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  • Membros

Buenas, estou organizando roteiro para mochilão de 25 dias pela Europa com minha adversária. 

Madrid- 3 dias

Barcelona- 2 dias

Paris - 3 dias

Bruxelas - 3 dias

Amsterdã - 3 dias

Frankfurt - 3 dias

Viena - 2 dias

Praga - 3 dias

Berlim - 3 dias

A idéia é entrar por Madri e voltar por Berlim. 

Dicas? Alguém que more por alguma dessas cidades pode nos ajudar? Um sofá, um rolê...

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  • Membros

@[email protected]  brother na minha opinião seu roteiro está muito corrido. Pelo visto voce nao está levando em consideração o tempo de deslocamento entre as cidades, por exemplo, quando voce se refere que ficará 2 dias em Barcelona e 3 dias em Paris, nesse seu cronograma voce nao terá 2 dias inteiros em Barcelona, tão quanto não se teletransportará para Paris para poder ficar 3 dias inteiros lá, pois tambem terá o tempo de deslocamento até a proxima cidade.

Tenha em mente que por mais que voce faça deslocamentos proximos, na melhor das hipóteses voce perderá a metade do dia ou mais. Leva tempo pra vc fazer checkout, ir para o aeroporto ou estaçao de trem ou rodoviária, fazer o deslocamento em si, achar seu endereço no destino, fazer checkout e desfazer as malas.

Nesse seu roteiro voce estará fazendo e desfazendo as malas praticamente dia sim, dia nao. Tem algumas cidades ai que merecem mais dias como Barcelona, Paris, Berlim, etc.. Mesmo que voce fosse ficar apenas os dias citados em cada cidade, considerando como dias inteiros, seu roteiro daria bem mais que 25 dias.

Sugestão... diminua a quantidade de destinos, fique mais tempo em algumas cidades para poder aproveitar melhor e com isso economizará tempo e dinheiro.

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@lobo_solitário, já disse tudo. Realmente, quando eu ia em agencias, era assim, nem se chegava a um local, já teria que ir a outro. O que acontece ? Só passamos por várias cidades sem conhecer nada.

@[email protected], tente diminuir as cidades, se concentre nas que você achar melhor, depois de pesquisar e saber quais ficar. 

Por experiência própria, é melhor ir a 2 a 4 cidades e conhecer, que ir a várias e não conhecer nada.

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  • Colaboradores

Amigo, explico neste vídeo detalhadamente a problemática de deslocamentos na Europa... recomendo assistir para montar um roteiro mais fluído. Inscreva-se no canal que estou postando uma série sobre o assunto.

 

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    • Por Fora da Zona de Conforto
      Não há lugar melhor para cultura, história, beleza e uma atmosfera vibrante do que Amsterdã! Como a capital da Holanda, Amsterdã é a cidade mais popular do país e até mesmo uma das cidades mais populares da Europa. 
      Quase todos os itinerários de viagem europeus incluem uma visita a Amsterdã e saber o que esperar antes da chegada é fundamental.
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      É claro que há muitas pessoas que nos visitam com a intenção de festejar e participar de algumas dessas atividades, mas também há um clima muito moderno e descolado em Amsterdã que é incrível de se experimentar.
      Uma das coisas que a maioria das pessoas diz depois de visitar Amsterdã é: “Eu poderia realmente morar aqui”. A cidade tem um clima super bem-vindo e ocidental que a torna muito acolhedora e fácil de se sentir confortável.
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      Continue lendo: 15 Coisas para Saber Antes de Visitar Amsterdã
    • Por claudio_aomundoealem
      Olá mochileiros,
       
      essa é a terceira viagem que descrevo aqui no mochileiros e da qual muito me orgulho - seja por ter ido à minha paixão (Londres) quanto ao planejamento da viagem; afinal a estruturei desde agosto para realizá-la no fim do ano (Haja pesquisa!).
      O resultado de tanto trabalho segue condensado em milhares de palavras. Espero que ajude (e incentive) a potenciais viajantes a conhecer estas capitais mundiais.
       
      Londres e Paris – Parte 2 – Itália e Inglaterra
       
      Dia 18/12 (1)
       
      Enfim, chegou o dia tão esperado desde a compra da passagem aérea em agosto. Com as malas arrumadas na semana anterior, bastava guardar os objetos que só podiam ser armazenados no último dia, como celular, carregador... O voo estava previsto para às 23:00, ou seja, teria de chegar ao Aeroporto de Guarulhos às 20:00 – tarefa relativamente simples, pela proximidade do local que estava somada ao horário. Mas ocorreu o inverso: caiu aquela chuva quando ia chamar o motorista de aplicativo e, por causa da tempestade, o trânsito na rodovia piorou. Serve de lição: mesmo na cidade onde reside, imprevistos podem ocorrer – se a companhia aérea determina chegar com três horas de antecedência, se programe para chegar em uma hora antes disso.
       
      Chegamos ao aeroporto depois das 20:00 e fizemos o check-in em um dos totens da companhia aérea. Todavia, enquanto o portão de embarque seria no Terminal 2, mandaram-nos despachar as malas no Terminal 3. No terminal internacional, havia uma enorme fila para despachar as malas (para me tranquilizar, percebi que alguns passageiros que estavam ainda atrás de nós também iam para Milão – ou seja, se eu estivesse atrasado, não seria o único).
       
      Vozes no alto-falante proclamavam: “última chamada para Nova York. Dirija-se ao guichê para despachar as malas”, “última chamada para Amsterdã”, “embarque para Nova York encerrado” – e nada de Milão.
       
      Após uma hora, uma voz desconhecida disparou a frase sombria “embarque para Milão encerrado”. Nós e outros passageiros ainda mais atrasados fomos questionar os funcionários, que permitiram o despacho das malas (além de que não fizeram o aviso de última chamada e ainda estava em tempo).
       
      Com as malas despachadas, entramos com o bilhete na área de imigração internacional – e uma fila ainda maior apareceu. No fim das contas, conseguimos embarcar na aeronave junto com outros atrasados no horário teórico de partida do avião – e ver de um dos vidros do corredor de ligação interna do Terminal 3 ao 2 que a área de imigração internacional do Terminal 2 estava vazia. Bastava simplesmente que nos enviasse para esse outro setor de imigração – para evitar tal sufoco, reitero: chegue uma hora antes.
       
      RESUMO
       
      NÃO ESTRAGUE sua viagem a ponto de perder o voo – é aquela hora vital que pode destruir todos os sonhos de turismo.
       
      Não se ILUDA com o tempo no aeroporto realizado em viagens anteriores – o aeroporto pode estar lotado e o tempo dos trâmites de imigração, multiplicado.
       
      Dia 19/12 (2)
       
      Devo parabenizar a precisão do serviço meteorológico que informou ao piloto do avião ainda em São Paulo. Como noticiado pelo comandante, a chegada ao Aeroporto de Malpensa-Milano foi recebida sob uma leve queda de neve (sonho de todo brasileiro carente de frio). Distintivamente à viagem do ano anterior, estava muito mais tranquilo quantos aos trâmites pela imigração dos aeroportos na União Europeia. Bastou mostrar os passaportes para receber o carimbo – nada de carta Schengen, hospedagens reservadas e/ou mínimo de dinheiro.
       
      Para viagens que têm destinos com temperaturas opostas às cidades de origem – como sair da abafada primavera paulista para um céu escurecido pela neve – é importante levar roupas na bolsa/mochila para trocar no aeroporto antes de se aventurar pelo destino (ou colocar um casaco mais pesado ainda na aeronave, caso descubra que o avião não usará o finger).
       
      Do Aeroporto de Malpensa para Milão, existem diversas formas de transporte: o táxi, que é muito caro; o trem expresso (Malpensa Express), a um custo à época de € 13; e os ônibus (shuttle), de 8 a 10 euros. No entanto, o nosso caso seria direcionado a outra cidade, Busto Arsizio. Para chegar a esta cidade, bastava pegar o trem regional, a um custo de € 4.
       
      O detalhe que fica nessa primeira viagem ferroviária na Itália é que não passei por nenhuma catraca em todo o trajeto. Não recebi comprovante de pagamento quando comprei na bilheteria, não havia catraca na plataforma do aeroporto, nem na saída da estação em Busto Arsizio. Era necessário convalidar o bilhete em pequenas máquinas que ficam em todas estações de trem na Itália (a necessidade de convalidar o bilhete não ocorre só na Itália – vale para vários países europeus). Basta inserir o bilhete de trem adquirido na máquina e essa registra o momento do ato (convalida), indicando o período pelo qual a viagem é válida. Por sorte, não tivemos a desagradável abordagem pelo fiscal da companhia ferroviária.
       
      Depois de deixar as malas no quarto, partimos para a noite milanesa. Nada mais justo experimentar o aperitivo milanês: pede-se uma bebida junto com os aperitivos – só que, tratando-se da comida italiana, os aperitivos serviam perfeitamente para jantar. Para esta experiência, o custo ficou em 10 euros.
       
      A neve que caía no aeroporto foi modificada por uma mistura de água e neve em Milão, o que dificultava um pouco andar pelas ruas geladas e molhadas da cidade italiana. Próximo da estação Milano Cadorna fica a Basilica di Sant´Ambrogrio, uma igreja milenar com registros da época romana.
       
      RESUMO
       
      O trâmite de imigração PODE ser bem tranquilo.
       
      LEMBRE-SE de ver qual é a temperatura prevista no momento de chegada ao destino.
       
      SAIR do aeroporto é fácil. O problema está no preço e tempo para cada forma de transporte – e ver na última hora pode ser bem mais complicado.
       
      Nas ferrovias italianas (e na Europa) lembre de CONVALIDAR seu bilhete.
       
      VIVA a noite em Milão: experimente os aperitivos milaneses.
       
      Dia 20/12 (3)
       
      Nas primeiras horas em solo europeu, é fundamental ir ao mercado comprar alimentos para economizar com as refeições. A despeito de ser um ato aparentemente simples, a dificuldade representada por outro idioma (italiano) e a necessidade de calcular os preços (não somente de euros para real, mas entre os próprios produtos em euro – a diferença de preços chega a ser surpreendente) tornam a ação bem mais demorada do que a feita no Brasil. Para tornar o ato mais eficiente, o uso de celular e/ou papel e caneta para tradução e comparação de preços pode ser interessante.
       
      Estávamos hospedados em Busto Arsizio, mas pegaríamos em Milão o ônibus para Londres à noite – e o que fazer com as malas? Seria inviável retornar para Busto Arsizio somente para buscá-las. Por um erro de planejamento, não tinha estudado antes os depósitos de bagagem disponíveis em Milão para poder comparar os preços e utilizamos o da estação Milano Centrale, a um custo de € 7 por 7 horas.
       
      Com as malas guardadas na estação, realizamos nosso passeio de um dia por Milão. Para quem tem somente essas horas na cidade, o passeio obrigatório é o Duomo de Milano, uma gigantesca catedral gótica. Muitos sobem no seu telhado, no qual fica mais fácil observar a arquitetura e as inúmeras estátuas que compõem a estrutura da catedral e permite uma ampla visão da cidade. Diferentemente de outras igrejas de Milão, o acesso a seu interior é pago.
       
      Além do Duomo, foi possível conhecer ainda a Galleria Vittorio Emanuele II, um dos mais antigos shoppings da Itália; a Via Monte Napoleone, uma das ruas que compõe o quadrilátero da moda, composta por várias grifes internacionais; o Bosco Verticale, conjunto de torres residenciais “verdes”.
       
      Depois de retirarmos as malas, embarcamos no metrô rumo à estação Lampugnano, que possui uma rodoviária anexa de onde partem os ônibus para outros países e regiões. Apesar de Milão ser uma grande e importante cidade, a rodoviária estava longe da qualidade apresentada pela Rodoviária paulistana Tietê – era apenas uma cobertura aberta, onde os passageiros nas plataformas aguardavam no frio a chegada dos ônibus.
       
      Depois de um atraso de uma hora, o ônibus chegou. O motorista pede documento de identificação (passaporte) e um comprovante da passagem, com o QRcode (pode ser tanto no celular quanto impresso, mas é melhor ter a versão impressa: possibilita conferir informações rapidamente e auxilia caso ocorra algum problema, como falha da leitura do QRcode no celular). Diferentemente de viagens brasileiras, cada passageiro coloca – e retira – sua mala no bagageiro do ônibus e escolhe livremente seus lugares.
       
      RESUMO
       
      Ao chegar ao destino, vá ao SUPERMERCADO.
       
      ENTENDER o que está escrito nos produtos pode ser complicado. Baixe um tradutor para uso off-line.
       
      As malas podem representar um custo a mais considerável. Se puder, pesquise antes por DEPÓSITO DE BAGAGEM caso tenha de usar.
       
      Em Milão, VISITE o Duomo de Milano, a Galleria Vittorio Emanuele II, o Bosco Verticale, a Via Monte Napoleone entre outros.
       
      Nem tudo é perfeito: os ônibus em países desenvolvidos podem ATRASAR.
       
      Para EMBARCAR no ônibus, basta seu passaporte e o QRcode – e coloque você mesmo sua mala dentro do veículo.
       
      Dia 21/12 (4)
       
      Os ônibus realizam com frequência constante paradas com duração de 15 minutos, o que torna desnecessária a preocupação de eventual necessidade de ir ao banheiro.
       
      Finalmente, um pouco depois do meio-dia, o ônibus chegava na estação Gallieni, em Paris, para conexão de menos de 2 horas com a outra linha que levaria a Londres (apesar do atraso de uma hora em Milão, o motorista conseguiu recuperar o tempo). Diferentemente das paradas realizadas pelo ônibus, o banheiro na estação é pago, e o preço dos produtos (água e comida) nas lanchonetes é caro. Então, mesmo que não “sinta necessidade”, melhor ir ao banheiro das paradas e traga comida comprada em mercados. Quanto ao consumo de água, não há necessidade de comprar – toda água disponível nas torneiras da Europa é potável, com exceção de alguns países da Europa Oriental.
       
      Diversamente ao primeiro ônibus em Milão, este chegou no horário e iniciamos a segunda parte da viagem. Seguiu em direção ao norte francês até Calais, onde começava ainda na França o trâmite de imigração para as ilhas britânicas.
       
      Ainda no ônibus, entregaram-nos um pequeno pedaço de papel para preenchimento de informações exigidas pelos oficiais britânicos (se os dados que forneci estavam de acordo com o determinado pela lei britânica, nunca saberei).
       
      Depois de passar pelo guichê dos oficiais franceses, que deram o carimbo de “saída” no passaporte – pela lei, estava em território internacional, mas fisicamente na França – chegamos ao posto dos oficiais britânicos. Como esse “caminho” dos ônibus é comumente utilizado por imigrantes ilegais, esperávamos uma entrevista mais “longa” em comparação a dos aeroportos. Apresentamo-nos juntos ao oficial que pediu as informações básicas: hospedagem, tempo de permanência, além de requisitar os papeis com os dados do voo de retorno. Respondemos que íamos passar o Natal em Londres e que alugamos um apartamento, além de mostrar os papeis do voo. Foi o suficiente. Em posse de nossos passaportes, carimbou a entrada, junto do visto de permissão de permanência no Reino Unido por até 180 dias.
       
      De volta ao ônibus depois do nosso sucesso na obtenção do visto, este ainda não saiu: outros passageiros não tiveram o mesmo desempenho – um inclusive foi retirado do ônibus por policiais mesmo tendo recebido o visto. Após esperar meia hora, o motorista virou a chave do veículo e partiu. Mas, em menos de dez minutos, parou o veículo novamente. Porém não se tratava de embaraço alfandegário.
       
      À frente do ônibus, gigantescas plataformas denotavam o início do Eurotúnel. Após ter a liberação de acesso pelo funcionário da ferrovia, o motorista manobrou para a plataforma indicada e inseriu o veículo no imenso trem que percorre por baixo do Canal da Mancha.
       
      Com a entrada de outros veículos, o vagão foi lacrado e o trem iniciou o percurso. Nesse trajeto os passageiros têm permissão de descer do ônibus e andar pelo trem. Apesar do caminho ser por baixo do mar, nada demonstrava que está embaixo dele, a mais de 100 km/h.
       
      O vagão foi aberto com a parada do trem indicando o fim do Eurotúnel, em Folkestone. O motorista manobrou e rapidamente caiu na estrada, regulada sob a curiosa mão inglesa. No primeiro posto de combustível da estrada, o ônibus fez uma parada, onde alguns passageiros desceram e retiraram suas malas (e meu receio de “pegarem” a mala errada...) – fiquei com a impressão de que alguns europeus vão ao terminal inglês no Canal da Mancha e utilizam o transporte de ônibus para a Europa Continental para economizar.
       
      Em seguida, o motorista retornou a marcha rumo à capital inglesa. De largas rodovias, o cenário do percurso modificou para estradas menores, mais apertadas, de caráter urbano... Até visualizar numa avenida a placa da TransportForLondon, prova inequívoca de que tínhamos chegado à Grande Londres. Como cruzamos a cidade desde os subúrbios até o centro, esse trecho, de certa forma, foi o equivalente a um city tour.
       
      As casas da exclusiva arquitetura britânica foram trocadas por lojas de comércio e alguns prédios, mas ainda não aparecera nenhum ponto famoso reconhecível – até chegar próximo ao rio Tâmisa e, como fã do personagem James Bond, reconhecer instantaneamente o prédio do MI6 ao lado da Vauxhall Bridge.
       
      Em poucos minutos, o ônibus chegou na rodoviária que atende Londres (Victoria Coach). Diferentemente do que seria possível imaginar para um país desenvolvido, a rodoviária não é integrada à estação homônima de trem e metrô.
       
      Na estação Victoria, pagamos a caução do cartão OysterCard (£ 5) e o valor do metrô avulso até Candem Town, que fica na zona 2 (£ 2,40). À época, bastava ficar mais de dois dias em Londres para receber a caução do cartão de volta – agora só é possível receber depois de um ano. Como era também uma estação de trem, poderia já ter comprado o travelcard para iniciar o uso no dia seguinte.
       
      RESUMO
       
      Não se preocupe muito com a NECESSIDADE de ir ao banheiro – o ônibus faz frequentes paradas.
       
      TRAGA comida comprada nos supermercados – o preço dos alimentos nas paradas realizadas pelo ônibus é bem alto.
       
      A ENTREVISTA para acessar o Reino Unido começa ainda na França. Basta responder diretamente o que o oficial da imigração perguntar – e tenha os papeis relacionados à viagem junto consigo.
       
      Os ônibus são uma forma mais barata (e demorada) de utilizar o EUROTÚNEL.
       
      RECONHEÇA o prédio de MI6, constante nos filmes de James Bond.
       
      Dia 22/12 (5)
       
      Nesse dia ocorreu um erro: acordamos mais tarde do que devia, o que pode afetar todo o planejamento previsto para o dia.
       
      Fomos à estação de trem Euston comprar o Travelcard em papel para uso do transporte público ilimitado por uma semana e que permitiria participar da promoção 2FOR1. A atendente da estação perguntou qual seria o tempo de uso (1 semana) e as zonas abrangidas (1 e 2). Ela requisitou as fotos 5x7 para colar no documento – na verdade, as 3x4 do Brasil servem. Como as fotos 5x7 são caras na Europa e ainda mais caras na Inglaterra, lembre-se de trazer do Brasil – e pediu que assinássemos o travelcard. Recebemos um tipo de “carteirinha” com nossa foto e um papel em formato de cartão que deve ser inserido nas catracas das estações de metrô e somente mostrado aos motoristas dos ônibus vermelhos.
       
      Em posse do Travelcard e dos vouchers da promoção 2FOR1 desembarcamos na estação Tower Hill, para irmos na Tower of London. Só que a cidade possuiu atrações uma ao lado da outra e, antes de irmos à Tower of London, conhecemos a icônica Tower Bridge. Porém é mais importante executar o passeio principal do dia e, conforme o tempo disponível, conhecer as demais atrações.
       
      Tendo encontrado a bilheteria da Tower of London, era o momento de testar os vouchers da 2FOR1 e descobrir se era somente uma promoção “para inglês ver”. O funcionário ficou com os vouchers e viu nossos travelcards – e a “mágica” aconteceu: recebemos o segundo ingresso gratuitamente.
       
      A Tower of London, com esse nome, parece indicar somente uma torre – mas é muito mais do que isso. É um fascinante complexo com mais de 900 anos, que serviu de residência real, depósito de armas, casa da moeda e atualmente, além de importante atração turística, serve como cofre das joias da Coroa Britânica. Tal qual alguns museus em Londres, possui algumas seções interativas, o que permite ao visitante se integrar ainda mais com a história – e, consequentemente, a visita demanda ainda mais tempo do que podia ser previsto. Considero um símbolo de Londres e um sacrilégio não a visitar – é uma atração a qual voltarei.
       
      Com o horário de visita a Tower of London e de outros museus exaurido, buscamos conhecer alguns dos locais abertos da cidade. Decidimos ir à área abrangida pela Oxford e Regent Streets e desembarcamos na estação de metrô Oxford Circus – ou seria o Brás? O Natal estava à vista, em 3 dias, e uma quantidade imensurável de consumidores compartilhava cada metro quadrado do local, uma das regiões de comércio popular mais famosa de Londres (para brasileiros, infelizmente, os preços não eram tão populares quanto gostaríamos).
       
      A despeito da dificuldade de deslocamento típica de zonas de comércio popular, avançamos pela Regent Street até Piccadilly Circus, praça consagrada por seus painéis curvos e pela estátua de Eros.
       
