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Olá viajante!

Bora viajar?

Circuito Huayhuash Huaraz Peru - Julho de 2012

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Oi gente!

 

Demorei, mas como prometido vou postar minha experiência MARAVILHOSA do trekking Huayhuash de 10 dias no Peru.

Todos os outros trekkings que fiz foram apenas um treinamento para este...

Foi intenso, desafiador, duro. Mas me sinto orgulhosa em conseguir carregar meus 95kg por 130km em 10 dias, sem usar o cavalo em nenhum momento.

Voltei diferente! Acredito mais em mim, meu respeito e companheirismo com meu marido ficou mais fortificado, me orgulhei do que fiz!

Na verdade, me superei!

"ACEITE SEUS LIMITES SEM JAMAIS DESACREDITAR NA SUA CAPACIDADE DE SUPERAÇÃO"

 

14/07/12

Chegamos em Lima dia 14 de julho e fomos direto a Huaraz, cidade a quase 400 km ao Norte de Lima. Nosso vôo chegou as 9 da manhã em Lima e seguimos direto a Movil Tours no Passeo de la República, defronte ao Estádio Nacional. Pegamos o ônibus das 13h a Huaraz. Mais 8 horas sentados... Desta vez consegui observar um pouco a paisagem, já que estava de dia e comprovei que a Pan Americana até a entrada para 'subir a serra' a Huaraz é igual ao norte do Chile: DESERTO e aquelas praias sem areia, só rochas. Mesmo assim linda paisagem!

A subida para Huaraz tem pontos de altitude 4100m e depois há uma descida, pois Huaraz fica a 3100m. Senti um pouco de dores de cabeça e mal estar no trajeto. Foi meu primeiro dia de 6 dias que precisei tomar paracetamol para sobreviver sem dores por lá...

Ao chegar na rodoviária da Movil Tour em Huaraz a Rut da Artizon Adventure e o motorista Jerônimo foram nos pegar e nos levaram ao Hotel. Fizemos o check in no Hotel Casa Blanca. Achei ele mais simples que o Albergue Churup que ficamos ano passado...

Neste mesmo dia conheci meus companheiros de trekking Dmitri (de Igatu) e sua namorada Sarah de Salvador na Bahia. Também conhecemos um casal super legal, mas que não iam fazer o trekking com a gente de Passa Quatro MG - Thomas e Viviane. De noite o Scheler da Artizon Adventure veio nos dar boas vindas!

Saímos para jantar no Encuentro (a garçonete lembrou da gente!) e depois fomos descansar...

 

15/07/12

No dia seguinte tiramos o dia para aclimatar. Fizemos umas comprinhas e ficamos de boa na cidade! O café da manhã do hotel é daquele tipo 'continental': dois pães, geleia, margarina, suco de laranja, café ou chá e só! O do Albergue Churup é do tipo 'buffet', com muito mais variedades... De noite conhecemos nosso outro companheiro de aventura, o espanhol Alberto de 60 anos (que não gosta de ser chamado de espanhol e a toda hora diz ser do País Basco - Bilbao), que foi nosso paizão no trekking. O Scheler da Artizon Adventure nos deu o roteiro de aclimatação do dia seguinte: Laguna Churup e nos disse que o guia que irá nos acompanhar pelos dias seguintes é seu irmão Vladimir.

 

16/07/12

Acordamos as 7h e as 8h e o motorista Jerônimo e o guia Vladimir nos levaram ao trekking de aclimatação a Laguna Churup. Como sempre, no meu primeiro trekking da temporada, não passei bem e fui até ao paredão. Desta vez o Elio subiu e desceu o paredão pela direita e concluiu que o ideal é subir pela direita do paredão e descer pela esquerda (pelas cordas de aço). Quem sabe ano que vem ao fazer a aclimatação para o trekking Cedros eu consiga ir até o final dessa laguna... Voltamos ao hotel e fomos descansar, pois no dia seguinte começaria a maior de todas as aventuras de minha vida...

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17/07/12

Acordamos as 7, tomamos o 'maravilhoso' café da manhã do hotel e em seguida a van que nos levaria até o primeiro acampamento chegou para nos buscar.

Na van conhecemos o nosso cozinheiro dos próximos dias: Francisco, mais conhecido como Pancho. A Rut do Artizon Adventure foi com a gente. Paramos no hotel do outro casal de brasileiros (Emerson e Silvia de Curitiba) que iriam com a gente (um hotel longe do centro, super mal localizado).

