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Diego Minatel

O nosso norte é o sul: Atravessando Brasil e Argentina até Ushuaia ou O caminho para o fim do mundo

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16 horas atrás, appriim disse:

@Diego Minatel Que delicia de relato, Diego! Tô viajando com você e relembrando da minha viagem :)

Valeu, @appriim! Que massa que esteja curtindo o relato. Eita, quando esteve por aqueles cantos? Curtiu demais? Se apaixonou por El Chaltén? 

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1 hora atrás, Diego Minatel disse:

Valeu, @appriim! Que massa que esteja curtindo o relato. Eita, quando esteve por aqueles cantos? Curtiu demais? Se apaixonou por El Chaltén? 

Fui final de ano, sai dia 20/12 e fiquei até 05/01! Deixei um pedaço do meu coração El Chaltén, cidade encantadora, com uma energia boa demais. Adorava ver todo mundo na rua com roupa de trilha, cheios de casaco, segurando um bastão de trekking. A melhor parte era sair da trilha, suja, cheio de pó ,ir pro bar e todo mundo estar assim também 😂

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1 hora atrás, appriim disse:

Fui final de ano, sai dia 20/12 e fiquei até 05/01! Deixei um pedaço do meu coração El Chaltén, cidade encantadora, com uma energia boa demais. Adorava ver todo mundo na rua com roupa de trilha, cheios de casaco, segurando um bastão de trekking. A melhor parte era sair da trilha, suja, cheio de pó ,ir pro bar e todo mundo estar assim também 😂

Eita, é recente também, que massa, pode ser que dividimos as mesmas trilhas. Aquele lugar é fascinante, todo mundo está lá pra caminhar até dizer chega. To escrevendo sobre El Chaltén agora e tá batendo uma saudade monstra daqueles dias.  

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21 horas atrás, Diego Minatel disse:

Eita, é recente também, que massa, pode ser que dividimos as mesmas trilhas. Aquele lugar é fascinante, todo mundo está lá pra caminhar até dizer chega. To escrevendo sobre El Chaltén agora e tá batendo uma saudade monstra daqueles dias.  

Não duvido 😂 Cheguei dia 30/12 em El Chaltén. Deixei ela por último porque sabia que seria trilha e mais trilha. Logocomeço a escrever meu relato de El Chaltén. Coração vai apertar.

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Parte 13 - O paraíso tem nome, El Chaltén

"O escafandro já não oprime tanto, e o espírito pode vaguear como borboleta. Há tanta coisa pra fazer. Pode-se voar pelo espaço ou pelo tempo, partir para a Terra do Fogo ou corte do rei Midas. Pode-se visitar a mulher amada, resvalar junto dela e acariciar-lhe o rosto ainda adormecido. Construir castelos de vento, conquistar o Velocino de Ouro, descobrir a Atlântida, realizar sonhos de infância e as fantasias da idade adulta." O escafandro e a borboleta, Jean-Dominique Bauby

O ônibus corria sozinho pela Ruta 40, o Lago Argentino estava a minha a esquerda. Não cansava de olhar por diferentes ângulos aquele lago azul que mais se parecia com um mar. Dentro do ônibus o som era uma mistura de idiomas. Quando o ônibus deixou a Ruta 40 e seguiu pela Ruta 23, a surpresa foi expressa em variadas interjeições: "Uau!", "Wow!", "Oh!", "Eita!". Agora todos os olhos miravam o Monte Fitz Roy que se anunciava ao fundo. Na minha esquerda, o Lago Argentino deu lugar para o Lago Viedma. A cada quilômetro conquistado, maior ficava o Monte Fitz Roy e seus companheiros Agulha Ponceinot e Agulha Saint-Exupéry. Os três lado a lado formam uma espécie de degrau. O sol descia em direção dos cumes, já era possível avistar o Cerro Torre, mais a esquerda, com seu diferente pico. As nuvens tocavam o topo do Monte Fitz Roy e os glaciares em volta já podiam ser visto com mais clareza. O ônibus adentrou na cidade de El Chaltén, e nesse momento Fitz Roy, Poincenot, Saint-Exupéry ficam escondidos atrás dos diversos morros que cercam a cidade.

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Foto 13.1 - Parada entre El Calafate e El Chaltén

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Foto 13.2 - Na janela do ônibus avistando o Monte Fitz Roy

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Foto 13.3 - Fitz Roy é o maior

El Chaltén é uma cidadela que fica dentro do Parque Nacional Los Glaciares e tem pouco mais de mil habitantes. A cidade é rodeada de montanhas, lagos, glaciares e trilhas, e é considerada a capital argentina do trekking. Chaltén é uma palavra da língua tehuelche que significa a montanha que toca as nuvens, em nítida referência ao Monte Fitz Roy. El Chaltén abriga dois dos picos mais difíceis de escalar deste planeta: Cerro Torre e Cerro Fitz Roy, isso faz com que a cidade seja objeto de desejo dos principais escaladores do mundo.  

Saímos caminhar pela charmosa El Chaltén com os mochilões nas costas. O dia estava quente e com algumas nuvens no céu. A cidade é fascinante, toda calma, organizada e bonita. Existem diversos monumentos em referência a mochileiros e montanhistas. Em resumo vê-se pelas ruas da cidade restaurantes e hotéis/hostels, tudo é relativo ao turismo ali. Falando da beleza natural do lugar, a cidadela fica dentro de um vale cercada por morros que lembram uma paisagem de deserto, mas existem inúmeros rios e lagos que rodeiam a cidade.

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Foto 13.4 - Bienvenidos a El Chaltén

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Foto 13.5 - A entrada de El Chaltén

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Foto 13.6 - A cidade do trekking

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Foto 13.7 - A pacata El Chaltén

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Foto 13.8 - As casas no vale

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Foto 13.9 - El Chaltén

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Foto 13.10 - El Chaltén [2]

O que mais me chamou a atenção nessas primeiras horas por El Chaltén foi caminhar pela rua José Antonio Rojo. No fim dessa rua tem um morro que impede a visão do horizonte, mas o curioso que bem na direção do Fitz Roy tem tipo uma janela, ou um degrau, no morro que permite ver somente o Fitz Roy e as pontinhas do Saint-Exupéry e do Poincenot. Coisa linda!

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13.11 - A janela para o Fitz Roy

Fomos até o Camping La Torcida, o mais barato de El Chaltén, a diária estava cerca de vinte e cinco reais. La Torcida é um camping bem pequeno, mas tem uma boa estrutura para cozinhar, um bom banheiro, além de uma área de convivência. Montamos acampamento, comemos os cachorros quentes que sobraram de El Calafate e decidimos fazer a trilha Laguna De Los Tres naquela madrugada, pois a previsão do tempo indicava que era o melhor dia. A trilha Laguna De Los Tres é a principal trilha de El Chaltén, é a que leva você na base do Monte Fitz Roy.

Vale lembrar que no parque existem diversas áreas de acampamento gratuito, mas estes estão distantes da cidade e servem de apoio para as pessoas que irão fazer caminhadas de vários dias, não há nenhuma estrutura nestes acampamentos. A princípio, iríamos utilizar um dos acampamentos gratuitos ao menos uma vez, assim emendaríamos diversas trilhas. Porém, era final de ano, a cidade estava cheia, o camping La Torcida estava num preço bom e eles não reservavam lugar caso tirássemos nossas barracas. Então, para não correr riscos depois, de não ter lugar no La Torcida e ter que pagar caro em outro lugar, resolvemos ficar por ali e fazer todas as trilhas saindo da cidade.

O despertador gritou, era pouco menos de uma da manhã. Peguei a mochila que servia de travesseiro e coloquei-a nas costas. Sai da barraca, escovei meus dentes e aguardei o Matheus na frente do acampamento. Saímos caminhando pela cidade rumo a entrada da trilha. O céu estava estrelado. As primeiras subidas do caminho ajudava aquecer o corpo naquela noite fria. Só escutava o som dos nossos passos e o barulho do vento. Na minha frente o escuro era cortado pelas luzes de nossas lanternas. Os passos seguiam, caminhávamos num bom ritmo. Conforme íamos avançando encontrávamos outras pessoas pelo caminho. Eu pouco enxergava, além de escuro e feixes de luz. Quando chegamos no Mirante do Fitz Roy, toda a mata alta que impedia de visualizar o horizonte não existia mais. Nessa hora, a mirar os olhos à frente, vi das coisas mais assustadoras e incríveis da minha vida. Naquela escuridão, surgiu o contorno do Fitz Roy. Não parecia real, até me belisquei para verificar se era verdade a sombra daquele monstrão de granito. O frio na barriga surgiu junto com a vontade de me aproximar mais e mais.

Continuamos a caminhada, agora a trilha segue plana e numa vegetação rasteira. Caminhávamos de frente para o Fitz Roy, as estrelas iluminavam o caminho. Não conseguia pensar em nada, não tirava os olhos do maciço de granito e com isso ia acumulando tropicões. Em determinadas partes, desligava a lanterna, caminhava por instinto. Ao nos aproximarmos do acampamento Ponceinot o som do vento ganhava a companhia de vozes humanas. Chegando no acampamento, toda a galera que estava acampando por ali acordava para começar a caminhada até a base do Fitz Roy. Aproveitamos para descansar uns cinco minutos e comer umas bolachas.

Depois do acampamento, segue a última parte da trilha. O Fitz Roy fica escondido atrás do morro de acesso. Agora é subir e subir. A subida não chega ser das mais difíceis, mas a madrugada facilita a empreitada. Nessa parte, a trilha estava entupida de gente. Cada grupo que ultrapassávamos um idioma diferente era escutado. O mundo todo estava representado naquela subida. Eu só conseguia pensar em chegar, parar pra descansar nem pensar. A cada passo dado, mais visível o cume do Fitz Roy ficava. Afinal, só o cume era visível, o resto do Fitz Roy, o Poincenot e o Saint-Exupéry ficam escondidos até a subida final. Ao chegar no fim da trilha, surge de uma vez só o Saint-Exupéry, Poincenot, o lindão do Fitz Roy e a Laguna De Los Tres. Sem exageros, meu coração disparou naquele momento. Aquela cena foi mais que demais, era a beleza em seu esplendor.

O relógio marcava quatro e meia da madrugada, o frio ali em cima era intenso. O sol não esboçava se levantar. Nos protegemos do vento atrás de uma pedra. As pessoas iam chegando e se ajeitando no entorno daquele cenário. Todos tinham o mesmo objetivo, o de acompanhar o nascer do sol na companhia do Fitz Roy. Tremendo, acompanhei os primeiros raios de sol que surgiam na direção da cidade. Uma linha laranja ia aumentando no horizonte. Depois de alguns minutos, o sol surgiu para amenizar o frio e iluminar os gigantes de granito. Cada posição do sol, uma nova iluminação e uma coloração diferente para o Fitz Roy e para a Laguna De Los Tres. Acompanhar esses nuances é do caralho.

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Foto 13.12 - Saint-Exupéry, Poincenot e Monte Fitz Roy, na escuridão

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Foto 13.13 - Saint-Exupéry, Poincenot e Monte Fitz Roy, nos primeiros brilhos de sol

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Foto 13.14 - Saint-Exupéry, Poincenot e Monte Fitz Roy, o sol continua subindo

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Foto 13.15 - Saint-Exupéry, Poincenot e Monte Fitz Roy, em tons de azul

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Foto 13.16 - Saint-Exupéry, Poincenot e Monte Fitz Roy com o sol de frente

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Foto 13.17 - Saint-Exupéry, Poincenot e Monte Fitz Roy com o sol acima

(A ordem das fotos seguem a sequência temporal em que foram tiradas, essas fotos foram tiradas num intervalo menor que duas horas. Isso da pra dar uma noção de como é mágico acompanhar o nascer do sol a beira da Laguna De Los Tres, pois têm-se diferentes cenários em um mesmo cenário. )

Vou me atentar a falar dos caras que dão os nomes aos três principais picos desta paisagem: Saint-Exupéry, Poincenot e Fitz Roy. Antoine de Saint-Exupéry é aquele mesmo que escreveu O Pequeno Princípe, mas você me pergunta: - Por que esse francês dá nome a esse pico na Argentina? Bom, saber eu sei, mas não estou de acordo. O motivo é porquê Saint-Exupéry foi aviador, além de escritor, e pioneiro em voos postais na região patagônica. Jacques Poincenot foi um alpinista francês e morreu numa expedição francesa que tinha como objetivo alcançar o topo do Fitz Roy pela primeira vez, isso ocorreu no ano de 1952 e depois disso o segundo pico mais alto do Maciço Fitz Roy recebeu seu nome. Robert FitzRoy foi o capitão do navio da famosa viagem de Beagle, na qual Charles Darwin participou e coletou as evidências de sua Teoria da Evolução. A viagem de Beagle tinha como objetivo mapear o sul da América do Sul, portanto, a viagem tinha uma ligação direta com a Patagônia. O verdadeiro nome do Monte Fitz Roy é Chaltén que era a maneira que os ameríndios Tehuelches chamavam o monte.

