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Índia, Maldivas, Nepal (Everest), Catar - 50 dias - 3 a 5/19


Schumacher

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    • Por filipecristovam
      Fala meus amigos mochileiros como vai a força de vocês? Espero que muito em, vim aqui para compartilhar um pouca da minhas experiencia ao fazer o Circuito O no Parque Nacional Torres del Paine. 
      Assista o Video se inscreva e curta 😊 Vocês são top demais >> 
       
    • Por StanlleySantos
      "O ano de 2020 tirou a vida de muita gente. De tantas outras levou um ano inteiro. Sem reembolso. Irei atrás desse reembolso"
      ~ pensamentos de um mochileiro júnior frustrado no final de suas férias, março de 2021
       
      Pois bem, o objetivo deste relato é expor uma visita à "ilha da magia", com duração de 8 dias. para quem não conhece, Florianópolis é a capital do grande estado de Santa Catarina, uma herança da colonização litorânea portuguesa e presença açoriana, além de imigrantes de vários lugares da Europa. Nos dias atuais é considerada um paraíso do ecoturismo e uma capital do surfe, além de um nicho cultural fomentado pelos moradores mais antigos. Falarei das praias, mas tentarei focar mais no que dá para fazer longe das mesmas. E téleze! Como tem coisa pra fazer!
       
      "Mas peraí, viajando em plena pandemia, seu genocida, negacionista, fascista, taxista...."
      Calma que não é bem assim, caro(a) leitor(a). Bem, essa pequena viagem é fruto de 2 cancelamentos, sendo um mochilão em Minas Gerais organizado em 2019 (antes dessa coisa toda ocorrer), que foi perdido em 2020 e convertido em um mochilão em SC que deveria ter ocorrido nesse mês de março de 2021 (pessoa inocente que achava que o país estaria mais tranquilo em relação à pandemia). Chega 2021, ameaça de lockdown geral no Estado, mais uma viagem que duraria quase um mês cancelada. A passagem teria que ser usada em 2021 ou a perderia. E não havia mais espaço no ano para isso.
      Em virtude das circunstâncias do meu emprego, acabei sendo imunizado no início do ano. Já tinha contraído a doença há uns meses atrás, e, com esta proteção adicional, + um perfil de viajante que procura evitar aglomerações ao extremo (leia-se anti-social  ), veio a certeza de que não iria dar trabalho ao já comprometido sistema público catarinense. Reuni coragem e resolvi usar a passagem para andar por uma semana na ilha. Claro, isso não me impediu de obedecer as recomendações sanitárias e respeitar o próximo, fazendo uso das máscaras, álcool gel, etc (melhores do que as medidas aplicadas na minha cidade, diga-se de passagem). Mas no final das contas minha maior medida de prevenção foi o isolamento in natura (vc vai entender). Sei que fiz o necessário para evitar quaisquer problemas e a viagem correu perfeitamente bem em virtude disso, sem febre ou espirros na fuça dos outros. Consciência limpa, com ou sem julgamento alheio. Esclarecido? Ok, vamos lá.
       
      A época escolhida foi os dias 22-29 de março, início do outono na região, fora da alta temporada. As águas marinhas ainda estavam na temperatura ideal, e lindas de se ver (azul numa hora, esverdeado em outra, aí já viu). O clima deu uma colaborada, pois ia de nublado a sol forte durante o dia, caindo a chuva somente no início da noite. Primeiro mandamento de quem quer conhecer bem a ilha: NÃO.VÁ.EM.ALTA.TEMPORADA.NUNCA.JAMAIS. Primeiro: obviamente as coisas encarecem e a hospedagem fica concorridíssima. Segundo: a ilha não dá conta de tanta gente no mesmo lugar. Para você ter uma ideia, formam-se filas quilométricas de carros parados nas ruas e avenidas, devido a pouca quantidade de rotas alternativas (sabe aquelas matérias do datena cobrindo o caos no Tietê de fim de tarde? Pois é). Não convenci? pera lá:

      Essa é a avenida das rendeiras, uma das  principais da lagoa da conceição, e o principal acesso para o lado leste da ilha. É uma avenida estreita demais, dada a sua importância, e às vezes em dias de semana formam-se filas de carros. Imagina isso na temporada...
       

      Essa é uma cachoeira no sul da ilha num final de semana, isso com o "medo" da pandemia (que pandemia?). Imagina na temporada...
       
      Chegando na cidade no dia 22/03, como não conhecia patavinas do lugar, achei que uma voltinha inicial no Centro e arredores seria uma boa prévia. Já adiantaria lembranças e iria adquirir informações sobre a locomoção na ilha. Em virtude da pandemia, a maior parte dos museus ou estava fechada, ou funcionado em horários muito restritos, o que desmotivou, nesse primeiro momento, um roteiro mais "cult". Confesso que queria ter conhecido o Museu do Lixo da comcap, ou o Museu Estação do Mar, que abordam a relação do homem com o meio ambiente. Fica para a próxima.
      O centro de Floripa é bem pequeno, então vc consegue explorar o comércio local em uma manhã, sem problemas. Fui atrás das lembrancinhas e de um café no mercadão municipal, e depois fiquei circulando pelas ruas. Tem magazine, tem véio da havan, lojinha de 4,99, enfim, opções para vários gostos. Ah sim, o centro é um bairro mais marginalizado, como em qualquer capital, então cuidado redobrado ao andar por aí.

      Le mercadão. Dessa vez sem espaço para jogar moedinhas como no mercadão de POA
       
      Na mesma área tem a famosa praça XV de novembro. Anote essa referência pois tem muitos lugares para visitação nesse entorno. A figueira centenária por si só já é uma maravilha da natureza, e nem cem máquinas humanas poderiam recriar a história e o simbolismo deste ser. Os galhos são tão frondosos que foi necessária a instalação de barras para estabilizar a giganta. Sabe o que é uma árvore estar aí desde o início do Brasil-república?
       
      Majestosa

      Le catedral metropolitana, bastante visitada também
       
      Ainda na região do centro, passei pelo beira mar norte, com uma vista da ponte Hercílio Luz, o grande cartão-postal urbano da cidade. Tem um museu histórico de armas embaixo dela, que aparentemente estava aberto, mas como precisava passar na decathlon local para comprar uma coisa ou duas, passei batido dessa vez .

      O orgulho manezinho
      Ainda numa breve andada pelo beira mar, encontro o obrigatório point para fotos e uma curiosa escultura. O cão Harry, que era uma figura conhecida, supostamente é a primeira escultura brasileira em homenagem a um cão (ou a todos, se formos pelo contexto dos cães de rua). Achei simplesmente o máximo 

      Para quem quer declarar seu amor à cidade, tem um desses no mirante da lagoa da conceição, também

       
      Compras feitas, partiu para a base secreta. Segunda dica: fora da temporada, o transporte coletivo de Floripa funciona muito bem. Estava só, então carro alugado estava fora de cogitação. Mas você tendo o aplicativo local em mãos (floripa no ponto, embora o moovit tbm ajude), fica bem fácil e barato se deslocar pelos diversos pontos da ilha. Basta ter timing e disposição. Floripa tem alguns terminais de integração que facilitam bastante o deslocamento (sempre um prefixo TI + a inicial da região de referência, por exemplo, TICEN - Terminal do Centro; TILAG - Terminal da Lagoa da Conceição, e assim por diante). Caso quiser poupar no transporte, decore os terminais, suas localizações, e veja as melhores rotas no app. Claro, no momento da pandemia, havia redução de ônibus, com ênfase nos finais de semana, mas deu tudo certo, a meu ver. Outra opção é alugar bicicleta (o ciclismo é bastante forte na ilha).
       Fui para a Lagoa da Conceição, uma recomendação geral, e faço coro a tal dica, pois o bairro é bonito, é tranquilo, e é "central", ou seja, dá para pegar as 4 direções da ilha a partir dali. Acertei o checkin e fui tratar de descansar, pois os próximos dias seriam bem agitados.
       
      No dia 23 (aniversário de 348 anos da cidade, diga-se de passagem 🎂 ), levantei cedinho para realizar a primeira atividade na ilha. Queria algo afastado do povo (por motivos óbvios), e diferente de praia, então vamos de trilha! A ilha possui várias, 90% delas bem conservadas e acessíveis, rendendo aqui uma estrela de bom menino para a gestão das mesmas 👏👏👏👏👏 
      O hostel onde fiquei hospedado fica próximo da Trilha da Costa da Lagoa, uma das mais populares (e longas também, 7,5km em sua extensão completa). Uma trilha que "arrudeia" a lagoa propriamente dita, alternado entre caminhadas na mata, subidas em pedras, ruínas históricas, mirantes do lago, e pequenas vilas de moradores, Um charme.

      partiu??




      A única aglomeração que quero é a de árvores. O único sintoma que desejo é euforia. E a única infecção que almejo é a de boas vibes
       
      A trilha tem uma dificuldade baixa, e a única questão é a distância, como já informado, e isso pode ser contornado pegando barcos em certos portos da trilha (como disse, existem vilas e comunidades ao longo dela, logo fica fácil retornar). Por ser exatamente "feriado" de aniversário, não sabia como seria o funcionamento dos barcos, então acabei fazendo a ida e volta a pé mesmo (aproximadamente 15km).
      Perto do fim da trilha há uma bela recompensa, a Cachoeira da Costa da Lagoa. Por ser de manhã, num dia de semana, não havia ninguém além do caseiro local. Aquela lindeza e suas águas claras e geladas seriam só para mim =D

      Eeeeeee maravilha =D

      gatilho?

      mago d'água lvl 1
      Fiquei bastante feliz por ter aquele "isolamento" ao ar livre, por um tempo. Somente lá para meio-dia que começou a aparecer gente, o que dá a entender que Deus ajuda quem cedo começa a caminhar  Creio que nos finais de semana isso lote, pela facilidade do acesso, o que é mais um motivo para você visitar lugares como esse nos dias de semana, e fora da temporada. Hidratado e fresco, fiz a trilha de volta, encontrando algumas famílias no caminho. Sortudos são por terem lugares assim para fortalecerem seus laços familiares.
      Depois do almoço, decidi que iria conhecer a primeira praia, a Praia da Joaquina. Ela fica relativamente próxima da Lagoa da Conceição, embora aparentemente não tenha uma linha de ônibus que te deixa lá (ao menos era isso que o app dizia). Então fui de App (meu único uso em toda a viagem), e voltei a pé ao anoitecer. Essa praia é bem famosa pela prática de surfe, e tem uma história mórbida sobre seu nome. Banho tomado, andei um pouco nas famosas Dunas da Joaquina, que é vista de longe em vários mirantes da ilha, e é onde se faz sandboard (um snowboard sem neve, tá ligado?). Eu, com experiência ZERO disso, resolvi colocar meu corpinho jovem de 31 anos à prova e aluguei uma prancha. Caí algumas vezes, em outras comi areia, e em raras ocasiões conseguia me manter em pé. Quase quebro o toba de tanto cair. valeu a pena? Valeu, claro. =]

      Dunas e praia da Joaquina


      Vai lá, ow Tony Hawk desnutrido, vai se achando o fodão do sandboard, vai

      "Se a coluna ficar dormente não liga não que daqui a uns dias volta ao normal"
      Depois de passar vergonha na areia, começou a chover, e precisava voltar para o hostel. Estava bem feliz (e quebrado) com o tanto de coisa que vi e fiz em um único dia. Mal imaginava que era apenas um aquecimento para o que estava por vir...
      O dia 24 (quarta) foi dedicado à famosa Trilha da Lagoinha do Leste. Junto com a costa da lagoa com certeza é a trilha mais popular pelo seu fabuloso e conhecido mirante. Torcendo para ter a trilha somente para mim, madruguei no TILAG, rumo ao Sul da Ilha. Pessoalmente achei massa as trilhas começarem do nada em alguma rua aleatória de um bairro, fico imaginando os moradores acordando com o som de passos dos trilheiros.
      O clima foi perfeito nesse dia, pois o céu ficou aberto, deixando a trilha e o oceano lindos aos olhos do visitante.

      Segundo partiu??

      Pausa pro H2O. Tem algumas fontes no caminho que aparentam ser confiáveis
      Essa trilha é fácil, até porque as escadas de toras de madeira e pedras estão bem colocadas para ajudar o trilheiro. Apesar de ser meio "nutella", o resultado ficou muito bonito. Se não me engano leva aproximadamente 1 hora para fazer ela.

      A praia estava com poucas pessoas, a maioria surfistas de plantão. E assim que cheguei, lá estava o morro da coroa convidando mais um visitante. Essa é a parte "gostosa" do passeio. A trilha clássica para chegar ao topo do morro é feita pela praia, fazendo uma escalaminhada até o final. É um pouco difícil, e mesmo perigosa para quem não for acostumado(a) com essa intensidade. Precisei parar algumas vezes para pegar um ar e me hidratar. Mas o visual vai ficando cada vez mais lindo.

      Olhando assim vc não dá nada pra subida, ne?

      Bora que nem cheguei na metade ainda

      Pausa para contemplação. Calliandra, uma das minhas flores favoritas.
      O esforço é grande, mas o resultado sem dúvidas vale a pena! Lá de cima você pode seguir por outras trilhas para acessar alguns pontos da encosta do Pântano do Sul, mas que requerem cuidado redobrado e paciência (pois como não são trilhas oficiais, por vezes são difíceis de acompanhar em virtude da mata fechada). Mas o negócio mesmo é a pedra do surfista, provavelmente o ponto mais googleado da ilha. Para interessados, o local também é plano o suficiente para o camping. Lamentei por não ter levado minha barraquinha nessa trip.

      Mas sim, chapada dos veadeiros isso agora???

      Por mim a viagem podia acabar amanhã, esse momento já fez a viagem valer.
      Após as fotos e um tempinho para contemplação (sozinho por um bom tempo), um merecido mergulho no mar para recarregar as energias. Na praia existem algumas banquinhas que vendem o básico, a um preço meio exorbitante. Mas ponto turístico é isso ne?
      Depois do nado, pensei em fazer a trilha para o Dedo de Deus (que é outro ponto com um visual muito massa), mas a fome, o sol e a água acabando estavam acendendo o sinal amarelo. Fica para a próxima. Retornei à cidade, comprei algumas besteiras para comer/beber, e fiquei um tempo na praia do Pântano do Sul. Ah, da Lagoinha do Leste tem uma trilha que te leva até a Praia do Matadeiro, essa já mais colada com a cidade. Mas a trilha é longa (2-3 horas), e pelo mesmo motivo pelo qual não fiz o Dedo de Deus, acabei não fazendo ela nessa viagem.
      Antes de voltar para o hostel, no fim do dia, fiz um desvio. Ao invés de seguir para a lagoa, peguei um ônibus que entra no Campeche (um bairro com uma praia e ilha de mesmo nome, bem famosos, aliás), pois queria encerrar o dia com uma visão privilegiada. Então tratei de subir o Morro do Lampião. Não tem exatamente uma trilha, e sim um "ramal" de argila, pedras e cascalho, que vc sobe por uns 15, 20 minutos. A vista é sensacional, te dando um 180 graus que vai da Joaquina (norte) até morro das pedras (sul), com a Ilha do Campeche quase que na sua frente. Pela facilidade do acesso, e por ser dentro da área urbana, confesso que bateu receio de assalto, mas como me disseram em mais de uma ocasião que Floripa é mais de boa em termos de segurança pública (apesar das dezenas de maconheiros com quem cruzei na ilha ), coloquei minha vontade de viver e aproveitar em frente dos receios.

      Le início

      aos poucos a obra de arte vai se revelando, só continuar a subir...

      Show

      Le Campeche.
      Com o anoitecer nesse mirante, o dia estava fechado. As pernas iriam me xingar a partir do dia seguinte sob a forma de pontadas de dor, mas, nada que desmotivasse o tio.
      No dia 25, o destino acabou sendo uma das praias mais isoladas da ilha, Naufragados, no extremo-sul, com um acesso demorado por uma única estrada e aparentemente feito por uma única linha de ônibus. Notei que curiosamente do lado oeste da ilha as praias não são tão badaladas (até por estarem mais em contato com as cidades, as ondas serem mais fracas, a sujeira se fazer mais presente, e os locais serem usados mais para a pesca do que para o banho em si). 
      A trilha de naufragados é de nível fácil, bastante aberta, com fontes de água, perfeita para levar a família



      Seria um guardião que me testaria para saber se sou digno da passagem?
      A trilha termina em uma comunidade que se divide entre os moradores pesqueiros locais e alguns moradores alternativos (uma coisa que notei é que tem muita gente roots, hippie na ilha, assim como o consumo de maconha é bem pesado, mas o pessoal de lá é mais de boa, não são como traficantes ou viciados de outros lugares), sendo que há alguns locais para o camping (pago), mas nada que te impeça de levantar acampamento em outros lugares 0800 da praia. Aproveitei para catar conchinhas (é, não tive infância), curtir o dia, e explorar o lugar.


      Como eu tenho raiva da raça humana e sua porquisse

      Ahh, bem melhor
      Além da praia em si há umas trilhas que te levam para 3 canhões de treinamento e defesa da época da segunda guerra, no topo de uma pequena colina, e uma trilha (esta meio mal conservada) para um farol da União/forças armadas, que supostamente te dá uma visão privilegiada de algumas ilhas pequenas (incluindo a ilha da fortaleza), e do continente, mas que na ocasião estava fechado com cadeado e avisos de proibição. Como não queria correr o risco de cruzar com milico de passagem e tretar, não quis invadir o farol (MST não curtiu isso). Mas os canhões compensaram a visita, um espaço aberto muito legal para um piquenique e contemplação.

      me amarro em artefatos históricos. Bélicos então, nem se fala

      Mete bala nesse invasor fi duma égua, pau na moleira!!!!
      Esse dia foi dedicado única e exclusivamente a naufragados. A trilha é gostosa de se fazer, a praia é bem isolada, tem curiosidades para serem vistas, posso dizer que foi uma das minhas praias favoritas. O que me incomodou bastante foi a presença de lixo de alguns sem noção. Diz que não há coleta de lixo naquelas partes, o que complica um pouco. Se fosse morador organizaria um mutirão ocasional.
       

