Troca de informações e relatos de trilhas e travessias na região sudeste do Brasil. Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.
#1206506 por Renato37
28 Jul 2016, 15:00
Trilhas realizadas entre dias 15 a 18/06/2016.

O Album com todas as fotos estão em:
https://picasaweb.google.com/1104304139 ... directlink

- Introdução -

Esse é um relato de uma aventura decidida na doidisse de ultima hora, motivada pela paixão pela natureza e que inicialmente iria ser totalmente solo, mas que no final, o que começou sozinho, terminou em um trio. Eu fiz coisas lá que saiu totalmente fora do padrão de quem já conhece ou já fez as trilhas e travessias do parque.

Fazia anos que tinha o desejo de fazer um circuitão solo meio que no modo "light and fast" ou pelo menos com um grupo bem reduzido no Parque nacional do Itatiaia, abraçando apenas os picos do entorno e parte das 2 travessias, acampando e deixando toda a tralha pesada no Abrigo Rebouças e assim, podendo andar mais leve que uma pluma o dia todo, apenas com agua e lanche.

Tinha planejado para fazer em 3 dias, mas que acabou levando 4. O começo teve perrengues como uma noite quase toda sem dormir, depois bivacando em uma cidade fantasma em um frio de 05ºC típico de cidades do alto da mantiqueira e ainda indo fazer uma travessia logo de cara no dia seguinte.

Já sabendo que logistica para o Parque Nacional do Itatiaia (PNI ou Parna Itatiaia) não combinam, fui com a cara e coragem para encarar uma pernada de 14 km desde a Garganta do Registro até a entrada da parte alta do parque. E no inicio dessa semana, veio a chance.

Com a previsão do tempo 100% favorável, (céu limpo, sem chuva e totalmente ensolarado) não resisti, fiz um rápido planejamento da logística do transporte sem carro (só por ônibus) e saiu 2 opções:

1) Pegar um ônibus até Resende/RJ no horário das 18:15, e de lá, outro para Caxambu/MG (que passa pela Garganta do Registro, onde fica o inicio da estrada de terra que leva até a portaria da parte alta do parque) e Itamonte, que sai as 23:00hs da rodoviária do Graal de Resende/RJ. Ele sobe a serra e estaria passando pela garganta por volta da meia noite e meia. Dali, desceria na garganta e seguiria a pé no meio da noite até a entrada da parte alta do parque.

# Considerando que a Garganta do Registro já está à 1.669 metros de altitude, seria meio caminho andado, sem precisar de suporte de veículo algum, já que para apenas uma pessoa, contratar um transporte dependendo, sai mais caro do que a ponte áerea Rio -SP...isso é, até lembrar das opções para grupos pequenos ou apenas 1 ou 2 pessoas.

Mas...o problema é que a entrada do parque está a 14km dali. Então, calculei o percurso de acordo com meu ritmo em até 4 horas em subida constante da altitude de 1.669 até os 2.450 metros, onde fica o posto Marcão, chegando por volta das 5 ou 6 da manhã. Chegando pela manhã, teria o dia todo para aproveitar + os outros 2 dias, totalizando 3 dias. O sacrificio seria a caminhada no frio proximo ou abaixo de zero e uma noite inteira sem dormir. Só daria para dormir no onibus e olha lá.

2) A outra opção era pegar o 1º ônibus (que sai as 7h00 do Tietê) em direção a Itanhandu/MG, depois um circular local até Itamonte/MG. De lá, pegaria um taxi direto para a entrada da parte alta. Teria minha noite para dormir, mas teria que acordar cedo e perderia boa parte do dia só na viagem, pois seria 4 horas e meia até Itanhandu, 30 minutos até Itamonte e mais 40 até proximo da antiga Pousada Alsene, que fica proximo da entrada do parque.

Não precisaria andar no meio da noite com lanterna debaixo de frio de 0ºC comum em altitudes elevadas. Caminhar no frio não seria problema para mim, já que estou indo preparado para temperaturas negativas. Então, pensando nos pós e contras de ambas as opções, acabei escolhendo a 1º opção.

Escolha feita, lá estava eu, em uma bela tarde ensolarada da metropole paulistana, saltando do metrô na Estação Tietê as 17:30. Embarquei no ônibus das 18:15 em direção a Resende/RJ. A viagem foi tranquila e cheguei em Resende por volta das 22:25 e fui logo procurar o guichê da empresa de ônibus que vai para Caxambu, Viação Cidade do Aço.

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Na Rodoviaria de Resende - RJ

Achado o guichê, não vi ninguém, mas logo apareceu um fiscal e ao perguntar pelo onibus das 23:00h, ele me disse que logo chega e eu já fui comprando a passagem.
Ao perguntar sobre descer na Garganta do Registro, o fiscal me disse que por conta de queda de barreiras no trecho da Serra nas últimas chuvas, só veiculos de passeio estão podendo subir e descer. Todo veiculo pesado teria que subir por Cruzeiro, dando a volta pelo lado paulista.

O problema é que essa rodovia não passa pela Garganta do Registro e consequentemente, no inicio da estrada de terra que sobe para o parque. E era o último do dia. E agora, José?

Sem alternativa e o tempo passando, não me restou outra opção que pegar esse ônibus e descer em Itamonte/MG, onde decidiria o que fazer assim que chegasse lá.
A viagem foi tranquila e cheguei em Itamonte por volta das 1:40 da manhã. E logo fui procurar um lugar para ficar, mas não encontrei nenhuma, pois a cidade tava deserta, sem uma alma-viva e com tudo fechado (parecia cidade fantasma).

Quem acha que cidade fantasma (ou que só tem vida durante o dia) não existe, então...convido a conhecer Itamonte/MG entre 1:00 e 5:00h da manhã...
Após bater perna por quase 1 hora na "cidade fantasma" sem sucesso, a temperatura diminuiu ainda mais e com o frio apertando, resolvo que o melhor é encontrar algum canto escondido para acampar ou então, bivacar em qualquer praça e esperar até o amanhecer...Tiro meu termômetro para fora e vejo marcando 08ºC.

Encontro um descampado em um terreno abandonado, mas limpo e resolvo montar minha barraca. Porém, ao ver o horário (já tinha passado das 2:30 da manhã), vi que seria muito trabalho para apenas poucas horas. Então, tiro apenas o saco de dormir e o isolante termico, mas decido procurar outro canto melhor.

Achado o local, me enfiei dentro do saco de dormir em um canto bem escondido da pequena cidade e como estava cansado, logo peguei no sono, mas quem disse que consegui dormir?

1º dia - Travessia Couto X Prateleiras + Pedra da Maçã, Tartaruga e assentada.

A Quarta-feira amanheceu com uma pequena nevoa e após tirar pequenos cochilos que serviu apenas para descansar o esqueleto, levanto com a movimentação dos primeiros trabalhadores indo para o trabalho por volta das 5:30hs. A pequena e bucólica cidade ganha vida novamente...

