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Mais um feriado chegando, o de 9 de julho em SP, e Manoel e eu de novo naquele dilema do que fazer, tudo é tão longe, a previsão do tempo não ajuda, mas por fim pensamos na Pedra da Mina, projeto de 2014 que foi substituído pelo Pico dos Marins. Acompanhando a previsão do tempo, um dia tem chuva, um dia tem sol, um dia tem chuva, outro dia tem mais chuva ainda rs... O Feriado foi se aproximando e a previsão foi melhorando e finalmente tomamos a decisão de ir.

 

Lemos novamente alguns relatos, e a maioria falava da dificuldade de subir a pedra, fiquei bastante insegura com a minha falta de preparo físico, mas, porém, todavia, a montanha chama!

Lá vamos nós, juntamos as tralhas, tentando não esquecer nada, imprimimos um relato que achamos mais completo (ainda com trauma dos perdidos que tivemos no Marins rs), GPS, tracklog devidamente baixado e lá vamos nós.

Dia 09/07 às 7:20 da manhã partimos de Rio Preto pra Passa Quatro/MG. Paradinha pra um café, pra um almoço e por volta das 16:30 chegamos a Passa Quatro. Seguindo as orientações do relato encontramos a entrada para a fazenda Serra Fina, mas continuamos pra abastecer o carro, comer um pão de queijo com café e aí seguir para a fazenda.

 

Pessoas muito bem informadas que somos, começamos a contar 12km a partir da estrada de terra, quando vimos uma placa com setas amarelas ao lado da placa do Ibama nós sabiamente decidimos que ali era o caminho, afinal, na nossa cabeça ali não existia nada mais importante que a Pedra da Mina pra alguém marcar com setas kkk.

Claro que estávamos errados, mas só descobrimos quando estávamos quase chegando em Itamonte rs.

Voltamos e chegamos à placa, que agora sabíamos, tinha que continuar reto toda vida. Toda vida até chegar ao Paiolinho e depois andar mais.

 

Depois do Paiolinho a fazenda está perto, mas estava um breu só, e eram 18h, e o caminho parecia interminável e muito escuro. Quando pedimos informação sobre a Serra Fina disseram que era só ir reto até o final da estrada. Só não disseram que tinha uma bifurcação, que muito rapidamente o Manoel decidiu que era pra direita (e felizmente acertou). Muito barro, e com o terreno bastante liso, finalmente chegamos no final da estrada e desconfiamos que era a Fazenda. Tudo totalmente escuro, só percebi que tinha alguém na casa que existia ali porque uma criança tossiu.

 

Chamei e veio a D. Maria, não tinha mais nenhum carro ali na fazenda, um pouco antes de chegar à porteira havíamos visto um carro na estrada, mas achamos que era de pescadores, mas era de “subidores” que haviam começado a trilha durante a tarde.

Pagamos os R$ 20,00 pra guardar o carro e começamos a procurar lugar pra armar a barraca. Mas tive a linda ideia de sugerir de dormimos no carro, afinal teríamos que desfazer as mochilas, armar e desarmar barraca guardar tudo de novo, demoraria muito. Nem precisei argumentar muito e o Manoel aceitou a “brilhante” ideia de jerico sem pé nem cabeça. Baixamos os bancos e ficamos ali, quietos. Isso 19h da madrugada, íamos acordar às 5h, isso se tivéssemos dormido.

 

Crianças, a não ser que vocês tenham o carro mais confortável desse mundo, não façam isso, partimos quebrados pra trilha, sem dormir e sem se alimentar direito. E o que já é normalmente difícil, ficou muiiiiiiiiiiiiiiiito mais difícil rs.

Estávamos nos preparando pra sair e chegaram dois carros com um grupo que também iria iniciar a subida. Eles têm um guia, e também um senhor de uns 60 anos e uma criança de 10 no grupo. Coragemmmm! E eu aqui já cansada sem começar a trilha rs.

Às 06h30min pegamos nossas mochilas com muitos quilos e saímos. Logo eles nos alcançaram, no rio que cruzamos no caminho (o único), porque antes você passa um riachinho, um fio de água, e depois desse rio, o último rio passa ao lado da trilha.

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Saímos pesados, e já levando 6 l de água. Mas abastecemos um recipiente vazio neste rio, tiramos fotos, socializamos com o grupo e continuamos. Essa parte a trilha é sempre subindo, mas num terreno amigável e sob as árvores. Depois de uma hora e quarenta caminhando chegamos a uma clareira sombreada e o grupo, que havia seguido na frente, estava lá lanchando. Conversamos mais um pouco e eu resolvi tirar parte dos 125 casacos que usava. O Manoel já havia tirado os dele.

Depois dessa clareira (que apenas na próxima clareira descobri que era a tal Panela Vermelha, pois ela não estava mais lá rs), a subida foi mais forte, a mata acabou e agora tínhamos uma “matinha”, uma subida constante, com pedra íngremes e eu que comecei cansada, estava mais cansada ainda. Uma hora e meia depois chegamos na outra clareira, e o grupo estava lá e aí soube que aquela subida que tínhamos acabado de fazer, era uma subida difícil que descreviam nos relatos, que começava logo depois da panela vermelha. Pensei: Ufa, menos uma (tão enganada eu estava).

Logo depois dessa clareira, você anda um pouquinho e à esquerda estará o último ponto de água. Nós estávamos abastecidos então não pegamos água. Descansamos um pouco e continuamos.

Pegamos um trecho de capim, encontramos uma clareira, que dá pra acampar, olhamos a vista, e fomos procurar o caminho.

 

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Aqui uma observação, algum anjo abençoado do Senhor passou por lá e marcou o caminho com refletivos grampeados na vegetação. Estávamos com GPS e até esse momento a trilha é clara. No entanto, estávamos traumatizados por termos nos perdido algumas vezes subindo o Marins, e esses refletivos nos trouxe um conforto psicológico imenso, apesar de estarmos com o GPS.

 

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Entramos no capim, tudo fica igual, a trilha dá uma sumida, a gente procura, e encontra e perde, mas logo ouvimos o grupo vindo lá atrás e os esperamos pra confirmar se estávamos no caminho certo rs.

