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Dia 35 (quinta-feira, 23/08/2018) – O Dia Que Eu Quase Perco Meus Pés

 

As 5 da madrugada a van passaria no meu hostel para me levar aos Geysers del Tatio, acordei e me arrumei, logo a van já chegou, seguimos até o campo térmico, que fica bem longe de San Pedro, quase chegando na fronteira do Chile com a Bolívia, próximo ao Vulcão Licancabur, chegamos lá, de noite ainda, um frio de uns - 10°, primeiro pagamos a entrada, de $ 4000 para estudantes, em seguida nos levaram para uma casinha, onde o guia nos serviu o café da manhã, tinha bastante coisas, pães, frios, doces, frutas, café e chá quente, achocolatado, suco, muito bom mesmo o café da manhã deles. Quando o Sol já estava quase nascendo, seguimos a até o meio do campo térmico, que diferente do Sol da Manhã da Bolívia, esse é bem maior, são várias manifestações, e elas só soltam vapor, não tem o fedor do enxofre. E como o vapor sai a altíssimas temperaturas, o campo é todo delimitado por onde se pode andar sem perigo.

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Agora a parte tensa, eu resolvi ir de All-Star, achei que seria OK, estava friamente enganado, o chão lá não tem neve, tem gelo mesmo, o solo congela de madrugada, e demora para descongelar, eu sei que o guia estava dando as explicações sobre o campo térmico, e eu ficava pulando de um pé para o outro, quando um começava a doer muito eu trocava para o outro, já nem estava mais sentindo eles, tentei colocar em cima do vapor que saia de um pontinho no chão, mas nem assim resolvia, fui andando até chegar na van, pra poder sentar e tirar os pés do chão. Aquela hora realmente me arrependi de não ter ido de bota. Fiquei um tempo lá, descongelando os pés, depois, quando o Sol já estava alto, saí e fui até onde estava o grupo, tinham umas piscinas térmicas por lá também, mas ainda estava morrendo de frio, e não tinha levado roupa para entrar na água, fiquei vendo mais alguns geysers enquanto isso.

Quando eram umas 10:30 da manhã, fomos para a van e começamos a retornar à cidade, no meio do caminho paramos no Vilarejo de Machuca, lá tinha empanadas chilenas típicas, espetinho de alpaca, pisco e outras coisas típicas. Tinha também um senhor com um filhote de lhama, que eu achei que fosse uma alpaca, era tão pequenina e fofa que dessa vez não tive escolha, tive que tirar foto com ela, o dono cobrava $ 1200 por 3 fotos, nessa hora escutei mais um casal falando português, eram brasileiros, eles também queriam tirar fotos com ela, então me juntei com eles, paguei $ 400 pesos, e obviamente, tiramos um monte de fotos.

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Depois seguimos adiante, até chegar numa lagoa com um vulcão ao fundo, lá paramos mais um bom tempo para tirar fotos, depois voltamos até San Pedro. Já estava na hora do almoço, conversando com uns brasileiros, descobri um tal de Los Carritos, são vários restaurantes pequenos, um ao lado do outro, e que são baratos e com comida boa. Fui lá, paguei $ 3000 no menu, com macarrão, frango empanado e suco.

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Depois passei na agência, fui terminar de acertar o preço dos passeios, pois já tinha pago apenas $ 20000, faltavam ainda $ 45000, mas com o reembolso de $ 20000 do passeio que não fiz, paguei os $ 25000 restantes só.

Fui de volta no hostel, arrumei minhas coisas para fazer o check-out, tomei um banho, e deixei minhas malas na cozinha. Ainda eram 3 da tarde, e meu ônibus era só daqui a 3 horas.

Fui dar mais uma volta pelo centro, comprei um sorvete por $ 1700, fiquei na praça central que tem wifi de graça, andei pelas vendinhas de artesanato, encontrei muitas coisas que já tinha visto a venda no Peru e na Bolívia, tudo pelo dobro do preço.

 

COMPRAS: Não tem como evitar, se você for para algum desses países, você vai voltar com pelo menos uma blusa com estampa de lhama, tanto no Peru, quanto na Bolívia e no Chile, você vai encontrar blusas, cachecóis, toucas, luvas, camisetas, echarpes, colares, chaveiros e outras lembrancinhas, de modo geral eu achei o Mercado San Pedro de Cusco o lugar mais barato, seguido pelo Mercado das Bruxas de La Paz, pela Feirinha de Colchani no Salar. O Chile é de longe, o lugar mais caro para comprar essas coisas.

 

Bem perto do meu hostel, tinha um lugar, parecia uma chácara, com uma placa escrito “Franchuteria” na frente, e uma casinha lá no fundo, desde o primeiro dia em San Pedro, queria descobrir o que era aquilo, resolvi ir lá, era uma padaria francesa, resolvi gastar um pouquinho mais e comer alguma coisa lá antes de pegar o bus, pedi duas empanadas deliciosas, uma salgada e uma doce, por $ 3800.

Depois peguei minhas mochilas e fui para a rodoviária de San Pedro, logo meu ônibus chegou, guardei a mochilona no bagageiro e entrei, tinha bem pouca gente embarcando alí, a maioria claramente não era nativa, dava pra ver vários conversando em inglês, tentei identificar algum brasileiro, mas nenhum deles manteve contato visual.

 

TÉCNICA PARA IDENTIFICAR BRASILEIROS FORA DO BRASIL: Pelo menos comigo funcionava perfeitamente, comecei a me ligar nisso lá no Peru ainda, nos lugares turísticos, nos passeios das agência, onde o único nativo era o motorista ou o guia, era só encarar a pessoa, se ela percebesse que você estava olhando para ela e desviasse o olhar: era gringo, podia apostar. Mas se você ficasse olhando, a pessoa percebesse e mantivesse o contato visual, não tinha erro, era só chegar direto perguntando de que estado que a pessoa é, provavelmente te responderia São Paulo ou Rio, mas sempre era brasileira. No Peru e na Bolívia não tinha encontrado tantos, mas no Chile, meu Deus, até os donos das agência eram brasileiros.

 

O ônibus partiu no horário certo, era bem confortável, dois andares, e eu fui bem na janela gigante de vidro que tinha na frente. Saímos de San Pedro de Atacama, logo já estávamos rodando pelo meio do deserto, as rodovias pareciam um tapete, bem sinalizadas, a paisagem era incrível, o Sol quase se pondo. Logo chegamos na cidade de Calama, base do aeroporto mais próximo do Atacama, o Aeroporto El Loa.

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SANTIAGO-CALAMA: Pra quem está com pouco tempo, compensa pegar um avião em Calama para ir até Santiago, há companhias low-cost, com passagens promocionais de até R$ 150,00 o trecho, para ir de Calama até San Pedro de Atacama, pode-se alugar um carro ou pegar um transfer. No meu caso, por causa da bagagem, compensava ir de ônibus mesmo.

 

Em Calama, paramos na rodoviária, já estava escuro, subiram mais passageiros, alguns já desembarcaram também. Depois continuamos, por mais que eu quisesse ficar acordado a noite inteira, para conhecer as cidades, as estradas que íamos passar, acabei apagando pouco antes de chegarmos em Antofagasta, na Rodovia Panamericana.

 

SALDO DO DIA

Entrada Geysers del Tatio - $ 4000

Foto com a lhama - $ 400

Almoço em Los Carritos - $ 3000

Sorvete - $ 1700

Empanadas na Franchuteria - $ 3800

 

 

 

         

 

 

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Dia 36 (sexta-feira, 24/08/2018) – Chile: Nem Parece América do Sul

 

Queria tanto ficar acordado durante a viagem toda, mas não consegui, afinal, eram 1700 km de distância numa paulada só, acordei quando passamos por Copiapó, bem pra frente de Antofagasta, alguns passageiros embarcaram e outros desembarcaram, fui com o banco ao lado vazio a maior parte do caminho.

Entendi porque tantos brasileiros preferem ir ao Chile de carro ou moto, a Carretera Panamericana é duplicada de Caldera até Santiago (900 km), e no restante é bem conservada, o asfalto perfeito, mas também, tem vários pedágios no caminho. A maioria na faixa dos $ 2000 pelo que eu vi nas placas.

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Amanheceu quando estávamos chegando a Vallenar, mas passamos por outras cidade onde tinha embarque e desembarque de passageiros, em La Serena, Coquimbo, Los Vilos, La Calera, em alguns lugares. Já estava ficando com fome, por volta do meio dia, estávamos em La Serena, paramos na rodoviária, aí subiram alguns vendedores no ônibus, comprei uma empanada deliciosa por $ 1000, foi minha única refeição na viagem toda. Aproveitei os trechos onde tinha torre na estrada para reservar algum hostel em Santiago, encontrei o Kombi Hostel no Bairro Bellavista por um preço bacana e com café incluso, reservei por uma noite lá, caso gostasse continuaria lá.

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Chegamos ao Terminal Alameda em Santiago por volta das 5:30 da tarde, entre embarques e desembarques, o único rosto que me recordava de ter embarcado em San Pedro e que desceu comigo em Santiago era de um carinha, que pela fisionomia devia ser europeu. Fui logo conversar com ele, aparentemente estava bem perdidão no terminal, perguntei se ele tinha algum lugar para ficar, ele disse que não, falei que tinha achado o Kombi Hostel por um preço bom, que se ele fosse para lá também, poderíamos rachar um táxi. Ele aceitou e já fomos caçar um táxi para nos levar.

 

TÁXI EM SANTIAGO: Acredito que vale para todo o Chile, diferentemente do Peru e da Bolívia, os táxis do Chile têm taxímetro igualzinho no Brasil. Pelo que pesquisei, Uber em Santiago é meio que ilegal, não é recomendado.

 

Entramos num táxi e seguimos para o Hostel, fui conversando com o carinha, David o nome dele, alemão e não falava quase nada de espanhol, só alemão e inglês. Fomos andando por Santiago, e não pude deixar de notar, que cidade incrível, mas um incrível “diferente” de Cusco e de La Paz, juro, nem parecia que eu estava na América Latina, era a imagem que eu tinha de uma cidade americana ou europeia, as avenidas largas, limpas, o trânsito organizado, os prédios históricos ao lado de construções modernas, várias praças arborizadas ao longo das avenidas, parecia uma cidade planejada, nem cheguei direito e já tinha me apaixonado por Santiago.

Chegamos no hostel, ficava numa rua cheia de bares, restaurantes e baladas, aliás, o bairro Bellavista é o bairro boêmio de Santiago, então estava numa região bem animada da cidade.

O táxi deu $ 3500 para cada (depois descobri que dava pra ter feito o trajeto de metrô por menos de $ 1000, mas enfim), entramos no hostel, fui fazer o check-in, conversei com a recepcionista em portunhol, até ela falar: “Pode falar em português, sou brasileira também”, Iata o nome dela, estava trocando trabalho por hospedagem no hostel. David também conseguiu um quarto na hora mesmo, sem reservas, paguei a primeira noite, foram $ 7960. Tinham várias propagandas de free-walking tours na recepção, tanto em Santiago mesmo, quando em Valparaíso e em Viña del Mar.

David e eu guardamos nossas coisas nos quartos, fiquei num quarto com 3 beliches, depois fomos caçar algum mercado ou vendinha pra comprarmos coisas para cozinhar. Andamos pelo bairro, até encontrarmos um mini mercado, compramos coisas para fazer macarrão, deu uns $ 1200 para cada, voltamos ao hostel, fomos conversando, mas eu lembrava de já ter visto a cara dele em algum lugar antes, ele falou que tinha uma brasileira no grupo que ele tinha feito o tour pelo Salar do Uyuni, na hora me caiu a ficha, olhem como o mundo é pequeno, ele estava andando com a Fernanda em San Pedro quando eu encontrei ela na rua, ele tinha feito o tour do Salar com ela.

O Kombi tinha uma cozinha razoável, mas como Santiago é uma cidade meio cara (menos que San Pedro), a maior parte da galera prefere cozinhar no hostel do que comer fora, logo, as 8 da noite, a cozinha estava cheia, mas me senti em casa, quando entrei fui ouvindo a maior galera lá falando em português, juro, tinha 7 pessoas lá dentro, 6 brasileiros e um argentino, no fim das contas ficamos lá conversando, nos conhecendo, tinha um, o Hermes que já estava fazendo macarrão, juntamos com um pouco do que a gente tinha comprado e acabamos dividindo entre os 7 brasileiros e o alemão David (sim, fizeram piadinhas referente ao 7x1 nessa hora, que podíamos dar o troco), coitado, ele via a gente conversando, e toda hora tínhamos que traduzir para incluí-lo na conversa.

