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Patagônia COLOSSAL! Ushuaia, Torres del Paine ("W"), El Chaltén, Calafate e Buenos Aires! Gastos, dicas, fotos e video!

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Olá pessoal,

 

Antes de começar o relato quero explicar o título: Uma das coisas que mais me impressionou durante a viagem foi o tamanho dos locais que visitei! Tudo é muito maior do que se ve nas fotos. Em segundo lugar gostaria de agradecer imensamente a São Pedro por dias incrivelmente ensolarados e de vento praticamente nulo! kkkkkk. Sério! Foram apenas 2 dias de chuva, o que é totalmente inesperado! Até a dona da padaria em El Chaltén falou que eu estava com muita sorte com o clima. :D

 

E para resumir a viagem em poucos minutos, fiz esse vídeo com alguns dos pontos altos desse mochilão. Não se esqueçam de mudar a configuração para assistir em HD! hehe

 

 

Roteiro:

 

Dia 1: (07/04/14) – Rio de Janeiro - Ushuaia

Dia 2: (08/04/14) – Ushuaia (Farol do fim do mundo e Pinguineira)

Dia 3: (09/04/14) – Ushuaia – Punta Arenas

Dia 4: (10/04/14) – Punta Arenas – Puerto Natales

Dia 5: (11/04/14) – Puerto Natales – Torres del Paine (1º dia do “W”: Hosteria Torres – Acampamento Las Torres)

Dia 6: (12/04/14) – Torres del Paine (2º dia do “W”: Acampamento Las Torres – Los Cuernos)

Dia 7: (13/04/14) – Torres del Paine (3º dia do “W”: Los Cuernos – Italiano)

Dia 8: (14/04/14) – Torres del Paine (4º dia do “W”: Italiano – Grey)

Dia 9: (15/04/14) – Torres del Paine (5º dia do “W”: Grey – Paine Grande) – Puerto Natales

Dia 10: (16/04/14) – Puerto Natales – Calafate – El Chalten

Dia 11: (17/04/14) – El Chalten

Dia 12: (18/04/14) – El Chalten (Chorrillo del Salto, Mirador de los Condores, Mirador de las Aguilas)

Dia 13: (19/04/14) – El Chalten (Laguna de los Tres)

Dia 14: (20/04/14) – El Chalten (Loma del Pliegue Tumbado)

Dia 15: (21/04/14) – El Chalten (Laguna Torre)

Dia 16: (22/04/14) – El Chalten (Segunda vez em Chorrillo del Salto)

Dia 17: (23/04/14) – El Chalten – Calafate (Laguna Nimez)

Dia 18: (24/04/14) – Calafate (Big Ice)

Dia 19: (25/04/14) – Calafate – Buenos Aires

Dia 20: (26/04/14) – Buenos Aires (Obelisco, Casa Rosada e Puerto Madero)

Dia 21: (27/04/14) – Buenos Aires (Caminito, San Telmo, Recoleta e Floralis generica)

Dia 22: (28/04/14) – Buenos Aires – Rio de Janeiro

 

Considerações gerais:

 

Hospedagem: Geralmente não gosto de reservar hostel antes, pois “engessa” o roteiro, mas fechei o hostel de Ushuaia porque chegaria na cidade cansado para procurar. E como fui em final de temporada sempre tinha vaga. Não se esqueçam de perguntar se tem calefação... Um amigo ficou em Calafate em um hostel de apenas 60 pesos que não tinha. Passou frio!

 

Dinheiro: Não troque pesos no Brasil. Leve reais e faça o “cambio negro” que será bem mais vantajoso. Entrei em contato com o Andre Dyniewicz pelo Facebook e combinamos 1 real por 3,9 pesos. Cotação um pouco mais baixa do que o convencional porque ele foi até o aeroporto Ezeiza (que fica muito longe do centro da cidade) para fazermos a troca, mas se você trocar com ele no centro fica mais vantajoso. Na verdade ele não pode ir e mandou um amigo no lugar. O cara é super confiável! Resolvi arriscar e levar todo o dinheiro em espécie, pois não queria pagar as exorbitantes taxas de cartão. Antes de ir comprei uma caneta para identificar notas falsas que é vendida em papelarias (paguei cerca de 10 reais). A Patagônia é realmente cara, mas mesmo assim ainda é mais barata que algumas partes do Brasil. De maneira geral achei os preços justos, mas comia em restaurantes e lanchonetes fora das principais zonas turísticas e ficava sempre e quartos compartilhados.

 

Clima: O clima na Patagônia é imprevisível, instável e extremo! Pode fazer sol, chover e nevar no mesmo dia. Por isto se você tiver mais flexibilidade eu recomendo alguns dias extras no roteiro, pois certamente você ficará preso no hostel sem poder sair por conta do clima ruim. Felizmente dei MUITA sorte... O clima estava perfeito na época que fui!

 

Roupa: Por conta do clima imprevisível eu recomendo levar roupas técnicas que são mais leves e seguram bem o frio, embora já tenha visto aqui gente que foi de moletom e ficou de boa. O que eu considero o básico: Anorak (impermeável e transpirável), fleece, segunda pele (calça e blusa) e bota de trekking (impermeável) e blusas dryfit que tiram o suor da pele e joga para fora, deixando sua pele seca (mas isso se vc for fazer trekking, caso contrário qualquer blusa serve). Para entender melhor como funciona o esquema sugiro que leiam aqui. Comprei algumas coisas na zona franca de Punta Arenas que realmente tem um preço melhor que no Brasil. Do Brasil levei um anorak impermeável (mas não transpirável) da The North Face e uma calça impermeável da Columbia. Ambos comprados em La Paz na Bolívia e com 99% de chance de serem falsificados, mas deram conta do recado!

 

Passeios: Uma vantagem da Patagônia em relação a outros mochilões que fiz é que dá para conhecer grande parte dos lugares a pé (com exceção do Big Ice, Farol do fim do mundo e Pinguineira), o que deixa a viagem mais barata. Diferente por exemplo do Atacama onde tudo depende de passeios fechados com empresas.

 

Transporte: Não há viagens noturnas de curta duração na Patagônia (pelo menos eu não vi). A não ser que você vá de Calafate para Bariloche, por exemplo, que aí são mais de 24 horas de viagem. A grande maioria dos ônibus tem calefação, mas é sempre bom perguntar antes de comprar as passagens. Outro ponto importante: Os horários e preços variam de empresa para empresa. Portanto pesquise!

 

Comida: Acho que vai ser difícil algum país superar a comida brasileira. Mais um país e mais uma vez achei a comida sem sal. Comi o bife de chorizo que é um pouco mais duro em relação ao “lomo” (filé). Mas a carne argentina é realmente mais macia e suculenta. Já as empanadas tem em qualquer lanchonete e nada mais é que uma espécie de pastel assado, embora a massa seja diferente.

 

Segurança: A Patagônia é super tranquila. Em nenhum momento me senti inseguro. Já em Buenos Aires a coisa muda de figura. Não recomendo andar sozinho à noite por alguns lugares. O bairro La Bocca, por exemplo, é muito perigoso. Se for ao Caminito fique apenas naquele quarteirão.

 

Seguro viagem: É sempre bom fazer! Fechei com a Porto Seguro Viagem e paguei R$89,26

 

Alfajores e doce de leite: Como vocês irão perceber aqui no meu relato eu sou louco com doces, então resolvi escrever esse tópico especial sobre o que a Argentina faz de melhor. Quanto aos alfajores experimentei de 3 marcas que já havia pesquisado antes da viagem: Koonek (alfajor artesanal que só tem em Calafate), Cachafaz e Abuela Goye. Os da marca Koonek eu achei a massa um pouco seca, e o chocolate não é tão gostoso. Experimentei também o de sabor calafate que não tem nada de mais. Não recomendo! O da marca Cachafaz é muito boa! Não achei com tanta frequência em Buenos Aires, então assim que encontrar compre! Experimente um recheado de doce de leite sem cobertura de chocolate... O melhor! Já o da marca Abuela Goye também está entre os meus preferidos! Além de doce de leite, tem também sabores diferentes como nozes e amêndoas. Aprovado! E por fim aqui vai uma dica: Fuja do alfajor Havana! Não que ele seja ruim, mas é que existem outras marcas muito melhores. O Havana é mais pra pegar turista que acha que a marca é a melhor por ser a mais famosa (tem loja em toda esquina de Buenos Aires).

Já em relação aos doces de leite só experimentei uma marca que a dona da padaria em El Chalten me indicou: La Serenisima (Estilo Colonial). Anote este nome! Sem dúvida o melhor doce de leite que já comi! Tem um sabor que lembra vagamente um caramelo... Bom demais! Muito melhor que o famoso Viçosa aqui no Brasil. E custa muito barato. No Carrefour em Buenos Aires paguei 12 pesos (aproximadamente 3 reais) em um pote de 400g. Mas lembre-se que tem que ser o “Estilo Colonial”.

 

Vejo muita gente aqui no Mochileiros em busca de dicas, então se você não quer ler o relato todo, eu separei algumas dicas que escrevi ao longo do texto para facilitar. Aqui estão elas:

 

- Na Patagônia, as coisas começam a funcionar quando nasce o sol, ou seja, na época que fui era lá pelas 8-9h da manhã (não sei como é em alta temporada)! E na parte da tarde todo o comercio também fecha e só vai abrir por volta das 15h.

- Indo de El Chalten para Calafate de onibus, o motorista faz uma parada no aeroporto, assim, não é necessário ir até Calafate e depois pegar outro transporte até o aeroporto... O que já economiza tempo e dinheiro!

- Para ir até a Laguna de los Tres pegue um transfer até a Hosteria Pilar. A trilha é bem mais rápida e plana na ida e você ainda vê o Glaciar pedras blancas.

- Experimente o chocolate Sahne Nuss da Nestlé. Um dos melhores que já comi! Muito bom mesmo, mas é carinho e só tem no Chile.

- Todos os dias às 15h um cara que conhece Torres del Paine como ninguém dá uma palestra com dicas e informações atuais sobre as trilhas do Parque. Recomento muito assistir.

- Para o W, leve apenas uma garrafinha de água de 500 ml. O tempo todo haverá um rio onde você poderá enchê-la e assim não precisa ficar carregando peso. A água é proveniente do derretimento das geleiras e é potável.

- Antes de começar uma trilha em Torres del Paine, embale tudo que não pode molhar de jeito nenhum (roupas e saco de dormir) em sacos plásticos grandes. Não confie apenas na capa de chuva da mochila!

- Quando estiver acampando, antes de dormir esquente um pouco de água, coloque dentro da sua garrafinha e jogue dentro do saco de dormir. Assim, ela vai liberando calor aos poucos e esquentará seus pés!

- As baterias das câmeras em lugares frios descarregam muito rápido. Coloque-as dentro do saco de dormir para dormirem com você... Assim elas duram mais.

- Entregue suas baterias na recepção dos refúgios assim que chegar, pois na alta temporada você pode ficar sem tomada! A tomada do refugio é de pinos redondos desse tipo aqui. Por via das dúvidas leve adaptador!

- Leve baby whipes para “tomar banho” nos acampamentos que não tem chuveiro. Também serve para limpar as mãos caso você esteja com preguiça de sair da barraca ou molhar a mão na água fria. hehe

- Fique atento na trilha do acampamento Las Torres para Los Cuernos! Depois do refúgio Chileno, assim que você avistar os lagos lá em baixo (deixando o Valle do rio Ascencio para trás) e logo que iniciar a descida, você encontrará uma plaquinha pequena do lado direito escrito “shortcut”, que é um atalho que te poupará aproximadamente 1h de caminhada. Este atalho também serve para quem for de Los Cuernos para o acampamento Las Torres ou Refúgio Chileno.

- Devido as recentes infestações de ratos nos campings, recomendo levar uma corda para pendurar a comida nas árvores.

- Nada de ir a pé ou transporte público para o Caminito. Vá de taxi, pois o bairro La Boca é um dos mais perigosos de Buenos Aires.

 

Um resumo dos hostel de que fiquei em cada cidade, lembrando que sempre ficava em quartos compartilhados com 4 ou 6 camas:

 

- Ushuaia: Antarctica Hostel (Antártida Argentina, 270)

Hostel excelente! Boa localização, quarto com calefação e com o chão feito de um material que não esfria, ou seja, dava pra nadar descalço dentro do quarto. Tem cozinha compartida e locker nos quartos. Café da manha muito bom com pão, manteiga, doce de leite, suco, cereal, leite, café e ovo cozido. O banheiro é no estilo vestiário e bem limpo, o ruim é que fica no primeiro piso enquanto que os quartos ficam no segundo andar. Recomendo!

 

- Punta Arenas: Hostal Doña Anita (Av Independencia, 512)

Gostei apesar de não ter café da manhã e ser um pouco afastado do centro. Os quartos ficam nos fundos da casa da dona do hostel, ou seja, esqueça badalação, pois o clima é bem familiar. Tem calefação e a cama é confortável. Não tem cozinha para os hóspedes (pelo menos não vi). Recomendo se você está apenas de passagem pela cidade.

 

- Puerto Natales: Yagan House (O'Higgins 584)

Foi o melhor hostel da viagem. Bem localizado e todo feito de madeira, ele tem uma área de convivência bem legal com uma lareira. Tanto os quartos quanto os banheiros são limpos e cheirosos. Tudo é muito bem cuidado e com cheiro de limpeza. Não me lembro se tem locker, mas acho que não. O café da manhã é muito bom com iogurte, pão, leite, café, manteiga, ovos mexidos e cereal. Recomendadíssimo!

 

- El Chalten: Hostel Pioneros Del Valle (Av. San Martin, 451)

Hostel novo, inaugurado a poucos anos atrás. O hostel é bem grande com dezenas de quartos e uma área de convivência bem ampla no primeiro piso com sinuca e totó. O banheiro fica dentro do quarto e é limpo. Os lockers são enormes e cabem a cargueira inteira. Cozinha compartilhada bem equipada. O staff também é atencioso. A parte ruim é o péssimo wi-fi (me falaram que é assim em todos os lugares de El Chalten) e o café da manhã não está incluso na diária. Recomendo!

 

- Calafate: America del Sur (Puerto Deseado, 153)

Hostel muito bom e com uma bela vista para o lago argentino, apesar de um pouco distante do centro. O café da manhã é ótimo com cereais, pães, manteiga, doce de leite, suco, leite e café. O ruim é o tamanho do banheiro onde fica o box de tomar banho: minúsculo. Possui cozinha compartida, locker nos quartos, internet boa e staff atencioso. Recomendo!

 

- Buenos Aires: Hostel Suites Florida (Florida, 328)

Hostel bem localizado, bem no centro de Buenos Aires e com muitos brasileiros (o que é bom para algumas pessoas que querem socializar mas não falam inglês). O café da manhã é normal, com pão, manteiga, leite, café, frutas (banana ou maça) e mais algumas coisas que não me lembro. Internet péssima nos quartos, mas boa na recepção. Banheiro bom. Possui um barzinho legal com música no subsolo que não atrapalha o sono. Staff péssimo, com má vontade de resolver problemas ou te explicar alguma dúvida. Apesar do povo que trabalha lá, eu acabo recomendando o hostel.

 

Bom, agora vamos ao relato dia a dia. Me desculpem pelo tamanho, mas é porque gosto de deixar tudo bem explicado para evitar dúvidas. Vamos lá...Meus gastos antes da viagem foram: R$1.370,00 da passagem aérea, R$89,26 com o seguro viagem e R$50,00 com a passagem de ônibus de Juiz de Fora até o Rio de Janeiro.

 

Dia 1 (07/04/14) – Chegada a Ushuaia

 

Peguei o avião da Aerolineas Argentinas as 1:40 da manhã no Galeão e segui para Buenos Aires onde fiz uma conexão para Ushuaia. Paguei 1.370 reais pelos trechos: Rio – Ushuaia, Calafate – Buenos Aires e Buenos Aires – Rio de Janeiro. Gostei da Aerolineas. Sem atrasos, lanche simples, mas OK e o avião que fui de Buenos Aires para Ushuaia era um boing enorme... Parecia que estava indo para Nova York. A chegada em Ushuaia foi um show. Fazia sol e dava para ver as montanhas nevadas, os lagos e a vegetação avermelhada. Cheguei aproximadamente as 12:45 e fui no guichê de informações para pegar um mapa da cidade e perguntei se era melhor pegar um taxi ou um transfer até o centro da cidade. Disseram-me que o taxi era mais barato. Desci no Antarctica Hostel (Antártida Argentina, 270). Hostel excelente! Fiz o check in e fui sair para comer algo.

A principal rua é a Avenida San Martin. Fui direto à agência da Pira Tour (Av. San Martín 847) para reservar o passeio pela Pinguineira e pelo Farol do fim do mundo (Faro Les Éclaireurs, que fica no Canal do Beagle) para o dia seguinte. Existem 2 tipos de passeios pela Pinguineira: Um que você fica dentro do barco e outro que você desce na ilha e anda entre os pinguins. Até onde eu sei, a Pira Tour é a única empresa com autorização para andar na ilha. Apesar de caro, achei que valeu mais a pena caminhar pela ilha. É uma oportunidade única de vê-los mais de perto. Apesar de que, em abril é a época que eles deixam a ilha fugindo do inverno que se aproxima. Lembrando que o passeio vai até final de abril (mas pode terminar antes se os pinguins foram embora mais cedo). Fechei o passeio pelo farol do fim do mundo na parte da manha e a Pinguineira a tarde. Do lado da agencia da Pira Tour tem uma padaria bem pequena, bem simples, mas com coisas muito gostosas. Comprei algo para despistar a fome e segui para a agencia Tolkar (Roca, 157) e comprei a passagem para Punta Arenas. Depois resolvi almoçar de verdade aí surgiu um problema: Praticamente todo os restaurantes estavam fechados! Fui procurar saber e descobri que o comercio fecha as portas a tarde. Encontrei os seguintes horários no site do Antarctica Hostel:

 

Lojas: Segunda a Sexta das 10:00 as 12:30 e das 15:30 as 20:30

Restaurantes: Segunda a Domingo das 12:00 as 14:30 e 19:00 as 23:30

 

Passei na Secretaria de Turismo da cidade (San Martin, 674) e peguei o carimbo no passaporte (é grátis) e um folheto com todos os passeios possíveis de serem feitos na cidade (foto abaixo). Fui no supermercado e voltei pro hostel para esperar os restaurantes abrirem. Comi na Pizzaria Dona Lupita (25 de Mayo, 325). Pizza beeeem fraca, mas o preço é aceitável.

 

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Gastos do dia:

 

- 140 pesos de diária em quarto compartilhado com 6 camas no Antarctica Hostel

- 65 pesos de taxi do aeroporto de Ushuaia até o Antarctica Hostel

- 83 pesos em compras (águas, bananas, alfajor, iogurte e achocolatado)

- 20 pesos em uma padaria (churros, pão de creme e rosquinhas)

- 60 pesos em uma pizza na Pizzaria Dona Lupita

- 78 pesos em um imã

- 880 pesos pelo passeio com caminhada na Isla Martillo (Pinguineira)

- 400 pesos pelo passeio pelo farol do fim do mundo (Faro Les Éclaireurs)

- 550 pesos na passagem de Ushuaia para Punta Arenas

 

Total: 2.276 pesos argentinos = 583 reais

 

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Dia 2 (08/04/14) – Farol do fim do mundo e Pinguineira

 

O dia amanheceu com sol, mas com algumas nuvens. As 9:15 já estava no porto para pagar a taxa de embarque e as 9:30 partiu o passeio para o farol que também passa na Isla dos lobos. Conheci o Paulo, um brasileiro de 68 anos que estava em Ushuaia para fazer a maratona do fim do mundo que havia acontecido dias alguns dias atrás. Ele comentou comigo que iria para Calafate no dia seguinte, mas que não iria fazer nem o Minitrekking nem o Big Ice. O por quê? O limite de idade para fazer o passeio é de 65. Agora como um senhor que correu uma maratona não pode andar 1 hora e meia no gelo? Enfim...

Durante o passeio dá pra ficar do lado de fora do catamarã para tirar fotos. Apesar do frio, dentro do barco tem calefação. Paramos em uma pequena ilha para fazer uma caminhada de uns 20 minutos e voltamos para o barco. Depois passamos pela ilha dos pássaros onde dá pra ver dezenas de biguás-das-shetland que se parecem muito com pinguins, depois seguimos para a ilha de los lobos aonde vimos os lobos marinos, para finalmente seguirmos para o farol do fim do mundo. O farol é o símbolo da cidade e foi construído em 1919, mas nada mais é do que um farol! rs.

Voltamos para Ushuaia chegando no porto próximo ao meio dia. Durante a volta o Paulo comentou comigo que no Hotel Antartida (Rivadavia 172) eles faziam cambio e que a cotação estava muito boa, mas não me lembro de quanto era. Chegando fui procurar algum lugar para almoçar e encontrei o Trattoria Martina (San Martin 237). Pedi o menu do dia que era um spaghetti de espinafre ao molho a bolonhesa e suco. Estava bom, mas não voltaria lá. Andei pela San Martin até a hora do passeio para a Pinguineira (14:30). Os pinguins ficam na Isla Martillo que fica bem longe da cidade. Primeiro pegamos um ônibus onde ficamos 1:15 até a primeira parada: Um local onde tem algumas árvores que crescem tortas por causa do ventos fortes na região. Mais alguns minutos no ônibus e o grupo é dividido em 2: Uma parte vai para a Pinguineira e outra fica no museu, depois troca. Fui primeiro para o museu e achei bem interessante. Depois pegamos um barco por uns 15 minutos até a ilha. Nessa hora a guia pede que todos andem juntos e que não façam movimentos bruscos. Um coreano ficou louco e queria andar sozinho! Com direito a uma pequena discussão com a guia... Momento constrangedor! kkkkkk

Dava para ver muitos ninhos (buracos no chão) e segundo a guia em janeiro e fevereiro é possível ver centenas de pinguins com seus filhotes. Nessa época tinha poucos pinguins de Magalhães e mais pinguins Gentoo. Apesar de que, a guia disse que os pinguins Gentoo nunca vão embora da ilha. No final do passeio pudemos tirar a típica foto com um grupo de pinguins que estavam na praia. Gostei bastante do passeio. Apesar de mais caro recomendo fazer a caminha na ilha, pois podemos ver muito melhor os pinguins do que apenas no barco.

Voltando pra Ushuaia jantei no Banana Bar e Restaurante (San Martín, 273). Comi um supremo de frango com batata frita. Mais uma vez não gostei muito da comida... E olha que não sou chato para comer.

