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Capítulo 5: Parada acidental em Kikinda e acreditar nas pessoas: a carona mais importante da viagem.

Quando entrei na minha segunda carona, a conversa fluiu muito mais, pois aquele senhor sérvio tinha um inglês básico. Em pouco tempo de viagem, ele me falou que tinha duas filhas, que era instrutor de boxe, e que tinha sido combatente na Guerra Civil da Iugoslávia! Lembro-me de perguntar como ele se sentia sobre isso, e ele disse que ainda tinha pesadelo às vezes, e chorava quando lembrava.

 Perguntei se acreditava em algo divino. Ele balançou a cabeça, negando.

-Mas você acredita em alguma coisa?

- Acredito nas pessoas.

Lembro-me do olhar dele nessa hora. Senti que nos entendemos nesse olhar.

Paramos em uma grande Service Station, que parecia um shopping. Ele disse que eu podia escolher qualquer coisa para almoçar, e enquanto estávamos comendo, ele contou que estava indo para Novi Sad, para um congresso de boxe. Convidou-me para ir e pensei, por que não?

Chegamos em Novi Sad pouco tempo depois, e ele disse para os outros instrutores que eu era uma boxeadora dele do Brasil hahaha, achei isso um máximo! Não entendi nada do congresso, mas foi interessante estar ali. O encontro terminou por volta das 16h, e o céu já estava começando a fechar; precisava conseguir uma carona para Budapeste antes de anoitecer, ou estaria com problemas. Pedi para o senhor sérvio me deixar na estrada, e ele disse que eu poderia ir para casa dele.  Eu disse que não, que queria ir para Budapeste.

Quando ele estacionou no acostamento, notei que os carros estavam indo rápido demais; sabia que dificilmente eles iriam parar ali. Ele ficou preocupado.

-Você tem certeza que quer ficar aqui??

-Tenho, não se preocupe!

Detalhe, eu disse isso, mas estava estampado na minha cara que eu não sabia exatamente o que ia fazer e estava um pouco amedrontada. Mas eu queria me sentir corajosa. Queria sentir que iria resolver aquilo. Ele assentiu, e foi embora. Quando o carro dele sumiu de vista pensei “é, acho que vou dormir na estrada hoje. Mas eu vou sobreviver!” Eu estava sendo meio sem noção, mas já havia pensado que qualquer coisa, poderia pedir ajuda no primeiro posto de gasolina ou em alguma casa. Atravessei e comecei a caminhar, decidida a encontrar um abrigo. Mas para a minha surpresa, em menos de cinco minutos depois, vejo um carro estacionado na estrada.

Eu conhecia aquele carro!

O senhor sérvio saiu do lado do motorista e começou a sinalizar para que eu fosse até ele. Atravessei e estendi as palmas das mãos para cima, fazendo uma expressão confusa.

- Venha comigo, meu problema! Eu não posso deixar você aqui, eu tenho duas filhas, você entende isso? Você vai para casa, vai tomar um banho, comer, dormir e amanhã você vai para a fronteira da Hungria, você está me entendendo?!

O tom dele era de um pai brigando com uma filha. Concordei com a cabeça e entrei no carro.

-Obrigada.

-Cala a boca!

Silêncio. Os dois estavam com os olhos cheios de lágrimas. Ficamos um tempo assim. Depois de poucos minutos, ele quebrou o gelo:

- Ei garota. Eu fiquei muito feliz por ver que você ainda estava lá quando voltei.

Assenti. Estava extremamente grata por ele ter voltado, por ele ter se preocupado comigo sem nem me conhecer.

Ele morava em Kikinda, cidade próxima à fronteira com a Romênia. Quando chegamos a sua casa, a esposa dele nos recebeu. Ela cruzou os braços e perguntou se meus pais sabiam que eu estava ali. Disse que sim, que nos falávamos todos os dias.

-Eu não acredito em você! Diga-me seu nome pra eu te pesquisar no Google e ver se você não está desaparecida!

