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Augusto

Caminho da Fé - 429 Km em 15 dias de caminhada - Relato, dic

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Oi pessoal.

 

Este é um relato dessa caminhada saindo de Tambaú (SP) até a Basílica de Aparecida com algumas dicas, informações e depoimentos em vídeo que fui fazendo ao longo do percurso.

Iniciei sozinho a caminhada no dia 27 de Maio e fui terminar no dia 10 de Junho. Passei no meio de plantações de café, cana de açúcar, trilhas na mata, trilhos de uma linha férrea e no asfalto.

Atualmente o Caminho sai de 3 lugares diferentes e sempre estão acrescentando mais cidades. Seguindo sempre as setas amarelas, o Caminho passa por mais de 20 cidades e vilas. Até a cidade de Paraisópolis fui caminhando sozinho e a partir dali continuei a caminhada com a minha esposa Márcia. Ao longo do Caminho encontrei outros peregrinos, alguns de bike e outros caminhando.

 

 

Tem um trecho de uma música do Gilberto Gil que diz: “Andá com fé eu vou que a fé não costuma faiá”. Acho que reflete bem sobre o que eu passei em toda essa caminhada, que me fez reunir forças para caminhar 429 Km.

Os primeiros dias foram os mais difíceis (muitas dores musculares). Começou a melhorar lá pelo 4º dia, quando caminhei 50 Km em 15 horas direto.

Na maioria dos trechos eu saia por volta das 08:00 hrs e chegava na outra cidade no final de tarde. Alguns trechos cheguei já escurecendo.

Para quem usa GPS, no wikiloc eu plotei toda essa caminhada:

http://pt.wikiloc.com/wikiloc/view.do?id=945495

 

As fotos eu dividi em vários álbuns, sendo que para cada dia eu fiz um.

 

No final de cada trecho eu também fazia uma filmagem em vídeo relatando sobre os problemas que passei, como foi o percurso e uma descrição de como é a pousada. O tempo médio de cada vídeo ficou entre 5 a 9 minutos.

Aqui estão todos os vídeos:

http://www.youtube.com/view_play_list?p=BEB6909BA9522A51

 

 

 

Abaixo um pequeno resumo dessa caminhada

 

 

1º dia: Tambaú/SP até Casa Branca/SP - 35 Km

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Trecho dos mais tranquilos, por ser plano e com poucas subidas e descidas. Ideal levar uns 2 litros de água (apesar de haver indicações e lugares onde pegar água pouco antes da divisa). Ao longo do trecho, o caminho passará por plantações de café, cana de açúcar, batata, feijão, laranjas e tangerinas.

Ao passar pelo cemitério de Tambaú, logo à frente o Caminho sai da Rodovia à direita e segue por estradas de terra até chegar em Casa Branca.

A divisa de municípios você chega depois de 11 Km, umas 3 horas depois. Cheguei em Casa Branca depois de pouco menos de 9 horas de caminhada.

A Pousada na cidade fica em uma área da Igreja Nossa Senhora do Desterro e com café da manhã simples.

Fornece jantar, mas é necessário reservar antecipadamente.

Os quartos são coletivos e enormes (sem TV), mas um local bastante tranquilo.

 

Fotos desse dia:

Vídeo:

 

 

 

2º dia: Casa Branca/SP até Vargem Grande do Sul/SP - 31 Km

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Trecho bem desgastante e cansativo, sempre com o Sol incidindo. Leve água da pousada ou compre em algum bar da cidade, pois ao longo do trecho eu não achei. Só nos Kms finais. Logo que estiver saindo da cidade e passar embaixo da Rodovia, fique atento que o Caminho pega uma bifurcação à direita e segue cruzando outras Rodovias até chegar no acostamento de uma delas e aí seguir por 6 Km até um desvio à esquerda (fique atento a isso) que agora segue por inúmeros sítios e fazendas. Com varias paradas para descanso fui chegar em Vargem Grande do Sul depois de 10 horas de caminhada. Existe somente um Hotel na cidade para receber os caminhantes: Príncipe Hotel que fornece café da manhã.

Melhor lugar para jantar na cidade é no Varanda´s Restaurante (próximo da Igreja Matriz).

Existe outra Pousada a cerca de 10 Km da cidade, que o Caminho passa ao lado: é a Pousada Da. Cidinha.

Fotos desse dia:

Vídeo

 

 

 

3º dia: Vargem Grande do Sul/SP até São Roque da Fartura/SP - 27 Km

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Trecho inicialmente no plano com subidas leves e depois de passados uns 12 Km se iniciará a árdua e íngreme subida da Serra da Fartura (existe a Pousada da Da. Cidinha no início dessa subida). Já do outro lado da serra, o Caminho segue por um pequeno trecho de asfalto, de onde já se consegue ver São Roque da Fartura ao fundo e depois volta a subir a Serra da Fartura, como se fosse um desvio. É um trecho bem desgastante, pois é só subida (o visual lá da crista vale a pena). Levei 8 horas de Vargem Grande do Sul até São Roque da Fartura.

A Pousada Cachoeira (que pertence Da. Cida) fica depois da Vila, cruzando a Rodovia e se localiza numa subida bem íngreme e oferece jantar. Se quiser fornece café da manhã também.

Fotos desse dia:https://www.flickr.com/photos/augusto08/albums/72157658134415908

Vídeo

 

 

 

4º dia: São Roque da Fartura/SP até Andradas/MG - 50 Km

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O trecho mais longo de todos - caminhei durante 15 horas direto até Andradas. Até o início da descida da serra em direção a Águas da Prata é quase todo no plano, passando por inúmeras nascentes e no meio de plantações de café. Saí de São Roque da Fartura pouco antes das 05:00 hrs e cheguei em Águas da Prata pouco depois das 09:00 hrs. Como encontrei a Pousada do Peregrino fechada, passei direto pela cidade. De Águas da Prata até Andradas o trecho segue por um imenso vale inicialmente no plano para depois só subida. Andradas se localiza em um grande vale entre 2 serras, por isso o trecho final é de descida íngreme e longa.

Fiquei no Hotel Pastre, mas na cidade existe outro Hotel que é melhor: o Hotel Palace.

Os dois fornecem café da manhã.

Melhor lugar para comer é no Restaurante União.

Fotos desse dia:

Vídeo

 

 

 

5º dia: Andradas/MG até Crisólia/MG - 36 Km

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Esse trecho é dividido em vários outros: de Andradas a Serra dos Limas e depois até Barra e depois até Crisólia.

O trecho de Andradas até a Serra dos Lima lembra um pouco a subida da Serra da Fartura por ser muito íngreme.