Partimos para encarar 2 horas de estrada de asfalto. Passamos pela Laguna Conococha e depois de algum tempo paramos para almoçar em Chiquián, um pequeno povoado aos pés da Cordilheira Huayhuash. A partir daí começa o rípio e lá se vão mais 3 horas de estrada... No zigue e zague da estrada muita paisagem bonita e as vezes pode-se ver um pouco dos nevados Huayhuash.

As 15 horas chegamos no Campamento Cuartelhuain (4100m de altitude), nossas barracas foram montadas, nos despedimos da Rut e do motorista da van. As 19h tivemos nossa primeira janta na barraca refeitório: sopa de entrada e arroz com frango ao molho vermelho como prato principal. Achamos pouca comida! Os homens sentiram mais isso, mas pra mim foi o suficiente.

Fomos deitar cedo. A ideia da garrafa com água quente para aquecer os pés foi válida. Técnica que usei em todas as noites com eficiência! Muito frio de noite! Essa era a primeira noite fria de muitas outras que ainda viriam...

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18/07/12

Acordamos as 6:00h, tomamos o café da manhã as 6:30h e saímos as 7:00h para o nosso primeiro dia de caminhada. O acampamento fica a uma altitude de 4100m e o primeiro trecho do dia é um desnível de 600m até o primeiro Paso (Cacananpunta a 4700m).

Saí encapotada de tanto frio, mas logo veio uma subidona e eu já me aqueci e fui tirando todos os casacos, luvas, gorros... Na mochila de ataque estavam meu lanche, uma capa de chuva, uma calça de chuva e muita água. Nossas mochilas já estavam nas costas de um mula do arriero Elias e sua esposa Cecília. Com nosso equipamento foram 5 mulas e 4 cavalos, sendo um deles (Rouba Coracion) o cavalo de emergência.

Nesse trecho o Emerson e a Silvia me deram uma super força, me incentivam a manter o passo curto e fazer poucas paradas, o que me fez manter um ritmo bom em todo o trekking.

Chegamos ao primeiro paso lá pelas 10h e vibrei muito. Tinha lido em outros relatos que esse era o pior de todos os pasos, mas confesso que não foi. Para mim o paso Tapush do dia 6 foi o pior...

Após comemoração lá em cima, começamos a descer em zigue zague o desnível de uns 500m. Foi nesta hora que eu ví a cena mais impressionante de todo o trekking: uma mula de outra equipe escorregou e caiu por uns 80m montanha a baixo e o pior, vindo em minha direção... O guia Vlademir me chamou desesperado e eu voltei correndo uns 10m, gritando e chorando compulsivamente, de dó do pobre animal...

Por incrível que pareça, a mula parou de pé e com a boca e cabeça sangrando, mas bem...

Nesse momento Sarah comentou que se sentia culpada pelo o que aconteceu com a mula, pois se não houvessem turistas comprando o trekking, não haveriam mulas carregando nossos equipamentos e nem mulas caindo ribanceira abaixo... Não vou mentir, isso me deixou pensativa e mais preocupada do que eu gostaria... Avistamos os nevados Ninashanca e Rondoy, além da vermelha Laguna Pucacocha.

Seguimos em nível a mais adiante há o segundo paso (Carhuac) a 4650m de altitude, subida bem mais suave que a primeira. Dois pasos em um mesmo dia não é fácil... A vista desse trecho é linda! Avistamos os nevados Jirishanca Chico, Jirishanca Grande, Yerupajá Chico, Toro, Yerupajá Grande, Siulá y Carnicero.

Voltamos a descer até o nosso acampamento da segunda noite, que na minha opinião foia anoite mais fria do trekking, aos pés da Laguna Carhuacocha (4100m). Chegamos as 16h, o dia mais longo (de caminhada) de todos: 9h andando...

Jantamos sopa de entrada e arroz com frango frito de prato principal. Novamente os meninos ficaram com fome...

Antes das 20h já estávamos na barraca e eu com minha salvadora garrafa com água quente para aquecer meus pés...

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19/07/12

Acordamos as 6h, tomamos café as 6:30h e as 7h já estávamos na trilha...

Estava tudo congelado, barraca, gramado, água da lagoa... Se eu não me engano, foi a noite mais fria de todo o trekking!

