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Fala Galera! Estou indo pra ushuaia em setembro e pretendo ir para el chalten. Por enquanto só tenho bota e mochila. É melhor comprar o resto das vestimentas no Brasil ou deixar pra comprar em Ushuaia mesmo? podem me sugerir algum lugar pra comprar?

 

Obrigado pessoal!

 

 

GENTE PRA QUEM MORA EM SP OU EM ALGUMA CIDADE QUE TEM A DECATHLON ESSE É O CAMINHO! OK QUE USHUAIA O PREÇO É LEGAL, MAS A DECATHLON TEM PRECINHO CAMARADA!

 

FAZEM QUATRO ANOS QUE VIAJO PELA PATAGONIA E MINHAS ROUPAS DE INVERNO SÃO DE LÁ! SÓ TENHO UMA CALÇA DA CASA DE PEDRA QUE É DA TRILHAS E RUMOS!

MAS A BOTA QUECHUA, JAQUELA WEDZE (ACHO QUE É ASSIM QUE ESCREVE) GORRO E CACHECOL (DA MINHA MÃE) hahahahahah e peguei - 8º em bariloche e - 6 em Ushuaia!

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Dicas baratas:   Ushuaia é tudo absurdamente caro. Compre comida no supermercado e uma coca 2L e faça um lanche ali nos gramados à beira do canal de Beagle.   Pra quem estiver viajando com materi

Voo livre, essa travessia é dentro do parque nacional. Como eu fiz tudo a pé lá no parque e não fui através de excursão, não sei direito como são os esquemas de excursão. mas é o seguinte: tem um

Único ponto negativo foi a desorganização e mau tratamento da agência Rumbo Sur.Pediram para caminhar 5 quadras ou perderíamos o passeio, 30 minutos antes do que escreveram no voucher e assim perdemos

  • Membros de Honra

Concordo com a katia, para comprar a segunda pele é o local mais barato que tem, mas eu estou chegando de Bariloche, levei uma botina forrada comprada na Decatlhon da Bull Terrier super cara e so usei uma vez, o resto usei um sapatenis de couro sem problema nenhum e quando fui a Chalten o ano passado fui de tenis usando duas meias sem problema nenhum o maior problema é ter alem de agasalho por baixo uma blusa corta vento e proteção de água no caso eu usei um storm da trilha e rumos que é ótimo, calça acho que uma corta vento resolve tipo esta de uso de bicicleta, para uar como proteção, salvo quem vai se rolar na neve ou coisa pareecida, usasndo uma segunda pele superior e inferior e protegendo opeito com mais alguma coisa e uma blusa, mais luva e gorro nada a mais é necessaário.

Agora nesta região venta muito o que da uma sensação de frio em dobro. Uma segunda pele fica em torno de R$ 60,00 na Decatlhon.

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  • Membros

eu usei minha bota impermeavel todos os dias da minha viagem, e isso ja fazem 4 anos de caminhadas! é uma quechua impermeavel, e no meu caso que detesto ficar com frio, mas amo lugares frios é o ideal! pé frio e dedo duro ninguém merece!!! e o que falar de meia molhada??? afeeeeee!!!! o meu noivo tem uma de couro da timberland que acaba dando dores nos dedos, porque o couro fica frio! mas eu estou sempre equipada mesmo! bota impermeavel, calça impermeavel e minha jaqueta corta vento uma simples e uma super grossa para os dias de mais neve! mas em 2009 quando fui a primeira vez para ushuaia, calafate e el chalten, usei um casaquinho bem chulé, que era na verdade uma capa de chuva com um formato de casaquinho! hahahahh e com fleece por baixo e segunda pela por baixo do fleece! resolveu! o que importa é não molhar e proteger do tempo maluco da patagonia! sol, chuva, neve, sol, calor e frio no mesmo dia!!! : ::Cold::::love::::love::::love::

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  • Membros de Honra

Decatlhon tem preço legal mas não tem variedade.

Uma blusa Térmica (segunda pele) da Quéchua esta R$ 50. Em Bariloche a um par de semanas atrais vi Blusas Térmicas da Next ou outras de marcas similares por $ 120 a $ 140, que na cotação oficial daria entre R$ 54 a R$ 64 (então parecido). As de Columbia ou North Face saem a partir de $180.

A verdade que não existem grandes diferenças, mas eu prefiro poder ter escolha.

 

Em tudo caso, depende do que se vai fazer nas saídas outdoor e a época do ano, da para ir como fala Mauro ou Kátia, só que o melhor para quem sempre vai estar percorrendo estas zonas e se preparar para ficar cômodo, então, nada melhor que aplicar a tecnologia atual: roupas leves e “respiráveis” (esta ultimo e ótimo). E como diz Katia, uma parte fundamental são os pés: pé frio, corpo frio.

 

Abraço!

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  • Membros

cara!!!! eu achei os preços de bariloche abusivos!!!! Bariloche, San Martin, El calafate!!!! todos caros! mais facil comprar no shopping morumbi!!!! mas deve ser a época! tem uma loja legal na patagonia, a MONTAGNE! roupas boas e preços nem tão caros, meu noivo, comprou uma jaqueta de tecido moderno, shark, impermeavel e quente! vale dar uma olhada, tem em ushuaia, bariloche , buenos aires, tucuman e etc... mas as lojas Timberland, Skandinavian, Columbia, Northface! afe!! um roubo! mas a Decathlon me ajudou sempre, tres anos de patagonia e sempre funcionou! calça, segunda pele, soft, impermeavel, mochila, e etc!

 

eu aconselho! ah! e tem a ponta de estoque da casa de pedra ali em perdizes, ou pompéia, nunca sei o bairro! lá no ginasio deles, lá sim tem ofertas super! tem que dar sorte claro, mas tenho amigos que compraram jaquetas e botas incriveis por precinho de batata!!!! vale visitar!

 

beijocas e linda semana!

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  • 3 semanas depois...
  • Membros
Alguém conhece o hostel cruz del sur?

http://www.xdelsur.com.ar/

 

O preço ta bom, será q é confiável fazer a reserva?

 

sa.0909,

Eu já estive hospedada neste hostel e deixei minhas impressões no tópico: Ushuaia - Hospedagem, www.mochileiros.com/ushuaia-hospedagem-t24772.html

Inclusive neste tópico vc encontrará diversas informações sobre hostels/hoteis em Ushuaia!

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  • Silnei changed the title to Ushuaia

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    • Por RafaelOS
      Olá pessoal!! 
       
