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Olá viajante!

Bora viajar?

QUANDO A ESTRADA CHAMA: 6300km em 17 DIAS – ARGENTINA, CHILE (ATACAMA) E UMA PITADA DE BOLÍVIA!! VÁ DE CARRO! VÁ AGORA! GASTOS E FOTOS

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Sempre começo dizendo pq desta viagem, deste destino, já que o mundo inteiro me interessa! Então vai lá: pq meus planos eram “Islândia” mas não deu ($$ - segundo ano consecutivo mudando o destino por falta de grana, rs). Pq eu li sem querer querendo um relato e depois mais um e depois mais dois, e depois todos, sobre “este destino” (compilei os relatos mais recentes neste tópico).

Pq eu já queria ir. E agora estava apaixonada. Pq eu andei negligenciando a América do Sul. Pq AMAMOS natureza e paisagens. E estamos cada vez mais curtindo viagens de carro! Então por tudo isso, e pq passagens de avião estão caras demais e pq sim, decidimos partir de Londrina-PR com destino ao Atacama, no Chile, com lenta passagem pela Argentina! E rolou até Bolívia!

“Noooooossa, mas que loucura, vcs vão de carro??? E ainda vão levar o filho???? Vão fazer o que num deserto??” 🤨

“Filh@, loucura pra mim é pagar 3 mil reais num celular!”🤦‍♀️

Apesar de ter bons relatos de carro pelo roteiro que me propus fazer, sempre muda alguma coisa, e tb é interessante atualizar valores e trazer informações mais recentes... e escrevo tb como forma de memória minha... o meu “livro de viagens” é aqui, rs! E em tempo, obrigada a todos que compartilharam aqui suas histórias e me fizeram sonhar além e rir muito!

 

Roteiro

Londrina > Foz do Iguaçu > Corrientes > San Salvador de Jujuy (e arredores) > San Pedro de Atacama (e arredores incluindo Bolívia, rs) > SSJ > Corrientes > Iguazu > Londrina. Em 17 dias, 6300km! Com esse tempo tem gente que vai mais longe, que vai pra Santiago, Mendoza e afins, mas gosto assim, com calma! E o mundo estará sempre lá pra gente voltar.

 

Quem foi

Até convidei um casal de amigos, mas as datas não bateram. Então fomos naquela formação original básica: Guilherme: marido e piloto; Juliana (eu): esposa, navegadora e co-pilota; e João Gui: filho (11 anos), comissário de bordo!

 

Como

De Nissan Versa 1.6 manual ano/modelo 2018/2018! Mandei pra revisão na concessionária antes de viajarmos apesar dele estar recém revisado. Como a gente sempre faz o que não deve com ele um monte de parafuso e proteção na parte debaixo do carro tinha quebrado/soltado. Tb me disseram que eu não precisava colocar nenhum fluido em nenhum lugar pra evitar congelamento, que o que estava lá era o correto, e assim fiz, mas verifique esta questão pq com o seu carro pode ser diferente.

Equipamentos obrigatórios: 2 triângulos e extintor de incêndio. SÓ! (Além de cinto de segurança e estas coisas normais). Não tem cambão, mortalha e o carai... Por favor, leiam este tópico! Daqueles que dão orgulho do mochileiros.com!!

Seguros obrigatórios: Carta Verde (Argentina) e Soapex (Chile). Mais detalhes abaixo.

 

Documentos

Passaportes: é bem mais prático do que levar o RG e a gente já tinha;

PID: a gente já tinha, mas ninguém pediu;

Carta verde: seguro argentino no nome do dono do veículo, que tem que estar dentro do carro, foi emitido gratuitamente pelo meu corretor de seguro do carro pq já estava incluído no seguro do meu carro (tem que ser impresso em papel verde, rs). Se vc não é o dono do carro tem que ter uma autorização do dono (seja da locadora ou do parente) pra dirigir o carro fora do Brasil. CARRO FINANCIADO está no seu nome e não precisa de autorização nenhuma;

Soapex: seguro chileno para estrangeiros, comprado dias antes pelo site da HDI por 10,77 dólares. Na hora de comprar vc vai ter que informar o número do motor do carro, rs. Nem sabia que isso existia. Não é o chassi, é o motor. Procurei na internet onde tava o número do motor do Versa e fica no motor mesmo, kkkk. Foi só bater uma lanterninha lá e anotar!

Extensão do seguro pela América do Sul (fale com seu corretor): incluso no seguro do meu carro;

Seguro viagem: tive dificuldade em contratar, até pedi ajuda aqui. Eu nunca compro seguro pq uso o do cartão, mas desta vez como não compramos passagens, o cartão não oferecia. Quando comecei a cotar percebi que seguros “terrestres” quase não existiam, ou quando achava, eram super caros e se aplicavam apenas para viagens de ônibus. Depois de dar uma estudada e até falar com corretores, acabei contratando um aéreo mesmo, afinal, minha preocupação era ter algum problema de saúde em alguma cidade, tipo uma dor de dente ou cólica de rim, sei lá. Nestes casos não faria diferença eu estar de carro ou de avião. Compramos pela Mondial/Alianz por 235,00 para nós 3, para Argentina e Chile, por 17 dias. Estava com um cupom de 50% de desconto;

Receitas dos meus medicamentos (#diabetica): como assisto muito “Fronteiras Perigosas da América Latina” kkkkk fiquei encanada de alguém cismar com meus medicamentos!

 

Money

Trocamos reais por pesos argentinos na fronteira (Foz do Iguaçu) e em Salta, e dólares por pesos chilenos em SPA. No relato aprofundo mais sobre as tarifas. Mas assim, câmbio é uma coisa que flutua tanto que vc tem que pesquisar exatamente na data da sua viagem. Via de regra compensa levar dólar pro Atacama pq lá não tem demanda por real, ao contrário de Santiago, em que a troca direta real x peso pode compensar ou empatar. Na Argentina costuma ser viável trocar direto... mas reparou no “costuma”? Pesquise na data da sua viagem!

 

Internet

Baixamos todos os mapas do google off-line e não compramos chip nem no Chile nem na Argentina! Usamos somente a internet dos bares/restaurantes e hospedagens e deu tudo certo! 

 

Na mala

Calçado quente, confortável e impermeável, eu de botas vento titã (muito amor), os meninos de Quechua. Roupas em camada, pegamos de -10oC a 30oC. Soro de nariz, protetor labial (bepantol), protetor solar e óculos de sol são itens de SOBREVIVÊNCIA, a umidade relativa é zero e a neve cega.

Medicamentos: eu já tinha abandonado a ideia de ficar levando remédio a toa, mas preferi levar alguns desta vez. Pra dor, anti-alérgico e Diamox. Falo mais sobre o mal de altitude no durante o relato.

 

Hospedagens

Airbnb do começo ao fim! Sou muito fã de Airbnb e mais uma vez tivemos muita sorte! Me sinto em casa, me sinto parte do lugar quando posso cozinhar, ir no mercado e interagir eventualmente! Sei que na maioria dos hostels tb é assim, mas no Airbnb sempre acho mais conforto, privacidade e preços melhores! Tivemos excelentes experiências e preços muito, mas MUITO, acessíveis, vou abordar melhor abaixo.

As hospedagens escolhidas, bem como preços e qualidade foram as seguintes:

Foz do Iguaçu (1 noite): Eu já tinha me hospedado duas vezes em Foz do Iguaçu pelo Airbnb, na casa da Adriana. A casa dela se aluga inteira e é enorme, super confortável, linda, show! Legal pra ir com mais gente! (Se alguém quiser indicação me manda MP). Mas desta vez era só uma noite, resolvi pegar uma casa menor, onde mora uma senhora, pertinho da Argentina! Sabe quanto? 68 reais pra nós 3, e com café da manhã! 21 reais por pessoa!  Amo Airbnb! A Léo, nossa anfitriã, foi muito fofa, amamos! Casa simples e confortável, perfeita para uma noite!

https://www.airbnb.com.br/rooms/29173885?guests=1&adults=1

 

Corrientes (1 noite): Mais uma experiência de ficar em um quarto na casa de alguém. Na verdade é uma dependência no fundo da casa do Cesar. Desta vez pagamos 93 reais pra nós 3, 31 reais para cada! O César foi super querido com a gente, tivemos uma ótima estadia!

https://www.airbnb.com.br/rooms/14149168?guests=1&adults=1

 

San Salvador de Jujuy (5 noites): Eu tinha 200 reais de desconto quando paguei, então no total ficou 321 reais para 5 noites para nós 3, incríveis 20 reais por dia por pessoa, não é bom demais? Lugar super legal, a anfitriã mora nos fundos e dá muitas dicas, não poderia ter escolhido lugar melhor! Quem vai passar um tempo na região costuma hospedar em Salta, mas fiquem de olho, lá é bem mais caro! SSJ, Tilcara e Purmamarca além de serem puro charme tem opções bem mais em conta! AMEI.

https://www.airbnb.com.br/rooms/26893928?guests=1&adults=1

 

San Pedro de Atacama (6 noites): Eu tinha 169 reais de desconto quando paguei, então no total ficou 970 reais para 6 noites para nós 3! Cerca de 55 reais por noite por pessoa! Apesar de ter ficado mais caro que a média, todo mundo sabe que em SPA as hospedagens são mais carinhas mesmo, ainda mais na alta temporada! Esta hospedagem consiste num quarto triplo com banheiro privativo e acesso a cozinha coletiva! Tinha mais um quarto semelhante nos fundos. Os anfitriões foram bem prestativos! Eles moram lá em SPA e alugam estes dois quartos nos fundos de uma casa, que me pareceu ser de parentes deles. Esta foi meio parecido com um hostel.

https://www.airbnb.com.br/rooms/24290251?guests=1&adults=1

 

SSJ (1 noite): a ideia era hospedar em General Guemes e ficar mais na mão de voltar, ou em Salta... eu tinha uma reserva com cancelamento grátis pelo Booking em Salta, mas resolvemos retornar pra mesma casa onde ficamos na ida pq tinha umas plantas lá que eu queria muda, hahahahauaha! Desta vez pagamos 105 reais pra nós 3, 35 reais por pessoa!

 

Corrientes (1 noite): eu queria ter pernoitado em Resistencia só pra ser uma cidade diferente, rs, mas faltando 2 meses para a viagem eu solicitei reserva no mesmo lugar que iria me hospedar na ida, só que estava indisponível. Achei um outro lugar do mesmo dono, mas no mesmo endereço... Achei estranho mas solicitei reserva. Me custaria míseros 73 reais para nós 3 por uma noite. Mas sabe quanto eu paguei? ZERO reais, pois tinha crédito de viagem! Esta segunda reserva aparentemente é de um outro cômodo dentro da casa dele, mais barato, mas acabamos ficando na mesma dependência do fundo e deu tudo certo, o cara é um gentleman! Vou deixar o link desta hospedagem abaixo apenas pq parece diferente da que ficamos na ida, mas foi o mesmo lugar, rs.

https://www.airbnb.com.br/rooms/18043226?guests=1&adults=1

 

Puerto Iguazu (1 noite): última hospedagem da viagem! Quis ficar em Iguazu pra ser diferente da ida, rs, e pq antes de ir embora queria comprar cereja em conserva (pq todo o resto é caro e pega turista em Iguazu). Pra não ter que atravessar a fronteira de novo, resolvemos ficar do lado argentino mesmo. Quarto em casa compartilhada, MUITO simples e com problemas de higiene. Me custaria 52 reais a pernoite pra nós três, mas não paguei NADA pq tinha crédito de viagem! A anfitriã era gente boa mas não recomendo esta casa... poderia ter comprado a minha cereja e atravessado na mesma noite pro Brasil e dormido de novo na Léo que tava mais esquema!

https://www.airbnb.com.br/rooms/26877281?guests=1&adults=1

 

TOTAL: 1557,00 reais, mais ou menos 33 reais por dia por pessoa, já que foram 16 noites! Achei MUITO bom!  Se depois de tudo que vc leu, resolver experimentar o Airbnb, faça cadastro com o meu link que eu e vc ganhamos descontos!

https://www.airbnb.com.br/c/jcarneiro3?currency=BRL

 

IMPORTANTE: neste tópico, para quem interessar, há uma discussão bem legal que rolou aqui sobre os malefícios do Airbnb, principalmente para as pessoas que moram em cidades muito turísticas. Muito do que foi colocado neste tópico é BEM importante quando vc tem alguma preocupação com o impacto que causa em qualquer ocasião da sua vida, incluindo viajar. Tente escolher bem seus anfitriões de forma a minimizar os impactos negativos do Airbnb! Casas compartilhadas com o morador, anfitriões que só tem uma casa e idosos são uma boa.