Depois da janta, tomei banho, reencontrei a galera e queríamos beber, mas como os barzinhos da região eram meio caros, o jeito era ficar bebendo no hostel mesmo, a latinha de cerveja do hostel custava $ 1500 e não podíamos trazer bebida de fora, e como bons brasileiros que somos, o que fizemos, a galera juntou uma grana, e fomos num lugar na rua de trás, onde vendiam cerveja (parecia mais uma boca de fumo), custava $ 500 cada lata, compramos um monte, escondemos nos casacos e mochilas e fomos para um quarto no andar de cima, onde só tinham brasileiros, fechamos a porta e ficamos lá, bebendo escondidos, o David no meio, não entendendo nada em português. No dia seguinte, eu estava a fim de fazer o free walking tour, David não queria fazer, aí conversando com a galera, descobri o Leandro, que tinha chegado na véspera lá e que queria fazer os mesmos passeios que eu, combinamos de ir ao centro de manhã para fazer esse passeio.

Bebi mais um pouco e fui dormir.       

 

SALDO DO DIA

Empanada no caminho - $ 1000

Táxi (terminal-hostel) - $ 3500

Mercado - $ 1200

2 cervejas fora do hostel - $ 1000

Diária Kombi Hostel - $ 7960

       

 

 

 

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Dia 37 (sábado, 25/08/2018) – Meu Primeiro Terremoto Foi em Santiago

 

Já estava ficando automático acordar cedo, nem precisava mais de despertador, todo dia antes das 7 já estava de pé. Fui tomar café, que no Kombi era livre, pães fresquinhos, geleias e doce de leite, leite, café e chás. Encontrei o Leandro e já partimos para o centro, felizmente, no dia anterior ele já tinha dado um rolê com uma outra brasileira do hostel que tinha bebido com a gente ontem, a Allana, e ela já sabia como ir para o centro de metrô, pegamos um cartão de metrô emprestado com a galera e fomos para a Estação Baquedano, duas quadras do hostel, colocamos 2 passagens de crédito cada no cartão, a tarifa varia em função do dia e do horário, mas custa numa média de $ 680, entramos no metrô e logo já saímos na Estação La Moneda, que fica na frente do Palácio de La Moneda, sede do governo chileno, chegamos bem na hora da troca da guarda, que começa as 10 da manhã e aparentemente rola dia sim, dia não. Assistimos todo o show que é a troca da guarda, depois fomos andar pelo centro, passamos na Calle Augustinas, onde tem as melhores casas de câmbio, troquei mais € 100 por $ 77100, andamos pela região, fomos até a Catedral, ao Museu, depois fomos conhecer o Ocean Pacific’s, que é um restaurante temático, parece um submarino, tem um esqueleto gigante de uma baleia dentro dele, mas assim como o próprio Pacífico, tudo lá era bem salgado, então nos limitamos a entrar, tirar fotos e sair.

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Depois fomos até a Plaza Brasil, no Bairro Brasil, demos umas voltas, mas acabamos voltando para o centro, para almoçar no KFC, um promocional de $ 1850. Depois fomos até ao Mercado Municipal, demos uma volta por lá, encontramos uma lhama gigante na rua, Leandro pagou para tirar foto com ela, acho que $ 1200. Depois vimos que estávamos próximos ao tradicional bar La Piojera, entramos e vimos como é um bar chileno, jogaço de futebol passando na TV, bar lotado, todo mundo gritando emocionado, uns músicos tocando violão e sanfona. E como não podíamos deixar de experimentar, o famoso terremoto, uma bebida com vinho branco, um tipo de groselha e uma bola de sorvete no meio. Dividimos um copo que era gigante e custava $ 2700.

Quando já era quase 3 da tarde, voltamos a Plaza de Armas, onde começaria o free walking tour, lá encontramos um grupo, o guia explicava em portunhol mesmo, devido ao tanto de brasileiros que tinha. Passamos por toda a Plaza de Armas, depois fomos até o La Moneda, ao Museu, por algumas ruas famosas do centro, depois contornamos o Cerro Santa Lucía (não daria tempo de subí-lo durante o tour), fomos ao Bairro Lastarria, lá tinha uma feirinha na rua mesmo, comprei uns imãs de geladeira gigantes, 3 por $ 5000, depois fomos até o Parque Florestal, já estávamos de volta ao Bairro Bellavista, o tour passou pelo Pátio Bellavista, passou próximo ao Cerro San Cristóbal, mas também não subiu, seguiria adiante até La Chascona (uma das casas de Pablo Neruda), como eu queria subir o Cerro, e já estava escurecendo, Leandro já tinha subido na véspera, então larguei o grupo e fui para lá correndo.

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Cheguei tarde para pegar o último funicular (trenzinho que sobe o Cerro), já passava das 18:30, então tive que subir na raça mesmo, pela estradinha íngreme que contorna ele.

Fui subindo bem rapidamente, para dar tempo de pegar o pôr do Sol lá em cima. Cheguei bem na hora. Foi meio difícil achar um lugar para ficar, pois estava cheio de gente. Lá de cima dá pra ver grande parte da cidade, o pôr do Sol em agosto começou umas 19 horas mais ou menos, e juro pra vocês, foi um dos mais lindo que eu já tinha visto.

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Depois que se pôs, comecei a descer o Cerro de novo, voltei até o hostel, onde encontrei a galera na cozinha, resolvi fazer o macarrão esta noite (o mesmo que tinha feito no Atacama), geral jantou e já saímos de novo para comprar cerveja. Gastei mais uns $ 1000 pesos na vendinha com 2 latinhas de cerveja, ficamos de novo no quarto bebendo, mas esta noite a Allana e uma amiga dela iam embora, de madrugada o transfer ia passar para levá-las até o aeroporto. Nos despedimos delas e continuamos bebendo, depois o Leandro e eu resolvemos ir para Valparaíso e Viña del Mar amanhã, mas íamos por conta, tínhamos visto durante o dia algumas agências no centro que faziam esse tour guiado na faixa dos $ 25000 por pessoa (uma facada). Uma passagem de bus custava na faixa dos $ 4000, então estava resolvido. Fui até a recepção e já fiz a reserva pelos próximos dias ali, tinha amado aquele hostel.

 

 

SALDO DO DIA

2 passes de metro - $ 1360

Lanche no KFC - $ 1850

Terremoto - $ 1350

2 cervejas fora do hostel - $ 1000

Diária Kombi Hostel - $ 7960

         

 

 

 

 

 

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Dia 38 (domingo, 26/08/2018) – Olá De Novo Oceano Pacífico

 

Acordamos umas 6:30, tomamos o café do hostel adiantado e pegamos o metrô na Estação Baquedano, ainda tínhamos um passe de crédito cada do dia anterior, fomos até o Terminal Alameda, onde eu tinha desembarcado do ônibus do Atacama. Fomos primeiro ao guichê da TurBus e encontramos passagens para Valparaíso por $ 3000 para dali a 15 minutos.

Embarcamos no bus, e seguimos na estrada, a viagem demorou cerca de 1 hora, o ônibus muito bom, descemos no Terminal de Valparaíso, já eram umas 9 da manhã. Nos panfletos que tinham no nosso hostel, havia free walking tours todos os dias as 9 da manhã e as 3 da tarde em Valparaíso e as 3 da tarde em Viña del Mar, então queríamos pegar o tour da manhã em Valpo e o da tarde em Viña. Mas como chegamos tarde ao ponto de encontro, de onde partia o tour, acabamos perdendo. Mas ainda assim, tínhamos um mapa da cidade, com as principais rotas turísticas, fomos seguindo-o. Passamos pelos vários Cerros que tem na cidade, pelas casas todas bem coloridas que tem por lá. Há vários mirantes espalhados pelos Cerros, onde dá para ver toda a costa, o porto, e o Pacífico.

Há também vários elevadores, tipo o bondinho do Cerro San Cristóbal, cada um custa na faixa dos $ 100 a $ 300, passamos pelo Paseo Atkinson, depois fomos para o Paseo Yugoslavo, descemos pelo Ascensor El Peral, pagamos $ 100, fomos para a Plaza Sotomayor, andamos pela região e fomos até o Cerro Artillería, subimos pelo elevador por $ 300, lá de cima dá para ver todo o porto bem a frente, tinha um restaurante ali do lado também, comprei uma empanada gigante de camarão com queijo por $ 1500, depois fomos andando pela Avenida Errázuriz, que é a beira-mar, ali tem um porto onde as lanchas e barcos menores ficam parados, tem umas lojinhas de artesanato por ali também, comprei 2 imãs de geladeira e um chaveiro por $ 4000.

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Já eram quase 2 da tarde, queríamos seguir para Viña, fomos pegar o metrô que liga as duas cidades, mas nosso cartão de metrô de Santiago não valia, precisávamos comprar um cartão do metrô deles, que custava uns $ 1500, fora a passagem, achamos melhor pegar um ônibus mesmo. Ali na avenida tinha um ponto de ônibus, logo passou um que ia para Viña, pagamos $ 650 e rapidinho já estávamos no Relógio de Flores, onde começaria o tour.

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Logo já vimos o guia, apareceu também um casal colombiano e duas irmãs uruguaias para turistar conosco. Partimos do Relógio de Flores, fomos até o Palácio Presidencial, andamos pelo centro, pelas praças e terminamos no Anfiteatro Quinta Vergara, onde rola o Festival Internacional de Canção de Viña todo ano. Lá o Leandro e eu demos uns $ 2500 cada para o guia, pelo passeio.

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Na saída do parque, comprei um ímã de Viña por $ 1000. Já eram quase 6:30 da tarde, fomos procurar a Rodoviária de Viña para voltar para Santiago, só esquecemos um detalhe, era domingo e vários ônibus já estavam lotados, as passagens baratas tinham se esgotado, deveríamos ter comprado de manhã lá em Santiago, porque a passagem mais barata que achamos foi por $ 6000, no guichê da Pullman Bus, para voltar para a capital.

No ônibus, conversando com Leandro, falei que estava querendo ir para Cajón del Maipo amanhã, mas que por conta própria também, mesmo sem saber como, porque as agências queriam cobrar $ 25000 também. Perguntei se ele topava ir junto, mas ele já tinha combinado com uns outros brasileiros que tinham chegado no hostel de ir esquiar no Valle Nevado, para poderem dividir o transfer.

Chegamos ao Terminal Alameda, e já pegamos o metrô, colocamos crédito no cartão ($ 700), chegamos no hostel quase umas 8 da noite. Antes parei numa barraquinha de cachorro-quente que tinha na esquina, bem na avenida do Pátio Bellavista, pedi um completo sem abacate por $ 1000. A galera do hostel tinha feito pizza, comi alguns pedaços também.

Depois que tomei banho, comecei a perguntar para a galera se alguém topava ir junto para Cajón del Maipo por conta amanhã, uns já tinham ido por agência, outros estavam com medo de ir por conta, porque não tem ônibus que levasse para lá.

Comecei a procurar na internet, ver depoimentos de gente que já tinha ido, perguntei para o Oscar (dono do hostel, que morava em Santiago), e ele me disse que só tinha ido para lá com carro alugado, mas que pelo que eu tinha visto na internet, era bem complicado para ir sozinho e por conta própria, eu estava não estava com medo do caminho em si, estava com medo de dar algum problema, não conseguir achar transporte para voltar e perder meu avião no dia seguinte.

Eu queria muito ir para lá, conhecer o Embalse El Yeso, muito mesmo, mas não queria pagar uma fortuna por um passeio de meio dia, ainda mais depois de ter economizado mais de $ 10000 hoje, só por ter ido por conta própria para o litoral.

Decidi o seguinte, ia dormir sem colocar o celular para despertar, se eu acordasse cedo suficiente, iria. Se eu acordasse muito tarde, era sinal para eu não ir.

 

SALDO DO DIA

1 passe de metro - $ 700

Empanada - $ 1500

Lembrancinhas - $ 5000

Ascensor El Peral - $ 100

Ascensor Artillería - $ 300

Ônibus entre Valpo e Viña - $ 650

Passagem Santiago – Valparaíso (TurBus) - $ 3000

Passagem Viña del Mar – Santiago (Pullman Bus) - $ 6000

Cachorro Quente - $ 1000

Gorjeta do free walking tour em Viña - $ 2500

Diária Kombi Hostel - $ 7960

 

 

 

 

         

 

 

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Dia 39 (segunda-feira, 27/08/2018) – Fechando a Viagem com Chave de Ouro

 

Para meu desespero, acordei com o barulho da recepção, olhei o celular, 6 da madrugada, pois é, em Santiago só amanhece por volta das 8 da manhã, e escurece umas 7 da noite. Pensei, é sinal que Deus quer que eu meta o louco e vá nessa represa.

