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De 03/02/2012 até 13/02/2012 estive em viagem para a Patagônia chilena na companhia dos amigos Ramon, Alexandre e Juliana. Eu e Ramon queríamos conhecer o Torres del Paine, Alexandre e Jú voltaram lá conosco para matar as saudades do parque! Amigos de viagem, obrigado pela companhia, foi demais! Amigos que colaboraram com equipamentos, dicas e energias positivas, muito obrigado! A viagem foi inesquecível. Daquelas que a gente volta pra casa já fazendo planos de quando viajar de novo para lá.

 

O roteiro:

 

Fizemos o circuito W, sendo que um pouco diferente do tradicional. Isso porque, pretendíamos conhecer o Paso John Gardner, que apesar de pertencer ao circuito "O", também foi incluído nos nossos planos. Além disso, embarcamos para lá com o parque ainda se recuperando do grande incêndio que devastou cerca de 17 mil hectares da sua área. Com isso, alguns acampamentos estavam fechados, como o Italiano. Isso nos obrigou a atravessar do Paine até o Cuernos em um só dia, reduzindo o tempo disponível para exploração do Valle del Francês.

 

Apesar do inconveniente de perdermos a parada no Italiano, nosso roteiro ainda poderia ter sido pior. Por sorte, re-abriram o trecho Paine - Grey (que estava interditado pelo incêndio) alguns dias antes de embarcamos. Tivemos sorte também de reabrirem o refúgio do Paine Grande durante nossa trilha. Caso contrário, precisaríamos atravessar do Grey ao Cuernos em um só dia.

 

[align=center]20120221115536.jpg[/align]

 

Dica para quem pretende acampar no Chilenos: Descobrimos que existe uma trilha que liga o Cuernos a este acampamento sem passar pela Hostelaria Torres. Ela começa no meio do trecho Cuerno-Torres e termina no meio do trecho Torres-Chileno. Não chegamos a utilizá-la, mas para quem vem do Cuernos, parece poupar uma grande caminhada até a Hostelaria e evitar uma subida puxada da Hostelaria até o Chileno. Essa trilha não aparece representada no mapa que recebemos na entrada do parque, mas existe sinalização formal para ela no meio da trilha.

 

O clima:

 

Não pegamos nenhum frio absurdo. Infelizmente, não tínhamos termômetro para registrar a temperatura com precisão. O maior inconveniente, na verdade foi o vento. Ele foi o fator climático que mais nos expôs a situações de insegurança e sensação térmica desconfortável. Os dias mais frios foram os no Grey. Lá pegamos temperaturas que eu compararia com as que enfrentei no inverno nas Agulhas Negras ou na Pedra do Sino. Eu chutaria cerca de 4 graus positivos à noite. Dormi em um North Face Cat's Meow (temperatura de conforto até -7C). No Grey, entrei nele com segunda pele completa e camisa por cima. Nos demais acampamentos dormi nele apenas com a calça da segunda-pele e camisa de algodão.

 

À noite e nas primeiras horas da manhã, como era de se esperar, são os momentos mais frios. Passado o Grey, durante as caminhadas, frequentemente utilizávamos apenas uma calça convencional e camisa dry-fit. Os dias mais quentes foram no acampamento do refúgio Torres, onde chegamos a ficar de bermudas durante o dia. Seja qual for a circunstância, quando ventava, ventava gelado e diminuía bastante a temperatura percebida.

 

O que sobrou:

 

- Comida: Já tinha ouvido relatos de pessoas que superestimaram este item e, mesmo assim, não conseguimos evitar de levar alguns quilos de comida apenas para passear pelo Chile. Estimar comida é sempre difícil, mas lembre-se de que pela manhã certamente você estará com pressa para por o pé na trilha, dificilmente você irá parar no meio do caminho para cozinhar seu almoço (até porque no Torres é proibido fogareiro nas trilhas) e na hora da janta você estará cansado demais para preparar um banquete.

 

- Gás e fogareiro: Calculamos 3 fogareiros e 3 cartuchos de 230g para 4 pessoas em 6 ou 7 dias de caminhada. Terminamos o circuito em 6 dias com 1 cartucho intacto e outros 2 com bastante fluido. O terceiro fogareiro nem saiu da mochila.

 

- Segunda blusa térmica: Imaginei que acabaria caminhando com uma e precisaria de outra mais limpa para dormir e usar nos refúgios após o banho. Não tive necessidade alguma de caminhar com a blusa térmica. Ou seja, bastava apenas uma para dormir. O mesmo seria verdade para a calça térmica, se eu não a tivesse ensopado de suor utilizando-a erradamente para caminhar algumas vezes. Você sai com a calça térmica no frio da manhã, mas com alguns minutos de caminhada já se torna dispensável.

 

O que faltou:

 

- Specs e cordeletes adicionais: Esteja pronto para fixar sua barraca utilizando todas as amarras que ela disponibiliza. Se você só tem o conjutinho de specs para a fixação básica, vale a pena adquirir uns adicionais para prender naquelas amarras extras que aumentam a resistência ao vento.

 

- Ajuste na capa de chuva: Usei uma Deuter Aircontact. Ela vem com uma capa de chuva de elástico, mas o elástico não é regulável. Com a ventania, minha capa e a de outros colegas que também estavam de Deuter se soltou várias vezes. A capa da Lowe Alpine permite ajuste mais rigoroso com cordinhas. Talvez de uma próxima vez eu tentasse ir com uma capa ajustável.

 

- Luva impermeável: Menosprezei a sua necessidade e acabei com as mãos dormentes devido ao vento gelado soprando nas minhas luvas molhadas pela chuva. Recomendo, principalmente para quem vai fazer o "O" ou o Grey, as partes mais frias do percurso. Comprei um par para mim em Punta Arenas, infelizmente, apenas depois da visita ao parque.

 

- Bastões de caminhada: Sempre tive resistência a eles por tirarem a mobilidade das mãos. Acabei recorrendo a um cajado de madeira improvisado durante a viagem. A primeira vista pode não parecer, mas os bastões aliviam muito o impacto nos joelhos nas descidas e poupam a musculatura da perna nas subidas. Além disso, serão úteis para manter o equilíbrio nas diversas travessias de rios e para servir de apoio contra as rajadas de vento. Comprei um par para mim em Punta Arenas, infelizmente, apenas depois da visita ao parque.

 

"Item revelação":

 

- Calça impermeável: Estava na dúvida se levaria ou não por ser mais pesada do que uma calça convencional. Acabei comprando uma Conquista Upsala no Brasil que se mostrou uma excelente aquisição. Me protegeu das chuvas frequentes, e por ser mais grossa, serviu de boa barreira contra o vento gelado e a vegetação. Usei todos os dias sem arrependimento.

 

[t3]03/02/2012 Rio -> Santiago[/t3]

 

Embarcamos no vôo de 18:25 rumo à Santiago. Havíamos comprado nossas passagens 3 meses antes, por R$ 1280 ida e volta. Todos os trechos operados pela LAN. Viagem chata, mas tranquila. Destaque para o sobrevoo da Cordilheira dos Andes. Estava quase anoitecendo e haviam muitas nuvens, mas ainda conseguimos admirar as montanhas geladas. Foi a primeira vez que vi "uma dessas" ao vivo. Fiquei muito feliz. Chegamos em torno das 22:00 horas em Santiago.

 

Estávamos levando comida liofilizada na bagagem, fora os polenguinhos, geléia de mocotó e outras coisas industrializadas. Já haviam nos avisado que a fiscalização na aduana chilena costuma ser rigorosa. Preenchemos as fichas de imigração sem omitir nenhuma informação. De nós quatro, o fiscal resolveu verificar a mochila do Ramon. Pediu para ele abrir e mostrar a comida. Ramon chateado por ter que estragar a embalagem com plástico que havíamos pago no Galeão, mostrou pro fiscal um saco de comida. Foi o suficiente para ele ficar satisfeito e nos deixar prosseguir.

 

Jantamos num restaurante no aeroporto onde conheci o típico pisco sour. Aproveitamos o caixa eletrônico do aeroporto para sacar alguns milhares de pesos chilenos. A conversão que fiz mentalmente ao longo de toda a viagem foi de 4 reais para cada mil pesos chilenos. Essa conta era rápida de ser feita, com alguma margem de segurança, ou seja, acaba resultando numa quantidade um pouco maior de reais do que a verdadeira.

 

[t3]04/02/2012 Punta Arenas -> Puerto Natales[/t3]

 

Nosso vôo partiu para Punta Arenas em torno de 01:30. Chegamos perto de 05:00 em Punta Arenas, depois de um pouso não muito fácil no pequeno aeroporto da cidade. O aeroporto é bem bonito e organizado, a despeito do seu tamanho. Estava vazio e fazia bastante frio do lado de fora. Um grupo grande de montanhistas dormia tranquilamente em seus isolantes térmicos e sacos de dormir aproveitando a privacidade oferecida pelo vão embaixo das escadas. Como aquela área nobre estava ocupada, nos instalamos nos bancos e no chão próximos a lanchonete. Tentamos dormir por ali entre um arrastar e outro das cadeiras de madeira da lanchonete. Deixamos o aeroporto em torno de 10:00, quando as lojas da Zona Franca começariam a se abrir.

 

Pagamos 3.000 pesos cada por uma van que nos levou até a Zona Franca. Descobrimos depois que teria sido mais barato pegar um táxi. Depois da Zona Franca pegamos um táxi (2.500 pesos) até o shopping Espaço Urbano Pioneiro onde existiam outras lojas de equipamentos. Ao final da tarde, pagamos mais 3.000 pesos de táxi até a viação Pacheco no centro, onde embarcamos para Puerto Natales (5.000 pesos somente ida ou 8.000 pesos ida e volta). Quando chegamos no terminal não havia mais passagens. Entretanto, um funcionário aparentemente fez um "overbooking pessoal" e nos colocou pra dentro. Nos dizia ele: "no te preocupes". Por sorte, após um pequena dança das cadeiras durante a viagem, conseguimos chegar em Puerto Natales sem sermos expulsos do ônibus. Até Natales são três horas de estrada.

 

Em Natales nos hospedamos na Casa Cecília (http://www.casaceciliahostal.com/" onclick="window.open(this.href);return false;). Pagamos 25.000 pesos por cada quarto duplo. Gostei bastante do local. Banho quente, calefação, acesso à Internet, bom café da manhã, ambiente agradável e bom atendimento. Possui mais de um banheiro de uso coletivo e estavam muito bem limpos e conservados. Pra completar, ainda pudemos deixar no armário a parte da bagagem que não utilizaríamos no parque. Logo ao chegarmos, já compramos no próprio hostel as passagens de ônibus para o parque na manhã seguinte por 6.000 pesos ida e volta.

 

Largamos nossas coisas no quarto e fomos correndo para o supermercado, antes que ele se fechasse, para garantir alguns itens de alimentação que deixamos para comprar no Chile, como queijo e presunto. Depois das compras fomos jantar no lanchonete Baguales. Um espaço agradável, muito bom para saborear a excelente cerveja produzida na cervejaria de mesmo nome. Voltamos para o hostel ansiosos por uma boa noite de sono e por começar nossa aventura no parque.

 

[t3]05/02/2012 Paine Grande -> Grey[/t3]

 

Às 7:45 o ônibus nos pegou na porta do hostel. Paramos ainda na porta de outros hostels para o embarque de outros passageiros, todos montanhistas. Muito bom o clima de expectativa pelo parque. Em cada parada gente de diversas nacionalidades, com suas mochilas gigantes nas costas e agasalhados contra o frio. Mais três horas de estrada ouvindo música em Espanhol (inclusive Zezé de Camargo e Luciano, em Espanhol) e estávamos enfim chegando no Torres del Paine.