Caminhamos no capim, caminhamos, no mato, caminhamos, caminhamos e chegamos numa pedra inclinada (até aqui, foi um trecho de subida, com brejinhos e trepa pedra). Dessa pedra lembro que tinha um amarílis florido. Era cerca de 11 da manhã, 3,5 h de caminhada, e pelos relatos, na minha cabeça, tínhamos passado o trecho mais difícil. Então tá, vai vendo a “desgrameira”. ::grr:::lol:

 

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Comemos um sanduíche, um biscoito e continuamos. Agora começa um trepa pedra sem fim, haja pernas. Nesse tempo o solado da bota do Manoel descolou inteiro, quando encontramos o grupo com guia, o Manoel pediu uma sugestão, e o guia falou pra ele continuar, amarrar uma corda e seguir, depois jogasse fora as botas, assim ele fez rs.

Trepa pedra, passa na capim, trepa pedra de novo e por volta das 13h chegamos a um bambuzal, com uma sombra gostosa e deu vontade ficar ali e pedir resgate por helicóptero, ou cavalo, mula, iaque, lhama... qualquer resgate seria bem vindo.

 

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Mas a vontade de chegar ao cume era grande, lá fomos nós, achando que o mais difícil tinha ficado pra trás.

Depois do bambuzinho, seguimos em frente, e encontramos mais capim, mais brejinhos, mais pedra pra subir e mais morro pra descer. Sinceramente, eu não li em lugar nenhum que tinha que subir e descer 254 morros antes de chegar à Pedra da Mina. Sério, porque pareceu que foi esse o número de vezes que subi e desci. Não tinha mais forças, quando avistei finalmente a Pedra da Mina eu achei que estava perto, mas faltavam 28 morros pra subir e descer até chegar lá. Depois que saímos do bambuzal encontramos o grupo do carro que estava na estrada, e eles voltaram sem subir até o cume, porque também tiveram a impressão que o cume nunca chegava rs. Pois é, não foi animador...

 

 

Mas como somos muito teimosos continuamos, apesar das últimas forças terem ficado lá na pedra onde crescia o amarílis.

Finalmente chegamos à parede que dava acesso ao cume da Pedra. Eu já muito emputecida, resolvi que não ia subir, mas o Manoel disse que eu ia subir sim, então subi (ele manda rs).

 

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A essa altura parte do grupo guiado ficou no bambuzinho, o senhor, o garoto, o pai e o tio do garoto, segundo informações. Bom, até o bambuzinho é uma longa jornada, o avô e o garoto foram muito longe. Legal uma criança começar esse tipo de atividade logo cedo, ainda mais em família. Do grupo ficaram 03 rapazes e o guia, os quais estavam caminhando com a gente.

 

Juro que por pouco não pedi pra sair, mas aí subi aquela parede até a Pedra. Mas aquilo não era exatamente o cume, aquele onde fica o livro e tals. Bom, mas era quase. Subimos essa pedra e descemos até uma “cratera” e procuramos um lugar pra armar a barraca. Eram 16:20 da tarde, ou seja, 9 horas e 50 minutos depois que deixamos a Fazenda Serra Fina. :lol:

 

Ainda era tarde, mas parecia noite, pois o tempo estava fechado e fazia muito frio. Fomos armar a barraca, “fomos” é muita gente, quem mais trabalhou foi o Manoel, meu macho Alfa rs. ::love::

 

Barraca armada, colocamos todas as roupas de frio disponíveis, e fomos subir até o cume, o verdadeiro, aquele do livro, sem as mochilas pesadas. Ahhh que diferença. Mas lá fazia tanto frioooo, que vimos o pôr do sol, o que só foi possível porque o céu abriu um pouco, assinamos o livro e voltamos para comer nosso miojo no quentinho da barraca.

 

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Um miojo, um dorflex, e vamos tentar dormir. Fez muito frio à noite, e de madrugada sentimos bastante, apesar de estarmos bem agasalhados e ainda levamos aqueles cobertores de alumínio, que ajuda muito.

 

Acordamos às 6h com uma ventania e com uma neblina tão densa que não se via um metro longe da barraca. Ficamos mais um pouco dormitando, e só por volta das 7h começamos a recolher as coisas pra sair.

Enquanto subíamos, eu já pensava na descida, porque descer dói. Dói meus pés e dói os joelhos desgastados do Manoel.

Começamos a descer às 8 horas, e às 16h, sim 8 horas descendo, chegamos finalmente à Fazenda Serra Fina.

Descemos fazendo paradas mais longas, mas foi uma descida sofrida, sobe e desce de morros, capim, brejinhos, pedras soltas e assim fomos no nosso tempo, que foi muiiiiiiiiiiiito, mas muiiiito longo por sinal rs.

 

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Gente, se você é montanhista de semestre como a gente, vá consciente que a subida da Pedra da Mina é difícil, se você tiver preparo bem mais ou menos como o meu, prepare o psicológico, porque é uma subida exaustiva, principalmente se for pernoitar no cume, subir com peso faz muita diferença. Nós vimos muita gente fazendo bate volta, sem peso, em 5 ou 6 horas. Encontramos corredores de montanha que fizeram ida e volta em 3h. Nós dois praticamos atividade física, mas foi coisa de doido ::hahaha:: .

 

E não esqueça o agasalho, porque teve muita gente passando frio lá em cima, muito frio. ::Cold::::Cold::

 

No final fica a experiência, a região da Pedra da Mina é linda, amo as montanhas, a natureza e o desafio de sair da rotina apesar do pouco preparo físico rsrs. Mesmo prometendo durante a subida que o próximo feriado será no resort, na descida a gente já começa a pensar na próxima montanha.

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Show de bola o tópico... parabéns!!

Fiz essa escalada até o cume neste final de semana e tô com as pernas moídas rs...

Em breve posto o relato com um vídeo para ilustrar...

::otemo::

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Show de bola o tópico... parabéns!!

Fiz essa escalada até o cume neste final de semana e tô com as pernas moídas rs...

Em breve posto o relato com um vídeo para ilustrar...

