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Apesar de haver bons relatos no site, espero contribuir com o meu.

  • Há 4 ônibus diários entre São Luís e Barreirinhas pela viação CISNE BRANCO, R$51, demora 5h (não procurei vans saindo do aeroporto direto pra Barreirinhas, mas existem).
  • Dizem que é melhor fazer a travessia no sentido Barreirinhas - Santo Amaro, por causa da posição do sol e do vento.
  • A estrada São Luís-Santo Amaro é relativamente nova, está boa e é mais perto que SLZ - Barreirinhas. Além disso, as lagoas de Santo Amaro são mais bonitas.
    • ATENÇÃO com a volta de Santo Amaro para São Luís, acho que não tem ônibus (se tiver, são raros) e dependemos do guia em achar uma van que ia pra lá. Geralmente, o último dia termina 12:30h e o transporte até São Luís demora 4h30min.
  • Grande parte da travessia é em areia firme e fria, então é melhor andar descalço ou com meia. Também tem inevitáveis passagens por lagoas menores, onde se molha, pelo menos, as pernas. Elas são boas para se refrescar (o tempo inteiro eu andei molhado ou úmido de propósito).
  • Melhor época: junho e julho, alguns dizem agosto e até setembro, mas nestes muitas lagoas já estão secas.
  • Preços: como junho e julho são os melhores meses, só diária do guia custa até R$250; hospedagem (café da manhã incluído), em redário, sai por R$35; jantar: R$30 a R$35; água de 2l: R$8. Converse com o guia para ver o que está incluído no preço dele (passeio pelo rio Preguiça, hospedagens e refeições, etc).
  • Cansar vai, mas com certeza vale a pena. Acredito que uns treinos de caminhada de 8km sejam suficientes para preparação.
  • Esta é a travessia mais tradicional do parque, mas tem outras de 6 até 10 dias!
  • Levar: poucas roupas (inclusive com proteção UV), meias, chapéu (nessa época, não precisa levar nada para frio, nem tênis), chinelo, protetor solar, água (pode ser comprada em cada parada),  snacks (frutas desidratadas, amendoim e castanhas), dinheiro em espécie, lanterna (não é essencial, não precisa na caminhada, mas ajuda nas hospedagens), coisas de higiene pessoal (sabonete, escova, pasta, repelente). É recomendável levar aquelas baterias portáteis, power bank, mas dá pra usar a eletricidade em algumas hospedagens.

Dia 28/jun - 1º dia: Pegamos um barco em Barreirinhas para fazer o passeio pelo rio Preguiça (R$80) por volta das 10h, o guia já nos acompanhava. O passeio é tranquilo, para em Mandacaru, onde tem um farol, também para em Caburé onde tem dunas e uma lagoa. Termina em Atins, banhamos em uma praia. Depois, final de tarde, caminhamos até Canto de Atins, cerca de 3,5h em ritmo tranquilo, sem paradas para banhos, o GPS marcou 12km de caminhada durante o dia todo (pareceu bem menos). Em Canto de Atins, tem dois restaurantes/pousada: do seu Antônio e da dona Luzia. A dona Luzia foi pioneira e é mais famosa, mas o guia disse que a fama subiu-lhe a cabeça, ficamos no seu Antônio. O camarão na chapa é o prato chefe de ambos, não é barato (com refri e água, saiu R$50 cada um o jantar), mas realmente estava muito gostoso. Dormimos em rede (R$35), local coberto com palha, com luz, mas sem paredes, até às 2:30h da manhã.

 

Dia 29/jun - 2º dia: Prometia ser o mais pesado, cerca de 17km até Baixa Grande (o quarto dia que foi o mais cansativo). Começamos a travessia por volta das 3:15h, depois de um bom café da manhã, caminhamos sob a lua cheia iluminando tudo e temperatura amena. Andamos pela praia um bom tempo, cerca de 4h (com direito a cochilada no caminho) até chegar às dunas. Valeu a pena? Sempre, no entanto, tem gente que faz este trajeto de carro e isto economiza umas boas horas. Nas dunas, subida, descida, banho em algumas lagoas. Terminamos em Baixa Grande às 12:10h. Cansei muito! O GPS marcou, durante todo o dia, uns 27km. Eu digo "durante todo o dia", porque ainda caminhávamos pelos arredores do local da hospedagem para conhecer lagoas, rios, ver o pôr-do-sol. Baixa grande é um vilarejo no meio do deserto, mas com construção de alvenaria e vegetação por perto. Almoçamos galinha caipira por R$35 (preço padrão e não é você que escolhe o que comer). Descansamos e, à tarde, fomos para uma lagoa e ver o pôr-do-sol. Dormimos, como sempre, em rede (R$35 preço padrão), sem iluminação, mas coberto com palha e "paredes". O dia seguinte seria mais tranquilo.

 

Dia 30/jun - 3º: Este terceiro dia foi tranquilo, acordamos por volta das 4:30h para sairmos às 5h, após café da manhã simples (tapioca e ovo). Caminhamos devagar, parando bastante em lagoas e terminamos antes do meio-dia em Queimada dos Britos, o GPS indicou 15km. Eu comecei a usar meia, pois vi que estava começando a formar bolha no meu pé. Almoço (R$35) era peixe (estava salgado), teve salada (artigo raro) e até sobremesa. Lagoas, pôr-do-sol, jantar e dormir cedo, porque não tem muito que fazer a noite.

 

Dia 1º/jul - 4º: De novo, acordamos umas 2:15h, tomamos café e saímos para caminhar às 3h e alguma coisa. Só terminamos à 12:30h, exaustos, em Santo Amaro. Foi o dia mais longo e mais cansativo, cerca de 28km. Neste dia, mais uma vez, é possível pegar um transporte em Vassouras, economizando assim, uns 10km. Pergunta se pegamos? Não. Faltando uns 8km (talvez 6km), o guia novamente perguntou se queríamos pedir um carro e pagar R$50 cada um. Pegamos o carro? Claro que não, só faltavam 8km! kkk. As lagoas perto de Santo Amaro são bem mais bonitas que as de Barreirinhas e, acredito eu, o turismo em Santo Amaro irá aumentar com a boa estrada até são Luís (só falta transporte).

 

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Em 19/02/2019 em 11:13, Laura Zigue disse:

Leandro, Sabe me dizer se há transporte de barreirinhas até santo amaro, ou a travessia é feita apenas por trekking?

Tem sim, não é ônibus de linha, mas o pessoal sempre conhece alguma van ou carro que está indo.

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    • Por Tadeu Pereira
      Trilha Saco das Bananas ou Trilha das 10 Praias Desertas - Caraguatatuba x Ubatuba - SP 
      Praias: Praia da Tabatinga, Praia da Figueira, Praia da Ponta Aguda, Praia da Lagoa, Praia do Simão, Praia Saco das Bananas, Praia da Raposa, Praia da Caçandoquinha, Quilombo Caçandoca, Praia do Pulso, Praia da Maranduba e Praia do Sape.
      Dificuldade: Moderado
      Distância: 28 km
      Salve salve mochileiros!
           Segue o relato desta trilha fantástica situada entre Caraguatatuba e Ubatuba no litoral Norte de São Paulo, iniciada na Praia da Tabatinga a aproximadamente 20 Km da cidade de Caraguatatuba e finalizada na praia do Sape. A trilha é de nível médio com subidas e descidas mostrando belas paisagens e diversas praias. A maioria das praias são quase que desertas com pontos de água potável.  
      Partida - 17/11/20 - Ida 7:30am - São Paulo x Caraguatatuba -> BlablaCar R$45,00 - Caraguatatuba x  Praia da Tabatinga -> Ônibus R$4,65
           Partimos do bairro do Butantã em São Paulo capital onde combinamos com o motorista do aplicativo BlablaCar para sair às 7:30am. Saímos no horário marcado e fomos em 4 pessoas no carro. A viagem foi tranquila, segura, todos de máscaras pela pandemia e com duração de duas horas e meia até chegarmos ao Terminal Rodoviário de Caraguatatuba onde pegamos um ônibus do transporte público com sentido a cidade de Ubatuba. Depois de aproximadamente 35 minutos descemos no último ponto da praia da Tabatinga próximo ao Mercado Prime onde fica o início da trilha pela rua à direita do mercado. Compramos mais alguns mantimentos e água e iniciamos por volta das 11:00am a Trilha do Saco das Bananas ou Trilha das 10 praias desertas.   
       
           A trilha teve início na rua ao lado direito do Supermercado Prime pela Rua Onze onde seguimos por ruas com um terreno muito acidentado com muitos buracos e lama até chegar na entrada para a Praia da Figueira. Resolvemos não entrar nesta praia pois o tempo não estava ajudando muito e então seguimos em frente. Alguns metros a frente chegamos no Mirante da Praia da Ponta Aguda de onde se tem uma bela vista da Praia da Figueira e da Praia da Ponta Aguda.
         
                                                 (Entrada Praia da Figueira)                                                        (Estrada)
       

      (Mirante da Praia Ponta Aguda) - (Praia da Figueira)

      (Praia da Figueira)

      (Praia da Figueira)
           Passando o mirante a trilha começa a adentrar a mata mais fechada passando por diversos pontos d'água. Andamos por mais ou menos mais 1 hora e chegamos em um casarão abandonado com várias bananeiras ao redor. Não sei a história desta casa mas parecia ser bem antiga. Neste ponta a trilha se divide em duas, para a esquerda se segue a trilha para a Praia do Simão, e para a direita se chega na Praia da Ponta Aguda. Descemos uns 15 minutos de trilha passando por um descampado até chegar na Praia da Ponta Aguda. 
       

       (Praia da Ponta Aguda) 

       (Praia da Ponta Aguda) 
            Ficamos pouco tempo na Praia da Ponta Aguda pois estávamos correndo contra o tempo que a todo momento mostrava que podia desabar com muita chuva. Retornamos pela mesma trilha que chegamos na praia e continuamos a trilha seguindo as placas rumo a Praia da Lagoa. 
       

          (Praia da Lagoa) 
           A Praia da Lagoa que faz jus ao nome contém uma lagoa que desagua no mar situada do lado esquerdo da praia. Retornamos pela mesma trilha e seguimos as placas para a Praia do Simão que a princípio iríamos pernoitar e seguir no dia seguinte.  
       
           Apesar da placa de proibido resolvemos seguir em frente e caminhamos por mais ou menos umas 2 horas neste trecho. A trilha estava muito molhada pela chuvas do dia anterior tornando o trecho escorregadio e muito difícil de render a caminhada. O tempo até que estava colaborado pois só tínhamos pego chuviscos durante o caminho, até que chegando próximo da Praia do Simão o tempo simplesmente resolveu dizer qual seria o nosso destino pelos próximos 3 dias ahahauhauhauha. 
       
           Começando com um chuva bem fina, toda aquela água que estava acumulada durante o dia resolveu cair bem na hora que estávamos chegando na Praia do Simão ahuahuah e não parou mais. Depois de vários escorregões e tombos passando por alguns trechos que sem chuva até seriam fáceis, mas com toda aquela água caindo do céu com a trilha encharcada e muito escorregadia ficaram bem complicadas. E depois de algumas horas chegamos na Praia do Simão ou Praia Brava do Frade.

      (Praia do Simão ou Brava do Frade)

      (Praia do Simão ou Brava do Frade)


      (Praia do Simão ou Brava do Frade)

      (Praia do Simão ou Brava do Frade)
           Segundo moradores a Praia Brava do Frade possui este nome pois a um tempo atrás morou um frade na praia por muitos anos, razão do nome original. A praia é bastante procurada também por surfistas que buscam tranquilidade em uma praia deserta longe da badalação, mas neste dia não tinha ninguém na praia. 
           Chegamos e já montamos acampamento no meio das inúmeras árvores pensando em obter alguma sombra pra caso no dia seguinte o sol desse as caras ahuahuah. A praia tem mais ou menos 1 km de extensão com mar de águas agitadas, areia clara, praia de tombo, aparentemente com muitas correntes de retorno. Também ficamos próximos ao um ponto de água potável que fica no meio da praia formando uma pequena lagoa que com a forte chuva virou uma grande cachoeira que corria até o mar. A pernoite estava garantida, mas a chuva não parou mais aquela noite e nem no outro dia. Choveu forte, com trovoadas e muito vento o tempo todo.

      (Praia do Simão ou Brava do Frade)
       
       

      (Praia do Simão ou Brava do Frade)

      (Praia do Simão ou Brava do Frade)

      (Acampamento)

      (Praia do Simão ou Brava do Frade)
       
      (Bica d'água)
           Acordar em uma praia deserta certamente é um desejo de muitas pessoas, mas acordar com a praia deserta e com muita chuva também foi uma experiência muito boa com sentimento de frustração e agradecimento. Ficamos por três dias nesta praia por causa da chuva, as barracas viraram nossos lares naquele paraíso por alguns dias ahuahua. A chuva não deu trégua no segundo dia, choveu por várias horas de manhã até o meio da tarde. Tivemos que esperar por horas pra sair da barraca pra poder conhecer aquele paraíso, mas quando a chuva deu uma trégua nós saímos para desbravar e conhecer a praia. 

            Do lado direito andando pela praia existe um paredão de pedra que dependendo do volume d'água é um bom ponto para um banho de cachoeira, mas neste dia apesar de toda a chuva estava com volume baixo.  
       
      (Cachoeira)
            A chuva começou novamente e retornamos para o camping e por ali ficamos. Fizemos toda nossa comida dentro da barraca. Uso o modelo QuickHiker 2 Quechua que tem duas portas e dois grandes avanços possibilitando usar o fogareiro sem nenhum problema. Choveu o resto do dia e toda a noite. 

