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Olá!

 

Gostaria de saber de vcs que estão sempre no Caminho se é tranquilo de fazer e bem sinalizado.

Achei bem interessante ainda mais pela história do lugar

 

abraços

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Passou neste ultimo sábado no programa Plug da RPC a matéria da apresentadora fazendo o Caminho do Itupava. O que me chamou a atenção:

- grande quantidade de gente entre Borda do Campo e a Casa do Ipiranga (na reportagem, naquele dia foram 400 pessoas que passaram pelo IAP) - maioria sem experiência e sem equipamentos para trilhas. Tinha um grupo que se não me engano eram 45 pessoas;

- grande quantidade de lixo no mesmo trecho;

- gente acampada em todos os cantos, até ao lado da trilha, alguns com barracas e outros só com lonas mesmo.

 

Não sou egoísta de querer a trilha só para mim, longe disso. Mas bons tempos de quando eu morava em Curitiba e fazia este caminho e as vezes em todo trajeto cruzava apenas com 1 ou 2 grupos de pessoas, parávamos para conversar e seguíamos caminhando.

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Olá!

 

Gostaria de saber de vcs que estão sempre no Caminho se é tranquilo de fazer e bem sinalizado.

Achei bem interessante ainda mais pela história do lugar

 

abraços

O caminho tem a rota bem demarcada... não tem "perigo" de se perder. Até os cruzamentos de rio agora tem pontes.

O problema ainda é a falta de segurança.. ideal é seguir em grupo de no mínimo 3... e paciência pq pelo fácil acesso vive lotada.

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O único ponto que pode gerar dúvida é na hora de cruzar os trilhos na casa do Ipiranga, a continuação está bem a frente da casa.

E no santuário do Cadeado a trilha continua atrás do mesmo.

No mais, a trilha é tranquila, só seguir o calçamento centenário.

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Aproveitando o tópico, Otávio, você sabe dizer onde fica a bifurcação que leva até o Marumbi, partindo do Cadeado?

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Do Cadeado pra chegar no Marumbi tem duas maneiras: pelo trilho ou pela trilha. Pelo trilho é proibido e perigoso, vai pegar as maiores pontes e viadutos da estrada de ferro.

Pela trilha é só seguir a Itupava até ela terminar na estrada de Prainhas. Pra baixo (esquerda) vai pro posto do IAP, Rio Nhundiaquara e Porto de Cima. Pra cima (direita) pra estação de Engenheiro Langue e em seguida Marumbi (por trilha).

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Olá, pessoal!

Alguém no Caminho amanhã, 26/08? Vou fazer com uma amiga e seria bom companhia pelo menos até a Casa do Ipiranga. Iniciaremos por volta das 7h10.

Grande abraço.

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Pretendo fazer o caminho do Itupava esse fim de semana com uns amigos, não sou adepta de caminhadas e tenho pouco preparo físico, queria saber mais sobre a estrutra do caminho, se é boa, se é muito puxada ou apenas longa mesmo.... e mais descrições do caminho se possível rs. Obrigada 

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É uma caminhada bem extenuante, sem nenhuma estrutura no caminho. Nem resgate é possível, sendo bem complicado se alguém se machuca, por exemplo. Eu já fiz o caminho várias vezes, levo de 10 a 12 horas para percorre-lo sem pressa. A trilha é bem lisa e íngreme em alguns pontos, os tombos são inevitáveis.

Se não tem um pouco de preparo físico aconselho a não ir, só vai sofrer...

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    • Por peter tofte
      Ao ler um relato do Quiriri aqui no mochileiros, feito pelo amigo Otávio Teixeira de Freitas, grande paranaense de origem baiana, mencionei a ele que queria conhecer aquela região. De pronto ele me convidou para ir com a turma no feriadão (7/9, que em Curitiba emenda com 8/9 Padroeira da cidade). Coincidiu o convite com uma milhagem aérea que estava para vencer em dois dias! Não foi difícil decidir.
       
      Entretanto devido as chuvas e ao frio a turma cancelou a ida para o Quiriri. O tempo prejudicaria o visual. Assim acionamos o plano B: fazer o Itupava e conhecer um pouco do Marumbi, região lindíssima do Paraná, berço do montanhismo brasileiro.
       
      Segue abaixo fotos e o relato. O Otávio deve em seguida colocar mais fotos e melhorar/corrigir o texto.
       
      Saímos da Estação Guadalupe no Centro de Curitiba num ônibus municipal para 4 Barras, cidade da área metropolitana da grande Curitiba. Após 40 min. a uma hora chegamos no terminal 4 Barras e com mais 20 minutos de espera tomamos o busão para Borda do Campo, onde saltamos no ponto final, a poucos metros da entrada do parque. Levamos mais ou menos 1:30 hr do centro de Curitiba até lá. O ônibus estava cheio de "itupaveiros", uma tribo que frequenta a primeira metade da trilha. Uma característica deles é que gostam de usar roupas de camuflagem. Alguns já estavam bebendo aquela hora da manhã.
       
      As 9:40 começamos a descida após termos feito o registro no posto de controle do IAP. O caminho do Itupava, embora predominantemente em declive, tem uma série de subidas, especialmente nos vales formados pelos rios que descem a serra.
       


       
      O primeiro trecho não tem mata tão fechada. É considerado o mais perigoso na questão de assaltos (especialmente até a bifurcação para a cachoeira véu de noiva), por isto seguimos em silêncio. Mas foi tranquilo. Devido ao feriadão muita gente descia. Corredores de aventura vinham no sentido inverso.
       



       
      O tempo estava nublado, volta e meia chuviscava. Não deu para observar o Anhangava a nossa esquerda, num ponto conhecido como Boa Vista.
       
      Com 2:40 hrs de caminhada chegamos na casa do engenheiro e na roda d'água, no rio Ipiranga. A casa do engenheiro é agora uma casa abandonada, em ruínas. Nele vivia a família do engenheiro responsável pela manutenção da belíssima ferrovia que desce de Curitiba para Morretes, possivelmente a mais bela ferrovia do Brasil, e uma das maiores obras ferroviárias do País.
       


       
      Uma pena deixarem abandonada aquela casa bonita. Mais provavelmente era uma mansão. Restos de uma lareira, banheira e uma piscina vazia ao lado da casa, com um visual incrível para a mata. A ferrovia passa a poucos metros. Mais adiante, a beira do rio Ipiranga, uma roda d'água deveria fornecer energia elétrica para a residência.
       


       
      Pegamos a linha férrea subindo e com poucos metros descemos para um pontilhão que atravessava o Ipiranga, indo para a roda d'água. É possível observar ainda seus restos. Uma bonita cachoeira caia num poção metros adiante.
       

       
      Na margem esquerda do rio estava erguido um acampamento de itupaveiros. Uma coleção de tendas baratas com uma grande lona azul, parecendo um acampamento do MST, mas acho que o MST é bem mais organizado.
       

       
      O que me deixou mesmo chateado foi ver que estavam cortando árvores nas proximidades para alimentar a fogueira comunal, debaixo da lona. Não eram galhos mortos, troncos secos, eram árvores vivas. Assim aumentavam a clareira.
       
      A julgar pelo som que carregavam, bebidas e possivelmente "algunas cositas mas" as noites neste acampamento deveriam ser perfeitas para meditar, relaxar e ter um sono tranquilo.
       
      Ao menos vimos um grande depósito de lixo ao lado dos trilhos, mostrando que eles carregavam o lixo para um ponto onde o concessionário da ferrovia podia levá-lo. O mais correto seria eles mesmos levarem, mas enfim...
       
      Os itupaveiros são na maioria pessoas jovens e humildes. As mochilas e equipamentos deles são baratos e é algo difícil descrever como carregam as coisas nas costas. Devem passar frio e perrengues na mata. Calçados inadequados. Quando eu e Otávio passamos por eles, relativamente bem equipados para a prática de trekking, a impressão é que nos viam como aliens. Ora depreciativamente, ora respeitosamente.
       
      Os grupos organizados de montanha chamam este pessoal de Itupaveiros ou, jocosamente, de "malária", por causa dos estragos que fazem. Mas eles têm o mérito de querer curtir a natureza. O problema é a maneira inadequada, insegura, sem um mínimo de treinamento para trilhas e pouquíssima consciência ambiental.
       