Seguimos margeando a lagoa Carhuacocha pela esquerda até o seu final. Quando o Sol nos iluminou começou a esquentar... Depois um pequeno campo e depois uma área com muitas pedras, até ali tudo tranquilo!Em seguida aparece a nossa frente a linda Laguna Garangacocha, seguida da Laguna Siulacocha e Laguna Quesillococha de uma coloração azul turquesa maravilhosa...Seguimos a direita desta laguna e depois veio a primeira subida do dia... Bastante íngreme, mas ao parar para contemplar (e descansar) a visão para trás é uma das mais lindas de todo o trekking!Depois seguimos por uma parte em nível e por fim vem a subidona do paso. Um desnível forte! Cerca de 750m desde o acampamento! É o Paso de Siulá (4850m). Nosso companheiro de trekking Alberto, o Basco, me ajudou demais nessa subida... A cumplicidade das amizades que fizemos nesse trekking foi maravilhosa... Uma verdadeira equipe! Um ajudando o outro... Sentirei saudades!Interessante que nesse paso há uma senhora e crianças vendendo Coca Cola 600ml lá em cima, por S/4,00... Muito engraçado! Claro que comprei e tomei a minha Coca Cola no lugar mais alto da minha vida!!!Energias recompostas, seguimos em nível por um bom tempo, avistando os lindos nevados ao nosso redor...

Siula, Jurau, Carnicero e Trapezio. Pelo caminho, muitos povoados isolados no meio dos Andes, muitas crianças malucas por chocolate e balas... Impossível resistir em não presenteá-las com um doce, um agrado... Sim, eles são carentes! Carentes até de um sorriso amistoso!Chegamos ao acampamento Huayhuash as 15h. Foi um dos acampamentos mais altos de todo trekking. Andamos cerca de 7h... Um dia puxado também. Andamos um pouco melhor que o primeiro dia.

Jantamos arroz com frango (de novo!). Depois da janta fomos descansar...

Belo dia de trekking não é? Cansativo, mas eu faria tudo de novo, ah faria...

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20/07/12

Acordamos as 6h, tomamos café da manhã as 6:30 e saímos as 7h.

Hoje o desnível foi tranquilo, apenas 400m, no Paso Portachuelo a 4750m. Acho que foi um dos dias mais tranquilos do trekking.Pelo caminho muitos córregos congelados e vistas lindas dos nevados ao nosso redor Carnicero, Jurau, Trapezio, Cuyoc e Millpo... Também ao nosso lado esquerdo a Cordilheira Raura, que não faz parte da Cordilheira Huayhuash e ainda não tem acesso por trilhas.De repente, já descendo para o acampamento da Laguna Viconga (4400m) ela surge ao fundo do vale. Azul e enorme! Acompanhamos sua margem a direita e avistamos a hidrelétrica dessa laguna.É neste acampamento que ficamos perto das águas termais de Atuscancha. O nosso único banho quente de todo o trekking... Chegamos no acampamento antes das 14h e fomos nas termas. Ótimo poder relaxar um pouco...Lá nas termas há duas piscinas, uma pequena que pode usar xampu e sabonete e a grande só para relaxar... É aconselhável você se lavar antes de entrar na piscina grande. Alguns do nosso grupo entraram direto na piscina grande e os gringos olharam com uma cara feia...Lá também há Coca-Cola, cerveja e outras guloseimas para comprar, inclusive sabonete e xampu... Chique hein?Ficamos tranquilos no acampamento, jantamos e fomos dormir...

Hoje foi um dia light!

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21/07/12

Mais uma noite se passa e acordamos cedo novamente... Depois do café seguimos rumo ao Paso Cuyoc, o mais alto de todo o trekking (5000m).

O desnível de 600m foi realizado sem problemas, pois a subida era muito suave... A falta de ar, o sangramento do nariz e as dores de cabeça eram constantes, principalmente em mim e na Sarah... O guia Vladimir sugeriu que a Sarah subisse em um cavalo, mas teimosa que é decidiu ir a pé mesmo. Devagar conseguiu chegar ao paso.O nevado Cuyoc aparece na nossa frente e a cada passo estamos mais perto dele. O paso fica ao lado do nevado e o interessante é que tem-se a noção de quão grandioso são as camadas de neve e gelo que cobrem esses nevados e que todos somos tão frágeis perante uma avalanche, por exemplo. Lindo paso...

