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Mochileiro Peregrino

Ascensão ao vulcão mais ativo da América do Sul - Tungurahua em erupção !

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ATENÇÃO : De maneira alguma estou incentivando pessoas a escalarem o vulcão tungurahua, seu acesso é restrito por ser um vulcão ativo, e em processo de erupção as chances de se escapar com vida são minimas, esse breve relato tem apenas o intuito de descrever minha experiência em vulcão em erupção ! Ainda alerto que diversas pessoas já perderam suas vidas o escalando, e um dos motivos é que muitas delas foram atingidas por ataques piroclásticos. Procure orientação antes de qualquer atividade.

 

Para um maior aproveitamento do conteúdo aqui apresentado aconselho o tópico :arrow:

 

dicas-como-escalar-e-visitar-vulcoes-ativos-ao-redor-do-mundo-t71678.html

 

FICHA TÉCNICA

 

Nome : Tungurahua.

Status : Ativo - Considerado o vulcão mais ativo da América do Sul, sendo um dos mais ativos do mundo.

Localização: Ecuador - Baños.

Altitude : 5020 m.

Época de visitação : Nada consta - clima váriavel.

Clima : De altitude, com gelo apenas no cume. Atento apenas ao detalhe das chuvas e névoas.

Como visitar ? Na cidade Baños existem mirantes para 'mirar' tungurahua.

Quando entra em erupção ? Nada consta. Não existe tecnologia capaz de prever erupções em vulcões com antecedencia. Obs: A técnologia mais moderna prevê com 30 secundos de antecedência.*

Como chegar ? Em Quito - Ecuador, pegue um ônibus para Baños no terminal sur( terminal quitumbe ). Do aeroporto até o terminal um taxi custa cerca de 8 dólares. Do terminal até Baños são cerca de 4 horas de Onibus. *3,50 dólares. Ou cerca de 3 horas de taxi. Cerca de 80/100 dólares.

Hostel recomendado em Baños : Erupción Hostel & Restaurant - http://www.hostalerupcion.com Calle Ambato & Tomas Halflants

Desayuno : Rico Pan > com cerca de 3 dólares é possível ter um excelente café da manhã. Existem diversas opções de desayunos no Rico Pan. ( no hostel serve desayuno*)

 

Final de ano, passagens marcadas para Guatemala. Ops, Guatemala ? Sim, exatamente. Acontece que meu vôo era pra Guatemala, meu destino era pra ser os vulcões Santiaguito, Fuego e Pacaya. Mas em cima da hora cancelei o vôo e comprei passagens para o Ecuador.

 

Tungurahua estava sendo noticia no mundo todo, pois tinha se ativado com extrema fúria. Um dos vulcões mais temidos no mundo, um verdadeiro desafio para vulcanólogos e aventureiros dos mais extremos. Cerca de 30 pessoas perderam suas vidas tentando percorrer seu terreno em erupção. Sua altitude e terreno de dificil acesso torna este "gigante negro" um dos vulcões mais respeitados em nosso planeta.

 

Ainda no Brasil ... Compro 500 dólares na casa de câmbio, acontece que quando foram me entregar os 500 dólares me entregaram foram 1 mil euros. Mas devolvi todo o dinheiro e sai com os meus 500 dólares 'limpinhos".

 

Como eu tinha comprado a passagem em cima da hora para o Ecuador ( comprei a passagem no mesmo dia, com poucas horas de antecedencia ) eu precisava 'voar" para o aeroporto. Conclusão, 100, 140km por hora a caminho do aeroporto a bordo de um taxi. Talvez pensem " taxi' ? Deixo um 'conselho" aqui para quem pretende "investir" no mundo aventureiro de erupções vulcânicas. Vocês podem estar prestes a presenciar o maior poder de destruição do nosso planeta, mas pode ter um valor financeiro alto, bem alto. Taxi, corridas com 4x4, vôos marcados em cima da hora, 'cafés", ou até mesmo frete de helicóptero podem fazer parte da jornada.

 

Mas porque tudo isso? Simples... Tempo, é uma corrida contra o tempo erupções vulcânicas. Se um vulcão entra em erupção agora no chile por exemplo, imaginem o gasto para se estar lá neste momento. Enfim, não entrarei muito nesses detalhes agora.

 

O vôo para o Ecuador faz escala na Colômbia, aliás não sei o que a narcótico vê em mim que sempre sou barrado. Talvez seja a barba por fazer a bandana e a cara de inocente. Chego no Ecuador dia 25 de dezembro, e a conclusão é que tive que pegar um taxi para Baños ao invéz de um ônibus. Mas eu não precisava de um taxi "comum", eu precisava de um taxi "malandro'. Eu tinha que ganhar tempo a todo custo. Digamos que meu "instinto das ruas" escolheu o melhor "taxi malandro" disponível no local. Corrida combinada e partimos ...

 

Não deu meia hora e a policia mandou encostar e "cana" ... Não sei bem o motivo pelo qual fomos barrados, assim posso dizer, só sei que teve uma discussão feia. Eu pouco me importei, continuei com o mesmo taxicista que foi liberado rapidamente depois de uma "conversa" com um policial. Considero que fiz a escolha certa, o taxicista era bom no volante, sabia o que estava fazendo, mesmo estando errado.

Chego a Baños muito rápido e sigo para o hostel, pego algumas informações e logo em seguida faço um passeio pela cidade percorrendo algumas ruas. Em 2011 eu já tinha estado em Baños, e já tinha tentando fazer uma ascensão ao Tungurahua. Em minha sincera opnião esta cidade é charmosa, até mesmo romântica.

 

Compro minhas provisões para 3 dias, no máximo 5 dias se eu racionar. Antes da noite chegar 'faço' minha mochila e deixo parte das minhas coisas no hostel guardadas. Eu não me dou bem com os chuveiros do Ecuador, acontece que a água tem que ser "temperada", uma é fria, outra é quente. Ou eu deixo fria como água de geladeira, ou quente o suficiente para fazer um café expresso em segundos. Eu nunca acerto, demoro um bom tempo para fazer este tal ' tempero".

 

1º DIA

O dia amanhece, combinei por 15 dólares uma caminhonete 4x4 para me pegar no hostel e me levar até a oficina abandonada do tungurahua em Pondoa, inicio do trekking. A trilha se incia em uma estrada a caminho de Pondoa, todos sabem onde se localiza, não tem erros pois a caminhonete me deixa exatamente no começo da trilha, onde fica uma 'oficina" abandonada do Tungurahua. Desde que Tungurahua se ativou novamente em 1999, suas instalações foram abandonadas e sua ascensão desde então é proibida por motivos de segurança.

O tempo está nublado e chuvoso, uma curiosidade é que as 3 últimas erupções de Tungurahua o clima ficou assim, e por incrivel que pareça o vulcão entrou em erupção por volta do final e meio do ano ( jun/jul - nov/dez/jan ). Devido as chuvas a caminhonete mesmo sendo 4x4 teve dificuldades em subir. Pondoa está a 2650m de altitude, a oficina abandonada está a 2886m de altitude. Sem muitas dificuldades chego ao meu destino combinado com o homem da caminhonete, rapidamente nos despedimos e parto em direção ao refúgio. São cerca de 3 horas de caminhada em meio a uma trilha muito bem marcada até o refúgio que se localiza há 3800 m de altitude.

O caminho é percorrido em meio a mata e lama, é impossível se perder nesta trilha, navegação nao será problema, mas o cansaço fisíco é real, o tempo todo estou subindo e ganhando altitude, é um caminho exaustivo em meio há um verde incrível. Demorei cerca de 4 horas devido ao peso que carrego, inclusive água, pois é fundamental carregar água potável, pois mesmo em meio há todo esse verde, onde eu quero ir não há água.

