A Expedição Monte Roraima começou quando me deparei com a foto abaixo. Achei impressionante a existência de um lugar assim no mundo.
E comecei a ler tudo a respeito. Vou resumir os pontos mais importantes para se levar em conta:
"O Monte Roraima tem 34 km2 de área e fica exatamente na fronteira entre o Brasil, a Venezuela e a Guiana, com um marco de concreto em seu topo registrando a tríplice fronteira. A maior parte da montanha está em território venezuelano (85%), 10% na Guiana e apenas 5% em solo brasileiro. O acesso ao topo foi descoberto em 1884 na parede sudoeste, a partir da Venezuela, e por ser o único caminho por trilha, sem necessidade de técnicas de escalada e nem cordas, passou a ser utilizado por todas as expedições. Fora isso, há os passeios panorâmicos de helicóptero e pelo menos duas vias de escalada (Scorpion Wall e Cutting the Line)."
Por estar na Amazônia e numa região com clima equatorial é quase impossível fugir das chuvas, mas mesmo assim há meses mais favoráveis para a viagem.
De outubro a abril: Período de menos chuva e frio.
Vantagem: Evidentemente a de evitar perrengues com a chuva.
Desvantagem: Não observar as inúmeras cachoeiras que se formam nos paredões do Monte Roraima
De maio a agosto: Período de maior frio e chuva.
• Para iniciar o trekking o caminho é o seguinte ( pelo menos no meu caso, brasileira) : Boa Vista ( Roraima) x Santa Elena de Uairén ( Venezuela) x Paratepuí ( de onde a caminhada começa de verdade);
• As agências no Brasil cobram verdadeiras fortunas para realizar o passeio e depois de ler vários relatos, contratei os serviços da Mystic Tours ( agência venezuelana localizada em Santa Elena);
• Brasileiros não precisam de passaporte para entrar na Venezuela;
• É obrigatório o certificado internacional contra Febre Amarela;
• Pode levar REAL pois qualquer estabelecimento em Santa Elena aceita nossa moeda e por uma câmbio bem atraente;
• Li em vários relatos que qualquer pessoa pode fazer o trekking, vou ser bem sincera, não é pra qualquer pessoa. Sem o mínimo de condicionamento físico vc vai sofrer e muito;
Bom vamos lá...
Chegamos em Boa Vista as 14:00 e contratamos o taxista Ciro da cooperativa Pacanaima, pagamos por pessoa o valor de R$ 45,00 para nos levar até Santa Elena ( 250 km), do outro lado da fronteira na Venezuela.
Ficamos na Pousada Backpackers, quarto quádruplo, R$ 21,00 a diária, tem um pub embaixo que toca uma musiquinha e servem pizza.
Ao lado do nosso hotel tem a Pousada Michele mesmo valor pelo quarto quádruplo.
Na mesma rua encontra-se a Mystic Tours (agência que contratei aqui do Brasil) para nos levar ao Roraima.
Detalhes da Expedição:
• Valor total em reais pelo trekking de 6 dias: R$ 586,00;
• O que inclui: Guia, cozinheiro, comida para os 6 dias, barraca, saco de dormir, isolante, transporte para o início e fim do trekking, um almoço no último dia com refrigerante e mapa da La Gran Sabana;
• Serviço extra: você pode contratar um dos carregadores para levar sua mochila, cobraram 32.000 bolivares o dia, aproximadamente, R$ 35,00;
• Os carregadores montam e desmontam a barraca que é compartilhada, sempre duas pessoas;
• O dono da agência é o Roberto Marrero, gostei muito dos serviços prestados! Foram atenciosos e muito simpáticos com todos do meu grupo;
• Eles fazem um reunião com todo o grupo um dia antes de iniciarem o trekking, onde tiramos todas as dúvidas e eles nos entregam o saco de dormir e o isolante, que são carregados por nós;
1º Dia: De Santa Elena x Paratepuí x Acampamento Rio Tek
Nos reunimos na porta da agência as 09:00 da manhã, assinamos um termo de responsabilidade e partimos em veículo 4x4 para Paratepuí onde se dá início ao Trekking.