      Tenho um grande sonho pela Patagônia tanto chilena quanto Argentina e sonho em conhecer Ushuaia, porém não tenho noção de valores, não me importo com hotéis  chiques, gostaria de saber se com 3mil reais é possível conhecer esse lugar por pelo menos 1 semana? 
    • Por rafael_santiago
      Porteira da Estância Túnel
      Início: aterro sanitário de Ushuaia (desagradável, mas dá para evitar)
      Final: Playa Larga
      Distância: 21,9km
      Maior altitude: 327m
      Menor altitude: 0m na foz do Rio Encajonado
      Dificuldade: fácil por ser por trilha bem marcada (ou estradinha fechada a carros) e desnível positivo de apenas 308m.
      A leste da cidade de Ushuaia, às margens do Canal de Beagle, está o balneário de mar dos fueguinos, a Playa Larga, uma praia de pedrinhas de cerca de 1km de extensão. Continuando pela costa se encontram algumas estâncias (fazendas), sendo a mais próxima a Estância Túnel. Depois dela chama a atenção um rio que corre por dentro de um profundo cânion antes de desaguar no Beagle, o Rio Encajonado (encaixotado). Para não ir e voltar pelo mesmo caminho até o Rio Encajonado desenhei um percurso que chega à Estância Túnel pela serra e retorna pela costa. Essa foi a diversão desse dia, que começou ensolarado e terminou com muita chuva e vento frio, típico de Ushuaia.
      Esse percurso de ida pela serra tem o inconveniente de passar ao lado do basural, o aterro sanitário de Ushuaia. Não é tão horrível, mas para quem preferir evitar basta fazer o mesmo trajeto pela costa na ida e na volta.
      17/02/2020 - Saí do hostel um pouco tarde, às 9h35. Os dias longos do verão no extremo sul do continente deixam a gente bem relaxado com relação ao horário das caminhadas. Os argentinos por exemplo muitas vezes iniciam as caminhadas no meio da tarde. Há luz do dia até depois das 21h30 nessa época (fevereiro). 
      Na Rua Gobernador Deloqui, no centro de Ushuaia, peguei o ônibus da linha B (poderia ser o da linha A também, porém na Avenida Maipu) e desci às 10h10 no ponto da Rua Pioneros Fueguinos quase esquina com a Perito Moreno, que ali é uma rodovia. Cruzei a Moreno e procurei o melhor lugar à direita para descer ao Rio Olívia. Cruzei-o por uma ponte estranha (altitude de 19m) e tomei a estrada de terra poeirenta para a esquerda, subindo. Para mim, pior que o basural é esse trecho de 530m em que os carros e caminhões de lixo passam e cobrem a gente de poeira. Mas passado o portão do basural não circulam mais carros. Cerca de 920m após a ponte chego às 10h25 a uma porteira azul de ferro com cadeado mas com um portão ao lado. Ali a estradinha faz uma curva para a direita (leste) e sobe mais forte. Para trás a visão de Ushuaia e do Canal de Beagle vai se ampliando. 

      Foz do Rio Encajonado
      Quase no topo da estrada há uma bifurcação em que se deve seguir à esquerda fazendo uma curva em S ou tomar uma trilha-atalho no meio das duas ramificações (não seguir na estrada à direita). A estrada toma o rumo leste e vai percorrer a distância a face sul do Cerro Le Cloche. Foi aí, após uma porteira, que eu procurei uma trilha (relato aqui) para subir esse cerro e não encontrei. Seria preciso subir pelo bosque sem trilha e depois pela encosta de pedras/lajes soltas sem caminho definido também, creio eu, o que chega a ser um pouco arriscado. Continuando pela estradinha, às 11h33 cheguei a um largo com uma casa de madeira que parecia em construção. Não havia ninguém. Cruzei o riacho pelas pedras e subi à esquerda. Cerca de 520m depois da casa surge uma trilha bem marcada entrando no bosque à direita. Esse é um outro caminho que desce à costa mas eu queria tomar a descida que dá diretamente na Estância Túnel, portanto tinha de continuar até o final da estradinha. Logo atingi o ponto mais alto da caminhada, 327m.
      Às 12h07 passei por um curral vazio à direita e com mais 7min a estrada vira uma trilha entrando no bosque. Na bifurcação 90m depois uma seta aponta para a direita mas vou para a esquerda. Mais 70m e continuo em frente num cruzamento de trilhas. Parei para almoçar junto a alguns troncos caídos. Apesar de não ter visto sinal de vida comecei a ouvir barulho de motosserra. Retomei a caminhada às 12h45 e a trilha toma o rumo sul, descendo. Apareceram algumas vacas e logo cruzei com um homem a cavalo e seu fiel cachorro. Às 12h57 apareceu uma bifurcação, fui para a direita, mas tanto faz pois se encontram mais abaixo. 
      Às 13h19 entroncou uma trilha à direita que é uma das ramificações daquela primeira trilha de descida. Com mais 210m cheguei à Estância Túnel, às 13h25. Ali há uma casa e currais com vacas e cavalos, mas não vi ninguém. 
      Meu próximo objetivo era o Rio Encajonado, a 2,8km dali caminhando pela costa no rumo leste. Fui então para a esquerda. A trilha corre um pouco alta, não pela margem do canal. Cruzei com três pessoas voltando e depois com mais três ou quatro. Interessante notar ali as árvores que cresceram completamente inclinadas pela ação do vento! Ao chegar ao Rio Encajonado às 14h20 encontrei um argentino que tinha chegado de bicicleta até ali. Ele disse que cruzou o rio junto ao canal e não viu continuação da trilha. Disse que a água estava gelada. Nesse local de chegada se vê o rio correndo lá embaixo no fundo do cânion. Há até uma "ponte" sobre ele mas exige muito equilíbrio e sangue frio pois é um tronco fino com duas cordinhas finas como corrimão. Nem pensar que eu passaria ali, aliás não conseguia chegar nem perto dessa "ponte" pela altura das paredes do cânion. 
      Com informações contraditórias restou a dúvida se a trilha continua ou não. Provavelmente sim mas eu não quis entrar naquela água gelada para explorar do outro lado. Seria só uma exploração para voltar em outra ocasião já que não havia tempo para seguir mais à frente e voltar no mesmo dia à cidade. A nota ruim ali naquele local bonito era um touro que despencou e jazia bem na embocadura do rio...

      Será que venta muito?
      Depois chegaram mais três garotas mas logo foram embora. Iniciei o retorno às 16h06, passei pelas casas da Estância Túnel às 17h e continuei pela costa. Cruzei a porteira de entrada da fazenda e uma placa ali aponta o Rio Encajonado à direita, subindo. Não devem querer que fique gente passando bem na porta da casa deles. Às 17h17 cheguei a uma bifurcação onde o melhor caminho é pela direita, o da esquerda é ruim, desce e sobe muito. Entrei num bosque e na saída dele vem da direita outra ramificação daquela primeira trilha de descida. Cruzei um riacho (com origem naquela casa de madeira lá em cima) por dois troncos e saí do bosque. Ali à esquerda num morrote está o Mirador San Sebastian. Algumas vacas na trilha, um extenso bosque e cheguei às 18h13 a uma porteira. Uma placa ali alerta para o futuro desaparecimento dessa trilha por causa da construção de uma estrada! Com mais 4min cheguei a um final de estrada de rípio com um estacionamento e cinco carros. Há ali uma torre de ferro chamada Baliza Escarpados pertencente à Marinha Argentina.
      Comecei a andar pela estrada e veio a chuva. Parei para vestir a roupa impermeável, comer alguma coisa e ver se a chuva parava - que nada... Continuei pela estrada com chuva mesmo e às 19h avistei a Playa Larga (Praia Comprida) bem abaixo a esquerda. Ao fundo Ushuaia, mas a paisagem estava toda cinzenta pela chuva. Apareceram alguns acessos secundários à praia mas o principal veio às 19h18. A areia está além de um gramado que tem churrasqueiras de alvenaria. Algumas pessoas pararam o carro ali no estacionamento e foram visitar a praia com aquele tempo horrível. Uma placa mais adiante dá as boas-vindas à "Reserva Provincial, Cultural y Natural Playa Larga". A estrada faz uma curva para a direita, se afasta da praia e depois cruza o Rio Olívia, o mesmo que cruzei de manhã antes do aterro sanitário. Cheguei à Avenida Perito Moreno às 19h45 e dobrei à direita para tomar o ônibus da linha B no mesmo local onde saltei de manhã, Rua Pioneros Fueguinos.
      Informações adicionais:
      . para chegar ao início da trilha deve-se tomar o ônibus das linhas A ou B no centro de Ushuaia e saltar no ponto da Rua Pioneros Fueguinos quase esquina com Perito Moreno
      . o valor da passagem em fev/20 era AR$24 (R$1,50) que deve ser pago obrigatoriamente com o cartão de transporte SUBE (o mesmo de Buenos Aires e Bariloche)
      Rafael Santiago
      fevereiro/2020
      https://trekkingnamontanha.blogspot.com.br
       

