"Já fazia mais de hora que o sol havia nos abandonado, quando uma tempestade desabou sobre nossos ombros. A noite era tão escura , que eu mal enxergava o Thiaguinho que desembestou na dianteira, ladeira abaixo e quando tentei acionar os freios, as rodas trepidaram, balançaram de um lado para o outro e eu me vi totalmente desamparado , virei passageiro daquela geringonça dos anos 80. A velocidade só fazia aumentar, pensei em me jogar pro barranco, mas as valetas laterais teriam me moído no buraco. Tento manter a calma, mas as minhas energias depois de mais de 12 horas de pedalada, me levam a um transe de resiliência. Penso em pular, mas aí me vem a lembrança, o dia em que eu e meu irmão, numa infância distante, nos jogamos de cima de uma bicicleta sem freio, numa ladeira da nossa aldeia e acabamos sendo trucidados pelo chão. Enfio o tênis na roda traseira, mas o solado do maldito é daqueles tênis de atletismo e o atrito não resolve porra nenhuma. Mesmo assim, continuo tentando e quando vejo que o terreno se arrefeceu um pouco, boto os pés no chão e ao encontrar um amontoado de areia, pulo, como quem pula de um caminhão desgovernado, mas sem soltar as mão da bicicleta. Fico no cai, mas não cai, danço conforme a ondulação do terreno, até que quando me vejo estabilizado, largo mão daquela merda e me esparramo na areia molhada, enquanto o veículo do satanás, de duas rodas, segue seu caminho até se deter mais à frente. Eu não sou mais ninguém, o ciclista animado da manhã, agora parece um ser que não consegue se sustentar sobre as próprias pernas , estou acabado, a vontade é sentar e chorar."............................
No centro do Estado de São Paulo, a 200 km da sua capital, uma região de incontáveis atrações naturais, ainda se mantém muito longe do turismo de massa, ainda que sua cidade mais famosa, BROTAS, acabe por cooptar a maioria do turismo, se intitulando a Capital da Aventura no Estado. Mas a região vai muito mais além do que a sua cidade mais famosa, na verdade, são dezenas de cidade compondo uma grande região turística, mas que sinceramente, até para mim que vivo ao seu redor, me soa um pouco confuso. Costuma-se denominar algumas cidades como CHAPADA GUARANÍ, que seriam cidades encima de uma grande mesa basáltica, um incrível chapadão, uma espécie de, guardando as suas devidas proporções, Chapada Diamantina Paulista.
Acontece que, embaixo desses chapadões, também temos pequenas cidades de belezas muito cênicas, aliás, são cidades que recebem as águas que despencam das mesas e é por onde se pode acessar algumas cachoeiras. Mas não é só isso, são cavernas, formações rochosas, vilarejos charmosos, trilhas para motocross, jeep, bicicleta, formações rochosas, morros testemunhos, mirantes de perder o fôlego. Algumas dessas cidades compõe o CIRCUITO DA SERRA DO ITAQUERI e outras o circuito CHAPADA GUARANÍ, na verdade, uma salada difícil de compreender porque várias cidades acabam por fazer partes de todas as denominações e como a região é gigante, o governo do Estado e secretaria de turismo, ainda dividiu em outra região que chamou de circuito CUESTA PAULISTA.
Já fazia anos que o Thiaguinho me cobrava uma pedalada nessa região e como eu não me manifestava, colocando uma data, ele simplesmente me forçou a sair da moita e numa sexta-feira à tarde me informou que passaria na minha casa, sábado à noite e me pegaria com seu carro, porque já era hora da empreitada sair do papel. Coube a mim elaborar um roteiro, já que, apesar de frequentar muito a região, eu nunca tinha me aventurado sobre 2 rodas, então decidi que o nosso ponto de partida seria a minúscula e pacata IPEÚNA, uma charmosa cidadezinha de meia dúzia de habitantes, onde eu pretendia estacionar o carro e fazer um circuito tranquilo, de uns 60 km de pedaladas, subindo a chapada e voltando para o mesmo lugar.
Por volta das 8 da manhã, estacionamos na praça central de Ipeúna, bem da rua abaixo da sua igreja central, em frente da base policial. O Thiaguinho sacou logo sua bike de última geração e eu tomei posse de um trambolho fabricado na década de 80, uma bicicleta bem conservada, mas sem as tecnologias atuais, apenas algumas mudanças aqui e ali, mas no final do dia, eu iria descobrir que não havia sido suficiente.
O nosso caminho seguiu exatamente pela rua que estávamos e em poucos minutos, numa curva, deixamos o asfalto e ganhamos as estradas de terra junto à uma bifurcação. Logo o caminho desembesta para baixo e desce até um vale e aí a subida desafia nossa capacidade de pedalar, ainda com o corpo frio, mas eu logo arrego e empurro ladeira acima e quando se estabiliza, a estrada vira um amontoado de areia e logo à frente, uma bifurcação junto à uma placa, faz a gente parar e admirar os paredões avermelhados da Serra do Itaquerí, de frente para uma formação característica conhecida como CABEÇA DE ÍNDIO. É a primeira vez que o Thiaguinho tem contato com essa paisagem e realmente, é uma visão lindíssima e surpreendente por estar tão perto da capital e ser conhecida por poucos.
A previsão de mal tempo não se confirmou, o sol já queima sem piedade e na bifurcação, pegamos para a direita e vamos seguir como quem vai ao encontro da Cabeça de Índio e cerca de 6 km desde a cidade, uma porteira lateral nos chama a atenção para um mirante espetacular para a grande formação rochosa, então nos detivemos por um tempo para um gole de água e uma foto.
O terreno parece que vai se estabilizar, mas hora ou outra, nos deparamos com alguma ladeira e o calor inclemente da manhã, vai minando nossas energias. O cenário é muito bonito e nossa direção vai seguir o caminho que nos levará para a subida da serra. Antes de subir a serrinha, eu pretendia deixar as bikes escondidas e tentar reencontrar a Gruta da Boca do Sapo, mas achei que perderíamos muito tempo nela, haja visto que esse roteiro eu havia estabelecido para ser feito em 2 dias e estava apenas adaptando a quilometragem para um único dia, então passamos batidos e iniciamos a subida da serra, abandonaríamos a planície local e subiríamos de vez para os chapadões, era hora de ganharmos altitude.
Nossa pedalada inicial então chega ao km 12, que de bicicleta poderia significar absolutamente nada, mas diante do terreno arenoso e das primeiras subidas intermináveis sob um sol escaldante, já faz a gente começar a botar a língua de fora. No início da subida da serra o terreno vai se elevando lentamente, mas não dá nem 300 metros e pedalar já não é mais opção, não só pelo terreno inclinado, mas pelas grandes pedras que inviabilizam a progressão montado nas bikes . Empurrar bicicleta ladeira acima é um martírio que vamos absorvendo, um sofrimento que é preciso passar, sob o pretexto de que quando chegarmos lá encima, tudo vai ser diferente, e é vivendo nessa ilusão que nos apegamos à nossa força interior e quando atingimos uns dois terços do caminho, nos deparamos com um MIRANTE que nos faz voltar a sorrir novamente e continuar acreditando nas mentiras que a nossa cabeça criou.
Como não há sofrimento que dure para sempre, uma última curva da serra é deixada para trás e do nosso lado direito, meia dúzia de eucaliptos força a nossa parada e mesmo que ainda não seja definitivamente o fim da subida, será ali que abandonaremos provisoriamente a estrada, em favor de uma TRILHA que sai à direita e entra num capinzal alto, tão escondida que se não forçar passagem na alta vegetação inicial, quem não conhece e não tem nenhuma referência, passará batido.
Levamos cerca de 45 minutos empurrando as bicicletas para ganharmos quase todo o chapadão e agora, vamos abandoná-las no mato e ganharmos a trilha a pé, rumo a uma das grandes joias da Serra do Itaqueri . Então, forçando passagem no capim alto, uns 10 metros depois a trilha surgirá, aberta e bem consolidada, vai se curvar para a esquerda e descerá meio que em nível até começar a despencar de vez, curvar quase 90 graus para a direita, onde encontraremos uma arvore monstruosa e começar a percorrer um paredão de arenito que estará a nossa direita.
Não há erro, é preciso se manter quase que colado nos paredões, às vezes não mais que 5 metros de distância deles, passamos por um filete de água que despenca de cima do próprio paredão, onde poderemos abastecer os cantis, contornamos um terreno encharcado até que surpreendentemente, daremos de cara com a enorme boca da GRUTA DO FAZENDÃO.
