Ir para conte√ļdo
  • Cadastre-se

Posts Recomendados

praiasportugal.jpg.2bfab0dd493782a8aa6eb3d3d2897d3f.jpg


 

Leia aqui o relato original com fotos!¬†ūüď∑

 

Porto Covo é uma pequena vila do litoral alentejano na linha da magnífica Costa Vicentina, a menos de 2h de carro de Lisboa, no conselho de Sines. Um combo de cidadezinha charmosa com paisagens naturais incríveis!

A cidade em si é bem pequena, são basicamente umas três ruas principais e uma praça central. No verão, turistas e portugueses enchem as esplanadas dos cafés e restaurantes e as lojinhas praianas. As encantadoras casas típicas alentejanas, brancas com detalhes azuis, e a igrejinha no Largo Marquês de Pombal dão aquele ar aconchegante de interior.

Ficamos acampados no¬†Camping do Vizir, que √© bem pertinho do centro e tem uma super infra estrutura! Pra quem n√£o quiser ficar em barraca, h√° outras op√ß√Ķes como os bungalows. Os valores para campismo s√£o bem simp√°ticos e o lugar √© pet friendly!

Para comer indico o restaurante Taska do Xico, bem no centro. Ficamos na área externa por causa do Banoffe, mas há uma varanda interna com uma vista linda (e provavelmente bem disputada, talvez seja melhor reservar)! Provamos a feijoada de choco, deliciosa e bem temperada! Os preços são bem justos, especialmente se comparado à outros restaurantes da cidade.

Para o cafézinho vale conhecer a Gelataria e Cafetaria Marquês, bem ao lado da igreja. A área externa é agradável pra ficar vendo a vida passar, mas a decoração do lugar também é um charme! A especialidade doce da casa é o pastel de laranja, amêndoa e gila (um tipo de abóbora).

Muitas das praias são acessíveis a pé, entre elas a famosa Praia Grande. O nome talvez não seja o mais adequado, já que a extensão dela não é assim tão grande (o que eu particularmente prefiro), mas por ser uma das mais procuradas, é uma das praias que tem mais infra estrutura e consequentemente, que ficam mais cheias.

As praias vizinhas, delineadas pela encosta de falésias, são mais vazias e poéticas. Para ir de uma a outra há um caminho simples e plano, com paisagens que vão ficando mais lindas a cada quilometro percorrido por entre campos de suculentas e flores exóticas.

O acesso até as praias é feito através de escadinhas nas encostas. Só não se anime muito, apesar de lindas, o mar de azul profundo é gelado como a grande maioria das praias da costa portuguesa! Pode ser que a melhor pedida seja mesmo ficar pela areia.

No fim do dia escolha um cantinho bem em frente ao mar pra admirar o p√īr do sol perfeito!

Estar de carro (ou bicicleta) facilita no acesso à outras praias mais distantes, como a Praia da Ilha do Pessegueiro. A estradinha de acesso já revela ao longe a ilha que dá nome à praia. Não cheguei a conhecê-la mas durante o verão há travessias de barco até lá.

Achei a paisagem bem impactante! Meio¬†Irlanda, meio Star Wars!¬†‚̧ԳŹ

Se tiver mais de um dia, vale a pena esticar mais meia hora at√©¬†Vila Nova de Milfontes. O vilarejo √© t√£o fofo quanto¬†Porto Covo, mas as paisagens s√£o um pouco diferentes. A cidade √© banhada pelo¬†Rio Mira, que proporciona um pedacinho de √°guas l√≠mpidas e calmas ao p√© do Forte de S√£o Clemente. Do outro lado do rio, a Praia das Furnas se estende at√© a abertura para o Oceano Atl√Ęntico. Um bom lugar para ver tudo isso do alto √© a rotat√≥ria do Farol de Milfontes, onde tamb√©m fica a est√°tua do Arcanjo.

De lá se tem acesso a algumas praias mais voltadas para o lado do rio, mas fomos atraídos por um campo de flores no lado oposto, digno de fundo de tela do Windows, e acabamos descobrindo a Praia do Carreiro das Fazendas. Linda, enorme e vazia!

Essa é uma sugestão de roteiro para 2 dias pelas praias alentejanas, mas se tiver mais tempo, certamente vale a pena percorrer com mais calma a Costa Vicentina!

 

Leia aqui o relato original com fotos!¬†ūüď∑

  • Obrigad@! 1

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Crie uma conta ou entre para comentar

Você precisar ser um membro para fazer um comentário

Criar uma conta

Crie uma nova conta em nossa comunidade. √Č f√°cil!

Crie uma nova conta

Entrar

Já tem uma conta? Faça o login.