De Serra dos Lima até distrito da Barra é plano e depois descida íngreme até o fundo do vale. Já de Barra até Crisólia é uma subida íngreme muito forte, uma parte plana e pequenas descidas. Na parte final é um longo trecho plano que parece nunca terminar. Não se vê Crisólia do Caminho. Ela aparece de repente, escondida entre os morros. Saí de Andradas por volta das 07h30min, chegando na Barra pouco depois das 12:00 hrs e por volta das 18:00 hrs em Crisólia.

Na Serra dos Lima, a cerca de 10 km de Andradas fica a Pousada da Da. Natalina.

No distrito da Barra, a cerca de 20 km de Andradas se localiza a Pousada do Tio João.

Em Crisólia fiquei na Pousada da Da. Adelaide e que fornecia café da manhã.

Atualmente em Crisólia só funciona a Pousada do Peregrino, que pertence a Da. Maria.

Melhor lugar para comer em Crisólia é no Bar da Zéti.

Fotos desse dia:

Vídeo

 

 

 

6º dia: Crisólia/MG até Borda da Mata/MG - 38 Km

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Crisólia está próxima de Ouro Fino (7 Km). Esse trecho passa por dentro dessa cidade (passe no Supermercado Peg Pag e visite a Gruta de Nossa Sa. Aparecida) e depois chega a Inconfidentes (pare no Bar do Maurão – fica na entrada da cidade). Depois o Caminho segue por uns 2 Km pela Rodovia e logo sai para a esquerda, junto a um ponto de ônibus. Passa ao lado da Pousada Águas Livres e segue ora no plano, ora subidas leves. Nesse trecho, talvez você encontre o Seu Joaquim, ao lado da bica que ele fez (tem uma enorme placa em frente). O lugar é perfeito para descanso. O trecho final, de onde se enxerga a cidade de Borda da Mata é de descida e algumas partes planas, mas bem tranquilo. Saí de Crisólia as 07h30min e cheguei as 19:00 hrs em Borda da Mata.

Se puder visite a Igreja Matriz de Borda da Mata, pois os vitrais internos são lindos.

Fiquei no Hotel Village com café da manhã.

Melhor lugar para comer em Borda da Mata: Restaurante San Diego onde também funciona um Hotel.

Fotos desse dia:

Vídeo

http://www.youtube.com/watch?v=TyTeRQK1N5A

 

 

 

7º dia: Borda da Mata/MG até Tocos do Mogi/MG - 16 Km

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Um dos trechos mais tranquilos dessa caminhada. Saí de Borda da Mata por volta das 10:00 hrs e cheguei em Tocos do Moji por volta das 15h30min.

Alguns aclives e declives bem fáceis e muita plantação de morango ao longo do Caminho (isso se estiver na época).

Não deixe de ir à Pastelaria Zé Bastião, que vende pastel de fubá. Pouco antes de chegar na cidade encontrei o Ronald (colega de uma lista de trekking da qual eu participo) e que me acompanhou até Estiva (de lá ele retornou para São Paulo).

Fiquei na Pousada do Peregrino (Da. Terezinha) que não oferece café da manhã e nem refeição.

Fotos desse dia: https://www.flickr.com/photos/augusto08/albums/72157656209632074

Vídeo

http://www.youtube.com/watch?v=zrHN79M3ntY

 

 

 

8º dia: Tocos do Mogi/MG até Estiva/MG - 22 Km

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Li em alguns relatos de que esse trecho seria um dos mais difíceis, mas não chegou a ser. Depois de uma subida inicial, o Caminho passa pelo distrito de Fazenda Velha e depois uma longa descida e subida pelo Vale dos Teodoros. É um dos trechos mais bonitos de todo o Caminho. Muita plantação de morango também. Saí de Tocos do Moji as 08h30min e cheguei em Estiva pouco antes das 15:00 hrs.

Fiquei na Pousada do Póka que se localiza sobre Padaria Santa Edwiges e ao lado da Igreja Matriz.

Melhor lugar para comer: Nélios Restaurante

Fotos desse dia: https://www.flickr.com/photos/augusto08/albums/72157656220156963

Vídeo

http://www.youtube.com/watch?v=9RLl3q9kO00

 

 

 

9º dia: Estiva/MG até Consolação/MG - 20 Km

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Trecho também bem tranquilo. Saí de Estiva as 09:00 hrs e cheguei em Consolação por volta das 15h30min. Depois de cruzar a Rodovia Fernão Dias, o Caminho segue no plano a sua maior parte. Cerca de 2 horas depois da cidade se inicia uma longa subida da Serra do Caçador por quase 1 hora. Chegando ao topo o trecho é todo no plano com descidas até chegar em Consolação.

Fiquei na Pousada da Da. Elza, que oferece jantar e café da manhã.

A cidade é bem pequena e não oferece muita coisa.

Fotos desse dia: https://www.flickr.com/photos/augusto08/albums/72157658131337630

Vídeo

http://www.youtube.com/watch?v=zPyrn6FpCcc

 

 

 

10º dia: Consolação/MG até Paraisópolis/MG - 22 Km

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Trecho também bastante tranquilo. Saí as 08h30min de Consolação e cheguei em Paraisópolis as 15h30min. O inicio dele é com leves descidas e todo no plano com uma ou outra subida leve. A longa subida não tão íngreme já tá quase no final, depois que o Caminho segue por uma estrada secundária. Chegando no topo é só descida até Paraisópolis, onde já se avista a Pedra do Baú de ângulo bem diferente.

Fiquei no Hotel Central que oferece café da manhã.

Melhor lugar para comer: Restaurante Choupana (simples, mas de qualidade)

Fotos desse dia:https://www.flickr.com/photos/augusto08/albums/72157656209731114

Vídeo

http://www.youtube.com/watch?v=26TQDEioe6U

 

 

 

11º dia: Paraisópolis/MG até Campista/MG - 41 Km

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Sem dúvida nenhuma um dos trechos mais difíceis de todos. Aqui eu já estava com a Márcia que se juntou a mim até a Basílica de Aparecida. Por não saber como era o trecho e não encontrar relatos de outros peregrinos, já que ele foi inserido em substituição ao trecho de São Bento do Sapucaí, Sapucaí Mirim e Santo Antônio do Pinhal, caminhamos cerca de 14 horas direto. Ao chegarmos ao Distrito de Luminosa, que fica em um imenso vale, imaginávamos que a subida da serra não fosse tão extensa. Foi um desnível de 1000 metros, tendo de subir um trecho muito íngreme e extremamente cansativo no final.

Não recomendo fazer esse trecho se você não está preparado para uma longa subida.

Já quem for fazer esse trecho, deverá estar passando por Luminosa no máximo até 12:00 hrs, para chegar no asfalto antes do anoitecer, senão terá problemas - sugiro ficar na Pousada N. Sra das Candeias (Da. Ditinha) que fica ao lado da Igreja de Luminosa ou na Pousada da Da. Inez, uns 4 Km depois de Luminosa, já na subida da serra. No final da subida da serra, o Caminho segue por um trecho de mata e sem qualquer vestígio de vida humana (só com lanterna para fazer esse trecho no escuro).