 

Clima

Esta é uma viagem que pode ser feita a qualquer tempo, mas o cenário muda muito e há períodos em que certos passeios ficam fechados!

As duas principais temporadas para nós, brasileiros, são inverno e verão, por conta de férias escolares e tals. E fomos no inverno, a mais ALTA temporada do Atacama! Pq... tem o João, rs! Ele está no sexto ano e ano passado não quis ir conosco pra África do Sul pra não perder aula e provas! Apoiei a responsa dele mas não queria deixa-lo de fora de novo... e já convenci ele que ano que vem a viagem vai ter que ser durante as aulas mesmo, rs.

Mas qual é a do inverno e a do verão?

Falando especificamente do Atacama... no verão é MUITO calor durante o dia e pode chover. Em janeiro, e principalmente fevereiro, o inverno altiplânico (chuvas intensas) podem estragar seus planos. Este ano várias rotas foram interrompidas por chuvas intensas e muitos passeios foram cancelados, dava pra ver marcas de alagamento em algumas partes de SPA ainda. Mas sabe quem ama o verão? Os flamingos! É nesta estação que vc corre o risco de vê-los fazendo aquela dancinha de corte sensacional! Só tenham atenção com FEVEREIRO.

E o inverno?? O céu é maravilhosamente azul, é alta temporada (férias na Europa e América do Norte), não chove nem a pau, mas pra quem não curte, cuidado: a temperatura fica abaixo de zero a noite! Tudo bem pq a noite vc tá debaixo das cobertas quentinho certo? Errado! Tem tour que sai as 5h da manhã, nos Geyseres del Tatio o frio é extremo. Extremo mesmo, -15oC pra menos. O vento faz a sensação térmica te colocar no topo do Everest, rs! E hospedagem de mochileiro em SPA não tem calefação neah... FRIACA! Outros pontos negativos são: os flamingos se mandam pra bandas mais quentinhas e as nevascas podem interromper temporariamente os passeios de altitude e a ascensão aos vulcões (Lascar, Cerro Toco, Licancabur e etc). Mas pra quem, como eu, é apaixonada pelos topo de morro branquinhos e se amarra numa bochecha rosa queimada de vento, o inverno é a sua estação!

ATENÇÃO para AGOSTO. Eles dizem que fim de julho, agosto e comecinho de setembro é o período da “última invernada”... neva muito e é a mais baixa temporada do Atacama, frio extremo e muitos passeios fechados! Se quiser curtir a primavera, melhor deixar pra segunda quinzena de setembro pra frente!

Obs. Estas informações me foram contadas por moradores locais. Com certeza há quem tenha ido em fevereiro e agosto e tenha dado sorte, mas se vc puder evitar, fica a dica!

 

E na véspera...

Machuquei o pé. Sim, forte! No dia antes de viajar a marmota aqui cutucou uma unha! Fui parar na podóloga e não desejo pra ninguém a dor de cortar nacos de carne e unha sem anestesia, fiz força pra não fazer xixi! Por este motivo acabei levando antibióticos caso infeccionasse, antisséptico para curativo e antibiótico pomada para os primeiros dias! No fim... #spoiler super sarei e não tive maiores problemas, rs!

 

Finalmente...

Vou relatar tudinho, com muitas fotos e todos os custos. Por dia, eles serão divididos nas seguintes categorias: combustível, pedágio, alimentação (que inclui mercado, refeições diversas, bebidas), compras (que inclui coisas úteis e inúteis, vulgo "souvenires e regalos", assim como eventuais estacionamentos e uso de sanitários), diversão/entrada (inclui entradas em atrações e eventuais taxas de turismo) e câmbio.

No fim farei um resumão de custos, e gente... esta viagem divide com a África do Sul a primeira posição de “minha viagem favorita no mundo”... mesmo que nem tudo tenha sido... FLORES.

Prometo começar o relato em si, no próximo post! 😃

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DIA 1 – 6 DE JULHO, SÁBADO: O dia em que tudo começou!

Londrina > Foz do Iguaçu, 510km, 7h de viagem (Estado do Paraná)

 

Saímos pela manhã de Londrina-PR (com uma temperatura agradável de 1oC) rumo a Foz do Iguaçu. Acabamos dormindo na minha mãe pra facilitar a saída e café da manhã, pq qualquer par de dias longe do neto dela ela se despede como se ele estivesse partindo pra um intercâmbio. Na volta é aquela choradeira, falta correr pra abraçar o João... se a Astrid encontra a gente no “Chegadas e Partidas” vai achar que faz 10 anos que a gente não se vê, kk! #filmanoisastrid

Partimos às 8h30 e seguimos com uma viagem tranquila cujo caminho já era nosso velho conhecido, os pedágios (6 no total) mais caros do Brasil e do mundo estão nesta rota. Como já fomos diversas vezes para Foz nossa estada na cidade foi só quebra de trecho mesmo. Mas quem tiver tempo, fique! A cidade está linda e bem cuidada nos últimos anos! Recomendo fortemente os passeios pela ITAIPÚ, as cataratas (do nosso lado e do lado argentino), marco das 3 fronteiras, entre tantos outros. Adoro Foz do Iguaçu.

Mas voltando ao relato, chegamos em Foz numa friaca desgraçada, depois de muito pão de queijo e coquinha a bordo (e nossa garrafa inteirinha de café), conhecemos nossa anfitriã (a Léo) e fomos fazer uma trilha numa mata perto da casa dela em que quase congelamos (pq a gente já chega se enfiando no mato). 

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Trilha perto da casa da Léo!

De volta em casa e já a noite fomos ao Catuaí Shopping (londrinense não resiste né...), perto da casa da Léo tb, pra comer! Lá o João quis ir num parque que confesso, até eu queria ter ido. O Gui comprou uma camiseta, o João quis jantar Subway mas a gente não embalou não. Acabamos indo depois em um mercado (Super Muffato, pq londrinense não se aguenta parte 2, kkkk) onde jantamos (eu e Gui) e compramos umas bobeiras.

No shopping também fizemos câmbio em um estabelecimento que ficava na saída de uma das garagens, a tarifa estava melhor (1 real x 10 pesos) que uma loja do saguão (1 real x 9,80 pesos). Trocamos pouco, só pro começo, pois estávamos na esperança de conseguir melhores taxas na Argentina.

De volta pra casa fomos tomar um vinho comprado no mercado. A nossa anfitriã tinha ido num casamento, coitada, tava quase nevando! Logo adormecemos e nem vimos ela chegar! Detalhe que quebramos o abridor de vinho dela pra abrir nossa garrafa, eee laiá!

2.thumb.jpg.941b8c27150ffbd1b180eb4e7ba51436.jpg

Vinho na caneca, que claaasse!

Gastos do dia (em reais) 

Combustível (ainda álcool): 128,80

Pedágio: 81,50

Alimentação: 75,58

Compras: 39,90

Diversão/Entradas: 37,00

Câmbio: 500,00 (5000,00 pesos argentinos)

 

DIA 2 – 7 DE JULHO, DOMINGO: O dia em que tudo começou de verdade!

Foz do Iguaçu > Corrientes, 602km, 9h30 de viagem (Províncias de Missiones e Corrientes)

 

Acordamos bem cedinho, temperatura negativa e morri de dó da nossa anfitriã que levantou junto pra preparar um café da manhã bem regado. Cara, eu vi tudo que ela gastou naquele café, ela encomendou pães e bolos da vizinha... me pergunto se ela não hospeda gente só por diversão... Tb fizemos nosso café pra viagem (a gente toma muito café, rs) e logo partimos! Deixei 30 reais pra Léo comprar um abridor de garrafas novo.

Depois de descongelar o carro (sério), saímos às 8h15 com aquele friozin na barriga (e no resto do corpo tb pq tava o carai de frio)... íamos cruzar uma fronteira por terra, de carro, assim, pra ir longe, pela primeira vez. Das outras foi só um “tô indo ali almoçar”.

3.thumb.jpg.c4c0d931a1eee5b8d6bd2826e57dc15e.jpg

Foi difícil descongelar, tivemos que ir jogando água aos poucos pra não engrossar a crosta de gelo!

 

Celular no modo avião... VALENDO!

Na imigração argentina informamos que estávamos indo pro norte do país, o que não era mentira, mas não quis ficar dizendo que tb ia pra outros países. Rapaaaiz, rolou uma imigração de aeroporto europeu! O moço perguntou pra onde exatamente íamos (falei o nome das cidades) e na seguida pediu pra ver hospedagens (entreguei os recibos airbnb impressos). Além dos passaportes pediu o documento do carro, mas não solicitou carteira de motorista nem seguro. E poxa, ninguém me deu parabéns pela aventura que eu tinha planejado, hahahauaha, só carimbaram os passaportes e adelante!

Pois bem, assim o fizemos. Adelante.

Seguimos pela rota traçada nos mapas baixados do google e logo que pegamos a Ruta Nacional 12 (sentido Posadas) tinha lá um posto da Polícia Caminera, mas estava inativo.

4.thumb.jpg.1965bb3f358ea504c0092186f853418b.jpg

Ruta 12! 

 

Vamos fazer uma pausa pra apresentar a polícia argentina? Vamos!

Nas estradas a gente encontra fiscalização da Polícia Caminera, que é local, daquela província ou cidade onde se está passando, e tb da Gendarmeria Nacional, equivalente à nossa PF. Se vc conversar com gente que transitou pelas estradas argentinas com certeza vai ouvir relatos de corrupção... aqui mesmo no fórum tem algumas histórias. Trata-se da Polícia Caminera! Principalmente na Província de Missiones, que é esta que faz fronteira com a gente. A Gendarmeria via de regra não tem esta prática.

Mas atenção às datas das coisas que lêem... se repararem bem, os relatos de corrupção são um pouco antigos (de 3 anos atrás ou mais) e recentemente ouvi ou li quase nada sobre este tipo de problema!

Prevenida que sou, e bem pouco propensa a participar desse abuso chamado corrupção (se estou certa não vou pagar propina, e se estou errada prefiro pagar a multa), segui à risca as dicas do @mateusmaps no tópico que indiquei no início do relato: li com atenção o código de trânsito argentino e imprimi partes importantes, imprimi o formulário para relatar abuso policial e procurei seguir todas as normas da estrada, além dos equipamentos obrigatórios.

Passamos por inúmeros, acho que centenas, postos de fiscalizações e posso adiantar: polícia não foi problema em nenhum momento da viagem! No começo eu fui anotando cada posto de polícia do caminho, ativo ou inativo, se pararam a gente ou não, mas depois desisti, são MUITOS.

TODOS os postos pelos quais passamos, sejam eles fixos ou móveis (com radares) estavam sinalizados. Todos, sem exceção! Tanto Caminera quanto Gendarmeria! Sempre que avistávamos atividade diminuíamos a velocidade, ligávamos o pisca alerta e baixávamos os vidros do motorista e traseiro, para verem quem estava dentro do carro. ISSO ME PARECEU MUITO IMPORTANTE, se o vidro está fechado eles mandam parar. Além de demonstrar respeito pelo trabalho de fiscalização deles.

Em raríssimas ocasiões pararam o nosso carro (acho que umas 3 ou 4), mas sem mandar encostar nem nada, na fila de carro mesmo (nunca fomos parados sozinhos num posto, sempre tinha muito carro) e perguntavam de forma neutra ou até bastante educada onde estávamos indo! No que sempre respondíamos: ao norte, Salta e Jujuy! As vezes perguntavam de onde estávamos vindo, respondíamos a cidade em que tínhamos pernoitado na noite anterior! NINGUÉM revistou nosso carro, NINGUÉM foi grosseiro, não houve nenhuma ameaça ou suspeita de comportamento duvidoso.

