Ir para conteúdo
  • Cadastre-se
  • Faça parte da nossa comunidade! 

    Peça ajuda, compartilhe informações, ajude outros viajantes e encontre companheiros de viagem!
    Faça parte da nossa comunidade! 

avimeney

Torres de Paine - Circuito W - fev/2012

Posts Recomendados

De 03/02/2012 até 13/02/2012 estive em viagem para a Patagônia chilena na companhia dos amigos Ramon, Alexandre e Juliana. Eu e Ramon queríamos conhecer o Torres del Paine, Alexandre e Jú voltaram lá conosco para matar as saudades do parque! Amigos de viagem, obrigado pela companhia, foi demais! Amigos que colaboraram com equipamentos, dicas e energias positivas, muito obrigado! A viagem foi inesquecível. Daquelas que a gente volta pra casa já fazendo planos de quando viajar de novo para lá.

 

O roteiro:

 

Fizemos o circuito W, sendo que um pouco diferente do tradicional. Isso porque, pretendíamos conhecer o Paso John Gardner, que apesar de pertencer ao circuito "O", também foi incluído nos nossos planos. Além disso, embarcamos para lá com o parque ainda se recuperando do grande incêndio que devastou cerca de 17 mil hectares da sua área. Com isso, alguns acampamentos estavam fechados, como o Italiano. Isso nos obrigou a atravessar do Paine até o Cuernos em um só dia, reduzindo o tempo disponível para exploração do Valle del Francês.

 

Apesar do inconveniente de perdermos a parada no Italiano, nosso roteiro ainda poderia ter sido pior. Por sorte, re-abriram o trecho Paine - Grey (que estava interditado pelo incêndio) alguns dias antes de embarcamos. Tivemos sorte também de reabrirem o refúgio do Paine Grande durante nossa trilha. Caso contrário, precisaríamos atravessar do Grey ao Cuernos em um só dia.

 

[align=center]20120221115536.jpg[/align]

 

Dica para quem pretende acampar no Chilenos: Descobrimos que existe uma trilha que liga o Cuernos a este acampamento sem passar pela Hostelaria Torres. Ela começa no meio do trecho Cuerno-Torres e termina no meio do trecho Torres-Chileno. Não chegamos a utilizá-la, mas para quem vem do Cuernos, parece poupar uma grande caminhada até a Hostelaria e evitar uma subida puxada da Hostelaria até o Chileno. Essa trilha não aparece representada no mapa que recebemos na entrada do parque, mas existe sinalização formal para ela no meio da trilha.

 

O clima:

 

Não pegamos nenhum frio absurdo. Infelizmente, não tínhamos termômetro para registrar a temperatura com precisão. O maior inconveniente, na verdade foi o vento. Ele foi o fator climático que mais nos expôs a situações de insegurança e sensação térmica desconfortável. Os dias mais frios foram os no Grey. Lá pegamos temperaturas que eu compararia com as que enfrentei no inverno nas Agulhas Negras ou na Pedra do Sino. Eu chutaria cerca de 4 graus positivos à noite. Dormi em um North Face Cat's Meow (temperatura de conforto até -7C). No Grey, entrei nele com segunda pele completa e camisa por cima. Nos demais acampamentos dormi nele apenas com a calça da segunda-pele e camisa de algodão.

 

À noite e nas primeiras horas da manhã, como era de se esperar, são os momentos mais frios. Passado o Grey, durante as caminhadas, frequentemente utilizávamos apenas uma calça convencional e camisa dry-fit. Os dias mais quentes foram no acampamento do refúgio Torres, onde chegamos a ficar de bermudas durante o dia. Seja qual for a circunstância, quando ventava, ventava gelado e diminuía bastante a temperatura percebida.

 

O que sobrou:

 

- Comida: Já tinha ouvido relatos de pessoas que superestimaram este item e, mesmo assim, não conseguimos evitar de levar alguns quilos de comida apenas para passear pelo Chile. Estimar comida é sempre difícil, mas lembre-se de que pela manhã certamente você estará com pressa para por o pé na trilha, dificilmente você irá parar no meio do caminho para cozinhar seu almoço (até porque no Torres é proibido fogareiro nas trilhas) e na hora da janta você estará cansado demais para preparar um banquete.

 

- Gás e fogareiro: Calculamos 3 fogareiros e 3 cartuchos de 230g para 4 pessoas em 6 ou 7 dias de caminhada. Terminamos o circuito em 6 dias com 1 cartucho intacto e outros 2 com bastante fluido. O terceiro fogareiro nem saiu da mochila.

 

- Segunda blusa térmica: Imaginei que acabaria caminhando com uma e precisaria de outra mais limpa para dormir e usar nos refúgios após o banho. Não tive necessidade alguma de caminhar com a blusa térmica. Ou seja, bastava apenas uma para dormir. O mesmo seria verdade para a calça térmica, se eu não a tivesse ensopado de suor utilizando-a erradamente para caminhar algumas vezes. Você sai com a calça térmica no frio da manhã, mas com alguns minutos de caminhada já se torna dispensável.

 

O que faltou:

 

- Specs e cordeletes adicionais: Esteja pronto para fixar sua barraca utilizando todas as amarras que ela disponibiliza. Se você só tem o conjutinho de specs para a fixação básica, vale a pena adquirir uns adicionais para prender naquelas amarras extras que aumentam a resistência ao vento.

 

- Ajuste na capa de chuva: Usei uma Deuter Aircontact. Ela vem com uma capa de chuva de elástico, mas o elástico não é regulável. Com a ventania, minha capa e a de outros colegas que também estavam de Deuter se soltou várias vezes. A capa da Lowe Alpine permite ajuste mais rigoroso com cordinhas. Talvez de uma próxima vez eu tentasse ir com uma capa ajustável.

 

- Luva impermeável: Menosprezei a sua necessidade e acabei com as mãos dormentes devido ao vento gelado soprando nas minhas luvas molhadas pela chuva. Recomendo, principalmente para quem vai fazer o "O" ou o Grey, as partes mais frias do percurso. Comprei um par para mim em Punta Arenas, infelizmente, apenas depois da visita ao parque.

 

- Bastões de caminhada: Sempre tive resistência a eles por tirarem a mobilidade das mãos. Acabei recorrendo a um cajado de madeira improvisado durante a viagem. A primeira vista pode não parecer, mas os bastões aliviam muito o impacto nos joelhos nas descidas e poupam a musculatura da perna nas subidas. Além disso, serão úteis para manter o equilíbrio nas diversas travessias de rios e para servir de apoio contra as rajadas de vento. Comprei um par para mim em Punta Arenas, infelizmente, apenas depois da visita ao parque.

 

"Item revelação":

 

- Calça impermeável: Estava na dúvida se levaria ou não por ser mais pesada do que uma calça convencional. Acabei comprando uma Conquista Upsala no Brasil que se mostrou uma excelente aquisição. Me protegeu das chuvas frequentes, e por ser mais grossa, serviu de boa barreira contra o vento gelado e a vegetação. Usei todos os dias sem arrependimento.

 

[t3]03/02/2012 Rio -> Santiago[/t3]

 

Embarcamos no vôo de 18:25 rumo à Santiago. Havíamos comprado nossas passagens 3 meses antes, por R$ 1280 ida e volta. Todos os trechos operados pela LAN. Viagem chata, mas tranquila. Destaque para o sobrevoo da Cordilheira dos Andes. Estava quase anoitecendo e haviam muitas nuvens, mas ainda conseguimos admirar as montanhas geladas. Foi a primeira vez que vi "uma dessas" ao vivo. Fiquei muito feliz. Chegamos em torno das 22:00 horas em Santiago.

 

Estávamos levando comida liofilizada na bagagem, fora os polenguinhos, geléia de mocotó e outras coisas industrializadas. Já haviam nos avisado que a fiscalização na aduana chilena costuma ser rigorosa. Preenchemos as fichas de imigração sem omitir nenhuma informação. De nós quatro, o fiscal resolveu verificar a mochila do Ramon. Pediu para ele abrir e mostrar a comida. Ramon chateado por ter que estragar a embalagem com plástico que havíamos pago no Galeão, mostrou pro fiscal um saco de comida. Foi o suficiente para ele ficar satisfeito e nos deixar prosseguir.

 

Jantamos num restaurante no aeroporto onde conheci o típico pisco sour. Aproveitamos o caixa eletrônico do aeroporto para sacar alguns milhares de pesos chilenos. A conversão que fiz mentalmente ao longo de toda a viagem foi de 4 reais para cada mil pesos chilenos. Essa conta era rápida de ser feita, com alguma margem de segurança, ou seja, acaba resultando numa quantidade um pouco maior de reais do que a verdadeira.

 

[t3]04/02/2012 Punta Arenas -> Puerto Natales[/t3]

 

Nosso vôo partiu para Punta Arenas em torno de 01:30. Chegamos perto de 05:00 em Punta Arenas, depois de um pouso não muito fácil no pequeno aeroporto da cidade. O aeroporto é bem bonito e organizado, a despeito do seu tamanho. Estava vazio e fazia bastante frio do lado de fora. Um grupo grande de montanhistas dormia tranquilamente em seus isolantes térmicos e sacos de dormir aproveitando a privacidade oferecida pelo vão embaixo das escadas. Como aquela área nobre estava ocupada, nos instalamos nos bancos e no chão próximos a lanchonete. Tentamos dormir por ali entre um arrastar e outro das cadeiras de madeira da lanchonete. Deixamos o aeroporto em torno de 10:00, quando as lojas da Zona Franca começariam a se abrir.

 

Pagamos 3.000 pesos cada por uma van que nos levou até a Zona Franca. Descobrimos depois que teria sido mais barato pegar um táxi. Depois da Zona Franca pegamos um táxi (2.500 pesos) até o shopping Espaço Urbano Pioneiro onde existiam outras lojas de equipamentos. Ao final da tarde, pagamos mais 3.000 pesos de táxi até a viação Pacheco no centro, onde embarcamos para Puerto Natales (5.000 pesos somente ida ou 8.000 pesos ida e volta). Quando chegamos no terminal não havia mais passagens. Entretanto, um funcionário aparentemente fez um "overbooking pessoal" e nos colocou pra dentro. Nos dizia ele: "no te preocupes". Por sorte, após um pequena dança das cadeiras durante a viagem, conseguimos chegar em Puerto Natales sem sermos expulsos do ônibus. Até Natales são três horas de estrada.

 

Em Natales nos hospedamos na Casa Cecília (http://www.casaceciliahostal.com/" onclick="window.open(this.href);return false;). Pagamos 25.000 pesos por cada quarto duplo. Gostei bastante do local. Banho quente, calefação, acesso à Internet, bom café da manhã, ambiente agradável e bom atendimento. Possui mais de um banheiro de uso coletivo e estavam muito bem limpos e conservados. Pra completar, ainda pudemos deixar no armário a parte da bagagem que não utilizaríamos no parque. Logo ao chegarmos, já compramos no próprio hostel as passagens de ônibus para o parque na manhã seguinte por 6.000 pesos ida e volta.

 

Largamos nossas coisas no quarto e fomos correndo para o supermercado, antes que ele se fechasse, para garantir alguns itens de alimentação que deixamos para comprar no Chile, como queijo e presunto. Depois das compras fomos jantar no lanchonete Baguales. Um espaço agradável, muito bom para saborear a excelente cerveja produzida na cervejaria de mesmo nome. Voltamos para o hostel ansiosos por uma boa noite de sono e por começar nossa aventura no parque.

 

[t3]05/02/2012 Paine Grande -> Grey[/t3]

 

Às 7:45 o ônibus nos pegou na porta do hostel. Paramos ainda na porta de outros hostels para o embarque de outros passageiros, todos montanhistas. Muito bom o clima de expectativa pelo parque. Em cada parada gente de diversas nacionalidades, com suas mochilas gigantes nas costas e agasalhados contra o frio. Mais três horas de estrada ouvindo música em Espanhol (inclusive Zezé de Camargo e Luciano, em Espanhol) e estávamos enfim chegando no Torres del Paine.

 

Chegamos na portaria Laguna Amarga sob chuva fraca. Assim que o ônibus parou, um guarda-parque subiu para nos passar as recomendações de segurança e conservação. Foi bastante enfático sobre os campings irregulares, uso do fogo e a destinação do lixo. Ressaltou que os acampamentos Paine Grande, Italiano e Britânico estavam fechados devido ao incêndio e limitou até às 16 horas o horário de saída de qualquer acampamento, para evitar pernoites em áreas proibidas. Falou por alguns minutos e, depois, uma intérprete passou as mesmas recomendações em Inglês. Não sei se sempre fizeram isso, ou se aumentaram o cuidado após o incêndio.

