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divanei

TRAVESSIA RIO BRANQUINHO - A Arte de Amanhecer Vivo (2003 ) - 15 anos depois.

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Tosco relato? O.o De jeito nenhum! ::otemo::

Muito legal, Divanei! Obrigada por compartilhar! Você conseguiu transmitir bem os momentos crescentes de tensão. Ainda bem que a profecia não se cumpriu!

Não imaginava que perto de uma metrópole gigante como São Paulo houvesse lugares tão secretos e comunidades indígenas praticamente isoladas.

PS: A cara do pobre gato no final, sem imaginar o que estaria esperando por ele... :(

 

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Pois é LF BRASILIA , eram outros tempos aqueles, sem Facebook, sem mapas de satélites, sem gps, sem informações nenhuma. O mapa que eu tinha era uma rodoviário aonde eu usei para saber apenas em que local estava a estação de trem. O relato que me baseei era o do Sergio Beck, que narrava parte do caminho , ia até um ponto e retornava de novo, não ia até o litoral e ele mesmo nunca falou da tal Tribo Rio Branco( livo Caminhos da Aventura) . Toda caminhada era um tiro no escuro, vc sabia aonde possivelmente começava a s trilhas e não sabia mais nada. Hoje vc salva o percurso no seu celular, lê um milhão de relatos, traça o caminho do google Earth . A travessia do Rio Branquinho hoje é uma piada como  caminho e pode ser feita até por quem não tem experiência nenhuma porque uma vez no rio, é só desce-lo até essa tribo se algo der errado .

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Parabéns por esse relato... Eu conheço uma pequena parte dessa trilha... Que tem origem na aldeia até a junção do rio Capivari com Branquinho... Acho muito lindo... Uma riqueza fantástica... Parabéns... Ainda irei fazer essa travessia TB

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Julio,

       Passados 15 anos e felizmente os dois rios ainda continuam intocados, lindos e transparentes.

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Lamlully

             O gato sobreviveu, o índio era um galhofeiro, rsrsrsrsrsrsrsrsrrs 

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    • Por rafael_santiago
      Lago Nesbøvatnet
      Início: Finse
      Final: Vassbygdi
      Duração: 3 dias
      Maior altitude: 1643m
      Menor altitude: 89m em Vassbygdi
      Dificuldade: média para quem está acostumado a longas travessias com mochila cargueira. A maior subida tem desnível de 419m.
      O Parque Nacional Hallingsskarvet é um parque pequeno ao norte do platô Hardangervidda, maior platô de montanha do norte da Europa. Ele se situa ao norte da famosa estrada de ferro Oslo-Bergen, próximo à estação de Finse, a cerca de 190km de Oslo e 120km de Bergen (em linha reta). 
      Nesse trekking eu percorri de sul a norte o parque e emendei com a caminhada do Cânion Aurlandsdalen, bastante famoso por lá pela incrível beleza.
      Para saber sobre trekking na Noruega sugiro a leitura da introdução do relato www.mochileiros.com/topic/89222-travessia-do-parque-nacional-hardangervidda-noruega-jul19.
      O problema do trekking na Noruega e na Escandinávia em geral é o alto índice de chuva. Eu tive três dias seguidos de sol nessa caminhada e isso foi uma grande sorte.
      Não há problema de escassez de água nesse percurso e nem todos os riachos e fontes estão descritos no texto pois são muitos.

      Lagos parcialmente congelados mesmo no verão
      1º DIA - 01/08/19 - de Finse ao Refúgio Geiterygghytta
      Duração: 5h20 (descontadas as paradas e erros)
      Maior altitude: 1643m
      Menor altitude: 1219m
      Resumo: esse dia tem um desnível considerável de 419m de subida e depois de 424m de descida mas não é cansativo pois é bastante gradual
      No dia 29/07 eu interrompi a caminhada do Parque Nacional Hardangervidda (relato em www.mochileiros.com/topic/89222-travessia-do-parque-nacional-hardangervidda-noruega-jul19) no 7º dia do percurso por causa da chuva que chegou e ainda duraria mais dois dias. Fui de trem para a cidade de Geilo, me hospedei no Hostel HI e esperei a melhora no tempo prevista no yr.no.
      Nesse dia, 01/08, voltei de trem a Finse e retomei a caminhada com tempo bom. Finalizada a etapa do Parque Nacional Hardangervidda, agora ia entrar no Parque Nacional Hallingsskarvet.
      Embarquei em Geilo às 13h e desci na estação de Finse às 13h38. Altitude de 1228m. Cruzei a estrada de ferro e segui a placa de Geiteryggen após o portão de madeira. Subi pela rua principal de cascalho e segui a sinalização do T vermelho entrando numa trilha à direita, cerca de 300m depois da linha férrea. Subi a colina ao norte, passei pelo local onde acampei no dia 29 e parei por 13 minutos para contemplar a magnífica Geleira Hardangerjøkulen, a sexta maior da Noruega. Ao cruzar o primeiro riacho, às 14h20, estava entrando nos limites do Parque Nacional Hallingsskarvet. Continuei no rumo norte, cruzei uma ponte suspensa e em seguida outro riacho pelas pedras às 14h43. Voltei a subir e a vegetação, que era só rasteira, some de vez, ficando só o terreno de pedras, mas sem dificuldade para caminhar. Às 15h32 começam a aparecer as manchas de neve que tenho de cruzar, com largura de 30m a 70m, mas sem problema de escorregar. A bota impermeável é importante nessa hora também.

      Cruzando campos de neve
      Às 15h57 alcancei o Refúgio Klemsbu, particular e trancado. Fiz uma pausa ali. Algumas pessoas que caminhavam sem mochila (e até com cachorro) tomaram ali uma trilha para o norte e subiram o Pico Sankt Pål. Eu continuei às 16h39 para nordeste (direita na bifurcação) e subi cruzando mais duas manchas de neve até atingir a maior altitude do dia (1643m, desnível positivo de 419m desde Finse). Ali há um campo de neve muito extenso mas felizmente não foi preciso cruzá-lo, está à esquerda do caminho. À direita surge um bonito lago com placas de gelo flutuando como icebergs. Inicia a descida. Cruzo mais uma mancha de neve e depois um riacho pelas pedras. Às 17h52 avisto o Lago Omnsvatnet. A trilha desce, cruza um riacho e se aproxima do lago, voltando a ter vegetação rasteira e depois capim, pasto para as ovelhas. Às 18h23 atravesso mais uma mancha de neve de uns 40m e às 19h outra de cerca de 60m.
      Às 19h21 alcanço um conjunto de lagos e passo a caminhar pelo seu lado direito. Cruzo pelas pedras um riacho que vem de uma bonita cachoeira despencando do paredão à direita. Às 19h55 avisto o refúgio na outra ponta do lago. Cruzo outro riacho às 20h14 e saio dos limites do Parque Nacional Hallingsskarvet. Alcanço o Refúgio Geiterygghytta às 20h32, numa altitude de 1230m. Esse refúgio é da DNT e do tipo staffed (com funcionários), não se pode cozinhar, não há comida para vender (só chocolates e biscoitos) e o anfitrião não me deixou nem usar o banheiro se não consumisse algo ou acampasse na área designada pagando NOK 100 (US$ 12,09)! Perguntei de acampamento livre (selvagem) e ele me mandou acampar longe, fora da visão do refúgio. Pelo que pude ver era um lugar muito bem arrumado, parecendo um hotel, e a presença de barracas espalhadas podia desagradar àquele público sofisticado. 
      Em frente a esse refúgio passa uma estrada de cascalho que começa na rodovia 50 muito próximo de um túnel. Como passa um ônibus nessa rodovia essa estradinha pode ser uma rota de fuga ou um início/final alternativo à caminhada. São 3,6km dali até a rodovia. Porém há pouquíssimos horários: um ônibus por dia (às 13h10) em direção a Flåm (oeste) e um ônibus por dia (às 9h40) em direção a Ål (leste) (horários de julho e agosto de 2019).
      Saí do refúgio às 20h42 e caminhei pela estrada de cascalho para a esquerda (noroeste) até sair da visão do refúgio. Começaram a aparecer as barracas dos alternativos, dos que preferem a liberdade ao conforto. Os melhores lugares, que eram perto da cachoeira à esquerda da estradinha, já estavam ocupados, então entrei na trilha de Østerbø, com placa, à direita, e subi até encontrar um lugar plano e um pouco afastado do caminho. Havia água corrente por perto. Altitude de 1252m.

      Lagos de montanha
      2º DIA - 02/08/19 - do Refúgio Geiterygghytta a Østerbø (ou quase)
      Duração: 5h30 (descontadas as paradas e erros)
      Maior altitude: 1395m
      Menor altitude: 1050m no acampamento do fim do dia
      Resumo: dia de vários sobe-e-desce mas sem desníveis significativos, sendo o maior deles de 320m de descida da maior altitude do dia (1395m) aos 1075m do Refúgio Steinbergdalen
      Deixei o local de acampamento às 11h41 e segui a trilha no rumo norte. Em 4 minutos cruzei um riacho pelas pedras. Às 12h11 o mapa do gps mostrava que eu estaria cruzando a rodovia 50 porém não havia rodovia nenhuma - havia sim, estava muitos metros abaixo de mim na forma de um extenso túnel! E com mais 9 minutos avistei a tal rodovia 50 bem abaixo à esquerda margeando um lago. Infelizmente a trilha vai se aproximar dela e esse dia não será dos mais bonitos e agradáveis. Às 12h40 sigo à esquerda numa bifurcação com placa apontando para o Refúgio Steinbergdalen; à direita se vai a Kongshelleren (refúgio) e Iungsdalshytta (refúgio). Cerca de 6 minutos depois cruzo um riacho mais largo pelas pedras e paro por 18 minutos.
      Às 13h16 atravesso uma ponte metálica sobre um bonito rio com pedras e, subindo, cruzo uma porteira feita de ripas de madeira. Subo mais e atinjo um mirante chamado Bollhoud às 13h37. Passo por bonitos e tranquilos lagos de montanha e às 13h57 cruzo um riacho. Às 14h26 atravesso outra ponte metálica e encontro uma placa com o nome do local: Breibakkao. O riacho que cruzei forma uma bonita cachoeira à minha esquerda. Às 14h44 parei por 30 minutos num bonito mirante chamado Driftaskar, de onde avisto o Refúgio Steinbergdalen (ou Steinbergdalshytta) perto do lago Vetlebotnvatnet e da famigerada rodovia 50. 
      Na descida cruzei um riacho por uma ponte de tábuas às 15h39. No portão na chegada ao refúgio há uma bifurcação em que à direita se vai também a Kongshelleren (refúgio) e Iungsdalen (refúgio). Entrei no Refúgio Steinbergdalen às 15h49 e ele é particular (não é da DNT), mas a anfitriã me deixou usar o banheiro sem pagar pois eu estava só de passagem. É uma casa bem típica norueguesa, de madeira com vegetação sobre o telhado para manter o isolamento térmico e a estabilidade da casa. É recomendável (ou obrigatório em alguns casos) tirar o calçado antes de entrar, a menos que o anfitrião diga o contrário. A rodovia 50 está a apenas 450m e é possível tomar o mesmo ônibus que liga Ål a Flåm se for necessário.
      Saí às 16h04 pelo lado direito do refúgio e tomei uma trilha que subia a encosta à direita com placa de Østerbø. E como subiu!!! Não era uma subida íngreme, mas tinha muitas pedras e parecia não ter mais fim. A visão da rodovia 50 logo abaixo à esquerda tirava todo o clima de montanha e fez daquele trecho longo de subida um tédio. Na descida, ainda pela encosta, parei num riacho às 17h18. Às 18h05 atravessei a ponte de tábuas sobre outro riacho que despencava do paredão à direita em bonitas quedas. Começo a avistar a vila de Østerbø bem abaixo no vale. Desço mais e às 18h40 alcanço um grande campo com uma cachoeira grande ao fundo. Ali já comecei a pensar se valeria a pena ir até Østerbø (ainda 3,8km à frente) pois o local parecia mais urbanizado e eu poderia ter dificuldade para encontrar um lugar para camping selvagem. Cheguei a perguntar sobre isso a uma garota que vinha (sozinha) atrás de mim, mas ela não sabia como era Østerbø. Vi que ela e um casal pararam ali para acampar e resolvi parar também, apesar de muito cedo ainda. Havia água bem próximo dali, no Rio Grøna. Altitude de 1050m.