 

Gastos do dia:

 

- 140 pesos de diária em quarto compartilhado com 6 camas no Antarctica Hostel

- 10 pesos de taxa de embarque no porto

- 76 pesos por um spaghetti e suco no restaurante Trattoria Martina

- 18 pesos por 3 postais

- 83 pesos por um supremo de frango com batata frita no Banana Bar e Restaurante

 

Total: 327 pesos argentinos = 84 reais

 

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Dia 3 (09/04/14) – Ushuaia – Punta Arenas

 

O ônibus (sem calefação) para Punta Arenas partiu às 5 da manhã. Paramos em Rio Grande para fazer baldeação e seguimos para atravessar o Estreito de Magalhães. Durante a travessia vi vários Golfinhos-de-commerson que eram muito rápidos. Depois entramos de novo no ônibus para finalmente seguir para Punta Arenas, onde cheguei as 17h (12 horas de viagem no total).

Punta Arenas não tem rodoviária, o ônibus te deixa no centro da cidade. Troquei alguns reais por pesos chilenos só para pegar um taxi e segui para o Hospedaje Independencia (Av Independencia, 374) que tinha visto indicação em algum lugar na internet. A entrada do hostel é pelos fundos da casa, passando por um monte de entulhos e pela “área de camping”. O cara que me atendeu estava vendo um jogo de futebol na televisão com um amigo e ficou claramente incomodado por estar interrompendo a partida. Não gostei do clima do lugar... Tudo bagunçado, um homem com cara de drogado estava na cozinha e chegando no quarto me disserram que não tinha locker. Fui embora e por sorte na mesma rua encontrei o Hostal Doña Anita (Av Independencia, 512). Gostei bastante. O clima era bem familiar apesar de não ter café da manhã. Deixei minhas coisas e peguei um coletivo em direção a Zona Franca. Os coletivos aqui são carros que possuem um trajeto definido e vão pegando os passageiros durante o percurso.

Na Zona Franca troquei reais por pesos em um cotação ruim (1 real por 220 pesos) e segui direto para a Balfer com a intenção de comprar todas as roupas que faltavam para o “W”. Algumas coisas eu já tinha e levei do Brasil. A loja é realmente muito boa, tem praticamente de tudo, mas falta funcionário para te atender. Comprei um anorak (22.990 pesos), uma blusa polartec (33.990 pesos), uma calça de fleece (24.990 pesos), 1 camisa dryfit (9.990 pesos), dois pares de meia térmica para trekking (4.990 pesos cada) e uma balaclava (3.990 pesos). Total: 105.930 pesos!

Voltando para o hostel conheci o marido da dona, que me levou para comer um hambúrguer gigantesco e muito bom em um mercado/lanchonete frequentado apenas pelo povo local chamado La Central (Av. España, 1163).

 

Gastos do dia:

 

- 2.000 pesos em taxi do centro até o hostel

- 8.000 pesos no hostel Doña Anita

- 1.000 pesos de coletivo do hostel até a zona franca

- 800 pesos em um pastel em uma lanchonete da zona franca

- 105.930 pesos em compras na loja Balfer da zona franca

- 3.450 pesos no hambúrguer e uma água

 

Total: 121.180 pesos chilenos = 539 reais

 

Dia 4 (10/04/14) – Punta Arenas – Puerto Natales

 

Acordei às 8h, tomei um café na rua e fui andando até a Bus Sur para pegar o ônibus para Puerto Natales as 10h. Existem várias empresas que fazem o trajeto, variando os horários como, por exemplo, a Buses Pacheco e a Buses Fernandez. Confira os horários de cada uma na foto abaixo.

 

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Cheguei em Puerto Natales as 13h. Um frio e um vento fora do normal!!! Segui até o Yagan House (O'Higgins 584) que tinha visto boas indicações. Realmente o hostel é muito bom! Lugar familiar, chão feito de madeira, bem legal. Não tinha vaga em quarto compartilhado, paguei mais caro e fiquei num quarto privado sem banheiro, o que acabou sendo uma boa, pois descansei melhor e espalhei todas as minhas coisas no chão para me organizar para o W. Comprei toda a comida em um mercado em frente ao hostel, mas depois percebi que o lugar é bem carinho. Existem outros supermercados na cidade mais em conta. Dica: Experimente o chocolate Sahne Nuss da Nestlé, mas que só tem no Chile! Um dos melhores que já comi! A barra é grossa e vem com amêndoas inteiras! Muito bom mesmo, mas é carinho.

Comprei um pacote de ziplocks que foi muito útil para armazenar o restante da comida que não era utilizada e evitava que ela molhasse. Depois fui até o Erratic Rock Base Camp (Baquedano 731) que é um hostel e que também aluga equipamentos. Dica: Todos os dias às 15h um cara que conhece o Parque como ninguém dá uma palestra com dicas e informações atuais. Recomento muito assistir. Aluguei tudo que precisava, mas a barraca, por exemplo, só tinha para 2 pessoas, a vantagem é que dá para colocar todas suas coisas dentro, mas a desvantagem é o peso a mais. Não estava com tempo de procurar em outros lugares então foi de 2 pessoas mesmo.

Passei em uma loja e comprei uma headlamp que foi muito útil, pois não ocupa a mão como a lanterna comum. A passagem de ida e volta para o Parque você pode comprar no hostel mesmo. À noite cozinhei no hostel e fui arrumar minha mochila. Aqui vai a lista de tudo que levei, lembrando que fui sozinho, então tudo é para 1 pessoa:

 

Equipamentos:

 

- 1 Anorak (impermeável e transpirável)

- 1 Calça impermeável

- 1 Calça segunda pele (térmica)

- 1 Calça de fleece (usava para dormir)

- 1 Blusa de manga comprida de polartec

- 1 Bermuda (não usei)

- 5 Blusas (sendo 2 dryfit e 3 de algodão)

- 5 Cuecas box (evita o atrito entre as pernas)

- 5 Meias (especiais para trekking, que sejam quentes e grossas, pois evitam o atrito do calcanhar com a bota)

- 1 Balaclava

- 1 Bota de trekking (não era impermeável, mas recomendo que seja)

- 1 Barraca para 2 pessoas

- 1 Saco de dormir (-9ºC)

- 1 Isolante térmico

- 1 Par de bastões de tekking (no meu caso ajudou muito nas subidas e para dar estabilidade principalmente quando bate as rajadas de vento)

- 1 Toalha seca rápido pequena

- Kit cozinha (fogareiro, gás, panela, copo, garfo e prato de plástico)

- Câmeras (Nikon D5100 com lentes 18-55mm e 55-200mm e uma GoPro Hero 2 com alguns acessórios)

- Um netbook (Sim, me julguem! haha... Um peso extra, mas era a única maneira de carregar a GoPro e descarregar os cartões de memória).

- Kit higiene (Baby whipes, xampu, sabonete, pasta e escova de dente)

- Protetores auriculares (Muito bom! Tenho o sono leve e pra mim foi de muita utilidade. O vento nas árvores, o barulho dos glaciares... Nada me acordava. Apesar disso ocorreu um fato engraçado que vou relatar mais a frente.)

 

Comida:

 

- 2 Porções de macarrão (tirei da embalagem e coloquei no ziplock)

- 2 Pacotes de molho pronto à bolonhesa

- 1 Pacote de arroz com legumes (deu para comer 2 vezes)

- 4 Pacotinhos de queijo ralado (colocava no macarrão e no arroz. Ficava muito bom)

- 1 Pacotinho de purê de batata desidratada (não usei)

- 3 Cup noodles

- 1 Pacote com 8 pães

- Queijo e salame fatiados

- Leite e café em pó (usei 1 vez apenas)

- Coisas para comer na trilha (1 pacote de biscoito, 4 barrinhas de cereal, 2 barras de chocolate)

 

O restante das roupas e equipamentos que não iria usar no W deixei no depósito do hostel. Calculei bem a comida e não sobrou nem faltou. Não precisa comprar nada no Brasil para levar. Lá tem de tudo e muita variedade. E lembre-se: Menos é mais!!! No final a minha cargueira de 70 litros ficou lotada e juntamente com a mochila de ataque devia pesar uns 15 kg (mesmo assim estava pesado para mim). Dica: Leve apenas uma garrafinha de água de 500 ml. O tempo todo haverá um rio onde você poderá encher e assim não tem que ficar carregando peso. A água é proveniente do derretimento das geleiras e é potável. Outra dica: Embale tudo que não pode molhar de jeito nenhum (roupas e saco de dormir) em sacos plásticos grandes. Não confie apenas na capa de chuva da mochila!

 

Quanto ao frio só passei um pouco a noite no acampamento Las Torres e Los Cuernos. Dica: Antes de dormir esquente um pouco de água e coloque dentro da sua garrafinha e jogue dentro do saco de dormir. Assim, ela vai ficar liberando calor por um bom tempo e esquentará seus pés! hehe. Mais uma dica: As baterias das câmeras em lugares frios descarregam muito rápido. Coloque-as dentro do saco de dormir para dormirem com vc... Assim elas duram mais. Levei celular só para funcionar como despertador. Coloquei no modo avião e reduzi o máximo o brilho da tela... A bateria durou os 5 dias!

No Parque não pega celular e não possui wi-fi, portanto qualquer acidente ou emergência deve ser avisado aos guardas parques que ficam nos refúgios e campings.

 

Pode parecer redundante falar sobre isso, mas eu fiquei um pouco confuso quando fui pesquisar sobre o W em Torres del Paine, então vou tentar explicar direitinho aqui a diferença entre refúgio e camping (apenas aqueles que fazem parte do circuito W):

Bom, os refúgios são uma espécie de hotel que ficam em pontos estratégicos do Parque. Neles você encontra restaurante, quartos com calefação e lugares onde dá para comprar biscoitos, sucos, chocolates, etc. Mas tudo isso tem um preço alto... Se não me engano, o quarto compartilhado custa cerca de 50 dólares. Também é possível alugar equipamentos de camping como barracas, sacos de dormir e isolante por um preço mais caro do que em Puerto Natales. É possível carregar as baterias da máquina na recepção dos refúgios, mesmo que você esteja acampando. Basta pedir aos funcionários da recepção que eles colocam para carregar para você! Para a alta temporada é recomendado reservar os refúgios com bastante antecedência. Existem 2 empresas que administram estes refúgios: A Fantástico Sur e a Vertice Patagonia. Todos os refúgios tem uma área de camping, mas nem todos os campings tem refúgios.

Já os campings existem de dois tipos: Os pagos e os grátis. Os pagos ficam próximos aos refúgios e o preço inclui o direito de acampar, carregar suas baterias, tomar um banho quente e usar a área de cozinha (cozinhando com seus próprios equipamentos obviamente). Já os grátis não tem banho, apenas um banheiro com vaso sanitário. Apesar de grátis, tem um guarda-parque em todos eles que podem ajudar em algum caso de emergência. Outra coisa: Os acampamentos grátis não possuem tomadas para carregar as baterias das câmeras!!

 

A Fantástico Sur administra os seguintes refúgios e acampamentos:

- Refúgio e acampamento Torres (não confundir com acampamento Las Torres!)

- Refúgio e acampamento Chileno

- Refúgio e acampamento Los Cuernos

 

A Vertice Patagonia administra os seguintes refúgios e acampamentos:

- Refúgio e acampamento Paine Grande

- Refúgio e acampamento Grey

 

Os acampamentos grátis são:

- Acampamento Las Torres

- Acampamento Itlaiano

 

Atenção: Os refúgios e campings funcionam normalmente durante a alta temporada (verão)! Mas alguns deles fecham durante as temporadas intermediárias. Portanto pesquise antes de planejar algo. Para mais informações sobre Torres Del Paine e sobre o circuito W, de uma olhada nos sites oficiais do Parque neste link e neste outro. E em algumas explicações aqui no Mochileiros. Ou se não mande um email para a Fantástico Sur ([email protected]) ou para a Vertice Patagonia ([email protected]) que eles respondem rapidamente.

 

ATUALIZAÇÃO: A partir de agora é necessário fazer reserva para acampar no Parque! Mais informações em http://www.parquetorresdelpaine.cl/es

 

Gastos do dia:

 

- 1.000 pesos em um café e uma água

- 5.000 pesos na passagem de Punta Arenas para Puerto Natales

- 15.000 pesos no quarto privado sem banheiro no Yagan House

- 6.500 pesos em uma headlamp

- 650 pesos em um cadeado

- 18.970 pesos no supermercado

- 75.000 pesos em aluguel de equipamentos (Preços da diária de cada equipamento: 3.500 pesos na barraca (para 2 pessoas), 3.000 pesos do saco de dormir, 1.000 pesos no isolante, 4.000 pesos no kit cozinha e 3.000 pesos no par de bastões de trekking) e 2.500 pesos no gás.

- 15.000 pesos na passagem de ida e volta de Puerto Natales para Torres del Paine

 

Total: 137.125 pesos chilenos = 623 reais

 

Dia 5 (11/04/14) – Puerto Natales – Torres del Paine (1º dia do “W”: Hosteria Torres – Acampamento Las Torres)

 

Hosteria Las Torres > Acampamento Las Torres: 9 km (3.5 hrs)

Acampamento Las Torres > Mirador Base Las Torres (ida e volta): 1.6 km (1.5 hrs.)

 

Dificuldade: Alta

Distância total: 10.6 km

Tempo total: 5 hrs.

 

Acordei cedo, tomei o café do hostel que era muito bom (torrada, geleia, iogurte, cereal, café e ovos mexidos) e segui para a rodoviária. As 7:30 o ônibus da Buses Gomez partiu para o Parque. Vou confessar que durante a viagem eu fiquei tenso. A ficha caiu e fiquei com muito receio de estar ali sozinho... O maior medo era de pegar uma chuva forte, nevasca. E detalhe: Nunca tinha acampado na vida! ::hein:

Por volta das 10h chegamos à Administração na Laguna Amarga para pagar a taxa de entrada, pegar um mapa e assistir a um pequeno vídeo com informações sobre o Parque. Nesta hora você deve decidir se vai ficar ali e começar pelas Torres ou se continua no ônibus que irá te deixar em Pudeto para pegar o catamarã e, assim, começar pelo Grey. Como o dia estava perfeito, com sol e sem nuvens decidi começar pelas Torres. Assim, o meu roteiro ficou dessa maneira:

 

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Peguei minha mochila e fui de van (paga na hora) até a Hosteria Torres de onde comecei a trilha. Dá pra ir a pé até a Hosteria em 1:30 de caminhada, mas o caminho é sem graça. Comecei a trilha com muita subida até chegar ao Vale do Rio Ascencio. E no primeiro dia você não está muito acostumado com o peso da cargueira nas costas então dá pra sofrer um pouco, mas nos outros dias foi mais tranquilo. Fiquei bobo com o tamanho e com a beleza do vale! No meio do caminho fiz amizade com dois americanos: Ryan e Nate. Durante o trajeto vimos muitas pessoas que não querem fazer a caminhada e sobem no lombo de cavalos. O ruim são as fezes que ficam no meio da trilha. Passamos pelo Refugio Chileno (que em abril está fechado) e seguimos a trilha pelo bosque de lengas e, de vez em quando, avistamos alguns glaciares e a “pontinha” das torres! Por volta das 16h chegamos ao acampamento Las Torres. O acampamento é grátis, portanto nada de banho! Só um vaso sanitário. Dica: Leve Baby whipes para “tomar banho” nos acampamentos que não tem chuveiro... Também serve para limpar as mãos caso você esteja com preguiça de sair da barraca ou molhar a mão na água fria. Montamos a nossa barraca e fomos ver as torres já que o tempo estava ótimo. A trilha dura 1 hora e é de subida o tempo todo, mas só de não estar com a cargueira é um alívio! Nos primeiros 30 minutos a trilha é dentro do bosque, depois o terreno se torna basicamente feito de pedras. Repare no tamanho de algumas pedras pelo caminho! Durante o trajeto começou a cair alguns flocos de neve esporádicos... Achei estranho, pois apesar do frio o sol estava de rachar e não tinha nuvens no céu. Finalmente as torres!!! Gigantes e lindas! A iluminação das torres varia de acordo com o horário do dia. Descansamos e ficamos um tempo sob o sol na beira do lago. Descemos e fui preparar meu jantar. Comi macarrão a bolonhesa com queijo ralado. Apesar de ser molho pronto, estava bom demais! Fui pra barraca e fiquei ouvindo musica até escurecer. Fui dormir cedo por conta do cansaço. Coloquei o relógio para despertar as 6:15 para ver o nascer do sol nas torres se o tempo estivesse bom. Não tive uma boa noite... Passei um pouco de frio nos pés.

 

Gastos do dia:

 

- 18.000 pesos pela taxa de entrada no Parque

- 2.500 pesos pela van da administração (Laguna Amarga) até a Hosteria Torres

 

Total: 20.500 pesos chilenos = 93 reais

 

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Dia 6 (12/04/14) – Torres del Paine (2º dia do “W”: Acampamento Las Torres – Los Cuernos)

 

Acampamento Las Torres > Mirador Base Las Torres (ida e volta): 1.6 km (1.5 hrs.)

Acampamento Las Torres > Refúgio Los Cuernos: 12 km (4.5 hrs.)

 

Dificuldade: Média

Distância total: 13.6 km

Tempo total: 6 hrs.

 

Acordei às 6:15, comi alguma coisa na barraca mesmo e às 6:30, ainda no escuro e sozinho, já estava na trilha. A headlamp ajudou muito, pois deixa as mãos livres. Chegando na parte pedregosa encontrei um casal que tinham perdido a trilha. Realmente nessa parte é mais complicada no escuro... A marcação é feita com tinta nas pedras ou com bastões presos entre elas, mas no escuro fica mais difícil achar. Encontramos juntos e seguimos em frente. Sentei em uma pedra bem no alto com uma visão bem ampla das torres e do lago e esperei. Um frio de rachar! Mas valeu todo o esforço. Aos poucos tudo mais mudando de cor até que finalmente os primeiros raios de sol tingem as torres de laranja! Um daqueles momentos que ficam eternamente na memória...

Desci para o acampamento, desmontei a barraca arrumei minhas coisas. Por volta das 10h comecei a trilha em direção a Los Cuernos. Aqui vai uma dica preciosa: Depois de passar pelo refúgio Chileno, assim que você avistar os lagos lá em baixo (deixando o Valle do rio Ascencio para trás) e logo no inicio da descida você encontrará uma plaquinha pequena do lado direito escrito “shortcut”, que é um atalho que te poupará aproximadamente 1h de caminhada. Assim, você não precisa ir até a Hosteria Torres. Já ia passando direto mais um cara me mostrou esse atalho... Agradeci ele demais! kkkkkkk. (Observação: Este atalho também serve para quem for de Los Cuernos para o acampamento Las Torres ou Refúgio Chileno). A trilha não tem nada de muito interessante, a não ser pelo lago Nordenskjöld que tem uma coloração azul leitosa. A trilha foi mais tranquila que no dia anterior, ou seja, como mais descidas que subidas. O ruim foi que em algumas partes temos que passar em lugares de brejos.

Chegamos no Los Cuernos, pagamos a taxa de camping, armamos a barraca (aqui você não monta a barraca diretamente no chão frio, existe um tablado de madeira para montar) e fui entregar minhas baterias na recepção do refúgio para que carregassem para mim. Dica: Leve as baterias para carregar assim que chegar, pois na alta temporada você pode ficar sem tomada! Outra dica: A tomada do refugio é de pinos redondos desse tipo aqui. Por via das dúvidas leve adaptador!

Tomei um banho quente excelente e fui pra cozinha fazer meu jantar. Encontrei duas coreanas que conheci no hostel em Puerto Natales e jantamos juntos. Depois fui para minha barraca descansar um pouco. Deitei com os pés para fora e estava escrevendo no meu cadernos de anotações quando ouvi alguma coisa vindo do lado de fora... Quando olhei para meus pés, um rato estava entrando na minha barraca!! Sai e fui falar com os americanos... Eles comentaram que estava havendo uma infestação de ratos no acampamento que buscam por comida!!! Resultado: Passei a noite inteira espantando os ratos que tentavam entrar na barraca. Tive uma péssima noite. Teve uma hora que estava ouvindo musica de olhos fechados e quando abri tinha um rato entre a barraca e a capa de chuva! Durante a noite choveu um pouco, mas sem vento.

 

Gastos do dia:

 

- 6.000 pesos pelo acampamento Los Cuernos

 

Total: 6.000 pesos chilenos = 27 reais

 

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Dia 7 (13/04/14) – Torres del Paine (3º dia do “W”: Los Cuernos – Italiano)

 

Refúgio Los Cuernos > Acampamento Italiano: 5.3 km (2.5 hrs.)

Acampamento Italiano > Mirador do Valle del Frances (ida e volta): 7.5 km (3 hrs.)

 

Dificuldade: Média

Distância: 13 km

Tempo total: 5.5 hrs.

 

Acordei por volta das 8:30, comi alguma coisa, desmontei a barraca que estava molhada por conta da chuva durante a madrugada. Comecei a trilha até o acampamento Italiano. Uma hora depois passei pelo refúgio e camping Francés que foi inaugurado a pouco tempo. Aos poucos o tempo nublado foi abrindo e o sol foi chegando, formando um belo arco-íris quando passamos na “praia” do lago Nordenskjöld. Mais algumas horinhas de subidas e descidas e chegamos ao acampamento Italiano. Armei a barraca, comi um macarrão instantâneo e, sem a cargueira, comecei a subida para o mirador do Valle del Francés. A trilha é de subida tranquila, e segue próxima ao rio francés. No mirador ventava bastante, mas a vista é animal! De um lado as formações rochosas, do outro o glaciar del francés e lá em baixo o lago Nordenskjöld coroado com um arco-íris. Show!!! Fiquei um tempo lá e depois percebi que tinha a continuação da trilha até o mirador britânico. Sozinho, segui pela trilha por mais ou menos 1 hora e de repente a sinalização começou a ficar péssima! A trilha sumia e aparecia mais a frente, até que em uma hora eu me perdi. Sim, por alguns segundos eu andei sem rumo já imaginando como seria meu resgate! kkkkkkkkkkk... Sério, eu fiquei puto com a má sinalização. Encontrei a trilha de novo e resolvi voltar. Devia faltar uns 40 minutos até o mirador britânico, mas já estava cansado, meu calcanhar direito já estava doendo e estava com receio de demorar e escurecer. Voltei e fiz meu jantar. Fiquei na barraca até a hora de dormir. Nesse dia o barulho do vento forte nas árvores e dos estrondos vindos do desprendimento do gelo nos glaciares não me deixavam dormir. O que eu fiz? Coloquei meus protetores auriculares e apaguei!

 

Gastos do dia:

 

- Nenhum!

 

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Dia 8 (14/04/14) – Torres del Paine (4º dia do “W”: Italiano – Grey)

 

Acampamento Italiano > Refúgio Grey: 18 km (6 hrs.)

 

Dificuldade: Fácil (Italiano – Paine Grande); Média (Paine Grande – Grey)

Distância total percorrida no dia: 18 km

Tempo total: 6 hrs.