      Mas o que mais me impressionou foi o relaxamento da fiscalização do IAP - Instituto Ambiental do Paraná. No posto de controle, no começo do caminho, alguns itupaveiros estavam com machados e facões bem visíveis, presos ao lado da mochila. Por que deixam entrar estes instrumentos? Os fiscais acham que eles serão usados para cavar buracos e enterrar fezes? Sei que o IAP enfrenta dificuldades por falta de verbas e interesse do governo do Estado, porém a negligência só depõe contra o instituto e torna questionável a sua existência.
       
      Embora acampar seja proibido em todo o trajeto, o governo estadual também não colabora. O camping inaugurado com estardalhaço, na estação Marumbi, está fechado por falta de pessoal do IAP. Se falta pessoal, por que não entregá-lo a um grupo voluntário? Seria uma concessão que demanda trâmites legais/licitatórios, mas com boa vontade sai.
       
      Depois de um lanche na borda da cachoeira, onde conversamos sobre estes assuntos, atravessamos de volta o pontilhão, tiramos fotos numa ponte ferroviária e voltamos a descer.
       

       
      A mata ficou ainda mais fechada. Faz pouca diferença se está chovendo ou ensolarado. Agora a trilha é bem histórica e conservada. É feita de pedras redondas retiradas do leito dos rios, por índios ou escravos no século 18 e 19. Se não colocassem as pedras os burros dos tropeiros cavariam com suas patas o caminho, fazendo grandes valas e buracos, que seriam erodidos pela água da chuva descendo. Como as pedras estão sempre na sombra, ficam úmidas o tempo inteiro. Para escorregar é facinho, facinho...Otávio disse que nesta trilha passamos a maior parte do tempo olhando para o chão. Para curtir a paisagem tem que parar de andar. De fato as unicas vezes que levamos um escorregão estávamos distraídos, conversando.
       
      O caminho de pedras lembra um pouco a Ladeira do Império, no Vale do Paty, Bahia.
       
      A floresta é luxuriante, belíssima. Profusão de árvores, palmitos, xaxins, bromélias, orquídeas, enfim, a vegetação que fez os naturalistas estrangeiros que visitaram o Brasil no século XIX descreverem nossa mata atlântica como uma das mais belas do mundo. As constantes chuvas que desabam nas encostas da Serra do Mar, do qual o complexo do Marumbi é uma de suas partes mais impressionantes, mantém a exuberância de vida nesta floresta pluvial.
       




       
      Um momento muito bonito foi quando baixamos para o nível das nuvens, passando por uma névoa no meio da floresta.
       

       
      A trilha passou a ter trechos bem íngremes de descida. Algumas vezes optei por usar a lateral do caminho, de terra. Embora não seja procedimento LNT - Leave No Trace, meus joelhos agradeceram. Algumas descidas tinham escadas de metal para ajudar.
       
      Após 1 a 2 hrs depois da roda d'água chegamos no Cadeado, ou melhor, no Santuário da Nossa Senhora do Cadeado, cruzando outra vez a ferrovia. Bonito lugar, com bela vista do Marumbi, bem encoberto pelas nuvens. Um esquilo comia tranquilamente uns coquinhos numa palmeira quase ao alcance da mão.
       


       
      Lanchamos e tirei fotos.
       
      Continuamos a descida. Com cerca de mais uma hora chegamos no rio, com ponte pênsil, sobre o rio Taquaral, o ponto mais baixo de nossa travessia, não longe da Usina. Uma coisa legal são estas pontes, várias no caminho, permitindo uma travessia fácil, segura e bonita dos rios. Numa tromba d'água devemos dar valor a elas!
       


       
      Passamos então a rumar para a Estação Marumbi. Saímos da trilha logo depois de uma pequena descida, que terminava numa escada de madeira saindo direto numa estrada de terra feita para 4X4. Eram 17:20. Concluímos o percurso de 25 km em aproximadamente 8 horas, contando com as paradas para lanche. Não foi rápido, mas o Itupava merece cuidado e não se tratava de uma corrida de aventura. Vale muito a pena parar volta e meia para observar a mata, com o silêncio apenas quebrado pelas arapongas e outros pássaros.
       
      Mal andamos 100 metros ladeira acima uma pickup parou e um casal gentilmente cedeu uma carona na caçamba. Que beleza! Economizamos 30 minutos de palhetada até a estação Eng. Lange. Eles seriam um de nossos vizinhos na casinha em que pernoitaríamos.
       

       
      Na estação tiramos fotos e passamos a subir para a estação Marumbi, por um caminho muito bem conservado. Chegamos na cabana de um amigo do Otávio, que emprestou a bonita casa no meio da mata. Na hora de abrir a porta descobrimos que a cópia da chave, recém feita, não funcionava. Resultado: dormimos na varanda sem comida quente porque não trouxemos fogareiros, contando com o fogão da casa.
       


       
      Mas deu para sobreviver com os sanduíches! No dia seguinte, o Mathias, outro amigo, veio de Porto de Cima e trouxe a chave salvadora.
       
      Neste dia, em virtude do tempo fechado e sem vista, desistimos de subir no Olimpo e fizemos passeios ali por perto. Aquelas casinhas do Marumbi são muito interessantes. Escondidas no meio da mata, tem poucos metros quadrados e nelas só chegamos a pé. A maioria dos donos é de marumbinistas, montanhistas do Marumbi. A melhor casa é a do Niclevitz, o maior alpinista brasileiro, que dessa maneira se mantém fiel a sua origem no montanhismo. Não se via lixo. Muita mata conservada. Subimos num mirante perto da estação para mais fotos.
       




       
      Pico Paraná entre as montanhas ao fundo.
       

       
      Grande obra de engenharia: viaduto em curva sobre um precipício.

       
      De noite bisteca de porco e arroz carreteiro para matar a fome de comida quente. Otávio e Mathias estão de parabéns como cozinheiros.
       
      Dia 07/09, manhã bem nublada. Descemos pela trilha do guarda, com mata fechada, até uma estrada de terra, onde pouco adiante Mathias deixou o carro estacionado. Seguimos para a bonita e arrumada cidade histórica de Morretes, lotada de turistas, onde comemos um típico barreado. Passeamos pela cidade e depois subimos para Curitiba pela Graciosa, que merece o nome, uma das mais bonitas rodovias no País. Soubemos que pouco depois de nossa passagem, chuvas derrubaram uma árvore que bloqueou a rodovia.
       
      Conheci assim mais um pouquinho das belezas do Paraná, graças aos amigos Otávio e Mathias, ficando devendo a eles uma guiada pelo Vale do Paty, na Bahia!

    • Por paulo meneguello
      estou pretendendo fazer o anhangava pela 1 vez em 02/11...
       
      gostaria de algumas infos do pessoal que esteve por la a pouco tempo e em quanto tempo vcs fizeram o caminho.
       
      tem bica ou cachus para reabastecer de agua ou devo levar bastante agua??
       
      OBS:e minha 2 "aventura" pois em agosto fiz o itupava...
       
      desde ja agradeco, aqle abç
    • Por divanei
      Trilha do Itupava
       
       
      Poderia ser o século 17 ou 18. Poderia ser um caçador de antas. Poderia ser um bandeirante atrás de ouro, pedras preciosas ou a fim de aprisionar alguns índios. Poderia ser um tropeiro montado em sua mula garbosa a caminho do litoral. Mas não, o sujeito que desce o histórico caminho, é um cara magrelo de cabelo amarelo. Carrega em sua “cacunda” uns vinte quilos de equipamentos e comida. Desce a passos lentos, preservando a sua bunda das pedras lisas polida por séculos. Descendente de portugueses e espanhóis carrega em seu DNA, os genes dos exploradores da Península Ibérica. Talvez faça parte da tribo dos bandeirantes modernos. O que o move montanha abaixo é o amor incontrolável pela natureza. È uma curiosidade que não sabe de onde vem. Precisa ver, explorar, sentir o cheiro do mato, o frescor do vento, ouvir o barulho das águas, dos pássaros, subir a montanha misteriosa e ver o mundo lá de cima. Só para se sentir livre, procurar um sentido pra vida, apenas se sentir feliz........
       
      Claro, eu já tinha ouvido falar do histórico Caminho Colonial do Itupava. Mas nunca me interessei em fazê-lo por achar curto de mais para valer uma viagem ao Paraná. Outro lugar que eu sempre quis conhecer foi o Parque Estadual do Marumbi, mas as informações que eu tinha era a que para acessá-lo seria preciso pegar o famoso trem Curitiba-Paranaguá. A dificuldade de conseguir comprar passagem para o trem, chegando de São Paulo em um feriado era muito grande, geralmente já estava lotado dias antes. Tinha uma outra opção, que era a de ir até Morretes, conseguir um transporte até um lugar chamado Porto de Cima e depois andar não sei quantas horas até a estação do Marumbi. Achei trabalhoso demais e então fui deixando de lado. Até que descobri, relendo um antigo guia do Marumbi, que o tal caminho vindo de Porto de Cima era a própria trilha do Itupava. Ai sim, ligar a trilha histórica com o espetacular Marumbi poderia ser um passeio imperdível.
       
