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Encontrado 11 registros

  1. anselmoportes

    Ajuda com roteiro: Canadá e EUA

    Olá, mochileiros. Estou planejando minha próxima viagem. Vai ser entre Maio e Junho desse ano que pensei em fazer Canadá e EUA. Já tenho em mente as cidades que eu gostaria de conhecer. No entanto não sei ao certo quanto tempo ficar em cada cidade. Já esbocei meu roteiro e ficou assim: 18 de Maio - Sábado 11h30 - Chegada à Toronto 19 de Maio - Domingo Toronto 20 de Maio - Segunda-feira Toronto 21 de Maio - Terça-feira Toronto 22 de Maio - Quarta-feira 23h55 - Saída de Toronto (ônibus) 23 de Maio - Quinta-feira 6h - Chegada a Ottawa 24 de Maio - Sexta-feira 8h - Saída de Ottawa (ônibus) 10h30 - Chegada a Montreal 25 de Maio - Sábado Montreal 26 de Maio - Domingo Montreal 27 de Maio - Segunda-feira 6h20 - Saída de Montreal (trem) 9h45 - Chegada à Quebec 28 de Maio - Terça-feira Quebec 29 de Maio - Quarta-feira 15h40 - Saída Quebec (avião) 17h40 - Chegada Chicago 30 de Maio - Quinta-feira Chicago 31 de Maio - Sexta-feira Chicago 01 de Junho - Sábado Chicago 02 de Junho - Domingo 9h10 - Saída Chicago (avião) 11h50 - Chegada à Washington 03 de Junho - Segunda-feira Washington 04 de Junho - Terça-feira Washington 05 de Junho - Quarta-feira Washington 06 de Junho - Quinta-feira 8h40 - Saída Washington (trem) 10h30 - Chegada à Filadélfia 07 de Junho - Sexta-feira Filadélfia 08 de Junho - Sábado Filadélfia 09 de Junho - Domingo 9h20 - Saída Filadélfia (trem) 10h45 - Chegada à Nova York 10 de Junho - Segunda-feira Nova York 11 de Junho - Terça-feira Nova York 12 de Junho - Quarta-feira Nova York 13 de Junho - Quinta-feira Nova York 14 de Junho - Sexta-feira Nova York 15 de Junho - Sábado 21h - Saída de Nova York e retorno ao Brasil Vc's acham que os dias são suficientes pra cada cidade? Devo ficar menos tempo em algum lugar e priorizar outros? Qualquer ajuda é bem vinda! Obrigado!
  2. Giovane Capeletti

    Fronteira Canadá com EUA

    Olá pessoas! Tudo bem? Estou planejando ir para Toronto no Canada no ano q vem, e pensei em dar um pulo em Nova York nos EUA, eu gostaria de saber se alguém já fez essa travessia ou alguma parecida vindo de outro país como o Mexico por exemplo... me conte como foi, se a passagem pela fronteira foi tudo bem, e como foi passar pela imigração. Agradeço =D
  3. Giovane Capeletti

    Viajante de primeira viagem!!!

    E ai pessoal? tudo bem? Estou planejando passar quinze dias no canada, em março do ano que vem, e nunca saí do país e nunca viajei de avião! Eu queria saber se vcs tem algumas dicas para me dar, sobre viajar de avião, quanto dinheiro levar, e o que fazer no Canada (Obs: pretendo ir para Ottawa, e estou pensando em dar um pulo em Nova York, não sei se isso é possível). Agradeço sua ajuda =D
  4. Estou iniciando hoje mais uma viagem de férias e como de costume vou postar on line dentro do possível, Iniciei ontem num voô da TAM saindo do Rio, escala em Nova York no JFK e depois mais 1:30 até Toronto. Ele chega as 7:30 da manha no JFK, tem aquela enorme burocracia americana que te consome umas 2 hrs, e cheguei em Toronto as 12:40 de domingo. A imigração canadense é super tranquila. Apenas as perguntas básicas e pronto. Reservei pelo booking.com o hotel Isabella Suites, afastado do centro mas bem próximo a estação Sherbourne do Metro. Ja neste primeiro dia percebo que Toronto é uma cidade cara. Este hotel 2 estrelas afastado do centro custou 489 CAD para 5 noites. É bonzinho, mas é 2 estrelas. O Aeroporto não tem metrô. Então as opções são o trem da UP que custa CAD 27 ou comprar o Token, que são umas moedinhas de transporte que valem para 1 viagem, com uma extensão de trem, metro ou Streetcar, que é o tram deles aqui. Tipo bilhete único custa 2,95CAD. No Aeroporto não achei agencia da TTC, que é o orgão de transporte local, mas comprei 5 moedinhas na casa de câmbio Trevellers que as vende por ali. Saia do terminal e procure o Õnibus 192 Airport Rocket para estação de Metrô Kippling. Leva 10 minutos. Chegando em Kippling temos acesso ao Metrô de Toronto e me perguntei? Estou no Canadá mesmo? Eta metrozinho safado. Sujo, com gente pedindo dentro da plataforma, sem indicação de nada...um lixo. Dos piores que já conheci. E pra comlpletar uma obra neste fim de semana interrompeu um trecho que passou a ser de ônibus. Aí eu chorei....com minhas 2 malas pesadas....subindo estação sem escada rolante....não consegui sentar e fiz todo o trecho em pé, Se soubesse pagava os 27 do trem....E o trecho do ônibus passava por cada gueto de assustar...mas depois de 1 hora cheguei no hotel...detalhe -4 graus celsius,,,Andar os 100 metros até a estação foi um suplício. Depois pra completar o dia peguei o metro até a Union Station e fui andar aleatoriamente....pelo undergraund que é uma serie de passarelas por baixo da cidade, que eles chamanPATH. Como era domingo, tava tudo fechado então resolvi meter a cara na rua e pagar um bondinho para ir a Chinatown cumprir a etapa das quinquilharias. Para ir lá pegue na estação Union Station o Street car SPADINA STREET, salte em um dos vários pontos na Chinatown e boas compras. Mas já adianto que para Chinatown é caro em relação a outras similares. Mesmo assim é ponto obrigatório na visita. Se pesquisar acha buginganga legal a preço bom. Depois começou a nevar então cheguei ao fim do dia...Não foi um começo dos melhores...mas estou esperançoso,,,amanhã comento mais....
  5. Esse é meu primeiro relato aqui no Mochileiros! Espero não decepcionar Dividí o post em 3 partes para não ficar grande demais: * Montanhas Rochosas Canadenses – O Planejamento * A Viagem Parte 1 – Relato pelo Parque Nacional de Jasper, no Canadá * A Viagem Parte 2 – Relato pelo Parque Nacional de Banff, no Canadá Montanhas Rochosas Canadenses – O Planejamento Que o Canadá é um país de muito frio, de bandeira vermelha e branca, da típica Maple Leaf, de Niagara Falls e de inglês e francês, muita gente sabe. Não é difícil que Vancouver, Quebec, Montreal e Toronto já tenham feito – ou ainda fazem – parte da lista de destinos de muitos viajantes. Grandes cidades e modernidade, por ali não falta. Mas o que mais esse país tão extenso tem a oferecer? Eu e meu namorado partimos rumo às Montanhas Rochosas Canadenses para explorar cenários que fogem do comum. Com a mochila nas costas, seguimos viagem nos sentindo exploradores. Queríamos ir além das dicas de revistas, além do turismo padrão, além da multidão. E conseguimos! Agora trazemos tudo para vocês sentirem que foram com a gente – e os desafiamos a não quererem arrumar as malas agora e partir ! Entendendo os locais, a logística, o período e a duração - O que são as montanhas rochosas, onde estão localizadas e pelo quê são conhecidas? As Montanhas Rochosas (ou Rocky Mountains) são uma importante cordilheira localizada na América do Norte ocidental. Elas possuem mais de 4.800km de extensão, seguindo desde British Columbia, no oeste do Canadá, até o Novo México, no sudoeste dos Estados Unidos. Os picos mais altos estão no Colorado: é para lá que muitos amantes dos esportes de inverno partem para a prática de snowboard e ski, com destaque para as cidades de Aspen e Vail. A parte canadense das Rocky Mountains também tem grande importância no inverno, mas é no verão que elas são mais convidativas: nessa época, os lagos originados pelas geleiras formadas nos topos das montanhas ganham tons azul turquesa que causam grande admiração naqueles que passam por ali. As Rockies estão presentes em 4 parques nacionais reconhecidos como patrimônio mundial pela Unesco. O mais famoso deles, o Parque Nacional de Banff, é o que abriga o tão falado Lake Louise; mas há também os parques de Jasper (o maior entre eles), Kootenay e Yoho. Resolvemos explorar os Parques Nacionais de Jasper e Banff devido à suas grandes extensões e alto número de atrações naturais. Além disso, a estrada que os conecta é considerada a mais cênica do Canadá, já fazendo valer a viagem. Abaixo mostramos a localização das Rockies, dos Parques Nacionais e do trajeto que fizemos. Para dirigir por eles, é necessário adquirir o Park Pass. Falaremos sobre isso adiante. Os aeroportos mais perto dos parques de Jasper e Banff são aqueles localizados nas cidades Edmond e Calgary respectivamente (veja no mapa acima). Como já falamos no post anterior, chegamos em Jasper de trem, partindo de Vancouver. Precisaríamos de um avião apenas para o retorno. Utilizamos o aeroporto de Calgary – por isso nossa rota termina aí. Escolhemos o sentido Jasper-Banff simplesmente para aproveitarmos o passeio de trem no início da viagem, mas não há impedimentos para aqueles que desejam fazer a mesma rota no sentido contrário, partindo de Calgary a Jasper e de lá embarcando tanto no trem para Vancouver quanto em um avião saindo de Edmond. É possível também fazer a rota Vancouver – Jasper de carro, mas se prepare para achar um lugarzinho para passar a noite na estrada, afinal serão quase 800km!! A nossa dica é que visitem os Parques Nacionais de carro. Nós escolhemos a Budget para o aluguel (o site era mais bem estruturado, o preço bom e a empresa de confiança). Pegamos o carro em Jasper e o devolvemos no aeroporto de Calgary. A Budget está em praticamente todas as cidades que passamos e oferece essa mordomia de alugar o carro em um local e fazer a devolução em outro. Outra sugestão de locadora seria a Avis, também muito boa. Existem diversas excursões, de duração aproximada de 4 dias, que levam turistas para conhecer as Rocky Mountains. Se essa é a sua única saída, tudo bem! Não é tão ruim assim e é definitivamente melhor que nada Mas em um lugar tão lindo como esse, nada se compara à flexibilidade de poder parar aonde quiser, ficar o tempo que desejar em cada destino e escolher o seu próprio roteiro e trajeto. A temperatura média nas montanhas é de 6 °C. No inverno ela cai facilmente até -14 °C e as chuvas são mais comuns. Essa é a estação mais úmida e fria, indicada apenas para aqueles que buscam os esportes de neve. Já os verões são mornos e secos e a temperatura média é de 15°C. Não é muito raro, entretanto, que a sensação térmica chegue aos 25°C: os dias de sol podem ser bem quentes. O outono é, na nossa opinião, a estação mais indicada. Além de possuir menor probabilidade de chuvas, ela não conta com a aglomeração de turistas do verão. A temperatura média será realmente mais baixa, próxima aos 10°C, mas a sensação térmica facilmente chegará aos 20°C nos muitos dias de sol. Considere viajar em setembro ou aproveitar o finalzinho do verão no mês de agosto. Os parques nacionais têm muito a oferecer, principalmente com um tempo bom e sem chuvas. Indicamos reservar 6 ou 7 dias para fazer o roteiro com calma, principalmente se você for um grande amante da natureza e decidir alugar um carro. Cinco dias também é um período bom, mas as visitas serão mais corridas e alguns “luxos”, como passar uma manhã inteira na beira de um lago para um mergulho e um pic-nic, talvez precisem ser eliminados, além de algumas caminhadas mais extensas. Entretanto, se trekking não é muito a sua praia e só de pensar em caminhar por mais de 2km já bate aquele cansaço, 4 ou 5 dias serão extremamente suficientes! Para entender um pouco mais sobre os parques a serem visitados, veja os mapas abaixo. Eles mostram: 1. Os locais que visitamos (em destaque verde); 2. As cidades (em destaque laranja) e 3. As rodovias pelas quais passamos. Para ter uma rápida ideia do que foi nossa viagem, veja esse videozinho abaixo:
  6. rodrigo_bg

    Toronto - Canadá

    Fala Galera Em maio desse ano 2017 fiz um intercâmbio em Toronto no Canadá de 30 dias e gostaria de compartilhar com todos essa experiência. Em anexo estou compartilhando todo o itinerário que fiz durante a viagem e os custos. Para não assustarem com os custos 14K, é bom deixar claro que fiz TUDO que era possivel em um mês, inclusive uns 2mil gastei só de roupas e presentes. Dá pra reduzir esse custo tirando alguns gastos. Outro ponto que encareceu a viagem foi o fato de ter feito outras 3 viagens dentro desse mês aos finais de semana (Nova York, QMO e Niagara). Vamos por partes: 1- Passagem Aerea A dica aqui é tirar também o visto americano e comprar a viagem com escala pois sai mais barato e com essa diferença vc paga o que gastou com o visto. outra tática que fiz foi procurar o voo pelo decolar e depois comprar direto no site da companhia aérea americana, é facil, só anotar o numero do voo e procurar. 2- Hospedagem Fiquei em homestay e foi super bacana, além de ser mais barato te permite conviver com os locais e vivenciar o dia dia e sua cultura. A dica aqui é procurar uma boa agência de intercâmbio, o custo tem pouca diferença de agência para agência por isso dê preferência para a que te deixar mais seguro 3- Dinheiro O custo para comer fora é bem alto e para economizar recomendo comprar coisas no mercado. Fast food geralmente é mais barato. Outra dica é trocar os dólares todos no brasil pois lá fica bem mais caro. 4 - Lingua O inglês do canadense é limpo e muito facil de entender, mesmo que você não fale tão bem dá pra se virar lá pois os canadenses são EXTREMAMENTE educados e solicitos na hora de ajudar os turistas. 5 - Curso Basicamente as escolas de inglês de lá não são muito diferentes das daqui no que se refere ao método, a grande vantagem é que lá você vai conhecer diferentes pessoas, com diferentes sotaques e isso vai ajudar muito a melhorar seu inglês. 6 - Transporte O transporte publico de Toronto é ótimo e muito fácil de se achar. A dica é comprar o monthy pass que te dá o direito de andar o mês todo a vontade. 7 - Passeios Em anexo está todo o itinerário que fiz, é bem corrido mas valeu cada segundo. Segue breve comentário dos lugares: EATON CENTRE - O maior e mais bacana shopping vale muito a pena conhecer NATAN PHILIPS SQUARE - Essa é a praça onde fica o tradicional letreiro com o nome da cidade, parada obrigatória (fica perto do Eaton Centre, da pra ir a pé) RIPLEY AQUARIUM - Um dos lugares que mais gostei, é aquele aquário com um corredor submerso CN TOWER - a torre simbolo de toronto, muito legal e de lei visitar, o restaurante lá e caro e cheio de fila, vale ir só visitar CASA LOMA - a casa dos X-Men, legal pra tirar fotos e andar pelos comodos do Castelo. ROM MUSEU - museu de historia natural é bem legal e vale muito a visita PS: para esses 4 ultimos lugares vale comprar o city pass que é a entrada para essas 4 atraçoes e sai bem mais barato. CHINATOWN - Essa nem precisa falar, otimo pra comprar presentes e lembranças com um preço bem barato DISTILERY DISTRICT - legalzinho, vale o passeio mas é muito caro pra almoçar lá e nem tem muita coisa pra fazer. HIGH PARK - um parque top e muito legal pra ir passar o dia TORONTO ISLAND - O melhor de todos, vale muito passar o dia todo lá e ainda voltar. Outro lugares legais pra visitar: KENSIGTON MARKET - HOKEY GAME - ST LAURENCE MARKET - ONTARIO HARBOUR LAKE - GREEK TOWN 8 - Viagens Comprei as 3 viagens com a agência TNT Tour que vende o pacote completo e mais em conta e os guias são super bacanas. Como o tempo é curto recomendo pois senão você vai perder muito tempo até achar os lugares pois são cidades grandes. 8.1 - Niagara Falls e Niagara on the lake Passar o dia lá é obrigação e vale muuuuito a pena. É o passeio mais baratinho e por ser perto é bate e volta. Não deixe de ir no barco que chega perto das quedas, é muito legal 8.2 - QMO - Canadá Frances (Quebec/Montreal/Otawa) Essa viagem vale muito a pena, Quebec é sensacional e dá vontade de ficar, motreal é bem legal e Otawa é muito linda. Esse passeio é de 3 dias, um em cada cidade e já dá pra pelo menos matar a curiosidade de conhecer a parte francesa do Canadá. Na volta pra Toronto rola um passeio em um barco que vale muito a pena também. 8.3 - Nova York Também de 3 dias vale cada centavo, pra ir você vai precisar do visto americano. É um pouca mais cara, mas como você já vai estar lá por perto porque não? Lá tudo é um pouco mais caro por isso é bom levar uma grana extra. Vale muito a pena conhecer a cidade. Lugares imperdiveis: Times Square, Central Park, monumento 9/11, top of the rock e passeio até a estatua da liberdade. Na volta tem uma tarde no outlet premium para gastar uns bons dolares. 9 - Clima A dica aqui é ir entre maio e agosto pois com o clima mais ameno você consegue aproveitar muito mais. Em maio a temperatura ficou entre 3° e 22º. Entre outubro e março é só neve e apesar de parecer legal o frio é quase insuportável e você não aproveita tanto. Enfim, acho que esqueci muita coisa, mas já da pra ter uma ideia. Quem quiser mais informações vamos nos falando.
