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  • 2 semanas depois...
  • Membros

Excelente relato!

Estou indo em novembro e me ajudou bastante.

Estou penando bastante para reservar os refúgios. Por enquanto, só consegui o Grey. Queria reservar no Italiano, Francês ou Cuernos. E depois no Torres ou Chileno. Não sei o que acontece, mas os sites das 3 empresas são horríveis. Parece que funciona bem mal e quando consigo preencher, diz que não tem disponibilidade pra nenhuma data. Será que está muito em cima? Já começo a cogitar de dormir em Natales e fazer vários bate e volta.

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  • 2 semanas depois...
  • Membros

Excelente relato!!

Parabéns pela conquista e por não ter desistido. Ri muitoooo na leitura e me identificando nos momentos quando fala das dores nos joelhos, pois sei bem como é fazer longos trekking/hiking com lesões. Só quem tem sabe o valor de cada km conquistado e quando chegamos ao destino comemoramos como Rocky Balboa subindo aquelas escadas rsrsrsr. 

Novamente, parabéns por essa força! 

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    • Por divanei
      VALE DO GUAXINDUBA
       
                Naquela madruga choveu. Choveu como há tempos não chovia e eu estava feliz por estar numa cama quentinha, abrigado em baixo das cobertas e ficava pensando quem seria trouxa de sair para fazer trilha com um tempo daqueles, mas não demorou muito para a realidade ser jogada na minha cara.
                - Diva, acorda, já passa das 4 da manhã, hora de partirmos.
                Levantei-me imediatamente. Pulei para dentro da minha calça e da minha bota e me pus pronto para a aventura, mesmo sabendo que com aquele tempo horrível, teria sido melhor ter continuado dormindo. Mas bastou um gole de café, para que minha alma voltasse novamente para o corpo e eu me visse de novo eufórico para a missão da qual eu fui tirado do interior Paulista e levado para o litoral Norte.
                Quando o plano foi me apresentado pelo Thiaguinho, quase tomei um susto. A ideia era subir um rio em Caraguatatuba atrás de uma imagem de satélite que possivelmente pudesse nos levar até uma cachoeira de tamanho considerável. Analisei meio por cima e realmente parecia algo muito interessante, ainda mais que aquele rio havia me passado batido nas minhas explorações cartográficas, verdade mesmo que nunca havia dado muita bola para aquela região, com exceção do Rio Juqueriquerê, que eu havia descido em 2015. Mas pelo sim pelo não, fui procurar para ver se não havia uma trilha que pudesse nos levar até ela, afinal de contas, não estava tão longe da civilização assim.
                Vasculhei o quanto deu e tudo que encontrei foram uma meia dúzia de traclogs( caminhos marcados com GPS) que atingia no máximo 250 a 270 metros de altitude e não passava disso . Minha conclusão seria mais do que obvia: aquele ponto deveria ser o lugar onde os turistas poderiam chegar, era muito provável que ali se fecharia numa garganta alta onde só aqueles mais tarimbados conseguiriam ir adiante, mas eram pura suposições, era preciso pagar para ver, botar os pés no rio e ir conferir pessoalmente.
                A chuva não dava trégua, mas mesmos assim jogamos nossas mochilinhas com o necessário no porta malas do carro e partimos para o bairro Canta Galo, um amontoado de casas junto às margens do Rio Guaxinduba.  Quase 2 km depois de sairmos da Rio-Santos passamos em baixo  do viaduto gigante que fará parte da duplicação da Tamoios e em mais 1 km de estrada desembocamos enfrente à uma estação de tratamento de água da Sabesp, mas logo notamos que nosso caminho ficava uns 300 m antes, uma estradinha entrando na mata. Paramos o carro em uma clareira porque nossa jornada motorizados acabara de chegar ao fim.
                Jogamos as mochilas nas costas e partimos. Ainda chovia um pouco, mas nossa euforia fazia com que desprezássemos esse sofrimento e então nos adiantamos a passos largos, firmes e decididos. O Thiago à frente, esbanjando toda vitalidade dos seus trinta e poucos anos e eu, é claro, tive que me manter firme, consumindo litros de oxigênio para me manter colado nele e não tentar demonstrar as fraquezas dos meus 50 anos nas costas. Minutos depois a estradinha acaba junto a algumas casas e entra numa trilha onde um riacho faz barulho de água boa, mas já estávamos abastecidos e só fizemos seguir atropelando metros e metros. Passamos por um bonito descampado, que rapidamente também é deixado para trás, até nos embrenharmos definitivamente na floresta sombreada.
                Quando entramos nessas trilhas não encontramos nenhuma placa de que o acesso fosse proibido, tão somente havia algo dizendo ser uma área em recuperação e como era uma trilha bem larga, supomos ser bem usada pelos nativos ali da região. E é realmente uma trilha encantadora, com árvores gigantes que nos surpreendem a cada metro percorrido, por ainda estarem de pé tão perto da civilização. A trilha apesar de bem larga, vez ou outra se bifurca e confundi a nossa cabeça e alguns perdidos nos leva às margens do rio, muito provavelmente serviria para acessar algum poço ou cachoeirinha mais turística, mas como o rio está bufando, não nos pareceu valer a pena descer para conferir, então retornávamos e seguíamos por onde nos parecia ser a direção correta, mas bem menos de 1 km depois de começarmos a caminhar, fomos obrigados a nos determos por um instante para prestarmos continência a um espetáculo que a natureza nos reservou : Um exemplar de uma árvore gigante faz com que nossos queixos despenquem das nossas caras. Eu não saberia dizer que árvore seria aquela, não sou botânico e sinceramente não tenho lá grande conhecimento a respeito desse assunto, mas me pareceu ser uma Figueira Brava ou uma Samaúma, mas é puro chute, então se alguém souber o nome que me corrija, mas o certo é que não é possível passar diante de um monstro desse e não sair de lá encantado.
       
                Nossa caminhada segue a passos cada vez mais firmes, alternando pequenas descidas e subidas, mas nada em excesso e uns vinte minutos depois, um clarão surge no meio da floresta verde e junto a um afluente do rio, tropeçamos numa cachoeira enorme que nem esperávamos encontrar. E era realmente grande, uns 20 metros de queda, talvez um pouco mais, talvez um pouco menos, mas o simples fato dela cruzar o nosso caminho, já foi motivo de uma comemoração pelo prazer de tê-la encontrado , tão alta e em tão pouca altitude  e sem saber o nome ainda, mas muito provavelmente ela deve ter um, como referencia vou chamá-la de CACHOEIRA DO PAREDÃO até que eu descubra o verdadeiro nome. E esse nome fictício só me veio à cabeça porque logo à frente, pouco antes de desembocarmos definitivamente no rio, somos apresentados a numa parede gigante, uma muralha de pedra deslumbrante.

                Abandonamos, portanto a cachoeira e passamos raspando na parede e em um minuto caímos no Rio Guaxinduba, mas agora em definitivo. O rio está cheio, mas a chuva quase cessou por completo. Estamos agora bem de frente de outra CACHOEIRA, não tão grande como a anterior, mas com um volume grande, confinado num tubo que forma um salto para dentro de um poço profundo, com a água um pouco escura, mas ainda assim muito limpa. Aqui é mais ou menos a cota 260 de altimetria e é o lugar onde a trilha acaba em definitivo, mesmo porque, agora estamos diante de uma garganta que fecha o rio num amontoado de rochas gigantes, fim da linha para os turistas, daqui para frente é só quem se atreve a botar a faca nos dentes , num caminho incerto, perigoso, é o lugar que separa os homens dos meninos, é hora de aceitar o convite para a aventura.

