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Saravá, mochileiros! Me sinto na obrigação de fazer um relato completíssimo aqui no fórum da viagem que fiz na Patagônia Argentina sozinho em dezembro de 2017, uma vez que 98% da trip foi inspira

Rapaaazzz fico feliz demais de ver q meu relato ajudou um pouquinho na tua viagem e feliz tb de ver q vc aproveitou bastante esses dias na Patagônia. Sem duvida uma viagem inesquecivel e teu relato fi

Boaa Rezzende! Eu que agradeço por ter feito um relato show de bola! Partiu mais trips!

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Rapaaazzz fico feliz demais de ver q meu relato ajudou um pouquinho na tua viagem e feliz tb de ver q vc aproveitou bastante esses dias na Patagônia. Sem duvida uma viagem inesquecivel e teu relato ficou bom d+ ::otemo::

Laguna de los Tres e Piegle Tumbado sao os tops de Chalten mesmo

Vc gostou daquele vinho Termidor de caixinha? :o achei aquilo a treva :lol:

Boas trilhas e trips aeee

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  • Membros
13 horas atrás, Rezzende disse:

Rapaaazzz fico feliz demais de ver q meu relato ajudou um pouquinho na tua viagem e feliz tb de ver q vc aproveitou bastante esses dias na Patagônia. Sem duvida uma viagem inesquecivel e teu relato ficou bom d+ ::otemo::

Laguna de los Tres e Piegle Tumbado sao os tops de Chalten mesmo

Vc gostou daquele vinho Termidor de caixinha? :o achei aquilo a treva :lol:

Boas trilhas e trips aeee

Boaa Rezzende! Eu que agradeço por ter feito um relato show de bola! Partiu mais trips!

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5 horas atrás, VICTOR SANCHES disse:

Top d+, to querendo fazer um roteiro rm setembro, sera q é um bom mes, vai ser minha primeira viagem 

Fala Victor! Cara, não sei se as trilhas estão em boas condições pra fazer em setembro, uma vez que provavelmente vai estar com neve! Mas posso estar falando merda haha. No verão foi suavíssimo! Tenta ler uns relatos de setembro! Abção!

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  • 2 semanas depois...
  • Colaboradores

Oi Victor, parabéns pelo relato! Estou pretendendo fazer esse roteiro ainda em 2018 e com certeza ajudará muito.

Dois questionamentos: 1. Com quanto tempo de antecedência você comprou as passagens e reservou a hospedagem?

2. Você chegou a cogitar colocar Ushuaia no seu roteiro? Estou pensando em fazer o mesmo circuito, porém na dúvida se vale a pena colocar Ushuaia, já que o passeio que mais quero fazer está em El Calafate (passarelas e mini-trekking).

Agradeço desde já :)

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  • Membros
Em 03/01/2018 em 17:08, victoralex disse:

Saravá, mochileiros!

Me sinto na obrigação de fazer um relato completíssimo aqui no fórum da viagem que fiz na Patagônia Argentina sozinho em dezembro de 2017, uma vez que 98% da trip foi inspirada em dois relatos aqui do Mochileiros! Esses daqui: Carol (https://www.mochileiros.com/topic/54824-trilhas-em-el-chalténel-calafate-10-dias-sozinha-na-patagônia-argentina-out2016/) e Rezzende (https://www.mochileiros.com/topic/57467-imensa-patagônia-ushuaia-el-calafate-el-chaltén-e-bsas-em-15-dias-fev17/). Vale muito e leitura além do meu relato!

Antes de tudo, assistam o vídeo compilado da viagem que eu fiz! B|

Gastos

Vamos começar com os gastos, questionamento mais frequente que eu tive. Fiquei 10 dias totais, sendo dois de deslocamento e 1 de descanso (essencial!). Aqui vão:

Passagem Aérea LATAM: R$ 1396,00

Seguro Viagem Assist Card: R$ 139,00

Passeio Minitreking Perito Moreno (já com entrada do Parque): R$ 738,00

Hostels EL Calafate e El Chaltén: R$ 463,00

Comidas, Cartão de Crédito e Extras: R$ 1000,00

Total com passagem aérea: R$ 3736,00

Total sem passagem aérea: R$ 2340,00

Eu ainda gastei uma grana com roupas e afins, mas nem vou contar como gastos dessa viagem porque trato como um investimento pras próximas haha!

 

Câmbio

Fiz o câmbio R$ - US$ no Brasil (300 dólares) e troquei para ARG$ no Aeroparque em Buenos Aires. Péssima ideia! Perdi uns 100 reais nessa bagunça, então o que eu recomendo, caso o real esteja forte, é trocar os R$ em espécie no aeroporto direto pra pesos! Maaas tava tudo na paz!

Hostels

Em El Calafate fiquei 2 dias no Bla! Guesthouse. Ele é bem centralizado, pertinho da avenida principal, com mercado perto, correios, bares e restaurantes. No geral bem confortável, com um café da manhã muito bom e bem limpo. Recomendo! Em El Chaltén, optei por retornar todos dias para o hostel ao invés de acampar, já que não tinha experiência. Foi no Condor de Los Andes, hostel bem confortável também, no entanto com um café da manhã bem mais ou menos, mas pelo menos tava incluso! Recomendo!

Condicionamento Físico

A história dessa minha viagem é bem legal. Um dia estava no trabalho e já estava procurando coisas pela América Latina para viajar no fim do ano. Eis que me aparece um pop-up da Laguna Los Tres, um dos lugares mais incríveis que vi nessa viagem, e cliquei. E foi batata: No dia seguinte, após passar o resto do dia inteiro lendo sobre a Patagônia estava comprando passagem aérea na loucura! A ideia era fazer as trilhas e ver o Minitrekking. Depois que me dei conta: "Será que você consegue fazer as trilhas, Victor?". Eu estava estudando pra um concurso em setembro (tudo isso foi em junho) e estava desde fevereiro paradão (sempre gostei de correr!). Então, depois do concurso, passei outubro e novembro treinando todos os dias resistência, e consegui perder 4kg e ficar com uma resistência bem boa! Fiz uma média de 21,3km diários nos 10 dias de viagem, então é uma trip que requer sim um bom condicionamento. Mas dá! Só não vá sedentário haha.

Roupas

Li nos relatos que me baseei que uma roupa impermeável era essencial, além de um fleeche e um anorak. E realmente foram! A Patagônia é uma loucura, então o tempo muda de pato pra ganso...do tipo tá muito calor um dia e do nada começa a ventar, ainda com sol, mas o que te faz usar um corta-vento. Não usei luvas nem cachecol, e não peguei nenhum dia de chuva! Mas sempre bom se prevenir com um anorak impermeável. Usei bastante também bandana/protetor de pescoço, pra proteger orelha de queimar, cabeça. Sobre sapatos, peguei uma bota impermeável do meu pai, que durou UM DIA. Depois a sola começou a descolar, e tive que comprar aquelas colas de sapateiro. Mas não aguentou a viagem toda! Minha última trilha em Chaltén foi com um tênis emprestado, e fiz 3km da penúltima trilha de meia! Fiquei arrrependido de não ter levado um tênis de corrida, dava total! Comprei ainda um bastão de trekking que AJUDOU MUITO, principalmente nas descidas das trilhas de Chaltén! Só coprem! Não é necessário o par, um já basta, até para deixar uma das mãos livres!

Roteiro

A viagem aconteceu entre 4/dez e 13/dez de 2017. Aqui vai o roteiro:

Dia 1 - 4/dez/2017: Deslocamento: 08h00 Voo SP-Buenos Aires

                                                               15h40 Voo Buenos Aires-El Calafate

Cheguei umas 17h30 em Calafate, e já na semana anterior à viagem, o pessoal do hostel ofereceu um serviço de transfer do aeroporto pra lá poe 150 pesos! Foi ótimo e já tinha uma plaquinha me aguardando (mór daora). Nesse dia, ainda conheci o Steffen no transfer, um alemão que falava português fluentemente, e fomos tomar uma breja e comer uma pizza de boas, já que no próximo dia ia fazer o Minitrekking em Perito Moreno.