 

Já estávamos cientes dos acampamentos fechados pois estávamos acompanhando as notícias sobre o incêndio pelo twitter. Fiquei preocupado, no entanto, com a recomendação sobre as cinzas no trecho Paine Grande - Grey, por onde pretendíamos passar. Segundo o guarda, seria necessário utilizar proteção para os olhos em caso de ventos. Outro ponto foi o alerta que ele fez sobre a saída do Grey. Como o Paine Grande estava fechado, ele classificou como um "tremendo pique" a saída do Grey com destino ao próximo acampamento aberto, no caso o Cuernos. Era exatamente o "tremendo pique" o que pretendíamos fazer... Rimos bastante com essa expressão mais tarde...

 

Como o tempo estava ruim, descartamos o início da trilha pelas Torres. Compradas as entradas (15.000 pesos para estrangeiros) retornamos ao ônibus com destino à Guarderia Pudeto, onde tomaríamos o catamarã até o Paine Grande, ponto de início da nossa caminhada. Lembro de ter avistado ovelhas, guanacos e flamingos pela janela do ônibus, acho que neste trecho do caminho.

 

Nos aproximando do Pudeto, o ônibus começou a atravessar trechos queimados. Ao chegarmos no píer para tomar a embarcação, era possível sentir cheiro de queimado e a paisagem era desoladora. Dentro do catamarã o cheiro persistia e a chuva aumentou. Quase não conseguíamos admirar o Lago Pehoé pelas janelas. Quando a embarcação encostou no Paine Grande, todos foram logo colocando as capas de chuva nas suas cargueiras.

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20120221020854.jpg 288 162 Paine Grande]Desembarcamos num campo de cinzas, cercando o Refúgio Paine Grande. Ficamos impressionados com o fato do fogo ter destruído toda a área no entorno do refúgio, chegando muito próximo à construção, sem no entanto, tê-la atingido. Mais tarde, fomos informados que a brigada que se encontrava dentro da construção combateu o fogo de lá de dentro nos limites de alcançar o refúgio. Ficamos imaginando os momentos de tensão que foram vividos ali! Do lado de fora, encontramos restos de outras pequenas construções, onde apenas os alicerces, banheiras de louça e envases metálicos sobreviveram às chamas.[/picturethis]

 

[picturethis2=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20120221021924.jpg 288 162 Paine Grande]Fizemos um pequeno lanche na varanda do refúgio, que se encontrava completamente fechado. Partimos às 13:30 rumo ao acampamento Grey. Foi uma subida difícil. Estávamos com todo o equipamento e alimentação dos próximos dias nas costas, choveu durante toda a trilha, ventava contra a direção do nosso deslocamento e ainda pegamos granizo. A capa de chuva da minha mochila se soltou algumas vezes. Me lembro que em certo trecho, a água escorria pela calça impermeável abaixo. Foi necessário caminhar curvado para enfrentar o vento, com uma mão evitando que a capa de chuva se soltasse e a outra protegendo o rosto dos pedaços de gelo.

 

Tentei tirar fotos no caminho e, com o vento, molhei a lente da câmera... Minha luva, que não era impermeável, ficou toda molhada, e com o vento gelado as mãos começaram a ficar dormentes. Por sorte, levei uma mais fina de backup, que foi minha salvação. A propósito, uma das escolhas mais acertadas da viagem foi comprar e levar uma calça impermeável. Comprei ainda no Brasil uma Conquista Upsala que utilizei todos os dias. Foi útil nas chuvas frequentes, e por ser mais grossa, também protegeu bem do vento frio e da vegetação. Minha Solo rip-stop era atravessada facilmente pelo vento em Punta Arenas.[/picturethis2]

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20120221022843.jpg 288 162 Trilha para o Grey]Apesar de todas as intempéries e do longo trecho caminhando entre cinzas, as primeiras visões do Glaciar Grey e das montanhas geladas são compensadoras. Com todas as nuvens, ainda tivemos a sorte de sermos surpreendidos com pequenas janelas de sol que iluminaram o Lago Grey, o glaciar e os icebergs. Irresistível bater algumas fotos, mesmo com lentes molhadas. Para mim, estas foram as primeiras surpresas da tão falada instabilidade climática da Patagônia.[/picturethis]

[picturethis2=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20120221022415.jpg 288 162 Trilha para o Grey]A trilha até o acampamento Grey foi fortemente afetada pelo incêndio. Em alguns cursos d'água, enchemos nossas garrafas com água salpicada de cinzas. O incêndio terminou bem próximo ao camping. Existiam alguns troncos de árvore sinalizando a proibição de montar barracas na área queimada. A área de camping é bem grande, com alguns lugares protegidos por árvores e custa 3.500 pesos por pessoa. Esperava que o acampamento ficasse bem às margens do Lago Grey, como vi nas fotos de amigos. Mas descobri que foi inaugurado um novo refúgio e que o antigo estava desativado.

 

Chegamos no acampamento Grey às 19:00, com 5 horas e meia de trilha. Duas horas a mais do que a previsão do mapa oficial do parque. Montamos nossas barracas sob chuva fraca e bem cansados. Para compensar o esforço da subida, o refúgio Grey ofereceu um bom banho quente (embora no banheiro sempre sujo). No refúgio também existe uma área para cozinhar que foi bastante útil em função do vento e da chuva.[/picturethis2]

 

[t3]06/02/2012 Ataque ao Paso[/t3]

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20120221103720.jpg 288 162 Baía no Grey]Apesar de não fazer parte do circuito W tradicional, havíamos decidido incluir no nosso roteiro um dia para ataque ao Paso John Gardner, onde é possível encontrar neve, além de permitir uma bela visão do Glaciar. Ainda estávamos cansados da viagem de avião e da subida ao Grey. Por isso, não acordamos muito cedo e saímos rumo ao Paso às 10:30.

 

Logo na saída, passamos pelo mirante que fica próximo ao acampamento, onde é possível avistar o Glaciar ao longe e uma simpática baía repleta de icebergs. Depois, seguimos a trilha rumo ao próximo acampamento, o Los Guardas. Depois do Los Guardas, atravessamos duas grandes ravinas. A erosão do terreno já impõe, por si só, bastante respeito. Como se não fosse suficiente, ainda existem placas indicando risco de desmoronamento, deixando claro que ali não é um lugar seguro para se ficar por muito tempo.[/picturethis]

[picturethis2=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20120221104524.jpg 162 288 Ravina rumo ao Paso]Em cada uma das ravinas, existe uma parede a ser transposta à pé e outra com auxílio de uma escada de metal. Não sei qual a pior parte. Passar pela enorme escada fixada de forma não muito confiável ou transpor à pé os instáveis paredões de areia e pedras. Como voltaríamos ao acampamento Grey no mesmo dia, estávamos apenas com as mochilas de ataque. Fiquei imaginando como seria atravessar esse trecho com cargueiras gigantes nas costas, principalmente, a parede sem escadas da primeira ravina: íngreme e com pedras rolando sobre a areia.

 

Atingimos o acampamento Paso às 14:45, depois de mais de 4 horas de trilha. Até o Paso John Gardner propriamente dito, ainda faltavam mais duas horas. Achamos então que o prudente seria retornar ao Grey. Fiquei decepcionado por não ver a neve e a vista, mas fizemos bem pois apesar de termos tido sorte com o clima na ida, a volta seria bem mais difícil.

 

Começou a ventar forte. Além das ravinas, a trilha passa por desfiladeiros bem próximos ao glaciar. Nas passagens expostas, foi preciso nos abaixarmos diversas vezes esperando as rajadas de vento mais violentas passarem. Me lembro de, em certo ponto, ter ficado abaixado por alguns minutos me segurando a uma pedra e tentando proteger de alguma forma o meu rosto, enquanto uma grande rajada de vento soprava em direção ao abismo, jogando areia na nossa cara.[/picturethis2]

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20120221104815.jpg 288 162 Glaciar Grey]Bem na minha frente, um casal com mochilas cargueiras estava deitado no chão, a espera de um momento melhor para prosseguir. A menina era pequena, mas carregava uma mochila de 60 litros lotada. Quando foi possível nos levantarmos, notei que ela tentava superar os obstáculos com um cajado de madeira improvisado, fazendo grande esforço. Logo à frente havia uma escada cavada na terra. Literalmente me arrastei pelos degraus e fiquei à espera do melhor momento para "dar o bote" no corrimão de metal que se iniciava mais adiante. Continuei a subida receoso, me segurando com força no corrimão.

 

Em uma das ravinas, meu amigo ficou sem os óculos, que foram levados pelo vento. Precisei me abaixar novamente e me segurar em outra pedra, enquanto o vento arremessava cascalho contra o meu rosto. Com certeza, o "ataque ao Paso" foi o pedaço mais perigoso do nosso roteiro. Recomendo fortemente a quem for passar por este trecho a esperar condições climáticas favoráveis no Los Guardas ou no acampamento Paso. Vento e chuva, principalmente neste trecho, podem ser fatais.[/picturethis]

[picturethis2=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20120221105324.jpg 288 162 Glaciar Grey]Passamos pelo acampamento Los Guardas às 16:45 e estávamos de volta no acampamento Grey às 17:50. Um total de 7 horas e 20 minutos de trilha, bastante cansativa. Apesar de termos abortado o ataque antes de atingirmos o objetivo final, foi um dia excelente para admirar o glaciar. A trilha segue ganhando cada vez mais altitude e avançando contra o curso da placa de gelo. As aparições do glaciar no curso da trilha vão ficando cada vez mais impressionantes. Assim que retornamos, tentamos visitar a antiga área de camping do Grey, na margem do lago. Caminhamos até bem próximo, mas a passagem estava interditada.

 

À noite, tivemos a boa notícia de que o Paine Grande havia se aberto naquele dia para hospedagem. Não estava permitido o camping, mas seria possível alugar quartos dentro do refúgio. Ficamos muito animados porque, até então, nossa única alternativa seria fazer a travessia Grey - Cuernos, o "tremendo pique". E como a Jú estava com dor no joelho, corríamos o risco de ter que regressar para Natales, se fosse de fato necessário fazer a travessia. Tentamos reservar quartos pelo rádio do Grey, mas não deixaram. O jeito seria sair cedo no dia seguinte e contar com a sorte.[/picturethis2]

 

[t3]07/02/2012 Grey -> Paine Grande[/t3]

 

Acordamos às 6:00 mas chovia forte, resolvemos aproveitar para descansar mais até que a chuva diminuísse. Ela havia nos poupado no ataque ao Paso, mas desta vez não teve jeito, tivemos que levantar acampamento sob chuva fraca. Partimos 10:00 rumo ao Paine Grande. A volta foi bem mais rápida e agradável do que a vinda. Dois dias a menos de comida nas mochilas, vento a favor, pouca chuva, nada de granizo. De qualquer forma, cheguei no Paine Grande às 14:20 com o ombro direito queimando de dor.

 

[picturethis2=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20120221110906.jpg 162 288 Refúgio Paine]No dia anterior, durante o ataque ao Paso, acabei apelando para um cajado na tentativa de poupar joelhos e a parte frontal da coxa, que estava doendo nas subidas. Pela manhã, senti que o joelho esquerdo estava dando pequenos sinais de inflamação. Por isso, fiz toda a descida ao Paine com o cajado na mão esquerda protegendo apenas este joelho. Acredito que, de alguma forma, este desbalanceamento tenha acabado afetando o ombro. Felizmente, algumas horas após desequipar, a dor tinha sumido.

 

O refúgio não estava cheio, conseguimos um quarto para nós quatro. A ideia era acampar todos os dias, mas como estava proibido ali, tivemos a chance de descansar com um pouco mais de conforto e torcer para a recuperação do joelho da Jú. O refúgio Paine Grande é muito bom. Nem todos os serviços estavam em operação pois era o segundo dia de funcionamento após o incêndio. De qualquer forma, ao contrário do Grey, o banho quente era permitido a qualquer horário! Uma dádiva! Melhor que isso, só a possibilidade de descartar lixo. No Grey, éramos obrigados a guardar todo o lixo nas mochilas.

