e hist√≥rica. A cidade estava bem deserta, cheguei at√© a ficar com um pouco de receio, mas conforme a hora foi avan√ßando, as ruas foram ficando mais povoadas. N√£o tive problemas de seguran√ßa. Num beco as pessoas pareciam tensas quando me viram observando as constru√ß√Ķes. Quando me dirigi a elas falando que o pneu de um carro l√° estacionado estava furado, um homem sorriu e seu semblante ficou mais leve. Quando estava conhecendo a parte hist√≥rica, inadvertidamente fiquei em cima da linha f√©rrea olhando o mapa. Repentinamente ouvi um barulho de buzina. Olhei para a frente e vi o bonde lentamente vindo em minha dire√ß√£o. O condutor, de cerca de 60 anos buzinava nervoso, enquanto sua assistente bem jovem, ria . Sa√≠ imediatamente da frente e o bonde passou. No fim do dia comprei uma garrafa de vinho do Porto. Foi uma marca barata, mas me arrependi e deveria ter seguido a sugest√£o de uma portuguesa no supermercado e comprado uma marca tradicional. √Ä noite encontrei alguns brasileiros que haviam chegado ao albergue, um deles morava em Lisboa e falou sobre a cidade, com sugest√Ķes de hospedagens e locais. Outro era ligado a Cinema e viajava pela Europa. Havia tamb√©m um americano que viajava pela Europa e gostava muito de conversar.
      Num dos dias fui √† praia e pedi para deixar minhas roupas sob a guarda de um bar lanchonete. Havia placas dizendo para se tomar cuidado com o choque t√©rmico devido √† diferen√ßa de temperatura entre a √°gua do mar e o corpo. Quando entrei at√© a canela senti a √°gua muito fria¬†. Acabei desistindo de mergulhar. N√£o pude entrar em nenhum dos est√°dios, o Drag√£o estava fechado e o do Boa Vista estava tendo um treinamento que n√£o se podia assistir. Tive dificuldade em achar banheiros p√ļblicos, assim como em Lisboa. Acabei usando o de igrejas, empresas de √īnibus e at√© o rio e √°reas verdes na¬†sua margem. Na tarde do √ļltimo dia, meu √ļltimo programa foi ir a uma visita com degusta√ß√£o de vinhos no alojamento Graham, de que muito gostei. Quando cheguei, havia um casal de americanos ou ingleses na frente, ent√£o as explica√ß√Ķes foram em ingl√™s, devido √† maioria. Chegaram duas portuguesas, mas a√≠ j√° era tarde para mudar a l√≠ngua. Depois de toda a visita e explica√ß√Ķes, foi oferecida degusta√ß√£o de diversos tipos de vinho, incluindo um vintage, que achei maravilhoso . Sa√≠mos de l√° um pouco tr√īpegos, pois eu (e acho que elas tamb√©m) n√£o estou acostumado a beber √°lcool. Mesmo assim fui a p√© at√© o ponto de sa√≠da do √īnibus para F√°tima. Peguei o √īnibus no fim da tarde e cheguei em F√°tima no in√≠cio da noite. Fui at√© o centro de peregrinos P√£o da Vida. Havia um peregrino na minha frente que tinha subido a serra a p√© (se bem me lembro estava descal√ßo) e falava de dores nos p√©s. O respons√°vel perguntou-me se eu tinha vindo a p√©. Disse-lhe que n√£o, por√©m que havia feito o Caminho de Santiago. Ent√£o ele me aceitou como h√≥spede. O albergue era gratuito, entretanto aceitava doa√ß√Ķes.
      Fiquei em F√°tima at√© domingo 29/04. Gostei muito . Para as atra√ß√Ķes de F√°tima veja https://pt.wikipedia.org/wiki/F√°tima, https://www.dicasdelisboa.com.br/2016/03/santuario-de-fatima-em-portugal.html# e https://www.feriasemportugal.com/fatima. Os pontos de que mais gostei foram o Santu√°rio e a rota de peregrina√ß√£o para conhecer a vida dos pastorinhos e as apari√ß√Ķes.
      Nos diversos dias fui at√© o Santu√°rio, que tinha uma cerim√īnia de velas √† noite, que achei bastante interessante ūüĎć. Havia bastante gente, principalmente nas celebra√ß√Ķes. Achei o clima bastante inspirador para espiritualidade e autoconhecimento.
      No in√≠cio da tarde do domingo peguei um √īnibus para Lisboa. O motorista, que acho que n√£o conhecia bem Lisboa, n√£o soube me indicar onde era o Parque das Na√ß√Ķes, onde eu tinha informa√ß√£o de que era o albergue da juventude. Assim sendo, acabei ficando no ponto final, que depois descobri ser bem longe de l√°. Voltei tudo andando a p√©, mas n√£o havia vagas. Fui ent√£o ao albergue que o brasileiro que tinha conhecido no Porto e morava em Lisboa tinha indicado, que era em Almada. Fui muito bem tratado ¬†e consegui vaga sem problemas. Achei espetacular a vista de Lisboa a partir dele¬†, tanto diurna como noturna. Reencontrei o brasileiro ligado a Cinema que havia conhecido no Porto. Fiquei em Lisboa at√© 5.a feira 03/05.