A Pousada Barão Montês fica na Estrada do Campista (que liga Campos do Jordão à São Bento do Sapucaí) e tá no meio do nada.

Por não saber onde ficava a Pousada, cometemos vários erros nesse trecho.

Nem imaginávamos que a Pousada ficava longe de tudo. E para piorar nem avisamos ao proprietário da Pousada que íamos chegar durante a noite.

Por isso avise com antecedência que você vai pernoitar na Pousada para ele preparar o jantar.

Fornece café da manhã.

Fotos desse dia: https://www.flickr.com/photos/augusto08/albums/72157658134904928

 

Vídeo 1

http://www.youtube.com/watch?v=lhWUQKTpd_8

 

Vídeo 2

http://www.youtube.com/watch?v=yjXA9ErDFWg

 

Vídeo 3

http://www.youtube.com/watch?v=OBkPI-AHOoM

 

 

 

12º dia: Campista/MG até Campos do Jordão/SP - 21 Km

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Saímos de Campista as 09:00 hrs e chegamos em Campos do Jordão por volta das 15h30min. O trecho é tranquilo e segue descendo pelo asfalto durante uns 30 minutos e ao chegar na divisa São Bento do Sapucaí/Campos do Jordão, o Caminho segue por estradas de terra à direita, agora em aclive.

Chegando na crista o visual compensa, mostrando alguns bairros de Campos do Jordão e passando próximo da Pedra do Baú, à direita. Existe um pequeno bar à esquerda, pouco depois de se avistar a Pedra do Baú. O ideal é parar aqui, pois ainda tem um longo trecho até a Pousada Refúgio do Peregrino, que oferece café da manhã.

Campos do Jordão oferece inúmeras opções de alimentação, mas dependendo da época se tornam muito cara.

Fotos desse dia: https://www.flickr.com/photos/augusto08/albums/72157658478799316

Vídeo

http://www.youtube.com/watch?v=gxLkCskaDCM

 

 

 

13º dia: Campos do Jordão/SP até Pindamonhangaba/SP - 42 Km

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O trecho inicial ainda é pelo asfalto com algumas subidas e descidas, passando pelo ponto culminante ferroviário do país. O trecho mais chato é quando você caminha pela linha do trem (cuidado com o trenzinho, pois sempre tem algum descendo ou subindo). Chegando na Estação Eugênio Lefreve, em Santo Antônio do Pinhal, aqui é ponto final dos trenzinhos que saem de Campos do Jordão, por isso está sempre cheia - dizem que o bolinho de bacalhau do barzinho da estação é um dos melhores. No local tem um belo mirante de todo o vale e agora o Caminho sai da linha do trem e segue por uma trilha no meio da mata - tem a opção de continuar pela linha do trem, mas é bem mais cansativo. Terminando a descida chegamos no Bairro de Piracuama, onde existe uma estação de trem e 2 Pousadas, mas no dia nenhuma tinha vaga. Se quiser pernoitar por aqui em qualquer das pousadas é necessário reservar antecipadamente. Até o centro de Pindamonhangaba são uns 20 Km e lá existem mais 3 pousadas. Saímos de Campos do Jordão as 08h30min e chegamos no centro de Pindamonhangaba por volta das 20:00 hrs. Tivemos um pequeno problema nesse trecho. Veja no vídeo.

Ficamos no Hotel Comendador, que oferece café da manhã.

Fotos desse dia: https://www.flickr.com/photos/augusto08/albums/72157658134964888

Vídeo

http://www.youtube.com/watch?v=O_2Kc4BSmqc

 

 

 

14º dia: Pindamonhangaba/SP até a Pousada Jovimar (Aparecida)/SP - 27 Km

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Saímos por volta das 08h30min e chegamos na Pousada Jovimar as 17:00 hrs.

O percurso foi todo no asfalto, ao lado da Rodovia que segue para Aparecida. É bem entediante, monótono e barulhento e para piorar não existem trechos de sombra (foi Sol na cabeça o tempo todo). Como não pretendíamos chegar no final de tarde na Basílica ficamos em uma Pousada a 3 Km antes, de onde ainda não se consegue ver a Basílica. O legal é que durante todo percurso sempre vão passando bikers ou peregrinos de outras cidades e ao verem eu e a Márcia de mochilas passam incentivando.

Fotos desse dia:https://www.flickr.com/photos/augusto08/albums/72157658478853556

Vídeo

http://www.youtube.com/watch?v=6o8_9wGcKpw

 

 

 

15º dia: Pousada Jovimar até Basílica - 3Km

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Saímos da Pousada pouco antes das 09:00 hrs, já que pretendíamos participar da Missa das 10:00 hrs. Assim que nos aproximávamos da Basílica, percebíamos que estaria lotada, haja vista o número impressionante de ônibus de turismo.

Fomos subir as escadas da Basílica as 09h40min e depois da Missa fomos pegar nossa Mariana (certificado de quem conclui o Caminho da Fé) e no final da tarde voltamos para São Paulo.

 

Fotos desse dia: https://www.flickr.com/photos/augusto08/albums/72157656220376453

Vídeo

http://www.youtube.com/watch?v=jZnqML264mg

 

 

Por hora é isso.

 

 

 

Abcs

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Blz galera.

 

Só faltou colocar algumas dicas e curiosidades sobre o Caminho atualizadas em 2013.

 

 

# Algumas das Pousadas estão dentro da cidade, outras na zona rural. Em alguns meses do ano, muita gente faz esse Caminho, por isso o ideal é de acordo com o ritmo da caminhada, ir já reservando as pousadas nas próximas cidades.

 

# Todas as Pousadas e Hotéis fornecem roupas de cama e toalhas de banho e a variação de preços é muito grande. Algumas, que são casas residenciais cobram $20,00, enquanto algumas outras Pousadas e Hotéis têm preços de até $80,00. A média de preço fica por volta de $40,00.

 

# Algumas pousadas disponibilizam locais apropriados para lavar roupas.

 

# Para ficar em algumas pousadas ou casas residenciais é necessário reservar antecipadamente. Veja a lista no site do Caminho da Fé.

 

# O ideal é antes de iniciar essa caminhada, pegar no site do Caminho da Fé a relação das pousadas com seus respectivos telefones e preços. Assim fica mais fácil já acertar os pernoites de acordo com o ritmo da caminhada.

 

# Não cometa o mesmo erro que a gente no trecho Paraisópolis-Campista. Foram várias cagadas: caminhamos demais, pensando que o trecho fosse fácil; não reservamos a Pousada Barão de Montes, pensando que encontraríamos ela em alguma vila (ela tá no meio do nada). Pensamos que encontraríamos algum restaurante próximo, se não tivesse jantar na pousada. Tudo culpa nossa.

