Ir para conteúdo
View in the app

A better way to browse. Learn more.

Mochileiros.com

A full-screen app on your home screen with push notifications, badges and more.

To install this app on iOS and iPadOS
  1. Tap the Share icon in Safari
  2. Scroll the menu and tap Add to Home Screen.
  3. Tap Add in the top-right corner.
To install this app on Android
  1. Tap the 3-dot menu (⋮) in the top-right corner of the browser.
  2. Tap Add to Home screen or Install app.
  3. Confirm by tapping Install.

Olá viajante!

Bora viajar?

Postado
  • Membros
  • Este é um post popular.

Em 2019, realizei a maior viagem da minha vida e agora, finalmente decidi compartilhar um pouco dela aqui :) espero que gostem!

Capítulo 1: Preparação e França

Em setembro de 2018, decidi largar a faculdade e juntar dinheiro para me jogar em uma aventura na Europa. Estava trabalhando em uma ONG de intercâmbio voluntário e fechei um pacote para passar 45 dias na Croácia por R$400 reais. Muito barato! Pelo menos tinha a hospedagem garantida. (Só vim saber exatamente onde ia dormir quando cheguei na Croácia, mas essa parte fica para outro momento)

 Tinha pouquíssimo tempo e pouquíssimo dinheiro (somente R$1000 guardados) pois planejava passar o ano novo em Paris (já que as passagens no inverno são mais baratas). Vendi praticamente TUDO o que eu tinha, roupas, livros, e vendia comida na rua (principalmente bolo vegano)! Contava a história de que estava indo realizar meu sonho de mochilar, e muitas pessoas me davam dinheiro sem nem pegar a fatia, para que eu vendesse para outra pessoa. Lembro-me de um dia em que ofereci o bolo para dois senhores em um restaurante chique: Um me deu uma nota de R$50 e outro, de R$20. Quase engasguei de surpresa hahaha 😅 depois de vender muito bolo, pastel e etc, consegui juntar R$2500, que somando com o que eu tinha guardado, foi o preço da passagem de ida e volta! Poderia ter pago bem mais barato se tivesse comprado com mais antecedência, então essa é a primeira dica: Se você for fazer na loucura que nem eu, presta atenção nas promoções e procure as datas mais baratas (usei o Skyscanner para isso) mas se você tem mais tempo, compre com antecedência, pois isso pode te fazer economizar uma boa grana! 

Outra dica: se você vai vender na rua para juntar grana e viajar, não seja seletivo. Eu era um pouco mais tímida, e só oferecia para pessoas que não estavam em grandes grupos e ainda era seletiva, escolhia na rua para quem ia oferecer. OFEREÇA PRA GERAL! HAHA Sério!

Fiz vaquinha, continuei vendendo e tive também uma ajuda dos meus pais. Acabei indo com cerca de 800/900 euros (ou seja, eu iria me virar com uma média de 100 euros por mês). Na época, isso seria mais ou menos R$4000. 

Cheguei em Paris e nem podia acreditar que estava ali. Eu nunca nem havia saído do nordeste! Estava fazendo 7 graus, e eu estava com um agasalho de inverno. Porém quando eu digo inverno, é inverno nordestino, ou seja, não servia para quase nada :D me lasquei de frio, então outra dica: Não seja mão-de-vaca como eu fui na hora de investir em roupa de inverno. Porquê meu pensamento foi "São menos de três meses de frio, eu vou sobreviver". NÃO PENSEM ASSIM, PELO AMOR DA BICICLETINHA! 

Fiquei uma semana em Paris e dei um bate e volta em Versailles com uma amiga peruana que fiz através do Couchsurfing. Fui no museu do Louvre de graça (o Louvre é gratuito nos sábados à noite, na baixa temporada! Outro motivo de querer ir pra Paris no ano novo). Fui na Sacred Coeur, Notre Dame (não entrei porquê era pago) e bati bastante perna! Os franceses a quem pedi informação foram gentis e prestativos. O segredo é começar com "Bonjour/Bonsoir! Excusez-moi parlez-vous anglais?" (Bom dia/boa noite! Com licença, você fala inglês?)

A ideia era pagar pelo transporte (e ainda paguei algumas vezes) mas os próprios parisienses me ensinaram como burlar o metrô 🤷‍♀️ quase não paguei transporte público nesse mochilão. Não estou dizendo que é certo, mas era a forma que eu tinha de economizar. Se você puder pagar, pague, pois se você for pego, paga uma multa de em média 100 euros! 

Duas vezes pedi informação sobre como comprar um ticket de metrô pois estava toda enrolada, nas duas vezes, as pessoas tentaram me explicar, mas resolveram pagar pra mim. Gentileza que você não espera!

Fiquei na casa de duas pessoas do Couchsurfing. Me senti muito desconfortável na casa do meu primeiro host, era um francês que morava sozinho e era uma pessoa inconveniente, mas no da segunda, foi ótimo ❤️ uma paquistanesa super gente fina, que morava com o namorado francês e tinha um gatinho, o Pablito. Eles foram ótimos! A paquistanesa falava seis idiomas, incluindo português (se eu não soubesse que ela era do Paquistão, diria que era paulista pelo sotaque!)