Entrar Agora

  • Conte√ļdo Similar

    • Por Giovanni M. Machado
      Ent√£o gurizada, estou planejando uma viagem junto a alguns amigos meus, pretendemos nos separarmos entre √īnibus e carro entre destinos entre Punta Del Diablo, Cabo Polonio, La Paloma por volta do inicio de janeiro.
      Gostaria, se possivel, que a galera mais experiente com os locais compartilhasse algumas dicas sobre hospedagens, lugares, comida, sobrevivência(kkk).
      E qualquer pessoa com duvidas tamb√©m pode colocar aqui, pois as informa√ß√Ķes podem ser compartilhadas!
      Muito obrigado!
      Gurizada que vai estar por l√° nessa epoca manda um salve.
    • Por gabriel.santiago
      Bom dia!!
      No in√≠cio de fevereiro farei uma viagem a Portugal com dura√ß√£o de 15 dias. Passarei por seis cidades diferentes do centro e¬†norte da terrinha, e gostaria de sugest√Ķes de mochilas pra essa viagem. Valeu!!
    • Por fernandobalm
      Considera√ß√Ķes Gerais
      N√£o pretendo aqui fazer um relato detalhado, mas apenas descrever a viagem com as informa√ß√Ķes que considerar mais relevantes para quem pretende fazer um roteiro semelhante, principalmente o trajeto, pre√ßos, acomoda√ß√Ķes, meios de transporte e informa√ß√Ķes adicionais que eu achar importantes.
      Sobre os locais a visitar, só vou citar os de que mais gostei ou que estiverem fora dos roteiros tradicionais. Os outros pode-se ver facilmente nos roteiros disponíveis na internet. Os meus itens preferidos geralmente relacionam-se à Natureza e à Espiritualidade.
      Informa√ß√Ķes Gerais:
      Em toda a viagem houve bastante sol. Chuva leve ou moderada só peguei na 4.a feira (13/09) quando estava voltando do supermercado e na 5.a feira (14/09) quando ainda estava no quarto e esperei que ela passasse. As temperaturas também estiveram bem razoáveis (para um paulistano), chegando em média a 30 C ao longo do dia e caindo até 22 C à noite.
      A popula√ß√£o de uma maneira geral foi muito cordial e gentil ūüĎć. Havia nas localidades mais conhecidas tamb√©m muitas pessoas de fora da regi√£o e estrangeiros, principalmente argentinos.
      As paisagens das praias agradaram-me muito, principalmente as próprias praias, o mar, a vista a partir de pontos altos, a vegetação e as cachoeiras. .
      A caminhada no geral foi tranquila. Mesmo as que me disseram que seriam inviáveis sem guia, como a da Prainha em Itacaré ou a de Castelhanos em Boipeba, consegui fazer sozinho sem problemas e não achei complicadas, mas me informei antes.
      Durante muito tempo estive s√≥ nas praias, que em boa parte estavam desertas. √Äs vezes cruzava com algum pescador ou habitantes locais. N√£o tive nenhum problema de seguran√ßa (nenhuma abordagem indesejada) nas praias. Mas me recomendaram n√£o ir por alguns trechos em Ilh√©us e Itaparica. Em Itabuna pareceu-me que poderia haver algum problema quando retornava do supermercado perto da rodovi√°ria e eu imediatamente procurei um local seguro. Em Mar Grande, quando iria para uma Pousada que ficava numa ladeira que haviam me dito poder ter algum problema, um aparente vigia de atividades da ladeira perguntou-me o que eu desejava (‚Äúqual √© que √©?‚ÄĚ) e eu decidi mudar de pousada.
      Peguei v√°rios cocos nas praias ūü••, bebi sua √°gua e comi a massa de alguns poucos ūüĎć.
      Os cruzamentos de rios foram tranquilos. Somente para cruzar para a Praia do Garcez e para Cacha Pregos houve a possibilidade de dificuldades, mas que acabaram n√£o se concretizando. O √ļnico ponto que n√£o consegui cruzar foi de Barra Grande para a Barra do Sirinha√©m. Tive que pegar barcos e √īnibus para Boipeba.
      V√°rios estabelecimentos comerciais aceitaram cart√£o de cr√©dito ou d√©bito (principalmente supermercados, padarias, pousadas e empresas de transporte). Em alguns casos havia acr√©scimo quando o pagamento era feito com cart√£o de cr√©dito. Havia localidades em que n√£o existiam caixas eletr√īnicos nem bancos.
      Gastei na viagem R$ 1.383,20, sendo R$¬†158,63 com alimenta√ß√£o, R$ 700,00 com hospedagem, R$ 154,99 com transporte durante a viagem, R$ 155,33¬†com a passagem de √īnibus de ida para Vit√≥ria da Conquista, R$ 7,58 com ped√°gio da ida, R$ 169,00 com a passagem a√©rea de volta para S√£o Paulo e R$ 37,67¬†com as taxas de embarque correspondentes de ida e volta e durante a viagem. Sem contar o custo da passagem entre S√£o Paulo e Vit√≥ria da Conquista e entre Salvador e S√£o Paulo e das taxas de embarque correspondentes, o gasto foi de R$ 1.015,12 (m√©dia de R$ 39,04 por dia). Mas considere que eu sou bem econ√īmico.
      A Viagem:
      Minha viagem foi de SP (Rodovi√°ria do Tiet√™) a Vit√≥ria da Conquista em 07/09/2018 pela Via√ß√£o √Āguia Branca (https://www.aguiabranca.com.br). O √īnibus sa√≠a √†s 17:00 e chegava √†s 17:10 horas. Atrasou cerca de 20 minutos na sa√≠da e mais de meia hora na chegada. Paguei R$ 169,30 (R$ 155,33 pela passagem, R$ 7,58 de ped√°gio e R$ 6,39 pela taxa de embarque) parcelada em 6x usando cart√£o de cr√©dito. A volta foi de Salvador a SP (Aeroporto de Guarulhos) em 03/10/2018 pela Avianca (https://www.avianca.com.br). O voo sa√≠a √†s 11:40 e chegava √†s 14:15. Paguei R$ 198,78 (R$ 169,00 pela passagem e R$ 29,78 pela taxa de embarque) parcelada em 6x usando cart√£o de cr√©dito.
      Na 6.a feira 7/9 fui a p√© at√© a rodovi√°ria. O √īnibus saiu cerca de 17:20 com atraso de cerca de 20 minutos. Parou em Resende perto de 20:30, onde subiram um pai e uma filha pequena que se sentaram juntos na poltrona ao lado da em que eu estava, enquanto eu jantava sandu√≠ches fora do √īnibus. Troquei de lugar para deix√°-los viajar juntos. Eu havia levado 5 brioches comprados na Vov√≥ Zuzu (http://www.vovozuzu.com.br) por R$ 1,59 cada, um usado para sandu√≠ches ūü•™, 2 cebolas, um pacote de bolachas √°gua e sal comprado no Atacad√£o (https://www.atacadao.com.br) por R$ 0,98 e uma garrafa de √°gua de 1,5 litros. O √īnibus parou depois em Para√≠ba do Sul perto de 23:30.
      No s√°bado 8/9, ap√≥s dormir um pouco de madrugada no √īnibus, paramos em Governador Valadares cerca de 8:30. L√° tomei caf√© com os sandu√≠ches que havia levado. O motorista da madrugada correu mais do que o regulamentado, o que avan√ßou o √īnibus, mas que n√£o me agradou. Meu novo companheiro de poltrona falou sobre muitas situa√ß√Ķes da sua vida. Ele trabalhava em limpeza no Shopping Center Interlagos e morava em Parelheiros. Ofereceu-me sandu√≠ches e refrigerante que recusei educadamente. Cheguei pouco antes de 18 horas na rodovi√°ria. Ao perguntar sobre a seguran√ßa do local, um atendente disse-me que era tranquilo e dois trabalhadores de via√ß√Ķes disseram-me que era perigoso. Achei tranquilo. Fiquei hospedado na Pousada da Lua, bem perto da rodovi√°ria, do outro lado da estrada, num quarto com ventilador, sem TV, com banheiro coletivo, wifi e um pequeno caf√© da manh√£. Paguei R$ 30,00 por dia em dinheiro. L√° conheci um artes√£o de An√°polis que viajava pelo Brasil, estava em dificuldades e iria voltar para An√°polis. Fui atendido pela Fabiana, respons√°vel pela pousada junto com o marido. Comprei na feirinha pr√≥xima R$ 2,00 em 2 mangas, R$ 2,00 em 1 kg de tomates, R$ 1,00 em 1 pepino, R$ 1,00 em 2 chuchus e R$ 1,20 em 4 p√£es na padaria. Jantei sandu√≠ches. A pousada tamb√©m funcionava como motel e no quarto ao lado do meu um casal passou a noite namorando ūüėÄ.
      No domingo 9/9 ap√≥s tomar um copo de caf√© puro e 2 p√£es com margarina servido pela atendente Amanda, mais meia manga e bolachas √°gua e sal, fui visitar a cidade. Comecei indo a p√© para o centro, onde pude visitar monumentos, casar√Ķes, pra√ßas, teatros, igrejas, centro cultural e museus por fora ūüĎć. No caminho passei por um jardim que estava sendo constru√≠do (acho que ser√° o Parque Ambiental), que achei belo. Depois fui ao Cristo de M√°rio Cravo, de que muito gostei . Achei a vista a partir dele muito boa e o monumento em si tamb√©m muito interessante. Era enorme, com Jesus crucificado. O caminho disseram poder ser um pouco perigoso, mas fui a p√© e nada aconteceu. Quando estava l√° em cima chegou um grupo de turistas num carro e logo ap√≥s chegou uma viatura da pol√≠cia, semelhante ao que √© a Rota em S√£o Paulo. Ofereci meus documentos para que averiguassem, mas disseram que n√£o era necess√°rio. Conversamos por algum tempo sobre seguran√ßa na cidade, locais a visitar na Bahia, a Chapada Diamantina, onde eles j√° haviam estado e apoio √†s comunidades locais. Um deles interessou-se por um portal de voluntariado. Outro explicou-me que a fei√ß√£o sofrida do Cristo, suas m√£os e p√©s grandes representavam o sofrimento do povo nordestino. Depois fui passear no Parque Peri Peri, completamente deserto e meio abandonado, mas ainda assim com natureza preservada, e fui √† reserva Florestal do Po√ßo Escuro, andei por algumas de suas trilhas e apreciei a natureza ūüĎć. Saindo da√≠ fui ao Centro de Cultura, que estava fechado, mas tinha pain√©is interessantes por fora. No caminho passei por um painel na rua sobre Natureza e Religi√£o, com o desenho de Francisco de Assis, que achei muito interessante ūüĎć. Por fim fui ao Parque da Lagoa Bateias, em que pude caminhar ao redor e visitar o museu por fora (era de vidro e foi poss√≠vel ver seu interior). A vista do parque a partir de pontos altos no entorno tamb√©m muito me agradou ūüĎć. Achei o Rio Verruga na Reserva do Po√ßo Escuro e a Lagoa das Bateias com pouca √°gua. Jantei sandu√≠ches. O rapaz de An√°polis falou que tinha trombose e varizes e tinha morado no Amazonas. Ainda fui apreciar vista da cidade iluminada a partir da estrada antes de dormir.
      Na 2.a feira 10/09 n√£o tomei caf√© na pousada de manh√£, pois era folga da Amanda e o caf√© sairia um pouco mais tarde. Comi um peda√ßo de p√£o, bolachas e √°gua e sa√≠ para visitar os pontos que ainda faltavam. No caminho vi enormes filas nos bancos, 2 horas antes do hor√°rio de abertura. Pareciam ser pessoas muito simples, talvez algumas vindas de outros munic√≠pios e da zona rural. Como a popula√ß√£o sofre ūüėě. Visitei a Igreja Matriz, de que gostei pela simplicidade, ambiente claro, imagens e pinturas felizes ūüĎć. Visitei tamb√©m o Museu Pedag√≥gico, o Museu R√©gis Pacheco, de que gostei muito, com suas pinturas e arte ūüĎć, e o Museu Regional, com suas esculturas e quadros. Na volta tomei caf√© com p√£o e manga. Depois fui √† rodovi√°ria, comprei a passagem para Itabuna por R$ 51,50 com cart√£o de cr√©dito (R$ 50,00 da passagem mais R$ 1,50 da taxa de embarque) pela Via√ß√£o Novo Horizonte. Conversei com o artes√£o de An√°polis e descobri que seu nome era Jo√£o e ele era parente do abade Matias do Mosteiro de S√£o Bento. Almocei sandu√≠ches na rodovi√°ria. O √īnibus, que estava previsto para 12 horas, saiu √†s 13:30 e chegou em Itabuna √†s 18 horas. Gostei das paisagens naturais vistas durante a viagem, principalmente na √°rea de serra . Havia muitos pastos e gado. Conheci um policial no √īnibus e conversamos sobre meus planos de viagem. Ao chegar em Itabuna perguntei sobre seguran√ßa e pre√ßo e me indicaram pousadas perto da rodovi√°ria. Fiquei na Pousada Grapi√ļna (https://www.facebook.com/PousadaGrapiuna) por R$ 25,00 a di√°ria, em dinheiro. Era um quarto bem simples para feirantes, com ventilador, sem janelas, com banheiro fora, mas como estava vago naquele per√≠odo, concordaram em que eu ficasse. Comprei R$ 2,96 (tomate, chuchu, cebola, banana) com cart√£o de cr√©dito no Supermercado It√£o (https://www.itao.com.br) e R$ 6,70 (2 broas e 1 bolo) na padaria em dinheiro. Achei um ponto na ida ao supermercado um pouco perigoso naquele hor√°rio (perto de 19 horas). N√£o sei se eu estava predisposto ap√≥s v√°rios falarem da criminalidade em Itabuna, mas me pareceu que 2 jovens come√ßaram a me seguir, tanto que eu rapidamente mudei de caminho, atravessei a avenida e fui para um local que me pareceu mais seguro ūüėü. Jantei sandu√≠ches, bananas, broas e bolo em uma¬†sala ampla de TV com mesas que a pousada tinha. Depois fui para a janela da sala, que era bem ampla, e fiquei olhando um pouco o movimento. √Ä noite houve um pouco de barulho devido ao local da cidade e houve alguns poucos pernilongos.
      Na 3.a feira 11/09 fui visitar Itabuna. Ap√≥s comer sandu√≠ches, banana e bolo no caf√© da manh√£ assistindo TV, sa√≠ para visitar a cidade. Inicialmente passei por um templo da Igreja Universal, depois fui ao Centro de Cultura, ao Rio Cachoeira, que disseram ser polu√≠do, mas de que muito gostei ūüĎć. Dei uma volta nas pistas para caminhada que existiam na regi√£o central em sua volta. No Centro de Cultura o atendente falou-me das v√°rias fac√ß√Ķes criminosas que existiam em Itabuna e da viol√™ncia que havia aumentado recentemente. Visitei tamb√©m a C√Ęmara, Prefeitura, pontes, Monumento da Saga Grapi√ļna, que achei muito interessante por congregar os v√°rios atores √©tnicos daquela terra ūüĎć, Memorial de Zumbi, Est√°dio, Vila Ol√≠mpica, estes dois √ļltimos parecendo estarem abandonados e sem manuten√ß√£o e o Clube dos Funcion√°rios. Depois caminhei at√© a rodovia por um trecho com vegeta√ß√£o. Voltei para o centro e fui visitar a Catedral de S√£o Jos√©, o Museu Casa Verde, que estava fechado, a Livraria Esp√≠rita e a CEPLAC (Comiss√£o Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira). O m√ļsico Ad√≠lson falou-me que havia morado em S√£o Paulo e vendeu incenso na rua por 20 dias, ap√≥s ter machucado a m√£o. Ganhava R$ 500,00 por dia. Em 20 dias ganhou mais do que com m√ļsica em 1 ano. Sa√≠a da Rua Augusta, virava na Oscar Freire, ia at√© a Vila Mariana, descia a Lins de Vasconcelos e ia at√© o Ipiranga, Voltou √†¬†m√ļsica por gostar dela. Ivone, da Livraria Esp√≠rita, contou-me que fez cirurgia na Benefic√™ncia Portuguesa em S√£o Paulo. Quando recebeu alta falou ao m√©dico que n√£o queria, pois era inverno e pegaria frio ao sair do hospital. Falou-me tamb√©m do caminho de Ilh√©us a Salvador e de sua praia favorita, Algod√Ķes. Interessante como os cachorros sabiam atravessar a rua, assim como em Vit√≥ria da Conquista ūüėÄ. Bandos de gar√ßas passaram voando pr√≥ximo √† pousada, enquanto eu apreciava o entardecer. Pude continuar num quarto de feirante, pois ainda havia vaga. Achei a cidade um pouco sem cuidados, provavelmente devido √† crise, com muitos equipamentos abandonados e sem condi√ß√Ķes de uso, principalmente esportivos. Jantei sandu√≠ches, banana e bolo assistindo TV.
      Na 4.a feira 12/9 comecei minha caminhada. Fui para Ilh√©us a p√©. Sa√≠ cerca de 8:45 da pousada de Itabuna e cheguei cerca de 15:30 na Rodovi√°ria de Ilh√©us. Foram cerca de 30 km com paradas de cerca de 1 hora ao todo. No caminho eu vi uma cobra preta e amarela ūüźć¬†a cerca de meio metro de dist√Ęncia. Num dado momento um rapaz pareceu jogar o carro no acostamento onde eu estava . N√£o sei se estava desviando de algo, brincando (n√£o parecia, pela fisionomia s√©ria) ou foi um ato de agress√£o a um andarilho. Passei por um enorme empreendimento residencial (Cidadelle), visitei a Universidade Estadual Santa Cruz, de que gostei ūüĎć, com sua √°rea verde, campo de futebol, piscina, animais na unidade de veterin√°ria, p√°ssaro preto, amarelo e vermelho na mata e toda a estrutura de ensino. Depois passei pelo templo do Vale do Amanhecer ūüĎć. Subi para conhecer. Havia v√°rios ambientes, com imagens de Jesus, Tia Neiva, Cacique Seta Branca e outros. Um orix√° explicou-me como funcionavam os servi√ßos deles e demais aspectos dali. Passei depois pelo SESI e IFBA. Na estrada achei as paisagens rurais belas, com mata, rio e cria√ß√£o de animais. Em alguns pontos as copas das √°rvores dos lados opostos quase se encontravam no meio da pista, como Ivone havia falado em Itabuna. O acostamento era estreito em v√°rios pontos. Conheci um homem que estava indo de S√£o Paulo a Recife de bicicleta. Andamos um tempo lado a lado. Ele parecia um pouco alterado e acabamos nos separando. Perto da chegada, um artes√£o de Salvador residente ali h√° alguns anos orientou-me sobre Ilh√©us e onde achar locais para pernoitar. Estava sentindo dores nas costas, provavelmente devido √† posi√ß√£o da mochila, que reajustei. Passei pela rodovi√°ria e l√° o taxista Joaquim e outros indicaram-me a Pousada Beira-Rio como sendo a mais barata. Verifiquei o pre√ßo com a dona, Dair, e segui para o centro para procurar outras op√ß√Ķes, pois queria ficar mais perto do ponto de sa√≠da no dia seguinte e precisava sacar dinheiro. L√° os hot√©is baratos estavam fechados. Aproveitei para dar um passeio e comer um prato de acaraj√© (bolinho de feij√£o, vatap√°, caruru (quiabo) e salada de tomate, cebola e vinage) ūüĎ欆por R$ 3,50 em dinheiro na Fatinha (https://www.facebook.com/pages/Acaraj%C3%A9-Da-Fatinha/105023446329720), em frente √† Catedral. Eu n√£o como carne, ent√£o n√£o quis camar√Ķes. Saquei dinheiro e voltei para a Pousada Beira-Rio, onde fiquei num quarto privativo com banheiro, TV, chuveiro frio e ventilador por R$ 35,00 em dinheiro. A pousada ficava √†s margens do Rio Cachoeira, cuja vista era interessante. Comi banana e bolo de sobremesa antes de dormir.
      Na 5.a feira 13/9 parti em dire√ß√£o a Itacar√©, com o objetivo de pernoitar provavelmente em Serra Grande. Antes disso esperei a chuva passar. Enquanto esperava fui comprar 8 p√£es por R$ 2,00 na padaria. Esqueci a chave da porta l√° e tive que voltar para peg√°-la . A dona guardou para mim. Com tudo isso atrasei-me razoavelmente. Ap√≥s o caf√© da manh√£ e a chuva passar, fui visitar a catedral, que j√° conhecia, e depois comecei a caminhar pela praia. Fui at√© depois do Marciano, onde sa√≠ para rua de terra e depois asfalto, para n√£o passar pela praia na Comunidade do Cominho, que v√°rias pessoas disseram-me para evitar por raz√Ķes de seguran√ßa e onde tinha estado anos atr√°s e achado um pouco perigosa. Cruzei a passarela e j√° do outro lado segui em frente. Achei a praia muito bela. Peguei um coco em √°rea p√ļblica ūüĎć, tomei um pouco de chuva fina, cruzei 2 pequenos rios com √°gua abaixo da coxa, parei para nadar e deixei a mochila com fam√≠lia parcialmente de S√£o Paulo no Mamoan. Como n√£o iria chegar a Serra Grande, parei em Luzimares, onde 3 meninas levaram-me √† Pousada Ravenala. Sebasti√£o atendeu-me e depois de mostrar seu quarto mais simples por R$ 100,00, disse que tinha um local de trabalho que j√° havia sido casa de seu empregado. Eu sugeri ficar l√°, ele relutou, falou com sua mulher e aceitaram por R$ 50,00 em dinheiro. Enquanto fui fazer compras para o jantar e o caf√© da manh√£, por R$ 7,70 com cart√£o de cr√©dito na Venda do Gilvan (12 p√£es, 3 tomates, chuchu, cebola roxa, manga), ele colocou cama na casinha de 3 c√īmodos, incluindo banheiro, limpou o ch√£o, tirou seu material de trabalho e a geladeira. Voltei das compras pela estrada no escuro. Tomei razo√°vel chuva ūüĆßÔłŹ. Jantei sandu√≠ches, manga e p√£es doces. Sebasti√£o ofereceu-me pizza, que haviam trazido de um evento, mas eu j√° tinha jantado e ele ent√£o disse que ofereceria no caf√© da manh√£. As dores nas costas continuavam e agora tamb√©m havia algumas bolhas nos p√©s.
      Na 6.a feira 14/9 comecei o dia indo tomar um banho de mar √†s 7 h ūüĎć. O port√£o estava fechado, ent√£o eu pulei o muro lateral para n√£o sujar a parede nem provocar qualquer dano ao port√£o. Quando voltei tomei um excelente caf√© da manh√£ oferecido por Sebasti√£o e fam√≠lia, com pizza, p√£o, queijo, manteiga, p√£o doce, caf√© e leite¬†. Sebasti√£o acompanhou-me √† mesa. Ele me contou que era de Bras√≠lia e havia se aposentado no ramo de hotelaria. Depois, enquanto esperava a chuva passar, conversei bastante com Pedro, seu neto. Vi Sebasti√£o alimentar os micos. Falou-me tamb√©m de gata, filhotes e cachorros. Ap√≥s o tempo firmar parti para Serra Grande. No caminho vi 2 peixes ūüźü¬†na areia e quase os joguei de volta ao mar. S√≥ n√£o o fiz porque vi pescadores e quando lhes perguntei se eram sua pesca eles confirmaram. Achei as praias muito belas at√© o p√© da serra. L√° havia um hostel (R$ 40,00) em que conheci Pica-pau e Rap. Este √ļltimo me falou de uma apresenta√ß√£o de capoeira √† noite no Barrac√£o de Angola. Subi a Serra e no caminho parei em dois mirantes, de onde achei a vista espetacular . A foto abaixo √© do primeiro deles.

