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O nosso norte é o sul: Atravessando Brasil e Argentina até Ushuaia ou O caminho para o fim do mundo


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  • Colaboradores
2 horas atrás, LF Brasilia disse:

@Diego Minatel, sempre gosto de ver como você narra a experiência humana das suas viagens, a marca das pessoas que você encontrou pelo caminho.

As fotos ficaram incríveis! E gostei da legenda da foto 2.5! :) 

@LF Brasilia fico feliz em saber que esteja curtindo esse relato também. Ainda tenho muita coisa pra escrever 😉

  • Gostei! 3
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      Obrigado a todos que ajudaram!
    • Por Marlon Escoteiro
      Campo dos Padres - Urubici-SC – julho de 2021
      - Fazenda Búfalo da Neve no Campo dos Padres - (parte I)
      - Travessia solo Serra da Anta Gorda (42km em 2 dias) - (parte II)
       
      *INFORMAÇÃO*: Essa travessia é realizada em área particular é OBRIGATÓRIO solicitar AUTORIZAÇÃO para passar nas propriedades do Campo dos Padres e arredores. Vamos respeitar os proprietários e manter o local aberto para que possamos continuar com nossas travessias e trekking.
      Entrar em contato com a Fazenda Búfalo da Neve.
      Instagram: @fazendabufalodaneve  via direct
      Fone: 48-99152 1277 Lucas Philippi  - 48-99617 7552 Arno Philippi
      Caso não tenha experiência em travessias autônomas, recomendo entrar em contato com a empresa de trilhas e travessias Expedicionários que organizam travessias para a região do Campo dos Padres, eles conhecem muito a região e com certeza vc poderá aproveitar muito mais.
      Instagram: @expedicionarios_sc via direct
      Fone: 49-99945 5000 Renan Hermes
      No Rio dos Bugres contatar o Abrigo 1500
      Instagram: @abrigo1500 via direct
      Fone: 49-99180 9621 Elói
      *IMPORTANTE*
      -NÃO FAÇA FOGO NUNCA – Use fogareiro
      -LEVE TODO O SEU LIXO EMBORA
      -TUBOSTÃO (Vamos todos começar a usar esse banheiro) nesta região estão muitas nascentes importantes de SC, é necessário mantermos o meio ambiente em equilíbrio e limpo. Temos outras áreas de montanha do Brasil como o Pico Paraná e Pedra da Mina que já estamos tendo problemas sérios de contaminação por conta das fezes, papel higiênico e dos lenços umedecidos deixados nos “banheiros” ao redor das áreas de acampamento. O TUBOSTÃO serve para vc levar tudo isso de volta para a sua casa e descartar no lixo.

      Mais uma vez nesse lugar maravilhoso da serra catarinense. O Campo dos Padres é aquele lugar fantástico que te encanta em cada coxilha, cada araucária, cada curva de rio, cada cachoeira, cada canion...
      É a região mais alta de Santa Catarina tendo o ponto culminante do estado com 1823m no Morro da Boa Vista e aos pés deste morro nasce o Rio Canoas sendo este o maior rio do estado e junto com o Rio Pelotas formam as nascentes do Rio Uruguai. Ali mesmo no Campo dos Padres o rio Canoas cai a quase 100m de altura formando uma bela cachoeira e rasgando o arenito para formar o canion do Rio Canoas, uma formação muito impressionante e bonita. Mais ao oeste se estende a Serra da Anta Gorda, desde o Morro da Boa Vista e vai até as Águas Brancas em Urubici e paralelo a esta serra nasce o Rio dos Bugres que logo despenca na cachoeira dos Bugres, uma das maiores do estado com 218m de altura. Na extremidade sul do Campo dos Padres próximo a serra do Corvo Branco esta o canion do Espraiado que rompe os peraus da borda da Serra Geral em direção a planície e a Grão Pará. E seguindo ao norte pela encosta da serra já em Alfredo Wagner surge 4 formações rochosas de arenito Botucatu com mais de 90m de altura conhecido como os Soldados do Sebold. Tudo isso em uma só região espremida entre Urubici, Bom Retiro, Anitápolis, Grão Pará e Alfredo Wagner.
      O nome Campo dos Padres é uma alusão a passagem dos jesuítas pela região dos campos de cima da serra. Muitas lendas de tesouros deixados pelos jesuítas correm esses campos todos. Historicamente não há comprovação que eles estiveram ali nessa região específica. Sabe-se que eles formaram estancias de gado na região que ficou conhecida como Vacaria de los Piñales, onde hoje é Vacaria no RS e certamente circularem por boa parte dos campos da região.
      Certo mesmo é que ali foi terra dos “bugres” como eram chamados os indígenas nesta região. No Campo dos Padres existe um carreiro chamado de trilha dos Índios que sobe de Anitápolis até o alto do Campo dos Padres. Essa trilha leva esse nome por conta de uma perseguição que houve nessas paragens, onde os bugreiros que eram jagunços contratados para caçar, matar e cortar as orelhas dos índios como forma de provar o assassinato e assim receber um soldo por cada indígena morto. Conta-se que pelos lados da nascente do rio Pelotas logo abaixo do Morro da Igreja, onde hoje é o Parque Nacional de São Joaquim haviam “bugres” escondidos, eram indígenas da etnia LaKlãnõ-Xokleng que habitavam as bordas dos peraus além das encostas e as baixadas. Eram caçadores e coletores, tendo o pinhão como uma fonte importante de alimento. Quando os bugreiros encontraram os LaKlãnõ-Xokleng houve uma matança, porem alguns conseguiram escapar para os lados do Rio do Bispo e por ali desceram a borda da serra por uma antiga picada, seguiram sentido norte fugindo pelas encostas e grotas. Foram se escondendo dos jagunços até a região de Anitápolis onde subiram novamente a serra por outra picada que ficou conhecida como “Trilha dos Índios”. Porem lá em cima na região dos Campos dos Padres sofreram uma emboscada e foram então exterminados pelos bugreiros que os esperavam. Realmente uma triste história de um passado recente de Santa Catarina.
      Em direção oeste no Campo dos Padres na serra da Anta Gorda tem o Rio dos Bugres e a caverna dos bugres, ou seja, em alusão aos antigos e extintos habitantes dessa região. Ali onde diversas etnias indígenas (tradição Umbu, LaKlãnõ-Xokleng, Kaingangs...) ocuparam de forma aleatória essa área, deixando ali alguns registros rupestres, além de pontas de flechas e outros artefatos líticos.
      E também temos a influência da rota dos tropeiros que vieram atrás do gado dos jesuítas e das mulas de Viamão para levar para as minas de ouro de Minas Gerais. Haviam muitas rotas, a rota principal saia de Viamão no RS, subia a serra na região de São Francisco de Paula, e passava pelos Ausentes, Bom Jesus, Coxilha Rica, Lages até a feira de Sorocaba em SP, e de lá até as Minas Gerais. Porém haviam inúmeros outros caminhos regionais interligando toda a região a rota principal. Nessas rotas se comercializava de tudo um pouco dependendo da região de origem, desde mulas, gado, suínos, charque, couro, mel que vinham da serra. Como cachaça, farinha de mandioca, feijão, milho, trigo, utensílios e outros vindo do litoral. E assim Santa Catarina foi se interligando em todas as regiões formando uma tradição tropeira ligada ao campo e a lida com o gado.

      Mas vamos ao Campo dos Padres então...
      Essa minha ida a região foi dividida em duas etapas. A primeira na Fazenda Búfalo da Neve onde fiquei 3 dias em um rancho tropeiro explorando a região e conhecendo um pouco das suas belezas. E a segunda quando fiz uma travessia solo de 42km pela Serra da Anta Gorda que corta o Campo dos Padres de Leste a Oeste saindo do Rancho da Fazenda Búfalo da Neve até a cidade de Urubici.
       
      Parte 1
      Fazenda Búfalo da Neve
      Eu já havia falado para o Lucas de como eu havia gostado do Campo dos Padres, então ele disse que qualquer hora que ele fosse para o Rancho me convidaria para conhecer melhor a Fazenda Búfalo da Neve, dito e feito, ele me mandou uma mensagem me convidando para a segunda quinzena de julho de 2021 irmos para lá.

      Combinamos então de sair na segunda dia 12/07, me encontrei com o Lucas e mais o Renan e partimos para a Serra. Chegamos em Urubici por volta do meio dia e fomos ao supermercado fazer as compras do rango com direito a churrasco, carreteiro e lentilha, bem em cima da hora para o mercado fechar, mas deu tempo ainda de encher o carrinho. Sacolas cheias rumamos em direção ao Campo dos Padres pela estrada que liga Urubici a Serra do Corvo Branco, aproximadamente 25km saindo de Urubici entra a esquerda em direção ao canion do Espraiado e segue mais uns 10km, passamos pela Pedra da Águia uma imponente formação de arenito que chama a atenção pelo formato. Seguimos pelo vale do rio Canoas, esse vale é muito lindo com paredões de ambos os lados e muitas araucárias coroando o caminho, logo adiante começa a subida de uma serra que em dias de sol os carros pequenos tem que ter atenção, já em dias de chuva se torna difícil subir podendo ficar no caminho. Uma vez lá em cima, há um cruzamento que vai para o canion do Espraiado e outro para o Morro da Cruz (que um sem noção renomeou de balanço/montanha infinita...) logo ali paramos o carro no campo, na entrada da antiga estrada da serraria. É importante consultar antes onde pode parar o carro, pois ali há várias propriedades particulares.