 

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Pelo caminho é possível sentir as explosões e tremores, chego por volta das 14:30hs ao refúgio em meio a chuva e neblina. Cerca de 10 minutos antes de chegar ao refúgio nuvens aceleradas vão em direção ao cume, eu já estive no Tungurahua antes e embora eu não pudesse disser o que estava acontecendo eu sabia que Tungurahua estava "aprontando" alguma. Pois as nuvens estavam acelerando demais em direção ao seu cume, foi então que Tungurahua me da as boas vindas com suas explosões gigantescas e logo em seguida fortes chuvas e ventanias tomam contam do local. Fico praticamente preso no refúgio devido ao vento, chuva e névoa. O refúgio está abandonado e desde 1999 no recebe manutenção alguma, mas a real possibilidade de abrigo é nitida, considero uma verdadeira benção um refúgio a esta altura do campeonato e assim faria desse refúgio meu lar por 5 dias consecutivos. Atento que existem 2 refúgios, o primeiro se localiza ao lado direito da trilha e está completamente destruído pelas explosões do vulcão, deve - se seguir mais adiante por volta de 10 minutos de caminhada até alcançar o final da trilha e o refúgio desejado.

Tungurahua tem mesmo um poder incrivel, mesmo minha visibilidade sendo praticamente zero, escuto nitidamente as rochas sendo arremessadas de sua cratera e as dezenas de explosões que estão ocorrendo, pela noite o vento reina absolutamente sobre a inóspita paisagem vulcânica.

 

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2º DIA

 

Minha primeira noite no refúgio foi 'tranquila", acordo no dia seguinte com as fortes explosões do Tungurahua, pois entre as 6 hs e as 9hs da manhã o vulcão demonstrava sua fúria e sua força. O clima está péssimo, a fina chuva e a densa neblina me faz ficar "preso' no refúgio, não tenho visibilidade alguma se quer. A densa névoa entra por entre os vãos da parede de madeira e pelas janelas quebradas deixando até mesmo o meu lar frio. Daquele momento em diante estava mais do que certo que eu enfrentaria sérios problemas com o clima.

Passo maior parte do tempo dentro do meu saco de dormir, mas por volta das 12 hs um frances de 53 anos aparece no refúgio, assim que escuto seus passos e seus movimentos dentro do abrigo rapidamente me levanto e vou de encontro a este homem, ele estava com frio e molhado então rapidamente ascendo um fogo e preparo uma bebida quente, o ajudo com suas vestes e o alimento. Ele me pergunta se falo frances, e ao mesmo tempo eu pergunto se ele fala espanhol, o ar quente das nossas bocas entra em choque com o frio fazendo muita fumaça. Nós demos risadas.

 

Nossa comunicação era por mimica e algum espanhol de ambas as partes, o frances era animado e tinha bom humor, mesmo não dominando o idioma um do outro passamos todo o tempo conversando e trocando experiências. Stephane era seu nome, professor de matemática em universidade, já tinha realizado ascensões em outros vulcões ao redor do mundo, e até mesmo no tungurahua em anos anteriores, era de fato um homem que eu precisava conhecer. Quando perguntei para ele qual vulcão mais ativo que ele já visitou, ele deu risada e ficou com uma cara assustada, mas me alegrei muito quando escutei o barulho de sua jaqueta se movimentando e os pingos de agua caindo no chão quando rapidamente ele apontou para o cume do Tungurahua. Aquele momento passou em camêra lenta pelos meus olhos fazendo com que o meu coração dispara se um pouco de tanta emoção e adrenalina.

 

Eu deveria retornar em 3 dias para o hostel onde Henry Aldaz me aguardava, Henry me ajudou com informções preciosas sobre o vulcão, e como possui um hostel em Baños fiquei hospedado em sua habitação. Mas eu não consiguiria retornar no tempo previsto devido ao tempo. Então pedi para Stephane entregar um bilhete meu a Henry.

 

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Então por volta das 15 hs em meio a neblina o francês tomou seu rumo em direção ha cidade, me disse que o recado seria entregue com segurança, me desejando sorte e me parabenizando pela determinção assim ele me deixa, mas antes me deixou alguns mantimentos extras que possuia. O que me ajudaria nos próximos dias.

Logo depois da sua partida pequenas "janelas" de tempo começaram a surgir, aos poucos o azul tomava conta do céu mesclando - se com o branco da névoa e o cinza das explosões, o cume permanceu fechado o tempo todo. Por volta das 18 hs fortes explosões arrebentavam a paisagem, aos poucos observei algo que de fato me deixou surpreso, digo mais, muito surpreso. O que cobria o cume não eram nuvens, era uma densa camada de cinzas e uma densa "nuvem de fumaça" cinza e tenebrosa cobria Tungurahua. O vento que sopra do leste sem parar levava boa parte da coluna de fumaça para o oeste, porém a densidade era tão grande que pairava sobre o cume, e como Tungurahua explodia sem parar, o céu nunca permanecia limpo e azul, pois havia toneladas de depósitos vulcânicos pairando no ar. Uma imagem assustadora. Observei atentamente o vulcão com essa densa camada cinza por cerca de 1 hora, eu fiquei tomando anotações do vento e dos intervalos das explosões, fundamental para minha investida rumo ao cume.

 

Quando a noite caiu, minha visão foi bloqueada pelas cinzas, porém estava animado pois o céu estava lindo com poucas nuvens e a lua me acompanharia por toda a noite gélida regada ao som das explosões de Tungurahua.

 

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3º DIA

 

Novamente acordo com as explosões por volta das 6 hs e assim prosseguiu até as 9:30hs, estou chateado, pois o clima está péssimo e o tempo é o pior de todos até o momento. Não pe possivel sair do refúgio devido a forte chuva e visibilidade zero, o vento esta cada vez mais forte e gélido. Espero que o céu se abra a tarde assim como abriu no dia anterior. Meio dia e nada do tempo melhorar, não será um dia muito alegre eu creio.

 

AS 13:30 hs uma forte explosão ocorre, a mais forte até o momento, com o barulho das fortes explosões e com o som de rochas rolando do cume, fico imaginando o que está acontecendo lá em cima. Mas eu imaginava, pois eu já tinah visto Tungurahua em fúria em 2011. Eu sabia que colunas de fumaça gigantescas e ataques piroclásticos estavam ocorrendo naquele momento, assim como também sabia que uma aproximação me significaria a morte com toda a certeza.

A tarde realemnte vai caindo e continuo com visibilidade zero preso na névoa e na chuva ...

 

Um breve silêncio por voltas das 16:20 hs, um atrégua talvez. Eu estava sentado tranquilamente pensando e meditando, quando de repente ... meu corpo se levantou do chão, meus dentes baterão um no outro e minha barriga doeu. uma gigantesca explosão tinha acontecido, senti meu corpo todo tremer assim como tudo ao meu redor começou a vibrar fortemente. Era Tungurahua me "seduzindo' com sua fúria e beleza em meio ao frio e a cinzas.

 

Eu estava a poucos metros de cada explosão e mesmo sem poder ver absolutamente nada, eu poderia sentir na pele cada tremor, cada explosão ecoava por todo meu corpo. E foi assim o dia todo e grande parte da noite.

4ºDIA

 

Pela madrugada escuto um dos barulhos mais fortes que um vulcão pode produzir. O temido "tiro de canhão" ... Assustador, ensurdecedor, capaz de ser ouvido por quilometros de distância. Um som digno de 'cenário de guerra", é possível sentir a vibracão do som no ar.

Como de costume Tungurahua mantinha fortes explosões pela manhã e dessa vez nao era diferente, por voltas das 6 hs acordo novamente em meio as explosões mas dessa vez junto ao canto dos passáros. Dia chuvoso, visibilidade zero como de costume, confesso que estava chateado, com o tempo assim se torna impossivel uma aproximação e pelo visto minha última esperança é a tarde, quando pode ocorrer alguma "janela de tempo' e me usufruir dela.

 

Acontece que preso dentro do refúgio, eu estava ficando 'enjoado" de não ter quase nada para fazer, eu varri o refúgio, concertei algumas janelas, limpei boa parte do espaço interno, li todas as embalagens de produtos que tinha levado como mantimentos, e passava boa parte do tempo dentro do meu saco de dormir poupando energia. Não estava tão frio assim, porém com meu corpo praticamente parado, uma temperatura em torno de 0 graus fazia eu sentir um frio tremendo, e sem nada para fazer eu cochilava bao parte do tempo e aguardava pacientemente a hora exata.

