Ir para conteúdo
View in the app

A better way to browse. Learn more.

Mochileiros.com

A full-screen app on your home screen with push notifications, badges and more.

To install this app on iOS and iPadOS
  1. Tap the Share icon in Safari
  2. Scroll the menu and tap Add to Home Screen.
  3. Tap Add in the top-right corner.
To install this app on Android
  1. Tap the 3-dot menu (⋮) in the top-right corner of the browser.
  2. Tap Add to Home screen or Install app.
  3. Confirm by tapping Install.

Olá viajante!

Bora viajar?

Postado
  • Membros

Para mim é algo realmente complicado traduzir em palavras os momentos vividos nos dias da minha viagem. Viagem esta que não se traduz num simples mochilão ou turismo de longa duração. Foi o encontro de uma pessoa comum com seu sonho de andar por terras que tanto o inspiraram, terras mãe da esperança, terras de homens e mulheres feitos de histórias e de coração, corações gigantescos. O sentimento que fica depois de quase seis meses na estrada é o de gratidão, do agradecimento as infinitas pessoas que ajudaram esse pobre viajante das mil e uma maneiras possíveis, para vocês meu muito obrigado.

598dd755aa84c_Foto1.jpg.c7f7d4b2b343a070076c0b76b0c7e2cb.jpg

Foto 1 - A companheira de viagem

Tinha uma vida igual a tantas outras, era bem razoável por sinal, mas a vontade de caminhar e estar frente a frente com o novo me atormentava todos os dias. Queria conhecer com meus olhos as diferenças, os sotaques, as comidas, as belezas. Desejava não ter pressa, fazer tudo no seu tempo necessário, não estar preso a rotina dos dias e principalmente aprender. Sim, aprender, não com fórmulas prontas e nem sentado dentro de uma sala de aula. Queria aprender com experiências. Queria conhecer pessoas. De alguma forma queria fugir da minha vida cotidiana, não por ela ser ruim, mas pelo desejo de se conhecer e assim, quem sabe, voltar uma pessoa melhor. Quando esse sentimento passou a ser insuportável decidi que tinha que partir.

Por um ano ajuntei algum dinheiro, queria ficar seis meses na estrada. A grana não era o suficiente, mas suficiente era a minha vontade. Dei um ponto final no trabalho. Abri o mapa e não tinha ideia por onde começar. Decidi não ter um roteiro, apesar de ter muitos lugares em que eu queria estar.

Assim começa a minha história (poderia ser de qualquer um). O relato está dividido da seguinte forma:

Parte 1: de Rio Claro ao Vale do Itajaí
Parte 2: Cânions do Sul
Parte 3: de Torres a Chuí
Parte 4: Uruguai
Parte 5: da região das Missões a Chapecó
Parte 6: Chapada dos Veadeiros e Brasília
Parte 7: Chapada dos Guimarães
Parte 8: Rondônia
Parte 9: Pelas terras de Chico Mendes, Acre
Parte 10: Viajando pelo rio Madeira
Parte 11: de Manaus a Roraima
Parte 12: Monte Roraima y un poquito de Venezuela
Parte 13: Viajando pelo rio Amazonas
Parte 14: Ilha de Marajó e Belém
Parte 15: São Luis, Lençóis Maranhenses e o delta do Parnaíba
Parte 16: Serra da Capivara
Parte 17: Sertão Nordestino
Parte 18: Jampa, Olinda e São Miguel dos Milagres
Parte 19: Piranhas, Cânion do Xingó e uma viagem de carro
Parte 20: Pelourinho
Parte 21: Chapada Diamantina
Parte 22: Ouro Preto e São Thomé das Letras
Parte 23: O retorno e os aprendizados

O período da viagem é de 01/10/2015 a 20/03/2016. De resto não ficarei apegado nas datas exatas em que ocorreram os relatos que irão vir a seguir, tampouco preocupado em valorar tudo. Espero contribuir com a comunidade que tanto me ajudou e sanar algumas dúvidas dos novos/velhos mochileiros.

Editado por Visitante

  • Respostas 72
  • Visualizações 44k
  • Criado
  • Última resposta

Usuários Mais Ativos no Tópico

Most Popular Posts

  • Diego Minatel
    Diego Minatel

    Eita! Vou ter que editar tudo novamente, a atualização do site desconfigurou toda a formatação e retirou as legendas da fotos. Enfim, com calma irei reajustar tudo. 

Posted Images

Featured Replies

Postado
  • Autor
  • Membros

Parte 1: de Rio Claro ao Vale do Itajaí

"Um dia é preciso parar de sonhar e, de algum modo, partir." Paratii: Entre dois pólos, Amyr Klink

Enrolei alguns dias em casa, era para já estar viajando, na verdade eu tinha medo de começar. Acho que o mais difícil é começar, depois você já vai ter feito a merda mesmo e tudo fica mais fácil. Após pensar muito decidi que o meu primeiro destino seria Curitiba. Lá reencontraria o Boletão, parceiro do meu primeiro mochilão e amigo de longa data. Acho que era uma terça-feira. Fiz as malas horas antes de partir, minha irmã e mãe me acompanharam na rodoviária, elas tentaram me fazer desistir. Subi no buzão e já não tinha certeza de nada. Apesar de o trajeto ser noturno eu não dormi. Pensava milhões de coisas e ao mesmo tempo não pensava em nada.

Das coisas que levei comigo:

  • 1 mochila Curtlo Mountaineer 75 + 15 lts
  • 1 barraca Quechua QuickHiker II
  • 1 saco de dormir Trilhas e Rumos Super Pluma Inverno
  • 1 tênis de trilha Timberland
  • 2 calças jeans
  • 2 calças de trekking
  • 3 shorts
  • 10 camisetas
  • 10 cuecas
  • 5 meias
  • 1 anorak
  • 1 segundo pele
  • 1 touca
  • 1 toalha
  • Produtos de higiene pessoal
  • Alguns livros

Em média a mochila pesava uns treze quilos.

Chegar a Curitiba, reencontrar o Boletão, parecia mais um final de semana de folga. Apesar de ter ficado quase uma semana por lá. Andei por todos os cantos de Curitiba, conheci o que nunca tive oportunidade de conhecer. Já tinha ido algumas vezes antes à cidade, mas sempre de passagem. Dessa vez, com todo tempo do mundo, conheci tudo com a calma que cada lugar merecia. O museu do olho do genial Niemeyer é algo realmente belo e tive sorte de estar na cidade na época da bienal. O jardim botânico merece toda a fama de cartão postal da cidade, é um parque agradável demais, todos os outros parques da cidade são de igual sentimento. Vale destacar a qualidade do transporte público na cidade o melhor que conheci no Brasil.

Informação 1.1: Curitiba é considerada a capital ecológica do Brasil. Existem mais de 26 parques para visitação e também é a cidade onde a mata Atlântica é mais preservada.

598dd784b89a0_Foto1.1-JardimBotnicodeCuritiba.jpg.e4310b4f955dff981246170e4833fb0a.jpg

Na época da graduação, eu e o Boletão éramos os únicos da sala com viés social. Saber que está em Curitiba trabalhando com algo em que acreditávamos enquanto estudantes era realmente gratificante. Fazia mais de ano que não o via, depois do nosso mochilão cada um foi trabalhar em um canto. Nesses dias pudemos conversar sobre a nossa viagem, sobre a sua viagem pelo sul da África, futebol, a vida e claro, sobre a minha viagem que se iniciava. As conversas foram boas e os dias agradáveis. Nesse momento parecia estar em casa e havia uma sensação que a viagem não tinha começado. Era hora de prosseguir. Fiquei dias definindo qual seria meu próximo destino até decidir por Pomerode, cidade do Vale do Itajaí.

Informação 1.2: Pomerode é uma cidade catarinense próxima de Blumenau conhecida por ser a cidade mais alemã do Brasil.

Curiosidade 1.1: Em plena crise o vale do Itajaí era o oposto do resto do país, criando vagas ao invés de diminuir. O vale corresponde o nordeste do estado de Santa Catarina, região que tem como principal cidade Joinville.

Tentei couchsurfing na cidade, não consegui. Procurei nas cidades vizinhas até conseguir em Timbó. Meu primeiro host da viagem e seria o primeiro surfer delas. Cheguei pelo fim da noite na cidade. A minha espera estava a Dani, Bruna e família. Não poderia ter melhor recepção.

“A vontade de visitar Pomerode vem do simples fato de sempre saber que era a cidade mais alemã do Brasil, apesar de ser um termo vago, carregava essa vontade de estar lá. Estava tão perto, por que não ir? Não conhecia nada da região, muito menos sabia que Timbó existia. Como a viagem não tinha nada de planejado seria uma descoberta.” Notas de diário

No segundo dia seguimos para o morro Azul. Pico mais alto da cidade, o morro abriga uma bela vista, além de ser um ponto de camping da cidade. Do seu topo pode-se ver Timbó e Pomerode. Lá de cima na companhia da Bruna e da Daniela, finalmente, tive a certeza que a viagem havia começado de verdade. Agora sabia que tinha tomado a decisão certa. Depois fomos numa festa, no estilo Oktoberfest. Foi um bom dia, cheio de paz e de ótima companhia.

598dd784bdfc4_Foto1.2-VistadomorroAzul-Timb.jpg.12688c3d061df7e01e8466cc11f2b94e.jpg

Dias depois, finalmente, fui conhecer Pomerode. A cidade é toda charmosa, cheia de casas de arquitetura enxaimel. Tudo é organizado lá e em muitos cantos se houve falar alemão. O que há de melhor, sem dúvida, é a culinária, muitos restaurantes típicos e padarias com doces que parecem ter saído do cinema. Comi uma torta de frutas vermelhas (em uma padoca) maravilhosamente boa.

Informação 1.3: O Enxaimel é uma antiga técnica construtiva, na qual uma estrutura de madeiras encaixadas tem seus vãos preenchidos com tijolos ou taipa. Conjunto de estacas e caibros que sustenta as divisões da estrutura da casa, podendo ou não ficar aparente na fachada.

Culinária 1.1: No vale do Itajaí vende-se o refrigerante Laranjinha da Água da Serra, o melhor de todos. Não tem muito gás e é realmente bom.

Fiz um trekking de 16 km pela rota enxaimel. O caminho é recheado por construções do tipo enxaimel (aquelas casinhas típica alemã) e cercado pela natureza. Muito fácil conhecer pessoas no caminho e aprender um pouco da cultura alemã que sobrevive na região. Recomendo demais o trekking. Apesar de muito ouvir que as pessoas da cidade não são receptivas e muitas vezes preconceituosas com turistas, não senti nenhuma indiferença por parte das pessoas que tive contato. Pelo contrário, fui bem recebido e tratado com enorme educação.