A termômetro registra temperatura amena de 06ºC e resolvo guardar tudo na mochila. Aproveito para esperar uma padaria ali próxima abrir, afim de tomar um café reforçado e depois encontrar um ponto de taxi para me levar até a portaria da parte alta do parque.

Após o café, saio atrás de um taxi. Não demorou muito e logo encontrei um carro de um taxista e pergunto qto ele cobra para me levar até a Garganta ou a portaria do parque. Para a primeira opção (e ter que subir os 14km a pé) ele cobrou R$ 35 e até a portaria R$ 50. Claro que nem pensei 2 vezes e escolhi a corrida fechada até a portaria, já que não podia perder mais tempo.

Como bom mineiro que se prese, a prosa foi ótima e fiquei sabendo que na noite anterior, tinha dado uma geada moderada na cidade e a temperatura havia caido abaixo de zero. Inclusive esse eram os mesmos comentários do pessoal lá na Padaria. E agradeci por não ter chegado aqui ontem. Senão, o que fazer num frio abaixo de zero sem local para ficar? e ao relento? Melhor nem pensar nisso!

O trecho da rodovia foi rápido e logo chegamos a Garganta do Registro com o dia ainda clareando e começamos a subir. 20 minutos de subida desde a rodovia, alcançamos os 2.000 metros de altitude e por isso a vegetação típica da mata atlantica foi dando lugar aos de campos de altitude, com os primeiros trechos de geada aparecendo.

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Pico da Pedra furada vista de um trecho da estrada, próximo do Alsene.

As primeiras vistas foram aparecendo, as nuvens haviam ficado abaixo e o céu claro e os primeiros raios de sol já cobriam o topo dos picos, o que me deixou bastante radiante. Mais 10 minutos e chegamos na antiga pousada Alsene na altitude de 2.320 metros as 7:25 e a vegetação ali já era exclusivamente de campos de altitude.

Nesse trecho já se tem várias vistas do entorno e é claro que foram palco para os primeiros clicks. A forte geada e as nuvens cobrindo o vale do paraíba lá embaixo são um capitulo a parte e impressionaram até o taxista que é morador da região.....

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Trilha coberta de gelo

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Enfim, estão fazendo algo.... ::mmm:

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Trecho recem recapiado da estrada com concreto

Devido as condições precárias do trecho final da estrada, desço pouco depois da Alsene e o restante do percurso tive que fazer a pé. A esperança está nas obras de recapiamento que vem sendo feitas em vários trechos da estradinha.

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No trecho final, uma bela vista

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Chegando ao Posto Marcão

Fui subindo e cortando caminho por trilhas a esquerda afim de evitar as longas curvas da estradinha. Com isso, a caminhada foi bem mais rápida e pouco antes das 8:00hs, chego ao posto Marcão, entrada da parte alta do parque. Após o funcionário verificar a disponibilidade de vagas no abrigo e camping, preencho a papelada e após pagar as taxas devidas, logo sou liberado. Mas antes de começar a travessia, resolvo ir até o Camping Rebouças montar barraca e deixar toda a tralha pesada lá.

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Na estrada, seguindo em direção ao Abrigo Rebouças

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Gelo por toda parte, reflexo da mega onda de frio que atingiu SP e o Sul de MG na 1ºquinzena de Junho. Segundo os guardas, temperatura chegou a -08ºC essa madrugada e tinha até 2 carinhas que estavam acampados pedindo para mudar para o Abrigo.

Durante o trajeto até a área de acampamento, um carro passa por mim e o motorista me oferece uma carona, que aceito na hora, claro. Afinal, a distancia entre o posto até o abrigo é de 3 km. E nessa carona que conheço o Marcos, uma figura. Ele tinha marcado com uns amigos de ir para lá, mas que deixaram ele na mão na última hora, então acabou decidindo por vir solo.

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Morro da antena

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Area de acampamento tão disputada durante os fins de semana, fica vazia e com muitas vagas sobrando durante a semana ::otemo::

Após chegarmos no Abrigo Rebouças, me despeço do Marcos agradecendo pela carona, inclusive. Após montar a barraca e deixar toda a tralha pesada lá, retorno para a estradinha e volto para o Posto Marcão, onde inicia a trilha da travessia Couto X Prateleiras. E finalmente, após todo o perrengue da noite anterior, começo a pernada propriamente dito as 10:00hs em ponto.

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Trecho inicial segue pela estradinha que vai para o morro da antena

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O caminho começa por uma outra estradinha de terra secundária a direita da principal e que sobe em direção ao Morro da antena. Ela fica bem ao lado do posto Marcão e há uma placa indicativa, inclusive. Sigo por ela e após fazer uma curva a esquerda, passo por um ponto de água, que é uma pequena bica a esquerda.

Sem saber se haveria mais pontos de água a frente, encho o cantil com 2 litros para a travessia toda, por precaução. Esse é o único ponto de água corrente e confiável da subida até o Couto. Portanto, pegue água aqui ou traga na mochila para esse primeiro trecho.

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Subindo....

Mais alguns minutos de caminhada desde a bica, vejo uma trilha a direita que dá num belissimo mirante. Nesse mirante, se tem uma vista deslumbrante do vale lá embaixo, com as escarpas rochosas da Serra Fina bem imponente a frente, em destaque, o que já dá uma ideia da vista que terei lá no topo do Couto. Após alguns clicks, retorno para a estrada e continuo subindo.

Mais alguns minutos de subida e 25 minutos desde o posto Marcão, passo por outra bifurcação, onde encontro uma placa indicando "Couto" a direita. Então, abandono a estrada principal em favor dessa picada a direita que vai no sentido desejado e que marca o inicio da trilha da travessia Couto X Prateleiras. A estrada em frente continua subindo até o morro da antena.

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Trecho inicial da travessia

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Morro da antena ficando para trás

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Primeiras vistas durante a subida

A trilha é bem aberta e segue subindo suavelmente, contornando a crista a direita, dando pequenas voltas e logo chego a base de um enorme rochedo. As 10:35 começo a subir em direção a primeira de 2 grandes bases do Couto, onde vejo uma outra antena. A subida aperta um pouco e logo começa a aparecer os trechos delicados na crista, onde subo com relativa cautela.

Mais 15 minutos e chego a um trecho onde vejo água escorrendo pela trilha, formando alguns pequenos poções, mas que pode estar seco em épocas de estiagem. Não é bom contar com essa água. Por isso, colete a quantidade de água que for precisar para as próximas 3 horas lá na bica, pois o próximo ponto de água só na metade da travessia.