Chegamos lá, prepararam um lanche. Enquanto comíamos, os carregadores se organizaram com tudo que precisaríamos para os 6 dias que nos aguardavam.
Tudo pronto, começamos a caminhar as 12:30, o calor já estava absurdamente perturbador. Rsrs Vou confessar, a minha mochila estava tranquila mas quando coloquei o saco de dormir e o isolante, virou um monstro.
Andamos nesse dia cerca de 13km com algumas paradas e rios para repor a água.
No fim da tarde chegamos ao Acampamento do Rio Tek, o acampamento com mais recursos. Tem uma vendinha com cerveja e salgadinhos, mesa pra comer e o Rio Tek fica a poucos metros de distância.
O banho no Rio Tek foi uma aprovação, água muito frio mas depois, tornou-se deliciosa se não fosse o ataque de Puri-Puris ( mosquitos da savana venezuelana). Voltei com 1 milhão de picadas e coçam, como coçam!
Os carregadores rapidamente armaram as barracas enquanto outros preparavam nosso jantar, uma macarronada com carne moída deliciosa e suco.
Confesso que fiquei bem cansada nesse dia, a cada descida de morro você já se preparava para subir e o sol era imperdoável.
Fomos dormir e descansar para o outro dia que pra mim, foi o mais punk de todos.
2º Dia: De Acampamento Rio Tek x Acampamento Base
Nesse dia acordamos bem cedo, 05:30 e começamos a arrumar tudo, fomos tomar café que já estava a mesa. Uma deliciosa panqueca com presunto e ovos, chá e café ( parecia chá) rs;
Enquanto tomávamos café, os carregadores já desmontavam nossas barracas.
Começamos a caminhada novamente, nesse dia atravessamos o Rio Tek ( bem fácil) pulando algumas pedras. Mais adiante, nos deparamos com o Rio Kekunán, nesse rio já demanda toda logística de tirar a bota, ficar de meia, o carregador te ajuda com a mochila e também na travessia. A correnteza estava bem forte e é um trecho maior para atravessar. Do outro lado do rio, meias secas, bota no pé e a caminhada continua.
Nesse dia a minha mochila estava me matando e o sol novamente castigava.
Na minha opinião, o segundo dia foi o pior dia, muitas dores nas costas, o tempo todo subindo e subindo, tudo muito íngreme. Fiz diversas paradas e em determinado ponto exausta, paramos todos e começaram a preparar um lanche, de repente, chuva, muita chuva. Comemos debaixo de chuva mesmo, exaustos e seguimos pois ainda nos faltava um hora e quarenta de caminhada, íngreme, debaixo de chuva.
Parecia uma eternidade, eu perguntava pros carregadores a todo momento quanto faltava e eles diziam: “15 min” traduzindo: “ 1 hora e mil minutos” rsrs
Finalmente, depois de percorrermos 15km, costas, quadril, fio de cabelo, tudo doía, chegamos ao Acampamento Base aos pés do Roraima.
E de repente quanto coloquei meus olhos no paredão do Roraima, a emoção tomou conta e toda a dor sumiu em um segundo. A paisagem do Kukenán e do Roraima te acompanham a caminhada toda e a savana venezuelana é lindíssima. Mas chegar tão perto me causou um misto de cansaço, vislumbre, emoção e gratidão por estar contemplando aquele lugar incrivelmente lindo.
Os carregadores em sua maioria sempre chegam primeiro e já começam a montar as barracas. O friozinho já começou a ser nossa cia frequente.
Descansamos um pouco e fomos até um riozinho tentar tomar um banho mas a água estava geladíssima! Meus amigos tomaram banho e eu também mas de lenço umedecido. Rsrs Não deu!
No jantar fizeram arroz com frango desfiado e legumes, sempre com suquinho para acompanhar.
A noite sempre caía rápido demais e como estávamos sem comunicação com o mundo, parecia uma eternidade cada minuto.