Assim que cheguei, depois de comemorar a conquista, ganhei um belo pedaço de chocolate do Emerson... Como aquele pedaço de chocolate caiu bem...

O Elio, o Alberto (o Basco) e o guia Vladimir seguiram antes pois os três fariam outro paso de 5000m naquele mesmo dia. Era o Paso Santo Antônio. Os demais trekkings, inclusive eu, não topamos essa dureza e ficamos no Paso esperando a Sarah e o Dmitri chegarem para seguirmos ao acampamento com o nosso outro guia (e cozinheiro) Francisco (Pancho). Ao esperar, comecei a sentir muito frio quando meu corpo começou a esfriar, tanto que dei uma corridinha para aquecer (isso mesmo, a 5000m de altitude dei uma corridinha...).Quando eles chegaram, começamos a descer o paso. Meus Deus! O quanto foi fácil a subida, foi difícil a descida... Uma ribanceira de tamanho maior... Que medo de escorregar e parar lá em baixo... Ficamos quase 1 hora para descer o desnível de 600m... Mas a vista! Que lindo vale...De repente olho para o Paso Santo Antônio e vejo pontinhos pretos andando no cume e digo a todos: "são eles, vejam lá! Os meninos, aqueles três pontinho no cume!!!". E né que eram eles mesmo? Pena que na foto não dá pra ver, mas dá pra ver a trilha que eles fizeram...Depois só descida até o acampamento Guanacpatay a 4300m de altitude, por um lindo vale... O guia Francisco me acompanhou o tempo todo... Cheguei no acampamento meia hora antes que o Elio, eles foram muito rápidos na subida do Paso Santo Antônio...

Hoje deu 7 horas de caminhada...Jantamos, carne pela primeira vez no trekking, conversamos um pouco e fomos dormir...

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22/07/12

Após o café da manhã seguimos para mais um dia de caminhada...

O frio só começava a passar depois que conseguíamos chegar ao sol... No meio do caminho muita água congelada!Saímos da acampamento Guanacpatay (4300m) e começamos a descer até o povoado de Huayllapa (3500m) por um lindo vale, sempre acompanhados por um rio... O sol estava muito forte!Ao chegarmos no povoado de Huayllapa (3500m) o guia nos conduziu a uma etapa que seria realizada no dia seguinte, pois o local de acampamento (um campo de futebol no povoado) estava sendo ocupado pelas festas pátrias. E ainda, seguindo ao acampamento seguinte facilitaríamos para aqueles que fossem subir o Diablo Mudo no dia seguinte, pois teriam que caminhar menos. Aceitamos!A subida foi forte e demorada! Me cansei muito... Prefiro subir pela manhã e descer pela tarde... Demorei muito para fazer esse trecho... A Sarah pegou o cavalo e subiu boa parte em cima dele... Acho que o acampamento deveria estar a uns 4300m de altitude...A caminhada foi muito dura, ainda mais depois de tantos dias comendo mal e dormindo mal, fazer um esforço desses não é fácil... O guia Vladimir, o basco Alberto e o Elio sempre me esperavam... Mesmo assim, fiquei para trás várias vezes, sozinha... Um momento bom para você pensar em besteiras, do tipo: o que eu estou fazendo aqui? Por que eu quis vir aqui? Será que vou conseguir? Não vou mentir, em um momento desabei a chorar... Me deu um nó na garganta! Uma vontade de sentar e não sair mais do lugar!Mas todas as respostas ruins dessas perguntas eram caladas quando eu olhava ao meu redor e via aquela paisagem linda! E no final do dia, eu sabia responder cada uma daquelas perguntas que se passavam pela minha cabeça no meio da trilha... Eu estava ali porque no final isso me fazia sentir feliz! Porque eu estava me superando! Porque eu queria me orgulhar de mim...

...E eu me orgulho de ter conseguido!