 

# Valores das refeições é de $10,00 a $20,00.

 

# Pode ser que alguns restaurantes onde comemos não funcionem mais. Sempre é bom perguntar na Pousada os melhores lugares para jantar.

 

# Não existem áreas de camping ao longo do Caminho. Só existem as opções das pousadas, hotéis ou casas de família.

 

# Algumas cidades dispõem de caixas eletrônicos dos principais bancos. São poucas as pousadas que aceitam cartão. A maioria só aceita dinheiro.

 

# O traçado do Caminho da Fé é quase que basicamente de oeste para leste e com isso a caminhada pela manhã será sempre com o Sol incidindo no rosto. Um boné com abas é obrigatório.

 

# Um cajado é essencial, principalmente nas subidas e descidas. Ele é vendido nos locais onde é fornecido a credencial, mas procure ligar antes para confirmar.

 

# Um bom tênis com uma boa palmilha e já usado é o essencial. Não use de maneira nenhuma um tênis novo. Fui com uma bota de trekking e achei desnecessário. Use duas meias, uma fina e outra um pouco mais grossa por cima. Passe também vaselina nos dedos, para evitar as bolhas.

 

# Evite roupas grossas para a caminhada. Um bom moletom ou uma calça fina já tá bom. Jeans de jeito nenhum. Durante a caminhada o corpo esquenta facilmente e uma blusa leve já é o ideal.

 

# Cerca de 1 mês antes se prepare fisicamente realizando caminhadas regularmente. Assim ao iniciar o Caminho da Fé, o corpo já está preparado para longas caminhadas e com isso se evita aborrecimentos ou até desistências.

 

# Todo o Caminho é muito bem sinalizado pelas setas amarelas ou placas de metal a cada 2 Km onde consta a quilometragem restante até Aparecida. Essas setas estão pintadas em postes, árvores, no asfalto, cercas, porteiras, mourões. Nos cruzamentos de rodovias elas normalmente estão pintadas na parte detrás das placas de sinalização.

 

# As placas maiores indicam a direção a ser seguida, através das setas amarelas, pontos de interesse como água potável e área de descanso e características das cidades onde o Caminho passa.

 

# Na minha opinião um dos piores trechos de todo o Caminho é o de Paraisópolis até Campista, passando por Luminosa. Evite fazer esse percurso que eu fiz. Se vier a fazer, saia bem cedo.

 

# Em vários trechos do Caminho, ele passa por dentro de propriedades particulares e ao cruzar cercas, porteiras ou cancelas, deixe-as como encontrou - abertas ou fechadas.

 

# Quem não tem a disponibilidade de vários dias para completar todo o Caminho, tem a opção de fazê-lo em partes, caminhando só em fins de semana. O meu colega Ronald que encontrei próximo de Tocos do Moji estava fazendo dessa forma.

 

# Sinal de telefonia celular é fácil conseguir.

 

# A Credencial do Peregrino deve ser adquirida nos locais onde se inicia a caminhada e serve para identificar que você está fazendo o Caminho da Fé. Ela deve ser apresentada nas pousadas e hotéis em que se hospedar. É importante que ligue antes para o local onde vai iniciar a caminhada se a credencial é fornecida lá. Não esqueça também de solicitar os carimbos por onde passa. Eles são a prova de que você fez todo o percurso. Ao chegar na Basílica de Aparecida, você poderá solicitar a Mariana, que é um certificado de conclusão do Caminho.

 

# Ideal levar uma mochila com no máximo 8 Kg de peso.

 

# O que levar na mochila:

- 3 ou 4 mudas de roupa.

- vários peças de roupas íntimas e vários pares de meia.

- uma pequena toalha

- capa de chuva

- um tênis já usado e uma papete.

- chinelo.

- canivete.

- material de higiene pessoal

- alguns alimentos para serem consumidos ao longo da caminhada. Posso citar frutas secas, barras de cereais, chocolate, sucos, um sanduiche natural e uma ou outra fruta fresca. Em geral alimentos de fácil digestão.

- Kit de primeiros socorros contendo pomada anti-séptica, anti-ácidos, curativos, gaze de rolo, esparadrapo, pomada contra assadura, Gelol ou similar, protetor solar e comprimidos para dores, resfriados ou gripes.

 

# Site com as indicações das Pousadas, seus respectivos telefones e a distância de uma para outra, assim como outras informações.

http://www.caminhodafe.com.br

 

 

Curiosidade

 

# O Caminho da Fé é mantido pelas cidades onde ele passa, através de leis que foram aprovadas nas respectivas Câmaras Municipais. As contribuições variam de cidade de acordo com o número de habitantes. Regularmente o Caminho da Fé acrescenta mais outras cidades aumentando o percurso.

 

# O trecho que muita gente reclama e com razão é o de Pindamonhangaba até Aparecida. Ele é todo feito pelo asfalto e nunca será excluído, já que essa cidade é a que mais contribui e já possui uma lei aprovada.

 

 

Abcs

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Augusto.

Você é fera, mesmo!

Excelente seu relato!

Gostaria de saber uma coisa....

Em relação à segurança?

Não estamos no norte da Espanha....

Corremos algum risco fazendo esse Caminho sozinhos?

Obrigado.

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Blz Maurício.

 

Essa era também uma das grandes preocupações que eu tinha qdo planejei essa caminhada.

Mas o que eu encontrei me levaram a concluir que violencia mesmo só nas grandes cidades.

 

Todas as cidades e olha que não foram poucas sempre encontrava uma receptividade muito grande. Digo dos moradores mesmo.

E maior ainda na zona rural, qdo passava por alguma plantação onde tinham alguém trabalhando na roça.

Recebi varios pedidos ao longo do caminho e de pessoas que eu nem conhecia.

É bem legal. E nas pequenas vilas o pessoal te recebe muito bem.

 

Qdo cheguei em Campos do Jordão, o Edison (o dono da pousada) me disse que o trecho do bairro de Piracuama até o centro de Pindamonhangaba (que é feito por uma longa avenida deserta) costuma ser perigosa se vc faze-la durante a noite.

Durante o dia é tranquila.

Por isso é bom reservar uma das 2 pousadas nesse bairro para não ter que caminhar a noite por essa avenida até o centro.

Ou se vc estiver bem rapido, com certeza passará por ela durante a tarde e com isso dá p/ ficar na pousada do centro de Pinda.

 

E sozinho eu acho dificil, porque vc sempre vai encontrar com alguém ou que está um pouco mais rapido ou mais lento.

O pessoal faz de acordo com o ritmo de cada um.

 

 

Valeu.

 

 

Augusto.

Você é fera, mesmo!

Excelente seu relato!

