Ir para conteúdo
  • Cadastre-se
Mochileiro Peregrino

Ascensão ao vulcão mais ativo da América do Sul - Tungurahua em erupção !

Posts Recomendados

ATENÇÃO : De maneira alguma estou incentivando pessoas a escalarem o vulcão tungurahua, seu acesso é restrito por ser um vulcão ativo, e em processo de erupção as chances de se escapar com vida são minimas, esse breve relato tem apenas o intuito de descrever minha experiência em vulcão em erupção ! Ainda alerto que diversas pessoas já perderam suas vidas o escalando, e um dos motivos é que muitas delas foram atingidas por ataques piroclásticos. Procure orientação antes de qualquer atividade.

 

Para um maior aproveitamento do conteúdo aqui apresentado aconselho o tópico :arrow:

 

dicas-como-escalar-e-visitar-vulcoes-ativos-ao-redor-do-mundo-t71678.html

 

FICHA TÉCNICA

 

Nome : Tungurahua.

Status : Ativo - Considerado o vulcão mais ativo da América do Sul, sendo um dos mais ativos do mundo.

Localização: Ecuador - Baños.

Altitude : 5020 m.

Época de visitação : Nada consta - clima váriavel.

Clima : De altitude, com gelo apenas no cume. Atento apenas ao detalhe das chuvas e névoas.

Como visitar ? Na cidade Baños existem mirantes para 'mirar' tungurahua.

Quando entra em erupção ? Nada consta. Não existe tecnologia capaz de prever erupções em vulcões com antecedencia. Obs: A técnologia mais moderna prevê com 30 secundos de antecedência.*

Como chegar ? Em Quito - Ecuador, pegue um ônibus para Baños no terminal sur( terminal quitumbe ). Do aeroporto até o terminal um taxi custa cerca de 8 dólares. Do terminal até Baños são cerca de 4 horas de Onibus. *3,50 dólares. Ou cerca de 3 horas de taxi. Cerca de 80/100 dólares.

Hostel recomendado em Baños : Erupción Hostel & Restaurant - http://www.hostalerupcion.com Calle Ambato & Tomas Halflants

Desayuno : Rico Pan > com cerca de 3 dólares é possível ter um excelente café da manhã. Existem diversas opções de desayunos no Rico Pan. ( no hostel serve desayuno*)

 

Final de ano, passagens marcadas para Guatemala. Ops, Guatemala ? Sim, exatamente. Acontece que meu vôo era pra Guatemala, meu destino era pra ser os vulcões Santiaguito, Fuego e Pacaya. Mas em cima da hora cancelei o vôo e comprei passagens para o Ecuador.

 

Tungurahua estava sendo noticia no mundo todo, pois tinha se ativado com extrema fúria. Um dos vulcões mais temidos no mundo, um verdadeiro desafio para vulcanólogos e aventureiros dos mais extremos. Cerca de 30 pessoas perderam suas vidas tentando percorrer seu terreno em erupção. Sua altitude e terreno de dificil acesso torna este "gigante negro" um dos vulcões mais respeitados em nosso planeta.

 

Ainda no Brasil ... Compro 500 dólares na casa de câmbio, acontece que quando foram me entregar os 500 dólares me entregaram foram 1 mil euros. Mas devolvi todo o dinheiro e sai com os meus 500 dólares 'limpinhos".

 

Como eu tinha comprado a passagem em cima da hora para o Ecuador ( comprei a passagem no mesmo dia, com poucas horas de antecedencia ) eu precisava 'voar" para o aeroporto. Conclusão, 100, 140km por hora a caminho do aeroporto a bordo de um taxi. Talvez pensem " taxi' ? Deixo um 'conselho" aqui para quem pretende "investir" no mundo aventureiro de erupções vulcânicas. Vocês podem estar prestes a presenciar o maior poder de destruição do nosso planeta, mas pode ter um valor financeiro alto, bem alto. Taxi, corridas com 4x4, vôos marcados em cima da hora, 'cafés", ou até mesmo frete de helicóptero podem fazer parte da jornada.

 

Mas porque tudo isso? Simples... Tempo, é uma corrida contra o tempo erupções vulcânicas. Se um vulcão entra em erupção agora no chile por exemplo, imaginem o gasto para se estar lá neste momento. Enfim, não entrarei muito nesses detalhes agora.

 

O vôo para o Ecuador faz escala na Colômbia, aliás não sei o que a narcótico vê em mim que sempre sou barrado. Talvez seja a barba por fazer a bandana e a cara de inocente. Chego no Ecuador dia 25 de dezembro, e a conclusão é que tive que pegar um taxi para Baños ao invéz de um ônibus. Mas eu não precisava de um taxi "comum", eu precisava de um taxi "malandro'. Eu tinha que ganhar tempo a todo custo. Digamos que meu "instinto das ruas" escolheu o melhor "taxi malandro" disponível no local. Corrida combinada e partimos ...

 

Não deu meia hora e a policia mandou encostar e "cana" ... Não sei bem o motivo pelo qual fomos barrados, assim posso dizer, só sei que teve uma discussão feia. Eu pouco me importei, continuei com o mesmo taxicista que foi liberado rapidamente depois de uma "conversa" com um policial. Considero que fiz a escolha certa, o taxicista era bom no volante, sabia o que estava fazendo, mesmo estando errado.

Chego a Baños muito rápido e sigo para o hostel, pego algumas informações e logo em seguida faço um passeio pela cidade percorrendo algumas ruas. Em 2011 eu já tinha estado em Baños, e já tinha tentando fazer uma ascensão ao Tungurahua. Em minha sincera opnião esta cidade é charmosa, até mesmo romântica.

 

Compro minhas provisões para 3 dias, no máximo 5 dias se eu racionar. Antes da noite chegar 'faço' minha mochila e deixo parte das minhas coisas no hostel guardadas. Eu não me dou bem com os chuveiros do Ecuador, acontece que a água tem que ser "temperada", uma é fria, outra é quente. Ou eu deixo fria como água de geladeira, ou quente o suficiente para fazer um café expresso em segundos. Eu nunca acerto, demoro um bom tempo para fazer este tal ' tempero".

 

1º DIA

O dia amanhece, combinei por 15 dólares uma caminhonete 4x4 para me pegar no hostel e me levar até a oficina abandonada do tungurahua em Pondoa, inicio do trekking. A trilha se incia em uma estrada a caminho de Pondoa, todos sabem onde se localiza, não tem erros pois a caminhonete me deixa exatamente no começo da trilha, onde fica uma 'oficina" abandonada do Tungurahua. Desde que Tungurahua se ativou novamente em 1999, suas instalações foram abandonadas e sua ascensão desde então é proibida por motivos de segurança.

O tempo está nublado e chuvoso, uma curiosidade é que as 3 últimas erupções de Tungurahua o clima ficou assim, e por incrivel que pareça o vulcão entrou em erupção por volta do final e meio do ano ( jun/jul - nov/dez/jan ). Devido as chuvas a caminhonete mesmo sendo 4x4 teve dificuldades em subir. Pondoa está a 2650m de altitude, a oficina abandonada está a 2886m de altitude. Sem muitas dificuldades chego ao meu destino combinado com o homem da caminhonete, rapidamente nos despedimos e parto em direção ao refúgio. São cerca de 3 horas de caminhada em meio a uma trilha muito bem marcada até o refúgio que se localiza há 3800 m de altitude.

O caminho é percorrido em meio a mata e lama, é impossível se perder nesta trilha, navegação nao será problema, mas o cansaço fisíco é real, o tempo todo estou subindo e ganhando altitude, é um caminho exaustivo em meio há um verde incrível. Demorei cerca de 4 horas devido ao peso que carrego, inclusive água, pois é fundamental carregar água potável, pois mesmo em meio há todo esse verde, onde eu quero ir não há água.

 

20130104124757.jpg

 

20130104125456.JPG

 

Pelo caminho é possível sentir as explosões e tremores, chego por volta das 14:30hs ao refúgio em meio a chuva e neblina. Cerca de 10 minutos antes de chegar ao refúgio nuvens aceleradas vão em direção ao cume, eu já estive no Tungurahua antes e embora eu não pudesse disser o que estava acontecendo eu sabia que Tungurahua estava "aprontando" alguma. Pois as nuvens estavam acelerando demais em direção ao seu cume, foi então que Tungurahua me da as boas vindas com suas explosões gigantescas e logo em seguida fortes chuvas e ventanias tomam contam do local. Fico praticamente preso no refúgio devido ao vento, chuva e névoa. O refúgio está abandonado e desde 1999 no recebe manutenção alguma, mas a real possibilidade de abrigo é nitida, considero uma verdadeira benção um refúgio a esta altura do campeonato e assim faria desse refúgio meu lar por 5 dias consecutivos. Atento que existem 2 refúgios, o primeiro se localiza ao lado direito da trilha e está completamente destruído pelas explosões do vulcão, deve - se seguir mais adiante por volta de 10 minutos de caminhada até alcançar o final da trilha e o refúgio desejado.

Tungurahua tem mesmo um poder incrivel, mesmo minha visibilidade sendo praticamente zero, escuto nitidamente as rochas sendo arremessadas de sua cratera e as dezenas de explosões que estão ocorrendo, pela noite o vento reina absolutamente sobre a inóspita paisagem vulcânica.

 

20130104131945.JPG

 

20130104132102.JPG

2º DIA

 

Minha primeira noite no refúgio foi 'tranquila", acordo no dia seguinte com as fortes explosões do Tungurahua, pois entre as 6 hs e as 9hs da manhã o vulcão demonstrava sua fúria e sua força. O clima está péssimo, a fina chuva e a densa neblina me faz ficar "preso' no refúgio, não tenho visibilidade alguma se quer. A densa névoa entra por entre os vãos da parede de madeira e pelas janelas quebradas deixando até mesmo o meu lar frio. Daquele momento em diante estava mais do que certo que eu enfrentaria sérios problemas com o clima.