Maas, na noite de ano novo, acabei dormindo no hostel onde a minha amiga do Peru estava se hospedando. O metrô estava fechado (eram 3h da manhã) e eu teria que esperar até às 7h. Tinha uma cama vazia no quarto que ela estava: Ela parou um pouco, pensou e disse baixinho: "Fica aí até às 7h, antes de checarem os quartos para limpeza"! Dei um cochilo, às 7h acordei e meti o pé. Passei pela recepção sem olhar para trás, mas a pessoa que estava na recepção nem disse nada. Provavelmente é difícil saber quem é hóspede ou não em uma época tão festiva. 

Voltei para a casa do meu host com o c* na mão, pois quando cheguei na estação da zona que ele mora, eram 8h da manhã e ainda estava escuro - e não tinha ninguém na rua. Porém em um determinado momento passei por uma menina que estava andando e mexendo no celular tranquilamente e fiquei um pouco mais tranquila. A pessoa só faria isso em um lugar minimamente seguro, não é?  Mas ainda fiquei em alerta até chegar na casa do meu host. 

 

Depois da França, peguei um voo para a Croácia (que estava incluso naqueles R$3500). Cheguei em Zagreb e peguei uma van até Rijeka, a cidade onde ficaria por 45 dias (acabei ficando 50 dias). 

 

 

 

58c43fdc-c149-453c-94cf-d4b5c6bfa457.jpg

306f8133-93f0-4fb0-bb21-3119b8a5c9d0.jpg

17219aef-41fd-4d19-bab0-50edfe1595e2.jpg

aa65f518-9266-43fd-864e-84a111ca1ced.jpg

2019-01-02 11.05.19 1.jpg

2019-01-02 11.36.37 1.jpg

2019-01-05 12.39.34 1.jpg

2cc413fc-8b72-456a-9dd0-375e967d18dd.jpg

1504334465_2019-01-2708_40_252.thumb.jpg.f15921ad1245cdc689cf01a0f6387865.jpg491789275_2019-01-2708_40_251.thumb.jpg.b42d89c76480a9cb484df1caa04404e7.jpg

  • Respostas 41
  • Visualizações 15.7k
  • Criado
  • Última resposta

Usuários Mais Ativos no Tópico

Most Popular Posts

  • camilandarilha
    camilandarilha

    Lamento que isso tenha ocorrido com sua família, mas acho que acreditar ou não em igreja, não vem muito ao caso no nosso assunto, meu caro. Confesso que era mais ingênua nessa época da viagem (tinha 1

  • camilandarilha
    camilandarilha

    Capítulo 4: Hospitalidade sérvia e primeira carona da minha vida! Quando enviei meu pedido para passar duas noites na casa da Lena, só havia uma única frase em seu perfil: "Eu não estou aqui conv

  • camilandarilha
    camilandarilha

    Capítulo 9: Caronas e a magia da Escócia. Tentei escrever essa parte do relato várias vezes (por isso a demora para atualizar) Mas, vou pular um pouco a parte de me sentir querida pela família Co

Posted Images

Featured Replies

Postado
  • Autor
  • Membros

Capítulo 7: Uma semana maravilhosa em Viena!

A minha host não estava no Airbnb quando cheguei, então fiquei esperando-a na frente de uma cafeteria. Parecia que tudo que eu tinha vivido naquele dia, tinha sido há eras. Estava agora na Áustria, e estava com um bom pressentimento sobre a minha estadia lá.

Quando Luyi chegou, subimos para o Airbnb e deixei minhas coisas. Ela me mostrou o apartamento, e que lugar maravilhoso que era! Fiquei muito feliz quando recebi sua oferta no Couchsurfing. Ela estava na Europa a passeio, e tinha vindo sozinha da Austrália: disse-me que achava um desperdício ficar naquele Airbnb lindo e espaçoso sozinha, então perguntou se eu gostaria de dormir lá. Aceitei prontamente, mesmo que ela tivesse apenas duas referências no Couchsurfing. Por ser uma mulher e por ter sentido apenas sinceridade na mensagem, sabia que seria tranquilo.

Depois de deixar a minha mochila, saímos ao encontro de uma austríaca que a Luyi tinha conhecido também pelo couchsurfing. Jantamos pizza enquanto a esperávamos. Pouco tempo depois, chega a Sonja acompanhada de um amigo, o Sebastian. Que pessoinhas mais animadas que eles eram ❤️ demos muita risada juntos, e andamos um pouco pela noite de Viena. Acabamos em um bar, onde fiquei praticamente dormindo na mesa de tão cansada que estava! E o único drink que tomei também ajudou no sono. Voltamos de metrô (que não tem catraca, então é facinho de não pagar) e fomos descansar para o dia seguinte. Mas antes disso, tomei um belo banho quente de banheira, que foi mais do que merecido depois das desventuras e aventuras daquele dia! Foi a recompensa pelos perrengues de Budapeste, aquele banho e a saída com os três.

No dia seguinte, acordei renovada. Fui tomar café da manhã com a Luyi (que bancou todas as minhas refeições quando estava com ela, valeu Luyi!) e fomos explorar a cidade. Fomos a um bairro super fofo, cheio de arte e prédios com design diferenciado. Almoçamos guioza, e todo o pedido foi feito em mandarim, adorei presenciar aquilo.