      Para o segundo houve uma pequena trilha. Ao chegar ao povoado, procurei o hostel ao lado da farm√°cia da Shirley, sobre o qual Sebasti√£o havia comentado. Fiquei hospedado l√° por R$ 25,00 em dinheiro. P√©tala, a dona, abriu uma exce√ß√£o, pois n√£o estava funcionando, mas concordou em me hospedar. Enquanto me apresentava o local, um morcego ūü¶á¬†apareceu voando dentro do hostel. Fiquei num quarto privativo com banheiro e ventilador. Depois de acomodado, fui √† represa e ao Po√ßo do Robalo. L√° o vigia falou-me do caminho para a Praia do Pompilho, Itacarezinho e Itacar√©. Comprei R$ 5,10 na Fazendinha (8 tomates, 1 penca de bananas, chuchu, 2 cebolas) e R$ 3,96 na padaria (12 p√£es), ambos com cart√£o de cr√©dito. Ap√≥s jantar sandu√≠ches, fui assistir √† roda de capoeira no Barrac√£o. Houve show do Rap, que havia me falado da roda de capoeira e foi anivers√°rio de uma aluna chamada Sabi√°, que ofertou um bolo. Gostei muito da roda de capoeira ūüĎć. L√° conheci uma paulista de S√£o Jos√© do Rio Preto, que estava de f√©rias. √Ä noite houve bastante sons no telhado, que acho que eram morcegos. Houve pernilongos, mas eu n√£o liguei o ventilador porque fiquei com frio. As dores nas costas diminu√≠ram.
      No sábado 15/9 fui para Itacaré. Saí após às 9 horas, pois precisava de maré baixa para cruzar a Barra do Tijuípe. Fui pela Trilha do Cemitério, de onde achei a mata, a praia e a vista muito belas . Atravessei a Barra do Tijuípe com água abaixo do joelho. Fui em frente até o Itacarezinho. Achei as praias muito boas e bonitas . Perguntei a uma moça e a um nativo sobre trilhas a seguir, ela me deu uma explicação sobre as próximas trilhas e ele me deu uma explicação detalhada incluindo outras praias que eu conheceria no futuro. Peguei então as trilhas para as praias da Gamboa, Hawaizinho e Engenhoca, cuja foto está a seguir.

      N√£o consegui encontrar nenhum coco em condi√ß√Ķes de ser pego durante o dia inteiro. A nata√ß√£o ficou prejudicada porque havia muitos surfistas e o salva-vidas sugeriu que eu n√£o fosse onde eles estavam para evitar acidentes. Na volta da Engenhoca, tomei um banho na cachoeira abaixo.

      No fim da trilha peguei a pista e fui por ela at√© Itacar√©. Em um ponto do caminho dois rapazes come√ßaram a olhar para tr√°s e diminu√≠ram o passo. Eu me assustei e pensei que pudesse haver problemas. Mas logo √† frente eles entraram numa vila rural e acho que foi alarme falso. O final do caminho andei j√° no escuro, mas como havia uma ciclovia na rodovia, isto facilitou tudo. Ao perguntar em um supermercado sobre a localiza√ß√£o da pousada a que pretendia ir, alertaram-me para n√£o ficar hospedado na ‚ÄúPassagem‚ÄĚ, pois era ponto de tr√°fico e poderia haver guerra entre rivais. Ent√£o decidi ir para a 2.a op√ß√£o da lista, que o pessoal do supermercado disse ser num local bem mais seguro. Peguei gratuitamente um mapa tur√≠stico numa ag√™ncia de viagens. Passei por um hostel de um chileno, que cobrava R$ 25 a di√°ria sem caf√© da manh√£ e R$ 40 com caf√©, mas fui ficar no Babel Hostel (https://www.facebook.com/hostelbabel) por R$ 20 a di√°ria sem caf√© da manh√£ em quarto coletivo com banheiro fora. O dono era Gast√≥n, um argentino que estava morando no Brasil e me recebeu muito bem ūüĎć. Comprei com cart√£o de cr√©dito R$ 12,48 (espaguete, abobrinha, pepino, beterraba, batata, cebola, mam√£o, chuchu, biscoito de maisena e goiabada) no Center Supermercado (https://www.facebook.com/pages/category/Grocery-Store/Center-Supermercados-164954680739167/) para as refei√ß√Ķes. Cozinhei espaguete ūüć̬†e o jantei com legumes e frutas. Antes de dormir ainda conversei com Gast√≥n, casal de argentinos e carioca, dono da pousada ao lado.
      No domingo 16/9 fui explorar os arredores de Itacar√©. Comi legumes, frutas, bolachas e goiabada no caf√© da manh√£ e fui a p√© at√© a Praia de Jeriboca√ßu. Depois de andar cerca de 1 hora na rodovia, peguei a estrada de terra e depois a trilha para a praia. Achei bela a paisagem na trilha, com a mata e vistas para o mar. Em determinado momento ela cruzou um campo de futebol. Encontrei um velho com um jegue na estrada de terra que vinha falando e cantando. Disse que estava vendendo o jegue por R$ 3.000,00 ūüėÄ. Ele vendia algum tipo de l√≠quido de cacau. Um pouco adiante cheguei √† praia, que era ladeada por um rio. Conheci m√£e e filha ga√ļchas que por l√° passeavam. Surfista deu-me indica√ß√Ķes sobre as outras praias do entorno e trilhas para elas. Achei belas as praias de Jeriboca√ßu, Arruda e Palmas. Vi peixes nadando nos recifes ūüź†¬†de coral. Peguei 2 cocos na Praia das Palmas ūüĎć. Na volta dela, peguei um caminho alternativo e descobri um lago, mas como parecia ser propriedade particular, resolvi n√£o nadar. Conversei com salva-vidas sobre o mar e o caminho para cachoeira, tomei 2 banhos de mar e um banho de rio no final. Depois de aproveitar bastante o dia nas 3 praias, comecei a voltar para ir √† Cachoeira da Usina. V√°rios disseram que o caminho pela trilha era dif√≠cil de encontrar, ent√£o voltei at√© a rodovia e fui por ela. Logo no in√≠cio perguntei a algumas pessoas que estavam em vans e os dois primeiros responderam ironicamente e deram informa√ß√Ķes erradas (disseram que ficava a 20 km ou algo parecido), mas indicaram o √ļltimo motorista como refer√™ncia. Ao perguntar-lhe, deu as indica√ß√Ķes corretas e disse que ficava a 3 km. No caminho, um homem cruzou comigo olhando para minha cintura, como quem procura algo, e me perguntou se eu vinha em paz ūüėü. Respondi que sim, ele me falou para ir com Deus (como se repetisse um chav√£o) e depois completou que isso era a maior mentira e Deus n√£o existia. Achei linda a vista da cachoeira e o banho e hidromassagem deliciosos . A represa pr√≥xima tamb√©m achei bela. Quando estava voltando e tinha acabado de chegar na ciclovia, que come√ßava justamente depois da entrada para Jeriboca√ßu, uma van parou e me ofereceu carona. Era o mesmo homem que havia sido ir√īnico quando lhe perguntei sobre a cachoeira. Eu n√£o o reconheci de in√≠cio e aceitei a carona. Seu nome ou apelido era Gel. Desta vez, talvez depois de perceber que eu n√£o era mal-intencionado nem estava alterado, n√£o foi mais ir√īnico e me falou para tomar cuidado ao andar em rodovias. Disse que aconteciam muitos acidentes e havia pessoas que poderiam me atropelar por pura maldade (lembrei do incidente entre Itabuna e Ilh√©us). Ele me falou que minha camisa comprida assustava (n√£o dava para ver meu cal√ß√£o) e sugeriu que eu colocasse uma bermuda, pois do jeito que estava as pessoas das comunidades poderiam ficar com medo e hostis. Talvez tenha sido por isso que foi ir√īnico no primeiro encontro. Deixou-me no centro, bem perto da pousada. Ainda tive tempo de dar um passeio na rua principal, que descobri ser atr√°s da pousada, com muitas lojas, locais para comer e exibi√ß√Ķes. L√° estava o homem do jegue, que a princ√≠pio tamb√©m n√£o reconheci, mas que aparentemente se dirigiu a mim. Depois pensando, reconheci que era ele e voltei l√° para cumpriment√°-lo, mas ele j√° havia ido. Conversei razo√°vel tempo com Gast√≥n sobre o sistema (social) e expliquei como era minha vida. Jantei espaguete com legumes e frutas, e goiabada de sobremesa.
      Na 2.a feira 17/9 novamente comi legumes, frutas, bolachas e goiabada no caf√© da manh√£ e depois fui √†s praias perto do hostel (Rezende, Tiririca, Costa e Ribeira) e de l√° peguei trilha para Prainha. V√°rias pessoas disseram que eu poderia me perder e que poderia ser perigoso dependendo do local onde fosse parar. No in√≠cio da trilha encontrei um surfista voltando, que me disse que conseguiria ir sem me perder e me falou para cruzar a ponte. Segui o rio, conforme um h√≥spede do hostel havia me dito anteriormente, encontrei algumas pessoas nadando numa esp√©cie de remanso do rio e confirmei com o seu guia que deveria cruzar a ponte. Cruzei-a logo √† frente, segui a trilha e cheguei a uma cerca de arame farpado, sem indica√ß√£o. Se bem me lembro, o h√≥spede do hostel havia dito para eu ir √† esquerda, que foi o que fiz, ap√≥s explorar um pouco as possibilidades. Segui a trilha e andando mais meia hora cheguei √† Prainha. Achei bonita a mata na trilha ūüĎć. Achei a Prainha muito bonita e boa para nadar¬†. Estava sendo filmado um seriado sobre surf da Disney a ser exibido mundialmente. Fui at√© a sua extremidade, onde descobri que existia acesso para uma outra praia, que ficava dentro de um condom√≠nio. O vigia Tiago autorizou-me ir at√© a praia por dentro do condom√≠nio e me ensinou o caminho. Era a Praia de S√£o Jos√©, que tamb√©m achei muito bonita e boa para nadar . Antes de nadar l√°, falei com o rapaz que cuidava do aluguel de pranchas e atuava tamb√©m como salva-vidas. Depois que voltei do mar, ele me disse que quando o gar√ßom me viu no meio das ondas, no fundo, veio correndo falar com ele e perguntar o que eu estava fazendo l√°, mas ele o tranquilizou dizendo que eu j√° havia falado com ele e parecia conhecer mar e saber nadar o suficiente. Na volta errei o caminho e fiquei andando por trilhas secund√°rias cerca de 30 minutos, at√© decidir voltar a um ponto conhecido e refazer a trilha prestando muita aten√ß√£o e tomando outra dire√ß√£o em uma bifurca√ß√£o em que tinha ficado em d√ļvida. Depois encontrei um casal de Goian√©sia, com quem conversei parte do caminho e que junto comigo viu micos ūüźí¬†perto da trilha. Separei-me deles para entrar em 2 pequenas cachoeiras. Depois de voltar conversei novamente com o salva-vidas da Praia da Ribeira que havia dado muitas informa√ß√Ķes e ele me falou de uma trilha pelas pedras para a Praia do Siriaco. Fui at√© l√° apreciar o visual. Como a mar√© estava subindo, precisei tomar cuidado em um ou dois cruzamentos de fendas nas pedras. Ap√≥s voltar de l√°, fui √†s praias da Concha, onde fui ao farol e tomei mais um banho de mar, e da Coroa, onde ficava o Centro Hist√≥rico, com suas casas e igreja antigas, que pude visitar. Por fim, a partir do Mirante do Xar√©u, fui ver o P√īr do Sol, que achei muito bonito mesmo com nuvens ūüĎć. Depois disso voltei para o hostel. Jantei espaguete com legumes e frutas. Num passeio √† noite reencontrei o velho do jegue a que n√£o havia respondido no dia anterior e fui falar com ele, explicando que n√£o o havia reconhecido. Ele entendeu e n√£o ficou chateado, o que me deixou muito feliz ūüėä. Chegaram novos h√≥spedes, incluindo um artista carioca, que aparentemente havia sido roubado e tinha vendido um trabalho feito com folha de bananeira para conseguir dinheiro para passar a noite.
      Na 3.a feira 18/9 minha ideia era ir at√© Mara√ļ. Ap√≥s tomar caf√©, despedi-me de algumas pessoas do quarto e do hostel e parti. Primeiramente passei pelo Bradesco para sacar dinheiro. Paulo atravessou-me de barco at√© a Praia do Pontal por R$ 5,00 em dinheiro. Inicialmente andei na dire√ß√£o contr√°ria para conhecer o finzinho da praia e por volta de 9:30 comecei a caminhada. Achei as vistas da paisagem muito belas¬†. As praias estavam majoritariamente desertas. Encontrei pessoas em Piracanga pela manh√£ e depois somente √† tarde ap√≥s as 14 horas. Peguei 2 cocos na praia e tomei um banho de mar ūüĎć. Atravessei 2 rios, um dos quais com √°gua acima da cintura (tirei camisa, bon√© e chinelo, e coloquei a mochila na cabe√ßa). Meu objetivo era ficar na cidade de Mara√ļ, mas eu havia visto erradamente no mapa e a cidade era distante da praia. Ent√£o ao chegar em Algod√Ķes comecei a procurar por local para pernoitar. Sugeriram-me o Hostel Algod√Ķes, mas estava fechado. Ent√£o sugeriram-me o Bar do Raul, na Praia de Saqua√≠ra, para onde rumei. Abaixo uma foto da praia anterior √† de Saqua√≠ra.

