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WORLD NOMAD GAMES - QUIRGUISTÃO 

 
Nossa experiencia no pequeno país do Quirguistão, que fica na fronteira dos gigantes Cazaquistão e China fica para um próximo post, esse relato é sobre os Jogos Nômades, uma das experiencias mais increíveis que tivemos a oportunidade de participar em nossas vidas: Imagine jogos brutais, tribais realizados a seculos,  em todos os países que tem o sangue nômade nas veias, todos reunidos em  Cholpon-Ata,  no lago  Issyk- Kul, maior lago do país. 
 
Desde que ficamos sabendo da existência do World Nomad Games, que ocorrem a cada 2 anos desde 2014 no Quirguistão, a ideia de participar de um evento tão único e representativo da cultura nômade não saiu mais da nossa cabeça. Mas ainda estávamos no Cazaquistão e não queríamos passar correndo pelos lugares de natureza, então optamos por chegar apenas para os 2 últimos dias dos jogos. As competições esportivas são a atração central do evento, mas em paralelo, ocorrem diversas apresentações de teatro, música, dança e artes. Representantes de mais de 60 países se enfrentam em dezenas de modalidades, que giram em torno das provas sob o cavalo e de luta livre principalmente. 
Chegamos à tardinha e fomos direto para o Hipódromo, onde alguma coisa bem emocionante devia estar ocorrendo, considerando os gritos da plateia. Caímos no meio do jogo de Kok Boru, esporte nacional do país e, de longe, aquele que mais encanta as multidões. Imaginem a nossa expressão ao entender o que acontecia em campo: os jogadores, de cima de seus cavalos, perseguiam uma cabra morta, sem cabeça, e deviam arremeçá-lá nos respectivos buracos no fim de cada lado do campo. Na maioria dos arremessos, eles caiam com a cabra (ex-cabra) e tudo pra dentro do buraco, já que imagino a dificuldade de jogar um corpo de 45 quilos montado em um cavalo a galope e em plena velocidade. No meio do caminho, eles se batem e se espancam, visando dificultar o “gol” do adversário. Ficamos bastante impressionados com a brutalidade do esporte, desde o uso de um animal morto até a violência livre entre os jogadores. Mas quando se trata de tradição e cultura, aprendemos apenas a observar. O Kok Boru é jogado há centenas de anos pelos povos nômades, sendo ainda hoje para o Quirguistão e o Afeganistão o que o futebol é para nós. 
Ficamos desolados ao saber que as competições de caça com águia já haviam terminado. Outra tradição milenar dessas bandas, as águias caçadoras eram extremante importantes para o sustento das tribos nômades ao prover alimento e pele no rigoroso inverno da Ásia Central. Nos dias de hoje, existem pouquíssimos Berkutchi, os homens que ainda mantêm viva a tradição e fazem algumas exibições com suas águias douradas (nome dado devido à cor das penas em sua cabeça). O treinamento das águias caçadoras pode levar até 4 anos e requer práticas um tanto cruéis, como deixar a ave vendada durante a maior parte do tempo, pra que ela dependa inteiramente do seu treinador, e assim esqueça seus instintos selvagens.

Durante os Nomad Games pudemos vivenciar de perto alguns esportes totalmente diferentes do que estamos acostumados no Ocidente, em que ficaram evidentes a brutalidade e a raiz primitiva ainda presentes nos povos dessa região da Ásia. Foram imagens pra não esquecer tão cedo.

 

Mais posts e informação no nosso instagram: 

 

https://www.instagram.com/pandoraontheroad/

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      Oi pessoal estou em planos de da uma volta no mundo de carona e com mochilão queria saber os primeiros países q eu deveria começar a minha viagem 
    • Por PedroPoletto
      Relato sobre a viagem para a Mongólia, ocorrida em julho de 2018.
      Lembrando que isso é só um relato da minha experiência lá, não é um guia de turismo nem nada.
      A Mongólia era um lugar que já estava querendo conhecer há muito tempo, tanto tempo que já nem lembro mais de onde surgiu meu interesse em ir pra lá. Já estava conformado de ir sozinho, mas consegui convencer meu amigo Richard a ir junto.
      É praticamente impossível ir pra Mongólia totalmente independente, estilo mochileiro mochileiro mesmo, já que os atrativos turísticos estão longe das cidades e vilarejos e muitas vezes não existem estradas entre os lugares, nem mesmo estrada de terra, o país é um gramado interminável, então simplesmente vai-se dirigindo por ele. Lembrando que a Mongólia é o país menos densamente povoado do mundo e 1/3 da população mora na capital, então você também não vai cruzar com muita gente no caminho.
      Assim sendo, é quase inevitável ter que se juntar a uma excursão ou guia local. Um modo de economizar que muitos fazem é deixar para reservar a excursão chegando lá, funciona bem se você for fazer uma excursão de alguns poucos dias pelo deserto de Gobi, que é a região mais visitada de lá, e tem vários tours saindo da capital. Nós não fizemos isso, reservamos daqui, pelo fato de que queríamos fazer um tour longo e completo: a Mongólia é muito longe pra se chegar, e sai caro, então já que íamos pra lá, queríamos conhecer tudo o que se tinha pra ver.
      Fechamos com a agência local por meio do site IndyGuide.com, um site muito bom para turismo na Mongólia e Ásia Central. Esse site funciona assim: você posta lá quais as regiões e coisas que quer ver e quanto tempo, daí as empresas mandam as suas propostas e orçamentos. Foi o que fizemos, escolhemos uma agência (você pode ver as avaliações), e como o tour é personalizado, você pode fazer ajustes incluindo ou tirando coisas no itinerário.
      A dona da empresa perguntou de poderia anunciar nossa excursão no site da agência, caso alguém quisesse se juntar ao nosso tour, para diminuir os custos. Nós topamos, mas até chegarmos na Mongólia ninguém tinha se interessado (nós também divulgamos no TripAdvisor, mas Mongólia não é um destino super popular né).
      Fechamos uma excursão conhecendo tudo o que se tinha de principal pra ver na Mongólia, 25 dias viajando pelo interior do país. Conhecendo o deserto de Gobi ao sul, as estepes verdes no centro, os lagos e florestas no norte, e as montanhas a oeste.
      A temporada de turismo na Mongólia é muito curta, por causa do frio, é basicamente junho-julho-agosto (setembro pros mais empolgados), inverno lá é coisa de -30, -40°C. Nós fomos em julho e mesmo assim pegamos dias bastante frios no norte do país.
      O mais caro da viagem foi o voo, para chegar lá tinham duas opções: AirChina, com escalas em Madri e na China, e Turkish Airlines, com escalas em Istanbul (Turquia) e Bishkek (Quirguistão). O preço era quase o mesmo, escolhi a segunda opção: quando que teria oportunidade de conhecer o Quirguistão novamente né?
      A escala em Istanbul era de quase 24h, então aqui fica mais uma dica: se você voa pela Turkish Airlines e a escala mais curta disponível dura mais de 10h, a Turkish paga pra você um hotel em Istambul, incluindo o traslado pro aeroporto. Sensacional. Chegava no fim da tarde lá e saia no dia seguinte também no fim da tarde. Deu pra passear por Istambul, voltar pro hotel, tomar um banho e só fazer check-out umas 16h. Melhor impossível.
      A escala em Bishkek também era beeem longa, cheguei umas 6h da manhã e o voo saia lá pelas 3h da manhã... fechei um tour de um dia com um guia local, fiz isso pelo site IndyGuide também. O guia simpaticíssimo e o irmão dele me levaram para tomar café da manhã, depois fomos pro espetacular parque Ala-Archa, uns 40 km da capital, onde fiz uma trilha nas montanhas. Depois voltamos pra capital, fomos almoçar num restaurante de comida quirguiz típica, e então passear pela cidade. De modo geral a Ásia Central é um lugar que a gente não sabe nada a respeito, mas pela breve pincelada que tive no Quirguistão, voltaria com certeza (quem sabe fazer o Uzbequistão junto né): bonito, seguro, barato, arborizado, valeu muito a pena.
      Daí de lá foi um voo de umas 5h até a capital da Mongólia, Ulan-Bator, ou Ulaanbaatar, como eles dizem lá (é assim que eu vou chamar aqui também). Cheguei lá e uma meia hora depois chegou meu amigo Richard, que veio da Noruega, via China.
      Então vamos começar com o relato da viagem na Mongólia, está resumido, mas foi uma viagem longa, então o relato vai ser longo também, vocês vão me desculpar.
       

      D1- Ulaanbaatar é uma cidade grande, um pouco mais de 1 milhão de habitantes, 1/3 da população do país mora lá, e ela não é com certeza o motivo pelo qual os turistas vão pra Mongólia, mas ela me surpreendeu positivamente. Nosso hostel ficava no 22º andar de um prédio a 1 quarteirão da praça central da cidade, com uma vista sensacional da cidade.
      Na praça central fica um grande prédio governamental com a estátua de ninguém menos do que Gengis Khan. Ele está em todos os lugares na Mongólia, nas notas de dinheiro, nome do aeroporto e de marca de vodka, de cerveja etc etc. A praça é grande e bem agradável, com crianças andando de bicicleta, noivos indo tirar foto do casamento com as famílias usando os trajes mongóis típicos, ou seja, todo mundo aproveitando o curto verão mongol.
      À noite fomos num bar que tinha montado com telão na parte externa pra transmitir os jogos da copa. Tinham vários estrangeiros, mas muito mais mongóis. Jogo Argentina e Rússia. Os mongóis aparentemente estavam torcendo pra Argentina...

       
      D2- fomos passear pela cidade. Fomos andando até um mirante no alto da cidade, que também é um memorial pelos soldados mongóis que lutaram em conjunto com os soviéticos na 2ª Guerra (Memorial Zaisan), fica do lado de um shopping center. Pra chegar lá andamos pela cidade, passando por praças, estátuas de caravanas de camelo, uma estátua gigante de Buda e fomos também visitar o antigo palácio real dos soberanos mongóis que ficou ativo até o começo do século XX (Bogd Khaan).
      Encontramos com a dona da agência de turismo para fazer o pagamento e descobrimos que teríamos mais uma integrante no nosso grupo, uma moça tinha fechado com ela alguns dias antes, ou seja, ótimo, a viagem ficou ainda mais barata.
      À noite fomos assistir uma apresentação de graça na praça central de uma orquestra sinfônica local, tocando música clássica. Foi bem legal
       
      D3 - começava a excursão propriamente dita, vieram nos buscar no hotel, e levaram para conhecer nossos companheiros pelos próximos dias: Jennifer, a canadense que tinha se juntado ao nosso grupo, simpática e educada como todos os canadenses, Chingis, nosso guia com nome apropriadíssimo (Chingis é Gêngis em mongol, tínhamos o xará do Gengis Khan como guia) e Gonchgoo, o motorista, que mesmo não falando nada além de mongol, era um senhorzinho muito simpático (às vezes parecia bravo, mas é o jeito de falar no idioma mongol que é meio assim mesmo).
      De lá partimos no nosso jipe rumo ao sul, ao deserto de Gobi.  Estrada muito boa nesse primeiro dia, paramos pra comer num restaurantezinho no meio do nada na estrada. Logo depois da gente chegou um grupo de uns 40 italianos (eles estavam num tour há 2 meses, saíram da Itália e foram cruzando a Rússia até chegar na Mongólia, doidos né). Aproveitei pra desenferrujar o italiano que aprendi na escola.
      Chegamos no nosso 1º ponto turístico: Baga Gazriin Chuluu, um formação rochosa no meio do deserto, nem sei bem como explicar, pareciam um amontoados de pedras, grandes e por uma área gigante.
      E estava lá também a multidão de italianos. A gente encontrou com eles várias vezes nos dias seguintes, os itinerários dos turistas de modo geral eram semelhantes. Eram na maioria nos seus 50-60 anos, muito simpáticos, conversamos bastante sobre a Copa do Mundo que estava acontecendo, e que a Itália não estava participando.
      De lá fomos pra nossa primeira estadia, nosso primeiro ger. Ger são as tendas circulares onde moram os nômades mongóis (em outras regiões da Ásia Central são chamadas de iurtas… talvez você conheça pelo nome em inglês de yurts). Sim, mesmo hoje no século XXI, 1/3 da população mongol é nômade. E muitas dessas famílias nômades que tem seus rebanhos perto de regiões turísticas montam no verão um ou alguns gers a mais para receber turistas.
      O ger é bem melhor que imaginava. Bem grande, variando de 3 a 5 camas dentro dele. Bem confortável, exceto pela porta baixinha em que batia a cabeça toda hora até acostumar com ela uns dias depois.
      Ao ficar com as famílias nômades, somos meio que convidados deles, toda vez que chegávamos a um ger novo, a primeira coisa era ir cumprimentar a família, eles ofereciam bolachas, chá no leite de égua (tudo na Mongólia é exótico), e iogurte seco de leite de égua, ou camelo ou iaque. E a gente dava pra eles chocolates e balas, principalmente pras crianças (sonho de valsa e bala Chita fizeram muito sucesso, tanto com as crianças mongóis quanto com a nossa companheira de viagem canadense).
      Por mais isolados que estejam, as famílias tem umas placas de energia solar ligadas a uma bateria de carro, eles usam isso pra ligar lâmpada à noite, ou ver TV (eles têm também umas parabólicas pequenas). Nesse dia tivemos a oportunidade de ver o jogo do Brasil na Copa no meio do deserto de Gobi junto com uma família mongol (que não se interessou muito, os esportes deles são outros: corrida de cavalo, luta e arco-e-flecha)
       


      D4
      Acordamos, tomamos nosso café da manhã (nosso guia Chingis também cozinhava o café-da-manhã e o jantar, e ocasionalmente o almoço quando estávamos em lugares muito remotos. Se não, almoçávamos em algum restaurantezinho quando cruzávamos algum vilarejo mongol).
      A rotina em geral era a mesma, longos trajetos por estradas intermináveis, mas com um visual interessante, e no meio da tarde chegávamos no nosso ponto turístico. Ficávamos lá quanto tempo quiséssemos e depois partíamos pro lugar onde íamos dormir. Éramos nós também nômades, cada dia dormíamos num lugar diferente.
      Nesse dia visitamos o Tsagaan Suvarga, que quer dizer Estupa Branca (estupa é uma estrutura religiosa budista, os mongóis seguem a linha tibetana do Budismo). Mas esse lugar não era nenhuma construção religiosa, era um desfiladeiro com cores variadas, parece aquelas encostas de algumas regiões do litoral do Nordeste, como Trancoso, mas no meio de deserto.
      Muito bonito, e como tudo na Mongólia, bem vazio, mesmo no mês de pico de turismo, na região mais turística do país.  Éramos nós e uma meia dúzia de outros turistas espalhados pelo lugar.
       