O Monte Fitz Roy tem 3375 metros de altitude e é a montanha mais alta do Parque Nacional Los Glaciares. O monte é considerado um dos picos mais difíceis de se escalar, a soma de aproximação por glaciar, escalada em rocha, escalada em gelo, seus paredões verticais de dificuldade extrema, além do clima maluco da região, fazem do Fitz Roy a menina dos olhos de todo escalador de elite.

O sol já queimava em cima de nós. As muitas pessoas que estavam no nascer do sol se reduziram a poucas. Agora o silêncio dava as caras. Preparei um café amargo para o café da manhã. Eu já tinha certeza que aquele lugar era o meu lugar preferido no mundo. Ficar ali contemplando o Fitz Roy e seus amigos é das coisas mais fáceis que existe, você sai de si e quando se dá conta, ficou minutos alheio do mundo. Era muito bom não pensar em nada, esquecer quem eu era. O granito dos maciços estava numa cor alaranjada, pareciam incandescentes, e a lagoa tinha uma coloração escura. Nesse momento paramos nossa contemplação e registramos nossa estadia junto ao Fitz Roy. Aproveitamos para caminhar em todo seu entorno. 

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Foto 13.18 - Matheus e o Fitz Roy

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Foto 13.19 - Eu no meu lugar favorito do mundo

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Foto 13.20 - Matheus fingindo meditar (risos)

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Foto 13.21 - A mesma pose da outra foto

Descemos até a Laguna De Los Tres para ver o Fitz Roy por outro ângulo. Aproveitei para tocar naquelas águas geladas, mas não tive coragem de mergulhar. Depois seguimos pela trilha que margeia a lagoa que dá acesso a Laguna Sucia. A caminhada é curta, pouco menos de dez minutos. De cima, avista-se a Laguna Sucia e suas águas de cor azul turquesa. Outro presente aos olhos a Laguna Sucia, o mais curioso que quase ninguém vai até ela por não saberem de sua existência. Uma vez feita a trilha até a Laguna De Los Tres é obrigatório seguir para conhecer a Laguna Sucia.

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Foto 13.22 - Na beira da Laguna De Los Tres

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Foto 13.23 - Matheus na Laguna Sucia

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Foto 13.24 - Laguna De Los Tres

Despedir-se daquele lugar não é algo fácil, dar as costas ao Fitz Roy é complicado. Não sei explicar o que é estar ao lado daquela montanha tão mística. Existe uma força que te chama para ela, e ao lado dela tudo parece fazer sentido. Mesmo sabendo que é suicídio, dá vontade demais de tentar chegar em seu topo. Estou tão perto, por que não seguir? Não tem quem não se apaixone ao estar de cara com aquela montanha toda cheia de curvas. Agora entendo um pouco do porquê de toda mística envolta daquela montanha, ela simplesmente te chama e em troca te oferece paz. Ir embora querendo ficar, em todos os sentidos, é das coisas que mais me deixa puto, queria ficar ali por dias e até mesmo chegar em seu topo, mesmo não manjando quase nada de escalada. Enfim, seguir a razão é foda, mas tinha que continuar a caminhada. Segui meu caminho, mas com certeza deixei uma parte de mim naquele lugar e com mais certeza sei que levei muito daquele lugar dentro de mim. 

Começamos a descida. Depois de uns dez minutos de caminhada, um cara passou por mim correndo. Caralho! O cara tava fazendo a trilha correndo. Mais tarde cheguei ver mais dois caras que fizeram a trilha correndo desde de El Chaltén. São 10 km de trilha (só ida) e muitas subidas, tem que estar na vontade de fazer isso correndo. A caminhada continuou, a vista é toda bonitona e aproveitamos para observar toda a paisagem que tínhamos percorrido no escuro. Chegamos no acampamento Poincenot, comemos e demos uma descansada.

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Foto 13.25 - A vista contrária próximo a Laguna De Los Tres

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Foto 13.26 - Indo embora

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Foto 13.27 - Matheus cruzando o rio

Logo na saída/chegada do acampamento Poincenot tem a bifurcação para a trilha do Glaciar Piedras Blancas. Seguimos o caminho para conhecer o glaciar. A trilha é tranquila, quase toda plana e com paisagens lindíssimas. Ao chegar de frente ao glaciar, a visão não é das melhores, é necessário se dependurar em uma árvore para ter uma boa visão do glaciar e a lagoa formada no seu entorno. Outra paisagem incrível. 

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Foto 13.28 - Glaciar Piedras Blancas

Voltamos pelo mesmo caminho até a bifurcação entre a trilha da Laguna de Los Tres e a trilha Piedras Blancas. Depois seguimos o caminho de volta até El Chaltén pela mesma trilha que tínhamos percorrido pela madrugada. No meio do caminho há outra bifurcação, voltar pelo Mirante do Fitz Roy ou pela Laguna Capri. Resolvemos seguir pelo Mirante e conservar nosso caminho da madrugada. Aquela visão que me assustou (pela sua imensidão) horas antes, agora estava magnifica. A sombra deu lugar a diversas cores. Que visão é aquela, meu amigo. O Fitz Roy não se cansa de ser bonitão, nunca. Continuamos a caminhada. No fim da trilha estávamos esgotados, mais por causa de não ter quase dormido e por não ter almoçado, mas mesmo assim resolvemos seguir para a trilha do Chorrillo del Salto.

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Foto 13.29 - Matheus para a volta para olhar pro Fitz Roy

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Foto 13.30 - O caminho de volta

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Foto 13.31 - Mais uma foto do Fitz Roy

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Foto 13.32 - Mirador del Fitz Roy

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Foto 13.33 - Mirador del Fitz Roy

A caminhada é tranquila até o Chorrillo, mas o cansaço dificultou nosso caminho. Quando chegamos de frente com a cachoeira, só queria deitar e tirar as botinas. Fazia mais de 14 horas que estávamos em trilhas e agora a conta havia chegado. A cachoeira é toda bonitinha, mas nada que surpreenda, ainda mais depois de conhecer o Fitz Roy. Por ser de fácil acesso, a cachoeira é cheia de gente, e isso me incomodou um pouco, mas tava tão cansado que só pensava em massagear meus pés. Ficamos um bom tempo ali na companhia da cachoeira. Depois seguimos o sacrilégio de caminhar varados de fome. Só conseguia pensar em comida quente. Não tinha sido uma boa ideia só levar lanches para a caminhada. O sono tava pegando também.

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Foto 13.34 - O caminho para o Chorrillo del Salto

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Foto 13.35 - O caminho para o Chorrillo del Salto

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Foto 13.36 - O caminho para o Chorrillo del Salto

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Foto 13.37 - Chorrillo del Salto

Chegamos no camping esfomeados, depois de quase 40 km de trilhas no dia. Preparamos um macarrão com todos os ingredientes que tínhamos. Ficou bom demais. Comi e dormi. Acordei de manhãzinha do outro dia. Fui logo pra cozinha fazer um café da manhã. Eu e o Matheus havíamos decidido fazer a trilha até a Laguna Torre neste dia. Sem pressa, comemos e aprontamos nossas coisas para a caminhada. Era quase nove horas da manhã quando adentramos na trilha que leva até as proximidades do Cerro Torre, a entrada da trilha fica pertinho do camping

O bom de se estar em El Chaltén, pelo menos para mochileiros, é que não é preciso de carro para quase nada. A maioria das entradas das trilhas do parque estão nas proximidades da cidade, o que te dá uma boa autonomia. Tudo se faz caminhando, mesmo que leve um dia inteiro. Não precisa levar muita água para as caminhadas, tem água potável por todos os cantos. Outra coisa legal, é que todas as trilhas e lugares a se visitar em El Chaltén são gratuitos. Então, acampando e cozinhando sua própria comida o rolê por lá fica bem barato.

A trilha até a Laguna Torre é bem tranquila se comparada com a do Fitz Roy, são 9 km até a Laguna Torre e mais 2 km se quiser chegar de frente ao Glaciar Grande e do Cerro Torre. O dia estava bonito, mas com uma incidência grande de nuvens, principalmente perto das montanhas. Quando chegamos no primeiro mirante não foi possível avistar o Cerro Torre e seus dois picos vizinhos, todos estavam cobertos por nuvens.

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Foto 13.38 - No início da trilha

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Foto 13.39 - Ainda pelo início

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Foto 13.40 - Trilha Laguna Torre

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Foto 13.41 - Mirante Torre

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Foto 13.42 - Glaciar Grande e a direita o Cerro Torre coberto por nuvens, ainda mais a direita o Fitz Roy

A caminhada continuou com aquela sensação de que a natureza não ia nos permitir ver nitidamente o Cerro Torre. Porém, foi bem tranquilo o caminhar até a Laguna Torre, fomos conversando e andando lentamente. Pelo caminho fomos encontrando pessoas que havíamos conhecido em Ushuaia e El Calafate. Chegamos na Laguna Torre, no fundo da lagoa dava para ver o imponente Cerro Torre ao lado do Glaciar Grande. As nuvens tinham sumido em sua maioria, mas o famoso topo do Cerro Torre ainda estava encoberto. O legal que havia pedaços de gelo por toda a lagoa. Ficamos alguns minutos por ali e seguimos para o Mirador Maestri.

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Foto 13.43 - A caminhada continua

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Foto 13.44 - Matheus caminhando

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Foto 13.45 - Laguna Torre e o topo do Cerro Torre encoberto 

O caminho para o mirador é só subida e margeia a Laguna Torre, nada muito difícil também. A maior dificuldade são os trechos a beira do desfiladeiro com o típico vento forte patagônico. Enquanto caminhávamos, as nuvens no Cerro Torre se moveram para longe e pela primeira vez consegui ver o topo do Cerro Torre, que mais se parece com um cogumelo. Parei pra observar. Coisa linda. Depois de ter feito o Fitz Roy primeiro, tinha uma certa preocupação em não conseguir mais me surpreender com as paisagens de El Chaltén, ledo engano. No Mirador Maestri me sentei numa pedra e fiquei esperando o Matheus terminar sua caminhada. Havia nós dois e mais três pessoas naquele lugar tão mágico. O silêncio só não era absoluto por causa do vento. Eu só ficava pensando em como alguém consegue escalar aquele peculiar topo.

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Foto 13.46 - Enfim, o Cerro Torre apareceu

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Foto 13.47 - Glaciar Grande, Eu e o Cerro Torre

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Foto 13.48 - Glaciar Grande

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Foto 13.49 - Eu observando o Cerro Torre

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Foto 13.50 - Matheus e o Glaciar Grande

O Cerro Torre tem 3102 metros e por muito tempo foi considerada uma montanha impossível de escalar. A história da primeira ascensão ao topo é cheia de controvérsia. O italiano Césare Maestri, o mesmo que dá o nome ao mirante, diz ter chegado ao topo em 1959 junto com o austríaco Toni Egger. Na descida eles foram pegos por uma avalanche, e só o Maestri saiu vivo. Porém, as fotografias e as evidências da conquista do topo foram perdidas para sempre. Nisso, com o passar dos anos a ascensão de Maestri foi sendo contestada. Assim, nos registros a primeira ascensão ao topo do Cerro Torre é datada em 1974 pelos alpinistas Daniele Chiappa, Mario Conti, Casimiro Ferrari e Pino Negri.