      Adianta? Adianta nada, só um milico dando cacetada no joelho de cabra que sujasse a trilha mesmo 

      O famoso peixe-porco da ilha, bastante consumido ali. Para deixar claro, esse carinha foi solto logo em seguida.
      O legal de estar fazendo todos esses passeios era a independência total. Sem agências, sem gente burocratizando os locais. Só eu mesmo e até onde as pernas e determinação levam. Estava curtindo muito cada dia ali. E queria aumentar o nível mais uma vez.
      O dia 26 era dia de "Sextou" com "S" de subida, e era o que iria fazer. Depois de um pouco de estudo no mapa de Floripa, fiquei bastante interessado na Trilha da pedra da Boa Vista. Essa trilha fica na Barra da Lagoa, no leste da ilha, bairro famoso por suas piscinas naturais. O bom é que partindo da lagoa da conceição é um dos lugares mais fáceis de se chegar de ônibus.
      A barra é bastante usada para pesca, deu para ver a rotina de alguns moradores locais.

      Amanhecer nos molhes da barra (não o gaúcho)

      A prainha da barra, diz que tem um sítio arqueológico na área, inclusive com uma pegada de dinossauro

      Essa trilha com certeza é uma das mais fáceis da ilha. Mais nutella que isso só sendo carregado, rs. Alguns minutos e eu já estava na área das pedras e piscinas. 

      Aparentemente tem que esperar a maré dar uma baixada para curtir melhor

      Aquecimento
      O legal das piscinas, a meu ver, não era nem o banho em si, mas a riqueza de vida marinha nos mínimos detalhes. Acho que passei mais tempo observando a vida local do que na água, de fato.

      caranguejos, mestres do stealth
      Depois do breve banho, tratei de comprar uns lanchinhos e procurar a entrada da trilha (meio escondida mas bem sinalizada). A trilha tem uma dificuldade fácil (chegando ao moderado para quem é cheio das frescuras). Muita subida, inclusive em pedras, com poucas oportunidades de se esconder do sol forte. Muito mato fechado também, o que sugere que não é bom fazer trilha noturna, em virtude das cobras. Mas é uma atividade, no mínimo, prazerosa e revigorante. O legal é que em uma boa parte da trilha tem sinal, então dá pra fazer uma ligação, ou mandar fotos pro insta lá do alto e matar a galera de inveja.


      Até aqui ainda é de bobs

      Tá melhorando, tá melhorando =D

      Que visão espetacular, essa foi a melhor fritada que levei do sol neste ano

      Chegando lá em cima, o visual é surreal. Você tem um 360 daquele ponto da ilha, com a cidade de um lado e a imensidão azul do outro. É uma sensação muito boa poder estar no topo daquelas grandes elevações que vc fica observando lááá da rua. 

      Essa parte em especial é muito boa para descansar ou fazer um piquenique com uma visão digna de aplausos.
      no fundo tem lagoa, praia mole, galheta e gravatá. Queria muito ter um drone nessas horas.
      Após um tempo para descanso, lanches de trilha e reflexões diversas, era hora de descer. Da pedra da Boa Vista você pode voltar para a cidade, ou fazer um desvio para a Praia da Galheta, famosa por, digamos, ser uma praia de nudismo oficial. Como o nudismo é opcional, tinha mais gente com roupa do que sem, salvo por alguns vovôs sem vergonha, alguns homossexuais, e umas moças de topless. Bom, já que estava aqui, então pq não ter uma conquista desbloqueada e uma história a mais para contar pros futuros filhos? Roupas jogadas, aproveitei para tomar um banho de mar do jeito que vim ao mundo =]  Por motivos óbvios (sedução em massa, claro), não posso postar fotos. Vão e descubram!
      Após essa atividade, retornei à cidade para comprar lanches para a tarde, e como ainda estava cedo, fui conhecer outro lugar. Perto da Lagoa da Conceição existe a Trilha e Praia do Gravatá, então estava decidido. A trilha principal é pequena e fácil, embora tenha desvios para outras trilhas, que não pude explorar. Inclusive acredito que dê para chegar no topo de um morro que tem na área, dando uma vista privilegiada da Lagoa da Conceição. Descubro na próxima viagem.


      Aqui é um ponto de saída de parapente ou asa-delta, com uma vista privilegiada de Pedra Mole e Galheta. E pensar
      que há umas horinhas atrás estava no topo daquele morro do fundo

      A praia é pequena e de ondas tranquilas, acredito que ela seja bem "familiar" por isso (vi crianças e cachorros na água de boa, coisa que não tinha visto nas demais), e parece que tem muita coisa para ver nessa região. Uma pena que um temporal estava chegando na ilha, me obrigando a ir embora mais cedo (e o temporal no final das contas ficou isolado na região sul! ).
      Com o sábado chegou o temido final de semana , afinal, com esses dias de sol era óbvio que o povo iria para os banhos, com ou sem pandemia. Escolhendo a dedo no google maps, resolvi conhecer a Praia e Cachoeira da Solidão, no sul da ilha (do lado do Pântano do Sul, onde vc faz a trilha da Lagoinha do Leste). Antes eu soubesse que solidão seria a última coisa que sentiria ali! 
      A cachoeira é de fácil acesso, seguindo uma trilha atrás de um pequeno conjunto de casas, não só a água é linda como o poço é bastante fundo para o mergulho, inclusive tem uma gruta atrás da cachoeira que mesmo eu, corajoso que só, não quis desbravar (bem claustrofóbica mesmo). Infelizmente já tinham algumas pessoas no local (aquele bem egoísta ), e só iria piorar dali para frente (sabe aquela aglomeração no início do relato? Pois é), então as fotos não saíram tão boas. Mas o lugar vale a visita (nos dias de semana, claro).

      Me disseram que é bem fundo o poço, com grutas submersas. Como a água é clara, um óculos, uma lanterna de mergulho e uma GoPro devem valer bastante a pena aqui. Para meu azar não tinha nenhum dos 3. 

      Sorriso forçado de "ahhh que maravilha que tem uma pessoa no fundo da foto"
      Bom, aí começou a aglomeração master de gente, e como o espaço não é muito grande, era mais que justo ceder meu lugar para alguém e ir embora. Passei um tempo na praia propriamente dita, e aproveitei para brincar de ser criança novamente.

      A parte legal dessa brincadeira é que eu estava numa parte protegida por pedras, e com minhas coisas em cima de uma pedra grande. Logo depois dessa foto veio a água, NÃO SEI DE ONDE CARALHOS POIS NÃO TINHA DADO ÁGUA NAQUELA PARTE ATÉ O MOMENTO, levando tudo pela frente, inclusive meu corpo de sereio  minha mochila e smart quase viram oferenda (dei um cagaço enorme pelo meu aparelho estar funcionando até agora só com uma oxidação na entrada USB). Eu não sei se foi um PUTA azar, ou se Iemanjá ficou pistola comigo por apropriação cultural. No meu estado Iara não fica com essas paradas não, viu?
      Logo depois desse incidente, tive que tirar areia de tudo o que tinha levado banho, e ir embora, pois o buzu tinha um horário mais limitado. Nessa região tem uma trilha (saquinho) que não sei pq diabos não fiz, ao invés de levar água na praia. Mas sem crise.
      O domingo veio, penúltimo dia da minha estadia no paraíso, e tinha ficado interessado numa trilha no Parque Municipal da Lagoa do Peri, um local de preservação enorme e bonito, diga-se de passagem. Na verdade não iria fazer trilha no parque propriamente dito (que também vale a pena, mas por falta de tempo não conheci), mas sim a Trilha da Gurita, que fica dentro das dependências do parque. Inclusive a entrada é bem escondida, próxima do projeto Lontra. 


      Essa trilha tbm tem uma dificuldade fácil, mas com 2 ressalvas: a distância (+ de 3km, o que levou 1 hora e meia por minha pessoa), e as várias modalidades de chão que aumentam o tempo de caminhada (de caminho firme dos pôneis sorridentes a subidas em raízes e pedras do tamanho de carros, e a parte mais escrota que são os pequenos lamaçais, é bom que você não tenha ciúmes de seu calçado limpinho ao fazer essa trilha, aviso dado).

      Tralalala oi passarinho oi planta oi céu azul tralalalalala....

      ...GODDAMMIT, EU TINHA LAVADO ESTA CARALHA DE TÊNIS ONTEM MESMO!!!!! 

      Um momento para exercitar a solitude e ter um bom papo consigo mesmo...
      A trilha termina numa cachu que na verdade é um conjunto de pequenas quedas d'água e piscinas naturais para o banho, a água estava meio turva (diferente dos outros lugares que visitei), mas o caseiro local disse que era resultado da chuva da noite anterior. Em todo o caso, uma belíssima paisagem. Tinha que aproveitar, pois logo receberia mais visitas.

      Vocês de Floripa são uns sortudos oh, mantenham esta obra limpa e preservada, por favor

      Valeu a pena. Cada segundo. Cada bendito segundo.

      Depois da cachu grande vc sobe um pouquinho que tem uma área mais "Vip", com uma queda legalzinha, acho ideal para casais que queiram um pouco de intimidade no fim da tarde, se vc me entende ( ͡° ͜ʖ ͡°)
      Logo depois começou a chegar gente, aparentemente tem uma galera que faz SUP e caiaque de outros pontos do lago até a parte da cachoeira, cortando toda a trilha. Eis uma atividade que queria ter tido tempo para fazer, adoro fazer caiaque nos igarapés amazônicos. Também fica para a próxima. Banho tomado, tinha reparado que dali havia uma segunda trilha que dava para um tal de "Sertão do Ribeirão". Como ainda estava cedo, então, pq não? Além do mais, nesse dia não tive tempo de comprar nada para lanchar, então, talvez houvesse algum mercadinho na tal estrada que o google maps dizia que levaria.

       
      Saí numa área de estradinha de terra e vários sítios , realmente um sertão da ilha. Não havia mercadinho algum por ali, algumas fazendinhas vendiam produtos-base (ovos, leite, mel), e como não tinha aparato para transformar essas coisas em uma refeição, começou a dar a desanimada de fazer agora 5km de trilhas até voltar para a cidade. Mas eis que encontro o Sítio e Café Hortêncio, que salvou minha barriguinha da miséria com seus lanches caseiros. Um sítio muito bonito com hospedagem, visita guiada nas áreas dos bichos (uma coisa mais família com criança), e o café colonial propriamente dito. O pastel de queijo recém fabricado e goiabada caseira foi uma coisa divina  O outro pastel de pernil de porco completou minhas necessidades terrenas do momento  Fui muito bem atendido, então faço questão de recomendar uma visita aqui se você passear pela região. Aliás, o Sertão do Ribeirão é uma atração por si só, pois possui mirantes, lugares para banho, alguns alambiques e sítios para visitação.

      Só o filtro de barro já ganhou minha simpatia, isso vai de encontro com minha infância...

      Quando é feito com amor são outros 500

      Pooo, vcs são muito show, voltarei a visitá-los no futuro
       
      Antes de ir embora, passei numa última cachoeira da região, aparentemente era a Cachoeira da Carabina, bem fácil de achar. Assim como gurita, possui várias quedinhas e piscinas para o banho. Essa em particular tem muita área perigosa, então não acho um lugar muito bom para crianças (pedras escorregadias, lugares altos e tal).



      Tinham umas oferendas ali num cantinho, acredito que é algo da cultura dos locais
      Bom, mais um banho tomado, e tudo mais, mas o horário já estava dando, um tempo de chuva suspeito estava formando, e tinha a questão dos ônibus, por ser domingo, então precisava ir embora. Mas a preguiça de voltar pela trilha bateu forte, MUITO forte  então o que um turista que nunca pisou naquele lugar no meio do "nada" (apenas força de expressão, tinha achado um local muito interessante na ilha) poderia fazer? Seguir a estrada, ora!
      Então liguei o player do smart, comecei a cantar as músicas sozinho na estrada, e ver onde a mesma iria dar. Às vezes os melhores momentos da vida estão nas decisões mais sem noção e na certeza da incerteza à frente.

      Mais partiu??? Partiu

      Ahlá a lagoa do Peri no fundo

      Mas donde carajos estoy, google maps???
      Essa estrada iria me deixar em 2 lugares: no bairro dos açores, próximo de onde a onda tinha me trollado no dia anterior, ou na armação do pântano do Sul, não muito longe da trilha da lagoinha do leste. Foi uma andada de 1 hora (achei que duraria mais, uma pena), até chegar na parada e esperar minha limusine com chofer me deixar no Hostel.
      A segunda-feira (29) foi meu último dia na ilha, mas resolvi dar uma descansada no corpo e ver se iria levar mais algumas coisas para casa, no centro. Fora que, coincidentemente nesse dia, choveu de manhã e de tarde, então de qualquer forma não faria nada. Sendo assim, o relato acaba por aqui, garotada =]
      Como de praxe em meus relatos, algumas informações adicionais:
      Gastos: para uma semana na ilha combinei que levaria exatos 1000 reais, apesar de que me conhecendo (economista, vulgo pata de vaca como minha mãe me chama), não usaria tudo. No final das contas, com os gastos essenciais foram usados aproximadamente R$ 500,00 (transporte, comida para cozinhar no hostel, restaurante, compra de lanches para trilha, essas coisas). De hospedagem dei uma sorte do hostel ter dado uma promoção muito boa para o período que fui, e não está incluso nessa conta (141 reais para 8 diárias no booking). Acredito que o fato de ser período de pandemia, e ter ido fora da temporada influenciaram bastante nos valores.
      Transporte: como dito, achei muito bom o serviço de coletivo da ilha, uma boa frota de ônibus em boas condições, e geralmente pontuais, fora os pulos em múltiplos terminais que te permitem gastar pouco para visitar todos os lugares da ilha. Uber é uma opção, mas pelo que me falaram, e pela demora que tive em conseguir um, não tem tanto motorista como em outras capitais brasileiras, então às vezes poder ser que vc fique na mão. Na alta temporada, em algumas praias afastadas existe o transporte de barcos, de volta para a cidade, o que é uma mão na roda. Outra opção (que eu acabei não usando mas recomendo) é o aluguel diário de bicicletas, mas tenha em mente que a ilha não é tão pequena assim, e que pode ser mais jogo ir de bus ou carro sem se cansar previamente antes de fazer uma trilha. Mas vale a pena, dado o respeito dos motoristas pelos ciclistas e a boa infraestrutura para os mesmos.
      Hospedagem: bom, não me considero um expert nesse quesito, mas vi opções para todos os gostos, desde hotéis de frente para o mar a campings 0800 em algumas atrações. Pessoalmente penso que uma hospedagem nas proximidades do centro ou da lagoa sejam boas opções em termos logísticos.
      Lugares para conhecer: eis aqui um ponto interessante. TODA A ILHA tem lugares para conhecer. Eu passei uma semana andando sem parar de um lugar para outro e posso dizer que só desbravei uma boa parte do Sul da ilha. Não quis ir ao norte por simplesmente não dispor de tempo para isso  e para lá tem lugares conhecidos como o Jurerê, a vila de Santo Antônio de Lisboa, Canasvieiras, Ingleses..... Isso fora o que não explorei no centro e no sul. E isso eu falo de conhecer a pé. Tem os passeios de barco, tem as atividades mais radicais como vôo de parapente, asa-delta, lancha, caiaque, etc. tem passeio para certas ilhas. Tem as trilhas não oficiais que levam a lugares mais exclusivos e belos. Tem a zona rural e o Sertão. Tem as visitas a museus, institutos naturais e afins. Nossa, eu nem tenho ideia de quanto tempo disponível uma pessoa precisaria para "zerar" Floripa. 
      Melhor época: eu já disse e repeti qual a época a ser evitada, certo? No mais, penso que por questões lógicas, evite o Inverno (que compreende o meio do ano) e vá para a serra catarinense beber chocolatinho quente. Dizem que no inverno dá surfista na ilha, pelas águas estarem mais "bravas", mas aí é confirmar com algum conhecido (caso vc praticar a atividade ne?)
      Mais alguma coisa? Leve bastante água, lanches, protetor solar e roupas que te protejam do sol, no caso das trilhas, ir de calça/legging ao invés de short (como o teimoso aqui foi) vai te poupar de canelas queimadas, picadas, mordidas, etc. 
       