      Cânion Aurlandsdalen
      3º DIA - 03/08/19 - de Østerbø a Vassbygdi
      Duração: 6h50 (descontadas as paradas e erros)
      Maior altitude: 1074m próximo ao acampamento
      Menor altitude: 89m em Vassbygdi
      Resumo: longa descida de 985m percorrendo o interior do Cânion Aurlandsdalen, famoso na Noruega pela grande beleza
      O trekking de hoje pode ser feito em forma de bate-e-volta de um dia a partir das cidades de Flåm ou Aurland, onde há campings e hotéis. Tomando o ônibus às 8h15 em Flåm ou 8h25 em Aurland se chega às 9h15 a Østerbø, um bom horário para iniciar a caminhada pois há ônibus à tarde para retornar a Flåm e Aurland (veja os horários nas informações adicionais).
      Comecei a caminhar às 8h21, cruzei a ponte de madeira sobre o Rio Grøna, desci até o vale do Rio Grøndalagrovi e o segui para a esquerda (oeste). Descendo, passei por uma casa vazia à minha direita e cruzei um portão de ferro. Atravessei uma mata e às 9h12 cheguei a uma estradinha de terra, onde fui para a direita. Aparecem as primeiras casas. Às 9h18 alcanço uma estrada de asfalto após uma cancela e sigo para a direita, continuando pela esquerda na bifurcação. A rodovia 50 está a apenas 120m à esquerda da cancela e é possível tomar o mesmo ônibus que liga Ål a Flåm se for necessário. Me mantive na estrada principal e cheguei aos refúgios de Østerbø às 9h28. São dois, um ao lado do outro. O primeiro é o Østerbø Fjellstove, particular, e o segundo é o Aurlandsdalen Turisthytte, pertencente à DNT e do tipo staffed. A tão esperada trilha do Cânion Aurlandsdalen começa no meio dos dois.
      Por ser um sábado havia dezenas de pessoas iniciando a trilha, e até um grupo de voluntários (?) dando orientações. O caminho aponta para o norte ainda como uma estradinha de cascalho, que tomei às 9h50. Altitude de 833m. Numa curva de 180º para a esquerda cruzei a ponte sobre o Rio Langedøla e havia uma sinalização um pouco confusa. Não entrei na primeira trilha à direita com T vermelho pintado na pedra, continuei descendo a estradinha e entrei na trilha seguinte à direita também com T vermelho pintado, mas muito mais estreita que a primeira (aqui aparentemente os dois caminhos servem, o importante é se aproximar do lago e evitar as outras trilhas). Passei por mais uma casa à minha esquerda e comecei a contornar o bonito Lago Aurdalsvatnet pela margem norte e depois oeste. Aparece a primeira placa de marcação de distância, 18km para a frente (até Vassbygdi) e 1km para trás (desde os refúgios de Østerbø).

      Cânion Aurlandsdalen
      Quando deixo as margens do Lago Aurdalsvatnet no sentido oeste aparece um espaço plano e gramado ótimo para acampar. Até aí não havia visto nenhum lugar adequado para acampar e daí em diante apareceram bem poucos também pois o solo muitas vezes era de turfeira (?), fofo e úmido. A trilha percorre a mata exuberante, numa mudança significativa de ambiente em relação aos dois dias anteriores no alto da montanha. A placa de 17km se encontra sobre um portão de ferro e na descida seguinte a beleza de Aurlandsdalen começa a se mostrar. Um lindo lago bem abaixo espelha as montanhas verdejantes. A descida até a margem leste desse lago (Nesbøvatnet) foi por uma trilha íngreme beirando a ribanceira. 
      Aurlandsdalen é também uma trilha histórico-cultural e às 10h32 aparece a primeira placa com texto sobre a história e fotos antigas do lugar. Às 10h36 cruzei uma ponte de tábuas sobre um riacho e 2 minutos depois alcancei a casa Nesbø, às margens do Lago Nesbøvatnet, sede de uma fazenda do século 17. A trilha continua margeando o lago e às 10h49 alcanço uma bifurcação num local chamado Tirtesva. A trilha íngreme à direita sobe para outro caminho: Vassbygdi via Bjønnstigen, e uma placa alerta para o risco dessa rota já que cruza uma área de avalanches. Me mantive na trilha mais usada, que segue à esquerda, e uns 520m depois de Tirtesva cheguei a um bonito lago (uma extensão do Lago Nesbøvatnet). Parei para curtir o lugar e tomar água fresca do riacho ao lado. O gramado ali daria um bom local de acampamento também. Continuei às 11h19 e o lago se afunila num rio, que seguirei pela margem direita até o final do dia. Agora a sensação é de caminhar no fundo de um cânion mesmo, com a altas paredes se erguendo em ambos os lados. O rio e a vegetação das encostas ficam cada vez mais bonitos. Às 11h43 a trilha é um caminho estreito escavado no paredão de pura rocha. Um corrimão dá segurança nas partes mais estreitas (principalmente se houver neve). Às 11h52 surge abaixo o bonito Lago Vetiavatnet, o último grande lago dessa caminhada. 
      Às 12h05 alcancei uma bifurcação num lugar chamado Heimrebø. À esquerda se vai a Berdalen, que é um local a 370m dali na rodovia 50 onde passa o mesmo ônibus de Ål a Flåm. Segui à direita e a trilha faz uma grande curva embicando para o norte e se afastando muito da rodovia 50 (felizmente não mais visível após Østerbø). Às 12h47 vem da direita a rota Vassbygdi via Bjønnstigen, aquela iniciada em Tirtesva e que vem pelo alto. 
      Às 12h55 cheguei a um local com uma trilha saindo para a esquerda e uma movimentação de pessoas indo e vindo de lá - fui ver o que era. Caminhando cerca de 100m chega-se a Vetlahelvete, ou little hell cave, uma reentrância no paredão rochoso com um pequeno lago dentro e iluminação vindo da abertura no alto. Há um bonito mirante nas pedras mais altas do outro lado. Voltei à bifurcação, tomei um lanche e continuei descendo às 13h16. A marcação ali mostra que estou bem no meio do caminho: já percorri 9km e faltam 10km. Em 5 minutos tenho uma visão espetacular do cânion com o rio correndo lá embaixo e pessoas minúsculas ao longo da trilha bem ao lado do rio, ou seja, tinha uma descida bem grande pela frente. Às 13h24 parei para beber a água fresca de uma quedinha ao lado da trilha. Desci pela trilha em zigue-zague e às 13h46 já estava às margens do rio, onde algumas pessoas mergulhavam e logo saíam pois a água devia estar bem fria. 

      Fazenda Sinjarheim
      Às 14h08 uma nova bifurcação. À esquerda se vai a Stondalen, que é outro local na rodovia 50 onde passa o ônibus de Ål a Flåm, outra rota de fuga, porém essa bem longa (7km). Vou à direita e em 5 minutos avisto, pendurada na enorme encosta, a Fazenda Sinjarheim, principal ponto de parada nesse trekking. Cruzo uma ponte de madeira sobre o riacho que vem de uma imensa cachoeira despencando do paredão e às 14h30 chego à fazenda. Casas de madeira com vegetação sobre o telhado e anunciado apenas em norueguês (demonstrando que poucos estrangeiros passam por ali): "sal av kaffi og mjelkekaker - kom inn", "venda de café e bolo de leite - entre". Muita gente ali descansando e se recuperando do calor pois já estávamos a 591m de altitude e a temperatura havia aumentado com a descida e por causa do horário. Muito calor para os noruegueses pois para mim estava bem agradável. Saindo da fazenda às 14h51, a descida se tornou bastante íngreme e às 15h10 já estava próximo ao rio de novo. Após duas casas de madeira, num local chamado Almen, olhei para trás e o cenário era espetacular, com duas grandes cachoeiras brotando dos paredões, último cenário de tirar o fôlego desse trekking.
      Quando vi os horários de ônibus em Østerbø pensei em tomar o das 19h para Flåm, o último. Mas pelo avanço rápido que vinha fazendo após entrar na mata resolvi apertar um pouco o passo e ver se conseguia pegar o das 16h40. A descida terminou numa clareira às 16h03 e 8 minutos depois alcancei um final de estrada de cascalho, continuando em frente, sempre pela margem direita do rio. Estava apressado por causa do horário do ônibus mas não resistia a comer as framboesas próximas à cerca à direita da estradinha. Para trás me despeço dos grandes paredões do Cânion Aurlandsdalen. Continuando sempre em frente me aproximo das primeiras casas de Vassbygdi e finalmente chego ao ponto de ônibus, em frente a uma lanchonete, às 16h27, e estava lotado. Altitude de 89m. O ônibus apareceu no horário e somente uma parte daquele povo todo o tomou pois a maioria esperava o ônibus de volta a Østerbø, onde deixaram seus carros. A viagem a Flåm durou 30 minutos e percorreu o maravilhoso fiorde Aurlandsfjorden. Em Flåm acampei no Camping e Hostel HI.