                Nossa aposta de que esse seria o lugar onde o rio estaria bloqueado foi um acerto um tanto óbvio pela nossa experiência nesses longos anos de exploração selvagem. Num primeiro momento, eu e o Thiago trocamos ideia sobre a possibilidade de escalarmos as grandes rochas, mas era uma subida um tanto exposta com a pedra molhada pelas chuvas recente. Até daria para dar um bote de cima de uma grande rocha e se agarrar à outra, mas um erro de calculo e o escalador seria jogado para dentro da fenda e ali seria moído pela rocha áspera. Então a decisão sensata era, depois de atravessar o rio, ganhar uma canaleta do lado direito e abrir uma passagem para o alto e estando mais acima, varar mato de volta para o rio. E foi isso que fizemos e em poucos minutos retornamos à parte alta dessa primeira cachoeira, justamente de frente para uma cachoeira bem peculiar, onde a água despencava no meio de grandes pedras suspensas e ao nos aproximarmos  dela , um colônia de andorinhas barulhentas nos deu as boas vindas e por também não sabermos o nome, resolvemos marcá-la no mapa como CACHOEIRA DAS ANDORINHAS, mesmo não sendo um nome muito original, foi o que pensamos na hora.

                Paramos por um tempo para apreciar a cachoeira e tomar um gole de água. Uma analise fria já nos diz que escalar a cachoeira não é possível e muito menos viável cruzar para a margem esquerda do rio, então só nos restava a velha tática de varar mato. Também do lado direito foi que descobrimos uma abertura que nos levou rapidamente até o pé de uma parede íngreme, mas que surpreendentemente formou uma escada de raízes no barranco, onde apoiávamos primeiro as mãos e depois os pés até nos elevarmos a parte superior da Cachoeira das Andorinhas, varando um mato cheio de espinhos e descendo desescalando pedras lisas até o rio. Estávamos bem de frente a uma ilha no meio do rio e do outro lado nos pareceu haver mais uma grande cachoeira e para la chegarmos , tivemos que desenrolar uma travessia de meio rio, antes mesmo de pularmos para o meio da ilha, onde bem perto , mais uma cachoeirinha despencava.
                Cruzamos o rio nos valendo de algumas partes mais rasas, mas mesmo assim com a água quase pela cintura até ficarmos bem de frente com a cachoeira maior que buscávamos. Não era tão alta, mas despencava de forma bem peculiar, com um pequeno tobogã encima que fazia com que ela se transformasse num chuveiro e ao seu lado o rio saltava em mais um cachoeirinha, formando um cenário agradável  e mais uma vez, sem saber se existia um nome, vou marcá-la como CACHOEIRA DO CHUVEIRÃO, nome não muito bonito, mas deve servir de referência.

                Pensei em continuar nossa jornada atravessando para o lado esquerdo do rio, porque me pareceu que seria fácil passar, mas logo o Thiago me avisa que mais à frente o rio se enfia num pequeno cânion, onde poderíamos ter problemas e insiste em nos mantermos no lado direito. Pulamos para a ilha e começamos a escalar algumas pedras íngremes até voltarmos para o rio, onde ariscamos passar numa parte profunda nos valendo de um apoio ao lado de uma parede do rio, cairmos novamente numa língua de mato e voltarmos para o rio na tentativa derradeira de chegarmos ao nosso objetivo principal.
                Não eram nem nove da manhã quando à nossa frente um clarão branco despencando de um paredão nos ofuscou os olhos. Ainda em meio às árvores e rochas, que nos fechava o caminho, essa visão ia se alternando entre ficar visível e sumir. Eu e o Thiaguinho nem conversamos sobre o assunto, apenas nos mantemos focados em escalar matacões gigantes, numa tentativa desesperada de ganharmos terreno o mais rápido possível. A chuva se foi, milagrosamente a água deixou de cair do céu e adentramos numa toca que era mais apertada quem o útero das nossas mães, mas passamos, encolhendo a barriga, mas passamos e emergimos do outro lado, aos pés de uma grande rocha. O Thiago foi à frente, abrindo caminho na quiçaça até se ver numa fenda entre duas pedras. Ele se equilibrou sobre um tronco de árvore podre, enquanto eu o avisava para que tomasse cuidado. Assim que ele passou, dei um salto e ganhei também o outro lado, e juntos, de cima daquela pedra escorregadia, saltamos para a gloria final, sobre um platô, de frente para o Objeto da nossa conquista pessoal.
                Diante nos nossos olhos, em toda sua magnitude e esplendor, muito mais bela do que poderíamos imaginar, um turbilhão de água saltava de cima da  parede, primeiro vindo de um tobogã de uns 200 metros , depois caindo no vazio de uma altura mais ou menos de uns 30 ou  35 metros no total. Uma cachoeira se espalhando sobre a parede, onde parte do seu véu se ocultava atrás de uma grande rocha. Recebendo suas águas, um laguinho se esparramava até onde estávamos e mesmo com o rio cheio pelas chuvas recentes, ainda assim a água continuava bonita e bem apresentável. A força da água se jogando da montanha formava uma névoa sobre nós e o vento balançava a vegetação ao nosso redor, nos fazendo sentir um pouco de frio, mas pouco nos importava, a cachoeira GRANDE DO GUAXINDUBA  era nossa, apenas dois aventureiros abobados, inebriados, testemunhas oculares de um espetáculo e se mesmo sabendo ser provável que não sejamos os primeiros a pisar ali, felizes estávamos por termos certezas que era uma visão presenciada por não mais de meia dúzia, então não nos restou outra coisa, senão  nos abraçarmos e comemorarmos o sucesso daquela empreitada.

                   O Thiaginho estava eufórico, um menino hipnotizado pela descoberta bem no quintal de casa. Eu fiquei ali, parado , estático, sentindo aquele momento e feliz por ter me levantado daquela cama quentinha hoje pela manhã. Mas é preciso contar o resto desta história e não deixar passar nada do que presenciávamos ali naquele momento. Se já não bastasse aquela cachoeira, que fechava o vale com uma beleza inenarrável , ao lado dela, despencando de um afluente do lado esquerdo, outra queda d'água formava o cenário perfeito, uma união de dois acidentes geográficos numa obra de arte da natureza que não precisava de retoques. Nossas cabeças rodopiava entre um cenário e outro , mas antes de perdermos o foco diante de tão deslumbrante cenário, nos sentamos para não cair e aproveitamos para comermos algo , ali mesmo ao lado dessa outra queda, que aqui temporariamente chamo de PEQUENA DO GUAXINDUBA e assim marcamos no mapa, mais uma na nossa lista de lugares perdidos no Lado Escuro da Serra do Mar Paulista.

                Chegamos no lugar onde havíamos deslumbrado chegar, mas sendo ainda muito cedo, resolvemos esticar ainda mais a aventura. Decidimos por escalar o grande paredão para tentarmos chegar ao alto da Cachoeira Grande. Analisamos o terreno e era fácil supor que pela direita seria impossível passar, diante de uma parede de quase  noventa graus de inclinação, então só nos restava fazer um ataque pela esquerda, não da cachoeira grande, mas ao lado da pequena , a cachoeira do afluente. Usando nossa técnica inovadora de nos segurarmos em tudo e qualquer coisa que aguentasse nosso peso, nos pomos a nos elevar parede acima até ganharmos o alto do afluente e transpor suas águas, ganhando terreno lentamente, varando mato, escalando outros tantos de pedras escorregadias até firmarmos uma diagonal e voltarmos novamente para o leito do rio principal, bem acima de onde as águas se jogavam no vazio.