      D5- nesse dia saímos rumo a um lugar chamado Yolyn Am, que é um vale em que vamos caminhando numa trilha bem de boa até chegar no fim dele, e no fim desse vale, mesmo no auge do verão, ainda tem gelo, ele só derrete no finzinho do verão.
      Mas antes de chegar nesse vale, passamos por uma arquibancada perto de uma cidadezinha. Estava tendo uma corrida de cavalos. Os mongóis adoram cavalos, desde o tempo de Gengis Khaan, tem até um ditado que diz que um mongol sem um cavalo não é um mongol. O mais interessante é que quem corre nessas competições são crianças. Era uma corrida de 12km e a arquibancada era no final do trajeto. As crianças tinham uns 6-7 anos de idade, o que pra a gente era bem estranho né. O guia falou que agora o governo controla mais essas coisas: não pode corrida com crianças menos de 5 anos, e é obrigatório uso de capacete. Antes era sem regras.
      Decidimos aguardar e ver a corrida.
      Como éramos os únicos turistas estrangeiros, deixaram até a gente entrar na pista pra tirar foto com as crianças, e subir naquela cadeira elevada onde ficam os árbitros.
      De lá fomos pro Yolyn Am, fizemos a trilha ate o fim. Sim, ainda tinha gelo, no deserto, em julho.
      E fomos pro nosso próximo ger. Quando chegamos lá, não tinha mais lugar já que tínhamos atrasado por causa da corrida. Daí ficamos dirigindo meio sem rumo e quando encontrávamos uns gers, o guia ia falar com a família pra ver se tinha algum disponível. Como é uma área turística e boa região de pasto para as ovelhas, tinham bastante gers, então não demorou pra acharmos. É tudo meio assim na Mongólia, a comunicação e a organização às vezes aparentam não serem as melhores, mas tudo dá certo, com o jeitinho mongol.

       
       
      D6
      Mais uma vez, acordamos, café-da-manhã e partiu.
      O deserto de Gobi é bem variado, tem áreas pedregosas, áreas de montanhas, áreas até com grama. Ele é um semiárido na verdade.
      Hoje fomos pras dunas do Gobi, as Khongoryn Els.
      Lá chegamos no nosso ger, visitamos a famílias, tomamos o chá, o iogurte de leite de camelo etc, e fomos fazer um passeio de camelo. Não aqueles dromedários de uma corcova que vemos em países árabes, na Índia, na Austrália e até em Natal (RN). Na Mongólia eles têm os camelos bactrianos, de 2 corcovas, muito mais raros, e no inverno eles têm uma pelagem super espessa pra aguentar o frio intenso.
      Fomos com os camelos até a base das dunas. Essas dunas têm uns 100km de extensão, e nos pontos mais altos, uns 80m de altura. E foi lá que subimos, nós, outros turistas de outros lugares e vários turistas mongóis, famílias, crianças, idosos. Aquela canseira extrema de se subir na areia, mas a vista compensou, e o pôr-do-sol também.
      Voltando pro ger, vimos umas crianças recolhendo os cavalos. Os mongóis acreditam que você tem que acalmar os cavalos antes de colocar eles amarrados no fim do dia, e eles fazem isso cantando para os cavalos. Imagina um moleque de uns 9-10-11 anos, montado em cima de um cavalo sem sela, dando voltas e cantando. Como disse um amigo meu quando viu a filmagem que eu fiz, “parece coisa de filme”. Parece mesmo.

       

      D7
      Nesse dia fomos pra Bayanzag, é um desfiladeiro parecido com Tsagaan Suvarga, mas mais vermelho, ele é conhecido pelos turistas como Flaming Cliffs (desfiladeiros flamejantes). Muito muito bonito. Foi nesse lugar que ovos de dinossauro foram descobertos pela primeira vez, por um cara chamado Roy Chapman Andrews, um aventureiro americano do começo do século, que diz a lenda, foi um dos inspiradores para a criação do Indiana Jones.
      Depois fomos até Ongiin Khiid (monastério Ongi), ruínas de um monastério budista. Existem vários desses pela Mongólia, durante o governo comunista da Mongólia, os monastérios budistas foram destruídos e estima-se que cerca de 20.000 monges fuzilados. Esse especialmente foi fundado em 1660 e destruído em 1939, e cerca de 200 monges foram mortos. Apesar da historia triste, é um lugar muito bonito e tranquilo.
      Até então tínhamos dormido em gers pertencentes a famílias. Eles tinham os deles e montavam alguns extras pra turistas.
      Hoje dormimos num ger-camp, que é tipo um hotel, só que são vários gers espalhados por um lugar. Tem a desvantagem de não pertencer a uma família, não tem o contato com os nômades, com as crianças e animais. Mas tem a vantagem de ter mais estrutura: tinha um pequeno restaurante/lanchonete, onde vimos a segunda partida do Brasil na Mongólia, a que perdemos e fomos eliminados. E tinha também um lugar com chuveiro e banheiros fechados. Até então os banheiros eram fossas e os chuveiros eram, bom, eles eram inexistentes.
      Aproveito então pra abordar duas das 3 piores coisas de se viajar pela Mongólia: condições dos banheiros e banhos não diários. A falta de banho eu achei que fosse ser a pior coisa, mas não foi. Em geral o tempo era frio e seco, a gente passava boa parte do dia no jipe, sem fazer esforço físico, então não suava. E estávamos todos na mesma condição, todos sujos iguais né. Óbvio que bom não era, mas não foi torturante como achei que fosse ser. Aqueles lenços umedecidos ajudaram muito mesmo. Os banhos a gente tomava quando ficava assim num ger-camp (pagava-se pra isso, ótimo investimento) ou quando passávamos por uma cidade de porte médio que eles têm chuveiros pagos. Bem interessante a ideia, impecavelmente limpos, água quente e tudo mais.
      Agora, os banheiros, daí o negócio não era legal. Pensa que os caras são nômades, não tem como ter banheiro. Então eram fossas, com variados graus de estrutura. Algumas tinham 4 paredes, uma tinha até um vaso sanitário com água pra descarga, mas a maioria eram umas tábuas por cima da fossa, e você fazia suas necessidades fisiológicas agachado, como é costume em vários lugares do oriente. As piores eram só 3 paredes baixas, e um lado aberto para a natureza, e o buraco raso demais. Pra mim isso foi a pior coisa em se viajar por lá, mas já sabia que ia ser assim, faz parte da aventura.
       

      D8
      O programado hoje era visitar a cachoeira Orkhon, mas os planos mudaram. O guia disse que os rebanhos de ovelhas ou cabras sei lá da cidade estavam com alguma doença, então a cidade estava fechada para evitar transmissão. E como alternativa iríamos pra região das águas termais de Tsenkher.
      Ficamos chateados por que originalmente essas águas termais estavam no nosso roteiro mas a gente pediu pra substituir pela cidade de Kharkhorin, já que a gente não tinha se interessado tanto pelas termas. Eu honestamente achei que esse negócio de cidade fechada que o guia falou tinha sido invenção dele, vai ver que não queria ir pra cachoeira sei lá... mas não é que passando por um vilarejo à beira da estrada todas as ruas que saíam da estrada estavam com aquela fita preta e amarela, sabe? Aquelas que a polícia usa pra bloquear acesso... no fim era verdade. Os mongóis dependem muito de seus rebanhos, faz sentido todo o cuidado pra evitar propagação de doenças. Eles criam muitas cabras e ovelhas. Ovelhas pra lã e carne, e as cabras são por causa do pelo delas, são as famosas cabras que produzem as valiosas lãs de cashmere.
      Bom, acabamos indo pra as fontes termais. No fim mudei de ideia sobre o lugar, que lugar bonito! Aqui já havíamos saído do Gobi poeirento e pedregoso e chegado nas estepes verdinhas intermináveis. Eram ger-camps e hotéis, um ao lado do outro, todos com piscinas e banheiras de água quente das fontes termais. E uma paisagem muito bonita, grama verde, floresta de pinheiro ao fundo, e vários rebanhos de cavalos, iaque, cabras e ovelhas. Era interessante também o numero grande de turistas, diferente das outras partes da Mongólia, mas maioria dos turistas eram mongóis mesmo.
      A Jennifer chegou até a ir num hotel do lado do nosso ger-camp pra fazer uma massagem. Nem tudo é perrengue na Mongólia.
       

      D9
      Fomos rumo a Kharkhorin, que é a antiga capital do império mongol (em português é Caracórum). Foi fundada por um dos filhos de Gengis Khan, e abrigava também um monastério gigante (Erdene Zuu). Foi destruído em 1939 pelos governantes comunistas do país, e os monges, fuzilados.
      Ficamos novamente num ger-camp (esse não tinha chuveiro, mas estávamos bem limpinhos por causa das águas termais da véspera), e já começou a fazer muito frio à noite (lembram da continentalidade que aprendemos na escola?).
      Veio para nosso ger-camp um trio de músicos fazer uma apresentação: enfim vimos o famoso canto difônico mongol, é estranhíssimo, mas bem interessante. Procure por throat singing no YouTube, são duas notas cantadas ao mesmo tempo sei lá como descrever, tem que ouvir pra entender.
       
       

      D10
      Hoje continuamos nosso trajeto rumo ao norte. Fomos ver o Vulcão Khorgo, um vulcão extinto. Tem uma trilha tranquila que sobe até o topo dele, daí você consegue ver toda a cratera. Íamos dar a volta toda na cratera, mas começou a chover e voltamos, fizemos 1/3 do perímetro talvez. Tinham bastantes turistas mongóis lá.
      Do alto do vulcão dava pra ver o Tsagaan Nuur (Lago Branco), e é pra lá que fomos. É um lago gigante, bem bonito, nas margens tem vários ger-camps pros turistas mongóis. Mongólia não tem mar, então eles vão muito pra eles lagos pra passear, passar o fim de semana. Fomos passear a beira do lago mas de novo começou a chover então voltamos pro ger-camp. Ficamos nos divertindo com as crianças que estavam hospedadas lá, as crianças mongóis são as mais simpáticas de todas. Quando a chuva parou, voamos com o drone, pra euforia e alegria da criançada.
      Como estávamos indo para o norte, as noites já eram bastante frias, nos gers eles têm uma fogareiro a lenha que ajudava bastante, e começamos a acender fogo todas as noites daqui pra frente.

       
      D11
      Partimos rumo à cidade de Mörön. Nossa “estrada” ia cruzando as montanhas Khangai, paisagem bem bonita. A estrada não era nem uma estrada de terra, eram basicamente as marcas dos pneus de carros que passavam lá, mas surpreendentemente ele estava no Google Maps. Paramos pra almoçar numa cidadezinha ínfima, e como sempre, a gente ia no mercadinho pra ver se comprava um chocolate ou sorvete, a surpresa do dia foi ver bala 7 Belo à venda nesse mercadinho, com embalagem em português e tudo mais, quem diria né?
      Chegamos em Mörön, que é uma cidade maior. Lá não ficamos hospedados em ger ou ger-camps, ficamos na casa da tia do guia, que nos recebeu com um banquete feito em casa. Foram extremamente simpáticos e receptivos. O tio ficou tentando embebedar a gente com uma vodka local, mas ele que acabou super bêbado, daqueles bêbados alegres que ficava abraçando a gente, mostrando os álbuns de fotos da família, e conversando, lembrando que nós não falávamos nada de mongol nem ele de inglês. Sensacional.
       
       


      D12
      Em Mörön, fomos de manhã assistir o Naadam. É um festival esportivo mongol, com os três esportes nacionais: corrida de cavalo, luta e arco e flecha. Acontece sempre em julho, o maior deles é na capital, mas acaba que vira um espetáculo muito grandioso e turístico, então pedimos pra incluir no nosso roteiro algum Naadam em alguma cidade do interior, pra ver algo mais autêntico.
      Fomos no estádio da cidade. Era um estádio de futebol, pequeno, com grama artificial no meio. No gramado ocorriam as lutas, e atrás do ginásio a competição de arco e flecha, masculino a feminino. As corridas de cavalo aconteciam fora da cidade, e só vinham pro ginásio para receber as medalhas.
      Foi uma experiência bem legal, ver esses esportes, e o pessoal assistindo usando os trajes tradicionais e tudo mais. Você contava na mão o número de turistas estrangeiros lá.
      Voltamos pra almoçar na casa da tia e partimos mais pro norte, pro Lago Khövsgöl (ou Huvsgul, Hövsgöl, Khuvsgul, não tem regra como transliterar pro nosso alfabeto, em mongol é Хөвсгөл. Os mongóis usam o alfabeto cirílico (o mesmo dos russos), com algumas letras a mais, o que facilitava bastante por que não é tão difícil de aprender né... antes da influencia soviética, eles usavam um alfabeto próprio, que é bem bonito, eles estão com planos de retomar o uso desse alfabeto próprio). O Lago Khövsgöl é um lago gigantesco, uns 300km de comprimento, bem ao norte, quase na fronteira com a Rússia, ficamos bem na pontinha sul, numa cidade balneária turística chamada Khatgal, com hotéis, pousadas, ger-camps, chalés pra alugar, tinha de tudo. Quase que só turistas mongóis.
      Fizemos um passeio de barco, e ficamos andando na beira do lago, foi bem legal, bem bonito. Estava bem frio então zero chance de nadar.

       

       
       
      D13
      Saímos de manhã de Khövsgöl e fomos indo mais pro noroeste, agora as estradas começaram a ficar bem ruinzinhas e eram horas e horas para andar pouca distância, mas a paisagem sempre compensava na Mongólia. Estávamos no remoto vale Darkhad, perto das montanhas Khoridol Saridag. 
      Passamos por um vilarejo muito muito pequeno, e estava acontecendo um Naadam local. Nós 3 éramos os únicos turistas assistindo, foi bem interessante.
      Sabe-se lá como foi parar lá, mas tinha um mongol com um casaco do Palmeiras.
      Seguimos viagem, a gente foi encontrar a próxima família que ia nos receber. Eles eram criadores de cavalos, o pai inclusive tinha uma medalha por que o cavalo dele havia ganhado uma corrida recentemente.
      Eles como sempre, nos receberam muito bem. Comemos iogurte de leite de iaque, bem gostoso.
      Essa família que iria fornecer os cavalos pra nossa aventura dos próximos dias.