 

Acordei por volta das 8:30 e fui pegar alguma coisa para comer quando reparei que a sacola de comida estava furada! Comecei a tirar as coisas da barraca e descobri 2 buracos! Os ratos roeram minha barraca e fizeram a festa enquanto eu dormia! ::hahaha:: Com estava com os protetores não ouvi nada! A sorte foi que eles entram apenas na parte que estava o queijo e o salame. Joguei fora e passei a comer pão puro. :roll:

O dia estava nublado e sem vento. Comecei a trilha em direção ao Grey passando por Paine Grande. O caminho até Paine Grande é na maior parte plano e o mais fácil de todo o circuito, mas a paisagem é basicamente formada por árvores carbonizadas devido ao incêndio de grandes proporções que atingiu o Parque em 2011 causado por um turista israelense.

Chegando em Paine Grande parei para descansar um pouco e fazer um lanche antes de começar a trilha para o Grey. O caminho para o Grey é bem puxado com muita subida e descida. Passei pela Laguna de los Patos e no meio do caminho tem o mirador com uma boa visão do glaciar Grey e de alguns icebergs flutuando no lago Grey. É bem bonito, mas nada que supere o Valle Del Francés e Las Torres. Percebi que algumas pessoas chegam até o mirador e voltam para Paine Grande... Realmente o mirador é o ponto alto desta parte do W, não existe muita coisa interessante na trilha até o refugio Grey, então se você está com o tempo apertado sugiro que vá até o mirador e volte, a não ser que você queira ver o glaciar mais de perto.

Mais algumas horinhas e finalmente o refúgio Grey. Achei o Grey pior que Los Cuernos. As barracas são montadas no chão (no Los Cuernos é em um tablado), é preciso tirar os sapatos para entrar no banheiro e na cozinha (o que é ruim, pois inevitavelmente as pessoas deixam cair comida e água no chão e você tem que ficar pisando naquilo), não tem água quente na torneira e o Box onde se toma banho é mais aberto que em Los Cuernos, o que deixa passar um pouco de vento. Tomei banho e fui preparar o jantar junto com o Nate e o Ryan. Conhecemos outros americanos e ficamos conversando sobre viagens. Antes de dormir pendurei minha sacola de comida em uma corda estendida na árvore pelo Ryan e assim, evitamos que os ratos invadissem as barracas. Portanto fica a dica: Leve uma corda para pendurar a comida. A noite choveu bem fraquinho, mas nada para se preocupar.

 

Gastos do dia:

 

- 4.000 pesos pelo acampamento Grey

 

Total: 4.000 pesos chilenos = 18 reais

 

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Dia 9 (15/04/14) – Torres del Paine (5º dia do “W”: Grey – Paine Grande) – Puerto Natales

 

Refúgio Grey > Paine Grande: 11 km (3.5 hrs.)

 

Dificuldade: Média

Distância total percorrida no dia: 11 km

Tempo total: 3.5 hrs.

 

Hoje dia seria corrido, pois as 12:30 tinha que estar em Paine Grande para pegar o catamarã. Acordei ainda estava escuro e comecei a trilha as 8:20. Fiz a trilha apertando o passo, tirando poucas fotos e descansando pouco. Próximo ao mirador experimentei a tão famosa fúria dos ventos patagônicos... Se não tivesse os bastões de trekking para dar estabilidade teria que me arrastar no chão!! Faltando 1 hora para terminar a trilha cai feio numa decida de pedras que me deixou um roxo enorme na perna. Terminei a trilha em 3h sendo que o normal é em 3:30. Nos últimos metros, quando vamos nos aproximando da recepção do Paine Grande a emoção é forte. Especialmente para mim que nunca tinha acampado, que planejei e fiz tudo praticamente sozinho, correndo o risco de pegar nevascas, chuvas... Sem falar no privilégio de ficar 5 dias naquele lugar com paisagens de filme! A sensação de ter conseguido é indescritível.

Descansei até a hora do catamarã. Chovia um pouco na hora do embarque. O bilhete do catamarã é pago dentro da própria embarcação em dinheiro vivo apenas. Chegamos em Pudeto e pegamos o ônibus para Puerto Natales (com o bilhete que já tinha sido comprado no hostel em Natales).

Depois de terminado o circuito, tenho algumas considerações a fazer: Hoje, analisando o que eu fiz, eu percebo que foi um risco grande ter feito o circuito W sozinho e sem nunca ter acampado antes. Por mais que eu tenha lido dezenas de relatos e me informado ao máximo, na prática a coisa muda de figura. Por muita sorte eu peguei tempo bom, mas poderia ter pegado nevasca, chuvas fortes ou até mesmo me machucado feio, o que poderia ter estragado meu passeio. Portanto se você pretende acampar, eu recomendo muito fazer o circuito acompanhado. O peso da mochila é destruidor, e com outra pessoa você pode dividir o peso dos equipamentos (levando uma barraca para 2 pessoas, por exemplo, ao invés de uma para cada um). Se fosse hoje, indo sozinho, eu teria ficado nos refúgios e levado apenas a comida e os equipamentos para cozinhar. Por diversas vezes pouco aproveitava as paisagens, pois estava morto de cansado. Mas valeu MUITO a pena todo o esforço! Torres del Paine deve ser visitado de qualquer forma!!

Chegando em Puerto Natales, voltei para o Yagan House e fiquei em um quarto compartido. Fui devolver os equipamentos no Camp Base (o cara nem olhou os buracos feito pelos ratos na barraca) e passei no supermercado para comprar alguma coisa para cozinhar no hostel. Depois voltei na rodoviária para comprar a passagem para Calafate. Só tinha uma empresa que tinha vaga para o dia seguinte, todas as outras já estavam lotadas, portanto recomendo comprar com certa antecedência se você for na alta temporada. Comprei pela empresa Zaahj no ônibus das 8:00.

 

Gastos do dia:

 

- 12.000 pesos no bilhete do catamarã

- 11.000 pesos no quarto compartilhado com 4 pessoas no hostel Yagan House

- 10.000 pesos em supermercado

- 14.000 na passagem de Puerto Natales até Calafate

 

Total: 47.000 pesos chilenos = 214 reais

 

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Dia 10: (16/04/14) – Puerto Natales – Calafate – El Chalten

 

Acordei cedo tomei o ótimo café do hostel e fui para a rodoviária que fica uns 20 minutos a pé. As 8:00 o ônibus partiu. Cruzamos a fronteira e em certo ponto o ônibus para em uma lanchonete. Cheguei em Calafate as 14:00 (6 horas de viagem) e a idéia era ir direto na Hielo y Aventura para fechar o Big Ice no Perito Moreno para o dia seguinte. O problema foi que não havia mais vagas, então tive que recorrer ao plano B: Ir para El Chalten no mesmo dia e reservar o Big Ice para quando retornar. Deixei reservado para o dia 24/04/14 e fui procurar alguma coisa para comer na cidade. Tudo na Avenida San Martin é caro, portanto andei um pouco nas ruas perpendiculares e encontrei a lanchonete Dona Mecha (Comandante Espora 35). Ótima lanchonete e com preços baratos, fica a dica! O ruim é que existem apenas 2 mesas para comer do lado de dentro que se estiverem cheias vai ter que pedir para levar (ou comer do lado de fora). Pedi um hambúrguer com batata frita e segui para a rodoviária. Comprei a passagem para El Chalten as 16:30 na empresa TAQSA. Dica: Já disse, mas vou repetir: O preço e os horários das passagens mudam de empresa para empresa, portanto faça uma pesquisa antes de comprar. Cheguei em El Chalten as 19:30 e segui direto para o Hostel Pioneros Del Valle (Av. San Martin, 451) que já tinha visto boas indicações. Fiz o check in em um quarto compartilhado com 6 camas e com banheiro. Comi uma batata frita de pacote mesmo e fui dormir.

 

Gastos do dia:

 

- 1.200 pesos pelo Big Ice (trekking e transporte até o Parque, não inclui a entrada)

- 65 pesos no sanduiche e batata frita na lanchonete Dona Mecha

- 190 pesos na passagem de Calafate até El Chalten

- 100 pesos na diária do quarto compartido com 6 camas no hostel Pioneros Del Valle

 

Total: 1555 pesos argentinos = 398 reais

 

Dia 11 (17/04/14) – El Chalten

 

O dia amanheceu com chuva e vento, ou seja, um dia perdido, mas tinha reservado alguns dias extras esperando por isso. Então vai a dica: Se quiser conhecer bem El Chalten recomendo ficar no mínimo 5 dias. Assim, as chances de você pegar algum dia com tempo bom aumentam. E outra: Vi algumas pessoas em Calafate que fizeram um bate-volta para El Chalten em 1 dia! Saíram de madrugada, chegaram no inicio da manhã e foram fazer alguma trilha (que por conta do tempo curto só dá para ir a Laguna Torre ou Chorrillo Del Salto) e retornaram a noite. Não faça isso! Você vai perder muita coisa linda! Mais uma dica importante: Se no seu primeiro dia em El Chalten o dia amanhecer bonito, corra para fazer A Laguna de los tres ou Loma del Pliegue Tumbado! Não deixe eles por último porque você pode correr o risco de não pegar mais dias bonitos, e para aproveitar bem essas duas trilhas é essencial que o céu esteja sem nuvens.

Bem, como o hostel não tem café da manhã (se quiser custa 40 pesos), fui a uma padaria na San Martin que se não me falha a memória se chama simplesmente Panaderia... Muito boa, com vários tipos de lanches prontos para levar para as trilhas. Eu gostei mesmo foi dos folhados e dos pães de creme. O ruim é que não se pode comer no lugar, mas fiz amizade com a dona que todos os dias me deixava comer em um cantinho no balcão. Depois fui até o supermercado El Gringuito (Cerro Solo, 108) que é mais barato que os supermercados da Av. San Martin, mas tem pouquíssima variedade. Uma dica: Assim como em Ushuaia, aqui as coisas começam a funcionar quando nasce o sol, ou seja, nesta época do ano lá pelas 8-9h da manhã! E na parte da tarde todo o comercio também fecha e só vai abrir lá pelas 15h. Voltei para o hostel e como estava chovendo o dia foi de descanso. Aproveitei para lavar roupa e mandar notícias para o Brasil. Fui almoçar no restaurante Ahonikenk (Martin Miguel de Guemes, 23). Guarde o nome desse restaurante, pois a comida é boa e o preço é justo. Comi uma carne (steak) com batatas que estava excelente! Carne macia e suculenta apenar de não muito temperada. Voltei para o hostel e dormi a tarde inteira. A noite cozinhei no hostel e fiquei na internet (muito ruim). Conheci meu colega de quarto Cameron, um americano que estava começando sua viagem de 6 meses pela América do Sul e ficamos conversando até tarde.

 

Gastos do dia:

 

- 100 pesos na diária do quarto compartido com 6 camas no hostel Pioneros Del Valle

- 25 pesos pelo café da manhã na padaria

- 60 pesos pelo serviço de lavanderia

- 65 pesos no supermercado

- 110 pesos no almoço no restaurante Ahonikenk

 

Total: 360 pesos argentinos = 92 reais

 

Dia 12 (18/04/14) – El Chalten (Chorrillo del Salto, Mirador de los Condores, Mirador de las Aguilas)

 

Acordei as 8h e fui ver como estava o clima. Sol com algumas nuvens, então decidi ir até Chorrillo del Salto. Tomei café na padaria e segui para a trilha (bem fácil, bem plana) que durou 1h até a cachoeira. A trilha estava bem bonita pois tinha nevado um pouco durante a noite. Vale a pena ir, é bem bonita a cascata. Fiquei um tempinho lá e mais 1h para voltar para Chalten. Fui de novo no Ahonikenk e desta vez pedi um sorrentino de truta com molho de tomate que estava muito bom! Um cara do meu lado pediu uma truta empanada com purê de batatas que parece deliciosa!

Depois do almoço decidir ir até os miradores. Mais 40 minutos de trilha e estava no mirador de los condores... Nada de mais, apenas uma visão da cidade. Até vi 2 condores mas bem de longe. Dali resolvi ir até o mirador de las aguilas, e mais 20 minutinhos até lá. Deu para ver o lago Viedma e algumas montanhas nevadas. Recomendo ir aos miradores apenas se você tiver tempo sobrando na cidade, caso contrário não tem nada de mais. Voltei para Chalten e passei na ótima sorveteria artesanal Domo Blanco (Av. San Martin, 164) e em uma loja de aluguel de equipamentos onde aluguei um par de bastões de trekking por 3 dias. Chegando ao hostel decidi que no dia seguinte iria fazer até a laguna de los tres, então pedi na recepção que fizessem a reserva (por telefone) do transfer até a hosteria Pilar. Na verdade eu teria que ir até a agência para pagar, mas como já estava quase na hora deles fecharem, eles deixaram que eu pagasse para o motorista.

A noite no hostel fui preparar um macarrão na cozinha e encontrei o Cameron com um grupo de alemãs que ele havia conhecido em Ushuaia e que, sem querer, também estavam hospedadas no Pioneros Del Valle. Sentei com eles e jantamos juntos. Depois do jantar o Cameron pegou uma garrafa de rum e coca-cola e começou a tomar. Dei uns goles, mas não queria beber muito, pois no dia seguinte tinha trilha puxada. Eu e as alemãs fomos dormir e o Cameron ficou bebendo e conversando com uma delas sozinhos na cozinha. Lá pelas tantas da madrugada, os 2 entram no quarto numa pregação desenfreada!! Levei um susto na hora, mas fingi que estava dormindo. Eles falavam baixo tentando não me acordar e começaram a transar bem do meu lado!!! ::hahaha::::sos:: Nesta hora eu desejei MUITO estar com meus protetores auriculares! hahahahahaha. A minha sorte é que estava virado para o lado oposto! Mas fiquei puto com aquela situação constrangedora. Depois, na hora que ela foi sair do quarto, ela chutou 2 vezes alguma coisa que estava no chão que bateu na porta e fez um barulho tremendo! kkkkkkkkkkk. Finalmente consegui dormir.

 

Gastos do dia:

 

- 100 pesos na diária do quarto compartido com 6 camas no hostel Pioneros Del Valle

- 25 pesos no café da manhã na padaria

- 86 pesos no almoço no Ahonikenk

- 30 pesos no sorvete de 2 bolas na sorveteria Domo Blanco

- 28 pesos no supermercado

 

Total: 269 pesos argentinos = 69 reais

 

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Dia 13 (19/04/14) – El Chalten (Laguna de los Tres)

 

Acordei às 7h, pois às 8h o transfer passaria para me pegar. Lembre-se de comprar o seu lanche para levar no dia antes, pois as coisas só abrem às 8h. Não comprei e dei sorte que o transfer atrasou 15 minutos se não iria só com um chocolate que tinha na mochila! Atenção: Recomendo levar a água, pois não vi muitos rios pelo caminho... Quando encontrava a água tinha um gosto estranho.

O tempo amanheceu perfeito... Vento nulo e sem nem uma nuvem no céu! As 8:45 a van chegou na Hosteria Pilar e começamos a trilha. Recomendo muito pagar pelo transfer por 2 motivos: A trilha é bem mais plana que no caminho convencional (evitando a subida pesada do inicio da trilha) e possui o mirador para o glaciar Piedras Blancas que eu achei muito bonito! Achei que valeu a pena. Vi também alguns pica-paus e muitas árvores (lengas) caídas, que na verdade não vi apenas em Chalten, mas em toda a Patagônia. O que acontece é que o solo é raso, não permitindo uma boa fixação das raízes. Somado a isto, tem a presença dos ventos fortíssimos na região que derrubam as árvores facilmente. Sem falar nos castores (que foram trazidos do Canadá e acabaram virando uma praga, pois não possuem predadores naturais) que derrubam as árvores para construírem seus diques.

Na trilha, próximo ao acampamento Poincenot, encontrei um casal de alemães que conheci no W e que estavam acampando ali. Eles me alertaram que a subida final para a laguna de los tres estava muito escorregadia devido à neve, e que escaladores experientes tinham caído diversas vezes no dia anterior. Segui em frente e, logo depois de ter passando pelo acampamento Poincenot, comecei a observar bastante neve pela trilha. Foi uma das trilhas mais bonitas que fiz pelo conjunto.

A última hora antes de chegar à laguna é de subida, mas naquele dia tinha um agravante: Como eu disse, a neve que tinha caído no dia anterior começou a derreter e junto com o pisoteio formou uma camada de gelo extremamente escorregadia!! Subi bem devagar com a ajuda dos bastões de trekking e sempre procurando pisar em alguma pedra. A subida é bem puxadinha, mas nada que eu já nãos estivesse acostumado. Subi imaginando o desastre que seria a descida! kkkkkkkkk. Finalmente a laguna. Olha, vou te falar que foi um dos pontos altos da viagem! Não tenho adjetivos suficientes para descrever a beleza daquilo... Não só da laguna de los tres, mas do conjunto do lugar: Tudo coberto de neve, o céu azul, o Fitz Roy, as florestas junto com as lagunas lá em baixo... Sensacional!! Como tinha muita neve no caminho, poucas pessoas animavam a descer até a beira da laguna. Desci e fiquei alguns minutos lá em silêncio junto com uma inglesa, só ouvindo o barulho da água. Sensação de paz...

Depois resolvi ir até a laguna Sucia que pouca gente sabe que existe, pois ela fica escondida na parte esquerda. Lá encontrei um casal de americanos que estavam dando comida a um passarinho selvagem que vinha comer na mão! Conversamos um pouco e decidi voltar pra cidade. Como era de se esperar foi complicada a descida... Geral caindo. Eu mesmo cai 3 vezes, sendo uma delas mico total: Cai deitado e fui escorregando morro a baixo estirado no chão! kkkkkkkkkkkkk. Durante a descida encontrei o Cameron e as alemãs subindo, mas estavam quase desistindo de chegar à laguna, mas encorajei-os a continuar. Desci para Chalten usando a trilha convencional. Mais uma vantagem de começar pela Hosteria Pilar: As paisagens da ida serão diferentes da volta. Passei pela laguna Capri e achei muito bonita. Quase chegando em Chalten parei um pouco no Mirador Rio de las Vueltas. De volta a cidade fui de novo no Ahonikenk. Pedi uma pizza de cordeiro que, apesar de um pouco cara, estava deliciosa! A melhor de toda a viagem! Comi metade e pedi para levar o que sobrou. Voltei para o hostel e fiquei a noite na internet.

 

Gastos do dia:

 

- 100 pesos na diária do quarto compartido com 6 camas no hostel Pioneros Del Valle

- 80 pesos no transfer até a Hosteria Pilar

- 35 pesos pelo café da manha e lanche na padaria

- 30 pesos no supermercado

- 135 pesos pela pizza de cordeiro no Ahonikenk

 

Total: 380 pesos argentinos = 97 reais

 

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Dia 14 (20/04/14) – El Chalten (Loma del Pliegue Tumbado)

 

Acordei as 7h, tomei café na padaria e as 7:30 comecei a trilha apara Loma del Pliegue Tumbado que no inicio é bem tranquila, passando por um campo aberto até chegar em um floresta com bastante neve. Observei muitas fezes de um animal de grande porte pelo caminho. Creio que deve ser dos huemuls que são muito comuns na região. Saindo da floresta a trilha segue por uma montanha em uma subida pouco inclinada, com algumas partes planas. Até chegar ao mirador. Sol rachando! Recomendo passar protetor solar. Do mirador já dá pra ter uma boa visão de tudo! Muito bonito, como já esperava.

Resolvi subir mais uma meia hora por um caminho entre a neve para chegar no topo! Aí sim era trilha inclinada. Uma hora tive que deixar os bastões de treeking de lado e usar as mãos para me apoiar nas pedras. Quase uma escalada! rsrs. Lá de cima dá pra ter uma visão 360º de tudo: do Lago viedma, das montanhas nevadas, do Cerro Torre... Show!! Encontrei um americano no topo que disse que a dois dias atrás ele tentou subir mas desistiu, pois o vento estava tão forte que ele quase foi derrubado diversas vezes. Então fica a dica: Vá a Loma del Pliegue Tumbado somente se o clima estiver bom! Fiquei quase 1 hora lá em cima curtindo o visual... Não estava frio nem tinha vento então aproveitei. Conheci também duas brasileiras muito legais que me acompanharam na descida de volta a cidade. Passei na rodoviária, comprei minha passagem para Calafate daqui a 3 dias na empresa TAQSA e acabei encontrando o casal de americanos que tinha conhecido na laguna Sucia no dia anterior. Eles me convidaram para tomar um café até a hora de partida do ônibus deles.

De volta ao hostel comi o resto da pizza do dia anterior e passei o resto da noite conversando com o Cameron que inclusive me pediu muitas desculpas pela noite fatídica. Combinamos de ir juntos a Laguna Torre no dia seguinte. Ele já tinha ido com as alemãs, mas como ele não tinha programação para o dia seguinte ele resolveu me acompanhar.

 

Gastos do dia:

 

- 100 pesos na diária do quarto compartido com 6 camas no hostel Pioneros Del Valle

- 35 pesos no café da manhã e lanche na padaria

- 190 pesos na passagem de El Chalten para Calafate

- 20 pesos no café

- 40 pesos no supermercado

 

Total: 385 pesos argentinos = 99 reais

 

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Dia 15 (21/04/14) – El Chalten (Laguna Torre)

 

Combinei com o Cameron de sair as 9:30. Tomamos o café, compramos nossos lanches e iniciamos a trilha as 10:15. O tempo estava bom, com sol, mas com algumas nuvens. A trilha é bem tranquila e em sua maior parte plana. Passamos pelo bosque de lengas mais bonito de toda a viagem! Cores incríveis! A laguna é realmente muito linda, com vários icebergs vindos do Glaciar Torre. Lanchamos e decidimos ir até o mirador Maestri que pouca gente sabe que existe e que está a aproximadamente 40 minutos da laguna. Para chegar lá é só pegar uma trilha do lado direito. No caminho preste atenção no som de uma cachoeira e procure por uma pequena trilha escondida em direção à floresta... Uma pequena queda d’água muito bonita está escondida ali. Do mirador dá para se ter uma boa visão do Glaciar Torre, descansamos um pouco e retornamos para a cidade. Passamos no supermercado e compramos algumas coisas para fazer um hambúrguer bem estilo americano com batata frita que ficou muito bom! Depois de comer ficamos tomando Quilmes e conversando até tarde. O Cameron realmente era um cara legal. Marcamos de ir até Chorrillo Del Salto no dia seguinte mesmo já tendo ido.

 

Gastos do dia:

 

- 100 pesos na diária do quarto compartido com 6 camas no hostel Pioneros Del Valle

- 35 pesos no café e lanche na padaria

- 60 pesos nas compras para fazer o hambúrguer

- 60 pesos no aluguel dos bastões de trekking (20 pesos por dia)

 

Total: 255 pesos argentinos = 65 reais

 

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Dia 16 (22/04/14) – El Chalten (Segunda vez em Chorrillo del Salto)

 

Acordamos tarde e seguimos rumo a Chorrillo logo depois de tomarmos café. Lá chegando o Cameron tinha ouvido falar que tinha uma trilha “não oficial” subindo as rochas que levava até a parte de cima da cachoeira. Lá em cima não tem nada de espetacular a não ser por uma cachoeira menor, mas já que estávamos lá valeu a pena. Na descida fomos por outro caminho e saímos na parte de trás dos banheiros químicos que existem alguns metros antes de chegar a Chorrillo. Aí vimos que a trilha na verdade começava ali.

