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Olá viajante!

Bora viajar?

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Em breve iniciarei o relato da aventura que está acontecendo neste momento.

Estou hoje em Chile Chico, Chile. Seguindo para a Carretera Austral.

Muitos perrengues, problemas da viatura, mas lugares maravilhosos para compensar tudo isso.

Vou tentar fazer um relato com os custos de quase tudo que eu lembrar.

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15º dia – 08/01/2020 – El Calafate – 50 km

Batendo pernas em El Calafate e um pequeno desencontro.

Depois de tantos quilômetros de estrada e paisagens grandiosas, aquele dia nasceu com outro propósito: simplesmente vadiar por El Calafate. Sem pressa, sem roteiro rígido, apenas caminhando pelas ruas da pequena cidade patagônica que vive à sombra dos grandes gelos do sul.

Passeamos longamente pelo centrinho, entre lojinhas de lembranças e artesanato. O comércio ali parece feito sob medida para viajantes: vitrines cheias de lãs, lembranças do glaciar e camisetas com paisagens do fim do mundo. Em meio a tantas tentações, acabei cedendo a uma delas — uma camiseta por 120 reais. Caríssima, admito. Mas muito bonita. Não resisti 🤪.

Almoçamos sem pressa e continuamos andando pelas ruas tranquilas da cidade. No início da tarde levei a Ranger até uma oficina mecânica. O mecânico, com aquela segurança típica de quem conhece bem o próprio ofício, prometeu o carro para dali dois dias pela manhã. Assim, a caminhonete ficaria na oficina por toda a tarde, o dia seguinte inteiro e ainda a manhã seguinte.

Isso criou um pequeno desafio logístico. No dia em que faríamos o passeio de barco pelas geleiras precisaríamos ir até o porto de embarque — e justamente nesse dia o carro estaria na oficina. Começamos então a procurar alternativas.

A princípio pensamos em ônibus. Mas havia um detalhe complicado: existiam linhas até o embarcadouro e linhas até o glaciar Perito Moreno, porém não havia conexão entre um e outro. Nosso plano era visitar o Perito Moreno logo após o passeio de barco, matando dois coelhos numa só viagem. Sem essa ligação, o ônibus deixava de ser uma opção prática.

Investigamos táxis — caros demais para a distância. Pensamos em carona — pouco confiável. Depois de alguma conversa, eu e o Gerson chegamos à conclusão inevitável: teria que ser um carro alugado.

Tínhamos combinado com a Rosângela e a Jucélia que elas ficariam esperando enquanto verificávamos as opções, para depois decidirmos juntos. Mas, ao voltarmos ao ponto combinado… elas simplesmente não estavam lá. Sumiram. Procuramos em volta, caminhamos por algumas quadras, perguntamos aqui e ali — nada. O fim da tarde começava a cair e a sensação era de que o tempo estava escapando pelos dedos.

Até que finalmente veio a notícia: elas haviam encontrado uma cafeteria com wi-fi e conseguiram mandar mensagem. Nos reunimos ali mesmo, explicamos a situação e elas concordaram com a ideia do carro alugado. Seguimos então até uma locadora, resolvemos a papelada e deixamos o veículo estacionado mais tarde no hostel.

Antes de dormir ainda tivemos outra pequena missão: encontrar hospedagem para mais uma noite. Inicialmente ficaríamos apenas dois dias, mas com o carro na oficina precisaríamos estender a estadia — e o hostel já estava lotado. Depois de alguma busca, encontramos uma casa bem em frente ao próprio hostel, com quartos duplos, banheiro privativo e, para nossa surpresa, mais barata.

Problema resolvido.

Fomos dormir cedo. O dia seguinte começaria antes do sol, e o porto de embarque ficava distante. Precisaríamos estar lá às oito da manhã, prontos para seguir rumo às geleiras — aqueles gigantes de gelo que fazem El Calafate existir.