       
      D14
      Acordamos pra ir conhecer o povo Tsaatan, que são criadores de rena. Eles vivem bem isolados nas montanhas, o único jeito de ir é de cavalo, nem de jipe dá, por que tem que cruzar montanhas, florestas e pântanos. É bem perto da fronteira com a Rússia, tanto que turistas precisam de uma autorização especial, e os nossos passaportes ficavam com as autoridades mongóis enquanto íamos pra lá.
      A gente foi de jipe até o que dava, depois pegamos os cavalos. A cavalgada até lá foi bem bonita, mas bem difícil e dolorida já que não temos experiência em cavalos né, foram 4h cavalgando (disseram que tivemos sorte por que eles estavam acampados perto).  E quando cavalgávamos pela floresta densa, era cada joelhada nas árvores... chegamos lá no meio pro fim da tarde, e já vimos ao longe os rebanhos de rena, que incrível.
      Deixamos os cavalos, fomos dar oi pra família, que nos recebeu com queijo de rena, e depois fomos tentar se aproximar das renas. Elas estavam deitadas descansando em cima de uma placa de gelo de uns 300m2 (sim, ainda tinha gelo no chão em julho). A gente ia chegando aos poucos com medo de espantar eles e estávamos mega empolgados de estar tirando fotos deles a 15-20 metros de distância. Mal sabíamos que depois de uma meia hora quando os pastores arrebanhassem as renas, a gente estaria no meio delas. E assim foi, no finzinho da tarde eles trazem elas de volta pra perto das pessoas pra passar a noite (tem lobos nessa região), e aproveitam pra ordenhar as renas. As renas são extremamente dóceis, não se incomodam em nada com a gente fazendo carinho, tirando foto etc.
      O povo tsaatan (também conhecido como Dukha) é uma etnia diferente da Mongólia, eles não são budistas como a maioria mongol, são animistas e xamanistas. Eles têm um dialeto também diferente do resto dos mongóis, que falam o dialeto mongol khalkha. E eles não moram em gers, moram em tendas triangulares, igual aquelas dos índios norte-americanos. Parte da sua etnia mora do outro lado da fronteira, na Sibéria. Tem vários vídeos muito legais no YouTube sobre eles, seja documentários ou vlogs de turistas.
      Nós dormimos nessa tenda, era uma cama improvisada, de madeira, bem dura e desconfortável, forrada com pele de rena. Não passamos muito frio por causa do fogareiro à lenha, mas foi a pior noite em conforto. Mas é preço para se vivenciar essa experiência única.

       
       

      D15
      Hoje tivemos o dia inteiro livre aqui com os Tsaatan. Nosso guia deixou a gente à vontade pra fazermos o que quiséssemos. Fomos caminhar, ver outras famílias de pastores de rena que moravam nas redondezas, subimos numa montanha, relaxamos com as crianças e os cachorros.
      O pai da família que nos recebia fazia entalhes em chifre de rena, e vendia pros raríssimos turistas que apareciam lá a cada ano. Comprei 2 pra mim e pedi pra ele entalhar mais 2, cada uma com o nome dos filhos de amigos que estavam pra nascer. Ele entalhava pequenas esculturas de renas nos chifres das renas.
      Lembrando que as renas perdem naturalmente os chifres no inverno, então matéria prima não faltava.
      O pai da família mostrou pra a gente como eles montavam nas renas pra transporte. Subimos nelas pra tirar fotos, bem coisa de turista, mas fazer o que né, somos turistas... e quem iria perder essa oportunidade? Já aviso que não é nada fácil ‘cavalgar’ em renas.
      E passamos nossa 2º e última noite com os tsaatan.

       
      D16
      Acordamos, pagamos pelos nossos entalhes de chifre de rena, nos despedimos da família, e bora enfrentar mais quatro horas de cavalgada e joelhadas... a mãe da família, que muito gentilmente percebeu que meu amigo Richard tinha adorado o queijo de rena, deu um pedação pra ele levar e comer nos próximos dias.
      Os cavalos mongóis são pequenos, ágeis mas muito assustadiços. O guia tinha falado pra a gente várias vezes o que fazer e o que não fazer. Mas no fim do segundo dia eu já devia estar relaxado e fui pegar alguma coisa da minha mochila, que estava nas minhas costas. O cavalo se assustou e disparou, eu cai e bati numa árvore. Tirando uns arranhões superficiais, não aconteceu nada. Mas poderia ter acontecido, e estávamos a algumas horas de cavalo do jipe que estava esperando a gente, e mais algumas boas horas de jipe de qualquer possibilidade de socorro, ou mesmo de sinal de celular. A gente turista às vezes faz umas imprudências né...
      Chegamos no fim da tarde de volta pra a família dos guias de cavalos.
      Ficamos lá brincando com as crianças, a menorzinha Batukaa, o bebê com as maiores bochechas da Mongólia, e a irmã mais velha, cujo nome não me lembro, se divertiu tirando fotos com os nossos celulares. Sendo mês de copa do mundo, eu tinha levado uma camisa da seleção pra dar de presente pra alguma criança com que tivesse mais contato lá, e foi ela que ganhou... além de um monte de sonho de valsa né.
       
      D17
      Dia de estrada, estávamos rumando agora mais pro oeste. Estrada pelas montanhas e florestas, linda paisagem perto da divisa com a Sibéria, mas avanço extremamente devagar. Dirigimos o dia inteiro sem ver uma pessoa sequer. Estávamos numa região bem remota, para onde os pastores traziam os rebanhos no inverno, então agora no verão não tinha ninguém. Assim sendo, não dormimos em ger de alguma família, acampamos com nossas barracas mesmo no meio do nada, num vale verde, muito bonito, entre as montanhas com florestas de pinheiro.
       

      D18
      Começamos a nos aproximar de ‘civilização’ novamente. Passamos por uma cidadezinha em que talvez fossemos conseguir tomar um banho. Esse já era o período mais longo sem banho da viagem (e da vida também né). Infelizmente estava fechado por falta de eletricidade.
      Acampamos à beira de um rio, muito bonito. Estava garoando e muito frio. A ideia de um banho no rio foi cogitada, mas descartada.

       
      D19
      Continuando para o oeste. A região foi ficando mais árida e menos montanhosa, estávamos chegando no lago Khyargas. Acampamos à beira do lago. Era um lago gigante, não tão bonito como o Lago Khövsgöl, mas bem mais tranquilo e vazio. Aproveitamos um hotel na frente do lago e pedimos pra carregar as baterias da câmera e do drone, eles deixaram. Bateria do celular a gente carregava fácil no acendedor de cigarro do carro, mas câmera e drone só em tomada mesmo, o que sem sempre encontrávamos. Então precisava planejar bem e economizar.
      O Richard se rendeu e tomou um banho no lago gelado. Ele é brasileiro mas mora na Noruega. Eu brasileiro tropical não consegui, estava muito muito fria a água.
       

      D20
      Continuamos rumo a oeste. Região árida foi ficando mais montanhosa.
      Paramos numa cidadezinha para comer, estava também sem energia elétrica. A dona de um mercadinho deixou a gente esquentar água para fazer um macarrão instantâneo. Era o aniversário da Jennifer, nossa companheira de viagem canadense. Compramos um bolinho pronto pra ela no mercadinho. Não foi com certeza o aniversário mais glamuroso, mas com certeza foi inesquecível.
      Chegamos na cidade de Ulgii (ou Ölgii), capital da província mais oeste da Mongólia, Bayan-Ölgii. Aqui a população é quase toda de etnia cazaque, e são muçulmanos.
      O plano era passar na cidade pra comprar mantimentos e seguir pra fora da cidade pra acampar. Mas o guia nos fez um upgrade e ficamos um ger-camp bem no centro da cidade. A Jennifer ganhou seu melhor presente de aniversário, um banho. Nós também, obviamente.
      Propomos ir jantar num restaurante na cidade, a cidade tinha poucos restaurantes, mas tinha um de comida turca. O guia falou que não daria por causa do orçamento que ele tinha. A gente falou “a gente paga, sem stress”, não aguentávamos mais comida mongol.
      Então aqui vai a 3ª coisa ruim em se viajar na Mongólia: já tinha citado banho e banheiro, agora é a comida. Não que fosse ruim, mas não era boa. E era quase sempre igual: cordeiro, batata e cenoura, seja numa sopa, ou com arroz, ou com macarrão. Vocês devem estar pensando “cordeiro? O que tem de ruim nisso? Que cara fresco”. Mas eles não comem carne igual à gente, é tudo picadinho, com muita gordura, mais gordura do que carne, além de um gosto muito forte por ter sido salgada para a preservação. 20 dias nisso não aguentávamos mais. Uma vez passando por uma cidadezinha de médio porte, numa região mais turística, e vimos um lugar que servia frango, pedimos pra ir comer lá. O guia concordou. O motorista deixou a gente lá e foi comer em outro lugar. Os mongóis odeiam frango, eles consideram carne de 5ª categoria, que não é digna de se comer.

       
      D21
      Saímos de Ölgii ainda mais pro oeste, íamos pro Parque Nacional Altai Tavan Bogd, que fica na tríplice fronteira com a Rússia e a China.
      Logo depois da nossa pausa pro almoço, a roda do nosso jipe faz um barulho. O motorista para o carro, desce, tira a roda e vê que uma peça lá quebrou. Estávamos no meio do nada, por isso que disse que é praticamente impossível viajar independente na Mongólia.
      Às vezes passava um carro ou moto, numa dessas o guia pediu pro motoqueiro levar ele mais pra frente pra um lugar que tivesse sinal de celular. Ligou pra Ölgii e conseguiu falar com uma amiga dele que era guia pra trazer a peça que quebrou. A amiga ia passar no dia seguinte, com o grupo dela, ou seja, estávamos no meio do nada, encalhados. Montamos as barracas e ficamos relaxando, passeamos pelas montanhas, e esperando, afinal não tínhamos pra onde ir né…

       
      D22
      Logo antes da hora do almoço chega a outra guia, com o seu grupo. Entrega a peça pro nosso guia e monta a mesa pro grupo dela, um casal e um senhor, todos alemães e 3ª idade.
      Dai nosso guia chama a gente de lado, “olha, aconteceu um problema, ela trouxe a peça errada”. E agora? Pois então, ele falou com a outra guia que topou levar a gente junto com o grupo dela, estávamos indo pro mesmo lugar mesmo, pro Parque Altai Tavan Bogd. Ela avisou os clientes dela, que acharam justo e nos receberam muito bem. A gente montou uma mala só com algumas coisas que fossemos precisar pelos próximos 2 dias, e deixamos o resto no nosso jipe. A outra guia também tirou do jipe dela o que não fosse usar pelos próximos dias e deixou no nosso jipe. E lá fomos nós: nós 3, nosso guia, os alemães e a guia deles. E o Gonchgoo, nosso motorista, ficou pra resolver o problema do nosso jipe.
      Chegamos no parque nacional, um lugar muito bonito, paisagem bem diferente do resto da Mongólia, montanhas altas, com neve no topo.
      Montamos barraca e acampamos lá logo na entrada do parque.

       
      D23
      o plano era ir caminhando pelo parque até o lugar do próximo acampamento, o dia seguinte subir uma montanha e voltar pro acampamento, e no outro dia voltar pela trilha pro ponto de partida na entrada do parque, e com a esperança de que nesses dias o motorista consertasse o jipe e estivesse lá esperando por nós.
      Saímos pela manhã. Nossas malas, barracas e tralhas de cozinha foram indo na frente num camelo, afinal estamos na Mongólia. Era uma trilha tranquila, uns 15km, uma subida gradual, cruzamos um riacho de água de degelo, pausa para o almoço, mais caminhada. E então chegamos no topo de uma colina, com uma vista sensacional das montanhas ao fundo, e uma geleira gigante na frente. Do outro lado das montanhas já eram a Rússia e a China. Andamos mais um pouco e chegamos no local do segundo acampamento. Era o acampamento base para os turistas que iam subir o Monte Malchin (nosso caso) e pros alpinistas que iam escalar outras montanhas mais altas, com escalada técnica (não era obviamente o nosso caso). O nome do parque é Altai Tavan Bogd: Altai é essa cordilheira que vai por essa região de Mongólia, Rússia, China e Cazaquistão, e Tavan Bogd quer dizer 5 Santos, que são os 5 picos mais altos da Mongólia, um do lado do outro. Iríamos subir amanhã o 4º mais alto do país, o Malchin.
      Dormimos em barraca, um frio dos diabos.

       
      D24
      Acordamos e saímos pra subir nossa montanha. Os turistas alemães foram com a gente na primeira etapa da trilha, que era mais plano, e depois iriam ficar passeando em caminhadas mais tranquilas, afinal eles já tinham mais idade, e seja como for, eles já estavam de parabéns por estar lá, especialmente o Sr Peter, um senhor com 79 anos e prótese de quadril.
      A subida não é uma escalada técnica, mas é puxada pela altura (pico a 4050m) e pelo fato de a montanha ser formada basicamente por pedras soltas, então às vezes vai escorregando.
      Chegamos lá em cima mega cansados, mas como valeu a pena! Uma vista sensacional das outras montanhas, víamos a Rússia à direita e a China à esquerda, e o Cazaquistão lá ao fundo (a fronteira é só 30km da tríplice fronteira Mongólia-China-Rússia, por pouco não é uma fronteira quádrupla). E no topo da montanha, como em vários outros lugares da Mongólia, tinha um ovoo, uma estrutura budista que é uma pilha de pedras, com oferendas ocasionais como dinheiro, ou vodka, e aqueles tipo de cachecóis budistas coloridos (desculpa a falta de detalhes, não entendo muito dessas coisas).
      Descemos a montanha e voltamos pro acampamento, super cansados, mas super satisfeitos por termos subido a 4ª montanha mais alta da Mongólia.