 

Chegamos na portaria Laguna Amarga sob chuva fraca. Assim que o ônibus parou, um guarda-parque subiu para nos passar as recomendações de segurança e conservação. Foi bastante enfático sobre os campings irregulares, uso do fogo e a destinação do lixo. Ressaltou que os acampamentos Paine Grande, Italiano e Britânico estavam fechados devido ao incêndio e limitou até às 16 horas o horário de saída de qualquer acampamento, para evitar pernoites em áreas proibidas. Falou por alguns minutos e, depois, uma intérprete passou as mesmas recomendações em Inglês. Não sei se sempre fizeram isso, ou se aumentaram o cuidado após o incêndio.

 

Já estávamos cientes dos acampamentos fechados pois estávamos acompanhando as notícias sobre o incêndio pelo twitter. Fiquei preocupado, no entanto, com a recomendação sobre as cinzas no trecho Paine Grande - Grey, por onde pretendíamos passar. Segundo o guarda, seria necessário utilizar proteção para os olhos em caso de ventos. Outro ponto foi o alerta que ele fez sobre a saída do Grey. Como o Paine Grande estava fechado, ele classificou como um "tremendo pique" a saída do Grey com destino ao próximo acampamento aberto, no caso o Cuernos. Era exatamente o "tremendo pique" o que pretendíamos fazer... Rimos bastante com essa expressão mais tarde...

 

Como o tempo estava ruim, descartamos o início da trilha pelas Torres. Compradas as entradas (15.000 pesos para estrangeiros) retornamos ao ônibus com destino à Guarderia Pudeto, onde tomaríamos o catamarã até o Paine Grande, ponto de início da nossa caminhada. Lembro de ter avistado ovelhas, guanacos e flamingos pela janela do ônibus, acho que neste trecho do caminho.

 

Nos aproximando do Pudeto, o ônibus começou a atravessar trechos queimados. Ao chegarmos no píer para tomar a embarcação, era possível sentir cheiro de queimado e a paisagem era desoladora. Dentro do catamarã o cheiro persistia e a chuva aumentou. Quase não conseguíamos admirar o Lago Pehoé pelas janelas. Quando a embarcação encostou no Paine Grande, todos foram logo colocando as capas de chuva nas suas cargueiras.

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20120221020854.jpg 288 162 Paine Grande]Desembarcamos num campo de cinzas, cercando o Refúgio Paine Grande. Ficamos impressionados com o fato do fogo ter destruído toda a área no entorno do refúgio, chegando muito próximo à construção, sem no entanto, tê-la atingido. Mais tarde, fomos informados que a brigada que se encontrava dentro da construção combateu o fogo de lá de dentro nos limites de alcançar o refúgio. Ficamos imaginando os momentos de tensão que foram vividos ali! Do lado de fora, encontramos restos de outras pequenas construções, onde apenas os alicerces, banheiras de louça e envases metálicos sobreviveram às chamas.[/picturethis]

 

[picturethis2=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20120221021924.jpg 288 162 Paine Grande]Fizemos um pequeno lanche na varanda do refúgio, que se encontrava completamente fechado. Partimos às 13:30 rumo ao acampamento Grey. Foi uma subida difícil. Estávamos com todo o equipamento e alimentação dos próximos dias nas costas, choveu durante toda a trilha, ventava contra a direção do nosso deslocamento e ainda pegamos granizo. A capa de chuva da minha mochila se soltou algumas vezes. Me lembro que em certo trecho, a água escorria pela calça impermeável abaixo. Foi necessário caminhar curvado para enfrentar o vento, com uma mão evitando que a capa de chuva se soltasse e a outra protegendo o rosto dos pedaços de gelo.

 

Tentei tirar fotos no caminho e, com o vento, molhei a lente da câmera... Minha luva, que não era impermeável, ficou toda molhada, e com o vento gelado as mãos começaram a ficar dormentes. Por sorte, levei uma mais fina de backup, que foi minha salvação. A propósito, uma das escolhas mais acertadas da viagem foi comprar e levar uma calça impermeável. Comprei ainda no Brasil uma Conquista Upsala que utilizei todos os dias. Foi útil nas chuvas frequentes, e por ser mais grossa, também protegeu bem do vento frio e da vegetação. Minha Solo rip-stop era atravessada facilmente pelo vento em Punta Arenas.[/picturethis2]

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20120221022843.jpg 288 162 Trilha para o Grey]Apesar de todas as intempéries e do longo trecho caminhando entre cinzas, as primeiras visões do Glaciar Grey e das montanhas geladas são compensadoras. Com todas as nuvens, ainda tivemos a sorte de sermos surpreendidos com pequenas janelas de sol que iluminaram o Lago Grey, o glaciar e os icebergs. Irresistível bater algumas fotos, mesmo com lentes molhadas. Para mim, estas foram as primeiras surpresas da tão falada instabilidade climática da Patagônia.[/picturethis]

[picturethis2=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20120221022415.jpg 288 162 Trilha para o Grey]A trilha até o acampamento Grey foi fortemente afetada pelo incêndio. Em alguns cursos d'água, enchemos nossas garrafas com água salpicada de cinzas. O incêndio terminou bem próximo ao camping. Existiam alguns troncos de árvore sinalizando a proibição de montar barracas na área queimada. A área de camping é bem grande, com alguns lugares protegidos por árvores e custa 3.500 pesos por pessoa. Esperava que o acampamento ficasse bem às margens do Lago Grey, como vi nas fotos de amigos. Mas descobri que foi inaugurado um novo refúgio e que o antigo estava desativado.

 

Chegamos no acampamento Grey às 19:00, com 5 horas e meia de trilha. Duas horas a mais do que a previsão do mapa oficial do parque. Montamos nossas barracas sob chuva fraca e bem cansados. Para compensar o esforço da subida, o refúgio Grey ofereceu um bom banho quente (embora no banheiro sempre sujo). No refúgio também existe uma área para cozinhar que foi bastante útil em função do vento e da chuva.[/picturethis2]

 

[t3]06/02/2012 Ataque ao Paso[/t3]

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20120221103720.jpg 288 162 Baía no Grey]Apesar de não fazer parte do circuito W tradicional, havíamos decidido incluir no nosso roteiro um dia para ataque ao Paso John Gardner, onde é possível encontrar neve, além de permitir uma bela visão do Glaciar. Ainda estávamos cansados da viagem de avião e da subida ao Grey. Por isso, não acordamos muito cedo e saímos rumo ao Paso às 10:30.

 

Logo na saída, passamos pelo mirante que fica próximo ao acampamento, onde é possível avistar o Glaciar ao longe e uma simpática baía repleta de icebergs. Depois, seguimos a trilha rumo ao próximo acampamento, o Los Guardas. Depois do Los Guardas, atravessamos duas grandes ravinas. A erosão do terreno já impõe, por si só, bastante respeito. Como se não fosse suficiente, ainda existem placas indicando risco de desmoronamento, deixando claro que ali não é um lugar seguro para se ficar por muito tempo.[/picturethis]

[picturethis2=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20120221104524.jpg 162 288 Ravina rumo ao Paso]Em cada uma das ravinas, existe uma parede a ser transposta à pé e outra com auxílio de uma escada de metal. Não sei qual a pior parte. Passar pela enorme escada fixada de forma não muito confiável ou transpor à pé os instáveis paredões de areia e pedras. Como voltaríamos ao acampamento Grey no mesmo dia, estávamos apenas com as mochilas de ataque. Fiquei imaginando como seria atravessar esse trecho com cargueiras gigantes nas costas, principalmente, a parede sem escadas da primeira ravina: íngreme e com pedras rolando sobre a areia.

 

Atingimos o acampamento Paso às 14:45, depois de mais de 4 horas de trilha. Até o Paso John Gardner propriamente dito, ainda faltavam mais duas horas. Achamos então que o prudente seria retornar ao Grey. Fiquei decepcionado por não ver a neve e a vista, mas fizemos bem pois apesar de termos tido sorte com o clima na ida, a volta seria bem mais difícil.

 

Começou a ventar forte. Além das ravinas, a trilha passa por desfiladeiros bem próximos ao glaciar. Nas passagens expostas, foi preciso nos abaixarmos diversas vezes esperando as rajadas de vento mais violentas passarem. Me lembro de, em certo ponto, ter ficado abaixado por alguns minutos me segurando a uma pedra e tentando proteger de alguma forma o meu rosto, enquanto uma grande rajada de vento soprava em direção ao abismo, jogando areia na nossa cara.[/picturethis2]

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20120221104815.jpg 288 162 Glaciar Grey]Bem na minha frente, um casal com mochilas cargueiras estava deitado no chão, a espera de um momento melhor para prosseguir. A menina era pequena, mas carregava uma mochila de 60 litros lotada. Quando foi possível nos levantarmos, notei que ela tentava superar os obstáculos com um cajado de madeira improvisado, fazendo grande esforço. Logo à frente havia uma escada cavada na terra. Literalmente me arrastei pelos degraus e fiquei à espera do melhor momento para "dar o bote" no corrimão de metal que se iniciava mais adiante. Continuei a subida receoso, me segurando com força no corrimão.

 

Em uma das ravinas, meu amigo ficou sem os óculos, que foram levados pelo vento. Precisei me abaixar novamente e me segurar em outra pedra, enquanto o vento arremessava cascalho contra o meu rosto. Com certeza, o "ataque ao Paso" foi o pedaço mais perigoso do nosso roteiro. Recomendo fortemente a quem for passar por este trecho a esperar condições climáticas favoráveis no Los Guardas ou no acampamento Paso. Vento e chuva, principalmente neste trecho, podem ser fatais.[/picturethis]

[picturethis2=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20120221105324.jpg 288 162 Glaciar Grey]Passamos pelo acampamento Los Guardas às 16:45 e estávamos de volta no acampamento Grey às 17:50. Um total de 7 horas e 20 minutos de trilha, bastante cansativa. Apesar de termos abortado o ataque antes de atingirmos o objetivo final, foi um dia excelente para admirar o glaciar. A trilha segue ganhando cada vez mais altitude e avançando contra o curso da placa de gelo. As aparições do glaciar no curso da trilha vão ficando cada vez mais impressionantes. Assim que retornamos, tentamos visitar a antiga área de camping do Grey, na margem do lago. Caminhamos até bem próximo, mas a passagem estava interditada.

 

À noite, tivemos a boa notícia de que o Paine Grande havia se aberto naquele dia para hospedagem. Não estava permitido o camping, mas seria possível alugar quartos dentro do refúgio. Ficamos muito animados porque, até então, nossa única alternativa seria fazer a travessia Grey - Cuernos, o "tremendo pique". E como a Jú estava com dor no joelho, corríamos o risco de ter que regressar para Natales, se fosse de fato necessário fazer a travessia. Tentamos reservar quartos pelo rádio do Grey, mas não deixaram. O jeito seria sair cedo no dia seguinte e contar com a sorte.[/picturethis2]

 

[t3]07/02/2012 Grey -> Paine Grande[/t3]

 

Acordamos às 6:00 mas chovia forte, resolvemos aproveitar para descansar mais até que a chuva diminuísse. Ela havia nos poupado no ataque ao Paso, mas desta vez não teve jeito, tivemos que levantar acampamento sob chuva fraca. Partimos 10:00 rumo ao Paine Grande. A volta foi bem mais rápida e agradável do que a vinda. Dois dias a menos de comida nas mochilas, vento a favor, pouca chuva, nada de granizo. De qualquer forma, cheguei no Paine Grande às 14:20 com o ombro direito queimando de dor.