      Ao chegar em Saqua√≠ra, logo avistei o bar, na beira da praia. O Raul e Ben√™, seu empregado, ao perceberem que eu queria algo barato, ofereceram-me por R$ 20,00 em dinheiro ficar no quarto em que dormiam os empregados, que naquele dia estaria vago ūüĎć. Ap√≥s examinar o quarto e receber as explica√ß√Ķes de Ben√™, aceitei. Era um quarto simples, na beira da praia, com cama de madeira, colch√£o fino e desgastado, sem ventilador e com l√Ęmpada que se ligava e desligava no soquete. O chuveiro era ao ar livre na praia. O banheiro era o do bar e ficava fechado durante a noite. Mesmo assim, foi uma das melhores noites, sem mosquitos, com a vista do c√©u noturno estrelado e da praia noturna. Ap√≥s acomodar-me fui tomar um banho de mar e percebi que o fundo do mar tinha corais. Depois de tomar banho fiquei conversando com Ben√™, Cl√≥vis e outro amigo deles sobre a vida naquela regi√£o. Raul deu-me ch√° como cortesia ūüĎć. Ap√≥s isso, Ben√™ deu-me orienta√ß√Ķes sobre a localidade e onde fazer compras, fui comprar biscoito de coco, cenoura, pepino, tomate, piment√£o e manga no Mercado Souza por R$ 6,96 com cart√£o de cr√©dito. Jantei isso acrescido de chuchu que havia sobrado. Ap√≥s apreciar o c√©u ūüĆô¬†e a praia √† noite, ao voltar para o quarto, um siri entrou ūü¶Ä. Eu fui procur√°-lo e o coloquei para fora. Voltei a apreciar a praia e quando fui entrar o siri entrou novamente e ficou embaixo da cama. Resolvi deix√°-lo l√° e ir dormir ūüėÄ.
      Na 4.a feira 19/9 fui para Barra Grande. Assisti o nascer do sol ūüĆÖ¬†da minha cama, que ficava de frente para a janela e esta de frente para o mar. Ap√≥s levantar fui tomar um banho de mar antes do caf√© da manh√£, que foi igual ao jantar da noite anterior. Apreciei as pinturas na sala de refei√ß√£o do bar. Depois agradeci e me despedi do Raul e iniciei a caminhada. Achei as praias lindas , com muitas pessoas, diferente do dia anterior. V√°rias delas tinham recifes de coral. Peguei um coco durante a caminhada. Passei por um farol perto da Ponta do Mut√° e cheguei em¬†Barra Grande. L√° fiquei hospedado no Hostel Ganga Zumba (http://www.gangazumbahostel.com.br/) por R$ 45,00 com cart√£o de cr√©dito, em que fui atendido por Alexandre. A dona, Maria, que estava amamentando, prontificou-se a me dar informa√ß√Ķes tur√≠sticas posteriormente sobre a regi√£o. Fiquei em quarto coletivo, com banheiro externo, chuveiro com √°gua quente, ar condicionado e caf√© da manh√£. Disseram-me que Taipu de Fora seria o melhor local para ver peixes e animais marinhos quando a mar√© estivesse baixa, o que seria perto de 17 a 18 horas. Resolvi ir fazer compras ent√£o para depois voltar a Taipu, por onde havia passado no caminho. Comprei 3 p√£es por R$ 1,00 com cart√£o de cr√©dito na Padaria Bom Sabor e os comi antes de ir. Comprei tamb√©m R$ 4,00 com dinheiro em chuchu, cebola, berinjela, beterraba, batata e laranja no Verdur√£o para o jantar. Depois fui acelerado para Taipu, pois na vinda tinha demorado quase 2 horas e j√° eram mais de 15:30. Mas consegui chegar pouco depois das 17 horas, ainda com luz. Procurei informar-me sobre onde seria o ponto para ver os peixes e animais e uma fam√≠lia que estava nadando com equipamentos de nata√ß√£o indicou-me um ponto em que haviam visto. Tentei e n√£o consegui. A√≠ perguntei a outros que estavam l√° perto e me indicaram o ponto mais exato em que a fam√≠lia estava. Ent√£o consegui ver alguns peixes. Apareceram alguns rapazes aparentemente nativos (talvez pegando peixes ou apenas os vendo) e me indicaram um ponto mais adequado ainda. A√≠ pude ver v√°rios peixes ūüź†, coloridos, alguns amarelos com listas pretas. Come√ßou a escurecer e eu resolvi voltar, mas fiquei razoavelmente satisfeito com o que tinha visto. Cozinhei as batatas e jantei o que havia comprado no Verdur√£o. √Ä noite fui dar uma volta na pracinha e assisti √†¬†parte da aula de carat√™ na escola. Antes de dormir, conversei com o carioca Gustavo que estava no mesmo quarto e fazia o trajeto inverso, por√©m n√£o a p√©. Ele vinha de Morro de S√£o Paulo. Durante a noite o ar condicionado incomodou-me (eu n√£o gosto de ar condicionado). Foi a √ļnica vez em que vesti a blusa de moletom¬†para frio que havia levado . A vista do mar em frente √†¬†Barra Grande est√° na foto a seguir.

      Na 5.a feira 20/9 fui para Boipeba. Ap√≥s acordar tomei o caf√© da manh√£ oferecido pelo hostel. Achei-o muito bom , com caf√©, leite, chocolate em p√≥, sucos de caj√° e graviola, p√£es de 2 tipos, mussarela, tomate, batata doce, mam√£o, melancia e bolo de chocolate, em forma de buffet. Depois despedi-me de Gustavo e fui a p√© at√© a Ilha de Campinho. Achei o trecho de praia bonito ūüĎć. Precisei atravessar uma esp√©cie de rio ou bra√ßo de mar pequeno nadando ūüŹä‚Äć‚ôāÔłŹ. Caminhei pela praia e depois para ir at√© o local em que havia pessoas da Ilha de Campinho precisei novamente atravessar um pequeno trecho nadando, num ponto¬†que um argentino de Buenos Aires me indicou. Ele estava l√° com a fam√≠lia (acho que de f√©rias). L√° conversei um pouco com os homens que estavam num bar, sobre ir a Taipu de Dentro, mas me disseram que era longe e que n√£o era poss√≠vel ir pela praia. Ent√£o resolvi voltar. Encontrei Alexandre de folga na praia, que me disse para falar com Maria que tinha combinado com ele de sair atrasado meia hora do hostel. Havia conversado com v√°rias pessoas desde o dia anterior sobre como fazer a travessia de Barra Grande para o outro lado em dire√ß√£o a Pratigi. Havia muitas informa√ß√Ķes desencontradas, at√© que conversei com NenNei (acho que o nome era este) que vivia na √°rea a tempos fazendo travessias e cuja fam√≠lia tinha morado nas √°reas por onde eu queria passar. Ele explicou-me tudo e me ofertou a travessia por R$ 60,00 at√© um ponto a partir do qual eu poderia andar e seguir o trajeto que pretendia. Mas eu acabei optando por n√£o ir devido ao pre√ßo e √† incerteza de conseguir travessias nos pontos em que precisaria. Cheguei ao hostel, falei com Maria se precisava pagar di√°ria extra, ao que prontamente ela respondeu que n√£o, despedi-me e fui pegar a lancha de linha das 13 h para Camamu pela Camamu Adventure (http://www.camamuadventure.com.br/) por R$ 20,00 com cart√£o de cr√©dito. Achei belas as paisagens da viagem de barco , que durou mais de meia hora. Em Camamu havia v√°rias constru√ß√Ķes hist√≥ricas, mas que s√≥ deu tempo de ver de longe. Pouco depois das 14 h peguei um √īnibus para Graciosa pela Via√ß√£o Cidade Sol (https://www.viacaocidadesol.com.br/) por R$ 12,60 com cart√£o de cr√©dito. A viagem teve belas paisagens de mata e cidadezinhas ūüĎć, durando cerca de 2 horas. Em Graciosa peguei a lancha para Boipeba √†s 16:30 (acho que era a √ļltima) por R$ 35,00 em dinheiro. Haviam dito em Barra Grande que custaria R$ 15,00. Achei espetaculares as paisagens desta travessia , com trechos de mangue nas laterais e perto do p√īr do sol. Em Boipeba fiquei no Hostel Abaquar (https://www.abaquarhostel.com) por R$ 25,00 a di√°ria com cart√£o de d√©bito. O hostel era da brasileira Fernanda e do belga Peter e tinha v√°rias pessoas fazendo trabalho volunt√°rio em troca de hospedagem. Fiquei em quarto coletivo, com banheiro dentro, sem caf√© da manh√£. Havia √°rea verde com red√°rio, sala de TV, bar e cozinha. Quando l√° cheguei havia alguns policiais que eles chamaram pelo fato do vizinho ter ofendido uma h√≥spede ou colaboradora. Fiz compras para o jantar, R$ 1,30 de cebola, R$ 3,75 de chuchu, piment√£o e beterraba, R$ 4,70 de biscoito e espaguete, R$ 1,85 de batata e R$ 3,50 de goiabada, tudo em dinheiro (n√£o havia bancos nem caixa eletr√īnicos em Boipeba). Cozinhei o espaguete e misturei com os outros ingredientes para o jantar, conversei com algumas pessoas que faziam trabalho em troca de hospedagem e assisti ao fim do jogo da Libertadores ‚öŬ†que estava sendo transmitido, ap√≥s o uruguaio Fernando configurar a TV para mim. Alguns h√≥spedes disseram-me para deixar a porta do quarto fechado para que o gato n√£o entrasse e deitasse na cama. Abaixo a Praia de Boca da Barra.

