Ir para conteúdo
View in the app

A better way to browse. Learn more.

Mochileiros.com

A full-screen app on your home screen with push notifications, badges and more.

To install this app on iOS and iPadOS
  1. Tap the Share icon in Safari
  2. Scroll the menu and tap Add to Home Screen.
  3. Tap Add in the top-right corner.
To install this app on Android
  1. Tap the 3-dot menu (⋮) in the top-right corner of the browser.
  2. Tap Add to Home screen or Install app.
  3. Confirm by tapping Install.

Líderes

  1. D FABIANO

    Membros
    371
    Pontos
    11197
    Total de itens
  2. 275
    Pontos
    2742
    Total de itens
  3. Juliana Champi

    Colaboradores
    270
    Pontos
    2549
    Total de itens
  4. pmichelazzo

    Colaboradores
    246
    Pontos
    3318
    Total de itens

Conteúdo Popular

Mostrando conteúdo com a maior reputação desde 02/13/25 em todas áreas

  1. Hey viajantes! Estive no Peru em abril de 2024 e vou relatar aqui parte da minha aventura. Vou detalhar os principais gastos e algumas dicas para ajudá-los em futuras viagens ao Peru. Viajar para o Peru estava nos meus planos há um bom tempo, queria muito conhecer Lima e Cusco. Porém ao iniciar a construção do roteiro percebi que poderia ampliar a quantidade de lugares para explorar e assim o fiz. Meu roteiro foi o seguinte: Porto Alegre - Lima Lima - Huaraz Huaraz - Lima Lima - Ica Ica - Arequipa Arequipa - Puno Puno - Cusco Cusco - Porto Alegre Alguns roteiros que encontrei pesquisando incluem a cidade de Nazca, mas optei por não incluir no meu roteiro por não achar um destino interessante (opinião particular aqui rs). Todos os trechos internos no país foram percorridos de ônibus e foi uma experiência positiva e tranquila. As viagens mais longas foram noturnas e sempre com a empresa Cruz del Sur. Viajar de ônibus por vários trechos foi bastante cansativo, mas o cansaço faz parte da aventura. Resumo dos Gastos (coação:1 sol - 1,379 reais em abril de 2024) Ônibus Lima - Huaraz: 115 soles Ônibus Huaraz - Lima: 95 soles Ônibus Lima - Ica: 55 soles Ônibus Ica - Arequipa: 105 soles Ônibus Arequipa - Puno: 55 soles Ônibus Puno - Cusco: 55 soles Van Cusco - Hidrelétrica ida e volta: 60 soles Hospedagem Huaraz Tupac Hostel (2 diárias): 70 soles Hospedagem Lima Kokopelli Hostel (1 diária): 59 soles Hospedagem Ica Secret Night Hostel (1 diária): 22 soles Hospedagem Arequipa Way Cap Hostel (1 diária): 28 soles Hospedagem Puno Urpi Wase (1 diária): 30 soles Hospedagem Cusco Secret Garden (4 diárias): 55 soles Hospedagem Águas Clientes Pousada Airbnb (1 diária): 60 soles Tour Laguna Rocotuyoc: 60 soles + 30 soles entrada parque Tour Nevado Pastoruri: 50 soles + 30 soles entrada parque Tour Dunas Deserto Ica: 30 soles Tour Islas Ballestas e Reserva Nacional de Paracas: 65 soles Tour Islas Uros y Taquile: 80 soles Boleto Turístico Parcial Cusco: 70 soles Tour Vale Sagrado Full Day: 80 soles Ticket Machu Picchu (Circuito 2): 42,50 dólares Guia Turístico Machu Picchu: 30 soles Dia 1 - Chegada em Lima Cheguei em Lima por volta de 10h00 da manhã e fui direto à região central fazer câmbio, comprar um chip com internet e almoçar. Recomendo que sigam até a Avenida José Larco para isto, e aproveitem para caminhar até a região de Miraflores (que é linda). O aeroporto de Lima é afastado da cidade, usei Uber para o deslocamento e custou 45 soles. Fui até uma loja da Claro e comprei um chip com internet válido por 30 dias, com 10gb de dados por 30 soles. Sempre faço isso nas minhas viagens, procuro uma operadora local, sempre sai absurdamente mais em conta do que comprar aqueles chips internacionais. Nesta avenida se encontram várias casas de câmbio, sugiro pesquisar antes de trocar, pois a cotação flutua entre os estabelecimentos. Troquei pouca grana pois levei o cartão de débito internacional Wise (falaremos dele mais tarde). Melhor cotação que encontrei no dia foi 0.725 soles por real. No restante da tarde aproveitei para conhecer a região de Miraflores, shopping Larcomar e alguns pontos turísticos que encontram-se na orla. É uma região muito bacana de conhecer, é um dos bairros mais turísticos e bonitos da cidade. O ideal é ir sem pressa para contemplar o mar, o pôr do sol no pacífico e os parques que ficam na orla. Este primeiro dia de viagem não tinha como objetivo explorar Lima, e sim organizar os próximos dias que estavam por vir. Então, na primeira noite segui viagem para Huaraz. Foi uma viagem noturna de bus (8 horas de viagem). Dia 2 - Huaraz Cheguei em Huaraz por volta das 06h00 da manhã e fui até o hostel. Fiquei hospedado no Tupac Hostel, ótima estrutura e excelente custo benefício (stuff nota 10!). Foi possível fazer check-in pela manhã mesmo, fomos tomar um café da manhã e conhecer um pouco da cidade. Huaraz é uma cidade com elevada altitude, está a 3.050 metros acima do nível do mar. É recomendado que o primeiro dia seja dedicado à aclimatação do corpo com leves caminhadas ou algum passeio tranquilo (chá de coca e muita água). Pensando nisso, deixamos o primeiro dia reservado para uma caminhada até o Mirador de Rataquenua e para fechar alguns passeios no centro da cidade. A caminhada até o Mirador de Rataquenua é tranquila, são cerca de 3km de distância do centrinho, mas durante o percurso senti bastante o ar rarefeito. Muito cansaço físico, dores de cabeça e fadiga. Mas valeu a pena, é uma paisagem única e original. Huaraz é uma cidade pouco desenvolvida, não é uma cidade muito turística (particularmente eu gosto disso), dessa forma tive um contato bem próximo com a real cultura peruana longe dos holofotes dos grandes centros. Muitos cães de rua, pobreza, falta de saneamento em alguns lugares... mas foi nesta mesma cidade que vi uma das paisagens mais lindas da minha vida até o presente momento. Dia 3 - Nevado Pastoruri Escolhemos o Nevado Pastoruri como primeiro passeio, na agência nos falaram que este é um passeio de aclimatação e de nível fácil kkkkk que doce ilusão. Esta montanha está a 5.240 m de altitude e esse foi o dia mais difícil de toda a viagem. O passeio inicia bem cedinho e faz algumas paradas até chegar ao destino final. Durante o percurso, paramos para conhecer um pouco da vegetação local e apreciar algumas fontes naturais de águas termais. Ao chegar no topo da montanha, é necessário fazer uma curta caminhada até chegar ao nevado. A trilha é super simples, segura, bem sinalizada, entretanto em uma altitude superior a 5.000 metros hahaha. Eu me sentia um idoso com 30 anos de idade, precisei parar por diversas vezes para descansar durante a curta caminhada. Por alguns momentos pensei em desistir. Mas consegui, fui o último do grupo ao chegar e realmente foi muito difícil pra mim. Algumas pessoas não sentem tanto o mal da altitude, então você pode ter sorte. Recomendo muito este rolê pois o Nevado encontra-se em uma fase de degelo, ou seja, dentro de alguns anos este local deixará de existir. Dia 4 - Laguna Rocotuyoc O segundo passeio realizado em Huaraz foi a Laguna Rocotuyoc, que fica dentro do Parque Nacional Huascarán. O plano inicial era conhecer a Laguna 69 ou Laguna Parón neste dia, que são os destinos mais buscados por essa região. Porém, o primeiro dia da viagem exigiu bastante fisicamente do corpo e acabamos optando pela Rocotuyoc que é um passeio de grau de dificuldade menor. Que bela troca meus amigos, este lugar é fascinante. Um destino pouco explorado pelos turistas e conservado da ação humana. Para mim, foi a paisagem mais linda já vista até então. Ficamos lá por cerca de duas horas, caminhamos até a laguna congelada, que fica atrás da Rocotuyoc. E este dia foi incrível. No retorno do passeio, fizemos uma parada para visualizar algumas pinturas rupestres nas montanhas e retornamos a Huaraz. Realmente foi mágico admirar toda esta obra divina. Depois deste incrível dia, jantamos e pegamos o ônibus noturno de retorno à Lima. Dia 5 - City Tour em Lima Ficamos hospedados no hostel Kokopelli, super recomendo, principalmente se o objetivo for conhecer galera e aproveitar a vida noturna em Lima. Este hostel fica na região turística de Barranco (localização 10/10). Neste dia fizemos dois Free Walking Tours, um pelo centro histórico e outro pela região de Barranco. Durante o walking tour do centro histórico provei a famigerada chicha morada e alguns pratos típicos do país. O walking tour na região de Barranco inicia ao pôr do sol e entra noite explorando toda a região que é um charme e muito bohemia. Foi o walking tour favorito da viagem. Foi um dia muito bacana, podemos admirar o pôr do sol na orla da Lima e encerrar o dia com um ceviche dos Deuses. Dia 6 - Oasis Huacachina Após um dia inteiro explorando a capital do Peru seguimos viagem em direção a Ica. A viagem é curta, cerca de 4 horas de ônibus partindo de Lima. Ao chegar em Ica, pegamos um táxi diretamente para o Oasis de Huacachina (5 soles e um golpe misterioso). O taxista foi muito solicito e praticamente não cobrou pela corrida com a intenção de vender os passeios (por um preço absurdo). Como bons turistas brasileiros e calejados, fomos em busca de preços melhores e mais informações sobre os passeios. Ficamos hospedados no Secret Night Hostel, muito bem localizado e excelente custo benefício. Não tinha muitas informações sobre este destino e isso foi excelente pois me surpreendi muito. O primeiro tour foi o passeio de buggy nas dunas para ver o pôr do sol no deserto de Ica e pasmem: foi muito louco. Uma injeção de adrenalina, aventura, boas risadas no meio do deserto. Fizemos algumas paradas para fotos, para descer dunas com pranchas de snowboard e por fim, para admirar o espetáculo do pôr do sol em meio ao deserto. Dica importante: os passeios de buggy no deserto tem diversas saídas durante o dia. Porém, somente os passeios que saem próximos do final da tarde oferecem a parada para o pôr do sol no deserto. À noite fomos jantar próximo ao lago do Oasis, uma cerveja sem pressa e mais ceviche! Dia 7 - Islas Ballestas e Reserva Nacional de Paracas Este dia foi dedicado ao fullday nas Islas Ballestas e Reserva Nacional de Paracas. As agências buscam diretamente no hostel e o passeio inicia bem cedo. Pela manhã fomos explorar a vida marinha e as belezas naturais nas Islas Ballestas. Foi possível ver pinguins, focas, aves exóticas e alguns caranguejos locais. Também passamos pelo famoso El Candelabro na península de Paracas, que é um geoglifo pré-histórico repleto de mistérios sobre a sua origem. Já na parte da tarde, fomos almoçar no Parque Nacional de Paracas e conhecer as diversas praias do parque. É um tour bastante cultural, há muitas curiosidades sobre esta região: povos originários, praia vermelha, chão com pedras de sal e afins. O passeio se encerra na praia La Mina, onde é possível curtir por um tempo, tomar banho de mar e descansar. Dica: leve roupa de banho, toalha e protetor solar. No retorno deste passeio, pegamos as mochilas e partimos rumo a Arequipa! Dia 8 - Arequipa, La Ciudad Blanca Arequipa é conhecida por ser a cidade dos vulcões no Peru, também chamada de Ciudad Blanca. Este nome é devido às construções de coloração branca, feitas a partir de sedimentos vulcânicos da própria região. Dizem ser uma das cidades mais bonitas do país e realmente é muito charmosa. Nesta cidade ficamos apenas um dia, a hospedagem foi no Way Cap Hostel, bem localizado e um valor razoável. Fizemos um free walking tour pelo centro histórico e foi super interessante. Também visitamos um mirante para apreciar os vulcões que cercam a cidade. Além disso, fizemos um passeio guiado na Basílica Catedral de Arequipa. Este monumento foi reconstruído após um grande terremoto que destruiu boa parte da cidade em 2001. A igreja é muito linda e há muita cultura e história a ser explorada nela. Recomendo o passeio. O passeio é todo guiado e solicitam gentilmente uma gorjeta ao final, me recordo de dar somente algumas moedas e o guia local não gostar muito kkkkk. Continua…
  2. Introdução Oi, meu nome é Renan. Um careca de 36 anos de idade. Não sou aquele magro de 10 anos atrás, muito menos o mesmo condicionamento físico: tenho minha barriguinha um pouco mais saliente, apesar de não tomar cerveja. Faço minhas corridas de rua, faço minhas musculações. Posso dizer que sei correr bem e tenho um bom condicionamento físico. Sou um cara fresco pra comer, viciado em coquinha zero. Essa introdução, apesar de chata, é necessária para você entender os perrengues que passarei a seguir. Onde tudo começou Meio para o final do ano de 2024. Uma atleta minha foi convidada para participar de uma competição e defender a seleção brasileira Nippon. O pai dela me convidou para ir assistir e topei. Ele ajudaria com meus gastos… então pedi ao meu chefe uns dias a mais para aproveitar o Peru. (eu sei, essa frase não caiu bem, engraçadinho hahaha). E a ideia estava feita. O que vou fazer? Conhecer Machu Picchu? Claro!.. fui pesquisando e pesquisando e foi aí que eu descobri: Trilha Salkantay. 4 ou 5 dias de trilha. Era isso! O preço estava nos R$2000,00. Era o que eu conseguiria pagar, no limite. Vi vídeos, achei sensacional, desafiador, topei. Dia 0 – Cusco Chego à noite em Cusco e vou para o Hostel onde minha esposa está. Durmo lá e… cá estamos no “dia 0”. A ideia desse dia era servir para aclimatação e conhecer o centro da cidade. Vamos andando, conversando… peço para ela andar mais devagar, estava um pouco sem ar (nada diferente para uma cidade a seus 3200 ou 3300 mts de altitude). Chegamos no centro, lindo. Igreja gigante ao mesmo tempo que possui as estátuas Incas. Um monte de pessoas por ali, tentando me vender passeios, souvenirs, etc. Vamos andando para conhecer e bora pro mercadão. Comida barata, cheio de artesanatos (que eu particularmente adoro) e um monte de coisa legal. Após tudo isso, vamos até a agência KB Adventures, onde vamos fazer o Salkantay e lá eles dão um briefing dos próximos dias. Voltamos ao hostel e arrumamos as coisas para o outro dia. Ansiedade a mil. Mas hora de descansar. Dia 1 – Laguna Humantay Antes do alarme tocar, meus olhos já estavam pregados. Sabia que era hora de acordar. Me levanto, pego minhas malas e espero a Valéria terminar de pegar as coisas dela. Eu estava pronto. Sabia que a maior aventura das minhas vidas ia se iniciar. O que não sabia, claro, é que ao mesmo tempo que seria incrível, o sofrimento seria tão grande quanto. A van chega na frente do Hostel, pontual. E aí começa a pegar todas as pessoas, nenhum brasileiro no grupo de 14 pessoas, tirando nós dois. O motorista continua a dirigir por 2 horas. Um pequeno medo começa ali, muita chuva, estradas desbarrancadas, com pedras no meio do trajeto, meio catastrófico. Tentava não pensar nisso, ia ser foda. “Ia? Ia sim! Pare com essas dúvidas”. Paramos em um local para tomar café. Bem simples, pedimos um omelete e um suco. Enquanto não ficava pronto, tínhamos que preencher uma ficha com nome, nacionalidade, idade e profissão. Fomos os últimos a preencher e lógico, curiosos como somos, fomos ver dos outros integrantes do grupo. Todos gringos. Alemanha, Suécia, Noruega, Irlanda, Canadá, Alaska… cacete. Essa galera conhece o frio. Cadê os sulamericanos pobres dessa lista? E aí… vem a pior parte: IDADE. 18, 20… 22 no máximo. Um de 30 apenas… e nós dois: Valéria – 34 anos e Renan – 36 anos. Sim, pela primeira vez eu era o tiozinho do grupo. Tentei não ligar muito, idade é apenas um número, já diriam os mais otimistas. Mas esse número fez uma diferença da porra… Entramos na van novamente. Mais 1h30m de direção e chegamos a Challacancha. 2 soles pra ir no banheiro, estava apertado. Melhor que dar vontade no meio da trilha, certo? Pegávamos os bastões e começamos a caminhar na estrada de terra, seguindo o guia. “Nessa estrada aqui, nem vamos precisar dos bastões” – Falava para a Valéria. Mas o que descobri nessa viagem é que a língua PUNE. Claro que não precisava me punir tão rápido assim, hahaha, Segundos depois o guia aponta para o alto de um barranco (e que barranco!) e pede para o seguirem. E lá vamos nós, começar a subir aquele barrancão da desgraça. Após alguns metros, todos param ofegantes. “Cacete, isso vai ser sofrido” – pensava alto. Esqueci de mencionar, mas já estávamos a 3800 metros de altura. O que isso muda? TUDO. Acredite, TUDO meu amigo. Continuamos a caminhar por aquele maldito barranco e chegamos lá em cima, em um caminho meio estranho. Pequeno, mas com um cano ao lado. Era reto, a caminhada saía fácil. Eu e a Valéria como bons tiozinhos do grupo, aproveitávamos para tirar foto de tudo. Piadinhas, risos, estava ótimo. Continuamos a caminhar até chegar a nosso acampamento base daquele dia (3900 mts de altura). Sem energia elétrica, sem banho, mas com privadas para o banheiro. Esperamos pelo almoço. Primeiro, sempre vem a água quente e um cházinho da desgraça. Depois uma sopa aleatória. Eu que não suporto chás e sopas, era uma tortura. Mas tentava tomar, sabia que seria necessário para os próximos dias. E logo em seguida vem o almoço normal, algum frango, arroz e um misto de abacate e algumas coisas que não quis nem olhar. Deu pra deitar uns 20 minutos e … hora de ir a Laguna Humantay. Deixei todas as coisas no alojamento, vou só com os bastões pra não precisar levar as mochilas. Começamos a subir, o cenário é bonito. Cheio de cavalos e uma PUTA de uma subida. Ao ir subindo, fui ficando sem ar. Cada passo era mais dificil que o anterior. Olhava para frente e para cima e logo era o último do grupo. “Tomar no cú… vou conseguir!”. Mas cada vez mais a galera se distanciava. Estava muito sofrido. Fui subindo, subindo e dando pequenas pausas para ver se o oxigênio entrava em meu pulmão. O que pareciam não se conversar muito nesse momento. Chegávamos a primeira casinha, o guia esperando e perguntando se eu estava bem. “Estoi bien, apenas un tiquito cansado” – desde já, dá pra ver que meu espanhol ou portunhol não é meu forte. E nem minha capacidade de mentir, estava só a “capa do batman”. O grupo continuava avançando como se fosse uma matilha de cachorros doidos para pegar uma presa. E eu avançava na velocidade de uma tartaruga manca fazendo moonwalk. Cravava meus bastões no chão, olhava para cima e eu estava longe do pessoal. A bota afundava no meio das pedras, todas molhadas pelas chuvas e tropeçava, escorregava de leve. Mas continuava a avançar. O que mais me preocupava era: “Vou estar quase chegando e o guia vai me mandar voltar… isso vai ser muito frustrante”. A próxima casinha chegou. Estou perto… perto de errar novamente. Faltava muito. Subida desgraçada! Quando virava a esquina e olhava, parece que tinha que subir tudo que já tinha subido. Mas eu que não ia desistir, já tava ali, pô. E após inúmeros passos, cheguei. Morto, ofegante. Respirando como se fosse um macaco véio com asma (e não sou?). Encostei em uma pedra e tomei meu tempo para descansar. Eu e a Valéria tiramos algumas fotos, apesar do tempo não estar dos melhores. Depois o guia falou que dava pra subir mais um pouco e ver ali de cima. Fomos. A famosa frase: o que é um peido para quem está cagado? Tudo bonito, mas hora de descer. Na descida foi mais tranquilo pra mim, mas a Valéria sofreu. Reclamou de muita dor no joelho. A descida não terminava nunca. Preciso dizer que fomos os últimos novamente? Ia soltando umas piadas aqui e ali e tentando animar, mas não tava dando certo. Muito tempo depois, chegamos no acampamento. “Happy Hour” – dizia o guia. E lá fomos, meio sem vontade. Tinha uma pipoquinha, comi. E depois… chá. Sopa. E uma jantinha. O pessoal adorou a comida. Eu sou fresco, queria só um arroz, carne e um ovinho com uma coquinha. Mas comi e fomos deitar. O aviso era pra tomar cuidado com a noite fria, que podia fazer negativo. Entramos dentro do saco de dormir e alugamos um cobertor. Nesse dia, vi a Valéria triste, querendo desistir. Eu que já estava querendo desistir ouvi isso e cortou meu coração. Que merda estávamos fazendo ali? Não somos mais jovens para isso. Fui dormir puto, nunca mais vou fazer uma merda dessas. Mas o próximo dia seria pior, 22km de caminhada (aproximadamente 12 horas). O guia já tinha nos dado a opção de contratar um cavalo para a subida. Não queria fazer isso de jeito nenhum. Não foi pra isso que eu vim, mas estava considerando o tempo todo. Dormi. Parecia que dormi bastante e quando abri os olhos… 00h23. Até 4h30 tem chão. Vontade de ir no banheiro. Saio no meio daquela escuridão da desgraça com a lanterninha do celular e… a diarréia me mandou um olá. Essa cena se repetiu mais uma ou duas vezes durante essa madrugada. Maldita madrugada. O que tô fazendo aqui? Quero ir embora. (continua...) Fotos: Igreja na praça central de Cusco Chafariz na praça principal de Cusco Mercadão de Cusco Valéria biscoitando na praça principal de Cusco Nosso alojamento no dia 1 Laguna Humantay Alguns metros acima da Laguna Humantay Eu e a Valéria na Laguna Humantay Morrendo após chegar na Laguna Humantay
  3. Oi pessoal! Esse é meu primeiro relato de uma viagem muito esperada ❤️ Esse foi meu primeiro mochilão improvisado em férias de uma CLT brasileira junto com uma amiga. Minhas principais fontes de consulta para ele foram os fóruns aqui do Mochileiros e os vídeos do Mundo sem Fim (❤️). Datas da viagem: 03/04 a 17/04. Minha viagem começou no Rio de Janeiro onde eu peguei um voo da Gol para Guarulhos às 6:10 no dia 03/04, para depois pegar o voo para Santa Cruz de La Sierra às 09:05. Inicialmente a viagem seria do dia 2 ao dia 17 porém, devido a uma necessidade da Gol, foi preciso remarcar para o dia 03. Caso eu não aceitasse, eles iriam reembolsar totalmente o valor. Bom, após todos os passageiros embarcarem no avião no dia 3, o piloto informou que o voo atrasaria devido ao mau tempo em Guarulhos (SP). No final das contas, o voo que era para as 6:10 decolou apenas as 8:20 e chegamos em Guarulhos às 9:45. Nosso voo para Santa Cruz atrasou devido ao mau tempo porém, mesmo com os atrasos dos dois voos, perdi o segundo por 18 minutos. E aqui começou a jornada do desespero antes de sair do Brasil. Fui ao guichê da Gol com mais de 100 pessoas com o mesmo problema (conexões perdidas e várias remarcações de voo) e aguardei por belas 2h para ser atendida. Para esse viagem eu contratei um seguro que cobria gastos com atraso de voo, cancelamento ou remarcações. No contrato estava expresso que para solicitar a abertura do sinistro era necessário um documento formal da empresa aérea constando os dados do voo, horários e assinatura de um funcionário. Em uma pesquisa rápida enquanto aguardava ser atendida, descobri que o documento se chama “Carta/Declaração de contingência”. Ao ser atendida pela atendente, fui remarcada para o voo do dia seguinte (04/04) no mesmo horário (9:05) e recebi um voucher para hotel e alimentação custeado pela Gol. Sobre a declaração de contingência: é uma luta conseguir. Quando esse nome é mencionado, eles fazem de tudo para te levar a exaustão e desistir de pegar o documento. Não desistam, peguem mesmo. É importante também ler e confirmar as informações: data e hora efetiva da decolagem e do pouso com atraso (eles precisam pegar os dados oficiais da infraero, não aceitem que sejam colocados horários estimados). Nesse dia ainda tive um problema porque eles alegaram que o voo chegou 8:30 em Guarulhos (dados da própria Gol) sendo que neste horário eu estava nas nuvens (literalmente). Usei o site do rastreador Kayak que tinham os horários certinhos pra comprovar o atraso do nosso voo. Essa batalha terminou às 15:00 do dia 03/04, quando me direcionei ao hotel para descansar para o outro dia. 04/04 - Guarulhos - Santa Cruz de Lá Sierra Inicialmente, a viagem começaria dia 3/4 chegando em Santa Cruz às 11:00. Planejei conhecer o centro da cidade e partir para Sucre no mesmo dia em um ônibus noturno. Com o atraso e remarcação do voo, cogitei comprar a passagem de Santa Cruz para Sucre oferecida pela BoA porém, devido ao histórico de Gol com atrasos, decidi tentar a sorte direto no guichê em Santa Cruz. Bom, dito e feito, o voo do dia 04/04 que era para decolar às 9:05 só levantou voo às 10:30. Chegamos em Santa Cruz por volta de 12:40 e fomos para imigração. 04/04 - Santa Cruz de La Sierra A imigração foi bem lenta. Os funcionários solicitaram o motivo da viagem (turismo) e os locais que eu ia conhecer (meu roteiro) e endereço do Airbnb em Sucre. Havia lido relatos que a imigração era tranquila e sem perguntas, principalmente para quem já tinha carimbos no passaporte, mas nesse dia, todos foram interrogados. Num todo, foi bem tranquila. Eu estava com todos os documentos em mãos e preparada com meu roteiro na cabeça, não me preocupei. Passando a imigração, apresentei o documento com QR code da Aduanda, que havia preenchido com antecedência e segui para o raio-X. Tudo certo também, sai pelo terminal de desembarque. Logo que sai, fui direto no guichê da BoA para ver as passagens para Sucre e já não tinham mais passagens para os dois voos do dia (13:40 e 16:00). Bom, voltei ao meu planejamento inicial de ir de ônibus para Sucre e conhecer um pouco o centro de Santa Cruz. Antes, troquei 100 reais no aeroporto com câmbio a 1,89. Não achei ruim e optei por trocar apenas 100 porque li relatos de que na Plaza 24 de Setembro o câmbio estava 2 ou acima de 2, no paralelo. Comprei um chip de Entel para 6 dias com internet ilimitada por 48 bob (38 do plano + 10 do chip) (~25 reais) e já estava conectada para falar com meus familiares no Brasil. Feito isso, me direcionei a área externa ao terminal para pegar o ônibus para o Centro (número 135) e acho que foi 3 ou 6 bob, não me lembro. O trajeto foi de uns 30/40 minutos e o ônibus nos deixou a 4 quadras da praça. Todos os passageiros bolivianos, inclusive o motorista, me orientaram sobre onde descer e foram super educados. Descendo no ponto, andei e cheguei em uma lanchonete muito bacana com playground para crianças e tudo mais. Eu estava morrendo de fome e comi uma empanada de queijo. Uma delícia! Colocaram açúcar de confeiteiro por cima e deu um tcham! Os doces eram maravilhosos de lindos também (foto). Chegando na Plaza 24 de Setembro (16:00)eu fiquei encantada com a praça e com a dinâmica local das crianças e famílias bolivianas aproveitando o clima. A praça é linda e a igreja também! Troquei dinheiro em uma casa de câmbio na praça no câmbio a 2,10. A cotação do dólar estava 10. Fui para a rodoviária de ônibus (la o app da Movit funciona) e os locais me orientaram o ponto onde era para descer. Chegando na rodoviária, um caos kkkkkk. Até hoje eu estou ouvindo “Sucre Sucre La Paz” na minha cabeça. A todo tempo você é abordado por vendedores oferecendo as passagens mas optei por comprar no interior do terminal. Tem que ter paciência com os vendedores te abordado e os gritos oferecendo passagem. Elas variam bem pouco em questão de valores mas existem muitas empresas. Optei por comprar na empresa Trans Copacabana Mem 1 para Sucre e o ônibus semi leito (160 graus), que é chamado de bus cama, me custou 100 bob (~50 reais). Obs.: Sempre pedíamos para ver os ônibus antes de comprar a passagem. O ônibus sairia às 21:30 e chegaria às 7:00 em Sucre. Enquanto isso, fiquei observando o terminal e as pessoas e crianças. Não se assustem, as crianças ficam soltas na rodoviária sem muita supervisão dos pais. Nesse meio tempo fiz amizade com uma menininha de 6 anos que carregava um pollito (pintinho) dentro de uma bolsinha. O nome dela era Maria Helena e a mãe trabalhava vendendo passagens. Ela ficava o dia todo na rodoviária enquanto a mãe trabalhava. Quando eu perguntei a ela se ela não tinha medo de ficar sozinha andando por ali ela disse com uma cara de brava “aqui as crianças aprendem a se cuidar cedo” e depois me disse que tem vários amiguinhos que ficam ali com as mães. Embarquei no ônibus e me surpreendi muito com a estrutura. O ônibus tinha banco com massageadores e regulagem automática de inclinação. Eu realmente fiquei chocada com a estrutura pq nunca andei num ônibus assim no Brasil. Recomendo muito a empresa Trans Copacabana Mem 1 (obs.: não confundam com a Trans Copacabana, são empresas diferentes). Valeu muito, 10/10. Antes da viagem começar, eu deixei meu chip do Brasil cair da minha bolsinha entre meu banco e o apoio de braço. Haviam duas pessoas bolivianas próximas a mim nesse momento, uma cholita e um senhor. Quando eles perceberam meu desespero, eles perguntaram o q houve e me ajudaram a achar o chip (com direito a uma lanterna e uma faca enorme pra puxar o chip do lugar que ele tinha caído kkkkk). Mais uma vez eu fiquei encantada com o povo boliviano! Mesmo com o conforto, não consegui dormir muito bem. Tenho dificuldades em dormir fora de casa . A viagem é longa e o caminho é muito tortuoso e dá um nervoso com as curvas. 05/04 - Chegando a Sucre Cheguei à Sucre às 7:00. Estava bem frio (5 graus) e eu estava extremamente cansada. A rodoviária e os arredores de Sucre são bem simples, e a rodoviária fica relativamente longe do centro histórico. Optei por pegar um táxi da rodoviária até o Airbnb que fiquei e a aventura começou. O táxi me custou 15 bolivianos e quando eu entrei eu dei uma bela risada. O banco do motorista era uma cadeira improvisada kkkkkkkkkkk. Talvez eu tenha pego um táxi irregular mas é assim que as memórias são construídas né kkkk Cheguei na minha hospedagem e peguei as chaves (minha reserva era pro dia 4 a 6/4). O Airbnb era uma delícia, muito fofinho, bem equipado e bem localizado. Tinha um mercado bem próximo e a Plaza de Armas ficava a duas quadras da hospedagem. Único ponto menos legal era que ficava no 3 andar de escada. Tomamos um café bem reforçado em casa e fomos passear. Conseguimos comprar o ticket do ônibus para o parque Cretáceo por 15 bob ida e volta para as 11:00. É o melhor horário para poder fazer o tour pelas pegadas com guia (12:00). Enquanto aguardávamos o ônibus, ficamos assistindo um desfile cultural sobre a inclusão de pessoas deficientes e atípicas na cultura boliviana nos arredores da praça. Foi muito lindo! Pegamos o ônibus para o parque Cretácio. Fomos no andar de cima para ver a cidade. Foi bem legal, o trajeto leva em média 15 a 20 minutos e chegamos no parque. Ele fica localizado ao lado de uma empresa de cimento e as pegadas ficam bem na parte onde eles extraem a pedra para fazer cimento (imagino que seja algum calcário). Aliás, as pegadas foram descobertas quando a extração de pedra teve início pela empresa. Ela foi a responsável por chamar os paleontólogos para verificarem e, depois, classificarem as especieis. Uma coisa que me preocupa um pouco é que a exploração continua ocorrendo ao redor das pegadas com máquinas pesadas e escavações. Não sei até que ponto pode influenciar e ocorrer mais desprendimento das parede com as pegadinhas. Aliás, apenas o lado direito da parede está habilitado para visitação (pegadas dos carnívoros e alguns herbívoros grandes). O lado esquerdo, onde tem mais pegadas de mais especieis está interditado por segurança (desmoronamento). O tour é muito legal, o guia explica as especieis de dinossauros que passaram por ali. O tour me custou 30 bob com a visita às pegadas incluídas. Retornei ao centro e fui almoçar (16:00). Não indico o restaurante que fui pq a comida não era muito gostosa e nos restaurantes locais o menu do dia já não estava mais servindo por causa do horário. Bom, segui para conhecer a Catedral Metropolitana, onde a visita ao terraço custa 15 bob. A vista é linda, é possível ver a cidade toda e andar pelos telhados da catedral é sensacional. A escada é bem difícil de subir e relativamente apertada. Senti dificuldades pra subir mas valeu a pena. Após passear mais um pouco, fomos trocar dinheiro. O câmbio em sucre não estava tão bom quanto em Santa Cruz, o máximo que encontrei lá no paralelo foi 1,90 e no oficial, 1,76. Aqui vale uma ressalva e uma dica: o câmbio paralelo em Sucre dá um certo medo, principalmente pq as pessoas te abordam e ficam bem em cima de vocês. Eu fiquei com um pouco de medo de trocar muita quantidade principalmente pq as notas eram extremamente velhas e rabiscadas. Ah, outro ponto importante: se atentem as notas que estão recebendo. Encontrei dificuldades para pagar uma compra em um mercado porque minha nota estava colada com durex (apenas uma parte). Então, sempre confiram o dinheiro e solicitem a troca caso recebam notas rasgadas, manchadas ou muito rabiscadas. Minha dica é que deem preferência para o câmbio em Santa Cruz. Eu fui fazendo picado: em Santa Cruz, Sucre e La Paz. 06/04 - Sucre Em nosso segundo dia em Sucre, iniciamos a exploração indo à rodoviária para comprar nossas passagens a Uyuni. No dia anterior (sábado) havíamos visto que quase todas as atividades culturais não funcionavam aos domingos e, por isso, decidimos ficar apenas 2 dias em sucre (5 e 6/4). Havíamos perguntando em um Hostel sobre os ônibus a Uyuni e o atendente informou que apenas duas empresas fazem o trajeto a partir de Sucre: Emperador ou 6 de outubro. Bom, fomos à rodoviária encontrar as benditas empresas. Fomos de ônibus e as linhas que passam na rodoviária são a A ou a 33, que passam na rua próximo ao mercado central. Se tiver dúvidas, pergunte sobre o ônibus ao Terminal de Buses, os bolivianos irão te explicar perfeitamente onde encontrar. E outro detalhe é que eles param em qualquer lugar na rua, basta fazer sinal para subir e falar “Parada/Bajar” ou algo do tipo para que o motorista pare para você descer. Peguei a 33 e me custou 2,40 bob. São chamados de Minibuses (quase uma van brasileira) e que andam com a porta aberta e de forma bem radical (correndo e buzinando o tempo todo). Nesse ônibus em especial, o motorista e a copiloto estavam com um neném acomodado na parte da frente (imagino que era filho de um deles ou dos dois), e situações como estas são bem comuns de se presenciar lá. Foi muito legal! Os ônibus são Pet friendly e as pessoas são extremamente educadas. Cedam o lugar aos idosos caso embarquem. Adorei ver a dinâmica das pessoas locais se movimentando em um domingo de manhã. Aqui vale uma nota muito importante: a rodoviária de Sucre é muito muito muito simples e percebi que tem muitas empresas com ônibus extremamente precários. A manutenção deles é feita na rua a céu aberto e de forma bem bem simples. Fiquei um pouco preocupada. Chegando lá, fomos no guichê da 6 de outubro e não havia atendente disponível (aguardamos por 15 min e nada). Daí, fomos no guichê da Emperador. Lá decidimos comprar a passagem das 21:30 em um ônibus semi leito (160 graus) por 120 bob (~60 reais). Sempre antes de fechar a passagem eu pedia para ver o ônibus (ou foto ou presencial), e assim o fiz. A atendente me mostrou e eu já fiquei meio “Hm, algo me diz que não é a melhor opção” mas fechei mesmo assim. spoiler: não era a melhor opção mesmo, mas isso vou contar já já. Com as passagens compradas, voltamos ao Centro para bater perna. Fomos conhecer a cafeteria Sucré que tinham gelatos lindíssimos e com uma cara deliciosa. Comprei um café, um croissant de pistache e depois um gelato. Uma delícia todos! O café me custou 10 ou 15 bob, o croissant foi 5 bob e o gelato foi 15 bob com duas bolas de sorvente. Peguei dos sabores Cofibrownie (café, Brownie e creme) e Tramontana (oreo, doce de leite e creme) - APENAS MARAVILHOSOS! Fui comer minhas delícias sentada em um banco da praça junto com muitas pessoas e famílias que curtiam o domingo. Eu fiz uma associação que os cariocas vão entender: a Plaza de Armas de Sucre é o Aterro do Flamengo aos domingos - todas as ruas no entorno estão fechadas para promover o lazer das pessoas que moram na região. Depois disso, fui conhecer a terraza da sede do governo departamental do distrito, que fica localizada em uma das esquinas da Plaza de armas. A entrada para a terraza custa 15 bob e você pode andar pelas dependências do local. Aqui vale uma nota também: todas as placas de identificação de salas, banheiros e etc, são na língua espanhola e em quechua. Eu amei isso! Achei muito rico e muito lindo! Saindo da Terraza, fomos conhecer o parque Simón Bolívar. Chegamos lá e encontramos a mesma vibe da Plaza de Armas: muitas famílias brincando, várias atividades rolando e muitas barraquinhas de comidinhas locais. O parque me lembrou a Quinta da Boa Vista aos finais de semana. Todas as praças da Bolívia são extremamente bem cuidadas e bem conservadas. As plantas são muito bem cuidadas, não tem lixo espalhado e são bem policiadas. Um único ponto é que tem muitos pombos kkkkkkk eles tem costume de alimentar nas praças e isso ajuda a ter uma população bem grande desses animais. Eu quis muito subir na torre Eiffel da praça mas fiquei com medo. Subi até o primeiro patamar, com bastante dificuldade pq é muito estreita e logo desci. Aquele troço mexe muito e tinham muitas pessoas em cima. Achei melhor evitar subir kkkk Alugamos outro Airbnb para podermos nos arrumar antes da aventura rumo a Uyuni e o tão esperado Salar, mas que eu não recomendo muito. Ele era bem localizado mas era um pequeno cativeiro sem janelas e com muitos pontos negativos. Pelo menos nos atendeu em ter 1 chuveiro quente (elétrico) e um mini fogão para cozinharmos uma breve jantinha (macarrão à la moda rapidez - molho vermelho e um sonho). Saímos da casa por volta das 19:30 e fomos tomar um café na cafeteria Metrô, localizada na Plaza de armas também. Essa aqui vale muito a recomendação! Peçam o café nativo da Bolívia. Ele é sensacional! O ambiente é muito aconchegante e com espaço para poder entrar com mochilas e malas. Nota 10/10. Saindo da cafeteria, pegamos um táxi rumo ao terminal que nos custou 15 bob. Chegamos no terminal e compramos o ticket de uso terminal (2,5 bob). Todos os terminais da Bolívia tem essa taxa para pagar que variam de 2 a 2,5 bob. Os guichês oficiais ficam localizados com identificação de “Uso terminal”. Sentamos e aguardamos o horário de 21:00 para nos direcionarmos a plataforma. Aqui o filho chora e a mãe não vê. Depois de um atraso de um pouco mais de 30 min, o ônibus chegou a plataforma. Ele era o que eu mais temia: pavoroso e completamente precário. Vocês se lembram que eu falei do pressentimento sobre o ônibus né! Eu não estava errada kkkkkkk Entrei no ônibus (obs.: cor verde) e foi só ladeira abaixo. Os bancos era velhos e sujos, as janelas estavam todas remendadas nas frestas com fita durex (sim, durex) e não consegui encontrar o cinto de segurança. Infelizmente eu não tenho nenhuma foto desses pequenos grandes detalhes pq fiquei nervosa pensando “ainda bem que eu tenho seguro viagem e meu corpo irá chegar no Brasil caso eu morra”. Trágica? Um pouco. Mas antes da viagem li algumas reportagens sobre acidentes com ônibus na Bolívia e fiquei com medo nesse dia. Eu não desisti e continuei no ônibus apesar dos pesares. Uma moça estava colocando mais fita adesiva na janela para que não entrasse vento gelado em cima da filha pequena dela q estava sentada a minha frente. Aproveitei o ensejo do improviso e perguntei se a 6 de outubro era melhor que a Emperador e ela me disse tranquilamente “Não, as duas são iguais” kkkkkk Ela apenas me deu uma informação que eu acho que seja valiosa para cá: se o ônibus da Emperador for o Verde é sinônimo de perrengue. É o ônibus mais velho deles é o pior. Se for o azul, ok. Da 6 de outubro ela não me deu mais informações. Nenhum dos ônibus até esse momento eu precisei colocar a bagagem no bagageiro. Eu coloquei ela em cima do apoio de pés e serviu como um suporte para que ficasse quase uma cama. Para mim, essa forma foi menos desconfortável de viajar. Outras coisas foram acontecendo durante a viagem até Uyuni. Algumas pessoas entraram no ônibus mesmo que não houvesse mais lugar vago e se acomodaram sentadas no chão ou na escada (era um ônibus de 2 andares e eu fui no 1 andar). Essas pessoas desceram em Potosí (3 ou 4 horas de sucre) e fiquei bem preocupada com o bem estar delas. É uma viagem desconfortável por conta das estradas sinuosas e também pq eles estavam sentados no chão né?! Bom, eu dormi pouco e não via a hora de chegar ao Uyuni. 07/04 - Uyuni O ônibus chegou em Uyuni às 5:30 mais ou menos e a mesma moça que estava colocando a fita adesiva na janela me deu uma dica de cafeteria para ficar até que as agências abrissem, como também uma agência chamada Uyuni Trans Andino. O nome da cafeteria era Nonis (basta pesquisar no maps como Nonis Breakfast). Ótima, recomendo muito! Tomamos café da manhã lá e ficamos aguardando até as 7:30 (hora que as agências abrem). Pela manhã já não estava me sentindo muito bem. Acho que era o cansaço acumulado e a falta de sono (não dormi no ônibus, apenas breves cochiladas). Estava com bastante dor nos olhos e no nariz. Tomei o remédio para o mal de altitude e segui o dia aos trancos e barrancos. Deu para viver mas não em plenitude kkkk. Esse remédio eu comprei em Sucre numa farmácia e pedi por “Medicamento para soroche” ele tem paracetamol, cafeína e acetazolamida. O que eu comprei se chama “Punacap” (40 bob). Na cafeteria, gastei uns 20 bob com café e queijo quente, que estavam uma delícia. Aproveitei e pedi indicação de agências boas por ali e recebi dois nomes: Kantuta Tours e Andes Salt. Quando saímos da cafeteria essas duas estavam fechadas e, por isso, optamos por ir na Uyuni Trans Andino. Bem, lá encontramos a moça do ônibus e ela era a gerente da loja (🙃). A princípio queríamos o tour de 2 dias para podermos ver o céu do salar durante a noite mas logo que explicaram o tour, fiquei um pouco decepcionada. Em todas as agências que fomos, o tour de 2 dias fazia um caminho bem diferente do tour de 3 e 4 dias. Basicamente o deslocamento do 1 dia era para o Salar e no segundo, para as lagunas a direto do mapa de Uyuni junto com as águas termais, e o pernoite era na própria cidade de Uyuni. Encontramos valores para esse tour de 350 a 500 bob. Nota importante: queríamos ver o céu estrelado e quase caímos em uma armadilha. Na semana do dia 07/4 a lua estava cheia e, nessa fase, é muito difícil ver as constelações pq a luz da lua é muito forte. Quase fechamos esse tour com duas agências antes de uma alma bondosa nos explicar que não seria a melhor opção porque não era garantido devido a fase da lua. Outro ponto também é que são passeios pagos a parte. Ou seja: 1 valor para o Salar e 1 valor para a noite estrelada. Eles justificam que é pq exige um fotógrafo profissional. Em geral o passeio da noite estrelada custava 500 a 650 bob, com saídas as 3 da manhã. Bom, antes de fecharmos com a Trans Andino, fomos na Kantuta e na Andes. Ambas estavam esgotadas (era 8:30 da manhã). Como já estávamos cansadas de pesquisar, fomos na Trans andino e fechamos um tour de 1 dia por 250 Bob. O passeio saia às 10:30. Tour 1 dia no Salar: O passeio tem início na agência, onde o motorista nos buscou com uma 4x4 não muito conservada para o tour. Essa foi minha primeira impressão. Nota 1: prestem atenção que eu estou escrevendo motorista, não guia. A agência forneceu botas para andar no salar e elas estavam bem limpinhas mas eu levei protetores de chuva que comprei no mercado livre pq estava com medo de pegar bicho de pé. Bom, mesmo assim eu informei o número da bota e a agência me deu. Vai que, né? Nosso tour tinham 6 passageiros + 1 motorista (chamado de chofer). 2 britânicos e mais dois que iam nos encontrar no cemitério de trens. A primeira parada foi o cemitério de trens que, ao meu ver, é um ponto completamente dispensável. Achei muito sem graça apesar da história bacana que o chofer nos contou brevemente. Ficamos ali por 1 hora aguardando os 2 últimos passageiros a chegarem. Dali seguimos para o vilarejo de Colchani para aprender sobre o processo de extração e beneficiamento do sal. A todo momento enquanto passávamos por dentro da cidade o chofer não falava 1 palavra. Nem uma palhinha da história do local e etc. Eu, como sou uma pessoa curiosa, fui perguntando as coisas de acordo com o que eu observava. Por exemplo, todas as casas tinham uma borboleta ou um ramo de plantas penduradas no portão, com cores muito vivas. Aquilo me despertou curiosidade e eu perguntei ao chofer sobre aquilo. Ele me explicou que era resquício do carnaval boliviano e uma tradição a pachamama para trazer prosperidade. Bom, chegando em Colchani, conhecemos o processo do sal do Uyuni e depois fomos ver a feirinha. É bacana ver os artesanatos feitos com o sal de lá e aproveitei para comprar uma lhaminha de sal para recordação (10 bob). Continuamos o tour e agora rumo ao Salar propriamente dito. De longe era possível ver a imensidão daquele lugar e o efeito espelhado desde a estrada. Não tem câmera que consiga pegar a beleza de ver pessoalmente. Vou compartilhar algumas fotos aqui mas é surreal! O carro se movimenta bem devagar pelo salar, chega a ser angustiante. Foi possível ver que tinha muita água sobre o sal e que minhas botinhas do mercado livre não iam aguentar o tranco. Tive que ceder a minha neura do bicho de pé e colocar a bota da agência 🥲. Obs.: essa parte do relato estou escrevendo do dia 13/04 e até agora meu pé está normal, sem sinal de pereba kkkkk A primeira parada no salar foi no hotel de sal onde fizemos um almoço bem simples fornecido pela empresa: para os vegetarianos era uma omelete de lentilha e para os não vegetarianos uma carne de boi. O acompanhamento era salada de legumes e quinoa (como o arroz). Olhando as refeições das outras agências, o nosso era o mais simplório. Do almoço, seguimos para as fotos espelhadas e já eram umas 15:30/16:00. Nesse horário, o sol estava em direção ao poente e as nuvens também e por isso, o efeito espelhado das nuvens e montanhas não era tão evidente. Percebi que a melhor hora para ver o efeito é pela manhã ou próximo ao 12:00, pois o efeito é intensificado. Já nas esculturas de sal, foi possível ver mais o efeito pq o sol estava a poente e nós nos movimentamos para ficarmos a favor do sol. Tiramos algumas fotos em grupo e gravamos um vídeo com várias posições. Seguimos para o final do tour, com o lanche da tarde (vinho e petisco) vendo o pôr do sol. Foi sensacional. Como eu disse, é lindo demais ver o Salar pessoalmente. Retornamos a cidade de Uyuni às 19:30 e fomos para o terminal. obs.: esse casaco corta vento impermeável me salvou. Comprei na Decathlon e não me arrependo. Venta bastante no Salar e ele me ajudou a não surtar com o clima kkkkk Minhas considerações sobre o passeio: não me arrependo do tour de 1 dia para o pouco tempo que tinha e (spoiler) aproveitei muito La Paz com mais tempo. O passeio em si é muito cansativo por conta dos deslocamentos entre pontos de observação. Em geral, 10/10. A próxima experiência que eu gostaria de ter é com o salar seco e com visita às ilhas, lagunas e geysers. Minhas considerações sobre a empresa: não recomendo a empresa que contratei. O carro era bem precário (tinha horas que ele demorava a ligar e eu ficava até com medo de parar de funcionar real) e o almoço foi ok. O que mais me pegou foi o chofer. Ele não explicava nada, passava o tempo quase todo em silencio e só respondia quando alguém perguntava algo. Para mim, foi basicamente contratar um táxi compartilhado pra fazer o circuito. Sobre a Kantuta e a Andes: pelo que percebi, todos os carros de ambas as empresas era muito bons e novos. A Andes tinha muito mais turistas europeus e americanos e a Kantuta variáveis. Acho que se houver uma próxima vez no salar, vou tentar uma dessas para o passeio de 3 ou 4 dias. Terminal Uyuni - La Paz: Havia perguntado quais eram as melhores empresas para fazer esse percurso a uma pessoa local e ela me indicou duas: Titicaca e Panasur. Chegando na rodoviária, compramos nossa passagem na empresa Titicaca por 140 bob para o ônibus das 21:30 com destino a La Paz (era 150 mas a moça fez por 140 sem nem eu pedir desconto). Antes, pedi foto do ônibus e a atendente me mostrou: bancos de corino, com cortininhas separando os assentos e na configuração. Obs.: O full cama da Titicaca era 220 Bobs e virava uma cama mesmo. A Panasur custava 100 bob mas não gostei muito das fotos do ônibus (me lembrou o tão temido Emperador Verde, com bancos de tecido com aparência não muito amigável). Já tinha visto comentários bacanas sobre a Titicaca e resolvi experimentar. Não era possível que seria pior que a Emperador (verde) né? Pontualmente as 21:30 o ônibus saiu e ele era impecável. Super novo, com cinto de segurança, recebemos um snack (água e bolinho tipo Ana maria) e um cobertor. Quase premium né? Eu apaguei. Para quem não conseguia dormir muito bem no ônibus eu hibernei. Era o cansaço. 08/04 - La Paz Chegamos em La Paz às 5:50 da manhã. O ônibus foi bem rápido e eu descansei bastante. Eu não havia reservado hotel em La Paz pq meu queria fazer uma viagem mais do tipo “vou na hora que eu quiser” sem muitas amarras. Bem, como estávamos a quase 2 dias sem tomar banho (brasileiro chora sem banho, né), pesquisamos e reservamos um quarto em um Hostal chamado “Posada de La Abuela”, no centro histórico de La Paz, em frente a uma das entradas da rua das bruxas. Gente, juro. Chegamos e fomos direto ao hotel. A recepcionista fez nosso check in antecipado mediante ao pagamento de meia diária (90 bob) e o total para os dias 8 a 10/4 foi de 508 bob, com direito ao café da manhã daquele dia. Mais do que merecido. Entramos no quarto, tomamos banho e as 7:40 tomamos café da manhã. Sobre essa acomodação: ela foi ótima para os dias em La Paz. Ela é no centro histórico, no umbigo dos pontos principais pra conhecer, é muito aconchegante e vale a pena. Tenho apenas 2 pontos não muito legais: o banheiro tinha não tinha rebaixamento e o teto já era o telhado (com telhas transparentes para entrada de luz). Isso deixava o banheiro muito frio e não isolava o barulho externos dos pombos fazendo guruguru no telhado. O outro era que o box era com cortina de plástico e relativamente pequeno. Como o chuveiro tinha muita pressão, a água batia na cortina e ia para fora do box, molhando todo o banheiro. Tivemos que pedir algumas toalhas para pés extras pra secar o chão. Gente, eu amei La Paz. Eu estava com poucas expectativas para a cidade mas eu me surpreendi demais. No dia 8/4 conheci o centro histórico e fiz um tour guiado na Basilica Menor de São Francisco. Infelizmente não é possível tirar fotos do interior mas foi muito lindo e legal. É um tour de 1 hora e meia mais ou menos por quase todos os ambientes da basilica, incluindo telhados e subida na cúpula maior. É possível ver as pinturas indígenas retratando o catolicismo aos olhos dos nativos e a história dos Franciscanos. O tour guiado custou 40 bob. A arquitetura da igreja mistura elementos católicos e também da cultura indígena como a pachamama dando a luz e outros símbolos lindos. Dali, seguimos para o teleférico. Eu estava igual criança pq uma das coisas da minha lista de desejos era andar em várias linhas de teleféricos de La Paz. Optamos por pegar a linha vermelha (teleférico rojo) que é o central. Nessa estação tem alguns vagões de trem antigos da época que tentaram implementar o transporte a trem em La Paz, que não deu muito certo por conta do terreno da região. Nesses vagões funcionam restaurantes e, em um deles, tinha uma pizzaria muito atraente. Fomos lá comer uma pizza da região. Sensacional! Muito gostava mesmo! Vale a experiência! Dali seguimos para o teleférico. Começou a chover um pouco, o tempo estava bem instável. Uma hora sol e outra chuva. Mais uma vez meu casaco da Decathlon me salvou. Comprei apenas um cartão para abastecer com o valor da passagem. O cartão custa 30 bob mas vem com 15 dinheiros de crédito pra usar. Não tem problema usar com mais de uma pessoa. O cartão é um charme, o que eu recebi tinha uma pintura do Van Gogh. Pegamos a linha vermelha e fomos até o ponto final que era em El Alto, com um mirador com a marca de 4060 m de altitude. É bizarramente bizarro ver como que os teleféricos funcionam. Um atrás do outro, todo tempo, rápidos e muito legais. Fizemos baldeação com a linha verde e depois na amarela para descer na estação Sapocachi. Recebemos a dica desse bairro de um casal que fez o tour com a gente no Salar. Eles disseram que era um bairro bem legal para conhecer. Bom, de fato era. Depois pesquisando descobri que era um bairro de classe média alta e associei o que eu vi com o que eu li. Era muito bonito para conhecer mas eu gosto mesmo é da parte histórica. La tinha um mirador muito bonito e ficamos passeando por lá. Os bolivianos são muito namoradores kkkkkkkk todas as praças tinham casais de várias idades namorando. Eu achei super fofinho. Além disso, foi bem comum de ver pessoas apenas sentadas nos bancos das praças apreciando o momento/vista/descansando. Vi isso em todas as praças que eu visitei nos bairros de la paz. Desde os mais centrais aos mais periféricos, não era algo restrito ao de bairros nobres. Eu moro em cidade grande e ficar numa praça parado, namorando ou apenas vendo a vista é sinônimo de pedir para ser assaltado (triste). Paramos para comer em um fast-food de frango, tipo o KFC. Eu sou vegetariana e tinha um hambúrguer de quinoa com abacate (eu fiquei apaixonada por quinoa nessa viagem). Eu adorei! Eu sou chata pra comer mas nessa viagem eu me impulsionei a experimentar coisas diferentes e novas. Para voltar para a Plaza Maior de São Francisco, pegamos um mini bus qualquer de 2,40 e sempre perguntávamos se passava no local ou próximo do local que queríamos ir. Deu certo o tempo todo e quando tínhamos dúvidas, todas as pessoas tinham uma paciência para explicar como chegar ou qual transporte pegar. Eu ❤️ bolivianos. Nesse dia eu fui conhecer o Mercado das Bruxas. Eu vi tantos vídeos sobre La Paz que eu estava com uma expectativa de ser bem maior do que realmente era. Me decepcionei um pouco com o tamanho mas foi bem legal de ver. Eu imaginava que as lojas das “Bruxas” eram apenas dedicadas aos rituais da cultura mas é uma mistura de loja de souvenires e itens religiosos. Foi legal mas confesso que não foi super legal. Fiquei passeando no centro e vendo as coisas. Eu faço coleção de blusas de lugares que visito e com a Bolívia não seria diferente. Entrei em um beco e encontrei uma senhora muito simpática. Comprei na lojinha dela um pratinho decorativo e nunca mais esqueci a senhorinha. Decidi voltar no dia seguinte para comprar algo mais com ela pq fui muito com a cara dela. Nesse dia encontrei uma loja com uma blusa linda e ela estava 90 Bobs. Consegui pechinchar duas por 160 e sai super feliz. No dia seguinte, voltei ao beco da velhinha e fui até o final. La eu encontrei a mesma blusa que comprei por 160 (duas) por 55 cada kkkkkkkkk eu chorei mas vida que segue. A loja fica ao lado de uma galeria de souvenires, com uma entrada bem simples e sem nome. 09/4 - La Paz dia 2: vale de La Luna e passeios aleatórios No dia 9/4 iniciamos o dia indo no terminal para comprarmos as passagens para Copacabana para irmos no dia 10/4. No meu planejamento inicial tinha a vista e pernoite em Copacabana mas, em decorrência das alterações de voos e outros problemas, tive que enxugar e tirar esse destino da lista. Acabou que, quando chegamos a La Paz no dia 8/4, eu fui ver no terminal quais eram as empresas que faziam o serviço de La Paz para Cusco e apenas 1, que era a Trans Salvador, fazia o itinerário. Ela saía às 7:30 da manhã de La Paz e chegava às 21:30 em Cusco. Eu desconsiderei completamente pq seria um dia inteiro perdido dentro de um ônibus. Daí, tendo em vista a falta de opção, retornei com a ideia de ir à Copacabana e de lá ir para Cusco direto (ia ver na hora se tinha empresas lá em copa) ou fazer o roteiro sola indo até Kasani (imigração), depois Puno e de Puno a Cusco. Eu havia pesquisado ônibus locais que faziam a rota La Paz - Copa, e vi que saiam do cemitério. Mas algo me disse pra ir e comprar no terminal. Fui lá, comprei na empresa Titicaca para o dia 10/4 às 8:15 por 40 bob. Saímos da rodoviária e fomos procurar o ônibus para o Vale de La Luna. Perguntando as pessoas na rua e eles explicaram que o ônibus para ir para o Vale é o que vai para Mallasa (se pronuncia Malhasa) na rua acima do Terminal (rua Ruta Nacional 3). Encontrei uma Fanta de Mamão papaia e comprei pra experimentar. Gostei a beça lkkkkkkk tem gosto de fini. Pegamos o mini bus (3 bob) e fomos para o Vale. Demorou uns 40 minutos +- até chegar no local pq é bem afastado do centro e o trânsito na Bolívia não é fácil. O motorista nos deixou na frente do Vale e entramos. A entrada custou 15 ou 20 bob, não lembro. O vale é muito lindo. A formação das pedras é lindíssima e muito interessante de ver. Você faz o percurso sozinho apenas seguindo as placas indicativas. É bem cansativo, principalmente por causa da altitude mas vale a pena. Para voltar ao centro, ficamos posicionadas do lado oposto onde descemos e esperamos um mini bus por menos de 10 minutos. O motorista interrompeu o trajeto no parque La Flórida dizendo que não ia continuar o percursos por conta de bloqueios no centro. Na hora não tinha entendido e associei a questão de ser um transporte irregular (aparentemente os mini buses parecem um carro comum com placas de destino colocadas no pára-brisa, sem nenhum tipo de regularização). Bom, descemos e vi no mapa que tinha uma estação de teleférico na região. Perguntei a uma pessoa na rua que me indicou a direção e fui. Voltamos para o centro de teleférico e descemos em Sapocachi novamente. Descemos lá pq já sabíamos onde pegávamos o mini bus que deixaria próximo ao nosso hostal. Dai começamos a ver algumas coisas estranhas. Tinham muitas pessoas nas ruas, muitas mesmos. Já eram umas 16:30/17:00 e eu imaginei que fosse a saída do trabalho. Mas outra coisa também me deixou meio abismada: quase não tinham minibuses e os que passavam, estavam lotados e não paravam. Daí veio a minha cabeça a questão do bloqueio. Como antes de chegar em La Paz eu fiquei hospedada em Airbnb, nenhum deles tinha TV com sinal aberto para ver jornal. Apenas conexão com YouTube/netflix/ etc. Isso eu senti muita falta nos Airbnbs pq eu amo ver jornal local quando viajo. Bom, quando chegamos em La Paz na Abuela, a primeira coisa que eu fiz foi ligar a TV para ver se tinha sinal de tv aberta. Para minha felicidade, tinha! No dia 8/4 e na manhã do dia 9/4 eu fiquei ouvindo a tv enquanto me arrumava e constantemente passavam reportagens sobre o aumento dos preços dos alimentos e etc. De fato, os alimentos no mercado estavam bem caros. Uma coisa que me assustou, que não era alimento, era o preço do sabonete. Uma barra de sabonete de corpo da Lux estava 8 bob. A princípio, nem me liguei muito em prestar atenção pq no Brasil a gente está passando por isso tbm então as coisas passam meio batido né, por mais que não deveriam. Esse detalhe acima era importante mencionar para o contexto dos minibuses. Bom, tentamos a todo custo pegar algum transporte para o centro e até mesmo os táxis rejeitavam quando falávamos “Plaza San Francisco”. Isso foi deixando a gente preocupada e pensando “o tal bloqueio deve ser lá e deve estar tendo manifestação”. No tour da basilica, o guia disse que aquela praça em frente à igreja era a mais importante em contextos de manifestações, passeatas e eventos em la paz. Daí fizemos essa associação. Depois de um tempo, conseguimos pegar um táxi para a estação Sapocachi pq conseguiríamos voltar de teleférico pro hostal também. Quando entramos, perguntamos se ele nos levaria à praça São Francisco e ele topou. Bom, no caminho só tinham taxis na rua e muitas MUITAS MUITAS pessoas na rua também. Eu, curiosa novamente, perguntei ao motorista se aquela quantidade de pessoas era normal e ele me explicou que estava nenhum mini bus estava funcionando por protesto a alta de preços dos alimentos da cesta básica. Todo sentido né? Beleza, descemos na praça e estava um mar de gente. Turistas e trabalhadores todos na rua. Fomos ao hostal descansar e eu liguei a TV. Daí que começou a rede de informações fazer sentido. Era um bloqueio dos próprios motoristas dos minibuses contra o congelamento das passagens em 2 bob (diminuindo de 2,40 pra 2) e sobre a alta de preços dos alimentos da cesta básica. Teve bloqueio, manifestação e briga entre motoristas que aderiram e outros que não queriam aderir ao movimento. Por isso que o mini bus do Vale não seguiu caminho até o centro. Bom, ficamos vendo TV e fomos dormir. 10/4 - La Paz - Copacabana No dia seguinte acordamos cedo para fazer o check out e tentar tomar um cafezinho antes de sair. Quando colocamos o pé na rua não tinha 1 viva alma. Pensei o que “ok né, está bem cedo (7:15) e as pessoas estão saindo agora pra ir trabalhar”. Quando chegamos na rua principal, em frente à praça de São Francisco, não tinha quase carro na rua (nem táxis nem minibuses). Por sorte, veio um táxi e pegamos. Nossa mochila esta bem pesada para subir as ladeiras de La Paz. Chegando no terminal, fui ao guichê da Titicaca e me deparei com uma rodinha de pessoas ao redor do atendente, que estava com uma cara não muito boa. Eles falam muito rápido e acabam misturando quechua com espanhol, tornando mais difícil de entender o que estava sendo dito. A única coisa que consegui entender era que não estavam deixando o ônibus voltar de copa mas que pra ir, estava dando. Na hora eu me liguei e pensei “Putz, a parada de ontem”. Sentei e fui pesquisar. Os choferes (motoristas de minibuses) de la paz tinham decretado bloqueios em todas as vias de acesso a região a partir de 00:00 do dia 10/4. Pronto, na hora eu pensei “vou ficar presa”. Bom, 8:15 o atendente chamou os passageiros para embarcarem pra copa. Depois de todos embarcarem, ele solicitou, com a mesma cara de preocupado, que todas as cortinas das janelas fossem fechadas. Ai eu fui ficando apreensiva. Imaginei que aquilo fosse um indicativo da gente estar saindo de forma irregular da região, para não sermos parados pelos bloqueios devido à presença de passageiros. Gente, foram minutos de tensão. Quando o ônibus chegou em uma rodovia grande e diminuiu a velocidade, eu olhei pra frente e vi aquele mundo de gente parada na rodovia e os policiais com aquele uniforme de tropa de choque fazendo uma barreira para que os veículos passassem por uma única faixa. A passagem pelos bloqueios durou cerca de 1 h desde o centro de La Paz e o motorista do nosso ônibus foi fazendo caminhos alternativos por dentro de bairros para poder evitar os pontos. Bom, dessa forma conseguimos passar e seguir viagem. Eu acabei dormindo e só acordei quando o ônibus estava passando próximo ao Titicaca e, logo logo, na travessia em San Pablo de Tiquina. Temos que descer do ônibus e pagar uma taxa de 2 bob para atravessar o estreito de barquinho. O ônibus vem logo atrás. Enquanto aguardava o ônibus fazer a passagem pelo lago, fui em uma lojinha para comprar uns snacks e uma Coca Quina, produtos 100% boliviano para trazer para o Brasil. O ônibus chegou e logo fomos continuar nossa viagem por terra. Anteriormente eu havia pesquisado no tickets bolívia sobre o trajeto Copacabana - Cusco e apenas uma empresa apareceu no site: a Transzela. Bom, ao chegar em Copa, o ônibus para em uma rua próximo ao lago e em frente a loja da Titicaca. Quando desembarcamos, vi um banner na frente da loja com anúncio de passagem para Cusco com saída as 18:00. Pensei "Bom, o trajeto Uyuni - La Paz foi muito bom pela Titicaca e eu não conheço a Transzela. Vou comprar logo aqui". Fui e comprei por 120 BOB. Deixei as mochilas pesadas na loja e fui almoçar. Encontramos um restaurante muito legal com as mesas em um jardim e uma atmosfera tranquila, maior paz. Escolhemos almoçar nele e eu pedi um menu do dia que me custou 30 BOB e um refrigerante Inka Kola. Valeu super a pena! Não me lembro o nome do restaurante mas ele fica na rua da loja da Titicaca, onde todo mundo desembarca. Terminamos o almoço e fomos para o Cerro do Calvário. Para chegar no cerro, basta perguntar alguém do local que eles irão explicar. O acesso é fácil, é só seguir uma rua (que é uma subida) até encontrar um largo com uma igreja bem grande. A entrada do cerro é sinalizada com um arco (coloquei a foto aqui). Aí aqui começa a subida. Existe uma tradição de ir subindo o cerro e colocado pedrinhas em cada parada mas eu acabei esquecendo Bom, o caminho é bem pesado afinal, lá no cume do monte chega a 4 mil metros de altitude e é uma subida bem íngreme e toda de pedra. Requer muita atenção e disposição para subir. Minha dica é: sempre façam pausas e levem água. Subir o cerro foi bem difícil para mim, principalmente porque sou extremamente sedentária, mas no final eu consegui chegar até o topo. É lindo e vale muito a pena. Enquanto estive lá, observei que muitas barraquinhas de bugiganga estavam fechadas. Perguntei a um casal de vendedores o porque estava tão vazio lá e eles me explicaram que os dias que ficam cheios são aos sábados e domingos. Bom, a vista é sensacional! Você consegue ver toda a imensidão do lago, consegue ver toda a cidade de cima e a Ilha do Sol. Bom, apreciamos a vista e começamos a descida. Chegamos na rua da loja Titicaca as 15:30. Eu queria muito conhecer a igreja de Copacabana mas estava muito cansada e o tempo era curto. Foi solicitado que nós estivéssemos na loja para pegar o ônibus às 17:00. Então, fomos conhecer o lago. Eu queria muito molhar a mão nas águas do Titicaca mas tive um péssimo impeditivo: na região próxima a orla há despejo de esgoto :(. Normalmente, regiões de docas de embarcações são sempre mais sujinhas mas eu não esperava que tivesse esgoto sendo despejado ali direto da cidade. Fiquei bem triste. Daí eu pensei "ah, não vou poder molhar a mão mas quero andar de pedalinho". Alugamos um pedalinho por 30 BOB por 30 minutos. Aproveitamos um pouco o passeio com o pedalinho até uma área que não estava tão suja e logo retornamos para terra firme. Fomos comprar algumas coisas para fazer um lanche no ônibus e fomos para a loja às 17:00. Lá, recebemos a informação que teríamos que preencher o formulário da alfandega. É o mesmo formulário de entrada só que esse nós colocamos as informações de saída e tudo o mais. Aqui começa uma parte bem importante: fomos direcionados pela moça da loja da Titicaca até a loja da Transzela. Chegando lá descobrimos que a Titicaca vende as passagem para Cusco mas quem faz o transporte é a Transzela kkkkkkkkkkkkkkk. No final das contas, meu pensamento de ir de Titicaca caiu por terra. Daí fomos descobrindo muitas coisas que não foram faladas. Como nós compramos a passagem pela Titi (vou apelidar para facilitar), teríamos que descer do ônibus em Puno e ir no stand da Titi para trocar nossas passagens e aguardar o próximo ônibus para Cusco. Ou seja, uma belíssima baldeação kkkkkk. Ok, fazer o que né. Experiências, pelo menos estou compartilhando por aqui. Descobrimos que se tivéssemos comprado pela Transzela não seria necessário fazer essa baldeação. Apenas ficariamos um tempo parados em Puno sem troca de ônibus. Ah, mas ai eu pensei "imagina se os ônibus da Transzela são ruins? Pelo menos é um livramento de um Emperador Verde novamente". Não era 😵‍💫. O ônibus da Transzela é ótimo! É confortável, novo e a empresa é bem organizada (etiquetam as bagagens, orientam o preenchimento do formulário e tudo mais). Bom, aprendizados. Uma outra coisa é que fomos as últimas a embarcar porque, como iriamos descer em Puno, nossas bagagens teriam que ser as últimas para facilitar. Nisso, ficamos em pé do lado de fora do ônibus até umas 15 para as 18:00. Dica: se você for de Copa para Cusco, compre as passagens direto com a Transzela. A loja fica na rua 6 de Julio que é uma rua principal da cidade, pertinho da loja da Titicaca. Embarcamos rumo a Kasani para fazer a imigração, que é a uns 40 minutos de Copacabana. Chegando lá é necessário que a gente desembarque e faça a travessia para o Peru a pé. É um trajeto rápido. Primeiro você passa na casinha da imigração boliviana, apresenta seu passaporte e tira a foto de saída. Em seguida você vai em outra casinha onde tem um homem que vai ler o QR code do formulário da aduanda. Daí você segue o fluxo para cruzar a fronteira até o Peru. É só andar reto que você vai ver a placa do Peru e a casinha da imigração Peruana. Lá você irá passar por um agente que poderá ou não fazer as perguntas de imigração. Não me fizeram nenhuma pergunta mas minha amiga foi perguntada. É tranquilo, nada demais. Ali eles irão carimbar o passaporte e colocar o nº de dias que você tem permissão de ficar no país. Eu recebi 90 dias mas um brasileiro que estava com a gente no ônibus recebeu 30. O companheiro dele recebeu 90 dias então eu acho que não tem um critério. 10/04 - Chegando à Puno: Embarcamos novamente no ônibus rumo a Puno. Chegando lá, infelizmente tivemos que desembarcar :(. Bom, a rodoviária de Puno é beeeeem cheia. Chegamos lá por volta de 21:00 e tinham muitas pessoas. Encontramos o guichê da Titi e fomos surpreendidas novamente kkkkkkk. A empresa que iria fazer o transporte até Cusco era outra. O nome era Trans Salvador ou só Salvador. Bom, como eu disse anteriormente: aprendizados kkkkkkkkkk. Fomos trocar dinheiro ali no terminal porque só tinhamos BOB ou reais. Ali foi nosso primeiro baque: a cotação de real para soles era 0,51. KKKKKKKKKKKKKKK tudo que eu fui feliz na Bolívia eu comecei a ser triste no Peru. Eu já sabia que o câmbio era desvalorizado mas poxa, podia ser menos né? Trocamos pouco dinheiro, 50 soles para cada uma (+- 100 reais) mas o suficiente para poder ir ao banheiro (0,50 centimos) e pagar a taxa do terminal (2 soles, eu acho), e ainda ficar com um dinheirinho para emergências. Aguardamos e fomos pegar o segundo ônibus. Bom, já começou mal: atraso na chegada do ônibus. Só passou pela minha cabeça a estrofe da música Exile da Taylor Swift "I think I've seen this film before and I didn't like the ending". E de fato, eu não gostei do fim. O ônibus chegou e era uma versão peruana do pavoroso Emperador Verde kkkkkkkkkkkkkkkkkkk Que lástima. Quando entramos no ônibus eu já senti o primeiro baque: o banco velho que só e com partes rasgadas e pessoas alocadas até nas escadas. Pelo menos tinha cinto de segurança e as janelas não estavam com durex. Só quem viveu sabe Bom, com o atraso, saímos de Puno lá pelas 22:30. Estávamos sem chip Peruano. Eu dormi aos trancos e barrancos até chegar em Cusco. 11/04 - Cusco - dia 1: Chegando lá, desembarcamos na rodoviária e pegamos um táxi até nossa hospedagem. Em Cusco eu achei as pousadas e hotéis extremamente caros e acabei fechando um Airbnb. Antes de fechar, eu olhava a rua no maps para saber se era subida ou não. Meu pré requisito era ser próximo a Plaza Mayor e não ser em uma rua com morreba. Reservei uma hospedagem que era um quarto simples na rua Santa Catalina Ancha, quase na esquina com o hotel JW. Marriot. Pelas fotos, a hospedagem era Ok. Simples e bem localizada, com comentários ok e estava em uma rua plana, por um preço acessível (3 diárias por R$418,95). Perfeito né? Não, nem tudo. Não recomendo a estadia por motivos de: 1) chuveiro não funcionar nem por uma desgraça com água quente. Foram 2 dias tomando banho com água levemente fria sendo que estava fazendo 5/7 graus. O chuveiro oficial não esquentava e o chuveiro backup era elétrico (um lorenzetti) que nem com a torneira quase fechada ele esquentava. O táxi nos custou 20 soles e fomos direto para a Plaza Mayor tomar café da manhã. Eram 7:30 e estávamos morrendo de fome. Encontramos um restaurante chamado Mr. Cuy (depois que vi que ele era famosinho nas redes sociais) e pedimos um café da manhã continental que nos custou 15 soles. Vinha: 1 suco (mamão ou abacaxi), 1 café, 2 pães, manteiga, queijo e ovo. Aproveitamos e pegamos a senha do wifi para nos comunicarmos com nossas famílias: todas desesperadas porque não dávamos notícias desde 14:00 do dia anterior pois nossa internet boliviana tinha acabado. Ficamos fazendo hora no restaurante porque descobrimos que todas as lojas só abriam as 09:00. Ficamos aguardando a anfitriã do airbnb poder receber as bagagens para que nós pudéssemos resolver as coisas andando pelo centro com mais conforto (sem os mochilões). Deixamos as coisas lá e fomos procurar o chip e trocar dinheiro. Nisso, passando pela plaza mayor, fomos abordadas por um rapaz do free walking tour que nos deixou o panfleto dele (informação importante para o dia seguinte). Até esse dia, nosso planejamento era o seguinte: ficar em cusco do dia 11 ao dia 14/4, dia 14 pernoitar em Ollantaytambo e no dia 15/4 fazer a trilha até Águas Caliente e ir a Machu Picchu no dia 16/4. Dia 16/04 era um dia que não poderia mudar pois já tinhamos os tickets de MP e do trem para retornar para Cusco comprados com antecedência. Fomos trocar dinheiro e encontramos a cotação de 0,62, sendo a maior. No caminho, fomos abordados por um vendedor de agência oferecendo passeios. Naquele momento não queríamos fechar passeios, explicamos a ele e perguntamos onde podíamos comprar o chip de internet. Antes, havíamos encontrado o chip numa barraquinha por 40 soles e achamos muito caro. Ele nos informou que 2 esquinas abaixo da onde estávamos tinha uma loja da Claro e nos deu a dica de comprar um chip simples e colocar crédito. Daí sairia por no máximo 20 soles. Achei super bacana a dica e fomos na loja. Chegando lá, fizemos exatamente isso e economizamos 20 soles. Na Bolívia, tivemos que comprar um chip para cada porque não estávamos conseguindo rotear internet de um para outro através do acesso pessoal. No Peru, conseguimos fazer isso então não precisamos comprar 2 chips. Depois descobrimos que essa restrição da Bolívia foi configurada pela moça da loja, justamente para não rotear internet 🤧 Bom, saindo da loja e com dinheiro trocado, decidimos retornar no moço que deu a dica do chip para ver quanto estavam os passeios. É importante mencionar que eu não queria ir na Laguna nem na Montanha Colorida porque não são passeios que me chamam atenção. A princípio eu queria fazer os passeios todos por conta mas eu já estava bem cansada da viagem como um todo. Então, optei por fazer o tour do vale sagrado de passeio e fechar o transporte até a hidrelétrica. Bom, no final das contas, conseguimos um desconto e os 2 passeios saíram 130 para cada (65 soles cada). O nome da agência era Wayna Peru Expeditions e as recomendações do google não eram das piores. O passeio do Vale Sagrado incluía almoço e o da hidrelétrica era apenas o transporte. Quando fechamos o passeio fomos atendidos pela Shanda que é a gerente da loja. Ela nos recomendou alguns restaurantes locais para comer uma comida boa e não tão cara e uns restaurantes de Ceviche para minha amiga. Então, nossa agenda ficou: 11/4 (Chegada a Cusco) - Resolver coisinhas, descansar e conhecer um pouco do centrinho); 12/04 - Conhecer a cidade, fazer o free walking tour e conhecer os museus; 13/04 - Vale Sagrado; 14/04 - Ollantaytambo por conta* (planejamento); 15/04 - Hidrelétrica; 16/04 - Machu Picchu; 17/04 - Curtir o Centro e retornar ao Brasil. Continuamos a conhecer o centro histórico antes de poder fazer o check in no Airbnb (14:00). Estava rolando uma apresentação cultural na rua, com danças típicas e música. Tinha até um palanque na frente da Igreja Maior com os jurados. Muito bacana ver as cores e ouvir as músicas típicas! Nesse dia, fomos conhecer o centro de Cusco e a noite fomos tentar encontrar o restaurante que a Shanda nos indicou. O nome dele é Andean Grill. No caminho dele, encontramos uma pizzaria bem bonitinha e resolvemos entrar. Gente, melhor pizza da viagem! É um restaurante bem pequenino, de cozinha italiana, chamado El Molino. Eu super super super recomendo! Gente, surreal. A pizza média nos custou 48 soles e eles dão de entrada torradas com pastinhas. Aproveitei e provei a chicha morada e recomendo! No final da noite, continuamos a conhecer o centro e depois fomos para a hospedagem descansar. As ruas da cidade que ficam em morros ficam parecendo uma árvore de Natal durante a noite. Lindo demais! 12/4 - Conhecendo o centro histórico e o sítio Sacsayhuaman No dia seguinte acordamos e fomos tomar um café da manhã antes de encontrar o guia do free walking tour no ponto de encontro. No caminho da cafeteria encontramos uma lojinha que estava vendendo várias figuras de star wars com toucas, no estilo mais peruano possível. Uma pausa para esses Yodas de touca! Uma pena que estava 70 soles cada Decidimos fazer o passeio com o guia que havia nos abordado na Plaza no dia anterior. O nome dele é Walter e eu super, super, super recomendo! Vou deixar o panfleto dele aqui caso queiram recomendações. O passeio é super legal e ele vai abordando a parte histórica com um mapa e um livro com imagens. Vale muito muito a pena! Chegando no ponto de encontro, descobrimos que o grupo todo era composto por brasileiros. Começamos a caminhada pelo chafariz da Plaza Mayor, onde o guia Walter foi contando a parte da história de Cusco desde o império Inca como também sobre as festividades que estavam ocorrendo durante a semana (era a semana santa), comentando sobre o Señor dos Temblores. Saindo da Plaza Mayor, seguimos para uma praça onde tem o Convento de São Francisco de Assis e o Colégio Nacional de Ciências. A entrada desse convento é paga a parte, não está incluída no boleto, e custa 20 ou 15 soles (não lembro). Nesse convento tem uma obra de arte enorme que dizem ser muito linda. Um adendo importante é que parece ter uma pequena rivalidade entre bolivianos e peruanos. Mencionei que estivemos na Basílica menor de São Francisco em La Paz e o guia disse que todas as obras de arte que estão lá foram feitas em Cusco. Não foi a primeira impressão que tivemos dessa pequena rivalidade. Saindo desse ponto, seguimos para o mercado San Pedro. Gente, é um espetáculo a parte. A rua de acesso ao mercado é lotada de barraquinhas de comida. Mas não se enganem, não são barraquinhas de lanches. São barracas vendendo almoço e não eram nem 11:00 da manhã 😂. Inclusive, tinha uma moça com um frango enorme (quase um peru) em cima de um arroz com legumes, vendendo a porção de almoço. Um detalhe importante é que ela pegava as coisas com a mão e servia nos pratinhos hahahahha. Vou tentar colocar um vídeo aqui para vocês terem uma ideia! IMG_8965.mov O mercado é extremamente legal! Não sabíamos que haveria degustação de alimentos no passeio e fomos surpreendidas! O guia nos levou em algumas barraquinhas de itens tradicionalmente cusquenhos/peruanos e a primeira parada foi no corredor de pães. Gente, os pães são muito gostosos e enormes. Uma pena que não podemos trazer para o Brasil. Seguindo, fomos no corredor de queijos e já fiquei de olho e alguns produtos. Os queijos que comi durante a viagem até aquele momento eram muito saborosos. Encontrei alguns que possuíam o selo e inscrição no ministério da agricultura, e já fiquei atenta para colocar na minha lista de itens para carregar para o BR. Bom, saímos dali e fomos na parte gourmet onde ficam as barraquinhas de comidas e sucos. Durante a passagem, o guia foi nos informando quais eram as mais confiáveis em questões de limpeza e mais gostosas. Saindo desse setor, fomos na área da floricultura e dos doces por kilo. Gente, apenas comprem os docinhos dessa barraquinha. Tem vários tipos de frutas cristalizadas, amêndoas com açúcar, amêndoas com chocolate, jujuba e balas. É um preço único por kg e recomendo experimentar as castanhas e amendoins com chocolate. Eu achei muito melhor que o da Nutty Bavarian kkkkk. Ela fica no último corredor, depois da seção de flores, em frente a uma saída lateral. Eu vou continuar atualizando o post aos poucos porque agora voltei a trabalhar mas não se preocupem, vou terminar esse relato de viagem!
  4. Salve turma! Tudo bem? Vim mais uma vez registrar uma viagem pela nossa querida América Latina! Foram 24 dias muito intensos só pra variar! Fazia tempinho que não viajávamos pra longe com outras pessoas, foi legal compartilhar uma aventura de novo, ainda que apenas em parte da trip! Desta vez a companhia foi a família da namorada do meu filho! Fomos em 7 pessoas, nós 3 em casa e a família da Elô (2 adultos e 2 adolescentes). Mas eles ficaram só na primeira semana da viagem, pois os adolescentes não podiam perder muitas aulas. No restante da viagem seguimos solo (eu e Gui). A alusão a idade, hahaha, no título do relato, é pq foi uma viagem fisicamente bastante intensa pra nós, adultos de 44 e 46 anos! Vcs logo vão ver o pq, haha! ROTEIRO Tivemos estadia com o grupo todo em Cusco e MP Pueblo (Águas Calientes) por uma semana, mas eu e Gui ficamos por mais alguns dias em Cusco para fazer umas trilhas extras, ficamos 10 dias inteiros no Vale Sagrado no total. Sozinhos, seguimos pra Arequipa, depois fizemos o Canyon del Colca em dois dias, com pernoite em Chivay, seguimos pra Puno, e então atravessamos pra Bolívia, e tivemos pernoites em Copacabana, os dois lados da Isla del Sol, La Paz e Cochabamba. DESLOCAMENTOS Aéreos Os deslocamentos de ida e volta para o Brasil foram de avião. A ida foi compartilhada por todos nós, de LATAM: LDB > GRU > LIM > CUZ. JG e a família da Elo voltaram de Cusco com o mesmo trajeto da ida, só que ao contrário, claro, kk. Eu e Gui voltamos desde La Paz mas tivemos uma conexão de um dia em Cochabamba (LPB > VVI > CBB > GRU > LDB). Voos operados pela BoA, com exceção do trecho dentro do Brasil (LATAM). Por terra Eu vou contar os detalhes durante o relato, mas nossos deslocamentos terrestres foram de trem, vans, barcos e ônibus. O trem pra Cusco: caro pá um caray né, preço pra europeu e estadunidense. Se estivéssemos só eu e Gui teríamos feito um trecho “a pé”. Optamos pela empresa Peru Rail – ida com bimodal (bus + trem) e volta só de trem (ambos os trens vistadome). Ficou 141,84 USD por pessoa ida e volta. Conto no relato pq foi um dinheiro bem mal gasto. HOSPEDAGENS No começo da viagem a hospedagem tinha que ser para 7, e a partir do dia 17 de maio, para 2. Usamos booking e Airbnb. Cusco: Airbnb – custo de 2260 reais por família para 7 noites (custo total 4520 reais para 7 pessoas 7 noites: cerca de 92 reais por noite por pessoa). Nós mantivemos essa casa alugada mesmo quando passamos uma noite fora em Aguas Calientes pra facilitar as malas e etc! MP Pueblo: Catari's House (booking) – custo de 45 USD por família, 1 noite A partir de agora as hospedagens são só pra 2 (eu e Gui) Cusco (2 noites): ValPer Boutique – USD 37,76 Arequipa (2 noites): Los Andes Bed & Breakfast – USD 73,10 Chivay (1 noite): Hotel Pandora – incluso no rolê Puno (1 noite): Kaaro Hotel Puno – USD 20,68 Copacabana (1 noite): Hostal Piedra Andina – USD 21,60 Isla del Sol – norte (1 noite): Ecolodge Inti Wat'a – USD 50 Isla del Sol – sul (1 noite): Hostal Inti Wayra – USD 27 La Paz (4 noites): Hostal Iskanwaya – USD 125,32 Cochabamba (1 noite): El Hogar Casa y Habitaciones en el Prado – USD 16 Dou mais detalhes de cada uma durante o relato. CÂMBIO E DOCUMENTOS Levamos dólares na WISE e tb in cash... e tb levamos um pouco de reais (pensando em Bolívia). Cotação média para facilitar USD 1,00 = R$6,00. Falo os preços de saques e câmbios durante o relato, além de uma dica bem importante sobre Cusco. Pra Bolívia leve DINHEIRO, vale muito a pena. Documentos obrigatórios são passaporte e vacina pra febre amarela? (o certificado internacional). Sobre o certificado internacional de vacina, eu e Gui tínhamos o antigo e JG não tinha, então atualizamos no site gov.br e estamos todos com o modelo novo. Ninguém pediu e a autoridade peruana me disse que não precisava embora tenha encontrado informação diferente na internet. Seguro viagem eu emiti o do cartão mesmo, mas não precisei usar. Eu até tinha cogitado comprar um por medo desse do cartão não funcionar bem, mas dias antes da minha trip uma amiga que estava na Bolívia teve uma queda com fratura, usou o seguro do cartão e foi hiper bem atendida em La Paz, então desencanei! TOURS (AGÊNCIAS) Com exceção das entradas de MP que esgotam muito antes e devem ser adquiridos pelo site com antecedência, fechamos todos os outros tours que queríamos fazer in loco ou faltando poucos dias pra trip. Eu filtrei agências recomendadas mas entrei em contato na hora. Vou comentar detalhadamente sobre isso durante o relato, qualidade e preços, mas as agências contratadas foram as seguintes: Em Cusco: World Explorer Peru e Inca Trail Machu Picchu 360 Em Arequipa: Puriy Arequipa Em La Paz: Buho’s Tour e Barracuda Biking Agora PLAY NO ROLÊ! (CONTINUA)