Voltamos a trilha do Mirador Maestri e margeamos o outro lado da lagoa. Depois seguimos o caminho de volta até o acampamento Agostini e preparamos nosso almoço. Dessa vez cozinhamos uma sopa que deu uma boa energizada. Descansamos um pouco e na sequência continuamos o caminho de volta da trilha da Laguna Torre até a bifurcação com a trilha das Lagunas Madre y Hija. Continuamos pela Madre y Hija, essa trilha conecta as trilhas da Laguna De Los Tres (Fitz Roy) com a Laguna Torre e tem 8 km de extensão. A trilha tem um pouco de subida no início, depois segue plana até o encontro com a trilha do Fitz Roy. Novamente, pegamos o caminho de volta por esta a trilha, a única diferença que dessa vez na bifurcação optamos por seguir pela Laguna Capri. 

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Foto 13.51 - Laguna Hija

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Foto 13.52 - Laguna Hija

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Foto 13.53 - Laguna Hija

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Foto 13.54 - Laguna Madre

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Foto 13.55 - Vista do Fitz Roy da trilha Madre y Hija

Encerramos o dia caminhando mais de 30 km. Chegamos no camping, cozinhamos, calmamente, a nossa salvadora lentilha e nos demos direito de comprar um refrigerante para acompanhar o jantar. Antes de ir para El Chaltén fizemos uma compra no supermercado de El Calafate, pois havíamos lido que os mercados de El Chaltén eram caríssimos. Ao comprar o refrigerante neste dia, ficamos analisando os preços de El Chaltén, realmente, são mais caros, mas não tão mais caros que El Calafate ou Ushuaia (que já são caras). 

Hoje o dia seria mais tranquilo, pois resolvemos fazer trilhas mais curtas e mais próximas da cidade. Acordamos um pouco mais tarde. Tomamos café com calma. O dia estava nublado. No meio da manhã, partimos para entrada da cidade e entramos na trilhas dos Mirador de Los Condores e do Mirador de Las Águilas. Primeiro fomos na dos Condores, lá no topo o vento tava muito forte, tive que sentar e me segurar para não sair voando. Foi uma boa experiência estar a ponto de voar (risos). Tem-se uma bela visão área de El Chaltén do Mirador de Los Condores. Já no Mirador de Las Águilas o plano de fundo é o lago Viedma e a Ruta 23. Depois seguimos caminhando pela Ruta 23 até cansar.

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Foto 13.56 - Mirador de Los Condores

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Foto 13.57 - Mirador de Las Águilas

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Foto 13.58 - Mirador de Las Águilas 

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Foto 13.59 - Ruta 23

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Foto 13.60 - Ruta 23

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Foto 13.61 - Eu na Ruta 23

De volta ao camping, encontramos o Bruno, o motoqueiro que havíamos conhecido em Ushuaia. Ele estava acompanhado da chilena Cláudia e do israelense Gal, eles haviam se conhecido em Torres Del Paine. Foi bom encontrar uma cara conhecida por ali. Até então, o camping estava dominado por franceses que não socializam muito e dominavam a cozinha como uma extensão de suas barracas.

Mais tarde, a Cláudia trouxe para visitar o camping o Hugo, o ciclista que conhecemos em Rio Gallegos. Nessas horas vemos como o mundo é pequeno. A Cláudia conhecia o Hugo de Ushuaia. Em Ushuaia conhecemos um casal de brasileiros, que viajavam de carro, que havia dado carona para o Hugo e sua bicicleta no trecho do Estreito de Magalhães até Rio Grande. A Cláudia sabendo da chegada do Hugo, trouxe ele para conhecer os brasileiros que estavam no mesmo camping que ela. Nos reconhecemos na hora. Sempre soube que reencontraria o Hugão nesta viagem, mas imaginava que seria na estrada. Foi bem bom rever aquele maluco.

No outro dia acordamos bem cedo, era o dia de fazer a trilha Loma Del Pliegue Tombado. São quase 25km contando ida e volta saindo de El Chaltén. A trilha começa na entrada/saída de El Chaltén pela Ruta 23, o início da trilha é o mesmo das trilhas para os mirantes dos Condores e das Águias. A trilha na ida é basicamente só subida, são três horas de subidas e mais subidas. No meio do caminho encontramos uma placa no mínimo esquisita, falando para tomar cuidado que ali era área de vacas selvagens. Eu na minha ignorância nem sabia que ainda existiam vacas selvagens.

O caminho é todo bonitão, passa-se por campos abertos, por zonas de mata fechada, muito verde pelo caminho. O tempo tava meio esquisito neste dia, quanto mais subia mais esquisito ficava. A chuva estava intermitente. Quando saímos da mata fechada e pegamos o trecho de montanha que dá acesso ao mirador do Pliegue Tombado a chuva veio de vez. O vento passou a ser forte também. Caminhar esses últimos dois quilômetros foi difícil. A subida é bem puxada, e cada pingo no rosto parecia uma pedrada. Quase no topo a chuva passou a ser de granizo. Granizo junto com o vento patagônico não é uma mistura legal, a sorte que as pedras eram pequenas. Agora, realmente tomando pedradas na cara percorremos os últimos metros até o Pliegue Tombado. Chegamos e nos escondemos atrás de uma pedra. Depois, mais três pessoas chegaram ali e ficamos os cinco encolhidos atrás da pedra. Não deu pra aproveitar muito o visual, pois estava frio, ventando forte e chovendo granizo. Ficamos lá um bom tempo na espera de melhores condições. Quando já não era mais uma boa ideia ficar ali, resolvemos começar a volta.

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Foto 13.62 - Matheus no início da trilha

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Foto 13.63 - Matheus e El Chaltén no fundo

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Foto 13.64 - Eu perto da placa de vacas selvagens

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Foto 13.65 - Eu "quase" chegando no Pliegue Tombado

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Foto 13.66 - Loma Del Pliegue Tombado

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Foto 13.67 - Pouco vento, pouco frio

Quanto mais descíamos, mais suportável ia ficando o clima. Acho que essa trilha fica ainda melhor no sentido contrário, a paisagem consegue ser mais bonita. No trecho da montanha, tem-se uma visão lindíssima do Lago Viedma no fundo. Chegamos na mata fechada e já não chovia mais, aproveitamos para aprontar um café amargo e o almoço. Ficamos um bom tempo de bobeira ali depois de comer, descansando um pouco e aquecendo o corpo com o café quente. Seguimos a descida, a trilha na volta é muito tranquila, descida toda vida. Chegamos até correr em alguns trechos. O tempo ajudou na descida, tava aberto, mas só foi chegar em El Chaltén que a chuva chegou com tudo.

A cena engraçada da descida foi quando passamos pela placa de vacas selvagens, novamente. Na placa tem umas dicas de como agir caso elas ataquem, o Matheus ficou meio assustado com aqueles avisos. Assim, quando terminamos uma curva e demos de frente com uma vaca selvagem, o Matheus entrou em choque e saiu correndo (risos). A vaca era deboas, não esboçou nenhuma reação quando nos viu, eu passei por ela caminhando. Eu caguei de dar risada, o Matheus voltou para a trilha todo encabulado se justificando que a cena foi respeito a natureza (risos). 

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Foto 13.68 - Lago Viedma

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Foto 13.69 - Matheus encapuzado na descida

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Foto 13.70 - O caminho de volta

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Foto 13.71 - Quase em El Chaltén

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Foto 13.72 -  A pedra que não cai

Chegamos no camping ainda era meio da tarde. Bruno, Cláudia e o Gal estavam por lá também. Compramos umas cervejas e ficamos jogando Jenga. O Gal não parava de cantar Bum Bum Tam Tam, eu chorava de rir quando ele ficava em modo infinito cantando o refrão. Ele até alternava para outras músicas de funk que conhecia, mas sempre voltava para Bum Bum Tam Tam. Gal foi o primeiro israelense funkeiro que eu conheci, e o pior que ele leva mesmo jeito pra coisa (risos). Depois mostrei para ele a música que leva o nome dele, Meu nome é Gal. O mais legal era a amizade do Gal e do Bruno. Os dois não se comunicavam por uma língua comum, era tudo por gestos ou por músicas que um mostrava para o outro no youtube. Os dois se entendiam muito bem assim, onde um tava o outro também estava.

Pela noite chegou a Renata no camping. Ela tinha chegado neste dia em El Chaltén e estava hospedada num hostel. Ela é amiga do Matheus de longa data e foi passar a noite junto conosco. Entre cervejas, ficamos conversando a noite toda. Foi legal juntar quatro brasileiros e ficar falando somente em português, assim, deu para falar sobre tudo o que era assunto. Foi uma boa noite.

No nosso último dia em El Chaltén, que coincidentemente era véspera de Natal, resolvemos ficar de bobeira. No fim da manhã, a Renata nos chamou para acompanhá-la até os Miradores de Los Condores e de Las Águilas. Foi bem bacana caminhar com ela e conhecê-la um pouco mais. Renata é uma mulher de boa conversa e sorriso fácil, impossível não gostar dela. O dia estava bem bonito e o vento mais sossegado. Calmamente visitamos os dois mirantes. Depois caminhamos um pouco pela Ruta 23. Era uma reprise do nosso quarto dia na cidade, mas com a mais que boa companhia da Renata e com os condores no céu. 

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Foto 13.73 - Fitz Roy visto do Mirador de Los Condores

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Foto 13.74 - O trio: Eu, Renata e Matheus

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Foto 13.75 - Renata no Mirador de Las Águlas

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Foto 13.76 - Renata e Matheus

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Foto 13.77 - Ruta 23

Na volta passamos pelo mercado e compramos os ingredientes para nossa ceia de Natal. Depois passamos no Che Empanadas e comemos as melhores empanadas da viagem. O lugar é bem legal, todo decorado com a história do Che Guevara. A temporada de caminhadas havia se encerrado. A Renata seguiu para seu hostel e nós seguimos para o camping. Não havia mais ninguém acampado no La Torcida, além de nós e do Bruno. O pessoal que trabalha no camping já estavam arrumados para ir comemorar o Natal, me despedi deles e fui tomar banho.

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Foto 13.78 - Mensagem no muro de El Chaltén

A Renata e o Matheus começaram a preparar as carnes de hambúrguer, enquanto eu fui atrás das cervejas pra noite. O Bruno chegou no camping depois de fazer a trilha da Laguna De Los Tres. Ele se juntou a nossa ceia. A receita de hambúrguer da Renata tava boa demais, mas fizemos muita comida, acho que ao todo deu mais de vinte hambúrgueres. Ficamos toda a noite por ali, comendo, conversando, dando risadas e ouvindo música. O Gal surgiu no meio da noite e ficou um pouco conosco, ele não esqueceu de cantar Bum Bum Tam Tam. O Bruno seguiria de moto pela Ruta 40 no dia seguinte. A Renata ficaria mais alguns dias por El Chaltén. Eu e o Matheus no início da manhã seguiríamos para El Calafate e começaríamos nosso caminho de volta pela Ruta 3. 

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Foto 13.79 - Bruno, Matheus, Renata e Eu na ceia de Natal (foto feia demais, mas é o único registro da nossa noite)

Os dias em El Chaltén foram diferentes do restante dos dias de nossa viagem. Pela primeira vez, não éramos hóspedes e nem dependíamos de caronas, também não precisamos ficar pensando no próximo destino. Nos permitimos a aproveitar aquela incrível natureza com calma e sem preocupações. Com toda certeza, El Chaltén foi a cereja do bolo desta viagem. Ficar horas e horas caminhando naquelas trilhas, respirando aquele ar puro e bebendo água de degelo, acalma e infla qualquer coração. Isso tudo com o espetacular Fitz Roy de fundo. Afinal, tudo por lá é lindo. Não é nenhum exagero dizer que El Chaltén tem algo de mágico. Espero um dia ter a oportunidade de voltar para El Chaltén. Refazer o mesmo caminho que percorri para chegar aos pés do Fitz Roy. Eita! Vou usar o nome original, é melhor. Refazer o mesmo caminho que percorri para chegar aos pés do Cerro Chaltén. Quero sentir tudo que senti ao estar ali e perceber, novamente, que passado e futuro não existem. 

