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Érica Martins

Guia Completo e Relato: Serra da Capivara + Serra das Confusões (6 Dias, Com custos)

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Pessoal, como não consegui garimpar na internet os circuitos que integram os dois parques e antecipar o que fazer com tão pouco tempo disponível, coloco aqui um guia o mais completo possível com as informações após a viagem. Aviso que será um post longo porque a região é complexa e enorme.

O planejamento e escolha dos lugares e circuitos é essencial para aproveitar o máximo da viagem. De qualquer forma, você só conhecerá o essencial. Nem sei quanto tempo seria necessário para conhecer só os sítios arqueológicos da Serra da Capivara. A região é riquíssima de sítios, formações geológicas e descobertas sobre a história do homem que não existem em outra parte do planeta.

GUIA COMPLETO

Data da Viagem: SETEMBRO DE 2017

Informações Iniciais:

  • Ida: João Pessoa/PB – São Raimundo Nonato/PI, via Petrolina/PE ~ 1.210 km (2 dias)
  • Volta: São Raimundo Nonato/PI – João Pessoa/PB, via Ceará, com parada para dormir em Juazeiro do Norte/CE ~ 1.200 km (2 dias)
  • Gasolina (preço médio do litro R$ 4,15): ~ R$ 1.200,00 (~ R$ 240/Pessoa) + R$ 150 conserto do cano de descarga (R$ 30/pessoa)
  • Transporte: Carro (Sandero motor 1.6)
  • Grupo: 5 Pessoas
  • Hospedagem em Petrolina (Ida): Riviera Apart-Hotel, Booking, Quartos duplos, R$ 80 (R$ 40,00/pessoa) sem café da manhã, simples mas ok
  • Hospedagem em São Raimundo Nonato: Pousada Ninho da Siriema, achei no Google Maps. Muito simples mas ótima. Colada na rodoviária, ideal para quem chega de ônibus, porém, afastada do centro. Recepção incrível do Ytamar (cantor e violeiro) e Ivete, sua mãe. Tem bar com cerveja barata, carne de sol, macaxeira, peixe fresco. Diária de R$ 35/pessoa, quarto com ar condicionado, café da manhã incluso e água gelada para as trilhas. (89) 98119-6013 e (89) 98124-0908, falar com o Ytamar Lewis (https://www.facebook.com/ytamar.lewis)
  •  Hospedagem em Juazeiro do Norte/CE (Volta): Pousada Portal do Cariri, Booking, 1 quarto triplo R$ 130 (~ R$ 43,30/pessoa). Quarto velho e sujo. Café da manhã médio.
  • Guias na Serra da Capivara: Mário Filho (89) 99430-2800 e 98129-1038 (NÃO RECOMENDO); Bruno Freitas (89) 98111-1007 (Bom)
  • Guia na Serra das Confusões: Naldo (89) 98115-5071 (mediano, quebrou o galho).
  • Diária dos Guias: R$ 150 Serra da Capivara (R$ 30/pessoa/dia), R$ 100 Serra das Confusões (R$ 20/pessoa)
  • Ingressos: R$ 16,00 (Portarias da Serra da Capivara), R$ 10 (Portaria da Serra das Confusões) e R$ 14 Museu do Homem Americano

Detalhes importantes:

  • A cidade base mais estruturada para conhecer o Parque Nacional da Serra da Capivara é São Raimundo Nonato (SRN), situada no sudeste do Piauí.
  • Para chegar a SRN o aeroporto mais próximo é o de Petrolina (~ 300km via Remanso c/ 50km de estrada de terra ou ~ 400km via Afrânio só asfalto) ou Teresina (~ 550km via Floriano, asfalto)
  • Existe opção de se hospedar dentro do parque, no Albergue Serra da Capivara. Quarto privativo e dormitório. Não sei o preço.
  • Tem ainda opção de se hospedar no povoado Sítio do Mocó, na Pousada e Camping Pedra Furada. É o mais próximo da portaria principal do parque (~2km).
  • Optamos por ficar em SRN pela comodidade de serviços e melhor fluência entre as diversas atrações da região.
  • SRN fica a ~ 35km de qualquer portaria da Serra da Capivara. Contabilizar isso para a gasolina que é caríssima em SRN.
  • A cidade base para conhecer o Parque Nacional da Serra das Confusões é Caracol, muito pequena e quase sem infra (hospedagem, restaurantes, etc), por isso sugiro bate-volta a partir de SRN.
  • Não é permitido acessar os dois parques sem guia credenciado.
  • Não é possível fazer os passeios sem carro ou sem contratar guia com carro ou moto.
  • Não existe transporte coletivo, carona ou outro meio de transporte até os parques.
  • Os preços dos guias são tabelados. Alguns aceitam negociar se for meia diária.
  • Se você estiver de carro tem que contabilizar 1 das vagas do carro para o guia (éramos 5 + 1 guia = 6 pessoas; foram dias de muito aperto e calor).
  • Não existe locadora de carro em SRN.
  • O ideal é alugar carro em Petrolina ou Teresina.
  • Diária de guias com carro: R$ 220 carro + R$ 150 guia = R$ 370/dia; portanto, se você fizer a conta vale a pena alugar carro simples em Petrolina ou Teresina.
  • Não existem empresas de turismo organizadas em SRN e em Caracol com pacotes de tour organizados. Essas empresas são de fora (São Paulo, Teresina) e trazem turistas direto pra cá.
  • Existe uma lista de guias autorizados pelo parque Serra da Capivara que devem ser contatados por telefone. Encontrei no site oficial do Icmbio: http://www.icmbio.gov.br/portal/images/stories/o-que-fazemos/visitacao/condutores_credenciados_PNSC_30.05.14.pdf
  • Não encontrei lista de guias do Parque Nacional da Serra das Confusões e deixei para encontrar lá.
  • A infraestrutura do Parque Nacional da Serra da Capivara é de Padrão Internacional, com placas, estradas e tudo em excelente estado de conservação.
  • A administração da Serra da Capivara não é exclusiva do ICMBio (governo federal) e sim feita pela Fundação do Homem Americano (Fundham), de chefia da arqueóloga internacionalmente reconhecida Niéde Guidon desde a década 70. É uma vida inteira dedicada a pesquisa e desenvolvimento da região.
  • A região é uma das mais quentes do país, com temperaturas que passam de 40ºC, por isso, carregar bastante água, chapéu/boné, blusa de manga comprida respirável, protetor solar e calçado leve  (levei tênis de corrida comum com boa ventilação; levei bota mas não usei nenhum dia).
  • Sugiro no mínimo 4 dias só na Serra da Capivara (para conhecer o básico) e +1 dia p/ Serra das Confusões (se tiver com carro de tração, ficar 2 dias na Serra das Confusões e ir até a Portaria do Barreiro).