       
      Então é isso amigos, quando essa pandemia se acalmar, ou quando geral estiver vacinado, organizem um roteiro bacana na ilha da magia.
    • Por fernandobalm
      Resumo:
      Itinerário: Frankfurt (Alemanha) → Nova Déli → Pushkar → Ajmer → Jaipur → Agra → Varanasi → Sarnath → Gaya → Bodh Gaya → Gaya → Allahabad (Prayagraj) → Satna → Khajuraho → Satna → Pipariya → Pachmari → Pipariya → Manmad → Shirdi → Manmad → Mumbai → Colva → Margão → Panaji → Colva → Mumbai → Ahmedabad → Udaipur → Nova Déli → Frankfurt (Alemanha)
      Período: 30/10/1999 a 05/12/1999
      31/10: Frankfurt (Alemanha)
      01/11: Nova Déli (Índia)
      02: Pushkar/Jaipur
      03: Ajmer/Jaipur
      04: Jaipur
      05: Agra
      06: Varanasi
      07: Sarnath/Varanasi
      08: Varanasi
      09: Gaya/Bodh Gaya
      10-11: Allahabad (Prayagraj)
      12: Satna
      13: Khajuraho
      14: Khajuraho/Satna
      15: Satna/Pipariya
      16: Pachmari
      17: Pipariya/Manmad
      18: Shirdi
      19: Manmad
      20-22: Mumbai
      23: Colva
      24: Margão, Panaji
      25: Colva
      26: Mumbai
      27-28: Ahmedabad
      29-30/11: Udaipur
      01-03/12: Nova Déli (Índia)
      04: Frankfurt (Alemanha)
      05/12: São Paulo
      Ida: Voo de São Paulo a Nova Déli pela Lufthansa, com parada de algumas horas em Frankfurt, o que me permitiu dar um passeio pela cidade.
      Volta: Voo de Nova Déli a São Paulo pela Lufthansa, com parada de várias horas em Frankfurt, o que me permitiu dar outro passeio pela cidade.
      O preço de ida e volta foi cerca de US$ 1920.00. Em 2015 voltei à Índia pagando cerca de metade do preço em dólares.
      Considerações Gerais:
      Não pretendo aqui fazer um relato detalhado, mas apenas descrever a viagem com as informações que considerar mais relevantes para quem pretende fazer um roteiro semelhante, principalmente o trajeto, acomodações, meios de transporte e informações adicionais que eu achar relevantes.
      Nesta época eu ainda não registrava detalhadamente as informações, então albergues, pousadas, pensões, hotéis e meios de transporte poderão não ter informações detalhadas, mas procurarei citar as informações de que eu lembrar para tentar dar a melhor ideia possível a quem desejar repetir o trajeto e ter uma base para pesquisar detalhes. Depois de tanto tempo os preços que eu citar serão somente para referência e análise da relação entre eles, pois já devem ter mudado muito.
      Sobre os locais a visitar, só vou citar os de que mais gostei ou que estiverem fora dos roteiros tradicionais. Os outros pode-se ver facilmente nos roteiros disponíveis na internet. Os meus itens preferidos geralmente relacionam-se à Natureza e à Espiritualidade.
      Informações Gerais:
      Em toda a viagem houve bastante sol. Chuva foi rara. Fui para áreas quentes e fora do período de chuvas. As temperaturas estiveram bem razoáveis, oscilando entre 15 C e 30 C na maioria do tempo. Em algumas áreas havia muita poeira, o que tornou a respiração um pouco pesada.
      A população de uma maneira geral foi muito cordial e gentil 👍 . Fui muito bem tratado em toda a viagem, com raras exceções. Porém houve muitas pessoas ligadas ao turismo ou à religião que tentaram tirar alguma vantagem, fornecendo informações incorretas ou contando histórias fantasiosas. Decepcionou-me um pouco a quantidade de pessoas que fizeram isso. Nem sempre fui bem aceito nos templos de diversas religiões.
      Muitos guardadores de calçados da entrada dos templos localizavam meu tênis no meio dos calçados deixados e ficavam com eles para na minha volta pedir gorjeta por tê-los guardado.
      Tive grandes dificuldades com a língua, pois a população em geral não falava inglês. Além disso, havia alteração de dialeto entre diferentes regiões do país (Hindi, Gujarati, Nepali etc). E muitos que falavam inglês tinham forte sotaque regional. E eu não falava nem compreendia bem inglês. A conclusão foi que precisei comunicar-me muito com as mãos, fazendo gestos. Mesmo estes nem sempre foram eficazes, posto que nem todos os gestos que temos por aqui tem o mesmo significado por lá.
      As paisagens ao longo da viagem agradaram-me muito, com templos, santuários, memoriais, palácios, monumentos, parques, rios, jardins, praias, ilhas, áreas naturais e outros    .
      Andei de vários tipos de transporte diferentes. As viagens de ônibus e trens demoravam muito, pois a velocidade era muito baixa (entre 30 km/h e 50 km/h). Isso fazia que mesmo distâncias não tão grandes demorassem muito para serem percorridas. A lotação dos meios de transporte também era muito grande, sendo até maior do que as dos horários de pico de São Paulo, por incrível que possa parecer.
      O trânsito foi um capítulo à parte. Completamente caótico para o meu padrão, com animais (vacas, cabras, cachorros, macacos etc) dividindo as ruas com veículos de todos os tipos (carros, vans, caminhões, ônibus, riquixás motorizados, bicicletas, carroças etc) e com pedestres, que não pareciam se preocupar com sua segurança.
      Vi muito lixo espalhado pelas ruas, numa quantidade muito maior do que a que estava acostumado. Havia muitos pequenos lixões nas cidades a céu aberto.
      A viagem teve muitos episódios complicados, que me pareceram ameaçar a segurança em algumas ocasiões. Mas não sofri nenhuma violência.
      Eu me tornei vegetariano ao longo da viagem e permaneço até hoje. Já tinha sido entre 1986 e 1992. Deixei de ser em 1993 e na viagem voltei a ser. Sofri bastante com o tempero da comida. Várias vezes não consegui comer por causa das especiarias ardidas, mesmo estando com fome. Quando descobri como comer sem especiarias, consegui alimentar-me melhor. Gostei muito dos doces. No momento mais crítico, cheguei a perder 9 kg ou um pouco mais (eu pesava 65 kg e cheguei a perto de 56 kg ou um pouco menos).
      Os preços na Índia eram bem mais baixos do que no Brasil, mas como houve um problema na chegada, acabei comprando uma excursão, o que fez com que a viagem custasse muito mais do que poderia, o que comprovei nas viagens subsequentes em 2008 e 2015.
      A Viagem:
      Fui de SP a Frankfurt no sábado 30/10/1999. Cheguei lá no domingo 31/10/1999. Cheguei bem cedo.
      Para as atrações de Frankfurt veja https://www.frankfurt-tourismus.de/en/ e https://wikitravel.org/en/Frankfurt. Os pontos de que mais gostei foram as igrejas (especialmente a Catedral que resistiu à 2.a Guerra Mundial), o Rio Main, a Casa de Goethe, a Casa de Ópera, o Römer, a arquitetura típica e moderna e a cidade como um todo. Eu não entrei nos museus porque pareciam enormes e achei que era mais produtivo conhecer a cidade.
      Assim como havia feito em Amsterdã, um ano antes, resolvi comprar uma passeio pela cidade numa agência de turismo do aeroporto. Estava previsto para sair às 9h. Além de mim, havia uma canadense esperando na sala da agência. Cerca de 1 ou 2 minutos antes das 9h, ela perguntou-me se já não eram 9h e, eu, um pouco surpreso com a pergunta, posto que havia um relógio em frente, respondi que achava que sim. Então, às 9h ou um minuto depois, ela levantou-se e falou rispidamente com a atendente que já eram 9h e o passeio estava atrasado e que queria o dinheiro de volta, o que deixou a atendente embaraçada e a mim surpreso com a atitude. A atendente devolveu o dinheiro para ela e o motorista da excursão chegou cerca de 10 a 15 minutos depois, levando uma bronca da atendente, que lhe disse que havia perdido uma cliente.
      Inicialmente tivemos um atraso adicional porque a polícia estava fazendo alguma operação que retardava o trânsito. O guia até comentou que a polícia alemã não era a mais rápida. Eu ri durante uma explicação dele, não ri dele, mas da situação, e ele pareceu ficar irritado e pediu para não fazermos para ele o passeio mais difícil do que precisava ser. Depois disso, resolvi ficar distante dele até o fim do passeio.
      Demos uma volta pela cidade, visitando os principais pontos, mas quase sem entrar. Estava um pouco frio (cerca de 15 C), com vento, o que fazia a sensação térmica ser menor. Conheci um indiano durante o passeio, para quem falei que estava indo a Índia. Ele me disse que iria voltar para a Índia em alguns dias e aí poderia me ajudar durante a viagem. Não o encontrei na Índia.
      Voltamos ao aeroporto e eu embarquei (se bem me lembro, no fim da tarde) para Nova Déli. Ao entrar no avião vi a manchete de um jornal indiano que dizia que um tufão tinha matado 15 mil (acho que o número era esse) pessoas em Orissa . Fiquei surpreso e um pouco assustado.
      Cheguei em Nova Déli já na 2.a feira 01/11, no início da madrugada. Os procedimentos de entrada no país pela imigração foram um pouco tumultuados, pois havia muita gente. Os atendentes foram um pouco ríspidos. Acabou demorando razoável tempo. Deu-me um frio na barriga saber que iria começar a viagem por um país tão diferente e com tantas possibilidades de problemas, dado o meu desconhecimento.
      Após conseguir entrar, fui ao balcão de informações para pedir sugestões sobre onde ficar e outras questões sobre a Índia. A atendente indicou-me um hostel no centro, Janpath Guesthouse, ligou para eles para saber se havia vagas e me deu um papel com o endereço. Depois disso fui procurar por um meio de transporte. Naquele horário, somente táxis. Havia 3 balcões, um era de luxo, com uma limousine, o 2.o era do governo e o 3.o de particulares. Fui ver os preços e para o trecho que eu pedi, a limousine custava o equivalente a US$ 10.00, o do governo custava cerca de US$ 6.00 e o particular custava cerca de US$ 5.00. O atendente do balcão do governo avisou-me “vá conosco, os particulares recebem comissões de hotéis e não vão te levar para onde você pedir, podem ficar dando voltas com você, procurando por comissões e, a esta hora da madrugada, isso pode não ser seguro”. Mesmo assim, optei pelo particular, por ser mais barato (não era ilegal). Foi um grande erro . Após minha decisão, o atendente do balcão do governo repetiu o aviso “não seja bobo, vá conosco”. Eu pensei que isso era conversa mole para conseguir clientes. Mas suas palavras foram proféticas.
      Fui até o ponto de saída dos táxis com o bilhete pago em mãos. Apresentei e veio um motorista de turbante, com barba e bigode 👳‍♂️ e um rapaz que parecia ser seu assistente (não sei se era seu parente). Sua aparência assustou-me um pouco, mas logo pensei que era preconceito meu. Informei para ele para onde desejava ir e começamos o trajeto. Ele perguntou-me se era a minha primeira vez na Índia. Não entendi, devido ao sotaque. Ele precisou repetir várias vezes, já quase gritando nas últimas. Acho que ficou claro para ele que era minha primeira vez na Índia. Após já estarmos rodando há um bom tempo, comecei a ficar preocupado e achar que o atendente do aeroporto tinha razão. Achei que poderiam não estar levando-me para onde pedi e que poderiam estar querendo fazer algo negativo comigo. Comecei então a tentar conversar com eles, de modo amigável. Eles estavam ocupados, provavelmente procurando hotéis que lhes pagassem comissões e se irritaram um pouco com a minha insistência em conversar. De repente apareceu um riquixá, começou a discutir com o motorista e jreogou o veículo em cima dele. Eu não entendi o que falaram, mas a situação ali era clara. O riquixá provavelmente desejava roubar-me, sequestrar-me ou até cometar alguma violência contra mim e o motorista não estava concordando 🔫. O motorista jogou o carro de volta em cima do riquixá, repetiram isso algumas vezes, o motorista acelerou e conseguiu escapar. Aí eu realmente fiquei preocupado. Após este acontecimento, passou pouco tempo, o motorista entrou num beco, parou o carro, desceu junto com seu assistente, abriu uma portinha e me disse para descer e entrar. Não ficaram claras para mim suas intenções e eu pensei que ele poderia estar querendo me roubar, sequestrar ou cometer alguma outra forma de violência. Olhei para trás, para ver se havia alguma possibilidade de sair e vi que o riquixá, que havia nos fechado, estava bem atrás. Ele olhou fixamente nos meus olhos e fez por 2 vezes um gesto passando o dedo indicador pela garganta que indica que vão cortar sua garganta, ou mais genericamente, que você vai morrer. Olhei novamente para o motorista e ele estava extremamente tenso e gritava para eu descer e entrar na portinha. À minha frente havia um muro de cerca de 5 metros. Eram cerca de 3 horas da manhã. Atrás estavam o riquixá e seu companheiro. Não vi saída. Olhei uma última vez para trás e o riquixá repetiu o gesto com o dedo na garganta. Resolvi descer bem devagar e arriscar ir até a portinha. O motorista acalmou-se um pouco. Eu entrei com a cabeça já inclinada. Para ser sincero, achei que poderia ser decapitado, baseado nos preconceitos e desconhecimento que tinha e nas histórias que ouvia pela TV. Interessante que, neste momento, pensei em Deus e em que nem havia chegado e já iria morrer. Quase pedi para que isso ocorresse no fim da viagem, se tivesse que ocorrer. Quando percebi que não havia mais o que fazer, não senti medo. Senti uma estranha paz. Após entrar, passou por mim um homem, entrou numa sala, passou outro, entrou na mesma sala, depois eu entrei e vi que havia vários reunidos. Eles aparentemente eram de uma agência de turismo ou agentes independentes e propuseram vender-me excursões. Eu fiquei bastante aliviado e respondi educadamente que não queria, pois a situação ainda não me parecia totalmente tranquila. Eles ficaram irritados, mas aceitaram. Porém disseram-me que o hotel em que eu queria ir não tinha vagas. O líder falou-me “Quer ver?”. Ligou para o hotel, que eu nem tinha informado a ele qual era, e me passou o telefone. Eu perguntei sobre minha vaga, que havia sido dito no aeroporto que estava reservada e ele me pediu desculpas e disse que não tinha. Imaginei que isso era armação, mas diante do que tinha sido toda a situação, eu estava mais do que satisfeito, fiz uma expressão aparentando contrariedade para não destoar da situação, agradeci e desliguei. Disseram que iriam indicar-me um outro hotel. Saí e o mesmo motorista estava esperando-me, já sem o riquixá atrás. Levou-me para o Hotel Rudra Castle. Chegando lá, pedi ao atendente o quarto mais barato e ele disse que estavam todos os baratos ocupados e que só tinha disponíveis as suítes de luxo. Imaginei que também não era verdade, mas não estava em condições de discutir àquela hora da madrugada. Ele me falou que o preço eram US$ 40.00. Eu pensei que iria ser bem mais e aceitei prontamente. Acho que ele percebeu e disse então que havia a taxa de serviço e acrescentou mais 10%. O valor do hostel em que eu iria ficar hospedado e com quem tinha combinado do aeroporto era US$ 6.00 (7 vezes menos) .
      O quarto era realmente de luxo, mas eu não precisava de nada daquilo. Antes de dormir, ouvi provavelmente o chamado das mesquitas próximas para a oração. Embora já conhecesse este costume do Egito, dada a situação que havia ocorrido, fiquei um pouco assustado com a maneira como era feito. Mas mesmo assim dormi um pouco, pois estava com muito sono.
      Na manhã seguinte, assim que desci, no saguão do hotel estava um agente de turismo, que se apresentou e se colocou à disposição. Eu não pretendia comprar nenhuma excursão (sempre prefiro viajar por conta própria, sem guias), mas depois do que tinha ocorrido, achei melhor, pois considerei que seria difícil transitar pelo país logo de início com o meu desconhecimento e ainda existiam as consequências do tufão, que eu não sabia quais tinham sido. Sentamos, fizemos um planejamento superficial de locais e acabei comprando um pacote por cerca de US$ 1,900.00 para uma semana completa com motorista particular e hospedagem em hotéis padrão e todas as passagens de trem para o resto da viagem de pouco mais de 1 mês. Este valor foi quase 5 vezes maior do que eu gastei nas outras viagens que fiz pela Índia, que duraram cerca de 40 dias, onde fui por conta própria, fiquei em hotéis ou acomodações de muito menor nível, mas aceitáveis para mim, não tive motorista nem nenhum apoio. Foi o preço de chegar de madrugada e não conhecer nada. Saquei o dinheiro do caixa eletrônico diretamente em rúpias, paguei para o agente (acho que seu nome era parecido com Singh) e fomos para a sede da agência esperar pelo motorista que iria me acompanhar.
      Lá conversamos um pouco, Singh falou que se o governo dizia que tinham morrido cerca de 15 mil no tufão, o número de mortos era pelo menos o dobro. Contou-me que era aposentado do exército (parecia ser oficial), embora fosse jovem (acho que cerca de 40 a 50 anos). Falou-me de possíveis problemas que eu poderia ter na Índia, deu-me sugestões, organizou toda a viagem e me disse que se eu queria conhecer tudo o que tinha dito precisava de 3 ou 6 meses e não apenas 1 mês, mas que tentaria ver o que poderia fazer do melhor modo possível. Saiu e foi comprar as passagens de trem. Enquanto isso alguns outros integrantes da equipe conversaram comigo. O Brasil era um país distante e exótico para eles. Tinham curiosidade. E também queriam me vender outros pacotes turísticos para outras localidades. Apareceu seu sócio, e me convidou para ir a um cabaré ou bordel à noite, mas eu recusei, dizendo que já iria começar a viagem pelo país à noite. Um dos integrantes da equipe ofereceu-me o almoço, eu aceitei e comi. Eu estava com fome, mas estava muito ardido. Disse que estava bom, mas forte. Depois, enquanto esperava, fui dar uma pequena volta nos arredores, o que ajudou a desfazer a impressão do dia anterior. Ali estava a Índia que não era hostil, formada por pessoas simples do povo. Ainda assim, tudo muito diferente do Brasil. E eu estava bem cauteloso devido ao que havia ocorrido.
      Singh retornou com as passagens compradas. Após tudo combinado, chegou Bilu (ou Bilou), que seria meu motorista. Saímos para visitar alguns pontos de Nova Déli.
      Para as atrações de Nova Déli veja https://www.delhitourism.gov.in/ e https://pt.wikipedia.org/wiki/Deli. Os pontos de que mais gostei foram conhecer a Índia real, o Templo Flor de Lótus, o Museu ou Memorial de Gandhi, o Qutab Minar, os vários outros templos, as mesquitas, os Gurudwaras, a Velha Déli, o Portão da Índia, a região central de Connaught Place, as construções, as áreas verdes, uma estátua magnífica de Shiva na área periférica e os itens dos mercados. Vi estes itens em 2 viagens, nesta e em 2008.
      Se bem me lembro, fomos ao Templo de Laxmi (https://yatradham.org/blog/laxmi-narayan-temple-timings-history/), ao Portão da Índia e alguns outros pontos. Eu estava bem cansado, devido a 2 noites quase sem dormir. Num dos templos (talvez o de Laxmi mesmo), eu comecei a viajar nas ideias e rir sozinho. Um guarda aproximou-se e me disse para ter cuidado com os macacos 🐵, pois eram perigosos, Quando olhei para o lado, um macaco estava mostrando os dentes para mim em sinal de repulsa e mirando meu pescoço com suas mãos. Acho que ele pensou que meu riso era uma forma de agressão ou ataque. No fim do dia fomos viajar para Jaipur, capital do Rajastão. No começo da estrada, Bilu parou no acostamento e me disse que se atravessasse naquele ponto e entrasse no bosque eu veria uma linda estátua de Shiva. Fiz o que ele falou, segui o fluxo e, quando vi a estátua, fiquei maravilhado. De todas as viagens que fiz a Índia, esta foi a estátua que mais me causou impacto .
      A viagem foi durante a noite. A estrada era de mão dupla e pista simples em cada sentido. Estava lotada, com muitos caminhões e ônibus. Havia ultrapassagens constantes, com os veículos indo para a pista contrária e voltando a sua pista muito perto de bater com os da pista contrária. A velocidade média era por volta de 30 a 40 km/h. Mesmo assim, pareceu-me muito temerário. Eu nunca tinha feito uma viagem assim. Fiquei tenso no início, mas fui ficando acostumado. Bilu percebeu que eu não tinha gostado do percurso.
      Ao longo do tempo que ficou comigo, Bilu contou muito sobre a Índia, sobre os costumes, sobre os cuidados a ter na viagem, com alimentação, segurança etc. Falou também sobre outras turistas brasileiras que havia conhecido. Na maior parte do tempo, nosso convívio foi muito bom 👍. Quando contei para ele, no fim do nosso convívio, a história que havia ocorrido na chegada, ele pareceu surpreso e, acho que entendeu, porque muitas vezes eu parecia desconfiado.
      A viagem durou umas 3 horas, Chegamos perto de 9 a 10h da noite. Ficamos hospedados num hotel que já estava previamente escolhido por eles, jantei e fui dormir. Bilu fez uma piada sobre ser muito mau, quando eu disse que ele era uma boa pessoa e eu engoli em seco. O dono do hotel percebeu e posteriormente me perguntou se eu tinha tido problemas na Índia. Eu questionei que tipo de problemas e desconversei.
      No dia seguinte, 3.a feira 02/11, depois de uma revigorante noite de sono e depois do café da manhã, fomos conhecer Pushkar, conforme planejado.
      Para as atrações de Pushkar veja https://www.tourism.rajasthan.gov.in/pushkar.html e https://www.india.com/travel/pushkar/. Gostei da cidade como um todo e de sua simplicidade.
      Assim que chegamos, no meio da manhã, Bilu disse-me que ficaria no carro e eu poderia passear à vontade. Saí e fui em direção ao centro e ao lago. Admirei a cidade e a paisagem. As construções eram quase todas brancas. Um religioso (acho que era um discípulo em formação) aproximou-se e começou a conversar. Eu estava altamente arisco, depois do que havia acontecido na chegada. Eu estava desconfiando de tudo. Mesmo assim, como sua abordagem foi bastante amistosa, aceitei que ele me acompanhasse, porém dizendo que não era necessário. Falei para ele sobre a música Gita, do Raul Seixas, que contém vários trechos com expressões de Krishna no Bhagavad Gita. Conversamos sobre a Índia e o Hinduísmo. Fomos ao lago. Chegou outro religioso (acho que também era um discípulo em formação). Perguntou se poderia fazer um ritual comigo, pintar o 3.o olho na minha testa e fazer uma espécie de benção, com vegetais. Eu disse que não era necessário, mas ele insistiu tanto, que eu aceitei, caso ele fizesse questão, porém dizendo que não pagaria nada por aquilo. Após o ritual e longa conversa, eu me dirigi para voltar. Aí ele me disse que eu precisava dar uma contribuição pela benção recebida. Eu retruquei que havia dito que não pagaria nada, ele me pediu pelo menos o preço de custo, eu reforcei que ele havia pedido para fazer porque queria e ele me disse que, para mim, então, era gratuito. Comecei a voltar e reencontrei o outro discípulo. Como eles tinham me tratado muito bem e não houve tensão quando disse que nada iria pagar, ofereci pagar para ele uma refeição (como uma pizza), que ele poderia compartilhar com os outros. Ele agradeceu, mas não quis. Acho que não gostavam de pizza, uma comida ocidental. E eu ainda não conhecia opções indianas. Voltei para o carro e quando perguntei a Bilu se havia demorado muito, ele me disse que sim e achava que eu tinha me perdido. Perguntou quanto eu havia pago pelo terceiro olho e os vegetais e eu disse que nada. Ele me respondeu que não acreditava em mim. Voltamos para Jaipur, onde ficava o hotel.
      Num dos deslocamentos que fiz com ele, vimos uma grande quantidade de pessoas em torno de uma vaca 🐄 aparentemente morta ou morrendo estirada em uma estrada. Ela soltava sangue pela boca. Parecia ter sido um acidente (talvez com um caminhão, para ter aquela consequência numa vaca daquele tamanho). Em outro deslocamento, Bilu mostrou-me várias pessoas reunidas em torno de um homem sendo cremado ao ar livre numa aldeia. Nunca tinha visto uma cena daquelas.
      Na 4.a feira 03/11 fomos para Ajmer, um local de peregrinação muçulmano. Logo chegando lá, o religioso muçulmano perguntou-me quanto eu pagaria de oferta. Eu não esperava e fiquei sem resposta. Mencionei o valor referente a uma refeição e ele me perguntou rispidamente por que não oferecia 10 ou 100 vezes isso. Levei um susto. Mas como chegou outro peregrino, este muçulmano, ele aceitou minha oferta, e foi dar atenção ao peregrino muçulmano. Eu basicamente só conheci o local de peregrinação dos muçulmanos. Achei interessante, cheio de pessoas muito simples. Mas este episódio inicial decepcionou-me. Para as atrações de Ajmer veja https://www.makemytrip.com/travel-guide/ajmer.
      Voltando para Jaipur, fomos visitar ainda alguns pontos. Houve um ponto a visitar (não me lembro se em Ajmer ou Jaipur) em que Bilu me orientou a pegar um riquixá para ir a uma atração, pois acho que o carro não passava pelas ruas estreitas. Na volta, o riquixá entrou numa viela em que havia um pastor com ovelhas de um lado e uma vaca um pouco ‘a frente. Repentinamente no fim da viela chegou o lixeiro, que se bem me lembro, era puxado por um elefante 🐘. Isso travou completamente o trânsito. A vaca parou e fechou uma parte da viela. O rebanho estava do outro lado, impedindo a passagem. E pelo meio não era possível passar, por causa do elefante e da caçamba que ele puxava. O riquixá e um outro motorista começaram a buzinar, mas a vaca não iria em direção ao elefante. Estava aguardando. E o elefante estava tranquilamente esperando que o lixeiro carregasse o lixo. O riquixá olhou para mim rindo e eu também estava rindo 😃.
      Chamou-me atenção o trânsito de Jaipur, que era a capital do Rajastão. Possui mais de 3 milhões de pessoas atualmente (na época já era muito grande). Vacas, cabras e outros animais dividiam a rua com carros, ônibus, riquixás, caminhões e outros veículos e com pedestres. Numa avenida de várias pistas, na hora de pico, uma vaca começava a atravessar. E os outros vários envolvidos buzinavam, desviavam e continuavam. Para mim aquilo beirava a ficção científica.
      Num dos últimos dias com Bilu e hospedado pelo pacote comprado, Singh voltou e me disse que não seria possível conhecer a região leste, pois as ferrovias tinham sido rompidas pelo tufão, a menos que eu quisesse ir de avião de Mumbai a Calcutá, com preço de cerca de US$ 200.00 ou US$ 300.00, o que recusei. Ele iria alterar as passagens para não contemplar mais aquela área. Se o tufão tivesse ocorrido 15 dias depois, pode ser que eu tivesse sido atingido por ele e talvez não tivesse sobrevivido. Falou-me dos perigos que eu poderia encontrar na etapa da viagem que faria sozinho e me disse que o pagamento de Bilu não tinha sido feito (só o básico) e que o adicional era por minha conta (algo como gorjeta de gratificação). Dei US$ 50.00 para ele, mas achei aquilo indevido, pois pensei que tudo estivesse incluído no pacote.
      Na 5.a feira 04/11 fomos visitar Jaipur. Para as atrações de Jaipur veja https://jaipur.rajasthan.gov.in/content/raj/jaipur/en/about-jaipur/tourist-places.html e https://wikitravel.org/en/Jaipur. Os pontos de que mais gostei foram os palácios, os fortes, os templos e o observatório.
      Numa visita a um castelo e/ou forte, havia insistentes vendedores oferecendo produtos para um alemão, que dizia que não iria comprar, pois não precisava. Ofereciam também um passeio de elefante. Eu até que não fui muito assediado, perto do que foram os europeus. Interessante como eles preservavam a história dos marajás e soberanos. Havia um enfoque de heróis no modo como contavam. E uma ênfase nas caçadas de tigres, que me pareceu ser um grande desafio em épocas passadas. Os tigres é que sofreram 😞.
      Apreciei a visita ao observatório astronômico Jantar Mantar (gosto de astronomia e astrofísica). Quando voltei de uma atração, Bilu disse que eu demorava muito nas visitas. Era importante que fosse mais rápido para poder visitar tudo. Eu me irritei um pouco e disse que gostava de ver os itens com calma e que não tinha importância conhecer menos pontos, desde que mais detalhadamente cada um. E pedi também que fôssemos a locais religiosos não turísticos, que seriam preferidos para mim. Acho que ele fico meio chateado, mas acabou por me levar em um local não turístico. Eu adorei. Na volta, quando disse para ele que tinha gostado, acho que ele ficou surpreso e terminou seu aborrecimento, bem como o meu. No fim do dia fomos para Agra. Ao chegarmos, Bilu falou-me para não ir longe do hotel, pois poderia haver assaltos a cavalo 🐴. O recepcionista do hotel confirmou que poderia haver muitos problemas se me afastasse.
      Para as atrações de Agra veja https://wikitravel.org/en/Agra e https://agra.nic.in/tourism. Os pontos de que mais gostei foram os palácios, templos, forte e construções típicas.
      Na 6.a feira 05/11 fui conhecer o Taj Mahal. Era um dia de visitação gratuita, então havia muitas pessoas. Achei o monumento muito belo, mas muito voltado ao turismo, sem a vida real cotidiana.
      No fim do dia, Bilu deixou-me na estação e me deu sugestões sobre o resto da viagem, que seria só. Para quem fazer perguntas na estação (o homem de jaqueta), cuidados a tomar e outras sugestões. Eu agradeci por tudo que ele fez por mim e pedi desculpas por qualquer mal entendido. Esperei o trem e embarquei para Mughal Sarai, que ficava ao lado de Varanasi. Não sei porque não compraram o bilhete para eu descer em Varanasi, pois o trem passou por lá, mas dado o meu desconhecimento, segui até Mughal Sarai.
      O trem estava cheio devido à época de festivais. Apesar de ter o bilhete para um banco que permitia dormir sozinho, eu o reparti com várias outras pessoas. Um policial ou soldado militar chegou gritando e pedindo que mostrássemos os bilhetes. Estava com uma espingarda. Eu mostrei e ele pareceu não compreender. Coloquei o bilhete quase na cara dele, aí ele pareceu ver que era válido. Durante a viagem, um dos passageiros me disse para tomar cuidado, caso eu dormisse 😃. Fiquei pensando em como poderia fazer isso. No meio da noite, fui para a cama de cima e dormi um pouco, sentado e com as pernas dobradas, pois estava dividindo a cama com outros que estavam sentados perto do meu pé. Durante a viagem, fiz sinal de positivo para um indiano e percebi que ele não entendeu, ao comentar com outro "O que será que quer dizer este sinal na cultura dele? Deve significar que está tudo bem". Quando chegamos à estação no sábado 06/11, bem cedo, fiquei esperando pelo guia que haviam me dito que haveria. Um dos passageiros do trem com quem tinha viajado ofereceu-se para me levar até onde eu desejasse, mas eu disse que estava esperando pelo guia e não era necessário. Depois de razoável tempo sem o guia chegar, decidi ir por conta própria.