Curiosidade 1.2: Pomerode, apesar de ter menos de 30 mil habitantes, tem grandes empresas como: Bosch , Hering entre outras.

Curiosidade 1.3: Apesar de toda fama de Pomerode, o melhor lugar para se visitar arquitetura enxaimel é a vila alemã em Blumenau.

598dd784c350c_Foto1.3-ExemplodaarquiteturaenxaimelnarotaenxaimelemPomerode.jpg.0ff7c8cb062fbad2581c43e1fdaf8386.jpg

Nos outros dias caminhei por Timbó, se tivesse que escolher uma cidade para viver essa cidade seria Timbó. Calma, bonita, clima agradável, cheia de oportunidades, muito verde, muitos rios e mulheres bonitas. Não existem muitos pontos turísticos, mas existe muita beleza por todos os cantos. Apesar de a vizinha Pomerode ter a fama, Timbó tem muito de cultura e arquitetura alemã, de uma forma mais desapegada o que para mim é melhor.

598dd784c7981_Foto1.4-RioBeneditoearquiteturaenxaimel-Timb.jpg.9678edfb625da9c97fc1ea880cf10956.jpg

598dd784cc061_Foto1.5-RioBenedito-Timb.jpg.72426a173f085a76892d30a6e3c5c209.jpg

Passei bons momentos na companhia da família Nasato e quero um dia poder voltar para lá e receber aqueles abraços calorosos iguais da despedida. Família que tão bem me recebeu, iria ficar dois dias a principio, acabei ficando quase uma semana. A Dani e a Bruna transbordam amor e logo seguiriam para um mochilão de longa data. Lembro que dava dicas para elas de como viajar, hoje acompanhando a viagem delas era eu que merecia umas longas aulas, que orgulho e que saudades. Falando em saudades, esse é o sentimento que fica. Saudades das conversas com o Pini e a Rose, depois chegou a Grazi que abrilhantou ainda mais a pacata Timbó. Nunca me esquecerei desses dias e sempre serei grato a Dani e Bruna por dar a possibilidade de conhecer suas famílias, cidade e região. Meus eternos agradecimentos. Muito obrigado.

Depois fui para Blumenau em plena Oktoberfest, passei uma tarde na vila alemã e segui viagem. Dormi de noite na rodoviária da fria Criciúma. O próximo destino seria a região dos cânions.

Editado por Visitante

Postado
  • Autor
  • Membros

Parte 2: Cânions do Sul

Depois de ter desistido, por hora, de conhecer a serra catarinense e a bela serra do rio rastro, decidi conhecer os badalados cânions do sul. Estava empolgado, anos antes tive a oportunidade de conhecer o cânion mais profundo do mundo, o cañon del colca próximo a cidade peruana de Arequipa, lugar que também se localiza a nascente do rio amazonas. Essa experiência foi demais. Estar frente a frente com o vazio infinito e presenciar o voo dos condores sempre me trás boas sensações e lembranças. Agora era a vez de conhecer uma região fértil em cânions.

Curiosidade 2.1: O "cañon del colca" chega a ter mais de 3500 metros de profundidade.

A região dos cânions situa-se na Serra Geral divisa natural entre os estado do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Essa região corresponde a diversas cidades entre os dois estados, tendo maior destaque Cambará do Sul (RS) e Praia Grande (SC) por suas proximidades dos cânions mais visitados da serra. Cambará do sul é uma cidade da serra gaúcha, muito próxima de Gramado, que tem uma altitude de mais de mil metros, portanto, fica no topo dos cânions. Praia Grande apesar do nome não é uma cidade litorânea e fica no nível do mar, o que faz dela ser cercada pelos paredões dos cânions. As duas cidades são separadas pela Serra do Faxinal, que por sinal é muito ruim e fica intransitável em épocas de chuva.

Informação 2.1: Existem 36 cânions na região.

Informação 2.2: Praia Grande fica distante 40km do litoral.

Dica 2.1: Cambará do Sul está 120 km de distância de Gramado. Caso planeje uma viagem para a serra gaúcha, não deixe de visitar Cambará do Sul e seus cânions.

Dica 2.2: De Gramado existem passeios "bate e volta" para o cânion do Itaimbezinho pelo preço de R$150.

Dica 2.3: Caso queira visitar os cânions com maior comodidade, fique na cidade de Cambará do Sul que tem maiores estruturas para o turismo.

Após Criciúma, entre um ônibus e uma carona cheguei a Praia Grande. Minha escolha foi baseada nos custos, Cambará é mais badalada e por conseqüência mais cara. Nos meus dias na cidade fiquei todo tempo acampado num sítio na comunidade de Vila Rosa, que é cercada pelo cânion de mesmo nome.

Informação 2.3: Existe ônibus direto entre Criciúma e Praia Grande, mas os horários são bem restritos. Por isso minha opção de pegar um ônibus até uma cidade um pouco mais próxima e depois por sorte eu consegui uma carona.

598dd78ae839d_Foto2.1-ComunidadeVilaRosa-PraiaGrande-SC.jpg.f30142db3332a3d794e06b00a5030848.jpg

“Conheci uma húngara hoje. Ela estava indo embora. Fazia quatro dias que estava em Praia Grande. Seu sonho era conhecer os cânions Itaimbezinho e Fortaleza. Em todos os dias ela chegou ao topo do Itaimbezinho e em nenhuma das subidas ela teve sorte. A neblina tomou conta dos cânions naqueles dias, por mais que chegasse muito próximo ao desfiladeiro não era possível ver nada. Com lágrimas nos olhos ela se despediu, dizendo que iria voltar.” Notas de Diário

No dia seguinte caminhei até o cânion Vila Rosa. Sua localização fica na própria Serra do Faxinal. A entrada da trilha para o acesso ao cânion não tem sinalização, o melhor é se informar com os nativos antes de partir. A boa noticia é que ele é praticamente deserto, no dia que estive lá fui à única pessoa desfrutando, daquele, que para mim é o cânion mais bonito da região. Fiz todo o trajeto a pé, subi a Serra do Faxinal e depois caminhei na pequena trilha que leva ao cânion. Tive todo o tempo necessário para sentir o lugar e ter aquela sensação de vazio que os cânions proporcionam.

Dica 2.4: Caso tenha tempo na região e esteja em Praia Grande faça todo o trajeto a pé. No meio do percurso existem diversos mirantes dos cânions.

598dd78aec97b_Foto2.2-CnionVilaRosa.jpg.853b3902a865129d60ebf1102718bc54.jpg

598dd78af1a53_Foto2.3-EueovaziodocnionVilaRosa.jpg.5a1ea45d07e207716d969101fda4a376.jpg

Gosto de estar sozinho em lugares como este. Onde a natureza foi caprichosa. Muitas coisas passam pela cabeça, mas o que mais martela nos pensamentos é que existe muita beleza no mundo. Ao dormir nesse dia, só conseguia agradecer aos céus por ter tido a oportunidade de conhecer aquele lugar. Nos outros dias tinha a missão de visitar os cânions Itaimbezinho e Fortaleza, mas esses eram muito distantes impossibilitando ir caminhando. Consegui diversas caronas para conseguir visitá-los.

Dica 2.5: Existem muitos turistas na região e a maioria aluga carro, então, é muito comum conhecer pessoas que tem lugares vagos no carro e também é tranqüilo ir até a serra do faxinal para pedir caronas.

Informação 2.4: O cânion Itaimbezinho fica 25km de distância de Praia Grande.

Informação 2.5: O cânion Fortaleza fica 60km de distância de Praia Grande.

Informação 2.6: Os taxistas da cidade de Praia Grande fazem o trajeto (com até 4 pessoas) aos cânions. Para o cânion Itaimbezinho é cobrado R$200 e para o cânion Fortaleza R$300.

O cânion Fortaleza está localizado no Parque Nacional da Serra Geral e a entrada no parque é gratuita. Difícil chegar até ele, acredito que em dia de chuva seja impossível atravessar uma parte daquela estrada, ainda mais com carro comum. Por outro lado, o trecho asfaltado da pista é lindo demais, cheio de flores coloridas por todos os lados. Fui deixado na entrada do parque e depois segui andando. No meio do caminho entrei na trilha da pedra do segredo. A pedra do segredo é uma pedra de cinco metros que está equilibrada numa base de cinqüenta centímetros. Todo o percurso vale à pena, mas a pedra em si, não me encantou muito.

598dd78b8c045_Foto2.4-TrekkingPedradoSegredo.jpg.4667e3386047b20dcc5ebfc3355e12b4.jpg

598dd78b91869_Foto2.5-PedradoSegredo.jpg.edb763688e2c5f5a3b344482322e0132.jpg

Segui rumo ao Fortaleza. Quanto mais se aproxima do cânion mais encantador ele fica. Chegando ao topo e tendo aquela paisagem como companhia, não se consegue pensar muito. O momento é destinado ao sentir.

598dd78b970f6_Foto2.6-TrajetoatotopodocnionFortaleza.jpg.7d8db33a5029e494f4b93191170ecbef.jpg

598dd78b9c8eb_Foto2.7-PrimeiravisodotopodoFortaleza.jpg.9e268f41718695690710b763e32eded7.jpg

Não há estrutura no parque (com exceção de um estacionamento) o que possibilita você estar na borda do cânion. Eu prefiro que seja assim, mas isso afasta muito dos visitantes além de, ser relativamente longe (com estrada ruim). O lugar por não ser entupido de turistas faz da visita uma experiência agradável para todos os visitantes. Eu que gosto de admirar cada canto com calma pude me sentar (sem ser incomodado) por diversas vezes na borda do cânion e ficar ali parado, contemplando.

598dd78ba1ec0_Foto2.8-EueovaziodocnionFortaleza.jpg.93f43460f22cb94be1638354e0db388e.jpg

598dd78ba71d6_Foto2.9-CnionFortaleza.jpg.c9f36e208cb3b78f30c43e16bc1a420d.jpg

O cânion Itaimbezinho, cartão postal da região, está localizado no Parque Nacional de Aparados da Serra e a entrada custa oito reais para brasileiros. Aqui se gravou várias reportagens, novelas e nos últimos meses com imensa divulgação da televisão fez aumentar demais o turismo no parque. Diferente dos outros cânions que eu já havia visitado, este era completamente diferente. Primeiro pelo seu estilo, com as fendas muito próximas. Segundo por ter muita gente e terceiro por ter uma estrutura de turismo. Aqui você não consegue se aproximar muito do cânion, existem parapeitos por toda a borda. As trilhas são bem marcadas e tem um salão de apresentação, onde é contada toda a história de formação dos cânions da região.