      Na 6.a feira 21/9 fui explorar Boipeba. Ap√≥s caf√© da manh√£ com parte do que havia comprado, fui andando pelas praias, passando por Boca da Barra, Tassimirim, Cueira, Morer√© e Bainema. Achei as vistas muito belas . Para chegar at√© Morer√© precisei atravessar um pequeno rio. Como a mar√© estava alta, passei pelo trecho que tinha pedras, pois disseram que mais perto da praia havia ostras que poderiam cortar os p√©s. No fim da Praia de Bainema, encontrei Caetano, pescador e morador de Castellanos, que estava indo para l√°. Perguntei se poderia ir com ele, pois haviam dito que a trilha era muito dif√≠cil. Ele concordou e fomos. Ele foi dando informa√ß√Ķes sobre a trilha e num determinado momento abriu um coco ma√ßa ūü••, que eu nem sabia que existia. Ofereceu abrir um para mim tamb√©m e eu aceitei. Achei uma del√≠cia . Tinha a consist√™ncia de ma√ßa com sabor de coco. A partir de um determinado ponto, a trilha seguia pelo meio do mangue. E mais √† frente, come√ßava a ter √°gua do mar. Caetano pegou 2 caranguejos-siri ūü¶Ä¬†na trilha. Quando chegamos ao local onde estava o barco dele, a √°gua j√° estava na altura da coxa. Da√≠ para frente fomos de barco e sa√≠mos em um rio, que atravessamos junto com Marcelo, que se uniu a n√≥s na outra margem, mas ainda longe do ponto final de destino na praia. Ap√≥s chegar l√° conheci sua fam√≠lia e amigos. Ele me explicou o caminho de volta e disse que seria mais f√°cil, pois a mar√© j√° estaria baixa. Ofereci-me para ajud√°-lo a fazer uma p√°gina na internet para divulgar poss√≠veis servi√ßos de guia e outros e ele disse que me enviaria mensagem por celular com seu contato. Eram perto de 14 horas e fui caminhar at√© a Ponta de Castellanos. Achei as paisagens espetaculares, entre as melhores da viagem . Tanto do mar, quanto da praia, rio e vegeta√ß√£o. Fui andando r√°pido, pois n√£o queria pegar escurid√£o na volta. Ap√≥s deliciar-me com as paisagens magn√≠ficas, chegar at√© a ponta e tentar ver o povoado de Cova da On√ßa, voltei acelerado. Quando cheguei ao ponto em que havia desembarcado e perguntei onde era o in√≠cio da trilha para sair no ponto mais curto de travessia do rio, Marcelo e Jo√£o do Barco, seu tio, disseram-me que me atravessariam, pois tinham que atravessar mesmo e poderia ser perigoso eu atravessar nadando aquele rio extenso (realmente era bem mais extenso do que eu tinha imaginado quando perguntei a Caetano se poderia ir com ele). Acho que eles tinham ficado esperando por mim. Antes de atravessar reencontrei Alexandre, atendente do hostel de Barra Grande, que estava tomando algo em um bar restaurante da praia. Ele perguntou se tinha corrido tudo certo ao falar com Maria (a dona) sobre o atraso, disse que sim, desejei-lhe boa folga e fui. Eles me atravessaram e me deixaram j√° dentro do mangue, pouco depois de onde eu havia embarcado com Caetano ūüĎć. Agradeci muito, pois realmente atravessar aquele rio nadando teria sido duro . A √°gua estava mais baixa e quando cheguei ao ponto em que havia subido no barco de Caetano, j√° estava quase seco. Segui pelo mangue sem me perder e cheguei de volta √† Praia de Bainema. Entre a ida e a volta vi alguns caranguejos e p√°ssaros ūüź¶¬†no mangue. Vi tamb√©m tartarugas mortas nas praias e piscinas naturais em v√°rios pontos. Voltei e passei pelo rio que levava a Morer√© ainda com claridade. Com mar√© baixa pude atravessar pela praia mesmo. Entretanto acabei pegando o fim da trilha √† noite, o que foi um pouco problem√°tico num ponto que passava por dentro de mata, pois era dif√≠cil enxergar, visto que as √°rvores tapavam a luz da Lua e das estrelas. Mas foi um trecho curto. Jantei espaguete com legumes, biscoito e goiabada. Mariana, uma das funcion√°rias volunt√°rias do hostel, falou-me que no dia seguinte ela e 2 amigas iriam at√© Castellanos e perguntou se eu n√£o queria ir junto. Expliquei que tinha ido naquele dia e disse que um pescador e morador que me atravessou para l√° desejava atuar como guia tamb√©m e tinha ficado de me enviar seu contato. Ela se interessou e fiquei de repassar para ela assim que recebesse, mas Caetano n√£o me enviou seu contato. √Ä noite houve uma festa gratuita com m√ļsica no bar do hostel, que era comandado por Melissa, argentina de Puerto Madryn e por uma mineira. L√° reencontrei um surfista que havia me dado orienta√ß√Ķes quando estava em Bainema e se ofereceu para guiar Mariana e suas amigas at√© Castellanos, mas Mariana acabou optando por outra alternativa.
      No s√°bado 22/9 fui andando at√© Cova da¬†On√ßa. Ap√≥s caf√© da manh√£, semelhante ao do dia anterior, parti e fui procurar o in√≠cio do que chamavam de Caminho do Trator. Era a estrada por onde passava o trator de coleta de lixo. Ap√≥s andar por algumas ruas da cidade, encontrei-a e a segui por cerca de 2 horas at√© Cova da¬†On√ßa. Ela tinha belas paisagens, era de areia ou terra e estava em sua maioria deserta. Passei por uma comunidade quilombola onde confirmei o caminho. Num dos pontos mais altos achei a vista do mar e da costa muito bela. Ao chegar ao povoado, surpreendi-me com seu tamanho, muito maior do que havia imaginado. Tinha praias com mangue e barcos. Ap√≥s andar na pequena orla, perguntei a alguns moradores se era poss√≠vel ir em frente e ver a paisagem ou chegar at√© o rio que a separava do caminho que levava a Pratigi e Barra Grande, por onde eu queria ter passado mas n√£o consegui. Explicaram-me que havia uma trilha pela orla em que depois eu subiria e iria parar nos campos, onde se poderia ver amplamente a paisagem. Segui a trilha conforme indicaram e cheguei num ponto bem alto, em que pude ver a vegeta√ß√£o, a mata, a costa, as praias, os rios, o povoado do outro lado do rio e toda a natureza ao redor. Achei a vista espetacular. Foi, juntamente com o Mirante de Morro de S√£o Paulo, a vista de que eu mais gostei na viagem. Mas se tivesse que escolher uma s√≥, escolheria esta. Ap√≥s descer, perguntei se poderia pegar um coco das √°rvores da orla. Amantino e seu amigo pegaram dois cocos com bastante √°gua e massa para mim e um para ele. Enquanto com√≠amos os cocos ficamos conversando. Ele me falou que havia morado e trabalhado em S√£o Paulo e que agora estava aposentado. Apareceu uma menina de uns 8 anos, chamada J√ļlia, e perguntou porque a minha camisa estava suja daquele jeito e se eu morava no mato. Eu ri, respondi que n√£o morava no mato e a camisa estava suja¬†de tanto abrir cocos manualmente nas praias. Ofereci coco para ela e ela n√£o aceitou (acho que ficou com medo ou com vergonha), mas depois que eu estava acabando, pediu ao dono do bar em frente aos coqueiros (talvez algum parente seu) para pegar um coco para ela, mas ele disse que n√£o iria pegar cocos naquele momento. Antes de voltar, resolvi perguntar se havia uma trilha para a Praia de Castellanos, como alguns haviam dito no dia anterior. Disseram-me que sim, bastava seguir o caminho do trator (era outro ramo). Segui a trilha e em cerca de 1 hora cheguei l√°. Achei muito bonita a paisagem da trilha no meio da mata, com p√°ssaros. Foi f√°cil, com pouca¬†probabilidade de erro, ao contr√°rio do que me haviam dito 1 dia antes. Novamente apreciei a bela vista daquela localidade. Tomei 2 banhos de mar pequenos, andei at√© a Ponta dos Castellanos novamente, fui at√© a curva de onde se avistava o local onde havia desembarcado 1 dia antes e depois voltei. Peguei 1 hora de escurid√£o, passando por um trecho de mata em que havia v√°rios morcegos. Ofereceram-me carona por 2 vezes, eu agradeci e recusei, pois achei que n√£o era necess√°rio. Jantei espaguete com legumes, com biscoito e goiabada de sobremesa. Na 6.a feira ou no s√°bado eu fui visitar a loja de artesanato de uma argentina que havia se mudado para l√° e um restaurante t√≠pico baiano, com quadros, que ficavam na ladeira que ligava a pra√ßa central ao porto. Gostei de ambos, que me atenderam muito bem.
      No domingo 23/9 aproveitei para descansar. Ap√≥s acordar fui pesquisar como cruzar o canal para ir a Morro de S√£o Paulo. Atravessei e voltei nadando e me convenci de que precisava de um barco, pois a partir de certo ponto a √°gua me cobriu. Depois comprei R$ 1,60 em p√£es (cebola, coco, milho e arroz) e R$ 2,00 em pepino e chuchu para o caf√© da manh√£ e o jantar, ambos com dinheiro. Ap√≥s o caf√© da manh√£, fui visitar os pontos de interesse que eram pr√≥ximos ao centro. Fui √† Casa de Farinha, Mirante do Quebra Cu, Igreja (que estava fechada) e Mirante C√©u de Boipeba (dentro de uma pousada ou hotel, que os donos permitiram acessar). Achei as constru√ß√Ķes antigas interessantes e a vista dos 2 mirantes muito boas, mas preferi a do Mirante da Cova da On√ßa. Do C√©u de Boipeba eu fui pela trilha at√© a Praia de Cueira, onde passei o resto do dia, contemplando e descansando. J√° havia gostado daquela praia anteriormente e continuei gostando, agora com o dia todo para desfrutar. No fim da tarde vi o p√īr do sol, que teve cores avermelhadas e alaranjadas. Tomei 2 banhos de mar ao longo do dia. √Ä noite chegou ao hostel o carioca Andr√©, que tinha ido prestar um concurso p√ļblico e decidido ficar mais um dia para conhecer a √°rea. Ele morava e trabalhava com turismo em Ilh√©us, sendo dono de um hostel e organizando excurs√Ķes de Ilh√©us a Morro de S√£o Paulo. Levei-o para um passeio √† noite, para apresentar o pouco do centro que eu conhecia e aproveitamos para tentar ir conhecer a igreja. Mas estava havendo missa e eu n√£o entrei. Por√©m pude apreciar a vista do mar e da orla a partir da sua lateral. Era noite de Lua cheia e eu achei o c√©u muito belo. Ainda deu tempo de ver um pouco de Cruzeiro x Santos pelo campeonato brasileiro. O uruguaio Fernando, que torcia para o Pe√Īarol, falou-me que n√£o tinha boas lembran√ßas do Santos nem do Palmeiras, que tinha sido o jogo da 5.a feira anterior.
      Na segunda-feira 24/9 fui para Morro de S√£o Paulo. Comprei R$ 1,20 com dinheiro em p√£es (2 de cebola e 1 de arroz) para o caf√© da manh√£. Despedi-me de Andr√©, que foi dar um passeio nas praias. Fui visitar a Igreja do Divino Esp√≠rito Santo, que desta vez estava aberta. Aproveitei para apreciar a vista a partir do mirante durante o dia, que me pareceu muito boa. Quando entrei no terreno atr√°s da igreja em que ficava o cemit√©rio, um homem que estava cavando um t√ļmulo disse que estava preparando a minha cama . A seguir visitei o Museu dos Ossos, que tinha fragmentos de ossos de baleias e outros animais marinhos. Depois voltei ao hostel, peguei a mochila e fui procurar a travessia para a Praia do Pontal, mostrada abaixo.

      Paguei R$ 10,00 em dinheiro por ela. Inicialmente fui no sentido oposto para conhecer um pouco a área e depois rumei para Morro de São Paulo. Caminhei pela praia passando dentro de trechos de mangue, o que achei sensacional. Peguei um coco, que deu enorme trabalho para desbastar até a casca dura, pois não havia nada cortante por perto. Um rapaz passou 2 vezes de moto enquanto eu tentava desbastá-lo e me perguntou se eu havia visto um chapéu. Respondi que não, mas que se encontrasse deixaria na barraca que ele indicou. Na saída de uma das trilhas de mangue havia uma árvore com vários ninhos de pássaros. Logo em seguida cheguei à Praia de Guarapuá, que achei magnífica. O mar tinha vários tons de verde e azul, conforme foto abaixo.