E novamente adianto: finalizando a viagem, já quase em Iguazu, neste mesmo posto policial Caminero que relatei estar inativo no início da viagem, um policial pediu que encostássemos (o carro estava num estado que realmente gerava curiosidade), pediu carta de motorista do Gui, documentos do carro e carta verde. Ao ver que estava tudo no meu nome pediu minha identificação, no que entreguei o passaporte. Perguntou de ontem estávamos vindo (respondemos que fomos ao norte e ao Chile) e para onde estávamos indo (Iguazu para dormir e retornar pro Brasil amanhã). Agradeceu e adelante. ÚNICO que solicitou documentos.

Ou a gente tem cara de gente boa (o que é verdade, kkk) ou as coisas mudaram na Argentina (o que tb penso ser verdade)!

 

Continuando!

Mais alguns radares sinalizados e logo depois que passamos por este primeiro posto inativo da Caminera tinha um ativo da Gendarmeria. A policial nos parou, olhou e só pediu pro João Gui ajustar o cinto atrás (ele passa o cinto do meio e tira o braço da parte de cima pra conseguir dormir, ficamos mais atentos com isso pra ninguém pegar no pé).

Até San Inácio Mini, nossa primeira parada, passamos por um pedágio de 70 pesos! Já era quase hora do almoço e fomos conhecer as famosas ruínas jesuíticas!

Eu não vou aqui ficar me alongando na história, mas a visita foi BEM legal! A entrada custou 250 pesos por pessoa! Estas ruínas foram restauradas e abertas à visitação na década de 40 e estão entre as mais conservadas das 30 missões ou reduções do tipo, encontradas no Brasil, Paraguai e Argentina. E tem toda aquela história da “catequização” dos indígenas e tals. Acho que por ser domingo estava bem movimentado, mas focamos nas ruínas mesmo (tb tinha um museu que visitamos rapidamente) e depois fomos almoçar por perto.

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Ruínas de San Inácio Mini (missões jesuíticas)

O almoço ficou em 400 pesos, uns sanduíches e um PF. Tb abastecemos por perto (1200 pesos, 49,98 por L) num posto Axion e seguimos viagem. A Gendarmeria nos abordou mais uma vez e perguntou onde estávamos indo... respostas de sempre. Pegamos mais 2 pedágios de 70 pesos cada e fomos acompanhando a diminuição do tamanho da floresta, que de mata atlântica nas proximidades da fronteira (Iguazu) foi ficando parecida com cerrado e entrando na água... os famosos “chacos” ou campos alagadiços!

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Campos alagadiços! Adoro!

Tb fomos acompanhando a peculiaridade do "trânsito" de motocicletas... não existem regras! Qualquer um pode pilotar, em qualquer condição. Capacete não existe!

Mas vamos lá! Chegamos sem problemas na casa do nosso anfitrião, que mais parecia um palácio. Um senhor elegantérrimo mora no local, bem central! Como já mencionei antes, nos acomodamos na dependência dos fundos da casa dele (César) a tempo de ver o segundo tempo do Jogo do Brasil que acabou campeão da Copa América sobre o Perú. Foi hilário ver o narrador argentino NÃO comemorando nossos gols, rs. Logo depois saímos pra comer e dar uma andadinha!

Seguindo uma dica do anfitrião, fomos jantar num restaurante anexo a um posto SHELL bem próximo da casa dele (520 pesos), bem legal. A andadinha foi breve, não fomos pro lado certo da “praia” (Rio Paraná) e estava bem frio. Passamos no mercado (660,85 pesos) e fomos tomar nosso vinho sagrado de cada dia em casa!

 

Gastos do dia (em peso argentino*)

Combustível (nafta super): 1200

Pedágio: 210

Alimentação: 1580,85

Diversão/Entradas: 750

Léo: 30 reais (deixado de manhã pra ajudar no café)

*embora a cotação tenha variado ligeiramente nos 3 câmbios que fiz, adotar 1x10 facilita bastante a conversão para reais!

 

CONTINUA

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DIA 3 – 8 DE JULHO, SEGUNDA: O dia mais reto do mundo!

Corrientes > San Salvador de Jujuy, 853km, 13h de viagem

(Províncias de Corrientes, Chaco, Santiago del Estero, Salta e Jujuy)

 

Dia de cruzar o temido Chaco...

Acordamos lá pelas 7h, tomamos nosso café da manhã em casa e partimos, às 8h30, depois de nos despedirmos do nosso anfitrião e dizer um até a volta! Hasta luego Corrientes, capital da província de Corrientes!

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Café da manhã de mochileiro pode não ser chique como os de hotéis mas são bons tb tá! rs

 

Eu li em algum lugar uma dica de casa de câmbio, em Resistência (capital da Província do Chaco e ao lado de Corrientes), e nos programamos pra ir até lá, afinal só tínhamos trocado 500 reais em Foz do Iguaçu. A casa de câmbio era El Dorado, que indicaram ter cotações bem melhores que da fronteira. Fica na Calle 9 de Julio, 996.

No google estava escrito que abria às 7h da manhã, mas pra garantir chegamos lá perto das 9h, que achei um horário mais razoável de abrir uma loja em plena segunda-feira! E já descobri que os horários do google não refletem a realidade em nenhum lugar que consultei... era tudo errado. Mas eu animei, a placa eletrônica na frente da casa de câmbio indicava 1 real x 11,80 pesos! Bem melhor que o “1x10” que eu tinha pego em Foz.

Vamos esperar então, às 9h deve abrir, ficamos dando voltinhas pelo centro já que não tinha onde parar... perguntamos pra uns senhores que estavam por perto e eles disseram: abre às 9h! Ok... espera... espera... e deu 9h... algumas lojas abriram, mas nada da casa de câmbio abrir. Demos mais umas voltas, eu já tava brava de estar perdendo tempo logo no dia do trecho mais longo e mais cansativo... paramos de novo na frente da casa de câmbio e um mendigo veio pro meu lado... pensei “já vai o cara me pedir dinheiro”... mas não... ele só veio me explicar que a loja não ia abrir... que era “feriado optativo” e que só algumas coisas abriam! Mas que bancos, e provavelmente casa de câmbio, não abririam.

Obrigada moço, e desculpe pelo meu julgamento precipitado né! 🤦‍♀️

E não era só pelo feriado que o google errava o horário tá, quando não era feriado tb tava tudo sempre errado.

Mas vamos embora então! Perdemos uma hora e estávamos sem dinheiro, que beleza. 9h30 voltamos pra RN 16! Tem uma ponte bem bonita entre Corrientes e Resistencia, sobre o Rio Paraná! E logo tb tem um pedágio, 60 pesos, e uma fiscalização Caminera na sequência, que não nos parou.

Mais adiante paramos pra abastecer, foram 1415,20 (47,96 por L) pagos no cartão, a gente não tinha muita grana lembra? Gente, uma observação: sempre que eu falar de gasolina é a “Nafta Super” tá. Não a premium, que é mais cara. Depois veio outro pedágio (80 pesos) e uma paradinha num posto onde compramos chocolates (190 pesos). Tb passamos por outros inúmeros controles policiais mas nada que valha a pena comentar.

Ainda estávamos a uns 100km de “Monte Quemado”, que todo mundo fala ser um trecho super ruim da estrada, e uns buracos já começaram a aparecer. Coisa pouca, mas precisa ter atenção. Atenção que uma moto e um carroceiro e um carro não tiveram. Tinha um acidente bloqueando a pista. Depois de esperarmos uns 20 minutos os policiais avisaram que podíamos aguardar abrir a via (cerca de 1 hora) ou pegar um desvio (eles explicaram sobre 2 na verdade).

Optamos por seguir um busão por um desvio. MEO DEOS que merda, kkkkk! Mas quase todo mundo estava pegando este “caminho”, que na verdade consistia em atravessar um longo trecho (uns 40 minutos) de poeira demoníaca por estradas inexistentes... região muito pobre...

 

Que delícia de desvio, sqn.

Sobrevivemos. E a esta hora, como já disse antes, já tínhamos reparado que não existe regra pra moto. Não deve nem ter que ter carteira, pois vimos crianças pilotando. Capacete ninguém usa. Andam em 3, 4, na contramão. A maioria no acostamento, mas na contramão. Tb não pagam pedágio, é bem maluco. Em alguns trechos reparamos que tinham placas proibindo a circulação de motos na estrada, aí eles seguem tranquilamente pelos acostamentos ou pelo mato mesmo, beeem doido.

A medida que Monte Quemado se aproximava os buracos ficavam cada vez maiores e mais numerosos, e assim que passamos o “portal” da cidade, foram 30km de uma DISGRAÇA de estrada! Tem hora que a gente desencanava de desviar e ia só pelo acostamento, que tb não estava pavimentado. MUITA poeira, muitos redemoinhos... eu dizia que era o capeta soprando, hahahahaahahaua, que porre.

 

Estrada maravilhosa, sqn

Dava enjoo de tanto que o carro balançava! Mas passamos e sobrevivemos mais uma vez. Seguimos pela reta infinita. Ainda RN16.

 

Timelapse da reta infinita!

 

Se vcs olharem o caminho (google) vão ver que no fim da reta infinita tem um trecho curvo... chamamos de ferradura. Quando chegamos na ferradura a noite já começava a cair. Abastecemos novamente (1250 pesos no cartão) e seguimos num sobe e desce de pista simples pouco sinalizado. Pegamos o último pedágio do dia, 40 pesos.

Finalizamos a RN16 e pegamos a RN9, que é bem famosa. No entroncamento da Ruta 9 com a RN34, mais a diante, tem um YPF grande. Paramos pra comer umas coisas quentinhas (empanadas e sandubas de milanesa, 250 pesos), pois tínhamos comido porcaria o dia todo, e avisar nossa anfitriã que íamos chegar mais tarde do que o previsto, cerca de 21h00. Quase todos os postos YPF têm wi-fi caso precisem. Seguimos então pela RN34, que estava MEGA movimentada! Muitos postos policiais, muitos caminhões, e a gente já com a vista cansada de ter pego sol na cara o dia todo, depois aquele lusco-fusco do começo da noite e agora aquele monte de luz de faróis.

Chegamos finalmente à RN66, a nossa última ruta do dia, que estava mais calma. E precisamente às 21h30 chegamos na casa da nossa anfitriã!

Foi um longo dia! Nossa anfitriã era super querida! Nos apresentou a casa, chuveiros e internet e estava bem frio. Como já tínhamos comido no YPF não saímos atrás de nada, já estava tarde, estava bem frio e estávamos MOÍDOS. Partiu naninha!

 

Gastos do dia (em peso argentino)

Combustível (nafta super): 2665,20

Pedágio: 180,00

Alimentação: 440,00

 

DIA 4 - 9 DE JULHO, TERÇA: O dia mais pobre e desesperado! E lindo.

Conhecer SSJ, tentar achar uma casa de Câmbio e desistir! Purmamarca!

 

A maioria das pessoas que se propõe a explorar a região norte da Argentina (a partir de agora NoA) faz da cidade de Salta sua base, por ser maior, mais famosa, ter mais infraestrutura e estas coisas. Mas eu escolhi San Salvador de Jujuy (fala-se “Rurui”, se falar Jujuy ninguém te entende) e não me arrependi! SSJ fica no meio do caminho entre Salta e as charmosas Tilcara, Humahuaca, Purmamarca e etc, onde se encontram os cartões postais da região andina da Argentina! Se vc olhar bem, quase todas as “atrações” de Salta partem para estas cidades menores. Sem contar que SSJ é bem mais barata.

No dia de hoje tinha a gente tinha programado de ir a Salta atrás de uma casa de câmbio e conhecer a cidade... mas no dia anterior a ficha tinha caído... não era à toa que toda cidade da Argentina tem uma “Avenida 9 de Julho”... o dia de hoje, ai caraaaaaai, era o “Independence day” deles... por isso que dia 8 tava tudo fechado... eles emendaram o feriadão!

Estávamos com pouquíssima grana e até conseguir trocar tentaríamos pagar o que desse no cartão! E portanto, como ia estar tudo fechado mesmo, e tb pq a gente tava cansado de ficar dentro de carro, resolvemos desbravar Jujuy a pé em pleno feriadão!