      Cânion Aurlandsdalen
      Informações adicionais:
      . para saber os preços de hospedagem e refeições nos refúgios da DNT consulte os valores atualizados em english.dnt.no/routes-and-cabins. Para se tornar membro da DNT e ter descontos o valor da anuidade é NOK 695 (US$ 84), valor de 2019 para adultos de 27 a 67 anos.
      . Camping e Hostel HI em Flåm: NOK 160 (US$ 19,34) para uma barraca com uma pessoa. A ducha quente custa NOK 20 (US$ 2,42) a cada 6 minutos (funciona com moeda ou ficha comprada na recepção). O hostel estava lotado no início de agosto. Site www.hihostels.com.
      . mapa do parque com as trilhas e refúgios: ut.no/kart
      . a temperatura mínima durante a noite fora da barraca foi 7ºC
      . para planejar qualquer viagem de ônibus, trem ou barco na Noruega: en-tur.no (clique em Meny e selecione English)
      . ônibus de Vassbygdi a Aurland e Flåm: 10h20 (sáb e dom), 14h10 (diário), 16h25 (sáb e dom), 16h40 (diário), 19h (diário) (horários de julho e agosto de 2019)
      . trens na Noruega: www.vy.no/en
      . não há supermercado nem em Finse, nem em Vassbygdi e em nenhum lugar desse percurso. Só há mercado em Aurland e Flåm, alcançadas de ônibus a partir de Vassbygdi. Só há refúgios do tipo staffed (da DNT) e particulares nesse caminho e eles não vendem comida para preparar (apenas guloseimas), mas servem café da manhã e jantar.
      . roteiro adaptado a partir das informações do guia Walking in Norway, de Connie Roos, Editora Cicerone
      Rafael Santiago
      agosto/2019
      https://trekkingnamontanha.blogspot.com.br
    • Por rafael_santiago
      Pico Hårteigen
      Início: Odda
      Final: Finse
      Duração: 7 dias
      Maior altitude: 1508m
      Menor altitude: 0m em Odda
      Dificuldade: média para quem está acostumado a longas travessias com mochila cargueira. Alguns dias apresentam subidas e descidas mais longas. O único grande desnível é o do 1º dia (1445m).
      Hardangervidda é o maior platô de montanha do norte da Europa (vidde = platô). Nesse lugar tão singular foi criado em 1981 o Parque Nacional Hardangervidda, que é o maior da Noruega e refúgio de um dos maiores rebanhos de rena selvagem do mundo. O parque se situa ao sul da famosa estrada de ferro Oslo-Bergen, numa distância aproximada (em linha reta) de 180km de Oslo e 120km de Bergen. 
      Essa caminhada foi planejada para durar 10 dias, cobrindo, além do Hardangervidda, também o Parque Nacional Hallingsskarvet e o Cânion Aurlandsdalen, porém a chegada da chuva me fez interromper o percurso no 7º dia. A previsão do yr.no acertou e choveu ainda mais dois dias. Retomei a caminhada no dia 01/08 (relato em www.mochileiros.com/topic/89261-travessia-do-parque-nacional-hallingsskarvet-e-cânion-aurlandsdalen-noruega-ago19).
      O problema do trekking na Noruega (e na Suécia) é justamente o alto índice de chuva. Pelo menos para nós brasileiros, que não estamos acostumados a caminhar vários dias embaixo de chuva, porém para os noruegueses isso não tem a menor importância. Eles vão para a trilha com chuva ou sem chuva. Eu tive cinco dias seguidos de sol nesse trekking e isso foi uma tremenda sorte.
      A melhor época para o trekking nos parques da Noruega é o verão, com temperaturas mais agradáveis (não tão frio) e menos neve pelo caminho. Justamente nessa época os refúgios do tipo staffed permanecem abertos. No início de junho deve ainda haver neve do último inverno dificultando a caminhada. O guia Walking in Norway, de Connie Roos, sugere fazer a travessia do Parque Nacional Hardangervidda depois de 10 de julho.
      Outro fator que dificulta o trekking por lá é a quantidade de pedras pelo caminho, às vezes são áreas extensas só de pedras, o que é bastante cansativo e obriga a caminhar com mais atenção para evitar uma queda ou torção. 

      Lago a 1194m de altitude no 6º dia de caminhada
      Em toda a Noruega, a DNT (Den Norske Turistforening = Associação Norueguesa de Trekking) (english.dnt.no) é a associação responsável pela manutenção das trilhas, pontes e refúgios de montanha. Os refúgios da DNT são de três tipos: self service, staffed ou no-service. Além dos refúgios da DNT há refúgios particulares.
      1. Nos refúgios self service você pode utilizar a cozinha para preparar as refeições, comprar a comida disponível se não tiver a sua própria e dormir nos beliches em espaços compartilhados. Antes de sair deve deixar tudo em ordem (lavar, secar, arrumar tudo, varrer o chão) e preencher o formulário de despesas. A conta será enviado para o seu e-mail tempos depois. Visitas diurnas (day visit) para descansar, comer ou apenas se aquecer devem ser pagas.
      A hospedagem para não-membros neste tipo de refúgio custa NOK 390 (US$ 47,14) e o day visit até 18h custa NOK 90 (US$ 10,88). Após 18h a visita deve ser paga como uma hospedagem. Sim, tudo na Noruega é muito caro!
      Os refúgios self service podem ter guarda ou não na alta temporada. Eu conheci nove refúgios nesse trekking, apenas dois deles eram não-guardados. Nesses vale ainda mais a confiança de que o hóspede está pagando por tudo o que utilizou.
      A DNT tem uma chave (fornecida somente aos membros) que abre a porta dos refúgios não-guardados, mas nesse trekking eu não encontrei nenhum refúgio trancado.
      2. Os refúgios staffed (com funcionários) são hotéis de montanha. Neles você tem café da manhã e jantar disponíveis e não é permitido usar a cozinha. De comida para vender costumam ter apenas lanches de trilha básicos, como chocolates.
      A hospedagem para não-membros neste tipo de refúgio custa NOK 286 (US$ 34,57) em dormitório. Consulte english.dnt.no/routes-and-cabins para outros preços.
      3. Os refúgios no-service são do mesmo estilo dos self service porém não têm comida. Não cheguei a conhecer nenhum refúgio desse tipo nos trekkings que fiz na Noruega.
      Os refúgios particulares são também hotéis de montanha e têm tabelas próprias de preços.
      Para quem está com barraca, nos parques da Noruega vale mais ou menos a regra do "allemannsretten" ou direito de andar (ou direito de acesso), que diz que é permitido acampar em qualquer lugar a mais de 150m de uma casa, desde que não seja uma área cultivada ou haja uma placa de proibição. Digo 'mais ou menos' porque vi isso valer apenas nos refúgios self service; nos refúgios da DNT do tipo staffed eles pediam para acampar (gratuitamente) bem longe, fora da visão do refúgio. Acampar perto do refúgio DNT staffed custa NOK 100 (US$ 12,09) e dá direito de usar o banheiro e a sala de estar. Para mais informações sobre o "allemannsretten": www.visitnorway.com/plan-your-trip/travel-tips-a-z/right-of-access
      O uso do banheiro para quem está acampando (ou apenas de passagem) é livre nos refúgios self service e costuma ser cobrado nos refúgios DNT staffed e particulares (ou gratuito se consumir alguma coisa). Nos self service o banheiro é do tipo seco, uma casinha separada, com uma bancada e o assento sobre ela. Muitas vezes o assento e a tampa são de isopor e há uma outra tampa de madeira para colocar por cima. Costumam ter papel higiênico. Nos staffed é um banheiro normal e interno.
      Não há problema de escassez de água nesse percurso e nem todos os riachos e fontes estão descritos no texto pois são muitos.
    • Por rafael_santiago
      Siete Picos
      Início: Cercedilla
      Final: Cercedilla
      Duração: 5 dias
      Maior altitude: 2427m no Pico Peñalara 
      Menor altitude: 1027m na ponte sobre o Rio Manzanares
      Dificuldade: média para quem está acostumado a trilhar com mochila cargueira. Há muita subida e muita descida todos os dias, com desníveis positivos (subidas) que chegam a 1227m (4º dia) e 1435m (1º dia).
      A Serra de Guadarrama se localiza a cerca de 70km a norte-noroeste de Madri e é avistada tanto dessa cidade quanto da cidade de Segóvia. Há vários roteiros possíveis de caminhada pela serra, com durações que vão de um a vários dias, porém o acampamento selvagem é proibido no parque (bem como em toda a Espanha), sendo permitido apenas o bivaque acima dos 2100m e somente por uma noite. Eu escolhi fazer um trajeto de forma circular a partir da cidade de Cercedilla que percorresse seis dos cumes mais altos dessa serra: Peñalara (2427m), Cabeza de Hierro Mayor (2376m), Bola del Mundo ou Alto de las Guarramillas (2254m), La Maliciosa (2219m), Siete Picos (2117m) e Peña Águila (2011m). Essas altitudes parecem bastante modestas, inclusive se comparadas às montanhas mais altas do Brasil, porém todas ficam cobertas de neve no inverno, o que obriga ao uso de equipamentos apropriados.