Voltamos para a cidade e passamos no supermercado para comprar os ingredientes para fazermos um macarrão a bolonhesa a noite. Fomos até a padaria La Nieve (Av. San Martín, 21. Esquina com Av. Lago del Desierto) e comi duas empanadas, um pão de queijo (tão bom quanto os daqui de Minas Gerais) e um folhado com doce de leite. Tudo estava muito gostoso, recomendo! Depois passamos na rodoviária, pois o Cameron decidiu ir para Calafate comigo no dia seguinte e de lá ele iria para Puerto Natales para se preparar para o W. Passei o resto da tarde descansando no hostel e a noite fizemos o macarrão que ficou péssimo, mas como estávamos com muita fome comemos assim mesmo. Na cozinha conhecemos um americano surdo e mudo (nos comunicávamos escrevendo no celular) que já tinha escalado algumas das maiores montanhas dos EUA.

 

Gastos do dia:

 

- 100 pesos na diária do quarto compartido com 6 camas no hostel Pioneros Del Valle

- 35 pesos no café da manhã na padaria

- 28 pesos no lanche da tarde na padaria

- 88 pesos em compras

 

Total: 251 pesos argentinos = 64 reais

 

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Dia 17 (23/04/14) – El Chalten – Calafate (Laguna Nimez)

 

O ônibus partiu as 10:30 de El Chalten. Dica: No caminho o ônibus faz uma parada no aeroporto, assim, não é necessário ir até Calafate... O que já economiza tempo e dinheiro! Chegando à rodoviária, Cameron pretendia ir no mesmo dia para Puerto Natales, mas como não havia mais ônibus, ele comprou a passagem para o dia seguinte. Ele seguiu para um hostel que ficava próximo à rodoviária que cobrava 60 pesos a diária (mas que não tem calefação). Eu fui para o America del Sur (Puerto Deseado, 153), pois já havia feito reserva com antecedência. Marcamos de nos encontrar dali a 2 horas na Av. San Martin para irmos à laguna Nimez. Segui a pé para o hostel.

Gostei bem do America del Sul. Limpo, café da manhã gostoso, ambiente legal, o único problema é o tamanho do banheiro onde fica o box... Mal dá para abrir os braços de tão pequeno. Arrumei minhas coisas e segui de volta para o centro da cidade. Encontrei o Cameron e seguimos para a laguna. Para entrar e ver os flamingos de perto é preciso pagar uma taxa de conservação. Já que não tínhamos mais nada a fazer, resolvemos entrar. Seguimos por uma trilha demarcada e paramos em pontos específicos de onde dava para ver algumas aves. Os flamingos ficam próximo a “praia” do lago... Mas não me impressionou, pois já tinha visto centenas deles na Bolívia. Voltamos para o centro da cidade e resolvemos comer algo no Pietro’s Café (Av. San Martin, 1002). Péssima escolha! Só tinha 1 garçom par atender todas as mesas!! Pedi uma pizza de calabresa (aquilo estava mais para salaminho do que calabresa) e o Cameron um hambúrguer de carne a milanesa. Os dois estavam muito ruins, parecia que era tudo congelado e ainda pagamos caro por aquilo. Depois andamos um pouco pelas lojas de materiais de trekking, pois o Cameron queria pesquisar os preços de alguns equipamentos. Passamos no supermercado La Anonima (Av. San Martin, 902) e compramos algumas coisas. Me despedi do Cameron e voltei para o hostel.

Conheci 3 ingleses que estavam no mesmo quartos que eu. Eles estavam viajando pela América Latina e, no Brasil, pretendiam ir a Fernando de Noronha. Joguei a real e disse que era um dos lugares mais caros de se conhecer por aqui... Acho que desanimei eles um pouco. Fui dormir cedo, pois no dia seguinte tinha Big Ice!!

 

Gastos do dia:

 

- 30 pesos pelo café da manhã

- 50 pesos pela entrada na laguna Nimez

- 90 pesos em uma pizza no Pietro’s

- 41 pesos em compras

- 130 pesos na diária do quarto compartido com 4 camas e banheiro no hostel América Del Sur

 

Total: 341 pesos argentinos = 87 reais

 

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Dia 18 (24/04/14) – Calafate (Big Ice)

 

Acordei cedo, tomei o café e fiquei na recepção esperando a van da empresa passar as 7h. A viagem até o Perito Moreno dura 1:15. Certa hora um cara do Parque entra no ônibus para cobrar a entrada que deve ser paga em dinheiro. Seguimos em direção as passarelas. Ficamos ali por aproximadamente 1h batendo fotos e esperando a oportunidade de ver o gelo se desprender do glaciar. Voltamos para o ônibus e depois de 15 minutos descemos para pegar o barco onde cruzamos o canal até ao refúgio da Hielo y Aventura do outro lado. Recebemos as instruções e os grupos foram divididos em “inglês” e “espanhol”. Antes de seguir em frente não se esqueça de pegar um par de luvas que a empresa te empresta, pois é obrigatório usa-las uma vez que o gelo pode cortar suas mãos. Seguimos pela floresta até outro ponto onde recebemos os grampones e colocamos uma espécie de cinto de segurança que serve para te puxar de dentro de um buraco caso aconteça algum acidente. Fomos até a borda do glaciar onde são colocados os grampones e onde o guia ensina como se deve andar no gelo.

No inicio do trekking andamos próximo a borda do glaciar até chegar em um ponto que começamos a ir mais pro seu interior. Conheci a Madhu, uma australiana que nasceu na Índia, fez seu mestrado na França e que trabalha na Microsoft em Paris :shock: ! No nosso grupo também tinha um brasileiro muito gente boa, mas também uma perua da Bélgica chata ao extremo! Ela gostava de chamar atenção e ficava reclamando que não queria fazer isso nem aquilo! Quase que falei que ela devia ter feito o Mini Trekking! ::grr:: Aliás, a diferença entre o Big Ice e o Mini Trekking é basicamente o tempo de caminhada, mas no Big Ice existe uma chance maior de ver cavernas de gelo já que entramos um pouco mais para o interior do glaciar. Aliás, as cavernas e “piscinas” formadas pelo derretimento mudam de tempos em tempo, pois o glaciar está em constante avanço e nunca é o mesmo sempre.

Passamos por algumas fendas no gelo cheias de água azul, mas o ponto alto do passeio foi sem dúvida quando atravessamos uma caverna de gelo... Demais!! Paramos alguns minutos para almoçar nosso lanche (que trouxemos de Calafate) e o guia ofereceu um pedaço de bolo. A partir daí seguimos de volta por onde começamos. Tiramos os grampones e o cinto de segurança e seguimos para o refúgio. Chegando próximo a borda do glaciar um pedaço enorme de gelo se desprendeu. Pegamos o barco e durante o percurso foi servido whisky e alfajor. Também ganhamos um pequeno frasco de liquor e um chaveiro. No ônibus voltando para Calafate descobri que a Madhu também estava no America Del Sur e que também estava no mesmo voo que eu para Buenos Aires no dia seguinte. Combinamos de dividir um taxi até o aeroporto que sairia o mesmo preço que o transfer. Chegando a cidade no início da noite segui direto para o centro para comer alguma coisa. Fui ao Restaurante Dona Mecha que fica exatamente em frente a lanchonete de mesmo nome (endereço da lanchonete: Comandante Espora, 35). Pedi um bife de boi com batata frita. A batata estava um pouco encharcada, mas o bife estava macio. Gostei!

 

Gastos do dia:

 

- 130 pesos na diária do quarto compartido com 4 camas e banheiro no hostel América Del Sur

- 60 pesos no serviço de lavanderia

- 150 pesos na entrado Parque Nacional Los Glaciares

- 35 pesos em um imã

- 37 pesos em compras

- 80 pesos no jantar no Restaurante Dona Mecha

 

Total: 492 pesos argentinos = 126 reais

 

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Dia 19 (25/04/14) – Calafate – Buenos Aires

 

Acordei tarde nesse dia, pois meu voo era só às 17h. Fui para o centro da cidade sacar um pouco de dinheiro e acabei comendo empanadas na lanchonete Dona Mecha (que acabou sendo meu almoço) e tomando um sorvete na Ovejitas de La Patagonia (Av. San Martin, 1197). Experimentei 2 sabores: Chocolate patagônico e de banana com doce de leite... O melhor sorvete de toda a viagem! Recomendo! Lá também vende chocolates que parecem ser muito bons. No caminho de volta ao hostel acabei encontrando a casa de alfajores Koonek (Coronel Rosales, 28) que já tinha visto indicações na internet. Comprei alguns, mas não gostei muito. Fiquei no hostel descansando até o horário que tinha combinado de encontrar com a Madhu na recepção. Enquanto esperava, o telefone do hostel tocou... Era ela dizendo que estava no Hotel Alto Calafate e pedindo que eu pegasse sua mala no depósito e fosse de taxi até lá! Ela tinha ido até o hotel para usar a piscina aquecida e fazer uma massagem pelo preço de 400 pesos por 2 horas... Então fica a dica se você tiver tanto dinheiro quanto ela... rs. Pagamos a taxa de embarque no aeroporto (76 pesos) e depois de três horinhas de avião chegamos ao Aeroparque. Me despedi da Madhu (ela iria pegar um avião para Salta) e peguei um taxi até o Hostel Suites Florida (Florida, 328) que já havia reservado. Ai foi quando dei um mole legal: Entrei no taxi e pedi que me levasse até a rua Florida. Aí o taxista perguntou qual endereço especificamente e eu não tinha!! Achei que todos os taxistas soubessem onde fica esse hostel. E o que aconteceu? Ele deu voltas e voltas comigo! E no final ainda me cobrou pela mala! Fiquei puto! E o pior, li muitas coisas sobre os golpes de taxistas em Buenos Aires e já sabia que devia tomar cuidado.

 

Aqui vão algumas dicas para evitar problemas com os taxistas:

 

- Certifique-se que o taxímetro está ligado.

- Pergunte se ele cobra pela mala. Se sim, pergunte quanto é.

- Tenha o endereço certo em mãos e de preferência com pontos de referência.

- Tenha sempre notas baixas para pagar o taxi.

- Evite conversar muito com o taxista nunca diga, por exemplo, que está viajando sozinho por mais que seja verdade. Sempre diga que você marcou com seus amigos de se encontrarem no lugar de destino.

- Fique de olho na nota que você entregou, pois eles costumam virar para frente e trocar por uma nota falsa e dizer que não podem receber. Em alguns casos recomenda-se até bater uma foto do número de série das notas de 100 pesos antes de entregá-las para comprovar depois que a sua nota era diferente da nota falsa. Em outros casos você pode entregar uma nota de 100 pesos, eles viram para frente e trocam por uma de 10 e dizem que você se enganou. Portanto quando for pagar pare tudo que está fazendo e preste bastante atenção. Muita gente entrega o dinheiro e começa a pegar as coisas dentro do carro ou sai pra pegar a mala enquanto espera o troco. Para vocês terem uma idéia de como funciona o golpe, vejam nesse link uma reportagem sobre o esquema feita pela National Geographic.

- Nunca aceite sugestão do taxista para ir a determinado restaurante ou hostel. Eles tem acordos com estes lugares e recebem uma comissão para levar os turistas. E geralmente são lugares horríveis. Se você não pediu a opinião dele mantenha o seu destino inicial.

- Caso você perceba que caiu em um golpe diga que você não vai descer do carro e que vai chamar a polícia... Costuma funcionar.

 

Bom, fiz o check in no hostel, deixei minhas coisas e voltei pra rua pra comer alguma coisa. Fui de Burger King mesmo. Quanto ao hostel eu gostei. Boa localização, café da manhã bom... O único problema é o povo pouco prestativo que trabalha na recepção. Eles não fazem questão nenhuma de ajudar e se você pergunta como fazer determinado passeio eles vão falar que é melhor fechar o tour com eles do que ir por conta própria. Uma brasileira que estava no meu quarto perdeu a carteira com todos os documentos dentro do taxi no dia que ela chegou... Eles não moveram uma palha para tentar ajudá-la.

 

Gastos do dia:

 

- 18 pesos em 2 empanadas na lanchonete Dona Mecha

- 35 pesos em um sorvete de 2 bolas na Ovejitas de La Patagonia

- 80 pesos no taxi até o aeroporto (160 pesos dividido para dois)

- 20 pesos em compras

- 76 pesos de taxa de embarque no aeroporto em Calafate

- 150 pesos de taxi do Aeroparque até o hostel

- 75 pesos no Burger King

- 15 dólares a diária no quarto compartido com 4 camas e banheiro no Hostel Suites Florida

 

Total: 454 pesos argentinos + 15 dólares = 152 reais

 

Dia 20 (26/04/14) – Buenos Aires (Obelisco, Casa Rosada e Puerto Madero)

 

Acordei tarde e perdi o café da manha do hostel. Comi um biscoito e uma banana que tinha na mochila e sai em direção a Casa Rosada. Nos finais de semana é permitido visitar o seu interior e não precisa pagar nada. Lá dentro tem uma exposição de quadros com os grandes heróis da América do Sul. Tinha até Getulio Vargas e Tiradentes. Se quiser também tem como conhecer os outros cômodos com um guia, mas a fila estava grande então desisti. De lá segui a pé para Puerto Madero. Achei bonito e organizado. Andei um pouco e voltei para o hostel. No caminho de volta passei no restaurante La Junta de 1810 (Av. De Mayo, 639) e comi as melhores empanadas da viagem. Aproveitei e passei no Carrefour onde comprei alguns potes de doce de leite da marca La Serenisima (Estilo Colonial). O Obelisco também estava no caminho do hostel e não tem nada de mais é apenas aquilo mesmo. Voltei para o hostel e descansei. No final da tarde fui até a Pizzaria Guerrin (Av. Corrientes, 1368), lanchonete famosa entre o povo local, e pedi uma fatia da pizza de mussarela que estava excelente. Vale muito a pena ir até lá. A noite os brasileiros que estavam comigo no quarto resolveram tomar uma cerveja no bar. Desci com eles.

 

Gastos do dia:

 

- 15 dólares a diária no quarto compartido com 4 camas e banheiro no Hostel Suites Florida

- 100 pesos em compras

- 35 pesos em um imã

- 45 pesos em 2 empanadas e 1 refrigerante no restaurante La Junta de 1810

- 12 pesos no pedaço de pizza na Pizzaria Guerrin

- 125 pesos em cervejas e porção de batata frita no bar do hostel

 

Total: 317 pesos argentinos + 15 dólares = 117 reais

 

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Dia 21 (27/04/14) – Buenos Aires (Caminito, San Telmo, Recoleta e Floralis generica)

 

Acordei cedo, tomei café no hostel e fui para o Caminito de taxi. O bairro La Bocca é um dos mais perigosos de Buenos Aires! Um brasileiro que estava no hostel em Buenos Aires contou que saiu da região do Caminito para pegar um taxi em outro lugar e foi assaltado! Levaram a mochila dele com iPad, câmera e documentos. Então fica a dica: Nada de ir a pé ou transporte público... Vá de taxi! E não saia do quarteirão turístico do Caminito! Desça do taxi, dê a volta no quarteirão e volte pro mesmo lugar para pegar o taxi de volta. De todas as atrações de Buenos Aires o Caminito foi a que eu mais gostei, apesar de muita coisa ser só para turista ver. De lá peguei outro taxi para a feira de rua de San Telmo que ocorre todos os domingos. A feira tem de tudo e não é muito diferente das que tem aqui no Brasil. Andei um pouco por lá até encontrar a estátua da boneca Mafalda. Tirei fotos e peguei outro taxi de volta para o hostel. Descansei um pouco e segui para o Restaurante El Palacio de la Papa Frita (Lavalle, 735) que os brasileiros me indicaram. Pedi um combo: Bife de chorizo com batata frita e ovo, refrigerante e sobremesa. A comida é muito boa por um preço aceitável. O melhor é a batata frita deles que tem ar por dentro formando uma espécie de almofadinha. Depois do almoço peguei um taxi até a Recoleta. O cemitério não tem nada de mais, apenas algumas estátuas bonitas e só! De lá segui a pé até a Floralis generica que fica próxima à faculdade de direito. Também não achei nada de mais. Na verdade depois de ter visto tanta paisagem de cair o queixo na Patagônia é impossível se surpreender com alguma coisa em Buenos Aires. Apesar de tudo, gostei de Buenos Aires... Esperava bem menos. Com certeza vou voltar pra visitar com mais calma.

Da Floralis generica resolvi ir a pé até a sorveteria Jauja (Av. Cerviño, 3901), considerada uma das melhores sorveterias da cidade! Levei uns 40 minutos pra chegar (para vocês verem como gosto de sorvete! kkkkkk), mas tinha acabado de fechar! Mas valeu por ter conhecido o bairro de Palermo, que em alguns pontos achei bem parecido com a zona sul do Rio de Janeiro. Passei então na famosa sorveteria Freddo e pedi um combo que vinha com 3 sabores: Creme, chocolate e doce de leite. Decepção total!!! Não é ruim, mas esperava beeem mais... Assim como os alfajores Havana, a sorveteria tem mais fama que sabor! Peguei outro taxi e voltei para o hostel. Encontrei os brasileiros que estavam no mesmo quarto e eles me indicaram os alfajores da marca Abuela Goye. Fui até a loja próxima ao hostel e comprei alguns para dar de presente. A noite sai com eles e fomos até a Casa Rosada para ver ela iluminada. De lá fui mais uma vez até a Pizzaria Guerrin e pedi uma empanada frita (sim, frita!) e uma fatia de pizza sabor molho de tomate e cebola. A pizza estava boa, mas a de mussarela é doidera! A empanada frita também estava gostosa, vale a pena experimentar. Dormi cedo, pois meu voo era às 6h do dia seguinte.

 

Gastos do dia:

 

- 15 dólares a diária no quarto compartido com 4 camas e banheiro no Hostel Suites Florida

- 47 pesos de taxi do hostel até o Caminito

- 35 pesos de taxi do Caminito até San Telmo

- 30 pesos de taxi de San Telmo até o hostel

- 115 pesos no almoço no El Palacio de la Papa Frita

- 77 pesos em alfajores Abuela Goye (11 pesos cada um)

- 26 pesos na sorveteria Freddo (3 sabores)

- 43 pesos de taxi do hostel até a Recoleta

- 41 pesos de taxi do bairro Palermo até o hostel

 

Total: 414 pesos argentinos + 15 dólares = 142 reais

 

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Dia 22 (28/04/14) – Buenos Aires – Rio de Janeiro

 

Acordei de madrugada, fiz o check out e pedi que chamassem um taxi até o Aeroparque (quando se pede o taxi pelo telefone o taxista cobra uma taxa de 6 pesos). O taxi ficou em apenas 80 pesos. Pra vocês terem uma ideia, quando cheguei na cidade o desgraçado do taxista rodou tanto comigo que o taxi ficou em 150 pesos... Praticamente o dobro!

Bem, chegando ao Galeão estava sem nenhum real e precisava tirar dinheiro em um caixa do Banco do Brasil. Tive que ir andando para outro terminal carregando minha mochila pesada nas costas até encontrar um caixa. Só esse fato já me deixou estressado, pois o básico a oferecer pra um turista que chega de viagem é um banheiro, uma lanchonete e um caixa eletrônico. Bom, depois de tirar o dinheiro desci até a área de desembarque onde avistei vários taxistas e fui para pegar um taxi até a rodoviária. Nenhum deles aceitava fazer a corrida pelo taxímetro... Só preço fechado de 70 reais até a rodoviária! Um absurdo!! E ainda, eles me perguntavam para onde eu queria ir e quando falava que era pra rodoviária ninguém aceitava... Eles não podem rejeitar a corrida! Esse lance do preço tabelado eu já conhecia, pois o mesmo acontece na rodoviária. Voltei puto pra dentro do aeroporto e foi quando caiu a ficha. Eu estava na área de desembarque, então era óbvio que eles iriam se aproveitar dos desavisados que estavam chegando de viagem. Subi para o segundo andar, fui pra área de embarque e peguei um taxi que estava chegando para deixar um passageiro. Entrei no taxi e alguns metros à frente o taxista parou um colega e perguntou se ele não me levava até a rodoviária. Tive que descer do taxi, pegar minha mochila no porta-malas e mudar de carro. No caminho até a rodoviária obras para todos os lados e um congestionamento sinistro! Quando o trânsito fluía, o taxista fazia barbeiragens no transito, foi quando ele me propôs de me deixar do outro lado da avenida e assim eu atravessaria a rua, andava alguns metros até a rodoviária, evitando de dar uma volta que demoraria mais tempo. E assim foi! ::grr::

Peguei o ônibus na rodoviária até a minha cidade e assim terminou o mochilão!

 

Gastos do dia:

 

- 45 reais de taxi do Galeão até a rodoviária

- 50 reais na passagem do Rio até Juiz de Fora

 

Total: 95 reais

 

O melhor e o pior:

 

Observação: Exclui Buenos Aires das comparações, pois seria covardia comparar as belezas da Patagônia com a capital.

 

O lugar mais bonito: Amanhecer nas Torres (Torres del Paine)

Difícil escolha, mas fico com o amanhecer nas Torres. Por pouco não fui ver por preguiça de acordar cedo! À medida que o sol vai nascendo as Torres vão mudando de cor e formando um reflexo no lago que resultam em uma composição perfeita! Mas a Laguna de los Tres ganha pelo conjunto: A laguna com o Fitz Roy, aquela neve toda, as florestas e os lagos lá embaixo... Show!

Menção honrosa: Laguna de los tres (El Chalten).

 

O lugar mais feio: ?

Na Patagônia não vi nada que considerasse feio então fica sem resposta.

 

A maior surpresa: Valle Del Frances (Torres del Paine)

Li muito sobre o parque e minhas expectativas eram altas apenas para ver as Torres, mas o vale surpreendeu! É tudo o que falam e muito mais! Pra qualquer lado que você olha é bonito: De um lado o glaciar, do outro as formações rochosas, no meio o rio e lá em baixo o lago Nordenskjöld!

 

Um must go: El Chalten

Apesar de toda a fama (mais que merecida) de Torres del Paine eu fico com Chalten pelo conjunto. Em um dia de trekking, por exemplo, é possível ver paisagens absurdas como geleiras, lagos, cachoeiras e florestas de lengas sem precisar acampar. Os lugares que você deve ir se for a El Chalten (por ordem de beleza): Laguna de los Tres, Loma del Pliegue Tumbado e Laguna Torre.