Tomamos um café da manhã modesto em casa, que apelidamos de Iglu, pq tava bem frio na rua, mas dentro de casa era bem pior, (mesmo que na verdade um iglu faça o efeito contrário, hahauaha) e partimos bater perna por Jujuy! Atravessamos a ponte sobre o “Rio Grande” (que estava quase totalmente seco, como todos os do norte da Argentina) que separa a cidade no meio e fomos passear no centro, que situa-se nas imediações da Plaza Belgrano (bem bonita, com o letreiro de Jujuy) e da Catedral Basílica de Jujuy (e tb da Iglesia San Francisco de Assis, bem bonitinha).

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Igreja fofa de São Francisco de Assis!

 

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Letreiro de SSJ.

Tava tudo bem movimentado e os restaurantes ao redor da praça em pleno funcionamento. Fomos num shopping no centro, quem sabe não tem uma casa de câmbio aberta? Não tinha. Tava tudo aberto, mas não tinha casa de câmbio.

Consegui informações de um cambista por ali mas ele tava trocando 1x7... nem a pau. Além disso não sou muito fã de cambistas... não sei a procedência do dinheiro e ainda tem o risco de notas falsas... por isso a não ser que o câmbio paralelo esteja escandalosamente compensador, não simpatizo com a prática não.

Visitamos um prédio do Governo de Jujuy e estavam exibindo um filminho sobre um fato importante em que a Província de Jujuy livrou a Argentina de um ataque maior... mas não lembro mais muitos detalhes.

Almoçamos pelo centro (Restaurante Negus, 845 pesos no cartão) e passamos no mercado perto de casa (Comodin, 276,29 no cartão) e tb compramos 6 empanadas na rua (80 pesos) para mais tarde.

É engraçado isso né... aqui na minha cidade sou cheia das regras sanitárias, aí viajando a gente come comida de procedência e higiene duvidosa e tudo bem, kkkkkk! Lembrei que preciso tomar remédios de vermes!

Continuando. Na Av. General Justo José de Urquiza, logo depois de cruzar a ponte sentido centro, tem um monte de lojinha de artesanato. Tava tudo meio fechado e eu achei que era por causa do feriado, depois descobri que tava meio abandonado mesmo e poucos vendedores ainda trabalhavam no local.

Jujuy não é uma cidade maravilhosa, é na verdade uma cidade de contrastes como bem conhecemos, com partes bonitas e partes muito pobres. Estávamos do lado pobre, a ponte “Libertador” passava sobre várias favelas... mas não havia insegurança, tudo sempre bem tranquilo.

Já tínhamos conhecido o que era possível na cidade e resolvemos pegar a estrada de novo. Fomos conhecer Purmamarca!

Purmamarca é um vilarejo pequeno (2000 pessoas apenas), parado no tempo, Patrimônio da Humanidade pela Unesco. Está bem preservada e a arquitetura original do século XVII impressiona! Tudo de adobe, argila e palha, e telhados de cardon e telhas de barro. Tb tem igreja, sítio arqueológico, feira de artesanato, mas além de sua história fantástica, o que faz Purmamarca atravessar o tempo e sobreviver exclusivamente do turismo são as EXTRAORDINÁRIAS formações rochosas coloridas... o incrível Cerro de Los Siete Colores.

Mas antes de continuar, importante dizer que Purmamarca está há cerca de 65km de SSJ, e pra chegar lá pegamos um trecho da Ruta 9 que vai ficando incrível conforme se aproxima de Purmamarca, e depois a Ruta 52, que foi só a MAIS INCRÍVEL da minha vida, mas andamos mais por ela em outros dias, pra chegar em Purmamarca é só um pedacinho.

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A caminho de Purmamarca!

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Gentiii, que estrada!

 

Pois bem, esta charmosa cidadinha estava ABARROTADA de gente, era feriado afinal. Paramos bem no começo dela, ainda na Rodovia, e subimos a pé. Um calor infernal... 2300m.s.n.m. Subindo e subindo uma hora vc chega até o “Paseo de Los Colorados”, um caminho de cerca de 3km que pode ser percorrido a pé ou de carro e que passa na base do “Cerro” e leva até inúmeras outras falésias coloridas.

Fizemos todo o caminho a pé! Quando o sol estava baixando as cores ficaram ainda mais extraordinárias! Mas o “Cerro” em si, bem no começo do caminho, é melhor ver com sol, pois a medida que a tarde avança faz sombra nele e as cores ficam menos escandalosamente maravilhosas, rs!

Olhando esta paisagem eu entendo humildemente “a minha insignificância dentro do esquema do mundo”, parafraseando Anatoli Boukreev, alpinista russo. Adoro essa sensação de ser pequena perto da Natureza! Desculpem a overdose de fotos! Mas nem mil delas vão contar tudo que a natureza aprontou de bonito neste lugar!

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Chegamos!

 

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Muita água ok? MUITA!

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O lenço da moleira é pra não derreter os miolos talkei?

 

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Subindo!

 

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Queria essa mudinha de cactos, tem como?

 

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Muito amor nesta paisagem!

 

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Muito amor, MESMO!

Ao terminar nosso passeio estávamos extasiados. Já tinha valido a pena só por estas paisagens! E era só o começo! Compramos uns ímãs (140 pesos, passamos meio batidos nas artesanias pq não tínhamos dinheiro, haha) e compramos tb 2 tortilhas (90 pesos), 1 refri (40 pesos) e pagamos pra usar um banheiro (10 pesos).

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Quero.

 

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Artesanatinhos e nós sem grana!

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Pegamos a tortilha com guardanapo mas o tio que vendeu pegou com a mão, depois de manipular dinheiro... e as unhas dele eram meio pretas.

Que dia!  QUE DIA! Voltamos pra casa comer nossas empanadas e mais coisinhas compradas pela manhã no mercado! Rodamos 128km!

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Com o tênis assim existe uma certeza: o dia foi FODA!

 

Gastos do dia (em peso argentino)

Compras: 140,00

Alimentação: 1341,29

 

CONTINUA

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DIA 5 - 10 DE JULHO, QUARTA: O dia em que fiquei ryca!

Conhecer Salta e trocar dinheiro! 220km!

 

Acordamos um pouco mais tarde e exploramos o jardim da nossa casa. Kkkkkk... Tinha muita planta, MUITA, e somos muito fãs! Olhem que lindas!

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Plantas de casa! rs

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Lindona!

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Tomate de árvore, ou tamarilho!

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É irmão do tomate mas tem gosto de maracujá e mamão!

 

Mas continuando... tomamos nosso café e partimos para Salta às 9h15! Se vc traçar este caminho pelo google ele vai te jogar pela RN66, mas a gente queria ir pela RN9 e pegar o trecho conhecido por “La Cornisa”. Portanto contrariando a moça do google fomos pelo caminho mais difícil, hahahaha!

É uma estrada bonita, interessante. Em boa parte dela só passa um carro por vez. As curvas são infinitas... Argentina é dos extremos, ou só tem reta ou só tem curva! Kkkkkk E assim, tem uma hora que cansa... é legal, vale a pena, mas cansa... não acaba nunca, rs!

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Pausa para fotinha!

 

Curvas e mais curvas com direito a cava e tudo!

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Deu né?

Teve uma hora que paramos na estrada tirar umas fotos e um argentino, um senhor, puxou papo com a gente. Perguntou de onde éramos e logo tava dizendo que estava bravo com a gente (a gente = brasileiro) e eu já imaginava o pq! Eliminamos a Argentina na Copa América e segundo eles houveram alguns pênaltis não marcados, hahahahauaha... já saí dando risada e dizendo “foi só um que não marcaram, só um penal...” hahahaha, ele riu bastante!

Superadas as curvas infinitas chegamos em Salta. Cidade grande, pulsante, com trânsito complicado. A gente tava DESESPERADO pra trocar dinheiro... eu acabei indo direto no banco La Nacion... mas não tinha onde estacionar, ele fica no “umbigo do centro” hahahahauaha. O Gui me deixou lá e encostou por perto, em fila dupla, pq pasmem, isso é comum e não é infração. Só tem que ligar o pisca. Na prática o trânsito é uma merda pq só tem uma via efetiva de rolamento. Uma é de estacionamento e a outra de fila dupla. Pelo menos nas cidades do norte é assim que funciona.

O Banco pós feriado parecia uma filial do inferno. Tinha milhares de pessoas dentro, hahahauaha, e os argentinos não parecem ser muito habituados a serviços on-line, bancos sempre cheios em toda parte.

Fui perguntando e sendo passada de um lugar pra outro até que cheguei na fila do câmbio. A impressão é que eu estava nas profundezas de Gringotes (o banco bruxo de Londres pros não iniciados, hahahahauH), eu não saberia sair na rua de novo se não fosse orientada. Fiquei no total cerca de 30 minutos dentro do banco. Cotação 1x10,60. Era menos do que eu imaginava mas tudo bem. Troquei 1.000,00 reais! Tinha 10.600,00 pesos, que RYYYYCAAA. Ganhei liberdade!

Gui tinha conseguido estacionar na ruazinha onde ficou em fila dupla (é pago, 30 pesos por duas horas). No carro ele guardou boa parte do dinheiro na doleira que usava o tempo todo e almoçamos por ali (restaurante Bartom), num restaurante bem na esquina onde estava o carro. Estávamos morrendo de fome! A conta ficou em 1000 pesos!

De pança cheia saímos pra explorar Salta! Andamos por todo o centro e compramos kilos de tranqueiras*... visitamos centros de artesanatos e uma Igreja, outra São Francisco de Assim, muito linda!

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Igreja São Francisco de Assis!

* doces, cerveja, vinho, vaso, ímãs, colar, mais bebidas, lhaminhas, pipoca, sorvetes, caramelos de coca... enfim, kkkkk

Aí fomos pro teleférico San Bernardo, um dos cartões postais de Salta. Do lado tem uma feira imensa de artesanato, rs! Onde parte das tranqueiras descritas acima foram compradas.

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Sempre muitos doguinhos fofos!

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Numa casa de artesanatos!

 

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Os famosos caramelos de coca da Bolívia!

Pois bem, a fila do teleférico estava I-MEN-SA, e o sol AR-DEN-DO. Fomos especular e íamos ficar de 1h a 1h30 na fila, OMG. Gentis... já andamos em kilos de teleféricos por aí... com paisagens bem mais legais... com paisagens MUITO mais legais... eu nem faço tanta questão mas achei que o filho queria... a paisagem nem parecia grande coisa... e aí descobrimos que custaria 1000 pesos para subirmos (coisa de 3-4 minutos). CEM reais manos... 400 pesos por adulto, 200 pesos pro João. Concordamos em abandonar a fila! Hahahaha

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Não fomos, kk

Voltamos a andar... achamos uma casa de câmbio trocando 1x11... raivinha hein! Troquei mais 500,00 reais (5.500,00 pesos) e assim finalizamos nosso câmbio na Argentina.

Foram 500,00 reais por 5.000,00 pesos em Foz do Iguaçu, 1.000,00 reais por 10.600,00 pesos e 500,00 reais por 5.500,00 pesos em Salta. Total 2.000,00 reais por 21.100,00 pesos. Na média 1 real para 10,55 pesos, por isso mais fácil fazer conta pensando em 1x10.

Voltamos pro carro e pagamos mais 30 pesos de estacionamento. Eles não cobram as horas da “siesta”, é engraçado. E atenção na siesta tá gentes... tudo fecha das 13h30 às 16h30 no norte da Argentina... algumas coisas só abrem mesmo depois das 17h!

E um drama que eu não venho comentando... gasolina! A última vez que abastecemos foi antes de chegar em Jujuy... lá na cidade (Jujuy) fomos em alguns postos, mas não tinha combustível... hahahauaha... na estrada achamos uns que tinham mas não aceitavam cartão e até então não tínhamos dinheiro... estávamos no bafo... super na reserva. Finalmente abastecemos em Salta (1950,17 pesos no cartão, 49,98 por L) e pegamos a estrada de volta! Pela RN66, não pela Cornisa, claro.

Na saída da cidade paramos no alto no morro onde chega o teleférico, hahahauaha, dá pra chegar de carro até lá e amei não ter pago 100 reais pra subir, mesmo.