Editado por Marcelo Manente

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16º dia – 09/01/2020 – El Calafate – Glaciares do Lago Argentino – Perito Moreno – 160 km

O dia dos glaciares.

O dia começou cedo em El Calafate. Ainda com o frio da manhã patagônica no ar, nos preparamos para um dos passeios mais aguardados da região: a navegação pelos glaciares do Lago Argentino, no roteiro chamado Todo Glaciares.

Pegamos o carro alugado em frente à pousada — um Corsa Classic sedã — e seguimos em direção ao Puerto Bandera, de onde partem os barcos para o passeio. Eu estava um pouco cansado e deixei o Gerson ao volante. Mal sabíamos que aquela decisão acabaria sendo providencial: o carro estava com a suspensão completamente comprometida. Acima de 90 km/h ele começava a balançar de um jeito que dava certa apreensão.

Mesmo assim seguimos com calma, ainda mais porque o famoso vento patagônico já soprava forte naquela manhã ensolarada.

Chegamos cedo ao porto e ficamos aguardando na entrada, praticamente os segundos da fila. Quando finalmente abriram o acesso seguimos até o nosso barco, que levava um nome curioso: Quo Vadis.

A navegação começou tranquila. No início o passeio é relativamente monótono — o barco corta as águas largas do lago sem grandes atrações imediatas. Mas tudo muda quando se chega a um estreitamento do Lago Argentino. Ali começam a aparecer os primeiros témpanos, enormes icebergs que se desprenderam das geleiras e agora flutuam silenciosamente nas águas geladas.

Nesse momento começou a disputa pelos melhores lugares para fotografar. Mesmo com o frio cortante, dezenas de passageiros permaneceram no convés tentando registrar aquelas esculturas de gelo moldadas pelo tempo.

Depois de um bom trecho navegando, chegamos a uma distância aproximada de dez quilômetros do Glaciar Upsala. É uma visão um pouco frustrante para quem imagina chegar perto da parede de gelo — na prática ela aparece apenas ao longe, quase como um horizonte branco. Quem não tem uma câmera com bom zoom praticamente não consegue apreciar os detalhes. No meu caso, com uma lente de zoom óptico 50x (e até 200x no digital), ainda consegui algumas fotos, embora nada realmente impressionante.

Seguimos então rumo ao segundo grande destino do passeio: o Glaciar Spegazzini. Para alcançá-lo o barco entra em um fiorde cercado por pequenas geleiras e montanhas. O cenário é belíssimo, mas naquele momento o tempo começou a fechar e as nuvens acabaram suavizando um pouco o brilho da paisagem.

Antes de chegar à frente do glaciar, o barco atracou em uma nova estrutura turística construída ali. Há um pequeno porto, passarelas e um centro de visitantes com um grande restaurante panorâmico. Caminhamos cerca de quinhentos metros pelas passarelas, lendo alguns painéis explicativos sobre os glaciares da região, até chegar ao restaurante.

Eu imaginava que os preços ali seriam absurdos — afinal, tudo chega por barco. Mas, para minha surpresa, não eram exagerados. Mais caros que na cidade, claro, mas nada absurdo. Algo como pagar sete reais por um refrigerante que custaria cinco em El Calafate.

Depois de aproximadamente uma hora voltamos ao barco e seguimos até bem próximo do imenso paredão de gelo do Spegazzini. A visão é realmente grandiosa: uma muralha branca e azul erguendo-se silenciosa sobre o lago. Ainda assim, confesso que meu pensamento insistia em outra geleira — a famosa Perito Moreno, aquela que se pode observar bem de perto.

Depois de um bom tempo contemplando o Spegazzini iniciamos a navegação de retorno.

No caminho ainda houve momentos curiosos. Primeiro paramos ao lado de um iceberg particularmente bonito, que virou cenário para mais uma longa sessão de fotos. Em seguida o barco encostou em um pequeno bloco de gelo para que os marinheiros recolhessem um pedaço dele com um gancho. A ideia era usar aquele gelo milenar para servir whisky com gelo de iceberg aos passageiros.