      Aproveitando o fiasco da nossa seleção e também o feriado paulista da Revolução de 32, embarquei de Campinas para São Paulo e de lá para Curitiba, aonde cheguei ás cinco da manhã. Enfrente da rodoviária, peguei a larga avenida para a esquerda, quando cheguei ao posto de gasolina,virei a direita na Av. João Negrão e em mais cinco minutos cheguei ao terminal de ônibus Guadalupe.Imediatamente já peguei o ônibus para Quatro Barras. Bem, quase imediatamente. O veículo não pegou e o motorista convidou todos os passageiros para empurrar. Senti-me na Bolívia. A aventura começou.
      Meia hora depois o ônibus encostou na rodoviária de 4 Barras e no próprio terminal peguei o ônibus para o bairro de Borda do Campo e em outra meia hora já estava saltando no ponto final.
      Do ponto final, segui em direção a montanha do Anhangava, parcialmente encoberta pela densa neblina da manhã. Cinco minutos pela estradinha de terra já avisto o posto de fiscalização do Instituto Ambiental do Paraná e a placa de concreto que demarca o início da Trilha do Itupava. No posto de fiscalização sou muito bem recebido, coisa rara em se tratando de órgão ambiental, preencho um breve cadastro e sem muito frescura sou liberado para iniciar a caminhada. Sem pagar taxas, sem encheção de saco ou outras aporrinhações.Quando penso que descerei a trilha sozinho, me aparece uns 40 soldados da polícia da Aeronáutica para me fazer companhia. Deixo os soldados para trás e sigo em frente por uma trilha bem aberta, quase uma estradinha e em pouco mais de cinco minutos estou em uma pedreira abandonada e faço logo uma parada para um breve café da manhã, afinal já são quase 8 horas e até agora não comi coisa alguma.
       
      Retomo a caminhada e em mais cinco minutos chego a uma grande clareira, onde uma placa indica o caminho a seguir. A trilha passa por um riachinho e começa a subir e em mais uns 10 minutos a trilha quebra a esquerda, desce por uma escada de troncos, passa por uma pinguela sobre um brejo e 15 minutos depois chega a uma bifurcação, na qual pego para a esquerda e então por mais uns 15 minutos sobe um pouco e depois volta a nivelar. Mais 10 minutos de caminhada chego à placa que demarca o início dão Parque Estadual da Serra da Baitaca e finalmente aparece o calçamento original da trilha histórica. Surpreendentemente com um nível de preservação incrível, deixa o calçamento da trilha do Ouro na Serra da Bocâina no chinelo.Um minuto depois é preciso tomar cuida para não errar na bifurcação e então pego para a direita e nessa hora sou ultrapassado pelos soldados. Vou seguindo esses pobres coitados, como se eu mesmo fosse o fiofó de tropa. Sigo atrás me cagando de tanto rir de ver os tombos dos caras. Tinha um tal de soldado 01 que os oficiais pegaram para Cristo. O “coió” não parava de pé. Os oficiais diziam que ele era incapaz de cantar e andar ao mesmo tempo. Os próprios oficiais me pareciam meio tontos, totalmente despreparados para a empreitada que se dispuseram a fazer. Todos armados até os dentes, carregando trambolhudas caixas de primeiros socorros e outras coisas que me pareceu inúteis para uma simples caminhada de apenas um dia. Por falar em trambolho, testei nesta trilha um dispositivo protetor anti cobras “tabajara”.Depois do acidente com a peçonhenta jararaca na Ilha Grande, caminhada feita no último carnaval, resolvi testar a perneira de couro, que eu havia ganhado a mais de 10 anos , mas nunca tinha usado por achar pra lá de inútil.
       
      Uma hora e meia de trilha e chegamos a uma grande ponte de madeira e depois de uns 15 minutos a trilha passa por alguns riachos e sai em campo aberto e finalmente vejo a cara do sol. 10 minutos depois passa por uma pinguela de três troncos e não demora muito atravesso a grande ponte pêncil sobre o Rio Ipiranga e chego à própria ruína da Casa do Ipiranga.
      A casa do Ipiranga foi construída para ser morada do engenheiro chefe da ferrovia e depois serviu como clube de laser, até ser totalmente abandonada quando a ferrovia foi privatizada. Hoje só restam as paredes do que foi quase uma grande mansão, que contava até com uma enorme piscina feita de pedras. Aproveitei que os milicos pararam para lanchar, atravessei a linha de trem e interceptei a trilha do outro lado, escondida sob vegetação rasteira. A trilha sobe um pouco e depois nivela e então começa a descer de vez.
      Agora sozinho, vou andando em silêncio e pensando nos coitados que perderam suas vidas construindo este histórico calçamento. Quantos escravos e muitos outros sofreram para trazer estas pedras até a trilha e depois montar este enorme quebra-cabeça. Estar trilhando este caminho é estar pisando em séculos de história do Brasil e também......sleeept, sleeeept , ....poooofttt !!! E lá fui eu com a cara no chão. É isso aí, o caminho do Itupava não é lugar pra devaneios e divagações. Se você perder a concentração vai acabar conhecendo a dureza da história com a bunda .
       
      A trilha desce por dentro da mata até chegar a uma bela cachoeira, onde aproveito para fazer um lanche e logo sou ultrapassado pelos soldados. Retomo a caminhada, agora na traseira dos soldados. O caminho volta a subir e depois começa uma grande descida, íngreme e escorregadia. Que o diga o soldado 01, levantou as duas pernas pra cima e foi parar uns dez metros trilha abaixo, quase levando toda a tropa junto com ele.
      Não demora muito chegamos à passagem do cadeado. Até 1770 só homens passavam pelo caminho, mas a partir desta data abriram uma passagem na montanha utilizando explosivos e assim deu se passagem para os animais de carga. Depois da fenda instalaram escadas de ferro para amenizar a grande descida até a linha de trem, onde foi instalado a capela de Ns do Cadeado. Antes de atravessar a linha do trem um dos socorristas enfiou a perna em uma fenda e ficou gritando de dor, por sorte não quebrou. Os soldados o carregaram até a capela para ver o que dava pra fazer com ele. Todos os soldados pararam para um novo lanche e eu segui enfrente pela trilha calçada e bem sinalizada. Logo encontro um bando de macacos fazendo a maior algazarra nas árvores. Chego de supetão a ponte sobre o Rio São João,enorme ponte pencil. Atravesso o rio e viro a esquerda me valendo de outras pinguelas de madeira até tropeçar na ponte pêncil do Rio taquaral. A trilha nivela e em pouco tempo chego ao seu final, que fica junto a uma escada de madeira que acaba direto na extreitíssima estradinha de terra.
       
      A trilha calçada ficou pra trás. Foram mais de sete horas de caminhada por cima de grandes pedras lisas que aos poucos vai minando as energias da gente.A trilha é catalogada como semi-pesada, mas pra mim qualquer trilha de mais de 3 hora que se faça com uma mochila de quase 20 quilos é sempre hiper , super,mega, pesada. Meus pés estão destruídos, o tempo voltou a fechar e não demora muito vai desabar um temporal, por isso me apresso. Na estradinha subo para a direita e em meia hora dou de cara com a estação Engenheiro Lange. O “guardião da estação” me indica o caminho para chegar a estação do Marumbi.A trilha sai ao lado de uma pequena caixa d’água, sobe por um minuto e novamente encontro o trilho do trem,Viro a direita e ando por uns 50 metros .Atravesso o trilho e subo pela escadinha do outro lado e em 10 minutos passo por um riacho e logo chego na estação Marumbí. Enfrente dela encontro a sede do Parque Estadual do Marumbí.Sou muito bem recebido. Preencho um simples cadastros e sou logo encaminhado para o camping do parque.
      Fique totalmente surpreso com o que encontrei. Na minha imaginação o Marumbi seria um lugar cheio de casas, com pequenos bares e área de camping. Mas não, o lugar é totalmente simples, pacato, bucólico. O único camping pertence ao parque e, pasmem gratuito. Com chuveiro de água quente e tudo. Um ótimo gramado, tudo bem organizado. Nem parece Parque Estadual.
       