 

A decoração do lugar é bem legal, o ambiente é super agradável, gente de todo o mundo circulando pelos corredores, pelo refeitório. Possui um banheiro coletivo bem limpo e bem estruturado. O lugar é aquecido e, da janela do nosso quarto, era possível ver o Lago Pehoé bem à frente, o Cumbre Principal e os Cuernos. Fiquei imaginando como seria ainda mais maravilhosa aquela vista antes do incêndio, com aquele enorme gramado repleto de montanhistas com suas barracas coloridas. Foi bem triste ver todo aquele terreno queimado à nossa volta.

 

Devido ao incêndio, o preço da hospedagem estava menor: 15.000 pesos por pessoa. Mais 6.000 pelo jantar. Não tivemos opção já que estava proibido cozinhar naquela região. A comida, por sua vez, foi bem fraca pro preço cobrado. Nos serviram uma sopa de tomate de entrada. O prato principal era arroz com pedaços de cebola, cenoura e, com sorte, você conseguia encontrar um ou outro pedaço de frango. De sobremesa, leite com chocolate ou chá. A única coisa realmente saborosa foi a sopa de tomate bem quente.[/picturethis2]

 

[t3]08/02/2012 Paine Grande -> Cuernos[/t3]

 

Como o acampamento Italiano estava fechado devido ao incêndio, os planos para o nosso quarto dia no parque foram caminhar do Paine até o Italiano, largar as mochilas por lá, fazer o ataque ao Valle del Francês e seguir viagem até o acampamento Cuernos. Antes de partir, deixamos de presente para a equipe do Paine a parte da nossa comida que não pudemos consumir na noite anterior e botamos o pé na trilha às 08:45.

 

Foi um dia com tempo bem aberto. Saímos do Grey bem agasalhados e com poucos minutos de trilha alguns já estavam caminhando de camisa dry-fit. Aos poucos, a vegetação queimada foi sendo deixada pra trás. Por sorte, o Valle del Francês não foi afetado pelo incêndio. Difícil dizer qual o trecho mais bonito, mas este vale é um forte concorrente. Chegamos no Italiano às 11:40. Deixamos nossas cargueiras numa pilha de mochilas ao lado da guarderia do acampamento Italiano e começamos a subida do vale ao meio dia.

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20120221111445.jpg 288 162 Valle del Francês]A trilha no vale possui vários trechos de "trepa pedras" que podem ser vencidos sem as mãos, apenas com o auxílio dos bastões de caminhada. Também existem alguns riachos a serem atravessados. A medida que avançamos, o vento e o frio vão aumentando, até chegarmos no primeiro mirante. Lá ventava muito, mas a vista é demais. É possível admirar o Glaciar Francês, as cachoeiras formadas pelo derretimento da neve, o Rio del Francês correndo pelo vale e o Lago Nordenskjöld lá em baixo.

 

Continuamos avançando em direção ao acampamento Britânico. Assistimos uma avalanche ao longe, nas paredes do Glaciar Francês. Ouvi pelo menos duas vezes o forte estrondo do desprendimento das placas de gelo do glaciar. Em torno das 14:00, decidimos retornar ao Italiano e continuar a caminhada até o Cuernos. Eu estava adorando o vale, fiquei decepcionado por não chegar até o seu final. Conhecer o Britânico e o mirante ao final do vale entrou para minha lista de pendências para a próxima viagem ao parque.[/picturethis]

[picturethis2=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20120221111656.jpg 288 162 Lago Nordenskjöld]Ainda admirado com a beleza do vale, eu estava prestes a chegar em um dos trechos que mais me marcaram na viagem. A trilha do Italiano para o Cuernos talvez seja a mais bonita do roteiro. Após belas visões do Lago Nordenskjöld, a trilha desce rumo às suas margens, onde às 17:45 encontramos uma bonita "praia" de pedras pequeninas e roliças. Impossível não tirar as mochilas e deitar por alguns minutos para admirar o verde daquele lago bem na nossa frente. Deu pena deixar a praia para trás, mas as paisagens não pararam de nos surpreender.

 

Da praia até o Cuernos, agradeci diversas vezes por estar ali, tirei muitas fotos perplexo com a beleza do lugar. Simplesmente perfeito o contraste de cores das montanhas geladas, com o verde brilhante da mata e com os diversos tons de azul e verde do Lago. A margem do Lago é toda recortada por pequenas baías com praias de pedras. A sua superfície é constantemente varrida por rajadas de vento, levantando uma frente de água que percorre rasteira toda a extensão do Lago até atingir a costa. Fomos banhados por estas frentes enquanto estávamos na praia e na trilha. Frequentemente, sobre a superfície vimos pequenos tufões de água se formando e se desfazendo.[/picturethis2]

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20120221112056.jpg 288 162 Acampamento Los Cuernos]Chegamos no acampamento Cuernos às 18:40. Ele fica encravado em uma encosta à beira do Lago e aos pés das montanhas que o dão nome. O refúgio é bem bonito e a vista para o Lago e os Cuernos dão um charme especial ao local. Ventava muito ali, afinal, as frentes que nos atingiram na trilha também subiam por aquela encosta. Nos cobraram 6.000 pesos por pessoa para acampar. Estava lotado. Com o Italiano fechado, certamente um número muito maior de viajantes foi obrigado a pernoitar por ali. Filas para usar o banheiro, para lavar louça, para escovar os dentes, para tomar banho. Área da cozinha lotada.

 

Não havia nenhum lugar razoável para montar barracas. Os únicos espaços vazios eram inclinados, cheios de pedras, raízes, desprotegidos do vento e de um eventual curso d'água da chuva. Eu e Ramon tentamos limpar um terreno removendo pedras com a faca e meu cajado, que foi quebrado durante este procedimento. Alexandre a Jú pegaram os dois últimos lugares dentro de um domo plástico montado pela equipe do parque na área de camping. Descobriram ao lado do domo um lugar que parecia melhor para a nossa barraca.[/picturethis]

[picturethis2=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20120221112112.jpg 288 162 Acampamento Los Cuernos]Ramon e eu fomos limpar o novo terreno. Outro desafio foi fixar os specs. Fora as pedras relativamente superficiais, descobrimos também que existiam outras mais profundas. Só foi possível encravar os specs usando pedras como martelo. Depois de fixados, ainda os cobrimos com mais pedras pois a noite prometia bastante vento. Como não haviam cordeletes e specs suficientes para utilizar todas as amarrações extra, demos preferência ao lado de onde o vento estava vindo.

 

Estávamos cansados e preferimos nos desgastar o mínimo com as filas. A ideia do banho foi cortada de imediato. Cozinhamos em frente a nossa barraca vendo o sol descer atrás das montanhas. Depois fomos tentar dormir. No meu lado da barraca, a remoção de pedras me poupou de pontadas, mas ganhei de presentes buracos que faziam meu isolante térmico afundar em algumas partes. Enquanto tentávamos dormir, percebemos que ainda chegavam outros grupos de montanhistas. Ficamos imaginando em que lugar aquelas pessoas conseguiriam montar suas barracas...[/picturethis2]

[t3]09/02/2012 Cuernos -> Torres[/t3]

 

Acordei com o forte barulho do vento sacudindo as árvores e a nossa barraca. Ainda estava escuro. Percebi que alguns cordeletes haviam se soltado e batiam violentamente contra o sobreteto. A barraca se sacudia com força. O vento havia mudado durante a noite e soprava exatamente do lado oposto ao que protegemos com os cordeletes adicionais. Fiquei assustado com a força do vento e com o barulho dos cordeletes soltos lá fora. De repente, fui levantado do solo pelo vento. Aí tive certeza de que precisava me preocupar...

 

Confirmei se o Ramon estava acordado e recomendei que ele vestisse o anorak. Tentei encontrar minha lanterna de cabeça mas ela não estava onde eu havia deixado. Mais tarde, descobri que ela tinha sido arremessada para o outro lado da barraca. O vento soprava constantemente e, periodicamente, uma rajada mais agressiva cruzava o camping. Percebíamos a sua chegada pelo barulho lá fora, crescendo gradativamente em nossa direção. Nestes momentos, eu me deitava bem próximo a borda da barraca tentando mantê-la grudada ao chão, enquanto o Ramon segurava as armações.

 

Arrumamos rapidamente nossas coisas para um eventual abandono da barraca. Fiquei do lado de dentro fazendo peso para a barraca não decolar enquanto o Ramon foi para o lado de fora tentar corrigir as amarrações que se soltaram e mudar os cordeletes extra de posição. Depois de alguns minutos de briga contra o vento, começou a amanhecer e decidimos que o melhor seria levantar o acampamento e partir para as Torres. Afinal, ali estava lotado e não fazia mais sentido permanecer lutando para a barraca ficar no lugar.

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20120221112946.jpg 288 162 Trilha para Torres]Mastigamos algumas bobagens como café da manhã, enquanto eu sentado na varanda do refúgio, observava as latas de metal sendo empurradas e empilhadas pelo vento no canto de uma das lixeiras gradeadas. Às 7:00 deixamos o Cuernos com destino ao acampamento anexo à Hostelaria Torres. O vento não nos abandonou durante a trilha. Continuou soprando forte todo o tempo, com rajadas violentas frequentes. Fui jogado no chão duas vezes, com mochila cargueira e tudo. Na segunda vez, eu estava descendo perto de uma ribanceira. Ao ser derrubado tentei me segurar em algumas pedras e, por muita sorte, não cortei as mãos e os joelhos.

 

Fui arrastado para fora da trilha diversas vezes. Quando percebia o som da rajada de vento vindo em nossa direção, parava, fixava o bastão de caminhada (Ramon me emprestou um dele) no chão e esperava a rajada passar. Às vezes, era melhor se abaixar. Foi o que fizemos segundos depois de pensar em colher água em um simpático laguinho no caminho. Se formou um pequeno tufão sobre o lago e o vento aumentou de repente. Nos abaixamos enquanto uma grande varrida de vento e água passou sobre nós.[/picturethis]

[picturethis2=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20120221113004.jpg 288 162 Trilha para Torres]Embora não estivéssemos numa região tão exposta quanto no ataque ao Paso, foi bem assustador o vento na trilha. Percebíamos as rajadas se aproximando de nós com o vento e o barulho ficando gradativamente mais fortes, até sermos sacudidos e arrastados pelo caminho. A Jú, que estava mais afastada de nós, nos contou que encontrou uma garota que estava sozinha e acabou desistindo do circuito por causa dos ventos. Ia voltar para Puerto Natales.

 

Achei essa a trilha com o visual menos interessante dentre as demais. Saindo do Cuernos, ela se inicia com uma grande subida. As Torres del Paine se tornam visíveis apenas nos momentos finais, já próximo da bonita Hostelaria. Mesmo assim, percorremos um belo trecho ao longo do Lago, com sua superfície sendo constantemente varrida pelo vento e formando pequenos tufões. Depois, começamos a alcançar um agradável e amplo vale, um cenário diferente dos anteriores.[/picturethis2]

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20120221113020.jpg 288 162 Trilha para Torres]Cruzamos alguns córregos e dois rios, de botas, mas com cuidado ao escolher as pedras. Já cansado, ao avistar a Hostelaria me animei. Mas o vale parecia infinito até ela, e depois ainda descobri que existiam mais 2 Km de lá até a área de camping. Cruzamos o vale com o vento soprando contra nossa caminhada. A poeira e o vento contra os olhos os encheram de lágrimas, ao ponto de escorrerem pelo rosto. Apesar do vento não pegamos frio nem chuva no percurso.

 

Chegamos às 10:40 no acampamento. Eu estava muito cansado, sujo, fraco, desidratado e com fome. Os lábios estavam ressecados e inchados. Pra completar, consegui dois arranhões na lateral da barriga durante a montagem da barraca, por conta de alguns galhos retorcidos da árvore que escolhemos como abrigo. Foi ótimo poder tomar um banho e almoçar. Para acampar, cobram 5.000 pesos por pessoa. A área de camping é bem grande, oferece várias mesas de madeira, banho quente a qualquer hora, mas não tem espaço fechado para cozinhar. Para preparar nosso almoço precisamos improvisar barreiras de pedra em torno dos fogareiros.[/picturethis]

O dia estava quente, foram muito úteis as calças-bermuda. Durante a noite, porém, choveu e ventou bastante. Havíamos pensado em jantar (o que seria um luxo: um dia com direito a almoço E janta!) mas tivemos que desistir da ideia. A barraca se sacudiu novamente, mas desta vez, havíamos reforçado a segurança com cordeletes improvisados e grande pedras. Conseguimos dormir tranquilos.