::otemo::

 

Obrigada, Luka. Realmente as pernas (e todo o resto) doem, mas é bom demais :D . Quero ler o seu relato e ver vídeo !!

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Nada encorajador o relato... mas é bom saber das dificuldades, vamos subir logo, logo, eu com 62 e minha esposa com 54 anos. Vamos conseguir chegar no cume!!!!

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    • Por Nathan Messias
      Boa noite galera, tudo bem? 
      Dia 18 de Maio estarei indo para Pedra da Mina, pela fazenda serra fina!
      Li alguns relatos por aqui mas alguém te mais alguma dica algo pra agregar? 
      Alguém estará indo pra lá também nessa mesma data?
       
      Abraços!! 
    • Por RaulConte
      Com o feriado de 7 de Setembro se aproximando, eu e mais 3 amigos começamos a nos preparar para fazer a subida à Pedra da Mina via Fazenda Serra Fina, não fazendo ideia do que nos esperava. Moramos em Barbacena, e a viagem de carro até o pacato município de Passa Quatro (MG) demora em torno de 4 horas, mas o acesso à fazenda é por uma estrada de terra que nos toma mais 1h15min...enfim, saímos de Barbacena por voltas das 3h50 minutos, enfrentamos as precárias estradas do sul de MG, paramos em Pouso Alegre para tomar um café da manhã reforçado e seguimos para enfrentar a mais precária ainda estrada de terra que dava acesso à Fazenda Serra Fina. A estrada é bem sinalizada, então não houve grandes dificuldades para chegar até a fazenda, principalmente usando o GPS. Chegando lá por volta das 9h30, pagamos R$20,00 à senhorinha que mora na fazenda, assinamos um livro que é para controle de quem entra e sai da trilha, nos arrumamos e iniciamos a trilha por volta das 10h. A placa que marca o início do caminho passa uma ilusão gigantesca de que a subida até o pico leva 5h, o que nós realmente acreditamos veementemente e achamos inclusive que dava para abaixar esse tempo (iludidos 😓).
      A primeira parte da trilha é muito tranquila, basicamente um caminho por mata fechada (bem fechada, alguns pontos é até difícil ver a trilha), com alguns pontos de lamaçal e riachos, mas todos com algumas pedras que auxiliam na passagem. Após 30 min de caminhada tranquila, chegamos à cascata, com uma água cristalina e um visual sensacional. Após atravessar pelas pedras, bem escondido no canto esquerdo da outra margem do rio, tem um acesso à uma cachoeirinha que nos brinda com esse visual SENSACIONAL. Perdemos uns 20 minutos ali descansando, tirando fotos, hidratando e checando a trilha no WikiLoc (app que recomendo muito, inclusive, baixamos a trilha antes de sairmos de casa e nos ajudou muito). Na cascata também existem muitas abelhas pretas, que não têm ferrão, mas grudam no cabelo e tem uma mordida muito doída.

      A trilha a partir daí começa a exigir muito mais do físico, já que começa uma subida já com traços de escalaminhada, muito íngreme e muito longa (realmente parece que nunca mais acabar). É válido lembrar para levar um calçado adequado, pois a terra e o capim tornam a trilha muito escorregadia. Após esse primeiro "susto" com a necessidade física da trilha, chegamos num primeiro local de acampamento, onde paramos para almoçar e abastecer nossos recipientes de água numa bica que tem por lá (a água é geladinha e tem um gosto sensacional, a vontade era encher algumas garrafas para levar para casa), já que segundo o WikiLoc e alguns relatos, ali é o último ponto de água antes do cume (e a informação realmente procede, a travessia toda se destaca pela escassez de pontos de água). Ali tinham alguns grupos de trilheiros que almoçavam e conversavam, e todos eles nos disseram que a pior parte da trilha estava logo a frente (o que muitos relatos também confirmavam).

      Após uma parada de mais ou menos 1h para almoço, descanso e abastecimento de água, seguimos viagem já preparando o psicológico para enfrentar o temido "Paredão do Deus Que Me Livre", e o paredão faz jus ao nome ! Estávamos animados com o horário, já que segundo o WikiLoc, fizemos praticamente metade da trilha em questão de distância em 2 horas, mas ao observar o que nos esperava, vimos que a trilha mal havia começado. O subidão é praticamente do começo ao fim uma escalaminhada muito pesada, em alguns momentos exigindo inclusive uma certa experiência com escalada. É bom sempre ficar atento aos totens e às marcações reflexivas, pois alguns pontos da subida possuem várias bifurcações e é realmente muito fácil se perder. Sempre que possível, parávamos em algum lugar para descansar e hidratar, mas o cansaço bateu forte do começo ao fim, pensamos em desistir algumas (muitas) vezes.

      Terminando o subidão da Deus Que Me Livre, demos de cara com o Morro da Misericórdia, que era igual ou pior ao anterior. A essa altura, o psicológico bate forte, muitas pessoas montam equipamento ali mesmo, ou um pouco mais a frente, dentro da mata no vale, aonde tem uma área de acampamento em uma área de mata fechada; mas resolvemos continuar. Após chegar ao fim do Morro da Misericórdia, com as pernas e os ombros pedindo arrego, nos deparamos com mais uma caminhada considerável até chegar no pé do morro da Pedra da Mina, aonde montaríamos acampamento. Andamos devagar, ainda nos recuperando das duas subidas absurdas que havíamos acabado de vencer, mas chegamos à área de acampamento por volta das 17:10, montamos acampamento rapidamente e subimos ao morro sem mochila para acompanhar o por do sol, o que com certeza valeu muito a pena. Lá de cima é possível ver claramente o belo Vale do Rhua, o Pico das Agulhas Negras e alguns vários municípios da região, a vista é DESLUMBRANTE, por um instante até se esquece o esforço feito para chegar até ali.