  7. Saudações! O Canadá. Esse jovem país de 150 anos em que os banheiros não tem janelas nas casas e bares. Nação em que nas mesmas ruas que se pode fumar maconha livremente não se pode beber. Em que os bares fecham às duas da manhã e as pessoas todas bebem água das torneiras. Essa terra que nos brindou bandas seminais de Rock Pesado como o RUSH e o ANVIL foi meu destino de férias esse ano. Acompanhe esse detalhado relato sobre esse país onde no verão o está sol até oito da noite focado em Vancouver e o caminho de trem até Toronto. Lembre-se de levar seu adaptador universal de tomadas e embarque nessa viagem! *01 . Introdução.* Mochileiros, todo ano eu faço uma viagem internacional sozinho a qual passo todos os doze meses economizando. Em 2017 o destino escolhido para esse terceiro mochilão internacional foi o Canadá. Tal elencamento foi motivada por uma amiga argentina (que eu não via há 10 anos) que se mudou para lá esse ano para cursar a faculdade de turismo e me chamou para um festival. O mesmo se chama ROCK AMBLESIDE PARK, realizado na cidade de West Vancouver, no Parque Ambleside, que ainda que fosse a primeira edição já nascia grande, pois é realizado pela Rádio Rock 101. Fazendo jus à programação da emissora, o evento de três dias contou somente com bandas clássicas canadenses das décadas de 1970 e 1980 que nunca vieram (ou virão, infelizmente) ao Brasil. Selecionei dez dias então. Três para o festival, dois em Vancouver e o restante para saciar minha realização pessoal de viajar num trem de passageiros por alguns dias. Ao todo, estive no Canadá, de 17 a 26 de agosto de 2017. Como passei o tempo todo na casa de minha amiga ou no trem fico pobre para falar para vocês de Hostels e ainda que meu mochilão seja mais voltado ao underground e ao Rock'n'Roll tenha certeza que essas linhas serão de ajudas a todos que querem conhecer essa nação em tudo se chama Canadá. Vamos ao relato? Aeroporto de Vancouver; 02 . Passaporte e visto Brasileiros que NÃO tenham visto válido para os EUA precisam tirar visto para entrar no Canadá sim. Para tanto, você precisa entrar no site do governo canadense e criar um nome do usuário e senha. http://www.cic.gc.ca/ Eu recomendo esse tutorial passo-a-passo para tirar seu visto: http://fazendoasmalas.com/blog/como-tirar-o-visto-para-o-canada-pela-internet-um-guia-passo-a-passo-completo/712/ Você paga 100 Can, não reembolsáveis para saber se é aceito no país. A parte de preencher os formulário IMM5257 e IMM5707E são bem massantes. Não clique nesses formulários, ou você irá abrií-los pelo Internet Explorer e não conseguirá preenche-los. Clique no link deles com o botão direitro e "Salvar anexo como" e depois de salvo abra os arquivos pelo Adobe e só depois os preencha. Você pode também ir pessoalmente e fazer todo o processo nos três Visa Application Centre, sendo que cada formulário é cobrado um tanto. No fim desse link tem os endereços para os três existentes no Brasil; no Rio de Janeiro, Brasília e São Paulo. http://www.melhoresdestinos.com.br/visto-canadense-canada.html Avenida das Nações Unidas, No 12.551, World Trade Center São Paulo, 18o andar, salas 1809 e 1810. Brooklin Paulista São Paulo – SP. CEP: 04578-903 [email protected] Visa Application Centre – Rio de Janeiro Av. Américas, 3500, Ed. Le Monde Offices – Hong Kong 1000, Salas 612, 613, 614 e 615. Barra da Tijuca Rio de Janeiro – RJ. CEP: 22640-102 Visa Application Centre – Brasília Brasilia Shopping and Tower, Quadra 5, Setor Comercial Norte – SCN / lote sala 1126. Brasilia – DF. CEP: 70715-900 [email protected] Depois de toda essa epópeia você ainda paga se não quiser pegar e buscar pessoalmente seu passaporte. Recomendo ler e esmiuçar a leitura dos links acima antes mesmo de começar a viagem. Um brasileiro fazendo amigos rockers no Canadá! 03 . Comprando passagens. Em pesquisas feitas nos sites Decolar.com Skyscanner, eu descobri que os voos mais baratos para o Canadá são os noturnos da Air Canada saindo de São Paulo. Comprei as passagens direto do site da Air Canada. N ão existem voos diretos do Brasil para Vancouver. Eu tive então de comprar duas passagens na ida. Uma de São Paulo a Toronto. Esperar duas horas no aeroporto e então pegar outro voo (comprando outra passagem) de Toronto a Vancouver. A primeiro viagem dura 12 horas e a segunda mais quatro horas. Se você for ir todo caminho de São Paulo a Vancouver de uma única vez recomendo escolhar uma espera de pelo menos duas horas em Toronto, pois você deve retirar sua bagagem e passá-la de novo na esteira. Na volta eu comprei só a passagem de Toronto a São Paulo, pois esperava voltar de Vancouver a Toronto de trem. 04 . Câmbio. Um dolar canadense comprava R$ 2,70 na época de minha viagem. Comprei dinheiro em espécie numa casa de câmbio na avenida Paulista em São Paulo antes de viajar. Ao contrário dos países que fui antes, a saber, Argentina e México, as coisas no Canadá são muito caras. Por exemplo, um prato feito por lá sai 12,00 CAN, o mesmo sairia uns R$12,00, só que você não está pagando R$12,00, mas o equivalente a R$ 32,40. Nos outros países citados, o valor seria o equivalente no peso deles aos R$ 12,00. 05. Viajando pela Air Canada - PROBLEMA COM A MOCHILA. Ao contrário de quando fui para o México, o voo na classe economica da Air Canada é um terror. As poltronas tem pouco espaço e reclinam menos que as dos ônibus de viagem. A janela do avião também não pode ser fechada pelo passsageiro. Resultado? É um terror de dormir!!! Levem isso em consideração. No mais, quando você compra a passagem pode pedir alimentação diferenciada. Eu pedi comida indiana vegetariana. Uma delícia. No voo de ida, o de doze horas, eles servem janta e café da manha. Ainda há vinhos e etc, mas pagos à parte. Pedindo uma alimentação diferente da tradicional, você também é atendido antes. Na poltrona em frente à sua haverá uma tela com ampla opção de filmes, séries, musicais etc. Eu assisti "Os Goonies", um seriado canadense chamado "People of Earth" e um documentário turco chamado "Kedi (sobre os gatos em Istambul)", rs, se tivesse mais tempo teria assistido "Alien". As maioria deles tem audio ou legenda em inglês. Nenhum em português. Na ida, os funcionários também não falavam português. Resultado do não-profissionalismo da Air Canada: Eu tive de ir num show de Rock carregando o mochilão! >- MALA PERDIDA -< No trajeto entre Toronto e Vancouver a Air Canada extraviou a minha mala!!! A retirei na primeira esteira e a carreguei e postei na esteira de bagagens do próximo voo, como eles mesmo recomendam, e chegando em Vancouver... nada do meu mochilão aparecer! Se imagine na situação de chegar num país estranho e sua mochila cargueira ter ficado no outro aeroporto. Pior... quando você não foi o único "felizardo"! A justificativa da empresa foi a chula possível dizendo que o voo já estava cheio e por isso deixaram algumas malas para trás em Toronto!!!!!!!!!!!!!!!!! Então, o funcionario me garantiu que a mala viria no próximo avião, que chegaria lá às duas da tarde, nisso eram meio-dia, e às 18 no máximo a mala já teria sido entregue na casa de minha amiga onde estava hospedado (que pegaram fone e endereço). Perdi a tarde inteira esperando a mala. NADA DELES CHEGAREM. Olho no site que me passaram e vejo que a mala "en route to deliver" e chegaria até às 22. Já era noite e resolvi ir para um bar na cidade com minha amiga. Achei que eles não entregariam na mesma noite ... e não entregaram mesmo!!!!! Ai ás seis da manhã a empresa começou a ligar no celular dela dizendo que a mala seria entregue das onze às 14. Não se verificou. Então, a gente ligando e eles dizendo que a mala seria entregue à partir das 15. Disse que não poderia esperar, pois meu festival começava naquela tarde de sexta-feira. Resultado? Tive de voltar no aeroporto e buscar a mala! A minha mochila cargueira sequer tinha estado em um caminhão para ser entregue! Perdi de passear sexta à tarde e sábado de dia sendo mantido, deliberadamente, em erro pela empresa! Após buscar a mala no aeroporto não tinha como ir até a casa de minha amiga e depois para o evento, então levei a mala enorme no show de rock. Imaginem o transtorno que não foi. Para piorar, já era sexta-feira e minha roupas que eu usava desde quarta-feira estavam imprestáveis. Tive de usar roupas emprestadas de minha amiga nesse dia. Imaginem o transtorno.... E se eu escolhesse esperar a mala ser entregue? Teria perdido o primeiro dia do festival que eu viajei para assistir? Seria a mala entregue naquele dia ou outra vez seria enganado? 06 . Vancouver - Locomoção pela cidade. Em Vancouver há um metro que sai do aeroporto e vai até o centro da cidade. Eles vendem o bilhete recarregavél que custa CAN 6,00, ou você pode comprar para usar somente numa das três zonas de metro ou comprar um bilhete diário. Por recomendação eu comprei um bilhete e o recarregava qdo tinha necessidade. Vc só pode recarregar ou comprar bilhetes nas estações de trem. Eu estive hospedado perto do PNE, numa travessa das Hastings, então se comprasse bilhete para um dia teria de pagar o ônibus para o centro toda manhã, pois não há estação próxima. Os ônibus funcionam bem e passam rápido. É fácil se locomover de busão por Vancouver. Os últimos da noite passam às duas e meia da manhã, recomeçando às cinco horas. Vancouver é uma cidade planejada, com ruas amplas e limpas e que não existem telefones públicos. O que ajuda é que os Starbucks coffe tem internet wi-fi liberada. No caminho do Centro para o Bairro seguindo pela Hastings existe a "cracolândia" canadense, que pouca se assemelha à brasileira. O governo compra seringas para evitar o contágio de doenças, então os viciados ficam vagando pela rua, tentando vender no estilo camelô ambulante suas quinquilharias como fitas vhs, barbeadores e utilidades do lar, mas não interferem na vida dos moradores ou turistas. Sendo entrevistado pela Rádio Rock 101. 06.1. Lugares para comer. O Canadá não tem comida própria; ou quase não tem. Você encontra Subway, todos esses fast-foods, no mesmo estilo dos que existem no Brasil e também comidas e restaurantes de uma infinidade de países como Vietnã, Taiwan, Coréia, Itália etc etc. Lembrando que mesmo nos restaurantes, em tudo que você compra incide imposto de 13%. Assim como no Reino Unido, os locais fazem churrasco com salsicha. Só fazia uma refeição por dia na rua, pois ou comia na minha amiga, ou no evento e no restante dos dias comi no trem, portanto, pouco tenho a acrescentar. 06.1.1 El Purgacito de America Restaurante de comida mexicana e el salvadorna que fica na Hastings. Além de inglês, o funcionários também falam castellaño. Foi o restaurante mexicano mais legal que conheci no Canadá. Eles também vendem tortillas, pimentas e outras produtos típicos para serem preparados em casa ou no Hostel. Endereço: 2522 E Hastings St, Vancouver, BC V5K 1Z2, Canadá. Telefone: +1 604-568-8591 Poutine 06.1.2. Smoke's Poutine A única comida tipicamente canadense que conheci é o Poutine. Num pote de papelão é colocado batata frita, com alguns legumes e molho de carne. Há mil variações possíveis: com queijo, carne, cheddar, linguiça, vegetariano (minha opção) etc. Não é lá tão saudável, mas achei válido conhecer. 06.1.3. La Taqueria Pinche Taco Shop. Restaurante de comida mexicana estilo fast food. Tem tortillas, quesadillas, tacos etc, mas não em tantas opções como o anteriormente citado. Não tem água de sabor, ou produtos típicos que podem ser levados para casa, mas permite um self-service de legumes para acompanhar os pratos. Os funcionários não falam espanhol. 06.2. Bares Noturnos. Em Vancouver os bares ficam abertos até as duas da manhã. 06.2.1. The 340 Pub. Pub muito legal com fliperama e karaoke. Excelentes opções de choops (ou pints, como eles chamam lá) e bebidas diversas. Eu gostei muito desse Pub, por ser bem Rock'n'Roll. Possui Wi-fi para clientes. https://pt-br.facebook.com/ThePub340/ Eu cantando no The 340 Pub. 06.2.2. What's UP. O Bar punk na Hastings. Quando cheguei lá tava rolando DOA e depois colocaram Johnny Thunders and the Heartbreakers. Tem vinho. Possui Wi-fi para clientes. https://pt-br.facebook.com/whatsuphotdogvan/ 06.2.3. Samesun Backpackers. O único bar não especificamente de Rock'n'Roll que fui, mas o som também não decepcionou, o ambiente é bem jovem e descontraido por ser o pub que fica embaixo do Hostel. Pessoas não hospedadas podem frequentar. Muitas pints, vinhos, drinks diversos etc. Let's have a Pint. 06.2.4. Astoria. Pub no estilo do 340 só que maior, com mais discotecagem, pois no outro é o tempo todo a galera cantando no Karoke. O palco principal também suporta eventos de bandas ao vivo, mas é cobrado um couvier para entrada. Possui telão e vários opções de Pints. https://www.facebook.com/astoria.hastings/ Canadenses tem o costume de deitar na grama das praças no horário de almoço, ou mesmo para aproveitar o dia. Essa praça fica próxima a estação de metro Waterfront. 06.3. O que visitar. 06.3.1. Callister Park É uma praça redonda enorme em pouco depois do PNE. Tem muitas árvores, parquinho para crianças, árvores gigantes, espaço para passear com os cachorros. Como era bem próxima à casa da amiga que me hospedou, eu ia lá fazer meus exercícios físicos pela manhã. Existe desde 1921. 2875 Oxford St, Vancouver, BC V5K 1N6. 