 

Fiz até mesmo um 'refletor de luz e calor a velas' com a embalagem de batata, e ficou bom, funcionou muito bem.

 

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Invenções e destrações a parte, para o tempo piorar só nevando. Dizem que a esperança é a última que morre e minha determinação ainda era forte mas estou começando a acreditar que Tungurahua está tímido ou que ele não vai com minha cara. Pois agora eu vejo as nuvens se abrirem e os raios de sol tocarem o chão em toda a paisagem, menos onde eu quero em direção ao cume, pois o mesmo permanece completemente escuro e cinzento.

 

Se eu subir nessas condições eu considero 45% de chances de ser atingido por ataques piroclásticos ou alguma explosão, 45% de chances de ficar perdido em suaescuridão cinzenta e me perder de vez, e 10 % de cair em algum abismo. Era tolice demais prosseguir nessas condições, até mesmo a minha mais alta determinação me levaria a morte.

 

Vulcões em erupção é considerado por muitos a última palavra em aventura, poucas pessoas se arriscam e estão dispostas a submeterem suas vidas em tal terreno. Pois em um terreno tão hostil não é fácil perder a vida. aliás é a coisa mais fácil que pode ocorrer.

 

Eis que Deus atende meu pedido, ou Tungurahua estava brincando comigo dessa vez ?

De repente rapidamente o clima começa a mudar, e avisto Tungurahua e suas paredes com gelo ! Gelo ? Isso mesmo, Taungurahua é coroado com gelo.

Eu não vou entrar em detalhes sobre a questão "gelo' em vulcões em erupçaõ, mas acreditem vulcões também expelem gelo de suas crateras.

 

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Meus olhos brilharam, meu coração acelerou confesso, porém da mesma maneira que o céu se abria ele se fechava ao mesmo tempo, diversas vezes abrindo e fechando, abrindo e fechando até que uma fina camada de nuvem como se fosse um véu de uma noiva ou de uma dançarina o cobria misteriosamente. Fiquei completamente seduzido por entre o véu e o vulcão. Então assim permaneci calado, paralizado pela "sedução" de Tungurahua.

 

Eis que o "véu" caiu ... Chegou a hora !

 

Enfim, depois de tanta espera eu avistei o que tanto desejava, as incríveis explosões do Tungurahua o " GIGANTE NEGRO ". Gigante por seus 5020 mts, negro pela sua paisagem inóspita e hostil. Um sinal claro de bom tempo me foi enviado, e tinha nome ... Chimborazo, eu o avistei em meio ao céu amarelado do oeste. Ainda com algumas nuvens em seu cume, mas em breve Chimborazo e seus 6267 mts de altitude ficaria tão nitído que eu avistaria seu eterno cume coroado com gelo.

 

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Parto com minha mochila de ataque o mais leve possível, pois agilidade seria um quisito minímo exigido por Tungurahua em meio a suas explosões.

Caminho por entre pedras e poeira negra em direção a suas paredes com gelo, mas agora é tudo diferente, com o céu praticamente todo azul, eu não somente escuto e sinto as explosões, eu as viejo, e de fato são poderosas, de força e fúria, de cores acinzentadas e negras, de tamanhos e formas váriaveis. Este era Tungurahua.

Entre a escuridão acinzentada e em meio a ataques piroclásticoas ainda a uma distância segura eu caminho lentamente, sinto as pedras do chão se levantarem a cada explosão, o chão tremendo por completo e o cinza se mesclando com o negro. Esse era o caminho trilhado escolhido por mim.

 

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Como tinha observado nos dias anteriores, o vento sempre soprava do leste em direção a oeste, as explosões ocorriam durante o dia todo, mas pela manhã e pela tarde eram muito violentas. Atravéz de um contato obtive a informação que as explosões ocorriam no intervalo de 1 hora, mas que durante essa 1 hora, haveria extrema fúria de Tungurahua. Eu não somente estava em um vulcão em erupção como também estava no momento mais explosivo dele, e como se não fosse o suficiente, o nível de alerta do vulcão era laranja, acima desse nível apenas o vermelho. Vulcanologos e cientistas tanto do ecuador como de toda parte do mundo observavam Tungurahua com extrema cautela, pois segundo os mesmos Tungurahua estava 'diferente", não era apenas mais um ciclo de explosões do Gigante Negro, o comportamento do vulcão estava bem diferente dos últimos anos e processos eruptivos, eu estava de frente com Tungurahua em um dos seus processos de erupção mais violentos de todos os anos.

 

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Próximo as paredes onde as rochas se mesclam com o gelo o frio e o vento se tornam cada vez mais presentes, "furar' esta "segurança' não será missão fácil, minha máscara para gases está de imediata disposição para uma possível fuga caso algo aconteça.

 

É em situações como me encontro agora é que penso em um dos techos do livro que escrevi .... "Grandes feitos não serão obtidos pela razão e sim pela nossa capacidade de acreditar que sim, é possivel. Muitos morrerão realizando seus sonhos e outros viverão sonhando, aí está a diferença entre o querer e o fazer."

 

Com as explosões e tremores cada vez cada vez mais fortes é hora de pensar rápido e saber o que exatamente o que fazer. Eu não consiguiria me aproximar mais com tal intensidade e atividade vulcânica, seria como ir abraçar a morte. Então em meio ao frio e vento atentamente fiquei observando as explosões e ataques piroclásticos do vulcão. Confesso que é uma sensação completamente diferente de tudo o que se possa imaginar ou viver na vida, as colunas de fumaça de levantando e seus movimentos e formas são extremamentes curiosos, a fumaça de coloração cinza a negra se envolve entre ela mesmo em movimentos circulares.

 

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O caminho até aqui não exige grande navegação terrestre, pois eh 'fácil" atingir as paredes citadas anteriormente cobertas de gelo, atento apenas ao fator altitude, e é sempre bom reelembrar. Velocidade aqui é importante e correr a cerca de 5 mil mts de altitude não é nada fácil, assim como também pode ser desafiador permanecer praticamente imóvel por um longo período em temperaturas frias e com rajadas de vento.

Em questão de medidas de segurança, todas elas já foram quebradas e deixo a critério de cada um.

 

Com minha coragem ou loucura ( já que cada pessoa chama de um nome ) eu estava de fato indo além do que eu deveria ir, completamente seduzido pelo vulcão que me puxava em direção a sua crátera. Mais tarde eu descobriria que eu era um dos únicos seres humanos que tinha consiguido me aproximar de Tungurahua em erupção e regressar com vida, cerca de 30 pessoas já perderam suas vidas em situações similares e com atividades vulcânicas menos intensas.

 

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Acho importante alertar sobre o uso de GPS, o sinal é claro com margem de erro de apenas 3 mts, algumas variações sem significancia perante algumas nuvens no céu. Porém com a densa fumaça que sai da crátera a margem de erro pula de 3 mts para 44 mts imediatamente, isso pode ser um verdadeiro desastre, pois mesmo com a rota/tracklog já gravados no GPS seria praticamente impossível percorre la com precisão, Tungurahua possui algumas inclinações cuja as quais ja tiraram vidas.

O céu está azul e bem profundo, é possível até mesmo sentir calor. As pessoas costumam me pedir para meditar e orar por elas, e assim foi feito naquele momento. Ficar em harmonia em tal terreno considero algo extremamente desafiador e harmonioso, exige bem mais do que técninca, exige algo que parte de dentro de cada um de nós.

 

Lentamente as explosões acabam, o azul do céu escurece um pouco, o vento diminui até silenciar completamente. Não é possível escutar absolutamente nada, o silêncio é extremo e assim permaneceu por alguns minutos ...

Era mais fácil escutar o abrir e fechar dos meus olhos doq ue qualquer outro som, tinha algo "errado", algoq ue acredito que todos nós sabemos é que quando a natureza está em silêncio algo está acontecendo ou está para acontecer.