Fomos descansar pois no dia seguinte, o destino seria: o topo do Monte Roraima!
3º Dia: Acampamento Base x Monte Roraima
Nesse dia também acordamos cedo e o guia nos entregou enquanto tomávamos café, um lanche ( sanduíche) para a subida.
Arrumamos nossas tralhas e com muito entusiasmo, partimos.
Esqueci de comentar, não aguentei a minha mochila e minhas costas estavam destruídas, contratei um dos carregadores para levar minha mochila ( 32.000 bolivares ou R$ 35,00 a diária) até o último dia. Além da carga que já tem, eles incluem a sua mochila, não é um carregador particular. Os caras são incrivelmente fortes e resistentes.
Agora assim a subida era íngreme de verdade mas empolgante!
Caminhamos cerca de uma hora e meia ou mais, nessa altura já tinha perdido a noção de tempo e o meu interesse em procurar contabilizar o tempo nessa experiência.
Muitas pedras, muita chuva e cada vez mais próximos do incrível paredão. De repente, ele, o paredão diante dos meus olhos, mostrando o quão insignificante eu era perante aquele gigante místico, o mais antigo do mundo.
Comecei desesperadamente a abraçar o paredão e meus amigos riam muito da cena Tive que postar a foto que tiraram! rs.
Caminhamos mais e cheguei na parte mais difícil de todo o trajeto: O Passo das Lágrimas ( tem esse nome porque vc sobe o tempo todo sendo batizado por uma cachoeira que despenca do topo), muito escorregadia, extremamente íngreme, meu coração parecia saltar boca a fora, meu joelho tremia mas a emoção tomava conta.
Finalmente, pisamos no Monte Roraima, chuva e muita alegria.
Nunca vi nada parecido em toda minha vida, a atmosfera, aquelas rochas negras, as plantas carnívoras, o sapinho negro que vi logo que cheguei...
Partimos pra uma caminhada de mais uns 30 min até chegarmos no Hotel Sucri ( eles chamam de Hotel os acampamentos no Monte).
Ficamos deslumbrados, fascinados e cada um foi explorar ali os arredores do acampamento enquanto já montavam as barracas.
Nesse dia depois de descansados, fomos dar uma volta. Pontos: La Cueva e um dos mirantes. Sensacional.
4º Dia: Monte Roraima
Nesse dia acordamos cedo também e chovia muito, muita neblina mas ainda sim, não íamos perder um segundo que fosse por causa da chuva.
Partimos com destino a Las Ventanas, Vale dos Cristais e Jacuzzis.
O vale dos Cristais é impressionante, mas atente-se, não pode ser retirado nenhum cristal de lá, paga-se multa de 1.0000 dólares.
Para meu desgosto ou simplesmente truque da natureza, quando chegamos nas Ventanas, estava tudo coberto por neblina não dava para se ter uma noção da imensidão e periculosidade daquele lugar mas ainda sim, contemplei de bom gosto e agradecida.
De lá fomos as Jacuzzis, que lugar! Maravilhoso, água gelada sim, mas não pude resistir! O fundo das jacuzzis é repleto de cristais! Ficamos lá por algum tempo e retornamos para o acampamento.
O tempo no Roraima é muito instável e no nosso caso, choveu o tempo todo.
Eu gostaria muito de ter conhecido o Ponto Trilho ( fronteira dos 3 países – Guiana, Brasil e Venezuela), El Fosso e outros mas o tempo não estava do nosso lado e impossibilitou esses passeios. Faz parte da experiência estar aberto para as mudanças de humor da natureza!
Gostaria de ter ficado mais tempo e contratado o trekking de 8 dias mas só consegui uma semana de férias. Mas tá valendo!
5º Dia: Monte Roraima x Acampamento Rio Tek
Nesse dia, vc anda tudo que andou em dois dias em um único dia. Prepare-se, os seus joelhos vão gritar! Rs
Eu escolhi sair com o primeiro grupo dos mais lentos ( duas meninas), detalhe, cheguei ao passo das Lágrimas sozinha e comecei a descer quando avistei o grupo dos mais rápidos já dando as caras.