 

CAJÓN DEL MAIPO E EMBALSE EL YESO: O Embalse El Yeso é a represa que abastece a cidade de Santiago, fica nos Andes, a leste da cidade, cerca de 110 km longe do centro, é um lugar incrível, as montanhas cobertas de neve, a água do derretimento toda azul clara. É um dos lugares obrigatórios para ir em Santiago. Para chegar lá da pra ir com um carro alugado, se tiver num grupo grande, ou por agências que cobram na faixa dos $ 25000, o passeio dura uma manhã aproximadamente. E tem o jeito doido que eu vi na internet e que ia testar: pegar o metro, depois pegar um ônibus público, depois não tinha jeito, pegar carona na beira da estrada.

 

O barulho era da galera que ia esquiar, incluindo o Leandro, umas 7 da manhã a van ia passar pra pegar eles. (Se eu tivesse um dia a mais em Santiago, teria ido esquiar também, por mais que seja meio salgado o preço, dizem que vale muito a pena, mas enfim, choices né?)

Já fiz meu check-out do hostel, guardei minha mochilona no depósito (embaixo da mesa de sinuca da recepção), pois não sabia que horas voltaria do rolê, e não queria pagar mais uma diária.

Pedi o cartão do metrô do Leandro emprestado, já que ele não ia usar hoje, tomei café rapidinho, e já fui para a estação de metrô, coloquei 2 passes de crédito ($ 1360), peguei a Línea Verde, sentido Vicente Valdés e desci no terminal Bellavista de La Florida, cheguei lá ainda estava escuro, fui seguindo as placas escritas “Conexión Intermodal”, lá procurei o ponto da Tur Maipo S.A., encontrei na parte de cima do terminal, lá peguei o ônibus MB-72 com destino a San Gabriel, paguei $ 1800 de passagem, aparentemente tem ônibus desses a cada 40 minutos. Entrei no ônibus, e andei, mas andei, acho que devo ter conhecido uns 60% do subúrbio santiaguino, o ônibus passou por um monte de bairros afastados do centro, e por mais afastados que fossem, não pareciam em nada com as periferias das cidades brasileiras, as casas eram simples, mas bonitas, todas as ruas bem asfaltadas, arborizadas, o trânsito tranquilo, mesmo no horário de pico da manhã, pode até parecer meio doido, mas enquanto eu estava no ônibus, rodando pra lá e pra cá, os bairros me lembravam muito os bairros do GTA San Andreas, os da primeira cidade, o estilos das casas, das ruas, já tava quase me sentindo o CJ.

O Sol já estava aparecendo, eram quase 8 da manhã, o ônibus ia parando nos pontos, pegando e deixando gente, até que ele saiu da cidade e entrou numa estrada em direção as montanhas da Cordilheira dos Andes. A estrada era a coisa mais linda, várias chácaras, pequenos sítios, florestas e casas ao lado.

O ônibus seguiu, passou por vários povoados conforme ia subindo as montanhas, San José del Maipo, El Melocotón, San Alfonso, até chegarmos a San Gabriel, nesta altura, já não tinha mais nenhum passageiro no bus, o motorista olhou pra mim e disse que aquele era o último ponto da linha, perguntei como faria para subir até o Embalse, ele me disse para ficar ali na estrada, esperar passar algum carro, van ou caminhão que estivesse subindo e pedisse carona.

Desci do bus, ainda eram umas 9 da manhã, estava tudo nublado, meio frio, não se via um ser vivo na rua onde eu desci. Voltei andando para a estrada, fui observando as casinhas, cada uma com um jardim gigante, algumas nem cerca tinham, as ruas bem desertas, acho que pelo horário, e novamente me senti no GTA, mas dessa vez naquelas cidadezinhas do interior. Cheguei na estrada, fiquei parado no acostamento, rezando para passar alguma coisa logo que me desse carona. Passaram algumas vans, eu fazia o sinal com os dedos, pedindo uma carona, os motoristas nem paravam, parou um carro, com um senhor de idade dirigindo, perguntou para onde eu estava indo, respondi que ia para a represa, ele iria para outro vilarejo, agradeci e ele seguiu.

Fazia uns 5 minutos que eu estava lá esperando, até que um morador atravessou a rua e me disse: “Vai lá na base da polícia que é mais fácil de achar carona”, e me apontou a estrada no sentido contrário da represa, agradeci e fui naquela direção, depois que passei a curva vi, tinha uma casinha na estrada com a bandeira dos “carabineros de Chile” e uma fila de vans paradas ali. Pelo jeito, as vans de turistas tinham que parar ali para o motorista entregar algum papel ou formulário lá dentro. Aproveitei e fui de van em van perguntando aos motoristas se eles poderiam me dar uma carona até lá na represa. O primeiro disse que a van dele estava cheia, o segundo disse que a agência não liberava caronas, o terceiro disse que estava num tour privado, que a família tinha pago para ir sozinha na van. Encostei na parede, estava esperando mais vans chegarem, aí eu reparei que esse terceiro motorista entrou na van, conversou com os 4 passageiros e me fez sinal para entrar no banco da frente. Agradeci aos passageiros, que eram 4 pessoas só e seguimos rumo ao Embalse, pensei que a estrada fosse pior, pelos relatos que vi na internet, só vans e caminhonetes conseguiam subir até lá no inverno, mas a estrada estava sem gelo, tinha um pouco de buracos, mas nada que um Fusca não desse conta do recado.

Andamos bastante, chegamos no lugar onde as vans param umas 10:30 da manhã, fica ao lado do lago, de lá, é só caminhar por uma estrada que vai beirando a água, a estrada é bem longa, e as melhores paisagens ficam da metade para o final, onde a multidão quase não chega.

Desci, agradeci o motorista e a família novamente e me despedi. Fui andando livremente, estava bem cheio de gente, 80% brasileiros, parecia que todo mundo estava falando português. Estava um pouco frio, mas não tinha vento, e o Sol já estava forte, então só com uma blusinha de lã, jeans, All Star e um corta-vento já estava suando depois de caminhar um pouco, vi muita gente com calças, casacos e botas de esqui (provavelmente alugadas), eu particularmente não acho que tenha necessidade, só em algumas partes do caminho que tinha neve, mas era só desviar, meu All Star velho suportou bem.

Fui tirando fotos ao longo da estrada toda, cheguei numa parte que não tinha quase ninguém, achei uma pedra e fiquei sentado um bom tempo lá, só admirando a paisagem e meditando.

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Quando já era quase meio dia, comecei a voltar para o estacionamento, precisava achar carona para voltar, mas não queria abusar da boa vontade da van que me trouxe, mesmo porque eles já deviam ter ido embora fazia tempo. Os tours dão em média meia hora para tirar fotos, depois servem um vinho, uns aperitivos e já descem de volta.

Cheguei ao estacionamento e fui perguntando de van em van, alguns iam parar em outros lugares para almoçar, outras estavam cheias. Até que eu vi um carro estacionado lá, e o motorista estava dentro, mexendo no celular, fiquei olhando para ele de longe, ele levantou o olhar, me viu e manteve o contato visual, era brasileiro, certeza. Fui lá falar com ele, perguntei se ele ia voltar direto para Santiago, ele disse que sim, só estava esperando a esposa terminar de tirar umas fotos e já iam embora. Perguntei se podia me dar uma carona, ele olhou para os bancos de trás, cheios de malas e disse: “Cara, se você conseguir entrar aí atrás, fique à vontade hehe”. Olhei e vi que não seria muito fácil, mas eu era bom de Tetris na infância, me encaixei no meio delas e coube. Quando a esposa dele voltou, nos apresentamos devidamente, André e Carla eram os nomes deles, eram paulistas, estavam em Lua de Mel, tinham chegado do aeroporto, pego o carro na locadora e vindo direto para a Represa, por isso todas as malas estavam no carro.

Voltei no meio das malas igual o Burro no Shrek 2, quando eles estão indo para Tão Tão Distante, no caminho, Carla pediu para André parar num lugar chamado Casa do Chocolate, onde vendem sorvete e chocolates quentes. Entramos lá, pedimos sorvete casquinha por $ 2500. Ficamos lá conversando enquanto tomávamos o sorvete. Eles estavam perdidos em relação a cidade e me pediram dicas, no caminho de volta fui falando onde era melhor trocar a grana (Calle Augustinas), que horário era a troca da guarda no La Moneda, onde tomar Terremoto (La Piojera), e sobre os restaurantes famosos (Giratorio, Ocean Pacific’s). Eles ficariam hospedados num Airbnb no bairro Providencia, que é bem próximo ao Bellavista onde eu estava.

Eles me deixaram em frente ao prédio deles, agradeci muito pela carona, eles agradeceram por todas as dicas, nos despedimos e fui andando pela rua, ia voltar para o hostel, mas ainda eram 3:30 da tarde. Olhei para frente e vi ele, o maior prédio da América Latina, o Sky Costanera, estava a poucas quadras dali.

 

SKY COSTANERA: É o maior prédio da América Latina, na base tem um shopping bem grande, o hipermercado Jumbo, excelente para torrar os pesos no fim da viagem com bons vinhos a partir de $ 2000 e outras coisas que custam uma fortuna no Brasil. No topo tem um mirante que dá pra ver a cidade toda, o pôr do Sol é lindo lá de cima, mas custa $ 15000 para subir lá, não tem desconto para estudantes. O último elevador desce às 9 da noite.


A princípio, quando montei meu roteiro, tinha excluído o Sky Costanera por causa do preço e por causa do tempo, achava que o passeio do Embalse duraria o dia inteiro, e o preço era meio salgado só para subir lá em cima. Mas depois de ter economizado horrores indo por conta na represa, ter encontrado uma carona que me deixou praticamente na porta dele, pensei que era um sinal claro de “Para de ser tonto e sobe lá”. Entrei no shopping primeiro, fiquei dando altas voltas pelas lojas, queria ver o Sol se pondo lá em cima, mas ainda era cedo.

 

Dei várias voltas pelos 4 andares do shopping, quase que fui ao cinema também, quando eram umas 5 da tarde, resolvi subir, comprei o ingresso por $ 15000. Peguei o elevador, a ascensorista falou que aquele era o elevador mais rápido da América também, que por isso podia doer um pouco nossos ouvidos. Lá no topo dos 300 metros, tem uma vidraça imensa cercando todo o mirante de 360°. Dava para ver as Cordilheiras de um lado, e a montanhas na direção do oceano, a cidade toda plana, exceto pelos Cerros Santa Lucía e San Cristóbal. Nem acreditava que estava lá, fiquei uns 15 minutos admirando cada lado daquele mirante, mas o Sol ainda lá no alto, chegou uma hora que já estava quase descendo, pois não tinha mais nada que fazer lá em cima, ainda eram 6 da tarde e o pôr-do-Sol era só depois das 7, quando fui na direção do elevador, um segurança me parou e disse que dali uns 10 minutos ia ter degustação de vinhos e frisantes ali no terraço, perguntei se tinha todo o dia, ele me respondeu que apenas as segundas e sextas-feiras, não acreditei, era muita sorte, já fiquei por lá mesmo e logo começaram a nos servir vários tipos de vinhos, depois espumantes, frisantes de vários tipos.

Não tinha coisa melhor, estava me sentindo lá nas alturas tomando espumante enquanto olhava a vista, quando eram 7 horas, começou a chegar mais gente e todos foram do lado do Sol ver o espetáculo, ficou até difícil achar um lugar bom para ver.

Mas tão incrível quanto o Sol se pondo de um lado, são as luzes da cidade do outro, pra quem já queria descer 6 da tarde, acabei indo embora no último elevador as 9 da noite hehe.

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Peguei o metrô do lado da saída do shopping, desci na Baquedano e voltei para o hostel, quando cheguei lá, foi engraçado, porque a galera tava começando a ficar preocupada comigo, não chegava nunca. Devolvi o cartão para o Leandro, e ele me perguntou como tinha sido, falei que foi bem tranquilo, tudo tinha dado certo, ele disse que acabou fechando com uma agência para ir para lá amanhã por $ 22000 (bem diferente dos $ 3160 que eu gastei ao todo).

Encontrei o David e fomos na barraquinha comer cachorro quente de $ 1000, dar uma última volta pelo bairro. Voltei para o hostel, falei com o Oscar, e ele me arrumou um transfer para o aeroporto (o mesmo que a Allana tinha pego dias atrás) por $ 7600, e que ele passaria me buscar as 2:15 da madrugada. Tomei um banho, arrumei minha bagagem de modo a despachar a mochilona, o saco de dormir, o isolante térmico e a barraca, e levando a mochila de ataque e a mochila de presentes na mão.

Tinha ainda uns $ 28000 na carteira, vendi para o Leandro pela cotação comercial do dia, ele me devolveu R$ 200. Fui me despedindo de toda a galera, a maioria já ia dormir antes de eu partir.