06.3.2. PNE Colliseum Os discos ao vivo clássicos do NAZARETH E DO BLUE ÖYSTER CULT foram gravados lá. E até hoje o Pianin' continua recebendo artistas canadenses e internacionais de porte como DOOBIE BROTHERS, ROD ARGENT, ZZ TOP etc. Além disso, a arena também recebe milhares de outros eventos que não musicais e de rock. Também tem feirinha de artesanatos, parque de diversões e exibições diversas. Quando eu estava lá a taxa de entrada era CAN 25,00. https://www.pne.ca/ 06.3.4. Pendulum Gallery Construída em 1986 no espaço do Santander e do banco HSBC. Parece um vão fechado por vidros num shopping center. Eu só fui porque estava sendo exibida a mostra de um dos meus fotógrafos favoritos do Rock 'n' Roll, Bob Gruen. 885 W Georgia St, Vancouver, BC V6C 2G2 http://www.pendulumgallery.bc.ca/ 06.3.5. New Brighton Park. Parque urbano com espaços para caminhada, exercício físico, parquinho, bebedouros e mais um montão de coisas ao livre. Rola de ir a pé do PNE em dez minutos. O parque conta com uma área de piscinas para canadenses e associados. O mais legal desse parque, em minha opinião é New Brighton Park Beach, uma praia urbana muito legal. Ao invés de areias temos pedras, a água é muito salgado e fria, mas fria mesmo ainda que fosse verão. O visual é muito bonito com as pontes e montanhas ao fundo. Ainda que passem navios, o mar é bem limpo para o banho. Ainda que a água seja calma, saem algumas ondas e a maré sobe muito rápido. 3201 New Brighton Road, Vancouver, British Columbia, Canada https://en.wikipedia.org/wiki/New_Brighton_Park 06.3.6. Davies Street. A rua LGBT da cidade! Para saber mais, sugiro a leitura desse link. http://www.canadaparabrasileiros.com/vancouver/o-que-fazer-em-vancouver/a-famosa-davie-street/ Esse bar "Celebrities" citado no texto é a balada dos playboys. Eu não fui, pois não curto música eletrônica, esse tipo de ambiente caro. Outro texto muito legal é esse aqui: https://en.wikipedia.org/wiki/Davie_Village Nos textos não é citado, mas a rua também tem Sex Shops e bares de Rock. Todavia, os estabelecimentos voltados ao Rock'n'Roll não aceitavam pagamento em cartão e minha amiga estava sem dinheiro vivo. É muito legal lá, eu adorei. Se vc reparar nas fotos as faixas de pedestres são com as cores do arco-iris, assim como o simbolo da comunidade está também nos semáforos, bares, enfim, por todos os lugares! 06.7. Long live Cats and Dogs Pet shop com temática de Rock''n'Roll. O próprio nome vem do disco Long Live Rock'n'Roll do Rainbow. Vendem camisetas de Rock com temática felina e canina, botons e demais acessórios. Também organizam eventos underground de Metal para arrecadar renda para tirar bichanos das ruas. 425 E Hastings St, Vancouver, BC V5L 1V3, Canada http://www.longlivecatsanddogs.com/ 06.8. FICOU FALTANDO Wreck Beach: praia de nudismo. http://www.wreckbeach.org/ Science World British Columbia: Museu da ciência. https://www.scienceworld.ca/ Stanley Park: terceiro maior parque urbano na América do Norte. http://vancouver.ca/parks-recreation-culture/stanley-park.aspx Jimi Hendrix Shrine: museu em homenagem ao guitarrista negro, canhoto, estadunidense que fez sucesso primeiro na Inglaterra. Fica numa rua de descida e parece ser bem tosco. Quando passei por lá, o proprietário não estava. Não tive oportunidade de voltar. 432 Homer St, Vancouver, BC V6B 2V5, Canada. https://www.tripadvisor.com.br/Attraction_Review-g154943-d2715734-Reviews-Jimi_Hendrix_Shrine-Vancouver_British_Columbia.html English Bay: praia que fica no final da Dave St. Infelizmente, só puder ir a rua de noite. 06.4. Lojas de Disco. FIQUEI DUAS HORAS EDITANDO ESSES TÓPICOS E UM ERRO NO SITE FEZ EU PERDER TODO O TEXTO. FODA-SE. Ficará sem! Highlife Records Beatstreet Records Red Cat Records Audio Pile Records Neptune Records Buzz Rock Store 06.5. Lojas de Bebida. Diferente do Brasil, no Canadá NÃOOOO se vendem bebidas em mercados, quiosques, lojas de conveniência etc. Só se vendem bebidas alcoílicas nas chamadas Liquor Stores. Para se comprar um goró você deve ter mais de 19 anos e apresentar dois documentos, um deles com foto. Por exemplo: seu passaporte e seu cartão de crédito para mostrar que é o mesmo nome. Existe uma variedade impressionante de bebidas nesses lugares, pois só vendem isso. Atenção, os mesmos fecham as 23 horas, por isso tome cuidado para não ficar sem ter onde beber, rs! Atenção também para os preços, pois é tudo muito caro. Um vinho similar ao Mioranza, que custa R$13,00 no Brasil é o Screw It, que no Canadá custa CAN $ 10,00. 06.6. Loja de Acessórios / Camisetas Rockers Vancouver Rock Shop Desde 1973. A maior loja que já vi na vida! 1076 Granville St, Vancouver, BC V6Z 1L5, Canadá https://www.facebook.com/THE-VANCOUVER-ROCK-SHOP-91056581622/ 06.7. Loja de Quadrinhos Golden Age Collectables http://gacvan.com/ 852 Granville St, Vancouver, BC V6Z, Canadá Conhecendo a banda de Glam Rock canadense SWEENEY TODD. 06.6. Rock Ambleside Park. O festival que motivou a viagem em primeiro lugar. É um festival grande, com capacidade para umas 3 mil pessoas. O que me impressionou foi que a faixa-etária dos presentes fosse bem mais alta do que se esperaria de um show semelhante no Brasil ou na América Latina. Saltou a vista também a quantidade de pessoas que foram ao festival e levaram cadeiras para assistir aos shows sentados. A praça de alimentação era toda desses food-trucks gourmets, sendo que os pratos mais em conta saiam não menos de Can $ 10,00. A cerveja em lata mais barata vendida saia Can $ 7,85. Achei um roubo e não bebi no evento (que começava às 15 e terminava às 21, com tempo de passar nas Liquor Store do Centro). Com algumas das poucas pessoas de visual na platéia. Sexta: Harlequin, The Stamperders & Platinum Blonde Sábado: Helix, Nick Gilder & Sweeny Todd, Honeymoon Suite & Randy Bachman (ex- BTO e ex- The Guess Who) Domingo: Pirms, Headpins, Glass Tiger & April Wine O público, tinha dinheiro para gastar em tudo que era caríssimo no evento. Também haviam poucas pessoas de visual Rocker mesmo, como veríamos num festival semelhante no Brasil. Havia uma área vip com fliperamas etc, só que o ingresso era bem mais caro. Após os shows todas as bandas, menos a última da noite, iam a uma área designada para dar autógrafos e tirar fotos com os fãs que esperassem em fila para falar com eles. Herdando a pontualidade inglesa, os shows começavam no horário. A única banda que atrasou foi o Helix. O grupo de Hard 'n' Heavy do final dos anos setenta foi também a única banda que só levou merchandinze para vender no dia de sua apresentação. As demais tinham camisetas, discos etc disponíveis os três dias de evento. 07 . Via Rail: de Vancouver a Toronto. Viajar num trem de passageiros era um desejo forte para mim que sou fã dos filmes de faroeste. Logo, achei que seria uma oportunidade seminal esse coisa de pegar um trem e conhecer várias cidades e estados canadenses em poucos dias. De verdade, o preço de uma passagem aérea não é tão mais barata que a viagem na classe Sleeper Plus do trem. São quatro dias, ao invés de quatro horas, de viagem. Você passa por quatro fusos horários, diversas paisagens lindas. É como se fosse um cruzeiro, segundo dizem, já que nunca estive num, mas sobre trilhos. As comidas são excelentes e o staff, a tripulação, é exemplar. Seria uma viagem fabulosa e fantástica, se não atrasasse tanto. Quem quiser saber mais sobre a viagem recomendo esses links: http://ramalho.com.br/atravessando-o-canada-de-trem-toronto-a-vancouver/ https://oicanada.com.br/21564/os-pros-e-contras-da-viagem-de-trem-pelo-canada/ http://comoviaja.com.br/viagem-trem-canada-toronto-vancouver/ Lembrando que fiz o percurso de Vancouver a Toronto e a maioria dos relatos conta o caminho inverso. O site da Via Rail não aceita cartões de créditos brasileiros, mesmo que internacionais. Quem quiser comprar antecipadamente as passagens terá de fazê-lo por esse site: http://canadadetrem.com.br/via-rail/via-rail-no-brasil/ Sendo sincero hoje e olhando em retrocesso, só faria a primeira parte da viagem. O por quê? Vou explicar na parte final desse relato. 07.01. Advertência - atrasos. Eis o motivo dos atrasos: às vezes se esperava mais de uma hora para o trem cargueiro passar. Diferente da Europa, em que os trens estão sempre no horário, no Canadá, o transporte de pessoas não é prioridade. Repito, na América do Norte o transporte de gente é preterido sobre o transporte de coisas. Após o segundo dia de viagem, o trem começa a atrasar cada vez mais. O motivo é que cada trem cargueiro que passa, o trem de passageiros tem de parar no cruzamento dos trilhos e esperar o cargueiro passar. Essa viagem de Vancouver a Toronto acontece uma vez por semana, saindo nas terças-feiras. O meu trem atrasou em 12 horas! Eu, que imaginava que teria um sábado para conhecer Toronto, quase que não cheguei a tempo de embarcar de volta para o Brasil. O trem da semana anterior ao meu ATRASOU 20 HORAS!!!! Será que no velho oeste eles atrasavam tanto? As empresas no Canadá são mais vigaristas que as brasileiras. Se você reclama diz que vai perder o voo, pergunta se eles te reembolsaram caso você perca o voo, perca a reserva no hostel etc eles te dizem um sonoro não. Você está por sua conta e risco. Por isso mesmo que eu NÃO indico essa viagem de trem. Por causa dos atrasos, algumas paradas como Winnipeg, que seria às 18 horas, com uma hora para andar e conhecer a cidade aconteceu à três da manhã. Onde você vai esse horário num país onde tudo fecha às 2? Sem contar que algumas paradas de uma hora são diminuídas para quinze minutos para economizar tempo (que será gasto esperando o próximo trem cargueiro passar). De verdade, essa foi uma parte das férias que me arrependi. Ainda assim, quem quiser fazer, não marque algo no mesmo dia que o trem está previsto para chegar, pois ele ira atrasar e muito. Pelo menos em dez horas. 07.02. Acomodações, Banheiros etc. Poltronas do Sleeper Plus durante o dia. Poltrona transformada em cama para a noite. Chuveiro e vaso sanitário pia são em banheiros diferentes e a água é sempre quente. O Trem é ar condicionado o tempo todo. Você não pode abrir as janelas. Você se sente dentro de uma geladeira. Cuidado quem tiver rinite! Ainda assim, ele é confortável para dormir. À exceção da primeira noite, talvez por estar agitado, todos os outros dias eu dormi muito bem em minha poltrona. Também não tive problemas em usar os banheiros. De verdade, fiz até meus exercícios físicos nos corredores do trem. À também as cabines para uma pessoa. No caso do Sleeper Plus eles passam uma cortina grossa fechando fechando os beliches. Você tem que dormir na cama com suas duas malas de mão. Também não há tomadas no vagão para carregar celular tablet (somente no banheiro do vaso sanitário). As cabines já tem todo esse luxo. Há cabines para duas pessoas / casais. Vagão panorâmico. Toda noite, a tripulação oferece um chocolate, protetores auricolores, e cobertas e toalhas aos sleeping passengers. Há também a classe econômica, em que você vai, como se fosse num ônibus de viagem. Para quem vai pegar o The Canadian, passeio de quatro dia, essa opção NÃO É RECOMENDADA sob qualquer hipótese. 07.03 . Alimentação à bordo. De longe, de longe, a melhor parte da viagem de trem é a alimentação. O cardápio de café da manhã, almoço e janta tem sempre quatro opções diferentes, sendo três com carne uma vegetariana e sempre incluem sobremesa. Eu, que sou vegetariano, fiquei sempre na última opção do menu. Opções essas, importante ressaltar, sempre variadas. Eles também oferecem vinho e cerveja, que são pagos à parte. Uma coisa legal e muito interessante é que nas três refeições, que são feitas em três partes, a tripulação junta na mesma não só quem está viajando junto. Assim os passageiros não ficam sozinhos e são "forçados" a interagir entre sí. No café da manhã você pode aparecer quando bem entender dentro do horário das oito às dez. Já no almoço e janta você tem que agendar um três horários disponíveis dos três um dia antes. Parada em Jasper. A Única que é legal no passeio. 07.04. Paradas. Dos inúmeros sites e blogs comentando o passeio The Canadian, da Via Rail, NENHUM conta como, quando e quantas paradas possui a viagem. Vamos a elas. O trem parte da estação de Vancouver próxima à estação ciência na Terça-feira. É preciso chegar, pelo menos, com meia hora de antecedência. QUARTA-FEIRA - Parada de 1h30 em Jasper / Alberta. A parada se faz logo após o almoço, pois até essa parte da viagem, o trem segue no horário. O TREM NÃO POSSUI SINAL DE WI-FI, sendo essa uma das poucas paradas em a internet pode ser acessada da rodoviária. O visual das montanhas rochosas é lindo, enatador. A parada é de longe também a mais preparada para receber os turistas, possuindo lojas, restaurantes, praças etc. Faz valer a viagem e dá vontade de ficar uns dias lá. Edmonton, em Alberta. Parada noturna. QUINTA Sakatoon, em Saskatchewan - Ainda que a cidade seja enorme, o terminal ferroviário é no meio do nada. A estação não tem internet. Parada de 20 minutos. Melville, em Saskatchewan - uma pequena e aprazível cidade. A estação também não tem sinal de internet. A loja de rock The Buzz Rocks (foto acima) tem sinal de Wi-Fi gratuito. A parada deveria ter sido de uma hora, mas para poupar atrasos, foi só de 20 minutos. Winnipeg, em Manitoba - essa deveria ter sido outra parada tão legal quanto a de Jasper, mas não foi. Pelos atrasos o trem só chegou lá de madrugada. Sem parque, sem mercado municipal, sem nada para ver ou fazer. Ao menos essa estação tem sinal de internet. SEXTA Sioux lookout, em Northwest Ontário - Cidade pequena, mas com a estação no coração da mesma. Tem farmácia logo em frente, praças, lugares para se ver e livraria católico carismática Good Books oferece internet mesmo para quem não gastar nela. Horne Payne, no distrito de Algoma em Ontário - cidade de menos de dois mil habitantes. Outra vez o trem para 20 minutos. Ao que parece, a rodoviária é num bairro bem residencial. Capreol, na região metropolitana de Subury em Ontário - cidade também de poucos de habitantes, numa região com pouco o que se ver em que o trem para por poucos minutos. SÁBADO Toronto, capital de Ontário. Centro financeiro do Canadá. Não bastasse a enrolação toda com os trens cargueiros ao longo da viagem, o desembarque das malas é lento e moroso. Infelizmente só conheci pouco, e somente o aeroporto. De frente para a estação de trem sai UNION PEARSON EXPRESS, com trens saindo para o aeroporto a cada 15 minutos e percurso demorando cerca de 30 minutos. 