Confesso que achei um pouco de graça daquilo, mas disse que não havia necessidade; disse que iria ligar para os meus pais para que ela os visse.  Conversamos muito, principalmente sobre perigos e zona de conforto. Ela me disse que carona era perigoso. Mas por eu estar ali, por conta de uma carona, senti que eu realmente não tinha o que temer. Tinha que sentir, e confiar na minha intuição.

Saí com a filha mais velha do senhor sérvio, e fomos com dois amigos dela, para uma espécie de pagode versão leste europeu na quadra de uma escola. Demos bastante risada, éramos uns dos poucos jovens que estavam ali. De volta para casa, comemos omelete (na verdade ela me fez comer um omelete com seis ovos hahaha) tomamos banho e capotamos.

Pela manhã, acordamos cedo e antes de eu descer para tomar café, ela me entregou uma blusa e disse que era um presente. Era uma camisa branca com do país, com uma grande águia de duas cabeças no meio. Senti meu coração aquecer e apertar um pouquinho.

Antes de irmos para a estrada, o senhor parou em uma farmácia e comprou lenços, chicletes, chocolate e água pra mim. Ele e suas duas filhas me levaram até a fronteira da Hungria, para que fosse mais fácil na hora de conseguir uma carona. Abracei as meninas, e quando senhor sérvio me abraçou, foi um abraço extremamente apertado e sincero. Parecia que tínhamos nos conhecido há tempos, mas não fazia nem 24 horas!

Eu tinha ido para a estrada no dia anterior, pedindo apenas uma carona; mas ganhei uma família por um dia. Recebi muito mais do que havia pedido. Acreditar nas pessoas fazia ainda mais sentido naquele momento.

Infelizmente não tenho nenhuma foto ou vídeo com eles, mas nunca irei esquecê-los. Ainda tenho contato com a filha mais velha pelo Instagram até hoje.

Mas enfim, ali rapidamente consegui uma carona com dois senhores muito legais em uma van e em pouco, estava no meu destino primário: Budapeste!

 

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A camisa...

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@camilandarilhaÉ,como te contei há muita gente boa no mundo,seja na Europa(esse senhor),ou aqueles que salvaram a minha vida que te contei.Mas,aqui no Brasil,eu não confio em ninguém, de tanto pilantra e aproveitador que conheço na vida desde que era pequeno. Você confiaria se fosse aqui?

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Nossa, que relato gostoso de ler! Estava planejando fazer um mochilão ano que vem, mas acho que as coisas ainda não vão estar 100% normais, então acabei ficando bem desanimado. Mas ler essas histórias me trouxe de volta as borboletas no estômago que me fazem querer cair no mundo. No aguardo dos próximos capítulos!

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Em 19/04/2021 em 00:23, D FABIANO disse:

@camilandarilhaÉ,como te contei há muita gente boa no mundo,seja na Europa(esse senhor),ou aqueles que salvaram a minha vida que te contei.Mas,aqui no Brasil,eu não confio em ninguém, de tanto pilantra e aproveitador que conheço na vida desde que era pequeno. Você confiaria se fosse aqui?

Confiaria sim! Pois bondade/maldade são coisas que estão em todos, independente da nacionalidade :) hoje em dia eu não faria de maneira tão hardcore assim, o plano é pegar carona acompanhada. Mas, conheci uma menina do Espírito Santo que foi até o Rio Grande do Norte de carona sozinha, e deu certo! (ela foi preparada com uma arma de choque, mas não houve necessidade de utilizar.) É completamente possível no nosso país, pois também há muitas pessoas solícitas aqui! 

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Em 19/04/2021 em 01:01, itvini disse:

Nossa, que relato gostoso de ler! Estava planejando fazer um mochilão ano que vem, mas acho que as coisas ainda não vão estar 100% normais, então acabei ficando bem desanimado. Mas ler essas histórias me trouxe de volta as borboletas no estômago que me fazem querer cair no mundo. No aguardo dos próximos capítulos!

Que coisa boa ler isso! E te entendo completamente... Planejava viajar pela América do Sul esse ano, mas acho que só vai rolar depois da vacina também :( 

Não deixe que essas borboletas morram! Espero que o resto das histórias te motivem mais ainda a cair no mundo ❤️ 

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@camilandarilhaJá notei que você é muito bobinha,por isso acredita nos outros.Desde pequeno ouvia minha vó dizer:Coração dos outros é terra que ninguém anda.Ela,uma senhora analfabeta,se viva fosse teria mais de 110 anos,já tinha visto muitas e contava há todos.Eu vi minha família ser dizimada por não acreditar em igreja,imagine se entregar a um desconhecido.