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OOooooeeee

 

No mesmo posto YPF no entroncamento da Ruta 9 com a 34 compramos comidinhas pra janta e café da manhã do dia seguinte. Pegamos um trânsito desgraçado chegando em Jujuy, e falando em trânsito, deixa eu fazer algumas considerações: já estivemos em Buenos Aires antes, mas não lembro como era o trânsito por lá, pois não estávamos dirigindo, não prestamos muita atenção.

Aqui no norte era tudo meio maluco. As pessoas são doidas. Rotatórias por exemplo... a preferencial é de quem tem mais coragem. Assim como nos cruzamentos... não tem placa dizendo quem deve “ceder el passo” e quando tem, ninguém respeita. Mas tudo bem, estávamos espertos!

Em casa descanso e nosso vinho de cada dia. E começamos a tomar o diamox pq no dia seguinte já chegaríamos a 4.700m.s.n.m. e eu tinha esquecido de começar antes com o remédio.

 

Gastos do dia (em pesos argentinos)

Alimentação: 2005,00 (inclui bebidas que compramos pra levar)

Combustível: 1950,17

Compras: 660,00

Câmbio: 1.500,00 reais (16.100,00 pesos argentinos)

 

DIA 6 - 11 DE JULHO, QUINTA: O dia em que estreamos em altitude!

Humahuaca, Tilcara e Maimará! 300km!

 

Vamos começar o dia de hoje falando de altitude! Ou soroche!

Tem muita informação por aí gente, vou só complementar. O básico é que ela pode ocorrer acima dos 2.400m e nos atinge indistintamente e com diferentes graus, um gordinho sedentário pode não sentir nada enquanto um atleta pode ter problemas, mas a aclimatação é essencial para todos.

Subir aos poucos, evitar alimentos “pesados” (carnes vermelhas, comer demais, etc), evitar álcool e claro, tabagismo além de prestar atenção aos sinais do corpo.

Dores de cabeça, cansaço e náusea são bem comuns e podem ser aliviados/atenuados com os chás de coca, ingestão de muito líquido e movimentos lentos. Sangramentos, desmaios e outros sintomas mais graves devem servir de alerta imediato: desça. Tanto o edema pulmonar quanto o cerebral são quase sempre fatais, DESÇA. E deixe os passeios de altitude para os últimos dias.

Um remedinho comum que muita gente usa quando vai se expor a altitude é a acetazolamida, conhecida pelo nome comercial mais comum: DIAMOX.

Este remédio serve pra uma série de doenças e é diurético (vasodilatador), o que previne as complicações mais graves do mal da montanha: edema pulmonar e cerebral. Consultei meu endócrino (sou diabética) e oftalmo (tenho retinopatia e complicações oculares tb são relatas em altitude) e ambos liberaram/indicaram o DIAMOX.

Era pra gente ter começado a tomar 2 dias antes de se expor à altitude, mas na real eu não sabia que nosso rolê de hoje chegava tão alto, descobri na véspera e imediatamente iniciamos o tratamento, que era um comprimido de manhã e um a noite. Inclusive João tomou. A posologia deve ser indicada pelo seu médico, caso ache que vai te ajudar.

Uma outra coisa que me preocupava muito era o agravamento da minha retinopatia, que resumindo bem, consiste em micro sangramentos na retina levando ao descolamento dela e perda permanente da visão. Sei que este assunto interessa a poucos, mas caso tenha um diabético lendo, já fica a dica! Temos contra-indicação para alta montanha, com ou sem retinopatia.

Em alpinistas saudáveis a retinopatia de altitude é rara e geralmente aparece na zona da morte, mas nós, diabéticos, somos mais sensíveis. Meu oftalmo me recomendou NUNCA passar de 6.000msnm.

Portanto, por precaução, tomei o DIAMOX mesmo sabendo que não ia passar dos 5.000msnm.

O remédio, só pra concluir, como eu já disse, é diurético. Cara, que “mijação” com o perdão da palavra! Hahahaha... todos nós levantamos 2x durante a noite pra fazer xixi e a frequência durante o dia tb ficou altíssima no começo, haha. Depois deu uma melhorada. Naturalmente a gente já bebe muito mais água em altitude e no deserto, com diurético isso ficou bizarro, a gente bebia MUITA água.

E eu acho que não comentei antes, compramos e levamos MUITA água, façam isso se forem de carro, especialmente pensando no Atacama. Água é muito caro lá, a gente economizou muito levando água de “casa”.

Mas vamos prosseguir ao que interessa: Serranias del Hornocal, ou Cierro 14 colores!

O caminho para Humahuaca começa igual ao que vai pra Purmamarca, mas ao invés de pegar a RN52 em direção a esta última, continuamos em frente pela RN9 em direção a La Quiaca, fronteira com a Bolívia. Começamos por Humahuaca que era mais longe (130km de SSJ) e era mais esperada. As outras cidades seriam visitadas no caminho de volta.

Essa ruta 9, pra este lado, é linda demais! Até Purmamarca já conhecíamos... depois fica ainda mais bonita.

Chegando ao Vilarejo de Humahuaca já percebemos que era uma comunidade bem pobre... compramos apenas folhas de coca (30 pesos) e seguimos então para a Serrania de Hornocal, que fica 25km depois de Humahuaca, por estrada de chão. A estrada é relativamente tranquila, quando seca, e a subida é muito íngreme, MUITO.

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Olha esta estrada!

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E ela é toda minha! kk

Obs. Não curti mascar a folha de coca não, achei ruim. Começamos a chupar as balinhas ou caramelos de coca. João não conseguiu, achou muito ruim. Eu achei até gostosinho, Gui tb gostou... parece um chá qualquer. Nas primeiras balinhas meus lábios amorteceram e meu coração acelerou, gui tb relatou taquicardia... mas logo ficou tudo bem e só tive esta sensação mais uma vez, com caramelos do Peru (estes eram bolivianos).

A Serrania de Hornocal é uma cadeia de montanhas coloridas e se estende pelo altiplano boliviano e peruano. Seu ponto mais alto é 4.701,00 metros sobre o nível do mar... meo, alto! O acesso ao local (mirador do cerro de 14 colores) é controlado pela comunidade andina local e na portaria há banheiro (ufa, e olha que eu já tinha parado na estrada, kk). Paga-se 40 pesos por pessoa para entrar, João não pagou.

Estaciona-se perto do mirante, mas é possível fazer uma curta caminhada até a beira do abismo que nos separa daquele paraíso gelado. Mas gelado MESMO. Estávamos com roupas apropriadas e não sofremos muito, mas vimos pessoas congelando por ali. Não subestimem o frio de altitude, haha! O vento tira a gente do lugar... e não tem ar direito pra respirar, dá-lhe água!!!

E o que que é aquilo gente? O lugar é indescritível. Mais uma avalanche de fotos vem aí!

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Daqui do alto dá pra ouvir a vida zunir num tom mais alto!

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As fotos não traduzem!

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Não chegam nem perto de traduzir toda a beleza...

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Infinita beleza, obrigada mama Tierra!

Na hora de descer até a beira do abismo foi tranquilo, haha, na hora de subir verificamos que a paisagem tirava o fôlego nos dois sentidos, kkkk! Me senti uma centenária subindo escadas. Três passinhos e parada pra descanso, hahahahauaha! Mas tirando essa falta de ar totalmente normal não sentimos nada nesta nossa primeira incursão em altitude. Que TUDO, eu estava com medinho de passar mal.

Voltamos pela estradinha de chão descendo vertiginosamente e paramos de novo em Humahuaca para ver as feirinhas locais. Era tudo muito pobre... muito mesmo.

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Feirinha em Humahuaca!

Seguimos então para Tilcara, onde iríamos almoçar. Tanto Tilcara como Humahuaca são patrimônios mundiais da humanidade.

Em Tilcara estacionamos logo no início da Calle Belgrano, a principal. A cidade estava lotada e fechada, era hora da siesta, kkk! Tem kilos de restaurantes nesta rua... todos carinhos. Tudo é caro em Tilcara, tudo muito turístico. Li em algum lugar que aqui era o melhor lugar pra comprar artesanato, que era mais barato... não achei não. Na Calle Belgrano era tudo bem mais caro que já tinha visto em Salta e Jujuy... Só lá pra cima depois da Igreja é que tem uma feirinha com preços mais acessíveis. E coisas legais, diferentes! Curtimos!

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Quase surtei de vontade comprar tudo!

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Mais doguinhos!

Almoçamos na Celle Belgrano mesmo pq tava um sol de rachar pra ficar andando e a gente tava morrendo de fome. Foram 1.150,00 pesos... queria pagar no cartão mas aí eles cobravam 10% a mais. Humpf. E tive que pedir pra refazer a conta, tava errada! Humpf 2.

Lá na feirinha gastamos uns dinheiros com mais caramelo de coca, sorvetes, vasos, meias e lhamas de pelúcia... eram muito fofas, hahahauaha! Tb caminhamos em direção a uma atração conhecida como Pukará de Tilcara (ruínas reconstruídas de forma polêmica) mas o sol tava tão ardido que não encaramos. E da rua dava pra ver as ruínas, não achamos que valia a pena. No lugar em que ficavam as ruínas tb tinha um “Jardim Botânico de Altitude”, e eu tinha interesse nisso neah, sou bióloga/botânica... mas de longe tb me pareceu só um amontoado de cactos que eu já vinha curtindo muito nas estradas, rs!

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A caminho de Pukará.

E voltemos a falar da Igreja. A Igreja da maldição de Tilcara, hahahahauaha. Esta é a maldição responsável pelo jejum de títulos mundiais (Copa né gente) desde 1986, quando a Argentina foi bicampeã mundial.

Diz a lenda que a então seleção de 1986 comandada por Carlos Billardo, durante os treinamentos pré-copa do México, ouviu dizer que a virgem Maria da Igreja de Tilcara era muito poderosa. A seleção então, que incluía Maradona, resolveu fazer uma promessa pra santa: ajoelhados na frente do altar prometeram que se ganhassem a Copa iam fazer uma peregrinação e levar a taça até lá.

WELL... A Argentina levou a Copa, mas o capitão Billardo e seus jogadores nunca voltaram... E a Argentina nunca mais ganhou uma copa! Hahahahahahaha Enquanto não voltarem todos lá juntos com a taça, não se preocupem com os Hermanos em copas! hahaha

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Hey, Maradona, volte aqui!

Curtimos bastante a cidade, ela é bem fofa! Bem turística, mas bem fofa! Na saída pegamos mais tortilhas (250 pesos) para a janta. E na estrada botamos mais um golinho de nafta (1000 pesos, 49,62 por L) pq estávamos traumatizados, kkkk!

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Tortilhas, huuum. Dinheiro na mão, mão na tortilha, huum

Paramos ainda na cidadezinha de Maimará, que da estrada já ostenta paredões multicoloridos de rochas! Mas que perto do que vimos de manhã não chegou a impressionar! Fomos parados num controle policial que nos perguntou de onde estávamos vindo, no que respondemos que estávamos hospedados em Jujuy e tínhamos passado o dia em Humahuaca e Tilcara. Adelante.

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Afffe estas estradas lindas

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E o motorista concentrado!

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Maimará

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Tá meio repetitivo falar estrada linda né?

Maimará

Já em casa, vinho, tortilha e descanso. Mais um dia MEMORÁVEL tinha chegado ao fim. Eu estava muito feliz de estar vivendo tudo isso!

 

Gastos do dia (em pesos argentinos)

Alimentação: 1570,00

Combustível: 1000,00

Compras: 1170,00

Entradas: 80,00

 

 

DIA 7 - 12 DE JULHO, SEXTA: O dia mais light!

Jardim Botânico e despedida de Jujuy!

 

A gente acabou tendo um dia de sobra em Jujuy (que se eu pudesse tirava daqui e botava em Corrientes/Resistencia, mas enfim), pois nos meus planos originais eu ia gastar um dia inteiro em Purmamarca e na prática gastei metade de um dia! Portanto neste dia acordamos bem mais tarde e resolvemos fazer uma trilha no Parque Botânico Municipal. Foram 30 pesos para cada adulto, João não pagou.

É um parque bem bonitinho, uma floresta urbana e alguns animais interessantes, principalmente aves. A trilha dura até umas 2h, fizemos em 1h40. Não é algo que eu super recomende para qualquer pessoa, mas pra mim foi interessante!