      Gostei de Lisboa ūüĎć. Para as atra√ß√Ķes veja https://pt.wikipedia.org/wiki/Lisboa, https://www.visitlisboa.com/pt-pt, https://www.dicasdelisboa.com.br/# e https://guia.melhoresdestinos.com.br/lisboa-157-c.html. Os pontos de que mais gostei foram a vistas do rio, as constru√ß√Ķes e monumentos hist√≥ricos, especialmente o Padr√£o dos Descobrimentos e o mapa no ch√£o com os locais at√© onde os portugueses foram, os bairros t√≠picos locais, a arquitetura dos est√°dios de futebol, as √°reas verdes, a ponte e a vista a partir de Almada.
      Na 3.a feira 01/05 tive dificuldade em conseguir √īnibus para voltar, pois no feriado a quantidade e frequ√™ncia dos √īnibus era menor. Como come√ßou a chover fraco, esfriou e a situa√ß√£o ficou ainda mais in√≥spita¬†.
      Quando fui visitar a Praça do Comércio, veio um rapaz me perguntar se eu desejava haxixe . O brasileiro que morava em Lisboa havia previsto que isto iria acontecer quando nos encontramos no Porto anteriormente.
      Em certa ocasião cruzei com um carro de polícia, que estranhou o fato de eu estar indo em direção a um campo de futebol, que eu não sabia estar abandonado. Quando voltei do campo, o carro novamente cruzou comigo, pediu para que eu parasse e pediu meus documentos. Depois de verificar tudo e ver que estava regular, perguntou o que eu tinha ido fazer naquele campo. Talvez fosse local de consumo de drogas. Eu expliquei que gostava de futebol e não sabia que estava abandonado. Falei que pretendia ir conhecer a Faculdade de Arquitetura e me sugeriram almoçar lá.
      Num dos dias, chegou um português (aparentemente um filólogo) à noite no quarto do albergue em que eu estava e começou a querer conversar sobre filosofia, após eu lhe responder que tinha ido fazer o Caminho de Santiago. Mas como eu já estava dormindo, acabei não me envolvendo muito na conversa. Aí chegou o brasileiro ligado a Cinema, espantou-se em me ver acordado ainda, posto que sempre que chegava eu já estava dormindo, e conversou com ele por algum tempo, até a madrugada.
      Vi muitos motociclistas brasileiros (provavelmente que exerciam a profissão em São Paulo) trabalhando em Lisboa.
      Na 5.a feira 03/05 peguei um √īnibus da ALSA (https://www.alsa.es) de manh√£ para Madrid e cheguei no fim da tarde. Durante o trajeto conheci um viajante do leste europeu, que falava fluentemente Portugu√™s e comentou sobre as riquezas da R√ļssia. Em Madrid fiquei no albergue Los Amigos (Sol ou √ďpera, n√£o me lembro) na regi√£o central. Como era um dia s√≥ achei mais pr√°tico, posto que o pre√ßo n√£o era t√£o maior do que a Pousada Sudamericana.
      No dia seguinte, 6.a feira 04/05, tive uma ligeira indisposi√ß√£o estomacal e deitei no ch√£o da √°rea de entrada do banheiro por um instante. Nisso entrou uma japonesa que levou um susto . Reencontrei no caf√© da manh√£ novamente o brasileiro ligado a Cinema, que me disse sorrindo que eu o estava seguindo. Como ele s√≥ tinha um dia, sugeri-lhe os¬†Paseo de Recoletos e Paseo del Prado. Ainda dei um passeio por Madrid e fui conhecer o Est√°dio Santiago Bernab√©u por fora, que eu n√£o tinha tido tempo. Interessante como sua localiza√ß√£o era central. Perguntei numa empresa de recrutamento qual era o sal√°rio anual de um desenvolvedor ou engenheiro de software s√™nior, que era minha profiss√£o, s√≥ por curiosidade, pois n√£o pretendia me mudar. Achei que seria um pouco melhor. Descobri que poderia ser inferior ao do Brasil ¬†e confirmei que √© muito inferior ao dos EUA. Passeei ainda por outras √°reas de que havia gostado e algumas que n√£o tinha podido conhecer. No fim do dia peguei o metr√ī para o aeroporto. No voo conheci um brasileiro de Goi√°s que trabalhava em obras gerais na Espanha como ilegal tamb√©m e estava voltando ao Brasil para visitar a fam√≠lia. Passei novamente por Buenos Aires e cheguei em S√£o Paulo no s√°bado 05/05 de manh√£, ap√≥s belo sobrevoo pelo litoral brasileiro , sendo que consegui reconhecer o fim do litoral paranaense e todo¬†o trecho do litoral paulista.
    • Por Astrol√°bio Trip
      Sintra é a vila portuguesa dos charmosos palácios com belíssimas paisagens e  mais de 10 monumentos nacionais. Um dos bate-voltas favoritos a partir de Lisboa. 1 dia é suficiente? Pra mim não foi, mesmo conseguindo visitar vários lugares. Pensei que conseguiria visitar todos os palácios que queria, como o  Palácio de Monserrate e o Palácio Nacional de Queluz,   mas não consegui pois tudo era tão encantador que você passa horas dentro de cada um dos que visitei. Então, se você tem mais tempo em Portugal, opte por passar 1 noite em Sintra. Os atrativos fazem parte dos Parques de Sinta e no site oficial você consegue ver alguns desse lugares que citei, inclusive comprar o bilhete antecipado, caso tenha interesse.
       