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23/07/12

Depois do café logo cedo saímos para mais um dia de caminhada... O mal estar da caminhada do dia anterior tinha passado... Começamos a subir o leve paso Tapush a 4800m de altitude, um dos pasos mais fáceis de todo o trekking... No meio do caminho comecei a ouvir música peruana e pensei que estava doida! Mas havia um grupo de peruanos de camionete em uma fazenda com o som no último volume, fazendo uma festinha particular! Surreal! No meio do nada eles estavam curtindo e bebendo!Sobre as máquinas fotográficas, levamos três. Uma com 3 baterias (do Elio) e duas minhas com duas baterias cada. Dormimos todas as noites com as baterias dentro do saco de dormir e eu além das baterias dormi com a própria máquina. A partir desse dia o Elio começou a usar a máquina reserva, pois suas 3 baterias já tinham se esgotado, enquanto eu ainda usava a primeira bateria da minha máquina...Chegamos cedo no acampamento Gashpapampa a 4600m. Um dos acampamentos mais altos de todo o trekking. Alí era o acampamento Campo Base para aqueles que fossem subir o Diablo Mudo (5380m).Hoje o dia foi tranquilo, deu para recuperar as forças e os ânimos... O frio deu uma trégua e a sensação ruim da falta de banho começa a desaparecer... Já vai dando uma sensação estranha de saber que só faltam 3 dias para terminar o trekking e que em alguns dias já estarei em casa, trabalhando, enquanto tudo isso aqui vai continuar aqui, intocável e lindo! Graças a Deus!

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24/07/12

Nesse dia, eu e o Elio nos separamos, pois ele faria a subida do Diablo Mudo e eu não. Não fui porque estava muito cansada de todo o trekking e porque tinha certeza que não estava fisicamente preparada para um ascensão em montanha... Como sempre digo, sempre respeito meus limites...

O dia de caminhada foi tranquilo... Mas as melhores fotos com certeza são do Elio.

O Elio acordou as 3 da madrugada para sair e nós as 7h como de costume. Quando saímos para caminhar avistamos 3 pontinhos andando na neve no Diablo Mudo. Eram eles... Como o Elio era o menos experiente dos 3, ele era o do meio. Subiram com ele o nosso cozinheiro guia Francisco (Pancho) e o Emerson.A subida do Paso Yaucha (4850m) foi tranquila, com vista aos lindos vales da região. Na verdade contornamos o Diablo Mudo (5350m).Depois começamos a descer seguindo para o acampamento da Laguna Jahuacocha (4100m) acompanhando um lindo rio turbulento de água límpidas. Muito gado se cria por ali...De repente, a visão do nosso acampamento dos próximos 2 dias aparece a nossa frente. Uma das vistas mais lindas de todo o trekking.Após descer a encosta desse morro, encontramos o Elio, Francisco e Emerson também chegando ao acampamento. Chegamos juntos, nós caminhamos cerca de 6h e eles 10h... E ele me mostrou as fotos do Diablo Mudo. Lindas! Com certeza foi uma experiência incrível para o Elio, sua primeira montanha. E parece que tomou gosto pela coisa... Já pretende fazer outras ascensões por aí... Me orgulho de sua força, garra e coragem! Queria ser assim também, mas prefiro respeitar meus limites... Parabéns Elio!

Ao chegar no acampamento Jahuacocha, havia mais uma vez pessoas vendendo Coca-Cola e nos deliciamos com várias delas... Ficaremos 2 dias nesse acampamento para descansar. Ainda bem que não é tão frio aqui...

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Vista de cima do Diablo Mudo

 

25/07/12

Dia de descanso, bem merecido. Acordamos mais tarde e tomamos o café da manhã no lado de fora da barraca...Passeamos um pouco pelo local do acampamento. Achamos muito lixo jogado no rio, nas margens e pelo acampamento. O problema que detectamos é que os grupos de turistas separam seus lixos e deixam com os moradores locais para descartarem da melhor maneira possível. Normalmente os queimam. Até recebem um 'pedágio' dos turistas para deixarem o local mais limpo. Mas infelizmente parece que eles não estão fazendo a sua parte...Sem ter muito o que fazer a gente acaba fazendo besteira... O maluco do Dmitri entrou na água gélida da Laguna Jahuacocha... Pior, depois pegou a boia que o Emerson levou como colchonete e deu uma 'voltinha' na lagoa... Só pra rir...Depois do almoço fomos até a Laguna Solterococha, mais ou menos umas 2 horas de caminhada.

Linda vista do Nevado Rondoy, Jirishanca, Yerupajá Chico, Toro, Rasac e Tsacra...Voltamos, jantamos e fomos descansar...