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Capítulo 6: Loucuras e perrengues em Budapeste.

Nunca havia escutado nada parecido com o idioma húngaro, é fenomenal! Já havia me acostumado tanto a ouvir o idioma dos Balkans ao meu redor que até estranhei de primeira.

Pedi informação em um posto de gasolina e logo descobri que precisaria andar por pelo menos uma hora até o parlamento Húngaro, pois ia ficar hospedada ali por perto. Respirei fundo, me preparando para enfrentar a longa caminhada com a mochila e fui.

Não havia andado nem cinco metros, quando um rapaz passa a caminhar do meu lado e pergunta em português:

-Brasileira?

Aah, que festa que eu fiz! Colocar uma bandeirinha do Brasil na mochila foi realmente útil afinal. Começamos a conversar e contei sobre a minha viagem. Ele me contou que estava fazendo intercâmbio ali e se ofereceu para carregar a minha mochila, já que ela estava aparentemente bem pesada. Que alegria vivenciar essas gentilezas inesperadas! Entreguei-lhe minha mochila, e coloquei a dele nas costas (que estava bem mais leve que a minha). Estávamos os dois indo até o parlamento, que coincidência maravilhosa que foi nos encontrarmos!

Aquele brasileiro me atualizou sobre alguns acontecimentos políticos (como Bolsonaro ter perguntado no Twitter, o que era golden shower) e conversamos muito sobre nossa vida amorosa. Ele me contou que tinha um namorado no Brasil, e contei a ele algumas histórias minhas. Fazia um bom tempo que eu não conversava com alguém da minha idade sobre um assunto mais “básico”, e foi extremamente agradável.

Quando chegamos à avenida principal, senti um êxtase. Já conseguíamos ver o Parlamento Húngaro! Andamos até a frente daquele edifício majestoso e tiramos fotos um do outro. Que alegria que estava sentindo por estar ali!

Ele precisou ir embora, então agradeci a companhia e nos despedimos. Ainda fiquei lá por um tempo, observando em volta; havia muitos turistas por ali, principalmente chineses. Um relógio soou, e fiquei encarando o rio Danúbio enquanto ouvia aquele toque. Estava me sentindo em um filme.

Resolvi sair dali antes de escurecer, e não demorei a achar o apartamento da minha host.  Andi era uma húngara gente boa, extremamente apaixonada por ciclismo. Conversamos, bebemos chá, comemos e pude colocar algumas roupas para lavarem. Essa inclusive é uma dúvida para aqueles que não estão acostumados com uma viagem mais roots. “Como você lava roupa?” meus hosts sempre ofereciam a máquina de lavar, simples assim gente :)

O flat dela era bem pequenino, ideal para uma pessoa. Andi me ofereceu o sofá e dormiu em um colchão no chão. Foi uma noite tranquila.

No dia seguinte, ela saiu bem cedo, e disse-me para que ficasse bem à vontade, que eu podia comer o que quisesse. Depois do café, arrumei minhas roupas e liguei o hangouts do Couchsurfing. Consegui combinar um rolê com um rapaz da Tunísia.

E agora outra dica importante, principalmente para mulheres: saibam o tempo certo de ir para casa.

Quando nos encontramos, ele foi  bem simpático e gentil. Disse-me que queria passear em um daqueles barcos turísticos que ficam circulando pelo Danúbio, que pagaria para mim e que eu iria adorar. De fato, adorei o passeio! Foi incrível, e conversamos muito sobre nossas culturas. Falou como seu país estava depois da Primavera Árabe e contou como era ser mulçumano. Depois do passeio, ele disse que poderíamos jantar em sua casa e depois, poderíamos ir para um pub mexicano muito popular do lado de Peste. (Buda é o lado que a minha host mora e Peste é atravessando a ponte, o lado onde fica o Parlamento).