 

SALDO DO DIA

2 passes de metro - $ 1360

Ônibus até San Gabriel (Tur Maipo S.A.) - $ 1800

Sorvete - $ 2500

Sky Costanera - $ 15000

Cachorro-quente - $ 1000

$ 28000 -> R$ 200,00

         

 

 

 

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Dia 40 (terça-feira, 27/08/2018) – O Sonho Acabou: De Volta a Realidade

 

Como o transfer ia passar as 2:15 da manhã, nem dormi, ele chegou no hostel, tocou o interfone e já desci, depois passamos em mais um hostel, onde outra pessoa embarcou, seguimos para o Aeroporto de Santiago, lá paguei os $ 7600, peguei minha malas, fui ao guichê da Latam fazer check-in, pedi para colocarem a etiqueta de frágil na bagagem novamente.

Fui para a área de embarque e lá sim pude cochilar um pouco, pois meu voo era só as 6:15 da manhã, faria uma conexão em Buenos Aires, no Aeroporto Ezeiza, e uma conexão em Guarulhos, a previsão era chegar em Londrina por volta das 6 da tarde.

Embarquei, e quando o avião atravessou as nuvens, dava para ver a Cordilheira lá embaixo.

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O voo foi rápido, logo desci em Buenos Aires, fui correndo embarcar no meu voo para São Paulo, procurava nos monitores em qual portão seria o embarque, mas não achava “São Paulo” nem “Guarulhos” em lugar algum, comecei a procurar pelo número do voo e achei, adivinhem como: “San Pablo”, não estava acreditando que tinham traduzido São Paulo, como assim??? Engraçado que “Rio de Janeiro” não estava traduzido como “Río de Enero”, mas mesmo assim, queria ver se os brasileiros começassem a chamar a capital argentina de Bons Aeres ou simplesmente Bom Ar. Mas enfim, embarquei para “San Pablo”, no avião o piloto falou de novo em espanhol, e seguimos para Guarulhos. Desembarquei no Brasil, peguei minha bagagem na esteira e fui para a fila da imigração.

Tudo bem que fazia mais de um mês que eu estava fora de casa, que tinha emagrecido mais de 10 quilos, o que deixou todas as minhas roupas largas, que meu cabelo já dava para usar de vassoura e as olheiras estavam gigantes, mas quando fui passar pela fila da imigração, o agente da Polícia Federal estava de cabeça baixa mexendo no celular, não prestou atenção em ninguém que tinha desembarcado da Argentina, mas quando eu fui passar ele levantou a cabeça e me selecionou “aleatoriamente”, pediu meu passaporte, viu os carimbos de Peru e Bolívia, e eu já imaginei o que devia ter passado na cabecinha dele. Ele me pediu para segui-lo, me levou para a sala do raio-X, fiquei olhando pra ele, tentando lembrar se eu já tinha visto ele no “Aeropuertos” do NetGeo, mas não.

Ele pediu para abrir o saco de transporte onde estavam minhas coisas, do jeito que eu abri, que ele viu aquele monte de roupa sem lavar, ele já pediu para eu fechar, passou pelo raio-X, eu fiquei olhando só, perguntei com uma cara de deboche se ele tinha encontrado alguma coisa. Ele disse que não, peguei minhas coisas e saí de lá. Ainda faltava um bom tempo até embarcar para Londrina.

Fui despachar novamente minha mochilona no guichê da Latam, quando eram umas 4:30 da tarde, fui até meu portão de embarque. As 5 da tarde estava embarcando para meu último voo, a maioria das pessoas volta empolgada para casa depois de uma viagem longa, não veem a hora de tomar banho, dormir em sua própria cama. Comigo foi diferente, vim o voo inteiro olhando pela janelinha, segurando a tristeza e as lágrimas.

Quando cheguei no Aeroporto de Londrina, desembarquei, peguei minha bagagem na esteira. O sonho tinha acabado.

Meus pais tinham ido me buscar no aeroporto, no caminho para casa pedi para pararmos num rodízio de pizza, precisava tirar minha barriga da miséria. Quando cheguei em casa, já eram mais de 10 da noite. Só tomei um banho, e capotei na cama, as malas iria desfazer só amanhã.

E assim acabou minha trip, que tinha sido 1000x melhor do que eu podia ter imaginado antes.

 

SALDO DO DIA

Transfer aeroporto Santiago - $ 7600

 

         

 

 

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Agradecimentos

 

Quando estava no avião de volta para casa, já estava querendo começar a escrever este relato e termina-lo o mais rápido possível. Comecei a escrevê-lo em setembro, achando que em duas semanas terminaria, estava terrivelmente enganado.

Cada vez que sentava para escrever, ficava vendo as fotos, relembrando tudo que tinha vivido, tentando lembrar perfeitamente a ordem de como tudo tinha acontecido, o preço das coisas, o nome das agências, tinha anotado tudo, mas não lembrava aonde hehe. Final das contas, terminei esse relato no finzinho de dezembro.

Agradeço primeiramente a Deus, que já tinha preparado todo o caminho para mim antes.

Queria agradecer muito a todo mundo que já fez esse rolê antes e postou todas as informações e dicas nos fóruns do Mochileiros.com, aos blogueiros de viagens, que também me deram muitas informações.

E não posso deixar de agradecer a toda a galera que eu trombei ao longo dessa viagem inteira, às amizades feitas ao longo desses 40 dias incríveis e a toda ajuda que recebi, desde a família curitibana que dividiu o táxi comigo quando cheguei perdidão em Lima, até ao casal em Lua de mel que me deu carona no último dia em Santiago.

Sei que esse relato ficou longo demais, mas espero que sirva para ajudar a galera, que assim como eu estive um dia, está organizando o primeiro mochilão e as vezes se sente meio perdidão, usem e abusem desse relato.

Só uma correção, que na página anterior eu disse que minha viagem tinha terminado quando cheguei em casa, mentira, minha viagem terminou agora, com a finalização deste relato. Dever cumprido!

Viajar é Preciso!!!

 

 

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Parabéns pela viagem e pelo relato, estou começando postar o meu agora e achei o seu muito completo e bacana, muita sorte e luz nas próximas viagens meu brother, abraço.

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      Vou deixar meus contatos aqui,
       
      Whatsapp: 22 99789-2318
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      Ele se chamava Miragaia Renê Angelino. Um advogado que morava em São Paulo e que já tinha feito viagens incríveis de Moto. Procurem no youtube que tem várias entrevistas dele. Nessa entrevista ele havia recém lançado um Livro chamado ‘Minha Moto eu e a América’ onde ele contava sua viagem por 45.000 KM rodados em 90 dias pela América do Sul com uma moto. E eu ali, nem piscava. Minha cabeça anos 90 pensava que essas coisas mirabolantes só existiam na Europa.

       
      Me empolguei tanto com a entrevista que comprei o livro do meu novo amigo que me cumprimentou no semáforo e que era escritor e aventureiro..
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      Na verdaade, na verdaaade, eu disse ‘One Day, farei algo parecido’, pois só One Day que sabia falar em Inglês. O resto falei em Português mesmo. Aliás não sei falar inglês até hoje, usei o Google Tradutor na frase acima. 🙈
      Só que essa vontade de ganhar o mundo, na época soava mais ou menos como aquela vontade do garoto que sai do cinema querendo ser o Batman, ou da menina querendo virar a Cinderela... Soavam como coisas inalcançáveis.
      Quem nasceu na mesma época que eu, (façam as contas, não vou falar a década, ok?) sabe que as facilidades de hoje, com essa infinidade de informações, tecnologias, GPS e nichos de pessoas que compartilham os mesmos gostos, hobbies e principalmente valiosas informações e experiências, praticamente não existiam.
      Então tudo parecia ser algo distante ou até impossível, e a minha realidade era a de um garoto sem dinheiro, sem o Canal Discovery, sem informações, e que não tinha nem um gato pra puxar pelo rabo. Eu só tinha uma Bicicleta velha que ganhei de um tio, que só funcionava o freio traseiro e ainda tinha uma solda horrorosa no meio do quadro.
      Então, entre os estudos e espinhas, o tempo foi passando e aquele livro se perdeu no fundo do guarda-roupa.
      As responsabilidades, boletos, namoro, boletos, noivado, contas, casamento, móveis, faturas, filhos, carnês... vão chegando e tomando conta da sua vida. Alguns deles em proporções cavalares inclusive.
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      As vezes me pegava pensando: “Meu Deus, to aqui preocupado com o vencimento dos boletos, mas quem tá vencendo é minha vida, e vida não dá pra prorrogar, parceiro”.   E quem entra na casa dos ´enta´ , não sai mais... Quarenta,  cinquenta ...
      Quero deixar um parêntese aqui, antes que alguém tenha a impressão que eu não estava feliz com minha vida atual, ou infeliz com meu casamento, filhos etc... Muito pelo contrário, Sou eternamente grato a Deus pela família maravilhosa que tenho. Mas faltava pra mim, aquela cerejinha do bolo. Aquela conquista de fazer algo diferente.
      Um dia procurando qualquer coisa no guarda-roupas, achei o tal livro de novo. Fiquei olhando pra ele, pensando, remoendo... e então veio o estalo, decidi. Finalmente firmei um Contrato comigo mesmo, vamos conhecer San Pedro do Atacama. Isso foi a mais de 3 anos atrás.
      Hoje tenho 42 anos, Moramos em Maringá, interior do Paraná e temos um Renault Logan 1.0 ano 2012, batizado carinhosamente pelas crianças de BARTOLOMEU. É nosso pau pra toda obra, escola, trabalho, mercado, passeio, etc. Comprei ele já bastante rodado no final de Dezembro de 2017, mas estava bem conservado. 15 dias depois, Janeiro de 2018, já saímos para uma viagem com ele, e fomos conhecer o Uruguai.
      A ideia na época já era ir para o Deserto do Atacama, pois eu já tinha assinado aquele contrato comigo mesmo, só que adiamos porque uns amigos iam para o Uruguai de carro, já tinham tudo certo, roteiro etc,  e eu não me achava ainda tão maduro o suficiente para encarar as cordilheiras, e então resolvemos ir juntos para o Uruguai. País lindo, maravilhoso e tudo mais. Nossa primeira viagem longa de Carro.
      Na verdade o meu contrato já almejava o Atacama ainda em Janeiro de 2017, um ano antes do Uruguai, mas uns amigos iam para o Rio de Janeiro de carro e mudamos os planos, resolvemos ir juntos também.
      Já viram que sou muito influenciável né?! Preciso trabalhar mais isso. 🙈
      Mas o Rio de Janeiro é outra História, o Uruguai também e já estou me desviando muito do assunto. Foco Leandro, foco...
      No fundo, a gente camuflava a insegurança de ir pro Atacama sozinhos trocando de planos aos 45 do segundo tempo. Não que as viagens com os amigos eram menos interessante. Foram igualmente ótimas. Mas não era aquela conquista que eu queria, sabe? Atacama soava como algo épico, sei lá.
      Eu tinha um certo receio de atravessar as Cordilheiras e chegar ao Atacama com o Bartolomeu. É um carro baixo, pesado e com motor de carro popular.
      Ainda mais pelos seus Cento e tantos mil KM que ele já tinha na bagagem. Ele já tava ficando banguela. E as subidas que encontraríamos nas cordilheiras talvez precisasse de um carro mais jovem, bombadão.
      Vez ou outra eu lia alguns relatos de uns malucos que fizeram viagens parecidas com carro baixo, mas quase sempre são carros menores, mais leves, mais novos ou com motores mais potentes. O Bartolo era o contrário de tudo isso.
      Outro detalhe que me fazia esquentar a cuca é que eu estaria com filhos e tudo fica mais complicado caso dê algum problema na estrada, ou talvez alguém passe mau com alguma comida diferente, ou com a Altitude.
      Já pensou dar algum problema no Carro num lugar deserto, num país pouco conhecido e ainda com crianças? Não rola.
      Mas também, se eu fosse esperar o Momento Ideal, ter dinheiro suficiente para poder ir de avião, com o preço que pagaria nas passagens ida e volta, depois contratar agências de Viagens para os passeios, tudo multiplicado por 4? Não to podendo.
      Outra opção seria então esperar conseguir dinheiro para comprar um Veículo maior, mais novo, mais potente, quem sabe até algum com tração 4x4 né?
      Só que essas opções acima me fariam entrar numa hibernação do tipo ‘A Espera de Um Milagre’. E vocês com certeza conhecem muitas pessoas que vivem assim, esperando o Momento Certo para dar o primeiro passo.
      Só pra ilustrar melhor, minha mãe que também mora em Maringá, tem 64 anos e um sonho de vida, conhecer Foz do Iguaçu. Só que ela ainda não foi porque as condições ideais que ela imagina que precisa, ainda não surgiram. E são só 400KM daqui até lá.
      Então Leandro, toma Jeito. 
      Depois que voltamos do Uruguai, eu já tava deitando em viagens internacionais. Experiente e tudo. Então um dia olhei pro Bartolo, olhei pra Josi, fechei os olhos, estufei o peito, e falei:
      - Atacama 2019?
      - Bora!
      - Fechô!
      E então os preparativos começaram.
      Dai em diante minha vida meio que virou de cabeça.
      Agora eu só pensava nisso. Bitolado o tempo todo.
      Pesquisas e mais pesquisas, muitos cálculos de quanto preciso de dinheiro, quantos dias, rotas, curiosidades sobre os lugares que iriamos passar, vídeos no youtube etc etc etc...
      Se eu ouvia um Bom dia, eu já tava respondendo Buenos Dias.
      A vantagem de fazer uma viagem como esta viagem de carro, é que além de ficar bem mais barato, eu não ficaria preso à somente San Pedro de Atacama, pois teria todo o trajeto até chegar lá, e vi que tem lugares incríveis pelo caminho que valem a pena conhecer. E dá-lhe Google..
      Seguro Carta verde, Cambão, Salinas Grandes, Mau de Altitude, Laguna Miscanti, Pesos Argentinos, Seguro Soapex, Cartão de Crédito Internacional, Costa de Lipan, Filhos, Kit de Primeiros Socorros, roupas, folha de Coca, Seguro viagem, Humahuaca, Protetor Solar, Paso Jama... Meu Deus, era uma infinidade de informações pra assimilar e organizar.
      Fui alimentando um Check-List de tudo que precisaria providenciar. Entre tantos itens para me preocupar teve um que eu não abriria mão, um Pneu estepe Extra. Pois seriam centenas de quilômetros sem estrutura nas cordilheiras, sem posto de gasolina, sem civilização. Seria só nós, o vovô Bartolo e Deus. E já dizia o ditado: Quem tem dois tem Um. Quem tem um não tem Nenhum...
      -Preciso de um estepe extra!
      Mas eu também iria fazer a troca dos pneus atuais. Eles estavam menos de meia vida, e para uso na cidade ou viagens curtas até daria. Mas para o Deserto com certeza seria arriscado.
      Fiz um orçamento e os 4 pneus passavam dos Mil Reais. Era o preço. Pneus bons não são baratos.
      Dai, fui pesquisar no OLX para comprar um estepe Extra, poderia ser usado sem problemas. Dai que encontrei um anúncio de um Cara que estavam vendendo 4 pneus novos com rodas e tudo. O valor era metade do preço que eu iria pagar só nos pneus em uma loja. E Vinha com as Rodas já. Que LUCK hein Leandro. Já resolvia 2 Problemas, ficava com 4 Pneus Novos e usava um dos que já tinha como Estepe Extra.
       Lá dizia que as medidas da furação das rodas que vinham era 4x100. Até então eu nem sabia o que significava isso, só sabia que alguns carros usam rodas com 4 parafusos, outros com 5 e assim por diante. Pesquisei então as medidas das rodas do meu carro e eram exatamente 4x100 também. Que sorte de novo, hein Leandro. Liguei pro cara, e em menos de 1 hora eu já tava com as rodas e pneus novos em casa.
      Coloquei um pneu no porta-malas para ver o espaço que ocupava. Minha esposa não gostou nem um pouco, pois um pneu extra ocupava um espaço enorme. Mas fazer o que ? A nossa segurança falava mais alto. Então, com o bico deste tamanho, ela desistiu de levar o guarda-roupa todo.
      Fui até um borracheiro, e pedi que ele passasse os pneus novos para as rodas que ja estavam no carro, e consequentemente os pneus velhos nas rodas que vieram pois elas eram de Ferro e mais feias.  
      Uma outra coisa que eu queria muito, mas tava naquela indecisão, era de atravessar as Cordilheiras por um Caminho e Voltar por outro. A opção mais Curta, Sensata, econômica e Segura seria ir e voltar pelo Paso Jama, pois a pista é toda pavimentada desde a Argentina até o Chile e Relativamente mais movimentada. Outra opção seria o Paso Sico, que dizem ter paisagens incríveis, mas a pista não tem pavimentação em um longo trecho na parte da Argentina, e bem mais deserta. Bem mais arriscado com certeza.
      Mas descidi sim ir por uma via e voltar por outra. Meio Loucura com as crianças eu sei. Mas eu tinha 1 Estepe extra, né?
      Desculpe, mas percebi que esse prefácio já tá grande demais, eu falo demais, e vocês já estão tendo paciência demais. Então sem mais delongas... vou pular pro dia da partida.
      >>FF>>
      Dia 06/01/2019 - 4hs – Madrugada de Domingo.
      .........
    • Por YagoBarros
      Então , final de maio partirei em um mochilão roots por todo sul do litoral brasileiro , rumo ao uruguai. Não tenho data pra voltar , pretendo passar pelo menos 1 mês viajando , então vou parando nos lugares mais bonitos sem pressa.
      Eventualmente , me hospedarei em hostels sem problema, mas na maioria do tempo dormirei na minha barraca mesmo.
      Quero começar a trip em Palhoça SC , mas aceito qualquer dica e mudança de roteiro que acrescente.
      Quem quiser fazer companhia está convidado haha, qualquer coisa só mandar msg.
    • Por ekundera
      Patagônia - El Calafate, El Chaltén, Puerto Natales, Punta Arenas, Ushuaia - Fevereiro/2019 - 20 dias
       