                Estamos agora encima do olho do furacão, uma rampa inclinada de impressionantes cerca de 200 metros, um tobogã descendo numa pedra lisa com não mais de dois palmos de água, mas numa velocidade "maior que a da luz". Eu e o Thiago até deslumbramos a possibilidade de poder descer em uma parte da rampa, onde o rio se projeta em um poço, mas a velocidade era tamanha que poderia nos jogar não para fora do poço, mas para fora da via láctea, então deixamos quieto. Lá do alto, era possível avistar paisagens a beira mar, montanhas e formações rochosas, mas por causa do tempo instável, não conseguimos ver o oceano dessa vez . 

                Chegamos aos 500 metros de altimetria, poderíamos ter seguido subido o rio, mas nos demos por satisfeito, ainda mais porque não estávamos preparados para passar a noite com conforto, então antes das 10 da manhã, resolvemos optar pela volta, havíamos cumprido o objetivo que havíamos traçado quando nos levantamos da cama quente pela manhã e enfrentamos tempo ruim atrás de mais uma aventura autentica. Por sorte a chuva parou, o tempo abriu e quando retornamos para o pé da CACHOEIRA GRANDE DO GUAXINDUBA, ela estava ainda mais deslumbrante e o Thiago resolveu fazer as honras da casa, se jogando para debaixo dela, lavando a alma, enquanto eu o observava lá de fora, contente pela felicidade do amigo.

      Quando o Thiago se cansou de tomar banho de cachoeira, apanhamos nossas mochilas e partimos de volta, mas dessa vez, num ritmo muito maior, ainda porque, o rio estava um pouco mais baixo e já conhecíamos as passagens chaves. Fizemos uma pequena parada na Cachoeira das Andorinhas para um breve lanche, ganhamos novamente o vara-mato que nos levou de volta a trilha, assim que atravessamos novamente o rio para sua margem direita, agora de quem desce e aceleramos o passo, num perde e acha até que subitamente desembocamos na estrada, junto a clareira onde havíamos deixado nosso veículo, missão cumprida.

               
                Antes das 14 horas, estacionamos nossos corpos na Praia do Capricórnio em Caraguatatuba, foi uma caminhada linda, deslumbrante. Eu e o Thiago imprimimos um ritmo de gente grande, voamos rio acima, fomos comendo mato e destruindo altimetria como nunca e levamos 7 horas de caminhada entre ir e voltar. Na manga, mais uma descoberta, numa serra que não para de nos surpreender, lugares onde poucos pés humanos ousaram tocar, um paraíso reservado a um seleto grupo de exploradores , onde a natureza cercou e pela dificuldade de acesso, continuará lá , preservado por muito tempo, sendo mais uma entre tantas outras nessa SERRA DO MAR PAULISTA, a serra que tem cheiro de aventura.
               
    • Por anselmoportes
      O deserto do Atacama foi um dos lugares mais incríveis que já conheci. Fiquei lá entre os dias 22 e 26 de Março de 2017.
      Aconselho ficar pelo menos 4 dias lá. É que tem muita coisa legal pra fazer e se ficar menos que isso vai deixar de ver o essencial, então não compensa.
      A cidade de San Pedro de Atacama é bem pequena e dá praticamente pra fazer tudo à pé nela.
       
      ONDE FICAR:
      O hostel que fiquei se chama LASKAR e os quartos compartilhados (3 beliches em cada quarto) custam em média 10.000 pesos chilenos por dia. Também possui quartos individuais, mas não sei o valor. Tem 2 banheiros compartilhados e sempre que usei estavam muito limpos. Tem tb uma cozinha com fogão, geladeira e talheres. Há duas vendinhas ao lado do hostel que dá pra comprar coisas básicas (água, pão, ovos, sucos, etc) e o hostel se encontra a 10min de caminhada do centro. Gostei muito do staff de lá! Um pessoal jovem e muito gente fina.
       
      A principal rua de San Pedro de Atacama se chama “CARACOLES” e a maioria dos bares, restaurantes e agências de turismo estão nela.
      PASSEIOS:
      A primeira coisa que você tem que marcar ao chegar lá é o TOUR ASTRONÔMICO. É um tour de observação do céu que vale muito a pena. Só que ele não sai em dias de lua cheia ou se houver nuvens. Então tente fazê-lo o quanto antes pq se deixar para o final é capaz de não conseguir. 
      Esse tour eu fiz com a agência SPACE (20.000 pesos chilenos) e foi maravilhoso. Como só havia brasileiros no tour o guia explicou tudo em português (muito bom, por sinal).
       Para os demais passeios a agência que escolhi foi a GRADO 10 (www.turismogrado10.com), que fica numa travessa da Caracoles, próximo à praça central.
       
      Como fui em baixa temporada (Março/2017) achei melhor não reservar antes os passeios e deixei pra marcar tudo quando chegasse. E deu certo. Pedi um orçamento antes por e-mail e os passeios que eu fiz ficavam em:
       
      GEYSERS DEL TATIO & POBLADO DE MACHUCA - 45.000 pesos chilenos
      VALLE DE LA LUNA Y MIRADOR DE KARI - 20.000 pesos chilenos
      LAGUNAS ALTIPLÁNICAS & SALAR DE ATACAMA - 50.000 pesos chilenos
      LAG. CEJAR, OJOS DEL SALAR, LAG. TEBENQUICHE - 30.000 pesos chilenos
      TOTAL: 145.000 pesos chilenos

      Lembrando que cada uma dessas atrações tem uma taxa de entrada que é pago na hora (consulte os valores)
      Havia um desconto se comprasse o pacote com os 4 passeios ficava tudo por 110.000 pesos chilenos
       
      Mas quando eu cheguei lá na agência fechei os 4 passeios por 80.000! 
       
      Gostei muito do serviço da GRADO 10! A Inês que me atendeu foi muito simpática e solícita. Os guias também são bem legais e muito informados. Mas eu acho que o diferencial deles é o veículo que nos leva aos passeios. Enquanto a maioria das agências te leva numa van, eles têm um caminhão IRADO e muito confortável. Dá pra até subir em cima dele pra tirar umas fotos e, dependendo do passeio, o motorista dá uma volta com a gente em cima.
      Nos passeios que levam o dia todo a GRADO 10 disponibiliza um café da manhã ou um lanche no final da tarde. O café da manhã é farto, com pão, presunto, queijo, panquecas, chá, café, leite e suco. Dá pra bater um café reforçado que vai te deixar sem fome até a volta do passeio. O lanche do final da tarde é só uns salgadinhos (chips, amendoim, etc) e umas bebidas (suco, água e pisco sour).
      Recomendo levar em todos os passeios ao menos 1,5 litros de água. Pode parecer muito mas o clima de lá é extremamente seco e vc vai precisar beber muita água. Nas vendas da cidade é possível comprar galões de 5 litros, que saem muito mais em conta. Daí é só colocar numa garrafa menor e levar nos passeios.
      ROUPAS
      Como em qualquer deserto do mundo, as temperaturas lá podem variar bastante. Pode fazer muito frio no começo da manhã e durante à noite e muito calor no meio do dia. O ideal é levar uma blusa tipo “fleece” e uma jaqueta corta vento. Aquelas calças que viram bermudas tb são muito boas e confortáveis. Sapato sempre fechado pq o terreno tem muitas pedras e é arenoso (esqueça chinelos, sandálias, papetes, etc). O passeio “Geysers del Tatio” saí muito cedo então faz muito frio. Reforce a vestimenta se for fazer ele - gorros e cachecóis podem ser muito úteis.
      Não esqueça também roupa de banho e toalhas. No passeio da Laguna Cejar é possível nadar na Laguna Tebenquiche, uma experiência única uma vez que devido à quantidade de sal na água é impossível afundar. Vale a pena!
      Protetor solar, boné e óculos de sol são INDISPENSÁVEIS.
      COMIDA e BEBIDA
      Na cidade há vários restaurantes. Comi num dia em um chamado “Delícias del Carmen” e pedi uma chuleta de porco com arroz e salada (8.000 pesos). Veio muito bem servido!
      Outro dia fui a um mais chique, chamado “Adobe”, comi um frango com batatas e salada de champignon (uns 15.000 pesos). Não veio muito bem servido como o anterior, mas o ambiente era bem melhor.
      Para economizar vale a pena comprar comida nas vendas e fazer o rango na cozinha do hostel ou hotel.
      A maioria dos bares vão exigir que você consuma alguma coisa além das bebidas. Isso mesmo! Para conseguir uma mesa você tem que pedir algo pra comer e eles não deixar você sentar sem pedir ao menos uma porção. No entanto há UM bar (esqueci o nome) que é possível apenas beber, sem ter que comer algo. O bar fica na rua Caracoles e tem um monte de bandeiras e camisas de time de futebol penduradas no teto. Não tem como errar.
      CONSIDERAÇÕES FINAIS:
      Aproveite ao máximo seu tempo em San Pedro do Atacama. Se tiver uma manhã ou tarde livres entre um passeio e outro, alugue uma bicicleta e saia para dar uns rolês por volta da cidade.
      Há muitos cachorros, na maioria de grande porte, pela cidade. Mas são todos mansos e não estranhe se eles entrarem nos bares e restaurantes.
      Se tiver sono leve, não esqueça os protetores auriculares. Pq se ficar em algum hostel com quarto compartilhado a “sinfonia” de roncos pode atrapalhar seu sono.
      Bom, acho que é isso! Deixo anexado nesse relado algumas fotos que tirei lá.
      Espero poder ter ajudado!
      Abraços e boa viagem!
      Anselmo
       