  5. obs: esse é uma parte de um relato maior da minha viagem ao sul do Peru-Bolivia que durou como 2 semanas. para não ficar muito grande e cansativo e como sei que a maioria das pessoas busca informações apenas sobre o salar, decidi separar essa parte do relato para ajudar. Vou anexar o relato completo da viagem quando estiver pronto aqui para que os que tenham interesse possam acompanhar tbm. RELATO DA VIAGEM COMPLETA PERU/BOLÍVIA SALAR DE UYUNI Finalmente em Uyuni, estava super ansioso para conhecer o salar que era a razão principal da minha viagem. Desci do bus e não tinha gente oferecendo nada, como na maioria dos relatos. Na verdade. Havia pouquíssimas agências abertas e comecei a investigar preços. Basicamente a média dos valores era: Tour de 1 dia - 180 a 200 pesos Tour de 2 dias - 600 a 800 pesos Tour de 3 dias - 1000 a 1200 pesos Tour de 1 dia vc vai fazer o passeio ao salar e volta na noite. Terá um almoço e snacks no fim da tarde com um brinde ao pôr do sol. O roteiro é basicamente: Cemitério de trens Loja de souvenir e processo de extração do sal Salar de Uyuni (hotel de sal) Esculturas de sal Por do sol no salar Tour de 2 dias: faz o primeiro dia normal, dorme em Uyuni e no dia seguinte visita alguns lugares em direção a Potosí. Na real é o pior tour porque segue uma rota completamente diferente, te leva a umas águas termais não muito bonitas e na verdade é só pra encher o dia. Tour de 3 dias é o mais procurado e o mais caro. Vc faz o primeiro dia normal, mas no segundo dia deixa o salar e se aventura no deserto. Vai visitar bastante lagos e ver os flamingos, além de estruturas rochosas impressionantes. Primeiro pensei em fazer 1 dia, depois quase paguei pelo de 2 e finalmente decidi pelo de 3. Sinceramente pensei que seria mais barato e por isso não optei pelo de 3 dias de frente. Uma dica para conseguir preços menores é esperar até mais perto do horário de saída 10:30 geralmente você consegue barganhar. Acabei fechando por 900 e conheci quem conseguiu 800. Enfim, dependerá do horário e de sua habilidade de negociação. Outra dica é observar bem o que a agência te oferece. Há algumas que te dão bicicletas para passear no salar ou oferecem alguns outros serviços como fotos com luzes na noite. Então pense bem em quê você procura e decida pela melhor agência. Enfim, relato a minha experiência: Dia 01 Depois de muito procurar decidi ir comer algo porque tinha muita fome. fui a feira e comprei um pastel de queijo com uma bebida mista de milho (Api), por 8 bolivianos. Acabei pedindo outro pastel pela fome, mas me arrependi um pouco. Para mim, de modo geral, as frituras na Bolívia são carregadas de óleo, digo, não enxugam o excesso para servir. literalmente pingava óleo na minha roupa. Voltei a minhas buscas e fechei com uma agência por 900 porque eu era a última vaga do carro, comigo estariam dois casais ingleses que haviam pagado extra por uma guia em inglês. Para a nossa "sorte", um dos casais não apareceu e nos deixou esperando por um tempo até que saímos sem eles e se somou ao grupo, um outro casal que faria apenas o tour de um dia com a gente. Fomos direto ao cemitério de trens, tiramos algumas fotos e ali já percebemos a desabilidade da nossa guia com as fotos... hehe, seguimos para um lugar que é como um mercado com algumas lojas de souvenier e também onde você pode aprender um pouco sobre o processo de curação do sal. seguimos para o salar propriamente dito, estava bem bonito e super inundado. Chegamos até o point de encontro super famoso onde está o monumento do rally Dakar, as bandeiras e o antigo hotel de sal que agora serve apenas como lugar para comer, usar o banheiro (5 bolivianos) e comprar lembrancinhas. almoçamos ali e seguimos para o salar outra vez, supostamente aqui deveríamos haver ido às esculturas de sal, mas não fomos. Ficamos muito descontentes com o serviço da guia de modo geral, não nos dava nada de informação sobre os lugares, não tinha autoridade e nos fazia perder muito tempo... Exemplo disso foi quando paramos o carro para tirar fotos e ao sacar os bancos ela simplesmente nos pergunta: "alguma ideia para fotos?" enquanto viamos os outros grupos de longe super bem posicionados com os guias os oriendanto sobre o que fazer, ficamos perdidos e perdemos muuuuito tempo ali só tentando recriar poses e ao final ela não conseguia tirar as fotos. Parecia que era seu primeiro trabalho, mas ela dizia já ter 2 anos de experiência. Começamos a tirar nossas próprias fotos e já não esperar por ela. voltamos a cidade para dormir e sairíamos na manhã seguinte. Aqui ficamos um pouco decepcionados e confusos porque supostamente não deveríamos voltar para a cidade mas sim dormir em algum lugar no trajeto. No final das contas dormimos bem e tivemos um bom jantar e café da manhã. chegada a Uyuni café da manhã na feira (pastel de queijo e api por 8 bolivianos) cemitério de trens com o casal inglês que me acompanhou no tour chegada ao salar monumento Rally Dakar monumento das bandeiras antigo hotel de sal, agora restaurante. minha guia que mais atrapalhava que ajudava Dia 02 Saímos rumo ao deserto, agora com um novo casal no acompanhando. Paramos em um lugar com várias formações rochosas, a imaginação rola solta e você consegue ver várias formas nas rochas. o passeio fica mais interessante ao passar pelas lagoas. São várias ao longo dos dois dias e de vários nomes geralmente de acordo com a coloração de suas águas. Daí você começa a avistar os tão famosos flamingos. Paramos para almoçar e seguimos nossa viagem. conhecemos a árvore de Pedra (uma rocha com formato que lembra uma árvore), há alguns lugares que você percebe que são coisas que as pessoas inventam para poder ter o que fazer no deserto hehe, mas não desmerece a beleza do lugar. seguimos para a Lagoa vermelha, aí precisamos pagar uma entrada de 150 bolivianos, a parte do valor com a agência, para poder entrar ao parque. Seguindo viagem passamos pelos geysers bem rapido já no fim da tarde. è tudo bem interessante, mas o fedor de ovo é insuportável, ninguém fica ali muito tempo, sem contar que o vento estava forte e super frio. Chegamos ao lugar onde iamos passar a noite quando já estava escurecendo, uma pena porque queríamos aproveitar a vista nas aguas termais. Jantamos e como percebi que meu grupo não estava com coragem de ir se molhar, procurei outras pessoas. Se você quiser entrar nas termas, precisa pagar 10 bolivianos. dependendo da hora, já não tem ninguém lá e você pode até ir de graça. Eu tive que pagar kkk Nesse dia geralmente se faz a ilha dos cactos tbm, se não me engano, mas como o salar estava inundado, não havia como chegar lá. na verdade, demorei em decidir pelo tour de tres dias justamente por saber que há lugares que não se pode chegar nessa época. lembro de ter visto um video antigo de uma youtuber "Amandinha por aí" e havia comentado, sem esperança que me respondesse a tempo, se valia a pena ou não fazer esse tour em época de inundação e como ela me respondeu toda animada dizendo que sim, resolvi acreditar. Desci as aguas termais com um grupo e foi a melhor decisão que poderia ter feito! Depois de uma experiência não tão boa no salar por conta da guia, estar ali naquelas aguas quentes sob aquele ceu surpreendentemente estrelado não tem explicação. Sem dúvidas a minha parte favorita de toda a viagem! Depois chegou um grupo de brasileiros que estava de expedição e para a minha a surpresa, juntamente com a youtuber que me havia respondido o comentário no video que me fez decidir pelo tour. Rimos da situação e depois de ficar de molho por um bom tempo voltei ao quarto onde dormia meu grupo. primeira parada tentando fazer no deserto o que não conseguimos no salar lagoa vermelha (Laguna roja) arvore de pedra meu grupo nos geysers fedorentos (Becca, Ben, Sam, Emma e eu) Dia 03 Tomamos nosso desjejum e agora meu grupo estava animado para visitar as termas. Os acompanhei e dessa ve não tinha ninguém cobrando, ou seja, eles entraram de graça kk. Tudo estava muito bonito. É bom poder olhar a paisagem mas confesso que prefiri muito mais a experiência noturna. Sem contar que o sol com o calor das aguas não ajuda muito (mesmo estando frio afora). seguimos viagem e chegamos ao Deserto de Dali, supostamente recebe esse nome por parecer à obra do pintor. Para mim não parecia e não tinha nada de diferente rs, mas acho que depende muito de onde você está posicionado, porque ao sair com o carro e tomar mais distância consegui ver mais beleza e uma certa semelhança. visitamos outras estruturas rochosas, chamado alguma coisa Itália... não me lembro bem. acredito que o nome era porque algumas rochas pareciam colunas gigantes, o que poderia lembrar algo da Roma antiga. Não estou muito certo e minha guia também não soube dizer o porquê (novidade). Passamos pela villa de San Cristóban rapidamente para uma ultima ida ao banheiro antes de voltar a Uyuni e terminar nosso tour. Chegando a cidade, o casal do grupo que começou o tour no segundo dia foi para a pousada acompanhado pela guia enquanto o primeiro casal estava decidido a pedir reembolso da tarifa paga pela guia. Só que como eles não falavam espanhol e nem a dona da agencia falava inglês, adivinha para quem sobrou? Tive que traduzir e interceder por toda a negociação, me senti o próprio advogado. Ao final a guia regressa e ninguém teve coragem de falar mais nada kkk na verdade, acho que a dona era muito tímida e tinha vergonha de discutir com a guia na frente de todos. Terminou pagando todo o valor para a guia e devolvendo metade do valor para o casal. Daí encontrei uma menina que estivemos em contato durante todo o percurso, porque nos encontrávamos sempre nas paradas e inclusive foi com seu grupo que fui as aguas termais. e decidimos ir juntos a Potosí naquela mesma tarde/noite. Fomos ao terminal e conseguimos um bus por 35 bolivianos. aguas termais Italia não sei o quê... Becca, Ben e eu na Itália kkk mais da itália, isso estava muito muito alto. não parece porque tomaram a foto de cima tbm, mas minhas pernas estavam bambas. Se pode notar a altura comparando com a estrada lá em baixo. Igreja da villa de San Cristóban. dizem que foi a primeira da Bolivia, ou a mais antiga. meu amado grupo ❤️ Considerações finais Se quer melhor experiência: Busque a agência conforme o que você quer! Almoço ao ar livre no deserto, passeio de bicicletas, fotos noturnas do salar... Não são todas as agências que fazem, então escolha bem. se quer melhor preço: Pechinche até não poder mais e aconselho a buscar mais perto do horário de saída, onde estão mais desesperados para completar o carro, obviamente há algo de risco. O que levar: Protetor solar e labial. Se for para esquecer um que seja o solar, você vai queimar mas ainda pode colocar um pano na cara, só que o labial não tem jeito! kk minha boca rachou toda e não só pelo salar, A Bolívia de modo geral estava acabando com minha boca e demorou bastante para voltar ao normal. doía sempre. Dinheiro físico. sempre existirá uma taxa para algo, impressionante. para ir ao banheiro, para pagar uma entrada... tenha sempre em mãos seus bolivianos. Roupa de frio. nessa época não está tão frio e vc passa a maior parte do tempo dentro do carro o que ajuda porque o frio vem basicamente do vento. Muita gente me havia assustado dizendo que eu ia morrer de frio e fui pensando em comprar roupa no caminho, mas, sinceramente, minha única jaqueta foi o suficiente. Acho que é só isso, se tiver alguma dúvida só comentar. A Bolívia é um lugar incrível e super barato, recomendo demais. BOa viagem resultado da minha boca rs
  6. 15 DE MAIO – QUINTA (o dia de ir pra MPP) Dia de ir pra MPP... fizemos o primeiro trecho de ônibus (estação Wanchaq), até Ollanta, e de lá pegamos nosso Vistadome até MPP (Peru Rail). O Vistadome e o Expedition são vagões diferentes no mesmo trem, no entanto, de classes diferentes. O Vistadome tem janelas mais amplas e teto solar, além de snacks inclusos, que o Expedition não tem... mas assim, super parecidos, não vale o dinheiro extra não. Eu acabei comprando ida e volta no Vistadome pq peguei uma promoção e a família da Elo tava bem empolgada pra essa viagem de trem. Mas é bem caro, e nossa volta foi horrível, conto depois! Mas enfim, bem empolgados nessa ida chegamos em MPP pouco depois do almoço. Fomos comprar nosso ticket de ônibus para o dia seguinte, almoçar e bater perna pela cidade. O proprietário da nossa hospedagem nos buscou a pé na estação, a localização do hotel era bem conveniente e os quartos confortáveis... mas ele avisou que estava sem água na cidade... o que nos desanimou demais, pq na noite anterior tínhamos tido um problema com gás na nossa casa de Cusco e eu e Gui tomamos um banho de gato gelado kkkk eu queria muito tomar banho. Fomos passear. O ticket de ônibus para MP custa 12usd por pessoa (outro assalto) só ida, e vc só consegue comprar se provar que já tem entradas pra MP, inclusive no horário específico da sua entrada. Ok, compramos. Os restaurantes de MPP são mais “internacionais”, com opções de pizzas, massas, hambúrgueres e tb a tradicional cozinha chifa, que mistura Peru e China! Foi nossa escolha, tb tomei Pisco Souer, hahauaha! Gostei bastante do povoadinho, mas ele é super pequeno, em poucas horas vc anda tudo. Os preços dos artesanatos são mais altos que em Cusco e não tem nada de diferente... O trem da ida e MPP No fim da tarde a água tinha finalmente voltado e pude tomar um longo banho quente hahauaha, comemos umas coisas de padaria pq ainda estávamos cheios do almojanta, rs. 16 DE MAIO – SEXTA (o dia de Machu Picchu) Compramos com a maior antecedência possível os tickets para o circuito 2a – ruta classica, no site oficial do governo. Na baixa temporada (16 de outubro a 31 de maio) são disponibilizadas 4500 entradas por dia, sendo que destas, 1000 são reservadas para venda no local... mas gente, eu não recomendo. É uma confusão e complicação conseguir comprar ingresso in loco, vc acaba gastando vários dias a mais! Eu vi as filas, rs. Nossa entrada era as 8h da manhã, então cerca de 7h fomos pra fila do bus. Bem organizada, eles fazem filas por horários de entrada em MP e conferem várias vezes os tickets... achei bem tranquilo. Umas 7h30 partimos e logo chegamos e entramos em MP. Logo ali na portaria os portadores dos diferentes tipos de circuitos se dividem e vai cada um pro seu lado. Optamos por não contratar guia e andamos no nosso ritmo por tudo que estava disponível no nosso circuito, ficamos no total cerca de 3h ou pouco mais por lá! O dia amanheceu claro e friozinho, depois desceu uma neblina rápida que encobriu a vista famosa, mas logo se dissipou. E tb ficou bem quente. Eu não vou ficar aqui me alongando na história do local e etc pq né, acho que todos sabem. Mas foi bem legal visitar tudo aquilo que a gente tanto vê em livros e histórias! MP dispensa apresentações, mas dá-lhe escadas, kk Antes de ir embora paramos na lanchonete que fica na entrada/saída do complexo e compramos umas bebidas e snacks, e resolvemos descer a escadaria infinita hahauaha pra voltar ao Pueblo ao invés de pagar 12 usd de novo, kk! São quase 2km de escada... demoramos mais de 1h pra descer kkkk, e tinha muita gente subindo por este caminho tb. Jovens e/ou atletas, hahahaha! Descer de escada, pq não? hahauaha Nosso trem de volta era depois das 16h, então fomos num restaurante onde comemos beeeeem (não lembro mais o nome, mas os pratos eram super gigantes, rs) e ficamos matando hora até o horário do trem. Estávamos bem cansados, só pra variar subimos (e depois descemos) muita escada e já estávamos com dores musculares kkk! A volta de trem foi uma tortura! Primeiro pq ele anda devagar e essa nossa passagem era até Cusco de trem, não tinha parte de bus. A previsão era de chegarmos pouco depois das 21h, mas chegamos depois da meia noite! O caray do trem quebrou, paramos muitas vezes, trocou a locomotiva... enchia o trem de fumaça, ficava muito quente, depois gelava muito, uma bosta. Deu fome né, eles não serviram nada extra pelo atraso... nem tinha, até a água era escassa. Foi muito ruim. Quando enfim chegamos na estação em Cusco (ficava a uns 25 min a pé da nossa casa) a Sara estava se sentindo mal, então ela e os pais foram de taxi pra casa. Eu, Gui, JG e Elo fomos a pé e paramos pra comprar uns mequis (único lugar aberto), que levamos pra casa dividir com os demais. No cansaço dessa nossa chegada acabei esquecendo uma sacola dessas ecobag super lindona e prática que comprei na Suiça, hahauaha, dentro do trem. Tava cheia de comidas e bebidas. Fomos os últimos a descer do nosso vagão, então certamente ela foi recolhida por um funcionário. No dia seguinte eu fui cedinho até a estação e disseram que não foi encontrada. Me senti roubada, de novo... pelo conjunto da obra eu considerei o trem uma grande BOSTA e recomendo fortemente que vc vá de outra forma se tiver físico pra isso! 17 DE MAIO – SÁBADO (o dia da despedida do filho e da outra família) Acordamos cedinho (ah vá) e fomos com o pessoal pro aeroporto, pois era o dia deles retornarem ao Brasil. O JG ia viajar como menor desacompanhado pela primeira vez na vida, haha, e eu queria me certificar que ele embarcaria sem problemas, rs! Legal viver essa única experiência já que ano que vem ele faz 18 e não precisará mais de cartinha, rs! Eles se foram. Tchau more! Nós voltamos pra cidade, fomos em vários mercados caóticos que não tínhamos ido (eu amei aqueles milhos e batatas todas, mas que caos) e achamos coisinhas bem mais baratas pq andamos fora da zona turística. Comemos comida podrona, hahauaha, salchipapa, pollipapas, em restaurantes baratíssimos e locais! A tarde eu queria ir visitar uma relativamente nova atração de Cusco, chama Apukunaq Tianan... tem umas esculturas e etc... mas arreguei. Fomos pra casa e dormimos a tarde toda, kk! Inclusive, neste dia trocamos de hospedagem. Depois do almoço voltamos na nossa antiga casa, pegamos as mochilas que tínhamos deixado lá e fomos pra ValPer Boutique... que de boutique não teve nada. Foi bem ruinzinha! O banho era uma catástrofe, a cama era péssima... lugar barulhento, enfim. Não recomendo, embora seja bonitinho e a localização ok. Mas pra ir de uma hospedagem pra outra a gente teve que descer uma pirambeira e subir outra, deos! Eu acho que não estou dando a ênfase que o sofrimento físico dessa viagem já tinha nos proporcionado até então, hahauaha, eu já estava bem cansada. Todo dia eram muitos km andando e SUBINDO coisas, como esses incas piravam em escada, deos! Acordamos no fim da tarde. Eu ainda queria fechar o rolê do dia seguinte e então fomos na outra agência que eu tinha na lista, a World Explorer Peru, mas estava fechada. Escrevi pra eles no zap e combinei tudo por ali mesmo, eu pagaria diretamente ao guia no dia seguinte, sucesso. Aproveitei tb pra levar roupas na lavanderia (custava em média 5 soles o kilo) e fizemos mais um saque de 400 soles da wise. Eu não troquei dólares em Cusco, mas tinha pago os primeiros passeios em dólar. Deixei pra Bolivia. O Fábio trocou, pegamos uma cotação parecida com a da Wise. Nesta noite encontramos dois amigos aqui do fórum, foi super legal! Conheci pessoalmente o Davi e a Grasi! Valeu demais esse encontrinho! @Davi Leichsenring e Grasi (não consegui puxar seu @ menina) O Davi já estava no fim da trip, tinha feito Bolívia e Atacama no Chile. A Grasi tava vindo da Bolívia tb e ainda foi pra Huaraz depois, trip iradíssima! 18 DE MAIO – DOMINGO (o dia da trilha mais difícil da vida) Nevado Ausangate e 7 Lagunas! Tinha chegado o grande dia, essa era uma trilha que eu queria muito fazer, me preparei pra ela durante uns 3 meses. Mas nada te prepara quando vc sente bem a maldita da altitude né! Buscaram a gente 4h15 da manhã kkkcrying e fomos. Trilha de 14km, entre 4200 e 4800msnm. Pagamos 90 soles por pessoa mais 20 soles de entrada no local. O guia nos deu instruções gerais, falou como era o percurso, trechos mais difíceis e etc, marcou pontos de encontro e ficou um tempo acompanhando o fim da fila, mas depois passou a frente. Não deu uma super assistência, mas tb não achei ruim. Só pra variar chegam lá umas belezura que foram só pra foto... logo de cara já alugaram os cavalos que tb sofrem horrores pra subir, eu vi uns bichin passando perrengue. Teve um casal (de chilenos, nutelinhas) que queria ir os dois no mesmo cavalo pra economizar, pqp! Eu sou absurdamente contra o uso de animais pra esse tipo de atividade. Vá com suas pernas ou nem vá. Enfim. Não é uma necessidade, é laser sabe! ... Os primeiros 3km são mais suaves, com trechos pouco inclinados e outros planos... mas depois é cada subida que pqp. Paisagens sempre lindas, nevadas, muitas alpacas, aquele campo verdejante cheio de corpos d’água... eu me sentia andando pelas terras das ninfas das águas do senhor dos anéis, haha! Era muito lindo e mágico. Mas não tinha ar. Ausangate! Lindo! O tempo todo o Nevado Ausangate, sagrado pros Incas, nos acompanhava, as vezes mais imponente, as vezes escondido! Minha cabeça explodiu de pensamentos... e de dor tb, kk! É uma caminhada silenciosa... não tem ar pra conversar, vc sobe vc com vc mesma! Aí começam a aparecer as lagunas... uma a uma. Esplêndidas, de infinita beleza. Umas maiores, outras menores... os olhos questionavam se aquilo não era IA, rs, de tão perfeitas. O sol pleno fazendo brilhar cada folha verde e cada gota de água azul intenso de cada laguna. Lagunas de beleza infinita! A primeira Laguna fica a 4756msnm... tem o nome de cada uma e suas placas de altitude... é bonito demais. A segunda e a terceira... 4620msnm. A quarta pitica e ultra transparente, a quinta secando... a sexta incrivelmente profunda e azul e a última... não parecia de verdade. As fotos falam por si. Foram 5h de caminhada. A volta tão extenuante quando a ida pq ainda haviam trechos de subida. Valeu cada pingo de suor! Valeu demais! Estava bem frio, eu comecei essa caminhada com uma térmica, uma fleece e uma jaqueta. Logo tirei a jaqueta. Depois a fleece. E com 1h30 de caminhada eu tirei a térmica e coloquei uma camiseta de manga curta! Eu estava de boné, tinha passado protetor solar no rosto... estava bem frio mas muito ensolarado... mas eu não levei protetor solar. Eu nem achei que tiraria a blusa neste dia. Uma burrice sem tamanho pq queimei os braços de fazer bolhas. Eles já descascaram duas vezes e sigo com um bronze belíssimo de montanha. Chegamos em Cusco super tarde (transito dos infernos sempre), compramos miojo e tomamos nosso vinho sagrado no hotel, rs! 19 DE MAIO – SEGUNDA (o dia de seguir em frente) A gente cogitou tentar fazer a Humantay neste dia, pois nosso bus pra Arequipa era só 21h... eu ia avisar a agência na noite anterior caso fosse mas não tinha a menor condição, haha! Estávamos quebrados e tivemos até uma febrinha de insolação durante essa madrugada. Acordei na hora do almoço. Não tinha tanta dor muscular, não era de condicionamento físico em si, era a falta de ar que quebrava a gente. Fomos almoçar em um restaurante vegano que eu tinha paquerado, o Chia Vegan (gostei), demos mais uma andadinha na cidade e voltamos descansar e arrumar mochilas. Chia Vegan! A noite nos dirigimos ao terminal privado da Cruz del Sur, comemos um lanche por lá mesmo e subimos no busão. Bem confortável e moderno. Mas foi uma noite horrível, rs... eu conto pq na sequencia! CONTINUA.
  7. Escrever esse relato é colocar em palavras um sonho dos grandes que vivi. Islândia parecia um daqueles lugares do mundo muito distantes para mim, caro, difícil acesso, mas que eu sabia que em algum momento da minha vida eu iria realizar, só não achava que teria o privilégio de realizar tão cedo! A viagem começou a ser pensada em uma conversa despretensiosa entre amigas: Bora ano que vem ver a Aurora Boreal? Março? Carnaval? Bora? Bora! Montamos um grupo no Whatsapp e entre idas e vindas e a chave do grupo é uma outra amiga muito mais empolgada e decidida em tirar o plano do papel (inclusive, conheci a @carla_red aqui no Mochileiros em 2019, quando nos encontramos na Patagônia e depois viramos amigas muito muito próximas). Carla estava muito mais envolvida do que eu. Ela foi a primeira a comprar a passagem meses antes do plano e iria de qualquer jeito, eu bati o martelo e comprei minhas passagens só em Janeiro agora, de 2025. É, eu sou meio ruim de planejamentos a longo prazo hahaha Eu e @carla_red realizando nosso sonho de ver a Aurorinha! ❤️ Enfim, dando um pouco de contexto para contar para vocês que a viagem aconteceu. Chegamos na Islândia no dia 06 de março e fomos embora com dor no coração no dia 17 de março! Foram 11 dias dando a volta completa na ilha, com direito a 3 dias de Aurora Boreal, neve, dias de sol, pouquíssimo do tão temido vento islandês, 2.141km dirigidos e as paisagens mais lindas que meus olhos já viram. Eu cheguei no dia 02 de março em Londres e voltei no dia 18 de março para o Brasil, então acrescentei 4 dias pela Inglaterra antes de voar para a Islândia. Mais um detalhe, o plano inicial era irmos em 4 pessoas para dividir a Campervan, mas uma das amigas teve um imprevisto e não conseguiu chegar, então acabamos indo em 3 pessoas. O valor da campervan, por exemplo, foi dividido em 4. Os outros gastos foi por 3 mesmo. Esse é um post introdutório com o resumo da viagem: Voos: GRU > Londres - via Lisboa com a TAP - R$ 5.000,00 (com uma bagagem despachada, na blackfriday esse voo estava mais barato, mas como eu falei tenho dificuldade em longo prazo e acabei fechando só em Janeiro mesmo kkkk) Londres > Islândia - com a EasyJet - R$ 1.500,00 (com uma bagagem de mão de 10kg incluída, ah eu fui com meu mochilão de 50L e passou tranquilo) ETA Londres (um tipo de "visto" que tem que fazer por um aplicativo antes de chegar) R$ 74 PID - Permissão Internacional para Dirigir - R$ 100 (minha CNH é de Santa Catarina, preço varia por estado) Trem de Londres para o Aeroporto de Gatwick - R$ 50 (pegamos uma promo de aniversário dos 200 anos das linhas ferroviárias e os tickets estavam 3,50 libras o trecho!) Campervan: GoCampers - R$ 3.700,00 | Total foi EUR 2.303 - que dividimos por 4, então ficou EUR 575,75 por pessoa. Pegamos a GO BIG Automatic e o melhor seguro que eles oferecem, acho que era o Premium. Campsite (campings) - R$ 1.000 por pessoa para as 11 noites Diesel - R$ 700 por pessoa. Rodamos 2.141 km!!! Estacionamentos - R$ 180 por pessoa + entrada Kerid Cratera R$ 25 + Túnel pago R$ 27 = R$ 232 Mercado e Lanches - R$ 600 por pessoa. Restaurantes (almoços/cafés/jantar) - R$ 1200 Passeios: Hot Spring Hvammsvik - R$ 350 Trekking no Glaciar Arctic Adventures - R$ 760 Blue Lagoon - R$ 610 Acima estão os principais gastos para vocês terem uma noção. Lembrando que estávamos em 3 pessoas durante a viagem, então estacionamento, mercado, diesel e algumas outras coisas eu coloquei o preço por pessoa, o valor total era x3. Eu usei a cotação/conversão de março de 2025. Transferi real para o Wise e só usei Wise durante toda a viagem. Não levei nadaaaaaaa de Euro nem Libras hahaha em um único camping tinha que ser o pagamento em dinheiro, fui salva pelo Rafa que tinha Euros em espécie e pagou a minha parte. Os valores em real é a estimativa do que eu paguei mesmo, vi quanto o Wise me cobrou e fiz a conversão. TOTAL com tuuuudo tudo tudo tudo: R$ 19.500,00 Nesse valor de R$ 19.500,00 está também a parte que eu gastei em Londres, estão os presentes que comprei pra minha família e namorado, tem uns R$ 800 reais de roupas de frio que comprei em Londres. Enfim, TUDO desde que eu sai do Brasil no dia 01 de março até eu retornar para casa em 19 de março. Roteiro resumido: 01/03 - saída do Brasil para Londres, via Lisboa 02/03 - chegada fim do dia em Londres, cheguei umas 21h no AirBnb EXAUSTA (aquele momento a gente se questiona PORQUE pegar um voo com escala e não ter pagado um pouco a mais num voo direto GRU > Londres kkkkk) 03/03 - Andei sem rumo, vi a Trafalgar Square, Big Ben, London Eye e andei para a estação de Victoria para ir para Brighton visitar uma amiga 04/03 - Londres visitar uma amiga 05/03 - Passeio por Londres 06/03 - Londres > Islândia. Pegamos a Campervan, fizemos mercado, fomos pro Camping. 07/03 - Reykjavik (passeamos nos pontos turísticos da capital) > Hveragerdi (dormimos aqui) 08/03 - Kerid Cratera, Urridafoss, Seljalandsfoss > Skogafoss (dormimos aqui). Primeira vez que vimos a Aurora!!! 09/03 - Skogafoss (fizemos uma trilha que tem em cima), Dyrholaey, (era pra ter ido pra praia preta, mas vimos só de cima), Vik, Fjaðrárgljúfur > Skaftafell Camping (dormimos aqui). Segunda noite de Aurora! Mais fraca, mas apareceu assim de surpresa quando saí da campervan para escovar meus dentes 🤩 10/03 - Trekking no gelo e Ice Cave que saia de Skaftafell e trilha Svartifoss. Tivemos um dia mais leve, dormimos mais uma noite no Skaftafell Camping. 11/03 - Fjallsarlon, Diamond Beach > Fossardalur Camping (muito boa a cozinha desse camping!!) 12/03 - Stuðlagil Canyon, uma das estradas mais bizarras que já passei na minha vida, Vogar Camping. Terceira noite de Aurora! Foooorte, muito visível, dançando pelo céu. Foi lindo! 13/03 - Tentamos ir para Dettifoss, a estrada tava fechada com neve, Hverir, Grjotagja Caves, Hverfjall, Godafoss > Lamberyri Camping 14/03 - Hvitserkur > Fossatun Rock n Troll Camping/Guesthouse/Restaurante (dormimos aqui) 15/03 - Gullfoss, Geysir > Mosskogar Camping (dormimos aqui, já está mais perto de Reykjavik) 16/06 - Hvammsvik (piscina quente, bem imersa na natureza, eu ameeei!), voltamos pro centro de Reykjavik, noite Blue Lagoon). 17/03 - saída da Islândia para Londres 18/03 - saída de Londres para GRU, via Lisboa 19/03 - chegada em GRU É isso! Em breve volto aqui com mais detalhes de cada dia, as escolhas que fizemos, etc. Espero que esse relato ajude você a tirar seu sonho do papel! Bjs, Ana (no Instagram sou anavoando)
  8. Olá, mochileiros, Eu planejei essa viagem por um certo tempo (um boooom tempo, na real), porém várias coisas no meio do caminho me fizeram adiar esse sonho. É meu primeiro mochilão sozinho fora do Brasil. Há um certo tempo atrás, eu e meu amigo Bruno fizemos um grupo no WhatsApp para trocar experiências e nos organizarmos para viajar juntos. Aconteceu que não consegui viajar junto com ele e mudei completamente os meus planos. Ressalto tanto a importância desse blog quanto desse grupo que criamos. Foi, é e está sendo importante para quem está se aventurando com uma mochila nas costas e um sonho. Queria deixar menção à Karine, que hoje chamo de Lindinha. Esteve comigo todos os dias dessa linda viagem, desde os dias mais tensos, em que quase perdi meus voos, até os dias incríveis que tive o prazer de compartilhar. Até fiz uma ligação de uma "MONTANHA" (1 para a Entel e 0 para a Tim). Minha viagem foi muito especial com você. Vou escrever e/ou separar minhas experiências por aqui, dia a dia, para ficar mais fácil de entender e de uma forma cronológica. Sempre planejei tudo (literalmente tudo). Para essa viagem, eu fiz e refiz esse roteiro mais de 200 vezes, tenho certeza disso. Todas as variáveis possíveis, se acontecesse alguma coisa, eu já estava preparado (e aconteceram VÁRIAS, por sinal). Tudo bem que era um certo receio da minha parte, o medo do desconhecido e tudo mais. Se eu pulasse de paraquedas em qualquer lugar da Bolívia, eu ia saber me virar mesmo sem internet. Algumas dicas antes de realmente começar esse relato: - Não reserve nada pelo Booking. Antes disso, pegue o nome do hostel/hotel, pesquise no Google e procure pelo número da acomodação. Geralmente, todos têm WhatsApp. Quando fazia isso, eu perguntava o valor do quarto diretamente com eles e comparava com o Booking. Absolutamente sempre eu pagava bem mais barato dessa maneira. - Em relação à internet, não fique na noia como se você fosse para outro planeta sem acesso à informação e sem comunicação. Geralmente, hostels, restaurantes, cafés etc. têm Wi-Fi. Alguns você paga, outros não. Sobre o famoso "chip" de internet, é fácil de achar, é só "hablar", apenas. Eu comprei o meu em uma loja da Entel lá em Sucre. Foi "tranquilo" de comprar e ativar. - Sobre comida, eu não tive "problemas" de comer na rua nem nada. Obviamente, eu comia em lugares com o mínimo de higiene, e sinceramente, por lá você paga por isso. O prato é o mesmo, porém, devido ao local, chega a ser mais que o dobro do valor. Então, é uma questão de pesquisar bem. - O câmbio. Eu levei quase todo o meu dinheiro em espécie (foi a melhor coisa que fiz e a pior também). Uma parte estava em USD e outra em reais. Ambos os câmbios estavam ótimos. Quase todo o meu dinheiro foi trocado na rua com cambistas e em uma sorveteria lá em Sucre (sim, uma SORVETERIA!). Tinha até loja da Samsung fazendo isso. Eu até pensei em trocar dinheiro nas casas de câmbio em cada cidade que estava indo, porém a cotação era bem ruim em relação aos cambistas. Só troquei um pouco no aeroporto para emergência quando cheguei e, no Uyuni, 50 reais, pois o câmbio estava 1.75. - As passagens para a Bolívia eu comprei usando milhas com a Gol, totalizando 41 mil milhas. Como fiz uma transferência bonificada via Livelo, fiquei com 19 mil milhas e, como tinha assinado o Clube Smiles anual, ganhei mais 16 mil milhas. Já tinha milhas, então só emiti a passagem com essa diferença. O custo disso foi de R$101,98 + 6400 pontos Livelo, que eu ganhava comprando coisas em sites parceiros e/ou comprando quando tinha promoções em datas específicas. Dia 0: O começo de tudo CWB-GRU, GRU-VVI Eu já tinha preparado tudo o que precisava, porém estava bem ansioso, não só devido à viagem que acabava de começar, mas também por várias questões pessoais. Fui a uma farmácia pesar minhas mochilas e, sim, minha cargueira de 50 litros estava bem acima do aceitável. Porém, eu decidi ir mesmo assim. Chamei um Uber até a rodoviária depois de visitar minha mãe no hospital. Minha passagem era para 10h. Fiquei esperando tranquilo, até que não ficou tão tranquilo assim. Começou a chegar o horário do ônibus e nada. Conversei com um rapaz da empresa de ônibus e ele me disse que ia atrasar, porém não falou quanto. Comecei a ficar levemente preocupado. O ônibus chegou depois de um certo tempo. Estava levando alguns lanches e água comigo, pois pretendia jantar lá perto da rodoviária do Tietê, porém, aparentemente, esse plano não era para acontecer... Depois de um tempo de viagem, o trânsito começou a ficar bem lento, até parar completamente. Isso era por volta de 13h. Quando já fazia um tempo parado, chegou a notícia de um acidente feio na pista entre um caminhão e uma carreta. Estávamos no meio da serra sem internet. Comecei a ficar mais preocupado, pois não tinha atualização da situação. A fila começou a andar só por volta das 17h30, porém de uma forma bem lenta. Ainda estava "longe" da rodoviária do Tietê. O trânsito parou de novo depois de um tempo e eu decidi fazer uma coisa: Conversei com o motorista e perguntei se dava para eu sair do ônibus, pois eu ia achar alguma maneira de sair dali, senão ia perder meu voo (que era às 22h40 '-'). Eu saí do ônibus, porém, caso o trânsito voltasse a andar, o motorista me disse que não ia parar para eu embarcar novamente. Então, sim, foi uma aposta. Andei por alguns quilômetros até chegar na barreira da concessionária. Vi um grupo de motoqueiros e ouvi eles conversando sobre o acidente e tudo mais. Decidi ir conversar com eles. Foi aí que conheci o Marcelo, meu anjo da guarda. Ele me questionou por que eu estava sozinho com duas mochilas ali, e eu só disse: "Preciso chegar na Bolívia". Ele e seus amigos estavam indo para Aparecida do Norte. Depois de um tempo conversando, o inacreditável aconteceu: ele decidiu me ajudar e me dar uma carona até o aeroporto! Sim, era eu, o Marcelo, sua moto e eu com duas mochilas enormes por quilômetros. Ele decidiu me ajudar com uma condição: que um dia eu fosse a Aparecida com ele. Não como uma forma de pagar "promessa" ou apenas para fazer companhia, mas sim como uma forma de agradecimento. Devido ao horário que cheguei para o embarque, eu não parei para comer nada desde a hora que saí de Curitiba. As coisas comigo ficam piores em todos os sentidos quando estou com fome. Porém eu estava tão tenso com a situação que não sentia fome nem sede, apenas um cansaço físico e mental absurdo. Depois de tudo isso, quando já estava no avião indo para Santa Cruz, eu desmaiei. Só acordei quando a comissária veio entregar o "lanche". Chegando em Santa Cruz, logo depois do pouso, minha internet do celular funcionou tranquilamente. Eu uso Tim, liguei pra operadora pra ativar o roaming internacional para emergência, peguei o pacote mais simples apenas para o dia que ia ficar em Santa Cruz e se por algum motivo não conseguisse comprar meu chip por 7 dias no total. Se eu não me engano, eles têm parceria com a Tigo. Eram poucos GBs, porém, para WhatsApp e pesquisar, era o suficiente. Minha chegada foi de madrugada, então tinha poucas opções de transporte e hostel. Eu perguntei sobre o valor do táxi pra sair de lá, porém estava 100 BOBS '-'. É, não dava. Fiquei andando lá dentro do aeroporto até achar uma casa de câmbio que estava "aberta", porém não tinha ninguém. Eu chamava, porém ninguém respondia, nem uma alma viva aparecia. Resolvi ir sacar um valor suficiente para o Uber, tinha visto no aplicativo que estava por volta de 70/80 BOBS. Fui testando meu cartão da Wise em vários caixas eletrônicos lá, e todos cobravam uma taxa de 8 USD para o saque. Até que cheguei em um que simplesmente travou meu cartão, por exatamente 21 minutos ("É pronto, tô sem meu cartão, casa de câmbio só com o Gasparzinho funcionando, agora vou ter que dormir aqui..."). Depois desse tempo, meu cartão saiu, porém eu decidi ficar lá na frente da casa de câmbio até aparecer alguém. Chegaram duas moças, ficaram na minha frente chamando ou batendo no vidro, até que apareceu uma velha que estava tirando o soninho de beleza dela. Fiz câmbio e fui ver o valor do carro no aplicativo chamado Yango. Deu 53 BOBS o carro e fui até meu hostel Travelero Hostel & Tours, que paguei 80 BOBS. Oficialmente, cheguei na Bolívia. Depois do meu soninho da beleza, fui tomar um café da manhã e explorar um pouco o centro da cidade. E uma coisa que já falo de antemão: o calor lazarento que é Santa Cruz, nossa! Nesse dia, estava 34 graus. Eu almocei em um restaurante/bar próximo do hostel, paguei 14 BOBS e fui até um mercado comprar duas garrafas de água de 2L, que paguei 9,5 BOBS. A praça principal é bem bonita, vários museus e prédios históricos, porém era domingo… então fiquei na base do olho. Fiz câmbio com um cambista na praça. É muito fácil de achar eles, geralmente usam umas bolsas laterais e ficam nas esquinas (é diferente de uma garota do job no caso kkkk). Eu achei um depois de conversar com uma senhora que vendia sorvete (que, sinceramente, era ruim, o gosto parecia remédio). Troquei um pouco de dólar e reais com ele e voltei para comprar um sorvete com a senhora como uma forma de agradecimento pela dica de onde encontrar esses cambistas. Andei até meu hostel, me despedi do pessoal, fiz o checkout e chamei um Yango até a rodoviária. Andei por lá até ir a uma empresa que me indicaram, era a Flota Capital. Cometi um erro de principiante, eu confesso: não olhei o ônibus antes de comprar a passagem. Eu negociei com o rapaz da agência, ele me fez o valor de 100 BOBS no "leito", que vi depois que não era leito (Maldita máfia do leito cama). Resumindo: chovia mais dentro do ônibus do que fora, minha poltrona estava estragada, uma das molas não ficava "esticada" completamente, e eu ficava segurando um dos pés para deitar o banco. Vários vendedores aleatórios circulavam por dentro vendendo coisas aleatórias, tipo pomada milagrosa da Shopee. Algumas galinhas e um cachorro viraram meus companheiros por um tempo. É, essa viagem de ônibus foi engraçada. Gastos do dia: Transporte aeroporto por aplicativo: 53 BOBS Hostel Travelero Hostel & Tours: 80 BOBS Alimentação: 49,5 BOBS Extras: 21,5 BOBS Ônibus para Sucre (Flota capital): 100 BOBS Dia 1 - Sucre, a Cidade Branca Cheguei a Sucre por volta de 5h da manhã. Depois de um tempo, fui para o meu hostel, o Villa Oropeza Hostel. Paguei 50 BOBS e o anfitrião era muito acolhedor, me recebeu cedo durante uma chuva lazarenta. Depois de me acomodar, tomar um banho e descansar, decidi começar meu tour na cidade. Porém, antes, fui comprar meu chip da Entel. Paguei 55 BOBS para 10 dias com internet ilimitada. Conheci a Catedral de Sucre e sua história, o Museu do Chocolate, a Praça 25 de Maio, o Convento San Felipe Neri, o Convento Mirador La Recoleta e sua feirinha, dentre outros pontos turísticos conhecidos. Fiz tudo andando, pois, na maior parte do tempo, as ruas eram retas. Uma dica para câmbio: vá até o Mercado Central de Sucre. Ao redor, tem uma sorveteria, a única por sinal. A cotação estava 11,35 por dólar, e para real estava 1,85. A feirinha lá do Mirador La Recoleta vale muito a pena, porém tem que negociar. Consegui alguns souvenirs assim, na base do choro. Se possível, compre os chocolates para ti, é o mais famoso em toda a Bolívia, e em Sucre é mais barato devido às lojas direto da fábrica. Com toda certeza, essa é a cidade mais bonita de toda a Bolívia. Sua arquitetura única, ruas estreitas com calçadas de paralelepípedos… É chamada de Cidade Branca. Só indo lá para entender. Eu voltei para o meu hostel bem no final da tarde, já tinha feito tudo o que queria. Estava com muita fome e uma sede desgraçada. Chegando ao hostel, fiquei descansando até dar o horário de fazer meu checkout, que, na minha cabeça, ia ser por volta de 20h. Porém, para minha surpresa, tinha uma brasileira no meu quarto. Ficamos conversando ali até 21h mais ou menos, porém, até então, eu não tinha comprado a passagem para Uyuni. Eu ia meio que na sorte e comprar direto. Quando estava saindo, vi no site Tickets Bolivia que o último ônibus era para 22h30. Eu fui andando com duas mochilas até a rodoviária, não passava um táxi sequer. Quase morri de andar com todo aquele peso... Chegando lá, para minha surpresa, as únicas empresas que fazem esse trajeto não tinham mais passagem ‘0’ (é, azedou). Não fiquei desesperado nem nada, pelo menos no momento. Comecei a pesquisar passagem para Potosí e, em seguida, Oruro, porém também não tinha mais à venda. Imediatamente, mandei mensagem para o hostel em que estava e pedi mais um dia. Porém, eu não saí da rodoviária no momento, fiquei na porta do embarque esperando alguma passagem para venda ou alguém que tivesse desistido de ir para Uyuni. E sim, apareceu um rapaz depois de um tempo me oferecendo a passagem dele por 100 BOBS, basicamente o mesmo preço que pagou. A empresa de ônibus era EMPERADOR, muito boa por sinal, era semi-leito dessa vez. Mesmo sendo muito confortável, eu não consegui dormir muito bem. Acordei várias vezes durante a noite. A viagem em si foi tranquila tirando essa parte. Chegamos ao Uyuni por volta de 6h. Gastos do dia: Taxi rodoviária: 10 BOBS Hospedagem: 50 BOBS Alimentação: 84,5 BOBS Chip ENTEL: 55 BOBS Passeios e extras: 124,5 Ônibus para o Uyuni (Emperador): 100 BOBS A sorveteria que fiz câmbio Dia 2 e 3 - Salar de Uyuni Finalmente chegamos a Uyuni. A viagem foi tranquila, porém, novamente, não consegui dormir Ainda não sou muito bom com isso, mas um dia vou aprender a dormir em um ônibus sem precisar me entupir de Dramin e afins. Estava um "pouco" frio quando cheguei, nada que eu já não esteja acostumado com o frio do sul. Fui andando até a avenida principal, onde ficam todas as agências de turismo de Uyuni. Depois de alguns minutos, vi uma moça do lado de fora de um café, e ela me chamou para entrar, dizendo que também tinha uma agência de turismo. Como estava com fome e "cansado" da viagem, resolvi entrar. O lugar era bem aconchegante e limpo. Fiquei ali até umas 8h, 8h30, escrevendo em meu diário, até que resolvi sair para fazer cotações. Eu já sabia que os preços estavam mais altos do que o normal devido às chuvas. Fui a várias agências, mais de 15 por sinal. O passeio de três dias era praticamente o mesmo em todas, e o preço médio que encontrei foi de 1.150 BOBS, mais 162 BOBS de taxas dos parques. O passeio de um dia variava entre 120 e 300 BOBS, dependendo da agência. Algumas levavam bicicletas, o almoço era feito no meio do salar, e as fotos eram tiradas com uma câmera boa — então, em relação ao passeio de um dia, essas eram as diferenças. Como eu disse anteriormente, mudei meu roteiro várias vezes, e essa foi uma delas. Inicialmente, faria o passeio de três dias, mas, devido ao valor, comecei a cotar o de dois dias, que variava entre 680 e 750 BOBS. Porém, eu sabia que, se deixasse para fechar de última hora, poderia conseguir um valor melhor, já que as agências costumam dar descontos para completar os carros e iniciar o passeio. Então, parei de procurar agências e fui a algumas farmácias comprar água, além de passar em uma casa de câmbio. Me perdi no mercado municipal — lá é muito louco, no mesmo lugar onde se vende um DVD de qualidade duvidosa, também vendem cabeça de porco. Eram por volta de 10h15 quando voltei a procurar agências para fechar o passeio. A agência que eu queria já tinha o carro cheio. Depois de um tempo, uma moça me perguntou se eu estava sozinho e para qual passeio eu queria. Eu disse que estava entre o de um dia e o de dois dias. Para minha sorte, ela tinha uma vaga disponível para cada um. O preço inicial para o passeio de dois dias era 750 BOBS, e então entramos em uma longa negociação de 15 minutos. Resumindo, ela aceitou me vender por 500 BOBS, pois ninguém apareceu na agência até o horário de saída dos carros. O Salar Começamos pelo cemitério de trens, e, por sinal, foi o que eu menos gostei. Não pela sua história, que é sim interessante, mas pelo lugar em si, que é só um espaço com trens onde você pode pegar tétano e fazer fotos "instagramáveis". Depois disso, fomos a Colchani, onde tem a feirinha do salar (recomendo) e onde você aprende como é feito o processamento do sal, além de visitar o museu. Essa feirinha é muito boa para comprar souvenirs, seja para você ou para a família toda — desde que saiba negociar. Basicamente, nada tem preço fixo. Almoçamos em um hotel de sal, que também foi o lugar onde dormimos na volta do salar. É um pouco difícil descrever a sensação de ver o salar pela primeira vez e sua imensidão. Tive a sorte de pegá-lo espelhado, o que rendeu fotos incríveis. E o pôr do sol foi um dos mais lindos que tive o prazer de ver. Devido às chuvas, os carros só andavam a 15/20 km/h, então tem que ter paciência. Qualquer mudança de trajeto significava 1h30 de distância das outras paradas. Visitamos os monumentos no meio do salar, o famoso monumento Dakar e a praça das bandeiras. Faz um calor da desgraça, então vá preparado com roupas com proteção UV e segunda pele, pois na sombra você morre de frio. Retornamos à noite para o hotel de sal. Já fazia um tempo que eu não estava me sentindo bem, então tomei alguns remédios e fui dormir. De manhã, estava pior. Avisei meu guia, que usou um oxímetro para medir minha saturação — estava em 68%. Ele conversou comigo e perguntou se eu queria parar ali ou continuar. Eu disse que queria continuar e, se piorasse, que me levasse até Oruro. O passeio do segundo dia então começou. Visitamos uma igreja de arquitetura colonial, a Lagoa Verde, as águas termais e, sim, teve flamingos. Já quase no final do passeio, eu estava me arrastando e pedi para o guia me levar até Oruro. Eu poderia ficar por ali no hospital ou seguir para La Paz, mesmo sabendo que era arriscado. Decidi seguir viagem até La Paz e fui direto para o hospital. Depois de receber oxigênio e medicação, o médico me recomendou ir até Coroico se eu não melhorasse. Resolvi ficar em La Paz repousando na parte da manhã, até porque estava uma chuva chata. Gastos do dia: Alimentação: 41 BOBS Passeios e extras: 614,5 BOBS Ônibus para o La Paz (Flota Urus): 30 BOBS Dia 4 - La Paz e Copacabana Depois de tomar café da manhã, já estava me sentindo um pouco melhor. Passei a manhã escrevendo, já que a chuva lazarenta não parava por nada. Depois de um tempo, conheci alguns brasileiros e decidi sair com eles um pouco. Visitamos alguns museus, igrejas, praças e até andamos de teleférico. Antes de sair do meu hostel, já tinha feito o checkout e deixado minhas mochilas em um armário na recepção. Só voltei lá para pegá-las e chamar um Yango que custou 8 BOBS. Conversei com algumas pessoas sobre onde pegar a van/ônibus para Copacabana e descobri que é no Cemitério General de La Paz, que ficava a mais ou menos 2 km do meu hostel. Essa dica é interessante, porque de lá você pode sair para Copacabana a qualquer hora do dia, diferente do terminal de ônibus de La Paz, que só tem horários bem cedo pela manhã (6h30/7h30). Peguei uma van por 25 BOB até Copacabana. Já vou avisando de antemão: os motoristas são MALUCOS! Parece que estão no Velozes e Furiosos—a cada curva na contramão, um infarto. Fora que, para mim, que sou um cara "grande", fui espremido no banco de trás com minhas mochilas, mais as mochilas e sacolas do povo que ia junto. O trajeto dura mais ou menos 3 horas e, no Estreito de Tiquina, é necessário pegar um barco, que custa 2 BOB. Depois, a gente volta para a van e segue até Copacabana. Mesmo com vários infartos no caminho, depois de um tempo dá para apreciar uma vista linda—para quem senta do lado esquerdo da van, fica ainda melhor (ajuda a distrair a cabeça). Cheguei em Copacabana e fui direto para o meu hostel, o Bella Vista. Não era muito barato, mas, depois de uma negociação, paguei 35 BOB. Eu estava sozinho no hostel, e o anfitrião aguardava a chegada de uma moça do Chile e um pessoal de Israel. Tomei um café da tarde com ele e pedi orientação sobre como subir o Cerro Calvário. Ele me deu um mapa e explicou um jeito "mais fácil" de subir, indo pela direita do cerro, em vez de pegar a subida depois da praça principal. Mesmo assim, foi um sofrimento! A cada cinco passos, meu coração parecia que ia sair pela boca. Eu sabia que ainda não estava bem por causa da altitude, mas era algo que eu queria muito fazer. Demorei mais de uma hora para subir, pois precisava parar para recuperar o fôlego, tomar água. Quando finalmente cheguei ao topo... nossa, que vista linda! Dá para ver toda a cidade de Copacabana e o Lago Titicaca, é realmente impressionante. Fiquei ali até o pôr do sol. Antes de voltar para o hostel, decidi comer na rua. Fui a vários restaurantes procurando a famosa truta do lago, mas estava MUITO cara—pelo menos nos lugares onde pesquisei, os preços variavam de 80 a 120 BOB. Acabei comendo um hambúrguer mesmo, que foi suficiente para encher o buxo. Queria sair cedo no dia seguinte, por volta de 8h30, já que o primeiro barco saía às 10h custa 30 BOBS. Gastos do dia: Transporte por aplicativo : 8 BOBS Hospedagem: 35 BOBS Alimentação: 42 BOBS Passeios e extras: 36,5 BOBS Van para o Copacabana : 25 BOBS Dia 5 e 6 A Ilha do Sol Depois de acordar e tomar café, descobri que, para onde eu ia, não tinha barco nesse horário—só às 13h. Meu destino era a comunidade Yumani, com parada em Pilkokaina, mas acabei comprando o bilhete errado -_-. Fui parar no porto sul, que fica mais à frente, e só me dei conta disso depois de passar pelo Templo do Sol. Mas tudo bem, eu estava na Ilha do Sol pelo menos. No barco onde eu estava, tinha um guia comunitário chamado Roberto. Caso tenham a oportunidade de conhecê-lo, façam o tour guiado, vale muito a pena. Quando cheguei à ilha, estava sem internet, mas tinha salvo o Maps offline. Para chegar à minha hospedagem, eu tinha duas opções: ir pela Escadaria Inca, que eu sabia que ia sofrer, ou procurar um caminho alternativo. No caso, o Caminho dos Burrinhos—um trajeto paralelo ao desembarque do Porto Sul, feito em zigue-zague para os burrinhos descerem até o porto e pegar mantimentos. Mesmo sendo mais fácil, eu sofri. Estava com duas mochilas e mais 6 litros de água. Demorei para chegar ao Campo Santo que custou 140 BOBS. Depois de arrumar minhas coisas, fiquei descansando e tomando chá de coca, com uma vista linda bem na frente do meu quarto. Mais tarde, decidi jantar no famoso restaurante Pachamama. Posso dizer que foi o MELHOR prato que comi até então! Pedi a truta preparada com limão. Tive que pagar com o cartão Wise porque esqueci a carteira no meu quarto. Deu 50 BOB. Fiquei ali até o pôr do sol, escrevendo. Voltando para meu hostel, arrumei minhas coisas para dormir e percebi uma coisa quando olhei para cima: as estrelas. Nossa, eu nunca tinha visto um céu tão lindo como aquele. Usei minha câmera para fazer um timelapse das estrelas e tirar algumas fotos—foi incrível. No dia seguinte, acordei para tomar café da manhã e voltei para a cama. Estava um pouco frio e ainda não me sentia bem por causa da altitude. Na parte da tarde, decidi fazer o tour guiado com o Roberto, mas, como era sábado, ele não estava fazendo o passeio. Fiquei lá no porto conversando com ele, e ele acabou decidindo fazer um tour privado comigo. Foi incrível e cansativo também—subi e desci a Escadaria Inca mais de uma vez. Depois de um tempo, ele me apresentou seu amigo, o guia Álvaro, e continuei o passeio com ele, desde o Templo do Sol até o lado norte da ilha. Valeu MUITO a pena! Hospedagem: 220 BOBS Alimentação: 120 BOBS Passeios e extras: 36,5 BOBS Dia 7 a 15 Retornando da Ilha do Sol, decidi não continuar minha viagem para La Paz. Estava chovendo MUITO, e eu não queria fazer nada com pressa. Então, decidi ficar mais um dia em Copacabana para descansar no meu descanso. Na parte da tarde, resolvi explorar a cidade e fiquei na rua até de noite, quando encontrei um restaurante legal para comer por 35 BOBs, o Juyra Café Bar. O hotel onde fiquei custou 80 BOBs e se chamava Utama. A região estava toda lotada, então foi o único que consegui. No dia seguinte, tomei um café muito bom, porém "caro", custou 37 BOBs. O nome do lugar era Pit Stop, bem próximo da praça onde param as vans. Logo depois, fui apedrejado por uma chuva de granizo. Kkkk. Depois de me recuperar das pedradas, peguei um ônibus para voltar a La Paz. Novamente fiquei alguns dias no Hostel Lobo e paguei 43 BOBs pela diária. Este hostel oferece serviço de lavanderia, que custava 8/10 BOBs por kg. Eu deixava as roupas pela manhã e as retirava à noite na recepção. Existem outros lugares que fazem esse tipo de serviço, porém eu usava o do hostel pela facilidade. Basicamente, nesses dias em La Paz, fiz vários passeios, alguns pagos e outros não. Conheci muitos museus, restaurantes e lugares aleatórios. Se alguém tiver a oportunidade de ir à Feira 16 de Julho, é muito interessante e caótica. Ela acontece toda quinta e domingo. Passeios como Chacaltaia e Laguna Esmeralda eu já tinha conversado com vários turistas e agências para ter uma noção de como estavam, e sinceramente fiquei bem desanimado com as fotos, vídeos e comentários. Então, decidi não fazer nenhum desses. Estava um clima horrível, toda hora chovia ou ficava garoando. A única escolha que tinha era fazer a Estrada da Morte de bike, que por sinal, eu estava bem animado de fazer lá no começo da viagem e durante a fase do planejamento. No entanto, cheguei à conclusão de que não era isso o que eu procurava. No geral, mesmo depois de 7/8 dias na Bolívia, ainda estava sentindo a questão da altitude, porém de uma forma bem leve. Era como se eu fosse um jogador de futebol, porém fumante. Até pensei em fazer o Pico Áustria ou algum semelhante, mas deixei para decidir na última hora. Tentei ir sozinho até o Vale de Las Ánimas, mas tive que mudar meus planos. Estava chovendo MUITO, então retornei para o centro e fiquei andando pelas galerias. Me perdi por algumas galerias procurando o "famoso" café boliviano. Achei, nas feiras de rua, desde o café Copacabana, que custava 10 BOBs, até alguns cafés "gourmet" por 200 BOBs. Se eu comprasse um desses, ia ter que durar um ano. Como meu objetivo nos últimos dias era "encontrar café", depois de várias andanças, encontrei um bom e barato: o Café Royal, que fica próximo ao El Prado Capsule Hostel. Fiz o passeio das cholitas, que, por sinal, é muito engraçado. Paguei 70 BOBs. É tipo um WWE, porém das cholitas. Tem soco, voadora, mortal, tapa na cara, tudo o que uma luta nesse estilo tem direito. O problema foi chegar lá. Era exatamente uma quinta-feira, então pegamos o trânsito caótico de El Alto. Era cerca de 30 minutos para andar 50 metros. E o nosso motorista ainda fez a proeza de andar por quilômetros na contramão atrás de uma ambulância cortando caminho. Isso foi loucura! Se o Detran pega, já era a carteira. Sobre a comida, economizei bastante comendo na rua e pesquisando. Sempre gostei de ir onde o povo estava e nunca tive problemas com isso. Alguns dias, almocei no Danny Says e pegava o menu do dia, que custava 30 BOBs — uma sopa de entrada, prato principal e um suco. Outros dias, eu almoçava ou jantava na rua mesmo, era muito aleatório, porém a média de valores por refeição era entre 15 a 25 BOBs. Fui também com um amigo no Brosso, que tem de tudo lá, desde sorvetes, bolos, até porções. O ambiente e a música são bons e, no geral, o preço é bom. Para quem gosta de beber, as cervejas são caras. Só consegui beber no último dia em La Paz, no Invictos Sport Bar. Tinha chopp em dobro, hambúrgueres, porções. Era bem próximo do El Prado Capsule Hostel, onde eu estava no meu "último" dia em La Paz, e me custou 60 BOBs. Tive problemas com a polícia, desde ficar sem passaporte até pegarem meu dinheiro. Isso, especificamente, ainda vou escrever em detalhes no relato. O ônibus de retorno para Santa Cruz foi um caos: problemas mecânicos durante a serra, no sentido Cochabamba e Santa Cruz, pneu furado, motorista que parava para dormir, criança que vomitou na escada do ônibus, banheiro que quebrou... Foi tenso. No último dia na Bolívia, fiquei no Travelo Hostel apenas para descansar dessa longa viagem e sair mais à noite para ir ao aeroporto dormir. Como cheguei cedo, por volta de 20h30, 21h30, fiquei dormindo no chão mesmo até as 3h00, mais ou menos, até o pessoal do embarque liberar a entrada. Minha última refeição em terras bolivianas foi um açaí. O fato de eu não seguir um roteiro "fixo" da metade da minha viagem até o final foi muito interessante. Não ficava preso a horários, compromissos. Eu apenas pegava "minha" mochila pequena, com água, power bank e meu diário, e ia andando sem destino certo (me perdi várias vezes). Uma hora, eu só ia andando, outra hora pegava um ônibus sem olhar a placa para onde ia, outra hora entrava em uma van que apenas estava escrita com um destino que eu tinha ouvido falar. Conheci muita gente dessa forma. Até entrei na casa de uma senhora para ficar conversando com ela e tomar um chá de coca. Conheci um pintor de rua que estava pintando uma adaptação de um quadro e fiquei por ali, conversando e ajudando ele a pintar. Isso foi em uma galeria aleatória que entrei no Museu da Coca, na rua das bruxas. É só um exemplo de tantas coisas aleatórias que fiz por lá. Sim, tive medo de muitas coisas durante a viagem: de me perder (me perdi), de perder os ônibus (perdi), de ficar sem internet (fiquei), de ser roubado (sim, fui), de passar mal devido à altitude (aqui vacilei), porém nada disso me impediu de ir, de seguir com meu sonho. Às vezes, a vida nos convida a sair do caminho seguro e previsível, nos forçando a abraçar a incerteza. O medo, os obstáculos e as dificuldades são parte do processo. Afinal, ao olhar para trás, percebo que as melhores memórias não estão nos roteiros mega planejados, mas nas escolhas espontâneas nos momentos em que me permitia ser guiado pela aleatoriedade da vida. Porque, no final, a viagem não é sobre os lugares que visitamos, mas sobre quem nos tornamos ao longo do caminho. Uma boa viagem a todos. Custo total da viagem: 150 USD 3559,3 BOBs ± 1.935 reais
  9. Informações gerais: Esse relato é da viagem que fiz no fim de março/começo de abril pelo sul do Peru e Bolivia. Como foram vários dias, o relato pode ser grande apesar de eu ter tentado fazer de forma mais simples e sem muita informação desnecessária. As informações de cada lugar e seus passeios estão relatados conforme o lugar e você pode encontrarlos nos títulos dos dias ou cidade. Vale lembrar que não inclui valores de passagens aéreas do Brasil, porque estou atualmente vivendo Peru e minha viagem teve como partida e chegada este país. Vivo em Pucallpa, mas no relato salto a informação que tem ver com a cidade como os Percursos Pucallpa - Lima e Arequipa - pucallpa, porque acho que não interessa a ninguém rs. Como o salar do Uyuni é um ponto mais procurado e geralmente muita gente só busca por isso, deixei a parte do salar num relato a parte para facilitar aos que estão buscando apenas informação desse passeio. Aqui está o link do Relato Salar do Uyuni. Para os que tenham interesse, essa é uma pequena e incompleta tabela que fiz com valores tirados da internet (alguns eu atualizei) com a distância e preço de transporte que usei de base para decidir onde visitar com o tempo que eu teria: 5. Meu roteiro de viagem foi: Pucallpa -Lima Lima-Juliaca Juliaca - Puno Puno - Juli Juli - Desaguadero Desaguadero - La Paz La Paz - Uyuni Uyuni - Potosí Potosí - Sucre Sucre - Cochabamba Cochabamba - Copacabana Copacabana - Puno Puno - Arequipa Arequipa - Pucallpa sem mais delongas... ao relato! hehe Dia 01: LIMA - JULIACA - PUNO - JULI Saí de Lima pela manhã com voo rumo a Juliaca. Ali cheguei como as 11:30 sai do aeroporto caminhando e mais a frente encontrei um bom lugar para comer, onde havia menu de apenas 7 soles. Meu plano inicial era visitar Lampa, um povoado cerca, mas acabei desistindo e indo direto a Puno. Paguei apenas 5 soles no transporte a Puno, que demorou menos de uma hora. Cheguei pela tarde e fui direto ver se me alcançava fazer o passeio as ilhas uros no lago titicaca. O passeio estava a 18 soles: 10 o transporte 8 entrada às ilhas Esperamos completar o barco e seguimos adiante. Há diferentes tipos de passeios. De um dia inteiro, de dois dias e esse que fiz de duas horas mais ou menos. O passeio consistiu em visitar uma das ilhas, onde nos foi apresentado como constroem e mantém a ilha. Também um pouco de seus costumes. Daí veio uma parte interessante e para mim um pouco desconfortável, onde nos divide em grupos ou individualmente, como foi meu caso, para irmos as casas dos habitantes. Até aí tudo bem, mas depois cada habitante tem seu “mercado” e te vai oferecer. No meu caso, como estava sozinho, me senti muito desconfortável em não comprar nada com o senhor e acabei comprando o mais barato porque tudo é muito caro! Depois te levam para passear em um barco e te cobrarão 15 soles a mais por isso. O passeio é opcional e se vc não for, seu barco te levará para o mesmo lugar, assim que não perderá nada. O destino é uma outra ilha onde pode comprar algo para comer, ali também carimbam seu passaporte por 1 sol. Regresando a cidade decidi seguir viagem dali mesmo porque não tinha nada mais na minha lista do que queria fazer por ali e queria chegar logo na Bolívia. Peguei um carro a Juli, que fica na metade do caminho a desaguadero. Paguei 8 soles creio. Fui passar a noite ali porque havia quem me receberia ali, na verdade é um lugar bem bonito conhecido como "pequena Roma" e não esperava. Para minha surpresa encontrei uma amiga que não via há anos e não tinha ideia de que estaria ali. Dia 02: JULI - DESAGUADERO -LA PAZ Pela manhã seguinte tomei outro carro a desaguadero. Devo ter pagado 7 soles tbm, não estou seguro. Chegando lá fui caminhando em direção a migração e aproveitei para trocar dinheiro. Como tinha soles, consegui um câmbio de 3,30. Passei pela migração do Peru, para sair, e depois da Bolívia, para entrar, sem problema nenhum e com pouca fila. Daí segui até onde estão os carros para la paz. É importante perguntar o valor e até onde vão. Eu paguei apenas 20 bolivianos, uma amiga que chegou pouco tempo depois acabou pagando 35. Então é bom perguntar em mais de um. O que eu peguei nos deixou na Ponte Rio seco, para tomar o teleférico azul. Para chegar ao centro a partir daí vc pega o teleférico azul até o final (4estacoes) depois muda para o prata (1 estação) e depois o roxo (1 estação) até chegar na estação do Prado. Ali já é o centro de Lá Paz. Procurei um lugar para almoçar e encontrei um menu de apenas 15 bolivianos com sopa de entrada, segundo (escolhi um macarrão) e um refresco e um pudim de chocolate. Muito barato! Depois fui atrás de um chip para celular. Fui na entel e comprei um por 10 bolivianos e paguei mais 15 por un plano super básico de 1.5 gb por 10 dias com wpp ilimitado. A atendente acabou errando e por sorte eu percebi. Daí ela me prometeu fazer uma outra recarga mais tarde nesse dia para que eu pudesse contratar o plano que escolhi, e assim o fez. Depois me encontrei com uma amiga que tbm estava chegando e com o rapaz que ia me hospedar. Mais tarde comemos uns frangos fritos e terminamos o dia. Dia 03: LA PAZ (VALLE DE LA LUNA, CENTRO) juntamente com minha amiga mexicana do dia anterior, decidimos ir pela manhã ao Valle de la Luna, tomamos um desses coletivos em direção a Mallasa que nos deixa na porta do vale. Pagamos 20 bolivianos para ingressar. É um lugar interessante, mas pode sim ser um pouco tediosos porque a paisagem é meio monótona. Mas é um destino muito buscado para quem está por La Paz. Terminamos o passeio e esperamos o transporte na rua ao lado. Chegamos no centro e fomos almoçar no mercado Lanza, onde encontramos um menu de 11 bolivianos que vinha com sopa, arroz e lentilhas com um pouco de salada. Dessa vez, sem refresco. Depois passeamos um pouco pelo centro, mercado das bruxas e depois foi só perda de tempo kk. Ela tinha que resolver algumas coisas e acabamos caminhando como loucos, mas ainda pude visitar o morador Kilikili e ter uma Boa Vista da cidade. O dia basicamente foi isso, depois só voltei para a habitação e jantei. Dia 03: LA PAZ (VALLE DE LAS ÁNIMAS) no terceiro dia fomos eu, a mexicana e meu amigo boliviano ao Valle de las Ánimas. Ainda não é muito conhecido mas muito bonito. Há formações como o Valle de la luna más são bem maiores. Chegando ali vc só paga 5 bolivianos de entrada, mas explora por conta própria. Voltamos a cidade onde a mãe do meu amigo nos havia preparado um prato típico chamado Silpancho, basicamente arroz com bife e salada. Mas estava muito bom. Descansamos e na tarde saímos a passear pelo centro outra vez, comprei alguns souvenires e depois fomos a calle Jaén. Uma das mais antigas da cidade e bem legal de se visitar. Nisso já era noite e fui direto ao terminal para tomar um bus a Uyuni. Consegui por 100 bolivianos através do pai do meu amigo mas acho que a média estava entre 120. A companhia foi Cisne e o ônibus era super confortável. Saí como 21:30 e passei toda a noite viajando até chegar em Uyuni no dia seguinte as 06:00 mais ou menos. Dia 04 SALAR DE UYUNI Finalmente em Uyuni, estava super ansioso para conhecer o salar que era a razão principal da minha viagem. Desci do bus e não tinha gente oferecendo nada, como na maioria dos relatos. Na verdade. Havia pouquíssimas agências abertas e comecei a investigar preços. Basicamente a média dos valores era: Tour de 1 dia - 180 a 200 pesos Tour de 2 dias - 600 a 800 pesos Tour de 3 dias - 1000 a 1200 pesos Tour de 1 dia vc vai fazer o passeio ao salar e volta na noite. Terá um almoço e snacks no fim da tarde com um brinde ao pôr do sol. O roteiro é basicamente: Cemitério de trens Loja de souvenir e processo de extração do sal Salar de Uyuni (hotel de sal) Esculturas de sal Por do sol no salar Tour de 2 dias: faz o primeiro dia normal, dorme em Uyuni e no dia seguinte visita alguns lugares em direção a Potosí. Na real é o pior tour porque segue uma rota completamente diferente, te leva a umas águas termais não muito bonitas e na verdade é só pra encher o dia. Tour de 3 dias é o mais procurado e o mais caro. Vc faz o primeiro dia normal, mas no segundo dia deixa o salar e se aventura no deserto. Vai visitar bastante lagos e ver os flamingos, além de estruturas rochosas impressionantes. OBS: para ler o relato do Salar de Uyuni clique aqui Dia 07 - POTOSÍ cheguei em Potosí como umas 22:30 e fui direto dormir. Ali tinha alguém que me receberia, enquanto minha amiga foi procurar um hostel. Na manhã seguinte fui ao mercado na esquina para comer. Paguei algo entre 10-12 bolivianos por um arroz com cordeiro. Senti Potosí um pouco mais caro que La Paz. Sai rumo ao centro para me encontrar com minha amiga. Saímos a procura de informações turísticas da cidade e a polícia de turismo nos deu vários folhetos interessantes. Dali ela foi se encontrar com alguém e eu saí a explorar a cidade. Meu tour em Potosí basicamente se resumiu em explorar a cidade. Não fiz nenhum passeio porque meu dinheiro já estava acabando e preferi deixar para visitar outras cidades. Potosí tem um centro histórico muito bonito, é uma cidade charmosa e cheia de história. O que mais se faz ali é visitar a casa da moeda 40 pesos e +20 para tirar fotos; é passeio as minas que está em média 100. Depois de explorar a cidade fui comer no mercado central, ainda estavam vendendo menus que haviam sobrado do almoço e por estar tarde me cobraram apenas 10 bolivianos. Passei o dia inteiro basicamente com minha amiga e no final saímos para encontrar alguns outros amigos dela. Fomos a um bar e ali gastamos toda nossa noites. Acabei dormindo outra vez em Potosí e sai na manhã seguinte a Sucre. casa de la moneda praça principal (10 de noviembre) Torre de la Compañía de Jesús Dia 08 - SUCRE Paguei apenas 20 bolivianos de Potosí a Sucre, o que demorou cerca de 3h. Chegando, procurei um lugar para comer e foi o almoço que mais gostei. Veio bastante comida no prato. Pedi um menu completo com sopa de Maní (amendoim), arroz, lentilha e bife e com um pouco de salada por 10 bolivianos! E também um copo de refresco por mais 2. Isso quase em frente ao terminal. Sai a explorar sucre, seu centro histórico é lindo, a cidade faz jus a sua fama. Fui ao mirador do Recoleta, passei por algumas igrejas e explorei o centro. Também dei uma passada no mercado central, praça Bolivar e fui outra vez rumo a rodoviária já comprar minha passagem para cochabamba. Como já tinha voo comprado para o dia 01/04 saindo de Arequipa, não tinha tempo a perder. Decidi passar apenas um dia em Sucre e Cochabamba apenas para conhecer as cidades. Comi no mesmo lugar que havia almoçado, agora estavam cobrando 11 bolivianos. Entrei ao terminal e onde me haviam oferecido passagem a cochabamba por 50 bolivianos pela manhã, já estava fechado. Me pareceu um pouco suspeito, porque ficava do lado externo, enquanto todos que me perguntavam para onde eu ia, ao dizer que era Cochabamba me diziam para buscar dentro do terminal. Ali havia vários preços, todos acima de 80. Acho que no final consegui um por 70 que sairia as 22:00 mais ou menos. O ônibus pelo menos era confortável, consegui descansar no caminho e cheguei a cochabamba quase as 05:00. Dia 09 - COCHABAMBA Chegando a Cochabamba, esperei um rapaz de couchsurfing vim por mim na rodoviária. Não iria dormir na cidade, mas esse amigo foi super gente boa permitindo que eu deixasse minhas coisas na casa dele para poder explorar a cidade. Enquanto isso assisti um senhor bêbado que dormia sentado num banco cair de cara no chão e estourar o nariz. O pessoal do terminal o manteve inclinado para não se afogar com seu sangue e depois de bastante tempo a ambulância chegou e o senhor só acordou quando os paramédicos o atenderam. Andei feito um condenado nesse dia kk. Sempre gosto de fazer tudo caminhando, principalmente quando vou estar apenas um dia no lugar, para poder observar o máximo da cidade e seus habitantes. Aqui sofri para achar um lugar para comer, pois o caminho que tomei não havia muitas opções de comida e sentia que as que havia, abriam tarde, pois já era mais de 08:00 e ainda se encontravam fechadas. Depois de caminhar muito, cheguei ao mercado La cancha. Uma confusão, entrei e finalmente achei um menu mais barato. Acho que paguei 12-15 bolivianos. Provei a famosa sopa de maní (amendoim) e um guiso de frango (que faltava cozinhar mais), mas de modo geral, estava bom. Segui caminhada e decidi ir ao Cristo de la Concórdia. Basicamente algo parecido ao nosso Cristo Redentor, uma estátua de Jesus com braços abertos em cima do morro. Se você têm planos de ir ali nos próximos dias, já te aviso que o teleférico não está funcionando. terá que subir as escadarias a pé ou ir de carro. Eu fui andando, novidade, e não me arrependi. A subida não é nada absurda, leva cerca de 30 minutos. Eu aconselho muito a fazer pelo menos um dos tajetos a pé pelas escadas, porque recentemente agregaram ao caminho, estações representando momentos da via dolorosa, caminho de Jesus até a crucificação. na verdade, ainda estão terminando as obras e acredito que ficará incrível depois de pronta porque, honestamente, as novas estátuas valorizaram muito o passeio. Estão super bem posicionadas, de modo que você as vê com uma paisagem impressionante da cidade abaixo. sem contar que estão muito bem feitas e a história também bem ordenada. Até o sepulcro de Jesus fizeram, para no final o Cristo grande representar Jesus ressuscitado. Eu achei bem legal e sem dúvida o ponto turistico mais importante da cidade. Não longe dali está o Jardin Botânico Martín Cardenas. Lugar ideal para descansar enquanto admira a paisagem, tanto o cristo quanto o jardim botânico são grátis (pelo menos ninguém me cobrou nada rs), então acho que vale a pena visitar caso esteja em Cocha e sem muito o que fazer. Dali fui almoçar com meu novo amigo de couchsurfing em um lugar muito perto da praça principal "14 de septiembre" muito bonita! O Centro histórico de cochabamba é pequeno, mas também vale a pena conhecer, até porque sem dúvida você passará por ele. Depois de comer e descansar, peguei minhas coisas e comecei a fazer meu caminho de volta, rumo ao terminal outra vez. Agora meu destino seria La Paz, na verdade Copacabana, mas como não tinha bus direto, teria que voltar a esta cidade. Dia 10 Copacabana Meu plano inicial era começar minha viagem na Bolivia por Copacabana, e acredito que seria bem facil assim. Entretanto, meu amigo de La Paz me havia dito que por conta das chuvas que houveram, uma ponte havia caído e não havia passe para La Paz de alí. Então entrei no país por Desaguadero, mas ao saber que havia sim como ir para Copacabana, decidi cruzar a fronteira para o Peru por ali. Peguei o ônibus para Copa no terminal de la Paz, assim que cheguei. na verdade, poderia tê-lo pegado em El Alto, mas não sabia então tive que voltar esse pedaço. Acredito que paguei algo entre 30-40 bolivianos. São mais ou menos umas 4h de viagem. para a nossa "sorte" havia uma competição ciclista que faziam esperar os carros para que os competidores pudessem passar, o que nos fez perder muito tempo. Em um determinado ponto do trajeto, você terá que descer do bus e pagar um barco para cruzar o lago, enquanto o onibus usará uma balsa. O preço é de 2 bolivianos. Uma vez cruzando o lago, você sobre outra vez no onibus para seguir até Copacabana. O bus te deixará numa praça onde há varios outros transportes, dali mesmo você tomará seu carro para qualquer outra cidade. também há vários cambistas, agências e hospedagens por ali. Em realidade, a cidade é pequena, todo o centro está bem concentrado nessa região. Você encontrará restaurantes e hospedagens caros como tbm lugares com preços em conta. Caminhando um pouco mais encontrei um menu de 11 bolivianos completo, com sopa de entrada, prato principal e refesco. Em frente ao mesmo lugar onde nos deixou o ônibus, encontrei uma hospedagem mais barata. Paguei 30 bolivianos, estive sozinho no quarto (que era para dois) mas o banheiro era triste kk. Não por ser compartilhado, na verdade estava tudo muito limpo mas o chuveiro quente era uma bomba relógio. Não possuia a parte de cima e quando ligava, esguichava para todos os lados inclusive direto nos fios bem na parte onde estavam unidos e cobertos pela fita isolante. haha Fui passear pela cidade, desci até a orla onde há a famosa âncora branca, de onde saem todos os passeios às ilhas. Para a minha surpresa, encontrei Ben y Becca, o casal que esteve comigo no tour do Uyuni. Não tinham planejado estar ali mas tiveram que adiantar sua ida a Copacabana. Decidimos nos encontrar depois e fazer o passeio a Isla del Sol juntos na manhã seguinte. Continuei meu passeio, fui conhecer a Igreja na praça principal e me impressionei bastante. Para mim, a arquitetura foge um pouco do que estamos acostumados a ver do período colonial. Me dava uma impressão mais "mediterrânea". Não sei se pelo clima ou conjunto de forma geral, mas muitas vezes a Bolivia me fazia lembrar de cidades na Espanha como Málaga, Valencia... que tem mais influencia de culturas do mediterrâneo. De longe via as pedras ao topo do monte e quis subir para apreciar a vista, descobri que na verdade era um lugar turistico, Mirador del Inca e te cobram para chegar ao topo. Fiquei na metade mesmo e contente com a vista dali. Isso foi algo que não gostei muito na Bolivia, falta de informação e do nada vai brotar alguém te cobrando por absolutamente tudo em um passeio. Se você não entendeu, vai ficar muito claro com minha experiência do dia seguinte a Isla del Sol. Comi em outro lugar, acho que por 12 bolivianos ou algo assim, um outro menu e voltei a pousada para descansar. Dia 10 Isla del Sol Na manhã seguinte, arrumei minhas coisas e estava pronto para sair mas não encontrava a senhora responsável pela pousada. Liguei e ela me pediu para esperar que estava vindo correndo. Teria que deixar minhas coisas na recepção para buscar depois, já que o meu passeio ia demorar todo o dia e eu não queria pagar outra diaria só por isso. Enquanto isso, Ben e Becca me esperavam para o passeio, acredito que se afobaram aqui e compraram a primeira opção que tinham oferecido para eles, onde iam direto ao lado sul da ilha enquanto eu queria ir ao norte. Lhes explico as opções de passeio mais adiante, mas antes lhes faço entender um pouco sobre a Ilha e sua logística. a Isla del Sol (Ilha do Sol) é o destino mais procurado por quem vai a Copacabana. É a ilha principal e maior entre as atrações turisticas do Titicaca. Lá há ruínas importantes sobre a civilização inca, acreditam inclusive que nasceram ali. Só que há alguns fatores logisticos e sociais que influenciam nos passeios, por exemplo, os próprios habitantes da ilha não se levam muito bem. São basicamente dois grupos o do lado norte (Challapampa) e o do lado sul (Yumani). O lado norte da Ilha possui mais história e é mais simples, ali você vai encontrar pontos como o mesa de sacrificio, labirinto chincana, praias bonitas e vistas de tirar o fôlego. No Lado sul, também há pontos históricos importantes como o templo do Sol e é uma região mais preparada para o turismo. Assim, você pode optar por transportes que vão ao norte ou sul, dependendo do tempo e atividade que planeja fazer e permanecer na ilha. Geralmente, os turistas vão ao norte e fazem o trajeto caminhando (3horas) até a região sul, onde pegam um barco de regresso as 16:00. Uma vez conhecendo como funciona a ilha, lhes explico sobre os tours oferecidos: Tour completo: te levam em um passeio de um dia para conhecer as ilhas do sol e da lua, ilhas flutuantes e mais... É a opção mais barata, cerca de 50 bolivianos. Pode parecer bom, mas acredito que seja insuficiente. É pouquissimo tempo para explorar tanto então imagino que seja algo como chegar, olhar e ir embora. Além do mais, a essa altura você provavelmente planeja ou já conheceu as ilhas flutuantes em Puno. Se você não conheceu e nem tem planos de ir a Puno, talvez valha a pena para você esse passeio. Passeio a Isla del Sol: Sinto muito mas não posso dar informações desse tour porque não me lembro das informações. Só lembro que era mais caro, provavelmente incluindo passar uma noite na ilha, todas as entradas e quem sabe um guia. Bilhete de ida a ISla del Sol: Aqui é o mais comum de se fazer, como eu disse, você paga apenas seu transporte a Ilha do Sol (40 bolivianos), eu consegui por 35 mas eles dizem não baixar mais que