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23 horas atrás, Diego Minatel disse:

Assim, quando terminamos uma curva e demos de frente com uma vaca selvagem, o Matheus entrou em choque e saiu correndo (risos). A vaca era deboas, não esboçou nenhuma reação quando nos viu, eu passei por ela caminhando. Eu caguei de dar risada, o Matheus voltou para a trilha todo encabulado se justificando que a cena foi respeito a natureza (risos). 

HAHAHAHAAHAH eu tive uma cena parecida, na mesma trilha.
Estava descendo conversando com um amigo que fiz durante a viagem, a gente tava no maior papo sério sobre pumas, quando de repente ele pega na minha mão assustado (quase me puxando para o chão), achando que tinha visto um urso (?), eu achei que era um puma e que ia ser devorada ali mesmo. Depois olhamos e era só uma vaca selvagem.

Resumindo: quase caímos no chão e ninguém mais conseguia parar de rir 😂😂

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Em 08/03/2019 em 15:43, appriim disse:

HAHAHAHAAHAH eu tive uma cena parecida, na mesma trilha.
Estava descendo conversando com um amigo que fiz durante a viagem, a gente tava no maior papo sério sobre pumas, quando de repente ele pega na minha mão assustado (quase me puxando para o chão), achando que tinha visto um urso (?), eu achei que era um puma e que ia ser devorada ali mesmo. Depois olhamos e era só uma vaca selvagem.

Resumindo: quase caímos no chão e ninguém mais conseguia parar de rir 😂😂

Hahahahaha cê eh loko, imagina só dar de cara com um puma? Aquelas vacas selvagens pareceram deboas, mas a placa falando delas dá uma assustada até 😂😂😂😂

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Parte 14 - A janela do ônibus

"Digo: o real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio da travessia." Grande Sertão: Veredas, João Guimarães Rosa

Agora dentro do ônibus, seriam dois dias de viagem até Buenos Aires. A viagem começou cedo naquela dia. Saindo de El Chaltén um misto de sentimentos tomava conta de mim. Cada minuto que se passava, eu ficava mais distante daquele lugar que para mim passou a ser o meu preferido no mundo. Já estava com saudades de ter sempre a companhia do Fitz Roy, mas tava feliz por começar a empreitada de volta para casa.

Tentei dormir, mas eu só conseguia olhar pela janela do ônibus. Com os olhos eu ia me despedindo de todos aqueles lugares. O ônibus acelerava na pista vazia, primeiro pela Ruta 23 e depois pela Ruta 40. A chuva começou a cair, a janela não mostrava mais nada. Assim, o sono me venceu. Acordei em El Calafate, ficamos pouco tempo na cidade. Só deu tempo de comprar algumas empanadas, comer e subir no ônibus para Rio Gallegos. Agora pela janela do ônibus via o caminho que percorremos pela noite dias antes. Ao passar pelo posto policial, veio a recordação dos momentos de tensão. Chegamos em Rio Gallegos no meio da tarde. Era Natal, a cidade estava vazia, aguardamos algumas horas e entramos no ônibus que nos levaria até Buenos Aires.

Rio Gallegos ficou para trás. O ônibus ia avançando pela Ruta 3 no sentido norte. Um filme de trás para frente ia passando pela janela do ônibus. Parecia que estávamos rebobinando a viagem. A conquista dos quilômetros sem suor e espera não tinha a mesma graça. Porém, o exercício de recordar todos momentos vividos e lembrar aquela obsessão por chegar, era bom demais. Pela janela do ônibus eu voltava no tempo, sentia aquele arrepio do desconhecido e de não saber onde estaria nos próximos cinco minutos. Agora, as incertezas da viagem faziam falta e as perguntas que sempre fazíamos um para o outro retornavam na memória: "Será que vamos nos dar bem com a pessoa que vai nos hospedar?", "Será que alguém vai nos dar carona hoje?", "Como vai ser a próxima pessoa que vai abrir a porta do carro?", "Onde vamos dormir hoje?", "Será que vamos conseguir?", "Vamos continuar aqui ou mais pra frente os motoristas nos veem melhor?", "Qual o plano B?", "Qual a próxima cidade que vamos parar?", "Conseguiu contato no couchsurfing?", "E se tentássemos outra abordagem de carona?", "Insistir ou desistir?". 

O ônibus saiu da Ruta 3 e seguiu pela Ruta 288 para pegar os passageiros em Puerto Santa Cruz. Na volta para a Ruta 3, ainda na Ruta 288, a noite batia na porta. Era umas dez da noite, o sol estava tocando o horizonte. A luz na planície patagônica alternava de cores, ora alaranjada, ora rosada. Lentamente, a luz ia desaparecendo e a vegetação brilhava num dourado chamuscante. Coisa linda de ver. Esse foi o último presente que a Patagônia nos ofereceu, nosso presente de Natal. Quando a luz desapareceu de vez, a chuva veio para ficar. 

Por toda a madrugada a chuva não parou. Amanhecemos em Comodoro Rivadavia. Quanto mais subíamos no mapa, mais intensa a chuva ficava. Era assustador estar naquela tempestade dentro do ônibus. Passamos por Trelew, avistei o ponto em que ficamos o dia todo na espera. Das coisas que eu mais tinha medo nessa viagem, acho que a maior era pegar uma tempestade patagônica no meio da pista pedindo carona, longe de tudo. Se era assustadora a tempestade dentro do ônibus, imagine na beira da pista. Muita coisa veio na cabeça nessa hora, fiquei pensando em como demos sorte em pegar tempo bom na maior parte do tempo, pensei também que era mesmo pra estarmos voltando de ônibus. A chuva não deu trégua em nenhum momento mais. Passamos por Puerto Madryn, Las Grutas, Viedma, Bahia Blanca e Tres Arroyos debaixo de muita água e ventos fortes. Pela janela do ônibus nada mais se via, apenas pingos de água escorrendo pelo vidro. Na madrugada, seguimos pela último trecho da Ruta 3 até Buenos Aires.  

Depois de dois dias de viagem, enfim, chegamos em Buenos Aires. Mais uma vez a Ruta 3 estava completa. Dessa vez sem esforço, de forma rápida e sem paradas. Nos fodemos pra caralho na ida, mas jamais trocaria as experiências vividas na ida pela comodidade da volta.

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Parte 15 - O caminho de volta: Buenos Aires, São Miguel das Missões, Curitiba e Prainha Branca

""Isto eu já sei de cor e salteado”, gritava Úrsula. “É como se o tempo desse voltas sobre si mesmo e tivéssemos voltado ao princípio."" Cem Anos de Solidão, Gabriel Garcia Marquez

Da rodoviária do Retiro pegamos o metrô e depois o trem até Merlo, uma cidade da região metropolitana de Buenos Aires. Dessa vez, iriamos ficar na casa do Federico, o mesmo que arrumou nossa estadia em El Calafate. Chegamos no meio da tarde, fomos recebido pela Valeria, cunhada do Fede. Federico chegou no final da tarde trazendo faturas pra nós comermos. O dia estava ensolarado, aproveitamos pra ficar na piscina até o pôr do sol.

Federico é um cara muito gente boa e alto astral, ele é formado em educação física e trabalha, atualmente, com atividades físicas na educação especial. Ele é nascido em Rio Gallegos e fez a graduação em Cuba. Depois de morar em Cuba, ele nunca mais se acostumou com a gélida Rio Gallegos, e sempre que tinha tempo e dinheiro viajava para o nordeste brasileiro para encontrar calor e praia. Numa dessas viagens ele foi para Jericoacoara e ficou no hostel que o Matheus trabalhava. Ainda nessa viagem, ele conheceu a também argentina e gente boa Yanine, que estava hospedada no mesmo hostel, com quem ele começou a se relacionar. De volta na Argentina, eles ficaram fazendo a ponte área Rio Gallegos/Buenos Aires por muito tempo até o Fede decidir ir mora de vez com a Yanine em Buenos Aires, ou mais precisamente em Merlo.

Passamos dois dias na casa do Federico e da Yanine. Dessa vez tivemos a oportunidade de conhecer uma Buenos Aires longe dos pontos turísticos e de toda a muvuca, da qual gostei igualmente. Ficamos boa parte do nosso tempo apenas conversando com o casal e alguns de seus amigos, sempre em volta da piscina. Tomamos cerveja e pela primeira vez comi um asado argentino feito em casa. Federico manda muito bem no asado, me arrisco dizer que foi o melhor churrasco que já comi na vida. 

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Foto 15.1 - Federico, Yanine, Eu e o Matheus

"Hacen lo que tiene que hacer!" essa era a resposta do Fede para quase tudo, a resposta sempre era acompanhada de uma ironia. Se fosse sobre política ele dizia "Los gobernantes hacen lo que tiene que hacer" e complementava "Que es golpear la cara de los trabajadores". Quando o assunto era educação ele emendava "Los gobernantes hacen lo que tiene que hacer, que es jugar mierda en los professores". Numa de nossas andanças pelas redondezas, eu entendi o porquê da ironia, li num outdoor a propaganda do governo Macri que dizia mais ou menos assim:  "Haciendo lo que tiene que hacer". 

Fomos embora numa madrugada, os pais de Yanine passaram buscar ela e o Federico e aproveitaram para nos dar uma carona. Federico e Yanine tinham voo para a Colômbia naquele dia, eles iam passar o próximo mês nas aguas calientes do caribe colombiano. Primeiro fomos para o aeroporto, nos despedimos do Fede e da Yani, em seguida, fomos até a rodoviária do Retiro, onde nos despedimos dos pais da Yanine. Ficamos metade da madrugada aguardando o ônibus que nos levaria até Paso de Los Libres, fronteira com o Brasil.

Pouco lembro da viagem de Buenos Aires até Paso de Los Libres, dormi quase que a viagem inteira. Cruzar a fronteira foi interessante, sentia saudades de ouvir a todo momento nossa língua materna. Tentamos carona para atravessar a ponte que separa Argentina e Brasil para chegar em solo tupiniquim, mas sem sucesso. É proibido atravessar a ponte caminhando, mas estávamos tão perto, por que não caminhar mais dois quilômetros e chegar no Brasil? Já era fim de tarde, seguimos caminhando sobre o rio Uruguai, por um momento parei no parapeito da ponte e observei o pôr do sol no rio, lindo demais. Já em Uruguaiana continuamos a caminhada até a rodoviária. Dormimos na rodoviária, no nascer do sol pegamos um ônibus com destino a Santo Ângelo. Descemos do busão no trevo que conecta São Miguel das Missões, fomos caminhando, parte dos 15 km que separa o trevo e a cidade, até o Mário e a Karine virem ao nosso encontro. Que saudades que eu estava dos dois.

Ficamos três dias em São Miguel das Missões dessa vez, um tempo maior que da primeira vez. Passamos o dia 31 de dezembro com a família do Mário, conhecemos sua mãe, irmãos, sobrinhos e agregados, a casa estava lotada. Pela primeira vez, eu passava o último dia do ano com outra família sem ser a minha, isso foi muito legal e diferente pra mim. Nos enturmamos rapidamente com todos, passamos o dia bebendo, e observando a engenhosidade da família para assar um porco gigante. Eles usaram uma carcaça de uma geladeira como churrasqueira, a família toda junta para ver como era a melhor forma de prender o porco na churrasqueira improvisada. No fim da noite fomos até as Ruínas de São Miguel para ver a queima de fogos do ano novo que se anunciava. Nunca tinha presenciado uma queima de fogos como aquela, foi bem bonita de ser ver, ainda mais com a ruína de fundo e as estrelas brilhando no céu, cena linda.

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Foto 15.2 - Na casa da mãe do Mário

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Foto 15.3 - Queima de fogos nas ruínas

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Foto 15.4 - Queima de fogos nas ruínas

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Foto 15.5 - Queima de fogos nas ruínas

Mudamos alguns de nossos planos para poder passar o ano novo com o Mário, Karine e o João. A memória do mês anterior em que fomos acolhidos de coração aberto por eles, ainda era muito viva em nossas mentes e também em nossas conversas. Assim, receber deles os primeiros abraços do ano foi muito especial para mim, tinha que ser assim. Além, de podermos ficar mais um pouco em suas companhias e conhecê-los ainda mais e mais.  