      Fui procurar então um meio de transporte para ir até Varanasi, que ficava a alguns quilômetros. Achei que o preço que os taxistas me pediram era inflado e sugeri menos. Um deles aceitou. Porém depois de andar um pouco, parou o carro, pediu que um jipe (parecido com os da 2.a Guerra Mundial que se vê na televisão) me levasse, repassando parte do valor e ficando com outra parte como comissão. Eu não tive como recusar, ainda mais depois de tudo que já tinha presenciado. O motorista do jipe usava chapéu e uma espécie de pano para proteger a região traseira do pescoço. Falei algumas palavras que já havia aprendido e ele me perguntou se eu falava Hindi, ao que respondi que não. Ele começou a dizer que o preço que estava cobrando (que ele tinha negociado com o taxista) era baixo para aquele trajeto. Comecei a achar que poderia haver alguma confusão e relembrei para ele que ele tinha aceito o que o taxista tinha proposto. Falei para ele que sairia para dar um passeio pela cidade por volta de 12h. Chegamos, eu me despedi e ingressei no hotel que o pessoal do pacote turístico havia indicado. Após deixar minhas coisas, fui dar uma volta nas proximidades, antes do passeio que estava marcado pelo pessoal do pacote turístico com o guia que eu havia ficado esperando na estação e que não havia chegado. Na saída, um motorista de táxi ofereceu-se para me levar ao passeio, mas eu disse que já havia um guia combinado, mas que se ele falhasse, poderíamos ir. Eu estava meio receoso depois de tudo que já tinha acontecido. Passeei por cerca de 1 hora ou um pouco mais, comprei uma garrafa de água e voltei para me aprontar para o passeio. O guia estava esperando-me e disse que havia acordado muito cedo para esperar outro turista na estação de Varanasi. Eu lhe disse que era eu e que a estação em que me disseram para descer era Mughal Sarai, por isso houve o desencontro Quando íamos sair para o passeio, lá estava o motorista do jipe, dizendo que havíamos combinado de sair às 12h para um passeio turístico 😮. Eu neguei e disse que não. Pedi ao motorista do táxi, que me havia feito a oferta antes, para explicar para ele, pois ele não falava inglês. Mas ele achou que o motorista do táxi estava mentindo e tentando roubar seu cliente. Então, vendo que eu não iria com ele, disse que estava me esperando lá desde que me havia deixado e tinha ficado no prejuízo. Mas eu disse que não era verdade, pois havia saído para passear e comprar água e não o havia visto. Ele irritou-se e foi embora. Embora estivesse gostando muito da viagem, da cultura, da religião, da espiritualidade e de conhecer “um outro mundo”, estava contrariado com tantas confusões e tantas pessoas ligadas ao turismo mentindo para obterem vantagens 😞.
      Saí com o guia para o passeio, depois de acabar a confusão. O motorista do táxi pediu-me novamente uma chance e eu disse que já tinha guia, mas que se houvesse oportunidade, futuramente poderia ir com ele. Adorei Varanasi. É a antiga Benares, um dos berços do Budismo. Foi um dos meus lugares preferidos na viagem .
      Para as atrações de Varanasi veja https://varanasi.nic.in/tourist-places e https://wikitravel.org/en/Varanasi#See. Os pontos de que mais gostei foram um templo com inscrições religiosas nas paredes (acho que era o Templo Shree Kashi Vishvanath ou outro semelhante) e o Rio Ganges com todas as estruturas e eventos no seu entorno .
      No domingo 07/11 fomos de manhã a Sarnath, um dos quatro principais locais de peregrinação budista no mundo, cidade em que Buda proferiu seu primeiro sermão público. Para as atrações de Sarnath veja https://wikitravel.org/en/Sarnath. Eu visitei o sítio histórico preservado, o museu e o templo. Gostei de lá, principalmente da história relacionada a Sidarta Gautama (mais famoso Buda histórico). Na volta o motorista do riquixá queria desviar o caminho para me levar a uma loja onde receberia comissões. Mas como não falava inglês estava com dificuldade em explicar e pediu para o guia fazê-lo. Depois que entendi, agradeci, mas não quis. Anteriormente, quando estávamos sós, o riquixá me disse que o guia não era boa pessoa, porque recebia comissões. Imagino que foi por isso que o guia não havia me falado da loja antes, não devem ter chegado a um acordo sobre as comissões (ou então, pelo que já tinha me conhecido, achou que eu não iria ou não compraria nada mesmo). Após regressar, saí para passear um pouco sozinho por conta própria em Varanasi.
      Na 2.a feira 08/11 de manhã voltamos a visitar pontos de Varanasi. Ao longo de todos os dias, pude visitar o Crematório (a cremação era dentro de locais específicos, não era igual a que tinha visto na aldeia quando estava na estrada), onde um dos trabalhadores me disse para fazer uma oferenda, caso contrário criaria problemas para meu carma (não fiz), pude visitar vários templos, os Ghats (degraus na margem do rio) e suas casas associadas, as várias áreas de eventos e rituais ao lado do Rio Ganges, as construções antigas e típicas da cidade etc. Num dos dias o guia levou-me a uma guesthouse (que eu estava aprendendo a conhecer), que me disse ter bons preços, onde tomei um chá com limão. Creio que foi nesta ocasião que vimos um casal de europeus ou americanos num barco no meio do rio e o guia comentou que achava que deveriam estar pagando um preço muito alto pelo passeio.
      Voltamos ao hotel perto da hora do almoço. Despedi-me do guia. Perguntei a ele se tinha sido pago pelo pessoal do pacote de turismo e ele disse que não. Já não sabendo no que confiar, dei a ele uma pequena remuneração, que acho que não o satisfez muito, mas de que ele não reclamou. Estava chegando um turista alemão e acho que ele não quis perder mais tempo comigo.
      Fui aprontar-me para ir para a estação. Como a passagem saía de Mughal Sarai, achei melhor ir até lá novamente, para não ter nenhum tipo de problema, posto que era depois da Estação de Varanasi no meu itinerário. Procurei pelo motorista do táxi que me havia pedido uma chance, mas ele não estava lá. Fui então procurar algum meio de transporte para a estação. Achei um riquixá. Estava meio ressabiado com riquixás, depois do que havia ocorrido na chegada, mas resolvi arriscar. Combinamos o preço, ele aceitou a corrida e fomos. Tudo ia indo bem até o início da estrada, quando ele parou em frente a uma espécie de altar na beira da via e disse que iríamos fazer uma viagem longa (uns 6 km) e que precisava pedir proteção. Desceu do carro e fez uma oferenda. Eu fiquei preocupado, pois isso poderia significar que a estrada era perigosa. Mas correu tudo tranquilamente. Deixou-me na estação e eu agradeci.
      Na estação, eu era completamente analfabeto, pois não sabia falar nem ler Hindi, e muitos letreiros escritos ou comunicados verbais eram feitos em Hindi. Não conseguia saber qual trem pegar (as passagens para todos os trechos já me haviam sido dadas por Singh no início). A estação estava lotada devido aos festivais. Comecei a conversar com alguns soldados do exército. Um amigo que estava com eles falava outro dialeto diferente de Hindi, o dialeto Nepali. Eles me disseram que os trens poderiam ser perigosos, poderia haver ladrões e assassinos neles. Fiquei mais preocupado. Mas disseram para eu não me preocupar e que iriam me ajudar a pegar o trem certo. Já tinha passado a hora da saída, mas me disseram que o trem estava atrasado. Conversamos sobre a Índia e eles me deram um pequeno cartão-postal. Em retribuição, eu tirei da mala uma revista Viagem, localizei e dei para eles uma foto de duas páginas da orla da Praia de Copacabana. Eles disseram “Como o Brasil é bonito!”. De repente eles me disseram “Venha”. Eu levei um susto, mas fui atrás deles. Eles me levaram a um trem e disseram que era meu trem. Não havia letreiro em inglês à vista, mas confiei neles e esperei para perguntar para outros passageiros e para o comissário do trem. E realmente era o trem correto. Agradeci muito e, de uma maneira claríssima, entendi o que significa ser analfabeto e todas as dificuldades que um enfrenta.
      O trem saiu com algumas horas de atraso e ainda parou no meio do caminho, não sei porque. A parada foi numa zona rural, totalmente sem iluminação. Já havia escurecido. Isso permitiu ver o céu estrelado 🌃. Magnífico! Raras vezes vi um céu noturno tão lindo. Meu destino era Gaya, para de lá ir até Bodh Gaya, Estas localidades eram no Bihar, que me disseram ser o estado mais pobre da Índia. Falaram-me da existência no Bihar de máfias (imagino que seriam guerrilhas ou milícias para nós) que lutavam contra o governo. Se bem me lembro, eram de inspiração marxista. Vi no noticiário que pouco antes haviam matado uma família inteira na zona rural como retaliação a uma delação. Mas acho que não exatamente naquelas proximidades, que eram locais de peregrinação budista.
      Cheguei perto de 22h. Havia inúmeras pessoas deitadas no chão da estação esperando trens. Acho que outras eram pessoas em situação de rua. Fui pedir sugestões a um encarregado da estação sobre onde poderia me hospedar e muitos possíveis fornecedores de transporte me seguiram para oferecer seus serviços. Ele sugeriu chamar um transporte mais sofisticado, mas eu disse que gostava da população. Acabei indo a pé até um hotel perto da estação, em que, se bem me lembro, a diária de 24h custou algo como US$ 2.00 ou US$ 1.00. A pobreza do local saltava aos olhos. Não tinha visto nada parecido no Brasil.
      No dia seguinte de manhã, 3.a feira 09/11, peguei um ônibus para Bodh Gaya, outro dos quatro locais de peregrinação budista no mundo. É o local em que Sidarta obteve sua iluminação e se tornou Buda (o mais famoso e primeiro relatado da História, até onde eu sei).
      Para as atrações de Bodh Gaya veja https://wikitravel.org/en/Bodh_Gaya e https://www.lonelyplanet.com/india/bihar-and-jharkhand/bodhgaya. Adorei este local. Os pontos de que mais gostei foram os templos, os monumentos, a área verde em harmonia com eles e a árvore sucessora da original sob a qual Sidarta obteve a iluminação .
      Chegando em Bodh Gaya, fui analisar o mapa dos templos, monumentos e toda a área destinada ao complexo de templos e similares. Havia um templo para cada grande corrente ou escola budista. Achei muito interessante, que em cada templo, Buda era representado como parecendo habitante da região ou país daquela escola. Assim, no Templo Tailandês ele se parecia com um habitante de lá, no Tibetano parecia-se como habitante de lá e assim por diante, no da China, Coreia, Japão, Nepal, Taiwan, Vietnã etc. A árvore sob a qual ele obteve a iluminação também me pareceu muito bonita, grande e em harmonia com todo o resto. Fiquei muito tempo perto dela. A Grande Estátua de Buda também era impressionante.
      Como era um local tranquilo, longe da agitação das pessoas pedindo ou vendendo, foi possível aproveitar bem o momento de integração com o Universo.
      Voltei para Gaya de ônibus no fim do dia (cerca de meia hora a uma hora de ônibus). Fui jantar e aproveitei para comer doces indianos. Uma delícia. Gostei especialmente dos de coco, amendoim e algo parecido com chocolate 👍.
      Ainda fui para o hotel, pois meu trem para Allahabad partia pouco depois da meia-noite. Fiquei lá até completar a diária de 24h e depois fui para a estação. Tive alguma dificuldade com o banheiro, pois era padrão indiano, que consistia em uma fossa no chão, sem vaso sanitário.
      Peguei o trem para Allahabad. Desta vez consegui um banco cama para dormir razoavelmente. Pela manhã descobri que estava no vagão ou classe errada. Nova confusão à vista 😃. Pedi para um passageiro que falava inglês ajudar-me a explicar a situação. Ele me disse que falaria pessoalmente com o comissário, quando ele passasse. Mas quando ele passou, já bem mais tarde, o vagão estava vazio e ele nem se importou com a situação. Cheguei em Allahabad no início da tarde da 4.a feira 10/11. Fui procurar um hotel para ficar perto da estação de trem, o que tornava tudo muito mais fácil. Acho que tinha começado a descobrir como me conduzir na Índia.
      O atendente, já de uma certa idade, recebeu-me muito bem 👍. Deu-me muitas informações sobre a cidade e o que visitar. Saí para dar um passeio e conhecer os arredores e ter as primeiras impressões.
      Acho que foi neste passeio que vi uma das cenas mais tocantes da viagem. Num lixão, algumas crianças pequenas brigando literalmente com porcos por alimentos 😞.
      Para as atrações de Allahabad veja https://wikitravel.org/en/Prayagraj e https://prayagraj.nic.in/tourist-places. Acabei de descobrir que seu nome mudou para Prayagraj, seu nome original há mais de 400 anos atrás, segundo o governo que determinou a mudança. Mas na narrativa vou manter o nome de quando estive lá. Os pontos de que mais gostei foram o Sangam , os templos, as construções e monumentos.
      Ao longo dos dois dias que lá fiquei visitei vários locais e andei com vários transportes, incluindo uma carroça. O encontro dos rios Ganges e Yamuna (e do mítico Saraswati) pareceu-me maravilhoso. Era o Sangam. Havia muitas pessoas lá e muitas vacas também 🐄. Espantou-me ver como as pessoas repeliam as vacas, não querendo que elas se aproximassem de seus alimentos. Afinal de contas a vaca era sagrada. Era possível ir até o encontro das águas de barco, mas eu preferi ver somente da margem, o que já me pareceu magnífico, ainda mais num dia ensolarado.
      Acho que foi nesta cidade, que fui até o escritório da Companhia de Trens e disse que precisava alterar minhas passagens, pois o itinerário que tinha sido proposto no pacote turístico era inviável. Eu praticamente só viajava e tinha pouco tempo para desfrutar dos locais. Quando o responsável pela estação viu a quantidade de passagens e trechos teve um choque 😃. Mas depois que se recuperou, ajudou-me e encarregou uma funcionária de viabilizar os detalhes. Consegui trocar quase todas as passagens, menos algumas poucas que tinham sido pagas com cartão de crédito (provavelmente tudo havia sido pago com cartão por Singh, mas quando ele teve que fazer alterações devido ao tufão, deve ter precisado pagar em dinheiro – foi a minha sorte). Estas eu só poderia alterar na estação de emissão, que era Nova Déli, o que era inviável. Mesmo assim fiquei muito satisfeito. Agradeci-o muito 🙏. Disse que ele tinha salvo a minha viagem. Ele sorriu e disse “É o meu dever”. Vi como os preços das passagens eram baixos, muito pequenos perto do que eu havia pago pelo pacote todo.
      Nesta cidade ou em alguma outra nesta altura da viagem, eu vi uma igreja cristã. Interessante como isso despertou em mim uma sensação de felicidade. Aquele era o mundo que eu conhecia, de onde eu vinha, apesar de eu não ser cristão. Um pedinte solicitou ajuda, eu dei uma moeda e ele achou muito pouco, principalmente por eu ser estrangeiro.
      Acho que foi em Allahabad este episódio, mas não posso garantir. Num dos hotéis em que fiquei ao longo da viagem, fiquei hospedado num quarto próximo a um homem de uns 50 a 60 anos que usava turbante. Num dos primeiros dias em que me viu, cumprimentou-me alegremente e me convidou para tomar um uísque. Até estranhei, mas achei que poderia ser seu costume. Em outra ocasião posterior, quando estava acompanhado por algum amigo, ignorou-me e nem me cumprimentou. Numa outra ocasião posterior, quando estava só, voltou a me cumprimentar alegremente. Mas aí eu comecei a desconfiar de suas intenções e procurei ser cordial, mas distante. O homossexualismo não era bem-aceito em muitos contextos, ainda mais nesta época.
      Numa das cidades sentei para assistir a um evento em que estavam cantando músicas espirituais e religiosas hindus e tocando instrumentos típicos (acho que havia cítaras e outros). Acho que entrei em estado de extrema felicidade e expansão de consciência . No início pretendia ficar pouco, para não “gastar” muito tempo e ficar sem visitar outros pontos. Mas gostei tanto, que fiquei lá um enorme tempo e não me arrependi.
      Na 6.a feira 12/11 ainda passeei um pouco pela cidade de manhã e depois retornei ao hotel para me preparar para pegar o trem. Dei uma gorjeta ao atendente do hotel. Ele não pediu, tanto que quando dei perguntou-me para quem era e quando respondi que era para ele, sorriu. Ele me ajudou muito com as informações sem nada pedir em troca. Depois peguei um trem para ir até Satna. Meu objetivo era Khajuraho, local com templos que tinham representações do Kama Sutra.
      Cheguei à noite em Satna. Conversando com um turista coreano, que também iria para Khajuraho e já conhecia a cidade, ele disse que lá havia hotéis melhores e que era interessante ir à noite mesmo. Só havia disponibilidade de lotações feitas em jipes. Decidi tentar. Estavam esperando lotar os veículos. O coreano me disse que poderia haver problemas, não de segurança, mas de algum outro tipo que eu não entendi. Desisti e decidi ir no dia seguinte.
      Estava com bastante fome, pois não tinha almoçado. Fui a um aparentemente bom restaurante e pedi um prato do cardápio, com a ajuda do garçom, que me explicou alguns termos. Mesmo assim, boa parte da explicação continha palavras de alimentos que eu não conhecia. Pedi a ele que não tivesse especiarias ardidas. O prato tinha um bom tamanho, compatível com a minha fome. E olha que eu como bastante. Não consegui comer nem 20%. Talvez tenha comido cerca de 10%. Fiquei profundamente decepcionado 😞 por não conseguir comer devido a estar muito ardido. Mesmo o arroz estava misturado com especiarias ardidas. Estava começando a me dar ânsia de vômito, por isso parei. Chamei o garçom para pedir a conta e ele olhou espantado e disse que eu não havia comido quase nada. Eu disse para ele que para o costume dele a comida não era forte, mas que para mim era.
      No dia seguinte, sábado 13/11, sem ter almoçado nem jantado no dia anterior, tentei comer algo no café da manhã. Algo parecido com pão, que não era ardido. Consegui, pelo menos para não ficar totalmente sem alimentação. Peguei um ônibus para Khajuraho. Uma parada à frente, entrou um grupo de turistas judeus. Eram dois rapazes e uma moça, que sentou do meu lado. Fui conversando com ela sobre Israel, a Índia e a viagem. Quando numa parada entraram viajantes locais e foram lá para trás, onde estávamos, ela preferiu ir para frente e ficar junto com seus amigos. Em algumas paradas eu comi alguns tipos de massa parecidos com pães, mas sem especiarias. Chegamos no início da tarde. Após hospedar-me, fui começar a conhecer a cidade.
      Para as atrações de Khajuraho veja https://wikitravel.org/en/Khajuraho e https://viagemeturismo.abril.com.br/cidades/khajuraho. O ponto de que mais gostei foram os templos, com as esculturas, dos mais variados tipos, mas principalmente as que representavam o Kama Sutra.
      Ao longo dos dois dias, visitei os templos com bastante calma. Achei interessantes as várias esculturas. As com posições sexuais pareciam muito criativas (eu nunca li o Kama Sutra). Algumas achei exóticas, pois minha vida sexual é bem padronizada 😃. Numa delas um homem fazia sexo com duas ou quatro mulheres ao mesmo tempo, sendo que duas estavam de ponta cabeça. Se bem me lembro havia alguns templos mais afastados, a que fui andando. Os judeus passaram por mim no caminho no domingo 14/11 de manhã e a moça perguntou-me rindo porque eu não alugava uma bicicleta. Encontrei o coreano nos dois dias no conjunto de templos mais próximos. Ele me cumprimentou sorrindo.
      Na volta de alguns templos, um riquixá humano perguntou-me se eu não queria transporte. Disse que o preço era US$ 0.40. Resolvi aceitar para tentar ajudá-lo. Mas quando vi que ele é quem puxava o riquixá, arrependi-me, pois achei absurdo ele fazer um esforço físico daqueles para me levar. Depois de uma subida e uma descida, em que pedi para ele não se esforçar tanto, resolvi saltar, antes do meio do caminho, pois considerei inaceitável para ele aquilo. Na hora de pagar, ele me disse que eu tinha entendido errado. Não eram US$ 0.4. Eram US$ 4. Fiquei bem irritado, mas paguei e fui o resto do caminho a pé. Ele ainda me perguntou sobre gorjeta 😃.
      Acho que foi nesta cidade ou em alguma outra nesta altura da viagem que encontrei um alemão, que me falou em português “Brasileiro na Índia é raro!”. Perguntei se ele era brasileiro e ele disse que não, que era alemão, mas que havia trabalhado na Volkswagen do Brasil, se bem me lembro. Fiquei feliz por ouvir alguém falar português.
      No sábado à noite encontrei restaurantes com comida ocidental. Como estava morto de fome, comi uma pizza grande e depois ainda um espaguete. E olha que depois, ainda dei uma olhada no cardápio e pensei em pedir a lasanha 😃, mas resolvi deixar para o dia posterior. Mas acabei indo embora no domingo à tarde e fiquei sem a lasanha. O rapaz que cuidava do restaurante falava inglês e conversamos sobre assuntos gerais. Perguntei a ele se pretendia ser empregado em algum local e ele disse que preferia trabalhar com turistas, que era mais lucrativo.
      No domingo 14/11 à tarde, peguei um ônibus de volta para Satna. Sentei no último banco e o motorista me disse que lá pulava, mas eu resolvi ficar. Depois de bater a cabeça no teto por algumas vezes 😃, resolvi ir para os bancos mais à frente. Cheguei em Satna à noite, e fui hospedar-me. Se bem me lembro, fui a outro restaurante e encomendei arroz puro, chapati (espécie de pão achatado) e uma salada de pepinos, tomate e cebola, tudo sem especiarias. Enquanto preparavam, falei ao garçom que iria sair um pouco e já voltava. Ele ficou nervoso e disse que o pedido já tinha sido feito. Acho que pensou que eu não voltaria. Pediu que eu pagasse parte como garantia. Deixei o equivalente a mais de 95% do preço do jantar. Saí e fui até algumas bancas de frutas, comprar bananas e maças. Voltei, ele me devolveu o dinheiro sorrindo, algo que não esperava, pois achei que já ficaria com ele como pagamento. Quando chegou o prato, misturei o arroz com a salada e as maças e bananas. E acompanhei com o pão. Tinha descoberto como fazer refeições sem especiarias 😃.
      Aqui ou em alguma outra cidade nesta altura da viagem, depois de muito tentar, em vários locais sem sucesso, eu consegui fazer câmbio (não me lembro se foi com dólares ou com o cartão como garantia) 💲. Um chileno disse-me que também estava com dificuldades e havia conseguido no Banco de Baroda. Não me recordo se realmente foi este o banco ou algum outro em que consegui. O representante ou gerente do banco chamou-me para me conhecer pessoalmente antes de aceitar fazer o câmbio. Não consegui sucesso sacando dinheiro em máquinas automáticas. Hoje o mundo está bastante mudado.
      Na 2.a feira 15/11 fui pegar o trem para ir para algum lugar em direção a Mumbai (na época Bombaim). No caminho passei por uma casa com um jardim com ornamentos típicos indianos. Perguntei ao dono se poderia entrar para conhecer e ele disse que sim. Achei interessante 👍.
      Pretendia ir até Shirdi, local central do culto a Sai Baba. Mas achei que a viagem seria um pouco longa. Então decidi parar em algum local no meio. Fechei os olhos e apontei para um lugar no meio do caminho. Meu dedo parou numa cidade chamada Pipariya. Parecia ser uma pequena cidade, sem nenhuma atração especial. Achei que poderia ser interessante conhecer uma cidade comum pequena e comprei passagem para lá. O trem atrasou um pouco e neste dia (ou em alguma outra viagem próxima) eu fiquei conversando com um jovem passageiro indiano, que riu amistosamente da minha pronúncia quando tentava falar algumas palavras em Hindi. Numa das paradas do trem durante a viagem, vi uma placa falando da cidade de Pachmari, uma espécie de instância turística. Parecia ser próxima e decidi avaliar se era possível ir até lá a partir de Pipariya.
      Chegando lá hospedei-me e fui dar um passeio. Realmente era uma cidade bem pequena, com população simples. Gostei muito de conhecê-la. Sem grandes atrativos feitos para turismo, ela em si foi para mim um evento turístico 👍.
      Na 3.a feira 16/11 fui até Pachmari. Descobri que era a cerca de 50 km e havia um ônibus para lá. Fiquei lá o dia todo e voltei no final de ônibus.
      Para as atrações de Pachmari veja https://www.holidify.com/places/pachmarhi/sightseeing-and-things-to-do.html e https://wikitravel.org/en/Pachmarhi. Os pontos de que mais gostei foram os jardins floridos com vários tipos de atrativos naturais e pontos históricos ou mitológicos dos Pandavas (personagens do Bhagavad Gita).
      Adorei os jardins . Fiquei admirando as flores, de todos os tipos, muitas parecidas com as que vemos no Brasil, outras diferentes. As vistas do alto de colinas também eram espetaculares. Locais onde os Pandavas haviam estado também se destacavam no meio do bosque florido. Quase no fim da visita encontrei uma turista europeia, na garupa da moto de uma guia indiana. Perguntei o que ela estava indo ver e ela disse que iria para onde a guia a levasse. Sugeri os jardins, a guia sorriu e repetiu “os jardins com rosas” e se foram.
      Na 4.a feira 17/11 fui passear novamente pela cidade de Pipariya. Encontrei um adolescente indiano que começou a conversar comigo em inglês. Acho que desejava conhecer estrangeiros. Conversamos bastante e ele me pediu para ligar para ele depois. Eu disse que não conseguiria, nem teria sentido, pois tínhamos acabado de conversar. Acho que ele queria mostrar que tinha conhecido um estrangeiro e praticar inglês. Um pouco mais à frente, um outro jovem indiano disse-me rispidamente para não passar daquele ponto. Aparentemente era uma via pública. Não sei se entendi bem, pois ele falou em Hindi. Mas, na dúvida, resolvi voltar. À tarde peguei o trem para Manmad.
      Fiquei num banco junto com uma família grande (típica para padrões indianos). Pai e vários filhos. Trataram-me muito bem 👍. Ofereceram-me seu melhor biscoito. Por mais que eu recusasse, acabei comendo um para não ofendê-los. Estava muito bom. Deram informações sobre Mumbai, para onde eu iria depois. Falaram que na média era um lugar seguro. Perguntaram-me se eu era casado e ficaram surpresos quando disse que no Ocidente não era necessário ser casado para se fazer sexo ou ter filhos. O pai fez os filhos desocuparem um dos bancos para eu deitar. Eu protestei muito, mas não houve jeito de voltarem. E acabei deitando realmente. Cheguei em Manmad perto de meia-noite. Despedi-me. Agradeci muito e fui procurar um hotel. Nesta hora tudo é mais difícil, principalmente em termos de segurança num local desconhecido. Quando estava descendo do trem perguntaram se eu não tinha medo de fantasmas. Eu ri e disse que não. Mas quando fui cruzar um túnel subterrâneo, bem que fiquei pensando, quando vi uma sombra passar rapidamente 😃. Consegui encontrar um hotel perto da estação.
      Na 5.a feira dia 18/11 fui para Shirdi, onde fica a sede dos ensinamentos de Sai Baba. São cerca de 60 km. Peguei um ônibus de manhã e voltei à noite.
      Para as atrações de Shirdi veja https://wikitravel.org/en/Shirdi e https://shirdi.tourismindia.co.in/. Gostei bastante daqui . Fiquei somente nos itens envolvidos com os locais ligados a Sai Baba, que muito me agradaram.
      Achei bastante interessante a história de espiritualidade e busca da paz e amor de Sai Baba. Sua relação com a Natureza também me pareceu bastante íntima, como na história da passagem (morte) do tigre. Fiquei uma parte do tempo meditando 🧘‍♂️. Havia salas com ambientes bem confortáveis. Forneciam bebida (acho que era chá) gratuitamente. Gostei bastante desta meditação. Ninguém cobrou ou pediu nada. Mas para quem desejasse, era possível fazer doações. Não quis fazer na hora para não me deixar levar pelo impulso. Quando voltei ao Brasil, entrei no site para fazer uma pequena. Só achei um espaço para contato, que era de atendimento espiritual, que tinha uma advertência, dizendo que era só para aquele propósito e que assuntos mundanos não seriam respondidos. Mesmo assim escrevi (acho que 2 vezes) perguntando como poderia fazer a doação. Nunca me responderam.
      Na 6.a feira 19/11 fui conhecer Manmad. Não estava no meu roteiro original de pontos com atrativos ligados à espiritualidade, mas andando pela Índia pode-se encontrar itens ligados à espiritualidade em muitos lugares. E não sendo turístico, além de não haver possíveis aproveitadores querendo tirar vantagem, entrava-se em contato com a realidade pura da população.
      No passeio conheci meu primeiro templo Sikh da viagem. Interessante como foram atenciosos comigo. A espada que eles usavam, seus turbantes 👳‍♂️ e sua longa barba podiam assustar num primeiro momento. Remetiam-me, ainda que inconscientemente, aos estereótipos do cinema. Principalmente considerando o que havia ocorrido na chegada. Mas esta impressão logo se desfez pela maneira gentil com que me receberam e me deixaram conhecer seu templo. Fizeram questão que eu comece seu alimento típico do templo (uma espécie de doce) antes de eu ir embora. Fui também andar por áreas rurais e campos, num dado momento, acho que cruzei uma propriedade privada em direção a uma colina. Um pastor interceptou-me e abriu os braços, como que perguntando porque eu estava passando pelas terras dele. Mas seu olhar era amistoso. Eu respondi “namastê”. Ele riu e repetiu a expressão de braços abertos, como quem pergunta “que namastê?”. Repetimos umas 2 ou 3 vezes as mesmas palavras e ele riu do fato de eu só conseguir falar aquela palavra. Mas concordou que eu continuasse cruzando suas terras para ir até a colina, conforme meus gestos tentavam pedir.