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Trecho com um filete de água escorrendo na lateral da trilha

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A vista durante a subida

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Após passar por um curto trecho de escalaminhada básica, a subida dá uma tregua e chego a um trecho plano, em um extenso costão rochoso que é a base do Couto e que formou um belo mirante, oinde também há uma antena. A altitude aqui é de pouco mais de 2.500 metros e o visual aqui é de impressionar.

Faço uma rápida parada para descanço e exploro um pouco o entorno. Nesse ponto, se avista o enorme rochedo que compõe o pico do Couto bem a frente. Apesar do sol, o frio não dá tregua e com isso, nem tiro a blusa o dia todo.

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Chegando a base do Couto

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Não faltou sinal de celular.... ::otemo::

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Prateleiras ao fundo (foto com zoom)

Após o descanço, retorno a pernada, agora para encarar um dos pontos mais tensos dessa travessia, que é a subida de ataque final ao cume do Couto. Olho para frente e vejo a trilha indo na direção de uma fina crista sobre um rochedo, que de longe parece ser tranquilo. Mas foi só começar a caminhar por ela para logo dar de cara com um trecho tenso, onde sou obrigado a pular de uma pedra a outra, com um enorme precípicio a direita.

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Visual fenomenal

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Couto logo a frente

O ataque final ao cume se dá em uma subida pirambeira entre enormes rochedos, onde em um deles, tive até que subir de costas e com bastante cautela, afim de ganhar os patamares superiores com segurança. Mais 15 minutos de subida e após 1 hora e 40 minutos de caminhada desde o Posto Marcão, as 11:40 finalmente chego no cume do Pico do Couto, na cota dos 2.680 metros de altitude para um merecido descanso, é claro. Nem preciso dizer que a vista é de arrancar o fôlego de qualquer um. E mais clicks, é claro.

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Trecho tenso.

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Subida de ataque final ao cume vai por essa fina crista

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Mirante na base, durante a subida do trecho final ao cume

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O trecho das cristas a direita, por onde a trilha da travessia passa

Do topo a leste, se avista todo o trecho da caminhada com o Prateleiras bem ao fundão. A Oeste, o morro da antena, as 2 estradas de terra que liga o posto marcão ao couto e abrigo Rebouças. A Norte, Pico do Papagaio,Pedra do Altar, Sino e mais a direita, Asa de Hermes e o imponente Pico das Agulhas negras, entre outros picos da parte alta do parque.

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Enfim, o cume

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Serra Fina ao fundo

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A Esquerda, Pedra do Altar. Mais para o centro, Sino e Asa de Hermes. E a direita, o Imponente Pico das Agulhas negras

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A estrada de terra que vem lá do Posto Marcão

Ao Sul, a imensidão do vale do Paraíba, com a Serra da Bocaína bem ao fundão. É uma visão de arrepiar. Aproveito para fazer uma pausa mais longa para um lanche reforçado. Após forrar o estomago e molhar a goela, retomo a pernada, agora para a segunda parte da travessia, em direção ao Prateleiras.

As 12:20, passo por uma placa indicando "Travessia somente com autorização" e inicio a descida, que segue por uma trilha totalmente calçada por enormes rochas que facilitam bastante a descida. A descida do topo segue bem ingreme ladeira abaixo, com alguns trechos de desescalaminhada, mas sem maiores dificuldades.

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Todo o trajeto que ainda iria percorrer até o Prateleiras

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Meio longinho ainda...

15 minutos desde o topo do Couto, chego na base e a partir de agora, a caminhada passa a ser pelo alto das cristas. Prateleiras está visivel a maior parte do tempo a frente e parece estar estar perto, mas distante cerca de 1 a 2 horas de caminhada ainda. A esquerda visualizo o imponente Pico das Agulhas negras e a direita a imensidão do vale do Paraíba, com o Couto ficando cada vez mais para trás.

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Trecho de sobe morro/desce morro

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Caminhada pelo alto das cristas

As 12:55, passo por 2 placas na sequencia indicando 2 trilhas a esquerda. A 1º placa indica um ponto de água, que é uma ótima opção para o caso de você chegar aqui sem água. Esse é o 2º e último ponto de água de toda a travessia. Portanto, se pretende continuar e estiver com pouca água, recarregue nesse ponto, pois não há nenhum outro ponto de água até o final.

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Na bifurcação, onde é possivel abortar a travessia e retornar...

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É só descer essa pequena pirambeira ::mmm:

A 2º placa indica um atalho para o Abrigo Rebouças. Nesse ponto é possível abortar a travessia, para o caso de você ou alguém do seu grupo tiver algum problema durante a travessia. Seguindo em frente, continua a trilha da travessia por mais 1 hora e meia em direção ao Prateleiras e é para lá que eu sigo.

Após a placa, a trilha inicia uma sequencia de sobe morro/desce morro em largos zig zags, afim de evitar grandes paredões ou precipicios. Começo a subir um pequeno morro e logo saio em um trecho de gramídeas, onde a caminhada passa a seguir no plano com trilha bem demarcada e sem maiores problemas de navegação.

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O traçado da trilha logo abaixo e bem ao fundo, o Pico do Couto, que vai ficando para trás

As 13:10, chego a mais uma bifurcação com uma placa indicando "mirante" a esquerda. Curioso para saber onde iria dar, abandono temporariamente a trilha principal em favor da trilha a esquerda para ir conhecer o tal "mirante".

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Alguns minutos de caminhada e logo chego a um conjunto de 3 enormes rochedos que compõe o mirante. Sigo até a ponta de um deles e ao chegar, sou presenteado com uma bela vista do gigante rochoso do Pico das Agulhas negras bem imponente a minha frente, em um angulo diferenciado e único.

Lá embaixo, visualizo a estradinha de terra que vem do Posto Marcão, passa pelo Abrigo Rebouças e dá acesso ao Pico das Prateleiras, Pedra da Tartaruga, Assentada e por fim, a Travessia Ruy Braga.

Também visualizo parte do Abrigo Rebouças, a trilha que segue para o agulhas e sobe para o Altar. É uma visual bem bacana, pois te dá a sensação que vc se distanciou tanto tanto, mas ao mesmo tempo parece que nem saiu do lugar, pois o Abrigo Rebouças está "logo ali". Vale a pena parar ali para conhecer e curtir a vista do entorno.

Volto para a trilha principal e pouco antes das 13:30, visualizo bem a frente, uma enorme gruta, com a trilha se enfiando dentro dela. Ao me aproximar, vejo uma placa com os dizeres: "Toca do Índio", o que de fato lembra uma toca mesmo.

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Chegando a Toca do Índio

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Trilha se enfia por baixo dela e sai do outro lado

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Passo por dentro dela e ao sair do outro lado, chego ao trecho final da travessia, com o Prateleiras bem a frente. Mais 10 minutos e chego ao pé de um morro, onde inicio a última descida em direção a base do prateleiras. Trilha segue descendo em largos zig zag para diminuir o desnível para quem sobe.