O que antes eram “lágrimas” agora pareciam as cataratas de Foz do Iguaçu. Muita água, a trilha virou um rio de correntezas fortes.
Desci com todo cuidado do mundo e ainda sim tive vários momentos de muita tensão pois tinha pedra rolando, podia cair algo de cima, perigo por todos os lados.
Levei uns dois bons escorregões mas nada sério e continuei a descida.
O combinado foi, almoçarmos no Acampamento Base e continuarmos até o Rio tek.
Algumas horas depois de muita descida, pernas tremendo, cheguei sozinha com uma boa diferença do meu grupo. Sentei no rio e comecei a pensar em toda aquela experiência incrível.
E depois decidi ir direto ao Rio tek sem parar pra almoçar. Peguei meu bastão, coloquei minha trilha sonora do filme “A Vida Secreta de Walter Mitty” e parti em meio a neblina pois 15km me aguardavam.
No caminho encontrei um dos indígenas e carregadores e quando eu pisquei ele já estava sumindo na trilha por entre os montes.
Foi muito bacana ter essa experiência comigo mesma, desci sozinha do Roraima ( me senti Indiana Jones rs), um turbilhão de pensamentos e ali naquela trilha fui pensando “ o que mais sou capaz de fazer e ainda não sei?”
Quando cheguei no Rio Kekunán me bateu o desespero pois o nível do Rio tinha subido bastante e de repente, vi o índio com quem conversei no início da trilha e ele estava sentado esperando por mim pois sabia que talvez eu não conseguiria passar sozinha. Achei tão fofo! E assim ele fez, pegou na minha mão e me ajudou! Eternamente grata!
Cheguei exaustaaaa ao Acampamento Rio Tek e lá encontrei outros indígenas e guias, me pagaram duas cervejas porque minha mochila ainda estava com o carregador e ficamos tentando nos comunicar. Tirei a minha bota molhada, o casaco molhado e pedi para experimentar a “mochila” feita de palha na qual eles levam todos os itens.
Quase 1 hora e meia depois chegaram 2 pessoas do meu grupo e ficamos por ali de papo.
Final da noite, jantamos e ficamos admirando os vagalumes e o céu intensamente estrelado e recordando já com saudades, do Monte Roraima.
6º Dia: Acampamento Rio Tek x Paratepuí
Começamos a caminhada cedo e diferente dos outros dias, todos muito introspectivos, talvez estivessem exaustos ou talvez, estavam encantados demais pra falar.
Chegamos em Paratepuí, joguei o poncho de chuva na grama e me deitei, cansada!
Logo os carros chegaram e começamos a nos organizar para o retorno a Santa Elena, mas antes paramos em São Francisco onde foi servido um almoço delicioso com frango assado e refrigerante ( artigo de luxo depois de 6 dias tomando água de Rio e Chá) rs.
Compramos umas lembrancinhas por ali e seguimos.
Chegamos em Santa Elena e nosso taxista já estava a espera para nos levar a Boa Vista, onde nosso voo sairia no dia seguinte rumo ao Rio de Janeiro.
O que falar dessa experiência? Foi indescritível!
A gentileza dos indígenas, o sorriso sincero ao te servir todos os dias, o esforço físico, o encontro com o místico, o grupo incrível que conhecemos e as paisagens que levarei pra sempre na memória.
Eu voltaria ao Mundo Perdido e tenho certeza que ainda me encantaria como se fosse a primeira vez!
A Expedição Monte Roraima começou quando me deparei com a foto abaixo. Achei impressionante a existência de um lugar assim no mundo.