 

Lentamente começo a caminhar, e em frações de segundos sem aviso e silenciosamente Tungurahua me derruba no chão com uma explosão extremamente forte e gigante, passados as frações de segundos o som de sua explosão foi incrível ... Tungurahua novamente me demonstra sua fúria perante meus olhos, meu corpo foi praticamente arremessado no chão com o impacto e tremor da explosão.

Mas o que fez dessa explosão ser diferente ? Fora a força o silêncio, não é comum esse tipo de comportamento, antes do som da explosão eu avistei em frações de segundos a densa fumaça negra saindo da cráteram, isso tudo em um extremo silêncio.

Eu arrepio só de lembrar desse momento, do meu corpo no chão, do meu corpo tremendo com a vibração no solo e do meu coração feliz. Em menos de 3 secundos o céu foi completamente coberto pela escuridão negra e cinzenta, o azul se tornou cinza, as sombras dominavam e nem mesmo o sol foi capaz de atravessar a escuridão de Tungurahua. Este é de fato o GIGANTE NEGRO.

 

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Considero dessa vez o meu feito uma verdadeira aventura, mas antes de finalizar este dia eu gostaria de estar compartilhando uma foto que tirei a noite. Sempre que avisto uma cidade ou uma se quer casa quando estou em alguma montanha e vejo aquela casinha la no fundo, ou aquela 'cidadezinha" toda iluminada, eu fico imaginando o que será que as pessaos que eu conheço estão fazendo naquele exato momento, assim como tambem fico pensando que em cada casa que eu avisto, lá tem uma cama quente e um copo de chocolate bem quentinho.

 

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Quando a escuridão noturna cai por completo as nuvens retomam o seu lugar e voltam a reinar absolutamente sobre o céu, e como de costume fui dormir ao som das explosões.

 

5º DIA

 

Hora de partir, minha "missão" tinha sido cumprida com êxito. Porém regressar não foi tão fácil assim, embora dessa vez era apenas descida, a lama acumulada nos últimos dias, e a chuva que não da uma trégua se quer fez com que meu regresso fosse um processo cansativo.

O meu retorno ao aeroporto me trouxe uma grande surpresa, encontrei o mesmo taxicista que me levou da última vez !( dezembro/2011 ) Fizemos a mesma corrida até o aeroporto .

 

Com certeza eu ainda regressarei ao Tungurahua diversas vezes, e em breve farei um tentiva de cume/cratera. Dados cientificos afirmam que eu estive presente em 84 explosões e 102 tremores, também afirmam "1 tiro de canhão".

 

Recentemente lançei meu livro - A Senda e o Aprendizado do Mochileiro Peregrino, onde o último capítulo foi narrado no Tungurahua ( dez./2011) quem quiser conferir/adquirir a obra, basta acessar o site http://www.mochileiroperegrino.com

 

Obrigado a todos, e espero retornar em breve com mais ascensões a vulcões em erupção .

 

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LARGA VIDA A TUNGURAHUA !!!

O GIGANTE NEGRO

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Peregrino,

 

sei que o relato não está completo ainda, mas antecipo que foi adrenalina nível Chuck Noris...

 

 

Saudações,

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A cada atualização deste relato, fiuco emocionado e encantado pela imensidão, imponência e beleza deste vulcão e de sua trip por ele. Parabéns, estou acompanhando...

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Você: - Alerta laranja.

Eu: - Isso significa?

Você: - Em termos de risco só o vermelho supera!

Eu: - E abaixo do vermelho?

Você: - Ahhh tem um monte.

 

Sempre que eu lembro disso, eu começo a rir. ::lol4::

 

Mais uma vez, parabéns pela conquista, pela determinação e pela coragem! Show de bola o relato e as fotos então, SENSACIONAL!

 

Grande abraço.

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[...]

 

Eis que o "véu" caiu ... Chegou a hora !

 

Enfim, depois de tanta espera eu avistei o que tanto desejava, as incríveis explosões do Tungurahua o " GIGANTE NEGRO ". Gigante por seus 5020 mts, negro pela sua paisagem inóspita e hostil. Um sinal claro de bom tempo me foi enviado, e tinha nome ... Chimborazo, eu o avistei em meio ao céu amarelado do oeste. Ainda com algumas nuvens em seu cume, mas em breve Chimborazo e seus 6267 mts de altitude ficaria tão nitído que eu avistaria seu eterno cume coroado com gelo.

 

[...]

 

É em situações como me encontro agora é que penso em um dos techos do livro que escrevi .... "Grandes feitos não serão obtidos pela razão e sim pela nossa capacidade de acreditar que sim, é possivel. Muitos morrerão realizando seus sonhos e outros viverão sonhando, aí está a diferença entre o querer e o fazer."

 

[...]

 

 

Grande Gabriel, Mochileiro Peregrino!!!

 

Meu caro, o que dizer dessa sua epopéia?! Simplesmente avassaladora! Como no segundo trecho que destaquei acima, tu foi lá novamente e fez... Desafiou o "Gigante Negro" e voltou para nos contar a história e mostrá-lo. Sonhar é preciso, realizar nossos sonhos é imperativo para viver e alçar novos vôos. Isto é o que diferencia meninos de homens.

 

Fiquei imaginando as condições do abrigo, o cheiro, o barulho, os tremores... Sem dúvida mais do que uma grande aventura: A AVENTURA!

 

Parabéns pela trip e um grande abraço!