Dia 2 - 5/dez/2017: Minitrekking Perito Moreno: 10,6km andados, dia inteiro

Tinha reservado o passeio com a Hielo y Aventura duas semanas antes. Li nos relatos que o passeio lota, e como são grupos pequenos, é melhor reservar sim! A empresa tem o monopólio do turismo no Glaciar, então qualquer passeio que comprar de outras agências estará comprando deles! Melhor fazer diretão então, né? E como um bom monopólio, eles levam o preço láa em cima, devem ter visto nos gastos no início do texto! Mas como sabia que não voltaria pra Calafate tão cedo, achei que valia a pena. E valeu! Andar no gelo é sensacional. O passeio dura o dia inteiro, e você fica umas 2h horas andando na geleira. Mas ainda visita o parque, fica nas passarelas vendo os gelos caírem. E é SÓ no Minitrekking que eles servem o whisky na própria geleira! Fiquei sabendo que no Big Ice eles servem no barco apenas. O passeio é muito bunito e faz um barulhão da porra todo aquele gelo escorregando montanha abaixo!

Eles te buscam e te deixam no hostel, então é show de bola!

No fim do dia, ao voltar pro hostel, conheci três garotas de Brasília gente finíssimas! Fomos tomar uma breja junto com o alemão lá de noite e ainda iria encontrá-las em Chaltén no dia seguinte! Em Calafate, os bares que valem a pena são os de cerveja artesanal, mesmo preço da Quilmes de supermercado!

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Dia 3 - 6/dez/2017 - Ida para Chaltén + Miradores de Las Águilas e de Los Condores: 18,5km andados, 40min ida e 40min volta.

Comprei o busão pra Chaltén de manhã, no próprio hostel, pra sair as 13h da rodoviária de Calafate. Paguei $600 pesos. E fui enganado! Descobri que tinha van por $450 pesos na própria rodoviária. Mas o busão que eu peguei era "de elite", tinha dois andares, lugar pra deitar...foi bem confortável, mas pegaria a van de boas. Tanto que na volta peguei. A empresa van é a Las Lengas! (http://www.transportelaslengas.com/es/).

Antes de ir, passei a manhã na vila, mandei uns cartões postais e o mais importante: fiz compras. Fiquei sabendo que os mercados da vila de Chaltén são caríssimos, então comprei em Calafate 1 pacote de pão de forma, uma lata de atum, cream cheese, frutas e barrinhas de cereal. Basicamente essas foram as minhas refeições nos 6 dias de Chaltén! Melhor rolê!

Chegando em Chaltén, umas 16h30, o busão para no centro de visitantes para explicar as regras da cidade, como a água é potável, cuidado com os animais (inclusive pumas!), etc. Fiz o check-in no hostel e já peguei minha mochila de ataque, bastão de trekking, a GoPro e parti pros Miradores Águilas e Condores, que ficam pertinho da cidade. Como era verão e anoitecia às 23h, tava suave para ir! Achei ótimo ter um panorama do que ia ver nos próximos dias de trilha, já que além da vila dava pra ver um aperitivo do Fitz Roy e do Cerro Torre.

A noite ainda encontrei as meninas de Brasília e ficamos tomando vinho barato no hostel delas!

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Mirador de Los Condores!

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Mirador de Las Águilas!

Dia 4 - 7/dez/2017 - Laguna Los Tres (Fitz Roy): 40,7 km andados, 4h ida e 6h volta (me perdi e fiz um caminho mais longo haha)

E chegou o dia do graande motivo de ter escolhido a Patagônia de viagem! Aquele pop-up da Laguna Los Tres virou realidade! Fiz a ida pela Hosteria El Pilar, em que você pega uma van que sai do seu hostel e te deixa na Hosteria, onde tem o início de trilha. A volta foi na trilha que chega na cidade, só que eu consegui a proeza de ME PERDER e perceber depois de uns 8km andando na trilha alternativa. Calma, detalhes virão haha. O caminho na ida da Hosteria é muito bonito, você passa pelo Glaciar de Piedras Blancas, coisa que não faz quando vai pela vila. Além disso, o caminho é bem plano em comparação com a ida pelo caminho da vila, o que é essencial já que no fim da trilha, para subir até a Laguna Los Tres, é uma subidona do baralho! Cheio de pedras e beem íngrime. Então poupe energia! Aliás, aqui que percebi o quão o bastão de trekking foi ótimo. Parabéns aos envolvidos!

Chegando na Laguna vem o baque: que lugar espetacular! O azul do lago é muito mais azul que o pop-up que eu vi! O tamanho do Fitz Roy é muito maior que a tela do laptop! E o lugar é o paraíso da calma. Claramente me emocionei ao bater o olho pela primeira vez, é inacreditável. Pensar que estava realizando aquele sonho, depois de um ano tão corrido, dando um presente pra mim, viajando sozinho...sem palavras. Fiquei das 13h às 17h30 naquele lugar, não dava vontade de sair! E como um bom brasileiro, apostei com uma garota da Nova Zelândia, a Lucy, que conheci lá em cima da Laguna que ela não nadava comigo naquela água gelada. E nenhuma surpresa: CHALLENGE ACCEPTED, a moça era tão sem noção quanto eu! E láa fomos nós nadar a 0º num dos lugares mais bunitos que já vi! 

Fiquei trocando ideia com um povo do hostel que encontrei lá também, todos viajando sozinho e eles começaram a voltar lá pelas 16h. Quis ficar um pouco mais, e como estava planejando 4h de trilha de volta, tava tranquilo, teoricamente chegaria às 21h, de dia ainda! Mas senta que lá vem história!

Fiz a primeira parte da volta tranquilo, caminho certo. Até que tem uma bifurcação: de um lado, Chaltén pelo caminho da vila, do outro uma trilha que conecta a trilha pra Laguna Torre com a da Laguna Los Tres. E o que o panguão aqui fez? Claramente entrou errado. Só fui perceber que estava completamente perdido 2h depois, no meio do caminho do Cerro Torre. E isso eram 20h30...Ou seja, tinha 2,5h a mais de sol pra fazer um trecho de trilha que demora umas 3h haha. Imagina um maluco correndo, sozinho, descida abaixo no caminho de volta do Cerro Torre, morrendo de medo que um Puma aparecesse de noite haha. Graças aos deuses patagônicos, 22h50 estava chegando em Chaltén, num pôr-do-sol espetacular, de presente pro perrengue. Aí tá a explicação dos mais de 40km andados nesse dia! Salve o verão patagônico!

O legal é que, por conta desse caminho alternas que eu fiz, acabei conhecendo duas lagunas que não estava planejando visitar! A Laguna Madre e Hija! E particularmente as achei muito mais maneiras que a Laguna Capri, que conheceria no dia seguinte!

A noite encontrei o povo que conheci lá no pico e ficamos tomando umas cervejas e dando risada do perrengue haha. Bora descansar que no dia seguinte também tinha trilha!

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Caminho pela Hosteria El Pilar! Esse é o Glaciar Piedras Blancas

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Mergulho a 0º!

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Pensem num lugar da paz!

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Laguna Madre e Hija, que conheci só porque me perdi! Haha

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Pôr-do-sol às 22h50, pós perrengue!

Dia 5 - 8/dez/2017 - Chorrilho del Salto + Laguna Capri: 24,5km andados, o dia inteiro andando.

Depois da aventura dos 40km rodados no dia anterior, optei por algo mais leve: Primeiro fui com o pessoal que conheci na Los Tres pra Chorrilho del Salto, uma cachoeira que fica 1,5h de trilha da vila. Foi bem de boa, a cachoeira é bunita, mas nada espetacular. Mas vale a pena, principalmente algum dia que você quer pegar leve! O pessoal só fez ela no dia, mas eu, o panguão, como errei o caminho no dia anterior, ainda não tinha conhecido a Laguna Capri! Ela normalmente se faz na volta da Los Tres, já que fica no caminho pro Fitz Roy via trilha. E lá fui eu sozinho ver a dita cuja. A subida da trilha pela vila é realmente bem íngrime no início, por isso que o povo faz pela Hosteria. A Capri fica no meio do caminho do Fitz Roy. No geral foi uma trilha tranquila, muita gente voltando do Fitz Roy, poucas indo.

Na volta, lá pelas 19h, estou passando cansadíssimo na avenida que sai da trilha e ouço uma garota começar a gritar no meio da rua "Victooooorrr". Era a Lucy, a neozelandeza que nadou comigo! Ela tinha feito a cachoeira de manhã comigo e tava com o Thomas, um belga, que também conheci no pico da Los Tres tomando uma breja no happy hour de um dos bares. Fui lá com eles, ficamos um pouco e ainda passamos no mercado, compramos um macarrão e comemos no hostel os três. Mais uma vez demos bastante risada do perrengue.