Para quem chega, pode se surpreender com as pichações do passado, mas hoje praticamente essa prática cessou e mesmo não havendo nenhuma fiscalização, pelo estado que encontramos a trilha, percebemos que a gruta quase não está sendo visitada. Ao subir as pedras que antecedem a entrada da gruta, é possível sentir a grandiosidade do seu pórtico. A gruta do Fazendão é daqueles lugares que sempre gosto de levar os amigos e apresentar como sendo parte do meu quintal, já que a maioria do meu círculo de amizades, ligadas ao mundo de aventura, são de gente da Capital Paulista e eu acabo por me tornar um dos poucos representantes do interior. Uma vez inventei de trazer uns amigos na gruta, alguns deles jamais haviam entrada numa caverna antes, apesar de já serem exploradores que já rodaram meio mundo. E mesmo os que já estiveram em cavernas, nunca tinha entrado em cavidades areníticas, onde em algumas é preciso se rastejar feito um lagarto. E um desses amigos passou mal, deu pit, simplesmente teve uma crise de pânico e tivemos que evacuar a gruta às pressa, o que no final, rendeu muita zoeira e altas risadas.
Nos apossamos das nossas lanternas e subimos os blocos de pedras, que num passado muito distante, desmoronou do teto. No início, a impressão é que a gruta não passa de uma pequena cavidade, baixa e sem muito interesse, mas em um minuto a desconfiança da lugar a grandiosidade . Um corredor gigante se abre e o teto se eleva e nos surpreende, porque 2 minutos depois, a escuridão absoluta toma conta do lugar e quem não está familiarizado com esse tipo de ambiente, já começa a ter um desconforto. Num primeiro momento, a gruta é horizontal, anda-se em pé porque o espaço é amplo, com um grande corredor . O teto é alto , mas o chão apresenta irregularidades , onde algumas fendas vão deixando os visitantes de primeira viagem, um pouco desconfiádos.
Eu sigo à frente, fazendo as vezes de guia, mas já conhecedor dos caminhos que vão levar aos becos mais aventureiros, rapidamente abandono o caminho fácil e desimpedido , em favor de uma greta a direita do caminho, encostando na parede da caverna., onde desço por uma pequena rampa até me ver de frente à um buraco de rato.
É aqui que começa a brincadeira, num buraco de uns 50 centímetros de largura por uns 10 metros de comprimento, iremos adentrar no corredor de arenito, nos rastejando feito vermes, encostando nossas barrigas no chão e ganhando terreno metro à metro , até nos vermos dentro de um grande salão no centro da terra, com seu teto alto , sua temperatura gelada , uma cena iluminada pelas luz das nossas lanternas, como quem adentra nas histórias de Júlio Verne.
O Thiaguinho passou muito bem e parece se encantar com o novo ambiente e mesmo eu, acostumado à exploração de cavernas desde os primórdios da minha vida de aventura, ainda consigo me surpreender com esse mundo fascinante.
Uma nova passagem em formato de um pequeno pórtico, nos leva para outro salão, tão grande quando os 2 primeiros e a saída desse terceiro salão, é pela esquerda, subindo rastejando numa rampa , que vai passar por uma perigosa e profunda fenda e então virando para a direita, chegando ao salão dos morcegos , um amontoado de centenas deles, que estão agrupados no teto e ao sentirem nossa presença e nossas lanternas, tomam conta da caverna, voando de um lado para o outro, às vezes trombando nas nossas cabeças.
A saída é retornar para a esquerda, cruzando por uma passarela natural sobre a fenda que havíamos passado, com cuidado para não cair em outras cavidades, avançando lentamente, vagarosamente, até perceber ao longe, um facho de luz que nos indica a saída ou seja , o nosso ponto de partida. Foi uma exploração proveitosa e antes de deixarmos a gruta para trás, fizemos uma parada para um lanche e um gole de água.
Retornamos pelo mesmo caminho que viermos, agora subindo lentamente até reencontrarmos nossas bicicletas e ganharmos novamente a rua. Ainda iremos subir por uns 200 metros até que o terreno se estabiliza de vez, definitivamente agora, estamos em cina da CHAPADA PAULISTA, galgamos com dificuldade, mas enfim subimos à grande mesa . Logo à frente cruzamos por uma lagoinha à nossa esquerda, onde penso em me jogar , mas menos de 5 minutos , também à nossa esquerda, uma lagoa gigante desafia a minha capicidade de resistir, mas não resisto e não faço nenhuma questão. Jogo a bike no capim, tiro meu tênis e com roupa e tudo , saio correndo e me jogo na água. O calor tá de lascar e o Thiaguinho vem junto e em um minuto, somos dois moleques se regozijando nas aguas mornas .
Voltamos à estradinha até que ela chega a uma espécie de “T”, aí vamos pegar para a direita. Estamos agora indo ao encontro da Cachoeira da Lapinha e estradinha ao chegar a um cruzamento em forma de triangulo, nos obriga a viramos para a direita e aí vamos descer pra valer, tentando segurar os freios até quando ela se estabiliza, passa por uma floresta de eucalipto e aí temos que nos deter junto a um pequeno riacho que despenca no vazio, formando a cachoeira em questão.
A CACHOIERA DA LAPINHA, também é conhecida como Cachoeira do Carro Caído, devido a uma carcaça de um veículo que se encontra nos pés da queda. No passado, a gente explorou todo o vale vindo por baixo, mas a cachoeira estava com pouca água e não há propriamente uma trilha que se possa chegar partindo de cima, mas com um pouco de habilidade e sem medo dos riscos, é possível descer pela esquerda dela, desescalando uma parede perigosa, mas não ali onde a queda despenca, claro, tem que se afastar uns 300 metros, cair no leito do rio e subir até onde ela despenca.
Nos despedimos da Cachoeira, atravessamos a pontinha e seguimos adiante, apreciando as florestas de eucaliptos e sempre seguindo na principal, nosso rumo vai tomar a direção do Bar do Valentim, onde está a Cachoeira São José, sempre atentos as placas. Da Cachoeira da lapinha até a Cachoeira São José, serão exatos mais 6 km de pedalada e é um caminho belíssimo e agradável, por ser quase só descida e quando lá chegamos, nossa quilometragem vai bater exatos 25 km, pouca coisa, mas não se engane, a atividade não foi feita só de pedalar, então, já um tanto cansado, estacionamos junto ao bar, onde dezenas de pessoas se amontoam, gente de bike, de moto, de jeep, corredores de montanha, ali é parada para todas as tribos.
O bar é onde se pode tomar umas cervejas, uns sucos, comer alguma coisa ou somente descer as escadarias e ir tomar um bom banho na CACHOEIRA SÃO JOSÉ, porque a entrada é gratuita. A cachoeira não é muito alta e suas águas escuras são proveniente de terrenos areníticos com rochas basálticas, portanto, a água é avermelhada, meio cor de barro, mas com o calor que está fazendo, não vamos ficar de mi-mi-mi e não demorou muito pra gente se enfiar embaixo dela e lá ficar, aplacando o calor intenso dessa final de manhã.
Uns 15 anos atrás, eu havia chegado até aqui, mas vindo motorizado, foi quando nosso 4x4 atolou dentro de um rio e eu e minha filha ficamos horas tentando desatolá-lo, lutando contra o tempo e contra uma tempestade que se avizinhava, não levasse a gente embora caso enchesse o riacho. Acampamos próximo ao bar, mas não chegamos nem a conhecer a Cachoeira, que estava fechada. Então a partir de agora, todo o caminho à frente seria uma novidade também para mim.
Montamos nas bicicletas e prosseguimos, mas não deu nem 500 metros, fomos obrigados a desmontar novamente. O cenário que nos foi apresentado era surpreendente, sem aviso prévio, um cânion de proporções gigantescas surgiu à nossa frente. E não posso nem negar que desconhecia a sua existência, já que tinha ideia que havia uma cachoeira que despencava ali nas redondezas do bar, mas nunca que eu iria imaginar que seria daquela magnitude.
O CÂNION PASSA CINCO, me desconcertou, ainda que a grande cachoeira de mesmo nome, tivesse a sua vista muito prejudicada. Mas era mesmo surpreendente, um gigantesco abismo com bem mais de 100 metros de altura, de onde 2 quedas d’agua se precipitavam no vazio, emolduradas por uma floresta verdinha.
Claramente, por ali seria impossível descer ao fundo do cânion, então retomamos o arremedo de estrada e em mais 1,5 km, numa bifurcação tripla, vamos quebrar para esquerda e uns 150metros depois, vai surgir à direita, uma trilha que irá nos levar definitivamente para dentro do cânion. Estamos na TRILHA DO LISINHO, uma trilha somente para quem pratica motocross, com veículos especializados e com experiência vasta no assunto, evidentemente, não é nem de longe uma trilha para bicicletas, mas como ninguém havia nos dito nada, embicamos a nossa bike e fomos nos fuder naquela desgraça.