    • Por Jonas Silva ForadaTribo
      2020 ano imprevisível. Ficamos a deriva desde fevereiro. Toda a temporada de montanha foi se embora, as viagens minguaram. Precisamos recorrer a destinos não antes planejados.
      Foi assim que topamos com a Ferrovia do Trigo, como descrevi em relato anterior, conseguimos fazer um circuito pelo Campo dos Padres em setembro e cinco dias antes de sairmos para a Serra Geral catarinense, recebemos um convite para fazer o trekking Guaporé Muçum. É claro que já havíamos ouvido falar e lido algum relato, mas não estávamos muito iterados sobre. Não gosto de perder oportunidades, então, após uma lida rápida em um relato e olhadela no wikiloc aceitei a proposta. O trekking não tem muito segredo é autoguiado, e a logística também é tranquila.
      Chegando ao Início
      De Urubici descemos por Lages, Vacaria até Muçum. A viagem já foi um charme, depois de Vacaria, entrei em uma área  de vinhedos e colonização italiana (Ipê, Antônio Prado, Nova Prata etc.) com muitas capelas, colinas e construções majestosas. Acredito que faça parte de alguma rota turística, mas como não conheço muito do RS né. Resumindo, estou pensando em voltar para lá fazer um tour bem longo.

      Saímos em Guaporé e fomos dormir em Muçum, no Hotel Marchetti, talvez seja o único da cidade. Fizemos um acordo com o proprietário que permitiu deixarmos o carro por ali, sob supervisão dele. E diga se de passagem o rapaz foi nota mil, além de zelar pelos carros, o hotel é fantástico, dá show em muito Ibis por aí. Excelente atendimento, limpeza impecável e o café da manhã top.
      No dia seguinte pegamos o ônibus suicida para Guaporé. A viagem foi uma história. Começou quando perdi a passagem, e tive de entrar no ônibus sem ela, ainda bem que o motorista não encrencou. Durante o trajeto nos contou muitas de suas peripécias, quando dirigia carretas, vários golpes em danceterias e restaurantes (talvez ele estivesse achando que eu estava dando o balão na passagem). De repente, a 90 km/h ele vira para a esquerda num portal dentro do vale, o coração quase sai pela boca. A conversa acabou até Guaporé (acabou o fôlego ou rezávamos para que não houvesse outro drift). Descemos na entrada de Guaporé, e a poucos metros já podíamos ver os trilhos.
      A Trilha
      Começamos a trilha, meio desconfiados com alguns carros de fiscalização parados ali na estação. Mas logo estávamos todos no ritmo dos dormentes. Os primeiros 6 km são monótonos, os passos ainda teimam em ser descompassados (é cada bicuda no trilho/dormente). Então começam os viadutos, e a direita o vale começa se exibir.

      Lá pelo terceiro/quarto viaduto já é possível ver o majestoso Rio Guaporé a bailar no vale. Surgem os primeiros túneis. Uns curtos, outros alongados, mas nada muito incrível. Topamos com a equipe de manutenção logo cedo, foi o teste que precisamos para ter certeza que não seríamos proibidos de passar por ali, afinal andar nos trilhos não é tão "legal" assim. Batemos um papo, tudo ok, seguimos.
      Já eram 14:00 quando chegamos no primeiro grande viaduto, vazado, muito alto e comprido. Cautelosamente passamos. Só fomos saber no dia seguinte que era o Mula-preta.

      Ali do lado tinha um sinal de acampamento, mas como era cedo e os destroços indicava fluxo de pessoas considerável, resolvemos seguir. Pouco tempo depois entramos num túnel infinito. Foram 40 min no meio do breu. Apenas os pontos de luz das lanternas indicava a existência de vida naquele buraco. Saímos do túnel de 2000 m já num local ideal para o pernoite. Uma estrada de caça ao lado da ferrovia, com sinal de acampamento, a poucos metros de um córrego de água limpa. Armamos as barracas, e só fomos acordados às 02:45 quando o gigante de aço rasgou a escuridão com seus olhos de fogo e silvo de dragão.
      No dia dois, começamos a caminhada era idos 07:00. Mais alguns túneis e chegamos no Viaduto Pesseguinho (esse possui placa de identificação), de posse dessa informação já suspeitamos que aquele do dia anterior era o Mula-preta.

      Quando estávamos parados para tirar algumas fotos e recuperar o fôlego fomos surpreendidos por um senhor vestidos de militar. A abordagem foi bem categórica:
      - Os senhores sabem que é proibido andar nos trilhos? - Indagou o militar.
      - Sim senhor, está escrito em letras garrafais na placa ali da entrada do viaduto. - Respondo em tom bagual, hshs.
      - Então o que fazem aí em cima? - Retrucou o homem.
      - Estamos a fazer a travessia. - Mudei o tom, para não criar problemas.
      Logo de início tinha percebido que o 'militar' era proprietário do camping ali embaixo. Ele frustrado com o movimento veio desabafar. Tentou aplicar um sermão, falando que a polícia estava prendendo e que haviam câmeras na entrada, saída e no camping dele, que iria passar para a polícia e estaríamos encrencados. Ouvi pacientemente. Ele acalmou e depois esclareceu algumas dúvidas, contou alguns acontecimentos da travessia recentes, passamos quase 1h conversando (no final do dia fomo saber que esse proprietário costuma causar alguns problemas por ali, inclusive já foi preso por abordar trekkers armado).
      Passado essa lorota seguimos. Atravessando viadutos, mergulhando em túneis, eles estão por toda a parte. O Rio Guaporé a cada curva é mais bonito.

      Depois de passar pela Cachoeira da Garganta com muita gente, na altura dos 35 km paramos para almoçar. Como o maps.ME indica um cachoeira ali perto, não tive dúvidas, achei uma trilha e fui procurá-la com um dos parceiro. Andamos 2 km morro adentro até sair nas margens do Guaporé, lindo de águas turquesas. Mas nada da cachoeira, o pequeno resquício de água nem chegava no Guaporé. Desistimos de fazer a incursão pelo leito seco até a base da queda.