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26/07/12

Acordamos cedo pois hoje retornaríamos a Llamac para pegar a van para voltarmos a Huaraz. O acampamento Laguna Jahuacocha estava a 4100m de altitude e Llamac estava a 3250m. Uma descida frenética e cansativa. Praticamente descemos o dia todo... Os vales em que passamos, avistamos muitas pedras e precipícios de dar medo. O caminho que pegamos as mulas não fazem, elas vão por um caminho mais longo mas menos perigoso...Chegamos em Llamac, nos despedimos dos arrieros Cecília e Elias. Como 'propina' nós (Carla e Elio) demos cerca de U$20 para cada um (arrieros, guia e cozinheiro) e mais alguns 'regalos' como óculos de sol, mochila de ataque, camel bag, calças de trekking e blusa polar. Muitas vezes os presentes agradam mais, pois eles não tem onde comprar isso por lá, por um preço acessível.Depois mais 4 horas de van até chegar a Huaraz.

Chegando no hotel, tomei um banho de lavar a alma. Mesmo assim acho que precisei de mais uns 2 banhos para tirar todo o pó do corpo e cabelo...

Marcamos de jantar na Pizzaria Piccolo com o grupo, o guia Vladimir com sua esposa e filha e o cozinheiro Pancho, a última comemoração antes de nos despedirmos...

Ficaremos 2 dias aqui em Huaraz antes de partir a Lima e ao Brasil. Amanhã descansaremos e depois de amanhã agendamos um passeio a Laguna Paron.

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27/07/12

Dia de descanso e muito banho!!!!

 

28/07/12

Depois de um dia de descanso em Huaraz, nós contratamos a Artizon Adventure para fazer um passeio tipo 'tour' para Caraz e visitarmos a Laguna Paron. São cerca de 3:30 de estrada, entre asfalto e terra, a cerca de 100km de Huaraz, mas vale a pena. O caminho é o mesmo para os trekkings Laguna 69 e subida do Pisco.Chegando lá você pode fazer uma caminhada de 2h pela lateral da laguna e chegar mais perto do Nevado Artensonraju (o monte que aparece no slogan da Paramont Films). Infelizmente estava encoberto por nuvens... Mas a cor azul turquesa da laguna fez valer a pena o passeio...

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29/07/12

Seguimos de ônibus até Lima e de lá pegamos nosso vôo de retorno ao Brasil.

Graças a Deus tudo correu como previsto!

Sem dúvida uma das melhores viagens que já fiz! Foi um momento de superação pessoal, reflexão do meu modo de vida e conhecimento do meu limite físico. Emagreci cerca de 6 quilos nesse trekking, nos dois últimos dias 'peguei' alguma infecção estomacal/intestinal que me fez passar muito mal (com vômitos e diarreia) e uma afta enorme no meu lábio inferior. Mas depois de tomar um antibiótico tudo voltou ao normal... Não faz mal... Faria tudo de novo...

 

Obrigada por ler até o final! Não é uma descrição técnica do trekking, mas sim uma impressão totalmente pessoal dos dias que passei por lá...

E uma coisa eu te garanto: se eu consegui, você também consegue!

Conheça o Circuito Huayhuash!

Beijos

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Oi Cadu!

 

Então, eles dizem que a van vai até Llamac, no meu roteiro também... Mas na hora levou a gente até o acampamento... Mas se vocês forem andando, é uma boa pernada!!!! Mas veja com seu guia e pede pra van levar vocês até o acampamento, pois é uma estrada normal (pirambeira, mas normal para a região...).

 

Qualquer coisa me escreva!

Att

 

Oi Carla!

 

Bem, estou finalizando o planejamento desta caminhada. Irei agora em maio.

 

Em relação a uma van, conseguimos, por 120 soles (para o grupo todo, de 6 pessoas - 20 pra cada um) uma van privada que nos levará de Huaraz até Cuartelhuain. Nesse valor está incluído também 1 dia a mais em Huayhuash, pois pensávamos fazer em 8 dias a caminhada, mas estamos espichando para 9 dias, pra curtir mais por lá, principalmente para fazer o Paso San Antonio, descê-lo pela outra face e acampar em Cutatambo, perto da Laguna Jurau. No dia seguinte descer pela Quebrada Calinca e chegar na vilzainha de Huayllapa.

 

Mas a dúvida agora é em relação a quantidade de pessoas que foram contratadas (só guia e arrieiro?) e se vocês contrataram uma mula de emergência ou pegaram uma por lá mesmo. Além disso, precisaram levar sacos de dormir? Precisa ser algum específico por causa do frio?

 

Abraços,

Carlos

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Oi Cadu!

