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Olá viajante!

Bora viajar?

O que não te contaram sobre retornar do período sabático

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  • Este é um post popular.

Não faz muito tempo que voltei de uma experiência de imersão cultural entre a Ásia e Europa. Jogar uma mochila nas costas mesmo sem companhia e pouca grana, passagem só de ida, com inglês ‘the book is on the table’, sem roteiro e seguro viagem por quase um ano realmente demanda certa… ousadia?

Um desafio um tanto revigorante pra um marinheiro de primeira viagem eu diria.

Num primeiro momento é bem provável que você ai – sentado na sua cadeira giratória capenga esteja saturado de fazer o mesmo trabalho e destruído pela rotina maçante – pense que essa seria uma ótima ideia para meter o pé na jaca de vez e dar aquela renovada na vida.

Porque afinal de contas toda experiência de se lançar ao desconhecido são oportunidades valiosas de crescimento pessoal – como sempre dizem nossos colegas High Performances.

Mas sabe, convenhamos que além de todo glamour nesse pacote também vêm grandes e novos questionamentos, crises e medos. A lista de conteúdos pra digerir especialmente no retorno é gigantesca!

E, sim, recomendo. Com toda certeza essa é uma das boas alternativas pra dar aquela repaginada, mas, agora devo alertar aos futuros aventureiros sobre um fato que faz diferença e que ninguém havia me contado antes de eu me jogar nesse mundão:

Coragem e planejamento financeiro não irão bastar. Roteiros compactos ou mega elaborados também não. Devorar os blogs, pedir ajuda aos influencers de viagem, estender a jornada por mais tempo, nada mas nada mesmo poderá lhe salvar da severa crise do retorno.

Aspectos emocionais, familiares, sociais, profissionais, psicológicos, culturais tudo sofre impacto quando você volta pelo guichê da imigração brasileira e vai humildemente dar continuidade na vida que ficou pra trás, mas agora, de uma maneira diferente porque parece que tudo mudou – em você.

Enquanto viajava ouvia relatos de mochileiros sobre a dificuldade de reconfigurar a nova vida depois de tudo que viveram. É como se o espaço para a “vida normal” fosse reduzido a ponto de não caber mais na bagagem do novo Eu.

O que acontece é um processo interno de autoanálises e julgamentos, morte de ideais e renascimento de outros e por aí vai. E ao voltar, é como se tudo fosse estranho causando isolamento – entre outros sintomas – pela dificuldade de partilhar aprofundando tal complexidade com as pessoas.

Me lembrei que em 2015 – ainda quando atuava no corporativo e nem imaginava um dia cruzar oceanos – encontrei um estudo chamado de “Os custos imprevistos da experiência extraordinária” conduzido por pesquisadores de Harvard, publicado na Psychological Science, o qual não me fez muito sentido na época por alegar que:

“Diálogos e relacionamentos são notoriamente baseados a partir de experiências comuns – O estudo mostrou que as pessoas gostaram muito de ter experiências ‘superiores’ àquelas dos colegas, porém, essas experiências haviam estragado suas interações sociais subseqüentes deixando-as piores do que se tivessem uma experiência comum.” 

Surgem algumas barreiras quando, por exemplo, alguém que deu a volta ao mundo tenta relatar ao colega que até o momento não saiu do estado em que nasceu. O máximo que ele poderá humildemente responder é “nossa deve ter sido uma experiência incrível”.

O que não significa desqualificar ou diminuir o valor do colega de forma arrogante e ainda desconsiderar as exceções, muito pelo contrário, neste caso eles apenas não encontraram um ponto comum de discussão e está tudo bem.

Naquele tempo fiquei com a pulga atrás da orelha ao ler isso porque diante de uma situação dessa só conseguia enxergar uma ótima oportunidade de trocas, mesmo com tamanha diferença entre duas pessoas – O que mudou depois de presenciar este fenômeno acontecer na vida real.

A pesquisa de Gus Cooney ilustra claramente um aspecto da crise de retorno enfrentada pelos viajantes que sentem dificuldade em discutir com aprofundamento suas aventuras, o que não traduz necessariamente a quantidade países visitados, mas qual deles trouxe um elemento de conflito interno, autodescoberta, desafio e lição de vida, por exemplo, por que é disso que eles também gostariam de falar.

E é ai que o mochileiro em abstinência sente-se perdido.

Hoje quando encontro os desabafos – principalmente pelos grupos do facebook e instagram – carregados de confusões, medos e inseguranças por terem vivido algo tão rico e ao mesmo tempo, perdidos sem saber como enfrentar esses novos obstáculos, me lembro dessa pesquisa e o quanto ela se tornou pertinente.

A comprovação da pesquisa chegou através do meu experimento pessoal e, depois, pelos relatos dos próprios viajantes pelas redes.

Então o que pode ser feito?

Se prepare e se jogue de cabeça na viagem incrível de renovação, autoconhecimento e descobertas ao redor do mundo, no entanto, devo lembra-lo que ao voltar, você se sentirá um completo estranho no ninho então se prepare pra enfrentar essa fase também – tenha paciência.