      Depois de encontrar uma lanchonete para refeição, já que os restaurantes ao redor são extremamente caros, chegamos a Leicester Square, outra memorável praça londrina (e de preços também “memoráveis”). Nela ficam algumas lojas famosas, como a do Lego e da M&M´s.
       
      No caminho para a estação de metrô Charing Cross, chegamos a outra praça que acredito ser ainda mais célebre: Trafalgar Square, que celebra a vitória da Marinha Real Britânica contra as forças napoleônicas durante a batalha homônima de 1805. Nela ficam as Coluna de Nelson (homenagem ao destacado Almirante Nelson, que participou da Batalha de Trafalgar) e National Gallery, que seria um dos lugares visitados no dia seguinte.
       
      RESUMO
       
      DICA UNIVERSAL: acorde cedo para aproveitar o máximo que puder da viagem.
       
      UTILIZE o Travelcard em papel de 1 semana para pagar menos nas atrações.
       
      Entre no que considero como passeio OBRIGATÓRIO em Londres: a Tower of London.
       
      ADMIRE a ponte vitoriana Tower Bridge.
       
      VÁ para a região do “Brás” de Londres: Oxford e Regent Streets.
       
      Inevitavelmente, em algum momento da viagem, PASSARÁ pela Trafalgar Square.
       
      Dia 23/12 (6)
       
      Mais habituados com Londres, desembarcamos na estação Westminster para acessar a Churchill War Rooms, um museu em homenagem ao ex-primeiro ministro inglês Sir Winston Churchil. No museu é apresentado um pouco da vida e história do estadista, como suas obras literárias (ganhou o Prêmio Nobel de Literatura). Contudo, a ênfase é aplicada sobre as ações mais importantes realizadas pelo político: as salas do atual museu serviram como gabinete de guerra para liderar o Reino Unido junto aos demais países nas vitórias dos Aliados na Segunda Guerra Mundial, até 1945. Os ambientes representam fielmente o período da guerra, com bonecos representando oficiais no esforço de vitória, mapas dos anos 40, escritório,  a sala de trabalho das secretárias do ex-ministro, o quarto de Churchill, cozinha, além de curiosidades e objetos relacionados à guerra, como a Enigma ­­– uma máquina eletromecânica de criptografia, cujo código foi quebrado sob liderança do matemático Alan Turing.
       
      Para quem tem curiosidade, o filme O Destino de Uma Nação indica de forma satisfatória o gabinete de guerra que foi transformado em museu. Após a visita ao local, é perceptível compreender a admiração dos britânicos pelo seu ex-primeiro ministro – que, decerto, ganhou mais admiradores após o passeio.
       
      Depois de conhecer Churchill War Rooms, fomos ao National Gallery, um museu de arte fundado em 1824 que abriga pinturas de artistas europeus do século XIII ao XX, com quadros de Cézanne, Manet, Goya, entre outros. Curiosamente, um dos quadros que nos impressionou – An Experiment on a Bird in the Air Pump (1768) – era justamente a pintura que aparecia atrás de James Bond em Skyfall.
       
      Todavia, a visita ao National Gallery tinha de ser rápida, já que era um outro museu o foco do dia (ademais, é o principal museu da cidade): The British Museum. Conseguiram colocar artefatos de TODAS as culturas que já existiram: macedônios, fenícios, sumérios, babilônios, árabes, africanos, índios, egípcios, gregos, romanos, americanos, africanos, asiáticos, chineses, mongóis, indianos... (com a ressalva que somente um pequena fração das peças do museus ficam em exposição).
       
      Na área egípcia, os turistas se aglomeram ao redor da Pedra de Roseta, artefato que permitiu a tradução dos hieróglifos do Egito Antigo para os idiomas vigentes, por meio da “ponte” representada na pedra em grego antigo. Como é de se esperar, várias múmias ficam expostas nas alas. Contudo, mesmo chamando pelo Imhotep, nenhuma respondeu – era impossível não lembrar do filme O Retorno da Múmia (2001).
       
      Na seção grega, não um, dois ou três... mas incontáveis vasos gregos lotavam a sala e, a despeito de ter mais de dois mil anos, vários estavam intactos, como se o curador do museu tivesse comprado os objetos na Oxford Street. Em outra ala, enormes colunas gregas chocavam os visitantes por seu tamanho e, possivelmente, se perguntavam como colocaram – e trouxeram da Grécia – tais colunas no museu.
       
      Para ver todo o museu (e caso goste de objetos históricos) um dia é necessário. O museu fecha às 17:00, contudo isso não quer dizer que pode ficar dentro do complexo até as 16:59. Vinte minutos antes eles já iniciam o processo de “evacuação”.
       
      Com as atrações fechadas, resta visitar os lugares abertos. Um dos escolhidos foi o Monument, uma torre de pedra criada em homenagem ao Grande Incêndio de Londres de 1666. Outro local foi rever o edifício do MI6 (só não contávamos com um guindaste que atrapalhava as fotos...) e caminhar pelas vias Millbank e Whitehall até acessar um pub próximo à Trafalgar Square. No entanto, o local não agradou e voltamos ao apartamento, mas não antes de comprar um prato típico britânico: fish and chips. A ressalva que fica para esse prato (e para outros alimentos) é que custou £ 6,50 em Candem Town, contra £ 13 na área mais central (e turística) de Londres.
       
      RESUMO
       
      VISITE as Churchill War Rooms.
       
      CONHEÇA alguns museus de Londres: National Gallery e The British Museum.
       
      CONSUMA uns dos típicos pratos londrinos: fish and chips.
       
      Dia 24/12 (7)
       
      Era o primeiro dia com limitações de atrações devido ao feriado Natal e as opções de passeios eram menores, devendo ser previamente pensadas. Ainda no começo da manhã, desembarcamos na estação St John´s Wood até chegar à Abbey Road, rua que foi o cenário do consagrado álbum homônimo de The Beatles. A frequência de turistas-fotógrafos que aparecem no local é relativamente alta, o que permite o registro do seu momento Paul McCartney, apesar de ser uma rua comum – os carros continuam passando por lá, demandando mais tempo para as fotos/videos.
       
      A próxima atração do dia foi a troca de guarda em frente ao Buckingham Palace. Apesar de ser famoso, é dispensável – achei demorado e cansativo, sem contar com os alertas da polícia acerca dos batedores de carteira (os pickpockets). Pelo menos, o passeio seguinte não era longe: a Queen´s Gallery, numa entrada lateral do Buckingham Palace. Sendo dentro do palácio, imaginava que seria possível visitar algumas salas ricamente decoradas, tal qual o Palácio Real de Madrid e curtir a exposição. Infelizmente, eram só algumas simples salas com exposição de objetos de arte pertencentes à Coroa Britânica (como toda as exposições de artes na Europa, é interessante, mas existem outros lugares com mais obras e baratos).
       
      Posteriormente, caminhamos ao longo de The Mall, a via de asfalto vermelho que sempre aparece nos filmes e noticiários, e conecta o Buckingham Palace à Trafalgar Square.
       
      A ideia seguinte era conhecer a St. Paul Cathedral, contudo nós e mais alguns turistas fomos avisados que já estava fechado para visita, apesar de ter verificado com antecedência que estava ainda no horário válido para acesso. Como não adianta discutir, fomos à Milennium Bridge, uma ponte exclusiva a pedestres que conecta a catedral ao Tate Modern.
       
      Outra atração que estava realmente aberta era Bond in Motion (London Film Museum Covent Garden), um museu acerca de James Bond. Para chegar ao local, utilizamos os tais ônibus vermelhos da cidade, que permite aquela visão um pouco mais “de cima” das ruas, e achei meio lento – definitivamente os trilhos são a melhor opção para Londres. No museu encontram-se os carros, objetos, roupas e materiais dos filmes, especialmente do último, Spectre (2015) – para quem curte os filmes do agente especial britânico é um passeio que poderá valer a pena.
       
      Findo o passeio pelo mundo de 007, só restava pelo resto do dia conhecer mais ruas e lugares da capital britânica. Andando mais próximo ao Rio Tâmisa, encontramos o enorme edifício The Shard, à Tower Bridge, sob a especial iluminação noturna e, mais afastado, a estátua de Sherlock Holmes próximo da estação Baker Street.
       
      RESUMO
       
      FAÇA pessoalmente sua própria versão da capa do álbum Abbey Road, dos The Beatles.
       
      ENCARE junto com milhares de turistas uma posição privilegiada no Buckingham Palace.
       
      Com um pouco mais de sorte, VÁ para St. Paul Cathedral e caminhe pela Milennium Bridge.
       
      Dia 25/12 (8)
       
      Merry Christmas! O Natal chegou. Mas, diferente dos britânicos, não pretendia passar o feriado no apartamento. Afinal, estava em Londres e cada segundo em libras esterlinas tinha que ser aproveitado. Todavia, esse dia era o mais difícil da parte do planejamento, pois as atrações estariam fechadas, até o transporte público. Seria o caso de conhecer os lugares abertos da cidade, com o cuidado de minimizar o uso das pernas.
       
      Como um referencial, utilizei os cenários londrinos da série Sherlock, da BBC. A primeira parada foi a frente da casa do Sherlock Holmes, a 221B que fica na... N Gower Street, próximo à estação Euston (os produtores escolheram essa rua pela proximidade da Baker Street, que é uma rua movimentada, e pela conveniência de gravação).
       
      Seguimos pela Woburn Pl, onde encontramos algumas lojas abertas, apesar do feriado (provavelmente seus lojistas não comemoram o Natal) até chegar a High Holborn, que delimita parte da City of London (Londres e a City não se confundem: a City é a cidade original, enquanto os outros lugares, como Westminster, são cidades que foram unidas na atual Londres). Na City, ficam a Central Criminal Court, cenário de julgamento de James Moriarty. Bem próximo, o St. Bartholomew´s Hospital, onde Sherlock faz suas pesquisas auxiliado por Molly e... (melhor assistir à série).
       
      Apesar de citar apenas alguns cenários, cada casa, cada prédio merece uma contemplação. Ao longo das vias da cidade, cruza-se por edificações seculares que provam o porquê de Londres É Londres.
       
      Após chegar ao ponto mais “oriental” do dia – a área ao redor da estação Bank, depois de ver outros turistas que abusavam das pernas no feriado, realizamos um percurso às margens do Rio Tâmisa, ora mais próximo do rio, ora mais afastado. Nessa maratona, foi possível encontrar mais estátuas da Rainha Victoria e perceber a admiração dos britânicos pela antiga monarca – desde estátuas em frente ao Buckingham Palace, na Blackfriars Bridge, a nome de linha e estação de metrô.
       
      Na área da estação Embankment, atravessamos o rio pela Golden Jubilee Bridge até os Julibee Gardens, que também são cenários da série Sherlock e um dos lugares mais visitados de Londres, onde fica a roda gigante London Eye (e também vários “espertinhos” tentando dar golpe em turistas).
       
      A próxima ponte era a Westminster Bridge, onde o helicóptero abatido por James Bond caiu em Spectre (2015). O local é uma paisagem perfeita para fotos e vídeos da própria ponte e dos Palace of Westminster e Big Ben (o problema é que estes ainda estão em reforma...). Do parlamento avançamos até o Buckingham Palace, agora sem que aquele movimento insano de turistas como no dia anterior, o que permitiu apreciar os detalhes da praça e da área externa do palácio.
       
      Pela Constitution Hill, chegamos ao Hyde Park, que, surpreendentemente estava aberto no dia. O parque, um dos maiores de Londres, é famoso pelo Kensington Palace e os esquilos que acompanham os transeuntes, em busca de comida.
       
      Durante o descanso no parque, a noite chegou, junto ao cansaço, imperando o regresso ao apartamento. Caminhando ao redor do parque, chegamos ao Marble Arch e seguimos pela Oxford Street, que seria o foco do dia seguinte. As ruas do comércio popular estavam vazias, bem diferente do enxame de pessoas visto no dia 22, e as lojas fechadas preparavam-se para as liquidações que iniciariam em alguns pares de horas.
       
      Todo esse trajeto totalizou mais de 20 quilômetros – unicamente a pé. Existe a possibilidade de embarcar nos ônibus Hop On Hop Off, que funcionam no feriado de Natal. Contudo, como nessa viagem a maioria das atrações seria conhecida nos seis dias restantes de passeio, escolhemos nossas pernas – não adianta se iludir: para conhecer o Velho Continente, tem de andar... (e muito).
       
      RESUMO
       
      APROVEITE o Natal em Londres para conhecer uma cidade muito mais tranquila.
       
      VISITE os cenários da série Sherlock, da BBC.
       
      CRUZE as inúmeras pontes sobre o Rio Tâmisa.
       
      Dia 26/12 (9)
       
      Boxing Day! O terceiro dia de limitações das atrações é um feriado típico dos britânicos. Nesse dia os lojistas derrubam os preços dos produtos que não venderam até o Natal. E, mesmo com a necessidade de acessar a Oxford Street, a restrição de transporte público ainda continuava – o regresso é feito gradualmente, começando pela periferia até chegar ao centro. Por conta disso (e do horário das aberturas das lojas), era necessário acordar mais cedo do que o de costume, como se fosse um “dia de trabalho”.
       
      Entrementes, chegamos a tempo na mais famosa loja de roupa barata das ilhas britânicas – e europeia: Primark. Tal qual a versão da Gran Via, em Madrid, os produtos estavam com preços muito satisfatórios, alimentados pela característica de liquidação do dia – produtos com remarcação na hora, blusas de 8 por 3 libras, camisetas por 1 libra. Para quem tiver a oportunidade de passar esse dia em Londres (e com a mala adequada), vale muito a pena.
       
      Depois de vasculhar cada conta da loja, fomos em outras na Oxford Street, mas nestas os preços não chegavam próximo ao encontrado na primeira – fora da dificuldade de caber na mala. Ainda assim, os camelôs que vendem na calçada possuem bons preços, como um moletom com o desenho de Londres, mais barato do que em outras lojas inclusive afastadas do centro da cidade.
       
      A ideia à tarde era visitar a St. Paul Cathedral, que, segundo o site da igreja, retomaria seus passeios no dia. No entanto, o cansaço no grupo decorrente do dia anterior foi implacável e descansamos por um breve período no apartamento. Nesse ínterim, percebemos o patriotismo dos britânicos: a quantidade de filmes com atores do Reino Unido era absurda (coincidência ou não, assistimos ao 007 Skyfall, com James Bond realizando uma perseguição nas ruas de... Londres!).
       
      Posteriormente, voltamos ao centro de Londres, para se encantar novamente com as ruas da cidade e encontrar eventualmente mais algumas pechinchas do dia.
       
      RESUMO
       
      APROVEITE as ofertas do Boxing Day.
       
      Dia 27/12 (10)
       
      Com o retorno das atividades turísticas, fomos até à estação King´s Cross St. Pancras visitar a plataforma 9  do Harry Potter. Apesar de ser denominada como uma única estação, são duas estações de trem concebidas separadamente – King´s Cross e St. Pancras (a que aparece em Harry Potter e a Câmara Secreta é a St. Pancras). Apesar de o último livro do bruxo já ter sido lançado a doze anos, ainda tinha fila para tirar foto para "embarcar" na plataforma.
       
      Dos filmes do Harry Potter, fomos ao cenário de outra produção da sétima arte: Um Lugar Chamado Notting Hill. Desembarcamos na estação Notting Hill Gate e caminhamos pela Portobello Road, com sua sempre constante feira de rua (existem produtos interessantes, mas se deve tomar cuidado com eventuais produtos falsos).
       
      Fora de Notting Hill, entramos no ônibus vermelho para conhecer o Kensington Palace, que foi o principal palácio da realeza até a rainha Victoria mudar para o Buckingham Palace. Neste palácio ainda vivem (ou viviam) alguns membros da família real, como o Duque e a Duquesa de Sussex (Príncipe Harry e Meghan Markle). No palácio, os funcionários contam a história do local e, principalmente da Rainha Victoria e do príncipe Albert – como o forte temperamento da jovem rainha, de expulsar sua mãe após a morte do rei. Nas salas, objetos pertencentes à antiga monarca ficam em exposição, como suas bonecas, quadros, pinturas, joias e coroa que não ficam na Tower of London.
       
      Além da Rainha Victoria, existe uma ala dedicada a outra personalidade real querida pelos britânicos: a Princesa Diana, com uma exposição da breve vida da Lady Dy e de seus célebres vestidos.
       
      Fora do palácio, fomos à Westminster Abbey. Só que nos enganamos com a entrada junto com outros turistas e achamos que já estaria fechada, mas era um portão errado. No fim, resolvemos ir ao Natural History Museum. Apesar de ser um passeio à primeira vista para crianças, o museu também diverte adultos. Ficam à vista rocha da Lua, representação de milhares (e gigantescas) espécies, como a Baleia Azul, e outros tantos extintos, como dinossauros e outros não tão antigos assim, como o Pássaro Dodô. Para os brasileiros que não têm a menor ideia de como é enfrentar um terremoto, um simulador do museu representando a fúria da Terra num supermercado de Kyoto consegue gerar uma noção.
       
      Tal qual a Tower of London e British Museum, os funcionários “convidavam” os visitantes a se retirarem do recinto. Para a última noite completa em Londres, visitamos na Regent Street a Hamley´s – famosa loja de brinquedos que divertem crianças (e muitos adultos – o problema é que nada mais cabia na mala...). E a sempre presente caminhadas pelas ruas da cidade, como em Whitehall.
       
      RESUMO
       
      CONHEÇA alguns dos cenários de filmes em Londres, como do Harry Potter e Um Lugar Chamado Notting Hill.
       
      Já que não dá para entrar no Buckingham Palace no inverno, VISITE o outro palácio real: Kensington Palace.
       
      Outro museu a ser CONHECIDO na cidade: Natural History Museum.
       
      Dia 28/12 (11)
       
      Como tudo na vida, alguma hora acaba – o último dia nas ilhas britânicas chegara. Era o ato chato de arrumar as malas e a missão impossível de fazer as compras caberem nelas (contudo, creio que fosse melhor fazer na noite anterior à saída).
       
      Infelizmente, não era possível deixar as malas no apartamento; ou seja, tal qual em Milão seria necessário encontrar um depósito de bagagem, com a diferença de ter algum conhecimento do preço pelo pago na Itália. Existem alguns sites que oferecem esse serviço, mas como não estávamos acostumados – fora que em alguns o preço continuava caro – preferimos o modo tradicional.
       
      Fomos até a estação Victoria e vimos preços muito acima do que fora pago em Milão. Somente com o choque percebemos que estávamos na estação Victoria de trem e metrô e não na rodoviária (coach) Victoria. O serviço da rodoviária se mostrou muito mais conveniente: os preços eram bem menores, o prazo de aluguel e o tamanho da mala mais flexíveis.
       
      Com as malas guardadas, fomos à Westminster Abbey e, desta vez, na porta – e fila – certa. Aliás, foi o único local de Londres que tinha fila gigante (pode ser pela data, 28/12; dia da semana – sexta-feira; o horário em qual chegamos; e/ou é uma atração superdisputada). Na abadia encontramos o lugar onde está enterrado o cavaleiro que o papa enterrou (quem acompanha Robert Langdon entenderá...), além de outras poderosas personalidades históricas britânicas, o local onde é feita a coroação da monarquia britânica e a cadeira em que o recém rei/rainha recebe a coroa, com quase um milênio.
       
      Findo o passeio pela abadia, era o momento de se preparar para a viagem à Paris. Fomos à estação do metrô receber a caução de £ 5 do Oystercard de volta e ao mercado para comprar algum alimento para comer na viagem.
       
      Após retirar as malas, aguardamos na rodoviária a chegada do ônibus. Desta vez, muito diferente da experiência em Milão, essa rodoviária aproxima-se mais com o que conhecemos da rodoviária Tietê, com painéis eletrônicos indicando a linha do ônibus à respectiva plataforma, bancos para descanso, lanchonetes e lugares cobertos.
       
      Desta vez, o ônibus chegou no horário e, semelhante ao primeiro trajeto, o motorista fez uma simples conferência do bilhete e passaporte, cabendo a cada um guardar sua respectiva mala. Era o fim da minha primeira estadia em London.
       
      Depois de um pouco mais de uma hora de percurso, o ônibus chegou em Folkestone para os trâmites de imigração. Os agentes britânicos entraram no ônibus e passaram os chips dos passaportes num leitor; já os franceses foram mais “tradicionais”, com a fila indiana para se apresentar aos agentes de imigração.
       
      Todavia, o trâmite de imigração foi bem mais rápido do que o da viagem da semana anterior (afinal, seria um tanto difícil imaginar um imigrante ilegal querer sair do Reino Unido rumo à Europa Continental). O ônibus partiu rumo ao Canal da Mancha, mas, ao invés de descer para as plataformas do trem, estava subindo... até parar em uma das vagas dentro da balsa. Só que esta balsa era muito diferente das que atendem a travessia Santos-Guarujá; estava mais para um cruzeiro: restaurante, cassino, área de descanso, free-shop.
       
      A balsa saiu do cais britânico ao lado de centenas de gaivotas, num cenário parecido ao visto no filme Indiana Jones e A Última Cruzada, apesar da limitação de visão devido à fraca luminosidade noturna. O trem é inegavelmente mais rápido (menos de uma hora) do que a balsa (2 horas), mas para quem está a turismo a balsa pode tornar a viagem mais divertida – e seguramente bem mais econômica. Durante o trajeto, basta encostar num dos vários bancos da balsa, já que não é permitido ficar dentro do ônibus enquanto a embarcação navega pelo Mar do Norte.
       