       
      D25
      Voltamos pelo mesmo trajeto que viemos caminhando dois dias antes, mas hoje estava chovendo, o que só atrapalha. O riozinho que cruzamos na ida agora estava bem mais forte. Sugeri pararmos pra comer antes de cruzarmos o rio, vai que tivéssemos sorte de vir algum jipe e nos ajudar a cruzar. E tivemos sorte, foi o que aconteceu. Um jipe de turistas mongóis tinha dado carona pros alemães que estavam atrás de nós, cruzaram o rio, deixaram os alemães, e voltaram pra nos levar de carro pra cruzar o rio, foram nossos salvadores do dia.
      Continuamos nossa trilha até o ponto de partida, onde nos esperava nosso motorista Gonchgoo com o jipe em perfeito estado. Tudo deu certo no final.
      Nos despedimos dos nossos salvadores alemães, e partimos.
      Como eu já disse, no oeste da Mongólia o povo é de etnia cazaque, e alguns deles usam águias para caçar no inverno, principalmente coelhos e raposas, para pele. Por mais que eu também ache o uso de casacos de pele por nós no ocidente algo lamentável e injustificável, acho que no caso deles é aceitável, faz parte da cultura centenária deles, e é um dos poucos recursos nas montanhas frias e áridas, e eles estão caçando animais que não estão em extinção, para um uso justificável, mas cada um tenha sua opinião nesse aspecto. Vejam no Youtube, tem vários vídeos interessantes mostrando os caçadores de águia mongóis/cazaques, talvez alguns já tenham visto o documentário sobre uma menina chamada Aisholpan, a primeira mulher a caçar com águias.
      O plano original era parar pra ficar hospedado em um ger com alguma família caçadora de águias, imagino que talvez fizessem demonstrações pra a gente, sei lá. Mas como perdemos um dia com o jipe quebrado, precisamos fazer uma mudança de estratégia. Passamos por umas povoações e nosso guia perguntava (imagino, estava falando em mongol) se tinha alguém que tinha águia. No fim conhecemos uma família, eles levaram a gente pra conhecer a águia, tirar fotos com a águia, vestir a roupa cazaque típica e foi isso. A espécie de águia que eles usam pra caçar é a majestosa e sensacional águia-real, com seus quase 10kg. Deu pra dar um gostinho de ver os famosos caçadores com águia, e quem sabe deixar a vontade de voltar pra cá um dia pra conhecer com calma.
      Depois voltamos pra Ölgii, a capital da província. Era o último dia da Jennifer com a gente. Falamos pro Chingis ficar à vontade, que não precisava fazer jantar pra a gente, e fomos comer num restaurante indiano, que descobrimos por acaso nem lembro como. Era escondido, no segundo andar de um prédio que parecia abandonado, ou em reformas. Mas o restaurante era ótimo, super limpinho e bem arrumado, e decorado no estilo cazaque. As garçonetes muito simpáticas, mas não falavam inglês, mas o cardápio tinha fotos, como é comum na Mongólia. E nada que o Google tradutor inglês-cazaque não ajudasse (o Google tradutor mongol funciona pessimamente). Fizemos questão de colocar uma avaliação positiva do restaurante no Google e no TripAdvisor (a 1ª e, por enquanto, única avaliação).

       
      D26
      O voo da Jennifer saiu bem de madrugada de Ölgii, foi pra Ulaanbaatar e de lá foi embora da Mongólia.
      Nós tivemos um dia livre em Ölgii, ficamos passeando pela cidade... não tem muito o que se ver lá, vimos por fora a mesquita central da cidade, fomos ao mercadão deles, que não era nada pra turista, mas não deixa de ser interessante, e pela cidade várias lojas vendendo produtos de lã cashmere,  e de lã de iaque e camelo, e artesanato cazaque. E vimos a famosa estátua de um herói local que morreu em 1939, uma das raras, se não a única estátua de alguém atirando para trás enquanto corre…  almoçamos num restaurante, comida média, mas escolhemos lá por que a descrição no Google era que tinha os melhores (talvez únicos) milk-shakes de Ulgii. De fato tinham várias opções no cardápio. Se eram bons? Jamais saberemos, por que no dia estavam sem… isso era muito comum na Mongólia, metade das coisas nos cardápios não tinham no dia.

       
      D27
      Acordamos super cedo e nos levaram para o aeroporto. Nos despedimos do nosso guia Chingis e do nosso motorista Gonchgoo e pegamos o voo, Hunnu Air, com escala em Ulaangom e destino Ulaanbaatar.
      Chegando na capital, fomos pro mesmo hostel. E fomos passear e comprar uns souvenires, e comer um hambúrguer (sem cordeiro por um bom tempo) e passeando sem rumo pela cidade. Fomos também numa cervejaria, as comidas e confortos da cidade estavam fazendo falta.
      Na praça principal da cidade estava tendo uma apresentação de música local, eram apenas senhoras, algumas cantando e outras tocando uns instrumentos de corda locais, e uma criança apenas. Ficamos olhando. Depois da música elas se juntaram pra tirar uma foto do grupo, continuamos observando achando que fossem tocar mais. Dai a mãe da criança chamou a gente pra tira foto com a criança, depois vieram todas as senhoras tirar fotos com a gente, e o fotografo oficial do grupo alinhou todos nós na escadaria na frente da estátua do Gengis Khan pra tirar foto, nós e o grupo. Por quê? Sei lá, não entendemos nada, só falavam em mongol. Turistas não são tão frequentes na Mongólia, mas também não somos tão raros a ponto de sermos atração, vai saber...

       
      D28
      Fechamos uma excursão de 1 dia para conhecer o Parque Terelj e a estátua de Gengis Khan.
      Primeiro fomos pra estátua, é a maior estátua equestre do mundo, você entra dentro do cavalo e vai subindo uma escada até que sai em cima do pescoço do cavalo, é gigante. Foi construída mais ou menos recentemente, e ao redor da estátua tem várias estátuas menores (mas ainda assim bem grandes) de soldados mongóis. Se você quiser, você pode doar dinheiro para esse projeto e ter seu rosto numa das estátuas.
      Depois fomos pro parque Terelj, é um parque bastante popular entre os moradores de Ulaanbaatar e por turistas estrangeiros, principalmente os que ficam na Mongólia por poucos dias, como os que vem pela Ferrovia Transiberiana. Dá pra fazer um bate-volta de um dia ou dormir lá em gers, fazer um mini-experiência mongol pra quem não tem tempo de viajar o país afora. O parque tem umas montanhas e formações rochosas, sendo a mais famosa a que parece uma tartaruga. E tem também um templo budista muito bonito no alto de uma escadaria.
      Voltamos pra capital, e fomos assistir uma apresentação de música mongol, com contorcionistas também. Apresentaram vários estilos de musicas locais, foi bem legal. Como jantar de despedida, o Richard que mora na Noruega queria comer carne, que é caríssimo pros lados dele lá. Fomos jantar num restaurante super chique, comemos um bifão bem bonito e gostoso, US$11,00, caríssimo pra uma refeição na Mongólia, mas ótimo preço mesmo com real desvalorizado, e uma pechincha pro meu amigo que mora na Noruega.

       
      D29
      Dia seguinte saí de manhã pro aeroporto, mais uma vez escala em Bishkek no Quirguistão e em Istambul, Turquia, e enfim GRU.
      E fim dessa viagem sensacional.
       
      Esse relato foi superficial, só pra terem uma noção do que é uma viagem num lugar tão diferente. Obviamente têm muito mais histórias, causos, aventuras e curiosidades que faltam contar.
      Algumas considerações:
      Visto: há uns anos a Mongólia não exige mais visto de brasileiros (não preciso nem falar pra confirmar se não mudou antes de ir né?)
      Segurança: em momento algum nos sentimos inseguros, mesmo andando sozinhos pela cidade, com máquina fotográfica no pescoço. E a Mongólia é considerada um dos países politicamente mais estáveis da Ásia. Os riscos potenciais seriam o clima extremo, temos que estar sempre preparado para o frio, mesmo no verão.
      Dinheiro: eles usam o tugrik ou tögrög (MNT). Nossa viagem estava com todas as estadias e alimentações da excursão incluídas, então os gastos ocasionais era algum sorvete, chocolate, refrigerante, quando passávamos por um vilarejo. E obviamente os gastos em Ulaanbaatar nos dias antes e depois da excursão. Trocamos $ no aeroporto na chegada, não troquei muito, não lembro quanto foi.
      Compramos um chip de celular na capital logo no primeiro dia, valeu a pena. Saindo da capital não tivemos wi-fi em lugar nenhum, nem mesmo em Ölgii ou Mörön, que eram cidades maiores. Tínhamos acesso à internet do celular quando passávamos por vilarejos pequenos, em geral perto da hora do almoço, e nem todos os dias. Nos lugares turísticos, que eram remotos, e nos gers, sem sinal nem internet. Se não fosse o SIM-card, teriam sido 25 dias sem internet, que também seria bom, por um lado, depende da sua interpretação. Mas achei válido pra avisar “olha, mãe, to vivo”.
      Comunicação: na capital, tem pessoas que falam inglês em lojas e restaurantes. No interior, sem chance. Tínhamos o guia pra traduzir. Mongol é um idioma bem difícil, consegui decorar só meia dúzia de palavras, você pode ler uma palavra mas não reconhece na hora que eles falam, eles falam muito rápido, parece que comem as vogais. As primeiras vezes que você escuta mongol, lembra um pouco coreano (pra quem não fala coreano obviamente), tirando o jeito estranho que os mongóis pronunciam a letra L, mas são línguas sem relação alguma. Achei que pela influência da União Soviética, os mais velhos talvez falassem alguma coisa de russo. Mas pelo que vi, não, nada.
      Daí vai a mímica e a criatividade. Tinham uns aplicativos de dicionário mongol-inglês-mongol que eram muito bons, mas eram só dicionário mesmo. O tradutor do Google para mongol não funcionava bem, a gente colocava um frase simples e direta, pra evitar ambiguidades, mostrava pra pessoa e elas ficavam olhando com cara de ???
      Aprender o alfabeto cirílico não é difícil e ajuda bastante.
       
      Clima: temporada turística é no verão deles, o inverno é inviável.  O clima típico era sol (Mongólia é chamada da Terra de Céu Azul), temperatura durante o dia variando de um calor gostoso no sul, e friozinho leve mais ao norte. À noite esfriava até que bem viu, não saberia dizer a temperatura exata mas coisa de 5°C talvez. Tem que levar roupas em camadas, por causa da continentalidade, a temperatura vai variar bastante, de clima de camiseta, pra clima de moletom e um casaco por cima, luva e gorro. Levar chapéu e protetor solar.
      Existem alguns eventos turísticos pontuais em meses mais frios, como o festival das águias em outubro, corrida de camelo no alto inverno, e o festival do gelo, no Lago Khövsgöl congelado. Boa sorte pros que forem.
      A comida eu já falei, ninguém vai pra Mongólia pela gastronomia. Para os vegetarianos deve ser mais difícil ainda, importante avisar com antecedência a empresa ou guia, mas mesmo assim, pode ser que não adiante muito. O lado bom de uma comida sem graça e sem condimentos é que ninguém teve nenhum problema de intoxicação alimentar, como diarreia etc. Na capital tem bastante restaurante de comida ocidental, além de chinesa, coreana e japonesa. Tem shopping centers também em Ulaanbaatar. Obviamente parte de uma viagem é conhecer a cultura e comer a comida local, mas depois de vários dias comendo cordeiro gorduroso com cenoura e batata ou então khuushuur, que é tipo um pastel recheado com, adivinhe, cordeiro gorduroso, cenoura e batata, ninguém vai te criticar por querer comer um hambúrguer, pizza ou macarrão.
       
      Algumas atrações turísticas que acabamos não conhecendo:
      1- Parque Khustai (ou Hustai): perto da capital, dá pra conhecer em passeio de um dia, é onde estão os famosos cavalos takhi, conhecidos no ocidente por cavalo-de-przelwalski, que são os únicos cavalos selvagens, não é uma raça de cavalos, são uma espécie diferente. Tinham sido extintos na natureza mas foram reintroduzidos a partir de indivíduos de zoológicos, uma rara história de sucesso em conservação.
      2- Em Ulaanbaatar tem vários templos budistas, não deu pra conhecer. Mas vimos vários no interior do país.
      3- Lá também tem um mercado chamado de Naran Tuul, conhecido pelos turistas como mercado negro. Apesar do nome não é nada ilegal, é um mercadão gigantesco que vende de tudo, roupas, alimentos, artigos de viagem e camping, souvenirs, tralhas em geral, etc. É meio afastado do centro.
      4- petroglifos, no oeste da Mongólia existem vários petroglifos espalhados no meio do nada, são como pequenos postes ou esculturas de pedra com textos ou imagens entalhados, de mais de dez mil anos. Acabou que talvez por termos perdido 1 dia acampados quando a roda do jipe quebrou, que não vimos nenhum.
      Deve ter muito mais coisa, mas não lembro, afinal não fui né…
       
      Escrevi esse relato mais de um ano depois da viagem, e vou dizer que dá saudade viu. As coisas ruins a gente esquece, e fazem parte da aventura mesmo. É um lugar para que voltaria com certeza.
      Se quiserem ver belas fotos da Mongólia no Instagram, alguns perfis que eu sugiro são @mongoliaz e @mongolia.explore e dois fotógrafos @erdenebulgan_photographer e @gencophotographer
      Tem também vários vídeos no Youtube de viajantes que foram pra lá, mostrando o dia-a-dia.
      Eu vou colocar mais uma fotos da Mongólia ao final desse texto, fotos gerais…
       
      obviamente fico à disposição pra qualquer dúvida.
      E era só isso.
       
      Agradecimentos:
      Ao meu amigo Richard, amigão desde os tempos de colegial;
      Jennifer, nossa companheira sino-canadense que chegou preocupada e insegura de viajar por um mês com um monte de homens desconhecidos, mas se tornou nossa amiga;
      Chingis, nosso guia e cozinheiro;
      Gonchgoo “George”, nosso motorista;
      Tsigi, a guia mongol que nos resgatou;
      Peter, Paolo e Anna, os turistas alemães que nos receberam em seu jipe;
      Khandmaa, Batukaa e todas as outras simpáticas crianças mongóis;
      A todos os mongóis que nos receberam em suas casas, sejam elas casas de madeira, gers ou tendas. Em especial a tia do Chingis, a família dos guias de cavalo e a família tsaatan.
      Баярлалаа,  Монгол Улс!
       