isso porque todos pagam a mesma agência de transporte. MAS ATENÇÃO! Você tem que saber a que lado da ilha quer ir. Se quiser fazer o passeio caminhando terá que ir ao norte da ilha (Challapampa) e não ao sul. caso contrário, dificilmente você conseguirá transporte chegando ao norte, terá que fazer a caminhada de ida e volta (pelo menos é o que nos dizem). Meus amigos Ben e Becca infelizmente não se atentaram a isso e compraram o bilhete ao sul da ilha, sem muita informação. Quando me dei conta e lhes disse eles ficaram tristes e aí nos separamos outra vez. O barco que sai ao sul, sai do porto as 08:00 da manhã. O que sai ao norte, uma hora depois como as 09:00 ou 09:30. Aqui começa a minha indignação, a moça da agência me explicou que chegando lá, me cobrariam 10 bolivianos para entrar na ilha pelo lado norte e depois o pessoal do sul me cobraria mais 5, somando 15 bolivianos extras para explorar a ilha, sem contar os 40 de volta que teria que pagar para o transporte. o percurso demora cerca de 2h, o barco vai bem lento. Geralmente há lugares em cima ou abaixo. Se você chega primeiro pode escolher, mas leve em consideração o tempo de viagem e o sol, já que em cima não há proteção. Chegando a Ilha, já nos abordaram em fila para pagar o ingresso que não era 10, senão 15. lhe perguntei e me disse que não teria que pagar nada mais na ilha a parte disso. Também oferecia um guia por 10-15 bolivianos por pessoa, mas não era obrigatório. Se você não tiver pressa, acho que pode valer a pena para saber mais da história do lugar. Eu segui sozinho adiante, como outras pessoas. pouco tempo depois encontrei um casa brasileiro a Thaís e o Rafa, que já tinham passagem comprada para Puno em um ônibus que saia as 18:00 de copacabana. Então com medo de arriscar, decidiram fazer apenas a parte norte e voltar para o mesmo lugar onde nos haviam deixado, porque dali sairia um barco as 14:00. Essa opção eu não conhecia, nos disseram quando recém embarcamos, mas agora pensando bem, talvez seja o mesmo barco e nada mais sai dali esse horário mas passa a parte sul as 16:00 para buscar os outros passageiros, então fiquem espertos. se o problema for tempo e não impossibilidade de fazer a caminhada, talvez não valha tanto a pena. Caminhamos juntos conversando e visitamos os pontos famosos. de vez em quando alguem aparecia pedindo para ver o ingresso. Chegou um momento em que a caminhada se separava, eu segui rumo ao sul enquanto eles voltaram ao porto. Para ser sincero, o mais bonito se via no proprio passeio do lado norte. Mas, se você é como eu e gosta de uma trilha, vale a pena. è um passeio agradável e sem muita dificuldade, pelo menos se você não tem problemas com atividades desse tipo. No meio do caminho conheci uma garota inglesa e um holandês, com mais duas meninas americanas mas que sempre ficavam para trás. Fomos conversando e terminamos o passeio juntos. ah, no meio do caminho me pediram para ver o bilhete e ao mostrar me disseram que não era aquele, ou seja, me cobraram mais 15 bolivianos, até então o dobro do que me havia sido informado. Discuti um pouco com o cara porque as informações estavam totalmente equivocadas tanto na agência quanto ao chegar na ilha e ele apenas concordava e dizia que era porque não se davam bem entre os lados da ilha e que as agencias tbm não tinham os dados atualizados. Perguntei se de verdade já não iam me cobrar mais e me disseram que se eu quisesse visitar as ruinas, lá me iam cobrar novamente. Pode parecer algo normal até porque não era tão caro, mas essa falta de informação prejudicava muita gente principalmente porque para o passeio, as pessoas deixam seu dinheiro extra guardado com seus pertences em copacabana e levam apenas o necessário à ilha. Sem contar que para muitos, assim como meu caso, era o destino final na Bolivia, então os pesos bolivianos estão contados e querem evitar trocar mais dinheiro para depois trocá-lo outra vez no Peru perdendo com o câmbio duplo. Por sorte eu havia trocado mais 20 soles antes de ir, o que me deu 60 bolivianos, e pude pagar as taxas extras. Depois conversando com Becca e Ben, pensei que foi o melhor eles terem se enganado, porque não haviam levado dinheiro em espécie para o passeio. Chegamos ao lado da sul da ilha em tempo mais que suficiente, fomos comprar a viagem de volta (40 bolivianos) e comer alguma coisa ali mesmo na praia. Os preços obviamente mais caros. Pedi um sanduíche de ovo por 10 bolivianos, que era o que podia pagar sem correr o risco de ter que voltar nadando kk. Para minha surpresa o sanduíche era maior do que eu esperava e estava bom. Encontrei Becca e Ben outra vez e eles se uniram aos agora meus novo grupo de amigos. No caminho de volta, o barco para no templo do sol para os que queiram visitar por uns minutos. Eu, alertado de que me cobrariam e sem um tostão no bolso, resolvi ficar no barco e nem me arrisquei a verificar a veracidade da informação. Mas de modo geral, poucos desceram. Junto com o holandês, decidimos pegar um carro a fronteira quando chegássemos e dali outro para Puno. Eu na verdade tinha que ir a Arequipa, estava sonhando em talvez achar um carro de Unguyo (fronteira do lado peruano) que fosse para lá, mas já me disseram que teria que ir a Puno para isso. Eu já estava decidido a fazer isso porque não tinha bolivianos suficientes para pagar um bus direto a Puno, mas meu amigo Holandês ainda estava indeciso e receoso, preferindo um bus direto. Chegamos a Copacaban e nos despedimos de Larissa, Becca e Ben, que ficariam mais um dia em copa. Seguimos a praça para ver os carros e aos hostels para buscar nossas coisas. Mais uma vez a senhora desapareceu e tive que ligar para ela. Veio correndo depois de um tempo e finalmente com minhas coisas fui me encontrar com meu amigo para irmos. Já haviamos decidido ir com o carro (5 bolivianos) até a fronteira. Enquanto estávamos esperando encher o carro, fomos procurar algo para comer. Nesse processo uma das moças que vendem passagem de bus reconheceu meu amigo de antes e lhe convenceu a comprar sua passagem com eles, porque ainda havia tempo. Nisso eu segui em busca de comida e desisti porque percebi que não daria tempo comer algo bom ou deveria comprar algo para levar e minhas opções estavam muito limitadas, seria basicamente pão. Cheguei no carro e já haviam ido embora, e o rapaz me disse que meu amigo havia ido com eles. não entendi nada porque estava vazio antes e meu amigo supostamente ia de ônibus. Havia apenas ido a esquina e nesse tempo tudo havia acontecido. enfim, já subi ao seguinte carro (há varios saindo a fronteira, só tem que esperar encher mas geralmente não demora) para não perder outra vez e ao revisar meu celular que está sempre no silencioso, meu amigo havia me enviado mensagens dizendo "nos levaram para o mesmo carro" "vem! vamos sair" "onde está vc?" "saímos" tudo em menos de 3 minutos acompanhado de uma chamada perdida kkk. Continuei conversando com ele e ele me disse que não estava entendendo o que havia passado, mas que colocaram ele e mais 2 nesse carro e com os 3 já encheram. Rapidamente o carro completou e fui a fronteria, como em 15 minutos chegamos e nos deixam quase em frente a migrações. Fui bem rápido, troquei meus pouquíssimos bolivianos que me restavam para pagar meu carro em soles. segui andando a migrações do lado peruano e ali na fila para minha surpresa encontro meus amigos brasileiros do passeio a ilha do sol que supostamente já deveriam estar bem adiantados e só depois me dei conta de que a pessoa na frente deles na fila era meu amigo holandês e que os outros dois ao que ele se referia eram o casal brasileiro, tremenda coincidência! haha No final das contas, deu overbooking. Venderam mais passagens do que havi no bus e puseram os excedentes para ir de van. Absurdo! Porque foram atrás do meu amigo quando já não havia mais assentos e o casal brasileiro tbm ficou para trás quando já haviam comprado o bilhete no dia anterior. Então fica a dica, chegar sempre primeiro nesses casos! Por isso eu prefiro sempre comprar na hora e já com o carro. No final pagaram por um preço de bus e foram de van, que sai mais barato. Os brasileiros já estavam falando que iam reclamar e tomar as medidas necessárias. o Holandês, ja aceitou que perdeu dinheiro. Isso foi algo que me incomodou muito mesmo não tendo acontecido comigo. Mas que se reflete em outros momentos na cultura do país. Estive em ônibus ruins que foram vendidos como cama, com wifi e tudo mais.. tbm o processo na ilha do sol com as entradas... Senti como todos tentam tirar proveito e enganar o turista passando informações equivocadas. Fiquei triste com a situação e fez meu conceito com a viagem de modo geral cair com relação a Bolivia. Tudo resolvido tomamos um carro por 1,5 soles para ir ao paradero de carros que se vão a Puno. Ao subir no carro e encontrar meu amigo holandês o coitado deu um suspiro de alívio ao me ver que deu até dó .kkk depois de tanto ser enganado e sem falar espanhol, já estava desesperado e sem saber se chagaria a Puno. Dali pegamos outro carro, pagamos 13 soles se não me engano e finalmente, depois de umas 3 horas, chegamos no nosso destino. Me despedi do meu amigo e segui rumo ao terminal para buscar um bus a Arequipa, mas antes, parei em um lugar para comer porque todo o dia só havia comido aquele sanduíche de ovo. Paguei como uns 12-15 soles por um lomo saltado com sopa e uma inca cola. Quase não terminei o prato, acho que meu estômago já havi encolhido kk, fui direto a rodoviaria, comprei minha passagem a Arequipa e segui viagem, saindo mais ou menos as 22:30. Dia 11 Arequipa Ao chegar em Arequipa, fui direto a casa do amigo de couchsurfing que me hospedaria, foi uma boa caminhada e também oportunidade de conhecer um pouco a cidade tão famosa. Depois do café-da-manhã, por indicação do meu anfitrião, fui conhecer a Ruta del Sillar. Me parece que há guias que te cobram para fazer o passeio, mas você consegue chegar lá sozinho e sinceramente, não vale nenhum custo adicional desnecessário. É basicamente o lugar de onde retiram as pedras utilizadas nas construções da cidade e que por sua cor característica recebeu o nome de Sillar e acabou apelidando a cidade como "Cidade branca". tem um ônibus que te deixa na avenida mais próxima e dali você pode pegar um carro ou ir caminhando até a entrada. O bilhete custa apenas 5 soles, lá você encontrará basicamente esculturas moldadas no sillar. Haverá fotógrafos tentando te vender fotos e ali dentro há subseções onde você precisa pagar a mais caso queira ver. Não foi algo que me impressionou, principalmente porque não paguei nenhuma entrada extra. As esculturas são bonitas, mas falta variedade e mais entretenimento, na minha opinião. Mas, se você estiver procurando o que fazer por Arequipa, pode ser uma opção. Dali mesmo peguei outro ônibus para ir ao centro. São dois buses que você precisa tomar, mas é bem fácil e ali todos te informam como fazer. Os ônibus estavam a 1 sol, então é bem barato. Busquei logo um lugar para comer, pois já passava da hora do almoço, encontrei um menu por 11 soles, muito bem apresentado. De entrada uma causa de frango e segundo arroz, lentilhas e um filé de frango. Dali fui explorar o centro histórico. A cidade realmente é bem bonita, principalmente sua praça central (Plaza de armas), com sua catedral gigante impressiona bastante. O mercado central também, apesar de grande, me parece um dos mais organizados que estive. Vale muito a pena se perder por entre as ruas do centro histórico e admirar suas paisagens. Para terminar o passeio, fui ao mirador de Yanahuara. Um lugar bonito e conhecido como um bom spot para apreciar o pôr-do-sol, infelizmente para mim, o clima estava nublado nesse momento, então sem sol para ver se pondo. Mas ainda assim foi bom estar ali. Voltei para casa para descansar e depois de alguns contratempos e uma boa noite de sono, na manhã seguinte arrumei minhas coisas e fui para o aeroporto rumo a minha casa. Aqui terminava minha viagem de praticamente duas semanas e eu já estava desesperado para voltar. Há outros passeios que fazer em Arequipa, como o Canion Colca por exemplo, mas eu tinha tempo limitado. Queria ao menos conhecer a cidade que é bem famosa por ser diferente das outras do Peru. Bom, esse foi meu relato, espero ter ajudado alguém que tem planos de ir a algum ou todos esses lugares. Os desejo boa viagem, sorte e muitas aventuras no caminho. Que Deus o guarde e abençoe sua trip, qualquer coisa estamos por aqui e quem sabe um dia também nossos caminhos se cruzem
  10. Fala pessoal, fico feliz em poder falar um pouco da minha experiência na Patagônia, mais precisamente em Ushuaia, El Calafate e El Chalten, porque sem duvidas esse grupo me ajudou muito a definir meu roteiro. Comecei a planejar essa viagem com mais ou menos 12 meses, principalmente porque fomos em um grupo de 6 pessoas. Alguns compraram as passagens mais em cima da hora, mas a diferença de valor entre os voos dentro da argentina foi de uns +/- 40% para quem comprou com antecedência. Compramos: RJ -> Buenos Aires (Gol) / Buenos Aires -> Ushuaia (Flybond) / Ushuaia -> El Calafate (Aerolineas Argentinas) -> Buenos Aires (Flybond) -> RJ (Gol). Conselho de quem viveu na pele: Os voos internos mudam de horário em cima da hora, principalmente a Flybond, então deixe um intervalo bom entre os voos. Vi essa dica aqui no grupo e optei por essa decisão. Meu voo de volta de El Calafate para Buenos Aires atrasou em 12 horas. Como na escala de volta optei por ficar 1 dia em Buenos Aires, não tive problemas em perda de voo. Meu objetivo era realmente ir no inverno para ter uma experiência com a neve, então saímos do Brasil dia 30 de Julho e voltamos dia 11 de agosto. Não tivemos complicações para entrar na Argentina, todos com passaporte e apenas perguntaram o endereço da casa no Ushuaia e a data de retorno. Levamos uma certa quantidade de dinheiro em espécie (dolar), levei um cartão de credito convencional (sem spread e 3,5% iof) e o cartão da Wise. USHUAIA: Como o grupo era grande, alugamos uma casa (https://tucasaenelfindelmundo.com.ar/), ficava cerca de 10 minutos da cidade e optamos por alugar carro (tiger rent a car) e sem duvidas foi a melhor opção (combustivel é barato, rodamos 5 dias e deu R$150). Chegamos as 10h da manhã de dia 30/07. O pessoal da Tiger já estava esperando. Pegamos o carro, deixamos as malas em casa e fomos conhecer a cidade. Fizemos compras do dia a dia no supermercado LA ANONIMA, optamos por jantar em casa na maioria dos dias porque a comida da cidade deixou a desejar. Raviolli de frango, pizza de mussarela e hamburguer caseiro salvou! - A comida na cidade é cara se você olhar VALOR X ENTREGA. Então, vá sabendo que vai ter que gastar bem para comer e ficar "satisfeito". A melhor experiência que tivemos em nível de sabor foi no Bar Dublin (indicação dos caixas do supermercado LA ANONIMA), um hambúrguer de Cordeiro Patagonico com batata frita R$119. O Chopp de Cerveja na média sai em torno de R$20-30 se aproveitar o happy hour. Se você optar por almoçar e jantar na rua, mais os doces e etc, média de R$250-300 reias pegando leve e comendo pouco caso se aventure nesses restaurantes famosinhos. Choripan na praça (R$30-40), bodegon fueguino (R$80-120) e Bar da Patagonia (R$120-150) foram opções que fui e não curti muito. - Referente aos passeios: 1 dia. Laguna Esmeralda: Estrada tranquila e tem estacionamento. A trilha estava toda com neve e sem duvidas, a laguna congelada. Estava vestido com um conjunto de segunda pele, uma blusa fleece e uma jaqueta impermeavel com calça impermeavel (e senti frio hehehe). A trilha é super tranquila, escorrega aqui e ali mas sem problemas. Minha mulher optou por alugar grampones e bastão mas no fim eu que os carreguei. Foi uma experiencia muito incrivel. 2 dia. Park Austral - Brasileiros em Ushuaia: Optamos por conhecer o park austral, fizemos o passeio de moto de neve e minha mulher fez uma volta com os husky. Eles possuem um transfer próprio da cidade (0800), no parque também tem um restaurante (almoço a vontade R$150 e uma lanchonete ao lado (caro mas o chopp artesanal é top). 3. Cerro Martial - Uma experiencia muito incrivel também, logo que chegamos no martial (0800) começou a nevar, fizemos toda a trilha com neve caindo. Fizemos a trilha sem problemas, um pouco ingrime mas tranquila. Na casa de té comemos um bolo 10/10 e duas empanadas de cordeiro (R$110) e no restaurante do lado ficamos tomando chopp e comendo empanadas (R$30 cada e as empanadas sao melhores que na casa de té). Pra quem já anda de snow ou esquia, vale a pena alugar e andar no cerro martial porque é de graça. 4. Parque Nacional e Trem do Fim do Mundo - Foi muito bom também conhecer o parque, acredito que se não estivesse com neve não teria feito o passeio do trem. Acredito que como alugamos carro, fica mais de boa para visitar, percebemos que uma galera BR que estava visitando de van ficou bem irritada com a pressa da galera do passeio que estavam. No parque nacional para quem é estudante só paga (ARS 7000) e eles são tranquilos. Aproveitei e paguei o trem com os dolares que tinha trazido, na conversão deles estava 1 dolar para 230 pesos. 5. Cerro Castor - Alugamos os equipamentos na Cumbre no centro do Ushuaia (R$200), aconselho a combinar tudo antes porque eles são espertos pra cobrar mais caro. A entrada no Cerro Castor gira em torno de R$600, mas é muito bem estruturado (no meu ponto de vista). Entretanto, o preço das coisas lá para comer e beber são bem caras. Salada de atum R$100 e uma corona R$50. Levamos umas porcarias para comer e deu para aproveitar bem! O parque fica aberto de 10h-17h. Gostaria de ter visitado o Glaciar VinciGuerra mas fica para a proxima. EL CALAFATE/EL CHALTEN Chegamos a El Calafate no dia 05.08 às 15h. Optamos por alugar dois carros devido ao preço elevadíssimo em carros de sete lugares. Ficamos em uma casa cerca de 1km do centrinho, uma casa excelente no meio da "floresta". Na minha opinião, achei o centro de El Calafate melhor que de Ushuaia (não de estrutura mas de acolhimento). Almoçamos e jantamos nos restaurantes Isabel e Bokado Trattoria (10/10 com preço justo: pratos fartos pagando R$100-120 e cerveja mais baratas também hehehe). Também fizemos compras no LA ANONIMA para café da manhã. 6. Primeiro dia fizemos um reconhecimento na cidade, apesar da cidade ser "uma rua", fomos parando nos restaurantes, sorveteria e afins. Compramos o passeio do minitrekking no centro mesmo na Hielo&Aventura. Fim do dia aproveitamos o happyhour da Patagonia. 7. Fomos para El Chalten fazer a trilha do Fitz Roy. Saimos de casa era 6h (poderia ter saido antes), a estrada é super tranquila, paramos no meio da estrada para fazer a tipica foto com o Fitz Roy de fundo e isso atrasou nossa chegada. Começamos a trilha era por volta das 10h da manhã e não tinha ninguém na entrada para comprar o ingresso do parque, portanto não precisamos pagar. A trilha estava completamente cheia de neve e fomos sem grampones e bastões, o que dificultou bastante nos ultimos km, que tem altimetria se não me engano, de 600 metros e estava bem escorregadio. No total, gastamos 8h para fazer a trilha ida e volta, a dificuldade dos últimos km não é de se negligenciar, principalmente no período de alto inverno. Ao contrario do que fizemos, recomendo MUITO utilizar os grampones e bastões, foi uma falha nossa. A experiência foi incrivel, é uma sensação muito boa chegar lá em cima e admirar o Fitz Roy e olhar pra baixo e ver aquela imensidão de neve. Dica: Comece a trilha mais cedo, quando concluimos já estava noite e poderia ter sido perigoso por conta devido ao risco de escorregões, apesar de ainda ter pessoas na trilha. Passe protetor solar, no dia que fomos estava muito sol e deu pra queimar a pele. Assim que encerramos, comemos umas empanadas mesmo na cidade para dar conta de voltar para El Calafate. 8. Optamos por ficar off no dia seguinte depois da trilha do Fitz Roy, acredito que foi o acumulo de dores que sentimos das quedas do Cerro Castor + o desgaste de andar na neve 22km, deu uma quebrada no corpo. Tiramos o dia pra comer e resgatar as energias e andar pela cidade. 9. Acordamos cedo e partimos rumo ao Perito Moreno e pra começar fomos barrados na entrada por conta da carteirinha. Só aceitam se você esteja cursando "graduação" (n entendi também), precisa mostrar mais que a carteirinha, notas, emails e afins. Bizarro, não entendi nada e não quiseram nem conversar. Só diziam que não iam aceitar. Tivemos que comprar o passe integral ARS 45.000. Foi triste. Eu e mais dois amigos fizemos o passeio do Minitrekking. Acredito que apesar de não ser barato, vale muito a experiência caso tenha condições financeiras. Foi uma experiencia incrível. O passeio é em torno de 5h-6h, desde o deslocamento de barco, depois você fica próximo a geleira, tira umas fotos em terra, porém o passeio mesmo em cima da geleira dura aproximadamente 1h em média. Se você pode, super indico a fazer. Minha mulher fez o passeio do Safari Azul, que é tudo isso menos andar na geleira, pagando a metade do preço. Depois do passeio, fomos para as passarelas e ficamos até o parque fechar. Muito bom ficar admirando tudo aquilo ao entardecer. 10. Acordamos cedo para arrumar as coisas e fomos notificados pela Flybond que o voo saiu de 12h para 22h. Infelizmente tinhamos que devolver o carro mais cedo então ficamos la no aeroporto esperando. 11. Chegamos em Buenos Aires de madrugada e logo cedo demos uma volta pela cidade, aconselho quem puder, comprar as souvenir no caminito, porque são mais baratos mas infelizmente já tinha comprado a maioria.
  11. Olá pessoal! Meu nome é Rafaela, tenho 22 anos e cheguei essa semana de uma viagem longa na América Central. Uma das melhores da minha vida e de um local não tão visitado por brasileiros, espero que esse relato inspire vocês a conhecerem . Gostaria de dizer que esse relato, originalmente, foi escrito como um diário. Pedi ajuda de AI para deixar um pouco menos pessoal e conseguir compartilhar aqui. Vou fazer um primeiro post de entrada com algumas informações básicas, umas fotos e depois continuo com os relatos detalhados aos poucos. América Central é o destino de mochilão perfeito: cheio de experiências únicas, cultura indígena incrível, facilidade com o idioma, muitos (muitos!) outros mochileiros e preço bom. Planilha de gastos + roteiro dia a dia aqui Sobre o meu budget: minha meta era 50 dol/dia, mas não me importava tanto assim priorizava experiências, fazia todos os tours que queria. economizava com transportes, andava muito a pé + para longas distâncias transporte público. na guatemala usei shuttles. ficava em hostels mas não escolhia o mais barato, ficava no meio termo. não comi muita comida de rua/típica que é mais barata. comi em muitos restaurantes de comida internacional que são mais caros (sou fresca). extras incluem vistos, lavanderia, algum produto que tive que comprar, taxas de ATM e poucas lembrancinhas Lugares visitados: Mapa interativo aqui México - Bacalar Belize - Caye Caulker + San Ignacio Guatemala - Flores (Tikal) + Lanquín (Semuc Champey) + Lago Atitlán + Chichicastenango + Antígua El Salvador - Santa Ana + Juayua (Ruta de las Flores) + El Zonte + San Salvador Honduras - Copán Ruinas + Lago de Yojoa + Utila + La Ceiba + Roatán + Tegucipalga Nicarágua - León + Granada + Ometepe + San Juan del Sur Resumo da região melhor época: dezembro-abril vistos: nenhum país da região exige visto de brasileiros atualmente. Alguns cobram uma taxa para entrar ou sair. o México não está na américa central, mas geralmente é visitado também e para lá precisamos de visto. segurança: El Salvador é um oásis na região atualmente. Os outros têm índices parecidos com o Brasil. Evitar cidades grandes e sempre estar atento. moedas: Belize, Nicaragua, Honduras e Guatemala é 90% cash only. El Salvador é 20% cash only. Eu usei o cartão nomad e as vezes wise (não funciona na Nicarágua). Highlights: Nadar e sentir as energias dos cenotes no México ($5-$30) Relaxar em um rio lento natural cristalino em Bacalar Sentir arraias nadando do meu lado em Caye Caulker ($0) Ficar no hostel Lower Dover em Belize (fiquei aqui para fazer esse tour abaixo). Propriedade na área rural com animais, rios e trilhas na propriedade, além de ruínas maias privativas ($20 a noite) Tour da caverna ATM em Belize. Nesse tour tive que andar, cruzar rios, nadar e escalar para chegar a um local antigo de sacrifícios maias. Os artigos e esqueletos ainda estão no local do jeito que foi deixado há centenas de anos atrás ($135). Ouvir os animais acordando no tour de nascer-do-sol pelas ruínas de Tikal na Guatemala, ver um pica-pau e ouvir o som dos howler monkeys ($63) Presenciar a tradição de semana santa na Guatemala ($0) Vistas do vulcão do Lago Atitlán, especificamente em um daypass na Casa del Mundo ($6.50) Assistir rituais maias no Cemitério de Chichicastenango ($0) Caminhar pelo vulcão Pacaya ($37) Fazer a “Seven Waterfall Hike” em El Salvador ($10) Comer pupusas em El Salvador ($1) e esquites no México (2$) Nadar em um cachoeira de águas termais em El Salvador ($2) Ver erupções de um vulcão com apenas 200 metros de distância ($225) Fazer curso de mergulho em Utila ($298) Praias piscininha de Roatán ($0) Descer de “prancha” em um vulcão ativo ($35) Conhecer toda a ilha de Ometepe de quadriciclo ($50) Tentei colocar fotos aqui, mas ela sobem totalmente pretas. Vou colocar um videozinho então… copy_ECB2CF22-AA80-41F3-949C-CC86A8900A81.mov É isso, pessoal! Depois volto com relatos mais específicos.
  12. Quanto estava planejando minha Eurotrip, que a princípio só sabia que chegaria e sairia por Barcelona, comecei a considerar muito os países nórdicos, já que estaria passando por lá no inverno, final de janeiro e começo de fevereiro. Por que não tentar ver a Aurora Boreal? Enfim, pesquisando, escolhi Tromso, na Noruega, para caçarmos as auroras. A vantagem de Tromso são as temperaturas amenas se considerarmos que estamos no Ártico. Para vocês terem uma ideia, na noite que fomos caçar a Aurora, estava fazendo 3 graus. Nem Curitiba é assim tão quente numa noite de inverno 🤣. Porém, quanto mais pesquisava, mais ficava encantada com o Ártico. Decidimos também conhecer Rovaniemi, na Finlândia, pois estava viajando com a minha filha de 11 anos e seria uma experiência bem legal ver o Papai Noel da Lapônia, pra ela e para a minha criança interior 🤫. Mas como ir de Tromso à Rovaniemi? Primeiro, desconsideramos ir de avião, pois era caro e tinham conexões longas em alguma capital nórdica. Não podíamos perder um dia inteiro em aeroportos, pois nosso cronograma estava super apertado. Pesquisei ir de ônibus e trem, mas as pesquisas indicavam vários trechos, conexões, muito confuso e demorado. Até que vi um vídeo de uma oriental mostrando um ônibus que ia de Tromso à Rovaniemi direto. Não entendi nada do que ela falava, mas deu pra entender que existia uma linha que fazia esse trajeto. Pois bem, com dificuldade encontrei o site https://www.eskelisen.fi/en/eskelinen-en/arctic-route/ ou o https://bestarctic.com/the-arctic-route/ e descobri que se tratava de uma viagem diurna de 10 horas, passando por fiordes noruegueses e seguindo pela Lapônia Finlandesa. Antes de mais nada, não é uma passagem barata. Custa 183 euros para adulto e 90 euros para criança. Mas a viagem em si foi um dos pontos altos de toda a nossa passagem pela Europa e ficava mais barato do que ir de avião. Saímos de Tromso, às 7 horas da manhã, com o termômetro marcando 0 graus e a temperatura foi caindo vertiginosamente ao adentrar na Finlândia. Chegamos em Rovaniemi já com -20. Sobre a viagem em si, você embarca no ônibus vermelho da empresa The Artic Route no terminal de ônibus e barco de Tromso, e as primeiras estradas contornam os fiordes noruegueses. É lindo demais! Vimos um fenômeno raro conhecido como "cão solar". Só fui entender o que eu tinha visto quando fui pesquisar na internet o que era aquilo que estava vendo. Na fronteira com a Finlândia, você troca de ônibus e só então me pediram os tickets. A partir dali a estrada é um tapete de neve, com pinheirinhos por todos os lados. Parece coisa de filme. Passamos por rios congelados e tudo em volta, absolutamente branquinho. Chegamos em Rovaniemi às 17h30. Já era noite! Jantamos pelo centrinho que estava bem cheio e fomos para o nosso airbnb. Acordamos no outro dia com -26 com passeio programado para a Santa Claus Village. Como as hospedagens em Rovaniemi são muito caras, fizemos a cidade de escala para partirmos de trem para Helsinque. Por isso, só passamos uma noite por lá. Mas valeu muito a pena. Deu pra aproveitar demais o dia que passamos na terra do Papai Noel! Às 21h estávamos embarcando no nosso trem, rumo à Helsinque, para continuarmos nossa viagem pela Europa. E foi isso, parte da nossa aventura. Achei interessante compartilhar porque pouco se fala desse trajeto que é, provavelmente, um dos mais lindo do mundo! viagem_das.w_82764727.mp4
  13. CUSCO E MP Eu gostaria muito de ser aquela pessoa equilibrada que deixa pelo menos um dia “livre” das férias pra arrumar as coisas com calma antes de partir e que volta um dia antes pra descansar e organizar as coisas sabe, mas eu sou daquelas que sai do trabalho e pega o avião no mesmo dia, antes mesmo de sair de férias de fato... e que volta poucas horas antes de começar a trabalhar de novo pra pagar as próximas! Pareço muito aqueles cachorro miserento que sai correndo quando abre o portão! É meu jeitinho. E o mais legal é que quem viaja comigo acaba topando essas maluquices, HAHAUAH (até pq eles não têm opções). 9 DE MAIO – SEXTA (o dia de ir) Trabalhamos todos os adultos até a metade da tarde, os adolescentes fizeram provas a tarde tb, mas deu tempo de tomar um banho antes de correr pro aeroporto! Saímos de LDB com destino a GRU perto das 20h. Chegamos lá cerca de 21h30 os adolescentes queriam muito curtir um tempinho no DUTTY FREE... tb demos uma morgada e nosso voo partiu pra Lima às 3h40 da manhã! 10 DE MAIO – SÁBADO (o dia de chegar) Chegamos em Lima as 7h00 da manhã (2h a menos em relação ao horário de Brasília) e finalmente partimos pra Cusco às 9h50, chegando lá as 11h15. No aeroporto de Lima já fizemos uma boquinha no La Lucha Sangucheria, que é uma rede de sandubas peruanos muito bons! Quando encontrar um, coma, rs! Todos os voos saíram no horário e não tivemos nenhuma intercorrência. Todos estavam com mala de mão e mochilas, exceto eu, pai da Elo e Gui só com mochilas... quem tava com mala de mão teve que despachar sem custo em um ou outro voo, nem lembro mais. Demoramos menos de 1h entre pegar bagagem e passar na imigração, super tranquila, não carimbam passaporte! Fomos de uber pra “casa”, cada corrida (pq tivemos que chamar dois carros) custou cerca de 25 soles. A gente tava bem cansados pela noite virada, mas ainda não era hora de descansar! Deixamos as coisas e partimos desbravar Cusco. A cidade de Cusco é encantadora e caótica, amei muito! Sobre a casa que alugamos no airbnb: ela era bem legalzinha, super funcionou pra gente, mas tem dois pontos negativos – os banhos frios e/ou ruins pra quem ficou na casa de cima e (algo que eu já sabia) ela fica próximo a plaza de armas mas no topo de uma ladeira. Era sempre um sofrimento subir 10 minutos sem ar, rs! Mas ficaria lá de novo, no verão, rs. ... A meta do dia era ir nas agências ver os rolês que queríamos fazer e sacar dinheiro! Eu e Gui tb já queríamos garantir nossa passagem de bus pra Arequipa dali uns dias! Batemos perna pelo centro da cidade, plaza de armas e arredores, e logo fomos almoçar num restaurante famosinho e caro, mas que vale cada centavo, pelo sabor, beleza e combinação dos pratos: o KusyKay. O custo desse almoço por família ficou cerca de 250 soles (puxado). KUSYKAY: Pratos lindos, deliciosos e caros na mesma medida... e super desobedecemos as regras de aclimatação de não beber, rs! Mas vamos para as metas do dia: Sacar dinheiro em Cusco: sacamos 400 soles de cada conta da wise – que consumiu 111,61 USD de cada, numa cotação de 1usd = 3,58 soles. Uma boa cotação... o novo sol peruano tem um comportamento bastante estável frente ao dólar, e pra trocar pela cidade, o dólar in cash, eu encontrei cotações não superiores a 3,62. Levando em consideração que o dólar da wise é mais barato (mesmo com as mudanças de IOF) que o físico, achei bom negócio! Isso falando do Peru, e neste momento em que estive... usar a wise, tanto para saque quanto para pagamentos foi bom. MAS ATENÇÃO: vc tem que sacar num lugar específico... os caixas eletrônicos de Cusco têm fama de “engolir” os cartões da WISE, rs, especialmente os antigos como o meu. Vc tem que ir no “Cajero Banco de la Nación” (este é o único banco que não cobra taxa pra uso do caixa eletrônico) situado na Avenida del Sol com Calle Almagro. Neste lugar não engole cartão, rs! Comprar passagens para Arequipa: esse nosso deslocamento ainda estava longe, mas eu já quis deixar resolvido! Tinha marcado no mapa uma agência autorizada que vende passagens da empresa “Cruz del Sur”, que era a que eu queria pra fazer esse trajeto. Eu me lembro de ter visto o preço das passagens pelo site da empresa mas quis comprar in loco. Ocorre que as agências cobram taxa pra emitir a passagem pra vc, claro. Desta única vez acho que talvez tivesse sido mais econômico comprar pelo site! Pagamos 115 soles em cada passagem (acho que no site era 90 ou 100, mas enfim), e depois conto como foi esse deslocamento. Contratar tours: como eu disse antes, eu tinha feito um filtro de algumas agências... mas por conveniência fui em uma meio perto, super bem recomendada e com ótimas avaliações no google (olhando bem depois, eram poucas e parecem falsas). A Inca Trail Machu Picchu 360. Diziam que o tal do Christian, suposto proprietário da agência, era excelente. O endereço da agência está incorreto no google, mas pelo whatsapp ele me passou o endereço correto. No local da agência dele na verdade funcionam várias, esse lance de agência é bem zuado em Cusco pq os vendedores quase nunca são de fato os operadores. Vc vai fazer o rolê com pessoas que contrataram os tours com outras agências e com outros preços... mas em tese existem “categorias”. O tour em si vai ser o mesmo... vai mudar a qualidade do transporte, do guia e das refeições. Conseguimos negociar pouco com o Christian, mesmo estando em sete pessoas e contratando 4 rolês. Contratamos os seguintes rolês: > Salineras de Mara e Moray + Chinchero – 12 usd pp > Vale Sagrado (Pisaq, Ollanta e Chinchero) – 20 usd pp > Rainbow Montain de quadriciclo – 55usd pp em quad duplo > Laguna Humantay – 30 usd pp Vcs vão ver durante o relato que nosso tour pra Humantay foi cancelado e nosso dinheiro devolvido, e tb que os outros 3 tours foram bons, com guias ok ou muito bons. No entanto, eu não indico a agência pq o Chris MENTE. Pra justificar o preço ligeiramente mais alto ele diz que as vans dele saem com no máximo 14 pessoas (todas saíram com 19, a capacidade máxima), que ele nos buscaria primeiro (fomos os últimos em todos os rolês e nossos lugares na van eram sempre os piores), que nos acompanharia em pelo menos 1 ou 2 tours (não foi em nenhum) e que os tours que envolviam refeições tinha ótimas opções (todas foram muito razoáveis, uma meio ruinzinha). Portanto, não achei que valeu fechar com essa agência. Eu não tive maiores problemas, mas acho que poderia ter pago mais barato em outras. E como o cara é mentiroso, eu não indico real. Vou contar logo mais como foram os rolês e como foi o outro que contratamos com outra agência (Trekking nevado Ausangate e 7 Lagunas). Mas enfim, batidas todas as metas do dia, rs, não me lembro mais o que jantamos, e fomos pra casa descansar pro rolê do próximo dia! 11 DE MAIO – DOMINGO (o dia das mães) Este foi o dia do tour Salineras de Mara e Moray + Chinchero. Nos encontramos com nosso grupo e partimos, o rolê de hoje era de meio dia (parte da manhã). Primeiro passamos no povoado de Chinchero, ponto de maior altitude da rota do dia, onde visitamos um local onde as artesãs teciam com lã de alpaca (muitos produtos) e seus muitos corantes naturais. Foi interessante, mas só vimos isso em Chinchero. Seguimos então pra Moray. O guia que nos acompanhou era bem didático e explicou muitas coisas interessantes sobre as terraças de plantio e como funcionava aquele imenso “laboratório” agrícola do tempo dos inkas! Paisagens lindíssimas! Por fim, visitamos as salineras de mara, que tb foi bem interessante. Todo o processo é bem diferente de outras salineras e salares que já visitei, então curti bastante. Eu to tentando ser mais resumida gente... nunca consigo, mas desta vez vai, rs! Salineras de Maras, Moray e Chinchero Voltamos pra Cusco no início da tarde, demos uma descansada em casa, e depois batemos mais perninhas pela cidade (vários mercados, bairro San Blas e etc) e escolhemos jantar no Pachapapa, famoso pelo CUY CHACTADO, rs, o pobi do porquinho da índia prensado. Somente Gui e Fábio pediram pratos com o porquinho... eu achei gordurento, mas com gosto de frango (experimentei apenas). Meu prato foi de trucha com o melhor purê de batata da minha vida. Restaurante caro (ficou 335 soles por família, dividimos em 2), não achei que super vale apesar de ter comido bem. Vista noturna de Cusco e comidinhas do Pachapappa 12 DE MAIO – SEGUNDA (o dia do vale sagrado clássico) O rolê do dia foi beeeem legal... pegamos um guia super performático hhauaha, que contava a história de seu povo de forma bastante entusiasmada, quase que interpretando um roteiro de teatro, bem legal mesmo. A primeira comunidade do dia foi Pisaq... muita história, sobre os povos pré-incas, inca e depois sobre a invasão europeia e saque da prata local, que segundo o guia é a mais fodona do mundo... andamos muito, subimos montanhas e colinas, o dia de hoje é puxado fisicamente se vc for andar e subir em tudo! Pisaq! Seguimos pra Urubamba onde almoçamos (incluso no tour) e descansamos um pouco, e partimos pra Ollantaytambo. De novo andamos muito, subimos até o fim a escadaria infinita, as explicações foram super interessantes! Ollanta é uma cidade legal demais que pede ao menos um pernoite! Bastante gente inclusive abandona o tour aqui, seja pra já pegar o trem pra MPP, que é bem mais barato partindo daqui, ou pra ficar uma noite na cidade e ir pra MPP no dia seguinte. Ollanta! Não foi nossa opção pq quisemos privilegiar MPP, mas recomendo fortemente ficar em Ollanta... senti falta de poder explorar outros morros que não pude subir, hahauaha! Com o restante do grupo que não permaneceu em Ollanta seguimos então novamente para Chinchero, mas desta vez fizemos um rolezinho histórico tb, com explicações sobre o começo da era colonial e tudo, bem legal. Visitamos um outro centro de artesanato com lã de alpaca, o Patapampa, que é famoso e carésimo, mas é legal aprender a diferenciar as verdadeiras peças de baby alpaca e as falsas, rs! Chinchero. Esta primeira foto ficou tão linda, esse sol, que eu disse que era o morro do "Pacha" do filme a Nova Onda do Imperador, rs! Chegamos já de noitinha de volta em Cusco, acho que comemos petiscos em casa, estávamos exaustos, rs! 13 DE MAIO – TERÇA (o dia da montanha colorida) Fazer uma das montanhas coloridas era uma dúvida pra mim... especialmente essa, a Vinicunca! E pq? Pq as fotos da internet são ultra fotoshopadas, eu tinha receio de chegar lá e achar sem graça. Ainda mais já tendo visitado montanhas coloridas espetaculares no norte da Argentina. Tb tem o lance dos perrengues que tantos colocam nas redes sociais... super lotação, frustração e o mal da altitude pegando forte... afinal passamos dos 5 mil metros no topo dela... enfim. Ainda bem que eu quis ter minhas próprias impressões e não fui na onda dozotro pq EU AMEI ESSE ROLÊ. Entrou pro top 3 dessa viagem! Foi perfeito! Os rolês tradicionais da vinicunca saem bem cedo, tipo 3h30 – 4h da manhã, toma café, sobe o morro todo a pé (ou a cavalo, o que abomino) e frequentemente tem esse lance aí de passar mal e a muvuca. O rolê de quadriciclo custa mais caro, claro (pagamos 55 usd por pessoa pra subir com quad duplo), mas é bem mais confortável... saímos as 6h30 da manhã... tb tomamos café, e a subida de quad foi muito legal. O caminho é super seguro e LINDO... e é separado de quem sobe a pé ou a cavalo, neste caminho sobem apenas quad e motos (acho que tb tem que contratar as motos antes, não é como os cavalos que vc aluga na hora, vc sobe na garupa da moto). A gente chegou lá já a 4400msnm, fez um mini treinamento nos quad, aí sobe um guia na frente e um no fim do comboio. Fomos eu e Gui, JG e Elo, Fabio e Sara e a Ju sozinha. Na volta a Ju desceu com o Fábio e a Sarinha pilotou sozinha seu quad! Paisagens incríveis nesse rolezinho que foi épico! Chegamos num horário magnífico, estava sol e a montanha estava realmente incrível e colorida... e não tinha quase ninguém pq a galera a pé já tinha ido embora... sério, foi 1000 de 10. Vc chega em cima a 5030msnm, aí vc pode ir ver a montanha já da parte baixa ou subir um trecho de uns 10 min pra ver ela de cima, o que recomendo fortemente apesar do esforço pq é uma vista impressionante! Subimos, ficamos um tempo lá em cima, depois descemos. Rainbow Montain sem filtro, apenas com a luz do sol! A Ju, a outra mãe, rs, teve um perrenguinho de falta de ar... foi algo mais de claustrofobia pela falta de ar na verdade, e aí ela precisou de suporte de oxigênio. Mas foi tranquilo, um dos guias colocou 3 min de O2 pra ela acalmar e depois ela desceu numa boa. Saímos de lá e almoçamos no mesmo lugar que tomamos café da manhã... refeições ultra simples mas ok, e voltamos pra Cusco no fim da tarde! Nem lembro de novo onde comemos, rs! 14 DE MAIO – QUARTA (o dia do páro) Neste dia estava programado fazermos a trilha da Humantay, mas já no dia anterior o pessoal da agência informou que haveria um “paro” nacional e que nenhuma agência ia operar. Inclusive passamos na agência e pegamos nosso dinheiro desse rolê de volta pq não ia rolar fazermos outro dia e eu tb tava chateada com a agência como contei antes. Pessoal de casa ficou dormindo, mas eu e Gui fomos bater pernas pela cidade! Andamos muito, tinha bastante coisa fechada, mas fomos ver os protestos de perto! Conversamos com policiais e pessoas na rua, muito simpáticas... um senhor me explicou toda a treta que tá rolando com a atual presidente, pq estavam protestando e etc, foi bem legal. Presenciamos um carro furando um dos bloqueios e a população indo atrás, fiquei tensa achando que ia ter violência, mas não teve... foi bem pacífico, embora tenham dado uma amassadinha no carro e feito o cara voltar kk. Voltamos encontrar com a galerinha de casa de novo e fomos novamente no Kusikay, o restaurante caro e chique, mas ele era de fato bem maravilhoso. Tivemos mais um almoço surreal de bom. Paisagens da cidade e mais um almoço no Kusykay! Aí ficamos mais uma vez andando até de noitão pq no dia seguinte íamos a MPP e o pessoal precisava garantir comprinhas hoje já que não teriam mais dias livres em Cusco. As ladeiras e escadas de Cusco lembram um pouco as de Ouro Preto, só que sem ar, hahauaha! Comemos tranqueirinhas na rua e voltamos pra casa arrumar mochilas de ataque pra MPP. CONTINUA.
  14. Boa tarde, pessoal! Estou voltando do Peru e apesar de não participar muito por aqui, sempre leio as dicas do fórum, então queria contribuir de alguma forma com algumas coisas que podem ajudar outras pessoas. Não vou falar muito de roteiro, queria mais contar algumas coisas práticas que demorei a descobrir, ou que só descobri lá mesmo e foram muito úteis. Dinheiro: Praticamente só usei Wise. O cartão passou na maioria das vezes, mas tem algumas máquinas que parece que não reconhecem. Algumas precisei inserir o cartão, em uma ocasião não passou Wise mas passou o cartão do banco, e umas 2 ou 3 vezes não passou nenhum e paguei com dinheiro. Para sacar, a dica é procurar o cajero MultiRed, que é o ATM do Banco de la Nación, o principal banco peruano, que é o único, até onde sei, que não cobra taxa. Os outros tem taxas absurdas, tipo 30 soles por cada saque. Passagem aérea: Fui de SP pra Lima com a Sky e fiz dois trechos internos, um com a JetSmart e outro com a Latam. Estava com medo das low cost por ter visto muita gente reclamando no trip advisor. Mas pelo menos na minha experiência foi bem tranquilo. Tudo estava dentro dos limites de tamanho no nosso caso, mas eu vi umas mochilas bem grandes que aparentemente estavam sendo aceitas como item pessoal. Nos trechos internacionais, tinha muita fila pra despachar a bagagem no balcão da Sky. Aliás, uma dica bem importante, as filas no aeroporto de Lima (segurança e imigração) estavam gigantes. A gente realmente ficou com medo de perder o voo de volta pra SP, sendo que chegamos 3h antes e não enrolamos nada. Comida: Não tem nem o que dizer, simplesmente maravilhosa, e ainda por cima saudável. Incrivelmente pra mim a truta normalmente era o item mais barato! Clima: Pegamos um clima de frio à noite e que chegava a ser calor de dia, pois era um sol bem forte. Recomendo protetor solar e chapéu! Comprei um lá bem estilo gringa e fiquei bem feliz. Se reparar, vai ver que tem muita gente local de chapéu, e que a estética não é a prioridade! Rsrs. Quanto à altitude, nos adaptamos bem, pois fomos primeiro para Arequipa (2mil e poucos metros) antes de ir para as cidades mais altas. Então nos aclimatamos aos poucos. Mas a dica é não pegar pesado no início, ir com calma pra não passar mal. E se hidratar muito. Ano passado, fomos para a Bolívia nesse período e de todas as questões climáticas a que mais me afetou foi a falta de umidade. Então dessa vez eu fui preparada. Fiquei muito feliz de ter levado o Bepantol Derma e o Maxidrate, para secura nasal. Recomendo demais e acho que essa pequena precaução pode evitar transtornos, pois na Bolívia meu nariz sangrou muito e minha boca ficou tão seca que dificultava dormir. Passeios contratados: Eu costumo viajar de forma bem independente, e normalmente evito qualquer tour organizado, mas dessa vez devido ao tempo achamos melhor contratar alguns tours. Aqui eu vou indicar os que fizemos, o que eu faria diferente e se daria pra fazer por conta própria. Vale/Cânion do Colca: A gente queria sair de Arequipa, dormir um dia no vale e depois seguir pra Puno. Pesquisamos demais. Os tours de 1 dia nós descartamos pois tinha que sair às 3h da manhã. Avaliamos seguir por conta própria mas não senti segurança e fiquei com medo de perder o horário e depois não conseguirmos ir pra Puno. Então fechamos com a empresa Giardino o tour de 2 dias e 1 noite. A gente fechou o hotel por conta própria achando que valeria mais a pena financeiramente mas depois percebi que poderíamos ter simplesmente pego o hotel mais barato incluído no tour padrão deles, que era bem bonitinho (fomos lá no almoço). O tour em si foi ótimo. Guia muito bom, boas paradas, boa comida. Tudo muito bem organizado. Quanto a ir por conta própria, percebemos que teríamos aproveitado bem menos, pois seria um simples transporte até Chivay, sem paradas, e também não sei se existem empresas que você contrata em Chivay pra ir até o mirador e ver os condores. Chivay - Puno: Contratamos esse trecho pela empresa Nativa Express, pois tinha boas recomendações e fazia o trecho com um ônibus, e não uma van. Custou 50 dólares e foi uma viagem bem próxima de um simples transporte. Apesar de ter 3 paradas, são curtas, só para banheiro e esticar a perna. Achei que foi bem tranquila. Recomendo ter algo à mão que possa ser colocado no encosto da poltrona (um casaco ou algo assim), pois apesar de ser bem cuidada e até de couro, tinha uma ergonomia bem estranha! Puno - Uros e Taquile: Esse foi o dia que menos planejamos. Vimos muito pouca informação sobre ir por conta própria conhecer essas ilhas, sempre de pessoas que tinham ido ficar uma noite na ilha Taquile, o que não faríamos. Falava que a saída era às 7h30 e volta da ilha Taquile às 14h, que precisaríamos esperar o barco encher e que tinha uma parada obrigatória nas Uros, de 1h. No fim, decidimos contratar um passeio no hotel pois já estava tarde e achamos que podia não dar tempo de fazer por conta própria nessa janela O passeio foi bem naquele estilo de turismo de massa. Chegamos no porto e tinha inúmeros barcos esperando turistas pra fazer a mesma coisa que a gente (alguns só até Uros). Ficamos com a impressão de que os barqueiros são meio que independentes e que são subcontratados das agências, e que todo mundo faz exatamente a mesma coisa, pois todos faziam tudo no mesmo horário. Ou seja, todos os turistas que querem visitar as ilhas vão exatamente na mesma hora ao invés de espalhar ao longo do dia. Achei muito mal pensado isso. A impressão que tive é que se a gente fosse de forma independente o passeio seria igualzinho, mas que poderia ser difícil achar lugar no barco. Só vimos um casal fazendo de forma independente, e isso porque eles dormiram nas ilhas Uros. Nas ilhas Uros, é aquela coisa super turística que já imaginávamos, com muita venda de artesanatos e um certo constrangimento, pois cada grupo vai em uma pequena ilha (são centenas) e só tem uma família por ilha. O guia que peguei ainda era meio desrespeitoso, falando no celular o tempo todo. Apesar disso, não dá pra negar que é algo único e fiquei feliz de ter ido, mesmo sabendo que já não é algo tão autêntico. Vi comentários online falando que era tudo uma farsa, que ninguém morava lá e etc. Mas acho que não é bem por aí, tanto que tem escolas e até uma igreja evangélica. Mas acho que realmente tem ilhas pequenas que não são habitadas e que as famílias vão apenas para receber os turistas. Talvez eles morem em ilhas maiores, não sei. Quando chegamos nas ilhas Taquile, estava tendo uma festa local e decidimos que não íamos querer participar do almoço que era parte do passeio. Preferimos ficar vendo a festa, o que foi uma ótima decisão, pois todos os turistas sumiram por 1h e ficamos lá vendo a festa local, cheia de danças e claramente algo de grande importância pra ilha. Puno - Cusco: Reservamos esse trecho 2 meses antes, com a empresa Inka Express. Custou 50 dólares. É uma viagem turística, que dura umas 10h, pois para umas 4 vezes. Algumas paradas são para visitar locais com entrada paga. Pra ver tudo, é preciso gastar 53 soles. Mas recomendo muito, foi uma surpresa muito positiva. Inclusive tem uma parada numa igreja a qual o guia se referiu como "capela sistina das américas" e eu não estava esperando grandes coisas, mas é realmente incrível, com uma mistura de arquiteturas, e super antiga. A poltrona era a mesma do outro ônibus que pegamos, então talvez seja um padrão peruano! Colocando um casaco nas costas melhorou muito. Passeios independentes: Catedral de Cusco: se você for na missa, não precisa pagar entrada, que é caríssima, 40 soles. Não esqueça de comprar o boleto turístico para os sítios arqueológicos. Fomos em diversos sítios arqueológicos por conta própria e inclusive sem guia, do que me orgulho bastante! rs. Claro que se você não curte ficar pesquisando muito, recomendo contratar guia, caso contrário você não vai entender nada. Os sítios não tem quase placa nenhuma e quando tem é só com um nome inca, sem explicação. Mas se você gosta de pesquisar e tem paciência, dá pra economizar muito dessa forma. Queria deixar aqui, pra ajudar quem for como eu, algum sites e fontes que foram excelentes pra mim: Sacsayhuaman: Esse sítio é acessível a pé a partir do centro de cusco. https://www.ticketmachupicchu.com/fortress-sacsayhuaman/ Pisac: Fomos e voltamos de van, pegando na Calle Puputi, acessível do centro histórico. 6 soles por pessoa o trecho. Cerca de 1h de viagem. https://www.nickkembel.com/pisac-ruins/ Esse guia é bem legal. Ele tomou o cuidado de indicar as mudanças de caminho ao longo dos anos, mas pra mim teria bastado a indicação do post original dele. Observe que ele fez um percurso que não segue a direção mais comumente utilizada, então você pode optar por seguir o caminho mais intuitivo e indicado pelas setas do parque. Não esqueça de tirar foto do mapa na entrada, que parece ser sempre atualizado. https://misapuntesvadillo.blogspot.com/p/feliz-navidad-2010.html?m=1 Esse post traz muitas informações que o guia do Nick não indica. Importante: o caminho até a Intihuatana não é moleza! Do ponto de vista técnico pode até ser fácil, mas é muito cansativo, ainda mais considerando a altitude. No meio do caminho, tem um túnel curto, mas muito estreito. É bem pitoresco, mas pra algumas pessoas pode ser complicado de atravessar ou até impossível. (Coloquei uma foto que tirei pra dar uma ideia) Ollantaytambo: Fomos de van, pegando na Calle Pavitos, acessível do centro histórico. Acho que foi 10 soles por pessoa. Cerca de 1h30 de viagem. Se for diretamente pra Ollantaytambo, prefira essa van pois parece que o caminho é menor (via Chinchero). Acredito que seja o sítio arqueológico do Valle sagrado mais fácil de visitar. Seguimos outro guia do Nick, que tinha informações básicas, não tão aprofundadas. Mas deu uma ótima noção de orientação sobre os caminhos e permitiu um passeio muito agradável. https://www.nickkembel.com/ollantaytambo-ruins/ Machu Picchu: Primeira coisa, compre seu ingresso com muita antecedência. Eu comprei 2 meses antes e mesmo assim não achei ingresso para o circuito que eu queria. Explico um pouco sobre os circuitos (válido em julho de 2025, mas pode mudar): O 2 é o mais balanceado deles. Permite uma vista de um ponto alto da cidade, bem como percorre os pontos mais tradicionais. Esse é o que eu queria, mas não achei. Porém, observando melhor o mapa, acredito que esse circuito não entra no Templo do sol nem no setor do Rei, apenas vê de fora. Então penso que é algo bem relevante que deve ser considerado. O circuito 3 é um percurso pela cidade, mas que vai apenas na parte de baixo. Permite entrar no templo do sol e setor do Rei, mas não passa pela praça dos 3 templos e nem pela Intihuatana (se bem que hoje ninguém pode entrar na pirâmide da Intihuatana, pelo que entendi). Para ver a rocha sagrada/pedra réplica, oficialmente é preciso ter um ticket que vá para algum dos percursos extras (ex: montanha Huayna Picchu). Mas quando pedi, me deixaram ver! Porém não é garantido. O circuito 1 é apenas panorâmico e não entra na cidade! Ele oferece alguns percursos extras (Puente Inka e montanha Machu Picchu, por exemplo), e permite ver muito bem, de cima, a cidade. O que eu fiz: como eu queria muito entrar na cidade e o circuito 2 estava esgotado, peguei o 3. Porém, percebi que ele não permitia uma vista bem do alto, o que impediria de fazer a tal "foto clássica". Com medo de me arrepender, comprei também o circuito 1 com puente inka, só pra tirar a foto. Mas chegando lá percebi que essa compra dupla foi muito propícia! O circuito 1 permite vistas maravilhosas, e como eu tinha estudado muito, fui identificando os setores do alto, inclusive os que eu não visitaria no circuito 3, então me ajudou a ter uma noção do todo da cidade. O acréscimo da puente inka foi super legal, uma caminhada nos caminhos incas, em meio à natureza, e bem tranquilo do ponto de vista do esforço físico. A ponte em si é bem simples visualmente, mas é legal pensar no contexto dela. Já o circuito 3, realmente não permite ver bem a parte superior da cidade. Se eu não tivesse visto do alto, não entenderia alguns pontos importantes. Mas em relação à "foto clássica" confesso que não achei tanta diferença. O ângulo pode até mudar um pouco, mas dá pra tirar uma linda foto, digna de porta retrato, com a cidade ao fundo e a pessoa super bem enquadrada em primeiro plano. Outra coisa legal foi que a gente ficou muito tempo em Machu Picchu por ter 2 circuitos, o que foi uma experiência bem mágica e excedeu as minhas expectativas. Outra dica importante: chegue na fila do ônibus cedo! Estava gigante e chegamos depois da hora do ingresso no parque mesmo chegando na fila 1h antes. Dá pra comprar pela internet, e não esgota. Os links que usei: https://pt.scribd.com/document/588400391/Guia-de-Machu-Picchu-ANTONIO-ZAPATA-VELASCO Esse guia é maravilhoso. É um livro já antigo, mas que fala dos mesmo pontos que vemos hoje em dia. A diferença é que agora os circuitos estão todos divididos, então não é tão simples se localizar. O ideal é usar dois mapas - um do circuito escolhido e outro do parque todo - e ir procurando os locais no guia. Dê uma olhada nesse site: https://andyroscoe.com/peru/composite/MachuPicchu.html Na Wikipédia de Machu Picchu também tem algumas coisas que ajudam. Alguns pontos importantes que me recordo: a Casa do Guardião, o Templo do Sol, o Setor do Rei/Casa do Imperador, o Setor das Três Portadas, a Rocha sagrada/Pedra Réplica,o Acllahuasi, o Templo do Condor, a Praça dos Três Templos, a Intihuatana, o caos granítico e os andenes. Leia antes sobre eles que isso vai ajudar muito! Também adorei ler sobre o imperador Pachacutec e a construção de Machu Picchu. Saber essas coisas deixa a visita muito mais rica. Maras, Moray e Chinchero: Após conhecer Machu Picchu, pegamos o trem de volta a Ollantaytambo, onde chegamos umas 11h. Para voltar a Cusco, passamos por esses três sitios bem legais. Maras: https://pt.wikipedia.org/wiki/Salinas_de_Maras#:~:text=As salinas de Maras são,na encosta da montanha Qaqawiñay. Moray: https://www.peru.travel/pt/masperu/descubra-moray-um-antigo-centro-de-pesquisa-agricola Chinchero: https://www.ingressomachupicchu.com/chinchero-guia-viagem/ Chinchero é uma cidade que possui um sítio arqueológico bem interessante, pois tem os restos de um palácio inca, numa praça que é usada normalmente pela população, e junto dessas ruínas foi construída uma igreja no século xiv. Essa igreja é belíssima por dentro, mas está em mau estado de conservação. É isso! Espero que essas informações sejam úteis!
  15. Oi pessoal, tudo bem? Depois de visitar o Salar de Uyuni por duas vezes, sendo: Em Abril de 2023 (em época seca) do Atacama para Uyuni em tour coletivo; Em Março de 2025 (época de chuvas) de Uyuni (na real, de Tupiza) para o Atacama em tour privativo. Tirei as seguintes conclusões: 1- Quanto ao sentido do tour Achei pouca diferença no sentido do tour, porém recomendo ir da Bolívia para o Atacama por: 1- ser mais barato; 2- a altitude ir crescendo ao longo dos dias; 3- estarmos menos cansados no Salar de Uyuni, já que é visitado no primeiro dia de viagem. 2- Quanto à tour privativo ou compartilhado Acredito que vai da vibe que você estiver. O tour compartilhado foi muito divertido, a interação foi bacana, conheci gente que até hoje converso, além de ser bem mais barato. O tour privativo te dá mais liberdade e conforto. Gostei das duas formas. Quando fiz compartilhado estava viajando sozinho, então foi bacana. Agora vim com a namorada, e foi muito bom ter o tour privativo. Os tour coletivos geralmente são com 6 pessoas, sendo que duas vão nos bancos adicionais do carro localizados no porta-malas. O carro é preparado para isso, mas não deixa de ser apertado. Por ter 1,90m de altura não tive que viajar no fundo do carro (ufa!). 3- Quanto a época O Salar é incrível nas duas épocas, acho que vale a experiência nas duas. Na época dos espelhos entramos muito pouco no Salar porque o carro tem que andar muito devagar para a água não danificar o veículo e muitos locais são deixados de fora (Isla Incahuasi, por exemplo). Na época seca percorremos vários lugares e chegamos a o atravessar. O visual é incrível em ambas, mas com os espelhos, claro, é mais surpreendente. Recomendo ir nas duas épocas. A época dos espelhos é a época de chuvas, e o Salar muda muito de um dia para o outro. No dia anterior que fui estava com 25 cm de água, no meu primeiro dia lá estava com cerca de 5 cm, e no meu segundo dia lá tinha uma pequena lamina. Além disso tem a possibilidade do dia estar muito nublado. Na época das chuvas peguei uma parte do dia bem fechada e com ventos e, de verdade, não era tão bonito. A beleza dos espelhos ocorre quando existe céu azul com algumas núvens. Tempo fechado fica tudo branco (ou cinza). Além disso, se estiver com vento o movimento da água impede o efeito dos espelhos. Mesmo na época das chuvas você precisará de um pouco de sorte para ver o efeito. Além disso, na época das chuvas nos outros lugares da rota (Deserto Salvador Dali, Deserto Saloli e Reserva Eduardo Avoroa) o tempo estará fechado e o visual não será tão incrível quanto no período seco. Na época da seca você perde um pouco do visual do Salar, por não ter o efeito dos espelhos, mas ganha muito nas outras. É importante destacar que o Salar sem água também é incrível, pois o visual dele todo branco é deslumbrante. Tenho um vídeo de um carro longe correndo no sal, parece desenho animado. A minha recomendação é conhecer nas duas épocas. Se possível, fazer o circuito completo na época seca e fazer o Salar na época das chuvas. Pontos adicionais Diferente do que falam, os passeios no Salar de Uyuni não são todos iguais. Agora aprendi bem sobre a região e vi tem rotas que passam por pontos distintos. Vale a pena conferir a rota que seu tour vai fazer.
  16. Em 07/09/2025 iniciei uma viagem de 21 dias pela Itália com minha namorada (que virou noiva logo no primeiro dia). Nossa primeira cidade foi Roma. Voamos com a ITA Airways, saindo de São Paulo - GRU e chegando em Roma Fiumicino. Nosso roteiro foi esse: Roma (Vaticano) - Florença - San Gimignano - Volterra - Monteriggione - Siena - Pisa - Pietrasanta - La Spezia - Cinque Terre (Riomaggiore, Manarola, Volastra (visita acidental), Corniglia, Vernazza) - Sirmione - Verona - Pádua - Veneza - Ravenna - San Marino - Gubbio - Assisi - Arezzo. Somente Roma - Florença fizemos de trem. O restante foi de carro alugado. Calculamos gastar €120 por dia (€60 por pessoa), excluindo hospedagem. Peguei muita coisa dos relatos do @Rezzende e da @Juliana Champi . Valeu pelas dicas! ROMA: de 07 a 11 de Setembro de 2025 Estada: AirBNB - €704 para 4 noites. Achei caro mas no apto ficava no centro da cidade, 250m do Castelo de Sant’Angelo. Então valeu! Dia #01 - Roma. Domingo, 07 de Setembro de 2025 Nosso voo chegou às 6h50 da manhã. O oficial da imigração pediu o passaporte e perguntou o motivo da viagem. E só. Não pediu pra ver comprovantes de estadia, seguro viagem, nada. Pegamos as malas e fomos procurar onde comprar um chip local. Saindo do terminal 3 e pegando a direita tem o guichê da TIM. Paguei €35 num chip com 150GB de dados, o que foi mais que o suficiente. Tb tinha ligação ilimitada na Itália. Seguimos andando a direita e logo na saída do aeroporto tem umas plataformas de ônibus. Fomos até a do ônibus Terravision que nos deixou em Roma Termini. A passagem custou €7 cada (comprada antecipadamente no www.terravision.eu ). Era 7h40 e nossa passagem estava marcada para às 9h10, mas deixaram a gente embarcar. Depois de uns 40 min chegamos em Roma Termini. Ficamos fazendo uma hora pq nosso AirBNB só estaria disponível 11h (era 8h30). Tem um mercado no terminal e fomos lá pra tomar um café e um cappuccino. O café não tinha 5ml, sério. Em um pequeno gole já se foi. Foram os €1,50 mais mal pagos da viagem. Logo no início da trip já decidimos que nunca mais pediríamos café! O cappuccino custou €3 mas veio uma quantidade decente. "Cheiro" de café por €1,50 Deu nosso horário e pegamos um Uber (que era um táxi) até o apto. A corrida ficou €20 e levou uns 15 minutos. O anfitrião estava no local mas ainda estavam limpando. Deixamos nossas malas e saímos. Era o primeiro domingo do mês então havia muitas atrações com entrada gratuita. Fomos ao Castelo de Sant’Angelo que ficava 250m do nosso apto. Era por volta do meio-dia e o sol estava MUITO forte. Ficamos alguns minutos na fila do castelo mas desistimos. Seguimos andando pelo leito do rio e passamos em frente à Suprema Corte. Cruzamos o rio pela Ponte Umberto I e entramos na BASÍLICA DE SANTO AGOSTINHO. A basílica tinha poucas pessoas mas era muito bonita. Basílica de Santo Agostinho De lá fomos até a PIAZZA NAVONA e entramos na IGREJA DE SANT' AGNESE IN AGONE. A igreja tem altares para vários santos: São Sebastião, Santa Cecília, entre outros. Essa estava mais cheia de gente e tb é muito bonita. Piazza Navona IGREJA DE SANT' AGNESE IN AGONE Voltamos ao apto que já estava limpo e arrumado. Tomamos um banho, pegamos uma sombrinha e resolvemos encarar a fila do castelo. Por incrível que pareça a fila havia diminuído um pouco e a sombrinha foi crucial para aguentarmos ficar uns 15 minutos sob o sol escaldante, até conseguir entrar. CASTELO SANT’ANGELO (grátis no 1º domingo do mês) Logo de cara há uma rampa em espiral gigantesca que te leva para o topo do castelo. Lá dá pra visitar uns salões muito bem decorados e um “mini museu” sobre o Papa João Paulo II. No topo do castelo encontra-se uma estátua de São Miguel Arcanjo, toda feita de bronze. As vistas das torres também são incríveis! Chegada ao Castelo Maquete do Castelo Roupa do Papa João Paulo II Quadro Uma das salas do castelo Vista do Castelo Estátua de São Miguel Arcanjo Deixamos o castelo e paramos para comer um panini (lanche típico italiano) de presunto cru e queijo e tomamos um refrigerante. O local se chama “Salami Dolci”.Estava muito bom e pagamos €10 cada lanche. Mas mal sabíamos que mais pra frente iríamos comer lanches muito melhores. Panini Passamos em um Carrefour Express e compramos coisas para comer e beber (€43). ***DICA: Deixava uma “ecobag” na mochila de ataque para as compras. Os mercados da europa cobram por sacolas plásticas. ***ATENÇÃO: Um dos itens que compramos estava com uma etiqueta de 50% de desconto. Quando cheguei ao apto fui conferir os valores no comprovante e o desconto não foi dado! Então fiquem espertos e confiram os valores conforme os itens forem passando no caixa. Voltamos ao apto e descansamos até o começo da noite. Saímos novamente e passamos pra ver o castelo de Sant’Angelo iluminado. Castelo iluminado Passamos em uma farmácia e compramos 2 potes de álcool gel (€2 cada) ***DICA: Fizemos muitos almoços rápidos, comendo lanche que preparávamos antes de sair do apto. Então o álcool gel foi essencial para limparmos as mãos antes de comer. Passamos em frente ao TEMPLO DE ADRIANO, que tem umas enormes colunas em sua fachada, mas não pode entrar. Seguimos caminhando até a FONTANA DE TREVI. Havia muita gente e uns seguranças controlavam o acesso à fonte, liberando grupos de pessoas aos poucos. Conseguimos entrar, mas é impossível tirar uma foto sua na fonte sem algum turista aparecer nela. Fontana di Trevi Voltamos para o apto e preparamos um macarrão. Jantamos, tomamos uma garrafa de vinho branco e fomos dormir umas 23h. Distância percorrida: 3,63km Gastos: €142,50 (continua)
  17. Pessoal, vou compartilhar o relato da minha viagem incrível pela Patagônia Argentina e espero que ajude alguém, já que sempre consigo dicas incríveis por aqui. Viajei com uma amiga no início de agosto de 2025 e nossa viagem foi: RJ x Buenos Aires x Ushuaia x El Calafate x Buenos Aires x RJ. Dia 04 de Agosto, segunda-feira: Chegamos em Buenos Aires, no AEP, já era noite, por volta das 21h. Muito frio e muito vento. Pegamos um uber e foi bem tranquilo. Nos hospedamos em um Airbnb na Recoleta, que ficava nos arredores do cemitério. Excelente apartamento, muito bem localizado (Peña, 2033). Deixamos as malas e saímos para comer alguma coisa. Comemos em um restaurante de massas, chamado Cuotidiano, em frente ao cemitério da Recoleta e tomamos nossa primeira Quilmes da viagem!!! A comida estava boa, mas não excelente. A massa estava muito, muito ao dente, mas de resto, tudo ok. Andamos de volta pro nosso ap, compramos cerveja no caminho e é incrível como essa cidade funciona bem até tarde, e nos sentimos muito seguras durante todo o trajeto. Dia 05 de Agosto, terça-feira: Acordamos e já fomos pra rua tomar café da manhã. Conhecemos uma cafeteria na Recoleta, chamada Tónico Café, super charmosa. Estava tocando MPB e o café da manhã superou as expectativas. Em seguida fomos ao mercado para abastecer minimamente o ap. Deixamos tudo em casa e fomos bater perna. Andamos até o centro, passeamos pelo Obelisco, andamos pela Avenida 9 de Julho e paramos para almoçar no restaurante Las Cañas, muito bom por sinal. Depois, andamos pela Rua Florida e de lá pegamos um uber até o mercado de San Telmo. Conhecemos o mercado e de lá andamos até Puerto Madero, onde sentamos para tomar um chopp geladinho, apesar do frio que estava fazendo. Tomamos um chopp no restaurante Juan Bautista Parrila, mas não gostamos do atendimento, então fomos para o bar chamado Boleo, que gostamos bastante. Voltamos de uber pro nosso ap, exaustas de tanto andar, rs. Nesse dia pegamos umas empanadas e comemos com o resto da massa que tinha sobrado do jantar de ontem. O dia foi cansativo, porém incrível, exatamente como queríamos! Dia 06 de Agosto, quarta-feira: Iniciamos o dia na busca por sacar dinheiro, pois não queríamos chegar em Ushuaia sem dinheiro em espécie. Que saga. Andamos muito, tentamos de tudo, mas não conseguimos. Almoçamos uma pizza deliciosa num bar próximo ao cemitério, chamado Nane e seguimos passeando. Resolvemos andar até Palermo para passear e tentar sacar dinheiro de lá. Conhecemos o Jardim Botânico de Palermo e andamos muito pelo bairro. Não conseguimos pegar dinheiro, rs. Voltamos a pé para a Recoleta, sim, a gente anda pra caramba kkkkk Tomamos um sorvete no Freddo e depois sentamos pra tomar um chopp num bar na praça do cemitério, chamado Blest. Retornamos pro nosso apartamento e ficamos batendo papo e planejando o que faríamos no dia seguinte. Consegui entrar em contato com uma agência de brasileiros e fechamos o transfer pro Aeroporto no dia seguinte e eles fizeram o câmbio pra gente. Não foi o cenário financeiro mais favorável, porém resolveu nosso problema, rs. Isso resolvido, fomos descansar pro dia seguinte. Dia 07 de Agosto, quinta-feira: Logo cedo já deixamos tudo organizado e saímos para passear pela Recoleta. Fomos andando até a incrível faculdade de direito e em seguida à Floralis Genérica, voltamos pro nosso ap e partimos com o transfer pro Aeroporto AEP para pegar nosso voo para o tão sonhado Fin Del Mundo. No AEP fizemos o check-in, despachamos as malas e fomos comer no Mc Donalds. Que perrengue!!!! A máquina de auto atendimento bloqueou dois cartões nossos, e isso fez uma diferença muito grande (negativa, claro), no nosso planejamento. Mas, perrengues à parte, pegamos nosso voo rumo ao sonho de conhecer Ushuaia. O voo foi um pesadelo, quase 4h de duração, pessoas mal educadas e barulhentas, mas enfim chegamos. O Aeroporto de Ushuaia é lindo demais, todo em madeira, um encanto! Chegamos lá a noite, então não tivemos aquele impacto da vista, mas nada tirou o brilho de chegar nessa cidade incrivelmente linda! Pegamos um uber e fomos para nossa hospedagem, um airbnb. O Apartamento ficava mais afastado do que tínhamos imaginado (Av. Hipólito Bouchard, 691). Em Ushuaia é ideal se hospedar nas proximidades da rua principal, que é a Avenida San Martin, pois a partir dela, tudo é subida. Tipo muita, muita subida. Nosso apartamento ficava cerca de 5 ruas acima dessa avenida, então, para variar, andamos muito. Deixamos as malas no apartamento e fomos andando até o mercado para abastecer. Tivemos que andar com cuidado, pois tinha gelo na rua. Na volta, optamos por pegar uber, pois era muita subida. Dia 08 de Agosto, sexta-feira: Acordamos cedo para aproveitar o dia ao máximo. Como era inverno, o dia amanhecia por volta das 09h. Tomamos café da manhã e fomos a pé até o centro. Nada nos preparou para as vistas que tivemos no caminho, juro. As montanhas nevadas ao nosso redor são simplesmente surreais de lindas! Nesse primeiro dia, passeamos pela orla, a famosa Avenida Maipu, tiramos muitas fotos e lá mesmo, nas casinhas coloridas reservamos o passeio de barco do Canal Beagle para a parte da tarde. Isso feito, fomos passear na Avenida San Martin. Resolvemos entrar na agência de turismo Brasileiros em Ushuaia para fazer cotação dos passeios. Fomos muito bem atendidas e resolvemos fechar os passeios todos com eles, pois já tínhamos ideia dos preços e achamos os valores bem razoáveis. Com essa parte resolvida, fomos almoçar num restaurante que gostamos muito e valeu super a pena: La Casa de los Mariscos. Passeamos mais um pouco e fomos para o passeio. Ouvimos diversas opiniões sobre esse passeio, algumas pessoas dizendo que não era legal, que não valia a pena, então estávamos sem saber o que esperar. Mas nós amamos o passeio, faria novamente sem dúvidas, é simplesmente lindo demais, vale muito a pena! No trajeto passamos pela Ilha onde tem vários leões marinhos, além de uma ave que de longe parece pinguim, cujo nome é cormorão-imperial. Passamos também pelo Farol do Fim do Mundo, que é lindo e rende boas fotos! Muitas pessoas reclamam do cheiro forte da ilha dos leões marinhos e da ilha do Farol, que também tem os mesmos animais, mas sinceramente, não achei nada demais. Claro que onde tem animais selvagens, tem cheiro né, mas nada que prejudique o passeio, na minha opinião. No final da tarde retornamos do passeio e fomos bater perna na Avenida San Martin, entramos em lojinhas, lanchamos em uma cafeteria dentro de uma galeria, compramos lanche para o passeio do dia seguinte, passamos no mercado La Anonima, que fica nessa mesma avenida e voltamos pro nosso apartamento. Resolvemos voltar andando e foi terrível kkkk andamos igual dois camelos, não recomendo rs Dia 09 de Agosto, sábado: Acordamos bem cedinho e fomos para o ponto de encontro da agência, local de onde saem a maior parte dos passeios. Nesse dia fizemos o passeio ao Parque Nacional Tierra Del Fuego. Pegamos o ônibus e só tinha Brasileiro rs O passeio é lindo demais, o parque é sensacional, enorme, a guia muito boa, explicando tudo no caminho, simplesmente demais! Fizemos pequenas trilhas pelo parque, tiramos muitas fotos lindas e fomos para a parte do parque onde pegaríamos o trem. Sim, o famoso passeio do Trem do Fim do Mundo. O trem é lindo, muito confortável, e durante o passeio a gente recebeu um fone de ouvido, e pudemos ouvir a história do trem em português. Achei o passeio lindo e considero imperdível, sinceramente. É uma experiencia única. O parque não fica longe do centro de Ushuaia, então esse passeio todo levou metade do dia. Na hora do almoço estávamos de volta, e por dica da guia, fomos almoçar no restaurante El Turco. Comida bem gostosa, bem preço, atendimento bem ruim. Nesse dia teria um evento no Glaciar Martial que queríamos muito assistir, então após o almoço, andamos até a placa de Ushuaia, tiramos fotinhas e pegamos de lá mesmo um uber até o Glaciar, que fica a uns 15/20 minutos do centro. O Evento em questão era a Bajada de Antorchas, que vimos pela internet e achamos muito interessante. Chegamos no Glaciar e o lugar é lindo, lindo!, a casinha de chá e as lojinhas são verdadeiros cenários de filme. Lá dentro tem uma cervejaria e claro q ficamos por lá até começar o evento. Tomamos umas cervejas bem gostosas e quando o evento ia começar, por volta das 20h, subimos para ver. Que decepção! Não dava para ver absolutamente nada! Tentamos de tudo, tentamos de todos os lugares, mas nada. O local estava muito cheio e começamos a ficar com receio de não conseguir condução para voltar, então resolvemos ir embora antes do final do evento. Aí começa o perrengue. Fecharam a estrada por conta do evento e não subia nem taxi nem uber. Voltamos para a cervejaria e nos falaram que a via somente seria liberada após o final do evento, ou seja, às 06h da manhã. Então, decidimos voltar andando até o ponto que poderíamos chamar um uber. Começamos a descer pela estrada, pois na calçada tinha muito gelo. Tinha mais uma brasileira conosco, ela estava viajando sozinha e passou pelo mesmo perrengue que nós. Conforme íamos descendo, percebemos que várias pessoas estavam fazendo o mesmo. Brasileiros, todos brasileiros, rs. No caminho entramos em um hotel grande, onde tentamos chamar um taxi, porém a via ainda estava fechada e nem carro ia subir. Continuamos a descer a pé. Resumindo: 15 minutos de uber viraram 2h de caminhada até o centro de Ushuaia. Muito cansativo, mas levamos de boa, fomos rindo e acabamos nos divertindo com o contratempo, afinal, era a viagem dos sonhos e não seria isso que estragaria o passeio! Chegando no centro, pegamos um uber e fomos para casa, finalmente, as duas mortas com farofa kkkk Dia 10 de Agosto, domingo: Acordamos muito cedo, pois o carro da agência nos buscaria no apartamento para o passeio com o 4x4. Esse passeio incluía almoço e duraria metade do dia. Pensem num arrependimento... O passeio é muito, muito ruim. O motorista força a barra pra ficar sacudindo o carro, tentando dar mais emoção ao passeio, mas isso apenas tornou tudo mais constrangedor, só tinha brasileiro no nosso carro e ninguém curtiu. No meio do passeio, à beira do lago, serviram queijos, petiscos e vinho. Voltamos para o carro, para mais momentos constrangedores e finalmente fizemos a parada para o almoço. Almoço de razoável para dispensável, sinceramente. No retorno, ficamos no Park Austral para curtir o resto do dia. Aí foi só sucesso, finalmente! O Park é muito lindo, vale muito conhecer e fazer aas atividades que eles oferecem. Os funcionários são muito legais e dispostos a ajudar no que precisamos. De primeira fizemos o passeio de quadriciclo. Sensacional, muito legal mesmo, veículo fácil de conduzir, paisagens de tirar o fôlego. Em seguida fomos fazer o passeio de motonove. Nesse passeio, precisamos andar cerca de 10 minutos para chegar até o local. Nesse caminho é necessário ter muita atenção, pois tinha muito gelo e toda hora alguém escorregava. Mas foi muito divertido, a moto é pesada para conduzir, mas logo a gente pega jeito. Nesse local, fica o espaço para fazer o skibunda. Nós compramos, porém não tivemos coragem de descer, pois tinha mais gelo do que neve e ficamos com medo de fazer alguma lesão que prejudicasse o resto da viagem. Na volta brincamos na neve, tiramos foto e voltamos para o início do parque. Em seguida, fizemos uma caminhada com raquetes, que são um equipamento que acopla na bota para poder caminhar na neve sem afundar os pés. Vimos uma outra parte do parque, onde tinha bastante neve e foi realmente muito legal. Tivemos a oportunidade de ver cavalos selvagens, que são lindos! Voltamos para o centro de Ushuaia com o transfer do Park já no início da noite e ficamos andando pelas lojinhas, compramos um lanche e voltamos pra casa. Dia 11 de Agosto, segunda-feira: Acordamos um pouco mais tarde, pois tiramos esse dia para curtir o Park Austral novamente, e não tinha necessidade de madrugar. Fomos caminhando até o ponto de encontro da agência e pegamos o ônibus deles até o parque. Como tínhamos uma refeição incluída, almoçamos por lá e a comida era bem mais ou menos, mas deu pro gasto, rs. Ficamos ali pelo parque curtindo o local, e depois fomos para o outro lado do parque descer com as boias. É muito divertido, tanto para adultos como para crianças, bem legal mesmo, adoramos. Voltamos para o centro do parque e ficamos tomando uma cervejinha até dar a hora de fazer o passeio de motoneve à noite. Como eu já tinha falado antes, o caminho é perigoso, pois tem muito gelo e as pessoas escorregam. Minha amiga infelizmente levou um tombo e machucou o braço. Mas ela não se abalou e apesar da dor, seguimos para o passeio. Foi meio tenso, confesso, pois ficamos com medo de cair o tempo todo, já que fica muito escuro. O parque deveria oferecer grampones para colocarmos nas botas, ou mesmo as raquetes, para evitar que as pessoas caiam. Inclusive falei isso com o funcionário responsável que estava lá, mas não sei se adiantou muita coisa. Na volta, comemos um fondue com vinho no parque mesmo, que estava incluído na experiência. Estava bem gostoso, mas infelizmente minha amiga estava com muita dor. Quando voltamos para o centro de Ushuaia, a van nos deixou no hospital. Lá, ela foi rapidamente atendida e preciso dizer que o atendimento foi muito bom. Ela tirou uma radiografia, que a princípio não apontou nenhuma fratura, então fomos pra casa e vida que segue. Deixamos tudo arrumado, pois no dia seguinte, à tarde, pegaríamos o voo para El Calafate. Dia 12 de Agosto, terça-feira: Terminamos de organizar tudo e fomos para o centro fazer comprinhas. Não medimos muito bem o tempo, e acabamos fazendo tudo meio que correndo, mas conseguimos dar conta. Rs Como não daria tempo de sentar e almoçar, pegamos uma pizza no Big Pizza e levamos para comer no apartamento. Pizza muito gostosa e no precinho camarada, super recomendo. Fomos para o aeroporto com transfer da agência, que a Paula conseguiu para nós, em compensação por algumas atividades que pagamos e não fizemos no parque, bem como pelo tombo que minha amiga levou. O Aeroporto de Ushuaia fica próximo á cidade e logo chegamos. Momento de despedida dessa cidade linda que ganhou nossos corações. Obrigada Ushuaia, valeu cada minuto, superou muito as expectativas e deixou um gostinho de “quero mais”!!!! Pegamos nosso voo para Calafate e ficamos estrategicamente do lado esquerdo do avião. Nosso voo foi no meio do dia e posso falar que é um passeio extra. É lindo demais esse voo, recomendo programar para durante o dia, pois a viagem é linda. A vista da cordilheira toda nevada é algo que não dá pra explicar! Chegamos em El Calafate cerca de 1h depois, é bem rapidinho mesmo. Chegamos com o dia claro ainda, e pegamos um taxi no aeroporto. Lá não tem uber e como não tínhamos programado transfer, não teve alternativa. O Taxi cobra valor fechado e todos cobram o mesmo valor, pelo que entendi. Não foi barato, custou cerca de R$140,00 por pessoa. Nossa hospedagem, um apartamento de airbnb, ficava muito bem localizado, numa rua paralela à avenida principal da cidade, a Avenida Libertador. O apartamento era uma graça, todo equipado. Deixamos as malas e fomos pra rua. Fomos ao mercado La Anonima, na avenida principal e nos abastecemos. Depois fomos até a agência Brasileiros em El Calafate, onde fechamos o transfer para o aeroporto, que ficou bem mais em conta do que o taxi. Fomos bater perna, comprar lanche para levar para o passeio do dia seguinte e passeamos muito pelo centrinho. Lá é bem pequeno, mas o lugar é lindo. Andamos pelas inúmeras lojinhas e fomos comer no restaurante indicado pelo atendente da agência, o Bokado Tratoria. Maravilhoso. Eu comi uma lasanha de legumes, minha amiga comeu uma carne. Pratos fartos, preço justo, ainda levamos metade da comida para casa, pois vem muita coisa. Eles servem um bolinho de cortesia, não sei de que é, mas é muito bom. O restaurante ficava em frente ao nosso apartamento, o que foi muito bom, pois estava muito frio. Dia 13 de Agosto, quarta-feira: Acordamos bem cedinho, ainda estava escuro e fomos até a agência Hielo & Aventura, de onde pegaríamos o ônibus para ir até o Parque Nacional Los Glaciares. O trajeto até o parque levou creca de 1h e foi bem tranquilo. Já no parque, fizemos o check in na bilheteria e fomos até um mirante, de onde pudemos avistar o incrível Perito Moreno pela primeira vez. Partimos então para o barco que nos levaria até o ponto de saída do trecking. Chegando no local, deixamos nossos pertences e tinha água e café. Todos organizados, seguimos para o trecking. O trecking é bem tranquilo, inicialmente andamos entre umas pedras e um terreno meio rochoso, mas bem leve o percurso. No inverno só temos que tomar cuidado com o gelo para não escorregar. Paramos em uma espécie de praia, com uma areia preta e diversos pedaços que se desprendem do glaciar, e que rendem ótimas fotos. Seguimos a caminhada até uma espécie de mirante, de onde também tiramos lindas fotos com o glaciar de fundo. Após isso, chegamos no local onde colocamos os grampones nas botas para iniciar a caminhada sobre o gelo. Andar com os grampones é super fácil, não é pesado e dá muita segurança. Aí começa a melhor parte, o trecking no Glaciar Perito Moreno. Não tem como descrever, foi a coisa mais incrível que já fiz na vida, nunca vi nada tão lindo. O trajeto é muito tranquilo, muito seguro, os guias são ótimos. No caminho paramos para tomar água do glaciar, que por sinal é bem gostosa. Paradas para fotos e mais histórias dos guias sobre o Glaciar e seguimos até o ponto onde servem whiskey e/ou água com gelo da geleira, q eles tiram na nossa frente. É bem legal, uma coisa bem diferente. Depois disso começamos a descer o glaciar, ou seja, o passeio estava acabando. A sensação que tive foi que andamos mais até chegar ao glaciar, do que propriamente nele e isso foi um pouco frustrante, mas faria esse passeio mais mil vezes. Esse passeio foi o mini trecking. Talvez o Big Ice (que estava fechado quando fui), seja mais completo e não dê essa sensação. Mas deve ser mais puxado também. Uma observação: durante a caminhada no gelo, não podemos tirar as luvas em momento nenhum, então isso pode dificultar par quem vai tirar fotos exclusivamente com o celular (meu caso). Burlei a regra da luva algumas vezes para não ficar sem fotos, claro. Dica: não faça esse trecking com roupa muito quente, pois andamos o tempo inteiro e acaba ficando calor, mesmo no inverno! Tiramos os grampones e fizemos a caminhada de volta ao refúgio, onde teríamos 1h para comer o lanche que levamos. Atenção para o fato de que se você não levar seu lanche, não vai comer, pois nesse refúgio não tem nada para vender, apenas mesas e banheiro. Comer olhando para o glaciar foi sensacional, cada detalhe faz parte dessa experiência única. Após, retornamos ao barco e pegamos novamente a van da agência, que nos deixou nas passarelas. Tivemos um tempo para andar pelas passarelas, que tem diversos caminhos, todos muito bem demarcados. Das passarelas temos uma visão mais ampla do glaciar e é muito impactante. Como fomos no inverno, não estava lotado, mas tinha bastante gente. No verão, deve ser bem difícil circular por ali. Nesse dia de passeio, conhecemos o lado sul do Perito Moreno, que fica de frente para as passarelas. Das passarelas é possível ver e/ou ouvir quando um pedaço de gelo se desprende. Não aconteceu com a gente, rs. No inverno é mais incomum. No ponto de encontro da van tem uma cafeteria e uma lojinha, olhamos, mas tudo realmente bem caro, rs. Voltamos a El Calafate, percurso rápido e tranquilo. Passeamos pelo centro, andamos pelas lojinhas e pela feirinha de artesanato, que é pequena mas tem muita coisa legal. Resolvemos comer novamente no Bokado Tratoria, pois a comida é muito boa e o preço também. Não demoramos, pois estava muito frio e logo fomos embora, pois no dia seguinte também tinha passeio cedo. Dia 14 de agosto, quinta-feira: Acordamos bem cedo, pois a van da agência nos buscaria em uma pousada em frente ao nosso airbnb. Fechamos esse passeio com a civitatis e só tenho elogios, super profissionais, deu tudo certo. Fomos com a van até o puerto La Soledad e pegamos o barco do passeio. Esse foi o passeio: Barco e Trilha pelo Parque Nacional de Los Glaciares com almoço. Navegamos pelo belíssimo Lago Argentino e fomos passando inicialmente por diversos pequenos glaciares e por pedaços de gelo que se desprendem dos glaciares maiores. Lindo demais. Passamos literalmente por todos os glaciares da região: Glaciar Seco, Glaciar Heim, e Glaciar Spegazzini, que é super alto e imponente. Venta demais no lado de fora do barco e é quase impossível aguentar ficar lá. Apesar disso, todos ficam, pois o visual é de tirar o fôlego. Depois, navegamos até Puerto de Las Vacas, descemos do barco e fizemos uma trilha. Na verdade foi uma caminhada bem, bem leve, com paradas para fotos e ouvir a história do local. Durou mais ou menos 40/50 minutos e voltamos ao barco. Voltamos para o barco e seguimos em direção ao Glaciar Upsala (terceiro glaciar mais extenso do hemisfério sul). Depois de algum tempo admirando esse presente da natureza, seguimos viagem. Nesse momento, serviram o almoço. Optamos pela opção vegetariana, que consistia em um sanduíche enorme e muito bem recheado, uma delícia mesmo. Vieram também dois tomatinhos cereja e dois pedaços de pão, que também estavam bem gostosos. Para acompanhar, serviram uma taça de vinho e de sobremesa, um delicioso mousse de doce de leite com calafate. Divino. Após o almoço, seguimos em direção à parede norte do Glaciar Perito Moreno. É lindo, impactante, emocionante. Sem palavras para descrever essa experiência. Nos despedimos do Perito Moreno e voltamos ao porto para pegar a nossa van. Já em El Calafate, resolvemos andar pelas lojinhas do centro e fazer nossas comprinhas, já que iríamos embora no dia seguinte. Paramos em um restaurante de massa próximo à agência, na Avenida Libertador, Buenos Cruces Pasta Bar. Não comemos lá, apenas tomamos uma cerveja. Acabamos conhecendo um grupo de brasileiros muito gente boa do RJ, Friburgo. Eles comeram lá e gostaram muito, mas acharam caro. Voltamos ao apartamento e deixamos tudo organizado para aproveitar o ultimo dia na Patagônia Argentina. Dia 15 de agosto, sexta-feira: Fizemos o check out no apartamento e deixamos nossas malas na agência Brasileiros em El Calafate, pois sairíamos de lá para o aeroporto. Andamos pela Avenida Del Libertador, entramos na Intendência Parque Nacional Los Glaciares. É pequeno, mas bem conservado e bem bonito. Provamos o sorvete de Calafate. Sensacional, que frutinha gostosa! Almoçamos no Big Pizza e voltamos para a agência. O trajeto até o aeroporto levou uns 20/30 minutos. A sorte foi que chegamos cedo, pois a fila estava gigantesca. Check in feito, tudo certo, hora do até logo Patagônia. Sim, até logo, pois será difícil não voltar aqui! O voo para Buenos Aires foi tranquilo. Pegamos uber até o airbnb na Recoleta e foi tudo tranquilo. Fomos ao mercado para abastecer um pouco e na volta sentamos no restaurante Mala Cara para jantar. Comemos um nhoque recheado que estava delicioso, aprovado! Dia 16 de agosto, sábado: Tiramos o dia para comprar os vinhos que queríamos, então nos preparamos para bater perna mesmo! Andamos pela Recoleta inteira e acabamos encontrando um chino que estava com preços muito bons. Seguimos até a feirinha da Recoleta e adoramos, andamos muito por lá e fizemos até umas comprinhas. Resolvemos almoçar em um restaurante com aparência duvidosa e não deu outra... terrível kkkkkk, mas valeu a experiência rs Na volta, pegamos os vinhos e seguimos para casa. Tínhamos escolhido um bar secreto para conhecer, e fizemos cadastro ainda no RJ. Sim, eles pedem para fazer cadastro no site e somente depois do cadastro, te mandam o endereço. O nome do local é El Purgatorio. Sim, você literalmente precisa ser aceito no purgatório. Como a reserva já estava feita, fomos lá conhecer. Para entrar você tem que falar uma espécie de código ou palavra-chave, sei lá, mas entramos. A decoração do lugar é demais, um purgatório mesmo. Fomos direcionadas à mesa principal. Sim, no meio do bar tem uma mesa gigante, onde pessoas que nunca se viram na vida sentam juntas e incrivelmente, funciona. Uma garçonete veio nos atender e tirou as cartas, como se fosse um jogo de tarô, para q tirássemos na sorte o drink que íamos experimentar. Topamos e foi bem divertido. Mas infelizmente os drinks não estavam bons e eram caríssimos. Passamos rapidamente pra boa em velha cervejinha. A noite, de forma geral, foi bem agradável, o bar não é barato, longe disso, mas acho que vale conhecer. Dia 17 de agosto, domingo: Último dia dessa viagem incrível, tão sonhada e tão planejada! Como não podia deixar de ser, passamos o domingo na feirinha de San Telmo. Estava chuviscando, mas deu para andar tranquilamente e ver a feira toda. Fizemos ótimas comprinhas de ultima hora. Vale dizer que os preços não são absurdos, de forma geral. E muitas barracas aceitam pix, o que ajuda muito. Almoçamos no restaurante Impasto (Defensa 588). Restaurante lindo, elegante, excelente atendimento, comida deliciosa, com direito a entradinhas (caldo e pães). Não preciso falar que os pratos vêm super bem servidos, né. Eu comi metade, minha amiga também, levamos o resto para comer antes de ir para o aeroporto. Achamos o preço bom, principalmente considerando a experiência completa. Voltarei com certeza, meu favorito em CABA até agora. Andamos mais um pouco pela feira e voltamos ao apartamento para arrumas as malas. A ida para o aeroporto (AEP) foi tranquila e rápida, de uber. A Argentina mais uma vez nos recebeu de braços abertos e nos surpreendeu com paisagens fenomenais e experiências inesquecíveis!