Guias e Circuitos:

Durante o planejamento da viagem não consegui encontrar informação exata sobre os circuitos, rotas e núcleos de visitação dos dois parques que são enormes, por isso ficamos à mercê do guia.

O nosso primeiro guia na Serra da Capivara (Mário Filho) estava de má vontade e, por isso, não conseguimos aproveitar o parque como poderíamos. Quando trocamos de guia no último dia, foi mais proveitoso. Indico o Bruno que nos acompanhou no último dia e o Waltércio que já estava ocupado mas que é super prestigiado e procurado.

Como os passeios não são autoguiados a escolha do guia é fundamental. Não levei a sério e a experiência saiu prejudicada. Busquem referências de outras pessoas.

Sobre os circuitos, para contribuir com todos os aventureiros que sonham em andar por aquele pedacinho isolado do país, fotografei ao máximo os mapas dos circuitos que gostaria de ter visto antes e deixo aqui a sugestão do que gostaria muito de ter feito com um bom guia:

  • Dia 1: Circuito Desfiladeiro + Sítio de Meio
  • Dia 2: Circuito Baixão das Mulheres + Boqueirão da Pedra Furada (BPF)
  • Dia 3: Parque Nacional da Serra das Confusões (Portaria de Caracol)
  • Dia 4: Fábrica de Cerâmicas Tradicional + Circuito Chapada
  • Dia 5: Museu do Homem Americano + Circuito Serra Branca

Mapa completo – Circuitos – Parque Nacional da Serra da Capivara

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Circuitos – Principais Trilhas – Parque Nacional da Serra da Capivara

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Circuitos – Principais Trilhas – Parque Nacional da Serra da Capivara

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Trilhas Acessíveis – Carro comum – Portaria de Caracol – Parque Nacional da Serra das Confusões

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Trilhas Inacessíveis de Carro Comum – Só Carro Traçado – Portaria Barreiro – Parque Nacional da Serra das Confusões

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No próximo post deixo relato fotográfico e descritivo do que visitamos.

 

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DIA 1 – ESTRADA + SÃO RAIMUNDO NONATO/PI

Petrolina/PE é a cidade base mais comum para quem quer conhecer a Serra Capivara com aeroporto mais próximo do que Teresina. Vale a pena tirar um dia da viagem, antes ou depois, para aproveitar um dia na bela região do Rio São Francisco.

São 2 opções de trajeto: via Remanso/BA com 45km de estrada de terra e via Queimada Nova/PI que foi o que fizemos. Não sei informar como está o percurso via Remanso, mas disseram que é mais curto e rápido.

De Petrolina seguimos por ~ 120km até Afrânio/PE onde almoçamos a R$ 20,00 a vontade no restaurante do posto Petrobras (Restaurante Reis).

Seguir por mais ~ 21km até o Posto Fiscal de Pipocas onde acessa-se a estrada local Rod. Dom João Kot I à esquerda em condições razoáveis até Queimada Nova/PI; daí pega-se a PI-459 num percurso de ~ 170km até São João do Piauí onde vira-se à esquerda na BR-020 por mais 98km até SRN.

De Petrolina a São Raimundo: ~ 410km, ~ 6h.

O percurso entre o posto fiscal de Pipocas e São João do Piauí está em condição mediana a razoável e é um atrativo a parte. São curvas, serras e animais que obrigam a reduzir a velocidade, mas a paisagem árida compensa.

A sensação é de estar viajando no tempo, numa região esquecida, de casinhas abandonadas e vida pacata para quem ficou. A terra é vermelha e pedregosa. Trechos com chão rachado. Vegetação cinzenta e seca. Árida. Para quem quer experimentar a caatinga de verdade vale a pena viajar por aqui.

Fauna “Nativa” – Sertão do Piauí – Caatinga – Semiárido

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Casinhas Abandonadas – Sertão do Piauí – Caatinga – Semiárido

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Entrada da Cidade – Seriema – São Raimundo Nonato/PI

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A Pousada Ninho da Siriema fica colada na rodoviária e na entrada da cidade para quem vem de São João do Piauí. Combinamos com o guia, que foi até a Pousada, 2 dias de passeio e saímos para uma volta pela cidade.

São Raimundo tem infraestrutura para turismo com bancos, pousadas, bares e restaurantes, mas nenhum atrativo que compense pagar mais caro para ficar no centro da cidade.