Depois disso, fomos até o Palácio de Schönbrunn, que é considerado o Palácio de Versalhes de Viena. A visita vale muito a pena, e o passeio pelos jardins é gratuito. Batemos bastante perna!

Viena em si é um lugar que vale muito a pena. É tão linda que você não precisa nem ir a museus, pois a cidade em si, parece um museu a céu aberto!

Diverti-me muito na companhia de Luyi. Lembro-me de termos comparado os animais da Austrália com Pokémons e de rirmos muito de um banco chamado “Die Bank”. Também em um momento no metrô, eu estava bem distraída quando de repente, Luyi me puxa para fora do vagão (não era a nossa parada).

-O que houve??

-Estavam checando tickets!

Não consegui me conter e caí na gargalhada. Senti aquela adrenalina de matar aula na época da escola, sabe? Só que nesse caso, envolveria prejuízo financeiro rs.

Espero reencontrar a Luyi algum dia.

Ok, voltamos para o AirBnB e recebemos um convite da Sonja e do Sebastian para irmos para um pub algumas horas depois. Fui encontra-los e Luyi ficou, dizendo que nos alcançava depois.

Fui até o apartamento onde os dois moravam, e adorei a energia daquele lugar logo de cara! Eram pelo menos oito universitários morando ali, e o lugar tinha uma decoração bastante caótica e única, como se refletisse os espíritos deles e a diversão de morar ali. Levei meu cantil de Rakia, e trocamos goles das bebidas que tínhamos. Depois de um tempo, saímos rumo ao pub, Sonja, Sebastian e eu. Chegamos e pouco tempo depois, a Luyi juntou-se a nós. Quando cansamos da música daquele ambiente, as meninas e eu fomos atrás de um espaço diferente, e achamos um lugar com decoração chinesa que estava tocando música latina! Aquela noite foi perfeita. Depois de sairmos dali e encontrarmos o Sebastian novamente, cantamos a abertura de Bob Esponja em português, espanhol, alemão e inglês haha! Me diverti muito na companhia deles.

No outro dia, Luyi me chamou para ir ao Lentos Museum, que fica em Linz, uma cidade que fica há mais ou menos 1h de trem. Disse que não podia pagar, e ela disse que pagaria, como se aquilo já estivesse implícito no convite. Fiquei feliz, pois estava gostando muito da companhia dela, e ela da minha. Luyi iria embora no dia seguinte.

Fomos ao museu, vimos exposições modernas, pegamos chuva! Foi ótimo.

Tinha gostado muito de Viena, e estava querendo ficar um pouco mais, inclusive para decidir o que faria a seguir. Estava ainda bastante frio para pegar carona, e teria que ficar três meses fora do espaço Schengen, se quisesse voltar no verão. Mandei mensagem para a Sonja, perguntando se poderia passar os próximos dias lá, e ela disse que não teria problema.

Luyi foi embora pela manhã. Nos despedimos, e dissemos que nos encontraríamos novamente. Talvez no Brasil, talvez na Austrália, quem sabe!

Os dias na casa de Sonja e Sebastian foram muito agradáveis, e todos foram bastante gentis. Estava gostando tanto da companhia daquelas pessoas que me estendi um pouco. O plano eram 3 dias em Viena, acabei ficando quase uma semana lá.

Depois de pensar um pouco, decidi ir para o Reino Unido. Poderia ficar por lá até esquentar um pouco mais, e por três meses, tempo suficiente para zerar meus dias no espaço Schengen. A passagem de Viena para Londres custou apenas 20 euros, pela Ryanair! Eu não tinha cartão para comprar a passagem, mas sabia que uma solução apareceria.

No meu último dia na capital austríaca, fui a um hangouts com uns couchsurfers. Diverti-me demais. Havia um italiano apaixonado por Istambul, um francês, um brasileiro, um sírio e uma turca. Diverti-me muito na companhia daquelas pessoas, sinto que aprendi bastante também.

Estava comentando com o brasileiro sobre estar tentando comprar uma passagem para Londres, quando ele disse que eu poderia entregar para ele os 20 euros, e ele compraria a passagem no cartão dele. Fui salva e na madrugada seguinte, iria para o aeroporto de Viena.

 

Antes de ir embora, fui em um protesto e também fui na Decathlon resolver o problema da mochila e dos sapatos. Gastei 150 euros nos dois, e agora me restavam 200 euros para os seis meses seguintes.

De meia-noite, me despedi do pessoal e fui rumo ao metrô; meu vôo seria às 5h. Estava morrendo de medo de me perder (e de ser pega, pois não estava pagando o metrô) quando uma moça que estava caminhando perto de mim, começou a falar comigo em português! Ela me tranquilizou e fomos juntas para o aeroporto; disse-me que poderia procura-la caso necessário, pois trabalhava ali.

Nessas horas que me dou conta da quantidade de pessoas que me ajudaram. Essa é a prova de que tem mais gente bem-intencionada do que mal-intencionada no mundo. Lembre-se, caro leitor, de sempre confiar bastante no teu sexto sentindo: desconfiar de todos não vai te ajudar, o que vai te ajudar é trabalhar tua intuição: assim, tu sentirás facilmente em quem não confiar, pois a energia da pessoa vai gritar exatamente a intenção dela (como foi no caso do caminhoneiro romeno; não senti uma energia perigosa, só de babaca: dito e feito.)