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Prateleiras logo a frente

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Descendo até a base

A partir desse ponto o Prateleiras aparece com todo o seu explendor a tua frente, o que vale a pena uma parada para contempla-lo. Também já é possivel ver a discreta Pedra da Tartaruga logo abaixo, a esquerda.

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Pedra da Tartaruga visto do trecho de descida final da travessia

Enfim, após quase 3 horas e meia de caminhada desde o Posto Marcão, chego a base do Prateleiras as 14:05. Final da travessia, mas não da caminhada. Como estava relativamente cedo para voltar ao Abrigo Rebouças, decido ir conhecer a Pedra da Tartaruga, Assentada e Maça.

A bifurcação para as trilhas que leva a elas sai do trecho final da trilha do Prateleiras e não tem como errar, já que você passa obrigatoriamente por ela e ainda tem uma placa indicando. Do trecho final da trilha, na base do Prateleiras, desço por 5 minutos e chego na bifurcação. Entro na trilha a direita (esquerda para quem vem subindo para o Prateleiras) e sigo em direção a Pedra da Tartaruga e Maça. A trilha inicia uma curta descida e e logo chego a um trecho com um belo lago a frente.

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Na bifurcação

O Trecho inicial da trilha apresenta pequenas bifurcações, mas a principal é bem demarcada, facil de identificar e é só seguir por ela. Água pode ser encontrada em um pequeno riachinho que desemboca no lago ou no próprio lago. Mais alguns minutos e chego ao lado da enorme Pedra da Tartaruga que realmente parece uma tartaruga. Ao lado dela, outra enorme pedra em formato de uma Maçã, que parece que foi colocada ali, bem ao lado.

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Pedra da Tartaruga logo a frente e Assentada no alto de um Pico mais ao fundo, a esquerda.

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Pedra da Tartaruga

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Pedra da Tartaruga a direita, Maça a esquerda

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Um belo lago e um ponto de água

O Cansaço e a fome começam a dar os primeiros sinais, mas não estava afim de parar por enquanto. Então, tiro algumas fotos e sigo em direção ao último atrativo do dia: A Pedra Assentada, localizada no alto de um pico mais baixo que o Prateleiras. A partir desse trecho, estou sobre enormes costões rochosos e não há trilha, por isso a navegação passa a ser por totens.

As 14:54, passo por um mirante com uma vista de um vale enorme lá embaixo, onde é possível visualizar as ruínas de um antigo posto meteorologico e o vale onde está o Abrigo Massenas, um visual em tanto.

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O Mirante

Passo por um pequeno trecho de charco, onde encontro uma placa indicando o caminho para a pedra assentada e logo reencontro a trilha, que segue descendo em direção a base do Pico menor. Sigo descendo e logo chego a base do Pico, onde está a pedra assentada.

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Ao fundo, Pedra Assentada

Olho para cima e vejo a trilha indo em direção a uma enorme subida pirambeira. Inicio a subida, mas logo resolvo abortar, pois já havia passado das 15:00hs e com a fome apertando e sem saber qto tempo ainda iria levar até lá, resolvo deixar para uma outra ocasião.

As 15:20, inicio a caminhada de retorno ao Abrigo, mas não sem antes fazer uma pausa no mirante, para um lanche. Estomago forrado e fome saciada, retomo a caminhada e 20 minutos desde o mirante, estou passando pela bifurcação onde a trilha do Prateleiras encontra com a da Travessia Ruy Braga.

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Passando pela bifurcação onde termina/começa a Travessia Ruy Braga com a trilha que sobe até o Prateleiras

Termino a descida e chego no tedioso trecho de estradinha de terra (que outrora fora a BR mais alta do país). A temperatura está diminuindo rapidamente e pouco antes das 16h30, chego ao Abrigo Rebouças para o merecido descanço desse primeiro dia do circuitão solo. Chego a área de acampamento e deixo as coisas, mas resolvo ficar um tempo do lado de fora, para curtir o belo final de tarde.

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Acampamento e Abrigo Rebouças visto do alto de um morro, no final da tarde

Durante esse tempo que estava "a toa", conheci o Rodrigo, que havia chegado lá por volta do meio dia e também estava sozinho pelo mesmo motivo do Marco e eu. Conversamos por algum tempo, mas o frio intenso do final da tarde logo nos fez entrar nas barracas rapidão, deixando para continuar a conversa mais tarde.

Depois das 17h30hs com os ultimos raios de sol no alto das montanhas, o termômetro já marcava 04ºC, o que me fez crer que a noite seria estupidamente gelada. Coloco as roupas mais pesadas e fico só relaxando dentro da barraca.

Por volta das 19h30, saio da barraca para curtir as estrelas e preparar a janta. Vou para a area de refeitório e reencontro o Marco, que havia chegado de sua escalada na Asa de Hermes só de noite. O Rodrigo tb apareceu, a gente se juntou e fizemos nossa janta ao passo de muita conversa sobre os perrengues do dia, é claro.

Após a janta e um tempo conversando, a temperatura cai ainda mais e fez que nossa tempo de permanencia no local fosse curto. Com isso, cada um se recolheu para seus devidos aposentos e uma sinfonia de roncos se fez presente pelo restante da noite no bucólico vale, a 2.350 metros de altitude.

Continua no post abaixo....
Editado pela última vez por Renato37 em 29 Jul 2016, 01:50, em um total de 1 vez.

#1206508 por Renato37
28 Jul 2016, 15:02
2º Dia - Pedra do Altar, Circuito dos 5 lagos e Abrigo Massena

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Pequeno lago, congelado logo pela manhã

A 5º feira amanheceu com um céu estupidamente limpo, mas o frio estava de lascar. O termômetro que deixei pendurado do lado de fora da barraca marcava em torno de -05ºC e uma grossa camada de gelo cobria a barraca. Havia tanto gelo que o ziper da barraca até travou. E nisso, tive que ter paciencia para abrir e conseguir sair, sem quebrar o dito cujo.

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Barracas congeladas ::Cold::

A área de acampamento estava toda coberta de branco da forte geada. Sair da barraca foi um desafio, mas com o céu limpo, o frio abaixo de zero foi um mero detalhe. Mas mesmo assim, sortudos aqueles que conseguiram pernoitar no interior do abrigo.

Um pequeno lago ao lado da área de acampamento estava congelado e foi um atrativo a parte.Após vários clicks do entorno coberto pelo branco da geada, voltei para a barraca e fui preparar meu café da manhã...

Mochila pronta, dou inicio a pernada por volta das 8h25 em direção a Pedra do Altar. O caminho para a Pedra do Altar segue pela mesma trilha para quem vai para as travessias da Serra Negra e Rancho caído. Primeiramente, pega-se a trilha em direção ao Pico das Agulhas negras. Depois, vira-se a esquerda nas 2 próximas bifurcações.