       
       
       
       

    • Por Vitor Monaco
      Salve galera, é um prazer sentar para abrir meu primeiro tópico no site, é o começo de uma longa jornada! Será um prazer regar esta jornada com trocas das mais variadas.
       
      Estou começando a elaborar um roteiro para uma viajem de aproximadamente 1 ano e meio a 2 anos. A ideia é pegar um voo de SP para Portugal - onde tenho uma base para ficar sem custo, de Portugal cair pro Marrocos, e dali em diante a proposta seria fazer toda a viajem por terra. 
       
      Digamos que a "ida" tem como objetivo o percurso Marrocos > Vietnam, com foco no Marrocos, Egito, Israel, Índia, Tailândia e Vietnam, e a "volta" tem como objetivo pegar a ferrovia transiberiana e chegar em Portugal, com foco na China e Russia, depois passando por Berlin, Paris, Espanha e Portugal - lugares onde eu tenho bases de apoio.
       
      Entre as pesquisas que iniciei sobre este longo percurso, sobre os países, condições e possibilidades, abro esse tópico para uma primeira e grande dúvida, e com certeza não será a última.
       
      Aí vai: alguém já fez, ouviu, pesquisou, tentou ou sabe de informações reais e atuais em relação a fazer o percurso Marrocos > Egito por terra passando pela Argélia e Líbia? Sugestões de outras rotas possíveis são bem vindas.
       
      Espero poder desenvolver um ambiente de troca e enriquecimento de informações, reitero o prazer de abrir este tópico e desde já agradeço a todos pela parceria!
       
      Grande Abraço!
       
      Vitor
    • Por Raquel MM
      Ola a todos...
      Antes de começar a postar, eu quis adiantar um pouco, para não ficar com aquelas paradas grandes nos posts e assim, acabei achando uma postagem muito legal do Davi Leichsenring feito há poucos dias. Ele colocou várias informações úteis sobre transporte, custo, etc... então vou tentar falar somente da parte turística em mais detalhes.
       
      Link do post dele : https://www.mochileiros.com/topic/89290-cáucaso-geórgia-armênia-e-azerbaijão/?tab=comments#comment-799525
      Agora sim, vou contar um pouco da minha...
      Os fóruns daqui do site já me ajudaram muito, tiraram dúvidas, me fizeram ter vontade de conhecer lugares que não tinha ido, voltar para outros que já conhecia mas na minha ultima viagem percebi que pouco se conhece e se fala sobre a Armênia ( fica no Cáucaso) Senti que minha contribuição poderia ser focada nesse destino...enfim...hora de tentar retribuir !
      Sou descendente de armênios e estive lá há muitos anos atrás com minha irmã e  um grupo de amigos. Éramos jovens e o país ainda era uma República Socialista. Só conseguimos entrar com autorização expressa e uma espécie de “ carta convite” do governo armênio e soviético.
      O tempo passou e eu tinha muita vontade de voltar para a Armênia , agora um país livre e muito novo, menos de 30 anos , mas dessa vez queria ir com a minha filha e meu pai. Um primo e sua esposa acabaram se juntando ao grupo e lá fomos nós... Uma família descendentes de armênios, voando direto do Brasil !!!
      Vou contextualizar um pouco abaixo, falando da história , geografia e curiosidades desse país tão desconhecido por todos...
      Um pouco da História e o Genocídio
      Na Armênia hoje vivem cerca de 3 milhões de habitantes, mas estima-se que há 8 milhões de armênios espalhados pelo mundo. O país fica no Cáucaso, entre o Mar Negro e o Mar Cáspio, uma região que a gente chama de fronteira da Europa com a Ásia (e também da Europa com o Oriente Médio). Com uma localização tão privilegiada, não é de se estranhar que ao longo dos séculos ela tenha sido invadida por diferentes povos. Pela Armênia passaram os romanos, os persas, os mongóis, os otomanos e mais recentemente os russos, dentre outros povos dominadores. Mas foi no início do século passado, há quase 104 anos, que a diáspora armênia ganhou mais força. Foi quando ocorreu o Genocídio Armênio.
       Conta a história  que durante um discurso aos comandantes do Exército Alemão dias antes de invadir a Polônia, Hitler teria dito o seguinte: “Afinal, quem fala hoje do extermínio dos armênios?” Verdade ou não, e apesar de o holocausto judeu não ter passado despercebido como ele esperava, a frase continua fazendo sentido. No dia 24 de abril de 2015 o início de um dos maiores genocídios do século passado completou 100 anos. O Genocídio Armênio é um tema praticamente ignorado pelos livros de História. E não só ignorado, mas também negado. A maioria dos países ainda hoje não reconhece o massacre de 1,5 milhão de armênios no que se acredita que tenha sido uma tentativa de exterminação do povo armênio pelos turcos.
      A Turquia nega que o genocídio existiu, diz que os números são exagerados e que a morte dos armênios aconteceu em consequência da Primeira Guerra Mundial. Cerca de 20 países, como França, Chile, Uruguai e Suécia, além de diversas organizações internacionais, reconhecem o genocídio. O Brasil não. Nem os Estados Unidos. E os descendentes da diáspora armênia espalhados pelo mundo continuam lutando até hoje pelo reconhecimento do crime praticado contra seu povo.
      A situação da Armênia não era fácil, já que ela estava espremida entre dois gigantes: os Impérios Otomano e Russo. Mas foi em 24 de abril de 1915, durante o governo do partido dos Jovens Turcos, que o maior massacre começou. Nessa data, cerca de 600 líderes armênios foram presos em Istambul e em seguida assassinados. A partir daí a perseguição ficou mais evidente. Vilarejos foram dizimados, pessoas foram torturadas, outras vendidas como escravas.
      Mas a maior taxa de mortalidade aconteceu durante as deportações. Os armênios foram obrigados a abandonar suas cidades, com a desculpa do avanço das tropas inimigas, e muitos morreram durante a marcha, seja de fome, sede ou pelas violências a que eram submetidos.”
      Para quem tiver curiosidade o filme “ A promessa”   mostra um pouco o que foi isso e pode ser visto na Netflix
       
    • Por Schumacher
      Essa viagem foi possível graças a uma promoção anunciada pelo Melhores Destinos, onde as passagens de ida e volta de Guarulhos a Tel Aviv custaram a bagatela de 1040 reais por pessoa! Na verdade, não foi um mochilão propriamente dito, pois levei minha mãe que quis ficar em hotéis e com carro alugado, mas pela escassez de informação sobre os países do Cáucaso, achei que seria interessante deixar meu relato. Esse é um resumo do que constará em breve em meu blog de viagem Rediscovering the World.
       
      Dia 1
       
      Ao chegarmos no aeroporto de Guarulhos vindo de Floripa, eu e minha mãe pudemos aproveitar meu cartão de crédito MasterCard Smiles Platinum para termos acesso à sala VIP. Lá comemos e bebemos à vontade, até o embarque no avião grande da Ethiopian Airlines, rumo à conexão em Adis Abeba.
       

       
      O voo de 11,5 horas contou com refeições e entretenimento decentes. Como nosso voo seguinte seria apenas na tarde do dia seguinte, ao pousar, tivemos que encarar mais duas horas na fila da imigração temporária para recebermos os vouchers; estes, dão direito a hospedagem, transporte e refeições gratuitas.
       
      Nos colocaram no hotel Blue Sky, um lugar de qualidade duvidosa como a média etíope, e com água fria no chuveiro. Para incrementar o jantar básico que é oferecido aos ocidentais, pedi uma "injera", que é uma massa feita do grão "teff", na qual se envolve a comida com o uso das mãos.
       
      Dia 2
       
      Dormi bem pouco, graças ao jet lag. Antes das 8, já tomamos o café da manhã. Depois, trocamos euros por birr (32 pra cada) na recepção do hotel. 
       
      Sob leve chuva, paramos um táxi na rua para nos levar por 100 birr até a estação de trem. É um sistema elétrico moderno e inovador na África, tendo sigo erguido pelos chineses há alguns anos. Custa apenas de 2 a 6 birr, então fica cheio.
       

       
      Descemos na praça Meskel, onde há dois anos estive na comemoração do ano etíope. Seguimos em direção norte, na companhia de um nativo que foi conversando em inglês com a gente.
       
      Passamos por uns prédios governamentais e áreas verdes. Em seguida, compramos um souvenir.
       
      Retornamos sozinhos pelo centro, que deixou minha mãe, novata na África, bem ressabiada. Caminhar com tantos olhos desconfiados não foi agradável, então logo pegamos o trem de volta.
       
      Aproveitamos o almoço gratuito no hotel. Logo depois, foi a hora de enfrentarmos as checagens de segurança infinitas do aeroporto de Adis Abeba.
       
      Voamos a Israel de Ethiopian. Só que dessa vez, sem telas de vídeo individuais. Mas não fez diferença, pois eu capotei no voo de tanto sono.
       
      Mais além, descemos no aeroporto moderno de Tel Aviv. Ao procurar o transporte público, percebi que cometi um engano feio: não lembrei que sexta à noite já era "shabbat", o dia sagrado dos judeus, onde quase tudo fecha. Se fôssemos ficar em Tel Aviv ainda conseguiríamos pegar um "sherut" (van) até lá, mas acabei optando por uma hospedagem caseira bem cara, mas próxima do aeroporto, já que retornaríamos no dia seguinte. Sabe quanto custaria um táxi só de ida até Or Yehuda, 16 km distante? Uns 150 shekel (cerca de 170 reais)! E para alugar um carro na hora sairia ainda mais caro.
       
      Enquanto trocamos dinheiro num câmbio desfavorável e comíamos alguma coisa, tive a sorte de ver que existem táxis com tarifa reduzida pré-fixada no segundo andar. No final, saiu pela metade do preço.
       
      Passamos a noite no House on the Road, uma casa só pra gente. Qualidade decente, mas pelo preço abusivo, poderia ter sido melhor.
       
      Dia 3
       
      Dormimos bem. No resto da manhã, caminhamos nas quadras ao redor para conhecer o bairro. É limpo, tranquilo e florido, mas os israelenses não são simpáticos.
       

       
      O sol de 30 graus impediu que continuássemos explorando, então pegamos um táxi e voltamos ao aeroporto, passando por uma infinidade de controles de segurança.
       
      Voamos com a Alitalia para Moscou, com uma escala de algumas horas em Roma. Peguei esses trechos com 20 mil milhas Smiles por pessoa.
       
      No caro aeroporto, só comi uma pizza (10 euros). No resto do tempo, usei o wi-fi liberado.
       
      Dia 4
       
      Desembarcamos no aeroporto Sheremetievo pelas 4 h, com o dia quase nascendo. Passamos a imigração rapidamente e pegamos o ônibus noturno até a estação de Kitay-Gorod (55 rublos ~ 3,3 reais). No caminho, fiquei surpreso com o tamanho dos prédios, principalmente residenciais.
       
      Na chegada, caminhamos ao hotel CityComfort Kitay-Gorod. A suíte pra 2 pessoas com 3 diárias custou 11250 rublos. Quarto bom, mas internet ruim.
       
      Para não perder o dia, botei o despertador para tocar às 12 h. Como minha mãe não estava se sentindo bem, saí sozinho. 
       
      Peguei o metrô (55 rublos por vez) até o Centro Pan-Russo de Exposições. Estava cheio de gente bonita nesse domingo lindo de sol e temperaturas agradáveis. É uma área enorme, cheia de construções suntuosas, até mesmo com ouro, além de muitos museus, aquário e áreas verdes.
       
      Caminhei bastante ao redor, mas visitei por dentro só o Centro de Cosmonáutica e Aviação (500 rublos). Há bastante informação (parcialmente em inglês), além de representações e até mesmo equipamentos e naves originais do programa espacial russo. Bem interessante.
       

       
      Almocei e jantei na praça de alimentação de um centro comercial. Pedi um prato com salada, purê de batata e uma carne que parecia hambúrguer por 230 rublos na primeira refeição e um "kebab" russo por 190 rublos na segunda.
       
      Entender o russo está sendo um desafio. Ler algumas coisas em alfabeto cirílico até que consigo, graças ao Duolingo, mas ouvir e falar tá bem complicado. E pela minha aparência eles assumem que sou russo e já vem falando comigo nesse idioma diferente.
       
      À noite, quando seguia pra praça Vermelha, duas coisas ruins aconteceram. Minha câmera emperrou o obturador e parou de funcionar, e a tal praça estava fechada para uma parada militar que ocorreria na semana seguinte.
       
      Assim, só pude admirar à distância a parte mais turística de Moscou, que conta com a fortificação do Kremlin, a catedral de São Basílio, de arquitetura única no mundo, bem como diversas outras edificações.
       

       
      Dia 5
       
      Para resolver a questão da câmera, localizei a Pixel24, uma loja de câmeras com preço bom. Fui até lá de metrô, conhecendo algumas das belas estações decoradas.
       
      Em seguida, eu e minha mãe visitamos o centro cultural de Izmaylovo. É uma área turística entre construções de arquitetura diferente, contando com souvenires, lanchonetes e museus, como o da vodka. Almoçamos espetos de frango e vegetais por uma graninha (1500 rublos), tomando "kvass" (100 rublos), que é uma bebida alcoólica fraca fermentada de pão, e cerveja (200 rublos).
       

       
      Posteriormente, sempre de metrô, atravessamos ao outro lado para conhecer o convento de Novodevichy, patrimônio da UNESCO. Normalmente custa 300 rublos, mas como estava todo em reforma, entramos de graça.
       
      Ao lado, fica um cemitério de pessoas importantes, que também custa 300 rublos. Só depois de entrarmos, descobrimos que ali ficava um cemitério e não o tal convento. Entre diversas lápides e árvores, vimos as tumbas de Gorbachev, Yeltsin, Trotski, Kruschev, entre outros.
       
      Ponto seguinte: rua Arbat. Antes, porém, entramos num supermercado para comprar uns mantimentos. Mais caro do que eu esperava.
       
      Essa rua pedestre é cheia de gente, lembrancinhas e artistas de rua. O longo caminho nos levou até a enorme catedral do Cristo Salvador, às margens do rio Moscou.
       