Por volta das 7h30, cheguei a Londres. Mal sabia eu quanta coisa iria viver no Reino Unido...

 

Sebastian e Sonja, a divertida dupla dinâmica!

image.thumb.png.a342ef0a379e73277f16f8dcb3821b47.png

 

A maravilhosa Luyi!

image.png.c0bdad09b5d6d3a9736ebc9acd4f397a.png

 

Foto tirada no LENTOS MUSEUM.

image.png.96d86f7ffc99de821eef27311a39f140.png

 

 

Postado
  • Autor
  • Membros
Em 20/04/2021 em 21:37, Taciano Bahia disse:

Opa! Já comprei o pacote para acompanhar todos os capítulos ::otemo::

E, se for possível, também quero me cadastrar para a próxima aventura... viajar com você deve ser muito divertido 😅

OBS: Sou especialista em furar pneus de caminhoneiro ousado 🤫 ::lol4::

Obrigada por ler!! ❤️ E hahaha, se organizar direitinho, todo mundo viaja XD 

  • 2 meses depois...
Postado
  • Membros

Aguardando ansiosamente os próximos capítulos dessa aventura linda! 

Postado
  • Membros

@camilandarilha A sua historia é top, é de superação. Mas, é uma história que deu certo dentre muitas que não dão.

Para enriquecer mais ainda seu relato sinto falta de falar em valores e o que realmente conseguia comprar em termos de necessidades básicas...  Rolou algum dia de não almoçar? Ou tipo faltar o creme dental...?

Postado
  • Autor
  • Membros

 

Em 08/07/2021 em 15:54, grasielereis disse:

Aguardando ansiosamente os próximos capítulos dessa aventura 

Obrigada por ler! Logo mais estarei dando continuidade 🌱🌱

Postado
  • Autor
  • Membros
Em 09/07/2021 em 00:14, Rafael_Salvador disse:

@camilandarilha A sua historia é top, é de superação. Mas, é uma história que deu certo dentre muitas que não dão.

Para enriquecer mais ainda seu relato sinto falta de falar em valores e o que realmente conseguia comprar em termos de necessidades básicas...  Rolou algum dia de não almoçar? Ou tipo faltar o creme dental...?

Obrigada por ler e pelo toque, Rafael! Graças aos céus, não fiquei nenhum dia sem comer. Poderia não ser um almoço propriamente dito, mas sempre aparecia alguma coisa. E essas coisas de higiene básica eu geralmente pedia às pessoas; ou elas me ofereciam antes. Houve também uma vez em que fiz um trabalho de cleaner em Brighton (cena dos próxima capítulos), e as coisas que eram deixadas nos Airbnb's que limpavamos, eram jogadas fora. (Mas na verdade os cleaners sempre pegam o que ainda está bom) Em um dos apartamentos, haviam deixado uma pasta de dente cheia; a usei até a volta para o Brasil (e até um pouco depois, na verdade). 

 

Postado
  • Autor
  • Membros
  • Este é um post popular.

Capítulo 8: Thetford e família Costa

Quando estava indo para a Inglaterra, planejava passar um tempo em Londres, usando Couchsurfing e Worldpackers – contudo, eu havia contatado Valdeiza, uma amiga de meu pai que mora na Inglaterra, pedindo ajuda quanto à carta convite. Ela me mandou, e se ofereceu para me buscar no aeroporto. Aceitei, muitíssimo grata à oferta e à carta.

Em Londres, passei 40 minutos na imigração por dizer que só tinha 200 euros e ia viajar usando couchsurfing e pegando carona na estrada. Depois de muita conversa, o oficial falou bem seriamente: olhe garota, não quero ver nenhuma notícia sobre você no jornal!

Disse que ele não ouviria falar de mim e passei. Finalmente, Inglaterra! Esperei um pouco pela Valdeiza e quando nos encontramos, ela perguntou se eu não gostaria de passar um tempo com a família dela no interior. Pareceu-me uma ótima ideia, visto que ainda não tinha planos concretos.

Quando chegamos à Thetford, conheci seu marido português, o Luís, mas não consegui conversar muito, pois estava morta de sono. Perguntei onde poderia dar um cochilo e capotei. Dormi por 16 horas! Lembro bem da voz da Valdeiza depois desse longo “cochilo”: menina achei que você tinha morrido!

Na casa também havia o Samuel, o filho deles: uma criança serelepe e travessa, e ainda sim, extremamente cativante, sendo impossível não gostar daquela criatura traquina.

Passei o mês na casa deles e vivi muitas coisas lá. Conheci muita gente da família, e inclusive mais tarde a Wânia e o Elson, irmãos da Valdeiza, iriam me abrigar em Oxford. Fui alguns sábados para a igreja adventista com eles, e lá, tinha a oportunidade de praticar inglês (foi bem difícil no início entender o culto e conversar com as pessoas, por conta do sotaque britânico), mas foram tantas coisas que se eu escrever sobre tudo, passarei tempo demais falando dessa primeira parte na Inglaterra. Mas fico muito feliz por todos que conheci. Fico feliz de ter participado um pouco da vida daquelas pessoas.