Passo maior parte do tempo dentro do meu saco de dormir, mas por volta das 12 hs um frances de 53 anos aparece no refúgio, assim que escuto seus passos e seus movimentos dentro do abrigo rapidamente me levanto e vou de encontro a este homem, ele estava com frio e molhado então rapidamente ascendo um fogo e preparo uma bebida quente, o ajudo com suas vestes e o alimento. Ele me pergunta se falo frances, e ao mesmo tempo eu pergunto se ele fala espanhol, o ar quente das nossas bocas entra em choque com o frio fazendo muita fumaça. Nós demos risadas.

 

Nossa comunicação era por mimica e algum espanhol de ambas as partes, o frances era animado e tinha bom humor, mesmo não dominando o idioma um do outro passamos todo o tempo conversando e trocando experiências. Stephane era seu nome, professor de matemática em universidade, já tinha realizado ascensões em outros vulcões ao redor do mundo, e até mesmo no tungurahua em anos anteriores, era de fato um homem que eu precisava conhecer. Quando perguntei para ele qual vulcão mais ativo que ele já visitou, ele deu risada e ficou com uma cara assustada, mas me alegrei muito quando escutei o barulho de sua jaqueta se movimentando e os pingos de agua caindo no chão quando rapidamente ele apontou para o cume do Tungurahua. Aquele momento passou em camêra lenta pelos meus olhos fazendo com que o meu coração dispara se um pouco de tanta emoção e adrenalina.

 

Eu deveria retornar em 3 dias para o hostel onde Henry Aldaz me aguardava, Henry me ajudou com informções preciosas sobre o vulcão, e como possui um hostel em Baños fiquei hospedado em sua habitação. Mas eu não consiguiria retornar no tempo previsto devido ao tempo. Então pedi para Stephane entregar um bilhete meu a Henry.

 

20130105122145.jpg

 

Então por volta das 15 hs em meio a neblina o francês tomou seu rumo em direção ha cidade, me disse que o recado seria entregue com segurança, me desejando sorte e me parabenizando pela determinção assim ele me deixa, mas antes me deixou alguns mantimentos extras que possuia. O que me ajudaria nos próximos dias.

Logo depois da sua partida pequenas "janelas" de tempo começaram a surgir, aos poucos o azul tomava conta do céu mesclando - se com o branco da névoa e o cinza das explosões, o cume permanceu fechado o tempo todo. Por volta das 18 hs fortes explosões arrebentavam a paisagem, aos poucos observei algo que de fato me deixou surpreso, digo mais, muito surpreso. O que cobria o cume não eram nuvens, era uma densa camada de cinzas e uma densa "nuvem de fumaça" cinza e tenebrosa cobria Tungurahua. O vento que sopra do leste sem parar levava boa parte da coluna de fumaça para o oeste, porém a densidade era tão grande que pairava sobre o cume, e como Tungurahua explodia sem parar, o céu nunca permanecia limpo e azul, pois havia toneladas de depósitos vulcânicos pairando no ar. Uma imagem assustadora. Observei atentamente o vulcão com essa densa camada cinza por cerca de 1 hora, eu fiquei tomando anotações do vento e dos intervalos das explosões, fundamental para minha investida rumo ao cume.

 

Quando a noite caiu, minha visão foi bloqueada pelas cinzas, porém estava animado pois o céu estava lindo com poucas nuvens e a lua me acompanharia por toda a noite gélida regada ao som das explosões de Tungurahua.

 

20130105124354.JPG

 

20130105124555.JPG

 

3º DIA

 

Novamente acordo com as explosões por volta das 6 hs e assim prosseguiu até as 9:30hs, estou chateado, pois o clima está péssimo e o tempo é o pior de todos até o momento. Não pe possivel sair do refúgio devido a forte chuva e visibilidade zero, o vento esta cada vez mais forte e gélido. Espero que o céu se abra a tarde assim como abriu no dia anterior. Meio dia e nada do tempo melhorar, não será um dia muito alegre eu creio.

 

AS 13:30 hs uma forte explosão ocorre, a mais forte até o momento, com o barulho das fortes explosões e com o som de rochas rolando do cume, fico imaginando o que está acontecendo lá em cima. Mas eu imaginava, pois eu já tinah visto Tungurahua em fúria em 2011. Eu sabia que colunas de fumaça gigantescas e ataques piroclásticos estavam ocorrendo naquele momento, assim como também sabia que uma aproximação me significaria a morte com toda a certeza.

A tarde realemnte vai caindo e continuo com visibilidade zero preso na névoa e na chuva ...

 

Um breve silêncio por voltas das 16:20 hs, um atrégua talvez. Eu estava sentado tranquilamente pensando e meditando, quando de repente ... meu corpo se levantou do chão, meus dentes baterão um no outro e minha barriga doeu. uma gigantesca explosão tinha acontecido, senti meu corpo todo tremer assim como tudo ao meu redor começou a vibrar fortemente. Era Tungurahua me "seduzindo' com sua fúria e beleza em meio ao frio e a cinzas.

 

Eu estava a poucos metros de cada explosão e mesmo sem poder ver absolutamente nada, eu poderia sentir na pele cada tremor, cada explosão ecoava por todo meu corpo. E foi assim o dia todo e grande parte da noite.

4ºDIA

 

Pela madrugada escuto um dos barulhos mais fortes que um vulcão pode produzir. O temido "tiro de canhão" ... Assustador, ensurdecedor, capaz de ser ouvido por quilometros de distância. Um som digno de 'cenário de guerra", é possível sentir a vibracão do som no ar.

Como de costume Tungurahua mantinha fortes explosões pela manhã e dessa vez nao era diferente, por voltas das 6 hs acordo novamente em meio as explosões mas dessa vez junto ao canto dos passáros. Dia chuvoso, visibilidade zero como de costume, confesso que estava chateado, com o tempo assim se torna impossivel uma aproximação e pelo visto minha última esperança é a tarde, quando pode ocorrer alguma "janela de tempo' e me usufruir dela.

 

Acontece que preso dentro do refúgio, eu estava ficando 'enjoado" de não ter quase nada para fazer, eu varri o refúgio, concertei algumas janelas, limpei boa parte do espaço interno, li todas as embalagens de produtos que tinha levado como mantimentos, e passava boa parte do tempo dentro do meu saco de dormir poupando energia. Não estava tão frio assim, porém com meu corpo praticamente parado, uma temperatura em torno de 0 graus fazia eu sentir um frio tremendo, e sem nada para fazer eu cochilava bao parte do tempo e aguardava pacientemente a hora exata.

 

Fiz até mesmo um 'refletor de luz e calor a velas' com a embalagem de batata, e ficou bom, funcionou muito bem.

 

20130106010333.JPG

 

Invenções e destrações a parte, para o tempo piorar só nevando. Dizem que a esperança é a última que morre e minha determinação ainda era forte mas estou começando a acreditar que Tungurahua está tímido ou que ele não vai com minha cara. Pois agora eu vejo as nuvens se abrirem e os raios de sol tocarem o chão em toda a paisagem, menos onde eu quero em direção ao cume, pois o mesmo permanece completemente escuro e cinzento.

 

Se eu subir nessas condições eu considero 45% de chances de ser atingido por ataques piroclásticos ou alguma explosão, 45% de chances de ficar perdido em suaescuridão cinzenta e me perder de vez, e 10 % de cair em algum abismo. Era tolice demais prosseguir nessas condições, até mesmo a minha mais alta determinação me levaria a morte.

 

Vulcões em erupção é considerado por muitos a última palavra em aventura, poucas pessoas se arriscam e estão dispostas a submeterem suas vidas em tal terreno. Pois em um terreno tão hostil não é fácil perder a vida. aliás é a coisa mais fácil que pode ocorrer.

 

Eis que Deus atende meu pedido, ou Tungurahua estava brincando comigo dessa vez ?

De repente rapidamente o clima começa a mudar, e avisto Tungurahua e suas paredes com gelo ! Gelo ? Isso mesmo, Taungurahua é coroado com gelo.

Eu não vou entrar em detalhes sobre a questão "gelo' em vulcões em erupçaõ, mas acreditem vulcões também expelem gelo de suas crateras.

 

20130106012349.JPG

 

Meus olhos brilharam, meu coração acelerou confesso, porém da mesma maneira que o céu se abria ele se fechava ao mesmo tempo, diversas vezes abrindo e fechando, abrindo e fechando até que uma fina camada de nuvem como se fosse um véu de uma noiva ou de uma dançarina o cobria misteriosamente. Fiquei completamente seduzido por entre o véu e o vulcão. Então assim permaneci calado, paralizado pela "sedução" de Tungurahua.

 

Eis que o "véu" caiu ... Chegou a hora !

 

Enfim, depois de tanta espera eu avistei o que tanto desejava, as incríveis explosões do Tungurahua o " GIGANTE NEGRO ". Gigante por seus 5020 mts, negro pela sua paisagem inóspita e hostil. Um sinal claro de bom tempo me foi enviado, e tinha nome ... Chimborazo, eu o avistei em meio ao céu amarelado do oeste. Ainda com algumas nuvens em seu cume, mas em breve Chimborazo e seus 6267 mts de altitude ficaria tão nitído que eu avistaria seu eterno cume coroado com gelo.

 

20130106012717.JPG

 

20130106013057.JPG

 

Parto com minha mochila de ataque o mais leve possível, pois agilidade seria um quisito minímo exigido por Tungurahua em meio a suas explosões.