Resolvi comprar uma dose de Ballantine’s, que era a mais barata. Fui o primeiro da fila. Minha turma ficou ao redor fazendo contagem regressiva enquanto o garçom se preparava para servir. E justamente no momento em que ele ia completar o copo… a garrafa escapou da mão dele e ele derrubou meu copo todo sobre o balcão.

Foi uma gargalhada geral.

Tudo estava sendo filmado e virou uma das cenas mais engraçadas da viagem. Depois disso todo mundo quis tirar foto com o meu copo de whisky com gelo de iceberg.

Com o barco já seguindo de volta, o balanço suave e o cansaço do dia acabaram vencendo: cochilei um pouco até a chegada ao porto, por volta das 16h30.

Mas o dia ainda não tinha terminado.

Assim que desembarcamos pegamos o carro e seguimos o mais rápido possível para o Glaciar Perito Moreno. A ideia era aproveitar o tempo restante do dia para caminhar pelas famosas passarelas diante da geleira.

A suspensão do Corsa continuava assustadora, mas seguimos com cuidado até chegar finalmente ao parque. Quando avistamos o enorme paredão de gelo branco e azul do Perito Moreno, a sensação foi imediata: aquele espetáculo natural continua sendo uma das visões mais impressionantes da Patagônia.

Infelizmente tivemos pouco tempo. Precisávamos devolver o carro até as 19 horas.

Caminhamos pelas passarelas quase correndo, tentando absorver ao máximo aquela paisagem hipnotizante. Mesmo assim foi emocionante. As paredes gigantes de gelo, os tons de azul profundo, o silêncio quebrado apenas pelos estalos da geleira… tudo ali tem uma força difícil de descrever.

Por volta das 18h saímos antes dos outros carros do grupo. Eu assumi o volante para o retorno e finalmente entendi por que o Gerson havia dirigido com tanta cautela. O carro realmente parecia inseguro. Ainda assim, nas retas mais longas cheguei a atingir 110 km/h para não perder o horário.

Chegamos à cidade às 19h05 e fomos direto ao posto para abastecer — mas havia um detalhe cruel: o posto do centro fechava às 19h.

Tivemos que voltar cerca de dois quilômetros até outro posto e enfrentar uma boa fila para conseguir completar o tanque.

Só às 20 horas finalmente conseguimos devolver o carro.

De lá seguimos ao hostel, pegamos nossas malas e atravessamos a rua para a nova hospedagem que havíamos reservado. Depois ainda fomos jantar e acabamos indo dormir tarde.

Foi um daqueles dias que parecem conter duas ou três viagens dentro de uma só — longo, intenso, cansativo… mas absolutamente inesquecível.

Editado por Marcelo Manente

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Em 25/02/2020 em 10:18, geovanih disse:

Estava vendo um vídeo no tube, e para minha surpresa quem surge 😆

 

Isso ai, cruzamos com eles lá em Cerro Sombrero. São um casal muito gente boa. Super receptivos, já chegaram nos convidando para conhecer o motor home e bater papo. Quando vimos eles já estavam filmando a gente.

Aparecemos no vídeo aos 5:42 m.

Foi um encontro curto mas muito bacana.

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17º dia – 10/01/2020 – De El Calafate a Bajo Caracoles – 552 km

Perrengues na oficina, desencontros e deslocamento.

A manhã começou com uma certa expectativa em El Calafate. Preparamos o café e nos organizamos para ir até a oficina buscar a Ranger. Havíamos combinado com o restante do grupo — a Vera e as meninas do HR-V, além do André no Renegade — que, se o mecânico entregasse o carro até as 10 horas, seguiríamos todos juntos. Caso contrário, eles partiriam antes e nos encontrariam mais tarde em Gobernador Gregores, onde estava planejada a próxima parada.