 

[t3]10/02/2012 Ataque às Torres[/t3]

 

Amanheceu frio mas sem ventos. Partimos às 7:10 rumo ao principal cartão postal do parque. Ao caminhar pelos campos em frente a Hostelaria, cruzamos com as aves engraçadas que eu havia conhecido no dia anterior e com alguns coelhos correndo desconfiados entre os arbustos. A trilha começa com uma subida bem puxada, que se estende até o acampamento Chileno. Este acampamento é muito simpático, encravado entre montanhas e à beira do bonito Rio Ascencio. Fiquei com vontade de acampar por lá. Logo percebi que muita gente também gosta de lá, pois a área de camping estava lotada. Um mar de barracas semelhante ao que encontrei na Pedra do Sino, no Rio de Janeiro.

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20120221113648.jpg 288 162 Torres del Paine]A trilha fica mais tranquila no trecho entre o Chileno e o acampamento Torres (não o acampamento da Hostelaria, mas o que fica lá em cima, bem próximo a base das Torres). Cheguei no acampamento Torres esgotado pelos 5 dias anteriores e pela subida até ali. Eram 9:30. Ainda faltava uma grande ribanceira de pedras e areia fofa por onde me arrastei imaginando como seria a visão do lago aos pés das Torres e sem forças sequer para fixar o bastão de caminhada no chão. E valeu muito a pena. Às 10:12 avistei aquele cenário lindo, que até então, eu só conhecia por fotos. Estava muito feliz.

 

Esperamos por duas horas o Sol iluminar as Torres diretamente. Ele clareou o lago algumas vezes, mas uma densa camada de nuvens insistentemente trafegava exatamente sobre as Torres. Tomamos água gelada do lago, descansamos deitados nas pedras à margem e acabamos desistindo de esperar que as nuvens dessem uma trégua. Partimos às 12:55 de volta para o nosso acampamento.[/picturethis]

[picturethis2=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20120221113707.jpg 162 288 Voltando das Torres]Quando passamos novamente pelo acampamento Chileno, lá estavam elas, as Torres iluminadas pelo sol. Mas já era tarde demais. O jeito foi colocar essa pendência na lista para o regresso ao parque, o que, se for possível, será muito bem vindo. Desci devagar a trilha de volta, poupando os joelhos e me despedindo pouco a pouco do parque. O sol já estava bem forte, iluminando as águas do Rio Ascencio que serpenteava pelo vale. Me arrependi de ter saído do acampamento com a calça térmica, que a essa altura, já estava encharcada de suor e causando muito calor.

 

Cheguei ao acampamento às 15:30, doido para tomar um banho e almoçar. Levantamos o acampamento de bermudas sob o sol forte. Caminhamos até o abrigo para esperar a van que faz o translado até a portaria Laguna Amarga por 2.500 pesos por pessoa. Embarcamos em torno das 19:30, descemos na portaria e tomamos o ônibus até Puerto Natales. Chegamos de volta à cidade em torno das 22:30. No caminho ainda tive a sorte de ver um avestruz que cruzou a estrada em frente ao nosso ônibus e uma simpática raposa que apareceu ao lado do café onde o ônibus fez uma parada.

 

Tentamos nos hospedar novamente na Casa Cecília, mas não havia lugares para todos. Nos recomendaram então o Hostal Los Pinos, bem próximo, na rua Phillipi 449. Pagamos 30.000 pesos pelo quarto duplo, desta vez com banheiro privativo. O lugar também é muito agradável, com todos os serviços que encontramos na Casa Cecília. Só não sei se seria possível deixar equipamentos guardados lá. Detalhe: ao lado funciona uma lavanderia. Pode ser útil quem precisar de umas roupas limpas a mais depois do parque.[/picturethis2]

Deixamos nossas mochilas no quarto e saímos imediatamente para o Baguales. Precisávamos comer e beber as cervejas da região, dais quais já estávamos com bastante saudade.

 

[t3]11/02/2012 Puerto Natales[/t3]

 

Destinamos este dia para descansar e passear por Puerto Natales. A cidade parece ser bem pequena, possui construções simples, e é voltada para o turismo na região, em especial para o trekking no Torres del Paine. Pelas ruas se encontra inúmeros hostels, casas de câmbio, agências de turismo, lojas para compra e aluguel de equipamento de montanha. Frequentemente cruzamos com grupos cheios de equipamento nas costas, chegando ou deixando a cidade, falando em diversos idiomas diferentes. Um clima muito agradável para quem curte montanhismo. Se no seu roteiro tiver tempo, vale a pena deixar pelo menos um ou dois dias para uma relaxada em Puerto Natales.

 

É um lugar ótimo também para quem aprecia boas cervejas. Eu não sou conhecedor, pelo contrário, no Rio nem bebo. Mas as cervejas de lá são realmente muito saborosas. Minha preferia foi a Austral Patagona. Quem passar pela região não deve deixar de experimentar uma. Existem também bons restaurantes. Comemos muito bem enquanto estivemos na cidade. Nossa única experiência ruim foi com o tal do "Pastel de Choclo", típico chileno. É uma espécie de torta de milho DOCE, mas com carne e pedaços de frango (com osso e tudo) dentro.

 

[t3]12/02/2012 Puerto Natales -> Punta Arenas[/t3]

 

Partimos de volta a Punta Arenas, no meio da manhã. Punta Arenas parece ser uma cidade bem maior do que Puerto Natales, e bem menos acolhedora. Era domingo quando voltamos para lá e andamos por algumas ruas desertas do centro da cidade a procura do restaurante La Luna (http://www.laluna.cl/" onclick="window.open(this.href);return false;). Um vento gelado atravessa minha calça rip-stop como se ela não existisse. Um alarme de carro soava ao longe insistentemente sem que ninguém intervisse. As placas metálicas afixadas nas fachadas dos estabelecimentos rangiam balançadas pelo vento de um lado para o outro. Enfim encontramos o La Luna e fiquei surpresos por ter gente lá dentro, em meio aquele clima de cidade fantasma.

 

A comida estava muito boa, apesar do atendimento não ser 100%. De qualquer forma, recomendo. Depois do almoço voltamos para a Zona Franca para comprar mais alguns equipamentos e fazer hora até o nosso vôo para Santiago. Sim, este foi o dia mais chato da viagem. Passamos horas na praça de alimentação do shopping e no saguão do aeroporto de Punta Arenas. Dica: se você quiser dormir no aeroporto, tudo bem se você montar seu saco de dormir embaixo das escadas, mas não faça isso dentro do oratório.

 

[t3]13/02/2012 Punta Arenas -> Santiago -> Rio[/t3]

 

Próximo das 04:00 nosso avião decolou de Punta Arenas com destino a Santiago. Daí pra frente foi só o despertar de um sonho para a vida real no Rio de Janeiro...

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

avimeney,

 

parabéns pelo relato! realmente muito bom!

 

Pretendo voltar a patagônia no ano que vem, e coincidentemente também coloquei no meu roteiro essa esticada na primeira perna do W até o Paso John Gardner.. confesso que nunca havia visto aquela escada alí nas minhas pesquisas..

 

te pergunto, há mais de uma trilha de acesso a o paso?

 

Valeu!

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Olá, MKoerich!

 

Obrigado!

 

Olha eu só conheço duas trilhas até lá. Ou a que vem a partir do Grey (utilizada por quem faz o "W"), ou a que vem a partir do Los Perros (utilizada por quem faz o "O"). Não lembro de ter passado por nenhum "atalho", ou seja, se você for ao Paso a partir do W, certamente cruzará essas escadas. Eu também nunca tinha ouvido falar sobre elas até dar de cara com uma!! heheheh Mas depois reparei que, inclusive, no mapa oficial que você recebe na entrada do parque, tem uma foto parecida com a minha, de um cara atravessando uma dessas escadas.

 

Grande abraço,

Ângelo

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Parabéns pela viagem!

Obrigado pelo relato, tirou dúvidas importantes! ::otemo::

 

Valeu!! Qualquer coisa é só falar!!

 

Abraços,

Ângelo

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites
avimeney,

 

Parabéns pelo relato, tudo muito bem explicado, com fotos......

 

Valeu marioluc!!

Grande abraço!

Ângelo

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Parabéns pela trip e pelo relato, super detalhado. ::cool:::'>

 

Obrigado, Otávio!! Qualquer coisa é só falar!

 

Abraços,

Ângelo

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

olá pessoal!!! tudo bem???

 

uma duvida!!! da pra fazer o w em abril? li em algum lugar que esta fechado, é verdade? levei um super susto! vou dia 01/04/13... alguém sabe??

 

 

abraços

 

 

katia

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Participe da conversa!

Você pode ajudar esse viajante agora e se cadastrar depois. Se você tem uma conta,clique aqui para fazer o login.

Visitante
Responder

×   Você colou conteúdo com formatação.   Remover formatação

  Apenas 75 emoticons no total são permitidos.

×   Seu link foi automaticamente incorporado.   Mostrar como link

×   Seu conteúdo anterior foi restaurado.   Limpar o editor

×   Não é possível colar imagens diretamente. Carregar ou inserir imagens do URL.


  • Conteúdo Similar

    • Por Anderson Paz
      Gosto muito de escrever relatos de viagem (tenho alguns aqui no Mochileiros), mas como já há muitos relatos excelentes aqui e em outros sites, pretendo focar mais em dicas que não são apresentadas geralmente nesses relatos. Todas as dicas são baseadas nas minha experiências pessoais na Patagônia no período de 1 a 18 de dezembro de 2017, passando por Punta Arenas - Puerto Natales - Torres del Paine - El Calafate / Perito Moreno - El Chatén - El Calafate - Rio Gallegos - Punta Arenas.
      Envolverão questões relativas a planejamento de passeios, deslocamentos, compras de equipamentos, gastos durante a viagem, câmbio de moedas e outros.
      Espero que elas ajudem bastante no planejamento e na execução com sucesso de sua viagem.

      Caso queira um roteiro básico ou um mini relato da minha viagem, segue ele aqui em pdf:
      Viagem realizada - Patagônia.pdf
       
      DEFINIÇÃO DE ROTEIRO BÁSICO
       
      - A definição do seu roteiro vai depender da quantidade de dias que você terá na região e das suas prioridades (desafios, conhecer apenas os locais principais, conforto etc). Como é possível ver no roteiro acima, fiquei 18 dias na região e o meu roteiro incluiu: circuito O de Torres del Paine, ida ao Perito Moreno e 5 dias completos em El Chatén. Nessa quantidade de dias, eu não alteraria em nada a quantidade de dias definida para cada localidade. Agora se você tiver mais tempo, dá pra esticar pro Ushuaia ao sul ou para as Catedrais de Mármore e região de Aysén ao norte.
      - Se for fazer o circuito W ou o O (informações sobre os circuitos mais abaixo) ou se for pernoitar em qualquer lugar de Torres del Paine, programe a sua viagem com o máximo de antecedência possível. Isso é importante por conta da necessidade obrigatória de reserva de locais.
       