598dd78babcdd_Foto2.10-CnionItaimbezinho.jpg.4b0fa32a68e468358bba87b612d8b48e.jpg

598dd78bb0284_Foto2.11-CnionItaimbezinho.jpg.8bccfab42145a0a9b965854b0fc4251e.jpg

598dd78bb4761_Foto2.12-CachoeiraVudeNoivanocnionItaimbezinho.jpg.19056c5a8beb92b8a575b25717450fe6.jpg

O lugar é muito bonito, vale à pena visitar. Por conseguir atrair o turismo de massa o Itaimbezinho perde um pouco do charme, mas nada que tire o seu sorriso ao estar diante daquele lugar tão peculiar.

Curiosidade 2.2: Depois que a globo exibiu uma reportagem sobre o Itaimbezinho e também teve uma novela gravada, o turismo no Itaimbezinho aumentou drasticamente. O problema é que a galera acha que é o único cânion da região, deixando de conhecer os, igualmente, belos Fortaleza, Vila Rosa, entre outros.

Tinha planejado fazer a trilha do rio do boi, que nada mais é que caminhar debaixo das fendas do Itaimbeizinho. Como o nível do rio estava muito alto e começava a chover na cidade, talvez a trilha só fosse liberada (pelo ICMBio) daqui algumas semanas. Resolvi não esperar.

Curiosidade 2.3: A maioria das pessoas locais que conheci, nos meus dias na cidade, nunca haviam visitado nenhum cânion da região.

Em cenários como os de cânions é preciso ter sorte. Afinal, existe um clima particular entre as fendas, onde, do nada, pode-se instaurar uma cortina de neblina e impedir toda a visualização do lugar. Então, o melhor é ficar uns dias na região para evitar qualquer frustração.

Aqui foi meu primeiro camping do mochilão. Aqui pela primeira vez estive frente a frente com a imensidão da natureza (nessa viagem). Aqui ouvi meu primeiro "Bah, mas isso é muito longe para ir andando" de muitos que ouviria por todo o sul. Aqui fiz alguns amigos e estes diziam que eu deveria conhecer Torres. Depois de muita propaganda, desfiz acampamento, arrumei a mochila e comecei a caminhar. O próximo destino seria Torres, litoral do Rio Grande do Sul.

Postado
  • Autor
  • Membros

Parte 3: de Torres a Chuí

Fui caminhando até uma estrada vicinal na divisa entre os estados (SC e RS) e de lá peguei uma carona até Torres. As duas cidades são bem próximas e a viagem não durou mais que uma hora. O trajeto é cheia de plantações de arroz e a estrada é de terra batida, o que é comum por aqueles cantos. Achei muito bonito o caminho.

Informação 3.1: Apesar de serem vizinhas (Praia Grande - SC e Torres – RS) não existem ônibus (diretamente) que ligam as duas cidades, é necessário ir até a rodovia para conseguir pegar algum ônibus em trânsito ou esperar um bus que sai uma vez ao dia num ponto depois da ponte que divide os dois estados.

598dd79b924fb_Foto3.1-RioMapitumbadivisaentreSCeRS.jpg.baf720c6f03eaaefdcc5dc5388dc03c0.jpg

Torres foi a primeira cidade praiana da minha viagem. Confesso que não tinha muita expectativa sobre o lugar e como sempre fui surpreendido. A praia da guarita foi dos lugares que mais me encantou em todo mochilão. As falésias da praia lembram a baía dos porcos em Fernando de Noronha, um lugar maravilhoso. Pena que nos dias que estive na cidade fazia muito frio e ventava forte, assim, não cheguei ter o prazer de mergulhar no mar. A região onde fica situada a praia é um parque (Parque Estadual da Guarita) de proteção ambiental e tudo é muito bem organizado e todo parque é muito bonito. É possível ter acesso ao topo das falésias através de caminhadas curtas, mas intensas. Com certeza, o topo da guarita é o ponto alto da visita.

Curiosidade 3.1: Os gaúchos costumam dizer que Torres é a única praia do Rio Grande do Sul, apesar de terem um litoral extenso, eles também dizem que o resto do litoral gaúcho é só areia, água e vento.

Informação 3.2: A entrada para pedestres no Parque Estadual da Guarita é gratuito, caso esteja com veículo é necessário pagar entrada e o preço varia de acordo com o veículo.

598dd79b98465_Foto3.2-ParqueEstadualdaGuarita.jpg.9dd63c8200a9833132164a51842da1d7.jpg

598dd79c7db75_Foto3.3-PraiadaGuarita.jpg.1351b20c1bc896d43cc8b166fa2edc85.jpg

598dd79c82044_Foto3.4-PraiadaGuarita.jpg.ff70f125e75ed35fadf831be58ee5d8b.jpg

598dd79c861f6_Foto3.5-EntreasfalsiasnapraiadaGuarita.jpg.d55efb5f77beda35e775608634bae181.jpg

598dd79c8b435_Foto3.6-UmavistadeTorres.jpg.e487c957a4552ed80d849db48886428e.jpg

Não fiquei muito em Torres. Dormi apenas uma noite na cidade e aproveitei dois dias na praia da guarita, gostei tanto que não quis conhecer outras praias. Depois segui para Porto Alegre de ônibus, mas não queria ficar. Já conhecia um pouco da cidade e queria evitar metrópoles. Cheguei pela noite na rodoviária e por lá fiquei toda madrugada definindo qual seria meu próximo destino.

Sempre tive grande curiosidade em conhecer Gramado e Canela. Estava tão perto, por que não ir? Pela manhã, depois de uma noite que quase não dormi, comprei a passagem com destino a Gramado. Antes tentei couchsurfing e não consegui. Ao menos fiquei sabendo da existência de camping e hostel pela região. Entrei no ônibus e dormi.

Gramado é uma cidade tranquila, segura e feita para o turismo. Basicamente se encontra hotéis, restaurantes e parques temáticos. A arquitetura chama a atenção também, com belas igrejas por toda a cidade. A parte mais bonita, que eu achei, é o lago negro que é todo envolto com árvores vindas da própria floresta negra na Alemanha. Os pedalinhos no formato de cisne dão um charme a mais para o lugar. No geral, Gramado é um lugar muito agradável de se estar e principalmente de caminhar. Existem diversos parques e como vive do turismo é fácil encontrar um evento musical ou teatral em algum lugar. Nos dias que estive na cidade fiquei no hostel Gramado, lugar bem tranqüilo.

598dd79c906e7_Foto3.7-LagoNegro-Gramado.jpg.54ccafbf71a21c86426d5f7df7985bc0.jpg

598dd79c95a4e_Foto3.8-UmavistadeGramado.jpg.760dcb0d68bd40cd7868a98990dd473b.jpg

Canela fica distante, apenas, três quilômetros de Gramado. Aqui existe vida sem o turismo, uma cidade com mais cara de cidade. A população de Canela, em sua grande maioria, trabalha nos hotéis e restaurantes de Gramado. As opções de restaurante e de todas as outras coisas são mais baratas na cidade. Tudo que encontrar em Gramado achará igual em Canela só que mais barato. Contudo, é um lugar para se visitar por sua beleza e a cereja do bolo é a catedral de pedra.

Culinária 3.1: Experimentar o chocolate branco com banana da Florybal pelo preço de R$1.

Informação 3.3: Existem dois hostels em Gramado: Hostel Gramado (R$45) e o Hostel Britânico (R$55). Também tem a opção de camping na cidade de Canela por volta de trinta reais.

Informação 3.4: Gramado e Canela ficam distantes apenas 3km, a opção mais barata para transitar entre as cidades é o circular que passa a todo instante a preço de 3 reais. O bus tour é a opção de quase todo mundo, no preço de cinqüenta reais. Não vejo muita vantagem nele, sendo que os pontos turísticos que estão nas cidades são muito próximos. Vale a pena caminhar. E os pontos distantes como o Parque do Caracol, vale a pena usar o transporte público.

598dd79c9aac4_Foto3.9-CatedraldePedra-Canela.jpg.5842e53dec236b5646786aa0fbcb4812.jpg

O principal ponto turístico da região é o Parque do Caracol. Não tem como não visitar este lugar é lindo demais. Logo ao entrar já se consegue avistar a grandiosa cachoeira do Caracol, cartão postal de Canela. Existe um mirante onde se tem a melhor vista da cachoeira. No mirante é possível admirar também todo o entorno recheado de mata atlântica. Próximo ao mirante é possível seguir pela escadaria da Perna Bamba e observar a cachoeira do Caracol debaixo e muito próximo à queda d’água. A escadaria é bem longa. Vi algumas pessoas desistindo da descida no meio do caminho. O esforço é recompensado com a vista e com a fina camada de água que é lançada pela cachoeira na escadaria. Depois caminhei por todas as outras trilhas que existem no parque. Tem muitas coisas além da cachoeira do Caracol. Essas trilhas são pouco utilizadas, não é raro estar sozinho nas inúmeras corredeiras do parque. O ideal é reservar um dia todo para caminhar com calma, tem muita coisa para visitar. O parque possui restaurantes, observatório ecológico, lojas, estação sonho vivo, centro histórico ambiental, além da bela natureza.

Informação 3.5: A entrada do parque do Caracol é de R$18,00.

Informação 3.6: O parque do Caracol fica 7km de distância de Canela.

Informação 3.7: Escada da Perna Bamba tem 751 degraus.

Dica 3.1: Ao contrário do que se pensa é possível viajar barato pela região. Existem opções de hostel, camping, além do couchsurfing. O transporte público funciona bem, os fast food invadiram a cidade, assim existem opções baratas de alimentação. Os parques de diversões (Mini mundo, Snowland), sim, esses são caros, no meu caso não visitei nenhum deles e mesmo assim fiquei muito satisfeito com o que conheci.

598dd79ca1414_Foto3.10-CachoeiradoCaracol.jpg.58166fe4d805e0fdbaa584bd7d56a3ed.jpg

598dd79ca5a20_Foto3.11-CachoeiradoCaracolvistadebaixo.jpg.45defe1734b41f5b6a1ee8e5543aa607.jpg

598dd79ca9ee2_Foto3.12-QuedadguanoparquedoCaracol.jpg.1c7c531d0505de064b6bbcaea9da2856.jpg

598dd79cae3b6_Foto3.13-QuedadguanoparquedoCaracol.jpg.f47eb4d40a1e320d68b131a90fb0a49f.jpg

Depois segui para a cidade de Três Coroas. Tinha intenção de ser voluntário numa fazenda para fazer colheitas de frutas. Por azar do destino o proprietário do lugar teve que viajar as pressas e meu plano foi por água abaixo. Na cidade tem o belíssimo templo budista Khadro Ling, principal chamariz de turistas e de pessoas desejosas de conhecer um pouco do budismo. Fiquei o dia na praça da cidade definindo qual seria meus próximos passos. Ofereceram-me carona para Porto Alegre e aceitei.