07.05. Dia-a-dia à bordo do Trem. O The Canadian sai bem cheio de Vancouver. Há excursões de velhos, que saem da capital de BC e ficam em Jasper. De verdade, na parada de Edmonton, ao fim das montanhas rochosas, o vagão panorâmico é tirado do trem, assim como três carros de cabines individuais são descarrilhados. Se você quiser aproveitar o vagão todo de vidro, terá de ser no primeiro dia. Isso não significa que não hajam vagões específicos para se observar as deslumbrantes paisagens. O trem fica dividido após Edmonton em dois vagões de passageiros e a classe prestige (de alto, alto, alto luxo). Então, teremos os vagões de dormir, o vagão de refeições, o da vista / de atividades. Na minha viagem havia aulas diárias de Ioga na vagão de atividades. Também lá ficam revistas e jornais diversos. À noite, a tripulação passa filmes. Ainda que quatro dias para ficar dentro de um trem frio como uma geladeira possa parecer muita coisa, a viagem passa rápido e não é entediante. O maior ponto negativo são os constantes e estressantes atrasos. Eu que esperava conhecer Toronto sai frustrado da viagem. Para quem consegue levar um livro para ir lendo por horas à fio, ou gosta de jogar xadrez, carteados e similares com os outros passageiros, a viagem é bem confortável. A maioria dos passageiros tem ou perto ou acima dos 40 anos. Pouco se vê jovens ou adolescentes nessa viagem (e quando se vêm estão acompanhados dos pais). 08 . A modo de conclusão. O saldo final da viagem, é claro, foi positivo. Devo confessar que a trocaria a parte do trem por dois em Vancouver e dois dias em Toronto. Ficaram faltando praias, parques, lojas de discos a conhecer. Para quem, como eu, gosta muito de andar, tocar para conhecer o lugar a viagem de trem pouco ou nada acrescenta. Excluindo-se a parada de Jasper, todas as outras são rápidas ou em lugares e horários inóspitos (em quase sempre as três alternativas juntas). Fiquei também com vontade de colar num show mais underground por lá. Será que irão mais jovens no visual como acontece aqui na América Latina? Gosto muito de comida mexicana, mas fazendo o mea culpa, acho que teria encontrado opções muito interessantes da culinária tailandesa, vietnamesa etc que fossem vegetarianas. Ainda que tenha gostado de tudo que vi, gostaria de ter visto e conhecido mais. Ter tido a oportunidade de fazer outros rolês e baladas à noite que não somente o festival. Uma pena que os preços sejam tão caros, pois como já foi citado uma lata de cerveja na loja de bebidas, que aqui seria uns R$3,50 lá no Cánada custa Can $ 3,50. Enfim, já está marcado a segunda edição do Rock Ambleside Park para agosto de 2018. Será uma ótima oportunidade para compensar essas falhas na viagem. Vocês não acham? Encerrando aqui, deixo um abraço, para quem acompanhou e leu todo esse relato. Até outro mochilão, em 2018, buscando conhecer outro país e outros shows de Hard Rock! Cambio e desligo! * Willba (sociólogo e jornalista musical). Bônus track: Para quem se interessou pelo festival, ou gosta do Rock pesado canadense, o mesmo foi abordado em uma edição de meu programa de rádio. https://whiplash.net/materias/news_775/269618-aprilwine.html
  8. Mochileiros.com

    Trans Canada Trail

    A Trans Canada Trail é uma rede que conecta mais de 500 trilhas com percurso total de 24.000 km ligando o Canadá de costa a costa. As trilhas, dependendo da seção, podem ser percorrida a pé , de bicicleta , de cavalo, esqui ou snowmobile É considerada a rede de trilhas mais longa do mundo. A seção principal atravessa áreas do sul do Canadá conectando a maioria das principais cidades do país com áreas mais populosas. Há também um longo braço ao norte que atravessa a província de Alberta e vai até Edmonton e depois atravessa o norte da Columbia Britânica até o Yukon . A Trilha é equipada com alojamentos regularmente espaçados que fornecem abrigo, bem como água fresca para os viajantes, mas isso varia muito de seção para seção, e particularmente de província a província.
  9. Obs: Esse é um relato resumido de minha viagem. Para mais detalhes, bem como outros destinos por todo o mundo, confiram em meu blog: http://rediscoveringtheworld.com/ Dia 1 Em 1º de junho de 2017, parti para minha aventura mais radical até o momento. Com passagem de ida emitida por 37 mil milhas Smiles, segui de Floripa a Calgary, no Canadá. Como eu já tinha visto americano, precisei apenas do eTA, emitido pela internet em 5 minutos, ao custo de apenas 9 dólares canadenses (22 reais). A primeira conexão, indo pela Gol, foi em Buenos Aires-Ezeiza. Ô aeroportozinho mais caro esse - uns 20 reais para um salgado. Ainda bem que tinham dado um sanduba no voo e eu também tinha levado comida junto. Ao menos a internet é liberada no terminal. Passei a noite no voo da Aeroméxico até a Cidade do México. Só que peguei um avião meio velho e com refeições não muito decentes. Dia 2 Tive uma longa escala no terminal 2 da Cidade do México. Até pensei em dar uma volta no centro, mas como eu já tinha estado por lá, achei melhor não arriscar ter minha câmera usurpada. Pra quem fica, tem wi-fi livre no saguão. Passei o dia entre a leitura de um livro de aventura em meu leitor digital Kindle e as refeições de comida típica mexicana nas várias opções da praça de alimentação. Aqui os preços foram um alívio. Paguei cerca de 4 dólares num omelete de queijo branco e cogumelos + tortilhas com feijão + suco de tamarindo. No final da tarde, voei na rota da Aeroméxico inaugurada no dia anterior, até Calgary. Ao desembarcar à noite, na própria área externa do aeroporto paguei 10 dólares (daqui pra frente canadenses - cotação ~ 2,40) numa máquina de cartão e esperei o ônibus nº 300 que vai até o centro da cidade, desembarcando a poucas quadras do HI-Calgary City Centre Hostel. Lá, paguei os 34 dólares pela noite (+5% de taxa sobre todos produtos e serviços no país) com café da manhã, tomei aquele banho e capotei. Dia 3 Tive um café decente e o albergue limpo e ajeitado. Então, peguei a linha de bonde que cruza o centro e depois um ônibus de tarifa separada (3 dólares), pois era de outra cidade, até chegar ao shopping outlet CrossIron Mills. O passe diário válido para os meios de transporte público somente de Calgary custa 10 dólares. No mesmo modo dos outlets americanos, esse possui uma grande área horizontal, com lojas de marcas conhecidas e produtos com desconto. Mas eu vim aqui apenas para comprar equipamentos de camping na Bass Pro Shops, uma incrível loja com tudo que você pode precisar para atividades ao ar livre. Fiquei horas e gastei uma pequena fortuna. Mesmo que eu já tivesse o equipamento, precisaria ainda comprar o spray de pimenta para urso e o cartucho de combustível gasoso, pois não é permitido carregá-los no avião. O spray, inclusive, não pode nem ser portado por civis no Brasil. Almocei no Subway (10 dólares pelos 30 cm), enquanto reparava na diversidade da população, composta por muitos imigrantes. Não consegui distinguir a etnia majoritária. Regressei admirando as Montanhas Rochosas cobertas de neve no fundo do horizonte, enquanto aqui fazia inacreditáveis 26 ºC. Em sequência, saí para caminhar pelas áreas verdes ao redor do centro, no Rio Bow. O principal parque fica na ilhota Prince’s Island e conta com atrações para toda a família. Havia bastante gente lá nesse sábado… ...Ao contrário do centro. É incrível como este é pequeno e silencioso pra 3ª cidade mais populosa do país, ainda que tenha cerca de 1,3 milhões de habitantes. Prédios altos e modernos escondem alguns menores históricos. Entre os pontos de interesse está a Calgary Tower, torre de observação que não é mais o edifício mais alto da cidade. Outro é a rua dos bares, a Stephen Avenue, movimentada naquele final de tarde. Depois de muito rodar, achei um lugar mais em conta pra jantar, no fast food Tim Hortons. Vi o pôr do sol no parque do Fort Calgary. Seria interessante se não houvesse uma congregação de drogados consumindo suas desgraças por ali, sendo que não foi o único parque em que vi essa cena lamentável. Dia 4 Acordei bem cedo para pegar o ônibus da Greyhound até Banff (18 dólares). Foi uma hora e meia num ônibus decente, passando por paisagens cênicas. Ao chegar pela rodoferroviária, fui direto ao centro de visitantes do Parque Nacional Banff, pois precisava fazer a reserva nos acampamentos dos dias seguintes. Para minha decepção, a trilha de 4 dias que tinha planejado (Sawback Trail) estava fechada devido a avalanches. Com isso, tive que improvisar, de acordo com as sugestões das atendentes. Deixei a mochila no Samesun Banff Hostel, minha hospedagem de 45 dólares, e fui conhecer a cidade. Para qualquer lado que se olhe, a vista das montanhas nevadas e florestas de coníferas é incrível. A isso, soma-se um pequeno centro charmoso, limpo e organizado. Tive dificuldade com as refeições, pois era tudo caro. Com sorte, esbarrei num Subway que estava com uma oferta de um sanduíche de 30 cm por apenas 6 dólares. Só pra comparar, na hamburgueria ao lado, o sanduba mais barato custava 15 pratas! Satisfeito, entrei no próximo Banff Park Museum. Assim como as demais atrações nacionais naturais ou históricas, esse museu é gratuito em 2017, devido à comemoração dos 150 anos do Canadá. É basicamente uma porção de animais empalhados, representativos da fauna do parque. Dali caminhei até o distrito Cave & Basin, do outro lado do Rio Bow (o mesmo que passa por Calgary, nomeado por ser de onde era tirada madeira pra construção de arcos pelos indígenas). Indo em direção à trilha Marsh Loop, consegui fotografar um coiote a distância, enquanto um cara que passou por mim viu um urso por ali! A trilha em si, bastante frequentada por passeios à cavalo, é um banhado de águas razoavelmente quentes, devido às fontes termais surgentes na montanha logo acima. A descoberta dessa fontes no fim do século 19 por trabalhadores da ferrovia, teve tamanha importância que ali foi fundado o primeiro parque nacional canadense, expandindo-se para o que é Banff hoje em dia. Do ponto de vista biológico, esse local apresenta fauna e flora endêmicas, tanto pelo excesso de enxofre quanto pela temperatura boa até no inverno. A única cobra do parque vive ali. Já um pequeno caramujo é o xodó das fontes, por não existir em nenhum outro lugar do mundo. Você pode observá-lo na bacia ou na caverna do Cave & Basin National Historic Site, onde ficavam as antigas piscinas por onde brota a água termal sulfurosa. Na volta, passei na Indian Trading Post, loja de souvenires que vende artigos produzidos no Canadá e até mesmo elaborado pelos índios nativos, chamados aqui de First Nations. Há variedade e os preços são um pouco melhores do que das outras diversas lojas desse tipo na avenida principal. Nessa hora a chuva iminente desabou e não parou mais. Como estava perto do McDonald's, jantei ali mesmo, gastando tão pouco quanto no Subway. Voltei ao albergue pra resolver minhas coisas. Dia 5 Tomei um café razoável e parti no ônibus gratuito até o Lago Minnewanka. Havia bastante turistas por lá. O dia estava ensolarado, mas só foi o tempo de eu chegar no lago pra tirar uma foto que uma chuva forte desabou. Foi a hora de testar meu traje à prova d'água da North Face, que funcionou. Com isso, caminhei até a ponte do cânion Stewart. Não pude ir além porque a área foi fechada pela presença de urso. Dali, caminhei mais um pouco pela rodovia até o começo da trilha Cascade. São 5 km e meio de cascalho, às vezes inundado, até o acampamento. Um pouco de subida no começo, que não facilitou nada pra quem tava carregando pelo menos 18 kg no lombo, já que havia comprado mantimentos pra trilha de 4 dias. Enquanto o tempo mudava constantemente, a paisagem de pinheiros, riachos, lagos e montanhas, nem tanto. Passei por uns ciclistas no caminho. De animais silvestres, só um esquilo e alguns pássaros. Ao cruzar a ponte do Rio Cascade, cheguei ao acampamento. Entre os preparativos, como armar a barraca, tem-se o curioso içamento da comida por um cabo até uma altura que um urso não alcance. Comi uns frutos e grãos desidratados e dei uma volta pra tentar achar algo pra fotografar. Nenhum bicho maior que mosquito, infelizmente. Pro jantar preparei um macarrão com queijo liofilizado em meu fogareiro