       
      Após ver o por do sol, descemos para nos alimentar e ir dormir. Colocamos algumas roupas secas, já que as da trilha estavam encharcadas de suor e o frio já estava começando a dar as boas-vindas, fizemos um macarrão com frango desfiado usando o fogareiro a álcool, apreciamos o belíssimo céu estrelado com direito até a chuva de meteoros e fomos dormir.
      Nosso "rango", que deu uma sustância muito boa e ficou pronto rápido
       
      Acordamos por volta das 5:30, desmontamos acampamento e andamos um pouco até o pico do Morro da Misericórdia, para afastar-nos um pouco do frio. Lá no pico, tomamos café com uma vista deslumbrante do vale, e por volta das 7:00 começamos a descida da trilha, que é tão doída quanto a subida. O joelho dói muito na descida, já que boa parte da trilha é escalaminhada e descidas muitos íngremes, um bastão de caminhada é ESSENCIAL para a volta. Chegamos até a área em que almoçamos na subida, descansamos por mais ou menos 1h e repusemos a água na bica para continuar a descida. Chegamos à fazenda exaustos por volta das 11:30 e embarcamos no carro para a volta para casa e o merecido descanso.
      Nossa vista do vale durante o café da manhã 
      A trilha exige MUITO preparo físico, equipamento bom (principalmente calçado, bastão de caminhada,barraca, isolante térmico e saco de dormir para -10ºC) e exige também muito preparo psicológico, mas com certeza valeu muito a pena. A vista durante toda a trilha é sensacional, o céu noturno no alto do pico é inexplicável e a experiência como um todo é sensacional. Da próxima vez, pretendemos fazer a travessia de 4 dia da Serra Fina, começando pela Toca dos Lobos, mas até lá ainda vamos nos recuperar por um bom tempo 😅😅😅.

      O frio castigou durante a noite ! ❄️❄️
       
       
       
    • Por SaraPereira
      Conforme prometido aqui vai meu relato sobre nossa subida a Pedra da Mina. De início já digo o que a maioria já sabe ou ouviu falar, foi a trilha mais difícil que já fizemos...rs. Além do problema da água, as subidas são fortes e tem trechos com escalaminhadas que contando o cansaço e o peso da mochila, podemos considerar até perigosos.
      Primeiro algumas dicas:
       
      - Levem água, o máximo que conseguirem, não economizamos ao levar, mas penso que deveria ter carregado mais. Chegou horas que senti muita sede e ficar só dando golinhos não ajudava. Não sei se foi por conta do sol, os dias nem foram tão quentes assim, ou por ter ficado um pouco mais úmido, mas transpirei bastante e ao final do primeiro dia de caminhada me senti "seca". E mesmo pegando água no segundo dia e bebendo bastante no riacho mesmo, cheguei ao terceiro dia com a impressão de estar desidratada. A sorte que dormimos no hotel serra azul, e bem em frente a ele, tinha uma mina de água. Acordei de madrugada várias vezes pra beber água.
       
      - Vá de blusa com mangas longas, as várias passagens pelos campos de capins e também pelo meio da mata, podem e vão te cortar. Veja a foto..haha

       
      - Pegamos uma semana sem chuva e quase nenhuma neblina, mas se chover antes ou tiver neblina, redobrem a atenção, tem muitas lajes de pedras e subidas com locais escorregadios. E Algumas vezes só conseguimos nos orientar por ver totens ao longe.
       
      Bom ai vai.
       
      1° Dia - Toca do Lobo ao Avançado (acho que foi lá mesmo que acampamos)
       
      Saímos da pousada um pouco antes das 8h da manhã, e fomos começar a trilha por volta das 9h. A estrada é bem complicada, está até bem conservada, mas para chegar lá de carro comum não se pode ter apego ao carro. Contratamos uma "empresa" para nos levar até o início da trilha (depois explico as aspas na empresa).
      O início da trilha é tranquilo, uma estrada pouco frequentada e de fácil caminhada, depois que chegamos ao rio, ao qual temos que atravessar, é que começa realmente a trilha e a subida.
      É uma subida forte, porém fácil de levar mesmo com as mochilas pesadas (eu levei 5L entre água e gatorade e o André levou 6L de água). Depois dessa primeira subida chegamos ao Quartizito e é ai que começa a parte mais bonita da caminhada, é legal de ver sua trilha lá na frente, sempre por cima das cristas.
       
       

       
       
      Só que também começa um sobe e desce infernal...haha. Chegamos ao Capim Amarelo e decidimos andar um pouco mais, apesar do cansaço. Iamos tentar acampar no Maracanã. Erramos na saída do capim Amarelo, onde todo mundo fala pra prestar atenção..haha, tinha uma fita "xterra" e uma vermelha descemos e chegamos a um amontoado de bambu impedindo a passagem, tivemos que subir tudo e seguir por uma trilha mais a esquerda. Vale ressaltar que nessa primeira parte existem fitas amarelas marcando o caminho e totens, foi até fácil de se orientar, a partir desse momento é que complica um pouco. As fitas amarelas somem e aparecem pequenos durex amarelos ou brancos, é sempre importante olhar pra frente, pro alto e pra baixo, uma hora você acaba vendo os sinais.
      Chegamos até onde achamos ser o Avançado, e como o cansaço bateu forte resolvemos acampar ali mesmo. Achamos o melhor local e colocamos nossa barraca. Por ser um local bem abrigado não tivemos nenhum problema com vento ou frio.
      Para todo esse trajeto levamos por volta de 6h e meia, fomos bem tranquilo parando para tirar foto e tudo mais.
      Descansamos e nos alimentamos para enfrentar o segundo dia.
       
      2° Dia - Avançado - Pedra da Mina
       

       
      Começamos a caminhar tarde nesse dia um pouco antes das 10h, houve muita formação de geada nossa barraca estava congelada e com o sol ficou molhada. Colocamos tudo no sol para secar e só depois começamos a caminhar.
      Foi um dia de difícil caminhada, mais sobe e desce e pouca água. Estava sentindo o peso da mochila e como fomos no meu ritmo demoramos bastante. Na verdade só lembro disso mesmo nesse dia...haha...A orientação nesse dia foi feito praticamente só por totens e um app muito bom chamado EveryTrail, pra quem tem Android compensa baixar, nos ajudou bem em vários momentos que achei que estávamos perdidos.
      Praticamente nem tem foto desse dia, porque a moral estava muito baixa pra tirar fotos...haha.
       