       
      Caminhamos mais um tanto até a praça Vermelha novamente, e de lá pro hotel.
       
      Dia 6
       
      Metrô até a estação Paveletskaya, e de lá, o trem Aeroexpress (500 rublos pra 1 pessoa ou 850 pra 2). Desembarcamos no aeroporto Domodedovo 45 minutos depois. Minha passagem aérea, sem bagagem, custou 5350 rublos.
       
      Lá, gastamos os últimos 560 rublos num combo do Burger King. Enfim, partimos de S7, sem entretenimento, mas com um lanche.
       
      A entrada sem visto fluiu sem problemas. Trocamos euros por dram na cotação de 1 pra 529, só que depois tivemos que esperar um tempão pro atendente da Alamo trazer ao aeroporto o Kia Rio que alugamos. Como o veículo era automático, teríamos que cruzar uma fronteira e ainda devolver o carro em outro país, o aluguel para 14 diárias custou 723 dólares.
       
      Se você acha o alfabeto cirílico complicado, precisa ver o armênio. Nem tentei decorar. Melhor saber um pouco de russo quando vier pra cá, pois o inglês dos locais não é tão bom.
       
      Estava um calor danado quando deixamos o terminal em direção às igrejas de Vagharshapat. Visitamos 3 das que, em conjunto, são patrimônios da humanidade. De pedra, são todas bem antigas, sendo que a principal da Armênia, chamada Etchmiadzin, é a catedral mais antiga do mundo (ano 301). Ao redor dela fica um complexo eclesiástico. Não se paga pra entrar em nenhuma.
       

       
      Com o sol se pondo, pegamos a estrada remendada e cheia de radares até Erevan, a capital armena de 1 milhão de habitantes. Deixamos o carro numa viela e fizemos check-in no Holiday Hotel & Hostel (34200 dram pra 2 diárias numa suíte de 2 pessoas com café), que deixou um pouco a desejar.
       
      A pé, demos uma bela volta no centro, movimentado até tarde. Tomamos milk-shakes de frutas silvestres (900 dram cada), enquanto passeávamos pelo chique calçadão de Northern Avenue.
       
      Mais além, vimos um espetáculo gratuito digno de rivalizar com o de Dubai, e bem mais longo: o show das águas da raça da República de Erevan. São várias cores, amplitudes e formatos, embalados por músicas famosas e nacionais, durante 2 horas! Pena que não sabíamos que durava tanto.
       

       
      Com o fim às 23 h, comi o salgado "khachapuri" (450 dram) e tomei uma cerveja local (600 dram) no restaurante típico Karas.
       
      Dia 7
       
      O café da manhã até que é incorpado. Depois dele, pegamos o carro para visitar o museu do Genocídio Armênio. Gratuito, conta a terrível história do massacre de cerca de 1,5 milhões dessa etnia por meio dos turcos, sobretudo em razão da diferença religiosa (cristão x muçulmano). Não tem como não deixar uma lágrima escorrer pelo lado do olho.
       
      Posteriormente, entramos no museu do sítio arqueológico de Erebuni, a antiga capital da Armênia, que deu origem a Erevan. O museu mostra alguns artefatos do reino antigo que ocupava essas terras há alguns milênios. Já o sítio, no alto de uma colina, não é tão interessante, mas a vista 360º de cima sim. A entrada para ambos custa mil dram.
       

       
      Almocei quase ao lado, optando por 2 "kebabs" de frango e salada por 2600 dram.
       
      De barriga cheia e com o sol fritando a 37 graus, dirigi algumas dezenas de km morro acima até Garni. Um templo a Mitra ergue-se na beira de uma garganta, famosa por suas colunas basálticas poligonais. Entrada de 1500 dram.
       
      Um pouco adiante e acima, jaz o monastério de Geghard. Cravado no topo do morro, ali fica uma igreja e no passado já moraram religiosos em cavernas nas rochas, ainda visíveis. Grátis.
       

       
      Sobrevivendo aos motoristas barbeiros e já de volta a Erevan, demos uma volta no jardim botânico, que não é grandes coisas. Custa 300 dram.
       
      À noite, passeei pelo complexo artístico da cascata e assisti novamente às fontes, admirando um pouco mais enquanto tomava um milk-shake de banana com Nutella (1200 dram = AMD).
       
      Dia 8
       
      Antes de deixar Erevan rumo ao sul, demos uma olhadela e uma compradinha no grande mercado aberto de artesanatos Vernissage.
       

       
      Em seguida, centenas de quilômetros em estradas asfaltadas, mas não tão boas, subindo em altitude pela estepe árida.
       
      Primeira parada em Khor Virap, um monastério que fica bem em frente ao lendário monte Ararat, que dizem ser onde a arca de Noé encalhou. Agora é parte do território turco.
       
      Deixando para trás a região mais seca, almoçamos no vilarejo de Areni. No bom restaurante Arpeni Tavern, pedimos salada grega (1800 AMD), vinho de romã (400 AMD), "kebab" bovino (1000 AMD) e "hachar" (parente do trigo) com cogumelos (1300 AMD). Esperamos um bocado, mas valeu a pena.
       
      Mais à frente fica a caverna Areni-1, onde foram encontrados o cérebro, o sapato e a adega mais antiga do mundo, essa última de cerca de 6100 anos! Paga-se mil dram pra entrar, mas só se consegue ver os recipientes de vinho e as escavações.
       
      Desviando um pouco da rota, entramos no cânion Noravank. Vegetado e cênico, leva ao monastério de mesmo nome.
       

       
      Muito além, quase no pôr do sol, e já descendo numa estrada melhor, paramos em Zorats Karer, a Stonehenge da Armênia. É basicamente um circuito de pedras pontudas.
       
      Logo mais, ingressamos em Goris, uma pequena cidade entre montanhas. Nos hospedamos no hotel Christy. Por 18 mil, ficamos com uma suíte grande e café da manhã. Jantamos lá mesmo, um banquete típico digno, mas bem caro: 9 mil!
       

       
      Dia 9
       
      O café, incluso, foi bem mais ou menos.
       
      Pegamos o carro para chegar nas rochas de Goris, cujas cavernas eram habitadas até os anos 60!
       

       
      Sem mais combustível no carro, e devido à impossibilidade de pagar com cartão de crédito, precisamos sacar dinheiro num caixa eletrônico.
       
      Depois de resolvida a questão, começamos a voltar o caminho. Paramos na bonita cachoeira Shaki. 
       

       
      Um pouco além, entramos numa outra estrada rumo ao norte. Subimos a passagem de montanha Selim em ziguezague. Em seu topo, funcionava um caravançarai, tipo de hospedagem antiga para mercadores viajantes e seus animais de transporte.
       
      Ao descer o lado oposto, avistamos o enorme e cênico lago Sevan. Antes de chegar ao mesmo, todavia, estacionamos no restaurante Khrchit. Comemos dois deliciosos peixes (2 mil drama cada) e salada (mil dram).
       
      Adiante, ainda vi o famoso cemitério Noratus, que comporta um monte de "khachkars", lápides com cruz esculpidas desde o século 9, um símbolo da Armênia.
       

       
      Seguimos pelo litoral, parando com certa frequência para fotografar a paisagem interessante, bem como seus mosteiros Haynavank e Sevanavank. Esse último fica num balneário turístico, mas a praia de rio não é legal.
       
      Com o sol baixo, atravessamos um túnel. Na saída, presenciamos a primeira floresta no país. Essa área é a do parque nacional Dilijan. Como já estava escuro, só deu tempo de chegar à requintada hospedagem no meio de um morro, a Casanova Inn. Pagamos 20,5 mil dram por uma suíte e café.
       
      Antes de dormir, desci à estrada principal da cidade para arranjar algo barato pra comer. Achei um "kebab" por 800 dram.
       
      Dia 10
       
      Melhor café da manhã até então. Deu pra sair de barriga cheia com todos os salgados e doces.
       

       
      Visitamos 3 conjuntos religiosos nesse dia. O primeiro foi o mosteiro de Haghartsin. Fica situado em meio às florestas do parque nacional, então a paisagem é bacana. Há algumas ruínas a mais que os outros.
       
      Em sequência, pegamos a estrada que leva até a fronteira com a Geórgia. A segunda foi a igreja Odzun. Ela fica acima de uma chapada bem alta, e começou a ser erguida no século 5.
       

       
      O terceiro, Sanahin, é um patrimônio da UNESCO. Por um acaso, encontramos uma brasileira filha de armênio lá. Já do outro lado do morro, uma de suas características é a quantidade de túmulos usados como piso.
       
      Continuamos à beira de um rio, numa estrada esburacada por vilarejos velhos, até achar uma lanchonete para almoçar "kebab" (700 cada).
       
      Chegamos à fronteira no meio da tarde, levando cerca de uma hora para encarar todos procedimentos, incluindo o seguro obrigatório de carro de 30 lari pra 2 semanas. Na pista contrária, no entanto, a fila se arrastava por dezenas de quilômetros! Deu até pena.
       
      Na fronteira o câmbio estava bem desfavorável, mas um pouco adiante conseguimos trocar 1 euro por 3,23 lari, praticamente a cotação oficial. Enchemos o tanque e partimos para Tbilisi, achando que tínhamos nos livrado dos motoristas imprudentes da Armênia, que estão entre os piores que já vi. Ledo engano, na Geórgia são iguais - só não há tantos Lada.
       
      Ficamos na hospedagem Heyvany, fora do centro. Por 56 lari (=GEL) a noite, já fomos recebidos com um ótimo vinho georgiano tipo Saperavi - uma das 525 variedades do país!
       
      Dia 11
       
      Café da manhã aceitável. Depois disso, guiei até o morro onde fica a igreja Jvari, que pertence ao conjunto de Mtskheta, antiga capital da Geórgia, agora patrimônio da humanidade. Muitos turistas estavam no local, que tem uma vista bacana.
       

       
      Hora de pegar a autoestrada. Ficamos impressionados com a diferença no desenvolvimento do país em relação às Armênia, nem parece que são vizinhos.
       
      Tarde, paramos para almoçar num restaurante movimentado na beira da estrada, o Antre Batono. Apesar de cheio, fomos servidos bem rápido. Pedimos um "pkhali" (10 GEL), que é uma salada triturada de espinafre, berinjela, repolho, feijão e beterraba, temperada com um molho de nozes, vinagre, cebola, alho e ervas. Não apreciei muito. Acompanhando, truta (6 GEL), porco (10 GEL), e salada normal (7 GEL).
       
      A estrada piorou em seguida, pois adentrou as cidades. No final da tarde, uma chuva surgiu e deixou a visibilidade bem ruim, pois o limpador de parabrisa não funcionava direito. Quatrocentos quilômetros depois, já escurecendo, chegamos no trânsito intenso de Batumi, no mar Negro.
       
      Estacionei o carro na rua, fiz o check-in no hotel Argo (105 lari) e saí para explorar a pé. Tirando alguns prédios históricos, visitei a Piazza, onde tomei um milk-shake por 7 lari GEL.
       
      Continuei caminhando aleatoriamente, até que ouvi um som distante no parque que fica em frente ao mar. Acabei descobrindo um festival de música e bebida (Batumi Beer Fest). Lá conversei com uns locais, provei o salgado recheado "khinkali" (6 GEL), o destilado de uva "chacha" (5 GEL) e uma cerveja (4 GEL), enquanto curtia o rock georgiano.
       

       
      Passado o tempo, voltei pelo parque costeiro cheio de atrações, onde muita gente ainda se encontrava naquele domingo à noite, e regressei ao hotel.
       
      Dia 12
       
      Passeamos novamente pelas ruas de dia. Estavam mais vazias que à noite. Mas com a luz pudemos apreciar a arquitetura urbana mista de Batumi.
       

       
      Entramos no museu de arqueologia (3 GEL). Apresenta diversos artefatos da região de Adjara.
       
      Compramos uns salgados para almoçar e tocamos pro sítio arqueológico da fortaleza de Gonio-Apsaras (10 GEL), que passou de mão entre romanos, bizantinos e otomanos. A muralha externa está quase intacta, enquanto que seu interior apresenta as escavações e o resultado delas em uma sala no interior. Outra coisa legal é que há alguns equipamentos a mostra e você pode vesti-los. No dia seguinte haveria uma feira medieval ali.
       

       
      O jardim botânico foi o passo final. Já fora de Batumi, custa 15 GEL para entrar em sua área grande. Um porém é que ele fica em uma encosta, então é necessário força nas pernas pra conhecer tudo. Há jardins temáticos de várias partes do mundo. Foi o melhor que vi nessa viagem.
       
      Antes de escurecer, conduzi o carro em direção norte até Zugdidi. O caminho rural incluiu tudo quanto é animal doméstico cruzando a pista. As vacas ficam paradas e soltas até mesmo em estradas movimentadas nesse país.
       
      Com o fim do dia, chegamos ao suposto hotel 5 estrelas Zugdidi Bookhouse (140 GEL). Dentro do que parecia ser uma escola, recepcionistas que não falavam nada de inglês (ao contrário da maioria em outras cidades) nos receberam. Depois de muita enrolação, ficamos num quarto nos fundos do prédio, onde não havia nenhum outro hóspede, aparentemente. De 5 estrelas não tinha nada.
       

       
      Dia 13
       
      Depois do café, subimos a serra em direção à região da Suanécia. Logo de cara, a estrada ondulosa passa pelo reservatório do rio Enguri, num tom de azul lindo. Assim que o deixa, no entanto, a cor fica cinzenta e o rio agitado.
       

       
      Vimos muitos cicloviajantes nos dias anteriores da Geórgia, e na serra não foi diferente.
       
      Foram algumas horas lentas de sobe e desce, até ver alguns picos com neve ao chegar perto de Mestia. Outra coisa notável dessa cidadezinha montanhosa é a quantidade de torres defensivas erguidas e ainda de pé, uma mostra de quão violenta era a região no passado.
       

       
      Nos hospedamos no hotel Riverside (80 GEL), que como o nome sugere, fica ao lado do turbulento rio. Até que é confortável a hospedagem, mas o chuveiro é o pior que usamos nessa viagem.
       