      Centro Hist√≥rico e Pal√°cio Nacional de Sintra ¬† ¬† ¬† ¬†Como chegar a Sintra: √Č muito simples. Voc√™ pega o comboio (trem) na Esta√ß√£o do Oriente, Rossio ou Entrecampos. No meu caso, fui pela Esta√ß√£o do Rossio . Por isso no post anterior, recomendei esta regi√£o como um √≥timo lugar para se hospedar. Chegando em Sintra, bem perto da esta√ß√£o , voc√™ pegar√° o √īnibus n¬ļ 434 ‚Äď Circuito Pena.
      ¬† Trajetos ¬† ¬† ¬† ¬† ¬†Minha primeira parada foi o¬†Castelo dos Mouros¬†e l√° mesmo comprei os ingressos para a visita ao Castelo e ao Pal√°cio Nacional Pena. O valor atual da entrada do Castelo dos Mouros √© ‚ā¨7,60 ¬†e do Pal√°cio Nacional da Pena ‚ā¨13,30 (valores do site com 5% de desconto e para 1 adulto). Ambos ganham desconto apresentando o Lisboa Card, caso compre no local.
      Castelo dos Mouros
      ¬† ¬† ¬† ¬†Acho que esse era um dos lugares que estava mais ansiosa para conhecer por toda sua hist√≥ria. E foi incr√≠vel, andar pelas antigas muralhas beirando penhascos e com lindas vistas de outros monumentos como o Pal√°cio da Pena e o Pal√°cio de Sintra e a Quinta da Regaleira e da natureza. Essa fortifica√ß√£o foi constru√≠da no s√©culo X e classificada pela UNESCO como Patrim√īnio Mundial da Humanidade em 1995.
        Castelo dos Mouros          Saindo do Castelo, peguei o mesmo 434 sentido Palácio da Pena, a atração que visitei na sequência.
      Parque e Pal√°cio Nacional da Pena
      ¬† ¬† ¬† ¬†O Pal√°cio da Pena fica em um dos pontos mais altos da Serra de Sintra . O Pal√°cio √© formado por duas partes: o antigo convento da Ordem de S√£o Jer√īnimo, erguido em 1511 e a ala constru√≠da no s√©culo XIX. O antigo convento foi adquirido e reformado por D. Fernando II em 1838, que estava abandonado desde 1834. Al√©m das obras no Pal√°cio, que terminaram por volta de 1860, D. Fernando mandou plantar o Parque da Pena, composto por jardins rom√Ęnticos, √°rvores e plantas de v√°rios lugares do mundo. Tamb√©m foi classificado pela UNESCO como Patrim√īnio Mundial da Humanidade em 1995.
        Palácio Nacional da Pena          Peguei o 434 novamente e desci próximo ao Palácio Nacional de Sintra, no centro histórico, mas não tive tempo de visitá-lo E entrei na fila para pegar o 435 pois meu próximo destino era a….
      Quinta da Regaleira
      ¬† ¬† ¬† ¬†A Quinta da Regaleira √© um dos mais surpreendentes monumentos da Serra de Sintra. Situada na regi√£o do centro hist√≥rico da Vila, foi constru√≠da entre 1904 e 1910 por um dos homens mais ricos de Portugal na √©poca. √Č ¬†¬†uma mans√£o g√≥tica extravagante com¬† atra√ß√Ķes como os luxuosos jardins, lagos, constru√ß√Ķes enigm√°ticas e grutas ligadas por um sistema de t√ļneis. Por todas as partes da propriedade est√£o presentes s√≠mbolos ocultistas e misteriosos, que dizem serem pertencentes da Ma√ßonaria, Templ√°rios e a Ordem Rosa Cruz. ¬†O mesmo forma parte integral da paisagem cultural de Sintra, classificada como¬†Patrim√īnio Mundial da UNESCO¬†em 1995. Um dos maiores atrativos , al√©m do Pal√°cio, √© o Po√ßo Inici√°tico que √© uma galeria subterr√Ęnea com uma escadaria em espiral. Esta , remete √† Divina Com√©dia de Dante, onde seus 9 patamares representariam os 9 c√≠rculos do Inferno, Purgat√≥rio ou Para√≠so. Acredita-se que o Po√ßo Inici√°tico era usado na inicia√ß√£o √† ma√ßonaria
      Preços: 6 Euros (sem guia)  e 12 Euros (com guia). (20% de desconto com o Lisboa Card)
        Quinta da Regaleira           Está gostando? Inscreva-se no blog para receber avisos de novos posts, no Instagram @astrolabio.trip e em nossa Fanpage Astrolábio Trip .
      ¬† ¬† ¬† ¬†De volta a Esta√ß√£o de Sintra, Peguei um outro √īnibus 403 e fui em dire√ß√£o ao ponto mais ocidental da Europa:¬†o Cabo da Roca. O dia estava lindo, mas mesmo assim ventava bastante. A vista para o mar e das fal√©sias √© sensacional.