Às nove da manhã eu já estava na oficina. O mecânico ainda estava finalizando o serviço. Havia sido necessário trocar a bomba d’água e também a junta da bomba — o que explicava o problema de aquecimento que vinha nos preocupando nos últimos dias.

Quando o relógio se aproximou das dez, percebi que ainda demoraria um pouco. Avisei o André pelo WhatsApp que eles poderiam seguir viagem sem nós. Assim fizeram: partiram às dez da manhã em direção ao norte.

Enquanto isso, o mecânico finalizava os últimos detalhes da Ranger. Ele estava tirando o ar do sistema de direção hidráulica — não entendi exatamente por que havia mexido nisso — quando notei algo estranho: o nível do fluido hidráulico estava baixando rápido demais.

Olhei debaixo da caminhonete.

E lá estava o problema: o fluido escorria por um pequeno tubo.

“Putz…”

O mecânico parou imediatamente e foi verificar. Uma das pontas de um tubo de pressão hidráulica havia se rompido justamente no conector. Na pequena cidade de El Calafate não havia aquela peça disponível. Então ele decidiu fazer o que chamou de “una invención” — a clássica gambiarra latino-americana.

Cortou a parte danificada do tubo, aqueceu a extremidade e foi martelando cuidadosamente até refazer a ponta com o formato necessário para vedar o sistema. Levou tempo, bastante tempo, até que tudo encaixasse corretamente e o ar fosse totalmente eliminado do sistema hidráulico.

Mas, no final, o conserto ficou surpreendentemente bom.

Quando finalmente terminamos, já era quase meio-dia. Antes de sair da cidade o pessoal ainda quis almoçar. Gerson, Rosângela e Jucélia foram a um restaurante; eu fiquei apenas nas empanadas — o suficiente para enganar o estômago e voltar logo para a estrada.

Antes de partir demos algumas voltas pela cidade para testar a Ranger. Tudo parecia funcionar bem. Abastecemos na saída de El Calafate e, finalmente, retomamos a Ruta 40 rumo ao norte.

Paramos rapidamente no posto de Tres Lagos, que agora estava funcionando — em 2013, quando passei por ali pela primeira vez, estava completamente fechado. Logo depois seguimos até Gobernador Gregores, completando cerca de 335 quilômetros desde a saída.

Assim que meu celular conseguiu sinal da Claro começaram a chegar várias mensagens do grupo. André avisava que, como haviam chegado muito cedo a Gobernador Gregores e a cidade praticamente não tinha nada para ver, decidiram seguir viagem até Perito Moreno. Com isso, abandonaram o plano de visitar as famosas Cuevas de las Manos, que havíamos combinado de conhecer.

Confesso que fiquei um pouco chateado. Meu lema sempre foi simples: o que é combinado não sai caro. Mesmo que a cidade fosse sem graça, pelo menos todos descansariam e no dia seguinte teríamos um trecho curto, porém cheio de atrações.

Tentamos responder, mas eles já estavam em uma região sem sinal de celular.

Decidimos então seguir nosso próprio plano: continuar até Bajo Caracoles, encontrar uma hospedagem e, no dia seguinte, visitaríamos as Cuevas de las Manos por conta própria.

Retomamos a estrada e logo enfrentamos um dos trechos mais famosos — e temidos — da Ruta 40: 73 quilômetros de rípio. A estrada estava razoável, mas havia alguns pontos bem ruins. A única estratégia era reduzir a velocidade e avançar com paciência.

Como se não bastasse, o vento patagônico resolveu mostrar sua força novamente. Em certos trechos contra o vento, mesmo com o acelerador no fundo, a Ranger mal passava de 80 km/h nas retas. Já quando pegávamos o vento a favor, a história mudava completamente: embalávamos o carro, colocávamos em ponto morto e ele seguia quilômetros e quilômetros praticamente sem perder velocidade.