 

[picturethis2=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20120221110906.jpg 162 288 Refúgio Paine]No dia anterior, durante o ataque ao Paso, acabei apelando para um cajado na tentativa de poupar joelhos e a parte frontal da coxa, que estava doendo nas subidas. Pela manhã, senti que o joelho esquerdo estava dando pequenos sinais de inflamação. Por isso, fiz toda a descida ao Paine com o cajado na mão esquerda protegendo apenas este joelho. Acredito que, de alguma forma, este desbalanceamento tenha acabado afetando o ombro. Felizmente, algumas horas após desequipar, a dor tinha sumido.

 

O refúgio não estava cheio, conseguimos um quarto para nós quatro. A ideia era acampar todos os dias, mas como estava proibido ali, tivemos a chance de descansar com um pouco mais de conforto e torcer para a recuperação do joelho da Jú. O refúgio Paine Grande é muito bom. Nem todos os serviços estavam em operação pois era o segundo dia de funcionamento após o incêndio. De qualquer forma, ao contrário do Grey, o banho quente era permitido a qualquer horário! Uma dádiva! Melhor que isso, só a possibilidade de descartar lixo. No Grey, éramos obrigados a guardar todo o lixo nas mochilas.

 

A decoração do lugar é bem legal, o ambiente é super agradável, gente de todo o mundo circulando pelos corredores, pelo refeitório. Possui um banheiro coletivo bem limpo e bem estruturado. O lugar é aquecido e, da janela do nosso quarto, era possível ver o Lago Pehoé bem à frente, o Cumbre Principal e os Cuernos. Fiquei imaginando como seria ainda mais maravilhosa aquela vista antes do incêndio, com aquele enorme gramado repleto de montanhistas com suas barracas coloridas. Foi bem triste ver todo aquele terreno queimado à nossa volta.

 

Devido ao incêndio, o preço da hospedagem estava menor: 15.000 pesos por pessoa. Mais 6.000 pelo jantar. Não tivemos opção já que estava proibido cozinhar naquela região. A comida, por sua vez, foi bem fraca pro preço cobrado. Nos serviram uma sopa de tomate de entrada. O prato principal era arroz com pedaços de cebola, cenoura e, com sorte, você conseguia encontrar um ou outro pedaço de frango. De sobremesa, leite com chocolate ou chá. A única coisa realmente saborosa foi a sopa de tomate bem quente.[/picturethis2]

 

[t3]08/02/2012 Paine Grande -> Cuernos[/t3]

 

Como o acampamento Italiano estava fechado devido ao incêndio, os planos para o nosso quarto dia no parque foram caminhar do Paine até o Italiano, largar as mochilas por lá, fazer o ataque ao Valle del Francês e seguir viagem até o acampamento Cuernos. Antes de partir, deixamos de presente para a equipe do Paine a parte da nossa comida que não pudemos consumir na noite anterior e botamos o pé na trilha às 08:45.

 

Foi um dia com tempo bem aberto. Saímos do Grey bem agasalhados e com poucos minutos de trilha alguns já estavam caminhando de camisa dry-fit. Aos poucos, a vegetação queimada foi sendo deixada pra trás. Por sorte, o Valle del Francês não foi afetado pelo incêndio. Difícil dizer qual o trecho mais bonito, mas este vale é um forte concorrente. Chegamos no Italiano às 11:40. Deixamos nossas cargueiras numa pilha de mochilas ao lado da guarderia do acampamento Italiano e começamos a subida do vale ao meio dia.

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20120221111445.jpg 288 162 Valle del Francês]A trilha no vale possui vários trechos de "trepa pedras" que podem ser vencidos sem as mãos, apenas com o auxílio dos bastões de caminhada. Também existem alguns riachos a serem atravessados. A medida que avançamos, o vento e o frio vão aumentando, até chegarmos no primeiro mirante. Lá ventava muito, mas a vista é demais. É possível admirar o Glaciar Francês, as cachoeiras formadas pelo derretimento da neve, o Rio del Francês correndo pelo vale e o Lago Nordenskjöld lá em baixo.

 

Continuamos avançando em direção ao acampamento Britânico. Assistimos uma avalanche ao longe, nas paredes do Glaciar Francês. Ouvi pelo menos duas vezes o forte estrondo do desprendimento das placas de gelo do glaciar. Em torno das 14:00, decidimos retornar ao Italiano e continuar a caminhada até o Cuernos. Eu estava adorando o vale, fiquei decepcionado por não chegar até o seu final. Conhecer o Britânico e o mirante ao final do vale entrou para minha lista de pendências para a próxima viagem ao parque.[/picturethis]

[picturethis2=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20120221111656.jpg 288 162 Lago Nordenskjöld]Ainda admirado com a beleza do vale, eu estava prestes a chegar em um dos trechos que mais me marcaram na viagem. A trilha do Italiano para o Cuernos talvez seja a mais bonita do roteiro. Após belas visões do Lago Nordenskjöld, a trilha desce rumo às suas margens, onde às 17:45 encontramos uma bonita "praia" de pedras pequeninas e roliças. Impossível não tirar as mochilas e deitar por alguns minutos para admirar o verde daquele lago bem na nossa frente. Deu pena deixar a praia para trás, mas as paisagens não pararam de nos surpreender.

 

Da praia até o Cuernos, agradeci diversas vezes por estar ali, tirei muitas fotos perplexo com a beleza do lugar. Simplesmente perfeito o contraste de cores das montanhas geladas, com o verde brilhante da mata e com os diversos tons de azul e verde do Lago. A margem do Lago é toda recortada por pequenas baías com praias de pedras. A sua superfície é constantemente varrida por rajadas de vento, levantando uma frente de água que percorre rasteira toda a extensão do Lago até atingir a costa. Fomos banhados por estas frentes enquanto estávamos na praia e na trilha. Frequentemente, sobre a superfície vimos pequenos tufões de água se formando e se desfazendo.[/picturethis2]

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20120221112056.jpg 288 162 Acampamento Los Cuernos]Chegamos no acampamento Cuernos às 18:40. Ele fica encravado em uma encosta à beira do Lago e aos pés das montanhas que o dão nome. O refúgio é bem bonito e a vista para o Lago e os Cuernos dão um charme especial ao local. Ventava muito ali, afinal, as frentes que nos atingiram na trilha também subiam por aquela encosta. Nos cobraram 6.000 pesos por pessoa para acampar. Estava lotado. Com o Italiano fechado, certamente um número muito maior de viajantes foi obrigado a pernoitar por ali. Filas para usar o banheiro, para lavar louça, para escovar os dentes, para tomar banho. Área da cozinha lotada.

 

Não havia nenhum lugar razoável para montar barracas. Os únicos espaços vazios eram inclinados, cheios de pedras, raízes, desprotegidos do vento e de um eventual curso d'água da chuva. Eu e Ramon tentamos limpar um terreno removendo pedras com a faca e meu cajado, que foi quebrado durante este procedimento. Alexandre a Jú pegaram os dois últimos lugares dentro de um domo plástico montado pela equipe do parque na área de camping. Descobriram ao lado do domo um lugar que parecia melhor para a nossa barraca.[/picturethis]

[picturethis2=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20120221112112.jpg 288 162 Acampamento Los Cuernos]Ramon e eu fomos limpar o novo terreno. Outro desafio foi fixar os specs. Fora as pedras relativamente superficiais, descobrimos também que existiam outras mais profundas. Só foi possível encravar os specs usando pedras como martelo. Depois de fixados, ainda os cobrimos com mais pedras pois a noite prometia bastante vento. Como não haviam cordeletes e specs suficientes para utilizar todas as amarrações extra, demos preferência ao lado de onde o vento estava vindo.

 

Estávamos cansados e preferimos nos desgastar o mínimo com as filas. A ideia do banho foi cortada de imediato. Cozinhamos em frente a nossa barraca vendo o sol descer atrás das montanhas. Depois fomos tentar dormir. No meu lado da barraca, a remoção de pedras me poupou de pontadas, mas ganhei de presentes buracos que faziam meu isolante térmico afundar em algumas partes. Enquanto tentávamos dormir, percebemos que ainda chegavam outros grupos de montanhistas. Ficamos imaginando em que lugar aquelas pessoas conseguiriam montar suas barracas...[/picturethis2]

[t3]09/02/2012 Cuernos -> Torres[/t3]

 

Acordei com o forte barulho do vento sacudindo as árvores e a nossa barraca. Ainda estava escuro. Percebi que alguns cordeletes haviam se soltado e batiam violentamente contra o sobreteto. A barraca se sacudia com força. O vento havia mudado durante a noite e soprava exatamente do lado oposto ao que protegemos com os cordeletes adicionais. Fiquei assustado com a força do vento e com o barulho dos cordeletes soltos lá fora. De repente, fui levantado do solo pelo vento. Aí tive certeza de que precisava me preocupar...

 

Confirmei se o Ramon estava acordado e recomendei que ele vestisse o anorak. Tentei encontrar minha lanterna de cabeça mas ela não estava onde eu havia deixado. Mais tarde, descobri que ela tinha sido arremessada para o outro lado da barraca. O vento soprava constantemente e, periodicamente, uma rajada mais agressiva cruzava o camping. Percebíamos a sua chegada pelo barulho lá fora, crescendo gradativamente em nossa direção. Nestes momentos, eu me deitava bem próximo a borda da barraca tentando mantê-la grudada ao chão, enquanto o Ramon segurava as armações.

 

Arrumamos rapidamente nossas coisas para um eventual abandono da barraca. Fiquei do lado de dentro fazendo peso para a barraca não decolar enquanto o Ramon foi para o lado de fora tentar corrigir as amarrações que se soltaram e mudar os cordeletes extra de posição. Depois de alguns minutos de briga contra o vento, começou a amanhecer e decidimos que o melhor seria levantar o acampamento e partir para as Torres. Afinal, ali estava lotado e não fazia mais sentido permanecer lutando para a barraca ficar no lugar.

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20120221112946.jpg 288 162 Trilha para Torres]Mastigamos algumas bobagens como café da manhã, enquanto eu sentado na varanda do refúgio, observava as latas de metal sendo empurradas e empilhadas pelo vento no canto de uma das lixeiras gradeadas. Às 7:00 deixamos o Cuernos com destino ao acampamento anexo à Hostelaria Torres. O vento não nos abandonou durante a trilha. Continuou soprando forte todo o tempo, com rajadas violentas frequentes. Fui jogado no chão duas vezes, com mochila cargueira e tudo. Na segunda vez, eu estava descendo perto de uma ribanceira. Ao ser derrubado tentei me segurar em algumas pedras e, por muita sorte, não cortei as mãos e os joelhos.

 

Fui arrastado para fora da trilha diversas vezes. Quando percebia o som da rajada de vento vindo em nossa direção, parava, fixava o bastão de caminhada (Ramon me emprestou um dele) no chão e esperava a rajada passar. Às vezes, era melhor se abaixar. Foi o que fizemos segundos depois de pensar em colher água em um simpático laguinho no caminho. Se formou um pequeno tufão sobre o lago e o vento aumentou de repente. Nos abaixamos enquanto uma grande varrida de vento e água passou sobre nós.[/picturethis]

[picturethis2=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20120221113004.jpg 288 162 Trilha para Torres]Embora não estivéssemos numa região tão exposta quanto no ataque ao Paso, foi bem assustador o vento na trilha. Percebíamos as rajadas se aproximando de nós com o vento e o barulho ficando gradativamente mais fortes, até sermos sacudidos e arrastados pelo caminho. A Jú, que estava mais afastada de nós, nos contou que encontrou uma garota que estava sozinha e acabou desistindo do circuito por causa dos ventos. Ia voltar para Puerto Natales.