      Monto a minha barraca e enquanto minha janta cozinha, vou tomar um banho quentinho. O local está vazio,existe somente mais duas barraquinhas montadas por aqui e só na boca da noite uma galera vindo de São Paulo veio se juntar a nós .O Marumbi está totalmente encoberto pelas nuvens e ficamos torcendo para que o tempo melhore no outro dia para podermos escala-lo.Janto muito bem e as sete da noite me recolho para dentro do meu saco de dormir, afinal de contas foi um dia cansativo.
      O dia amanhece encoberto, mas aos poucos as nuvens começam a se dissipar, empurradas pelo vento. O Marumbi aparece. Meu deus, como é gigante!!! Conheço uma centena de montanhas no Brasil e com certeza o Marumbi foi o que mais me impressionou. A visão da Torre dos Sinos por entre as nuvens é de assombrar. Eu sempre achei a visão do Dedo de Deus, na Serra dos Orgão-RJ,a mais incrível do Brasil, mas o Marumbí é espetacular.Olhando de baixo parece ser impossível chegar ao topo apenas caminhando. Não há foto que descreva a monstruosidade desta montanha hipnotizante.
       
      Aproveito a companhia da galera gente boa de Sampa e sigo até a sede do parque para fazer o cadastro da subida. A nossa intenção é subir pela trilha frontal(fitas brancas) e descer pela noroeste(fitas vermelhas). A trilha frontal nos levará direto para o topo do Marumbí, conhecido como Olimpo. Saindo ao lado da sede ,fomos seguindo as fitas brancas. No começo a trilha tem pouca subidas e vai se enfiando mata a dentro até chegar a cachoeira dos marumbinistas , onde paramos para um gole de água fresca. Atravessamos o riacho e começamos a subir sem dó.
      O nosso grupo é formado além de mim, por mais 8 pessoas, sendo dois meninos de pouco mais de dez anos, dois nativos parentes dos outros quatro paulistanos.
      Narrar a subida até o topo do Monte Olimpo é ser repetitivo o tempo todo. Praticamente não há trilha é só escalada. È um tal de segura em árvore, segura em raiz, trepa em pedra, agarra em barranco, até que umas duas horas depois finalmente chegamos a uma grande parede vertical, onde descendo a esquerda se pode conseguir um pouco de água. Os garotos iam a frente firmes e fortes, sempre seguidos de perto por mim e pelos nativos, que sempre lhe davam segurança. Os meninos fizeram bonito, escalavam feito gente grande e se divertiam muito. Mas esta montanha não é brincadeira de criança não, muito provavelmente seja a montanha de maior inclinação de todo o Brasil. Em nenhum outro lugar encontraremos tantas proteções artificiais colocada em uma só montanha. São grampos , cordas , correntes, pinos, etc... O pessoal fez um trabalho realmente fantástico por aqui. Sem o trabalho destes bravos montanhistas ninguém chegaria ao topo sem o uso equipamentos de escalada.
       
      Chegando, portanto a parede vertical, começa a subida das correntes e grampos. Quem tem medo de altura terá que voltar. O bicho pega de vez e todo cuidado é pouco, um descuido pode ser fatal. A garotada dispara na frente, doidas para atingir o Olimpo. Mas o tempo está fechado e eu não me animo muito e vou subindo aos poucos. Minhas pernas já estão em frangalhos devido à caminhada do dia anterior.
      Pouco tempo depois ouço o grito frenético da garotada. Finalmente chegaram ao topo!! A chuva começa a cair quando chego na bifurcação e encontro da trilha frontal com a trilha noroeste. Pego para a direita , passo por uma grande fenda e ao meio dia e meia, atinjo o topo dos 1.539 do Monte Olimpo.
      Faz um frio desgraçado, chove pra valer e infelizmente não consegui enxergar um palmo a frente do nariz. Eu poderia estar super decepcionado, mas quase duas décadas de montanhismo fez com que eu me acostumasse com isso. È um estímulo para voltar outra vez. No topo há um livro de cume e para não fazer concorrência a inúmeras mensagens religiosas, escrevo um palavrão blasfemando contra a montanha que não me deixou ver coisa alguma. Tiro algumas fotos do nada e começo a descida. Volto à bifurcação e envez de voltar pela frontal, prefiro descer pela noroeste, seguindo agora as fitas vermelhas. Aperto o passo e encontro novamente a galera e os garotos. Seguimos em nível por um tempo, mas logo começa desgraçadamente a descer. A garotada murchou com a chuva e o frio, parecem agora criançinhas de colo, precisam de ajuda para tudo. Na verdade nós todos estamos fragilizados com o mau tempo que nos açoita sem dó nem piedade. Há lugares tão íngremes pra descer que às vezes somos obrigados a abrir mão da corda que levamos. Tudo parece liso e perigoso com a chuvarada. Os músculos não respondem como antes. Vamos cruzando por penhascos e paredões arrepiantes, até chegarmos a uma espécie de caverna. Um monte de blocos empilhados parecendo formar uma grande passagem para outro mundo.
       
      Segurando nas perigosas correntes, atravessamos o grande portal para descobrir que o mundo do outro lado era o mesmo mundo frio, gelado, molhado e perigoso de antes. Pelo que ouvi falar, havíamos chegado ao tal desfiladeiro das lágrimas. A minha vontade era mesmo de chorar. Fiquei parado no meio de umas correntes gigantescas, com um abismo liso embaixo dos meus pés. Naquele momento achei que já estava velho pra aquilo. Eu estava realmente sofrendo com tanto frio, mas quando olho pra trás e vejo os outros companheiros, alguns com a metade da minha idade, com um sofrimento ainda maior que o meu. Sigo enfrente decidido a não me entregar, pensando somente no banho quente e na comida, idem.
      Vou pulando de pedra em pedra, de galho em galho,de corrente em corrente, de grampo em grampo, escorregando montanha abaixo, caindo, levantando, tropeçando, xingando, amaldiçoando, até que as cinco da tarde chego cambaleando no acampamento. Jogo a mochila no chão, tiro a minha roupa e me jogo pra debaixo do chuveiro de águas super quentes.
      Meia hora depois começa a chegar o resto do pessoal. São uns fiapos de gente. Como eu, também foram trucidados pelo mau tempo da montanha. Arrastaram-se até o acampamento e chegaram em segurança, inclusive os garotinhos.
      Banho tomado, fui preparar a janta. Grão de bico, macarrão instantâneo com pedaços de queijo defumado e suco de graviola. E de sobremesa, geléia de mocotó. Comi até não agüentar mais andar. Estendi o saco de dormir, entrei dentro e apaguei.
       
      Lá pelas duas da madrugada acordo com o barulho ensurdecedor do trem de carga que vem descendo a serra. O estrondo é tão forte e tão alto que parece que o mundo está acabando. Só percebo que o apocalipse não chegou porque sinto um frio de doer e que eu saiba o inferno é bem quentinho. Lá fora a chuva não dá trégua. Dentro da minha barraca tem um palmo de água. Estou molhado dos pés a cabeça. Surpreendentemente desta vez a culpa não é da barraca, mas toda minha. Montei minha casa em um buraco e agora eu estava pagando pela minha burrice. Mesmo assim não me animei em enfrentar o temporal para mudá-la de lugar. Logo o sol nasceria e com ele viria um novo dia, um dia quentinho para alegrar a alma, porque as coisas ruins não durão pra sempre.
      Enfim o dia amanhece não tão quente, mas não chove mais. Ponho tudo pra secar e enquanto a água do café ferve, vou desmontando a barraca. A intenção é pegar o trem das 10h30min para Morretes . Eu estava afim de ir conhecer umas das maiores atrações da região. Eu poderia caminhar umas duas horas até a vila de Porto de Cima e de lá pegar o ônibus, mas meus pés estão em carne viva. A descida do dia anterior me deixou no bagaço e a melhor solução seria mesmo o trem histórico. Seria também a oportunidade de conhecer um pedaço de um dos símbolos da engenharia ferroviária mundial, a Ferrovia Curitiba-Paranaguá, construída ainda no tempo do império.
      Ói, ói o trem, vem surgindo de trás das montanhas azuis, olha o trem.
      Ói, ói o trem, vem trazendo de longe as cinzas do velho éon.
      Ói, já é vem, fumegando, apitando, chamando os que sabem do trem .......
      Ói, olhe o céu, já não é o mesmo céu que você conheceu, não é mais.
      Vê, ói que céu, é um céu carregado e rajado, suspenso no ar..................
       