E comecei a ler tudo a respeito. Vou resumir os pontos mais importantes para se levar em conta:
"O Monte Roraima tem 34 km2 de área e fica exatamente na fronteira entre o Brasil, a Venezuela e a Guiana, com um marco de concreto em seu topo registrando a tríplice fronteira. A maior parte da montanha está em território venezuelano (85%), 10% na Guiana e apenas 5% em solo brasileiro. O acesso ao topo foi descoberto em 1884 na parede sudoeste, a partir da Venezuela, e por ser o único caminho por trilha, sem necessidade de técnicas de escalada e nem cordas, passou a ser utilizado por todas as expedições. Fora isso, há os passeios panorâmicos de helicóptero e pelo menos duas vias de escalada (Scorpion Wall e Cutting the Line)."
Por estar na Amazônia e numa região com clima equatorial é quase impossível fugir das chuvas, mas mesmo assim há meses mais favoráveis para a viagem.
De outubro a abril: Período de menos chuva e frio.
Vantagem: Evidentemente a de evitar perrengues com a chuva.
Desvantagem: Não observar as inúmeras cachoeiras que se formam nos paredões do Monte Roraima
De maio a agosto: Período de maior frio e chuva.
• Para iniciar o trekking o caminho é o seguinte ( pelo menos no meu caso, brasileira) : Boa Vista ( Roraima) x Santa Elena de Uairén ( Venezuela) x Paratepuí ( de onde a caminhada começa de verdade);
• As agências no Brasil cobram verdadeiras fortunas para realizar o passeio e depois de ler vários relatos, contratei os serviços da Mystic Tours ( agência venezuelana localizada em Santa Elena);
• Brasileiros não precisam de passaporte para entrar na Venezuela;
• É obrigatório o certificado internacional contra Febre Amarela;
• Pode levar REAL pois qualquer estabelecimento em Santa Elena aceita nossa moeda e por uma câmbio bem atraente;
• Li em vários relatos que qualquer pessoa pode fazer o trekking, vou ser bem sincera, não é pra qualquer pessoa. Sem o mínimo de condicionamento físico vc vai sofrer e muito;
Bom vamos lá...
Chegamos em Boa Vista as 14:00 e contratamos o taxista Ciro da cooperativa Pacanaima, pagamos por pessoa o valor de R$ 45,00 para nos levar até Santa Elena ( 250 km), do outro lado da fronteira na Venezuela.
Ficamos na Pousada Backpackers, quarto quádruplo, R$ 21,00 a diária, tem um pub embaixo que toca uma musiquinha e servem pizza.
Ao lado do nosso hotel tem a Pousada Michele mesmo valor pelo quarto quádruplo.
Na mesma rua encontra-se a Mystic Tours (agência que contratei aqui do Brasil) para nos levar ao Roraima.
Detalhes da Expedição:
• Valor total em reais pelo trekking de 6 dias: R$ 586,00;
• O que inclui: Guia, cozinheiro, comida para os 6 dias, barraca, saco de dormir, isolante, transporte para o início e fim do trekking, um almoço no último dia com refrigerante e mapa da La Gran Sabana;
• Serviço extra: você pode contratar um dos carregadores para levar sua mochila, cobraram 32.000 bolivares o dia, aproximadamente, R$ 35,00;
• Os carregadores montam e desmontam a barraca que é compartilhada, sempre duas pessoas;
• O dono da agência é o Roberto Marrero, gostei muito dos serviços prestados! Foram atenciosos e muito simpáticos com todos do meu grupo;
• Eles fazem um reunião com todo o grupo um dia antes de iniciarem o trekking, onde tiramos todas as dúvidas e eles nos entregam o saco de dormir e o isolante, que são carregados por nós;
1º Dia: De Santa Elena x Paratepuí x Acampamento Rio Tek
Nos reunimos na porta da agência as 09:00 da manhã, assinamos um termo de responsabilidade e partimos em veículo 4x4 para Paratepuí onde se dá início ao Trekking.
Chegamos lá, prepararam um lanche. Enquanto comíamos, os carregadores se organizaram com tudo que precisaríamos para os 6 dias que nos aguardavam.