      De volta aos trilhos, passamos mais um viaduto e na entrada do seguinte, saindo para à esquerda tem uma cascata. Paramos para reabastecer e curtir um pouco.
      Cruzamos mais um túnel longo, com uma seção vazada, para sair no viaduto V13. Ao longo desse dia tínhamos passado por mais dois tuneis de aproximadamente 1km cada. No V13 dei razão para o milico, algumas centenas de pessoas desfilavam sobre os trilhos e dentro do túnel, tinham crianças, pessoas de mobilidade reduzida, bêbados, drogados, pessoas com caixas de bebidas e caixas de som, uma verdadeira zona. Imagina o perigo se o guarda trilhos ou até mesmo o trem se aproxima (há relatos recentes de situações bastante tensas envolvendo trens e pessoas irresponsáveis nos pontos de acesso fácil ao longo da travessia).
      .
      Nesse dia nós descemos os 1200 m até a base do V13 para dormir em um camping (Paraíso V13). Diga-se de passagem fomos muito bem recebidos, ate travesseiro teve gente que emprestou dos proprietários. No camping, além da área coberta para a barraca (acertamos em cheio) tem uma cachoeira nos fundos muito legal que vale a visita.

      Nosso terceiro dia amanheceu debaixo de água. Desmontamos o equipamento, cobrimos com capa de chuva e seguimos morro acima. A chuva não deu trégua. Era tanta água que não se podia ver de uma ponta a outra do V13.

      Com todo cuidado do mundo, os dormentes agora estavam liso, seguimos caminhando. Mais uma série de túneis, todos curtos. Outra série de viadutos, nenhum vazado. A paisagem estava perfeita, a umidade deixa as cores mais intensas, das encostas despencavam dezenas de cachoeiras sazonais, fruto da chuva impiedosa.
      Não demorou muito para se formarem grandes alagados nas margens do trilhos. Local para descanso e refeição somente dentro dos túneis quando não estavam alagados. Em um deles, paramos e de repente um ronco ensurdecedor entrou na escuridão, luzes seguiam nosso sentido contrário. Paramos no recuo, coração na mão, uma das luzes (tive a impressão) saiu dos trilho e veio pra cima, foram longos segundos, um filme passou na cabeça, pensei em tudo que perderia, quando então, a luz vira novamente para o outro lado e escuto gritos e buzinas. Eram duas motos de trilha. Não sabia eu se chorava, xingava ou agradecia.
      Adiante em outro túnel estávamos almoçando quando o limpa trilhos passou, fui uma correria só para as áreas de escape, não gosto de arriscar a canaleta, vi nesse ano um vagão (na serra do cadeado) arrastando um pedaço de madeira por dentro da canaleta.
      Seguimos adiante, o relevo muda, passamos por alguns cortes de rocha imponentes. E no último grande viaduto ainda avistamos um bando de macacos pretos (não consegui identificar a espécie), estavam todos agitados nas copas das árvores.

      A caminhada voltou a ficar monótona nos últimos 6 km. Apenas grandes poças de água, o Guaporé some no meio da vegetação e a única surpresa foi a reformada estação ferroviária de muçum. Muita gente termina por aí, chamando um táxi ou seguindo pelo asfalto.

      Nós optamos por caminhar pelos trilhos até o centro de Muçum, descendo logo depois do primeiro viaduto sobre a rodovia. No total foram 60 km, 22 túneis e 16 viadutos.
      Depois de um banho merecido, melhor de se secar, o banho já havia sido o dia todo, fomos fazer o desjejum na lanchonete principal da praça de Muçum para no dia seguinte retornar às terras paranaenses.
      No Youtube coloquei um vídeo que mostra um pouco mais do trajeto, https://youtu.be/-Odmah6b8rU
       
      Dados que podem interessar
      A ferrovia EF491 também conhecida como ferrovia do Trigo percorre entre os municípios de Roca Sales e Passo Fundo. Comercialmente pouco explorada, hoje serve apenas para transporte de combustíveis por escassas locomotivas, e a partir de 2020 passou a receber uma rota turística. Entre os municípios de Muçum e Guaporé, que engloba também Vespasiano Correa e Dois Lageados a estrada acompanha o Rio Guaporé, percorrendo uma série de túneis, vales e encostas. Nesse pequeno trecho de pouco mais de 60 km se concentram 22 túneis dos 34 da ferrovia e 16 viadutos dos 26.
      As principais atrações do trecho, que podem ser acessadas durante a travessia ou em caminhadas curtas ou ainda chegando de carro pelas estradas de manutenção da ferrovia, são:  
      Viaduto Mula-preta em Guaporé, possui 94 metros de altura, 360m de extensão e dormentes vazados, um desafio para quem tem ou não medo de altura; Viaduto Pesseguinho, também vazado, possui mais de 80m de altura e 368 de comprimento; Viaduto V13 com 143m de altura é o mais alto viaduto das Américas; Cascata da Garganta adaptação da engenharia onde um riacho mergulha para dentro da terra em uma cachoeira que flui abaixo dos trilhos. Está situada entre os viadutos Pesseguinho e V13; Túnel de 2km perfuração dentro do morro que percorres 2000 m entre os viadutos Mula-preta e Pesseguinho; Túnel vazado com cerca de 1300 m está na chegada do V13. A 300 m da entrada dele estão algumas aberturas (janelões) de frente para o vale do Rio Guaporé; Cascatinha ao lado da entrada do terceiro túnel segundo túnel depois da Garganta (sentido Guaporé Muçum), de águas límpidas e queda macia ideal para descanso; Cascata Bem Estar situada anexa ao Pesseguinho é acessível a partir do camping na base desse viaduto; Rio Guaporé visível em mais de metade da travessia. Um dos locais de acesso à suas margens fica entre o terceiro e quarto túneis a partir do V13. Existem ainda muitos outros locais interessantes para se visitar pela região, cascatas, rochas, vales e passeios. Só pegar a mochila estudar os roteiros e se jogar.
    • Por Camila Rubira
      Foram 15 dias de viagem pela terra dos nossos hermanos, Argentina e Chile passando pelo agito de Buenos Aires, pelas belezas naturais de Bariloche, pelas manifestações de Santiago e pelas paisagens indescritíveis de San Pedro do Atacama. Neste relato partilhamos alguns detalhes e passeios que realizamos nesta trip. (Quem se interessar compartilharmos com Mochileiros.com um relato da nossa viagem pela Europa https://www.mochileiros.com/topic/80418-colecionando-bandeirinhas-gaúchos-na-europa-portugal-espanha-frança-bélgica-holanda-alemanha-e-suíça/
       
      RESUMO DA VIAGEM
      Data
      Local
      Data
      Local
      01/12/19
      Rio Grande, Porto Alegre - Brasil/ Buenos Aires - Argentina
      09/12/19
      Santiago - Chile
      02/12/19
      Buenos Aires - Argentina
      10/12/19
      Santiago - Chile
      03/12/19
      Buenos Aires - Argentina
      11/12/19
      San Pedro do Atacama - Chile
      04/12/19
      Bariloche - Argentina
      12/12/19
      San Pedro do Atacama - Chile
      05/12/19
      Bariloche - Argentina
      13/12/19
      San Pedro do Atacama - Chile
      06/12/19
      Bariloche - Argentina
      14/12/19
      Santiago  - Chile
      07/12/19
      Buenos Aires - Argentina
      15/12/19
      Santiago - Chile/ Buenos Aires - Argentina/ Porto Alegre, Rio Grande/ Brasil
      08/12/19
      Santiago - Chile
      -
      -
       