Gostaria de saber uma coisa....

Em relação à segurança?

Não estamos no norte da Espanha....

Corremos algum risco fazendo esse Caminho sozinhos?

Obrigado.

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Augusto !

 

Muito bacana o relato, muito rico com mapa, vídeos !! ::cool:::'> ::cool:::'> ::cool:::'> ::cool:::'>

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Olá Augusto,gostei muito do seu relato.

Sempre pensei,e ainda penso de fazer a caminhada de Santiago mas,ão lê seu relato e vê que temos tambem um caminho da fé(eu não tinha conhecimento),penso que se não for possivel ir até Chile poderia fazer aqui mesmo no Brasil a caminhada.abraços.

::otemo::

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Blz Michel.

 

O relato foi feito para servir de guia mesmo. Essa foi a minha intenção.

E pode ir tranquilo. Os trechos são bem sinalizados.

 

Abcs

Augusto !

 

Muito bacana o relato, muito rico com mapa, vídeos !! ::cool:::'> :8): ::cool:::'> :8):

 

 

 

billy.

Já li relatos de pessoas que fizeram o Santiago de Compostela e do Caminho da Fé.

Por incrivel que pareça o Caminho da Fé se revelou bem mais dificil.

Talvez pelo numero elevado de subidas e descidas de serras. Cansa muito viu.

E o de Compostela, a desvantagem é que ele é muito longo. Normalmente se faz em + - 30 dias.

O daqui + - 15 dias, dependendo de onde vc iniciar.

 

Só não temos os castelos e as igrejas, mas vale a pena.

 

 

Abcs

 

Olá Augusto,gostei muito do seu relato.

Sempre pensei,e ainda penso de fazer a caminhada de Santiago mas,ão lê seu relato e vê que temos tambem um caminho da fé(eu não tinha conhecimento),penso que se não for possivel ir até Chile poderia fazer aqui mesmo no Brasil a caminhada.abraços.

::otemo::

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Já li relatos de pessoas que fizeram o Santiago de Compostela e do Caminho da Fé.

Por incrivel que pareça o Caminho da Fé se revelou bem mais dificil.

Talvez pelo numero elevado de subidas e descidas de serras. Cansa muito viu.

E o de Compostela, a desvantagem é que ele é muito longo. Normalmente se faz em + - 30 dias.

O daqui + - 15 dias, dependendo de onde vc iniciar.

 

Só não temos os castelos e as igrejas, mas vale a pena.

 

Tenho uma colega de trabalho que me falou justamente isso, que se eu conseguir fazer o Caminho da Fé tirarei de letra o Caminho de Santiago !

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Me chamou atenção por que tenho uma amiga que está indo para a Espanha em Setembro fazer o caminho da fé.

Quanto ao teu relato, realmente pra mim que desconhecia foi uma grande informação. Eu nem imaginava como era e quando comecei a ler fui entendendo, é difícil acreditar ter placas indicativas. Parabéns.

Augusto vá gostar de andar é o segundo relato teu que eu leio.

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Augusto, parabéns pelo seu relato, muito detalhado e confesso que sempre tive uma vontade de fazer um caminho dessa magnetude. Minha dúvida é se tem como fazer camping para minimizar os custos e se é vantagem. E a outra pergunta este é um caminho que todos podem fazer eu tem um limite de idade para tal?

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Augusto, muito, muito bom esse relato. Bastante informativo, vai ser um baita incentivo para muitas pessoas seguirem teus caminho. tirei o chapéu pra ti! ::cool:::'>

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Augusto,

certamente vc estava ilumindado e ficou ainda mais!

Agradeço muito teu relato e digo que vc nem sabe quantas pessoas vc conseguiu influenciar desta forma!

Parabéns

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Blz Tozei.

 

O problema do camping é que vc não vai encontrar lugar para montar a sua barraca.

A não ser que vc faça camping selvagem, ao longo do caminho, mas não recomendo porque aí vc terá de levar comida e a barraca, além do saco de dormir, isolante, fogareiro. Essa coisas.

Tudo o que vc levaria p/ um camping normal, vc teria de levar p/ essa caminhada também.

 

Em uma caminhada longa como essa, o ideal é levar o minimo possivel de peso na mochila, para não ficar muito pesada.

Imagine uma mochila com barraca, comida, fogareiro, isolante, etc...

Não ia ser fácil.

 

Sobre valores das pousadas, o preço médio é entre $20,00 e $30,00. Teve algumas que cobram $10,00 a $15,00.

E refeição sempre ficou de $10,00 a $15,00.

 

E como vc tem mais de 1 opção de pousada em algumas cidades, é só escolher as mais baratas. Com certeza o serviço não é tão ruim assim, só por causa do valor baixo.

 

 

Qqer pessoa pode fazer uma caminhada como essa. Eles só não deixam menores de idade fazer o Caminho. Só com autorização dos pais.

Como isso é feito?

Na cidade onde vc vai iniciar a caminhada, se faz o cadastro e pega a credencial que te dá direito a ficar nas pousadas ao longo do caminho. Eles pedem essa credencial em todas as pousadas.

 

Limite de idade também não, mas tem de ser de acordo com o ritmo da pessoa.

Só lembre-se que entre uma cidade e outra o percurso é de + - 30 Km (algumas com 22 Km e outras até 50 Km). E com muita subida e descida de serra. Mas dá p/ fazer sem maiores problemas, já que a navegação é sempre seguindo as setas e placas ao longo do caminho.

 

 

Abcs

 

 

Augusto, parabéns pelo seu relato, muito detalhado e confesso que sempre tive uma vontade de fazer um caminho dessa magnitude. Minha dúvida é se tem como fazer camping para minimizar os custos e se é vantagem. E a outra pergunta este é um caminho que todos podem fazer eu tem um limite de idade para tal?

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Samuca, Karen e Maurão.

 

O objetivo desse meu relato é incentivar outras pessoas a fazerem essa mesma caminhada.

Até p/ dizer que não é uma coisa de outro mundo.

Dá sim p/ qqer pessoa fazer. Não precisa ser uma pessoa com muita experiencia.

Lembrem-se que a minha esposa se juntou a mim qdo cheguei em Paraisópolis.

 

É só adequar o seu ritmo de caminhada de acordo com o que vc pode fazer.

 

E espero mesmo que vcs venham a algum dia a fazer esse caminho.

Não só pela caminhada em si, mas sim pelas amizades que vc vai fazendo ao longo do caminho.

Vc verá que ainda existem lugares onde as pessoas são simples, generosas e sempre procuram ajudar.

 

E valeu pelos elogios do tres. Brigadão mesmo.

 

 

Abcs a todos.

 

Augusto, muito, muito bom esse relato. Bastante informativo, vai ser um baita incentivo para muitas pessoas seguirem teus caminho. tirei o chapéu pra ti! ::cool:::'>

 

 

Augusto,

certamente vc estava ilumindado e ficou ainda mais!