      Vista do Pico Peña Águila
      1º DIA - 17/06/19 - de Cercedilla a Puerto de Cotos com subida do Pico Peña Águila
      Duração: 8h05 (descontadas as paradas e erros)
      Maior altitude: 2011m no Pico Peña Águila
      Menor altitude: 1140m na ponte do Rio de la Venta, em Cercedilla
      Resumo: nesse dia encarei as primeiras subidas da caminhada com desníveis de 871m desde Cercedilla ao Pico Peña Águila, depois 149m até Puerto de la Fuenfría e 415m da rodovia CL-601 até Puerto de Cotos
      Na estação Chamartín, em Madri, tomei às 8h10 o trem Renfe com destino à pequena cidade de Cercedilla, aonde cheguei às 9h20. Demorei algum tempo para encontrar o início da trilha para o Pico Peña Águila pois não havia indicação e a trilha não era nada óbvia. O trajeto é o seguinte: saindo da estação do trem deve-se descer a rua à esquerda por 100m até sua guinada para a esquerda, onde passa num túnel por baixo da linha férrea - exatamente na guinada deve-se cruzar a ponte (Rio de la Venta) e o estacionamento em frente para encontrar sob as árvores a trilha com placas de Sendero Ródenas (toda pichada) e Camino Puricelli (com mapa). Outra alternativa é caminhar a partir da plataforma da estação ao longo da linha férrea para oeste e encontrar a mesma trilha num ponto acima das citadas placas. 
      A partir das placas a trilha sobe em zigue-zague até uma rua de terra que deve ser tomada para a direita, subindo (a trilha que sai à direita antes da rua não serve). O casarão bem em frente à trilha funcionava como Albergue El Colladito, mas agora é uma escola infantil. Dali já avistei os Siete Picos, o Pico Bola del Mundo (Alto de las Guarramillas é o nome verdadeiro) e Pico La Maliciosa, meus objetivos para os próximos dias nesse trekking, todos a nordeste. Eram 10h20. Caminhei 640m por essa rua de terra (ignorando um caminho que sai para a direita logo no início dela) e às 10h32 entrei numa trilha à direita onde há uma placa de Parque Regional de la Cuenca Alta del Manzanares. É um atalho que me levou a caminhar entre muros de pedra e subir a uma clareira alta com a primeira visão ampla para as serras, com destaque para os Siete Picos. Caminhando na direção de uma casa vazia à esquerda reencontrei a estrada de terra e segui nela para a direita, mas por apenas 200m pois entrei na trilha à esquerda, subindo entre pinheiros. Ali há um cocho de pedra com água corrente. Nas árvores há marcações de PR (Pequeño Recorrido = Percurso Pequeno), que são duas faixas horizontais, uma branca acima e outra amarela abaixo. Para mais informações: es.wikipedia.org/wiki/Pequeño_Recorrido.
      Às 11h55 cruzei uma estrada de terra (com círculos vermelhos pintados nas árvores) e continuei subindo pela trilha. Alcancei enfim às 12h09 a crista da serra e nela uma bifurcação em T, onde fui para a direita (norte). Nesse ponto estou entrando na famosa e longa trilha GR 10, que vai de Valência a Lisboa (as marcações em tinta branca e vermelha vão aparecer mais acima). Não cruzo o muro de pedra da crista por enquanto. Deixo para trás a floresta de pinheiros e continuo paralelamente ao extenso muro de pedras. Já avisto o cume do Pico Peña Águila, com as encostadas tomadas pelo tapete amarelo das flores piorno. A trilha cruza finalmente o muro de pedras apenas 140m antes do cume, aonde cheguei às 13h17. Visão espetacular num dia de céu limpíssimo: La Pinareja e Montón de Trigo ao norte (cumes da Serra Mujer Muerta); Peñalara a nordeste; Siete Picos, Cabeza de Hierro Mayor, Cabeza de Hierro Menor, Bola del Mundo (esses três em Cuerda Larga) e La Maliciosa a leste. Altitude de 2011m e desnível de 871m desde Cercedilla. O vento estava forte e bem frio e usei o muro de pedra como proteção para tomar meu lanche. 

      Pico Peña Águila com piornos floridos
      Às 14h iniciei a descida no sentido oposto ao que cheguei (nordeste) e em 12 minutos caí numa estradinha de terra muito chata. Caminhei por ela até um portão de ferro que cruzei às 14h42 e fechei com atenção seguindo a recomendação da placa (para o gado não fugir). Ali passava uma estrada tediosa de terra, mas procurei por trilha e encontrei uma no sentido nordeste, não muito óbvia no começo. A ela entroncou uma outra vindo da direita chamada Camino Viejo de Segovia. Atravessei uma ponte de madeira (água boa), outra ponte (quase sem água) e à direita surgiu a trilha conhecida como Calzada Romana. A Calzada Romana faz uma curva para a direita e eu preferi me manter no Camino Viejo de Segovia por ser mais direto, por isso segui à esquerda. Porém 190m depois fui à direita e passei a caminhar pela larga Calzada Romana, mas por menos de 100m pois alcancei uma estrada de terra às 16h06. Esse é um importante cruzamento de caminhos, inclusive de uma das rotas do Caminho de Santiago: Puerto de la Fuenfría.
      Observação: se tivesse caminhado à esquerda na estrada tediosa teria continuado na GR 10 e chegado a esse mesmo lugar. A partir dali a GR 10 toma a direção sul.
      Um dos significados da palavra puerto em espanhol é "paso entre montañas" ou "collado de montaña", portanto os puertos costumam ser lugares altos que dão passagem de uma vertente a outra da serra/montanha. Após a subida até esse puerto iniciaria uma suave descida.
      Há diversas placas nesse local indicando e explicando os muitos caminhos que por ali passam. Tantas placas que levei algum tempo para encontrar qual seria a continuação do meu caminho em direção a Puerto de Cotos. Mas era só continuar no meu sentido nordeste por uma estradinha de terra entre pinheiros. Um cocho de pedra tinha água corrente. Na primeira bifurcação fui à direita e na segunda, à esquerda. Às 16h44 a estradinha vira trilha e passo a caminhar pelo Carril del Gallo (sem placa mostrando essa informação). Às 17h41 cheguei a uma grande clareira usada como pasto e parei para descansar por 17 minutos com uma vista bastante ampla e bonita. Continuei no sentido sul (e depois leste) e reentrei na mata de pinheiros. Cruzei uma ponte de troncos e 130m depois alcancei uma estrada de terra, que tomei para a esquerda (norte) (aqui fui explorar uma alternativa à estrada mas não deu em nada, a trilha fechou; gastei 40min nisso). Desprezando as trilhas que nasciam dessa estradinha, às 19h11 cheguei ao asfalto da CL-601, exatamente num local chamado Las 7 Revueltas. Cruzei a cancela e desci à esquerda até uma cancela igual (à direita), onde tomei a estradinha de asfalto entre pinheiros. Altitude de 1409m. Parei para descansar por 22 minutos. Nas bifurcações continuei no asfalto até encontrar às 20h35 uma estradinha de terra à direita com placa de Puerto de Cotos a 3,2km. Passei por quatro riachos e alcancei as casas de Puerto de Cotos às 21h33, ainda com luz do dia (o sol estava se pondo às 21h45). Altitude de 1824m (desnível de 415m desde o asfalto da CL-601). 
      Puerto de Cotos não chega nem a ser uma vila, o lugar se resume a uma estação de trem onde funciona um refúgio de montanha (El Refugio de Cotos), o Centro de Visitantes do Parque Nacional Sierra de Guadarrama e um bar-restaurante (Venta Marcelino). Como é proibido acampar de forma livre e não há camping pago busquei hospedagem no refúgio, onde fui o único hóspede da noite já que era uma segunda-feira (no final de semana estava lotado). Lá fui atendido pelo Carlos, que me preparou um saboroso jantar. O único problema ali foi o banho pois a água não esquentava de jeito nenhum. 
      Além do trem há ônibus ligando Puerto de Cotos a Madri (veja nas informações adicionais). 

      Laguna de los Pájaros
      2º DIA - 18/06/19 - Pico Peñalara 
      Duração: 5h20 (descontadas as paradas e erros)
      Maior altitude: 2427m no Pico Peñalara 
      Menor altitude: 1816m na estação de trem de Puerto de Cotos
      Resumo: circuito passando pelo cume do Pico Peñalara a partir de Puerto de Cotos num desnível de 611m
      Após o café da manhã no Refugio de Cotos e uma boa enrolação saí às 11h36 para subir o Pico Peñalara com mochila de ataque apenas. Meu plano era subir pela crista do lado sul-sudoeste e descer pelo lado norte-nordeste, retornando pela face leste do pico. Passei pelo Centro de Visitantes Peñalara do Parque Nacional Sierra de Guadarrama para pegar informações e continuei no sentido nordeste por 370m. Logo após a curva do Mirador de la Gitana continuei pela trilha principal, a RV2, à esquerda (voltaria pela trilha da direita, a RV8). Após vencer um desnível de 611m desde o refúgio, com trechos em zigue-zague e grandes manchas de neve próximas ao caminho, alcancei o cume do Pico Peñalara às 13h34. Ele é o ponto mais alto da Serra de Guadarrama e das províncias de Madri e Segóvia. Dali se avistam Cabeza de Hierro Mayor, Cabeza de Hierro Menor, La Maliciosa e Bola del Mundo ao sul; Siete Picos, Peña Águila, Montón de Trigo e La Pinareja a sudoeste; Segóvia a noroeste.
      Iniciei o retorno às 14h46 seguindo a crista no sentido norte-nordeste. Cerca de 540m depois, num trecho com grandes blocos de pedra, desci pela face direita da crista, mas estava errado, o caminho foi sumindo e a descida se complicando. Voltei e desci pelo lado oposto, à esquerda da crista, onde havia uma trilha mais fácil. Observei depois que algumas pessoas continuavam pelo alto da crista, mas pelo que vi é preciso saltar grandes blocos de pedra bastante expostos. 
      Desci por trilha bem marcada e alcancei às 16h45 a Laguna de los Pájaros, onde uma placa alerta para a proibição de banho e a permanência a menos de 3m da margem para evitar a mortalidade de anfíbios, entre outros motivos (porém poucos minutos depois encontrei vacas pastando livremente às margens de outras lagoas). Ali tomei a trilha da direita (sul) e efetivamente iniciei o retorno a Cotos. Cruzei com um grupo grande com mochilas cargueiras que pretendia bivacar no Peñalara sem nenhum medo do vento frio da noite. Às 18h13 parei para fotos no Mirador de Javier e tomei o atalho que sai à direita dele para alcançar em 12 minutos a Laguna Grande de Peñalara, que é cercada com um cabo de aço para evitar a aproximação.
      Saindo da Laguna Grande às 18h54 desci por uma passarela de madeira e depois trilha até a casinha de vigilância e continuei na trilha em frente (ignorando as trilhas da direita e da esquerda). Reentrei na mata, passei por uma bica e reencontrei a trilha da ida (RV2) às 19h38. Passei pelo Centro de Visitantes, pela Venta Marcelino (fechada) e estava de volta ao refúgio às 20h10.

      La Pedriza
      3º DIA - 19/06/19 - de Puerto de Cotos a La Pedriza
      Duração: 7h50 (descontadas as paradas e erros)
      Maior altitude: 2376m no Pico Cabeza de Hierro Mayor
      Menor altitude: 1478m no acampamento em La Pedriza
      Resumo: subida de Puerto de Cotos ao cordão montanhoso Cuerda Larga num desnível de 560m e descida ao "parque" rochoso de La Pedriza num desnível de 898m
      Há dois caminhos possíveis para subir à crista de Cuerda Larga a partir de Puerto de Cotos. Um deles sai diretamente para o sul e passa próximo ao Albergue El Pingarron, o outro sai para leste e é 1,3km mais longo, porém foi o que escolhi (talvez tenha menos sobe-e-desce).
      Saí do refúgio às 10h53 no sentido leste e atravessei todo o estacionamento que fica ao longo da rodovia M-604. No final do estacionamento desci uma escada de madeira e encontrei na mata a trilha que me levaria a Cuerda Larga. Porém ao sair da mata, apenas 170m depois, a trilha sumiu. Cruzando o campo na direção sudeste, entrei em outra mata e reencontrei a trilha junto a uma pequena ponte de tábuas. Uma outra trilha entroncou nessa vindo da rodovia também. Um círculo amarelo pintado nas árvores confirma o caminho. Tomo o rumo sul e depois sudeste, direções que manterei por algum tempo. Cruzo um riacho pelas pedras e desemboco numa estrada, na qual vou para a esquerda, descendo. Atravesso a ponte sobre o Arroyo de las Cerradillas. Encontro outra estrada às 12h01 e desta vez vou para a direita, subindo por um vale com o Arroyo de las Cerradillas à direita. Surgem caminhos à esquerda que exploro tentando evitar a monotonia da estrada, mas foi só perda de tempo (apesar dos sinais vermelhos pintados nas árvores). Felizmente logo a estrada vira trilha (na bifurcação vou à direita), cruzo três pontes, a trilha dá uma guinada para o norte e chego a uma bifurcação com placas às 14h34. Da direita vem a trilha do Albergue El Pingarron, o outro caminho de Cotos. Eu sigo para a esquerda retomando o rumo sul.
      Cruzo quatro riachos em sequência, formadores do Arroyo de las Cerradillas. Alcanço o limite das árvores (1825m) e passo a subir por entre moitas de piornos floridos. Depois vem a parte mais inclinada da encosta da serra com a dificuldade de caminhar por um terreno chamado de canchal (em espanhol) ou scree (em inglês), uma ladeira de pedras desmoronadas. Cruzo um riacho para a direita às 15h26 e essa será a última água até descer para a outra vertente no final do dia. 