       
       
      Quando chegamos ao Rio Claro, por volta das 15h, melhorou um pouco, podemos beber água e tomamos um banho de gato naquela água congelante..haha. Isso Ajudou um pouco com o cansaço, deu uma revigorada. Ficamos quase uma hora no riacho e retomamos a caminhada.
       
       

       
       
      Nessa parte tem muitos totens e como é uma trilha mais aberta a orientação fica bem mais fácil. Olhávamos a Pedra da Mina logo a frente e pensávamos "estamos quase lá", mas esse quase lá demorou mais uma hora e meia, chegamos ao cume bem a tempo de subir acampamento e ver um rápido pôr do sol.
      Nessa hora que a gente pensa "só mais um passo, só mais um passo"
       
       

       
       
      Assim que entramos na barraca, começou uma ventania das boas, achei que íamos ter problemas. Mas com o cansaço acabei dormindo e acordei por volta da uma da manhã, numa calmaria só, sem vento algum. Saímos da barraca e fizemos algumas fotos (estão na câmera do André, ainda nem vi se ficaram boas). Depois de uma lanche voltamos a dormir para descermos no dia seguinte.
       
       
      3° Dia - Pedra da Mina - Fazenda Serra Fina (ou era lá que deveríamos chegar..haha)
       
       
      Ahhh...a descida, chegamos ao objetivo, aquela sensação boa de missão cumprida, pensando em voltar pra uma cama, ter água a vontade...é a melhor parte #not hahaha
       
       

       
       
      Ô descidinha "dus inferno" é pior que a subida (isso é normal, mas essa é muito pior), que isso tem partes que só desescalando mesmo, sem condições de ir de frente. E vale dizer, é IMPOSSÍVEL, descer da Pedra da Mina a Fazenda Serra Fina em 3h30min, como diz os mapas, de mochila então é algo mais que impossível.
       

       
      E ai começou nossa "aventura", primeiro erramos a trilha, quase chegando ao Base, pegamos a trilha da direita, um pouco mais aberta e acabamos saindo abaixo da Fazenda Serra Fina.
      A "empresa" contratada para o resgaste disse que o normal era o resgate por volta das 16h, falei que íamos acordar cedo e descer, tentando chegar o mais cedo possível. Ela me disse "ok, não sou eu que vou fazer o resgate e sim meu funcionário, ele tem que levar umas pessoas na fazenda por volta das 11h e ele vai esperar vocês. Mas o normal é por volta das 16h, essa descida é difícil."
      Ainda chegamos uma hora antes do previsto por ela, chegamos na estrada por volta das 15h. Como estava muito cansada e com um pouco de medo (achei que estávamos perdidos) sentei e chorei...brincadeira...haha, sentamos pra descasar. Ficamos uns 20 min sentados e não passou uma alma viva, resolvemos deixar a mochila e subir até a Fazenda (vi pelo everytrail que ela estava um pouco acima de onde estávamos). Encontramos dois trabalhadores que confirmaram que a Fazenda era um pouco mais acima e perguntamos se eles viram alguém, eles disseram que não viram ninguém e que ninguém perguntou sobre a gente. Fomos até a Fazenda e não encontramos nada nem ninguém.
      Como falaram que o normal era chegar as 16h, voltamos para onde deixamos as mochilas e aguardamos, ficamos de 15h até as 17h esperando e nada. Passou outro trabalhador e disse que se fossemos até o Paiolinho conseguiríamos alguém para nos levar a Passa Quatro. Descemos e conversamos com uma senhora chamada Silvana, ela nos cobrou 100 reais para levar até a pousada. Aceitamos no ato (outro tinha nos cobrado 200 reais). Achei um absurdo, pois eles simplesmente nos abandonaram lá. Se tivéssemos machucado ou precisando de ajuda íamos estar lá até hoje. Não vou reclamar muito, porque a raiva já passou e também porque foi muito divertida a viajem com seu Sérgio, uma das melhores parte da viagem...haha.
       
      Bom é isso...quero agradecer ao pessoal que ajudou com as dicas, foram muito úteis. E espero que sirva pra alguém que pretenda fazer esse cume. É cansativo, é difícil, mas compensa é uma trilha linda com paisagens de tirar o folêgo.
       

       

       

       

