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Olá viajante!

Bora viajar?

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Em breve iniciarei o relato da aventura que está acontecendo neste momento.

Estou hoje em Chile Chico, Chile. Seguindo para a Carretera Austral.

Muitos perrengues, problemas da viatura, mas lugares maravilhosos para compensar tudo isso.

Vou tentar fazer um relato com os custos de quase tudo que eu lembrar.

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  • @vitorv para evitar as estradas ruins aqui do BR sugiro sair do BR por Foz do Iguacu ou Dioniosio Cerqueira. Acabei de voltar da carretera austral e fui de VW up, da para fazer a viagem tranquilamente

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18 horas atrás, xexelo disse:

Essa dica tbm me foi passada por um frentista argentino. Ao ver a blitz embaixo do viaduto, liga a seta e sai pela direita para sair depois mais a frente na mesma ruta.

Ainda bem que não aumentou a trinca. Mas vai ser necessário trocar?

Qual foi seu roteiro? Vai rolar relato?

Tive que trocar depois que retornei para casa, o trincado continuou aumentando, pouca coisa, mas não teve jeito. Durante a viagem comprei uma cola para vidro e segurou bem, especialmente onde a pedra atingiu.

Fui até Caleta Olivia, passando por Rivera, Buenos Aires, Mar del Plata, Rio Colorado, Trelew e depois segui para Perito Moreno, Los Antiguos, Puerto Guadal, Coyhaique, Futaleufu, Bariloche e retornei para casa. Vou tentar fazer um relato em breve. 

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9º dia - 02/01/20 - Ushuaia - 200 

Entre estâncias e o fim da Ruta 3

Como estávamos um dia atrasados em relação ao restante do grupo, nossos amigos já tinham feito o passeio pelo Parque Nacional da Terra do Fogo no dia anterior. Tentamos então fazer o famoso passeio de barco pelo canal, mas o tempo estava ruim e provavelmente não aproveitaríamos quase nada da paisagem. Decidimos mudar os planos.

Resolvemos seguir até a Estância Harberton, uma antiga fazenda fundada por um dos primeiros povoadores da região.

Como cada carro estava hospedado em um lugar diferente, combinamos de nos encontrar no portal da cidade de Ushuaia. Reunido o grupo, pegamos novamente a estrada. A estância fica a cerca de 70 km da cidade, num trajeto bonito, margeando o canal de Beagle em alguns trechos.

A entrada custava algo em torno de 25 reais, embora eu não lembre exatamente o valor. Lá fizemos um passeio guiado pelo pequeno museu oceanográfico e também pelas instalações históricas da estância. Confesso que achei um pouco enfadonho. Sempre gostei mais de passeios em meio à natureza do que de visitas a construções ou espaços históricos.

Depois do passeio fomos almoçar no restaurante da própria estância. Entre conversa e risadas, acabamos pedindo duas garrafas de vinho para quatro pessoas. Digamos que nos empolgamos um pouco… 🥴

Após algum tempo esperando a comida baixar e eu me sentir novamente em condições de dirigir, voltamos para a estrada.

Ali nos separamos novamente do restante do grupo. Como eles já tinham visitado o parque, seguiram outro rumo, enquanto nós resolvemos ir até o Parque Nacional da Terra do Fogo.

Dirigimos até o final da Ruta 3, na famosa Bahía Lapataia. Ali ficam as placas e marcos que indicam o término da estrada que começa lá em Buenos Aires. Fizemos as fotos clássicas do lugar, aquelas que todo viajante tira ao chegar ao extremo sul do continente.

Depois seguimos para a trilha da Baliza (Sendero de la Baliza), um caminho curto de cerca de 1,2 km. A caminhada foi tranquila e rápida; em menos de uma hora já tínhamos completado o percurso.

Antes de sair do parque ainda tentamos passar pelo famoso Correio do Fim do Mundo, mas estava fechado naquele momento. Ainda assim conseguimos carimbar nossos passaportes no centro de informações próximo ao embarcadouro, o que já valeu como lembrança da visita.

No final da tarde voltamos para nossa hospedagem e providenciamos uma janta simples por ali mesmo.