Tudo pronto, começamos a caminhar as 12:30, o calor já estava absurdamente perturbador. Rsrs Vou confessar, a minha mochila estava tranquila mas quando coloquei o saco de dormir e o isolante, virou um monstro.
Andamos nesse dia cerca de 13km com algumas paradas e rios para repor a água.
No fim da tarde chegamos ao Acampamento do Rio Tek, o acampamento com mais recursos. Tem uma vendinha com cerveja e salgadinhos, mesa pra comer e o Rio Tek fica a poucos metros de distância.
O banho no Rio Tek foi uma aprovação, água muito frio mas depois, tornou-se deliciosa se não fosse o ataque de Puri-Puris ( mosquitos da savana venezuelana). Voltei com 1 milhão de picadas e coçam, como coçam!
Os carregadores rapidamente armaram as barracas enquanto outros preparavam nosso jantar, uma macarronada com carne moída deliciosa e suco.
Confesso que fiquei bem cansada nesse dia, a cada descida de morro você já se preparava para subir e o sol era imperdoável.
Fomos dormir e descansar para o outro dia que pra mim, foi o mais punk de todos.
2º Dia: De Acampamento Rio Tek x Acampamento Base
Nesse dia acordamos bem cedo, 05:30 e começamos a arrumar tudo, fomos tomar café que já estava a mesa. Uma deliciosa panqueca com presunto e ovos, chá e café ( parecia chá) rs;
Enquanto tomávamos café, os carregadores já desmontavam nossas barracas.
Começamos a caminhada novamente, nesse dia atravessamos o Rio Tek ( bem fácil) pulando algumas pedras. Mais adiante, nos deparamos com o Rio Kekunán, nesse rio já demanda toda logística de tirar a bota, ficar de meia, o carregador te ajuda com a mochila e também na travessia. A correnteza estava bem forte e é um trecho maior para atravessar. Do outro lado do rio, meias secas, bota no pé e a caminhada continua.
Nesse dia a minha mochila estava me matando e o sol novamente castigava.
Na minha opinião, o segundo dia foi o pior dia, muitas dores nas costas, o tempo todo subindo e subindo, tudo muito íngreme. Fiz diversas paradas e em determinado ponto exausta, paramos todos e começaram a preparar um lanche, de repente, chuva, muita chuva. Comemos debaixo de chuva mesmo, exaustos e seguimos pois ainda nos faltava um hora e quarenta de caminhada, íngreme, debaixo de chuva.
Parecia uma eternidade, eu perguntava pros carregadores a todo momento quanto faltava e eles diziam: “15 min” traduzindo: “ 1 hora e mil minutos” rsrs
Finalmente, depois de percorrermos 15km, costas, quadril, fio de cabelo, tudo doía, chegamos ao Acampamento Base aos pés do Roraima.
E de repente quanto coloquei meus olhos no paredão do Roraima, a emoção tomou conta e toda a dor sumiu em um segundo. A paisagem do Kukenán e do Roraima te acompanham a caminhada toda e a savana venezuelana é lindíssima. Mas chegar tão perto me causou um misto de cansaço, vislumbre, emoção e gratidão por estar contemplando aquele lugar incrivelmente lindo.
Os carregadores em sua maioria sempre chegam primeiro e já começam a montar as barracas. O friozinho já começou a ser nossa cia frequente.
Descansamos um pouco e fomos até um riozinho tentar tomar um banho mas a água estava geladíssima! Meus amigos tomaram banho e eu também mas de lenço umedecido. Rsrs Não deu!
No jantar fizeram arroz com frango desfiado e legumes, sempre com suquinho para acompanhar.
A noite sempre caía rápido demais e como estávamos sem comunicação com o mundo, parecia uma eternidade cada minuto.
Fomos descansar pois no dia seguinte, o destino seria: o topo do Monte Roraima!
3º Dia: Acampamento Base x Monte Roraima
Nesse dia também acordamos cedo e o guia nos entregou enquanto tomávamos café, um lanche ( sanduíche) para a subida.
Arrumamos nossas tralhas e com muito entusiasmo, partimos.