598dd79cb2bba_Foto3.14-PraaemTrsCoroas.jpg.0378ac626e30487230152ff65a938ecb.jpg

598dd79cb6ef6_Foto3.15-Gachos-TrsCoroas.jpg.69ce37bb4766f83210282257b03c541c.jpg

Como dito antes, não queria ficar em Porto Alegre, cheguei e já queria partir. Decidi ir conhecer Tavares. Sempre quis conhecer a lagoa do peixe (que fica em Tavares), abrigo de pássaros que fazem a migração do hemisfério norte para a Patagônia e vice-versa. São infinitos pássaros, dos quais se destacam os flamingos. Realmente é um espetáculo natural. Por sorte ou azar, conheci um funcionário do Parque da Lagoa do Peixe na rodoviária e ele me disse que chovia há dias na cidade e que não pararia tão cedo. Disse-me também que naqueles dias não havia concentração dos pássaros e me desencorajou estar na cidade naquela época. E assim, com um aperto no coração, resolvi mudar os planos e segui para o extremo sul do Brasil.

“Primeiro foi à negativa na fazenda. Depois tive que abrir mão de Tavares. Não deveria ter ouvido o funcionário. Deveria seguir meus instintos e desejos. Agora é tarde, estou dentro de um ônibus indo para Chui. Tenho que esquecer isso e seguir.” Notas de diário

De Porto Alegre a Chui peguei um ônibus noturno. No desembarque conheci as manauaras Penélope e Rhenata que estavam no primeiro mochilão com destino ao Uruguai. Fizemos amizade e decidimos ir para Barra do Chui juntos. Diferentemente do que eu pensava a cidade de Chui não é litorânea, a porção litorânea que faz divisa com Chui na parte brasileira é a cidade de Santa Vitória do Palmar e nesta cidade é onde fica o balneário de Barra do Chui. A praia é toda similar até chegar-se à foz do arroio do Chui, na divisa natural entre Brasil e Uruguai, a praia neste momento ganha um charme a mais com a presença do arroio e das muitas gaivotas.

Curiosidade 3.2: No Rio Grande do Sul quando vai fazer uma viagem dentro do estado (de ônibus) compra-se a passagem em um guichê único, ou seja, todos os guichês vendem as passagens de todas as empresas de ônibus.

Curiosidade 3.3: O trajeto de Porto Alegre a Chui tem 515 km e de ônibus o tempo de viagem é de aproximadamente 8 horas.

Curiosidade 3.4: O Arroio do Chuí é o ponto extremo sul do Brasil.

598dd79cbc43e_Foto3.16-ChegandonaBarradoChu.jpg.1d0ac6eceb82fc029be691b1cdfbda7c.jpg

598dd79cc174e_Foto3.17-BarradeChu.jpg.4e3f9347dda6613144cb21ab4610483c.jpg

598dd79cc6d84_Foto3.18-FozdoarroiodoChu-DivisanaturalentreBrasileUruguai.jpg.dc7f91132f2fd6df20bd051bca30b944.jpg

“Estar no ponto extremo sul do país era uma conquista pessoal. Conhecer a simbólica cidade de Chuí que tanto ouvia nas aulas de Geografia era voltar no passado. Apesar de ser só mais uma fronteira, ali tinha algo de especial. Não saberia dizer o que é, só sei dizer que existe.” Notas de diário

Voltando para Chuí, caminhamos um pouco e começamos a nos acostumar com o espanhol. A cidade tem um comércio forte e em menor escala lembra Ciudad del Este no Paraguai. Depois seguimos para Chuy no Uruguai, atravessamos a avenida e chegamos ao Uruguai.

Curiosidade 3.5: A avenida que divide as cidades de Chuí (Brasil) e Chuy (Uruguai) se chama Avenida Uruguai para os brasileiros. Para os uruguaios ela se chama Avenida Brasil. Achei interessante.

Ahora es el momento de Uruguay.

Postado
  • Autor
  • Membros

Parte 4: Uruguai

Depois de atravessar a Avenida Brasil estávamos no Uruguai, logo em seguida trocamos o dinheiro. A cotação na época estava 1 para 7, ou seja, para cada real trocado era recebido sete pesos uruguaios. Compramos as passagens de ônibus, eu seguiria para Punto del Diablo e as meninas seguiriam direto para Montevideo. Esperamos em uma praça, viajaríamos no mesmo ônibus.

Dica 4.1: Já li várias matérias do tipo "Viagem barata: Conheça os lugares onde o real vale mais". Onde a única análise é a proporção do valor do real contra as outras moedas. Se fosse assim o Uruguai seria um país extremamente barato para nós brasileiros, pois para cada real temos sete pesos uruguaios, ledo engano, o mais importante em analisar nessas situações é o poder de compra da moeda. Por exemplo, tente fazer comparações do tipo: com quinze reais no Brasil consigo almoçar e com esse mesmo valor convertido eu consigo comer no Uruguai? Assim faça com estadia, transporte e tudo mais, assim, você vai comparar o poder de compra de uma moeda em relação à outra. Para nós, neste momento, o Uruguai é um país mais caro que o Brasil.

Dica 4.2: Ao pegar um ônibus rodoviário no Uruguai (chegando por Chuí) é necessário pedir ao motorista parar na aduana e, assim, dar entrada no país.

Curiosidade 4.1: O Uruguai tem pouco mais de três milhões de habitantes, mas sua população bovina é quatro vezes maior. Todos os animais são identificados e rastreados.

Depois de uma hora e meia de viagem (e de sono) o ônibus chegou ao "pueblo" de Punta del Diablo.

Curiosidade 4.2: O nome Punta del Diablo é por causa que a orla do povoado tem um formato de um tridente. Igual ao usado pelo diabo.

Que grata surpresa chegar a Punta del Diablo, povoado litorâneo dominado por pescadores. Aqui tudo é muito simples e as pessoas são bem receptivas. Fiquei num camping no centro. Conheci muitos nativos que me ensinaram coisas sobre: maré, lua e peixes. Por falar em peixes, foi aqui que comi o melhor peixe da minha vida, preparado num boteco a beira mar.

598dd7a705c4e_Foto4.1-PuntadelDiablo.jpg.a5efe65d34732084b88e5880a4c19ab2.jpg

598dd7a70b6b6_Foto4.2-PuntadelDiablo.jpg.f950812a65e6ad4aac4a449c2ef46c33.jpg

A orla é extensa possibilitando caminhar por horas na areia e até chegar às cidades vizinhas. Meus dias se resumiam em andar durante todo o dia pelas areias, sem fim, da região. Num desses dias, caminhei até a cidade de Santa Teresa que é muito bonita e cheia de verde. Pela noite, geralmente, ficava num bar de uma família que conheci. Sempre tinha boa música.

598dd7a710d92_Foto4.3-Barcos-PuntadelDiablo.jpg.74cb485be5486f5d7a2489bbd7292aa3.jpg

598dd7a7161c0_Foto4.4-Pedras-PuntadelDiablo.jpg.cf042169ed399d7d8b51f4ba91cc68f0.jpg

598dd7a71a5ea_Foto4.5-Apassagem-PuntadelDiablo.jpg.e1411414aa1768ae72961a797bc0fe73.jpg

Nas andanças pela orla sempre estava acompanhando de uma gaivota e de um bando de cachorros, aliás, tem muito cachorro por lá. Como dizia a tiazinha do bar: "esses cachorros gostam de turistas". Todos eles dormiam em volta da minha barraca e quando eu saia para a caminhada matutina, eles saiam todos atrás de mim.

598dd7a71e7ca_Foto4.6-PuntadelDiablo.jpg.439e17de0fafd667cb520031b3e2ec2b.jpg

598dd7a722bd2_Foto4.7-Omar-PuntaldelDiablo.jpg.c569364ebf650142207e20db96bf2514.jpg

598dd7a726fa8_Foto4.8-Mirantedebaleias-PuntadelDiablo.jpg.43baf9c7bf3d352c089608487e96b97c.jpg

“Estranho a companhia da gaivota. Enquanto eu andava, ela sobrevoava sobre mim. No inicio achei que ela queria proteger sua prole ou ovos, por causa dos cachorros. Depois de andar por horas essa idéia não fazia sentido. Passei acreditar que aquilo era um presente da natureza.” Notas de diário

Se fosse escolher um lugar para morar no Uruguai, com toda certeza, esse lugar seria Punta del Diablo. Não consigo traduzir em palavras a paz daqueles dias. Fui embora querendo ficar.

O próximo destino seria Cabo Polônio, o principal motivo de eu estar no Uruguai. Antes de ir ao cabo parei numa cidade chamada Castillo. Uma cidadezinha charmosa, típica cidade de interior. Ao chegar estava tendo uma apresentação de artes na praça. Resolvi ficar e conferir. No outro dia bem cedo, peguei o ônibus para o Cabo Polônio.

Cabo Polônio é uma reserva ambiental, cercado por dunas (que lembram os pequenos lençóis maranhenses), por ser uma área importante de reprodução dos leões marinhos. Está localizado muito próximo de três ilhas que servem de morada para os mesmos. A entrada aqui é controlada e é necessário comprar as passagens (ida e volta) dos caminhões que levam para a comunidade.

Informação 4.1: Pode-se ir andando até a comunidade, porém é razoavelmente distante (trinta minutos de caminhão) da entrada, além de ter que caminhar por imensas dunas. Vale à pena, apesar dos pesares.

A comunidade que vive no Cabo Polônio não usufrui de eletricidade (exceto alguns restaurantes que utilizam energia solar) e se parece com um reduto hippie. Em resumo as pessoas que lá vivem são: pescadores, artesões y otras personas más. Fiquei hospedado em uma casinha a dois passos do mar. Era casa de uma família que morava há tempos no vilarejo.

598dd7a72adca_Foto4.9-Casasolitria-CaboPolnio.jpg.b173f64a6b3d478ed029b7d8440d3422.jpg

598dd7a72fcd1_Foto4.10-Obarco-CaboPolnio.jpg.82eb2edfcac976cb8d7d8c885d0060ce.jpg

Lembro de quando eu era criança e viajava para o litoral. Achar uma concha na praia era uma conquista. Caminhando pela orla do cabo se encontra trechos que é totalmente coberto por conchas e afins. Se eu voltasse para a infância e visse aquilo, provavelmente iria achar que estava no paraíso. Não tem como não sorrir estando ali.

598dd7a74b0a7_Foto4.11-Infinitasconchas-CaboPolnio.jpg.af43c1c7f621d3cb53edfd5524fb4b73.jpg

Os leões marinhos são uma atração a parte. São centenas espalhados por todos os cantos. Sentar e observá-los é demais.