      Aqui existe uma antiga estrada que era utilizada por uma serraria nos tempos de corte de araucária, já a muito tempo abandonada e hoje está intransitável mesmo para 4x4, sendo possível passar somente a pé ou a cavalo. E pensar que toda essa região foi devastada para a exploração da araucária que foi uma das principais economias de exportação de SC, também foi com parte dessas araucárias que Brasília foi construída, sendo usado como caixaria para o concreto... que triste fim teve nossas araucárias. Importante salientar que onde estão os campos, sempre foi campo natural, onde foi cortado as araucárias é onde hoje ainda se vê araucárias e mata que na época foram poupadas por serem pequenas, e outros lugares de mata de araucárias deu lugar a agricultura.

      Pegamos nossas mochilas e fomos adicionando a comida comprada no supermercado. Tudo pronto e partimos pela trilha que tem 10km pela mata em direção ao rancho. Esta trilha conduz até o Campo dos Padres. Lá adiante pegamos uma outra trilha que o Lucas conhecia que iria sair do outro lado do morro da Laurinha. Paramos por uns minutos por ali para arrumar uma cerca que os búfalos haviam arrebentado e logo em seguida aparece uma búfala com um bezerrinho. Depois de seguir sempre subindo pela trilha, mas nada muito inclinado chegamos em um faxinal (campo cercado de mata) plano e fomos até um platô que tinha uma vista linda do canion do Rio Canoas.

      Ali encontramos 2 cavalos que tocamos para o lado do rancho com o intuito de pega-los para montaria. Fomos seguindo a trilha que leva até o rancho e encontramos mais alguns cavalos que acabaram pegando outra trilha que subia um morro, ali nos dividimos onde o Lucas e eu subimos atrás dos cavalos e o Renan seguiu pelo carreiro até o rancho. Quando íamos subindo tentando encontrar os cavalos, cruzou por nós um zorrillo que é o mesmo animal protagonizado pela Warner como “Pepe Le Gambá” que na realidade não tem nada a ver com o gambá nosso que é um marsupial e visualmente lembra um grande rato. O zorrillo tem hábitos noturnos e é famoso por soltar um mijo muito fedorento quando ameaçado, ele tem coloração preta com uma listra branca desde a cabeça até o rabo que é bem peludo e volumoso. Ele logo sumiu na capoeira e seguimos adiante tentando ver se achava o zorrillo e também os cavalos, mas estes foram embora e se embrenharam pelo mato. O por do sol neste momento estava lindo e paramos alguns momentos para fotografar, mais abaixo já se avistava o rancho e pra lá descemos para encontrar o Renan e se instalar.



      O rancho da Fazenda Búfalo da Neve é uma cabana de madeira de dois pisos, toda pintada em óleo queimado. Em anexo está a estrebaria e também uma mangueira de taipa de pedra circundando. Ela está cercada entre muitos vassourões e algumas pequenas araucárias, camuflando-se assim com a paisagem ao redor. Aos olhos menos atentos passaria despercebida. Logo ao abrir a porta principal nota-se o chão de terra batida coberta por grandes pedras de basalto e troncos cortados em rodelas. É um ambiente único de uns 6x6m aproximadamente com uma coluna de tora de madeira bem no meio sustentando as vigas que suportam o piso superior. Uma escada ao fundo dá acesso ao segundo andar e embaixo da escada a porta do banheiro. Pendurado em uma das paredes estão os arreios usado para a montaria dos cavalos. Sendo composto pelo baixeiro, a sela, chincha, sobrechincha e pelego; também tem o cabresto, o freio, rédea e os estribos. Ainda tem pendurado os itens de uso do peão como o pala, capa campeira, chapéu, jaquetas, a soiteira e o rabo de tatu. E finaliza com a cangalha e bruaca que são usadas para carregar no cavalo ou mula para o transporte de carga. Junto a janela desta parede tem uma rede pendurada, que eu imagino que deve ser um bom local para descanso e espera no verão em dias molhados e chuvosos . Logo a esquerda da porta de entrada está a mesa acompanhada de bancos rústicos ao redor, coberta com uma toalha destas de tecido plástico com motivos florais, em cima da mesa um botijão de gás onde está acoplado um lampião (já que não tem luz na cabana). Havia alguns potes, uma caixa de fosforo, um cesto com alguns pinhões, ovos, limões e batata doce que já estavam um pouco passados querendo apodrecer, provavelmente sobraram dá última vez que alguém pousou no rancho. Pendurado na parede uma sacola destas de supermercado com um jogo de baralho, havia também um chapéu, uma bolsa, uma trena e uma pá apoiado na parede. Um grande baú serve como banco e dentro dele estão guardados vários alimentos que cada um que vem passar uns dias acaba trazendo. Sal havia uns 3 sacos quase cheios (não precisa mais levar sal!!! Já tem bastante.), um pote com temperos diversos, macarrão, arroz, alguns pães esquecidos em sacos plásticos já embolorados (jogamos na fogueira), entre outros mantimentos. Na parede oposta a parede dos arreios tem outra porta e logo ao lado uma pilha de madeira já cortada e rachada para o fogão a lenha que está ao lado. Este fogão tem uma base toda de pedra com a chapa de ferro e uma porta para pôr a lenha no queimador. Preso no teto em cima do fogão tem um varal de madeira onde estavam pendurados para defumar um pedaço de charque, linguiça e umas cascas de laranja. Também em alguns momentos apareceram ali algumas meias... ao lado uma janela permite a entrada da luz e ajuda a fumaça a sair também. Bem na frente do fogão tem duas cadeiras cobertas de pelego que mais parecem um trono pela posição privilegiada na frente do fogo, e sempre disputada para poder aquecer os pés. Na parede do fundo tem um móvel feito de madeira talhado no local com um tanque destes plásticos que serve de pia, pendurado na parede e na estante estão os utensílios de cozinha como os pratos, panelas, bacias, talheres e alguns temperos. Ali apertado ao lado da pia já começa a escada de madeira que leva ao segundo piso, embaixo da escada um grande baú e algumas peças de roupas penduradas. A porta do banheiro está bem ali. O banheiro é de chão batido com um estrado de madeira, tem uma pequena pia, um vaso sanitário destes de caixa de puxar a cordinha para dar a descarga. Pendurado no teto por uma corda em uma roldana tem um velho galão de óleo diesel que serve como chuveiro tendo na parte superior do galão um buraco cortado e na parte de baixo um cano colado com registro e todo furado. A medida para um bom banho é duas chaleiras de água fervendo para quatro de água da torneira. A agua que abastece a cozinha e o banheiro vem de captação direto de uma vertente, onde por meio de mangueiras leva água corrente para o rancho. Subindo pela escada penduradas no corrimão tem várias daquelas canecas de chope de porcelana antiga de baile, um lenço escoteiro, uma lanterna e um rádio de pilhas. O andar superior é um grande quarto com camas e beliches feitos de madeira do local, tudo bem rústico, já que é feito de tabuas com suas frestas que servem para oxigenar o ambiente, sem forro e de telha aparente. Com janelas em todas as paredes, de onde se tem uma vista privilegiada tanto do nascer do sol quando do poente. Um lugar de descanso depois de um dia de lida no campo ou aventuras pelo Campo dos Padres. Anexo ao fundo está a estrebaria onde se ordenha as búfalas, é toda fechada de parede de madeira com uma grande porta, um pequeno canto serve de deposito para as ferramentas, além de sal e outras coisas. O mais bacana desse anexo é o telhado, que é verde, ou seja, feito de terra coberto com gramíneas do local.
       




      Já dentro no rancho tratamos de abrir todas as janelas para tirar o cheiro de fechado e logo fazer um fogo no fogão a lenha. Arrumar as coisas para nos instalar e começar a janta. Fomos buscar umas pedras para improvisar o fogo de chão para o churrasco. O Lucas já foi preparar uma bela lentilha, enquanto ele picava o bacon, cebola e alho; eu e o Renan preparamos o fogo e o churrasco campeiro com direito a costela e carne de porco. Enquanto a comida ia sendo preparada, cada um com seu goró ia molhando a goela e batendo um bom papo. Fazia uns 11° C, noite agradável, o churrasco foi ficando pronto e nós só beliscando. Depois veio a lentilha bem saborosa e quentinha para aquecer o fim de noite. Eu acabei não dormindo nas camas, optei por estender meu isolante e saco de dormir no chão mesmo, onde tive uma bela noite de sono.
      No dia seguinte fizemos um pão de caçador típico escoteiro, até gravamos uns vídeos que logo eu faço uma edição bacana. O Lucas e o Renan me ajudaram a preparar, foi feito uma fogueira e preparado a massa e depois assada enrolado em gravetos na brasa. Mas eu salguei demais a massa... kkkkkk mas tava bom assim mesmo. Saiu até um café tropeiro aquele que ferve a água e o pó do café junto e depois joga uma brasa viva na chaleira para descer o pó. Barriga cheia e café tomado, o Lucas montou uns sanduiches de queijo e mel de bracatinga.



       
      Começamos nossa trilha do dia, o objetivo foi ir até o morro mais alto da Fazenda Búfalo da Neve na borda dos peraus. No caminho passamos por outra propriedade onde tem uma casa azul e o galpão com uma grande mangueira de taipa ao redor. Mais adiante fomos até uma pequena cascata e depois subimos o morro até o ponto mais alto a 1715m.