      E o banho foi delicioso. No fim da praia, indicaram-me para pegar uma trilha permitida por dentro de uma fazenda, cuja paisagem de mata muito me agradou. Um ca√ßador que encontrei no meio do caminho deu-me informa√ß√Ķes preciosas sobre a trilha. Ele estava colocando ratoeiras. J√° perto do fim da trilha, um rapaz que estava pegando cocos e caranguejos guaiamuns, abriu o coco para mim. A √°gua estava j√° um pouco passada, mas mesmo assim tomei e aproveitei. Tinha muita massa, j√° seca, o que me permitiu comer em v√°rias ocasi√Ķes. Logo a seguir cheguei na praia (5.a Praia), voltei um pouco at√© o mangue, para conhecer toda a extens√£o, e depois fui pela praia, apesar da mar√© j√° bem alta, rumo a Morro de S√£o Paulo. Em Morro de S√£o Paulo fiquei no Hostel La Casita (https://www.facebook.com/lacasitademorro) por R$ 25,00 a di√°ria pagos com cart√£o de cr√©dito. Os donos eram argentinos e havia v√°rios h√≥spedes argentinos e chilenos. O hostel tinha muita comida comunit√°ria (arroz, feij√£o, queijo ralado, farinha de milho, temperos etc), o que enriqueceu minhas refei√ß√Ķes e achei uma √≥tima ideia, pois para quem vai ficar pouco tempo √© invi√°vel comprar a quantidade normalmente vendida destes itens. Na primeira noite uma mineira funcion√°ria volunt√°ria, do mesmo tipo que troca hospedagem e refei√ß√Ķes por trabalho, fez um bolo de cenoura de que gostei. Fiz compras no Supermercado Estrela da Manh√£ (espaguete, goiabada, pepino e chuchu) por R$ 8,50 com cart√£o de cr√©dito e em outro supermercado (cebola e laranja) por R$ 2,70 em dinheiro.
      Na 3.a feira 25/9 fui explorar Morro de S√£o Paulo. Inicialmente comprei p√£es no Mercado Nativo (3 p√£es franceses, 3 p√£es de milho e 2 p√£es de arroz) por R$ 2,00 com cart√£o de cr√©dito. Depois do caf√© da manh√£ segui o caminho para a Praia de Gamboa. A trilha ia por morros e descia para a praia. Achei muito boa a vista do alto dos morros. Com a mar√© baixa, caminhar pela praia foi tranquilo. J√° em Gamboa, o barqueiro √āngelo aceitou cruzar-me para o outro lado quando fosse seguir viagem e disse que o faria de gra√ßa. Eu pedi um pre√ßo, mas ele falou que poderia dar quanto quisesse, talvez s√≥ R$ 5,00 para pagar o √≥leo. Continuei at√© acabar a praia e depois segui pelo manguezal. L√° encontrei um pescador ou ca√ßador de caranguejos que disse que a trilha poderia levar-me ao Gale√£o, mas que seriam 2 horas de trilha e que esta estava muito suja, com grandes chances de eu n√£o conseguir. Resolvi ent√£o n√£o ir e s√≥ caminhei mais um pouco at√© onde achei o caminho razo√°vel. N√£o foi t√£o espetacular quanto a trilha entre Boipeba e Guarapu√°, mas n√£o deixou de ter certo interesse. Na volta, depois de chegar √† praia, tomei um gostoso banho de mar. Perguntei a v√°rias pessoas se dava para voltar pela praia com a mar√© como estava e quase todos disseram que n√£o. Eu n√£o tinha levado dinheiro para pegar o barco e a trilha sem ser pela praia passava pela comunidade Buraco do Cachorro, que disseram n√£o ser segura porque tinha alguns redutos de crime. Como um nativo me disse que era poss√≠vel ir pela praia, por√©m seria sofrido, resolvi ir pela praia assim mesmo. At√© que n√£o foi t√£o dif√≠cil, pois toda a primeira parte foi poss√≠vel fazer por uma faixa estreita de areia, aguardando as ondas baixarem em alguns trechos, ou por cima de pedras. Depois surgiram trilhas laterais nos morros, o que facilitou tudo. Mais √† frente encontrei algumas pessoas nas pedras e brincando no mar e elas me indicaram como pegar a trilha principal para chegar de volta a Morro de S√£o Paulo. Aproveitando que voltei cedo, fui conhecer a Fonte da Biquinha, a fortaleza, as pra√ßas, a igreja e o farol. Depois fui aos mirantes, de ambos os lados do farol. Achei a vista espetacular, entre as melhores da viagem. Esperei para ver o p√īr do sol do mirante principal, que estava lotado. √Ä noite reencontrei Mariana, que agora estava como h√≥spede, preparando-se para ir fazer trabalho volunt√°rio trocado por hospedagem e refei√ß√Ķes na Praia de Pipa. Jantei espaguete com legumes, acrescido de um pouco dos itens comunit√°rios (prote√≠na texturizada de soja, arroz, feij√£o, farinha de milho e temperos). Depois fui dar um passeio na orla e apreciar a vista noturna. Havia uma passarela de madeira bem movimentada, que permitia andar perto da costa.
      Na 4.a feira 26/9 fui ver os peixes e descansar. Tomei café com pães, legumes e goiabada e fui ver os peixes nos recifes de coral da 2.a Praia. Antes de chegar na água pude ver as piscinas naturais que se formavam com a maré baixa, conforme foto a seguir.

      Havia v√°rios tipos de peixes, ouri√ßos e coral. Fiquei l√° bastante tempo apreciando os cardumes. Conversei com um aposentado nordestino que morava em Sorocaba e estava fazendo o mesmo. Depois fui conhecer o Teatro do Morro, o Campo de Mangaba e o mirante perto da antena. Desci de l√° e fui para a 3.a praia para ver mais peixes. Havia tamb√©m bastante peixes e caranguejos, mas vi menos do que na 2.a Praia. Fui at√© a ponta do recife apreciar a vista do mar e depois fui para a 4.a Praia, onde fiquei contemplando a paisagem. L√° tamb√©m havia peixes, mas eu j√° estava satisfeito e n√£o tentei muito. Boiei 2 vezes no mar, pois era muito raso, mas gostei. J√° perto do fim da tarde voltei ao Mirante da Tirolesa (ao lado do farol) para ver as pessoas descerem. Depois fui ao mirante principal do outro lado para ver o p√īr do sol novamente. Achei as vistas espetaculares de novo. Comprei p√£es (3 franceses, 2 de milho e 1 de arroz) para o dia seguinte no Mercado Nativo por R$ 1,50 com cart√£o de cr√©dito. Jantei espaguete, arroz, feij√£o, farinha de milho, legumes e temperos. Depois que eu j√° tinha come√ßado a fazer o jantar, perguntaram-me se eu queria participar da noite de pizza que haveria, mas a√≠ j√° era tarde. E acabou havendo uma festa, junto com a pizza. Eu j√° estava no quarto, mas ouvi as can√ß√Ķes argentinas (pelo menos eu acho que eram).
      Na 5.a feira 27/9 fui rumo √† Praia do Garcez. Ap√≥s o caf√© da manh√£ com sandu√≠ches, laranja e goiabada e de passar pela passarela com vista para as piscinas naturais nos recifes de coral com mar√© baixa, fui para o porto para pegar o barco de linha para o atracadouro, que era do outro lado do canal. Antes passei pelo guich√™ de cobran√ßa para pagar a taxa ambiental, mas a atendente isentou-me, dizendo que a cobran√ßa n√£o existia quando a entrada era por Boipeba. No barco encontrei a argentina que tinha ficado no mesmo quarto que eu no hostel. Ela estava indo para Barra Grande. Peguei o barco da Quick Pousada e Transporte Mar√≠timo por R$ 10,00 em dinheiro. Como ele era lento foi poss√≠vel apreciar a bela paisagem com calma, incluindo os pared√Ķes de argila no caminho para Gamboa, exibidos na foto abaixo.

      Depois de chegarmos, despedi-me da argentina e comecei a caminhada rumo à Praia do Garcez. Fui perguntando a pescadores e habitantes locais se conseguiria cruzar o rio que havia lá e me disseram que com maré baixa conseguiria, mas pelos meus cálculos não chegaria no auge da maré baixa. Ao longo do caminho vi siris, periquitos, árvore com ninhos, casas de joão-de-barro e bastante sujeira também, mesmo em praias desertas. Havia também várias belas praias e trechos de vegetação, como esta área de mata da foto antes de chegar em Guaibim.

      Quando cheguei na Boca da Barra vi um rapaz aparentemente trabalhando ou esperando algo. Ele me disse que at√© h√° cerca de 15 minutos eu conseguiria atravessar, mas que agora a mar√© tinha subido e ele n√£o sabia. Falou para eu fazer um teste. Fui pelo trecho que ele indicou e percebi que a √°gua iria me cobrir. Desisti . Ele falou que havia muitos pescando e que quando um passasse ele pediria para me atravessar. Ap√≥s alguns minutos, falou que seu primo vinha vindo de barco e que me atravessaria. Ele fez sinal para o primo que me permitiu embarcar e me atravessou. Ofereceu-me carona at√© o povoado de Ilha D‚ÄôAjuda, eu agradeci, mas preferi ir caminhando. Antes fui dar um passeio nos bancos de areia do outro lado da boca e tomar um banho de mar. Achei bela a √°rea da barra do rio. Depois segui para o povoado. Havia muitas bifurca√ß√Ķes na estrada, que era deserta. Acabei pegando um ramo errado e fui parar numa f√°brica. L√° havia um rapaz trabalhando que me orientou sobre o caminho correto. No povoado fiquei na Pousada do Juraci por R$ 25,00 em dinheiro. Fiquei surpreso quando ele me falou que alugava quartos por R$ 150,00 por m√™s. Comprei R$ 5,40 (9 p√£es (franc√™s, milho e leite), tomate, cebola e pepino) com cart√£o de cr√©dito num mercado. Depois do jantar fui dar um passeio para conhecer um pouco do povoado e ainda pude admirar um pouco do c√©u noturno.
      Na 6.a feira 28/9 fui para Cacha Pregos, primeiro povoado da Ilha de Itaparica do meu roteiro. Um galo acordou-me cantando ao amanhecer . Tomei caf√© da manh√£, comprei p√£es (2 franceses e 1 de milho) no mesmo mercado por R$ 1,00 em dinheiro e rumei para Cacha Pregos. Peguei 3 cocos na praia, 1 com massa e 2 s√≥ com √°gua, mas bem doces. Encontrei muitos siris na areia. Quando j√° estava perto de cruzar o Rio Jaguaripe encontrei um pescador que me perguntou se eu estava louco quando falei que pretendia ir a Cacha Pregos. A√≠ disse que tentaria um barco para me atravessar e ele respondeu que s√≥ mesmo se fosse assim. Quando cheguei no rio vi que a travessia era muito mais larga do que eu imaginava e que a margem em que eu estava era deserta. Tentei gritar para os barcos do outro lado, mas era t√£o longe que seria virtualmente imposs√≠vel me ouvirem ou verem. Fui margeando o rio at√© ver uma esp√©cie de iate ancorado. Fui em dire√ß√£o a ele para ver se conseguiria uma travessia. Conforme fui chegando mais perto vi outros barcos menores atracados numa esp√©cie de trapiche. Apareceram alguns homens e comecei a atravessar um solo enlameado. Quando cheguei perguntei se eles iriam atravessar ou¬†conheciam algu√©m que fosse. Eles disseram que iriam, por√©m no fim da tarde. Eram trabalhadores de uma fazenda de lazer, estavam consertando um barco e voltariam para Cacha Pregos ap√≥s o trabalho no fim do dia. Ent√£o subi no trapiche, fui at√© a ponta numa esp√©cie de abrigo e almocei os p√£es enquanto eles comiam suas marmitas. Combinamos de eu retornar no fim da tarde, deixei minha mochila no abrigo e voltei para a ponta da barra para ir √† praia. Tomei banhos de mar e 1 banho numa pequena lagoa, al√©m de ficar contemplando a paisagem. Na volta a mar√© havia subido e eu n√£o tinha percebido o tamanho do impacto para o qual eles tinham tentado me alertar. Tive que atravessar a nado 2 razo√°veis extens√Ķes de √°gua onde antes era s√≥ areia enlameada. Ap√≥s esper√°-los, atravessei com v√°rios outros trabalhadores da fazenda para Cacha Pregos. Durante a travessia eles me indicaram uma pousada barata. Passei antes numa de um espanhol que alugava via AirBnB, mas ap√≥s falar com Zel da barraca, fui para a que eles e ela haviam indicado, que era a pousada 4 Esta√ß√Ķes (https://www.facebook.com/pages/category/Hotel/Pousada-4-Esta%C3%A7%C3%B5es-1650017345250201/) e l√° fiquei por R$ 40,00 pagos com cart√£o de cr√©dito. Ap√≥s acomodar-me fui tomar um banho de mar e ver o p√īr do sol a partir da praia em frente a ela, mostrado na foto abaixo.

      Depois fui comprar pepino, chuchu, cebola, pimentão, beterraba e laranja no supermercado por R$ 3,60 em dinheiro, 9 pães e 8 broas de milho na padaria por R$ 6,65 com cartão de crédito. Jantei sanduíches e depois fui dar uma volta na praia à noite, podendo desfrutar do céu estrelado.
      No sábado 29/9 saí rumo à cidade de Itaparica, mas sabendo que não chegaria lá em um dia. Logo de manhã fui tomar um banho de mar. Depois dei um passeio na praia até um pouco depois do ponto em que havia desembarcado, após o qual acabava a praia, para poder apreciar com calma aquele trecho. Passei na padaria para dizer que havia pego 1 pão a menos. Acreditaram e ainda me deram 1 pão a mais de cortesia. Depois do café parti. As praias estavam com bastante gente, pois era sábado, o que acho que tornou a caminhada mais segura, pois vários me disseram que a Ilha de Itaparica poderia apresentar trechos perigosos. Gostei bastante das paisagens, com o mar verde e já pude ver Salvador, lá longe, do outro lado da Baía de Todos os Santos. Tomei 2 banhos de mar ao longo do caminho, boiando na água calma. Uma foto de uma das praias, a Barra do Cavaco, pode ser vista abaixo