      Um dos amigos da capital ficava cantarolando esta música do Raul Seixas, toda vez que um dos trens passava. Eu me sentei no chão da estação e fiquei acompanhando o espetáculo das montanhas do Marumbi (montanha azul, em tupi) que conforme o vento soprava aparecia e desaparecia. A grandiosidade da imagem realmente não é possível descrever. Aquela foto de propaganda com a estação e as montanhas acima é ridícula. Pessoalmente tudo é gigantesco, encantador, surpreendente e pensando bem, o próprio maluco beleza poderia ter escrito a musica sentado na estação.
      O trem chega à estação às 10h30min em ponto e quando pára, somos alvo de dezenas de fleches das fotos tirada pelos passageiros. Viramos atração turística. Parece que todo mundo queria guardar uma recordação dos maloqueiros de mochilas enormes nas costas. Mas quando subimos a bordo e o “povo branquinho” de olhos azuis, que acendem suas lareiras com notas de cem, nos viram, fizeram uma cara de nojo e de reprovação. Afinal eles pagaram passagem de primeira classe e não esperavam passar por isso. Sem nos importarmos muito, nos acomodamos em nossos bancos e fomos curtindo a viagem, até que o trem chegou à minúscula Morretes.
       
      Despedi-me dos novos amigos de São Paulo e segui para pequena rodoviária a fim de comprar logo minha passagem para Curitiba. Escolhi um horário na parte da tarde, pois queria conhecer a cidadezinha e sua maior atração. Voltei para estação de trem e entrei no pequeno restaurante e pedi logo o tal de barreado, talvez a maior atração gastronômica do sul do Brasil. Eu estava faminto, mas nem se tivesse passado um mês sem comer, teria conseguido ingerir tudo aquilo. Bolinho de peixe, maionese, torrada, vinagrete com frutos do mar, patê sei lá do que, laranjas, bananas, farinha, arroz e claro, o barreado, que era várias carnes e muitos temperos cozido por 12 horas até se desmanchar e a tudo isso se juntava três colheres de farinha de mandioca, formando uma mistura de aspecto horroroso e gosto delicioso. A comida dos escravos que virou coqueluche internacional, um símbolo da Serra do Mar paranaense. Comi tanto que sai transando as pernas e então me arrastei até a rodoviária onde embarquei às 16 horas, via Estrada da Graciosa, outra grande atração da região, chegando à noite na capital do Paraná e de lá embarquei para São Paulo.
       
      E foi assim que transcorreu mais uma viagem pelas incríveis paisagens da Serra do Mar paranaense. Provando mais uma vez que ainda é possível se surpreender com a nossa Mata Atlântica, mesmo depois de dezenas de trilhas e travessias por esta que é sem dúvida um dos grandes ecossistemas do mundo. E ainda ficou aquele gostinho de quero mais e a promessa de voltar com um tempo um pouco mais favorável para poder sentar no topo daquela fantástica montanha. E avistando lá de cima o mundo medíocre, consumista e egoísta em que vivemos, poder ter a certeza de que estamos trilhando um caminho diferente, um caminho de volta ao passado, de volta a história, de volta as nossas origens, de volta a um tempo em que éramos livres para sermos nós mesmos, um tempo em que ainda podíamos ousar, sem medo de ser feliz.
       
      Divanei Góes de Paula – Julho/2010
    • Por MauroBrandão
      Copiei este relato do augusto por que são informações consistentes do Pico do Paraná necessárias neste tópico. Ela foi editada em relatos de viagem o qual ele é editor.
       
       
       
      E aí galera.
      Estou disponibilizando mais um outro relato da subida de mais um Pico.
      É bem hard, mas pelo menos a trilha está bem demarcada. Não tem erro. Nessa subida passei por alguns apertos, então recomendo p/ quem for lá que veja se o tempo estiver bom.
       
       
       
      Boa leitura.
       
      Não conhecia a trilha e só tinha duvidas quanto aos perigos de assaltos nela, mas procurei informação c/ o pessoal de Curitiba (CPM) e me disseram que na trilha não ocorriam roubos.
      Os assaltos que ocorriam nas montanhas do PR eram no Anhangava, então estava tranqüilo (na verdade não ocorrem mais também). Só tinha receio das torrenciais chuvas que estavam ocorrendo na região sul naquela semana e como já tinha marcado alguns dias de folga, não tinha como mudar as datas e o jeito era ir assim mesmo.
       
      Saí de São Paulo em direção a Curitiba no dia 04/Abril, em um Domingo planejando retornar no dia 07 ou 08 (Quarta ou Quinta-feira). Levei um relato do Beck que estava na Revista dele e algumas outras dicas que encontrei na net.
       
      Sai do Terminal Tiete, em Sampa no ônibus das 07:00 hrs e já quase na divisa de SP/PR peguei chuva forte, o que era um mau presságio.
      No posto do Tio Doca (Shell), no Km 48 já no PR, cheguei por volta das 12:00 hrs com tempo bom. O posto é bem fácil de encontrar, pois fica logo após a Represa de Capivari. Descendo no Posto tive que retornar 2 Km até o Km 46 onde se inicia a estrada de terra à direita em direção à Fazenda Pico do Paraná.
       
      Uns 15 minutos depois de iniciada a caminhada pela estrada, passei ao lado de vários pés de caquis, que estavam abarrotados e ao longo da estrada. Uma pena era que os caquis estavam moles demais, o que inviabilizava levar alguns para a trilha. Mais 15 minutos de caminhada existe uma bifurcação à esquerda que leva a alguns sítios e chácaras, mas a trilha é sempre seguindo em frente, se orientando pela placa "BRUNO" ou Fazenda Pico do Paraná. Logo à frente passa-se ao lado de uma Igreja da Assembléia de Deus à esquerda e mais à frente haverá uma outra bifurcação, onde se deve seguir pela esquerda (Placa BRUNO).
       
      Daqui para frente o trecho começa a ficar mais íngreme e será assim até a porteira de entrada da Fazenda Pico do Paraná, onde termina a estrada, cerca de 1 hora e 30 minutos desde a Rodovia. Cheguei aqui pouco depois das 14:00 hrs.
       
      Assim que se passa a porteira existe uma descida forte até a sede da Fazenda e a direita já é possível ver uma pequena crista por onde passa a trilha e com alguns picos ao fundo (Caratuva e Itapiroca). Após passar o riacho (pegue água aqui) há uma pequena casa à esquerda onde se deve pagar uma taxa de R$3,00/pessoa e R$5,00 pelo estacionamento.
       
      O Dílson, que é o responsável pela Fazenda diz que o dinheiro é para a manutenção da trilha e que a Fazenda ainda disponibiliza banheiro e chuveiro quente para os montanhistas (uma mão na roda p/ quem tá voltando do pico). No dia que passei aqui o estacionamento tinha aproximadamente uns 10 carros, então eu iria cruzar c/ muita gente voltando do Pico.
       
      A trilha se inicia ao lado do estacionamento, no lado direito, onde a trilha entra na mata. Com um trecho muito forte de subida durante uns 40 minutos e vistas de toda a Fazenda, a Rodovia e a Represa ao fundo. Há também alguns mirantes naturais, onde encontrei vários montanhistas descansando. Logo a trilha se estabiliza e segue para a esquerda, passando por um lago de água parada (água não-potável) à esquerda e algumas clareiras onde podem ser montadas barracas.
       
      Após cerca de 2 horas desde a Fazenda, a trilha emerge numa área de vegetação bem baixa com o Pico do Caratuva bem à frente com suas antenas de rádio localizadas no topo e o Pico do Itapiroca do lado direito, um pouco escondido. Até esse ponto devem ter passado por mim cerca de 15 pessoas, entre grupos e alguns solitários voltando do pico. Assim que a trilha volta a entrar em mata fechada novamente, existe uma clareira do lado direito, onde cabem umas 5 barracas e onde montei a minha e passei a 1ª noite. Já era por volta das 16:00 hrs e ainda vários montanhistas passaram por ali e perguntando para eles como estava a trilha do PP, diziam que estava muito escorregadia e o Pico do Paraná e seu entorno estava a maior parte do tempo encoberto. Como não tinha trazido muita água lá da Fazenda, agora era buscar em bicas que se localizavam um pouco à frente, cerca de 15 minutos de onde eu estava. Peguei cerca de 2 litros de água e fiz o meu jantar. A noite chegou e rapidamente tudo ficou encoberto.
       