      Seguindo uma dica, almoçamos no restaurante Nikala: cerveja (5 GEL), "ostri" de gado (7 GEL), "odjakhuri" de frango (10 GEL), salada (7 GEL). Pedir salada está sendo essencial, pois as carnes vêm meio secas.
       
      Depois da digestão, parti pra trilha que leva à geleira de Chalaadi. O caminho até a ponte do início é de estrada de chão, toda empoeirada com os caminhões que estão operando na obra de uma hidrelétrica.
       
      Já na trilha em si, eu e mais uns quantos atravessamos uma pequena floresta de pinheiros até a beira do rio, subindo. Depois, o caminho passa por cima das pedras da morena da geleira.
       
      Uma hora depois, enquanto os demais turistas ficaram no nível inferior da geleira, onde pouco gelo está exposto, eu subi pelas pedras soltas até mais próximo dela, num local arriscado. Dei uma conferida numa abertura de caverna de gelo e desci, pois o gelo em constante derretimento movia as pedras para baixo.
       

       
      À distância, vi uma pedra enorme desabando sobre um local onde eu passei anteriormente. Dito e feito.
       
      Ao anoitecer, visitamos o centro, onde as construções são de pedra e madeira. Como minha mãe estava com vontade, jantamos pizza no restaurante Sunseti. Com bebidas e mais uma salada, nos custou 30 GEL.
       
      Dia 14
       
      Desde que entrei na Geórgia, meu estômago não vai bem. E não foi nesse dia que melhorei. Ainda assim, tomei um café da manhã substancial no hotel.
       
      Depois, passamos em frente a uma igreja antiga (Laghami) para uma foto, e nos dirigimos ao principal museu de Mestia. É o histórico e etnográfico Svaneti Museum, que possui muitas peças sobre a região.
       
      Descemos a serra em seguida. Brava parada para um hambúrguer no McDonald's de Zugdidi, antes de continuar até próximo a Kutaisi.
       
      Com um desvio forçado na estrada, chegamos apenas quase no final da tarde numa atração turística lotada, a caverna Prometheus.
       

       
      São 23 GEL para visitar a pé 1,4 km, apenas uma parte da longa caverna. A cavidade é iluminada e cheia de espeleotemas, mas em compensação a guia não explica nada e a multidão de pessoas de cada grupo (o nosso tinha umas 50) faz com que fique difícil sacar boas fotos.
       
      No caminho a Kutaisi na saída, entrei no sanatório abandonado de Tskaltubo. É horripilante a destruição lá dentro. Fico imaginando como seria à noite.
       

       
      Para jantar, estacionamos na praça central, onde há um belo chafariz. O restaurante, Baraqa, nos serviu rápido um prato de carne e também "khinkali" de queijo, a 80 centavos de lari cada.
       
      O limpo hotel onde passamos a noite, o Green Town (108 GEL), fica ao lado de uma baita igreja. A catedral de Bagrati, iluminada à noite, foi construída no século 11.
       
      Dia 15
       
      Café da manhã reforçado. A pé, regressamos à igreja próxima. Dessa vez, estava aberta, mas por dentro não tinha nada de mais.
       
      Do contrário, o mosteiro de Gelati, onde fomos em seguida, era tão interessante por fora quanto em seu interior, cheio de afrescos originais. É um patrimônio da UNESCO.
       

       
      No centro de Kutaisi, a terceira maior cidade georgiana, entramos no mercado de alimentos, mas não compramos nada.
       
      Parada seguinte a algumas dezenas de km, no pilar de Katskhi. É uma igrejinha isolada no alto de uma torre calcária de cerca de 30 metros, impressionante.
       

       
      Mais um caminho à frente, Chiatura, um resquício dos tempos soviéticos. A principal atração são as jaulas metálicas enferrujadas, digo, teleféricos, construídos em 1954, que até ano passado ainda estavam em operação entre os diversos morros da pequena cidade.
       
      Almoçamos do lado da estação principal, no restaurante meio escondido Newland. A decoração é refinada, mas demoraram tanto pra servir que até tirei um cochilo. Pedimos uma mistura de cogumelo (6 GEL), salada grega (6 GEL) e "odjakhuri" de porco (6 GEL).
       
      Na saída da cidade para a autoestrada, o GPS acabou nos levando a uma estrada rural precária, onde quase atolei o carro e rachei ele por baixo.
       
      Ao final da tarde, chegamos a Gori, a cidade natal de Stalin. Só deu tempo de eu subir na fortaleza, que é um mirante gratuito, e caminhar num parque de diversões local, que tem um infeliz urso numa jaula.
       

       
      Aproveitei um pouco da piscina do hotel Royal "4 estrelas", antes de me enclausurar em nosso quarto privado com nada menos que 5 camas (117 GEL).
       
      Dia 16
       
      Já com o estômago renovado, tomei o café da manhã à vontade.
       
      Como as atrações só abriam às 10 h, subimos antes de carro no mirante da igreja Goridjvari.
       
      Ao abrir dos portões de Uplistsikhe (7 GEL), entramos antes dos bandos de turistas. Essas são as ruínas de uma cidade moldada no interior de um morro da Idade do Bronze à Idade Média, quando os mongóis a destruíram.
       

       
      Novamente no centro de Gori, por 15 GEL cada, adentramos o museu dedicado a Joseph Stalin, o segundo líder mais sanguinário do mundo - só que o espaço não faz qualquer menção às suas atrocidades… Há apenas um bando de fotos, textos, artigos pessoais, além de um vagão de trem e de sua primeira casa.
       
      Almoçamos já na rodovia em direção ao norte. Natakhtris Vely foi a escolha refrigerada.
       
      Rapidamente paramos para uma foto na represa Zhinvali e na fortaleza Ananuri.
       
      Morro acima, atravessamos de Gudauri a Stepantsminda, uma área de incrível beleza cênica, graças a suas montanhas preservadas. Dois destaques são o monumento à amizade entre Rússia e Geórgia, além do passo de Djvari, com suas águas sulfurosas e depósitos de calcário.
       

       
      Antes de chegarmos à fronteira russa, regressamos a Gudauri com o tanque de combustível vazio.
       
      Com 10 GEL, pedi um "khachapuri imeruli" (massa com queijo típico) para jantar, no estiloso hotel onde nos hospedamos por 110 GEL (Good Inn). Veio mais do que pude comer.
       
      Dia 17
       
      A noite estava fresca. Comemos uns doces no café da manhã.
       
      Às 10 horas eu já estava na fila do teleférico da estação de Gudauri. Mas ela levou quase outra hora para abrir. Paguei 30 GEL para a ida e volta. Durante o verão, apenas 4 gôndolas estão em operação, sendo que cada segmento leva 15 minutos.
       
      Foi bem bacana o passeio, pois vi paisagens lindas de dentro das cabines ou nas estações, como picos nevados, montanhas coloridas e cachoeiras. O vento lá em cima era forte.
       

       
      Ao descer, fomos almoçar a caminho de volta. Paramos no restaurante Mleta, pedindo um prato de cogumelos com batatas + 5 "khinkalis" de carne + salada por apenas 19 GEL.
       
      Pouco mais de uma hora depois, chegamos à capital. Como fazia tenebrosos 37 °C, fomos para um ambiente refrigerado, no shopping Tbilisi. Cheio de lojas de roupas e de brinquedos, além de um Carrefour completíssimo.
       
      Ao anoitecer, voltamos ao hotel Heyvany, onde passamos a primeira noite na Geórgia - só que sem vinho grátis e num beliche dessa vez, já que mudamos de itinerário na última hora.
       
      Dia 18
       
      Como usual, às 10 horas já estávamos na porta de uma atração, que demorou um pouco pra abrir. Foi o museu etnológico a céu aberto, onde várias casas de regiões distintas do país foram trazidas para representar como o povo vivia. A entrada custa somente 5 lari e inclui a explicação em inglês de cada casa.
       

       
      Deixamos a mala no hotel seguinte e partimos pro museu nacional da Geórgia. Esse custa 15 GEL e inclui exposições sobre a biodiversidade, arqueologia, antropologia e uma sessão sobre a temida ocupação soviética.
       
      Comi um salgado de almoço e segui a caminhar por horas a fio no centro histórico de Tbilisi. A arquitetura é o que mais chama a atenção. Há bastante coisa pra ver. À minha mãe também interessou as lojas de souvenir.
       

       
      Ao retirar o carro, descobri que pra estacionar nas maiores cidades é necessário comprar um passe - levei uma multa, mas ainda bem que era de apenas 10 GEL. O problema foi entender o que estava escrito e onde pagar, já que ninguém sabia direito.
       
      Só retornamos ao hotel Lowell (190 GEL pra 2 noites) à noite.
       
      Dia 19
       
      Café sequencial interessante, incluiu até o "matsoni", iogurte azedo georgiano, que fica delicioso misturado com geléia de fruta.
       
      Tentamos chegar de carro no jardim botânico, mas como não tivemos sucesso, pegamos o teleférico até lá. O cartão custa 2 GEL e pode ser devolvido; já a passagem, 2,5 GEL cada trecho. Enquanto minha mãe caminhava pela área turística da fortaleza de Narikala, eu entrei no jardim. Esse também fica numa encosta, e conta com um tanto de floresta.
       

       
      Depois de apreciar a vista, retomamos a direção. Fomos até o shopping aberto East Point, onde almoçamos pizza. De sobremesa num quiosque, um dos sorvetes mais baratos que já provei: 3 bolas na casquinha por apenas 3,5 GEL.
       
      Contornamos o grande reservatório chamado de mar de Tbilisi. No lado norte, pessoas se banhavam na praia, enquanto nós subimos ao monumento gigantesco "Crônicas da Geórgia".
       
      De volta ao centro, deixamos o carro no estacionamento e passeamos pelo mercado de pulgas em Dry Bridge. Há souvenires interessantes, junto com várias velharias.
       
      Posteriormente, andamos pelo cânion onde ficam os banhos sulfurosos e as ruínas. Lá perto, lanchamos com uma vista do movimento das ruas, no restaurante Machakhela-Samikitno. Uma cerveja de meio litro saiu por 4 GEL e cada "acharuli" de cogumelo 6,5.
       

       
      Dia 20
       
      Acordamos mais cedo para devolver o carro no aeroporto, onde a locadora quase nos deixou na mão. Mais além, passamos pela imigração rapidamente e embarcamos rumo a Baku, capital do Azerbaijão. O voo foi pela companhia Azerbaijan Airlines, ao custo de 70 euros para cada um. Apesar de curto, contou com um sanduíche.
       
      No desembarque, apresentamos o visto eletrônico emitido por 23 dólares. Em seguida, retiramos um Hyundai Accent automático alugado na Avis (5 diárias por 140 dólares) e caímos nas terras azeris, cercadas por cavalos de pau em terra e plataformas marítimas, numa busca incessante por petróleo.
       

       
      Sob sol forte, primeira visita dedicada ao templo do fogo, que serviu a hindus e zoroastrianistas no passado. Ingresso de 4 manat (1 = 2,4 reais).
       
      O segundo ponto de parada também é ligado ao fogo. Yanardag é uma falha no solo desértico onde escapa gás natural. Há mais de 70 anos, desde que alguém acendeu sem querer, queima sem interrupção. Aqui a entrada custa 9 manat, mas pode ser combinada com a da outra atração por 11.
       

       
      Fizemos compras num supermercado normal e passamos pelo lago salgado Masazir, antes de parar na Heydar, uma mesquita enorme, nova e monocromática. Pena que não pudemos ver seu interior de mármore.
       
      Com o céu ficando roxo ao se pôr, chegamos ao hotel 4 estrelas Mavi Dalga. Ficamos com dois quartos por 90 manat no total. Antes de nos retirarmos, lavamos os pés na praia própria do hotel, de frente pro mar Cáspio. Ainda pedi um "kebab" pra janta (7 manat), onde fui devorado pelos mosquitos.
       
      Já deu pra perceber que aqui o russo, junto com o próximo turco, é mais falado que o idioma inglês.
       
      Dia 21
       
      Café básico, mas moscas por todos os lados. 
       
      Deixamos o hotel rumo ao Gobustão. Nessa área ficam vulcões de lama e uma área protegida de arte rupestre. 
       
      Para chegar à primeira parte, pagamos 20 manat para um taxista clandestino de Lada, que ficou sem gasolina no meio do caminho. Passado o aperto pela estrada de barro, subimos no pico com algumas poças borbulhando lama fria na paisagem desoladora.
       

       
      Para visitar o museu moderno e os petroglifos de verdade, é preciso pagar 10 manat por pessoa. Esse é um patrimônio da humanidade.
       
      Almoçamos alguns km adiante na autoestrada. O restaurante, nomeado Qedir Kum, estava cheio. Pedimos um gorduroso e saboroso prato de carneiro com vegetais no "saj" por 20 manat, mais complementos.
       

       
      O caminho a seguir foi bastante monótono: duzentos e quarenta quilômetros de linha reta por um semi-deserto quente.
       
      No final da tarde, descemos no centro de Ganja. Sem relação com o apelido da maconha, é a segunda maior cidade do Azerbaijão. Caminhamos ao redor das praças com prédios antigos bonitos, além de virmos a casa feita com garrafas.
       
      Jantamos "kebab" no Ganja Mall e, já à noite, entramos no hotel Deluxe, um 4 estrelas de verdade. Por 80 manat, ficamos com um quarto bem grande.
       
      Dia 22
       
      O café da manhã foi um buffet variado.
       
      Com muitas das ruas bloqueadas, deu certo trabalho rumar de Ganja ao parque nacional Göygöl, mas um tempo depois de subir uns morros, lá chegamos. São basicamente lagos cercados por floresta temperada. Custa 2,5 manat de entrada + 2 pra ir e vir de van até o pitoresco lago Maragöl, onde se pode caminhar ao redor, o que fez valer a visita.
       

       
      Breves horas depois, partimos para o norte. Passando pela hidrelétrica de Mingachevir, chegamos à estrada em obras que nos levou pelas montanhas até a pequena Shaki.
       
      Antes de conhecer a dita cuja, fomos um pouco adiante na vila Kish, onde adentramos um templo cristão (4 manat). Ali ficam os achados arqueológicos da região que era chamada de Albânia do Cáucaso.
       
      Com um "kebab" na mão, saí a explorar as ruas e construções de pedra de Shaki. Uma das edificações antigas era um caravançarai, atualmente um hotel, mas que mantém a estrutura e é aberto aos turistas.
       