       
            Dormimos cedo com muita água ainda caindo, e por volta das 4:30am da madrugada a chuva resolveu finalmente parar. Resolvi sai da barraca assim que amanhecesse para ir ao banheiro e me deparei com um nascer do sol sensacional saindo lá longe no horizonte do mar. E depois de tanta chuva tive uma sensação de euforia, alegria, minhas energias se renovaram e todo aquele cenário de frustração por causa de toda aquela chuva mudou imediatamente ao ver os primeiros raios de sol naquele dia ahuahua, foi muito emocionante. Bom Diaaaaaaaaaaa!


       




      (Praia do Simão ou Brava do Frade)
           Com toda aquela animação já preparei um belo café da manhã e comecei a desmontar acampamento para seguir em frente pois além de toda aquela chuva que estava caindo antes, o mar também estava um pouco revolto e impossibilitou a travessia pela praia para poder continuar a trilha. E naquela manhã tudo isso estava ao nosso favor para poder continuar a travessia, então tomamos um café reforçado, desmontamos todo acampamento e seguimos para o lado esquerdo no final da praia onde fica a continuação da trilha. 

           No final da praia havia um acampamento fixo montado com barracas, panelas, talheres, pia, agua encanada hauahuahua. Depois de todo o perrengue que passamos com a chuva, aquele acampamento iria ser muito útil pra nós. Mas como não tivemos muito tempo de desbravar a praia, só encontramos esse acampamento quando estava saindo do Simão. Um morador local que encontramos na trilha nos disse que são de surfistas que se juntam e passam alguns dias neste local.  

       
           A continuação da trilha fica atrás deste acampamento. Neste trecho existe uma subida até chegar em um mirante que se vê toda Praia do Simão. E é neste trecho da trilha que se faz jus ao nome Saco das Bananas. Caminha-se por diversas plantações de bananas revelando belas paisagem. 


      (Mirante - Praia do Simão ou Brava do Frade)

             A caminhada neste trecho foi um pouco cansativa pois existem algumas subidas e descidas que desgastam um pouco por causa do peso da mochila. Caminhamos por uma hora e meia mais ou menos até chegarmos nas ruinas de uma escola abandonada, a Escola do Saco das Bananas construída em 1973 que atendia por volta de 25 crianças fechando em 1993 por falta de alunos. Ao lado esquerdo da escola segue a trilha para praia da Raposa e para o lado direito fica a trilha que chega na próxima praia da travessia, a Praia do Saco das Bananas. 

      (Escola E. P. G. Saco das Bananas)

           Seguindo a trilha da escola até a Praia do Saco das Bananas começamos a perceber o quanto ela é histórica com a frequente presença da Comunidade Quilombola existentes em algumas ruinas da época da escravidão. Levaram 10 minutos de descida até a praia e chegando encontramos um casarão de frente para o mar, que provavelmente seria dos donos de toda aquela plantação de bananas, encontramos uma praia pequena de aproximadamente 55 metros de largura, areias amareladas, águas cristalinas, com algumas pedras enterradas nas areias e cercada pela Mata Atlântica.

      (Praia Saco das Bananas)

      (Praia Saco das Bananas)

            Na Praia Saco das Bananas encontramos com alguns moradores que nos informaram que a praia era como um porto para os barcos levarem os produtos que os moradores cultivavam e que na sua maioria eram e é até hoje as bananas. Chegamos bem na hora que eles tinham colhido vários cachos. Nos contaram também que a trilha Saco das Bananas em alguns trechos, foram estradas construídas de pedra com intuito de facilitar o transporte de mercadorias cultivadas no roçado como: cana, mandioca, banana e outras especiarias. A praia guarda muitas histórias e muitos mistérios de sofrimento do período escravocrata e ainda sofrem até hoje com a especulação imobiliária. 

      (Praia Saco das Bananas)
           Ficamos por uma hora nesta praia contemplando e logo seguimos para a próxima praia que seria a Praia da Raposa. Retornamos até a escola e na bifurcação da trilha principal fomos para a esquerda. Neste trecho existem algumas subidas de tirar o fôlego, mas que nos proporcionaram vistas fantásticas das praias. 
       




       



           Caminhamos por uma hora e meia neste trecho até que chegarmos na entrada da Praia da Raposa, mas por causa do tempo ruim decidimos seguir em frente e não passar por esta praia. A entrada pra praia fica em uma trilha pequena onde existe uma corda para ajudar na descida ingrime. A entrada é bem pequena e fica à direita pra quem vem da Praia Saco das Bananas. Caminhamos mais alguns minutos e chegamos na Praia de Caçandoquinha. 

      (Praia da Caçandoquinha)

      (Praia da Caçandoquinha)
       
      (Rio de água doce)
           Chegando na Praia da Caçandoquinha se vê um casarão de fazenda do período escravagista mas que, por ser privada, não é aberta ao público. É uma praia de mar calmo, areias claras, muitos borrachudos, do lado direito da praia existe um riacho de água doce e contém algumas árvores centenárias propiciando ótimas sombras para ficar a beira mar. Hoje a Caçandoquinha guarda uma história de riqueza branca e sofrimento escravo, amenizado com o reconhecimento e regularização do Primeiro Reduto Quilombola do litoral norte do Estado de São Paulo.
        
      (Praia da Caçandoquinha)
           Ficamos um tempo nesta praia para descanso e aproveitamos para fazer um lanche embaixo das sombras de umas das grandes árvores centenárias que têm de frente para o mar. Ao contrario da sua vizinha, Caçandoca, esta praia é muito tranquila, não existe nenhuma estrutura para o turismo, não se chega de carro, e é pouco frequentada. Do lado esquerdo da praia existe uma trilha que leva ao Quilombo Caçandoca, nosso próximo destino. 
           Caminhando por uns 10 minutos já se chega no costão onde existe uma corda para a descida até a Praia da Caçandoca. A praia é fantástica, um paraíso quase que intocado sem construções e com uma enorme história.  De areias claras, mar calmo o lugar tem um deslumbrante vista da baía do Mar Virado, Maranduba e algumas ilhas. Esta praia por ter acesso de carros pelo km77,5 da rodovia Rio-Santos já tem um pouco mais de estrutura como alguns campings e alguns quiosques a beira mar, mas tudo bem simples.
            A região do Quilombo Caçandoca tem muita história, faz parte de uma área legalizada como pertencente aos Quilombolas remanescentes das comunidades da época do período de escravidão contando com 890 hectares.  O Quilombo Caçandoca é o mais antigo do litoral norte de São Paulo e encontra - se em um dos lugares mais belos do Brasil. A escravidão só teve um "fim" em 1888 através da Lei Áurea, mas muito tempo antes os negro já lutavam por sua liberdade. A história como a dos remanescente de Quilombos, como a da antiga Fazenda Caçandoca, mostra que a luta foi árdua, mas foi vencida, e esta parte da história é passada de pai para filho, netos e bisnetos, mantendo sempre acesa a memória da Comunidade Quilombola. 
       
      (Praia da Caçandoca)
       
           Assim que chegamos já fomos atrás de um camping pois o tempo estava fechando novamente mostrando que iria chover novamente. Sentamos no Quiosque Pastel da Vó e conversando com alguns locais, nos recomendaram o Camping do Jango que fica do outra lado da praia no canto esquerdo. Fomos até lá e fechamos por R$25,00 Reais pra cada por uma noite com banho quente. Montamos a barraca e retornamos para o quiosque Pastel da Vó para curtir o resto do dia com sol enquanto tinha.
       
         (Quiosque Pastel da Vó)
           Retornamos ao camping onde tomamos um bom banho quente, fizemos um rango reforçado e dormimos pois a chuva não deu trégua no começo da noite. No dia seguinte o sol prevaleceu no céu o dia todo, o que nos proporcionou ver o quanto aquele lugar é maravilhoso mostrando belas paisagens. Decidimos ficar mais um dia e seguir para próxima praia somente no dia seguinte.
       
      (Camping do Jango)

      (Igreja)

      (Praia da Caçandoca)

      (Praia da Caçandoca)

           (Praia da Caçandoca)

           Passamos quase que o dia todo no Quiosque Pastel da Vó, pois além do tratamento maravilhoso, a cerveja tava muito gelada e ainda nos deram o valioso repelente que os locais usam para parar os borrachudos. Uma mistura de óleo de cozinha com vinagre de álcool. A mistura funcionou e lambuzamos o corpo. Bye bye Borrachudos! huahauhau 

       (Praia da Caçandoca)

       
           Foi o dia mais quente da travessia com uma temperatura de quase 30 graus. Almoçamos pela praia mesmo, comemos porções e pasteis da Vó e tomando uma merecida gelada. Até que os preços estavam de boa, nada abusivo. Retornamos ao camping por volta das 19:00pm horas, fizemos mais um rango reforçado e descansamos para poder seguir bem cedinho para as próximas praias. 

      (Praia Quilombo Caçandoca)
                  Desmontamos acampamento por volta das 6:00am horas da manhã com um nascer do sol sensacional que fomos presenteados naquela linda manhã de Domingo.

      (Praia Quilombo Caçandoca)
           Tomamos um café da manhã reforçado, contemplamos por mais alguns minutos aquele momento e aquele lindo lugar e logo seguimos para a próxima praia, a Praia do Pulso. A trilha fica no canto esquerda da praia da Caçandoca muito próximo do camping que ficamos. .

           Caminhamos por uns 15 minutos até que chegamos em uma guarita com um guarda que nos informou como passar pela Praia do Pulso. A praia de acesso restrito tem na sua maioria acesso por condôminos. Descemos mais alguns minutos e chegamos em uma praia com um extenso gramado comunitário, areias fofas amarelas, enormes árvores proporcionando uma grande sombra em dias ensolarados, mar calmo de águas claras, porém o que chamou mais atenção foram as enormes casas chegando quase que nas areias da praia.  Não existe nenhuma estrutura para turismo, ambulantes, quiosques.

      (Praia do Pulso)

      (Praia do Pulso)

      (Praia do Pulso)

      (Praia do Pulso)

      (Praia do Pulso)

      (Praia do Pulso)

      (Praia do Pulso)
           Comtemplamos por alguns minutos e seguimos até o canto esquerdo da praia onde fica a continuação da trilha. Neste trecho a trilha foi um pouco cansativa pois o sol estava bastante quente e as subidas deste trecho nos castigaram bastante. Durante a trilha vimos diversos mirantes com vistas espetaculares passando pelos fundos das casas até chegarmos aos fundos da famosa Igreja de Nossa Senhor de Fátima ou também conhecido como o Castelo dos Arautos. Uma fantástica construção de 9 mil m² parecido com castelos medievais com obras de Aleijadinho e com uma vista fantástica da Ilha do Pontal, Ilha e Praia de Maranduba e ao longe uma parte da Trilha das Sete Praias.

      (Praia do Pulso)
       


           Após passar pelo Castelo dos Arautos caminhamos por uma estrada chamada Estrada da Caçandoca até a rodovia BR101 Rio-Santos, onde seguimos por alguns quilômetros até a praia de Maranduba.

           Procuramos logo por um camping e encontramos o Camping Toa Toa que fica entre as Praias de Maranduba e Praia do Sapé. Fechamos por R$35,00 Reais e ficamos por uma noite. O Camping Toa Toa é bastante estruturado com banheiros amplos, com chuveiro quente, uma grande área gramada com vários pontos de energia, churrasqueiras, cozinha comunitária e com entrada tanto para praia quanto para rodovia Rio-Santos BR101. Montamos acampamento e saímos logo para procurar algum lugar pra almoçar e depois conhecer o local.   


      (Praia do Sapé - Ilha do Pontal)
           A Praia de Maranduba e do Sape são praias mais voltadas para banho, crianças, família. Tem uma ampla estrutura comercial e turística como quiosques, pousadas, hotéis, mercados e restaurantes. Como estávamos passando por praias quase que desertas sem ninguém a alguns dias já, esta praia foi meio que um choque pois estávamos voltando para a cidade.