    • Por rafael_santiago
      Laguna Esmeralda
      Início: estacionamento da Laguna Submarino na RN3
      Final: estacionamento da Laguna Esmeralda na RN3
      Distância: 28,5km
      Duração: 3 dias
      Maior altitude: 823m na neve do Glaciar Ojos del Albino
      Menor altitude: 220m no Rio Lasifashaj
      Dificuldade: média para quem está acostumado a longas travessias com mochila cargueira. Os desníveis não são grandes, a maior subida tem desnível de 433m.
      Nessa caminhada emendei duas trilhas: a da desconhecida Laguna Submarino com a da popularíssima Laguna Esmeralda. A princípio pensei que teria que caminhar pela RN3 entre a trilha de uma e de outra já que estão um pouco distantes e cada uma de um lado da rodovia, mas para minha felicidade descobri um caminho bem mais agradável por trilha e bosques. Por que o nome Submarino? Dê uma espiada na imagem de satélite do Google.
      1º DIA - 31/01/20 - do estacionamento na RN3 à Laguna Submarino 
      Distância: 6km
      Maior altitude: 642m na Laguna Submarino
      Menor altitude: 220m no Rio Lasifashaj
      Resumo: nesse primeiro dia de caminhada subi da rodovia RN3 à Laguna Submarino num desnível de 422m. Acampei um pouco abaixo dela.
      Saí do hostel um pouco tarde, às 9h35. Os dias longos do verão no extremo sul do continente deixam a gente bem relaxado com relação ao horário das caminhadas. Há luz do dia até depois das 21h30 nessa época (fim de janeiro/início de fevereiro). 
      Na Rua Gobernador Deloqui, no centro de Ushuaia, peguei o ônibus da linha B (poderia ser o da linha A também, porém na Avenida Maipu) e desci no ponto final junto ao portal da cidade (saída para Rio Grande). Em frente ao ponto final fica o posto policial e ao passar por ele somos sempre "convidados" a entrar e registrar nome, documento e destino. 
      Logo depois do portal as pessoas ficam pedindo carona. Já havia gente ali e me posicionei depois delas para respeitar a ordem de chegada. Logo parou um caminhão para mim, o motorista ia para Rio Grande. Saltei no estacionamento da trilha para a Laguna Submarino às 11h, bem em frente ao Centro Invernal Tierra Mayor. Havia dois carros apenas no estacionamento, provando que a laguna era pouco conhecida mesmo. Ali há um grande painel do "Sendero del Fin del Mundo" mostrando as trilhas da etapa 6 desse projeto e ainda uma continuação até o Rio Olívia. A etapa 6 vai da Cascada Rio Beban até Tierra Mayor, onde eu estava. Dessa maneira, descobri que conseguiria emendar as trilhas Submarino e Esmeralda por uma terceira trilha pelo Vale de Tierra Mayor. Restava saber se essa trilha estava transitável.
      Curioso que esse painel não mostrava a trilha da Laguna Submarino (etapa 7 do projeto), aliás não havia nenhuma placa informando que ali era o início da trilha para ela. Apenas uma placa indicando área de acampe a 1,2km. 
      Segundo o painel, a sinalização de trilha a seguir seriam duas faixas horizontais nas cores azul e branca, tal como a da Huella Andina do norte da Patagônia, mas nesse trecho até a Laguna Submarino ela não apareceu . Mais informações em lahuellaandina.com.ar, link "Guía original de Senderos de Patagonia".

      Cachoeira no caminho à Laguna Submarino
      Comecei a caminhar às 11h10. Altitude de 259m. Segui a estradinha de terra que cortava na direção leste o denso bosque de lengas e com 900m cheguei a uma grande clareira com cruzamento de trilhas. Ali percebi que essa estrada era de manutenção do gasoduto. A única sinalização era uma discreta seta amarela para a direita sem nada escrito. Mas o gps me apontava a direita mesmo (sudoeste). Na descida que se seguiu havia outros caminhos para a direita e esquerda que ignorei. Antes de chegar ao Rio Lasifashaj encontrei a tal área de acampe à direita com mesas de piquenique e churrasqueiras, mas com o terreno um pouco inclinado. Não havia nenhuma barraca nesse momento. 
      Cruzei o Rio Lasifashaj por tubos de ferro e um tronco improvisado (menor altitude do dia, 220m). A estradinha continuou no sentido sudoeste e bastante enlameada. Caminhei por ela 250m e a abandonei às 11h40 para entrar numa trilha à esquerda com placa. Finalmente informações sobre a trilha da Laguna Submarino! Segundo a placa ela está a 646m de altitude e a trilha tem 12km ida e volta. A altitude ali é de 234m. A placa só não diz que a trilha é um verdadeiro festival de lamaçais. O avanço é lento por conta deles. Ultrapassei um grupo que havia visto lá no estacionamento da RN3: um homem, duas mulheres e cinco crianças, uma delas bem pequena! Agora o sentido é sul. 
      Às 12h38 subi um trecho um pouco mais inclinado por uma corda e me aproximei do rio que desce da laguna. Logo começaram a aparecer as castoreiras, represas construídas por castores e que matam todo o bosque ao redor. Um cenário desolador de árvores mortas, umas roídas por eles e outras afogadas na represa. Numa grande clareira às 13h42 havia terreno plano para acampar e restos de fogueira bem ao lado de uma grande castoreira. Ao reentrar no bosque cheguei a uma bela cachoeira às 13h55. Parei para comer um lanche apesar do vento frio que vinha dela. Retomei a caminhada às 14h18 e imediatamente surge uma subida bastante inclinada com duas cordas fixas como apoio. Fiquei pensando nas quatro crianças que vinham atrás...
      Ao final da parte mais íngreme uma bonita visão do vale percorrido. Os lamaçais continuavam ali no alto. No meio de um deles havia uma bifurcação e fui para a esquerda, mas a trilha terminou numa cachoeira inacessível e muito bonita. Voltei à bifurcação para continuar pela trilha principal (não quis cortar caminho subindo uma encosta íngreme à direita da cachoeira). Mais subida e às 14h55 saí do bosque, passando a caminhar por uma trilha estreita numa encosta de pedras um pouco instável. A visão se abre para o vale à esquerda e fiquei de olho num gramadinho plano que poderia ser meu local de acampamento. 
      Subi um pouco mais mas logo desci na direção desse pequeno vale e atravessei dois riachos em sequência. Ali cruzei com um grupo de sete pessoas voltando da laguna. Continuei subindo agora num terreno mais pedregoso e numa curva suave para a esquerda atravessei o riacho que vem da Laguna Submarino, chegando a ela às 15h30. Altitude de 642m. Não havia mais ninguém, por algum tempo a laguna foi só minha. Apesar do vento frio dei uma volta completa ao redor dela. Pena que o dia estava cinzento e a cor verde da água não ressaltou nas fotos. Quando voltei ao ponto inicial aquela família com as crianças havia chegado. Fiquei surpreso... achei que iriam parar na cachoeira por causa das cordas em subidas quase verticais. Eram argentinos. Todos muito simpáticos, conversamos por algum tempo mas logo tomaram o caminho de volta porque estavam bem lentos. 
      Eu fiquei mais algum tempo e depois desci para procurar um lugar para acampar. Aquele gramado à margem do rio não estava muito seguro pois tinha uma encosta quase vertical ao lado e podia rolar alguma pedra lá de cima. Acabei encontrando um gramadinho mais ou menos plano dentro de uma vala, meio estranho o lugar mas bastante abrigado do vento. 
      Altitude de 580m no acampamento.
      Temperatura mínima durante a noite fora da barraca: 5,9ºC