 

Achei essa a trilha com o visual menos interessante dentre as demais. Saindo do Cuernos, ela se inicia com uma grande subida. As Torres del Paine se tornam visíveis apenas nos momentos finais, já próximo da bonita Hostelaria. Mesmo assim, percorremos um belo trecho ao longo do Lago, com sua superfície sendo constantemente varrida pelo vento e formando pequenos tufões. Depois, começamos a alcançar um agradável e amplo vale, um cenário diferente dos anteriores.[/picturethis2]

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20120221113020.jpg 288 162 Trilha para Torres]Cruzamos alguns córregos e dois rios, de botas, mas com cuidado ao escolher as pedras. Já cansado, ao avistar a Hostelaria me animei. Mas o vale parecia infinito até ela, e depois ainda descobri que existiam mais 2 Km de lá até a área de camping. Cruzamos o vale com o vento soprando contra nossa caminhada. A poeira e o vento contra os olhos os encheram de lágrimas, ao ponto de escorrerem pelo rosto. Apesar do vento não pegamos frio nem chuva no percurso.

 

Chegamos às 10:40 no acampamento. Eu estava muito cansado, sujo, fraco, desidratado e com fome. Os lábios estavam ressecados e inchados. Pra completar, consegui dois arranhões na lateral da barriga durante a montagem da barraca, por conta de alguns galhos retorcidos da árvore que escolhemos como abrigo. Foi ótimo poder tomar um banho e almoçar. Para acampar, cobram 5.000 pesos por pessoa. A área de camping é bem grande, oferece várias mesas de madeira, banho quente a qualquer hora, mas não tem espaço fechado para cozinhar. Para preparar nosso almoço precisamos improvisar barreiras de pedra em torno dos fogareiros.[/picturethis]

O dia estava quente, foram muito úteis as calças-bermuda. Durante a noite, porém, choveu e ventou bastante. Havíamos pensado em jantar (o que seria um luxo: um dia com direito a almoço E janta!) mas tivemos que desistir da ideia. A barraca se sacudiu novamente, mas desta vez, havíamos reforçado a segurança com cordeletes improvisados e grande pedras. Conseguimos dormir tranquilos.

 

[t3]10/02/2012 Ataque às Torres[/t3]

 

Amanheceu frio mas sem ventos. Partimos às 7:10 rumo ao principal cartão postal do parque. Ao caminhar pelos campos em frente a Hostelaria, cruzamos com as aves engraçadas que eu havia conhecido no dia anterior e com alguns coelhos correndo desconfiados entre os arbustos. A trilha começa com uma subida bem puxada, que se estende até o acampamento Chileno. Este acampamento é muito simpático, encravado entre montanhas e à beira do bonito Rio Ascencio. Fiquei com vontade de acampar por lá. Logo percebi que muita gente também gosta de lá, pois a área de camping estava lotada. Um mar de barracas semelhante ao que encontrei na Pedra do Sino, no Rio de Janeiro.

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20120221113648.jpg 288 162 Torres del Paine]A trilha fica mais tranquila no trecho entre o Chileno e o acampamento Torres (não o acampamento da Hostelaria, mas o que fica lá em cima, bem próximo a base das Torres). Cheguei no acampamento Torres esgotado pelos 5 dias anteriores e pela subida até ali. Eram 9:30. Ainda faltava uma grande ribanceira de pedras e areia fofa por onde me arrastei imaginando como seria a visão do lago aos pés das Torres e sem forças sequer para fixar o bastão de caminhada no chão. E valeu muito a pena. Às 10:12 avistei aquele cenário lindo, que até então, eu só conhecia por fotos. Estava muito feliz.

 

Esperamos por duas horas o Sol iluminar as Torres diretamente. Ele clareou o lago algumas vezes, mas uma densa camada de nuvens insistentemente trafegava exatamente sobre as Torres. Tomamos água gelada do lago, descansamos deitados nas pedras à margem e acabamos desistindo de esperar que as nuvens dessem uma trégua. Partimos às 12:55 de volta para o nosso acampamento.[/picturethis]

[picturethis2=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20120221113707.jpg 162 288 Voltando das Torres]Quando passamos novamente pelo acampamento Chileno, lá estavam elas, as Torres iluminadas pelo sol. Mas já era tarde demais. O jeito foi colocar essa pendência na lista para o regresso ao parque, o que, se for possível, será muito bem vindo. Desci devagar a trilha de volta, poupando os joelhos e me despedindo pouco a pouco do parque. O sol já estava bem forte, iluminando as águas do Rio Ascencio que serpenteava pelo vale. Me arrependi de ter saído do acampamento com a calça térmica, que a essa altura, já estava encharcada de suor e causando muito calor.

 

Cheguei ao acampamento às 15:30, doido para tomar um banho e almoçar. Levantamos o acampamento de bermudas sob o sol forte. Caminhamos até o abrigo para esperar a van que faz o translado até a portaria Laguna Amarga por 2.500 pesos por pessoa. Embarcamos em torno das 19:30, descemos na portaria e tomamos o ônibus até Puerto Natales. Chegamos de volta à cidade em torno das 22:30. No caminho ainda tive a sorte de ver um avestruz que cruzou a estrada em frente ao nosso ônibus e uma simpática raposa que apareceu ao lado do café onde o ônibus fez uma parada.

 

Tentamos nos hospedar novamente na Casa Cecília, mas não havia lugares para todos. Nos recomendaram então o Hostal Los Pinos, bem próximo, na rua Phillipi 449. Pagamos 30.000 pesos pelo quarto duplo, desta vez com banheiro privativo. O lugar também é muito agradável, com todos os serviços que encontramos na Casa Cecília. Só não sei se seria possível deixar equipamentos guardados lá. Detalhe: ao lado funciona uma lavanderia. Pode ser útil quem precisar de umas roupas limpas a mais depois do parque.[/picturethis2]

Deixamos nossas mochilas no quarto e saímos imediatamente para o Baguales. Precisávamos comer e beber as cervejas da região, dais quais já estávamos com bastante saudade.

 

[t3]11/02/2012 Puerto Natales[/t3]

 

Destinamos este dia para descansar e passear por Puerto Natales. A cidade parece ser bem pequena, possui construções simples, e é voltada para o turismo na região, em especial para o trekking no Torres del Paine. Pelas ruas se encontra inúmeros hostels, casas de câmbio, agências de turismo, lojas para compra e aluguel de equipamento de montanha. Frequentemente cruzamos com grupos cheios de equipamento nas costas, chegando ou deixando a cidade, falando em diversos idiomas diferentes. Um clima muito agradável para quem curte montanhismo. Se no seu roteiro tiver tempo, vale a pena deixar pelo menos um ou dois dias para uma relaxada em Puerto Natales.

 

É um lugar ótimo também para quem aprecia boas cervejas. Eu não sou conhecedor, pelo contrário, no Rio nem bebo. Mas as cervejas de lá são realmente muito saborosas. Minha preferia foi a Austral Patagona. Quem passar pela região não deve deixar de experimentar uma. Existem também bons restaurantes. Comemos muito bem enquanto estivemos na cidade. Nossa única experiência ruim foi com o tal do "Pastel de Choclo", típico chileno. É uma espécie de torta de milho DOCE, mas com carne e pedaços de frango (com osso e tudo) dentro.

 

[t3]12/02/2012 Puerto Natales -> Punta Arenas[/t3]

 

Partimos de volta a Punta Arenas, no meio da manhã. Punta Arenas parece ser uma cidade bem maior do que Puerto Natales, e bem menos acolhedora. Era domingo quando voltamos para lá e andamos por algumas ruas desertas do centro da cidade a procura do restaurante La Luna (http://www.laluna.cl/" onclick="window.open(this.href);return false;). Um vento gelado atravessa minha calça rip-stop como se ela não existisse. Um alarme de carro soava ao longe insistentemente sem que ninguém intervisse. As placas metálicas afixadas nas fachadas dos estabelecimentos rangiam balançadas pelo vento de um lado para o outro. Enfim encontramos o La Luna e fiquei surpresos por ter gente lá dentro, em meio aquele clima de cidade fantasma.

 

A comida estava muito boa, apesar do atendimento não ser 100%. De qualquer forma, recomendo. Depois do almoço voltamos para a Zona Franca para comprar mais alguns equipamentos e fazer hora até o nosso vôo para Santiago. Sim, este foi o dia mais chato da viagem. Passamos horas na praça de alimentação do shopping e no saguão do aeroporto de Punta Arenas. Dica: se você quiser dormir no aeroporto, tudo bem se você montar seu saco de dormir embaixo das escadas, mas não faça isso dentro do oratório.

 

[t3]13/02/2012 Punta Arenas -> Santiago -> Rio[/t3]

 

Próximo das 04:00 nosso avião decolou de Punta Arenas com destino a Santiago. Daí pra frente foi só o despertar de um sonho para a vida real no Rio de Janeiro...

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avimeney,

 

parabéns pelo relato! realmente muito bom!

 

Pretendo voltar a patagônia no ano que vem, e coincidentemente também coloquei no meu roteiro essa esticada na primeira perna do W até o Paso John Gardner.. confesso que nunca havia visto aquela escada alí nas minhas pesquisas..

 

te pergunto, há mais de uma trilha de acesso a o paso?

 

Valeu!

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Olá, MKoerich!

 

Obrigado!

 

Olha eu só conheço duas trilhas até lá. Ou a que vem a partir do Grey (utilizada por quem faz o "W"), ou a que vem a partir do Los Perros (utilizada por quem faz o "O"). Não lembro de ter passado por nenhum "atalho", ou seja, se você for ao Paso a partir do W, certamente cruzará essas escadas. Eu também nunca tinha ouvido falar sobre elas até dar de cara com uma!! heheheh Mas depois reparei que, inclusive, no mapa oficial que você recebe na entrada do parque, tem uma foto parecida com a minha, de um cara atravessando uma dessas escadas.

 

Grande abraço,

Ângelo

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    • Por Marcelo Manente
      Em breve iniciarei o relato da aventura que está acontecendo neste momento.
      Estou hoje em Chile Chico, Chile. Seguindo para a Carretera Austral.
      Muitos perrengues, problemas da viatura, mas lugares maravilhosos para compensar tudo isso.
      Vou tentar fazer um relato com os custos de quase tudo que eu lembrar.