  18. Oi, gente! Tudo bem por aí? Vim aqui deixar minha contribuição pra quem tá pensando em explorar um pedacinho da Bolívia. Fiz essa viagem em agosto de 2024 com meu namorado e já aviso: somos do time que viaja de forma econômica, mas sem abrir mão de boas experiências. Vou dividir nosso relato em alguns posts pra não ficar muito longo, beleza? E, claro, fiquem super à vontade pra perguntar o que quiserem — vou adorar ajudar no que puder! 🙂 Pra começar, nosso itinerário foi: Maringá/PR -> São Paulo (GRU) -> Buenos Aires -> Santa Cruz de La Sierra -> La Paz (Buenos Aires entrou no caminho por conta de um voo cancelado pela Gol... sim, já começou com perrengue rs) 1ª parada: La Paz Ficamos hospedados em um Airbnb na Av. 6 de Agosto. A localização era boa — segura e com comércio por perto — mas um pouco distante do fervo da Calle Linares. Nada que uma caminhada não resolvesse, já que exploramos bastante a cidade a pé e usando o transporte público, principalmente as vans locais (que são uma atração à parte!). Uma das surpresas da viagem foi descobrir que comer fora sai bem mais em conta do que fazer compras no mercado e cozinhar em casa. Só que, claro, é importante escolher bem os lugares. Antes de viajar, li muitos relatos de intoxicação alimentar — então a gente foi bem seletivo nos restaurantes e não tivemos problemas (ufa!). O café da manhã a gente fazia no apê (com os maravilhosos pães da Bolívia), mas as outras refeições valiam muito mais a pena na rua. Usamos bastante o Google Maps pra achar restaurantes com boas avaliações e preços justos. Um dos nossos preferidos foi o The Lucky Llama Irish Bar, onde almoçamos e jantamos algumas vezes. Super recomendo! Sobre a altitude de La Paz e os efeitos no corpo. Olha, eu não senti quase nada. Mas meu namorado... sofreu um pouco com dor de cabeça. Nada grave, mas foi incômodo. Levamos Advil e também compramos as famosas sorojchi pills em uma farmácia local — mas, no fim, o Advil foi mais eficiente pra ele. Sobre passeios nos arredores, fizemos Nevado Charquini com Laguna Esmeralda. Esse foi, com certeza, um dos pontos altos da viagem. O caminho até lá já é de tirar o fôlego (literal e figurativamente). A estrada é toda ladeada por montanhas e a vista do Huayna Potosí durante o trajeto é simplesmente majestuosa. Chegando na base, os veículos param num estacionamento com banheiros, e de lá começa a trilha. São 4,26 km (ida e volta), que fizemos em cerca de 1h20, com várias paradas pra respirar, tirar fotos e admirar o visual. Foi nesse momento que a altitude me pegou: senti um baita enjoo durante a subida. Ainda bem que o guia tinha avisado pra levar chocolate e Coca-Cola, que acabaram salvando o rolê. Fica a dica! E valeu cada passo. A Laguna Esmeralda é surreal de linda — uma das paisagens mais incríveis que já vi. Se você curte trilha e natureza, vai fundo! Além da trilha, aproveitamos bastante o que a cidade tem a oferecer. Fomos até o Mirador Kili-Kili, passeamos de teleférico (que, aliás, é o transporte público mais estiloso que já usei), passamos pela charmosa Calle Jaén, entramos em várias lojinhas... e sim, fiz comprinhas: blusa de inverno com lhamas, camiseta, boné e um ímã — o básico de turista feliz 😄 La Paz é caótica, sim. Mas também é vibrante, cheia de vida e cheia de surpresas. Super recomendo separar uns dias pra curtir a cidade com calma e caminhar bastante, mesmo que devagarinho por causa do risco de sorochi kkkk Nosso próximo destino foi Copacabana, mas isso eu conto no próximo post! Até lá! ✈️
  19. Olá, galera! Retornei recentemente de uma viagem incrível pela Patagônia Argentina e Chilena, onde visitei El Calafate, El Chaltén, Puerto Natales, Punta Arenas e Ushuaia. No total, foram 17 dias de viagem, entre 21/11 e 07/12, aproveitando cada minuto intensamente. Voltei ao Brasil no dia 07/12 e agora vou contar para vocês como foi essa experiência surreal: dias perfeitos, paisagens absurdas e momentos inesquecíveis. Vou tentar relatar um pouco do que vivi, acompanhado de fotos. A Patagônia já estava na minha lista de desejos há bastante tempo, principalmente o sonho de conhecer o Fitz Roy. Comecei a me programar para essa viagem cerca de 6 meses antes e fui acompanhado, o que deixou tudo ainda mais especial. Se você tem um sonho de viagem, realize. Não importa como, quando ou com quantas pessoas, realize dentro das suas condições. Planejamento e roteiro No geral, percebi que a maioria fazia tudo por agência, com roteiros bem fechados. Eu queria algo diferente: um roteiro mais livre, que me permitisse conhecer o máximo possível da Patagônia, no meu ritmo. Então comecei a pesquisar preços, passagens e deslocamentos. Foi aí que decidi comprar tudo por conta própria. O roteiro ficou assim: 21/11 – Curitiba ✈ El Calafate (check-in) 22/11 – El Calafate (Minitrekking Perito Moreno, navegação e passarelas) 23/11 – El Calafate (cidade, Lago Argentino, Punta Walichu – reserva arqueológica e natural) 24/11 – El Calafate ➜ El Chaltén (Chorrillo del Salto e Mirador de los Cóndores) 25/11 – El Chaltén (Trekking Laguna Torre) 26/11 – El Chaltén (Trekking Fitz Roy, Laguna de los Tres e Laguna Capri) 27/11 – El Chaltén (cidade e lembrancinhas) 28/11 – El Chaltén ➜ Puerto Natales 29/11 – Puerto Natales (Trekking Base Torres) 30/11 – Puerto Natales (Full day Torres del Paine) 01/12 – Punta Arenas (cidade e Estreito de Magalhães) 02/12 – Puerto Natales ➜ Ushuaia 03/12 – Ushuaia (Trekking Laguna Esmeralda + Ojo de Albino) 04/12 – Ushuaia (Trekking Glaciar Vinciguerra + Laguna de los Témpanos) 05/12 – Ushuaia (Parque Nacional Tierra del Fuego: Laguna Negra, Bahía Lapataia, Laguna Roca, Trilha Costeira e Trem do Fim do Mundo) 06/12 – Ushuaia (cidade e compras) 07/12 – Ushuaia ✈ Curitiba (retorno) Valores e custos Muita gente comenta que a Argentina está cara — e realmente está. Em alguns aspectos, os preços lembram bastante a Europa. Alguns exemplos: Água de 2 litros em El Calafate: cerca de 4.000 pesos argentinos Dois pães tipo baguete: 2.500 pesos argentinos Pratos em El Chaltén (cordero ou parrilla): entre 35.000 e 40.000 pesos (aprox. R$ 133) A gasolina na Argentina era mais barata: em média 1.400 pesos por litro (cerca de R$ 5,33). Já no Chile, em Puerto Natales e Punta Arenas, o valor era mais alto, em torno de R$ 8,48 por litro. Por outro lado, achei a comida no Chile mais barata, com pratos em média de 15.000 pesos chilenos (aprox. R$ 90). Usei somente o cartão Astropay, que tem IOF zerado. Não usei dinheiro em espécie e funcionou em mercados, restaurantes, postos de gasolina e hospedagens. Peguei uma cotação muito boa: Argentina: 1 real = 280 pesos argentinos Chile: 1 real = 178 pesos chilenos Cheguei a fazer algumas conversões antes da viagem, mas a melhor taxa foi durante o período. No aeroporto de Buenos Aires (Aeroparque), o câmbio estava em torno de 260 pesos, até compensava, mas não precisei usar. Seguro viagem Contratei o Allianz Travel por R$ 175,00, não precisei utilizar. Chip de celular Comprei um chip em El Calafate por 11.410 pesos argentinos (cerca de R$ 40,75), com 15 GB, ligações ilimitadas e validade de 15 dias. Valeu muito a pena. Usei principalmente para GPS; nas trilhas o sinal é limitado e à noite utilizava o Wi-Fi do hotel. Hospedagem El Calafate – Hotel y Cabañas Las Marías Ótima experiência. Quarto grande, bem ventilado e extremamente limpo. Café da manhã simples, mas aceitável. Lugar tranquilo e silencioso. Dono muito receptivo. Recomendo. El Chaltén – Posada San Antonio O quarto era pequeno e tivemos um problema inicial com o ralo do banheiro, que entupia. Tirando isso, o hostel tem um bom espaço para cozinhar, café da manhã muito bom e recepcionistas super atenciosas, sempre explicando sobre as trilhas e a cidade. No geral, foi uma boa experiência. Puerto Natales – Casa Luna Natales A hospedagem é excelente, mas tivemos um contratempo: o dono aceitava apenas pagamento em dinheiro, o que não constava no Booking. Chegamos por volta das 17h e tivemos dificuldade para encontrar Western Union aberta. No fim, ele conseguiu uma máquina de cartão. Tirando isso, foi a melhor hospedagem da viagem: quarto grande, suíte com banheira, higiene impecável e uma vista linda para as montanhas. Recomendo muito. Ushuaia – Hotel Mustapic Excelente hotel, com vista panorâmica da cidade e das montanhas. Quarto grande, bem aquecido, café da manhã maravilhoso, espaço para trabalhar e possibilidade de guardar malas após o check-out sem custo adicional. Recomendo demais. Passagens aéreas Paguei R$ 3.168,00, voando com a Aerolíneas Argentinas: Curitiba ➜ El Calafate (escala em Buenos Aires – Aeroparque) El Calafate ➜ Ushuaia Ushuaia ➜ Curitiba (escala em Buenos Aires – Aeroparque) Os voos tiveram atrasos de cerca de 2 horas na ida e na volta, mas nada que impactasse o roteiro. Aluguel de carro Aluguei com a Always: 11 diárias, Carro automático – Categoria D, Fiat Cronos 1.3 CVT Valor total: R$ 2.840,00 Caução: 1.000.000 de pesos argentinos (necessário limite no cartão de crédito internacional) Condutor adicional incluso Documento para cruzar a fronteira Argentina ➜ Chile (El Chaltén ➜ Puerto Natales) A locadora fornece o documento impresso, que precisa ser carimbado na fronteira. Não tive nenhum problema com o carro, experiência excelente. Site: https://www.always.ar/ O que levei Viajei com uma mala despachada de 23 kg, uma mala de mão de 10 kg e uma mochila de 3 kg. No voo doméstico entre El Calafate e Ushuaia, o limite era 8 kg para a mala de mão, mala de despachar o limite era 15 Kg, mas não pesaram a mala de mão, então foi tranquilo. Levei roupas e equipamentos adequados para o clima e trilhas: jaqueta impermeável/corta-vento, fleece, pluma, calça impermeável, calça térmica, gorro, luvas, bandanas, botas de trekking, bastões, mochila de 30 L, reservatório de água, protetor solar e labial, power bank, entre outros. O que senti falta foi um óculos específico para neve, pois o reflexo é muito forte. Dicas extras Ingressos: Minitrekking Perito Moreno: 45.000 pesos argentinos, o estudante é somente nacional. Laguna Torre: chegamos cedo (7h) e o ingresso só aceitava cartão físico ou dinheiro. Havia desconto para duas pessoas se você trouxesse o ingresso do parque nacional dos glaciares. Em vez de pagar 90 mil pesos, pagamos 45 mil pesos. Fitz Roy: fizemos o amanhecer, então não havia cobrança na portaria. Estacionamento: Gratuito e tranquilo tanto para a Laguna Torre quanto para o Fitz Roy, inclusive de madrugada. Ushuaia: Para a Laguna Esmeralda, fomos de Uber e combinamos o retorno com o motorista. Ele acabou se tornando nosso guia e nos levou também para trilhas no Parque Nacional Tierra del Fuego. Uma experiência excelente, praticamente como contratar uma agência. Vou deixar o contato dele que permitiu e, recomendo muito o motorista Max telefone +54 9 2901 47 3665, pode chamar ele no WhatsApp e falar que foi o Marcio que recomendou do trekking Laguna Esmeralda e do parque Tierra del Fuelgo. Resumo final Antes da viagem, publiquei no Mochileiros e conheci a @cmori7, que fez um roteiro parecido. Conversamos, combinamos e acabamos nos encontrando durante a viagem. Fizemos juntos o trekking da Laguna Esmeralda e o Parque Nacional Tierra del Fuego. Experiência incrível. Obrigado @cmori7 por compartilhar essa experiência de viagem, ela é testemunha de como estava o clima por lá rsrs... Pegamos dias perfeitos, com sol e céu azul e no final de viagem peguei neve em Ushuaia. No Brasil, a previsão só indicava chuva. Um dia antes da viagem, parei de olhar o clima. Ao chegar em El Calafate, fui presenteado com um pôr do sol absurdo. O único dia de chuva foi em Punta Arenas, e ainda assim, rápida. Os próprios moradores dizem que é raro pegar 15 dias seguidos de bom tempo na Patagônia. Tivemos muita sorte, o que deixou a viagem ainda mais especial. Agora deixo as fotos falarem por mim e tentarem explicar um pouco do que vivi nessa primavera de 2025, entre novembro e dezembro, na Patagônia Argentina e Chilena.
  20. Oi, gente! Tudo bem? Perdi minha senha de uns dois perfis e criei um novo (espero não perder mais!!!) para trazer meu relato! kkkkk Esse é meu relato de viagem de 15 dias na Bolívia e Chile, que fiz sozinha agora em outubro de 2025! Li muuuuitos relatos aqui no Mochileiros mas senti falta de encontrar algumas informações com valores atualizados, então eu espero que meu relato seja útil para alguém ou alguéns! 🙂 Vou tentar ser direta para falar mais de trajetos e valores. Já adianto que fiz uma viagem confortável, não foi nem cara nem super econômica. Então é possível gastar menos do que eu e também é possível gastar muito mais, depende do que você busca. Nessa primeira parte vou falar só da Bolívia e nos próximos dias trago o relato do Chile. Meu trajeto completo foi: La Paz (3 dias) - Uyuni (passeio do Salar de 3 dias) - San Pedro de Atacama (7 dias) - Santiago (4 dias) Conversão que eu peguei: R$ 1,00 = 2,20 bolivianos R$ 1,00 = 176 pesos chilenos Considerem que esses valores mudam bastante, eu vi que o câmbio mudou inclusive durante minha viagem! Eu usei muito mais moeda física mesmo, mas especialmente no Chile era bem tranquilo usar Wise. 10/10 (dia 1): chegada em La Paz Cheguei em La Paz no começo da noite. Saí do aeroporto de minibus, que é uma van que faz os trajetos de linha de ônibus. Pra mim que nasci nos anos 90 em São Paulo, é tipo uma lotação kkkkk mas vai todo mundo sentado. Custa 5bs e tem várias saindo do aeroporto, é bem tranquilo. Todas que saem do aeroporto são da mesma linha e vão para o centro, que era onde eu precisava chegar. Fiquei hospedada na Posada de La Abuela Obdulila, no centro histórico. Peguei a recomendação em algum relato (ou vários?) aqui e também recomendo muito! Paguei 180 bs por noite, para um quarto com banheiro privativo. Eu chorei um pouco no valor pois originalmente eram 200 bs para um quarto de casal, e como eu estava sozinha, pedi um desconto. Esse valor inclui um café da manhã bem servido, com pão, frutas, frios, geleia, iogurte, suco, leite e aveias. Você pode complementar o café da manhã com ovos por 6 bs. Eu fiz minha reserva diretamente com a pousada com 2 meses de antecedência e indico que façam o mesmo, sem deixar para muito em cima pois ela estava sempre lotada. Vou deixar o contato deles: +591 78832848 Saguão da pousada 🙂 Na chegada, troquei um pouco de dinheiro no aeroporto só para ter para o transporte e janta. Vi duas casas de câmbio lá com valores bem diferentes (uma a 1,5 e outra a 2,1) e depois andando pelo centro histórico foi até difícil achar um câmbio melhor que 1,9. Vou falar mais disso depois. Nessa noite jantei em um restaurante oriental que encontrei próximo à pousada, ali no centro histórico mesmo. Paguei 42 bs num ramen e suco. PS: eu não tenho problema com altitude, então passei bem. só é mesmo cansativo subir ladeiras - que tem muitas! kkk. mas para quem tem problema (ou medo de ter, se for a primeira vez), é legal prever uns dois dias para se aclimatar porque La Paz é muito alta. 11/10 (dia 2): La Paz Consegui fazer o câmbio a 2,20 negociando, pois no aeroporto estava melhor que em vários cambistas do centro. Percebi que os melhores lugares para fazer câmbio são perto da Igreja San Francisco, se atravessar a avenida sentido onde ficam os museus também tem alguns cambistas e lá eles fazem um valor melhor do que no miolo do centro (únicos que vi fazendo a 2,20 direto). Muitos cambistas não aceitam nota rasgada, rasurada etc. Então cuidado com isso 🙂 Visita ao Museu de Etnografia e Folclore. Entrada: 30 bs. Recomendo muito para quem se interessa em conhecer a cultura dos lugares que visita! Ida à rodoviária para comprar passagem para o dia seguinte, para Uyuni. Comprei pela Panasur e paguei 100 bs. Não achei que havia a abertura para negociação que vi muita gente comentando. Também achei o preço bem barato… Dá cerca de 50 reais para uma viagem de quase 10h, num ônibus leito! Mas meu ônibus não tinha cinto de segurança, rs. Conversei com uns argentinos que viajaram pela Titicaca, que é quase o dobro do preço e muita gente recomenda, mas o deles também não tinha cinto, então sei lá! Aproveitei o resto da manhã para comprar lembrancinhas pois sabia que no Chile seria muito mais caro. As blusas de lã e outros souvenirs são muito baratos em La Paz! Caso você ame artesanatos e blusas como eu, vá com espaço na mala kkkk Almocei no centro mesmo, no Sabor Urbano. Comida típica maravilhosa, muito bem servida, e muito econômica! Se eu não me engano paguei por volta de 23bs no menú completo (entrada, prato principal e sobremesa). Mas eles só servem almoço, por isso não jantei lá também rs. Walking Tour pelo centro histórico - 40 bs (preço sugerido). Recomendo muito também. Não foi o melhor walking tour que já fiz, mas foi ótimo para ver algumas coisas e aprender um pouco sobre a cidade que eu jamais veria ou saberia sozinha Reservei pelo Guru Walk: https://www.guruwalk.com/es/walks/48348-un-viaje-en-el-tiempo-free-tour-por-la-paz-historica Depois do walking tour, passeei de teleférico. Andei por praticamente todas as linhas de teleférico, para dar a volta na cidade. Recomendo muito fazer isso e não é necessário guia! A cada vez que você troca de linha, precisa comprar novo bilhete e cada bilhete custa 2 ou 3 bs. Acho que gastei uns 15 bs nesse passeio, mas não tenho certeza. Fiquei com medo de fazer à tarde e não ser tão legal, mas foi perfeito, pois peguei dia, pôr-do-sol e noite! Passeio de teleférico no final da tarde Passeio de teleférico já à noite! Jantei em um restaurante maravilhoso no centro, chamado Olivia. Recomendo demais! Provei um risoto com carne de lhama, banana da terra e ovo frito. O prato principal, com uma sobremesa toda chique e suco, saiu uns 100 bs… 12/10 (dia 3): La Paz - Sítio Arqueológico Tiwanaku Tiwanaku não é um destino muito conhecido pelas pessoas que vão para La Paz, mas eu amei ter ido e recomendo para quem se interessa por história! É possível fazer o passeio com agência e nesse caso não tenho ideia de valores. Eu resolvi ir por conta e contratar guia na entrada do sítio, o que eu realmente acho a melhor coisa, pois lá dentro não tem nenhuma informação - só nos museus. Na pousada me recomendaram ir até o cemitério e lá pegar um ônibus que supostamente passa sempre para Tiwanaku. Mas cheguei lá (fui do centro até o cemitério de minibus) e não tinha o tal ônibus, ninguém sabia dizer exatamente se por ser final de semana ou se são ônibus meio inconstantes… Enfim, entendi que a melhor maneira para ir para Tiwanaku é pegar o teleférico até El Alto (outro município, onde fica o aeroporto), de lá ir andando até a rodoviária que fica ao lado e na rodoviária pegar o ônibus que deixa na frente do sítio arqueológico. Como eu fui de domingo, não tinha ônibus e eu peguei um minibus que passava a algumas quadras da rodoviária. Custou 10 bs e a viagem é de 1h30. Acho que a entrada era 100 bs. Assim que cheguei, duas turistas francesas também estavam chegando e logo um guia nos ofereceu o tour guiado por 200 bs para o grupo. Como acrescentamos uma parada no tour, ficou 300 bs ao todo - 100 bs para cada uma. Para voltar fomos até o centrinho (bem perto andando), pegamos o minibus de 10 bs que deixa no teleférico de El Alto. De volta a La Paz, almojantei um chilli com carne em um bar/restaurante, foi bem barato - acho que algo por volta de 30 ou 40bs no máximo. Esperei na pousada até a hora de ir para a rodoviária e peguei um taxi por 25bs. O ônibus era um leito bem confortável, apesar de não ter cinto rs. E tinha uma mantinha, que foi bem útil porque às vezes sentia que a calefação era desligada rs mas não teve perrengue não! Foi tranquilo. Esperando o busão na rodoviária 13/10 (dia 4): Chegada em Uyuni e 1º dia de tour do Salar do Uyuni Cheguei em Uyuni por volta das 6h da manhã e fui tomar café da manhã onde vão todos os turistas, na Noni (ou Nonis?). Não anotei o valor exato mas é tudo bem barato… Dá pra tomar um bom café da manhã com uns 20 reais ou menos. Conversei com uns dois guias, fui em duas agências e não quis ficar rodando muito com meu mochilão que já estava bem grande. Eu já tinha conversado no whatsapp com um guia que indicaram aqui, então fui na agência dele, próximo à rodoviária e fechei por 1100 bs o passeio do Uyuni de 3 dias, chegando em San Pedro de Atacama. Lembrando que esse valor inclui hospedagem, todas as refeições do dia e o transfer para San Pedro. IMPORTANTE: Recomendo se certificar que o valor do passeio já inclui a passagem para San Pedro Esse é o valor médio mesmo dos passeios, entendi que a galera paga entre 1000 e 1300 bs, talvez mais às vezes. Depois de fechar o passeio, fui no mercado da cidade comprar frutas, água e bolachas para petiscar durante os 3 dias. Pessoalmente eu estava muito preocupada em ir com uma agência legal, um motorista que soubesse um pouco para explicar, mas vi que isso é realmente muito aleatório. Pelo o que entendi, nem adianta muito ir na agência x ou y, porque eles acabam te jogando para outras agências que estão com vaga no tour. Eu mesma fechei o passeio na agência Ollantaypuna, mas viajei com a Expediciones Perla de Bolivia e não era exatamente o mesmo passeio que estava no PDF que o guia tinha me mostrado uns meses antes kkkkk Mas meu tour foi ótimo, melhor que o do pdf, e o motorista era super gente boa. Dava pra ver que ele não tinha conhecimentos técnicos como os guias do Atacama, por exemplo, mas tudo o que ele sabia, ele contava, e ele que sugeria aquelas fotos que todo mundo gosta de tirar no salar. Os passeios do Salar do Uyuni são bem padronizados, então acredito que não preciso entrar em muitos detalhes aqui a não ser que é tudo MARAVILHOSO! Fiquei realmente muito impressionada, porque meu objetivo 1 era o Atacama e acabei incluindo o Salar de Uyuni no roteiro. E que bom, porque é incrível!!!! No primeiro dia vamos no cemitério de trens que, pra mim, é a parte menos interessante. Almoçamos em Colchani, onde tem uma feirinha de artesanato que tem os mesmos ou melhores preços que La Paz. Visitamos o hotel de sal, que para mim também não é a melhor parte. De lá fomos para o Salar onde fizemos várias fotos e vídeos bem divertidos. Eu nem sou a pessoa que gosta de ser fotografada e que pira nessas fotos, mas foi engraçado e foi um jeito de descontrair com o resto do grupo! Fomos na Isla Incahuasi, que tem cactus gigantes. Tem que pagar para entrar (30bs) e é muito legal mesmo, tem uma vista linda e os cactus são impressionantes! Por causa da altitude é um pouco cansativo subir. É só ir com calma e vai dar tudo certo 🙂 14/10 (dia 5): 2º dia de tour do Salar do Uyuni Para mim, o dia mais lindo! É o dia que visitamos várias lagoas, vemos flamingos, vulcões e muitas vicuñas no caminho… Não vou nem entrar em detalhes porque as palavras são insuficientes! Algumas das vistas maravilhosas do segundo dia. Com vulcão, lagoas, flamingos... Um espetáculo! 15/10 (dia 6): 3º dia de tour do Salar do Uyuni e chegada a San Pedro de Atacama Nesse último dia, para quem vai para San Pedro de Atacama, o tour é bem curto. Começa muito cedo nos geysers e depois nas águas termais (que eu não tive coragem de entrar!). De lá passamos pelo deserto de Dalí - mas só passamos, não paramos em nada - e visitamos a Lagoa Verde e a Lagoa Branca, que ficam lado a lado muito próximo à fronteira com o Chile. Continuarei sobre a chegada em San Pedro num próximo post aqui, nos próximos dias! Algumas coisas que acho importante dizer sobre os 3 dias de tour: - leve uns trocados para pagar a entrada nos banheiros, cada um é 5bs e considere pelo menos uns 2 ou 3 por dia (por precaução). leve também dinheiro para entradas nos parques, a agência informa mas o total costuma ser 180 bs + 15bs caso queira entrar nas águas termais do último dia. NADA disso pode ser pago em cartão ou transferência; - leve papel higiênico pois não tem nas hospedagens; - nas hospedagens que eu fiquei tinha chuveiro quente e não era necessário pagar, mas acredito que se é pago ou não é algo que pode variar. não tem como prever porque você não sabe onde vai ficar até chegar... o preço que avisam é 10bs por banho (então total 20bs, para primeira e segunda hospedagem); - eu fiquei muito preocupada em levar garrafas de água e petiscos para comer no trajeto, mas no pior dos casos sempre vendem água nas hospedagens; - wifi nas hospedagens é pago (20 bs por hospedagem); - a primeira hospedagem é mais estruturada que a segunda. no meu caso a segunda era simples, mas arrumada e limpa. na primeira eu dividi quarto só com uma moça do meu tour e tínhamos banheiro privativo. a segunda também dividi o quarto só com ela mas o banheiro era compartilhado e muito simples. conheci uma brasileira que achou a segunda hospedagem onde ficou muito ruim, com banheiro mofado etc. recomendo carregar o celular na primeira hospedagem porque na segunda a energia elétrica e acesso a tomadas é super limitada - a energia é desligada às 22h. - a segunda hospedagem fica numa altitude bem grande e faz bastante frio, mas tinha cobertores suficientes. eu sou bem friorenta para dormir e dormi bem. se você for uma pessoa muito friorenta ou for no inverno, durma com suas roupas mais quentinhas. se tiver muito medo de passar frio, tente alugar um saco de dormir com a sua agência, mas no meu caso achei desnecessário (eu não aluguei, mas meus companheiros de tour sim). - eu fui na metade de outubro, já é primavera, então as temperaturas não são tão baixas e mesmo assim é bem frio! todos os dias usei segunda pele (calça e blusa), meia térmica, fleece ou moletom e corta vento. dependendo do momento do tour, luvas, gorro e cachecol são indispensáveis! - óculos de sol, boné ou chapéu, creme hidratante, protetor solar, soro (ou rinosoro se você preferir, mas eu levei soro mesmo que é mais barato e é a mesma coisa rs), boné e hidratante labial são INDISPENSÁVEIS! para mim, o melhor hidratante labial é hipogloss kkkkkkkkk vi muita gente falando que voltou com os lábios muito estourados do Uyuni e do Atacama, e eu voltei plena. Fica a dica! Dicas sobre roupas, que eram uma super preocupação para mim (e valem para o atacama também): Eu levei cachecol e me arrependi, levaria esses protetores de frio para pescoço porque ocupam muito menos espaço na mala. Também levei duas blusas térmicas e me arrependi, poderia ter levado só uma para poupar espaço na mala, mas eu transpiro muito pouco, tipo quase nada, então isso vai depender de você.
  21. Continuação... Dia 9 – Mirante dos Vulcões e viagem a Puno No segundo dia em Arequipa, dedicamos a manhã para conhecer um dos cartões-postais da cidade: o mirante Yanahuara. Fica próximo do centro histórico (cerca de 2 km), fomos caminhando mesmo. É um local com arcos de pedra com inscrições históricas, há uma igreja histórica lá e um pequeno parque. Um local bastante agradável para um passeio. Além do mirante, fiz uma visita guiada na catedral da cidade. Custou 10 soles + gorjeta para o guia. Recomendo muito, passeio realmente enriquecedor sobre a cultura local e sobre a história do catolicismo no Peru. Após explorarmos o local, tiramos algumas fotos, retornamos para o hostel e seguimos viagem para Puno. Novamente uma viagem de ônibus, acredito que durou cerca de 5 horas. Puno é a cidade base para visitar o lago Titicaca e arredores, ficando bastante próxima da fronteira com a Bolívia. Talvez Puno tenha sido a cidade onde menos me senti seguro — recomendo usar Uber/táxi para sair do terminal rodoviário. Dia 10 – Titicaca Lake, Ilhas Uros e a apaixonante ilha Taquile O objetivo de incluir Puno no roteiro foi conhecer o famoso lago Titicaca (um dos maiores lagos da América do Sul e o curso de água navegável mais alto do mundo). Para isso, compramos o tour clássico para conhecer as Ilhas Uros e a Ilha Taquile — um full day. Começando pelas Ilhas Uros: o passeio inicia no porto de Puno e você navega até chegar à região das ilhas flutuantes. Lá, você tem a oportunidade de descer e passar um tempo com alguma família que “hipoteticamente” vive lá e ainda cultua os costumes dos povos antigos. Existe uma parte histórica muito interessante, onde os povos que viviam antes nas margens do Titicaca precisaram fugir para essas ilhas quando os incas chegaram. Para isso, usavam a vegetação local para construir essas ilhas flutuantes. Porém, entretanto, todavia... eles vendem a ideia de que o povo atualmente ainda vive nas ilhas como naquela época e, pasmem: há toda uma cadeia turística que gira em torno de uma fucking mentira. Descobri após o passeio que se trata apenas de um grande teatro. Uma pessoa local me contou que aquelas pessoas não vivem de fato lá há muito tempo. Mas tudo bem, o passeio é válido. Foi interessante e enriquecedor do ponto de vista cultural. Ficamos algumas horas explorando essas ilhas e o passeio seguiu para a famigerada Taquile Island. Não tinha muita informação sobre essa parte do passeio e, mais uma vez, fui surpreendido de uma maneira grandiosa: lugar incrível. Essa ilha é um Patrimônio Imaterial da Humanidade pela UNESCO e tem muitas particularidades. É um tipo de turismo sustentável, não há carros ou hotéis de luxo (muito pelo contrário). As famílias locais promovem o turismo; almoçamos na casa de locais com uma vista incrível. A ilha fica de certa forma isolada do restante do país e as pessoas ainda falam o idioma quéchua lá. É realmente um lugar único e muito lindo ao mesmo tempo. Voltaria sem sombras de dúvidas. Dia 11 – Cuscoooo Após mais um trecho noturno percorrido de ônibus, chegamos a Cusco pela manhã. Esta foi a cidade onde planejei passar mais tempo, portanto o primeiro dia foi dedicado a organizar os próximos dias: lavar roupas, fazer compras no mercado e ir em busca de uma agência de turismo para comprar os passeios. Sou o tipo de turista que não se importa de “perder ou ganhar rs” um tempo fazendo algumas cotações e entendendo as diferenças entre as agências. No centro histórico de Cusco há uma oferta muito grande de agências, preços etc. Passei em algumas e fechei com a Fenix Peru Travel (+51 973 113 214 – Yessica). Me sinto no dever de compartilhar o contato da agência pelo excelente atendimento que tivemos com a Yessica. Recomendo muito, com preços interessantes também. Ficamos hospedados no hostel Secret Garden — bom e barato. Hospedagem em Cusco tem que ser no centro histórico, não tem região melhor. Além disso, neste dia fizemos um Free Walking Tour pelo centro histórico. A cidade realmente é incrível. Tenho o sentimento de que é necessário visitar Cusco várias vezes, pois há uma infinidade de coisas para ver e fazer. O planejamento inicial para Cusco foi o seguinte: Dia 1 – Free Walking Tour e explorar o centro histórico Dia 2 – Full day Vale Sagrado dos Incas: Maras, Moray, Chinchero, Pisac e Ollantaytambo Dia 3 – Montanha Palcoyo (os planos mudaram) Dia 4 – Trecho Cusco até Águas Calientes (van + trilha) Dia 5 – Visita a Machu Picchu e retorno a Cusco Dia 6 – Day off e voo de retorno para o Brasil Dia 12 – Vale Sagrado dos Incas Este dia foi um dos pontos altos da viagem. Compramos um passeio que nos levou a diversos pontos importantes da região e do Vale Sagrado dos Incas. Foi um dia extremamente rico em conhecimento, cultura e gastronomia. Recomendo muito este passeio. Não vou descrever muitos detalhes aqui, mas reforço: se tiver tempo, é possível fazê-lo em 2 ou 3 dias. Percorrer todos esses lugares em um único dia foi fantástico, mas confesso que, em alguns deles, ficou aquele gostinho de “quero mais”. Principalmente em Ollantaytambo — aquele lugar exige mais tempo para ser explorado. Pequeno resumo do que se vê por lá: Maras: Vilarejo conhecido pelas Salinas de Maras, milhares de piscinas de sal construídas em um vale desde tempos pré-incas. Moray: Complexo arqueológico com terras circulares em níveis, formando grandes "buracos" no solo. Provavelmente um laboratório agrícola usado para estudar microclimas e cultivar diferentes tipos de alimentos. Chinchero: Vila andina a 3.762 m de altitude, com forte herança inca e colonial. Pisac: Ruínas no alto da montanha e mercado artesanal. Ollantaytambo: Fortaleza inca com escadarias gigantes — também é o ponto de trem para Machu Picchu. Urubamba: Cidade central do vale, ponto de parada para almoço. Dia 13 – Montanha Palcoyo ou um day off na capital do império Inca? Bom, neste dia da viagem eu estava extremamente cansado e, no dia seguinte, iria realizar um dos meus sonhos: conhecer Machu Picchu. Para resumir, cancelei o tour da Montanha Palcoyo para ter um dia totalmente off em Cusco (não foi tão off quanto eu planejei). Fiquei no hostel descansando, até que fiz um amigo argentino no café da manhã e saímos para explorar um pouco mais do centro histórico. Visitamos a região de San Blas, o mirador de Cristo Blanco e o templo de Sacsayhuaman. Neste dia, jantamos em um bom restaurante e voltamos ao hostel, pois no dia seguinte iniciaria o plano Machu Picchu de fato. Dia 14 – Rumo a Águas Calientes Há diversas formas de ir até Águas Calientes. Uma das mais utilizadas e baratas é ir de van saindo de Cusco até a hidrelétrica e seguir caminhando pela trilha até Águas Calientes. Essa foi a nossa escolha. A van saiu de Cusco às 06:00 da manhã e chegamos à hidrelétrica por volta das 14:00. A viagem é longa e sinistra — muitas curvas e pontos de difícil acesso — mas faz parte da jornada. Faria novamente? Faria. Após chegar, fizemos um lanche e seguimos caminhando por mais umas 4 horas até Águas Calientes. A trilha é bem sinalizada; na maior parte do tempo é só seguir os trilhos do trem. Há muitas pessoas fazendo esse trajeto diariamente, então é só seguir a galera. Nos alertaram para seguir caminhando em um bom ritmo para que não anoitecesse enquanto estivéssemos na trilha. Chegamos no final da tarde ao pequeno pueblo. Chegamos bastante cansados, mas vale a pena. Recomendo muito esse trajeto pela experiência de caminhar até lá. É uma experiência que vale a pena ser vivida. Dormimos em um Airbnb em Águas Calientes — lá tudo é próximo e há uma boa oferta de lugares. Dia 15 – O grande dia: Machu Picchu Então, chegou o grande dia. Peguei a dica aqui no mochileiros.com de comprar o ticket de Machu Picchu para o primeiro horário. Portanto, às 05h30 já estávamos na fila do ônibus para subir até a cidadela. Você pode subir até lá caminhando ou de ônibus. O ônibus é caro, porém pode sair mais caro ainda você chegar lá cansado e sem energia para desfrutar o sítio arqueológico. Na fila do ônibus, há vários guias oferecendo o serviço de entrar em grupo no parque, e eu recomendo muito que você contrate um guia. Acredito que a experiência de ir com ou sem guia pode ser muito diferente, principalmente se for sua primeira vez lá. Ocorre que há muitos mistérios, muita informação, muitas curiosidades sobre tudo lá em cima. E somente um profissional conhecedor e experiente vai poder transformar sua experiência de algumas horas lá em cima em uma verdadeira master class de história — no local onde os incas burgueses e safados faziam seus rituais e etc. A visita guiada durou cerca de 3 horas e o tempo passou num piscar de olhos. Foi uma experiência de vida. A realização de um sonho para mim. Não irei descrever muito aqui, mas foi foda pra baralho. Há muito o que ver, aprender, apreciar, refletir, sentir. Difícil de descrever — apenas vá! Thanks God for that! O dia estava perfeito, foi possivel ver o nascer do sol entre as montanhas la de cima. Realmente, dificil de descrever o quão sensacional foi este dia. Depois da visita, fizemos o mesmo percurso até Cusco: trilha + van, e chegamos por volta de meia-noite. Extremamente exaustos, mas com o coração quentinho por ter vivido esse dia. Ah, e sobre o guia, vale a regra de pechinchar e pesquisar antes de fechar com o primeiro que oferecer os serviços. Paguei cerca de 30 soles por um grupo de 6 pessoas. No meu ponto de vista, muito barato pelo tanto que o guia entregou (prometeu nada, entregou tudo). Dia 16 – Retorno ao Brasil Este foi o último dia da viagem. Neste dia saímos para comprar souvenirs para a família e encher os espaços vazios das malas com Inka Cola e ímãs de geladeira. O voo de volta foi um pouco mais longo: Cusco – Lima – Santiago do Chile – São Paulo – Porto Alegre. É isso, mochileiros! Espero ter ajudado com este relato e informações. Abraços!
  22. Aqui vai uma reflexão minha sobre o que está acontecendo, na humildade: Nós estamos passando por uma fase de transição bastante agressivo na internet e na humanidade. Na internet, a coisa está bastante complexa. Todo o modelo econômico que sustenta a internet está passando pelo mesmo. A inteligência artificial generativa chegou pra ficar, mas ela tem um limite, que é o conhecimento humano até o momento da chegada dela. Ela se alimenta disso. Pra seguir se alimentando do conhecimento humano, publicado na internet "searchble", ela NECESSITA dos espaços "abertos" da rede onde os robôs e as inteligências possam seguir buscando novas informações e pensamentos. Os fóruns são a base dessa internet "buscável". Aqui nós podemos pensar a longo prazo qualquer assunto. As redes sociais contém muros, o whatsapp contém muros. É conhecimento humano jogado no lixo, fica fora da internet "Searchble". Aí sim, nós vamos entrar em uma nova fase, onde os fóruns voltam a ter protagonismo, pq isso vai ser necessário pras big techs. Já está acontecendo e resultados do Reddit e do Threads já aparecem em primeiro lugar na busca do Google sobre determinados temas. São fóruns. Nós vamos fazer uma reforma no Mochileiros.com nos próximos meses: - Vamos instalar a nova versão dessa plataforma que usamos, a IPBoard. Que tem melhorias significativas em vários aspectos. - Vamos fazer uma mudança no visual, cores, logos, etc - Vamos implementar uma inteligência artificial na busca do fórum, que vai ser a nossa IA. Alimentada por nós , só com assuntos da comunidade. - Vamos refazer a estrutura do fórum, trocando subcategorias infinitas que tem hoje, por tags. Antes disso a gente vai abrir uma discussão na comunidade, pra que todo mundo participe das mudanças. Acredito que a gente tá chegando em uma nova fase, bastante interessante. Se for direcionada pra o lado correto, vai dar muito bom e vamos entrar em um novo período, onde o senso de comunidade e pertencimento, volte a reinar, pois é o que todo mundo sente saudades, e só é possível fazer assim.
  23. Dia 4 - Ruínas de Machu Picchu 04h00 da manhã o despertador toca novamente. Virou rotina acordar tão cedo. Me levanto, vou ao banheiro que me lembra que comer demais também não faz bem. kkkkk Me troco enquanto a Valéria também faz o mesmo. Tudo certo até ir colocar a bota e... ela não entra. São tantas bolhas e tanto inchaço que meu pé desistiu de ser feliz. "Descalço não dá, né?" - penso alto. Preciso arrumar uma solução. Como um bom "gambiarrista" que sou, encho meu pé de vaselina sólida (que havia trazido para assaduras) e coloco a meia, que também encho de vaselina sólida e... puff. O tênis entrou. Essa é definitivamente a última vez que vou conseguir calçar essa bota. Ao pisar no chão, as bolhas e a pisada torta machuca. Mas já assisti filmes de zumbi o suficiente para poder andar torto e aguentar mais um dia. 04h30 estamos lá embaixo. Pegamos um saquinho com lanche e já como e tomo a água. Encontramos com o francês de 20 anos de idade que já rodou o mundo e os amigos dele que sabem o caminho. Vamos andando no meio da escuridão, batendo um papo, avisto um cachorro e brinco com ele. O doguinho começa a nos seguir da cidade de águas calientes. Andamos e mal dava para ver alguma coisa na estrada. "Quem foi o fdp que comprou ingresso as 06h?". Chegamos em uma guarita e lá apresentamos os tickets para Machu Picchu. Ótimo, estamos no caminho certo. Após isso, começamos a subir as escadas. Só relembrando que dá pra fazer esse caminho de busão e ser feliz, ou a trilha das escadas. Degrau por degrau vamos subindo. E subindo...e subindo! NÃO PARA DE SUBIR NÃO?? Os tiozinhos aqui suando feito dois porcos de calor e a subida interminável. Dava para ver as montanhas lindas dali enquanto subíamos infinitamente. E sabe quem nos acompanhava? O doguinho. Nosso cão guia espiritual decidiu nos dar uma força. Avisto o último lance de escadas... nem preciso dizer que os jovens Europeus já estavam lá em cima faz tempo né? Nos últimos degraus, um tiozinho vendendo bebida em isopor. "¿Tienes coca?" Não tinha. Mas tinha Sprite. Foi a melhor Sprite que já tomei na vida. Estava gelada. Que delícia. Nosso doguinho estava ali em cima. Ganha um carinho na cabeça e despede de nós na entrada de Machu Picchu. Damos o ingresso e entramos. Vamos subindo, curtindo o parque em meio aos meus passos cansados zumbísticos e chegamos até o ponto de tirar aquela foto clássica de Machu Picchu e... tudo nublado. SIM, TUDO NUBLADO NESSA PORRA. Juro, não dava para ver 1cm de qualquer coisa. Tudo branco. Coloco a mochila no chão, a Valéria também. Não vamos sair daqui enquanto esse negócio não "DESNUBLAR". Tá achando o que Machu Picchu, nós somos lerdos mas somos ruins. Esperamos por um tempo, 1 hora talvez. Começa a limpar devagar e conseguimos começar a enxergar a cidade mágica. Linda. Parece vídeo game. Ou um filme do Indiana Jones. Tiramos as fotos, curtimos lá. A Valéria curtindo mais que eu ainda. Eu estava com muita dor no pé. MUITA. Curtimos o tour lá em cima e chegou a hora de se despedir. Tudo bem, a jornada acabou... ou não. Temos que descer as escadas. "Nem fodendo". Não aguento dar mais nenhum passo. Compramos passagem do ônibus para descer 15 min. Que se dane, foi gostoso demais ir sentado naquele banco delicioso. Almoçamos, esperamos a hora de voltar do nosso trem. O destino agora de trem era: Águas Calientes -> Ollantaytambo. Cerca de 2 horas. Depois pegávamos uma van até Cusco. Mais 2 horas. Voltamos ao nosso hostel, com nossas mochilas por lá. Mas no outro dia nos aguardava a Montanha Colorida (Vinicunca). Tínhamos conseguido comprar o passeio por 60 soles em uma agência pequena por lá. Será que era bom? Seilá. O que sei é que dormi as 4 horas da viagem. E ao chegar no hostel, a Valéria foi tomar banho. Eu que já estava de chinelo cai na cama tudo torto e fedido e dormi. A Valéria pediu comida pra gente. Me acordou. Juro que estava tão morto que foi a primeira vez que comi deitado na minha vida e dormi denovo. A Valéria pergunta: "Amanhã você vai para a Montanha Colorida? Precisamos acordar as 03h30." A Van saia 04h30. Nessa hora estava tão cansado que nem sabia o que eu ia fazer. Estava pensando em não ir. "Quando acordar eu vejo". Minha maior preocupação? Os pés. Não conseguia dar mais nenhum passo. Quanto mais fazer uma outra ascensão de montanha. Fim do dia 4. Fedido e morto. Ruínas de Machu Picchu quando a névoa se dissipou. Misteriosa e foda! De Oz para o mundo! De Oz para o mundo! (novamente) Valéria e as ruínas. Eu e as ruínas. Ruínas e Huyana Picchu de outro ponto de vista. O caminho do ônibus e a trilha das escadas. Eu encarando o sr. Machu Picchu kkkkk
  24. (Continuando...) Dia 2 - Salkantay Pass Aahhhh! Nada como uma noite de sono regenerativa para renovar o humor e os ânimos, certo? Claro, se você tiver essa noite. O que não foi o meu caso. Parecia que tinha dormido como uma pedra, me reviro todo e pego o celular que estava sendo carregado por um power bank: 00h13. Puta merda. O pior, uma vontade de cagar enorme. Lá vou pegar meu celular, ligar a lanterninha e sair iluminando tudo e andando por aquele frio da desgraça de madrugada. O bom que nem cheguei a sentar no vaso, já estava tudo resolvido só de agachar. A diarréia me deu um "olá". Essa história se repetiu mais 3 vezes durante essa madrugada que não acabava nunca. A Valéria, por sua vez, dormiu que nem um anjo e acordou bem melhor, sem mais vontade de desistir. A minha vontade de parar por ali tinha se tornado o famoso "sangue nos olhos". Vou terminar essa porra, custe o que custar. “COCA TEAAAAAAA, COCA TEAAAA!”. Eram 04h30. O guia batia de porta em porta levando chá de coca. Ruim que só uma desgraça. Mas vamos lá, respira fundo e manda pra dentro. Arrumamos as coisas no meio da escuridão e fomos tomar café da manhã. Os cavalos levariam alguma sacola nossa, enquanto nós levamos a mochila. Mas os cavalos só podem levar 5kg. Tudo bem, tinha pesado minha sacola e estava com 3kg, certo? Errado. Ao pesar minha sacola, estava com 8kg. A roupa molhada pesa… e como pesa! Então o outro cavalo aqui teve que levar os 3kg a mais. Sim, eu mesmo. Começamos a andar as 05h30 da matina. Muita chuva, cheio de barro mas reto. Vamos seguindo firmes e fortes. Logo mais as subidas começam… e que subidas. Ao olhar para cima, não tinha fim. O pescoço doía e você não via o topo. Nem olhava. Tentava focar apenas em um caminho a curto prazo para subir no meio daquele monte de pedras que fosse menos exaustivo. O ar faltava a cada passo, mas tentava pensar em uma música e seguia cantando ela na cabeça e seguindo para cima. A Valéria me acompanhava, com falta de ar também. Ô altitude que nos maltratou. Subíamos em zigue-zague. Passada após passada, pedra após pedra. Era enorme. Às vezes olhava para baixo e via o que eu já tinha caminhado, o que empolgava um pouco. Paisagem? Nem dava para ver. Muita neblina. Estava em um silent hill. Só que na altitude. E bota altitude. Caminhava...caminhava, e… opa! Estou vendo o topo. Estamos chegando. “Bora amor, falta pouco! É ali em cima” – Falava empolgado. Quando estou chegando lá em cima ouço um estrondo enorme. “Poutz… raio aqui em cima, que perigoso” – pensava. Mas apesar da chuva não dar trégua, não tinha nenhum raio. Penso mais um pouco e então percebo o que estava acontecendo e pergunto ao guia: “Renê! És un avalanche?”. “Si. Avalanche de rocas”. Puta merda. Fico olhando em direção a montanha Salkantay coberto pela neblina. O barulho permanece altíssimo. O guia segue de olho também. Mas não dava para ver nada. Em resumo… nada aconteceu. Mas e o cagaço? Lá em cima, fazemos um ritual para a Pacha Mama. Sensacional. Mas o frio judiava todos do grupo, principalmente os brasileiros tiozinhos aqui. Ou quer dizer… quase todos. A garota do Alaska estava de camisa. Calorzão né? Kkkk Após o ritual, continuamos a descer na chuva. Das 10h30 até as 14h00 descendo e descendo. A cada passo a bota firmava e o pé deslizava. Ótimo para criar bolhas, certo? Certo. Nos próximos dias elas vão conversar comigo mais do que deviam. Paramos as 14h00. Eu sem fome nenhuma. A Valéria comendo bem. Minha cabeça estourando. Mal de altitude total. Masquei mais algumas balas de coca mas nada adiantava. “Devemos estar perto do acampamento” – falo para a Valéria. Mas o guia logo tira minhas esperanças: Mais umas 4 horas caminhando e chegaremos. Meu Deus. Andávamos e andávamos… o pé e os joelhos pedindo socorro. E a paisagem ia mudando, sempre percorrendo ao lado de um rio. Após inúmeras descidas sem ver o fim, chegamos a uma ponte. Estávamos perto. Sorrimos, fazemos piadas, sobrevivemos a o pior dia. Logo chegamos e somos recebidos bem pelo grupo, que comemora os tiozinhos chegando. Tem chuveiro, tem que alugar por alguns soles. Pago sem dó. O problema que apesar da água quente, a janela é um buraco na parede que chovia dentro. Era uma mistura de água quente com fria na cabeça. Mas, água quente e banho! Lá tinha bebidas. Comprei uma coca zero. A coca zero mais feliz da minha vida. Até eu beber. Coca ruim da porra… olho a validade: vencida em novembro de 2024. (estamos em fevereiro de 2025). Mas… tomo. Vou fazer o quê? Comprei um Pringles também que foi devorado em segundos por mim e pela Valéria. Jantamos com o grupo e fomos dormir. O pior dia tinha passado. Estávamos felizes por ter conseguido. Agora sem chance de desistir mais. O mal da altitude passava: eram 2800 mts agora. Tudo mais fácil, inclusive a respiração e a dor de cabeça. Entramos nos nossos “Iglus” e...capotamos até o outro dia. Lá em cima - Salkantay Pass. 4629 mts de altura. Montanha Salkantay e seus avalanches escondidos. O grupo dos jovens nórdicos e os tiozinhos br's. Início da manhã - 05h30 com seu clima "agradável". Perto de chegar ao acampamento base do 2º dia. Paisagem modificada na descida. A felicidade da Valéria ao saber que estávamos chegando após 12h de caminhada. Acabado. Encharcado. Mas vivo (ou quase isso) no acampamento. Acampamento base do 2º dia.
  25. Salve amigos! Com muito entusiasmo venho contar que tive mais uma vez o privilégio de estar na minha amada África. Foi nossa terceira vez no continente e amei intensamente cada uma delas! Eu quero conhecer muitos lugares da África... que é um continente bem caro para latino-americanos no geral, com raras exceções. Então o jeito de ir é de pouco em pouco, viagens mais curtas... pois tudo é pra gringo rico infelizmente. Essa era meio que a vez da Namíbia... uma viagem há muito desejada e desenhada! Mas algumas coisas tiraram meu foco de lá e me jogaram aqui, nessa trip, e a Namíbia ficou pra próxima vez. Que seja em breve! Viajamos em casal, eu e o Guilherme (filho prestando vestibular ficou). ROTEIRO LDB > São Paulo > Johanesburgo > Victoria Falls* // Kasane // Chobe National Park // Kasane // Nata-Gweta // Maun // Kasane // Victoria Falls > Johanesburgo > São Paulo > LDB. A parte grifada fizemos de carro alugado. O * é pq chegamos em VFA mas fomos direto a Kasane! Não dormimos lá na chegada. Deu trabalho chegar nesse desenho de roteiro e decidir as passagens aéreas. Aqui é apenas o resumo final de meses de estudos e testes. Os aéreos foram emitidos com milhas (+ dinheiro), da seguinte forma: LATAM PASS (via Latam mesmo): GRU <> JNB SMILES (via South Africa Airways): JNB <> VFA DOCUMENTOS, VISTOS E VACINAS Passaporte e comprovante de vacina de febre amarela obrigatórios, e pra quem vai dirigir, a PID (mas esquecemos, depois conto como foi, rs). África do Sul e Botswana não exigem vistos para brasileiros para estadias de até 90 dias, já Zâmbia e Zimbábue sim, neste caso convém tirar o KASA, que é um visto duplo de múltiplas entradas para ambos os países num prazo de 30 dias. Custa 50 USD e é um “visa on arrival”, tipo o do Egito. Bem caro né? E tem pegadinha, se liga no relato que vou contar. CÂMBIO ● África do Sul: Rand Sul-Africano (ZAR) - 1 rand cerca de 33 centavos de real ● Botswana: Pula (BPW) - 1 pula cerca de 42 centavos de real ● Zâmbia: Kwacha Zambiano (ZMW) - 1 Kwacha cerca de 22 centavos de real ● Zimbábue: Dolar americano (USD) - vcs sabem, rs Uma bagunça! O Zimbabwe tinha seu próprio dolar tb até 2009 mas ele foi “desativado” por conta da hiperinflação. Hoje o USD é a moeda oficial. Coloquei USD na Wise (até tem ZAR mas fiquei só no dólar desta vez) e tb levei USD impresso e auditável. HOSPEDAGENS Vou listar abaixo nossas opções, que foram majoritariamente booking, e durante o relato conto como foi cada uma delas. Joburg (1): Marion Lodge - ZAR 734,10 Kasane (1): Kasane Self Catering - BPW 1100,00 Kasane (1): Tlou Safari Lodge - BWP 1.496,88 Nata (1): Eselbe Camper Backpackers - BPW 660,00 Maun (4): Casa Berna - BPW 3850,00 Victoria Falls (3): Shoestrings Backpackers Lodge - USD 162,00 Joburg (1): airbnb perto do aeroporto - R$ 130,00 Foram 14 noites no total, mas duas foram durante um camping safari que já incluía as tendas. SAFARIS E CARRO ALUGADO É aqui que a viagem fica cara, rs! Vamos ver as opções e pq. ● SAFARIS GUIADOS É plenamente possível fazer uma viagem de muitos dias pelo sul da África com empresas privadas que têm pacotes de todos os tipos… mas já adianto, são MUITO caros, mesmo nas opções econômicas. As opções luxuosas incluem aqueles lodges exclusivos e passam facilmente de cem mil reais, isso mesmo, CEM MIL REAIS, para um casal. Total impossível. ● CAMPERS/SAFARIS INDEPENDENTES Boa parte dos viajantes que vem pra essa região opta pelas campers, que são caminhonetes ou SUVs 4x4 com barraca de teto. Neste caso seria mais efetivo vir desde a África do Sul com o carro ao invés de pagar as altas taxas de retorno entre um país e outro, o que já acrescenta tempo e gastos na viagem. As campers tem a facilidade de já ter a casa em cima e todo o material de camping junto, como cozinha básica e etc mas não foi nossa opção pelos seguintes motivos: os camp sites são todos pagos e não são muitos, ou seja, obviamente vc paga pra acampar ainda que seja um camping totalmente selvagem. Se colocar na ponta do lápis o custo do aluguel da camper (que não é muito barato) + custo de combustível + custo adicional de seguro + custo de campings não fica muito viável. Além do que, tem uma mão de obra grande envolvida em abrir e fechar a barraca, especialmente se chover, e ainda não temos experiência e segurança pra uma viagem inteira assim. ● CARRO ALUGADO + SAFARIS GUIADOS Já podem imaginar que foi essa nossa opção, certo? Um pouco de cada! Ficamos parte da viagem “a pé” e fizemos games guiados de vários tipos e alugamos uma caminhonete 4x4 numa parte do rolê (custou um rim). Desta forma pudemos economizar em relação às opções anteriores além de ter vários tipos de experiências diferentes, embora ainda seja caro. Você escolhe entre o que é muito caro e menos caro, rs. Nossos safaris/games guiados foram os seguintes: Safari Camping de 3 dias e 2 noites (Chobe National Park, Botswana): 550 USD por pessoa com refeições, tendas para dormir, deslocamentos, entradas no parque, água a vontade e vinho nas refeições. Este rolê parte e volta pra Kasane, por isso tivemos duas noites “separadas” na cidade. Eles nos pegaram às 8h30 da manhã no dia 1 do rolê e nos devolveram cerca de 17h no dia 3. Tem várias outras opções de safaris partindo de Kasane, desde os de um dia até os de muitos dias. Eu queria muito poder acampar na savana, fazer games com guia e dormir sob aquele céu estrelado maravilhoso! Portanto este foi o primeiro rolê contratado, cerca de 9 meses antes, direto no site do Chobe National Park, tal como já tínhamos feito antes com os rolês do Kruger na África do Sul. ESGOTA RÁPIDO, reserve o quanto antes. Eu reservei antes de comprar passagens inclusive, haha. A operadora desse nosso rolê foi a Kalahari Tours e foi muito legal. One-day Mokoro Experience (Delta do Okavango, Botswana) + one-day Moremi Game Drive (Moremi Game Reserve, Botswana): 440 USD por pessoa, inclui deslocamentos, passeio a pé, de Mokoro (canoa), em carro aberto, taxas e refeições. Estes dois dias podiam ter sido contratados separados, mas optamos por contratar junto para negociar o preço. Nossa operadora foi a Africa Zim Travel & Tours e no relato conto como foi. Rafting no Rio Zambezi: rolê de 1 dia, em Vic Falls, contratado dois dias antes dele acontecer por meio do hotel que ficamos. Custou 140 USD pp e nossa operadora foi Wild Horizons. Reserva Mosi O A Tunya: rolê de 3-4h, em Livingstone. Custou 56 USD por pessoa e comprei no GetYourGuide na véspera. INTERNET Meu plano Claro Mundo não tem cobertura nos países visitados (exceto África do Sul), então comprei um plano ilimitado da Holafly (e-Sim) para Botswana apenas, pq ninguém cobre o Zimbabwe. Custou 42 USD por 10 dias. Isso é tudo, BORA! (CONTINUA)
  26. E aí, pessoal! Espero que estejam bem! Venho compartilhar um pouco da minha viagem pela Patagônia chilena e argentina feita sozinha entre os dias 20/11 e 07/12/25. Optei por fazer o relato dividido em tópicos para tentar deixar as informações mais organizadas, focando no que eu acho que poderá ajudar mais outras pessoas (baseadas nas dúvidas e informações que eu mesma procurei para organizar o meu roteiro!). Ao longo do relato criei alguns links que podem ajudar. E se quiserem saber mais alguma coisa, ou que eu detalhe melhor, só me pedir! E para não ficar um único post muito extenso, vou fazer por partes, mas segue o que vocês encontrarão por aqui: 1. Contexto e Planejamento 2. Bagagens 2.1. Vestuário 2.2. Demais itens 3. Roteiro 4. Clima 5. Dinheiro / câmbio 6. Hospedagens 7. Transporte 8. Alimentação 9. Passeios ----------------------------------------------------------------------------------------------------------- 1) CONTEXTO E PLANEJAMENTO Patagônia estava na minha lista há pelo menos 10 anos (quando conheci esse fórum). Tinha como critérios para a viagem fugir da alta temporada e pegar um clima bom (ainda que seja instável, queria minimizar os riscos de ter o roteiro com muitas alterações no meio do caminho). Nas pesquisas vi que um bom período seria no início do verão ou no final dele. Sempre tento otimizar os dias de férias do trabalho (como todo bom CLT hhahahha) então peguei 15 dias que viraram 19 pela emenda do feriado de 20/11. Então casou bem com o período que queria viajar. Meu estilo de viagem é mais correria mesmo pra tentar otimizar os dias e conhecer o máximo possível e não tanto em profundidade/qualidade (penso que posso voltar numa outra oportunidade para conhecer melhor, e caso não volte, fico satisfeita em ter conhecido os pontos fortes de cada lugar). Foi minha segunda viagem solo, sendo a primeira internacional com foco em turismo. O roteiro foi quase que milimetricamente desenhado justamente para conseguir fazer tudo o que eu queria e otimizar os dias de viagem (mesmo que sacrificando um pouco o orçamento - vinha me planejando para isso há bastante tempo). Comprei as passagens de avião da ida e da volta no final de junho. Fiz a maioria das reservas de hospedagem inicialmente pelo booking.com em julho/agosto. Em todas as reservas, optei pela tarifa com cancelamento gratuito, que no final foi bom porque acabei achando melhores opções/preços e consegui fazer os cancelamentos sem taxas. A passagem de avião El Calafate -> Ushuaia eu só comprei no começo de novembro porque fiquei monitorando os preços e não baixava nunca! hahaha. E quando baixou, eu não comprei e me ferrei. Aí comprei quando baixou um pouquinho e porque já estava muito próximo da viagem. Todos os trajetos de ônibus comprei com cerca de 2-3 semanas de antecedência aqui do Brasil, pagando com o cartão Wise. Nunca tinha feito trilha, apesar de curtir a ideia/vibe, mas já vinha me preparando mental e fisicamente para elas ao longo de 2025. Deixei para decidir a ordem dos passeios, principalmente das trilhas, bem perto das datas programadas para levar em consideração a previsão do tempo. O único passeio que fechei com antecedência foi o mini trekking no Perito Moreno. Internet: eSIM com 10GB disponíveis - usei apenas 2,1GB a viagem inteira. Era basicamente Google Maps/Drive e WhatsApp e sempre que estava na hospedagem ou em algum estabelecimento, usava o WiFi. E claro, peguei muita informação nos relatos daqui e tive muita ajuda de vcs! Já fica o agradecimento! 2) BAGAGENS 1 mochilão de 40L (modelo 'Travel 100' da Forclaz / Decathlon) como bagagem de mão / mala de cabine (peso ~8-9kg) As roupas foram organizadas entre bolsinhas de compressão (packing cubes) e sacos à vácuo para itens mais volumosos (calças de trilha e casacos) 1 mochila 30L como item pessoal (peso ~3-4kg) 1 pochete com os documentos 2.1) Vestuário 1 calça tipo cargo de sarja leve (sempre ia vestida com elas durante os trajetos. Confortável, com elástico na cintura e na barra para não ficar arrastando no chão, principalmente pra usar banheiros hehehe) 2 calças de trilha, sendo 1 tipo 'modular' (vira shorts) e outra mais quentinha para neve (forrada por dentro) - ambas Decathlon 1 legging de trilha Decathlon 1 legging / segunda pele Decathlon 1 calça pantalona soltinha (para andar pela cidade ou ficar nas hospedagens) 4 camisetas Insider (vestindo uma delas) 1 blusinha viscose 1 camiseta algodão 1 manga longa 70% merino Decathlon 1 manga longa segunda pele genérica Shopee 1 shorts de academia + 1 regata (ficar nas hospedagens / pijama) 3 tops de academia + 1 sutiã (vestindo) 10 calcinhas 2 pares de meias para trilha Selene (vestindo uma delas) 2 pares de meias cano baixo (para o outro tênis que levei) 2 pares de meias cano médio tipo 'dry fit' Lupo 1 Casaco impermeável e corta vento Decathlon 1 Casaco 'híbrido' (corta vento e fleece por dentro) Kailash 1 Fleece Decathlon 2 echarpes / lenços 1 par de luvas 1 gorro 1 boné 2 bandanas circulares 1 faixa / joelheira 1 chinelo 1 par de tênis casual (Vans Ultrarange) 1 par de botas de trilha Vegano Shoes (sempre vestindo nos trajetos) 2.2) Demais itens Eletrônicos: fone de ouvido, câmera, tripé, powerbank, cabos e carregadores, adaptador universal de tomada, etc. Kit básico de medicamentos conforme já estou habituada a usar Kit de higiene e cuidados com a pele (todos em frascos pequenos em quantidades suficientes para a viagem) Um 'pipizito' de silicone mais molinho, dobrável, tipo um urinol para mulheres conseguirem fazer xixi em pé (AliExpress). Óculos de grau extra Óculos de sol 2 cadeados para malas / lockers 1 lanterna pequena 1 lanterna de cabeça 1 toalha de microfibra grande (banho) 2 toalhas de microfibra pequenas (rosto) 2 fronhas (sempre levo, prefiro usar as minhas hehehe) 1 ecobag dobrável 1 malinha dobrável 1 térmica pequena para café (250ml) 1 garrafa térmica para água (1L) 1 copo de silicone retrátil (não precisei usar) 1 kit de talheres dobráveis 2 potinhos para levar comidinhas/lanches, sendo 1 de silicone retrátil 3 sachês drip coffee (viciadinha de leve xD) 3 sachês de whey protein 30g cada 3) ROTEIRO 20/11/25 (5a feira): ✈ São Paulo (BR) --> Punta Arenas (CL) Voo de madrugada com conexão em Santiago Tarde: livre para passear pela cidade, fazer mercado 21/11/25 (6a feira): 🛌🏻 Punta Arenas (CL) Manhã: Passeio Navegação Ilhas Marta e Magdalena Tarde: Passeio Forte Bulnes 22/11/25 (sábado): 🚍 Punta Arenas --> Puerto Natales (CL) Manhã: trajeto de ônibus (saída às 10:00h) Tarde: livre para passear pela cidade, fazer mercado e fechar passeios. 23/11/25 (domingo): 🛌🏻 Puerto Natales (CL) Trilha até Base de Torres del Paine (optei por fazer com agência e detalho melhor no tópico dos passeios) 24/11/25 (2a feira): 🛌🏻 Puerto Natales (CL) Manhã: Passeio Navegação Balmaceda e Serrano Tarde: livre / descanso 25/11/25 (3a feira): 🚍 Puerto Natales (CL) --> El Calafate (AR) Manhã: trajeto de ônibus (saída às 7:30h). Processo da fronteira foi super tranquilo, sem filas ou esperas muito longas. O trajeto completo de uma cidade a outra levou 6h no total. Tarde: livre para passear pela cidade, fazer mercado e fechar passeios. 26/11/25 (4a feira): 🛌🏻 El Calafate (AR) Passeio Todo Glaciares 27/11/25 (5a feira): 🛌🏻 El Calafate (AR) Passeio Glaciar Perito Moreno + Mini trekking 28/11/25 (6a feira): 🚍 El Calafate --> El Chaltén (AR) Manhã: trajeto de ônibus (saída às 8:00h). Precisa pagar uma 'taxa de uso do terminal' em um guichê específico antes de se apresentar no ônibus. 3.000 ARS. Tarde: Trilha Chorrillo del Salto 29/11/25 (sábado): 🛌🏻 El Chaltén (AR) Trilha Laguna de Los Tres / Senda Fitz Roy 30/11/25 (domingo): 🛌🏻 El Chaltén (AR) Mirador de los Cóndores / Mirador de las Águilas 01/12/25 (2a feira): 🛌🏻 El Chaltén (AR) Glaciar Huemul e Lago del Desierto 02/12/25 (3a feira): 🚍 El Chaltén --> El Calafate + ✈ El Calafate --> Ushuaia (AR) Manhã: trajeto de ônibus (saída às 8:00h). Também precisa pagar a 'taxa de uso do terminal'. 2.000 ARS. Desci na parada do aeroporto; precisa avisar o motorista pois a bagagem fica separada de quem desce na rodoviária. Tarde: voo pra Ushuaia (era às 15:30h mas atrasou pouco mais de 1h). 03/12/25 (4a feira): 🛌🏻 Ushuaia (AR) Manhã: Trilha Laguna Esmeralda (com @omarciopereira e Clarice) Tarde: livre para passear pela cidade e fechar passeios. 04/12/25 (5a feira): 🛌🏻 Ushuaia (AR) Manhã: Passeio Navegação Isla Redonda Tarde: Passeio Navegação Canal Beagle 05/12/25 (6a feira): 🛌🏻 Ushuaia (AR) Manhã: Passeio Parque Tierra del Fuego (com @omarciopereira e Clarice) Tarde: livre para passear pela cidade e arrumar as mochilas 06/12/25 (sábado): ✈ Ushuaia --> Buenos Aires (AR) --> São Paulo (BR) Manhã: terminar de arrumar as mochilas Tarde: voo para Buenos Aires (18:40h) 07/12/25 (domingo): ✈ Buenos Aires (AR) --> São Paulo (BR) Voo de madrugada e chegada em SP às 6h. 4) CLIMA Reforçando o @omarciopereira (que fez a viagem com a Clarice no mesmo período, mas com itinerário um pouco diferente - o relato dele está aqui com mais informações e dicas boas!), demos MUITA sorte com o clima. Apesar de já ser um período favorável por si só, sabemos da instabilidade patagônica - quase sempre vai acabar com muito vento, montanhas encobertas e alguma chuva no meio do dia. Pegamos praticamente todos os dias de céu azul e limpo. Em Ushuaia, peguei um pouco de chuva no passeio do Canal Beagle; e no meu retorno da Laguna Esmeralda, peguei uns 2 minutos de uma leve neve - apesar de ter achado que eram mini granizos na hora (capturei minha reação em vídeo, foi engraçado!). Apesar não ser o auge do verão, já escurece bem tarde, por volta das 21h30 - dá pra aproveitar muito mais o dia! Na real, me deu até uma bugada, porque eu queria ir dormir cedo, mas nunca conseguia hhahahha. 5) DINHEIRO / CÂMBIO Levei os cartões de débito Wise e Nomad e outros 3 cartões de crédito de bancos diferentes como plano B (não precisei usar). Fui comprando dólares aos poucos ao longo de 2025, concentrando principalmente na Wise porque a cotação sempre era melhor do que na Nomad. Nesse período, peguei a cotação de 1 USD variando entre ~5,40 a ~5,80 BRL considerando VET (taxa efetiva final com IOF e taxas de conversão). Fiz apenas 1 saque em caixa eletrônico durante a viagem inteira, lá no aeroporto de Santiago (durante a minha conexão), usando o cartão da Wise. A ideia era pagar o hostel porque tinha lido que só aceitavam pagamento em dinheiro, mas aceitaram cartão e não houve nenhum acréscimo no valor por isso, então paguei com Wise mesmo. Saquei 100.000 CLP e o caixa (do banco Santander) cobrou 8.500 de taxa. Isso me custou 117,16 USD no total (com a taxa do banco e da conversão da Wise). Fui usando esse dinheiro para compras no mercado e alguns restaurantes, tanto em Punta Arenas como em Puerto Natales. O restante que sobrou (pouco) eu troquei por ARS numa casa de câmbio em El Calafate (nem vi a cotação, só troquei) e usei pra pagar as taxas das rodoviárias e algumas lembrancinhas. Todo o restante dos gastos paguei usando os cartões da Wise ou da Nomad (só usei Nomad quando acabava o saldo da Wise e só percebia quando a compra era recusada por falta de saldo ahhahaha). Foram aceitos em todos os lugares que passei. E dei sorte do dólar não estar tão alto durante a viagem, então ia comprando na Wise conforme necessário. Também paguei algumas coisas usando transferência bancária pela Wise (explico melhor em outro tópicos do relato) e link de pagamento de alguns passeios, também usando o cartão da Wise. Cotações aproximadas na época (valores que eu usava pra converter de cabeça): 1000 CLP = 6 BRL 1000 ARS = 4 BRL (continua...)