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Chorrillo del Salto!

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Laguna Capri! Nada demais, mas vale o passeio! Só não se perca!

Dia 6 - 9/dez/2017 - Descanso e passeio pela vila: 4,1km andados

Tantos km andados até então, me dei um dia de descanso, já planejado quando estava programando a viagem. Mas como me sentiria um inútil ficar no hostel o dia inteiro, dei um passeio de 1h na vila, atrás de uns souvenirs..mas acabei comprando uma bandana do Fitz Roy e um mapa topográfico da região pra enquadrar! Melhor souvenir! Foi o único haha. De resto, hibernei a partir das 20h.

 

Dia 7 - 10/dez/2017 - Loma del Pliegue Tumbado: 27,5km andados, 4h ida e 4h volta.

Aí tava o segundo lugar que queria mais ver! Saí cedinho no domingo dia 10 pra fazer o Pliegue Tumbado, que é um vale imenso que dá pra ver a Laguna Torre de cima, além de conseguir ver todas as montanhas de Chaltén. É espetacular! E a trilha é bem legal de se fazer. A ida é constantemente íngrime, mas nada de morrer. Apenas inclinada. Mas o mais louco é que você passa por váarios ecossistemas no caminho. Saí no deserto, passa por uns lagos, uma floresta cheio de árvore, um campo de pampas e termina numa área de montanha cheia de pedra. É muito legal mesmo! Gostei mais desse caminho do que o caminho para a Laguna Los Tres! O mais engraçado que o povo não bota muita fé nessa trilha por não ter uma própria laguna, mas pra mim foi pau a pau com a Laguna Los Tres! Por conta disso, o lugar é vazio. Fiquei sentado lá um tempão, almoçando, e tava um solão de invejar!

Depois de 1,5h sozinho lá em cima, quem surge? O Thomas, o belga que conheci no Fitz Roy. Ficamos trocando uma ideia até umas 16h, quando resolvemos voltar. Nesse dia, fomos comer uma carne com um americano, o Ilan e duas amigas americanas dele, a Ellie e Christine! Não é que nos demos tão bem que a Ellie e a Chris foram fazer a Laguna Torre com a gente no dia seguinte!

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Pliegue Tumbado!

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"Pulo" Tumbado!

 

Dia 8 - 11/dez/2017 - Laguna Torre: 23,1 km andados, 4h ida e 4h volta

E chegou o último dia de trilha! Fomos eu, as duas americanas e o belga fazer a Laguna Torre. O dia tava sol, mas tinha uma nuvem bem em frente ao Cerro Torre! Então não dava para ver direito. Mas tudo bem, já que tinha visto o pico com uma clareza especular no dia anterior, do Pliegue Tumbado. Fazer a trilha com eles foi engraçado, as meninas eram divertidíssimas. A Laguna Torre não é tãaao massa quanto a Laguna Los Tres, tem uma cor diferente, mais opaca, mas o lugar é muito legal! Vale o passeio. O engraçado é que já tinha feito metade do caminho no dia que me perdi haha. E pude ver o QUÃO longe eu tava quando percebi que estava perdidão. Só alegria!

E ahh, mais uma vez, virei pra americana, a Ellie e a desafiei para nadar comigo na Laguna Torre! Não deu outra, assim como a Lucy, a americanazinha do Colorado era doida também e láa fomos nós pular na água, cheio de icebergs! Sim, eu zerei as lagunas nadáveis de Chaltén!

A noite fiz um jantar pra todos no hostel e ficamos tomando vinho de caixinha! Melhor rolê!

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Laguna Torre com icebergs e nuvem no Cerro Torre!

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Eu e Ellie no verão patagônico de 0º!

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Magnífica Chaltén!

 

Dia 9 - 12/dez/2017 - Deslocamento para o aeroporto de Calafate + Voo pra BsAs: 2,6km andados

De manhã um café da manhã show com o pessoal antes de pegar a van Las Lengas direto pro aeroporto de El Calafate. O voo saiu às 17h30! Cheguei em BsAs, no Aeroparque umas 20h30. Tinha que trocar de aeroporto, já que o voo pra São Paulo saía de Ezeiza, que é o aeroporto "longeparacaraleo" da cidade. Mas foi batata: 200 pesos (o que dá uns 40 reais) o busão entre os aeroportos, demora uns 50min a viagem. A cia que usei foi a ArBus, empresa que além do translados entre aeroportos, também faz translados dos aeroportos para o centro da cidade, entre outros bairros. Achei ótimo! Sei que o Tienda Leon também faz, mas é mais caro! Viagem bem confortável, e dá pra comprar na hora!

Chegando em Ezeiza, já fui pro embarque e arranjei um cantinho para dormir até o voo sair às 4h da manhã. Dica: vá para os últimos portões, depois do portão 12, que tem umas cadeiras inclinadas e com encosto grande! Perfeito pra dormir!

O dia "10" foi apenas a chegada em SP, nada além disso.

 

Conclusão

Essa viagem, até agora, foi a viagem da minha vida, com absoluta certeza. Foi minha primeira viagem sozinho pra turismo apenas, de contato com a natureza a todo momento, numa paz inexplicável e com um sentimento de dever cumprido após um ano MUITO corrido. Cada momento que passei por lá foi de reflexão e autoconhecimento, de forma que voltei alguém muito mais de boas com a vida. Voltei com um sentimento de querer conhecer mais lugares de natureza (Atacama, Salar, além da própria Patagônia Chilena e o resto da Patagônia Argentina, além dos inúmeros parques nacionais aqui do Brasil). Emagreci 2kg na viagem, me sinto muito mais disposto depois de andar tanto e voltei querendo tornar o trekking um hobby na minha vida. E vai acontecer! Já estou planejando um trekking pro Pico da Bandeira pra 2018.

Espero que eu tenha ajudado a dar um norte pra viagem de vocês e cara, se estão nessa vibe de fazer trilha mas estão com medo de elas não terem guias, não terem condicionamento, medo de viajar sozinho, DESCONSTÓI, TREINE e SÓ VAI! Não se arrependerá!! E responde aqui postando o relato que vou ler com certeza!

Aqueele abraço pros leitores e partiu mais uma viagem! Salve a Argentina e Salve a Patagônia!

 

 

 

 

 

 

Muuuito legal seu relato, eu e meu marido estamos nos baseando nele para ir agora em dia 12 de fevereiro, gostaria algumas dicas de roupas levar, que tipo de jaqueta e calça, precisa daquelas segunda peles? a mochila de ataque que tamanho? esse tipo de coisa... Obrigada ;) 

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4 horas atrás, carolina L. cadaval disse:

Muuuito legal seu relato, eu e meu marido estamos nos baseando nele para ir agora em dia 12 de fevereiro, gostaria algumas dicas de roupas levar, que tipo de jaqueta e calça, precisa daquelas segunda peles? a mochila de ataque que tamanho? esse tipo de coisa... Obrigada ;) 

Oi Carol!

Sobre roupas, eu até levei segunda pele, mas não usei! Nem luvas e cachecol! Dezembro ficava em torno de uns 15-20 graus de dia e de noite uns 10!. Mas ventava, por isso recomendo o corta-vento. Acredito que fevereiro vai estar bem parecido o clima! A calça eu usei aquelas de tactel de trilha da Decathlon que viram bermuda, e foi ótimo! Fiz a maioria sem a parte de baixo! Sobre a mochila de ataque, levei uma mochila normal, de uns 10L. Deu pra usar tudo tbm! Levava dentro comida, um kit de primeiros socorros, fleece e camera+carregador! Mas de resto, uma corta-vento tá de ótimo tamanho, além do fleece.

 

boa viagem!!