      RESUMO/INÍCIO
       
      A rodoviária (coach) Victoria possui depósito de bagagem com preço INFERIOR a de estações de trem.
       
      VISITE a Westminster Abbey, a principal igreja de Londres.
       
      O trajeto Londres-Paris pode ser feito de maneira ANTIGA: via balsa.
       
      Londres e Paris – Parte 3 – França e Suíça
       
      Dia 29/12 (12)
       
      Já em território francês, o ônibus fez uma parada no Aeroporto Charles de Gaulle e chegou em Paris, na rodoviária Gallieni que, diferente de sua equivalente londrina, é integrada ao metrô da cidade. Depois de comprar os bilhetes de metrô (na época, os t+10; agora existem opções melhores) e ver alguns usuários pulando a catraca, embarcamos na rede de trilhos até a cidade de Montreuil.
       
      Como chegamos mais cedo do que o combinado para entrar na casa alugada (e para escapar do frio), decidimos tomar um chocolate quente – só não contávamos que ninguém entenderia chocolate, apesar da grafia em francês ser chocolat. Após muito esforço, conseguimos obter o produto – e perceber que a influência do inglês nos outros países fica limitada às áreas turísticas.
       
      Depois de deixar as malas na casa, fomos à primeira atração da cidade, a Basilique du Sacré-Coeur, na área mais elevada de Paris. Já tinha pesquisado ainda no Brasil acerca dos golpistas que amarram pequenas fitas no braço e, para evitar de sermos importunados, subimos até a basílica com as mãos dentro do bolso.
       
      Diferente do que pode ser imaginado para umas das cidades mais visitadas do mundo, o acesso à área interna da basílica é gratuito – porém, é uma visita rápida. Para quem quiser pagar, há a opção de subir nela e ter uma ampla visão de Paris. Mas não é a única: a Tour Eiffel ou a Cathédrale Notre-Dame também oferecem uma visão “aérea” da cidade.
       
      O roteiro por Paris estava mais flexível, em comparação a Londres. O escolhido no dia foi se perder pelas ruas do bairro de Montmartre e chegar ao próximo ponto turístico do bairro: Le Mur des Je T´aime (o Muro do Amor – o muro em si não é uma novidade espetacular, mas sintetiza o romantismo da capital francesa e perceber a quantidade absurda da casais que percorrem as ruas parisienses).
       
      O ato de se “perder” em ruas desconhecidas força aos “perdidos” reforçar a atenção e visualizar detalhes que fogem quando imersos na rotina. Nesse ato, ao olhar para direita, vi no fim da subida de uma rua umas pás de moinho de vento que não me eram estranhas. Ao chegar no fim dela, descobrimos que se tratava do consagrado cabaré Moulin Rouge.
       
      Em direção ao Rio Sena, percorremos o Boulevard Haussmann (em homenagem ao prefeito do departamento do Sena que reconstruiu Paris durante o século XIX no formato atual) até às Galeries Lafayette Haussmann. Nas galerias é possível, a partir de seu terraço, ter uma visão ampla da cidade e, ainda, gratuita.
       
      Nessas andanças por Paris, entramos em alguns mercados – e caríssimos, muito mais do que em Londres. É fundamental se hospedar fora da cidade e ir aos supermercados na periferia, que apresentam um maior leque de produtos e preços mais “favoráveis”.
       
      RESUMO/INÍCIO
       
      Fora de áreas turísticas, pode ser mais DIFÍCIL se comunicar em inglês.
       
      VISITE a Basilique du Sacré-Coeur e Le Mur des Je T´aime.
       
      CAMINHE pelo Boulevard Haussmann.
       
      Dia 30/12 (13)
       
      Esse dia foi programado para ir ao Château de Versailles. Na verdade, não deveria – era um domingo, um dos piores dias da semana para tal passeio. No entanto, por questões pessoais só poderia ser nesse dia.
       
      Como no primeiro dia em Londres, saímos mais tarde da casa do que deveríamos e, consequentemente, essa demora cobrou seu preço – às 11 da manhã ainda estávamos em Paris, próximo da Tour Eiffel.
       
      Depois de descer na estação Gare du Versailles Chateau Rive Gauche, seguimos o fluxo de pessoas pela avenida até o palácio e o erro de sair tarde ficar às nossas vistas: era fila para entrar, fila para o banheiro, fila para pedir informações, fila para comprar ingresso, fila para tudo! Compramos o ingresso ao palácio e aos Domínios de Maria Antonieta, e Versailles nos contemplou com um benefício: recebemos um ingresso com hora marcada, que o sistema gera aleatoriamente para alguns (sortudos) visitantes.
       
      Como a hora marcada para entrar no palácio, fomos conhecer seus jardins – e já entender a razão do rei Luis XIV ser o símbolo máximo do absolutismo: o jardim era absurdamente grande, até onde a vista alcança e impecável (de tão grande oferecem aluguel de carros de golfe para conhecê-los). Posteriormente, com a reserva horária, adentramos o palácio e percebemos que a ostentação do rei sol estava muito além dos jardins. Em um vídeo sobre a história e construção do Château foi mostrado que criavam alas do tamanho de casa para qualquer ato banal, como sala de fumo, sala de reunião, sala de espera 1, sala de espera 2, teatro... até o momento de queda decorrente da Revolução Francesa de 1789. Quadros que cobriam toda a parede da sala que, por sua vez, tinham tamanho de casas, vários bustos de nobres franceses ornamentam o palácio, com ênfase, é claro, de Luis XIV e um nível riqueza que tornaria a Operação Lava Jato insignificante.
       
      Depois de passar um pouco mais de 2 horas dentro do palácio (e descobrir que a fila da qual escapamos com a hora marcada passava de 3 horas) fomos aos Domínios de Maria Antonieta. O local tem muita beleza, luxo e tudo o que é característico da época, mas após ver a suntuosidade de Château, estes ficam meio “simples”.
       
      Como a noite chegando, era o fim do passeio pelo Château de Versailles. Seria um fato comum o retorno para a casa, exceto por termos ido em direção à estação errada (Gare de Versailles Rive Droite) ao invés daquela que tínhamos chegado (Gare du Versailles Chateau Rive Gauche), mesmo possuindo o mapa online no celular. Ou seja, estude sempre bem o caminho, especialmente antes de ir ao local e evite uns bons minutos de andar à toa...
       
      RESUMO/INÍCIO
       
      PROGRAME-SE para chegar cedo ao Château de Versailles – este fica fora de Paris, e, de quebra, evitar loooooongas filas.
       
      IMAGINE um enorme palácio e seus jardins e qudruplique – o Château de Versailles é ainda maior.
       
      Dia 31/12 (14) 
       
      Fim de ano, era sabido que o dia seria pela metade – afinal, era dia de horário reduzido de expediente e saberia como os parisienses e outros europeus passam o Ano Novo. Decidimos ir numa atração que não estava no guia de bolso, mas tinha encontrado em pesquisa na web: o Château de Vincennes. Bem mais simples (e vazio) do que a versão de Versailles, tinha sua graça como mais um palácio europeu que viria a conhecer – mas é surpreendente como o turismo de massa foca nas mesmas atrações; o palácio tem estação de trem e metrô literalmente na frente, no limite da cidade de Paris e, mesmo assim, é pouco visitado (se quiser fugir do sufoco de filas, é uma boa opção).
       
      Depois de obter os ingressos com uma atendente brasileira (tem brasileiro em todo lugar), conhecemos o Château e a capela vinculada. É o mais importante forte-real francês em estilo medieval ainda existente e serviu de prisão para personalidades famosas, como o Marquês de Sade.
       
      De Vincennes, fomos para o Hôtel des Invalides, onde está enterrado Napoleão Bonaparte, mas receei que não seria possível conhecê-lo integralmente por causa do horário e desistimos. Bem próximo dali fica o Champs de Mars, onde foi erguida a Tour Eiffel (apesar de ser apenas uma torre, trata-se da Torre, que povoa o imaginário de milhões de pessoas pelo mundo... e de outras tantas que já a conheceram e apreciam sua beleza).
       
      Atravessamos o Rio Sena e chegamos na Avenue des Champs-Élysées, que seria um dos lugares de concentração do Ano Novo. Aos poucos, europeus e turistas chegavam ao local para a passagem do ano e, enquanto isso, lojistas protegiam suas lojas já fechadas com tapumes. No regresso para a hospedagem, o transporte público estava com catracas liberadas – talvez para incentivar os habitantes a curtir o ano novo nas ruas, apesar do frio.
       
      Depois de nos prepararmos para a passagem de ano, sem levar carteira, e documentos e dinheiro na pochete, embarcamos no metrô e escolhemos a Champs-Élysées comemorar (ou seria a Tour Eiffel). As estações da avenida estavam fechadas, sendo necessário desembarcar nas mais afastadas e entrar na avenida após uma revista policial (semelhante a de carnaval, que fica aquela impressão que o agente fez uma “revista” mínima). Escolhemos um ponto no meio da avenida com visão sobre o Arc de Triomphe, onde seria projetada a contagem regressiva. O ano novo chegou e estávamos comemorando, abraçando um ao outro – e percebemos que os demais nada faziam, simplesmente iam embora, só foram ver a contagem regressiva da avenida e a queima dos fogos – até que um mendigo percebeu nossa felicidade e foi se “enturmar” conosco.
       
      RESUMO/INÍCIO
       
      VISITE o Château de Vincennes, uma versão menor de palácio, nos limites de Paris.
       
      PERCA horas no Champs de Mars para admirar a atração mais visitada no mundo: Tour Eiffel.
       
      CAMINHE pela Avenue des Champs-Élysées.
       
      Dia 01/01/2019 (15)
       
      Depois do mendigo se despedir da gente, seguimos a multidão para voltar para a casa. Fomos em direção ao Rio Sena pela Avenue Montaigne por onde as pessoas caminhavam – e se avolumavam. Excesso de pessoas nas calçadas e motoristas furiosos por não conseguirem sair do lugar por causa do trânsito parado na madrugada parisiense – parecia a região da Avenida Paulista ou do Ibirapuera no Natal.
       
      Numa das estações de metrô mais próxima da avenida, a fila de acesso à plataforma avança para além da catraca (claramente não seria eficiente tentar embarcar nesta estação). Na busca de outras estações de metrô mais afastadas do epicentro humano, caminhamos ao largo da iluminadíssima Tour Eiffel, com seu brilho registrando os primeiros minutos de 2019 da Cidade Luz. Ao mesmo tempo, ficava o receio de encontrar o sistema de trilhos fechado, já que o de Paris não funciona 24 horas.
       
      Felizmente, conseguimos entrar em uma estação e embarcar em um dos carros do metrô, cuja linha passa por onde estava o enxame de pessoas. Seria bem irônico se a linha que pegamos fosse denominada de Linha 3 Vermelha do metrô de Paris – a diferença era mínima, como as vozes em francês ao invés do português: passageiros que não conseguiam embarcar (e algumas expressões que deviam ser palavrões em francês), trem parado por vários minutos sem explicação da central, amassado a ponto de não conseguir abaixar o braço. Mas tirando o momento Sé de Paris, o metrô seguiu viagem e conseguimos chegar na casa.
       
      Evidentemente, o dia não seria para acordar cedo, já que parte dele foi gasto na madrugada – e nem precisaria, já que as atrações estariam fechadas. Seria mais um caso para andar a pé para conhecer a cidade, com a vantagem de ter o transporte público em comparação com o Natal em Londres.
       
      Com o resto do dia, chegamos à Place de la Bastille, local do antigo forte de onde ocorreu o fato histórico A Tomada de Bastilha, marco da Revolução Francesa e do início da Idade Contemporânea. Indo rumo a oeste, seguimos pela Rue de Rivoli até o Hôtel de Ville (a prefeitura de Paris), alternando entre igrejas e prédios históricos pelo caminho.
       
      Do Hôtel de Ville ficam à vista os fundos da Cathédrale Notre-Dame de Paris, que seria conhecida em outro dia (e antes do terrível incêndio de abril de 2019). Indo pelo Rio Sena, cada ponte tem suas particularidades, desde a exuberância da Pont Alexandre III, que foi presente do czar para a França, até pontes mais simples, como a Pont Neuf.
       
      Mas os pontos turísticos da Cidade Luz ainda não tinham acabado: Place Vendôme, Place de la Concorde, Opera (Palais Garnier), Jardin des Tuileries, L´église de La Madeleine, Palais Royal e Jardin du Palais Royal, Petit e Grand Palais eram só mais outros lugares que conhecemos no dia. Paris tem muitos museus, mas a própria cidade é pura arte – e, nesse caso, não precisa comprar ingresso.
       
      RESUMO/INÍCIO
       
      CAMINHE (muito) para Paris – é o melhor jeito de conhecer a cidade e suas artes.
       
      Dia 02/01 (16)
       
      Esse foi o dia reservado para conhecer o Musée du Louvre. Como é sabido, é praticamente impossível conhecê-lo em somente um dia. Todavia, em consulta ao site oficial, descobri que na quarta-feira o museu trabalha em horário estendido, o que possibilitava um aproveitamento melhor da visita e uma imersão mais profunda na cultura que o museu oferece.
       
      Descemos na estação Palais Royal Musée du Louvre e apesar de ter visto vídeos na internet de filas insanas para entrar no museu, não tinha fila (pelo menos não na parte de cima; tinha de ver na entrada subterrânea do museu).
       
      Assim como ao redor da Tour Eiffel, existem camelôs vendendo bugigangas na praça próxima à consagrada pirâmide de vidro. Tínhamos visto um chaveiro caído no chão próximo à entrada do Carrousel du Louvre, pertencente provavelmente ao ambulante que vendia em pé. No entanto, como a fama de golpistas de Paris é tão grande quanto à fama da própria cidade, refletimos se não podia ser mais uma nova modalidade de golpe, como de ir ao encontro do vendedor e ele te forçar a levar o que você não quer ou algo pior – fazer turismo tem o efeito benéfico de bem-estar, o que diminui a qualidade de julgamento de atos pelos turistas – e é exatamente esse ponto pelos quais os golpistas se aproveitam.
       
      Entramos no Carrousel du Louvre e, para nossa surpresa, as filas absurdas de Versailles ficaram no Château – o trâmite entre comprar os ingressos, passar pelo detector de metais e a entrada definitiva não chegou a meia hora, com um detalhe que quase me passou despercebido: o mapa de museu tinha de ser retirado antes da entrada definitiva.
       
      Entramos no museu e logo aparecem placas indicativas para o caminho para Monalisa, o que considero um erro. Afinal, Musée du Louvre é muito mais do que um lugar para exposição da obra-prima de Leonardo da Vinci – existem infinitas obras belíssimas e objetos antigos fantásticos, além de salas reais com todo o luxo e esplendor correspondente, já que o museu foi um palácio real antes da mudança da Corte para Versailles. Para ver Monalisa sem aglomeração e sem pressa, basta procurá-la na última hora de funcionamento do museu.
       
      Além da obra-prima de Leonardo, existem muitos outros quadros de vários mestres renascentistas, objetos e pinturas da época do Império de Napoleão Bonaparte, esculturas, como a Vênus de Milo, objetos da época do domínio romano, artefatos egípcios (e mais uma vez Imhotep não me respondeu), relíquias árabes, artefatos africanos, pinturas do Brasil colonial, até o subterrâneo do Louvre. E, claro, ver os quadros que foram as pistas para Robert Langdon em O Código da Vinci.
       
      RESUMO/INÍCIO
       
      ESCOLHA o dia durante o qual o Musée du Louvre tem horário expandido – o museu é realmente muito grande.
       
      NÃO FOQUE somente nas atrações mais famosas – o enxame de pessoas pode estragar um pouco o passeio.
       
      Dia 03/01 (17)
       
      Descemos nesse dia na estação de metrô Cité, a única estação de metrô da pequena ilha fluvial do Sena (Île de la Cité) e de onde Paris foi fundada – e, como local extremamente turístico, na saída da estação um fiscal verificava se os passageiros tinham pago os bilhetes de transporte. A ideia era ir à Cathédrale Notre-Dame de Paris, mas em vez disso fomos ao Conciergerie, antigo castelo usado pelos reis franceses na Alta Idade Média. De estrutura mais simples em comparação aos outros conhecidos, foi o lugar que Maria Antonieta aguardou até ser guilhotinada na Revolução Francesa, saindo da suntuosidade de Versailles para o pequeno quarto gelado do Conciergerie.
       
      O bilhete de ingresso ao Conciergerie permite o acesso combinado à Sainte Chapelle, uma capela gótica do século XIII com ruínas medievais e relíquias da Terra Sagrada. Fora da capela, ainda na pequena ilha, fomos à Cathédrale Notre-Dame, mas os ingressos para reserva de horário do dia tinham acabado.
       
      Em direção à parte sul de Paris, chegamos ao Panthéon, local onde estão enterrados célebres franceses ou personagens importantes para a história da França, como Rousseau, Voltaire e Victor Hugo. Dentro do prédio histórico, erguido sob ordem de Luis XV em 1756, fica o famoso Pêndulo de Foucault, experimento que “tornou visível” o eixo de rotação da Terra.
       
      Em seguida, caminhamos pela margem sul do Rio Sena, passando por pontes já conhecidas e outras novas, como a Pont des Arts, com seus eternos cadeados e conhecer outros prédios históricos, como a da Assemblée Nationale. Cruzando o rio, chegamos novamente ao Avenue des Champs-Élysées e caminhamos até o fim de sua extensão, no Arc de Triomphe, que foi uma encomenda de Napoleão Bonaparte em homenagem às vitorias francesas nas guerras, com esculturas em sua estrutura exaltando o então Império Francês. Atualmente, nela existe uma “tumba” para o soldado desconhecido – uma homenagem aos milhões de mortos nas guerras mundiais. A quem interessar, é possível subir no arco e observar uma dúzia de avenidas que caem diretamente na rotunda (rotatória) em que fica o monumento, num verdadeiro “pesadelo” para motoristas.
       
      RESUMO/INÍCIO
       
      VISITE algumas das atrações na Île de la Cité: o Conciergerie e Sainte Chapelle.
       
      Mais ao sul, CONHEÇA o Panthéon.
       
      VOLTE para Avenue des Champs-Élysées e descubra o Arc de Triomphe.
       
      Dia 04/01 (18)
       
      Tendo em vista o fiasco para acessar a Cathédrale Notre-Dame de Paris no dia anterior, fomos mais cedo para garantir o acesso. Em posse do bilhete com a reserva do horário, fomos ao Le Jardin du Luxembourg, o mais famoso parque do centro de Paris, próximo de Sorbonne. Na frente do lago do parque o Senado Francês delibera suas ações dentro do Palais du Luxembourg.
       
      Voltamos à catedral conhecer sua parte interna que, assim como Basilique du Sacré-Coeur, era de entrada gratuita – mal sabíamos que iríamos conhecer partes da igreja que seriam destruídas em três meses. Até então, a área interna da igreja era um tanto lotada e meio escura, mas não importava – era a famosíssima Notre Dame, a de Paris, a de Victor Hugo. Uma linha do tempo mostrava o histórico de sua construção, a quase mil anos e expansão, como a inserção dos vitrais.
       
      O acesso para subir em suas torres era pela lateral da catedral, por meio de longas escadas, com controle de fluxo de visitantes. Na primeira “parada”, era possível ter uma boa visão de Paris e dos fundos da catedral – era inevitável lembrar do filme O Corcunda de Notre Dame e do Quasímodo. Dentro de uma das torres havia uma pequena apresentação da obra de Victor Hugo e um “quasímodo” vigiando a subida pelos turistas. O tempo de visita no topo da torre era por somente 5 minutos, muito pouco para o que gostaríamos, mas suficiente para ter uma ampla e maravilhosa visão da Cidade Luz (que inveja do Quasímodo...).
       
      Fora da catedral, encontramos ainda na praça outra atração para visitar: a Crypte Archéologique de I´île de la Cité. São mostrados os tesouros arqueológicos e a formação de Paris, desde antes da ocupação pelos romanos pelos nativos parisii até os tempos atuais. No museu ficam expostos moedas, construções antigas e vídeos interativos, com a apresentação da ocupação de Paris até então restrita somente à Île de la Cité, a formação de ponte para uma das margens do Rio Sena até o “transbordamento” da cidade pelas margens do rio que não parou mais.
       
      Para as mulheres de plantão, do lado sul do Rio Sena fica a CityPharma, farmácia de produtos baratos infestada de brasileiras. E, ao sudeste de Paris, uma Primark acessível de metrô, pela estação Créteil – Préfecture.
       
      RESUMO/INÍCIO
       
      PASSEIE pelo Le Jardin du Luxembourg.
       
      Quando a reconstrução após o incêndio de 2019 acabar, VISITE a Cathédrale Notre-Dame de Paris e Crypte Archéologique de I´île de la Cité.
       
      Dia 05/01 (19)
       
      O dia da estadia final em Paris chegara. Arrumamos as malas que, desta vez, podiam ficar na casa, sem custo adicional. O passeio escolhido para a data foram as Les Catacombes de Paris. Surpreendentemente, a fila de acesso às catacumbas estava enorme, talvez por excesso de visitantes e/ou por ser de acesso controlado. Para quem tem pouco tempo na cidade, pode ser mais interessante conhecer outras atrações.
       
      Finalmente conseguimos chegar na bilheteria e vi que tinha um combo junto com a cripta arqueológica que tínhamos ido no dia anterior – ou seja, podia ter comprado os dois juntos e economizado alguns euros.
       