Ah, e nesse mês em Thetford, pude fazer alguns bate-voltas: conheci Bury St Edmunds, Norwich, Colchester, Cambridge...

Agora, algumas anotações que fiz durante a viagem:

“Ajudei em um evento da igreja deles, e me senti bastante útil. Lembro-me de passar horas cortando e plastificando coisas. Foi um evento dos desbravadores.

Ajudei bastante na casa, e a Deiza me ajudou muito. Por conta dela, consegui minhas primeiras 100 libras (lembrando que cheguei na Inglaterra tendo só 200 euros) . Ela me conseguiu trabalho como pintora artística em uma festa infantil, fiz brigadeiro e ajudei em bastante coisa da festa também. Eu dormia no quarto com o Samuel. Lembro que uma vez ele se deitou na cama comigo, e a Deiza veio para tira-lo. Fofo. Outra vez ele sentou no meio da noite e falou algo como “i will take you to hell” (vou te levar para o inferno) Fiquei com o c* na mão na hora e rezei (e olha que não sou religiosa); no outro dia dei risada sobre isso.  Conheci a dona Izilda e seu marido, um casal fofo de portugueses. Ela tricotou sapatinhos para mim; essas gentilezas inesperadas mexem comigo. Acredito que com todos.

Fomos para uma floresta e caminhamos bastante. Em uma delas estávamos com a Kristen, seu marido e os meninos, e fizemos um piquenique. Na outra, estávamos com a Lu, e era um lugar lindo. Deitamos na grama. Acho que foi o mesmo lugar. Um carneirinho escapou da cerca e estava chorando, a mãe dele também chorava. O Luís conseguiu pega-lo e colocar de volta junto com a mãe. O Lucas, filho da Lu, caiu no chão e chorou Lembro-me de sentir frio, e a Lu também sentia. Ficamos dentro do carro. Conversei sobre meio ambiente com a Kristen, e sobre como as mulheres alemãs já não querem ter filhos. Fizemos um piquenique em Thetford. Saí para caminhar com o Thiago. Ele me comprou doces de 1 libra, e fomos em uma biblioteca. Peguei três livros. Não cheguei a terminar nenhum.

O Samuel me deu um ukulele que estava parado em seu quarto, e comecei a aprender.

Lembro-me de estar um dia do lado de fora, admirando a lua e tocando para ela. A brisa era fria, mas agradável.”

 

“04/04/2019

Você já tá no teu caminho, não precisa ficar se planejando pra quando voltar.

Estava conversando com o meu pai, e eu sou muito grata pelo suporte que ele e a minha me dão. Ele disse que quando perguntam sobre mim, ele enche a boca pra falar que estou na Inglaterra. E que eu estou seguindo a minha intuição.

Aqui eu tenho muito tempo para pensar, e notei que gasto muito tempo pensando em como vai ser a minha vida quando eu voltar. Mas eu já estou seguindo. Estava caindo na mesma armadilha de ficar planejando o futuro. Claro que devo planejar. Mas poxa, olha o agora que eu tenho. Eu vim para o presente que eu queria e eu não quero gastar o meu presente planejando o meu futuro. Embora um dos principais motivos dessa viagem seja descobrir o que eu quero fazer da minha vida, eu já estou fazendo o que eu quero da minha vida agora. Estou sentindo e absorvendo o reflexo desse processo. E é difícil, o processo de autoconhecimento pode ser por vezes, doloroso. Não dá pra fugir de si mesmo. Como meu amigo Guilherme me lembrou "fui fugir de mim, mas pra onde eu ia, eu estava lá". Acho que a intenção sempre foi me colocar em um beco sem saída comigo mesma. Compreender-me. Ontem fui a uma reserva florestal, e em um determinado momento eu deitei na grama, fiquei acariciando-a e encarando o céu, dizendo baixinho várias vezes "obrigada". Não sei exatamente a quem exatamente eu estava agradecendo. Talvez fosse ao universo, à terra, à alguma divindade ou até à mim mesma. Hoje voltando de outra reserva florestal, paramos pra tirar uma foto em um campo de canola. Corri em direção ao campo, gritando de alegria, sem saber exatamente o porquê. Pela beleza daquele lugar? Pela vida? E ainda ontem à noite, estava triste e mais uma vez, sem saber a razão. Estou começando a notar que  tá tudo bem não racionalizar as minhas emoções sempre. As vezes, tudo que a gente precisa, é sentir. É o sentir.”

Bem, e assim foi um pouco do meu tempo no condado de Norfolk. Um mês mais calmo e Family friend.

Infelizmente não estou conseguindo adicionar imagens no momento, mas logo mais, adiciono algumas fotos tiradas em Bury St. Edmunds. :)

Próxima parada: Oxford e caronas até Edimburgo!

 

 

 

 

Postado
  • Membros
Em 24/04/2021 em 16:30, camilandarilha disse:

Capítulo 7: Uma semana maravilhosa em Viena!

A minha host não estava no Airbnb quando cheguei, então fiquei esperando-a na frente de uma cafeteria. Parecia que tudo que eu tinha vivido naquele dia, tinha sido há eras. Estava agora na Áustria, e estava com um bom pressentimento sobre a minha estadia lá.