      Laguna Submarino
      2º DIA - 01/02/20 - da Laguna Submarino à Laguna Esmeralda
      Distância: 11,6km
      Maior altitude: 642m na Laguna Submarino
      Menor altitude: 220m no Rio Lasifashaj
      Resumo: nesse dia desci de volta à RN3 (desnível negativo de 422m) e tomei a trilha do Vale de Tierra Mayor até o cruzamento com a trilha principal da Laguna Esmeralda, onde acampei (desnível positivo de 154m da RN3 à Laguna Esmeralda)
      10h30 da manhã: 10,7ºC
      Choveu durante a noite e de manhã. Ventou à noite mas eu estava protegido naquela vala. Não voltei à laguna para fotos pois o dia estava cinzento como na tarde anterior. Levantei acampamento às 15h10 (por causa da chuva da manhã) e desci pelo mesmo caminho. Cruzei com bastante gente subindo. Às 15h49 parei na cachoeira para mais algumas fotos. Mais abaixo, quando estava no bosque, começou a chover de novo e tive de parar para vestir a roupa impermeável. Logo após cruzar o Rio Lasifashaj parei às 17h51 na área de acampamento para um lanche nas mesas de piquenique, embora estivesse tudo molhado. Havia uma barraca montada. Às 18h30 cheguei ao estacionamento na RN3 e dessa vez havia oito carros. 
      Cruzei a rodovia e entrei no terreno do Centro Invernal Tierra Mayor passando bem ao lado da casa principal pois era esse o caminho. Cruzei uma ponte de tábuas e tomei a trilha que vai até o Rio Olívia, segundo o painel com mapa, mas eu iria só até o cruzamento com a trilha da Laguna Esmeralda. A trilha está bem sinalizada com estacas amarelas e tem pontes. Segue o curso do Rio Lasifashaj. Cerca de 800m após a casa não notei uma trilha saindo para a esquerda e continuei na principal, bem larga. Depois olhei para a esquerda e vi as estacas indo em outra direção. Esse caminho largo leva a outros trekkings, como Cerro Alvear e Laguna Domo Blanco. Voltei à discreta bifurcação e segui pela trilha correta, que continua na margem direita do Rio Lasifashaj e logo entra no bosque. Nas árvores do bosque encontrei a sinalização do projeto "Sendero del Fin del Mundo", duas faixas horizontais nas cores azul e branca, além de círculos vermelhos. Ao sair do bosque cruzei às 19h19 uma ponte de tábuas sobre o Rio Lasifashaj e fui para a direita seguindo a placa Cascada Beban. Entrei em outro bosque. Ali me afastei do Rio Lasifashaj pois ele toma o rumo norte e eu seguia para oeste. 

      Outra cachoeira no caminho à Laguna Submarino
      Às 20h03 cheguei a uma bifurcação e fui para a direita, mas desaconselho esse caminho pois há um lamaçal-brejo enorme e dessa vez não escapei de enfiar o pé inteiro na água preta. Melhor ir para a esquerda na bifurcação e tomar a trilha principal da Laguna Esmeralda 140m abaixo. Esse caminho do lamaçal-brejo é um atalho do qual a gente se arrepende. Às 20h14 cheguei à trilha principal da Laguna Esmeralda e fui para a direita. Ali a grande diferença: dezenas de pessoas na trilha! A Laguna Esmeralda é o trekking mais falado e mais procurado de Ushuaia. Todo mundo que chega na cidade parece predestinado a fazer essa caminhada. Todos os dias a trilha está cheia! 
      Segui pela trilha superbatida na direção norte e noroeste e ao sair do bosque às 20h38 o último obstáculo do dia, uma grande área de turfa (turbal) completamente molhada, um verdadeiro pântano. Algumas pessoas vinham da laguna por um caminho que estava mais à minha esquerda, mas ali parecia quase impossível não afundar na água suja. Notei que à minha direita o turbal tinha mais vegetação do que água e tentei ir por ali. No meio da turfa uma raposa cinza (zorro gris) cruzou comigo tranquilamente como se eu nem estivesse ali. Tirei várias fotos dela bem perto. 
      Esse caminho acredito que estava melhor que o outro pois vi gente afundando até o joelho lá no brejo. Ele termina numa trilha secundária que leva à laguna mas isso foi ótimo pois encontrei um lugar muito bom para acampar: plano, seco, abrigado do vento, longe de árvore que poderia cair e sem multidão passando na porta (porém 900m antes da laguna). Marquei esse local no gps e continuei até a laguna para conhecê-la e ver se havia algum lugar melhor para acampar. Cheguei a ela às 21h17. O camping "oficial" fica às suas margens, à direita de quem chega e na beira do bosque, mas isso eu só descobriria no dia seguinte. Não encontrei lugar melhor no trajeto que fiz e acampei naquele ponto marcado mesmo, coletando água no caminho.
      Altitude de 390m na Laguna Esmeralda e de 353m no local onde acampei
      Temperatura mínima durante a noite fora da barraca: 2,8ºC

      Laguna Esmeralda vista da subida ao Glaciar Ojos del Albino
      3º DIA - 02/02/20 - Glaciar Ojos del Albino
      Distância da Laguna Esmeralda ao Glaciar Ojos del Albino: 3,3km
      Distância do Glaciar Ojos del Albino à RN3: 7,6km
      Maior altitude: 823m na neve do Glaciar Ojos del Albino
      Menor altitude: 248m
      Resumo: nesse último dia subi da Laguna Esmeralda até a neve abaixo do Glaciar Ojos del Albino (desnível de 433m), voltei à laguna e terminei a caminhada na RN3 (desnível negativo de 142m da laguna à RN3), onde consegui uma carona para Ushuaia
      8h28 da manhã: 7,5ºC
      Desmontei a barraca e escondi a mochila para subir de novo à Laguna Esmeralda e continuar até o Glaciar Ojos del Albino. Às 10h50 estava de volta à laguna e já havia bastante gente visitando. Deveria contorná-la para encontrar a trilha do glaciar e optei por fazer isso pelo lado direito para não ter de cruzar dois rios, um que a alimenta e outro que brota dela. Foi seguindo para a direita que descobri o camping "oficial", que está no limite do bosque no qual eu deveria entrar para contorná-la. Apenas um casal dormiu ali naquela noite. O espaço é ruim, grande parte inclinado. 
      Contornei toda a face leste da laguna e continuei, agora tendo o rio que a abastece à minha esquerda. Passei por uma área mais aberta dentro do bosque que dá um bom acampamento também. Logo depois inicia a subida. Passei por uma grande rocha que serve como abrigo/bivaque e venci a linha das árvores às 12h02. Dali em diante só pedras e montanhas rochosas. Uma enorme cachoeira escorre da montanha à esquerda. Subi mais e o caminho em meio às pedras começou a ficar menos marcado, causando alguma dúvida. A subida começou a ficar íngreme demais. Cheguei a um ponto mais alto em que pude observar melhor os arredores e já estava pensando se tinha tomado o caminho certo... não visualizava um caminho definido naquele mar de pedras de todos os tamanhos e não havia sinalização nenhuma. Parei um pouco. 
      Vi gente subindo por um outro caminho mais abaixo e fiz um atalho como pude para chegar onde eles estavam pois deveria haver um caminho marcado. E havia. Quando subi deveria ter tomado um caminho muito discreto para a esquerda (depois de um bloco gigante de pedra à esquerda) e evitado aquele trecho muito íngreme. O caminho "marcado" às vezes se perdia um pouco também, mas consegui subir por ele até um platô acima e dali até a neve. 
      Parei no limite da neve às 13h40 para ver que caminho os outros iriam tomar. Alguns subiram pela neve bastante inclinada mesmo sem crampons. Foram com bastante dificuldade mas conseguiram vencer aquela neve. Mas não se podia ver o que havia mais acima, talvez outro campo de neve inclinado. Outros não quiseram se arriscar na neve e escalaminharam a encosta mais à esquerda, sem trilha, muito íngreme e difícil, e sem saber onde iria dar lá no alto. Eu resolvi não arriscar nem um nem outro, portanto não cheguei ao glaciar propriamente dito. Mas o visual dali já estava espetacular para todo o vale com o Cerro 5 Hermanos ao fundo. Várias pessoas pararam ali também. Altitude de 823m. Dias depois soube da queda de um rapaz inglês nesse local em 2018. Ele não resistiu aos ferimentos.