      O passeio, por óbvio, começava por “baixo” – descemos por vários degraus até o subterrâneo, no qual se apresentavam longos corredores escuros mal iluminados, até chegar em “cavernas”, um pouco mais largas, lotadas de caveiras, minunciosamente e cirurgicamente encaixadas. Em certos pontos, as caveiras juntam com os ossos formam uma “bonita” ornamentação (mas é um local que não ficaria sozinho de jeito nenhum).
       
      Com o fim das catacumbas, voltamos ao nível de rua e, com isso, o fim dos passeios por Paris. Caminhamos pelo bairro de Montparnasse e nos guiamos até chegar à Tour Eiffel, facilmente vista entre os edifícios de Paris, para uma última admiração do ícone parisiense.
       
      Com a hora da nossa partida de Paris se aproximando, cruzamos o Rio Sena para embarcar no metrô na Champs-Élysées; contudo, era mais uma noite a qual os coletes amarelos estavam nas ruas (a sorte que eles ainda não tinham estragado algumas atrações; nas semanas seguintes picharam o Arc de Triomphe). Os acessos na avenida estavam fechados e tivemos que embarcar no metrô na Place de La Concorde. É mais um caso que comprova a necessidade de chegar com antecedência aos lugares com hora marcada, sob risco de tomar um grande prejuízo e dor de cabeça, além de estragar parte da viagem.
       
      Juntos com as malas, agora etiquetadas com pequenos pedaços de papel cedidos pela companhia, embarcamos no ônibus na rodoviária Bercy. O destino seguinte, quem diria, seria a Suíça, país que os próprios europeus acham caro visitar.
       
      RESUMO/INÍCIO
       
      PREPARE-SE para ficar em outra longa fila e entre em Les Catacombes de Paris.
       
      VISITE o bairro de Montparnasse.
       
      PODEM EXISTIR alguns coletes amarelos atrapalhando seu retorno para a hospedagem.
       
      Dia 06/01 (20)
       
      O ônibus chegou em Genebra um pouco antes do horário previsto. Apesar de ser a Suíça, a rodoviária não estava aberta. Aliás, era bem diferente das rodoviárias conhecidas em Milão, Londres ou Paris. Era um pequeno espaço aberto para os ônibus estacionarem na área central e a “rodoviária” era uma casinha do tamanho de uma sala.
       
      A cidade, proporcional à rodoviária, é pequena, mas muito poderosa – é sede da ONU (Palácio das Nações) e de diversos órgãos, como a OMC, e caríssima.
       
      Um dos pontos mais famosos de Genebra é o Jet d´Eau, uma grande fonte que lança a água do lago a uma altura de 140 metros. A limpeza do lago é realmente impressionante – conseguia ver seu fundo de forma clara e limpa (conheço algumas piscinas mais sujas).
       
      Um passeio pelas ruas de Genebra mostra que o lugar é realmente para poucos: lojas que trabalham com barras de ouro, roupas sendo vendidas a sete, vinte mil reais, relógios em exposição a mais de meio milhão de reais. Felizmente, a cidade não é composta somente por miliardários, e existem produtos por “somente” algumas unidades de reais – mas não adianta se iludir: as maiores “pechinchas” suíças ainda são mais caras do que seus equivalentes europeus e brasileiros.
       
      Por sorte, estávamos na cidade no primeiro domingo do mês, quando é permitida a entrada gratuita em alguns museus – considero que o uso de entrada gratuita valha mais a pena para atrações que não tenham forte fluxo de turistas. Uma das opções escolhidas foi o museu Maison Tavel.
       
      O museu Maison Tavel fica na parte oriental do lago, na área antiga da cidade, acessível facilmente a pé. Apesar da gratuidade da entrada, o local estava com baixo fluxo de visitantes, o que se mostrou conveniente: ao perguntar sobre um dos quadros do museu, o funcionário não só respondeu à pergunta como explicou sobre muitos assuntos referente à Suíça e Genebra, inclusive acerca da Guarda Suíça do Vaticano.
       
      No fim da noite, dirigimo-nos em frente ao Palácio das Nações da ONU – o pequeno “detalhe” foram as luzes terem se apagado justamente quando chegamos ao lado do portão. Já que a falta de luz impossibilitou fotos do local, caminhamos para outra propriedade das Nações Unidas, como a OMC.
       
      Ao andar pelas pequenas avenidas de Genebra, passamos por uma área de mata que serviria como uma luva para as Pegadinhas do Silvio Santos. Não se vê uma viva alma à noite, o que no Brasil deixaria qualquer um apavorado com medo de assalto. Mas ali era a Suíça...
       
      RESUMO/INÍCIO
       
      SUÍÇA (e Genebra) é realmente de outro mundo – e cara...
       
      VISITE o museu Maison Tavel.
       
      CAMINHE tranquilamente pela pequena cidade – apesar de vazia, é bem tranquila.
       
      Dia 07/01 (21) e 08/01 (22)
       
      Era o dia final na Europa e o voo estava previsto para depois das 14 horas. Era o caso de chegar no aeroporto perto do meio-dia, ou seja, tinha uma manhã sossegada. Infelizmente não havia tempo hábil para passear pela cidade ou ir a um museu e voltar ao apartamento e depois ao aeroporto. O que fizemos? Fomos com as malas a pé ao aeroporto – parece uma ideia maluca, mas a cidade é plana e o aeroporto é como Congonhas, inserida na cidade. Com malas de rodas adequadas, deu para conhecer um pouco mais de Genebra, apesar da distância de um pouco mais de 4 km.
       
      No aeroporto de Genebra, ia realizar a operação da devolução do imposto (Tax Free) decorrente da compra realizada em Londres. No entanto, a fila em Genebra estava muito grande e decidi tentar no aeroporto de Frankfurt.
       
      Como qualquer aeroporto internacional que se preza, tem a área de Free Shop, mas, sendo suíça, era muito cara (na verdade, percebi que essas lojas de aeroportos são caras, com exceção de alguns produtos). O voo de Genebra à Frankfurt era semelhante ao de São Paulo para Rio de Janeiro, em torno de uma hora, com a diferença que aquele sobrevoa a região dos alpes, um maravilhoso espetáculo: da pequena janela da aeronave observamos montanhas e vales repletos de neve, totalmente brancos.
       
      No aeroporto de Frankfurt, nova tentativa de receber a devolução do imposto e, mais uma vez, encontrei uma funcionária brasileira, que me indicou que tinha de receber a aprovação do setor alfandegário, ao qual nos dirigimos. Pelo que entendemos do funcionário alemão, como tinha saído do espaço da União Europeia, deveria ter recebido o carimbo quando passei pelo Canal da Mancha ou na Suíça. Mas para tudo se tem um jeito e ele permitiu que recebesse o imposto parcial. Apesar deste ser um caso pessoal de sucesso, é importante registrar que pode acontecer intempéries que, no final, impossibilita de receber o imposto – mas não só para isso. Ao planejar e executar uma viagem, considero que seja mais importante focar nas ações que possua o controle, como pesquisa de hospedagem, transporte e deixar eventuais benefícios, como o tax free e citycards em segundo plano.
       
      Embarcamos no nosso voo, se despedindo do frio de 4ºC rumo aos 34ºC. No avião, tinha o clássico O Diabo Veste Prada – assistir ao filme com as imagens de Paris, que agora conhecia, é muito mais emocionante e parece que fica mais próximo da gente (Comecei a entender de o porquê da Emily ser louca para ir à Paris...).
       
      RESUMO/INÍCIO
       
      VERIFIQUE onde fica o aeroporto para encontrar a melhor forma de deslocamento até o aeródromo.
       
      NÃO CONSIDERE o benefício do Tax Free como direito garantido – pode ser que não consiga receber o reembolso.
       
      ENCANTE-SE com os alpes totalmente brancos.
       
      O fato de ser free shop não quer dizer que seja sempre mais BARATO.
       
    • Por claudio_aomundoealem
      Olá Mochileiros
      aqui segue o texto do planejamento da minha viagem preferida, ao longo de vários meses - e, claro, valeu muito a pena.
      Londres e Paris – Parte 1 – O Planejamento
       
      Com a descoberta de que viajar para o exterior não é caro como imaginara, tampouco impossível (e muito mais divertido do que qualquer sonho já realizado), fiz o óbvio: planejei a próxima viagem.
       
      Fica aquele impulso inicial de querer conhecer toda a Europa; mas, apesar desta caber numa tela do computador por meio de programas como o Google Maps, continua sendo um continente – Então, quais cidades que deveriam ser conhecidas?
       
      É feito um esboço de uma lista de cidades a serem desbravadas: Viena, Berlim, Roma, Londres, Bruxelas, Amsterdã, Paris, Praga... Mas a realidade aparece: não há tempo hábil de conhecê-las em uma única viagem. Logo, o esboço encolhe, diminui, encolhe...
       
      Enfim, a lista final está pronta: as escolhidas foram Londres e Paris. Nota-se que escolher os destinos de uma viagem é importante, mas não difícil. Porém representa o início da árdua e prazerosa tarefa de planejar a viagem.
       
      Com o foco da viagem definido, entra em ação o segundo passo: o transporte. Por limitações específicas, a janela temporal acessível para nós seria de realizar a viagem entre a terceira quinzena de dezembro e voltando na segunda semana de janeiro. Contrariando algumas recomendações de que o melhor é procurar voos próximos aos destinos, procurei de forma mais “ampla” – e considero que valeu a pena. Por quê?
       
      Para procurar passagem aérea mais barata, eu pesquiso pelo Google Flights. E, em vez de inserir somente o destino (Londres) ou mesmo o país (Inglaterra), procuro por Europa. Isso possibilita comparar diversos voos, incluindo no próprio país/cidade de destino.
       
      Nas primeiras pesquisas, tinha encontrado passagem barata por Barcelona, mas o dólar começou a subir (nem perto do desastre de 2020) e essa “pechincha” não aparecia mais. Claro que tinha consciência de que voos no final do ano são mais caros, já que é alta temporada (só que mais caro não implica automaticamente em ser absurdo).
       
      Em agosto, tive uma grata surpresa.
       
      Um voo de ida e volta por Milão, na Itália, com mala despachada inclusa por 2600 reais em alta temporada (CONSEGUI!). Não podia acreditar que tinha achado. Era um sonho! Mas não era para acreditar mesmo: quando ia finalizar a compra da passagem, falava que não estava mais disponível.
       
      Mas, ao longo dos dias seguintes, esse alerta de preço permanecia. Intrigado, resolvi entrar no site da companhia aérea e, ao invés de verificar o preço de ida e volta, analisei cada trecho: o trecho de ida estava em 1250 reais, condizente com apresentado pelo alerta de voos. Todavia, o trecho de volta estava muito mais caro, mais de 2500 reais.
       
      Comecei a simular com a ida travada em Milão e retorno por diversas cidades europeias. Surpreendentemente, o voo mais barato encontrado foi por Genebra, na Suíça, com conexão em Frankfurt (até hoje não entendo como umas das cidades mais caras do mundo – Genebra – pode ter o voo mais barato).
       
      Enfim, consegui em agosto comprar passagem para Europa a preço razoável (R$ 3100) para o final de ano, em alta temporada, com mala despachada inclusa (não creio que seja bom comprar com mais antecedência – vide a implicação do covid-19).
       
      Outros voos que eram mais próximos do foco da viagem estavam na faixa superior a 4 mil reais. Mesmo com o custo do deslocamento das cidades dos voos (Milão e Genebra) para as duas capitais, o valor final ficou menor do que os preços dos voos mais “convenientes”. Então, valeu a pena embarcar em voos para cidades mais distantes, mesmo que isso implique em mais viagens por dentro da Europa (além do óbvio: a passeio, não existe “tempo ruim” no Velho Continente).
       
      Como o voo não seria direto para as capitais, era preciso analisar os meios de transporte para o deslocamento até elas. Entrementes, era preciso definir os dias em que ficaríamos em Londres e Paris, bem como em Genebra e Milão.
       
      Tanto Milão quanto Genebra, considerei ficar um dia em cada cidade: além de ser locais que até então não conhecia, tem sempre o risco de acontecer imprevisto – o que aconteceu: o voo para Milão saiu com atraso do Brasil. No caso de Genebra, tinha risco de, por exemplo, pegar tempestade de neve que fechasse o acesso para chegar na Suíça – difícil, mas não impossível.
       
      Decidimos por permanência de uma semana em cada capital, com o Natal em Londres e Ano Novo em Paris. No deslocamento de Milão para Londres, existiam diversas modalidades de transporte: o aéreo, por trens e por ônibus. O uso de carro seria extremamente inviável: além de ser caro devolver em local diverso ao que retirou, parte do trajeto teria custo altíssimo para o veículo (como atravessar o Mar do Norte pelo Canal da Mancha ou pagar o pedágio para cruzar os alpes italianos e franceses).
       
      A primeira modalidade que salta aos olhos, é claro, são os aviões, especialmente as famosas companhias low-cost europeias. Entretanto, tendo mala despachada (e até com mala de mão, a depender do peso e tamanho), as empresas low-cost não são tão "low" assim. Mesmo assim aparecia alguns preços competitivos.
       
      Nas pesquisas de voos, os que tinham preço mais competitivo (mesmo com mala) eram aqueles que chegariam em Londres às 22:00 do dia seguinte ou partiria de Milão de madrugada. Ora, chegar no aeroporto é totalmente diferente de chegar na cidade: do voo às 22:00, chegaria no centro de Londres depois das 23:00 (os aeroportos que atendem Londres são longe da cidade) – com isso afetaria a disposição para o turismo no dia seguinte. Com relação ao voo de madrugada, teria que pegar um transporte privado até o aeroporto (caríssimo, por sinal – um táxi chega a cobrar mais de € 90 até o aeroporto de Milano-Malpensa) ou pegar o transporte público no dia anterior e dormir no aeroporto. Evidentemente, existiam voos em horários (e aeroportos) “melhores”, mas eram mais caros – alguns, bem mais.
       
      De trem, o trecho seria segmentado. Teria de comprar dois trechos: o primeiro de Milão a Paris e o segundo, de Paris a Londres. Mas não seria uma boa ideia. O primeiro trecho até possui preços interessantes, de € 40. No entanto, os horários são bem limitados e o que tinha menor preço saía às 6 da manhã de Milão, chegando em Paris só a tarde. O segundo trecho é realizado pelo famoso Eurostar, que percorre o Eurotúnel embaixo do Canal da Mancha em um trajeto de pouco mais de 2 horas – e é caro, muito caro: começa em € 49 avançando para mais de € 100.
       
      Os ônibus, por sua vez, existem em vários horários. O trajeto demora quase 22 horas, com uma “conexão” nas Rodoviárias Gallieni ou Bercy, em Paris. No entanto, como estão disponíveis vários horários, é possível escolher o que inicia o percurso à noite. Nesse caso, o ônibus chega em Paris mais cedo do que o trem e ainda economiza uma diária de hospedagem, já que se dorme no ônibus. A conexão em Paris demora menos de 2 horas, tempo suficiente para contornar eventual atraso do ônibus do primeiro trajeto.
       
      O escolhido foi o ônibus: ao invés de tirar uma soneca no aeroporto, melhor dormir no ônibus. Sem se preocupar com o horário de partida do avião ou do trem de madrugada, bastava chegar na rodoviária e aguardar a chegada do ônibus às 22:00. Em vez de pagar uma diária de hospedagem, o dinheiro serviu para “subsidiar” a passagem de ônibus, além de que ele deixa no centro das cidades, só precisando do bilhete de metrô (curiosidade: o trecho de Milão a Londres custou € 78, mais barato do que o táxi do aeroporto de Malpensa até o centro de Milão).
       
      Evidentemente que o ônibus não é mais rápido do que o avião, nem é tão confortável quanto o trem. Mas a praticidade de não se preocupar com horários ruins e a economia gerada tanto pelo preço da passagem com o “subsídio” de hospedagem tornavam-no preferido.
       
      Como dito, o trem do Eurostar pode ser muito caro – ao passo que, com o ônibus, ocorre justamente o inverso: no nosso caso, pagamos € 28 para realizar a viagem durante a noite, sendo que tinha visto no mesmo mês para outros dias por € 15. E, caso escolhesse o trem, mais uma diária de hospedagem teria que ser desembolsada.
       
      O último trecho, de Paris para Genebra, também foi feito por ônibus. O preço da passagem de ônibus, nesse caso, não estava distante do preço da passagem de trem. Só que, com o ônibus, ainda economizamos com a hospedagem na Suíça...
       
      Resolvida a questão de deslocamento entre as cidades, é o momento de procurar hospedagem. Como íamos ficar uma semana em cada capital, escolhemos o aluguel de quartos, que oferecem descontos para tal período e tem a conveniência de poder preparar sua comida – assim, dá para ficar bem alimentado e se esquivar dos caríssimos restaurantes de áreas turísticas.
       
      Todavia, ressalto que a hospedagem tem de ser pensada junto com o transporte urbano – além da conveniência de ter transporte perto, mas de seu custo. Diferentemente do Brasil, a tarifação do transporte público é por zonas – em teoria, quanto maior e mais longe do centro o deslocamento, mais caro ele fica. Então, tem de ser analisado como duas “forças antagônicas”: a primeira, da hospedagem, quanto mais próxima do centro turístico/financeiro, mais caro fica; a segunda, de transporte, quanto mais longe do centro, mais caro fica. E como conciliar essas duas “forças”? Infelizmente não existe uma resposta padrão: cada pessoa tem sua preferência na ponderação dessas “forças”.
       
      Ainda, ratifico alguns pontos que até podem fugir ao senso comum: Londres, de longe, é a cidade que tem um dos transportes públicos mais caros (a ponto de um tênis custar o equivalente a 2,1 bilhetes de metrô avulsos). Entretanto, apesar dessa característica, o “combo” de hospedagem na zona 5 para quatro pessoas é mais barato do que o “combo” equivalente em Paris ou Milão para estadia de 1 semana. Outro ponto de destaque é a preferência de se hospedar no centro destas cidades. Ora, se no Brasil não moro no centro, por que vou me hospedar no centro destas cidades (que podem ser bem mais caras)? Melhor usar esse dinheiro para melhorar minha residência. Com base nessa percepção, encontramos na França uma casa perto do metrô e fora da cidade de Paris – ela ficava na cidade de Mountreuil (mas é preciso verificar antes se o local de hospedagem na periferia não é perigoso, por exemplo).
       
      No nosso caso específico de Londres, tinha um detalhe importante: nos dias 24, 25 e 26 de dezembro vários lugares estão fechados, incluindo o transporte público durante o Natal. À vista disso, não adiantava ficar muito longe da cidade, já que não haveria transporte até o centro, com exceção do uso das pernas. Por outro lado, as hospedagens na área central são proporcionalmente caras. Como solucionar? Em uma tela do computador, procurei no site Transport for London o mapa que mostrava a rede de trilhos por zona tarifária. Em outra tela, buscava hospedagens próximas ao metrô e no limite da zona tarifária 1 e 2. Como esse trabalho, consegui encontrar hospedagem mais barata em Candem Town e que permitiria conhecer Londres no Natal.
       
      Em Genebra, a questão era embolada. Cogitava ficar em Annemasse, cidade francesa lindeira à Genebra, pois os preços das hospedagens na cidade eram muito inferiores à versão dos suíços. Seria ficar na França, pegar o trem ou ônibus para Genebra e voltar. Mas consegui encontrar um apartamento bem mais barato do que os demais quartos no centro de Genebra e, assim, considerando que a cidade é pequena, não precisando de transporte, que ficaríamos somente por um dia e que provavelmente nada consumiríamos, como ir ao mercado, ficou mais vantagem ficar na Suíça.
       
      Tendo solucionado os transportes e as hospedagens, era a fase de realizar a pesquisa de passeios e atrações, um dos melhores momentos do planejamento de viagem.
       
      Por conveniência, prefiro um guia na forma “clássica”, em formato de livro de bolso, mas não deixo de procurar na internet. Apesar de, na prática, estar tudo registrado num livro, não é tão simples assim – especialmente para quem quer ter uma experiência melhorada e econômica. Como Londres foi a capital do maior império que já existiu, é de se esperar que não dê para conhecer todas as atrações em uma semana. Dessarte, é preciso fazer um roteiro que, pessoalmente, estabeleço da seguinte forma: atração; valor do ingresso; dia e horário de funcionamento. Como a semana que iríamos teria os 3 dias de funcionamento parcial, o desenvolvimento de tal roteiro é ainda mais essencial, sob o risco de ficar mofando na hospedagem e se privar de uma experiência enriquecedora de novas culturas. O mesmo trabalho foi realizado em Paris, contudo foi mais simples – na verdade, Paris é um marco nas artes, mas não tão grande quanto a gente imagina: compare o tamanho da Linha 4 do metrô de São Paulo com uma reta cortando a capital francesa de leste a oeste e tire suas conclusões... (Mas não é por isso que a cidade deixa de ser extremamente densa em cultura e beleza, muito pelo contrário).
       
      Durante a pesquisa sobre as atrações de Londres, li sobre uma promoção das ferrovias britânicas: o 2FOR1 que atende a várias grandes cidades no Reino Unido, incluindo Londres. Essa promoção, que é diferente do LondonPass, consiste em receber o segundo ingresso gratuitamente desde que ambos tenham o bilhete de trem adequado. Com essa “mágica”, pagávamos quase metade do valor original das atrações e usufruíamos de transporte público ilimitado (a economia dessa promoção é tão grande que esta merece um tópico exclusivo de análise). Com isso, Londres, mais bela do que nunca, não me pareceu cara como já ouvi...
       