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    • Por Wesley Felix
      Olá, essa foi a minha primeira viagem sozinho com foco no turismo, apesar do motivo principal não ter sido este, não posso dizer nem de longe que foi um "mochilão", sequer uma "mochilinha" pois teve duração de apenas uma semana e meia, entre 15 e 25 de fevereiro de 2017, mas foi a experiência que despertou em mim a necessidade de conhecer novos lugares e principalmente pessoas, de um modo menos "luxuoso" e mais humano. Atualmente estou me preparando para um mochilão de verdade em Setembro 2018 (Peru, Bolívia e Chile), e a preparação, pesquisa e ansiedade dessa viagem me lembraram a de Manaus, por isso depois de passado mais de um ano, decidi postar esta experiência, espero que ajude de alguma forma alguém.
      O motivo principal para esta viagem a Manaus foi o Concurso Público TRT 11ª REGIÃO, onde a prova ocorreria na capital amazonense no dia 19 de fevereiro de 2017, como minhas férias cairiam no mês de fevereiro, vi no concurso a chance de tentar o cargo em arquitetura, que é minha área de formação, e na viagem, para conhecer a cidade de Manaus e relaxar um pouco, não vou falar do concurso porque foi o pior de toda a minha vida 😢😭, e com razão deveria ter estudado mais, mas essa é outra história.
      Um mês antes de chegar a data para a viagem, comecei a pesquisar mais sobre a cidade, locais para ficar, passagem, etc. Moro em Ji-Paraná-RO, estado vizinho ao Amazonas, de clima parecido e que também faz parte da Amazônia, apesar de estar em um nível de devastação bem mais avançado. Algo raro, mas consegui encontrar passagens aéreas saindo da capital do estado (Porto Velho) com preços razoáveis e sem escala (isso sim raríssimo), como queria conhecer um pouco da cidade, marquei a data de ida para a primeira quarta-feira antes da prova, que ocorreu no domingo (19), e acabei não marcando a volta, mesmo ficando mais barato que apenas a ida de avião, tinha em mente voltar de barco para Porto Velho, mas acabei deixando para decidir quando estivesse em Manaus, uma vez que tinha pouquíssimas informações sobre a viagem de barco (e as que tinha eram desestimulantes). A pesquisa para acomodações foi bem mais fácil, além dos hotéis com diárias na casa dos R$ 200,00, Manuas tem uma infinidade de hosteis na casa dos R$ 50,00 - 100,00 - como minha intenção era conhecer a cidade e não ficar fechado em um quarto estudando (tá explicado por que fui tão mal) preferi juntar o útil ao agradável e ir em frente na opção mais econômica de acomodação, fechei no Booking um hostel próximo ao centro, perfeito para conhecer tudo a pé, além do preço na casa dos R$ 60,00 com café da manhã e wifi, meu pensamento era tentar ficar o mais perto possível do local de prova, e por fim o cancelamento era grátis. Acabou que pesquisando mais um pouco conheci no TripAdvisor um outro local de hospedagem que parecia mentira de tão bom, A Place Near to the Nature, o preço super acessível, nos mesmos valores dos hosteis, só que ao estilo hotel, o que seria bom pra estudar um pouco (afinal o objetivo ainda era o concurso 😅) acabei cancelando o hostel e fechando com o Douglas, dono da pousada (vou chamar de pousada, mas as características é de hospedagem domiciliar), e foi a melhor escolha que poderia ter feito, mesmo sendo mais longe do centro e muito mais longe do local da prova, como vocês verão adiante. (Fiz uma avaliação completa do Place Near no site do TripAdvisor, se quiserem saber mais é só acessar o link, A Place Near to the Nature).
      A pesquisa pelos pontos principais de Manaus também é bem simples de fazer, a cidade tem como principais atrativos os locais históricos, e são muitos e riquíssimos, os locais de contato com a natureza e o pacote pelo encontro das águas dos rios Negro e Solimões, que inclui outros passeios pelo rio.
      VIAGEM - 1º dia - Chegada a Manaus.
      Sai de Ji-Paraná na madrugada de quarta-feira (5 horas de ônibus até Porto Velho - 374 km), o voo estava marcado para as 12:00 horas, minha primeira viagem de avião, primeira vez em um aeroporto, por acaso havia dado um problema de falta de energia no terminal de embarque, tudo uma bagunça e conseguimos embarcar com uma hora de atraso, tentei ligar para o Douglas avisando que iria atrasar (ele oferece o serviço de busca no aeroporto), mas não consegui falar com ele, então só bora, a viagem sem escalas de Porto Velho - Manaus tem duração de uma hora mais ou menos, e realmente viajar de avião é muito bom, quando nos aproximamos de Manaus é possível ver o mundo de água dos rios Negro e Amazonas e acidade encravada em meio ao verde da floresta, muito lindo essa imagem.
      O aeroporto de Manaus é muito maior que o de Porto Velho, mas ainda assim consegui me localizar sem problemas e fui ao ponto de encontro onde havia marcado com o Douglas apesar do atraso de uma hora e obviamente ele não estava lá, então segui para o ponto de táxi, liguei para ele e ele estava a espera em outro local, pois não podia ficar parado muito tempo dentro do aeroporto, dessa vez consegui encontrar ele e sua Kombi (abacatinho, por causa das cores verde e branco 🚎), também era a primeira vez que entrava em uma Kombi e apesar de não ser nada de mais, foi muito bacana haha, o Douglas é um jovem (na casa dos trinta eu acho) mas mais que a idade, ele tem a alma jovem, e internacional, ele já rodou toda a América do Sul na sua Kombi, e apesar da pouca idade conhece vários países do mundo (Europa, Ásia e África, além da América) e foi na Europa que ele conheceu sua companheira Rebecca, uma Austríaca que ele conseguiu arrastar para o Brasil e para suas andanças.
      De minha parte foi empatia na hora, apesar de ter levado uma bronca pela demora em achar a Kombi (ele já teve problemas com o pessoal do aeroporto por ficar parado lá dentro sem permissão), pedi desculpas pelo atraso e ele disse que já sabia, ele acompanha os horários dos voos de alguma forma, então não precisou esperar muito. A pousada fica bem próximo ao aeroporto em um condomínio fechado as margens do Igarapé Tarumã-Açu braço do Rio Negro, a região é a mais nova da cidade e também uma das mais valorizadas por estar próxima a região turística da Ponta Negra, acredito que em pouco tempo estará cercada de condomínios de alto padrão, prédios e hotéis (há toda uma infra estrutura urbana para isto), dentro do condomínio há alguns ancoradouros as margens do Igarapé além de flutuantes e a mata ciliar do rio, o que trás a natureza amazônica pra dentro do condomínio e para dentro da pousada que fica a uns 200 metros do Igarapé.
      Manaus é conhecida (até por nós de Rondônia) por ser muito quente e abafada, devido a umidade dos dois rios que margeiam a capital, confesso que a umidade realmente pega mais do que em Rondônia, mas não senti tanto o calor, certamente por já estar acostumado e porque nessa época estamos no chamado inverno amazônico, onde devido as chuvas e nuvens no céu a temperatura não sobe tanto, e durante os 10 dias de viagem pela região foi assim, um clima bem agradável, de modo que não usei o ar condicionado para dormir em nenhuma noite, apenas a janela aberta, e não se preocupe, não vai entrar nenhum pterodáctilo pela janela e lhe carregar (se tiver sorte é claro 🦅), ha, e por incrível que pareça, e dessa vez até eu estranhei, não tive problemas com mosquitos, um milagre verdadeiro.
      Voltando ao relato, após chegarmos na pousada, Douglas me apresentou a Rebecca, e de cara já me encantei pelo sotaque dela, é até engraçado, além da simpatia e beleza, o casal é muito jovem e auto astral, combinam de verdade. Depois fui para meu quarto que ficava em uma ala mais distante da sala e dos outros quartos, essa parte onde fui hospedado estava sendo ampliada para ter mais quartos futuramente, o quarto é super amplo e confortável, idem o banheiro, tomei meu banho e o Douglas me incentivou a conhecer o condomínio, o restaurante que sua mãe (Dona Mônica) comanda as margens do Igarapé e a visitar uma das marinas. O condomínio é super seguro e possui umas casas bem interessantes (coisa de arquiteto), depois fui ao restaurante mas estava fechado ainda, então fui apreciar o ancoradouro as margens do Igarapé até o por do sol entre nuvens, tudo muito bonito, voltei pra pousada e soube pelo Douglas que mais dois concurseiros iriam se hospedar pelos próximos dias, na pousada, já estava hospedado um gringo de algum lugar da Europa, quando encontrei com ele preparando sua comida para o jantar tentamos trocar algumas palavras, mas meu inglês se limita a perguntar o nome, de onde vinha e se estava bem e gostando do Brasil, (depois disso não entendia mais nada e foi frustrante pra ambos), a cozinha é livre pra usarmos mas como não estava com fome fiquei na sala a espera do Douglas e da Rebecca, eles oferecem alguns passeios para conhecer o centro histórico de Manaus, o encontro das águas e Presidente Figueiredo, fechamos Figueiredo para sexta-feira e reservei a quinta para conhecer Manaus por conta própria, eles me passaram algumas dicas do que ver e onde ir, alguns cuidados para tomar e a mais preciosa, andar de táxi em Manaus, sozinho, é muito caro, caríssimo. Fui para o quarto as nove da noite, baixei um aplicativo das linhas de ônibus da capital, os pontos turísticos no aplicativo de mapas do celular e fui estudar um pouco, depois cama, no outro dia cedo o Douglas me daria uma carona até a avenida principal que era servida pelo transporte público de ônibus.
       

      Ancoradouro as margens do Igarapé que fica junto ao condomínio da pousada, na outra margem estão embarcações e flutuantes.
       

      Vista do Igarapé a partir do ancoradouro.
       