  27. Boa tarde galera! Vou descrever abaixo meu relato do mochilão feito na terra dos hermanos do norte. Eu e minha companheira planejamos essa viagem desde, aproximadamente, agosto do ano passado. Na verdade, a ideia inicial era irmos à Patagônia ou Buenos Aires mas, diante do aumento abusivo nos preços do nosso vizinho mais ao sul, cancelamos nossas passagens pela Emirates, pagamos a multa e ainda assim valeu a pena financeiramente - e pela experiência - a troca. Nossa ida e volta foi pela Copa Airlines (ida Rio x Bogotá e volta Cartagena x Rio), os dois trechos com paradas no Panamá e com bagagens despachadas. O valor da ida e volta ficou em R$4280,00. Além disso, optamos por um vôo da Latam de Bogotá até San Andrés, que custou para cada por volta de R$1000,00 (não achei o comprovante de compra com o valor exato. Além disso, usamos um cartão da WISE para facilitar os pagamentos e cada um colocou, inicialmente, R$3000,00. No final da viagem, por conta de surpresas que aconteceram, tivemos que colocar mais uns mil reais para completar. A Wise não converte de Real diretamente para Pesos Colombianos, mas você tem que deixar convertido em dólar para o cartão fazer a troca automática na hora que for pagar. As hospedagens foram todas reservadas pelo Booking e pagas no ato do check in. Enfim, vamos ao relato. Dia 03/02 (Segunda) - Saída do Rio de Janeiro para Bogotá Nosso vôo pela Copa Airlines estava marcado para sair às 01h30 do aeroporto do Galeão e, como precavidos, saímos de casa por volta das 20h para evitar qualquer transtorno. Até porque, moro em Jacarépaguá, Zona Oeste do Rio de Janeiro e bate sempre o medo de o Uber atrasar ou acontecer qualquer outro contratempo no caminho. E confesso também que eu gosto da sensação de estar aguardando um vôo do aeroporto - principalmente se este tiver ar condicionado rs. Faz parte da viagem e, na verdade, já me considero viajando ao entrar no espaço do aeroporto. O vôo durou 7 horas até a Cidade do Panamá e o tempo que tínhamos para sairmos do avião e chegarmos até o portão de embarque do vôo para bogotá era em torno de 1h. Com todo aquele ritual de esperar a galera pegar as malas e descer do avião, dá para imaginar o quão corrido isso foi. Um adendo: há tempos eu não fazia um vôo mais longo assim. O último foi para Salvador e não passou de 3 horas. Bateu um certo nervoso de ficar preso tanto tempo num espaço apertado - eu tava na janela. Na próxima acho que vou de corredor mesmo rs. Mas percebi que era questão de costume. Nessa viagem peguei tanto avião em um curto espaço de tempo que no vôo de volta eu nem liguei para uma possível claustrofobia ao voar. Chegamos no aeroporto, pegamos um uber e, conforme combinado com o nosso host, pudemos deixar nossas malas no local até o horário do checkin - 14h - aos cuidados do concierge Leonardo. Aliás, gente boa demais! Nossa hospedagem ficou localizada na região da Candelária, em frente à Plaza Distrital de Mercado de La Concordia e à uma quadra da Plaza del Chorro de Quevedo. Com muitas opções de lugares para comer e bastante movimentado de dia e de noite. Me senti muito bem localizado por ali. Foto: Vista do rooftop da nossa acomodação na Candelária. Fomos dar uma volta pelos quarteirões da Candelária e escolhemos um lugar para entrar meio que pelo cheiro bom que vinha do local. Já estávamos morrendo de fome... e por sorte foi um almoço perfeito.. tava tudo delicioso. Naquele momento, descobrimos que nosso rolé na Colômbia não seria só por paisagens bonitas ou questões históricas ou culturais: é um país com uma culinária espetacular! E, para nossa surpresa, por um valor não tão alto - pelo menos se compararmos aos preços praticados aqui na Cidade Maravilhosa. Foto: Nossos pratos no primeiro restaurante, em nosso primeiro almoço na Colômbia. Espetacular! Depois de forrarmos o estômago, fomos arrumar nossas coisas na acomodação e dar uma descansada. Estávamos exaustos!Aliás, o valor da acomodação em Bogotá, do dia 03 ao dia 07/02 ficou em R$ 729,00 mais a taxa de limpeza de uns R$50,00. Depois de umas três horas de cochilo, fomos dar mais uma volta sem compromisso pelo centro, e ao voltarmos para Candelária, jantamos no restaurante Katarssis. Aliás, mais um acerto gastronômico. Tá certo que não foi uma comida típica da Colômbia, mas a massa ao molho pesto estava maravilhosa. Super recomendo. E como um costume dessa viagem, não achei muito caro. Se não me engano, o prato saiu menos de 50 para cada um. Considerando um local super turístico, valeu a pena! Foto: Nosso prato no jantar. Essa massa tava espetacular! 04/02 ( Terça) - Bogotá Na terça- feira, acordamos cedo e fomos tomar café em uma padaria que parecia ser bem local, apesar de estar em uma rua turistica - Panaderia Donde el flaco. Tomamos o legítimo café colombiano que, aliás, eles tem muito orgulho em dizer que é o melhor café do mundo. E eu acredito nisso. De lá fomos desbravando as ruas antigas da candelária, bem como as ruas do centro também. Principalmente as ruas próximas da Plaza de Bolívar, a principal da cidade, onde estão prédios icônicos e onde ficam também as centenas de pombos que viraram atração para os turistas. Como eu não acho muito legal ficar segurando pombo por aí, eu pelo menos aproveitei para fazr algumas fotos bem legais dessa interação. Foto: Uma das atrações são os pombos da Plaza Bolívar. Não sou muito chegado a pombo não, mas rendeu boas fotos. Foto: Estátua de Simón Bolívar, na praça em sua homenagem. De lá fomos buscar algum museu aberto pelo centro. Mas, para nosso azar, parece que na terça-feira não abrem muitos para visitação e, além disso, o Museu do Botero, que tanto ouvimos falar, estava fechado pelo menos até o sábado seguinte para manutenção. Triste.. Fomos até o Centro Cultural Garcia Marques ver o que tinha para oferecer. Não havia muito, mas só de passear no local já valeu. Vivenciar as ruas também faz parte da troca cultural e, sabendo disso, percorremos com calma muitas delas. Na hora do almoço, fomos em direção ao famoso Puerta Falsa mas, é claro, estava cheio. Escolhemos então um localizado logo ao lado, chamado "El mejor ajiaco del mundo". Nome um tanto pretencioso rs Minha companheira escolheu o ajiaco e eu fui de tamal. O dela estava muito bom mesmo! O Tamal confesso que fui pela curiosidade. Não é ruim, mesmo. É diferente. Apesar de parecer uma pamonha, o gosto é bem diferente disso. Mas não chega aos pés do ajiaco escolhido por ela rs. Apesar de vários museus estarem fechados, vimos que o Museu do Ouro estava aberto neste dia e, apesar de já meio cansados de andar, aproveitamos para visitá-lo. O museu é incrível e mostra o panorama das diversas nações indígenas que habitavam a Colômbia antes mesmo dos espanhóis chegarem, suas culturas e toda a mudança ocorrida após a chegada do europeu. Saindo de lá, fomos tomar café da tarde num local logo ao lado, chamado PANDEBONO Y CAFE EL DORADO. Como o nome diz, especializados em Pan de Bono e café. Descobri ali o tal pan de bono que já virei super fã. Parece um pão de queijo, mas mais macio e levemente adocicado. Uma perfeição! 05/02 (Quarta-feira) Bogotá Depois do café, fomos andando até a região da Plaza Cultural de la Santamaría, que havíamos visto por fotos e achamos bem bonita. Infelizmente parece que não fica aberta normalmente e só conseguimos ver por fora. Mas valeu a caminhada por todo o centro - pela área menos turística, pelo Parque de La Independencia, passando ao lado do planetário e pelo letreiro de Bogotá. Voltamos também a pé - melhor forma de conhecer a cidade e nos deparamos com uma cafeteria que vendia café com CBD. Ao que parece, aqui na colômbia é liberado. Ou pelo menos parece ja que a propaganda da cafeteria tava bem a mostra e ficava num prédio chique. Além disso, estava desde o início da viagem com uma dor terrível nas costas, que só passou após o uso de uma pomada com uma mistura de CBD, coca e arnica. Sobre o café em si, obviamente, não deu onda, mas relaxou bastante. Depois fomos à Casa de La Moneda, se esconder da chuva e, em uma grata surpresa, foi um bom passeio la dentro. De lá, finalizamos a noite com um mexicano que ficava localizado ali na Plaza Chorro de Quevedo. Fui buscar e comemos na hospedagem mesmo. 06/02 (Quinta - feira) Bogotá Era o dia de visitarmos o famoso Moserrate e a Casa de Bolivar. Mas essa segunda, pra nossa surpresta, estava fechada para reformas. Chegamos por volta das 10 horas no local para subir ao Monserrate e estava lotado de turistas. Aparentemente fica o dia todo asssim. Mesmo na nossa volta, no meio da tarde, a fila continuava imensa. Então é só questão de ter paciência mesmo. Na real nem demora tanto. Levamos em torno de meia hora para subirmos de bondinho. A vista, la debaixo, aliás, bota um certo medo.. ele é quase na vertical rs Foto: Subida até o bondinho. Tava bem lotado. Iríamos, na verdade, de furnicular que, além de ser mais barato, encoraja mais a subir quem tem medo de altura rs. Mas estava sem funcionar no dia e o jeito foi subir de bondinho mesmo. Pagamos em torno de R$50,00 cada para subir e descer. La em cima, além da igreja e da vista para toda a cidade, ainda tem uma feirinha com souvenirs que, incrivelmente, não pe superfaturado. É bem em conta, aliás. Compramos também uma medalhinha da catedral por uns R$15,00. Já temos a da Senhor do Bonfim e, apensar de não sermos religiosos, seria legal colecionar isso rs. Antes de descermos, tomamos mais um café espetacular la em cima, em um dos dois restaurantes que lá estão. Sério.. o café de lá é perfeito. Foto: Em cima do Monserrate com o casaco da seleção Colombiana 07/02 (Sexta - Feira) Despedida de Bogotá e partida para San Andrés Nesse ultimo dia apenas aproveitamos para correr e comprar os souvenirs para os amigos e partir para o aeroporto. Aliás, dentre os presentes, um me chamou mais a atenção: achamos uma barraquinha na Plaza de Bolívar com um artesão que faz passarinhos em miniaturas imitando os passaros tipicos da colombia, e vem ainda com um QR Code onde você acha informações sobre a espécie e ainda pode ouvir o canto dele. Foto: Barraquinha na Plaza de Bolívar com miniaturas de pássaros. Das três cidades que fomos visitar na Colômbia, Bogotá era a que eu tinha a menor expectativa. Mas acabou sendo, talvez a melhor experiência cultural e gastronômica da viagem. Fora as pessoas, todas bem receptivas e bem humoradas! Sem dúvida nenhuma vale a pena visitar a capital da Colômbia!! Como o meu hobby principal é Fotografia, deixo abaixo mais algumas fotos feitas na cidade, que além de tudo, ainda é muito linda. Deixo, também, o vídeo para o meu canal voltado para Fotografia, mas onde registro um pouquinho dessa viagem. Quem puder, deixe um comentário no vídeo sobre o que achou. Abraço! Em breve continuo com a segunda parte, em San Andrés!
  28. Dar dicas de viagem é fácil, faz isso, faz aquilo, faz aquilo outro, mas as vezes a gente precisa parar pra analizar se todos esses "fazes" fazem sentido, e nisso eu cheguei a 7 items que é do não-faz. Claro que eles vão ser polêmicos e também sempre tem um grande MAS no fim, porque tudo depende da circunstância, mas, isso deixo pros outros comentarem. Não peça conselho para locais Uma comentário que as vezes escuto de um local é de que eu conheço mais lugares do que ele que nasceu na cidade. A verdade é que um local não tem idéia do que é atração turística na própria cidade, tudo para ele é comum, um parisiense acha a torre Eiffel comum, um berlinense acha o muro de Berlim comum, um toquinense (quem nasce em Tóquio é o quê?) acha o monte Fuji comum, porque eles veem aquilo todo dia, nasceram vendo aquilo, agora imagina as atrações menos famosas? Nem sabem que existe. Um local apenas acha interessante o que é diferente da cidade, mas para quem não é da cidade, tudo é diferente, então aquela rua, aquele buteco, aquele lugar que ele acha legal, na verdade, num âmbito turístico, é só mais um de tantos lugares que não é tão atrativo assim para os de fora, pois o turista quer conhecer o comum daquela cidade, essa é literalmente a razão da viagem, se não nem teria viajado para lá. Não coma em restaurantes super-indicados Restaurantes indicados na sua grande maioria é caro, pode não ser uma fortuna, mas é um valor acima do padrão da cidade. Ir em uma viagem e conhecer só esses estabelecimentos é não conhecer a verdadeira culinária da cidade. O povo no dia a dia não come comida sofisticada, ele come daquele barzinho de esquina, da biboca, do restaurante perto do trabalho, essa é a verdadeira comida local. Imagina um gringo indo pra São Paulo e indo comer no Fogo de Chão, numa pizzaria na Vila Mariana que uma pizza custa 120 reais, no restaurante do cozinheiro 'isso é vergonha da proffissón', não há duvidar de que ele conheceu um pouco da culinária da cidade, mas certamente ele não conheceu a verdadeira culinária local. Não use taxi (e carro de aplicativos) Transporte público é a verdadeira experiência local de uma cidade, é como entrar em super mercado, é onde você vê o mais comum do comum, é o dia a dia, é o arroz com feijão, é onde os mortais andam. Além de economizar dinheiro (estamos num site de mochileiros, e não de viagem de luxo, né) você realmente entra em contato de quarto grau com o mundo afora, quanto mais o país é diferentes do nosso, como os da Ásia, maior é o desafio em entender como eles pensam e agem. E não tem souvenir mais legal (mentira, tem sim) do que os cartões de transporte. Deixe a preguiça de lado, pegue um transporte público e sinta a cidade. Não viaje verão (e no inverno) O aquecimento global já chegou faz tempo, tirando os extremos dos continentes, todo lugar é muito quente no verão. Na Europa bate 35-40 graus, na Ásia se soma com uma umidade de ver peixe nadar no ar, na América do Sul o sol é de lascar cano, isso sem contar a horda de locais e turistas indo pros lugares mais famosos. Evite esse sofrimento a toa, escolha um pouco antes ou depois do auge do verão, porque além de ser mais fresco, vai ter menos gente disputando o seu lugarzinho no sol (ou na sombra no caso). E no outro extremo, como o Brasil não tem bem um inverno, então não estamos acostumados ao quão sofrível é viajar nessa época do ano em países onde existe um inverno de verdade. O sol nasce 8-9h da manhã, se põe 16-17h da tarde, o vento gelado não deixa nem bater uma foto sem fazer sua mão doer, você nem sente mais o seu rosto depois de meia hora andando pela rua. Se realmente pretende viajar no inverno pra ver neve, vá lá pro extremo norte ou sul do planeta, porque mesmo na Europa, não é muito fácil de ver neve nas grandes cidades, e as vezes nem a cidade se vê direito, porque a névoa é densa e constante. Não pesquise muito sobre o destino Quando você vai ver um filme, você lê todos os spoilers antes de ir ao cinema? Acredito que não, e recomendo fazer o mesmo para cidades. O trailer ajuda a ter uma ideia do que esperar de um filme, mas ficar pesquisando ostensivamente um lugar faz perder um pouco da magia da novidade e da surpresa. Pesquise o básico, mas não fique vendo vídeos de youtube, prefira ler blogs onde você fica apenas imaginando, sem estragar a surpresa. Uma frase comum de viajante é "achei aquele lugar incrível e eu não esperava nada dela", isso acontece pelo fato de não ter dado bola e pesquisado pouco pelo lugar, e acarreta aquela surpresa de ver ao vivo. Não visite cidades muito pequenas Poucas pessoas tem o privilégio de fazer uma viagem longa, de poder gastar o tempo que quiser em uma cidade, mas, isso não é a nossa realidade (viu Fabiano), temos férias curtas, dias marcados, então aproveite esse tempo para conhecer cidades maiores onde se tem uma maior gama de atrações. Ir a cidades pequenas, especialmente quando é longe, faz perder um tempo precioso fazendo nada, então, tire do roteiro aquela cidadezinha que te faria desviar 500km da rota e 1 dia de viagem e gaste em um lugar mais proveitoso. Não existe must see Em 2013 eu tive em Paris pela primeira vez e não entrei no museu do Louvre, eu consegui sobreviver a isso esse tempo todo, e apenas no ano passado quando voltei pela segunda vez a cidade da luz, fui finalmente conhecer o dito cujo. Foi legal? Foi, eu gosto de museu, mas você não precisa conhecer todo "must see" porque não lhe vai cair uma perna ou braço, principalmente quando não é do seu interesse. Eu mesmo nunca pisei num museu de arte moderna, não acho interessante, então eu pulo essa dica de todos as cidade, pode ser o MoMa, mas eu não entro. E além disso, tem aqueles pontos turísticos que é famoso porque tem gente que vai lá porque é famoso, que vai lá porque tem gente indo lá porque é famoso, ad infinitum. Pode até ter uma história interessante por trás, mas 99% das pessoas vão só pra dizer que foram, não perca seu tempo só pra fazer fotos pros outros, gaste seu tempo para si. E mesmo para os lugares mais icônicos, as vezes por força do destino você não consegue ir, mas no fim não vai estragar tanto assim sua experiência, porque 99% do seu tempo você está passeando e vivenciando a cidade. Bom, e é claro, reiterando, todos esses pontos tem seus 'mas..', mas...., não vim para isso.
  29. CANYON E VALLE DEL COLCA e PUNO 22 DE MAIO – QUINTA (Canyon/Vale del Colca – dia 1) Acordamos bem cedo (acho que vcs já enjoaram dessa fala não, haha) e nos preparamos pra sair, nosso guia passou no horário combinado e nos dirigimos a van que estava estacionada a duas quadras do nosso hotel. Daí aconteceu um acidente intestinal com meu marido HAHAUAHAUAHA... na altura que passávamos pela plaza de armas, bem na frente do restaurante que tínhamos jantado no dia anterior, ele simplesmente correu pra dentro, kkkkkk... no whatsapp uns minutos depois me disse “vai pra van, já te encontro” hahauaha... Eu falei pro guia esperar uns minutos já lá na van onde só faltava o Gui, informando que ele estava com indisposição estomacal... ele concordou. Dali mais uns minutos o Gui apareceu com outra roupa HAHAUAHAUAHA (sorte que estava com a mochila completa, com todas as nossas coisas) e seguimos, kkkkkkkk... vou poupar vcs (e ele) de detalhes maiores. Portanto, a diarreia do Gui veio ainda no Peru, falo mais sobre isso quando chegar a minha hahauaha! A van do dia anterior tinha sido desconfortável... eu sei lá se é pq eles (peruanos) são pequenos, mas eu e Gui simplesmente não cabíamos direito nos assentos, e olha que não somos imensos. A de hoje era igual, eu disse pro guia que tb estava enjoada, que não queria ir lá no fundão (como fomos os últimos, os lugares eram os piores again) e acabei indo na frente com o motora, o Gui sozinho lá no fundo ficou mais confortável. No caminho, o guia, excelente, nos deu muitas informações sobre muitas coisas. Fauna, flora, geologia, cultura, história... foi um dia de muito aprendizado. Ele falou bastante dos vulcões, contou histórias, falou dos guanacos e vicunhas – espécies de camelideos selvagens – e tb de lhamas e alpacas (as espécies domesticadas), e pudemos ver todos eles... enfim, eu gostei demais! Eu não vou discursar aqui sobre estas espécies pq não sei se interessa a alguém. Se vc estiver lendo e te interessar comenta aqui que eu falo, haha! Guanacos, lhamas, alpacas! Nossa primeira parada além das pra ver bichos foi em Patawasi, que é um povoado onde vc vê umas formações rochosas interessantes e tb pode comprar coisinhas e chás de munha/coca entre outros. Paradinha em Patawasi Depois seguimos pra uma parada que era muito esperada por mim, o Mirador de Los Andes, de onde se avista uma porrada de vulcões, inclusive um em erupção (o Sabancaya). Esse mirante fica a quase 5000msnm, é o ponto mais alto do rolê. Eu amei muito, a gente ficou uns 20 minutos por lá! Olha o Sabancaya com fumarola! Depois de subir a quase 5000msnm a gente começa a descer o Vale do Colca até Chivay, que é a maior cidade da região (8 mil pessoas), situando-se em 3800msnm. Fizemos mais paradas em pequenos miradores para contemplar os terraços de cultivo pré-incas e o fabuloso vale, bonito demais! Valle del Colca e Chivay Almoçamos no restaurante que estava incluso no tour, bem gostoso... e demos um tempinho brincando com um cachorro fofíssimo que veio pular em mim, rs. A tarde estava prevista uma visita opcional a uma termas, e os que optaram por ir, escolheram ir direto após o almoço. Quem resolveu não ir foi levado ao hotel de escolha. Nós, obviamente, fomos pras termas! Visitamos os banhos termais de Chacapi, que fica no povoado ao lado, de Yanque. Ainda tinha coisa sendo construída ou reformada, mas foi delícia! Dava pra ver os locais de onde a água brotava do chão, fervendo, e eram direcionadas a diferentes piscinas com diferentes temperaturas. Dava até um pouco de medo, rs. E tudo isso emoldurado pelo Rio Colca. Ficamos bastante tempo numa piscina beeeem quentinha, haha, pq estava sem ninguém. Um tempo mais dentro d’água, um tempo mais fora... mas ficamos lá até as 16h, quando já estava realmente frio de doer fora da água! Mas valeu demais. Termas! Voltamos de lá e fomos deixados no hotel Pandora, incluso no rolê tb, que era uma graça e foi uma grata surpresa. As proprietárias muito queridas, cama super confortável e banho quente, oh glória! A noite fomos jantar na cidadezinha e andar por suas ruas centrais... bem pequena mas fofinha, gostei de Chivay. Chivay! 23 DE MAIO – SEXTA (Canyon/Vale del Colca – dia 2 >> PUNO) Nosso guia buscou a gente as 6h da manhã rs, tomamos café rapidinho e partimos! A primeira parada foi no mesmo povoado do dia anterior, Yanque. Uma parada “artificial" haha, pra comprar bugiganga. Era muito cedo, tava um frio da porra, e tinha umas moças com roupas típicas fazendo apresentações de dança na pracinha, deu um pouco de dó. Povoado de Yanque! Na sequencia paramos no povoado de Maca, mesmo esquema do anterior, mas com mais coisas... e aí já era mais de 8h da manhã, me senti a vontade pra provar o Colca Souer, hahahauaha, um drink (sim, com alcool) feito com Pisco, clara de ovo e uma fruta de cactos típica da região (que parece uma pitaia, só que muito azeda, gosto de kiwi). Povoado de Maca e Colca Souer Mas vamos ao que interessa, o Canyon del Colca de fato e os fabulosos condores. O guia deu mais um show de informações, falando muito sobre os condores (que não são as maiores aves voadoras do mundo inclusive) e o Canyon... que sim, é o mais profundo do mundo (4160m, o Grand Canyon é cerca de um terço disso), mas não o maior, claro. Falou dos vários tipos de métricas usadas pra classificar os diferentes cânions, foi muito legal. Novamente, não sou capaz nem acho interessante reproduzir tudo que aprendi neste dia... o canyon é maravilhoso, andamos mais de 1h por seus caminhos e avistamos muito condores em voos magníficos! Poupar vcs de mil fotos e vídeos, mas foi legal demais! Canyon del Colca! Tiramos fotos bem turistões com pessoas fantasiadas de condor e as galera do meu insta acharam que era de verdade... eu nem me esforcei deos, kk Voltamos então pra Chivay e fomos almoçar num outro restaurante buffet no mesmo esquema do dia anterior, mas menos bom na minha opinião. Não tava ruim, mas não tinha trucha, kk. De lá, nosso grupo ia voltar pra Arequipa, mas nós fomos transferidos pra um ônibus pra seguir a Puno. O ônibus era super confortável mas mais uma vez a viagem foi sofridinha devido à qualidade do asfalto. Como era um rolê turístico, não uma simples transferência, tivemos novamente 3 paradas. Uma em Patawasi, uma no Mirador de los Andes (ambas já tínhamos “conhecido” no dia anterior) e uma nova: Mirador Lagunillas. O guia explicou que era uma laguna como o Titicaca, mas bem menor... embora muito mais alta. Enquanto o Titicaca ficava a 3800msnm, estas ficavam a 4444msnm. A parada tb foi muito interessante. Elas eram bem maiores do que eu esperava, tava um frio absurdo... e enquanto contemplávamos a beleza do lugar começou a nevar! Foi MUITO INCRÍVEL. Lagunillas e neve! Chegamos em Puno já era de noitinha, fomos direto ao hotel, que foi 1000 de 10 tb. Deixamos as mochilas e saímos pra fazer 3 coisas, rs! Conhecer o que fosse possível da cidade, comprar passagens pra Copacabana, na Bolívia, e comer! Fomos a pé ao terminal rodoviário (levou quase 30 min) e compramos as passagens (custou 30 soles cada, Trans Titicaca) para as 7h da manhã do dia seguinte (só tinha horário as 6h e as 7h, rs). Aí a gente tava exausto, paramos um tuktuk (sim, tinha!) e ele nos levou de volta ao centro por 4 soles. GLÓRIA. Puno. Andamos por pracinhas e um boulevard onde só tem pedestres, gostei da vibe da cidade... talvez ficaria um dia se fosse possível... mas não mais que isso. Lá tem os passeios às ilhas flutuantes, mas não consegui encaixar e vi/li umas coisas que não me fizeram me esforçar pra ficar, rs. Então comemos umas empanadas e voltamos pro hotel descansar, o dia seguinte tinha fronteira terrestre! CONTINUA.
  30. Pessoal, eu esqueci de comentar neste começo sobre a ACLIMATAÇÃO A ALTITUDE. A cidade de Cusco, nossa primeira, fica a 3400msnm, e a gente sentiu logo de cara, como comentei, o cansaço de subir a ladeira onde ficava nossa casa, rs. A gente não seguiu o que se deve fazer, que é evitar beber álcool e não comer carne... não fizemos refeições pesadas, mas bebemos absolutamente todos os dias da viagem, rs! Mas fomos incrementando passeios de altitude aos poucos como viram. Nos primeiros dias a outra Ju e o Gui sentiram mais, tiveram dores de cabeça e enjoo! Depois melhoraram. Mas o cansaço era compartilhado por todos. No fim da trip, já na Bolívia, eu e Gui tivemos noites muito ruins, com falta de ar... o tempo estava extremamente seco, senti muito mais do que o Atacama por exemplo. Aí o nariz trancava, sangrava... eu tomava muita água pq me sentia desidratada o tempo todo, aí acordava 3x pra fazer xixi a noite, numa friaca do caray... e não respirava... então eu tomei diamox a partir destas noites péssimas e achei que me ajudou. Fizemos uso ininterrupto de chás de coca e munha, MUITO... usamos bastante água florida nos dias de trilha mais pesadas ou mais altitude, e tomei muita dipirona, rs. Inclusive a minha acabou e tive que comprar lá... tem outro nome (metamizol), mas é a mesma coisa. Com exceção de Machu Picchu Pueblo e Arequipa que ficam abaixo dos 3000msnm, toda a nossa viagem ficou acima dos 3500msnm, chegamos a 5400 no ponto mais alto... algum grau de mal estar nos acompanhou por toooda a viagem. Mas não tivemos nenhum problema mais sério. Agora continua com a estrelinha de Cusco... Machu Picchu!
  31. Dia 5 - Montanha Colorida (ou quase) 3h30. O despertador toca impiedosamente. A Valéria levanta, animada. Eu, nem me mexo. Destruído, dilacerado. Sem chances de qualquer coisa. "Acorda, Renan. Vamos!" Ela insiste diversas vezes. Eu não consigo. Desculpe, não vai ser hoje que farei esse passeio. ~ voltando um pouco no tempo, fechamos esse passeio por 60 soles cada um. Bem barato. Em uma agência chamada macchu pichu tours. Ou algo desse tipo. Um cara preço do plaza de armas ofereceu várias vezes. Até ficar barato assim. Eu desconfiado falei que ia depois e chequei na internet. Não é que a agência existia mesmo? Hahahha. Fomos e fechamos lá ~ 04h00. A Valéria continua se trocando e arrumando as coisas. A Van passaria as 04h30. E esse dia tinhamos que deixar todas nossas coisas na recepção, porque de noite mudaríamos de hostel (não conseguimos fechar no mesmo hostel) 04h20. Acordo, puto da vida. Morto. Xingando tudo. "ATÉ PARECE QUE NÃO VOU IR NESSA PORRA!". Coloco o tênis e... opa! As bolhas não doem, vou conseguir andar. 04h30 estou pronto para o passeio. Seja o que Deus quiser. A Van passa e ficamos por 2 horas até parar em um lugar para tomar café da manhã. (o melhor dos passeios que tomamos até agora). Depois mais 2 horas para chegar até a montanha colorida, carinhosamente chamada de Vinicunca. Dormi 3h50 mais ou menos dessas 4 horas de viagem. Hahahaha. Nenhum brasileiro também. Mas dessa vez, só gente da América do Sul, América Central e pessoas mais "velhas". Sabe o que quer dizer? Tô em casa. Um monte de gente que se lascou na altitude como nós. GENTE COMO A GENTE! Hahahahha. Só chuva no caminho, já imaginei que não veríamos nada. Quando descemos da Van, começo a andar e falo: "Não para de chover... ei! O que é isso, neve?" Sim. Estava nevando. Estou vendo neve e sentindo pela primeira vez na vida. QUE FODA! Contínuamos a subir e fazemos amizade com a galera. Uma família de Porto Rico decide ir de quadriciclo. Eu e a Valéria vamos a pé. Junto conosco, um pessoal do Peru de Lima e um cara que fizemos amizade da Guatemala. Que apelidei de "Guate". Vamos andando, cada vez com mais neve. Mas não tava frio não. Uns 8 graus. Perto daquela imensidão branca que estavamos vendo, estava ótimo. Eu e meu tênis 100% confortável da decathlon de 180 reais erámos outra pessoa. Subia feliz, fazendo piadas, curtindo aquilo tudo. Mas... hoje foi a vez da Valéria passar mal. Estava cheia de dor de cabeça e falta de ar. Tadinha! Já eu, incrimente estava bem. Zero efeitos da altitude! Sem dor de cabeça, sem enjoô, sem diarréias. NADA! Subimos devagarzinho. Eu dando meus escorregões mas não parava de subir. Chegamos finalmente no "falso cume" da montanha Vinicunca. E de colorida ela tinha só duas cores: Preto e branco. TOTALMENTE NEVADA! Mas foda do mesmo jeito! 5000 e pouquinho. Tiro foto com as lhamas lá em cima. Lá vende algumas bebidas e comidas pelos locais. O Guate compra e na hora de pagar coloca em uma pedra: o cachorro come na hora tudo. A Valéria carimba o passaporte e então olho pra cima. Tem o "cume verdadeiro". Eu quero ir lá! "Será que tem 5000 aqui mesmo, amor? E se tiver 4999 metros? Vamos lá no cume!" A Valéria não quer ir. Está passando mal. Eu chamo o Guate pra ir. E aí é a vez da Valéria falar: "ATÉ PARECE QUE NÃO VOU NESSA PORRA!" Isso te lembra alguém hoje cedo? hahaha Subimos ainda mais até chegar na placa de 5036 metros e ver TUDO NEVADO! Que foda. Chegou a hora de descer, vamos indo com calma e descendo, a Valéria vai melhorando. E a medida que descíamos, a neve ia derretendo e ficando tudo de outra cor. Muito bonito! Voltamos as 4 horas novamente até Cusco e é óbvio que dormimos quase isso tudo denovo, de cansados. Nossa cara ficou toda queimada pela neve. Os raios solares refletem nela e se lascamos. Coisa de marinheiro de primeira viagem "nevada". Chegamos ao hostel e capotamos. E nossa aventura chega ao fim... depois só coisas sem graça de esperar a hora de voltar pra casa e comemorar que estávamos vivos. Espero que tenham gostado da nossa jornada! Café da manhã top! Lago em forma de coração e o gelo ao lado As lhamas enquanto subíamos a montanha Nós e a imensidão de gelo Montanha colorida (?) Eu e minhas amigas Lhamas! No topo da montanha Vinikunka! 5086 metros de altitude! Na descida, tudo descongelando.
  32. (Continuação...) Dia 3 - Estrada para Machu Picchu Dormimos que nem uma pedra. E finalmente me senti recuperado. A Valéria dormiu bem também. Tudo certo! Hora do café da manhã. Mais... chá. Água quente... não aguento mais. Cadê uma coquinha gelada com a data de validade em dia? Independente disso, tomamos nosso café, coloco minha bota que me incomoda mais que o normal. As bolhas do dia anterior apareceram e estão me enchendo o saco. Começamos a caminhada, agora sem altitude... que delícia. Hoje eu era o primeiro da turma. Puxava a fila, mesmo que ache que o pessoal estava mais devagar que o normal, não queria nem saber. Finalmente não era o último. No nível do mar mando eu! (nem estamos no nível do mar, hauahauahua). Seguimos andando e... outra paisagem. O rio que corta tudo que andamos nos acompanha e muito verde. Lindo! O guia vai parando para dar algumas explicações breves sobre frutas e plantas da região. Alguns dos lugares que passávamos era bem perigoso. Deslizamentos de pedra que arrebentavam a estrada. O guia falava para passarmos rápido, de 3 em 3. Por sorte... nada aconteceu. (ufa!) Chegamos a um local que faz café. O guia mostra como o café era feito e participamos do processo. Não achei nada muito legal, mas tudo bem. Provamos o café depois de feito. Ô café ruim da porra. Não que eu seja um fã de café, mas... Almoçamos e então uma van nos levaria até a trilha base de Machu Picchu. Nos separamos da maioria do grupo, menos de duas pessoas que fariam o Salkantay de 4 dias também. Todos os outros fariam o Salkantay de 4 dias e iriam para as piscinas termais naquela tarde (ô inveja!). O guia nos dá um mapa de quem procurar e quem entregar as malas por aquela região. Loucura. Um mapa mal feito da porra, parecia que eu era o Indiana Jones tentando achar algum tesouro perdido. Achamos o bar para deixar a mochila e... cadê o celular da Valéria? Pensamos, poderia estar na van. Ou pior... poderia ter caído quando ela foi pegar a capa de chuva. E isso mesmo que aconteceu. Ela volta correndo com o motorista da van e instantes depois surge a mulher, correndo no meio da chuva, mas dessa vez com o celular na mão. Seguimos a trilha. Linda, mágica. Sempre andando ao lado do trilho do trem. No começo tem um fim e uma passagem subindo no meio das pedras? Será que era ali o caminho? E era mesmo. Fomos, voltamos na dúvida, achamos um guardinha e perguntamos. Subimos novamente e continuamos a caminhar. A trilha é sossegada, em linha reta, cheia de pedras. Mas meu pé estava judiadíssimo. Doía a cada passada. Quantas bolhas! E lá vem o trem. Que foda. Paramos para assistir e continuamos andando. Logo mais vejo uma estátua de um urso e descubro que existem urso em Machu Picchu. Ele é preto e tem a cara branca. Que dahora. Não fazia ideia! A placa aparece e vamos chegando a cidade. A cidade linda, cheia de estátuas, fodástica ao extremo. Chegamos no hostel às 18:32, o briefing seria as 18:30. Já entramos na reunião e logo em seguida o novo guia vai explicando o que devemos fazer no outro dia, nos dando os tickets de entrada para as ruínas. Levanto a mão e pergunto: "E quem vai a pé?", lógico que inglês e tudo errado. Ele explicou beeeeeeem mais ou menos. Mas um grupo de gringos novos falou que sabia o caminho, nos convidando para ir juntos. Estava feito então> próximo dia nos encontrar as 04h30 na frente do hostel para irmos a pé. O grupo dali foi jantar mesmo, seguindo o guia. Nós estávamos imundos, mas fomos juntos... não tinha o que fazer. Comi bem, pedi outro prato de comida e voltamos ao hostel para dormir. É AMANHÃ! Paisagem mudou completamente! Floresta Amazônica. Vários deslizamentos de pedra e estradas destruídas. Mapa 100% confiável (?) Trilha para Machu Picchu Estátua dos ursos incas Eu e a Valéria ao lado do trem. Chegando na cidade de Machu Picchu A estátua foda! O condor representa o céu, a puma a terra e a cobra o mundo dos mortos. Hoje comi feliz. E A MINHA COQUINHA !
  33. Saudações viajantes! Acabo de retornar de uma viagem incrível ao Norte do Brasil, sendo minha primeira vez na região. Foram 15 dias intensos em contato com a Floresta Amazônica, enorme biodiversidade, cultura e povo nortista, com paisagens surpreendentes e muitas amizades criadas ao longo do trajeto. Explorar a Região Norte e conhecer a Amazônia era um sonho antigo e aproveitei as férias de janeiro para coloca-lo em prática. Meu maior objetivo dessa viagem era ficar em uma pousada de selva para conhecer e viver a floresta na sua essência, mas aproveitei para incluir outros destinos que já estavam no meu radar (como Alter do Chão), e foi um acerto. Janeiro é considerado é um mês de baixa temporada na Amazônia devido ao clima, já que eles estão no "inverno amazônico" e é o início da temporada de chuvas. Muitos colegas me alertaram sobre o risco de ir nesta época e as chuvas atrapalharem a viagem, mas já adianto que não tive qualquer problema em relação à isso. As chuvas não foram obstáculo em nenhum passeio e acredito que elas façam parte da experiência amazônica, afinal, estamos na maior floresta tropical do mundo, né? ROTEIRO Montei um roteiro prévio antes da viagem e acabei seguindo a maior parte dele, com poucas alterações ao longo da trip. Assim, o roteiro final ficou desta forma: 05/01/2026 - SP X MANAUS 06/01/2026 - MANAUS (Teatro Amazonas, Largo de São Sebastião, Mercado Municipal, Orla do Rio Negro, Mirante Lucia Almeida) 07/01/2026 - SELVA 08/01/2026 - SELVA 09/01/2026 - SELVA 10/01/2026 - MANAUS (Palácio Rio Negro, Ponta Negra, Mercado Municipal, descanso de leve) 11/01/2026 - MANAUS X ALTER DO CHÃO (Praia do Cajueiro, conhecer Alter do Chão) 12/01/2026 - ALTER DO CHÃO (Ilha do Amor) 13/01/2026 - ALTER DO CHÃO (Turismo de cura) 14/01/2026 - ALTER DO CHÃO (Canal do Jari) 15/01/2026 - ALTER DO CHÃO (Rio Arapiuns) 16/01/2026 - ALTER DO CHÃO X BELÉM (Estação das Docas) 17/01/2026 - BELÉM (Theatro da Paz, Museu das Amazonas, Ver-o-Peso, Centro Histórico, Parque Zoobotânico Emilio Goeldi, Mercado São Brás) 18/01/2026 - BELÉM (Mangal das Garças, Basílica de Nazaré, Ver-o-Peso de novo) 19/01/2026 - BELÉM X SP HOSPEDAGENS Tanto em Manaus quanto em Belém fiquei no Ibis. É aquela coisa né? Padrão ibis, não tem muito o que falar kkkkkk bom custo-benefício, café da manhã bem servido e boa localização, no centro de ambas as cidades. Em Alter do Chão, fiquei em quarto coletivo no Hostel Pousada do Tapajós (muito bem recomendado aqui no fórum) e indico fortemente. Pousada bem localizada, próximo ao C.A.T, Praia do Cajueiro e a 10 minutos andando da praça principal. Os funcionários são atenciosos e o café da manhã é bem honesto, com pães, bolos, geleias, frutas, ovo e tapioca, além de café e sucos de frutas regionais. A diária no quarto coletivo é de R$ 95,00. Para a selva, fiquei na Pousada Juma Lake, também muito recomendada aqui no Mochileiros, e gostei demais. Paguei R$ 1.200,00 no pacote de 3 dias, com tudo incluso (refeições e passeios). Ao longo do relato vou dar mais detalhes sobre a escolha da pousada de selva. PASSAGENS Infelizmente, as passagens para o Norte sempre são um pouco mais caras. Mas, considerando ser mês de janeiro, até que paguei um preço bom. Comprei as passagens em duas partes: 1º - SP X MANAUS e BELÉM X SP: R$ 1.460,00 (Latam) 2º MANAUS X SANTARÉM e SANTARÉM X BELÉM: R$ 678,00 (Gol) ITENS INDISPENSÁVEIS NA AMAZÔNIA Não vou especificar as roupas que levei como sempre faço, mas sim detalhar o que é indispensável em uma viagem à Amazônia. Protetor solar (comum e facial) - PRIMORDIAL! O sol judia muito, até mesmo no inverno amazônico rs Repelente - De preferência o Exposis. Nas cidades não vi tanta necessidade, mas para a selva é essencial. Camiseta UV de manga longa - É bom, principalmente se você já estiver muito queimado rs Camisetas Dry Fit - Secam rápido, então se pegar chuva ou se molhar muito em algum passeio (navegar pelo Rio Tapajós é praticamente uma montanha russa) é mais do que válido. Calça de tactel fina - para as trilhas na selva. Remédios para enfermidades diversas (loratamed para alergia à picada e floratil recomendo demais) Bora para o relato!
  34. Oi pessoal! Ano passado tive a oportunidade de realizar um sonho: meu tão sonhado mochilão pela América do Sul! Estou começando a escrever esse relato meio que de repente. Desde quando eu estava viajando eu já esperava poder compartilhar essa linda experiência um dia mas logo em seguida que voltei do mochilão já comecei uma nova mudança na minha vida, e quase dois meses depois do mochilão, me mudei para França e estou vivendo aqui desde então! Muitas coisas aconteceram antes dessa viagem acontecer de fato, então gostaria de compartilhar porquê acredito que foram essenciais pra eu poder realizar esse sonho. Enfim, apenas uma introdução pra quem assim como eu, gosta de saber das experiências dos outros hahaha Bom, antes de começar a contar a minha experiêcia fazendo meu primeiro mochilão em uma viagem solo, é impossível começar esse relato sem contar de onde surgiu esse sonho. E esse sonho surgiu dessa comunidade, lá em meados de 2021. Eu estava vivendo uma vida onde eu eu não era feliz, onde eu lembrava constantemente dos sonhos que eu tinha e do mundo que eu sempre sonhei conhecer, mas eu estava estagnada, presa. Estava também em um relacionamento onde não havia um futuro e foi onde a vontade de viver, sem nem saber o quê ao certo, começou a crescer dentro de mim. Eu sempre sonhei em viajar, conhecer o mundo, e nessa época comecei a pesquisar sobre mochilão na Europa. Encontrei a comunidade dos Mochileiros em uma busca pelo Google e logo comecei a ler alguns relatos de viagem. Passeando pela comunidade, comecei a ler alguns relatos de mochilão pela América do Sul, e foi aí que fazer um mochilão pelo meu próprio continente passou a ser um sonho. Eu me apaixonei pelos lugares que eu vi e desejei do fundo do meu coração conhecê-los. Acho que parte da vontade de escrever esse relato é para que de alguma forma ele também inspire as pessoas, porquê foi através dos relatos que eu li naquela época que eu pude sonhar esse sonho, e foi lindo! Então obrigada galera da comunidade 🙂 Fiquei muito tempo imersa nesses relatos de viagem, mas a vida tomou um rumo diferente e eu fui viver outras coisas que eu precisava viver naquele momento da minha vida. E foi em Março de 2024, após uma viagem pro Rio de Janeiro, em meio a uma crise de identidade/ansiedade no meio do banho (lugar de grande tomadas de decisões) que eu resolvi que iria fazer esse mochilão sair do papel, que eu iria sair do meu trabalho onde eu já estava há 5 anos e que me trazia estabilidade. Eu decidi que iria sair do Brasil com o intuito de conhecer o mundo, e foi a partir daí que todo o planejamento do meu mochilão começou a acontecer. Sentei na frente do notebook e comecei a reler todos os relatos de mochilão na América do Sul que eu já havia lido em 2021. Comecei a ver vídeos no youtube, decidir os lugares que eu queria conhecer, comecei todo o planejamento da minha viagem do zero. Eu estava muito feliz e empolgada, mas 2 meses depois eu estagnei no meu planejamento porquê comecei a me sabotar. Comecei a sentir medo, a duvidar da minha capacidade de fazer uma viagem como essa e a sentir que era um sonho impossível, afinal, como eu iria fazer uma vigem como essa acontecer? Como eu teria coragem de largar meu emprego e começar uma vida do zero em outro país? Eu realmente comecei a desistir. Até que um dia eu tive uma sessão de terapia que me fez aceitar o processo e a ser mais gentil comigo e isso foi muito importante. Dias depois conversei com uma amiga que já morava na França há uns 3 anos, e em uma conversa de vídeo pra gente atualizar a vida, já que não nos falavámos há algum tempo, ela me disse "amiga, eu acho que você deveria vim pra França nas suas férias, ver um lugar diferente, novas pessoas"; e foi assim que, 40 minutos após essa ligação, eu comprei — impulsivamente — uma passagem para Paris parcelada em todas as vezes possíveis, com embarque em dois meses. Estou contando essa história só para dizer como ter vindo pra França por 9 dias foi o empurrão que eu precisava pra sair da minha zona de conforto e meter a cara pra realizar meu sonho. Nessa viagem eu também fui com medo. Medo de não conseguir me comunicar em outro idioma, de me perder, de algo ruim acontecer. Mas eu fui, e todos os medos e inseguranças que eu tive foram superados e eu vi que eu conseguia! Logo que voltei pro Brasil eu recomecei mais uma vez o planejamento do meu mochilão, e dessa vez foi pra valer. Eu comecei a definir a data que eu ia embarcar, quanto tempo iria ficar em cada lugar, decidi também que eu iria sair do meu emprego e com o acordo que eu faria, eu iria fazer meu mochilão e me mudaria pra França, sem certeza de nada; e além de tudo isso, FINALMENTE comprei a passagem para embarcar, comprei a passagem para Bolívia, e aí as coisas começaram a acontecer. Obrigada universo! Quis contar um pouco da minha história porque esse mochilão realmente mudou a minha vida. 2025 foi um ano de grandes mudanças e elas só acontecerem porquê eu decidi ir com medo mesmo, sem saber o que me esperava. Eu saí do meu emprego, realizei um sonho do qual passei tanto tempo desejando e as vezes pensando que era impossível, e também parti rumo a outro continente, deixando o país que eu tanto amo e tenho saudade, pra poder continuar seguindo, conhecendo o mundo! Dito tuuudo isso, irei contar tudo o que eu vivi nessa jornada que foi transformadora, tentando colocar o máximo de detalhes possíveis para que ajude quem está planejando fazer um roteiro parecido. No começo da viagem eu até tentei anotar todas os meus gastos mas chegou uma hora que eu me perdi, então irei tentar colocar as coisas que eu lembro hahaha O meu mochilão foi cura, foi aprender a cuidar de mim nos momentos em que eu estava frágil, onde muitas vezes a solitude saía e eu precisava encarar a solidão e as dores que eu não queria. Foi um momento onde eu cresci e me tornei mais forte, pois ao longo de grande parte dessa jornada, eu fui minha única companhia, imersa nos meus próprios pensamentos e sentimentos. Foi também onde eu vi as paisagens mais surreais da minha vida e onde eu com certeza posso afirmar que vi Deus, mas não um Deus criado pelo homem, o Deus que eu vi, ou Deusa melhor dizendo, foi a inigualável força da mãe natureza em vulcões, montanhas e lagunas nevadas. Paisagens essas que estão aqui muito antes do mundo ser o mundo que o ser humano conhece. Eu tenho certeza que essa experiência mudou a quimíca do meu cerébro, pois depois de viver o que eu vivi, eu vejo a existência de uma outra forma! Salar de Uyuni - Bolívia Lago Titicaca, Isla del Sol - Bolívia Montanha Chacaltaya - Bolívia Altiplano Boliviano Laguna Humantay - Peru Vista da montanha na Laguna Churup - Peru Laguna 513 - Peru Vulcões Licancabur e Juriques, Deserto do Atacama - Chile Próximo capítulo: Planejamento do mochilão.
  35. 6) HOSPEDAGENS Priorizei localização, conforto mínimo pras minhas necessidades e custo-benefício (nesta ordem). Na média, as acomodações ficaram entre R$200-300/diária, sendo que somente em El Chaltén peguei cama em quarto compartilhado e ficou menos de R$150 a diária. Por ser baixa temporada, peguei os hostels quase vazios. Conseguia ouvir que havia outros hóspedes, mas raramente cruzava com alguém ou pegava o banheiro/cozinha ocupados quando queria usar (exceto El Chaltén que estava mais movimentado, mas ainda sim, não lotado). Punta Arenas (CL): Hostal Balmaceda Quarto individual com banheiro privativo; sem café da manhã Reservei pelo booking.com e fiz o pagamento integral no momento do check-in (usei cartão da Wise). Localização excelente, perto de tudo. A rua tem várias "casas noturnas" (leds escrito 'drinks' e fotos de mulheres semi nuas hahahah). Mas não interferiu na minha sensação de segurança, mesmo caminhando à noite, e nem em barulho. Na real, eu mal via movimentação perto desses bares. Imóvel meio antigo, piso de madeira que faz barulho quando anda. Imagino que em alta temporada, a circulação das pessoas pode incomodar. Apesar disso, o quarto que peguei estava bem novinho, o banheiro parecia reformado. Possui geladeira para hóspedes e uma área de refeições com pratos, copos/xícaras, talheres, chaleira e forno elétrico. Puerto Natales (CL): YaganHouse Quarto individual com banheiro compartilhado; com café da manhã Reservei direto com a hospedagem por email e WhatsApp (o preço foi bem menor do que consta no site deles) e tive que fazer o pagamento integral antecipado via link de pagamento (usei Wise). Só consegui aproveitar o café da manhã completo no último dia, pois nos dias anteriores tive que sair cedo para os passeios, então só consegui pegar fruta e café pra levar. Mas fica uma pessoa preparando ovos na hora e servem uma porção de manteiga e de geleia, frios, pão e ficam disponíveis frutas, iogurte, café. Gostei muito também, excelente localização e estrutura da cozinha; a decoração e a vibe do lugar são um charme e o quarto que fiquei era uma gracinha! Aqui também vale mencionar o detalhe do piso de madeira que faz barulho quando andam pelo corredor dos quartos. Não chegou a me incomodar, mas fica como ponto de atenção se isso for um critério importante na hora de escolher a acomodação. El Calafate (AR): Lago Argentino Hostel Quarto individual com banheiro privativo; com café da manhã Tinha reservado pelo booking.com um quarto também individual, só que menor, e depois vi no site do próprio hostel um quarto um pouco maior e um pouco mais barato. Então cancelei e reservei direto com a hospedagem. Fiz o pagamento integral no momento do check-in e, para ter um descontinho, o proprietário aceitou transferência bancária (ele viu o cartão verde da Wise e disse que outro hóspede tinha feito o mesmo processo e tinha dado certo). Usei o app da Wise, mas precisei incluir a pessoa como contato e inserir dados bancários e de identificação. A transferência não cai na conta da pessoa na hora, demora algumas horas mas dá pra acompanhar tudo pelo app e fornecer um link pra pessoa também acompanhar o andamento. É bom avisar antes, porque a destinatário pode não concordar ou ficar desconfiado. No caso, ele topou e deu tudo certo! Proprietário (Eugenio) muitíssimo gente boa, super acolhedor, comunicativo e deu várias dicas da cidade e dos passeios. O hostel fica dividido entre 2 imóveis, atravessando a rua. Em um deles ficam a recepção, os quartos e cozinha compartilhados; no outro (que eu fiquei), os quartos individuais e o café da manhã. É muito lindo, colorido e cheio de flores! Apesar de ficar um pouco fora do eixo da avenida principal, achei a localização muito boa. Só se atentarem às travessas porque nem todas caem em linha reta na avenida principal. Lago_Argentino_Hostel.mp4 El Chaltén (AR): Patagonia Travellers Hostel Cama em quarto misto com 4; sem café da manhã Reservei pelo site deles e um tempo depois mudei o roteiro, aumentando um dia na cidade. Fiz a solicitação por email e deu tudo certo. Pagamento no check-in usando o cartão da Wise, sem acréscimos ou taxas. Muito bom hostel, gostei da localização pois fica quase que no meio da avenida principal, então eu estava numa distância praticamente igual para a entrada das trilhas do final e do começo da avenida. Ótima estrutura no geral, cozinha e staff. Estava com receio do quarto ser misto por ser uma mulher viajando sozinha, mas dei bastante sorte! Dividi o quarto com um casal (Eddie e Elise) e um rapaz (Drew), todos americanos e bem jovenzinhos hhahaah. Foram muito tranquilos e respeitosos, bem gente boa! A vista do refeitório do hostel 😍: Ushuaia (AR): Apartamento Viejo Lobo - Aunaisin Apartamento inteiro Equilíbrio é tudo, né? hahhaha Como seria uma cidade com mais dias e menos passeios de ficar o dia inteiro fora (e porque achei por um preço 'ok'), optei pelo apartamento inteiro. Eles tem um site, mas reservei pelo booking.com porque o preço estava melhor. Paguei no check-in usando cartão Wise. Só uma observação que o processo do check-in não é muito facilitado. Precisei ir até um outro endereço para fazer o pagamento e pegar as chaves (fui avisada com antecedência, então do aeroporto peguei o Uber direto pra lá e depois era perto o suficiente para ir caminhando até o apto). Eu achei que seria um escritório, mas foi dentro de um mercadinho e quem me atendeu foi a moça do caixa. Fomos para os fundos do mercado, numa espécie de depósito junto com um mini escritório de fato (mesa, computador), mas achei estranho! Ela estava com um papel com todos os dados da reserva e deu tudo certo. O preço da reserva nesse papel estava separado em 2 partes - da acomodação propriamente e outro valor como 'taxas' e tive que pagar também separado (em maquininhas de cartão diferentes). Mas o preço final era o mesmo conforme a reserva do booking. Então não paguei nada a mais. O predinho era bem bonitinho, simples, antigo e bem residencial. E o apto também tinha um ar de antigo, não nas condições - que eram ótimas - mas na decoração, com piso e tons de madeira mais escuros, meio carregado, mas me atendeu super bem! Também gostei muito da localização. O atendimento também foi muito bom, tanto pelo chat do booking.com como pelo WhatsApp. Tive problema com uma frigideira que estava com algo grudado e derretido nela e não dava pra usar, assim como só tinha um rolo de papel higiênico em uso. Responderam rápido, mas só conseguiram me entregar os itens um dia e meio depois, mas não me prejudicou em nada; deixaram ambos numa sacolinha pendurada na porta pelo lado de fora. Outro ponto positivo é que bem perto do horário do check-out (às 10h) eu perguntei se poderia ficar até o meio dia e liberaram de boa. E não precisei levar as chaves no mesmo lugar que peguei, me orientaram apenas a deixar o apto destrancado mesmo, com as chaves em cima da mesa. (continua...)
  36. Olá pessual. Sou novo por aqui mas faz algum tempo que estou organizando uma nova etapa da minha vida e dei os primeiros passos agora… Montei um motorhomezinho em um Fiat uno e estou saindo pelo Brasil a fora junto de minha cachorrinha cega que sou muito apegado, somos inseparáveis. Morei muito anos fora do Brasil e desde novo trabalhei em várias áreas pq gostava muito de estar sempre aprendendo e hj tenho muitas profissões que pretendo exercer pelo caminho. Desde mecanico de carros, motos, barcos até máquinas de costura e manutenção de qualquer tipo de equipamento, a decoração de interiores, manutenção em geral de casas e prédios entre muitos outros Resumido: quase que artesanato em escala gigantes. Fiz uma caixa enorme em cima do carro e estou levando muito equipamento de trabalho. Estou saindo de Santa Maria RS indo bem tranquilo e sem pressa até Registro SP. So planejei até aí e depois está totalmente entregue ao destino. Estou a procura de ideias, dicas, amizades e novas aventuras que podemos ter pelo caminho. Irei começar a movimentar o Instagram mas não sei usar direito ainda kkk. Quem quiser adicionar e manter contato ficaria muito feliz em ter essa troca. IMG_1729.mov IMG_1658.mov IMG_1058.mov
  37. Olá pessoal! Acabo de retornar de uma viagem incrível à Patagônia Argentina, em que visitei Ushuaia, El Calafate e El Chaltén. Foram 14 dias intensos de viagem, entre 06/01 e 19/01, em que aproveitei ao máximo cada momento vivido nestes lugares maravilhosos. Voltei ao Brasil ontem (19/01) e já vou começar a escrever o relato para aproveitar que todas as informações ainda estão frescas na mente hehe mas tudo que vivi na Patagônia foi inesquecível e especial, então, dificilmente vou esquecer tão cedo essas duas semanas incríveis que pude experienciar. Só posso dizer uma coisa sobre essa viagem: SÓ VÁ! Sozinho ou acompanhado, a experiência será igualmente extraordinária. Voltei desta viagem renovado e transformado, tendo superado limites físicos e psicólogicos que nem eu mesmo achava que conseguiria. CONTEXTO Visitar a Patagônia já estava na minha mente há muitos anos, e eu já tinha o roteiro para esta viagem pronto há muito tempo. Porém, faltaram oportunidades para que eu pudesse ir, até que consegui em janeiro de 2025. No final de 2019, eu cheguei a comprar passagens para visitar a Patagônia em abril de 2020. Mas, como todos sabemos, no ano em questão tivemos a fatídica pandemia de COVID-19 que praticamente paralisou todos os serviços de turismo. Na época, a Aerolineas me deu a opção de remarcar a viagem ou reembolso. Tendo em vista a falta de perspectiva quanto à pandemia, decidi pedir o reembolso e, desta forma, a viagem a Patagônia ficou de escanteio. Anos depois, a ideia de visitar a Patagônia me voltou à cabeça e em setembro/24, após uma aula apocalíptica no 6º ano (professores entenderão), resolvi comprar as passagens praticamente de maneira impulsiva e sem pensar muito kkkkk mas já estava feito! Finalmente viajaria para aquele lugar que seria a viagem mais especial da minha vida. Além do roteiro pronto que eu já tinha, comecei a ler e reler os relatos aqui do Mochileiros. Gostaria de agradecer, em especial, a @JanaCometti e o @Alan Rafael Kinder que foram muito prestativos e solicitos ao me ajudarem com dúvidas e questões. ROTEIRO O roteiro que montei seguiu certinho até chegar em El Chaltén, quando tive que fazer algumas alterações depois da árdua trilha da Laguna de Los 3. Mas, no geral, consegui visitar todos os pontos planejados e não tive grandes perrengues. Segue o roteiro: 06/01/2025 - SP x USHUAIA (conhecer a Ushuaia, placas, espaço Pensar Malvinas) 07/01/2025 - USHUAIA (Glaciar Martial e Pinguinera) 08/01/2025 - USHUAIA (Laguna Esmeralda e Museo Del Fin del Mundo) 09/01/2025 - USHUAIA (Parque Nacional da Terra do Fogo) 10/01/2025 - USHUAIA X EL CALAFATE (conhecer El Calafate, placas) 11/01/2025 - EL CALAFATE (Navegação Todo Glaciares) 12/01/2025 - EL CALAFATE (Minitrekking e passarelas do Perito Moreno) 13/01/2025 - EL CALAFATE X EL CHALTÉN (conhecer El Chaltén e Mirador de los Condores/las Aguilas) 14/01/2025 - EL CHALTÉN (Laguna de Los 3 - Fitz Roy) 15/01/2025 - EL CHALTÉN (Chorrillo del Salto) 16/01/2025 - EL CHALTÉN (Lago del Desierto e Glaciar Huemul) 17/01/2025 - EL CHALTÉN (Mirador Cerro Torre e Mirador El Chaltén) 18/01/2025 - EL CHALTÉN X EL CALAFATE (visita a Glaciarium) 19/01/2025 - EL CALAFATE X SP (RETORNO) CÂMBIO E VALORES Que a Argentina está cara, todo mundo já sabe. Mas eu não imaginaria que estaria tãaaaaaaaaao cara! Chega a ser surreal os preços praticados na Patagônia. Para ter uma noção, um mísero chaveiro custa 7.000 pesos, que na cotação de hoje, é R$ 40,00!!!! Soa absurdo para nós, mas é a realidade argentina de hoje. Então, se pretende visitar a Patagônia, vá bem preparado financeiramente falando. Levei R$ 4.100,00 no cartão Wise e R$ 500,00 em espécie, e gastei tudo. A comida, principalmente, é muito cara. Para os valores em pesos que eu falar ao longo do relato, considerem a conversão de 1 real = 170 pesos argentinos. O cartão Wise teve aceitação de praticamente 100% em toda a Patagônia, até mesmo em El Chaltén. Usei o dinheiro em espécie para pagar propina ou comprar coisas de baixo valor, como empanadas e lanches. Para usar o Wise na Argentina, deve-se manter o dinheiro na carteira de dólares, pois a maquininha automaticamente converterá os pesos argentinos. Achei mais vantajoso do que carregar bolos e bolos de notas, o câmbio estava ruim de qualquer forma, não tinha muito o que fazer. Mas é a velha história: quem converte não se diverte. Bora aproveitar a Patagônia como dá kkkkkk Ordenando, da cidade menos cara para a mais cara, fica: Ushuaia - El Calafate - El Chaltén SEGURO VIAGEM Fiz o seguro viagem com a Allianz Travel, por R$ 170,00, mas felizmente não precisei usar. HOSPEDAGENS Nesta viagem, fiquei apenas em hostels e todos foram ótimos. Não tive nenhuma experiência desagradável e a troca cultural foi enorme, pois havia gente de todo mundo. Fiquei em quartos com gregos, alemães, franceses, australianos, estadunidenses e até mesmo brasileiros. Sempre fui muito bem tratado e tentava me comunicar com meu inglês da fisk kkkkkkk. Segue o feedback das hospedagens USHUAIA - ANUM HOSTEL: Foi o hostel que mais gostei da viagem. É um hostel novo, que tem apenas dois anos, mas fica muito bem localizado na esquina com a avenida San Martin, que é a principal de Ushuaia. Os quartos coletivos possuem camas com cortinas, o que lhes dá uma aparência de cápsula, o que achei bem legal e não atrapalha o próximo quando estamos com a luz acesa. Também tem armários espaçosos. O café da manhã também é bom, com pães, frios, medialunas, sucos, café, sucrilhos, leite, etc. Staff bem atencioso e espaço comum suficiente. Nota 10! EL CALAFATE - FOLK HOSTEL: Outro excelente hostel. O Folk foi indicação do Alan aqui do fórum e o hostel possui um excelente custo benefício. Os quartos possuem armários espaçosos para cada cama, e os banheiros são enormes com bons chuveiros. O espaço comum é bem grande e o café da manhã é honesto, com pães, doce de leite, geleia, suco, frutas, café e leite. A localização é fora do eixo do centro (fica a 10 minutos da caminhada), mas bem próximo do terminal de ônibus. Nota 10! EL CHALTÉN - CONDOR DE LOS ANDES: Um bom hostel. Fica localizado próximo da entrada da cidade, perto do terminal de ônibus, o que não foi um problema, já que El Chaltén é um ovo e se faz tudo a pé. Staff extremamente prestativo e atencioso, camas confortáveis e armários espaçosos. Os quartos possuem banheiro privativo e aqui tem algo que me incomodou. O espaço para o banho é bem pequeno e, a cada tomada de banho, o banheiro inteiro ficava uma molhadeira enorme! A moça da recepção já até sabia que eu queria um pano toda vez que descia kkkk O box do chuveiro era de cortina, então a água inevitalmente passava para fora. Enfim, apenas um detalhe. Café da manhã honesto também, com pães, manteiga, geleia, doce de leite, frutas, café e suco. Nota 9! PASSAGENS Paguei R$ 3.600,00 pela Aerolineas Argentinas. Sendo professor, não tem como fugir da alta temporada, então eu já sabia que seria um valor salgado. Fora da alta temporada, o valor média das passagens está em R$ 2.700,00. A Aerolineas Argentinas me surpreendeu positivamente. Vi várias reclamações e estava bem receoso quanto aos voos, mas foram pontuais em todos e não tive qualquer problema. Ao longo do relato falarei mais sobre isso. DOCUMENTOS Fui com passaporte, mas também poderia ter entrado apenas com RG. A imigração na Argentina é bem tranquila, conforme falarei logo mais. O QUE LEVEI? Viajei somente com a bagagem de mão + 1 mochila comum. Minha mala ficou em torno de 8 kg, então não tive qualquer problema, mas ela foi pesada em todos os voos pela Aerolineas. Eles são bem chatos quanto a isso, então, se for somente com a bagagem de mão, tente não passar dos 8 - 10 kg. Para uma viagem à Patagônia, as roupas de frio devem ser prioridade. Usei praticamente tudo que levei, e não levei nenhum short/bermuda pois sabia que seria ocupar espaço na mala porque não usaria (sou friorento). Aquilo que dizem que a Patagônia pode ter "as quatro estações do ano em um dia" é pura verdade, o tempo muda demaaaaaaais e o clima é bem hostil. Levei roupas para 7 dias, e quando cheguei em Calafate, pedi para a lavanderia do hostel lavar as roupas que eu tinha usado até então. Dessa forma, tinha roupas limpas para os 7 dias seguintes. Na minha mala teve: 7 cuecas 2 pares de meias para trekking (selene) - foram bem úteis no dias do minitrekking em diante. Seguraram o tranco e protegeu meus pés contra bolhas maiores (mas mesmo assim, teve). 4 pares de meias comuns 1 fleece (não usei, só ocupou espaço) Conjunto segunda pele (usei todos os dias, extremamente útil. Confortável, comprei na Amazon e é unissex: https://www.amazon.com.br/dp/B0C9FN5K8T?ref=ppx_yo2ov_dt_b_fed_asin_title) 2 jaquetas. Uma mais fina e outra com fleece por dentro, ambas imperméaveis. (item obrigatório. A mais fina foi essa e deu conta: https://www.decathlon.com.br/jaqueta-ecodesign-impermeavel-masculina-de-trilha/p) 1 calça imperméavel (item obrigatório também. Fiquei muito na dúvida sobre comprar ou não, mas ainda bem que levei a calça impermeável. Fiz a maior parte do minitrekking sob chuva e a calça/jaqueta me protegeram bem e aguentaram o tranco. Segue link: https://www.decathlon.com.br/sobrecalcas-impermeaveis-masculina-de-vela-inshore100-navy/p). 3 calças de tactel comuns 1 calça jeans 4 camisetas dry fit (as melhores! Ocupam pouco espaço na mala e são respiráveis). 2 camisetas de algodão Chapéu/boné Gorro Cachecol Luvas Pasta para documentos Bolsinha de remédios (importante!!!) Protetor solar (importante também) Itens de higiene pessoal Doleira Powerbank 10000 mah Garrafinha de água de 1L (para as trilhas de El Chaltén, 1L é o mínimo) Chinelo Bota de trekking (Usei a Vento Finisterre e aguentou muito bem o tranco em todo tipo de terreno, além de boa impermeabilidade. Aprovadíssima!). O que não levei e levaria: HIDRATANTE/PROTETOR LABIAL! A Patagônia, sobretudo El Calafate, é bem seca e árida. Logo, os lábios sofrem com a umidade baixa. Fiquei (e estou) com várias feridas na boca que dói até para comer. Comprei um protetor labial em Chaltén, mas o estrago já estava feito, fui até o final da viagem com as feridas na boca me acompanhando hahaha Mas agora, vamos ao relato! (vou tentar escrever um pouco por dia, e deixo algumas fotos como entrada hahahah)
  38. Tentei resumir ao máximo para não ficar muito longo, mas é quase impossível hahaha! Foram muitos dias e experiências incríveis! Vou preparar um outro texto só com as principais informações e dicas da viagem. Neste aqui, preferi relatar todos os dias do nosso roteiro de forma bem completa. Achei legal compartilhar os detalhes porque, quando fomos planejar essa viagem, especialmente a parte da Namíbia, foi bem difícil encontrar informações. Cronograma Geral: Dia 1: São Paulo - Joanesburgo Dia 2: Joanesburgo (Ukutula Lion Lodge) Dia 3: Joanesburgo - Kruger National Park Dia 4: Kruger National Park Dia 5: Kruger National Park Dia 6: Kruger National Park - Joanesburgo Dia 7: Joanesburgo - Cape Town Dia 8: Cape Town - Stellenbosch (Rota Cabo da Boa Esperança) Dia 9: Stellenbosch Dia 10: Stellenbosch - Cape Town Dia 11: Cape Town Dia 12: Cape Town Dia 13: Cape Town Dia 14: Cape Town - Windhoek - Etosha National Park Dia 15: Etosha National Park Dia 16: Etosha National Park Dia 17: Etosha National Park - Spitzkoppe Dia 18: Spitzkoppe - Cape Cross - Swakopmund Dia 19: Swakopmund (Sandwich Harbour) Dia 20: Swakopmund - Sossusvlei Dia 21: Sossusvlei Dia 22: Sossusvlei - Luderitz Dia 23: Luderitz (Kolmanskop) - Solitaire - Windhoek Dia 24: Windhoek - Joanesburgo Dia 25: Joanesburgo - São Paulo Tem muitas coisas além disso para fazer nesses dois países, mas conseguimos encaixar somente isso nesses 25 dias pois as coisas são um pouco longe uma da outra, principalmente na Namíbia. Então vamos para o roteiro detalhado: Dia 1: São Paulo - Joanesburgo Foi praticamente só a ida pra lá! Pegamos o vôo da Latam em Guarulhos, São Paulo e viajamos direto para Joanesburgo. Dia 2: Joanesburgo (Ukutula Lion Lodge) Chegamos em Joanesburgo, trocamos dinheiro no aeroporto mesmo, compramos um chip na MTN Store e depois retiramos nosso carro alugado na Hertz. Então seguimos para o Ukutula Lion Lodge, uma reserva e centro de conservação de animais onde faríamos alguns passeios. Logo que chegamos, já fomos surpreendidos! Entre a entrada do Ukutula até os chalés tem uma estradinha e durante esse trajeto vimos o primeiro animal: uma girafa! Almoçamos por lá mesmo e depois fomos para os passeios: Predator Tour: Fizemos um tour pela reserva, onde vimos leões, leoas, hienas e tigres. Visitamos também o centro de conservação e interagimos com dois mini leões e um guepardo. Apesar de estarmos tensos, a interação foi bem tranquila, com os guias sempre por perto. Amamos o passeio!! Bush Walk with Lions: O segundo passeio foi uma caminhada com os leões. Fomos acompanhados por 4 guias até a área dos leões, então abriram o recinto e eles passaram na nossa frente. Nessa hora o coração até para kkkkkkkk Andamos atrás deles junto com o grupo e paramos duas vezes embaixo de uma árvore para tirar fotos e gravar vídeos. O passeio durou mais ou menos 1 hora e valeu super a pena. É um misto de sensações! Depois dos passeios, estávamos bem cansados. Fizemos a escolha certa de nos hospedar por lá. Alugamos um chalé para 4 pessoas e o jantar já estava incluso, então foi só comer e descansar. Algumas considerações: Os animais são extremamente bem cuidados e não são dopados, porém eles ficam dentro de recintos. Então se você é do tipo que não gosta de animais presos, esse passeio não é para você. Os passeios que fizemos não são permitidos para menores de 12 anos. Dia 3: Joanesburgo - Kruger National Park Acordamos bem cedo e pegamos a estrada rumo ao Kruger Park, um trajeto de cerca de 6 horas. As estradas eram ótimas e fomos admirando as paisagens. Por volta das 13h, paramos no The Crossing que é tipo um shopping aberto em Nelspruit. Exploramos algumas lojinhas e almoçamos no restaurante Turn 'n Tender Steakhouse. Muito bom! Não é dos mais baratos, mas tem outras opções para comer nesse shopping se quiser. Dirigimos por mais 1 hora e meia até o Hotel Crocodile Bridge. Esse hotel fica fora do Kruger, mas bem pertinho do portão do crocodilo e de frente para um rio onde os animais vão para beber água. Amamos o hotel! Você se sentia em casa! O quarto era bem bonito, espaçoso e limpo. A área externa era super aconchegante. Tinha um terraço com vários sofazinhos, de frente para o rio para observar os animais. Os proprietários do hotel foram super atenciosos e sempre estavam se preocupando se tudo estava correndo bem. Os jantares não tinham tanta variedade, mas a comida era deliciosa. Toda noite recebíamos uma caixa térmica com o café da manhã para levarmos para o safári, era tão bem servido que dava até para o almoço. Nesse dia nos acomodamos no hotel, jantamos e fomos descansar! Dia 4: Kruger National Park Acordamos muito cedo pois teríamos um safári full day com o hotel. Às 5h20 da manhã já estávamos prontos e indo nos encontrar com o nosso guia, Derek. Ele nos entregou capas para nos proteger do frio, já que o carro era aberto e a temperatura estava lá embaixo. No começo achamos que era um exagero, mas logo que o carro começou a andar agradecemos por ter aquela capa. Ficamos na fila para entrar no portão e fomos um dos primeiros a chegar, quando entramos no parque ainda estava escuro. O Derek nos explicou que veríamos alguns animais pelo caminho, mas não pararíamos, pois o foco inicial era procurar os “cats” já que o amanhecer é o melhor momento para isso. Nosso guia era ótimo e se empenhou muito para nos mostrar o melhor. Vimos impalas, zebras, girafas, elefantes, leões, macaquinhos, várias aves diferentes, hipopótamos. E fizemos algumas paradas durante o passeio todo: 1º - paramos no Park Shop Crocodile Bridge para comprar café. 2º - paramos em um waterhole para tomar café olhando os animais. Foi demais! 3º - paramos no Ntandanyathi Game Viewing Hide que é uma área de observação. 4º - paramos no Lower Sabie Rest Camp que é um camping bem estruturado com lojinha e restaurante. Ótima opção para comprar souvenir e comida. 5° - paramos no waterhole que fica ao lado do Lower Sabie para almoçar e observar os animais. Vimos vários hipopótamos nadando. Dica: nas lojinhas do Kruger tem várias opções de mapas para vender. Alguns tem um check-list dos animais para você ir marcando conforme vai encontrando. Além de ser útil na localização, é divertido ficar encontrando os animais e uma ótima lembrança do parque. Voltamos para o hotel mais ou menos 15h30 e foi uma experiência incrível e inesquecível! De tarde ficamos observando o rio, avistamos um búfalo (o único da viagem inteira) e depois comemos o famoso Braai (como se fosse um churrasco), uma delícia! Dia 5: Kruger National Park Nesse dia resolvemos fazer o safari sozinhos. Acordamos às 5h e fomos direto para o portão do Kruger, pois a fila é bem grande. Às 6h o portão abriu, pagamos o ingresso ali no portão mesmo e entramos. Já tivemos uma super experiência de manhã: assim que entramos o trânsito começou a parar e não estávamos entendendo o motivo. Olhamos no grupo do whatsapp do Kruger em que as pessoas compartilhavam as localizações dos animais que encontravam e descobrimos que tinha um leão ali!! Nesse momento, o Leo, que estava dirigindo, conseguiu cortar o caminho e chegar pertinho deles! Eram dois leões que estavam parados no meio da estrada e tinham acabado de caçar e se alimentar, pois tinha uma carcaça ali perto. Logo os leões se dispersaram e nós seguimos nosso caminho. Tínhamos montado um roteiro para nos guiar. A ideia era subir até a região do Skukuza, pois ouvimos falar que era boa pra ver animais e depois voltar passando pela região de Malalane pois a moça do hotel comentou que era a melhor região para ver cheetah. O início do nosso safári foi ótimo, subimos até a região do Skukuza e conseguimos ver vários animais. Paramos ali no camping, que é bem estruturado e bonito, e aproveitamos para fazer algumas comprinhas e tomar um milk shake. Fomos para o Mathekenyane Hill (Koppie) View Point, que é onde possui uma vista bem bonita e geral do Kruger. A grande desvantagem de fazer safari sozinho é porque não conhecemos a região e nem como funciona a natureza e o comportamento dos animais. Sentimos isso na pele quando estávamos voltando pela rota que passa por Malalane, foi uma péssima escolha. O inverno na África do Sul não tem muita chuva e essa região em especial estava muito seca, tão seca que não tinha nenhuma alma viva! Ficamos andando com o carro por horas sem ver nenhum animal! Foi uma experiência bem legal fazer o safári sozinho, mas se você quiser aproveitar o máximo sem se preocupar com nada, opte por fazer o safári com um guia. Mas é claro que tudo tem um lado positivo! Apesar de ficarmos horas sem ver animais, vimos paisagens muito bonitas e no finalzinho vimos um hipopótamo de pertinho e uma família de javalis! Algumas dicas: Sempre fique atento aos outros carros e aos guias de safári, se ver alguma aglomeração, vai atrás porque provavelmente tem algo interessante. Procure os waterholes. Os animais vão para beber água e acabam sendo os lugares mais fáceis de encontrá-los. Respeite os animais! Vimos uma cena linda de um elefante “tomando banho” e quando ele nos viu, levantou e foi se aproximando do carro, abanando as orelhas. Nosso guia nos explicou que isso era um sinal de que o elefante se sentia ameaçado e que, se não saíssemos, ele poderia atacar. Aproveite as paradas para ir ao banheiro! Parece uma dica boba, mas passamos aperto segurando xixi porque não tinha onde e nem como parar no meio do caminho kkkkk Entre no grupo do WhatsApp do Kruger: https://tr.ee/pnUpSN9Lpt e acesse o Instagram https://www.instagram.com/latestkruger para ter informações em tempo real. Dia 6: Kruger National Park - Joanesburgo Acordamos cedo e seguimos viagem de volta a Joanesburgo. Por ser considerada uma cidade grande e perigosa, optamos por nos hospedar no bairro Sandton, conhecido por ser um dos melhores e mais seguros. Ficamos no Hotel Sky, que nos surpreendeu positivamente! O hotel era bem sofisticado, espaçoso, bem decorado e tecnológico. Nos corredores, tinham máquinas de café à disposição, oferecendo algumas opções para aproveitar a qualquer hora. O hotel também contava com dois restaurantes muito interessantes, bem decorados e o café da manhã excelente e com muita variedade. À tarde, decidimos explorar a Nelson Mandela Square, que ficava pertinho do nosso hotel. No entanto, tivemos um pouco de dificuldade para encontrá-la. Entramos no shopping que fica ao lado e acabamos nos perdendo por lá, que era muito maior do que imaginávamos. Quando estava escurecendo, finalmente encontramos a praça com a estátua do Nelson Mandela e tiramos algumas fotos. A praça é linda, bem iluminada e repleta de opções de restaurantes. Acabamos escolhendo o La Parada para o nosso jantar e achamos OK! Foi nesse dia que descobrimos a Brutal Fruit, uma bebida deliciosa super frutada e levinha! Outra opção que tínhamos para esse dia era fazer um Tour no Soweto, que é um bairro super famoso na história do Apartheid e da segregação racial. Porém nosso tempo era muito curto e acabamos não fazendo. Dia 7: Joanesburgo - Cape Town Acordamos cedo e fomos direto para o aeroporto de Joanesburgo. Entregamos nosso carro na Hertz e depois pegamos o vôo que chegou em Cape Town às 12h30. ALERTA DE PERRENGUE: Depois do vôo estávamos tentando chamar um Uber para o hotel… o app mostrava R350 para ir de van. Naquele caos do desembarque, entre procurar o Uber e nos perder no aeroporto, passamos por uma área cheia de taxistas de colete neon, todos tentando nos abordar. Um deles se aproximou e logo ofereceu uma corrida por R1.000! Claro que achamos um absurdo e dissemos que não dava. Aí ele teve a “brilhante” ideia de passar o serviço para um amigo, que faria por R 400. O Leo confirmou duas vezes se esse preço era para as quatro pessoas e se cabiam as bagagens, e o cara garantiu que sim. Então, lá fomos nós! A viagem foi tranquila, mas, ao chegar no hotel, o taxista puxou a calculadora e começou a multiplicar R400 por 4, querendo cobrar R1.600! Ficamos em choque e o Leo que já estava bem irritado, argumentou que não era isso que tínhamos combinado. O taxista ficou bravo e tentou nos enrolar, mas no final só aceitou. Então, fica a dica: fuja dos taxistas de colete! Chegamos no hotel e já percebemos que a escolha não foi das melhores. Sorte que era para uma noite só! Era super bonitinho, limpo e arrumado. Porém, ficava em um lugar muito alto! Era impossível ir a pé para o centro! E já fica a outra dica: Cape Town é uma cidade enorme e com muitas montanhas, então, considere ter que usar muito uber. Antes de fechar um hotel, veja se ele não fica em uma montanha kkk Esse por exemplo era perto do centro, mas não nos atentamos que ficava no alto kkk Fomos para o V & A Waterfront, um dos pontos mais icônicos de Cape Town, repleto de lojas, restaurantes e atividades. Almoçamos no Santa Ana Spur Steak Ranch, que é uma franquia de fast food da África do Sul. Ficamos a tarde passeando por lá, mas estava com o tempo bem frio e chuvoso. Então quando chegou a noite fomos para o hotel descansar. Mas outras opções legais para fazer seriam passear nos mercadinhos: Green Market Square e Bay Harbour Market. Dia 8: Cape Town - Stellenbosch De manhãzinha, saímos para buscar nosso carro alugado e dirigimos rumo à Nederburg que levou cerca de 45 minutos. Não optamos por pegar o carro no dia anterior para economizarmos uma diária, mas se você prefere ter comodidade já pegue seu carro assim que chegar. Já tínhamos um piquenique reservado para às 10h. Mas como estava friozinho, iniciamos na parte de dentro com uma lareira e um ambiente super aconchegante e depois fomos lá pra fora. O dia estava lindo e o piquenique foi maravilhoso, parecia um almoço! Depois do piquenique, fizemos a degustação de vinhos, que também já está reservada. Maravilhoso! Aproveitamos para passear pela vinícola que tem paisagens lindas e depois seguimos para a vinícola Plaisir De Merle. Não tínhamos nada reservado, ainda bem! Estávamos super satisfeitos e não aguentaríamos fazer outra degustação kkkkk então passeamos por lá, conhecemos as lojinhas, as paisagens incríveis e depois fomos para o hotel. Ficamos no The Salene e acertamos em cheio! Que hotel incrível! Ambiente super chique, paisagem deslumbrante das montanhas, super reservado (tinha praticamente só a gente no hotel) e a vista do nosso quarto era de tirar o fôlego! Aproveitamos para descansar e depois fomos jantar no Bossa! Recomendamos bastante, super descontraído e comida ótima! Dia 9: Stellenbosch Começamos o dia tomando um café da manhã delicioso no hotel e depois seguimos para a Boschendal Farm Shop & Butchery. Que lugar! A Boschendal é uma vinícola enorme com vários ambientes: mercadinhos, lojinhas, degustação, exposição de arte, restaurante, sem contar as trilhas e passeios de bike. Começamos com a degustação de vinhos que já estava reservado (Cellar Door) e depois almoçamos no Restaurante Werf da Boschendal que também estava reservado. Achamos bem carinho, mas era divino! De tarde passeamos pela vinícola para explorar cada cantinho e todas as paisagens maravilhosas! Saindo de lá, passamos na Neethlingshof - 1692, mas infelizmente já estava fechada. Então fomos para o Root44 Market - é um mercado super bonito e diferenciado. É como se fosse um galpão enorme com várias barraquinhas expostas. Comidas de vários países, sobremesas, café, bebidas, artesanato, roupas, bijouterias, tem de tudo lá! Ele é todo cercado de gramado, onde as pessoas vão para se divertir em família e amigos olhando a paisagem maravilhosa das montanhas. Com certeza foi um lugar que nos surpreendeu muito! Depois de explorar o mercado, ficamos conversando no gramado por um tempinho e depois voltamos para o hotel. E para finalizar o dia saímos para jantar no Col'Cacchio, que é uma franquia de restaurantes italianos - achamos super delicioso e o preço é muito bom! Se você é amante de vinhos, vale super a pena investir mais um dia em Stellenbosch! Tem muitas vinícolas para conhecer, os vinhos são deliciosos e as paisagens surreais! Com certeza um dos nossos lugares preferidos da África do Sul!! Dia 10: Stellenbosch - Cape Town (Rota Cabo da Boa Esperança) Nesse dia voltamos para Cape Town fazendo a rota do cabo da boa esperança. Essa rota é muito conhecida e normalmente as agências de viagem começam pela Chapman 's Peak Drive e terminam na Muizenberg Beach. Nós optamos pelo caminho inverso porque ficaria mais fácil por estarmos em Stellenbosch e também para evitarmos muitos turistas. Foi a melhor escolha: os locais que visitamos estavam super tranquilos e o pôr-do-sol deixou a estrada da volta muito mais linda. Nosso Roteiro: Muizenberg Beach (Praia com casinhas coloridas) Boulders Beach (Praia dos pinguins) Cabo da Boa Esperança Cape Point (Farol) Chapman’s Peak Drive Praias Hout Bay até Camps Bay Observação: Prepare-se para pegar muito vento. Quando lemos sobre isso, achamos que era um pouco de exagero. Mas é surreal! Pegamos muito vento do início ao fim. É um vento que até te empurra kkkkkk Além de ser bem frio, o boné/chapéu voa e o cabelo fica todo embaraçado no final do dia. Mas é só se preparar que dá tudo certo! Saímos umas 8h40 em direção à Muizenberg Beach, que é uma praia que ficou famosa por ter umas casinhas coloridas - os vestiários dos surfistas. Paramos por uns 20 minutos para conhecer e tirar fotos. Depois seguimos para a Boulders Beach - a praia do pinguins! As pessoas têm muitas dúvidas de como faz pra acessar a praia e é muito difícil de encontrar essa informação, então vou contar o que fizemos: Logo depois do estacionamento vai ter como se fosse uma portaria. A moça vai indicar pra você seguir à esquerda e seguir o caminho. Seguindo esse caminho, você vai chegar no Boulders Visitor Centre que é onde você vai comprar o ingresso. Passando por essa entrada você vai conseguir acessar uma plataforma de madeira que é onde dá pra ver a praia e os pinguins de longe. Passeie por lá, explore as lojinhas… você pode encontrar também um bichinho fofinho chamado damão-do-cabo. Depois de passear nessa parte, você faz todo o caminho de volta até chegar naquela primeira portaria, perto do estacionamento. Vai ter uma portinha do lado direito. Entre por ela. Quando passamos a moça não estava lá, mas se ela tiver é só apresentar o ingresso. Andando um pouquinho você já vai estar na praia. Quando chegar na praia você vai precisar passar por algumas pedras para chegar nos pinguins. Mas fique tranquilo, porque é bem fácil de passar por elas. Depois disso você vai encontrar os pinguins. Dá pra chegar bem pertinho deles, mas não passe a mão porque eles podem morder e também para respeitar o espaço deles. Seguimos nossa rota para o Cabo da Boa Esperança e essa parte funciona assim: Você chega no portão do parque (Cape Point National Park Toll Gate), paga o ingresso para entrar e continua a rota de carro até chegar no cabo da boa esperança (Cape of Good Hope), que demora uns 20 minutos. Lá você pode tirar foto com a placa famosa e depois subir a montanha. É bem tranquilo e rápido de chegar no topo, mas dependendo do dia venta bastante. Depois disso, tem duas alternativas para ir ao Cape Point (Farol): Trilha: em cima da montanha vai ter uma placa indicando a direção de uma trilha que passa por vistas muito bonitas, pela Diaz Beach e depois chega no Cape Point. Carro: você pega o carro e faz o caminho de volta até encontrar a primeira oportunidade de virar à direita. Segue até o fim da estrada, em direção ao Cape Point (siga as placas de direção que não tem erro) Nós fomos de carro porque senão teríamos que ir e voltar pela trilha para buscar o carro. Na entrada do Cape Point, tem um estacionamento gratuito onde você pode deixar o carro. Lá tem banheiro, lojinha de souvenir e a bilheteria do funicular. Para comer, tem o restaurante Two Oceans que é super recomendado e com vista para o mar, porém não queríamos gastar muito então optamos por comer no food shop que tinha ao lado com opções mais em conta (porém achamos que não é tão bem serviço, os lanches são pequenos kkk). Para quem optar pelo food shop, tem algumas mesinhas do lado de fora para sentar, porém não temos muita paz por causa do vento que leva tudo embora e pelos animais (passarinhos e babuínos) que ficam tentando roubar a comida hahaha Para subir até o farol do Cape Point, você pode ir pela trilha ou pelo funicular. Para ir pelo funicular, você compra o ingresso na bilheteria e depois é só ir para a fila. Você pode subir e descer quando quiser. Fomos pelo funicular e chegando lá subimos mais uma escadaria para chegar ao farol. A vista é surreal de linda e venta bastante, então tomem cuidado para não deixar voar as coisas. Lá em cima também tem lojinha de souvenir e banheiro para quem precisar. Depois de finalizar nossa visita ao Cape Point fomos voltando em direção à Baía Hout pois queríamos passar pela Chapman's Peak Drive. É uma estrada lindíssima beirando o mar com várias paisagens de tirar o fôlego. Como estávamos no finalzinho da tarde, o pôr-do-sol deu um toque especial e as montanhas ficaram ainda mais lindas. Depois da Chapman's Peak Drive, fomos beirando as praias até chegar em nosso airbnb, foi uma paisagem mais deslumbrante que a outra e ficamos impressionados com as casas e carros de luxo que vimos no caminho. Esse foi o roteiro que fizemos e para nós foi excelente. Porém, se tiverem mais tempo e desejarem podem incluir alguns pontos: Kalk Bay, Fish Hoek, Simon’s Town, Mariner’s Wharf. Dia 11: Cape Town Devolvemos nosso carro de manhãzinha e como o tempo estava perfeito, já fomos garantir nossa ida à Table Mountain sem nuvens. Como já tínhamos comprado nossos ingressos pelo site, já fomos para lá e ficamos esperando na fila. Era mais ou menos 9h e já tinha bastante gente, mas não demorou muito. Logo entramos no teleférico, que é bem grande, e subimos. O teleférico vai girando e todo mundo fica em pé, a vista é incrível mas não é muito agradável para quem tem medo de altura kkkkk. É bem alto, mas logo ele chega e lá em cima é mais tranquilo. Ficamos bem impressionados, porque a montanha é bem grande e tem muitas coisas para explorar. Fomos seguindo o fluxo, olhando as paisagens, tirando fotos. É muito legal ir andando pela montanha e ir observando cada paisagem, uma diferente da outra. Lá também tem lojinha de souvenir, um pequeno café com algumas opções para comer e banheiro. Andamos por toda a Table Mountain, ficamos sentados observando um pouco e quando foi mais ou menos 11h50 descemos pelo teleférico. Foram mais ou menos 3 horas que passaram voando. Observação: Também tem a opção de subir e descer por trilha. Fomos para o The Old Biscuit Mill. Esse local possui algumas lojinhas e restaurantes, mas o mais forte é a feirinha que ocorre de sábado (09h - 17h) e domingo (10h - 17h), chamada Neighbourgoods Market. Era uma terça-feira e sabíamos que a feirinha estaria fechada, mas decidimos ir mesmo assim para conhecer. Achamos que não vale muito a pena sem a feirinha, porque o local é bem pequeno, com poucas lojas e fica mais afastado dos outros pontos turísticos. Almoçamos em um restaurante de pizza e depois já partimos para o próximo ponto - Jardim Botânico Kirstenbosch. Observação: Todos esses deslocamentos fizemos de Uber pois em Cape Town é tudo bem longe. Então é bom considerar isso no planejamento da viagem. Chegando no Kirstenbosch, compramos os ingressos, pegamos um café na Cafeteria Vida e Caffè que tem ali na entrada e fomos andando pelo parque. Junto com o ingresso você recebe um mapa