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Oi lindinha! (em cativeiro)

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Mama Tierra! Pachamama!

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SSJ vista de cima!

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Quase caindo, rs!

Fomos almoçar no centro (restaurante El Nato Chung King - 525 pesos recalculados pq a primeira versão da conta estava errada, e de propósito) e no restaurante tinha uns cantores locais... acabamos dando 100 pesos de gorjeta pra eles! Depois voltamos pra casa pq tudo estava fechado. Tiramos uma soneca (férias das férias, rs) e voltamos ao centro depois das 17h comprar umas lembrancinhas (835 pesos) e no mercado (839,56).

Hora de reorganizar a bagunça, fechar as malas e dormir cedo. No dia seguinte cruzaríamos mais uma fronteira. Dia seguinte partiríamos ao Deserto do Atacama!

 

Gastos do dia (em pesos argentinos)

Alimentação: 1364,56

Compras: 935,00

Entradas: 60,00

 

CONTINUA

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O relato vai continuar pelo Atacama e um bate-e-volta maluco pela Bolívia. E claro, vamos passar pela Argentina de novo na volta. Mas importante dizer: o norte da Argentina é APAIXONANTE💗

É lindo, maravilhoso, o povo é querido, que quentinho estava meu coração. Penso que uma viagem desta sem carro fica muito comprometida e deve ser cara, pois andei vendo os preços de passeios desde Salta e me pareceram bem salgados.

Visitem o norte da Argentina por favor! Tem outras atrações locais que não conheci, como o famoso trem das nuvens (não pesquisei muito, não sei como funciona), e com certeza muito mais de história e arqueologia pra explorar.

A ruta que vamos pegar a seguir, que liga SSJ a SPA (ruta nacional 9, depois a 52, ainda na Argentina) é a estrada mais FODA que já estive na vida. A paisagem se transforma a cada minuto e vc não cansa de se espantar com a beleza, com a natureza... 

Eu não consigo ser tão exagerada a ponto de honrar tudo que vi, mesmo que pareça!

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DIA 8 - 13 DE JULHO, SÁBADO: O dia das estradas mais lindas!

SSJ > SPA, 473km, 7h

 

Ansiosíssimos, saímos às 7h40 de casa rumo ao Atacama! Pegamos uma garoa leve e uma forte neblina no começo da nossa viagem (Ruta 9), que logo foi dissipando.

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Chuva e neblina pra começar!

Já tínhamos passado outras vezes por este trecho. O caminho era Ruta 9 até Purmamarca e depois Ruta 52 até a fronteira. Até Purmamarca já conhecíamos, depois disso foi surpresa atrás de surpresa! E não tem mais polícia. Nem sinal de celular, nem gente, nem civilização, rs.

Já esperávamos pelas Salinas Grandes e Cuesta Lipan, mas a beleza da estrada vai muito além! Talvez pela minha formação acadêmica e amor profundo pela geologia, todos aqueles paredões coloridos, vegetações e animais me contavam histórias que eu só estudei em teoria, então eu era puro fascínio. Em minha opinião, a estrada mais bonita que já tive o privilégio de cruzar!

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Eu não canso nunca de tanta beleza!

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Nem queria mesmo!

 

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Cuesta Lipan! SEN-SA-CI-O-NAL

Em um ponto da estrada, atravessando as Salinas Grandes, tem uma estrutura permanente de turismo. Não paramos pq queríamos chegar em SPA mais cedo, deixamos pra volta! E a estrada segue magnífica cheia de Lhamas e Vicunhas!

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Ainda na Argentina, Salinas Grandes!

 

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Grandes mesmo!

 

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Vicunhaaaa!

 

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Milhões de lhamas nas estradas!

Uma forma fácil para diferenciar estes bichinhos: a vicunha e o guanaco são animais selvagens e bem parecidos entre si, bem esguios, mas é mais comum encontrar as vicunhas, que é a menor das 4 espécies. A Lhama e a alpaca são domesticadas, e vc vai ver kilos de lhamas com aquela sua carinha típica! A Alpaca não vi por lá, elas são muito comuns (criadas) no Peru e Bolívia por causa do seu pelo maravilhoso! Ela parece um urso de tão peluda, rs.

E falando em bichinhos, tb tem muito burro e outros animais perambulando pelas estradas. Além do puta estrago e perigo que oferecem a vc e seu carro, a casa é deles... devagar gentes!

Depois de muita maravilha (eu já não lembro a ordem), além de um monolito indicando a altitude local, vc vai passar por Susques, uma cidadinha tb parada no tempo. Tem um único posto de combustível, o Pastos Chicos, que parece coisa de cinema, rs! Pegamos pouquíssimo movimento na estrada, então a sensação de estarmos sozinhos no mundo era bem doida!

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Para o alto e além!

 

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Como disse o Gui: foi pra abastecer num posto desses que eu virei uma máquina de dirigir, kk!

Esta é sua última oportunidade de abastecer antes da fronteira, e como a gente não sabia bem se na fronteira teria combustível, completamos (1000 pesos, 53,80 por L – a mais cara da viagem). A gente chegou a entrar no restaurante que tinha lá. Pagamos pra usar o banheiro (10 pesos cada) e tínhamos a ilusão de que poderíamos comer alguma coisa, hahahauaha, mas não tinha nada além de gatos, cheiro estranho, muitas bitucas de cigarro e uma senhora combinando com tudo isso! Seguimos comendo as porcarias do carro, kk!

E finalmente: FRONTEIRA! Paso de Jama!

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Paso de Jama!

 

Estava com pouca gente, mas foi meio confuso achar onde ir. Depois tudo certo, vc vai passando por uma sequência de guichês que vão te tirando da Argentina e te colocando no Chile, rs. Carimba saída da Argentina, entrada no Chile, cadastra o carro e o condutor, te dão uma autorização pra dirigir, papeizinhos de entrada, vc preenche formulários dizendo o que tá levando, o carro é revistado, enfim! Foi uns 40 minutos até podermos seguir.

Vale a pena destacar:

a) Mesmo com passaporte te dão uns recibos de entrada. GUARDE, pq sem eles vc não sai.

b) Essa autorização que te dão pra dirigir GUARDE, sem ela vc não sai.

c) Formulário e revista fitossanitária: já ouviu falar que são chatos né? São mesmo. O país deles é um tripa entre mar e montanha e qualquer pequeno bichinho/plantinha pode destruir a economia deles. Já evite levar qualquer coisa que possa te complicar: qualquer coisa in natura, derivados de mel, leite e carne e por aí vai. E caso tenha dúvida, preencha no formulário que leva algo que não pode, aí eles vão vistoriar e retirar sem risco de multa. Se vc declarar que não tem e tiver leva bronca e multa.

Conversando com a moça enquanto eu preenchia o papel eu disse que tinha comida no carro, mas tinha dúvida se alguma era proibida. Disse que tinha chá de coca industrializado, caramelo de coca e amendoim (além de bolachas e outras coisas que sabia que não seriam problema), que era o que me gerava dúvida. Ela mesma me orientou a preencher que tinha “orgânico” e no fim das contas não confiscou nada.

Na fronteira tb tem banheiro e atendimento médico, afinal a gente passa por 4.800msnm e a fronteira está em 4.200 mais ou menos. Mas estávamos bem tranquilos.

ADELANTE, estávamos no Chile, a Ruta 27 nos levaria até SPA.

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"Você coleciona alguma coisa?" Sim, placas!

MUITO gelo na estrada, muito rio congelado, cenário lindo! A Ruta 27 cruza a Reserva Nacional dos Flamingos e diversos salares, entre eles o famoso Salar de Tara, Monges La Pacana entre outros, então a estrada já faz parte do passeio!

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Rio congelado!

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Muita neve na beira da pista!

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Amado Salar e Laguna de Tara!

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Salar e Laguna de Tara!

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Salar e Laguna de Tara! Verdinho aqui!

 

Passado um tempinho, tudo que vc subiu agora vc vai descer. VERTIGINOSAMENTE, rs. Tem um escape de brita pra veículo sem freio a cada 700m. CUIDADO pra não fritar seus freios. O carro embala em terceira!

E da série “coisas curiosas sobre a altitude” (a gente já tinha flagrado tudo isso na Argentina):

1 – Refri ruim: em altitudes elevadas os refrigerantes ficam com um gosto mega estranho e o gás sai todo de uma vez. Tenho teorias sobre o assunto mas não tenho certeza então melhor ficar quieta. kk

2 – As garrafas pet: vc vai tomando água loucamente, LOUCAMENTE e então, na volta pra casa (quando a altitude está diminuindo), suas garrafas (vazias) começam a se retorcer dentro do carro como se alguém as tivesse apertando. Parecia pedra batendo na lataria e até descobrirmos que as garrafas estavam tendo um infarto a gente achou que tinha duende jogando pedra no carro. Essa tá fácil. A garrafa se encheu de “ar rarefeito” lá no alto, que cria pressão negativa quando descemos... a pressão atmosférica maior fora do que dentro da garrafa amassa ela inteira.

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Garrafa 4.500msnm x garrafa 2.500msnm

3 – Os sacos de chips inflam e estouram: eles já tinham inchado antes, mas o primeiro que estourou quase nos fez bater o carro, hahahaha! Vc sai com ele “do baixo” e dentro dele o ar está compatível com a pressão em que foi envazado. Conforme vc sobe ele vai inflando, pois a pressão atmosférica de fora do chips está bem menor que a interna! O ar quer sair... BOOOM!

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Chips pré-estouro (o amarelo de baixo estourou na Bolívia dias depois).

4 – Digestão lenta: esta é mais difícil de perceber talvez, mas reparem que sentimos menos fome em altitude. O que vc comeu no café da manhã vai ficar na sua barriga por bastante tempo... reparei isso logo de cara pq sou diabética e a digestão quase inexistente pela manhã me levada a hipoglicemias severas no início do dia (queda de açúcar no sangue), pois eu tomava insulina mas não tinha glicose no sangue... aí eu tomava kilos de líquidos ricos em açúcar e no fim do dia tinha o efeito contrário... quando tudo fazia digestão de uma vez a taxa de açúcar aumentava um monte (hiperglicemia). Percebi isso bem rápido e ajustei meu tratamento.

Passado o momento ciência, hahahauaha, chegamos!

Chegamos em SPA!

O Atacama não é só o deserto mais árido e alto do mundo, é de outro mundo. SPA: uma cidade perdida na areia cheia de gente do mundo todo atrás de aventura! Era bom estar ali. Mas não vou colocar fotos de SPA pq já abusei de fotos neste post, rs!

O programa do dia, além da lenta passagem já relatada acima, era chegar, largar malas e reconhecer a vizinhança, vulgo comer, trocar dinheiro e ajeitar o que ainda estava pendente, então vamos por partes:

Largando malas: encontramos nossa anfitrião (gente fina) que nos explicou o funcionamento das coisas (internet etc) e só deixamos as malas mesmo. Como já disse lá no começo, foi um quarto triplo bem simples e banheiro privativo com acesso a cozinha compartilhada com mais um quarto.

Reconhecer a vizinhança: saímos a pé rumo ao “centro”, que são as imediações das Calles Toconao, Tocopilla e Caracoles. Algumas ruas têm pavimentação em um tipo de paver, mas a maioria é de areia.

Trocando dinheiros: eu tinha 670 dólares comprados a 3,85 e 700 dólares comprados a 4,23, portanto média cada dólar meu valia 4,05. A melhor cotação de SPA (que encontrei, não procurei todas, rs) estava pagando 680 pesos chilenos no dólar e 160 pesos no real. Eu ia trocar apenas 570 dólares pra começar (#projetoafrica kkk) então a conta foi:

570 dólares x 680 pesos: 387.600,00 pesos chilenos. Esta quantidade de dólares me custou 2.308,5 reais. Se fosse comprar pesos com reais, 2.308 reais compraria apenas 369.280,00, portanto tava super valendo a pena, para mim, considerando os preços que paguei no dólar, comprar peso com dólar. É quase sempre assim no deserto, mas verifique na data da sua viagem. E para efeito prático de conversão eu dividia os preços em peso chileno por 160 pra saber os valores em reais. E tenha em mente: ATACAMA É CARO PRA CARALHO!