      Acho que foi nesta cidade ou em alguma outra nesta altura da viagem que peguei uma lotação num riquixá. Num veículo em que cabem 2 pessoas, fomos em 8, além do motorista, sendo algumas (acho que eram 2) na frente, onde nem banco para passageiros havia.
      Acho que foi aqui também que comprei uma toalha com um bordado de Ganesha para um colega de trabalho. Ele havia pedido algo parecido, típico da Índia. Tinha pequenas estruturas metálicas douradas que compunham o desenho. Paguei US$ 10.00. Imagino que as mulheres que me viram comprar acharam o preço absurdamente alto, tanto que se esforçaram para não rir muito. No Brasil, acho que custaria de 5 a 10 vezes mais naquela época. Comprei também duas réguas de madeira com deuses para dar de presente a pessoas que pediram, no valor de US$ 1.00 cada.
      No sábado 20/11 tomei um trem para Mumbai. Foi uma viagem curta. Cheguei no meio da tarde. Fui procurar onde me hospedar. Acabei passando por um local com quartos compartilhados (o que chamamos de hostel ou guesthouse atualmente), que eu não conhecia. Naquele momento fiquei com receio e não quis. Como eu sou ignorante 😃! Depois que fiquei em um hostel em quarto compartilhado pela primeira vez em 2001, passei a optar por eles em muitas ocasiões. Num dos locais, quando disse que estava procurando por algo mais barato, citei que havia ouvido falar de Doki (ou um nome semelhante) e o dono me disse que não era uma área segura, que era muçulmana. Senti uma certa discriminação em relação aos muçulmanos. Acabei ficando num hotel na zona central, perto da Praça da CST (estação terminal de trens). Alguns funcionários pediram-me caixinhas no fim da hospedagem, que não dei (eles não prestaram nenhum serviço extra para mim).
      Para as atrações de Mumbai veja https://wikitravel.org/en/Mumbai e https://www.tripadvisor.com.br/Attractions-g304554-Activities-Mumbai_Maharashtra.html. Gostei bastante daqui . Os pontos de que mais gostei foram as construções arquitetônicas e históricas típicas, os templos, a Trimúrti em Elephanta, o Portão da Índia, a orla, e toda a cidade. Voltei para lá em 2015 e pude conhecer alguns locais diferentes.
      Em Mumbai havia bem menos vacas soltas pela cidade. Ao longo dos 3 dias, visitei o Portão da Índia, por onde chegaram e regressaram as forças britânicas, toda a orla no seu entorno, a área central, os prédios históricos e artísticos, como o Príncipe de Gales, galerias de arte, templos, mercados (principalmente de incensos) e muitos outros pontos num city tour. Fiz uma excursão de barco à Ilha de Elefanta, onde havia estruturas históricas e até arqueológicas preservadas. Havia uma cabeça trimúrti esculpida numa enorme pedra, com uma face de Brahma, uma de Vishnu e outra de Shiva. Um guarda chamou minha atenção quando visitava a área arqueológica, achando que eu poderia não ter o ingresso ou que estava em área inadequada. Depois que viu o ingresso indicou-me para conhecer a área em que estavam as demais pessoas. A vista de Mumbai a partir de mar também pareceu-me muito bela 👍.
      Também passei um tempo procurando por um incenso que minha prima Bernadeth havia pedido, chamado Green Champa. Não encontrei em nenhum lugar um com o mesmo nome ou marca. Deixei para comprar na volta.
      No primeiro dia, quando saí para passear sem objetivo definido, só para conhecer a cidade em estado puro, vi uma agência do Citibank com caixa automático. Meu cartão pré-carregado era do Banco de Boston. Mesmo assim, resolvi tentar sacar. Era sábado, mas o vigia estava lá atento e me perguntou em inglês se poderia me ajudar. Expliquei a situação e ele me respondeu que eu poderia tentar na última máquina. Fui lá descrente. Logo de início a máquina perguntou-me o mesmo que o vigia “May I help you?”. Prossegui. Em menos de 5 minutos, consegui sacar tudo o que queria e que vinha tentando fazer havia mais de 10 dias sem sucesso 👏. Isso não é uma propaganda. É apenas a descrição do que ocorreu.
      Acho que foi aqui também que conheci o sanduíche vegetariano do McDonald’s, que na época acho que não existia em outros lugares do Ocidente. O BigMac lá não era com carne de vaca e se chamava Maharaja Mac. Eu não experimentei, mas ouvi falar que era com carne de carneiro. Parece que atualmente é com carne de frango.
      Também aqui, acho que foi que me pesei. Tinha emagrecido cerca de 9 kg. Eu só pesava 65 kg antes da viagem. Estava com 56 kg. E olha que eu já tinha começado a me alimentar melhor desde de Satna, quando descobri como fazê-lo. Nem imagino quantos quilos perdi no momento em que estava com maior deficit alimentar.
      Mumbai era uma cidade enorme, com população semelhante à de São Paulo naquela época. Achei inviável conhecê-la completamente em 2 ou 3 dias. No domingo à noite resolvi comprar um city tour, que embora no geral não me agradasse, neste caso foi um dos poucos que me pareceu compensar.
      No city tour da 2.a feira 22/11 acho que eu era o único estrangeiro. Fui numa excursão bem popular, então a maioria das pessoas parecia ser do interior do país. Eram pessoas aparentemente bem simples. O guia colocou-me no banco do motorista, junto com ele, acho que para facilitar a comunicação e talvez por achar que eu não me sentiria bem junto com os outros. Até onde me lembro, passamos em construções históricas no centro (algumas eu já havia visitado), no templo jainista (que ficava bem distante), em um parque com área verde, num shopping center (o guia ajudou vários a subir na escada rolante – talvez alguns nunca tivessem andado em uma), num parque científico e de diversões educativas, no templo Hare Krishna (que tinha um enorme lustre, aparentemente luxuosíssimo e pesadíssimo), em Bollywood e em uma enorme praia no seu entorno. Durante o almoço eu preferi não acompanhar o grupo e aproveitar o tempo para conhecer um templo e a área nas redondezas, algo com que o guia concordou. Numa das paradas, se me recordo foi no parque científico e de diversões, algumas pessoas atrasaram e o motorista ficou muito bravo 😠. Eu não entendi as palavras que ele falava, mas ele estava gritando com os que chegaram atrasados e alguns retrucaram. O guia também pareceu repreender os passageiros pelo atraso, mas depois gritou um pouco com o motorista, imagino que por achar que ele estava extrapolando nas reclamações. Depois da última parada, acho que o motorista jantou e deve ter bebido um pouco, visto que no retorno estava bem alegre, rindo e parecendo num estado de consciência um pouco alterado. Furou o pneu do ônibus 🚍. Era para retornarmos por volta de 18h ou 19h, mas atrasamos e iríamos chegar perto de 20h. Com o furo do pneu ficou imprevisível. Eu tinha uma passagem de trem com saída prevista para as 22h com destino a Goa. O pessoal, vendo a situação, pensou em conseguir um táxi para mim. Mas eles viabilizaram a troca do pneu e eu voltei com eles no ônibus mesmo, chegando ainda, se bem me lembro, com cerca de 1 hora de antecedência na estação.
      Peguei o trem conforme previsto e a viagem foi durante a noite. Sentei num banco ao lado do qual havia várias pessoas jovens de uma excursão. Sentei do lado de suecas, mas um tempo depois chegaram algumas brasileiras, que estavam num programa de estadia de 1 ano na Índia. Elas se surpreenderam em ver outro brasileiro e demonstraram felicidade 😊. Começamos a conversar sobre a viagem, a Índia e o Brasil. A moça com que mais falei era carioca. Naquele deslocamento, estavam passeando pelo sul e pretendiam ir até o extremo, em Kanyakumari. Conheci também um mexicano da excursão, que tentou falar algumas palavras em português. Palavrões ele sabia 😃. Parecia ser grande amigo delas. Se bem me lembro, eles desceram em uma ou mais paradas antes de mim. Eu desci em Margão, mais ao sul. Era 3.a feira, 23/11, meio da tarde.
      Fui procurar onde me hospedar e encontrei um homem que falava algumas palavras em português. Ele alugava uma espécie de kitnet na Praia de Colva. Achei a ideia interessante. Falou que sua mãe falava português. Convidou-me para ir até a sua casa. Aceitei. Lá, sua mulher preparou uma bebida chamada lassi, que achei deliciosa 👍. Parecia leite doce com iogurte de frutas. Resolvi ficar na kitnet que ele propôs. Ele me levou até lá e me deixou com as chaves, combinando de me reencontrar 2 dias depois, quando eu devolveria e entregaria o apto. Adorei a Praia de Colva, linda, tranquila, mar calmo com água quente.
      Para as atrações de Panaji e Margão veja https://wikitravel.org/en/Panaji, https://www.tripadvisor.com.br/Attractions-g303877-Activities-Panjim_North_Goa_District_Goa.html, https://wikitravel.org/en/Margao e https://www.expedia.com.br/Margao.dx6053392. Adorei Goa . Parecia o mundo que eu conhecia. Os pontos de que mais gostei foram as igrejas, os monumentos e estruturas de origem portuguesa, a praia e as cidades como um todo.
      Na 4.a feira 24/11 fui visitar Margão e Panaji. Fui visitar uma mesquita. Lá houve um pequeno incidente e eu, acostumado com os templos hindus, sentei em posição de meditação. Quando um ancião cumprimentou-me sorrindo, eu o cumprimentei rapidamente, sem a devida atenção . Acho que consideraram desrespeito e que eu estava me portando como hindu. Expulsaram-me.
      Havia igrejas cristãs enormes aqui, acho que por herança do período de ocupação portuguesa. Achei muito belas 👍. Encontrei as brasileiras da excursão fazendo um passeio pela cidade. Cumprimentamo-nos e elas me disseram que eu era feliz por poder gastar o tempo que quisesse na visita de algum ponto específico, posto que o grupo delas tinha horários, pelo que entendi.
      O trânsito aqui era bem mais tranquilo do que em outras partes da Índia. Mesmo assim, numa avenida, vi um cachorro quase ser atropelado 🐕. Mas ele saiu ileso. Fiquei sensibilizado pela cena.
      Achei interessante haver vários nomes em português, como descrições de monumentos ou locais. Gostei de Velha Goa, parecida com algumas cidades coloniais brasileiras.
      Na 5.a feira 25/11, tirei o dia para passear por Colva e arredores e ir à praia 🏖️. Que praia deliciosa. Foram férias dentro das férias. Sol, calor moderado, mar calmo, pouca gente. Eu adoro praias e desta gostei muito.
      No meio da tarde voltei para o apto para arrumar minhas coisas para partir. Pretendia limpar o apto, mas o dono chegou logo após eu ter tomado banho e acabado de arrumar minhas coisas. Tentei ainda varrer um pouco o chão, mas ele disse que não havia problemas e insistiu para eu deixar daquele modo mesmo. Disse que me levaria à estação e eu disse que não precisava, para não o incomodar. Ele disse que não havia problema, mas eu achei que seria abuso da minha parte. Então ele me deixou num ponto de ônibus. Peguei o trem no fim da tarde e cheguei em Mumbai no dia seguinte de manhã, 6.a feira, 26/11. Na estação um casal de britânicos (eu imagino), que tinha ido por conta própria para Goa (eu imagino), comentou comigo, com voz emocionada, que tinha sido uma grande experiência. Eu pensei “Eles não viram nada, Goa é extremamente ocidentalizada, imagina se tivessem passado por onde eu passei”.
      Tinha uma passagem para Ahmedabad no fim do dia. Então resolvi aproveitar o dia para dar um passeio em Mumbai. Mas primeiramente tinha que comprar os incensos que a Bernadeth havia pedido. Estava ocorrendo uma enorme feira ali perto. Havia um setor de barracas que vendia grande variedade de incensos. Um indiano de uns 50 a 60 anos, vendo minha dificuldade com a língua, ajudou-me a falar com os vendedores em uma feira local. Mas ninguém tinha aquele incenso, em nenhuma daquelas barracas. Quando consultei pela 2.a vez o dono de uma barraca, ele irritou-se. Resolvi comprar então alguns com nomes parecidos.
      Dei uma passeio pela área central, revisitei o Príncipe de Gales, só por fora. Se bem me lembro fui até o Portão da Índia novamente também e apreciei a orla.
      Neste dia ou nos dias anteriores em que estive na cidade, visitei uma galeria, onde um rapaz explicava aos donos ou autores da obra, que não tinha dinheiro disponível para gastar com pinturas. A visita para mim foi gratuita.
      Numa das cidades, entrei num templo hindu e me sentei para contemplar e meditar. Uma mulher com trajes indianos apareceu na porta e veio diretamente até onde eu estava e sentou do meu lado. Começou a cantar mantras. Achei-os maravilhosos e envolventes 👍. Após alguns minutos, um homem, talvez responsável pelo templo, falou rispidamente com ela (não sei se tinha alguma relação com ter sentado perto de mim, um estrangeiro, ou com sua casta), ela aparentemente respondeu fragilizada e se levantou para sair. Foi só então que percebi que ela era cega ou com baixíssima visão, pois saiu tateando e quase tropeçando. Este evento pode ter acontecido na viagem que fiz ao Nepal, 4 anos depois. Como não citei lá, escrevi aqui.
      No fim do dia peguei o trem para Ahmedabad e lá cheguei no sábado 27/11 pela manhã. Assim que cheguei, dirige-me a um aparente habitante local em inglês e ele me respondeu “No English in Gujarat”, numa mostra que eu teria dificuldades com a comunicação verbal. Fiquei hospedado perto da estação.
      Para as atrações de Ahmedabad veja https://wikitravel.org/en/Ahmedabad e https://www.tripadvisor.in/Attractions-g297608-Activities-Ahmedabad_Ahmedabad_District_Gujarat.html. Gostei daqui, principalmente dos pontos relacionados a Gandhi, à religião hindu e à cordialidade com que me trataram os muçulmanos. Em Ahmedabad havia bastante poeira e as vacas voltaram a aparecer em grande número.
      Fui visitar o Ashram de Gandhi, de que muito gostei 👍. A simplicidade e autenticidade de Gandhi sempre me encantaram. As áreas naturais da cidade também muito me agradaram. Os aspectos típicos da Índia, bem como a proporção maior de muçulmanos pareceram-me bastante interessantes. Visitei templos e mesquitas 🕌, com cautela com as lições aprendidas anteriormente na viagem.
      No domingo 28/11 fiz uma excursão a Gandhinagar, Era um local com bela área natural e o templo de Swaminarayan. Lá, um indiano, ao me perguntar sobre meus interesses, sugeriu que eu visitasse Akshardam, um complexo com exibições da cultura e religião hindu, citando Upanishads, Mahabarata, Ramayana etc. Disse que vinha gente de todos os locais para visitá-lo e eu não poderia perdê-lo. Vendo que ele estava gastando bastante tempo comigo, agradeci, mas disse que não queria tomar seu tempo. Ele disse que era para pessoas com interesses espirituais como os meus que ele estava ali e que não era gasto de tempo nenhum. Gostei muito, mas como as exibições eram na língua local (não sei se era Hindi ou Gujarati), não compreendi o que era falado. Mas mesmo assim pude aproveitar bem. No fim voltei ao homem que me havia indicado e disse que havia gostado, mas muitas falas não havia entendido. Ele pacientemente explicou-me todos os momentos da exibição.
      Retornei de ônibus já à noite para pegar o trem para Udaipur. O ônibus estava cheio e havia muitas moças muçulmanas 👧. Cedi meu lugar para elas e não me sentei. Mas elas insistiram que eu sentasse. Eu não quis. Depois de muito insistirem eu sentei. Várias delas bateram palmas. Pedi a uma delas que falava inglês para me avisar em que ponto descer, dando como referência a estação. Não podia errar, pois o horário estava um pouco apertado. Mas ela me informou corretamente. Agradeci, desci e agradeci novamente. Elas acenaram despedindo-se. Pareceram ter gostado do contato com um ocidental, que deveria ser raro por ali.
      Nas viagens finais de trem eu já estava bem esperto em relação às especiarias que se colocava nos alimentos pedidos. Assim, quando comprava um pão, biscoito ou salgado, ficava bem atento ao vendedor e, quando ele ameaçava pegar algum pote para despejar especiarias no alimento, eu rapidamente pedia que não, fazendo gestos.
      Peguei o trem para Udaipur à noite e cheguei lá na 2.a feira 29/11 de manhã. Não gosto de viajar durante ‘a noite, mas infelizmente devido a toda confusão com a troca de passagens, ao prazo apertado da viagem, à lotação dos trens e aos horários específicos, acabei viajando à noite em vários trechos. Hospedei-me perto da estação. O atendente de um hotel foi tão insistente, que eu acabei não ficando hospedado em seu hotel.
      Para as atrações de Udaipur veja https://www.tourism.rajasthan.gov.in/udaipur.html e https://wikitravel.org/en/Udaipur. Os pontos de que mais gostei foram o ambiente natural, o lago, o ponto do pôr do sol e os palácios 👍.
      Durante os 2 dias em que lá estive visitei várias áreas naturais e palácios. Lá foi filmado 007 contra Octopussy. Gostei muito do lago. E o pôr do sol visto a partir do Ponto do Pôr do Sol, um local elevado na beira do lago, foi uma das vistas mais belas de que já desfrutei . Enquanto apreciava o sol em seu movimento descendente, encontrei 2 americanas, que também tinham ido lá para isso. Quando falei que era brasileiro elas suspiraram e perguntaram se eu morava perto da costa. Pareciam gostar de praias.
      Se bem me lembro, foi aqui que num dos dias, o atendente de um dos hotéis em que eu não havia ficado veio até mim de modo incisivo dizendo que estava se sentindo aborrecido e que por isso precisava que eu conversasse um pouco com ele. Eu já tinha meu itinerário previsto, achei a forma da abordagem inadequada, mas, mesmo assim, parei um pouco para falar com ele. Ele logo desinteressou-se. Achei na hora que tinha sido uma boa escolha não ter ficado no hotel dele.
      Acho que foi daqui que falei com Singh por telefone e expliquei que tinha trocado algumas passagens. Ele pareceu surpreso e me perguntou porque. Combinamos o reencontro quando eu chegasse na volta. Confirmei para ele o horário e o local.
      Na 4.a feira 01/12 de manhã bem cedo peguei o trem para Nova Déli. Cheguei no meio da tarde. Durante a viagem estava meio emocionado. Pude sentar na janela, pois o trem estava relativamente vazio, comparado aos outros. Era minha última viagem de trem na Índia, antes do regresso ao Brasil. Fui apreciando a paisagem e relembrando todas as dificuldades que tinha tido na viagem. Incrível eu ter chegado ao fim sem nenhuma consequência mais grave, dado tudo que ocorreu. Quando cheguei à estação estavam lá Singh e seu sócio esperando-me. Este último trecho eu não mudei em relação ao que haviam comprado originalmente. Eu, sinceramente, nem mais contava com nosso reencontro, no meio de toda quela gente, apesar do fim do city tour em Nova Déli ainda ter ficado pendente. O sócio dele me reconheceu e nos reencontramos. Singh me disse que, por sua experiência, imaginava que eu não conseguiria fazer a viagem prevista originalmente. Fomos para seu escritório e me ofereceram um passeio a Haridwar e Rishikesh, que recusei. Combinei com eles de fazer o city tour no dia seguinte e finalmente consegui hospedar-me na Janpath Guesthouse, perto de Connaught Place. Se bem me lembro, ainda deu tempo de passear um pouco antes do escurecer e achei o entorno interessante 👍. O responsável pela guesthouse disse-me que eu parecia 45% indiano e 55% estrangeiro.
      Na 5.a feira 02/12 fui de ônibus ao escritório da companhia de turismo para fazer a parte final do city tour. Acharam engraçado e talvez despropositado quando disse que tinha ido de ônibus e me perguntaram se estava lotado. Perguntaram se eu daria alguma gratificação. Achei que tinha pago muito mais do que teria sido adequado, ainda mais com o desencontro havido em Varanasi, a necessidade de pagamento extra aos guias e a Bilu e as passagens de trem em sequências inviáveis. Mas, para não fugir do protocolo, dei US$ 5.00 ou US$ 10.00 num envelope. Como já tinha dado bem mais para Bilu, achei que estava razoável. O sócio de Singh, quando declarei o valor da gorjeta no envelope, falou algo de desagrado em Hindi. Mas Singh disse em voz calma, talvez um pouco decepcionada, que eu havia pago tudo como combinado. Disseram-me que Bilu estava em outra excursão e outro motorista iria acompanhar-me. Aceitei e fui com ele.
      Quando Singh me falava sobre cuidados, o motorista disse que sabia que a criminalidade no Brasil era pior do que na Índia, algo com que concordei, depois de ter viajado pela Índia. Visitamos vários pontos, entre eles o Templo Flor de Lótus, o Qutab Minar, uma espécie de Museu ou Memorial de Gandhi . Neste último, quando entrei estava voando em pensamentos e talvez com a fisionomia um pouco fechada. Um rapaz fez para mim sinal de calma e paz. Eu sorri docemente, para mostrar que eram somente pensamentos irreais. No Templo Flor de Lótus, uma moça da comunidade Baha’i recebeu-me muito bem e sorriu quando deixei bater a porta, pois reinava o silêncio e as pessoas tentavam meditar ou estavam em contemplação. Achei este templo magnífico , tanto do ponto de vista da arquitetura, quanto da atmosfera espiritual reinante. No fim do dia, perguntei ao motorista se era devido pagamento pelos seus serviços e ele me disse que era costume, mas que não precisava me preocupar, para só fazer se achasse que deveria. Achei sua postura tão correta, que acabei dando a ele por somente um dia tanto ou um pouco mais do que havia deixado no envelope, se bem me lembro.
      Singh deu-me cartões de visita para eu trazer ao Brasil. Acabei não recusando, mas pensei melhor e decidi descartá-los, pois não achei adequada a abordagem inicial, nem o preço, nem a confusão com as passagens, nem os pagamentos extras, embora não possa negar que para o que recebi, o preço foi aceitável em padrões internacionais, embora inflado em padrões indianos. Talvez o que mais tenha me contrariado, foi que eu não pretendia fazer uma viagem com guias nem hotéis de razoável nível. Só optei pelo pacote devido ao evento da chegada no aeroporto. E quando comecei a viajar por conta própria, a partir da 2.a semana, ficou ainda mais claro que aquele era o tipo de viagem que eu desejava, desde o início. Enfim, tanto tempo depois, concluo que foi um gasto útil (embora pudesse ter sido muito menor) para aprender a me virar sozinho em um país em que não conhecia a língua, nem o alfabeto, nem os costumes, nem as tradições e nem quase nada. Depois disso, nas outras viagens que fiz a países assim, já sabia como me virar. E aprendi a lição principal. Nunca chegar num local desconhecido de madrugada. Se chegar, ficar no local onde cheguei (aeroporto, rodoviária, porto, posto de gasolina etc) até amanhecer. Isso aconteceu algumas outras vezes depois desta viagem.
      Na 6.a feira 03/12, meu último dia, estando novamente por conta própria, fui conhecer Velha Déli. Na saída da guesthouse encontrei um rapaz que depois de eu dizer meu destino e falar que iria a pé, disse que não era possível ir a pé. Eu ri levemente, dizendo que iria mesmo assim e ele, vendo que seu argumento não tinha me convencido, irritou-se. Gostei da área de Velha Déli, mas achei muito empoeirada e com muita gente para as suas ruas estreitas. Visitei Jama Mashid, famosa mesquita muçulmana. Pedi para subir no minarete e, para minha surpresa, autorizaram-me. Visitei também um Gurudwara Sikh, de que também gostei. Minha impressão geral sobre os Sikhs nesta viagem (e nas posteriores também) foi bastante positiva. Fiquei surpreso de conhecer um hospital de passarinhos 😮 mantido pelos jainistas (uma religião parecida com o Hinduísmo – para mais detalhes veja https://pt.wikipedia.org/wiki/Jainismo). Eles respeitavam todas as formas de vida.
      À noite voltei ao hostel, jantei uma pizza grande deliciosa (se bem me lembro, era da Pizza Hut), com um pouco de especiarias, o que se mostrou um grande erro. Conversei um pouco com uma hóspede (se bem me lembro da Escandinávia) e fui deitar um pouco, antes de pegar o táxi para o aeroporto, pois o voo saía no início da madrugada. Ao deitar, com o estômago cheio, creio que não fiz bem a digestão. Peguei um táxi confiável desta vez, credenciado e chamado pela guesthouse e a corrida transcorreu bem, sem nenhum problema. No avião, comi as refeições, com um pouco de especiarias também.
      Cheguei em Frankfurt na manhã do sábado 04/12. Estava bem mais frio do que na vinda. Perto de 5 C, quando vi o termômetro bem mais tarde (perto de 10h ou 12h). Fui tentar descobrir como ir por conta própria para o centro da cidade. Fiquei tentando ler as instruções na máquina automática de bilhetes. Um casal, a quem perguntei, ajudou-me a escolher o bilhete correto e me orientou a comprar um bilhete para o dia, que era mais barato do que a ida e volta. Peguei o trem, admirei a paisagem europeia de outono, quase inverno, que só tinha visto em filmes, e desci na área central.
      O Römer esteva decorado para o Natal e estava havendo a exibição de uma orquestra com crianças tocando os instrumentos e cantando (o maestro era adulto). Havia vários enfeites de Natal. Achei a Casa de Goethe muito grande. Pelo que entendi moravam lá 4 pessoas e, se me lembro, a casa tinha 3 ou 4 andares. Havia também empregados, mas mesmo assim, para os padrões atuais, pareceu-me uma casa enorme. Uma alemã, que também fazia a visita, deu-me algumas explicações. Fui passear pelo Rio Main e ver os museus por fora. Até pensei em entrar em algum, mas desisti por achar seu tamanho muito grande, o que me impediria de conhecê-lo completamente e também me faria não visitar mais nada. Visitei a catedral e uma exposição associada, que mostrava sua imagem durante a 2.a Guerra Mundial e, quase toda a cidade destruída, e somente ela parcialmente preservada dos bombardeios.
      Depois fui a uma outra igreja protestante, em que uma moça ensaiava piano 🎹. Gostei muito, Aplaudi depois que ela acabou. Ela, que estava numa espécie de mezanino, num andar superior, veio até a grade, sorriu e me agradeceu. Ouvi mais um pouco e depois fui embora, aplaudindo enquanto saía. Interessante que, certa vez, eu fiz isso no Santuário de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, no Sumaré, em São Paulo, e a moça que tocava piano também parou, mas veio me perguntar se eu estava procurando alguém, se havia algum problema. Este evento chamou-me a atenção para a diferença de percepção existente para a arte nos dois locais.
      Estava começando a escurecer e ainda eram 16h. Fui apreciar o pôr do sol a partir de uma ponte no Rio Main. Espetacular , apesar do frio. Eu já estava sentindo um certo desconforto estomacal e a partir deste ponto começou a me dar vontade de ir ao banheiro.
      Depois disso fui conhecer um mercado e paguei $ 1 marco para ir a um banheiro público. Creio que fui umas 3 vezes. Não me entendi bem com a porta e acabei achando que estava preso no banheiro. Bati muito para alguém escutar e vir me soltar, até que descobri o jeito do trinco. Estava saindo, quando chegou a responsável assustada. Eu pedi desculpas com um sorriso envergonhado 😃.
      Passeei ainda um pouco pelo mercado e fui dar mais uma volta no Römer, que estava muito bonito à noite. Cruzei com jovens e uma moça olhou-me com aparente raiva, dizendo "Ele é americano". Eu estava com uma blusa que minha tia havia me dado do Departamento Florestal dos Estados Unidos, com as cores do país. Foi a única blusa de frio que levei para a viagem, especificamente para esta passada na volta pela Alemanha. Depois deste episódio, resolvi cruzar os braços sobre a inscrição "US Forest" da frente.
      Alguns alemães disseram-me que não falavam inglês, quando me dirigi a eles pedindo informações, principalmente os mais velhos. Não sei se de fato não falavam, ou não gostavam muito de falar inglês.
      Já estava bem mais frio, acho que -1 C , e eu não tinha roupas para isso, Começou uma leve chuva ou neve. Isso acabou fazendo um estrago, que ficou limitado, pelo pouco tempo a que fiquei exposto. Já à noite, peguei o trem para o aeroporto e embarquei para o Brasil.
      Não desfrutei deste voo 😞. Não comi em nenhuma das refeições. Aborreci meu companheiro de poltrona várias vezes para ir ao banheiro. Dormi durante boa parte do trecho, o que é raríssimo de acontecer, posto que não consigo dormir em aviões. Uma moça (acho que era brasileira e deve ter pensado que eu era estrangeiro), fez sinal com a mão para eu comer, quando a aeromoça passou, e com cara de decepção, ouviu minha recusa para uma das suas últimas ofertas de alimentação e bebida.
      Chegamos no domingo 05/12 de manhã. Meu companheiro alemão de poltrona olhou pela janela e me disse “Marginal Tiéte”, desta maneira. Eu respondi “Não, Marginal Pinheiros”, mas logo olhei melhor e disse “Marginal Tietê”, acenando a cabeça para ele, dizendo que ele estava certo.
      Estava com tosse de cachorro (é uma tosse profunda e meio rouca). Falei com a minha prima Bernadeth e no dia seguinte ela me ligou novamente para ver se a tosse continuava. A tosse tinha sumido. Ela me disse que pensou que eu poderia estar com pneumonia. Mas acabou ficando tudo bem com minha saúde.
      Hoje, mais de 20 anos depois, considero que esta foi uma das melhores viagens da minha vida. Porém talvez a mais complicada, em que passei por muitas situações difíceis. Mas acho que valeu a pena. 🙂
    • Por Fora da Zona de Conforto
      Mudar-se para o exterior pode ser difícil. Envolve muito planejamento, meses de preparação e, infelizmente, muitas vezes, muito estresse para todos os membros da família.
      Quando você finalmente chega ao seu novo destino, pode ser um alívio. Mas há muito a fazer quando você estiver em sua nova casa; desfazer as malas, mobiliar uma casa, conseguir novos empregos, escolas e círculos sociais.
      É por isso que recomendamos tirar um dia de folga do trabalho e sair com a família. Aqui estão as nossas 5 aventuras emocionantes para experimentar ao viajar com sua família ou fazer uma pausa da vida cotidiana.
      Certificamo-nos de que são adequados para as crianças e também divertidos para os adultos, para que todos estejam seguros, felizes e se divertindo!
      Não está se mudando para o exterior? Não deixe que isso o impeça. Você ainda pode participar dessas aventuras com sua família, ou mesmo sozinho.
       