Menção honrosa: Circuito W (Torres del Paine)

 

Considerações finais:

 

Recomendo fortemente a ida na época do ano em que fui. O outono deixa a paisagem realmente mais bonita, além de ser temporada intermediária e assim os lugares estão mais vazios. Muitas pessoas podem dizer que as paisagens são repetitivas. De fato, tudo se resume a geleiras, lagos, montanhas nevadas e florestas, mas como tudo é tão bonito, é difícil reclamar! Não vou mentir, se você pretende ver todas essas paisagens, esteja preparado para horas de caminhada com muita subida e descida, mas não se preocupem... Não precisa ser um atleta para fazer as trilhas.

 

A patagônia é cara... Prepare o bolso! Meus gastos totais com a viagem ficaram em R$5.293,26

 

E assim termina mais uma viagem incrível! Espero que tenham gostado. Qualquer dúvida estou aqui pra responder com maior prazer! ::tchann::

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Parabéns pelo relato e pelo vídeo!! As fotos ficaram lindas!

Realmente você teve muita sorte com o tempo!! ::otemo:: Eu peguei MUITO vento, principalmente em TDP! Mas mesmo assim, vale a pena ver de perto todas essas paisagens tão lindas!!

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Parabéns pelo relato e pelo vídeo!! As fotos ficaram lindas!

Realmente você teve muita sorte com o tempo!! ::otemo:: Eu peguei MUITO vento, principalmente em TDP! Mas mesmo assim, vale a pena ver de perto todas essas paisagens tão lindas!!

Valeu Carla! O seu relalo foi um dos ultimos que li antes de viajar! Peguei várias dicas. ::otemo::

 

Abracos!

 

Daniel... Que viagem!

 

Relato detalhado, fotos muito boas e vídeo incrível!

 

Parabéns e bora planejar a próxima trip agora! ::otemo::

Valeu Rafael! Esperando seu relato do Mexico em Novembro! Haha

 

Abracos!

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Parabens pela viagem e pelas fotos maravilhosas!

 

Desculpe a pergunta chata, mas qual é a câmera que vc usou? As fotos ficaram realmente sensacionais!

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Muito bom o relato!! Parabéns!! e o vídeo ficou topíssimo também...hehehe ::otemo::

 

Valeu Thiago! Esse vídeo deu um cadim de trabalho... levou 3 dias para ser editado... ::hahaha::

 

Parabens pela viagem e pelas fotos maravilhosas!

 

Desculpe a pergunta chata, mas qual é a câmera que vc usou? As fotos ficaram realmente sensacionais!

Que isso, fique a vontade para perguntar. Então, usei uma Nikon D5100 com 2 lentes: uma de 18-55mm e outra de 55-200mm. Sempre tiro as fotos no modo manual e em formato "RAW" (que depois eu converto para JPEG no Lightroom).

 

:D

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Parabéns pelo relato!

 

Fotos sensacionais e muitas dicas. Pretendo ir à Patagônia em novembro, mas sozinha não teria ainda a coragem de fazer certas trilhas autônoma com acampamento!

 

Show! :D

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Parabéns pelo relato!

 

Fotos sensacionais e muitas dicas. Pretendo ir à Patagônia em novembro, mas sozinha não teria ainda a coragem de fazer certas trilhas autônoma com acampamento!

 

Show! :D

Obrigado Bruna. Realmente eu não aconselhor acampar lá sozinha, a não ser que vc já tenha experiencia. Eu nunca tinha acampado na vida, mas dei muita sorte de pegar tempo bom, pq se não acho que teria desistido.

 

abraços

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    • Por SamuelSchw
      Saudações, povo da mochila.
       
      O relato que segue refere-se à uma viagem realizada há um ano atrás (ontem exatos 365 dias que finalizei o Circuito O!). Devido à correria da vida e uma promessa de que parte dele sairia em uma revista de escalada e montanhismo, acabei não publicando antes. Apesar de possíveis mudanças nos preços e regras de visitação, possui uma série de informações relevantes em um texto que lembra um diário sobre essa viagem de 26 dias (de 25/12/2015 a 18/01/2016) passando por Ushuaia, Punta Arenas, Puerto Natales, El Chaltén, El Calafate e ainda uma curta passagem por Buenos Aires. Foram mais de 200 km de trilhas percorridas, sendo o objetivo principal da viagem o circuito O em Torres del Paine. Para ajudar na coleta de informações pelo amigo leitor, aquelas que considero chave ou relevantes estão em negrito.
       
      O relato está dividido em quatro partes: I- Informações Gerais; II- Ushuaia a Puerto Natales; III- Torres del Paine - Circuito O; IV- El Calafate, El Chaltén e Buenos Aires. Caso deseje informações mais objetivas ou não deseje ler a totalidade das palavras e devaneios deste que vos escreve, sugiro ler somente a Parte I e esta planilha resumo, além da Seção “Dicas”, da Parte III.
       
      PARTE I - INFORMAÇÕES GERAIS
      Lembro de quando ouvi sobre e vi imagens da Terra do Fogo pela primeira vez em uma reportagem do Globo Repórter. Tinha uns 12 ou 13 anos e o nome Terra do Fogo me pareceu misterioso, místico, atiçando minha curiosidade. Depois de muito tempo habitando minha mente, a viagem começou a tomar forma. Inicialmente programada para acontecer no final de 2014, uma mudança de emprego e de cidade resultou no adiamento por um ano, mas todo o roteiro já estava traçado, sendo necessário apenas atualizar o orçamento e buscar algumas informações adicionais. A essa empreitada, juntaram-se dois amigos do grupo Trekking Brasília: Luzardo Alves e João Paulo Marques
       
      Passagens
      Como minha família passaria o Natal em Campinas, acabei comprando diferentes trechos de voo: Brasília-São Paulo (ida e volta, Gol), São Paulo-Buenos Aires (ida e volta, TAM), Buenos Aires-Ushuaia (ida, Aerolíneas Argentinas) e El Calafate-Buenos Aires (ida). Os trechos São Paulo-Buenos Aires e El Calafate-Buenos Aires foram adquiridos por pontos, sendo o primeiro um generoso e bem-vindo presente de meu pai que estava com vários pontos acumulados e nenhuma perspectiva de usá-los no curto prazo. O trecho Buenos Aires-Ushuaia custou R$ 850,00.
       
      Dinheiro/Câmbio
      Optei por levar dólares, alguns reais e cartão de crédito. Quando comprei as passagens, o dólar estava na casa dos R$ 3,40 e para meu desespero começou a disparar. Atento às projeções pessimistas, e que se concretizaram, fiz questão de comprar dólares assim que possível e consegui comprar a R$ 3,80. Embora muitos recomendem realizar câmbio em Buenos Aires, essa não era uma opção viável dentro de nosso itinerário. Graças às decisões do Macri de acabar com o controle cambial, a cotação oficial do dólar estava US$ 1,00 = AR$ 13,00, nenhuma discrepância significativa da paralela. No dia 25/12 o real estava bem valorizado ante ao peso (R$ 1,00 = AR$ 4,50). Se fosse possível prever, teria levado reais e ficaria uma manhã apenas para cambiar. Nos dias seguintes, entretanto, o real começou a cair. Na região patagônica, levar dólares ou reais seria equivalente pois o câmbio era R$ 1,00 = AR$ 3,50 e US$1,00 = 12,50 a 13,50. No Chile o câmbio estava em média R$ 1,00 = CH$ 180 e US$ 1,00 = CH$ 650 a 700.
       
      Mochila
      Fui com minha Curtlo Mountaineer 60+15 velha de guerra. Excelente mochila. Para uma viagem como essa e para realizar o circuito O de forma autônoma recomendo no mínimo uma mochila de 60 Litros. Como fui com câmera DSLR, duas objetivas e tripé, os 15 Litros a mais foram muito úteis. Nessa viagem apliquei uma dica que li no livro Manual de Trekking e Aventura, do Guilherme Cavallari para proteger a mochila no avião: colocá-la em um saco. Eu usei um saco plástico grosso, mas pode usar um saco de fertilizante ou de batata. São leves e você pode guardá-lo dobrado na mochila. Como algumas companhias aéreas ou não fornecem mais sacos plásticos para embalar a mochila ou fornecem sacos de litragem pequena, recomendo fortemente para proteger tanto a mochila quanto a capa de chuva.
       
      Transporte Terrestre
      Entre as cidades, viajamos por empresas de transporte, mas é completamente possível fazer essa viagem de carona. Conheci várias pessoas que estavam viajando dessa forma e constantemente revia na próxima cidade alguns cidadãos que vi à beira da estrada. Se o amigo leitor dispuser de tempo e vontade, acredito que valha muito a pena não apenas pela economia, mas pela própria experiência em si
       
      Disponibilizo aqui link para planilha com o roteiro executado, preços, itens levados. Se tivesse mais alguns dias teria ido a Los Antiguos e a Chile Chico.
       
      PARTE II - USHUAIA A PUERTO NATALES
      O voo para Buenos Aires partiu de São Paulo. Antes do embarque aproveitei para passar no posto médico do aeroporto para ter um parecer sobre um calombo que surgiu na minha coxa esquerda, mas que era apenas uma inflamação dos folículos pilosos, exigindo apenas uso de um antiinflamatório (Profenid 100mg ). Esta é a segunda vez que faço uso dos serviços médicos dos postos dos aeroportos e deixo a dica ao amigo leitor. O atendimento é bom e gratuito.
       
      Na sala de embarque encontrei o Luzardo. Partimos de São Paulo no dia 25/12, às 18:30, com uma hora de atraso e chegamos às 20:10 em Buenos Aires, onde encontramos o João. Aproveitamos para fazer câmbio de US$ 100,00 no aeroporto. Luzardo e João pegaram um táxi para dar uma volta em Puerto Madero e eu fiquei no aeroporto. Comi um lanche extremamente caro no piso superior, AR$ 126,00 por uma baguete e uma sprite, e depois fui descansar. Às 4:00 fizemos o despacho das malas e às 5:35 o avião decolou.
       
      USHUAIA
      26/12. Cheguei em Ushuaia às 9:10. João e Luzardo chegaram cerca de 20 minutos depois. Pegamos as malas, um mapa no balcão de informações e, após apreciar por uns minutos a bela cadeia de montanhas que guarda a cidade, tomamos um táxi para nos levar até o Hostel Antarctica ao custo de $115. Recomendo fortemente o Hostel Antarctica. Ambiente legal, equipe atenciosa e acolhedora, boa estrutura e café da manhã reforçado. Destaque para o fato de que o hostel fornece ovos e o hóspede prepara à sua maneira. A diária estava $260 e o público é variado, viajantes solitários, casais jovens e idosos, famílias, uma das quais me permitiu praticar o alemão durante uma boa conversa.
       
      Para esse dia não havíamos planejado nada. Por sugestão do recepcionista do Hostel, acabamos comprando o passeio para a Laguna Esmeralda por volta das 11h, ao custo de $250, ida e volta. Recomendo. É uma trilha leve e o lugar é realmente belo. Quando retornamos ao estacionamento, havia ainda 1h até nosso transfer chegar. Para nossa surpresa, uma senhora que realiza transfers por outra empresa nos viu e ofereceu transporte, de graça e ligou para a outra empresa, e ainda ganhamos croissant e café. De volta à cidade aproveitamos para fazer compras no mercado e garantir nossa janta e almoço para os próximos dias, por preço bem mais em conta que os dos restaurantes.

       

       
      27/12. Domingo. Grande parte das lojas e mercados fechados, o que impediu-nos de comprar a passagem para Punta Arenas. Cedo pela manhã fui efetuar o pagamento do passeio do Beagle Channel (Islas de los Pájaros, Lobos, Farol e descida na Isla Carello) o qual reservei antecipadamente por email com a Canoero (http://www.catamaranescanoero.com.ar/principal.htm) para as 15:30 daquele dia. Aproveitei para pedir desconto, visto que seriam 3 pessoas e consegui baixar de $750 para $700. $50, não muito no total mas já ajudava em alguma coisa. Dei uma caminhada na cidade ainda adormecida e voltei ao Hostel para encontrar os piás e ir ao Presídio.
       
      Presídio. O ingresso custou $150. Já há bastante informação disponível sobre o Museu, me limitarei a dizer que eu gostei e acho um passeio bem válido para se conhecer a história de Ushuaia e da navegação. Detalhe para os mapas e cartas náuticas antigas e a seção dedicada aos Yamanas, povo original da região, já extinto.
       

       
      Beagle Channel. Escolhi o horário da 15:30 por conta da luz começar a perder intensidade nesse horário e não estourar as fotos. No fim, com o tempo nublado ficou ainda melhor. Enquanto esperávamos a partida, Luzardo resolveu brincar que seria fácil fazer novos amigos brasileiros. Ao falar alto “Brasil? Alguém?”, atrás dele havia um brasileiro, Daniel, com o qual fizemos amizade e trocamos ideias sobre os planos de viagem. Ele estava viajando solo, de moto, e iria também para Torres del Paine. Acabou que combinamos dele nos informar por email se as lojas de aluguel de equipamento estariam abertas no dia 01 de janeiro e o preço dos equipamentos. O passeio do Beagle Channel também é bem conhecido e há muita informação disponível a respeito. É um passeio bem tranquilo, padrão, mas vale a pena. O lugar é realmente bonito e instiga a imaginação. O tempo estava fechado e o vento frio. A descida na Isla Carello é interessante para se conhecer o ecossistema e imaginar como os nativos sobreviviam na região. Voltamos à Ushuaia depois das 18 horas.
       

       

       
      28/12. Acordamos cedo para garantir as passagens para Punta Arenas. Pensamos em adiantar 1 dia e sair de Ushuaia em 29/12, para chegar em Puerto Natales no dia 31. Depois de rodar todas as agências de viagem (não existe uma rodoviária com balcões das empresas), tivemos que voltar ao planejamento original e compramos para o dia 30/12. Minha recomendação ao amigo leitor é que compre as passagens para Punta Arenas assim que chegar em Ushuaia, se seu planejamento não for flexível.
       
      Cerro Martial. Como perdemos a manhã, resolvemos deixar o Parque Nacional para o dia seguinte e fomos ao Cerro Martial. Nos juntamos a outra brasileira, Clara, e pegamos um táxi até a entrada ($135). A vista é bacana e o lugar vale uma visita se você tiver tempo, mas não consideraria um must-see. Pegamos um táxi por $120 até o centro de Ushuaia. Sinceramente, acho que teria valido mais a pena dedicar esse dia ao Parque Nacional, pernoitando lá e subindo o Cerro Guanaco, pois achei um dia pouco para o Parque.
       

       
      29/12. Parque Nacional Tierra del Fuego. Tiramos o dia para o Parque. Saímos no ônibus das 10 e pouco, mas recomendo sair no primeiro transfer. O custo foi $370 ($270 transfer + $100 tarifa Mercosul). Fomos até o Correio del Fin del Mundo, para em troca de alguns dólares - 2 ou 5, não lembro ao certo - obter o carimbo no passaporte. Lá vimos a lancha sendo carregada com cartas e postais e deixando a margem do lago. Fizemos a Senda Costera, que margeia a Bahia Lapataia. Entretanto não fomos até Puerto Arias, indo somente até a Laguna Negra e retornando no penúltimo ônibus.
       

       
      PUNTA ARENAS
      30/12. Ushuaia-Punta Arenas. Saímos cedo para pegar o ônibus para Punta Arenas. Os ônibus saem de um pátio na Av. Maipú, entre as ruas 25 de Mayo e Fadul. Nosso ônibus saiu às 5:30. Viagem longa mas com belas paisagens, clipes de músicas românticas e de sofrência que fariam Pablo sentir inveja, e passagens de fronteira com guardas mais preocupados com seu Whatasapp do que com as imagens do Raio X. Chegamos em Punta Arenas perto das 18h e fomos providenciar Câmbio. Há duas casas de câmbio próximas ao ponto de parada do ônibus. Na verdade, ficam na mesma quadra/rua (Colón) da oficina da Bus Sur. Câmbio feito, fomos providenciar a passagem para Puerto Natales na Bus Sur, ao custo de $6.000. Ao lado do balcão da BusSur há um balcão de empresa de turismo. Nosso plano era fazer a Pinguinera clássica (ilhas Marta e Magdalena), entretanto o atendente nos ofereceu o passeio do Pinguim Rei, dizendo que era mais completo, sendo possível avistar lobos marinhos e baleias. Enquanto a Pinguinera custava $35.000, o passeio do Pinguim Rei custava $60.000 ($12.000 são pagos na entrada da reserva). Com certa relutância mas confiando no vendedor, acabamos comprando o passeio do Pingüim Rei, que na verdade, se mostrou não um passeio mais completo, mas um completamente diferente da Pinguinera e da propaganda feita. Explicarei nos próximos parágrafos.
       
      Saímos da BusSur e fomos em direção ao hostel que havíamos reservado, o Samarce House. Depois de andarmos alguns bons minutos e não encontrarmos, resolvemos pedir ajuda em uma lavanderia. A dona da lavanderia foi bastante solícita, tentando inclusive ligar para o hostel, sem sucesso. Ao ver a foto da fachada do Hostel, ela percebeu que se tratava de uma casa ali perto e descobrimos que o endereço na internet estava errado. O Hostel fica, na verdade, na Av. España, 940. Ao chegarmos achamos o local com cara de abandonado, uma perfeita casa para um filme de suspense ou terror, mas o lugar é aconchegante e limpo. O café da manhã é reforçado, servido, pelo menos num dos dias que lá ficamos, pelo próprio senhor Samarce, um sujeito simpático e conversador. A diária lá custou $11,000. Recomendo!
       
      Deixamos as malas e pegamos um táxi ($2000) até a zona franca, pois pensávamos em comprar alguma coisa, mas só compramos o gás para Torres del Paine. Confesso que esperava maior variedade de marcas e produtos, mas algumas coisas realmente valem a pena lá, como por exemplo, as barracas Doitê. Aproveitamos e fomos ao mercado ao lado comprar a janta e suprimentos para Torres del Paine, e saímos de lá no fim do expediente. A essa hora há poucos táxis e poucos ônibus. Felizmente demos sorte de encontrar um taxista ainda no estacionamento e voltamos até o centro da cidade ($2350). De lá seguimos a pé até o Hostel e por lá ficamos.
       
      31/12.
      Eram por volta das 7:30 quando o ônibus que nos levaria à pinguinera chegou. Fomos muito bem recepcionados pelo motorista e dono da agência, um sujeito bonachão, simpático e divertido, e o guia. Passamos buscar os demais participantes e aí seguimos. Como mencionei acima, este é um passeio completamente diferente do oferecido pelo vendedor, e completamente diferente da Pinguinera das ilhas Marta e Magdalena. O passeio foca em dois temas: a história do povo Selknam, um dos povos originais da ilha e exterminado pelos colonos, e no Pinguim Rei. É de fato interessante, mas passa-se muito mais tempo na van do que qualquer outra coisa. Cruza-se novamente o Estreito de Magalhães e retorna-se à Isla Grande de Tierra del Fuego, em direção ao município de Porvenir, onde há um pequeno mas interessante museu. Lá o guia contou sobre a história da região, realmente interessante, mas pesada e sanguinária e não consta nas páginas oficiais do Chile. O povo Selknam foi exterminado com direito à caçada e troca de orelhas, cabeças e seios por dinheiro, tendo a última representante falecido nos anos 60 ou 70. De lá segue-se para a Reserva do Pingüim-rei, com uma parada em uma panificadora, onde comprei uma deliciosa empanada por $1000. A partir daí é estrada e mais estrada, até chegar na reserva, que é privada. O pinguim-rei (Aptenodytes patagonicus) está voltando a colonizar a região da Bahia Inútil após ter sumido devido à caça e captura. Os bichos são realmente belos, sendo a segunda maior espécie de pinguins, atrás apenas do pinguim-imperador, (aquele do filme Happy Feet). Ao contrário da pinguinera clássica, aqui há cercas que delimitam a área onde o turista pode ficar, sendo impossível o contato direto com os animais, o que é positivo para não prejudicar a recolonização e não influenciar o comportamento ou saúde dos animais De lá, retorna-se para Punta Arenas, cruzando novamente o Estreito, o que dessa vez foi recompensador pelos vários golfinhos-de-commerson (Cephalorhynchus commersonii), com seus saltos e mergulhos sincronizados. Minha opinião sobre o passeio: É um passeio interessante, mas caro. Se o amigo leitor dispõe de tempo e dinheiro, ou quer muito ver essa espécie, que vá, pois é uma oportunidade única de vê-la. Caso tenha apenas um dia, como nós, e seu objetivo é chegar mais perto dos animais e tirar selfies, o passeio das ilhas Marta e Magdalena valerá mais a pena, além de ser $25.000 mais barato, um dinheiro que faz falta numa viagem. (http://www.pinguinorey.com/index.php ; http://turismoselknam.cl/)
       

       

       

       
      Retornamos a Punta Arenas próximo das 20 horas. Depois de tomar banho e descansar um pouco, começamos a pensar no que faríamos na noite de Reveillion. Decidimos por jantar e depois ir para a festa de virada na avenida. Entretanto, não foi fácil encontrar restaurantes aberto e com mesas disponíveis, pois os poucos necessitavam ter feito reserva. Acabamos encontrando o Submarino Amarillo, na Colón, e por lá ficamos. O local é um bar e restaurante, e também hotel, com temática rock´n´roll clássica e recebe apresentação de bandas. Pedi um salmão com purê de batatas e uma coca-cola, ao custo de $11.700. Indico o lugar.
       
      Saímos do bar rumo à concentração de pessoas. O clima no local estava agradável, bastante familiar. No microfone, o mestre de cerimônia animava o público, perguntando volte e meia quem iria “carretear hasta las 5 de la mañana”, ao que o povo respondia alegremente. Depois da contagem regressiva, dos fogos e da comemoração, uma banda local animou a festa, tocando inclusive IlarilariÊ. Para nossa surpresa e contrariando o discurso anterior, às 1h da manhã a música cessou, o mestre de cerimônia encerrou a festa e o povo foi para as suas casas. Voltamos ao hostel, arrumamos as mochilas e dormimos.
       