Agradeço muito teu relato e digo que vc nem sabe quantas pessoas vc conseguiu influenciar desta forma!

Parabéns

 

 

Só para complementar meu elogio, isto sim que é ser mochieiro, o que eu faço é viajante independente.

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Augusto, obrigado pela resposta e pela atenção, mas tenho outras perguntas:

 

Paga-se para fazer o cadastro e credencial?

 

Os valores que voce falou das pousadas de 10 a 35 reais se refere apenas a pousada (dormir, banho e tanque), janta é um valor a parte. Estou certo?

 

Pelo caminho ou nas pousadas, tem como eu preparar a minha própria comida usando meu fogareiro?

 

"# O Caminho da Fé é mantido pelas cidades onde ele passa, através de leis que foram aprovadas nas respectivas Câmaras Municipais. As contribuições variam de cidade de acordo com o número de habitantes." Que contibuições são essas? É algo que a gente tem que pagar? Me desculpa se isso foi uma pergunta idiota.

Tem algum outro gasto alem de alimentação e pousada?

 

Mais uma vez obrigado pelas dicas.

Caminhos da Fé, me aguarde...

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Blz Tozei.

 

A credencial é baratinha. Acho que deve estar em uns $5,00. Qdo se faz o cadastro vc recebe essa credencial e ao longo do Caminho (nas pousadas e alguns bares) vai sendo carimbada.

No site do caminho da fé

http://www.caminhodafe.com.br/

Tem muita informação sobre onde obter a credencial.

 

Esses valores que te passei são da hospedagem apenas.

A alimentação é separada, porque em alguns lugares vc não come na pousada. As vezes só tá incluido o café da manhã.

Vc tem de comer fora em algumas delas.

No relato eu coloquei os melhores lugares onde se pode comer.

 

Vc vai caminhar a maior parte do tempo por estradas de terra vicinais, então sempre vc encontra um cantinho para fazer alguma coisa, em uma sombrinha.

Eu não recomendo levar fogareiro porque vai ser peso a mais na mochila. Fora a comida né.

E as paradas não podem ser longas demais, senão vc chega a noite na cidade e aí é complicado visualizar as setas.

Até para não ficar perguntando aos moradores né.

 

As contribuições das cidades é para a Associação que criou o Caminho da Fé.

As placas, setas, informações ao longo do Caminho custaram caro, então a única forma deles terem ajuda das cidades são essas contribuições. Que na verdade se revertem para a cidade, porque as pousadas sempre estão com gente e pessoal gastando.

Essas contribuições são as prefeituras que pagam para a associação. Nós peregrinos não pagamos nada.

 

 

Acho que é isso.

 

 

Abcs

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Augusto, parabéns pelo relato detalhado!

 

Eu estava cogitando esse caminho agora em Novembro, mas estava um pouco receoso por conta de ir sozinho. Como você fez a maioria do trajeto sozinho, fiquei determinado em seguir em frente. :P

 

Agora só falta ver como me saio nessas caminhadas longas...Trotando na esteira, chego próximo dos 5Km em 40 minutos.

 

Tenho umas duas perguntas para te fazer, sobre o trajeto:

1) Sobre o tênis, tem algum critério mais específico? Tipo, precisa de ter amortecedor?

2) Na média, quanto tempo leva para cada trecho? Uma estimativa de 3Km/hora é razoável?

 

Valeu,

 

Lucas

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Blz Lucas.

 

Pode ter certeza que vc não será o unico sozinho não.

Não tô falando de uma pessoa onipresente não hein (para ser mais especifico: Deus) ::otemo::::otemo::::otemo::::otemo::

Nas pousadas por onde passei, sempre via comentários de peregrinos sozinhos, fazendo esse percurso. Vc vai ouvir cada estória legal.

 

1) Sobre o tenis, procure levar um que vc já o tenha a alguns anos.

Tenis estalando de novo é totalmente impróprio. E uma bota também é desnecessario.

O que eu recomendo é um tenis que seja impermeavel (nunca se sabe se vc vai pegar chuva). E muita meia. E não esqueça da vaselina entre os dedos para evitar as bolhas hein.

Amortecedor não faz tanta diferença. Lembre-se que é uma caminhada. Amortecedor é para corridas leves.

 

2) Normalmente uma pessoa faz uma caminhada no ritmo de 5,4 Km/hora sem paradas.

Já contando com as paradas, esse tempo abaixa para uns 4 a 5 Km/h.

Eu cheguei a fazer nos primeiros dias um pouco abaixo dos 4 Km, porque parei muito (tinha de montar o tripé para as fotos) e só fui apreciando o visual. Além da dores também.

Então tomando como padrão 3 a 4 Km/hora, tá de bom tamanho (faça esse cálculo olhando nas placas de quilometragem restante até Aparecida que aparecem ao longo do Caminho). Não esqueça que vc vai estar levando uma mochila.

 

No Caminho da Fé, o percurso passa pela serra da mantiqueira, então serão inúmeros trechos de subida e alguns muito ingremes.

Por isso, se vc chegar a + - 5 Km/hora, vc vai cansar muito nos trechos finais entre uma cidade e outra.

 

No mais é curtir sempre o visual e procurar sair sempre de manhazinha.

Vc já ouviu desse ditado?

Deus ajuda a quem cedo madruga.

Ele se encaixa perfeitamente nesse Caminho.

 

 

Abcs e valeu pelos parabéns.

 

 

 

Augusto, parabéns pelo relato detalhado!

 

Eu estava cogitando esse caminho agora em Novembro, mas estava um pouco receoso por conta de ir sozinho. Como você fez a maioria do trajeto sozinho, fiquei determinado em seguir em frente. :P

 

Agora só falta ver como me saio nessas caminhadas longas...Trotando na esteira, chego próximo dos 5Km em 40 minutos.

 

Tenho umas duas perguntas para te fazer, sobre o trajeto:

1) Sobre o tênis, tem algum critério mais específico? Tipo, precisa de ter amortecedor?

2) Na média, quanto tempo leva para cada trecho? Uma estimativa de 3Km/hora é razoável?