      DICAS DE BAGAGEM E COISAS A LEVAR
       
      - Se for fazer o circuito W ou O em Torres del Paine é bom levar barras de cerais, proteína, frutas desidratadas e outros alimentos energéticos de baixo volume e peso na mochila. Comprei no atacado no Brasil e saiu super em conta! < Ouvi dizer que no Chile essas coisas não são caras, mas não sei se a informação procede >
      - Nunca havia usado bastões próprios de caminhada (só uns improvisados com galhos), mas vou dizer que se fosse dar uma única recomendação, especialmente para quem vai fazer o circuito O, é compre bastões de caminhada! Antes da viagem, procure ver como usá-los adequadamente para não atrapalharem no seu desempenho. < Se não fosse por eles, não teria completado o circuito O de Torres e não teria depois conseguido fazer muitas coisas em El Chatén > (dicas de locais de compra no tópico Punta Arenas)
      - Se for fazer o W ou o O, leve uma bolsa a mais para guardar as coisas que você não vai precisar no circuito escolhido e deixá-las guardadas no hostel em Puerto Natales. < As minhas ficaram toscamente em sacolas plásticas que se rasgaram com o peso >
      - Se ligue nos alimentos e produtos com os quais você pode ingressar no Chile. A galera da Aduana quando resolve agir com rigor, é BASTANTE rigorosa. < Tive que abandonar com peso no coração um sanduíche na aduana terrestre entre Argentina e Chile >
      - IMPORTANTÍSIMO para quem vai cozinhar: leve um fogareiro à gás (lembrando que o butijão de gás não pode ir como bagagem) ou compre um modelo desses em Punta Arenas. Não invente de levar fogareiros à álcool.  < Levei um modelo desses álcool e tive a maior dor de cabeça em todos os dias. Isso por que nem na Argentina nem no Chile se vende álcool líquido. Para fogareiros desse tipo, a galera vende um solvente industrial chamado Benzina Blanca. Essa porcaria além de ter um cheiro fortíssimo que fica impregnado em tudo, expele uma fumaça preta que deve ser tóxica e ainda deixa as coisas cheias de fuligem. Dor de cabeça da porra! >
       
      MOEDA/CÂMBIO
       
      - Achei muito mais vantajoso trocar dólar, ao invés de real, pela moeda local tanto no Chile quanto na Argentina. Entretanto isso só é vantajoso se você comprar bem o dólar no Brasil. Dê uma olhada no ranking de instituições com melhores câmbios no site do Banco Central e em sites de melhor cotação como o Cambiar.
      - Se puder troque dólares pela moeda local em casas de câmbio de Santiago ou em Buenos Aires (a depender do seu roteiro), exceto nas do aeroporto. 
      - A casa de câmbio logo ao lado do terminal da Bus-Sur em Punta Arenas foi a que eu encontrei com a melhor cotação de pesos chilenos entre todas as que pesquisei em Punta Arenas e Puerto Natales.
      - É melhor ir trocar dólares ou euros por pesos argentinos em Puerto Natales e possivelmente em Punta Arenas. Em El Calafate e em El Chatén a cotação era 15-20% menos vantajosa.
      - Se tiver que sacar grana em El Calafate, é melhor ir no cassino local. Cotação: dólar - 17,30 / euro - $20,30. Entrada: $10. Você deve pagar o valor das fichas no cartão, jogar um jogo e depois ao trocar as fichas a casa reterá 5% do seu valor
       
      PUNTA ARENAS e PUERTO NATALES
       
      - Punta Arenas é a cidade inicial de muitos que estão chegando para conhecer a Patagônia. 
      - Há algumas boas opções de lojas de equipamentos de trekking: La Cumbre, Andesgear, North Face, Lippi e Grado Zero. Por exemplo, na La Cumbre (localizável no Google Maps) e na Grado Zero (em frente a La Cumbre) havia ótimos bastões de caminhada da Black Mountain por aprox. $ 50 mil o par. Para chegar no centro, a opção mais em conta para grupo de 3 pessoas pelo menos é pegar um táxi no aeroporto (3 mil pesos por pessoa). Se estiver sozinho ou apenas com outra pessoa, tente achar alguém para dividir o táxi contigo ou deverá pagar 5 mil pesos para ir de van.
      - Puerto Natales é a cidade base para ir a Torres del Paine para quem está do lado chileno. É uma cidade bastante agradável com várias opções de restaurantes (caros, assim como tudo na Patagônia). 
      - Tanto em Punta Arenas quanto em Puerto Natales há um grande supermercado da rede Unimarc. É uma boa opção para compras gerais mais em conta.
       
      TORRES DEL PAINE
       
      PLANEJAMENTO
      - As reservas deverão ser feitas no site das empresas concessionárias Fantástico Sur e Vértice e se você tiver sorte (e muita antecedência) poderá também reservas locais gratuito para acampamento no site da CONAF. 
      <Minha experiência com a Fantástico Sur foi muito boa. Tive resposta das minhas reservas em uma semana. Porém já não posso dizer o mesmo da minha experiência com a Vértice. Só obtive resposta da empresa sobre as reservas, 25 dias depois de solicitadas e somente depois de mandar comentário público no Facebook denunciando a demora. Pouco antes de eu fazer a minha viagem, eles iniciaram um sistema de reserva online, sem a necessidade de contato por e-mail. Pode ser que agora a resposta seja rápida, porém caso você deseje realizar reservas personalizadas, fora do roteiro que aparece no site, já fica a dica de que eles podem demorar bastante para te responder. Inclusive uma amiga que foi pouco antes e reservou com bem mais antecedência que eu, conseguiu resposta, apenas na semana da viagem dela, de que não tinha conseguido vaga em alguns refúgios. >
       
      INFORMAÇÕES GERAIS
      - Entrada: $ 21 mil pesos
      - Várias empresas fazem o percurso a Torres del Paine e todas saem às 7h30 ou 14h30 e têm preço  de $15 mil pesos por pessoa (ida e volta).
      - Tanto no caso de fazer o circuito O ou o W quanto no caso de fazer só uma ida às Torres em um dia. Recomendo fortemente pegar o transfer que sai da recepção do Parque (Laguna Amarga) até o camping central - 20 min que evita caminhada em subida monótona de 1h30 (custo $3 mil pesos). 
      - Há três opções para dormir no Parque para quem vai fazer o W ou o O: em barraca própria (ou alugada em Puerto Natales - vi por $ 4 mil a diária), em barraca da empresa concessionária ou em refúgio. Sendo que a razão de valor é de aproximadamente 1 x 2,5 x 3 (barraca da concessionária será 2,5 x mais cara que própria e refúgio será por sua vez 3 x mais caro que barraca da concessionária e quase 8 x mais caro que barraca própria.
      - Percebe acima, que as diferenças de valores são muito grandes. Eu particularmente se quisesse economizar peso na mochila e dormir com conforto, não pagaria pelo refúgio. Dormiria nas barracas da operadora com tudo incluso (atenção: deverá marcar os itens que deseja quando for fazer as reservas).     
      < Tive que dormir na barraca da concessionária, em uma noite no camping Francés, pois já havia se esgotado os lugares para barraca própria, e vou te falar: a barraca era super espaçosa, a cama super confortável (melhor do que da minha casa. hehehe) e o saco de dormir era excelente! >
      - É possível pagar por refeições nas bases de apoio, mas isso te custará bastante caro (aprox. R$50 em um café da manhã e mais de R$100 no almoço ou na janta).
       
      QUAL CIRCUITO ESCOLHER: O ou W?
      - Primeiro de tudo: caso ainda não saiba, o circuito O engloba o ciruito W. Se você tem preparo físico e tempo disponível, sugiro fortemente fazê-lo. No primeiro dia do circuito, não verá nenhuma paisagem espetacular, mas, nos dias seguintes, as paisagens serão maravilhosas. Abaixo seguem algumas fotos de paisagens exclusivas do circuito O.

       
      QUANTOS DIAS E COMO FAZER O CIRCUITO O?
      - Acabou que fiz em 7, mas oh considero que isso foi uma tremenda duma burrice. Jamais faria isso novamente. O conselho que dou é faça no mínimo em 8.
      - Programaria de uma das seguintes formas, considerando apenas os destinos por dia:
      1.  Para quem vai ficar em camping:
      a) 9 dias: Serón - Dickson - Los Perros - Paso - Grey - Francés - Francés (neste dia iria até o Mirador Británico e domiria no Francés novamente) - Chileno (ou camping central) - dia de ir ás Torres e voltar a Puerto Natales
      b) 8 dias: Serón - Dickson - Los Perros - Paso - Francés - Francés (neste dia iria até o Mirador Británico e domiria no Francés novamente) - Chileno (ou camping central) - dia de ir ás Torres e voltar a Puerto Natales
      c) Se tiver que fazer em 7 dias: Serón - Los Perros - Paso - Francés - Los Cuernos (neste dia também iria até o Mirador Británico) - Chileno (ou camping central) - dia de ir ás Torres e voltar a Puerto Natales
      2. Para quem vai ficar em refúgios:
      a) 9 dias: Serón - Dickson - Los Perros - Grey - Francés - Francés (neste dia iria até o Mirador Británico e domiria no Francés novamente) - Chileno - dia de ir ás Torres e voltar a Puerto Natales
      b) 8 dias: Serón - Dickson - Los Perros - Grey - Francés - Francés (neste dia iria até o Mirador Británico e domiria no Francés novamente) - Chileno - dia de ir ás Torres e voltar a Puerto Natales
      c) 7 dias: Serón - Los Perros - Grey - Francés - Los Cuernos (neste dia também iria até o Mirador Británico) - Chileno - dia de ir ás Torres e voltar a Puerto Natales

      - Observe que não inclui opção de Paine grande em ambos. Primeiramente por uma questão de planejamento, mas também não recomendo para quem vai ficar em barraca, pois pelo que me relataram lá o vento é muito forte, a ponto de carregar barracas bem presas ao chão.
      - Não há opção de refúgios no Paso e no Italiano, apenas camping.
       
      INFORMAÇÕES GERAIS SOBRE O CIRCUITO O (e algumas que servem para o W também)
      - Os primeiros dias que envolvem o caminho do camping central até Los Perros são de dificuldade mediana ou fácil (Dickson a Los Perros). Em um trecho ou outro terá um pouco mais de dificuldade.
      - Em todo o circuito, o dia mais pesado de todos é o que envolve a saída de Los Perros e a ida até Paso (ou até o Grey dependendo do seu roteiro) (fotos abaixo). Logo no início, tem-se uma subida inclinada que passa por dentro de um bosque. Após um tempo de caminhada a área se abre e se caminha com uma leve inclinação até uma primeira subida em terreno pouco mais inclinado. A partir daí a subida fica bastante pesada, com trechos de caminhada sobre gelo (use o bastão com o disco de neve para não correr o risco de quebrá-lo...quase quebrei o meu). A subida finaliza, após 620 m de desnível, em uma vista maravilhosa do Glaciar Grey, a partir daí é só descida bastante inclinada até chegar no acampamento Paso (725 m de desnível - 9 km no total até aqui). Depois são mais 9 km de Paso até o acampamento Grey com muitas subidas e descidas e desnível de 400 m. Pouco depois de Paso, há uma grande ponte pendular. Muito cuidado ao atravessar devido ao vento. Mais cuidado ainda logo após, pois se o vento estiver muito forte, você terá usar o bastão para jogar o corpo para o lado da encosta, fugindo do precípio. Ao longo do caminho, há mais duas pontes pendulares. < Nesse dia, especialmente por conta do impacto na descida, o meu joelho esquerdo inflamou, prejudicando todo o restante da viagem >
      Fotos de trechos da subida:

       
      - Outro trecho que é bem difícil, neste caso tanto para quem vai fazer o O quanto o W ou um passeio de um dia, é a subida a Torres. Bastante inclinada, mas não se compara à dificuldade do trecho de Los Perros a Grey.
      - Para quem vai no esquema camping com barraca própria, ficar em Paso será reconfortante após o percurso descrito anteriormente. Porém é um camping sem muita estrutura. Não tem chuveiro e o banheiro é do tipo seco, com buraco no chão. Sem contar que suas vagas costumam esgotar bastante rápido.
      - No campings Dickson e Los Perros há apenas duchas frias.
      - No trecho de Serón a Los Perros há muitos mosquitos, pelo menos nessa época que fui (possivelmente em outras também). Entenda por muitos mosquitos, muito mesmo! <Vi uma pessoa com um boné que tinha uma rede que cobria todo o rosto e fiquei com uma puta inveja. Acho que é a melhor coisa para se levar em caso de fazer o O. >
       
      EL CALAFATE / PERITO MORENO
       
      EL CALAFATE
      - Para chegar a El Calafate, peguei o ônibus da Cootra às 7h30 - o preço era $ 17 mil, mas paguei $ 15 mil após negociar. Só que quem chegou mais cedo conseguiu por $ 11 mil. < E eu achando que tinha me dado bem na negociação. hehehe >
      - A cidade é bem turística, cheia de lojinhas de lembrança, chocolaterias e sorveterias. Tudo obviamente muito caro!
      - A princípio fui a El Calafate para fazer o Big Ice no Perito Moreno, mas como o meu joelho ainda estava mal, as funcionárias da Hielo y Aventura acabaram cancelando a minha reserva. < Caso esteja com um probleminha físico pequeno que você tem certeza que não irá te atrapalhar, não informe nada porque a galera é bem rigorosa. Não me responsabilizo por esta ideia errada aqui >
      - Se você curte cerveja, recomendo fortemente ir no La Zorra (bar próximo ao posto de gasolina). Eles têm ótimas cervejas lá. Só que não são muito baratas.
       