Foi também nesse dia que tomamos uma decisão: ficaríamos mais um dia em Ushuaia para conseguir fazer o passeio de barco até a pinguinera, que não tínhamos conseguido no dia anterior por causa do tempo.

Isso significava apenas uma coisa: precisaríamos encontrar uma nova hospedagem para a noite seguinte.

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Editado por Marcelo Manente

  • 2 semanas depois...
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110º dia – 03/01/2020 – Ushuaia

Quilômetros de mar.

A manhã começou preguiçosa em Ushuaia. Sem pressa de estrada, sem despertador exigente. Dormimos até mais tarde, afinal o compromisso do dia só começaria às três da tarde: o passeio de barco pelo Canal de Beagle.

Na véspera havíamos decidido ficar mais um dia na cidade justamente para fazer esse passeio. O problema foi que não conseguimos estender a estadia no apartamento onde estávamos hospedados. Assim, depois de arrumar as coisas e deixar o lugar, fomos para o centro da cidade carregar as mochilas e o tempo.

A manhã passou entre caminhadas pelas ruas de Ushuaia. Lojas de lembranças, artesanato patagônico, camisetas do “fim do mundo”, pequenos objetos que parecem pedir para viajar dentro da mala de quem chega até ali. Compramos algumas recordações e, perto do meio-dia, almoçamos em um restaurante na avenida principal da cidade, com vista para o canal e para as montanhas que cercam aquele pedaço extremo da América do Sul.

Depois do almoço descansamos um pouco e, quando o relógio começou a apontar para a hora marcada, seguimos até o porto. Ali nos aguardava o catamarã que nos levaria para navegar pelo lendário Canal de Beagle.

A tarde estava generosa. Um céu limpo e um sol forte para os padrões patagônicos iluminavam tudo — cenário perfeito para fotos. A primeira parte do trajeto não era novidade para mim, pois eu já havia feito esse passeio na minha primeira viagem a Ushuaia. Ainda assim, rever aquelas paisagens tinha o sabor de reencontro.

Passamos primeiro pela Ilha dos Lobos, onde focas e elefantes-marinhos descansavam sobre as pedras, indiferentes à presença dos turistas. Depois seguimos para a Ilha dos Pássaros, onde colônias de cormorões ocupavam cada espaço possível das rochas. E finalmente chegamos ao famoso farol de Les Éclaireurs, que muitos chamam de “Farol do Fim do Mundo”, erguido solitário entre as águas cinzentas do canal.

Dali em diante começava a parte inédita da viagem para mim.

Seguimos navegando mais ao leste. Ao longe, quase como um desenho no horizonte, era possível avistar a pequena cidade chilena de Puerto Williams — considerada por muitos a verdadeira cidade mais austral do planeta. Ushuaia, com seus mais de sessenta mil habitantes, tem vida urbana vibrante; Puerto Williams, em contraste, abriga pouco mais de dois mil moradores.

Depois de quase uma hora de navegação além do farol, chegamos finalmente à ilha dos pinguins. Centenas deles ocupavam a praia e as encostas baixas da ilha, caminhando desajeitados, mergulhando, gritando entre si naquele barulho característico que mistura curiosidade e caos. As câmeras não paravam: dezenas e dezenas de fotos para tentar capturar um pouco daquele espetáculo.

O catamarã então iniciou o retorno.

Mas a viagem ainda guardava uma surpresa curiosa.

No caminho cruzamos com um pequeno barco de pesca onde dois pescadores trabalhavam. O comandante aproximou o catamarã e começou a conversar com eles. Logo percebemos que estavam pescando os enormes caranguejos da região — as famosas centollas.

Eu estava bem na ponta de um dos cascos do catamarã quando os pescadores se aproximaram em um pequeno bote inflável. Um deles levantou um daqueles gigantes do mar, vivo, segurando-o com habilidade, e pediu que eu o pegasse para entregar a um marinheiro que estava logo atrás de mim com um balde.