      ¬† Cabo da Roca ¬† ¬† ¬† ¬† ¬†E o dia acabou?? Ainda n√£o! No ver√£o o sol se p√Ķe quase √†s 21h, o que me deu bastante tempo para aproveitar o dia e a noite. Next stop:¬†Cascais
      Boca do Inferno
      ¬† ¬† ¬† ¬†Reza a lenda que h√° muito, muito tempo atr√°s, vivia um feiticeiro cruel em um castelo na zona de Cascais que hoje √© conhecida como a ‚ÄúBoca do Inferno‚ÄĚ. Ele decidiu que queria se casar e foi escolhida a mulher mais bela das redondezas. Quando a viu pessoalmente, ficou encantado com sua beleza , e como era muito ciumento, resolveu tranc√°-la em uma torre alta e solit√°ria , mas enviou para guardi√£o o seu mais fiel cavaleiro. Resultado: O guardi√£o e a mo√ßa se apaixonaram e resolveram fugir. Montaram no cavalo branco do cavaleiro e fugiram pelos rochedos junto ao mar. O feiticeiro logo descobriu a fuga dos dois e resolveu castig√°-los mandando uma assustadora tempestade no caminho deles. A for√ßa da tempestade fez com que os rochedos por onde eles passavam se abrissem¬†¬†como uma grande¬†boca infernal. O cavalo, o cavaleiro e a bela jovem ca√≠ram nesse grande buraco e desapareceram para sempre.¬†A partir desse dia o buraco nunca mais se fechou e foi ent√£o que o povo come√ßou a chamar-lhe ‚ÄúBoca do Inferno‚ÄĚ.
      ¬† ¬† ¬† ¬† ¬†De l√° peguei mais um √īnibus para passear pela¬†orla de Cascais e na Praia da Rainha. Passeio muito agrad√°vel e imperd√≠vel!
      Cascais        E finalmente o dia chegou ao fim.Voltei de trem (comboio) de Cascais para Lisboa. Foi tudo muito corrido, mas amei cada segundo desse dia.
      ¬† ¬† ¬† ¬†Espero que tenha gostado do post. Qualquer d√ļvida ou sugest√£o, deixe aqui nos coment√°rios que respondo. At√© o pr√≥ximo! XOXO
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    • Por raquelmorgado
      Quando regress√°mos da viagem pelas am√©ricas trouxemos connosco a mesma vontade de conhecer coisas novas e acab√°mos por transportar isso para as cidades portuguesas. Em outubro fomos viver para Lisboa e come√ßou a ca√ßa √†s atividades giras, preferencialmente gratuitas. Foi dessa forma que a Raquel, pelo Facebook, encontrou as visitas guiadas ao aqueduto de √°guas livres que se realizam ao s√°bado de manh√£. Nenhum de n√≥s tinha visitado o museu da √°gua e apenas conhec√≠amos o aqueduto visto da estrada, em tr√Ęnsito. Quem leu em adolescente os livros da cole√ß√£o¬†Uma Aventura¬†quase de certeza n√£o falhou o que se passa no aqueduto ‚ÄstUma Aventura em Lisboa. Se forem como n√≥s, desde essa altura t√™m uma vontade de atravessar o aqueduto.
      Por ser algo garantido, n√£o se valoriza devidamente o acesso a √°gua canalizada, que est√° sempre ali, √† espera que se abram as torneiras. Pelo contr√°rio, quem, como n√≥s, viveu alguns meses sem √°gua canalizada, a ter de comprar cisternas de √°gua para encher dep√≥sitos, sabe como este √© um bem precioso. O museu da √°gua (EPAL) tem a fun√ß√£o de consciencializar a popula√ß√£o para o racionamento desse bem precioso, uma coisa que tem sido muito falada. O caso mais medi√°tico √© o da Cidade do Cabo, na √Āfrica do Sul, em que h√° v√°rios meses se fala no Day Zero, o dia em que a √°gua vai deixar de correr nas torneiras devido √† seca extrema. Esse dia foi sucessivamente adiado por medidas de poupan√ßa cumpridos √† risca, redu√ß√£o do hor√°rio de fornecimento, proibi√ß√£o de desperd√≠cio e atribui√ß√£o de um r√°cio de √°gua por habitante. Mesmo em Portugal, em 2017, houve dias assustadores, com diversas barragens abaixo do recomendado e duas pontes outrora completamente submersas a surgirem de novo na paisagem. N√≥s fomos √† procura de uma delas e o cen√°rio √© realmente desolador.
      Muitos criticam os pre√ßos que a EPAL cobra pela √°gua, acima da m√©dia europeia, mas nem tudo √© mau nesta empresa. Estes sabem que t√™m um papel na vida lisboeta que vai al√©m da tarefa di√°ria de manter a √°gua a correr nas torneiras, dando valor ao patrim√≥nio hist√≥rico e cultural, sendo um dos exemplos o museu da √°gua aberto ao p√ļblico.
       