      No dia seguinte sai em direção ao PP por volta das 07:30 hrs com o tempo totalmente fechado e andando uns 20 mts há uma bifurcação, à esquerda que leva ao Pico do Caratuva e ao um pequeno riacho onde se pode pegar água. Não recomendo subir por essa trilha, já que é bem íngreme. Segui pela bifurcação da direita, que vai contornando o Caratuva. A trilha agora é quase toda por trechos de raízes expostas, onde o caminhar se torna mais lento. Cerca de 15 minutos depois da bifurcação há uma bica à esquerda da trilha e depois de quase 1 hora há uma outra bifurcação para a direita que leva ao Pico do Itapiroca, onde se chega no topo uns 30 minutos depois.
       
      Procurei um lugar p/ esconder minha mochila e subi até o topo somente com a máquina fotográfica. Chega-se primeiro a uma parte plana bem abaixo do topo e daqui sai uma outra trilha que entra por uma mata fechada e depois emerge quase próximo do topo. Aqui em cima de uma rocha há uma caixinha que contém o livro do cume. Assinei e deixei uma mensagem. Daqui até o topo ainda são uns 3 minutos, onde pode ver em dias claros toda a crista do PP. Cheguei aqui por volta das 09:30 hrs. No dia que passei por aqui não dava p/ se ver nada. Totalmente encoberto. A descida é bem rápida e voltei para a trilha em direção ao PP.
       
      Passei ainda por mais uns 2 riachos e como nos dias anteriores tinha chovido bastante encontrei varias poças de água e um lamaçal só. Pelo menos a bota estava agüentando o tranco. A trilha sempre vai contornando o Pico do Caratuva pela direita e logo se estabiliza. Agora a trilha é feita por uma vegetação baixa e logo passa por uma grande clareira bem no meio da trilha. Aqui chamam de Abrigo 1. Dessa clareira sai uma trilha à esquerda para o Pico do Caratuva. Não chega a ser difícil encontrá-la. Há também uma outra clareira uns 20 mts à frente. Cheguei aqui por volta das 11:00 hrs com o tempo totalmente encoberto e se o tempo estivesse bom daria p/ ver perfeitamente o maciço do PP e todo o percurso da crista para se chegar nele. Passando as clareiras, onde cabem umas 10 barracas, mas sem água, a trilha se inicia por uma pequena crista, mas a partir desse ponto, sempre descendo por uns 20 minutos até chegar à base do PP, onde tem início a pior parte da trilha.
       
      Chegando na base, inicia-se uma longa subida íngreme, sendo que no 1º momento há um enorme paredão não muito inclinado a ser ultrapassado, mas que alguns grampos fixados na rocha ajudam. E tome subida. Passado cerca de 40 minutos desde a base do PP chega-se ao Abrigo 2 com algumas pequenas clareiras muitos boas para montar barracas e onde existe um Refúgio semi-destruído na borda à esquerda. Somente suas paredes estão de pé, não havendo teto. Aqui também é o ultimo ponto p/ se pegar água, que se localiza seguindo por uma trilha que passa ao lado do Refúgio e segue pela encosta à esquerda. A bica é bem pequena.
       
      Saindo das clareiras para a direita, há uma trilha que vai p/ o Pico do Camelo, visível daqui, mas bem abaixo do PP onde se chega em uns 20 minutos.
      De vez em quando o tempo abria e dava p/ se ver toda a crista restante de subida do PP, distante ainda cerca de 1 hora. Continuando a subida em direção ao topo, a trilha vai se tornando mais lenta e difícil, com lances de escalada em rocha que são um pouco perigoso. É necessário tomar muito cuidado para não sofrer algum acidente. Cerca de 2 minutos antes do topo existe uma pequena clareira à direita, suficiente para umas 2 ou 3 barracas. Junto dessa clareira também há uma trilha para esquerda que leva a um pico do Ibitirati mais abaixo. Chega-se no cume do PP pelo lado direito sem maiores dificuldades.
       
      O topo é plano e possui algumas clareiras (3 ou 4) suficiente para umas 10 barracas ou mais. A visão daqui alcança o litoral, uma parte da cidade de Curitiba e todos os picos ao redor. Cheguei aqui por volta das 15:00 hrs. Há também um livro do cume que fica dentro de uma caixinha fixada em uma rocha. Pelo teor das mensagens dava para notar que a maioria que sobe até o topo retorna no mesmo dia, por isso lixo inexistia aqui. Um problema de se acampar aqui é que o topo é um local muito exposto, mas prendendo bem a barraca não haverá dificuldades.
       
      Devido às chuvas dos dias anteriores, o solo estava bem encharcado e quando chegou a noite a chuva voltou com força total, continuando até a madrugada. Foi um Deus nos acuda porque onde estava começou a se formar poças de água embaixo da barraca e não deu outra. Logo estariam entrando pelos micro-furos no piso. Se eu não estivesse com o isolante, o saco de dormir estaria já estaria molhado. Por volta das 03:00 hrs da madrugada a chuva cessou e notei que a temperatura não estava tão baixa (cerca de 4°C).
       
      Voltei para a barraca e dormi por mais algumas horas. Por volta das 08:00 hrs da manha (06/04 - Terça-feira) acordei, tomei um belo café da manhã e passei boa parte do tempo tentando limpar embaixo da barraca, o que foi tempo perdido, pois algo de pior ainda me aguardava.
       
      Sai por volta das 09:30 hrs em direção ao Pico do Caratuva. O tempo estava todo encoberto e a vegetação toda molhada, então já imaginava que chegaria uma sopa lá no topo. Foi pior. Qdo estava chegando no Abrigo 2 a chuva retornou e com intensidade. Como estava com parte da roupa toda molhada, a chuva resolveu fazer o restante do serviço.
      Pelo menos estava com uma capa para a mochila, evitando que a mesma também se molhasse. Resolvi nem pegar água na bica, pois já nem contava subir o Caratuva. A água da chuva ia formando um verdadeiro riacho pela trilha que ia descendo, mas depois de 1 hora, quase chegando no Abrigo 1 a chuva cessou e o tempo abria de vez em quando dando para ver toda a crista do PP.
       
      No abrigo 1 torci algumas peças de roupas para secar um pouco da água e fiquei por um tempo ali pensando se subiria o Caratuva ou não. A alternativa que eu tinha era subir o Caratuva e acampar no topo descendo no dia seguinte pelo outro lado, mas havia um problema de eu não ter água. E se na subida da trilha, eu passar por algum riacho? A outra alternativa era voltar pela mesma trilha p/ a sede da Fazenda e acampar por lá, para no dia seguinte ir embora. Fiquei alguns minutos pensando no que fazer e resolvi seguir a 1ª alternativa.
       
      Em vez de tomar a trilha que vai seguindo para à esquerda, contornando o Caratuva, para subir até o topo deve tomar uma trilha que sobe em linha reta, saindo das clareiras do Abrigo 1. Na subida não existem bifurcações o que facilita um pouco, mas logo a chuva retornou e tomei outro caldo e p/ piorar, nada de encontrar o riacho p/ se pegar água. A subida vai alternando por vegetação de capim baixo e árvores pequenas, porém sem escaladas por rochas. O solo estava bastante encharcado, então várias vezes enfiei o pé na lama.
       
      No topo do Caratuva cheguei cerca de 1 hora depois, com o tempo fechado e vento muito forte. Já eram por volta das 13:00 hrs e não encontrei riacho nenhum mesmo, o que era um problema, pois estava sem uma gota de água. Até tentei procurar alguma bica de água, mas nada. Então não me restou alternativa senão descer pelo outro lado e acampar lá embaixo. O topo desse pico é marcado pela colocação de antenas de retransmissão de rádio. Existem boas clareiras onde dá p/ montar barracas sendo algumas protegidas do vento. Há até um livro do cume, que fica dentro de um cano de PVC, preso em uma das antenas.
       
      A trilha de descida é bem fácil de encontrar, porém é ainda mais íngreme que a do PP, por isso todo cuidado é pouco. Fiquei imaginando alguém subindo por essa trilha. Deve ser bem difícil e não vale a pena. A vantagem é que a trilha é feita em mata fechada e as raízes expostas e os galhos ajudam muito na descida.
      Existe uma pequena bifurcação à direita depois de uns 30 minutos, que provavelmente leva a outros picos, mas a trilha correta é sempre descendo. Logo cheguei a um pequeno riacho, onde peguei alguma água e continuei descendo. Mais à frente a trilha passa por um outro riacho e logo chega na bifurcação, que p/ à direita leva à sede da Fazenda e à esquerda ao PP (no dia anterior tinha passado por aqui).
       