Bom, como todas as vezes que fui a Huaraz contratei os serviços em uma agência de guias, sempre nos acompanharam um guia, até nos trekkings de um dia. Já nos trekkings de 3 dias e 2 noites em acampamento foram com a gente o guia e o cozinheiro, sem mulas ou cavalo de emergência. No trekking de 10 dias (Huayhuash) aí sim nos acompanharam (estávamos em 7 pessoas) um guia, um cozinheiro, um casal de arrieros com 5 mulas e 2 cavalos de emergência. No trekking que vamos fazer agora em julho, também contratei a mesma agência de guias e teremos guia, cozinheiro, arrieros, mulas e cavalo.

 

Sim. Precisa levar seu saco de dormir, de preferência que seja 0°C, mínimo -5°C. Até dá para alugar lá, mas acho saco de dormir tão 'íntimo' e não gosto de compartilhar... Mais vai de cada um...

 

Qualquer dúvida estarei por aqui.

Bjs

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Parabéns Carla!

 

Só descobri hoje seu formidável relato! E que lindas fotografias!

 

Parabéns, tornou-se uma trekker de primeira. Huayhuash é um trekking difícil pela quantidade de altos passos de montanha. Muita gente boa desiste após ser acometido de MAM ou pior, edemas pulmonares.

 

Estava justamente pensando em fazer este trekking este ano. Foi um achado o seu relato!

 

Você sabe se uma das fotos que vc postou é o Siula grande (a famosa montanha do Touching the void)?

 

Vc então recomenda a Artizon?

 

Abraços, Peter

 

Oi Peter!

Fiquei orgulhosa agora...

 

Sim. O Siula Grande (do filme Tocando o vazio) aparece uma parte dele nessa foto (é a parte da frente dele, no circuito você passa por ele no 3° dia)

http://4.bp.blogspot.com/-mYWf07idnUQ/UCGg1Rb4N9I/AAAAAAAAaWA/UNEmUiZRDzY/s400/IMG_3777.JPG

 

e é o maior dessa foto (é a parte de trás dele, você passará por ele no 5° dia)

http://1.bp.blogspot.com/-NbJuI_F5cYQ/UDGH7O6t4uI/AAAAAAAAabY/ZU969oMWM0U/s1600/DSCN2166.JPG

 

Recomendo sim a Artizon Adventure do Scheler. Ele é ótimo, tem ótimos guias.

Inclusive agora em julho estarei de novo em Huaraz (vou fazer o trekking de 8 dias Cedros - Alphamayo) com eles. Quem sabe a gente não se encontra por lá...

O que precisar estarei aqui.

Até mais.

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Carla

 

Estou com uma imensa inveja de você (inveja branca) , quando fui pra Huaraz todos os locais comentavam a respeito do trekking Cedros, é considerado por muitos o melhor trekking em beleza da região.

Estou ansioso pelo seu relato, com certeza será fantástico.

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Carla, parabéns pelo ótimo relato e pelas fotos fantásticas!

Obrigada Renato. Dá uma passadinha lá no blog que tem mais fotos dessa travessia!!!!

 

Carla

 

Estou com uma imensa inveja de você (inveja branca) , quando fui pra Huaraz todos os locais comentavam a respeito do trekking Cedros, é considerado por muitos o melhor trekking em beleza da região.

Estou ansioso pelo seu relato, com certeza será fantástico.

 

Márcio! Vamos juntos? Ainda tem vaga no grupo. Tem que estar disponível do dia 22 de julho a 2 de agosto. 2 dias de aclimatação e 8 dias de trekking. Os próprios moradores da região dizem Cedros Alphamayo ser o trek mais lindo da região... Vamos conferir?

  • 1 mês depois...
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Oi Carla, tudo bem?

Acabei de voltar de Huaraz e de Huayhuash e gostaria de te agradecer pelas infos do seu relato. Ajudaram muito na organização da expedição.

O lugar é maravilhoso e vale muito a visita! Mas recomendo um mínimo de preparo para ir lá, se não vai ficar andando de cavalo (lógico, se contratar um). :-) A altitude e o sol desgastam muito...