598dd7a750203_Foto4.12-Leesmarinhos-CaboPolnio.jpg.f1d53583b3b40b51d46bf5b9966115cd.jpg

O charme do povoado é pela noite, não se vê quase nada, caminhando sem rumo com a lanterna em mãos e deixando-se perder na companhia do céu estrelado. A maior parte dos visitantes fica apenas durante o dia. Não faça isso. É quase obrigação passar uma noite naquele lugar mágico.

598dd7a76cb31_Foto4.13-FarolemCaboPolnio.jpg.b0a8b4685c93423f331b1a9230908ae3.jpg

598dd7a770d3c_Foto4.14-CaboPolniovistonofarol.jpg.1e96a7a18f69a9c74d02ee51bfa9b316.jpg

598dd7a774e53_Foto4.15-CaboPolniovistonofarol.jpg.6ac6394d2970df51fec1ff4e2ee49816.jpg

Confesso que em certos momentos achei o povoado meio forçado, mesma sensação que tive quando estive em San Pedro de Atacama. Todos tentavam passar a imagem de "super loucos" e em alguns momentos achei meio pré-fabricado o lugar. Prefiro povoados como em Punta del Diablo cheio de pessoas de verdade, que não tentam te impressionar e sim te acolher. Entretanto, gostei muito dos dias que passei por lá. Voltaria com toda a certeza.

Vídeo 4.1: Este clipe da banda Vanguart foi gravado em Cabo Polônio, pelo vídeo dá pra ter uma boa noção do lugar, além da boa música.

Parti para Montevideo. Queria evitar metrópoles, mas essa eu tinha que visitar. Sempre gostei muito de literatura e dois dos meus autores favoritos nasceram e viveram aqui. Um deles tinha acabado de falecer. Eduardo Galeano e Mario Benedetti que prazer estar em suas terras.

Curiosidade 4.3: Eduardo Galeano é um escritor que gosta de contar histórias, de preferência histórias de pessoas comuns. Sua linha de raciocínio é admirável, é um pensador livre, e não poupa nada e nem ninguém. Apesar de ser sempre lembrado pelo audacioso "As veias abertas da America Latina" tem uma obra vasta que fala desde futebol até a história da humanidade. O livro dos abraços, em especial, é “especial”.

Chegando ao terminal Tres Cruces não fazia ideia para onde iria. Acabei indo para o Ukelele Hostel e lá recebi um presente do destino. Reencontrei a Penélope e a Rhenata que também estavam hospedadas no hostel. Elas já partiriam no outro dia para Porto Alegre. Foi bom reencontrá-las e tive a oportunidade de me despedir, coisa que não foi feita quando desci em Punta del Diablo as pressas.

Montevideo parece uma cidade do interior de tamanho grande. Lá tem tudo o que uma grande cidade pode oferecer, além de certa paz que as cidades menores oferecem. O rio da Prata acompanha toda a extensão da cidade com belas praias. A praia de Pocitos e o parque Rodo foram os lugares que mais gostei. Cheguei a visitar o museu de futebol no estádio Centenário, não tem o mesmo glamour do museu do futebol no estádio do Pacaembu, mas ver a taça da Copa de 1950 é uma sensação estranha e só isso vale a pena da visita. A parte antiga, o centro, é toda encantadora também.

Culinária 4.1: Café Brasileiro, lugar favorito do Eduardo Galeano, é sensacional, o cuidado que eles têm ao tirar o café é coisa de cinema, ao todo demoram uns dez minutos. Tomava café da manhã todos os dias ai, primeiro pelo Galeano e depois por ser bom de verdade. Não deixe de visitar o Café Brasileiro.

Curiosidade 4.4: O Uruguai tem uma população aproximada de três milhões de habitantes e cerca de 60% vive no conurbado de Montevideo.

Curiosidade 4.5: O rio da Prata, divisa natural entre Uruguai e Argentina, não passa de um estuário formado pelas fozes dos rios Uruguai e Paraná antes do encontro com o mar. Um estuário nada mais é que o ambiente aquático de transição entre o rio e o mar. Estando lá, se parece mais com o mar, pela sua imensidão.

Curiosidade 4.6: Os uruguaios são extremamente apaixonados por futebol. Em todo canto tinha um grupo jogando bola. Em todo canto mesmo.

Curiosidade 4.7: O valor que os uruguaios dão a “boa comida” é demais, em nenhum lugar comi nada “mais ou menos”.

598dd7a779073_Foto4.16-CentrodeMontevideo.jpg.c90b4022419c74031be856f28b8bc47d.jpg

598dd7a77d4ee_Foto4.17-PraaIndependncia-Montevideo.jpg.155328418f1247c3ed269f4ae979f690.jpg

598dd7a796a1d_Foto4.18-MontevideoeRiodaPrata.jpg.b748df03a8c926b44f2dbb04ea813528.jpg

598dd7a79bd60_Foto4.19-ObeliscodeMontevideo.jpg.4c9a78b3f775213ee186e6ff721eb5c8.jpg

598dd7a7a1277_Foto4.20-EstdioCentenrio-Montevideo.jpg.a78cf626b7bd85063f4f47ec5a658dfd.jpg

598dd7a7a6818_Foto4.21-ParqueRod-Montevideo.jpg.56be38963ab82e88580de55c6987c46f.jpg

598dd7a8a8294_Foto4.22-MemorialdoHolocausto-Montevideo.jpg.a6a1c4a8aa542fc9744085ed3e1ecf93.jpg

598dd7a7af711_Foto4.23-Asgaivotas-Montevideo.jpg.ab217f7cc65638f148f80b954e574ecd.jpg

598dd7a7b36bc_Foto4.24-Pocitos-Montevideo.jpg.294ab5f25fddfb29953bd289d6fce70f.jpg

“Um homem da aldeia de Neguá, no litoral da Colômbia, conseguiu subir aos céus. Quando voltou, contou. Disse que tinha contemplado, lá do alto, a vida humana. E disse que somos um mar de fogueirinhas. — O mundo é isso — revelou —. Um montão de gente, um mar de fogueirinhas. Cada pessoa brilha com luz própria entre todas as outras. Não existem duas fogueiras iguais. Existem fogueiras grandes e fogueiras pequenas e fogueiras de todas as cores. Existe gente de fogo sereno, que nem percebe o vento, e gente de fogo louco, que enche o ar de chispas. Alguns fogos, fogos bobos, não alumiam nem queimam; mas outros incendeiam a vida com tamanha vontade que é impossível olhar para eles sem pestanejar, e quem chegar perto pega fogo.” Livro dos Abraços, Eduardo Galeano

Colonia del Sacramento, reduto português em território espanhol, foi à última grande parada no Uruguai. A parte histórica, onde se encontra o famoso forte da cidade, é toda muito pequena e muito bonita. Para se conhecer a parte histórica de cabo a rabo não é preciso mais do que meio dia. Pra mim o charme da cidade é a sua orla. Aconselho passar mais que um dia na cidade. A orla com boas praias, futebol por todos os lados e muita música boa, além de uma noite com bares cheios. Aqui o rio da Prata não é imenso, tornando possível ver as luzes, ao fundo, da capital argentina. A proximidade com Buenos Aires faz de Colonia del Sacramento uma extensão do turismo de quem visita o outro lado do rio da Prata.

Informação 4.2: Colonia del Sacramento pertenceu a Portugal até o ano de 1750.

Curiosidade 4.8: Em Colonia del Sacramento é aceito Pesos Argentinos, Pesos Uruguaios (obviamente) e Real.

Curiosidade 4.9: O que mais me chamou a atenção no Uruguai foi à forma de como é feita a educação no país. Grande parte das aulas é ministrada em praças e existe uma preocupação em envolver toda a cidade no ensino. Presenciei muitas vezes os alunos, principalmente dos mais novos, na rua tendo aulas do tipo: como atravessar a rua com segurança, como ajudar os mais velhos atravessarem as ruas, a importância de preservar a história da cidade. Numa dessas aulas fui abordado por um grupinho de crianças de sete anos, a aula era encontrar pessoas de outras cidades/países e saber um pouquinho mais desses lugares, me perguntaram qual era minha cidade, meu país, o que eu mais gostava, meu time de futebol e outras coisas mais, foi muito legal essa experiência. Sempre achei que a educação é o principal motor da mudança, e o que eu vi nos dias no Uruguai, em todas as cidades (sem exceção) é o mais parecido com o que eu acho certo.

598dd7a7b7a93_Foto4.25-ColniadelSacramento.jpg.8e177a49f77e843a47d01ec73724d1bd.jpg

598dd7a7bbe87_Foto4.26-ColniadelSacramento.jpg.a5df151ac1d7735c121f66904f8aca30.jpg

598dd7a8923a3_Foto4.27-ColniadelSacramento.jpg.d49cc1dabc28fcd340d13e1a051d7692.jpg

598dd7a898337_Foto4.28-ColniadelSacramento.jpg.ad254266121aa017bb673cc6ca26a0c2.jpg

598dd7a89d9aa_Foto4.29-ColniadelSacramento.jpg.2550ec58848a84e91110315c0b08e24e.jpg

598dd7a8a3088_Foto4.30-Orla-ColniadelSacramento.jpg.7faa6b098ce3a21f293d7919d869d1c3.jpg

Quando sai de casa, tinha a intenção de chegar ao extremo sul do continente, a imponente terra do fogo e sua simbólica Ushuaia. Caso seguisse com essa ideia, pegaria um barco em Colonia del Sacramento e cruzaria o rio da Prata até Buenos Aires. Fiquei dois dias em Colonia pensando se iria ou não, a grana era curta e decidi trocar a gelada Patagônia pela quente Amazônia.

“Outra vez tenho que abrir mão da Patagônia. Escolher sempre é difícil. Acho que na Amazônia irei aprender mais sobre a vida. Fica aqui a promessa que num futuro próximo irei ver a Patagônia com meus olhos.” Notas de Diário

O Uruguai é, em teoria, um país bem tranqüilo em se conseguir carona e tive que pegar muitas até sair do país. Agora me despedia do Uruguai sem não antes ter cruzado dezenas de cidades que não perguntei o nome, mas que suas belezas ficarão em meus olhos. Obrigado Uruguai, mas agora era hora de voltar para o Brasil. Terra do plural.

Editado por Visitante

Postado
  • Autor
  • Membros

Parte 5: da região das Missões a Chapecó

Uma vez vi uma foto de uma igreja em ruínas, apesar de não saber sua localização (e nem ser religioso) tive a certeza que um dia colocaria meus pés naquele lugar. Anos depois fui descobrir que a tal igreja ficava em São Miguel das Missões, noroeste do Rio Grande do Sul. Agora era o tempo de conhecer a igreja da foto.