      Num determinado trecho fiquei preso pela mar√© numa passagem suspensa e tive que voltar e contornar pela rua. Resolvi parar em Mar Grande. Quando cheguei perguntei num restaurante sobre pousadas baratas e o gar√ßom indicou-me algumas. Um rapaz que l√° estava pediu para me acompanhar, pois queria receber alguma comiss√£o da pousada. Por√©m estava meio alterado provavelmente por abstin√™ncia e acabou querendo influir na minha escolha para ganhar a comiss√£o e depois pedindo para eu comprar um artesanato seu, pois ele queria fumar um baseado. A√≠ eu pedi para ele parar de me acompanhar. Ofereci p√£o, mas ele n√£o quis. Iria ficar na Pousada P√īr do Sol, como ele havia indicado, tendo inclusive j√° fechado acordo de valor e condi√ß√Ķes com o atendente e informado que o rapaz havia me indicado, para o caso deles pagarem comiss√£o. Por√©m eles n√£o tinham o quarto pronto e me falaram para voltar depois das 19 horas. Pessoas locais haviam dito para mim que subindo um pouco acima da pousada e fazendo a curva era uma √°rea perigosa, provavelmente de tr√°fico. O pr√≥prio atendente da pousada disse que aquela √°rea era um pouco perigosa para turistas, mas que pela minha apar√™ncia achava que n√£o haveria problemas. Resolvi arriscar. Fui ent√£o fazer compras para o jantar e o caf√© da manh√£. Ao descer a ladeira vi dois rapazes parados que pareciam estar vigiando e fiquei um pouco preocupado com a situa√ß√£o. Comi um acaraj√© no prato por R$ 3,00 em dinheiro, comprei R$ 2,00 em p√£es (7 p√£es, 4 franceses, 2 de milho e 2 de leite) na padaria em dinheiro (deram-me 1 p√£o de cortesia), R$ 0,92 em tomates, pepino e cebola no Mercado Fonseca com cart√£o de cr√©dito e R$ 0,47 em bananas prata no BomPre√ßo Bahia Supermercados com cart√£o de cr√©dito. Quando voltei, j√° estava escuro, e ao come√ßar a subir a ladeira, um homem sentado atr√°s de um caminh√£o, perguntou-me ‚ÄúQual√© que √©?‚ÄĚ. Assustei-me e respondi que s√≥ iria at√© a pousada. Ele me disse que poderia ir. Falei que iria depois ent√£o. Ele me disse para me aproximar. N√£o fiz isso. Perguntou se eu estava com medo alterando a voz e respondi que n√£o, apenas voltaria depois. Outro rapaz mais acima falou ‚ÄúT√° de boa, pode vir‚ÄĚ, mas eu optei por n√£o ficar l√°. Fui ent√£o para a Pousada Cigana (https://www.facebook.com/pousadaciganailha/), onde fiquei por R$ 50,00 em dinheiro, sem caf√© da manh√£. No dia seguinte descobri que existia um hostel na beira da praia por R$ 40,00 com caf√© da manh√£, que s√≥ n√£o havia encontrado porque o rapaz que me acompanhou estava t√£o direcionado para a comiss√£o que acabei n√£o o vendo. Ao sair √† noite para ver o povoado e a orla, vi 2 cavaleiros correndo pela lateral da orla. Quando chegaram perto do centro e o piso virou cimento na ciclovia, o cavalo de um deles caiu e ele foi junto. Mas nem um dos dois pareceu ter ferimentos mais s√©rios, embora o cavalo tenha demorado para se levantar.
      No domingo 30/9 fui para a cidade de Itaparica. Acordei e fui tomar um banho de mar. O portão estava aparentemente trancado e eu não conseguia abrir. Mas um hóspede mais acostumado conseguiu abrir facilmente e pude sair. Fui até a igreja antes para poder visitá-la, mas perguntei ao moço que a estava arrumando para a missa se poderia visitá-la com calção de banho e camiseta regata (de alças) e ele disse que não. Então fui para o mar e depois voltei. Ainda consegui visitar um pouco antes da missa, mas já com bastante gente. Comprei R$ 2,00 em pães (4 franceses, 2 de milho e 2 de leite) na padaria em dinheiro (novamente deram-me 1 pão de cortesia) e R$ 1,13 em tomate, pepino e cebola no Mercado Fonseca com cartão de crédito. Tomei café com o que tinha comprado e mais bananas do dia anterior. Depois saí com destino à cidade de Itaparica. Disseram-me que haveria trechos desertos, com matagal na beira da praia que poderiam ser perigosos, mas como era domingo as praias estavam com bastante gente e não tive nenhum problema de segurança, nem nos trechos mais desertos. Realmente passei por trechos com matagal ao lado e trechos desertos ao lado de morros, com muitas pedras e recifes na praia. Achei as paisagens belas. Passei por Bom Despacho, local de onde saíam os barcos para Salvador. Em frente ao local de embarque havia um quebra-mar, que tinha uma pequenina praia de areia embaixo e permitia uma bela vista. A foto a partir do local está abaixo.

      Perguntei no porto sobre hor√°rios, formas de pagamento, pre√ßos e seguran√ßa para ir a p√© do ponto de chegada ao Pelourinho em Salvador. Ao chegar em Itaparica, enquanto procurava local para me hospedar, aproveitei para conhecer e apreciar as constru√ß√Ķes hist√≥ricas do centro. Fiquei no Veranda Hostel (https://www.tripadvisor.com/Hotel_Review-g659906-d15207946-Reviews-Veranda_Hostel-Itaparica_Ilha_de_Itaparica_State_of_Bahia.html), cujo propriet√°rio, Fran√ßois, era da Nam√≠bia. A vista a partir de sua varanda agradou-me muito. Inicialmente combinamos R$ 45,00 a di√°ria no cart√£o de cr√©dito, sem caf√© da manh√£. Comprei R$ 3,00 (batata e chuchu) em uma mercearia e R$ 1,60 (tomate e cebola) em outra, pagando ambas com dinheiro. Ainda deu para ir √† praia e l√° fiquei por algum tempo, contemplando a paisagem. Estava lotada. Tomei 2 deliciosos banhos de mar, com consentimento dos salva-vidas para ir ao fundo. No fim da tarde ainda vi o lindo p√īr do sol a partir da orla que ficava de frente para o hostel. Saindo de l√° assisti ao resto do jogo entre Internacional e Vit√≥ria num bar. Os torcedores estavam revoltados com o p√™nalti que o √°rbitro havia marcado no fim. Depois fui √† padaria comprar R$ 2,00 em p√£es (3 franceses, 1 de milho e 1 de leite) com cart√£o de cr√©dito. Cozinhei batatas e juntei com o resto para o jantar.
      Na 2.a feira 1/10 aproveitei para conhecer melhor Itaparica. Tomei um banho de mar logo pela manh√£. Comprei R$ 2,00 em p√£es (franceses, milho e leite) em outra padaria mais pr√≥xima, tomei caf√© da manh√£ com sandu√≠ches e banana, e fui fazer compras para os dias restantes no supermercado por R$ 8,64 com cart√£o de cr√©dito (espaguete, berinjela, tomate, cebola, pepino, goiabada e p√£es (franceses, milho e leite)). Depois passei pela secretaria de turismo e me deram v√°rias informa√ß√Ķes de pontos a visitar, pontos em que era seguro ir e em que n√£o era e como voltar para Bom Despacho pela estrada caminhando. Uma mo√ßa perguntou-me se eu n√£o tinha medo de caminhar sozinho pela praia. Ent√£o fui visitar os pontos de interesse na cidade, v√°rias constru√ß√Ķes hist√≥ricas, igreja, prefeitura, casas antigas, pra√ßas, Capela de Santo Ant√īnio, exposi√ß√£o de fotos antigas da regi√£o na biblioteca e a marina. Dei tamb√©m um passeio completo na orla central. Nativos disseram-me para n√£o ir √†s praias depois da marina, nem √† Biquinha, pois n√£o era seguro devido √† possibilidade de assaltos ou viol√™ncia, mesmo vestindo somente cal√ß√£o de banho e camiseta regata. Ap√≥s um leve almo√ßo de p√£o com chuchu e p√£o com goiabada, fui √† praia de Ponta de Areia, por onde havia passado no caminho de vinda e de que tinha gostado. As praias estavam bem mais vazias, mas n√£o houve nenhum problema de seguran√ßa. L√° conversei com cariocas que estavam de f√©rias sobre o Rio, Niter√≥i e a situa√ß√£o eleitoral naquela semana que antecedia o 1.o turno das elei√ß√Ķes. Tomei alguns banhos de mar e contemplei a paisagem. Num dos banhos, virou o caiaque de um rapaz que estava a meu lado com o guia. A √°gua n√£o o cobria, mas pelo susto e o choque com a √°gua, acho que ele ficou assustado e com isso eu fiquei preocupado, mas tudo ficou bem. Perto do fim da tarde voltei para a praia central do forte onde tomei mais banho de mar. Em algumas situa√ß√Ķes ao longo do dia foi poss√≠vel ver peixes pulando na √°gua. Por fim fui contemplar o p√īr do sol na orla novamente. Achei-o muito belo nos 2 dias. Segue uma foto dele.

      Jantei espaguete com legumes e pão com goiabada de sobremesa. Fiquei na varanda contemplando a paisagem noturna da Baía de Todos os Santos e as luzes dos povoados distantes do outro lado.
      Na 3.a feira 2/10 novamente tomei um banho de mar logo ap√≥s acordar e depois o caf√© da manh√£ com sandu√≠ches, p√£o e goiabada. Resolvi ficar na praia pela manh√£, pois o dono do hostel permitiu-me sair at√© as 14 horas. Conversei bastante com o salva-vidas, que era o mesmo do domingo. Falamos das diferen√ßas da vida na Bahia e em S√£o Paulo, que ele nunca tinha visitado, mas via pela TV, principalmente como as pessoas gastavam tempo para chegar em seus locais de trabalho. Dizia que n√£o tinha vontade de morar l√°. Depois de contemplar, descansar e tomar 2 banhos de mar voltei para o hostel para um leve almo√ßo e ir embora para Salvador. Na hora de pagar com cart√£o, Fran√ßois disse-me que a m√°quina n√£o estava dispon√≠vel e n√£o seria poss√≠vel. Prop√īs ent√£o que eu pagasse R$ 50,00 pelos 2 dias, ou seja, R$ 25,00 a di√°ria. Perguntei se isso n√£o iria lhe dar preju√≠zo e ele disse que n√£o, pois como eu tinha ficado sozinho e era fim de m√™s e ele precisava fechar a contabilidade com um valor n√£o t√£o alto, n√£o havia problema. Perguntei v√°rias vezes, ele confirmou que n√£o havia problema para ele e ent√£o paguei os R$ 50,00 em dinheiro. Tinha pego o sabonete que ele me deu como cortesia e n√£o tinha usado, pois ainda tinha o meu. Devolvi para diminuir o custo dele com minha hospedagem. Antes de come√ßar meu caminho, pedi a um taxista a confirma√ß√£o de qual era o caminho mais indicado e ele me indicou o caminho que todos haviam dito ser o mais perigoso, passando pela Biquinha. Quando o questionei sobre a seguran√ßa, ele respondeu ironicamente rindo que pelo caminho que eu iria havia mais bandidos. Ignorei as sugest√Ķes dele. Fui caminhando pela Avenida Beira-Mar. N√£o tive nenhum problema de seguran√ßa, embora houvesse alguns trechos desertos. Achei belas as vistas da orla a partir dos pontos elevados. Peguei o barco das 16 horas em Bom Despacho. Paguei R$ 5,00 com cart√£o de cr√©dito para a Internacional Travessias (https://internacionaltravessias.com.br). Cheguei em Salvador perto das 17 horas. Achei magn√≠fica a vista da Ba√≠a de Todos os Santos, de Itaparica e de Salvador a partir do barco durante a travessia. A foto abaixo mostra a vista de Salvador quando est√°vamos chegando.

      A foto abaixo mostra o p√īr do sol pouco antes de desembarcarmos.

      Fui andando at√© o Pelourinho sem problema nenhum. Fui por Santo Ant√īnio, onde havia visto os hostels com pre√ßos melhores. Fiquei hospedado no Hostel Pelo do Carmo (https://www.facebook.com/Hostel-Pel%C3%B4-do-Carmo-1836152616404294) por R$ 15,00 em dinheiro, sem caf√© da manh√£. O hostel tinha 7 meses desde a inaugura√ß√£o e ficava num casar√£o antigo. Optei por este hostel, al√©m do pre√ßo, pela vista espetacular da Igreja do Carmo, a partir da janela do quarto e pela vista da Ba√≠a de Todos os Santos a partir da sala de TV. L√° conheci um liban√™s, que morava em Bras√≠lia, um catarinense e um campineiro, com quem conversei bastante. Fui visitar o Forte de Santo Ant√īnio e a Igreja de Santo Ant√īnio e comprar chuchu, cenoura, cebola, pepino e p√£es no Bar e Mercearia do Carmo por R$ 7,13 com cart√£o de cr√©dito. Depois fui passear um pouco pelo Pelourinho e assistir alguns espet√°culos art√≠sticos. Assisti v√°rios conjuntos musicais, especialmente Tambores e Cores (https://www.facebook.com/fernando.barretodealmeida.1/videos/vb.100005659626174/924642111067768). Ap√≥s ver um pouco do jogo da Libertadores fui dormir.
      Na 4.a feira 3/10 tomei caf√© da manh√£ com sandu√≠ches e goiabada, apreciei pela √ļltima vez as vistas da Igreja e da Ba√≠a, despedi-me do campineiro que iria √† praia e sa√≠ para o aeroporto. No caminho comprei R$ 1,00 em p√£es para o almo√ßo numa mercearia ao lado da do dia anterior, mas em que o p√£o era mais barato. Mais √† frente, j√° perto da esta√ß√£o de metr√ī, visitei a Igreja de Santana, que achei muito bela e bem restaurada. Ainda pude ver o f√≥rum, em frente √†¬†esta√ß√£o e embarquei. Paguei R$ 3,70 pelo bilhete unit√°rio. Achei muito bom o metr√ī de Salvador e bem mais vazio do que o de S√£o Paulo, talvez porque a extens√£o fosse bem menor. Como ele era quase todo por via a√©rea, foi poss√≠vel apreciar a vista de v√°rias partes da cidade. No aeroporto havia um √īnibus gratuito da esta√ß√£o de metr√ī at√© o embarque. O voo foi bom, mas a vista da Ba√≠a de Todos os Santos n√£o foi t√£o espetacular quanto eu j√° havia visto outras vezes. Em Guarulhos peguei o √īnibus gratuito que me levou do Terminal 2 at√© a rec√©m inaugurada esta√ß√£o de metr√ī do aeroporto. Paguei R$ 3,69 pelo bilhete de metr√ī (carreguei m√ļltiplos) para ir at√© o Br√°s, com conex√£o gratuita para Linha Vermelha no Tatuap√©.
    • Por gmussiluz
      Bom, já estava há um tempo querendo fazer uma trip desse tipo. Meu primeiro plano era fazer no litoral norte de Salvador, que foi reforçado mais ainda quando vi aqui no Mochileiros o relato do Jorge Soto, de Arembepe a Mangue Seco a pé (http://www.mochileiros.com/de-arembepe-a-mangue-seco-se-a-pe-t11941.html).
      O objetivo primário era de fazer uma trip de praia, em local que ainda não conhecia (ou não conhecia direito), a pé e com baixo custo. Mas pra quem nunca fez uma travessia longa de vários dias, é se aventurar demais querer fazer com equipamento, sem conhecimento do local e "às pressas", sendo melhor então fazer um trecho mais curto para conhecimento dos limites, analisar pontos a melhorar em questão de equipamento, organização e etc. Então, analisando o longo litoral da Bahia (maior do Brasil, diga-se de passagem), resolvi com minha então namorada fazer o trecho de Itacaré a Barra Grande, que é mais curto e daria pra fazer no tempo que tínhamos disponível. Pelo Google Maps/Earth, dá aproximadamente 46Km, mas lá ouvimos dizer de até 60Km.
       