Caminho por entre pedras e poeira negra em direção a suas paredes com gelo, mas agora é tudo diferente, com o céu praticamente todo azul, eu não somente escuto e sinto as explosões, eu as viejo, e de fato são poderosas, de força e fúria, de cores acinzentadas e negras, de tamanhos e formas váriaveis. Este era Tungurahua.

Entre a escuridão acinzentada e em meio a ataques piroclásticoas ainda a uma distância segura eu caminho lentamente, sinto as pedras do chão se levantarem a cada explosão, o chão tremendo por completo e o cinza se mesclando com o negro. Esse era o caminho trilhado escolhido por mim.

 

20130106015402.jpg

 

20130106015448.jpg

 

20130106015609.jpg

 

Como tinha observado nos dias anteriores, o vento sempre soprava do leste em direção a oeste, as explosões ocorriam durante o dia todo, mas pela manhã e pela tarde eram muito violentas. Atravéz de um contato obtive a informação que as explosões ocorriam no intervalo de 1 hora, mas que durante essa 1 hora, haveria extrema fúria de Tungurahua. Eu não somente estava em um vulcão em erupção como também estava no momento mais explosivo dele, e como se não fosse o suficiente, o nível de alerta do vulcão era laranja, acima desse nível apenas o vermelho. Vulcanologos e cientistas tanto do ecuador como de toda parte do mundo observavam Tungurahua com extrema cautela, pois segundo os mesmos Tungurahua estava 'diferente", não era apenas mais um ciclo de explosões do Gigante Negro, o comportamento do vulcão estava bem diferente dos últimos anos e processos eruptivos, eu estava de frente com Tungurahua em um dos seus processos de erupção mais violentos de todos os anos.

 

20130106133710.jpg

 

20130106134007.jpg

 

Próximo as paredes onde as rochas se mesclam com o gelo o frio e o vento se tornam cada vez mais presentes, "furar' esta "segurança' não será missão fácil, minha máscara para gases está de imediata disposição para uma possível fuga caso algo aconteça.

 

É em situações como me encontro agora é que penso em um dos techos do livro que escrevi .... "Grandes feitos não serão obtidos pela razão e sim pela nossa capacidade de acreditar que sim, é possivel. Muitos morrerão realizando seus sonhos e outros viverão sonhando, aí está a diferença entre o querer e o fazer."

 

Com as explosões e tremores cada vez cada vez mais fortes é hora de pensar rápido e saber o que exatamente o que fazer. Eu não consiguiria me aproximar mais com tal intensidade e atividade vulcânica, seria como ir abraçar a morte. Então em meio ao frio e vento atentamente fiquei observando as explosões e ataques piroclásticos do vulcão. Confesso que é uma sensação completamente diferente de tudo o que se possa imaginar ou viver na vida, as colunas de fumaça de levantando e seus movimentos e formas são extremamentes curiosos, a fumaça de coloração cinza a negra se envolve entre ela mesmo em movimentos circulares.

 

20130106141318.jpg

 

20130106141358.jpg

 

20130106141437.jpg

 

O caminho até aqui não exige grande navegação terrestre, pois eh 'fácil" atingir as paredes citadas anteriormente cobertas de gelo, atento apenas ao fator altitude, e é sempre bom reelembrar. Velocidade aqui é importante e correr a cerca de 5 mil mts de altitude não é nada fácil, assim como também pode ser desafiador permanecer praticamente imóvel por um longo período em temperaturas frias e com rajadas de vento.

Em questão de medidas de segurança, todas elas já foram quebradas e deixo a critério de cada um.

 

Com minha coragem ou loucura ( já que cada pessoa chama de um nome ) eu estava de fato indo além do que eu deveria ir, completamente seduzido pelo vulcão que me puxava em direção a sua crátera. Mais tarde eu descobriria que eu era um dos únicos seres humanos que tinha consiguido me aproximar de Tungurahua em erupção e regressar com vida, cerca de 30 pessoas já perderam suas vidas em situações similares e com atividades vulcânicas menos intensas.

 

20130106142359.jpg

 

20130106142437.jpg

 

20130106142522.jpg

 

Acho importante alertar sobre o uso de GPS, o sinal é claro com margem de erro de apenas 3 mts, algumas variações sem significancia perante algumas nuvens no céu. Porém com a densa fumaça que sai da crátera a margem de erro pula de 3 mts para 44 mts imediatamente, isso pode ser um verdadeiro desastre, pois mesmo com a rota/tracklog já gravados no GPS seria praticamente impossível percorre la com precisão, Tungurahua possui algumas inclinações cuja as quais ja tiraram vidas.

O céu está azul e bem profundo, é possível até mesmo sentir calor. As pessoas costumam me pedir para meditar e orar por elas, e assim foi feito naquele momento. Ficar em harmonia em tal terreno considero algo extremamente desafiador e harmonioso, exige bem mais do que técninca, exige algo que parte de dentro de cada um de nós.

 

Lentamente as explosões acabam, o azul do céu escurece um pouco, o vento diminui até silenciar completamente. Não é possível escutar absolutamente nada, o silêncio é extremo e assim permaneceu por alguns minutos ...

Era mais fácil escutar o abrir e fechar dos meus olhos doq ue qualquer outro som, tinha algo "errado", algoq ue acredito que todos nós sabemos é que quando a natureza está em silêncio algo está acontecendo ou está para acontecer.

 

Lentamente começo a caminhar, e em frações de segundos sem aviso e silenciosamente Tungurahua me derruba no chão com uma explosão extremamente forte e gigante, passados as frações de segundos o som de sua explosão foi incrível ... Tungurahua novamente me demonstra sua fúria perante meus olhos, meu corpo foi praticamente arremessado no chão com o impacto e tremor da explosão.

Mas o que fez dessa explosão ser diferente ? Fora a força o silêncio, não é comum esse tipo de comportamento, antes do som da explosão eu avistei em frações de segundos a densa fumaça negra saindo da cráteram, isso tudo em um extremo silêncio.

Eu arrepio só de lembrar desse momento, do meu corpo no chão, do meu corpo tremendo com a vibração no solo e do meu coração feliz. Em menos de 3 secundos o céu foi completamente coberto pela escuridão negra e cinzenta, o azul se tornou cinza, as sombras dominavam e nem mesmo o sol foi capaz de atravessar a escuridão de Tungurahua. Este é de fato o GIGANTE NEGRO.

 

20130106150050.jpg

 

20130106150159.jpg

 

Considero dessa vez o meu feito uma verdadeira aventura, mas antes de finalizar este dia eu gostaria de estar compartilhando uma foto que tirei a noite. Sempre que avisto uma cidade ou uma se quer casa quando estou em alguma montanha e vejo aquela casinha la no fundo, ou aquela 'cidadezinha" toda iluminada, eu fico imaginando o que será que as pessaos que eu conheço estão fazendo naquele exato momento, assim como tambem fico pensando que em cada casa que eu avisto, lá tem uma cama quente e um copo de chocolate bem quentinho.

 

20130106175854.jpg

 

Quando a escuridão noturna cai por completo as nuvens retomam o seu lugar e voltam a reinar absolutamente sobre o céu, e como de costume fui dormir ao som das explosões.

 

5º DIA

 

Hora de partir, minha "missão" tinha sido cumprida com êxito. Porém regressar não foi tão fácil assim, embora dessa vez era apenas descida, a lama acumulada nos últimos dias, e a chuva que não da uma trégua se quer fez com que meu regresso fosse um processo cansativo.

O meu retorno ao aeroporto me trouxe uma grande surpresa, encontrei o mesmo taxicista que me levou da última vez !( dezembro/2011 ) Fizemos a mesma corrida até o aeroporto .

 

Com certeza eu ainda regressarei ao Tungurahua diversas vezes, e em breve farei um tentiva de cume/cratera. Dados cientificos afirmam que eu estive presente em 84 explosões e 102 tremores, também afirmam "1 tiro de canhão".

 

Recentemente lançei meu livro - A Senda e o Aprendizado do Mochileiro Peregrino, onde o último capítulo foi narrado no Tungurahua ( dez./2011) quem quiser conferir/adquirir a obra, basta acessar o site http://www.mochileiroperegrino.com

 

Obrigado a todos, e espero retornar em breve com mais ascensões a vulcões em erupção .

 

20130106184329.jpg

 

LARGA VIDA A TUNGURAHUA !!!

O GIGANTE NEGRO

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Peregrino,

 

sei que o relato não está completo ainda, mas antecipo que foi adrenalina nível Chuck Noris...

 

 

Saudações,

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

A cada atualização deste relato, fiuco emocionado e encantado pela imensidão, imponência e beleza deste vulcão e de sua trip por ele. Parabéns, estou acompanhando...

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Você: - Alerta laranja.

Eu: - Isso significa?

Você: - Em termos de risco só o vermelho supera!

Eu: - E abaixo do vermelho?

Você: - Ahhh tem um monte.

 

Sempre que eu lembro disso, eu começo a rir. ::lol4::

 

Mais uma vez, parabéns pela conquista, pela determinação e pela coragem! Show de bola o relato e as fotos então, SENSACIONAL!

 

Grande abraço.

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

 

[...]

 

Eis que o "véu" caiu ... Chegou a hora !

 

Enfim, depois de tanta espera eu avistei o que tanto desejava, as incríveis explosões do Tungurahua o " GIGANTE NEGRO ". Gigante por seus 5020 mts, negro pela sua paisagem inóspita e hostil. Um sinal claro de bom tempo me foi enviado, e tinha nome ... Chimborazo, eu o avistei em meio ao céu amarelado do oeste. Ainda com algumas nuvens em seu cume, mas em breve Chimborazo e seus 6267 mts de altitude ficaria tão nitído que eu avistaria seu eterno cume coroado com gelo.

 

[...]