         1. Visite os Animais
      Ver, tocar e experimentar animais selvagens de perto é sempre uma ótima ideia. Não há nada como encontrar uma criatura selvagem para dissipar o estresse da sua vida cotidiana!
      Se seus filhos são muito pequenos, pode ser uma boa ideia começar com uma visita ao zoológico local. Mas quando seus filhos tiverem idade suficiente para apreciar os animais e entender como é uma experiência incrível estar perto deles, você pode olhar para outros encontros.
      Faça um pouco de pesquisa por atividades com animais em sua área. Provavelmente, você encontrará alguns encontros próximos que não são apenas um zoológico comum.
      Você pode encontrar uma experiência com animais exóticos que permite interagir com animais que normalmente não são encontrados em seu país ou área. Mesmo que você só consiga encontrar a vida selvagem normal, a chance de interagir, chegar mais perto e experimentar a beleza dessas criaturas é algo que só acontece uma vez na vida!
       
      Continue lendo em: 5 Aventuras para Experimentar ao se Mudar para o Exterior com a Família
    • Por Tadeu Pereira
      Trilha da Praia do Bonete - Ilhabela - São Paulo
      Praias: Praia do Bonete, Buraco do Cação e Praia das Enchovas
      Cachoeiras: Cachoeira da Laje, Cachoeira do Areado e Cachoeira do Saquinho
      Dificuldade: Média
      Distância: 15 km
       