Sacamos dinheiro, compramos lanche, visitamos a Igreja de Santa Luzia e a feirinha do lado dela. Comemos sanduíche (R$10) na praça movimentada em frente a Pousada Zabelê e caminhamos pela cidade até a Praça do Relógio, passando pela feira livre que estava fechada.

DIA 2 – PARQUE NACIONAL DA SERRA DA CAPIVARA: CIRCUITO DESFILADEIRO DA CAPIVARA + FÁBRICA DE CERÂMICA TRADICIONAL + SÍTIO DO MEIO + MIRANTE ALTO DO BOQUEIRÃO DOS RODRIGUES

O acesso ao Circuito do Desfiladeiro da Capivara é muito fácil. Seguimos pela BR-020 por 40km de SRN sentido São João até a Guarita da BR-020, com várias placas de indicação do acesso. Não tem erro. Saímos da pousada às 7:30.

Circuito do Desfiladeiro da Capivara: Mapa – Detalhe – Parna Serra da Capivara

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Pagamos ingressos na portaria com lojinha, entramos com o carro em uma estrada do tipo one way (sentido único), de terra em boas condições.

 Circuito do Desfiladeiro: One Way – Macaquinhos – Parna Serra da Capivara

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As atrações ficam ao longo ou a poucos metros de caminhada da estrada. É só parar o carro, descer e apreciar. Infelizmente nosso guia não quis nos levar até as atrações que exigiam mais do que 20 minutos de caminhada.

As pinturas são da Tradição Nordeste e da Tradição Agreste, Subtradição Várzea Grande, Estilo Recuado, Estilo Serra da Capivara e Estilo Serra Talhada. Tem figuras antropomorfas (humanos) e da fauna e flora, em cores vermelho, amarelo e branco acinzentado.

Atrações Vistas no Circuito Desfiladeiro da Capivara bem próximas à estrada: Toca do Pajaú, Toca da Entrada do Pajaú, Gruta Inferno, Toca do Barro, Toca da Entrada do Baixão da Vaca (antropomorfo) e Toca do Paraguaio (vestígios de duas ossadas).

Todas têm acesso fácil, algumas com acessibilidade. As inscrições rupestres são um atrativo adicional pois toda a geomorfologia, as grutas, a infraestrutura, a fauna (mocó, macacos, lagartos, etc) e flora (mandacaru, facheiro, xique-xique), tudo é belíssimo.

Atrações que NÃO visitamos: Toca Pequena da Areia, Toca Nova da Estrada, Veadinhos Azuis, Mulundu, Eminhas Azuis, Toca do Deitado, Gameleira do Baixão da Vaca, Fundão do Baixão da Vaca e Boqueirão do Paraguaio.

Circuito do Desfiladeiro: Toca do Pajaú – Pinturas – Tradição Nordeste – Estilo Recuado

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Circuito do Desfiladeiro: Gruta Inferno – Sem Pinturas – Microclima Fresco – Mata Alta

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Circuito do Desfiladeiro: Toca do Barro – Pinturas Minúsculas – Infraestrutura

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Circuito do Desfiladeiro: Toca da Entrada do Baixão da Vaca – Pinturas – Festa

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Circuito do Desfiladeiro: Toca da Entrada do Baixão da Vaca – Subida – Mirante

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Circuito do Desfiladeiro: Toca do Paraguaio – Mocó (roedor ruminante) – Pinturas

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Finalizado o Circuito do Desfiladeiro pela manhã, saímos pela Guarita do Desfiladeiro e seguimos por estrada de terra em boas condições por ~ 8km até o restaurante do Albergue Serra da Capivara (sede da fábrica de cerâmica e do hostel).

Almoço muito bom a preço fixo (R$ 24). Lotado. É preciso pedir ao guia para reservar com antecedência para o grupo. Somente dinheiro.

Após o almoço fizemos uma visita guiada com um dos ceramistas para conhecer o processo de fabricação da lindíssima cerâmica tradicional da Serra da Capivara (vendida a preço de ouro em lojas como a TokStok).

A fábrica emprega mais de 40 pessoas do entorno, entre homens e mulheres e produz um volume considerável de cerâmica, inclusive para exportação. São belíssimas.

Ao lado da fábrica fica a loja com bons preços e tem uma sessão com peças “defeituosas” ou fora do padrão com preços promocionais.

 Cerâmica da Serra da Capivara – Fábrica – Visita Guiada

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Cerâmica da Serra da Capivara – Fábrica – Visita Guiada

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Seguimos por ~ 6km em estrada de terra em boas condições do Albergue até a Guarita Boqueirão da Pedra Furada (BPF) onde ficam os circuitos Boqueirão da Pedra Furada (mais famoso e visitado), Sítio do Meio e Baixão das Mulheres.

 Circuitos: BPF, Sítio do Meio e Baixão das Mulheres: Mapa – Detalhe

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 O ingresso pago de manhã na Guarita da Br-020 vale para o dia todo. Apresentamos na Portaria do BPF e seguimos reto pelas atrações do início até uma bifurcação à direita que levou ao Sítio do Meio.

Só visitamos 2 atrações no Circuito Sítio do Meio: a Toca da Escadinha e a Toca do Sítio do Meio, bem próximas e ambas com acesso muito fácil a partir do estacionamento. Destaque aqui para os Mandacarus gigantes.

A Toca do Sítio do Meio tem infraestrutura de pesquisa instalada e vestígios de agricultores que viveram já na modernidade nas grutas e tocas da região. As pinturas são complexas. Foi uma das primeiras áreas de pesquisa na década de 70 e é um dos sítios mais importantes para a arqueologia mundial.