      Houve tentativa de cria√ß√£o de museu em 1919, mas s√≥ em 1987 foi instalada uma exposi√ß√£o permanente.¬†¬†O museu tem um pre√ßo acess√≠vel, recebendo tamb√©m concertos gr√°tis e pagos. √Ȭ†constitu√≠do por:
      aqueduto das águas livres; reservatório da mãe d’água; reservatório patriarcal; estação elevatória a vapor dos Barbadinhos; Galeria do Loreto;
      Aqueduto das √°guas livres
      Os arcos que o comp√Ķem s√£o uma das imagens de marca de Lisboa, vis√≠veis da Avenida de Ceuta, Monsanto, Campolide, e at√© para quem chega de avi√£o. O aqueduto foi constru√≠do recorrendo a um imposto especial aplicado aos bens essenciais, como azeite, vinho e carne, por determina√ß√£o real de D. Jo√£o V, em 1731, plena √©poca de imp√©rio portugu√™s, onde circula ouro, diamantes, especiarias, tecidos e madeiras finas. Tempo de esbanje e de mostrar aos pa√≠ses vizinhos que temos tudo em grande, ent√£o, por que n√£o fazer um aqueduto √† sua imagem? Estes 14 quil√≥metros de aqueduto resistiram ao terramoto de 1755, mantendo-se inabal√°veis os 127 arcos, inclusive o maior arco de pedra do mundo. O sistema completo percorria quase 60 quil√≥metros, trazendo √°gua de 58 nascentes, tendo sido utilizado at√© 1967. Voltando ao in√≠cio, em 1744, diz a EPAL que ao som de av√©-marias, circulou primeira vez √°gua de Belas (Sintra) at√© √†s Amoreiras, onde fica a m√£e d‚Äô√°gua. Fornecia 1300m3 de √°gua, refor√ßados em 1880 com a inaugura√ß√£o do aqueduto do Alviela. √Č monumento nacional desde 1910.
      Foi cen√°rio de diversas hist√≥rias e lendas, como a do c√©lebre ladr√£o Diogo Alves, que atirava do topo do aqueduto as v√≠timas que roubava. Foi muito pela agita√ß√£o criada por estas mortes que se fechou o aqueduto. Diogo √© c√©lebre por ser o √ļltimo condenado √† morte em Portugal, enforcado a 19 de fevereiro de 1841. H√° um filme, estreado em 1911, sobre a sua hist√≥ria, e a sua cabe√ßa encontra-se na Faculdade de Medicina de Lisboa, tendo sido estudada para perceber de onde vinha tanta malvadez. Voltando ao aqueduto, tem 941 metros abertos ao p√ļblico, sobre o Vale de Alc√Ęntara. √Č uma caminhada f√°cil, agrad√°vel, com uma boa vista sobre a cidade, e com pouca gente em simult√Ęneo. Tem um bebedouro junto ao port√£o de entrada onde podem encher garrafas que levem vazias.