Esqueci de comentar, não aguentei a minha mochila e minhas costas estavam destruídas, contratei um dos carregadores para levar minha mochila ( 32.000 bolivares ou R$ 35,00 a diária) até o último dia. Além da carga que já tem, eles incluem a sua mochila, não é um carregador particular. Os caras são incrivelmente fortes e resistentes.
Agora assim a subida era íngreme de verdade mas empolgante!
Caminhamos cerca de uma hora e meia ou mais, nessa altura já tinha perdido a noção de tempo e o meu interesse em procurar contabilizar o tempo nessa experiência.
Muitas pedras, muita chuva e cada vez mais próximos do incrível paredão. De repente, ele, o paredão diante dos meus olhos, mostrando o quão insignificante eu era perante aquele gigante místico, o mais antigo do mundo.
Comecei desesperadamente a abraçar o paredão e meus amigos riam muito da cena Tive que postar a foto que tiraram!
rs.
Caminhamos mais e cheguei na parte mais difícil de todo o trajeto:
O Passo das Lágrimas ( tem esse nome porque vc sobe o tempo todo sendo batizado por uma cachoeira que despenca do topo), muito escorregadia, extremamente íngreme, meu coração parecia saltar boca a fora, meu joelho tremia mas a emoção tomava conta.
Finalmente, pisamos no Monte Roraima, chuva e muita alegria.
Nunca vi nada parecido em toda minha vida, a atmosfera, aquelas rochas negras, as plantas carnívoras, o sapinho negro que vi logo que cheguei...
Partimos pra uma caminhada de mais uns 30 min até chegarmos no Hotel Sucri ( eles chamam de Hotel os acampamentos no Monte).
Ficamos deslumbrados, fascinados e cada um foi explorar ali os arredores do acampamento enquanto já montavam as barracas.
Nesse dia depois de descansados, fomos dar uma volta. Pontos: La Cueva e um dos mirantes. Sensacional.
4º Dia: Monte Roraima
Nesse dia acordamos cedo também e chovia muito, muita neblina mas ainda sim, não íamos perder um segundo que fosse por causa da chuva.
Partimos com destino a Las Ventanas, Vale dos Cristais e Jacuzzis.
O vale dos Cristais é impressionante, mas atente-se, não pode ser retirado nenhum cristal de lá, paga-se multa de 1.0000 dólares.
Para meu desgosto ou simplesmente truque da natureza, quando chegamos nas Ventanas, estava tudo coberto por neblina não dava para se ter uma noção da imensidão e periculosidade daquele lugar mas ainda sim, contemplei de bom gosto e agradecida.
De lá fomos as Jacuzzis, que lugar! Maravilhoso, água gelada sim, mas não pude resistir! O fundo das jacuzzis é repleto de cristais! Ficamos lá por algum tempo e retornamos para o acampamento.
O tempo no Roraima é muito instável e no nosso caso, choveu o tempo todo.
Eu gostaria muito de ter conhecido o Ponto Trilho ( fronteira dos 3 países – Guiana, Brasil e Venezuela), El Fosso e outros mas o tempo não estava do nosso lado e impossibilitou esses passeios. Faz parte da experiência estar aberto para as mudanças de humor da natureza!
Gostaria de ter ficado mais tempo e contratado o trekking de 8 dias mas só consegui uma semana de férias.
Mas tá valendo!
5º Dia: Monte Roraima x Acampamento Rio Tek
Nesse dia, vc anda tudo que andou em dois dias em um único dia. Prepare-se, os seus joelhos vão gritar! Rs
Eu escolhi sair com o primeiro grupo dos mais lentos ( duas meninas), detalhe, cheguei ao passo das Lágrimas sozinha e comecei a descer quando avistei o grupo dos mais rápidos já dando as caras.
O que antes eram “lágrimas” agora pareciam as cataratas de Foz do Iguaçu. Muita água, a trilha virou um rio de correntezas fortes.