que ajuda bastante a entender e andar por lá. O lugar é lindo e o passeio é super gostoso de fazer. Nós queríamos muito chegar naquela famosa ponte que aparece nas fotos, mas foi bem difícil kkkk só conseguimos depois de colocar esse nome no GPS -> Boomslang Canopy Trail (Kirstenbosch Tree Canopy Walkway) então fica a dica. Tem realmente bastante coisa para fazer lá, ficamos mais ou menos 2 horas. No final fomos na lojinha de souvenirs que tem muitas coisas lindas, bem floridas. Dica: Lá tem várias opções de lenços e é uma ótima opção para dar de presente porque não pesa na mala e não ocupa muito espaço. Saindo de lá, pegamos um uber para o Signal Hill pois tínhamos programado de ver o pôr-do-sol lá. Conforme subíamos a montanha, uma nuvem começou a subir junto kkkkk Quando chegamos no topo, o lugar estava todo coberto pela nuvem. Não dava para enxergar nada hahaha Esperamos um pouco, mas não tinha nem sinal de melhorar, então resolvemos voltar. Voltamos com o mesmo Uber, que só estava esperando a gente decidir ir embora kkkkk Um dos desafios de Cape Town é essa rápida formação de nuvens, que ocorre devido aos fatores geográficos, correntes oceânicas e umidade. Embora isso possa interferir nos passeios, não temos como controlar o clima. Então o melhor é ir preparado e sabendo que que isso pode acontecer e encarar o momento com leveza e tranquilidade. Aproveite a experiência, independentemente das condições! De noite, aproveitamos o tempo no Victória & Alfred. Que lugar gostoso, tudo muito bonito e iluminado! Encontramos um grupo cantando músicas africanas ali na parte central do V&A, era mais ou menos 19h30. Foi demais ver eles cantando e dançando! Depois fomos jantar no Gibsons – Gourmet Burgers & Ribs. Muito Bom! Dia 12: Cape Town Tem uma série no Netflix que se chama Somebody Feed Phil em que o Phil Rosenthal roda o mundo explorando a cultura e a culinária de várias cidades. Eu e meu marido amamos essa série e sempre tentamos ir nos restaurantes que o Phil visita. Nesse dia tínhamos 3 lugares da série para visitar e começamos com o Truth Coffee, que é uma cafeteria super estilosa, diferentona e especialista em café. Chegamos lá às 8h30 e tomamos nosso café da manhã. O lugar é cheio de decorações, o cardápio era como se fosse um jornal e os garçons eram super atenciosos. Nos ajudaram com o pedido, porque você tem que pedir a bebida e o tipo do café. Cada café fica melhor com um certo tipo de bebida. Depois do café da manhã nós tínhamos uma degustação geek reservada: É uma sessão de 60 minutos que permite que você experimente e prepare até 4 cafés diferentes guiado por um barista da cafeteria. Além disso, ele mostra como preparar o café no gotejador Abid Clever e no V60. Essa degustação custa R300 por pessoa e pode ser feita em até 6 pessoas.Nós amamos a experiência! Degustamos vários sabores diferenciados e o Elson Ngulube, o barista que nos atendeu, era super gente boa e paciente, principalmente com nosso inglês péssimo kkkkk Aprendemos muito sobre café e super recomendamos a experiência! Depois disso fomos fazer um tour pelo centro de Cape Town a pé: Primeiro passamos na frente do Parlamento da República da África do Sul e depois fomos para o The Company's Garden. É um jardim muito bonito, mas a atração principal foram os esquilinhos. Quando chegamos lá, um esquilinho correu na nossa direção e chegou bem pertinho. Achamos aquilo engraçado porque normalmente eles fogem da pessoas, mas foi aí que descobrimos que eles estão acostumados a receber petiscos das pessoas. Tem um cafezinho em uma lojinha chamada Heritage Shop at The Company's Garden ali no jardim onde eles já vendem saquinhos prontos com castanhas, próprias para distribuir para os esquilinhos. Então fomos correndo comprar e depois saímos caçando os esquilinhos. Foi um dos momentos mais divertidos do dia, os esquilinhos vinham pegar na nossa mão e alguns chegaram até a subir na nossa perna. Depois de brincar muito com eles, fomos conhecer a St George 's Cathedral, uma igreja bem bonita. Entramos para ver como era por dentro, sem custo nenhum. Depois fomos para a Long Street em direção ao Bo-Kaap. Para quem não sabe, o Bo-Kaap é um bairro histórico conhecido por suas casas coloridas e uma rica herança cultural. Originalmente, era uma área habitada por muçulmanos, muitos dos quais eram escravizados trazidos de diversas partes do mundo, incluindo a Malásia e a Indonésia. Lá também tem um pequeno museu com mais informações sobre a história do local. Passeamos pelas ruas com as casinhas coloridas e depois fomos almoçar no Faeeza's Home Kitchen, outro lugar da série do netflix. Estávamos super ansiosos por esse lugar, porque além de termos assistido sobre ele, iríamos provar comidas típicas. Tem a opção de fazer reserva, mas nós não fizemos e fomos atendidos normalmente. Comemos: - Samoosas (como se fosse um pastelzinho) - Bobotie (Traditional Beef) servido com arroz, legumes e picles de beterraba. - Curry de frango servido com arroz, vinagrete e uma massa parecida com panqueca. - Para beber pedimos soda saborizada (ficou super parecido com uma Pink Lemonade) Que comida maravilhosa!! Nós amamos!! Para nós que não estamos acostumados, era tudo bem picante. Mas era muito saboroso e delicioso! Super recomendamos!! De lá fomos passeando pelo centro em direção ao próximo lugar que vimos na série, o Honest Chocolate Cafe. É uma cafeteria pequenininha e aconchegante com vários chocolates diferentes. Fizemos nosso pedido e sentamos em alguma mesinha para apreciar o chocolate e aproveitar para descansar um pouco. De lá, pegamos um uber e fomos para a Lion’s Head para fazer a trilha. O motorista nos deixou na base, onde começa a trilha e fomos subindo. A trilha vai contornando a montanha, porém ela não tem um fim. Chega uma hora que começa a ficar perigoso e meio que não tem mais para onde ir, então voltamos e decidimos seguir uma outra trilha que vai em direção ao signal hill e chega em uma mesquita. Veja o percurso que fizemos: Observação: O percurso é aberto e bem tranquilo, mas se você não curte trilha, talvez esse não seja um passeio legal. A primeira parte tem muita subida e a segunda é praticamente só descida com bastante pedra no caminho. Você pode optar por fazer só um pedacinho e ficar olhando a vista que é maravilhosa, ou pode ir para o signal hill assistir o pôr-do-sol. O segundo eu acho que vale mais a pena se não for para fazer trilha, porque pode ir de carro e é bem melhor para sentar. Nós gostamos muito da experiência de fazer a trilha, cansamos um pouco mas no final vimos um espetáculo de pôr-do-sol ali em frente a mesquita. De lá, pegamos um uber para o airbnb. Como estávamos bem cansados, de noite comemos um McDonalds que tinha ali perto e ficamos descansando. Uma opção seria conhecer o mercadinho Oranjezicht City Farm - só não esqueça de confirmar o horário de funcionamento. Dia 13: Cape Town Nesse dia fizemos um tour pelas praias de manhã: Clifton Beach - é dividida em 4 praias, separadas por pedras. Porém o que as pessoas não contam é que o acesso dessas praias é uma escadinha super íngreme entre algumas casas particulares (dá um medo de estar no lugar errado kkkk). Ou seja, para ir em todas as praias você tem que ficar subindo e descendo essas escadinhas. A nossa sorte é que o uber sem querer nos deixou já na segunda praia kkkk. Então nós descemos, conhecemos a praia e passamos para a terceira pelas pedras. Não foi super tranquilo, mas conseguimos passar kkkk. Da terceira em diante não dava pra passar, era bem mais perigoso, tivemos que subir. E como a praia não tinha nada demais, decidimos não ir na quarta, então fomos seguindo o caminho. Camps Bay Beach and Table Mountain View Point - esse é o lugar onde tem aquela famosa vista panorâmica dos 12 apóstolos. É perto da Glen Beach e se você colocar no google maps ele te guia certinho até lá. Fomos a pé mesmo, pela estradinha. Tiramos bastante foto e ficamos um tempo observando. Camps Bay Beach - continuamos seguindo pela estradinha até a camps bay. Achamos essa a praia mais bonita, ela é bem extensa e tem uma calçada para andar. Chegamos até a Camps Bay Tidal Pool, que é como se fosse uma piscina natural. Ficamos um tempinho ali observando. Fomos também em um pequeno mall que tem ali na frente com algumas lojinhas para conhecer. Obs.: nessa praia costuma ter bastante gente abordando os turistas para vender artesanatos. Mas, é só agradecer e ir andando. De lá pegamos um uber até o V&A e aproveitamos para conhecer melhor de dia. Vimos a roda gigante, passeamos pela passarela que tem ali em frente e depois fomos almoçar no Col'Cacchio. Passeamos mais por lá e depois fomos para o Aquário Two Oceans. Do lado do aquário encontramos um lugar super legal chamado The Watershed, é um galpão enorme onde vários artesãos vendem seus trabalhos. As coisas não são baratas, mas são peças diferenciadas. Encontramos por acaso e gostamos muito! Compramos nosso ingresso do aquário na hora mesmo e fizemos a visita. O aquário não é tão grande, bem menor que o de São Paulo por exemplo, mas gostamos da experiência. Deu para conhecer e ver vários animais marinhos. No final tem uma lojinha com vários souvenirs. Para nós valeu a pena ter essa experiência. Tínhamos planejado conhecer o Green Point Stadium, porém o único jeito de entrar seria para assistir algum jogo. Então nem fomos para lá, conseguimos olhar de dentro do Uber que por acaso passou na frente. Nesse dia, estávamos bem cansados e precisávamos arrumar nossas coisas para ir para a Namíbia no dia seguinte. Então comemos McDonald 's de novo e ficamos de noite no Airbnb. Dia 14: Cape Town - Windhoek - Etosha National Park Acordamos cedo e fomos direto para o aeroporto de Cape Town. Pegamos nosso voo às 7:00 que chegou em Windhoek às 09:10. Assim que chegamos, o transfer da Namibia2Go (empresa que aluga carros) já estava nos esperando, ele nos esperou trocar o dinheiro no câmbio e depois já partimos. OBSERVAÇÃO IMPORTANTE: tivemos uma grande dificuldade com a internet na Namíbia. Não levamos nenhum chip pois é muito difícil de encontrar na internet para comprar e quando chegamos lá também não conseguimos comprar. Tanto na loja do aeroporto quanto na loja do centro estavam com os chips esgotados. Sorte a nossa que tínhamos reservado internet com a Namíbia 2go, pois foi o único ponto de internet que tivemos durante toda a viagem na Namíbia. Fomos para a Namibia2go buscar nosso carro - alugamos uma Hilux 4x4 com 2 barracas em cima pois iríamos acampar por vários dias! Eles explicaram direitinho como funcionava cada coisa do carro e é super tranquilo de entender. De lá, fomos em um mercado que fica ali do lado, chamado Checkers para comprar comida e abastecer o carro. Então seguimos viagem pois precisaríamos ir para o Etosha National Park (+/- 5 horas). A estrada parecia que nunca iria acabar, é uma reta eterna. Bem fácil de dar sono, então tem que ter bastante cuidado. Apesar de difícil, você encontra posto de gasolina durante o caminho, mas nós decidimos seguir viagem direto. Chegamos no Onguma Tamboti Campsite mais ou menos 18h da tarde, fizemos o check-in e depois já fomos para o nosso espaço montar a barraca. Esse camping fica fora do parque e é bem estruturado, as áreas de camping ficam bem reservadas e isso foi bom por ter sido a nossa primeira experiência. Obs: Todos os campings nós planejamos e reservamos antes. Nenhum de nós 4 tinha experiência com camping, então ao mesmo tempo que estávamos ansiosos e animados, também estávamos um pouco apreensivos. Nesse primeiro dia ainda estávamos nos adaptando com tudo, mas foi bem tranquilo. Assim que terminamos de montar a barraca, escureceu. Então tivemos que cozinhar no escuro, mas deu super certo. O jantar foi macarrão à bolonhesa. Esse camping era bem legal, porque tinha banheiro e área privativa para lavar louça - não esqueçam de comprar detergente, bucha e um pano kkkk primeiro erro de quem nunca acampou!! Depois do jantar fomos observar um pequeno waterhole que tinha no camping. Infelizmente não vimos nada, então fomos dormir. A primeira experiência dormindo na barraca foi ótima, dormimos super bem. A barraca é enorme - só para ter uma ideia, o Leo mede 1,92m e ainda sobrava espaço para ele. Dia 15: Etosha National Park (Onguma para Okaukuejo) Acordamos bem cedo, 5h30 da manhã, fizemos o café da manhã (Café e ovo) e saímos para o safári no etosha. Passamos pelo portão às 7h30, pagamos e seguimos viagem. Primeira dica: compre um mapa do etosha e um mapa da Namíbia. Com certeza você vai usar, principalmente quando estiver sem internet kkkkk. Como no Etosha não tem app e nem grupo de whatsapp para ajudar na localização, nós pesquisamos os principais waterholes e fomos seguindo em direção ao Okaukuejo, que seria o nosso próximo camping: Fizemos todo esse trajeto e chegamos no Okaukuejo às 15h da tarde. Já vou adiantar nossas impressões sobre o Etosha. Não é que o safári de lá foi ruim, mas como nós fomos com a visão de que seria igual ao Kruger, foi meio que uma expectativa quebrada. O Etosha é totalmente diferente do Kruger em vários aspectos: - O solo é bem mais seco; - Vimos os animais mais em bando - enquanto no Kruger nós vimos eles mais sozinhos; - Os waterholes estavam quase todos secos; - Muito mais difícil de encontrar os animais; - A estrada é horrível, muito muito horrível kkkk mesmo com 4x4. A experiência foi incrível e valeu a pena porque foram safáris bem diferentes. Vimos vários animais diferentes e a experiência do camping é bem legal. Porém nós não imaginávamos que seria tão difícil de encontrar os animais, às vezes ficávamos horas sem ver nada, na estrada infinita, sem internet, sem música kkkkkkk Se eu fosse novamente, acho que faria os dois safáris do Etosha com guias. Até tentamos pegar um passeio para o dia seguinte, mas já estava lotado, então é bom reservar antes. O Okaukuejo é diferente do outro camping, ele fica dentro do parque e é enorme. Tem várias áreas de camping, chalé, piscina, restaurante, mercadinho. Mas o mais incrível de lá (e por isso bem concorrido - Fica esperto porque quase não conseguimos ficar lá) é que ele fica do lado de um waterhole que lota de animais a noite. Logo que chegamos, já fomos direto para o posto de gasolina pois estávamos com pouquíssimo combustível. Quando chegamos lá, o frentista nos disse que o diesel tinha acabado. Ficamos desesperados, porque estávamos contando com esse posto para abastecer o carro. Tentamos conversar, mas ele não colocou. Nos acomodamos, montamos nossa barraca e fomos lá observar o waterhole. É bem legal, porque tem vários lugares para sentar e as pessoas ficam todas quietinhas observando hahaha. Assistimos ao pôr-do-sol junto com um elefante bebendo água. Coisa mais linda! Depois fizemos nosso jantar: Arroz, feijão (era enlatado, mas estava bom), ovo frito, batata e milho. E voltamos no waterhole - Foi outro espetáculo de noite, ficamos até +/- 22h30 olhando os elefantes e as girafas e quando estávamos quase indo embora apareceram 3 rinocerontes!!! Na nossa opinião, essa experiência no Okaukuejo foi uma das melhores do Etosha, os animais vão se aproximando, a gente fica naquela expectativa tentando descobrir o que é, naquele silêncio ouvindo só o som da natureza. É literalmente como se estivéssemos assistindo um pouquinho da vida noturna dos animais! Dia 16: Etosha National Park (Okaukuejo) Acordamos cedinho, preparamos nosso café da manhã e fomos novamente tentar colocar combustível no carro. O Leo ficou conversando e insistindo com o frentista, falando que tínhamos viajado até aqui e que precisávamos de diesel. Então ele colocou só um pouquinho e disse que dava para chegar no posto de Halali. Ficamos bem tensos, mas não tinha muito o que fazer, então partimos para nosso segundo safári e fizemos essa rota: Chegamos em Halali e adivinhem kkkkk sem diesel também e pra ajudar também estava sem água. Aproveitando o contexto, essa é uma dica que gostaríamos de ter recebido antes: Levar muito hidratante de corpo, de rosto e de lábios. Além disso, sempre ter um estoque de água no carro. A Namíbia é absurdamente seca! Nós que não temos o hábito de passar muito creme no corpo, usamos meio pote de creme logo nos primeiros dias. E no rosto nós passávamos bepantol de neném que era a única coisa que hidratava (detalhe: nossa pele é mista a oleosa). Compramos um sorvete, fomos ao banheiro e voltamos para o Okaukuejo. Graças a Deus a gasolina foi suficiente! Chegando no camping um gringo veio conversar com a gente para trocar informações sobre o safári, pois ele também estava com dificuldade de encontrar os animais. Comentamos sobre a dificuldade de encontrar combustível e então ele nos informou sobre o posto Petrosol - Taleni Etosha Outpost. É um posto que fica fora do parque, a uns 25km do Okaukuejo, mas ele nos garantiu que lá tinha diesel. Então resolvemos arriscar pois era a nossa única opção. Fomos até lá e finalmente conseguimos abastecer, completamos o tanque! Além disso, o frentista nos ofereceu o conserto da placa do carro que tinha soltado durante o safári. Foi bem rápido e ele nos deixou livres para decidir o quanto pagar. Neste posto tem também um restaurante e um mercadinho bem legal, então fomos conhecer e aproveitamos para almoçar. É um lugar bem gostosinho para comer! Voltamos para o parque e fizemos mais um safári de tarde. Seguimos essa rota: Conseguimos ver: girafa, zebra, orix, impala e uns esquilinhos muito fofos. Chegamos no camping de tardezinha, montamos a barraca e fomos para o waterhole assistir o pôr do sol. Foi um espetáculo! Tinham vários animais bebendo água, ficamos observando eles por um tempo. De repente os animais começaram a sair e ir embora.. Descobrimos o motivo depois de um tempo: Era uma família de leões que chegou para beber água!! Foi incrível!! Ficamos lá até 19h30 e depois fomos cozinhar. Nesse dia jantamos macarrão ao molho sugo e ovo cozido. Depois voltamos para o waterhole para ver os animais. Logo que chegamos, tinha uma manada de elefantes!! Ficamos admirados!! Depois começou a chegar alguns rinocerontes e até presenciamos um pequena briga entre eles kkkkk Ficamos lá até umas 22h30 e depois fomos descansar para o próximo dia! Dia 17: Etosha National Park - Spitzkoppe Saímos mais ou menos 7h20 do Okaukuejo em direção ao Twyfelfontein, que é um sítio arqueológico com várias pinturas rupestres. O caminho até lá é longo, mais ou menos 3h40, mas parece ser mais longo ainda por 3 motivos: Vários pedaços da estrada são péssimos Estávamos sem internet Não tinha música no carro Se você for fazer essa roadtrip pela Namíbia, não esqueça de pensar em algum entretenimento. Algum livro, algum jogo que dê para jogar no carro, pen-drive com música, comidinhas… Seja criativo, mas lembre-se que o negócio na Namíbia é roots - Nosso carro era ótimo, mas só tinha uma entrada USB que usávamos para conectar o roteador da internet, que mal funcionava kkkkk Não podíamos usar muito o celular, pois ficávamos com medo da bateria acabar. Levamos 2 power banks muito bons, mas nos campings tinham poucas tomadas para carregar tanta coisa. Eu não levei livro para não ocupar espaço na mala, mas confesso que eu (Nati) me arrependi muito. Apesar das paisagens serem lindas e muito diferentes, a estrada acaba cansando bastante porque é uma reta infinita. Complicado também para quem está dirigindo, pode dar bastante sono. Chegamos no Twyfelfontein por volta das 11h40. Para quem tem dúvidas de como chegar até lá, é só colocar no GPS: Twyfelfontein or /Ui-//aes. Chegando lá, paramos no estacionamento e seguimos um caminho a pé até a bilheteria. Estava um calor insuportável! Pagamos o ingresso e seguimos o guia que estava esperando para nos atender. O caminho é curto com algumas paradas, mas naquele calor acabamos cansando e desidratando rapidinho. Nosso guia nos falou que fazia 2 anos que não chovia naquela região e dava para perceber pelo clima totalmente seco. Nosso guia era muito simpático e foi nos explicando todos os detalhes. É uma sensação inexplicável ver as pinturas pessoalmente, lembramos muito das fotos das apostilas da escola. O tour durou mais ou menos 1 hora. O final foi sofrido porque não estávamos aguentando de calor e sede. Chegamos no carro e bebemos muita água! Saindo de lá, fomos abastecer o carro em um posto que ficava no meio do nada kkkkkkk chama Petrosol - Twyfelfontein Country Lodge - Fuel station. Depois seguimos para Spitzkoppe Community Rest Camp, mais 3 horas e meia de estrada. Que estrada linda, parecia que estávamos em outro mundo! Quanto mais perto de spitzkoppe, mais montanhas de pedra apareciam no caminho. Uma mais linda que a outra! Esse camping era um desafio para nós kkkk não tinha energia elétrica e acamparíamos bem no pé da montanha. Estávamos ansiosos para ter essa experiência! Chegamos, fizemos nosso check-in e a moça nos entregou um mapa do camping (que era gigante). Nos explicou rapidamente sobre cada lugar e disse que era só escolhermos o local que queríamos e nos instalar. Logo na entrada, tem 2 banheiros com portas. Um pouco para frente tem a área dos chuveiros (Alguns são aquecidos) e pia para lavar louça. Andando um pouco mais tem um estacionamento, seguido de um pequeno restaurante (aberto das 9h às 19h) e mais dois banheiros. Esse banheiros não possuem portas, somente paredes fechadas por correntes para sinalizar que está ocupado kkkkkk As áreas de camping são bem longe umas das outras e cada uma tem um lugar para fazer xixi, mas é bem nojento - é simplesmente um buraco com uma cerquinha de bambu. Como já era tarde, paramos ali do lado dos chuveiros para garantir o banho no claro e depois fomos até o restaurante para comer um lanche. Enquanto esperávamos, andamos um pouquinho por lá para ver a paisagem. Tem uma balança ali do lado bem de frente para a montanha. Jantamos e depois fomos montar nossa barraca, decidimos ficar em uma das primeiras áreas de camping, bem no pé da montanha. Apesar de não ter energia, o ambiente não estava tão escuro porque estava com uma super lua cheia brilhante iluminando o camping. Sentamos ali e ficamos um tempão conversando e jogando aqueles famosos joguinhos que não precisam nem de cartas e nem de tabuleiro. Terminamos nossa noite ali e depois fomos descansar. Foi uma delícia ter esse tempo, sem distrações de internet e em um dos ambientes mais diferentes que já fomos!! Dia 18: Spitzkoppe - Cape Cross - Swakopmund Acordamos cedinho, fizemos nosso café e fomos conhecer o Natural Arch ou The Bridge, não sei exatamente o nome correto. A localização é bem confusa, mas fomos nos encontrando. Seguimos de carro o GPS até o Natural Arch, paramos ali e depois fomos tentando encontrar um caminho a pé kkkk tem que ir andando pelas pedras e subindo até chegar na pedra que parece que tem um buraco no meio. É lindo demais! Tiramos várias fotos e depois, seguindo um pouco mais, tem a vista panorâmica da montanha de pedra!! É uma disputa de qual paisagem é mais bonita! Saindo de lá, pegamos o carro e paramos em uma área para fazermos o almoço. O legal deste camping é que é enorme, então tem muitas áreas disponíveis e não tem ninguém. Então você fica super livre e a vontade para parar onde quiser e em qualquer hora do dia. Comemos nosso almoço: arroz, ovo mexido, batata e feijão (enlatado). Foi uma delícia cozinhar e comer ali, no meio das árvores e da paisagem linda. De lá, fomos até a pia (perto da recepção) para lavar a louça, usarmos o banheiro e depois seguimos viagem em direção ao Cape Cross. Vamos expor aqui os principais pontos negativos e positivos que achamos sobre o camping: Positivos: Paisagens lindíssimas Você consegue se desligar totalmente da tecnologia e se conectar com a natureza. Silêncio e paz Você vai viver uma experiência totalmente única e inexplicável Apesar de não ter energia, tem chuveiro quente e restaurante (9h às 19h) Parece que tem só você no camping, então você fica muito livre por lá. Negativos: Banheiro: os únicos banheiros “usáveis” são da recepção, longe das áreas de camping. Então se precisar ir ao banheiro durante terá que ir atrás de alguma pedra, que é melhor do que usar aquele buraco. Banheiros sem porta. A pia e os chuveiros também ficam perto da recepção, então precisa ir de carro até lá. Para mulheres: não tem espelho e não tem como usar secador/chapinha. Não tem como carregar o celular e outros equipamentos. As coisas ficam bem longe uma da outra, tem que ir de carro (consequentemente tem que desmontar a barraca também) Apesar dos pontos negativos, nós amamos a experiência no camping e com certeza voltaríamos! Pode ter alguns perrengues, sim! Mas se posso te dar um conselho, não se apegue às coisas supérfluas (energia, celular, internet, secador de cabelo), aproveite o momento! A energia não fez falta nenhuma para nós enquanto estávamos lá e por outro lado, tivemos uma das experiências mais diferentes e incríveis das nossas vidas. Saímos mais ou menos às 13h de Spitzkoppe e chegamos às 15h em Cape Cross Gate, onde tem a colônia de focas. Você para nesse portão e faz o pagamento das entradas na bilheteria. Feito isso, você pega o carro novamente, entra pelo portão, vira à esquerda até chegar na colônia de focas (Cape Cross Seal Reserve). Chegamos na reserva de focas, paramos no estacionamento que tem ali e já ficamos impressionados com a quantidade de focas. Muitas!!! Na frente do estacionamento tem uma passarela de madeira fechada que contorna a praia, onde os turistas podem ir andando para observar as focas. Quando chegamos, as focas tinham invadido uma parte do estacionamento e uma delas estava deitada na frente do portão da passarela kkkkk fomos com cuidado entre elas (elas são bem bravas) e pulamos a passarela. Fomos andando pela passarela, observando as focas! Algumas partes da passarela estavam destruídas e as focas conseguiam entrar nela, não achamos isso tão seguro, mas era só começar a bater o pé que elas saíam do caminho. Muitas pessoas falam um pouco mal de lá, então aqui vão nossas considerações e opiniões: O cheiro é horrível sim!! Muito forte e insuportável! Levamos máscaras e usamos o tempo todo. Depois do passeio, ficamos fedendo foca kkkk o corpo, o cabelo, a roupa. Tudo hahaha! Achamos a parte da passarela descuidada, porque tem vários buracos. Vimos somente uma foca morta, logo no comecinho. Mas há relatos de pessoas que viram bastante focas mortas, acho que depende da época. Apesar de todos os pontos negativos, para nós foi uma parada que valeu a pena. Gostamos bastante de ver as focas, conhecer o som delas e ver um pouquinho como elas vivem em comunidade. Saindo de lá, fomos direto para Swakopmund. Obs: Na estrada perto de Cape Cross, vimos várias pedras rosas expostas para venda sem nenhum vendedor. Ficamos super animados achando que era alguma pedra preciosa e paramos para comprar kkkkk estávamos escolhendo a mais bonita quando caiu nossa ficha, eram pedras de sal! Eram muito bonitas e legais, mas acabamos desistindo de comprar porque não teria muita utilidade para nós. Chegamos em Swakopmund por volta de 18h, uma cidade de praia bem bonitinha, mas quando saímos do carro, assustamos com o cheiro. Não era tão ruim igual o das focas, mas era bem forte. Um cheiro de maresia misturado com peixe kkkkk! Ficamos hospedados em um ótimo airbnb, um apartamento bem grande e super bonito. Nos acomodamos, tomamos um banho pra tirar o cheiro de foca kkkk e depois fomos jantar no Kücki's Pub, um lugar bem legal e com uma comida excelente. Aproveitamos para experimentar as carnes de game e de orix! Estavam incríveis!! Depois do jantar, estávamos cansados e já estava tarde, então fomos descansar. Dia 19: Swakopmund (Sandwich Harbour) Acordamos cedo e fomos tomar café da manhã no Slowtown Coffee Roasters, que é uma cafeteria que amamos. Ambiente super gostoso e a comida estava uma delícia. De lá fomos para o Super Spar fazer mais uma compra de comida, pois passaríamos os próximos dias em camping. Deixamos as compras no airbnb e fomos fazer um tour pela cidade. Lá é bem pequeno e não tem tantas coisas para fazer, mas é super bonitinho e gostoso de passear. As construções da cidade tem um estilo alemão! Fizemos esse tour todo a pé: Saímos do nosso airbnb e fomos andando pela praia. Passamos pela praça super arborizada e bonita chamada Arnold Schad Promenade até chegar no Swakopmund Mole e no Aussichtpunkt Swakopmund Meerblick. Essa parte é como se fosse uma pequena península com vista para o mar. Fomos em direção ao farol (Swakopmund Lighthouse), que passamos só na frente, mas tem como entrar e subir nele. Passamos na frente do Woermannhaus, que é um edifício histórico bem bonito e depois fomos voltando para o apartamento por dentro da cidade, passeando pelas lojinhas, pois infelizmente nosso tempo era curto. Alerta de perrengue: passamos um super sufoco para conseguir trocar dinheiro. Nesse dia tínhamos um tour para o Sandwich Harbour reservado e a agência nos informou que aceitaria apenas dinheiro como pagamento. O Leo já tinha separado esse dinheiro desde o primeiro dia na Namíbia, mas quando chegamos no apartamento e fomos contar, percebemos que estava faltando. Não tínhamos mais dinheiro e nossos amigos também não. Estávamos em cima da hora, então saímos desesperados para tentar trocar em algum lugar. Depois de muitos perrengues kkkkk conseguimos finalmente trocar (sorte que tínhamos uma nota de dólar, porque o câmbio não aceitava cartão). Fomos voando para a agência do tour, que ficava em Walvis Bay, e chegando lá não conseguíamos encontrar o lugar. Era tudo muito confuso e tivemos que pedir ajuda para uma moça, que viu nosso desespero e nos ajudou kkkkkk depois de todo esse desespero, chegamos lá e adivinhem: a agência aceitava cartão!!!!! Que sufocooo!! Após todo esse perrengue, nos encontramos com nosso guia, Dino (Bernardino), e começamos o tour. Fizemos uma breve parada na Lagoa Walvis Bay para observar os grupos de flamingos e outras aves que habitam a região. Normalmente, o tour segue pela praia, mas como a maré não estava favorável, tivemos que seguir por um caminho alternativo por dentro. Passamos por um lago rosa, onde há uma fábrica de sal, algo realmente impressionante. Curiosidade: os flamingos nascem com penas cinzas e, conforme se alimentam das algas pigmentadas nos lagos, suas penas vão adquirindo a cor rosa. Seguimos para a duna principal do Sandwich Harbour. A viagem até lá demora um pouco, mas a diversão de atravessar dunas, cada vez mais altas, torna a experiência ainda mais emocionante. Como estávamos sozinhos no carro, o tour foi bem exclusivo, e o guia, percebendo que gostávamos de uma adrenalina, desceu por dunas enormes que davam um friozinho na barriga hahaha. Chegamos ao local onde a vista do deserto se encontra com o mar, e a paisagem é simplesmente deslumbrante! O guia fez uma pausa ali, e tivemos a oportunidade de descer e caminhar um pouco. Uma mesa de almoço foi montada com várias opções de comidas e bebidas, e ficamos um bom tempo ali, aproveitando a vista, antes de retornar. A volta foi ainda mais cheia de adrenalina, principalmente porque o guia acelerou em algumas dunas, o que foi super divertido kkkkk. Seguimos o caminho de volta até a agência, e no percurso, avistamos alguns orix e uma raposinha. Chegamos na agência ao final da tarde e, em seguida, fomos para o Airbnb. Sobre o tour: adoramos e achamos que valeu cada centavo! É essencial contratar um guia especializado para esse tipo de tour, pois dirigir na areia, especialmente nas dunas, é bem difícil e é fácil ficar atolado. Além disso, os guias sabem exatamente o momento certo para seguir pela praia ou mudar a rota, dependendo da maré. Quando é necessário seguir por dentro, não há caminho definido, então é preciso conhecer muito bem o local. https://www.sandwich-harbour.com/activities/half-day-sandwich-harbour-4x4-excursion/ De noite fomos jantar no Jetty 1905 Restaurant, onde tínhamos uma reserva. Esse restaurante é mais chiquezinho e fica em cima de um píer. O preço é caro, mas não é absurdo. Gostamos de lá, porém acho que é mais interessante ir de dia por ser no pier. Dia 20: Swakopmund - Sossusvlei Acordamos cedo e, por volta das 7h00, já estávamos a caminho de Sossusvlei, a principal atração do deserto do Namibe. Inicialmente, planejamos parar na Duna 7, mas o caminho estava fechado, então seguimos viagem. Por volta das 9h30, fizemos uma breve parada no famoso Trópico de Capricórnio, onde ficamos cerca de 20 minutos tirando algumas fotos. Seguimos para Solitaire, uma mini-cidade que é parada obrigatória para quem viaja pela região. Além de ser um lugar super charmoso e interessante para explorar, é o único posto de gasolina até Sossusvlei. Solitaire tem um mercadinho, restaurante e uma padaria famosa pela "apple pie". O lugar tem um clima único, com cenários de deserto e vários carros abandonados. De acordo com o nosso roteiro, chegaríamos mais tarde, já que a ideia era parar na Duna 7, então tivemos que fazer hora até o restaurante abrir. Aproveitamos para passear um pouco por lá antes de almoçarmos no restaurante local. Depois, decidimos tomar um café e experimentar a famosa torta de maçã. Achamos muito boa, porém nada demais kkk acho que as pessoas fizeram tanta propaganda que nossas expectativas estavam altas demais hahaha. Após abastecer o carro, por volta das 13h, seguimos para o Sesriem Campsite. Fizemos o check-in, entendemos como o local funcionava e logo partimos para explorar o Sesriem Canyon, onde passamos cerca de uma hora apreciando as formações rochosas e a vista incrível. Antes disso, fomos ao escritório do parque para garantir as autorizações de entrada para aquele dia e o seguinte. Isso é importante, pois se quiser sair cedinho, já é bom ter a autorização. Às 16h, decidimos dar uma passada na Duna 45, para conhecer o caminho e ver o cenário, já que no dia seguinte planejávamos ir bem cedinho para assistir ao pôr do sol. O trajeto é tranquilo, é só seguir a rota. Quando chegamos, a paisagem era tão surreal que ficamos empolgados e subimos um pedaço da duna, mas sem chegar até o topo, já que a ideia era deixar isso para o dia seguinte. Voltamos para o camping antes do pôr do sol para montar nossas coisas. Depois foi hora de descansar, cozinhar o jantar, bater um papo e nos preparar para o dia seguinte. Dia 21: Sossusvlei Acordamos bem cedinho e saímos por volta das 6h20, chegamos na base da Duna 45 às 7h e começamos a subir. Esse horário não tinha muita gente e estava bem frio, mas conforme fomos subindo o corpo foi esquentando. Demoramos 30 minutos para subir e achamos tranquilo. Cansa sim, mas o segredo é ir parando e seguir o seu ritmo. O horário ajudou bastante também por não ter sol. Assim que chegamos lá em cima, sentamos na duna e ficamos esperando o nascer do sol. E logo, vimos o sol aparecendo e colorindo o deserto com tons dourados e alaranjados – um espetáculo indescritível. Só vendo pessoalmente para entender a emoção de assistir! Depois de apreciar o amanhecer, seguimos para a temida Big Daddy. Algumas informações importantes: Para chegar até a base dessa duna você pode ir de carro em rota asfaltada, porém os últimos 5km são de areia bem fofa, ou seja facinho de atolar. Você pode arriscar ir com um 4x4? Sim, mas não recomendamos. Só se você tiver muita experiência em dirigir nesses locais. Então para passar por essa parte, nossa recomendação é pegar um caminhãozinho que vai saindo a cada 15 minutos para levar o pessoal. É bem fácil de encontrar e é só pagar ali na hora mesmo. Chegando na base da Big Daddy tem duas opções: Quer escalar a duna? Siga pela esquerda. Nesse caminho você vai subir toda a duna e de lá de cima vai descer escorregando até chegar no Deadvlei. Não quer escalar a duna? Siga pela direita. Nesse caminho você vai cortar a subida e ir direto para o Deadvlei. O que nós fizemos? Pegamos o caminhãozinho, chegamos na base da duna e seguimos pela esquerda para escalar a duna. É realmente um caminho bem longo. Começa bem plano até começar a subir, aí você vai subindo, subindo, subindo… O sol estava matando kkkk então isso deu mais sofrimento ainda para subir. Íamos subindo, parando um pouco, bebendo água, subindo de novo, parando… e depois de muito esforço chegamos no topo. Pensamos em desistir? Sim kkkkk mas a mente positiva estava tão forte que conseguimos chegar até lá. Que sensação incrível! Chegar no topo e olhar aquela vista surreal! Valeu cada esforço. Descansamos um pouco e depois fomos para a parte mais divertida - descer escorregando pela areia até o Deadvlei. Parece que é rapidinho para descer, mas é muito longe e ficamos um tempinho descendo hahaha mas é a melhor parte! Chegamos ao DeadVlei por volta das 10h30 e ficamos impressionados com a paisagem surreal: o solo branco petrificado, as árvores secas contrastando com as dunas alaranjadas e o céu azul intenso!! Ficamos andando e tirando fotos por ali, o sol estava muito forte e não aguentamos ficar muito tempo. Não esqueça que depois de tudo isso, ainda tem que atravessar o DeadVlei inteiro para pegar o caminhãozinho de volta hahahah E foi o que fizemos. Chegamos no camping, comemos hambúrguer no restaurante de lá mesmo e no resto do dia, como estávamos muito exaustos, aproveitamos para descansar, tomar banho com calma e organizar as coisas. Até tentamos entrar na piscina, mas estava muito gelada hahaha Obs: Nesse dia a noite eu e o Leo começamos a passar mal kkkk outro perrengue! Temos quase certeza que foi tipo uma insolação que pegamos no passeio das dunas porque nossos amigos ficaram bem e não subiram junto com a gente. Passamos muito mal e eu tive que ir no banheiro no meio da noite no escuro kkkk Dia 22: Sossusvlei - Luderitz Nesse dia tivemos um grande dilema. O plano inicial era seguir para Luderitz e, no dia seguinte, visitar Kolmanskop, mas o parque só abre pela manhã, e no dia seguinte precisávamos sair cedo para devolver o carro em Windhoek até as 17h (informação que só descobrimos depois, o que complicou um pouco o roteiro). Então o problema era: não conseguiríamos chegar a tempo para o tour no mesmo dia, e no dia seguinte não haveria tempo para nada. Porém, como já tínhamos incluído Kolmanskop na programação, decidimos arriscar e ver o que aconteceria. Então, nós voamos com o carro até Kolmanskop - não recomendamos fazer isso kkkkkk. Chegamos lá cinco minutos antes do horário de fechamento, e por sorte, o segurança nos deixou entrar. O lugar estava completamente vazio – só estávamos nós! Kolmanskop é uma cidade fantasma, marcada pela história das minas de diamantes e do tempo em que a cidade prosperava. Hoje ela está totalmente abandonada e coberta pela areia do deserto. É incrível caminhar pelas ruas desertas e imaginar a história desse lugar que um dia foi vibrante e cheio de atividade. Infelizmente, eu não estava nada bem. Eu andei um pouco por lá, mas não conseguia ficar em pé, então voltei para o carro enquanto ele exploravam mais um pouco. Fiquei muito triste de não conseguir ver muita coisa, mas mesmo assim, já foi incrível. O lugar é gigantesco, com muitas construções e detalhes históricos para descobrir. Após a visita, seguimos para o hotel em Luderitz, onde pudemos descansar um pouco e beber bastante isotônico que tínhamos comprado nos postos de gasolina no meio do caminho. Depois aproveitamos para dar um passeio na beira do mar, perto da Shark Island, apreciar a paisagem e assistir ao pôr do sol. À noite, jantamos no Penguin Restaurant, um restaurante charmoso dentro de um hotel. A comida era excelente e o ambiente muito agradável – super recomendamos! Dia 23: Luderitz (Kolmanskop) - Solitaire - Windhoek Eu acordei bem melhor nesse dia, então tomamos café e saímos de Luderitz às 7h40 e seguimos viagem para Windhoek, uma jornada bem longa de cerca de 7 horas e meia. Durante o percurso, fizemos algumas paradas nos postos de gasolina para descansar as pernas, usar o banheiro, abastecer o carro e revezar o volante quando necessário. Chegamos na Namibia 2go por volta das 16h, devolvemos o carro e, em seguida, fomos para o hotel. À noite, tínhamos uma reserva no Joe’s Beer House, que é imperdível em Windhoek. Tem uma variedade de carnes exóticas para quem quiser experimentar algo diferente. Optamos pelo Bushman’s Sosatie, que é um espetinho com carne de zebra, kudu, oryx, springbok e crocodilo. Foi uma experiência sensacional! O que achamos das carnes: Quanto ao sabor das carnes, não achamos que nenhuma delas tinha um gosto muito forte tipo de cordeiro. A mais forte foi o kudu, seguida do oryx. O crocodilo lembra muito o sabor do frango, e as demais carnes são bem parecidas com carne de vaca. Em termos de maciez, todas estavam boas, e a zebra foi a mais dura. O ambiente do restaurante é super agradável e aconchegante. Escolhemos um lugar no garden e adoramos! Vale muito a pena, especialmente para quem quer experimentar carnes exóticas. Porém, mesmo se você não for tão aventureiro com a comida, o local também é ótimo. Nossa dica é fazer a reserva antecipada, pois o restaurante costuma ficar bem cheio! De lá voltamos para o hotel para descansar - como estávamos sem carro, na ida nós pedimos para o recepcionista do hotel pedir um táxi. Então pegamos o contato desse taxista e na volta pedimos para ele nos buscar. Deu super certo. Obs: Nosso roteiro estava bem apertado, então não conseguimos conhecer Windhoek, mas tem alguns lugares que você pode conhecer, se tiver tempo: Christ Church Museu Memorial da Independência Centro de Artesanato da Namíbia Dia 24: Windhoek - Joanesburgo Saímos cedinho, fomos até o aeroporto para pegar o avião até Joanesburgo. O voo saiu às 9h15 e chegou ao destino às 11h15. Fomos para o Hotel Sky, chegamos lá por volta de 14h e fomos almoçar no restaurante de lá mesmo (Eclipse Restaurant). A tarde, fomos passear na Nelson Mandela Square e depois descansamos um pouco no hotel (acho que foi um dos únicos períodos de descanso da viagem kkkkk) À noite, fomos jantar no The Big Mouth e pedimos comida japonesa. Foi incrível e fechamos a viagem com chave de ouro! Dia 25: Joanesburgo - São Paulo Acordamos, tomamos café e saímos umas 9h para o aeroporto (fomos com uma Van que o próprio hotel pediu para nós). Na hora de fazer o check-in passamos um super perrengue com as malas, e o problema foi que no aeroporto de Joanesburgo, existe uma regra rígida: nenhuma mala pode ultrapassar 30kg, mesmo que você esteja disposto a pagar o excedente. A nossa tinha passado só um pouquinho disso, mas foi o suficiente para barrar nossa mala e causar uma correria. Tivemos que comprar uma mala, distribuir as coisas no meio do aeroporto. E depois disso, a moça do check-in ainda nos enganou dizendo que não aceitava o pagamento do excedente no cartão, só dinheiro. Depois, quando conversamos com nossos amigos (que já tinham passado há um tempão), descobrimos que eles pagaram o excesso no cartão tranquilamente. Ou seja, muito provavelmente a funcionária ficou com o dinheiro para ela. Foi um dos maiores perrengues da viagem, ficamos muito tensos, principalmente depois de saber desse detalhe. Mas no final deu tudo certo, tivemos um ótimo voo e chegamos no Brasil por volta das 18h15 e nossas malas estavam lá kkkkk. Mas fica a dica para tomarem cuidado com isso! Essa foi nossa viagem de 25 dias e aqui vão nossas considerações sobre tudo isso: Foi simplesmente incrível!! Uma viagem que vai ficar marcada para sempre na alma. Mas é importante dizer: não é uma viagem para qualquer um. Não pelo destino em si, mas pela intensidade. Foram quase 25 dias sem parar, vivendo cada segundo ao máximo. O cansaço físico existe, sim, mas ele é pequeno perto da imensidão do que se vive e se sente. É uma viagem para quem gosta de movimento, de experiências intensas, de sair cedo e voltar tarde com o coração cheio de memórias. Se você prefere tranquilidade, roteiros leves e tempo para descansar, talvez esse estilo não seja o ideal. Mas, sinceramente? Acredito que, de vez em quando, a gente precisa sair da zona de conforto, se permitir o novo, o inesperado. Nós vivemos momentos que jamais imaginaríamos, superamos desafios que pareciam impossíveis, acampamos por vários dias sem nunca ter acampado antes e, no fim, amamos cada segundo. Quando começamos a pesquisar sobre essa viagem, principalmente a Namíbia, nos causava um certo medo... por não ter muita informação, não ter tanta estrutura. E foi justamente por isso que quis escrever este relato, para encorajar outras pessoas a descobrirem esse país incrível! A Namíbia realmente não tem estrutura igual a África do Sul por exemplo, mas não é um bicho de sete cabeças. É um país fascinante, repleto de belezas naturais que impressionam a cada curva da estrada. Fazer uma roadtrip por lá é algo que não dá para explicar, só quem vive entende. E hoje, olhando para trás, sentimos um orgulho imenso de tudo o que experimentamos. E essa sensação... é simplesmente uma das melhores do mundo.
  39. 3º Dia - 13/07/2025 - Machu Picchu x Cusco Acordei por volta das 6h, tomei café da manhã no hostel e parti com tudo nas costas rumo a Machu Picchu. O ingresso que eu havia comprado era para as 9h (Circuito Realeza), então eu tinha cerca de 2h para subir a trilha — um caminho inteiro de escadarias. Consegui completar em 1h20. Durante a subida fui diversas vezes surpreendido por paisagens surreais, um mar de montanhas que já transmitiam a energia daquele lugar sagrado. Não contratei guia, mas recomendo fortemente, pois cada templo, cada canto e cada cômodo de Machu Picchu carrega uma história. Para não perder nada, acompanhava discretamente alguns grupos para ouvir as explicações de seus guias. Estar ali fazia eu me sentir abençoado o tempo todo — pelas montanhas, pela atmosfera mística, pelo simples fato de viver aquele momento. Sem dúvidas, um dos melhores dias da minha vida. Meu ingresso também incluía a subida a Huchuy Picchu. Como precisava estar de volta à Hidrelétrica às 14h para pegar a van de retorno a Cusco, fiz a trilha em ritmo acelerado. Foram cerca de 20 minutos de subida recompensada por uma vista incrível de Machu Picchu sob outro ângulo. No topo, encontrei um guia acompanhado de duas viajantes que me ensinaram alguns gestos para absorver a energia da montanha. Os gestos pareciam estranhos no início, mas no instante em que os repeti, senti meu corpo inteiro arrepiar, tomado por um sentimento inexplicável. Gratidão era a palavra que resumia aquele instante. O poder da montanha, o respeito, a energia... Gracias Pacha Mama. Na descida precisei optar pelo ônibus, pois não teria tempo de fazer todo o trajeto a pé e ainda chegar às 14h na Hidrelétrica. A partir dali segui pela trilha do trem em passo apressado para conseguir chegar a tempo de embarcar na van. A viagem de volta a Cusco foi marcada por bons sentimentos e uma sensação de plenitude difícil de descrever. Chegamos à noite. Tomei um banho e fui direto para a cama, pois o dia seguinte prometia outra grande aventura: uma caminhada de 13 km pelas Lagunas de Ausangate.
  40. Fala pessoal, Vou deixar aqui um relato de uma viagem que eu fiz para Guatemala e México, com um stopover no Panamá, que aconteceu em fevereiro de 2022. ⚠️ Essa viagem (e muitas outras) está no meu livro / ebook Destino Vulcões, que consegui deixar inteiramente grátis por um tempo no amazon.com.br (link: https://a.co/d/agKaeNM). Instagram: www.instagram.com/destinovulcoes Youtube: www.youtube.com/@destinovulcoes Guatemala, México, Panamá e os melhores vulcões das Américas do Norte e Central Introdução – Como tudo começou Em meados de 2020, durante a pandemia, preso em casa e com saudades de viajar, encontrei na internet duas comunidades de amantes de vulcões que compartilham fotos e notícias sobre vulcões ao redor do mundo no Facebook, Instagram e sites (Ref. 4 e Ref. 5). Também comprei meu livro de vulcões (Ref. 1). Ficou bem mais fácil conseguir informação sobre as atividades dos vulcões, pesquisar mais sobre os vulcões mais incríveis em atividade do mundo. Foi aí que surgiu um sonho distante: e se um dia, quem sabe, eu escrevesse um livro sobre isso? Mas minha vontade de conhecer a Guatemala começou antes disso, em 2019, quando ouvi falar do Vulcão Fuego. Conversando com um amigo no trabalho sobre minhas férias na África, ele me mostrou o Instagram e Youtube de um casal viajante chamado Viajante honesto (Ref. 19). Eles estavam dando uma volta ao mundo, e um vídeo específico me chamou a atenção: um trekking no vulcão inativo Acatenango, na Guatemala, para ver as erupções do vulcão ativo ao lado, o Fuego. Foi a primeira vez que vi vídeos de um vulcão com erupções estrombolianas parecidas com as de Vanuatu! Sim, havia outro vulcão com atividade parecida ao Monte Yasur, explodindo lava algumas vezes por hora. Sabe-se se lá por quanto tempo esse vulcão ia permanecer em atividade, e eu não poderia perder essa oportunidade. Pesquisando informações atualizadas sobre a atividade dos vulcões nas comunidades, confirmei que o Vulcão Fuego tinha que estar no topo da minha lista pós-pandemia. Descobri também que a Guatemala tem mais dois vulcões bastante ativos e bem próximos ao Fuego: o Pacaya e o Santiaguito, que costumam ter alguma lava aparente! Atualmente, o trekking pelo Acatenango e Fuego é muito famoso na Guatemala, provavelmente disputando com Tikal o título de tour mais famoso de país. Criadores de conteúdos, como o Richard do Vida de Mochila (Ref. 27), e o Vazonde (Ref. 29), já fizeram relatos e vídeos inspiradores de lá. Mais recentemente, o Mundi360 (Ref. 28) fez o tour do Fuego, e acompanhar os stories no Instagram foi como vivenciar o passeio “ao vivo”. Não são poucas as pessoas que saem impressionadas após conhecer o Vulcão Fuego, então, “bora” para Guatemala! Em fevereiro de 2022, consegui apenas 14 dias para fazer essa viagem sozinho. Meu objetivo principal era conhecer os vulcões da Guatemala, Fuego, Pacaya, Santiaguito, e mais algum vulcão “por perto”. Pela logística/tempo/$, acabei escolhendo conhecer o vulcão Popocatepetl, no México. Consegui a volta MEX-GRU por uma quantidade de milhas razoável, um voo barato de ida para Guatemala pela Copa, com stopover no Panamá e outro voo barato da Guatemala pro México. Eu tenho muita vontade de passear por toda a América Central, especialmente Nicarágua, mas vai ficar para uma próxima. Era hora conhecer os vulcões mais ativos da América Central e do Norte, e, já dando spoiler, o vulcão mais incrível de todas as Américas! Resumo do Roteiro Figura VI‑1: Roteiro Guatemala, México e Panamá O roteiro escolhido foi: Dia 1 -> Cidade do Panamá Dia 2 -> Antígua e Vulcão Pacaya Dia 3 -> Acatenango e Fuego Dia 4 -> Acatenango e Fuego Dia 5 -> Lago Atitlan - Panajachel Dia 6 -> Lago Atitlan - Maximon Dia 7 -> Tikal Dia 8 -> Flores -> Lanquin Dia 9 -> Semuc Champey Dia 10 -> Lanquin -> Cidade da Guatemala -> Cidade do México Dia 11 -> Cidade do México Dia 12 -> Teotihuacán e Basílica Dia 13 -> Popocatepetl Dia 14 -> Cidade do México -> São Paulo Relato dia a dia Dia 1 -> Cidade do Panamá A Copa Airlines oferece frequentemente stopover gratuitos de alguns dias no Panamá, uma excelente oportunidade para conhecer o país. Sempre quis conhecer as ilhas de San Blas, mas, devido a minha falta de tempo nessa viagem, só pude conhecer a Cidade do Panamá. Lá eu queria conhecer a Amador Causeway, o centrinho chamado Casco Antiguo e, claro, o Canal do Panamá. Algumas horas seriam suficientes para conhecer tudo, mas os horários das passagens aéreas baratas eram meio ingratos. Saí de casa tarde da noite para o aeroporto de Guarulhos, peguei um voo às 3h e cheguei ao Panamá às 8h da manhã. Só consegui dar aquela “dormidela” de avião antes de sair para conhecer a cidade, bastante cansativo. No aeroporto, há várias ofertas de city tours para quem está em conexão/stopover, saindo e voltando para o aeroporto, por uns 100 $USD. Como eu estava muito cansado para alugar carro e ver transporte público, fui ver se algum taxista faria uma volta pelos meus pontos de interesse por um preço menor. Logo descobri que o centro de visitantes do Canal do Panamá (Eclusa Miraflores) estava fechado às segundas por causa da pandemia. Caramba, meu principal ponto de interesse no Panamá, já era! Pelo menos descobri outra eclusa para visitar, Pedro Miguel, que pode ser vista da beira da estrada, segundo os taxistas. Acabei fechando um passeio de 4h por 80 $USD, para a eclusa, aos outros locais que eu queria conhecer, e mais algumas sugestões do taxista. Após o passeio, ele me levaria para almoçar e me traria de volta para o aeroporto. Então, partiu conhecer o Panamá! Antes de seguirmos para a Eclusa Pedro Miguel, fizemos uma primeira parada rápida para foto na parte moderna da cidade, próximo ao prédio mais icônico, o “The Screw”, com sua arquitetura retorcida e muito interessante. Após passar por esta parte rica da cidade, passamos por uma parte bem mais pobre, com favelas no centro – um lembrete da desigualdade social que, infelizmente, é uma das marcas da América Latina. A Eclusa Pedro Miguel, diferente da Eclusa de Miraflores, não tem um centro turístico. Mas da estrada já era possível ver a eclusa e os barcos passando por lá. Tivemos um pouco de sorte porque, naquele momento, tinha um navio bem grande passando lá. Salvei o vídeo Cap VI‑1 no canal do livro (youtube.com/@destinovulcoes). Depois fomos conhecer um lugar bacana chamado Amador Causeway. Durante a construção do Canal do Panamá, aterrou-se um trecho do mar e criaram a Avenida Amador Causeway, conectando a cidade a algumas ilhas próximas. É um lugar agradável, com ciclovias, marinas, restaurantes e museus, além de uma vista da cidade. De um lado, o Canal do Panamá e a bela Ponte De Las Américas; do outro, o skyline da parte moderna da Cidade do Panamá. Figura VI‑2: Navio gigante na Eclusa Pedro Miguel, parece que não vai passar.... Figura VI‑3: Apertadinhho, mas passou.... Figura VI‑4: Skyline, “The Screw” se destaca Figura VI‑5: Ponte de Las Américas Depois seguimos para o Casco Antiguo, o centrinho da Cidade do Panamá. Para mim, é a parte mais interessante. A primeira parada foi em uma igreja com um bonito interior, Igreja de São José, com o altar todo de ouro. Depois seguimos para a Catedral Basílica Metropolitana de Santa Maria la Antígua do Panamá (nome grande, né!), também conhecida como Catedral Metropolitana do Panamá. O motorista parou na frente da catedral, me disse para eu dar uma voltinha em um quarteirão e voltar lá para depois sairmos para almoçar.... Vi que o cara estava com pressa, mas me fiz de desentendido e dei uma volta bem maior, já que não era esse o combinado, queria conhecer melhor o Casco Antiguo. O motorista me explicou que o governo estava reformando o Casco Antiguo, trocaram todo o calçamento das ruas e calçadas, comprando imóveis antigos para restaurá-los e transformá-los em locais mais turísticos como restaurantes, lojinhas de souvenir e museus. Para falar a verdade, achei o centrinho com uma aparência meio artificial. Tudo estava novo demais para um centro colonial antigo, a pintura das casas, as calçadas, calçamento das ruas.... Parecia mais um estúdio cenográfico, não sei explicar direito. Diferente do pelourinho, em Salvador, que, mesmo após restaurações, manteve o charme autêntico de centro histórico. Talvez, com o tempo, à medida que as ruas e calçadas fiquem mais desgastadas, o Casco Antiguo ganhe uma aparência mais colonial. De qualquer forma, no Casco Antiguo tem construções bonitas, incluindo as principais igrejas, o palácio do governo, algumas ruínas antigas e alguns prédios bonitos. É um lugar bem bacana, ainda que não tenha o brilho de outros centrinhos coloniais. Entre suas muitas praças, destacam-se a Praça de La Independencia, em frente à catedral (coloquei no canal um vídeo de lá, Cap VI‑2), e a Praça Simon Bolivar, com um belo monumento a Bolivar, considerado o libertador de vários países da América Latina, inclusive o Panamá. Esta praça fica próxima de belos prédios, como o Teatro nacional, e a bonita Igreja de São Francisco. Algo que me surpreendeu é que não há praias para nadar na Cidade do Panamá. Segundo o motorista, a praia para banho mais perto do centro fica a uma hora de carro. A orla é repleta de prédios modernos, estilo “Dubai wannabe”, e a Cinta Costeira (avenida à beira-mar) é, de um modo geral, agradável, mas não dá para aproveitar o mar. Com uma ressalva: parte da Cinta Costeira foi construída no meio do mar, circulando o belo Casco Antiguo, teoricamente para desafogar o trânsito. Mas, na minha opinião, essa avenidona no mar circundando o Casco Antiguo ficou horrível... Figura VI‑6: Catedral Metropolitana do Panamá Figura VI‑7: Altar da Igreja de São José Figura VI‑8: Casas coloniais e calçamento “novinhos” no Casco Antiguo Figura VI‑9: Parte horrível da Cinta Costeira ao redor do Casco Antíguo Terminei o passeio, voltei para van e perguntei para o motorista sobre o almoço. Visivelmente apressadinho, ele me pediu para entrar na van enquanto perguntava que tipo de comida eu queria. Respondi que queria algo bom e barato, e depois de alguns minutos, ele disse: “ah, então vou te levar para um lugar que fica do lado de fora do aeroporto, onde os funcionários comem, não os restaurantes turísticos....” Espertinho, querendo terminar logo o passeio. Seria bom ter mais tempo para explorar o Casco Antiguo sem pressa, mas, como iria dar mais ou menos as 4h combinadas, OK. No geral, o passeio foi legal, embora um pouco caro, pois, cansado, acabei pagando mais pela conveniência. A parte ruim é que acabei voltando muito cedo para o aeroporto, umas 13h, e meu último voo saía 19h. Depois de almoçar, fiquei com 5h livres sem nada para fazer no aeroporto. Como eu estava de bobeira mesmo, fiquei procurando wi-fi grátis (o irritante aeroporto só oferecia 30 minutos grátis) e um bebedouro para encher minha garrafinha, já que não queria pagar 4 $USD por uma água! Nesses “rolês”, passei por umas salas vips e lembrei que o meu cartão novo tinha 2 acessos gratuitos por ano. Nunca tinha ido nessas coisas chiques, fui em uma chamada Lounge Key. O local era pequeno e, para comer, só tinha macarrão com molho de tomate e almôndega. A única coisa que parecia bem servida era bebida alcoólica, mas eu estava muito cansado e sem pique para beber. Me perguntei como alguém pagaria 32 $USD para usar aquela porcaria, só fui porque era de graça! Pelo menos o wi-fi era bom e, uma hora antes do voo, mesmo sem fome, comi mais um pratão de macarrão para não ter que jantar depois. Já dizia o Jô Soares, pobre é uma desgraça 🤣🤣🤣 . Finalmente, embarquei rumo à Cidade da Guatemala. A Cidade da Guatemala fica a mais o menos 1h de Antígua, meu destino final. Como meu voo chegou tarde, o jeito foi ir de táxi mesmo. Cheguei em Antígua depois das 22h, horário local (3h de diferença pro horário de Brasília). Foram 27h rodando para chegar até aqui, estava exausto, agora era só tomar um banho e desmaiar. Mas foi um dia bacana, gostei de conhecer a Cidade do Panamá, especialmente Casco Antiguo, pena que o centro de visitantes do canal estava fechado. Cidade do Panamá: #valeapena Dia 2 -> Antígua e Vulcão Pacaya O principal motivo da minha viagem era fazer o tour do vulcão Acatenango, para conhecer o Vulcão Fuego. Os dois vulcões ficam lado a lado: o Acatenango, inativo, e o Fuego, bastante ativo! O tour começa com um trekking puxado até o acampamento no Vulcão Acatenango, com vista privilegiada do Vulcão Fuego. Passamos a noite no acampamento e retornamos no dia seguinte. A maior incerteza desse tour é climática. O Vulcão Fuego tem 3.763 metros de altitude, o Acatenango, 3.973 metros, e os acampamentos ficam entre 3500-3700 metros de altitude. Depois de encarar um longo trekking, o maior medo é chegar no topo e estar tudo coberto por nuvens (ou com muita chuva) e não conseguir enxergar nada. Por isso, o ideal é ir na estação mais seca de lá, entre dezembro e maio. Eu escolhi fevereiro e fiquei acompanhando as previsões de curto prazo no mountain-forecast (Ref. 30) para definir o dia exato do trekking. Por causa dessas incertezas, eu só reservei com antecedência a primeira noite em Antígua, e deixei resto do itinerário na Guatemala livre, caso pegasse mau tempo em algum momento da viagem. A única certeza era o dia da passagem aérea para o México. Chegando perto da viagem, felizmente a previsão estava “boazinha” no início da viagem. Não estava lá essas coisas para esse primeiro dia, mas estava perfeita para a tarde do dia seguinte: segundo o mountain-forecast, o cume estaria sem uma nuvem sequer! Assim, decidi conhecer Antígua primeiro, eventualmente conhecer o Vulcão Pacaya, e deixar o tour do Acatenango para o dia seguinte. Antígua é uma cidade colonial bem bonitinha, seu centro foi declarado patrimônio mundial da UNESCO por causa da sua arquitetura de influência barroca espanhola e igrejas coloniais do século XVI. Fundada em 1542, já foi a capital da Guatemala, fica aos pés do vulcão inativo Água e próxima aos vulcões Acatenango, Fuego e Pacaya, sendo uma região com bastante atividade sísmica. A cidade já enfrentou vários desastres desde sua fundação, houve alguns terremotos grandes, uma enchente devastadora e até um incêndio provocado pela população indígena em 1527. Mas a população nunca abandonou a cidade, que foi se reconstruindo depois de cada desastre natural. Depois do último terremoto gigante, em 1773, a capital do país foi transferida para Cidade da Guatemala, a 45 km de Antígua. Caminhando pelo centro, é possível ver muitas ruínas causadas pelos terremotos, especialmente o de 1773. Depois de tomar o café da manhã, comecei a explorar as ruas de paralelepípedos do centro de Antígua. Logo cheguei à Igreja de São Francisco, uma das poucas que resistiu a todos os terremotos da cidade, ainda que tenha uns sinais de desabamento no lado direito da própria fachada da igreja. Bonita igreja. Aliás, não faltam bonitas igrejas no centro de Antígua. De uma forma geral, os guatemaltecos são bastante religiosos, dizem que as celebrações da Páscoa na Guatemala, especialmente em Antígua, são muito bonitas! Depois fui seguindo por uma praça com uma fonte, chamado Tanque La Union e, no final, outra igreja amarela do apóstolo São Pedro. Figura VI‑10: Igreja de São Francisco Figura VI‑11: Igreja de São Pedro E logo cheguei na Praça Central de Antígua, o coração da cidade. A praça não é tão grande, tem um belo chafariz no centro e é rodeada de lindos edifícios. De um lado, o palácio municipal, prédio bonito com muitos arcos. Do outro, o Palácio Real dos Capitães Gerais, com ainda mais arcos. Do outro lado, a Catedral San José. Ela é talvez o melhor lugar para testemunhar o estrago que o terremoto de 1773 fez na cidade. Uma parte dela foi reconstruída, a parte cuja fachada está de frente para praça central. Ao lado, ficam as ruínas que não foram restauradas depois do terremoto. A entrada para a parte restaurada da catedral é grátis, mas, para conhecer a parte das ruínas, é cobrada entrada. Também voltei para a praça central à noite, para conferir a linda iluminação noturna na cidade. Figura VI‑12: Palácio Real dos Capitães Gerais Figura VI‑13: Palácio Municipal Figura VI‑14: Catedral de San José Figura VI‑15: Ruínas da antiga nave da catedral A poucas quadras da praça central, está o Arco de Santa Catalina, declarado patrimônio da humanidade da Unesco, originalmente pertencendo ao convento Santa Catalina. Ele resistiu ao terremoto de 1773, mas, nesse ano, com a mudança da capital de Antígua para Cidade da Guatemala, a estrutura ficou abandonada. Até que, em 1890, o arco foi reformado pelo governo e construíram a torre do relógio, que acabou se tornando, o monumento mais famoso de Antígua. Depois do arco, conheci mais uma bela igreja de Antígua, Igreja de La Merced. Por fim, andei mais um pouco na parte norte do centrinho. Vi mais algumas igrejas, outras ruínas de igrejas destruídas pelo terremoto... Outro lugar “famosinho” é o Convento das Capuchinas, também destruído pelo terremoto. Mas não quis pagar entrada, “pão durei” e tirei só foto de fora. Figura VI‑16: Arco de Santa Catalina Figura VI‑17: Mais bonito de dia ou de noite? O lugar com a vista mais bonita da cidade é o Cerro de La Cruz, onde eu estava pensando em fechar o meu city-tour por Antígua. O dia amanheceu bonito, mas com nuvens cobrindo a parte mais alta do belo Vulcão Água. E o vulcão encoberto foi a desculpa que eu precisava para me render à preguiça e desistir de subir o Cerro de La Cruz... Melhor guardar energia para a tarde, já que eu decidi fazer o tour do Vulcão Pacaya! Eu adorei conhecer o lindo centrinho de Antígua e um pouco da cultura guatemalteca! Muito artesanato, comidas e roupas típicas. Legal ver um povo que mantém viva muitas das suas tradições, alguns ainda falavam os idiomas maias. Vulcão Pacaya Nas minhas pesquisas, descobri que a Guatemala possuía três vulcões bastante ativos. O Fuego e o Pacaya ficam próximos à Antígua, e o Santiaguito próximo à Xela (apelido da cidade chamada Quetzaltenango). O meu objetivo era visitar todos, mas eu sabia que, comparando com o Fuego, os outros não deveriam ser tão incríveis assim. Quando eu fui, em fevereiro de 2022, infelizmente o Pacaya estava sem nenhum pouquinho de lava visível. Uma pena, pois ele costuma ter ao menos um pouco de lava aparente. Isso quando ele não está bastante ativo, com erupções ou com fissuras grandes, escoando muita lava! Em junho de 2021 (só 8 meses antes da minha visita ) teve uma mega erupção havaiana, eram rios de lava descendo a encosta do vulcão! Imagens incríveis rodaram a internet, mas durou pouco, pena que eu cheguei tarde demais na Guatemala.... As agências de Antígua geralmente oferecem o tour para o Pacaya saindo de manhã, umas 6h, ou à tarde, umas 14h. Mesmo sabendo que dificilmente teria alguma atividade, optei pela tarde, porque, caso houvesse algum resquício de lava, ia ficar mais bonito à noite. O tour do Pacaya é muito mais leve que o Acatenango, são aproximadamente 6 km de caminhada (ida e volta), umas 3h de caminhada. O ganho de altitude não é tão grande, saímos de 2000 metros e fomos até 2500 metros, aproximadamente. Para quem não quiser ou não puder caminhar, tem muitos locais oferecendo cavalos no começo da trilha. No começo e durante a maior parte do trajeto, a trilha não é tão inclinada, mas a areia muito fofa afunda bastante o pé quando pisamos. Cansa um pouquinho mais por isso, mas o hiking é bem tranquilo. O sol não castigou, pois o caminho tem alguma cobertura de vegetação e o céu estava bem nublado. Ainda assim, deu para ver o último fluxo de lava que desceu o vulcão até o fundo do vale na última erupção (aquela de 8 meses atrás), e que por pouco não chegou no vilarejo lá embaixo.... No final da caminhada, quando chegamos na encosta do vulcão, aí, sim, o solo mudou bastante. Passamos a caminhar sobre lava recém-solidificada, com muitas pedras meio pontudas, mas com bastantes cavidades entre elas. O terreno parecia esponja petrificada, bem diferente... Para quem gosta de vulcões e vulcanólogos, é bem interessante, dá para ver a diferença das lavas solidificadas de cada erupção. Os rios de lava mais pretos, à esquerda do vulcão, tinham uma cor mais escura por causa da atividade mais recente. Enquanto outras partes, resultantes de erupções mais antigas, estavam menos escuras. Quanto à atividade vulcânica, até dava para ver algumas fumarolas bem mais para cima, perto do cume do Pacaya, mas nenhum sinal de lava, infelizmente.... No final do tour, caminhamos pela base do vulcão, até alguns buracos quentes entre as rochas, de onde saía calor. Tradicionalmente, os guias usam esses buracos quentes para esquentar marshmellows. Salvei dois vídeos no canal, o Cap VI‑3 com as atividades fumarólica mais no topo do vulcão, e o Cap VI‑4 com uma vista 360 do vulcão e seus arredores. Figura VI‑18: Vulcão Pacaya Figura VI‑19: Lava mais escura (erupção recente) Figura VI‑20: Buraco quente No geral, eu gostei do tour. Uma pena que estava bem nublado entre as montanhas. Com o céu aberto, teria uma vista linda para os 3 vulcões mais próximos de Antígua: Água, Acatenango e Fuego. Só essa vista já deve valer o passeio, no pôr do sol deve ficar ainda mais bonito, mas, infelizmente, esse lado estava encoberto. O céu só estava mais aberto para o lado da Cidade de Guatemala. Mas é um tour imperdível? Com o Pacaya sem lava, só emitindo algumas fumarolas, eu diria que não. Se estiver com rio de lava, com certeza é imperdível! Vale a pena conferir a atividade antes. Na minha opinião, por 150 $QTZ, acho que vale a pena conhecer um terreno vulcânico interessante e, se o tempo estiver bacana, curtir uma linda vista dos vulcões da região. Uma ressalva: algumas pessoas vendem o tour do Pacaya como uma versão light do Acatenango, mas em termos de atividade vulcânica, o principal atrativo do Fuego/Acatenango, não tem comparação! Só não gostei muito da logística/enrolação do tour. Tudo era meio lento, demora para sair, demora para voltar, pegava um monte de gente em cada hotel... Acabei saindo às 14h e só voltei para Antígua por volta das 20h, não precisava demorar tanto. Foi bastante cansativo, o ideal seria fazer o Pacaya em um dia e conhecer Antígua em outro, mas, por falta de tempo, juntei tudo em um dia só. E, como se não bastasse, quando cheguei no hotel ainda saí para tirar aquelas fotos noturnas de Antígua! Antígua: #valeapena Vulcão Pacaya: #valeapena Dia 3 -> Acatenango e Fuego E chegou o tão esperado dia de conhecer o Vulcão Fuego, um estratovulcão com aquele clássico formato cônico e mais de 3700 metros de altura. O Fuego tem uma peculiaridade: ele fica “colado” ao seu “irmão” Acatenango, inativo e mais alto (quase 4000 metros). Depois de anos de repouso, em 1999, o Fuego voltou a ter atividade estromboliana. Sua principal característica são as pequenas erupções estrombolianas, que ocorrem de maneira frequente e contínua. São diversas erupções por hora, geralmente entre 3 e 8, mas esse número pode variar bastante. De vez em quando, surgem fluxos de lava na encosta do vulcão e ocasionalmente ocorrem fluxos piroclásticos, mas erupção maiores são raras. A exceção foi em 2018, quando uma erupção mais violenta fez com que fluxos piroclásticos atingissem rapidamente vilas próximas, causando fatalidades, infelizmente. As cinzas desta erupção forçaram, inclusive, o fechamento do aeroporto da capital. Eu diria que a subida até o campo-base é entre moderada e difícil. O trecho tem uns 6,5 km de distância, mas a variação de altitude é grande: começa em algo entre 2300/2400 metros e sobe até o campo-base, que fica entre 3500 e 3600 metros, dependendo do ponto de acampamento da agência. As agências, normalmente, têm mais de um guia (no nosso caso, eram três) e, apesar do grupo ser grande, o pessoal vai dando um bom ritmo. Eles fazem bastante paradas para descanso, de uns 10 minutos cada, suficiente para dar uma descansada, e não é tão longo a ponto de esfriar o corpo. E tem uma parada maior para o almoço. Além disso, um guia vai com o pessoal que sobe mais rápido, outro vai com o pessoal intermediário, outro com o pessoal que sobe por último. Eu diria que, mesmo quem está com preparo meia-boca, com força de vontade e devagarinho, consegue chegar até o acampamento-base. Vai cansar bastante, mas chega! Lembrando que tem que subir carregando mochilas com comida, água para 2 dias e roupa para passar uma noite acampando a 3600 metros, por volta de 0o C. Ah, atenção na hora escolher a agência, pois algumas já deixam as barracas/abrigos montados lá no acampamento, enquanto, em outras, você terá que carregar também a barraca e o equipamento para dormir. O motorista da agência passou no hotel às 8h. Depois da tradicional enrolação para pegar a galera nos hotéis, juntar com uma galera de outro ônibus, pegar guias, ouvir instruções, esperar não sei mais o que, enfim..., começamos a subida às 11h30. E chegamos no acampamento por volta das 16h, foram 4h30 de subida já contando as paradas. A parte mais inclinada e cansativa é no início. Felizmente, a trilha não fica exposta ao sol, está cheia de árvores. Aliás, me chamou a atenção a quantidade de árvores altas, nem parecia que você está chegando em um dos vulcões mais ativos do mundo! Deixei no canal o vídeo Cap VI‑5, mostrando como é a maior parte da subida até o acampamento. Estava um dia bonito, com bastante sol, mas, quando a gente olhava para o alto, não conseguia ver o topo do Acatenango, que estava encoberto com algumas nuvenzinhas perdidas. Eu pensava: “Só faltava chegar lá em cima e a vista para o Fuego estar toda encoberta...” Conforme íamos subindo, a vegetação foi diminuindo um pouco, mas grande parte do trajeto ainda era bem arborizado. Quando não chove, o solo vulcânico de lá é até bom para caminhar, nem é tão fofo, sem pedras pontiagudas etc. Seguimos caminhando. As nuvens no alto do Acatenango não tinham dispersado e, depois de muito subir, chegamos na camada das nuvens. Nesse trecho, até ameaçou cair umas gotinhas de chuva, tão de leve que nem precisou vestir a jaqueta impermeável. Atravessamos as nuvens e continuamos subindo. No final da subida, a vegetação fica bem menor e já não protege do sol. Felizmente esse último trecho é mais plano. Agora estávamos contornando o Acatenango, rumo ao acampamento-base. À direita fica o cume do Acatenango, que não estava todo encoberto. Mas à nossa esquerda, onde em breve estaria o vulcão Fuego, tinha uma camada de nuvens persistente que não deixava a gente enxergar nada praquele lado. Eu estava ficando cada vez mais preocupado, a previsão dizia que não ia ter uma nuvem sequer, e lá no alto, a gente estava rodeado de nuvens! O vídeo Cap VI‑6 é dessa parte final da subida. Estávamos quase chegando no acampamento, e eu era só preocupação.... Ainda havia uma esperança: vai que, do outro lado do Acatenango, a vista está melhor. E seguimos contornando o vulcão.... “Ni qui” chegamos no acampamento......, esta era a nossa visão: Figura VI‑21: Vista na chegada ao acampamento 🤡 🤡🤡Droga, não dava para ver nada! Muito menos o Fuego, que ficava tão pertinho (estávamos a apenas 3 km da cratera). Depois de 4h30 de caminhada, quase 1.5 km de altimetria, não deu nem para comemorar o final da subida. Depois de anos planejando essa viagem, era só que o que me faltava: chegar aqui tão perto e não conseguir ver o Fuego! O pior é que eu tinha planejado tudo certo, a previsão era a melhor possível, o dia tinha amanhecido bonito com pouquíssimas nuvens, mas, chegando no topo, estava com nuvem para caramba. É muito azar! Será que a previsão do mountain-forecast é tão ruim? Bom, só me restava esperar, já pensando em um plano B. Uma coisa era certa: se eu não conseguisse ver nada nesse tour, eu voltaria outro dia. Afinal, tinha deixado meu itinerário flexível para mudar os planos caso o tour do Acatenango “desse ruim”. Deixaria de ir em outros lugares e faria de novo o tour, ia pedir desconto na agência, tentaria não pagar de novo entrada no parque (até guardei o ticket!), mas não iria voltar para casa sem tentar ver de novo o Fuego. Perguntamos aos guias se era normal esse tempo nublado, mesmo sendo época de seca, e eles disseram que ali, no topo dos vulcões, era tudo muito imprevisível. Às vezes fecha tudo, às vezes abre, pode até chover do nada e depois clarear novamente.... Segundo eles, deveríamos esperar com alguma esperança porque o tempo ainda poderia abrir. Comentaram também que, na época de chuva, é bem mais complicado, muitas vezes o tempo fica fechado nos dois dias do tour. Já nessa época de seca, o tempo pode ficar fechado à tarde e abrir pela manhã do dia seguinte, ou abrir à tarde e fechar no dia seguinte, mas raramente fica fechado o tempo todo. Não sei se eles estavam sendo sinceros, ou era aquele papo otimista só para nos animar e dar um pouco de esperança, já que não tínhamos muito o que fazer, além de torcer para o tempo melhorar! E o tempo foi passando.... Já estávamos há uma hora lá no acampamento, e nada do tempo mudar. E o pior é que não dava para ver nem para ouvir nada do vulcão, nenhuma fumaça, nenhum barulho. Nem parecia que, a uns 3 kms de distância, tinha um vulcão ativo que entra em erupção umas cinco vezes por hora. Apreensivo, eu estava arrumando umas coisas na barraca quando o outro brasileiro da nossa excursão veio correndo me chamar: “Rafael, vem rápido, vem rápido”! “Ni qui” saí da barraca, vi as nuvens começando a se dissipar do nada e, num passe de mágica, eis que ele surge bem na nossa frente, o grande rei do pedaço: bem-vindo Vulcão Fuego!!! E, no primeiro minuto, boooom, a primeira erupção! Ufa, ele estava lá mesmo 🤣🤣🤣 . Figura VI‑22: Vulcão Fuego aparecendo Hora de aproveitar para tirar muitas fotos, afinal, não sabíamos quando tempo mais teríamos de céu aberto. Nessa hora, os guias começaram a falar para a gente se preparar para a caminhada até o Fuego. As agências oferecem (e geralmente cobram à parte) uma caminhada do acampamento-base até essa segunda “corcova” do Fuego (vide foto a seguir). O pessoal fala que esse trecho chega a 300 metros da cratera. Não me pareceu tão perto assim, acho que deveria estar a uns 500-600 metros, mas é beeeem mais perto que o nosso campo-base no Acatenango. A altitude é a mesma do campo base, uns 3600 metros, mas tem uma “descidona” do Acatenango e depois uma subidona do Fuego, deve dar uns 2 km (só a ida), com 500 metros de descida e 500 metros de subida. A trilha ainda tinha um trecho mais perigoso/exposto, é quando tem que passar por um tronco em um penhascozinho. Aproximadamente 1h30 para ir, e o mesmo tempo para voltar, cansativo para caramba, isso porque tínhamos acabado de fazer as 4h30 de subida! Figura VI‑23: Caminhada até a “corcova” do Fuego Teoricamente estava proibido fazer esse trecho da corcova do Fuego porque, na época, um mexicano não se contentou em ir só até onde os guias deixam e resolveu ir por conta e risco até a borda da cratera, postando um monte de vídeo no Youtube.... O turismo lá movimenta bastante a economia, e muitas pessoas dependem dele para viver. Elas ficaram “p da vida” porque, se acontecesse um acidente mais grave, o trekking poderia ser proibido. De fato, após o incidente com esse turista, o governo havia proibido a caminhada até a corcova do Fuego. Mas, naquele dia, os guias estavam liberando, e lá fomos nós! Nos preparamos rapidamente para o trekking extra, o grupo estava muito animado porque o clima tinha aberto. Eu achei melhor deixar a mochila de 40L no campo-base. Só peguei uma garrafa de água, bolacha e celular para levar nos bolsos, e resolvi levar a câmera DSLR pendurada no pescoço e um tripé na mão mesmo. Como iríamos voltar à noite, vesti as roupas de frio e começamos nossa descida lá pelas 17h. Detalhe, depois de uns 15 minutos descendo o Acatenango, lembrei que tinha esquecido de pegar minha lanterna de cabeça. Não ia ser nada divertido voltar no escuro sem a lanterna! Na hora, eu quis voltar para o acampamento para pegá-la, mas o espertinho do guia que estava atrás me enrolou, dizendo que o outro guia tinha uma lanterna reserva... Na boa-fé, eu acreditei. Na parada para descanso, perguntei para o outro guia se ele tinha uma lanterna reserva, e ele disse: “claro que não, só tenho a minha!” E ainda respondeu como se eu estivesse fazendo uma pergunta das mais idiotas... Na verdade, o outro guia só queria me convencer a não voltar para não atrasar o grupo. E conseguiu atingir esse objetivo, eu deveria ter voltado! Enfim, “guia-mala” sendo “guia-mala”, querendo ter o menor trabalho possível e cagando para você.... Pelo menos na volta, entre um “tropicão” e outro, usando só a lanterna do celular e aproveitando da iluminação das lanternas dos outros, eu consegui voltar sem maiores percalços. Mas logo nos primeiros 20 minutos, quando a gente ainda estava descendo a encosta do Acatenango em direção ao Fuego, o tempo foi fechando novamente. As nuvens foram se acumulando cada vez mais no pequeno vale entre os dois vulcões, até que, não tardou muito e começou uma chuvinha. Ainda bem que a terceira camada da minha roupa estava com impermeabilidade em dia e me protegeu bem da chuva. Protegeu, inclusive, a minha câmera que estava no pescoço por baixo da jaqueta. Depois de um rápido descanso, era hora de encarar a subidona até o Fuego, com chuva e tudo! Só nos restava ter fé e torcer para as nuvens se dissiparem (de novo) quando chegássemos lá em cima. Mas, em vez disso, a chuva aumentou para caramba. As partes mais arenosas da trilha estavam se transformando em lama, as partes com mais pedras estavam bastante escorregadias. Estava escurecendo, um frio do cão, não dava para enxergar um palmo na nossa frente. E, para piorar, começou a chover até granizo como se São Pedro tivesse decidido nos apedrejar! Que perrengue! Só nos restava seguir caminhando, e torcer para virada do tempo. E..., quando chegamos na corcova do Fuego...., não dava para enxergar absolutamente nada! O vídeo Cap VI‑7 é do exato momento que chegamos lá. Detalhe: o pouco que vocês conseguem enxergar no vídeo é o por causa do flash ligado do celular, e das lanternas. Ao menos tinha parado de chover granizo quando chegamos na corcova do Fuego; chovia só água mesmo, além da ventania e do frio. De vez em quando, dava para ouvir uma erupção, mas não dava para enxergar nada. O jeito era esperar para ver se o tempo melhorava (de novo). Acho que ficamos entre 30 minutos e uma hora lá em cima, não sei ao certo. Mais para o final, tivemos a sorte de ver pelo menos duas erupções quando as nuvens se abriram um pouquinho, o que nos permitiu ver essas erupções bem de perto. Foi incrível! Pena que não tive como fotografar. Até tentei tirar foto com meu celular, mas ele era muito ruinzinho. Com a chuva, não ia arriscar molhar minha câmera. Às vezes, as nuvens abriam um pouquinho a ponto de ver a lava deslizando pela encosta, como no vídeo Cap VI‑8 que eu fiz com o celular. As coisas estavam melhorando. Mais tarde, o tempo abriu um pouco mais, a chuva quase parou, e eu comecei a montar a câmera no tripé para tentar tirar uma foto. Mas, naquela escuridão, eu mal conseguia encaixar a câmera no tripé. Para “ajudar”, eu estava sem a minha lanterna de cabeça e bem nessa hora os guias resolveram que era hora de ir embora. Droga... Desencanei e comecei a guardar a câmera e o