       

      Reservatório da Mãe D’água
      Dois dos seus arquitetos morreram antes da finaliza√ß√£o do projecto, que foi sendo alterado com as sucessivas trocas de respons√°vel. Come√ßou a funcionar em 1746, sem que o projeto estivesse finalizado. Passaram mais 80 anos, 7 reis, invas√Ķes francesas e o terramoto at√© que durante o reinado de D.Maria II, com altera√ß√£o da imagem inicial, este ficasse conclu√≠do. Tem um certo misticismo, sendo amplo e luminoso. Arquitetonicamente √© muito mais do que uma cisterna de √°gua.¬† Tem um terra√ßo com vista sobre a cidade, um tanque de 5500m3, quatro colunas e √© utilizado para receber exposi√ß√Ķes, algo que j√° t√≠nhamos visto na Argentina, em¬†Mar del Plata, uma Torre de √Āgua que tamb√©m √© museu.
      Tem uma pequena loja com produtos alusivos à EPAL, é um espaço bastante interessante, merece que se fique ali a olhar para a cascata que sai da boca dum golfinho e para o tanque.



      Reservatório da Patriarcal
      Em pleno Pr√≠ncipe Real, por baixo da pra√ßa D. Pedro V, existe um reservat√≥rio que era abastecido pelo novo aqueduto da Alviela. √Č um espa√ßo imponente, tamb√©m misterioso, onde se fazem desfiles e concertos. Os dois tanques t√™m uma capacidade pr√≥xima de 900m3 e foi constru√≠do para reduzir a press√£o da √°gua entre as Amoreiras (Reservat√≥rio da M√£e D‚Äô√°gua) e a baixa da cidade.
      Tem um 31 pilares e ab√≥badas que sustentam o lago que permite o arejar das √°guas. S√£o vis√≠veis as tr√™s galerias que partem dali. Uma vai at√© √† Galeria do Loreto, outra at√© √† Rua da Alegria e a √ļltima at√© √† Rua de S. Mar√ßal. Partem daqui as visitas pela Galeria do Loreto, podendo ver-se os capacetes de seguran√ßa dispostos no in√≠cio do t√ļnel.
      Todas as sextas-feiras, às 19h, recebe concertos de fado, em parceria com a Real Fado.


      Estação Elevatória a Vapor do Barbadinhos
      Chegou um momento na hist√≥ria em que era preciso mais √°gua, o sistema existente n√£o dava conta do recado, por isso foi preciso encontrar outra solu√ß√£o. Entre 1871 e 1880 construiu-se o Aqueduto da Alviela, que trazia √°gua a 114 quil√≥metros de dist√Ęncia. O reservat√≥rio foi constru√≠do junto a um extinto convento, foi desativado a 1928, mas ainda conserva as m√°quinas a vapor e uma exposi√ß√£o permanente. Nota: A nossa viagem n√£o incluiu os Barbadinhos.
       
      Galeria do Loreto
      O sistema tem v√°rias galerias, como a das Necessidades, Campo Santana, Rato, Esperan√ßa e Loreto. Esta √© a √ļnica visit√°vel, com guia, em duas partes: 1) do Reservat√≥rio Patriarcal at√© ao miradouro de S. Pedro de Alc√Ęntara; e 2) do reservat√≥rio at√© √† Rua do S√©culo. Todo o sistema da galeria do Loreto tem 2835 metros. Dizem que vale a pena a visita, mas tem sido dif√≠cil enquadrar os nossos fins de semana em Lisboa com as visitas guiadas.
       
      Preços:
      Os reservat√≥rios, a esta√ß√£o elevat√≥ria e o aqueduto s√£o gr√°tis todos os fins de semana de 2018. Nos restantes dias, os pre√ßos variam, de 1 a 10‚ā¨, dependendo do que forem ver. As √ļnicas visitas mais restritas s√£o as da Galeria do Loreto, que exigem marca√ß√£o pr√©via.
       
      Vale a pena:
      Aproveitando os bilhetes gr√°tis ao fim de semana devem visitar o museu. Mesmo pagando, por 15‚ā¨ conseguem ter acesso a tudo. O ideal √© encontrar um dia n√£o muito quente para ir ao aqueduto. Tanto faz sentido ir em visita guiada, para receber o contexto hist√≥rico, como sozinhos, para calmamente apreciar e passear nos aquedutos e os reservat√≥rios.


      R. Alviela 12, 1170-012 Lisboa, Portugal   https://365diasnomundo.com/2018/09/19/agua-lisboa/
    • Por Mari D'Angelo
      Leia aqui o relato original com fotos e mapa!
       
      A curta viagem que fizemos para a Serra da Estrela e arredores foi uma das que mais gostei até agora aqui em Portugal!
      Foram 3 dias, partindo de¬†Lisboa¬†e conhecendo al√©m da Serra, algumas das¬†aldeias hist√≥ricas¬†de¬†Portugal! Fomos de carro e sem d√ļvidas essa √© a melhor op√ß√£o. N√£o tivemos problemas quanto √† neve na estrada, mas se for nos meses mais r√≠gidos de inverno pode ser que seja preciso tomar algumas precau√ß√Ķes, como colocar corrente nos pneus.
       