São Miguel é uma pequenina cidade com menos de 10 mil habitantes. A cidade base da região se chama Santo Ângelo e foi para lá que segui viagem. Consegui hospedagem através do couchsurfing, seria de novo o primeiro hospedado pela família, mas o interessante dessa vez que o meu contato, Talita, não estava na cidade e assim sobrou para o resto de sua família me aturar. A Talita mesmo morando em outra cidade foi super atenciosa, conseguiu convencer a família a hospedar um estranho, sem mesmo estes nunca ter ouvido falar em couchsurfing.

Informação 5.1: Santo Ângelo é o berço da coluna Prestes.

Cheguei pela noite, o Emilton e a Tânia (pais da Talita) estavam me esperando. Ganhei fortes abraços de recepção, desde o inicio sabia que seria feliz ali. Passar aquela noite ouvindo histórias de superação em família, uma em cima da outra, me fez sentir muitas saudades de casa e também fez eu ter a certeza que estava no lugar certo.

Já ouvi muitas histórias de amor, mas com toda certeza a história do Emilton e Tânia é a minha favorita. Num tempo distante, se conheceram em uma viagem no litoral, ele de muito longe e ela de Santo Ângelo, a viagem se acabou e o amor ficou. Um dia ele resolveu seguir a estrada atrás de continuar essa história interrompida. Sem saber se haveria um final feliz ele foi. Hoje, depois de mais de 20 anos eles continuam juntos e felizes e agora na companhia da Talita e da Karen.

598dd7c37db3d_Foto5.1-CatedralAngepolitana-Santongelo.jpg.4d374967bef69bcd22ba8274a699b4bb.jpg

São Miguel das Missões fica cerca de 60 km de Santo Ângelo. Parti na companhia do Emilton para conhecer as ruínas. No meio do caminho paramos para conhecer a vinícola Fin. Fomos muito bem recebidos pelos proprietários. Confesso que não gostei dos vinhos que estavam na degustação, mas em compensação o suco de uva era fenomenal. Carregamos a mala de suco e seguimos viagem.

598dd7c3830cf_Foto5.2-ChegandoaSoMigueldasMisses.jpg.e760a2a5744fafd956c269cf7241daa2.jpg

Antes de chegar às ruínas, eu achava que seria apenas um lugar bonito de se visitar. Engano total. Ao entrar nas ruínas pela primeira vez, tive uma sensação parecida de quando estive em Machu Picchu. Fiquei totalmente paralisado diante de tanta beleza.

598dd7c387a9d_Foto5.3-SitioArqueolgicoSoMiguelArcanjo.jpg.8d5b5051427f9c12a5a2774f671f62cb.jpg

598dd7c38c174_Foto5.4-SitioArqueolgicoSoMiguelArcanjo.jpg.fdc90b73150ac47d812b1044b7d251cd.jpg

A ruína na verdade é o sítio arqueológico de São Miguel Arcanjo (patrimônio mundial da UNESCO), na época das missões jesuítas foram instauradas várias "comunidades" onde viviam os evangelizadores (jesuítas) com os ameríndios, que nesse caso foram os Guaranis, com propósito de impor a crença cristã e os costumes de vida do europeu. Vale a pena dizer que nessa época esse território era espanhol, e depois de dezenas de anos vivendo em "harmonia" (jesuitas e guaranis), os espanhóis queriam restaurar o domínio de Colônia do Sacramento e assim "trocaram" a região das missões por Colônia com os portugueses, assim as comunidades teriam que ser esvaziadas. Os guaranis não aceitaram sair de onde, agora, eram suas terras. Guerra-pós-guerra os portugueses dizimaram os guaranis da região e reassumiram a "ordem", mas não sem antes criar um herói entre os guaranis, Sepé Tiaraju, líder da resistência guarani. As guerras também foram às responsáveis por deixar em ruína o lugar.

Passamos a tarde toda dentro do sítio. O Emilton já havia estado algumas vezes no local e me passava, com toda atenção, seus conhecimentos sobre a história do lugar. Existe na entrada um museu com bastante informação.

Informação 5.2: A entrada do Sítio Arqueológico de São Miguel Arcanjo custa R$5.

Informação 5.3: O museu foi projetado por Lúcio Costa, o mesmo que projetou Brasília em parceria com Oscar Niemeyer.

598dd7c390b88_Foto5.5-SitioArqueolgicoSoMiguelArcanjo.jpg.c6e858b93615c2fc0a98c797d41b8467.jpg

598dd7c395822_Foto5.6-SitioArqueolgicoSoMiguelArcanjo.jpg.391c9e28c428bc16f48781a162f3e7d2.jpg

598dd7c39aefa_Foto5.7-SitioArqueolgicoSoMiguelArcanjo.jpg.fc655272b7025b1fdaf6e0fbc848dba2.jpg

Toda noite no sítio tem o espetáculo Som e Luz, em que é contada toda a história das missões na região. Caminhamos por São Miguel das Missões até o horário da apresentação. O espetáculo ocorre todos os dias às oito horas da noite. Certamente, essa foi à maior expressão de arte que já presenciei.

Sentado no extenso gramado. Na companhia do céu estrelado e do frio. A voz da Fernanda Montenegro em conjunto de canhões de luzes (em direção as ruínas da igreja) vão contando, de forma mais que fantástica, a história das missões jesuítas e do herói Sepé. Todos uma vez na vida deveriam ver aquilo, é incrível. Pena que o sítio é pouco visitado.

Informação 5.4: O Espetáculo Som e Luz custa R$5.

Informação 5.5: Existe um hostel/pousada na frente do sitio arqueológico, em São Miguel das Missões. O preço do quarto compartilhado é R$60.

Dica 5.1: Como o espetáculo ocorre no mesmo lugar das ruínas o ideal é ir à tarde para visitar o sitio arqueológico. Depois esperar até o inicio do Som e Luz, que tem duração de 45 minutos.

Vídeo 5.1: Um vídeo que mostra um pouquinho de como é o Som e Luz.

“Que coisa linda. Como pode ser tão bonito? A beleza do lugar complementando a arte foi simplesmente sensacional” Notas de Diário

Fiquei mais outros dias na casa da família Ferrão. Conheci quase todos os familiares. Participei do Brique da Praça, onde a família expõe seus produtos culinários (feitos artesanalmente). Os melhores temperos, geléias, sucos e chocolates são o da família Ferrão. O Brique é uma feira de coisas “feita à mão”, todo domingo acontece na praça da cidade e quase todas as pessoas de Santo Ângelo comparece no evento. Achei muito interessante. Cada dia na cidade fazia aumentar os laços com a família, a Tânia já parecia minha mãe, além de companheira de chimarrão. Foram dias especiais.

598dd7c3a049e_Foto5.8-ObrigadofamiliaFerro.jpg.ebd4b520501f0fa39b8989e6036f1577.jpg

Depois de me despedir na rodoviária. Dentro do ônibus, olhava o Emilton, Tânia e a Karen e uma tristeza já apertava. Comecei sentir saudades mesmo antes de partir. Ir embora de Santo Ângelo foi algo difícil, mas tinha que seguir viagem. O próximo destino seria Chapecó.

Chapecó é uma cidade muito especial para mim, já estive aqui antes, e tinha muitas pessoas que eu queria rever. Cheguei numa segunda de madrugada. A minha espera estava a Tânia, que saudades eu estava. Anos antes, participei do projeto Rondon e uma parte da equipe era de Chapecó, este projeto foi das coisas mais importantes que aconteceram em minha vida.

Vídeo 5.2: Para quem quiser conhecer o Projeto Rondon esse é o vídeo que fiz quando participei.

Os dias na casa da Tânia junto com ela e a Amanda foram tranqüilos. Foi muito bom estar ali, matar uma saudade que me sufocava. Pude conhecer ainda mais elas e aprender mais sobre a vida. Considero-as a minha segunda família. Não conheci nada que já não conhecia na cidade, mas não importava. Nos outros dias vi boa parte do pessoal do projeto: Mauricy, Paola, Samara e a Paula. Bebemos, conversamos e o tempo parecia não ter passado. Chapecó no meu dicionário significa saudade.

598dd7c3a65b9_Foto5.9-ReencontroemChapec.jpg.f4cd508227d8eb233009aaf21d498832.jpg

Fui embora. Agora era hora de rumar sentido norte. Ainda não fazia idéia qual seria o próximo destino. A única certeza que eu tinha, era que teria que voltar pra casa e deixar minhas roupas de frio. Assim, mataria as saudades da minha família.

Postado
  • Autor
  • Membros
Acompanhando aqui e viajando também.

Curto esse jeito poético de ver os lugares, as pessoas...

Parabéns!!

 

Valeu Cristina. Ainda tem muita estrada para contar =].

Postado
  • Autor
  • Membros
Parabéns!

Que excelente relato @Diego!

E belíssimas fotos.

 

ABS

 

Valeu @barraforte. Muita paz pra ti!

Postado
  • Autor
  • Membros

Parte 6: Brasília e Chapada dos Veadeiros

Depois de voltar para casa e ficar mais tempo que o previsto. Voltei para a estrada. Primeiro passei em São Carlos para rever alguns amigos. Na seqüência fui para Ribeirão Preto conhecer o filho do Gabriel, um grande amigo que conheci na graduação. Estava agora na rodoviária e depois de quatro horas de atraso, pela madrugada, chegava o ônibus que me levaria para a capital do país.

“O Brasil estréia nova capital. Nasce Brasília, súbita, no centro de uma grande cruz traçada sobre o pó vermelho do deserto, distante do litoral; longe de tudo, lá no fim do mundo ou em seu principio. Foi construída num ritmo alucinante. Durante três anos este foi um formigueiro onde os operários e os técnicos trabalharam ombro a ombro noite e dia, dividindo a tarefa, o prato e o teto. Mas quando Brasília fica pronta, termina a fugaz ilusão de fraternidade. Fecham-se de repente as portas: a cidade não serve aos serventes. Brasília deixa de fora quem ergueu com suas mãos.” O Século do Vento, Eduardo Galeano

Brasília lugar tão presente em nossas vidas, mesmo que seja tão distante para a maioria de nós. Aqui é onde fica o controle do videogame e os falastrões engravatados jogam o jogo Brasil sem medo de morrer, afinal, conseguiram vidas infinitas. Nossa capital, tão mal freqüentada por figurões, consegue mostrar muita beleza e simpatia.

Victoria me aguardava em sua agradável casa. Entrei em contato pelo couchsurfing. Sempre atenciosa, deu todas as dicas para me locomover na confusa Brasília. Cheguei a sua casa e logo já me levou para um tour por toda cidade. Ela tentou me explicar às nomenclaturas utilizadas nos nomes das ruas e eu, como péssimo aluno, nada aprendi. Passamos por muitos lugares. Terminamos o dia a beira do lago Paranoá admirando o pôr do sol.