 

Fizemos em 9 dias. No primeiro deles, foi só o deslocamento de Huaraz até Matacancha, o local do primeiro acampamento. Uma dica aqui: fizemos um caminho diferente com uma van que fretamos. Seguimos pelo caminho que leva ao Pastoruri mas ao invés de irmos até ele, seguimos por um outro que leva até o vilarejo de Huallanca, onde paramos para almoçar. De lá, seguimos até Matacancha por uma estradinha de terra muito utilizada por caminhões que carregam minérios de uma mina próxima. A vantagem desse caminho é que ele serviu também para aclimatação (chegamos quase a 5.000m), além de ter um visual belíssimo pelo caminho. Uma viagem demorada, mas muito linda!

 

Outra dica que dou é, para aqueles que tem um tempo mais flexível, de "quebrar" o 2° dia e acampar em Janca, que fica a mais ou menos umas 2 horas depois do Paso Cacananpunta. Janca é um local belíssimo, com um visual incrível dos nevados. Eu cheguei lá por volta de 12h, tempo suficiente para ainda fazer um ataque a laguna de Mitococha, que NÃO fica na rota convencional do circuito. Já aqueles que estão mais cansados, ficar ali em Janca "morgando" e curtindo baita visual dali, também é válido! A vantagem de se quebrar esse 1° dia em 2 é que, acampando em Janca, pode-se chegar mais cedo no próximo acampamento, Carhuachoca, e curtir mais o visual alucinante dali!

 

Agora, em relação a dificuldades, o Paso Siula não é mole não... bem íngreme e alto (4.850m). Na minha opinão, o paso mais difícil da caminhada. Mas o visual desconcertante das 3 lagunas dali (não deixem de subir no Mirador, uma pedra bem grande que dá uma foto maravilhosa das lagunas!) é super recompensador!

 

Uma outra opção seria não acampar em Gashapampa e esticar direto até Jahuacocha, laguna maravilhosa que é o local do último acampamento. Mas vai depender do ritmo do grupo e se consegue acampar em Incahuaian, e não em Huatiaq (como fizemos). Essa opção talvez seja uma boa caso o grupo só tenha 9 dias pra fazer o circuito todo e se queira quebrar o 1° dia como disse aí em cima. O lado ruim dessa esticada direta até Jahuacocha seria o pouco tempo para se curtir aquele local, que é fenomenal também...

 

Outra dica: quem usa câmera fotográfica com baterias, pode-se recarregá-las no vilarejo de Huayllapa, na primeira mercearia que encontramos quando entramos na vila. E na praça principal tem até telefone público também para dar um alô para alguém especial... :-)

 

Para terminar: fomos pela Mirador Tours, do Wilder, que fica na rua principal de Huaraz, descendo-a, logo após da Plaza de Armas. O preço foi muito justo: S/. 660 (500 da expedição, 120 do transporte privado até Matacancha - a outra opção seria pegar um busão até Llamac e, de lá, ir andando pela estrada por umas 4 horas até Matacancha, o que NÃO RECOMENDO - e 40 do aluguel de um cavalo de emergência por todo o período da caminhada). Esse valor de S/.660 foi para um grupo de 6 pessoas, com tudo incluído (café da manhã, lanche de trilha e jantar, além das barracas de dormir, isolantes, barraca refeitório e do arrieiro e suas mulas). Quem tiver interesse, pode me procurar em particular que eu passo o email do Wilder para contato.

 

No mais é isso, pessoal. Qualquer dúvida, posso responder por aqui mesmo (isso se a Carla não se incomodar! rsrs), já que não pretendo fazer um relato como esse da Carla. O dela já é excelente!!! Dá pra ter uma boa noção do que é aquilo lá!

 

Se lembrar de algo que seja útil, coloco por aqui...

 

Abraços,

Carlos

  • 4 semanas depois...
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MARAVILHOSAS sua dicas Carlos!

Obrigada por compartilhar...

Fique a vontade em usar esse espaço para responder e ajudar os colegas que irão aventurar-se nessa linda jornada!

 

Verdade! É necessário um preparo mínimo para caminhar por lá... Mas confesso que tenho 90kg e 1,75m e só faço natação e consegui fazer a travessia sem pegar o cavalo nenhuma vez...

 

O Paso Siulá é difícil mesmo, mas a vista compensa. O pior para mim foi a subida saindo do povoado de Huayllapa...

 

Daqui a 2 semanas volto a Huaraz e faço a travessia Cedros - Alpamayo, em 7 dias, uma das mais lindas votadas pelos moradores locais... Prometo relatar aqui tudinho, ok?

 

Boas viagens!

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Oi Carla

aguardando tambem seu relato!!

Boa viagem e boas trilhas garota!

bjs

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