      (Camping Toa Toa)

      (Praia de Maranduba)
           Desmontamos acampamento e mais uma vez o sol nos presenteou com mais um lindo nascer. Mochila feita e café tomado fomos para a rodovia Rio-Santo aguardar o ônibus para retornar a Caraguatatuba. Aguardamos por alguns minutos até prgar o ônibus sentido Caraguatatuba por R$4,65 e em 40 minutos chegamos na rodoviária. Almoçamos em um restaurante ali próximo do terminal e fechamos com um BlablaCar pra algumas horas depois por R$48,00 Reais de Caraguatatuba até São Paulo. E assim acaba mais uma trip e eu só tenho a agradecer! 
      GRATIDÃO  
      Retorno - 23/11/20 - Volta 9:00am  - Maranduba x Caraguatatuba -> Ônibus R$4,65- Caraguatatuba x São Paulo ->BlablaCar R$40,00
       
       
       
      Facebook: https://www.facebook.com/tadeuasp
      Instagram: https://www.instagram.com/tadeuasp/
       
       
    • Por Anderson Paz
      Olá, mochileiro/a! O principal objetivo deste pequeno relato é compartilhar como é possível se deslocar entre as praias do norte de Alagoas usando transporte coletivo. Os objetivos secundários são passar dicas de hospedagens, praias, caminhadas e campings.
      Fique a vontade para fazer qualquer comentários, tirar dúvidas ou propor sugestões de alteração de texto. Podem me encontrar também no Instagram @viajadon_ 
       
      DESLOCAMENTOS
      - Quando se pesquisa em fóruns e blogs sobre transporte entre Maceió e Maragogi ou entre Maceió e São Miguel dos Milagres dificilmente se encontra informações sobre como fazer os deslocamentos em transporte público. Eu pelo menos tive bastante dificuldade para encontrar informações e acabei buscando ajuda ligando na Arsal -Agência Reguladora de Serviços Públicos de Alagoas (já fica essa dica de opção de contato para obter informações).
      - Vamos às rotas e horários de transportes:
      ·         Aeroporto - Rodoviária: a parada fica logo na pista externa de embarque e desembarque no aeroporto. Uma pessoa que estava aguardando ônibus me informou que há 3 linhas que fazem o trajeto, mas consegui confirmar apenas duas: a 1002 (Ponta Verde) e a 1003 (Via Expressa). A passagem custa R$4,40, as saídas são frequentes e o tempo de viagem é de 1h15 mais ou menos. De Uber daria quase 50 reais.
      ·       Rodoviária - Maragogi: há uma linha regular com microônibus simples que opera nesta rota. Para pegar esse transporte, primeiro passe no guichê na parte interna da rodoviária e pague a taxa de embarque (R$3,40 se não me engano), em seguida se desloque até a baia de saída. A passagem custa R$23,50 e os horários estavam bem alinhadinhos com os da tabela de horários disponibilizada no site da Arsal (5h30, 8h40, 11h20, 13h25, 16h30 e 18h20).
      p.s.: Neste trajeto também é comum haver Bla Bla Car, mas no período em que estava, eu vi apenas como opção uns Bla Bla Car entre Maceió e Recife, que saiam por volta de R$54. Há também opção de transfers. Até cheguei ligar em um, mas não animei com o valor cobrado, R$100. Se quiser esta opção, o contato que tenho é (82) 3296-2529.
      ·      Rodoviária – São Miguel dos Milagres: não é a rota que eu fiz, mas fica aqui como bônus. O transporte (van) que se deve pegar é o que tem como destino Porto de Pedras. Os horários dos transportes estavam diferentes dos que constavam no site da Arsal. Segue abaixo os horários e os custos das passagens de acordo com o percurso.
       
      - Se você não for ficar na cidade de Maragogi, há diversas vans que saem frequentemente do “terminal rodoviário” (entre aspas porque apesar de aparecer como terminal rodoviário no Maps, é só uma praça de onde saem os transportes) rumo às praias de Barra Grande, Ponta de Mangue e Peroba. De Maragogi até Ponta de Mangue e Peroba sai por R$4. Até Barra Grande sai um pouco mais em conta.
      - O deslocamento entre Maragogi e São Miguel dos Milagres foi um pouco complexo e será explicado no DIA 4.
       
      DIA 1) Maceió a Maragogi e Ponta de Mangue
      Peguei o transporte de 13h25 e depois de 2h45 de viagem, cheguei a Maragogi. Em seguida peguei uma van ali mesmo no local onde desci do micro-ônibus e segui até Ponta de Mangue (20 min de trajeto, R$4), onde ficaria hospedado.
      A minha hospedagem foi em barraca no Camping Maragogi. Que camping maravilhoso! Praticamente na beira da praia, tem uma boa área de convivência, muitas conexões de energia, sombra em diversos pontos e ainda tem wi-fi. A cozinha tem geladeira e fogão e tudo o mais que vc precisa. Super bem cuidado. O banheiro está sempre limpo. E o melhor: o acolhimento e carinho da Josane (em especial!) e do Marcos. Recomendo demais comprar um óleo de coco e sabonetes de coco deles. Telefone de contato por Whatsapp: (81) 9470-6654.


      Depois de armar a barraca e arrumar as minhas coisas, saí para jantar. Na rodovia, próximo ao ponto onde desci da van, há dois restaurantes, um ao lado do outro, com opção de self-service. Um deles é o Ki-Sabor e o outro não tinha indicação de nome, mas no cartão de visita consta como Nossa Senhora das Dores. Acabei jantando neste último.
      Comi um prato com ovo, salada, muitaaa mandioca e feijão por apenas R$10. O preço normal lá é de R$15, mas como não pedi carne e como já era tarde deram um descontinho. Vale dizer que os donos e atendentes de lá foram super simpáticos! Lá também tem uma uma pousada simples nos fundos. Caso queira consultar, o telefone de contato é (81) 98201-8341)
       ⚠️ Antes de ir pro próximo dia, uma chamada de ATENÇÃO: no Google Maps atualmente a localidade de Ponta do Mangue e de Peroba estão invertidas.
       
      DIA 2) Ponta do Mangue e Peroba
      Meu segundo dia foi bem tranquilo no quesito de fazer turismo. Pela manhã, curti a praia de Ponta do Mangue. Próximo do horário do almoço, fui até a Praia de Peroba de carona com um casal que estava no camping.
      A Praia de Ponta do Mangue, a primeira que conheci, acabou sendo a minha favorita entre as praias próximas de Maragogi. É uma praia tranquila, pouco movimentada e sem muitas cadeiras e mesas na areia da praia. Tem bastante coqueiros e, em alguns pontos, tem restaurantes e quiosques de apoio para quem quer se sentar e consumir alguma coisa. Acho que é uma praia para todos os públicos: desde aqueles que gostam de sossego aos que gostam de ter alguma estrutura de apoio.


      Já a Praia de Peroba também é linda e um pouco mais movimentada do que a parte de Ponta do Mangue. Para mim, as duas na verdade formam visualmente uma única praia, sendo que Ponta de Mangue é a parte mais central e Peroba é o cantinho da praia, onde o litoral faz uma curva (na foto de cima é a curva da praia). 
      As duas praias, assim como todas as outras praias do litoral norte de Alagoas (ao menos as diversas que visitei), têm uma coloração de água que varia de azul turquesa a verde e são muito tranquilas para banho, especialmente durante os períodos de maré-baixa, já que a barreira de corais ao longo da costa alagoana quebra as ondas e forma verdadeiras piscinas naturais.
      Depois de curtir a praia de Peroba, fui almoçar com o casal no restaurante Ki-Sabor. A Josane recomendou o restaurante para a gente por lá ter uma boa peixada e por ser barato. Gostamos da recomendação e reservamos por telefone uma peixada. Realmente a comida estava muito saborosa, com um temperinho especial, e o preço saiu bem em conta: R$20 para cada um. Só achamos que poderia ter um pouco a mais de comida. Talvez estávamos famintos mesmo! hahaha
      Depois do almoço, voltei ao camping e fiquei por ali a tarde toda, usufruindo do wi-fi para resolver algumas coisas à distância.
      Á noite, fiquei de bobeira no camping, lendo, conversando com novos amigos e depois fiz uma tapioca para janta. Como em todas as noites seguintes, o meu roteiro basicamente foi ler e jantar tapioca, omitirei informações sobre as minhas noites nos próximos dias.
       
      DIA 3) De Ponta do Mangue até Maragogi
      Primeiro dia de caminhadas mais longas. Saí de Ponta do Mangue e caminhei até Maragogi passando por Praia de Antunes, Barra Grande e o seu Caminho de Moisés e Praia Burgalhau.

      Dessas praias, a Praia de Antunes é a que tem a maior densidade de turistas atualmente (a foto abaixo acaba não mostando isso porque já tinha passado da parte mais lotada). Eu sinceramente não entendi bem o porquê. Primeiro, a praia em si não difere tanto de Peroba ou Ponta do Mangue. Sim, tem uns restaurantes e umas barracas de apoio que devem ser bons, mas sinceramente não sei se têm muita diferença dos demais. Em segundo lugar, quem está de carro tem que parar longe em algum estacionamento pago na rodovia e seguir caminhando por estrada de terra até a praia. Por fim, nessa parte específica da praia há um banco de areia que acaba deixando o local de banho ainda mais raso durante a maré baixa. Mas enfim, talvez eu esteja sendo um pouco ranzinza no meu julgamento! 😂 Vá, compare com as demais praias e tire a sua conclusão.
       
      Em seguida na caminhada, cheguei à Praia de Barra Grande. A praia também é bem frequentada, tem alguns restaurantes e uma boa quantidade de mesas e cadeiras de praia. Não é muito diferente das anteriores.

      Em Barra Grande, fica o Caminho de Moisés, que é um estreito banco de areia que se estende mar adentro e que pode formar um belo cenário dependendo da altura da maré. Para a faixa de areia ficar mais exposta e ficar bonita na foto, é necessário que a maré esteja bastante baixa, abaixo de 0,3, o que não era o caso no período da minha visita. Ainda assim, havia uma multidão no Caminho, em uma aglomeração danada mesmo durante a pandemia. Vai entender...

      Prosseguindo a caminhada, já próximo da cidade de Maragogi, cheguei a um trecho que achei bem agradável: a Praia Burgalhau. A praia é tranquila e tem um encontro do rio com o mar que forma um belo cenário.

      Por fim, cheguei à praia da cidade de Maragogi. Essa praia foi a que menos me agradou. Sendo sincero, não é tão bonita quando comparada a outras do Brasil e se comparada às anteriores, acaba ficando feia.

      Depois dessa caminhada, foi a hora de matar a fome. Fugi dos restaurantes ali da beira da praia e fui almoçar em um restaurante na rua paralela à praia. Aqui vem uma dica de economia: nessa rua há três opções de restaurantes self-service com comida à vontade pelo preço de R$16,90 a R$18,90. Escolha o que mais te agradar. Acabei gostando mais do que já fica mais pro lado do centro da cidade (dei mancada e não anotei o nome).
      Depois da saga, fui ao “terminal de ônibus” e peguei transporte de volta à Ponta do Mangue. Passei o restante de tarde ali na praia de Ponta do Mangue.
       
      DIA 4) De Ponta do Mangue até São Miguel dos Milagres e Praia do Riacho
      Dia de sair do querido Camping Maragogi e ir até o meu próximo destino: São Miguel dos Milagres.
      A logística do deslocamento foi um pouquinho complexa e envolveu vários meios de transporte:
      Van até Maragogi; Van até Japaratinga (R$5,50 e cerca de 35 min de deslocamento); Moto-táxi da entrada de Japaratinga, onde desci da van, até a balsa para travessia até Porto de Pedras. Custo de R$10 e cerca de 20 min de deslocamento, mas com um mochila pesado nas costas, pareceu que demorou o dobro de tempo 🤣. A cada quebra-mola ou freiada seguida de nova acelerada, tinha que me esforçar para manter o equilíbrio e não cair para trás hahaha. Apesar do sufoco, procurei apreciar a paisagem ao longo do trajeto. A gente passou por uma praia mais linda do que a outra. Tive vontade de pedir para o motociclista parar em todas. Espero voltar futuramente para conhecer as praias de Japaratinga, Bessas e do Boqueirão; Balsa, que é de graça para pedestre; Carona de Porto de Pedra até São Miguel dos Milagres. Tentei pegar carona com as pessoas que estavam saindo da balsa e não consegui. Depois fui pedir informações sobre transporte até São Miguel para uma moça que estava vendendo camarão em um carro junto com o marido. Acabou que depois, quando já estava em um local esperando o transporte, eles acabaram parando e me dando carona  ❤️; Por fim, a pé de São Miguel dos Milagres até Praia do Riacho.
       
      Com essa logística toda, sai muito mais rápido, bonito e eficiente do que ir de transporte até São Luis do Quitunde e depois pegar outro transporte até São Miguel dos Milagres
      Quando cheguei em São Miguel dos Milagres, sabia que ia ter que tentar a sorte em dois possíveis campings da cidade que apareciam no Google Maps, mas que não tinham praticamente nenhuma informação disponível. Primeiro fui no restaurante/camping Peixe Frito e fui informado que não estavam funcionando como camping porque estavam sem água. Não sei se já funcionaram ou se funcionarão em algum momento, se a resposta for positiva, fujam porque a estrutura para possível camping é bastante precária.
      Depois segui caminhando, por cerca de 700 m, até o Sítio do Seu Coconha e da Dona Iuda, onde o casal de idosos me informou que não havia área de camping e que funcionavam apenas como uma atração para os turistas em passeios de buggy.
      O jeito então era seguir caminhando pela praia até a Praia do Riacho, situada a pouco mais de 2km, onde eu tinha certeza que havia um camping funcionando regularmente: o Camping dos Milagres.
      Apesar da mochila pesada nas costas, essa caminhada foi incrível devido às praias maravilhosas.  😍

      Chegando ao trecho da Praia do Riacho, fiquei deslumbrado com a beleza do local. É uma praia super sossegada com bastantes coqueiros e alguns poucos restaurantes com infraestrutura de apoio. Tem ainda uma linda foz de rio e uma igrejinha charmosa praticamente na beira da praia, que acabou me trazendo lembranças da Praia de Carneiros em Pernambuco. O pôr do sol visto dessa praia é simplesmente maravilhoso! No final das contas, foi a minha praia favorita da viagem! 🥇
       
        

      Depois de chegar ao camping, armar a barraca e organizar as minhas coisas, saí para almoçar em um quiosque que fica colado no camping e serve PFs por 15 reais. Infelizmente já era mais de 15h30 e já tinham encerrado o serviço. Fui então no restaurante ao lado do camping e os pratos para uma pessoa não me agradaram e ainda custavam o olho da cara. O jeito foi ir em um mercadinho e comprar pães, ovos e tomates, juntar com um queijo curado e folhas de moringa desidratada que estava carregando na mochila e fazer um delicioso sanduíche.
      Depois do almoço, fui curtir a praia e ver o pôr do sol na igrejinha, onde estava rolando uma cerimônia de casamento.