      PUERTO NATALES
      Partimos de Punta Arenas rumo a Puerto Natales no ônibus das 10 da manhã e chegamos por volta das 13:30. Assim que desembarcamos, fizemos o que todos devem fazer de imediato: providenciar o translado até o Parque Nacional. Apesar de termos planejado iniciar o circuito pela manhã do dia 02, decidimos pegar o ônibus das 14:30 para Torres del Paine, pois ainda precisávamos comprar mantimentos. Tomamos essa decisão tranquilamente pois durante a viagem de Ushuaia para Punta Arenas um holandês que havia feito o O confirmou que, mesmo indo ao parque no ônibus das 14:30, era totalmente possível completar o primeiro trecho ainda com luz. Conseguimos por $12000 negociando na Via Paine (O preço normal é $15000). Negociando desconto em outra empresa, me responderam sarcasticamente que se eu não quisesse comprar não teria problema, pois os ônibus sempre partem cheios, outros comprariam. . De lá caminhamos até nossa hospedagem, Hostal San Augustin, o qual não recomendo. A diária custa $13.500, com café da manhã fraco. O lugar não é ruim, é limpo, confortável, mas o tratamento é péssimo. Além disso, só faltava cobrar para respirar. Cobravam $500 ou $1000 pesos por dia, por mala no locker room. Existem opções melhores, como por exemplo, o Lili Patagonicos, no qual fizemos reserva para quando regressamos do Parque e o qual recomendo fortemente. O preço é $12.000 em quarto com 4 camas e banheiro, café da manhã bastante reforçado, wifi. Ótima estrutura e atendimento. Além disso, o locker room é gratuito e nos permitiram deixar o resto da bagagem lá enquanto percorriamos o Circuito O, obviamente com pagamento de 50% da diária. Lá eles também alugam e compram bons equipamentos para trekking por um bom preço.
       
      Almoçamos no Restaurante Marítimo ($9.250 o prato principal mais bebida). Lá também é servido menú completo por $4.000. Recomendo, assim como recomendo outro restaurante, o Carlitos, que serve um Menu mais saboroso e reforçado por cerca de $5.000 se não estou enganado.
       
      Depois do almoço no dia 01, fomos até a Kallpamayu, loja na qual reservamos por email a barraca que levaríamos para Paine. A loja é boa e foi uma das que me passou mais confiança. Pegamos uma Doité Aconcágua para 3 pessoas, por $ 6.500,00 o dia (depois de negociar). A barraca era grande o suficiente para nós três e seria uma boa casa para os próximos 7 dias, além de que dividiríamos o peso.
       
      No dia 02 pela manhã aproveitamos para comprar o restante dos mantimentos e eu aproveitei para comprar um capacete de escalada também na Kalpamayu, pois o preço estava compensando. Para quem está procurando equipamentos, os preços são bem convidativos. Almoçamos no Carlitos e às 14:30 partimos para o Parque.
       
      CONTINUA...
    • Por maizanara
      Este post é um relato sobre o auge de nossa viagem pela Patagônia: o Parque Nacional Torres del Paine (TDP),  símbolo da beleza exuberante da Patagônia Chilena e o destino dos sonhos dos amantes da natureza de todo o mundo. Vamos contar como foram os 5 dias de trekking, o famoso Circuito W.
      Tem muitas outras informações no meu blog: www.calangosviajantes.com.br
      Veja as fotos desta aventura AQUI. Tem um post com os custos desta viagem AQUI e outro sobre como fazer as reservas AQUI.
      Acompanhe nossas aventuras no Facebook ou Instagram
        Relato do trekking realizado de 12 a 16 de Janeiro de 2017. Dia 1 - atento às regras
      Caminhamos desde o nosso hostel em Puerto Natales até a rodoviária. Compramos a passagem no próprio hostel. Existem várias empresas que fazem este percurso e não há diferença significativa no valor.
      A rodoviária fica lotada de trilheiros com suas mochilas enormes! Todos muito animados para a trilha de suas vidas. Durante o percurso até a entrada do parque é possível ver os guanacos pulando as cercas e a linda cadeia de montanhas ao fundo.
      Na Portería Laguna Amarga enfrentamos uma longa fila para preenchermos o termo de compromisso e pagarmos a taxa de entrada.
      É necessário assistir um pequeno vídeo com informações gerais e as regras do parque. Uma das mais importantes: não é permitido fazer fogo fora das áreas delimitadas(!!!). Entramos em outro ônibus (valor já incluso) que nos levou até a Portería Pudeto.
      Fomos os últimos a pegar o catamarã que cruzou o Lago Pehoe. A viagem não poderia iniciar de melhor maneira, à nossa direita, o imponente Los Cuernos! Compramos o bilhete do catamarã durante o trajeto.   Chegamos ao Refugio Paine Grande sem reservas e por sermos os últimos a chegar no camping, as meninas da recepção nos deixaram ficar. Muito obrigada, meninas! (AVISO: aconselho fortemente que você não faça isso!! Neste post falamos como fazer as reservas)
      Armamos a barraca, deixamos nossas mochilas e fomos apenas com a mochila de ataque até o mirante Grey. Muito cuidado com as comidas deixadas nas barracas, a raposa-colorada (Lycalopex culpaeus) adora lanchinhos fora de hora. Infelizmente, o que mais me impressionou neste percurso não foi a linda paisagem ao meu redor, mas o resultado do maior incêndio florestal do Chile em 2012: 18 000 hectares  queimados. Uma tristeza  ver as marcas desta grande tragédia e por isso repito: siga as regras do parque, não faça fogo nem use seu fogareiro fora das áreas destinadas. Precisamos cuidar e respeitar a natureza. Aquele lugar é espetacular e todos têm o direito de visitá-lo e apreciá-lo. Depois de quase 3 horas de caminhada e muito vento no caminho, chegamos aoMirador Grey. O tempo estava bem fechado. A geleira Grey se misturava com o céu e não dava para saber onde terminava a geleira e começava o céu. A geleira é um local impressionante! Dia 2 -  café com montanha
      Após uma noite de muito vento (dica: monte muito bem sua barraca!), tomamos café na cozinha do acampamento com uma vista incrível, arrumamos tudo e saímos.
      Logo no início da trilha, na Portería Lago Pehoe, o guarda-parque pediu para ver nossa reserva impressa do acampamentoItaliano, reservas confirmadas, pé na trilha! A cadeia de montanhas Los Cuernos estava bem escondida, mas conforme nos aproximávamos dela, mais ela aparecia, e uma caminhada de 2,5 horas, fizemos em incríveis 4,5 horas. Haja foto!
      A alegre chegada ao acampamento Italiano é anunciada pela ponte que temos que atravessar e deu um medinho! Como venta muito, ela parece bem instável. Fizemos o check-in no acampamento, conversamos com os guardas e fomos preparar nosso jantar.
      Decidimos não fazer nenhuma outra trilha neste dia pois a trilha para o Mirador Britanico fecha às 17h e a do Mirador Frances às 19h. E quando digo que a trilha fecha, ela fecha mesmo, pois um dos guardas percorre a trilha até o final para garantir que não há mais ninguém na trilha (todos os dias, imagina!).
      Dia 3 - doce ilusão
      O vento faz parte da Patagônia, aceite! Eu acordei assustada a noite, pois dormíamos debaixo da copa das árvores e o vento balançava seus galhos com força. E o medo daqueles galhos caírem sobre nós?
      Não, nenhum galho caiu, ufa! Deixamos nossos pertences no acampamento e seguimos em direção ao Mirador Britanico com nossas mochilas de ataque. Todo mundo larga suas mochilas no acampamento, isso é bem normal (também algo que tive que aceitar me acostumar). Quando chegamos ao Mirador Frances o tempo já estava muito fechado, andamos mais um pouco e decidimos voltar, afinal não conseguiríamos ver nada mesmo. Ficamos sentados um tempo esperando por uma avalanche no topo das montanhas, que também não aconteceu...
      Mesmo assim estávamos só felicidade, afinal estávamos a caminho do Refugio Los Cuernos, onde passaríamos a noite em uma linda cabana de madeira na beira do lago.   Sim, foi puro luxo! Não temos dinheiro para Não ligamos para luxo quando o assunto é hospedagem, mas há anos atrás vimos uma foto no Facebook de um casal em um ofurô com uma paisagem de tirar o fôlego ao fundo. Escrevemos para a pessoa que postou a tal foto perguntando onde era: Refugio Los Cuernos.
      Deste dia em diante, não tiramos mais aquela imagem da cabeça e estava decidido: iríamos naquele ofurô e ponto final. Não era nossa intenção ficar na cabana, mas no site estava bem claro: somente hóspedes das cabanas tinham acesso ao ofurô. Bem, com muita, mas muita dor, reservamos a tal cabana e sonhamos com este dia desde então. Parte deste valor eu havia ganho de presente de aniversário, muito obrigada Celzinha!
      Na trilha para o Refugio Los Cuernos, o sol finalmente resolveu aparecer de forma muito marcante, acentuando ainda mais a cor da lagoa. Para quem está fazendo o W invertido é descida na maior parte. Eu senti por quem estava subindo... Na minha opinião o trecho de trilha mais lindo! O vento intenso levantava a água da lagoa e até DOIS arcos-íris se formavam na nossa frente ao mesmo tempo, arrancando gargalhadas dos dois bobos incansáveis ao admirar tamanha beleza.
      Então, finalmente chegamos às cabanas e, ansiosos, vimos de longe o tal ofurô. Corremos para checar o tão sonhado ofurô de perto. Mas o que encontramos foi uma placa: MANUTENÇÃO!   Mas que #@$%&! Ficamos muito putos, bravos, arrasados tristes com a notícia, afinal estávamos esperando há anos por aquele dia, mas não tinha nada que pudéssemos fazer. A cabana era linda, tinha uma lareira, toalha limpinha, cama fofinha e chuveiro gostoso!
      Fomos conhecer o refúgio, admirar o Los Cuernos e conversar com nossos amigos e quando retornamos encontramos uma garrafa de vinho chileno e alguns docinhos. A princípio, tive a certeza que havia sido o Antonio quem preparou aquela linda surpresa (tipo cena de filme mesmo! Imaginem que romântico: uma cabana de madeira, um vinho, lareira e aquela vista incrível). Ele perdeu a chance de ganhar muitos pontos (e na sequência perder muitos mais, é claro) ao não confirmar que havia sido ele - não foi, acreditamos que foi a forma do refúgio se desculpar por destruir nossos sonhospelo inconveniente. Após muitas risadas e desapontamento (nunca vou esquecer da cara do Antonio não conseguindo confirmar que havia sido ele o autor da ideia romântica) aproveitamos o delicioso vinho. Dia 4 - meu querido saco de dormir
      A noite na cabana não foi tão tranquila quanto imaginávamos, o vento era tão forte que parecia que a cabana se desmontaria. Não sobrou dinheiro para queríamos comprar a pensão completa no refúgio, fizemos nossa comida na mesma cozinha reservada para o pessoal do camping.
      Seguimos rumo ao acampamento El Chileno. Neste dia enfrentamos as 4 estações do ano, inclusive chuva. Existe um cruzamento, e você pode optar por ir para o Hotel Las Torres ou um atalho para o acampamento - é claro que optamos pelo atalho!
      No caminho vimos os bombeiros resgatando alguém em uma maca, ficamos muito assustados (depois ouvimos boatos de que a menina havia torcido o tornozelo - o que a impossibilitou de terminar a trilha, por isso todo cuidado é pouco).
      Chegando no refúgio, fizemos o check-in e fomos procurar uma plataforma para colocar nossa barraca. Dica: chegue o mais cedo que puder e coloque sua barraca, as plataformas estão colocadas num barranco, e se estiver chovendo (como estava) o chão molhado quase te impedirá de chegar em sua barraca sem cair alguns tombos.
      O jantar no refúgio foi extremamente agradável, nada de macarrão com vina, ou salsinha como vocês dizem. Entrada, prato principal e sobremesa, tudo com raio gourmetizador ativado! Não havia opção de reservar o local de camping sem todas as refeições inclusas (sim, eles são bem espertinhos).
      Ficamos na área de convivência do refúgio até tarde conversando, quando nossa amiga Tânia chega desesperada dizendo que estava entrando água dentro da barraca dela. Conseguimos alguns sacos de lixo e o Antonio foi ajudar o Beto com o "pequeno" problema. Logo em seguida entra outro trilheiro com seu saco de dormir completamente encharcado, eu entrei em desespero! Já imaginei meu saco de dormir molhado, seria o fim (que exagerada!). Pedi ao Antonio que conferisse se nossa barraca estava molhada, e para minha alegria, tudo estava completamente seco. Dia 5 - sonho realizado
      Antonio nunca havia visto neve e sempre falou que se fosse para ver neve, que fosse na montanha. Estávamos tomando café no refúgio quando vejo um ser saindo correndo gritando "Está nevando, está nevando". Parecia uma criança vendo neve pela primeira vez - e na montanha, como ele havia sonhado!
      Eu não fiquei assim tão feliz, afinal isso significava que o tempo estaria fechado nas Torres - e como eu queria ver aquelas meninas!  Tomamos um café super reforçado (incluído em nosso pacote) e seguimos a trilha até às Torres. Ao contrário dos outros dias, neste caminhamos muito rápido e os joelhos reclamaram um tanto (DICA: se puderem fazer a trilha no seu tempo, sem correr, é melhor. Fizemos isso todos os outros dias e não sentimos dor alguma).
      A trilha é pesadinha, mas isso não impede que jovens, crianças e idosos a façam, cada um no seu ritmo, no seu tempo. Eu não sabia quem eu admirava mais, se as famílias com crianças ou o grupo dos mais experientes. Quando fomos chegando pertinho da lagoa o coração foi acelerando. O Antonio foi na frente e lá do alto chamou minha atenção ao gritar uma linda declaração <3.
      Quando finalmente meus olhos encontraram as meninas (as Torres) não pude me conter de emoção - me faltam adjetivos para descrever a beleza deste local. Encontramos nossos amigos Daniel, Daniela, Beto e Tânia lá no topo, foi uma delícia compartilhar aquele momento com nossos novos amigos.
      Mas foi o tempo de contemplarmos a paisagem, tirar algumas fotos (nossa e da Maiza, coitado do Antonio) que o tempo virou completamente. As nuvens encobriram o céu azul e as Torres, e a neve começou a cair - "não era neve que você queria Antonio?"
      Muita neve! O vale também ficou completamente encoberto. A emoção de completar o circuito W, nossa primeira travessia, foi indescritível. Sensação de superação e eterna gratidão.

      Veja as fotos desta aventura AQUI.
      Escrevi um post com os custos desta viagem AQUI.
      Bons ventos!
       
       
    • Por VitorFTM
      Bom pessoal, depois de deixar de relatar diversos mochilões porque demorava a escrever e esquecia muuuuitas informações, resolvi começar logo o relato dessa trip que eu e meu amigo (Diego) fizemos para esse lugar absolutamente incrível que possuímos aqui do ladinho de nossas casas!!!
      O objetivo desse relato não é apenas o de passar as informações, mas de tentar MOTIVAR o maior número de pessoas a irem a esse local que é FANTÁSTICO e que AINDA (mas em processo de) não é sugado pelas empresas.
      Fiquem a vontade para tirar QUAISQUER dúvidas. Se algo ficou meio difícil de entender, só falar que tento explicar de outra forma
       EDIT 1 (28/07/18): ADICIONADO MAPA DA TOPOGRAFIA E DISTÂNCIAS

      Nesse mapa abaixo, as estrelas vermelhas são os possíveis locais de entrada no parque. Exceto a seta que está escrito "Camp Fracês", que é um acampamento que não estava plotado no mapa!
       
       
      O QUE LEVAR?
      Pra dar um norte a alguns que não tem ideia do que levar, aqui vai a lista do que levei e do que poderia ter deixado para trás ou levado a mais:
      - Mochila Quechua de 75L;
      - Mochila de ataque levada no peito (não façam isso de levar uma mochila na frente, por favor kkkkk. Foi a pior burrice por um lado, mas por outro a câmera estava a todo momento protegida e de fácil acesso. Todavia, se eu voltasse lá, não faria isso kkkk);
      - 2 bastões de caminhada (ajudam ABSURDO, ainda mais para passar em determinados locais inundados ou com barro);
      - Comida liofilizada Moutain House (MUITO boa, mas não é fundamental), salame, chocolate, frutas secas + amendoim;
      - Barraca Azteq Nepal 2 (frente a outras que vimos por lá, aguentou ABSURDAMENTE bem);
      - Isolante inflável Thermarest;
      - Saco de dormir North Face Aleutian (Conforto: -3ºC, Limite: -9ºC e extremo: -28ºC. Um bom saco de dormir faz sua noite ser absurdamente agradável. O Diego usou um que não era para temperaturas tão baixas e passou algumas noites de desconforto);
      - Capa protetora da mochila (que se foi com o vento e é desnecessária. Como já tive vários estresses despachando mochilão, resolvi colocá-la para despachar e passei um rolo de papel filme – aqueles de comida mesmo – em volta, mas não adiantou. A proteção já chegou com alguns furos no destino);
      - Fogareiro JetBoil (muito bom pra economia de gás, praticidade, fazer um chá/café de forma bem rápida (e na “potência” mínima do gás), levando de 2 a 3 minutos para ferver 400ml de água com temperatura entre 0 e 5ºC);
      - Corta vento (superior e inferior);
      - Máscara facial + touca (grazadeus o Diego tinha um sobrando, pois esqueci o meu rsrs)
      - Luvas (nos salvou de voltar para casa com todos os dedos, mesmo que ainda não estejam 100%);
      - 2 Fleece (um eu nem usei e sumiu L. Ou seja, 1 dá conta do recado)
      - 15 cuecas (-.- ... isso se deve a um aperto que passei em uma viagem, mas TOTALMENTE desnecessário essa quantidade. Umas 5 ou 6 já está ótimo);
      - Calça térmica (te permite usar uma bermuda por cima, daí nos locais que começa a esquentar demais – dentro de florestas –, fica bom, não aquece muito);
      - Duas bermudas (aquelas de academia – uma seria o suficiente);
      - 6 Camisetas (3 ou 4 seriam suficientes);
      - Botas de caminhada (ajudou MUITO. Não faria de forma diferente);
      - Chinelos (ao chegar ao acampamento, ajudam a deixar o pé “respirar”);
      - Óculos de sol
      - Kit Emergência (diversos remédios, agulha e linha “cirúrgica”, tesoura, pinça, etc);
      - Kit Banho + creme hidratante (Isso ajuda MUITO a noite antes de dormir. A pele fica absurdamente seca devido ao vento incessante)
      - Protetor Solar (Não usamos muito, mas dependendo do dia pode ajudar bastante);
      - Chapéu pra proteger do sol (nem encostei nele, kkkk. Era o tempo todo de touca e máscara);
      - Lanterna de cabeça (Foi totalmente desnecessária, mas numa emergência pode ajudar. Lá temos em torno de 16h de luz, então 22:30h ainda está relativamente claro);
      - Kit de fotografia (T5i, 18-55mm, 70-200mm, limpa lentes – importante -, duas baterias – não foi nem metade de uma –, carregador, adaptador, 2 SD card de 16 gb cada e 1 de 32 gb. No total foram umas 1300 fotos em .RAW)
      - Sugiro colocar separadamente as coisas de dentro do mochilão em SACOS DE GELO, isso mesmo. Tudo ficará impermeabilizado e você não terá que se preocupar com isso pelo resto da viagem (lógico que eu não fiz isso – vacilei –, mas o Diego fez e teve uma tranquilidade absurda com relação à chuva durante todo o circuito).

       
      A MOTIVAÇÃO:
      Essa vontade de conhecer Torres del Paine veio depois de fazer um mochilão pela Patagônia (chilena e argentina) há 4 anos atrás. Eu e minha esposa fizemos algumas trilhas em El Chaltén, visitamos El Calafate, etc.
      Durante as pesquisas, me interessei por TdP, mas como estávamos com pouco tempo para esse mochilão, resolvemos deixar para outra vez, mas JUREI que iria voltar e fazer o circuito O um dia.
       
      AS EMPRESAS:
      Vocês não podem deixar de saber que antes de ir pra lá, vocês precisam de antecipação, planejamento e muita, mas MUITA paciência.
      Lá existem 3 empresas para se reservar as áreas de camping ou os “lodges”. São elas: Fantástico Sur, Vértice Patagonia e CONAF, sendo esta última governamental e responsável pela gestão de vários parques nacionais, incluindo TdP.
      Definidas as datas dos voos de ida e volta, começamos a correr atrás das reservas dos campings. Nesse ponto, vale um adendo:
      ·        O Circuito O só pode ser feito no sentido Anti-horário. Logo, deve-se fazer as reservas dos campings nesse mesmo sentido.
      Conseguimos fazer as reservas com a Fantastico Sur sem problema algum. Não havíamos decidido por nenhum acampamento da CONAF (que são de graça, todos). As reservas que faltavam eram apenas as da VERTICE PATAGONIA e é aí que começa a dor de cabeça.
      Um a dois meses antes da viagem, começamos a fazer as reservas. Inicialmente a Vertice estava com a página em manutenção. Ao voltar, possuía um sistema de reservas pelo próprio site, mas que desde o primeiro dia (literalmente), não funcionava. Então, a outra forma seria enviando um e-mail com o número de pessoas, data e locais que gostaria de reservar e, se eles lessem o seu e-mail, te responderiam com o passo-a-passo para realizar o pagamento. Bom, enviávamos o e-mail e nada. Como foi chegando o dia do voo de ida, começamos a procurar informações no Tripadvisor e lá uma pessoa havia informado que eles possuíam mais 7 e-mails. Começamos a bombardeá-los com e-mails, mas não obtivemos nenhuma resposta (havia a confirmação de leitura, mas não nos respondiam).
      Apesar de vermos várias pessoas mudando as datas da viagem ou até cancelando o voo, decidimos ir e lá procuraríamos a agência física da empresa (nem o telefone eles atendiam). Caso não conseguíssemos fazer a reserva pela Vertice, faríamos apenas o circuito W (que já estava reservado pela Fantastico Sur) e iríamos para El chaltén, uma cidadezinha argentina bem pequena e aconchegante que fica a 400km de Puerto Natales e que tem vários trekkings de dificuldade variada e de vários dias, ou seja, tem para todos os gostos!
        