Quando Luyi chegou, subimos para o Airbnb e deixei minhas coisas. Ela me mostrou o apartamento, e que lugar maravilhoso que era! Fiquei muito feliz quando recebi sua oferta no Couchsurfing. Ela estava na Europa a passeio, e tinha vindo sozinha da Austrália: disse-me que achava um desperdício ficar naquele Airbnb lindo e espaçoso sozinha, então perguntou se eu gostaria de dormir lá. Aceitei prontamente, mesmo que ela tivesse apenas duas referências no Couchsurfing. Por ser uma mulher e por ter sentido apenas sinceridade na mensagem, sabia que seria tranquilo.

Depois de deixar a minha mochila, saímos ao encontro de uma austríaca que a Luyi tinha conhecido também pelo couchsurfing. Jantamos pizza enquanto a esperávamos. Pouco tempo depois, chega a Sonja acompanhada de um amigo, o Sebastian. Que pessoinhas mais animadas que eles eram ❤️ demos muita risada juntos, e andamos um pouco pela noite de Viena. Acabamos em um bar, onde fiquei praticamente dormindo na mesa de tão cansada que estava! E o único drink que tomei também ajudou no sono. Voltamos de metrô (que não tem catraca, então é facinho de não pagar) e fomos descansar para o dia seguinte. Mas antes disso, tomei um belo banho quente de banheira, que foi mais do que merecido depois das desventuras e aventuras daquele dia! Foi a recompensa pelos perrengues de Budapeste, aquele banho e a saída com os três.

No dia seguinte, acordei renovada. Fui tomar café da manhã com a Luyi (que bancou todas as minhas refeições quando estava com ela, valeu Luyi!) e fomos explorar a cidade. Fomos a um bairro super fofo, cheio de arte e prédios com design diferenciado. Almoçamos guioza, e todo o pedido foi feito em mandarim, adorei presenciar aquilo.

Depois disso, fomos até o Palácio de Schönbrunn, que é considerado o Palácio de Versalhes de Viena. A visita vale muito a pena, e o passeio pelos jardins é gratuito. Batemos bastante perna!

Viena em si é um lugar que vale muito a pena. É tão linda que você não precisa nem ir a museus, pois a cidade em si, parece um museu a céu aberto!

Diverti-me muito na companhia de Luyi. Lembro-me de termos comparado os animais da Austrália com Pokémons e de rirmos muito de um banco chamado “Die Bank”. Também em um momento no metrô, eu estava bem distraída quando de repente, Luyi me puxa para fora do vagão (não era a nossa parada).

-O que houve??

-Estavam checando tickets!

Não consegui me conter e caí na gargalhada. Senti aquela adrenalina de matar aula na época da escola, sabe? Só que nesse caso, envolveria prejuízo financeiro rs.

Espero reencontrar a Luyi algum dia.

Ok, voltamos para o AirBnB e recebemos um convite da Sonja e do Sebastian para irmos para um pub algumas horas depois. Fui encontra-los e Luyi ficou, dizendo que nos alcançava depois.

Fui até o apartamento onde os dois moravam, e adorei a energia daquele lugar logo de cara! Eram pelo menos oito universitários morando ali, e o lugar tinha uma decoração bastante caótica e única, como se refletisse os espíritos deles e a diversão de morar ali. Levei meu cantil de Rakia, e trocamos goles das bebidas que tínhamos. Depois de um tempo, saímos rumo ao pub, Sonja, Sebastian e eu. Chegamos e pouco tempo depois, a Luyi juntou-se a nós. Quando cansamos da música daquele ambiente, as meninas e eu fomos atrás de um espaço diferente, e achamos um lugar com decoração chinesa que estava tocando música latina! Aquela noite foi perfeita. Depois de sairmos dali e encontrarmos o Sebastian novamente, cantamos a abertura de Bob Esponja em português, espanhol, alemão e inglês haha! Me diverti muito na companhia deles.

No outro dia, Luyi me chamou para ir ao Lentos Museum, que fica em Linz, uma cidade que fica há mais ou menos 1h de trem. Disse que não podia pagar, e ela disse que pagaria, como se aquilo já estivesse implícito no convite. Fiquei feliz, pois estava gostando muito da companhia dela, e ela da minha. Luyi iria embora no dia seguinte.

Fomos ao museu, vimos exposições modernas, pegamos chuva! Foi ótimo.

Tinha gostado muito de Viena, e estava querendo ficar um pouco mais, inclusive para decidir o que faria a seguir. Estava ainda bastante frio para pegar carona, e teria que ficar três meses fora do espaço Schengen, se quisesse voltar no verão. Mandei mensagem para a Sonja, perguntando se poderia passar os próximos dias lá, e ela disse que não teria problema.

Luyi foi embora pela manhã. Nos despedimos, e dissemos que nos encontraríamos novamente. Talvez no Brasil, talvez na Austrália, quem sabe!

Os dias na casa de Sonja e Sebastian foram muito agradáveis, e todos foram bastante gentis. Estava gostando tanto da companhia daquelas pessoas que me estendi um pouco. O plano eram 3 dias em Viena, acabei ficando quase uma semana lá.