No início da manhã, do dia 2 de janeiro, pegamos o ônibus até Santo Ângelo e depois para Chapecó. Em uma das paradas do ônibus, paramos para almoçar num posto a beira pista. Fui cortar um sachê de mostarda com a boca, sei lá o que aconteceu, mas deu um tranco no meu maxilar e quando me dei conta vi que uma lasca do meu dente tinha se partido. Porra, fiquei triste demais, quebrar o dente com um sachê, burrice além da conta. Agora de dente quebrado continuamos viagem até Chapecó. 

Chapecó é uma cidade muito especial para mim. Anos atrás, participei do Projeto Rondon pelo interior do Maranhão e metade da equipe era da UnoChapecó, Universidade Comunitária de Chapecó. Fiquei muito amigo do pessoal e, vira e mexe, vou pra Chapecó rever a galera que ainda mora por lá. Para o Matheus seria a primeira vez na cidade. 

Chegamos em Chapecó e o Mauricy foi ao nosso encontro. Iríamos ficar na casa dele, onde ele mora com sua namorada Ângela. Sou meio suspeito para falar do Mauri, pois é meu amigo e uma pessoa de quem eu gosto muito, mas, resumidamente, ele é um cara firmeza demais, assim como a Ângela. Chegamos na casa deles, encontramos a Ângela e fomos para um bar. No bar fomos ao encontro da Samara, minha amiga e que também foi integrante do Projeto Rondon. Ficamos boa parte da noite relembrando os causos do projeto, isso foi muito bom, ao menos pra mim que tenho muitas saudades daqueles dias. Em alguma parte da noite, o assunto descambou para pratos típicos de cada região, e assim, conheci o porco pizza. Porco pizza é um porco que é assado todo aberto e por cima recheia-se como se fosse massa de pizza, enfim, deve ficar uma "patchotcheira", mas eles disseram que é muito bom.  O resto da noite o assunto foi o porco pizza, que por sinal é um bom nome.

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Foto 15.6 - Eu, Samara, Matheus, Ângela e Mauricy

No outro dia, eu, Mauricy e o Matheus partimos para fazer a trilha do Pitoco logo de manhã. A trilha tem esse nome porque o cachorro Pitoco acompanhava as pessoas que percorriam essa trilha. A trilha é bem bacana, cheia de verde e tem cinco cachoeiras ao todo. Até a segunda cachoeira o caminho é bem tranquilo, depois fica um pouco mais complicado, mas nada muito difícil. Pegamos chuva em boa parte da caminhada, o que dificultou um pouco, cheguei até tomar um capote. Embora estivesse chovendo, o calor era intenso, então mergulhar naquelas águas era uma obrigação.  

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Foto 15.7 - Trilha do Pitoco

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Foto 15.8 - Mauri na cachoeira

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Foto 15.9 - Trilha do Pitoco

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Foto 15.10 - Matheus, Mauri e Eu em uma das cachoeiras da trilha do Pitoco

Voltamos para o centro da cidade já era fim de tarde, mas aproveitamos para visitar o estádio da Chapecoense. Eu não voltei para Chapecó depois da tragédia que ocorreu com a equipe de futebol, mas sabia que uma das vítimas deste acidente era o Giba, primo do Mauricy e ex-assessor de imprensa da Chapecoense. Na hora, eu não sabia se eu devia entrar nesse assunto com o Mauri ou não, pois ele era muito próximo desse primo, mas o assunto surgiu naturalmente. Foi muito legal ouvir a versão do Mauricy sobre o pós acidente, e sobre a marca deixada na cidade e, principalmente, em sua família.  

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Foto 15.11 - Muro com as vítimas do voo da Chapecoense (o primo do Mauri, o Giba, é o segundo da esquerda para a direita)

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Foto 15.11 - Estádio da Chapecoense

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Foto 15.12 - Estádio da Chapecoense

Pela noite, juntou-se a nós a Samara e a Ângela. Mais uma vez, ficamos conversando, mas dessa vez já em tom de despedida. Comemos umas pizzas, e no fim da noite o Mauricy nos levou até a rodoviária, iríamos pegar um ônibus noturno para Curitiba. Foi bem rápida a passagem por Chapecó, mas muito boa, afinal foi bem bom rever o Mauri e a Samara, e conhecer um pouco mais da Ângela.   

Eu fiquei dois dias em Curitiba, ficamos hospedados na casa do casal rondoniense André e Priscila. Eles trabalharam junto com o Matheus na época que o mesmo vivia em Curitiba. Os dois são simpatia pura, gostei demais de conhecê-los. No primeiro dia, fomos até a Ópera de Arame e no Parque Tanguá, dois dos lugares que eu não conhecia na cidade. O mais legal ficou para o outro dia, fomos sentido Morretes e fizemos churrasco numa área perto de uma cachoeira, isso debaixo de chuva. O churrasco contou com a presença de mais uma rondoniense, a Samara. Foi bem bom o churrasco, André, Priscila e Samara são divertidos demais.

No fim da noite, André e Priscila nos levaram para rodoviária. A Samara seguiria para uma viagem de dois dias até Vilhena em Rondônia, e eu iria até São Paulo rever alguns amigos. O Matheus ficou por Curitiba, iria aproveitar mais a cidade e rever outros amigos, além de passar mais tempo na companhia do André e Priscila. Eu estava sonolento, mal consegui me despedir do Matheus, André, Priscila e da Samara. Entrei no ônibus e desmaiei.

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Foto 15.13 - Ópera de Arame

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Foto 15.14 - Ópera de Arame

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Foto 15.15 - Palco barco na Ópera de Arame

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Foto 15.16 - Parque Tanguá

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Foto 15.17 - Parque Tanguá

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Foto 15.18 - André, Matheus e a Priscila

Voltando ao primeiro dia em Curitiba. Na Ópera de Arame, fiquei por muito tempo observando e ouvindo o cara que tava se apresentando no palco barco. Ele tocava MPB em geral, era somente violão, nada mais. Quando ele começou a tocar a música Carinhoso do Pixinguinha, ai as lembranças me assolaram. Conforme, a viagem foi se desenrolando em seu ritmo frenético, pouco tempo eu tinha para pensar nas coisas que ocorreram antes da viagem, e me esforçava para não pensar nisso nos momentos de introspecção. Mas com aquela música de fundo, era impossível se auto sabotar e não pensar em nada, não tinha como, as lembranças vieram com força. Minha vó adorava cantar, sempre que eu ia na casa dela ficávamos a tarde toda cantando. A música que ela mais gostava de cantar era Carinhoso. Lembro que no aniversário de 80 anos dela, ela cantou essa música na frente de todos e toda a família acompanhou-a como um coral, foi bem bacana esse momento. E agora ali, na Ópera de Arame, ouvindo esse som depois de muito tempo, as recordações vieram a tona junto com um sentimento de tristeza. Enfim, neste momento percebi que a viagem estava acabando e que apesar de toda essa viagem foda, o passado ainda estava mal resolvido na minha cabeça.   

Em Sampa, como em todos os meus finais de viagens, sai tomar umas cervejas com a Fernanda, amiga de todas as horas. Passamos o dia caminhando pela Avenida Paulista até estacionarmos num bar para tomarmos umas brejas e colocar a conversa em dia. Depois segui para a casa de outra amiga, a Isa, quando morei em São Paulo moramos na mesma república, na qual eu teria um canto pra dormir nesse dia. No dia seguinte, eu e a Isa pegamos um trem até Mogi das Cruzes, depois entramos numa van com destino a Bertioga. Chegamos em Bertioga e atravessamos de balsa para o Guarujá, entramos na trilha para a Prainha Branca. Creio que caminhamos por um pouco mais de meia hora até, enfim, chegar na praia.

Prainha Branca foi um lugar que me surpreendeu positivamente. A praia é bem limpa, bonita, rodeada por uma natureza ímpar, preço justo e sem muita muvuca, ao menos pela manhã e de noite. Ficamos pouco tempo, dois dias e uma noite, mas foi o suficiente para matar a vontade que eu estava de estar numa praia em que eu pudesse mergulhar em suas águas sem morrer de hipotermia. Demos sorte, pois pegamos muito sol. A noite por lá é bem legal, só fica a galera que está acampando na praia, então é bem tranquilo. 

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Foto 15.19 - Prainha Branca

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Foto 15.20 - Prainha Branca

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Foto 15.21 - Prainha Branca

Voltamos para Sampa, peguei minhas coisas, me despedi da Isa e segui rumo a rodoviária. Com a passagem na mão, destino Rio Claro, deitei junto ao portão de embarque para aguardar o ônibus. Nessa hora, a ficha do fim da viagem caiu de vez. Acho que esse momento, foi o de maior frio na barriga de toda a viagem. Agora, as perguntas eram muitas dentro da minha cabeça, e eu não tinha nenhuma resposta. Enfim, era a hora de voltar pra casa.

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      Depois de atravessar umas passarelas meio rústicas e andar um pouco nas margens do Lago Argentino, chegamos no lugar onde são colocados os crampones sob nosso calçado e começamos a caminhada na geleira, com algumas instruções do guia sobre a melhor forma de pisar. O circuito que fazemos no minitrekking não é difícil, não é cansativo, levando entre 1h30 e 2h. Todos andam em um ritmo parecido, em fila, com todos praticamente pisando um no rastro do outro. É necessário que todos usem luvas (de qualquer tipo serve) porque, se alguém escorrega e bate a mão no gelo, pode se cortar. Mais uma vez, a gente quer tirar foto de tudo quanto é jeito e a experiência é incrível. Ao final da trilha, os guias oferecem bombom e preparam uma bebida com gelo do glaciar para brindar àquele momento.
       
       
       
      Após retirar os crampones, retornamos ao local onde deixamos os pertences e ficamos um tempo livres para explorar o lugar e fazer um lanche. É importante frisar que na margem onde se encontra a geleira não são vendidos alimentos e o barco demora um pouco para retornar para o outro lado. Eu havia deixado guardado na geladeira da pousada desde o dia anterior um sanduíche para levar, além de bastante água. É bom levar também outras coisas para petiscar ao longo do dia, tipo barra de cereais, frutas ou biscoitos.
       
      No meio da tarde, o barco nos levou de volta para a outra margem para a continuação do passeio. Pegamos o mesmo ônibus do início e rumamos em direção às passarelas de contemplação do Perito Moreno. As passarelas são extensas e há bastante para andar por elas, num sobe e desce de escadas para tirar fotos em vários ângulos. Para quem já caminhou pelas passarelas das Cataratas do Iguaçu, vai ver certa semelhança. Nesses pontos também presenciamos momentos em que pedaços da geleira despencam na água, gerando um espetáculo bem estrondoso. Próximo das passarelas, existe estrutura com banheiro e venda de comida e bebida, mas o monopólio deixa sempre os preços um pouco salgados.
       
       
       
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      Navegação Rios de Gelo
       
      Para o segundo dia, eu havia comprado previamente o passeio pela empresa Patagónia Chic. A van passou na pousada e rumamos para o porto para fazer a navegação Rios de Gelo. Recomendo gravar bem a van e o motorista, porque quando a gente volta é uma confusão de vans que fica difícil saber qual é a nossa. Como eu já tinha a entrada do Parque Nacional, comprada no dia anterior para dois dias, não precisei pegar a fila para pagar e já fui direto para a embarcação. Pelo frio e chuva que estava lá fora, achei o interior do catamarã bem aconchegante, e no começo achei até meio monótono.
       
      Como é um passeio bem confortável, em que a gente não precisa andar ou se esforçar, achei bem numerosa a quantidade de pessoas idosas. Em alguns momentos, eu me senti numa espécie de cruzeiro da terceira idade, com velhinhos cochilando, enquanto a guia falava num ritmo que embalava feito canção de ninar.
       
       
       
      Um tempo depois de navegação, a gente começa a passar por icebergs e se aproxima de montanhas nevadas que deixam qualquer um extasiado. Já não havia mais chuva e muita gente já se arriscava a sair do conforto para tirar umas fotos do lado de fora. Como a embarcação diminui a velocidade em vários momentos, apesar do frio no exterior, dá para sair em alguns momentos e gastar espaço no cartão de memória.
       