O processo de readaptação poderá ser naturalmente denso e doloroso, podendo chegar a manifestar sintomas de episódios depressivos nos primeiros meses e causar confusão de pensamentos e insegurança assim como qualquer fase de transição e reconfiguração de cenários.

Peça ajuda

Não ceda ao desejo de isolamento. Procure se conectar com quem passou pelo mesmo momento seja presencialmente ou pela internet.

Busque acompanhamento psicológico de profissionais que possuem experiência pessoal no assunto, assim como, terapias integrativas.

Lembre-se sempre da importância do autocuidado, compaixão com suas limitações, falhas e com a dos outros. Faça pequenas viagens e passeios em lugares novos para estimular a aquela sensação de descoberta e aventura novamente.

Primeiros meses após o retorno

Muita cautela ao tomar decisões determinantes como trocar de trabalho, terminar relacionamento, mudar de casa etc. Em muitos casos, haverá uma ansiedade e confusão muito grande para que seja ponderado prós e contras de maneira analítica e imparcial.

E por último e não menos importante

Nunca deixe de valorizar suas conquistas e vivências inesquecíveis, porque no fim das contas você jamais estará totalmente preparado para enfrentar o desconhecido; estamos todos no mesmo barco e continuar navegando e fazendo cuidados emergenciais é preciso.

 

************

Eaí, voltou de sabático, férias ou viagem a longo prazo e se deparou com esse #caos interno? Compartilhe aqui quais foram seus sintomas, seus desafios a sua historia e como tem se cuidado para que possamos criar mais conexões e tb ajudar quem está no mesmo barco!

 

 

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  • Membros

@Jonathan Bonfim sei bem do que se trata essas palavras, a volta do ano sabático dói muito, e começa a doer ainda durante a viagem, à partir do momento que voce compra a passagem de volta para o Brasil e cada dia que passa é uma contagem regressiva pra voltar à vida real, correr atrás de emprego, pagar boletos, ouvir alguém enchendo seu saco, etc..

Ao pisar em terras brasileiras a gnt se pega pensando o que estava fazendo ontem, na semana passada, no mês passado. Pior ainda quando o facebook aparece com as lembranças de um determinado momento em que voce estava em êxtase de alegria num ponto qualquer do outro lado do mundo.

A vontade maior que se sente é a vontade de poder voltar no tempo e fazer tudo de novo. Os meses se passam e a gente nunca esquece dos dias que antecediam a partida, o primeiro voo a cruzar o oceano, os perrengues, as lições de vida, os grandes aprendizados que tivemos que não seriam possíveis se não tivéssemos vivido tudo que passamos. Tem muita coisa escrita na internet, mas nada é igual a viver aquilo pessoalmente!

Cada pessoa tem uma forma de pensar e gastar da melhor forma o seu dinheiro, muitos pregam o que a sociedade impõe sobre o status "bem sucedido" (se matar de trabalhar, ter um carro do ano e morar numa casa boa), mas felicidade é relativo, e quando me dizem que eu fui louco de gastar toda a grana q gastei viajando por um ano eu apenas digo, se eu tivesse o dobro teria gastado tudo também e nao me arrependo de nada, pois quando chegarmos na velhice o que teremos conosco serão nossas lembranças desse momentos únicos.

Enquanto isso, vivendo a vida real novamente, temos que trabalhar pra juntar grana de novo para que em algum momento possamos tirar a poeira da mochila e ter um gostinho de pôr o pé na estrada de novo. Vamos alimentando o circulo vicioso: juntar dinheiro > viajar > juntar dinheiro > viajar.

Wanderlust!

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  • Membros

O problema é que o mundo foi transformado num sanatório gigante e não é com uma viagem de volta ao mundo que você vai conseguir escapar. Aliás, talvez só os realmente loucos consigam escapar dessa babilônia. A morte também é uma saída (tentativa), mas isso é para os fortes. Vivemos num mundo desgraçado e num dos piores países. Quando somos turistas várias coisas passam despercebidas. Na verdade, como queremos fugir, muitas vezes preferimos não enxergar os problemas, nos concentramos apenas nas belas paisagens e pessoas incríveis que encontramos. Aí, quando se volta, dá de cara com a realidade novamente. O que você passou na volta da aventura, tem muita gente que passa mesmo sem sair do país, da cidade, da casa. Tudo é muito pessoal, as reações e os impactos da vida são sentidos de formas diferentes por cada pessoa, mas todos sofrem.

  • 6 meses depois...
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Isso tudo, para mim é bobagem,talvez por trabalhar todos os dias pela net de qualquer lugar do mundo.Estou na Espanha, vou completar o tempo mês que vem,já estou pensando na próxima. 

Postado
  • Membros

Nossa! Ler isso foi como uma injeção de verdades.

Realmente o retorno de uma viagem me comove muito, ao chegar nos últimos dias e no aeroporto as lágrimas descem e sinceramente antes disso era inexplicável pra mim esses sentimentos.

Agradeço demais sua exposição neste relato, vou absorver quase tudo e tentar trabalhar internamente isso.

Bem como o ciclo vicioso que foi citado pelo colega Lobo_solitário.

Juntar dinheiro> viajar> juntar dinheiro> viajar.. ..

 

 

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