      La Pedriza
      Às 16h40 alcanço enfim a crista de serra conhecida como Cuerda Larga. Desnível de 505m desde as placas. Dali avisto as formações rochosas de La Pedriza, a cidade de Manzanares El Real, meu objetivo deste dia, e bem distante no horizonte a capital Madri. Sigo para a esquerda (nordeste) na bifurcação em T às 17h02. O Pico Cabeza de Hierro Menor (2374m segundo a Wikipedia), segundo mais alto de Cuerda Larga, fica apenas 300m à direita dessa bifurcação, mas não fui até ele.
      Seguindo pela crista (PR-M 11), um desvio de apenas 40m à esquerda me leva ao cume mais alto de Cuerda Larga, o Pico Cabeza de Hierro Mayor, com 2376m de altitude pelo meu gps. Ele é o segundo em altitude da Serra de Guadarrama, perdendo apenas para o Peñalara. Avisto lá do alto o estacionamento de Puerto de Cotos onde iniciei a caminhada desse dia e também as montanhas: Peñalara ao norte; La Pinareja, Montón de Trigo, Siete Picos, Peña Águila e Bola del Mundo a oeste; La Maliciosa a sudoeste; La Pedriza e Manzanares El Real a sudeste; e ao sul-sudeste os prédios de Madri. Desnível de 560m desde o refúgio em Puerto de Cotos. 
      Continuando pelo sobe-e-desce da crista no sentido leste passo pelos outros cumes de Cuerda Larga: às 18h08 pela Loma de Pandasco (2247m, segundo a Wikipedia, não fui medir cada um), às 19h06 por Navahondilla (2234m) e às 19h15 por Asómate de Hoyos (2242m). Nesse trajeto tive o primeiro contato com as cabras montesas e estavam em grande número, mas são mansas e ariscas. Cerca de 310m após o último cume sigo os totens e faixas pintadas à direita e abandono a crista de Cuerda Larga, que segue para nordeste, em favor de uma crista secundária a sudeste que me leva ao "parque" rochoso de La Pedriza. O lugar é incrível, com formações fantásticas de granito, algumas lembrando o nosso Parque Nacional de Itatiaia. Há inúmeros caminhos em La Pedriza, muitos deles usados por escaladores para acesso às pedras e suas vias. Vários outros levam ao vale do Rio Manzanares, o qual eu deveria percorrer para alcançar o Camping El Ortigal, a caminho da cidade de Manzanares El Real.
      Dos muitos caminhos ao Rio Manzanares optei pelo mais direto, passando pelo Refugio Giner de los Rios (PR-M 2). Após descer 330m (de altura) desde a crista de Cuerda Larga pela PR-M 2, às 21h02 chego a uma bifurcação em T em Collado del Miradero e vou para a esquerda (ainda PR-M 2), reentrando no bosque de pinheiros cerca de 100m depois. Voltam a aparecer as fontes de água e com elas os locais propícios para o bivaque para quem se aventura escalando as muitas pedras do entorno. Já estava começando a anoitecer (quase 22h) e o camping ainda estava muito longe, então parei no primeiro local plano que encontrei, na altitude de 1478m, para pernoitar. 

      Sierra de los Porrones
      4º DIA - 20/06/19 - de La Pedriza a Puerto de Navacerrada
      Duração: 8h10 (descontadas as paradas)
      Maior altitude: 2254m no Pico Bola del Mundo
      Menor altitude: 1027m na ponte sobre o Rio Manzanares
      Resumo: descida de La Pedriza ao Rio Manzanares, em seguida subida aos picos La Maliciosa e Bola del Mundo e descida a Puerto de Navacerrada. Diferença de 1227m entre os pontos mais alto e mais baixo do dia.
      Esse dia e o dia seguinte são de escassez de água. É preciso reabastecer os cantis nas poucas fontes encontradas no começo desse dia para durarem até a tarde do dia seguinte (a menos que se consiga água em Puerto de Navacerrada, que não foi o meu caso). 
      De manhã fui explorar o entorno do local onde acampei e encontrei um lajedo com pedras de diversos formatos e tamanhos, uma miniatura do Lajedo do Pai Mateus de Cabaceiras(PB). É bom lembrar que o acampamento selvagem nos parques da Espanha é proibido, mas eu montei a barraca já à noite, desmontei logo cedo e não deixei nenhum vestígio do meu pernoite no local.
      Comecei a caminhar às 8h18 ainda descendo. Apenas 340m depois do local de pernoite, aos 1433m de altitude, encontrei um cruzamento de trilhas mas fui em frente pois era o caminho mais rápido ao Refugio Giner de los Rios e depois ao Rio Manzanares. Continuo na PR-M 2. Aos 1256m encontrei a primeira água do dia. Às 9h28, na altitude de 1179m, uma placa aponta para o refúgio à esquerda, num desvio de 150m da trilha principal. Cruzei uma pequena ponte e depois uma clareira para subir ao refúgio, que encontrei em bom estado porém trancado. A bica ao lado estava quase seca. A clareira tem espaço de sobra para acampar porém logo cedo já começam a passar os trilheiros e escaladores uma vez que há um estacionamento a 2km dali. Voltei à trilha principal às 10h08.
      Às 10h39 cheguei ao Punto de Información Canto Cochino, mas estava fechado (só abre de sábado, domingo e feriado das 9h às 17h). Esse é o ponto de convergência de pelo menos quatro trilhas que descem de La Pedriza e as placas indicam esses caminhos. Foi também o local onde vi mais gente. Dali tomei a direção sul por um calçamento e cruzei às 10h58 a ponte sobre o Rio Manzanares, encontrando do outro lado uma estrada e um pequeno estacionamento. Essa ponte é o ponto de menor altitude do dia e de todo o trekking (1027m) e a última água do dia.
      A estrada quebra para a direita e ao fazer uma curva para a esquerda encontro dois grandes estacionamentos e um ou dois bares (se fosse ao Camping El Ortigal teria que tomar a direção sul aqui). Ao final dos estacionamentos cruzo o asfalto e entro na trilha em frente (oeste). Na bifurcação uns 35m depois vou à esquerda (pois a direita morre no asfalto mais à frente). Cerca de 1,1km depois da bifurcação chego às 11h31 a um cruzamento de trilhas, onde vou para a esquerda, quase voltando. Meu objetivo é subir à crista da Sierra de los Porrones e descer à cidade de Puerto de Navacerrada para pernoite. 

      Sierra de los Porrones
      Não percebi uma trilha saindo para a direita e subi até um muro de pedras que fui contornando para a direita até reencontrar a trilha no sentido oeste novamente. Às 12h21 cruzei uma estrada de terra e parei para descansar e me refrescar do forte calor. Os insetos também estavam incomodando um bocado. Nesse ponto há algumas placas e uma delas apontava para o Pico La Maliciosa, meu destino. Faixas amarelas e brancas pintadas indicam ser uma rota de Pequeño Recorrido, nesse caso a PR-M 16. Havia um cocho de pedras mas as bicas estavam secas. Às 13h05 retomei a caminhada agora subindo bastante. Nessa subida pela encosta norte da Sierra de los Porrones tive de fazer mais algumas paradas longas porque o calor estava me tirando a energia. Às 15h53 atingi a crista da serra e fui à direita na bifurcação, subindo, pois a trilha da esquerda desce pela vertente sul da serra. Às 17h22 avistei uma grande formação rochosa à frente e uma nítida trilha subindo ao seu cume: era o Pico La Maliciosa, uma dura subida ainda a enfrentar. As árvores desaparecem.
      Alcancei o cume de La Maliciosa às 18h57 e havia mais duas ou três pessoas. Conversei com um rapaz de Madri que veio fazer um bate-e-volta desde a capital até esse pico e já ia retornar! La Maliciosa é o pico mais alto da Sierra de los Porrones, com 2219m, e dali se avistam: Bola del Mundo e Pico Peñalara ao norte; Cabeza de Hierro Mayor e Cabeza de Hierro Menor a nordeste; La Pedriza a leste; Manzanares El Real e o reservatório Embalse de Santillana a sudeste; Madri ao sul-sudeste; Navacerrada a sudoeste (não é Puerto de Navacerrada, que fica mais acima e não se vê dali); Peña Águila e Siete Picos a oeste.
      Retomei a caminhada às 19h18 em direção a Bola del Mundo e suas horríveis antenas parecendo três foguetes prestes a ser lançados. Continuei pela crista da serra por mais 520m no sentido noroeste e tomei a direita (norte) na bifurcação onde a esquerda desce a vertente sul em direção à cidade de Navacerrada. Desci por um caminho de pedras com bifurcações mantendo a direita e cruzei na parte mais baixa uma outra trilha que corria no sentido leste-oeste. Subi a encosta oposta por caminho largo e cheguei a Bola del Mundo, ou Alto de las Guarramillas, às 20h32. Aqui retorno ao cordão montanhoso Cuerda Larga já que esse pico é o mais ocidental dele, com altitude de 2254m. Mas aquelas antenas causam tanto incômodo que não parei, segui para oeste, agora por estradinha concretada (350m a leste de Bola del Mundo se situa o Ventisquero de la Condesa, local onde nasce o Rio Manzanares, mas não fui até lá para conferir se seria fácil coletar água abaixo do nevado). 
      Desci 850m pela estradinha e cheguei a um bar-restaurante que deve funcionar somente no inverno, quando a pista de esqui da face oeste da montanha entra em atividade. Ao lado do bar-restaurante fica a chegada do teleférico que parte de Puerto de Navacerrada, mas a inclinação e o terreno de pedras soltas dificultam a descida direta por ali. Tive de descer pela estradinha de concreto mesmo, com todas as suas curvas e zigue-zagues. Às 21h35 cruzei a cancela ao lado do ponto de partida do teleférico e com mais 5 minutos cheguei a Puerto de Navacerrada, cortada pela rodovia M-601. Altitude de 1862m. Procurei hospedagem no Albergue Peñalara, mas estava fechado. O único lugar aberto e funcionando era o Hotel Residência Navacerrada, porém a mulher fez uma cara de assustada quando me viu entrar de mochila cargueira nas costas e foi logo dizendo que o hotel estava lotado. Já era noite. A única saída era acampar. Procurei o início da trilha do dia seguinte, desviei para dentro da mata com lanterna e encontrei um lugar plano, espaçoso e muito discreto para montar a barraca a menos de 300m da rodovia. 
      Há trem e ônibus ligando Puerto de Navacerrada a Madri (veja nas informações adicionais). 