compacto, junto com um cartucho de gás e a panela de titânio. Quando vi a cara da comida no pacote não botei fé, mas estava delicioso. Enchi o bucho. O camping possui apenas 5 pontos para colocar barracas. Tive outros 3 vizinhos, sendo uma dupla de caras, duas canadenses e um pai e uma filha americanos, com os quais fiquei batendo um papo ao redor da fogueira enquanto esperava a noite surgir. Pelas 11, quando fui dormir, o céu ainda não estava preto, apenas no crepúsculo. Total caminhado no dia: cerca de 11,5 km. Dia 6 Acordei algumas vezes passando frio e tendo que colocar mais camadas de roupa, pois fez em torno de -1 ºC nessa madrugada. E a escuridão não chegou em momento algum, nem mesmo quando a lua quase cheia se foi. Ao contrário da janta, meu café tava bem ruim, quase não consegui tomar o leite com granola e morango liofilizado, que em teoria deveria ser bom. Desfiz acampamento e regressei, sem nada de novo a ver na trilha… até chegar ao fim/início dela. Nada menos que um uapiti (Cervus canadensis), uma espécie de cervídeo de grande porte, surgiu em minha frente e ficou ali pastando por um bom tempo. Logo que comecei a fotografar, muitos curiosos apareceram, já que era bem próximo da estrada. Antes de voltar pra cidade no ônibus gratuito, vi ainda uma engraçadinha marmotazinha ao redor de sua toca subterrânea. E de dentro do ônibus, um carneiro-selvagem, aquele que tem os chifres curvados. Parei no Subway pra matar a fome e usar o wi-fi. Em seguida, caminhei em direção à entrada da trilha do Rio Spray, passando pelas quedas Bow Falls no caminho. Essa trilha começa no campo de golfe do luxuoso hotel Fairmonts. No caminho você vê o teleférico que leva das fontes Upper Springs até o topo da Sulphur Mountain. A passagem é mais bonita do que a da trilha da manhã, mas assim como aquela, é frequentada por pedaleiros. Vi praticamente a mesma fauna e flora de lá, até chegar no camping, já com o sol sumido atrás da montanha. Os únicos que estavam lá na beira do rio com a barraca armada eram os dois americanos que acamparam no mesmo lugar que eu na noite anterior. Ao checar a área de preparação de comida e estocagem, adivinha quem estava por lá procurando alimento? Sim, finalmente consegui ver um urso! Mais precisamente dois, dos negros. Um deles ficou me encarando à distância, mas como estava meio escuro e ele escondido, tentei chegar mais perto pra foto - uma mão na câmera e outra no spray de pimenta. Só quando fui em direção a ele, o mesmo se mandou morro acima. Outro avistamento que tive foi enquanto preparava minha janta de galinha à la mesquite (seja lá o que for isso) com feijão e arroz. Do nada apareceu outro uapiti, que nem demonstrou medo enquanto comia mato perto de mim. Contente com o dia proveitoso, me retirei após os americanos fazerem o mesmo. Dessa vez me preparei melhor pra outra noite abaixo de zero graus. Usei 2 camadas de roupa na cabeça, 2 nas mãos, 2 nos pés, 3 nas pernas e 4 (!) no tronco. Meu vizinho ainda me emprestou uma lona para enrolar ao redor do meu saco de dormir, mas isso só fez com que ele ficasse úmido, já que a transpiração de meu corpo não conseguiu passar pelo alumínio da lona. Total caminhado no dia: 13,5 km. Dia 7 Me despedi da dupla e conheci outra, de adolescentes cicloturistas canadenses. Assim que eles deixaram o acampamento, vi dois veados passeando pela outra margem do rio. E quando eu estava a partir, passei pela cozinha do acampamento, e o mesmo uapiti do final do dia anterior estava lá (eu sei que é o mesmo porque havia marcação nele). Em seguida, parti colina acima, cruzando a ponte para seguir pela Goat Creek Trail até a cidadezinha de Canmore. A trilha é longa, meio monótona e bastante inclinada. O mais recomendado é fazer no sentido contrário ao meu e de bicicleta. Parei pra almoçar num trecho do rio que acompanha a trilha. Enquanto eu espantava as mutucas, ou seus equivalentes canadenses, fui preparar a quarta refeição com o pequeno cartucho de gás de 100 g. Somente​ ao abrir o pacote de macarrão que fui perceber que ele já estava vencido a alguns meses… Azar, no máximo eu mandaria os restos dele embora mais cedo que o previsto (o que não ocorreu). Ao sair do parque, algumas horas depois, as coisas ficaram mais interessantes. Nesse ponto vi uma lebre, e o cenário a seguir, na mais alta elevação da trilha a 1650 m, era deslumbrante. Montanhas cobertas de neve, paredões de rocha, florestas, lagos e a vista da cidade no vale abaixo. No desfiladeiro ao lado do Whitemans Pond, um bando de carneiros-selvagens estava à toa, escalando e comendo o mato. A trilha para descer até Canmore é uma de verdade, com pouca abertura e desníveis e obstáculos constantes, e não aquela estrada de chão da Goat Creek Trail. Quase torci meu pé e deslizei na descida, mas ainda assim prefiro desse jeito. O nome dessa rota é Grassi Lakes Trail, em homenagem ao homem que a criou nos anos 20. Vários escaladores estavam praticando naquele momento sobre os lagos turquesas da rota. Continuei até o centro da cidade, com o corpo quase todo dolorido e com feridas nos dedos do pé, mas satisfeito. Dormi no Banff International Hostel, já que não havia mais vagas no que fiquei anteriormente. Tava bem salgado o preço, 55 dólares! Total caminhado no dia: 23 km! Dia 8 Ao menos o café da manhã foi ótimo. Pão com geleias de vários sabores, suco, algumas frutas, brownie, bolo e cereais. Enquanto fazia a digestão, peguei o translado gratuito que sai a cada 20 min do Elk + Avenue Hotel em direção ao teleférico Banff Gondola. Para quem não quiser subir a pé, o ingresso ida e volta custa 62 dólares. Chegando lá, comecei a caminhada íngreme ao topo da Sulphur Mountain. A trilha possui cerca uns 5,5 km de extensão e mais de 650 m de desnível. Apesar do tempo indicado para vencê-la ser de 3 a 4 horas, levei uma hora e meia, incluindo paradas. O sendeiro é um ziguezague sem fim sob o teleférico e entre pinheiros. Em uma parte há vista para uma cascata de degelo. Fora isso, só vi uns carneiros-selvagens e esquilos terrestres. O melhor fica no topo. O centro de visitantes, além dos já esperados restaurantes, mirantes, banheiros e lojas, inclui ainda um centro de interpretação bem interessante. Do lado de fora fica ainda um tablado que leva ao pico Sanson (2280 m), onde jaz a cabine da antiga estação meteorológica. O local já abrigou também um importante receptor de raios cósmicos. Nessa parte exterior a vista 360º é totalmente demais. Várias montanhas, lagos e a cidade de Banff estão na mira. Além disso, tive a sorte de ver e fotografar uma gorducha marmota branca (Marmota caligata). Porém, quando eu olhei pro relógio, tomei um susto. Já era 4 da tarde, sendo que o último ônibus grátis para a vila de Lake Louise sairia em uma hora! Sem pensar muito, levei meia hora pra descer correndo o mais rápido que pude a montanha. Ainda contei com a sorte do ônibus pro centro da cidade estar saindo no momento em que cheguei. Corri de novo até a hospedagem a fim de pegar minha mochila e de lá pra estação rodoferroviária, chegando no exato instante em que ele estava para partir! Que sufoco! Entrei no ônibus mais ensopado do que se tivesse tomado um banho e tentei relaxar pelos 64 km seguintes. A rodovia é cheia de corredores de fauna, que são passagens vegetadas como se fossem pontes verdes sobre ou sob as vias, para que os animais possam cruzar livremente sem ser atropelados ou atrapalhar o trânsito. Fiquei novamente hospedado em um albergue da rede HI, dessa vez o Lake Louise Alpine Centre, de 45 dólares. O lugar é simpático, mas fica ao lado da ferrovia e os trens de carga não deixam o ambiente muito silencioso. Assim que botei os pés no albergue, caiu um temporal e a luz junto. Consegui ainda tomar um banho quente, mas nada da eletricidade voltar. Aproveitei pra lavar a roupa. No meio tempo, chegaram 2 brasileiros no meu quarto (Larissa e Rafael). Passamos o resto da noite conversando e comendo o que nos sobrou. Total caminhado (e corrido!) no dia: 15 km. Dia 9 Ainda sem eletricidade, não consegui achar um lugar sequer no vilarejo pra comprar comida, terminando com a minha estocada. A cada 15 minutos sai um ônibus gratuito do vilarejo pro lago, que fica a alguns km subindo morro. Embarquei num desses. Lá em cima fazia um frio maior do que eu esperava. O vento mesmo, era estraçalhante. Subi quase correndo a trilha do mirante pro hotel Fairmont, o único que fica em frente ao grande Lago Louise. Nesse trecho já havia várias faixas de neve e gelo. Mas a vista pro lago em si não é das melhores, devido aos pinheiros cobrirem a visão. Na beira do lago há um caminho bem acessível que circunda boa parte dele, onde fica lotado de turistas. Dali a visão do lago glacial cercado de montanhas íngremes semi-vegetadas e com a geleira Victoria ao fundo, é mais que bonita. Entrei um pouco no hotel para me esquentar. Lá há uma lanchonete de comida saudável, que foi onde almocei. Uma tigela de açaí por 12 dólares - caro, mas o restaurante seria ainda mais. Fui até o final da via pedestre do lago. Podia ter pegado uma trilha bem inclinada até o belo Lago Agnes, mas o tempo cronológico e o estado do meu corpo não permitiram. Com isso, fui até metade do sendeiro que inicia no fim do lago, o Six Plains Glacier Trail. Passei deslizando por cima de pequenas avalanches e parei ao longo do rio formado pelo degelo dessa baita geleira, onde ocorre a zona de mistura das cores da água. Tive que voltar a passos rápidos para novamente pegar o último ônibus, das 18 h. Como a luz tinha voltado, dei uma volta no centro comercial da vila. Ali ficam restaurantes, lojas de equipamentos esportivos, de souvenires e um mercado. Esse, até que tem boa variedade e preços. Arranjei meu jantar. Fiquei enrolando no albergue até o suposto ônibus que me levaria pela noite toda até Vancouver. Mas… lembram da tempestade que acabou com a eletricidade? Pois bem, ela também interditou um pedaço essencial da rodovia. Com isso, o trajeto foi cancelado. O pior de tudo foi que a irresponsável empresa Greyhound nem chegou a enviar um email avisando! O resultado foi que tive que passar a noite no sofá do albergue pra não ter que pagar uma tarifa de hospedagem absurda de última hora. Total caminhado no dia: 12 km. Dia 10 Expliquei a situação ao motorista, que me deixou tomar o primeiro ônibus a Calgary, onde meio que resolvi a situação: passar o dia na cidade, embarcar à noite para Edmonton, e em seguida a Vancouver, indo por uma rota bem mais distante. Se fosse no Brasil, toda essa confusão daria causa ganha num processo… Deixei a mochila no guarda-volumes e, com o dia chuvoso e frio, peguei o bonde e passei a tarde no shopping Chinook Centre. É como um qualquer, com lojas de marca. No fim da tarde, parti pra Edmonton. O trajeto é todo rural, por um rodovia remendada. Aproveitei para ler o trecho final do “AWOL on the Appalachian Trail”, o relato de uma trilha longa de verdade. Chegando lá, esperei um pouco e embarquei até Vancouver. Os ônibus da Greyhound, assim como os da Megabus, não são os mais confortáveis para passar a noite. Nesse quesito os brasileiros ganham. Ao menos há tomada e wi-fi. Dia 11 Até que dormi bem, apesar das paradas constantes. Apenas às 4 e meia da tarde o veículo chegou em Vancouver. Como ainda tinha um tempo até o ônibus seguinte, saí para caminhar. Passei pela Carrall Street, que atravessa a Chinatown e a Gastown, bairros históricos com mais de um século de existência e artefatos, como o primeiro relógio a vapor. Infelizmente, havia uma alta concentração de sem-tetos, como não lembro de ter visto antes em lugar algum. Lixo também abundava pelas ruas. Desapontado com a primeira vista de Vancouver, só tomei um milkshake de bordo (a árvore que está na bandeira do Canadá) na sorveteria orgânica Soft Peaks, passei na feirinha chinesa pra comprar um carregador (perdi o meu havia uns dias) e voltei pra rodoviária. Às 20 h peguei a última condução da Greyhound com destino a Whistler, a 2 h de Vancouver. Saltei em Creekside Village, a área menos movimentada da cidade. Tanto que estava tudo fechado e quase sem luz na rua nessa hora. Tive que caminhar um pouco e subindo morro até chegar ao Whistler Lodge Hostel, que fica no bairro Nordic Estates, longe do agito. O albergue é bem limpo, organizado, equipado e confortável, além de ser auto-gerenciado pelos hóspedes à noite, já que o staff não fica por lá depois das 9 e meia. O valor? 