Agências: Os tours guiados, mesmo nas agências mais baratas, são caros! Mas tem pra todo bolso, gosto e tipo. Nós decidimos antecipadamente que queríamos fazer 2 tours guiados (Geiseres e Lagunas Escondidas de Baltinache), no último dia, para descansar do volante, para ter a experiência dos guiados, pq eu queria obter mais explicações nos Geiseres e pq me disseram que estrada até as Lagunas Escondidas estava péssima. E eu tinha um dia livre pra decidir o que fazer ainda!

Acabei recebendo muita indicação da agência FlaviaBia, mas fala sério, não era pra mim. Pode ser o Ó de boa, mas os preços chegavam a ser o dobro das outras, bem distantes do meu orçamento mochileiro.

Depois de muita peneira fiquei entre 3 pra fazer os guiados: Araya, a mais cara (das minhas) e super bem recomendada, 123 Andes, muito bem avaliada, famosa aqui no mochileiros e intermediária com relação a preços, e Atacama Trips, a mais barata, e que segui de perto pelo Insta e achei bacana pelas trocas de mensagens e e-mails.

Faltando um mês pra nossa trip a 123 Andes fez uma promoção (eu tb seguia eles no insta), concedendo 30% de desconto para reservas com no mínimo 90 dias de antecedência, mas acabaram fechando pra mim faltando só uns 30 dias (acho que fecham pra qualquer data na verdade, rs).

Apesar dos kilos de conselhos, que endosso, de não fechar os passeios antecipadamente, paguei pra ir com eles antecipadamente pela facilidade de pagar em real por transferência bancária sem ter que ficar me preocupando com câmbio. Em peso os dois passeios ficaram 50.000,00 por pessoa, fazendo todas aquelas contas de câmbio mencionadas acima. Na prática paguei 932,00 reais para nós 3.

PORTANTO, embora eu tenha visto muita propaganda de agência por lá, com várias oferecendo “pacotes” de 2-3 passeios por 40.000 pesos, não vou saber indicar preços exatos, pois pesquisei só estes 2.

Então especialmente se vc vai fazer vários passeios, deixe pra fechar lá! Os preços tabelados que eles divulgam em sites e e-mails são facilmente negociados! Ainda mais em grupo ou contratando vários tours.

Voilá, passei na agência só pra dizer que tinha chegado e conformar meus passeios dia 18 de julho. Tudo certo, bora bater perna! E começa o espanto: gastamos 2.250,00 pesos (~14 reais) em meia dúzia de porcaria na padaria, 3.800,00 (~23 reais) em uma garrafa de vinho e uma cerveja, 4.450 (~28 reais) num mercado comprando coisas pro café da manhã do dia seguinte, e 10.800,00 em 3 sanduíches de janta e incríveis 6.000,00 em 3 sorvetes na famosa (e meia boca na minha opinião) Heladeria Babalu. Pedimos antes de ver o preço, hahahauaha!

Quem converte não se diverte mas olhe... QUE FODA! Partiu dormir né? Hahaha

 

Gastos do dia

Em pesos argentinos:

Combustível: 1000,00

Compras: 30,00

Em pesos chilenos:

Alimentação: 27.300,00

Câmbio: 570 dólares x 680 pesos: 387.600,00 pesos chilenos

 

Mas vou finalizar este post com uma foto que faz tudo tudo tudo valer a pena quando vc pega a estrada!

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Licancabur, SEU LINDO.

CONTINUA

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DIA 9 - 14 DE JULHO, DOMINGO: O dia da astronomia!

ALMA e Vale de Marte!

 

Acordamos às 7h30 com adoráveis 1oC - sempre né! Tomamos nosso café em casa e partimos pra ver se ia dar certo nosso primeiro rolê: visita ao observatório ALMA. Vamos às explicações:

O ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) de forma bem resumida é o maior radiotelescópio do mundo. São 66 antenas (cooperação entre Japão, EUA e UE, além do Chile, claro – 23 países) que juntas equivalem a uma antena de 100km de diâmetro.

Não espere chegar lá e olhar num telescópio, rs. É um radiotelescópio, capta ondas de rádio, transforma em números (sistema binário) e depois em imagem. 💗

A visita é técnica e MUITO interessante, pelo menos eu achei. Sou chegada no assunto. Mas não se chega até as antenas, que estão a mais de 5.000msnm, a visita ocorre na base que está a 2.900msnm. Tivemos a sorte de ver uma que estava lá para manutenção (100 toneladas cada uma!). Não vou me alongar nas explicações, mas se estiver por SPA num sábado ou domingo se esforce pra ir, é algo que vc só pode fazer e aprender lá.

As visitas ocorrem apenas aos sábados e domingos e é necessário agendar pelo site. São gratuitas. Fiz nossa reserva com 4 meses de antecedência e já estava esgotada, ficamos na lista de espera.

https://www.almaobservatory.org/en/home/

Chegando ao ponto de encontro, às 8h45, eles embarcam primeiro os confirmados, depois os na lista de espera e depois os que chegaram lá sem reserva e foram dando nomes. No nosso caso todo mundo foi (as 3 categorias que estavam lá esperando), mas procure estar inscrito com antecedência.

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No busão, vermelhos, indo pro ALMA.

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Meu jovem mochileiro curioso!

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Anteninha americana em manutenção!

De volta a SPA, cerca de 12h45, nos deixaram no ponto de encontro, que é ao lado do terminal de ônibus e ao lado tb do restaurante mais barato que tínhamos encontrado em SPA: La Picá del Perron, onde almoçamos por 11.700,00 pesos (sandubas).

E falando em restaurantes, eu tinha indicação de vários, falam muito do “Las Delicias de Carmen” e do “La Picada del Indio”, mas eles estavam caros pro meu bolso. Aquele lance de PF a 3-4 mil pesos não existe mais, pelo menos na alta temporada, rs. A tal da Heladeria Babalu então, jesuissss... sorvete caro e pro meu gosto, sem graça, rs. Outro recomendado, o Agua Loca, estava interditado, rs! Ao longo do relato vou colocando os demais que visitei.

Voltamos pra casa, pegamos o carro e fomos abastecer. A gasolina 93 (a 95 é mais cara) estava 833 pesos o L (incríveis 5,20... hahahahau) e só tem um posto mesmo na cidade então fazer o que!

Seguimos para o Vale de La Luna! ATENÇÃO, como eu já tinha lido por aqui, as visitas particulares, seja de bike, a pé ou de carro, estão FECHADAS no período da tarde (das 13 em diante). Só pode com agência. Explicaram que os particulares andam fora das trilhas e estão detonando o lugar... com a proibição de visita à tarde eles praticamente proibiram o acesso sem agência pq de manhã, sem o sol batendo, não tem graça nenhuma.

Claro que o lugar é lindo, mas formações rochosas é o que eu mais tinha visto na Argentina e veria muitas ali tb. E dá pra ver panorâmicas do Vale da Lua da estrada, então a gente não ia pagar pra ir com agência não!

Seguimos então para um sitio arqueológico chamado “Pukará de Quitor” onde se encontram ruínas de povos antigos da região, mas mais uma vez avistamos da estrada e o que vimos não nos chamou muito a atenção... e tb tava um sol ARDENTEEE e custava 3.000,00 a entrada para cada um. Bota mais este na conta do “não fomos”. Digno de nota: gato guerreiro atravessou seu primeiro rio.

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Gato guerreiro aprende a nadar!

Cara, pra quem curte mais a questão histórica dos lugares é um lugar que não deve ser deixado pra trás, e a gente curte  história sim, mas não a ponto de fritar no sol, rs.

Então booora pro “Vale de Marte” ou “de la Muerte”. O GPS nos mandou por uma entrada secundária, kkkkk, que não era uma entrada de verdade... mas encostamos o carro na tal entrada, subimos por lá mesmo, no mirante, e pagamos pro guarda que fica ali num posto de fiscalização 3.000,00 cada um. Portanto não fizemos todo o percurso do vale a pé, mas o que vimos e considerando que o sol já estava ameaçando partir, foi legal e o suficiente para nós.

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Entrando pela porta dos fundos, rs

 

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Vale de Marte!

 

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Lindão. Quem entrou pelo lado certo chega aqui a pé pela estrada que se vê na parte de baixo.

 

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Mais dele!

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Pessoa triste pq quase não gosta de "pedra"! rs

De lá fomos no famoso Mirador “Piedra del Coyote”, onde vc paga 1.500,00 pesos para assistir o pôr do sol dando cores diferentes ao Vale... dispensável na minha opinião. Depois vimos que um monte de gente para mais pra frente na estrada e assiste a mesma coisa sem pagar, hahahaha!

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Bonito... Pedra del Coyote

Tb tinha um grupo de americaninhos em seu aninho sabático fazendo merda por lá e isso me irritou um pouco... vai ver eu tô velha demais pra ver adolescente fazendo babaquice, kkkk!

Durante a tarde e depois que voltamos gastamos entre comida e bebida no mercado mais 12.250 pesos. Eu comprava coisas em locais variados, bebidas na única loja de bebidas, e comidas onde já tinha visto o que era mais barato... vale entrar em tudo e ir olhando.

Jantamos qualquer coisa em casa mesmo!

 

Gastos do dia (em pesos chilenos):

Combustível: 11.000,00

Comida: 23.950,00

Entradas: 13.500,00

 

Foto despedida do dia: Licancabur rosa!

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CONTINUA

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DIA 10 - 15 DE JULHO, SEGUNDA: O dia das primeiras Lagunas!

Laguna Chaxa, Tebinquinche, Ojos del Salar! 254km

 

Acordamos com o frio padrão 1 grau e já doloridos de dormir a noite toda sem se mexer... mesmo com kilos de coberta de lhama eu tava passando bastante frio. Os meninos estavam ok, mas eu tava dolorida, resolvi que colocaria mais roupas nas próximas noites.

Tomamos café em casa e seguimos pela Ruta 23 em direção a Toconao. Nossa primeira aventura do dia seria a Laguna Chaxa. O google maps, por culpa minha, nos mandou por um caminho besta e errado, rs... era como se fosse uma “entrada dos fundos”. Tudo isso pq todos os pontos corretos do mapa estavam marcados na minha conta google, e neste dia resolvemos navegar pelo celular do Gui... Andamos pra caramba e chegou num ponto que a estrada não ia mais. Que merda. Achei que a Laguna Chaxa estaria fechada. Tinha outros manés perdidos como a gente, kk.

Estudando melhor e abrindo o meu mapa vi que tínhamos navegado até “Laguna Chaxa” no mapa do Gui, e o correto seria “Parque Laguna Chaxa”. ER

Volta tudo e agora sim, Laguna Chaxa! Entrada 2.500,00 por adulto, João (de 5 a 12) pagou 800,00.

O cenário é bem diferente, interessante, bonito. Tinha flamingos para minha alegria, mas eles estavam todos distantes. Eu tava com câmera, tripé e o escambau então consegui algumas fotinhas! O calor é que tava de matar. Sério, a gente tava fritando!

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Será que tá quente? rs

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Espelho!

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Trilha de sal!

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Flamingos passeando!

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Flamingos tomando solzinho!

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Bichinho fofo!

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Outro bichinho fofo tomando água padrão deserto!

Depois do passeio que durou cerca de 1h30 partimos para nossos próximos pontos: Laguna Cejar, Ojos del Salar e Laguna Tebenquinche. Mas antes paramos em Toconao. Cidadinha bonitinha até. Compramos uma água de 6L e 1 ímã de geladeira por 4.000,00 (assalto, rs), e um doce horrendo de pomelo que joguei fora, hahahauaha, por 1.000,00. Saindo da cidade ainda compramos uma batata e sorvetes por 2.650,00 e desistimos de almoçar, iríamos nos virar com tranqueiras hj.

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Toconao

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Símbolo de Toconao!

Em direção a Laguna Cejar fui dizendo pro Gui que era uma Laguna salgadona, gelada e cara, que poderíamos nadar se quiséssemos, mas que eu não achava que valia a pena pelo que li e vi. Seriam 15.000 pesos pra cada um genteeee, João pagando inteira... eram quase 100 reais por pessoa pra ver uma Laguna... e advinhem?

Desistimos. Toca pra Tebenquinche.

A caminho da Tebenquinche estão os “Ojos del Salar”, um de cada lado da estrada, bem legal.