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                A chuva não dava trégua, mas mesmos assim jogamos nossas mochilinhas com o necessário no porta malas do carro e partimos para o bairro Canta Galo, um amontoado de casas junto às margens do Rio Guaxinduba.  Quase 2 km depois de sairmos da Rio-Santos passamos em baixo  do viaduto gigante que fará parte da duplicação da Tamoios e em mais 1 km de estrada desembocamos enfrente à uma estação de tratamento de água da Sabesp, mas logo notamos que nosso caminho ficava uns 300 m antes, uma estradinha entrando na mata. Paramos o carro em uma clareira porque nossa jornada motorizados acabara de chegar ao fim.
                Jogamos as mochilas nas costas e partimos. Ainda chovia um pouco, mas nossa euforia fazia com que desprezássemos esse sofrimento e então nos adiantamos a passos largos, firmes e decididos. O Thiago à frente, esbanjando toda vitalidade dos seus trinta e poucos anos e eu, é claro, tive que me manter firme, consumindo litros de oxigênio para me manter colado nele e não tentar demonstrar as fraquezas dos meus 50 anos nas costas. Minutos depois a estradinha acaba junto a algumas casas e entra numa trilha onde um riacho faz barulho de água boa, mas já estávamos abastecidos e só fizemos seguir atropelando metros e metros. Passamos por um bonito descampado, que rapidamente também é deixado para trás, até nos embrenharmos definitivamente na floresta sombreada.
                Quando entramos nessas trilhas não encontramos nenhuma placa de que o acesso fosse proibido, tão somente havia algo dizendo ser uma área em recuperação e como era uma trilha bem larga, supomos ser bem usada pelos nativos ali da região. E é realmente uma trilha encantadora, com árvores gigantes que nos surpreendem a cada metro percorrido, por ainda estarem de pé tão perto da civilização. A trilha apesar de bem larga, vez ou outra se bifurca e confundi a nossa cabeça e alguns perdidos nos leva às margens do rio, muito provavelmente serviria para acessar algum poço ou cachoeirinha mais turística, mas como o rio está bufando, não nos pareceu valer a pena descer para conferir, então retornávamos e seguíamos por onde nos parecia ser a direção correta, mas bem menos de 1 km depois de começarmos a caminhar, fomos obrigados a nos determos por um instante para prestarmos continência a um espetáculo que a natureza nos reservou : Um exemplar de uma árvore gigante faz com que nossos queixos despenquem das nossas caras. Eu não saberia dizer que árvore seria aquela, não sou botânico e sinceramente não tenho lá grande conhecimento a respeito desse assunto, mas me pareceu ser uma Figueira Brava ou uma Samaúma, mas é puro chute, então se alguém souber o nome que me corrija, mas o certo é que não é possível passar diante de um monstro desse e não sair de lá encantado.
       
                Nossa caminhada segue a passos cada vez mais firmes, alternando pequenas descidas e subidas, mas nada em excesso e uns vinte minutos depois, um clarão surge no meio da floresta verde e junto a um afluente do rio, tropeçamos numa cachoeira enorme que nem esperávamos encontrar. E era realmente grande, uns 20 metros de queda, talvez um pouco mais, talvez um pouco menos, mas o simples fato dela cruzar o nosso caminho, já foi motivo de uma comemoração pelo prazer de tê-la encontrado , tão alta e em tão pouca altitude  e sem saber o nome ainda, mas muito provavelmente ela deve ter um, como referencia vou chamá-la de CACHOEIRA DO PAREDÃO até que eu descubra o verdadeiro nome. E esse nome fictício só me veio à cabeça porque logo à frente, pouco antes de desembocarmos definitivamente no rio, somos apresentados a numa parede gigante, uma muralha de pedra deslumbrante.

                Abandonamos, portanto a cachoeira e passamos raspando na parede e em um minuto caímos no Rio Guaxinduba, mas agora em definitivo. O rio está cheio, mas a chuva quase cessou por completo. Estamos agora bem de frente de outra CACHOEIRA, não tão grande como a anterior, mas com um volume grande, confinado num tubo que forma um salto para dentro de um poço profundo, com a água um pouco escura, mas ainda assim muito limpa. Aqui é mais ou menos a cota 260 de altimetria e é o lugar onde a trilha acaba em definitivo, mesmo porque, agora estamos diante de uma garganta que fecha o rio num amontoado de rochas gigantes, fim da linha para os turistas, daqui para frente é só quem se atreve a botar a faca nos dentes , num caminho incerto, perigoso, é o lugar que separa os homens dos meninos, é hora de aceitar o convite para a aventura.

                Nossa aposta de que esse seria o lugar onde o rio estaria bloqueado foi um acerto um tanto óbvio pela nossa experiência nesses longos anos de exploração selvagem. Num primeiro momento, eu e o Thiago trocamos ideia sobre a possibilidade de escalarmos as grandes rochas, mas era uma subida um tanto exposta com a pedra molhada pelas chuvas recente. Até daria para dar um bote de cima de uma grande rocha e se agarrar à outra, mas um erro de calculo e o escalador seria jogado para dentro da fenda e ali seria moído pela rocha áspera. Então a decisão sensata era, depois de atravessar o rio, ganhar uma canaleta do lado direito e abrir uma passagem para o alto e estando mais acima, varar mato de volta para o rio. E foi isso que fizemos e em poucos minutos retornamos à parte alta dessa primeira cachoeira, justamente de frente para uma cachoeira bem peculiar, onde a água despencava no meio de grandes pedras suspensas e ao nos aproximarmos  dela , um colônia de andorinhas barulhentas nos deu as boas vindas e por também não sabermos o nome, resolvemos marcá-la no mapa como CACHOEIRA DAS ANDORINHAS, mesmo não sendo um nome muito original, foi o que pensamos na hora.

                Paramos por um tempo para apreciar a cachoeira e tomar um gole de água. Uma analise fria já nos diz que escalar a cachoeira não é possível e muito menos viável cruzar para a margem esquerda do rio, então só nos restava a velha tática de varar mato. Também do lado direito foi que descobrimos uma abertura que nos levou rapidamente até o pé de uma parede íngreme, mas que surpreendentemente formou uma escada de raízes no barranco, onde apoiávamos primeiro as mãos e depois os pés até nos elevarmos a parte superior da Cachoeira das Andorinhas, varando um mato cheio de espinhos e descendo desescalando pedras lisas até o rio. Estávamos bem de frente a uma ilha no meio do rio e do outro lado nos pareceu haver mais uma grande cachoeira e para la chegarmos , tivemos que desenrolar uma travessia de meio rio, antes mesmo de pularmos para o meio da ilha, onde bem perto , mais uma cachoeirinha despencava.
                Cruzamos o rio nos valendo de algumas partes mais rasas, mas mesmo assim com a água quase pela cintura até ficarmos bem de frente com a cachoeira maior que buscávamos. Não era tão alta, mas despencava de forma bem peculiar, com um pequeno tobogã encima que fazia com que ela se transformasse num chuveiro e ao seu lado o rio saltava em mais um cachoeirinha, formando um cenário agradável  e mais uma vez, sem saber se existia um nome, vou marcá-la como CACHOEIRA DO CHUVEIRÃO, nome não muito bonito, mas deve servir de referência.

                Pensei em continuar nossa jornada atravessando para o lado esquerdo do rio, porque me pareceu que seria fácil passar, mas logo o Thiago me avisa que mais à frente o rio se enfia num pequeno cânion, onde poderíamos ter problemas e insiste em nos mantermos no lado direito. Pulamos para a ilha e começamos a escalar algumas pedras íngremes até voltarmos para o rio, onde ariscamos passar numa parte profunda nos valendo de um apoio ao lado de uma parede do rio, cairmos novamente numa língua de mato e voltarmos para o rio na tentativa derradeira de chegarmos ao nosso objetivo principal.
                Não eram nem nove da manhã quando à nossa frente um clarão branco despencando de um paredão nos ofuscou os olhos. Ainda em meio às árvores e rochas, que nos fechava o caminho, essa visão ia se alternando entre ficar visível e sumir. Eu e o Thiaguinho nem conversamos sobre o assunto, apenas nos mantemos focados em escalar matacões gigantes, numa tentativa desesperada de ganharmos terreno o mais rápido possível. A chuva se foi, milagrosamente a água deixou de cair do céu e adentramos numa toca que era mais apertada quem o útero das nossas mães, mas passamos, encolhendo a barriga, mas passamos e emergimos do outro lado, aos pés de uma grande rocha. O Thiago foi à frente, abrindo caminho na quiçaça até se ver numa fenda entre duas pedras. Ele se equilibrou sobre um tronco de árvore podre, enquanto eu o avisava para que tomasse cuidado. Assim que ele passou, dei um salto e ganhei também o outro lado, e juntos, de cima daquela pedra escorregadia, saltamos para a gloria final, sobre um platô, de frente para o Objeto da nossa conquista pessoal.
                Diante nos nossos olhos, em toda sua magnitude e esplendor, muito mais bela do que poderíamos imaginar, um turbilhão de água saltava de cima da  parede, primeiro vindo de um tobogã de uns 200 metros , depois caindo no vazio de uma altura mais ou menos de uns 30 ou  35 metros no total. Uma cachoeira se espalhando sobre a parede, onde parte do seu véu se ocultava atrás de uma grande rocha. Recebendo suas águas, um laguinho se esparramava até onde estávamos e mesmo com o rio cheio pelas chuvas recentes, ainda assim a água continuava bonita e bem apresentável. A força da água se jogando da montanha formava uma névoa sobre nós e o vento balançava a vegetação ao nosso redor, nos fazendo sentir um pouco de frio, mas pouco nos importava, a cachoeira GRANDE DO GUAXINDUBA  era nossa, apenas dois aventureiros abobados, inebriados, testemunhas oculares de um espetáculo e se mesmo sabendo ser provável que não sejamos os primeiros a pisar ali, felizes estávamos por termos certezas que era uma visão presenciada por não mais de meia dúzia, então não nos restou outra coisa, senão  nos abraçarmos e comemorarmos o sucesso daquela empreitada.