Depois de pensar um pouco, decidi ir para o Reino Unido. Poderia ficar por lá até esquentar um pouco mais, e por três meses, tempo suficiente para zerar meus dias no espaço Schengen. A passagem de Viena para Londres custou apenas 20 euros, pela Ryanair! Eu não tinha cartão para comprar a passagem, mas sabia que uma solução apareceria.

No meu último dia na capital austríaca, fui a um hangouts com uns couchsurfers. Diverti-me demais. Havia um italiano apaixonado por Istambul, um francês, um brasileiro, um sírio e uma turca. Diverti-me muito na companhia daquelas pessoas, sinto que aprendi bastante também.

Estava comentando com o brasileiro sobre estar tentando comprar uma passagem para Londres, quando ele disse que eu poderia entregar para ele os 20 euros, e ele compraria a passagem no cartão dele. Fui salva e na madrugada seguinte, iria para o aeroporto de Viena.

 

Antes de ir embora, fui em um protesto e também fui na Decathlon resolver o problema da mochila e dos sapatos. Gastei 150 euros nos dois, e agora me restavam 200 euros para os seis meses seguintes.

De meia-noite, me despedi do pessoal e fui rumo ao metrô; meu vôo seria às 5h. Estava morrendo de medo de me perder (e de ser pega, pois não estava pagando o metrô) quando uma moça que estava caminhando perto de mim, começou a falar comigo em português! Ela me tranquilizou e fomos juntas para o aeroporto; disse-me que poderia procura-la caso necessário, pois trabalhava ali.

Nessas horas que me dou conta da quantidade de pessoas que me ajudaram. Essa é a prova de que tem mais gente bem-intencionada do que mal-intencionada no mundo. Lembre-se, caro leitor, de sempre confiar bastante no teu sexto sentindo: desconfiar de todos não vai te ajudar, o que vai te ajudar é trabalhar tua intuição: assim, tu sentirás facilmente em quem não confiar, pois a energia da pessoa vai gritar exatamente a intenção dela (como foi no caso do caminhoneiro romeno; não senti uma energia perigosa, só de babaca: dito e feito.)

Por volta das 7h30, cheguei a Londres. Mal sabia eu quanta coisa iria viver no Reino Unido...

 

Sebastian e Sonja, a divertida dupla dinâmica!

image.thumb.png.a342ef0a379e73277f16f8dcb3821b47.png

 

A maravilhosa Luyi!

image.png.c0bdad09b5d6d3a9736ebc9acd4f397a.png

 

Foto tirada no LENTOS MUSEUM.

image.png.96d86f7ffc99de821eef27311a39f140.png

 

 

Você não pagou pelo metrô??

Postado
  • Autor
  • Membros
2 horas atrás, Silvana Almada disse:

Você não pagou pelo metrô??

Não, não paguei. Não deu pra fazer diferente por conta da condição financeira que eu tava, mas não recomendo fazer igual porquê se a pessoa for pega, paga uma bela de uma multa.

  • 2 meses depois...
Postado
  • Autor
  • Membros
  • Este é um post popular.

Capítulo 9: Caronas e a magia da Escócia.

Tentei escrever essa parte do relato várias vezes (por isso a demora para atualizar) Mas, vou pular um pouco a parte de me sentir querida pela família Costa e ir direto para o que interessa 😪

Depois de Thetford, fiquei alguns dias em Oxford. Participei de um free walking tour, e fui em dois museus: o Ashmolean Museum of Art and Archaeology e o History of Science Museum. Magníficos e gratuitos, vale muito a pena conferir. Boa parte dos atrativos de Oxford você consegue fazer a pé (inclusive, alguns lugares onde Harry Potter foi gravado).

Fui no New College Cloisters, onde uma cena de Harry Potter e o Cálice do Fogo foi gravada (quando o Moody transforma o Draco em um furão) é um lugar lindíssimo! Porém, a maioria dos ambientes que pertencem à Universidade de Oxford, são pagos para quem não é aluno (em Cambridge também é assim). Era um valor barato, acredito que 5 libras.

Fui em um parque que infelizmente não me recordo do nome, mas que também faz parte da Universidade de Oxford. É minha gente, praticamente a cidade inteira tem espaços da famosa Universidade!

Saí um dia à noite e fui em uns três pubs. No último, eu e minha amiga Wânia dançamos bastante com umas tailandesas. Com ela, também dei um bate-volta em Woodstock! Vale muito a pena conhecer, é uma cidadezinha muito charmosa (e no castelo de lá, foram gravadas várias cenas do filme As Viagens de Gulliver).

Agora sim, pegaria minha carona no Reino Unido. Felizmente, a primeira era com um conhecido da família Costa, que me deixou em Birmingham. Saímos de manhã cedinho de Oxford, então eu tinha o dia inteiro para conseguir chegar em Edimburgo, na Escócia.

Tentei ir para o acostamento, mas a polícia rapidamente parou e disse que eu deveria voltar, pois ali era proibido. Voltei e fiquei perto de um sinal, com a minha plaquinha com a palavra “Manchester” escrita.