      Dia 1 ‚Äď Aldeias de Pi√≥d√£o e Folgosinho
      Nossa primeira parada foi em¬†Pi√≥d√£o, uma das mais famosas aldeias hist√≥ricas de¬†Portugal! √Č diferente de tudo que j√° tinha visto. Uma pitoresca vila, quase que inabitada, com¬†casas de xisto (pedra que conhecemos no Brasil como ard√≥sia) amontoadas morro acima e uma igrejinha branca contrastando com todo o resto! H√° uns poucos caf√©s e restaurantes e algumas lojinhas de produtos artesanais como queijo, p√£es, artigos em l√£ e souvenirs. Os pastos, em camadas atravessando riacho, comp√Ķe a paisagem buc√≥lica, onde, n√£o fosse o burburinho de quem visita o vilarejo, s√≥ se ouviria o barulho da √°gua e os sininhos das ovelhas.
      Pi√≥d√£o¬†√© conhecida como a ‚Äúaldeia pres√©pio‚ÄĚ, e √© f√°cil entender o motivo quando se olha a cidadezinha de longe. N√£o tive a oportunidade de conhecer esse lugar m√°gico √† noite, mas posso imaginar como fica ainda mais encantador com luzes salpicadas por entre as casinhas.
      De lá seguimos para a aldeia de Folgosinho, já dentro da Serra da Estrela, onde alugamos o Airbnb mais fofo da vida (e pet friendly, o que agora faz toda a diferença pra nós)!
      A cidade √© conhecida por ter sido, supostamente, onde nasceu o guerreiro Viriato, um dos l√≠deres lusitanos nas guerras contra os romanos. Tamb√©m √© famosa por suas √°guas, j√° que h√° diversas fontes de √°gua pot√°vel¬†espalhadas pelas ruas e pra√ßas. Al√©m disso, h√° v√°rios versinhos com essa tem√°tica pela cidade, como esse: ‚ÄúAs fontes s√£o como n√≥s: √°s vezes cantam de magua. Que doce fio de voz‚Ķ h√° dentro dum fio d‚Äô√°gua‚ÄĚ.
      Outro ponto de interesse em¬†Folgosinho¬†√© o castelo, erguido sobre uma maravilhosa montanha de quartzo rosa! Hoje n√£o √© muito mais que um mirante, mas sua posi√ß√£o privilegiada revela uma vista 360¬ļ de paisagens bem t√≠picas do campo.
      As op√ß√Ķes para comer por l√° s√£o basicamente duas: ‚ÄúO Mocas‚ÄĚ e ‚ÄúO Albertino‚ÄĚ. Escolhemos a segunda e acabamos descobrindo que √© um lugar super tradicional e parada certa de muita gente que vem para a Serra da Estrela. Fiquei mais de meia hora s√≥ pra conseguir fazer a reserva! O esquema do jantar √© com pre√ßo fixo (15‚ā¨ por pessoa) incluindo uma entrada com queijos e embutidos, 5 pratos principais (todos de carnes da regi√£o) um trio de sobremesas caseiras e a bebida. Eles fazem outras coisas al√©m de carne mas tem que ser combinado na reserva. Eu n√£o sabia disso e n√£o comia absolutamente nenhum dos pratos servidos, mas eles foram super atenciosos e preparam um enorme e delicioso bacalhau! No fim, o caf√© e licores s√£o servidos no Hins Bar (provavelmente o √ļnico da cidade), alguns metros √† frente, onde voc√™ pode continuar a noite se quiser.
      E já que estamos falando de comida, aqui vai um alerta: não volte dessa viagem sem provar um queijo da Serra da Estrela! Sério, é apenas divino!!!
      Talvez¬†Folgosinho¬†n√£o seja t√£o atraente para uma visita se n√£o for caminho para o destino final, mas ficar hospedada l√° foi definitivamente uma experi√™ncia √ļnica! Por dois dias pude sentir o dia a dia simples e gostoso de um vilarejo que provavelmente tem menos habitantes do que tenho de amigos no Facebook (e olha que nem tenho muitos). Al√©m disso, √© um lugar estrat√©gico pra quem quer conhecer a regi√£o pois fica mesmo dentro da¬†Serra da Estrela. Daquele tipo de lugar que a gente cai meio que sem querer e fica apaixonado!
       