Ele me mostrou rapidamente onde segurar para não levar uma pinçada. Peguei a centolla com cuidado e a coloquei no balde. Foi uma sensação curiosa e inesperada — segurar um animal tão grande, pesado e vivo ali no meio do Canal de Beagle. Fiquei eufórico como uma criança.

Depois levaram o crustáceo para o salão interno do barco, onde os passageiros fizeram fila para fotografar o enorme caranguejo.

A viagem seguiu tranquila até o porto. Desembarcamos por volta das 21h30, com a luz longa do verão patagônico ainda desenhando cores suaves no horizonte.

Mas a noite ainda reservava mais um capítulo da aventura: encontrar onde dormir.

Essa parte da história fica para o próximo relato.

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Editado por Marcelo Manente

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11º dia – 04/01/2020 – De Ushuaia a Punta Arenas – 629 km

O perregue de ontem e Voltando ao continente,

Antes de falar da estrada desse dia, preciso contar o pequeno perrengue da noite anterior. Na empolgação do passeio de barco em Ushuaia, cometemos um erro clássico de viajante: não reservamos hospedagem antes de sair. Quando voltamos, já no fim da tarde, começou a saga para encontrar onde dormir.

A primeira tentativa foi num lugar de nome curioso — Descanso Eterno. O nome até parecia promissor, mas o lugar era um verdadeiro muquifo. Demos meia-volta quase imediatamente.

Continuamos procurando até encontrar uma hospedagem chamada Los Coihue. O preço era surpreendentemente baixo: algo em torno de 35 reais por pessoa. Parecia bom demais para ser verdade, mas fizemos a reserva pelo Airbnb e seguimos para lá. As meninas entraram primeiro enquanto eu abria a tampa traseira da caminhonete para tirar as malas.

Quando entrei na pousada percebi que o clima estava longe de ser tranquilo. Havia uma discussão sobre os valores da reserva. A dona, aparentemente de temperamento explosivo, já estava dizendo que seria melhor procurarmos outro lugar porque não iria mais nos hospedar. Pedi calma para entender o que estava acontecendo. Pelo que percebi, ela queria cobrar mais do que o valor que aparecia no aplicativo.

Pedi então que a Rosângela — que já estava mais exaltada — deixasse a conversa comigo. Fui falando com calma, tentando baixar a temperatura da situação. Em determinado momento ela comentou que era brasileira, do Nordeste. Isso ajudou a abrir um pequeno canal de diálogo. Conversamos um pouco mais e, no final, ela aceitou manter o valor que aparecia no aplicativo, mas pediu que pagássemos em dinheiro, em pesos.

Problema aparentemente resolvido.

Depois de nos acomodarmos, pedimos uma pizza, comemos em silêncio de cansaço e fomos dormir. Só mais tarde descobriríamos que a história tinha outra camada: ela não cancelou a reserva no Airbnb como havia prometido e acabou nos cobrando duas vezes — no cartão e em dinheiro. Uma lição aprendida. Definitivamente, não recomendo aquela pousada.

Na manhã seguinte, depois do café, partimos cedo. Nos encontramos com nossos companheiros de viagem no portal de Ushuaia e dali seguimos juntos rumo ao norte, em direção a Punta Arenas.

A viagem foi tranquila e, como de costume naquela região do mundo, repleta de paradas para fotos. Cruzamos novamente a fronteira: saída da Argentina e entrada no Chile, tudo sem grandes complicações. Entre as duas aduanas há um pequeno trecho de cerca de cinco quilômetros de estrada de terra — uma raridade naquela rota, pois do restante do caminho, de Ushuaia até Punta Delgada, predominam o asfalto e alguns trechos em piso de concreto.

Chegando a Punta Delgada, embarcamos mais uma vez no ferry para atravessar o lendário Estreito de Magalhães. A travessia tem sempre algo de simbólico: a sensação de estar cruzando um dos grandes caminhos históricos da navegação mundial.

Do outro lado retomamos a Ruta 255, agora no sentido contrário ao que havíamos percorrido dias antes, seguindo finalmente para Punta Arenas. Ao chegar à cidade começamos a velha rotina de viajante: pesquisar hospedagem. Depois de algumas tentativas encontramos, pelo Booking, um lugar com preço razoável.