      Daqui p/ frente já conhecia a trilha e o tempo já estava bom (tinha até um sol bem forte). Passei ao lado da clareira, onde tinha acampado a 1ª noite e segui em frente, chegando logo na trilha de campo aberto. Do topo do Caratuva até ali tinha levado quase 1 hora. Resolvi então procurar um local plano junto à trilha e colocar p/ secar o que tinha molhado (mochila, isolante, barraca, bota, parte do saco de dormir.........).
       
      Desse ponto dava p/ se ver que o topo do Caratuva e os picos ao redor o tempo estava muito bom, mas só foi anoitecer que o tempo se fechou novamente. A noite foi tranqüila e não choveu. Pelo menos isso, né?
       
      No dia seguinte (07/04 - Quarta-feira) acordei cedo, procurei organizar bem a mochila e desci em direção à sede da Fazenda. Foi um percurso bem rápido e fiz algumas paradas. Cheguei na sede por volta das 10:00 hrs. Um funcionário da Fazenda estava próximo do início da trilha e aí pedi a ele p/ tomar um banho de chuveiro quente (os $3,00 tinham que servir para alguma coisa, né?), pois meus banhos na trilha tinham sido "bem nas coxas".
      Fiquei por um bom tempo no banho (que delicia!) e sai em direção à Rodovia por volta das 11:00 hrs, mas como tinha a informação de que o ônibus para Curitiba passava entre 15:00 e 16:00 hrs, por isso fui numa caminhada bem lenta e sem pressa.
       
      Passei ainda na plantação de caquis que estavam ao longo da estrada, peguei alguns e fui comendo até a Rodovia, aonde cheguei por volta das 14:00 hrs.
      Existe um ponto de ônibus na Rodovia que fica ao lado do final da estrada, mas resolvi ir até o Posto do Tio Doca, onde fiquei aguardando o ônibus até quase as 16:00 hrs, chegando em Curitiba pouco antes das 17:00 hrs e em São Paulo pouco minutos antes 00:00 hrs, a tempo de pegar o Metrô e voltar p/ casa.
       
       
      DICAS
       
      # Existe um Hotel no Posto Tio Doca, para quem quiser ir de noite e ficar até o amanhecer para iniciar a trilha bem descansado. Só não sei os valores
       
      # O telefone do responsável pela Fazenda Pico do Paraná (onde se inicia a trilha) é: Sr. Dílson
      (041) 9906-5574
      (041) 272-6959
       
      # Água potável na estrada de acesso até a Fazenda não existe. Até têm alguns pequenos riachos, mas a água não é confiável, já que passa por algumas residências. Água somente na sede da Fazenda a poucos mts do inicio da trilha, na base do Caratuva, onde existe uma bifurcação (nas duas trilhas é só caminhar uns 10 minutos e encontrará um riachinho) e no Abrigo 2, a cerca de 1 hora do cume do PP.
       
      # A água do Abrigo 2 fornece água em pequena quantidade. Talvez no inverno, quando chove menos, a qualidade da água pode não ser boa (é melhor perguntar p/ o Dílson).
       
      # Sinal de celular da operadora Vivo se consegue na crista e no topo dos picos. Me disseram que celulares da Tim também possuem sinal na região.
       
      # Existem varias clareiras na trilha para montar barracas, antes de se chegar nos Abrigos 1 e 2. Elas estão localizadas a cerca de 40 minutos do início da trilha e outra a cerca 50 minutos, onde existe um lago de água parada. A ultima clareira antes do abrigo 1 está junto à base do Pico do Caratuva.
       
      # Se vier de carro economizará uma boa caminhada desde a Rodovia e estacionamento não é problema, porque ao lado do inicio da trilha há um imenso gramado usado como estacionamento, mas que é cobrado $5,00. Eu não perguntei, mas acho que é por dia.
       
      # O valor da passagem em ônibus convencional, saindo de São Paulo é de cerca de $40,00 (referencia - mês de Abril/2004) pela Viação Cometa ou Itapemirim. Já o valor da passagem de ônibus do início da estrada até Curitiba está em pouco mais de $4,00.
       
      # A região, por estar próxima do litoral, apresenta chuvas constantes, por isso é quase obrigatório levar uma capa de mochila.
       
      # A menos que vc esteja treinando para uma corrida de aventura, não recomendo fazer o PP em 1 dia, pois o trecho de subida da crista do PP é bem íngreme e extremamente perigoso e vale ficar alguns minutos contemplando a vista porque é uma região muito bonita.
       
      Breve estarei colocando as fotos no meu album virtual e passarei o endereço.
       
      Abcs.
       
       
      Augusto
    • Por Filipe Andretta
      Resumo da viagem, dias 9 e 10 de abril de 2016
      Sábado: Descida do Caminho do Itupava e acampamento no Parque Estadual Pico do Marumbi
      Domingo: subida do Olimpo (trilha branca/frontal); retorno para Curitiba de trem.
       
      Planejamento
      Moro em Curitiba desde que nasci, mas nunca tinha feito essa aventura na Serra do Mar. Hora de criar vergonha na cara e explorar as maravilhas no quintal de casa.
      Meu objetivo inicial era subir algum cume no Marumbi e voltar no mesmo dia, mas descobri que é muito difícil fazer um “bate-volta” por conta dos horários do trem: o que sai de Curitiba chega na base da montanha às 10h35, enquanto o único que volta passa às 16h na mesma estação. Existe ainda a opção de ir de carro até Porto de Cima, que fica a 4km da base do Marumbi. Por isso, o mais comum é dormir pelo menos uma noite no Parque Estadual, antes ou depois de subir a montanha. Mesmo com pouca experiência de trakking ou montanhismo, resolvi então aproveitar para descer a Serra do Mar pelo Caminho do Itupava. Convidei vários amigos, mas só o parceiro Pedro Pannuti topou. Foi o suficiente.
      O primeiro ponto para resolver era como chegar até o bairro Borda do Campo na cidade de Quatro Barras, onde começa o Itupava (a 30km do centro de Curitiba). Existem algumas vans que fazem o trajeto, mas normalmente são lotadas com pessoas que vão descer o Caminho até Porto de Cima (vila próxima a Morretes) e voltar no mesmo dia. Se não quiser pagar uma pequena fortuna num táxi, dá pra tomar um ônibus no Terminal do Guadalupe, próximo à Rodoferroviária de Curitiba. Agora, se você mora por aqui e tem pais dispostos a dar uma carona, melhor.
      A segunda questão era onde acampar. O Parque Estadual do Marumbi conta com um camping gratuito que esteve interditado para reforma por anos até 2015. Consta no site do IAP (Instituo Ambiental do Paraná) que é necessário reservar lugar, pois há um limite de 30 barracas. Ocorre que os telefones do Marumbi (41-3462-3598) e de Prainhas (41-3462-4352) estavam quebrados. Liguei para vários telefones do IAP, mandei e-mails, mas ninguém soube me dizer como reservar. Porém, depois de dias consegui a confirmação de que o camping estava funcionando normalmente. Resolvemos então arriscar a ida até lá mesmo sem comunicação.
      Precisávamos garantir ainda a passagem de trem para a volta. Em contato telefônico com a Serra Verde Express, fui informado que é mais barato comprar dentro do próprio trem e que não há risco de ficar sem lugar (apenas o trem de ida é mais concorrido).
       