Logo no começo, já vimos que seria uma encrenca, mas sem conhecer, esperávamos que o terreno melhoraria mais à frente. Ledo engano, cada vez foi é piorando mais. As valetas eram capaz de engolir nossa bicicletas e era praticamente impossível pedalar e quando tentávamos, não era raro cairmos nos buracos e termos nossas canelas dilaceradas pelos pedais que batiam nas paredes laterais e voltavam nas nossas pernas. Aquilo foi um verdadeiro inferno, ainda que a gente se divertisse com a pataquada que acabamos nos metendo, a descida foi minando nossa energia, já que o calor ainda se mantinha insuportável.
Levamos uma meia hora ou mais para chegar ao fundo do cânion, mas mesmo assim, as trilhas ainda se mantinham confusas, parecia que não iam dar em lugar nenhum e empurrar as bicicletas já foi se tornando um verdadeiro martírio. Claro, a gente não se deu conta de que estávamos tomando decisões erradas e que deveríamos ter abandonado as bikes e seguido á pé por dentro do cânion, até conseguirmos interceptar as grandes cachoeiras. Mas chegou uma hora que a gente resolveu voltar, simplesmente o dia já começava a escorregar por entre os dedos e já havíamos passado das 14 horas e aí nos demos contas que não tínhamos mais tempo para explorações, era hora de voltar ao nosso roteiro original.
Dentro do cânion, junto ao rio que corta todo o vale, resolvemos que deveríamos atravessar para o outro lado, tentar achar um caminho que subisse as paredes opostas do vale, porque voltar pela trilha do Lisinho, estava fora de cogitação. Então atravessamos o rio com as bicicletas nas costas e ao chegarmos no centro do cânion, o horizonte se abriu e interceptamos uma sede de fazenda totalmente abandonada, um lugar lindíssimo, onde chegava uma estrada. Essa estrada ao chegar ao casarão abandonado, se transformava numa trilha que ia se enfiando para dentro do cânion, indo na direção do fundo dele, onde estavam as cachoeiras. Seguimos essa trilha por uns 5 minutos, mas logo desistimos de vez, o tempo urge, era chegado a hora de pular fora dali.
Analisamos o mapa, vislumbramos uma saída por uma perna do cânion, na verdade, outro cânion lateral. Então tomamos o rumo de quem vai em direção a entrada do vale, passamos por mais uma casa abandonada, subimos uma trilha pela sua esquerda até chegarmos ao outro cânion, onde uns bois mal-encarados nos deram as boas-vindas, louco para nos dar umas chifradas. Ali começamos a subir, na esperança que no seu final, houvesse um caminho que nos levasse para cima das paredes, ainda que tivéssemos que carregar as bikes nas costas.
Mas não adiantou, o caminho não tinha saída. Estávamos presos, não havia mais o que fazer, tínhamos que retornar, repensar nosso caminho, agora havia chegado a hora de achar uma rota de fuga. O Thiaguinho voltou rápido, eu já começava a capengar com aquela bicicleta pesada e na ânsia de alcançá-lo, meti marcha no meio da trilhinha junto ao pasto, mas um tronco estacionado fora das minhas vistas, foi o obstáculo que faltava para eu bater com a roda dianteira e ser catapultado barranco abaixo, eu de um lado, bike do outro, canela arrebentada e guidão entortado, o chão é o refúgio dos trouxas sobre 2 rodas.
Levanto-me, ainda puto, mas logo estou rindo sozinho da situação. Alcanço o Thiaguinho e tomamos o rumo da saída, passamos pelos bois, pulamos uma cerca de arame e ganhamos uma estrada larga, onde uma ponte decrepita, impede a passagem de carros. Em poucos minutos passamos por uma única casa que parecia ser habitada e ganhamos a estrada em definitivo, assim que cruzamos mais uma ponte, de onde era possível avistar sobre nossos cabeças, o MORRO DO GORILA, uma linda formação de arenito.
Verdade seja dita, a tarde praticamente já se foi e o dia já é capenga, apesar de ainda haver sol. Depois de atravessar a ponte , a estrada de areia vai seguir quase em nível, o que ajuda a gente a conseguir peladar um pouco mais forte, mas não demora muito, observo que o Thiaguinho para imediatamente à frente e sem perceber, desvio rapidamente de uma cascavel que por um pouco não picou a picou a perna dele, foi muita sorte. Dois quilômetros depois, passamos por um bar, que estava fechado , mas um senhor nos indicou que se quisessemos voltar pra Ipeúna, teríamos que virar a direira e seguir pedalando até o curral de uma fazenda, onde deveriamos contornar pela direita e nos apegarmos à estrada principal.
Como sol ja está bem baixo, os paredões do nosso lado direito, vão ficando belíssimos. Mas se o cenário é de tirar o fôlego, o caminho é de tirar a nossa paciência. O areião vai travando a gente , a pedalada não desenvolve, eu praticamente não tenho mais água, a comida acabou faz horas . Claro que poderiamos buscar socorro em algum sitio próximo, pelo menos pra buscar uma hidratação, mas a vontade é de chegar, de encerrar . As pernas já pedalam no modo automático, a minha bicicleta começa a dar sinais que o freio não quer mais funcionar e cada vez, preciso fazer mais força com as mãos.
E a gente pedala, e à frente dos nossos olhos, vão ficando para trás uma infinidade de pequenas propriedades rurais, choupanas jogadas à beira do caminho, matutos e seus animais de estimação, bois, vacas, cavalos, tratores, carroças, plantações, riachos , capões de mato, num sobe e desse sem parar, até que nem eu, nem equipamento aguentam mais . Os freios da bicicleta se foram, a minha capacidade de seguir pedalando , virou pó. Sou um homem entregue ao meu próprio sofrimento, ao meu desespero individual. Não consigo nem mensurar o que o Thiaguinho deve estar pensando de mim, também estou numa condição que nem me importo mais , sou só um homem morto que não caiu porque ainda me resta um brio interior, tentando resguardar o ultimo vestigio de dignidade que me sobrou.
Já fazia mais de hora que o sol havia nos abandonado, quando uma tempestade desabou sobre nossos ombros. A noite era tão escura , que eu mal enxergava o Thiaguinho , que desembestou na dianteira, ladeira abaixo e quando tentei acionar os freios, as rodas trepidaram, balançaram de um lado para o outro e eu me vi totalmente desamparado , virei passageiro daquela geringonça dos anos 80. A velocidade só fazia aumentar, pensei em me jogar pro barranco, mas as valetas laterais teriam me moído no buraco. Tento manter a calma, mas as minhas energias depois de mais de 12 horas de pedalada, me levam a um transe de resiliência. Penso em pular, mas aí me vem a lembrança, o dia em que eu e meu irmão, numa infância distante, nos jogamos de cima de uma bicicleta sem freio, numa ladeira da nossa aldeia e acabamos sendo trucidados pelo chão. Enfio o tênis na roda traseira, mas o solado do maldito é daqueles tênis de atletismo e o atrito não resolve porra nenhuma. Mesmo assim, continuo tentando e quando vejo que o terreno se arrefeceu um pouco, boto os pés no chão e ao encontrar um amontoado de areia, pulo, como quem pula de um caminhão desgovernado, mas sem soltar as mão da bicicleta. Fico no cai, mas não cai, danço conforme a ondulação do terreno, até que quando me vejo estabilizado, largo mão daquela merda e me esparramo na areia molhada, enquanto o veículo do satanás, de duas rodas, segue seu caminho até se deter mais à frente. Eu não sou mais ninguém, o ciclista animado da manhã, agora parece um ser que não consegue se sustentar sobre as próprias pernas , estou acabado, a vontade é sentar e chorar.
Agora a coisa ficou feia de vez. Até então, a minha capacidade de pedalar já não existia mais , só que agora, sem nada de freios, eu não conseguia nem descer as ladeiras montado, porque naquela escuridão avassaladora, não conseguia ver nada , saber se a ladeira era perigosa ou não. Então, eu subia empurrado e descia empurrando, enquanto a chuva fria castigava nossa cacunda. E nem quando o Thiaguinho me chamou a atenção para as luses da cidade, que se apresentou à nossa frente , eu me animei. Mas eu continuei, cabeça baixa , moral abaixo do volume morto . As cãibras surgirem , era algo inevitavel , a cada 15 ou 20 minutos, lá estava eu, jogado ao chão, com os musculos enriquecidos, dores tão fortes quanto a minha vergonha diante da situação.
Só quando passamos enfrente aos campings , foi que me dei conta que estavamos perto do asfalto e quando lá chegamos, minha vontade era de jogar a bicicleta fora , porque eu já não tinha mais forças nem pra pedalar no terreno plano e firme, por isso empurrei na maior parte do tempo, até que quase NOVE da noite, desembocamos em definitivo na PRAÇA CENTAL de Ipeúna, quase 13 horas de pedaladas e então , nos sentamos à frente da barraca de lanches e quando o sanduiche de costela atingiu a minha corrente sanguinia , uma lagrima escapou dos meus olhos.