      Cordon Toribio visto das proximidades do Glaciar Ojos del Albino
      Iniciei a volta às 14h51 e dessa vez fiz o caminho "certo" pelo mar de pedras pois segui um casal com guia. Às 15h53 reentrei no bosque. Passei pela Laguna Esmeralda às 16h45 e parecia uma praia urbana em um domingo de sol de tanta gente. Resgatei a mochila, venci a turfa encharcada (sem raposinha dessa vez) às 17h46, voltei ao bosque e segui a procissão. 
      Saí do bosque e às 18h13 entroncou à esquerda a trilha que vem de Tierra Mayor. Esse seria o caminho que, apesar de alguns metros mais longo, evitaria aquele lamaçal-brejo enorme em que enfiei o pé. Apenas 170m adiante uma outra bifurcação com placa apontando a Cascada Beban à direita é a continuação da trilha que iniciei lá em Tierra Mayor. Marquei o local para depois explorar (relato aqui). Outra placa com foto identifica os picos dessa bela cadeia de montanhas, com destaque para o Cerro Bonete e o Cerro Alvear.
      Cruzei um bosque, um rio por uma ponte de troncos e ao reentrar no bosque às 18h23 surgiram algumas bifurcações. Se me mantivesse na trilha principal chegaria ao estacionamento na RN3 mas resolvi seguir quatro amigos com quem fiz amizade na trilha do glaciar. Eles conheciam bem as trilhas e tomaram vários atalhos. Ao chegarmos ao estacionamento às 18h38 perguntei se tinha lugar no carro e lá fomos para Ushuaia papeando sobre trilhas e montanhas.
      Informações adicionais:
      . para chegar ao início da trilha deve-se tomar o ônibus das linhas A ou B no centro de Ushuaia e saltar no ponto final no portal da cidade, em seguida pedir carona (hacer dedo, em espanhol)
      . o valor da passagem em fev/20 era ARS24 (R$1,50) que deve ser pago obrigatoriamente com o cartão de transporte SUBE (o mesmo de Buenos Aires e Bariloche)
      . uma opção mais confortável é o transporte privado (van) chamado Linea Regular que sai diariamente da esquina das ruas Maipu e Juana Fadul de hora em hora das 9h às 14h. 
      . mais informações sobre o projeto "Sendero del Fin del Mundo" em lahuellaandina.com.ar, link "Guía original de Senderos de Patagonia".
      Rafael Santiago
      fevereiro/2020
      https://trekkingnamontanha.blogspot.com.br
       

    • Por rafael_santiago
      Laguna Turquesa
      A caminhada da Laguna Turquesa costuma ser feita num bate-volta de um dia apenas. Apesar do desnível de 363m a subida pode ser feita em 1h, com a descida ainda mais rápida. Eu tinha bastante tempo e queria acampar na laguna para assistir ao pôr-do-sol se o tempo permitisse. Porém os dias estavam muito chuvosos. Acompanhei a previsão pelo Yr e ele indicava pouca chuva e algum sol para os dias seguintes. Porém na manhã em que sairia (27) a previsão para o dia seguinte (28) mudou e era de mais chuva que antes (2,2mm). Já estava com a mochila pronta e resolvi ir assim mesmo. Mal sabia eu o que me esperava...
      1º DIA - 27/01/20 - subida à Laguna Turquesa
      Início: RN3
      Final: Laguna Turquesa
      Distância: 1,7km
      Maior altitude: 658m na Laguna Turquesa
      Menor altitude: 295m na rodovia RN3
      Resumo: nesse dia subi da rodovia RN3 à Laguna Turquesa em cerca de 1h (desnível de 363m)
      Saí do hostel bem tarde, às 12h36. Os dias longos do verão no extremo sul do continente deixam a gente bem relaxado com relação ao horário das caminhadas. Há luz do dia até depois das 21h30 nessa época (janeiro). 
      Na Rua Gobernador Deloqui, no centro de Ushuaia, peguei o ônibus da linha B (poderia ser o da linha A também, porém na Avenida Maipu) e desci no ponto final junto ao portal da cidade (saída para Rio Grande). Em frente ao ponto final fica o posto policial e ao passar por ele somos sempre "convidados" a entrar e registrar nome, documento e destino. 
      Logo depois do portal as pessoas ficam pedindo carona. Quando cheguei um rapaz argentino me disse que estava ali fazia 1h... mas tive mais sorte que ele. Num momento em que ele saiu para fumar um caminhão parou para mim sem eu levantar o dedo! O motorista ia para Tolhuin. Saltei na entrada da trilha para a Laguna Turquesa às 14h14. Há uma plaquinha improvisada de madeira na rodovia RN3 apontando a trilha.
      Nos primeiros 70m é uma rua de terra que liga a RN3 à estradinha do gasoduto. Cruzando essa estradinha é que se entra na trilha no bosque. Parei para comer alguma coisa e entrei nela às 14h36. Altitude de 310m. 

      Valle Olum
      Subi até os 535m e saí do bosque (15h12) cruzando um lamaçal terrível. Passei a caminhar por um campo encharcado já com visão do circo glacial que abriga a laguna. O rio que brota dela corre num valezinho à esquerda.
      Ao subir um pouco mais olho para trás e avisto a famosa e popular Laguna Esmeralda entre montanhas do outro lado da RN3. Cheguei à Laguna Turquesa, que na verdade tem cor verde-esmeralda, às 15h32. Altitude de 658m. Decidi ir direto para a Laguna Turquesa Superior e subi a encosta do lado esquerdo. Ao chegar à crista a visão se abriu para o lado leste com o enorme Valle Olum e um lago bem abaixo. Continuei pela crista contornando a Laguna Turquesa pelo alto, porém parei num local mais estreito e exposto. À esquerda há uma parede e à direita uma queda enorme. Se eu pisasse num local não muito firme podia rolar muitos metros quase verticais. Dali em diante parecia bem exposto também. Não senti segurança e desci de volta à Laguna Turquesa. 
      Arranjar um lugar seco e abrigado do vento para acampar foi uma tarefa complicada. Perto da laguna eram só pedras e muito vento, abaixo dela era só terreno encharcado. Além disso, tinha muita gente subindo e descendo pela trilha e eu preferi ficar afastado para ter um pouco de privacidade. Acabei montando a barraca num lugar protegido por lengas baixas mas num solo bem úmido, abaixo da laguna e do outro lado do rio que nasce dela. Choveu forte a partir das 19h com vento forte também, mas a barraca aguentou bem. Não entrou água apesar de estar tudo encharcado em volta dela.
      Temperatura mínima durante a noite fora da barraca: 1,2ºC
      2º DIA - 28/01/20 - muita chuva e neve
      De manhã tirei a cara para fora da barraca e vi um grupo de seis pessoas subindo em direção à Laguna Turquesa Superior. Passaram pela parte exposta, para minha frustração... Não estava chovendo e resolvi voltar à laguna. Foi só cruzar o rio e começou a nevar bastante! Bonito de ver mas muito frio. Voltei à barraca e passou a chover fraco. Mesmo assim bastante gente na trilha, com frio, vento, chuva e neve. À tarde fiz uma segunda tentativa e consegui tirar mais fotos da laguna, mas na descida à barraca fui pego pela neve de novo. Com tudo isso não desmontei acampamento. Mais tarde vi que a neve já estava acumulando em volta da barraca. Meu termômetro marcava 1,4ºC às 19h35. Nesse dia nevou mais do que choveu. E a previsão do Yr era de apenas 2,2mm de chuva...
      Temperatura mínima durante a noite fora da barraca: 0,5ºC