39 dólares por noite, sem café. Cheguei já sendo bem recebido por um hóspede que estava indo embora e me deu sua cerveja. Como também estava com fome e não tinha o que comer, fiz bom uso da caixa de comida grátis. Dia 12 Pela manhã, peguei o ônibus nº 1 (2,5 dólares - troco exato apenas) até o Whistler Village, a parte mais central e importante em termos turísticos da cidade. Lá, retirei meu ingresso do Whistler Blackcomb, a empresa responsável pelos teleféricos, trilhas na montanha, pistas de esqui e etc. Na internet paguei 84 dólares pelo passe válido para a temporada. O complexo todo tem uma área enorme, maior que outros resorts de neve, mas pelo menos enquanto eu estive lá, estava subaproveitado, já que metade dos teleféricos e quase todas trilhas estavam desativados. Subi primeiro no bondinho fechado que leva à parte alta da montanha Whistler, onde ficam algumas das instalações. No caminho, reparei na quantidade de gente descendo as trilhas de downhill em bicicletas, nesse que descobri ser um dos principais parques para a prática desse esporte. Pena que o aluguel das bikes é absurdamente caro. Lá em cima, depois de admirar a vista, brinquei um pouco na área reservada para escorregar na neve com uma bóia, como uma criança que não teve neve na infância. Em seguida, subi a trilha Pika’s Traverse, uma estrada que passa entre paredes de neve até 3 vezes o seu tamanho! Da parte alta e final da trilha, a vista é ainda melhor. Lá fica um inukshuk, marco de pedra dos povos do Ártico. De volta ao meio da elevação, embarquei no teleférico Peak 2 Peak, que vai até a montanha Blackcomb. Esse transporte é o recordista mundial em altura (436 m) e distância​ sem sustentação (3 dos 4,4 km)! Ainda assim, não deu medo algum. Na tal montanha, era abundante a quantidade de marmotas, parentes grandes e gorduchos dos esquilos e que dão nome à cidade, devido a seus assobios de alerta. Esses estão domesticados a ponto de não terem mais medo dos humanos. Desci em mais 2 teleféricos, com o diferencial de serem abertos por todos os lados. Assim ficou fácil admirar o terreno abaixo. Esses deram um friozinho na barriga, principalmente quando pararam subitamente comigo no ar, levando quase 10 minutos pra voltar a operar. Ao sair, já era quase 5 da tarde, hora em que os teleféricos param de operar. Então, decidi percorrer algumas das muitas trilhas do Lost Lake Park. Caminhei horas mas só vi esquilos, além do tal lago e algumas plantas interessantes. Ao retornar à vila, encontrei o supermercado IGA, que fica no setor chamado de Marketplace. Esse foi o mercado mais completo que vi em minha breve visita ao oeste do Canadá. Comprei todas as minhas refeições seguintes ali. Fica difícil ser saudável com tantas guloseimas norte-americanas, como cookies, brownies, muffins e cupcakes. Total caminhado no dia: 15 km. Dia 13 Voltei à estância Whistler Blackcomb. Visto da base da montanha, dessa vez havia uma​ névoa bem densa. No caminho dos teleféricos inferiores não se via quase nada. Mas como havia um outro aberto a mais que no dia anterior, fui lá pra cima assim mesmo. O 7th Heaven te leva a mais de 2200 m na montanha Blackcomb, quase seu topo. Em seu caminho, muita neve e cada vez menos pinheiros, até chegar a haver apenas rochas e metros de camada de neve, já bem acima da névoa. Fazia um frio tremendo lá em cima e pra variar eu não tava preparado. Tirei umas fotos e caminhei afundando, desci e vi mais umas marmotas. Descobri que num cantinho do prédio do meio da Blackcomb há uma sala da Nintendo com videogames (3DS e Wii U) e jogos. Joguei um pouco, atravessei a gôndola de uma montanha a outra, vi alguns passarinhos, mas nada de urso, apesar de não ser incomum vê-los de cima por ali. Saí do complexo para caminhar ao redor do lago Alta, nas trilhas que o cercam. É bonito até, mas não tem nada de especial para turistas, ainda que seja ótimo para moradores praticarem um pouco de exercício. Regressei ao albergue mais cedo, onde rolava uma zoeira. Total caminhado no dia: 13 km. Dia 14 Com a empresa Epic Rides, voltei a Vancouver pela manhã (35 dólares ida e volta). Há vários food trucks pelo centro; escolhi o de cachorro-quente indiano (6 dólares). Caminhei um bocado passando pelos pontos mais interessantes. Contornei a orla do centro de convenções, onde várias placas contam a história da cidade, até o grande parque Stanley, que conta com diversas atrações, como os totens das First Nations (indígenas). Ao retornar fui pela gay-friendly Davie Street, uma rua comercial com pontos e lixeiras rosas e placas e faixas de pedestre com arco-íris. No fim da rua, entrei na estação de metrô Yale-Roundhouse, onde peguei a condução até Bridgeport, de onde saem os ônibus para a terminal de balsas de Tsawwassen. O metrô custou 4 dólares e o ônibus 2,75 (troco exato ou cartão de transporte Compass). Já para a balsa até Swartz Bay, são 1 hora e meia de tempo da sua vida e quase 17 dólares. O barcão, que contém todas necessidades básicas como wi-fi, passa por algumas ilhas, até chegar a Vancouver Island. Ao sair do terminal um garoto me deu um passe diário de transporte, então não precisei pagar os 2,5 do ônibus nº 72, que me levou ao centro de Victoria, a capital do estado da Colúmbia Britânica. De cara já deu pra ver que aqui também há um problema sério com moradores de rua e drogados, quase todos caucasianos. Tirei umas fotos na prefeitura, comi um Whopper no Burger King, já que estava em promoção naquele dia (3 dólares) e dei entrada no albergue Ocean Island Inn, onde coincidentemente fiquei no quarto com outros 2 brasileiros, que ali estavam para um congresso de química. Total caminhado no dia: 13 km. Dia 15 Só no café da manhã notei o quanto esse albergue era grande, pois brotava gente pra tudo quanto é lado em meio aos waffles de mirtilo com Nutella. O quarto também não era dos mais limpos, mas pela tarifa de 30 dólares, que incluía até jantar, não tive o que reclamar. Como estava previsto chover o dia todo, comecei conhecendo a cidade por lugares fechados. Primeiro o Maritime Museum. Pequeno, mas conta histórias bem interessantes de explorações pelo Canadá e apresenta artefatos históricos. Entrada de 10 dólares. O seguinte foi um tipo de zoológico que nunca tinha visto em lugar algum. Este abrigava apenas invertebrados! Em terrários transparentes, insetos, aracnídeos, miriápodes e crustáceos de várias partes do mundo ficavam à vista de curiosos. Além de cartazes básicos, o staff explica muito bem e ainda deixa você pegar em alguns. Custou 15 dólares. Continuando, o Royal B.C. Museum, este já de maior porte e preço (22 dólares). Um dos andares foca na história natural, demonstrando os ambientes, fauna e flora do estado da Colúmbia Britânica, além de climatologia e outras ciências. Representações dignas de um grande museu fazem parte das amostras, assim como dioramas completos de cada ecossistema. O outro andar ensina sobre a história humana, sempre baseada no estado canadense. Uma boa parte é relativa às First Nations, as nações indígenas que, assim como as demais no mundo, sofreram muito com a chegada dos colonizadores britânicos. Suas culturas estão bem representadas, através de seus artefatos e as complicadas linguagens. Para a parte branca da história canadense, há até mesmo um vilarejo de época montado. Faminto, achei pelo GPS um supermercado de comida natural. O excelente Thrifty Foods continha tudo que eu esperava e muito mais. Saí de lá com almoço, sobremesa e lanche do dia seguinte. O passo seguinte foi o Beacon Hill Park, um parque artificial erguido numa colina onde fica um sinalizador marítimo. O lugar é histórico, mas não achei tão interessante. Segui caminhando pela orla sul, sob leve chuva, protegido pelos meus trajes de Gore-tex comprados no Vietnã. O último lugar que conheci foi o Fisherman’s Wharf, um ancoradouro localizado em Victoria Inner Harbour. Abarca, além de uma marina, restaurantes de frutos-do-mar e passeios aquáticos, uma vila com 33 belas casas flutuantes habitadas. Se der sorte, pode ainda ver alguma foca perambulando ao redor dos deques de madeira. Voltei correndo pro albergue, chegando a tempo da janta de curry. Dia 16 Num dia ensolarado, caminhei até o Craigdarroch Castle. Essa mansão foi construída em 1890 para um magnata do carvão e ferrovia, mas ele nem pôde aproveitar pois morreu antes. Depois que a família se desfez da propriedade, a construção virou hospital para veteranos de guerra, universidade e escola de música, até virar o museu atual há algumas décadas. São diversos cômodos bastante mobiliados em 4 andares, além de uma torre voltada para o interior da ilha (seria mais interessante se tivesse virada para o mar). Há placas explicativas em todos os quartos, e para ver essa opulência toda você tem que desembolsar 14 dólares. Depois da visita, caminhei pelos jardins da casa do governador do reinado (Lieutenant’s Governor Park), aberto ao público. Além de flores plantadas, resguarda uma área do ecossistema original da ilha, de carvalho Garry. Vi até mesmo um veado por lá. Voltei ao centro para pegar minha mochila e partir para o aeroporto de Victoria, embarcando no ônibus nº 70 até Mctavish Exchange para tanto. Como a condução seguinte demoraria muito, resolvi ir caminhando os 2 km e meio finais. O aeroporto é relativamente pequeno e bem tranquilo. Ponto positivo pro wi-fi gratuito. No meio da tarde voei com a Delta para Fairbanks no Alaska, com conexão em Seattle. Enquanto lia no voo, observei um fenômeno estranho pela janela do avião. No início do voo o sol já estava se pondo, com aquele tom do céu magenta, mas conforme o avião seguia rumo ao pólo, o céu foi ficando amarelado e mais claro, e o sol subindo, como se estivéssemos voltando no tempo! Pousamos na 2ª maior cidade do Alaska quase à meia-noite, mas nada da escuridão surgir, apenas o crepúsculo. Peguei um caro táxi de 22 dólares, já que o ônibus urbano não operava aquela hora e minha hospedagem era distante para caminhar. Fiz o check in no muitíssimo bagunçado e meio sujo Aurora Lake Chalet Homestay (20 dólares a noite em papel), tomei um banho e dormi. Pelo preço não dava pra reclamar muito. Além disso, só havia eu no quarto e a moça deixou usar a máquina de lavar roupas com sabão, algo muito útil naquele momento. Dia 17 Cedo, um americano me trouxe a bicicleta usada que eu havia negociado no Craigslist, uma espécie de OLX dos EUA. Paguei 80 Trumps naquela que seria minha companheira nas próximas 2 semanas. Meia-boca, mas serviu. Esperei a chuva dar uma aliviada para conhecer a cidade e comprar mantimentos. À primeira vista, é notável a quantidade de carros à venda e lojas de segunda mão. O centro de Fairbanks é bem ajeitado. Entrei no museu do gelo (Fairbanks Ice Museum). São 15 dólares por uma apresentação de vídeo que conta a tradição em esculturas de gelo da cidade, que possui até um campeonato mundialmente famoso. Depois do vídeo, você entra numa sala abaixo de 0 graus com diversas das esculturas, incluindo até um tobo-gelo. Por fim, há uma demonstração ao vivo do trabalho. Curti. Uma quadra adiante, ingressei no gratuito centro de visitantes Morris Thompson Cultural & Visitor Center. Além de alguns cenários montados representando a natureza e cultura do Alaska, há uma infinidade de informações escritas para consulta. Poderia ficar ali muitas horas. Mas como o dia não é infinito, apesar de ser quase nessa época do ano, continuei pedalando. No meio da cidade, e ainda na margem do Rio Chena, fica o Pioneer Park. Esse é o tipo de parque em que as famílias vão passar os fins de semana. Mas nem por isso deixa de ser uma atração turística. Há uma vila simulada da época da Febre do Ouro, quando houve a fundação da cidade no começo do século passado. Diversos museus também ficam na área. Alguns deles gratuitos. Como havia poucas opções para se comer, almocei mais adiante no Big Ray’s Eatery, um pequeno restaurante. Por 10 dólares comi uma sopa apimentada com carne e feijão, e tomei uma batida com mirtilos de verdade. Saborosos. Terminei de cruzar Fairbanks quando cheguei no jardim botânico, ao lado da universidade. O Georgeson Botanical Garden, grátis, não me empolgou muito. São jardins aleatórios com plantas da região, parte floridas nessa estação, mas não muito vistosas. Subi o único morro do município para chegar à universidade e seu museu de 14 dólares. Trata das pesquisas realizadas no ambiente polar do estado, com ênfase em natureza e cultura dos povos tradicionais indígenas e esquimós. Retornei alguns km, sempre pelas ciclovias da cidade. No outro lado da mesma fica o refúgio de aves aquáticas migratórias Creamer’s Field. É uma área protegida de campo, floresta boreal e banhado, onde há um grande número de aves. Na pressa, vi apenas bandos de gansos canadenses, andorinhas, alguns passarinhos e uma nova ave pra mim: grou-canadiano (Grus canadensis). Correndo, consegui entrar na loja de equipamentos para atividades ao ar livre REI, onde peguei as comidas liofilizadas e o cartucho de gás. Depois passei no gigante e 24h Walmart pra comprar o resto. Quando voltei à hospedagem, já estava virando o dia. Total pedalado no dia: 49 km. Dia 18 Descansei bem e comecei a preparar o equipamento pra jornada. Regular o veículo e colocar o mochilão na frente da bicicleta numa cesta deu mais trabalho do que eu pensava. De fato, nunca vi um cicloturista com a carga desse jeito improvisado. Só consegui sair depois das 2 e meia da tarde. Com isso, não tive tempo de aproveitar o festival do sol da meia-noite, que comemorava o solstício de verão (dia mais longo) com apresentações musicais gratuitas. Até sair de Fairbanks, a cidade com pequena população mas grande infraestrutura, levei bastante tempo, isso devido à quantidade de cruzamentos com semáforo. A ciclovia deu lugar ao acostamento com trânsito moderado. Era notável a quantia de motorhomes, mas nenhuma bike passou por mim ao deixar a cidade. Fora da pista, floresta boreal com bétulas e abetos por todos os lados. De fauna, só vi 2 esquilos e alguns passarinhos. O que eu não contava era com a quantidade de subidas que esse trecho teria. Como eu não tinha muito tempo a desperdiçar, deu pra cansar bastante. Ao menos as vistas dos vales de rio florestados abaixo eram bonitas. Com uma média de 17 km/h, mais do que os 15 que eu previa, no final