Outros sítios que NÃO visitamos no circuito do Sítio do Meio: Toca da Ponta da Serra, Jurema da Ponta da Serra, Entrada do Baixão do meio, Toca do Sítio do Meio de Cá, Toca da Guabiraba, Pau D’arco e Caldeirão do Sítio do Meio.

Circuito Sítio do Meio: Toca do sítio do Meio – Vestígios de Agricultores – Século XX

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Circuito Sítio do Meio: Toca do sítio do Meio – Infraestrutura de Pesquisas

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Circuito Sítio do Meio: Toca do sítio do Meio – Pintura Famosa – “Siri”

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Do Sítio do Meio seguimos, em trilha moderada, com partes íngremes e um pedacinho de escalaminhada em rocha rumo ao Mirante Alto do Boqueirão dos Rodrigues. Para quem tem medo de altura, pode ser problemático. Mas a vista compensa. Companhia de macacos no caminho.

Da ponta do mirante temos vista para: vastidão da planície de caatinga à frente, Pedra Furada à direita e paredões de arenito multicores à esquerda. É de tirar o fôlego e ótimo para ver no final do dia.

Na descida do mirante paramos para conhecer a Toca do Boqueirão do Pedro Rodrigues, com pinturas.

Trilha para o Mirante Alto do Boqueirão dos Rodrigues – Mandacarus Gigantes

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Trilha para o Mirante Alto do Boqueirão dos Rodrigues – Após Escalaminhada – Segue Subindo

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Mirante Alto do Boqueirão dos Rodrigues: Imensidão de Caatinga – Vista Geral da Planície do Parque

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Mirante Alto do Boqueirão dos Rodrigues: Paredões de Arenito – Erosão Natural

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Mirante Alto do Boqueirão dos Rodrigues: vista ao longe da Pedra Furada

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Dali retornamos para o carro e por ~ 8km de estrada de terra boa, passando pelo povoado de Sítio do Mocó, até a BR-020 e mais ~ 21km até SRN.

DIA 3 – PARQUE NACIONAL DA SERRA DA CAPIVARA: CIRCUITO BOQUEIRÃO DA PEDRA FURADA + PARTE DO CIRCUITO CHAPADA (Caldeirão dos Rodrigues)

Novamente saímos do hotel 7:30 e seguimos por 28km, via povoado Sítio do Mocó, até a Guarita Boqueirão da Pedra Furada (BPF). Pagamos novo bilhete e seguimos para a parte mais conhecida do Parque.

De manhã passamos direto pelas atrações iniciais e fomos até o mirante Vista Panorâmica, de acesso fácil por trilha com pequena subida.

Todas as demais atrações do Circuito BPF ficam ao longo ou a poucos metros de caminhada da estrada. É a parte mais acessível e mais cheia de visitação de todo o parque. É só parar o carro, descer e apreciar. Pegamos um dia cheio de visitação escolar.

Atrações que visitamos no Circuito Boqueirão da Pedra Furada pela manhã: Vista Panorâmica, Tocas da Fumaça I, II e III, Pedra Furada, Toca do Cajueiro da Pedra Furada, Toca do Carlindo II, Toca da Rancharia do Baixão do Macário e Boqueirão da Pedra Furada.

Atrações que não visitamos no Circuito BPF: Toca da Fumaça II, Tocas do Carlindo I e III.

Destaque aqui para a Pedra Furada, um dos principais símbolos da Serra da Capivara e onde são realizados shows, festivais, peças de teatro, espetáculos de dança e onde são desenvolvidos projetos culturais junto às comunidades do entorno. Tem infraestrutura de palco e jogo de sons e luzes. Anualmente é palco do Festival de Ópera da Serra da Capivara. Aqui já se apresentaram nomes da música como Lenine, Hermeto Pascoal, Academia da Berlinda, Cidade Negra, dentre outros.

No dia que visitamos tivemos a sorte de conhecer o trabalho incrível da coreógrafa brasileira, nascida no Piauí e residente na Alemanha, Lina do Carmo que vem anualmente à Serra da Capivara desenvolver espetáculo de dança com as crianças de uma das escolas públicas do entorno do Parque. Projeto belíssimo de alto impacto positivo para a comunidade.

Mirante Vista Panorâmica – Circuito BPF – Estratos das rochas e Caatinga

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Circuito BPF: Toca da Fumaça I – Pinturas Cinza e Branco (Tradição Serra Branca: mais recente)

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Circuito BPF: Sítio Toca do Carlindo II – Caldeirão da Escuridão

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Circuito BPF: Pedra Furada – Marco Cultural do Parque Nacional

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Circuito BPF: Pedra Furada – Ensaio com crianças da região – Coreógrafa Lina do Carmo

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Da Pedra Furada seguimos para o Sítio do Boqueirão da Pedra Furada, principal sítio arqueológico que deu início às pesquisas na região e à criação do Parque. Foi mapeado por uma missão franco-brasileira em 1973 sob comando da Niéde Guidon.

É um paredão gigantesco que possui mais de 1.100 pinturas de vários estilos, cores e momentos super preservadas. É surreal. Tem estrutura de escadarias e passarelas que facilitam a visitação. Dá para sentar, ir descobrindo as várias pinturas e viajando no tempo.

Circuito BPF: Boqueirão da Pedra Furada – Paredão com mais de 1.100 pinturas

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Circuito BPF: Boqueirão da Pedra Furada – “Capivara” símbolo do parque

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Circuito BPF: Boqueirão da Pedra Furada – Mistura de cores, estilos e tempos

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Almoçamos novamente no restaurante Albergue Serra da Capivara (R$ 24) e seguimos à tarde para o Circuito Chapada (Caldeirão dos Rodrigues), cujo acesso fica dentro da Portaria do Circuito BPF.