      Depois da tempestade...
      3º DIA - 29/01/20 - retorno a Ushuaia
      As montanhas ao redor da laguna amanheceram brancas pela neve que caiu durante a noite. Mas felizmente saiu um pouco de sol para eu secar a barraca antes de guardar. O nylon do piso já estava saturando e umedecendo o isolante por baixo. Justo nesse dia que eu precisava de carona para voltar a Ushuaia quase ninguém subiu à laguna. Desci em 52min até a estradinha do gasoduto. Uns 50m à direita há água corrente (vem da Laguna Turquesa) e aproveitei para limpar as botas e a calça impermeável para pedir carona limpo. Fiz sinal na RN3 durante 20min, um Audi parou mais à frente e deu ré para me apanhar. Mas eram três caras bem estranhos e colocavam o som do carro no último volume. Torcia para chegar vivo na cidade. Ao chegar na periferia de Ushuaia entraram por ruas estreitas de terra, o que me deixou apreensivo. Me deixaram no shopping Paseo del Fuego e caminhei mais 2,5km até o hostel. Quanta aventura numa caminhada só!
      Informações adicionais:
      . para chegar ao início da trilha deve-se tomar o ônibus das linhas A ou B no centro de Ushuaia e saltar no ponto final no portal da cidade, em seguida pedir carona (hacer dedo, em espanhol)
      . o valor da passagem em fev/20 era ARS24 (R$1,50) que deve ser pago obrigatoriamente com o cartão de transporte SUBE (o mesmo de Buenos Aires e Bariloche)
      . uma opção mais confortável é o transporte privado (van) chamado Linea Regular que sai diariamente da esquina das ruas Maipu e Juana Fadul de hora em hora das 9h às 14h. 
      Rafael Santiago
      janeiro/2020
      https://trekkingnamontanha.blogspot.com.br
       

    • Por rafael_santiago
      Lago Acigami (ou Lago Roca)
      O Parque Nacional Tierra del Fuego foi criado em 1960. Ocupa uma área de 70.000 hectares no sul da Ilha Grande da Terra do Fogo, no limite com o Chile. A portaria do parque está a 11km do centro de Ushuaia e o Centro de Visitantes Alakush (onde iniciam as principais trilhas) está 8km adiante. Não há transporte público até o parque. As linhas de ônibus da cidade chegam no máximo a 5,8km de distância da portaria. Pode-se contratar um transporte privado em van (veja nas Informações Adicionais ao final do relato) ou pedir carona no início da estrada de terra que leva ao parque. Claro que optei pela segunda alternativa.
      1º DIA - 24/01/20 - Cerro Guanaco e Trilha do Hito XXIV
      Início e final: Camping Laguna Verde
      Distância: 24km
      Maior altitude: 973m no cume do Cerro Guanaco
      Menor altitude: 4m na margem do Lago Acigami 
      Resumo: nesse primeiro dia de caminhada no parque subi o Cerro Guanaco (5,9km ida, desnível de 967m, desde o estacionamento do Lago Acigami) e percorri a trilha do Hito XXIV (2,9km ida, desnível de 19m, desde a bifurcação com o Cerro Guanaco). Acampei no Camping Livre Laguna Verde.
      Na esquina das ruas Juana Fadul e Gobernador Paz tomei o ônibus da linha B às 7h50. Poderia ter tomado o ônibus da linha A também, porém na Avenida Maipu, mais abaixo. Desci no ponto próximo à confluência das ruas Leandro Alem e Hipólito Irigoyen, que é o local mais próximo que os ônibus chegam da portaria do parque nacional. Porém ela ainda está a 5,8km dali. A Rua Hipólito Irigoyen se transforma na estrada RN3 que entra no parque e termina na Bahía Lapataia. Essa rodovia começa na província de Buenos Aires e tem 3079km de extensão! Ela é de rípio nesse trecho até o parque, o que faz de uma caminhada até a portaria uma experiência bastante empoeirada...
      Me posicionei no início da RN3 e comecei a pedir carona (hacer dedo, em espanhol), porém a maioria dos veículos eram vans de turistas. Depois de 27min tentando em vão vi uma camionete vindo e me pareceu ser da prefeitura ou da polícia e não levantei o dedo - justamente essa parou e me ofereceu carona, porém só até a estação inicial do Trem do Fim do Mundo, 4,4km dali. Topei. Saltei no acesso à estação e continuei pela estrada de rípio (poeira!) até a portaria, mais 1,4km. Ali paguei a taxa de entrada de ARS560 (R$35) para estrangeiros e tirei algumas dúvidas com o atencioso guarda-parque. Esse valor dá direito a três dias inteiros de visita, incluindo duas noites de acampamento. Os campings em funcionamento são: Laguna Verde/Cauquenes, Bahía Ensenada (ou Ensenada Zaratiegui) e Rio Pipo.
      Dali até o Centro de Visitantes Alakush (onde iniciam as principais trilhas) seriam mais 8km e até o Camping Laguna Verde, que escolhi para essa noite, ainda mais 1,8km. Contei com a gentileza e simpatia de outra funcionária do parque, que conseguiu uma carona para mim no primeiro carro que entrava, conduzido por duas italianas. Assim saltei no acesso ao Centro de Visitantes Alakush às 9h34 e caminhei os 1,8km que faltavam para o Camping Laguna Verde. O camping é bem grande e ocupa os dois lados da RN3. Havia poucas barracas apesar de ser alta temporada. Há um banheiro químico em forma de contêiner com um vaso sanitário (com alavanca para descarga) e dois lavatórios, ainda sabonete líquido, papel higiênico e papel-toalha. Uma curiosidade: não parece mas esse camping fica numa ilha - a maior ilha do Arquipélago Cormoranes, delimitado pelos rios Lapataia e Ovando.