      Para quem já percebeu no mapa, Londres está mais próximo do Polo Norte do que Vancouver, no Canadá. Não obstante, seu clima é muito mais “quente” do que seria razoável supor, decorrente da Corrente do Golfo que influencia a Europa Ocidental. Por conta disso, as temperaturas mínimas que já atingiram a cidade de São Paulo não diferem muito da média destas cidades. Um bom casaco, luva comum, cachecol e bota são suficientes para esta viagem (só ficou a expectativa de pegar alguma nevasca na Suíça...).
       
      RESUMO
       
      EUROPA é um continente: não adianta querer conhecer vários lugares de uma vez só.
       
      PESQUISAR por passagem aérea pode demorar semanas – mas vale a pena.
       
      VERIFIQUE por passagens aéreas separadas e/ou multidestinos – pode trazer uma grata surpresa.
       
      DEFINA o número de dias de estadia em cada cidade.
       
      RESERVE 1 (um) dia de estadia nas cidades de origem e destino do voo – pode ocorrer imprevistos.
       
      O DESLOCAMENTO entre países da Europa pode ser de carro, trem, avião, ônibus e barco – o ônibus é a opção mais barata.
       
      O preço de voo com MALA DESPACHADA pode ser muito mais caro.
       
      Ônibus e trem noturno: pode economizar uma diária de HOSPEDAGEM.
       
      Ao procurar hospedagem combine junto com os passes de TRANSPORTE.
       
      SUÍÇA é cara [ponto].
       
      PESQUISA de passeios e atrações deve ser feita previamente, para combinar melhor desempenho E economia.
       
      PROCURE por promoções de passeios, como o 2for1 do Reino Unido.
       
      A Europa Ocidental não é tão FRIA como a gente imagina.
    • Por claudio_aomundoealem
      Olá pessoal,
      essa foi minha primeira viagem para o inesquecível Velho Continente, a Europa. E coloco aqui como foi a viagem e, principalmente, a preparação - meu amigo sempre me "cobrou" para que eu apresentasse para os outros o planejamento.
       
      Portugal e Espanha – Parte 1 – O Planejamento
       
      O planejamento dessa viagem começou em junho de 2017, com a emissão dos passaportes – era um sonho viajar para fora, assim como o é de milhões de pessoas. A ideia de Portugal, por óbvio, era a fama de ser um país desenvolvido barato e a conveniência do idioma. Mas, assim como é a nossa vida, o planejamento não foi tão lógico quanto deveria ser.
       
      Passaportes emitidos, era o momento de pesquisar o voo – um baita abacaxi! Não tinha ideia ainda de preços de voos e só encontrava a superiores a 4 mil reais – bateu o desespero. Como ia pagar 4 passagens a esse preço fora o que eu ia gastar lá e que eu ainda não tinha a menor ideia de quanto seria?! Ficava a percepção que a Europa era exclusivamente para a classe média alta e a nós, simples mortais, a América Latina era o sonho, com o limite máximo representados pelos Estados Unidos – e fui pesquisar os voos para visitar o Donald Trump. Estavam bem mais baratos que os da Europa e, mesmo com o custo da emissão do visto americano, ficava ainda viável. Me animei e já estava pesquisando sobre a Costa Leste Americana – entretanto essa diferença de preços de voos ainda me intrigava.
       
      Felizmente, eu estava errado (para alegria geral da família). Falei com um amigo meu que conhecia um colega de trabalho que tinha ido para a Europa – e descobri que ele tinha pago, anos antes, 1500 reais – me animei! Traçando novas formas de pesquisas, mesmo assim a passagem para Portugal (Lisboa ou Porto) ainda ficava mais de 4 mil reais – mas tinha encontrado para a Espanha (Madrid) por 2200 reais! (depois incidiu o IOF do cartão de crédito e subiu o preço para 2364 reais – governo brasileiro sempre atrapalhando) – e mala despachada inclusa.
       
      Passagens compradas em 1º de setembro, com o voo programada para 23 de novembro – era iniciada a contagem regressiva para a viagem dos sonhos. Só que tinha um problema: e agora? O que tinha de pesquisar? O que tinha de planejar? Qual era ordem de pesquisa (passeios, hotel, ônibus, carro, trem)? O que tinha de saber antes de chegar na Europa? Devo dizer que essa viagem foi, de longe, a mais difícil, por ser marinheiro de primeira viagem mas pelo que também conseguimos fazer.
       
      O primeiro ponto é que o desejo da viagem era Portugal, mas íamos descer na Espanha. Achei um simulador de viagens para a Europa (mas não só para ela) e simulei nele o deslocamento entre os dois países (ônibus, trem e avião). O avião, na versão mais barata de low-cost, apresentava um problema – mala despachada encarece [muito] a passagem e aquela eterna dúvida – e se o avião atrasa? Percebi que o avião ia trazer mais dor de cabeça do que benefícios e desisti. O ônibus, para um trajeto de 600 km, tinha por vários horários e preços competitivos – estava mais barato do que o ônibus que paguei de São Paulo – Rio de Janeiro no Carnaval. Já o trem custava um pouco mais de 100 reais por pessoa e meio lento – demorava 10 horas para percorrer as 2 cidades – saía no final da tarde de Madrid e chegava no começo da manhã para Lisboa (era evidente que servia para economizar 1 diária de hotel). As 2 opções, ônibus e trem, considerei válidas. Só que...
       
      Como primeira viagem para a Europa, a expectativa (muito bem recompensada) explode e tem a tendência natural de obter tudo quanto informação possível. E nessa procura de informações, vamos atrás de quem já teve a experiência. Um amigo do meu pai tinha alugado um carro e dirigido por alguns países europeus. E lá fui eu saber como era dirigir, como funcionava o aluguel, quais dificuldades encontradas. Até meu corretor de seguros me deu dicas – tinha viajado alguns meses antes e tinha feito roteiro semelhante (fui até visitá-lo na casa dele; coitado, devo tê-lo deixado doido com tanta pergunta – a gente tem de saber de TUDO!).
       
      Só que... como meus pais viram a praticidade e facilidade de alugar carro, foi decidido de fazer a viagem inteiramente de carro. Ou seja, todos os modais anteriormente pesquisados de deslocamento (ônibus, trem e avião) não seriam usados, mas perfazem conhecimento para demais viagens (nada pesquisado é inútil). Além de escritor desse texto, eu também teria que ser motorista.
       
      Apesar de dirigir ser simples e na Europa Ocidental eles costumam facilitar (na Espanha e Portugal eles aceitam a nossa Carteira Nacional de Habilitação), deve-se lembrar que está sob a jurisdição do país deles. Cabia, então, estudar as regras de direção europeias – e fui pesquisar as boas práticas de direção da Europa e, principalmente, a sinalização do continente, que alguns casos diferem bem da nossa (se você estuda para fazer a prova para obter a CNH, porque acha que não deveria estudar o de lá?). E nessas pesquisas encontrei um arquivo de recomendação práticas para motoristas portugueses (e para mim) para dirigir na Espanha e em Madrid.
       
      O arquivo dizia sobre velocidade, boas práticas, das rodovias, dos feriados na Espanha e da área de restrição em Madrid. Assim como em São Paulo temos a zona de rodízio veicular, em Madrid tem restrição – mas muito pior. Na área delimitada, ninguém pode dirigir, só moradores e eventuais pessoas cadastradas (ou acha que vai dirigir o carro na principal rua da cidade? – até pode, pagando a multa salgada).
       
      Fui pesquisar o aluguel de carros – e qual carro deveria escolher? E de qual empresa? O ato em si de alugar o carro é muito simples – alguns cliques de botão do computador, um cartão de crédito (sai mais barato pagar no cartão mesmo com o IOF do que pagar em dinheiro no balcão da empresa) e voilá! Mas, como diz o ditado “O diabo mora nos detalhes”, fui ver cada detalhe que podia representar um problema no aluguel. Existem algumas empresas de aluguel bem baratas, denominadas low-cost de locação. Mas considerei que se na aviação qualquer detalhe é justificativa para aumentar o preço, na locação de veículo não seria diferente – li relatos de que estas empresas fazem exames minuciosos sobre o veículo e qualquer motivo é razão para cobrança adicional (acho que essas empresas são para especialistas, consumidores “macacos velhos” – como primeiro aluguel não seria meu caso). Deste modo, fui pesquisar nas empresas tradicionais. Outro detalhe era se aceitava a viagem da Espanha para Portugal ou tinha que ficar delimitado no país (e podia “sair” mediante pagamento de taxa). E mais um era da quilometragem específica ou livre (achei melhor livre – vai saber por onde vai querer visitar). Ocorreu também de empresa que, apesar do governo espanhol admitir a CNH brasileira, só aceitava a Permissão Internacional para Dirigir.
       
      A locação em aeroportos é mais cara, porém como tinha descoberto que poderia ser feriado quando devolvesse o carro – e as lojas dentro da cidade trabalhariam em horário reduzido, preferi alugar no aeroporto. Escolhi um carro de 5 lugares, da categoria C, de quilometragem ilimitada, com porta-malas de capacidade para 3 malas grandes, para retirar e devolver no Aeroporto de Madrid-Barajas. No aluguel tem a opção de adicionais, como GPS, assistência, mas extremamente caros. No preço já estava incluso o seguro do veículo, mas com franquia elevada (de 1600 euros). Tinha a opção de deixar a franquia zerada, com o aumento correspondente no valor do aluguel (não escolhi, mas ainda não sei se o melhor é aceitar ou não – vai da escolha de cada um – mas é algo que pode fazer o preço da viagem aumentar muito). Mais caras também são as multas de trânsito – além de ter valor mais caro que o equivalente brasileiro, a locadora te cobra no cartão de crédito, junto com uma taxa de administração por te enviar a multa – por sorte, deu tudo certo; seguir a lei estritamente faz economizar centenas de euros.
       
      A locadora também cobra caso não devolva com o tanque cheio – o que fiz? Na véspera de devolver o carro, consultei no Google Maps e pelo Google Street View para encontrar o último posto antes do acesso ao aeroporto (deu certo; a funcionária da locadora não cobrou combustível extra).
       
      E as malas que a gente ia levar, como ia saber que caberiam no carro espanhol? Pegamos uma das malas e fomos testar no porta-malas do meu carro. As malas padronizadas de viagem, com rodas 360, é que servem perfeitamente nos carros. Levamos 1 mala de perfil diverso e quase que não coube no porta-malas do carro alugado.
       
      Muito se fala sobre o clima do destino de viagem, se é muito frio, chuvoso, quente, ensolarado. A passagem foi reservada para o final do outono na Península Ibérica, justamente quando mais chove – mas o quanto chove? Fui ver no Wikipédia a média pluviométrica em Lisboa em novembro e dezembro e comparei com a média de São Paulo – era o equivalente ao mês de outubro, que nem representa o período chuvoso da capital (se bem que, atualmente, o clima está longe de ficar na média...).
       
      E qual roupa levar? Lisboa tem o clima de São Paulo, simples assim. Mas outras áreas de Portugal e principalmente da Espanha podiam ser mais frias – mas levando as roupas mais grossas foi suficiente (mesmo pegando neve).
       
      Continuando o estudo para dirigir na Espanha, descobri que, assim como temos o Rodoanel e as marginais em São Paulo como anéis viários, em Madrid eles tem o de mesmo perfil – e melhorado. São a M-30, de perfil mais interno e urbano, M-40, M-45 e M-50, estas já com perfil de rodovias. É a M-40 o principal anel viário e de Madrid saem algumas rodovias radiais (denominadas pela letra R), que são pedagiadas. As rodovias na Espanha são denominadas pela letra A (autoestrada) e AP (autoestrada pedagiada). Parece irrelevante saber isso, mas as rodovias pedagiadas tem uma equivalente estrada (que pode ter qualidade inferior) e, com isso, consegui dirigir pela Espanha pegando somente um único trecho de pedágio (o GPS pode indicar vias sem pedágios, mas talvez indiquem vias urbanas). No caso do aluguel do carro no aeroporto, alugue sempre com a retirada pelo Terminal 1,2,3, pois para sair do Terminal 4, praticamente tem de passar pelo pedágio da rodovia radial – o que não acontece saindo pelos terminais mais antigos. O preço da gasolina (a95) na Espanha era mais barata (5,20 contra mais de 6 reais o litro à época em Portugal) – tive o cuidado de minimizar a necessidade de ir ao posto em Portugal.
       
      Em Portugal a questão não seria tão simples. Exista no país um sistema bem semelhante ao do Estado de São Paulo, de rodovias pedagiadas e outras não – essas eram denominadas de SCUT (Sem Custo ao Usuário de Tráfego), custeadas pelo governo português. Só que a crise de 2008 acabou com os recursos e estas foram concedidas – mas ao invés de colocarem pedágio da forma pela qual estamos acostumadas, estas SÓ aceitam pagamento eletrônico – sistema conhecido como Via Verde.
       
      E como faria para andar nessas rodovias? E como saber quais rodovias eram essas? Descobri que a tag de pedágio espanhola também era aceita para os de Portugal. Mandei um email para a locadora de veículos (com o auxílio do Google Translate) se eles forneciam a tag. Mas me responderam que não forneciam.
       
      Fui estudar o tal Via Verde – tranquilo para quem era ou estava com veículo de Portugal, mas péssimo para quem vinha de outro país europeu. Uma das opções era pegar uma tag num dos poucos postos e dar 25 euros de caução – pela rota que iríamos fazer, não seria possível devolver. O sistema é cruel para quem não o conhece: não há indicativo na rodovia de que a cobrança de forma eletrônica começará no trecho a frente (como aquelas placas de “último retorno antes do pedágio”). O pórtico de leitura da placa para cobrança está instalado na rodovia e se você não tem a tag ou não se preparou, é multado, após um prazo disponibilizado para pagamento nas agências de correios. Durante esse estudo, achei um arquivo da Infraestruturas de Portugal (espécie de agência reguladora), que mostrava quais eram as rodovias que aceitava o pagamento manual e quais era exclusivamente pelo sistema eletrônico – e tracei as rotas possíveis, sem passar pelos de eletrônico. Na região de Lisboa tem poucos desse modelo, o problema era na região de Porto – em Nazaré, descobri que é possível inserir créditos via SMS. Envia-se um SMS para o número da agência reguladora com o código de crédito comprado e o número da placa do carro (deu mais tranquilidade).
       
      Em Lisboa, também existe uma zona especial, mas é de restrição de veículos velhos poluidores – o que não devia ser nosso caso. Em Porto, nada achei, então considerei que não existia restrição.
       
      Fui pesquisar o hotel para ficar em Madrid, no último dia de estadia da viagem – considerei que, de carro, a versatilidade para procurar hotel é muito mais fácil, somada ao fato de que a época da viagem é de baixa temporada. Para variar, os hotéis que eram mostrados primeiro eram na área central de Madrid – o que não seria possível, já que nem dá para levar o carro até lá (fora a loucura de dirigir numa cidade – e país – que nada conhecia). O espantoso não era nem o valor do hotel em si, mas de ter visto hotel oferecendo garagem para o veículo por 120 reais!!! Desisti de ver hotel em Madrid e fui ver hotel em Lisboa, para ter uma cesta de opções – na verdade, na Grande Lisboa, já que a cidade cobrava um imposto sobre turistas que lá pernoitam, além da dificuldade de dirigir no centro de Lisboa. Não pretendia usar o carro para andar no centro de Lisboa. Então, como achar hotel? No Google Maps, selecionei a opção de transporte público (metrô) e procurava hotéis próximos – assim tinha a economia de ficar fora do centro (e de áreas turísticas caras) e a rapidez de deslocamento representado por trilhos (mas não encontrei um que me satisfizesse).
       
      O tempo urgia e restava pouco para a viagem, mas consegui pesquisar as atrações: mas o fiz num prazo curto e isso cobrou o seu preço. Recebi várias ideias de passeios e tive que tentar consolidar num roteiro (como dói numa primeira viagem ter que cortar o passeio), mas selecionei as obrigatórias na Espanha (San Lorenzo de El Escorial e Toledo, além de Madrid) e deixei em aberto em Portugal – conforme usássemos o carro, escolheríamos onde ir (estabelecemos 3 dias em Lisboa). Tinha comprado um guia com o mapa rodoviário de Portugal (não gosto de usar o celular) que serviu para encontrar as atrações durante a viagem. Mas uma boa “sacada” foi ter encontrado as 7 maravilhas de Portugal. Quem, senão o português, conhece melhor as maravilhas de Portugal? Foi um concurso que os portugueses elegeram suas atrações preferidas. E foi em cima delas que planejei parte do roteiro.
       
      Nessa pesquisa de passeios, sempre aparece a sugestão do citycard – no caso, do Lisboacard. Quando pesquisei, fiquei um pouco na dúvida sem compensava ou não – acabei acatando. Mas não achei que realmente valesse a pena.
       
       
      Portugal e Espanha – Parte 2 – A Viagem
       
      Dia 23/11 (1)
       
      O voo estava marcado para 18:45, mas a preparação começou muito antes disso. Afinal, era uma viagem de 15 dias e nada poderia faltar. As malas estavam todas prontas, mas creio que o nervosismo dessa primeira viagem imperava. Infelizmente existe preparação que realmente só pode ser feito no último dia. E isso consome um tempo precioso. Era a conferência de documentos (passaportes, cartão de crédito, CNH, seguro viagem impresso...), era verificar se a casa estava corretamente fechada – vai que deixa alguma luz acesa? São detalhes que ainda não encontrei uma forma de lidar com eles de forma mais “confortável”. Afinal, uma viagem internacional está muito longe de ser algo simples – mas não impossível (no entanto, com um pouco mais de prática a tensão vai diminuindo consideravelmente).
       
      Dirigi o carro e deixamos num estacionamento próximo ao aeroporto (calma que eu tinha um acordo – jamais pagaria os absurdos de estacionar o carro no aeroporto), mas posteriormente não creio que fosse uma boa ideia. Apesar de ter visto o trânsito no caminho e saído com antecedência, pode ocorrer problema, pois não se sabe se pode acontecer um acidente com o seu carro ou ele pifar no caminho – é difícil acontecer? Evidente que é; entretanto se isso acontecer vai dar uma baita dor de cabeça. Como eu moro relativamente próximo, chamar motorista de aplicativo fica ainda barato. Mas para quem mora na capital, o uso de transporte público é interessante. Afinal, este é lotado nos horários de pico – basta fazer o deslocamento nos horários de vale.
       
      Após passar pelo setor de passaporte, aguardamos o embarque. No avião, não havia filmes disponíveis em português, só em inglês e em chinês. Existem várias dicas sobre o que fazer no avião, mas, sinceramente, não acho que seja necessário. A não ser que realmente não consiga dormir, o tempo de comer as refeições que a companhia apresenta, junto com o sono, consomem a maior parte da duração do voo. Não há muita necessidade de pensar o que levar para fazer no avião, além de que pode refletir mais um pouco sobre o que vai fazer na viagem e, na volta, pode ver as fotos e vídeos feitos (nunca fiz, na realidade, mas é uma ideia interessante). A preocupação maior fica em levantar para fazer exercícios e evitar trombose, que pode afetar qualquer um. E, talvez, saber falar e ouvir em inglês para assistir aos filmes e falar com os nativos dos outros países.
       
      RESUMO
       
      Faça a CONFERÊNCIA de documentos, das malas, da casa e que mais for necessário, deixando tudo previamente planejado. Viajar pede mais tempo do que se imagina.
       
      EVITE de usar veículo próprio para ir ao aeroporto. Pode quebrar ou ocorrer acidente no caminho, mesmo saindo com antecedência – muito mais fácil de se esquivar se estiver em veículo alheio.
       
      Se não tiver dificuldades em DORMIR, não há necessidade de se preocupar em o que fazer no avião.
       
      Dia 24/11 (2)
       
      O avião se preparava para chegar ao Aeroporto de Madrid-Barajas e percebia que a temperatura externa subia bem devagar – sinal de que estava longe da primavera quente de São Paulo. O avião aterrissou e NÃO acessamos direto ao aeroporto. Descemos na pista para pegar o ônibus sob o clima gelado em Madrid – ainda bem que já estávamos com as roupas de frio. Pisando em solo europeu, me lembrei das imagens que o Papa João Paulo II beijava o chão em que chegava. Não fiz isso, mas a minha alegria era “divina”.
       
      Descemos do ônibus e fomos para a tal tão temida fila da imigração de Madrid. Tinha visto uns vídeos não muito promissores acerca da imigração espanhola. Só tinha a reserva do aluguel do carro, passaporte com todas as suas páginas sem carimbo de imigração, sem reserva de hotel, com o dinheiro no limite mínimo de despesa diária e o seguro viagem atendendo a carta Schengen (só que estava dentro da mala despachada que não estava comigo – primeira viagem é tensa), além da passagem de volta. Ali era o desafio final, onde todo o trabalho realizado podia afundar. Fomos nós juntos e apresentei os passaportes e o grupo (em inglês): sister, mother and dad. O Oficial pediu para ver meu pai que estava “escondido” atrás da gente. O que mais ele iria perguntar? Que desespero! Segurando um dos passaportes, ele levantou a mão direita e... carimbou! “Welcome”. Acabooooooooooouuuuuuuu. Mas feliz que Galvão Bueno na comemoração do Tetracampeonato, a Europa sorria para mim.
       