do dia cruzei a ponte e cheguei ao vilarejo histórico de Nenana, sob os pingos de um temporal que estava por vir. Fiquei no Nenana RV Park & Camping. Por 15 dólares, tive direito a um banho quente, um gramado pra minha barraca e até wi-fi! A chuva passou, jantei um sandubão na mesa coberta enquanto admirava o céu roxo, onde o sol tentava se pôr, e fui dormir. Total pedalado no dia: 91,5 km. Dia 19 Acordei algumas vezes devido aos ruídos externos, principalmente do trem, que fazia questão de apitar quando passava perto. Esse trem é parte da história do povoado. Na descoberta de ouro por volta de 1900, Nenana foi um importante entreposto, já que a ferrovia passa ao lado e também há um rio navegável, facilitando a troca de modal. Ainda nessa época surgiu um tipo diferente de loteria, o Ice Classic: ganha quem acerta a data em que o rio descongela no ano. Hoje em dia o que resta são algumas quadras com casas, um número desproporcional de igrejas, comércio básico, centro de visitantes e um projeto de museu da ferrovia. Esse é apenas uma sala com antiguidades, mas não se paga para entrar. Fora isso, só a beira do rio, cheia de gaivotas e andorinhas. Deixei Nenana no começo da tarde. Depois do primeiro trecho, estava descrente de que valeria a pena pedalar, mas a parte desse dia me surpreendeu. A vegetação é mais aberta, graças a banhados e pequenos lagos. Assim, é possível ver mais além a paisagem. Ainda, a inclinação é pouca, permitindo uma média de 18 km/h sem me esforçar tanto quanto o dia anterior. Tá precisando de alguma coisa? A cada algumas dezenas de milhas há algum comércio, hospedagem ou banheiro ao longo da rodovia. De bicho, vi apenas​ duas aves de rapina não identificadas, poucos esquilos e umas tantas lebres. Ao final da tarde, passei pelo cruzamento da famosa Stampede Road e cheguei a Healy. Um pouco além, fica o camping que escolhi, atrás de um posto de gasolina com um caro mercado. Aqui tem quase tudo que vocês precisa comprar, incluindo cartucho de gás pra fogareiro. O nome do lugar é Miner’s Market - uma referência à única mina comercial de carvão ainda em operação no Alaska. Não achei tão simpático quanto o anterior, mas deu pro gasto. Havia mais gente também, poucos em barraca, mas em seus trailers. De facilidades, quase os mesmos que do camping anterior, exceto que o chão é de terra e a mesa não é coberta. Isso foi um probleminha quando eu tava jantando meu chili liofilizado e começou a chover. Me recolhi mais cedo, tentando dormir enquanto algum caçador fazia uma chacina pela área. Total pedalado no dia: 92,5 km. Dia 20 A chuva quase constante fez uma meleca danada no lado de fora da barraca. Já​ por dentro, nada. Tá aprovada a Ascend Nine Mile One. Depois de limpar como pude, comi uns cookies e peguei a bike usada rumo a Stampede Road, eternizada no clássico “Na Natureza Selvagem” (Into the Wild). Achava que a estrada estava abandonada, mas o trecho inicial tinha várias construções e estava até mesmo sendo recapeado onde tinha asfalto e aplainado onde era terra ou cascalho. Não esperava também que os 13 km de estrada aberta fossem uma subida bem considerável. Só foi terminar esse trecho acessível que tudo começou a complicar. Poças infinitas impediam acesso à trilha. Uma dupla que estava em quadriciclo já desistiu na primeira - foi a última vez que vi humanos. Eu desviava como podia pela tundra alagada que cercava o caminho, junto com uma floresta de coníferas bem esparsa e de baixo porte provavelmente devido ao permafrost, que é o subsolo congelado que impede a profundidade das raízes das árvores. Na hora das descidas, a bicicleta fazia valer a pena o esforço em empurrá-la. Porém, quando o solo começou a ser de seixos, essa vantagem deixou de existir, tanto porque os pneus podiam furar quanto pela dificuldade em manobrar a bike com a mochila no guidão. Quando, algumas horas depois, rompeu uma parte da cesta e as poças viraram riachos, amarrei o veículo num pinheiro e segui a pé. Mosquito era o que mais tinha. Se aqui tivesse nossas doenças tropicais, eu já teria pegado todas. Não estava mais nem me importando com o frio da água, já evitava os desvios, que eram muitos, e seguia pelos riachos mesmo. Havia marcas de pneus por diversas rotas diferentes, mas por onde eu passei acho difícil que mesmo um 4x4 conseguisse seguir. Além dessas marcas, vi várias vezes pegadas animais: ursos, alces e lobos. Quanto aos bichos de verdade, vi lebres logo no começo, uns patos num lago, um roedor cruzando a estrada, aves de pequeno porte diferentes dos outros dias, e por duas vezes uma que não é fácil de ver: tetraz é seu nome. Parecida com uma codorna, só bateu suas asas atrofiadas quando cheguei a uns 5 m da mesma. Vinte e quatro km depois do início da Stampede Road, cheguei ao primeiro rio de verdade, o Savage. Não foi tão selvagem assim; consegui cruzá-lo sem muito esforço e com a água pelo joelho. Mais 3 km e enfim dei de cara com o temível Rio Teklanika, responsável pelo homicídio de algumas pessoas, como uma suíça há poucos anos, e o impedimento do retorno de Christopher McCandless ao mundo real, que resultou também em seu falecimento. Alimentado pelas geleiras das montanhas mais altas dos EUA, no parque fronteiriço Denali, durante o verão ele fica profundo e com uma correnteza forte, apesar de no inverno ele chegar a congelar. Usei uma estaca como terceiro apoio e tentei atravessar pelo ponto clássico. Quando estava na metade, com a água já na metade das minhas coxas, a força da correnteza começou a me desequilibrar. Fui sendo jogado alguns passos à jusante. Nessa hora meu coração começou a bater forte. Virei metade do corpo na água, mas com um esforço tremendo, consegui me estabilizar e voltar lentamente à margem. Meu estojo com câmera e celular tinham molhado, mas felizmente não deixaram de funcionar. Eu saí ensopado, mas ileso. Apesar do susto, continuei por mais alguns km pela margem do rio em direção à nascente, procurando um ponto mais fácil para a travessia. Eis que um porco-espinho surgiu a minha frente. Arrisquei ligar a câmera molhada e consegui uma foto. Depois de mais 2 tentativas cautelosas frustradas, e com o relógio batendo quase 7 da tarde, decidi acampar numa ilhota fluvial entre 2 braços do rio e tentar novamente chegar ao Ônibus Mágico na manhã cedo seguinte, quando em teoria o nível estaria mais baixo. Só que fiquei perto demais da água. Ao urinar, percebi que o líquido estava extremamente amarelo, como se tivessem posto um corante. Acredito que na ânsia de chegar logo eu não tenha bebido água o suficiente. Como isso é um sinal de desidratação, e eu já tava me sentindo um pouco alterado, enchi meu filtro com a água cheia de silte desse rio maldito e mandei ver. Montei o acampamento com tudo que pude usar de proteção para o caso de um urso-pardo, o mais perigoso animal da região, vir xeretar minha barraca. Deixei toda a comida longe da barraca, fiz uma cerca de árvores caídas, lapidei uma lança e deixei o canivete e o spray de pimenta a pronto uso. Com o sol baixo, deixei minha roupa a secar, vesti as demais para enfrentar o frio e jantei a comida liofilizada da AlpineAire, minha marca favorita pelo alto teor de proteína e calorias. E fui dormir, tentando não ter pesadelos. Total caminhado e pedalado do dia: 34,5 km Dia 21 Esse dia foi pra esquecer, quase tudo deu errado. Dormi pouco, preocupado com ursos-pardos a cada barulho diferente que o vento fazia. Tentei atravessar o Teklanika em outro trecho e não consegui. Não vi nenhum animal muito interessante pelo caminho. Me perdi e acabei afundando numa várzea do musgo Sphagnum e escalando uma colina inclinada pra voltar. Passei horas arrumando a cesta da bike que havia quebrado na descida. Por fim, tive que subir um monte o caminho de volta pra Healy, já exausto, faminto e desidratado. Estava tão acabado que comprei minha janta no mercado, apesar de ser bem caro, e fiquei pelo mesmo camping de 2 dias atrás. Total caminhado e pedalado no dia: 35 km. Dia 22 Fiz um brunch e segui em direção ao sul. No início há uma leve subida, mas depois quase todo trecho é plano ou de descida. Alguns km adiante, cheguei ao vale do Rio Nenana. Cruzando uma ponte com uma bela vista, dei uma parada​ no povoado turístico de Denali, que serve aos visitantes do parque. É charmoso e possui os serviços essenciais, mas não possui mais que algumas quadras. Fui à Denali General Store, onde comprei alimentos bem mais baratos que na vila anterior. Ali mesmo almocei um sanduíche com suco de laranja - esse originário do Brasil. Logo mais fica a entrada do Denali National Park, o mais famoso do Alaska, pois é onde fica a maior montanha da América do Norte, com quase 6200 m. No Wilderness Access Center obtive algumas informações, acessei a internet, paguei 10 dólares pela entrada no parque e mais 15 para uma noite em um camping dentro dele. Há um serviço de ônibus grátis quase horário até o primeiro acampamento interno, o Savage. Enquanto o último do dia não vinha, percorri a pé a trilha ao redor do lago Horseshoe. Nela, vi um picapau e alguns castores reparando suas represas. Às 8 e meia, coloquei a bicicleta no ônibus em direção ao Savage. Chegando lá, tive que pedalar até o seguinte, o Sanctuary, o único por perto que ainda havia vagas. Nesse caminho, vi vales e montanhas belíssimas, além de pequenos animais como o lagópode-escocês (Lagopus lagopus), que é a ave símbolo do Alaska. Esse acampamento, assim como os demais do parque, fica ao longo de um rio e as únicas instalações são banheiros secos, área para refeições, lixeiras, containers para armazenar alimentos e muitos mosquitos. Total caminhado e pedalado no dia: 34,5 km. Dia 23 Passei um pouco de frio pela maior altitude desse lugar. E quando estava pronto pra sair, começou a chover. Não tive escolha, botei o traje impermeável e pedalei de volta até o centro de visitantes. O começo foi bem difícil, visto que a pista de terra estava ensopada, mas quando cheguei no asfalto e parou de chover valeu o esforço. Primeiro vi um quadrúpede correndo de longe e depois outro comendo folhas de perto: eis o maior cervídeo do mundo, o impressionante alce do Alaska. Ao chegar ao centro de visitantes, dei uma olhada, comi e decidi apressar o passo para chegar antes do previsto no destino final da viagem. Para isso, pedalei mais algumas dezenas de milhas até Cantwell. O caminho, cercado de montanhas nevadas e rios, nem pôde ser aproveitado, pois a chuva não deu trégua e o acostamento todo remendado foi um martírio. Já era 9 e meia da tarde quando cheguei a Cantwell, outro projeto de cidade. Parei na conveniência do posto da rodovia para jantar burritos mexicanos, uma das opções menos caras, e fui para o parque de trailers e camping (Cantwell RV Park), que já deveria estar fechado. Com insistência, consegui ainda por 19 dólares tomar um banho revigorante e passar a noite ali. Total pedalado no dia: 81,5 km. Dia 24 O caminho apresentou paisagens de montanhas muito bonitas, além de lagos. No meio desse cenário, uma das poucas construções, um tipo de iglu moderno abandonado, chamou a atenção. Nessa hora, passei pela única cicloturista com quem cruzei seguindo também rumo ao sul. Na metade do trajeto do dia, entrei no Denali State Park, onde ficam as melhores vistas da cadeia das mais altas montanhas do país. A partir da rodovia, passei pela entrada de algumas trilhas e áreas de acampamento. Dei uma breve entrada no Beyer’s Lake State Recreation Area. Há informação de interesse pro público e algumas instalações básicas, mas não achei a lagoa tão interessante. Vi apenas alguns patos nela. De volta à estrada, rodei mais um bocado até o Denali View South, o melhor mirante que encontrei. Infelizmente, o topo do McKinley estava coberto por nuvens, mas ainda assim a iluminação nesse fim de dia estava especial. Para dormir, escolhi o K’esugi Ken Campground, que fica ali perto, mas subindo um morro. Tive que pagar 20 dólares para um gramado pra minha barraca. No entanto, assim como nos outros campings do parque, não há chuveiros - muito menos internet. Para resolver o problema do banho, aproveitei bem o gel higienizador do banheiro pelo meu corpo. Para acesso à água, há uma bomba manual, mas o poço é tão profundo que são necessárias umas 50 bombeadas pra sair as primeiras gotas - melhor que nada, pois eu já não tinha mais nada para beber e cozinhar. Como era sábado, bastante gente passava a noite ali, inclusive fui convidado por uns jovens a me unir em sua fogueira. Total pedalado no dia: 125 km! Dia 25 Ainda pela manhã, caminhei a pequena trilha do K’esugi. Vi uns passarinhos e nada de mais. E no céu havia o fenômeno do halo solar. O percurso foi o mais sofrido da viagem. Acostamento remendado, bicicleta dando sinais de falha, costas, ombros e traseiro extremamente doloridos por causa do assento duro e da mochila, que teve que portar quase metade do peso desde o incidente com a cesta na Stampede Road. Indo ao sul, passei por Trapper Creek, vilarejo em cujas estradas há alta incidência de atropelamentos de alces. Por acaso, vi um desses bichos - vivo na mata. O auge do dia foi quando parei num Subway na junção a Talkeetna, onde devorei um sanduíche de 30 cm por 8 dólares. Quando o sol foi pro horizonte, a temperatura caiu e os ventos aumentaram, deixando o trecho final em Willow ainda mais complicado. Como já era 11 da noite, parei