Informação 6.1: A parte inicial de Brasília projetada por Lúcio Costa e Oscar Niemeyer chama-se plano piloto e tem o formato de um avião. Lógico que a cidade cresceu e não se limita mais ao avião, as cidades criadas em volta de Brasília (que pertencem ao Distrito Federal) se chamam cidades satélites.

598dd7e87754c_Foto6.1-Victoria.jpg.013fbcdb4c2ffa534a873bdb9e21fd19.jpg

Vic é uma guria especial, seu filho Romeo também. Cheia das habilidades artísticas: cantora, professora de dança, toca vários instrumentos musicais e futura pedagoga. Dona de uma voz belíssima. Eu não me cansava em pedir que ela cantasse mais e mais.

No outro dia sai caminhar pela Esplanada e conhecer todos os detalhes do plano piloto. Surpreendi-me muito com a cidade e gostei de cada canto. A igreja, que não se parece igreja, é bem legal. A vista que se tem da esplanada subindo ao topo da torre de TV é a melhor. Fiz uma visita ao Congresso Nacional e pude ver alguns hipócritas frente a frente. Voltei para a casa da Vic, pela noite, e estava tendo um forró dos mais animados. Como bom mal dançarino fiquei só olhando e já começava a pensar no meu próximo destino.

Informação 6.2: É possível visitar o Congresso Nacional numa visita guiada a cada trinta minutos em horário comercial, de segunda a segunda. A visita da mais ênfase nas obras de arte que existem no Congresso no que na verdadeira importância do mesmo, mas vale a visita.

Informação 6.3: A cidade foi projetada para a utilização de carro. Então, para nós que utilizamos transportes públicos à vida é difícil. Existem algumas vans (creio que sejam clandestinas) que ajudam e muito.

Dica 6.1: A cidade é toda bonita, por ser pré-fabricada sua arquitetura se destaca, mas o que há de mais bonito na cidade é obra da natureza: O lago Paranoá.

Inspiração 6.1: Como diria a música do Natiruts: "Eu vou surfar no céu azul de nuvens doidas. Da capital do meu país". Aquele pedaço de céu é doido mesmo.

598dd7e87d42a_Foto6.2-BrasiliavistapelatorredeTV.jpg.e8559caf3a2c22a06119dc23fa31ef1c.jpg

598dd7e882d26_Foto6.3-PonteJuscelinoKubitschek-Brasilia.jpg.b6ef5f0abe9ed184bca74750e778a19b.jpg

598dd7e8871e7_Foto6.4-FimdetardenolagoParano.jpg.95b3f3a0c6f0996b06aa1e847dff696a.jpg

598dd7e88b24d_Foto6.5-CongressoNacional-Brasilia.jpg.bf3cee08a7541b9daf2cacba876459e4.jpg

Numa manhã segui para a Chapada dos Veadeiros. O ônibus seguia para a "capital" da chapada, Alto Paraíso. Logo observei que tinha vários mochileiros no busão. Fui sorteado a sentar ao lado duma nativa, foi massa, ela me contou algumas coisas sobre a vida no cerrado. Vivia numa cidade no sul do Tocantins. Eu tinha a intenção de ficar na vila de São Jorge, onde se encontra o parque da Chapada dos Veadeiros. Estando lá conseguiria fazer mais coisas caminhando.

Curiosidade 6.1: A Chapada dos Veadeiros fica no mesmo paralelo de Machu Picchu.

De todos os mochileiros que estavam no ônibus todos ficariam em Alto Paraíso, com exceção de mim, Gita e Marie que seguiríamos para a vila de São Jorge. Conheci-as quando tentava negociar algum transporte para São Jorge e assim nos juntamos. Dois taxistas quase saíram no tapa para nos levar a São Jorge, bom pra nós que pagamos oito reais por cabeça. Chegando a São Jorge, Gita disse que tinha um hostel (Casa do Sucupira) para ficar, Marie e eu fomos com ela e assim nasceu a família da chapada.

Curiosidade 6.2: O trecho de pista que liga Alto Paraíso e a vila de São Jorge é o trecho rodoviário mais bonito que vi no Brasil.

Gita é uma inglesa de vinte e poucos anos, que teve sua educação toda em casa. Só quando foi fazer faculdade de fotografia que se iniciou num ambiente escolar. Ela é diferente de todos nós, ela consegue se surpreender com toda forma de vida, apesar dos anos a criança nela não se partiu, que inveja. Mochileira de primeira viagem e queria conhecer sozinha a América do Sul que tanto a encantava por histórias.

Marie é belga e é recém balzaquiana, agrônoma de profissão, mas forrozeira de coração. Ela tem a profissão mais incrível que já ouvi falar, trabalha com agronomia em regiões de conflito de guerra. Conhece o mundo inteiro e viveu anos na África, no Brasil já tinha estado antes. Ela estava de férias e seu tempo era limitado no país, queria conhecer a chapada e fazer infinitas aulas de forró, sua verdadeira paixão. A pessoa de sorriso mais fácil que já conheci.

Fomos para a casa do Sucupira e logo depois estávamos metidos numa trilha rumo ao rio da lua. Conhecemos uma tribo indígena no caminho e logo depois mergulhávamos, pela primeira vez, nas águas geladas da chapada. Nesse primeiro dia andamos demais e cada passo servia para nos aproximar mais.

“Acho que os dias na Chapada dos Veadeiros serão os melhores. Hoje enquanto recolhíamos frutas na aldeia, pelas nossas conversas acho que criamos uma grande empatia.” Notas de Diário

O segundo dia em São Jorge foi o dia de “todas as ajudas”. Decidimos que conheceríamos o Vale da Lua e a Raizama. Acordamos cedo e fomos para a trilha do Vale da Lua, como tinha chovido muito dias antes, chegamos num trecho intransponível, assim tivemos que voltar para a rodovia. Depois de duas caronas, enfim, chegávamos ao diferente Vale da Lua. O vale é propriedade privada, o valor de entrada é de vinte reais (como quase tudo na chapada). Aqui é lindo demais e não poderia ter outro nome que não fosse Vale da Lua. Não tem como ir para a chapada e não ir para o vale. Ficamos um bom tempo nadando e escalando o infinito de pedras até que o mundo caiu em forma de chuva, os poucos visitantes do dia foram se abrigar no mesmo lugar. Sai à procura de carona para voltar a São Jorge, antes conheci a Talita e o Reginaldo (casal de Sampa) e combinamos de no outro dia fazer as trilhas do parque da chapada juntos. A carona consegui com outro casal que também partia para São Jorge.

598dd7e88f510_Foto6.6-Caminhando-ViladeSoJorge.jpg.aca12cff6318a3fac31a9ccfa38d747d.jpg

598dd7e893964_Foto6.7-ValedaLua.jpg.901636c0730706e649e49a13748e165a.jpg

No meio do trajeto o casal (que não consigo lembrar o nome) nos convidou para seguirmos com eles até as águas termais e ainda disseram que depois nos deixariam na Raizama (nosso destino pensado). Claro que nós aceitamos, a parte boa de não ter planos fixos é aceitar qualquer boa proposta no caminho. Eles tinham uma marmita turbinada e deu para nós cinco almoçarmos tranquilamente, com direito até cerveja. Depois do role gourmet nas termais fomos deixados na Raizama. A entrada é toda estilosa, um palco com as imagens de Hendrix, Raúl Seixas e John Lennon. A natureza do lugar não deve em nada, com uma trilha de uma hora, prainha e muita manga para comer. Agora tínhamos que voltar para São Jorge e uma longa distância nos separavam. Depois de caminhar uma boa parte o mundo caiu em forma de chuva, novamente. Eu já tinha desistido de pegar caronas, pois estávamos todos molhados e cheios de barro (o caminho virou um lamaçal), até que um anjo em forma de fusca parou e salvou nossas vidas. O tiozinho nos deixou na frente do hostel, molhamos e sujamos todo o carro dele e ele ainda nos deu o golpe baixo de simplicidade ao se despedir com a seguinte frase: "Obrigado por estarem aqui". Não sou de chorar, mas quis chorar ali e só pude agradecer de um jeito cretino falando: "Mano, eu que agradeço. Você salvou nossas vidas", deveria ter-lo convidado para jantar junto conosco, mas não fiz. Fomos jantar num bom restaurante em São Jorge. Tomamos pinga de um bode que despeja pinga pelo rabo e seguimos para um botequinho que estava tendo boa música.

598dd7e897f6b_Foto6.8-EntradaRaizama.jpg.e241b10e3dbe912f5c7f5491e7670872.jpg

598dd7e89d5a8_Foto6.9-Raizama.jpg.98f5ee253e2d733039eda44b84f87b22.jpg

598dd7e8a2f7c_Foto6.10-Raizama.jpg.6f02fc31949417c0829daf63f7bef31f.jpg

Aqui acontece a maior coincidência da minha vida, neste boteco tinha umas dez pessoas no máximo, contando com nós três. Fui pegar umas cervejas e olhei um maluco que me era muito conhecido, sabia que o conhecia só não sabia de onde. Até que ele percebeu minha presença e juntos falamos "Salkantay". Salkantay é o nome de uma montanha no Peru que também dá nome a uma trilha alternativa a Machu Picchu. Há dois anos exatos (sem brincadeira, exatamente dois anos), Jonathan (o cara que encontrei no bar), eu e mais sete pessoas iniciava essa trilha juntos. Nunca mais tinha falado com ele, ele não tinha facebook na época. Sabia que ele morava no Tocantins. Encontrar ele numa vila que tem 500 habitantes, num boteco com dez pessoas foi estranho demais. Ele se juntou a nós e ficamos o resto da noite conversando. Voltamos ao Sucupira e tínhamos poucas horas para dormir, o próximo dia seria intenso, pois faríamos todas as trilhas do parque da Chapada com a Talita e o Reginaldo.

Acordamos cedo, preparamos nosso lanche do dia, e partimos a pé para o parque. Esperamos o casal. Até então eles não sabiam da nossa intenção de percorrer todo o parque em um dia, afinal, seriam quase 25 km. Falei da nossa intenção para eles que aceitaram sem pestanejar. Decidimos começar pela trilha dos Saltos e fomos sem guia. Depois de uma longa caminhada, podemos banhar no salto dois, aqui o rio é forte, mas vale o sacrifício para chegar ao pé da cachoeira que tem 80 metros. Caminhamos e caminhamos, paramos muitas vezes para nos banhar, tomamos chuva, nos conhecemos melhor e nesse dia ouvi pela primeira vez a frase que depois a Gita falava a cada cinco minutos: "Sem medo, tem liberdade" (depois na Argentina ela tatuou "Sem medo"). Na metade do caminho não tínhamos mais água o que fez a volta da trilha dos Cânions um sacrifício. No final do dia, Talita e Reginaldo nos deu carona até o hostel e combinamos de nos encontrar no outro dia em Alto Paraíso. Nesse dia meu único tênis (uma botina Caterpillar) não aguentou e se desfez. Passei a noite fazendo gambiarras para a botina agüentar até meu regresso a Brasília.