                   O Thiaginho estava eufórico, um menino hipnotizado pela descoberta bem no quintal de casa. Eu fiquei ali, parado , estático, sentindo aquele momento e feliz por ter me levantado daquela cama quentinha hoje pela manhã. Mas é preciso contar o resto desta história e não deixar passar nada do que presenciávamos ali naquele momento. Se já não bastasse aquela cachoeira, que fechava o vale com uma beleza inenarrável , ao lado dela, despencando de um afluente do lado esquerdo, outra queda d'água formava o cenário perfeito, uma união de dois acidentes geográficos numa obra de arte da natureza que não precisava de retoques. Nossas cabeças rodopiava entre um cenário e outro , mas antes de perdermos o foco diante de tão deslumbrante cenário, nos sentamos para não cair e aproveitamos para comermos algo , ali mesmo ao lado dessa outra queda, que aqui temporariamente chamo de PEQUENA DO GUAXINDUBA e assim marcamos no mapa, mais uma na nossa lista de lugares perdidos no Lado Escuro da Serra do Mar Paulista.

                Chegamos no lugar onde havíamos deslumbrado chegar, mas sendo ainda muito cedo, resolvemos esticar ainda mais a aventura. Decidimos por escalar o grande paredão para tentarmos chegar ao alto da Cachoeira Grande. Analisamos o terreno e era fácil supor que pela direita seria impossível passar, diante de uma parede de quase  noventa graus de inclinação, então só nos restava fazer um ataque pela esquerda, não da cachoeira grande, mas ao lado da pequena , a cachoeira do afluente. Usando nossa técnica inovadora de nos segurarmos em tudo e qualquer coisa que aguentasse nosso peso, nos pomos a nos elevar parede acima até ganharmos o alto do afluente e transpor suas águas, ganhando terreno lentamente, varando mato, escalando outros tantos de pedras escorregadias até firmarmos uma diagonal e voltarmos novamente para o leito do rio principal, bem acima de onde as águas se jogavam no vazio.

                Estamos agora encima do olho do furacão, uma rampa inclinada de impressionantes cerca de 200 metros, um tobogã descendo numa pedra lisa com não mais de dois palmos de água, mas numa velocidade "maior que a da luz". Eu e o Thiago até deslumbramos a possibilidade de poder descer em uma parte da rampa, onde o rio se projeta em um poço, mas a velocidade era tamanha que poderia nos jogar não para fora do poço, mas para fora da via láctea, então deixamos quieto. Lá do alto, era possível avistar paisagens a beira mar, montanhas e formações rochosas, mas por causa do tempo instável, não conseguimos ver o oceano dessa vez . 

                Chegamos aos 500 metros de altimetria, poderíamos ter seguido subido o rio, mas nos demos por satisfeito, ainda mais porque não estávamos preparados para passar a noite com conforto, então antes das 10 da manhã, resolvemos optar pela volta, havíamos cumprido o objetivo que havíamos traçado quando nos levantamos da cama quente pela manhã e enfrentamos tempo ruim atrás de mais uma aventura autentica. Por sorte a chuva parou, o tempo abriu e quando retornamos para o pé da CACHOEIRA GRANDE DO GUAXINDUBA, ela estava ainda mais deslumbrante e o Thiago resolveu fazer as honras da casa, se jogando para debaixo dela, lavando a alma, enquanto eu o observava lá de fora, contente pela felicidade do amigo.

      Quando o Thiago se cansou de tomar banho de cachoeira, apanhamos nossas mochilas e partimos de volta, mas dessa vez, num ritmo muito maior, ainda porque, o rio estava um pouco mais baixo e já conhecíamos as passagens chaves. Fizemos uma pequena parada na Cachoeira das Andorinhas para um breve lanche, ganhamos novamente o vara-mato que nos levou de volta a trilha, assim que atravessamos novamente o rio para sua margem direita, agora de quem desce e aceleramos o passo, num perde e acha até que subitamente desembocamos na estrada, junto a clareira onde havíamos deixado nosso veículo, missão cumprida.

               
                Antes das 14 horas, estacionamos nossos corpos na Praia do Capricórnio em Caraguatatuba, foi uma caminhada linda, deslumbrante. Eu e o Thiago imprimimos um ritmo de gente grande, voamos rio acima, fomos comendo mato e destruindo altimetria como nunca e levamos 7 horas de caminhada entre ir e voltar. Na manga, mais uma descoberta, numa serra que não para de nos surpreender, lugares onde poucos pés humanos ousaram tocar, um paraíso reservado a um seleto grupo de exploradores , onde a natureza cercou e pela dificuldade de acesso, continuará lá , preservado por muito tempo, sendo mais uma entre tantas outras nessa SERRA DO MAR PAULISTA, a serra que tem cheiro de aventura.
               
    • Por Jonas Silva ForadaTribo
      2020 ano imprevisível. Ficamos a deriva desde fevereiro. Toda a temporada de montanha foi se embora, as viagens minguaram. Precisamos recorrer a destinos não antes planejados.
      Foi assim que topamos com a Ferrovia do Trigo, como descrevi em relato anterior, conseguimos fazer um circuito pelo Campo dos Padres em setembro e cinco dias antes de sairmos para a Serra Geral catarinense, recebemos um convite para fazer o trekking Guaporé Muçum. É claro que já havíamos ouvido falar e lido algum relato, mas não estávamos muito iterados sobre. Não gosto de perder oportunidades, então, após uma lida rápida em um relato e olhadela no wikiloc aceitei a proposta. O trekking não tem muito segredo é autoguiado, e a logística também é tranquila.
      Chegando ao Início
      De Urubici descemos por Lages, Vacaria até Muçum. A viagem já foi um charme, depois de Vacaria, entrei em uma área  de vinhedos e colonização italiana (Ipê, Antônio Prado, Nova Prata etc.) com muitas capelas, colinas e construções majestosas. Acredito que faça parte de alguma rota turística, mas como não conheço muito do RS né. Resumindo, estou pensando em voltar para lá fazer um tour bem longo.

      Saímos em Guaporé e fomos dormir em Muçum, no Hotel Marchetti, talvez seja o único da cidade. Fizemos um acordo com o proprietário que permitiu deixarmos o carro por ali, sob supervisão dele. E diga se de passagem o rapaz foi nota mil, além de zelar pelos carros, o hotel é fantástico, dá show em muito Ibis por aí. Excelente atendimento, limpeza impecável e o café da manhã top.
      No dia seguinte pegamos o ônibus suicida para Guaporé. A viagem foi uma história. Começou quando perdi a passagem, e tive de entrar no ônibus sem ela, ainda bem que o motorista não encrencou. Durante o trajeto nos contou muitas de suas peripécias, quando dirigia carretas, vários golpes em danceterias e restaurantes (talvez ele estivesse achando que eu estava dando o balão na passagem). De repente, a 90 km/h ele vira para a esquerda num portal dentro do vale, o coração quase sai pela boca. A conversa acabou até Guaporé (acabou o fôlego ou rezávamos para que não houvesse outro drift). Descemos na entrada de Guaporé, e a poucos metros já podíamos ver os trilhos.
      A Trilha
      Começamos a trilha, meio desconfiados com alguns carros de fiscalização parados ali na estação. Mas logo estávamos todos no ritmo dos dormentes. Os primeiros 6 km são monótonos, os passos ainda teimam em ser descompassados (é cada bicuda no trilho/dormente). Então começam os viadutos, e a direita o vale começa se exibir.