 

Valeu,

 

Lucas

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      1º DIA
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      2º DIA
      Meio sem sono acordei logo na primeira clareada que o céu deu. Guardei o saco de dormir e meu nylon, nem me lembro o que comi, abandonei meu par de tênis que seria inútil dali pra frente, e segui rumo ao norte. Pra minha sorte, umas nuvens bem densas cobriram o sol por bastante tempo, quando ele surgiu apareceu rasgando. O cenário ainda era o mesmo com a maré ainda ruim pra caminhar. Andava algumas centenas de metros e subia até a pequena estrada de barro pra tentar visualizar alguma coisa, não via nada adiante então descia de volta pra areia, sempre margeando pelo final das ondas. A meta dessa manhã era chegar até Conceição da barra. Um tempo depois do início da caminhada, avistei um pescador deitado na sombra do seu barco esperando um colega chegar pra iniciar sua pescaria. Perguntei se faltava muito e ele disse que mais uns 30 minutos eu chegaria. Continuei andando e duvidando do cara, porque a praia se perdia no horizonte e não conseguia ver nada, porém o cara estava certo, com aproximadamente 30 minutos de caminhada me deparo com o enorme rio Cricaré e Conceição da Barra bem do na outra margem. Os barcos passavam próximos a outra margem e não me viam, fiquei esperando passar algum barco próximo a mim pra tentar a travessia. Uma cara passou por mim de quadricíclo e disse que esperasse, pois de vez em quando aparecia alguém. Achei a sombra de uma barraca e sentei pra esperar. Cansei de esperar e comecei a acenar pros barcos menores do outro lado, pra minha sorte umas mulheres me viram acenando e avisaram a dois barqueiros que vieram ao meu encontro e me atravessaram numa boa e assim atravessei o primeiro de dezenas de rios. Me apontaram onde era o centro quando perguntei as horas me espantei como era cedo. Tinha caminhado bastante e ainda não era nem 9h da manhã. Fiquei surpreso e me dirigi até uma padaria pra tomar um merecido café da manhã, depois de encher a barriga, fui até a orla e me deitei na sombra de um quiosque e descansei até a hora do almoço. Após comer caminhei um pouco pela areia e parei embaixo de um abrigo de salva vidas, descansei por ali durante a tarde enquanto esperava o sol fortíssimo ficar mais fraco. O mar ainda não era dos mais bonitos, com ondas fracas amarronzadas e mais ao fundo com uma cor ligeiramente esverdeada. Um ou outro casal na praia e um casal namorando em uma barraca abandonada sem fazer cerimônia rs. Por volta das 16h parti, dessa vez com a areia mais firme e sol mais brando. Em menos de 1h de caminhada cheguei na foz do Rio Itaúnas, aqui aprendi que esse encontro do rio com o mar chama-se 'barra'. Perguntei a dois banhistas se dava pra passar com mochila na cabeça e eles disseram que a uns minutos atrás dava sim, mas quando tentei não obtive sucesso. Fiquei sentado esperando algum barco passar e nada, os caras foram embora e fiquei sozinho, enquanto dava uma explorada no lugar, passou um barco e perdi minha carona. Resolvi ficar por ali mesmo, tomei um banho de rio, armei minha rede nas margens do mangue e cobri com o nylon que de cara eu vi não ficou como tinha imaginado. Fiz um miojo com o fogareiro e dormi numa boa, a maré subiu consideravelmente mas não me comprometeu. Na madrugada caiu novamente uma chuva leve, mas minha cobertura deu conta.

       
      3º DIA
      Amanheceu um pouco nublado, enquanto recolhia minhas coisas passou um barco e perdi novamente a carona. Depois de comer fiquei na margem da barra aguardando alguém passar, pois com aquela maré ainda não dava pra atravessar. Não demorou e passou um barco com dois pescadores que estavam saindo pra recolher a rede no mar. Pedi e mais uma vez me atravessaram numa boa. Comecei a caminhada rumo Itaúnas e as bolhas nos pés já começavam a incomodar, a areia ainda íngreme e fofa também não ajudava. Com um tempo de caminhada o sol foi surgindo e agredindo, o mar ficava menos amarronzado com um ou outro barco passando. Pela praia ninguém aparecia e depois de longos 13km cheguei na praia de Itaúnas. Uns 800m antes das barracas há uma placa que indica o início da Trilha do Tamandaré, que leva direto pra o início do centro, como eu não sabia continuei até as barracas e exausto paguei 4$ por uma água de coco e dei uma descansada. Uma das únicas duas que paguei em toda a viagem. Pra chegar ao centro tive que subir e atravessar a imensa duna que acaba em uma estrada de barro que leva ao centro. Mais 1km de caminhada, onde pude chupar bastante caju, pra chegar bem no meio da praça onde deitei em um banco na sombra e tirei um cochilo até o almoço. Itaúnas é bem agradável e minúsculo, porém tudo muito caro. Depois de comer e catar umas mangas na praça, voltei pra praia e fiquei descansando na mesma barraca onde tomei o coco, aqui me desfiz de um monte de saco de lixo grande, que pretendia cobrir a mochila pra atravessar os rios, vi que não era viável e me livrei do peso. Por volta das 16h parti rumo a Bahia. A caminhada ia em um bom ritmo, mas as dores nos pés e as bolhas me incomodavam bastante. Pouco mais de 1h cheguei no Riacho Doce, a divisa do ES com a BA, o local estava totalmente vazio, com dois quiosques fechados e uma casa. Uma bela praia, um pequeno lago e o riacho, não muito cheios devido à seca, formavam o cenário da divisa. O lugar perfeito pra dormir, em um quiosque já tinham duas redes armadas e bastante lugar coberto caso precisasse armar a minha. Arranquei um coco de um coqueiro baixinho, mas sem faca sofri pra conseguir abrir. Um tempo depois apareceu umas pessoas na casa e fui até lá conversar. Me explicaram que a casa era um restaurante que não funciona mais e estava abandonada, apenas um pescador tomava conta e me deixaram a vontade pra usar o chuveiro. Aproveitei pra tomar um banho e dormi na rede do quiosque.

       
      4º DIA
      Acordei e tomei café mas não saí de imediato, fiquei enrolando por ali até que chegou o proprietário do quiosque e conversamos bastante. Ele me explicou que sua barraca era do lado capixaba, mas ali era área do Parque Estadual de Itaúnas, por isso ele se mudou pra o lado da Bahia. Papo vai papo vem, ele disse que não estava abrindo ainda, apenas aos fins de semana, somente após o natal que ia abrir diariamente. Me despedi e saí bem tarde, umas 9h com o sol rasgando, porém a sensação de já estar na Bahia me dava disposição pra continuar. Pouco mais de 1km surge um paredão com algumas pedras a serem vencidas, mas as ondas do mar não chegavam a incomodar, após esse local vem uma praia deserta com uma única casa, e ao final da praia mais um paredão de obstáculo, dessa vez com ondas batendo, segui por uma trilha que contorna toda essa falésia e retorna a praia mais à frente. Mais uma imensa praia pra percorrer e no final mais uma falésia como obstáculo, por baixo não dava pra passar, tentei subir margeando mas em certo ponto o mato se fecha, retornei e entrei num hotel que parecia vazio e me informei com um funcionário, o mesmo me indicou uma trilha que contornava o paredão e retornava para praia. Agora começava a aparecer alguns moradores, pescadores e banhistas. Parei na sombra de uma pedra e abri um coco que peguei na trilha e abri com muita dificuldade com uma faca de cozinha cega que consegui na casa de Riacho Doce. Mais uma vez peguei um desvio, dessa vez saí em uma estradinha de barro bem comprida que me levou até Costa Dourada. A essa altura já era 12h e eu já caminhava mancando devido as bolhas. Almocei e descansei o resto da tarde pensando no que fazer em relação às minhas bolhas. Por 35$ acabei ficando na pousada da Tia Fina, onde jantei e estourei as bolhas.