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Trecho inicial segue pela trilha do Pico das Agulhas Negras

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Importante bifurcação que dá acesso a vários atrativos e outras trilhas. Só falta o parque trocar essa placa gasta pela ação do tempo ::mmm:

Logo que vira a esquerda, chega a outra bifurcação, onde uma placa indica Altar a Esquerda e Asa de Hermes a Direita. Novamente viro a esquerda e a partir desse ponto se inicia uma subida ingreme, mas que não dura muito tempo e antes das 10h00 estou chegando na bifurcação da trilha para a Pedra do Altar, onde encontro outra placa. Aqui, viro a direita e sigo em direção ao Altar, onde num piscar de olhos, chego no cume. Faço uma rapida parada para curtir o visual, que é deslumbrante.

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Na bifurcação

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Subindo em direção ao Altar. Trilha não levou mais que 15 minutos até o topo

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Vista durante a subida

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Vale das nascentes do Rio Aiuruoca

Na ultima vez que estive aqui, estava fazendo a Travessia Rebouças x Mauá pelo Rancho caído. Quando estava no topo, vi vestígios de trilha em direção a Pedra do Sino e isso me atiçou a curiosidade em ver se havia algum caminho ou trilha pelo alto da Crista ligando a Pedra do Altar a do Sino, bem visível a leste. Naquela vez havia deixado para uma outra oportunidade e agora novamente aqui, resolvo descer para explorar.

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Visão geral do trecho de uma possível travessia Altar x Sino

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Pico do Couto visto do topo da Pedra do Altar

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Descendo pela crista

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Altar visto da crista, proximo a um pico menor

Comecei a descida pela crista e consegui chegar até a base de um cume menor, onde fiquei pelo menos uns 30 minutos fuçando e tentando achar algum caminho marcado por trilha ou totem, mas em vão. O capim estava muito alto e como estava sozinho, resolvi voltar. Imaginei que o parque poderia fazer uma trilha de travessia Altar x Sino, como fez a ligação Couto X Prateleiras.

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Aqui, estava na base de um pico menor a direita, onde não encontrei nenhum vestígio de trilha ou totem indicando um possível caminho

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Asa de Hermes a frente

Caminho e possibilidade tem, basta apenas ter tempo habil. Até dá para ir só no visual e vara capim, mas como eu tinha outros lugares para ir nesse dia, novamente tive que deixar de lado, por enquanto.

Retorno pela trilha e pouco antes das 11:00, já estava de volta a bifurcação, onde sigo em direção ao meu próximo objetivo, que é conhecer e percorrer a mais recente trilha aberta pelo parque: A trilha dos 5 lagos. Seu começo/fim está localizado na base da Pedra do Altar, numa curva, antes da trilha principal (a que leva as travessias da Serra Negra e Rancho caído, além da cachoeira do Aiuruoca) começar a descer em direção ao vale das nascentes do Rio Aiuruoca.

As 11:10 chego na bifurcação, onde há uma placa indicando os caminhos e viro a esquerda, iniciando a trilha dos 5 lagos. Após alguns minutos de caminhada, ela entra em um trecho de enormes costões rochosos logo de cara, onde a trilha some e a navegação passa a ser exclusivamente por totens e setas pintadas em vermelho.

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Na bifurcação onde começa/termina a trilha dos 5 lagos

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É um trecho um pouco confuso e imaginei que pessoas sem experiência nesse tipo de navegação corre sérios riscos de se perder ali, pois não é um trecho curto e em dias de chuva e neblina pode ser bem complicado achar o caminho. Me guiando pelos totens e setas pintadas em vermelho, inicialmente, vou seguindo pela lateral esquerda de um morro inclinado.

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Trecho de rochedos sem trilha e navegação apenas por totens.

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As tais varetas vermelhas

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O percurso sinalizado por totens e setas vermelhas vem lá da base da Pedra do Altar, ao fundo

Em alguns trechos, tenho que saltar de uma rocha para o outro o que enche o saco, mas faz parte e vamos indo. A Trilha se afasta rapidamente da base da Pedra do Altar, tomando direção oeste, onde visualizo a direita, o belissimo vale do rio aiuruoca, com o Ovos da Galinha ao fundão.

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O belo vale do Rio Aiuruoca vista do trecho inicial da trilha dos 5 lagos

O trecho complicado de rochedos não dura muito tempo e a trilha reaparece logo a frente, deixando a caminhada mais tranquila. 25 minutos desde a bifurcação, passo por um pequeno corrego que estava quase seco, com alguns poucos trechos de água represada em alguns pontos.

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Passando pelo 1ºponto de água

Como ainda tinha pouco mais de 500ml de agua e um gatorade, nem pego água aqui e resolvo continuar em frente. Mais 15 minutos de caminhada, chego a outro ponto e aqui sim, encontro água corrente e de qualidade. Por isso, deixe para pegar água nesse ponto que é bem melhor que o anterior. Aproveito para fazer um rápido pitstop no local para recarregar e me hidratar, pois o sol já estava começando a castigar. Mas sem saber qto tempo iria levar até o final e se haveria mais pontos de água, nem fico muito tempo e logo retomo a caminhada.

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Seguindo para o 2ºponto de água que fica no vale lá embaixo.

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2º ponto de água

A trilha continua seguindo pela encosta esquerda, evitando um grande vale a direita. Olho para trás e vejo os Picos do Sino e Altar ficando cada vez mais para trás. A caminhada segue variando entre costões rochosos e vestígios de trilha. Vou me guiando pelos varios totens e setas pintadas de vermelho, sem maiores problemas de navegação, pois boa parte do percurso da para ser feito só no visual.

O dia está estupidamente bonito, sem vento e fico impressionado com a beleza daquele local inóspido. Em alguns trechos, a caminhada lembra um pouco o trecho do 2º dia da travessia da Serra Fina entre o Capim amarelo e a Pedra da Mina, pois há vários trechos de rochedos.

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Trecho entre o 2ºponto de água e a cachoeira 5 lagos

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As 12:05, com pouco mais de 1 hora desde a bifurcação lá na base da pedra do Altar, chego em mais um ponto de água e a cachoeira 5 lagos. A cachoeira possui uma coloração vermelha bem diferenciada e é claro que foi palco para mais clicks.
Após contemplar a bela cachoeira, continuo minha caminhada e agora a trilha passa a direita com um grande vale e um belíssimo lago no meio, a esquerda.

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3ºPonto de água

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Mirante da cachoeira 5 lagos

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Cachoeira 5 Lagos

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Pico do Papagaio visto do alto da cachu

É um belo vale e um visual em tanto das paisagens dos campos de altitude. Ao fundo atrás, os imponentes Picos do Sino, Altar e partes da Agulhas negras se destacavam no horizonte. Depois que a trilha termina de contornar o vale com um lago no meio, ela começa a subir até o alto de um morro. De lá, consigo ver o Pico da Pedra Furada, o conjunto rochoso da Serra fina toda imponente a minha frente e a estrada de terra que vem lá da Garganta do Registro, além do posto marcão logo abaixo. É um belo visual.