      Salve salve mochileiros!
           Segue o relato desta famosa trilha situada em Ilhabela no litoral Norte de São Paulo, iniciada na parte sul da ilha a aproximadamente 9Km da balsa entre São Sebastião e Ilhabela. A trilha é de nível fácil/moderado com muitas subidas e descidas na maior parte caminhando dentro da mata, passando por três lindas cachoeiras, com alguns mirantes e sempre caminhando com o som do mar. 
      Partida - 13/09/21 - Ida 9:00am - São Paulo x São Sebastião -> BlablaCar R$60,00 - Balsa x Ponta da Sepituba  -> Ônibus R$5,00
           Partimos do Terminal Rodoviário do Tietê na zona Norte de São Paulo por volta das 9:00hrs da manhã de carona que conseguimos pelo aplicativo BlablaCar pagando R$60,00 cada um até a Balsa entre São Sebastião e Ilhabela. A viagem foi tranquila e em aproximadamente duas horas e meia chegamos na Balsa do lado de São Sebastião. Tivemos a sorte de chegar e já pegar a balsa/catamarã até Ilhabela que durou menos de 30 minutos a travessia. Chegando do lado de Ilhabela caminhamos por alguns metros até um pequeno terminal de ônibus à esquerda onde pegamos o ônibus com nome de Borrifos. O ônibus logo saiu e seguiu sentido sul da ilha passando por praias como a Praia da Feiticeira, Praia do Julião, Praia do Veloso entre outras até parar no ponto final. A trilha começa basicamente neste ponto pois após descer do ônibus começamos caminhando por 3 km até a entrada da trilha.  
       