      Planejamento para viagem
       
      Meu planejamento para a Patagônia aconteceu com uma antecedência de uns 6 meses, quando achei promoção de passagem pela Aerolíneas Argentinas. Comprei a chegada por El Calafate e a saída por Ushuaia, mas eu penso que o melhor itinerário para conhecer a região seja fazer o inverso, terminando por El Calafate. Acho interessante a viagem ir surpreendendo a gente cada vez mais de forma crescente, para a gente se encantar por cada lugar, sem achar que é mais do mesmo ou que o anterior tenha sido melhor.
       
      As hospedagens eu reservei pelo Booking, mas antes eu comparei com o Airbnb, mas não estavam assim tão vantajosos para compensar ficar em casa dos outros, tendo o trabalho de ter que combinar a chegada. De qualquer forma, achei essa parte de gastos um pouco alta, com diárias um pouco acima da média. E além disso, os lugares com melhor localização ou avaliação já não tinham mais vagas. Penso que a reserva para a região tenha que ser feita com maior antecedência.
       
      A melhor forma de se vestir na Patagônia, pelo menos para o período que fui, é usando umas 3 camadas. A primeira camada, com uma camiseta dry fit, porque ela absorve o suor e não fica encharcada, não deixando esfriar ainda mais em contato com a pele. A segunda camada, com uma blusa térmica (a minha preferida é um modelo que não seja tão aderente ao corpo, como a marca Wed’ze que encontrei na Decathlon). A terceira camada, um casaco que proteja por dentro e com material impermeável por fora, de preferência com capuz e que não seja tão volumoso, porque a gente tira em vários momentos e incomoda carregar na mão.
       
      Na parte de baixo, eu usava só a calça térmica primeiro e uma outra calça por cima. Não usei calça jeans nos passeios, levei essas com bolsos dos lados (achei uma que gostei demais numa loja de produtos para pesca). Levei também um par de luvas de couro fino, sem ser volumosas, gorro, cachecol, bota tipo tênis para trilha. Em alguns momentos eu pensei em comprar uma proteção para o rosto, estilo balaclava, mas eu fui adiando e depois já não compensava mais no final, mas eu tive muitas oportunidades para usar nos diversos passeios com vento gelado.
       
      Como eu faria conexão em Buenos Aires, a maior parte do dinheiro que levei foi o nosso real, para comprar pesos argentinos no banco do aeroporto. Algumas cédulas de reais que estavam com algum risco de caneta ou um leve rasgadinho eles não aceitaram e me devolveram. Eu também levei alguns dólares por precaução, para outros gastos que fossem necessários, que eu só usei para pagar algumas hospedagens (muitas cobravam 5% a mais se fosse pagar no cartão) e também para trocar por alguns pesos chilenos quando mudei de país.
       
      Para os passeios, é bom ter uma mochila para carregar lanche e água, além de ter as mãos livres quando a gente precisa se apoiar sempre durante as trilhas cotidianas. Óculos escuros também são essenciais para proteção do reflexo da neve. Quanto aos bastões para trilha, eu particularmente não tinha e não achei assim tão essenciais, mas muita gente que usa gosta, já que eles apoiam em caminhadas mais difíceis, além de diminuir um pouco o esforço dos joelhos.
       
      Na primeira cidade que cheguei, uma providência que tomei no primeiro dia foi comprar um chip para celular. Fiz um plano pré-pago para 20 dias na Claro, com 3gb por cerca de 30 reais. No entanto, não usei na viagem toda porque em El Chaltén não havia sinal (disseram que a Movistar poderia funcionar lá) e no Chile teria que pagar roaming.
       
      Para diminuir a quantidade de dinheiro que eu levaria, preferi reservar e pagar antecipadamente a maioria dos passeios que faria. Para um ou outro passeio, eu vi recomendação que era bom deixar reservado, podendo haver maior procura durante a alta temporada, correndo o risco de não ter vaga se comprado na véspera. Mas eu vi gente comprando lá mesmo, daí não sei se essa recomendação faz muito sentido.
       
      El Calafate
       
      Minitrekking Perito Moreno
       
      No primeiro dia, eu já havia deixado comprado o passeio do minitrekking ao Perito Moreno diretamente no site da Hielo & Aventura. Pelo que fiquei sabendo, somente esta empresa está autorizada a fazer o trekking no gelo. Quando outras empresas comercializam esse passeio, na verdade elas estão intermediando a venda, que terá a Hielo & Aventura como prestadora de serviços. Portanto, é bom comparar os preços para ver o melhor.
       
      No dia do passeio, a van da empresa passou no hotel no horário combinado e passou em alguns outros hotéis para pegar mais alguns turistas. Um tempinho depois, a van foi substituída por um ônibus com maior capacidade de pessoas e assim partimos para o Parque Nacional de Los Glaciares. Um funcionário do Parque entra no ônibus e faz a cobrança da taxa de visitação de todos os visitantes. Caso vá fazer outro passeio dentro do Parque outro dia, é concedido desconto, ficando mais barato comprar, por exemplo, para dois dias na mesma compra do que comprar separadamente a cada dia que for visitar.
       
      No dia em que fui no passeio, o grupo fez primeiramente o trekking na geleira e só depois que explorou as passarelas. No entanto, vi outras pessoas que fizeram o inverso, começando pelas passarelas e finalizando pelo trekking. Não sei dizer se é devido às condições climáticas, coisa que pode favorecer uma mudança na ordem das coisas, mas se trata do mesmo passeio e se vê a mesma coisa.
       
      Dentro do Parque, o ônibus estacionou e os turistas puderam usar o banheiro antes de pegar o barco para ir ao encontro do Perito Moreno. Enquanto o barco avança, a geleira vai se descortinando à frente e todo mundo quer ir para fora para fotografar de todos os ângulos porque realmente é lindo e não é todo dia que a gente vê esse cenário. Mas o vento gelado do lado de fora realmente é bem intenso. Chegando na outra margem, há uma edificação de madeira, com banheiro e área para se sentar, onde também podemos deixar nossos pertences enquanto dura a caminhada sobre o gelo.
       
       
       
      Depois de atravessar umas passarelas meio rústicas e andar um pouco nas margens do Lago Argentino, chegamos no lugar onde são colocados os crampones sob nosso calçado e começamos a caminhada na geleira, com algumas instruções do guia sobre a melhor forma de pisar. O circuito que fazemos no minitrekking não é difícil, não é cansativo, levando entre 1h30 e 2h. Todos andam em um ritmo parecido, em fila, com todos praticamente pisando um no rastro do outro. É necessário que todos usem luvas (de qualquer tipo serve) porque, se alguém escorrega e bate a mão no gelo, pode se cortar. Mais uma vez, a gente quer tirar foto de tudo quanto é jeito e a experiência é incrível. Ao final da trilha, os guias oferecem bombom e preparam uma bebida com gelo do glaciar para brindar àquele momento.
       
       
       
      Após retirar os crampones, retornamos ao local onde deixamos os pertences e ficamos um tempo livres para explorar o lugar e fazer um lanche. É importante frisar que na margem onde se encontra a geleira não são vendidos alimentos e o barco demora um pouco para retornar para o outro lado. Eu havia deixado guardado na geladeira da pousada desde o dia anterior um sanduíche para levar, além de bastante água. É bom levar também outras coisas para petiscar ao longo do dia, tipo barra de cereais, frutas ou biscoitos.
       
      No meio da tarde, o barco nos levou de volta para a outra margem para a continuação do passeio. Pegamos o mesmo ônibus do início e rumamos em direção às passarelas de contemplação do Perito Moreno. As passarelas são extensas e há bastante para andar por elas, num sobe e desce de escadas para tirar fotos em vários ângulos. Para quem já caminhou pelas passarelas das Cataratas do Iguaçu, vai ver certa semelhança. Nesses pontos também presenciamos momentos em que pedaços da geleira despencam na água, gerando um espetáculo bem estrondoso. Próximo das passarelas, existe estrutura com banheiro e venda de comida e bebida, mas o monopólio deixa sempre os preços um pouco salgados.
       