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Contornando o imenso vale

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Um dos lagos que dá nome ao circuito dos 5 lagos

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Ao fundo, Picos da Pedra do Sino e Agulhas negras

Percebo que estou próximo do final e pouco depois das 12:30, começo a última descida em direção ao posto, onde chego pouco depois das 13:00hs. A trilha dos 5 lagos é uma trilha que vale muito a pena fazer, pois passa por uma parte do parque que você não vê da entrada e de nenhum outro ponto, oferecendo visuais diferenciados e únicos e de uma beleza ainda mais exuberante.

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Trecho final da trilha dos 5 lagos

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A bela vista do vale com as escarpas rochosas imponentes da Serra fina ao fundo e o trecho final da estradinha de terra que sobe até o Posto Marcão

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A direita, Pico da Pedra furada

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Descendo para o Posto Marcão, a casa lá embaixo

Novamente na estradinha, inicio a caminhada de volta ao Abrigo. Como tava cedo, resolvo almoçar no camping, que estava vazio e enquanto isso, penso em onde ainda posso ir, aproveitando melhor o restante do dia. Depois do almoço, decido ir fazer um batevolta ao Abrigo Massenas, para explorar melhor o entorno do local, pois na ultima vez que passei por ali (na dupla travessia), não deu para ver muita coisa pq o tempo estava ruim e a logistica da travessia não dava espaço para exploração do entorno.

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Chegando na estradinha de terra

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Fim/inicio da trilha ao lado do Posto Marcão

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De volta a estradinha, retornando ao Abrigo Rebouças

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13:30h e não havia ninguém no local. Meu almoço foi na total tranquilidade e silêncio da montanha.

Pouco depois das 14h00hs, parto do Abrigo Rebouças em direção ao Massenas, cujo trecho faz parte do trecho inicial/final da travessia Ruy Braga. As 14:25, chego a bifurcação da travessia Ruy Braga com a do Prateleiras e adentro a trilha da travessia, que segue margeando o vale a direita. Ela vai descendo discretamente até chegar a um ponto que vira novamente a direita e começa a descer para um grande vale.

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Lateral da Agulhas negras, vista do trecho da travessia Ruy Braga

Durante essa descida, a trilha adentra na mata fechada e inicia um pequeno trecho de descida relativamente forte, mas que não dura muito tempo e logo estou de volta nos campos de altitude, onde agora a caminhada segue no plano, em meio a enormes tufos de capim elefante que em alguns momentos, chegam a tampar a visão da trilha demarcada.

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Chegando ao Abrigo Massenas, abrigo esse disponível para quem está fazendo a Travessia Ruy Braga tanto no sentido de Subir, qto descer.

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Algumas bifurcações aparecem, mas todas com o intuito de evitar trechos intransponíveis do capim. Após mais um trecho de mata fechada e de descida, passo por um ponto de água e logo em seguida, chego ao Abrigo as 15:20, com pouco mais de 1 hora de caminhada desde o abrigo Rebouças. Não havia ninguém no local, mas encontrei vestígios de fogueira ainda quente na lareira, o que me fez crer que algum grupo pernoitou a noite anterior aqui.

Água pode ser encontrado no trecho inicial antes da bifurcação e próximo do Abrigo, são 2 pontos no total nesse trecho. Faço uma breve parada para comer algo rapido e resolvo explorar melhor o entorno do Abrigo, apenas para constatar o total abandono do mesmo.

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Interior do Abrigo

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Ruínas da antiga estação meteorológica em um morro ao lado do Massenas

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Uma bela vista lá do alto do morro

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Face oposta do Prateleiras e Pedra Assentada, vista do Massenas

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Pedra Assentada

Com o final do dia se aproximando, retorno para o Abrigo Rebouças, onde chego por volta das 18h00, fechando esse 2ºdia de circuitão.
A temperatura diminuiu rapidamente e após a janta, fico contemplando mais uma bela noite estrelada e a constelação, mas com o frio apertando, sou obrigado a me recolher para dentro da barraca e logo vou dormir.

CONTINUA....
Editado pela última vez por Renato37 em 28 Jul 2016, 18:09, em um total de 1 vez.
#1206563 por Renato37
28 Jul 2016, 18:08
3ºDia - Pico do Sino, Cachoeira do Aiuruoca e Ovos da galinha

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Sol nascendo por trás das Agulhas negras

A Sexta feira começou mais uma vez com geada, mas dessa vez, a temperatura caiu menos do que nos últimos dias e o termômetro marcava -03ºC, sendo a noite menos gelada que peguei até então. Mais uma vez, a barraca amanheceu com uma fina camada de gelo, mas dessa vez, o ziper não travou.

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::Cold::

Como nos dias anteriores, novamente o céu estava livre de qualquer vestígio de nuvens e como estava em um vale, nascer do sol só subindo até a Pedra do Altar ou ir até a base das Prateleiras. Como ambos ficam a quase 1 hora de caminhada dali, deixei para uma outra ocasião.

Após um belo café da manhã que serviu para esquentar o corpo e espantar o frio, me despeço do Rodrigo que havia reservado 1 dia a menos de estadia no parque e iria voltar para sampa na manhã daquele mesmo dia. E o Marcos iria fazer uma escalada no Pico das Agulhas negras.

Mochila pronta, hoje reservei o dia para ir conhecer a Pedra do Sino, que não é perto do abrigo. Por isso, achei melhor deixar um dia todo reservado para esse pico e todo o entorno dele. Dou inicio a caminhada pontualmente as 8h30, mais uma vez pegando a trilha para o Pico das agulhas negras, que é o ponto de partida de praticamente todas as trilhas que levam para o lado mineiro do Parque.

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Havia gelo por vários trechos na trilha

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20 minutos desde o acampamento, chego a bifurcação que divide as trilhas do Agulhas negras com as demais, e viro a esquerda. O caminho é o mesmo para o Altar e a trilha dos 5 lagos. Então, não tem erro. Passo batido pela bifurcação para a Pedra do Altar e dos 5 lagos, trilha essa que foi minha investida no dia anterior.

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Contornando pela base da Pedra do Altar

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A trilha do circuito 5 lagos segue pela lateral direita desse morro

O caminho para a Pedra do Sino é o mesmo para quem vai para a cachoeira do Aiuruoca. Ela desce até o vale das nascentes do Rio Aiuruoca e a partir desse ponto, segue no plano. Água não é problema na maior parte do trajeto, mas é bom trazer um pouco de água do acampamento, pois na 1º hora, não passa por nenhum ponto de água.