      Caminho do Itupava
      Chegamos no posto do IAP na Borda do Campo 8h30 de um sábado ensolarado. Fizemos um cadastro rápido e fomos imediatamente liberados para começar a trilha. Não nos ofereceram maiores informações e nós também não perguntamos nada. Eu levava um mapa precário impresso em casa que não seria o suficiente.
      Nos últimos anos houve alguns assaltos no Caminho do Itupava. É recomendado fazer a trilha em grupos maiores pelo menos até a Casa do Ipiranga, que ainda está relativamente próxima de áreas urbanas. Naquele dia havia muitos grupos descendo, então ficamos tranquilos.
      O começo da trilha tem algumas subidas até chegar ao morro do Pão de Ló. Depois é praticamente só descida até a Casa do Ipiranga (ruínas de um casarão colonial). Logo na sequência o Caminho chega no trilho do trem. Subindo 100m à direita pelos trilhos há uma roda d’água e uma cachoeira onde vale a pena parar para um mergulho.
      Após retornar da roda d’água, vimos um grupo grande de pessoas descendo pelos trilhos do trem. Perguntamos para a guia daquele grupo e ela nos confirmou que deveríamos prosseguir pelos trilhos. Depois de andar meia hora desconfiados, alcançamos dois socorristas e um bombeiro aposentados que também desciam o Itupava por ali. Os três afirmaram que estávamos no caminho certo, porque a outra trilha estava fechada e era muito mais difícil. Então seguimos em frente sem medo... Mais tarde descobriríamos que fomos induzidos a erro.
      Na verdade, a trilha do Itupava segue pelo morro a partir de uma entrada na mata que fica do outro lado dos trilhos, logo após a Casa do Ipiranga. Acontece que essa passagem não é bem demarcada e o trecho dali até o Santuário Nossa Sra do Cadeado é mais difícil. Por isso, muitas pessoas preferem fazer um trajeto mais longo pelos trilhos do trem ao invés da mata fechada e escorregadia. Porém, é uma opção perigosa que tem motivos para ser proibida. Até chegar no Cadeado são quase 3 horas de caminhada passando por túneis escuros (lanterna é indispensável) e pontes sem estrutura de segurança para pedestres - o único jeito de atravessá-las é pisar dormente por dormente, com cuidado para não cair no vão entre eles. Dentre essas pontes está o Viaduto Sinimbu, com 62m de comprimento sobre um grande penhasco. Se alguém tiver medo de altura, provavelmente vai empacar em alguma ponte e travar o grupo. Além disso, o tráfego de trens é relativamente constante. Logo, se um trem aparecer enquanto você estiver no meio da ponte, a única solução será correr. Portanto, não recomendo seguir pelos trilhos do trem, pois o risco de acidente grave é real, principalmente se estiver chovendo, nublado ou se for noite. Por outro lado, não posso negar que as paisagens desse trecho foram as mais incríveis da viagem.
       

       

       

       

       
      Quando chegamos ao Santuário do Cadeado, nos deparamos com várias pessoas saindo de dentro da mata. Conversamos com elas e só então entendemos que havíamos tomado o caminho errado.
      A partir do Cadeado é possível continuar pelos trilhos do trem até a Estação Marumbi e enfrentar, dentre outras, a Ponte São João com seus 118m de comprimento e 58m de altura. Mas resolvemos não abusar da sorte e seguimos o Itupava através da Trilha do Sabão, que continua logo atrás do Cadeado. O nome é bem propício, porque o caminho é uma descida acentuada construído com grandes pedras lisas. Escorregões são quase inevitáveis.
      Depois de aproximadamente uma hora e meia pela Trilha do Sabão, o Caminho do Itupava termina numa estrada de chão. A maioria das pessoas desce à esquerda rumo Porto de Cima, onde tomam uma van ou ônibus até Curitiba ou Morretes. Nós subimos à direita, passamos pela Estação Egenheiro Lange e finalmente chegamos na Estação Marumbi. Era 16h20, de modo que nossa caminhada completa durou 7 horas e meia - tempo razoável, já que cada um levava mais de 20kg nos mochilões. Pouco depois começou uma chuva que duraria quase a noite inteira.
       

       
       
      Camping no Parque Estadual Pico do Marumbi
      De frente para a estação, do outro lado do trilho, há algumas casas do IAP. Em uma delas está o telefone (quebrado à época) e é onde fica um funcionário de plantão de quarta a domingo e nos feriados. Ele é o responsável por fazer o cadastro de entrada/saída no Parque Estadual do Marumbi e no camping. Devido à falta de comunicação, ele não nos cobrou reserva. Havia apenas 5 barracas armadas por lá e não foi difícil achar um bom lugar para a nossa. Porém, o camping fica mais concorrido em feriados e na alta temporada de escalada (de maio a setembro).
      A estrutura do camping inclui banheiro masculino e feminino com dois chuveiros elétricos em cada, além de uma área coberta com quatro mesas longas e pias - nada mal para um camping público e gratuito. Uma tempestade havia queimado a fiação de luz da área coberta, de modo que usamos muito nossas lanternas. Havia apenas uma tomada funcionando na porta do banheiro feminino (leve pilhas/baterias extras para os equipamentos eletrônicos). É proibido fazer fogueira, então você vai precisar de um fogareiro se quiser cozinhar. Também não é permitido consumir bebida alcoólica, mas essa regra foi ignorada por um grupo naquela noite, que acabou exagerando no barulho (lembre-se que quase todos no acampamento subiram a montanha ou pretendem subi-la no dia seguinte bem cedo - logo, querem uma boa noite de sono).
      Não havia sinal de celular para ligar ou enviar SMS, mas surpreendentemente consegui mandar notícias para a família pelo WhatsApp.
       
      Pico do Marumbi (Olimpo)
      Como nós iríamos voltar de trem às 16h, precisávamos começar a subida cedo. Acordamos às 5h para tomar um café da manhã reforçado. Deixamos os mochilões na casa do IAP, mas o plantonista não se responsabiliza pela bagagem (não há guarda-volumes). É obrigatório avisar o funcionário antes de começar a subida e também na volta, pois ele será o responsável por chamar equipes de resgate em caso de imprevisto na montanha.
      Atualmente, existem duas trilhas que levam ao Olimpo. A vermelha (noroeste), segundo alguns relatos que li, é um pouco mais difícil e dá acesso a vários picos do Conjunto Marumbi (Abrolhos, Esfinge, Ponta do Tigre e Gigante antes de chegar ao Olimpo - o mais alto). A branca (ou frontal) leva diretamente ao Olimpo. Nós havíamos conversado com um grupo que subiu pela vermelha e desceu pela branca no dia anterior. Eles nos relataram que a vermelha estava ainda pior por causa da lama. Devido à nossa inexperiência, resolvemos subir e descer pela branca.
       

       
      Iniciamos a trilha às 6h35. O caminho é bem demarcado por sinais brancos frequentes no chão, paredes e árvores. Quando há uma bifurcação duvidosa, geralmente existe uma corda fina atravessada para vetar o caminho errado (não confunda com as cordas instaladas para ajudar na subida/descida). Se você andar mais de 50m sem ver uma marca, provavelmente está no rumo errado ou não prestou atenção suficiente - volte até a última marca e procure ao redor. Mesmo com toda a chuva do dia anterior, a trilha não estava muito escorregadia (especialmente se comparada à Trilha do Sabão). Mas em caso de tempestades extremas, ela pode ser interditada.
      A partir da metade da trilha tornam-se frequentes os grampos, cordas e correntes que permitem chegar ao topo sem o auxílio de equipamentos de escalada. Você vai subir pelo menos 3 paredões de pedra altos para chegar ao cume - eles podem ser um obstáculo difícil para alguém com medo de altura, principalmente se a visibilidade for boa.
       

       
      Com exceção do rio que fica no começo da trilha branca, o primeiro ponto para conseguir água está no terço final do percurso. Então recomendo começar a subida com pelo menos 1,5 litro de água. Eu carregava na mochila de ataque também alimentos diversos, jaqueta impermeável, lanterna, canivete, repelente, kit básico de primeiros socorros e celular (há sinal telefônico na parte alta da montanha). Vestia botas, calça e camiseta leves. Além disso, usei luvas por recomendação de outros montanhistas, já que a trilha exige muito o uso das mãos.
      Chegamos ao cume às 10h45. Infelizmente, a visibilidade era mínima. A montanha estava imersa em uma grande nuvem. Por conta do calor e altíssima umidade, parecia que estávamos em uma grande sauna natural - tanto que eu estava encharcado antes mesmo de pegar 20 minutos de chuva (o que tornou inútil a jaqueta impermeável). Essa falta de visibilidade é muito comum em razão do clima regional, sobretudo nos meses mais quentes e chuvosos. Baixe suas expectativas e esteja preparado para não ter uma boa vista no cume.
      Parece que a maioria dos acidentes acontece na descida, quando as pessoas estão mais cansadas e dispersas. Então não descuide e desça num ritmo tranquilo, evitando sobrecarregar os joelhos. Nós conseguimos fazer sem pressa a subida e descida da trilha branca em 7 horas e meia, retornando antes das 14h.
      Depois de dar baixa no cadastro do IAP do Parque Estadual, ainda tivemos tempo de desarmar a barraca, tomar banho e almoçar antes de entrar no trem para Curitiba.
       
      Trem de volta
      O trem chegou pontualmente às 16h. Compramos a passagem econômica dentro do vagão por R$30. O trem retorna pelo trilho que corta o Caminho do Itupava, o que nos permitiu apreciar as pontes e túneis que evitamos ao tomar a Trilha do Sabão, bem como as que atravessamos entre o Santuário do Cadeado e a Casa do Ipiranga. O trajeto é belíssimo!
      Nossa viagem terminou na Rodoferroviária de Curitiba às 18h30.
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