       
       
      No final, todos se reúnem no local e horário estipulados previamente e são levados aos respectivos hotéis ou ficam no centro, como preferirem.
       
      Navegação Rios de Gelo
       
      Para o segundo dia, eu havia comprado previamente o passeio pela empresa Patagónia Chic. A van passou na pousada e rumamos para o porto para fazer a navegação Rios de Gelo. Recomendo gravar bem a van e o motorista, porque quando a gente volta é uma confusão de vans que fica difícil saber qual é a nossa. Como eu já tinha a entrada do Parque Nacional, comprada no dia anterior para dois dias, não precisei pegar a fila para pagar e já fui direto para a embarcação. Pelo frio e chuva que estava lá fora, achei o interior do catamarã bem aconchegante, e no começo achei até meio monótono.
       
      Como é um passeio bem confortável, em que a gente não precisa andar ou se esforçar, achei bem numerosa a quantidade de pessoas idosas. Em alguns momentos, eu me senti numa espécie de cruzeiro da terceira idade, com velhinhos cochilando, enquanto a guia falava num ritmo que embalava feito canção de ninar.
       
       
       
      Um tempo depois de navegação, a gente começa a passar por icebergs e se aproxima de montanhas nevadas que deixam qualquer um extasiado. Já não havia mais chuva e muita gente já se arriscava a sair do conforto para tirar umas fotos do lado de fora. Como a embarcação diminui a velocidade em vários momentos, apesar do frio no exterior, dá para sair em alguns momentos e gastar espaço no cartão de memória.
       
       
       
      A navegação também se aproxima das grandes geleiras Upsala e Spegazzini, além de ir contando aspectos sobre a região, deixando o passeio bem informativo. É incrível a dimensão que essas geleiras alcançam e o espetáculo visual que produzem. A todo momento todos querem fotografar e tem hora que fica difícil achar um espaço sem ninguém para gente também levar recordações desse passeio incrível.
       
       
       
      O catamarã tem serviço de comida e bebida, mas muita gente leva o seu próprio lanche. Como é um passeio que dura a manhã toda e um pedaço da tarde, é bom estar preparado para isso.
       
      Glaciarium, Glaciobar, Laguna Nimez
       
      Saindo do estacionamento da Secretaria de Turismo Provincial, no Centro da cidade, há vans gratuitas de ida e volta ao Glaciarium com regularidade a cada meia hora a partir das 11h. Como a quantidade de assentos na van é limitada, é bom chegar um pouco antes para conseguir sentar, senão terá que esperar o próximo horário (aconteceu isso com os últimos da fila quando fui). O acesso é rápido e a visão do Lago Argentino pelo caminho é linda.
       
       
       
      O Glaciarium é um centro de interpretação com exposição de painéis, vídeos e outros recursos sobre as geleiras, com um arsenal de informações sobre o clima daquela região. De modo geral, a maioria das informações sobre o clima e as geleiras está distribuída em painéis e infográficos em espanhol e em inglês ao longo das paredes do lugar. Como vi muita gente falando bem das exposições, eu até achei que fosse gostar mais, mas a verdade é que achei meio monótono e de interesse para quem deseja conhecer de maneira mais a fundo do assunto. Como em alguns passeios a gente acaba ouvindo dos guias algumas informações sobre as geleiras, a ida ao Glaciarium acaba sendo repetitiva e, ouso dizer, até dispensável para quem não tem muito tempo na cidade.
       
      O Glaciobar fica no mesmo prédio do Glaciarium, com acesso na portaria do lado por uma pequena escada que leva ao subterrâneo. O ambiente é praticamente todo em gelo internamente, inclusive os copos em que as bebidas são servidas. A temperatura é perto de -10°C e na entrada são oferecidas roupas e luvas térmicas para suportar o frio intenso. O ingresso dá direito a consumir as bebidas disponíveis no local por 25 minutos. É uma experiência curiosa e talvez seja interessante só para fotos, mais do que pelas bebidas, já que eu procurei algumas vezes pelo garçom para repor a bebida e ele estava cuidando de outras coisas, demorando um pouco a reaparecer.
       
       
       
      Na volta da van do Glaciarium, fui a pé até a Laguna Nimez, que está próxima da região central. Trata-se de uma reserva natural, onde há uma trilha curta para percorrer ao redor da pequena lagoa. Lá se avistam pequenas aves e vegetação típica, com algumas placas informativas pelo caminho. Basicamente é isso e não achei interessante, já que nos outros passeios vi as mesmas coisas, mas em dimensões maiores. Para quem curte mais a contemplação de patos e algumas outras aves, talvez o passeio possa ser melhor proveitoso.
       
       
       
      El Chaltén
       
      Chegada na cidade
       
      Peguei o ônibus às 8h da manhã em El Calafate e cheguei a El Chaltén às 11h. Como eu havia feito a compra com antecedência pela internet no site da empresa Chaltén Travel (plim-plim! olha o merchandise), pude escolher a primeira poltrona na parte superior, de onde se tem uma bela e ampla visão. E o cenário quando está perto de chegar na cidade é mesmo de encher os olhos, já que El Chaltén fica cercada por montanhas nevadas.
       
      Já na entrada da cidade, antes do ônibus chegar no terminal, ele passa pelo Centro de Visitantes e todos descem para ouvir as instruções sobre as trilhas e a segurança dos visitantes. São separados dois grupos, cada um para um idioma (espanhol ou inglês), pega-se um mapa das trilhas ao final e daí todos estão liberados para voltar ao ônibus para finalmente chegar no terminal. El Chaltén é uma cidade pequena, onde se faz praticamente tudo a pé, então chegar nas hospedagens é rápido. Além disso, as trilhas são muito bem sinalizadas e não dependem de auxílio de guia, podendo qualquer pessoa fazê-las de forma independente.
       
      Como eu tinha uma tarde livre pela frente, resolvi fazer duas trilhas curtas, cujo ponto de partida é o Centro de Visitantes, na entrada da cidade. A caminhada mais curta é para o Mirador de los Cóndores, com 1 quilômetro para ser percorrido em cerca de 45 minutos (ida + volta = 2km, 1h30). O início da trilha é plano e fácil, mas depois vira uma subida em uma pequena montanha, que faz a gente se cansar um tantinho. No final, a gente é brindado com uma visão panorâmica da cidade, dos rios que passam por ela e das montanhas ao redor.
       
       
       
      Como no meio do caminho para o Mirador de los Cóndores havia uma bifurcação com uma placa indicativa para outra trilha, cheguei até esse ponto e daí parti para o Mirador de las Águilas. É uma trilha de 2 quilômetros a serem percorridos em cerca de 1 hora (ida + volta = 4km, 2h). Como sempre, a gente se cansa mais na última parte, subindo um pequeno morro. Lá de cima, a gente tem a visão dos montes mais famosos vizinhos da cidade, Cerro Torre e Fitz Roy, um pouco envolvidos nas nuvens, mas uma vista linda.
       
       
       
      Laguna Torre/Cerro Torre
       
      Para o segundo dia, minha intenção era pegar a van para a Hostería El Pilar e, a partir dali, fazer a trilha para a Laguna de los Tres, na base do Cerro Fitz Roy. Como não havia mais vaga na van, deixei comprado o bilhete para fazer essa trilha no dia seguinte. Então mudei os planos e parti para a trilha rumo à Laguna Torre, aos pés do Cerro Torre. São cerca de 9 quilômetros a serem percorridos em cerca de 3 horas (ida + volta = 18km, 6h). Munido de sanduíche, alguns bilisquetes e água na mochila, parti para o início da trilha no final da Av. Antonio Rojo, lado oposto à entrada da cidade. Depois de subir uma escadaria bem acessível, precisamos vencer uma subida bem íngreme num pequeno monte, de onde se inicia a sinalização para a Laguna Torre.
       

       
      Ao longo do caminho, vi mais turistas europeus do que latinos e muita gente simpática que sempre se cumprimenta quando se cruza. Perto do início da trilha, já precisamos dar a volta em algumas montanhas, passando por um caminho próximo ao despenhadeiro, onde vemos rios correndo lá embaixo. Os momentos mais difíceis são quando as subidas são insistentes, somadas com grande irregularidade do terreno, de forma que precisamos achar a pisada que nos impulsione cada vez mais para cima. Como em vários pontos das trilhas há riachos com água potável, é fácil repor a água que levamos. Quanto a banheiro, só em dois momentos: no Mirador del Torre e quando passamos pelo acampamento D’Agostini, que fica já bem próximo à Laguna Torre. O banheiro nada mais é que uma cabine fechada com um buraco no chão, bem nojentinho mesmo.
       

       
      Uns poucos minutinhos depois do acampamento, a gente já se depara com a Laguna Torre à nossa frente, emoldurada pela geleira que desce até a base das montanhas que a margeiam. Dentro da pequena lagoa, alguns blocos de gelo de vários tamanhos conferem uma maior beleza ao cenário. Ao redor da lagoa, pelo lado direito, a trilha sobre o monte leva ao Mirador Maestri, com mais 2 quilômetros a serem feitos em cerca de 1 hora. É uma caminhada puxada, com subida e bastante pedra de todo tamanho pelo caminho e a gente sua no frio para fazer. A vista nesse ponto é do fundo da lagoa, onde a gente consegue ter uma visão mais ampla da geleira tocando a água.
       

       
      Laguna de los Tres/Cerro Fitz Roy
       
      Com o transporte para a Hostería El Pilar já comprado, a van me pegou na pousada cerca de 8h da manhã e mais alguns turistas em outras hospedagens. Eram quase 9h quando desembarcamos no início da trilha, de onde começamos a caminhada rumo à Laguna de los Tres, aos pés do Cerro Fitz Roy, maior montanha de El Chaltén, um grande paredão de granito com inclinação vertical que desafia muitos escaladores.
       
      A trilha tradicional de El Chaltén até a Laguna de los Tres é de 10 quilômetros, com tempo estimado de 4 horas (ida + volta = 20km, 8h), sendo levemente abreviada quando partimos da Hostería El Pilar. Além disso, indo por um lugar e voltando pelo outro, o caminho proporciona duas visões diferentes para o passeio. Há mirantes distintos para o Fitz Roy em ambos os caminhos, então certamente haverá também lembranças fotográficas em maior quantidade de ângulos. Ambos os caminhos possuem subidas cansativas em alguns trechos que fazem a gente suar mesmo no frio. O ponto onde as duas trilhas se encontram é no acampamento Poincenot.
       
       
       
      Logo após o acampamento, identificamos uma placa no pé de uma subida, informando que a partir dali está o último quilômetro para a trilha em um nível difícil, com tempo estimado em 1 hora. À medida que caminhamos, a subida vai exigindo cada vez mais esforço, com degraus, pedras, inclinações variadas, neve, gelo, pequenos arbustos, água derretida da neve, enfim, precisamos tomar fôlego em vários momentos para continuar. Quando olhamos para trás, vemos que a inclinação do morro é bem íngreme, que dá certo medo. Mas ao mesmo tempo, a visão ao redor é linda e bem fotogênica, com toda a vegetação coberta por neve, cercada por montanhas também nevadas ali do lado.
       
      Depois de muito esforço e várias paradas, suando um tanto, a chegada ao topo proporciona uma das visões mais lindas que vi na viagem. Se eu fosse escolher apenas uma trilha para fazer, de todas as que fiz, essa é a que eu escolheria como preferida. A Laguna de los Tres tem uma cor linda e estava toda cercada pela neve. Do Mirador Maestri, que é o ponto onde chegamos após a cansativíssima subida, avistamos neve em todo o nosso redor. Adicionalmente, de todas as visões que tive do Fitz Roy dos diversos lugares na cidade, este foi onde consegui enxergá-lo inteiramente, sem o manto de neblina encobrindo parte dele.
       

       
      Após um tempo de deslumbramento, a descida do morro cansa um pouco, mas agora é mais rápido e a gente já sabe o que esperar no fim da caminhada de volta. Em certo ponto no caminho para El Chaltén, haverá uma bifurcação onde a gente pode escolher ir pelo mirador ou pela Laguna Capri. Escolhi a Laguna e achei linda a cor esmeralda de suas águas contrastando com o branco da neve das montanhas ao redor. Bem próximo da Laguna, está o acampamento Capri, onde também existe banheiro.
       

       
      Como não há ônibus saindo direto de El Chaltén para Puerto Natales, no dia seguinte voltei para El Calafate para ficar mais um dia na cidade e pegar o ônibus que saía para o meu próximo destino. Foi um dia perdido, que não quis fazer muito esforço, então me hospedei do lado do terminal para não ter muito trabalho.
       