Quando o Thiaguinho lançou o convite, pensei em recusar, eu estava fisicamente destruído por atividades ligadas a outros esportes tradicionais. Mas achei que seria deselegante deixá-lo na mão, já que era uma promessa antiga , que eu vinha adiando, mesmo assim , deixei bem claro que só iria com o intuito de fazer um belo passeio, apenas pra mostrar parte da região pra ele. O problema, é que a maldita palavra "passeio" jamais fez parte do nosso vocabulário, quando a gente inventa algo, será sempre acima da nossa capacidade de bom senso. O suposto passeio, se tornou numa jornada de quase 13 horas , um epopéia de achados e perdidos , que misturou montain bike com exploração de cavernas, mergulho em lagoas, descida à cânions, banho de cachoeira, pedaladas em trilhas e pastos sem caminhos . Saímos em busca de uma jornada tranquila, voltamos destruídos pela aventuda que encontramos pelo caminho.
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Mochilão America do Sul (Bolívia, Chile e Peru) – 26 dias
Olá a todos! Mais uma vez o fórum foi fundamental pra que eu montasse minha viagem, então venho aqui deixar minha contribuição.
Antes de iniciar o relato deixo aqui um vídeo feito por mim, de 2 minutos que resume bem nossa viagem
OBS: Copiei a ideia do vídeo do italiano #HumanSafari, que na minha opinião tem o melhor vídeo de trip que já assisti. Para compensar o plágio ofereci hospedagem pra ele em uma futura visita a São Paulo rs
Pra ajudar quem está montando seu próprio mochilão eu montei uma planilha com os custos que tivemos em nossa viagem. Ela está hospedada no link abaixo. Basta clicar e baixar. Lembrando que os valores são referentes a Maio de 2014, talvez alguns desses itens sofram mudança na alta temporada.
http://www.4shared.com/file/ZU3ftjgmce/mochilo_2014__final.html
OBSERVAÇÃO: Se vc está tentando fazer o download de um celular ou dispositivo movel provavelmnte não vai conseguir!!! Faça de um desktop ou note!!
>>>ATUALIZAÇÃO 09/07/2016<<<<<
Nosso brother Leo Heise fez o mesmo rolê esse ano e atualizou os valores e dados da planilha.
Vcs podem conferir a planilha do Leo nesse link aqui:
https://docs.google.com/spreadsheets/d/1yRsRiWVes2od6aiEQ4PjXSYrGb1woh3ck3ALgJzILc8/edit#gid=1726137630
Muito obrigado Leo!!!! ^^V
Iniciamos nossa aventura dia 03 de Maio. A viagem durou 26 dias, passando por Bolívia, Chile e Peru. Nosso roteiro é exatamente esse da imagem:
mapa ok por tanaguchimedeiros, no Flickr
O Grupo:
Inicialmente nosso grupo seria composto por 6 pessoas... porém o destino moveu algumas peças e nosso time foi reduzido a metade: Eu (Diogo = vulgo Tana), Terry (minha linda esposa) e Japi (leia-se Jépi)
IMG_7613 por tanaguchimedeiros, no Flickr
Preparativos / Itens de pesquisa:
Eu comecei a pesquisar aqui no fórum e na internet com quase um ano de antecedência. Alem disso também adquiri esse guia: http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/4903435
Na ocasião ele me custou em torno de R$ 60,00
Tanto internet quanto o livro foram fundamentais. Alias, cheguei a levar o livro pra viagem, ajudou muito. Recomendo.
Documentos:
Pra visitar todos esses países basta ter RG, e no caso da Bolívia também o certificado de vacinação contra Febre Amarela. Em nenhum momento nos foi solicitado o comprovante de vacinação, porem não vale a pena arriscar.
Apesar de ser necessário apenas o RG eu e os amigos de viagem resolvemos tirar passaporte. Motivo: encher ele de carimbos e transforma-lo no mais especial dos souvenires de viagem!! RS
Alem dos carimbos ao se entrar e sair de algum dos países nós também conseguimos carimbos em: Machu Picchu, Laguna Colorada e nas Ilhas Flutuantes de Uros.
DINHEIRO
No inicio do planejamento rolou um pouco de duvida quanto a isso. Seria melhor levar dinheiro em espécie? Cartões? etc... Optei simplesmente por levar um cartão de credito internacional com a função de saque no exterior habilitada (basta vc ligar na central do seu cartão e avisar quando e pra onde está indo) e um travel card com uns R$ 1.500,00 (equivalente a uns 650,00 dólares na cotação). Com ambos os cartões eu fazia saques direto na moeda local de cada pais. Pra fazer saque nos caixas eletrônicos (ATM) no exterior não necessariamente seu cartão precisa ser internacional, basta ter a “bandeirinha” PLUS atrás dele... O travel card não acabou sendo um item necessário; porem é sempre bom ter mais de uma opção pra saque...
Meu cartão trabalhou com as seguintes cotações:
1 real = 3 bolivianos
1 real = 1,10 soles
1real = 252 pesos chilenos
Eu achei bons os valores, porem CUIDADO, cada cartão trabalha com uma cotação, não necessariamente a cotação do dia. No caso do meu amigo o cartão dele usou cotações bem ruins... Pra cada saque existe uma taxa de aproximadamente 15,00 reais; então você deve se programar pra fazer poucos saques. Para cada pais que chegávamos a gente já sacava o valor que eu havia estimado (incluindo hospedagem, transporte, passeios, etc).
CUIDADO!!!!! Alguns ATMs quando vc vai sacar avisam sobre uma taxa de retirada, PROCURE OUTRO ATM!! Pois se vc aceitar vc vai estar pagando DUAS taxas de retirada!!!! (a do cartão e a do ATM)... procure ATMs que não mandem essa mensagem, pois a mesma não é referente a taxa obrigatória do cartão... é como se fosse uma taxa extra, cobrada exclusivamente pelo ATM, e nem todos a cobram.
Alem das taxas de saque também tem o maldito imposto( IOF) que é cobrado. Ao todo de IOF nessa viagem eu tive um custo final de aproximadamente R$ 100,00 ... infelizmente recentemente o IOF teve um acrescimento considerável.
Se levar dinheiro em espécie é melhor eu não sei, só sei que foi MUITO pratico fazer saques direto na moeda local. Apesar desses custos adicionais eu achei realmente muito pratico.
O QUE LEVAR?
Meus amigos de viagem ficaram com muito medo do frio de Uyuni. Então foram na Decathlon e compraram calças e blusas segunda pele, blusas corta-vento, etc... eu sou um cara mais mão de vaca, só comprei uma mochila cargueira (eu não tinha uma T___T)
Uma coisa que meus companheiros compraram e que realmente poderia ter me ajudado é uma moneybelt (vulgo doleira).
De resto eu levei roupas comuns, camisetas dryfit, jeans... pras cidades com frio extremo uma calça de moletom pra usar por baixo do jeans e uma blusa maior pra usar por cima de uma blusa mais leve...
1º Dia – Santa Cruz de La Sierra (Bolívia)
Santa Cruz foi incluída no roteiro apenas por ser o ponto de entrada na Bolívia com as passagens aéreas de entrada no pais mais baratas. A ideia era chegar e já partir para o próximo destino. Como queríamos fazer tudo da forma mais favelada possível não tomamos um 2º voo, e sim decidimos seguir de Santa Cruz para Sucre de Ônibus (17 horas de viagem... seria o ônibus nosso primeiro hotel
)
Chegando no Aeroporto de Viru-Viru o pessoal da imigração foi beeeem enrolado, perdemos um bom tempo lá. Como o próximo trajeto era bem longo tomamos um taxi direto pro terminal de ônibus... o transito de lá é muito maluco, e o taxi era uma piada, pechinchamos o mais barato no aeroporto, porem o tréco tava caindo aos pedaços hehehe o motorista não podia desacelerar se não o carro morria
O terminal de ônibus é bem caótico, todo mundo gritando o nome dos destinos e te abordando pra vender passagens, não se parece com nada que temos aqui, pelo menos na região Sudeste. Definitivamente foi em Santa Cruz onde tivemos o nosso choque inicial com uma cultura totalmente diferente
O ônibus não era dos piores, optamos por comprar o que seria uma passagem nem muito barata, nem muito cara... porem o ruim em si não é o bus, é o povo que vai nele... obviamente não estou generalizando, porem nessa viagem especifica tivemos muito azar, duas tcholas que não deviam tomar banho a um mês sentaram do nosso lado.... sério, o cheiro tava estilo dos mendigos de SP... foi foda....