      Antes de passar para o próximo tópico, vale comentar sobre o Camping dos Milagres. Fica na beira da praia e relativamente perto de mercadinhos. É um excelente local para quem está de carro e com tudo o que é necessário para cozinhar, já que o lugar é bastante espaçoso e é possível parar o carro do lado de onde se vai montar a barraca. Outros pontos positivos: possui alguns cantinhos com boa sombra, número satisfatório de banheiros, limpos normalmente, e número razoável de pontos de energia. Pontos negativos: a cozinha é horrorosa (foto abaixo)! Uma palhoça suja, muito mal improvisada, onde entram galinhas. A geladeira é pequena e estava abarrotada, mesmo com o camping vazio. Tem só um fogão para cozinhar e uma leiteira à disposição (nada de panelas, pratos ou outros utensílios). O preço de 50 reais, altíssimo para o que o camping oferece. Infelizmente se paga pq não há outra opção de camping na região.
       

       
      DIA 5) Da Praia do Riacho até a Ilha de Croa/Barra de Santo Antônio, passando pela famosa Praia de Carro Quebrado
      Dia de rolezão monstro a pé! A ideia inicial era de ir caminhando até a praia de Barra de Camaragibe, o que daria uma caminhada suave de cerca de 5 km. Chegando em Barra de Camaragibe tentaria atravessar um rio a pé para chegar na Praia dos Morros/Praia Ponta da Gamela (como ainda não entendi onde uma termina e a outra começa ou se ambos os nomes se referem à mesma praia, citarei assim...caso alguém saiba, me fala aí, por favor 😉).

      Para executar esse roteiro, saí de tênis, camiseta regata, castanhas, amendoim e rapadura na mochilinha e uma água de 1,5L na mão. Até cheguei a pegar uma camisa de manga longa com proteção UV, mas logo pensei “hoje vai ser de boa. Não vou caminhar tanto. Uma regatinha tá tranquilo” e acabei deixando de lado.
      Assim saí para andar até Barra do Camaragibe. O caminho até a Barra é bastante bonito e inclui uma passagem pela Praia do Marceneiro, onde mais pessoas se concentram. Esse trecho da praia é bonito, mas não tanto quanto o trecho da Praia do Riacho.
      Já a parte específica da praia de Barra de Camaragibe não considerei bonita. Tem muitos barcos e as casinhas ali são bem simples e avançam muito sobre a areia.

      Seguindo adiante na caminhada, passando a parte urbana da praia, cheguei até o rio Camaragibe. Acabei me deparando com um rio largo, com boa correnteza e um trecho que parecia ser bastante fundo. Tristeza inicial ao perceber que não teria como atravessar o rio caminhando, mesmo na maré baixa, e que poderia ser um pouco arriscado atravessar a nado, ainda mais tendo que segurar uma mochila em uma das mãos. Mas logo, essa tristeza foi revertida para felicidade ao perceber que, à montante no rio, havia travessia de balsas. Pronto! Poderia conhecer a Praia dos Morros/Praia Ponta da Gamela.
      A travessia na balsa custa R$5 cada trecho. Na hora de pagar, o barqueiro informou que poderia pagar na volta e assim acabei deixando para pagar os dois trechos de uma vez só.

      Logo ao desembarcar, segui por uma estradinha de terra até a praia. Chegando na praia, que visão! Que lugar lindo!

      A praia de cerca de 3 km de extensão tem areia branca, mar azul turquesa e uma larga faixa de areia. O seu trecho inicial é deserto e cheio de coqueiros. Percorrendo a sua extensão com o olhar, logo se vê que há algumas construções mais para o lado de sua extremidade oposta onde se avista uma linda falésia. É uma composição bem bonita mesmo!
       

      VID_20210117_122913.mp4 Fui caminhando pela praia com a ideia de ir até a falésia e retornar. No caminho passei apenas por um casal que provavelmente estava hospedado na luxuosa Villa Entre Chaves (entra no site desse lugar para ter uma ideia do quanto é playba), aquelas construções que avistei de longe.
      Já chegando mais próximo da falésia havia mais umas pessoas jogando tênis na areia. Tênis mesmo com rede própria e marcação na areia. Eu, matutão que nunca tinha visto essa versão do tênis, fiquei um tempinho ali assistindo. Depois fui concretizar a minha meta de ir até a extremidade da praia. Aí é aquela coisa, né?! Quando atingimos a meta, o que fazemos?! Siiiim, dobramos a meta! 😂 Vi que estava relativamente perto da Praia de Carro Quebrado e resolvi ir caminhando até lá.
      A partir da extremidade da praia, percorri um trecho de cerca de 1 km, com muitas pedras e ladeado por falésias. Em alguns dos seus pontos, formam-se piscinas boas para banho. Pelo Google Maps, esse trecho é chamado de Praia de Recifes, mas não achei nenhuma informação mais específicas a respeito. Acredito que a maior parte desse trecho, só pode ser percorrido durante a maré baixa. 


      Depois cheguei até a pontinha onde se inicia (ou no caso, termina para os turistas usuais que vão à praia a passeio de buggy) a Praia de Carro Quebrado. Outra visão linda! Que felicidades de estar ali!
      Já tinha ido a essa praia em passeio há 15 anos atrás. Na época eu achei maravilhosa! A praia mais linda que então conheci em Alagoas. Ainda continuo achando uma praia linda, mas depois de conhecer diversas praias lindas com falésias no Rio Grande do Norte, Ceará e Paraíba, e comparando-a com outras praias desta viagem, não a considero mais como uma das mais bonitas da vida (mais à frente você poderá ver uma listinha com as minhas praias favoritas nesta viagem).

      Segui caminhando até a parte onde ficam as barracas de praia. Chegando ali pedi informações para um vendedor sobre opções de transporte até São Miguel dos Milagres. Perguntei se passava transporte na rodovia ali perto da praia. Ele me respondeu que se eu fosse pegar ônibus na rodovia, eu teria que andar cerca de 14 km e que era melhor eu voltar pelo caminho que tinha feito.
      Fiquei meio hesitante com a volta pelo mesmo caminho e perguntei sobre opção de transporte a partir da cidade seguinte no litoral. Ele falou que também era uma opção e que eu teria que andar 7 km até a a Ilha de Croa e atravessar uma ponte para chegar no ponto de ônibus de Barra de Santo Antônio.
      Entre fazer o caminho de volta até a balsa de cerca de 6,5 km e andar 7 km vendo novas paisagens, preferi esta segunda opção. Comprei mais uma água com vendedor e segui caminhando.
      No caminho, já uns bons metros distante das barracas de comida e bebida onde há uma carcaça de um Fusquinha, descobri uma outra carcaça de Fusquinha e fiquei sem entender se o original que teria dado origem ao nome da praia era aquele anterior ou este. A resposta, depois de uma pesquisa aqui na internet, é que não é nenhum dos dois. 😅 Esses Fusquinhas são só firulas decorativas mesmo (se bateu a curiosidade para saber sobre a origem do nome, leia as informações neste site)


      A partir desse ponto, toda a extensão de praia até próximo de Ilha de Croa/Barra de Santo Antônio fica meio monótona, mas ainda assim bonita, com coqueiros margeando a praia. Depois dos quase 7 km de caminhada sugeridos pelo vendedor de praia, cheguei até a Ilha de Croa.
      A praia é bastante frequentada. Na minha opinião, a sua parte mais bonita fica mais para o lado da Praia de Carro Quebrado, onde há menos barracas de praia e mais sossego.

      Já cansado da caminhada, entrei na cidade e fui buscar informações sobre como chegar na parada de ônibus onde passavam os ônibus até Porto de Pedras (essa é a linha que passa pela Praia do Riacho).
      Informaram-me o local certinho, a 2,5 km de distância, e disseram que se eu fosse rápido, eu conseguiria pegar o ônibus de 16h. Ê canseira! Mas vamos lá! Depois de andar mais de 20 km, 2,5 km era só um trechinho curto." O problema é que não era uma caminhada plana, como a caminhada na praia. Tive que atravessar uma ponte longa (muito maior do que tinha projetado na mente), o sol estava torrando os miolos e ainda Barra de Santo Antônio tem um bom declive. Tudo isso juntamente com o cansaço dificultou a caminhada rápida e acabei chegando já umas 16h10 na parada.

      Como ainda estava esperançoso de o ônibus das 16h estar atrasado, fui perguntar para uns motoristas de táxi que ficam no trevo na entrada da cidade, próximo da parada, se o ônibus já tinha passado, e eles me responderam que não. Ufaaa! Que sorte a minha!
      Sentei no banco da parada aliviado e fiquei esperando. Passam-se 10 min...20 min, começo a conversar com um rapaz que chegou de uma festa para esperar uma carona ali...30 min, o rapaz já pegou a carona...40 min, mais conversa com uma moça que chegou e ia para outra cidade...1h, a moça já pegou o ônibus dela, e nada do meu. Putz! Pensei: não é hoje que volto para a Praia do Riacho!
      Depois de mais de 1h esperando, chegou um senhor motorista de táxi e começamos a conversar. Logo ele engata o assunto de que estava havendo operação da polícia ao longo daquela rodovia porque estava tendo muito assalto principalmente de comerciantes e de pessoas em paradas de ônibus. Eu respondo “Rapaz! Vim da cidade grande! Tô prevenido!". E mostro um celular velho que estava no bolso enquanto o meu de uso regular estava guardado em doleira. Alguns anos de experiência em ser furtado e várias viagens nas costas me mostraram que doleira é um dos itens mais essenciais de um viajante que gosta de fazer rolês a pé ou em transporte coletivo.
      Conversa vai, conversa vem, o senhor sugere de a gente ir para o trevo, onde estavam os motoristas de táxi mais cedo, e aguardar o ônibus ali sentados em umas cadeiras. Segundo ele, o local era mais seguro, sombreado e ainda era ponto também de parada do ônibus.
      Fomos para lá e à medida que a gente ia conversando e o tempo ia passando, outras pessoas foram chegando na roda. Algumas que aparentemente estavam de bobeira, sem muito o que fazer, acabavam ficando para conversar e outras apenas passavam, cumprimentavam, falavam rápido e seguiam para pegar o seu transporte. Fiquei pensando o tanto que o que o tempo passa de uma outra diferente nessas cidades pequenas. Nesse contexto, uma conversa com um desconhecido com cara de turistão na parada de ônibus torna-se uma quebra prazerosa no cotidiano.
      Enfim, entre as conversas, a ansiedade da espera acabou se esvaziando e o tempo acabou passando mais rápido. Quando o micro-ônibus chegou, já próximo de 18h, estava tranquilo e feliz com toda a dinâmica de interações sociais durante aquelas quase 2h de espera.
      Depois de mais cerca de 1h30 no transporte, enfim cheguei até Praia do Riacho. Mas claro que depois da minha saga durante o dia, eu não podia chegar certinho, de uma vez no destino. Acabei, distraído com umas leituras, passando uns 300 m do meu ponto e tive que voltar andando em uma rodovia escura. 🤣
       
      DIA 6) Praia do Patacho e Porto de Pedras
      Dia mais tranquilo em relação à caminhada.

      Fui até a rodovia para tentar pegar o micro-ônibus até o ponto de acesso à Praia do Patacho. Como os horários são pouco frequentes, resolvi tentar uma carona. Depois de cerca de 5 min, consegui uma. E não poderia ter sido melhor! Acabei pegando carona com o gerente de um restaurante na beira da Praia do Patacho. Ô sorte! 🥳
      A Praia do Patacho é linda demais! Não sei se foi efeito da luz e do horário, mas a água ali me pareceu ter uma coloração mais azul turquesa do que nas demais. Além disso, não tem quiosques ou mesas e cadeiras em excesso na areia e ainda tem aquela franja de coqueiros ao longo da praia. Acho que já ficou até clichê falar de coqueiros nas praias, né?! Hehehe



      Vale ainda destacar que seguindo na praia no sentido de Porto de Pedras, formam-se umas piscinas naturais com recifes de corais na parte rasa. Enfim, pude usar o óculos e snorkel.
      Depois de um tempo vendo peixinhos, resolvi ir caminhando até Porto de Pedras. Esse caminho todo é bem bonito. Perde só um pouco da beleza quando chega bem próximo à cidade.


      Porto de Pedras é uma cidadezinha tranquila, bem cuidada e charmosa, com algumas casas históricas. Como já era próximo do horário do almoço, resolvi procurar um restaurante. Na cidade não há tantas opções. Acabei almoçando no restaurante do Neto. Comi um super prato feito por um precinho camarada (R$15). Depois de almoçar, fiquei um tempinho morgando, lendo um livro ali na sombra da grande árvore na frente do restaurante.



      Depois segui até o ponto de ônibus em uma pracinha com igreja. Mais uma vez o transporte – van da linha de Portos de Pedras a Maceió - demorou a passar, mas como estava lendo e curtindo uma música, foi tranquila a espera.
       
      DIA 7) De Praia do Riacho à Praia de Sauaçuhy e caminhada até a Praia de Ipioca
      Dia de deixar o camping e partir para o meu novo destino: Praia de Sauaçuhy. Para variar, cheguei atrasado na parada e acabei tendo que esperar um bom tempo pelo transporte.
      Às 10h20, peguei o transporte e cerca de 1h20 depois cheguei em Sauaçuhy. Pedi para descer no Restaurante Sauaçuhy, onde acabei almoçando. No restaurante há opções de self-service, com prato servido à vontade, por um bom preço (a partir de R$17,90).
      Depois do meu almoço segui até o meu hostel Proxima Estación Hostel, que era praticamente de frente para o restaurante, atravessando a rodovia.
      O hostel é bem localizado, a cerca de 1,2 km da praia e próximo de mercado e comércio. Tem uma boa área de convivência, cozinha com todos utensílios, cama confortável e além disso, é super econômico. Como o quarto exclusivo para mim – não quis ficar em quarto compartilhado por conta da pandemia – saiu abaixo do usual, não acho legal divulgar. Recomendo verificar a disponibilidade no Airbnb (se ainda não usou a plataforma, acesse usando este LINK).