Depois do rípio veio novamente o asfalto.

No final da tarde chegamos finalmente à pequena Bajo Caracoles, um dos lugares mais isolados de toda a Ruta 40. Conseguimos dois quartos duplos no Hotel Bajo Caracoles. O lugar tem fama duvidosa entre viajantes, mas, sinceramente, não tenho do que reclamar.

Os quartos tinham banheiro privativo, eram simples, porém limpos e bem organizados.

E naquela imensidão patagônica, depois de mais de quinhentos quilômetros de estrada, simplicidade confortável já parecia mais do que suficiente.

 

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Editado por Marcelo Manente

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18º dia – 11/01/2020 – De Bajo Caracoles às Cuevas de las Manos e Chile Chico – 237 km

Cueva de las Manos, reencontro e reentrada no Chile.

Acordamos cedo em Bajo Caracoles. A ideia era simples: chegar às Cuevas de las Manos por volta das nove da manhã para pegar o primeiro horário de visita guiada. Mas, como tantas vezes acontece em viagens longas, pequenos atrasos foram se acumulando e demoramos mais do que o previsto para sair.

Logo encaramos novamente um trecho de 47 quilômetros de rípio. A estrada estava um pouco ruim, mas ainda permitia avançar a uns 50 ou 60 km/h. O problema eram as curvas: ali era preciso reduzir bastante, às vezes até 20 km/h, para evitar surpresas. Felizmente era um trecho relativamente curto.

Quando chegamos ao parque já eram cerca de 9h40. Perdemos por pouco o primeiro grupo de visitação e tivemos que esperar a próxima saída dos guias.

A espera valeu a pena.

As Cuevas de las Manos são um daqueles lugares que impressionam não apenas pela paisagem, mas pela profundidade histórica. Ali, nas paredes de um cânion esculpido pelo tempo, encontram-se centenas de pinturas rupestres feitas por povos pré-históricos que habitaram aquela região milhares de anos atrás. As famosas silhuetas de mãos — pintadas com pigmentos naturais soprados contra a rocha — parecem atravessar o tempo como um eco humano deixado na pedra.

O cenário também ajuda a tornar o lugar ainda mais especial. As cavernas ficam em um cânion profundo, com um rio serpenteando lá embaixo e uma vegetação surpreendentemente verde ao redor. Em meio à vastidão árida da Patagônia, aquele pequeno oásis parece quase improvável.

A visita guiada durou cerca de uma hora. Caminhamos pelas passarelas observando as pinturas, ouvindo as explicações sobre os antigos habitantes da região e tentando imaginar como era a vida naquele lugar há milhares de anos.

Ao sair do sítio arqueológico decidimos não voltar pelos mesmos 47 quilômetros de rípio. Pegamos uma estrada alternativa à direita que cortava caminho e nos levava ao asfalto mais rapidamente. A paisagem continuava ampla e silenciosa enquanto avançávamos mais cerca de 150 quilômetros até a cidade de Perito Moreno.

Quando chegamos lá recebemos a notícia de que o restante do grupo já havia almoçado no restaurante do hotel onde estavam hospedados. Fomos direto para lá e pedimos nosso almoço também. Depois de tantas horas de estrada e história antiga, a comida parecia ainda mais saborosa.

Com o estômago satisfeito decidimos continuar viagem até Los Antiguos e só então decidir onde dormir: ali mesmo ou do outro lado da fronteira, na cidade chilena de Chile Chico.

Quando chegamos a Los Antiguos descobrimos o motivo do movimento incomum na cidade. Era domingo, 11 de janeiro, e acontecia ali a tradicional Festa da Cereja. A cidade estava cheia. Barracas, gente circulando, música — um clima festivo que contrastava com a tranquilidade habitual da região.

Demos uma volta pela feira, mas ela lembrava mais um grande camelódromo com produtos vindos do Paraguai do que um mercado típico patagônico. Diante da cidade lotada, decidimos seguir até o Chile, imaginando que seria mais fácil encontrar hospedagem.