      Dia 2 ‚Äď Manteigas, Vale Glaciar do Z√™zere, neve no topo da Serra e Cov√£o d¬īAmetade
      No dia seguinte, ap√≥s uma voltinha pela cidade, come√ßamos a explorar de fato a¬†Serra da Estrela. Apesar de ter alguns pontos espec√≠ficos a visitar, em viagens como essas o caminho em si j√° √© o destino. Pode soar clich√™, mas √© verdade! A √ļnica coisa triste foi ver centenas de √°rvores queimadas, j√° que algumas partes daquela regi√£o foram atingidas pelos inc√™ndios de ver√£o (que s√£o um problema todo ano por aqui).
      E logo nos primeiros quil√īmetros de estrada, j√° nos deparamos com um senhorzinho simp√°tico e sorridente pastoreando suas ovelhas! Depois percebemos que essa cena fofa e quase cinematogr√°fica pra n√≥s, gente da ‚Äúcidade grande‚ÄĚ, √© super comum por ali, os carros simplesmente param e esperam o rebanho passar como se fosse a coisa mais normal do mundo.
      Nossa primeira parada foi em Manteigas, cidadezinha que fica bem no meio da Serra e que diziam ser parada obrigatória, mas, apesar de fofinha, não achei assim tão imperdível. Pode ser uma boa opção para hospedagem, pela localização e por ser também um pouquinho maior do que as aldeias.
      Depois fomos at√© o¬†Vale Glaciar do Z√™zere, bem pertinho de Manteigas. Que lugar maravilhoso! √Č tanta natureza, tanto sil√™ncio, que d√° vontade de ficar l√° o dia todo!
      E √© assim que a gente vai aprendendo geografia, n√©? N√£o fazia ideia do que era um vale glaciar, mas aprendi que √© um vale em formato de ‚ÄúU‚ÄĚ, nesse caso cortado pelo Rio Z√™zere, que foi moldado em meio √† montanhas ap√≥s o derretimento de geleiras nas eras glaciais.
      Ou seja, h√° milhares de anos atr√°s aquilo era uma paisagem totalmente diferente e coberta de gelo!
      E falando em gelo, j√° estava ansiosa pra chegar l√° no topo da serra e afundar meus p√©zinhos na neve! No caminho, forma√ß√Ķes rochosas bem peculiares e uma imagem de Nossa Senhora da Boa Estrela cravada na pedra nos obrigaram a fazer algumas paradinhas.
      Na verdade não fomos literalmente até o ponto mais alto, onde fica a torre e o começo das pistas de esqui. Como estava muito cheio, preferimos ficar um pouco mais em baixo, sem tanta gente e ainda com bastante neve, formando paisagens fantásticas!
      Só fiquei decepcionada por achar que seria fácil fazer um boneco de neve… Não é, #fail!
      Se você é mais da aventura, pode alugar os equipamentos para descer nas pistas. Também vimos muitos portugueses escorregando com umas pás de plástico que depois até vimos pra vender ali perto. Então, se é um fanático da neve, pode investir em uma dessas e voltar lá todo inverno!
      Fomos em Fevereiro e mesmo já tendo passado um pouco da época ideal para ver neve, tinha bastante gente, então a parte final para chegar ao topo da serra estava bem congestionada. Estacionar também não é tarefa fácil, os carros ficam parados meio no improviso, dos dois lados da estrada. Tem que ter paciência!
      J√° no caminho de volta para Folgosinho ca√≠mos meio que sem querer no¬†Cov√£o d¬īAmetade, outro lugar surpreendente de geografia glaciar! Pelo que entendemos √© tamb√©m uma √°rea de camping gratuita e com alguma infra-estrutura como banheiros. J√° planejo acampar l√° da pr√≥xima vez!
       
      Dia 3 ‚Äď Belmonte
      O √ļltimo dia foi s√≥ mesmo a volta para¬†Lisboa, com uma parada em¬†Belmonte, aldeia onde nasceu Pedro √Ālvares Cabral (e por isso rola at√© uma bandeirinha do Brasil l√°). A cidadezinha tem como atra√ß√£o principal o Castelo de Belmonte, e apesar de tamb√©m ser uma gra√ßa, n√£o me encantou tanto quanto as outras.
      Se curte cerveja artesanal dê uma passada na Cabralina! Apesar de não ser muito barata, a pequena loja é simpática e além da cerveja, de produção própria, tem também outros produtos artesanais.
      Ficamos só 3 dias, mas tem tanta coisa pra ver que acho que mais uns 2 ou 3 dias seria o ideal!
       
      Leia aqui o relato original com fotos e mapa!
    • Por pameli
      Pessoal,
      Vou para Portugal agora no final de Outubro/começo de Novembro e tenho 8 dias lá (fora dia de chegada/saída). Pensei em entrar por Lisboa e voltar por Porto para otimizar o tempo. Pelo que pesquisei, as cidades do caminho seriam:
      Lisboa,¬†Sintra,¬†Cascais,¬†√ďbidos,¬†F√°tima (obrigat√≥rio, √© o sonho da minha m√£e),¬†Porto.
      Vou fazer tudo de trem ou √īnibus. Pensei em organizar dessa forma:
      Lisboa - 3 dias (inclui bate e volta Sintra e Cascais, em dias diferentes),
      √ďbidos - 2¬†dias (inclui¬†bate e volta pra F√°tima),
      Porto - 3 dias (não sei quais cidades nos arredores são legais, ou se só Porto em si basta).
      A√≠ tenho algumas d√ļvidas, se puderem me ajudar:
      1 - Esse n√ļmero de dias basta em cada cidade? Ou seria melhor reorganizar?
      2 - Compensar dormir em √ďbidos ou ficar em Lisboa e fazer bate e volta?
      3 - N√£o encontro em nenhum lugar transporte p√ļblico de √ďbidos para F√°tima. Voc√™s sabem qual seria?
      4 - Nos arredores de Porto, o que valeria a pena? Ou a cidade por si só já tem bastante coisa?
      Se puderem me ajudar, agradeço.
      Obrigada!!
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