      Lá pelo terceiro/quarto viaduto já é possível ver o majestoso Rio Guaporé a bailar no vale. Surgem os primeiros túneis. Uns curtos, outros alongados, mas nada muito incrível. Topamos com a equipe de manutenção logo cedo, foi o teste que precisamos para ter certeza que não seríamos proibidos de passar por ali, afinal andar nos trilhos não é tão "legal" assim. Batemos um papo, tudo ok, seguimos.
      Já eram 14:00 quando chegamos no primeiro grande viaduto, vazado, muito alto e comprido. Cautelosamente passamos. Só fomos saber no dia seguinte que era o Mula-preta.

      Ali do lado tinha um sinal de acampamento, mas como era cedo e os destroços indicava fluxo de pessoas considerável, resolvemos seguir. Pouco tempo depois entramos num túnel infinito. Foram 40 min no meio do breu. Apenas os pontos de luz das lanternas indicava a existência de vida naquele buraco. Saímos do túnel de 2000 m já num local ideal para o pernoite. Uma estrada de caça ao lado da ferrovia, com sinal de acampamento, a poucos metros de um córrego de água limpa. Armamos as barracas, e só fomos acordados às 02:45 quando o gigante de aço rasgou a escuridão com seus olhos de fogo e silvo de dragão.
      No dia dois, começamos a caminhada era idos 07:00. Mais alguns túneis e chegamos no Viaduto Pesseguinho (esse possui placa de identificação), de posse dessa informação já suspeitamos que aquele do dia anterior era o Mula-preta.

      Quando estávamos parados para tirar algumas fotos e recuperar o fôlego fomos surpreendidos por um senhor vestidos de militar. A abordagem foi bem categórica:
      - Os senhores sabem que é proibido andar nos trilhos? - Indagou o militar.
      - Sim senhor, está escrito em letras garrafais na placa ali da entrada do viaduto. - Respondo em tom bagual, hshs.
      - Então o que fazem aí em cima? - Retrucou o homem.
      - Estamos a fazer a travessia. - Mudei o tom, para não criar problemas.
      Logo de início tinha percebido que o 'militar' era proprietário do camping ali embaixo. Ele frustrado com o movimento veio desabafar. Tentou aplicar um sermão, falando que a polícia estava prendendo e que haviam câmeras na entrada, saída e no camping dele, que iria passar para a polícia e estaríamos encrencados. Ouvi pacientemente. Ele acalmou e depois esclareceu algumas dúvidas, contou alguns acontecimentos da travessia recentes, passamos quase 1h conversando (no final do dia fomo saber que esse proprietário costuma causar alguns problemas por ali, inclusive já foi preso por abordar trekkers armado).
      Passado essa lorota seguimos. Atravessando viadutos, mergulhando em túneis, eles estão por toda a parte. O Rio Guaporé a cada curva é mais bonito.

      Depois de passar pela Cachoeira da Garganta com muita gente, na altura dos 35 km paramos para almoçar. Como o maps.ME indica um cachoeira ali perto, não tive dúvidas, achei uma trilha e fui procurá-la com um dos parceiro. Andamos 2 km morro adentro até sair nas margens do Guaporé, lindo de águas turquesas. Mas nada da cachoeira, o pequeno resquício de água nem chegava no Guaporé. Desistimos de fazer a incursão pelo leito seco até a base da queda.


      De volta aos trilhos, passamos mais um viaduto e na entrada do seguinte, saindo para à esquerda tem uma cascata. Paramos para reabastecer e curtir um pouco.
      Cruzamos mais um túnel longo, com uma seção vazada, para sair no viaduto V13. Ao longo desse dia tínhamos passado por mais dois tuneis de aproximadamente 1km cada. No V13 dei razão para o milico, algumas centenas de pessoas desfilavam sobre os trilhos e dentro do túnel, tinham crianças, pessoas de mobilidade reduzida, bêbados, drogados, pessoas com caixas de bebidas e caixas de som, uma verdadeira zona. Imagina o perigo se o guarda trilhos ou até mesmo o trem se aproxima (há relatos recentes de situações bastante tensas envolvendo trens e pessoas irresponsáveis nos pontos de acesso fácil ao longo da travessia).
      .
      Nesse dia nós descemos os 1200 m até a base do V13 para dormir em um camping (Paraíso V13). Diga-se de passagem fomos muito bem recebidos, ate travesseiro teve gente que emprestou dos proprietários. No camping, além da área coberta para a barraca (acertamos em cheio) tem uma cachoeira nos fundos muito legal que vale a visita.

      Nosso terceiro dia amanheceu debaixo de água. Desmontamos o equipamento, cobrimos com capa de chuva e seguimos morro acima. A chuva não deu trégua. Era tanta água que não se podia ver de uma ponta a outra do V13.

      Com todo cuidado do mundo, os dormentes agora estavam liso, seguimos caminhando. Mais uma série de túneis, todos curtos. Outra série de viadutos, nenhum vazado. A paisagem estava perfeita, a umidade deixa as cores mais intensas, das encostas despencavam dezenas de cachoeiras sazonais, fruto da chuva impiedosa.
      Não demorou muito para se formarem grandes alagados nas margens do trilhos. Local para descanso e refeição somente dentro dos túneis quando não estavam alagados. Em um deles, paramos e de repente um ronco ensurdecedor entrou na escuridão, luzes seguiam nosso sentido contrário. Paramos no recuo, coração na mão, uma das luzes (tive a impressão) saiu dos trilho e veio pra cima, foram longos segundos, um filme passou na cabeça, pensei em tudo que perderia, quando então, a luz vira novamente para o outro lado e escuto gritos e buzinas. Eram duas motos de trilha. Não sabia eu se chorava, xingava ou agradecia.
      Adiante em outro túnel estávamos almoçando quando o limpa trilhos passou, fui uma correria só para as áreas de escape, não gosto de arriscar a canaleta, vi nesse ano um vagão (na serra do cadeado) arrastando um pedaço de madeira por dentro da canaleta.
      Seguimos adiante, o relevo muda, passamos por alguns cortes de rocha imponentes. E no último grande viaduto ainda avistamos um bando de macacos pretos (não consegui identificar a espécie), estavam todos agitados nas copas das árvores.

      A caminhada voltou a ficar monótona nos últimos 6 km. Apenas grandes poças de água, o Guaporé some no meio da vegetação e a única surpresa foi a reformada estação ferroviária de muçum. Muita gente termina por aí, chamando um táxi ou seguindo pelo asfalto.

      Nós optamos por caminhar pelos trilhos até o centro de Muçum, descendo logo depois do primeiro viaduto sobre a rodovia. No total foram 60 km, 22 túneis e 16 viadutos.
      Depois de um banho merecido, melhor de se secar, o banho já havia sido o dia todo, fomos fazer o desjejum na lanchonete principal da praça de Muçum para no dia seguinte retornar às terras paranaenses.
      No Youtube coloquei um vídeo que mostra um pouco mais do trajeto, https://youtu.be/-Odmah6b8rU
       
      Dados que podem interessar
      A ferrovia EF491 também conhecida como ferrovia do Trigo percorre entre os municípios de Roca Sales e Passo Fundo. Comercialmente pouco explorada, hoje serve apenas para transporte de combustíveis por escassas locomotivas, e a partir de 2020 passou a receber uma rota turística. Entre os municípios de Muçum e Guaporé, que engloba também Vespasiano Correa e Dois Lageados a estrada acompanha o Rio Guaporé, percorrendo uma série de túneis, vales e encostas. Nesse pequeno trecho de pouco mais de 60 km se concentram 22 túneis dos 34 da ferrovia e 16 viadutos dos 26.
      As principais atrações do trecho, que podem ser acessadas durante a travessia ou em caminhadas curtas ou ainda chegando de carro pelas estradas de manutenção da ferrovia, são:  
      Viaduto Mula-preta em Guaporé, possui 94 metros de altura, 360m de extensão e dormentes vazados, um desafio para quem tem ou não medo de altura; Viaduto Pesseguinho, também vazado, possui mais de 80m de altura e 368 de comprimento; Viaduto V13 com 143m de altura é o mais alto viaduto das Américas; Cascata da Garganta adaptação da engenharia onde um riacho mergulha para dentro da terra em uma cachoeira que flui abaixo dos trilhos. Está situada entre os viadutos Pesseguinho e V13; Túnel de 2km perfuração dentro do morro que percorres 2000 m entre os viadutos Mula-preta e Pesseguinho; Túnel vazado com cerca de 1300 m está na chegada do V13. A 300 m da entrada dele estão algumas aberturas (janelões) de frente para o vale do Rio Guaporé; Cascatinha ao lado da entrada do terceiro túnel segundo túnel depois da Garganta (sentido Guaporé Muçum), de águas límpidas e queda macia ideal para descanso; Cascata Bem Estar situada anexa ao Pesseguinho é acessível a partir do camping na base desse viaduto; Rio Guaporé visível em mais de metade da travessia. Um dos locais de acesso à suas margens fica entre o terceiro e quarto túneis a partir do V13. Existem ainda muitos outros locais interessantes para se visitar pela região, cascatas, rochas, vales e passeios. Só pegar a mochila estudar os roteiros e se jogar.
    • Por Fernando Leite
      Olá, pessoal. 