Aceitei, pois ele estava sendo agradável e nós sairíamos para o Pub. Ainda daria tempo de voltar para casa!

Foi o que eu pensei.

Quando chegamos a seu apartamento, demoramos um pouco para fazer a comida, pois estávamos compartilhando música. Mostrei-lhe música brasileira, e ele me pediu para fazer o “brazilian twerk.” Neguei. Comecei a ficar desconfortável por estar ali sozinha, mas tentei permanecer calma. Quando terminamos de jantar, era mais de 23h e estava fazendo muito frio do lado de fora. É, notei que o rolê para o pub tinha miado. E eu estava a uma distância de quarenta minutos a pé da minha host. Merda.

Ele disse que eu passasse a noite em sua casa. Disse-lhe que dormiria no sofá, e ele pediu para que eu fosse para a cama também, pois ela era grande o suficiente. Com um pouco de medo de contraria-lo, fui.

Deitei do lado contrário, com os meus pés do lado da cabeça dele.

-Tá tudo bem, deita desse lado!

Fui, apreensiva. Ele não parecia ser um cara agressivo, mas eu estava ali sozinha, e queria mostrar a ele que eu estava tranquila (quando claramente, não estava).

-Me conta uma das histórias que tu viveu nessa viagem.

-Bem, peguei uma carona incrível na Sérvia...

Daí parei de falar. Ele havia segurado a minha mão, e entrelaçado os dedos dele nos meus. Soltei minha mão da dele da maneira mais tranquila que eu podia.

- Por favor, não faça isso. Eu não gosto que segurem na minha mão, principalmente em uma situação como essa.

Ele riu, e se virou do outro lado para dormir. Quando vi que ele estava adormecido, desci da cama silenciosamente e fui para o sofá. O sofá ficava embaixo da cama, que era bem alta, próxima ao teto. De lá, conseguiria ver caso ele acordasse.

Fiquei entre cochilos, pois estava com medo de dormir completamente. Ele acordou no meio da noite para ir ao banheiro, e perguntou o que tinha de errado.

-Eu realmente não estou confortável em ficar na cama.

Ele entendeu e voltou a dormir. Consegui relaxar um pouco depois disso.

De manhã, tomamos café e pelo que lembro, ele pediu desculpas pelo ocorrido. Sugeriu me encontrar depois do trabalho. Disse que tudo bem, mas quando saí de sua casa, tinha plena consciência de que nunca mais iria encontra-lo.

Andei um pouco pelo lado de Peste, deslumbrada com a paisagem. Passei por uma exposição de arte a céu aberto e depois, voltei para a casa da minha host.  

Mais tarde nesse mesmo dia, marquei de sair com uma garota, a Liliána. Ela estava com seu cachorro, e demos algumas voltas, novamente pelo lado de Peste. Comemos falafel e quando dei por mim, já estava bem tarde novamente. Ela disse que eu poderia passar a noite em sua casa, e que eu não teria com o que me preocupar (eu havia contado a ela o ocorrido da noite anterior).  Passei a noite em sua casa, e me senti extremamente segura e confortável.

Quando saí da casa de Liliána no dia seguinte, era meu último dia na capital húngara. Eu já estava com uma host garantida em Viena, então só precisava me preparar e descansar para encarar a estrada no dia seguinte. Nesse dia, Andi me doou algumas roupas, para que ficasse mais protegida do frio. Deixei algumas outras para trás, e reparei em dois problemas: meus sapatos estavam com furos e minha mochila, com a alça rasgada. Não comprem Nautika! A garantia é só de três meses, e a minha mochila (45L) realmente só ficou inteira durante esse tempo.