      Fomos pegar as malas na esteira e, empolgadíssimo, fomos à loja de locação do carro, depois de ir ao setor que trata de turismo – pura besteira; já sabia bem mais pelo que tinha pesquisado. Tinha fechado a locação do carro pela internet, com o cuidado de ter visto que eles aceitavam a CNH brasileira; que permitiam levar o carro para Portugal; que o carro alugado era de quilometragem ilimitada. Na loja, pediram minha CNH para tirar cópia e meu cartão de crédito para fazer bloquear um valor de caução (atente-se de ter cartão de crédito de limite alto). Nos deram a chave e informaram como chegar no estacionamento onde estava o carro. Chegamos ao estacionamento e tiramos fotos do carro (era uma recomendação que vi na internet para o caso de, se a locadora alegar que o carro foi riscado/batido, poder provar que isso foi feito anteriormente à locação). Após colocar as malas, previamente testadas em São Paulo (e quase que não couberam, por 1 delas não ter o tamanho padrão), entramos no carro e dirigi [bem lentamente] até se acostumar com o veículo. Saímos do aeroporto para acessar o anel viário de Madrid M-40, mas usei a alça errada e não consegui acessá-la. Mais uns minutos até conseguir chegar ao anel viário, mas fui pelo lado errado dela – tinha previsto ir pelo sentido horário para acessar um supermercado, fui pelo sentido anti-horário (mas já prevendo que erros acontecem, também tinha pesquisado outro supermercado caso o outro falhasse) – seria o caso de GPS? Não necessariamente, já que sabia onde estava indo; o erro foi meu de ter errado o acesso. No entanto, ao longo da viagem (e de outras), o uso de GPS foi importante, mas como meio auxiliar – é preciso ver antes os lugares para onde vai e como chegar.
       
      Fomos ao supermercado e, para minha surpresa, foi mais barato do que tinha imaginado (tinha pago R$ 4,01 por euro). Saindo do supermercado e descobrindo que é possível virar à direita mesmo com o farol vermelho, como nos Estados Unidos (após receber uma buzinada espanhola), fomos pela principal via para acessar Lisboa a partir de Madrid – a A-5, via sem pedágio e de excelente qualidade. Tendo a adrenalina baixado consideravelmente, percebi que o mostrador de combustível do painel de veículo não mudava. Já tinha percorrido muitos quilômetros.  Será que estava quebrado? Parei num posto e apesar de ter visto inúmeros vídeos sobre como abastecer na Europa, deu aquele branco – a adrenalina ainda afetava. Por sorte, o funcionário da loja de conveniência foi solícito e me mostrou qual bomba usar – o da 95 plomo (gasolina) e como pagar – informar o número da bomba para o funcionário da loja (alguns postos já tem o próprio frentista, como no Brasil). Pedi para encher, mas só deu 15 litros. Depois percebi que o carro gastava quase nada de combustível – calculei em 19 km/l, isso dirigindo a 120 km/h – não sei se o carro era muito econômico, se a gasolina era muito boa ou ambos.
       
      Nosso primeiro passeio foi para a cidade de Cáceres, ainda na Espanha, sendo seu centro histórico classificado Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO – e entendi o porquê. É um dos conjuntos medievais mais preservados da Europa e, sendo o primeiro passeio turístico, ficou ainda mais impactante. É impressionante ver estruturas imensas erguidas a vários séculos, passeando pelas ruas erguidas inicialmente pelos romanos e posteriormente pelos sarracenos. Infelizmente, o dia se aproximava do fim e não deu para conhecer mais – tinha o acesso pago para a igreja (3 euros), mas como não sabíamos quanto ia gastar durante a viagem não entramos; mas o melhor é entrar e curtir (mas sempre com o cuidado com algumas roubadas, principalmente com cidades com forte vocação turística). Tinha estacionado o carro fora da área medieval de Cáceres e, diferentemente da sinalização rodoviária europeia, a sinalização urbana não é muito boa – tivemos que perguntar para uma espanhola qual o caminho para Mérida, rumo à Lisboa (olha aí a falta do GPS). Estacionar fora de área antiga é importante pois 2 motivos: é provável que seja proibido dirigir na área antiga (às vezes é exclusivo para moradores) e, se permitido, o estacionamento pode ser bem caro. Apesar do risco de parar o carro na rua, os próprios europeus recomendam que faça isso.
       
      Regularizado o caminho, dirigi rumo à Portugal e abastecemos o carro em Badajoz, última cidade espanhola e onde o combustível é mais barato. Acessando Portugal pela agora rodovia A6, era a hora de procurar o hotel. Como geralmente os hotéis em beira de rodovia são mais caros, entramos na via lateral que dá acesso às cidades para procurar hospedagem mais barata e, de quebra, se esquivar do pedágio. Surpreendentemente, as cidades onde paramos não apresentavam hotéis (uma portuguesa “indicou” um hotel que estava fechado havia anos – o detalhe que ela sabia que estava fechado). Conseguimos achar uma hospedagem em Borba. Esta hospedagem ficava na área de estacionamento pago da cidade, mas este nos cedia uma permissão para estacionar pondo um cartão no para-brisa do carro. Finalmente encontramos uma hospedagem e, de tão cansado, mal conseguia abrir os olhos para comer. Afinal, era o primeiro dia conquistado pelo trabalho de vários meses antes.
       
      RESUMO
       
      Não há motivo para pânico na IMIGRAÇÃO: é somente uma pequena entrevista ou nem isso; basta dar respostas objetivas ao que ele (se) perguntar.
       
       
      Dia 25/11 (3)
       
      Após passar a primeira noite em Portugal, pegamos o carro e fomos rumo à Lisboa. Na hospedagem não servia café-da-manhã (que eles denominam pequeno almoço e banheiro, de casa de banho). Após verificar que uma loja de conveniência na estrada ainda estava fechada, decidimos comer em Lisboa. Na saída de Borba para à rodovia, os carros passam por cabines – algumas para que tem o sistema de pedágio automático Via Verde ou para quem vai pagar em dinheiro ou cartão. Para quem vai pagar em dinheiro (como eu) a cabine libera um comprovante que indica em qual parte acessou à rodovia e para sair dela basta inserir na cabine correspondente, realizando o pagamento proporcional à quilometragem percorrida.
       
      Em Setúbal, a rodovia bifurcava: uma em direção à antiga Ponte 25 de Abril e outra em direção à Ponte Vasco da Gama. E agora? O pedágio da 25 de Abril era mais barato, mas escolhemos a outra ponte. Foi a sorte! A antiga ponte cai quase no centro histórico de Lisboa, junto de ônibus e bondes (estes chegam a andar na contramão). Não que seja difícil dirigir lá. É questão de costume. Mas como teria adquirido costume se acabara de chegar na Europa no dia anterior? A Ponte Vasco da Gama, por sua vez, além de ter uma bela visão do rio Tejo, era muito mais tranquila, com pouco trânsito e desembocava ao norte de Lisboa, longe do centro movimentado e apertado.
       
      A fome apertava e era a hora de tomar um café. Tinha planejado chegar em Lisboa no sábado no qual imaginava que seria mais fácil encontrar vaga para o carro na rua, bem como circular com ele pela cidade. Lego engano. Não encontrava vaga para o carro de jeito nenhum, mesmo afastado do centro. Eles colocavam carro até cima do canteiro central, algo mais difícil de ocorrer em São Paulo. Quando encontrei uma, era vaga para deficiente. Que saco! Indo cada vez mais longe, consegui achar uma vaga – no limite da área da zona azul, que não funciona no sábado (se no fim de semana é assim, imagina durante a semana). Pelo menos dirigir fora de zona histórico de Lisboa foi bem tranquilo – o problema é prestar atenção no volante e querer ver a cidade.
       
      Perto de onde estacionamos fomos para uma padaria tomar um café-da-manhã e ver o caminho para chegar à Amadora, terminal do metrô de Lisboa à época e que imaginava que teria uma tarifa mais barata. Portugal e Lisboa estavam (e ainda são) como destinos turísticos em voga e Lisboa cobra uma taxa de pernoite na cidade. Ficando mais afastado do centro da cidade (mas perto do metrô) evitava o pagamento da taxa, de estacionamento caro e teria a praticidade e rapidez do metrô. Só que o processo não foi tão simples assim e ficamos próximo à estação de trem Amadora, não de metrô, com o auxílio de um casal de idosos portugueses. Deixamos o carro no estacionamento do hotel (apesar do próprio funcionário falar para deixar o veículo na rua fora da zona azul) e fomos pegar o trem para chegar em Lisboa. Compramos o bilhete Viva Viagem (0,50 euros cada por pessoa) e descemos na estação Rossio, onde compramos o Lisboacard para 3 dias.
       
      Fomos para primeira atração mais próxima indicada no Lisboacard, o Mirante da Rua Augusta, além da própria Rua Augusta e a Praça do Comércio, com a visão sobre o Rio Tejo. Na Rua Augusta existem vários restaurantes, todos os que vi a 10 euros o prato – suspeitava que esse preço não condiz com a realidade.
       
      Na frente da Praça do Comércio, pegamos o bonde e fomos para Belém, para acessar o Mosteiro dos Jerônimos e a Torre de Belém. Porém, a ansiedade e o desconhecimento da primeira viagem começaram a cobrar seu preço e quando chegamos as atrações estavam fechando. Mesmo assim foi possível acessar a igreja do mosteiro, onde estão enterrados Luís de Camões e Vasco da Gama, além de outros célebres portugueses. E, claro, próximo deles fica o monumento Padrão dos Descobrimentos (só que o Lisboacard não concedia desconto para essa atração).
       
      Em Belém, não podia ser diferente, fomos numa padaria comer os famosos Pastéis de Belém. Vale muita a pena. Só tem de ter cuidado com os valores: enquanto numa padaria custava 0,99 euros o pastel, em um supermercado cobrava 6 pastéis por 0,95 euros. Eis algo simples que faz uma baita economia.
       
      Pegamos o bonde de volta só que o leitor do transporte não estava reconhecendo o Lisboacard. Fomos na estação Rossio e a funcionária não quis muito ajudar – seria um problema para nós resolvermos no dia seguinte, com o agravante que seria domingo e vários postos de atendimento do Lisboacard estariam fechados. Decidimos voltar para o hotel mesmo com o problema na leitura do cartão já que tínhamos a data da compra e o registro de início do uso do Lisboacard, caso algum fiscal passasse.
       
      Dia 26/11 (4)
       
      O primeiro ato do dia, após o café-da-manhã (este incluso no hotel) foi regularizar o Lisboacard. Tive que descobrir em qual lugar tinha de ir para arrumar o cartão num domingo (primeiro fui na Western Union, e me indicaram uma banca na frente da Praça Dom Pedro IV, onde consegui arrumar), o que fez perder um tempo precioso, mesmo saindo cedo. Regularizado os cartões, voltei ao hotel para irmos à Sintra e seus palácios. É um passeio para preparar bem a perna. Descendo na estação, fomos à pé até o Castelo dos Mouros (tinha vestígios milenar dos antigos habitantes) e depois ao Palácio da Pena (percebi que os antigos portugueses eram bem pequenos – a cama parecia de criança). Infelizmente, novamente por erro no planejamento (faltou o GPS) e agravado pela falha do Lisboacard, não deu tempo de conhecer o Palácio Nacional de Sintra e a Quinta da Regaleria. É possível fazer esse caminho por ônibus, mas tem de tomar o cuidado que ele não leva na porta da atração. Por exemplo, no caso do Palácio da Pena o ônibus de Sintra levava até o portão da bilheteria. Se quisesse chegar mais próximo, tinha de pegar outro ônibus interno (3 euros à época). Ou pode seguir por trilhas internas. Mas chegando cedo com planejamento é possível conhecer os 4 palácios tranquilamente.
       
      Dia 27/11 (5)
       
      Pegamos o trem, agora mais frequente por ser segunda-feira, para irmos até o Castelo de São Jorge. No caso, para acessar o castelo tem de pegar um ônibus na Praça Dom Pedro IV (conhecido pelos brasileiros como imperador D. Pedro I). Fortificação da cidade, possui uma vista incrível de Lisboa e seus arredores e, claro, de muita história portuguesa.
       
      Fora do castelo, voltamos a pegar o bonde rumo à Belém, para irmos ao Mosteiro e a Torre. E mais uma vez o planejamento incompleto cobrou o seu preço (pelo menos pela última vez) – era o dia em que eles estavam fechados! Apesar de eu ter o guia em mãos e constar tal informação, não tinha percebido. E agora, o que iria fazer? Os portugueses falam muito das belas vistas de Cascais, mas, com o guia em mãos [e aberto], encontramos o Palácio de Queluz, que estava aberto e ficava na estação seguinte à Amadora, onde era o nosso hotel. Ou seja, podia ter realizado um roteiro de passeios bem melhor na Grande Lisboa. Mas como primeira viagem para Europa enxergo que isso foi um aprendizado para entender como funciona o planejamento de uma viagem barata (é fácil falar agora – na hora dá uma raiva). Nas viagens seguintes esses erros não aconteceram ou o foram por motivo de força maior, o que as tornaram ainda mais divertidas.
       
      Pegamos o bonde de novo para voltar à Lisboa e acessamos o trem para descer dessa vez em Queluz-Belas, que dista 1 km do palácio. O Palácio de Queluz pertence ao grupo dos Parques de Sintra e é conhecida como a versão Versailles portuguesa (óbvio, nas suas devidas proporções), sendo a residência real durante os séculos XVIII e XIX. E, apesar de ser ainda mais próximo de Lisboa do que Sintra e ainda mais magnífica do que o Palácio da Pena, é praticamente vazia, com pouquíssimos turistas, bem diferente de Sintra. Saindo do palácio, fomos jantar numa padaria próxima à estação de trem, de preços mais baratos em comparação aos encontrados em Lisboa – é impressionante como a majoração de preços é proporcional ao fluxo turístico. Voltamos à Lisboa e andamos pela área central da Lisboa, aproveitando a última noite lisboeta. Fomos no elevador da calçada da Glória (na prática, um pega-turista, mas que estava incluso no Lisboacard; mas não o pegaria se tivesse que pagar avulso). O cansaço chegou e era hora de voltar ao hotel.
       
      Dia 28/11 (6)
       
      Último dia em Lisboa – e última tentativa para acessar o Mosteiro dos Jerônimo e a Torre de Belém. Pegamos o bonde e descemos em frente ao Mosteiro e tivemos nova surpresa: o Mosteiro estava FECHADO! F-E-C-H-A-D-O! Era um evento de Estado entre Portugal e a Suíça, e a solenidade estava sendo feito no mosteiro, bloqueando o acesso aos turistas – não acreditava no que via. Que ódio! Restava a nós conhecermos a Torre de Belém – e que maravilha. Construída durante a época de ouro portuguesa, serviu de [óbvio] como torre de observação, forte, posto alfandegário, prisão, farol e agora é umas das 7 maravilhas de Portugal. Seus acessos para os pavimentos superiores são meio apertados, mas isso não intimidou um casal que subiu com um carrinho de bebê pela torre (!!!). Fora da torre, nova surpresa: os suíços fora embora. Finalmente conseguiria conhecer o Mosteiro dos Jerônimos, outra maravilha portuguesa. Coincidentemente, a tal chuva forte característica de novembro resolveu aparecer e ficamos presos no mosteiro (melhor do que estar no meio da rua) e deu para conhecer e apreciar mais o complexo.
       
      Tendo conhecido o complexo (e a chuva diminuída), era o final do período de validade de Lisboacard e da nossa permanência em Lisboa. Pegamos o trem e retiramos o carro no hotel rumo ao norte de Portugal. Dessa vez a próximo destino seria Mafra, onde fica o convento homônimo. Apesar de não termos o GPS no carro, estava com o guia rodoviário de Portugal e a sinalização rodoviária é muito boa na União Europeia e conseguimos chegar ao município de Mafra tranquilamente, apesar da chuva que voltara.
       
      Só que a rodovia cortava a cidade ao meio. Tinha acesso para a cidade indo para a esquerda quanto à direita. E agora? De que lado fica o convento? Arrisquei para a direita – como já escrevi, a última “cobrança” da falta de planejamento foi em Lisboa – e acertei. Passamos a rotatória e lá estava o enorme Convento de Mafra. Só que pelo dia – dessa vez tinha visto no guia (e pela chuva) não seria possível visitar no dia e fomos procurar hotel – meio burrice, sem internet, mas Mafra não possui muitos hotéis; aliás, pouquíssimos. A chuva apertava; isso dificultava e “acelerava” a escolha do hotel mais próximo. Estava com tênis sem ser impermeável e era horrível ficar molhado (junto com as meias) no frio. Para evitar de ficar gripado, fechamos o hotel. Na verdade, ele não era caro – mas os hotéis e apartamentos que conseguimos reservar posteriormente mostrou que ele também não foi barato. Seu preço foi de 85 euros para 4 pessoas, com café-da-manhã e a conveniência de ser próximo ao convento e NÃO estar na área de zona azul da cidade (ele ficava no limite; um lado era na zona azul e outro não). Posteriormente, fomos ao supermercado comprar o “jantar”.
       
      Dia 29/11 (7)
       
      Depois de tomar o café-da-manhã, fomos a pé ao Convento de Mafra. Um dos finalistas das 7 maravilhas portuguesas, possui uma biblioteca maior do que a da Universidade de Coimbra, sendo protegida por... morcegos! Eles não permitem conhecer melhor a biblioteca, somente uma visão por umas das entradas; mesmo assim tem uma seção com a apresentação de alguns livros – é espantoso a riqueza de detalhes dos desenhos feitos séculos atrás (o que faz até sentido, numa época sem internet e grandes comunicações – havia tempo de sobra para fazer trabalhos perfeitos). Também tem uma área médica, arte barroca e uma área privativa da realeza para assistir a missa de uma janela do convento (a monarquia portuguesa tinha seus privilégios).
       
      De volta ao carro, agora já mais acostumado com o carro e com a direção da União Europeia, fomos a Óbidos, cidade que ainda resguarda uma enorme muralha no estilo medieval e um castelo restaurado que virou uma pousada de luxo. Estacionamos o carro no estacionamento com zona azul e percorremos pelas ruas da cidade. É um passeio muito interessante, mas preferi outros lugares desta viagem (sem contar que a área do castelo nem pode entrar – a entrada é permitida só por reserva na pousada...).
       
      Fora de Óbidos, tinha decido ir ao Mosteiro de Alcobaça, na cidade homônima (e umas das 7 maravilhas). Devido à proximidade, decidimos não usar a autoestrada – para conhecer um pouco mais do interior de Portugal e evitar o pedágio da autoestrada. Paramos o carro no estacionamento bem em frente ao mosteiro (com aquela eterna dificuldade para saber o tempo que ficaríamos no mosteiro para comprar o bilhete da zona azul). De Luís de Camões, “Inês é morta”, descobrimos que a Inês de Castro continua morta... e enterrada no mosteiro (sua tumba está meio “machucada”, mas não deixa de impressionar). A estrutura antiga do mosteiro me lembrou muito de algumas cenas do Castelo de Hogwarts, de Harry Potter.
       
      Fora de Alcobaça, tínhamos planejado ir à Fátima, mas em Lisboa o funcionário do hotel tinha indicado que seria melhor ir para Nazaré. Cidade de onde partiu Vasco da Gama, é famosa por suas ondas gigantes para os surfistas. Fomos para conhecer a cidade, mas caímos em algumas ruas estreitas e, sem GPS e com a parca sinalização urbana, não estava conseguindo sair – pedimos ajuda para um menino na cidade que, com sua bicicleta (como no filme do E.T.), nos guiou à nossa frente até chegar ao caminho para o centro da cidade (eis um caso que um aparente problema vira uma bonita história para contar sobre viagens). Dentro do carro, conhecemos um pouco do centro de Nazaré (sem indicação de restrição a eventuais motoristas de fora da cidade) e, claro, onde percebia que podia ser mais difícil dirigir (como a rua que trocava o asfalto pelas pedras antigas) eu manobrava para sair da área.
       
      A noite tinha chegado e tinha de encontrar a hospedagem – como? Na área central de Nazaré, mais próximo da praia, havia zona azul. Fui, então, para a área não abrangida pela zona azul – afinal, não é foco da viagem conhecer a praia de Portugal e, assim, evitaria o custo de pagar o estacionamento. No limite entre essas duas áreas, parei na frente de um pequeno mercado de bairro e perguntei para a portuguesa se ela conhecia uma hospedagem na região. Ela largou a vassoura, saiu do mercado, parou em frente à casa adjacente ao mercado e tirou uma chave – que sorte! Ela era a proprietária de um pequeno apartamento, a um custo de 60 euros, com quartos, sala e cozinha. Com essa conveniência da cozinha, fomos ao supermercado próximo da hospedagem para uma refeição mais completa, junto com os sempre presentes pastéis de Belém. A única “dificuldade” dessa hospedagem é que você deixa a chave dentro de uma caixa quando vai embora – caso esqueça algo ou feche o apartamento com a chave dentro, estará com um certo problema (mas nada que um pouco mais de atenção não dê um jeito).
       
      Dia 30/11 (8)
       
      No dia seguinte, ainda estava preocupado com os tais pedágios exclusivamente eletrônicos que eram próximos da região de Porto. E tendo estudado no dia anterior, percebi (só nesse dia) que existia a possibilidade de mandar um SMS com o código de crédito de pedágio comprado e a placa do carro. Fui comprar um chip de telefonia (€ 7,50 – e ainda teve mais utilidade posteriormente) e comprar os créditos na agência de Correios de Portugal – comprei o de valor mínimo (€ 5,00 mais taxa), já que, caso caísse em um deles, o valor cobrado por cada pórtico do pedágio eletrônico é relativamente baixo, sendo esse valor suficiente.
       