      Descemos o morro ao norte e chegamos na trilha dos índios e de lá até as margens do rio Canoas. Logo ali no meio do vale onde passa o Canoas e está a casinha azul, tem uma coxilha isolada com uma araucária solitária em seu topo e ali mesmo tem um cercado de taipa com um pequeno cemitério dos antigos moradores destas fazendas. Infelizmente contam que ali é um cemitério jesuíta, o que não tem nada a ver. Seguindo o rio Canoas logo a frente tem uma pequena cachoeira que forma um grande poço que deve ser perfeito para um dia de banho no verão. E logo adiante de volta ao rancho.
      Chegando no rancho eu disse que estava com muita vontade de comer sapecada de pinhão que já fazia anos que não comia. Pegamos alguns pinhões que estavam guardados na cabana, juntamos algumas grimpas do chão e empilhamos uma em cima da outra e despejamos os pinhões em cima, peguei o isqueiro e taquei fogo. Aquelas grimpas inflamaram e foram queimando e sapecando o pinhão, quando apagou sentamos ao redor e fomos pegando na mão os pinhões levemente queimados, ainda quente e em brasa, esfregando na mão, queimando a pele e sujando de carvão. Que lembrança boa eu tive e assim fomos comendo um a um.







       
      Já dentro na cabana acendemos o fogo do fogão e esquentamos água na chaleira para o banho. Confesso que não botei fé no chuveiro naquele frio, mas foi um banho muito bom e bem quente. Enquanto isso o Lucas foi cortar cebola, alho e o resto de carne e gordura do churrasco da noite anterior para preparar um “carreteiro” que no final das contas virou uma sopa de arroz muito boa... kkkkkk. Essa noite estava mais fria chegou a fazer 6°C, aproveitei e sentei no trono de pelego posicionado bem na frente do fogão com a desculpa de cuidar do fogo. Numa caneca eu ia tomando a sopa de arroz com lentilha. O som rolava no celular do Lucas com uma seleção de rock bem eclética e o bate papo ia seguindo. As vezes íamos lá fora conferir o termômetro e ver a noite que estava muito bonita. Mas o frio logo nos mandava entrar... kkkkk.
      No dia seguinte tivemos um belo nascer do sol com direito a algumas fotos. No café da manhã rolou chapati preparado pelo Renan na chapa do Fogão, onde comemos com queijo e mel de bracatinga. Também eu fiz pão de queijo escoteiro na frigideira e o Lucas passou algumas térmicas de café.



       
      Saímos em direção ao canion do Rio Canoas para explorar as cachoeiras e grotas. De um mirante se tem a vista da primeira queda de uns 15m. Pegamos uma trilha que descia aos pés desta cascata, onde chegamos quase embaixo dela, mas estava bem frio para um banho. Depois seguimos o rio alguns metros adiante até alcançar o topo da outra cachoeira do Canoas, essa sim deve ter quase 100m de queda e a vista de cima impressionava.



      Subimos a trilha novamente e fomos atrás de outra trilha usada pelos búfalos que descia pela margem esquerda até a base dessa cachoeira, é uma descida íngreme, mas bem tranquila, tem até um ponto com cordas amarradas, mas desnecessário seu uso. Já lá embaixo na margem do rio, as pedras estavam bem lisas pela umidade jogada pela força da cachoeira. Levei um tombo, mas logo levantei e me recuperei. Tiramos as fotos clássicas de praxe na base da cachoeira e quando fomos sair levei outro tombo, esse doeu um pouco e esfolou as canelas, mas nada que não superasse, mesmo que saísse mancando... kkkkk.


      Andamos rio abaixo até o rio bater em um paredão e formar um grande poço de remanso, ali haviam vários vestígios de côco de capivara, porém não vimos nenhuma. Aproveitamos para descansar um pouco e almoçar. Nosso almoço neste dia foi outra sapecada de pinhão que fizemos ali mesmo as margens do rio. Ô coisa boa!!!

      Explorei um pouco ao redor do rio canoas, onde neste ponto já estava imerso dentro do imponente canion, com paredões imensos de arenito esculpidos nos últimos milhões de anos pelo rio. Seguimos rio acima por um afluente do Canoas, ali encontramos a outra trilha que subia pela margem direita para o campo e deixamos nossas mochilas, marcando o início da trilha.  Dali em diante entramos em uma grota bem estreita entre grandes paredões, fomos subindo por dentro do rio até onde não era mais possível pois alcançamos uma cascata bem alta de uns 80m chamada de leão baio, pois ali próximo haviam achado rastros deste grande felino.





       
      Voltamos pelo mesmo caminho até o ponto onde estavam as mochilas e subimos a trilha, lá em cima achamos uns rastros com o gramado todo revirado, pensei que poderia ser de cateto fuçando o chão, mas havia pegadas que não eram de cateto, essas pegadas formavam 3 dedos salientes, depois o Marcio o capataz da fazenda nos disse que era rastro de capivara, claro havíamos visto lá embaixo no rio as fezes delas. Ali nesse ponto tem um mirante natural com uma vista de frente da cachoeira, mais umas fotos e depois voltamos em direção do rancho. No caminho passamos por um chassi de caminhão abandonado e já deteriorado pelo tempo. Mais um vestígio dos tempos das serrarias que ali existiam, havia também muitas estradas por onde esses caminhões passavam para transportar a madeira que hoje já viraram trilhas intransitáveis para qualquer veículo.



      Já no rancho encontramos o Márcio que havia chego naquele dia lá. O fogo já estava aceso e ali ficamos proseando um pouco. O Lucas prometeu que hoje sairia o carreteiro, mas desta vez foi de linguiça e bacon e pouca água... se não ia virar sopa de novo. Kkkkkkk. Em relação a comida nunca comi tão bem. Tudo que preparamos ficou muito bom. Está seria nossa última noite, o tempo já estava virando. Fomos dormir cedo pois o dia seguinte prometia.
      Logo pela manhã cada um foi se preparando, o dia estava nublado e meio carrancudo. Nesse meio tempo o Marcio estava na estrebaria ordenhando as Búfalas, fazia anos que eu não tirava leite, então aproveitei para fazer um Camargo que consiste em ordenhar o leite direto na caneca com café e tomar. Lembrei de quando eu ia passar as férias na casa da minha vó no sítio. Terminei de arrumar minha mochila, nos despedimos já que o tempo iria mudar logo. O Lucas e o Renan iriam voltar até o carro e ir embora, o Márcio ia ficar a próxima semana no rancho cuidando das coisas e esperando um grupo de trilheiros organizado pelos guias da @expedicionarios_sc que iriam dormir no rancho no próximo final de semana. Esses caras são profissionais e conhecem muito bem a região e as trilhas e organizam trekking para pequenos grupos para conhecer o Campo dos Padres, é uma boa pedida para quem quer uma experiência bacana com mais segurança. Já eu ia seguir sentido oeste pela serra da Anta Gorda até Urubici.






       
      segue parte II - Travessia Serra da Anta Gorda
    • Por Marlon Escoteiro
      Parte 2
      Travessia solo da Serra da Anta Gorda
      1°dia de travessia – Rancho Búfalo da Neve até Abrigo 1500 – 17km
      No ano passado em julho de 2020 eu havia feito a travessia do Campo dos Padres relato aqui .. https://www.mochileiros.com/topic/93114-travessia-do-campo-dos-padres-%E2%80%93-sc-%E2%80%93-julho-de-2020-%E2%80%93-80-km-em-5-dias-%E2%80%93-do-c%C3%A2nion-espraiado-morro-da-boa-vista-at%C3%A9-o-morro-das-pedras-brancas/   no sentido sul-norte saindo da Pedra da Águia as margens do rio Canoas, passando pelo canion Espraiado e cruzando todo o Campo dos Padres seguindo o rio Canoas até a sua nascente, subi o Morro da Boa Vista e ainda passei pelo morro do Chapéu, o Arranha Céu e morro das Pedras Brancas terminando as margens da BR 282. Mas o nome “Serra da Anta Gorda” havia me chamado a atenção na carta topográfica, essa serra ia desde o morro da Boa Vista até Águas Brancas em Urubici, eu até já tinha estudado pelo google maps um trajeto por ali. Então dessa vez de novo no Campo dos Padres resolvi fazer a travessia leste-oeste por essa serra que divide Urubici e Bom Retiro.
      As 8h20 pus a mochila e parti em direção a Serra da Anta Gorda saindo por trás do rancho até o Canoas, cruzei o rio e subi a antiga estrada que ligava o Campo dos Padres a Urubici pelo Rio dos Bugres, estrada essa, abandonada onde só passava cavalo e a pé. Logo na subida vi muitas gralhas azuis fazendo um estardalhaço sobre as araucárias, parei um pouco para observar e tentar tirar alguma foto. Logo alcancei o topo e fui seguindo a estrada que ia dando a volta pela margem esquerda de um afluente do rio Canoas, formava um pequeno canion, esse foi o canion da grota que no dia anterior entramos nele até a cascata do Leão Baio. Lá adiante cruzei o vértice deste canion e teve outra subida até o topo da Serra da Anta Gorda nos campos, ali próximo havia uma casa e um galpão já abandonados na margem direita do canion bem no topo protegido por uma coxilha, mas fora da estrada. Porém não cheguei perto e fui seguindo a estrada/trilha, dei uma parada para mastigar umas castanhas e tomar agua era umas 10h da manhã, também já me preparei, pois a chuva estava vindo e fazia bastante frio e vento.