      SAINDO DO RIO GRANDE DO SUL 
      Iniciamos nossa trip no dia 01 de dezembro de 2019 partindo da cidade do Rio Grande situada no estado do Rio Grande do Sul, extremo Sul do Brasil, percorrendo 369 Km de ônibus rumo a capital Porto Alegre. Em Porto Alegre iniciamos nossa trip internacional embarcando no voo da companhia área Aerolíneas, sobrevoando cerca de 849 Km com duração de 1 hora e 35 minutos até chegarmos ao destino de Buenos Aires, Argentina.
      CONHECENDO BUENOS AIRES 🇦🇷 
      Apesar de Buenos Aires estar situada a 1051 Km da nossa cidade (Rio Grande) foi a primeira vez que a visitamos. A capital porteña é também conhecida como a Paris da América do Sul, por ser uma das cidades com arquitetura e hábitos mais semelhantes aos trazidos pelos colonizadores europeus, além de ser considera uma cidade com alto custo de vida. Particularmente nós achamos a cidade bem mais econômica que as cidades do Chile. O idioma falado é o espanhol (super entendível) e a moeda (la plata) é o peso argentino. Nós ficamos hospedados em Buenos Aires em dois bairros diferentes, na primeira parte da viagem nossa residência foi na Villa Crespo próximo ao Palermo, já na segunda parte em La Boca. Nos dois bairros tivemos ótimas estádias e anfitriões. La Boca é um bairro periférico às margens do arroio Riachuelo que nos encantou pelas suas casas coloridas da Calle Caminito, pelos espetáculos de tango na rua e exposições de artesanato. Em La Boca também visitamos o estádio La Bombonera, famoso pelo seu formato semelhante a uma caixa de bombons. Já a Villa Crespo foi nosso preferido, especialmente, pelas áreas de lazer, parques e praças ao lar livre e os bares ao redor da Plazoleta Julio Cortazar.
      Lembrando que nós gostamos de explorar os lugares caminhando e tomando o nosso companheiro de viagem “chimarrão”, então todos os lugares que visitamos nesta cidade foram através do nosso melhor transporte “a pé”. Para quem quer assistir a um espetáculo de tango de forma gratuita a Plaza Dorrego no bairro San Telmo é o canal, o local ainda conta com diversos artísticas expondo seus trabalhos. A poucos metros da praça também está situado o Mercado San Telmo com diversas lancheirias. Além desses locais também visitamos o Obelisco e a Plaza Mayo onde estão concentrados alguns prédios históricos como a Casa Rosada, o Cabilto, o Banco de la Nación, o Palácio del Congreso e a Catedral Metropolitana. Na Recoleta visitamos a Floralis Genérica, situada na Plaza de las Naciones Unidas. Também realizamos um passeio um tanto quanto exótico no Cemitério de La Recoleta onde está localizado o tumulo de personalidades como da Eva Duarte de Perón e do casal cujo busto está posicionado um de costas para o outro devido a uma desavença entre os cônjuges. Para quem gosta do contato com a natureza, o pé no chão, ouvir os pássaros, praticar atividades ao ar livre e fazer um piquenique o Parque Centenário no Caballito é perfeito.
      Dentre os badalados locais que os porteños curtem a noite, vale uma caminhada pelo Puerto Madero conhecido pelos seus bares e pela Puente de la Mujer. Falando em curtir a noite, vai algumas dicas de delícias culinárias para serem apreciadas. A primeira delas é “La casa del dulce de leche”, lá você pode degustar diversos sabores do doce até escolher um para chamar de seu ou até enjoar de tanto experimentar. Também não dá para ir a Buenos Aires e deixar de provar o famoso choripan acompanhado com o chopp no “Chori”, tão recomendado pelo Somebody Feed Phil (assistam na Netiflix ele dá várias dicas de delícias para se comer ao redor do mundo). O Chori fica situado no bairro Palermo, o que dá para de quebra tirar umas fotos tri legais em alguns dos inúmeros grafites que colorem as ruas do bairro. Outra pedida é comer uma fugazzetta no restaurante Caracol próximo ao Mercado San Telmo, assim como uma medialuna e croissant em qualquer confeitaria ou cafeteria do Retiro. Já ia esquecendo de mencionar os alfajores Havana, ótima alternativa para dar aquela "energia" que só o chocolate nos proporciona. 
          
          
            
      SURPREENDIDOS POR BARILOCHE 🇦🇷
      A estrela desta trip foi sem dúvida San Carlos de Bariloche, um dos destinos preferidos dos brasileiros na Patagônia Argentina. Chegando em Bariloche alugamos um Nissan Versa, que facilitou nosso transporte do Aeroporto Internacional Teniente Luis Candelaria até a cidade que fica cerca de 15 Km. Além disso, nos permitiu autonomia para fazer passeios em distâncias que levaríamos dias caminhando. Em Bariloche ficamos em uma cabana localizada em Posada del Camino em El Condor Dina Huapi. Essa era um verdadeiro luxo, situada em um local mais afastado da cidade, com uma vista da janela para uma montanha que era de tirar o fôlego, além de ser climatizada e com banheiro e cozinha privativos.
      Depois de nos instalarmos, preparamos uns comes e bebes e fomos para o nosso primeiro passeio, o circuito Chico. A rota desse circuito é repleta de lagos, montanhas, rios e mirantes, vale a pena visitar o local seja de automóvel, de bike ou caminhando como muitos mochileiros fazem. Nós ficamos tentados em realizar o trajeto de bike, mas como queríamos explorar outros lugares no mesmo dia, acabamos deixando para uma próxima oportunidade. Não somos fãs de pontos turísticos clichês, então em uma rápida caminhada pelo Centro Cívico de Bariloche passamos pelo Lago Nahuel Huapi que é visto por toda a cidade, pelo centro turístico, pela Diocese Bariloche, pelo comércio local com os seus encantadores chalés de madeira e pedra e pelo Museu Francisco P. da Patagônia, onde está situada a estátua em homenagem aos cães da raça São Bernardo, a qual é famosa pela capacidade de enfrentar a neve e os perigos dos Alpes. Mas o que nos encantou mesmo nesta cidade foi a vista do azul dos lagos que se mistura com branco dos alpes, com o azul do céu e com o verde da vegetação.
      A vantagem de ir de carro foi percorrer as paisagens que levam ao caminho dos 7 lagos (Espejo Chico, Correntoso, Escondido, Falkner, Villarino, Machónico, Lácar). Nós conhecemos os três primeiros lagos e decidimos parar na Playa do Lago Correntoso. A sorte de visitar a cidade no verão é que podemos nos banhar no azul do lago e nos deslumbrar com a imagem da neve ao fundo. Confesso que água não era das mais quentes, mas aquela cor azul nos convidava para um mergulho. Também subimos o Cerro Otto onde está situada a Confeitaria Giratória e o Teleférico. O caminho para este lugar é incrível enquanto você vai admirando a vista dos alpes e da cidade é tomado pela adrenalina de subir 1.405 metros de altitude. Outra pedida para os amantes de aventura na natureza é fazer a trilha da Cascata de los Duendes, assim como, aproveitar a prática de esportes náuticos na Playa Centenáro e na Playa las Bombas.
      Em Bariloche nossas refeições foram todas feitas na própria cabana, dentro do carro ou em um piquenique ao ar livre com a vista de um lago e uma montanha ao fundo. Dentre as nossas comidas preferidas estão as empanadas argentinas, e de sobremesa os alfajores e doce de leite. Apesar de sermos amantes de cerveja artesanal, também somos abertos a experimentar as cervejas locais Patagônia e Quilmes.
        