      Siete Picos
      5º DIA - 21/06/19 - de Puerto de Navacerrada a Cercedilla
      Duração: 6h05 (descontadas as paradas)
      Maior altitude: 2117m no Pico Somontano, em Siete Picos
      Menor altitude: 1149m na ponte do Rio de la Venta, em Cercedilla
      Resumo: subida de Puerto de Navacerrada aos Siete Picos num desnível de 255m e descida a Cercedilla num desnível de 968m
      Desmontei acampamento e voltei à rodovia para ver se havia algum lugar aberto para tomar um café da manhã, mas continuava tudo fechado. Iniciei a caminhada do dia às 8h45 entrando na trilha sinalizada como "Sendero Arias" e "Estacion Ferrocarril" localizada entre o Hotel Residência Navacerrada e o estacionamento dos restaurantes/cafeterias mais acima. Após uma plataforma de teleférico à esquerda o caminho trifurca e fui para a direita. Cruzei uma cancela de ferro e subi à direita e depois esquerda na bifurcação. Cheguei a uma cerca de troncos finos que delimita uma pista de esqui pequena (talvez para iniciantes) e parei para tomar meu desjejum. Às 9h41 continuei subindo pela floresta de pinheiros e alcancei uma grande clareira com outro teleférico. À frente (oeste) já avisto toda a extensão dos Siete Picos. 
      Percorro no sentido sudoeste por 230m um caminho largo que vem do teleférico mas o abandono para tomar um outro um pouco mais estreito à esquerda que me leva à formação rochosa com a pequena estátua da Virgen de las Nieves. Dali se avistam o Pico Peñalara, Bola del Mundo, Puerto de Navacerrada e La Maliciosa. A trilha continua a partir dali e corre paralela ao caminho largo que abandonei. Às 10h48 chego a uma grande clareira gramada onde caberiam muitas barracas, ainda com um lindo mirante uns 100m depois (porém não há água). Retomo às 11h07 o caminho largo que havia abandonado e ele começa a se estreitar ao cruzar uma outra trilha - continuo em frente (noroeste) e tomo a esquerda na bifurcação 45m depois. Começo a subir em direção aos cumes de Siete Picos. Nos 2109m de altitude vou à esquerda numa bifurcação em T e 165m depois já estou no ponto mais alto, o pico conhecido como Somontano, de 2117m, às 11h44. Desnível de 255m desde Puerto de Navacerrada. Porém uma forte neblina havia tomado conta do lugar, mal me deixando ver a formação rochosa do pico, o mais oriental do conjunto.

      Piornos floridos
      Às 12h12 continuo pela trilha da crista, que se divide em várias, mas tento sempre me manter na mais alta. Passo por mais um dos cumes, ainda com muita neblina, e às 12h38 surge uma bifurcação em que se deve continuar à esquerda pois a direita desce a vertente norte da montanha. Na bifurcação seguinte vou para a esquerda e passo por mais um dos cumes. A neblina começa a se dissipar e o dia volta a ficar perfeito para fotos. Paro por 46 minutos para almoçar e curtir o visual. Antes de descer a encosta sul da montanha faço um desvio de uns 50m para alcançar mais um dos cumes às 14h37.
      A partir desse ponto inicio a descida e aos poucos reentro na mata de pinheiros. Na altitude de 1906m saio da trilha principal para subir (escalaminhar) o Pico de Majalasna (1935m), o mais ocidental dos cumes de Siete Picos e um tanto afastado dos outros que se encontram na crista. Do seu alto, às 15h36, avisto La Maliciosa e Peña Águila (as nuvens não me deixam ver mais que isso). Só retomo a caminhada às 16h33. Continuando a descida passo por duas fontes de água mas com muito pouca vazão. Essas fontes são a primeira água que encontro desde o Rio Manzanares, na manhã do dia anterior. Às 17h46 cruzei uma estrada de terra com diversas placas e seguindo 120m para oeste encontrei uma bica com mais água sob um abrigo de pedras (Refúgio del Aurrulaque). Parei para descansar e beber bastante água. Ao cruzar essa estrada de terra estou cruzando novamente a GR 10.
      A partir do abrigo tomei às 18h35 a Vereda Alta: desci no rumo noroeste, cruzei outra estrada de terra e na bifurcação abaixo fui à direita (à esquerda um X pintado numa árvore). Às 18h59 parei em mais uma fonte de água. Surgem trilhas vindo da direita e sigo por 115m um muro de pedras, mas ele continua à direita numa bifurcação em que vou para a esquerda. Às 19h41 chego a uma clareira com muitos caminhos para todos os lados. Fica até difícil descrever em detalhe o que fiz, para resumir tomei a direção sudoeste e alcancei o Caminho del Agua, uma trilha bem larga em que há um cano semi-enterrado. Às 20h13 vou à direita numa bifurcação e já começo a marcar algum lugar discreto para acampar em caso de necessidade, porém logo encontro um portão de ferro e depois algumas casas. Às 20h30 chego à periferia de Cercedilla. Primeiro cruzo uma rua e continuo na trilha em frente. Mais abaixo a trilha termina no asfalto da M-966, onde vou para a esquerda. Com mais 290m, às 20h47, estou na estação ferroviária de Cercedilla, onde tudo começou cinco dias atrás. 
      Ainda havia trens e ônibus para Madri mas eu não tinha reservado nenhum hostel lá e ia chegar muito tarde (o trem sairia 21h33 e deveria chegar a Madri às 22h37). Procurei hospedagem em Cercedilla mas só encontrei lugar caro. O jeito foi me meter na floresta de novo e encontrar um lugar afastado para montar a barraca. No dia seguinte peguei o trem das 8h30 e cheguei às 9h35 à estação de Chamartín, em Madri. Há opções de ônibus também (veja nas informações adicionais). 

      Siete Picos
      Informações adicionais:
      . trens na Espanha: www.renfe.com
      . ônibus 680 - Madri-Cercedilla-Madri: 
      www.crtm.es/tu-transporte-publico/autobuses-interurbanos/lineas/8__680___.aspx
      . ônibus 684 - Madri-Cercedilla-Madri: www.crtm.es/tu-transporte-publico/autobuses-interurbanos/lineas/8__684___.aspx?origen=2
      . ônibus 691 - Madri a Puerto de Navacerrada e Puerto de Cotos
      www.crtm.es/tu-transporte-publico/autobuses-interurbanos/lineas/8__691___.aspx
      . Refúgio em Puerto de Cotos: 32 € o quarto coletivo com café da manhã e jantar, banheiro no corredor. Mais preços no site elrefugiodecotos.com.
      . roteiro adaptado a partir das informações do guia Lonely Planet Walking in Spain, 3ª edição, 2003
      Rafael Santiago
      junho/2019
      https://trekkingnamontanha.blogspot.com.br
    • Por rafael_santiago
      Laguna de los Caballeros
      Início: Cuevas del Valle
      Final: Tornavacas
      Duração: 11 dias
      Maior altitude: 2394m em Pico La Covacha
      Menor altitude: 611m em Jarandilla de la Vera
      Dificuldade: média para quem está acostumado a longas travessias com mochila cargueira. Há grandes subidas e descidas quase todos os dias, com desníveis positivos (subidas) que chegam a 995m.
      A Serra de Gredos se estende no sentido leste-oeste cerca de 130km a oeste de Madri e está inserida nas comunidades autônomas de Castela e Leão e Extremadura (comunidades autônomas na Espanha são mais ou menos como estados no Brasil). Ela está dividida em Maciço Oriental, Maciço Central e Maciço Ocidental. Nesse trekking eu percorri de ponta a ponta o Maciço Central, que vai de Puerto del Pico a Tornavacas. Do 1º ao 9º dia eu caminhei dentro dos limites do Parque Regional de la Sierra de Gredos. O único problema dessa caminhada foi a época escolhida. Em final de junho e início de julho o calor chega próximo dos 40ºC, o que é bastante desgastante e inapropriado para o trekking. No início de junho há o risco de ainda haver bastante neve nos picos mais altos. Creio que a melhor época seja o outono (set, out), antes das neves do final do ano.
      É bom lembrar que o acampamento selvagem nos parques da Espanha é proibido, mas em todo o percurso eu montei a barraca no cair da noite (ou quase), desmontei logo cedo e não deixei nenhum vestígio do meu pernoite no local.