      Vista do Igarapé a partir do restaurante da Dona Mônica.
    • Por Cheila Anja
      O Uruguai nunca esteve no topo da minha lista de lugares para conhecer, mas recentemente todas as pessoas que foram para lá que eu conheço, voltaram falando muito bem do país e dando dicas de o que fazer no Uruguai, e isso instiga a tua curiosidade, não instiga? Pois bem, era hora de conhecer esse lugar tão pertinho do Brasil, e ainda assim, pouco conhecido pelos brasileiros.
      Dessa vez levei mais 3 amigas comigo, duas delas era a primeira viagem internacional, o que torna a viagem ainda mais mágica, pois poder experienciar isso com elas torna tudo mais especial.
      Nesse artigo você vai ler:
      Dia 01 – O que fazer no Uruguai: Plaza Independencia e Puerta de la Cuidadela em Montevideo Dia 02 – O que fazer no Uruguai: Letreiro Montevideo, Cervejaria Artesanal Mastra e Jantar com Show de tango no El Milongon em Montevideo Dia 03 – O que fazer no Uruguai: Monumento Los Dedos, Museu Casapueplo e Puerto em Punta del Este Dia 04 – O que fazer no Uruguai: Bar Facal com show de tango e degustação de vinho no My Suites Hotel & Wine bar em Montevideo Dia 05 – O que fazer no Uruguai: Compras em Montevideo e viagem de volta ao Brasil Quanto custa viajar para o Uruguai? Onde de hospedar em Montevideo no Uruguai? Onde comprar os passeios do Uruguai? Dia 01 – O que fazer no Uruguai: Plaza Independencia e Puerta de la Cuidadela em Montevideo
      Saímos do aeroporto de Curitiba e a viagem foi rápida e tranquila, uma hora de voo até o aeroporto de Porto Alegre, onde fizemos uma conexão rápida, e depois mais uma hora até o aeroporto de Montevideo, chegamos as 14h.  No aeroporto de Montevideo chamamos um UBER para ir até o hotel, não trocamos dinheiro no aeroporto já que não precisaríamos para o táxi e a cotação estava muito ruim, gastamos 15 reais cada uma no UBER.
      Em Montevideo ficamos no My Suites Hotel & Wine Bar e foi a melhor coisa que fizemos, a localização é perfeita, o hotel é lindo e moderno e a equipe do hotel é excepcional. Assim que chegamos no hotel, nos informamos onde poderíamos trocar dinheiro, e ganhamos um cupom para trocar em uma casa de cambio ali perto, pois por estarmos hospedadas no hotel conseguiríamos um preço melhor.
      Fomos para o quarto deixar a malas, o quarto era enorme e as camas muito confortáveis, depois saímos para explorar Montevideo, primeiro fomos a casa de cambio trocar dinheiro, antes fomos em mais duas para ver a cotação e realmente a casa de cambio recomendada pelo hotel era a melhor cotação, o nome da casa de cambio é La Favorita. Dinheiro trocado, almoçamos em uma padaria ali perto do hotel chamada Café Martinez e fomos para a Plaza Independencia, que é um dos pontos turísticos de Montevideo, a praça é linda e muito bem cuidada, vimos também a Puerta de la Cuidadela e assistimos o pôr-do-sol na orla próximo a praça, depois de jantar retornamos para o hotel para descansar e recuperar as energias para o dia seguinte.
      O que fazer no Uruguai: Plaza Independencia O que fazer no Uruguai: Plaza Independencia   O que fazer no Uruguai: Plaza Independencia O que fazer no Uruguai: Plaza Independencia   O que fazer no Uruguai: Puerta de la Ciudadela O que fazer no Uruguai: Pôr-do-sol na orla   O que fazer no Uruguai: Pôr-do-sol na orla Dia 02 – O que fazer no Uruguai: Letreiro Montevideo, Cervejaria Artesanal Mastra e Jantar com Show de tango no El Milongon em Montevideo
      Acordamos cedo, tomamos café no hotel e saímos para ver o Letreiro de Montevideo, fomos a pé pela orla e encontramos muitas pessoas pelo caminho fazendo exercícios, o letreiro é próximo ao hotel e bem fácil de encontrar, é só seguir a beira-mar, você também pode jogar no Maps por Letrero Montevideo que ele vai encontrar, ou mesmo pedindo informações para as pessoas, foi o que fizemos e funciona muito bem.
      Como fomos de manhã o letreiro estava um pouco escuro, pois os prédios cobriam o sol, mesmo assim as fotos ficaram lindas, mas fica a dica, o melhor horário é a tarde. Eu consegui uma foto ótima pulando no letreiro, mas não recomendo que o façam, pois custou a unha do dedão do pé dessa blogueira maluquinha aqui, cai de mal jeito, na hora não vi que tinha machucado tanto, só vi ao chegar no hotel quando tirei o tênis e a meia estava cheia de sangue e o dedo preto, mas por sorte a unha só começou a cair já no Brasil e já está nascendo novamente.
      Depois de ver o letreiro e andar pelos arredores, fomos na COT comprar as passagens para Punta Del Este para o dia seguinte, fomos almoçar no Mercado Agrícola no El Horno de Juan que tem a melhor pizza de Montevideo e aproveitamos para tomar um chopp da Cervejaria Mastra que tinha bem em frente ao restaurante. Próximo ao Mercado Agrícola fica o Palácio Legislativo, a construção é estilo neoclássico grego e as colunas e fachadas são de mármore provindo da Grécia, é um dos edifícios mais imponentes do país, fomos conferir e realmente é incrível!
      Voltamos para o hotel para tomar um banho e nos arrumar para o tour da tarde pela fábrica da Cervejaria Artesanal Mastra, quando nosso transporte chegou, ficamos encantadas, carro novo e muito confortável, logo estávamos na cervejaria.
      Foi meu primeiro tour por uma cervejaria, nunca tinha visto uma por dentro e adorei como a cerveja é fabricada, eles explicam direitinho e nos mostram cada detalhe do processamento, desde como a cerveja é feita, até o engarrafamento. Depois do tour tem a degustação das cervejas artesanais, provamos umas 8, uma mais gostosa que a outra, foi muito difícil escolher a minha preferida. Não é difícil imaginar como saímos alegres de lá, certo?
      Contratamos esse tour pela Daytours4u, no Uruguai é a Uruguai4u, é possível comprar o passeio ainda aqui do Brasil e pagar no cartão de crédito, rápido e fácil. Muito bom já sair aqui do Brasil com os passeios comprados, assim ao chegar lá a única preocupação que eu tinha era me divertir. Clique aqui para comprar esse passeio na Uruguai4u.
      Depois do tour pela Cervejaria Mastra, nosso chofer nos deixou no hotel, onde relaxamos um pouco e fomos nos arrumar para o Jantar com Show de tango no El Milongon. Esse passeio também foi adquirido pela Daytours4u ainda aqui do Brasil e com certeza foi um dos passeios que eu mais gostei no Uruguai.
      O El Milongon é enorme e muito bonito, a decoração é elegante e as mesas são postas com muito requinte. Começamos a noite com um médio y medio, uma bebida típica do Uruguai, doce demais para o meu gosto, em seguida pedimos um vinho delicioso. As bebidas estavam inclusas no passeio e eram liberadas a noite toda, junto com o jantar.
      Logo nos pediram quais as preferências para a entrada, fomos de sopa para abrir o apetite, depois o prato principal, me perdoem pois não me recordo o nome em espanhol, mas era delicioso, parecido com um rocambole com carne moída, as meninas foram de filé e legumes. Eram 8 opções de prato e todos davam água na boca.
      Assim que acabamos de jantar começou o show e foi emocionante. Mesmo a casa não estando cheia, pois fomos na baixa temporada, os artistas se apresentaram com o coração, os trajes e coreografias foram impecáveis, se apresentaram como se estivem na frente de uma multidão de pessoas e com o mesmo entusiasmo. Eu adorei cada uma das apresentações, nunca tinha ido em um show de tango antes e foi incrível, além do tango também tinha candomblé e dança folclórica.
      Enquanto assistimos ao show nos foi servida a sobremesa, e enquanto terminamos nossa segunda garrafa de vinho o show ia terminando, foi uma experiência incrível e uma noite cheia de cultura no Uruguai! Para comprar o tour no El Milongon pela Daytours4u, clique aqui.
      Depois do jantar com show, pegamos um táxi e fomos para o Bar Fun Fun, mas perdemos a viagem, pois já estava fechando, infelizmente na baixa temporada não tem muita vida noturna em Montevideo durante a semana, ouvimos dizer que a agitação começa na sexta, mas infelizmente não ficamos até a sexta para comprovar.
      O que fazer no Uruguai: Letreiro Montevideo O que fazer no Uruguai: Letreiro Montevideo   O que fazer no Uruguai: Palácio Legislativo O que fazer no Uruguai: Palácio Legislativo   O que fazer no Uruguai: Montevideo O que fazer no Uruguai: Montevideo   O que fazer no Uruguai: El Milongon O que fazer no Uruguai: El Milongon   O que fazer no Uruguai: El Milongon O que fazer no Uruguai: El Milongon   O que fazer no Uruguai: El Milongon O que fazer no Uruguai: Cerveza Mastra   O que fazer no Uruguai: Montevideo Dia 03 – O que fazer no Uruguai: Monumento Los Dedos, Museu Casapueplo e Puerto em Punta del Este
      Acordamos cedo e fomos tomar café, o dia seria em Punta del Este, não contratamos o tour de um dia por agências, resolvemos ir por conta própria, tem um ônibus que sai de hora em hora pela COT. Chamamos um UBER, como estávamos em 4 para dividir, o UBER acabava sendo mais barato que o transporte publico em Montevideo, mas caso você esteja sozinho fomos conferir o transporte público, é barato e funciona bem.
       