Detalhe: O ônibus não tinha banheiro. Ele fez duas paradas. A primeira em uma pequena vila, onde vc pagava uma merreca pra usar o banheiro, e outra parada no meio do nada... ai desce a galera toda do buzão, incluído as mulheres, velhas, todo mundo... e eles fazem o que tem pra fazer ali mesmo hehehehe... pra mim foi tranquilo isso, mais pra mulher como minha esposa já é mais chato... na Bolívia pagar pra usar um banheiro não é garantia de banheiro limpo... alias, pensa os banheiros mais fudidos do mundo... e eu me divertindo com tudo isso hehehehe ^^V
2º Dia – Sucre (Bolívia)
Chegamos em Sucre depois de uma noite daquelas no Buzão. Eu não consegui ter uma noite de sono decente, mais deu pra dar umas cochiladas. Chegamos bem cedo em Sucre (umas 07:00 da manha), iríamos passar o dia ali e partir pra Potosi no final da tarde. Do terminal de bus fomos a pé mesmo pra Plaza 25 de Mayo e o centro histórico; a arquitetura colonial é incrível, vários prédios históricos, tudo bem organizado, arborizado e limpo. Visitamos o museu Casa de La Libertad... legalzinho, mais seria melhor se tivéssemos pagado um pouquinho a mais e feito a visita com um guia, tem muita informação e coisas lá que sem um guia acaba ficando muito superficial... não vale a pena economizar com esse tipo de coisa, ainda mais na Bolívia onde tudo é tão barato. A cidade já tem uma outra pegada, bem diferente de Santa Cruz de La Sierra, muito mais turística e agradável. Um ponto de destaque foi os lugares que comemos lá, todos com comida muito boa e os lugares bem bonitos e talz, por um preço muito justo. Por volta das 17:00 partimos rumo a Potosi... duas longas viagens de ônibus em menos de 2 dias... confesso que é bem mais cansativo do que eu imaginava... Chegamos em Potosi a noite, pegamos um taxi e fomos direto pro hostal (Koala) descansar, sem duvida um dos melhores hostals que ficamos, esse eu recomendo... infelizmente no meio da noite tive uma desagradável surpresa >_<
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3º Dia – Potosi (Bolívia)
Uma das minhas estratégias em fazer os percursos iniciais de ônibus, era alem da economia também o fato de ser melhor pra ir se aclimatando a altitude, porem acabou não sendo o suficiente, no meio da noite no hostal em Potosi eu senti dores de cabeças muito forte... mesmo tomando vários dorflexs não foi o suficiente, e infelizmente não usufrui do merecido descanso...
Pela manha partimos pra fazer o passeio nas Minas de Cerro Rico, uma mina em pleno funcionamento, onde são extraídos zinco, cobre e principalmente estanho. Definitivamente não é um passeio ligth! Você adentra as minas, os tuneis são bem estreitos, a um forte cheiro de enxofre e a respiração não flui 100%. Você desce por vários níveis e a temperatura oscila bastante, tem pontos lá embaixo que são muito quentes! É bem impactante ver a realidade em que aqueles homens trabalham todos os dias, é uma vida muito sofrida. Como eu aprecio passeios com uma certa dose de aventura pra mim foi tranquilo... Quem tem problemas de claustrofobia e coisas do gênero pode esquecer. Antes do tur você recebe botas, roupas de minero, capacete e lanterna pra cabeça. Me senti bem seguro, mais é o tipo de coisa que só seria permitido mesmo na Bolívia mesmo rs... antes do inicio do passeio eles fazem duas paradas interessantes também: a 1º em uma espécie de “refinaria”, onde eles extraem os metais da parte bruta recolhida, e outra em uma rua cheia de lojas onde os mineiros compram as coisas que usam na mina... duas coisas muito legais que eles vendem (pros mineiros e pra qualquer um que quiser comprar) são dinamite (!!!) e uma cachaça com teor alcoólico de 96%!!!! Eu experimentei uma dose, é como tomar álcool Zulu hahahahaha
Aproveitei pra comprar folhas de coca, minha primeira experiência com elas na viagem, e graças a elas minha dor de cabeça e o mal estar da altitude passaram de imediato, as folhas funcionam mesmo!! *____*
Outro coisa muito bacana é quando se está dentro da mina você vai descendo até chegar na estatua do “El Tio”, o deus dos mineiros! Ele tem uma estética meio demoníaca mais não tem nada a ver com isso, ele é um “deus da terra”, basicamente sua figura surgiu da fusão do Huari (deus do interior das montanhas) com a do diabo, que na religião católica vive debaixo da terra.
Aproveitamos o resto do dia na cidade e no final da tarde partimos pra Uyuni, um dos pontos chave da viagem, eu realmente estava muito ansioso
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4º, 5º e 6º Dia – Uyuni (Bolívia)
Chegamos em Uyuni e já era mais de meia noite, cidade deserta, temperatura beirando zero graus, muito frio >_<
Arrumamos um hostal e já fechamos o passeio pro Salar de 3 dias, sendo que no ultimo já faríamos o transfer para San Pedro de Atacama. Pensei que teríamos problemas com o hostals em Uyuni, que os mesmos seriam ruins e etc, pelo contrario, muito digno onde ficamos, infelizmente não tenho o nome nem o endereço. Para o passeio fechamos com a agencia “Thiago Tours”, ela é cheia de bandeiras do Brasil, o dono fala bem português, sem duvida eles tem um publico alvo, tanto é que no carro que fechamos pro passeio (um 4x4), as outras 3 pessoas eram brasileiros, no outro carro dessa mesma empresa a mesma coisa, 6 brasileiros. Fato que não é tão comum, a maioria absoluta de visitantes é de outras nacionalidades.
Sobre o passeio não vou me estender, não tem como descrever, é só indo mesmo, muito foda!! E nenhuma foto vai conseguir demonstrar a beleza do lugar, definitivamente foi um dos pontos altos da viagem, e sem duvida está no meu “top3” da viagem. Nada que vimos na Bolívia supera o salar.
Uma informação importante: Li em vários relatos que as acomodações no Salar eram péssimas, isso não procede, pelo menos onde ficamos. O hotel de sal da primeira noite tinha até chuveiro, dava pra tomar banho por algo em torno de 10 bolivianos; eu pensava que as camas e cobertas eram tão ruins que eu por muito pouco não levei meu saco de dormir, nada a ver, dormi perfeitamente nas duas noites. Os banheiros realmente não são dos melhores, mais não é nada do outro mundo, nada que você não vá encontrar no resto da viagem.
Na segunda noite no deserto, depois da Laguna Colorada a dor de cabeça da altitude voltou ainda mais forte, tão forte que me fez vomitar >_< ... Chá de coca, soroche pills, folha de coca, não tava resolvendo... ai o guia me deu uma espécie de essência de ervas, pra passar perto do nariz, atrás da orelha e na nuca... 2 minutos depois melhoro bem... mais tive uma noite de cão, tava tipo uns -5 graus e eu comecei a sentir um calor do capeta, tava todo agasalhado pra dormir, acabei tirando tudo e dormindo de cueca... ninguém do nosso grupo sentiu a altitude... mais eu sou a prova viva que ela existe e é muito chata
Os almoços são feitos todo pelo guia, no proprio carro!! Ele leva um botijão de gás no carro, e faz a comida lá no meio do nd!! Fiquei impressionado com a qualidade do rango, muito boa!! Alem do Salar visitamos varias lagoas de cores incriveis no meio do deserto e todos os pontos classicos do tour. No ultimo dia do passeio acordamos por volta das 4 da manha, pra poder ver o espetaculo dos geisers!! É muito legal mesmo, o frio nessa parte do passeio é intenso!! Em seguida fomos para os banhos termais! A agua é bem quente, quente que chegou ao ponto de queimar na hora de entrar! Mais o problema nem é esse, é que a temperatura fora da água estava por volta de 0 (ZERO) graus!!! então tirar a roupa pra entrar na água é um momento bem tenso, sair pra por a roupa de volta então... pqp, foda... Eu e Japi fomos os unicos que tiveram a moral de entrar ^^V
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6º, 7 º, e 8 º Dia – San Pedro de Atacama (Chile)
O ultimo dia de Uyuni começa bem cedo, e termina por volta do 12:00... o transfer é bem rápido, chegamos no Atacama por volta das 14:00. Encontramos um hostal e fomos logo pro banho! O hostal na segunda noite do salar não tinha banho, e na primeira noite era um chuveiro pra vaaaarios grupos, tinha tranquilamente umas 30 pessoas no hotel de sal... acabamos optando por ficar sem banho... a sorte é que o salar é bem frio, não se chega a transpirar, mais mesmo assim ficar sem banho é foda, não víamos a hora de chegar no Chile pra tomar uma boa ducha ^^
Aproveitamos o primeiro dia no Atacama pra curtir a cidade de boa, sem duvida pra mim foi a maior surpresa positiva, Atacama é incrível, eu não estava tão empolgado em relação a ele, mais tudo lá é muito bom, a estrutura que o Chile oferece, mesmo no deserto mais árido do mundo é muito superior aos demais locais que passamos... infelizmente isso tem um custo, a moeda no Chile é bem mais forte e aqueles trocentos zeros dos pesos chilenos acabam fazendo confusão se vc se distrair.