    • Por vaninho
      PEDRA DA MINA UM DESAFIO VENCIDO PELA DETERMINAÇÃO
      Desde os primórdios de minha existência, as montanhas sempre me exerceram um grande fascínio. Nasci entre montanhas, numa variante da Mantiqueira, a Serra da Cantareira, no Município de Nazaré Paulista – lá pelos idos de 1952. Após um período de convivência com toda sua majestosa beleza, a Serra da Bocaina, na região das cidades históricas do Vale do Paraíba - SP, tive minhas atenções voltadas para a Serra da Mantiqueira, logo pela sua expressão máxima, a PEDRA DA MINA. E assim, no dia 23/08/2013, numa aventura solo, saí de minha cidade Guarulhos, e às 9h45min, iniciei a caminhada, pela trilha do Paiolinho, no quintal da sede da Fazenda Serra Fina – Município de Passa Quatro – MG, no ponto de coordenadas 513615 m E – 7523743 m N. Dia ensolarado, mochila com 19 kgf às costas, inclusos 4l d’água. A caminhada segue tranquila, duas porteirinhas de arame farpado à frente, área de algum cultivo, e lá vou eu. Seguem coordenadas tomadas aleatoriamente pela trilha 514725 – 7523425 e 514756 – 7523179. Agora uma matinha legal e a trilha segue pela sombra, até a chegada da primeira travessia de água, após 45 min. É uma água pequena, mas logo à frente já se cruza uma outra travessia d’água, bem mais volumosa no ponto de coordenadas 514823 – 7523170. Seguem coordenadas tomadas aleatoriamente pela trilha 514917 – 7523291 e 515379 – 7523017. Continuando, ainda em meio à mata, já são mais de 11 h e cheguei noutra travessia de água, um riacho muito bonito (515439 – 7522940). É bom tomar muito cuidado na transposição dessas travessias de água, pois as pedras são extremamente escorregadias e um tombo pode significar o fim da trilha. Outra recomendação: ao se apoiar em troncos de árvores preste muita atenção onde vai colocar as mãos, espinhos ou insetos venenosos também podem por fim à caminhada. Bem, a caminhada que até aqui vinha maneira, começa a mudar de feições e a subida começa a ficar mais agressiva com a trilha talhada por água de chuva e com pedras soltas, ainda que sob árvores. E agora avisto, pendurada numa árvore, a sempre lembrada panela vermelha, que já está esverdeada (515647 – 7522938), são exatamente 11h33min. Se já estiver a fim de armar a barraca, este ponto é um bom lugar. Seguem mais coordenadas da trilha 515487 – 7522624; 515555 – 7522479; 515705 – 7522274 e 515755 – 7521925. Daquela última travessia de água até aqui, meu amigo, ponto do acampamento base (515753 – 7521920) a coisa é brava, a trilha mostra com seriedade, o que ela reserva à frente. Bem, este local, chamado de acampamento base, é muito agradável. Tem lugar ajeitadinho para umas 4 barracas de 2 ou 3 pessoas, uma bela água, proteção sob árvores e até um fogão improvisado de pedras, tudo muito limpo e é bom que assim seja mantido, para que a alegria das pessoas educadas que, também, somos nós montanhistas, seja ainda mais abrilhantada, lembrando que aqui é o último ponto com água até a Pedra da Mina. Sabe que horas são? Eu te falo 14h40min – quase com exatidão 5 horas de caminhada serra acima, eu estou bem cansado e como não conheço as possibilidades de descanso mais à frente, vou armar minha barraca e pernoitar por aqui. 24/08 sábado, despertei às 5h30, dei uma olhada no termômetro fora da barraca e a temperatura estava em 3 graus. Me levantei assim que o dia clareou bem , fiz um café, enquanto um belíssimo canto de sabiá coleira embalava a manhã. Ajeitei a bagagem, com uma expectativa muito equivocada do que me esperava. Primeiro achei que chegaria no cume no máximo em 3,5 horas, não dei muita importância para as descrições que havia lido sobre as dificuldades da trilha, e assim, procurei levar na mochila apenas o de uso necessário e imediato: 2l d’água, sanduíches, câmera fotográfica, GPS, gravador digital de voz uma faca na cintura e por Deus, uma caixa de fósforo, que por acaso estava no bolso inferior da calça. 07h20min comecei a caminhar serra acima. Ando uns 80 m e me deparo com mais um lugarzinho ajeitado para armar uma barraca, no lado direito da trilha. Continuo subindo e a coisa vai ficando brava. O capim amarelo começa a ficar abundante oferecendo dificuldade ao caminhar e a subida vai se inclinando cada vez mais. Seguem coordenadas aleatórias da trilha 515635 – 7521797. Neste trecho, a subida tem o nome de Deus-me-livre e tem mais ou menos 400 m, segundo li. E subindo por entre o temido capim amarelo, cheguei num charco (515594 – 7521765), que na verdade é um discreto afloramento d’água que vai gerar um córrego mais para baixo. O sol já é bem forte e agora a trilha deu numa laje de pedra (515564 – 7521631). Deve-se continuar sobre a laje, pela direita, logo a trilha volta a ficar clara e dura de prosseguir. Após essa laje, da prá se assustar, uma verdadeira parede de pedra desponta à minha frente (515565 – 7521612). Não há outra maneira a não ser escalar. Vencida essa barreira, uma nova laje de pedra tenho que transpor (515556 – 7521564) e aí a trilha desaparece de vez, deve-se ficar atento na identificação de totens que indicarão a retomada da trilha – nesse trecho a altitude ainda é 2241 m e caminhar é necessário. A subida é de uma inclinação absurda, para se caminhar com segurança fico meio arcado para frente o que permite um equilíbrio maior. Nesse trecho também não se tem mais árvores, só capim amarelo e espécies de campo de altitude e na trilha muita pedra, exigindo muito cuidado com possíveis tombos (515567 – 7521530) segue coordenadas aleatórias 515620 – 7521434. Agora estou nas coordenadas 515630 – 7521407 e a altitude é de 2343 m, tenho uma belíssima vista do sul de Minas com 3 grandes aglomerados urbanos que devem ser pequenas cidades. Consulto o relógio e me alegro por ser ainda meio cedo. Continuo subindo, tracionado e reduzido, numa marcha extremamente vagarosa. Estou num ponto (515616 – 7521313) que se deve ter muita atenção para com os totens, pois a trilha some entre as pedras numa área muito grande. Logo à frente, nas coordenadas 515617 – 7521265 a trilha também some e é necessário observar o totem, que indica a retomada da trilha no meio do capim amarelo. Muito bem, estou finalmente em um cocuruto (515540 – 7521150), digo finalmente, porque há muito que não via uma descida na trilha. Vou adiantar que esse cocuruto, além de marcar o fim da subida do Deus-me-livre, é o 1º de uma sequência de 7 cocurutos uns mais altos que os outros. Deste 1º cocuruto vislumbro uma paisagem inefável e na sequência ponto na trilha 515448 – 7520998. Estou agora num ponto (515448 – 7520934) onde há uma ótima abertura para barraca, continuando o sobe e desce, estou agora em outro cocuruto (515445 – 7520878) e a altitude é de 2535 m, observe que estou andando pouco e subindo muito. Continuando a subida, estou noutro lugar bom para barraquear (515438 – 7520853) e continuando, agora estou numa matinha interessante, um misto de bambu com capim amarelo, onde há fortes sinais de que o lugar é usado para acampar (515494 – 7520724). A todo momento acho que já estou vendo a Pedra da Mina e nada, é mais um cocuruto desanimador, como este que vou ter que subir agora (515569 – 7520619) tá mais parecido com uma parede descascada do que uma encosta de montanha, ponto na trilha 515596 – 7520584. Parei no topo para descansar dei uma olhada no relógio do GPS são 11h33min, já se vão 4 horas de escalaminhada, e