      Outro que conheci foi o palácio de inverno (5 manat), uma das residências dos "khans", soberanos persas dos séculos passados. A mobília interna é quase ausente, mas os detalhes arquitetônicos são impressionantes.
       

       
      Mais impressionante é o complexo onde fica o palácio principal Shaki Khan (5 manat). Tanto que foi nomeado patrimônio da humanidade, junto com o centro da cidade. Chegamos lá com o sol se pondo, mas o guarda abriu clandestinamente para nós vermos. Pena que fotos no interior não são permitidas.
       
      Depois da visita, fizemos check-in no hotel 4 estrelas MinAli. A construção de pedra é do século 19, mas bem que o quarto de 95 manat poderia ter um frigobar. Fomos dormir ao som da MTV do Azerbaijão.
       
      Dia 23
       
      Outro buffet bem bom de café da manhã.
       
      Pegamos a estrada, mais cênica dessa vez. Por pouco tempo, paramos em Gabala, a cidade mais antiga do país. Antigos mesmos eram os carros dos moradores.
       
      Depois, deixamos a rodovia em direção ao vilarejo elevado de Lahic. A estrada que cerca essa vila, com formações geológicas, é bela e traiçoeira.
       

       
      Já o povoado, é de pedra e famoso pelos artesanatos com materiais como o cobre. Pena que os artigos com o metal sejam tão caros.
       
      Passado um nevoeiro, almoçamos no friozinho em outro povoado, no restaurante Malham. Pedimos o mesmo carneiro no recipiente "saj" de 2 dias atrás, mas aqui custava 18 manat. É bem bom, mas problema é que esse prato demora até meia hora para ser feito.
       
      Estrada novamente, chegando no final da tarde no trânsito caótico de Baku. Desembarcamos no jardim botânico (1 manat), que nos desapontou.
       
      Depois foi a encrenca pra encontrar um lugar pra estacionar na rua, no meio do centro. Daqui em diante, seguimos a pé. Primeiro, entramos numa sorveteria para provar os "gelatos" italianos da Ca' D' Oro. Estavam muito bons, mas acabamos comendo demais. Eu fiquei com 4 bolas por 7 manat e uns centavos.
       
      Antes de dormir, caminhamos na rua pedestre Nizami, movimentada e iluminada à noite.
       

       
      Por fim, demos entrada no hotel La Casa, onde tivemos que nos contentar com um quarto sem janela por 2 diárias (145 manat).
       
      Dia 24
       
      O café no restaurante indiano foi simples.
       
      Depois dele, caminhamos várias horas ao redor de boa parte da cidade.
       

       
      Primeiro, passamos pelo parque central, que vai desde o palácio Heydar Aliyev até a maravilha arquitetônica moderna Flame Towers. Nesse caminho, há bastante coisa pra ver, como a mesquita Tazapir.
       
      Do lado das torres, há um parque com um mirante de onde se vê toda beira-mar e a cidade velha. Quando descíamos as escadarias, entramos no museu de arte (10 manat). Só que havia poucas obras do Azerbaijão dentro.
       
      Na cidade velha, entre muralhas, almoçamos no restaurante Rast. Pedimos "dolma" e "choban qovurma", por 6 manat cada. Também aproveitei que não estava mais dirigindo para tomar um chope.
       
      A sobremesa foi num lugar próximo, provando "baklava", que são aqueles doces turcos folhados. Só que além de não serem nada baratos (1 a 2 manat cada), não achei saborosos.
       
      Depois de conferirmos os souvenires, visitamos o palácio dos Shirvanshahs, agora um museu. São 15 manat pra entrada.
       

       
      Voltamos ao hotel e nos separamos. Enquanto minha mãe foi atrás de mais lojas, eu peguei a bicicleta grátis da hospedagem e percorri o calçadão-parque que fica ao longo do mar Cáspio. É bem bacana, cheio de gente e atrações. Inclusive, é onde passa o circuito de rua de Fórmula 1 de Baku.
       
      Ao escurecer, voltei para jantar com minha mãe. Como eu estava com vontade de comer arroz, fomos num restaurante indiano, onde comemos "biryani". Meu prato estava bom, mas foi um tanto salgado: 18 manat.
       
      Dia 25
       
      Devolvemos o carro e pegamos o voo (140 manat para ida e volta) até a República Autônoma do Naquichevão, exclave do Azerbaijão que fica entre a Armênia e o Irã. Do avião já deu pra perceber a aridez desse território.
       

       
      Do aeroporto internacional minúsculo, fomos num táxi clandestino (5 manat) até o Qrand Nakhchivan Hotel, que fica na entrada da cidade. Como a capital tem menos de 100 mil habitantes e praticamente não recebe turistas de fora (éramos os únicos no voo), esse 3 estrelas é um dos raríssimos hotéis disponíveis pela internet para reservar. Pagamos 161 manat por 2 diárias num quarto grandão, mas com ar condicionado sem funcionar e internet deficitária. Almoçamos ali mesmo por apenas 3 manat.
       
      Com o clima quente, saímos a explorar Naquichevão a pé. De cara, já é notável a esplêndida arquitetura dos prédios da região central, com materiais nobres, detalhes e cores. As ruas, largas e vazias, pois os atuais 90 e poucos mil habitantes não preenchem tudo.
       
      Ao passar em frente a um dos edifícios, nos convidaram a entrar. Era um teatro requintado, mas o que vimos foi uma exposição de quadros e de livros em miniatura. A guia, que fala um pouco de inglês, nos conduziu sem cobrar nada.
       
      Em seguida, visitamos o mausoléu de Möminə Xatun. Tumbas altas estilizadas como essa, também são um diferencial do território.
       

       
      Depois, adentramos a mesquita Jame, do século 18. De uma das praças, ainda vimos uma segunda mesquita, iraniana.
       
      Seguimos caminhando pelo minúsculo centro em direção norte. Se na outra parte do Azerbaijão, as menções ao falecido ex-presidente eram muitas, aqui elas são onipresentes, já que essa era sua terra natal.
       
      Com dificuldade, encontramos um lugar para comer um sanduíche de 1,5 manat. Esse lugar foi o Kitab Kafe (Book Café), que entre seus diversos livros incluía uma versão em azerbaijano de uma obra do Paulo Coelho.
       
      Após apreciar o pôr do sol sobre o rio que faz fronteira com o Irã, vimos os edifícios iluminados e retornamos. 
       

       
      Um som alto ao lado do hotel chamou a atenção, então fui atrás. Descobri que havia um praça interna com lugares para comer, e também um show.
       
      Dia 26
       
      O buffet de café da manhã do hotel foi razoável. A coisa boa dele foi o creme de avelã com cacau.
       
      Pegamos um táxi até a rodoviária (2 manat). Lá estão os ônibus de longa distância para outros países e as vans e micro-ônibus para os vilarejos próximos e outras cidades do Naquichevão. Escolhemos o que levaria a Ordubad, por apenas 2 manat cada. Só foi preciso esperar alguns minutos, que logo o veículo encheu e partiu às 9 da manhã.
       
      O caminho até lá, que leva cerca de 1 hora e 20, é atrativo do ponto de vista cênico. Formações montanhosas áridas de um lado da rodovia e plantações na margem do rio que faz fronteira com o Irã do outro lado.
       
      Ficamos cerca de uma hora e meia na pequena segunda maior cidade do território. Só vimos algumas ruínas, mesquitas e um museu regional, tudo gratuito.
       

       
      Ao meio-dia, regressamos. Ao desembarcarmos, tivemos a maior sorte quando fomos abordados por um estudante de idiomas, que queria praticar inglês e espanhol e nos ofereceu uma carona guiada até dois dos locais que eu gostaria de conhecer.
       
      O primeiro, chamado Əlincə Qalası, foi apelidado de Machu Picchu do Naquichevão. Só que diferentemente do similar peruano, aqui não se paga nada para acessar e nem há turistas para atrapalhar as fotos.
       

       
      Essa é uma fortaleza dos primeiros séculos, que resistiu a invasões e foi restaurada recentemente. Dizem que são 1600 degraus até o topo - não cheguei a contar, mas levei quase meia hora para subir. A vista lá de cima é sensacional; fiquei impressionado com a obra e o panorama.
       
      O camarada, que nos ensinou bastante sobre o Naquichevão, ainda nos levou ao hospital para problemas respiratórios que fica dentro de uma mina de sal. Surreal lá dentro, e também não se paga nada para conhecer.
       

       
      Com o fim da tarde, nos despedimos dele e nos ajeitamos para mais tarde jantar ao lado do hotel. Escolhemos um restaurante turco, desembolsando 18 manat pra comida e bebida suficiente pros dois.
       
      Dia 27
       
      Pela manhã, conhecemos o interior de uma fortaleza do século 7, que conta com um museu e muralhas intactas. Subimos nelas, tendo uma boa vista da cidade abaixo.
       
      Também vimos por fora o mausoléu de Noé, do século 6 em diante. Ainda, ao lado está em construção a maior mesquita do Cáucaso.
       

       
      Dei uma volta final pelo centro, passando por alguns dos museus, entrando no que trata do ex-presidente e o do palácio dos Khans. Definitivamente, todas atrações do Naquichevão são gratuitas.
       
      Pagamos o hotel, almoçamos e nos direcionamos ao aeroporto. Horas depois, deixamos Naquichevão, uma terra única e ainda desconhecida. Durante esses mais de 2 dias, vimos apenas 4 turistas de fora da região.
       
      No aeroporto de Baku, pegamos um ônibus até a estação ferroviária. Esse sai a cada meia hora de ambos os terminais e custa 1,5 manat, fora o cartão que deve ser comprado numa máquina e custa 2, mas pode ser usado por mais de uma pessoa.
       
      Compramos uns mantimentos, jantamos na estação e retiramos as passagens do vagão de "primeira" classe (cabine privada), compradas dias antes pela internet. Até Tbilisi, custaram 57 manat cada. Às 20 e 40, começou a longa viagem num trem meio velho.
       
      Dia 28
       
      Dormi mais ou menos e minha mãe nada, devido às chacoalhadas e ao barulho. Às 5 e meia da manhã fomos acordados para os procedimentos de imigração, que duraram 3 horas e meia! Ao menos, não precisamos sair do trem, pois os oficiais é que foram até nós.
       

       
      De metrô (2 lari pelo cartão e 50 centavos por cada passagem) chegamos a uma das estações centrais de Tbilisi, onde fica o shopping Galleria Tbilisi. Enquanto o check-in pro nosso hotel não começava, matamos um tempo ali, almoçando comida chinesa.
       
      Ficamos hospedados no Hotello, próximo da região central. Suíte com café = 105 lari.
       

       
      Enquanto minha mãe retornou ao centro histórico, voltei ao shopping para ver um filme no cinema.
       
      Passamos a noite no hotel.
       
      Dia 29
       
      Tomamos o café e fomos de Bolt (Uber local) até o aeroporto, por 18 lari. Quem quiser economizar mais, pode ir de ônibus ou trem.
       
      Voamos com a MyWay Airlines para Tel Aviv, por 125 lari cada bilhete. O voo teve serviço de bordo.
       
      Já no desembarque, pegamos o trem que sai a cada meia hora para Jerusalém (23,5 shekel). Da estação final, seguimos de bonde (6 shekel) até Damascus Gate. Nosso hotel (Rivoli) estava um pouco adiante. Tivemos que pagar 235 shekel por uma hospedagem não tão boa assim.
       
      Logo saímos para explorar a cidade velha entre as muralhas.
       

       
      Começamos pelo portão de Herodes, caminhando pelos becos residenciais do quarteirão muçulmano. Quando chegamos à parte cristã, nos encontramos com uma multidão. Minha mãe ficou de olho nas lojas de souvenires. Entramos ainda na igreja do Santo Sepulcro.
       
      Deixamos a muralha pelo portão Jaffa, nos direcionando para a parte menos velha da cidade, caminhando pela avenida ao longo dos trilhos do bonde. Entramos no grande mercado de comidas Machane Yehuda, mas só pudemos olhar, de tão caro que é Israel.
       

       
      Com o sol se pondo, jantamos numa das poucas lanchonetes que aceitou cartão de crédito. Foram nada menos que 76 shekel para somente 2 cervejas e 2 sanduíches típicos! A refeição mais cara da viagem não foi nem o suficiente.
       
      Dia 30
       
      Não dormi bem, devido ao ambiente luminoso e barulhento onde se encontra o hotel. Quanto ao café, esse foi razoável.
       
      Saímos a caminhar infinitamente pela cidade antiga. Em primeiro lugar, quase infartei minha mãe para subirmos ao mirante do monte das Oliveiras, de onde se tem uma vista bem privilegiada. Também fora das muralhas, ela entrou no jardim do Getsêmani e passamos por uma igreja ortodoxa russa.
       

       
      Atravessamos a infinidade de sepulturas judaicas, de um lado, e islâmicas, do outro.
       
      Depois das tumbas de profetas, entramos em um dos portões, dando no Muro da Lamentações. É preciso passar pela segurança para chegar no paredão que é o que restou do segundo templo de Herodes.
       

       
      Vagamos por muitas vielas comerciais, passando pela grande sinagoga Hurva, além de um local com um vídeo memorial da guerra da independência israelense.
       
      Atravessamos o quarteirão da Armênia, para enfim procurarmos um lugar para almoçar. Como é tudo caro e poucos estabelecimentos aceitam cartão, paramos num onde comemos somente um sanduíche "pita" de falafel e outro de "kebab" + uma cerveja por 69 shekel. Não foi suficiente para aplacar nossa fome, então pouco depois nós tivemos que complementar num mercadinho, também meio caro.
       
      Depois disso, só nos restou caminhar mais até a Via Dolorosa e aguardar no hotel o transporte de van que havíamos reservado. Como esse dia era "shabbat", o transporte estava bem prejudicado, então só nos restou pagar 75 shekel cada para chegar no aeroporto.
       
      À noite, aguardamos mais um pouco no terminal, até o voo da Ethiopian Airlines da madrugada seguinte, com conexão em Adis Abeba e final em São Paulo. Fim de jogo!
       
      Curtiu? Então não deixe de conferir meu blog de viagem Rediscovering the World, lá há muitos outros locais poucos visitados nesse belo mundo 



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