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Descendo em direção ao vale das nascentes do rio Aiuruoca

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Pico do Sino visto durante o trecho final de descida

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Ovos da galinha vista do vale (foto com zoom)

1 hora de caminhada desde o acampamento, chego ao 1ºponto de água, onde aproveito para pegar um pouco de água apenas, pois sei que há outros pontos mais a frente. Termino a descida e agora a trilha segue no plano, pelo imenso vale. Pouco antes das 10:00hs e 1 hora e meia de caminhada desde o Abrigo Rebouças, chego a placa que indica uma importante bifurcação: A esquerda vai para a travessia da Serra Negra e a direita, o Rancho caído.

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Nesse ponto é onde as travessias da Serra Negra e Rancho caído se separam.

O acesso a trilha que leva para a Pedra do Sino parte de uma bifurcação que sai da trilha na travessia do Rancho caído. Após a placa, sigo pela direita e logo chego a uma area de charco e outra bifurcação indicando a cachoeira do Aiuruoca a esquerda. Como meu destino é a Pedra do Sino, sigo na trilha a direita e deixo para passar na cachoeira na volta. A direita a imponente Pedra do Sino está visível o tempo todo e a frente, o conjunto rochoso dos Ovos da Galinha.

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Pedra do Sino visto da bifurcação

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Mesma foto, com zoom

20 minutos desde a cachoeira, passo por mais um ponto de água e em seguida, chego a um trecho de rochedos, onde encontro uma bifurcação em um descampado com alguns totens sinalizando. Seguindo em frente, continua a travessia do Rancho caído e que vai descer até o vale dos dinossauros.

Viro na trilha a direita, seguindo em direção ao ovos da galinha até chegar a mais uma bifurcação com 2 totens sinalizando, onde o caminho a seguir agora é a esquerda. Seguindo reto a direita, vai para os ovos da galinha.

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Chegando ao conjunto rochoso denominado ovos da galinha

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Iniciando a trilha para o Pico da Pedra do Sino

As 10:30, inicio o trecho em direção a Pedra do Sino. A discreta, mas bem marcada trilha contorna pela lateral esquerda do ovos da galinha e mergulha em um pequeno vale, para então começar a subir em direção ao cume. Nesse vale, passei por um ponto de água, o único até o topo. Por isso, pegue toda a agua que for precisar para a ida e a volta nesse ponto, pois não há mais nenhum outro ponto de água na subida e nem no topo.

Após passar pelo vale, a trilha inicia a subida em direção ao cume, mas que não dura muito tempo e a trilha logo dá lugar a um longo e extensos trechos de costões rochosos, onde a navegação passa a ser exclusivamente por totens. A subida vai ficando cada vez mais íngreme e com o sol castigando, vou parando algumas vezes para retomar o fôlego.

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Pirambeira dos infernos

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Há vários totens pelo caminho, alguns até indicando caminhos que dão pequenas voltas que ajudam a diminuir o desnível da subida. Mas o caminho a seguir é sempre tendendo discretamente para a direita, afim de evitar um enorme paredão intransponível no trecho final, na base.

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Logo abaixo, o conjunto rochoso dos ovos da galinha, ponto de referência do inicio da trilha e o retorno também

A Subida não é demorada, mas não há áreas de sombra, por isso, leve pelo menos uns 2 litros para a subida e o tempo que vai ficar lá no topo, para não correr o risco de chegar lá sem nada e ter que descer por falta do precioso liquido. Após 30 minutos de subida pirambeira, chego a base, onde sou obrigado a seguir para a direita por conta de um enorme paredão intransponível a minha frente.

Alguns vestígios de trilha aparecem e após fazer um meio contorno pela base, chego no trecho final, onde há um trecho de escalaminhada pela rocha.

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Vista durante a subida

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Pitorescas formações rochosas na base, próximo do cume

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Enfim, após quase 3 horas de caminhada desde o Abrigo, finalmente atinjo o cume dos 2.670 metros de altitude do Pico da Pedra do Sino, para o então merecido descanço. A vista é de 360º e o visual é de impressionar. Do topo se tem a vista de todo o entorno da parte alta do Parque, com a lateral do Pico das Agulhas negras bem a frente e a Asa de Hermes no meio bem ao lado, Pico do Couto a sudeste, a estradinha, a Pedra do Altar, Prateleiras, entre outros.

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O amplo cume da Pedra do Sino

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A esquerda, Pico do Couto, a direita a Pedra do Altar e bem ao fundão, as escarpas rochosas da Serra Fina

Não havia ninguém no cume e por isso, fui dono absoluto do lugar. Com a missão do dia concluído, aproveito para fazer uma parada mais longa para almoçar e ficar contemplando a vista daquele belíssimo cume que tem algumas características peculiares. O chão lembra muito uma cratera lunar, pois há vários buracos pequenos.
Debaixo de uma rocha, encontro um livro de cume e é claro que deixo minha marca lá.

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Face lateral do Pico das Agulhas negras, vizinha ao Sino

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Vale do Rio Aiuruoca lá embaixo vista do topo

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Fendas gigantescas que só de olhar, dava até medo....

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O belissimo vale dos dinossauros e o Pico da Marombinha

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E é claro, o livro de cume

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Após explorar o topo, relaxar os músculos, forrar o estomago e molhar a goela, inicio a descida por volta das 13:30hs. A descida é rapida e em cerca de 20 minutos, estou chegando aos ovos da Galinha. As 14:05, estou novamente na trilha da travessia do Rancho caído e com tempo sobrando, resolvo passar para rever a cachoeira do Aiuruoca.

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Cachoeira do Aiuruoca

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A cachu, visto de longe, do alto da crista, ângulo visto somente para quem está na Travessia da Serra Negra

Após passar na cachoeira, inicio o caminho de volta ao abrigo, onde chego pouco antes das 17:00hs. Consegui visitar todos os atrativos programados para os 4 dias sem correria e sempre com tempo sobrando. Mesmo indo leve (apenas de mochila de ataque), as trilhas no parque levaram horas, pois os atrativos não são próximos uns dos outros.

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Últimos raios de sol do dia na area de acampamento no Rebouças, com a lua logo acima

A temperatura não diminuiu muito a noite e dessa vez, deu para ficar mais tempo fora da barraca para curtir a bela noite estrelada e a lua iluminando aquele belo vale. Após a Janta, fui dormir por volta das 21:00hs.

4ºDia - Retornando para SP.

No último dia, sem mais atrativos para visitar, nem me preocupei em acordar cedo, pois havia combinado de voltar de carona com o Marcos mais tarde. Preparei meu café, desmontei a barraca e deixei dentro do carro do Marcos, pois mesmo que for aproveitar o dia, pelas normas do parque, é preciso liberar a vaga do Abrigo ou camping até as 9h00.