Um dos maiores observatórios astronômicos do mundo fica no Atacama, o Projeto Alma, os caras tem uma estrutura incrível... algumas agencias ofereciam o passeio "tour astronômico noturno", logo pensei que seria algo envolvendo o Projeto Alma, Terry e Japi ficaram empolgados... eu achei estranho pois nunca havia lido nada a respeito desse tour, porem resolvemos ir....... na boa, foi uma das decisões mais idiotas que tomamos em toda viagem... o tour astronômico você simplesmente vai pro quintal de um hotel aleatório com dois telescópios pra observação enquanto um cara muito esquisito explica sobre astros e estrelas... os telescópios não tem nada de especial, e pra completar não é lá um passeio barato, gastamos mais com esse lixo do que com os passeios top.
No dia seguinte acordamos bem cedo, alugamos bike e fomos até a Laguna Cejar uma lagoa com nível de sal tão alto, que ao entrar nela vc não afunda, mesmo ela tendo mais de 10 metros de profundidade!!! Um dos lugares mais incríveis que visitamos! O cara que aluga as bikes falou que era tranquilo o trajeto.... não é bem assim, o trajeto tem mais de 25km (50km ida/volta), é tudo em linha reta, a parte de asfalto é uma delicia, mais o longo trecho de terra é osso... se vc é ciclista e tal é suave, mais pra mim um pouco mais sedentário foi complicado, levamos quase o dia inteiro pra fazer o passeio, sendo que o cara que aluga as bikes diz que vc faz tudo em poucas horas rs... o problema mesmo foi o termino do role, a bunda tava doendo por pedalar na parte de terra, varias pedras... e as pernas estavam esgotadas... até ai ok, porem no outro dia iríamos fazer o Valle de la Luna de bike também, então foi tudo bem cansativo. O trajeto do Valle de la Luna é bem mais curto que a Laguna Cejar, ainda sim cansou bastante. Fiquei bem impressionado com ambos os passeios, os dois são realmente imperdíveis. Foi bem econômico ter ido de bike, alem de poder curtir tudo no nosso ritmo, porem acho que considerando o percurso poderíamos ter invertido a ordem dos passeios, ter feito o Valle primeiro teria nos poupado bem mais para o dia seguinte... fazer o Valle depois de pedalar os 50km foi realmente pesado.
Também fomos conhecer de bike as ruínas de Pukara no Quitor, é bem próximo do centro de Atacama, uns 3km, mais uma GRANDE DICA: para entrar nas ruínas tem que pagar um valor, que não é lá muito baixo, porem as ruínas são bem zuadinhas, eu recomendo visitar apenas a praça Pukara no Quitor, essa praça faz parte das ruínas, só que é de graça e muuuuuito mais estética e legal.
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9 º Dia - Arica (Chile), Tacna e Arequipa (Peru)
Deixamos o Atacama, passamos a noite no buzão... e que ônibus, o melhor de todos, ônibus leito (na Bolívia te vendem passagem como sendo leito mais as vezes é a mesma merda), com direito a travesseiro e cobertor, muito confortável, a empresa foi a TurBus, essa empresa vale a pena vc gravar o nome, foi perfeito.
Chegamos em Arica, era bem cedo, e pegamos o tempo nublado (primeiro da viagem), parecia que ia chover, e justamente pelo clima desanimamos de visitar o Morro de Arica, fomos em direção ao Peru. De Arica (Chile) não perdemos tempo e fomos pra Tacna (Peru), as cidades são bem próximas, fomos de Taxi mesmo, bem rápido. Tacna também não oferecia grandes atrativos, e de lá fomos pra Arequipa.
Era domingo, tudo estava bem tranquilo em Arequipa, fomos conhecer a cidade aproveitando o resto do dia; tínhamos que dormir cedo, pois o passeio do Canyon del Coca inicia as 03:30 da manha O___O
10 º, 11 º Dia - Arequipa (Peru)
Quando montava esse mochilão tive muita duvida em incluir ou não o passeio do Canyon del Coca, tem gente que fala mal, gente que fala bem, e mesmo com duvidas decidimos ir. Posso falar por mim e meus amigos, amamos o passeio, muito bom mesmo, porem podemos entender um dos grandes motivos dessa controvérsia: O grande ápice do passeio é quando se chega no ponto mais alto onde a um mirante, de lá podemos ver vários condores (a maior ave voadora do mundo *__*) voando livremente (realmente incrível) ---- o grande ponto em questão é = você pode fazer o passeio, chegar lá em cima e não ver porra nenhuma. Quando fomos tivemos realmente muita sorte, váaaaarios condores sobrevoavam o local e passavam bem perto, chegando até mesmo a um momento onde um casal de condores pousou em uma pedra bem próxima dos turistas e ficaram lá de boa, muito legal. Porem conversando com outras pessoas que fizeram o passeio em outros dias, alguns disseram que foram e nenhum condor apareceu, e também disseram que ficaram muito pouco tempo no mirante... coisa de 10 minutos O____O
Nosso grupo ficou uma hora por lá, tiramos fotos até dizer chega ^^
O que eu não gosto do que acontece nesse e em outros passeios é que eles fecham o pacote e meio que te "forçam" a almoçar em um restaurante parceiro no formato buffet (coma a vontade)... só que nesses almoços vão vários grupos, a comida acaba super rápido e não é reposta (e o rango nem sempre é dos melhores), alem de bem mais caro do que a media... então o esquema é você nunca comer nesses lugares e sempre procurar um outro lugar ou levar uns snacks.
No dia seguinte visitamos o Museu Santuários Andinos. No inicio não estávamos botando muita fé, não parecia ser legal e o valor do museu (20 soles) não ajuda a empolgar; alias os museus do Peru pra estrangeiros não tem valores muito atrativos quando se procura fazer um roteiro econômico, se você for visitar vários pode sair mais caro que alguns tours. O museu andino é muito bom, a guia explica todos os detalhes sobre a civilização Inca, eles realmente eram incríveis. E o ápice do passeio é quando você chega até a "múmia" de Juanita, uma garota Inca sacrificada pra acalmar um vulcão, impressionante ^^
Não sei precisar exatamente pelo que, talvez por um conjunto de fatores, mais Arequipa realmente foi uma cidade muito agradável, o centro histórico é fantástico, tem uma das Plaza de Armas mais bonitas que vimos, em todos os lugares que íamos éramos sempre muito bem atendidos (infelizmente peruanos e bolivianos que prestam serviços nem sempre tem um feeling legal), uma variedade muito grande de lugares bacanas pra comer e ótimas lojas de souvenires e lembrancinhas. As melhores bebidas pra dar de presente, com garrafas super estéticas de artefatos Incas e etc só encontramos lá.
Uma coisa muito engraçada que vimos foi um mendigo com um violão discutindo com um gringo >>> Em dado momento o gringo diz para o mendigo:"É assim que vcs peruanos tratam os turistas?" e o mendigo responde:" NÃO SOU PERUANO!!! SOU AREQUIPIANO!!!!!" Seguido de um chute no melhor estilo 300 de Esparta no peito do gringo!!!! kkkkkkkk essa cena foi muito engraçada, não tem como não virar fã de Arequipa S2
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12º Dia - Nasca (Peru)
Deixamos Arequipa rumo a Nasca... optamos por tomar um ônibus econômico, péssima escolha... chegamos no meio da madrugada e o ônibus não chegou a nos deixar no terminal rodoviário, nos deixou no meio do nada, nem parecia que estávamos em Nasca... tenso. Pegamos um taxi rumo ao hostal e bora descansar pros passeios do dia seguinte.
Fechamos o sobrevoo pelas Linhas de Nasca + Aquedutos + Necrópoles.
Já tinha lido relatos sobre o sobrevoo, estava ciente que não era bom tomar café antes de ir pois era comum passar mal e etc... com receio disso nem jantei no dia anterior, muito menos café da manha... não adiantou, o voo é foda mesmo, pra poder observar as linhas o aviãozinho faz umas manobras doidas o tempo todo, não teve jeito, bem na aterrissagem coloquei o que não tinha pra fora num saquinho plástico rs... não tinha nada no estomago, então foi acido gástrico puro, muito nojento
Minha esposa também deixou o dela hehehe... Apesar disso não prejudica o passeio, realmente bem legal.
Em seguida visitamos a Necrópoles de Chauchilla, legalzinho mais não imperdível.
Os aquedutos de Cantalloc eu achei bem mais legal, você pode entrar neles e até atravessar de um para outro. Foi o que tentamos fazer sem muito sucesso, sem uma lanterna é meio tenso, eu queria ter filmado a travessia, mais sem um apoio pra câmera não rola, você tem que ir engatinhando, não tem outra forma, tem que usar as duas mãos. Tem até peixes no aqueduto, a explicação deles estarem ali é muito interessante. Não conseguimos atravessar e voltamos cheio de picadas de mosquito, lá tem uns borrachudos no estilo os de Ilha Bela (SP), mais foi bom pra entrar na água super limpinha pra refrescar, tava bem calor em Nasca.