      Serra de Gredos
      1º DIA - 25/06/19 - de Cuevas del Valle à crista da Serra de Gredos
      Duração: 4h (descontadas as paradas e erros)
      Maior altitude: 1839m na crista da Serra de Gredos
      Menor altitude: 844m em Cuevas del Valle
      Resumo: nesse dia encarei a subida inicial da Serra de Gredos a partir da cidade de Cuevas del Valle, com desnível de 995m desde essa cidade à crista da serra
      Na Estacion Sur em Madri tomei o ônibus da empresa Samar às 11h para a cidade de Cuevas Del Valle. Desci do ônibus às 13h52 e aproveitei que havia um restaurante a poucos metros para uma última refeição decente antes de entrar na trilha. Altitude de 844m. Iniciei a caminhada às 15h05 cruzando o asfalto da N-502 e depois a cidadezinha de Cuevas del Valle no sentido norte. Como era hora da siesta, o lugar estava completamente deserto. O calor ajudava a manter as pessoas dentro de casa, longe daquele sol forte. Há uma bica de água fresca num largo logo à entrada da cidade para abastecer os cantis já que não haverá muitas fontes nesse dia. Passei à direita da Capela de Nossa Senhora das Angústias e na bifurcação seguinte tomei a direita, subindo e seguindo a sinalização da GR 293 em direção a Puerto del Pico (para mais informações sobre as trilhas GR: es.wikipedia.org/wiki/Sendero_de_Gran_Recorrido). Esse caminho é chamado de Calzada Romana.
      Mas logo tive de fazer a primeira parada na sombra, por 30 minutos, pois o sol estava fritando. Continuando a subida, fui à direita na bifurcação e encontrei um cocho com água corrente, mas cheio de lama ao redor. Às 16h08 cruzei a N-502 e continuei subindo pelo calçamento de pedras da Calzada Romana. Parei mais três vezes na sombra. Às 17h34 cruzei mais uma vez a N-502 e 17 minutos depois parei na última água do dia para completar todos os cantis. O caminho faz um zigue-zague e já se avista Cuevas del Valle bem abaixo. Passo pelas ruínas do Portazgo (posto de pedágio do século 13) às 18h07 e 10 minutos depois termina a Calzada Romana junto à rodovia (altitude de 1371m). Esse lugar se chama Puerto del Pico (puerto em espanhol significa passo entre montanhas) e aqui entro nos limites do Parque Regional de la Sierra de Gredos. Puerto del Pico é o limite natural entre os maciços central e oriental da Serra de Gredos.
      Continuo por caminho paralelo à N-502 com a extremidade oriental do Maciço Central da Serra de Gredos à minha esquerda esperando para ser "escalada". Entrei no primeiro asfalto à esquerda e caminhei apenas 70m até um portão de ferro com mata-burro ao lado. Não cruzei o portão, entrei na trilha à esquerda antes dele às 18h25. Uns 170m depois entroncou uma outra trilha vindo da esquerda e a segui até encontrar uma cerca. Acompanhei a cerca subindo para a esquerda e ao final dela a trilha desapareceu por alguns metros. Segui os totens e a reencontrei. Já estava subindo a encosta da Serra de Gredos. Do outro lado de Puerto del Pico, a leste, avisto bem marcada a trilha de ascensão ao Pico Torozo, este já pertencente ao Maciço Oriental da Serra de Gredos.
      A subida pareceu ter fim aos 1622m, às 19h28, mas continuou. Procurei me manter à direita para chegar logo à crista. Novamente a subida pareceu ter fim aos 1749m, às 20h19, porém só atingi mesmo a crista da Serra de Gredos às 20h43, aos 1839m. Logo surgiu um aceiro vindo da direita e o tomei para a esquerda. Em 200m cheguei a uma estrada de terra bem no alto da serra (!?) e resolvi parar às 21h17 num lugar plano, abrigado do vento e sem tantas pedrinhas para montar a barraca. A primeira impressão da Serra de Gredos foi empolgante, com ampla visão em 360º. Há muitas formações rochosas de formatos curiosos, com grandes pedras equilibradas umas sobre as outras. Dali do alto também pude contemplar um belo pôr-do-sol às 21h45. Altitude de 1814m.

      Serra de Gredos
      2º DIA - 26/06/19 - pela crista da Serra de Gredos até o Pico Peña del Mediodía
      Duração: 6h35 (descontadas as paradas e erros)
      Maior altitude: 2221m em Peña del Mediodía
      Menor altitude: 1810m
      Resumo: caminhada para oeste pela crista da Serra de Gredos, porém quase não há trilha definida. Procurar o caminho (ou abrir caminho) entre as moitas de piorno foi cansativo.
      Do local onde acampei na crista podia avistar toda a paisagem dos vales ao norte da Serra de Gredos e a continuação da serra para oeste, meu destino nos próximos dias. 
      Deixei o acampamento às 10h42 e voltei a caminhar pela estrada no sentido oeste, mas quando ela fez uma curva para a direita (norte) subi à esquerda sem trilha seguindo totens para me manter na crista da serra. Às 11h39 um amontoado de rochas com uma coluna no topo me chamou a atenção e subi para conferir o que havia ali. Trata-se do cume La Fría, onde foi instalado um vértice geodésico. A visão para oeste se amplia bastante.
      Na continuação, me deparei com um grupo de cabras montesas que imediatamente fugiu, porém um filhote ficou para trás, no alto de uma pedra, apavorado com a minha presença. Ele saiu bem na foto, rs. A encosta norte da serra nesse ponto tem várias estradas de terra e há mais em construção, o que tira todo o "clima" de montanha do lugar. 
      Às 12h25 cruzei uma fileira de mourões sem cerca (ainda) e 32 minutos depois encontrei uma bica de água quase seca, apenas um fio escorria, mas consegui coletar mais abaixo e bebi o máximo que pude pois as fontes são muito raras nessa serra (essa foi a única água desse dia). Um marco de madeira fincado tem uma plaquinha "Senda Puerto del Arenal". Continuei às 13h55 e 190m depois cheguei a uma placa em que se lê: Puerto del Arenal - Ruta Navarredonda-Puerto del Arenal PR-AV 45 (mais informações sobre as trilhas PR em es.wikipedia.org/wiki/Peque%C3%B1o_Recorrido). Nesse ponto chega uma trilha que vem da localidade de El Arenal pela vertente sul da Serra de Gredos e que serve como rota de fuga ou início alternativo a esse trekking. Já vinha avistando El Arenal lá embaixo no vale desde o Pico La Fría.
      Às 16h11 outra placa: Puerto de La Cabrilla - PR-AV 44, que é outro caminho de El Arenal a Navarredonda de Gredos. A partir daqui a serra começa a se mostrar mais florida pois surgem os grandes campos de piorno, que dá flores amarelas em abundância. A dificuldade era abrir caminho entre os piornos já que não encontrava trilha definida e contínua.
      Às 20h05 alcanço a maior altitude do dia no Pico Peña del Mediodía, de 2221m, também com uma coluna e um vértice geodésico. A partir desse pico aparece uma trilha ininterrupta, antes só pedaços de trilhas. Continuando para oeste, 400m depois do pico desvio alguns metros à direita até um marco de granito para fotos. A partir do marco a trilha inicia uma longa descida a um outro "puerto". Desconfiei que seria difícil encontrar um lugar plano para a barraca, então procurei nas imediações do marco, onde o terreno era plano e as moitas de piorno me davam alguma proteção contra o vento. Altitude de 2211m.

      Cabra montesa e ao fundo os picos Almanzor e La Galana
      3º DIA - 27/06/19 - do Pico Peña del Mediodía ao Refúgio Elola
      Duração: 8h30 (descontadas as paradas e erros)
      Maior altitude: 2262m
      Menor altitude: 1948m na Laguna Grande
      Resumo: continuação pela crista da Serra de Gredos passando por dois refúgios em ruínas e descida ao Circo de Gredos, com a Laguna Grande e o Refúgio Elola
      Iniciei a caminhada do dia às 9h10, passei pelo marco de granito e comecei a descer ao Puerto del Peón. A decisão de acampar lá no alto se mostrou muito acertada pois encontrei um grupo enorme de jovens bivacando cerca de 300m antes do puerto. Como é proibido montar barraca eu teria no dia anterior que caminhar bem mais e me afastar deles para poder acampar. Às 9h42 passei pela placa que indica o Puerto del Peón, local que marca uma travessia no sentido sudeste-noroeste da Serra de Gredos e que provavelmente era o roteiro daquele grupo pois não os vi mais.
      Na continuação para sudoeste, a trilha cai por algum tempo para a vertente norte da serra e depois obriga a subir à crista outra vez. Cruzo mais campos de piornos floridos mas em seguida chego a uma região mais árida da serra, um local praticamente só de pedras, e ali, às 11h14, me deparo com as ruínas do Refúgio Los Pelaos, todo de pedras. Há bons espaços para pernoitar protegido do vento desde que você não se impressione com as paredes prestes a desabar. O local também é rota de uma travessia no sentido norte-sul da Serra de Gredos. Uma caminhada alternativa seria subir ao Pico La Mira, de 2343m (desnível de apenas 91m desde as ruínas), mas não encarei. O mais importante: tem água.
      Às 12h33 prossegui na trilha para oeste e 190m após as ruínas atinjo a maior altitude do dia, 2262m (alcançarei outra altitude igual ainda nesse dia). No horizonte a oeste já avisto uma cordilheira com os picos Almanzor, La Galana e o passo Portilla del Rey, pelo qual passarei entre a Laguna Grande e as 5 Lagunas. A trilha volta a cruzar o tapete amarelo de flores e a crista continua o seu sobe-e-desce. Caminho por alguns trechos com calçamento de pedras. Às 15h05 fui à esquerda (sudoeste) numa bifurcação seguindo os totens, sem trilha definida (à direita teria descido a um estacionamento chamado La Plataforma).

      Campos de piorno
      Às 15h21 avistei a oeste o Refúgio del Rey, ainda bem distante. Desci e ao subir ao topo da colina seguinte visualizei a trilha à frente e abaixo. Desci novamente e a encontrei às 16h29. Com mais 8 minutos cheguei ao Puerto de Candeleda (com placas indicando ser a PR-AV 46), outra rota que cruza a serra de norte a sul. Parei para descansar e comer, e para meu espanto apareceu um outro louco solitário fazendo a travessia da serra com um enorme mochilão com não-sei-quantos litros de água. Conversamos um pouco e ele seguiu na frente. Às 17h22 continuei na direção oeste numa longa subida, percorrendo depois uma crista para o norte. Às 18h06 fui à direita numa bifurcação para ver de perto as ruínas do Refúgio del Rey. Ao lado fizeram um cercado com as pedras desabadas que serve como abrigo do vento para um bivaque. Perto do refúgio encontrei água quase parada mas 80m à frente (norte) havia uma ótima bica. Continuei para o norte por uma trilha larga às 18h55. 
      Às 19h17 cheguei a uma cabeceira de vale com capim bem verde e bastante água, ao contrário da secura que vinha enfrentando até aqui. Seguindo os totens cruzei o riacho e subi por um caminho construído com pedras, passando por pequenas lagoas. Às 19h52 uma bonita visão para a esquerda (oeste) das montanhas pontiagudas próximas à Laguna Grande, meu destino nesse dia. Porém a laguna estava bem longe ainda e a descida direta para oeste não se mostrou animadora pela inclinação e ausência de trilha. O jeito foi continuar para o norte, dando uma volta bem grande, mas por trilha bem marcada e segura. Aqui atinjo também a maior altitude do dia, 2262m. Fui à esquerda na bifurcação e comecei a descer. Às 20h33 cheguei a uma bifurcação em T e continuei descendo para a esquerda. À direita se vai à Plataforma e esse é um caminho bastante usado para chegar ao Refúgio Elola. Passei por uma fonte de água e continuei no rumo sudoeste até as margens da Laguna Grande. Contornei toda sua margem leste e sul para enfim chegar ao Refúgio Elola às 21h36, quase no pôr do sol. Esse local é conhecido como Circo de Gredos.
      Este refúgio foi o único que encontrei guardado, ou seja, com guardas, que aliás estavam jantando e por sorte sobrou alguma janta para mim também. Dentro do refúgio deve-se usar apenas chinelos ou crocs, disponíveis em prateleiras na entrada. Há armários com chave. Os quartos são coletivos e têm beliches bem largas onde dormem muitas pessoas uma ao lado da outra, por sorte havia pouca gente e não precisei dormir espremido. A reserva costuma ser obrigatória mas pelo número pequeno de hóspedes não houve problema em não tê-la feito. O banheiro não tem vaso sanitário e sim uma peça de metal com buraco no chão, como no Nepal. Altitude de 1958m.
      Talvez o principal destino dos montanhistas que procuram esse refúgio seja o Pico Almanzor, o mais alto da Serra de Gredos, com 2591m.
    • Por Cyndell Floresta
      Queridos mochileiros, 
      Esse relato é da minha primeira travessia, já havia feito trilhas difíceis e longas, mas uma trilha de dias de duração, foi a primeira. No ano novo de 2012/2013 fui de Trindade até Ponta Negra, acampando na Praia do Sono. Foi então que, encantada com a paisagem selvagem da região inserida em uma Unidade de Conservação, em 2015 eu e mais duas amigas resolvemos ir de Trindade até Pouso da Cajaíba. Gostaria de aproveitar e agradecer os relatos que li aqui no fórum, nos ajudaram muito nessa travessia, posso garantir que não nos perdemos nenhuma vez. Obrigada a todos que colaboram nessa rede. 
      Saímos de São Paulo bem cedo no dia 26/12/2015  de ônibus, rumo a Paraty-RJ. Pedimos ao motorista para nos deixar na entrada da Vila de Trindade, lá esperamos o ônibus Municipal de Paraty para descer até a vila. 
       