Este circuito é conhecido como a parte funda do parque. Fica numa parte mais isolada, de trilhas com maior nível de dificuldade, quase sem gente e com pinturas situadas em partes altas e íngremes.

Local com prática de escalada, escalaminhada e outros esportes de aventura.

Caminhamos dentro de um vale por uns 800m até o paredão onde visitamos o abrigo Fundo do Baixão da Pedra Furada com vestígios de fogueira e pinturas de “emas” em sequência.

Depois subimos por uma “escadaria” improvisada por barras de ferro cravados direto na pedra, em dois lances. Procurei a informação de quantos degraus são, mas não achei. O guia falou em 178 degraus.

Ao contrário de todos outros sítios e trilhas, não recomendo esse passeio sem equipamentos de segurança, como nós fizemos, ou por pessoas que tenham medo de altura e/ou não tenham familiaridade com trekking em altura.

Depois descobrimos que essa parte de escada não é usada por caminhantes comuns e que existe uma trilha massa de ~ 4h para conhecer essa parte específica da Chapada sem ter que subir pela escadaria de metal e sim por outra escada de alvenaria. Porém o nosso guia mala preferiu arriscar e subir pela de metal porque teria que caminhar e era algo que definitivamente ele não estava afim.

Na parte alta do chapadão visitamos sítios isolados e com pinturas diferentes e mirantes.

Atrações que visitamos no Circuito Chapada à tarde: Fundo do Baixão da Pedra Furada e Tocas do Caldeirão dos Rodrigues.

Atrações que não visitamos no Circuito Chapada: Baixão das Andorinhas, Toca da Perna I a X, Toca Baixão da Barriguda, Trilha do Perigoso, Trilha do Pitombi.

 Circuito Chapada: Fundo do Baixão da Pedra Furada – pinturas quase ao nível do solo que ajudaram pesquisas sobre mudanças climáticas

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Circuito Chapada: Caldeirão dos Rodrigues – Escadaria de metal – subida tensa em dois lances de escadas com barras de metal cravadas na rocha

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Circuito Chapada: Caldeirão dos Rodrigues – parte alta da chapada com vegetação mais seca e clima mais quente

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Circuito Chapada: Caldeirão dos Rodrigues – parte alta da chapada – Toca do Caldeirão do Rodrigues I – pinturas raras com cenas cotidianas

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Circuito Chapada: Caldeirão dos Rodrigues – parte alta da chapada – Toca de Cima do Fundo do Boqueirão da Pedra Furada – pinturas raras com coloração muito nítida

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Circuito Chapada: Caldeirão dos Rodrigues – topo da parte alta da chapada

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Circuito Chapada: Caldeirão dos Rodrigues – parte alta da chapada – Mirante com vista para o vale e os chapadões

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A descida da escadaria de metal foi pavorosa. Os cabos estão frouxos na rocha. Pedimos ao guia para descer por outro caminho mas ele nos enrolou e disse que não dava. Mas descobrimos depois que era mentira e a descida era facilmente alcançada pelo lado oposto do paredão que estávamos. Por isso, dentre vários outros motivos, não recomendo o guia Mário Filho.

Após a descida retornamos para o carro e por ~ 10km de estrada de terra boa, passando pelo povoado de Sítio do Mocó, até a BR-020 e mais ~ 21km até SRN.

DIA 4 – PARQUE NACIONAL DA SERRA DAS CONFUSÕES

Saímos de SRN por volta de 7:30 da manhã rumo à cidade de Caracol pela PI-144. Foram 92km por asfalto razoável mas com muitos quebra-molas gigantes que destruíram o cano de descarga do carro e fez a viagem durar ~2h.

Caracol é uma cidade pequena e precária com pouca ou quase nenhuma opção de atendimento turístico.

Combinamos com o guia Naldo, indicação do guia Mário Filho, por telefone no dia anterior e o encontramos na sede do ICMBio, situada na Rua João Dias.

Neste dia havia um incêndio de grandes proporções numa área isolada ao norte do parque (longe da portaria de Caracol), por isso havia uma grande movimentação de brigadistas, carros e pessoas na sede do Icmbio.

O guia Naldo era brigadista voluntário e disse que nossa visita teria de ser corrida porque ele não poderia nos acompanhar o dia inteiro. Concordamos e saímos 10h rumo ao centro de visitantes da Portaria Caracol.

O Parque Nacional da Serra das Confusões é gigantesco, a maior unidade de conservação do nordeste; possui quase 1 milhão de hectares de caatinga preservados. É pouquíssimo visitado.

Ainda vivem comunidades remanescentes dentro dele. É um tesouro bruto a ser explorado, belíssimo, com beleza cênica única e de tirar o fôlego de uma forma completamente diferente da Serra da Capivara.

Se tem uma coisa que posso recomendar seguramente para quem vai a Serra da Capivara é: conheçam a Serra das Confusões.

Na Portaria de Caracol tem os seguintes percursos para visita: Trilha Cores da Caatinga, Mirante Janelas do Sertão, Gruta Riacho do Boi e Olho d’água Escondido. Visitamos todas essas atrações em um único dia.

Assim que saímos da cidade pegamos a PI-470 não asfaltada por ~ 18km até a Portaria de Caracol. Estrada em condições medianas com vários bancos de areia fácil de atolar. Foi um sufoco com carro comum, 6 pessoas dentro, cano de descarga estragado, mas deu..hehehe. Não atolamos.