       
       
      A navegação também se aproxima das grandes geleiras Upsala e Spegazzini, além de ir contando aspectos sobre a região, deixando o passeio bem informativo. É incrível a dimensão que essas geleiras alcançam e o espetáculo visual que produzem. A todo momento todos querem fotografar e tem hora que fica difícil achar um espaço sem ninguém para gente também levar recordações desse passeio incrível.
       
       
       
      O catamarã tem serviço de comida e bebida, mas muita gente leva o seu próprio lanche. Como é um passeio que dura a manhã toda e um pedaço da tarde, é bom estar preparado para isso.
       
      Glaciarium, Glaciobar, Laguna Nimez
       
      Saindo do estacionamento da Secretaria de Turismo Provincial, no Centro da cidade, há vans gratuitas de ida e volta ao Glaciarium com regularidade a cada meia hora a partir das 11h. Como a quantidade de assentos na van é limitada, é bom chegar um pouco antes para conseguir sentar, senão terá que esperar o próximo horário (aconteceu isso com os últimos da fila quando fui). O acesso é rápido e a visão do Lago Argentino pelo caminho é linda.
       
       
       
      O Glaciarium é um centro de interpretação com exposição de painéis, vídeos e outros recursos sobre as geleiras, com um arsenal de informações sobre o clima daquela região. De modo geral, a maioria das informações sobre o clima e as geleiras está distribuída em painéis e infográficos em espanhol e em inglês ao longo das paredes do lugar. Como vi muita gente falando bem das exposições, eu até achei que fosse gostar mais, mas a verdade é que achei meio monótono e de interesse para quem deseja conhecer de maneira mais a fundo do assunto. Como em alguns passeios a gente acaba ouvindo dos guias algumas informações sobre as geleiras, a ida ao Glaciarium acaba sendo repetitiva e, ouso dizer, até dispensável para quem não tem muito tempo na cidade.
       
      O Glaciobar fica no mesmo prédio do Glaciarium, com acesso na portaria do lado por uma pequena escada que leva ao subterrâneo. O ambiente é praticamente todo em gelo internamente, inclusive os copos em que as bebidas são servidas. A temperatura é perto de -10°C e na entrada são oferecidas roupas e luvas térmicas para suportar o frio intenso. O ingresso dá direito a consumir as bebidas disponíveis no local por 25 minutos. É uma experiência curiosa e talvez seja interessante só para fotos, mais do que pelas bebidas, já que eu procurei algumas vezes pelo garçom para repor a bebida e ele estava cuidando de outras coisas, demorando um pouco a reaparecer.
       
       
       
      Na volta da van do Glaciarium, fui a pé até a Laguna Nimez, que está próxima da região central. Trata-se de uma reserva natural, onde há uma trilha curta para percorrer ao redor da pequena lagoa. Lá se avistam pequenas aves e vegetação típica, com algumas placas informativas pelo caminho. Basicamente é isso e não achei interessante, já que nos outros passeios vi as mesmas coisas, mas em dimensões maiores. Para quem curte mais a contemplação de patos e algumas outras aves, talvez o passeio possa ser melhor proveitoso.
       
       
       
      El Chaltén
       
      Chegada na cidade
       
      Peguei o ônibus às 8h da manhã em El Calafate e cheguei a El Chaltén às 11h. Como eu havia feito a compra com antecedência pela internet no site da empresa Chaltén Travel (plim-plim! olha o merchandise), pude escolher a primeira poltrona na parte superior, de onde se tem uma bela e ampla visão. E o cenário quando está perto de chegar na cidade é mesmo de encher os olhos, já que El Chaltén fica cercada por montanhas nevadas.
       
      Já na entrada da cidade, antes do ônibus chegar no terminal, ele passa pelo Centro de Visitantes e todos descem para ouvir as instruções sobre as trilhas e a segurança dos visitantes. São separados dois grupos, cada um para um idioma (espanhol ou inglês), pega-se um mapa das trilhas ao final e daí todos estão liberados para voltar ao ônibus para finalmente chegar no terminal. El Chaltén é uma cidade pequena, onde se faz praticamente tudo a pé, então chegar nas hospedagens é rápido. Além disso, as trilhas são muito bem sinalizadas e não dependem de auxílio de guia, podendo qualquer pessoa fazê-las de forma independente.
       
      Como eu tinha uma tarde livre pela frente, resolvi fazer duas trilhas curtas, cujo ponto de partida é o Centro de Visitantes, na entrada da cidade. A caminhada mais curta é para o Mirador de los Cóndores, com 1 quilômetro para ser percorrido em cerca de 45 minutos (ida + volta = 2km, 1h30). O início da trilha é plano e fácil, mas depois vira uma subida em uma pequena montanha, que faz a gente se cansar um tantinho. No final, a gente é brindado com uma visão panorâmica da cidade, dos rios que passam por ela e das montanhas ao redor.
       
       
       
      Como no meio do caminho para o Mirador de los Cóndores havia uma bifurcação com uma placa indicativa para outra trilha, cheguei até esse ponto e daí parti para o Mirador de las Águilas. É uma trilha de 2 quilômetros a serem percorridos em cerca de 1 hora (ida + volta = 4km, 2h). Como sempre, a gente se cansa mais na última parte, subindo um pequeno morro. Lá de cima, a gente tem a visão dos montes mais famosos vizinhos da cidade, Cerro Torre e Fitz Roy, um pouco envolvidos nas nuvens, mas uma vista linda.
       
       
       
      Laguna Torre/Cerro Torre
       
      Para o segundo dia, minha intenção era pegar a van para a Hostería El Pilar e, a partir dali, fazer a trilha para a Laguna de los Tres, na base do Cerro Fitz Roy. Como não havia mais vaga na van, deixei comprado o bilhete para fazer essa trilha no dia seguinte. Então mudei os planos e parti para a trilha rumo à Laguna Torre, aos pés do Cerro Torre. São cerca de 9 quilômetros a serem percorridos em cerca de 3 horas (ida + volta = 18km, 6h). Munido de sanduíche, alguns bilisquetes e água na mochila, parti para o início da trilha no final da Av. Antonio Rojo, lado oposto à entrada da cidade. Depois de subir uma escadaria bem acessível, precisamos vencer uma subida bem íngreme num pequeno monte, de onde se inicia a sinalização para a Laguna Torre.
       

       
      Ao longo do caminho, vi mais turistas europeus do que latinos e muita gente simpática que sempre se cumprimenta quando se cruza. Perto do início da trilha, já precisamos dar a volta em algumas montanhas, passando por um caminho próximo ao despenhadeiro, onde vemos rios correndo lá embaixo. Os momentos mais difíceis são quando as subidas são insistentes, somadas com grande irregularidade do terreno, de forma que precisamos achar a pisada que nos impulsione cada vez mais para cima. Como em vários pontos das trilhas há riachos com água potável, é fácil repor a água que levamos. Quanto a banheiro, só em dois momentos: no Mirador del Torre e quando passamos pelo acampamento D’Agostini, que fica já bem próximo à Laguna Torre. O banheiro nada mais é que uma cabine fechada com um buraco no chão, bem nojentinho mesmo.
       

       
      Uns poucos minutinhos depois do acampamento, a gente já se depara com a Laguna Torre à nossa frente, emoldurada pela geleira que desce até a base das montanhas que a margeiam. Dentro da pequena lagoa, alguns blocos de gelo de vários tamanhos conferem uma maior beleza ao cenário. Ao redor da lagoa, pelo lado direito, a trilha sobre o monte leva ao Mirador Maestri, com mais 2 quilômetros a serem feitos em cerca de 1 hora. É uma caminhada puxada, com subida e bastante pedra de todo tamanho pelo caminho e a gente sua no frio para fazer. A vista nesse ponto é do fundo da lagoa, onde a gente consegue ter uma visão mais ampla da geleira tocando a água.
       

       
      Laguna de los Tres/Cerro Fitz Roy
       
      Com o transporte para a Hostería El Pilar já comprado, a van me pegou na pousada cerca de 8h da manhã e mais alguns turistas em outras hospedagens. Eram quase 9h quando desembarcamos no início da trilha, de onde começamos a caminhada rumo à Laguna de los Tres, aos pés do Cerro Fitz Roy, maior montanha de El Chaltén, um grande paredão de granito com inclinação vertical que desafia muitos escaladores.
       
      A trilha tradicional de El Chaltén até a Laguna de los Tres é de 10 quilômetros, com tempo estimado de 4 horas (ida + volta = 20km, 8h), sendo levemente abreviada quando partimos da Hostería El Pilar. Além disso, indo por um lugar e voltando pelo outro, o caminho proporciona duas visões diferentes para o passeio. Há mirantes distintos para o Fitz Roy em ambos os caminhos, então certamente haverá também lembranças fotográficas em maior quantidade de ângulos. Ambos os caminhos possuem subidas cansativas em alguns trechos que fazem a gente suar mesmo no frio. O ponto onde as duas trilhas se encontram é no acampamento Poincenot.
       
       
       
      Logo após o acampamento, identificamos uma placa no pé de uma subida, informando que a partir dali está o último quilômetro para a trilha em um nível difícil, com tempo estimado em 1 hora. À medida que caminhamos, a subida vai exigindo cada vez mais esforço, com degraus, pedras, inclinações variadas, neve, gelo, pequenos arbustos, água derretida da neve, enfim, precisamos tomar fôlego em vários momentos para continuar. Quando olhamos para trás, vemos que a inclinação do morro é bem íngreme, que dá certo medo. Mas ao mesmo tempo, a visão ao redor é linda e bem fotogênica, com toda a vegetação coberta por neve, cercada por montanhas também nevadas ali do lado.
       
      Depois de muito esforço e várias paradas, suando um tanto, a chegada ao topo proporciona uma das visões mais lindas que vi na viagem. Se eu fosse escolher apenas uma trilha para fazer, de todas as que fiz, essa é a que eu escolheria como preferida. A Laguna de los Tres tem uma cor linda e estava toda cercada pela neve. Do Mirador Maestri, que é o ponto onde chegamos após a cansativíssima subida, avistamos neve em todo o nosso redor. Adicionalmente, de todas as visões que tive do Fitz Roy dos diversos lugares na cidade, este foi onde consegui enxergá-lo inteiramente, sem o manto de neblina encobrindo parte dele.
       

       
      Após um tempo de deslumbramento, a descida do morro cansa um pouco, mas agora é mais rápido e a gente já sabe o que esperar no fim da caminhada de volta. Em certo ponto no caminho para El Chaltén, haverá uma bifurcação onde a gente pode escolher ir pelo mirador ou pela Laguna Capri. Escolhi a Laguna e achei linda a cor esmeralda de suas águas contrastando com o branco da neve das montanhas ao redor. Bem próximo da Laguna, está o acampamento Capri, onde também existe banheiro.
       

       
      Como não há ônibus saindo direto de El Chaltén para Puerto Natales, no dia seguinte voltei para El Calafate para ficar mais um dia na cidade e pegar o ônibus que saía para o meu próximo destino. Foi um dia perdido, que não quis fazer muito esforço, então me hospedei do lado do terminal para não ter muito trabalho.
       
      Puerto Natales
       
      Chegada na cidade
       
      Com passagem já comprada pela internet com antecedência na empresa Cootra, peguei o ônibus em El Calafate às 7h30 da manhã. Como a viagem atravessa a fronteira da Argentina para entrar no Chile, é necessário apresentar passaporte no guichê da empresa no terminal. A chegada em Puerto Natales estava prevista para às 13h, então levei também alguns belisquetes para não morrer de fome.
       
      Na fronteira do lado argentino, todos descem do ônibus para carimbar a saída do país na imigração. Como tem fila e nem todos cabem dentro do pequeno espaço de atendimento, a fila do lado de fora vai sofrendo com o vento gelado até terminar o processo. Com todos de volta ao ônibus, rapidamente chegamos no território chileno, em que todos descem novamente para carimbar o passaporte, mas desta vez a bagagem também é inspecionada. Após o atendimento no guichê, passamos malas e mochilas no raio-x e, se houver produtos in-natura de origem animal ou vegetal, não é autorizado levar. As pessoas têm que jogar fora inclusive frutas, mesmo que seja uma unidade para consumo imediato.
       