       

      Ali era uma área de campo de altitude e segui adiante pela estrada até uma pequena descida que já estava bastante erodida onde havia uma outra casa com galpão também abandonados logo atrás meio que escondidos, cruzei outro arroio e vi dois cavalos, um branco e outro preto que ficaram só de olho em mim.

      Passei por eles e cheguei em uma mangueira velha de madeira toda quebrada, ali a trilha principal ia a direita, mas logo entrava na mata que estava na encosta norte em direção a Bom Retiro, preferi seguir a da esquerda na encosta sul voltada para Urubici e subi um morrinho e logo a chuva veio com força e junto a serração, minha ideia era seguir pelos campos ao invés de ir pela mata, mas ali havia muito banhado então decidi subir para a direita em direção a mata e alcançar a estrada de novo. Era uma estrada/trilha bem marcada sentido sudoeste, tendo uma elevação a minha esquerda e a direita o vale do Paraiso da Serra e por ali fui andando por um bom tempo, a chuva só piorava e o frio aumentava, minhas mãos expostas segurando o bastão já estavam congeladas e a minha capa de motoqueiro já estava passando água pelas costuras.
      Logo adiante a frente abriu para o campo do vale do rio dos Bugres e a estrada dava uma volta no morro agora sentido sudeste até um galpão cercado de uma mangueira de taipa bem robusta, cruzava um rio que formava um pequeno canion do rio dos Bugres e a estrada ia acompanhando pela margem esquerda até passar uma porteira grande e cruzar o rio sobre uma ponte. Já a direita havia uma propriedade habitada que era a estancia Bonin, passei bem próximo seguindo a estrada a direita em direção ao Abrigo 1500 que era o meu destino daquele dia. No caminho havia uma plantação de pinus Ellioti a direita e eu estava bem tranquilo trabalhando a minha respiração ao estilo Win Hof, ritmo cadenciado, tentando espantar o frio para ver se esquentava, o passo era firme, derrepente do lado esquerdo da estrada do meio das vassouras do campo me aparece um javaporco... tomei um susto, mas ele também, e cada um correu para um lado... Boa parte da Serra Geral está tendo problemas com Javalis e com a cruza deles com porcas que viram o “javaporco” que são enormes, destroem plantações fuçando o chão e comendo de tudo, podem ser muito agressivos e perigosos, por isso muito atenção com eles. Como vi que não veio atrás de mim, segui adiante no meu passo que já estava firme em meio a chuva que seguia forte me molhando cada vez mais. Parei adiante por uns minutos e logo passou um carro que buzinou e seguiu em direção a cachoeira do rio dos Bugres.
      Em pouco tempo lá pelas 14h e com aproximadamente 17km percorridos cheguei também no Abrigo 1500, que é a propriedade que tem a vista da cachoeira do Rio dos Bugres e camping. A princípio eu iria acampar, mas chovia tanto e eu estava tão molhado e com frio que pedi permissão para pernoitar no galpão pelo valor do camping, o Sr. Elói foi muito gentil e falou que não tinha problemas, inclusive me convidou para entrar em sua casa e me aquecer no fogão a lenha e secar minhas roupas. A rede elétrica não chegava até ali, e a luz era obtida por placas solares que davam conta de tocar a geladeira e algumas lâmpadas e tomadas. O camping custa R$ 30,00 e eles servem pastel e paçoca de pinhão, nem pensei duas vezes e pedi a paçoca que foi meu almoço e estava uma delícia. Depois a esposa dele pôs mais pinhão na chapa e fiquei ali tomando um café e comendo pinhão. Também estava ali o Romeu que havia passado por mim de carro com a família, e ficamos conversando um pouco sobre trilhas e Urubici.
      Logo em seguida a chuva deu uma trégua e fui dar uma volta pelo campo do camping e acessar os mirantes da cachoeira dos Bugres. São 2 mirantes acessados por uma pequena trilha, tem um deck de madeira para segurança e uma vista incrível da cachoeira que é uma das maiores de Santa Catarina com 218m, em um dos mirantes é possível ver duas grandes cachoeiras a dos Bugres e outra numa grota próxima e abaixo o vale/canion que forma o rio dos Bugres. Seguindo pela borda onde está o camping tem outra grota mais a direita de um outro afluente dos Bugres que vinha da serra formando outra grande cachoeira. É um excelente lugar para acampar e curtir a paisagem desta região do Campo dos Padres e rio dos Bugres, uma ótima estrutura, recomendo acampar ai no Abrigo 1500.




       
      Ao norte atrás da propriedade está a continuação da Serra da Anta Gorda, que segundo o Sr. Elói tem esse nome pois ali haviam muitas antas e algumas bem gordas, que hoje infelizmente não vemos mais na região. Também ali no topo daquela serra foi encontrado uma ponta de flecha de pedra lascada da tradição Umbu, mais um sinal do nome Bugres. A tradição Umbu foi um grupo muito antigo de caçadores e coletores que deixaram muitos vestígios na região em forma de pontas de flecha, estima-se que esse grupo antecessor das demais etnias indígenas esteve aqui entre 13 e 4 mil anos e habitavam toda a região do planalto de araucárias e campos rupestres.
      No galpão havia umas mesas com chão de madeira e junto está a estrebaria que é onde se ordenha as vacas, já na terra batida, uma caveira de búfalo todo pintado de preto ornava pendurado na parede, e alguns equipamentos para ordenha e arreios. Comecei a preparar minha janta, que seria polenta com queijo e bacon; sai do galpão para buscar um pouco de água, quando voltei dei conta que meu queijo havia sumido, pensei quem foi o gatuno que surrupiou parte da minha janta, dei uma olhada ao redor e achei um pedaço do queijo no plástico todo comido e rasgado e um gato escondido entre as madeiras na estrebaria. Achei o meliante e junto a sua ninhada. Deixei o queijo para eles, e eu que pensei que era os ratos que gostavam de queijo... ou será que por causa do sabor rato ao queijo que os gatos gostam também... Janta pronta, estava muito bom, só faltou o queijo para dar mais sabor... já consegui me aquecer um pouco com a refeição quente.
      Montei embaixo de uma mesa o meu isolante de eva, isolante inflável, travesseiro e o saco de dormir, pus minha roupa de dormir que é composto de uma meia de lã merino, uma calça e blusa térmica segunda pela, e uma blusa de lã sintética que tenho desde os meus 14 anos e sigo usando ela sempre. Além da touca e de uma luva de fleece. Está noite fez 6°C. Ao lado do saco de dormir deixo sempre uma garrafinha com água, meu afrin em caso de nariz entupido e a lanterna a mão. Guardei as comidas na bolsa de cozinha e pus dentro da mochila ao meu lado com “um olho no peixe e outro no gato”. E assim fui dormir, pois o dia seguinte ainda tinha muito chão pela frente.
      2° dia de travessia – Abrigo 1500 até Urubici – 25km


      Acordei as 6h30, já fui guardando minhas tralhas de dormir, vestir minha roupa de trilha e tomar um café. Meu café em travessia consiste sempre em café passado na Pressca (tipo de prensa francesa de acrílico) pão com polengui, salame e “queijo” (quando tem...), carrego também para lanche de trilha uma garrafa pet com um mix de castanhas, uvas passas e gotas de chocolate, além de uma barra de chocolate, particularmente tenho levado o chocolate Talento da Garoto por ter uma quantidade grande de calorias, ser gostoso e ter muitas versões. Mochila pronta e café tomado, sai do galpão e dei de cara com o frio, me despedi do Sr. Elói e aproveitei o dia de céu azul para ir de novo nos mirantes da Cachoeira do Rio dos Bugres para curtir mais um pouco a paisagem.




      Depois passei pela casa de novo e logo atrás segue a trilha que sobe até a Serra da Anta Gorda novamente, a irmã do Sr. Elói é a única moradora naquela região acima, apesar de ter outras casas e galpões, porém desocupados. Fui seguindo o caminho por um faxinal bonito, corria um arroio sobre uma laje de pedra, parei para umas fotos.



      E logo a frente a trilha subia forte até a cumeeira da serra e dali se tinha uma vista linda ao norte do Paraiso da Serra e de um mar de montanhas, a leste se via o Morro da Boa Vista e Morro do Chapéu. Fui seguindo pelos campos ora margeando a borda norte, ora para o sul.


      Neste momento senti arder a sola do meu pé próximo ao dedão, a meia e o tênis estavam molhados então já sabia o que poderia ser. Parei logo em seguida e tirei meus tênis e meias, torci as meias que estavam encharcadas, sequei meu pé e passei uma pomada de vick vaporub que é o santo remédio do montanhista podendo ser usado para muitas coisas. Deixei meu pé respirar e aproveitei para comer meu chocolate e castanhas e curtir a paisagem. Depois colei um esparadrapo, calcei minhas meias e tênis novamente. Segui adiante e fiquei monitorando, o segredo para bolhas é fazer os primeiros socorros logo no primeiro sinal de irritação e vermelhidão, não pode deixar levantar a bolha, se não é problema. Caminhei todo o trajeto sem problemas. No meu caminho ainda cruzei algumas vacas e cercas, até que vi mais abaixo a uns 500m ao sul a propriedade da família do Sr. Elói, fui contornando o morro por cima até que chegou na estrada de acesso a propriedade e onde chegava também a rede elétrica.