    • Por maizanara
      Este post é um relato sobre o auge de nossa viagem pela Patagônia: o Parque Nacional Torres del Paine (TDP),  símbolo da beleza exuberante da Patagônia Chilena e o destino dos sonhos dos amantes da natureza de todo o mundo. Vamos contar como foram os 5 dias de trekking, o famoso Circuito W.
      Tem muitas outras informações no meu blog: www.mawaybr.com.br
      Tem um post com os custos desta viagem AQUI e outro sobre como fazer as reservas AQUI.
      Acompanhe nossas aventuras no Facebook ou Instagram
       
        Relato do trekking realizado de 12 a 16 de Janeiro de 2017. Dia 1 - atento às regras
      Caminhamos desde o nosso hostel em Puerto Natales até a rodoviária. Compramos a passagem no próprio hostel. Existem várias empresas que fazem este percurso e não há diferença significativa no valor.
      A rodoviária fica lotada de trilheiros com suas mochilas enormes! Todos muito animados para a trilha de suas vidas. Durante o percurso até a entrada do parque é possível ver os guanacos pulando as cercas e a linda cadeia de montanhas ao fundo.
      Na Portería Laguna Amarga enfrentamos uma longa fila para preenchermos o termo de compromisso e pagarmos a taxa de entrada.
      É necessário assistir um pequeno vídeo com informações gerais e as regras do parque. Uma das mais importantes: não é permitido fazer fogo fora das áreas delimitadas(!!!). Entramos em outro ônibus (valor já incluso) que nos levou até a Portería Pudeto.
      Fomos os últimos a pegar o catamarã que cruzou o Lago Pehoe. A viagem não poderia iniciar de melhor maneira, à nossa direita, o imponente Los Cuernos! Compramos o bilhete do catamarã durante o trajeto.   Chegamos ao Refugio Paine Grande sem reservas e por sermos os últimos a chegar no camping, as meninas da recepção nos deixaram ficar. Muito obrigada, meninas! (AVISO: aconselho fortemente que você não faça isso!! Neste post falamos como fazer as reservas)
      CRIAMOS UMA COLEÇÃO DE CAMISETAS INSPIRADA NO CIRCUITO W, VEJA AQUI.

       
      Armamos a barraca, deixamos nossas mochilas e fomos apenas com a mochila de ataque até o mirante Grey. Muito cuidado com as comidas deixadas nas barracas, a raposa-colorada (Lycalopex culpaeus) adora lanchinhos fora de hora. Infelizmente, o que mais me impressionou neste percurso não foi a linda paisagem ao meu redor, mas o resultado do maior incêndio florestal do Chile em 2012: 18 000 hectares  queimados. Uma tristeza  ver as marcas desta grande tragédia e por isso repito: siga as regras do parque, não faça fogo nem use seu fogareiro fora das áreas destinadas. Precisamos cuidar e respeitar a natureza. Aquele lugar é espetacular e todos têm o direito de visitá-lo e apreciá-lo. Depois de quase 3 horas de caminhada e muito vento no caminho, chegamos aoMirador Grey. O tempo estava bem fechado. A geleira Grey se misturava com o céu e não dava para saber onde terminava a geleira e começava o céu. A geleira é um local impressionante! Dia 2 -  café com montanha
      Após uma noite de muito vento (dica: monte muito bem sua barraca!), tomamos café na cozinha do acampamento com uma vista incrível, arrumamos tudo e saímos.
      Logo no início da trilha, na Portería Lago Pehoe, o guarda-parque pediu para ver nossa reserva impressa do acampamentoItaliano, reservas confirmadas, pé na trilha! A cadeia de montanhas Los Cuernos estava bem escondida, mas conforme nos aproximávamos dela, mais ela aparecia, e uma caminhada de 2,5 horas, fizemos em incríveis 4,5 horas. Haja foto!
      A alegre chegada ao acampamento Italiano é anunciada pela ponte que temos que atravessar e deu um medinho! Como venta muito, ela parece bem instável. Fizemos o check-in no acampamento, conversamos com os guardas e fomos preparar nosso jantar.
      Decidimos não fazer nenhuma outra trilha neste dia pois a trilha para o Mirador Britanico fecha às 17h e a do Mirador Frances às 19h. E quando digo que a trilha fecha, ela fecha mesmo, pois um dos guardas percorre a trilha até o final para garantir que não há mais ninguém na trilha (todos os dias, imagina!).
      Dia 3 - doce ilusão
      O vento faz parte da Patagônia, aceite! Eu acordei assustada a noite, pois dormíamos debaixo da copa das árvores e o vento balançava seus galhos com força. E o medo daqueles galhos caírem sobre nós?
      Não, nenhum galho caiu, ufa! Deixamos nossos pertences no acampamento e seguimos em direção ao Mirador Britanico com nossas mochilas de ataque. Todo mundo larga suas mochilas no acampamento, isso é bem normal (também algo que tive que aceitar me acostumar). Quando chegamos ao Mirador Frances o tempo já estava muito fechado, andamos mais um pouco e decidimos voltar, afinal não conseguiríamos ver nada mesmo. Ficamos sentados um tempo esperando por uma avalanche no topo das montanhas, que também não aconteceu...
      Mesmo assim estávamos só felicidade, afinal estávamos a caminho do Refugio Los Cuernos, onde passaríamos a noite em uma linda cabana de madeira na beira do lago.   Sim, foi puro luxo! Não temos dinheiro para Não ligamos para luxo quando o assunto é hospedagem, mas há anos atrás vimos uma foto no Facebook de um casal em um ofurô com uma paisagem de tirar o fôlego ao fundo. Escrevemos para a pessoa que postou a tal foto perguntando onde era: Refugio Los Cuernos.
      Deste dia em diante, não tiramos mais aquela imagem da cabeça e estava decidido: iríamos naquele ofurô e ponto final. Não era nossa intenção ficar na cabana, mas no site estava bem claro: somente hóspedes das cabanas tinham acesso ao ofurô. Bem, com muita, mas muita dor, reservamos a tal cabana e sonhamos com este dia desde então. Parte deste valor eu havia ganho de presente de aniversário, muito obrigada Celzinha!
      Na trilha para o Refugio Los Cuernos, o sol finalmente resolveu aparecer de forma muito marcante, acentuando ainda mais a cor da lagoa. Para quem está fazendo o W invertido é descida na maior parte. Eu senti por quem estava subindo... Na minha opinião o trecho de trilha mais lindo! O vento intenso levantava a água da lagoa e até DOIS arcos-íris se formavam na nossa frente ao mesmo tempo, arrancando gargalhadas dos dois bobos incansáveis ao admirar tamanha beleza.
      Então, finalmente chegamos às cabanas e, ansiosos, vimos de longe o tal ofurô. Corremos para checar o tão sonhado ofurô de perto. Mas o que encontramos foi uma placa: MANUTENÇÃO!   Mas que #@$%&! Ficamos muito putos, bravos, arrasados tristes com a notícia, afinal estávamos esperando há anos por aquele dia, mas não tinha nada que pudéssemos fazer. A cabana era linda, tinha uma lareira, toalha limpinha, cama fofinha e chuveiro gostoso!
      Fomos conhecer o refúgio, admirar o Los Cuernos e conversar com nossos amigos e quando retornamos encontramos uma garrafa de vinho chileno e alguns docinhos. A princípio, tive a certeza que havia sido o Antonio quem preparou aquela linda surpresa (tipo cena de filme mesmo! Imaginem que romântico: uma cabana de madeira, um vinho, lareira e aquela vista incrível). Ele perdeu a chance de ganhar muitos pontos (e na sequência perder muitos mais, é claro) ao não confirmar que havia sido ele - não foi, acreditamos que foi a forma do refúgio se desculpar por destruir nossos sonhospelo inconveniente. Após muitas risadas e desapontamento (nunca vou esquecer da cara do Antonio não conseguindo confirmar que havia sido ele o autor da ideia romântica) aproveitamos o delicioso vinho.   CRIAMOS UMA COLEÇÃO DE CAMISETAS INSPIRADA NO CIRCUITO W, VEJA AQUI. Dia 4 - meu querido saco de dormir
      A noite na cabana não foi tão tranquila quanto imaginávamos, o vento era tão forte que parecia que a cabana se desmontaria. Não sobrou dinheiro para queríamos comprar a pensão completa no refúgio, fizemos nossa comida na mesma cozinha reservada para o pessoal do camping.
      Seguimos rumo ao acampamento El Chileno. Neste dia enfrentamos as 4 estações do ano, inclusive chuva. Existe um cruzamento, e você pode optar por ir para o Hotel Las Torres ou um atalho para o acampamento - é claro que optamos pelo atalho!
      No caminho vimos os bombeiros resgatando alguém em uma maca, ficamos muito assustados (depois ouvimos boatos de que a menina havia torcido o tornozelo - o que a impossibilitou de terminar a trilha, por isso todo cuidado é pouco).
      Chegando no refúgio, fizemos o check-in e fomos procurar uma plataforma para colocar nossa barraca. Dica: chegue o mais cedo que puder e coloque sua barraca, as plataformas estão colocadas num barranco, e se estiver chovendo (como estava) o chão molhado quase te impedirá de chegar em sua barraca sem cair alguns tombos.
      O jantar no refúgio foi extremamente agradável, nada de macarrão com vina, ou salsinha como vocês dizem. Entrada, prato principal e sobremesa, tudo com raio gourmetizador ativado! Não havia opção de reservar o local de camping sem todas as refeições inclusas (sim, eles são bem espertinhos).
      Ficamos na área de convivência do refúgio até tarde conversando, quando nossa amiga Tânia chega desesperada dizendo que estava entrando água dentro da barraca dela. Conseguimos alguns sacos de lixo e o Antonio foi ajudar o Beto com o "pequeno" problema. Logo em seguida entra outro trilheiro com seu saco de dormir completamente encharcado, eu entrei em desespero! Já imaginei meu saco de dormir molhado, seria o fim (que exagerada!). Pedi ao Antonio que conferisse se nossa barraca estava molhada, e para minha alegria, tudo estava completamente seco. Dia 5 - sonho realizado
      Antonio nunca havia visto neve e sempre falou que se fosse para ver neve, que fosse na montanha. Estávamos tomando café no refúgio quando vejo um ser saindo correndo gritando "Está nevando, está nevando". Parecia uma criança vendo neve pela primeira vez - e na montanha, como ele havia sonhado!
      Eu não fiquei assim tão feliz, afinal isso significava que o tempo estaria fechado nas Torres - e como eu queria ver aquelas meninas!  Tomamos um café super reforçado (incluído em nosso pacote) e seguimos a trilha até às Torres. Ao contrário dos outros dias, neste caminhamos muito rápido e os joelhos reclamaram um tanto (DICA: se puderem fazer a trilha no seu tempo, sem correr, é melhor. Fizemos isso todos os outros dias e não sentimos dor alguma).
      A trilha é pesadinha, mas isso não impede que jovens, crianças e idosos a façam, cada um no seu ritmo, no seu tempo. Eu não sabia quem eu admirava mais, se as famílias com crianças ou o grupo dos mais experientes. Quando fomos chegando pertinho da lagoa o coração foi acelerando. O Antonio foi na frente e lá do alto chamou minha atenção ao gritar uma linda declaração <3.
      Quando finalmente meus olhos encontraram as meninas (as Torres) não pude me conter de emoção - me faltam adjetivos para descrever a beleza deste local. Encontramos nossos amigos Daniel, Daniela, Beto e Tânia lá no topo, foi uma delícia compartilhar aquele momento com nossos novos amigos.
      Mas foi o tempo de contemplarmos a paisagem, tirar algumas fotos (nossa e da Maiza, coitado do Antonio) que o tempo virou completamente. As nuvens encobriram o céu azul e as Torres, e a neve começou a cair - "não era neve que você queria Antonio?"
      Muita neve! O vale também ficou completamente encoberto. A emoção de completar o circuito W, nossa primeira travessia, foi indescritível. Sensação de superação e eterna gratidão.