       
      Dia 1 – Porto Alegre – Punta Arenas – Puerto Natales
      Embarcamos em POA para a conexão em Buenos Aires e Santiago com a ideia firmada que iríamos tentar chegar à cidade e ir à agência física da Vértice (o Google informava que estava permanentemente fechada e não atendiam o telefone. MAS, não confiem nesse tipo de informação do Google!!!).
      Bom, como desgraça pouca é bobagem, o voo de POA para Buenos Aires atrasou e perdemos a conexão para Santiago!!! Maravilha, que mais podia dar errado?! Maaas há males que vem para o bem! Nesse meio tempo de espera no aeroporto de Buenos Aires enviamos mais um e-mail para essa maldita empresa e embarcamos para Santiago. Eis que, ao pousar em terras chilenas, abrimos o e-mail e vimos uma resposta dizendo que nossas reservas estavam feitas mas para garanti-las teríamos que pagar em 48h. Como chegaríamos em Puerto Natales no dia seguinte, deixamos para efetuar o pagamento in loco e não ter mais nenhum estresse.
      Aqui vale ressaltar sobre a aduana chilena que são bem chatos com comidas e/ou qualquer coisa de origem vegetal ou animal (eu já havia sentido na pele isso alguns anos atrás). Sabendo disso, resolvemos declarar o que trazíamos e deixar que eles decidissem. Foi nessa que o Diego perdeu 5 salames que estava trazendo para o circuito. Segundo o fiscal, o salame era defumado e só poderia entrar se fosse COZIDO. Comigo ele perguntou o que eram as comidas liofilizadas e eu disse que eram como o macarrão instantâneo (vulgo miojo ahaha). Mesmo fazendo uma cara de desconfiado, deixou passar.
      Passamos a noite no aeroporto de Santiago e embarcamos pela SkyAirline para Punta Arenas.
      ·        Sugiro, quando forem pegar voos domésticos no Chile, procurar por esta empresa. Apesar de não darem nenhum lanchinho (kkkk), pagamos US$120,00 Santiago-Punta Arenas (ida e volta/pessoa).
      Ao chegar no aeroporto de Punta Arenas, havia um ônibus indo para Torres del Paine direto do aeroporto, mas não tínhamos pesos chilenos suficientes (deixamos de trocar no aeroporto de Santiago e no de Punta Arenas não tem casa de câmbio. Aquela famosa economia porca, pois poderíamos ter trocado o suficiente para o ônibus e, em Puerto Natales, trocaríamos o resto). Então, saímos perguntando o preço para ir para o centro da cidade e ouvimos dois israelenses pechinchando com um taxista. O Taxista pedia 10.000CLP. Sugerimos que dividíssemos o valor em 4 pessoas e todos aceitaram.
      ·        Em Punta Arenas não existe uma rodoviária única a todas as empresas. Cada uma possui a sua “estação”, a sua garagem e você precisa ir naquela que irá pegar o ônibus.
      Ao chegar à cidade, trocamos R$900,00 a 190CLP/real, uma boa cotação e que não acharíamos mais. Todavia, a cotação do dólar pouco variou de Punta Arenas para Puerto Natales (algo em torno de 5 a 10 pesos/dólar).
      Trocamos o dinheiro e saímos correndo para a Buses Fernandez. Por sorte, o ônibus ainda não havia saído. Acabara de fechar as portas, apenas. Pedimos pelo amor de deus para que abrissem e nos deixassem entrar kkkkk. Com cara de bravo, deixaram.
      Durante o trajeto havia wi-fi no ônibus, mas era pago. E caro.
      Nos cobraram 8.000 CLP/pessoa o trecho. Todas as empresas giram em torno disso, não tem muita diferença não.
       
      Chegamos em Puerto Natales 3 horas depois, numa viagem LINDA. Sugerimos que se mantenham acordados hehehehe. Deixamos nossas coisas no hostal Vaiora, que já estava reservado (US$20/pessoa). Um hostal bem simples, mas limpinho e aconchegante.
       
      Erramos o caminho ao chegar. Começo do treinamento. Andamos 1km para o lado errado, mais 1km para voltar, mas pelo menos vimos esse fucking Dog fotogênico hahaha

      ·        Vale lembrar que ao pagar em dólar, não existe a necessidade de pagamento de 19% do IVA (desde que mostre o papel que recebeu na entrada ao país), um imposto que eles deixam passar para incentivar o turismo e para aumentar a quantidade de dólar americano no mercado chileno.
      Na sequência fomos direto à Vertice fazer o pagamento da reserva (fica na Calle Manuel Bulnes, 100. Há duas, mas a certa é essa). Ao chegarmos, os atendentes estavam lá tranquilões, como se nada estivesse acontecendo. Milhares (literalmente) de pessoas desesperadas e eles super de boa, mas ok. Dissemos que queríamos fazer o pagamento da nossa reserva para o circuito O. Inicialmente a atendente não levou a sério (não acreditou que tínhamos a “autorização” daquela reserva), então mostramos o e-mail deles próprios. Pagamos e fomos fazer as compras de equipamentos que nos faltavam.
      Compramos um bastão, caneca com mosquetão (super indico. A caneca era FODA. Não sabemos dizer como, mas as bebidas quentes que fazíamos nela simplesmente NÃO PERDIAM CALOR hahahaha. Também pela facilidade de deixa-la pendurada e a qualquer água corrente que víamos no circuito, parávamos para beber), poncho da NTK (pelo amor de deus, não comprem isso!!! Material de péssima qualidade. Rasgou inteiro nos 20 primeiros minutos de trekking) e gás. Aproveitamos para passar no supermercado e na loja de frutas secas para comprar as guloseimas que faltavam.
      ·        A loja de frutas secas é excelente! Tem muitas variedades e num preço bem acessível. A loja chama Itahue e fica na Rua Esmeralda, 455B.
      Voltamos para o hostal, deixamos tudo, tomamos um banho e saímos para jantar. Mandamos uma pizza, mas cabiam duas kkkkk. Voltamos para arrumar as mochilas e dormir.
       
      Dia 2 – P. Natales – Torres Del Paine (1ª noite: Camping Serón)
      Pegamos o ônibus na rodoviária por volta das 07:30 e chegamos na entrada da Laguna Amarga umas 9:20. Ao chegar, todos devem desembarcar do ônibus e fazer a entrada no parque. Nessa etapa, pega-se uma fila enorme (todos os ônibus chegam juntos). Se der sorte de ser dos primeiros ônibus, ótimo, caso contrário vai esperar um pouquinho.
      Caminho para TdP:

      Após todos fazerem a entrada e o pagamento (21000CLP ou uns US$35 – aceitam os dois), todos devem assistir a um vídeo de 2 minutos aproximadamente, falando tudo o que pode e o que não pode fazer no parque, inclusive o valor e pena das transgressões. Após isso, todos voltam para os ônibus. Os que vão ficar na Laguna Amarga já podem pegar suas mochilas e iniciar o trekking ou então pagar 3000CLP para pegar outro ônibus que andará por 15 minutos (7,5km) até a área do Camping Central/Las Torres. Fora isso, o ônibus que estava lá parado espera os que vão para as outras duas entradas (Pudeto ou Sede Administrativa) voltarem para seguir viagem.
      Chegando à entrada da LasTorres tem uma lojinha com alguns artefatos de trekking, para aqueles que esqueceram de algo ou para os que tem muito dinheiro. Desde esse momento percebemos como as coisas seriam absurdamente caras em qualquer lugar dentro do parque!!! Por exemplo, uma coca-cola de lata de 350ml custa 2000CLP, algo em torno de 11 reais. Uma bolacha menor que Trakinas também tem o mesmo valor. A única coisa que eu vi que era RAZOÁVEL de se pagar (mas não era barato), foi no Camping Grey, que tinha um chocolate Prestígio por 500 CLP, algo em torno de 3 reais. Não comprei, me arrependi, pois não haveria outra oportunidade desse tipo kkkkk.
      Bom, começamos então em direção ao Camping Serón.


      É meio complicado de achar o caminho inicial. Não tem NENHUMA placa indicando a direção (algo que constatamos depois, foi que o Circuito O por ser menos procurado/turístico, não tem a mesma infraestrutura do W, mas essa foi a melhor coisa que poderíamos ter! J). Ficamos esperando ver se haveria algum fluxo de pessoas para algum lugar e em alguns minutos achamos o caminho. Começou uma leve subida e, nossa fiel e inseparável CHUVA. Como ainda estávamos sem experiência no que se trata de patagônia, desesperamos e começamos a colocar os anoraks e o bendito poncho (aquele que indiquei para não comprarem). Mas por que comprei essa droga? Para proteger a mochila com material fotográfico que estava no meu peito. Foi só eu colocá-lo e puxar a cordinha do capuz que começou o rasga rasga. Então peguei o que sobrou desta droga e só embrulhei a mochila (6300CLP jogados fora).
      No final do dia iríamos perceber que não precisa desse desespero. A chuva que cai, juntamente com o clima seco e o vento forte, não é o suficiente para molhar. O que molha já seca em segundos/minutos. E todo o resto da viagem foi usando esse aprendizado, ou seja, não colocávamos mais o anorak para proteger da chuva ou neve, mas sim do vento.
      O caminho do Central para o Serón é bem tranquilo. Em alguns momentos tivemos que atravancar pelo mato porque estava impossível de passar pela trilha. Muito barro! Uma das coisas que ajuda a ficar assim é que muitos cavalos vão até o Serón e isso piora absurdamente a trilha, mas nada que impeça de continuar.
      O tempo previsto era de 4h, mas fizemos em umas 5h, fomos bem tranquilos nesse primeiro dia.
      Chegando no camping, largamos as mochilas num canto, definimos onde iríamos montar a barraca, a montamos e fomos comer. Nesse camping existem algumas plataformas para se montar a barraca, mas não sabemos se era para todos ou teria algum preço diferenciado (eu particularmente não gosto. Como é em campo aberto – diferente do camping Francês que só tem plataformas mas é dentro da floresta –, facilita que o vento destrua a barraca se der uma rajada muito forte e entrar por baixo da plataforma, pois ela é como se fosse um estrado de cama).
      Após comermos e descansarmos um pouco, demos uma andada pela área.
      Há um local abrigado para cozinhar, algo que ajuda bastante!!! Os campings que não possuíam isso, juntando-se ao fato de o vento não parar um segundo, faziam com que preparar a comida se tornasse algo trabalhoso e chato, já que é um momento de socializar e descansar.
      Após jantarmos, fomos dormir e, algumas horas depois, começou uma chuva constante que seria nossa companheira até acordarmos.
       
      Pontos negativos desse lugar: Havia UM banheiro e UM chuveiro para mais de 20 pessoas. O banheiro estava em estado deplorável... o chuveiro não sei se era quente. Não tomamos banho esse dia.
      3º Dia – Camp Serón – Camp Dickson
      Bom, deveríamos acordar 06:00h (depois percebemos que era desnecessário), mas ficou uma chuvinha tão boa desde a meia-noite que não conseguimos acordar. Acordamos umas 07:30h e ficamos enrolando dentro da barraca até as 08h. Esse dia andaríamos bastante, cerca de 19km (~6h), mas o nível de dificuldade era tranquilo, uma vez que a maior parte seria com pouca variação de altitude (mínimo de 170m e máximo de 330m).
      Levantamos, arrumamos todas as coisas e deixamos só a barraca por desmontar, torcendo pela chuva parar de cair (o que mais baixava o moral era guardar a barraca com chuva, pqp! Kkkk). Enquanto comíamos, a chuva parou! Como a barraca estava molhada da chuva e de manhã é sempre bem frio, foi difícil enrolá-la, as mãos doíam de tanto frio! Mas vamos que vamooos.
      Nessa parte do circuito o rio Paine nos acompanha a todo o momento pela direita e também tem umas belas montanhas no começo, mas com o tempo nublado pouco conseguimos ver.
       
      Rio Paine:

      É nessa trilha que fica a Guarderia Coirón que vai verificar se você possui reserva no Dickson para poder prosseguir no Circuito O. Não possuindo, o guarda parque te mandará voltar.
      Paramos diversas vezes para comer, descansar, observar. Como sempre, chega uma hora que o vento cansa, porque não para... então ele te obriga a pegar a trilha novamente hehehe.
      Esse dia foi o primeiro dia que sentimos o peso da mochila. O trapézio já estava pedindo um intervalo. Como só faltavam uns 4km fizemos uma longa parada pra descansar e tirar algumas fotos! Valeu muito a pena...

      O Camp dickson dá pra ver de longe. Fica num lugar bem plano, circundado pelo Rio Dickson. Quase no final da trilha tem um “mirador” que se consegue ver as construções do camping, o lago e o glaciar ao fundo, mas pra chegar lá ainda tem uma subidinha bem tranquila, mas uma descida íngreme. O bonito desse lago é que diversos icebergs se desprendem do glaciar e vem parar pertinho do camping. Com uma boa luz do sol dá pra tirar ótimas fotos!

      Pensamos em brincar um pouco e entrar no lago, mas nessa área o vento é bem mais forte do que havíamos pego até então e como todos sabem, o problema não é NA água, é depois de sair dela kkkkk.
       
      Assim que chegamos fomos ver se tinha água quente e... TINHA! Um lugar bem apertado, mas sem problema algum. Não batia vento!! Kkkk Tomei um banho rápido, montamos a barraca e saímos bater umas fotos e conhecer os arredores. No Camp Serón não lembro de ter nada a venda; já no Dickson tinha alguns biscoitos, chocolates, etc, coisa bem básica mesmo. Nada de refeições.

      Voltando das fotos fomos jantar. Era mais ou menos assim as refeições: eu fazia um pacote liofilizado pela manhã, comia metade no café e guardava a outra metade para a trilha (tem um sistema ziploc na própria embalagem). Durante a trilha comia a outra metade e algumas guloseimas. A noite fazia um outro pacote para a janta e um chá bem quente antes de dormir, elevava o moral ABSURDAMENTE! fikdik heheheh.
       
      Após isso, fomos dormir e já concluímos que a medida que íamos para traz das montanhas (pensando no sentido da chegada), a temperatura diminuía e o vento aumentava. Essa noite o vento castigou, pois é uma região com árvores num dos lados, mas de onde vem o vento não tem nenhuma barreira. Dormimos mal pra caramba, mas logo logo acostumaríamos com o vento.
      Detalhe: No Camping Dickson, não há local abrigado para se fazer a refeição. Existem várias mesas espalhadas, mas nenhuma construção para se abrigar do vento.
       
      4º Dia – Camp Dickson – Camp Los Perros
      Bom, esse dia acordamos com uma tranquilidade absurda. Teríamos que andar apenas 9km, cerca de 4h. Começamos a rotina de arrumar tudo e guardar a barraca. Aproveitamos a manhã de sol para tirar umas fotos do lago Dickson e da geleira ao seu fundo, mas as nuvens como sempre impediam a luz do sol de deixar o lugar mais bonito.
      Café da manhã no Dickson:

      Não faz maaaaal!!! O lugar já era maravilhoso por natureza! 

      Essa caminhada foi excelente. Só o comecinho que pega bastante, pois é uma subida relativamente íngreme e parece que não acaba nunca! 90% da trilha é dentro de bosques, ou seja, algumas horinhas sem o vento de arrancar o couro da gente! A paisagem se alterna entre muitas árvores e as montanhas nevadas ao fundo e quando as copas dão uma brechinha...fica mais ou menos assim:


      Quase chegando ao Camp Los Perros, começa novamente uma subida, mas o problema dessa subida é que é SÓ PEDRA!! Isso acabava cansando um pouco e forçava as articulações. A dica nesse trajeto é fazer com bastante calma e tranquilidade. Fazer algumas paradas ajuda a descansar e a aproveitar a vista! J Esse trajeto é sem vento, mas quando se chega na parte mais alta, aí segurem seus gorros, óculos ou o que tiver solto: ao subir sobre a colina para observar o glaciar Los Perros ao fundo do lago, virá uma rajada de vento que desce da ravina e passa por sobre o lago, atingindo essa colina!
      Já na parte mais alta e pouco antes de chegar ao acampamento, tem uma geleira ao fundo. Pequena, mas com sua beleza. Uma seta dizia que o caminho estava fechado. Fomos ao acampamento deixar as mochilas e fazer o “check-in” e foi nesse momento que o guarda-parque daquele camping falou que o Paso John Gardner estava fechado e não deveria nos deixar passar, mas como já havíamos chegado até ali, seria a mesma distância de voltar e, por fim, acabou nos deixando seguir o circuito.
      Glaciar:


      Como chegamos muito cedo no acampamento e não tinha mais o que fazer, veio o ócio e, todos sabem, “mente vazia, oficina do capiroto”.
      Resolvemos desconsiderar o aviso e fomos até o mirador que fica em frente ao glaciar.
      Perigo, na real, só tem se você der mole. Basicamente é um terreno íngreme com muitas pedras soltas, à beira de uma grande queda. Se for sempre jogando o corpo para dentro do terreno e “sentindo” o chão antes de jogar o peso todo, sem problemas.
      Fomos, voltamos e ficou tudo bem. Seguimos para o acampamento.
      Esse camping é excelente! Não bate um vento, pois fica no meio das árvores. Durante a noite você ouve o vento chegando pelo barulho das copas e espera a hora de atingir a barra (como era em qualquer outro camping), mas a melhor parte é que ele nunca chegava! Hahahah. E você pode dormir tranquilamente.
      A partir desse dia comecei a me “acostumar” com o vento na hora de dormir, mas mesmo assim o sono não melhorou muito.
       
      Essa era a noite que teríamos que dormir o máximo possível e com mais qualidade, pois no dia seguinte seguiríamos até o Camp Grey, que daria um total de 24km (11h de caminhada, pelo mapa), incluindo a transposição do famoso e temido Paso John Gardner.
       
      5º dia – Camp Los Perros – Camp Grey (o dia da emoção)
      Acordamos depois de uma noite relativamente bem dormida. Estava bem frio e chovendo, mas as árvores seguravam um pouco a água. Arrumamos as mochilas e fomos tomar café. Nós já sabíamos que esse seria o dia mais difícil (só não sabíamos que teríamos uma surpresa: uma nevasca) de todo o circuito, então comemos bastante no café da manhã e já deixamos tudo preparado para o meio da trilha.
      Assim que fomos tomar o café, percebemos, em cima de uma das mesas, um verdadeiro BANQUETE, com direito a tudo que imaginarem, TUDO. Naquele momento algo chamou nossa atenção: Meu deus, como alguém resolve trazer tanta comida assim para esse circuito?!?!?!? Nós estávamos contando cada grama de comida e equipamento e eles trazem tudo isso? Bom, foi nesse momento que observamos o seguinte:
      ·        Existe uma forma de contratar uma EQUIPE para fazer esse circuito O com você (ou com um grupo). Sempre vai, junto ao grupo, um guia e um ajudante. Além disso, existem mais 3 “sherpas” (sim, o mesmo nome daqueles que carregam os equipamentos dos que querem escalar o Everest) que só são responsáveis por carregar o geralzão. Como assim? Quando o grupo sai, eles ficam para trás desmontando as barracas, sacos de dormir, etc. Quando terminam, começam a correr (LITERALMENTE) até o próximo camping, para chegarem antes do grupo e montar tudo que tiver que montar. Eles levam quilos e quilos de comida e equipamento, cozinham e preparam lanches para o dia seguinte (separados em sacos ziploc) para cada integrante do grupo. Não temos ideia do quanto se paga por isso, nem perguntamos, mas não deve ser barato...
       
      Após tomarmos café, vimos vários desses guias desmontando as barracas e as levando para dentro do refeitório para que secassem e posteriormente dobrassem. Resolvemos fazer o mesmo.
      Já na saída do camping começam as subidas. Estas, que seriam nossas fiéis escudeiras ao longo de todo esse dia de caminhada kkkkk. Esse comecinho é totalmente dentro de um bosque, então estava bem tranquilo.
      Foi aí que começamos a ver granizo no chão. Já começamos a imaginar que logo logo veríamos neve. Não deu uns 20 minutos e começou a nevar sobre a gente! Maior felicidade kkkk
      À medida que subíamos começamos a ver maior acúmulo de neve, o que começava a dificultar a trilha. Continuamos na trilha que estava bem sinalizada, mas em um determinado momento acabamos pulando uma estaca laranja e chegamos num lugar que passava um rio por baixo do gelo! Já viu né? Frio, água e pé não combinam NADA! Paramos e começamos a olhar em volta... a estaca que então havia sido deixada para trás, estava mais para baixo e fomos até lá para evitar esse rio.

      Após alguns minutos de caminhada, começamos a nos dar conta do quão difícil seria o trajeto: um vento absurdo (ainda algo em torno de 60 a 70 km/h) já dificultava o nosso progresso mesmo sobre pedras e uns 30 cm de neve. E o que acontece quando se junta neve caindo e vento forte? Você não consegue olhar para a frente! O que acabávamos fazendo era seguir a trilha do grupo que estava à nossa frente (cerca de 300m), olhando para baixo, no máximo procurando a próxima marca laranja que indicava o caminho a seguir.
      Continuamos subindo e subindo... Não acabava nunca!!! Víamos o grupo com o guia no topo de uma montanha. Imaginávamos que aquele local seria o Paso ou estaria muito próximo dele, mas não. E pior, toda aquela neve batendo no nosso rosto, aquele vento baixando a sensação térmica e a neve acumulada aumentando, iam deixando o trajeto mais difícil ainda!
      Foi a partir de uma das placas que informa a distância e a elevação daquele local que a “brincadeira” começou a ficar séria...
      Já não víamos mais o grupo (com guia) que estava na nossa frente. As pegadas que deixavam na neve? Já haviam sumido! As estacas alaranjadas estavam começando a ficar encobertos pela neve acumulada. O vento? Só aumentava! Foi nessa hora que a CALMA falou mais alto. Paramos atrás de uma pedra, respiramos, pensamos e comemos. Retomamos a trilha...
       
      À medida que subíamos o vento aumentava numa proporção astronômica! Só conseguíamos olhar para baixo. Ao chegar numa estaca laranja, olhávamos para o horizonte, achávamos a próxima, baixávamos o rosto e íamos olhando para baixo. Lembram da subida? Ainda estava lá!!! Kkkkkk o peso das mochilas deixava TUDO mais difícil. À medida que pisávamos na neve, afundávamos. Na maior parte do tempo eram necessários dois passos no mesmo lugar para conseguir progredir. A neve estava na altura dos joelhos já. Num determinado momento o Diego, que estava na frente, parou e me falou que estava preocupado com suas mãos. Nesse momento, me dei conta que eu também tinha mãos! Kkkkkk a partir daí, também percebi que já não sentia a ponta de todos os dedos, mesmo com a luva. Primeiramente tentei achar o problema, pensando que a luva estivesse molhada, mas não! Era a neve acumulada, juntamente com o vento, que estava baixando a temperatura. Tirei a neve, coloquei as duas mão atrás da mochila que estava no meu peito e comecei abrir e fechar as mãos. Em alguns minutos havia voltado ao normal e falei para o Diego fazer o mesmo. Entretanto, à medida que usávamos os bastões para nos ajudar na neve (e acreditem, eles fazem uma diferença ABSURDA nessa situação), as pontas dos dedos voltavam a doer absurdamente.
      Mantivemos o ritmo. Mais pra cima? Mais TUDO! Mais vento, mais neve... e vocês já sabem. Devido à nevasca não conseguíamos ver além de 15m e aqui deixo a minha crítica ao parque: as estacas que indicam o caminho nesse trecho (O MAIS CRÍTICO DO PARQUE) são escassas. Em alguns momentos você tem que chutar uma direção e ir. O que nos ajudou numa das situações mais críticas desse trecho foi que a neve encobria as pegadas do grupo, mas os buracos dos bastões ficavam visíveis! Seguimos os buracos e logo em seguida achamos o caminho novamente.
      Chegando próximo do Paso, a preocupação com as mãos aumentava, mas outra coisa estava nos tomando mais a atenção: O vento. Simplesmente não conseguíamos avançar!!! Dávamos 3 passos para a frente e o vento nos empurrava 5 para trás ou nos derrubava! Vendo que não conseguiríamos competir com ele, começamos a engatinhar até chegar próximo de uma encosta rochosa onde o vento diminuiu e conseguimos chegar ao outro lado da montanha, aonde vimos o IMENSO Glaciar Grey, em toda sua infinita extensão.