      Ali a estrada era transitável de carro. Resolvi tentar seguir fora da estrada pelos campos, mas algumas vezes não tinha como até que fui descendo até uma propriedade bem grande onde havia bastante gado e de ali em diante seria só por estradas. Achei alguns pinhões debulhados pelo caminho e fui enchendo o bolso até que mais pra frente parei embaixo de uma araucária e fiz outra bela sapecada de pinhão, não sabia quando teria a oportunidade de novo, já que fazia muitos anos que eu não comia, ai aproveitei para curtir esse momento de fazer a pilha de grimpa, por fogo e os pinhões e sentado no chão ir pegando pinhão por pinhão sapecado, queimado pelo fogo com partes ainda em brasa, ia esfregando na mão, queimando e sujando de carvão, e assim fui me deleitando com essa iguaria serrana. Fiquei imaginando essa região a alguns séculos atrás ainda antes dos tropeiros com os diversos povos indígenas que por aqui haviam passado coletando pinhão, obviamente que o pinhão sapecado deveria ser a principal forma de comer essa rica e proteica semente da araucária nos meses frios de inverno.


      Logo fui seguindo pela estrada, abrindo e fechando porteira e passando por um corredor de araucárias que por muitas vezes formava um túnel no caminho. Era uma paisagem muito bonita e bucólica. Logo começou a descida bem forte ziguezagueando a estrada, em um certo momento encontro um pônei com uma franja muito estilosa, me aproximei dele, mas ele não quis muita conversa.


      E assim segui até a base da estrada e dei de cara com um bosque de araucárias todo varrido, grimpas amontoadas e uma entrada tipo de condomínio. E aí percebi que eu já havia chegado em um ponto turístico de Urubici chamado de Cavernas dos Bugres, que na realidade não são cavernas e sim paleotocas. Essas estruturas eram tocas que foram escavadas pelos gliptodontes, os tatus gigantes da megafauna que eram do tamanho de um fusca. Mais tarde diversas etnias indígenas (tradição Umbu, LaKlãnõ-Xokleng, Kaingangs...) ocuparam de forma aleatória essas tocas, deixando ali alguns registros rupestres, além de pontas de flechas e outros artefatos líticos. São diversos túneis de até uns 100m de extensão, ora se interligando, ora se sobrepondo. Havia dois conjuntos de túneis e logo abaixo corria um arroio. Dentro destes túneis haviam alguns morcegos e vários opiliões que são uma espécie de aracnídeo de cavernas. São estruturas baixas, tendo que andar levemente abaixado e algumas vezes até engatinhando. Aproveitei que já era 13h e o bosque de araucárias ali, sentei no gramado tirei meu tênis e almocei meu sanduiche de polengui, salame e mel de bracatinga. Só faltou o queijo.... kkkkk









      Seguindo a estrada abaixo há um portão fechando a rua e ali tem a pousada da Caverna Rio dos Bugres, fui barrado de forma agressiva e mal-educada por um homem dizendo que ali era propriedade particular e que eu tinha que pagar uma taxa, ai eu falei tudo bem, quanto é? Eu pago! Falei que não sabia que aqui era propriedade particular uma vez que passei por várias propriedades estrada acima. Aí ele falou que ele era dono de tudo ali, e eu passando por aqui poderia sumir uma vaca, e as câmeras dali me pegariam então eu seria o culpado... falei: pera ai loco! Tá me chamando de ladrão?? Sou montanhista e estou vindo de longe desde o canion espraiado, passando por várias propriedades, pedindo autorização a todos, mantendo todas as porteiras, cercas e animais como estavam, aí ele disse que não precisava mais pagar, mas tinha que avisar não sei quem... Infelizmente temos ignorantes assim, ainda mais para quem trabalha com turismo me pareceu muito despreparado e totalmente focado no dinheiro e na cobrança pela passagem pois o ponto turístico era propriedade dele, não sei se a estrada realmente é ou não. Porem precisa melhorar a abordagem. Então fica a dica de quando passarem aqui, já vir com dinheiro na mão. Passado esse contratempo segui pela estrada que ia margeando o Rio dos Bugres que dá nome a localidade, uma área rural muito bonita, com muitos sítios e chácaras, havia bastante criação de gado, cabra, também hortaliças e pomares. Mais adiante já alcancei o asfalto que liga Urubici ao Corvo Branco e fui até o camping Hospedagem Rural Nossa Senhora das Graças, um lugar muito bacana com uma ótima infraestrutura para acampar, tem também espaço para motorhome e chalés para alugar, recomendo o lugar. E ai finaliza essa minha jornada desde o Canion Espraiado, passando pelo Campo dos Padres, Serra da Anta Gorda, Rio dos Bugres e Urubici.
       
       