      ORGANIZAÇÃO
      Moro em Salvador e estava de f√©rias. Ap√≥s 1 semana em Ilh√©us na casa de parentes, partir√≠amos para Itacar√© e seguir√≠amos viagem. Importante ressaltar que essa semana em Ilh√©us foi determinante para redu√ß√£o do trecho percorrido, j√° que est√°vamos com roupas e itens para mais tempo na mochila, e n√£o apenas o essencial para o percurso da trip. Entretanto, foi ponto importante para analisar que, em uma dist√Ęncia maior, onde ter√≠amos mais coisas e consequentemente poder√≠amos estar com peso igual, dever√≠amos estar mais preparados, bem como se tiv√©ssemos ido apenas para fazer a trip, estar√≠amos com menos peso e provavelmente ter√≠amos completado o objetivo sem problema. Ambos est√°vamos com cargueiras de 40L: eu com aproximadamente 12Kg e ela com aproximadamente 8Kg. O tempo pretendido era de 2 dias de viagem, pernoitando na praia. Importante que, para caminhada em praia, tem que ter conhecimento da mar√©, do contr√°rio, por falta de planejamento pode pegar uma mar√© cheia para caminhar e ter√° que ir pela areia fofa, obrigando a parar ou dobrar o esfor√ßo de caminhada e, assim, dificultando o percurso.
       
      1¬ļ DIA
      Saindo de Ilh√©us, pegamos um √īnibus para Itacar√© logo de manh√£ cedo, ele passa de hora em hora e para em pontos ao longo da estrada, demorando aproximadamente 1h50 pra chegar em Itacar√©. (Se conseguir uma carona, √≥timo, j√° que de carro at√© l√° leva cerca de 50min.)
      Ao chegar em Itacar√©, j√° havia falado previamente com um amigo que mora l√° para contatar um barqueiro para a travessia do Rio de Contas, que √© o que separa Itacar√© da Pen√≠nsula de Mara√ļ, onde fica situada Barra Grande. Encontrei meu amigo rapidamente s√≥ para confirmar o barqueiro, depois fizemos compras de √°gua e alimentos num mercadinho e seguimos para a Praia da Concha, onde o barqueiro, com um daqueles barcos de alum√≠nio a motor, j√° estava nos esperando (haviam outros barqueiros na praia, que ficam l√° para fazer passeios tur√≠sticos rio acima e que com certeza fariam a travessia tamb√©m, mas como eu ainda n√£o sabia, preferi esse contato com o meu amigo). A travessia √© bem r√°pida, s√£o aproximadamente 100m e em menos de 5min se chega ao outro lado. Descemos, fizemos um r√°pido preparo, e demos in√≠cio √† caminhada √†s 10h40. (ao descer do barco, o barqueiro perguntou para onde ir√≠amos daquele jeito. Quando falamos ‚ÄúBarra Grande‚ÄĚ, ele arregalou os olhos e deu um sorriso, como quem diz ‚Äúpirou‚ÄĚ hahaha. Dessas coisas que quem viaja com mochila nas costas j√° est√° acostumado).
      Nesse ponto, ainda se vê pessoas por ali. Vez ou outra, algumas pessoas atravessam para surfar do outro lado do rio (Itacaré é um dos locais mais conhecidos do Brasil para a prática de surf) ou para ficar numa praia menos frequentada, já que do outro lado não tem povoamento nem acesso fácil e em 10min. de caminhada já não se vê ninguém.
       


      Com 1h20 de caminhada, paramos em frente a Piracanga, onde fizemos uma parada de 20min. para hidratar e comemos barra de cereal. Piracanga √© uma ‚Äúecovila e centro hol√≠stico de cursos e terapias‚ÄĚ que oferece cursos e retiros, basicamente um lugar pra ‚Äúficar de boa‚ÄĚ e foi onde vimos apenas um casal na areia, que nos cumprimentou quando reiniciamos a caminhada. Ainda na frente de Piracanga, tem um pequeno rio, que passamos sem problema com a √°gua n√£o chegando nem na cintura. N√£o conhe√ßo o rio, mas a mar√© estava bem seca e possivelmente na mar√© cheia e dependendo da esta√ß√£o, pode ser que tenha que segurar a mochila acima da cabe√ßa para atravessar.
      Desse ponto em diante, n√£o h√° muita novidade: areia, coqueiral e √°gua salgada, sem NENHUMA pessoa durante o percurso, nem sinal (apesar de o visual ser sempre ‚Äúmais do mesmo‚ÄĚ, √© algo que n√£o consigo descrever, porque ficamos deslumbrados o tempo todo, a cada passo fic√°vamos olhando para o que vinha √† frente sempre achando cada vez mais bonito e paradis√≠aco). Mais 1h50, atravessamos mais um pequeno rio que tamb√©m n√£o tinha profundidade para se preocupar em molhar as mochilas, mas deixo aqui a mesma observa√ß√£o de antes: √© bom atentar para a mar√© e esta√ß√£o do ano que, se for chuvosa, pode resultar num n√≠vel maior do rio. Logo ap√≥s esse rio, fizemos mais uma parada para beber √°gua e comer algo. Nesse local tamb√©m n√£o v√≠amos nenhum sinal de habita√ß√£o, mas um pouco acima da restinga parecia ter um rastro de quadriciclo, transporte bem comum naquela √°rea. Dessa vez ficamos um pouco mais(30min.), porque ela j√° estava sentindo bastante dor no joelho e cansa√ßo.

      Recome√ßamos e percebemos que a mar√© j√° estava mais cheia. Al√©m disso, nesse trecho a areia era mais fofa e a inclina√ß√£o da praia era maior, e al√©m de andar com os p√©s meio tortos, acaba havendo uma sobrecarga no joelho (nesse caso, o direito) e a gente vai ficando meio ‚Äúdescompensado‚ÄĚ =S. A partir da√≠, as reclama√ß√Ķes do joelho e cansa√ßo foram aumentando e j√° comecei a procurar um local para pararmos e armar acampamento, quando, com aproximadamente 40min. de caminhada, paramos.
      Dei uma olhada no perímetro, tinha uma casa relativamente simples a uns 200m sem sinal de gente nela, além de um tipo de estradinha de areia em direção ao continente a uns 50m de onde estávamos e, claro, coqueiros por toda parte. Achei dois coqueiros baixos e consegui tirar mais de 10 cocos, aproveitando para reabastecer as garrafas que estavam vazias (aproximadamente 3L de água de coco!). Após isso, montamos a barraca, organizamos as coisas e tomamos banho (de mar hahahaha). Depois, foi só jantar (2 latas de atum com acompanhamento de bananas, puro luxo) e praticamente desmaiamos perto das 18h, contemplando um céu absurdamente estrelado, sem sinal de nuvens nem no horizonte.

      Como o quarto da barraca √© quase totalmente telada (Azteq Nepal) e o c√©u estava muito limpo sem sinal nenhum de nuvens vindo, deixei a barraca sem o sobre-teto -mesmo sabendo, tendo experi√™ncia de chuva surpresa e claro, j√° tendo lido muita coisa- o que nos fez acordar com um belo banho de chuva √†s 22h. A chuva veio sem aviso, forte e pesada! Acordamos naquela agonia para pegar lanterna, abrir o sobre-teto que estava totalmente dobrado dentro da barraca e conseguir achar os pontos certos para fixar ‚Äď tarefa de n√≠vel ultra hard. Provavelmente est√° pensando: ‚ÄúMas j√° n√£o sabe do risco de uma chuva surpresa?‚ÄĚ, ‚ÄúSobre-teto sempre!‚ÄĚ, e etc., mas o c√©u estava tentador demais e serviu de experi√™ncia hahahaha. Nunca mais armo sem sobre-teto. Resultado: algumas coisas molhadas, outras encharcadas, frio e aprendizado! Afinal, temos que aprender com os erros (ou neglig√™ncias) tamb√©m. Depois de ‚Äúrearrumar‚ÄĚ tudo e secar um pouco algumas coisas, voltamos a dormir.
       
      2¬ļ DIA
      Acordamos √†s 5h. Assistimos o Sol nascer, caf√© da manh√£, arruma√ß√£o, passar pano na barraca, curtir a praia um pouco e enquanto isso dando um tempo pro Sol subir mais e poder secar mais as coisas. Nesse tempo, passou um pescador empurrando a bicicleta e perguntei a ele se sabia quantos km faltavam para Barra Grande, que ele me respondeu ‚Äún√£o sei direito n√£o, mas est√° longe!‚ÄĚ (depois descobrimos que, nesse ponto, est√°vamos mais ou menos pr√≥ximos de Mara√ļ. Provavelmente ele veio de l√°).

      Reiniciamos √†s 9h e caminhamos por 3h30 at√© ela sentir o joelho e pararmos. Onde est√°vamos, n√£o havia condi√ß√Ķes de parar, n√£o tinha nada, ent√£o sugeri andarmos mais um pouco at√© onde tivesse alguma coisa. Est√°vamos nos aproximando de Algod√Ķes, e quanto mais perto, mais v√≠amos casas de praia enormes e j√° com a ‚Äúcara da riqueza‚ÄĚ e$tampada nas fachadas, al√©m de come√ßarmos a ver algumas pessoas: algumas vezes caseiros, outras vezes pessoas trabalhando, e tamb√©m pessoas passeando de quadriciclo na areia. Perguntamos a alguns trabalhadores quantos km faltavam at√© Barra Grande e ele sem muita certeza nos disse ‚Äúuns 30‚ÄĚ e foi quando ‚Äún√≥s‚ÄĚ (ela hahaha) decidimos parar. Desistimos e fomos perguntar a umas pessoas num bar onde poder√≠amos pegar √īnibus para Barra Grande, e fomos informados que passaria um em 20min., logo ali perto. Fomos caminhando num Sol escaldante e, quando perguntamos a um cara de bicicleta o local do ponto de √īnibus, ele disse que era ali, que o √īnibus j√° tinha passado, mas que ‚Äúsempre passa carro e logo voc√™s arranjam carona‚ÄĚ. Fomos para o ponto e esperamos. Ap√≥s 3 carros cheios, em menos de 10min. passou um cara sozinho num L200 e parou pra nos dar carona at√© Barra Grande, marcando o fim da nossa trip.

       
      O QUE APRENDEMOS NESSA VIAGEM?
      -√Č muito ruim fazer uma trip dessa com mala de 1 semana anterior em algum lugar. Se for pra fazer a trip, que seja uma viagem exclusiva pra ela, pra n√£o ter que carregar coisas desnecess√°rias.
      -Vimos que ainda existe muitos lugares vazios e paradisíacos só esperando pela oportunidade e visita de quem estiver disposto.
      -Sobre-teto sempre! Mesmo no céu estrelado (hahaha).
      -√Č muito importante se concentrar no seu corpo e em seus limites, se respeitar, respeitar seu pr√≥prio tempo e o do outro, caso v√° acompanhado.
      -Os nossos limites podem ser bem menores ou maiores do que imaginamos.
      -Independente do cansaço é bom olhar tudo mais de uma vez, pra não esquecer.
       
      EQUIPAMENTOS USADOS:
      -Curtlo Highlander 35+5L
      -Quechua Forclaz 50L
      -Azteq Nepal 2
    • Por Danilo Manoel Bauermeister Araujo
      Bom dia, boa tarde, boa noite.¬†ūüėĀ
      Meu nome é Danilo Bauer, estou saindo de Cuiaba/MT indo de mochilão(carona) até Matinhos/PR.
      Meu roteiro de viagem,
      Cuiabá - Rondonópolis - Campo Grande - Umuarama - Curitiba. 
      De Curitiba em frente sigo meu coração, vou onde der vontade, tenho uns postos programados mais nada fixo.
      gostaria de conhecer a ILHA DO MEL e varias praias e √°rea de camping.
      Se tiver mais uma maluco(a) interessado em compartilhar esta viagem comigo sera muito bem vindo(a).
      Esta sera a minha primeira viagem de mochil√£o, estou super empolgado.



×