Informação 6.4: Não é necessário guia para entrada no parque que é gratuito. Apesar disso, existem guias que ficam no parque e cobram uma diária de cento e cinquenta reais por grupo. Em minha opinião não é necessário guias para o parque, todas as trilhas são bem sinalizadas.

598dd7e9831f4_Foto6.11-ParqueChapadadosVeadeiros.jpg.668b9c5a49b506928785e3f3e1e2cb09.jpg

598dd7e988e8c_Foto6.12-ParqueChapadadosVeadeiros.jpg.8c1b9e77db1430bfa04a976f375032a6.jpg

598dd7e98d8b7_Foto6.13-ParqueChapadadosVeadeiros.jpg.d2fe6e4f154a0d25e2886cbbe0a9a634.jpg

598dd7e991c6b_Foto6.14-ParqueChapadadosVeadeiros.jpg.7405e03abffaa95839ecf4e45cd2ed92.jpg

598dd7e99616a_Foto6.15-ParqueChapadadosVeadeiros.jpg.3800e818282c59c9d936d9ab1facfc17.jpg

No outro dia conseguimos uma carona e fomos para Alto Paraíso. Reencontramos o Reginaldo e a Talita que estavam indo para as cachoeiras de Anjos e Arcanjos e nos convidaram para seguirmos juntos. Deixamos nossas coisas no Anna Hostel (a parte boa de estar em três é o poder de barganha, conseguimos quartos por vinte e cinco reais) e seguimos viagem com o casal que mais se parecia nossos anjos. Anjos e Arcanjos fica cerca de uma hora e meia de carro e foi o melhor lugar da chapada para nós cinco. Como quase todos os lugares, este também é uma propriedade privada, deixa-se dez reais de caixinha aqui. O dono do lugar é um francês todo gente boa. Aqui a água é totalmente negra e muito gelada. Tinha apenas o nosso e outro grupinho nessas cachoeiras. O que deixou o lugar mais especial ainda. Ali tem bons lugares para saltar no rio, picos com mais de dez metros de altura. Ficamos todo o dia ali, em plena paz. Nadando e caminhando. Caminhando e nadando. Não queria nunca que esse dia acabasse. De volta a Alto Paraíso, convidamos o casal a jantar conosco. Fomos à praça principal comer, onde estava tendo apresentações culturais. Comemos, bebemos bastante e fomos dormir. No próximo dia pegaríamos carona com eles, novamente, agora para Cavalcante.

598dd7e99a983_Foto6.16-AnjoseArcanjos.jpg.5cc6500b5722a5f1b79c2a786462e11b.jpg

598dd7e99f154_Foto6.17-AnjoseArcanjos.jpg.2b0467cbc6a61251faebb8e7664e09f5.jpg

598dd7e9a3bfa_Foto6.18-AnjoseArcanjos.jpg.d553ed391b9f4605b714c162afb40db0.jpg

598dd7e9a916f_Foto6.19-ReginaldoeTalitapelalentedeGita-AnjoseArcanjos.jpg.a4cc22e8828b0dd85a9e120767a2ff6b.jpg

Acordamos cedo e seguimos para Cavalcante. Iríamos de encontro à cachoeira mais bonita do Brasil (talvez do mundo), Santa Bárbara. Depois de duas horas de carro chegamos numa comunidade quilombola que toma conta da área onde se localiza Santa Bárbara (acho que pagamos quarenta reais) e seguimos parte dentro da caçamba de um carro (dos quilombolas, utilizado para o transporte até o inicio da trilha) e fizemos a outra parte a pé. Santa Bárbara brilha no meio do verde da vegetação. A vontade ao ver o brilho é seguir correndo e não perder um segundo daquele lugar. Santa Bárbara é a beleza no seu sentido mais puro. Covardia aquele lugar. O lugar é todo fechado pela vegetação e não bate quase sol, tornando a água quase congelante, mas nada que impeça você ficar a todo o momento dentro da água. A beleza vence. Estávamos no paraíso e sabíamos disso. Tentamos aproveitar o máximo, foram bons momentos num cenário incrível. Tivemos sorte de ter poucas pessoas visitando a cachoeira, assim, podemos ter Santa Bárbara só para nós em alguns momentos. Depois fomos para a Cachoeira da Capivara. Marie tinha que partir no outro dia e não fazia sentido ficar mais na chapada com a família desfalcada. Gita e eu decidimos partir também, então essa seria a nossa última cachoeira juntos. A despedida já dava seu tom. Num ritmo mais lento e com um ar de tristeza se aproximando, curtimos a bela cachoeira da Capivara. No fim da tarde, retornamos para a cidade. À noite fomos (os cinco) jantar juntos. No fim nos despedimos de Talita e Reginaldo que continuariam por mais alguns dias na Chapada. A família começava a se desfazer.

Dica 6.2: Numa época sem chuva é possível/tranqüilo chegar até a comunidade onde fica Santa Bárbara com um carro comum. Agora em época de chuva eu não aconselho.

598dd7e9aec45_Foto6.20-SantaBarbara-Cavalcante.jpg.0772d26dd81cee9191dba3823652f2b9.jpg

598dd7e9b3e72_Foto6.21-SantaBarbara-Cavalcante.jpg.4b675f56a562cb003ebac0dd1a625e60.jpg

598dd7e9b8f6b_Foto6.22-SantaBarbara-Cavalcante.jpg.2f6f949b0552035ef609b0cf04b2966b.jpg

“No Portal da Chapada

tristeza não há

que resista à poesia

contidas nas matas

da beira do rio

-

Vão-se as mágoas

nas águas correntes

a se despencarem

em cachoeiras

-

E eu que não creio,

me rendo aos encantos

desse lugar

e sinto que a fé

preenche meu ar” Altas Histórias do Paraíso, Geraldina Lombardi

Consegui uma carona até a rodoviária de Brasília. O motorista era um cara gente boa que morava em Alto Paraíso. As duas capotaram atrás do carro e fui conversando com ele na viagem. O cara deixou a vida de radialista no nordeste para encontrar a paz espiritual na chapada, trabalhando como guia. Foi uma boa viagem. Chegando a rodoviária a Marie logo seguiria para Goiânia. Foi difícil demais deixa - lá para trás. Despedimos-nos com um abraço triplo. Que falta a alegria dela faz.

Gita tinha voo marcado para Foz do Iguaçu no final da tarde. Aproveitei para mostrar o pouco que conhecia de Brasília para ela. Caminhamos bastante por toda esplanada. Gita experimentou pela primeira vez caldo de cana e depois fomos para o aeroporto. Chegando lá descobrimos que ela tinha comprado errado a passagem e o vôo era só para o próximo dia. Não havia mais vôos para Foz nesse dia, enfim ela teria que esperar. Não iria deixá-la sozinha na cidade. Conversei com a Vic (meu couchsurfing em Brasília) e seguimos para a casa dela.

Dica 6.3: O grupo no facebook "Conexão Chapada-BSB" é um grupo de carona entre a chapada e Brasília. Funciona muito bem.

598dd7e9be63e_Foto6.23-Diadeirembora-AltoParaso.jpg.d9c433de76e7bb08ec0c7733ceb6d644.jpg

Agora é o retorno do anjo Vic. Mesmo hospedando uma australiana, quando expliquei a ela o ocorrido ela abriu os braços e não pensou duas vezes e nos ajudou. Que gratidão. Nunca terei palavras para agradecer a Vic por esse dia. Por fim, passamos uma ótima noite. Vic com seu violão e o vinho deram o ritmo da noite. No fim das contas, foi mais que bom a Gita ter perdido o voo. No outro dia cedo nos despedimos e fomos para um shopping, comprei um novo tênis, almoçamos e seguimos para o aeroporto. Despedir-me da Gita foi à tarefa mais difícil da viagem, já tinha me acostumado com sua presença, nos entendíamos sem precisar de palavras. Agora tomávamos direções opostas. Ela iria para o sul e eu para o norte. O último abraço foi dado e fui para a rodoviária.

Chapada dos Veadeiros é toda espiritual, não tem como negar que existe uma energia boa naquele lugar. Todos que a conhecem, nunca se esquecem. As pessoas que lá vivem fazem da chapada um lugar mais especial ainda. Existem infinitas cachoeiras e trilhas, você não conseguirá conhecer tudo, então fique tranqüilo. Conheça o que der, porque cada palmo da chapada vale muito à pena. Ali, passei os melhores dias dos meus seis meses de viagem e me despedir de todos foi muito difícil. A sintonia daqueles dias é o que procuro para o restante da minha vida. Se existe um lugar para conhecer antes de morrer, esse lugar é Chapada dos Veadeiros. Claro que isso é uma opinião minha, mas nunca disse que seria imparcial. Então, pegue a mochila e vá para Veadeiros.

“Tudo mudara subitamente - o tom, o clima moral; não sabias o que penar; a quem ouvir. Como se em toda a tua vida tivesses sido conduzido pela mão como uma criança pequena e de repente tivesses de ficar por tua própria conta, tinhas de aprender a andar sozinho. Não havia ninguém por perto, nem família nem pessoas cujo julgamento respeitasses. Em tal momento, sentias a necessidade de dedicar-te a algo absoluto - vida, verdade, beleza -, de ser regido por isso, em lugar das regras feitas pelos homens que tinham sido descartadas. Precisavas render-te a um tal objetivo último de modo mais pleno, mais sem reservas do que jamais fizeras nos velhos dias familiares e tranquilos, na velha vida que estava agora abolida e abandonada para sempre.” Doutor Jivago, Boris Pasternak

Cheguei à rodoviária, tinha ônibus direto para Cuiabá (meu próximo destino seria a Chapada dos Guimarães que é próximo a Cuiabá), mas quis passar antes em Rondonópolis, não sei por que, nunca tinha pesquisado a cidade. Achei curioso o nome e apenas fui.

Participe da conversa

Você pode postar agora e se cadastrar mais tarde. Se você tem uma conta, faça o login para postar com sua conta.

Visitante
Responder

Account

Navigation

Pesquisar

Pesquisar

Configure browser push notifications

Chrome (Android)
  1. Tap the lock icon next to the address bar.
  2. Tap Permissions → Notifications.
  3. Adjust your preference.
Chrome (Desktop)
  1. Click the padlock icon in the address bar.
  2. Select Site settings.
  3. Find Notifications and adjust your preference.