Não esperei muito tempo: em menos de meia hora, dois homens em uma van pararam pra mim! Eles foram extremamente gentis. Eram dois homens do Paquistão que trabalhavam com entrega de frutas tropicais. Paramos em um posto, e um deles comprou pra mim um bolinho e um café. O outro, me deu lenços e biscoitos. Eles fizeram questão de salientar que na cultura deles, o hóspede/visitante é a pessoa mais importante em uma casa. Era uma van, mas ele me trataram igualmente como convidada. Ao ir embora, eles me deram um melão, algumas mangas, mamão e queriam muito me dar uma melancia, mas disse que teria que passar por conta do peso. XD

Eles me deixaram em uma Service Station. Você pode encontra-las por todo Reino Unido, e lá eles tem o posto, uma espécie de praça de alimentação, banheiros e até lugar para dormir.

Acho que nessa, levei uns 45 minutos pra conseguir uma carona. Estava bem na saída da Service Station, mostrando bem sorridente a minha placa com o nome da estrada que precisava pegar em direção à Escócia.

Primeiro, um carro com dois jovens parou. Mas quando eles abriram a janela, fumaça saiu de dentro do carro e me olharam com uma cara de dúvida. Disse “não” sem pensar duas vezes.

10 minutos depois, um senhorzinho já idoso parou pra mim, e que sorte que eu tive! Ele foi extremamente amável, disse que estava indo para Glasgow e lhe falei bem animada que a Escócia era o meu objetivo naquele dia! Fomos conversando o caminho inteiro. Quando estávamos perto de Glasgow, ele disse que me levaria até Edimburgo, e inclusive me deixou na porta do colega que eu iria encontrar!  Ele não precisava, mas dirigiu 45 minutos para me deixar onde eu precisava ir. Nunca me esquecerei daquele velhinho gentil, de jaqueta de couro e amante de motos Harley-Davidson.

Lembro bem a sensação quando desci do carro e disse tchau. Parecia irreal demais que eu tinha conseguido chegar ali.

Precisava encontrar um wi-fi, então entrei em uma cafeteria e pedir para usar o banheiro. Quando saí, usei um pouco o wi-fi para falar com o Michael, o couchsurfer que eu vinha me comunicando por duas semanas, acredito. Ele tinha anunciado um encontro de Couchsurfers que iriam ao Beltane Fire Festival, um festival celta que acontece no equinócio de primavera, na Escócia.

Havia conseguido falar com ele, e quando estava indo embora, falei para os dois caras atrás do balcão que eu tinha acabado de chegar ali, vindo de carona desde Oxford. Estava animada demais pra compartilhar aquilo só virtualmente!

Quando estava saindo, um deles colocou dois pães com chocolate dentro de um saco de papel e falou “bem-vinda à Escócia”. Eu já amava aquele país.

Depois de comer, fui encontrar o Michael no The Meadows, um parque maravilhoso. Ainda estava claro, e tinha várias pessoas no parque, conversando, andando ou deitadas na grama. As cerejeiras estavam floridas, fazendo o parque inteiro ter tons de rosa e verde. Quando bateu um vento e pétalas cor-de-rosa foram sopradas daquelas árvores, não consegui conter as lágrimas.

Eu havia conseguido. E tinha valido a pena.

 

Depois de a emoção passar, fui procurar o Michael e o achei deitado na grama, curtindo o ambiente debaixo de um saco de dormir. Conversamos um pouco e depois fomos para sua casa, onde conheci uma australiana muito legal que ele estava hospedando. Tentei contatar o meu host, mas o cara sumiu do mapa. O Michael ofereceu que eu dormisse lá, pois havia um quarto vazio. E no outro dia ofereceu novamente, e no outro, e foi assim que passei uma semana na casa do Michael haha! A gente desenvolveu uma amizade legal naquela semana. Ele toca violão e eu estava começando a arranhar no ukulele, e tentar acompanha-lo na música “Wagoon Wheel” ajudou bastante.

O Beltane foi dois dias depois no topo do Calton Hill. E UAU. Foi inesquecível! Eu havia chegado na Inglaterra só com 200 euros, mas fiz uma tradução (tentei, pelo menos), fiz brigadeiros e pintura facial em uma festa infantil que rolou em uma base americana pelas bandas de Norfolk. Também fui babá da Aninha por algumas horas. A família Costa me ajudou mesmo a salvar o rolê.

A entrada do Beltane Fire Festival foi 10 libras, e nunca vou esquecer. Senti a magia de Edimburgo logo que cheguei, mas no Calton Hill ela foi estrondosa. Tambores, pessoas pintadas, todo um ritual que terminou com um beijo entre a May Queen e o Green Man, consagrando a chegada da primavera. Não achei nenhum vídeo da edição que fui, mas esse de daqui de 2018, mostra um pouquinho de como é esse festival. Então se você for para a Escócia na primavera, não deixa de conferir a data do Beltane!

https://www.youtube.com/watch?v=JnVmQKpqFTc

Participe da conversa

Você pode postar agora e se cadastrar mais tarde. Se você tem uma conta, faça o login para postar com sua conta.

Visitante
Responder

Account

Navigation

Pesquisar

Configure browser push notifications

Chrome (Android)
  1. Tap the lock icon next to the address bar.
  2. Tap Permissions → Notifications.
  3. Adjust your preference.
Chrome (Desktop)
  1. Click the padlock icon in the address bar.
  2. Select Site settings.
  3. Find Notifications and adjust your preference.