Mas bem, dormi, e no outro dia, me despedi da Andi. Simbora conseguir carona para Viena! Eu realmente não sei quantas caronas nessa viagem, mas a única carona ruim que peguei, foi a desse percurso. Foi extremamente difícil pegar carona na Hungria, passei umas boas horas tentando. E ainda fui parada pela polícia. :D

Estava andando no acostamento, à procura de um lugar melhor para pedir carona. Como no Brasil já havia presenciado pessoas andando por esse cantinho, achei que era permitido (perigoso, mas permitido).  A polícia parou e disse-me que eu não podia estar ali. Entrei na viatura para que eles me deixassem em outra estrada (sim, eu peguei carona com a polícia) e eles pediram meu passaporte. Julguem-me, mas achei muito emocionante mostrar meu documento para as autoridades kk. Tudo certo, eles me deixaram em uma estrada HORRÍVEL, e tive que caminhar muuuito para conseguir encontrar a estrada que ia de fato para Viena. Achei um posto de gasolina e pedi carona a várias pessoas que passaram por lá; nada.

Quando avistei um homem jovem e de terno, sabia que era aquele que me ajudaria! O cumprimentei da maneira mais simpática possível e contei-lhe a situação. Ele aceitou me ajudar de bom grado e inclusive me deu uma maçã. Victor o nome dele. Valeu, Victor!

Ele me deixou em um posto de gasolina e pouco tempo depois, um caminhão parou para mim. Olhei a cara do motorista, e captei uma energia estranha. Energia de homem babaca, mas, não de perigoso. Como não tinha muita escolha naquele momento, subi no veículo.

Ele era um romeno que não sabia nada de inglês. Não conseguia entende-lo muito bem, mas entendi o suficiente quando ele me ofereceu passar a noite ali. Gesticulei em negativo;

-No no no, Vienna!

Coloquei o maps no meu celular, para ver se ele estava mesmo indo na direção certa. Essa é uma dica bem importante: o GPS continua funcionando, mesmo sem internet. É só marcar o lugar, e prestar atenção na bolinha azul, que é a sua localização.

Eu sabia que não poderia dormir naquela carona, mas como estava extremamente cansada, cochilei por um breve momento. E JURO À VOCÊS: Acordei com algo beliscando a minha perna! Era impossível que o motorista tivesse feito aquilo, até porquê, o beliscão foi na perna que estava mais próxima da porta. E não tinha mais ninguém no caminhão! Eu sou bem cética, e sei que deve ter alguma explicação plausível, entretanto... Aquilo foi proteção. Não sei se foi divina, mas foi proteção, com certeza!

Chegamos ao nosso destino, um posto de caminhoneiros em Viena! Estava aliviada. Desci do caminhão, e o motorista desceu junto. Ele abriu os braços, e fiquei confusa. Ele queria me abraçar? Fui desconfiadíssima até ele, e ele segurou o meu queixo, para que meu rosto encontrasse o dele. Porra nenhuma, meu chapa! Baixei a cabeça com tudo e fui para trás. Eu conseguia sentir a raiva emanando dos meus poros.

Minha mochila! Ela ainda estava no caminhão!

O romeno pegou a mochila. Segurou-a com uma mão e com a outra, colocou o indicador nos lábios. Como se dissesse “dou a mochila se você me der um beijo!”

Marchei até ele e gritei em sua cara:

-NÃOOOOOO!!!!!!!!!!

Arranquei a mochila dele e saí correndo em direção à conveniência do posto. O trajeto ainda não tinha acabado: precisava de uma carona para o centro. Avisei à Luyi, a chinesa que ia me hospedar e ela me disse que se eu não conseguisse uma carona, ela mandaria um Uber. Fiquei mais tranquila com aquilo.

Passei meia hora pedindo carona, e estava me sentindo exausta. Quando vi um homem com uma criancinha, pensei: é agora!

-Moço, você está indo para o centro de Viena?- Falei, com um leve tom de desespero na voz. Por obséquio meu senhor!

- Estou sim!

- Você pode me levar, por favor?

-Claro!

- Ai que bom, obrigada, obrigada!

Coloquei minha mochila na mala, e ele colocou o filho na cadeirinha. Conversamos um pouco, e ele me disse que era da Alemanha. Em pouco tempo, o alemão me deixou exatamente onde eu ia dormir, e eu não tinha nem palavras para expressar a quão agradecida eu estava. Sinto-me agradecida só de lembrar.

Após um dia de perrengue, cheguei viva e inteira em Viena: a maravilhosa capital austríaca!

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Saindo da casa da Andi rumo à Viena. Mal sabia eu a loucura que seria aquele percurso! 

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