 

É em situações como me encontro agora é que penso em um dos techos do livro que escrevi .... "Grandes feitos não serão obtidos pela razão e sim pela nossa capacidade de acreditar que sim, é possivel. Muitos morrerão realizando seus sonhos e outros viverão sonhando, aí está a diferença entre o querer e o fazer."

 

[...]

 

 

Grande Gabriel, Mochileiro Peregrino!!!

 

Meu caro, o que dizer dessa sua epopéia?! Simplesmente avassaladora! Como no segundo trecho que destaquei acima, tu foi lá novamente e fez... Desafiou o "Gigante Negro" e voltou para nos contar a história e mostrá-lo. Sonhar é preciso, realizar nossos sonhos é imperativo para viver e alçar novos vôos. Isto é o que diferencia meninos de homens.

 

Fiquei imaginando as condições do abrigo, o cheiro, o barulho, os tremores... Sem dúvida mais do que uma grande aventura: A AVENTURA!

 

Parabéns pela trip e um grande abraço!

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Crie uma conta ou entre para comentar

Você precisar ser um membro para fazer um comentário

Criar uma conta

Crie uma nova conta em nossa comunidade. É fácil!

Crie uma nova conta

Entrar

Já tem uma conta? Faça o login.

Entrar Agora

  • Conteúdo Similar

    • Por beatrizz
      Saudações! 
      Esse relato é sobre a subida ao Monte Crista em Garuva, que fica perto de Joinville. 
      A chegada em Garuva foi na sexta dia 07 de Setembro, no fim da tarde. Optamos por passar a noite no Espaço de Vivência Monte Crista. Que não faz parte da trilha oficial pra montanha, mas fica a 2 km da recepção. 
      Sobre esse espaço tem muito a compartilhar, é um lugar místico, onde acontecem diversas vivências, como meditação, temascal, e outros. Há chalés do ladinho do Rio que você pode passar a noite ouvindo o barulho da água. A comida (3 refeições) está inclusa na diária e é vegetariana, deliciosa. Fica em torno de R$ 350 pra 2 pessoas. O espaço compartilhado tem muitos pássaros comuns da região e um local de oração e Cerimônia construído por índios nativos, ali há uma energia muito clara. 
      No sábado acordamos cedinho e tomamos um café reforçado, depois partimos até a recepção do Monte Crista. A entrada sem estacionamento é de 4 pilas. 
      Logo no início você passa por uma ponte pênsil legal. 
      A subida é pesada, porque o terreno é muito parecido em todo o percurso, subida íngreme e ganho de elevação rápido. Vários pontos com escadas de pedras construídas pelos jesuítas. É muito bonito. Diferente do Pico Paraná por exemplo, não há um grau de dificuldade tão grande com raízes e pedras, mas prepara o corpo pra resistência. 
      Enfim chegamos ao cume após 4:30, é importante seguir a trilha principal porque não há placas, e é fácil se perder. 
      No cume do monte encontramos vestígios de acampamento, porém não havia ninguém lá. Achamos estranho porque na recepção nos falaram que muitas pessoas haviam subido... 
      Arrumamos nosso acampamento e o tempo estava fechado, não dava pra ver um palmo na frente, isso também dificultou pra tentar ver onde as outras pessoas estavam. Em função do horário decidimos ficar por ali mesmo. 
      Não estava frio, nem tinha vento. Mais a noite o céu abriu e ficou maravilhoso, aí conseguimos ver as lanternas em um ponto um pouco abaixo de onde estávamos, depois descubrimos que lá encontra-se um marco do Monte Crista, que é onde deve acampar kkkk. Também é um lugar mais protegido do vento. Por sorte o tempo nos ajudou e não fomos lançados montanha a baixo. 
      A noite o bixo pegou, a temperatura caiu muuuito de uns 15 graus para cerca de 4. E não estávamos preparados, ou seja, a noite foi tensa quase não dormimos de frio..... 
      De manhã estava nublado, o sol não mostrou as caras, mas mais tarde alguns raios nos presentearam e deu pra fazer algumas pics. 
      Arrumamos as coisas e descemos a montanha, com quase metade do tempo, em menos de 3 horas chegamos a base. 
      Ps. Esqueci de levar panela, a caneca de metal de café, virou panela e chaleira, improvisos hehehe. 
      Enfim, voltamos ao Espaço de Vivência e conseguimos ainda descolar um almoço antes de pegar a estrada. 
      Ps2. Não é legal subir a montanha pelo espaço de vivência, primeiro pq há uma trilha por ali, mas pouco demarcada, a probabilidade de se perder é bem maior, segundo porque o espaço não tem controle e formulário de subida, e se algo acontecer será um transtorno para eles e para quem está na trilha. O objetivo do espaço é relaxar mesmo. Por isso sempre comece a trilha pela base. 
      No final da experiência há sempre saldo positivo, qualquer montanha 🗻 tem algo a ensinar, cada uma é diferente, especial, única. Aprendemos o que fazer e o que não fazer. Vamos captando os sinais do universo, sobre nossa missão. Aprendemos a ouvir o coração, e não a personalidade. 
      Quero voltar ao Monte Crista com objetivo de fazer a travessia do Quiriri. Mas esse é outro relato. 
      Avante, viver o que precisa ser vivido. 














    • Por danicsml
      Depois de algumas torrões de sol e algumas bolhas nos pés, sobrevivi para compartilhar (e tentar atualizar) informações sobre a nossa trip (marido e eu) nas férias.
      Bora lá: foram 14 dias de viagem pelas seguintes cidades:
      Los Angeles: 3 dias
      Las vegas:  2 dias
      Willian - Grand canyon: 02 dias 
      Page: 1 1/2 dia
      Monument Valley: 1 dia
      Moab : 1 dia
      Salina: só pernoite
      Las vegas: 1/2 periodo compras + 1 noite
      Los angeles: 1/2 periodo compras + 1 noite.
      Total gasto: 22 mil para o casal (é minha gente o dolar tá qse um rim). Segue a planilhinha em anexo. Pessoal eu vou consertar uns valores aq e já posto de novo!!!
       
       
    • Por PEDROMG
      Oi galera!
      Estou aqui (depois de alguns poucos meses) pra compartilhar com vocês sobre a minha primeira (de muitas kkk) solo trip.
      Se me perguntassem há uns 2 anos atrás se eu teria coragem de viajar sozinho, eu certamente responderia que não faria isso (por medo+tensão+acho que não consigo).
      Até que a vontade de romper essa barreira passou a me consumir e comecei então a trabalhar a mente e me preparar aos poucos pra que eu realizasse isso que se tornou um sonho, uma necessidade.
      Minhas férias do trabalho venceram mas decidi que só as tiraria quando definisse um destino bacana, que tivesse praias lindas (e que eu acreditasse ser capaz de me virar sem companhia rs).
      Foi aí que decidi ir em abril para #Cartagena e #SanAndrés (aquele paraíso onde fica o famoso mar de 7 cores).
      Comecei então a olhar as passagens, lugares para me hospedar, definir rotas, pesquisar sobre a moeda e preços locais e assim fui me familiarizando com cada detalhe e adquirindo a segurança necessária pra embarcar na minha #primeiraviagemsozinho.
      Comprei minhas passagens de Brasília > Panamá > Cartagena / Cartagena > San Andrés / San Andrés > Cartagena / Cartagena > Panamá > Brasília...
      E FUUUI!!!
      Ao chegar no aeroporto de Brasília, bateu aquele leve medo de: é agora!
      Embarquei e durante o voo, devido a tensão, me lembro que tive até um pesadelo.
      Cheguei ao Panamá, celular sem bateria, sem adaptador de tomada mas feliz e empolgado, confiante e pronto pra continuar.
      Lá estava eu desembarcando no aeroporto de Cartagena arrepiado e sorrindo ao mesmo tempo.
      Sem celular e sem voucher de onde eu me hospedaria, fui até o balcão de informações e pedi pra que olhassem pra mim o endereço do hostel... deu certo.
      Que cidade linda, que energia boa, cheia de pessoas felizes, contagiante!!!
      Conheci lugares incríveis, conheci pessoas legais (sou tímido pra isso, mas estar sozinho e naquele lugar maravilhoso acabou mudando isso até sem eu percebesse).
      Dica: se hospedem no Bourbon St Hostel Boutique.
      Depois de 3 dias muito bem vividos, bora pra San Andrés conhecer o Caribe...
      Chegando no aeroporto (que tumulto!!!), eu só queria ver aquele mar das fotos que me fizeram chegar até lá...
      E WOOOOOOOOOW!!! Inacreditável! "P**rra, eu realmente tô no Caribe!"
      Dica: se hospedem no El Viajero.
      Depois de uma semana, de conhecer a beleza surreal da ilha e nadar bastante, partiu voltar pra Cartagena (com todo prazer!) por mais 3 dias.
      Em San Andrés, assim como em Cartagena, conheci outros viajantes que estavam viajando sozinho pela primeira vez também e compartilhar as experiências e momentos foi fundamental.
      Talvez se eu estivesse esperado alguém pra me acompanhar, eu não teria tido essa experiência sensacional, nem conhecido tais lugares e ainda estaria me questionando: será que eu consigo viajar sozinho?
      Sobre os lugares que visitei, recomendo e recomendo de novo.
      *A única coisa que me contrariou durante a viagem foi que comprei um sombreiro (esse das fotos) de um vendedor ambulante por 20.000COP e pouco depois achei numa loja
      por 7.000COP... aff, kkk...
      Se tiverem curiosidades ou quiserem dicas, é só me contactar :)
      Estou pronto pra próxima... a dificuldade agora é escolher algum destino dentre tantos maravilhosos pelo mundo... porque meu medo, eu já venci \o/