      Após o café-da-manhã, fomos à pequena igreja da área antiga de Nazaré – o Santuário de Nossa Senhora de Nazaré, que apesar de pequena tem seu charme. Foi em Nazaré (e à Santa) onde Vasco da Gama pediu proteção para suas viagens – o local deve ter uma força e tanto; funcionou bem para o Vasco, com a chegada dele à Índia em 1498.
       
      De Nazaré, voltamos para a auto-estrada rumo à cidade de Coimbra, que no passado já foi a capital portuguesa. Paramos próximo à Universidade de Coimbra (com o auxílio – finalmente – do GPS no celular) e conhecemos seu Jardim Botânico, seus estudantes com a capa preta no estilo dos alunos do Castelo de Hogwarts e a faculdade de Direito – tinha visto até uma pichação contra o governo brasileiro que vira no jornal no Brasil... Lógico, fomos a tal Biblioteca Joanina da Universidade de Coimbra, porém cobrava o acesso (€ 10,00) e tendo visto a biblioteca no Convento de Mafra (que é maior, por sinal), achamos que não valeria o gasto – talvez, se não tivesse conhecido o de Mafra, teria entrado.
       
      Depois de passear pelos domínios da Universidade e conhecer os Aquedutos de São Sebastião (obra do reinado de Sebastião, que aproveitou os restos do primitivo aqueduto romano), decidimos o próximo passeio: a Sé de Coimbra, mas devido às ladeiras da cidade, resolvemos ir de carro. Só que ele fica na parte antiga da cidade e no caminho vi a placa de exclusivo aos moradores (e cadastrados) para utilizar a rua – e o pior que não conseguia retornar. POR SORTE (que só tive a certeza depois) esse acesso exclusivo era em determinadas horas do dia – e estávamos nela fora desses horários; caso contrário seria multa na certa. Só que, na hora, isso estraga o passeio, já que a possibilidade de pagar uma multa salgada estava na cabeça. Depois de “refazer” a cabeça (e desistido de ir à Sé de Coimbra), com a tarde acabando, andamos um pouco mais por Coimbra para finalizar o passeio, rumando à cidade de Porto.
       
      Já próximos de Porto, chegamos à parte final da autoestrada e, por consequência, a cabine de pedágio – que calcula a distância percorrida pelo veículo, inserindo o bilhete retirado quando acessa a autoestrada (nesse caso, o de Coimbra). Inseri o bilhete na máquina, que calculou a tarifa (€ 7,15). Comecei a colocar o dinheiro, com uma nota de 5 euros – e a máquina acusava que faltava ainda € 7,15. O QUÊÊÊÊÊÊÊ?!?! Fui logrado em 5 euros!! E agora? Existe na máquina como chamar um atendente remoto (ainda bem que em português) para explicar o caso – mas explicar numa terra distinta, mesmo que em português não é tão fácil assim. Iniciei a conversa com o atendente, à quem informei que tinha inserido os 5 euros na máquina que não foram reconhecidos e ele disse que seria avaliado a situação e pediu meus dados (posteriormente, recebi uma ligação e uma carta pedindo meus dados bancários da Europa para que fosse realizada a transferência – estou até agora tentando receber esse dinheiro...; pelo menos é uma história para contar e, mais importante, NUNCA coloque em máquinas notas de alto valor – deixe estas para situações de atendimento pessoal).
       
      Passado o causo do pedágio, chegamos em Porto e... onde iria parar? Era uma quinta-feira, véspera de feriado (1º de dezembro é o dia da Restauração da Independência) e a cidade, apesar de menor que outras cidades famosas, estava com um trânsito de saída de Carnaval em São Paulo (ainda bem que já tinha me acostumado ao volante). Evitei de entrar no centro da cidade e parei num posto de combustível para pesquisar hospedagem – já que é um horror encontrar vaga para parar/estacionar o carro na Europa, os postos servem para “quebrar esse galho”.
       
      Entrei no site de buscador de hospedagem e encontrei um apartamento por € 45, com vaga de garagem inclusa (posteriormente, verifiquei que o preço dele estava o dobro – deve ter derrubado naquele dia para encontrar um eventual cliente de última hora – para minha sorte). Com o endereço informado e com o GPS no celular, peguei o anel viário – e o trânsito – de Porto até o apartamento. Minha ideia era evitar pagar o IOF no cartão de crédito de 6,38% e dar em dinheiro ao proprietário, mas não foi o caso – tive que fazer pelo cartão; mas mesmo com IOF, compensou muito ter encontrado essa hospedagem.
       
      Dia 01/12 (9)
       
      Depois de tomarmos o café-da-manhã no apartamento e assinarmos os papéis de exigência do município para este tipo de hospedagem, pegamos o carro e dirigi (com o trânsito mais tranquilo por causa do feriado) por parte da cidade de Porto. Já esperto quanto a dificuldade de dirigir em áreas mais antigas (fora eventuais restrições) percorri com o carro perto da área central, mas fora dela. Cabia, agora, encontrar um estacionamento. O primeiro lugar encontrado tinha os preços para até 15 minutos; olhei a placa de valores e manobrei para sair – muito caro. Ainda na mesma quadra, perto da Câmara Municipal de Porto, encontrei numa rua sem saída um estacionamento com preços bem mais acessíveis. Deixamos o carro e fomos à pé pela cidade.
       
      A praça onde fica a Câmara Municipal de Porto (um belo prédio, por sinal) continha aqueles letreiros como em Amsterdã – e também o enxame de turistas para tirar foto; melhor partir para o próximo passeio. De lá, fomos à Livraria Lello, que [dizem] inspirou a J.K. Rowling para imaginar a escadaria da livraria Floreio e Borrões, no Beco Diagonal – apesar de tantos anos terem se passado desde a publicação do último livro, a fila para entrar ainda era grande.
       
      Próximos da livraria, ficam as Igreja do Carmo e Igreja dos Carmelitas Descalços (vale uma passada rápida pelo local – ou para quem não quer ir à livraria). Curiosamente, entre as 2 igrejas tem uma pequena portinha – uma minúscula casa, quase imperceptível (só descobri depois que tinha passado por Porto...). A fome apertava e buscamos o que comer. Na praça em frente às igrejas, um dos restaurantes tinha um painel, mostrando um almoço por € 3,00 – achei estranho, já que na Rua Augusta, em Lisboa, os restaurantes cobravam € 10,00. A diferença era gritante. Será que que tinha alguma taxa embutida, alguma pegadinha? Resolvemos arriscar. Pedimos três da refeição indicada no painel: arroz, feijão, peixe e algo mais de que não lembro. Minha irmã pediu macarrão a 4 queijos; esse mais caro, o cardápio mostrava a € 4,00. A fatura chegou: € 13,00 – sem nenhuma pegadinha ou taxa extra, foi um almoço mais barato do que muitas refeições disponíveis em São Paulo. A partir daí a minha suspeita se confirmou – esses preços de € 10,00 por refeição não condizem com a realidade; são, na verdade, preços para turistas endinheirados ou que não tem noção real de valores, ou, por exemplo, de lugares com alta incidência de escritórios, como a região da Berrini em São Paulo. Ou seja, para uma viagem a “preços normais”, compre comida em supermercados e/ou pesquise onde ficam os restaurantes e lanchonetes “alinhados” com o custo real da cidade.
       
      Abastecidos por uma boa e barata refeição, fomos à próxima atração lindeira: A Igreja dos Clérigos, patrimônio da UNESCO e um dos finalistas das 7 maravilhas de Portugal. De estrutura barroca, tem acesso [pago] à torre e ao museu. Mas como nossa estadia em Porto seria curta e a igreja, por si só, é muito bonita, o passeio já foi o suficiente.
       
      Fora da igreja, saímos da área alta da cidade ao Rio Douro, passeando pelas suas margens, com vista das pequenas casas (ornamentadas pelos azulejos portugueses), da ponte D. Luís e encontrei na região outro lugar de visita. Para variar, outra igreja: Igreja Monumental de São Francisco, de acesso pago e que não podia tirar foto (que saco!). Apesar de turistas não terem os apetrechos que o MI6 apresenta ao James Bond, percebia inúmeros turistas que estavam dando uma de agente secreto para tirar foto. Dentro da igreja existem impressionantes obras barrocas compostas por ouro (que, imagino, vindo do Brasil...).
       
      De lá, subimos a ladeira até a icônica estação São Bento, com as paredes enfeitadas com os azulejos portugueses (deu uma vontade de passear de trem, mas isso ficou para uma próxima vez). Perto da estação, fica a Sé do Porto, mas devido ao horário não seria possível conhecê-la – fora que seria mais uma igreja para conhecer no dia.
       
      Com o final da tarde, era o caso de procurar nova hospedagem. Os próximos ao centro, para variar, eram bem mais caros do que o apartamento que tinha encontrado no dia anterior. Pesquisei no celular novas hospedagens – e encontrei um hotel por 50 euros. Voltamos ao estacionamento e retiramos o veículo, após o pagamento de € 6,30 pelo período.
       
      Lembra de que percorri as ruas perto da área central, mas fora dela? Foi a sorte naquele dia. Era feriado nacional e os portugueses aproveitavam esse dia para se divertir no centro, se preparando para o Natal. E o trânsito na área estava insuportável, mas começava imediatamente após o acesso à rua de saída do estacionamento; ou seja, tinha conseguido parar próximo do centro e evitar o trânsito (no caminho de volta, via filas de carros parados semelhante em São Paulo quando chove...).
       
      Chegamos ao hotel e dessa vez consegui me esquivar do IOF do cartão de crédito – dessa vez o pagamento foi em dinheiro. O hotel tinha um convênio com estacionamento por € 5,00, mas o funcionário da hospedagem recomendava parar na rua, apesar da sinalização. Mas é melhor seguir as regras estritamente no exterior para evitar maiores prejuízos e deixamos no estacionamento.
       
      Dia 02/12 (10)
       
      O hotel não servia o pequeno almoço (o café-da-manhã), mas havia uma padaria logo à frente para isso e, novamente, tinha uma funcionária brasileira na área (mesmo morando muito tempo em Portugal, a ausência de sotaque é perceptível).
       
      De volta à estrada, fomos para a cidade de Guimarães – era por causa dela que a nossa existência, a do Brasil, a do Império Português era devida pois foi nela que Dom Afonso Henrique fundou Portugal, recebendo o título de Afonso I, primeiro rei português.
       
      Paramos o carro no estacionamento da principal atração da cidade, o Castelo de Guimarães. Apesar de pequeno perto dos outros castelos já conhecidos e um pouco destruído durante a passagem dos séculos, é muito divertido pois mostra a história de Portugal e a formação do Estado português, até de forma interativa.
       
      Próximo ao Castelo, fica outro denominado Paço dos Duques. Este castelo é de uma estrutura mais completa e ainda mais impressionante. Existem tapeçarias enormes pelo complexo que cobrem toda a parede, quartos fiéis à época medieval, além de armas e espadas da época – um ponto que me chamou a atenção é que as salas têm pé-direito alto, mas possuem (quando têm) janelas pequenas e no alto; além disso as portas e camas são perfeitas para os 7 anões da Branca de Neve (pelo jeito os homens medievais eram bem pequenos).
       
      Finalizado o passeio pelo Paço dos Duques, descemos para o centro de Guimarães que, apesar de pequena, é muito bonita, com seus traços da era medieval e da era moderna. Apesar da logística dessa viagem não permitir o pernoite na cidade, é um local que me hospedaria tranquilamente. A magia do lugar não encontrei em paralelo nenhum nem na Espanha, França, Inglaterra (que é minha paixão), Suíça ou Itália.
       
      Depois de conhecemos Guimarães (tem inclusive uma praça com placas em homenagem à fundação de Portugal – uma delas era do Sarney), era necessário irmos para a próxima cidade: Braga. Como era sábado e já tinha passado das 13 horas, era possível para na área mais central sem medo de zona azul (ou alguma multa). Na cidade, fomos ao Museu dos Biscaínhos, uma antiga casa portuguesa e seu jardim – era bem interessante como era a cozinha antiga, com o “fogão” no chão (haja coluna para abaixar e levantar...). De lá, andamos pelo centro e fomos conhecer a Sé de Braga, uma das inúmeras igrejas da área central da cidade, de acesso pago (depois de tanta igreja, nem lembro mais do que vi nela – ou, o que é mais provável, confunde com o que viu em outro lugar; mas todos os lugares vistos são bonitos, sem exceção).
       
      Queríamos comer um prato de bacalhau (afinal, estávamos em Portugal) mas o restaurante que vimos já estava fechado. A gente fica acostumado com tudo aberto em São Paulo mas não é assim que o comércio e serviços funcionam na maior parte do mundo. Restou, então, procurar a salvação dos turistas:  o fast-food. Aproveitei a internet da lanchonete para procurar hospedagem, mas depois de chegarmos ao local descobrimos que se tratava de um hostel e perguntei o preço – se tivesse um preço competitivo (e conforto), OK. A resposta: € 14,00 por pessoa com banheiro compartilhado. Ou seja, não era OK. Ora, tinha pago por pessoa em Borba € 15,00; em Nazaré € 15,00; em Porto € 11,25. Esse preço não era competitivo (e nem sei se esse valor incluía café-da-manhã). Com a versatilidade do carro nas mãos, a solução era óbvia: sair de Braga e encontrar hospedagem em outra cidade.
       
      De volta à autoestrada, agora a noite, estávamos percorrendo o trecho final da viagem em território português, já que não havia mais cidade famosa turística em Portugal a ser conhecida. E qual cidade que iria parar? Não fazia a menor ideia, mas a dificuldade de encontrar hospedagem no primeiro dia de viagem na Europa mostrava que parar em cidade muito pequena não dá muito certo – fora que, se ficar muito tarde, é capaz de achar nada aberto – era uma corrida contra o tempo.
       
      Seguimos pela rodovia, cada vez mais para o norte, e cada vez mais frio: o painel do carro mostrava a temperatura externa (quando saímos de Madrid, marcava 17ºC). Em Braga, o carro marcava 8ºC. E na viagem pela rodovia, 7ºC, 6ºC, 5ºC, 4ºC... e aos 4ºC apareceu no painel o símbolo de gelo e um alerta em amarelo em espanhol – opa! Isso quer dizer o quê? Que pode ter gelo na pista? O carro não tem corrente para neve. O que ia fazer? Por óbvio, reduzi a velocidade dos 120 km/h e, por sorte, estávamos no lado de uma cidade de um tamanho considerável, Valença (não confunda com Valência, na Espanha). Coincidentemente, era justamente a última cidade portuguesa, limítrofe com a Espanha. Tinha passado o último pedágio em Portugal e entrei em um dos acessos da cidade. Como esperado, logo na entrada dessas cidades existem hospedagens para viajantes de estrada (como nós) e fui pesquisar os preços. Na Europa, percebi que quartos de hotel para 4 pessoas não são muito comuns como no Brasil – a hospedagem mais barata que encontrei só tinha quartos para 1, 2 ou 3 pessoas – mesmo pegando 2 quartos para nós quatro, o custo saiu a € 16,00 por pessoa com café-da-manhã. Problema da hospedagem resolvido. Mas e do carro? Mostrei aos funcionários do hotel (e, adivinha, um era brasileiro...) uma foto do painel do carro mostrando o alerta. Não era para se preocupar. Era apenas um alerta sobre eventual diminuição da pressão do ar nos pneus decorrente da queda de temperatura (depois perguntei ainda para o perito da família que confirmou que não teria problemas). Para completar a boa sorte na viagem, vi num jornal na hospedagem que o outono daquele ano estava sendo o mais seco nos últimos 50 anos na Península Ibérica – ruim para muitos, bom para turistas.
       
      Tranquilizado acerca do carro e tendo encontrado uma hospedagem confortável e barata, acabava enfim a viagem por Portugal. Vários meses de pesquisa e planejamento condensados em dias que ficarão para sempre na memória (e nesse blog).
       
      Dia 03/12 (11)
       
      Esse dia seria o oposto ao dia 24/11, já que teria 23 horas, decorrente da diferença de fuso entre Espanha e Portugal. No fim, foi fundamental ter saído de Braga na noite anterior e a hospedagem servir um café-da-manhã mais cedo do que a maioria para que pudéssemos realizar o passeio no dia a tempo, já que esta fechava até às 17 horas, como é de praxe no inverno europeu.
       
      Saímos da hospedagem e iniciamos o trecho de carro que seria o maior da viagem. Só que o para-brisa começou a embaçar, decorrente do frio de 2ºC daquela manhã. Mas isso não é novidade; todos os anos tem de acionar o desembaçador do carro durante o inverno (ou com chuva no forte no verão) em São Paulo. Pois bem, acionei o desembaçador... e nada mudou. O para-brisa estava cada vez mais embaçado e mal conseguia enxergar as placas na rodovia (até perdi o acesso da rodovia para Madrid pela A-52).
       
      Fui procurar um posto para poder parar o carro, enxergar e ainda aproveitar para abastecer (lembra que o preço do combustível na Espanha é mais barato do que em Portugal?). No posto pedi ajuda para conseguir limpar o para-brisa, só que só conseguia pensar em frases em inglês (clean the glass...). Mesmo assim, conseguiram entender e me mostraram a mágica: bastava ligar o desembaçador e o ar-quente. Viajar tem disso: passar por “humilhação” por atos triviais que desconhecemos.
       
      Agora com o carro abastecido e para-brisa limpo, estávamos prontos para percorrer centenas de quilômetros conhecendo as paisagens das regiões Oeste e Central da Espanha, passando inclusive pela cidade de Tordesilhas (onde foi feito o tratado que dividiu o mundo em favor da Espanha e Portugal). Ainda bem que tinha descoberto que o símbolo de alerta de gelo no painel não era preocupante, pois a temperatura caía ainda mais, apesar de cada vez ser mais tarde – chegou a 0ºC. E o símbolo não aparecia só no painel – também havia placas de trânsito na rodovia com o sinal (o que era uma de minhas preocupações da viagem, já que jamais tinha dirigido na neve – aliás, nunca sequer tinha visto).
       
      Seguimos pelo corredor rodoviário A-6, sem pedágios, mantido pelo governo espanhol. Em Adanero a rodovia bifurcava em duas para a mesma direção – a N-VI e AP-6. Só que, nesse trecho, a N-VI subia por montanhas e era cheia de curvas, enquanto a AP-6 manteria a qualidade de via, mas com o pedágio equivalente (bem caro, por sinal – enquanto em São Paulo o preço chega a R$ 0,27/km, na AP-6 chegava a R$ 1,00/km, com base no euro a 4,01 reais). Mas com carro alugado a economia resultante de usar vias mais perigosas é o que se pode definir de “economia porca” ou o “barato que sai caro” – melhor usar a via mais segura e deixar a outra para locais.
       
      O trajeto pela rodovia começava a subir as montanhas e somente ali percebemos que as “pedras” (ou “sal”) que vimos em outros pontos na lateral da rodovia desde a saída de Portugal tratava-se, na realidade, da neve que retiraram da estrada e jogaram para o lado. Jamais tinha visto e não é muito usual encontrar neve no começo de dezembro no caminho realizado pela viagem. Foi um bônus e tanto.
       
      Mas o melhor estaria por vir.
       
      A rodovia entrou num vale, na área da cidade de El Espinar. TODO forrado de neve, cercada por altas montanhas, com a rodovia serpenteando pelo vale, ao som de I Say A Little Prayer (dá para perceber que foi inesquecível). Uma das mais lindas paisagens que vi na vida, até reduzi a velocidade do carro para poder apreciar, mas não tinha local para estacionar – depois fui ver no Google Street View imagens do vale. Porém não estava tão bonita como eu tinha visto – acho que era a neve que fazia o lugar virar um espetáculo.
       
      Depois de alcançar o fundo do vale, a rodovia voltava a subir para furar uma das montanhas rumo à Madrid – mas nossa parada estava logo após a saída do túnel. Depois de ter pago o pedágio – dessa vez sem necessidade de pegar qualquer bilhete – cruzamos o túnel e saímos da rodovia para ir ao Valle de Los Caídos, onde fica a basílica de mesmo nome – criação decorrente da Guerra Civil Espanhola, estava no noticiário atual pois Francisco Franco estava enterrado na abadia. Alguns críticos alegavam que admiradores de Franco faziam peregrinação ao local em homenagem ao ex-líder da Espanha. Mas não fomos lá por peregrinação, e sim visitar como turistas o local.
       
      O local é um espetáculo. Apesar de ser uma obra moderna e com poucas peças de arte, do século XX, sua enorme estrutura e perfeitas estátuas traziam ao ambiente uma aparência de grandiosidade e respeito incomparável, sacramentada pela cruz de 150 metros! E, no nosso caso específico, a neve tinha chegado lá, conseguindo deixar o lugar mais perfeito ainda (reconheço, é um lugar que voltaria – com ou sem neve).
       
      Próximo ao vale, fica o Mosteiro de El Escorial, mas era tarde demais – já estaria fechando. Fora do vale, voltamos pela A-6, rumo à Toledo, que outrora foi capital de um dos reinos que agora pertencem ao Reino da Espanha. Acessamos o anel viário de Madrid (a M-40) e chamou a atenção o tamanho da Lua (percebi que aquelas imagens da Lua bem grande que aparecem nos jornais é vista no hemisfério norte. Jamais tinha visto daquele tamanho em São Paulo).
       
      Na M-40, aparecia o acesso à Toledo pela AP-41. Só que sabia que essa era a via mais moderna e pedagiada, criada para desafogar a via mais antiga, a A-42 ou Autovia de Toledo – de qualidade um pouco inferior, porém tranquila de dirigir (e pela quantidade de carros que haviam nela, não era só eu que queria economizar o dinheiro do pedágio).
       