tripé. O pior é que, nessa hora, percebi que perdi a capinha de proteção da lente da câmera. Apesar do guia-mala querendo que eu fosse embora logo, fiquei rodando na corcova do Fuego, procurando a capinha, e nada... Maldição, não consegui nenhuma foto com a câmera, agora só faltava estragar a lente! O jeito era tomar muito cuidado voltando pela trilha escorregadia, na chuva, no escuro, com a câmera no pescoço e sem proteção alguma... Apesar de alguns tombos e escorregões, pelo menos a câmera (e eu) chegamos intactos no acampamento! No caminho da volta, quando estávamos mais ou menos no meio do caminho, finalmente parou de chover. Melhor que isso, parecia que as nuvens estavam sumindo. Estava tudo muito escuro, mas, quando ouvi uma erupção e virei para ver o Fuego, o céu tinha aberto completamente e já era possível ver o show dele explodindo lava vermelha pelos ares! E depois vieram muitas erupções, uma atrás da outra. Pelos gritos dos turistas vibrando, já sabia que era só virar para trás e ver o Fuego iluminando os céus da Guatemala. O céu tinha finalmente aberto, eu não via a hora de chegar no acampamento, arrumar a câmera e o tripé e tirar um monte de foto. Só faltava o tempo virar de novo nesses últimos 45 minutos de caminhada. Mesmo sem lanterna, apressei o passo, era o primeiro da fila e ainda ficava apressando o guia 🤣🤣🤣 . E, quando finalmente chegamos no acampamento, ufa, o tempo permaneceu limpíssimo! Infelizmente, tivemos azar com o tempo horroroso na corcova do Fuego: chuva, lama, frio, até granizo. Ainda perdi a capinha da câmera. Lá em cima, ainda conseguimos ver duas explosões bacanas. Pouco tempo depois, do nada, o tempo melhorou para caramba, teria sido incrível se tivéssemos ficado lá mais uns 30 minutos... Enfim, não era hora de ficar lamentando o tempo ruim, mas sim de aproveitar ao máximo o tempo bom! A maioria do pessoal foi descansar nas barracas, ou se aquecer na fogueira, mas eu não tive dúvidas, posicionei o tripé e fiquei esperando ansiosamente as próximas erupções. E que espetáculo, eram muitas erupções! Só parei de tirar fotos quando a janta ficou pronta, mas logo voltei para câmera. O resto do pessoal jantou, deu uma socializada e foi dormir. Mas eu só queria aproveitar cada minuto daquela noite mágica, não ia ter frio, cansaço, ou sono que ia me tirar de lá! A maioria das erupções era menor. Nessas fotos, com o zoom máximo da minha câmera (7,5x, não tenho lente tele), elas apareciam do tamanho dessa foto a seguir: Figura VI‑24: Vulcão Fuego (erupção menor) Mas, de vez em quando, ocorriam mega erupções, e era lava incandescente escorrendo por todos os lados! Dessa vez, eu já tinha visto uma boa quantidade de fotos e vídeos do Fuego em erupção, mas sabe aquelas coisas que você sabe que existe, sempre ouviu falar, viu fotos e vídeos, no entanto, quando vê ao vivo, a intensidade e a beleza ainda conseguem te surpreender?! Queria ver mais e mais. Eu acho que, naquela noite, peguei umas quatro mega erupções que “iluminavam” todas as encostas do Fuego com lava vermelha incandescente, realmente impressionante! E que espetáculo, era lava por toda parte, um dos espetáculos mais bonitos e grandiosos que a natureza pode oferecer!!! Figura VI‑25: Vulcão Fuego (erupção maior) Figura VI‑26: Lava para todos os lados! Passei horas testando ajustes, focos, tempos de abertura, zooms etc. Estava particularmente difícil acertar tudo. Sem as erupções, não dava para enxergar nada. Como a câmera estava com bastante zoom, precisava esperar uma erupção para conseguir visualizar e enquadrar o vulcão, e então, na próxima erupção, tentar ajustar o foco manual. Foi assim durante toda a noite: acontecia a erupção, mas o enquadramento estava ruim; corrigia o enquadramento... Mas o foco estava ruim; acertava o foco... Afastava o zoom e tentava capturar a lava escorrendo pelas encostas, aí bagunçava o enquadramento de novo... E por aí vai. Mais desafiador ainda era tirar foto comigo aparecendo... Precisava de muito zoom e, como o acampamento era na encosta do Acatenango, eu não tinha como ficar a uma distância razoável da câmera, e a chance de sair eu e o vulcão focados era praticamente zero.... Figura VI‑27: Tentativa de foto minha com erupção doo Fuego Fiz uns vídeos também. O vídeo Cap VI‑9 mostra o tipo de erupção mais “típica” que observei lá. Já no vídeo Cap VI‑10, eu capturei uma bela erupção, daquelas que jorrava lava para todos os lados. Naquela noite, foram umas 3 ou 4 com essa intensidade. Ao menos na minha câmera/lente, o vídeo não captou tanta luz quanto parecia ao vivo, mas já dá para ter uma boa ideia... As fotos, em compensação, com ajustes de abertura e tempo, capturam mais luz e às vezes saíam um pouco mais iluminadas do que a gente enxerga a olho nu. É pequena a diferença, eu diria que, na hora da erupção, a olho nu, fica mais parecido com a foto do que com o vídeo. Mas, na hora que a lava está escorrendo pela encosta, não fica tão iluminado quanto nas fotos, parece mais com o vídeo do que com as fotos. Outra coisa que chamava atenção era o delay era a erupção e o som! Como estávamos a 3 km de distância, a gente primeiro via as erupções e, uns 3 segundos depois, vinham os barulhões das explosões. Talvez nos vídeos que eu salvei no canal não dê para ver tão bem, mas tentem reparar. No começo do vídeo da erupção maior (Cap VI-10), a lava já está descendo a encosta quando o som da explosão chega no acampamento. Passei horas lá no frio assistindo àquele espetáculo; nem pensar em dormir. Eu sempre dizia para mim mesmo: “depois da próxima erupção animal, vou dormir”. Mas, acontecia uma nova erupção, e eu sempre arrumava uma desculpa “mental” para ficar mais um pouco: “ah, deixa eu fazer um vídeo na próxima”... “Vou conseguir mais uma foto boa e depois vou dormir”... “Deixa eu ver se consigo uma foto mais aberta”... “Uma comigo aparecendo”... É hipnotizante, a deusa Pele realmente me enfeitiçou! Só fui dormir quando acabou a bateria da câmera, lá pelas 2h da madrugada. Foi uma noite incrível, foram horas e horas hipnotizado, assistindo de “camarote” àquele espetáculo da natureza, em seu estado mais intenso. A grandiosidade da paisagem, o som das explosões, a lava “pintando” o Fuego inteirinho de vermelho – que experiência! Inesquecíveis aquelas mega erupções!!! Figura VI‑28: Sequência de uma bela erupção Vulcão Fuego: #imperdível Dia 4 -> Acatenango e Fuego No dia seguinte, lá pelas 4h da manhã, os tours fazem a subida até o cume do Acatenango (4000 metros). Não é um trecho tão longo, mas é bastante inclinado, saindo do acampamento até o cume dá quase 500 metros de altimetria. E o pessoal começa ainda no escuro para pegar o nascer do sol lá no topo. Demora mais ou menos umas 2h, dizem que é puxada a subida. Eu não quis nem quis saber do trekking. Acordei, montei o tripé e fiquei tirando mais fotos do Fuego. Uma linda camada de nuvens cobria a parte debaixo das montanhas, mas, felizmente, o topo dos vulcões estava limpinho. Pegamos mais umas duas erupções gigantes! Antes do sol nascer, ainda dava para ver o vermelho da lava, depois já não dava mais... Salvei no canal um vídeo de erupção de manhãzinha, enquanto ainda dava para ver a lava vermelha (Cap VI‑11). Do lado que estava o nosso acampamento, o lado do sol nascente, tinha uma linda vista do nascer do sol atrás do vulcão Água, aquele inativo que fica bem próximo à cidade de Antígua. Figura VI‑29: Vulcão Fuego antes do sol nascer Figura VI‑30: Sol quase nascendo Figura VI‑31: Sol nascendo atrás do Vulcão Água Na nossa excursão, havia um guatemalteco que tinha mais prática com drones. Ainda no escuro, ele pilotou o drone até bem perto do vulcão e o deixou posicionado, aguardando uma erupção enquanto a bateria durasse. Depois de duas baterias descarregadas, na última ele conseguiu pegar uma erupção bem legal com o drone. Como eu sou um piloto de drone bem meia-boca e com bastante medo de perder o aparelho, nem cogitei voá-lo à noite. E mesmo depois que o dia nasceu, o drone começou a reclamar que o vento estava muito forte e que eu tinha excedido a altitude máxima de projeto. Enfim, não tive coragem de mandá-lo para mais perto do vulcão, mas ainda peguei essa erupçãozinha legal (foto a seguir), e salvei um vídeo do nosso acampamento no canal (Cap VI‑12). As erupções de dia são legais também, mas são cinzas, não dá para ver aquela lava vermelha incandescente. Figura VI‑32: Vulcão Fuego de dia Pena que tudo que é bom dura pouco, era hora de arrumar a mochila e me despedir do incrível Vulcão Fuego. Depois do café da manhã, era hora de voltar. Descemos em 2h, muito rápido. Nas “descidonas”, tem que tomar cuidado para não machucar, frear era bem complicado e às vezes era melhor descer no embalo para frear nas partes mais planas. Ainda tinha uns trechos molhados na chuva na noite anterior, mas foi bem tranquilo, umas 11h já estávamos na estrada, esperando a vanzinha de volta para Antígua. Todo mundo cansado, mas com aquele sorrisão de orelha a orelha, valeu a pena cada músculo dolorido. No geral, foi uma noite inesquecível. Muita atividade, lava, e erupções magníficas! Poderia ter sido melhor? Sim, seria ainda mais incrível se o tempo estivesse aberto quando chegamos na corcova do Fuego... Mas tá tudo bem também, eu diria que todo aquele perrengue da corcova virou só mais uma história para contar. E a noite do acampamento foi perfeita: tempo aberto, muitas erupções, algumas incríveis, a uma distância bastante segura, e muita foto. Por fim, algumas dicas sobre o tour do Acatenango. No geral, as agências oferecem três refeições: almoço, janta e café da manhã do dia seguinte. No meu caso, as achei simples, mas boas. E lembrem-se de levar snacks e outras coisas para complementar. Pedem para levar pelo menos 4 litros de água, e recomendam uma mochila de 40 litros, para caber as refeições e roupa, porque de dia faz calor e à noite, lá em cima, a temperatura média é de 0oC. Eles alugam roupa de frio/montanha para quem precisar, e costumam oferecer porter para carregar as mochilas. Algumas agências têm o acampamento em um lado do Acatenango, lado do sol nascente, outras no lado do sol poente (menos agências). A diferença é que o trajeto para o lado do sol poente é um pouco mais longo. Acho que deve ter mais chance de pegar clima bom no nascer do sol, mas ambos devem ser muito bonitos. Na minha opinião, na hora de escolher a agência, o mais importante é você saber se você vai ter que carregar equipamento de camping ou não. Comparação Fuego e Monte Yasur (obs: retirei daqui, esse trecho não faz sentido nesse post/contexto, melhor ver no livro completo...) Antígua -> Panajachel Seguindo a viagem, após a descida do Acatenango, era hora de voltar para Antígua e seguir para Panajachel, à beira do Lago Atitlan. Depois de algumas enrolações, chegamos no centro de Antígua às 12h30. A logística não é o forte das excursões da Guatemala, tudo demora mais que precisava... O transporte coletivo também não é o forte da Guatemala. Entre as cidades principais, os ônibus são bons. Mas, entre as cidades menores, ou você vai pegando os famosos chicken-bus, que são mais baratos, mas tem muitas paradas, ou você vai com os shuttles/transfer que as agências organizam. São micro-ônibus cuja qualidade varia bastante, alguns são bons e outros são bem “zoados”, não são tão caros, mas a organização é bem tosca. Só consultando os hotéis e agências de viagem para saber os horários “regulares” dos transfers e se tem vaga disponível. De Antígua para Panajachel, eu sabia que tinha um transfer ao meio-dia e outro às 17h. Como não sabia o horário que eu estaria de volta do Acatenango, deixei para comprar o transporte quando chegasse. Não cheguei a tempo de pegar o das 12h, só sobrou o horário das 17h, o último do dia, mas eu fui nas agências do centro para tentar encontrar um transfer mais cedo. E, para minha surpresa, além de haver transfer mais cedo, todas as vagas nos transfers das 17h já estavam esgotadas! Minha última esperança era uma agência de turismo que eu achei pela internet. Vi que essa agência ainda tinha vaga e reservei meu transfer 17h. Eu estava aliviado por ter conseguido a reserva, mas também um pouco desconfiado se essa reserva era para valer, já que todas as agências do centro de Antígua não tinham conseguido a vaga. Para confirmar se estava tudo certo mesmo, mandei um WhatsApp para eles lá pelas 15h, mas não recebi resposta. Depois eu pedi para recepcionista do meu hotel ligar para eles, mas ninguém atendia. Então, vi que essa agência ficava a umas 8 quadras do meu hotel e fui lá pessoalmente para ter certeza que meu lugar estava confirmado. Era um lugar que tinha serviço de hospedagem, agências de turismo e transfer também. Falei que tinha feito uma reserva de transfer pelo site e tinha ido lá para confirmar se estava tudo ok. O pessoal achou meio estranho eu ir até lá só para isso, e perguntaram se eu tinha recebido o e-mail automático de confirmação. Eu mostrei que tinha recebido, e eles disseram que então estava tudo certo. Mais tranquilo, voltei para recepção do meu hotel e fiquei esperando o transfer chegar. Mas o tempo passou..., deu 17h, e nada do transfer chegar! Precisamente às 17h08, recebo uma mensagem no WhatsApp, respondendo àquela primeira mensagem pedindo confirmação que eu tinha mandado. Eles estavam perguntando de novo se eu recebi a confirmação por e-mail. Eu disse que sim, mandei print e também disse que eu tinha ido pessoalmente até a agência confirmar a minha vaga. E perguntei se o meu transfer estava chegando. Nessa hora, 17h10 (!), o cara manda mensagem dizendo que tinha falado com todos os transfers da cidade e não tinha conseguido nenhuma vaga para mim! Caramba, isso porque eu tinha ido lá pessoalmente perguntar se estava tudo certo. Então eu disse para ele: “Mas por que você não me avisou antes, quando eu fui até aí perguntar?” O cara disse que tinha pedido para secretária me informar (mas ninguém me avisou!), e que agora só tinha Uber ou Táxi para Panajachel!!! O táxi era uns quase 800 $QTZ (uns 120 $USD), o transfer que eu tinha reservado era 100 $QTZ. Que raiva! Se eu soubesse antes, pegava o chicken-bus até Chimaltenango e depois me virava até Panajachel. Mas agora já estava ficando tarde, correria o risco de não ter mais os chicken-bus até Panajachel. Minha vontade era mandar o cara para “PQP”! Mas enfim, apesar da vontade de mandá-lo para aquele lugar, eu só disse educadamente (em inglês): “ok, só lamento porque vocês não me informaram quando eu fui até aí perguntar se o transfer estava confirmado. Obrigado”. Eram umas 17h20, eu já estava pensando no prejuízo que seria o Uber ou o táxi até Panajachel quando o cara mandou uma nova mensagem de voz, dizendo que conversou com o motorista de um transfer e que teria surgido um lugar bem apertado entre o motorista e o passageiro. Seria um banco reclinável pequeno, até mandou foto no WhatsApp, e disse que caso eu não me importasse com o desconforto, eu poderia ir nesse transfer. Eu disse que não teria problemas, com certeza eu aceitava e, 17h25, o transfer passou para me pegar! Ufa, ainda bem que eu não tinha xingado o cara 🤣🤣🤣 ! Pelo menos ele correu atrás e deu um jeito. E o banquinho nem era tão desconfortável... No final, deu tudo certo. Aliás, isso foi uma coisa que eu percebi das agências, transfers e tours da Guatemala: é tudo mega bagunçado, mas o pessoal é esforçado e gente fina e, no final, acaba dando tudo certo. De Antígua até Panajachel são só 76 km, mas demorou 2h30, estradinha com muitas curvas e montanhas. Acabei saindo do Acatenango 11h da manhã e chegando quebrado em Panajachel umas 20h. Eu estava realmente quebrado, sem banho, tinha dormido menos de 2h no dia anterior, e ainda estava com um olho mega ferrado! A barraca do acampamento do Acatenango, onde faziam a fogueira e que servia de “restaurante”, acumulava muita fumaça e meu olho ficou mega-ultra-irritado. Quando cheguei em Panajachel, não estava conseguindo nem abrir o olho direito. Enfim, só consegui tomar um banho (com água bem fria graças ao chuveiro sem vergonha do hotel...), e desmaiar até o dia seguinte. Dia 5 -> Lago Atitlan - Panajachel Existem várias cidadezinhas simpáticas ao redor do Lago Atitlan, conectadas por barcos. Achei as principais cidades meio parecidas, e acabei escolhendo Panajachel pela logística: ficava mais perto de Antígua e mais ou menos no caminho para Xela, cidade onde eu pretendia ver o terceiro vulcão ativo da Guatemala, o Santiaguito. Meu plano inicial era passar só um dia em Panajachel, curtindo o Lago Atitlan, e depois ir para Xela. Porém, no transfer para Panajachel, eu já tinha decidido que não iria mais dormir em Xela. Estava meio de saco cheio dos transfers da Guatemala, as cidades não ficam longe, mas sempre demora muito para viajar entre elas, por isso resolvi passar duas noites em Panajachel e alugar um carro para fazer um bate e volta até o vulcão Santiaguito. O Santiaguito, o Pacaya e o Fuego são os três vulcões mais ativos da Guatemala. Dependendo da época, um pode ficar mais ativo que o outro. O Santiaguito também é estromboliano, com erupções um pouco menos frequentes que o Fuego, e é bem menos turístico. Assim como os “irmãos” Fuego/Acatenango, ele também fica ao lado de um vulcão bem alto e que não expele fumaça, mas é considerado ativo e perigoso, o Santa Maria, que, em 1902, teve uma violenta erupção, devastando grande área. Desde 1922, o Santiaguito vem crescendo na base da cratera da erupção do Santa Maria de 1902 por pequenas erupções e extrusões de lava, com magma de viscosidade mais alta, tornando-o mais perigoso. Nas minhas pesquisas anteriores, eu só tinha achado duas opções de tours para o Santiaguito. Um tour de meio dia que sobe só até um mirante do Santiaguito, localizado no vulcão Santa Maria, com saída apenas pela manhã. Infelizmente, não faziam no final da tarde, para tentar ver as erupções à noite. Dizem que esse trekking é bem leve, aproximadamente 1h30 de subida. A segunda opção é uma subida bem puxada até o cume do Vulcão Santa Maria, com pernoite lá. Durante a subida, passa-se pelo mesmo mirante do Santiaguito, mas do local do acampamento à noite, aparentemente, não dava para ver o Santiaguito em ação. Para essa viagem, planejei só o tour do mirante do Santiaguito de manhã, mesmo sabendo que não seria tão legal quanto o do Fuego. Mas, quando eu cheguei em Antígua, entrei em contato com algumas agências de Xela e descobri um terceiro tour chamado Santiaguito Crater Overnight. É um tour bem puxado, que sobe o próprio Santiaguito e passa a noite acampado lá no alto, aí sim, com a chance de assistir as erupções à noite. Mas precisava de 2 dias e eu só tinha tempo para fazer um bate-volta, optei pelo mirante do Santiaguito de manhã. Comecei o dia com duas missões “logísticas”: primeiro alugar carro para o bate-volta até o Santiaguito, e depois já deixar garantido o transporte até a cidade de Flores (daqui a dois dias). Depois do trampo que foi conseguir transfer para Panajachel, aprendi a lição. Nas agências de turismo de Panajachel, já consegui comprar de uma vez o transfer até a rodoviária da Cidade da Guatemala, e o ônibus noturno até Flores. Já o aluguel de carro... Descobri que simplesmente não existe aluguel de carro em Panajachel! Droga.... O pessoal até alugava aqueles Quad ou motos para fazer trilhas e passeios ao redor do Lago Atitlan, mas, locadora de carro, simplesmente não existia lá. A cidadezinha, apesar de bem turística, era menor que eu imaginava. Ainda pensei em negociar um transporte privado/táxi para o Santiaguito, mas ficaria muito caro, e o pessoal de Panajachel não fazia a menor ideia de como chegar lá. Infelizmente, fui obrigado a tirar o Vulcão Santiaguito do meu roteiro. Eu não queria deixar de conhecer os outros atrativos da Guatemala para ver mais um vulcão, durante o dia, que seria bem menos impressionante que o Fuego. Quem sabe um dia eu volto. Mas aí seria para tentar ver o Santiaguito à noite! Nessa viagem, preferi ficar dois dias no Lago Atitlan, que também tem bastante coisa para fazer. Panajachel, assim como a maior parte das cidadezinhas simpáticas à beira do Lago Atitlan, tem bastante artesanato, cultura local, restaurantes, além da bela vista do lago rodeado pelos três imensos vulcões (inativos). Além disso, tem bastante atividades esportivas à beira do lago, como caiaque, stand-up paddle, paraglider, bike, e muitos belos trekkings pelos vulcões e montanhas na região. Mas depois do Acatenango/Fuego, eu queria fazer algo mais leve, e a atividade que mais me interessou foi um cliff jumping na vila de San Marcos de La Laguna. Quanto aos passeios mais culturais, o mais tradicional faz paradas em algumas cidades, visitando uma fábrica local de tecidos e outra de tabaco. No entanto, outra atração cultural me pareceu mais legal: a cerimônia Maximon, em Santiago de Atitlan. Comecei a aproveitar o dia passeando em Panajachel. Fui direto para “praia”, curtir a bela vista do Lago Atitlan e seus três famosos vulcões inativos. O dia estava lindo, quase nenhuma nuvem no céu! Bem a nossa frente estava o Vulcão San Pedro, 3020 metros. Mais ao sul, à esquerda da foto, dava para ver o vulcão Toliman, de 3158 metros, com algumas poucas nuvens cobrindo o topo dele. Figura VI‑33: Lago Atitlan Nesse primeiro dia, eu fiquei procurando o terceiro vulcão.... Tinham várias montanhas altas ao lado do lago, mas me pareciam um pouco mais distantes. Só no dia seguinte, que amanheceu com menos nuvens, que eu desvendei esse mistério: o terceiro vulcão, Atitlan, 3535 metros, na verdade, estava logo atrás do Toliman! As poucas nuvens do dia anterior estavam encobrindo o Atitlan, essas fotos a seguir são do dia seguinte: Figura VI‑34: Lago Atitlan, no dia seguinte Figura VI‑35: Vulcão Toliman e Vulcão Atitlan Figura VI‑36: Vulcão San Pedro Salvei no canal um vídeo da vista do Lago Atitlan de Panajachel (Cap VI‑13). É muito agradável passar pelas ruas mais turísticas de Panajachel, cheias de artesanato, restaurantes, comidas de rua e turistas. Mas depois de uns 30 minutos tirando foto lá do centro e do Lago Atitlan, não tinha muito mais o que ver na cidade... As praias em si, pelo menos as perto do centro, não me pareciam muito legais para banho. Era hora de partir para as outras atividades ao redor do Lago Atitlan, começando pelo cliff jumping. Para circular entre as cidades à beira do lago é tranquilo, durante o dia tem barco a cada 30 minutos, que vai parando em todas as cidades. Custava 25 QTZ (~4 USD), preço justo, mas o problema, para variar, é a logística... Na verdade, o barco só sai quando tiver um número mínimo de pessoas. Então, se você der sorte de chegar e tiver um barco quase cheio, ele sai praticamente na hora. Senão, você senta lá e espera o barco encher. O cliff jumping ficava na cidade de San Marcos de la Laguna. De Panajachel até lá demorou uns 30 minutos, o barco parava em umas quatro vilas ao longo do percurso. Foi um passeio bem agradável, o lago estava bem calmo, passando por algumas vilas, hotéis, casas, algumas prainhas mais ajeitadas, algumas pessoas pegando sol, outras andando de caiaque, cenário bem bucólico. Chegando em San Marcos, fui tentar descobrir onde era o cliff jumping. Aliás, eu perguntava onde era o cliff jumping e ninguém entendia. Acho que o termo cliff jumping dá uma aparência bem radical, ou gourmetizado, especialmente depois daqueles campeonatos da Red Bull. Em San Marcos, eles chamavam o lugar de “trampolim” mesmo, bem menos glamoroso 🤣🤣🤣 . O trampolim está localizado no Cerro Tzankujil, um local com algumas trilhas bem tranquilas e estruturadas (dá para ir havaianas tranquilo…) contornando o Lago Atitlan. Em um trecho da trilha, eles construíram um trampolim de 12 metros de altura para quem quiser saltar no lago! Tem umas pedras na beira do lago que formam como se fosse uma escada natural, é bem tranquilo para sair depois. Eles cobram uma pequena taxa de entrada para quem vem de San Marcos, mas a estrutura é bem simples, com apenas um vestiário para trocar de roupa. Não tem onde deixar mochila, câmera etc., então, se estiver sozinho, vai ter que fazer amizade com algum turista lá e pedir para ele olhar suas coisas enquanto salta. Cheguei em San Marcos e segui contornando o lago, procurando o trampolim. Tinha pouca gente, o dia estava lindo e fazia um calor bem agradável por volta do meio-dia. Quando finalmente vi o trampolim..., caramba, que aflição! Nas fotos, não parecia tão alto, mas, na hora que chega naquela plataformazinha e olha para baixo..., são 12 metros, mas pareciam 100 metros 🤣🤣🤣 . No canal, salvei um vídeo só da vista da plataforma (Cap VI‑14). Figura VI‑37: Cliff Jumping no Lago Atitlan Primeiro fui dar uma olhada ao redor, ver o caminho para subir de volta. Fiquei enrolando, tirando umas fotos do lago, enquanto tentava criar coragem e me acostumar com a ideia de saltar.... Quando cheguei lá, não tinha ninguém saltando. Encontrei 2 dinamarqueses e fiquei conversando um pouco com eles. Eles já tinham saltado, falaram que o lago era bem fundo, que não tinha perigo e se ofereceram a tirar umas fotos minhas caso eu quisesse saltar. E...., depois de um bom tempo pensando seriamente em “arregar”..., tomei coragem e resolvi saltar! Foi bem bacana, salvei no canal o vídeo que os dinamarqueses fizeram do meu primeiro salto, Cap VI‑15! Detalhe: eu tinha levado uma GoPro para fazer vídeo saltando, mas, na hora que eu liguei, vi que a bateria estava descarregada. Droga, fiquei sem vídeos do salto com vista em primeira pessoa, ia ser bacana.... Aproveitando a boa vontade dos dinamarqueses, já fui pular de novo e pedi para que eles tirassem sequência de fotos, ficou bacana também: Figura VI‑38: Segundo cliff jumping Ué, e cadê as últimas fotos na hora do mergulho na água? Acertou quem percebeu que a sequência de fotos acabou antes de eu cair na água 🤣🤣🤣 . O salto dá muito medo, muito mais do que parece olhando as fotos, acho que estou ficando velho... Para mim, o segredo é não pensar muito, nem parar na plataforma: vai caminhando, de preferência rápido, e pula direto! Não pode dar tempo de pensar em nada, muito menos de “arregar”... Depois chegaram mais turistas, e eu fiquei só observando o pessoal tentando criar coragem para pular. Um monte de gente foi lá, ficaram um tempão, a maioria desistiu, até que duas pessoas foram. Enquanto eu estava lá, um americano que estava sozinho me pediu para fazer um vídeo dele saltando. O vídeo filmado de cima ficou bem bacana também, e eu resolvi pular mais uma vez. Mesmo depois de ter saltado 2 vezes, eu ainda estava com medo... Salvei o vídeo desse meu terceiro salto (Cap VI‑16), e também mais um vídeo de uma outra turista, que demorou umas 10 minutos, mas acabou saltando também (Cap VI‑17!). Foi muito divertido o cliff jumping, valeu a pena! Depois, fui conhecer o mirantezinho do Cerro Tzankujil, que tem uma bela vista das vilas pequeninhas aos pés do Vulcão San Pedro e das montanhas da parte oeste/norte do Lago Atitlan. Figura VI‑39: Vilas de San Juan e San Pablo Na volta para Panajachel, percebi que, mais para o final da tarde, o vento começava a aumentar e o lago ficava com mais ondas, bem menos confortável para andar de barco. Por isso, decidi deixar para o dia seguinte o aluguel do caiaque e a ida até Santiago conhecer o Maximon. Meu plano para o final da tarde era achar algum mirante perto de Panajachel, mas o tempo foi ficando cada vez mais nublado, até começou a garoar, então acabei desistindo da ideia. A vista mais bonita do lago deve ser do alto das montanhas e vulcões ao seu redor (nos transfers de ida e volta, deu para eu ter um gostinho). No final do dia, voltei para praia de Panajachel na esperança de ver um pôr do sol no lago. No entanto, as nuvens venceram, não teve pôr do sol, e assim acabou o meu dia conhecendo o Lago Atitlan. Eu achei o lago muito bonito, mas tinha visto algumas descrições como “o lago mais bonito do mundo”, etc. Achei um pouco exagerado. Pronto, falei 🤣🤣🤣 . Mas é bonito sim, bem bonito! Lago Atitlan: #valeapena Dia 6 -> Lago Atitlan - Maximon O dia amanheceu ainda mais bonito, então aproveitei para tirar novas fotos dos vulcões do lago, agora sem as nuvens no topo. Em seguida, fui atrás de um caiaque. Como o check-out do hotelzinho às 10h, eu teria que voltar antes disso se quisesse tomar um banho após a remada. Meu transfer para a Cidade da Guatemala saia às 16h30, , e de lá eu pegaria o ônibus noturno para Flores, então ainda ia demorar bastante até conseguir um banho. Próximo ao píer central de Panajachel, aluguei um caiaque e saí para remar. O lago estava bem calmo, mas o tráfego constante de barcos no píer gerava muitas ondas, que atrapalhavam bastante. Tinha que tomar bastante cuidado para “cortar” as ondas. Segui remando na direção sul, rumo à cidadezinha de Santa Catarina de Palopó. Como esperado, o começo próximo ao píer foi a pior parte, com muitos barcos transitando... Depois do píer, tinha uma praia urbana de Panajachel, que estava beeeeem cheia. Coloquei um vídeo no canal mostrando essa movimentação (Cap VI‑18). Não sei se estava acontecendo alguma celebração religiosa, o pessoal estava com umas roupas diferentes, tinha até uns cavalos na praia. Tinha muito movimento lá, e vários barcos também... Figura VI‑40: Caiaque no Lago Atitlan Figura VI‑41: Alguma movimentação na praia Figura VI‑42: Lago Atitlan e seus 3 vulcões icônicos Depois de passar o píer e essas praias mais urbanas de Panajachel, a remada ficou muito mais agradável. Quase não passava barco e encontrei umas praias de pedra bem calmas. Sem muvuca, algumas pessoas curtindo o sol, outras nadando. Muito agradável esse lugar! Salvei um vídeo dessa parte no canal também (Cap VI‑19). Daria para parar o caiaque, curtir a praia, ou até mesmo seguir mais contornando o lago, mas, como eu tinha o horário do hotel, resolvi voltar, para tomar banho e fazer o check-out. Depois de deixar as malas na recepção, fui pegar o barco até a cidade de Santiago de Atitlan para conhecer mais sobre o ritual Maximon. Ri Laj Mam, também chamado de Maximon, é uma divindade sagrada maia, venerada em algumas cidades da Guatemala. O início de sua adoração remonta à época que os espanhóis conquistaram a região dos maias, em 1524, segundo meu guia. Maximon, também conhecido como San Simon, me chamou atenção por alguns motivos. Primeiro porque é um exemplo de sincretismo religioso: uma mistura de tradições espirituais dos maias, com crenças espanholas, africanas e, mais tarde, católicas. Interessante como a cultura religiosa indígena não se perdeu por completo, mesmo com o cristianismo sendo a única religião permitida na Guatemala na época colonial. Em alguns locais da Guatemala, houve uma mescla do catolicismo com muitas crenças maias, resultando na adoração de alguns “santos” bem curiosos, como o Maximon. Outro motivo que me chamou bastante a atenção foi o ritual de adoração do Maximon, um tanto quanto inusitado. Maximon fuma, bebe e é mulherengo (apesar de ser, também, protetor dos casais)! Durante os rituais, o próprio Maximon fuma tabaco e bebe cachaça: o pessoal coloca cigarro e uma bebida alcoólica guatemalteca, “tipo” um licor, na boca do santo! Segundo o guia, o pessoal acredita que a mistura do fumo com incenso é o que faz ele realizar os desejos dos devotos, além de facilitar a comunicação entre o xamã e o Maximon. E a bebida oferecida é para relaxar o Maximon. Alguns dizem que a bebida também é para purificar, mas não entendi se para purificar o Maximon, o xamã, os devotos, ou todos eles 🤣🤣🤣 . Pelo que eu entendi, o xamã também bebe e fuma nos rituais (não tenho certeza se os demais devotos também). Os devotos do Maximon e peregrinos vão aos rituais fazer pedidos “normais”, aqueles que todo peregrino faz para seu “santo”: saúde, dinheiro, amor, proteção, emprego etc. Mas as oferendas que os devotos levam não poderiam ser outras: cigarros, bebidas, dinheiro (também levam velas, incensos e flores....). Segundo a Wikipedia, cada cidade acredita em uma origem diferente do Maximon. Algumas cidades acreditam que ele foi algum sábio ou um guerreiro antigo, mas lá em Santiago de Atitlan, me disseram que Maximon nunca foi um humano, sempre foi uma figura de madeira (efígie) criada pelos xamãs para defender os maias de feiticeiros do mal. Algumas versões dizem que o Maximon, às vezes, aprontava com os próprios moradores da aldeia que ele protegia. Uma vez os pescadores da vila estavam desconfiados de traição e, quando saíam para trabalhar, pediram a Maximon que vigiasse suas esposas. Mas acabou que o Maximon promoveu umas bebedeiras e acabou “pegando geral” as esposas dos pescadores! Os xamãs, então, deram um corretivo nele, quebrando seus braços e pernas, e Maximon então passou a fazer o trabalho corretamente e protegeu as pessoas da cidade do mal 🤣🤣🤣 . Que história! Realmente é um “santo” bem peculiar: mulherengo, mas também protege os casais. Ao contrário dos santos “típicos”, tem um lado bonzinho e um lado mais travesso. Fisicamente, o Maximon é uma efígie (como uma estátua) feita de madeira, que fica em uma confraria onde os devotos e peregrinos fazem suas oferendas e adoração. E quem realiza os rituais e “conversa” com o Maximon é um xamã. Além disso, o tempo todo tem dois guardiões tomando conta do Maximon. Cada ano a efígie do Maximon fica em uma casa diferente. Dizem que essa tradição surgiu na época que os maias tinham que esconder o Maximon dos espanhóis, que não aceitavam a adoração aos deuses/santos não cristãos. Atualmente, essa tradição continua, e todo ano tem uma semana sagrada em que a imagem é venerada nas ruas, antes de ser levada para uma nova casa de algum membro da confraria. As casas são bem simples, “tipo” as comunidades no Brasil. Para chegar lá, tem uns becos e vielas, mas é bem tranquilo e seguro. A efígie permanece exposta o ano todo para receber os peregrinos (e os turistas enxeridos...). Sem mais delongas, seguem as fotos da efígie do Maximon: Figura VI‑43: Maximon Reparem que tinha um maço de cigarro como oferenda, e a efígie estava com um charuto na boca! E tem várias gravatas, me disseram que você pode pegar uma gravata “benzida” se você colocar um dinheiro lá. Olha quanto dinheiro tinha embaixo das gravatas! Aquelas outras duas caixinhas de madeira que estavam vaziam costumam ter bebidas alcoólicas durantes as cerimônias. E reparem como ele, apesar de ter tronco de tamanhos similares aos humanos, tem uma perninha curta e braços cortados, quem mandou aprontar com os pescadores maias antigamente 🤣🤣🤣 ? Também me chamou a atenção que, junto com o Maximon, tinham imagens de santos católicos, cruzes e imagens de Cristo também. Figura VI‑44: Guardiões do Maximon na confraria Figura VI‑45: Devoção a divindades católicas também Antes da minha viagem para Guatemala, nunca tinha ouvido falar da devoção ao Maximon. Quando estava indo para o Acatenango, um guatemalteco e dois alemães comentaram sobre ele, e logo me interessei em conhecer melhor a história desse santo “loucão” em Santiago. Mas é importante destacar que Maximon não é adorado em toda a Guatemala. A maioria absoluta dos guatemaltecos é católica, e a adoração ao Maximon é restrita a algumas cidades habitadas pelo grupo étnico maia da região montanhosa da Guatemala. Mas enfim, voltando ao meu relato.... Quando cheguei de barco em Santiago de Atitlan, não sabia muito bem como conhecer o Maximon. Já no píer, alguns guias vieram oferecer passeios. O primeiro ofereceu um tour de 2h passando em uns quatro pontos turísticos de Santiago por 250 $QTZ (~32 $USD). Mas eu disse que só queria mesmo ir conhecer a confraria Maximon, e ele disse que cobraria 120 $QTZ. Achei caro, era só pegar um tuk-tuk até lá, mas foi bom para saber quais as opções para os turistas conhecerem o Maximon: eu poderia participar de uma cerimônia completa, ou só visitar a confraria e conhecer o Maximon. Para participar de uma cerimônia com um xamã, você tem que levar umas oferendas, como bebida e cigarro, e pagar umas taxas para participar e filmar. Sairia mais ou menos uns 300 $QTZ. Não ficou claro para mim como seria a cerimônia, se seria como uma “missa”, com várias pessoas reunidas em horários regulares, ou se seria apenas o xamã e alguns devotos fazendo suas oferendas e pedidos. Já a visita sem cerimônia poderia acontecer em qualquer horário. Para ver o Maximon, tem que pagar uma entrada de 15 $QTZ, mais 10 $QTZ para tirar foto, e, se quisesse fazer vídeo, 30 $QTZ. Como eu tinha pouco tempo, resolvi fazer só a visita até a confraria mesmo. Imagino que o ritual/cerimônia deve ser bem interessante também, quem sabe eu conheça em uma próxima. Agradeci ao primeiro guia pelas ofertas, mas achei caro... Logo chegou um segundo guia, oferecendo o mesmo “tour” até a confraria por 100 $QTZ, ainda caro. Eu mal disse “não” e já apareceu um terceiro guia, oferecendo a mesma coisa por 75 $QTZ, que também dispensei. Quando o quarto chegou, eu já estava de saco cheio e pensando em ser bem mal-educado para conseguir andar em paz em busca de um tuk-tuk.... Mas antes que eu fizesse isso, ele me disse que, ao contrário dos outros guias, era dono de um tuk-tuk e, por isso, me ofereceria o passeio para confraria mais barato. Ele pediu 60 $QTZ, fechamos por 50 $QTZ, e finalmente partimos para a confraria. A visita à confraria Maximon foi muito interessante. Depois o “guia” me deixou no centrinho de Santiago, que tem uma igreja bonita. Ao lado, tem uma pracinha e algum comércio e artesanato. Figura VI‑46: Tuk-tuk Figura VI‑47: Igreja de Santiago Ao contrário da outras vilas à beira do Lago Atitlan, Santiago já uma cidade meio grande. Dizem que tem mais de 60 mil habitantes, é a maior cidade à beira do Lago Atitlan. Se Panajachel e as outras vilas ao norte têm aquele centrinho charmoso, me lembraram um pouco a Praia da Pipa, ou Jericoacoara, cheio de restaurantes, artesanatos, pousadas; no centrinho de Santiago, tudo já era meio cheio e caótico, estilo 25 de março! Ok, eu exagerei um pouco... Mas andar pelo centrinho de Santiago acaba não sendo tão agradável quanto nas outras vilas. Por outro lado, dá uma visão mais real do dia a dia dos guatemaltecos. Acho que vale a pena ir até Santiago, conhecer o Maximon, mas, para quem for turistar no Lago Atitlan, acho que é mais legal ficar hospedado em Panajachel ou nas outras vilas menores ao norte do lago. De forma geral, as vilas têm belas vistas do lago, boas opções de mirantes e esportes outdoor, restaurantes, muitas lojinhas de rua, especialmente de roupas multicoloridas. Muito agradável passear pelas outras vilas ao redor do Lago Atitlan. Figura VI‑48: Muito comércio de rua Figura VI‑49: Lindas cores da Guatemala Depois de conhecer rapidamente o centrinho de Santiago, fui pegar logo o barco para Panajachel. E ainda bem que eu fui cedo, porque, na volta, demorou para caramba para encher o barco! Fiquei mais de 1h esperando, até que finalmente saímos rumo a Panajachel! Eu já falei que eu “adoro” a logística da Guatemala? De qualquer forma, deu tempo de pegar um almoço reforçado antes de voltar para o hotel e esperar o meu transfer para Cidade da Guatemala. Mas, quando esperava o transfer, apareceu um cara se apresentando como funcionário da agência de turismo, dizendo que eu iria pegar um transfer até Antígua e lá faria uma “conexão” para outro transfer até a Cidade da Guatemala. Achei bem ruim e reclamei, pois ninguém tinha me falado isso na hora da compra. Mas ele disse que não tinha mais vagas diretas para a capital e me garantiu que não teria problema porque eu chegaria em Antígua pelo menos 30 minutos antes do horário de saída da “conexão”. Achei bem zoado, mas fazer o quê, embarquei no transfer para Antígua. Só que, uns 45 minutos depois que o motorista saiu de Panajachel, demos azar e pegamos um mega congestionamento na estrada! Ficamos 1h30 praticamente estacionados. O trecho até Antígua que deveria demorar 2h, ia demorar 3h30... Perguntei ao motorista se ainda assim daria tempo de pegar o segundo transfer de Antígua para a Cidade da Guatemala (aquele que sairia 30 minutos depois na nossa chegada), e ele disse que não sabia dizer. Insisti na pergunta, mas ele desconversava.... Na verdade, eu e ele já sabíamos a resposta, claro que não daria. Já estava vendo a roubada, e comecei a pensar no plano B: ao chegar em Antígua, teria que pagar uns 300 $QTZ de táxi. Eu ia ficar bem pu☠️☠️ com o prejuízo, mas o táxi levaria cerca de 1h e ainda daria tempo de chegar na rodoviária e pegar o ônibus até Flores. O pior é que o pagamento é feito com a agência que contrata os transfers, não dava nem para eu pedir meu dinheiro de volta para o motorista. Eu estava xingando a agência de tudo que é nome, maldita hora que eles inventaram essa conexão em Antígua, quando, de repente, a uns 15 minutos de Antígua, o motorista do transfer me informou que arrumaram um transporte direto de Antígua para rodoviária da Cidade de Guatemala! Provavelmente o motorista estava mandando umas mensagens para o cara da agência, dizendo que não daria tempo de fazer a conexão em Antígua, e eles arrumaram um Uber para me levar até a Cidade da Guatemala. O motorista parou em um posto, encontrei o Uber e cheguei a tempo na rodoviária, ufa! O ônibus noturno para Flores era bem confortável. Marcado para sair às 21h30, acabou saindo umas 21h45, mas depois parou na frente de um shopping, que é “tipo” um ponto de parada dos ônibus ao norte da cidade, e ficou esperando não sei o quê por mais 45 minutos, não entrou um passageiro sequer.... Depois disso, finalmente seguimos viagem e desmaiei até Flores. É, pessoal, a logística da Guatemala é dureza. É outro ritmo, tem que ter paciência. Mas, pelo menos, o povo é muito simpático, e eles sempre dão um jeito de resolver o problema e te ajudar! Maximon: #valeapena Dia 7 -> Tikal O ônibus chegou em Flores lá pelas 6h, após uma jornada interminável de mais de 12h desde Panajachel. Peguei um tuk-tuk até meu hostel, e felizmente a dona me deixou fazer check-in mais cedo grátis, já que o meu quarto estava desocupado. Flores, localizada em uma pequena ilha no Lago Peten, é a melhor base para conhecer as ruínas de Tikal. O Lago Peten também é bonito, mas não é tão grande quanto o Lago Atitlan, nem rodeado por montanhas e vulcões. Infelizmente, eu não peguei um tempo bom em Flores; estava sempre chovendo ou bastante nublado. O lago estava tão cheio devido às chuvas que a água estava invadindo uma parte da rua "beira-mar". Ainda assim, é uma cidade bem bacaninha, tem alguma estrutura para turistas, uma igrejinha bonita, bastante pousadas, restaurantes e lojinhas. É agradável caminhar pela cidade, especialmente na beira do lago. Tikal é o mais famoso sítio arqueológico dos maias na Guatemala, que fica a 65 km de Flores. Eu fechei o tour no hotel mesmo, saindo às 8h. Só deu tempo de tomar um banho, não consegui nem tomar café da manhã, comprei uns pães na padaria e saí. Mas foi aquela logística típica dos tours da Guatemala, até juntar todo mundo, pegar guia, comprar entrada do parque, só começamos o nosso tour em Tikal às 10h. Os maias, ao contrário dos astecas e dos incas, não possuíam uma capital única, mas “cidades-estados” independentes que poderiam ser aliadas ou rivais, dependendo dos seus objetivos. Cada cidade-estado tinha sua própria administração, com crenças, línguas e costumes próprios. Existem ruínas maias espalhadas pelo México, Belize, Guatemala, El Salvador e Honduras. Tikal, uma antiga cidade maia, tornou-se um dos reinos mais poderosos da civilização maia, e ali foram encontradas imponentes estruturas de pedra, como templos, pirâmides, palácios e outras construções. Além das estruturas impressionantes, Tikal é famosa por sua localização em uma densa floresta tropical na Guatemala, conferindo ao local uma atmosfera mística e exótica. Apesar de suas estruturas mais antigas datarem do século IV a.C., Tikal atingiu seu apogeu entre 200 d.C. e 900 d.C. Nesse período, a cidade dominou grande parte da região maia política, econômica e militarmente, enquanto interagia com áreas da Mesoamérica, como a grande metrópole de Teotihuacán, no distante vale do México. Há evidências de que Tikal foi conquistada por Teotihuacán no século IV d.C. Tikal dominava as terras baixas dos maias, mas estava frequentemente em guerra com os vizinhos. Várias inscrições dão conta de muitas alianças e guerras com outros estados maias vizinhos, dentre os quais Uaxactun, El Caracol, Naranjo e Calakmul. Tikal foi um dos maiores centros populacionais e culturais da civilização maia. Já no século IV a.C., iniciava-se a construção de sua arquitetura monumental, mas as principais estruturas visitadas hoje provêm do período entre 200 d.C. e 850 d.C. Depois deste período, nenhum grande monumento foi construído, coincidindo com depósitos que comprovam a ocorrência de um incêndio em alguns palácios usados pela elite da cidade. Desse período em diante, iniciou-se o gradual declínio de sua população até seu abandono completo, por volta do século X d.C. Estudiosos estimam que, no seu auge, a cidade teria uma população entre 100.000 e 200.000 habitantes. O sítio apresenta centenas de construções antigas significativas, das quais apenas uma fração foi cientificamente escavada em décadas de trabalho de arqueologia. Os edifícios sobreviventes mais proeminentes incluem seis grandes pirâmides de plataformas (ou estágios) que apoiam templos nos seus topos. Elas foram numeradas geograficamente pelos primeiros exploradores e construídas no período mais recente, entre o século VII e o início do século IX. O Templo I foi construído ao redor de 695; seguido pelo Templo II, próximo a 700. O Templo III surgiu em 810, enquanto o maior deles, o Templo-Pirâmide IV, com cerca de 72 metros de altura, foi erguido em 721. Já o Templo V data de aproximadamente 750, e Templo VI, de 766. Esta cidade antiga também tem os restos de palácios reais, além de várias pirâmides menores, residências, estelas e monumentos de pedra. Em 2021, descobriu-se que aquilo que durante muito tempo se supôs ser uma área de colinas naturais próxima ao centro de Tikal era, na verdade, um bairro de edifícios em ruínas que foram projetados para se parecerem com os de Teotihuacán. Há até mesmo um edifício que parece ter sido uma prisão, originalmente com barras de madeira nas janelas e portas. E há também vários estádios de jogo de pelota maia. O nome "Tikal" quer dizer "lugar de vozes" ou "lugar de línguas" na língua maia, mas foi um nome dado recentemente, quando as ruínas foram descobertas. Os guias batem palmas em algumas praças para demonstrar que o local parece fazer um eco diferente mesmo, por isso o nome Tikal. Baseado nos hieróglifos, acredita-se que os nomes antigos da cidade poderiam ser Mutal ou Yax Mutal, que significaria "pacote " ou "pacote verde", e talvez, metaforicamente, "primeira profecia". Bom, quando vou visitar esses sítios arqueológicos, eu sempre fico na dúvida se vale a pena ou não pegar um guia. Apesar de eu não gostar muito de andar com grupos, se o guia for bom, vale a pena; se não, é um martírio... O problema é saber se o cara é bom com antecedência. Em Tikal, com o tour durando umas 3h/4h, achei melhor pegar um guia pois o lugar é bem grande, eu estava cansado e não tinha pesquisado nada. E também porque custava só 30 $QTZ... Mas o guia era daqueles que falavam muito..., demais mesmo! O pior é que ele ficava falando muito no começo, quando ainda não tínhamos visto ruína nenhuma e estávamos ansiosos para ver alguma coisa interessante. Mas o guia parava e falava, falava, falava.... O cara falava tanto, sobre um monte de coisa pouco interessante que, quando ele começava a falar algo útil, eu já estava fazendo outras coisas e tirando fotos. Fora o inglês belizenho-caribenho meio complicado para entender. Enfim, não acho que tenha valido muito a pena. No entanto, eu reconheço que o cara tinha muita informação e conhecia bastante do lugar, aqueles que gostam de saber tudo nos mínimos detalhes, vão gostar. E ele passou informações interessantes sobre técnicas de construção maias, que usavam limestone (que, segundo o tradutor, é calcário). Ele falou um pouco da fundação e que eles usavam o mesmo material retirado do solo, tratando o limestone para “cimentar” as pedras, algo assim. Ele também explicou que, depois que contato com Teotihuacán, mudaram a técnica de assentar os tijolos para algo mais consistente. E que eles iam construindo os templos por andar, algo a ver com rei, algo a ver com chegar mais perto dos deuses, não lembro direito. A primeira parte interessante que visitamos é chamada Acrópole Central, onde viviam parte das elites de Tikal. Lá, o guia nos mostrou como seriam os quartos, banheiros, cozinhas e até um suposto trono nas pedras, dando uma boa ideia de como seria a casa dos antigos maias. Figura VI‑50: Acrópole Central Depois de uma curta caminhada, chegamos na Gran Plaza, o local mais importante de Tikal. Os destaques são os dois templos, Templo I, também conhecido como Templo do Jaguar, e Templo II, também conhecido como Templo das Máscaras. O guia explicou algumas coisas sobre a construção das duas pirâmides principais da praça, Templo I e Templo II. Um foi construído apontando para o outro, alinhados em alguma direção que tinha a ver com a astrologia e calendário. As fendas de um templo alinham nos solstícios, a janela do outro templo seria para ver a lua. O Templo I ficou conhecido como Templo do Jaguar já que, dentro dele, foi encontrada uma representação de um rei montado num jaguar e, na tumba do rei Jasaw Chan K’awii, peles do animal. O Templo II foi construído pelo mesmo governante Jasaw Chan K’awiil I, em homenagem a sua esposa. No seu topo (é possível subir nesse templo), tem uma viga esculpida com uma máscara mortuária que acreditam ter sido da esposa de Jasaw Chan K’awiil I, por isso ficou conhecido com o templo das máscaras. A Gran Plaza também tinha várias estelas. Os maias de Tikal cultuavam 14 deuses do bem e, também, uns nove deuses do mal! Segundo o guia, assim como faziam oferendas aos deuses do bem, os maias também faziam oferendas para os deuses do mal, para evitar que eles causassem desgraças, claro. Espertinhos esses maias, hein? 🤣🤣🤣 . Entre os templos I e II, ao norte da Gran Plaza, fica a Acrópole Norte, que era o mausoléu dos nobres de Tikal. Muitas tumbas e oferendas foram encontradas no local, com imagens dos reis nos mausoléus. Uma imagem interessante tinha a figura do rei cheio de plumas, o guia explicou que eles associavam aves a algo divino, alguma simbologia com a figura do rei sempre no topo. Figura VI‑51: Templo I, o Templo dos Jaguares Figura VI‑52: Templo II, o Templo das Máscaras Figura VI‑53: Gran Plaza, vista do alto do Templo II Figura VI‑54: Acrópole Norte Figura VI‑55: Imagem de rei com plumas Salvei um vídeo da Gran Plaza no canal, vista do alto do Templo II (Cap VI‑20). Seguimos caminhando e passamos pelo Templo III, que está quase todo coberto de vegetação, só dá para ver o seu topo. A melhor forma de avistá-lo é do topo do Templo IV. Mesmo com os trabalhos de restauração, os guias dizem que 80% das estruturas foram engolidas pela floresta. Em vários trechos caminhando pelo parque, o guia mostrava o que parece ser uma pequena colina, mas que, na verdade, era uma construção maia que ficou encoberta pela floresta. Logo chegamos no Templo IV. Com seus 72 metros de altura, é o mais alto do mundo maia e famoso por proporcionar um lindo nascer do sol em Tikal. Apesar do Templo IV ser o mais alto, apenas o seu topo é visível, todo o resto do templo também foi tomado pela terra e pela vegetação, meio engolido pela floresta. No entanto, foram construídas escadas permitindo alcançar o seu topo. Lá do alto, tem-se uma linda vista do topo dos outros templos e da exuberante floresta que parece não ter fim. Figura VI‑56: Templo III (à direita), Tempo I e Templo II A Acrópole Sul, também chamada de Mundo Perdido, é a parte mais antiga de Tikal. Enquanto a Gran Plaza foi construída por volta de 600 d.C., essa parte data dos primeiros séculos depois de Cristo. Subimos uma pirâmide que tinha apenas algumas de suas faces restauradas. Também gostei muito da vista lá do alto, que rendeu fotos bonitas, especialmente com o lindo céu azul. Quem vê as fotos com esse céu lindo nem imagina o mega pé d'água que tomamos 10 minutos antes! Alguns guias fazem uma distinção entre os “templos” e as “pirâmides”, apesar de, teoricamente, os templos também ficarem no topo de construções piramidais. Diferente dos templos, as pirâmides de Tikal são mais quadradas, tem a base maior e escadarias nas 4 faces. Teoricamente, os templos eram lugares de cerimônias religiosas, e depois serviam como cemitério para alguns nobres. Já as pirâmides seriam mais para observação astronômica, para controlar o tempo/calendário. Depois da pirâmide, ainda fomos conhecer o Templo V, que achei o mais bonito e o mais bem conservado. No caminho de volta, passamos ainda pelo edifício Teotihuacano, que não é muito imponente, mas chama atenção pelos detalhes com imagens de Tlaloc, deus da chuva e da água, mas vou falar mais dele na minha viagem do México. Figura VI‑57: Pirâmide na Acrópole Sul Figura VI‑58: Templo IV, visto da pirâmide Figura VI‑59: Templo V Figura VI‑60: Edifício Teotihuacano No total, foram 4h conhecendo Tikal. O lugar é muito grande, em 4h, acabamos não conhecendo todas as áreas, como a zona norte e o Templo VI, mas conhecemos o principal... Durante nossa visita, o clima estava doido. Em alguns momentos, fazia um baita calor, mas também choveu forte em dois momentos e tivemos que ficar um tempão esperando a chuva passar. Depois, almocei por lá mesmo, saímos de Tikal por volta das 15h e quando chegamos em Flores, estava nublado e chovendo. Muito cansado, só dei uma voltinha no centro, jantei e finalmente tive uma bela noite de sono para tirar o atraso. Tikal: #imperdível Tikal versus Chichen Itza Figura VI‑61: Chichen Itza, México Uns 10 anos antes, eu tinha ido a Chichen Itza, outro sítio arqueológico dos maias. Localizada na Península de Yucatan, México (próximo a Cancun), Chichen Itza foi eleita uma das 7 maravilhas do mundo moderno. Como minha visita já faz muito tempo, não lembro tantos dos detalhes, mas lembro que a pirâmide de Chichen Itza, chamada Templo de Kukulcán, me pareceu mais bonita do que as de Tikal. Os patamares, os detalhes nas fachadas, no topo, as serpentes, tudo bastante restaurado. Em algumas faces, as pedras estão bem alinhadas e perfeitinhas (às vezes, até demais....), já em outras faces é possível notar alguma erosão. Não sei se Chichen Itza foi melhor/mais restaurada, ou se simplesmente resistiu mais ao tempo, mas, de forma geral, suas construções estão mais bem conservadas que Tikal. Os templos de Tikal são maiores em altura, o Templo V tem 57 metros de altura, enquanto a pirâmide de Chichen Itza tem 30 metros. Os templos de Tikal parecem mais “finos” e esticados, não tem escadaria nas 4 faces, enquanto a pirâmide de Chichen Itza tem a base bem mais larga e escadaria nas 4 faces. Assim como Tikal, Chichen Itza possui características arquitetônicas que simbolizam os conhecimentos avançados dos maias em astrologia e calendários. Muito legal também essa simbologia: a pirâmide foi projetada para criar sombras triangulares durante os equinócios, criando uma impressão de uma serpente descendo a pirâmide ao fim da tarde. O sitio arqueológico de Chichen Itza é menor e tinha muito movimento, muitas excursões, muito ambulante, tudo meio calçado ou com terra ou grama/vegetação baixa. Ou seja, não tinha muita mata e floresta. E tem bem menos construções em quantidade que Tikal. Em compensação, as construções de Chichen Itza costumam ser maiores em tamanho/área, como a pirâmide, o campo do jogo de pelota maia, um local que tinha um mercado, colunas e templos. Também não sei se restauram mais ou se eram maiores mesmo... Chichen Itza foi totalmente limpa na década de 1930, hoje tem tudo catalogado e muito bem explicado. Já Tikal é muito mais amplo em termos de terreno, com atrações mais espalhadas e ainda tem muita coisa não escavada. Tikal desperta muito a curiosidade! Suas ruínas parecem sempre esconder algo, estejam elas envoltas pelas neblinas do amanhecer, ou cobertas por floresta tropical. Em Tikal você pode subir em alguns templos através de algumas plataformas (antes podia subir no templo mesmo), e o ambiente é repleto de vida: animais, aves, macacos, quatis e muitas árvores. Muitas construções ainda não foram restauradas ou estão cobertas de terra e vegetação, florestas crescendo por cima das ruínas, como se a cidade abandonada estivesse sendo lentamente engolida pela natureza. Todo esse ambiente dá um clima mais de contato com natureza, enquanto Chichen Itza tem um jeitão mais de cidade ou de “parque temático” arqueológico... Para sair de cima do muro, acho que eu gostei um pouco mais de Tikal, mas os dois são incríveis, vale a pena conhecer os dois! Dia 8 -> Flores -> Lanquin Como eu já sabia da confusão de transfers da Guatemala, quando eu reservei o hotel em Flores, já garanti uma reserva no transfer de Flores até Lanquin, a cidade-base para conhecer Semuc Champey. É um trajeto muito demorado, a estradinha tem muita curva, e só tinha um horário de transfer por dia, saindo de manhã. Perde-se um dia inteiro só fazendo esse translado, saí às 8h de Flores e cheguei às 17:h20 em Lanquin. Me chamou a atenção que, na hora de sair, o cara do transfer toda hora contava os passageiros e parecia que faltava um atrasadinho. Ficamos uns 30 minutos esperando, o cara fazendo ligação/WhatsApp, mas no final acabou saindo só quem já estava lá, ninguém entendeu nada... Nas estradas da Guatemala, o pessoal vai de carona aonde der, sempre cabe mais um! Vai gente em qualquer canto, e não refiro apenas a ônibus lotado. Nas estradas, via tuk-tuk carregando famílias inteira (famílias com 4 filhos ou mais), moto com 3 pessoas, vi uma turma entrando na caçamba de um caminhão chiqueiro com os porquinhos, vi guatemalteco viajando no teto do Chicken bus... Mas o que mais me chamou a atenção foi que muita gente, inclusive famílias com bebês, viaja na caçamba das picapes. Até na principal rodovia do país, a Rodovia Panamericana, vi famílias inteiras na viajando na caçamba! É o famoso jeitinho guatemalteco “coração de mãe”, sempre cabe mais um...Essa foto foi no caminho para Lanquin. Figura VI‑62: Galera na caçamba Figura VI‑63: Tem um filho no meio do casal na moto.... E, por falar em moto..., uma coisa que eu percebi no interior é que quase ninguém usa capacete. O próximo vídeo salvo no canal, Cap VI‑21. Eu gravei em Panajachel, mais para ver os Chicken bus e os tuk-tuks, mas reparem nas motos que passam depois dele. Para cada 4 motos que passavam, apenas uma tinha gente de capacete! Mas as máscaras de covid, os motoqueiros usavam 🤣🤣🤣 . Nessa viagem para Lanquin, um motoqueiro me chamou a atenção, pena que não tirei foto. Ele estava andando de moto sem usar capacete, mas tinha um capacete amarrado na garupa da moto, não era por falta de capacete que ele andava sem... Justiça seja feita: na capital Cidade de Guatemala, quase todo mundo usava capacete. Enfim, só fui chegar em Lanquin depois das 17h. Lanquin é uma cidade muito pequena mesmo. A cidade em si só tem algumas lojinhas que vendem comida, um único restaurante mais turístico, e por isso os poucos hotéis e hostels acabam tendo uns restaurantes mais turísticos e bares. O pequeno centrinho de Lanquin só tem um pouco de comércio local. Foi bacana para conhecer como é uma cidadezinha mais típica (quase “não turística”) do interior da Guatemala. Salvei 3 vídeos no canal circulando por Lanquin (Cap VI‑22, Cap VI‑23 e Cap VI‑24). E olha a cerveja vendida na Guatemala, não confundir com Brahma, hein 🤣🤣🤣 : Figura VI‑64: Cerveja Brahva Figura VI‑65: Lanquin Mas quando eu cheguei em Lanquin, tive uma péssima notícia. O brasileiro que eu tinha conhecido no Acatenango chegou lá um dia antes e me mandou um zap dizendo que Semuc Champey estava “zoado”! Semuc Champey é um rio pequeno que passa em um vale e forma umas piscinas naturais bem bonitas, com água cristalina e bem clarinha, mas, por causa das chuvas, o rio estava muito cheio e Semuc Champey estava todo marrom e barrento. Quando cheguei no hotel, o cara da recepção me confirmou que Semuc Champey estava “sujo” mesmo! Que raiva, gastei um dia inteiro para vir até aqui, vou gastar outro dia inteiro para sair, chego aqui e descubro que o rio estava zoado. Como diriam uns amigos “das antigas”... “perdeeeeeu”! Para mim, depois dos vulcões ativos, essa seria a principal atração da Guatemala. Deixei de conhecer um monte de coisas, como o Vulcão Santiaguito, vir até aqui. Que derrota! E para piorar, em Lanquin não tinha mais quase nada para fazer. Mas já que eu estava aqui e não tinha mais o que fazer..., tá no inferno, abraça o capeta. No dia seguinte, eu ia ver Semuc Champey “sujo” e barrento mesmo! Dia 9 -> Semuc Champey Conversando com o pessoal da recepção do hotel, me disseram que é super raro Semuc Champey ficar com as águas barrentas. Mesmo na época de chuva, era muito difícil “sujar” o rio. No dia anterior, eles mencionaram que, se não chovesse à noite, Semuc Champey até poderia estar bom no dia seguinte. E naquela noite só deu uma garoa de leve, nada de chuva forte. Não sei se eles falaram isso só da boca para fora, para tentar me animar quando viram a minha cara de velório, ou se eles realmente acreditavam naquilo... Enfim, amanheceu bem nublado, mas pelo menos não estava chovendo. “Bora” ver Semuc Champey marrom! Depois do café da manhã, fui procurar o transporte de Lanquin até Semuc Champey. A chegada até Lanquin atualmente está toda asfaltada, mas, para Semuc Champey, não. E adivinha como era o transporte? Umas picapes para galera ir na caçamba, como aquelas que eu via em todas as estradas da Guatemala 🤣 . Algumas eram mais modernas, outras cobertas com lona, algumas com banquinhos, “tipo” versão miniatura daqueles caminhões jardineiras que tínhamos no Brasil. Mas a maioria só tinha essas estruturas metálicas em volta pelo menos para o pessoal não cair. E lá fui eu para caçamba de uma delas. Obviamente que, como todo guatemalteco, o cara do transfer lotou a caçamba da picape. Quer dizer, para mim, parecia lotado, mas toda hora o cara parava e subia mais um 🤣🤣🤣 . São 9 km de Lanquin até lá, e demorou 45 minutos. Balançava para caramba! Mas, para quem tinha acabado de voltar de uma viagem de carro no Jalapão na época de chuva, essa estrada parecia uma Autobahn alemã... A maioria era estrada de chão, mas já tinham alguns trechos asfaltados ou com calçamento nas subidas. Foi divertido, também salvei dois vídeos no canal do transporte até Semuc Champey (Cap VI‑25 e Cap VI‑26). Figura VI‑66: Transporte para Semuc Champey Figura VI‑67: É “nóis” na caçamba.... Quando chegamos na ponte antes da entrada do parque, vi pela primeira vez o Rio Cahabón, que estava muito cheio e completamente marrom. Figura VI‑68: Rio Cahabon Não dava para dizer que eu não imaginava que o rio estaria todo marrom, mas, no fundinho, a gente sempre tinha uma gotinha de esperança de chegar lá e ser surpreendido... Que pena. Já estava lá mesmo, paguei o ingresso e fui conhecer Semuc Champey. Primeiro o pessoal costuma seguir até um mirante natural, e depois ir até as piscinas naturais. É uma subida não muito difícil, uns 30 minutos com passarelas, escadas, corrimãos ou cordas, bem estruturada. E, “ni qui” eu cheguei lá no mirante...: Figura VI‑69: Semuc Champey Figura VI‑70: Primeiras piscinas Figura VI‑71: Surpreendido (positivamente!) É, galera, “deu bom”!!! Quem diria, Semuc Champey estava lindo! Boa parte das piscinas estava azulzinha. Também salvei um vídeo do mirante, Cap VI‑27. No hotel, o funcionário estava me falando que o problema de “sujar” Semuc Champey ocorria quando “o rio enchia as piscinas”, mas eu não entendia direito o que ele estava falando. Chegando lá eu fui entender. Na verdade, aquele rio que estava marrom é um rio grande, chamado Cahabón. No trecho de Semuc Champey, ele afunda, entrando em um túnel subterrâneo por uns 300 metros, e some completamente! Na superfície desse trecho, onde o rio Cahabón afunda, se formam diversas piscinas azulzinhas, que, na verdade, são alimentadas por outros afluentes do Rio Cahabón. São as águas que descem das montanhas que formam as piscinas naturais de Semuc Champey, e após 300 metros de piscinas, vão se encontrar com o rio Cahabón em uma última queda d’água! Agora entendi o que o funcionário do hotel quis dizer: se o rio Cahabón estiver muitíssimo cheio, ele transborda e parte da sua água entra na região das piscinas, sujando tudo. Era isso que tinha acontecido no dia anterior! E não é que a noite sem chuva fez o rio diminuir um pouco o volume, o suficiente para não transbordar mais e voltar para caverna?! Figura VI‑72: Rio Cahabón “sumindo” Depois do mirante, descemos para ver as piscinas naturais de perto. Tinha muita lama em todo o caminho para subir e depois descer do mirante. Ainda assim, se estiver de tênis, é bem tranquilo. A explicação química da formação dessas piscinas, eu vi nos relatos do Mundo por Terra (Ref. 31😞 as águas de Semuc Champey são ricas em bicarbonato de cálcio e, quando esquentam, produzem carbonato de cálcio, cujos cristais se aderem aos micro-organismos da água e se precipitam. Assim vão consolidando os terraços onde estão as piscinas! Durante o dia todo, o clima ficou nublado. Até ameaçou abrir um solzinho, mas não abriu... Lá tem alguma estruturazinha de vestiário para se trocar e alguns lockers para deixar mochila, a dica é lembrar de levar cadeados para nadar despreocupado. Estava uma temperatura agradável para caminhar, uns 23oC, eu até tinha levado roupa de banho e cadeado..., mas achei meio frio para nadar e refuguei (a lá Baloubet du Rouet nas olimpíadas de Sydney 🤣). Fiquei mesmo só admirando as piscinas, foram muitas e muitas fotos! Figura VI‑73: Primeiras piscinas, mais azuis Figura VI‑74: Piscinas do final, mais verdes Figura VI‑75: Semuc Champey se juntando ao rio Cahabon Salvei 3 vídeos no canal, do rio Cahabon “afundando”, das primeiras e das últimas piscinas de Semuc Champey (Cap VI‑28, Cap VI‑29 e Cap VI‑30) Além do parque nacional com as piscinas, do outro lado do rio Cahabón, tem uma área particular que não tem vista para as piscinas, mas tem alguns outros atrativos. Pelo que eu tinha pesquisado, tem uma cachoeira e um tubing (descendo de boia pela correnteza do rio), mas o passeio principal é uma caminhada pelas cavernas do rio Cahabón, naquela parte que passa por baixo de Semuc Champey. Precisa de calçados adequados, de preferência sapatilhas aquáticas se não quiser andar com seu tênis no rio. Mas, como o volume do rio estava muito grande, não estavam oferecendo nem o tour da caverna, nem o tubing nesse dia. Achei Semuc Champey muito bonito! Seguramente, não foi o dia que as piscinas de Semuc Champey estavam mais cristalinas e bonitas. Algumas estavam mais azuis, outras um pouco mais verdes, outras mais barrentas e menos transparentes. Certamente não estava tão azul-turquesa como nas fotos da internet. Mas, para quem estava achando que ia ver tudo marrom e que tinha dado muito azar, “deu bom”, ficou aquela sensação de copo meio cheio. Semuc Champey: #imperdível Dia 10 -> Lanquin -> Cidade da Guatemala -> Cidade do México Meu voo era às 18h, então acordei muito cedo para poder chegar à Cidade da Guatemala a tempo. Precisava pegar um transporte local de Lanquin até Coban, cidade maiorzinha da região, e de lá um ônibus até a capital. Nos dias anteriores, estava difícil descobrir qual horário mais cedo do transporte de Lanquin para Coban. No meu hotel, me falavam uma coisa, na pracinha central, uns caras do transporte falavam outra, na vendinha em frente ao ponto, mais uma versão.... Eu já falei que a logística na Guatemala é complicada?... Descobri que quem faz esse transporte, na verdade, são moradores locais. Não existe uma empresa de transporte pública ou privada propriamente dita. Eles saem no horário que quiserem e fazem o trajeto que desejarem. Normalmente há uma van saindo às 8h, outra às 9h, algumas mais cedo, mas não tinha horário fixo. O pessoal sabe mais ou menos quando tem demanda, e vai saindo mais ou menos de hora em hora. Por isso que cada pessoa que eu perguntava tinha uma resposta diferente... Esclarecida a confusão, o cara do hotel me recomendou estar na bifurcação na saída de Lanquin às 5h da manhã, pois deveria ter alguma vanzinha passando. Saí às 4h30. Detalhe: como na cidade não tem estrutura turística, os hotéis geralmente tem bar e música, e ficam até altas horas. Naquela noite, teve música alta no meu hotel até 1h da manhã, não dormi nada. Parecia que a caixa de som estava dentro do meu quarto, que inferno... Lá pelas 5h, eu estava indo para o cruzamento da saída de Lanquin quando passou um micro-ônibus recolhendo pessoas, obviamente pegando o máximo de gente possível. Confirmei que ele estava indo para Coban, e finalmente peguei meu primeiro transporte coletivo na Guatemala. Mas fiquei triste quando vi que não era o tradicional Chicken bus... Era uma vanzinha “véia” para umas 23 pessoas (já incluindo aqueles miniassentos dobráveis, bem trevas). Quando eu entrei, tinha umas 10 pessoas, mas em dez minutos circulando lotou. E, na saída de Lanquin, devia ter umas 30! Sim, a lotação era 23 pessoas...., quatro caras e o "cobrador" estavam indo em pé, uma criança no colo, e outra sentada em cima capô do motor ao lado do motorista. Ao longo do caminho entre Lanquin e Coban, algumas pessoas desceram, outras iam subindo, e assim seguia os transportes guatemaltecos “coração de mãe”. Todo vilarejo que passava, eu torcia para não ter ninguém esperando ônibus, mas sempre entrava mais um 🤣🤣🤣 . Em um momento, já quase lotado, o motorista parou e foi conversar com uma família com umas 8 pessoas. E cheios de bagagem... Eles ficaram uns 10 minutos conversando, não sei onde eles iriam colocar aquele pessoal todo, no teto? No fim, acabaram não indo no nosso mini-ônibus. Chegando em Coban, eu precisava achar o terminal da empresa do ônibus até Cidade da Guatemala. Na Guatemala, as cidades não tem rodoviária, cada empresa tem seu terminal, que, nesse caso, ficava perto do “ponto” final do meu mini-ônibus. Tinha ônibus de hora em hora para capital. Um deles saía às 7h, e foi a minha vez de tirar proveito dos atrasos daqui. Cheguei 7h05, e não só consegui a passagem para o busão das 7h, como ainda deu tempo de pegar um café e um pão antes de embarcar. E esse meu segundo transporte rodoviário também não foi de Chicken bus, infelizmente. Chicken bus é o “apelido” dos ônibus de transporte público mais baratos e populares utilizados na Guatemala e alguns países da América Central. Geralmente ônibus escolares aposentados dos Estados Unidos, os Chicken bus costumam ter aparência extravagante e coloria, como esse da foto a seguir. Alguns deles até possuem iluminação especial, olhem que estiloso o Chicken bus no vídeo Cap VI‑31 do canal! Figura VI‑76: Chicken Bus Foi uma longa viagem de Coban até Cidade da Guatemala, mas bem tranquila. Como na maior parte da Guatemala, passamos por muitas e belas montanhas, vulcões e vales cobertos de floresta tropical, além de estradas com muitas curvas e belas paisagens. A quilometragem entre as cidades não é tão grande, mas demora muito para chegar de um lugar para o outro. Também observei que passamos por muitas obras, duplicando e asfaltando estradas. Parece que estão melhorando a infraestrutura, mas ainda tem um longo caminho. É possível chegar a todos os lugares, mas a logística pode ser complicada para quem tem pouco tempo. O pessoal é enrolado, mas é gente fina. Na hora de ir embora, já na área de embarque do aeroporto, fui procurar água de graça, mas todos os bebedouros estavam desligados por causa da pandemia. Entrei em uma loja de souvenir, não ia comprar nada, apenas queria perguntar à moça da loja se ela sabia onde tinha um bebedouro. Ela me disse que não tinha, mas eu poderia pegar a água dela e encher minha garrafinha.... Muito simpático o povo daqui! E, para fechar com chave de ouro, quando me sentei na janela do avião, olha que beleza: aeroporto com vista para vulcão! Vulcões, na verdade, vários deles, e na hora do pôr do sol. Figura VI‑77: Aeroporto com vista para vulcões Depois de acordar 4h30 em Lanquin e fazer múltiplos traslados, finalmente cheguei no meu hotel na Cidade do México, tarde da noite. Só tive energia para tomar um banho e desmaiar! Estava morto, mas feliz porque finalmente eu iria dormir 3 noites seguidas no mesmo hotel! Era o final da minha jornada na Guatemala, obrigado, Guatemala e guatemaltecos, que país incrível! Dia 11 -> Cidade do México O principal objetivo dessa viagem ao México era conhecer o vulcão Popocatépetl. Durante o voo do dia anterior, o céu estava bem limpo e, distraído, olhando pela janela do avião, vi duas lindas montanhas já próximo à Cidade do México. Eram os “vulcões irmãos” Popocatépetl e Iztaccihuatl. Com esses nomes astecas impronunciáveis, são mais conhecidos como “Popo” e “Itza”. Pena que, quando o voo passou, já estava bem escuro, a olho nu dava para ver pouco. Mesmo assim, não tirei os olhos da janela, apreciando a beleza das montanhas e torcendo para assistir da janela do avião a uma erupção estromboliana do Popo. Imagina só, assistir uma erupção de camarote? Infelizmente, não foi nesses 10 minutos que ele mostrou sua fúria. Mas será que nessa viagem eu iria conseguir vê-lo em ação?... Além do vulcão, o México tem muito mais encantos a serem explorados. Na minha opinião, é o país mais parecido com Brasil que existe no mundo. Tem algumas diferenças, claro, mas eu vejo muitas semelhanças. O México é um país enorme, com uma natureza exuberante e variada, capaz de agradar a todos os gostos: lindas (e muitas!) praias, cachoeiras, lagoas, montanhas... Assim como em quase toda a América Latina, o povo é muito amigável e receptivo. É um país repleto de cidades coloniais, com uma rica herança cultural resultante da mistura dos colonizadores espanhóis e europeus com tradições dos povos indígenas e pré-colombianos. Assim como no Brasil, os mexicanos são católicos fervorosos. Eles também adoram novelas, o Chaves, e são fanáticos por futebol! Eles também têm muitas comidas típicas, e celebrações e tradições incríveis, como o Dia dos Muertos. Adoram festas e baladas. O México também tem cidades enormes e não tão organizadas. A Cidade do México é praticamente do mesmo tamanho de São Paulo e, assim como lá, o trânsito é caótico: os motoristas não dão a mínima para faixa de pedestre, os pedestres também não dão a mínima para farol de pedestre e atravessam aonde dá..., enfim, igualzinho as grandes cidades do Brasil 🤣🤣🤣 . E, lamentavelmente, lá também tem muita desigualdade social. Assim como no Brasil, a gente vê muita pobreza e muita riqueza lado a lado. Prédios muito chiques e luxuosos nas áreas nobres, como o Paseo de La Reforma, e casas bem simples nos morros das periferias, que parecem as nossas comunidades (um pouco mais urbanizadas). O centro está lotado de camelôs, barraquinhas e comércio de rua. Se bem que, nessa comparação, tem muito mais barraquinhas na Cidade do México do que nas cidades brasileiras. Lá o crime também é bastante organizado, e infelizmente não é tão seguro como nos países mais ricos ou na Ásia. Até o metrô achei muito parecido com o de São Paulo. Ao contrário de países europeus, lá funciona com catracas e baldeações livres, bilhete com um preço único (não é por zonas, custa a mesma coisa para percorrer 2 ou 50 estações, igualzinho a São Paulo). Apesar do metrô ser três vezes maior, era 4 quatro vezes mais barato (em fev. 2022). Além disso, me chamou a atenção que os trens lá também têm pneus, ao lado das tradicionais rodas de aço, e ainda tem um par de pneus menores, na horizontal, que também seguem um trilho lateral.... Figura VI‑78: Metro com pneus na vertical e horizontal Salvei no canal um vídeo (Cap VI‑32) do metrô, acho que dá para ver melhor... Depois de tanta correria na Guatemala, decidi tirar um dia mais tranquilo para conhecer o centro da Cidade do México, apelidada pelos locais de CDMX. Comecei o dia, por sorte, descobrindo um lugar bem no centro da cidade muito agradável e seguro para caminhar, inclusive à noite. O café da manhã do hotel era caro e bem meia-boca, pedi indicação de padaria e acabei descobrindo a Calle Regina, a apenas duas quadras do meu hotel. É uma rua bem bacana, com algumas quadras fechadas para pedestres, cheia de restaurantes, pedestres, universitários e turistas. Café da manhã tomado, minha primeira parada era na imensa praça principal no coração da Cidade do México, chamada de Zócalo (o nome oficial é Praça da Constituição). Os espanhóis construíram essa praça bem onde era o centro de Tenochtitlán, a capital dos Astecas. A lenda Asteca diz que, depois que foram expulsos de seu lugar de origem, chamado Aztlan, os astecas peregrinaram por 260 anos até encontrarem o lugar indicado por seu deus Huitzilopochtli, o “deus velho”, divindade da guerra e do fogo. Segundo Huitzilopochtli, uma águia com uma serpente no bico e pousada sobre um cacto, marcaria o lugar onde deveria ser erguida a capital dos astecas. Inclusive a águia comendo a serpente sobre um cacto é o símbolo que está hoje na bandeira do México! Os astecas encontraram o local em uma ilha no meio do Lago Texcoco, que ficava onde hoje é o Zócalo. Esta foto aqui que eu tirei por acaso quando eu estava chegando no Zócalo, não conhecia a história, nem tinha dado atenção para esse monumento, mas foi legal saber que essas estátuas retratam a história da origem de Tenochtitlán/Cidade do México: Figura VI‑79: Água com serpente no bico em um cacto O Lago Texcoco e a Cidade do México ficam no Vale do México, um vale que não tem drenagem natural e destino de todas as águas que descem das montanhas ao redor, tornando a cidade bem vulnerável a inundações. A cidade foi crescendo ao redor dessa ilha e o lago foi sendo aterrado com a expansão de Tenochtitlán. Quando os espanhóis derrotaram os astecas e conquistaram Tenochtitlán, resolveram construir seus edifícios coloniais no mesmo lugar e mudaram o nome da cidade para “México”. Eles também continuaram aterrando o Lago Texcoco, que foi praticamente todo drenado. Embora o lago tenha desaparecido, toda a cidade foi construída sobre o seu terreno pantanoso, lamacento e bastante instável. Andando pelo centro, é comum ver muitos prédios antigos afundando e inclinados, uma das marcas das construções históricas da Cidade do México. Voltando a minha visita ao Zócalo, a praça em si é um pouco estranha no sentido de não ter absolutamente nada, nenhum jardim, nenhum banquinho.... Ela é imensa, é toda calçada e tem apenas uma imensa bandeira do México, mas é rodeada por belos prédios coloniais, com destaque para o palácio nacional do México, sede da presidência, na face leste do Zócalo. Ele foi construído onde ficava o palácio de Montezuma, sede dos governantes astecas. Na face oeste, tem alguns prédios comerciais e, na face sul, muitos prédios governamentais, todos bem bonitos. Mas a principal construção é a impressionante Catedral Metropolitana do México, construída em estilo gótico na face norte do Zócalo, sobre os escombros de um templo asteca adjacente ao Templo Mayor, já que os espanhóis fizeram questão de construir uma grande igreja católica em um local de destaque e bem em cima dos templos astecas. A catedral começou a ser construída em 1573 e só foi terminada em 1813. Figura VI‑80: Zócalo (Praça da Constituição) Figura VI‑81: Palácio Nacional do México Figura VI‑82: Catedral e Tabernáculo Metropolitano Salvei no canal um vídeo (Cap VI‑33) com uma vista panorâmica do Zócalo. Esta construção à direita da catedral, que parecia ser uma parte da catedral, na verdade, é um batistério chamado Tabernáculo Metropolitano, com uma fachada linda e com detalhes muito bonitos na entrada. A entrada é livre também, mas o interior é mais simples. O interior da catedral é lindo. Ela tem uma disposição um pouco diferente das igrejas que estamos acostumados, com dois altares separados por um imenso órgão de tubos no meio da igreja. Me chamou a atenção alguns tubos do órgão na horizontal, parecendo canhões. No primeiro altar, menor e logo na entrada da catedral, tem uma imagem de Jesus negro. Antes dessa viagem, eu nunca tinha visto imagem de Jesus negro, mas, na catedral de Antígua, também tinha uma imagem de Jesus negro. Na área principal da igreja, tem um lindo corredor com “estátuas-candelabros” levando até o segundo altar, o principal, muito bonito também. Figura VI‑83: Candelabro com altar principal ao fundo Figura VI‑84: Imagem de Jesus negro no primeiro altar Figura VI‑85: Órgão com alguns tubos na horizontal Ao lado da Catedral e do Tabernáculo, tem o sítio arqueológico chamado Templo Mayor, onde foi encontrado o pouco que resta das ruínas astecas. Uma pena que tenha restado tão pouco, vou explicar por quê. Estimam que a civilização asteca tinha 400 mil habitantes, só na capital Tenochtitlán uns 200 mil, mas surpreendentemente o conquistador espanhol Hernán Cortés conseguiu conquistar a região com uma expedição que inicialmente tinha apenas 500 homens! Três motivos principais explicam esse feito: obviamente, os espanhóis tinham armamento bem superior (destaque para canhões, bestas e cavalos). Cortés também foi astuto ao fazer alianças com povos indígenas que eram rivais dos astecas, como os Tlaxcaltecas e Totonacas, que se juntaram a ele. E, por fim, grande parte da população asteca morreu por epidemia de doenças europeias (varíola e outras). Entretanto, na primeira vez que Cortés e seu exército chegou em Tenochtitlán, ele foi recebido pacificamente e a convite do imperador Montezuma, em 1519. Mas por que ele teria sido recebido pacificamente? O deus Quetzalcóatl, da serpente emplumada, era venerado em todas as culturas pré-colombianas da região. Para as civilizações mais antigas, as representações da serpente emplumada eram totalmente zoomórficas, descrevendo a serpente como uma cobra real. Já para as civilizações dos tempos dos descobrimentos, como os astecas, Quetzalcóatl começou a adquirir