      PERITO MORENO
      - Fomos ao Perito Moreno no Tour Alternativo. Pagamos $680 no hostel onde estávamos hospedados (Hospedaje del Glaciar); em outros lugares era $800. O tour consiste em um passeio guiado (muito bem, por sinal) em uma rota alternativa por estrada de chão com observação de espécies animais ao longo do caminho, parada em uma estância com uma bela localização; trilha de 45 min por um bosque que chega ao lago do glaciar pelo lado oposto à sua face norte; opção de navegação de barco opcional até o glaciar ($500, 1h de duração - pelos relatos acho que não vale a pena); e por fim, 3h para caminhar pela plataforma - retornamos às 16h30.
      - Outras opções: ônibus regular ($600), táxi ($340 por pessoa em carro com 4, segundo informações de uma pessoa que conheci), carro alugado (mais em conta se houver 4 ou 5 pessoas).
       
      EL CHATÉN
       
      - Chegando a El Chatén: À tarde, há opções ônibus às 18h por $600 + 10 de taxa de embarque, mas preferimos pegar o ônibus de 19h da Taqsa por $420 + 10 (ótimo ônibus, procure ir na janela para curtir as belas paisagens ao longo do caminho - TENTE NÃO DORMIR)
      - O principais pontos turísticos de El Chatén certamente são a Laguna de los Tres (laguna com Fitz Roy) e o Cerro Torre. A seguir sugiro duas formas para se conhecer os dois pontos que são do mesmo lado do Parque:
      a) Em caso de você ter barraca e desejar acampar para economizar uma diária ou mesmo para otimizar o roteiro ou pela experiência de camping, sugiro no primeiro dia ir até o Cerro Torre (com mirador Maestri) e acampar no camping DeAgostini (do lado do Cerro Torre) e no segundo dia ir a Laguna de los Tres passando pela trilha das Lagunas Hija y Madre e depois retornar a cidade pela trilha que passa pela Laguna Capri. Essa rota é preferível, pois no camping Poincenot (mais próximo do Fitz Roy) venta bastante e é mais cheio.
      b) Em caso de você estar interessada em bate-volta, sem pernoite em camping, recomendo em um dia ir à Laguna de los Tres e em um outro dia ir ao Cerro Torre. No primeiro dia, sugiro pegar um transfer (empresa Las Lengas - $150) até a Hosteria El Pilar e de lá seguir até a Laguna. Por esse caminho, evita-se uma subida mais inclinada que há no caminho partindo diretamente da cidade (não é tão difícil) e ainda se tem uma bela visão do Glaciar Piedras Blancas nesse caminho. Depois sugiro retornar pelo caminho que passa pela Laguna Capri No segundo dia, não há muito segredo. Há apenas um caminho direto. Recomendo ir até o Mirador Maestri para se ter uma visão melhor do Cerro Torre (foto abaixo).

      - Loma del Pliegue Tumbado: recomendo ir apenas se estiver com tempo sobrando depois de ir em todos outros atrativos. O caminho é longo e parte da visão que terá engloba o que poderá ver nos miradores de Los Condores e Las Aguilas e uma outra parte engloba, já no final do caminho, engloba ver o Cerro Torre de uma outra perspectiva.

      - Reserva Los Huemules: a reserva fica a aprox. 3 km depois da Hosteria El Pilar na ruta 23. Possui duas belas lagunas (Laguna Verde e Laguna Azul) de trilha fácil e outras duas trilhas mais longas: uma até o Rio Eléctrico e outra até a Laguna Del Diablo. Entrada na reserva: $200, que dá direito a retorno durante o período de estadia em El Chatén. Ônibus Las Lengas por $210 até a reserva (ida e volta). Retorno: saída 8h (se não me engano) e retorno 17h.

      - Chorrillo del Salto: só vale se você não tiver mais nada para fazer na cidade.
       
      RETORNO (de El Calafate a Punta Arenas)
       
      - Caso o seu voo de volta seja a partir do aeroporto de Punta Arenas, recomendo fortemente garantir passagem previamente de El Calafate para Puerto Natales. Pode comprar no dia em que for de El Calafate a El Chatén.
      - Caso aconteça de as passagens se esgotarem, como aconteceu comigo, não se desespere, há opção de uma rota alternativa que sai de El Calafate, vai a Rio Gallegos e depois vai direto a Punta Arenas. De El Calafate a Rio Gallegos: saída 3h da madruga, 4h de duração - empresa Taqsa, $640 / De Rio Gallegos a Punta Arenas (aeroporto), saída às 13h, 4h de duração - empresa El Pinguino, comprada na empresa Andesmar no terminal de El Cafalate. 
      - Duas informações caso tenha que fazer o caminho alternativo anterior: o terminal de Rio Gallegos fica longo do centro da cidade, mas há um Carrefour ao lado, que pode servir como ponto para matar um pouco o longo tempo de espera; e no caso de ir direto ao aeroporto de Punta Arenas, sem ir ao centro da cidade antes, é preciso pedir pro motorista parar na rodovia próximo do aeroporto. Deste ponto até o aeroporto, dá quase 2 km de caminhada. Peça carona sem medo!

      Acho que são essas as dicas. Espero ter ajudado um pouquinho e estou aberto para qualquer questionamento. 😃
    • Por beatrizz
      Queridos mochileiros. 

      É com grande alegria que faço esse relato, pois ele se refere a um dos trekkings que eu mais desejava na vida: Torres del Paine. 
      A minha viagem ao Chile, foi exclusivamente para fazer o Circuito O (deveria ter reservado mais dias para ir a Cafalate e El Chaltén...) e mais dois dias de intervalo em Punta Arenas e Puerto Natales. 
      Em todos os relatos eu falo sobre a facilidade e aprendizado de se viajar sozinho. Mas essa foi minha primeira viagem fora do Brasil sozinha, e estou ainda meio sem palavras para conseguir expressar aqui o que significa. Eu não quero dizer que em alguns momentos realmente não possa se sentir sozinho, isso acontece. Mas eu posso dizer que em 90 % do tempo está cercado de pessoas muito abertas para conversar e trocar ideias. 
      Bom, a primeira coisa que precisa para fazer o Circuito O sem stress é a organização. Pois se pretende vir entre Dezembro e Fevereiro, é alta temporada (bom tempo), e os campings e refúgios ficam cheios. No Circuito O, quase todos os lugares em que você fica tem duas opções para dormir: Camping (com sua própria barraca, ou alugada) ou Refúgio (cama quentinha para quando sentir que merece). 
      Coisas importantes:
      * Imprimir suas reservas,
      * Ter comida suficiente. 
      * Um bom saco de dormir e uma barraca com boa camada para chuva.
      * Uma bota que seja sua amiga.
      * Como eu estava sozinha, e tendo que levar todo o peso (cerca de 14 kg), eu optei por comprar algumas refeições. Nos refugios'campings, eles fazem almoco-cafe-janta (sim, é caro), mas depois de um dia de muitos kms isso vale ouro. 
      Aqui vai o meu roteiro em Torres Del Paine:
      1 dia: peguei um ônibus em Puerto Natales as 07:15 para Torres del Paine (chegamos umas 09:45 na entrada principal). Na primeira portaria você precisa assistir um video sobre as normas do parque, mostrar seu ticket de entrada (ou comprar), é melhor já comprar no site da CONAF e levar o comprovante. Recebe o mapa do parque, e pode pegar um tranfer (3.000 pesos) até o cientro de bien venida (sao 07 km você pode ir caminhando também, eu fui de transfer porque nessa primeira parte não tem nada de mais e você vai precisar de mais energia em outros dias, acredite). No transfer já é possível ver algumas montanhas. 
      Depois de tudo isso, iniciei os primeiros kms do circuito. Camping Serón. Nesse primeiro dia a vista das montanhas ainda é bem restrita, porem passa por florestas e rios com água cristalina. A cor é como se fosse um azul royal, lindo. O terreno em si é tranquilo. Como cheguei cedo no parque e logo comecei a travessia, eu não encontrei ninguém no caminho, tipo nem uma pessoa nos primeiros kms. Ai teve um misto de satisfação com preocupação haha. Mas logo aparecem alguns (poucos). 
      Nesse camping nao há refúgios, quando cheguei era umas 14:00 ainda, normalmente os check in s{ao as 14:30. Começou a chover e ventar um pouco quando estava arrumando minha barraca (chamam carpa aqui). Foi uma noite difícil pois choveu muito e fez frio (cerca de 5 graus).
      Nesse primeiro dia, eu passei muito frio, no outro dia as montanhas aparecerem branquinhas, nevou.
      2 dia: essa caminhada você já começa a ficar mais perto das montanhas, chegando no refúgio Dickson a vista é fantástica. Fiquei em refúgio, porque algo me disse que quando fui fazer a reserva, fiquei muito feliz pois chovia e estava uns 2 graus.
      3 dia:ida até los perros, nesse lugar que você começa a sentir os ventos fortes. Nesse camping não tem refúgio , e só tem banho gelado! O camping fica do lado do rio e abaixo da montanha, tem como ser ruim isso?
      4 dia: foi o dia mais cansativo, porque precisamos passar pelo Paso John Garden, que é uma montanha de gelo. É fantaaastico. Nesse dia tem que sair cedo tipo 6 da manhã, porque no Paso o tempo muda muito e depois das 11 da manhã o pessoal fala que tem um tipo de chuva e vento que não se pode passar, muito perigoso. Até o topo do Paso demora umas 4 horas. E depois a descida mais 4. Eu fui direto ao camping Grey, então foi bem cansativo, mas todo o caminho é maravilhoso. Nesse dia tem a visão do glaciar.
      5 dia: indo para o camping paine grande, contato com a civilização. Aqui você pode se dar ao luxo de uma comida diferente, tem várias pessoas, que chegam aqui e ficam apenas para fazer a trilha até o mirador britânico.
      6 dia: aqui você encontra muitas pessoas no caminho também, ida até o Francés, o Mirador Británico fica no caminho. Você pode deixar a mochila no Italiano e subir mais leve.
      7 dia: ida até o Central.
      8 dia: trilha base de las torres. A trilha em si é linda, muitos rios e pontes. Você passa pelo acampamento chileno e depois desse ponto a trilha fica mais pesada, porque ganha elevação muito rápido.
      Resumo :
      1. Cientro de bienvenida p/ Seron: 13 km, 4 horas.
      2. Seron p/ Dickson: 18 km, 6 horas.
      3. Dickson p/ los perros: 12 km, 4.5 horas.
      4. Los perros p/ Grey: 15 km, 11 horas.
      5. Grey p/ Paine grande : 11 km, 3.5 horas.
      6. Paine grande p/ Francés : 9.5km, 3,5 horas.
      7. Francés p/ Central : 15 km, 6,5 horas
      8. Central p/ ida e volta base das torres: 20 km, 7 horas
      Total de 114 km apx, considerando que essa distância distribuída em 8 dias, não é nada de outro mundo. As trilhas são suuper bem demarcadas, então mesmo se estiver sozinho não vai se perder não.
      Com certeza a Patagônia é o lugar mais fantástico que já estive, porque a energia das montanhas e a conexão com a natureza é algo que não se consegue assim tão fácil.
      Em Punta Arenas cidade vizinha de Puerto Natales, você pode fazer um passeio com empresa especializada e chegar até a Ilha Magdalena e Marta, onde tem os pinguins e Lobos marinhos, é obrigatório pra quem passa por aqui.
      Depois de 3 dias de volta, ainda não consegui voltar, é como se eu ainda estivesse lá. Meu corpo e minha alma ficaram conectados as montanhas de Torres del Paine. 













       











       








    • Por fore
      Introdução
      Planejei uma viagem de carro saindo de São Paulo, capital, com destino ao Ushuaia, saindo do Brasil por Foz do Iguaçu, porém, para evitar a Ruta 14 com medo dos policiais corruptos, entraria no Brasil novamente em São Borja/RS para chegar em Uruguaiana/RS e assim descer até Gualeguaychu pelo Uruguai. Em seguida seguir para o lado oeste e descer a Ruta 40, entrar em Torres del Paine no Chile e continuar descendo até o Ushuaia.