      Estou começando a pesquisar e planejar uma viagem tendo como destino principal Ushuaia. Estava pretendendo ir entre julho - outubro, dependendo de preço e condições de viagem nos lugares. Dei uma olhada em Bariloche também e estou vendo se seria possível (em uma viagem de até 30 dias) conseguir fazer Montevidéu -> Buenos Aires -> Ushuaia -> (aberto a sugestões de passeios e trilhas entre a parte argentina e chilena). 

      Gostaria de sugestões sobre a parte da volta, se alguém conhece algum outro destino legal e que dê para aproveitar um preço bom para a volta para o Brasil. Também estava avaliando se seria possível passar por Bariloche no rumo de volta de Ushuaia ou se não vale a pena. E a outra dúvida é se é realmente uma mal escolha de meses para ir para a Patagônia (pelo inverno). Alguém tem alguma contribuição? é minha primeira viagem internacional, então não tenho nenhuma experiência 🙃.

      Aliás, estarei saindo do Paraná.
    • Por Jonas Silva ForadaTribo
      Num dia qualquer eu navegava na rede quando em uma postagem alguém comentou: "que saudade dessa terra, ... avistar o horizonte do Morro dos Ventos". O nome do morro atiçou na hora minha curiosidade, já fiz um insight com "O Morro dos Ventos Uivantes".  Pesquisei sobre qual terra o comentário se referia: era bem próximo de onde moramos. O morro fica em Nova Tebas no Paraná.
      Revirei, na internet, com conhecidos, a fim de localizar as coordenadas do morro, mas encontrei apenas fotos e alguns relatos escassos sobre o lugar. Peguei uma carta topográfica da região a fim de localizar uma montanha imponente onde possivelmente seria o Morro. Fiz anotações, marquei alguns pontos, e decidi ir com a cara e a coragem, se não encontrar acampo em alguma fazenda e no outro dia voltamos.
      Tudo acertado, sairíamos de Águas de Jurema uns 20 Km do distrito de Poema minha referência para encontrar o Morro. Escolhemos fazer o percurso a pé, já que a carta desenhava inúmeros vales e montanhas, queríamos aproveitar a caminhada.
      Curiosamente, no penúltimo dia antes da partida um dos contatos que havia encontrado na internet e pedido informações à semanas já, me deu retorno, e então começou uma corrente de uma pessoa me indicar  outra que poderia saber me orientar a chegar no morro. Depois de passar por 5 indicações diferentes, cheguei ao nome de um morador. Este indicou outro morador que autorizaria a entrada na propriedade, já que, o objetivo fica dentro de uma área de pastagem, e claro não queríamos que lá pelas tantas da noite alguns cães famintos aparecessem.
      Saímos, eu, Bruna e o Anderson às 12:45 de Águas de Jurema, pegamos uma estrada, continuação da Rua H. Seguimos em frente por essa estrada, os primeiros quilômetros foram em estradas comuns - com exceção das laranjas, a cada km tinha uma laranjeira carregada, sempre seguimos à esquerda nos cruzamentos. Após 2 h de caminhada a paisagem começa a deslumbrar, o primeiro vale que avistamos tirava o fôlego.
      Sabíamos que atravessá-lo não seria moleza, apenas queríamos ir por ele e descobrir onde ia dar. Mais algumas horas e cruzamos em meio a duas colinas, num lado da estrada pitorescas moradias - nos causam uma pequena inveja - como queria morar lá.  Assim que contornamos a colina, mais um vale, dessa vez menor, mas não, menos incrível. Neste paramos em uma das casas pedir água - já que recusamos beber um trago, kkk. Dois senhores embriagados dormiam na estrada e quando foram acordados por nós convidaram para participar da bebedeira, kkkk. Na casa uma senhora simpática ofereceu água da bica, pura água da fonte. Sede controlada, cantis cheios, pegamos mais algumas mexericas na beira da estrada e partimos, já se iam quase 3 h na estrada.

      Quando chegamos em Poema já se passavam das 16:30, mais água e seguimos rumo a uma região conhecida como 400 alqueires, mais vales traçavam linhas tênues no horizonte. O sol já se ia, mais 1 h na estrada e avistamos a igreja uma referência que tínhamos. Levamos mais 40 min para contornar a colina e então chegarmos na casa que nos autorizaria entrar no Morro. O morador nos forneceu autorização e disse que poderíamos dormir ali, e apontou do outro lado da estrada um morro, que parecia modesto, visto tão de perto. Esperávamos um Morro imponente, que necessitasse de escalar e tudo, kkkk. Até ficamos surpresos com a sua modéstia. Após a porteira começamos uma subida de 10 min. Chegamos lá com o breu, vigiados pela lua lá no infinito.
      Fogueira feita, no meio de pedras para não ter perigo, entramos noite adentro contando histórias. Se tem recompensa maior que ouvir as pessoas ao redor de um fogueira, desconheço. Dormimos curiosos pelo visual da manhã seguinte. Confesso que desconfiados do tímido morro onde paramos.

      Foi só bater 5 h, levantei avivar a fogueira, e ... quase esqueço o fogo, fico de queixo caído. Além do vento que cortava a relva, um vale imensurável, com a minha barraca de frente. Fiquei mais tarde sabendo que se chama Vale das Mortes, não sei a origem do nome.

      Não demorou muito até todos acordarem. A foto daquele momento saiu com caras e dentes, e muitos cabelos rebelados.

      Recompensados pelo caminho do dia anterior, mais que recompensados, após apagar a fogueira, 8:00 começamos o caminho de volta. Tiramos uma foto do Morro dos Ventos, visto da estrada, nem parece o que é, só olhando para o Vale das Mortes dá de entender por que tem esse nome místico. Mais 5 h de caminhada, tênis do Anderson rasgado e amarrado com o cordão para não perder a sola, uma parada no Rio Muquilão para relaxar a musculatura e dar descanso para as mochilas. Estávamos nós novamente em Águas de Jurema, com mais uma história, não mais uma, mas a história da jornada ao Morro dos Ventos.



    • Por Jonas Silva ForadaTribo
      Havia tempos que o ponto culminante do meu estado e de toda a região sul estava no meu radar.
      Desde janeiro ajustando datas com meus parceiros, sempre aparecia um imprevisto e o Pico Paraná ia esperando. Em 20 de junho novamente fiquei sozinho, mas dessa vez, parti sozinho mesmo de Campo Mourão.
      Estava ansioso, pois queria chegar ao Pico Caratuva para acampar antes de anoitecer, afinal estava sozinho. Enquanto calçava a bota, o fiscal da Fazenda PP fez meu cadastro e cobrou singelos R$ 10,00. Enquanto ele foi buscar o troco troquei a camiseta, e nada de voltar com meus "nique" quando achei o rapaz: ele estava procurando um ser de camisa vermelha, kkkk, eu antes de trocar.
      Saí ansioso, às 16:10 o ritmo a partir da portaria são os Óreas (deuses da mantonha) quem determinam. Como estavam receptivos, em 25 min alcancei a bifurcação das trilha PP x Caratuva.