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Meus meninos e os olhos do salar!

E por fim, a Tebinquinche. Foram 5.000,00 de entrada para nós 3, não lembro se João pagou, se pagou metade ou não pagou nada. A ideia era ver o por do sol aqui, mas chegamos muito cedo e o sol... adivinhem... tava RETARDADO de quente, rs. Até que o Gui teve a ideia que salvou a tarde: “vamos usar os guarda-chuvas que estão no carro”! MEO, CLARO QUE VAMOS. A gente levou guarda chuvas pro deserto mais seco do mundo e isso foi muito bom! Kkkk

Salvaguardados pelo amado guarda-chuvas conseguimos andar bastante pela Laguna e tirar fotos... ela é bem bonita. Mas não tirei muitas fotos, e as poucas que tirei não ficaram boas. Pense que ela se parece com a Chaxa, rs!

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Guarda-chuvas em Tebinquinche!

Depois da andança resolvemos voltar. Passeamos por SPA, compramos 2 imãs (2.000,00 pesos) e caramelos de coca (2.400,00 pesos), 1 maçã e 1 pomelo (980,00 pesos) e gastamos 15.800,00 pesos no jantar em um restaurante vegano que não lembro o nome, mas a comida tava boa.

A maçã tava divina, comprem maçã! Kk E gente, cachorros em SPA. Os maiores, os mais fofos, os melhores! Kk

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Querendo escapar!

 

Finalizando os gastos do dia passamos na farmácia e pagamos 8.070,00 pesos em uma pasta de dentes, uma cartela de aspirina e uma de tylenol sinus, eu tava com dor de cabeça de sinusite.

Já tínhamos passeado 2 dias por SPA, cancelado ou deixado de fazer alguns passeios (Vale da Lua, Pukará de Quitor e Laguna Cejar), estava ainda assustada com os preços e tinha uma pontinha de “SPA não é tudo que falam” no meu coração.

Não que não estivéssemos gostando... mas já tínhamos passado por tantas paisagens surreais que tínhamos acostumado com a sensação de UAAAAUUUU... então ficava na minha cabeça, e na do Gui tb, eu sabia... essa sensação de “não tá tão legal como eu imaginava” rs

Felizmente os próximos dias nos mostraram que estávamos errados sobre SPA. Que era mais legal do que imaginávamos sim! 😍

 

Gastos do dia (em pesos chilenos):

Comida: 25.830,00

Entradas: 10.800,00

Compras: 11.070,00

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DIA 11 - 16 DE JULHO, TERÇA: O dia das melhores Lagunas!

Laguna Tuyatjo, Lagunas Altiplanicas, Piedras Rojas! 328km

 

Acorda, café em casa, se enche de roupa, hj o dia vai ser daqueles! Faríamos sozinhos o que as agências chamam de “Lagunas Altiplânicas”, praticamente o cartão postal de SPA. Como tb íamos subir bastante, o chá de coca foi reforçado no café da manhã!

Pegamos então a Ruta 23 e fomos no caminho oposto ao que fizemos quando chegamos, como se estivéssemos voltando a Paso de Jama. A primeira lindeza: Laguna Tuyatjo, a mais distante de SPA (160km). No caminho (já tínhamos passado outras vezes mas tava cheio de gente) paramos na placa do trópico de capricórnio! Trópico que por acaso tb passa a poucos km aqui na minha cidade, que tb tem placa e que eu nunca parei pra tirar foto, hahahauaha!

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Clááááássica! rs

Conforme vamos subindo o carro perde potência, é engraçado, mas o consumo, apesar de aumentar na subida, não alterou a média de 19km/L.

A Laguna Tuyatjo se vê da estrada, tem um mirante e estacionamento. Vc para por ali e fica o tempo que quiser, que linda! Ela está a 4200msnm, então a caminhada para vê-la mais de pertinho foi naquela sofrência, kkkkk... e o vento fazia o frio ainda mais frio! ::Cold::

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Laguna Tuyaito, que assim como a Tebenquinche, cada hora tá escrito de um jeito, rs!

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LindAAAA

Começando a voltar, o mirante “Piedras Rojas” tb fica na estrada e é grátis. Na ida tínhamos reparado que tem muitos guardas da comunidade andina fiscalizando toda a extensão do Salar de Talar, onde ficam as famosas pedras vermelhas... e chegando ao mirante, a vista era linda, mas se vê muito de longe... estávamos praticamente sozinhos, mas logo começaram a chegar muitas vãs de agências e partimos. Andamos mais um pouco e vimos uns carros parados no acostamento mesmo, num recuo maior, paramos tb, kkkkk, tipo safari na áfrica – quando um pára, pare tb pq tem bichin! Tinha uma guarita, um guarda e umas pessoas por ali, vimos que o guarda estava orientando algumas e nos aproximamos! Dali sim a vista era sensacional! O guarda tb nos explicou onde não podíamos ir e ficamos obviamente somente na área permitida. WOW, que vista manos!

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Foto desde o Mirante

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Foto desde o Mirante

 

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Foto de quando paramos na estrada! Quantas cores e bactérias extremófilas, rs!

Seguimos, com toda aquela beleza da estrada, aquele paraíso gelado! Eu estava no modo “radiante” por poder estar vendo todas estas coisas!!!

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Que estrada feia né? rs

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Rapozinha linda, vimos muitas. Tb tem branca, mas a branca não vimos!

E por fim, a última e magnífica atração do dia: as altíssimas (4200msnm tb) e lindíssimas Lagunas Altiplânicas, Miscanti e Miniques! Cada uma tem o nome do vulcão ao lado! E nestas se paga pra entrar, para nós ficou 8.500,00 pesos pq João teve algum desconto que já não me lembro exatamente de quanto. MEO. Que foda esse lugar! As fotos falam por si! Mas não vou colocar muitas, tem que ir lá!

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Miscanti! ::love::

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Miniques! ::love::

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Será que tava frio? rs

Bora voltar! Ainda era cedo mas a gente não tinha almoçado (íamos almoçar em Socaire mas desistimos, só demos uma voltinha) e eu tinha planos que envolviam fazer câmbio de peso chileno para bolivianos, rs.

Faltando uns 60km pra chegar em SPA o carro faz um barulhão... eitaaaa... pneu no chão! Um calor da poooorrrraaa e a gente ali naquela descidona trocando pneu! E que bom que foi perto né... neste dia fomos longe e a porcaria do step é daqueles pequenos que tem que andar devagar e por no máximo 80km (recomendação).

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Partiu trocar pneu!

Chegando em SPA fomos direto pra casa pra casa tirar 70% das roupas que estávamos vestindo, hahahauah, e depois até o posto de combustível abastecer (30.000,00 pesos) e perguntar onde tinha uma gomeria, pois todas as minhas buscas no google foram infrutíferas. O frentista disse que era feriado (meo, quanto feriado, rs) e que as gomerias estariam fechadas (pânico mode on, meus planos do dia seguinte estariam arruinados) mas que a gente deveria ir na rua que ele estava indicando (ele pegou meu celular e me mostrou no maps) ver se tinha alguma aberta, lá ficavam TODAS as gomerias de SPA segundo ele, rs. Bora.

A tal rua era perto do posto e logo de cara achamos uma aberta. Parecia coisa de filme, claro. O cara catou nosso pneu e foi pro interior do cafofo enquanto um senhorzinho falador se aproximou da gente e ficou fazendo mil perguntas. Demorou tanto que achei que o cara tinha ido buscar látex na floresta amazônica pra fazer meu reparo, mas ele veio enfim e colocou de volta nosso pneu. Era um parafuso que tinha furado... com tanta pedra, pegamos logo um fucking parafuso! Mas ok... precio??? 7.000,00 pesos colegas! Quase 50 reais! Mas ter seu pneu restaurado num deserto em dia de feriado não tem preço não é?

No centro compramos empanadas (3.600,00), compramos algumas coisas pro dia seguinte no mercado (11.100,00 pesos) e uns regalos (11.250,00) hahahaha, pq eu tento mas ainda não me livrei plenamente do hábito de comprar bobeiras.

E aí, por fim, casa de câmbio, mas antes...

QUE C* FOMOS FAZER NA BOLÍVIA DE VERSA? ::lol4::

Explico!

Dia 17 (amanhã) estava livre no nosso roteiro. Dia 17 era meu aniversário afinal!  Eu tinha planos de subir um morrinho, tipo o Cerro Toco, mas João não podia então logo desisti. Tb tinha as Termas de Puritama... ia ser o Ó de chique passar o aniversário numa água quentinha de vulcão... mas a maluca aqui queria algo diferente, como se viajar quase 7000km de carro não fosse diferente o suficiente!

E desde que chegamos em SPA, quando passamos pela placa na Ruta 23 que indicava que a fronteira com a Bolívia estava a 700m daquele ponto (a uns 40km de SPA) a ideia de dar uma voltinha em terras bolivianas tinha se aninhado na minha mente! Ali do outro lado estava a Reserva Nacional da Fauna Andina com suas magníficas lagunas (Blanca, Verde e Colorada) e mais kilos de bonitezas. É por onde entram tb o pessoal que vai pro Uyuni!

Eu não cogitei o Uyuni pra esta viagem por causa do tempo que seria necessário, e que eu não tinha, e tb pq não sabia como íamos ficar em altitude... não ia arriscar logo de cara com meu bb de 11 aninhos neah! Mas as Lagunas estavam tão pertinho...

Da fronteira até a Laguna Colorada eram menos de 100km... eu já tinha achado um blog na internet que tinha feito um passeio de um dia...

Fui passando então em algumas agências mas ninguém fazia. Me indicaram perguntar na Colque Tours, uma agência boliviana... onde o moço, brazuka, super gente fina, me disse que eles não tb faziam este passeio de um dia (só para as Lagunas)... mas conversa vai conversa vem ele me disse que era possível sim fazer de carro, desde que nós entrássemos bem cedo (a fronteira abre às 8h) e estivéssemos de volta na fronteira lá pelas 17h (ela fecha as 18h no inverno).

ANIMEI MUITO. Baixei os mapas da Bolívia, dei uma olhada nos roteiros e o google falava que tinha estrada no parque... mentiroso, kk. Mas ainda tava com medo. Li de novo o blog e vi que eles pagaram 60.000,00 neste passeio que eu queria com uma agência chamada Atacama Mística... fui lá ver outro dia.

Ela é bem mística mesmo, kkkkkk... não tinha ninguém dentro, só aquele cheio de incenso com marijuana... mas logo apareceu lá de dentro um cara com cara engraçada, tipo Jack Black, e perguntamos se ele fazia o passeio. Ele perguntou em quantos estávamos e pra quando queríamos... falei com eles dia 15. Ele disse que levaria a gente sim dia 17, explicou como seria, mas seriam 100 dólares por cabeça mais a entrada do parque, que não era barata! PORRAAANNN, 300 dólares! 1200 reais! Eu até tinha este dinheiro, mas o projeto África me soprou no ouvido “vai de carro mesmo, guarda esse dinheiro pra Botsuana” kkkkkk e eu fiquei de voltar mais tarde caso decidisse ir. Afinal, estava achando que dava pra ir de carro.

Pra entrar na Reserva Nacional da Fauna Andina são 150 bolivianos, pra nós 3 seria 450... vi que banheiros são pagos (o banheiro né, um) e poderia ter algo a venda num sei mais onde, resolvi trocar 480 bolivianos que me custaram 52.800,00 pesos chilenos! Mais ou menos 330 reais. Tomamos esta decisão depois de fazer contas e ver que estava “sobrando” dinheiro de tão muquirana que a gente tava sendo, kk!

 

Então depois de toda esta lenga lenga... amanhã vamos pra Bolíviaaaaaaaa!

Vamos? 

Veremos, rs! ::ahhhh::

 

Gastos do dia (em pesos chilenos)

Comida: 14.700,00

Entradas: 8.500,00

Compras: 19.250,00 (incluindo o reparo do pneu, rs)

Gasolina: 30.000,00

Câmbio: 52.800,00 (480 bolivianos)

 

CONTINUA

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Show!!! Acompanhando aqui, em 2016 fizemos um roteiro parecido e no próximo ano pretendo voltar ao Atacama rumo ao Peru. 

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