    • Por fernandobalm
      Resumo:
      Itinerário: Buenos Aires (Argentina) → Puerto Madryn (Argentina)→ Rio Gallegos (Argentina) → Punta Arenas (Chile) → Ushuaia (Argentina) → Puerto Natales (Chile) → El Calafate (Argentina) → Comodoro Rivadavia (Argentina) → San Carlos de Bariloche (Argentina).
      Período: 10/03/2001 a 01/04/2001
      10-12: Buenos Aires
      13-15: Puerto Madryn
      16: Rio Gallegos
      16-18: Punta Arenas
      18-21: Ushuaia
      21-23: Puerto Natales
      23-25: El Calafate
      26: Comodoro Rivadavia
      27-29: Bariloche
      30: Buenos Aires
      01/04: SP-Rodoviária do Tietê
      Ida: Voo de São Paulo a Buenos Aires pela KLM, previsto para sair às 9h15 do Aeroporto de Guarulhos, pago com pontos do programa de fidelidade da KLM.
      Volta: Ônibus de Bariloche a Buenos Aires e depois a São Paulo (Rodoviária do Tietê), previsto para sair perto de 16h ou 17h da Rodoviária de Bariloche. Paguei cerca de 105 pesos (equivalente a 105 dólares na época) pelo trecho de Buenos Aires a São Paulo,
      Considerações Gerais:
      Não pretendo aqui fazer um relato detalhado, mas apenas descrever a viagem com as informações que considerar mais relevantes para quem pretende fazer um roteiro semelhante, principalmente o trajeto, acomodações, meios de transporte e informações adicionais que eu achar relevantes.
      Nesta época eu ainda não registrava detalhadamente as informações, então albergues, pousadas, pensões, hotéis e meios de transporte poderão não ter informações detalhadas, mas procurarei citar as informações de que eu lembrar para tentar dar a melhor ideia possível a quem desejar repetir o trajeto e ter uma base para pesquisar detalhes. Depois de tanto tempo os preços que eu citar serão somente para referência e análise da relação entre eles, pois já devem ter mudado muito.
      Sobre os locais a visitar, só vou citar os de que mais gostei ou que estiverem fora dos roteiros tradicionais. Os outros pode-se ver facilmente nos roteiros disponíveis na internet. Os meus itens preferidos geralmente relacionam-se à Natureza e à Espiritualidade.
      Informações Gerais:
      Em toda a viagem houve bastante sol. Chuva e neve foram raras, ocorrendo geralmente de maneira breve e na região mais ao sul. As temperaturas na região de Buenos Aires, Bariloche e Puerto Madryn estiveram bem razoáveis, chegando até perto dos 30 C em alguns dias. Mais ao sul, em Comodoro Rivadavia, Rio Gallegos, Puerto Natales e principalmente Punta Arenas e Ushuaia estiveram bem mais baixas, chegando a ficar abaixo de zero à noite. O vento foi muito forte em toda a Patagônia, o que tornava a sensação térmica ainda menor. Na região perto de Punta Arenas o tempo mudava muito rapidamente, havendo várias situações diferentes durante o dia.
      A população de uma maneira geral foi muito cordial e gentil 👍. Disseram-me que poderia não ser muito bem tratado em Buenos Aires, mas se enganaram. Fui muito bem tratado em toda a viagem, com uma única exceção numa visita a uma loberia em Puerto Madryn e, assim mesmo, porque creio que houve um mal entendido.
      Tive alguma dificuldade em entender a língua no Chile, principalmente quando conversando com pessoas com forte sotaque regional.
      As paisagens ao longo da viagem agradaram-me muito, passando por monumentos, parques e construções interessantes nas cidades e por áreas costeiras, praias, montanhas, lagos, cavernas, geleiras, glaciais, florestas, rios e outros   .
      Pude ver também vários animais durante a viagem, a maioria em seu habitar natural. Isso incluiu lobos e leões marinhos, focas, elefantes marinhos, pinguins, delfins, guanacos. flamingos, tatus etc.
      Pensei em fazer a travessia de Bariloche a Puerto Montt, passando pelo Vulcão Osorno, mas desisti, pois naquela época demorava 4 dias, por não haver estradas em boa parte do trajeto, e eu não dispunha deste tempo.
      Surpreendeu-me que nas viagens de ônibus na Argentina estavam incluídas no preço pago as refeições (almoço e jantar) 👍.
      A viagem no geral foi tranquila. Não tive nenhum problema de segurança.
      Eu era (e ainda sou) vegetariano. Como a base da alimentação nesta região é a carne, foi um pouco difícil conseguir comida vegetariana, mas nada que supermercados não solucionassem. Gostei muito dos sanduíches de miga na Argentina, do doce de leite e dos vinhos, que tomei pouco .
      Os preços na Argentina estavam muito altos, pois havia a paridade do peso para o dólar e o real tinha sofrido a desvalorização alguns anos antes.
      A Viagem:
      Fui de SP a Buenos Aires no sábado 10/03/2001. A saída do voo estava prevista para as 9h15. Durante o voo uma senhora argentina de cerca de 60 a 70 anos falou-me de como eu iria gostar de Buenos Aires (ela disse: “há muito o que ver, Buenos Aires não é feia como São Paulo” ). Falou-me que seu filho ou sobrinho estava procurando por emprego há tempos, após se formar e não conseguia (o que me parecia um sintoma do agravamento da crise). Achei a travessia da foz do Rio da Prata espetacular . Cheguei perto da hora do almoço e me receberam muito bem no aeroporto 👍. Deram-me gratuitamente bastante material sobre a Argentina e me indicaram um ônibus que me deixaria na Praça San Martín. Peguei e de lá, após obter informações sobre onde me hospedar, fui andando até a região da Recoleta.
      Para as atrações de Buenos Aires veja https://turismo.buenosaires.gob.ar/br. Os pontos de que mais gostei foram os monumentos, os equipamentos e eventos culturais, os parques e a cidade como um todo.
      Fiquei hospedado na Recoleta por 22 pesos a diária (na época equivalente a 22 dólares). Acho que era o Hotel Lion d’Or (https://www.tripadvisor.com.br/Hotel_Review-g312741-d317288-Reviews-Hotel_Lion_d_Or-Buenos_Aires_Capital_Federal_District.html).
      Depois de me hospedar fui dar uma volta nas redondezas. Gostei bastante do local, bem cuidado. Passei por um cemitério que me chamou a atenção pelas estátuas. Resolvi entrar e lá fiquei por mais de 1 hora, apreciando as obras de arte que existiam nos túmulos, alguns dos quais de pessoas famosas, até internacionalmente. Nunca tinha feito uma visita destas a um cemitério, mas gostei bastante. Depois passeei pelo bairro apreciando suas ruas e lojas. Parecia um local elitizado. Se bem me lembro ainda fui a Puerto Madero à noite.
      No domingo 11/03 fui conhecer os outros pontos da cidade, incluindo o centro com seus monumentos e órgãos do Estado, e pontos específicos com seus equipamentos culturais e esportivos. Saí perto de 9h da manhã e voltei por volta de 23h. Andei muito. Pude visitar a Casa Rosada, a Praça de Maio, os órgão legislativos e judiciários, a catedral, o obelisco, centros culturais, confeitarias históricas, vários monumentos, o Rio da Prata, áreas arborizadas, a Boca, o Caminito (com suas casas coloridas), ver o estádio de La Bombonera por fora, ver casais fazendo apresentação de Tango na rua etc  .
      Num dos dias jantei algo como nhoque num restaurante de rua e no outro jantei no shopping. Interessante como no shopping os atendentes perceberam que eu era brasileiro e até falaram palavras em português comigo 👍.
      Na 2.a feira 12/03, fui para o outro lado, conhecer o Jardim Japonês e os parques da região do bairro de Palermo. Gostei muito . Eram parques enormes, sendo que o jardim japonês fazia jus ao nome, com várias estruturas nipônicas, que se encaixavam muito bem na paisagem. Voltei para o hotel perto da hora do almoço e no início da tarde peguei um ônibus para Puerto Madryn, já na Patagônia.
      A viagem durou perto de 18h. Passamos por Bahia Blanca no início da madrugada. A paisagem ao longo da viagem agradou-me bastante 👍. Recebemos jantar incluído no valor da passagem. Cheguei bem cedo na 3.a feira 13/03, hospedei-me num hotel simples (acho que o nome era parecido com Vaskonia). Como era bem cedo, fui ver se era possível fazer excursão à Península Valdez ainda naquele dia. Achei uma agência de turismo que dava desconto para hóspedes do hotel em que estava e, pesquisando algumas outras, vi que era a melhor opção. Acabei comprando com eles o passeio pela Península. O dono brincou comigo perguntando se eu lembrava do jogo entre Argentina e Brasil na Copa de 1990, quando Maradona atraiu a marcação de 3 e lançou Caniggia sozinho para driblar Taffarel e fazer o gol.
      Para as atrações de Puerto Madryn e da Península Valdez veja https://www.patagonia-argentina.com/puerto-madryn/ e https://www.patagonia-argentina.com/peninsula-valdes/. Os pontos de que mais gostei foram os animais, as formações rochosas e a natureza como um todo.
      Saímos pouco depois da 9h, se bem me lembro. No nosso grupo havia um espanhol da região basca, uma inglesa, um suíço, um casal de argentinos e acho que alguns outros. O espanhol mencionou que desejava conhecer outros locais, mas que a Argentina era muito grande e tudo muito distante. Perguntou-me se o Brasil era tão extenso quanto a Argentina . Passamos por locais de avistagem de pinguins, lobos marinhos e elefantes marinhos. Não vi orcas. Numa das paradas, perguntei se poderia nadar e o guia disse que sim. Enquanto nadava, disseram-me que um pinguim nadou atrás de mim. Numa outra ocasião vi um pinguim perseguindo um peixe. Nunca imaginei que um pinguim fosse tão rápido nadando. Parecia um torpedo. No caminho apreciamos também a paisagem patagônica, desértica, com vários guanacos (ou seus parentes). Conversando com o argentino, que se me lembro era advogado, ele me falou da patagônia, dos possíveis aproveitamentos econômicos, da população, de Buenos Aires e da situação da Argentina como um todo. No fim, quando estávamos nos despedindo, encontramos um tatu, que parecia já acostumado a humanos. Regressamos no meio da tarde.
      Aproveitei e ainda fui dar um passeio na praia. Reencontrei o suíço, mas acho que ele não me reconheceu.