      À esquerda a trilha no começo estava bem ruim, com muitas árvores caídas exigindo manobras para passar sobre os troncos com a mochila carregada. Logo à frente, se dividia novamente, agora sem sinalização e sem sinal GPS. O faro indicava à direita. Porém já percebi que à direita também tem uma bifurcação, depois de uma olhadela vi tratar-se de uma trilha para a bica de água; segui pela outra. Com o suor já aparecendo, começa a verdadeira batalha. São aproximadamente 1500 m de subida constante, uma escalaminhada sem fim. Pedras, raízes enormes, barro, barrancos, 40 min praticamente engatinhando pela encosta.
      Eram 17:15 quando pela primeira vez, depois do Morro do Getúlio, conseguia enxergar algo além de chão e árvores. As árvores começaram a ficar menores e o terreno começa a perder inclinação, sinal de que estamos chegando em alguma área plana, seria o cume?
      Poucos minutos mais e pude avistar o resto de Sol que se escondia no horizonte e às 17:40 as primeiras barracas apareceram pra mim. Havia chego a montanha em 2 h. Arrumei um cantinho, meio torto mesmo: o pico estava lotado de gente.
      Logo chegou um pessoal que eu havia passado na trilha, eles vinham se comunicando por meio de berros, kkkk. Da mesma forma chegaram no cume, e fariam ainda muita algazarra no acampamento até que os o russo revoltado acabar com aquilo. Montando a barraca, ofereceu-me ajuda um montanhista que estava por ali, gentil, não recusei é claro. Batemos um longo papo, descobrimos que no outro dia iríamos acampar no PP.
      O entorno do Caratuva estava todo fechado, só aparecia o cume do PP  lá na frente. Logo o breu tomou conta, junto uma neblina congelante. Foram longos minutos enclausurado dentro da Quick Hikker 2, tomando café. Mais tarde o tempo limpou deixando o céu embebido de estrelas, levando nos a uma profunda reflexão. Durante toda a noite seria assim, minutos de imergir na imensidão do firmamento, e minutos de se esconder dentro da barraca; colocar até a cabeça dentro do saco de dormir.
      No dia seguinte, às 06:00 todos já estavam ansiosos pelo espetáculo. Apenas os cumes do Caratuva, PP, Ibitirati e Taipabuçu estavam à mostra, o restante da Serra estava embebido por Morfeu.

      Eram 07:05 quando Apolo empurrou seu Astro no nascente. Uma sinfonia perfeita com o acampamento e as emoções que irradiam no peito do espectadores. Foram aproximadamente 8 min, talvez os mais emblemáticos da história de cada um que estava ali.

      Preparei um café prevendo um dia encharcado e intenso. Depois explorei o cume para preencher o livro e identificar os irmãos menores. O Pico Itapiroca estava descoberto da neblina e pude observar os campistas lá no horizonte. Desmontei a tralha, reuni tudo e às 08:25 coloquei a cargueira no ombros a saí, a ideia era descer o Caratuva pelo leste, passando pela bica para reabastecer. Depois de analisar o mapa parti, por uma trilha fechada depois do acampamento no sentido nordeste, a neblina tomava conta da serra, a visibilidade não chegava a 15 m. Pouco adiante a trilha dividiu-se: uma quase inexistente, a outra com sinais de tráfego, segui a mais usada apesar de o senso dizer o contrário. Não demorei a dar de cara com um penhasco, a trilha terminava ali, ao menos o que parece. Humildemente retornei a bifurcação e segui o instinto pela trilha fechada; em menos de 200 m estava encharcado. A trilha exige muito, no meio do nada, sem enxergar nada. Pedras enormes e escorregadias, barrancos lisos, trechos enlameados. No meio da mata a trilha não aparece, é preciso seguir com calma buscando indícios de cada um tempo algumas fitas amarelas sinalizam por onde deveria passar a trilha.

      Naquela penumbra toda não consegui achar a bifurcação que levava a bica, e devido a dificuldade de se locomover por ali, nem fiz questão de pegar o celular para verificar o GPS. Segui por 1,5 h no meio da nuvem, para o lado que virasse dava para sentir os desfiladeiros. Chegando no A1 tive de voltar uns 400 m buscar água na bica, afinal meu suprimento estava terminando e não estava afim de arriscar no A2 e descobrir que não haveria água. Na fonte conheci um grupo de Palmital, São Paulo, que ia em ataque ao PP. Acabamos seguindo juntos até o o elevador. Foi uma caminhada longa, mas agora a trilha é bem demarcada, chega a fazer uma vala. A crista toda envolvida pela neblina não víamos nada além dos 15 m.
      De repente o mergulho e um maciço escuro, ainda coberto pela nuvem, se desenha na nossa frente. A perna treme, mas, não dá para desistir. Lá vamos nós (não todos, alguns abandonam aqui) pelo elevador, se revezando com quem desce, com quem trava no meio. O grupo que eu acompanhava parou para descansar, a mim não era uma opção, afinal molhado com estava, certamente, se parasse, o frio castigaria. Segui em frente, sozinho agora. Rochas e mais rochas, em alguns lugares o caminho some na neblina, em outros é preciso passar por fendas apertadíssimas. Encontrei muita gente descendo, eles me animavam ao contar que lá em cima estaria aberto o tempo.
      Após passar de banda pelo A2, pelo A3, não tinha muito por que parar, o frio era grande, e a neblina não arredava pé.
      Depois de quase 4 h caminhando, dei de frente com um último paredão de pedra, alguns lances da ferrata e saí no meio de uma galera. Tinha chegado ao PP! Olhei de um lado, olhei de outro, e nada, custei acreditar que tinha chegado; cadê o tempo aberto que tinham me falado, mal dava para enxergar o entorno. Logo veio uma onda e levou as nuvens do cume, dando dimensão da minha posição. Fui o primeiro a armar acampamento naquele dia, muitos que chegaram após às 14 h, tiveram de descer e acampar no A3 ou A2, o cume estava lotado. O resto da tarde seria de expectativa, em curtos espaços de tempo as nuvens dispersavam e dava para ver o cume do Ibitirati, montanha irmã. Lá de cima um grupo de montanhista gritava feito doido e acenava durante esses lapsos de tempo. Dava para perceber que não pediam socorro, só queriam algazarrear mesmo. No fim do dia ainda foi possível avistar um pedaço do crepúsculo, gerando ansiedade com a alvorada do dia seguinte. Durante a noite, mais um espetáculo, as nuvens foram embora como uma cortina que se abre mostrando o interior da morada aos passantes. O céu com suas luzinhas incríveis carregando pedidos infinitos fez vigília.
      Às 04:00 do dia seguinte todo mundo já estava em pé. Na mesma situação, tudo coberto por Morfeu. Faltavam minutos para Apolo começar sua dança, quando Morfeu retirou seu batalhão, e o êxtase tomou conta do cume. Em minuto tudo estava à mostra, desde a Baía de Antonina até o Cerro Verde e o Ferraria. Neste momento o espírito da montanha enche-nos da sua perseverança, e como estátua, só percebo estar vivo devido à respiração diante de tão bela alvorada.
      Foram intermináveis 10 min. Lágrimas que bailam na face e o sentimento de que não há melhor lugar para se estar. Após me empanturrar com as comidas em excesso que carregava, tudo regado a café, pude identificar a crista que havia descido no dia anterior do Caratuva ao A1 em meio à neblina, fiquei arrepiado.

      Ficamos conversando com os montanhistas que havia conhecido no Caratuva que, também arrumaram seu cantinho por ali. Pena que não pude esperá-los para a descida, eu precisava estar às 15:00 na base. Comecei a descida às 10:45, logo alcancei um grupo descendo. Conversamos, trocamos contatos, acabamos descendo juntos. Até carona para a Capital dei a um deles. Acabei adiantando um pouco na trilha, principalmente no trecho entre o A1 e o cruzo do Caratuva, parte que eu havia desviado no primeiro dia. Esse foi o trecho mais complicado de toda a conquista, são intermináveis raízes e barrancos lisos, quase pior que encarar o russo e a trilha escondida do dia anterior.
      Parei na Pedra do Grito para esperar minha nova parceria de viagem. Acordei com um grupo de 38 noviças, todas em vestes característica, de um branco engomado, tules e rendas chegaram subindo rumo ao Getúlio. Podem até ter subido mas garanto que vai dar trabalho para limpar todo o estrago nas vestes.
      Eram 15:10 quando chegamos na base. Desfeita a tralha, tomei um banho de gato, e pegamos a rodovia. Já eram 23:15 quando dei por encerrada com sucesso a aventura, comemorando com uma bela pizza no capricho.



       

       
       
       

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