nada de se avistar a Pedra da Mina. Eu que achava que faria o percurso em 3,5 horas, já estou ficando preocupado. O sol é inclemente e a água já está minguando. A altitude aqui é de 2605 m (515594 – 7520532) isto quer dizer que ainda tenho que caminhar muito, pois ainda falta subir 193 m. Continua o sobe e desce e mais uma encosta terei que encarar, e assim cá estou eu em mais um cocuruto (515664 – 7520424). Neste trecho, agora vou descer para depois subir para mais um cocuruto, só observando os totens, não existe trilha demarcada . E agora, me encontro em outro e último cocuruto (515702 – 7520358). Agora sim, dei uma animada boa, pois não tenho dúvida de que estou diante da Pedra da Mina, porque avisto lá em baixo o curioso, sinistro, belo e exótico Vale do Ruah. Aqui tem um totem extraordinário, artístico e meio monumental. Olhando para a essa face da Pedra da Mina, deve-se seguir para a esquerda, acompanhando os totens. Eu estou fazendo isso, até que passo por um, aparentemente último totem, e a trilha me parece claramente que segue pelo capim amarelo, por onde acabo seguindo, meio desconfiado. Desconfiado porque eu tinha lido em relatos de outros montanhistas, que seguindo os totens, não haveria erro e o cume seria alcançado com facilidade. Erroneamente, insisto pelo campim amarelo, pois a encosta da pedra está à minha frente e a tentação de logo alcançá-la é enorme. Não faça isso, perdi mais de 40 minutos para caminhar uns 100 m, num sufoco atroz. Após vencer o capim amarelo chego no leito seco de um córrego (515990 – 7520182), cuja cabeceira é bem próxima. Esse córrego, segue margeando o sopé da pedra em direção ao vale do Ruah. Seguem pontos aleatórios na trilha 515982 – 7520126 e 516050 – 7519985. Bem, ainda meio desconfiado, começo a escalar a encosta da pedra, continuo desconfiado porque a altitude aqui é de 1600 m, faltando ainda 198 m o que me parece muito pelo visual que daqui tenho do topo. Estou decidido a voltar, dar por encerrada essa trip, caso essa encosta não seja a da Pedra da Mina. Continuo subindo e olha só o que me espera: um novo totem ( 516092 – 7519916) – que alegria. Agora sim estou avistando a fileira de totens, lá na frente, fazendo uma trilha que contorna exatamente a cabeceira daquele córrego de leito seco a que falei agora pouco. É que não tenho tempo, mas eu acho que até água ali na localidade da cabeceira desse córrego deve ter. Então, naquela hora do último totem, no fim da descida e começo do capim amarelo por onde optei, eu deveria seguir em frente, margeando o capim amarelo, sem perder de vista o córrego que serve muito bem de orientação. Neste momento, são 13h36min, me encontro no topo da Pedra da Mina. Levei 6 horas escalaminhando. Um grupo de 5 pessoas também acaba de chegar, vindo da Toca do Lobo. Muito bem, se eu não estivesse lutando contra o relógio, iria fazer um descanso e explorar esse local com mais tempo, mas não posso, tenho que descer antes que escureça. Assinei o livro de cume, fiz algumas fotos, me despedi dos rapazes e perna bamba para baixo. Inicio a volta pelo mesmo caminho, passando de novo pelo capim amarelo, pois deixei na trilha que fiz por ele, papéis branco sinalizando a trilha e volto agora recolhendo-os, antes disso, fiz um lanchinho rápido economizando o resto da água. A trilha se mostra muito difícil neste início, estou extremamente cansado e tenho uma longa subida pela frente, até aquele totem monumental que sinaliza o Vale do Ruah, para depois começar a sucessão de cocurutos, antes do início da descida do Deus-me-livre. Esse sobe e desce dos cocurutos, é uma verdadeira prova de resistência e o sol já começa a me dar sinais de que não vai me esperar. Começo a descida o Deus-me-livre a passos largos, embora a minha resistência esteja comprometida. Tenho que caminhar muito ainda e a descida é tão exigente quanto a subida. Tenho que ficar de 4 em muitos lugares e descer de ré com muito cuidado para não me machucar. Agora tomo o último gole d’água e continuo com uma sede enorme. Continuo descendo com as pernas já bambas pedindo repouso e o sol se pondo, à minha esquerda, com grande rapidez. Está escurecendo e a descida não tem fim, mas a trilha aqui ainda é razoavelmente visível. Continuo descendo, sem nenhum tipo de dúvida, de repente, meu Deus, estou diante de uma mata fechada, onde está a trilha? – Eu sabia que estava na mata onde estava armada minha barraca. Estou em meio a uma clareira, e a trilha, passando por esta clareira vai só até a mata, uma trilha usada para outras necessidades. Tentei voltar, mas já não aguentava mais caminhar. Neste momento estou meio atônito, tomando medidas automaticamente. Tirei o colete, a camiseta encharcada de suor, vesti a camisa de mangas comprida e descobri, por uma ação verdadeiramente milagrosa, que tinha uma caixa de fósforo no bolso inferior da calça. Estou tremendo muito de frio, um tremor incontrolável, as pernas estão bambas sem nenhuma firmeza Me arrasto até um lugarzinho meio protegido, numa espécie de barranco, limpei um pouco o chão com a faca, enquanto um ratinho tentava me roubar o lanche de salame. Não tive forças, nem prá olhar no GPS, onde estava, pois eu havia ativado o track back lá na Pedra. Nessa pequena área que limpei, fiz uma fogueirinha, que alimentei com folhas e ramos verdes a noite inteira. A mochila, que é grande, posicionei-a nas costas, o que as protegia um pouco do frio e me curvei como um camarão, mantendo-me bem próximo da fogueirinha. De tempo em tempo tinha que fazer um esforço enorme pra me levantar, e meio cambaleando providenciar mais folhas e ramos para queimar. Nesse ritmo presenciei o nascer e o por da Lua em meio a um céu pejado de estrelas, de uma noite muito fria no seio da Serra da Mantiqueira, localmente conhecida como Serra Fina. Muito bem, o sol já começa despontar para o amanhecer do dia 25 de agosto de 2013 (Domingo). Me levanto, ainda bem cansado, mas bem mais animado. Olho para o GPS e noto, como havia previsto, que estou a 15 m da saída correta da trilha e a uns 80 m da barraca. Começo a retomada, uma pequena subidinha, acho que foi isso que não me animou a voltar, e a trilha meio camufladinha ali está, sigo um pouco e começo a ouvir o barulho de água da pequena cachoeirinha, agora já avisto minha barraca azul e branca, coberta de sereno gelado em cujo interior se encontra todo meu equipamento capaz de me oferecer conforto em situações extremas. Pensei até em fazer um descanso no conforto do saco de dormir dentro da barraca, mas de novo estou preocupado com o tempo, pois tenho uma longa caminhada ainda pela frente até o carro lá no quintal da fazenda Serra Fina. Fiz de conta que estava com grande disposição, desmontei a barraca, enrolei tudo mais ou menos na mochila, antes comi um pouco meio sem querer, tomei bastante água, pois passei a noite inteira sonhando com água. Alcei a mochila ás constas, despedi-me do local com um profundo gesto de gratidão e parti para a última etapa dessa desafiadora trip. Fiz algumas paradas para descanso e após 3h20min, chego ao quintal da Fazenda Serra Fina às 11h20min do dia 25 de agosto de 2013, cansado, mas feliz. F I M.
      As coordenadas aqui informadas, estão referenciadas no Datum WGS 84, o mesmo do GOOGLE EARTH
      Joao vanes (VANINHO)
      [email protected]
    • Por E.Samuel
      Data da viagem: 13-08-2016
      Como vão mochileiros?
       