       


           Na entrada da trilha existe uma guarita onde fica um monitor passando algumas instruções, informações e dicas da trilha. Enchemos nossas garrafas d'água na guarita, checamos nosso equipamento, passamos o repelente e iniciamos a trilha por volta das 13:00hrs. Já no início da trilha se tem uma ideia de como será difícil todo o percurso com todo o peso das mochilas nas costas. Já começamos com uma subida daquelas onde o filho chora e a mãe jamais vê ahahahahha. Mas como quase toda subida tem uma recompensa no final ahuahauha, fomos presenteados também com o primeiro mirante com vista para o mar da trilha. 


           Depois de alguns minutos contemplando aquele lindo visual do mirante, seguimos em frente por mais uns 2 quilômetros até chegar na entrada da Fazenda da Lage. O local tem uma estrutura boa e simples onde oferecem camping, pousadas, restaurante, wi-fi, cozinha compartilhada, cachoeiras, linda vista do mar e uma linda vista de cima do famoso Buraco do Cação. Para quem quiser passar o dia só para visitação será cobrado o valor de R$10,00 Reais e para camping o valor e de R$60,00 Reais por pessoa. Existem também opções de quarto compartilhado e suítes. Como tínhamos tempo e provavelmente iríamos chegar quase à noite na Praia do Bonete naquele dia, resolvemos ficar na Fazenda da Lage e curtir os atrativos naturais do local e seguir a trilha até o Bonete no dia seguinte. Conseguimos acampar por R$50,00 Reais em um camping com um visual de tirar o fôlego.
       


           Com o sol ainda alto no céu deixando o tempo abafado e muito quente dando um cenário ideal para curtir uma boa cachoeira de águas geladas da Mata Atlântica, resolvemos nos refrescar primeiramente na Cachoeira da Laje. Após uma trilha de 5 minutos logo chega em um complexo com diversas cachoeiras e corredeiras chamada de Cachoeira da Laje. 



       






           Depois da alma lavada nas águas geladas da cachu, retornamos o mesmo caminho e fomos para a outra trilha que leva para o mar. A trilha também é de 5 minutos e leva para a costa do mar. Não existe praia neste local e sim um costão onde o mar encontra as rochas fazendo do local ótimo para contemplação dos elementos da natureza. 



           Com o sol quase se pondo atrás das montanhas, corremos para fazer a trilha do Buraco do Cação. Retornamos ao camping e de lá partimos para a trilha que leva ao local. A trilha é rápida, fácil, sinalizada e em poucos minutos estávamos em cima da fenda do Buraco do Cação. A vista é fantástica! O buraco do Cação é um paredão de rocha de aproximadamente 80 metros de altura e devido as altas marés existe uma caverna esculpida nas rochas de quase 50 metros de comprimento. A vista de cima é surreal e ao mesmo tempo muito perigosa. O acesso ao final da trilha onde da uma visão exatamente de cima da fenda e extremamente perigoso e com muita exposição a altura. Mas o visual é de tirar o fôlego e vale muito a pena!
       



           Antes do sol se por retornamos para o camping para tomar um bom banho quente, comer alguma coisa e jogar um pouco de conversa fora com alguns locais e campistas que estavam no local. A noite estava linda e estrelada com o som forte das ondas contra as rochas e com um clima muito agradável. Fomos dormir cedo para descansar e acordar com disposição para ai sim fazer toda a trilha até a Praia do Bonete. 




             Assim que os primeiros raios de sol saíram nós despertamos para comtemplar o seu nascer. Fizemos um bom café da manhã reforçado para encarar a trilha e como o tempo amanheceu muito bom, não podíamos perder tempo para começar a caminhar. Desmontamos acampamento, despedimos do pessoal e partimos para trilha rumo à Praia do Bonete por volta das 9:00hrs. 

           Saindo do camping Fazenda da Laje caminhamos por poucos metros e já atravessamos por meio de uma ponte a Cachoeira da Lage. Logo após atravessar a ponte ou pela água mesmo, em poucos metros existe um pequeno desvio que leva a algumas cachoeiras e poços d'água para nadar e mergulhar que fazem parte do complexo de cachoeiras da Lage. 
       
       

           Continuamos a caminhada sem ficar muito tempo nas cachoeiras, pois pelos relatos o trecho a seguir entre as cachoeiras da Laje e do Areado seria o mais complicado da trilha. E realmente foi. Neste trecho existem muito sobe e desce, muitas pedras escorregadias pelo caminho e o clima estava muito quente e úmido que nos desgastou um pouco. Após aproximadamente umas duas horas e meia caminhamos até chegar na Cachoeira do Areado, que também contém uma ponte para travessia sem necessidade de atravessar pelas águas. Fizemos uma breve parada para fazer um lanche, encher as garrafas d'água e partimos.



           Após a Cachoeira do Areado o caminho se torna um pouco melhor rendendo mais na caminhada. Neste trecho encontramos o primeiro mirante que da vista para a praia do Bonete, uma dose de ânimo para chegar logo à praia. Andamos por aproximadamente mais uma hora e chegamos na Cachoeira do Saquinho. Na minha opinião a cachoeira mais bonita das três da trilha. 


           ,

       

           Passando pela Cachoeira do Saquinho já se vê uma placa informando que faltaria somente 1 km para praia. É um dos trechos mais bonitos da trilha, pois existem diversos mirantes com a vista completa da Praia do Bonete. 



       
           A Praia do Bonete realmente é fantástica. Suas areias claras, águas claras azuladas, rio de água doce, praia vazia, as pessoas da comunidade são super receptivas com turista e muita natureza para sair explorando, foi a combinação perfeita para um dos lugares mais bonitos de Ilhabela. Colocar os pés naquelas areias foi como ganhar um troféu! Ficamos por algumas horas sentados debaixo de uma sombra na areia da praia comtemplando aquele paraíso. 
       



            Assim que chegamos vimos uma placa de um camping com uma vibe bem legal e de pé na areia. Fomos até lá onde fomos recebidos pela proprietária Valéria extremamente simpática conosco e resolvemos ficar lá mesmo. O  camping se chama Outro Canto e fica no canto da praia assim que se chega pela trilha. Fechamos por R$45,00 para cada um. Neste dia havia somente dois lugares de camping disponíveis, o outro chamado de Camping da Vargem ou Camping do Eugênio é muito bom também porém fica um pouco mais para dentro da comunidade mas com chuveiro quente, já o Camping Outro Canto estava só com ducha fria, mas resolvemos ficar mesmo assim. O camping disponibiliza banheiros com ducha de agua fria, cozinha compartilhada, área para camping na areia ou grama e fica de frente para o mar. Para quem gosta de mais conforto o espaço também disponibiliza quartos compartilhados e individuais. 

           Depois de uma boa proza com a proprietária, estávamos aptos para desbravar aquele paraíso com algumas opções para fazer. Como o dia estava de sol, ficamos aproveitando a praia, pois pelas previsões dos locais o tempo iria mudar ainda naquela tarde. Andamos por toda a praia até a outra ponta onde fica o Rio Nema de água doce e que desagua no mar. É onde também ficam todos os barcos que chegam e voltam com os turistas. Caminhamos voltando por dentro da comunidade do Bonete para conhecer. A comunidade do Bonete é muito charmosa e seus moradores muito simpáticos. Fui muito bem recebido por todos que encontrei. 

       
       
           Deu tempo só de voltar para o camping ahahaha, a previsão dos locais estava muito certa e o tempo deu uma grande reviravolta trazendo muito vento e chuva para aquele finzinho de tarde. Retornamos para o camping e algumas barracas de campistas estavam todas reviradas pelo vento. A noite chegou fizemos um rango e descansamos para acordar bem no dia seguinte. 
           Acordamos bem cedo, preparamos um bom café da manhã e partimos para a trilha do Mirante da Barra e para a Praia das Enchovas. A trilha inicia dentro da comunidade ao lado da Pousada da Rosa ou vá seguindo as placas. 
       

           Caminhamos por aproximadamente 40 minutos cruzando toda comunidade do Bonete e subimos até o Mirante da Barra que tem uma visão muito bonita da Praia do Bonete de um lado e da Praia das Enchovas do outro. Ficamos por um tempo contemplando aquele lugar e logo descemos para a Praia das Enchovas.

        


           A trilha para a Praia das Enchovas ou Anchovas levou uns 15 minutos partindo do Mirante da Barra até a praia. O lugar e maravilhoso com praia de areia clara e em alguns pontos negra por causa das diversas pedras de formatos redondos que se encontram na praia. Existe também um rio de água doce que desagua no mar e somente uma residência. Um lugar muito paradisíaco!




           Após um tempo de contemplação tivemos que retornar pois o tempo estava se fechando outra vez. Retornamos toda trilha e ao chegar na comunidade resolvemos passar em algum lugar para comer e achamos o Restaurante Camping da Vargem onde ficamos para almoçar. Foi o tempo de entrar no restaurante e a chuva começou a cair sem piedade ahahha. Ficamos um bom tempo conversando com alguns nativos e turistas e logo fomos para o camping onde ficamos o resto do dia.  
        
           A chuva veio e ficou o dia e a noite toda. Acordamos com o tempo ainda muito fechado e chuvoso. Tomamos café da manhã ainda no camping e saímos um pouco pela praia para tentar achar alguém para negociar a ida até a Ponta da Sepituba de barco. Conversando com alguns moradores descobrimos que o mar estava um pouco mexido e com previsão de ressaca e que talvez poderia ser difícil a saída da praia de barco naquele dia. Até nos indicaram uma pessoa que faria o trajeto, mas o valor ficaria um pouco alto por ir somente duas pessoas no barco. Devido a esse imprevisto resolvemos ficar mais um dia no Bonete e gastar esse valor na estadia.
       
           Retornamos ao camping e no meio do caminho resolvemos mudar de lugar para passar a próxima noite. Entramos em uma pousada e perguntando por quartos mais em conta descobrimos uma pousada que ficaria só cinco reais mais caro que o valor do camping e ainda tinha o café da manhã incluso. Como o tempo estava muito chuvoso e não estava com cara de que o sol iria abrir e o mar acalmar, decidimos sair do camping e ficar hospedado na pousada até o próximo dia. 

           A decisão foi muito boa, pois ficamos na pousada mais tradicional e antiga da Praia do Bonete. A famosa Pousada da Rosa. O valor de um quarto duplo com banheiro particular fora do quarto com café da manhã incluso ficou por R$90,00 Reais. Fizemos o check-in na pousada e logo saímos para fazer a trilha da Cachoeira do Poço Fundo. 
           A trilha se inicia pelos fundos da comunidade, foi só seguir algumas placas e perguntando para as pessoas que logo chegamos ao Poço Fundo. Chegando lá vimos que não existe uma grande cachoeira e sim pequenas quedas d'água e um grande poço para mergulhar e nadar. Ficamos pouco tempo pois os mosquitos estavam com armamento pesado este dia. Fomos bombardeados pelos famosos mosquitinhos da Ilhabela, os Borrachudos ahahuahauha.  

           Retornando a trilha resolvemos passar novamente no restaurante que almoçamos no dia anterior, (Restaurante Camping da Vargem) pois além da comida ser ótima tem o fator economia que cabia no nosso bolso e ainda ganhamos uma ótima conversa com a proprietária do lugar que nos contou diversas histórias do lugar. Foi muito interessante e acolhedora essa conversa. 
           Passamos o resto do dia tentando encontrar algum barqueiro ou mais pessoas que queriam fazer a travessia de volta à Ponta da Sepituba mas não obtivemos sucesso nessa missão. O dia estava nublado mas sem chuva com poucos turistas na praia, um cenário perfeito para desligar de tudo e de todos. 


            Este cachorro muito fofo na praia que ficava trazendo vários cocos para brincar com ele. Ficava latindo o tempo todo para alguém jogar o coco para ele ir correndo buscar. Foi engraçado! 

       
      Retorno - 17/09/21 - 11:00am - Praia do Bonete x Porto de Borrifos -> Barco R$80,00 - Borrifos x Balsa -> Ônibus R$5,00 - São Sebastião x São Paulo -> BlablaCar R$50,00
           Retornamos para a pousada e fomos informados que possivelmente na manhã seguinte um barqueiro iria fazer o trajeto que precisávamos para retornar. Acordei bem cedo e entrei em contato com o barqueiro mas a mensagem não tinha chegado pelo Whatsapp. Então tomamos um belo café da manhã da Pousada da Rosa com direito à frutas, bolo, pães, suco, leite, café e cereais e retornamos ao quarto até chegar o nosso check-out às 13:00hr e ai iriamos resolver o que fazer. Foi quando umas das funcionárias da pausada nos chamou e informou que o barqueiro já estava na lá nos aguardando para retornar com ele. Arrumamos as mochilas bem rápido, fizemos o check-out na pousada e negociamos com o barqueiro que já estava na pousada nos aguardando por R$80,00 para cada um até Borrifos nos fundos do Restaurante Nova Iorqui. Saímos da pousada direto para o Rio Nema onde estava o barco. Arrumamos nossas mochilas para não molhar com uma lona que o barqueiro já tem para isso, nos acomodamos no meio da embarcação e partimos. O mar ainda estava mexido mas conseguimos passar pela praia onde tem as maiores ondas e após 30 minutos chegamos no ponto de Borrifos.
       

           O local onde ficamos é uma espécie de porto onde possui um local para pequenas embarcações. Descemos com segurança e seguimos por uma trilha subindo até a rodovia onde estava o ponto de ônibus para retornar à balsa. Seguimos a trilha por algumas placas e depois de aproximadamente uns 15 minutos chegamos na estrada e no ponto de ônibus. 



       

           Assim que chegamos no ponto já tinha um ônibus saindo para a balsa. O trajeto levou aproximadamente 20 minutos e custou R$5,00 Reais. Descemos no ponto e caminhamos por 5 minutos até a balsa de Ilhabela para São Sebastião. Aguardamos por volta de 20 minutos até pegarmos a balsa e a travessia levou aproximadamente o mesmo tempo. Já em São Sebastião conseguimos um Blablacar às 15:00hr por R$50,00 Reais para cada um até o Terminal Rodoviário do Tietê em São Paulo onde desembarcamos por volta das 19:30hr e terminamos esse rolê incrível de baixo custo e muito próximo da cidade de São Paulo. Vlw Galera, espero ter ajudado em algumas dicas... qualquer dúvida fico a disposição de vocês! Vlwwwww 

       
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