É importante ressaltar, nesse tipo de tour o guia vai dizer:"agora vamos visitar o museu de cerâmica", esse e outros museus não são nada alem do que a casa de artesões que fazem replicas de objetos do período pré-inca e das civilizações que ali habitavam... sério, é a casa das pessoas mesmo... eles dão uma explicação de como fazem aqueles objetos e vc é apresentando as peças sendo induzido a compra-las. Não compramos nada, mais é uma situação bem chata. Quando fechar esses tours não aceite visitas a esses "museus", eu pelo menos achei MUITO tosco. Simplesmente uma forma descarada de tentar fazer vc comprar artesanato local.
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13º Dia - Ica (Peru)
Ica não é um destino tão manjado, nem tão costuma fazer parte dos roteiros de mochilão, porem eu li um relato muito legal sobre ela, e fiquei bem impressionado com fotos e vídeos de alguns de seus pontos turísticos, então resolvi incluir. Acabei lendo pouco sobre a cidade e muito sobre as atrações turísticas, e ai que veio a grande surpresa... em nenhum lugar eu havia lido que Ica era uma grande cidade, pensava que ia ser uma cidade litorânea pequena... grande engano, nada de litoral próximo ao centro da cidade, e a parte central da cidade é bem urbana e caótica, sem duvida foi o centro mais caótico de toda viagem, todos os carros buzinando ao mesmo tempo, bem pior que La Paz, e centenas daquelas motos com duas vagas atrás (estilo indiano). Tínhamos uma indicação de hostal, mais quando chegamos lá vimos tantos tipos de hospedagem que resolvemos comparar preços, e realmente a diferença é grande. Inicialmente íamos pagar para um quarto triple 90 soles... depois de andar um pouco achamos por 40 soles... engraçado que bem na entrada do hostal, do outro lado da rua vimos um carro ser assaltado, e a rua desse hostal era bem estranha, a noite então... o melhor comparativo seria com as ruas do centro velho de SP, só que sem os noia. Para o dia seguinte fechamos os passeios Oasis de Huachina e Ilhas Ballestas.
A van rumo as Ilhas saem bem cedo. As ilhas não ficam exatamente em Ica, ficam no distrito de Pisco, uma outra região de Ica. O passeio consiste em tomar uma embarcação (uma grande lancha) e ir em rumo as Ilhas, belas formações rochosas no meio do oceano onde diversas espécies de aves e lobos marinhos vivem em seu habitat natural. O passeio é muito bom, infelizmente no dia que fomos o tempo estava bem nublado e frio, o que prejudica bastante o visual e o aproveitamento. Nessa lancha vc acaba se molhando bastante, e como tava bem frio foi foda rs... o que deu raiva é que de manha o tempo estava uma bosta, porem depois das 14:00 o sol saiu e o dia ficou ótimo, por sorte ainda tínhamos a visita ao Oasis de Huachina.
No passeio no Oasis vamos a bordo de um tipo de jipe muito invocado, é sério, não é como aqueles de Fortaleza ou do Nordeste do Brasil, é algo muito mais potente, e bem maiores também, cada um cabe de 8 a 12 pessoas, nas dunas do Oasis ele faz umas manobras muito insanas, é como estar num parque de diversões, muito bom ^^
Alem do jipe ainda rola um sandboard de umas alturas incríveis, nota 10. INFELIZMENTE alem do nosso grupo no jipe tinha uma família com umas 5 pessoas e depois de uns 10 minutos de manobras malucas, uma menina de uns 12 anos que estava com a família começou a chorar muito de medo, mais muito mesmo... ai foi visível a mudança de postura do motorista, que reduziu bem a intensidade do passeio... mesmo com nossos pedidos pra descer a lenha não teve jeito; enquanto a menina chorava ela gritava coisas como:"pare pelo amor de deus", soluçando em meio a lagrimas, não tinha como ficar indiferente. Então a grande dica é: procure ficar num jipe com uma galera mais jovem ou numa pegada mais animada... Em ambos os passeios em Ica foram os primeiros que houve uma predominância da população local, em todos os outros havia uma maioria de 100% de gringos, vc não vê os locais (peruanos ou bolivianos) fazendo nenhum desses passeios.... vc vê gente de Israel, Rússia, Japão, Europa... dos lugares mais inóspitos do mundo, menos locais.
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14 º, 15 º, 16 º, 17 º, 18 º, 19º Dia - Cusco e Machu Picchu (Peru)
A viagem de Ica para Cusco levou mais de 17 horas, e foi uma das piores de todo mochilão. As passagens de Ica pra Cusco esgostam rápido, o ideal é comprar logo pela manha. Com todas as passagens leito esgotadas só nos restou a opção mais econômica... como as passagens já estavam quase todas vendidas só nos sobrou lugar no fundo... foi complicado pois era do lado do banheiro... meu... só de lembrar... putz 17 horas com aquele cheiro impregnando foi bem complicado. Nesse trajeto tinha uns africanos no ultimo banco, os caras tinham uns 2 metros, e os espaços entre os bancos eram apertados; quando vc começava a pegar no sono acordava com o cotovelo deles na sua cabeça, pois se vc inclinava um pouco seu banco eles ficavam sem espaço, então se apoiavam por cima do banco >___<... é complicado explicar a cena... mais resumidamente foi outro fator maldito... apesar disso os dois eram bem educados... nada contra africanos, sem nenhum tipo de preconceito, mais os caras estavam numa catinga desgraçada... então somando banheiro e africanos, pouco espaço, uma viagem que não chega nunca, vidro do ônibus que não fechava na madrugada fria... foi daquele jeito....
Chegando em Cusco tínhamos indicação do hostal do livro, porem tava lotado, então fizemos a besteira de cair na ideia do taxista e ir no hostal indicado por ele... estávamos cansados e acabamos ficando... decisão precipitada... hostal muito ruim, na minha opinião o pior da viagem, e um valor nada justo... a localização era ótima, bem próxima a plaza de armas... mais só T____T
Nunca aceitem esse tipo de indicações, Cusco (e a maioria das cidades pelas quais passamos) tem dezenas de hostals, é só chegar e pedir pra ver o quarto (todos deixam), se preencher todos os seus pré-requisitos vc fica...
Cusco é muito foda, a cidade tem uma atmosfera única, acho que nunca vi tanto turista em um só lugar hehehe
No dia seguinte fizemos o passeio do Vale Sagrado (Ruínas de Pisaq, Ollantaytambo, Chinchero), tinha duvidas em fazer ou não o passeio, os relatos e fotos não me instigavam muito. Agora por experiencia posso dizer: Imperdível!!!
A cereja do bolo é Ollantaytambo, muito legal mesmo. O bom do tour guiado é que vc recebe uma serie de informações que dão todo sentido ao passeio, sem elas vc nem se da conta do quão foda é o lugar onde vc está, por outro lado acaba sendo meio corrido, vc não vê as coisas no seu ritmo, e acaba não visitando o lugar 100%.
Em relação a esse passeio, não recomendo fazer depois de Machu-Picchu, tentem fazer antes de ir pra lá. MP humilha qualquer outra ruína desse roteiro, depois de estar lá tudo parece mais sem graça rs
No dia seguinte ao Valle Sagrado fomos em direção a Águas Calientes (ou Machu Picchu Pueblo). É desse povoado que se parte para visitar Machu Picchu. Fizemos de uma das formas mais econômicas: Fechamos um pacote em que uma van nos levaria até a hidrelétrica de Santa Maria, e de lá iríamos caminhando até Águas Calientes (com hospedagem, refeições e ingressos para MP inclusos). O percurso de van até a hidrelétrica leva 7 (SETE.... SEEETTTTEEE) horas, depois da hidroelétrica até Águas Calientes a pé mais umas 3 horas... acordamos bem cedo pra fazer esse trajeto e com esses horários é praticamente um dia só pra ir e outro pra voltar. A estrada por onde a van vai é bem tensa, bastante mesmo, aquelas que agente só vê na TV, cheia de curvas, subindo, subindo, depois descendo, descendo... só curvas... vários trechos não tem como passar dois carros ao mesmo tempo, e a pista é mão dupla... bem surreal. Na volta, esse sobe e desce com 100% de curvas nos rendeu um momento trash: Minha esposa sentiu muito enjoo na van, eu até consegui um saco plástico pra ela vomitar, mais segundos após ela colocar tudo pra fora no saquinho, uma maldita lombada fez o saco cheio de vomito voar e cair todo em cima de mim....... foi muito nojento, vcs não tem noção
Já o trecho a pé ao invés de ser uma coisa ruim eu achei muito foda, vc vai pelos trilhos do trem, com paisagens lindíssimas, tanto que levamos bem mais de 3 horas pois íamos fazendo fotos e filmando o tempo todo. É uma caminhada considerável, e vc acaba chegando em Águas Calientes bem cansado.