      Este é o meu primeiro relato para o site, espero que gostem.
       
      Bate/Volta pedra da Mina – Ótimo treinamento para outras montanhas.
       
      Bom, começamos nossa viagem saindo da pequena cidade de Santa Rita do Sapucaí-MG.
       
      Saímos à 0:10 em 8 pessoas - Esron Samuel (eu), Tiago (bananeira), Leandro (Nandão), Luiz Eduardo (Dú), Zé Renato (Guia e Fotógrafo), os gêmeos (Luiz Eduardo e Gabriel) e Wallace. Quem nos levou até a cidade de Passa Quatro foi o Edson, motorista da Van.
       
      Chegamos em Passa Quatro por volta das 3h da manhã e seguimos direto para a estrada de terra. Após meia hora, percebemos que pegamos a estrada errada e tivemos que voltar, o que fez perdermos um pouco de tempo, mas faz parte.
      No caminho certo, a van nos deixou um pouco abaixo da fazenda Serra fina, pois estava muito difícil de subir.
      Chegamos à fazenda e começamos a caminhada exatamente às 4h53min da manhã. Estava muito frio, então tratamos logo de ligar a lanterna e partir pra caminhada.

       
      Dica: Pra quem for fazer trilha, tanto bate/volta quanto acampar, vá à noite, pois andar de madrugada rende muito - créditos ao nosso parceiro Nandão.
       
      Nossa primeira parada foi na famosa Panela Vermelha, onde paramos para tomar água e comer algo. Logo depois de sairmos do camping da Panela Vermelha vimos um paredão, onde decidimos esperar pelo o resto da turma.
      O cartão de visita da pedra da mina é de tirar o folego. Recomendo um bom preparo físico, pois o pior ainda estava por vir...rsrs.
      Segue foto da primeira parada:

       
      Logo depois de agruparmos, começamos uma subida bem chata, cheia de pedregulhos. O sol já havia nascido e estava quente, continuamos caminhando e logo depois avistamos o morro chamado “Deus me livre”.
      Não entendia o motivo do nome Deus Me Livre, fui entender quando estava subindo. Sinceramente, o nome faz jus. Quando terminamos a subida do Deus Me Livre, imaginei que teríamos uma trégua e que andaríamos por uma trilha plana, mas me enganei. Subimos mais um pouco e, depois de 20m de caminhada, avistamos os Cocurutos - a vista é deslumbrante e dá pra ganhar um folego extra.

       
      Fôlegos retomados, descemos um pouco e passamos pelo acampamento que fica entre os Cocurutos e o Pico da Asa. Logo depois, começou a subida da “Misericórdia”. Confesso que nesse momento eu estava com câimbras e pensei em desistir de alcançar o topo. Eu e meu amigo Tiago estávamos exaustos. Fiz alguns alongamentos e retomei a subida junto ao meu parceiro. Quando terminei, avistei a turma à minha frente.
      Foto do topo do Pico da Asa:

       
      Enfim, depois disso cheguei à base da Pedra da Mina e avistei um pessoal subindo outra montanha. Mais uma foto:

       
      Nesse momento apertei o passo pensando que finalmente alcançaria o topo. Quando estava subindo, avistei o belíssimo vale do Ruah - o vale mais alto do Brasil, confesso que fiquei emocionado em vê-lo.

       
      Depois de várias fotos, continuei subindo e, finalmente, avistei a imponente Pedra da Mina. Nessa hora veio aquele alívio e também aquela gratidão. Chegando lá em cima, não sentia dor nem cansaço, só queria prestigiar o momento e a vista maravilhosa. Seguem mais algumas fotos:




       
      Minha Turma:

       
      Gostaria de agradecer a todos que foram nessa aventura, faço minha as palavras de todos. Foi com muito esforço e garra que subimos e chega certo momento em que você só consegue subir com muita força de vontade e determinação, o psicológico conta muito nessa hora. Se fosse para descrever o grau de dificuldade em palavras, eu não conseguiria. Quando eu estava para desistir, pedia força a Deus para me ajudar.
      Como li num relato aqui no Mochileiros...
      “A cada dia percebo que o bom montanhista não é aquele que melhor escala, que tem os melhores equipamentos, ou que percorre longas distâncias em menos tempo, mas sim aquele que compartilha suas experiências com outros amigos, divide o prazer de cada passo com seus companheiros e que enfrenta as dificuldades da montanha em equipe com o mesmo prazer de quem sorri ao ver o sol nascer por de cima dos altos cumes”.
      Até a próxima.
       
      Considerações finais.
      Chegada no Paiolinho: 04:50
      Chegada no Cume: 09:48
      Inicio da volta 10:50
      Chegada no Paiolinho: 15:15


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