      Depois de deixar minhas coisas no hostel, saí para a minha caminhada do dia até a Praia de Ipioca.

      A primeira praia de passagem é a própria Praia de Sahuaçuy. Vale dizer que a praia faz parte do bairro de Ipioca, o qual já é parte do município de Maceió, Porém nem parece que você está no município. Do hostel até o bairro Jatiuca em Maceió são 25 km de distância, sendo a maior parte desse trajeto através de áreas sem grandes adensamentos populacionais. 
      Sobre a praia em si, ela tem uma faixa de areia bastante larga e é praticamente deserta. Acabou não me agradando muito. Na verdade, tanto essa praia quanto as demais que vou citar adiante não se comparam em beleza a maioria das praias do norte que citei anteriormente. 

      Seguindo em direção à Praia de Ipioca, passei pelo Hibiscus Beach Club – lugar topzeira, para quem curte chiqueza - e cheguei até a foz de um rio. Esse trechinho da praia é basante bonito e gostoso. Se fosse ficar em algum lugar na Praia de Sauaçuhy, teria escolhido ficar nesse cantinho.

      Seguindo na caminhada, entre o rio e a pontinha onde se inicia a Praia de Ipioca, passei por um trecho bastante agradável onde há algumas casas e a referência da Barraca da Cantora no Google Maps.

      Continuando, cheguei à Praia de Ipioca, uma praia gostosa com casas, restaurantes e quiosques de apoio à beira mar e ainda bons trechos de praia mais calmos, tendo apenas coqueiros. É uma boa pedida para quem quer fugir das praias mais agitadas de Maceió.



      Curti um pouco a tarde ali e depois fui à rodovia para pegar um ônibus de volta ao meu hostel. Neste trecho, os ônibus são bastante frequentes. A passagem custa R$3,40.
       
      DIA 8 ) De Praia de Sauaçuhy a Praia de Sonho Verde passando pela Praia de Paripueira
      Mais um dia de caminhada suave, dessa em direção a praias ao norte da Praia de Sahuaçuy, no caso as praias de Paripueira e Sonho Verde.

      O primeiro destino, a Praia de Paripueira, acabou me gerando sentimentos ambíguos. Não curti nenhum pouco a sua parte onde a maioria dos banhistas se concentram. Não achei bonita a grande largura de areia ali e a coisa de haver meio que uma lagoa de água empoçada, seguida por uma baixa de areia, e depois o mar. Fica difícil de visualizar pelo texto, mas dá para ter uma ideia pela foto abaixo.

      Já a parte da praia mais ao norte, indo no sentido da Praia de Sonho Verde, eu achei super agradável.

      Passando esse trecho, cheguei à extremidade da praia, um ponto onde há bastante pedras. A partir dessa pontinha da praia, há tantas pedras, que se forma uma “praia” de cerca de 500 m de extensão, conhecida como Praia da Pedra.

      Passado esse trecho nem um pouco bonito e ainda assim abrigando algumas mansões incríveis, chega-se à bela Praia de Sonho Verde. Acho que de todas as praias dessa região dentro do município de Maceió ou em suas proximidades (Paripueira já é ouro município), essa foi a que eu mais curti. Tem barracas de apoio e uma franja de coqueiros linda! Mais um excelente refúgio para quem quer fugir da muvuca de Maceió.

      Tomei banho de mar e curti ali durante um tempinho e depois voltei caminhando até a Praia de Paripueira, onde parei para almoçar na Barraca da tia Maria, uma casinha metade amarela e metade branca, no trecho da praia mais para o lado da Praia de Sonho Verde. Para quem está caminhando pela praia um outra referência é uma placa de Área de Proteção Ambiental do ICMBio e a casinha Acarajé da Maria.
      Comi um excelente prato feito com posta de peixe frito, super barato. Sério! O prato era muitooo bem servido e custou apenas R$12. Depois de me empanturrar fui andando até a rodovia para pegar uma van de volta ao meu hostel (passagem a R$3).

       
      DIA 9) O dia da volta
      Depois de 8 dias incríveis, era a hora de voltar para casa. =(
      Na rodovia passam com frequência vans com destino à rodoviária de Maceió. Acabei pegando um carro particular. Se não me engano paguei 10 reais para o motorista desviar a rota dele e me deixar na rodoviária. Lá peguei o meu último ônibus até o aeroporto.


      RESUMO GERAL DO RELATO COM DICAS
      - Dá para fazer tudo de transporte coletivo. Atente-se apenas aos horários para não ficar esperando muito tempo nos pontos.
      - As praias do norte de Alagoas são incríveis! Particularmente curti mais as próximas de São Miguel dos Milagres do que as próximas de Maragogi.
      - Se tiver tempo, conheça as praias de Japaratinga, Bessas e do Boqueirão. Elas me pareceram muito lindas, observando-as de longe durante o meu trajeto de moto até a balsa para Porto de Pedras.
      - Acompanhe a tábua de marés para saber as melhores horas dos seus passeios. Isso vale especialmente para o passeio pelo Caminho de Moisés possível apenas marés super baixas.
      - É possível fazer uma excelente viagem. Gastando muito pouco, especialmente em comida, que é super barata.
       
      PRAIAS FAVORITAS
      1) Praia do Riacho
      2) Praia dos Morros/Praia Ponta da Gamela
      3) Praia do Patacho
      4) Praia de Carro Quebrado
      5) Praia de Ponta do Mangue
       
    • Por rafael.celeste
      **Esse relato ainda está em construção **
       
      A ideia inicial era fazer uma viagem apenas para o Jalapão. Após ver a diferença dos preços dos voos para Brasília e Palmas e também ver os atrativos das Serras Gerais e Chapada dos Veadeiros, decidimos ir por Brasília.
      Inicialmente iríamos em três pessoas, mas uma pessoa teve um imprevisto e fomos apenas eu e um amigo.
      Não queríamos contratar guias, então baixei os mapas do Tocantins e de Goiás no app Wikiloc, além de salvar várias trilhas das atrações que queríamos conhecer.
      Chegamos dia 20/11/20 em Brasília.
       
      O CARRO
      90% do material sobre o Jalapão que há na internet diz que um 4x4 é imprescindível para viajar pelo Jalapão. Acontece que alugar um 4x4 é caro e difícil, pois muitas locadoras não tem esse tipo de veículo. Li que na época das chuvas as estradas ficam melhores pois a areia fica mais compacta. Sendo assim, decidimos arriscar e ir com um SUV 4x2. Pegamos uma Duster automática e ela foi excelente. Para enfrentar a areia, é mais importante que o carro seja alto do que potente ou 4x4. Se as rodas não tocarem o chão, nada disso importa.
      O aluguel do carro foi na Unidas, mas feito através do serviço de concierge do mastercard (valeu, nubank). Conseguiram o melhor preço de todos e fechamos com eles. Dito isso, recomendo cautela com a Unidas. A reserva com eles parece não servir de nada. Cheguei na locadora e não havia nenhum SUV disponível, mesmo eu tendo feito a reserva com mais de um mês de antecedência. Chegaram a me oferecer um Uno. E eu não era o único nessa situação. Claramente um descaso.
      Depois de horas de espera, algum cliente devolveu a Duster que pegamos e pudemos seguir viagem.
       
      De forma resumida, o roteiro foi o seguinte: 

      Roteiro executado
       

      Trajeto de carro

       
      Dia 1: Brasília - Alto Paraíso de Goiás
      Perdemos tempo em Brasília esperando o carro da Unidas. Almoçamos no Coco Bambu do Park Shopping: camarão para duas pessoas por 50 reais. Comida excelente e bem servida, foi nosso jantar também.
      Pegando o carro, passamos num supermercado pra comprar água e algumas comidas. Depois fomos para Alto Paraíso, estrada boa até lá.
      Ficamos na pousada Espaço Naves Lunazen. Lugar bonito e bom café da manhã, mas o quarto estava um pouco sujo. Pode ser porque há muito tempo não recebiam hóspedes.
      Em Alto Paraíso curtimos o ambiente da Área 51.
      Gastos
      Aluguel do carro            R$990,00
      Pousada Espaço Naves Lunazen    R$230,00
      Almoço no Coco Bambu        R$85,27
          Supermercado             R$102,85
          Uber p/ o shopping:             R$30,00
          Área 51                R$19,90   
       
      Dia 2: Alto Paraíso de Goiás - Aurora do Tocantins
      O planejamento era fazer a trilha do Mirante da Janela e o Vale da Lua, depois seguir para Aurora.
       

      Cachoeira do Abismo

      Mirante da Janela
      Gastamos menos de 3h para ir e voltar na trilha do Mirante, que ainda tem uma cachoeira menor no meio do caminho. A queda d'água das cachoeiras era impressionante. Almoçamos no Restaurante Sabor do Cerrado e nesse momento pegamos chuva. Fomos até o Vale da Lua, mas não nos deixaram entrar por conta de ter chovido. O plano B foi seguir pra Aurora mas parando no Poço Encantado no meio do caminho. Lá pode-se tomar banho e a queda d'água era considerável. Seguimos pra Aurora, novamente em boa estrada.
       

      Poço Encantado
      Em Aurora eu havia reservado um quarto na Pousada 21 (falei com a Fernanda pelo WhatsApp). Na cidade de Aurora só vimos igrejas e um mercadinho abertos, nenhuma opção para jantar. A pousada fica perto do Rio Azuis e por sorte também tem um restaurante com o mesmo nome. Chegamos lá por volta das 21h e comemos muito bem. Por lá, não tínhamos sinal de celular e o wifi funcionava só às vezes. A pousada era simples mas boa.
          Gastos
      Pousada 21                R$160,00
          Almoço                 R$17,50
          Entrada no Poço Encantado         R$60,00
          Combustível                R$65,00
          Jantar no Restaurante 21        R$45,00
         
         
       
      Dia 3: Aurora do Tocantins - Dianópolis
      Pela manhã visitamos o Rio Azuis. Mesmo com a chuva durante a noite, a água estava cristalina. Da pousada até o rio são menos de 5 min a pé. Vale a pena chegar bem cedo, pois o lugar lota. O ponto ideal para banho fica dentro do Restaurante e Pousada Recanto dos Azuis. 
       

       

      Rio Azuis
      A ideia era conhecer a Praia do Pequizeiro em Aurora. Apesar de ter o caminho salvo no wikiloc, disseram que era necessário um guia para que a estrada até lá fosse liberada, por ficar numa propriedade privada. O local também não tem nenhuma infra estrutura. Acabamos indo pra Praia do Puçá, onde havia almoço e quiosques. O lugar é bem agradável, mas acredito que a Praia do Pequizeiro seja mais bonita.

       

      Praia do Puçá
      Ainda passamos pelas cachoeiras do Escorrega do Betim.  Boa parada no caminho pra Dianópolis, com alguma estrutura de comidas e bebidas, além das cachoeiras.

      Escorrega do Betim
      Finalmente seguimos pra Dianópolis. Estradas boas até lá. Ficamos no Mosaico Hotel, que foi ok. De lá dá pra ir a pé até o restaurante La Boca, que tem muitas opções no cardápio e boa comida.
          Gastos
          Moisaco Hotel             R$135,00
          Entrada no Recanto dos Azuis    R$30,00
          Combustível                 R$239,00   
          Entrada no Escorrega do Betim     R$30,00
          Restaurante La Boca            R$62,00   
         

       
      Dia 4: Dianópolis a Mateiros
      Acordamos e fomos para Lagoa da Serra. Cerca de 30 minutos, em boa estrada de asfalto,  separa Dianópolis de Rio da Conceição, cidade mais próxima da Lagoa da Serra. A ideia inicial era dormir em Rio da Conceição, mas não achei acomodação lá pela internet. É uma cidade bem pequena. A estrada pra Lagoa da Serra é de terra, com alguns trechos de areia. Com cuidado, qualquer carro passa. Na Lagoa da Serra é possível acampar, além de ter aluguel de stand up paddle. Vendem bebidas, mas não há comidas.
      Gostamos muito da Lagoa.
       

       

      Lagoa da Serra

       
      Voltamos à Dianópolis e almoçamos no Restaurante Bom Sabor. Self service por quilo com churrasco, muito bom.
      Depois do almoço, calibrei os pneus para 22 libras e seguimos rumo a Mateiros. Os primeiros 60 km de estrada são asfaltados. Nos últimos metros de asfalto, depois de uma fazenda, pegamos uma estrada de terra pra conhecer a Fortaleza dos Guardiões. Seguimos esse tracklog, mas é uma estrada sem grandes dificuldades. Dá pra enxergar o trajeto pela vista de satélite do Google Maps também. Na prática, chega-se à beira dos paredões de pedra que possuem essas 'torres' de pedra que são visíveis até da Lagoa da Serra. Estávamos com um pouco de pressa pra não pegar estrada com chuva ou a noite e não fomos até o fim da trilha, mas foi uma visita interessante. 