      Ponto de ônibus na beira da Rio-Santos, entrada da Vila de Trindade.
      Na foto da esquerda para a direita: Eu, ainda estudante na graduação de Engenharia Florestal, Angela, chilena, na de medicina e a Nara também na florestal.  
      Pegamos o ônibus e descemos no último ponto, a Vila do Oratório. É lá que inicia-se a trilha para a Praia do Sono. Um sol forte, mesmo já tendo passado das 14:00, nos deixou bastante ofegantes, mas a trilha é bem demarcada e fácil. Chegando lá, nos aconchegamos num camping mais ao fim da praia, a fim de ficarmos próximas da trilha para a Praia dos Antigos, seguiríamos bem cedo no dia seguinte
      .  
      Nem começou e já deu uma canseira kkkk.

      Na praia do Sono, depois de desarmar nosso camping.
      De manhã, como combinado, fomos rumo a Praia da Ponta Negra. A primeira parada foi na Praia dos Antigos, lá tem uma pequena queda d'água que desemboca na praia, ficamos lá um bom tempo, estava extremamente quente e o mar era um convite irrecusável nesse paraíso.

      Subida íngrime entre a Praia do Sono e a Praia de Antigos, já de manhã o sol castigava nossas cabeças!
       

      Como podem ver, a Angela resolveu levar seu violão para a viagem!
        
      No cantinho com sombra na praia, passamos um bom tempo curtindo a Praia dos Antigos.

      Paraíso, sem mais.
      Chegando a Praia de Ponta Negra, acampamos no Camping da Branca, resolvemos dormir cedo, pois no dia seguinte faríamos a trilha para a Cachoeira do Saco Bravo, a ideia era passar o dia lá e dormir novamente em Ponta Negra, para só então no outro dia seguir em frente na travessia para a Praia de Cairuçu das Pedras.

      A caminho da Cachoeira do Saco Bravo

      Ponta Negra vista de cima.

      Vista linda da trilha.

      Suando muito, mas tudo muito bem compensado com essa vista verde a perder-se no horizonte. É uma satisfação enorme ver a Mata Atlântica assim S2.

      Minhas queridas!

      Curtindo muito fazer a trilha sem o peso dos mochilões!

      A cachoeira do Saco Bravo é incrível, fiquei realmente impressionada com o lugar. A cachoeira fica no costão rochoso, desaguando portanto no mar. A única forma de acesso é por trilha, não há como ir de barco.

      Reparem na proporção, o tamanho da pessoa lá embaixo.

      Mais uma desse pico incrível. 


      Na volta da trilha, nos deparamos com flores lindas na mata.


      Chegamos no fim da tarde em Ponta Negra, tomamos um banho, jantamos e fomos dar uma volta para se despedir do pico.

      Bateu uma saudade essa foto! Vista linda da Praia da Ponta Negra.
      Partimos pela manhã para Cairuçu das Pedras, a trilha é longa, mas escolhemos ir devagar e parando para curtir a trilha, demoramos cerca de quase 5 horas, com toda certeza dá pra fazer em menos tempo. Porém paramos para comer, curtir algum curso d'água que estivesse pelo caminho e cantar muito com o violão!

      Nessa foto, estamos ainda em Ponta Negra com mochilão e violão!

      Flor extraterrestre.

      Pelo caminho, só as belezas da Mata Atlântica. Reparem nessa bromélia!
      Chegamos em Cairuçu das Pedras ainda de dia. A praia é lindíssima e as águas límpidas. Acampamos no quintal dos caiçaras que nos receberam super bem, o camping fica no alto. De lá, a vista da praia com o céu estrelado é um show e serviu de palco para muitas canções com o violão na única noite que passamos por lá. 

      Uma das fotos mais lindas da viagem!!

      No deck em frente a Cairuçu.

      Mais uma nessa praia maravilhosa.

      Nos munimos de banana para seguir viagem, agora, rumo a Martim de Sá para passar a virada de ano!

      Olhem a vista de Cairuçu!!!
      Bem cedinho, partimos para Martim de Sá, nosso objetivo era passar a virada de ano lá e também ficar alguns dias (mas acabamos estendendo até o dia 12 de janeiro). A trilha foi tranquila,  quando chegamos lá, nos deparamos com o camping bem lotado. Depois de dar várias voltas, conseguimos achar um cantinho legal para armarmos nosso acampamento. Martim de Sá tem uma vibe e energia únicas, é fácil fazer amizades e logo todo mundo vira uma grande família. Nossa estada lá foi i-nes-que-cí-vel, é um verdadeiro paraíso na Terra. 

      Parada para refrescar a caminho de Martim de Sá.

      Impossível não parar a trilha para curtir essa água doce transparente no meio da mata! A trilha também é atração principal, tanto quanto o destino final!
      Martim de Sá tem muita coisa pra fazer, não dá pra ficar entendiado! Tem o Encontro dos Rios, a cachoeiras, além de estar num local estratégico para ir até Cairuçu, Praia da Sumaca e Pouso da Cajaíba num tempo de trilha relativamente curto.
      O ano novo foi demais, foi feita uma fogueira na praia e todo mundo do camping se reuniu para celebrar a passagem do ano, vibe indescritível da galera, o céu "estralando" de estrelas, o clima perfeito!


      Curtindo a praia de Martim de Sá antes da grande virada.

      Um pouco do clima de Martim de Sá!

      Goró na mão pra não passar em branco! kkkk

      Feliz, feliz, feliz.....

      É disso que to falando! S2!

      Fogueira e música.
      Os dias transcorreram com muita alegria e aventura, como disse, acabamos ficando até o dia 12 de janeiro. Nesses dias fomos conhecer a Praia da Sumaca, voltamos a Cairuçu e íamos frequentemente para Pouso da Cajaíba para pegar mais comida e bebidas e dar um alô para nossa família. O camping, assim como em Cairuçu, é bem roots, o que pra mim não é problema algum, lá não tem energia elétrica e nem sinal de celular, é uma experiência única ficar REALMENTE desconectado do mundo moderno, posso afirmar que você curte sua viagem de maneira diferente e com certeza mais intensa. A conexão com a natureza nesse lugar é muito forte e logo começa a transparecer no nosso corpo físico. Eu me sentia extremamente bem lá, sempre disposta e com muita energia! Nosso mental/emocional fica muito ZEN e você se vê sendo gentil, amável e sociável com todas as pessoas. Lugar mágico!

      Cachu em Martim de Sá.


      Em dia de chuva em Martim, era comer e tocar violão.

      Camping esvaziando após a virada de ano.

      Um pouco mais do camping.

      Sossego em Martim.

      Eu no canto direito de Martim de Sá, por onde parte a trilha até o Encontro dos Rios.


      Bica no meio da praia Martim de Sá.

      Cachoeira do escorrega, mais conhecido como escorreguinha. 10 minutos de trilha.

      A caminho da Sumaca.

      Trilha para a Praia da Sumaca, já estávamos próximas.

      Na descida para finalmente chegar a Praia da Sumaca

      Morrendo de calor, mas estamos aí!
      Praia da Sumaca



      A Praia da Sumaca é ma-ra-vi-lho-sa. Dá para acampar também. Assim como em Martim, mora apenas uma família caiçara no local que dispõe de uma área para camping, também sem energia elétrica e sinal de celular: Roots!

      Eu e a praia da Sumaca S2
      Outra grande atração de Martim de Sá é o Encontro dos rios. Um grande curso d'água que deságua direto no mar, para chegar até lá, basta pegar uma trilha rápida no canto direito da praia.

      Angela no Encontro dos Rios.

      Pescaria.

      Na dúvida de pular ou não!
       
      Vai que vai!

      Vários protelando o momento do salto!
      Com tantos dias em Martim, aproveitamos e retornamos num bate-volta até Cairuçu das Pedras com toda a turma do camping!

      Turma reunida para a foto, que lembrança! 
      Após o bate volta para Cairuçu, começava a chegar a hora de partir de Martim de Sá. Aproveitamos nossos últimos dias no paraíso para então levantar acampamento até Pouso da Cajaíba, onde pegaríamos o barco para Paraty.

      Eu e minha irmãzinha Nara aproveitando os últimos dias em Martim.

      Hang Loose!

      Angela, mandando bem nos malabares.

      Abacaxi!

      Em Pouso da Cajaíba, aguardando a saída do barco até Paraty.

      Depois de muitos dias, tomando um guaraná geladíssimo!

      Pouso é uma delícia também, na próxima, pretendo acampar um dia lá antes de ir para Martim de Sá.
      Chegando em Paraty descobrimos que só tinha passagem para dali 2 dias, então aproveitamos duas noites super agitadas na cidade. O bom é que a despedida foi gradual, seria muito abrupto sair daquele lugar tão isolado, rodeado pela natureza, e já ir direto para São Paulo!
      Espero que tenham gostado do relato dessa odisseia. Recomendo muito esta aventura, estou a disposição para tirar dúvidas! Aliás, foi ótimo relembrar a viagem através desse breve relato, é o meu primeiro, então pode não estar bem estruturado, mas tentei passar um pouco da minha experiência com as fotos e os textos breves!
      No inicio deste ano (2019), fiz uma viagem de uma semana para a Praia do Puruba em Ubatuba, lugar mágico! Em breve farei o relato dessa trip! 
      Abraços, mochileiros! 
       
       
       





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