      CRIAMOS UMA COLEÇÃO DE CAMISETAS INSPIRADA NO CIRCUITO W, VEJA AQUI.
      Bons ventos!
    • Por maizanara
      Este post é um relato sobre o auge de nossa viagem pela Patagônia: o Parque Nacional Torres del Paine (TDP),  símbolo da beleza exuberante da Patagônia Chilena e o destino dos sonhos dos amantes da natureza de todo o mundo. Vamos contar como foram os 5 dias de trekking, o famoso Circuito W.
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        Relato do trekking realizado de 12 a 16 de Janeiro de 2017. Dia 1 - atento às regras
      Caminhamos desde o nosso hostel em Puerto Natales até a rodoviária. Compramos a passagem no próprio hostel. Existem várias empresas que fazem este percurso e não há diferença significativa no valor.
      A rodoviária fica lotada de trilheiros com suas mochilas enormes! Todos muito animados para a trilha de suas vidas. Durante o percurso até a entrada do parque é possível ver os guanacos pulando as cercas e a linda cadeia de montanhas ao fundo.
      Na Portería Laguna Amarga enfrentamos uma longa fila para preenchermos o termo de compromisso e pagarmos a taxa de entrada.
      É necessário assistir um pequeno vídeo com informações gerais e as regras do parque. Uma das mais importantes: não é permitido fazer fogo fora das áreas delimitadas(!!!). Entramos em outro ônibus (valor já incluso) que nos levou até a Portería Pudeto.
      CRIAMOS UMA COLEÇÃO DE CAMISETAS INSPIRADA NO CIRCUITO W, VEJA AQUI.

      Fomos os últimos a pegar o catamarã que cruzou o Lago Pehoe. A viagem não poderia iniciar de melhor maneira, à nossa direita, o imponente Los Cuernos! Compramos o bilhete do catamarã durante o trajeto.   Chegamos ao Refugio Paine Grande sem reservas e por sermos os últimos a chegar no camping, as meninas da recepção nos deixaram ficar. Muito obrigada, meninas! (AVISO: aconselho fortemente que você não faça isso!! )
      Armamos a barraca, deixamos nossas mochilas e fomos apenas com a mochila de ataque até o mirante Grey. Muito cuidado com as comidas deixadas nas barracas, a raposa-colorada (Lycalopex culpaeus) adora lanchinhos fora de hora. Infelizmente, o que mais me impressionou neste percurso não foi a linda paisagem ao meu redor, mas o resultado do maior incêndio florestal do Chile em 2012: 18 000 hectares  queimados. Uma tristeza  ver as marcas desta grande tragédia e por isso repito: siga as regras do parque, não faça fogo nem use seu fogareiro fora das áreas destinadas. Precisamos cuidar e respeitar a natureza. Aquele lugar é espetacular e todos têm o direito de visitá-lo e apreciá-lo. Depois de quase 3 horas de caminhada e muito vento no caminho, chegamos ao Mirador Grey. O tempo estava bem fechado. A geleira Grey se misturava com o céu e não dava para saber onde terminava a geleira e começava o céu. A geleira é um local impressionante! Dia 2 -  café com montanha
      Após uma noite de muito vento (dica: monte muito bem sua barraca!), tomamos café na cozinha do acampamento com uma vista incrível, arrumamos tudo e saímos.
      Logo no início da trilha, na Portería Lago Pehoe, o guarda-parque pediu para ver nossa reserva impressa do acampamentoItaliano, reservas confirmadas, pé na trilha! A cadeia de montanhas Los Cuernos estava bem escondida, mas conforme nos aproximávamos dela, mais ela aparecia, e uma caminhada de 2,5 horas, fizemos em incríveis 4,5 horas. Haja foto!
      A alegre chegada ao acampamento Italiano é anunciada pela ponte que temos que atravessar e deu um medinho! Como venta muito, ela parece bem instável. Fizemos o check-in no acampamento, conversamos com os guardas e fomos preparar nosso jantar.
      Decidimos não fazer nenhuma outra trilha neste dia pois a trilha para o Mirador Britanico fecha às 17h e a do Mirador Frances às 19h. E quando digo que a trilha fecha, ela fecha mesmo, pois um dos guardas percorre a trilha até o final para garantir que não há mais ninguém na trilha (todos os dias, imagina!).
      Dia 3 - doce ilusão
      O vento faz parte da Patagônia, aceite! Eu acordei assustada a noite, pois dormíamos debaixo da copa das árvores e o vento balançava seus galhos com força. E o medo daqueles galhos caírem sobre nós?
      Não, nenhum galho caiu, ufa! Deixamos nossos pertences no acampamento e seguimos em direção ao Mirador Britanico com nossas mochilas de ataque. Todo mundo larga suas mochilas no acampamento, isso é bem normal (também algo que tive que aceitar me acostumar). Quando chegamos ao Mirador Frances o tempo já estava muito fechado, andamos mais um pouco e decidimos voltar, afinal não conseguiríamos ver nada mesmo. Ficamos sentados um tempo esperando por uma avalanche no topo das montanhas, que também não aconteceu...
      Mesmo assim estávamos só felicidade, afinal estávamos a caminho do Refugio Los Cuernos, onde passaríamos a noite em uma linda cabana de madeira na beira do lago.   Sim, foi puro luxo! Não temos dinheiro para Não ligamos para luxo quando o assunto é hospedagem, mas há anos atrás vimos uma foto no Facebook de um casal em um ofurô com uma paisagem de tirar o fôlego ao fundo. Escrevemos para a pessoa que postou a tal foto perguntando onde era: Refugio Los Cuernos.
      Deste dia em diante, não tiramos mais aquela imagem da cabeça e estava decidido: iríamos naquele ofurô e ponto final. Não era nossa intenção ficar na cabana, mas no site estava bem claro: somente hóspedes das cabanas tinham acesso ao ofurô. Bem, com muita, mas muita dor, reservamos a tal cabana e sonhamos com este dia desde então. Parte deste valor eu havia ganho de presente de aniversário, muito obrigada Celzinha!
      Na trilha para o Refugio Los Cuernos, o sol finalmente resolveu aparecer de forma muito marcante, acentuando ainda mais a cor da lagoa. Para quem está fazendo o W invertido é descida na maior parte. Eu senti por quem estava subindo... Na minha opinião o trecho de trilha mais lindo! O vento intenso levantava a água da lagoa e até DOIS arcos-íris se formavam na nossa frente ao mesmo tempo, arrancando gargalhadas dos dois bobos incansáveis ao admirar tamanha beleza.
      Então, finalmente chegamos às cabanas e, ansiosos, vimos de longe o tal ofurô. Corremos para checar o tão sonhado ofurô de perto. Mas o que encontramos foi uma placa: MANUTENÇÃO!     CRIAMOS UMA COLEÇÃO DE CAMISETAS INSPIRADA NO CIRCUITO W, VEJA AQUI.   Mas que #@$%&! Ficamos muito putos, bravos, arrasados tristes com a notícia, afinal estávamos esperando há anos por aquele dia, mas não tinha nada que pudéssemos fazer. A cabana era linda, tinha uma lareira, toalha limpinha, cama fofinha e chuveiro gostoso!
      Fomos conhecer o refúgio, admirar o Los Cuernos e conversar com nossos amigos e quando retornamos encontramos uma garrafa de vinho chileno e alguns docinhos. A princípio, tive a certeza que havia sido o Antonio quem preparou aquela linda surpresa (tipo cena de filme mesmo! Imaginem que romântico: uma cabana de madeira, um vinho, lareira e aquela vista incrível). Ele perdeu a chance de ganhar muitos pontos (e na sequência perder muitos mais, é claro) ao não confirmar que havia sido ele - não foi, acreditamos que foi a forma do refúgio se desculpar por destruir nossos sonhospelo inconveniente. Após muitas risadas e desapontamento (nunca vou esquecer da cara do Antonio não conseguindo confirmar que havia sido ele o autor da ideia romântica) aproveitamos o delicioso vinho. Dia 4 - meu querido saco de dormir
      A noite na cabana não foi tão tranquila quanto imaginávamos, o vento era tão forte que parecia que a cabana se desmontaria. Não sobrou dinheiro para queríamos comprar a pensão completa no refúgio, fizemos nossa comida na mesma cozinha reservada para o pessoal do camping.
      Seguimos rumo ao acampamento El Chileno. Neste dia enfrentamos as 4 estações do ano, inclusive chuva. Existe um cruzamento, e você pode optar por ir para o Hotel Las Torres ou um atalho para o acampamento - é claro que optamos pelo atalho!
      No caminho vimos os bombeiros resgatando alguém em uma maca, ficamos muito assustados (depois ouvimos boatos de que a menina havia torcido o tornozelo - o que a impossibilitou de terminar a trilha, por isso todo cuidado é pouco).
      Chegando no refúgio, fizemos o check-in e fomos procurar uma plataforma para colocar nossa barraca. Dica: chegue o mais cedo que puder e coloque sua barraca, as plataformas estão colocadas num barranco, e se estiver chovendo (como estava) o chão molhado quase te impedirá de chegar em sua barraca sem cair alguns tombos.
      O jantar no refúgio foi extremamente agradável, nada de macarrão com vina, ou salsinha como vocês dizem. Entrada, prato principal e sobremesa, tudo com raio gourmetizador ativado! Não havia opção de reservar o local de camping sem todas as refeições inclusas (sim, eles são bem espertinhos).
      Ficamos na área de convivência do refúgio até tarde conversando, quando nossa amiga Tânia chega desesperada dizendo que estava entrando água dentro da barraca dela. Conseguimos alguns sacos de lixo e o Antonio foi ajudar o Beto com o "pequeno" problema. Logo em seguida entra outro trilheiro com seu saco de dormir completamente encharcado, eu entrei em desespero! Já imaginei meu saco de dormir molhado, seria o fim (que exagerada!). Pedi ao Antonio que conferisse se nossa barraca estava molhada, e para minha alegria, tudo estava completamente seco. Dia 5 - sonho realizado
      Antonio nunca havia visto neve e sempre falou que se fosse para ver neve, que fosse na montanha. Estávamos tomando café no refúgio quando vejo um ser saindo correndo gritando "Está nevando, está nevando". Parecia uma criança vendo neve pela primeira vez - e na montanha, como ele havia sonhado!
      Eu não fiquei assim tão feliz, afinal isso significava que o tempo estaria fechado nas Torres - e como eu queria ver aquelas meninas!  Tomamos um café super reforçado (incluído em nosso pacote) e seguimos a trilha até às Torres. Ao contrário dos outros dias, neste caminhamos muito rápido e os joelhos reclamaram um tanto (DICA: se puderem fazer a trilha no seu tempo, sem correr, é melhor. Fizemos isso todos os outros dias e não sentimos dor alguma).
      A trilha é pesadinha, mas isso não impede que jovens, crianças e idosos a façam, cada um no seu ritmo, no seu tempo. Eu não sabia quem eu admirava mais, se as famílias com crianças ou o grupo dos mais experientes. Quando fomos chegando pertinho da lagoa o coração foi acelerando. O Antonio foi na frente e lá do alto chamou minha atenção ao gritar uma linda declaração <3.
      Quando finalmente meus olhos encontraram as meninas (as Torres) não pude me conter de emoção - me faltam adjetivos para descrever a beleza deste local. Encontramos nossos amigos Daniel, Daniela, Beto e Tânia lá no topo, foi uma delícia compartilhar aquele momento com nossos novos amigos.
      Mas foi o tempo de contemplarmos a paisagem, tirar algumas fotos (nossa e da Maiza, coitado do Antonio) que o tempo virou completamente. As nuvens encobriram o céu azul e as Torres, e a neve começou a cair - "não era neve que você queria Antonio?"
      Muita neve! O vale também ficou completamente encoberto. A emoção de completar o circuito W, nossa primeira travessia, foi indescritível. Sensação de superação e eterna gratidão.

       
      CRIAMOS UMA COLEÇÃO DE CAMISETAS INSPIRADA NO CIRCUITO W, VEJA AQUI.
      Escrevi um post com os custos desta viagem AQUI.
      Bons ventos!
       