    • Por tabatajac
      Conhecida como uma das travessias mais bonitas do país, a travessia Petrópolis x Teresópolis é feita dentro do Parque Nacional da Serra dos Órgãos e conta com aproximadamente 30 quilômetros de trilha, que podem ser feitos em um, dois ou três dias, além de diversos desvios.
      Antes de mais nada, é preciso comprar os ingressos no site do Parnaso e, se for fazer a trilha em mais de um dia, pagar pela sua estadia, que pode ser em camas beliche ou bivaque dentro do abrigo, ou no camping. Vale lembrar que em feriados, principalmente no inverno, a travessia fica bem cheia e os abrigos esgotam rápido. Nós demos sorte e pegamos uma desistência, conseguindo fazer no feriado de 7 de Setembro.
      Para quem fica no abrigo, é disponibilizado panelas, utensílios de cozinha, fogão e banheiro com (pasmem!) água quentinha. Já para quem fica no camping, você também vai poder usar o banheiro para tomar banho, além de outro banheiro do lado de fora do abrigo e um ponto de água, onde dá para encher as garrafas e lavar as panelinhas e utensílios que você levar.
      No total, pagamos R$ 102,00 cada um, incluindo o valor da travessia (R$ 26 da trilha e R$ 26 de adicional de fim de semana), duas noites de camping (R$ 10 cada uma) e dois banhos (R$ 15 cada um).
      O próprio site do parque oferece informações oficiais sobre a travessia, sempre vale dar uma olhada.
      DIA 1 – Petrópolis x Castelos do Açu
      Distância: 8 km
      Tempo: 7 horas
      Ganho de altitude: 1.145 metros
      Saímos do Centro de Petrópolis um pouco antes das 8:00 e chamamos um Uber para adiantar um pouco as coisas. Para quem quiser ir de ônibus, primeiro você vai ter que pegar um para o Terminal de Correias e depois outro para um pouco antes da portaria do parque. Pagamos R$ 36,00 até lá. Chegamos na portaria, assinamos o termo de responsabilidade, enchemos as garrafas de água e começamos a subir às 9:20.
      O primeiro ponto depois da portaria é o Poço do Presidente e a Cachoeira Véu da Noiva. Como saímos um pouco tarde da portaria, fomos só até o primeiro ponto, enchemos as garrafas, comemos uma barrinha de cereal e seguimos. A subida até aqui ainda não é tão íngreme, mas depois do poço comecei a sentir as pernas avisarem que a declividade tinha aumentado (e eu achando que estava bem preparada). Chegamos na Pedra do Queijo às 11:30 e paramos para beber água, comer e subir na pedra para ver o visual.

      Pedra do Queijo

       
      Pedra do Queijo 

      Visual de cima da Pedra do Queijo
      De lá, partimos para o Ajax, onde chegamos às 13:15. Essa, para mim, foi a subida mais puxada, até mais que a Isabeloca que vem depois e dizem ser a parte mais difícil do primeiro dia. Acho que o bastão de caminhada fez a diferença, já que subi essa parte sem ele, mas usei na Isabeloca. O Ajax é o próximo ponto de água depois do poço e o último antes do abrigo, além de ser também onde o pessoal costuma parar um pouco mais para almoçar (ou comer alguma coisa com mais sustância). Atenção para os períodos de seca, já que é comum o Ajax secar. Nós pegamos o ponto com pouca água, mas ainda deu para encher as garrafas. Até esse ponto, já havíamos caminhado por volta de 5 quilômetros, com mais 3 pela frente até o abrigo dos Castelos do Açu.

      Parada no Ajax
      De cara para aquele paredão que era a Isabeloca, saímos do Ajax às 13:55 e começamos a última subida do dia. Conseguíamos ver as pessoas lá em cima, com suas mochilas coloridas, já quase chegando ao topo. Depois de muito anda e para, chegamos lá em cima às 15:15 e paramos na próxima plaquinha para tirar um pouco as cargueiras, beber água, comer e tirar umas fotos. De lá, conseguíamos ver uma formação rochosa bem ao longe que parecia ser os Castelos do Açu, e que ainda estava distante para caramba.

      Subindo a Isabeloca

      Topo da Isabeloca
      Colocamos as cargueiras de volta e voltamos a seguir a trilha quando, de repente, os Castelos do Açu (agora de verdade) surgiram à nossa frente, imponentes e tão mais perto do que a gente imaginava. Ali a emoção bate de leve e você começa a fazer o balanço do que foi o primeiro dia. E se a emoção dali não bastasse, andando mais um pouquinho surgem o abrigo e a Serra dos Órgãos, que se faz ver pela primeira vez, com o Dedo de Deus em riste. Chegamos ao abrigo às 16:30, depois de aproximadamente 7 horas de caminhada. Depois de dar nossos nomes, o cara do abrigo informou que o camping poderia estar lotado e, se esse fosse o caso, poderíamos armar a barraca no próprio castelo (o que eu acho que já foi permitido um dia, mas hoje é proibido em dias normais). Subindo de volta para os castelos, encontramos um ponto perfeito, logo abaixo de outro casal que havia armado a barraca um pouco acima.

      Chegando nos Castelos do Açu

      Abrigo do Açu e a pontinha do Dedo de Deus

      Pôr do sol dos Castelos do Açu
      Barraca armada, seguimos de volta para o abrigo para um banho mais que merecido. Os banhos são de 5 minutos contados no relógio pelo responsável do abrigo, que fica do lado de fora do banheiro controlando o pessoal e batendo na porta quando o tempo acaba. Com um pouco de desorganização, conseguimos tomar banho (que no fim deu um tilt na água quente e o pobre do Marcello terminou na água congelante) e voltamos para a barraca para fazer o jantar, que seria um arroz Tio João com calabresa para ele e com tofu para mim. Alimentados, fomos aproveitar um pouco da vista dos castelos, de onde dá para ver toda a cidade do Rio de Janeiro e suas luzes cintilantes, e depois fomos dormir.
      DIA 2 – Castelos do Açu x Sino
      Distância: 7,5 km
      Tempo: 8 horas
      Tendo acordado um pouco de noite, uma das vezes com frio, acordei de vez por volta das 5:30 e comecei a ouvir as vozes murmuradas do pessoal que acordou para ver o sol nascer. Juntei todas as forças que eu tinha para encarar aquela friaca e saí da barraca. Mas caraca, como valeu a pena. O céu laranja começava a iluminar a Serra dos Órgãos à esquerda e a Baía de Guanabara à direita. Subi na pedra com a câmera preparada e os primeiros raios de sol começaram a sair de trás das nuvens. Acho que foi o momento mais mágico de toda a travessia (com direito à musiquinha do Rei Leão, cantada pelo casal da outra barraca).

      Os primeiros raios de sol iluminam a Serra dos Órgãos

      Nascer do sol dos Castelos do Açu

      A Serra dos Órgãos e a nossa barraca

      Abrigo visto de cima dos Castelos
      Com o sol já mais alto, tomamos café, desmontamos a barraca e seguimos para o abrigo, onde terminamos de nos preparar para o segundo dia. Saímos de lá às 9:00 (bem tarde!) e logo de cara vimos a primeira descida e subida do dia, que seria o Morro do Marco. Com pedras que formam uma escadinha, às vezes com degraus altos que vão precisar da ajuda das mãos, chegamos ao primeiro ponto às 9:30 depois de um quilômetro, onde só tiramos algumas fotos e seguimos em frente. De lá, já conseguíamos ver o próximo vale, bem mais profundo que o anterior, onde encontraríamos o primeiro ponto de água do dia.

      Saindo do Abrigo do Açu

      Visão do Morro do Marco com os totens que guiam o caminho
      Chegamos no ponto de água às 10:10, onde encontramos um grupo sentado descansando e comendo alguma coisa. Enchemos nossas garrafas, comemos umas castanhas e seguimos com a subida em mata fechada e bem íngreme, com raízes servindo de degraus. Nossa próxima parada era o Morro da Luva, onde chegamos às 11:25. Lá, avistamos o Garrafão pela primeira vez, que serviria de guia pelo resto do dia, virando sua cara carrancuda aos poucos até se revelar completamente na Pedra da Baleia. Mas calma que ainda faltava muito para isso (e bote muito nisso). No Morro da Luva, tiramos as cargueiras um pouco para aliviar o peso, bebemos água e tiramos fotos. Depois, seguimos atrás de um grupo com guia que disse que aquele ponto era muito fácil de se perder, já que a rocha abre muitos caminhos e não é tão bem sinalizado quanto o primeiro dia.

      Subindo o Morro da Luva

      Topo do Morro da Luva com os Castelos do Açu ao fundo

      Garrafão e o Dedo de Deus começando a ficar encoberto
      Depois de descer mais um vale, chegamos ao próximo ponto de água logo antes do Elevador, que estava seco. Descansamos um pouquinho e chegamos ao temido Elevador às 12:30. Com 67 degraus, ele é bem mais longo do que eu imaginava, e também mais cansativo. Subi usando a mochila de lastro, que nem o Corcunda de Notre Dame, para ver se ela me jogava para frente e não para trás. Contei três vergalhões faltando, mas a rocha dá um bom apoio nessas horas, e a tração da bota é essencial. Com 3,5 quilômetros caminhados (e escalaminhados) desde o Açu, chegamos ao topo do Elevador, onde tínhamos mais 4 quilômetros pela frente.
       
      Totens e Elevador visto de longe

      Elevador
      Depois do Elevador, a coisa começou a esquentar e nem tirei mais a câmera da mochila, tirando fotos só com o celular. Logo após o topo do Elevador, surge uma rocha com uma subida bastante íngreme, onde é preciso usar as mãos e confiar na bota, acompanhada como sempre de outra descida, também bem íngreme e onde me pareceu melhor descer meio de lado (as bolhas que eu ganhei depois não concordam muito com a minha teoria). Subindo mais um pouco, chegamos ao Morro do Dinossauro, onde paramos para beber água e descansar. O rosto carrancudo do Garrafão já nos observava, assim como a cabeça do elefante (indiano, e não africano, como disse um outro trilheiro também descansando por ali).