      Fortaleza dos Guardiões
      Voltamos pra estrada até Mateiros, agora sem asfalto. A estrada segue por uma via larga, de terra, com algumas poças d'água bem grandes. Os únicos veículos vistos eram os das fazendas de soja por ali. Passamos pela Vila Panambi (esse trecho da estrada é na Bahia), onde há a última mecânica antes do Jalapão e algumas pessoas deixam pra calibrar os pneus ali. Pouco depois a estrada piora. Longos trechos de areia, mas que pareciam ter sido recentemente melhorados por escavadeiras.
      O ponto de acesso à estrada pra Mateiros é bem importante e lá fizemos um grande erro. De repente havia uma cerca atravessando a estrada. Tentei um desvio pela esquerda, encontramos a cerca de novo. Pela direita conseguimos contornar a cerca e vimos até uma placa pra Mateiros. Tudo certo, seguimos em frente.
      Eu já havia lido que a estrada de acesso à Mateiros era péssima. Horrível. Os piores adjetivos possíveis. Chegamos então ao acesso da TO-247, que era o caminho que o Google Maps e os trajetos do wikiloc indicavam. Não havia placa e mais parecia o caminho da água da chuva. A estrada de terra onde estávamos era larga e plana. O Google mandava, a 'estrada' estava lá, entrei por aquele caminho. Claramente nenhum carro havia passado por ali nos últimos dias. O mato tomava conta da estrada e havia o risco real de uma das rodas ficar presa nos buracos da estrada. Era tão ruim quanto disseram e por isso parecia infelizmente ser o caminho certo. Conseguimos sair dali e chegar até Mateiros. Conversando com o pessoal de Mateiros, soubemos que ninguém passa por ali mais e nunca devíamos ter pego aquele acesso à TO-247. Era só ter continuado na estrada ‘boa’ onde estávamos.

      Trajeto no acesso à Mateiros. Fiz o caminho verde, o caminho bom é o azul
      Em Mateiros ficamos na Pousada Mãe e Filhas e jantamos espetinhos no animado MPA Tavares.
      A cidade é bem simples. 
      Gastos
      Pousada Mãe e Filhas            R$150,00
      Entrada + Stand up na Lagoa da Serra    R$50,00
      Almoço no Restaurante Bom Sabor        R$52,00
      Combustível                    R$260,65
      Espetinhos no MPA Tavares            R$61,00


       
      Dia 5: Mateiros
      Na pousada comentei da minha intenção de almoçar no Fervedouro do Rio do Sono e fomos alertados que precisaríamos reservar o almoço. A moça da pousada entrou em contato e fez a reserva pra nós.
      O primeiro fervedouro do dia foi o do Ceiça. Visitação em grupos de 6 pessoas, 20 min por grupo. Se não houver mais gente, esses 20 min se tornam tempo livre. Isso é padrão nos fervedouros, só muda o número de pessoas por vez, de acordo com o tamanho do fervedouro.
      O fervedouro é bonito, dá pra ver bem a água 'fervendo' e permite boa flutuação. Gostei bastante. Vale a pena chegar cedo pra fugir das agências de turismo, que chegam com bastante gente e acabam fazendo o tempo de espera ser grande. Vimos até uma agência chegar e desistir da visita, pois teriam que esperar demais pra que todos tomassem visitassem o lugar.

      Fervedouro do Ceiça
      Seguimos pra Cachoeira do Formiga. Lugar maravilhoso e por ser maior, não é tão ruim se houver bastante gente por lá.
      Depois fomos pro Fervedouro do Rio do Sono, onde tivemos o almoço com comida à vontade que reservamos. Comida boa, wifi e depois que as agências foram embora, o fervedouro vazio pra nós.

      Cachoeira do Prata
      Ali perto, na mesma estrada, seguimos pro Fervedouro do Buriti. Pra mim o mais bonito que visitamos. Água azul e muitos peixinhos na água. Se você 'desmanchar' um buriti, os peixinhos se aproximam pra comer. Boa estratégia pra eles pararem de dar mordidinhas no seu pé também.

       

      Fervedouro do Buriti

      Peixes comendo buriti
      De lá, seguimos pras dunas. Passamos novamente por Mateiros e a estrada tinha MUITAS costelas de vaca. São as ondinhas que ficam na estrada. Parecem inofensivas mas incomodam bastante.

       

      Dunas do Jalapão
      Por tudo que havíamos lido, não entraríamos no trecho de areia do acesso às dunas por não ter um carro 4x4. Estávamos preparados pra fazer essa parte a pé ou pegar uma carona. Acabaram nos deixando entrar de carro, disseram que a areia estava compactada e a Duster era alta o suficiente.
      As dunas ficam na área do Parque Estadual do Jalapão e não há cobrança para visitação. Entretanto, estão com a obrigação de ser acompanhado por um guia para entrar. Eles ficam na entrada esperando os turistas e cobram 150 reais por grupo. Achei caríssimo mas tivemos que pagar. Lá dentro, o guia pouco faz. Há um curto trajeto de carro e outro trajeto curtíssimo a pé. Sua maior função é cuidar para que os turistas não invadam uma parte das dunas que pode desmoronar.
      Na janta, pedimos um delivery do Malibu Burguer. Bom hambúrguer.
          Gastos
          Pousada Mãe e Filhas             R$150,00
          Entrada no Fervedouro do Ceiça        R$40,00
      Entrada na Cachoeira do Formiga        R$50,00
      Entrada no Fervedouro do Rio do Sono    R$40,00
      Almoço no Fervedouro do Rio do Sono    R$88,00
      Entrada no Fervedouro do Buriti        R$40,00   
      Guia pras Dunas                R$150,00
      Malibu Burguer                R$41,00
       
             
       
      Dia 6: Mateiros a São Félix do Tocantins
      Antes de sair de Mateiros, passamos na loja Sempre Viva, onde compramos lembranças de boa qualidade. Seguimos para o Fervedouro Encontro das Águas. A estrada de acesso possui alguns pontos de areia alta, acho que pode ser uma dificuldade pra veículos mais baixos. Como havia gente no fervedouro quando chegamos, aproveitamos o tempo de espera pra dar um mergulho no encontro dos rios ali perto, que é o que dá nome ao fervedouro. O Encontro das Águas é o fervedouro com mais flutuação entre os que visitamos, com águas bem rasas e cristalinas, mas não tem muito o visual da água ‘fervendo’.

      O Encontro das Águas

      Fervedouro do Encontro das Águas
      Em seguida fomos para o Fervedouro do Buritizinho. O acesso é bem fácil, fica a cerca de 300 metros da estrada que liga Mateiros a São Félix. O fervedouro é muito bonito, mas por ser mais profundo, não dá pra sentir muito a flutuação. Junto com o Fervedouro do Buriti, é um dos mais azuis que fomos. Além do fervedouro há um rio onde pode-se mergulhar e usar um balanço pra pular na água. Dali fomos a pé até o Restaurante e Camping Rota 110, que oferece almoço sem reserva, além de ter uma boa estrutura de camping, com redes, banheiros, uma pequena vendinha e wifi.

      Fervedouro do Buritizinho
      Depois seguimos para São Félix, que é ainda menor do que Mateiros. Ficamos na Pousada Encantos do Jalapão. Boa pousada, mas em São Félix acho que vale a pena procurar ficar na Pousada Bela Vista, pelo diferencial de ter o fervedouro dentro dela.
      Durante a noite não encontramos muitas opções para comer, mas o espetinho na praça nos satisfez.
          Gastos
          Pousada Encantos do Jalapão        R$180,00
      Combustível                    R$115,00
          Entrada no Fervedouro do Buritizinho    R$40,00
          Almoço no Restaurante Rota 110        R$95,00
          Espetinhos                    R$34,50

       
      DIA 7 - São Félix do Tocantins - Ponte Alta do Tocantins
       
      De manhã fomos aos fervedouros Bela Vista e Alecrim. São os maiores que visitamos. O do Bela Vista conta com uma torre ao lado do fervedouro, que permite tirar fotos do alto. Não sei se foi pelo tempo nublado, mas não achei nenhum dos dois fervedouros muito bonitos, apesar de grandes.

      Fervedouro Bela Vista

      Fervedouro do Alecrim
      Saindo do Alecrim, fomos almoçar em São Félix. Chegamos 12:05 no Restaurante e Petisco Bom Sabor, que disse que já não servia mais almoço naquele dia, só funcionou até meio dia. Nos recomendou ir ao Restaurante Dunas, que já estava guardando as panelas quando chegamos. A dona, simpática, nos serviu almoço mesmo assim. 35 reais por pessoa, comida caseira e boa conversa. Ela nos explicou que entre 12h e 14h a cidade toda fecha porque as pessoas dormem depois do almoço. De lá seguimos viagem pra Ponte Alta.
      Resolvemos pegar a Estrada da Taboca pra chegar até Ponte Alta. É uma espécie de atalho, mas sem sinalização e em condições não muito boas (pegamos alguns trechos com areia bem alta, por sorte eram descida no sentido em que fomos). Seguimos o caminho no wikiloc, passando pelo Restaurante da Dona Irani, onde conhecemos o Dindim, um veado filhote que vive por lá. Dona Irani serve almoço, vende bebidas e tem wifi (!). 

      Dindim
      A próxima parada foi no Cânion Sussuapara. Não achei nada imperdível, eu não desviaria meu roteiro pra passar por ali.
      Ao meu ver, o ideal seria dormir em Pindorama do Tocantins nesse dia, mas Pindorama é uma cidade bem pequena e não consegui encontrar acomodação por lá.

       

      Cânion Sussuapara
       
      Ponte Alta é uma cidade bem maior que Mateiros e São Félix, com maior oferta de comércio e restaurantes. Recomendo o Restaurante Tamboril. Ficamos na Pousada Bicudo, com boa estrutura e bom café da manhã.
          Gastos
          Pousada Bicudo            R$160,00
          Entrada no Fervedouro Bela Vista    R$50,00   
          Entrada no Fervedouro do Alecrim    R$40,00
          Almoço no Restaurante Dunas    R$90,00
          Entrada no Cânion Sussuapara    R$40,00
          Jantar no Restaurante Tamboril    R$48,00
         
       
      Dia 8: Ponte Alta
       
      De manhã, fomos pra Lagoa do Japonês. Há asfalto apenas entre Ponte Alta e Pindorama. O acesso pra Lagoa do Japonês tem uma parte de ‘serra’ bem ruim e que exige cuidado, mas qualquer carro passa. Na Lagoa do Japonês eu recomendo o aluguel de sapatilhas de mergulho por dois motivos: as pedras da lagoa são bem pontiagudas e há muitos peixinhos que ficam beliscando a pele do seu pé o tempo todo. O aluguel é logo na entrada e 10 reais é um preço ok pra evitar esses dois incômodos (pelos quais eu passei). Servem almoço por preços razoáveis lá também. No meio do caminho existem alguns restaurantes e almoçamos no Restaurante da Dona Minervina, por recomendação de amigos que fizemos no caminho.

       

      Lagoa do Japonês
      Na volta para Ponte Alta, pegamos a entrada pra Pedra Furada. O tempo nublado não deixou que pegássemos o por do sol na Pedra Furada, tornando a visita por lá bem rápida. Pagamos pelo roteiro ‘completo’, que inclui a visitação no topo de um morro chamado de Talhado das Araras. O Talhado fica há uns 2 ou 3 quilômetros do estacionamento da Pedra e o dono da propriedade vai como guia. Não é algo imperdível mas foi uma boa forma de preencher a tarde que estava livre. Acredito que gastamos mais de 1 hora no Talhado. Retornamos pra Ponte Alta, comi um pastel e visitei uma boa loja de capim dourado no centro.

      Pedra Furada

      Talhado das Araras
          Gastos   
          Pousada Bicudo                        R$160,00
          Combustível                             R$137,00
          Entrada na Lagoa do Japonês                R$60,00
          Almoço no Restaurante da Dona Minervina            R$70,00
          Entrada na Pedra Furada e no Talhado das Araras        R$60,00
       
         
       
      Dia 9: Ponte Alta a Alto Paraíso
      O planejamento do dia era acordar cedo pra passar no Arco do Sol e no Cânion Encantado, seguindo pra Chapada dos Veadeiros depois. Na Pedra Furada fomos informados da necessidade de guia pra conhecer o Cânion Encantado. Checamos no site deles e parece ser esse o caso. Teríamos que encontrar um guia em Ponte Alta que tivesse meio de locomoção próprio, pois não retornaríamos pra cidade depois da visita. Pela logística e pelo custo (e por achar que a obrigatoriedade do guia era desnecessária), optamos por não passar no Cânion Encantado, apesar de ser um lugar que eu queria conhecer. 
      Dessa forma, seguimos caminho pra Chapada dos Veadeiros passando por Chapada da Natividade e Conceição do Tocantins. Não escapamos de pegar alguns quilômetros de estrada de terra depois de Pindorama, mas depois disso as estradas eram boas. Almoçamos na Churrascaria Ribeiro e tivemos uma viagem tranquila até Alto Paraíso.
      Dessa vez, ficamos no Hostel Catavento. Boa recepção e quarto limpo. Jantamos um risoto no excelente Zu's Bistrô.
      Gastos   
          Hostel Catavento                    R$162,00
          Combustível                         R$221,00
          Almoço na Churrascaria Ribeiro            R$50,00
          Janta no Zu’s Bistrô                    R$93,00


       
      Dia 10: Alto Paraíso
      Com o tempo aberto, fomos pro Vale da Lua. Incrível. Imperdível. Tem uma prainha no final onde você pode passar um bom tempo se quiser. Era um dos pontos que eu mais queria conhecer e foi além das expectativas.