um pouco antes do previsto, na primeira hospedagem ainda aberta, que foi a Pioneer Lodge. Doze dólares pelo espaço da barraca + 4 dólares pelo banho. E ainda tinha wi-fi. Total pedalado no dia: 104 km. Dia 26 Para diminuir meu martírio, me desfiz de alguns itens que não poderia levar no avião, como o gás de cozinhar e o spray de pimenta pra urso. Antes de descartá-lo, porém, fui testar. Soltei um jato vermelho no sentido do vento, mas pouco depois senti meu olho arder como se enfiassem uma pimenta inteira das brabas dentro dele! Creio que algumas partículas tenham ficado no ambiente, mas só isso já foi o suficiente pra me deixar uns 10 minutos jogando água nos olhos até passar. Que p*rra! Segui pela ciclovia de Willow, depois a vila de Houston, parei pra almoçar na cidade de Wasilla e para jantar na entrada de Anchorage, após passar uma baixada vegetada protegida em Palmer. Esse dia teve os trechos mais urbanos da viagem. Ao menos isso significou caminhos melhores para a bicicleta. Mas nem por isso deixei de ver natureza. Ao sair do restaurante no fim do dia para a ciclovia de entrada em Anchorage, eis que surgiu à minha frente uma alce descornada e 2 filhotes! A mãe ficou só de olho, enquanto os pequenos saiam ao redor para comer o mato à beira da estrada. Até esqueci da hora tardia enquanto os fotografava bem de perto, preparado pra correr na mais leve ameaça, que não surgiu. Entrei na cidade grande já noite, passei por uns lugares não muito agradáveis e finalmente à 1 e meia da madruga, cheguei no hostel Base Camp Anchorage, onde pude enfim dormir em algo que não fosse inflável. Total pedalado no dia: 127,5 km! Dia 27 Paguei 30 dólares por noite, com direito a um semi-café e um ambiente agradável e limpo - e comida grátis deixada pelos outros. Coincidentemente, reencontrei um ciclista espanhol que havia conhecido no meio do caminho. Peguei novamente na bike, agora sem carga, pra conhecer o centro da cidade e fazer umas compras, já que o Alaska é livre de impostos. O centro é compacto, bonitinho, com construções quadradas coloridas e pontos históricos, como a ferrovia que deu início à cidade. Procurei uma lanchonete para provar um prato típico do Alaska. Achei o Sandwich Deck, que tem um hambúrguer de halibute, um peixe dessas águas frias. Apesar do preço quase tão salgado quanto o peixe (12 dólares com acompanhamento), estava bem bom. O peixe em si não possui muito gosto. Caminhei em sequência pelo Anchorage Museum (15 dólares). Numa construção desproporcional ficam algumas galerias contendo fotografias, utensílios, história e vídeos dos povos nativos e atuais do Alaska. Essa dos utensílios é a mais legal, pois contém diversos artefatos de cada grupo étnico em exposição. Também há outras salas com assuntos não relacionados, como um centro de experimentação científica. Também ao lado, fica o Anchorage 5th Avenue Mall. Com algumas lojas conhecidas, fiz umas compras. Depois pedalei o caminho de volta passando pela Westchester Lagoon, um parque com lagoa e muitas aves aquáticas. E antes de retornar ao albergue, comprei mais umas coisinhas no caminho. Dia 28 De manhã, perambulei pela Tony Knowles Coastal Trail, uma trilha que segue pelo litoral oeste de Anchorage, por detrás do aeroporto. É bem agradável para se passear e ter vista da enseada de Cook. Diversos parques estão nesse trajeto, como o que relata sobre o grande terremoto de 1964, com magnitude 9,2. Mais ao sul, há diversos quarteirões com centro de compras. Usei o tempo que me restou para tanto. Ao voltar ao albergue, vendi a bicicleta para a recepcionista por 40 dólares e fui até o ponto de ônibus. Acontece que ele havia mudado temporariamente de lugar, e até eu chegar ao outro perdi o transporte. Droga. Tive que esperar uma hora até o seguinte, pra poder pagar só 2 dólares. À noite, comi um hambúrguer de salmão (não podia deixar o Alaska sem isso, né?) e voei de United Airlines até Guarulhos por 30 mil milhas LifeMiles. Total pedalado no dia: 41 km. Total aproximado pedalado no Alaska: 806 km! Dia 29 Conexões em Denver e Houston, ainda pela United. Os dois aeroportos possuem wi-fi liberado. Depois, de Guarulhos para Floripa pela Azul (230 reais). Fim! Curtiram? Então não se esqueçam de dar uma passada em meu blog http://rediscoveringtheworld.com/
  10. Em setembro fiz a trilha de 3 dias por cima das montanhas rochosas do Canadá, no Parque Nacional de Jasper. Tive dificuldades no planejamento, uma vez que não foi muito fácil encontrar informações precisas, principalmente em português. O Parque Nacional de Jasper está localizado nas montanhas rochosas do Canadá e é famoso principalmente por ser um dos lugares mais selvagens do país, com uma quantidade enorme de animais como alces, renas, veados, ursos e carneiros da montanha. Segue um resumo da trilha: São 46 km que podem ser feitos em 2, 3 ou 4 dias. Basta escolher os campings mais convenientes e calcular a distância a ser percorrida em cada dia: Campings e distâncias a partir do Maligne Lake: 1 – Evelyn Creek: 5 km 2 – Little Shovel: 9 km 3 – Snowbowl: 14 km 4 – Curator: 21 km 5 – Tekarra: 33 km 6 – Signal: 38 km Optamos por fazer a trilha em três dias, dormindo a primeira noite no camping Snowbowl e a segunda no Tekarra. Os campings devem ser reservados com antecedência pelo site do parque. A trilha começa no Maligne Lake e termina no Maligne Canyon e pode ser feitas nos dois sentidos, mas este é o mais recomendado. Por ser uma trilha selvagem, existe a possibilidade de avistar muitos animais selvagens, inclusive ursos. Por isso é recomendável levar o spray anti-urso para a trilha. Não vimos ursos, mas vimos renas e marmotas. A trilha é recomendada para ser realizada entre julho e setembro. Grande parte da trilha é no alto das montanhas, por isso é bom preparar para o frio. Mas vale muito a pena porque as vistas são maravilhosas. Fiz um post mais completo no meu blog, para quem quiser conferir. http://ztrip.com.br/2015/02/11/skyline-trail-as-montanhas-rochosas-do-canada-vistas-de-cima/ Recomendo demais essa trilha, que é considerada uma das mais belas da América do Norte.
  11. Allison, colega de laboratório onde meu marido trabalhava (na época em Vancouver), havia acabado de conhecer Joffre Lake e trouxera umas fotos que tirara na região . Quando vimos as fotos, olhamos um para o outro e ele nem esperou eu dizer alguma coisa: estamos indo! Duas semanas depois, estava dirigindo nosso Ford Tempo na maravilhosa Highway 99 saindo de Vancouver, passando por Squamish e depois por Whistler , a linda estacao de esqui e a mais famosa do Canadá, com dezenas de lifts (cadeirinhas para subir a montanha) e pistas de descida para todos os gostos, desde os mais faceis até os mais difíceis de tarja preta para os experts, mas isso é assunto para outra estória, pois agora estamos indo para Pemberton. Primeiro tomamos umas dicas com Allison que nos alertou sobre o ataque dos bugs pelo caminho (enxame de pernilongos de verão!). Fomos alertas e levamos repelente. De Vancouver até a base onde se deixa o carro (ou até onde o carro pode ir) levamos quase duas horas (mais ou menos 180 km) em estrada ótima e paisagem idem. O Lago Joffre fica a 1.600 m de altitude, considerando que Vancouver fica ao nível do mar, dá para imaginar que estavamos subindo bastante. Pelo caminho passamos por alguns ciclistas , depois vimos outros mochileiros todos subindo a estrada à pé ou pedalando, e nós com o pé só no acelerador... Lá pelas tantas, já cansada de fazer as curvas da sinuosa estrada, chegamos à base, ponto final para o carro e ponto inicial para as pernadas. Existem 3 Lagos Joffre. O primeiro, chamado de Lower Joffre fica a poucos metros da base (ou estacionamento). O segundo, ou o Middle Joffre fica a uns 4 km subindo por uma trilha íngreme, passando por floresta densa, descampado, pedras e outros acidentes, e o terceiro, ou Upper Joffre fica mais um kilometro adiante. A beleza dos lagos vai aumentando à medida que se vai subindo, ou seja, proporcional à distancia e as dificuldades para alcancá-los. É sempre assim, as melhores coisas sao as mais difíceis de alcancar.... Sem reclamar, fomos caminhando por entre as árvores (quase todas da mesma espécie - Douglas fir), depois de contemplar o primeiro lago e passar por uma ponte quebrada por uma gigantesca árvore que caiu nao muito tempo atrás. A trilha era boa no início, quase plana mas com bastante lama ainda, resultante do degelo do último inverno. Comecamos a subir após 2 km da base, e a partir daí então, foi só subida, a trilha ora desaparecia pois era só pedra atrás de pedra, andávamos de quatro para galgar as enormes pedras,' às vezes pontiagudas e cortantes, ralamos nossas mãos diversas vezes durante esse longo e difícil trecho. Passamos por lugares onde havia acontecido uma avalanche, fica fácil reconhecer porque as enormes arvores estao todas tombadas, retorcidas e uma clareira se forma desde o topo do morro ou montanha por onde ela passou. As vezes a avalanche traz as enormes rochas junto com as arvores, daí resulta neste montão de pedras pontiagudas e quebradas e que todos os anos destroem as trilhas e pontes. Mais um tempo subindo, deparamos com uma família subindo unidas, o avô, a filha e a neta, sendo que esta tinha seus 5 aninhos. Que bravura e determinacao tinha esta garotinha, subindo as pedras, sem pestanejar, como um adulto, e olhe que esta trilha é considerada de média dificuldade. Fiquei encantada e elogiei bastante a forca de vontade desse grupo e sua determinacao para chegar ao seu destino. Confesso que por um tempo achei que eles fossem desistir no meio do caminho, pois eu ja estava exausta de tanta pedra para galgar, imagine eles com a garotinha.... Deixamos o grupo para trás e continuamos nosso passo, minhas pernas tremiam, falseavam, meus joelhos as vezes dobravam sem querer e eu ainda pensava no pior, a volta... Ja pensou, ter que passar por tudo isso de novo, só que descendo... Ái, o que é que estou fazendo aqui, que loucura pensei. A sorte é que nao aparecerarm os bugs ( era Setembro) ja tinha acabado a época deles se alimentarem e procriarem, se nao acho que teria desistido ... Bendita perseveranca! Depois de tantas pedras no caminho chegamos ao Middle Joffre, o segundo. Valeu a pena! O lago era grande, maior que o primeiro, de um tom azul turquesa/esverdeado, calmo, pacífico, silencioso. Cercado por uma floresta subalpina ainda virgem e tendo ao fundo a magnífica vista do Glacier Matier (com sua geleira permanente) entre os picos Joffre e Monte Slalok. O Middle Joffre não perde nem um pouco para as paisagens das Rochosas Canadenses. Os raios de sol refletiam na superfície da água e daí acontecia um efeito mágico, brilhante, cintilante, estonteante... Todos que chegavam tinham essa primeira visão hipnotizante, se pudesse ficaria o dia todo só olhando, contemplando... Era lindo, quase emocionante... Digo quase porque completamente emocionante foi o Upper Joffre, este sim, sem querer desbancar a beleza do Middle, era indiscutivelmente o mais bonito. Mais alguns quilometros sem muito esforco (toda minha forca tive que gastar na subida para o Middle) chegamos ao Upper. A coisa que mais impressiona a todos que chegam lá é a cor do lago. Verde-anil, azul-esverdeado leitoso, sei lá. Nao tem importancia. É maravilhoso. Câmera na mão, era difícil escolher o ângulo para as fotos, no fim, acho que cheguei a tirar fotos de quase os 360graus do lago. O Glacier estava bem perto, ou melhor, o lago ficava na base do Glacier. Podia se alcancar a pé, numa caminhada nao muito longa, mas nao era recomendada por causa do perigo das pedras que podiam despencar lá de cima, e ainda, andar sobre uma geleira é extremamente perigoso por causa das enormes fendas que existem e que podem estar escondidas debaixo de camadas de neve fofa. Curtimos a visão deslumbrante tomando nosso merecido lanche que consistia em sanduiche de frios com queijo, frango frito do KFC comprado na saída de Whistler, água e barrinhas de chocolate. Em meio às mastigadas apressadas para aplacar a fome, eis que vimos lá na outra ponta do lago aquela família de três chegando! E eu que pensei que eles fossem desistir... Descansamos, conversamos com alguns que chegaram depois da gente, vimos mochileiros armando barracas para passar a noite alí, exploramos um pouco mais ao redor do lago, e mais fotos. Algum tempo depois, mochila nas costas, começamos a descer. A volta não foi tão ruim quanto eu pensava, o trajeto já era conhecido, me lembrava até de algumas pedras por onde passamos, as mesmas árvores quebradas, os troncos servindo de ponte e cada vez mais estávamos mais perto do fim (ou do comeco) da caminhada, daí ia me animando. Chegamos à base, nosso carro estava lá nos esperando pacientemente, e desta vez meu marido é quem sentou no volante. Eu estava literalmente moída, meus pés doíam e minhas pernas tremiam. Ainda tínhamos algumas horas de luz pois naquela latitude o sol fica passeando até lá pelas dez e meia da noite. Passamos por um casal de nativos canadenses (que sao os antigos povos que habitavam toda a costa oeste) e demos carona até o vilarejo próximo, onde eles ficariam. Meu esposo estava cansado mas ainda tinha energia para conversar animado com a empreitada que acabávamos de realizar ,e já pensava na nossa próxima caminhada.
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