Desci com todo cuidado do mundo e ainda sim tive vários momentos de muita tensão pois tinha pedra rolando, podia cair algo de cima, perigo por todos os lados.
Levei uns dois bons escorregões mas nada sério e continuei a descida.
O combinado foi, almoçarmos no Acampamento Base e continuarmos até o Rio tek.
Algumas horas depois de muita descida, pernas tremendo, cheguei sozinha com uma boa diferença do meu grupo. Sentei no rio e comecei a pensar em toda aquela experiência incrível.
E depois decidi ir direto ao Rio tek sem parar pra almoçar. Peguei meu bastão, coloquei minha trilha sonora do filme “A Vida Secreta de Walter Mitty” e parti em meio a neblina pois 15km me aguardavam.
No caminho encontrei um dos indígenas e carregadores e quando eu pisquei ele já estava sumindo na trilha por entre os montes.
Foi muito bacana ter essa experiência comigo mesma, desci sozinha do Roraima ( me senti Indiana Jones rs), um turbilhão de pensamentos e ali naquela trilha fui pensando “ o que mais sou capaz de fazer e ainda não sei?”
Quando cheguei no Rio Kekunán me bateu o desespero pois o nível do Rio tinha subido bastante e de repente, vi o índio com quem conversei no início da trilha e ele estava sentado esperando por mim pois sabia que talvez eu não conseguiria passar sozinha. Achei tão fofo! E assim ele fez, pegou na minha mão e me ajudou! Eternamente grata!
Cheguei exaustaaaa ao Acampamento Rio Tek e lá encontrei outros indígenas e guias, me pagaram duas cervejas porque minha mochila ainda estava com o carregador e ficamos tentando nos comunicar. Tirei a minha bota molhada, o casaco molhado e pedi para experimentar a “mochila” feita de palha na qual eles levam todos os itens.
Quase 1 hora e meia depois chegaram 2 pessoas do meu grupo e ficamos por ali de papo.
Final da noite, jantamos e ficamos admirando os vagalumes e o céu intensamente estrelado e recordando já com saudades, do Monte Roraima.
6º Dia: Acampamento Rio Tek x Paratepuí
Começamos a caminhada cedo e diferente dos outros dias, todos muito introspectivos, talvez estivessem exaustos ou talvez, estavam encantados demais pra falar.
Chegamos em Paratepuí, joguei o poncho de chuva na grama e me deitei, cansada!
Logo os carros chegaram e começamos a nos organizar para o retorno a Santa Elena, mas antes paramos em São Francisco onde foi servido um almoço delicioso com frango assado e refrigerante ( artigo de luxo depois de 6 dias tomando água de Rio e Chá) rs.
Compramos umas lembrancinhas por ali e seguimos.
Chegamos em Santa Elena e nosso taxista já estava a espera para nos levar a Boa Vista, onde nosso voo sairia no dia seguinte rumo ao Rio de Janeiro.
O que falar dessa experiência? Foi indescritível!
A gentileza dos indígenas, o sorriso sincero ao te servir todos os dias, o esforço físico, o encontro com o místico, o grupo incrível que conhecemos e as paisagens que levarei pra sempre na memória.
Eu voltaria ao Mundo Perdido e tenho certeza que ainda me encantaria como se fosse a primeira vez!
Considerações importantes:
• Agência Mystic Tours (http://www.mystictours.com.ve/);
• Facebook do Roberto Marrero dono da agência: https://www.facebook.com/roberto.marrero.391?fref=ts;
• Posada Backpackers: http://lagransabana.travel/es/reserve-ahora/viewproperty/Posada%20Backpacker/64;
• Posada Michele: http://www.hosteltrail.com/hostels/posadamichelle;
• Contato do taxista Ciro que nos levou de Boa Vista a Santa Elena: +55 95 9136-4950 ele tb usa o Whatsapp;
• Facebook do nosso Guia, o Lapa: https://www.facebook.com/jose.padrino.3150;
• Gasto total da viagem, incluindo passagens áereas do Rio de Janeiro para Boa Vista: R$ 1.850,00;
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