      Morro do Dinossauro

      Cara mal humorada do Garrafão
      De lá, tocamos para o Vale das Antas, onde chegamos às 14:30. Último ponto de água do dia, aproveitamos para comer e encher as garrafas. Um dos guias que encontramos lá ressaltou que essa água não é muito legal, já que muitas pessoas usam os arredores da nascente como banheiro, então não se esqueça de levar Clorin e talvez evitar esse ponto de água se sua garrafa ainda estiver cheia. Depois de dois belos pães com atum e castanhas, começamos a subida do Vale das Bromélias até a Pedra da Baleia, chegando lá às 15:10. O topo da Pedra da Baleia fica a 6 quilômetros do Açu, faltando ainda 1,5 quilômetro até o abrigo do Sino.

      Pedra da Baleia
      Quando começamos a descida em direção ao Mergulho, vimos no paredão do outro lado várias mochilas coloridas subindo a escadaria de pedra que daria no Cavalinho. Logo depois, vimos o Cavalinho. Uma rocha triangular um pouco mais clara que as demais que chegava a brilhar com o sol da tarde que começava a se pôr. Naquela hora, bateu um frio na barriga. Mas ali não tem o que fazer se não seguir em frente, e foi o que fizemos.

      Pessoal subindo em direção ao Cavalinho
      No Mergulho, tivemos a sorte de encontrar um grupo com guia que estava usando cordas para descer, que ele caridosamente nos deixou usar. Já vi vários vídeos de pessoas que fazem esse pedaço sem corda, mas com certeza seria mais difícil, sem contar que provavelmente nós teríamos que tirar a cargueira das costas. Logo antes da próxima subida, uma setinha de ferro fincada no chão (como muitas outras antes) indicava o caminho e fiz ali meu check point, no estilo Super Mario. Se caísse do Cavalinho, pelo menos eu não ia precisar voltar tudo! 😂
      Chegamos no Cavalinho às 16:05 com uma pequena fila de pessoas para subir. O espírito de camaradagem que rola lá em cima foi o que nos fez conseguir subir aquele negócio. O grupo da frente nos ajudou a içar as mochilas e um dos caras ajudou a puxar o Marcello depois dele ter montado no Cavalinho, que então me ajudou a subir. Mas o Cavalinho era brincadeira de criança perto da próxima rocha, apelidada carinhosamente de “coice”. Nela, de novo ajudaram o Marcello a subir com a cargueira nas costas, oferecendo a mão de cima dela, mas quando chegou na minha vez, tive que tirar a cargueira e a menina atrás de mim ainda teve que empurrar meu pé para que minhas pernas dessem altura para subir (malditas pernas curtas!).

      Cavalinho
      Passado o desafio, ainda foi preciso subir uma escada de ferro (obrigada pessoa que teve que carregar esse troço nas costas para colocar ela ali) e caminhar mais um pouquinho até a bifurcação do abrigo e da Pedra do Sino. Chegamos lá às 16:40 e no abrigo às 17:10. Alguns grupos seguiram direto para a Pedra do Sino para ver o pôr do sol, mas nós optamos por descer para pegar um bom lugar no camping e deixar para ver o nascer do sol do cume.

      Bifurcação Pedra do Sino, Abrigo 4 e Travessia
      Montamos nossa barraca e fomos logo para a fila do banho, muito mais organizada que no dia anterior. E que banho! A água quente não desligou dessa vez e conseguimos tomar banho em até menos que os 10 minutos totais que nós dois tínhamos. Banhados, fizemos nosso sopão de macarrão e capotamos.
      DIA 3 – Sino x Teresópolis
      Distância: 11 km até a barragem, 14 km até a portaria
      Tempo: 4 horas até a barragem
      Acordei por volta das 4:30 com o burburinho do pessoal se movimentando para ir ver o nascer do sol na Pedra do Sino. Ponderei todas as minhas escolhas de vida até aquele momento e decidi que continuaria deitada ali, no quentinho, e que veria o nascer do sol da Pedra da Baleia que tem atrás do abrigo (que não é a mesma Baleia do dia anterior). Abri a barraca por volta das 5:40 e segui a trilha que sai de trás do abrigo. Consegui pegar os primeiros raios de sol da Pedra da Baleia, de onde se vê o pessoal no topo da Pedra do Sino.

      Nascer do sol da Pedra da Baleia, atrás do Abrigo 4

      Pessoal vendo o nascer do sol da Pedra do Sino
      De lá, voltei para a barraca, sacudi o Marcello, tomamos café e seguimos para a Pedra do Sino enquanto muitos grupos já começavam sua descida. Saímos do abrigo às 8:40 e chegamos no topo da Pedra do Sino às 9:10. A subida não é muito íngreme e a rocha é bem sinalizada, com totens de pedra que indicam o caminho. E o que se pode dizer da diferença que é andar sem a cargueira? Ali eu consegui entender como um ser humano faz essa travessia em um dia só.

      Pedra do Sino com os Castelos do Açu ao fundo

      Visão da Pedra do Sino com Teresópolis ao fundo
      A Pedra do Sino é o ponto culminante da Serra dos Órgãos, com 2.263 metros de altitude e de onde se pode ver os três picos de Friburgo, a ponta do Garrafão, os Castelos do Açu e a Baía de Guanabara. Depois de muitas fotos, descemos para o abrigo, onde desmontamos a barraca e seguimos para Teresópolis.

      Começando a descida para Teresópolis
      O terceiro dia é praticamente só descida, quase toda ela em zigue zague e com a trilha muito bem marcada. Tendo saído do abrigo às 10:45, chegamos às ruínas do Abrigo 3 e ao Mirante de Teresópolis às 11:50 e na Cachoeira Véu da Noiva, já na parte baixa do parque, às 13:45. Lá, era como se a gente já tivesse chegado, mesmo faltando ainda 2 quilômetros até a Barragem e mais 3 até a portaria do Parque.

      Mirante de Teresópolis ao lado do antigo Abrigo 3
      Quando vimos a porteira que dá para a Barragem, bateu a emoção de novo. Concluímos nossa primeira travessia. Quase 30 quilômetros de muita subida, descida, rochas e pirambeiras. O casal que desceu com a gente do Véu da Noiva até ofereceu carona, mas agradecemos e dissemos que queríamos fazer portaria a portaria. Orgulho besta. 😄

      Chegamos!
      DICAS
      Se você pretende fazer a travessia durante um feriado, compre os ingressos com bastante antecedência. Os abrigos lotam rápido e não ter que carregar a barraca com certeza ajuda bastante.
      Uma boa bota (já amaciada!) ou tênis de trekking são essenciais, já que em muitos momentos você vai depender da tração dela para subir ou descer as rochas com segurança. Não aconselho fazer com tênis de academia ou de corrida, já que eles tendem a escorregar.
      Lembre-se que você vai ter que carregar sua mochila durante três dias, e que o peso dela vai se multiplicar com as subidas e o seu cansaço. Leve apenas o essencial.
      Com isso em mente, não subestime o frio. No inverno, as temperaturas podem ser negativas lá em cima e ninguém merece dormir com frio. Leve isolante, um bom saco de dormir, e roupas térmicas (tipo ceroula) se for acampar.
      Há diversos pontos de água no caminho, mas alguns deles podem secar no inverno. Nós levamos duas garrafas de Gatorade (totalizando um litro) e mais uma de 750 ml e foi suficiente, mas pegamos apenas o ponto do Elevador seco. O Ajax também pode secar, então leve isso em consideração.
      Mesmo com previsão do tempo boa, leve capa de chuva. O clima na serra pode ser imprevisível e bem diferente da situação na portaria.
      Leve um GPS ou celular com aplicativo de trilhas já instalado e o mapa e tracklog já baixados. Nós usamos o Wikiloc e seguimos esta trilha.
      Sobre a sinalização, ela é muito boa no primeiro e terceiro dia, e razoável no segundo, com pontos onde é possível se perder, principalmente se o tempo estiver fechado e com serração. Os totens de pedra ajudam bastante, já que são visíveis de longe, e há também setas pregadas na rocha e pegadas pintadas no chão. Mas mesmo assim, não deixe de levar algum tipo de GPS, já que no segundo dia há trechos em que essa sinalização fica devendo.
      Lembre-se que todo o lixo deve voltar com você e não pode ser deixado nos abrigos (e muito menos durante a trilha!), inclusive restos de comida. Então, não esqueça de levar saquinhos para o lixo.
      Já sobre as cordas, nós não levamos nenhuma, mas tivemos a sorte de sempre estar perto de grupos com guia que levaram e usamos as deles. Eu não diria que são totalmente indispensáveis, já o Marcello acha que seria quase impossível fazer sem elas, principalmente na hora de descer o Mergulho e içar as mochilas no Cavalinho.
      EQUIPAMENTO
      Mochilas: Quechua de 40l e Trilhas e Rumos de 48l
      Barraca: Quechua Arpenaz 2XL
      Sacos de dormir: Trilhas e Rumos Super Pluma (conforto +6°C e extremo 0°C)
      Isolante: Conquista 9mm
      Travesseiro: Quechua Air Basic
      Fogareiro: Guepardo Mini Fogareiro Compact
      Panelinha e utensílios: Quechua
      Cartucho de gás: Nautika 230g (de acordo com o que pesquisamos, dura por volta de 120 minutos)
      Lanterna de cabeça: Forclaz ONNIGHT 50 (30 lúmens)
      Bastão de trilha: Quechua Arpenaz 200
      ALIMENTAÇÃO
      Para a principal refeição, que seria o jantar, levamos um arroz Tio João da linha Cozinha Fácil, Sopão Maggi de macarrão com legumes, uma calabresa e uma lata de atum (para o Marcello) e tofu defumado (para mim).
      Para o café da manhã, levamos pão integral, Polenguinho, Toddynho e o tofu.
      Durante o dia, comemos amendoim, castanhas, avelã, Club Social, torradinhas Equilibri, barras de cereal, salaminho, chocolate e pão com Polenguinho e atum. Levei também um pacote de cookies Jasmine que voltou fechado.
      DESVIOS
      Há diversas outras trilhas para se fazer dentro do Parque, mas eu diria que o principal desvio dentro da travessia é para os Portais do Hércules. Nós chegamos a ponderar se faríamos ou não, mas os relatos variavam de 40 minutos a 1h30 de trilha para ir e depois o mesmo para voltar, tempo esse que nós não tínhamos. Sem contar que disseram que é uma trilha de difícil navegação, muito fácil de se perder. Mas se você realmente quiser encarar, o que o pessoal normalmente faz é sair muito, muito cedo do abrigo (às vezes antes do nascer do sol) e esconder as cargueiras na mata perto da bifurcação para fazer a trilha sem elas. Só não vale esquecer onde escondeu a mochila. Ouvimos a história de um cara que não conseguia encontrar sua cargueira de jeito nenhum e, depois de uma hora procurando achando que havia sido roubado, desistiu e seguiu a trilha. Ele só conseguiu reavê-la esse ano, dois anos depois de ter feito a travessia, quando alguém fazendo a trilha a encontrou junto com sua carteira e documentos.
       