      Cerro Guanaco
      Armei a barraca num local mais protegido do vento e parti logo (10h47) para a primeira e mais difícil caminhada, o Cerro Guanaco. O guarda-parque disse que às 12h essa trilha é fechada (mas depois vi que não há como fechá-la e até encontrei gente subindo depois das 16h). Voltei ao Centro de Visitantes Alakush e continuei pela estradinha até a margem do Lago Roca ou Lago Acigami (esse curioso nome significa "cesta ou bolsa alongada" em idioma yámana, dos povos originários dessa região). Carros chegam só até aqui, há um amplo estacionamento. Ali inicia a trilha, que está sinalizada apenas como Senda Hito XXIV, mas é a mesma do Cerro Guanaco. Entrei nela às 11h21. Altitude de 6m.
      A trilha contorna o lago pela direita (margem leste) e logo entra no bosque. Às 11h33, após cruzar a ponte de troncos sobre o Arroio Guanaco, cheguei a uma bifurcação: Cerro Guanaco à direita e Hito XXIV à esquerda. Outra placa avisa que a trilha do Guanaco tem duração de 4h de ida (mas eu levei 2h30). Uma terceira placa alerta para não entrar nessa trilha após as 12h. Altitude de 8m. 
      A trilha já inicia subindo. Tive de parar um pouco para deixar passar um grupo grande de israelenses (uns 15) com uma caixa de som em volume muito alto. É bem fácil reconhecê-los nas trilhas: andam em bandos e fazem muito barulho. Às 12h19 cruzei novamente o Arroio Guanaco. Às 12h41 cheguei a um bonito mirante mas não parei pois o grupo ruidoso estava descansando ali com a música bem alta ainda. Continuando no aberto tive visão do Cordon Guanaco, crista montanhosa que tem o Cerro Guanaco na extremidade.
      Reentrando no bosque às 12h44 cruzei uma ponte de troncos e ao sair dele às 13h03 enfrentei um lamaçal terrível, com muito cuidado para não enfiar o pé de uma vez no barro preto. Agora a céu aberto pude visualizar o que tinha pela frente: um grande campo de turfa e depois a longa subida de pedras em diagonal pela encosta até o topo do Guanaco. O campo de turfa estava terrível, uma bota impermeável é imprescindível e assim mesmo se corre grande risco de molhar o pé ao afundar ele inteiro. A turfa (turba em espanhol) é uma vegetação úmida e esponjosa formada por musgos, juncos e gramíneas e nesse local especialmente estava muito molhada, um verdadeiro brejo. 
      Vencida a turfa veio a longa subida em diagonal pela encosta rochosa da montanha, mas com trilha bem marcada. Como sempre, quanto mais alto mais espetacular o visual ao redor, principalmente do Lago Acigami, com suas águas esverdeadas. Cheguei enfim ao cume do Cerro Guanaco às 14h05 e a visão se abre para o quadrante leste do Canal de Beagle, com Ushuaia se destacando. Logo abaixo o grande vale do Rio Pipo (Cañadon del Toro), onde há um acampamento do parque. Interessante também a visão do limite entre as ilhas Navarino e Hoste ao sul, já em território chileno. A Bahía Lapataia está a sudoeste. De neve quase não havia mais nada no cerro, apenas manchas pequenas. Altitude de 973m.
      Iniciei a descida às 15h11, cruzei a turfa às 15h55 e reentrei no bosque com lamaçal. Saí desse primeiro bosque e parei no mirante (em que não parei na ida) às 16h29. A visão do Lago Acigami estava belíssima e fiquei ali 15min em contemplação. Continuei a descida e cheguei à bifurcação do Hito XXIV às 17h35, seguindo à direita. Foram mais 2,9km em trilha plana contornando a margem nordeste do Lago Acigami até o hito, que é uma pequena torre de ferro que assinala a fronteira entre a Argentina e o Chile. Cheguei às 18h25. Um passo a mais e eu estava em território chileno sem carimbo no passaporte. Esse marco fica numa pequena praia de pedras entre o Lago Acigami e o bosque.
      Iniciei o retorno às 19h05 pelo mesmo caminho e cheguei ao estacionamento do lago às 20h34. Ao passar pelo Centro de Visitantes Alakush parei para assistir ao pôr-do-sol às 20h54. 
      Altitude do Camping Laguna Verde: 3m. 
      Temperatura mínima durante a noite fora da barraca: 2,9ºC

      Hito XXIV
      2º DIA - 25/01/20 - Bahía Lapataia e Senda Costera
      Trilhas da Bahía Lapataia
      Início: Camping Laguna Verde
      Final: Gendarmeria Nacional
      Distância: 10,7km
      Maior altitude: 23m no Mirador Laguna Verde
      Menor altitude: 0m na Senda de la Baliza
      Resumo: estudando o mapa do parque emendei as seis trilhas curtas do setor Bahía Lapataia/Laguna Verde na seguinte ordem (distâncias só de ida): Senda del Turbal (1,3km), Senda Castorera (180m), Senda de la Baliza (1,2km), Puerto Arias (320m), Mirador Lapataia (1km), Laguna Negra (550m) e Paseo de la Isla (1,3km)
      Trilha Senda Costera
      Início: RN3 (na altura do Centro de Visitantes Alakush)
      Final: Camping Bahía Ensenada (ou Ensenada Zaratiegui)
      Distância: 8km
      Maior altitude: 73m
      Menor altitude: 0m
      Resumo: esta trilha de pouco desnível (73m) percorre a costa da Bahia Lapataia e Canal de Beagle contornando o Cerro Bellavista 
      Saí do Camping Laguna Verde às 11h27, mas deixei a barraca montada. Fui percorrer as trilhas mais curtas do setor Bahía Lapataia/Laguna Verde. Essas trilhas têm uma proposta educativa e servem mais como primeiro contato do turista com o ecossistema da Terra do Fogo do que como um trekking para o trilheiro experiente.
      Caminhei 390m pela RN3 na direção oeste e entrei na trilha sinalizada com a placa "Senderos Mirador Lapataia y del Turbal" à esquerda. Na bifurcação 180m depois tomei a direita: Senda del Turbal (a esquerda vai ao Mirador Lapataia). Com 720m (desde a RN3) cheguei a uma bifurcação: Lapataia à esquerda e Castorera à direita. Tomei a direita para ir à castoreira sem saber que o turbal mesmo estava à esquerda, então acabei não o conhecendo.
      Cruzei a RN3 às 11h50 e continuei na trilha. Uma placa ali fala do grande erro que foi a introdução do castor norte-americano na Terra do Fogo em 1946 para comércio da pele. Foram trazidos só 25 casais e hoje são mais de 100 mil destruindo os bosques de toda a ilha. Uma trilha de pouco interesse pois se chega a uma represa de castores bem pequena e sem os elementos característicos como dique e madriguera (a cabana deles). Os textos e desenhos dos painéis tentam passar a informação que falta para um turista que visualiza a pequena represa e não conhece os outros locais colonizados pelos castores com a grande devastação que os rodeia. Eu cheguei à castoreira por uma trilha secundária mas a trilha principal é uma das duas que têm acessibilidade a cadeirantes. A principal tem apenas 180m desde a RN3. 
      Voltei à RN3 e segui em direção à Bahía Lapataia às 12h09. Caminhei apenas 1,1km e cheguei a um estacionamento num local simbólico, o final da Ruta Nacional 3, de 3079km de extensão. Porém levei um susto pois a quantidade de carros, ônibus e turistas ali era enorme. Impossível tirar uma foto da placa com a distância ao Alasca (quase 18.000km) sem ter várias pessoas na frente. Há um banheiro em forma de contêiner ali também.