       
      Após passar pelo topo o vento diminuiu consideravelmente. Sabíamos que a partir daquele ponto seria apenas descida.
      A partir de então foi o inverso. Era descida que não acabava mais! Em determinado momento, não era mais possível descer caminhando, de tão escorregadio que estava. Acabamos descendo de esquibunda kkkkkk. Nesse momento, juntamos a alegria de ter sobrevivido com as brincadeiras na neve. Enquanto descansávamos, um dos sherpas estava descendo (também de esquibunda kkkk), parou e nos ofereceu um chá quentinho. Aceitamos e conversamos um pouco. Ele disse que nunca havia visto essa parte do circuito, dessa forma. Era novidade para ele, mesmo já trabalhando nisso há alguns anos.

      Chegamos ao Camp Paso. Tinha uma infraestrutura bem básica. Fizemos um café, dividimos uma caixinha de leite condensado inteiro e recuperamos as energias.

      Energia recuperada, retomamos a descida. Nesse dia meu joelho começou a gritar!! Era descida que não acabava mais...
      Depois de algumas horas de caminhada, chegamos às pontes que são bem conhecidas (as pessoas que fazem o W pernoitam no Grey só para poder subir até essas 3 pontes que tem entre o Camp Paso e o Camp grey). O dono do hostel que viríamos a ficar em P. Arenas trabalhou para a Vértice e disse que antigamente no lugar dessas pontes, haviam escadas. Com o derretimento do gelo, a água descia e levava a escada embora. Assim, os guarda-parques iam lá e colocavam CORDAS temporariamente. Imaginem a dificuldade de subir, através de cordas, com uns 20kg a mais de equipamento, um barranco de uns 6m.

      Felizmente não são mais escadas, mas 3 pontes que balançam MUITO! Como estávamos cansados da travessia, a neve não parava de cair e o vento também não parava de soprar, acabamos passando meio que batido, sem ter apreciado muito bem essa parte.
      Depois de algumas horas de descida chegamos ao Camp Grey.
      Com uma boa infraestrutura, o Grey tinha uma cozinha bem espaçosa e fechada. O banheiro masculino eram duas privadas e duas duchas (chuto que o feminino era a mesma coisa). Bem pouco, pensando que esse Camping faz parte de uma das pernas do W e fica lotado de turistas.
      Mirador no Camp Grey:


       
      Não saiam daí! To be continued... 
      hahahahah
       

    • Por Anderson Paz
      Gosto muito de escrever relatos de viagem (tenho alguns aqui no Mochileiros), mas como já há muitos relatos excelentes aqui e em outros sites, pretendo focar mais em dicas que não são apresentadas geralmente nesses relatos. Todas as dicas são baseadas nas minha experiências pessoais na Patagônia no período de 1 a 18 de dezembro de 2017, passando por Punta Arenas - Puerto Natales - Torres del Paine - El Calafate / Perito Moreno - El Chatén - El Calafate - Rio Gallegos - Punta Arenas.
      Envolverão questões relativas a planejamento de passeios, deslocamentos, compras de equipamentos, gastos durante a viagem, câmbio de moedas e outros.
      Espero que elas ajudem bastante no planejamento e na execução com sucesso de sua viagem.

      Caso queira um roteiro básico ou um mini relato da minha viagem, segue ele aqui em pdf:
      Viagem realizada - Patagônia.pdf
       
      DEFINIÇÃO DE ROTEIRO BÁSICO
       
      - A definição do seu roteiro vai depender da quantidade de dias que você terá na região e das suas prioridades (desafios, conhecer apenas os locais principais, conforto etc). Como é possível ver no roteiro acima, fiquei 18 dias na região e o meu roteiro incluiu: circuito O de Torres del Paine, ida ao Perito Moreno e 5 dias completos em El Chatén. Nessa quantidade de dias, eu não alteraria em nada a quantidade de dias definida para cada localidade. Agora se você tiver mais tempo, dá pra esticar pro Ushuaia ao sul ou para as Catedrais de Mármore e região de Aysén ao norte.
      - Se for fazer o circuito W ou o O (informações sobre os circuitos mais abaixo) ou se for pernoitar em qualquer lugar de Torres del Paine, programe a sua viagem com o máximo de antecedência possível. Isso é importante por conta da necessidade obrigatória de reserva de locais.
       
      DICAS DE BAGAGEM E COISAS A LEVAR
       
      - Se for fazer o circuito W ou O em Torres del Paine é bom levar barras de cerais, proteína, frutas desidratadas e outros alimentos energéticos de baixo volume e peso na mochila. Comprei no atacado no Brasil e saiu super em conta! < Ouvi dizer que no Chile essas coisas não são caras, mas não sei se a informação procede >
      - Nunca havia usado bastões próprios de caminhada (só uns improvisados com galhos), mas vou dizer que se fosse dar uma única recomendação, especialmente para quem vai fazer o circuito O, é compre bastões de caminhada! Antes da viagem, procure ver como usá-los adequadamente para não atrapalharem no seu desempenho. < Se não fosse por eles, não teria completado o circuito O de Torres e não teria depois conseguido fazer muitas coisas em El Chatén > (dicas de locais de compra no tópico Punta Arenas)
      - Se for fazer o W ou o O, leve uma bolsa a mais para guardar as coisas que você não vai precisar no circuito escolhido e deixá-las guardadas no hostel em Puerto Natales. < As minhas ficaram toscamente em sacolas plásticas que se rasgaram com o peso >
      - Se ligue nos alimentos e produtos com os quais você pode ingressar no Chile. A galera da Aduana quando resolve agir com rigor, é BASTANTE rigorosa. < Tive que abandonar com peso no coração um sanduíche na aduana terrestre entre Argentina e Chile >
      - IMPORTANTÍSIMO para quem vai cozinhar: leve um fogareiro à gás (lembrando que o butijão de gás não pode ir como bagagem) ou compre um modelo desses em Punta Arenas. Não invente de levar fogareiros à álcool.  < Levei um modelo desses álcool e tive a maior dor de cabeça em todos os dias. Isso por que nem na Argentina nem no Chile se vende álcool líquido. Para fogareiros desse tipo, a galera vende um solvente industrial chamado Benzina Blanca. Essa porcaria além de ter um cheiro fortíssimo que fica impregnado em tudo, expele uma fumaça preta que deve ser tóxica e ainda deixa as coisas cheias de fuligem. Dor de cabeça da porra! >
       
      MOEDA/CÂMBIO
       
      - Achei muito mais vantajoso trocar dólar, ao invés de real, pela moeda local tanto no Chile quanto na Argentina. Entretanto isso só é vantajoso se você comprar bem o dólar no Brasil. Dê uma olhada no ranking de instituições com melhores câmbios no site do Banco Central e em sites de melhor cotação como o Cambiar.
      - Se puder troque dólares pela moeda local em casas de câmbio de Santiago ou em Buenos Aires (a depender do seu roteiro), exceto nas do aeroporto. 
      - A casa de câmbio logo ao lado do terminal da Bus-Sur em Punta Arenas foi a que eu encontrei com a melhor cotação de pesos chilenos entre todas as que pesquisei em Punta Arenas e Puerto Natales.
      - É melhor ir trocar dólares ou euros por pesos argentinos em Puerto Natales e possivelmente em Punta Arenas. Em El Calafate e em El Chatén a cotação era 15-20% menos vantajosa.
      - Se tiver que sacar grana em El Calafate, é melhor ir no cassino local. Cotação: dólar - 17,30 / euro - $20,30. Entrada: $10. Você deve pagar o valor das fichas no cartão, jogar um jogo e depois ao trocar as fichas a casa reterá 5% do seu valor
       
      PUNTA ARENAS e PUERTO NATALES
       
      - Punta Arenas é a cidade inicial de muitos que estão chegando para conhecer a Patagônia. 
      - Há algumas boas opções de lojas de equipamentos de trekking: La Cumbre, Andesgear, North Face, Lippi e Grado Zero. Por exemplo, na La Cumbre (localizável no Google Maps) e na Grado Zero (em frente a La Cumbre) havia ótimos bastões de caminhada da Black Mountain por aprox. $ 50 mil o par. Para chegar no centro, a opção mais em conta para grupo de 3 pessoas pelo menos é pegar um táxi no aeroporto (3 mil pesos por pessoa). Se estiver sozinho ou apenas com outra pessoa, tente achar alguém para dividir o táxi contigo ou deverá pagar 5 mil pesos para ir de van.
      - Puerto Natales é a cidade base para ir a Torres del Paine para quem está do lado chileno. É uma cidade bastante agradável com várias opções de restaurantes (caros, assim como tudo na Patagônia). 
      - Tanto em Punta Arenas quanto em Puerto Natales há um grande supermercado da rede Unimarc. É uma boa opção para compras gerais mais em conta.
       
      TORRES DEL PAINE
       
      PLANEJAMENTO
      - As reservas deverão ser feitas no site das empresas concessionárias Fantástico Sur e Vértice e se você tiver sorte (e muita antecedência) poderá também reservas locais gratuito para acampamento no site da CONAF. 
      <Minha experiência com a Fantástico Sur foi muito boa. Tive resposta das minhas reservas em uma semana. Porém já não posso dizer o mesmo da minha experiência com a Vértice. Só obtive resposta da empresa sobre as reservas, 25 dias depois de solicitadas e somente depois de mandar comentário público no Facebook denunciando a demora. Pouco antes de eu fazer a minha viagem, eles iniciaram um sistema de reserva online, sem a necessidade de contato por e-mail. Pode ser que agora a resposta seja rápida, porém caso você deseje realizar reservas personalizadas, fora do roteiro que aparece no site, já fica a dica de que eles podem demorar bastante para te responder. Inclusive uma amiga que foi pouco antes e reservou com bem mais antecedência que eu, conseguiu resposta, apenas na semana da viagem dela, de que não tinha conseguido vaga em alguns refúgios. >
       
      INFORMAÇÕES GERAIS
      - Entrada: $ 21 mil pesos
      - Várias empresas fazem o percurso a Torres del Paine e todas saem às 7h30 ou 14h30 e têm preço  de $15 mil pesos por pessoa (ida e volta).
      - Tanto no caso de fazer o circuito O ou o W quanto no caso de fazer só uma ida às Torres em um dia. Recomendo fortemente pegar o transfer que sai da recepção do Parque (Laguna Amarga) até o camping central - 20 min que evita caminhada em subida monótona de 1h30 (custo $3 mil pesos). 
      - Há três opções para dormir no Parque para quem vai fazer o W ou o O: em barraca própria (ou alugada em Puerto Natales - vi por $ 4 mil a diária), em barraca da empresa concessionária ou em refúgio. Sendo que a razão de valor é de aproximadamente 1 x 2,5 x 3 (barraca da concessionária será 2,5 x mais cara que própria e refúgio será por sua vez 3 x mais caro que barraca da concessionária e quase 8 x mais caro que barraca própria.
      - Percebe acima, que as diferenças de valores são muito grandes. Eu particularmente se quisesse economizar peso na mochila e dormir com conforto, não pagaria pelo refúgio. Dormiria nas barracas da operadora com tudo incluso (atenção: deverá marcar os itens que deseja quando for fazer as reservas).     
      < Tive que dormir na barraca da concessionária, em uma noite no camping Francés, pois já havia se esgotado os lugares para barraca própria, e vou te falar: a barraca era super espaçosa, a cama super confortável (melhor do que da minha casa. hehehe) e o saco de dormir era excelente! >
      - É possível pagar por refeições nas bases de apoio, mas isso te custará bastante caro (aprox. R$50 em um café da manhã e mais de R$100 no almoço ou na janta).
       
      QUAL CIRCUITO ESCOLHER: O ou W?
      - Primeiro de tudo: caso ainda não saiba, o circuito O engloba o ciruito W. Se você tem preparo físico e tempo disponível, sugiro fortemente fazê-lo. No primeiro dia do circuito, não verá nenhuma paisagem espetacular, mas, nos dias seguintes, as paisagens serão maravilhosas. Abaixo seguem algumas fotos de paisagens exclusivas do circuito O.

       
      QUANTOS DIAS E COMO FAZER O CIRCUITO O?
      - Acabou que fiz em 7, mas oh considero que isso foi uma tremenda duma burrice. Jamais faria isso novamente. O conselho que dou é faça no mínimo em 8.
      - Programaria de uma das seguintes formas, considerando apenas os destinos por dia:
      1.  Para quem vai ficar em camping:
      a) 9 dias: Serón - Dickson - Los Perros - Paso - Grey - Francés - Francés (neste dia iria até o Mirador Británico e domiria no Francés novamente) - Chileno (ou camping central) - dia de ir ás Torres e voltar a Puerto Natales
      b) 8 dias: Serón - Dickson - Los Perros - Paso - Francés - Francés (neste dia iria até o Mirador Británico e domiria no Francés novamente) - Chileno (ou camping central) - dia de ir ás Torres e voltar a Puerto Natales
      c) Se tiver que fazer em 7 dias: Serón - Los Perros - Paso - Francés - Los Cuernos (neste dia também iria até o Mirador Británico) - Chileno (ou camping central) - dia de ir ás Torres e voltar a Puerto Natales
      2. Para quem vai ficar em refúgios:
      a) 9 dias: Serón - Dickson - Los Perros - Grey - Francés - Francés (neste dia iria até o Mirador Británico e domiria no Francés novamente) - Chileno - dia de ir ás Torres e voltar a Puerto Natales
      b) 8 dias: Serón - Dickson - Los Perros - Grey - Francés - Francés (neste dia iria até o Mirador Británico e domiria no Francés novamente) - Chileno - dia de ir ás Torres e voltar a Puerto Natales
      c) 7 dias: Serón - Los Perros - Grey - Francés - Los Cuernos (neste dia também iria até o Mirador Británico) - Chileno - dia de ir ás Torres e voltar a Puerto Natales

      - Observe que não inclui opção de Paine grande em ambos. Primeiramente por uma questão de planejamento, mas também não recomendo para quem vai ficar em barraca, pois pelo que me relataram lá o vento é muito forte, a ponto de carregar barracas bem presas ao chão.
      - Não há opção de refúgios no Paso e no Italiano, apenas camping.
       
      INFORMAÇÕES GERAIS SOBRE O CIRCUITO O (e algumas que servem para o W também)
      - Os primeiros dias que envolvem o caminho do camping central até Los Perros são de dificuldade mediana ou fácil (Dickson a Los Perros). Em um trecho ou outro terá um pouco mais de dificuldade.
      - Em todo o circuito, o dia mais pesado de todos é o que envolve a saída de Los Perros e a ida até Paso (ou até o Grey dependendo do seu roteiro) (fotos abaixo). Logo no início, tem-se uma subida inclinada que passa por dentro de um bosque. Após um tempo de caminhada a área se abre e se caminha com uma leve inclinação até uma primeira subida em terreno pouco mais inclinado. A partir daí a subida fica bastante pesada, com trechos de caminhada sobre gelo (use o bastão com o disco de neve para não correr o risco de quebrá-lo...quase quebrei o meu). A subida finaliza, após 620 m de desnível, em uma vista maravilhosa do Glaciar Grey, a partir daí é só descida bastante inclinada até chegar no acampamento Paso (725 m de desnível - 9 km no total até aqui). Depois são mais 9 km de Paso até o acampamento Grey com muitas subidas e descidas e desnível de 400 m. Pouco depois de Paso, há uma grande ponte pendular. Muito cuidado ao atravessar devido ao vento. Mais cuidado ainda logo após, pois se o vento estiver muito forte, você terá usar o bastão para jogar o corpo para o lado da encosta, fugindo do precípio. Ao longo do caminho, há mais duas pontes pendulares. < Nesse dia, especialmente por conta do impacto na descida, o meu joelho esquerdo inflamou, prejudicando todo o restante da viagem >
      Fotos de trechos da subida:

       
      - Outro trecho que é bem difícil, neste caso tanto para quem vai fazer o O quanto o W ou um passeio de um dia, é a subida a Torres. Bastante inclinada, mas não se compara à dificuldade do trecho de Los Perros a Grey.
      - Para quem vai no esquema camping com barraca própria, ficar em Paso será reconfortante após o percurso descrito anteriormente. Porém é um camping sem muita estrutura. Não tem chuveiro e o banheiro é do tipo seco, com buraco no chão. Sem contar que suas vagas costumam esgotar bastante rápido.
      - No campings Dickson e Los Perros há apenas duchas frias.
      - No trecho de Serón a Los Perros há muitos mosquitos, pelo menos nessa época que fui (possivelmente em outras também). Entenda por muitos mosquitos, muito mesmo! <Vi uma pessoa com um boné que tinha uma rede que cobria todo o rosto e fiquei com uma puta inveja. Acho que é a melhor coisa para se levar em caso de fazer o O. >
       
      EL CALAFATE / PERITO MORENO
       
      EL CALAFATE
      - Para chegar a El Calafate, peguei o ônibus da Cootra às 7h30 - o preço era $ 17 mil, mas paguei $ 15 mil após negociar. Só que quem chegou mais cedo conseguiu por $ 11 mil. < E eu achando que tinha me dado bem na negociação. hehehe >
      - A cidade é bem turística, cheia de lojinhas de lembrança, chocolaterias e sorveterias. Tudo obviamente muito caro!
      - A princípio fui a El Calafate para fazer o Big Ice no Perito Moreno, mas como o meu joelho ainda estava mal, as funcionárias da Hielo y Aventura acabaram cancelando a minha reserva. < Caso esteja com um probleminha físico pequeno que você tem certeza que não irá te atrapalhar, não informe nada porque a galera é bem rigorosa. Não me responsabilizo por esta ideia errada aqui >
      - Se você curte cerveja, recomendo fortemente ir no La Zorra (bar próximo ao posto de gasolina). Eles têm ótimas cervejas lá. Só que não são muito baratas.
       
      PERITO MORENO
      - Fomos ao Perito Moreno no Tour Alternativo. Pagamos $680 no hostel onde estávamos hospedados (Hospedaje del Glaciar); em outros lugares era $800. O tour consiste em um passeio guiado (muito bem, por sinal) em uma rota alternativa por estrada de chão com observação de espécies animais ao longo do caminho, parada em uma estância com uma bela localização; trilha de 45 min por um bosque que chega ao lago do glaciar pelo lado oposto à sua face norte; opção de navegação de barco opcional até o glaciar ($500, 1h de duração - pelos relatos acho que não vale a pena); e por fim, 3h para caminhar pela plataforma - retornamos às 16h30.
      - Outras opções: ônibus regular ($600), táxi ($340 por pessoa em carro com 4, segundo informações de uma pessoa que conheci), carro alugado (mais em conta se houver 4 ou 5 pessoas).
       
      EL CHATÉN
       
      - Chegando a El Chatén: À tarde, há opções ônibus às 18h por $600 + 10 de taxa de embarque, mas preferimos pegar o ônibus de 19h da Taqsa por $420 + 10 (ótimo ônibus, procure ir na janela para curtir as belas paisagens ao longo do caminho - TENTE NÃO DORMIR)
      - O principais pontos turísticos de El Chatén certamente são a Laguna de los Tres (laguna com Fitz Roy) e o Cerro Torre. A seguir sugiro duas formas para se conhecer os dois pontos que são do mesmo lado do Parque:
      a) Em caso de você ter barraca e desejar acampar para economizar uma diária ou mesmo para otimizar o roteiro ou pela experiência de camping, sugiro no primeiro dia ir até o Cerro Torre (com mirador Maestri) e acampar no camping DeAgostini (do lado do Cerro Torre) e no segundo dia ir a Laguna de los Tres passando pela trilha das Lagunas Hija y Madre e depois retornar a cidade pela trilha que passa pela Laguna Capri. Essa rota é preferível, pois no camping Poincenot (mais próximo do Fitz Roy) venta bastante e é mais cheio.
      b) Em caso de você estar interessada em bate-volta, sem pernoite em camping, recomendo em um dia ir à Laguna de los Tres e em um outro dia ir ao Cerro Torre. No primeiro dia, sugiro pegar um transfer (empresa Las Lengas - $150) até a Hosteria El Pilar e de lá seguir até a Laguna. Por esse caminho, evita-se uma subida mais inclinada que há no caminho partindo diretamente da cidade (não é tão difícil) e ainda se tem uma bela visão do Glaciar Piedras Blancas nesse caminho. Depois sugiro retornar pelo caminho que passa pela Laguna Capri No segundo dia, não há muito segredo. Há apenas um caminho direto. Recomendo ir até o Mirador Maestri para se ter uma visão melhor do Cerro Torre (foto abaixo).

      - Loma del Pliegue Tumbado: recomendo ir apenas se estiver com tempo sobrando depois de ir em todos outros atrativos. O caminho é longo e parte da visão que terá engloba o que poderá ver nos miradores de Los Condores e Las Aguilas e uma outra parte engloba, já no final do caminho, engloba ver o Cerro Torre de uma outra perspectiva.

      - Reserva Los Huemules: a reserva fica a aprox. 3 km depois da Hosteria El Pilar na ruta 23. Possui duas belas lagunas (Laguna Verde e Laguna Azul) de trilha fácil e outras duas trilhas mais longas: uma até o Rio Eléctrico e outra até a Laguna Del Diablo. Entrada na reserva: $200, que dá direito a retorno durante o período de estadia em El Chatén. Ônibus Las Lengas por $210 até a reserva (ida e volta). Retorno: saída 8h (se não me engano) e retorno 17h.

      - Chorrillo del Salto: só vale se você não tiver mais nada para fazer na cidade.
       
      RETORNO (de El Calafate a Punta Arenas)
       
      - Caso o seu voo de volta seja a partir do aeroporto de Punta Arenas, recomendo fortemente garantir passagem previamente de El Calafate para Puerto Natales. Pode comprar no dia em que for de El Calafate a El Chatén.
      - Caso aconteça de as passagens se esgotarem, como aconteceu comigo, não se desespere, há opção de uma rota alternativa que sai de El Calafate, vai a Rio Gallegos e depois vai direto a Punta Arenas. De El Calafate a Rio Gallegos: saída 3h da madruga, 4h de duração - empresa Taqsa, $640 / De Rio Gallegos a Punta Arenas (aeroporto), saída às 13h, 4h de duração - empresa El Pinguino, comprada na empresa Andesmar no terminal de El Cafalate. 
      - Duas informações caso tenha que fazer o caminho alternativo anterior: o terminal de Rio Gallegos fica longo do centro da cidade, mas há um Carrefour ao lado, que pode servir como ponto para matar um pouco o longo tempo de espera; e no caso de ir direto ao aeroporto de Punta Arenas, sem ir ao centro da cidade antes, é preciso pedir pro motorista parar na rodovia próximo do aeroporto. Deste ponto até o aeroporto, dá quase 2 km de caminhada. Peça carona sem medo!

      Acho que são essas as dicas. Espero ter ajudado um pouquinho e estou aberto para qualquer questionamento. =)


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