Na aduana integrada tivemos a inspeção mais rigorosa de toda a viagem. Mandaram descarregar todas as malas de todos os carros para passar no raio-x. O que normalmente levaria uns trinta minutos acabou se transformando em quase uma hora de espera.

Depois de cruzar a fronteira, em poucos quilômetros já estávamos em Chile Chico, uma pequena e simpática cidade às margens do Lago General Carrera. Rodamos um pouco pelas ruas até chegar a um hotel que eu já conhecia de uma viagem anterior, quando percorri a Carretera Austral entre o fim de 2013 e o início de 2014.

Ali conseguimos duas cabañas para quatro pessoas cada, enquanto o André e sua esposa ficaram em um quarto de casal.

À noite, nas cabañas, resolvemos fazer um jantar coletivo. Todos reunidos, comida compartilhada, risadas e histórias da estrada. Aproveitamos até para fazer uma espécie de réveillon atrasado, já que havíamos passado o ano-novo separados do restante do grupo.

Entre brindes e conversas fomos ficando meio borrachos — levemente bêbados — e a noite avançou mais do que o planejado.

Dormimos tarde, mas sem preocupação. O trecho do dia seguinte seria curto.

E, pelo que prometia o mapa, também maravilhoso.

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Editado por Marcelo Manente

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Cheguei agora no post e vou pegar pra ler a sequencia toda de posts! Fico lendo esses relatos dos colegas e, cada vez mais, sonho em realizar essa viagem! Acompanhando os próximos passos...

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Em 27/01/2020 em 15:15, hlirajunior disse:

Consegui passar batido por Entre Rios, mas quase saindo da província de Corrientes para Missiones na ruta 14 a caminera me parou agora em janeiro e veio um policial bem malandro já cumprimentando e pediu na cara dura uma gorjeta para a cachaça. Falei que não e ele liberou, mas ele não parava de olhar para a camera que estava no meu colo, tinha usado ela minutos antes para tirar foto de placa de estrada, vai ver que ele pensou que eu tirei foto ou estava filmando ele.

Nas entradas e saidas das provincias não tem como evitar passar por eles, mas tem algumas barreiras embaixo de viadutos, que dá para sair da ruta e voltar logo em seguida sem passar pela fiscalização 😂  Pelo que vi dá para fazer isso no acesso a Gualeguaychú e Colón.

@Xexelo minha passagem por Comodoro Rivadávia tb não foi muito boa, uma pedra levantada por outro veiculo acertou meu parabrisa, mas por sorte deu para continuar a viagem e o trincado não aumentou muito nos dias seguintes, mesmo pegando estrada de chão na carretera austral.

 

 

Ele continua , me parou agora no feriado de carnaval voltando de Posadas , dei 20 pesos pra não me encomodar.

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18 horas atrás, digo23 disse:

Ele continua , me parou agora no feriado de carnaval voltando de Posadas , dei 20 pesos pra não me encomodar.

Que azar colega. Eu não dou um centavo pra essa gente. Os caras até tentaram me intimidar, mas eu mostrei que tinha o código de transito deles baixado no celular e disse que isso não estava previsto ai eles baixaram a bola e me liberaram.

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19º dia – 12/01/2020 – De Chile Chico a Puerto Río Tranquilo – 165 km

Dia maravilhoso e Capeloas de Mármore

Como o trecho do dia seria curto, combinamos de sair sem pressa, por volta das nove da manhã. Tomamos café juntos, organizamos as coisas com calma e então deixamos Chile Chico, sem imaginar que aquele seria, talvez, o dia mais bonito de toda a viagem.