características humanas. Segundo alguns historiadores, os astecas acreditavam em uma antiga profecia local que dizia que o deus Quetzalcóatl, que era branco e tinha barba, depois de ensinar muitas coisas aos povos da região (cultivar os campos, construir templos etc.), autoexilou-se do México. Mas ele sofreu nesse período afastado, e um dia voltaria dos mares e poderia se vingar dos povos que viviam na região! Cortés teria ouvido essa profecia da população local e decidiu usá-la a seu favor. O desembarque dele no México teria acontecido justamente no dia de Quetzalcóatl. Ele também era branco e tinha barba. Montezuma (imperador asteca) teria se convencido que Cortés era o enviado de Quetzalcóatl, retornando dos mares para destruir os povos mexicanos, e inicialmente tentou evitar sua aproximação mandando muitos presentes, ouro, joias, mágicos, sacerdotes, embaixadores... Mas a ambição dos espanhóis por ouro era insaciável, e eles seguiram para Tenochtitlán. Montezuma recebeu Cortés com todos os seus homens e 3 mil indígenas aliados no seu palácio imperial, o tratou bem e aceitou seu domínio. Montezuma até mesmo concordou em ser batizado e declarou-se um súdito do rei Carlos I da Espanha! Mas, depois de algum tempo, deu bastante confusão... Velazquez, outro colonizador espanhol que dominava Cuba e era brigado com Cortés, mandou uma tropa para o México para prender Cortés por insubordinação. Cortés, então, foi até a cidade costeira de Vera Cruz e derrotou essa tropa, mas antes deixou Tenochtitlán aos cuidados de seu aliado Pedro de Alvarado. Quando voltou para a capital asteca, ele encontrou uma rebelião na cidade entre os espanhóis que ficaram e os astecas. Pedro de Alvarado ordenou um massacre dos astecas (conhecido como Massacre do Templo Maior) no momento em que faziam uma cerimônia religiosa, achando que era uma cilada armada pelos astecas e prendeu Montezuma. Cortés logo se deu conta que os astecas tinham eleito um novo imperador, Cuitlahuac. Os astecas, então, cercaram o palácio onde estavam os espanhóis e Montezuma. Quando Cortés ordenou que Montezuma falasse ao povo para que deixassem os espanhóis voltarem em paz para o litoral, Montezuma foi atingido por pedras e dardos e acabou morrendo. Não se sabe se em decorrência desses ferimentos ou se nas mãos dos espanhóis. Cortés decidiu fugir da cidade e, no evento conhecido como La Noche Triste, metade do seu exército foi morta. Cortés saiu, mas se recompôs, reuniu reforços espanhóis e milhares de indígenas rivais, voltou e derrotou os astecas em 1521. Quando os espanhóis reconquistaram a região, usaram a estratégia de “terra arrasada”. Conquistava e destruía tudo, para que o inimigo não se recompusesse, especialmente templos e locais sagrados, construindo no mesmo local igrejas e prédios dos colonizadores. O que Cortés não sabia era da técnica dos pré-colombianos mesoamericanos (astecas, maias etc.) de construir pirâmides em etapas/camadas. As pirâmides eram como bonecas russas matrioskas: iam construindo uma camada após a outra, igual à anterior e cada vez maiores. Eles construíam a pirâmide, uns 50 anos depois construíam outra sobreposta, não se sabe ao certo o motivo. As pirâmides e templos acabavam escondendo por dentro várias réplicas de si mesmo, em tamanho menor. Acredita-se que o Templo Mayor foi construído em 7 camadas. Ainda é possível ver as primeiras “camadas” de sua construção, que sobreviveram à destruição de Cortés e ficaram soterradas por séculos. Sua redescoberta aconteceu por acaso na década de 1970, quando trabalhadores da companhia de eletricidade local encontraram partes do antigo templo antigo. Após essa descoberta, alguns prédios coloniais foram demolidos para desenterrar mais vestígios, revelando o pouco que restou da antiga Tenochtitlán, a capital dos astecas. O museu do Templo Mayor deve ter uma visitação legal com informações históricas, mas estava fechado (acredito que por causa da pandemia). Só deu para dar uma volta em algumas passarelas construídas ao redor do sítio arqueológico. Talvez por causa da pandemia, as ruínas estavam bem bagunçadas: uma parte coberta com capas e tapumes, outras em processo de restauração, com plataformas e andaimes espalhados, e em algumas partes, ainda parecia haver escavações em andamento. Enfim, só olhando de fora e com as obras meio largadas, ficava difícil visualizar alguma construção impressionante.... Era possível ver apenas algumas paredes e escadas das diferentes “camadas” da construção por etapas, estilo boneca russa. Tinha uma parte aparentemente mais interessante com umas maquetes, que daria para ter uma ideia melhor de como era a cidade, mas o acesso a esse local também estava fechado. Figura VI‑86: Ruínas do Templo Mayor Saindo do Templo Mayor em direção ao Zócalo, tem um pessoal com roupas de astecas fazendo rituais de purificação e vendendo souvenirs astecas. Seguindo viagem, a minha próxima parada era o belíssimo Palácio de Bellas Artes, a poucas quadras do Zócalo. O centro da Cidade do México é bastante movimentado e, entre os milhões de mexicanos turistas caminhando, é comum ver os músicos de rua vestidos com roupas estilo militar tocando organillos (segundo o Google tradutor, em português seria realejo), um instrumento no formato de uma caixa de madeira que o organillero toca girando uma manivela. Parece sempre a mesma música, me lembrou aquelas caixinhas de música antigas, tamanho família! O instrumento em si parece que veio da Alemanha, não tem nada a ver com os povos pré-colombianos, mas muitos organilleros passaram a ganhar a vida tocando músicas populares, animando as praças da cidade. Não sei quão comum é hoje em dia, mas, nessa parte da cidade, tinha bastante, salvei um vídeo no canal Cap VI‑34 caminhando ao som dos organilleros. Existem muitas igrejas e prédios históricos bacanas no centro da Cidade do México. Porém, depois de visitar as imponentes construções do Zócalo e da catedral, as outras não chamam tanto a atenção. Uma exceção é o Palacio de Bellas Artes, provavelmente a construção mais bonita da Cidade do México. A casa de óperas em estilo art déco com uma cúpula colorida que dá um lindo contraste com as suas paredes de mármore! E, com o céu azulzinho, ficou ainda mais bonita. Aliás, nos quatro dias de CDMX peguei um clima perfeito. Nunca tinha dado essa sorte, céu limpíssimo, só no final da tarde apareciam algumas poucas nuvens, lindo. Lá dentro costuma ter shows e exposições, mas eu “pão-durei” e não quis pagar a entrada.... No prédio em frente é uma loja de departamentos e no alto do sétimo e último andar tem uma cafeteria que tem uma vista incrível do palácio, fica a dica! Figura VI‑87: Palácio Bellas Artes Ao lado do palácio, tem uma praça bem agradável, chamada Alameda Central, com várias fontes, estátuas, banquinhos, muito bacana. Pena que o monumento mais bonito, uma colunata em semicírculo toda em mármore, estava em reforma, coberta com uns tapumes. A algumas quadras, estava outro lindo e enorme monumento, onde fica o Museu Nacional de La Revolução, que também estava coberto com alguns tapumes, provavelmente em reforma. E o “mão de vaca” aqui não quis pagar entrada para conhecer por dentro... Depois de almoçar, o plano era passear pela agradabilíssima Avenida Paseo de la Reforma em direção ao Bosque de Chapultepec. Paseo de la Reforma é uma avenida com uma calçada muito ampla e arborizada, com muitos jardins, e repleta de prédios luxuosos, lojas e restaurantes. A avenida também é marcada por monumentos e, pelo menos nesse trecho, a cada 3 quadras aproximadamente há uma rotatória com lindas esculturas. Passei por uma bela estátua do penúltimo imperador asteca, Cuitlahuac, que, no episódio do La Noche Triste, expulsou Cortés de Tenochtitlán, mas, depois de 80 dias, morreu de varíola. O monumento mais famoso e bonito é o Angel De La Independencia, um ícone da cidade. Figura VI‑88:Museu Nacional de La Revolução Figura VI‑89: Angel de La Independencia Outra coisa que me chamou atenção foi o trânsito maluco nessas rotatórias. Eu já tinha falado que o trânsito aqui era tão caótico quanto o de São Paulo, mas, nas rotatórias, é muito pior! Na verdade, descobri isso quando eu fui atravessar a avenida para ir até o Angel e vinham carros de todos os lados, quase fui atropelado. Depois eu parei para tentar entender como era o trânsito maluco nessas rotatórias, e fiz uns vídeos para vocês entenderem melhor. Nas rotatórias daqui, os carros podem andar nos dois sentidos: no horário e no anti-horário! É curioso porque a avenida Paseo de La Reforma é uma avenida com duas pistas, carros em dois sentidos, e quando um carro queria virar à esquerda, ele não completava a rotatória no sentido anti-horário e depois virava à direita. Ele já embicava para a esquerda, naquilo que para nós seria a “contramão” da rotatória, e esperava parar de passar carros para prosseguir... É um Deus nos acuda, difícil até explicar, melhor ver nos vídeos 🤣🤣🤣 . Na foto abaixo, não tinha ninguém na contramão: Figura VI‑90: Carros nos dois sentidos das rotatórias Salvei 3 vídeos no canal (Cap VI‑35, Cap VI‑36 e Cap VI‑37) para tentar entender melhor essa confusão.... Do Paseo de La Reforma, segui caminhando em direção ao Bosque Chapultepec, um imenso parque urbano, maior que o Ibirapuera e o Central Park. O local abriga vários monumentos e esculturas, algumas muito bonitas, além de áreas para esportes, espaços verdes para piqueniques e um monte de esquilinhos fofinhos... Também há zonas mais movimentadas, com muitas barraquinhas e camelôs, um lago para o pessoal andar de pedalinho e alguns museus. Talvez a construção mais bonita seja o Castelo de Chapultepec. Atualmente, ele abriga um museu e, para conhecer por dentro, tem que pagar uma entrada que o pão-duro aqui refugou. Na verdade, eu já tinha pesquisado um pouco sobre os milhões de museus e galerias da Cidade do México, parece que muitos deles são bastante interessantes. As entradas não eram tão caras, mas, além da “pão-duragem”, eu só teria tempo de conhecer bem um deles. Por isso, escolhi visitar apenas o que mais me interessava: o Museu Nacional de Antropologia. Esse museu, que também fica no Bosque Chapultepec, possui um belo acervo sobre a história dos povos indígenas pré-colombianos que habitavam o México antes da colonização. A fachada do Museu Nacional de Antropologia é meio modernista, não me chamou a atenção.... Ok, achei feio mesmo 🤣🤣🤣 . Mas, assim que você entra no pátio central, dá de cara com a coluna gigante, que sustenta toda a cobertura do pátio central, e funciona como uma fonte, muito bonita! Figura VI‑91: Coluna no pátio do Museu de Antropologia Achei o museu muito bacana e bem-organizado. Muitas placas explicativas, eu não senti falta de guia, por exemplo. Porém, nesse museu, um bom guia seria mais útil para filtrar as atrações principais do museu, eu não imaginava que fosse tão grande. A primeira parte fala um pouco de antropologia, evolução humana desde os primeiros hominídeos, chegada dos primeiros hominídeos nas Américas etc. Achei pouco interessante, talvez porque tinha pouca novidade, e passei bem rápido para ir direto para parte dos povos mexicanos que me interessavam mais. Logo cheguei à parte dedicada aos Teotihuacanos, povo que habitava a cidade de Teotihuacán, a uns 50 km da Cidade do México. No dia seguinte, eu iria conhecer melhor este sítio arqueológico. Nas primeiras vezes que li sobre as enormes pirâmides de Teotihuacán, imaginava que lá fosse uma cidade asteca, mas depois fui descobrir que, na verdade, os teotihuacanos são bem mais antigos que os astecas, estima-se que a cidade foi fundada lá pelos anos 100 a.C. e durou até, aproximadamente, 750 d.C. Já a civilização asteca é de 1300 d.C., quase seis séculos depois! O mais legal dessa parte é essa grande reprodução da fachada do templo de Quetzalcóatl (deus da serpente emplumada), pintado com as prováveis cores dele no auge da civilização teotihuacana, segundo estudos arqueológicos. Figura VI‑92: Fachada do Templo da Serpente Emplumada No dia seguinte, iria conhecer as ruínas desse templo. Além disso, tinha uma coleção bacana de objetos, artefatos, quadros e imagens, além de várias estátuas. Também gostei de maquete da cidade de Teotihuacán, uma estela maia de Tikal (Guatemala), mostrando a influência teotihuacana lá, e uma reprodução dos esqueletos de sacrifícios humanos achados no Templo de Serpente Emplumada. Muito legal o acervo dos teotihuacanos. A próxima sala era dos Toltecas, outra civilização antiga. Esta eu nunca tinha ouvido falar, e passei um pouco rápido, porque eu queria conhecer mais sobre os astecas. E a primeira coisa que eu aprendi no Museu de Antropologia é que, na verdade, os mexicanos chamam os “astecas” de “mexicas”! Segundo a Wikipedia, “mexica” era a real forma que a maioria dos antigos habitantes do México se referia a si mesmo. O termo asteca significa "povo de Aztlan", aquele lugar mítico da origem para vários grupos étnicos na Mesoamérica. O termo “asteca” é encontrado em diversos contos de migração dos mexicas, que descrevem as diferentes tribos que deixaram Aztlan juntas até acharem a águia pousada sobre um cacto com uma serpente no bico, mas não era o termo usado por eles para referir-se a si mesmo. Alguns pesquisadores dizem que os estrangeiros popularizaram o termo “asteca” para se referir a esse povo para evitar confusão do termo “mexica” com os atuais “mexicanos”. Enfim, demorou um pouco para eu perceber que, na Sala dos Mexicas, eu estava conhecendo a história dos astecas. Continuarei usando o termo “asteca” porque é como estamos acostumados a chamá-los no Brasil, mas o correto seria chamá-los de “mexicas”, segundo o idioma deles. Aliás, o idioma deles, Nahuatl, até hoje é falado por cerca de um milhão de pessoas no México! O museu tem um acervo muito bacana com diversos objetos dos astecas/mexicas, além de uma grande variedade de artefatos, esculturas e estátuas. O destaque do acervo é a Pedra do Sol, com seus 3,6 metros de diâmetro e 1 metro de espessura. Erroneamente confundida como calendário asteca, ela seria um grande altar para sacrifício gladiatorial. Provavelmente foi utilizada para a luta de guerreiros na cerimônia para o deus da guerra asteca Tlacaxipehualitzli. Além disso, tem uma bela maquete de como seria Tenochtitlán, a capital do império asteca que ficava onde hoje é a Cidade do México, conquistada pelos espanhóis. Uma pena que as principais construções dos astecas foram destruídas por Cortés, só sobrou a maquete e um mural gigante para tentar imaginar como era a rica cidade na época. E, no mural, olha quem estava ao fundo de Tenochtitlán: o Popo e o Itza! Figura VI‑93: Pedra do Sol Figura VI‑94: Reprodução de Tenochtitlán O museu é muito legal, mas tinha um detalhe: eu não sabia que fechava às 17h (durante a pandemia)! Eu tinha entrado umas 15h30 e, quando eu acabei de ver a sala dos astecas, o museu já estava fechando! Uma pena, só deu tempo mesmo de conhecer os teotihuacanos, os toltecas, e os astecas. Queria ter visto especialmente a parte dos maias. Mas além dos maias, ainda tinha salas para os oaxacas, povos do ocidente, povos da costa do fogo do México, do norte, e mais um monte de pueblos índios mais recentes, não sei direito. Na escola, quando aprendemos um pouco sobre as civilizações pré-colombianas das Américas, sempre falam dos maias, incas e astecas, eu não fazia a menor ideia de que tinham tantas outras civilizações aqui na região. Felizmente as que eu mais queria eu consegui ver, mas recomendo bem mais tempo para visitar o museu. Feliz o povo mexicano que tem um museu tão bem-organizado contando a rica história das civilizações pré-colombianas que resultaram no México contemporâneo, muito legal! E que pode se orgulhar de todas essas maravilhas expostas no museu, expressão do conhecimento e engenhosidade de seu próprio povo e seus ancestrais, valeu a visita! Era hora de voltar para o hotel, tomar um banho e, à noite, procurar alguma comida típica mexicana. Tem bastante restaurante e comida mexicana no Brasil e no mundo afora, mas dizem que essa comida tex-mex (tacos, nachos, burritos, enchiladas, fajitas, quesadillas,etc) que faz sucesso fora do México é uma adaptação mais ao gosto do gringo. Além da pimenta e do guacamole, eu achava que todas essas comidas seriam bem populares no México, mas, pelo visto, popular aqui mesmo são os tacos. Pesquisei no TripAdvisor algumas recomendações de comida mexicana, não muito caras e próximas ao hotel. E uma das primeiras opções era a Taqueria Los Cocuyos, um lugar bem raiz: muito antigo, sem cadeiras, mesas, wi-fi, você come em pé na calçada apertada mesmo, com os tacos servidos em um pratinho de plástico sem-vergonha e naqueles guardanapos mais duros, espessos e toscos, sabem? Talvez para garantir que o monte de óleo do taco não vai atravessar o guardanapo e queimar a sua mão 🤣🤣🤣 . Mas está sempre cheio de gente! Desde que Antonhy Bourdain comeu aqui e o elegeu como um dos melhores tacos do mundo, o lugar fica lotado de turistas. O bom é que, apesar do sucesso, não “gourmetizaram” o lugar, o preço dos tacos varia de 15 a 25 pesos (0,75-1,23 $USD). Lá tem um panelão cheio de carnes, todas de segunda. Coloquei uma foto do cardápio, vejam que não estamos falando de filé mignon, nem picanha... É cabeza, ojo, Lengua, tripa, tronco de oreja.... Quando comecei a traduzir o que eram aqueles pedaços de carne, achei melhor nem saber mais o que era. Olhei o panelão de carnes e escolhi a que me pareceu melhor (suadero). E peguei outro de linguiça (longaniza). Escolhido o sabor, o cara pega a carne e corta bem picadinha na tábua. Depois ele pega a tortilla (que ele tinha dado uma passada no óleo e na gordura da tábua para pegar mais gosto), coloca o recheio picadinho, mistura com cebola e algum outro tempero, pegando tudo com a mão mesmo, e tá pronto o taco! Aqui não pode ter “nojinho” 🤣🤣🤣 . Salvei um vídeo do cara preparando o Taco no canal (Cap VI‑38). Na foto a seguir, esse monte de pote com molhos laranja, vermelho e verde são pimentas, dizem ser uma mais forte que a outra. Para as pimentas, eu “arreguei”... Figura VI‑95: Taqueria Los Cocuyos Figura VI‑96: Taco “raiz” Figura VI‑97: Reparem nas opções de carnes Apesar da aparência nada apetitosa, e do lugar bem raiz, para não dizer tosco, os tacos de lá são realmente muito bons! Gostei muito, Antonhy Bourdain acertou em cheio. Aliás, no dia seguinte, fui jantar em um restaurante mexicano “normal” na Calle Regina. Pedi umas quesadillas que estavam boas, e mais 2 tacos, um de peru e outro de carne. Os tacos até tinham uma aparência muito boa, mas, quando eu comi...., muito ruins, especialmente se comparados com o taco raiz do Los Cocuyos! E ainda era mais caro, uns 30-35 pesos cada. O de peru estava meio duro e ressecado. A carne do outro até parecia boa, mas sem nenhum tempero. Sabe quando você frita um bife sem nada de alho e sal? Acho que todas aquelas gorduras dão um tempero especial para os tacos “raiz”... Enfim, valeu para ver como o taco raiz era muito bom. Figura VI‑98: Tacos “gourmet”, mas bem meia-boca... Cidade do México: #imperdível Dia 12 -> Teotihuacán e Basílica Era o dia de conhecer o sítio arqueológico de Teotihuacán. Um brasileiro tinha visitado Teotihuacán sem guia e me recomendou um aplicativo gratuito chamado SmartGuide, que oferece um guia audiovisual. Depois do guia mega falante em Tikal, resolvi explorar Teotihuacán sozinho mesmo. Fiz o download do aplicativo, que é muito legal mesmo. Claro, não é melhor do que um bom guia, de vez em quando dava umas travadas, tem um ou outro bug, mas, no geral, achei bem bacana. Existem algumas formas de chegar a Teotihuacán: escolher algum tour direto da Cidade do México, alugar um carro, ou ir de metrô e ônibus rodoviário, sendo essa obviamente a opção mais barata. No México, os ônibus rodoviários para cidades próximas funcionam de forma semelhante aos ônibus urbanos (ao menos os que eu peguei). Eles são baratos, fazem várias paradas no caminho e, às vezes ficam tão lotados que acaba indo um monte de gente em pé. Se for de ônibus, recomendo embarcar no ponto inicial, o Terminal Norte. Meu plano era chegar em Teotihuacán às 9h, quando abrem os portões e dizem ter menos turistas, mas atrasei um pouco, e fui entrar em Teotihuacán por volta das 10h30. De qualquer forma, não achei tão cheio, talvez porque o lugar seja muito grande e, também, não era final de semana. O que eu não sabia é que o ônibus me deixaria no portão 2, que fica no meio de Teotihuacán. O ideal seria ou começar do portão 1, que fica no começo, e seguir até o portão 3, que fica no final. Ou vice-versa. Teotihuacán tem 2 pirâmides principais, a Pirâmide do Sol fica bem no meio do sítio arqueológico, em frente ao portão 2, e a Pirâmide da Lua fica em frente ao portão 3. Esse trecho entre as pirâmides é o que tem as ruínas mais legais. Além disso, a parte da Cidadela e do Templo de Quetzalcóatl também é bem interessante e fica em frente ao portão 1. No idioma dos astecas, Teotihuacán significa “lugar onde humanos se tornam deuses”. Os astecas, que chegaram lá seis séculos depois do fim dos teotihuacanos, acreditaram que aquele lugar era o local do nascimento dos deuses. Ou seja, o nome que é usado hoje foi atribuído pelos astecas, não se sabe que nome os teotihuacanos davam para sua cidade. Na verdade, não se sabe muito sobre os teotihuacanos.... Por 500 anos, entre os séculos 3 e 8 d.C. a cidade de Teotihuacán foi a sede de um poderoso império. Cada fonte que eu pesquisei faz uma estimativa do seu tamanho, algumas dizem que chegou a ter 200 mil habitantes, o que faria dela a maior metrópole de sua época em todo o planeta, outras falam em 125 mil habitantes, nesse caso, seria a sexta maior. Depois de ser destruída, a cidade foi abandonada. Naquela época, não havia qualquer outra civilização próxima capaz de reunir um exército que pudesse ameaçar os teotihuacanos. A maioria dos pesquisadores acredita que ela foi destruída por um conflito interno, provavelmente devido a uma grande seca que gerou uma crise na agricultura. A população ficou sem comida e se revoltou contra os governantes, e este seria o motivo que eles destruíram ou queimaram as casas dos governantes, prédios administrativos e templos religiosos, mas não as casas da população. Os toltecas e os astecas descobriram e exploraram as ruínas de Teotihuacán, e incorporaram diversas de suas tradições e crenças às suas culturas. Quetzalcóatl, a Serpente Emplumada, maior divindade de Teotihuacán, também era e cultuada pelos astecas. Este interesse das civilizações que vieram depois, porém, não impediu que a cidade acabasse caindo no esquecimento e fosse totalmente recoberta pela vegetação nativa e plantações. Hoje, apenas 10% de seu perímetro urbano de Teotihuacán estão escavados e trazidos de volta à luz. Quando eu entrei em Teotihuacán pelo portão 2, logo dei de cara com a grande Pirâmide do Sol, o “monumento” mais impressionante do sítio arqueológico. Com 65 m de altura, e 225 m na base, só perde em tamanho para as pirâmides do Egito (a maior delas, Quéops, tem cerca de 140 m de altura e 230 m de base). O nome Pirâmide do Sol foi dado porque, quando os astecas “descobriram” a cidade de Teotihuacán, acreditaram que ela, pela sua posição, foi construída para cultuar o sol, que era considerado um deus. Ela fica na direção que nasce o sol, ao leste da avenida principal, Avenida de Los Muertos. Aliás, essa avenida também recebeu esse nome dos astecas erroneamente, pois imaginaram que as pirâmides ao redor dela eram túmulos. Quanto à Pirâmide do Sol, a interpretação mais aceita atualmente diz que ela foi construída pelos teotihuacanos para cultuar Tlaloc, deus da chuva/água, associado à fertilidade da terra e à abundância das colheitas. Representaria um monte sagrado de onde descem as águas e as riquezas. A principal evidência encontrada que ancora essa interpretação é, entre outras, a existência de um fosso de 3 metros de profundidade que circunda a base da pirâmide, dando um significado de montanha das águas. Além disso, corpos de crianças encontrados nos cantos da pirâmide seriam uma indicação de oferendas a Tlaloc. As cavernas encontradas abaixo da pirâmide também têm dois significados para os povos pré-colombianos: simbolizavam tanto a vida quanto a morte. De um lado, representavam a relação com Tlaloc, aquele que dá vida; de outro, serviam como entradas para o mundo dos mortos. No topo das pirâmides, assim como nas pirâmides maias, ficavam os templos e altares onde eram realizadas as cerimônias religiosas e os rituais com sacrifícios humanos. Em Tikal, dava para ver melhor as ruínas dos templos no topo de algumas pirâmides, mas, em Teotihuacán, restaram apenas as pirâmides “bases”. Historiadores acreditam que os templos foram destruídos no conflito interno que levou ao fim de Teotihuacán. Quando eu cheguei, ela estava bem frente para o sol (como sabiam os astecas!). Contra a luz, as fotos não ficaram lá essas coisas. Figura VI‑99: Pirâmide do Sol Ao lado da pirâmide, tem o museu de Teotihuacán, mas acabei não conhecendo. É praticamente o único lugar com sombra para quem quiser dar uma parada para descansar um pouco... Eu tinha acabado de chegar, voltei para a Avenida de los Muertos e caminhei até a Pirâmide de Lua. Dizem que, antes, a Avenida de los Muertos tinha 5 km, mas hoje restaram 2km no complexo. E é toda cercada de ruínas. A parte entre as pirâmides é a mais legal da avenida, cheia de construções que deveriam ser da elite dos teotihuacanos. Nesse trecho, além das casas, se destaca o mural Puma, um mural colorido que sobreviveu aos 1500 anos de abandono, e o Templo de Agricultura, onde também foram encontrados murais. Logo cheguei a grande Praça da Lua, que os historiadores acreditam ter sido o centro dos rituais políticos e religiosos de Teotihuacán. Muito bonitas as construções ao seu redor. Acreditam que o altar no centro da praça era para rituais de dança. Com 45 m de altura e 140 m x 150 m de base, a Pirâmide da Lua está no final da Avenida dos Mortos e foi construída em “camadas”, como o Templo Mayor (na Cidade do México) e a maioria das grandes construções pré-colombianas. Aliás, a exceção mais notável é a Pirâmide do Sol, construída de uma vez só. Dentro da Pirâmide da Lua, foram encontradas enterradas oferendas aos deuses, incluindo animais e humanos, indicando que aqui ocorriam rituais com sacrifício humano. Alguns decapitados, outros com as mãos amarradas às costas, outros com muitas joias, características similares aos corpos encontrados no Templo de Quetzalcóatl (Serpente Emplumada). Figura VI‑100: Avenida de Los Muertos e Pirâmide da Lua Figura VI‑101: Pirâmide da Lua Dizem que é do alto da escadaria da Pirâmide da Lua que se tem a vista mais impressionante de Teotihuacán, mas, infelizmente, estava proibido subir em todas as pirâmides (aparentemente proibiram durante a pandemia e desde então continuava assim). Até pensei em voar o drone para ter uma visão aérea. Não tinha nenhuma sinalização a respeito, mas perguntei para um guia perdido se poderia usar drone, ele disse que era proibido. Sei lá se era verdade, mas também não tinha nenhum funcionário por perto para perguntar, e como não tinha mais ninguém usando, achei melhor não arriscar... Uma pena, fiquei sem vista aérea. Ao lado da Pirâmide da Lua, em direção ao portão 3, tinha alguns espaços fechados também, desde a pandemia. Os mais famosos são o Palácio dos Jaguares e o Palácio de Quetzalpapalotl, esse último foi restaurado pelo pessoal do Museu de Antropologia e está com cores originais. Também tem um templo das conchas e um museu de murais, mas não pude conhecer de perto nada disso porque estava fechado desde a pandemia. O ideal seria terminar ou começar o passeio por aqui, mas como o busão me deixou no portão 2, agora era hora de atravessar toda Teotihuacán até o portão 1, sob um sol de rachar, já que quase não há sombras em todo o sítio arqueológico. Chegando próximo ao portão 1, depois da bela caminhada, cheguei à Cidadela. Acredita-se que esse local era o centro administrativo de Teotihuacán. Embora hoje esteja situado em uma extremidade do sítio arqueológico, acredita-se que aqui se localizava fisicamente o centro da antiga cidade. A praça tem dimensões imensas, aqui também ficaria o principal mercado da cidade, onde a maior parte do comércio acontecia. No centro da praça, tinha um palco supostamente para celebrações. A construção mais interessante é o Templo de Quetzalcóatl, a Serpente Emplumada, a divindade maior dos teotihuacanos, incorporada por outras comunidades pré-colombianas. Os astecas também chamavam de Quetzalcóatl, e os maias de Kukulcán. A Serpente Emplumada é como um deus universal que criou tudo, o primeiro humano, a primeira mulher, ensinou os homens a plantarem etc. O Templo de Quetzalcóatl fica a leste da Cidadela e atrás de outra pirâmide. Não se sabe ao certo por que construíram essa pirâmide bem em frente a templo, obstruindo sua visão. Se a subida ao topo dessa pirâmide também não tivesse sido proibida desde a pandemia, ela ofereceria uma bela vista para o templo. As pirâmides dessa parte não são tão altas quanto as da lua e do sol, mas o Templo da Serpente emplumada é o que tem a fachada mais adornada. Aquela mesma fachada que tem a reprodução colorida no Museu de Antropologia na CDMX. Chama atenção pelos detalhes, muito legais as imagens das serpentes emplumadas e essa outra forma diferente, quadriculada, com dois olhos e um queixão que eu não sei direito que bicho é, 🤣🤣🤣 . Segundo o texto explicativo, alguns historiadores acreditam que pode ser o Tlaloc, o deus das chuvas, mas existem outros que defendem ser um grande cocar (headdress). Figura VI‑102: Pirâmide e Templo de Quetzalcóatl Figura VI‑103: Templo de Quetzalcóatl Figura VI‑104: Serpente emplumada, e Tlaloc ou um grande colar Foram encontrados mais de 100 esqueletos abaixo e ao redor do Templo de Quetzalcóatl. Pesquisadores acreditam que foram rituais de sacrifícios humanos devido à posição encontrada dos corpos, de joelhos e com mãos amarradas às costas. Muitos foram encontrados com esposa, armas, parte de animais, joias e diversas oferendas. Os teotihuacanos acreditavam que quem passasse por esses rituais de sacrifício teriam a alma enviada direto para a casa do Sol (sagrado) e que logo retornaria a terra como uma ave de linda plumagem. Para os teotihuacanos, e para grande parte das civilizações pré-colombianas, morrer sacrificado era um privilégio! Como acabei não indo nos museus e palácios, e como não podia subir nas pirâmides, acabei passando “só” umas duas horas por lá. Para voltar para a Cidade do México, basta esperar o ônibus que passa de 30 em 30 minutos em uma das rotatórias em frente ao portão, que, aliás, já estava bem cheio e fui em pé com a galera mesmo. Uma boa opção de passeio é combinar Teotihuacán com a Basílica de Guadalupe, que também fica ao norte da Cidade do México. Eu me informei com o motorista e desci em uma estação de metrô antes do ponto final do ônibus, que era bem mais perto e tinha menos baldeações até o metrô da Basílica de Guadalupe. Basílica de Guadalupe O Santuário de Nossa Senhora de Guadalupe é o segundo santuário católico mais visitado no mundo, perdendo somente para a Basílica de São Pedro (no Vaticano). Foi construída em homenagem à Nossa Senhora de Guadalupe, padroeira da América Latina e, na verdade, é um complexo que contém duas basílicas, várias igrejas, capelas e um museu. A basílica antiga começou a ser construída em 1531 e foi concluída em 1709. Lembrando que a Cidade do México foi construída sobre um terreno bem lamacento, após o aterramento do Lago Texcoco, e várias construções antigas estão afundando, mas a basílica antiga talvez seja a construção que o afundamento chama mais atenção, impressionante como as paredes e torres estão inclinadas e tortas! Não pude conhecer o interior da basílica antiga, só abre em alguns horários que tem missa. Já a nova e moderna basílica foi construída na década 1970. Dizem que a sua cobertura foi desenhada com esse formato simbolizando o manto onde foi encontrada a imagem da Guadalupe. Olha que legal a simbologia: quem está ali embaixo está protegido sob o manto da Nossa Senhora de Guadalupe! Figura VI‑105: Basílica nova e basílica antiga Figura VI‑106: Formato da cobertura para simbolizar o manto Figura VI‑107: Basílica antiga muito inclinada Salvei um vídeo da praça em frente às basílicas (Cap VI‑39) no canal. A história da padroeira Nossa Senhora de Guadalupe é bem interessante. De acordo com relatos, a sua primeira aparição foi em 9 de dezembro de 1531, no morro Tepeyac, para um camponês asteca chamado Juan Diego. Falando com o camponês na língua nativa (Nahuatl), a senhora se identificou como sendo a Virgem Maria, “mãe do verdadeiro Deus”, e pediu para que uma igreja fosse construída naquele local. Juan, então, procurou o arcebispo da Cidade do México para lhe contar essa história. O arcebispo não deu muito crédito a ele, mas, quando ele voltou ao morro Tepeyac, a virgem apareceu novamente (segunda aparição) e pediu a ele para continuar insistindo. No dia seguinte, Juan conversou de novo com o arcebispo, que, dessa vez, pediu para Juan Diego retornar com uma prova da existência da virgem. No mesmo dia, a terceira aparição aconteceu quando Juan voltava para o Tepeyac, e ele a informou sobre o pedido do arcebispo. Ela, então, falou para Juan retornar no dia seguinte que ela iria fornecer para ele uma prova! Mas, no dia 11 de dezembro, o tio de Juan Diego ficou doente, e ele teve que cuidar do tio e não pode ir ao encontro da virgem. No dia seguinte, Juan teve que buscar um padre em Tlatelolco às pressas para fazer a unção dos enfermos para o tio doente. O morro Tepeyac ficava no caminho de Juan para Tlatelolco, mas, envergonhado por não ter ido encontrar a virgem no dia anterior, Juan pegou outro caminho. Mesmo assim, a virgem o interceptou no meio do caminho (foi a quarta aparição). Ele explicou o que tinha acontecido, a virgem o repreendeu suavemente por ele não ter ido se encontrar com ela, mas então tranquilizou Juan Diego, garantiu que o seu tio estava curado e lhe disse para subir o morro Tepeyac e colher flores no seu cume. Era uma montanha com solo estéril, especialmente em dezembro (inverno), então encontrar essas flores no cume nessa época iria convencer o arcebispo que houve um milagre. Juan seguiu as instruções e encontrou rosas florescendo lá. Ele pegou as flores e as enrolou em um manto que ele tinha. Quando Juan chegou ao palácio do arcebispo e abriu o manto diante dele, as flores caíram no chão. Mesmo vendo as flores da montanha estéril, o arcebispo ainda não estava 100% convencido, mas, quando eles olharam esse tecido, milagrosamente estava desenhada a imagem de virgem de Guadalupe! Aí, sim, ele se convenceu. E esse é o manto sagrado que hoje pode ser visto na basílica. No dia seguinte, Juan Diego encontrou o tio totalmente recuperado. O tio relatou que também tinha visto a virgem (quinta aparição), e ela havia dito a ele para informar ao arcebispo sobre a sua aparição e cura milagrosa, e teria dito que desejava ser chamada de Guadalupe. Em 26 de dezembro de 1531, foi realizada uma procissão para levar o manto até o morro Tepeyac e construíram uma capelinha onde o manto ficou guardado. Desde então o manto tornou-se o símbolo religioso mais popular do México, e foram construindo igrejas maiores, e maiores, até a basílica de hoje! Voltando a minha visita...., na parte lateral da basílica, tem um acesso onde todos podem ver o manto. Me lembrou um pouco com o acesso da Basílica de Aparecida para ver a imagem da santa. Bem bonita a basílica. Figura VI‑108: Manto com Nossa Senhora de Guadalupe Na saída da basílica, tem uma bonita estátua do Papa João Paulo II. Na frente da praça principal, ainda tem uma torre dos sinos cheia de coisas, com um relógio normal, um relógio solar, e uma réplica da Pedra do Sol asteca. Ao lado da Basílica, fica o morro Tepeyac, onde aconteceram as aparições. Eu quase não fui lá por preguiça de subir as escadas, mas valeu a pena dar uma volta. No complexo do santuário, tem duas estátuas representando Juan entregando o manto para o arcebispo, um parque com fontes decoradas com as serpentes emplumadas, uma capela onde Juan encontrou as flores, igreja da fonte que acreditavam ser milagrosa (pocito) e o local onde construíram a primeira capela. Mas o que eu mais gostei foi a vista do alto do morro, o skyline com os modernos edifícios da Cidade do México contrastando com as cúpulas das basílicas novas e antigas de Guadalupe. Figura VI‑109: Basílicas e o skyline da CDMX Figura VI‑110: Cúpulas e arranha-céus Figura VI‑111: Juan entregando manto para o arcebispo Nessa viagem, eu aprendi bastante sobre sincretismo religioso entre os povos pré-colombianos e colonizadores católicos. E parece que a história da virgem de Guadalupe também tem fortes traços de sincretismo religioso. Muito antes da conquista dos espanhóis, no mesmo morro Tepeyac, havia um templo sagrado para os astecas, o templo da deusa mãe Tonantzin (mãe de todos os deuses). Assim como outros templos religiosos astecas, este templo foi destruído pelos espanhóis que construíram no local uma capela dedicada à Virgem Maria. Os astecas nativos continuavam a vir de longe para venerá-la, chamando-a de Virgem Maria de Tonantzin. Ou seja, muito antes das aparições da virgem para Juan, este local já era sagrado para os astecas. Além disso, a virgem apareceu falando a língua asteca (nahuatl). A própria imagem da virgem tem traços indígenas, e não europeus, está usando joias astecas e um lenço que as indígenas usavam quando grávidas. Dizem que a perna esquerda levemente à frente na imagem da santa seria a forma como os indígenas realizavam seus cultos. Alguns acreditam que, na verdade, o nome da virgem era um nome asteca “captlaxopeuh”, mas que o arcebispo tenha “espanholizado” para Guadalupe. Enfim, parece que houve mais um caso bacana de mistura de crenças e sincretismo religioso. Muito legal a visita para o santuário de Guadalupe. À noite, fui jantar na Calle Regina. Depois da janta, criei coragem e fui até o Zócalo só com o celular mesmo. A Cidade do México, especialmente nos lugares mais movimentados, me pareceu seguro, mesmo no centro. Mas a gente sabe como são as coisas nas grandes cidades brasileiras: à noite, ou em lugares mais vazios, turistando sozinho, é bom não bobear. E da Calle Regina até o Zócalo tinha alguns lugares mais vazios. De qualquer forma, valeu a pena o passeio, os prédios coloniais ao redor do Zócalo tinham uma bela iluminação noturna! A exceção foi a catedral, que não tinha iluminação nenhuma. Reparem no vídeo (Cap VI‑40) que eu salvei no canal, os prédios todos iluminados, e a catedral toda escura. Figura VI‑112: Prédio bonito no Zócalo Teotihuacán: #imperdível Basílica de Guadalupe: #imperdível Dia 13 -> Popocatepetl E finalmente tinha chegado o dia de conhecer o vulcão mais ativo da América do Norte continental, o Popocatépetl, ou Popo, para os mais íntimos... O Popo e o seu “vulcão irmão”, Iztaccihuatl (Itza), ficam no Parque Nacional de Itza-Popo, o segundo mais antigo do México, criado em 1935. A cadeia montanhosa que abriga os pontos mais altos do México é chamada La Sierra Nevada. Iztaccihuatl é a terceira montanha mais alta do México (5225 m), e o Popocatépetl (5452 m), a segunda. A montanha mais alta do México é o Pico de Orizaba, que também fica lá perto, com 5636 m. O Popo e o Itza ficam no Parque Nacional de Itza-Popo, o segundo mais antigo do México, criando em 1935. A entrada principal do parque fica no Paso de Cortés, que recebeu este nome por causa dele mesmo, o conquistador espanhol Hernan Cortés. Guiado por Tlaxcaltecas, ele atravessou por esse passe entre o Itza e o Popo, saindo de Cholula, rumo a Tenochtitlán (CDMX) em 1519. Aliás, na rotatória bem na entrada do parque, tem um monumento no formato de quadro simbolizando Cortés, seu exército e alguns indígenas atravessando o paso. O monumento é bem feinho, mas ele é provavelmente o único momento em todo o México dedicado ao odiado “não tão bem-quisto” Hernan Cortés! Quando perguntei para um guia a origem desses nomes malucos de vulcões, ele me explicou que Popocatépetl, em nahuatl, significa “montanha que fuma”, e Iztaccihuatl “mulher deitada”. Eu achei interessante, mas faltavam detalhes interessantes. Mais tarde, encontrei a história completa em alguns blogs (Ref. 36 e Ref. 37). Durante o reinado dos astecas no Vale do México, foi imposto um sistema de impostos severo e punitivo às civilizações vizinhas. Essa cobrança era uma grande fonte de riqueza e trabalho para a capital Tenochtitlán, mas o descontentamento foi um dos fatores que posteriormente levaram à destruição do Império Asteca por Hernan Cortés, já que os Tlaxcaltecas e outras civilizações vizinhas se aliaram a Hernan Cortés. Muito antes dos espanhóis chegarem, o governante local dos Tlaxcaltecas decidiu ir à guerra contra os astecas. Ele tinha uma linda filha, chamada Iztaccihuatl, que havia se apaixonado pelo guerreiro mais destemido da tribo, chamado Popocatépetl, que também se apaixonou por ela. Para permitir esse casamento, o chefe local impôs uma condição: ele enviou o valente guerreiro para a batalha, e ele deveria retornar com a cabeça do inimigo em mãos para, aí, sim, poder casar-se com sua filha. Destemido, Popocatépetl partiu para sua missão, mas outro guerreiro chamado Citlaltepetl, também apaixonado pela princesa e invejoso de Popocatépetl, resolveu voltar antes que a batalha terminasse, dizendo que o destemido Popocatepetl havia sido morto na luta! A bela princesa não resistiu à dor de perder o seu amado e acabou morrendo de desgosto. Alguns dias depois, chegava da batalha Popocatépetl, alegre e saltitante, com a cabeça do inimigo em mãos, pronto para receber seu prêmio e casar-se com sua amada. Ao descobri-la morta, não se conformou. Levou o corpo sem vida da princesa para uma região no campo, deitou-a no solo e ajoelhou-se ao seu lado, prometendo não mais sair daí para todo o sempre. Comovidos com a história, os deuses interviram. Transformaram os dois amantes em enormes montanhas que ficariam, para sempre, lado a lado! Iztaccihuatl tem a forma de uma mulher deitada, vestida de branco, dormindo pacificamente. Popocatépetl, ou “montanha fumegante”, é o vulcão ao seu lado, nervoso e inquieto, pronto para sempre proteger a sua amada. Dizem que o Popocatepetl entra em erupção ocasionalmente porque a dor dele ainda queima profundamente dentro do coração dele. E o guerreiro invejoso que causou essa tragédia? Não, os deuses não se esqueceram dele! Também foi transformado em uma montanha, a mais alta do México, Pico Orizaba, para que, de longe, pudesse ver os dois amantes juntos, unidos para sempre. O Pico Orizaba tinha que ficar mais longe, pois foi condenado à solidão eterna, mas não tão longe para que ainda pudesse ver os amantes juntos para sempre. Muito legal, né? Quase um Romeu e Julieta das civilizações pré-colombianas! Negaram seu amor enquanto viviam, mas foram destinados a passarem a eternidade juntos. Itza e Popo são um símbolo de amor eterno, transformados nos dois vulcões que formam esse lindo cenário de fundo para a Cidade do México. Impossível não se apaixonar pela história das civilizações pré-colombianos, até as lendas dos vulcões são fantásticas!!! A cidade-base para conhecer o parque nacional Itza Popo é Amecameca, que fica 60 km (~1h) da Cidade do México. O Paso Cortés ligava Amecameca até Cholula, mas apenas o trecho até Amecameca é asfaltado (30 min, 26 km). Do Paso Cortés para Cholula e Puebla, a estrada está ruim e não tem transporte público até lá. O único tour que achei para o Paso Cortés era um bate-volta da Cidade do México. Mas esse tour é mais para fazer o começo trekking para o Itza, começando na base do Itza (La Joya, a 4200m) e subindo até onde o grupo aguentar (máximo 4800 metros). Parecia uma boa opção, mas, para o meu objetivo principal que era ver o Popo, ele tinha dois problemas. Eu não sabia se esse tour parava em um bom lugar para ver o Popo, e, com certeza, eu não poderia vê-lo à noite, que é quando a magia acontece! Eu tinha muita pouca informação sobre a atividade do Popo. Só sabia que tinham erupções estrombolianas e que não eram várias por hora (como o Fuego e Monte Yasur). Não sabia se teria erupções com lava visível à noite, mas, na dúvida, eu queria me programar para ter essa chance. Descobri que até daria para ir ao Parque Nacional Itza-Popo de carro alugado. Mas até La Joya, aparentemente desde a pandemia, precisava de uma autorização. Muito difícil conseguir informações do Parque Nacional, horários, mapas, controles de acesso. Só quando achei agências de turismo local de Amecameca, consegui alguma informação. Um guia de Amecameca (que contactei pelo grupo de guias locais no Facebook) me ofereceu um tour no Parque Nacional, incluindo transporte de Amecameca, trekking de umas duas horas, mais uma hora tirando fotos do Popo por ~45 $USD. Achei o preço justo e, o melhor, eu poderia escolher o horário, manhã ou tarde. Normalmente, de manhã, o céu está mais claro, mas como eu queria ver o Popo à noite, marquei com ele no meio da tarde, apesar do risco maior das nuvens cobrir o vulcão. Foi legal que o guia me forneceu todas as informações de como chegar em Amecameca de busão, horários etc., ficou mais fácil planejar meu passeio. O último ônibus de Amecameca até Cidade do México saía por volta 21h, o que me permitia fazer o passeio à tarde e ainda voltar para Cidade do México no mesmo dia. Eu acordei não muito cedo e fui de metrô ao Terminal Rodoviário do Sul. Umas dez e pouco estava embarcando no micro-ônibus para Amecameca. Mais um dia lindo e, na estrada, finalmente apareceram os tão esperados vulcões, e com um lindo céu azulzinho! Como o meu passeio para o Parque Nacional Itza Popo era às 14h, eu teria algumas horas para conhecer a cidade de Amecameca e procurar algum ponto para tirar uma foto bacana dos vulcões. O único lugar que consegui algumas fotos foi da pracinha principal do centro, mas, ainda assim, meio encoberto por fios e construções. Caminhei por várias quadras tentando encontrar algum ponto mais aberto, mas tinha casas e fios atrapalhando a vista/foto por todo lado. Como eu também não queria ficar pegando táxi ou tuk-tuk para ir até algum local aberto mais afastado do centro, desencanei. O jeito era torcer para conseguir umas boas vistas do parque nacional mesmo. Só que, conforme o esperado, à medida que ia entardecendo, algumas poucas nuvens apareciam, cobrindo justamente o topo das montanhas. Será que ia “dar ruim” e tudo estaria encoberto quando eu chegasse ao parque? Figura VI‑113: Itza e Popo, vista da estrada Figura VI‑114: Popo, visto do centro de Amecameca Apesar do parque nacional nas cercanias, a cidade de Amecameca me pareceu pouco turística, imagino que a maior parte das pessoas que vem visitar o parque faz bate e volta da Cidade do México e não fique por aqui. O mais legal em Amecameca foi conhecer o centrinho típico de uma cidade pequena mexicana, especialmente o comércio. Lá não vi praticamente nenhum turista... O mercado em si já era bem grande e lotado de barraquinhas, mas, em frente ao mercado e à igreja, eles formaram mais umas quatro grandes fileiras adicionais de barraquinhas! E tinha mais barraquinhas contornando quase toda a praça, vendendo tudo que é tranqueira que você possa imaginar, comidas (cruas ou prontas), roupas, panelas, brinquedos, livros. Impressionante a quantidade de barraquinhas. Segundo o meu guia, o último prefeito deu uma organizada, demarcou e enfileirou todas as barraquinhas da praça. Segundo ele, antes era muito mais bagunçado, difícil imaginar como isso seria possível 🤣🤣🤣 ! Salvei no canal dois vídeos (Cap VI‑41 e Cap VI‑42) de eu me perdendo no labirinto das barraquinhas. O guia me indicou um restaurante para almoçar, pareceu bem bacana, mas escolhi um bife à milanesa com batata frita que veio nadando no óleo! Depois vou falar mais a esse respeito, mas agora era hora de encontrar o guia e partir rumo ao Parque Nacional Popo e Itza! O guia era nascido em Amecameca, e conhecia muito sobre o parque e o vulcão. A atividade eruptiva do Popo começou em 1994. Com o aumento da atividade, o governo mexicano fechou o acesso à montanha preventivamente em 2000. O guia já tinha subido o Popo várias vezes antes do acesso ficar proibido. Pelo que ele explicou, existiam duas rotas para atingir o cume. Uma mais fácil, na face virada para a cidade Puebla, por onde a maioria costumava subir, mas era esse o lado que costumava ter mais fragmentos de erupções, gases, pedras e fluxos piroclásticos, e já ocorreram fatalidades de escaladores surpreendidos por um fluxo piroclástico. A via pelo outro lado é mais exposta e inclinada, mas, se tiver alguma atividade vulcânica, deve estar mais protegida... Muitos vulcões têm essa característica, geralmente os pontos com acesso mais fácil para escalar são por onde vão os gases e fluxos piroclásticos. Eu já sabia que atualmente o acesso ao Popo está todo fechado, mas não sabia até quão perto eu poderia ir. Quando chegamos na entrada do Parque Nacional Itza-Popo, no Paso de Cortés, fiquei bastante decepcionado ao saber que aquele era o ponto mais próximo ao Popo com acesso liberado. Fiquei pensando “Ué, só isso”.... Essa entrada do parque ficava a uns 5 km do albergue que antigamente servia de base para a subida do Popo (Albergue Tlamacas) e era o último local que se chegava de carro, ficava longe para caramba. E, para piorar a minha frustração, à tarde tinha aumentado a quantidade de nuvens cobrindo o topo dos vulcões. Figura VI‑115: Popo, visto da entrada do Parque Nacional Além disso, o roteiro acabou ficando meio mal combinado entre eu e o guia. Na minha cabeça, a gente ia tirar umas fotos do Popo, depois faria o trekking subindo um pouco do Itza a partir do La Joya (que fica a uns 7 km da entrada do parque). E depois voltaria para tirar fotos à noite do Popo. Depois da frustração inicial por ficar tão longe do Popo, eu pensei: “ok, agora vamos para La Joya fazer o trekking no Itza, certo?” Só que não.... Ele explicou que, aos sábados, só podia ir até La Joya com reserva, e ele não tinha feito reserva para nós. Acho que ele não fez por mal, foi uma falha na nossa comunicação em “portunhol”. Provavelmente ele não entendeu que eu queria fazer uma caminhada no Itza e achou que eu queria caminhar apenas na entrada do parque. Acabamos fazendo uma caminhada de umas duas horas nas trilhas de lá mesmo, entre 3600 e 3800 metros de altitude, que não foi bem o trekking a 4200 metros no Itza que eu havia imaginado. Figura VI‑116: Caminhada próxima à entrada do parque Mas aí o guia me disse que ele costumava ajudar os guardas do parque nacional com eventuais resgates e que tinha uma amiga policial que era chefe por lá. Ela não estava no parque naquele dia, mas ele ligou para ela e pediu permissão para me levar até o Albergue Tlamacas, antiga base para a subida do Popo, atualmente fechado e com acesso proibido. Ele contou toda uma historinha para delegada, deu uma valorizada, disse que estava com um turista brasileiro que nunca tinha visto um vulcão na vida e tinha vindo para o México só para isso (essa segunda parte era verdade 🤣), e conseguimos a autorização! De volta à entrada do parque, encontramos dois policiais gente fina que nos levaram de viatura pelos ~5km de estradinha de terra até o Albergue Tlamacas. Esse, sim, ficava bem mais perto da base do vulcão, muito bacana! Era proibido usar drone no parque nacional, mas os policiais me deixaram subir o drone. Não arrisquei muito, porque o vento estava forte e o drone avisava o tempo todo que eu não deveria passar de 4.000 metros... Fiquei com medo de perder o drone novo. Ainda assim, deu para fazer umas imagens bacanas. E, para melhorar, mais no final da tarde, aquelas nuvens que cobriam o topo dos vulcões desapareceram completamente. Foi um belíssimo final de tarde. Figura VI‑117: Popo, do Albergue Tlamacas Figura VI‑118: Agora, sim, bem mais perto Figura VI‑119: Itza, vista do Paso Cortés Salvei 3 vídeos do Popo no canal (Cap VI‑43, Cap VI‑44 e Cap VI‑45). Ficamos um tempão com a polícia lá na base do Popo e, quando deu 17h, voltamos. Nesse dia eu acabei entendendo melhor a atividade do Popo. Ele estava emitindo muitas fumarolas que me pareciam vapor d'água, brancas, parecido com as nuvens (reparem nas fotos e no vídeo Cap VI-44). E, segundo o guia, a maior parte era vapor d’água mesmo. Olhando de longe não dava para distinguir direito o que é nuvem e o que é atividade vulcânica. Quando tem erupções estrombolianas, aí, sim, a fumaça é cinza-escuro, bem diferente. Mas as erupções estrombolianas são pouco frequentes no Popo, se comparado a Fuego e Monte Yasur. Acompanhando uma página que costuma noticiar erupções (Ref. 4), depois de um longo tempo sem atividade, dia 17 de fevereiro de 2022. pela manhã (dois dias antes), o Popo teve uma erupção estromboliana e, pelo mesmo site, a próxima erupção noticiada foi 29 de março, um mês e meio depois. Ou seja, eu teria que ter muita sorte para pegar uma erupção bem nas 3h que eu estaria por lá. E mais sorte ainda para ela acontecer de noite, quando daria para ver a lava vermelha incandescente e não apenas a fumaça cinza! Nesse dia, o Popo estava bastante ativo, emitindo bastante vapor, mas nem sinal da lava que à noite ficaria vermelho incandescente. Lembrando que eu tinha escolhido ir à tarde justamente porque queria tentar ver ele à noite, tinha levado tripé, umas roupas de frio extras.... Mas depois que eu percebi que à noite não daria para ver nada de lava, resolvemos ir embora antes de escurecer porque eu ainda tinha um longo caminho até a Cidade do México. Na descida, ainda fizemos uma última parada para registrar um belo pôr do sol, que parecia que ia se pôr atrás de um vulcão, mas encontrou uma nuvem antes.... Figura VI‑120: Pôr do sol no Vale do México No final, o passeio valeu a pena, e acabou dando certo ter ido com o guia, que era bem gente fina. Não tinha lava, é verdade. Mas pegamos um final de tarde lindo, conseguimos ir até a base do vulcão, e pelo menos o Popo estava emitindo bastante fumarola. Seria frustrante, por exemplo, se eu alugasse um carro para ir até o parque e acabar vendo o Popo só lá da entrada.... No parque, também não vi trilhas mapeadas para mirantes ou vistas interessantes. E não tinha muita vista para o Popo. A principal trilha é a da La Joya, para o cume do Itza, bem longe do Popo. Acho que o parque atrai mais o pessoal que gosta de praticar caminhada ou corridas a quase 4.000 metros. Quando eu fui, o parque estava relativamente cheio, e vi muitos mexicanos caminhando e correndo pelas trilhas. Poucos países no mundo você tem parques onde pode-se fazer uma corridinha de final de semana a quase 4000 metros. Popocatépetl: #imperdível Comparação Popo, Villarrica e Cotopaxi (obs: retirei daqui, esse trecho não faz sentido nesse post/contexto, melhor ver no livro completo...) Dia 14 -> Cidade do México -> São Paulo Meu voo de retorno para o Brasil estava marcado para 17h. Teoricamente, pela manhã, daria tempo de fazer o exame obrigatório de covid e ainda fazer mais algum passeio na CDMX. Eu tinha pensado em conhecer um local onde reconstruíram a Vila do Chaves, ou o belo prédio do Museu Soumaya, ou Coyoacan ou ainda Tlatelolco. No entanto, à noite, descobri que (provavelmente) aquele almoço oleoso em Amecameca me deu um baita revertério! Vomitei, fiquei com “piriri” e passei a noite toda no trono.... Achei que iria melhorar quando acordar, mas que nada... Não conseguia comer nada: nem pão, bolacha, café ou leite. Tomei até um remédio que tinha levado para dor de barriga, mas não melhorei nada. Sem comer, sem dormir direito, fiquei zoado o dia inteiro, sobrevivendo à base de Gatorade. Não tinha forças nem para carregar uma mochila e uma malinha de mão de transporte público, inclusive tomei um tombão descendo a escada do metrô! A primeira refeição que eu consegui comer algo foi a jantinha do avião, mas veja pelo lado positivo, ainda bem que esse revertério foi só no último dia, não estragou a viagem. Dois dias depois, eu já estava pronto para a próxima e programando a viagem seguinte em busca do próximo vulcão ativo! O que eu acertei e o que eu faria diferente Acho 14 dias pouquíssimo tempo para conhecer o Panamá, a Guatemala e o México, mas ainda assim consegui ver coisa para caramba. Apesar de cansativa, foi muito legal a viagem. Conheci muitas culturas interessantes, natureza espetacular, e alguns dos vulcões mais incríveis do mundo! Claro que eu adoraria conhecer outros países da América Central, o pior foi não ter tido tempo para ir para San Blas (arquipélago no Panamá) com o stopover gratuito da Copa Airlines. Além das belezas do Mar do Caribe, queria conhecer um pouco mais da cultura dos nativos Kunas. Fica para próxima, nessa viagem tive que me contentar só com um day tour na Cidade do Panamá mesmo, e gostei de conhecer a Cidade do Panamá e, principalmente, o Casco Antiguo. Um dos meus objetivos nessa viagem era conhecer mais de perto a cultura e a “vida real” dos mexicanos. Dez anos atrás, passei uns dez dias em Playa del Carmen (próximo a Cancun), e tirando as ruínas maias, tudo naquela região é muito turístico, acabei não tendo tanto contato com a cultura mexicana. Só com a culinária, vai... Desta vez, foi muito legal conhecer mais de perto a cultura e a vida real dos mexicanos. Para mim, é o povo mais parecido com o brasileiro, muito amigável e receptivo, e que pode se orgulhar da riquíssima história de suas civilizações pré-colombianas. Muitos turistas optam por assistir a um show de Lucha Livre, aquelas lutas de mentirinha com performances artísticas que são muito populares por lá, ou fazem passeios pelos canais de Xochimilco em barquinhos coloridos (trajineras) com mariachis tocando música. Essas atrações não me atraíram tanto... Havia, no entanto, outras que eu gostaria de conhecer, como um outro caso de sincretismo religioso: Santa Muerte. O mais curioso são as imagens da Santa Muerte, geralmente representada como uma caveira vestida de santo. Aparentemente, seus praticantes não são muito bem-vistos no México (quem quiser mais informação, recomendo o vídeo no canal Mundo Sem Fim, Ref. 35). Infelizmente, também não pude conhecer a Vila do Chaves, o belo prédio do Museu Soumaya, Coyoacan e as ruínas de Tlatelolco, além de Puebla e San Miguel Allende, que ficam nas proximidades da capital. E o México ainda tem regiões mais distantes que parecem ser muito legais como Chiapas, Oaxaca, Baja California, a Cachoeira do Tamul e o deserto mexicano.... O país é imenso e ainda tem muita coisa para conhecer. Já a Guatemala, apesar de o país ser menor, algumas atrações ficam bem distantes entre si. Às vezes a distância nem é tão grande, mas é tanta curva na estrada, e é tão complicado o transporte/transfer que você perde muito tempo de deslocamento. E eu ainda tinha que voltar para a Cidade da Guatemala para pegar o voo para o México. Uma alternativa seria seguir de Tikal para Belize, e depois ir até Cancun, mas voltei para a Cidade da Guatemala por “falta de dias” e porque não era época de mergulho com tubarão-baleia. Se fosse a época, eu daria um jeito de encaixar os tubarões-baleia no meu roteiro.... Uma dica importante para quem for para Guatemala: prefira a época de seca entre novembro e abril. Do meu plano inicial da Guatemala, ficou faltando conhecer o Vulcão Santiaguito. Fiquei com vontade de fazer o tour Santiaguito Crater Overnight, dizem que você acampada a 400 metros da cratera. No entanto, não sei o quão seguro seria esse lugar, e se algum dia eu fizer esse tour, vou pesquisar melhor as condições de segurança. A agência me disse que esse é considerado o trekking mais difícil da Guatemala, 8h para ir, umas 6h para voltar, varando mato, sem nenhuma estrutura – precisa levar barraca, comida etc. Enfim, nada turístico, bem raiz! Em Xela (Quetzaltenango) e no Lago Atitlan, também tem muitos trekkings bacanas. Não consegui conhecer o famoso mercado de Chichicastenango, a Laguna Brava próxima a Huehuetenang ou a própria a Cidade da Guatemala. No final, para encaixar tudo que eu queria fazer na Guatemala em 8 dias foi dureza! O meu roteiro maluco ficou muito cansativo, mas foi uma viagem e tanto. A Guatemala é um país com uma natureza única, com vulcões ativos e montanhas com mais de 4000 metros, um rio lindo como Semuc Champey, Lago Atitlan, e atrações culturais sensacionais como Tikal, Antígua e Maximon. A Guatemala tem algo difícil de achar em países turísticos: a vida normal parece que não foi tão afetada pelo turismo. E houve uma mescla muito interessante dos descendentes dos colonizadores espanhóis/europeus com o povo indígena e maia. É um povo que mantém até hoje suas tradições e costumes, e alegram as cidades com seus lindos trajes típicos coloridos e os sorrisos das pessoas. Em vários lugares da Guatemala, o pessoal fala espanhol e, também, a língua maia. E, se a logística não é assim uma Brastemp, qualquer dificuldade é mais do que compensada por um povo extremamente simpático e sempre disposto a ajudar. Que povos bacanas, obrigado, Guatemala e México! Ranking das atrações Segue meu ranking das principais atrações dessa viagem: 1 – Vulcão Fuego 2 – Semuc Champey 3 – Tikal 4 – Cidade do México (conjunto da obra: Zócalo, catedral, Museu Antropologia, Palácio Bellas Artes, basílica) 5 – Popo 6 – Teotihuacán 7 – Antígua 8 – Vulcão Pacaya (peguei pouca atividade e tempo encoberto) 9 – Lago Atitlan (Cliff jumping, Panajachel e vistas) 10 – Maximon (muito legal a história, o atrativo turístico em si nem tanto) 11 – Cidade do Panamá Obs.: o Vulcão Santiaguito, infelizmente, não consegui conhecer, mas tinha potencial para estar na lista.... --------------------------------------- Pessoal, postei quase inteiro o capitulo VI do livro/ebook (só reduzi algumas fotos pra adaptar ao forum). Os capítulos de cada continente ficaram parecidos com esse. O relato completo das viagens pelos outros continentes está no livro Destino Vulcões, que consegui deixar o livro inteiramente grátis no amazon.com.br (não sei por quanto tempo...). É só entrar lá e baixar (link: https://a.co/d/agKaeNM)! Dá para ler direto no site, mas eu recomendo usar o aplicativo “Kindle”, disponível para celular (Android ou iPhone), laptop (Windows), ou no próprio Kindle, claro. Sinopse do livro: Nesta obra, compartilho minhas aventuras em busca dos vulcões mais espetaculares do planeta. É um relato pessoal de mais de 90 dias de viagens, ao longo de 10 anos, explorando 15 países em 6 continentes, ilustrado com fotos e vídeos do próprio autor. Expressões absolutas da força da natureza, os vulcões fascinam na mesma medida em que amedrontam. Quem já assistiu a uma erupção com lava pode confirmar que os vulcões oferecem uma das cenas mais impressionantes da natureza. E não é preciso ser um aventureiro radical para explorar esses destinos — basta estar disposto a viver experiências inesquecíveis. Além de paisagens vulcânicas impressionantes, descobri culturas vibrantes e outras belezas naturais que tornaram essa jornada ainda mais enriquecedora. Convido você a me acompanhar nessa aventura, repleta de histórias fascinantes e paisagens deslumbrantes ao redor do mundo. Capa:
  41. Bom, o dia terminou tranquilo. Naquele momento, já estávamos começando a entender melhor os valores em San Andrés — e aqui vai a dica de ouro: San Andrés cabe em todos os bolsos. Dá pra comer bem gastando R$ 40 numa refeição, mas também dá pra estourar R$ 400 num prato, fácil fácil. Tudo depende do seu estilo de viagem e do quanto seu bolso aguenta. No nosso caso, como eu e minha esposa tínhamos poucos dias de férias e não queríamos perder tempo procurando lugar pra comer, nos demos o luxo (ou a loucura) de gastar cerca de R$ 300 por refeição. Mas olha, com um pouco de paciência e disposição pra andar, dava pra comer de boa gastando bem menos. Outra coisa: tudo na ilha é na base da pechincha! É tipo mercado de pulgas com vista pro Caribe. Quase nada tem preço fixo, especialmente nas barracas de rua. Os vendedores basicamente olham pra sua cara e soltam um valor aleatório. Se você tiver cara de turista perdido, já sabe... vai pagar até o vento que passar por ali. 😂 A regra é clara: se não pechinchar, paga o dobro! Então já vai treinando aquela cara de “tô só olhando” e manda ver na negociação! Dia 05/07/2025 – O Grande Final (e o cansaço também) Nosso último dia na ilha chegou. Confesso: já estávamos no bagaço. Exaustos, moídos, já tínhamos explorado San Andrés de cabo a rabo, de chinelo gasto e sorriso no rosto. A vontade de sair do hotel era quase zero, mas ainda havia uma missão a cumprir: visitar o famoso centro comercial. San Andrés é uma zona livre de impostos, o que na teoria significa perfumes importados baratinhos, eletrônicos em conta e aquele brilho nos olhos de quem acha que vai voltar com um iPhone novo e um Chanel no bolso. Spoiler: não é bem assim. A real é que a gente nem foi pra ilha pensando em compras. Até porque, alguns meses antes, já tínhamos passado pela tríplice fronteira (Paraguai, Argentina e Brasil), onde gastamos alguns “lulicoins” com emoção. Mas, né... já que estávamos ali, fomos conferir. Andamos pelo centro, compramos alguns souvenirs (os clássicos “lembrancinha de San Andrés”), pegamos umas moedinhas pra coleção, e, claro, compramos umas bebidas diferentonas pra experimentar depois — porque viajar também é isso: provar coisa estranha e torcer pra gostar. O resto do dia foi dedicado ao ócio de qualidade: praia de Spratt Bight, aquela água azul hipnotizante, sombra, mar e preguiça. Depois, voltamos pro hotel e nos organizamos porque o voo era cedinho: 5h da manhã. Isso mesmo. Saimos do apê andando no escuro, com as malas e cara de quem ainda não sabia se tava voltando pra casa ou fugindo da ilha. Detalhe importante: tudo muito tranquilo. Em todos os dias e lugares por onde andamos, nunca sentimos nenhum tipo de insegurança. A ilha é, de verdade, muito segura. Um paraíso caribenho que entrega paz, cor e alegria. Agora, vamos ser sinceros: vi algumas pessoas reclamando de mau cheiro em certos pontos da ilha — e sim, em alguns lugares o nariz sofre um pouco, cheiro de lixo, esgoto, aquela mistura clássica de lugar turístico com fluxo intenso de gente. Mas olha... se você já sobreviveu a Ubatuba no Réveillon ou ao centro de Guarujá em pleno verão, San Andrés vai parecer um spa aromático. Ah, e a previsão do tempo na ilha? Esquece. Não existe. Todo dia dizia que ia chover e... nada. Sol rachando, céu azul. O clima lá parece tirar sarro da meteorologia. Então vai sem neura: leve protetor solar, uma capa de chuva só pra desencargo, e fé no sol caribenho. San Andrés vale muito a pena. Mesmo com as surpresas, os cheiros, e a “lotação”, é um lugar que entrega mais do que promete. Um pedacinho do paraíso onde dá pra descansar, rir, gastar (ou não), e guardar boas histórias pra contar. A Volta e Considerações Finais – Porque tudo que é bom, um dia acaba (com atraso, claro) A volta foi tranquila... quer dizer, tirando um atraso de 2 horas no voo Bogotá–San Andrés. Nada absurdo, mas também nada que a gente estivesse preparado pra enfrentar. Fica a lição: sempre viaje com uma margem de segurança no tempo, porque atrasos aéreos são mais frequentes que fila no pão francês. Considerações sobre San Andrés Comida: Nota 10 com louvor! A variedade gastronômica da ilha surpreende: tem de tudo! Desde pratos caribenhos com frutos do mar fresquíssimos, até culinária peruana e italiana. A gente esperava peixe e arroz... mas saiu com ceviche, lasanha e mais um tanto de coisa boa. Infraestrutura: Achei bem legal, simples e funcional. Um detalhe importante: a maioria dos hotéis não tem água quente. Mas como o clima é bem tropical, isso acaba não sendo um problema (só um choque no primeiro banho 😂). Água: Todos os dias tomamos a água Manantial, que é envasada pela Coca-Cola. Nunca tivemos nenhum problema. Recomendo usar essa mesma água pra escovar os dentes e — muito importante — evite tomar a água do banho sem querer. A última coisa que você quer é uma desinteria no paraíso, né? Imagina correndo pra um banheiro no meio do Caribe... não dá. Dinheiro: Levamos o cartão Wise, que funcionou super bem. Conseguimos sacar sem dificuldade no banco Davivienda, que fica pertinho do Café Café (ótimo ponto de referência, aliás). Simples, prático e seguro. E a pergunta final: você voltaria a San Andrés? Sem a menor dúvida. Voltaria fácil, talvez até com a família toda a tiracolo. O lugar é surreal, daqueles que a gente quer que o tempo pare. Tem cor, tem energia boa, tem cara de férias perfeitas. Pra finalizar: queria deixar aqui meu muito obrigado a todo mundo que leu até o fim. Já perdi as contas de quantas vezes li relatos aqui mesmo neste site, sonhando com uma viagem assim — e olha só, um dia ela aconteceu. Se você também sonha, acredite: dá certo. Fiquem à vontade pra mandar perguntas! Vou ter o maior prazer em responder uma por uma. Dúvidas, sugestões, críticas — tudo é bem-vindo. A gente aprende junto. Forte abraço... e até o próximo relato! ✈️🌴
  42. Se você está planejando visitar a China e quer viver uma experiência única na Grande Muralha, esqueça Badaling e Mutianyu — e descubra Jinshanling, o trecho mais autêntico, preservado e com vistas de tirar o fôlego. 📍 Onde fica? Jinshanling está localizada a cerca de 130 km de Pequim. É ideal para quem quer evitar multidões e explorar a muralha com mais liberdade e contato com a natureza. 🚶‍♂️ Trilha imperdível A caminhada entre Jinshanling e Simatai (quando aberta) oferece cerca de 6 km de pura história, torres de vigia fotogênicas, trechos originais da muralha e paisagens montanhosas incríveis. Leve tênis confortáveis, protetor solar e muita água! 🕒 Melhor época Primavera (abril a junho) e outono (setembro a novembro) são ideais — temperaturas amenas e céu azul para fotos perfeitas. 🚌 Como chegar? Infelizmente não há transporte público direto. A melhor opção é contratar um transporte privado saindo de Pequim. Dá para ir e voltar no mesmo dia com conforto. 🎫 Dica extra Compre os ingressos com antecedência e tente começar cedo (por volta das 8h). Assim você evita o calor e aproveita a muralha quase vazia. 📷 Por que escolher Jinshanling? Muito menos turistas do que os trechos populares Mais preservado e fotogênico Ideal para quem gosta de trilhas e natureza 📩 Se precisar de transporte privado com motorista que fala inglês ou guia local, posso indicar um serviço confiável (mesmo para quem não fala chinês). Só me mandar uma mensagem!
  43. Aproveitando o tópico dos aeroportos, venho agora com cia aéreas Vocês também anotam? Eu além de contar as cias, também anoto o modelo do avião e anoto também quando vou em alguma pintura especial como o do Mickey da Azul ou dos Gemeos da Gol que já estive Segue minha lista Aerocalifornia: DC-9-15 Aeromexico: B737-700, B738-800, B787-8 DC-9-30,MD-80,MD-87,767-200 Allegiant Air: MD-80 American Airlines: A321,737-800, 737 MAX8, 757-200,767-300,777-200,777-300 American Eagle: CRJ-700,E175 Delta: A320,767-300 Southwest: 737-700 Spirit Airlines: A321 Intercaribbean: ATR42-500 Copa Airlines: 737-800, 737 MAX 9, EMB-190 Copa Airlines Colombia: EMB-190 Insel Air: F-50 TAG: ATR72-500 Aerogaviota: An24 St Barth Commuter: C208 Anguilla Air Services: BN2 Azul: ATR42-500,ATR72-500,ATR72-600,A320,A320NEO,EMB-190,EMB-195, E192-E2 Avianca Brasil: A318,A319,A320,A320NEO BRA: 737-400 Gol: 737-300,737-700,737-800, 737 MAX 8 TAM/LATAM: A319,A320,A320NEO,A321,A321NEO, B777-300,F-100 Trip:ATR42-300,ATR42-500,EMB-190 Varig: 737-700,737-800,767-200,MD-11 WebJet: 737-300 Aerolineas Argentinas: 737-800 Austral: EMB-190 BOA: 737-800 Lan Chile/LATAM: A320,A321, 787-8,787-9 Sky Airline: A319, A320NEO British Airways: A320,747-400 EasyJet: A319,A320 Iberia: A319,A320,A340-300 Air Nostrum: CRJ-900,CRJ-1000 Lufthansa:A380,B747-400 TAP: A319, A320NEO, A330-900 SAS: 737-700 French Bee: A350-900 Norwegian Sweden: 737-800 Vueling: A320 AnadoluJet: A320NEO, A321NEO Turkish Airlines: A321, A330-200, A350-900, B777-300 Buta Airways:EMB-190 Air Arabia: A320 Qatar Airways: A350-1000, B777-300 Emirates: A380 Etihad: B789, B78x FlyDubai: 737 MAX 8 Mahan Air: RJ100 Trans Maldivian Airways:DHC-6 Jetstar: A320 QantasLink: DHC-8-200,DHC-8-300 Tigerair Australia: A320 Virgin Australia: EMB-190 Air Tahiti: ATR72-600 Amelia International: ATR72-600 South African Airways: A319,A320,A330-200,737-800 Airlink: RJ85,ERJ135,ERJ145 Air Seychelles: A320,DHC-6 Ethiopian Airlines:A350-900,B737-800,B777-200,B787-8 As Salaam Air: Emb-120 Flightlink: B1900C ZanAir: Cessna 404 Precision Air: ATR72-500 Air Asia: A320 AirSwift: ATR42-600 Cebgo: ATR72-600 Scoot: A320 Privado: Cessna 207
  44. Parabéns por ter ficado 5 meses como clandestina na UE. Pode apostar que sim. Pode apostar que não. Disponha
  45. 1° Dia 26/12/2025 - de Araucária a Posadas. 870 km. No dia anterior a segunda tripulante, a Nara, veio de avião do Rio Grande do Sul. A noite do dia 25 a Josiane veio de Piraquara para dormir com a gente. Fizemos um churrasquinho para iniciarmos a viagem. Depois dormimos e colocamos o relógio para despertar às 4 horas da manhã. Acordamos, tomamos o café e terminamos de colocar o restante das bagagens no carro. Acabamos atrasando um pouquinho e saímos às 5:15 h. O trajeto entre Araucária, União da Vitória e Dionísio Cerqueira estava razoável apenas com algumas ondulações na pista. A partir do momento que saímos para pegar a estrada de Palmas acabam se as ondulações e entramos numa estrada de concreto muito boa. Quase caminho todo até Dionísio Cerqueira foi excelente. Em Dionísio Cerqueira almoçamos no restaurante que costumamos almoçar quando saímos do Brasil, o restaurante Mate Amargo. R$ 48 o buffet livre. Depois disso passamos a fronteira bem rapidamente sem nenhuma revista e trocamos dinheiro com os cambistas. Decidimos seguir pela ruta 12 ao invés da 14, pois a ruta 14 tem excesso de curvas e estava chovendo. Estrada muito boa até Posadas Argentina. Lá entramos na cidade para procurarmos a nossa reserva que era uma casa judiadinha e com uma garagem muiiiiiito estreita. Fizemos a nossa janta, Nara e Josiane foram caminhar. Depois todos dormimos. Mais tarde passarei os valores das hospedagens. O nosso cambio foi de 265 pesos por real. A gasolina na Argentina está entre 1795 pesos o que dá R$ 6,75por litro. Sem fotos do 1o dia.
  46. 8º Dia - 18/07/2025 - Huyana Potosi À meia-noite começamos a nos equipar: calça, capacete, crampons na mochila, piolet, botas duplas. Tudo pronto, partimos em direção à montanha. Para quem havia passado uma noite terrível, surpreendentemente eu me sentia bem, e a esperança do cume renascia. Foram apenas 15 minutos caminhando sobre pedras até chegar ao gelo, onde colocamos os crampons e seguimos subindo a incrível Huayna Potosí. O plano era: alcançar o cume às 6h, em uma jornada de cerca de 5 horas, percorrendo em torno de 5 km e ascendendo aproximadamente 1.000 metros. O ritmo era bom. Avançávamos por subidas inclinadas que beiravam penhascos, atravessando gretas e contornando enormes paredes de gelo. À luz da lanterna, eu observava aquelas muralhas brancas e íngremes e me perguntava: “Por onde vamos passar?”. Logo vinha a resposta: era por ali mesmo. A subida parecia interminável. Descansos curtos para beber água, retomar o fôlego e seguir. Sempre buscava o cume com os olhos, mas o que aparecia eram mais e mais encostas. Por volta dos 5.700m, a realidade mudou. A altitude cobrou seu preço. Cada passo era uma batalha. Cambaleava, às vezes caía, e seguíamos sempre à beira de precipícios gigantescos. O pensamento era constante: “Isso é coisa de doido”. A estratégia virou dar 5 passos e parar. Nos “breaks”, eu literalmente me jogava no chão, respirando como se tivesse corrido infinitas maratonas. Foi, sem dúvida, o maior desafio físico da minha vida. A mente travava uma guerra para que eu não desistisse. Seguimos, devagar, com os dedos dos pés congelados, motivando uns aos outros. O trecho final é o mais cruel: quando você acredita que não pode piorar, piora. Uma escalaminhada por gelo e rochas, colado a um abismo, sem ar, zonzo e cansado. Mesmo assim, entre a dor e a exaustão, eu me sentia vivo e grato, impressionado e com máximo respeito à montanha - como meu guia me ensinou. Atravessamos a última crista e, finalmente, o cume: 6.088m, -15 °C, vento e neve. Gratidão infinita. Nos abraçamos, comemoramos e uivamos feito lobos para o vazio abaixo de nós. O sol nascia timidamente entre nuvens, pintando o horizonte. Tentamos registrar o momento, mas o frio não permitia: celular, câmera e até minhas mãos pararam de funcionar. Poucos registros ficaram, mas a memória guardou tudo. Fomos o segundo grupo a alcançar o topo e, de lá, observávamos as lanternas dos que ainda subiam as paredes de gelo. Ficamos apenas 15 minutos no cume e iniciamos a descida. Em 1h30 estávamos de volta ao Campo Alto, já iluminados pelo sol que revelava todo o caminho percorrido horas antes no escuro da madrugada. No refúgio, tempo curto para arrumar as coisas, almoçar e descer ao Campo Base. Dos seis que haviam dormido conosco, apenas dois não conseguiram chegar ao cume. Vitória compartilhada, cerveja e whisky celebraram o feito. Ainda restavam 2 horas de descida até a van. Silêncio total — todos processando a experiência, esmagados pelo cansaço. No Campo Base, pegamos a van de volta. Eu havia combinado de seguir com Victor (do Brasil) para Uyuni na mesma noite, mas acabei esquecendo de pegar o contato dele e nos desencontramos. De volta a La Paz, devolvi o material, me despedi da galera e segui para o hostel: banho, almoço reforçado com um lanche e duas porções de batata frita, roupa lavada, cabelo cortado. À noite, rodoviária: ônibus às 21h30 para Uyuni, chegada prevista às 5h30. O plano: encontrar uma agência para a travessia do Salar e chegar até o Atacama. História para o próximo dia.
  47. Dia 07 — A ruta dos lagos (o dia em que Bariloche nos ganhou) Como no primeiro dia do ano a maioria dos parques estava fechada, aproveitamos para conhecer a Ruta de Los Siete Lagos — uma estrada que liga Villa La Angostura a San Martín de los Andes, conhecida como uma das rotas mais bonitas do mundo. Saímos pela manhã e logo encontramos a entrada da famosa estrada. Já nos primeiros quilômetros fomos presenteados com paisagens de tirar o fôlego, transformando o simples ato de dirigir pela mítica Ruta 40 em uma experiência memorável. Pelo caminho, parávamos em diversos mirantes para apreciar a natureza e fotografar a imensidão ao redor. Uma dica que fez toda a diferença nessa viagem foi levar um guia impresso — no nosso caso, o Lonely Planet Argentina. Além de trazer mapas, indicações de hotéis e restaurantes, o guia oferece sugestões de locais menos explorados. Foi assim que descobrimos a Villa Traful. No mapa, parecia uma escapada rápida, mas a estrada de cascalho e os obstáculos do trajeto tornaram a ida uma pequena aventura — principalmente para quem estava a bordo de um Renegade 4x2. Mas cada sacolejo valeu a pena. Chegar àquele vilarejo escondido aos pés de uma montanha, banhado por um lago que refletia a paisagem como um espelho, foi como encontrar um refúgio secreto no meio da Patagônia. Depois de um almoço simples e prático — atum com batata enlatada — alugamos caiaques para remar pelo lago. Formamos duplas e nos lançamos em direções diferentes, cada um querendo explorar um pedaço daquele silêncio. E que silêncio... apenas o som suave do remo cortando a água, que era tão límpida que, nas partes mais rasas, permitia ver até o fundo. O tempo passou sem que notássemos. Quando nos demos conta, já era hora de devolver os caiaques. A atmosfera daquele lugar era única. Molhamos os pés na água gelada, registramos o momento em algumas fotos e voltamos à Ruta 40, com a alma leve. Chegamos a San Martín de los Andes no final da tarde — não sem antes parar em alguns dos lagos ao longo do caminho. A cidade nos recebeu com sua baía salpicada de veleiros, envolta por montanhas. Era uma visão encantadora. Menos turística que Bariloche, San Martín exalava charme em cada esquina. Caminhamos sem pressa até encontrar a Mamuska (famosa loja de chocolates e sorvetes), onde provamos um sorvete de frutas patagônicas sem igual. No caminho de volta a Bariloche, o entardecer pintou o céu em tons quentes — um encerramento perfeito para um dia que nos ofereceu beleza, silêncio e um pouco de aventura.
  48. Eu sempre me pergunto justamente o contrário 🤣. Como as pessoas conseguem viajar tanto para os EUA tendo milhares de lugares incríveis no mundo? Tem gente que eu conheço que viaja apenas pra lá, dezenas de vezes, e para os mesmos locais. No meu caso eu não gosto da política, da cultura, do consumismo, fora a questão do visto como a Ju já falou. Meu único interesse nos EUA está nos parques nacionais, no Alaska e no Hawai. E exclusivamente pela questão da natureza. Então meio que ele está sempre no final da minha lista porque o mundo tem tanto a oferecer nesse quesito. Mas sei que somos exceção se comparado ao brasileiro padrão 😅
  49. Eu também em relação aos EUA, nunca fui e esse ano, que eu pretendia ir a NY, apareceu um presidente laranja que tem ódio ao imigrante. O grande problema é que nos EUA não tem essa de ser barrado e voltar no próximo voo, mas de ficar preso por uns dias até de mandarem de volta, é um sistema demasiado cruel. EUA nunca me interessou em geral, acho que apenas me interessaria Nova York pois gosto de cidade grande e prédios, mas dos meus 44 países visitados, nem conexão passei na America
  50. Eu não entendo pq vc viaja Tudo é ruim pra vc Não gosta de nada Todos seus relatos é só reclamando
Líderes está configurado para São Paulo/GMT-03:00

Account

Navigation

Pesquisar

Configure browser push notifications

Chrome (Android)
  1. Tap the lock icon next to the address bar.
  2. Tap Permissions → Notifications.
  3. Adjust your preference.
Chrome (Desktop)
  1. Click the padlock icon in the address bar.
  2. Select Site settings.
  3. Find Notifications and adjust your preference.