       

      Vale da Lua
      Em São Jorge almoçamos no Restaurante Buritis. Tem cardápio a la carte mas o diferencial é o macarrão no estilo Spoleto, montado por um simpático cozinheiro. Por 23,90 você pode até repetir. Nos demoramos no almoço e isso atrapalhou o planejamento da tarde. A maioria das cachoeiras não permite acesso depois das 15h. Acabamos na Cachoeira dos Cristais, que eu achei pouco interessante. 
      Em Alto Paraíso comemos na Vendinha 1961, bom ambiente e boa comida.
          Gastos
          Hostel Catavento            R$162,00
          Entrada no Vale da Lua        R$40,00
          Almoço no Restaurante Buritis    R$56,00
          Combustível                R$80,00
          Entrada na Cachoeira dos Cristais    R$40,00
          Janta na Vendinha 1961        R$59,10

       
      Dia 11: Alto Paraíso a Brasília
      De manhã fomos até a Catarata dos Couros. Seguimos um trajeto no Wikiloc mas dá pra seguir só pelo Google Maps. São alguns quilômetros em estrada de terra até chegar no estacionamento, depois uma trilha de cerca de 4km. Antes de chegar nas quedas principais, há a Cachoeira da Muralha. Recomendo fazer a trilha até o mirante final e só depois parar pra tirar fotos. Conforme você avança na trilha, vai pegando vistas cada vez melhores. Depois de chegar até o final, você pode escolher melhor onde parar. Pra chegar ao mirante, segui esse tracklog.

      Cachoeira da Muralha

       

       

      As várias (e enormes) quedas da Catarata dos Couros
       
      A Catarata dos Couros superou muito as minhas expectativas. As quedas são enormes e nessa época do ano o volume de água era bem impressionante.
      As pessoas costumam pular das pedras, mas como eu não sabia o local exato onde isso é feito, não me arrisquei.
      O estacionamento da Cachoeira não cobra nada, mas pedem uma contribuição. Na chegada, você pode pedir pra reservar o almoço num restaurante ali perto. Vendem sucos e refrigerantes também. Deixamos pra comer em algum restaurante na estrada mas só encontramos um lugar que vendia pastel muitos quilômetros a frente.
      Saindo da Catarata dos Couros, seguimos pra Brasília. 
      Dormimos na casa de amigos, limpamos e devolvemos o carro.
      Fim de viagem.
       
          Gastos
       
          Bebidas e contribuição no estacionamento da Catarata dos Couros    R$20,00
          Almoço na estrada                                R$21,00
          Limpeza do carro                                R$45,00
          Combustível                                    R$153,77   
         
         
       
      CONSIDERAÇÕES FINAIS
       
      ROTEIRO
      O trajeto foi desenhado pra evitar a estrada entre Ponte Alta e Mateiros, pois li em vários relatos que era o pior trecho do Jalapão. De fato, pra quem eu perguntei sobre essa estrada por lá, disseram que estava bem ruim e que eu teria dificuldade pra passar lá de Duster. Também disseram que é mais fácil passar no sentido de Ponte Alta a Mateiros, pois pega mais descidas.
      Na Chapada dos Veadeiros, dormimos sempre em Alto Paraíso, mas acredito que seria melhor dormir em São Jorge. É uma vila simpática e fica mais perto da maioria das atrações da Chapada. 
      Vou deixar aqui a foto de um mapa com as principais atrações da região. Achei bem útil.


       
      FERVOUROS DO JALAPÃO
      No total visitamos 7 fervedouros. Acho que foi um exagero, os últimos fervedouros já não encantavam mais. Eu diria que visitar três fervedouros é suficiente. O do Ceiça é bonito e tem boa flutuação, o do Buriti é lindo e o do Encontro das Águas é o que tem mais flutuação entre todos. 
      Os fervedouros de São Félix são os maiores do Jalapão, mas não achei tão bonitos nem imperdíveis.
       
      ESTRADAS
      Foram muito boas fora do Jalapão. Lá dentro, muita areia,  costela de vaca e trepidação no carro. 
      Tivemos muita sorte com as condições das estradas. Choveu alguns dias antes de irmos e enquanto estávamos lá, o tempo ficou aberto. Uma chuva poderia complicar bastante o trajeto de Dianópolis até Mateiros, deixando a estrada bem lisa. Em relação à areia, os piores trechos foram no acesso às dunas, ao Fervedouro do Encontro das Águas, à Pedra Furada e na Estrada da Taboca. Em nenhum momento o carro chegou perto de atolar, mas era um pouco mais difícil manter o controle e eu tentei nunca perder o embalo nesses momentos. Deixava o carro numa marcha mais baixa pra manter o giro do motor sempre alto, também. 
       
      NECESSIDADE DE CARRO 4X4
      Como dito, não tive problemas em enfrentar o Jalapão num 4x2, mas faço ressalvas pra quem pensa em fazer o mesmo. Tive que adequar o roteiro e contar com o bom tempo, mesmo em época de chuvas. Lá dentro, só via carros maiores circulando, como L200 e Hilux. A Duster foi o modelo ideal por ser um carro alto e o câmbio automático foi bem conveniente. Voltando do Talhado das Araras ouvimos um cara dizendo que não quis arriscar passar por aquele trecho com um Renegade, por ser mais baixo. Então acredito que a Duster seja preferível em relação ao Renegade e também aos outros SUVs disponíveis nas locadoras.
      Acho melhor ir com carro alugado do que usar o carro próprio. As ondulações na estrada são realmente muitas e podem acabar causando algum dano mais sério no seu carro. Melhor alugar e ir mais tranquilo.
       
      GASTOS
      Anotei em cada dia todos os gastos que tivemos, só não incluí as lembranças que compramos. Todos os gastos são para duas pessoas. De fato no Jalapão só aceitam dinheiro na grande maioria dos lugares. 
      Os almoços dentro do Jalapão foram todos por pessoa, com comida à vontade. O preço por pessoa varia entre R$35 e R$40.
      A divisão dos gastos ficou assim:
      Acomodação
      R$ 1.649,00
      Combustível
      R$ 1.271,42
      Alimentação
      R$ 1.211,12
      Carro
      R$ 1.035,00
      Atrações
      R$ 860,00
      Uber
      R$ 30,00
      Total
      R$ 6.056,54
       
      Um preço final de cerca de R$3000,00 por pessoa, por uma viagem de 12 dias. Dá pra gastar menos economizando na alimentação, hospedagem e colocando mais pessoas no carro. 



       
       

       


    • Por rafael.celeste
      Visitei a Chapada Diamantina recentemente com mais 2 amigos e conseguimos fazer todos os passeios que queríamos. Contratamos um guia apenas na cachoeira do Buracão, onde dizem que o guia é obrigatório.
      Pra ir sem guia, todos nós tínhamos um bom preparo físico e alguma experiência em trilhas. Além disso, baixei a versão completa do app Wikiloc. Se não me engano, custou R$7,50. Frente à economia que você fará com os guias, tá de graça. Dá pra comprar um bom powerbank pra carregar o celular na viagem que você ainda sai no lucro (recomendo o zenpower da asus). Dito isso, com exceção da trilha da cachoeira da fumacinha todas as trilhas foram feitas tranquilamente seguindo o tracklog no celular (tracklog é o caminho que você segue com o GPS). São trilhas bem marcadas, muita gente passa por lá. Vez ou outra há uma bifurcação e você tira a dúvida com o app.
      Não vou detalhar todos os passeios que fizemos pois há uma infinidade de relatos que já fizeram isso melhor do que eu poderia fazer. Deixo apenas algumas observações:
       
      - Em Ibicoara conseguimos ‘sacar’ dinheiro numa loja de reparo de motos. O dono passa no seu cartão uma compra no valor que você quer sacar e te dá o valor em dinheiro. Pode ser uma boa alternativa, já que são poucos caixas eletrônicos e o correio fica cheio. Pegamos a dica no hostel ibicoara.
       
      - A trilha da cachoeira da fumacinha é bem pesada, mas vale a pena. Além do tracklog, baixe esse relato e siga-o. Alguns pontos parecem impossíveis, mas lendo o relato dá pra passar.
       
      - Se for fazer fumacinha e buracão, compensa dormir na vila do Baixão. Fale com o Luciano (https://www.facebook.com/luciano.guiabicho?fref=ts) ele é guia e recepciona pessoas na casa dele ou indica a casa de alguém da vila. Ficamos na casa da Biazinha, pagamos 100 reais por pessoa, com direito a janta e café da manhã, cada um de nós ficou em um quarto separado. Você economiza alguns km de estrada de terra e tem uma experiência bem legal.
       
      - Visite a cachoeira do buracão. Ibicoara fica um pouco afastada das outras cidades da chapada, mas vale muito a pena. A trilha é tranquila, a queda é enorme, o volume de água é bom, dá pra observar por cima e por baixo, há estacionamento, banheiros e colete salva vidas. Lemos em todos os lugares que é preciso de guia para fazê-la, mas vimos um casal sem guia na trilha e suspeitamos que essa história talvez seja apenas um boato muito bem difundido.
       
      -Passe uma noite em Andaraí. No hostel donanna. Melhor custo benefício da viagem, hostel limpo, banheiros bons, ar condicionado, ótimo café da manhã, donos super simpáticos. Fica perto da sorveteria Apollo, que é sensacional e tem um bom preço e também do bistrô da cidade, que parece ser a melhor opção para comer lá a noite. Tínhamos planejado passar só uma noite lá, mas gostamos tanto que resolvemos entrar e sair do Vale do Pati por Andaraí, ficando 3 noites no hostel. Andaraí fica próxima dos poços Azul e Encantado e também tem algumas cachoeiras.
       
      - Em Andaraí a única operadora que tem sinal é a Claro. Não perguntei nas outras cidades, mas acredito que seja mais ou menos assim no restante da região.
       
      - Se tivesse que cortar um dos poços do passeio, eu cortaria o Azul. É nele que se mergulha, mas o Encantado é bem maior e mais bonito, achei uma experiência mais interessante. É possível ir de um poço ao outro por estrada de terra, diferentemente do que recomenda o Google Maps. Pegamos essa dica com um guia no Poço Encantado. O trajeto aparece no Waze. Saindo do poço encantado, volte até a entrada pra fazenda chapadão, à sua direita. Siga por ela até uma bifurcação que indica poço azul à direita e borracharia à esquerda. Pela esquerda também se chega ao poço azul, mas é preciso pagar 10 reais para atravessar uma ponte dentro de uma fazenda.
       
      - O poço azul fica cheio e há fila para mergulhar nele. É bom chegar cedo, nós tivemos que esperar 2h na fila.
       
      -Em lençóis ficamos na pousada São José 2. 60 reais por pessoa, ar condicionado, café da manhã, boa localização. Recomendo.
       
      - O poço do Diabo é de fácil acesso mas não é imperdível. Eu deixaria como plano B.
       
      - Praticamente não existem placas indicando o caminho pra nenhuma atração turística de lá. Nem mesmo pro Morro do Pai Inácio que é um dos pontos mais conhecidos. Saindo de lençóis será a primeira entrada à direita depois da Pousada do Pai Inácio, numa estrada de terra. Sem placa alguma. A presença do guia em passeios como Morro do Pai Inácio, Pratinha, Poços Azul, Encantado e do Diabo é completamente dispensável. Ele meramente vai te indicar o caminho e fazer companhia durante os passeios. No Wikiloc você acha os tracklogs para chegar de carro até todos os pontos turísticos da chapada.
       
      - Fomos pra chapada em janeiro de 2017 e infelizmente havia pouca água em praticamente todas as cachoeiras. Vale a pena tentar conferir se os rios estão cheios antes de partir pra lá.
       
      - É verdade que qualquer carro enfrenta a chapada, mas ele vai sofrer um pouco. As estradas de terra são muitas, são ruins e com muito pó. Vimos alguns donos de Corolla receosos com seus carros por lá. Alugar é uma boa.
       
      -Na chapada há uma certa confusão com maracujá. O maracujá amarelo que vendem nos supermercados é
      chamado de maracujina, e o que chamam de maracujá é um maracujá do mato, de casca roxa e interior verde. Se você pedir um suco de maracujá e ele vier verde, já sabe o que aconteceu.
       
      - A cidade de Lençóis realmente possui a maior estrutura turística da chapada, com ótimas opções de bares e restaurantes, mas não recomendo passar todas as noites lá. A chapada é muito grande e as cidades menores também têm seus atrativos, além de serem mais baratas.
       
      SOBRE O VALE DO PATI
      -Têm-se acesso ao vale do Pati por 3 caminhos: Saindo do Capão, de Guiné e de Andaraí. Saindo de Guiné é o menor caminho, do Capão o mais longo, mas dizem ser o mais bonito. Fomos e voltamos por Andaraí, onde deixamos o carro. Encaramos a ladeira do Império, um caminho todo calçado por pedras. Gastamos cerca de 5h desde Andaraí até a casa de Seu Eduardo e umas 7h da casa de Dona Raquel até Andaraí. Recomendo fazer pela manhã, evitando o sol.
       
      - Não recomendo levar barraca pro Pati. A menos que você queira fazer camping selvagem (há algumas clareiras na trilha) e abrir mão de mordomias como chuveiro, banheiros e acesso às cozinhas comunitárias, não compensa financeiramente. As casas de apoio praticam os mesmos preços (20 camping, 25 pra dormir com saco de dormir e 35 pra dormir em camas, 110 a diária com janta e café da manhã). Ao meu ver, não vale a pena carregar o peso da barraca por essa economia.
       
      - As casas de apoio têm vendinhas com alguns alimentos, também vendem água, cerveja e Coca Cola. No Seu Eduardo a Coca era R$7,00 e geladíssima, na Dona Raquel era R$8,00, não tão gelada.
       