       
    • Por Ana Caroline Cunha
      Olá gente!
      Nem acredito que chegou a minha hora de deixar um relato de viagem haha eu pesquisei muito aqui nesse fórum e uma das grandes razões da viagem ter saído do papel e eu ter feito o meu primeiro mochilão sozinha foi as informações que encontrei por aqui. 
      Primeiramente, a base da minha viagem foi o relato da @appriim que está completinho nesse link aqui. Encontrei ela aqui no Mochileiros e no fim somos da mesma cidade e temos vários amigos em comum (e em breve espero que saia o encontro pessoalmente né Ana? haha)
      Fiz algumas alterações porque eu tinha alguns dias a mais que ela, então segue abaixo uma visão geral do meu roteiro e depois nos comentários vou escrevendo dia a dia.
      17/12/2019 - Florianópolis > Ushuaia
      18/12/2019 - Ushuaia - Carimbei o passaporte, comprei o ônibus para Punta Arenas e fiquei andando na cidade sem rumo
      19/12/2019 - Ushuaia - Passeio na Pinguinera + Canal Beagle e trilha no Glaciar Martial 
      20/12/2019 - Ushuaia - Laguna Esmeralda
      21/12/2019 - Ushuaia - descanso e andei pela cidade sem rumo de novo
      22/12/2019 - Ushuaia deslocamento > Punta Arenas - 12h de ônibus durante o dia
      23/12/2019 - Punta Arenas - fiz o câmbio e andei pela cidade, pela orla, fui ao mirante e cemitério as 17h peguei o ônibus para > Puerto Natales - 3h
      24/12/2019 - Puerto Natales - Aluguei um carro com o pessoal do hostel e fomos até o Parque Torres del Paine, fazendo o "Full Day" que vende em agências de forma privada
      25/12/2019 - Puerto Natales - Descanso
      26/12/2019 - Puerto Natales - Trilha Base de Torres del Paine 
      27/12/2019 - Puerto Natales deslocamento > El Calafate - 7h de ônibus durante o dia 
      28/12/2019 - El Calafate - Laguna Niemez, Lago Argentino e andei pela cidade
      29/12/2019 - El Calafate - Mini Trekking no Glaciar Perito Moreno
      30/12/2019 - El Calafate deslocamento > El Chalten - 3h de ônibus saindo as 8h
      31/12/2019 - El Chalten - Laguna de los Três / Fitz Roy 
      01/01/2020 - El Chalten - Descanso 
      02/01/2020 - El Chalten - Chorrillo Del Salto 
      03/01/2020 - El Chalten - Mirador de Los Condores e Las Aguilas 
      04/01/2020 - El Chalten - Laguna Torres / Cerro Torre
      05/01/2020 - El Chalten - Madre e Hija
      06/01/2020 - El Chalten - Descanso
      07/01/2020 - El Chalten deslocamento > El Calafate - 3h de ônibus, saindo as 8h, andei sem rumo pela cidade
      08/01/2020 - El Calafate - Lago Argentino, andei pela cidade e meu voo saiu as 19:30h para Buenos Aires > Florianópolis
      09/01/2020 - Chegada em Florianópolis 
      Gastos aproximados: 
      DESLOCAMENTO: R$ 3.000,00
      R$ 2.139,00 passagem aérea Aerolíneas Argentinas | Ida: Floripa > Buenos Aires > Ushuaia | Volta: El Calafate > Buenos Aires > Floripa R$ 180,00 entre taxi, uber, transfer aos lugares R$ 530,00 deslocamentos de ônibus R$ 135,00 aluguel de carro por 1 dia em Puerto Natales (o carro foi dividido em 4 pessoas) HOSPEDAGEM: R$ 1.280,00
      Ushuaia: ANTARCTICA HOSTEL Punta Arenas: HOSTEL ENTRE VIENTOS Puerto Natales: WE ARE PATAGONIA BACKPACKERS (pagamento em dólar estamos isentos de 19% do imposto) El Calafate: FOLK HOSTEL El Chalten: LO DE TRIVI El Calafate: FOLK SUITS Reservas feitas pelo Booking e HostelWorld
      PASSEIOS: R$ 1.650,00
      Mini Trekking Perito Moreno - R$ 700,00 - comprado no Brasil valor com cartão de crédito e IOF Pinguinera + Canal Beagle - R$ 742,00 - pago no Brasil valor com cartão de crédito e IOF | observação importante: se fazer a caminhada com os Pinguins em Punta Arenas é metade do preço e rola reservar lá mesmo no próprio hostel pro dia seguinte. Entrada Parque Torres del Paine - R$ 185,00 (paguei o preço de 2019 ainda) ALIMENTAÇÃO: R$ 1.200,00 (tem mercado, cerveja, vinho e alfajor nessa conta haha)
      BAR: R$ 200,00 (isso são os extras dos dias que fui pro bar e só consumi álcool)
      SEGURO VIAGEM: R$ 215,00
      TOTAL GASTO R$ 8.000,00 (contando souvenir, extras que eu possa ter esquecido de anotar e etc)
      Conversões realizadas: 
      1 real > 13,60 pesos argentinos (Aeroporto Ezeiza de Buenos Aires)
      1 real > 185 pesos chilenos (Casa de Câmbio em Punta Arenas)
      1 real > 16 pesos argentinos (Restaurante Casimiro em El Calafate)
      Fiz umas outras conversões zoadas porque tive perrengue de dinheiro que conto depois hahah mas essas três foram as principais que acho que vale citar. 
      TOTAL QUE GASTEI EFETIVAMENTE: R$ 8.900,00 (perdi R$ 900,00 por um golpe na conversão do câmbio no Banco do Aeroporto Ezeiza, eu dei R$ 3.200,00 e eles me converteram como se eu tivesse trocando R$ 2.300,00, fui perceber só agora que já estava no Brasil, foi falta de atenção minha como recém mochileira que achava que tinha pensado em todos os detalhes, só que não... 💔💔)
       
      Aos poucos vou contando aqui sobre a viagem dia-a-dia, ah eu também fui postando tudo no meu Instagram (@anavoando), os stories estão salvos no destaques e fui escrevendo no feed também.
      Ah, leiam o post da Ana que citei lá no começo, eu li e reli um milhão de vezes e ela dá várias dias ótimas!! 
       




       
      Espero que gostem! 
      Continuarei aos poucos,
      Ana Caroline
    • Por Filomena Almeida
      Meu nome é Filomena (Filó), sou Técnica em Eletrônica, trabalho nesta área, adoro viajar e fazer trilhas. Tenho desgaste da cartilagem dos joelhos. Na época do trekking, eu tinha 52 anos (janeiro de 2018).
      Eber trabalha na mesma empresa que eu, é meu amigo e companheiro de trilhas. Difícil encontrar alguém pra te acompanhar nessas aventuras rsrsrs. 
      Não aconselho quem é totalmente sedentário a fazer o circuito. É PUXADO! Principalmente, a última parte da trilha até a base das torres.
      Mas, é possível para quem pratica alguma atividade física.
      Encontramos várias pessoas com idade na faixa de 60 e 70 anos fazendo o Circuito W com facilidade. Carregando aquelas cargueiras enormes!!!
       
      E assim começa a nossa aventura…
       Saímos de São Paulo às 22:30(vôo era às 21:40).
      Voamos bem até Santiago, onde chegamos à 01:10 do dia 06/01. Demoramos um tempão para estacionar e depois imigração.
      Saímos do Aeroporto 02:30 da manhã em direção à casa do Ângelo(fomos pela Transvip) Chegamos lá às 03:30. Ele estava acordado nos esperando. (Agradeço demais). Ele chamou um carro pra gente voltar para o aeroporto. Às 08:00 o carro estava lá nos aguardando.
      Gastos até aqui.
      Eber: 53,50 Uber da casa dele até aeroporto.
      Filó: 13,57, Uber até Tatuapé e ônibus até aeroporto.
      Lanche no aeroporto: Las Baguetes: 92,00😱😱😱( duas baguetes, um pão de queijo e dois chocolates quentes)
      Transporte aeroporto casa do Ângelo (ida e volta): 20 dólares cada um.
      Como não tínhamos tempo, fizemos câmbio no Aeroporto mesmo( paga -se uma taxa maior).
      Saímos às 11:10. Vôo tranquilo até o pequeno aeroporto de Puerto Natales. Chegamos as 14:10. Chegamos com chuva e frio.
       
      Pegamos um micro ônibus para o centro ( 2000 pesos cada um). Ele nos deixou na porta do hostel Danicar.
      Fizemos check in e fomos procurar um lugar para almoçar. Por indicação da Bete Doriana😁😁😁 fomos no El Bote(bom restaurante e com preço justo).
      Passamos no supermercado e compramos nossa refeição para um dia, na trilha (pão integral, salaminho, todinho, biscoitos, água).
      E chovendo….
      Voltamos pro hostel, descansamos um pouco e fomos até a rodoviária para conhecer o caminho é marcar o tempo que gastaríamos.
      Voltamos pro hostel, organizamos nossa mochila e fomos dormir…
       
      Dia 07/01
       
      Acordamos às 05:30, tomamos café e cadê as pessoas do hostel??? Elas iam guardar as nossas coisas. A gente levou o mínimo possível para Torres Del Paine.
      Bati na porta do quarto da dona do hostel e apareceu uma moça, na recepção em cima da hora. Guardou o que não levaríamos e saímos correndo para a rodoviária.
       
       
       Pegamos o ônibus para TDP ( comprei a passagem pela internet na Bussur).

       
      Depois de uma hora e meia chegamos em Laguna Amarga, entrada do Parque Torres Del Paine. Todos têm que passar por aqui. Aqui compramos o ingresso para o Parque (21000 pesos), preenchemos um formulário onde concordamos com as regras do parque, principalmente em relação a questão do fogo.
      Assistimos um vídeo, onde fala da preservação e das multas e penalidades que sofrerão quem causar um incêndio no parque.
      Às 09:10 saímos de Laguna Amarga em direção a Pudeto ( mesmo ônibus). Chegamos lá 10:20. Gostaríamos de ter pegado o catamarã das 09:00, mas impossível. ( Demora-se muito na entrada do Parque.
      Pegamos o das 11:00 que saiu às 11:20😐😐😐
              
       
      Depois de uma pequena viagem pelo maravilhoso
      Lago Pehoe, chegamos em Paine Grande.
      Que lugar maravilhoso! A localização é incrível e o abrigo é muito bom!
      Estávamos muito eufóricos! Queríamos ir logo para o acampamento Grey…
      Fizemos check in, deixamos nossas mochilas no quarto e fomos direto para trilha.

       
      Uma trilha linda! Cheia de flores diversas, pássaros e cachoeiras, lagos...uma visão triste são as árvores queimadas em boa parte da trilha... são sinais incêndio que aconteceu e que quase devastou o Parque 😞😞😞
                       
       
       Primeiro,  chegamos ao Mirador Grey, melhor lugar para contemplar o Glaciar Grey, várias placas de gelo se desprendem dele e vão descendo lago abaixo
      Apesar da previsão ser de chuva, estava um dia lindo, sol brilhando! Fomos com tempo bom até quase o Acampamento Grey
      Quase chegando lá começou a chover.
      Toda a nossa volta foi debaixo de chuva.
      Saída de Paine Grande: 12:20
      Acampamento Grey:16:20
      Saída do acampamento Grey: 16:40
      Chegada em Paine Grande: 19:00
      Andamos 22 km.
      Nossos companheiros de quarto era um casal, ela: carioca,  ele: mineiro de Juiz de Fora
      Eles fizeram de Las Torres para Paine Grande, contrário da gente.
       