Com a noite já avançando, saímos para jantar no restaurante Casa Doña María. A refeição foi excelente — daquelas que recompõem o viajante depois de um longo dia de estrada — embora o preço tenha sido salgado: cerca de 85 reais já com IOF.

Voltamos tarde para a hospedagem. O dia havia sido longo, cheio de estrada, vento patagônico e pequenas histórias que só quem viaja assim acaba colecionando. Dormimos com aquela sensação boa de missão cumprida — e com mais um capítulo da jornada guardado na memória.

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Editado por Marcelo Manente

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Em 12/02/2020 em 14:54, xexelo disse:

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Esta Chevy 3100 é da minha cidade, vão para o Alaska, estou acompanhando eles pelo Facebook. Muito Show. 

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12º dia – 05/01/2020 – De Punta Arenas a Puerto Natales – 248 km

A manhã em Punta Arenas começou sem pressa. Dormimos um pouco mais, tomamos café naquela casa/pousada simples onde estávamos e saímos para um destino curioso para quem está no extremo sul do continente: a zona franca da cidade.

Chegamos por volta das nove da manhã, justamente quando as lojas começavam a abrir as portas. Entramos primeiro em um grande supermercado chamado Sánchez & Sánchez, um daqueles lugares onde se encontra de tudo um pouco. Entre prateleiras e corredores, acabamos comprando algumas lembranças e outras pequenas coisas para a viagem.

Depois seguimos para outra parte do complexo em busca de uma casa de câmbio. Duas estavam abrindo naquele momento. A melhor cotação era a de uma que ficava no piso superior: 185 pesos chilenos por real. Troquei os poucos reais que ainda restavam na carteira — e, olhando em retrospecto, deveria ter trocado mais. Foi a melhor cotação de toda a viagem pelo Chile.

Caminhamos bastante pela zona franca, explorando lojas e corredores até que a fome começou a dar sinais mais claros. Decidimos então ir almoçar no mercado municipal de Punta Arenas, um daqueles lugares onde sempre parece possível encontrar um pouco da alma de uma cidade.

Antes de subir para o restaurante, demos algumas voltas pelas bancas de artesanato. Depois seguimos para o segundo andar, onde havia um grande restaurante. Como já vinha se tornando rotina no Chile, mesmo escolhendo pratos mais simples o valor sempre acabava sendo bem mais alto que na Argentina. Em muitos casos, praticamente o dobro pelo mesmo tipo de refeição.

Terminamos o almoço e finalmente voltamos à estrada, agora rumo a Puerto Natales.

O tempo não ajudava muito. A chuva caía constante ao longo do caminho, mas as rodovias chilenas compensavam qualquer mau humor do clima: bem sinalizadas, asfalto de ótima qualidade, quase perfeitas. Apenas um pequeno trecho estava em obras, nada que realmente atrapalhasse a viagem.

Quando chegamos a Puerto Natales fizemos o que já havia se tornado um ritual da viagem: sair andando pela cidade em busca de hospedagem. Hotel, hostel, pousada, cabaña — qualquer opção que coubesse no orçamento.

A primeira parada foi em um lugar que eu já conhecia. Seis anos antes eu havia me hospedado ali: o Hostel Natales. Havia um quarto coletivo para oito pessoas e um quarto de casal para o André e a esposa. Conversamos sobre preços, tentamos negociar, mas decidimos não fechar imediatamente. Melhor dar uma volta pela cidade e ver se aparecia algo mais barato.

Andamos bastante. Ruas para lá, ruas para cá. Olhamos alguns lugares, mas nada parecia realmente compensar. Muitos tinham preços parecidos e infraestrutura claramente inferior.

Depois de quase uma hora de caminhada voltamos ao Hostel Natales. Sentamos novamente para negociar e, dessa vez, conseguimos baixar um pouco mais o valor. No final, acabou sendo a melhor escolha — melhor estrutura e preço mais honesto que os concorrentes.

Fechamos duas noites de estadia, já que no dia seguinte iríamos visitar um dos grandes objetivos da viagem: o Parque Nacional Torres del Paine.