No dia seguinte a tão esperada visita a Machu Picchu *_____*
Do povoado pra se chegar até lá existem duas opções: 1- de ônibus (algo em torno de 10 dólares) e 2- a pé (de graça ^^V). Obviamente optamos pela opção 2 (porem minha esposa foi de 1, ela machucou o pé durante a viagem). Como o guia estaria em MP as 6:30 da manha aguardando por nos, e a estimativa pra fazer o trajeto a pé é de 1:30 a 2 horas, tivemos que iniciar a caminhada as 04:30 da manha
Apesar de mega cedo, as ruas a esse horário já está repleta de turistas que vão fazer o mesmo caminho. Não existe nenhum tipo de iluminação após deixar a vila e iniciar a subida, é altamente recomendado que vc leve uma lanterna. Sem duvida esse trajeto foi um dos mais cansativos de toda viagem, é uma subida violenta pra MP, existe uma trilha por meio da mata por onde vc vai subindo, são degraus gigantescos. O trajeto não seria tão cansativo se não tivéssemos um horário estabelecido pra chegar lá, poderíamos ir parando pra descansar e etc, mais não.... chegamos as 6:00 quase em ponto, muita neblina...
No horário combinado chega a guia, ela vai nos levando aos principais lugares e explicando os detalhes e toda a historia... é muito foda, fascinante!! Sem guia deve ser tosco, pois alguns lugares não fazem sentido para um olhar leigo, mais existe todo uma razão por trás de cada detalhe do lugar. Após 1:30 de passeio junto a guia as explicações foram encerradas, tínhamos o resto do dia livre pra explorar todo o lugar e fazer o que quiser. Eu não imaginava que tivesse tanta coisa pra fazer lá, ficamos das 6:00 até as 17:00 (horário de fechamento) e mesmo assim ainda faltou ver algumas coisas. Lá pras umas 13:00 da tarde o sol saiu forte, até então muita neblina... nossa o sol da outra cara pro lugar, tudo fica ainda mais bonito ^^
MP é incrível mesmo, de toda viagem foi o lugar que mais gostei. Minha recomendação é fazer o passeio em que vc possa passar o dia todo lá como nós. Alguns grupos, após a explicação do guia tinham apenas umas 3 horas pra ficar lá, teve gente que foi embora sem fazer a foto clássica... até fez, mais não deve ter saído nada, a neblina realmente estava imperando de manha.
Na saída de MP não esqueça de carimbar seu passaporte!! ^^V
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20º Dia - Puno (Peru)
Depois de ser vomitado pela esposa, seguimos de Cusco para Puno. Chegamos cedo, fechamos o passeio e no final da tarde voltaríamos para a Bolívia.
O passeio das Ilhas Flutuantes de Uros consiste em visita comunidades que vivem nas águas do Titicaca e guardam um costume dos tempos pré-incaicos: construir ilhas inteiras a partir da totora, uma planta que cresce nas margens do lago.
Ao contrario do que alguns dizem, não me pareceu em nenhum momento ser uma "encenação". Fica visível o quanto eles dependem do turismo, e o quanto a atividade é importante pra eles, porem essa imagem de ser uma comunidade "fake" eu discordo totalmente. O passeio é muito legal e as Ilhas são impressionantes! Um passeio rápido e barato, valeu a pena dar essa esticadinha em Puno antes de voltar pra Bolívia ^^
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21º, 22º Dia - Copacabana (Bolívia)
Em Copacabana o objetivo era visitar a Isla de Sol. O lugar é considerando sagrado, já que lá é onde supostamente nasceram Manco Capac e Mama Ocllo, os primeiros Incas. A Ilha fica no meio do lago Titicaca, lago que mais parece um oceano, está entre os maiores do mundo. O lago cria um visual incrível pra cidade, a água é de um azul belíssimo. Decidimos pegar o barco da tarde pra Ilha (só tem barcos as 8:00 e as 13:00). Decidimos ir direto pra parte Norte da ilha, passar a noite por lá e no outro dia pela manha iniciar a travessia do lado norte até o sul. Novamente tivemos outra caminhada puxada, 10km de distancia que completamos em 3 horas. Alem do visual que só a Ilha e o Titicaca oferecem, vale muito a pena passar pelo "Complejo Chinkana", as ruínas do que poderia ser um antigo palácio inca, com conexões similares a um labirinto. A outros pontos de interesse pelos quais se passa durante a caminhada, mais sem duvida o Chinkana é o melhor. A muito mais coisas a se visitar na Ilha, porem devido ao horário de saída dos últimos barcos (16:00) não havia como fazer tudo. Antes da viagem tinha lido que as instalações do lado Norte eram bem ruins e etc, isso não procede, lá tem uma estrutura razoável, vc não vai passar fome nem dormir mal, em comparação ao lado sul realmente a infra é menor, mais eu estava esperando realmente algo bem ruim e fui surpreendido positivamente; podem ir para se hospedar do lado norte que é vitoria.
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23º, 24º e 25º Dia - La Paz (Bolívia)
La Paz era um lugar que eu aguardava ansiosamente chegar, alguns dos passeios haviam me instigado muito desde a primeira vez que li sobre eles. Em La Paz fechamos os passeios da seguinte forma:
Primeiro dia: Tiwanaku
Segundo dia: Carretera de la Muerte
Terceiro dia: Chacaltaya
Tiwanaku me decepcionou um pouco, eu realmente esperava mais. O lance histórico do lugar é incrível, ruínas de uma civilização de 1.500 AC com uma cultura bem avançada; surpreendente... porem as ruínas não estão tão bem conservadas, não empolgam. Não ver os crânios alongados no museu tbm foi bem decepcionante... eles foram retirados do museu de Tiwanaku para estudos. Nas fotos o lugar impressiona bastante, ao vivo não causa um impacto tão grande, pelo menos minha opinião. É um passeio legal, não chega a ser ruim, mais se vc tiver com tempo curto em La Paz e tiver que optar por tirar um dos passeios da sua lista, retire Tiwanaku.
Já a carretera é sem palavras, está no top 5 da viagem, sensacional!!! Uma van leva vc até 4650m de altitude e vc desce pela estrada conhecida como "a mais perigosa do mundo" até 1200m, o percurso inteiro na descida em alta velocidade!! Inicia-se pela parte nova, com asfalto, depois de algum tempo se entra na verdadeira estrada da morte, de terra e bem estreita, ainda em funcionamento e utilizada por pequenos caminhões e veículos diversos!! Esse passeio eu sem duvida posso classificar como perfeito! A equipe que organiza o tour não deixou a desejar em nenhum requisito, e tudo que vc imaginar estava incluso, até camisetas e cds de fotos (itens que normalmente são vendidos a parte). O começo é meio assustador, mais depois que vc pega confiança fica ainda mais emocionante!! Nota 10!!
Normalmente os passeios para o Chacaltaya incluem visita ao Vale de la Luna, porem nos iríamos pegar o ônibus pra Sta Cruz por volta das 17:00, então tivemos que abrir mão do Vale T__T
Chacaltaya é outro passeio top!! Primeira vez que eu e meus amigos vimos neve, então imagina a alegria da criançada né hehehe... A dois mirantes no Chacaltaya, e pra chegar ao topo de ambos tem que ter fôlego, a altitude lá é extrema, e a cada cinco passos vc é forçado a dar aquela parada e respirar fundo. A beleza de todo cenário em volta também impressiona. Passeio imperdível!
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De La Paz fomos para Sta Cruz, da onde partiria nosso voo de regresso ao Brasil.
Estávamos com bastante receio da viagem de regresso para Sta Cruz, íamos de ônibus e a viagem dura 18 horas... nossas ultimas experiências com viagens longas não eram bem favoráveis rs
E quando vc espera o pior, sempre vem as grandes surpresas. O Ônibus leito que fechamos (que nem era dos mais caros), era super confortável, esse sim era leito de verdade. O ônibus era tão bom que a viagem mais longa foi uma das mais tranquilas.
De volta a Sta Cruz, onde tomaríamos o voo de volta ao Brasil tivemos tempo de conhecer melhor a cidade e apagar aquela imagem negativa inicial do terminal de bus.
Não saberia resumir em poucas palavras como foi essa viagem. Visitamos tantas cidades, conhecemos tantas coisas novas... ler a respeito do lugar é bem diferente de vivencia-lo, foi incrível, bateu aquele saudade enquanto escrevia o relato e revia as fotos. Realizei um sonho que a muito buscava! E agora é iniciar os preparativos da próxima viagem!!
Se tiverem qualquer pergunta ou quiserem alguma dica a respeito do roteiro basta me escrever aqui no tópico ou mandar uma mensagem que eu responderei com o maior prazer, enchi o saco de varias pessoas aqui do fórum com minhas duvidas, agora é hora de retribuir ^^
Abraços!!
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