      Para continuar lendo o artigo inteiro clique aqui ou acesse o blog em: https://oquefazer.blog.br/o-que-fazer-no-uruguai-relato-de-viagem-com-gastos-dicas-de-passeios-restaurantes-hoteis-locomocao-e-cultura/
    • Por TMRocha
      Estou aproveitando esse espaço para contar um pouco de como foi a minha experiência de intercâmbio nesse país que é tão próximo de nós, mas mesmo assim tão diferente.

      Entenda um pouco sobre a experiência que obtive após estudar espanhol por um mês no Uruguai.
       
      Para não perder tempo, estou dividindo os tópicos desse dessa forma:
      1) Alguns dados interessantes do Uruguai; 2) Por que estudo Espanhol?; 3) Minha Experiência de Intercâmbio no Uruguai; 4) Minhas Considerações. Após isso o Índice dos posts dessa viagem; E por fim o relato propriamente dito! 1) Alguns dados interessantes do Uruguai
      O Uruguai é um país pequeno e muito charmoso, com cidades arborizadas, campos extensos, praias limpas e um povo muito cordial e amistoso. O país faz fronteira com a Argentina e com o Brasil, no estado do Rio Grande do Sul.

      Os verões são quentes, com temperaturas que variam entre os 23 e 38ºC, já os invernos são frios e a temperatura gira ao redor dos 15ºC, com algumas madrugadas geladas abaixo de zero. Com um clima temperado, o Uruguai possui estações bem definidas, atendendo a todos os gostos.

      Os uruguaios gostam de futebol, mate e churrasco. É muito comum vê-los com uma garrafa térmica sob o braço e o mate na mão andando pelas ruas, nos shoppings, em todos os lugares. São pessoas alegres, receptivas e solícitas, que estão sempre prontas pra ajudar.

      Mate uruguaio.
      O país conta com pouco mais de 3,3 milhões de habitantes, sendo que destes, 1/3 vive na sua capital, Montevideo. A economia é estável e vale ainda citar que o Uruguai é um dos países mais seguros e possui uma das mais altas taxas de qualidade de vida de toda a América do Sul.

      Fonte Pesquisada:
      http://www.brasileirosnouruguai.com.br/conheca-o-uruguai
      2) Por que estudo Espanhol?

      Olá, me chamo Thiago e acho que deve fazer ao menos uns três anos que estudo espanhol  [04/10/2017] e pouco a pouco estou melhorando meu conhecimento nesse idioma tão interessante. Com o espanhol tive a oportunidade de conhecer outras culturas que antigamente estavam fechadas para mim.

      Vestimenta típica para festas musicais de alguma região do Equador.

      Touradas, na Espanha.

      Murga, uma apresentação típica do carnaval uruguaio.

      Festa dos Mortos, no México.
      Descobri novos povos, outras comidas típicas que antes não fazia ideia que existiam e ainda tive a oportunidade de me aventurar por um novo país: o Uruguai, onde fiquei morando por um mês em uma casa de família super simpática enquanto estudava espanhol de forma intensiva em uma academia de ensino uruguaia.
      3) Minha Experiência de Intercâmbio no Uruguai
      Minha ideia inicial era fazer um intercâmbio junto ao CACS para a Espanha, mas como a crise estourou pesado em 2014 esse plano acabou caindo por terra, então continuei juntando mais algum dinheiro e resolvi fazer isso por conta própria junto a CVC, e numa das opções apareceu o Uruguai, país que decidi passar um mês inteiro realizando o intercâmbio de espanhol.

      Montevideo, capital do Uruguai.
      Lá fiz muitos passeios pela capital Montevideo e ainda conheci outras cidades próximas como Punta del Este, Colonia del Sacramento e Salto del Penitente (em Minas). Nesta última cidade andei a cavalo, me aventurei em uma tirolesa e até me arrisquei num rapel [que na verdade foi uma falha total!].

      Academia Uruguay, onde estudei no meu intercâmbio.

      Praça Independência, Montevideo.

      Monumento Los Dedos, em Punta del Este.

      Colônia do Sacramento, vista do alto de um Farol.



      Nas últimas três fotos acima: Eu me arriscando nos esportes de aventura em Salto del Penitente, no Uruguai.
      Com o intercâmbio conheci mais do comportamento dos uruguaios e descobri que eles são um povo incrível, cultos, organizados, super trabalhadores, que gostam da natureza e realmente amam o seu pequeno país.
       
      E claro, como um bom viajante também passei por alguns perrengues mais complicados, em especial para me adaptar com o clima e a comida típica do país, que é muito diferente da brasileira.

      Milanesa Pollo Napolitana con fritas.

      "Pasta". Esse é o nome que os uruguaios dão para o macarrão.

      Carne de Javali, uma iguaria típica de Salto del Penitente.
      O mais importante é que tive boas experiências que serão lembradas por mim até o meu último dia de vida. Mesmo em todo esse texto não foi possível relatar sequer um décimo do que fiz e do que senti por lá. Resumindo...
      "Ter a oportunidade de aprender um novo idioma é o mesmo que se abrir para novas oportunidades no presente e no futuro."
      Acho que isso resume um pouco do aprendizado que tive por lá. E pensando nisso, resolvi organizar esse tópico para que incentive novos viajantes ou até mesmo outras pessoas que pretendam aprofundar mais o seu conhecimento nessa língua.

      Sem mais delongas, abaixo estou colocando o índice organizado de toda essa maratona que fiz por lá, sem claro, deixar de ensinar um pouco do espanhol também e contando praticamente tudo que aconteceu no país, desde a minha saída do Brasil até a chegada no outro mês.E para fechar com chave de ouro, só falta esse assunto
      4) Minhas considerações:

      Desejo um agradecimento especial à família que estava me hospedando: O Álvaro, a Stela, a Fernanda e também aos dois hóspedes gringos que ali estavam e me ajudaram muito, o Míchel da Suíça, e a Kelsy, dos Estados Unidos. E também para toda a equipe da Academia Uruguay que me ajudou bastante.
       
      Desejo que todos vocês aproveitem a vida, trabalhem bastante e que viagem sempre que puderem. A todos os leitores, espero que tenham sempre uma boa viagem!
       