Mais tarde compramos algumas coisas no mercado e improvisamos o jantar no antigo bar desativado que ficava em frente ao hostel. Não era um restaurante sofisticado, mas tinha algo de perfeito para viajantes: abrigo, comida simples e a expectativa de um grande dia pela frente.

A noite caiu fria sobre Puerto Natales, enquanto o vento patagônico corria pelas ruas da pequena cidade. No dia seguinte nos esperavam as torres de granito mais famosas da Patagônia. E só esse pensamento já fazia a viagem valer cada quilômetro percorrido até ali.

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Editado por Marcelo Manente

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13º dia – 06/01/2020 – Puerto Natales – Parque Torres del Paine – Puerto Natales – 235 km

O maravilhoso parque Torres del Paine.

Acordamos cedo em Puerto Natales. O céu já anunciava que o dia não seria dos mais generosos: muitas nuvens baixas e um vento que parecia atravessar a cidade antes mesmo do sol se impor. Ainda assim, tomamos café rapidamente e seguimos estrada rumo ao grande objetivo do dia: o Parque Nacional Torres del Paine.

A estrada até a portaria de Laguna Amarga corre por paisagens amplas da estepe patagônica. Mesmo com o tempo fechado, aquele território tem algo de grandioso. Mas havia uma frustração inevitável: as nuvens encobriam completamente as famosas torres de granito que dão nome ao parque. Durante todo o dia elas permaneceriam escondidas, como se decidissem manter o mistério.

E o vento… ah, o vento patagônico. Esse não se escondia de forma alguma. Pelo contrário: parecia disputar espaço com a própria paisagem. Em alguns momentos era difícil até caminhar.

Entramos no parque e seguimos devagar pela estrada principal, parando em praticamente todos os mirantes e pontos fotográficos que permitiam uma pausa. Mesmo sob o céu pesado, Torres del Paine impressiona. Lagos de cores intensas, montanhas abruptas, planícies varridas pelo vento — tudo ali parece ter sido desenhado em escala monumental.

Em certo ponto pegamos um desvio à direita para visitar o Salto Grande. Estacionamos o carro e seguimos pela pequena trilha de cerca de 600 metros que leva até as quedas d’água. Mas o vento ali parecia ainda mais feroz. Em alguns momentos tivemos que inclinar o corpo para frente apenas para continuar caminhando. Era como avançar contra uma força invisível.

Ao longo da trilha havia grandes moitas carregadas de calafate, a pequena frutinha negra típica da região. Pegamos algumas para provar. O sabor é suave, levemente lembrando goiaba ou araçá — e existe até uma velha lenda patagônica que diz que quem come calafate sempre retorna à Patagônia.

Seguimos depois até o Lago Grey. Ali decidimos fazer uma pequena trilha até o mirante do glaciar Grey. Eu, Rosângela, Jucélia e Gerson topamos o desafio. A Vera e as mulheres do outro carro preferiram ficar, assim como o André e sua esposa.

A trilha tem cerca de três quilômetros e levamos pouco mais de duas horas para completá-la. O cenário era espetacular: montanhas recortadas, o lago de águas frias e, ao fundo, o glaciar. Mas o caminho também exigiu esforço. Em determinado trecho havia cerca de 600 metros cobertos por seixos redondos soltos. Cada passo parecia escorregar um pouco, exigindo muito das pernas — e o vento continuava a castigar sem piedade.

Mesmo assim, chegar ao mirante e ver o Glaciar Grey ao longe foi uma recompensa silenciosa. Um daqueles momentos em que o corpo cansa, mas a memória agradece.

Depois da caminhada voltamos para o carro e iniciamos o caminho de retorno a Puerto Natales. Na volta optamos por outra estrada, contornando o Lago del Toro e passando próximo da Cueva del Milodón, famosa caverna onde foram encontrados vestígios de um grande animal pré-histórico que habitou a região.

Chegamos relativamente cedo à cidade. Jantamos com tranquilidade e, ainda sob o efeito do vento e das paisagens do dia, fomos dormir.

Torres del Paine havia permanecido escondido nas nuvens — mas mesmo assim nos mostrou o suficiente para lembrar por muito tempo da força bruta da Patagônia.