      Puerto Natales
       
      Chegada na cidade
       
      Com passagem já comprada pela internet com antecedência na empresa Cootra, peguei o ônibus em El Calafate às 7h30 da manhã. Como a viagem atravessa a fronteira da Argentina para entrar no Chile, é necessário apresentar passaporte no guichê da empresa no terminal. A chegada em Puerto Natales estava prevista para às 13h, então levei também alguns belisquetes para não morrer de fome.
       
      Na fronteira do lado argentino, todos descem do ônibus para carimbar a saída do país na imigração. Como tem fila e nem todos cabem dentro do pequeno espaço de atendimento, a fila do lado de fora vai sofrendo com o vento gelado até terminar o processo. Com todos de volta ao ônibus, rapidamente chegamos no território chileno, em que todos descem novamente para carimbar o passaporte, mas desta vez a bagagem também é inspecionada. Após o atendimento no guichê, passamos malas e mochilas no raio-x e, se houver produtos in-natura de origem animal ou vegetal, não é autorizado levar. As pessoas têm que jogar fora inclusive frutas, mesmo que seja uma unidade para consumo imediato.
       
      Com todos devidamente autorizados, chegamos ao terminal de Puerto Natales no início da tarde. Após me instalar na pousada, saí com uns dólares em mão para trocar por pesos chilenos em alguma casa de câmbio no centro. Um fato que achei curioso na cidade foi que muitos estabelecimentos comerciais fecham para o almoço e só abrem às 15h, como foi o caso das casas de câmbio que me indicaram na hospedagem. E as refeições na cidade eu achei bastante caras, de modo que eu revezava entre pratos e comidas rápidas para ficar dentro do orçamento.
       
      Puerto Natales é uma cidade pequena, com um centro cujo ponto de referência é uma praça principal, a Plaza de Armas, e nos seus arredores estão algumas pequenas atrações turísticas, como a catedral, o museu histórico, a região portuária, uma ou outra escultura em pequenas praças ao longo da costa, o mercado de artesanato, que achei minúsculo e com muita pouca opção de produtos. É uma cidade tranquila, basta essa parte da tarde para conhecê-la, não mais que isso. Na verdade, o que me levou até ali foi ter a cidade como base para conhecer o Parque Nacional Torres del Paine, onde estão as famosas montanhas de mesmo nome.
       
       
       
      Full day Torres del Paine
       
      Para o primeiro dia, eu havia reservado pela internet com a empresa Patagonia Adventure o passeio Full day Torres del Paine. A van passou na pousada às 7h30 da manhã, pegou mais alguns turistas e iniciou o passeio com visita ao Monumento Natural Cueva del Milodón. Trata-se de uma grande caverna onde foram encontrados vestígios de um animal pré-histórico de cerca de 3 metros de altura, semelhante a uma preguiça gigante. É um passeio curto, onde recebemos informações sobre a fauna extinta da região, além de entrar na caverna e ver a estátua que reproduz o milodón.
       

       
      Logo após, a van ruma para o parque nacional, onde pagamos entrada e iniciamos a exploração aos principais atrativos naturais. Tivemos a sorte de encontrar um grupo de guanacos (parentes da lhama) e avestruzes na beira da estrada. O passeio passa por alguns mirantes com rios e lagoas emoldurados por belíssimas montanhas nevadas, faz uma parada numa área com mais estrutura, próximo ao Lago Grey, onde há restaurante, em que podemos comprar alimentos e bebidas, claro que um pouco mais caros do que na cidade, então muita gente leva o seu sanduíche.
       

       
      Nessa área do Lago Grey, ficamos livres durante um tempo para ir até a praia de areia grossa ou cascalho, passando por uma ponte de madeira e cordas, que balança um pouco, mas é bem segura e resistente, e podemos avistar o Glaciar Grey um pouco ao longe. Apesar de no dia eu não ter visto, podem aparecer blocos de gelo flutuando na água. Durante essa caminhada na praia de cascalhos, em vários momentos o vento era tão forte que muitas pessoas precisavam firmar os pés no chão para não ser derrubadas.
       
      As montanhas principais, que são as torres, com os três “cornos” verticais, a gente vê a uma certa distância, a partir de diversos pontos e mirantes, que eu achei melhor fazer um passeio no dia seguinte para complementar a visão mais de perto, com uma trilha exaustiva de um dia.
       

       
      Trekking mirador base das Torres del Paine
       
      No segundo dia na cidade, eu havia reservado com a mesma empresa do dia anterior (Patagonia Adventure) o tour guiado até a base das Torres del Paine. É um passeio de dia inteiro e com muita exigência de vigor para seguir o ritmo dos dois guias que lideram o grupo. Como não há lugar para comprar comida ou bebida pelo caminho, já deixei comprado meu sanduíche desde o dia anterior e guardei na geladeira da hospedagem. Água é bom levar bastante também, além de lanchinhos para aguentar o dia inteiro quase sem parar. Achei ótimo levar frutas secas e castanhas que encontrei no centro da cidade.
       
      A van passou na pousada às 6h30, pegou outros passageiros e rumou para o Parque Nacional. O ingresso que pagamos no dia anterior vale para esse dia também, mas é necessário colocar nome e número de documento quando fazemos a compra no primeiro dia, além de solicitar o carimbo na recepção do parque. Algumas pessoas que esqueceram de pegar o carimbo no dia anterior conseguiram mostrar que estiveram lá no dia mostrando fotos, mas é bom não correr o risco de se prejudicar tendo que pagar duas vezes.
       
      A van para no estacionamento do parque, onde há banheiros, e os guias oferecem bastões de trekking para quem quiser usar e daí iniciamos a caminhada de cerca de 11 quilômetros (ida + volta = 22km). Para não correr o risco de demorar demais a ir e voltar, eles impõem um ritmo moderado à trilha, indo um na frente e outro atrás do grupo. Em pouco tempo já estamos subindo ladeiras cansativas e praticamente sem parar durante um longo tempo. Ao longo do caminho, paramos no acampamento El Chileno, onde é possível usar o banheiro mediante pagamento (1 dólar/500 pesos chilenos).
       

       
      A caminhada tem momentos de terreno plano, ficando mais fácil seguir o mesmo ritmo da maioria, mas tem também momentos que a subida vai diminuindo nosso ritmo e a gente precisa recuperar o fôlego muitas vezes. A última parte da trilha é mais pesada, onde a gente vai serpenteando montanha acima, passando por muitas pedras de diversas alturas, servindo de degraus pra gente impulsionar a próxima pisada pra vencer os obstáculos. A dificuldade é alta nessa última parte, mas não é tão longa quanto o trekking para a Laguna de los Tres, na base do Fitz Roy.
       
      O visual das três torres de perto é muito lindo, e lá na sua base a gente encontra muitos mochileiros que se sacrificaram por dias em acampamentos para fazer os circuitos por todo o seu entorno. Esta é outra opção para conhecer o lugar e vivenciar por mais tempo aquela experiência, mas é bom estar muito bem equipado, porque as condições climáticas não são das mais fáceis de encarar.
       

       
      Em relação ao trekking guiado, comparando com as trilhas que a gente faz por conta própria em El Chaltén, eu achei um pouco mais pesado a que fiz em Torres del Paine, já que eu não ditava o meu ritmo e, por isso, permanecia cansado por mais tempo. Mas como o Parque Nacional fica distante de Puerto Natales, cerca de 2 horas de carro, a gente acaba precisando do transporte muito cedo para chegar até ali. Só por isso que eu achei vantajoso contratar o passeio, mas para quem está em grupo e aluga carro, pode ser interessante fazer a caminhada até a base das torres por conta própria, já que o caminho é sinalizado e a gente encontra muita gente fazendo o trajeto.
       
      Punta Arenas
       
      Atrações na cidade
       
      Peguei o ônibus de 8h30 saindo de Puerto Natales a Punta Arenas, com passagem comprada antecipadamente pela internet na empresa Bus-Sur. São 3 horas de viagem. O terminal da empresa fica no centro da cidade, bem próximo à Plaza de Armas, a principal praça da cidade. Então é fácil ir a pé até a hospedagem se estiver perto dessa região.
       
      Punta Arenas é uma cidade bem charmosinha, com um centro muito bem organizado e bonito, com algumas atrações interessantes para visitar. A Plaza de Armas tem uma enorme escultura do português Fernão de Magalhães, responsável pela primeira navegação ao estreito de Magalhães, onde está localizada a cidade. O índio que compõe a escultura no centro da praça é a maior atração entre os turistas, já que se acredita que tocar o seu pé traz sorte.
       

       
      Ao redor da praça, as edificações são muito bonitas, e dentre elas está o Museu Regional de Magalhães, um lugar suntuoso em que o piso original, para ser conservado, precisa que usemos sobre ele protetores de tecidos nos pés, oferecidos na entrada. O que achei muito ruim foi o horário de funcionamento do museu, somente até às 14h, quando tive que sair rapidamente de lá, quase expulso pelos funcionários impacientes em encerrar as atividades do dia.
       
      Próximo dali, está o Museu Maggiorino Borgatello, com uma grande quantidade de informações sobre a região e que vale a visita. Um pouco mais adiante, próximo ao cemitério da cidade, há o Monumento al Ovejero, uma obra em tamanho natural a céu aberto, representando um trabalhador rural com suas ovelhas, cavalo e cachorro.
       
      Algumas quadras acima da Plaza de Armas, está localizado o Cerro de la Cruz, um ponto mais alto que serve como mirante, acessível por uma grande escadaria. De lá, é possível ter uma vista panorâmica da cidade e do Estreito de Magalhães.
       

       
      Outra atração, mas um pouco mais distante, já na saída da cidade, é o Museo Nao Victoria, a réplica da embarcação usada por Fernão de Magalhães no século 16 para a primeira viagem de circunavegação feita pelo português no Estreito que recebeu seu nome. Achei a chegada ao lugar meio complicada porque a motorista do Uber se perdeu e teve que dar uma volta grande para finalmente conseguir localizar. É possível subir e explorar a embarcação por dentro, assim como outra réplica que está do lado, usada no século 19 para a tomada do Estreito de Magalhães. O vento lá em cima é forte e gelado.
       

       
      Em Punta Arenas, há uma região comercial com zona franca, livre de impostos, com shopping e alguns grandes mercados multidepartamentais. O shopping eu não achei grande coisa, apesar de livre de impostos, os produtos encarecem para chegar à cidade pelo transporte. Achei até interessante um grande mercado que entrei, onde há de tudo um pouco, inclusive souvenirs, mas comprei só umas poucas coisinhas pequenas e baratas para não sofrer com o peso na mala e no orçamento.
       
      Islas Marta e Magdalena
       
      O principal passeio que me levou à cidade foi a navegação até as ilhas Marta e Magdalena. Reservei o passeio pela internet na empresa Solo Expediciones, mas esse foi o único que o pagamento ficou para ser feito no próprio dia.
       
      Às 6h30 da manhã me apresentei no escritório da empresa, bem próximo à Plaza de Armas, fiz o pagamento e entrei no ônibus que levava ao porto, que fica próximo. Todos desembarcamos do ônibus e entramos no catamarã em um dia chuvoso, mas a chuva só estava na cidade e não durante a navegação. Ao longo da navegação pelo Estreito de Magalhães, o guia em espanhol e inglês dá algumas informações, enquanto podemos avistar o espetáculo das barbatanas das baleias subindo até a superfície da água para respirar. Como a água é mais escura, não dá para vê-las abaixo da superfície, então não dava para saber onde elas apareceriam para registrar o momento.
       
      Um tempo depois, chegamos próximo da margem da Isla Marta, que é bem pequena, um rochedo com uma enorme quantidade de leões marinhos. Nessa ilha, contemplamos somente à distância, não é autorizado desembarcar nela por razões de proteção do ambiente dos animais. Como a embarcação fica parada por um tempo em frente à ilha, é possível ir para fora, sem o incômodo do vento muito forte, para registrar os leões marinhos em seu descanso matinal. Na ilha os animais estão protegidos das baleias, seus predadores, e podem nadar no seu entorno, protegidos por uma camada de algas que envolve o ambiente.
       

       
      Em seguida, fomos para a ilha Magdalena, onde todos desembarcamos para uma caminhada de cerca de 1 quilômetro no ambiente dos pinguins. O caminho é delimitado por um corredor de cordas, para não ultrapassarmos, que leva até um farol mais adiante na ilha. Como temos 1 hora para explorar o lugar, é bem tranquilo, sobra tempo, além de ser uma caminhada bem leve e sem dificuldades.
       