O centro de visitantes da Portaria de Caracol tem ótima infraestrutura instalada que foi construída pelo projeto Brasil Próximo, parceria com o Governo da Itália (inusitado, não?!). Tem auditório, um pequeno museu, biblioteca e portaria mas estão abandonados e degradando após encerramento do convênio com os italianos. Deixamos o carro na portaria e iniciamos a jornada.

Primeiro percorremos a Trilha Cores da Caatinga que sai e retorna à portaria. A trilha é bem demarcada, sem grandes declives, com percurso total de 5km (2,5 km ida/volta). Só não é mais fácil porque o sol escaldante castiga. Como o próprio nome indica, ela permite contato com a variação e riqueza vegetal e animal da caatinga.

Serra das Confusões: Centro de Visitantes – Museu abandonado

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Serra das Confusões: Trilha Cores da Caatinga – sol que castiga

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Quando a trilha vai chegando ao final a paisagem vai se abrindo para uma paisagem lunar com maciços de arenito multicores que inspiraram o nome do parque (Confusões porque as rochas vão “mudando” de cor ao longo do ano de acordo com a chuva ou seca).

Chegamos ao final no Mirante Janelas do Sertão (ou mirante do terraço). A partir daqui temos uma pequena noção da dimensão gigantesca do parque. Vimos a vegetação típica da caatinga nas chapadas e nesgas de vegetação verde típica de mata atlântica nos vales. É de encher os olhos d’água de tanta beleza. E ermo, completamente ermo e parado no tempo.

 Serra das Confusões: descida para o Mirante Janelas do Sertão

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Serra das Confusões: paisagem lunar e emoção no Mirante Janelas do Sertão

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Serra das Confusões: Mirante Janelas do Sertão – arenitos multicoloridos que dão nome à Serra das Confusões e vegetação de Mata Atlântica no vale

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Retornamos pela trilha Cores da Caatinga ao centro de visitantes onde lanchamos coisinhas que levamos (não existe restaurante ou lanchonete dentro do parque) e seguimos por estrada calçada pelo interior do parque por ~ 3 km.

 Serra das Confusões: Estrada calçada dentro do parque muito usada pelas comunidades rurais da região

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Estacionamos o carro numa lateral da estrada, próxima a um mirante, e seguimos por trilha pelas rochas até a entrada da Gruta Riacho do Boi. O caminho é deslumbrante e muito quente, com uma descida por escada instalada na encosta. Acesso fácil.

Serra das Confusões: Trilha de acesso a boca da Gruta Riacho do Boi

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Serra das Confusões: Escadaria de acesso ao vale onde fica a boca da Gruta

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Quando descemos a escada e entramos no vale a mudança climática é drástica. Passamos para uma deliciosa sombra e umidade com vegetação de grande porte. Um alívio.

A Gruta Riacho do Boi é a principal atração da Portaria Caracol. Não se trata de uma caverna de relevo cárstico. É formada por uma falha morfoestrutural e sedimentar no arenito, como um canyon aberto em algumas partes e fechado como uma caverna em outros, com paredões de mais de 20m de altura.

 Serra das Confusões: boca da Gruta do Riacho do Boi – entrada do canyon

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Serra das Confusões: Gruta do Riacho do Boi, paredão

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A gruta possui extensão de mais de 1km com o chão arenoso em uns pontos e rochoso em outros.

Percorremos toda a extensão da Gruta com água em alguns pontos, passando por bichos (sapos, aranhas, morcegos, andorinhas e outros) e chegamos ao final no Jardim, uma espécie de claraboia onde finaliza a formação da Gruta e tem uma floresta úmida exuberante. Quase sentimos frio...rsrs

Serra das Confusões: Gruta do Riacho do Boi – Jardim, claraboia no final da Gruta

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Retornamos para a boca da Gruta por pouco mais de 1km e seguimos por trilha em lado oposto, pelo leito do mesmo rio rumo ao Olho d’água Escondido, uma pequena cachoeira que permanece perene mesmo no auge da seca.

Seguimos por trilha fácil ~ 3km, subindo e descendo, com bastante calor até alcançar o rio com água. A vegetação transita entre grande porte e de caatinga. É bem interessante.

Quase não dá para acreditar que no meio de tanta secura há água. Não deu para tomar banho porque a água não estava muito limpa. Mas deu para molhar os pés, se refrescar no pouquinho de água que caía e lanchar à sombra pra encarar a volta.

Serra das Confusões: Trilha para o Olho d’água Escondido

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Serra das Confusões: Olho d’água Escondido com pequena cachoeira, sombra e água fresca

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Retornamos ~ 3km até a escadaria de acesso ao vale da Gruta do Boi e mais ~ 1km em trilha pela rocha até a estrada onde o carro ficou estacionado encerrando nosso dia pela Serra das Confusões as 15h. Pudemos ver ainda do mirante da estrada as queimadas castigando o parque.

Voltamos pela Portaria de Caracol, deixamos o Naldo na cidade, tomamos um sorvete e refizemos o caminho de volta a São Raimundo com direito a um incrível pôr do sol típico da caatinga.

Serra das Confusões: Estrada entre Caracol e São Raimundo – pôr do sol

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Chegamos tarde e muito cansados em São Raimundo. Jantamos na Paulinho Pizzaria.

DIA 5 – MUSEU DO HOMEM AMERICANO + CIRCUITO SERRA BRANCA

Nesse dia, 2 integrantes do grupo iriam embora para Teresina a tarde. Por isso, fomos para Museu do Home Americano logo cedo. Atração imperdível.

O Museu é um dos mais incríveis, organizados e modernos que já vi dentro e fora do Brasil. Chega a ser estranho aquela estrutura dentro de um contexto social tão precário.