      Na bagagem: barraca Quechua Arpenaz 4.1 Fresh & Black, duas cadeiras de praia, um fogareiro Nautika ceramik, uma mesa portátil, colchão inflável de casal, um saco de dormir, um cobertor, tapete em EVA (aqueles de montar) e manta térmica para forrar o chão da barraca. Além de utensílios de cozinha, um cooler, grelha para churrasco e uma caixa de mantimentos básicos como macarrão, miojo e alguns temperos.
      A barraca é grande, espaçosa e bem simples de montar (são apenas 3 varetas assim como qualquer outra). No quarto cabe o colchão de casal e sobra espaço para mais um de solteiro, como não era o caso, era usado para guardar as mochilas.
      O fogareiro acho que foi a melhor aquisição que fiz. Achei muito bom e a lata de gás durou por uns 3 dias com a gente. Fomos com 12 latas pra lá, porque eu não sabia o quanto rendia. Sobrou bastante e de qualquer forma, a gente encontrava facilmente em supermercados por lá.
      Fomos em 2 pessoas, com um Peugeot 208 1.5, suspensão esportiva (mais baixa que a original), rodas aro 17 com pneus 215/45 e insulfilm g20 em todo o carro, inclusive parabrisa. (Só mencionei isso pelo fato de ainda haver dúvidas quanto ao tipo de carro que consegue fazer esse tipo de viagem).
      Comprei o chip da EasySIM4U para conseguir sinal de internet no celular (somente dentro das cidades tinha sinal).
      O caminho todo me guiei pelo Google Maps, meu carro tem a central multimídia com Android, então bastava eu compartilhar a internet do celular e tudo certo (pelo menos quando tinha sinal).
      Para procurar hotéis usei o Booking.com (consegui pegar bons descontos com o Genius) e para campings usei o iOverlander. Apesar de ajudar muito, o iOverlander é um pouco desatualizado, infelizmente a colaboração não é tanta no aplicativo. Existem muitas outras opções de campings no caminho que a gente acaba encontrando só depois de ter dado entrada em algum.
      No total foram 14.730km em 28 dias de estrada, sem nenhum perrengue ou problemas maiores.
      Obs:
      - O tempo de viagem relatado é o total do tempo do momento em que saímos de um hotel/camping até chegarmos no próximo destino. Contando as paradas na estrada.
      - Os gastos coloquei na moeda local, pois fica mais fácil caso alguém precise consultar em outro momento para ter uma noção melhor de custos.
      - A viagem inteira abasteci com gasolina/nafta super.
      Se quiserem me acompanhar no instagram: @fore.jpg
    • Por casal100
      Esse relato é dividido em cinco partes:
      .da página 1 até a 7 refere-se a viagem realizada entre dez/2007 e fevereiro/2008 de carro;
      .a partir do final da página 7 refere-se a viagem que começa no final de dez/2008 até final de fevereiro/2009 de carro.
      .a partir da pag. 15 - viagem a Torres del paine, carretera austral ..........viagem realizada de dez/2009 a fevereiro/2010.
      .a partir da pag.19 - viagem ao Perú e Equador ....vigem realizada de dez/2010 a fevereiro/2011.
      .a partir da pag.23 - viagem venezuela, amazonas, caminho da fé.... realizada entre dez/11 a fev/12.
    • Por SamuelSchw
      Saudações, povo da mochila.
       
      O relato que segue refere-se à uma viagem realizada há um ano atrás (ontem exatos 365 dias que finalizei o Circuito O!). Devido à correria da vida e uma promessa de que parte dele sairia em uma revista de escalada e montanhismo, acabei não publicando antes. Apesar de possíveis mudanças nos preços e regras de visitação, possui uma série de informações relevantes em um texto que lembra um diário sobre essa viagem de 26 dias (de 25/12/2015 a 18/01/2016) passando por Ushuaia, Punta Arenas, Puerto Natales, El Chaltén, El Calafate e ainda uma curta passagem por Buenos Aires. Foram mais de 200 km de trilhas percorridas, sendo o objetivo principal da viagem o circuito O em Torres del Paine. Para ajudar na coleta de informações pelo amigo leitor, aquelas que considero chave ou relevantes estão em negrito.
       
      O relato está dividido em quatro partes: I- Informações Gerais; II- Ushuaia a Puerto Natales; III- Torres del Paine - Circuito O; IV- El Calafate, El Chaltén e Buenos Aires. Caso deseje informações mais objetivas ou não deseje ler a totalidade das palavras e devaneios deste que vos escreve, sugiro ler somente a Parte I e esta planilha resumo, além da Seção “Dicas”, da Parte III.
       
      PARTE I - INFORMAÇÕES GERAIS
      Lembro de quando ouvi sobre e vi imagens da Terra do Fogo pela primeira vez em uma reportagem do Globo Repórter. Tinha uns 12 ou 13 anos e o nome Terra do Fogo me pareceu misterioso, místico, atiçando minha curiosidade. Depois de muito tempo habitando minha mente, a viagem começou a tomar forma. Inicialmente programada para acontecer no final de 2014, uma mudança de emprego e de cidade resultou no adiamento por um ano, mas todo o roteiro já estava traçado, sendo necessário apenas atualizar o orçamento e buscar algumas informações adicionais. A essa empreitada, juntaram-se dois amigos do grupo Trekking Brasília: Luzardo Alves e João Paulo Marques
       
      Passagens
      Como minha família passaria o Natal em Campinas, acabei comprando diferentes trechos de voo: Brasília-São Paulo (ida e volta, Gol), São Paulo-Buenos Aires (ida e volta, TAM), Buenos Aires-Ushuaia (ida, Aerolíneas Argentinas) e El Calafate-Buenos Aires (ida). Os trechos São Paulo-Buenos Aires e El Calafate-Buenos Aires foram adquiridos por pontos, sendo o primeiro um generoso e bem-vindo presente de meu pai que estava com vários pontos acumulados e nenhuma perspectiva de usá-los no curto prazo. O trecho Buenos Aires-Ushuaia custou R$ 850,00.
       
      Dinheiro/Câmbio
      Optei por levar dólares, alguns reais e cartão de crédito. Quando comprei as passagens, o dólar estava na casa dos R$ 3,40 e para meu desespero começou a disparar. Atento às projeções pessimistas, e que se concretizaram, fiz questão de comprar dólares assim que possível e consegui comprar a R$ 3,80. Embora muitos recomendem realizar câmbio em Buenos Aires, essa não era uma opção viável dentro de nosso itinerário. Graças às decisões do Macri de acabar com o controle cambial, a cotação oficial do dólar estava US$ 1,00 = AR$ 13,00, nenhuma discrepância significativa da paralela. No dia 25/12 o real estava bem valorizado ante ao peso (R$ 1,00 = AR$ 4,50). Se fosse possível prever, teria levado reais e ficaria uma manhã apenas para cambiar. Nos dias seguintes, entretanto, o real começou a cair. Na região patagônica, levar dólares ou reais seria equivalente pois o câmbio era R$ 1,00 = AR$ 3,50 e US$1,00 = 12,50 a 13,50. No Chile o câmbio estava em média R$ 1,00 = CH$ 180 e US$ 1,00 = CH$ 650 a 700.
       
      Mochila
      Fui com minha Curtlo Mountaineer 60+15 velha de guerra. Excelente mochila. Para uma viagem como essa e para realizar o circuito O de forma autônoma recomendo no mínimo uma mochila de 60 Litros. Como fui com câmera DSLR, duas objetivas e tripé, os 15 Litros a mais foram muito úteis. Nessa viagem apliquei uma dica que li no livro Manual de Trekking e Aventura, do Guilherme Cavallari para proteger a mochila no avião: colocá-la em um saco. Eu usei um saco plástico grosso, mas pode usar um saco de fertilizante ou de batata. São leves e você pode guardá-lo dobrado na mochila. Como algumas companhias aéreas ou não fornecem mais sacos plásticos para embalar a mochila ou fornecem sacos de litragem pequena, recomendo fortemente para proteger tanto a mochila quanto a capa de chuva.
       
      Transporte Terrestre
      Entre as cidades, viajamos por empresas de transporte, mas é completamente possível fazer essa viagem de carona. Conheci várias pessoas que estavam viajando dessa forma e constantemente revia na próxima cidade alguns cidadãos que vi à beira da estrada. Se o amigo leitor dispuser de tempo e vontade, acredito que valha muito a pena não apenas pela economia, mas pela própria experiência em si
       
      Disponibilizo aqui link para planilha com o roteiro executado, preços, itens levados. Se tivesse mais alguns dias teria ido a Los Antiguos e a Chile Chico.
       
      PARTE II - USHUAIA A PUERTO NATALES
      O voo para Buenos Aires partiu de São Paulo. Antes do embarque aproveitei para passar no posto médico do aeroporto para ter um parecer sobre um calombo que surgiu na minha coxa esquerda, mas que era apenas uma inflamação dos folículos pilosos, exigindo apenas uso de um antiinflamatório (Profenid 100mg ). Esta é a segunda vez que faço uso dos serviços médicos dos postos dos aeroportos e deixo a dica ao amigo leitor. O atendimento é bom e gratuito.
       
      Na sala de embarque encontrei o Luzardo. Partimos de São Paulo no dia 25/12, às 18:30, com uma hora de atraso e chegamos às 20:10 em Buenos Aires, onde encontramos o João. Aproveitamos para fazer câmbio de US$ 100,00 no aeroporto. Luzardo e João pegaram um táxi para dar uma volta em Puerto Madero e eu fiquei no aeroporto. Comi um lanche extremamente caro no piso superior, AR$ 126,00 por uma baguete e uma sprite, e depois fui descansar. Às 4:00 fizemos o despacho das malas e às 5:35 o avião decolou.
       
      USHUAIA
      26/12. Cheguei em Ushuaia às 9:10. João e Luzardo chegaram cerca de 20 minutos depois. Pegamos as malas, um mapa no balcão de informações e, após apreciar por uns minutos a bela cadeia de montanhas que guarda a cidade, tomamos um táxi para nos levar até o Hostel Antarctica ao custo de $115. Recomendo fortemente o Hostel Antarctica. Ambiente legal, equipe atenciosa e acolhedora, boa estrutura e café da manhã reforçado. Destaque para o fato de que o hostel fornece ovos e o hóspede prepara à sua maneira. A diária estava $260 e o público é variado, viajantes solitários, casais jovens e idosos, famílias, uma das quais me permitiu praticar o alemão durante uma boa conversa.
       
      Para esse dia não havíamos planejado nada. Por sugestão do recepcionista do Hostel, acabamos comprando o passeio para a Laguna Esmeralda por volta das 11h, ao custo de $250, ida e volta. Recomendo. É uma trilha leve e o lugar é realmente belo. Quando retornamos ao estacionamento, havia ainda 1h até nosso transfer chegar. Para nossa surpresa, uma senhora que realiza transfers por outra empresa nos viu e ofereceu transporte, de graça e ligou para a outra empresa, e ainda ganhamos croissant e café. De volta à cidade aproveitamos para fazer compras no mercado e garantir nossa janta e almoço para os próximos dias, por preço bem mais em conta que os dos restaurantes.

       

       
      27/12. Domingo. Grande parte das lojas e mercados fechados, o que impediu-nos de comprar a passagem para Punta Arenas. Cedo pela manhã fui efetuar o pagamento do passeio do Beagle Channel (Islas de los Pájaros, Lobos, Farol e descida na Isla Carello) o qual reservei antecipadamente por email com a Canoero (http://www.catamaranescanoero.com.ar/principal.htm) para as 15:30 daquele dia. Aproveitei para pedir desconto, visto que seriam 3 pessoas e consegui baixar de $750 para $700. $50, não muito no total mas já ajudava em alguma coisa. Dei uma caminhada na cidade ainda adormecida e voltei ao Hostel para encontrar os piás e ir ao Presídio.
       
      Presídio. O ingresso custou $150. Já há bastante informação disponível sobre o Museu, me limitarei a dizer que eu gostei e acho um passeio bem válido para se conhecer a história de Ushuaia e da navegação. Detalhe para os mapas e cartas náuticas antigas e a seção dedicada aos Yamanas, povo original da região, já extinto.
       