      - Não suba o morro do castelo sem lanterna. Há uma gruta lá em cima. Ao sair da gruta, ande para os dois lados. Indo pra esquerda há um mirante nas pedras e para a direita você encontra outra saída da gruta. Entre nela que você retorna ao ponto inicial
       
      - Alguns tracklogs para a cachoeira do funil têm um longo trecho andando pelo leito do rio, que é pegando uma bifurcação na trilha pro morro do castelo. Esse é o caminho difícil. Há como chegar até bem perto das cachoeiras por trilha, informe-se com os nativos.
       
      - Também existem dois caminhos entre a prefeitura e a casa de Dona Raquel, um em cada margem do rio. O caminho mais suave é o que fica à direita do rio, pra quem está indo pra Dona Raquel.
       
      Também fiz uma planilha com os passeios da Chapada, acho que pode ser bem útil. Vou deixar a edição livre, pra adicionarem ou atualizarem as informações
      https://docs.google.com/spreadsheets/d/1_4-nOWQOdKMwG-fntIXCsLC3i_HlP8i9YeBz5Z_9VpQ/edit?usp=sharing
       
      Os relatos em que me baseei pra viagem foram esses:
      http://www.nathalyporai.com.br/2016/12/chapada-diamantina-raio-x-dos-gastos.html
      http://www.mochileiros.com/chapada-diamantina-vale-do-pati-t134101.html
      http://www.mochileiros.com/descomplicando-o-vale-do-pati-com-ou-sem-guia-fotos-t89310.html
      http://www.mochileiros.com/chapada-diamantina-guia-de-informacoes-t29075.html
      http://www.mochileiros.com/chapada-diamantina-em-07-dias-gastando-pouco-no-carnaval-2015-t109690.html
       
      Espero que as informações sejam úteis, aproveitem a Chapada.
    • Por Jonas Silva ForadaTribo
      2020 ano imprevisível. Ficamos a deriva desde fevereiro. Toda a temporada de montanha foi se embora, as viagens minguaram. Precisamos recorrer a destinos não antes planejados.
      Foi assim que topamos com a Ferrovia do Trigo, como descrevi em relato anterior, conseguimos fazer um circuito pelo Campo dos Padres em setembro e cinco dias antes de sairmos para a Serra Geral catarinense, recebemos um convite para fazer o trekking Guaporé Muçum. É claro que já havíamos ouvido falar e lido algum relato, mas não estávamos muito iterados sobre. Não gosto de perder oportunidades, então, após uma lida rápida em um relato e olhadela no wikiloc aceitei a proposta. O trekking não tem muito segredo é autoguiado, e a logística também é tranquila.
      Chegando ao Início
      De Urubici descemos por Lages, Vacaria até Muçum. A viagem já foi um charme, depois de Vacaria, entrei em uma área  de vinhedos e colonização italiana (Ipê, Antônio Prado, Nova Prata etc.) com muitas capelas, colinas e construções majestosas. Acredito que faça parte de alguma rota turística, mas como não conheço muito do RS né. Resumindo, estou pensando em voltar para lá fazer um tour bem longo.

      Saímos em Guaporé e fomos dormir em Muçum, no Hotel Marchetti, talvez seja o único da cidade. Fizemos um acordo com o proprietário que permitiu deixarmos o carro por ali, sob supervisão dele. E diga se de passagem o rapaz foi nota mil, além de zelar pelos carros, o hotel é fantástico, dá show em muito Ibis por aí. Excelente atendimento, limpeza impecável e o café da manhã top.
      No dia seguinte pegamos o ônibus suicida para Guaporé. A viagem foi uma história. Começou quando perdi a passagem, e tive de entrar no ônibus sem ela, ainda bem que o motorista não encrencou. Durante o trajeto nos contou muitas de suas peripécias, quando dirigia carretas, vários golpes em danceterias e restaurantes (talvez ele estivesse achando que eu estava dando o balão na passagem). De repente, a 90 km/h ele vira para a esquerda num portal dentro do vale, o coração quase sai pela boca. A conversa acabou até Guaporé (acabou o fôlego ou rezávamos para que não houvesse outro drift). Descemos na entrada de Guaporé, e a poucos metros já podíamos ver os trilhos.
      A Trilha
      Começamos a trilha, meio desconfiados com alguns carros de fiscalização parados ali na estação. Mas logo estávamos todos no ritmo dos dormentes. Os primeiros 6 km são monótonos, os passos ainda teimam em ser descompassados (é cada bicuda no trilho/dormente). Então começam os viadutos, e a direita o vale começa se exibir.

      Lá pelo terceiro/quarto viaduto já é possível ver o majestoso Rio Guaporé a bailar no vale. Surgem os primeiros túneis. Uns curtos, outros alongados, mas nada muito incrível. Topamos com a equipe de manutenção logo cedo, foi o teste que precisamos para ter certeza que não seríamos proibidos de passar por ali, afinal andar nos trilhos não é tão "legal" assim. Batemos um papo, tudo ok, seguimos.
      Já eram 14:00 quando chegamos no primeiro grande viaduto, vazado, muito alto e comprido. Cautelosamente passamos. Só fomos saber no dia seguinte que era o Mula-preta.

      Ali do lado tinha um sinal de acampamento, mas como era cedo e os destroços indicava fluxo de pessoas considerável, resolvemos seguir. Pouco tempo depois entramos num túnel infinito. Foram 40 min no meio do breu. Apenas os pontos de luz das lanternas indicava a existência de vida naquele buraco. Saímos do túnel de 2000 m já num local ideal para o pernoite. Uma estrada de caça ao lado da ferrovia, com sinal de acampamento, a poucos metros de um córrego de água limpa. Armamos as barracas, e só fomos acordados às 02:45 quando o gigante de aço rasgou a escuridão com seus olhos de fogo e silvo de dragão.
      No dia dois, começamos a caminhada era idos 07:00. Mais alguns túneis e chegamos no Viaduto Pesseguinho (esse possui placa de identificação), de posse dessa informação já suspeitamos que aquele do dia anterior era o Mula-preta.

      Quando estávamos parados para tirar algumas fotos e recuperar o fôlego fomos surpreendidos por um senhor vestidos de militar. A abordagem foi bem categórica:
      - Os senhores sabem que é proibido andar nos trilhos? - Indagou o militar.
      - Sim senhor, está escrito em letras garrafais na placa ali da entrada do viaduto. - Respondo em tom bagual, hshs.
      - Então o que fazem aí em cima? - Retrucou o homem.
      - Estamos a fazer a travessia. - Mudei o tom, para não criar problemas.
      Logo de início tinha percebido que o 'militar' era proprietário do camping ali embaixo. Ele frustrado com o movimento veio desabafar. Tentou aplicar um sermão, falando que a polícia estava prendendo e que haviam câmeras na entrada, saída e no camping dele, que iria passar para a polícia e estaríamos encrencados. Ouvi pacientemente. Ele acalmou e depois esclareceu algumas dúvidas, contou alguns acontecimentos da travessia recentes, passamos quase 1h conversando (no final do dia fomo saber que esse proprietário costuma causar alguns problemas por ali, inclusive já foi preso por abordar trekkers armado).
      Passado essa lorota seguimos. Atravessando viadutos, mergulhando em túneis, eles estão por toda a parte. O Rio Guaporé a cada curva é mais bonito.

      Depois de passar pela Cachoeira da Garganta com muita gente, na altura dos 35 km paramos para almoçar. Como o maps.ME indica um cachoeira ali perto, não tive dúvidas, achei uma trilha e fui procurá-la com um dos parceiro. Andamos 2 km morro adentro até sair nas margens do Guaporé, lindo de águas turquesas. Mas nada da cachoeira, o pequeno resquício de água nem chegava no Guaporé. Desistimos de fazer a incursão pelo leito seco até a base da queda.


      De volta aos trilhos, passamos mais um viaduto e na entrada do seguinte, saindo para à esquerda tem uma cascata. Paramos para reabastecer e curtir um pouco.
      Cruzamos mais um túnel longo, com uma seção vazada, para sair no viaduto V13. Ao longo desse dia tínhamos passado por mais dois tuneis de aproximadamente 1km cada. No V13 dei razão para o milico, algumas centenas de pessoas desfilavam sobre os trilhos e dentro do túnel, tinham crianças, pessoas de mobilidade reduzida, bêbados, drogados, pessoas com caixas de bebidas e caixas de som, uma verdadeira zona. Imagina o perigo se o guarda trilhos ou até mesmo o trem se aproxima (há relatos recentes de situações bastante tensas envolvendo trens e pessoas irresponsáveis nos pontos de acesso fácil ao longo da travessia).
      .
      Nesse dia nós descemos os 1200 m até a base do V13 para dormir em um camping (Paraíso V13). Diga-se de passagem fomos muito bem recebidos, ate travesseiro teve gente que emprestou dos proprietários. No camping, além da área coberta para a barraca (acertamos em cheio) tem uma cachoeira nos fundos muito legal que vale a visita.

      Nosso terceiro dia amanheceu debaixo de água. Desmontamos o equipamento, cobrimos com capa de chuva e seguimos morro acima. A chuva não deu trégua. Era tanta água que não se podia ver de uma ponta a outra do V13.

      Com todo cuidado do mundo, os dormentes agora estavam liso, seguimos caminhando. Mais uma série de túneis, todos curtos. Outra série de viadutos, nenhum vazado. A paisagem estava perfeita, a umidade deixa as cores mais intensas, das encostas despencavam dezenas de cachoeiras sazonais, fruto da chuva impiedosa.
      Não demorou muito para se formarem grandes alagados nas margens do trilhos. Local para descanso e refeição somente dentro dos túneis quando não estavam alagados. Em um deles, paramos e de repente um ronco ensurdecedor entrou na escuridão, luzes seguiam nosso sentido contrário. Paramos no recuo, coração na mão, uma das luzes (tive a impressão) saiu dos trilho e veio pra cima, foram longos segundos, um filme passou na cabeça, pensei em tudo que perderia, quando então, a luz vira novamente para o outro lado e escuto gritos e buzinas. Eram duas motos de trilha. Não sabia eu se chorava, xingava ou agradecia.
      Adiante em outro túnel estávamos almoçando quando o limpa trilhos passou, fui uma correria só para as áreas de escape, não gosto de arriscar a canaleta, vi nesse ano um vagão (na serra do cadeado) arrastando um pedaço de madeira por dentro da canaleta.
      Seguimos adiante, o relevo muda, passamos por alguns cortes de rocha imponentes. E no último grande viaduto ainda avistamos um bando de macacos pretos (não consegui identificar a espécie), estavam todos agitados nas copas das árvores.

      A caminhada voltou a ficar monótona nos últimos 6 km. Apenas grandes poças de água, o Guaporé some no meio da vegetação e a única surpresa foi a reformada estação ferroviária de muçum. Muita gente termina por aí, chamando um táxi ou seguindo pelo asfalto.

      Nós optamos por caminhar pelos trilhos até o centro de Muçum, descendo logo depois do primeiro viaduto sobre a rodovia. No total foram 60 km, 22 túneis e 16 viadutos.
      Depois de um banho merecido, melhor de se secar, o banho já havia sido o dia todo, fomos fazer o desjejum na lanchonete principal da praça de Muçum para no dia seguinte retornar às terras paranaenses.
      No Youtube coloquei um vídeo que mostra um pouco mais do trajeto, https://youtu.be/-Odmah6b8rU
       
      Dados que podem interessar
      A ferrovia EF491 também conhecida como ferrovia do Trigo percorre entre os municípios de Roca Sales e Passo Fundo. Comercialmente pouco explorada, hoje serve apenas para transporte de combustíveis por escassas locomotivas, e a partir de 2020 passou a receber uma rota turística. Entre os municípios de Muçum e Guaporé, que engloba também Vespasiano Correa e Dois Lageados a estrada acompanha o Rio Guaporé, percorrendo uma série de túneis, vales e encostas. Nesse pequeno trecho de pouco mais de 60 km se concentram 22 túneis dos 34 da ferrovia e 16 viadutos dos 26.
      As principais atrações do trecho, que podem ser acessadas durante a travessia ou em caminhadas curtas ou ainda chegando de carro pelas estradas de manutenção da ferrovia, são:  
      Viaduto Mula-preta em Guaporé, possui 94 metros de altura, 360m de extensão e dormentes vazados, um desafio para quem tem ou não medo de altura; Viaduto Pesseguinho, também vazado, possui mais de 80m de altura e 368 de comprimento; Viaduto V13 com 143m de altura é o mais alto viaduto das Américas; Cascata da Garganta adaptação da engenharia onde um riacho mergulha para dentro da terra em uma cachoeira que flui abaixo dos trilhos. Está situada entre os viadutos Pesseguinho e V13; Túnel de 2km perfuração dentro do morro que percorres 2000 m entre os viadutos Mula-preta e Pesseguinho; Túnel vazado com cerca de 1300 m está na chegada do V13. A 300 m da entrada dele estão algumas aberturas (janelões) de frente para o vale do Rio Guaporé; Cascatinha ao lado da entrada do terceiro túnel segundo túnel depois da Garganta (sentido Guaporé Muçum), de águas límpidas e queda macia ideal para descanso; Cascata Bem Estar situada anexa ao Pesseguinho é acessível a partir do camping na base desse viaduto; Rio Guaporé visível em mais de metade da travessia. Um dos locais de acesso à suas margens fica entre o terceiro e quarto túneis a partir do V13. Existem ainda muitos outros locais interessantes para se visitar pela região, cascatas, rochas, vales e passeios. Só pegar a mochila estudar os roteiros e se jogar.
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