        
      MOMENTO HISTÓRICO EM MEIO AS MANIFESTAÇÕES EM SANTIAGO 🇨🇱
      Os protestos em Santiago, capital do Chile, se intensificaram em outubro de 2019 devido a revolta dos cidadãos contra a crise econômica que o país vinha enfrentando e o autoritarismo do governo. Aqui no Brasil não tínhamos noção da dimensão dos problemas que o país vinha enfrentando e não imaginávamos que os manifestos perdurariam até a data da nossa viajem. Enfim, chegando em Santiago é que tomamos conhecimento de todos os acontecimentos e de como a população vinha sofrendo com os abusos do governo (não muito diferente do que temos vivido no Brasil nestes últimos anos). Presenciamos alguns confrontos entre os manifestantes e os carabineiros, como é chamada a polícia local. Infelizmente vimos uma Santiago com diversas praças, prédios e monumentos históricos depredados, com uma população desolada com as injustiças sociais e em luto pelas mortes provenientes dos confrontos. Por outro lado, também vimos algumas manifestações pacificas, como o manifesto feminista contra os abusos e a violência sofridas pelas mulheres. Foi lindo ver tantas pessoas lutando por uma sociedade mais justa, humana e igualitária, sem violência e com seus direitos reconhecidos. 
      Apesar de não encontramos uma Santiago organizada como era de costume, nossa experiência não foi menos significativa, pois entendemos que o fato de estarmos naquele tempo e lugar nos tornou parte daquela história. Ficamos hospedados na primeira parte da viagem na Região Metropolitana e na segunda parte em Cristóban Colon la Condes. Nossa estádia em ambos os bairros foi tranquila, mas era notável que o segundo bairro era bem mais elitizado, com prédios, casas e shopping luxuosos.  
      Devido as manifestações achamos mais prudente não alugar um carro, pois diariamente as vias eram fechadas e alguns automóveis incendiados. Dessa forma, nossos passeios foram basicamente caminhando. Em decorrência das manifestações fomos recomendados pelos nossos anfitriões a não andar nas ruas após 17 horas e evitar passar na Praça Itália. Mas por descuido nosso em um dos passeios ao Sky Costanera, prédio com 300 metros de altura que possibilita uma vista de 360° da Cidade, passamos nesta praça justamente no momento em que estava acontecendo uma manifestação. O registro desse momento ficou só em nossa memória, achamos que não era adequado pararmos em meio a manifestação para fotografarmos de um lado o cordão de isolamento feito pelo carabineiros e pelos tanques militares, e de outro os milhares de manifestantes mascarados que se estendiam por diversos quarteirões. Para nossa sorte não tivemos nenhum problema e conseguimos chegar ao nosso destino em segurança.
      Nem só de manifestações foi feita nossa viajem por Santiago, também passamos por alguns lugares icônicos como Cerro San Cristóban, Templo Bahá'í de Sudamérica e o famoso Cajón del Maipo. Como não estávamos de carro, fechamos o passeio de Cajón del Maipo com uma agência de turismo, cujo atendente era um baiano e o motorista da van e o guia uns chileno gente boa. A opção pelo transporte com a agência foi a melhor ideia, pois a estrada até o Cajón é de chão batido e durante o caminho aconteceram alguns deslizamentos de pedras. Esses deslizamentos são recorrentes na região, mas com o conhecimento sobre o trajeto do nosso motorista que sabia o momento exato de parar a van ou desviar a tempo, a viagem discorreu tranquilamente. O passeio com a agência engloba paradas: em um restaurante chamado Cumbres del Maipo, onde tem vários animais como lhama, alpaca, vicunha, guanaco, entre outros; no Tunel Ferroviario del Tinoco; na Animita de Willy Rojas; nas Termas Valle de Colina com um piquenique com frios e vinho chileno. Até o período de julho de 2019 o passeio incluía também o Embalse El Yeso, mas devido a um acidente trágico com uma família de brasileiros, justamente devido a um deslizamento de pedras neste local, a visita até lá está suspensa por tempo indeterminado.
      Vamos falar sobre algumas comidas que experimentamos em Santiago. Experimentamos mais de uma vez o completo com palta, é uma espécie de cachorro-quente com abacate, para os chilenos o abacate é considerado um alimento que acompanha as diversas refeições. Também provamos o pastel de choclo, que no caso não tem nada a ver com um pastel que estamos acostumados. Isso porque o pastel em espanhol quer dizer bolo ou torta, e choclo significa milho, logo pastel de choclo é uma espécie de bolo de milho recheado com carne moída e outros ingredientes. A diferença de idioma tem destas peças. Outro prato que comemos foi hambúrguer de salmão, para quem não sabe o salmão que comemos no Brasil tem quase sua totalidade de origem no Chile. Além disso, também apreciamos algumas cervejas como Kunstmann, Austral e Royal Guard.

        
            
           
       
      O ATACAMA E SUAS PAISAGENS INDESCRITÍVEIS 🇨🇱
      A segunda estrela da viagem foi San Pedro do Atacama, considerado o deserto mais árido do mundo. Para chegar ao Atacama nós descemos no Aeroporto Internacional El Loa que fica em Calama a 101 Km do centro de San Pedro do Atacama e alugamos um carro pela Sixt Rent a Car. A dica é reservar com antecedência, pois além de melhores tarifas você não corre o risco de chegar lá e não ter nenhum carro disponível, como quase aconteceu conosco.
      O carro que nós alugamos foi um Gol que deu conta de nos levar pelas estradas desérticas mais lindas da América do Sul. A cidade é uma graça, com ruas de terra e casas de adobe. Caminhando nós conhecemos o centro da cidade que é formada basicamente por seis quarteirões sendo a rua principal a Caracoles. No centro nós conhecemos a Igreja de San Pedro de Atacama, Plaza San Pedro de Atacama, mercados, restaurantes e lojas com artesanato local. Para quem quer fazer umas comprinhas de lhamas, tecidos coloridos e balas ou folhas de coca o local certo é a Paseo Artesanal, uma rua coberta de palha na qual os expositores colocam a sua arte a venda.
      Estar de carro pelo Atacama nos possibilitou realizar diversos passeios sem precisar de agência de turismo. Nós pudemos nos encantar pelo azul das lagoas escondidas de Baltinache, ao todo são sete lagunas cada uma com um tom diferente de azul, sendo que em duas dessas (a primeira e a última) é permitido o banho. Apesar da água não ser das mais quentes, a experiência de flutuar nessas lagunas de sal é incrível. Para compensar o frio nós visitamos as Termas de Puritama, cerca 30 Km de distância da área central de San Pedro do Atacama. Composta por oito piscinas naturais que variam de temperatura entre 28°C e 35°C. Também vale um passeio pelo Valle de la Luna para prestigiar um digno sunset no deserto. A cidade vive do e para o turismo, então a entrada em todos estes passeios são pagos.
      A alimentação no Chile, especialmente, no Atacama não é das mais baratas, porém a comida é bem deliciosa. Alguns restaurantes servem prato do dia com entrada, prato principal e sobremesa com valor acessível, como o restaurante Ayullu. Vale também uma passada na heladeria Babalu para tomar um sorvete de folhas de coca ou quinoa, dois sabores caraterísticos da região. Por falar em quinoa diversos pratos levam este cereal, como o quinoto (risoto de quinoa) e o ceviche de quinoa, dentre outros. Para não esquecer, também vale comer a patasca, prato típico andino, que consiste em um caldo com trigo ou milho, temperos e carne.
         