      Bahía Lapataia
      O dia estava bem cinzento desde cedo e nessa hora começou a chover. Havia dois lugares a conhecer ali: a passarela e mirante (acessível a cadeirantes) de Puerto Arias (320m ida) e a trilha "Senda de la Baliza" (1,2km ida). Como a passarela até Puerto Arias estava muito cheia de gente fui para a Senda de la Baliza. Caminhei só 140m pela passarela e tomei a trilha que sai dela para a direita às 12h27. Logo ela entra num bosque, sai dele, passa por uma praia, entra em outro bosque e termina numa praia de pedras onde está a tal baliza, uma pequena torre com um farol. Cheguei ali às 12h44. Logo depois do farol há uma cerca que impede que se caminhe até o final da praia por ser "reserva natural estricta". Dali se vê o Cerro Guanaco.
      Às 13h15 saí da praia. Voltei à passarela e já havia menos turistas. Aproveitei para caminhar por ela até o Puerto Arias. Com o dia cinzento e chuvoso a paisagem não estava tão bonita. Voltei ao estacionamento e tomei à direita a Senda del Mirador às 13h46. Ela subiu um pouco por escadarias dentro do bosque e numa bifurcação à esquerda está o Mirador Lapataia. De novo, com sol a paisagem seria bem mais bonita.
      Continuei pela trilha principal e voltei à RN3 no local em que entrei na primeira trilha de manhã, com a placa "Senderos Mirador Lapataia y del Turbal". Caminhei 225m para a direita e entrei às 14h16 na Senda Laguna Negra à esquerda. Ela tem só 550m (ida) e termina numa plataforma na margem da lagoa, que na realidade é um grande turbal, segundo o painel ensina. 
      Voltei à RN3 e caminhei 160m até o camping, aonde cheguei às 14h40. Almocei, desmontei a barraca, arrumei a mochila e saí com ela para percorrer a última trilha curta desse setor do parque, o Paseo de la Isla, de 1,3km de extensão. Deixei o camping às 17h24 caminhando para a esquerda (leste) na RN3 e entrei na primeira trilha à esquerda. Tirei fotos no Mirador Laguna Verde e continuei. A trilha desce e se aproxima de um braço da Laguna Verde, mas logo se afasta e cruza a RN3. A partir daí há várias bifurcações e atalhos, mas a trilha "oficial" segue sempre margeando a água. Esse local é preferido pelas aves por ser mais tranquilo e pude ver e me aproximar de um casal de cauquenes com um filhote. A trilha terminou às 18h08 na RN3 em frente ao posto da Gendarmeria Nacional. Caminhei 900m para a direita e fui conhecer o Centro de Visitantes Alakush, com maquete da Terra do Fogo e painéis informativos com muitas fotos. 
      Saindo do centro de visitantes voltei à RN3 e apenas a cruzei para entrar às 18h33 na Senda Costera, uma trilha de 8km (sem água boa) que termina na Bahía Ensenada (ou Ensenada Zaratiegui), onde há um camping. 
      O caminho inicialmente corre paralelo à RN3 através do bosque e é sinalizado com estacas amarelas. Com 1,3km de caminhada aparece à esquerda um outro acesso a partir da RN3, mas a trilha continua à direita e se afasta da estrada em direção à costa. O caminho tem um pouco de sobe-desce na parte inicial e quando se afasta da RN3 sobe até os 73m de altitude. Há poucos lamaçais e todos contornáveis.
      Às 19h19, já às margens do Canal de Beagle, cruzei uma pequena praia de pedrinhas. Daí em diante passei por diversas outras praias. Notei as árvores ali com muitos fungos pão-de-índio. Quando jovens são redondos de cor amarela ou alaranjada, depois secam e concentrados formam uma protuberância no tronco. Têm esse nome porque eram usados como alimento pelos povos originários da região. Às 20h35 cheguei à extremidade da Bahía Ensenada (ou Ensenada Zaratiegui) e consegui ver ainda bem longe o ancoradouro aonde deveria chegar. Cruzo mais praias.
      Às 21h09 cheguei a uma bifurcação com placa indicando o estacionamento da Ensenada Zaratiegui à esquerda, subindo, mas continuei à direita próximo ao mar. Às 21h16 cheguei enfim à Ensenada Zaratiegui, onde está a agência de correio do fim do mundo, obviamente fechada nesse horário. Há ali um estacionamento, banheiros e o final de uma estrada, a qual subi por 340m para alcançar às 21h22 o Camping Bahía Ensenada. O camping é espaçoso mas não tão grande quanto o da Laguna Verde. Água pode ser coletada num riachinho (Arroio Piloto) e banheiros só lá embaixo no estacionamento por onde passei. Havia mais duas barracas apenas. Altitude de 27m. 
      Temperatura mínima durante a noite fora da barraca: 6,7ºC

      Cerro Guanaco visto do Cerro Pampa Alta
      3º DIA - 26/01/20 - Pampa Alta e Cascata Rio Pipo
      Início: Camping Bahía Ensenada (ou Ensenada Zaratiegui)
      Final: RN3 ao lado da estação final do Trem do Fim do Mundo
      Distância: 9,9km
      Maior altitude: 299m no Cerro Pampa Alta
      Menor altitude: 27m no Camping Bahía Ensenada
      Resumo: emendei as duas trilhas do parque nacional que faltavam: Senda Pampa Alta (4,7km ida, desnível de 272m, desde o Camping Bahía Ensenada) e Cascata Rio Pipo (930m ida)
      Deixei a barraca montada e fui visitar a Unidade Postal do Fim do Mundo. O carimbo no passaporte custa US$3. Os banheiros ao lado são idênticos aos do Camping Laguna Verde, também com papel higiênico e papel-toalha. Voltei ao camping, desmontei a barraca e saí às 14h15 tomando a Senda Pampa Alta ali mesmo no bosque nos fundos do acampamento. Em 9min cruzei o Arroio Piloto por uma longa ponte e às 14h34 cruzei a RN3. A partir daí a trilha se torna interpretativa, com 21 painéis dando informações sobre a flora e fauna de maneira lúdica.
      Às 15h24 alcancei uma bifurcação com placas: (Rio) Pipo à esquerda e (Cerro) Pampa Alta à direita. A continuação do caminho seria para a esquerda mas antes subi à direita só 70m para chegar ao ponto mais alto da caminhada, o Cerro Pampa Alta. Altitude de 299m. Uma grande lenga é a estrela desse local e o destaque na paisagem é o Cerro Guanaco, além de várias outras montanhas na direção da Bahía Lapataia. 
      Às 15h58 voltei à bifurcação e tomei a direita descendo na direção da placa Pipo. No meio do bosque ouvi um barulhinho familiar, um toc-toc, olhei para cima e lá estava o carpintero-negro, o pica-pau da Patagônia, buscando o seu lanche da tarde. Continuando a descida cheguei à estrada do Rio Pipo às 16h40. Altitude de 96m. Ao lado dela passa a estrada de ferro do Trem do Fim do Mundo.
      A saída seria para a direita mas segui para a esquerda para visitar a Cascata Rio Pipo. Com 650m cheguei ao Camping Rio Pipo, bastante grande e com várias barracas. Há churrasqueiras e banheiros em forma de cabine. No final da estradinha há uma corrente fechando o acesso a carros e inicia o caminho para a cascata, com o imponente Cerro Guanaco à esquerda. Foram só 930m até uma plataforma com vista para o Rio Pipo, porém cascata que é bom não há, apenas algumas quedinhas. Cheguei às 17h09. É possível seguir mais 30m até a curva do rio, mas depois há uma placa de proibido passar e a trilha se torna ruim. Há água corrente na entrada da mata, antes da plataforma, supostamente mais limpa que a do Rio Pipo.
      Voltei pelo mesmo caminho, passei pelo camping e às 18h02 cheguei à RN3 bem no cruzamento que desce para a Bahía Ensenada. Ao lado está a estação final do Trem do Fim do Mundo. Ali é um local estratégico para pedir carona para a cidade pois vêm carros da Bahía Lapataia, do Rio Pipo e da Bahía Ensenada. Não demorou muito e um carro com três argentinos parou e me levou até o centro.

      Cascata Rio Pipo
      Informações adicionais:
      . para chegar ao parque da forma mais econômica deve-se tomar o ônibus da linha A ou B no centro de Ushuaia e saltar na esquina das ruas Leandro Alem e Hipólito Irigoyen. A partir daí pedir carona (hacer dedo, em espanhol)
      . o valor da passagem do ônibus em fev/20 era ARS24 (R$1,50) que deve ser pago obrigatoriamente com o cartão de transporte SUBE (o mesmo de Buenos Aires e Bariloche)
      . uma opção mais confortável é o transporte privado (van) chamado Linea Regular que sai diariamente da esquina das ruas Maipu e Juana Fadul às 10h, 11h, 12h e 14h. Cobra ARS900 (R$56) ida e volta, podendo a volta ser em dia diferente da ida
      . a taxa de entrada no parque de ARS560 (R$35) dá direito a três dias inteiros de visita, incluindo duas noites de acampamento 
      . os campings em funcionamento no parque são: Laguna Verde/Cauquenes, Bahía Ensenada (ou Ensenada Zaratiegui) e Rio Pipo
      . site do parque: www.argentina.gob.ar/parquesnacionales/tierradelfuego
      Rafael Santiago
      janeiro/2020
      https://trekkingnamontanha.blogspot.com.br
       

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