      Com todos devidamente autorizados, chegamos ao terminal de Puerto Natales no início da tarde. Após me instalar na pousada, saí com uns dólares em mão para trocar por pesos chilenos em alguma casa de câmbio no centro. Um fato que achei curioso na cidade foi que muitos estabelecimentos comerciais fecham para o almoço e só abrem às 15h, como foi o caso das casas de câmbio que me indicaram na hospedagem. E as refeições na cidade eu achei bastante caras, de modo que eu revezava entre pratos e comidas rápidas para ficar dentro do orçamento.
       
      Puerto Natales é uma cidade pequena, com um centro cujo ponto de referência é uma praça principal, a Plaza de Armas, e nos seus arredores estão algumas pequenas atrações turísticas, como a catedral, o museu histórico, a região portuária, uma ou outra escultura em pequenas praças ao longo da costa, o mercado de artesanato, que achei minúsculo e com muita pouca opção de produtos. É uma cidade tranquila, basta essa parte da tarde para conhecê-la, não mais que isso. Na verdade, o que me levou até ali foi ter a cidade como base para conhecer o Parque Nacional Torres del Paine, onde estão as famosas montanhas de mesmo nome.
       
       
       
      Full day Torres del Paine
       
      Para o primeiro dia, eu havia reservado pela internet com a empresa Patagonia Adventure o passeio Full day Torres del Paine. A van passou na pousada às 7h30 da manhã, pegou mais alguns turistas e iniciou o passeio com visita ao Monumento Natural Cueva del Milodón. Trata-se de uma grande caverna onde foram encontrados vestígios de um animal pré-histórico de cerca de 3 metros de altura, semelhante a uma preguiça gigante. É um passeio curto, onde recebemos informações sobre a fauna extinta da região, além de entrar na caverna e ver a estátua que reproduz o milodón.
       

       
      Logo após, a van ruma para o parque nacional, onde pagamos entrada e iniciamos a exploração aos principais atrativos naturais. Tivemos a sorte de encontrar um grupo de guanacos (parentes da lhama) e avestruzes na beira da estrada. O passeio passa por alguns mirantes com rios e lagoas emoldurados por belíssimas montanhas nevadas, faz uma parada numa área com mais estrutura, próximo ao Lago Grey, onde há restaurante, em que podemos comprar alimentos e bebidas, claro que um pouco mais caros do que na cidade, então muita gente leva o seu sanduíche.
       

       
      Nessa área do Lago Grey, ficamos livres durante um tempo para ir até a praia de areia grossa ou cascalho, passando por uma ponte de madeira e cordas, que balança um pouco, mas é bem segura e resistente, e podemos avistar o Glaciar Grey um pouco ao longe. Apesar de no dia eu não ter visto, podem aparecer blocos de gelo flutuando na água. Durante essa caminhada na praia de cascalhos, em vários momentos o vento era tão forte que muitas pessoas precisavam firmar os pés no chão para não ser derrubadas.
       
      As montanhas principais, que são as torres, com os três “cornos” verticais, a gente vê a uma certa distância, a partir de diversos pontos e mirantes, que eu achei melhor fazer um passeio no dia seguinte para complementar a visão mais de perto, com uma trilha exaustiva de um dia.
       

       
      Trekking mirador base das Torres del Paine
       
      No segundo dia na cidade, eu havia reservado com a mesma empresa do dia anterior (Patagonia Adventure) o tour guiado até a base das Torres del Paine. É um passeio de dia inteiro e com muita exigência de vigor para seguir o ritmo dos dois guias que lideram o grupo. Como não há lugar para comprar comida ou bebida pelo caminho, já deixei comprado meu sanduíche desde o dia anterior e guardei na geladeira da hospedagem. Água é bom levar bastante também, além de lanchinhos para aguentar o dia inteiro quase sem parar. Achei ótimo levar frutas secas e castanhas que encontrei no centro da cidade.
       
      A van passou na pousada às 6h30, pegou outros passageiros e rumou para o Parque Nacional. O ingresso que pagamos no dia anterior vale para esse dia também, mas é necessário colocar nome e número de documento quando fazemos a compra no primeiro dia, além de solicitar o carimbo na recepção do parque. Algumas pessoas que esqueceram de pegar o carimbo no dia anterior conseguiram mostrar que estiveram lá no dia mostrando fotos, mas é bom não correr o risco de se prejudicar tendo que pagar duas vezes.
       
      A van para no estacionamento do parque, onde há banheiros, e os guias oferecem bastões de trekking para quem quiser usar e daí iniciamos a caminhada de cerca de 11 quilômetros (ida + volta = 22km). Para não correr o risco de demorar demais a ir e voltar, eles impõem um ritmo moderado à trilha, indo um na frente e outro atrás do grupo. Em pouco tempo já estamos subindo ladeiras cansativas e praticamente sem parar durante um longo tempo. Ao longo do caminho, paramos no acampamento El Chileno, onde é possível usar o banheiro mediante pagamento (1 dólar/500 pesos chilenos).
       

       
      A caminhada tem momentos de terreno plano, ficando mais fácil seguir o mesmo ritmo da maioria, mas tem também momentos que a subida vai diminuindo nosso ritmo e a gente precisa recuperar o fôlego muitas vezes. A última parte da trilha é mais pesada, onde a gente vai serpenteando montanha acima, passando por muitas pedras de diversas alturas, servindo de degraus pra gente impulsionar a próxima pisada pra vencer os obstáculos. A dificuldade é alta nessa última parte, mas não é tão longa quanto o trekking para a Laguna de los Tres, na base do Fitz Roy.
       
      O visual das três torres de perto é muito lindo, e lá na sua base a gente encontra muitos mochileiros que se sacrificaram por dias em acampamentos para fazer os circuitos por todo o seu entorno. Esta é outra opção para conhecer o lugar e vivenciar por mais tempo aquela experiência, mas é bom estar muito bem equipado, porque as condições climáticas não são das mais fáceis de encarar.
       

       
      Em relação ao trekking guiado, comparando com as trilhas que a gente faz por conta própria em El Chaltén, eu achei um pouco mais pesado a que fiz em Torres del Paine, já que eu não ditava o meu ritmo e, por isso, permanecia cansado por mais tempo. Mas como o Parque Nacional fica distante de Puerto Natales, cerca de 2 horas de carro, a gente acaba precisando do transporte muito cedo para chegar até ali. Só por isso que eu achei vantajoso contratar o passeio, mas para quem está em grupo e aluga carro, pode ser interessante fazer a caminhada até a base das torres por conta própria, já que o caminho é sinalizado e a gente encontra muita gente fazendo o trajeto.
       
      Punta Arenas
       
      Atrações na cidade
       
      Peguei o ônibus de 8h30 saindo de Puerto Natales a Punta Arenas, com passagem comprada antecipadamente pela internet na empresa Bus-Sur. São 3 horas de viagem. O terminal da empresa fica no centro da cidade, bem próximo à Plaza de Armas, a principal praça da cidade. Então é fácil ir a pé até a hospedagem se estiver perto dessa região.
       
      Punta Arenas é uma cidade bem charmosinha, com um centro muito bem organizado e bonito, com algumas atrações interessantes para visitar. A Plaza de Armas tem uma enorme escultura do português Fernão de Magalhães, responsável pela primeira navegação ao estreito de Magalhães, onde está localizada a cidade. O índio que compõe a escultura no centro da praça é a maior atração entre os turistas, já que se acredita que tocar o seu pé traz sorte.
       

       
      Ao redor da praça, as edificações são muito bonitas, e dentre elas está o Museu Regional de Magalhães, um lugar suntuoso em que o piso original, para ser conservado, precisa que usemos sobre ele protetores de tecidos nos pés, oferecidos na entrada. O que achei muito ruim foi o horário de funcionamento do museu, somente até às 14h, quando tive que sair rapidamente de lá, quase expulso pelos funcionários impacientes em encerrar as atividades do dia.
       
      Próximo dali, está o Museu Maggiorino Borgatello, com uma grande quantidade de informações sobre a região e que vale a visita. Um pouco mais adiante, próximo ao cemitério da cidade, há o Monumento al Ovejero, uma obra em tamanho natural a céu aberto, representando um trabalhador rural com suas ovelhas, cavalo e cachorro.
       
      Algumas quadras acima da Plaza de Armas, está localizado o Cerro de la Cruz, um ponto mais alto que serve como mirante, acessível por uma grande escadaria. De lá, é possível ter uma vista panorâmica da cidade e do Estreito de Magalhães.
       

       
      Outra atração, mas um pouco mais distante, já na saída da cidade, é o Museo Nao Victoria, a réplica da embarcação usada por Fernão de Magalhães no século 16 para a primeira viagem de circunavegação feita pelo português no Estreito que recebeu seu nome. Achei a chegada ao lugar meio complicada porque a motorista do Uber se perdeu e teve que dar uma volta grande para finalmente conseguir localizar. É possível subir e explorar a embarcação por dentro, assim como outra réplica que está do lado, usada no século 19 para a tomada do Estreito de Magalhães. O vento lá em cima é forte e gelado.
       

       
      Em Punta Arenas, há uma região comercial com zona franca, livre de impostos, com shopping e alguns grandes mercados multidepartamentais. O shopping eu não achei grande coisa, apesar de livre de impostos, os produtos encarecem para chegar à cidade pelo transporte. Achei até interessante um grande mercado que entrei, onde há de tudo um pouco, inclusive souvenirs, mas comprei só umas poucas coisinhas pequenas e baratas para não sofrer com o peso na mala e no orçamento.
       
      Islas Marta e Magdalena
       
      O principal passeio que me levou à cidade foi a navegação até as ilhas Marta e Magdalena. Reservei o passeio pela internet na empresa Solo Expediciones, mas esse foi o único que o pagamento ficou para ser feito no próprio dia.
       
      Às 6h30 da manhã me apresentei no escritório da empresa, bem próximo à Plaza de Armas, fiz o pagamento e entrei no ônibus que levava ao porto, que fica próximo. Todos desembarcamos do ônibus e entramos no catamarã em um dia chuvoso, mas a chuva só estava na cidade e não durante a navegação. Ao longo da navegação pelo Estreito de Magalhães, o guia em espanhol e inglês dá algumas informações, enquanto podemos avistar o espetáculo das barbatanas das baleias subindo até a superfície da água para respirar. Como a água é mais escura, não dá para vê-las abaixo da superfície, então não dava para saber onde elas apareceriam para registrar o momento.
       
      Um tempo depois, chegamos próximo da margem da Isla Marta, que é bem pequena, um rochedo com uma enorme quantidade de leões marinhos. Nessa ilha, contemplamos somente à distância, não é autorizado desembarcar nela por razões de proteção do ambiente dos animais. Como a embarcação fica parada por um tempo em frente à ilha, é possível ir para fora, sem o incômodo do vento muito forte, para registrar os leões marinhos em seu descanso matinal. Na ilha os animais estão protegidos das baleias, seus predadores, e podem nadar no seu entorno, protegidos por uma camada de algas que envolve o ambiente.
       

       
      Em seguida, fomos para a ilha Magdalena, onde todos desembarcamos para uma caminhada de cerca de 1 quilômetro no ambiente dos pinguins. O caminho é delimitado por um corredor de cordas, para não ultrapassarmos, que leva até um farol mais adiante na ilha. Como temos 1 hora para explorar o lugar, é bem tranquilo, sobra tempo, além de ser uma caminhada bem leve e sem dificuldades.
       
      Há uma grande colônia de pinguins na ilha Magdalena, que passam cerca de 6 meses por ali, durante primavera e verão, a temporada mais quente para troca de penas. Uma ressalva: só é quente no ponto de vista deles. Uma grande quantidade de buracos no chão, usados como ninho pelos pinguins, está espalhada pelo caminho onde andamos. Além de se protegerem do frio com a troca da plumagem, os ninhos também deixam filhotes a salvo dos predadores que rondam a todo momento, pássaros oportunistas, esperando algum descuido de um pai desatento.
       

       
      O passeio termina cerca de 12h e o ônibus nos leva de volta ao ponto de partida, no centro da cidade. Achei muito agradável, além de leve e não durar um dia inteiro, não precisando sacrificar o almoço.
       