Logo nos primeiros quilômetros a estrada já começava a dar sinais do que viria. Seguíamos pelo chamado Paso de las Llaves, margeando o imenso Lago General Carrera — o mesmo que, do lado argentino, atende por Lago Buenos Aires. Um espelho d’água de um azul tão intenso que parecia exagero da natureza. Não havia necessidade de filtro, lente ou edição: era simplesmente perfeito.

O céu colaborava. Azul profundo, limpo, sem uma única nuvem.

A primeira parada foi na chamada Laguna Verde — possivelmente artificial, cercada por uma área de mineração — mas ainda assim bonita. Dali em diante começou um ritual que se repetiria ao longo de todo o trajeto: andar… parar… descer… fotografar… e seguir novamente.

A estrada de terra serpenteava rente ao lago, revelando, a cada curva, um cenário ainda mais impressionante que o anterior. Era impossível não parar. E assim fomos avançando lentamente, em um infinito “anda e para”, como quem não quer que o dia termine.

Quando percebemos, já passava das duas da tarde ao chegar em Puerto Guadal.

Ali tentamos encontrar um lugar para almoçar. Rodamos um pouco pela pequena cidade até achar um restaurante aberto — pequeno, simples e com um cardápio bem limitado. A refeição acabou sendo, sem dúvida, a pior relação custo-benefício de toda a viagem: cerca de R$ 60,00 por uma coxa de frango com ervilhas, praticamente sem tempero. Parecia comida de hospital.

Mas a paisagem do dia compensava qualquer frustração gastronômica.

Seguimos viagem e, pouco depois, entramos oficialmente na lendária Carretera Austral, a Ruta 7. Paramos para a tradicional foto na placa da estrada e logo adiante fizemos outra parada em uma ponte estaiada, um dos cartões-postais daquele trecho.

A próxima parada já estava no roteiro com destaque: a descida até a Bahía Mansa, cerca de seis quilômetros antes de Puerto Río Tranquilo. A estrada até o lago era bem castigada, exigindo cuidado, mas nada que nos fizesse desistir.

Era dali que sairia o passeio para as famosas Capelas de Mármore.

O dia, como já vinha sendo desde a manhã, estava perfeito. E isso não era só impressão nossa — os próprios barqueiros comentaram que aquele era o melhor dia em cinco meses de trabalho.

Entramos no barco quase todos — menos a Rogéria, que preferiu ficar em terra firme, fiel ao seu receio de pequenos botes. Após cerca de quinze minutos de navegação, já estávamos diante das formações de mármore.

Primeiro uma entrada em uma caverna, onde o barco avançava lentamente por dentro da rocha, refletindo tons azulados da água. Depois o túnel. E por fim, as capelas.

É difícil descrever aquele lugar sem soar exagerado. As formações esculpidas pela água, as cores refletidas, o silêncio interrompido apenas pelo motor do barco… tudo ali parecia irreal, quase como um cenário montado.

Era uma beleza rara. Daquelas que justificam uma viagem inteira.

Ficamos mais de uma hora explorando o local antes de retornar.

De volta à estrada, seguimos até Puerto Río Tranquilo. A subida final exigiu um pouco do carro da Vera — o HR-V sofreu, mas venceu. Poucos quilômetros depois já estávamos na pequena cidade, caminhando pelas ruas em busca de hospedagem.

Depois de alguma procura, o André encontrou uma ótima opção: um apartamento para seis pessoas e mais dois quartos duplos. Tudo por cerca de 9.000 pesos chilenos por pessoa (aprox. R$ 48,00) — um verdadeiro achado para os padrões do Chile.

À noite fizemos comida no próprio alojamento, reunidos novamente, como já havia se tornado tradição na viagem.

Antes de dormir combinamos o horário de saída para o dia seguinte. Eu sugeri às nove da manhã, já sabendo que a estrada teria bloqueio entre 13h e 17h para obras e detonações de rocha.

Mas acabamos fechando em sair às dez.

Naquele momento, eu ainda não sabia — mas aquela uma hora faria falta no dia seguinte.

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Editado por Marcelo Manente

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