      A seguir:
      - Índice do Relato dessa viagem;
      - Relato propriamente dito.
    • Por peresosk
      Esta viagem foi a última parte da viagem que fiz pela Ásia, então claro não tem preços dos voos do Brasil, isto vai depender de cada um.
      Vamos aos números que muita gente gosta de saber.
      O Roteiro
      TURQUIA - IRÃ - VIETNÃ - LAOS - TAILÂNDIA - MALÁSIA - SINGAPURA - FILIPINAS - COREIA DO SUL - RÚSSIA
      A Rota dentro da Rússia
      Vladivostok – Khabarovsk (13h48 de viagem – R$ 84,68)
      Khabarovsk  – Chita (42h10 de viagem – R$ 211,76)
      Chita – Ulan-Ude (10h27 de viagem – R$ 50,66)
      Ulan-Ude – Irkutsk (06h43 de viagem – R$ 46,14)
      Irkutsk – Novosibirsk (32h11 de viagem – R$ 103,81)
      Novosibirsk  – Omsk (08h36 de viagem – R$ 52,94)
      Omsk – Tyumen (07h48 de viagem – R$ 49,78)
      Tyumen  – Yekaterinburg (05h27 de viagem – R$ 36,31)
      Yekaterinburg – Vladimir (25h31 de viagem – R$ 94,65)
      Vladimir – Moscou (01h42 de viagem – R$ 12,91)
      Moscou – St. Petersburgo (11h35 de viagem – R$ 52,04)
      St. Petersburgo – Kaliningrado (01h35 de viagem (avião) – R$ 180,77)
      Quando: Março e Abril de 2018
      Dias: 58
      Noites em Hostel: 1
      Viagens Noturnas: 6
      Couchsurfing: 51
      Valor Gasto em Real: R$2162,94 ($675,92)
      Média Diária em Real: R$37,29 ($11,65)
      Planilha com todos os gastos: https://goo.gl/JtTho9
      Meus Vídeos no Youtube: LINK AQUI
      O Trailer

      VLADIVOSTOK (3 DIAS)
      Como eu cheguei até a Rússia é outro assunto, hoje você vai assistir um relato de como foi viagem durante 58 dias no maior do país do mundo.
      Voo da Coreia do Sul direto para Vladivostok, pousei em um dia com sol e temperatura por volta de 1 grau, inesperado para 4 de março. Para sair do aeroporto nada de táxi pois isto é coisa para turista, um mini bus me levou direto para a estação de trem onde meu primeiro anfitrião estava me esperando, Vladivostok fiquei 3 noites e foi o suficiente para ver o que a cidade tinha para oferecer e claro conhecer pessoas, a Rússia ficou marcada por isto, dúvida?
      Meu anfitrião não é a pessoa mais simpática do mundo, mas logo no primeiro dia conheci Ana que falava espanhol, japonês e russo é claro, nada de inglês. Ela trabalha em uma multinacional japonesa e dá aulas de espanhol, a explicação é meio lógica, Vladivostok fica do lado do Japão e existem muitas empresas e carros japoneses circulando em toda a Sibéria inclusive até Irkutsk, falo isso pois a direção dos carros fica na direita. Ana me levou a uma fortaleza antiga que defendia a cidade até 1991, não tenho imagens pois praticamente congelei naquela noite com temperaturas próximas dos -20 e um vento assustador.
      No outro dia começou muito bem com Elena, uma pessoa divertida demais que fomos andar sobre o mar congelado, lembrando que fui viajar no final do inverno, o que não significa calor na Rússia.
      Foi um dia muito especial praticamente me avisando do que seria esta viagem, teve comida mexicana, restaurante fino, chocolate com sal e claro mais uma amizade do mundo.

      Uma das novas pontes da cidade, Vladivostok estava fechada ao turismo até 1991

      Elena foi uma das novas amigas da Rússia, mais uma que ama o Brasil

      O mar congelado junto com o inverno Russo
      A estação de trem de Vladivostok tem a icônica placa com o número 9288, significa a distância de trem até Moscou, mas eu não segui exatamente a rota da transiberiana, antes do momento do embarque fui com o Leo ver o farol do mar congelado e aquele local parece cena de filme.

      A placa com 9288 km até Moscou

      O farol que serve para guiar embarcações
      Primeiro destino definido, Khabarovsk fica a 14h48 de Vladivostok e as por volta das 5 da tarde embarquei com neve para a minha primeira jornada na Rússia, foi curta se comparar com o que vinha pela frente. Logo do inicio da viagem presenciei uma das cenas mais bonitas da minha vida, uma senhora de dentro do trem despedindo-se de seus parentes e assim começou a vida nos trens russos. Vagão novo e foi bem vazio, mas esta maravilha não seria frequente depois de algumas viagens.

      Submarino S-56 utilizado em guerra, hoje é um museu

      O vagão da terceira classe, a platzkart

      Ainda na estação uma das placas mais esperadas da minha vida, hora de embarcar

      Na praça central tem o Monumento aos combatentes pelo poder soviético
    • Por Lljj
      Assisti esse filme quando tinha uns 11 anos de idade. Na época, enquanto os créditos finais subiam na tela, me via profundamente incomodada com o que eu era, o que fazia e o que estava fadada a me tornar. Minha vida não era motivo de orgulho.
      Para uma pré-adolescente é difícil conseguir começar de novo, afinal a vida sequer havia começado, e meus responsáveis seriam contra uma viagem solo de autodescoberta. Conforme os anos passavam, esta insatisfação se aprofundava dentro de mim. Para driblá-la, eu seguia o caminho básico de qualquer pessoa que almeja ser razoavelmente bem-sucedida: não repeti na escola, trabalhei desde cedo, fiz cursos variados e dei o meu melhor para não desapontar aqueles que me amavam. Ainda assim, todas as vezes que realizava alguma conquista, esta era ofuscada pela sensação de vazio. Não me orgulhava delas.
      O problema não era a minha vida, não realmente. O problema era que aquela não parecia ser a minha vida. Nada era como eu queria que fosse, e sim como os outros esperavam que eu quisesse. Seguindo indicações alheias, acabei estudando um curso superior que desgostava e trabalhando em um escritório insuportavelmente tedioso e restritivo. “O que mais poderia querer em tempos de crise?”, me questionava. E, mesmo assim, não me orgulhava de nada daquilo.
      Uma profunda autoanalise e o auxílio de uma coaching foram necessárias para que enxergasse a razão da minha infelicidade: eu encarava o mundo de forma negativa. Nada seria satisfatório enquanto insistisse em dar voz ao pessimismo que sussurrava nos meus ouvidos. A partir daí, passei a travar uma feroz batalha interior para descobrir que pessoa poderia me tornar sem essa negatividade nublando as minhas decisões.
      Agora posso até dizer que sempre entendi esse trecho do filme pela perspectiva errada. Me concentrava tanto em “espero que tenha uma vida da qual você se orgulhe” que ignorava o “nunca é tarde de mais para ser quem você quiser ser”. Engraçado, né?
      Ainda não sei o que quero ser e, pela primeira vez, não estou com pressa em saber. Bem, “não há regras para esse tipo de coisa”! Então, com toda a coragem que percebi possuir, iniciei o Projeto Preciosas.
      O projeto envolve duas paixões pessoais: escrita e viagem. Escrever é meu ponto de equilíbrio, o que me impede de correr pela rua arrancando os cabelos da cabeça. Viajar é algo que vivencio desde que aprendi a ler, pois a leitura já me transportou a incontáveis lugares.
      Preciosas é o título de uma série de romances que venho desenvolvendo há longos anos. Apenas nos últimos meses que me permiti idealizar uma viagem baseada nos cenários das histórias, que se passam no Rio Grande do Sul.
      A viagem, ou melhor, expedição, iniciará em agosto/2018. Serão três meses circulando por diferentes cidades gaúchas, e mais três cruzando o Sul do Brasil até regressar ao meu estado natal. Comprei as passagens de avião em março – só de ida –, e cada dia que me aproxima da data de partid a me traz mais certeza, mais confiança, de que enfim tomei uma decisão por mim mesma. Ainda que rolar uma merda estratosférica, terei o consolo de ser a única responsável e não mais ser teleguiada pelas indicações dos outros.
      O slogan Na trilha da insensatez se refere exatamente a isso. Estou seguindo o caminho tortuoso da autonomia, realizando algo que todos ao meu redor acreditam ser uma loucura. Aonde essa estrada me levará? Acredito que até ao fim. Não tenho medo... pelo menos não muito. Mas há uma satisfação, um orgulho, em saber que estou me tornando a pessoa que sempre quis ser.
       
      Post original em https://www.lljj.com.br/
      Imagem em Pixabay
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