      Há uma grande colônia de pinguins na ilha Magdalena, que passam cerca de 6 meses por ali, durante primavera e verão, a temporada mais quente para troca de penas. Uma ressalva: só é quente no ponto de vista deles. Uma grande quantidade de buracos no chão, usados como ninho pelos pinguins, está espalhada pelo caminho onde andamos. Além de se protegerem do frio com a troca da plumagem, os ninhos também deixam filhotes a salvo dos predadores que rondam a todo momento, pássaros oportunistas, esperando algum descuido de um pai desatento.
       

       
      O passeio termina cerca de 12h e o ônibus nos leva de volta ao ponto de partida, no centro da cidade. Achei muito agradável, além de leve e não durar um dia inteiro, não precisando sacrificar o almoço.
       
      Ushuaia
       
      Chegada na cidade
       
      A saída de Punta Arenas foi às 8h15 da manhã pela Bus-Sur, com bilhete comprado pela internet. Como iria sair da Argentina para entrar no Chile, necessário apresentar passaporte no guichê antes de embarcar no ônibus. A previsão de chegada em Ushuaia era às 20h15, mas chegou cerca de18h30, mesmo assim foi uma viagem muito cansativa. Como não há paradas em lugares onde há comida, é bom levar o arsenal porque é praticamente um dia inteiro na estrada.
       
      Cerca de 2 horas depois de sair de Punta Arenas, o ônibus chega na travessia de balsa no Estreito de Magalhães, todos descem e embarcam na balsa, assim como todos os veículos que estão em fila aguardando. A travessia foi tranquila e rápida, menos de 30 minutos, mas já ouvi falar que pode ser mais demorada, dependendo da agitação das águas. Ao embarcar novamente no ônibus, como pode haver vários outros parecidos, é bom saber diferenciar qual o nosso. Eu mesmo quase entrei em outro, imagina onde iria parar.
       
      Um bom tempo de viagem depois, chegamos na fronteira, onde recebemos o carimbo de saída do Chile. Um pouco mais adiante, pegamos mais uma vez o carimbo de entrada na Argentina. Diferentemente da imigração no Chile uns dias atrás, na Argentina não pediram para fiscalizar a bagagem, foi um processo burocrático mais rápido. Depois de um longo tempo, finalmente chegando próximo a Ushuaia, o ônibus vai passando por uma região de montanhas, com curvas fechadas, mas com um cenário lindo. Achei que o assento do lado direito é beneficiado com a melhor vista.
       

       
      A melhor localização para se hospedar em Ushuaia é o mais próximo possível da Av. San Martí, que é a rua principal, longa e plana. As ruas que cruzam a San Martí em direção contrária à costa ficam em subidas bem cansativas. Os passeios partem dessas proximidades, onde está a zona portuária, as agências de turismos, pontos de vans e táxis, alguns museus, a placa do “fim do mundo”, a Secretaria de Turismo, onde tem internet gratuita e informações diversas aos turistas, bem útil. Na Secretaria também podemos carimbar o passaporte com dois modelos de estampa, é grátis.
       

       
      Pinguinera e Navegação pelo Canal Beagle
       
      Deixei reservado com antecedência pela internet no site da empresa Piratour o passeio desse dia. A Piratour é a única empresa que tem autorização para desembarcar na Isla Martillo, então qualquer outra empresa que também ofereça a caminhada com os pinguins na ilha apenas intermedeia a venda, tendo como responsável pela prestação do serviço a Piratour.
       
      O passeio iniciava com os turistas se apresentando no quiosque da empresa às 7h30 no píer. Como dura até o meio da tarde, é bom levar um lanche reforçado. Pegamos o ônibus com guia em inglês e espanhol e tivemos uma parada junto à floresta de árvores que sofrem a ação do vento muito forte e crescem para um lado, por isso sendo chamadas de “árvores bandeiras”. Logo após, chegamos na Estancia Harberton, onde há um pequeno museu de ossos de baleias e outros animais marinhos.
       

       
      O grupo de turistas é dividido em duas partes, enquanto uns vão direto para a Pinguinera, os demais ficam na Estancia na visita guiada; logo depois, revezam os grupos. O bote para a Isla Martillo leva um grupo reduzido de cerca de 20 pessoas, não podendo haver grande quantidade de gente por vez na ilha.
       
      É uma travessia curta, logo desembarcamos na Isla Martillo. Como visto na Isla Magdalena, ali também é um lugar onde há grande quantidade de buracos que servem de ninhos para os pinguins e o caminho para os turistas percorrerem é delimitado. Mas diferentemente da Isla Magdalena, na Isla Martillo não há um caminho para seguir por conta própria até o final da visita. Durante todo o tempo, a guia estava com o grupo e sempre chamava atenção quando havia muita proximidade com os animais.
       
      Na Isla Martillo, eu vi uma quantidade maior de pinguins concentrados em grupos, seja descansando próximos aos ninhos, seja na beira da água para pescar peixes. Dá para ver mais de uma espécie de pinguins, todos muito simpáticos.
       

       
      O frio era intenso por causa do vento insistente, então depois de uma quantidade de fotos, acho que muita gente já estava pronta para voltar até mesmo antes da 1 hora disponível na ilha. No meu caso, como eu já havia feito a visita na Isla Magdalena anteriormente, comparando com a Isla Martillo, eu preferi a primeira porque tinha maior liberdade para explorar a área maior e usar o tempo andando e vendo um pouco além do que a guia mostrava.
       
      Logo que voltamos à Estancia Harberton, os dois pequenos grupos que revezaram na Isla Martillo se juntaram de novo em um só e todos embarcaram num catamarã para a navegação no Canal Beagle. Em alguns pontos do Canal, navegamos em águas que dividem Argentina e Chile, sendo possível enxergar inclusive o povoado mais austral do mundo, Porto Williams, no Chile, o último do hemisfério sul.
       

       
      O passeio guiado é bem informativo, passando por lugares de destaque, como a Isla de los Lobos, um rochedo em forma de ilha com enorme quantidade de lobos marinhos estirados ao sol. Passamos também pelo Farol les Eclaireurs, o “farol do fim do mundo”, em uma pequena ilha com muitos pássaros aquáticos. Nesses pontos, o catamarã fica parado por uns minutos para ser possível ir até o lado de fora sem um vento tão hostil.
       

       
      Parque Nacional Tierra del Fuego
       
      Contratei esse passeio em uma agência aleatória que entrei no dia anterior na Av. San Martí. Não me lembro do nome, mas o passeio é bem padrão entre todas as agências que vemos pela cidade. A duração é de apenas meio dia. A van passou na minha pousada às 8h da manhã e levou todos para a estação do “Trem do Fim do Mundo”. Para aqueles que iriam fazer o passeio de trem, esses pagaram algo como 120 reais para um trajeto de cerca 1 hora a uma velocidade de uns 20 km/h. Como eu achei bem desinteressante, segui com os demais que preferiram fazer o trajeto na van, conhecendo alguns recantos do Parque Nacional enquanto o trem não chegava.
       

       
      No passeio do Parque Nacional, fazemos algumas trilhas rápidas e fáceis com um guia com vistas para vários lugares, como lagos, bosques, montanhas, mar. Muitas das vezes, o guia deixa o grupo explorar por um tempo o lugar, até a van nos levar para o próximo. Há lugares bem bonitos, com mirantes para as belezas naturais da região, mas eu acho que eu apreciaria ainda mais se já não tivesse visto tantos outros lugares ainda mais lindos, daí a gente acaba comparando um pouco.
       
      É no Parque Nacional onde está o “Correio do Fim do Mundo”, uma casinha charmosa de madeira sobre estacas no Canal Beagle que funciona durante o verão. Lá são vendidos cartões postais, selos e outros souvenirs, sendo possível ao viajante enviar correspondência do correio mais austral do mundo. Pena que os itens vendidos no correio são sempre bem mais caros do que na cidade.
       

       
      Também no correio é possível ser atendido pelo “carteiro do fim do mundo” para levar estampado no passaporte o selo e o carimbo do lugar por 3 dólares. A foto contida no selo é do próprio carteiro que atende ali, mas a gente percebe que já se passaram muitos anos desde quando ele passou a figurar no souvenir que levamos com sua cara no fim do mundo.
       
      Trekking Laguna Esmeralda
       
      Nesse dia pela manhã, fui até a Secretaria de Turismo me informar sobre as formas de chegar até o início da trilha para a Laguna Esmeralda. Procurei também uma loja de aluguel de roupas e acessórios para os passeios no frio. Escolhi uma bota impermeável cano alto. Depois de ver o estado da trilha, cheia de lama por todos os lados, sem opção de desviar da sujeira, achei um ótimo investimento que salvou meu calçado.
       
      Os meios de transporte que considerei para chegar no início da trilha foram táxi ou van. O táxi cobrava um valor equivalente a uns 110 reais (somente ida), enquanto a van cobrava cerca de 45 reais (ida e volta), então fui para o ponto em que as vans saem e esperei por cerca de uma hora, já que o serviço funciona com no mínimo 3 passageiros.
       
      O trajeto até o início da trilha é na estrada, cerca de 18 km. Encontrei alguém anteriormente na cidade que havia falado que fez esse percurso inteiro saindo da cidade a pé, mas eu preferi poupar um pouco o esforço. O lugar onde chegamos para iniciar a trilha fica num ponto mais alto e nesse dia fui surpreendido pela neve caindo nesse lugar, um cenário lindo, com uma cobertura branca pelo chão e vegetação, numa temperatura de 2°C.
       
      A trilha tem cerca de 4 quilômetros, com tempo estimado de 2 horas (fiz em 1,5 hora). Grande parte da caminhada é feita dentro de um bosque, com marcações em azul nos troncos das árvores, indicando o caminho para que a gente não se perca. Ao longo do caminho, como havia chovido durante a noite anterior, era impossível fugir da lama. Há também alguns pontos de subidas que cansam um pouco, mas não são tão extensos, dá para andar em uma toada bem constante.
       
      Quando a gente sai do meio do bosque e começa a andar por um descampado, a marcação do caminho passa a ser por estacas amarelas. Nesse trajeto, a lama e a terra mais fofa estão por todo lado e não dá para contornar o caminho. Em alguns pontos, até afunda um pouco, daí é bom ter cuidado onde se pisa, sendo útil procurar troncos e pedras para dar maior segurança. Mas depois que a gente se livra, segue ao longo de um riacho e já está pertinho da lagoa.
       

       
      A Laguna Esmeralda fica bem no pé de montanhas nevadas e é muito bonita. A cor das águas no dia que fiz o passeio não estavam na cor esmeralda porque o sol não saiu hora nenhuma, mas com sorte de um pouco de sol no dia do passeio, o passeio será ainda mais fotogênico.
       

       
      Saí com a bota muito enlameada, aliviado por não precisar permanecer com ela pelo resto da viagem. Peguei o transporte de volta e fui devolver o calçado na loja e restituir o meu, que havia ficado por lá.
       

       
      Atrações para um dia tranquilo na cidade
       
      No último dia em Ushuaia, eu só partiria à noite, então deixei a mala pronta na pousada, fiz check-out e aproveitei para fazer passeios mais leves, que não precisavam de deslocamentos por carro. Fui ao museu do presídio, onde também funciona galeria de arte e museu marítimo, no final da Av. San Martí. O lugar funcionou como prisão, quando os presos argentinos eram enviados para trabalhar e construir a cidade, onde os cidadãos comuns não tinham interesse em morar, dado o seu isolamento e frio constante.
       
      Achei meio cara a entrada para o museu, em torno de 60 reais, acaba não sendo um estímulo para todos visitarem. A primeira parte do museu traz uma grande quantidade de maquetes de embarcações de países diversos, muito bem feitas e detalhadas, com suas histórias que as fizeram importantes para a navegação. A segunda ala é maior e lá constam a história do presídio, seus presos mais famosos e uma variedade de artigos que fazia parte daquela realidade. Existe visita guiada, mas não coincidiu com o horário que eu estava lá. Mais adiante, há também o museu de arte, mas essa ala só abriria às 16h, então não visitei.
       

       
      Perto dali, visitei a Galeria Temática de História Fueguina, um prédio bonitinho, onde funciona um bar, a galeria mesmo fica nos andares de cima. É um museu de visita rápida, com reprodução de cenários e pessoas em tamanho natural, numa sequência fácil de percorrer, ao mesmo tempo em que a gente vai ouvindo o audioguia (idioma a escolha, inclusive português). São histórias que envolvem os elementos que estamos visualizando, e sua relação com o mundo da época que o cenário retrata. Acaba sendo um bom resumo de muita coisa que a gente viu nos diversos passeios na região.
       
       
    • Por Ellen Amanda
      Galera, alguém aqui já comprou passagens internacional pelo Maxmilhas?
      Já fiz viagens nacionais e nunca tive problemas, mas internacional é bem diferente!
      Além de pagar uma grana pra aplicação de visto, não quero correr o risco de ser barrada no portão!!
      E ai, alguém? Se não, vcs recomendam um site que tenha um preço consideravel e que seja seguro?
       
      Thanks!!  


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