Editado por Marcelo Manente

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14º dia – 07/01/2020 – De Puerto Natales a El Calafate – 351 km

Deslocamento e mais um perregue.

Depois do vento brutal do dia anterior em Torres del Paine, a manhã nasceu preguiçosa. Dormimos até mais tarde, sem pressa, já que a etapa do dia seria relativamente curta. Saímos do hostel por volta das dez da manhã, deixando para trás Puerto Natales e seguindo em direção à fronteira.

O caminho nos levou até o Paso Dorotea, onde fizemos os trâmites de saída do Chile e entrada na Argentina. Tudo simples, rápido, quase burocraticamente silencioso — carimbos no passaporte, alguns minutos de espera e logo estávamos novamente na estrada.

Seguimos então até a pequena cidade de Río Turbio e, pouco depois, finalmente encontramos uma velha conhecida dos viajantes sul-americanos: a mítica Ruta 40. São mais de cinco mil quilômetros de estrada atravessando a Argentina de ponta a ponta, do extremo sul até quase a fronteira com a Bolívia. Entrar nela sempre dá a sensação de estar participando de algo maior, como se cada quilômetro carregasse histórias de muitos outros viajantes.

Mas, naquele trecho rumo a El Calafate, a Ruta 40 exigia atenção redobrada. Havia muitos buracos no asfalto — alguns grandes o suficiente para causar estragos. Curiosamente, muitos deles podiam ser percebidos de longe por causa das longas marcas de frenagem deixadas por outros motoristas que haviam freado bruscamente antes de cair nas crateras. Nem todos, porém, tinham esse aviso involuntário. Era preciso manter os olhos bem atentos.

Foi nesse trecho que a Ranger voltou a dar sinais de preocupação. A temperatura do motor começou a subir novamente. Eu já estava vigilante com isso e, assim que percebi que o ponteiro começava a se aproximar da zona crítica, encostei o carro antes que entrasse no vermelho.

Pela manhã eu já vinha completando água no reservatório, o que tornava tudo ainda mais estranho. Depois daquele susto, tomei uma decisão: assim que chegássemos a El Calafate, a primeira providência seria encontrar um mecânico.

Completei novamente a água e seguimos viagem.

Chegamos a El Calafate no início da tarde e logo encontramos uma hospedagem com bom preço: o Hostel de las Manos. Depois de nos instalarmos saímos novamente, agora com outro objetivo — reservar o passeio de barco pelos glaciares.

Havia duas opções principais. O passeio Ríos de Hielo, que acontecia apenas em dias alternados, e o Todos Glaciares, realizado diariamente, porém bem mais caro. Este segundo incluía uma parada em frente ao imponente glaciar Spegazzini, onde existe uma estrutura com restaurante panorâmico voltado para as paredes de gelo.

Acabamos escolhendo o Todos Glaciares. Só havia um pequeno detalhe: o passeio do dia seguinte já estava completamente lotado. A primeira vaga disponível seria apenas dois dias depois. Fizemos a reserva assim mesmo — o que significava permanecer um dia a mais em El Calafate. De qualquer forma, com o problema do carro, acabaríamos ficando ali mesmo.

Resolvida a questão do passeio, voltei à outra preocupação do dia: o mecânico. Pedi indicações em um grupo de viajantes do WhatsApp que costumo acompanhar. Rapidamente me recomendaram um profissional bastante conhecido na cidade, muito bem avaliado no aplicativo iOverlander. Combinei com ele de deixar a caminhonete na oficina no dia seguinte pela manhã e buscá-la na manhã posterior, por volta das dez horas.

Com essas duas questões resolvidas — o passeio e o carro — o peso da preocupação finalmente diminuiu.

Saímos então para jantar pela cidade e, depois, voltamos para o hostel. A jornada daquele dia havia sido curta na estrada, mas cheia de pequenas decisões que moldam o rumo de uma viagem.

E El Calafate, com seus lagos glaciais e promessas de gelo eterno, nos aguardava para os próximos capítulos da aventura.

Editado por Marcelo Manente

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