      Na 4.a feira 14/03 fui conhecer a Loberia de Punta Luma, onde havia lobos marinhos e montanhas. Fui caminhando pelas estradas de terra ou similar. Num dado momento fui para a costa, pois achei que seria mais belo o passeio. Passei por uma linda jovem argentina que me orientou sorridente sobre o caminho. Encontrei pequenos grupos de lobos marinhos e cheguei bem perto, o que me permitiu observá-los bem. Acho que foi um erro, pois devo tê-los deixado nervosos. Na hora não avaliei isso bem. Mas não houve nenhuma reação de ataque ou surto visível, embora tenha percebido que eles pareciam ter ficado tensos. Devido a isso, resolvi afastar-me e não mais me aproximar tanto. Encontrei uma monitora que me explicou sobre lobos e leões marinhos. Por ter ido pela costa e praias, acabei não vendo a placa que dizia que alguns locais não eram permitidos e que tinha que pagar uma taxa. Quando cheguei à entrada principal, o responsável disse que eu não poderia ter passado por uma área de que vim, perguntando-me se não tinha visto a placa na estrada ou não tinha querido ver. Ele parecia irritado. Pediu-me o ingresso. Como a monitora não havia me cobrado, achei que poderia ser indevido e lhe disse que ela não me havia cobrado. Ele se irritou bastante e disse que ele estava cobrando, já em tom bem mais alto 😠. Eu paguei, ele acalmou-se, deu-me algumas informações sobre as montanhas e o local. Fui dar um passeio e conhecer as montanhas, que tinham aparência interessante, diferente, parecendo até de outro planeta. Realmente grandiosas . Depois, já perto do pôr do sol, voltei a pé. No caminho, acho que ele passou por mim com sua caminhonete.
      Na 5.a feira 15/03 peguei um ônibus para Rio Gallegos. Novamente belas paisagens, mas desta vez bem mais desérticas. Neste ou em outros trajetos pude ver guanacos, criações de ovelhas e fazendas com fileiras de álamos próximos às casas, que segundo me explicaram eram plantados para cortar o vento, muito forte na Patagônia. Cheguei lá na 6.a feira 16/03 pela manhã. Estava bem mais frio 🥶, obrigando o uso da roupa mais pesada (fleece) e da jaqueta (anoraque). Conversei com uma atendente pública local, que me explicou sobre a região, os pontos a conhecer e me falou sobre as precauções a tomar com o frio. Dei um passeio pelo centro da cidade e fui a uma agência de turismo perguntar sobre os possíveis passeios. Embora tenha achado interessante o lago na cratera de um vulcão, achei muito caro e distante. Resolvi então contemplar a orla e o centro. Achei a paisagem do mar muito bela 👍.
      Para as atrações de Rio Gallegos veja https://www.patagonia-argentina.com/rio-gallegos-ciudad/. Os pontos de que mais gostei foram os monumentos, a cidade, a orla e o mar.
      Parti no próprio dia para Punta Arenas. A ida para Ushuaia via terrestre era inviável, porque passava pelo Chile e as companhias argentinas não faziam diretamente. Saí no início da tarde e cheguei na parte final da tarde. No ônibus um judeu me perguntou de que cidade eu era, e quando disse que era de São Paulo, ele fez um ar de admiração e falou “uma cidade muito perigosa”. Falou de um jeito que imaginei que conhecesse São Paulo . No caminho paramos para fazer a saída da Argentina e entrada no Chile. No escritório havia um mapa bem amplo da região e descobri que existia uma reserva florestal em Punta Arenas, pela qual me interessei. Em Punta Arenas fiquei hospedado numa casa que funcionava como hotel, aparentemente de uma mulher judia. Ainda saí para dar uma volta nos arredores e conhecer um pouco da cidade. Encontrei uma pequena empresa de informática e lhes perguntei sobre como eram as condições de trabalho ali. Quando voltei, Eli (acho que este era o nome da dona) me disse “Metió sus patitas en el barro.” ou algo parecido, quando eu pedi desculpas e fui lhe pedir um pano ou vassoura para limpar a sujeira que tinha deixado. À noite deste ou do dia seguinte (ou em ambas), fui jantar num restaurante, pedindo espaguete e tomando vinho 👍. O vento era muito forte e frio, o que fazia a sensação térmica diminuir muito. A temperatura estava perto de zero graus 🥶.
      Para as atrações de Punta Arenas veja https://chile.travel/pt-br/onde-ir/patagonia-e-antarctica/punta-arenas. Os pontos de que mais gostei foram a reserva florestal e a paisagem do mar.
      No sábado 17/03 dei um passeio por Punta Arenas e depois fui conhecer a Reserva Florestal de Magalhães, que havia descoberto na estrada. Antes passei pela Ordem Salesiana para conhecer suas obras e pelos edifícios mais famosos da cidade. Depois, de acordo com o mapa, rumei para a reserva. Havia uma ladeira, que fazia um corredor de vento para o mar. Quando estava chegando lá em cima, o vento era tão forte, que eu andava para frente sem sair do lugar. Aí andei os metros finais agachado, diminuindo minha superfície e, portanto, a força que o vento exercia sobre mim . Caminhei até a reserva passando por paisagens naturais de que gostei. Gostei muito da reserva também , com seus bosques preservados, sua vista de montanhas e paisagens naturais, os sinais da presença de castores, embora não tenha visto nenhum, suas árvores típicas da região e a vista ampla da região, a partir de alguns pontos mais elevados. Depois retornei no fim da tarde. Neste dia o tempo amanheceu nublado, depois garoou, depois abriu o sol, depois choveu com média intensidade, voltou a abrir o sol, nevou fraco e parou . Uma amostra de como o tempo muda rápido nesta região. A noite voltou a fazer muito frio novamente 🥶, que era mais sentido devido ao vento muito forte.  Se bem me lembro, foi aqui que minhas mãos começaram a perder o movimento, depois que o sol se foi. Era difícil até esfregá-las. Eu não levei luvas. Tentei colocá-las dentro da roupa, mas adiantou pouco. O sangue parecia estar parando de fluir. Quando cheguei ao hotel, reaqueci-as e senti a vida voltar. Como deve ser difícil ficar numa situação destas como ocorre com os montanhistas em situações inesperadas.
      No domingo 18/03 resolvi ir para Ushuaia, mesmo sabendo que aos domingos não havia transporte direto. Peguei um ônibus até Puerto Porvenir, já na Terra do Fogo. Para chegar lá precisamos pegar uma balsa para atravessar o Estreito de Magalhães. Acho que foi aqui que pensei em nadar enquanto esperava, mas a água estava muito fria e não me arrisquei. Achei a travessia muito bela, com vistas espetaculares . Vários delfins (eu acho) 🐬 acompanharam o barco. Quando chegamos lá acho que houve algum problema de um dos veículos que vieram no barco com um policial, o que fez a viagem atrasar e ficarmos parados um tempo. Na viagem havia vários americanos, alguns de Wyoming, que sabiam falar um pouco de espanhol. Havia também uma queniana (ou descendente de quenianos) radicada na Bolívia. Conversei com os americanos sobre a viagem, suas expectativas e como o ambiente se parecia com o local onde moravam. Conversei com a queniana-boliviana sobre a Reserva do Masai Mara. Combinei com ela de irmos juntos ao Parque Nacional da Terra do Fogo no dia seguinte, se bem me lembro, encontrando-nos na porta por volta de 8h. As paisagens naturais do resto da viagem também me pareceram belas. Chegamos à noite. Depois de pesquisar um pouco, resolvi experimentar um hostel (pela primeira vez na vida), visto que com a dolarização, os hotéis regulares pareciam-me caros. Foi o primeiro de muitos .
      Para as atrações de Ushuaia veja https://turismoushuaia.com/?lang=pt_BR. Os pontos de que mais gostei foram o parque, o glacial, as paisagens naturais e a vista da cidade e do mar.
      Na segunda-feira 19/03 fui até o Parque Nacional da Terra do Fogo. Perdi a hora de manhã e cheguei 1h atrasado ao encontro marcado . A moça não me estava esperando (imagino que desistiu). Fui caminhando e adorei o parque. Assim como a Reserva Florestal de Magalhães, havia muitas paisagens naturais a observar, cursos de água, montanhas, árvores e vegetação típicas etc . Fiquei lá o dia inteiro. Encontrei um japonês no meio do caminho que me disse que achava frio para acampar ali. Saí no pôr do sol. Desta vez fui tirar o barro dos meus tênis num local que parecia um tanque no banheiro. Voltei à noite ao hostel.
      Lá conheci um casal de europeus, americanos ou canadenses (não me lembro bem). Não percebi no hostel que na cama de baixo havia uma moça e troquei de roupa no próprio quarto num dos dias . Ela, que era eslovena e estava quase dormindo, virou para o outro lado. Depois, quando percebi que era uma moça, fui pedir desculpas.
      Na 3.a feira 20/03 fui explorar a cidade e seus arredores. A vista do oceano em direção à Antártica parecia linda. Tentei verificar a possibilidade de ir até lá, nem que só um pouquinho, mas achei inviável o tempo necessário. Não tinha me preparado para tal. Após andar pela cidade e reencontrar o casal do hostel, fui em direção ao Glacial Martial (https://www.tripadvisor.com.br/Attraction_Review-g312855-d313939-Reviews-Glacier_Martial-Ushuaia_Province_of_Tierra_del_Fuego_Patagonia.html). Nunca tinha ido a um Glacial. Não sabia o que esperar. Não estava preparado em termos de equipamentos. Fui de tênis de pano (ou couro). Mas adorei . Era uma geleira pequena, mas subi nela até onde achei seguro, para não escorregar. Sentei até um pouco, para apreciar a maravilhosa vista, tanto das montanhas acima e do glacial, como da paisagem abaixo, com a cidade e o oceano. Achei ambas espetaculares. Mas era frio. Depois de apreciar bastante e quase ficar meditando um tempo lá, voltei para a cidade e fui apreciar novamente a orla.
      Na 4.a feira 21/03 peguei um ônibus para Puerto Natales, no Chile novamente, para ir conhecer Torres del Paine. Tivemos que fazer entroncamento, posto que a rota regular, se bem me recordo, era direto para Punta Arenas. Não me recordo bem se cheguei a ir até Punta Arenas (acho que não) ou se parei num ponto intermediário (acho que é mais provável). Cheguei em Puerto Natales no meio da tarde e me hospedei num pequeno hotel. Saí para dar uma volta na cidade, antes do pôr do sol.
      Para as atrações de Puerto Natales veja https://chile.travel/pt-br/onde-ir/patagonia-e-antarctica/puerto-natales. Os pontos de que mais gostei foram Torres del Paine, a caverna com o animal extinto e as paisagens naturais.
      Na 5.a feira 22/03 fui até o Parque de Torres del Paine (https://pt.wikipedia.org/wiki/Parque_Nacional_Torres_del_Paine). Se bem me lembro, havia um ônibus de turismo que ia até a porta do parque e depois pegava as pessoas no fim do dia para retornar (acho que eram vários horários de retorno). Na ida passamos por paisagens que achei espetaculares, das montanhas nevadas e da vegetação nativa. Paramos num espelho d’água formado por um lago com montanhas ao redor, como eu só tinha visto em filmes e quadros. A partir da porta do parque fui caminhando em direção às torres. Achei toda a paisagem espetacular . Até bebi água em um riacho, mas a temperatura da água era muito baixa. Tive algum tipo de torção ou mau jeito no joelho, pois devido ao horário de volta do último ônibus resolvi acelerar. Achei espetaculares as torres e toda a paisagem no seu entorno . No retorno, pouco depois do meio do caminho, encontrei dois geólogos brasileiros, que trabalhavam para companhias de petróleo. Eles me deram carona até a entrada e afastaram qualquer risco de perder o último ônibus. Inclusive, se bem me lembro, acho que devido a isso peguei o penúltimo. Estavam fazendo pesquisas devido à similaridade daquela região com o fundo do mar, onde se explora petróleo. Falaram que era o primeiro local turístico em que foram trabalhar.