       
          
                
       
      Sobre os transportes
      Nesta trip nós utilizamos basicamente quatro tipos de transporte avião, Uber, carro alugado e a caminhada. No trajeto de avião nós compramos um pacote multidestinos de ida e volta entre Porto Alegre, Buenos Aires e Santiago pela Aerolíneas. A Aerolíneas é uma empresa área Argentina, que oferece um serviço básico com lanche que inclui uma barrinha de cereal, mix de oleaginosas e um café, chá e/ou água. Também compramos as passagens domésticas entre Buenos Aires e Bariloche e entre Santiago e San Pedro do Atacama ambas pela Jetsmart. Essa é uma empresa do tipo low cost que apesar de não oferecer nenhum um lanche, compensa pelos valores de voos baixíssimos. Nas cidades de Buenos Aires e Santiago nós utilizamos o Uber para fazer os deslocamentos entre os aeroportos e os locais de nossas estádias. Na Argentina apesar do Uber ser liberado existem muitos motoristas irregulares, já no Chile o Uber não é legalizado o que implica em alguns fatores como a solicitação e o embarque em pontos específicos da cidade e o pagamento, muitas vezes, exigido em dinheiro. Já em Bariloche e em San Pedro do Atacama nós alugamos carros. No primeiro destino um Nissan Versa e no segundo um Gol, ambos deram conta de subir os cerros ou percorrer as estradas de chão no deserto. Nestas quatro cidades sempre que possível utilizamos o nosso transporte favorito, a caminhada sempre com o nosso velho amigo o chimarrão.
         
       
            
                   
      Documentação
      Além dos passaportes, da carteira internacional de vacinação, da Carteira Nacional de Habilitação e da Permissão Internacional para Dirigir, ainda montamos um dossiê com a cópia de todos documentos: seguro viagem contratado com a empresa Allianz, hospedagens reservadas no airbnb e no booking, comprovantes financeiros, cópia da reserva da passagem de volta para Brasil e comprovantes de residência no Brasil. Nos países da América do Sul os brasileiros podem viajar apenas com o documento de identidade, lembrando que a Carteira Nacional de Habilitação não substitui a identidade em viagens internacionais.
      Moeda
      Nós realizamos o câmbio nos próprios países e em apenas duas cidades, o primeiro foi em Buenos Aires trocando o real pelo peso argentino, na Avenida 9 de Julho. No segundo momento trocamos o real pelo peso chileno em Santiago, na Rua Agustinas. Em alguns momentos da viagem optamos por usar o cartão de crédito internacional pela praticidade em não carregar dinheiro espécie. Um perrengue que passamos foi tentar fazer compras nos mercados e o cartão não passar, por sorte descobrimos que o problema era um pedaço do plástico que estava solto e impedia a leitura do chip. Depois de duas tentativas de compras negadas e da descoberta do problema, cortamos o plástico e o cartão voltou a funcionar normalmente. Sabe aquele seu cartão que está velhinho, melhor trocar antes que você fique empenhado.  Esperamos que nosso relato possa contribuir e despertar o espírito mochileiro em outros viajantes!
      Partiu próximo destino?
    • Por Jonas Silva ForadaTribo
      Num dia qualquer eu navegava na rede quando em uma postagem alguém comentou: "que saudade dessa terra, ... avistar o horizonte do Morro dos Ventos". O nome do morro atiçou na hora minha curiosidade, já fiz um insight com "O Morro dos Ventos Uivantes".  Pesquisei sobre qual terra o comentário se referia: era bem próximo de onde moramos. O morro fica em Nova Tebas no Paraná.
      Revirei, na internet, com conhecidos, a fim de localizar as coordenadas do morro, mas encontrei apenas fotos e alguns relatos escassos sobre o lugar. Peguei uma carta topográfica da região a fim de localizar uma montanha imponente onde possivelmente seria o Morro. Fiz anotações, marquei alguns pontos, e decidi ir com a cara e a coragem, se não encontrar acampo em alguma fazenda e no outro dia voltamos.
      Tudo acertado, sairíamos de Águas de Jurema uns 20 Km do distrito de Poema minha referência para encontrar o Morro. Escolhemos fazer o percurso a pé, já que a carta desenhava inúmeros vales e montanhas, queríamos aproveitar a caminhada.
      Curiosamente, no penúltimo dia antes da partida um dos contatos que havia encontrado na internet e pedido informações à semanas já, me deu retorno, e então começou uma corrente de uma pessoa me indicar  outra que poderia saber me orientar a chegar no morro. Depois de passar por 5 indicações diferentes, cheguei ao nome de um morador. Este indicou outro morador que autorizaria a entrada na propriedade, já que, o objetivo fica dentro de uma área de pastagem, e claro não queríamos que lá pelas tantas da noite alguns cães famintos aparecessem.
      Saímos, eu, Bruna e o Anderson às 12:45 de Águas de Jurema, pegamos uma estrada, continuação da Rua H. Seguimos em frente por essa estrada, os primeiros quilômetros foram em estradas comuns - com exceção das laranjas, a cada km tinha uma laranjeira carregada, sempre seguimos à esquerda nos cruzamentos. Após 2 h de caminhada a paisagem começa a deslumbrar, o primeiro vale que avistamos tirava o fôlego.
      Sabíamos que atravessá-lo não seria moleza, apenas queríamos ir por ele e descobrir onde ia dar. Mais algumas horas e cruzamos em meio a duas colinas, num lado da estrada pitorescas moradias - nos causam uma pequena inveja - como queria morar lá.  Assim que contornamos a colina, mais um vale, dessa vez menor, mas não, menos incrível. Neste paramos em uma das casas pedir água - já que recusamos beber um trago, kkk. Dois senhores embriagados dormiam na estrada e quando foram acordados por nós convidaram para participar da bebedeira, kkkk. Na casa uma senhora simpática ofereceu água da bica, pura água da fonte. Sede controlada, cantis cheios, pegamos mais algumas mexericas na beira da estrada e partimos, já se iam quase 3 h na estrada.

      Quando chegamos em Poema já se passavam das 16:30, mais água e seguimos rumo a uma região conhecida como 400 alqueires, mais vales traçavam linhas tênues no horizonte. O sol já se ia, mais 1 h na estrada e avistamos a igreja uma referência que tínhamos. Levamos mais 40 min para contornar a colina e então chegarmos na casa que nos autorizaria entrar no Morro. O morador nos forneceu autorização e disse que poderíamos dormir ali, e apontou do outro lado da estrada um morro, que parecia modesto, visto tão de perto. Esperávamos um Morro imponente, que necessitasse de escalar e tudo, kkkk. Até ficamos surpresos com a sua modéstia. Após a porteira começamos uma subida de 10 min. Chegamos lá com o breu, vigiados pela lua lá no infinito.
      Fogueira feita, no meio de pedras para não ter perigo, entramos noite adentro contando histórias. Se tem recompensa maior que ouvir as pessoas ao redor de um fogueira, desconheço. Dormimos curiosos pelo visual da manhã seguinte. Confesso que desconfiados do tímido morro onde paramos.

      Foi só bater 5 h, levantei avivar a fogueira, e ... quase esqueço o fogo, fico de queixo caído. Além do vento que cortava a relva, um vale imensurável, com a minha barraca de frente. Fiquei mais tarde sabendo que se chama Vale das Mortes, não sei a origem do nome.

      Não demorou muito até todos acordarem. A foto daquele momento saiu com caras e dentes, e muitos cabelos rebelados.

      Recompensados pelo caminho do dia anterior, mais que recompensados, após apagar a fogueira, 8:00 começamos o caminho de volta. Tiramos uma foto do Morro dos Ventos, visto da estrada, nem parece o que é, só olhando para o Vale das Mortes dá de entender por que tem esse nome místico. Mais 5 h de caminhada, tênis do Anderson rasgado e amarrado com o cordão para não perder a sola, uma parada no Rio Muquilão para relaxar a musculatura e dar descanso para as mochilas. Estávamos nós novamente em Águas de Jurema, com mais uma história, não mais uma, mas a história da jornada ao Morro dos Ventos.



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