O museu é mantido pela Fundham (Fundação do Homem Americano) que também mantem a estrutura do parque da Serra da Capivara. O acervo inclui objetos encontrados no parque, ossadas, descrição das pesquisas, histórico do homem sob a terra e mídias interativas. É uma viagem no tempo e essencial para entendimento de onde viemos e para onde vamos.

Está situado meio fora da cidade e vi que tem moto-táxis que levam até lá.

A visita feita com calma, passando pela livraria e lojinha leva 2h.

 Museu do Homem Americano – Entrada

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Museu do Homem Americano – Sala de mídias interativas

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Museu do Homem Americano – Urna infantil em perfeito estado de conservação

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Museu do Homem Americano – Crânio zulu, esqueleto de 9920 anos semelhante ao tipo africano

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Museu do Homem Americano – Ferramentas

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Museu do Homem Americano – Enterramento de homem adulto

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Almoçamos no Self-service da Pousada Zabelê na praça central de SRN e seguimos para a pousada. Dois companheiros foram embora e ficamos três. Negociamos com o guia Bruno meia diária por 75% do valor da diária inteira para conhecer o Circuito Serra Branca, o mais afastado de São Raimundo situado na zona noroeste do Parque e menos visitado de todos.

Saímos por volta de 13h e seguimos pela PI-140, rodovia asfaltada em ótimas condições por ~ 37km, onde tem placa de acesso para a Portaria Serra Branca e daí por estrada de terra ~ 3km. Pagamos ingresso e seguimos para a último mirante e fomos voltando. Não havia ninguém e o parque ficou inteiramente para nós.

A área foi a última a ser anexada ao parque e tem vestígios dos maniçobeiros (trabalhadores que extraiam goma látex da maniçoba). Muitas pessoas viveram nos abrigos e tocas, misturando-se pré-história e história recente do início de 1900. É muito interessante. Mas sem romantismo, constatamos o quanto a população da região, e principalmente os maniçobeiros, sempre foi abandonados à própria sorte e viveram na miséria. O parque, de alguma forma, trouxe desenvolvimento e renda para as pessoas, apesar de haver problemas com os processos de indenização para desapropriação até hoje.

Atrações visitadas no Circuito Serra Branca em uma tarde: Toca do Vento, Tocas do Mulungu I, II, III e IV, Olho d’água da Serra Branca, Vista Panorâmica, Toca do Juazeiro, Toca do Forno, Toca do João Sabino, Toca do Caboclo e Toca Extrema II.

Atrações não visitadas no Circuito Serra Branca por falta de tempo e não por falta de vontade do guia: Toca da Igrejinha, Tocas da Mangueira do João Paulo I e II, Toca da Velha Mulata e Salustiano, Tocas do Firmino e da Laura, Toca do Caboclinho, Toca do pica-pau, Toca Nova de Inharé, Tocas do José Ferreira e Pinhãozinho, Toca do Conflito, Toca da Pedra Solta, Toca do Veado, Toca do João Arseno, Toca do Nilson, Toca do João Arsena, Toca do Veado, Toca do Nilson, Toca do pau d’óia, Toca do Pinga da Escada, Tocas do Sobradinho I e II, Toca do Giordano e Toca do Mário, Tocas do Candu I e II, Toca do Pinga Boi, Tocas do alto do Pinga Boi I, II, III e IV, Toca da Rancharia, Toca do Pinga do Nicolau, Toca do Morro do Castigo e Toca da Passagem.

 Circuito Serra Branca: Fotografia – Família de maniçobeiros que viviam nos abrigos da região

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Circuito Serra Branca: Toca do Vento com pinturas desaparecendo por causa da ação natural do sol e vento

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Circuito Serra Branca: Toca do Mulungu II – pinturas nas paredes e restos de casas onde chegaram a viver 3 famílias

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Circuito Serra Branca: Toca do Mulungu IV – petroglifos

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Circuito Serra Branca: cemitério moderno

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Circuito Serra Branca: Olho D’água da Serra Branca, barragem de água que abastecia famílias no entorno

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Circuito Serra Branca: Vista Panorâmica – lunar, lembra paisagem da Serra das Confusões

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Circuito Serra Branca: Toca do Juazeiro

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Circuito Serra Branca: Toca do Forno

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Circuito Serra Branca: Toca do João Sabino onde se realizava anualmente tradicional festejo de São João

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Circuito Serra Branca: Toca do Caboclo – localizada no alto da chapada, com pinturas e petroglifos

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Circuito Serra Branca: Vestígio – Pegada de onça

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Circuito Serra Branca: Toca Extrema II com enorme quantidade de pinturas e petroglifos

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Retornamos para SRN com sensação de quero mais e vontade de estudar sobre nossa origem, nossos ancestrais e nossa trajetória por aqui.

DIA 6 – ESTRADA

Dia de despedida do Ytamar e da Ivete com direito a um delicioso café da manhã.

Pegamos a estrada rumo a Picos e de lá rumo a Juazeiro do Norte para dar continuidade a nossa aventura de volta pra casa (João Pessoa/PB)

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EXCELENTE, Érica! Aplausos de pé! Dos melhores que já li sobre esse tesouro mundial que é a Capivara. 
Espero voltar para conhecer mais lugares, rever outros tantos, e conhecer a Serra das Confusões.

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Valeu @mcm 

Que massa que você já foi também. O intuito é esclarecer mesmo. A Serra da Capivara é daqueles lugares surreais que devemos ir pelo menos uma vez na vida.

Mas não tem  informação a respeito do parque. Sobre a Serra das Confusões, menos ainda. Só comprando os livros guias que eles vendem nas lojinhas lá.