      Dia 08/01/18
       
      A noite foi boa. Cama boa e quente.
      Acordamos as 06:00, nos arrumamos e fomos tomar café. Comi bastante 😊😊😊
      Pegamos o nosso lanche de trilha e em baixo de chuva saímos em direção au acampamento Italianos. Isso era 08:15.
      Choveu praticamente todo o trajeto. Muita lama pelo caminho.  Mochila pesada(12 kg, a minha) e a minha jaqueta da Decathlon que dizia ser impermeável….nada tinha de impermeabilidade.
      Chegamos ao acampamento Italianos às 11:00. Muita chuva!!🌧🌧🌧🌧
       Este acampamento é simples, ruim mesmo!
      Não vi chuveiros. O banheiro é fossa. Fedido pra caramba ( ainda bem que não achamos vaga nele! Ele é grátis, administrado pelo Conaf).
      Deixamos nossas mochilas em frente a casinha do guarda e fomos para o Mirador Frances. Aqui, estamos na parte central do W. O final dessa trilha seria o Mirador Britânico, mas por causa das chuvas, este Mirador estava fechado. Teríamos que atravessar um rio e estava muito perigoso.
      Fomos até o Mirador Frances (muito chuva! Parte que eu fiquei desanimada. Minha jaqueta não me protegia(JAQUETA QUECHUA QUE NÃO SEGUROU A CHUVA, A DECATHLON TROCOU A MESMA, QUANDO VOLTEI), muito frio!
      Deste ponto a gente vê as avalanches do Glacial Frances. Mesmo com chuva, um monte de gente fica lá sentados...de repente você escuta um barulho de trovão e lá vem a avalanche…
      Fizemos nosso lanchinho e iniciamos a descida.
      De volta ao Italianos. Pegamos nossas mochilas e caminhamos mais dois quilômetros até o Frances. Chegamos às 14:10. Na recepção do acampamento (um quartinho) tinha uma placa dizendo: (volto em poucos minutos)...e lá se foi mais de uma hora esperando 😞😞😞
      Tudo que eu queria era um banho quente, tirar as roupas molhadas…
      A pessoa responsável chegou, e nos indicou quais seriam as nossas barracas. O banheiro ficava muito longe de onde estávamos!!!
      Peguei minhas coisas e lá fui eu... comecei o banho e água estava morninha, no final estava congelando ⛄⛄⛄⛄
      Lembram do banho quente que eu queria????
      Pois é.
      Depois vimos uma placa, onde dizia: banho quente das 18:00 às 22:00😡😡😡
      Primeira noite acampada. Não foi fácil.
      O acampamento fica no meio de árvores, em baixo de uma montanha com neve nos picos.
      Não tinha como medir a temperatura, mas com certeza estava na casa do zero grau! E o vento?
      Parecia que as árvores cairiam sobre a barraca e outras vezes parecia que a barraca sairia voando….
      Aqui não tinha refeições. Então levamos lanches de Puerto Natales. Nossa janta, café da manhã e almoço foram lanches.
       
      Dia 09/01/18
      Acordamos cedinho, tomamos nosso café e lá fomos nós em direção ao Acampamento das Torres Central.
      Saímos às 08:45 do acampamento Frances.
      O trajeto entre Frances e Torres Central é um dos mais bonitos do circuito W.
      Quatro quilômetros depois do Frances a gente chega no Refúgio e acampamento Los Cuernos. Lugar bem bacana!! Do lado direito você tem o magnífico Lago Nordenskjöid e do lado esquerdo a imponente formação rochosa de Los Cuernos. Ao passar pela praia de pedras na beira do Lago vimos uns russos e holandeses tomando banho nas águas geladas ⛄⛄⛄⛄⛄😱😱😱😱😱que coragem!!!!
       
       
      Depois de duas horas estávamos no Abrigo Los Cuernos, fomos ao banheiro, descansamos um pouquinho e seguimos. Muitos trechos de subida e com a mochila pesada, sentimos bastante cansaço…( neste dia meu ombro ficou inchado). Às 12:15 paramos em um lugar maravilhoso para almoçar ( aqui acabamos com os nossos suprimentos que havíamos comprado em Puerto Natales). Subimos em uma pedra bem alta e lá a visão era maravilhosa!!! Via-se todo o lago e ficamos ali um bom tempo olhando aquela maravilha…
       
       
      Los Cuernos

      A visão mais linda do Lago Nordenskjöid
       
       Chega de moleza! Mochila nas costas e vamos seguir…
      Passamos por desfiladeiros, pontes cinematográficas, flores e vegetação típica do lugar e a gente dizia: será que falta muito?
      Tinha uns americanos mais ou menos juntos com a gente, ele nos perguntaram a mesma coisa…
      Faltava mais ou menos 4 km. Andamos mais um pouco e lá estava o complexo Las Torres 🙏🙏🙏👏👏👏👏
      Durou pouco nossa animação!!!😞😞😞😞
      A gente via o complexo, mas realmente a distância até lá era de 4km… 
      Fazer o quê???!!!
      Vamos embora, tá perto.
      Então às 16:15 chegamos no nosso acampamento... MORTOS!!!
      O moço levou a gente até as nossas barracas e nos instalamos. Tomamos um bom banho e descansamos até a hora do jantar. Nosso horário era de 20:30 às 21:30. Estávamos com bastante fome!!! Não gostamos dos serviços da Fantástico Sur. Eles colocam você em alguma mesa que já tem outras pessoas( fazem isso até completar toda os lugares da mesa). Saladas, pães e sucos são de uso comum e quando você chega, às vezes já acabou e então você precisa ficar pedindo. Com tanta fome! O jantar era purê de abóbora com uns cubinhos de carne. Foi pouco!!!!😠😠😠😠
      Bora dormir, no dia seguinte será o ÁPICE da nossa trilha…
       
      Dia 10/01/2018
      Acordamos cedo. Nosso horário de café era das 08:00 às 09:00. Tomamos café, pegamos nosso lanche de trilha e às 09:10 saímos em direção às Torres. Muita gente no trajeto. Muitas pessoas que vão, somente, até elas. Primeira subida já dava uma pequenina amostra do que seria este dia!!!
      Passamos por um grupo guiado que tinha um casal de brasileiros, depois encontramos um outro casal da zona sul de São Paulo e ele disse que não aguentaria e que a primeira coisa que faria quando voltasse pra São Paulo era procurar uma academia. Ele tem 58 anos.
      Disse a ele que a gente se via lá em cima…
      Continuamos nossa subida. Logo depois veio uma descida, desfiladeiro com rolamentos de pedras!!!

       Depois desse lugar a gente chega no Acampamento Los Chilenos. Parada pro banheiro, água e vamos que vamos, pois faltam 4km até as Torres…
      A partir desse ponto a gente tem praticamente só subida 😱😱😱😱
      Uma boa parte é entre árvores, bosques lindos, cachoeiras...
                         
       
       E continua subindo…
      O último 1,5km é o mais difícil! A subida é bem ingrime e de pedras. É uma parte que dá medo, pois o vento é forte.
      Tinha um casal com bebezinho bem pertinho da chegada nas Torres!!! Aliás, vimos muitas crianças neste trajeto. Crianças e idosos! Pessoal PORRETA! Todo o meu respeito.

       
      Com passinhos curtos... chegamos na base das Torres 👏👏👏👏😁😁😁😁
      Que felicidade! Objetivo alcançado! Obrigada meu Deus!!!

       
      Vamos almoçar e depois fotos...o vento era tão forte que nos enchia a boca de areia...
      Estava muuuuuuuiiiiiito frio e ventava muito forte!
      Falei pro Eber: vamos tirar nossas fotos e voltar.
      Tiramos fotos e não nos aventuramos a saltar ou explorar as pedras, pois o vento poderia nos derrubar.

      Hora de começar a descida... muita gente subindo, outras descendo.
      O último 1,5km foi difícil pra subir. Certo? Também é difícil pra descer. Você tem a sensação que vai rolar pirambeira abaixo…
      Não tem onde se agarrar, caso caia. E os joelhos são bastante exigidos.
      Lembram do casal da zona sul de São Paulo?
      Encontramos com ele na descida. Faltava uns 40 minutos pra eles chegarem nas Torres.
      Fizemos a descida de forma tranquila…
      Gente, banheiro é um problema, principalmente, pra nós mulheres...a trilha é muito movimentada e a maior parte do trajeto não tem árvores grandes, ou seja, você passa um aperto danado 😬😬😬
      Chegamos no acampamento por volta das 17:30 e de lá a gente podia ver as Torres com toda aquela imponência… E nossa sensação era difícil explicar: conquista, superação, realização, em fim... CONSEGUIMOS!!!!!!
      Banho e jantar reconfortantes, última noite em TDP.
      Atenção para essa DICA: programe-se para sair de TDP no fim do dia. Tem um ônibus para Puerto Natales às 13:00 e ou às 19:00.
      A gente não pesquisou os horários de saída de ônibus, do Parque. Então ficamos mais uma noite lá, ou seja, mais gastos com essa noite, jantar e café da manhã! É o pior: esperar até às 13:00 para voltar a Puerto Natales.
      Mas, a gente conseguiu uma carona até às entrada do Parque e de lá pegamos um ônibus.
      Chegamos cedo em Puerto Natales, conseguimos lavar nossas roupas ( tem várias lavanderias, combram por quilo de roupas), passeamos, almoçamos na famosa pizzaria Mesita Grande...
      Dormimos e no dia seguinte partimos em direção a El Cháten e El Calafate...mais trilhas e mais aventuras vem por aí…
       
      Informações importantes:
      Duas empresas particulares administram a maior parte dos acampamentos e abrigos:
      www.verticepatagonia.cl e www.fantasticosur.com.
      Você também pode reservar alguns acampamentos gratuitos no CONAF.
      http://www.parquetorresdelpaine.cl
      A Vertice é complicada. Você não consegue fazer reserva online. Você manda um e-mail e fica esperando eles confirmarem a reserva e te mandar um link para fazer o pagamento. Eles demoram muito pra responder e enquanto isso você vai perdendo as vagas nos outros abrigos e acampamentos. Eu enviei o primeiro e-mail no dia 23/08/17. Queríamos a reserva para 07/01/18. O meu amigo já tinha enviado no início de agosto…
      Era triste 😢😢😢as vagas da Fanstaticosur iam se acabando e nada deles responderem…
      Mandei vários e-mails, em espanhol, inglês, português e finalmente, quando já pensávamos em outro destino, eles me responderam: dia 07/09/17. Confirmaram nossa reserva e aí fomos reservar os outros lugares com a Fantasticosur. Não encontramos mais vagas nos abrigos. Então ficamos acampampados. Alugamos as barracas. Não queríamos carregar peso.
      A gente já encontra a barraca montada. Muito prático!
      Não tem sinal de celular. Nos abrigos tem wi-fi, mas não compensa pagar seis dólares por hora. Conexão ruim e muita gente usando.
       
      Ah! Parei de colocar os valores gastos…
       Mas, eu gastei R$6000,00 ao todo: passagem, hospedagem, comida...este valor foi o total da viagem que incluiu El Cháten e El Calafate.
      Isso foi a dois anos atrás, mas espero que ajudem quem quer fazer essa linda e maravilhosa viagem...
      NENHUMA CÂMERA PODE CAPTURAR A BELEZA QUE NOSSOS OLHOS PODEM


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