    • Por kely.alves
      Muitos me questionaram porque ir para Florianópolis que é a Ilha da Magia em pleno outono e a resposta foi bem simples: MEGA PROMO!!
      Tava um valor bom, então bora fazer desse limão uma limonada delícia. 😀
      Floripa é muito conhecida por suas praias exuberantes e gente bonita passando para cima e para baixo. Mas por conta do período do ano (Outono) eu sabia que não daria praia, mas que poderia fazer muitas outras atividades como trilhas e bater perna por outras áreas.
      Época fria, mas tive a sorte de não pegar chuva nenhum dia, então, foram dias e noites bem aproveitados.
      Eu dispunha somente de um final de semana prolongado, então fiz muitas coisas nesses meus 3 dias e meio. Mais uma vez com a ajuda de alguns amigos desse site, consegui fazer a seguinte programação:
      13.06.2018: Chegada em Floripa (à noite)
      14.06.2018: Trilha Lagoinha do Leste
      15.06.2018: Tour Área Norte: Santo Antonio de Lisboa, Jurerê Internacional, Fortaleza de São José da Ponta Grossa, Barra da Lagoa
      16.06.2018: Trilha da Galheta
      17.06.2018: Jogo do Brasil e retorno para SP
      Dia 1: Chegada em Floripa
       

      Dentre as muitas opções que me foram dadas, optei em me hospedar na Lagoa da Conceição por ser o centro efervecente de Floripa, uma boa quantidade de hostels, restaurantes, bares, mercados, fácil acesso ao Sul e ao Norte. Enfim, localização perfeita!
      Me hospedei no Gecko´s hostel http://www.geckoshostel.com/ (RECOMENDO!!) e com um valor ótimo de diária R$ 30,00 sem café da manhã. Caso opte pelo café, paga-se R$ 10,00 a mais.
       

      📌Sugestão:
      Faça suas compras nos mercados próximos. Há opções de orgânicos, sacolões, mercados grandes, mercados menores, padarias com pãoes quentinhos. É possível usar todos os utensílios da cozinha do hostel. Sai mais barato e você pode fazer um café mais reforçado, pois achei bem fraquinho o deles. Para o jantar, sugiro o mesmo, pois só tinha lanches disponíveis nos arredores e precisava de comida por conta da energia gasta nas atividades. Sendo baixissima temporada, muitos locais estavam fechados. Na ponta do lápis, foi uma ótima economia também!💲
      Do aeroporto até o hostel o percurso foi de meia hora e custou R$ 26,00 com uber. Chegando lá, a recepcionista me perguntou se eu estava afim de ir numa festa numa balada onde a entrada era VIP até 23h30 e tinha um free shot de Catuaba pelo simples fato de estar hospedada com eles (ganharam pontinho positivo). Com meu colega de quarto (que tinha acabado de conhecer e topou meu convite) partimos para essa vibe underground chamada Santa https://pt-br.facebook.com/santalagoa/. O lugar toca um pouco de tudo desde funk a clássicos indie anos 2000. Tava meio vazio, mas o pouco pessoal que lá estava tocaram o terror e foi bem animado.
      Voltamos cedo porque no dia seguinte seria o único dia de sol daquele final de semana e queria fazer a melhor trilha de todas.
      Dia 2: Trilha Lagoinha do Leste
      De todas as dicas que recebi a mais indicada foi essa trilha. Ela possui dois caminhos: um fácil e rápido (sem vista) ou um mais longo e com vista espetacular. Optei pelo segundo.
      Usando ponto de partida como a Praia do Matadeiro:

       
      📌Depois de passar pela praia e entrar na trilha depois das placas indicativas, mantenha sempre o lado direito. Pq uma hora as placas desaparecem e sobram trilhas no chão. Não tem erro. É tranquilo.
       

       
      Essa foi a única placa que encontrei no caminho, depois foi seguir esse esquema de manter a direita e deu tudo certo. Pelo caminho sempre se encontram pessoas que estão fazendo o mesmo trajeto e passada a parte de mata fechada, se abre um costão lindo, rende fotos espetaculares:

      E o lance de manter a direita faz todo sentido se chega nessa parte: se for para a esquerda você desce o costão que cai direto no mar, e não queremos isso, certo?
      Fiz uma parada para contemplação e lanchinho antes de continuar a caminhada e depois que retomei o caminho, vê-se do alto de um morro o destino: Praia da Lagoinha do Leste:

      Como se pode ver no canto direito da foto é realmente uma lagoinha que fica de frente para uma praia. Sendo baixíssima temporada, estava sem ninguém, por exceção de dois pescadores que parei para conversar e saber como ir embora (já que não seria o mesmo caminho da ida) e como faz para chegar no ponto alto do passeio: Morro da Coroa.
      Andando pela praia vê-se uma montanha e dizem que no alto dela a vista é sensacional, mas tem que ter disposição e pernas fortes para subir. Como não estava lá à toa, fui, é claro.
       

      É uma subida realmente bem íngrime e há pontos em que para ter mais segurança, você sobe literalmente de quatro, mas vale a pena e a vista. Os pescadores tinham dado uma dica boa por qual caminho seguir onde não há desprendimento de pedras no caminho e subi bem e em segurança.

      À medida em que se vai ganhando altura, consegue ver perfeitamente a Lagoa e a praia.
      Chegando no topo, estava receosa de estar sozinha no meio do nada e no alto de um morro, mas tinha um grupo de amigos lá e me juntei a eles. Foi ótimo pela cia, pela conversa, pelas trocas de fotos e principalmente pela cia no retorno, pois apesar de gostar de entrar no meio do mato, não gostaria de estar nele sozinha com pouca luz, afinal, segurança em primeiro lugar.
       
      Existe um ponto de foto clássica nesse morro, tipo Pedra do Telégrafo no Rio de Janeiro. Fiquei meio desengonçada, mas eu fiz a tal foto depois de milhares de tentativas. Ficou mais ou menos boa. Preciso de braços mais fortes para erguer as pernas, mas o que vale é a intenção.

      Esse foi o único dia de sol que realmente peguei nessa viagem então, a cor da água fica incrivel e rende ótimos flashs. Super recomendo. (Mesmo em dias nublados, porque a vista vale muito a pena, além do desafio de fazer uma trilha de tempo razoavelmente longo)
       

      Como tudo o que sobe, desce, fizemos com tranquilidade o caminho de volta e com atenção para não nos machucarmos ou sofrer qualquer torção. Porque sendo íngrime, certas partes na volta, também faz-se sentado.
       

      O retorno foi feito pela trilha do Pântano Sul que é bem demarcada, com pontos onde é possível encher as garrafas de água e não tem erro porque ela é fechada por mata e não tem bifurcações, mas diferente do caminho da Praia do Matadeiro, ela não tem vista, e consequentemente ela é mais rápida (45 mins mais ou menos)

       

      A saída por essa placa leva a uma rua que não sei o nome, mas que tem ponto de ônibus que roda por vários lugares, inclusive para a Lagoa da Conceição. Mas não pode ter pressa, porque o sistema de transporte de Florianópolis não me pareceu muito eficente: ele te deixa num terminal e depois desse terminal tem que pegar outro ônibus. É bem demorado, mas é o modo mais econômico.
      Chegando no hostel, fui fazer meu jantar e descansar, afinal a caminhada foi boa: 3h na ida e 1h20 na volta + o trajeto de buso que desisti de contar o tempo.
      Portanto, se forem à Floripa coloquem esse destino na lista, não vão se arrepender!
      📌O que levar para esse passeio:
      Água: não há quiosques ou ambulantes pelo caminho (na alta temporada, talvez); Lanche; Protetor solar; Agasalho; Ao fazer a trilha pelo Matadeiro, sugiro estar com calça comprida para proteger as canelas da vegetação rústica que tem pelo caminho e não se machucar; Repelente; Câmera para fotos espetaculares; Disposição, muita disposição. Dia 3: Tour Área Norte: Santo Antonio de Lisboa, Jurerê Internacional, Fortaleza de São José da Ponta Grossa, Barra da Lagoa
      Por meio do app Couchsurfing troquei contato com uma pessoa que mora em Floripa e estava disponível para me levar para passear. Esse novo amigo me perguntou o que eu gostaria de conhecer e respondi que parte histórica das cidades é algo me encanta. Então, fomos eu e uma colega do hostel que estava sem programação. Colocamos gasosa no carro do amigo e fomos rodar por aí para conhecer um pouco do passado para entendermos o tempo presente. Esse foi o nosso roteiro:

      Foi muito produtivo!
      Breve resumo histórico:
      "Os primeiros habitantes da região de Florianópolis foram os índios tupis-guaranis. Praticavam a agricultura, mas tinham na pesca e coleta de moluscos as atividades básicas para sua subsistência. Os indícios de sua presença encontram-se nos sambaquis e sítios arqueológicos cujos registros mais antigos datam de 4.800 A.C. Já no início do século XVI, embarcações que demandavam à Bacia do Prata aportavam na Ilha de Santa Catarina para abastecerem-se de água e víveres. Entretanto, somente por volta de 1675 é que Francisco Dias Velho, junto com sua família e agregados, dá início a povoação da ilha com a fundação de Nossa Senhora do Desterro (atual Florianópolis) - segundo núcleo de povoamento mais antigo do Estado, ainda fazendo parte da vila de Laguna - desempenhando importante papel político na colonização da região.                                                                                                                                          Em 1726, Nossa Senhora do Desterro é elevada a categoria de vila, a partir de seu desmembramento de Laguna. A ilha de Santa Catarina, por sua invejável posição estratégica como vanguarda dos domínios portugueses no Brasil meridional, passa a ser ocupada militarmente a partir de 1737, quando começam a ser erguidas as fortalezas necessárias à defesa do seu território. Esse fato resultou num importante passo na ocupação da ilha.
      Nesta época, meados do século XVIII, verifica-se a implantação das "armações" para pesca da baleia, em Armação da Piedade (Governador Celso Ramos) e Armação do Pântano do Sul (Florianópolis), cujo óleo era comercializado pela Coroa fora de Santa Catarina, não trazendo benefício econômico à região.
      No século XIX, Desterro foi elevada à categoria de cidade; tornou-se Capital da Província de Santa Catarina em 1823 e inaugurou um período de prosperidade, com o investimento de recursos federais. A modernização política e a organização de atividades culturais também se destacaram, marcando inclusive os preparativos para a recepção ao Imperador D. Pedro II (1845).
      Dentre os atrativos turísticos da capital salientam-se, além das magníficas praias, as localidades onde se instalaram as primeiras comunidades de imigrantes açorianos, como o Ribeirão da Ilha, a Lagoa da Conceição, Santo Antônio de Lisboa e o próprio centro histórico da cidade de Florianópolis."
      Fonte completa: http://www.pmf.sc.gov.br/entidades/turismo/index.php?cms=historia&menu=5&submenuid=571
      Santo Antonio de Lisboa: grande ocupação açoriana e portuguesa. Região que tem grande concentração de sambaquis que são vestígios indígenas.


      Igreja de Nossa Senhora das Necessidades: construção proximada em 1750.

      Considerada uma das mais belas expressões do barroco no sul do Brasil.
      Jurerê Internacional: a cara da riqueza com suas mansões estilo americanas. Casas sem muros e ruas largas. Muito chique.  

       
      Fortaleza de São José de Ponta Grossa (1740): Ao Norte da Ilha de Santa Catarina, entre as praias do Forte e Jurerê, ergue-se um dos mais belos monumentos catarinenses do século XVIII: a Fortaleza de São José da Ponta Grossa. Em conjunto com as Fortalezas de Santa Cruz de Anhatomirim e Santo Antônio de Ratones, formava o sistema triangular de defesa que deveria proteger a Barra Norte da Ilha contra investidas estrangeiras e consolidar a ocupação portuguesa no Sul do Brasil. (Fonte: http://www.fortalezas.ufsc.br/fortaleza-ponta-grossa/guia-fortaleza-de-sao-jose-da-ponta-grossa/)

       
      Fui muito bem recebida por um ser gracinha que estava no caminho😍

      Barra da Lagoa: O bairro da Barra da Lagoa está localizado na costa leste da Ilha de Santa Catarina, entre o Rio Vermelho e a Lagoa da Conceição. Distante cerca 19,8 km do centro de Florianópolis, a Barra da Lagoa é uma comunidade tradicional, que ainda mantém viva a raiz cultural açoriana e madeirense, como a pesca e a produção de trançados, a confecção da renda de bilro e de redes para a pesca artesanal. (Fonte: http://www.guiafloripa.com.br/cidade/bairros/barra-da-lagoa)
      Ruelas estreitas, vida simples e com um paz que muita gente procura. Ótimo lugar para caminhadas.

       

       
      Dia 4: Trilha da Galheta
      Florianópolis tem muitas trilhas para serem apreciadas. Escolhi essa porque me falaram que era muito bonita a vista e daria tranquilamente para eu fazer sozinha. Sai na caminhada da Lagoa da Conceição e fui até a Praia Mole. Chegando lá tem uma entradinha de terra sentido praia que disseram que era caminho para chegar na Galheta.

      No final dessa estradinha realmente vira praia e como era um dia de semana, no outono e tempo nublado não tinha quase ninguém só raros gatos pingados.

      Não deu praia, mas deu para fazer a caminhada com muita tranquilidade e relaxamento:

      Da praia mole até a Galheta há um paredão de pedras que a gente segue uma trilhazinha e é bem demarcada e esse lado é realmente muito bonito. No meio do caminho encontrei um rapaz que fazia sua caminhada de boas como eu e conversamos. Como ele  tb estava sozinho, eu disse que estava fazendo essa trilha da Galheta e queria sair na Barra da Lagoa, perguntei se ele tava afim de acompanhar e ele topou. Perguntamos a um local como fazíamos para subir a trilha pela mata e ele indicou uma faixinha de areia que passou desapercebida da gente e seguindo os conselhos do local deu tudo certo e tivemos essa vista:

      Tenho certeza que num dia ensolarado a cor da água deve ser sensacional.
      Infelizmente não há placas indicativas, mas depois que se entra na trilha é só seguir a demarcação no chão e seguir sempre em frente. No final saimos num bairro residencial e encontramos outro morador ilustre pelo caminho e não resisti, tirei uma fotinho:

      O final do nosso caminho nos levou até a Trilha Arqueológica também chamada de Trilha da Oração, é um santuário Arqueoastronômico. Nela encontra-se um conjunto de Monumentos Megalíticos, que são pedras que estão posicionadas de forma estratégica, que mostram exatamente quando ocorrem os fenômenos de solstício e equinócio, e também determinam a direção norte-sul.
      (Fontes: https://inspiralma.com/2017/10/11/trilha-arqueologica-fortaleza-da-barra/  https://arqueoastronomia.com.br/atividades)

      Infelizmente não pude conhecer esse lugar e estava rolando umas atividades muito boas e algumas gratuitas, mas como eu tinha caminhado uns 9km estava bem cansada e precisava almoçar em algum lugar. Deixo os links acima para quem tiver interesse nesse lado místico que eu achei sensacional e gostaria de me aprofundar, mas a natureza da fome foi mais forte.

      Tudo bem, mais um motivo para voltar para esse lugar incrível e como vocês podem ver, há muitas trilhas e caminhos para desbravar.
      Depois de comer algo, mais uns 3km desse local chegamos na Barra da Lagoa e é uma graça de simplicidade e beleza:

      Meu parceirinho de trilha precisava ir embora e eu estava cansada, mas aproveitando que eu já estava na Barra da Lagoa, fui conhecer uma trilha que leva para umas piscinas naturais Ela é bem curtinha e leva uns 30 minutos e é bem sinalizada. Reuni força, animo e vontade e fui.

      Valeu a pena!


      Depois de ver tudo o que gostaria, peguei um ônibus de volta para a Lagoa da Conceição. Jantei, estiquei as pernocas e vocês acham que fui dormir? Bem, era esse o plano original, mas quando você se hospeda em hostel, ainda mais naqueles que parece que você está em casa com seus melhores amigos, recebi o convite para um aniversário de uma moça que estava no mesmo quarto que eu numa balada mara em Floripa. Fizemos nosso esquenta no hostel e depois tocamos pra vibe! Já que temos espírito teen, ele baixou em mim e assim ficou...hehehe

      Pessoas sensacionais. E que noite!!!
      O dia seguinte era meu retorno a SP e pela primeira vez na trip me permiti dormir até a hora em que meu corpo quisesse. (Respeitando o horário do check out, é claro).
      Esses poucos dias foram lindos e intensos e conheci muita gente boa e especial pelo caminho. Muitas mulheres ficam com receio de sairem sozinhas por ai afora e posso dar a dica de ouro: SE JOGA!! Quando emanamos boas energias, boas pessoas e bons momentos serão atraídos até a gente. Não se limite a esperar cia, às vezes a sua agenda e de seus amigos podem não bater e você perde a oportunidade de fazer bons novos amigos pelo caminho.
      Ir para novos lugares é um prazer imenso e uma perfeita válvula de escape para mim, mas voltar para casa tb me alegra, e muito.

      Espero ter colaborado um pouco para o planejamento de algumas pessoas e mostrar que a Ilha da magia, mesmo em céu cinzento é linda e acolhedora.
      Qualquer dúvida que tiverem podem me perguntar que será um prazer ajudar. Tenho comigo a planilha de gastos dessa viagem, caso necessitem.

       
       
       
       
       
       
       
       
  • Seja [email protected] ao Mochileiros.com

    Faça parte da maior comunidade de mochileiros e viajantes independentes do Brasil! O cadastro é fácil e rápido! 😉 

×