Também espero voltar para aproveitar melhor. Como falei, nosso guia (Mário Filho sobre o qual peguei boa recomendação num relato do https://sundaycooks.com/) foi mala. Ia se arrastando vagarosamente. Ninguém no grupo é atleta maratonista mas também ninguém tem 80 anos. Não respeitou em momento algum nosso ritmo. Para se ter uma ideia, no segundo dia ele sumiu no restaurante após o almoço pra tirar um cochilo e só fomos sair de lá mais de 15h..heheh

Fiquei injuriada com o cara porque queria ter aproveitado muito mais e de uma forma diferente. Mas é aquilo, tento sempre analisar que a pessoa poderia não estar num boa fase da vida e tals e acho interessante compartilhar o acontecido.

E simbora voltar lá um dia :)

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    • Por Studart
      O Parque Nacional Serra da Capivara está localizado no sudeste do Estado do Piauí, ocupando áreas dos municípios de São Raimundo Nonato, João Costa, Brejo do Piauí e Coronel José Dias. A superfície do Parque é de 129.140 ha e seu perímetro é de 214 Km. A cidade mais próxima do Parque Nacional é Cel. José Dias, sendo a cidade de São Raimundo Nonato o maior centro urbano. A distância que o separa da capital do Estado, Teresina, é de 530 Km.
       
      A maneira mais rápida de chegar ao Parque é através de Petrolina, cidade do Estado de Pernambuco, da qual dista 300 Km. A cidade de Petrolina dispõe de um aeroporto onde opera atualmente a Gol, e a BRA, ligando a região com Recife, Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília.
       
      A criação do Parque Nacional Serra Capivara teve múltiplas motivações ligadas à preservação de um meio ambiente específico e de um dos mais importantes patrimônios culturais pré-históricos. As características que mais pesaram na decisão da criação do Parque Nacional são de natureza diversa:
       
      - culturais - na unidade acha-se uma densa concentração de sítios arqueológicos, a maioria com pinturas e gravuras rupestres, nos quais se encontram vestígios extremamente antigos da presença do homem (100.000 anos antes do presente). Atualmente estão cadastrados 912 sítios, entre os quais, 657 apresentam pinturas rupestres, sendo os outros sítios ao ar livre (acampamentos ou aldeias) de caçadores-coletores, são aldeias de ceramistas-agricultores, são ocupações em grutas ou abrigos, sítios funerários e, sítios arqueo-paleontológicos;
       
      - ambientais - área semi-árida, fronteiriça entre duas grandes formações geológicas - a bacia sedimentar Maranhão-Piauí e a depressão periférica do rio São Francisco - com paisagens variadas nas serras, vales e planície, com vegetação de caatinga ( o Parque Nacional Serra da Capivara é o único Parque Nacional situado no domínio morfoclimático das caatingas), a unidade abriga fauna e flora específicas e pouco estudadas. Trata-se, pois, de uma das últimas áreas do semi-árido possuidoras de importante diversidade biológica;
       
      - turísticas - com paisagens de uma beleza natural surpreendente, com pontos de observação privilegiados. Esta área possui importante potencial para o desenvolvimento de um turismo cultural e ecológico, constituindo uma alternativa de desenvolvimento para a região.
       
      Em 1991 a UNESCO, pelo seu valor cultural, inscreveu o Parque Nacional na lista do Patrimônio Cultural da Humanidade. Em 2002 foi oficializado o pedido para que o mesmo seja declarado Patrimônio Natural da Humanidade.
       
      O Parque Nacional Serra da Capivara é subordinado à Diretoria de Ecossistemas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), tendo sido concluída a sua demarcação em 1990. Em torno do Parque foi criada uma Área de Preservação Permanente de dez quilômetros que constitui um cinto de proteção suplementar e na qual seria necessário desenvolver uma ação de extensão. Em 1994 a FUMDHAM assinou um convênio de co-gestão com o IBAMA em 2002 um contrato de parceria com a mesma instituição.
       
      Depois de criado, o Parque Nacional esteve abandonado durante dez anos por falta de recursos federais. Análises comparativas das fotos de satélite evidenciaram esse fato. Durante este período a Unidade de Conservação foi considerada “terra de ninguém” e como tal, objeto de depredações sistemáticas. A destruição da flora tomou dimensões incalculáveis; caminhões vindos do sul do país desmatavam e levavam, de maneira descontrolada, as espécies nobres. O desmatamento dessas espécies, próprias da caatinga, aumentou depois da criação do Parque, em decorrência da falta de vigilância.
       
      A caça comercial se transformou numa prática popular com conseqüências nefastas para as populações animais que começaram a diminuir de forma alarmante. Algumas espécies, como os veados, emas e tamanduás praticamente desapareceram. Estes fatos tiveram conseqüências negativas na preservação do patrimônio cultural. A falta de predadores naturais provocou um crescimento descontrolado de algumas espécies, como cupim ou vespas cujos ninhos e galerias destroem as pinturas.
       
      As causas desta situação são em parte externas à região, mas também decorrem da participação da população que vive em torno do Parque. São comunidades muito pobres, algumas das quais exploravam roças no interior dos limites atuais do Parque. Estas populações dificilmente compreendem a necessidade de proteger espécies animais e vegetais uma vez que os seres humanos apenas logram sobreviver. Assim, a população local depredava as comunidades biológicas e o patrimônio cultural do Parque Nacional e áreas circunvizinhas, pela caça, desmatamento, destruição de colméias silvestres e a exploração do calcário de afloramentos, ricos em sítios arqueológicos e paleontológicos.
      Fonte: FUNDHAM. - Fundação do Homem Americano
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