Nesse último dia, subi novamente ao Couto para acompanhar o Marcos, mas fomos por uma trilha atalho que sai do abrigo Rebouças. É a mesma trilha que sai do meio da travessia Couto X Prateleiras. Viramos a direita e em cerca de 1 hora estavamos no topo novamente. É um caminho mais curto e tranquilo do que o percurso original que parte do Posto Marcão.

Depois de curtir mais uma vez o alto dos 2.680 metros de altitude do Couto (que estava lotado de gente por ser sábado) retornamos para o carro. Após dar baixa em nossa saída lá na posto Marcão, iniciamos a viagem de volta para SP, mas não sem antes fazer uma parada na Garganta do Registro para almoçarmos (afinal, o corpo pedia comida gordurosa) e também para o Marcos se esbaldar com os queijos tipicos da região. Reserve um tempo para conhecer o local, vale muito a pena.

Algumas fotos:

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Inicio da estrada que sobe até a parte alta do Parque

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Durante a descida da serra, fizemos umas 2 paradas em alguns trechos da rodovia para os últimos clicks da bela escarpa rochosa da Serra do Itatiaia, a qual estavamos a apenas algumas horas lá no topo. A imponência e a altura impressiona e não poderia deixar de registrar.

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Pico do Couto a esquerda, Prateleiras a direita

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A viagem de volta para SP foi tranquila e cheguei em casa por volta das 19:30, cansado como de praxe, mas feliz.

Agradecimento especial para o Marcos que me deu carona do parque até SP. Solidariedade montanhista é isso ai!

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Dicas e infos importantes:

--> Por ser um parque nacional, é necessário fazer reserva antecipada, tanto dos dias, qto do pernoite no abrigo ou camping do parque. O link para fazer sua reservas é: http://www.icmbio.gov.br/parnaitatiaia/reservas.html
Em caso de dúvidas é só ligar para qualquer um dos telefones disponíves no website acima.

--> Durante a semana, (segunda a quinta) é bem facil conseguir vaga no abrigo e camping no Rebouças, podendo inclusive até ir direto sem reserva. Para isso, basta acompanhar o calendário de reservas do parque e se programar.

Calendário - Abrigo Rebouças
https://calendar.google.com/calendar/em ... t_BR&pli=1

Calendário - Camping Rebouças
https://calendar.google.com/calendar/em ... 0&hl=pt_BR

--> A melhor forma de chegar a parte alta do Parque é de carro/moto. Se for de ônibus partindo de São Paulo ou região, a opção é pegar um até Itanhandú e de lá, um circular para a vizinha Itamonte. A viação cometa faz essa linha e tem vários horários.
http://www.viacaocometa.com.br/

--> Estando em Itamonte, é só pegar um taxi para levar até a parte alta do Parque. Outra opção é contratar um resgate para ir buscar lá na Rodoviária de Itanhandu para levar e buscar no retorno, caso estiver em um grupo grande. O Taxista que me levou se chama Dascimar e ele cobrou R$ 50 pela corrida fechada (valor de Junho/16). Estando em um grupo de até 4 pessoas, é uma ótima opção e a corrida fica bem baratinha.
Os telefones de contato dele são: (35) 99954-4830 / 99156-2121 / 98428-0120

--> A travessia Couto x Prateleiras completa leva em média de 3 a 4 horas em ritmo médio e com paradas. Começando antes das 9h00, estará terminando por volta das 13:00hs, tendo tempo para ir conhecer o Prateleiras (se não foi ainda) e de quebra, as Pedras da Maça, Tartaruga e Assentada que estão praticamente do lado. Se ainda tiver tempo e pique, pode-se subir até a Pedra do Altar para ver o por-do-sol no final do dia. Vale muito a pena!

--> Sinal de celular pega sem problemas no alto dos picos e na crista.

--> Boné é indispensável para evitar o sol forte...

--> O circuito dos 5 lagos completo (cujo inicio parte do Rebouças e termina no posto Marcão) leva em torno de 4 horas (2 horas foi o tempo que levei entre a base do Altar e o Posto Marcão). Saindo bem cedo ou indo em ritmo forte, é possível fazer um batevolta na Asa de Hermes e Pedra do Altar, e ainda fazer toda a trilha dos 5 lagos, chegando no posto Marcão antes do anoitecer. Vale muito a pena conhecer a trilha dos 5 lagos.

--> O Pico da Pedra do Sino é relativamente longe do Abrigo Rebouças e leva-se em torno de 3 horas de caminhada só de ida até o topo. Por isso, se quiser conhecer, reserve um dia inteiro para ele. Aproveite e conheça também os Ovos da Galinha e a cachoeira do Aiuruoca, que estão no caminho. Vale muito a pena e não deixe de assinar o livro de cume lá no topo da Pedra do Sino.

---> Água não é problema na maior parte das trilhas do parque, sendo possivel ir apenas com 1 litro e recarregando entre um ponto e outro. Só na Travessia Couto x Prateleiras que é preciso carregar um pouco mais de água, pois só há 2 pontos, sendo um bem no começo e outro na metade do caminho. Não passei por mais nenhum outro ponto e só fui encontrar água novamente na trilha que leva a Pedra da Tartaruga e Maçã.

--> Na subida para a Pedra do Sino, há um ponto de água bem no começo, sendo a única até o topo. Pegue agua para ida e volta nesse ponto, pois embora o acesso ao cume seja relativamente facil, a subida é um pouco desgastante e sem locais de sombra. A subida leva em torno de 40 minutos a 1 hora, dependendo do seu ritmo ou do grupo. Por isso, com o sol forte, o consumo de água acaba sendo maior. Colete pelo menos uns 2 litros, caso não esteja com nada de água na mochila. Já no caminho entre o Abrigo e o inicio da trilha, há vários pontos de água pelo caminho.

--> A melhor época para curtir a parte alta do parque é no periodo seco, ou seja, de Maio a Setembro. Mesmo assim, vá somente com a certeza de tempo firme nos dias que for permanecer lá e adie em caso de previsão de mau tempo. Esperando um pouco e indo com previsão de tempo bom, o risco de passar perrengues desnecessários como chuva torrencial, frio intenso e ventos fortes diminui consideravelmente.

--> Logo abaixo seguem alguns contatos que fornecem transporte e resgate para levar e buscar na Parte alta do Parque.

- Taxista Marquinhos: (35) 9113-1214 (Itamonte) - Um dos + baratos;
- Sr.Samuel: (35) 9113-1700 (Itamonte);
- Taxistas Schmidt e Boni: (35) 3371-2013 e (35) 9962-4025 (Passa Quatro).
- Carlinhos: (35) 9109-1185
- Zezinho: (35) 9113-0745
- Taxista Dascimar: (35) 99954-4830 / 99156-2121 / 98428-0120
Editado pela última vez por Renato37 em 29 Jul 2016, 14:09, em um total de 1 vez.

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