       
      Beagle Channel. Escolhi o horário da 15:30 por conta da luz começar a perder intensidade nesse horário e não estourar as fotos. No fim, com o tempo nublado ficou ainda melhor. Enquanto esperávamos a partida, Luzardo resolveu brincar que seria fácil fazer novos amigos brasileiros. Ao falar alto “Brasil? Alguém?”, atrás dele havia um brasileiro, Daniel, com o qual fizemos amizade e trocamos ideias sobre os planos de viagem. Ele estava viajando solo, de moto, e iria também para Torres del Paine. Acabou que combinamos dele nos informar por email se as lojas de aluguel de equipamento estariam abertas no dia 01 de janeiro e o preço dos equipamentos. O passeio do Beagle Channel também é bem conhecido e há muita informação disponível a respeito. É um passeio bem tranquilo, padrão, mas vale a pena. O lugar é realmente bonito e instiga a imaginação. O tempo estava fechado e o vento frio. A descida na Isla Carello é interessante para se conhecer o ecossistema e imaginar como os nativos sobreviviam na região. Voltamos à Ushuaia depois das 18 horas.
       

       

       
      28/12. Acordamos cedo para garantir as passagens para Punta Arenas. Pensamos em adiantar 1 dia e sair de Ushuaia em 29/12, para chegar em Puerto Natales no dia 31. Depois de rodar todas as agências de viagem (não existe uma rodoviária com balcões das empresas), tivemos que voltar ao planejamento original e compramos para o dia 30/12. Minha recomendação ao amigo leitor é que compre as passagens para Punta Arenas assim que chegar em Ushuaia, se seu planejamento não for flexível.
       
      Cerro Martial. Como perdemos a manhã, resolvemos deixar o Parque Nacional para o dia seguinte e fomos ao Cerro Martial. Nos juntamos a outra brasileira, Clara, e pegamos um táxi até a entrada ($135). A vista é bacana e o lugar vale uma visita se você tiver tempo, mas não consideraria um must-see. Pegamos um táxi por $120 até o centro de Ushuaia. Sinceramente, acho que teria valido mais a pena dedicar esse dia ao Parque Nacional, pernoitando lá e subindo o Cerro Guanaco, pois achei um dia pouco para o Parque.
       

       
      29/12. Parque Nacional Tierra del Fuego. Tiramos o dia para o Parque. Saímos no ônibus das 10 e pouco, mas recomendo sair no primeiro transfer. O custo foi $370 ($270 transfer + $100 tarifa Mercosul). Fomos até o Correio del Fin del Mundo, para em troca de alguns dólares - 2 ou 5, não lembro ao certo - obter o carimbo no passaporte. Lá vimos a lancha sendo carregada com cartas e postais e deixando a margem do lago. Fizemos a Senda Costera, que margeia a Bahia Lapataia. Entretanto não fomos até Puerto Arias, indo somente até a Laguna Negra e retornando no penúltimo ônibus.
       

       
      PUNTA ARENAS
      30/12. Ushuaia-Punta Arenas. Saímos cedo para pegar o ônibus para Punta Arenas. Os ônibus saem de um pátio na Av. Maipú, entre as ruas 25 de Mayo e Fadul. Nosso ônibus saiu às 5:30. Viagem longa mas com belas paisagens, clipes de músicas românticas e de sofrência que fariam Pablo sentir inveja, e passagens de fronteira com guardas mais preocupados com seu Whatasapp do que com as imagens do Raio X. Chegamos em Punta Arenas perto das 18h e fomos providenciar Câmbio. Há duas casas de câmbio próximas ao ponto de parada do ônibus. Na verdade, ficam na mesma quadra/rua (Colón) da oficina da Bus Sur. Câmbio feito, fomos providenciar a passagem para Puerto Natales na Bus Sur, ao custo de $6.000. Ao lado do balcão da BusSur há um balcão de empresa de turismo. Nosso plano era fazer a Pinguinera clássica (ilhas Marta e Magdalena), entretanto o atendente nos ofereceu o passeio do Pinguim Rei, dizendo que era mais completo, sendo possível avistar lobos marinhos e baleias. Enquanto a Pinguinera custava $35.000, o passeio do Pinguim Rei custava $60.000 ($12.000 são pagos na entrada da reserva). Com certa relutância mas confiando no vendedor, acabamos comprando o passeio do Pingüim Rei, que na verdade, se mostrou não um passeio mais completo, mas um completamente diferente da Pinguinera e da propaganda feita. Explicarei nos próximos parágrafos.
       
      Saímos da BusSur e fomos em direção ao hostel que havíamos reservado, o Samarce House. Depois de andarmos alguns bons minutos e não encontrarmos, resolvemos pedir ajuda em uma lavanderia. A dona da lavanderia foi bastante solícita, tentando inclusive ligar para o hostel, sem sucesso. Ao ver a foto da fachada do Hostel, ela percebeu que se tratava de uma casa ali perto e descobrimos que o endereço na internet estava errado. O Hostel fica, na verdade, na Av. España, 940. Ao chegarmos achamos o local com cara de abandonado, uma perfeita casa para um filme de suspense ou terror, mas o lugar é aconchegante e limpo. O café da manhã é reforçado, servido, pelo menos num dos dias que lá ficamos, pelo próprio senhor Samarce, um sujeito simpático e conversador. A diária lá custou $11,000. Recomendo!
       
      Deixamos as malas e pegamos um táxi ($2000) até a zona franca, pois pensávamos em comprar alguma coisa, mas só compramos o gás para Torres del Paine. Confesso que esperava maior variedade de marcas e produtos, mas algumas coisas realmente valem a pena lá, como por exemplo, as barracas Doitê. Aproveitamos e fomos ao mercado ao lado comprar a janta e suprimentos para Torres del Paine, e saímos de lá no fim do expediente. A essa hora há poucos táxis e poucos ônibus. Felizmente demos sorte de encontrar um taxista ainda no estacionamento e voltamos até o centro da cidade ($2350). De lá seguimos a pé até o Hostel e por lá ficamos.
       
      31/12.
      Eram por volta das 7:30 quando o ônibus que nos levaria à pinguinera chegou. Fomos muito bem recepcionados pelo motorista e dono da agência, um sujeito bonachão, simpático e divertido, e o guia. Passamos buscar os demais participantes e aí seguimos. Como mencionei acima, este é um passeio completamente diferente do oferecido pelo vendedor, e completamente diferente da Pinguinera das ilhas Marta e Magdalena. O passeio foca em dois temas: a história do povo Selknam, um dos povos originais da ilha e exterminado pelos colonos, e no Pinguim Rei. É de fato interessante, mas passa-se muito mais tempo na van do que qualquer outra coisa. Cruza-se novamente o Estreito de Magalhães e retorna-se à Isla Grande de Tierra del Fuego, em direção ao município de Porvenir, onde há um pequeno mas interessante museu. Lá o guia contou sobre a história da região, realmente interessante, mas pesada e sanguinária e não consta nas páginas oficiais do Chile. O povo Selknam foi exterminado com direito à caçada e troca de orelhas, cabeças e seios por dinheiro, tendo a última representante falecido nos anos 60 ou 70. De lá segue-se para a Reserva do Pingüim-rei, com uma parada em uma panificadora, onde comprei uma deliciosa empanada por $1000. A partir daí é estrada e mais estrada, até chegar na reserva, que é privada. O pinguim-rei (Aptenodytes patagonicus) está voltando a colonizar a região da Bahia Inútil após ter sumido devido à caça e captura. Os bichos são realmente belos, sendo a segunda maior espécie de pinguins, atrás apenas do pinguim-imperador, (aquele do filme Happy Feet). Ao contrário da pinguinera clássica, aqui há cercas que delimitam a área onde o turista pode ficar, sendo impossível o contato direto com os animais, o que é positivo para não prejudicar a recolonização e não influenciar o comportamento ou saúde dos animais De lá, retorna-se para Punta Arenas, cruzando novamente o Estreito, o que dessa vez foi recompensador pelos vários golfinhos-de-commerson (Cephalorhynchus commersonii), com seus saltos e mergulhos sincronizados. Minha opinião sobre o passeio: É um passeio interessante, mas caro. Se o amigo leitor dispõe de tempo e dinheiro, ou quer muito ver essa espécie, que vá, pois é uma oportunidade única de vê-la. Caso tenha apenas um dia, como nós, e seu objetivo é chegar mais perto dos animais e tirar selfies, o passeio das ilhas Marta e Magdalena valerá mais a pena, além de ser $25.000 mais barato, um dinheiro que faz falta numa viagem. (http://www.pinguinorey.com/index.php ; http://turismoselknam.cl/)
       

       

       

       
      Retornamos a Punta Arenas próximo das 20 horas. Depois de tomar banho e descansar um pouco, começamos a pensar no que faríamos na noite de Reveillion. Decidimos por jantar e depois ir para a festa de virada na avenida. Entretanto, não foi fácil encontrar restaurantes aberto e com mesas disponíveis, pois os poucos necessitavam ter feito reserva. Acabamos encontrando o Submarino Amarillo, na Colón, e por lá ficamos. O local é um bar e restaurante, e também hotel, com temática rock´n´roll clássica e recebe apresentação de bandas. Pedi um salmão com purê de batatas e uma coca-cola, ao custo de $11.700. Indico o lugar.
       
      Saímos do bar rumo à concentração de pessoas. O clima no local estava agradável, bastante familiar. No microfone, o mestre de cerimônia animava o público, perguntando volte e meia quem iria “carretear hasta las 5 de la mañana”, ao que o povo respondia alegremente. Depois da contagem regressiva, dos fogos e da comemoração, uma banda local animou a festa, tocando inclusive IlarilariÊ. Para nossa surpresa e contrariando o discurso anterior, às 1h da manhã a música cessou, o mestre de cerimônia encerrou a festa e o povo foi para as suas casas. Voltamos ao hostel, arrumamos as mochilas e dormimos.
       
      PUERTO NATALES
      Partimos de Punta Arenas rumo a Puerto Natales no ônibus das 10 da manhã e chegamos por volta das 13:30. Assim que desembarcamos, fizemos o que todos devem fazer de imediato: providenciar o translado até o Parque Nacional. Apesar de termos planejado iniciar o circuito pela manhã do dia 02, decidimos pegar o ônibus das 14:30 para Torres del Paine, pois ainda precisávamos comprar mantimentos. Tomamos essa decisão tranquilamente pois durante a viagem de Ushuaia para Punta Arenas um holandês que havia feito o O confirmou que, mesmo indo ao parque no ônibus das 14:30, era totalmente possível completar o primeiro trecho ainda com luz. Conseguimos por $12000 negociando na Via Paine (O preço normal é $15000). Negociando desconto em outra empresa, me responderam sarcasticamente que se eu não quisesse comprar não teria problema, pois os ônibus sempre partem cheios, outros comprariam. . De lá caminhamos até nossa hospedagem, Hostal San Augustin, o qual não recomendo. A diária custa $13.500, com café da manhã fraco. O lugar não é ruim, é limpo, confortável, mas o tratamento é péssimo. Além disso, só faltava cobrar para respirar. Cobravam $500 ou $1000 pesos por dia, por mala no locker room. Existem opções melhores, como por exemplo, o Lili Patagonicos, no qual fizemos reserva para quando regressamos do Parque e o qual recomendo fortemente. O preço é $12.000 em quarto com 4 camas e banheiro, café da manhã bastante reforçado, wifi. Ótima estrutura e atendimento. Além disso, o locker room é gratuito e nos permitiram deixar o resto da bagagem lá enquanto percorriamos o Circuito O, obviamente com pagamento de 50% da diária. Lá eles também alugam e compram bons equipamentos para trekking por um bom preço.
       
      Almoçamos no Restaurante Marítimo ($9.250 o prato principal mais bebida). Lá também é servido menú completo por $4.000. Recomendo, assim como recomendo outro restaurante, o Carlitos, que serve um Menu mais saboroso e reforçado por cerca de $5.000 se não estou enganado.
       
      Depois do almoço no dia 01, fomos até a Kallpamayu, loja na qual reservamos por email a barraca que levaríamos para Paine. A loja é boa e foi uma das que me passou mais confiança. Pegamos uma Doité Aconcágua para 3 pessoas, por $ 6.500,00 o dia (depois de negociar). A barraca era grande o suficiente para nós três e seria uma boa casa para os próximos 7 dias, além de que dividiríamos o peso.
       
      No dia 02 pela manhã aproveitamos para comprar o restante dos mantimentos e eu aproveitei para comprar um capacete de escalada também na Kalpamayu, pois o preço estava compensando. Para quem está procurando equipamentos, os preços são bem convidativos. Almoçamos no Carlitos e às 14:30 partimos para o Parque.
       
      CONTINUA...


×
×
  • Criar Novo...