      Depois de passar num supermercado na periferia de Madrid num dos acessos da A-42, chegamos à Toledo. Como a cidade é extremamente turística, a disponibilidade de leitos é enorme, mas parte deles é na parte histórica da cidade, inacessível de carro (fora que os que tinha visto eram meio caros...).
       
      Fomos procurar hospedagem na área mais moderna e encontramos um hostal (pensão em espanhol, que não vejo diferença prática para um hotel) no limite da entrada da cidade. Além de ter um bom preço (€ 55), ainda podia deixar o carro na frente da hospedagem sem custos – como a cidade é muito turística, várias ruas têm zona verde (o equivalente a zona azul daqui); mas o hostal ficava exatamente no limite fora da zona verde (existem outros estacionamentos livres em Toledo, mas de deixar na frente da hospedagem é mais difícil). Como percebi que o preço do hostal estava bom e sem custos para o veículo, fiz 2 diárias – menos uma hospedagem para procurar no dia seguinte e se preocupar (me surpreendeu que o funcionário do hotel conseguia falar menos inglês do que eu). Agora, restava preparar a comida que fora comprada no supermercado.
       
      Dia 04/12 (12)
       
      Era o dia disponibilizado integralmente à Toledo. Fora do hotel, saímos rumo à área antiga da cidade e aproveitamos para tomar um café-da-manhã numa padaria fora da área turística. A despeito do termômetro marcando -3ºC, estava tranquilo andar nas ruas – exceto do frio que subia pelo tênis em alguns lugares sombreados. Não é preciso se preocupar muito com um guia para andar pela cidade pois as hospedagens oferecem gratuitamente um mapa com as atrações.
       
      Toledo se assemelha a Veneza em alguns pontos: o melhor ato para um turista em ambas as cidades é se perder por suas ruelas (ou canais, no caso de Veneza); o preço de alguns bens ou serviços podem ser demasiadamente caros; existem inúmeros golpistas ou outros que só querem arrancar dinheiro de turistas. Só que isso só descobri após ter conhecido as 2 cidades e ter adquirido um pouco da experiência. Mas experiência a gente só ganha... experimentando.
       
      Estávamos na Plaza Zocodover vendo o mapa para encontrar o caminho para a próxima atração, quando um homem se aproximou, puxou um papo para fazer aquela amizade e indicou um local para que conhecêssemos, e ele se ofereceu como guia para mostrar o caminho – faltou malícia da nossa parte; só faltava ele cobrar por isso ou ser um assalto. Felizmente, o local era só uma loja de venda de joias em ouro (Toledo é famosa pela produção de espadas e trabalhos com ouro). Mas o homem não devia ser bom para reconhecer potenciais clientes – se conhece esse blog, capaz de passar bem longe da gente.
       
      Por sorte, apesar da perda de alguns minutos com esse “passeio” o qual não queríamos, voltamos para o foco que era conhecer a cidade. A mistura de arquitetura romana, sarracena e medieval torna a cidade uma visita obrigatória. Pesquisávamos no guia uma atração que achássemos interessante (fora os que eu tinha visto ainda no Brasil) e, assim, fomos à Puenta de Alcántara e Puenta San Martín, que permitem a travessia do Rio Tajo (isso mesmo, o rio Tejo de Lisboa passa por Toledo com a “mudança de letra”), andamos pelas muralhas da cidade e fomos para a primeira atração paga do dia: a Sinagoga de Santa Maria de La Blanca. Era a chance de conhecer uma sinagoga e ainda por cima, secular. Nos perdemos mais um pouco e chegamos ao Monasterio de San Juan de Los Reyes, que lembrava outros prédios antigos vistos em Portugal, mas não deixava de ser muito interessante – cada local de sua beleza intrínseca que não dá para comparar. Existem outras atrações na cidade, inclusive de graça, como as Cuevas de Hércules (mas estavam fechados no dia).
       
      Posteriormente, fomos à Iglesia de Santo Tomé, no qual pagamos € 3,00 cada um para ver a igreja e ver UMA pintura de El Greco (essa igreja foi cara... 48 reais para ver um quadro!! Tudo bem que é uma obra-prima de El Greco, mas o que não falta na Europa é obra-prima...). Caímos na pegadinha de passeio caro em Toledo.
       
      Depois da furada de pagar pelo “passeio relâmpago” (acho que não durou nem 5 minutos), ficamos mais reticentes em pagar pelas atrações e fomos em outras igrejas da cidade que possuíam acesso gratuito – e o que é pior, eram ainda maiores que a de Santo Tomé.
       
      Em Toledo, existe uma pulseira turística que permite acessar até 7 atrações da promoção por € 10,00. Contudo, repare que fomos somente a 3 atrações dessa promoção, a um custo total de € 9,00. Depois da experiência com o Lisboacard em Portugal, considerei que esse tipo de “ganho” podia não ser muito vantagem para nós. Pode até ser que você vá nas 7 atrações, mas que garante? Para turistas de primeiro, segundo e até terceira viagem é melhor ir com calma na compra de combos de ingressos. Essas “facilidades” podem custar caro...
       
      A tarde avançava e era preciso comer – mas todos os lugares que via o preço era de, pelo menos, € 10,00. Sabendo do preço que tínhamos pago pelo almoço em Porto (€ 3,00, lembra?), sabia que era preços para turistas. O que fazer? Solução: fast-food (não tem jeito. Para não gastar horrores com comida, vá no supermercado e leve comida na mochila e/ou vá no fast-food).
       
      Tem ainda a Catedral de Toledo, mas consideramos caro o acesso de € 10,00 por pessoa. Ora, tínhamos visto já muito mais igrejas durante a viagem e eram bem mais baratas (fora a raiva de ter pago € 3,00 para ver somente UM quadro). Pode ser que valesse a pena. Mas o que não falta na Europa é igreja e o melhor para “turistar” em Toledo é conhecer a cidade se perdendo por suas vielas.
       
      Depois de andar mais um pouco pelas ruas e vielas, o cansaço bateu – e a tarde já estava acabando. De volta ao hostal, fui pesquisar a hospedagem para o dia seguinte em Madrid. Apareceu um hotel por 140. Euros? Não, reais! (Era por € 32,00 para 4 pessoas).
       
      Dia 05/12 (13)
       
      Como tinha encontrado a hospedagem que ficava próxima ao centro de Madrid, o carro não seria mais necessário (apesar da reserva ser até o dia 06) e deveria devolvê-lo à locadora no aeroporto.
       
      Depois de tomar o café-da-manhã no hostal (não se iluda, não é barato – mas foi mais proveitoso do que pagar para ver UM quadro do El Greco), entrarmos no veículo para percorrer o trecho final rodoviário pelas A-42 e M-40 até o Aeroporto de Madrid-Barajas. Queria aproveitar a conveniência do carro e fomos ao supermercado que ficava próximo à M-40 (que era o supermercado que tinha planejado para ir na chegada à Europa), aproveitando que tínhamos espaço nas malas para despachar – geralmente esses supermercados na periferia são maiores e mais baratos do que os na área central da cidade.
       
      Fora do supermercado, tinha visto ainda no hostal onde era o último posto de combustível antes do aeroporto pelo Google Maps para minimizar eventual pagamento para completar combustível. De volta ao estacionamento da locadora no aeroporto, a funcionária apareceu e perguntou se queria que a vistoria fosse feita depois ou na minha presença. Pedi, óbvio, para fazer na hora (vai saber o que podiam alegar depois?). A funcionária olhou a lateral do carro, o ponteiro do combustível, mais 1 minuto e acabou. Eles me mandaram o comprovante de forma eletrônica por e-mail, simples assim. Bastava devolver a chave no guichê da locadora – e esperar alguma cobrança no cartão de crédito pela locadora por multa de trânsito ou outro motivo; mas considerando o intervalo entre a realização da viagem e a construção desse blog sem nenhuma “novidade”, devo considerar que o resultado da minha experiência ao volante pela União Europeia foi um sucesso.
       
      Encerrado o assunto do carro, fomos à estação de metrô do aeroporto. Assim como em Lisboa, tinha cometido o erro de não ter estudado direito o sistema de transporte público em Madrid – por sorte, fica um atendente do metrô para auxiliar os perdidos que saíram do avião para comprar o bilhete e, inclusive, mostrou a opção que era a mais barata para nós (mas isso não é motivo para não se preocupar. Entender e estudar o sistema de transporte no exterior é obrigatório).
       
      Embarcamos no metrô e descemos na estação Alonso Martinez. Tinha recebido a mensagem com o código para liberar a entrada e chegamos no hall do hotel. Sabe aqueles ambientes típicos de mafiosos, de salas de madeira escura e sofá preto? Era esse a imagem do hotel. Procuramos o atendente... cadê o atendente? O hotel era todo eletrônico, tinha de falar por um comunicador, como se fosse uma ligação por telefone – só que não em português. Haja paciência do atendente. Vai uns bons minutos até conseguirmos o código para o quarto e wi-fi.
       
      Resolvida a questão com Dom Corleone, deixamos as malas no quarto e mexemos no termostato para deixar o quarto mais quente. Como o hotel ficava próximo do centro histórico, não havia necessidade de pegar metrô – e lá fomos pelas ruas madrilenas até chegarmos até a região da Puerta del Sol, umas das praças mais famosas da capital espanhola. De lá, como não podia ser diferente, compramos churros (não, não era o Seu Madruga que estava vendendo) e chegamos ao Palácio Real de Madrid. É o maior palácio real da Europa. E estava com uma baita fila que não andava. Para não ficar parado em fila errada, fui ver o porquê. Era fila das pessoas que aguardavam o horário para entrada gratuita. Considerando o custo na época de € 10,00 por pessoa, valia muito a pena (tinha esquecido dessa entrada gratuita, já que são muitos detalhes para analisar para fazer a viagem – mas entrada gratuita pode ser furada, em casos de atrações que tenham atratividade excepcionais, como o Musée du Louvre ou Coliseu).
       
      Dentro do palácio não era permitido tirar foto – uma pena, pois descobri que eu amo passear pelas luxuosas salas reais. A opulência das salas, das paredes, das cadeiras, dos lustres, das mesas, das camas, dos vasos, do piso, dos carpetes, das cortinas, dos móveis, de TUDO é sem palavras. Ali era o retrato no século XX das monarquias absolutistas europeias, a mais pura ostentação. Se foi certo ou errado à época, não cabe a minha avaliação. Mas é lindo demais poder ver.
       
      Feito o passeio pelo palácio (e economizado pela entrada gratuita), fomos à Catedral de La Amuldena, que fica ao lado do palácio real. De entrada franca, é a principal igreja de Madrid – e mais uma para conhecermos e aproveitar para descansar.
       
      Fora da igreja, dirigimo-nos até a Plaza de España onde fica o monumento a Cervantes (mas estava em obras...). Dessa praça começa a Gran Vía, principal avenida de Madrid (uma versão da Avenida Paulista). Percorremos a avenida com dificuldade pelo excesso de pessoas até encontrar uma lanchonete. A área da avenida é composta por diversas lojas de departamento, como a famosa El Corte Inglês. Porém tinha um ponto da avenida que tinha um enxame de pessoas; depois percebemos que era justamente a loja que minha irmã [e vários brasileiros] procuram: Primark, loja de departamento realmente muito barata. E é na Gran Vía que fica a segunda maior loja do grupo no mundo, então já dá para imaginar o mar de pessoas que estavam no lugar (confesso que não conhecia a loja – e nem sua fama; mas vale a pena para roupas de inverno, mesmo com o euro a 6 reais).
       
      De volta ao hotel, abrimos a porta do quarto e fomos cobertos por uma lufada de ar quente – regulamos mal o termostato e o quarto ficou quente demais. Mesmo abrindo a janela e dormindo só com lençol, o quarto não esfriava – lição de viagem: não mexa em termostato que não conheça.
       
      Dia 06/12 (14) e 07/12 (15)
       
      Num dos documentos que tinha visto para dirigir pela Espanha, descobri que o dia 06/12 era feriado no país – e que alguns museus tinham entrada gratuita. Infelizmente, não era o caso do Museo Nacional del Prado, mas o Museo Nacional Reina Sofía sim.
       
      Com o termostato do quarto regularizado, deixamos nossas malas no hotel (tinha conseguido perguntar ao Dom Corleone pelo whatsapp se podia deixar as malas) e saímos pela cidade até o museu. Como é o caso de conhecer a cidade, não faz muito sentido pegar o metrô e fomos a pé, tendo em vista a conveniência do feriado, pois a cidade estava vazia [nesse horário]. Voltamos à Gran Vía, mas dessa vez fomos no sentido oposto ao palácio real e passamos pelo Edifício Metrópolis (“marca registrada” de Madrid) e chegamos à Puerta de Alcalá (versão espanhola do Arco do Triunfo). Seguimos pela Calle del Alfonso XII e chegamos ao Reina Sofía.
       
      É um museu de obras espanholas de artistas do século XX, mas descobrimos que a nossa preferência é por obras mais “clássicas”. Existem várias obras modernas que não nos encantava como as obras renascentistas que vimos na Itália – tinha até um quadro do Miró que apelidamos jocosamente de O Sapatinho de Miró, que era simplesmente um quadro com um sapato pintado [e o nome de seu pintor]. No museu fica a célebre obra Guernica, de Pablo Picasso. O quadro era vigiado por 2 seguranças e é enorme – porém não pagaria € 10,00 para ir ao museu. Pode ser que, para quem aprecia as várias artes, seja interessante – mas para um leigo como eu, o Palácio Real de Madrid foi bem mais interessante.
       
      Fora do museu, fomos tomar o café-da-manhã – e aproveitar para pegar o wi-fi na lanchonete. De lá, fomos para o Parque de El Retiro, um gigantesco parque urbano criado no século XVII para atender a nobreza espanhola e que agora serve à população e estrangeiros – possui, entre outros, o Palácio de Cristal, Palácio de Velázquez e o Monumento a Alfonso XII (para nós foi mais divertido ir ao parque do que o museu – questão de gosto).
       
      Do parque, voltamos para Gran Vía – havia mais produtos para conhecer na Primark. Só que o vazio da cidade na manhã foi trocado à tarde – a região estava lotada, e a loja muito mais. Depois de passear pela área, fomos numa pizzaria e escolhi pizza mediterrânea, composta por nozes (mesmo na Itália não encontrei essa pizza – recomendo muito).
       
      Voltamos ao hotel para pegar nossas malas até o prazo estipulado para retirada (19 hs). Embarcamos no metrô e voltamos ao aeroporto. Nosso voo era às 8 da manhã do dia seguinte, mas teríamos que nos apresentar à companhia aérea para despachar as malas pelo menos às 6 da manhã. Ora, mesmo escolhendo um hotel próximo ao aeroporto (que é difícil de encontrar barato), teríamos a preocupação em não perder o voo e, provavelmente, dormiríamos mal. Além disso, devido ao horário, seríamos obrigados a pegar táxi, aumentando o custo. Por isso, escolhemos dormir no aeroporto. Esse caso possibilitaria economizar na hospedagem e evitaria preocupação de perder o voo. Desconfortável? Óbvio que é. No entanto, a quantidade de pessoas que também foram dormir no aeroporto (um inclusive colocou um colchão para dormir) mostrava que não a ideia não era exclusiva.
       
      Dormir em aeroporto é tão comum que até existe um site (https://www.sleepinginairports.net/) para auxiliar os dorminhocos. Considero que existem uns pontos a serem ressalvados, como procurar dormir em grupo; deixar todo o dinheiro e passaporte dentro da pochete (evitar deixar nos bolsos); ter mais cuidado em aeroportos de países subdesenvolvidos. Como é uma ação muito cansativa, é melhor fazer quando pega o voo de regresso, já que o cansaço pode afetar a viagem – ou ter o risco de perder um dia inteiro no país de destino para se recompor.
       
      Chegando no aeroporto, era o caso de “passear” pelo complexo para esperar o tempo passar e aguardar até as 6 da manhã. Lógico que dormirmos mal, e perto das 6 fomos ao guichê da companhia aérea – e já tinha uma fila enorme. Apesar do voo ser diurno, o cansaço e a noite mal dormida ajudou em conseguir dormir na aeronave.
       
      A bafo de ar quente da primavera que veio no rosto quando saímos do avião conclamava: estava de volta. Fim de viagem. Mas fica aquele gostinho de quero mais...
       
    • Por Felipe Marques Santana
      Venho aqui compartilhar o meu mochilinha de 27 dias pela Europa. Essa foi a 1ª experiência no continente. Com certeza, voltarei muitas outras vezes.
      Bom, iniciarei pelo planejamento.
      Comprei passagens de ida e volta por Bruxelas, pois tenho uma amiga que mora numa cidadezinha não muito longe de lá: Boortmeerbeek.
      Comprei com muita antecedência, no mês de maio, mas consegui um bom negócio: 2400 reais pela cia Air Europa. Os voos tinham escala em Madri, pois não há, por nenhuma cia, voos diretos até Bruxelas.
      No mês de setembro reservei os hostels em Paris, Amsterdã, Berlim e Londres. E comecei a pensar como faria os trechos internos. Bom, na maioria dos casos utilizei o trem, todos tíquetes comprados com 3 meses de antecedência para pagar um menor valor. Os trechos Bruxelas>Paris e Paris>Amsterdã foram realizados com o Thalys. No primeiro paguei 22 euros e no segundo 29 euros. Já de Amsterdã a Berlim, preferi fazer aéreo, pois o trem demorava 6 horas e além de tudo o preço não era atraente. Acabei comprando a passagem pela Easyjet (60 euros, com direito a despachar uma mala); no trecho Berlim>Londres comprei pela Easyjet também, com o mesmo preço e as mesmas condições. Em Londres queria fazer um bate-volta a alguma cidade do interior, e acabei escolhendo Cambridge pelo preço das passagens de trem (12 libras ida e volta!). Para finalizar, fiz o trecho Londres>Bruxelas de Eurostar, uma facadinha: 60 euros! =(
      Tíquetes de atrações, só comprei 2 de forma antecipada: visita à casa da Anne Frank em Amsterdã (10 euros) e London Eye (24 libras).
      Com tudo certo, só restava viajar!
      E numa data inusitada: 31 de dezembro! Como não ligo muito para Ano Novo, decidi ir nessa data: um dos motivos para as passagens estarem baratas! hehehe
      Fiz o voo de São Paulo a Madri em uma saída de emergência, pois o atendente ao ver a minha altura (1,91m), ficou com pena de mim! O voo foi ótimo! =) A aeronave era um pouco antiga, mas não foi um problema. A comida servida era muito boa! E tinha água e refrigerante no fundo da aeronave à vontade, era só pedir. Uma vez em Madri, esperei cerca de 3h pela conexão, nada que atrapalhasse, mas o aeroporto estava com as lojas fechadas e meio vazio. O segundo voo também foi em aeronave antiga, mas foi tão tranquilo quanto ao outro. Ao chegar em Bruxelas, andei, andei, andei, andei até chegar à área onde estavam as esteiras, peguei a minha mala (ufa, ela chegou!) e esperei a minha amiga chegar para me buscar.
      A casa dela não era muito distante do aeroporto, em cerca de 40 minutos, já estava lá, local que ficaria 4 dias no início da viagem e mais 1 no final.
      Nesse primeiro dia, praticamente descansei, almocei e depois à noite fui até Bruxelas encontrar uma amiga que estava lá por coincidência! =) Para ir até lá, fui de trem. Na Bélgica os trens regionais funcionam bem e quase sem atrasos. As compras podem ser realizadas pelo site da Belgium Rail, ou em máquinas nas estações. As máquinas aceitam cartão e moedas, esqueçam dinheiro!
      Passagem de ida e volta comprada, era só embarcar. De Boortmeerbeek até Bruxelas era mais ou menos 1 hora, com uma troca de trem em Mechelen, uma cidade maior e com mais conexões. Há trens muito antigos, mas também há aqueles modernos, porém vários deles são pichados na parte externa, achei estranho Bom, chegando na estação Brussels Centraal/Bruxelles Central (tudo em Bruxelas é bilingue, inclusive o nomes das cidades!) fui até a Grand Place/Grote Markt de lá, que é um espetáculo à parte. Ainda estava rolando a feira de Natal, além de a cada hora um lindo show de luzes. Quando cheguei encontrei a praça assim:

      Linda, não? É o lugar mais bonito de Bruxelas, sem dúvida! =)
      Encontrando a minha amiga, fomos até ao Bar Little Delirium (não fomos ao grande, por ser muito lotado). Lá pudemos provar vários tipos de cerveja belga (as melhores da viagem) por preços razoáveis. Também aproveitei a ocasião para provar uma daquelas delícias culinárias belgas: o waffle. Esse tinha nutella e morangos! Muita vida! hehehe
      Depois de mais um rolê pela cidade, me despedi dela, pois era tarde e tinha que pegar o trem até Mechelen (ou Malines, em francês), onde a minha amiga e o seu noivo me esperavam, pois não haveria mais trens para Boortmeerbeek. =(
      Eles aproveitaram para me mostrar, de carro, como era a cidade. O lugar mais interessante é a Catedral Metropolitana, que possuía na idade média, uma das torres mais altas da Europa, pois a cidade era um entreposto comercial importante.

      Bom, escrevi bastante. No próximo post continuo o relato. (Obs: pode ser que demore um pouco, tanto pelos detalhes, quanto falta de tempo mesmo! hehehe)
      Até a próxima!
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