      Na 6.a feira 23/03 fui até uma caverna com registros pré-históricos que era próxima da cidade. Talvez fosse a Cueva del Milodon (https://chile.travel/pt-br/onde-ir/patagonia-e-antarctica/torres-del-paine/monumento-natural-cueva-del-milodon). Achei interessante a caverna com seus registros humanos pré-históricos e o Milodon, um animal extinto há muito tempo 👍. Se bem me lembro fui e voltei de ônibus. No meio da tarde peguei um ônibus para El Calafate. Cheguei no início da noite e fiquei hospedado numa casa. A dona avisou-me para tomar cuidado quando fosse ao Lago Argentino, porque havia muito barro no entorno.
      Para as atrações de El Calafate veja https://www.patagonia-argentina.com/el-calafate/. Os pontos de que mais gostei foram o Glacial Perito Moreno, o Lago Argentino, com seus flamingos e as paisagens naturais.
      No sábado 24/3 peguei uma excursão para conhecer o Glacial Perito Moreno (https://pt.wikipedia.org/wiki/Geleira_Perito_Moreno). Logo de manhã combinei a excursão com uma agência e fomos num micro-ônibus. A guia sugeriu que tapássemos os olhos no caminho e só abríssemos quando ela avisasse, para termos a surpresa de ver o glacial. Gostei bastante da paisagem, com geleiras e depois gostei do Glacial, com o lago em que estava inserido . Pegamos um barco e fomos até certo ponto, para vê-lo de mais perto. Disseram-me alguns anos depois, que não se ia mais de barco até perto do glacial, devido ao aquecimento global e aos deslizamentos. Não sei como está atualmente. Havia uma escada com muitos degraus, que a guia disse para aqueles que poderiam ter alguma dificuldade de mobilidade (idosos por exemplo), avaliarem se compensava descer. Eu fui até o último degrau e apreciei a paisagem de cima e de baixo. Gostei bastante da paisagem. Vimos algumas quedas de blocos de gelo, imagem famosa em vídeos. Na época não tão comum quanto atualmente. Na volta ganhamos um chocolate quente ☕.
      Depois, mais tarde, eu fui dar um passeio numa parte do Lago Argentino que era próximo. Achei o lago espetacular . Os flamingos no meio, em grande quantidade, embora já estivesse perto do entardecer, davam um colorido que tornava a paisagem ainda mais bela. Sujei bastante meu tênis com a lama do entorno. Quando voltei, perguntei para a filha da dona se ela poderia limpar meu tênis, comigo pagando, e a mãe, ouvindo, disse “Eu não te avisei” . Achei que a moça não gostou muito da ideia, pois daria um trabalhão e resolvi eu mesmo lavar no dia seguinte.
      No domingo 25/3 fui dar uma volta nos arredores, andando por boa parte da margem do Lago Argentino e apreciando a paisagem. Gostei muito de tudo 👍. Durante o passeio, quando estava bem longe da cidade, 2 cachorros 🐕 começaram a me acompanhar. Como gosto de cachorros, fiz agrado para eles e fizemos parte do passeio juntos. Mas eu pensei que depois eles ficariam por ali. Quando comecei a voltar, eles começaram a me acompanhar. No começo não me importei e pensei que iriam desistir. Depois fiquei preocupado, pois claramente não sabiam andar nas ruas e já estávamos chegando perto da estrada e da cidade. Tentei espantá-los, mas não havia meio de voltarem. Achei que poderiam morrer atropelados, pela total falta de traquejo que demonstravam com as ruas. Falei com um homem que estava na rua, perguntando sobre como resolver aquela questão. Ele riu da minha dúvida e disse que não sabia de quem eram os cachorros e me disse para atirar uma pedra neles. Eu não podia fazer isso. Eu gosto muito de cachorros. Mas andei mais um pouco e eles quase foram atropelados. Aí, com enorme dor no coração, atirei uma pedra do lado deles. Mas eles não entenderam e continuaram atrás, novamente, indo pela rua e quase sendo atingidos por carros. Aí resolvi atraí-los para fora da rua, peguei uma pedra não muito grande e acabei atirando no dorso, de modo a causar o mínimo impacto possível. Nunca vou esquecer a fisionomia de decepção dos cachorros, que me seguiram com amor e me viram atirar pedras neles. Foi uma facada na minha alma 😢. Mas eles pararam de me seguir e acho que voltaram para os campos. Talvez tenha funcionado, mas acho que o preço foi alto.
      À noite peguei um ônibus para Comodoro Rivadavia. Cheguei no dia seguinte, 2.a feira 26/3, entre o princípio e o meio da manhã. Considerando o tempo que eu tinha disponível e as atrações a conhecer, resolvi ficar somente um dia e pegar um ônibus para Bariloche no fim do dia.
      Para as atrações de Comodoro Rivadavia veja https://www.comodoroturismo.gob.ar e https://manualdoturista.com.br/comodoro-rivadavia. Os pontos de que mais gostei foram o Museu do Petróleo, as informações sobre as Malvinas e a guerra, as construções na cidade, a praia e a vista do oceano.
      Fui a um escritório de turismo municipal perguntar por sugestões de pontos a visitar. Além da cidade e do museu, foi sugerido conhecer a Praia de Rada Tilly. Perguntei se não seria mais interessante conhecer um campo com alguns aerogeradores de energia eólica (naquela época nunca tinha visto nenhum). O atendente disse-me que era muito longe, num caminho que não tinha outras atrações e era deserto, o que poderia me deixar à mercê de algum acidente ou problema nas pernas ou pés. Resolvi então seguir a sugestão e ir a Rada Tilly, que achei uma praia muito bonita, porém cuja aproveitabilidade ficava comprometida pelo clima frio. Mas a paisagem agradou-me, incluindo o caminho 👍. Antes tinha ido ao Museu do Petróleo, que achei bastante interessante 👍. Nele ou em algum local anexo, havia uma exposição sobre as Malvinas, com informações sobre a guerra, que achei bastante interessantes também, apenas pontuando que era a visão argentina do conflito, que apesar disso me pareceu razoavelmente isenta, mas ainda assim sob a ótica argentina. Dei também um passeio pela cidade, sua catedral, seus edifícios históricos etc.
      Depois de voltar de Rada Tilly, peguei o ônibus para Bariloche. A viagem durou quase 1 dia, se bem me lembro. Conversei com algumas pessoas durante a viagem, sendo que me falaram de cidades na região de Bariloche que tinham pouca população, mas concentravam muitos artistas e amantes de filosofia e artes. Durante a viagem, após saber que eu era brasileiro, o jovem comissário do ônibus perguntou-me “Pelé ou Maradona?” ⚽. Respondi que Pelé tinha feito mais de 1.200 gols e Maradona menos de 200, Pelé tinha sido 5 vezes campeão do mundo e Maradona só 1 etc. Ele retrucou para mim que Pelé jogava com os mestres. Continuamos um pouco na conversa, mas olhei para os outros passageiros e percebi que muitos estavam me olhando. Para não causar confusões, falei então “Cada um no seu tempo”, que é algo em que creio e que acho que apaziguou os ânimos .
      Cheguei no início da tarde da 3.a feira 27/3. Achei a paisagem da viagem magnífica , principalmente na região de Bariloche. Havia muitos lagos e montanhas entremeados, além das paisagens com vegetação natural aparentemente preservada. Hospedei-me numa casa, que funcionava como hotel. Consegui gratuitamente mapas com informações e sugestões de passeios 👍.
      Para as atrações de Bariloche veja https://barilocheturismo.gob.ar/br/home. Foi um dos pontos de que mais gostei . O que mais me agradou foram as paisagens naturais, os lagos, a vista do Monte Campanário e os locais naturais e típicos do Circuito Pequeno (Chico).
      Inicialmente, como ainda havia luz do sol, fui dar uma caminhada acompanhando o curso do lago que ficava perto da área central. Durou umas 2 horas. Achei magnífica a paisagem.
      Nos 2 dias seguintes fui realizar o Circuito Pequeno (Chico) e subi no Monte Campanário. Decidi subir pela trilha, que estava com a infraestrutura bastante comprometida, mas nada que me parecesse ameaçar a segurança, apenas causando maior necessidade de esforço físico e fazendo sujar os calçados e as roupas. A vista lá de cima foi uma das mais belas que já vi  , englobando a paisagem natural, com lagos, montanhas, picos nevados, florestas, vilas etc. Andando pelo circuito, pude ver muitos atrativos naturais, paisagens de que muito gostei. Houve também a Colônia Suíça, que achei interessante.
      Na 5.a feira 29/3 à tarde fui pegar um ônibus para Buenos Aires e posteriormente a São Paulo. Optei pelo ônibus porque o preço da passagem aérea só de volta era mais alto do que o de ida e volta . A porta da casa estava trancada, eu tocava a campainha, batia palmas e ninguém aparecia para abrir. Comecei a ficar preocupado em perder a hora. Aí comecei a gritar e a atendente veio abrir a porta. Acho que ela ficou com medo, talvez não sabendo quem estava na porta. Imagino que quando reconheceu minha voz veio abrir. Talvez por ser chilena e não conhecer bem a cidade ou por estar em alguma situação irregular, tenha ficado com medo se fosse um desconhecido.
      Peguei o ônibus por volta de 17h. A viagem até Buenos Aires novamente teve belas paisagens 👍, mas não tão espetaculares quanto a anterior. Durou 1 dia. Chegando lá na 6.a feira 30/3, comprei uma passagem para São Paulo pela Viação Pluma (https://www.pluma.com.br). Fizemos a entrada por Paso de los Libres e Uruguaiana no fim da madrugada. O atendente da Polícia Federal olhou-me com cara feia, após carimbar meu passaporte e eu avisar que era brasileiro e que não precisava ter carimbado como entrada de viajante. Acho que pensou que eu era estrangeiro . Depois de entrar no Brasil, já não havia mais refeições incluídas no preço da passagem. A viagem pelo Brasil, pelo Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e sul de São Paulo apresentou paisagens que achei magníficas . Fomos pelo interior e passamos por cânions, campos, amplas áreas com vegetação nativa, montanhas etc. No sábado 31/3 almoçamos numa churrascaria em Passo Fundo. Eu sou vegetariano e não peguei carne. Num dado momento, o moço que servia o rodízio veio oferecer-me gentilmente linguiça calabresa. Eu disse que não tinha comprado o rodízio, mas ele disse que era cortesia. Falei então que não comia carne e vi sua cara de decepção. Fiquei um pouco tocado por ter rejeitado a sua gentil oferta. No Rio Grande do Sul, ainda mais naquela época, imagino que vegetarianos deveriam ser raríssimos. A viagem foi cansativa 😫, as pernas, os glúteos e as costas ficaram doendo um pouco, mas as paisagens foram muito belas. Cheguei em São Paulo perto de 5h da manhã do dia 01 de abril, data em que fazia 32 anos.
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