      Ushuaia
       
      Chegada na cidade
       
      A saída de Punta Arenas foi às 8h15 da manhã pela Bus-Sur, com bilhete comprado pela internet. Como iria sair da Argentina para entrar no Chile, necessário apresentar passaporte no guichê antes de embarcar no ônibus. A previsão de chegada em Ushuaia era às 20h15, mas chegou cerca de18h30, mesmo assim foi uma viagem muito cansativa. Como não há paradas em lugares onde há comida, é bom levar o arsenal porque é praticamente um dia inteiro na estrada.
       
      Cerca de 2 horas depois de sair de Punta Arenas, o ônibus chega na travessia de balsa no Estreito de Magalhães, todos descem e embarcam na balsa, assim como todos os veículos que estão em fila aguardando. A travessia foi tranquila e rápida, menos de 30 minutos, mas já ouvi falar que pode ser mais demorada, dependendo da agitação das águas. Ao embarcar novamente no ônibus, como pode haver vários outros parecidos, é bom saber diferenciar qual o nosso. Eu mesmo quase entrei em outro, imagina onde iria parar.
       
      Um bom tempo de viagem depois, chegamos na fronteira, onde recebemos o carimbo de saída do Chile. Um pouco mais adiante, pegamos mais uma vez o carimbo de entrada na Argentina. Diferentemente da imigração no Chile uns dias atrás, na Argentina não pediram para fiscalizar a bagagem, foi um processo burocrático mais rápido. Depois de um longo tempo, finalmente chegando próximo a Ushuaia, o ônibus vai passando por uma região de montanhas, com curvas fechadas, mas com um cenário lindo. Achei que o assento do lado direito é beneficiado com a melhor vista.
       

       
      A melhor localização para se hospedar em Ushuaia é o mais próximo possível da Av. San Martí, que é a rua principal, longa e plana. As ruas que cruzam a San Martí em direção contrária à costa ficam em subidas bem cansativas. Os passeios partem dessas proximidades, onde está a zona portuária, as agências de turismos, pontos de vans e táxis, alguns museus, a placa do “fim do mundo”, a Secretaria de Turismo, onde tem internet gratuita e informações diversas aos turistas, bem útil. Na Secretaria também podemos carimbar o passaporte com dois modelos de estampa, é grátis.
       

       
      Pinguinera e Navegação pelo Canal Beagle
       
      Deixei reservado com antecedência pela internet no site da empresa Piratour o passeio desse dia. A Piratour é a única empresa que tem autorização para desembarcar na Isla Martillo, então qualquer outra empresa que também ofereça a caminhada com os pinguins na ilha apenas intermedeia a venda, tendo como responsável pela prestação do serviço a Piratour.
       
      O passeio iniciava com os turistas se apresentando no quiosque da empresa às 7h30 no píer. Como dura até o meio da tarde, é bom levar um lanche reforçado. Pegamos o ônibus com guia em inglês e espanhol e tivemos uma parada junto à floresta de árvores que sofrem a ação do vento muito forte e crescem para um lado, por isso sendo chamadas de “árvores bandeiras”. Logo após, chegamos na Estancia Harberton, onde há um pequeno museu de ossos de baleias e outros animais marinhos.
       

       
      O grupo de turistas é dividido em duas partes, enquanto uns vão direto para a Pinguinera, os demais ficam na Estancia na visita guiada; logo depois, revezam os grupos. O bote para a Isla Martillo leva um grupo reduzido de cerca de 20 pessoas, não podendo haver grande quantidade de gente por vez na ilha.
       
      É uma travessia curta, logo desembarcamos na Isla Martillo. Como visto na Isla Magdalena, ali também é um lugar onde há grande quantidade de buracos que servem de ninhos para os pinguins e o caminho para os turistas percorrerem é delimitado. Mas diferentemente da Isla Magdalena, na Isla Martillo não há um caminho para seguir por conta própria até o final da visita. Durante todo o tempo, a guia estava com o grupo e sempre chamava atenção quando havia muita proximidade com os animais.
       
      Na Isla Martillo, eu vi uma quantidade maior de pinguins concentrados em grupos, seja descansando próximos aos ninhos, seja na beira da água para pescar peixes. Dá para ver mais de uma espécie de pinguins, todos muito simpáticos.
       

       
      O frio era intenso por causa do vento insistente, então depois de uma quantidade de fotos, acho que muita gente já estava pronta para voltar até mesmo antes da 1 hora disponível na ilha. No meu caso, como eu já havia feito a visita na Isla Magdalena anteriormente, comparando com a Isla Martillo, eu preferi a primeira porque tinha maior liberdade para explorar a área maior e usar o tempo andando e vendo um pouco além do que a guia mostrava.
       
      Logo que voltamos à Estancia Harberton, os dois pequenos grupos que revezaram na Isla Martillo se juntaram de novo em um só e todos embarcaram num catamarã para a navegação no Canal Beagle. Em alguns pontos do Canal, navegamos em águas que dividem Argentina e Chile, sendo possível enxergar inclusive o povoado mais austral do mundo, Porto Williams, no Chile, o último do hemisfério sul.
       

       
      O passeio guiado é bem informativo, passando por lugares de destaque, como a Isla de los Lobos, um rochedo em forma de ilha com enorme quantidade de lobos marinhos estirados ao sol. Passamos também pelo Farol les Eclaireurs, o “farol do fim do mundo”, em uma pequena ilha com muitos pássaros aquáticos. Nesses pontos, o catamarã fica parado por uns minutos para ser possível ir até o lado de fora sem um vento tão hostil.
       

       
      Parque Nacional Tierra del Fuego
       
      Contratei esse passeio em uma agência aleatória que entrei no dia anterior na Av. San Martí. Não me lembro do nome, mas o passeio é bem padrão entre todas as agências que vemos pela cidade. A duração é de apenas meio dia. A van passou na minha pousada às 8h da manhã e levou todos para a estação do “Trem do Fim do Mundo”. Para aqueles que iriam fazer o passeio de trem, esses pagaram algo como 120 reais para um trajeto de cerca 1 hora a uma velocidade de uns 20 km/h. Como eu achei bem desinteressante, segui com os demais que preferiram fazer o trajeto na van, conhecendo alguns recantos do Parque Nacional enquanto o trem não chegava.
       

       
      No passeio do Parque Nacional, fazemos algumas trilhas rápidas e fáceis com um guia com vistas para vários lugares, como lagos, bosques, montanhas, mar. Muitas das vezes, o guia deixa o grupo explorar por um tempo o lugar, até a van nos levar para o próximo. Há lugares bem bonitos, com mirantes para as belezas naturais da região, mas eu acho que eu apreciaria ainda mais se já não tivesse visto tantos outros lugares ainda mais lindos, daí a gente acaba comparando um pouco.
       
      É no Parque Nacional onde está o “Correio do Fim do Mundo”, uma casinha charmosa de madeira sobre estacas no Canal Beagle que funciona durante o verão. Lá são vendidos cartões postais, selos e outros souvenirs, sendo possível ao viajante enviar correspondência do correio mais austral do mundo. Pena que os itens vendidos no correio são sempre bem mais caros do que na cidade.
       

       
      Também no correio é possível ser atendido pelo “carteiro do fim do mundo” para levar estampado no passaporte o selo e o carimbo do lugar por 3 dólares. A foto contida no selo é do próprio carteiro que atende ali, mas a gente percebe que já se passaram muitos anos desde quando ele passou a figurar no souvenir que levamos com sua cara no fim do mundo.
       
      Trekking Laguna Esmeralda
       
      Nesse dia pela manhã, fui até a Secretaria de Turismo me informar sobre as formas de chegar até o início da trilha para a Laguna Esmeralda. Procurei também uma loja de aluguel de roupas e acessórios para os passeios no frio. Escolhi uma bota impermeável cano alto. Depois de ver o estado da trilha, cheia de lama por todos os lados, sem opção de desviar da sujeira, achei um ótimo investimento que salvou meu calçado.
       
      Os meios de transporte que considerei para chegar no início da trilha foram táxi ou van. O táxi cobrava um valor equivalente a uns 110 reais (somente ida), enquanto a van cobrava cerca de 45 reais (ida e volta), então fui para o ponto em que as vans saem e esperei por cerca de uma hora, já que o serviço funciona com no mínimo 3 passageiros.
       
      O trajeto até o início da trilha é na estrada, cerca de 18 km. Encontrei alguém anteriormente na cidade que havia falado que fez esse percurso inteiro saindo da cidade a pé, mas eu preferi poupar um pouco o esforço. O lugar onde chegamos para iniciar a trilha fica num ponto mais alto e nesse dia fui surpreendido pela neve caindo nesse lugar, um cenário lindo, com uma cobertura branca pelo chão e vegetação, numa temperatura de 2°C.
       
      A trilha tem cerca de 4 quilômetros, com tempo estimado de 2 horas (fiz em 1,5 hora). Grande parte da caminhada é feita dentro de um bosque, com marcações em azul nos troncos das árvores, indicando o caminho para que a gente não se perca. Ao longo do caminho, como havia chovido durante a noite anterior, era impossível fugir da lama. Há também alguns pontos de subidas que cansam um pouco, mas não são tão extensos, dá para andar em uma toada bem constante.
       
      Quando a gente sai do meio do bosque e começa a andar por um descampado, a marcação do caminho passa a ser por estacas amarelas. Nesse trajeto, a lama e a terra mais fofa estão por todo lado e não dá para contornar o caminho. Em alguns pontos, até afunda um pouco, daí é bom ter cuidado onde se pisa, sendo útil procurar troncos e pedras para dar maior segurança. Mas depois que a gente se livra, segue ao longo de um riacho e já está pertinho da lagoa.
       

       
      A Laguna Esmeralda fica bem no pé de montanhas nevadas e é muito bonita. A cor das águas no dia que fiz o passeio não estavam na cor esmeralda porque o sol não saiu hora nenhuma, mas com sorte de um pouco de sol no dia do passeio, o passeio será ainda mais fotogênico.
       

       
      Saí com a bota muito enlameada, aliviado por não precisar permanecer com ela pelo resto da viagem. Peguei o transporte de volta e fui devolver o calçado na loja e restituir o meu, que havia ficado por lá.
       

       
      Atrações para um dia tranquilo na cidade
       
      No último dia em Ushuaia, eu só partiria à noite, então deixei a mala pronta na pousada, fiz check-out e aproveitei para fazer passeios mais leves, que não precisavam de deslocamentos por carro. Fui ao museu do presídio, onde também funciona galeria de arte e museu marítimo, no final da Av. San Martí. O lugar funcionou como prisão, quando os presos argentinos eram enviados para trabalhar e construir a cidade, onde os cidadãos comuns não tinham interesse em morar, dado o seu isolamento e frio constante.
       
      Achei meio cara a entrada para o museu, em torno de 60 reais, acaba não sendo um estímulo para todos visitarem. A primeira parte do museu traz uma grande quantidade de maquetes de embarcações de países diversos, muito bem feitas e detalhadas, com suas histórias que as fizeram importantes para a navegação. A segunda ala é maior e lá constam a história do presídio, seus presos mais famosos e uma variedade de artigos que fazia parte daquela realidade. Existe visita guiada, mas não coincidiu com o horário que eu estava lá. Mais adiante, há também o museu de arte, mas essa ala só abriria às 16h, então não visitei.
       

       
      Perto dali, visitei a Galeria Temática de História Fueguina, um prédio bonitinho, onde funciona um bar, a galeria mesmo fica nos andares de cima. É um museu de visita rápida, com reprodução de cenários e pessoas em tamanho natural, numa sequência fácil de percorrer, ao mesmo tempo em que a gente vai ouvindo o audioguia (idioma a escolha, inclusive português). São histórias que envolvem os elementos que estamos visualizando, e sua relação com o mundo da época que o cenário retrata. Acaba sendo um bom resumo de muita coisa que a gente viu nos diversos passeios na região.
       
       
    • Por Alexandre Cabral
      Bom dia,
      Estou indo para Ushuaia em Maio e gostaria de saber os passeios que são possíveis de fazer nessa época, dicas de lugares, clima. O que é indispensável levar na mala, pretendo levar o menor números de coisas. Mais alguém indo em Maio, chego dia 6?


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