       
      5º DIA
      Acordei cedo tomei um café da manhã e fiquei numa sombra vendo o movimento. O céu sem nuvem e um sol violento formavam um sábado perfeito pros banhistas que não demoraram a chegar. Dei um mergulho no mar e senti a bolha ardendo um pouco, então continuei a descansar. Após o almoço esperei o sol baixar um pouco e decidi partir por volta das 15h com a maré baixa e ainda andando meio torto pra evitar contato da bolha no chão. Assim que sai praia da Costa Dourada começa um paredão de falésias e somem os banhistas, caminhei sem pressa naquele belo cenário e após cerca de 1,5km cheguei na Praia do Sossego, um lugar que faz jus ao nome, uma bela praia, um rio rasinho desaguando no mar e poucos banhistas descansando. Segui em frente, agora sem falésias e com uma extensa faixa de areia devido a maré baixa. Caminhei bastante e um bom tempo depois voltaram a aparecer banhistas, perguntei a um deles onde era a Praia do Gesuel e o mesmo me informou que ficava ali mesmo. O mangue corre paralelo a praia, atravessei com água na cintura e subi um barranco pra chegar até a única rua do lugar com casas e um bar. No bar da Preta chupei um picolé bem baratinho e programei uma janta com ela, resolvi ficar por ali e não forçar muito o pé. Como essa rua fica no alto, é possível ter uma vista privilegiada de toda e praia e do mar. Matei o tempo por ali até anoitecer e depois da janta fiquei esperando o bar fechar pra armar minha rede ali mesmo com a permissão dos donos, só me arrependi um pouco porque dois cachaceiros não estavam querendo sair do bar o que me fez esperar muito pra dormir.

       
      6º DIA
      Acordei nos primeiros raios de sol, desarmei a rede e logo parti, atravessei o mangue de volta a praia e parei em um barco na areia pra tomar um café com direito a um mamão que ganhei do dono do bar e um coco que retirei de um coqueiro pequeno. No meio do café me dei conta que arrumei um baita corte na sola do pé. Mais uma bela manhã com ventos agradáveis e bem fortes, caminhei pela areia firme e cheias de urubus que ficavam disputando a carcaça das tartarugas marinhas mortas. Poucas horas de caminhada cheguei na barra do Rio Mucuri, e um pescador me indicou onde eu deveria ficar esperando o barqueiro que atravessava. Mofei por lá um tempo e quando dois pescadores estavam voltando pra margem, me pegaram pra atravessar, como era domingo o tal barqueiro devia ter tirado folga. O pescador pegou umas iscas com o neto e mandou que ele me acompanhasse até a Passarela Ecológica Gigica, onde eu atravessei e saí dentro de Mucuri. No centro comprei um carregador pro meu telefone, que eu havia esquecido em casa, e descansei em um banco na praça até a hora do almoço, após comer me dirigi a saída de Mucuri e fiquei descansando em um quiosque. Era um domingo ensolarado e a cidade e suas praias estavam lotadas. Tomei um banho de mar em seguida um de chuveiro com água doce e quando ia deixando o estabelecimento a dona percebeu que eu estava viajando e me fez um convite pra trabalhar em sua bar, já que a alta temporada estava começando, agradeci e expliquei que não podia aceitar e segui meu destino. A tarde foi uma caminhada longa e agradável, areia boa de caminhar, uma brisa constante e uma enorme torre a quilômetros de distância que eu segui acreditando sem algum povoado. Chegando próximo a um condomínio dei uma parada pra pegar uns cocos bem miúdos que estavam acessível graças as dunas e continuei. Com o sol já se despedindo, os quiosques vazios eram excelentes lugares pra dormir, mas continuei andando pra procurar um comércio achando que ali havia um povoado. No meio dos caminhos de areia, já meio escuro acabei chutando um espinho que entrou exatamente dentro da minha unha. Uma dor terrível que me fez mancar mais do que eu já estava. Achei umas barracas na praia da Costa do Atlântico e o dono me falou que ali não havia nada, nem comércio nem povoado, mas tinha um cara com restaurante e pousada na pista. Fui pra estrada a procura do local, no meio do caminho muito caju e bons lugares pra dormir. Mancando e com muito medo de desistir por causa do dedo ferrado, acabei jantando e dormindo nesse local por 40$. O dono muito bacana me contava que fez uma caminhada semelhante quando era jovem, saindo de Minas Gerais até o litoral baiano e com bem menos recursos.

       
      7º DIA
      Muito aliviado pelo espinho não ter ficado dentro da unha e puto por ter gasto grana pra dormir, parti mancando logo cedo pra praia, pelo caminho lá mais caju! Mais um dia ensolarado e praia bonita. Foram mais de 10km pra se aproximar do centro de Nova Viçosa. Uma embarcação que acabava de chegar do mar deixou pra trás muitos peixes pequenos, isso gerou uma aglomeração, o pessoal selecionava os peixes que ainda podiam ser aproveitados e assim formava uma enorme xepa. Após Nova Viçosa existem muitos rios e mangues desaguando na praia, meu plano era contornar essa região e continuar a caminhada em Caravelas. Um pouco mais adiante entrei pra pista e segui andando com muita dor no pé até o cais pra tentar achar uma embarcação que me levasse até Caravelas, porém esse itinerário não é frequente e eu tive que fazer esse trajeto de ônibus. No ponto de ônibus da cidade comprei uma passagem com uma atendente muito ignorante e fui pra Teixeira de Freitas e de lá peguei outro pra Caravelas. Viagem longa, durante o percurso muita seca e queimadas por todos os lados, cheguei em Caravelas somente a noite. Andar de ônibus serviu pra dar uma aliviada nos pés. Em caravelas lanchei, tomei um banho na pequena rodoviária e consegui pegar o último coletivo que iria me deixar na praia da Barra de Caravelas. Exausto, só forrei a areia e deitei embaixo de um quiosque.

       
      8º DIA
      Acordei num espetacular nascer do sol, arrumei as coisas, um rápido café e segui. Areia boa, mar calmo e algumas senhoras caminhando pra lá e pra cá fazendo sua ginástica matinal. Muitos coqueiros caídos no chão derrubados pelas ondas do mar. Depois de um tempo e com sede parei na casa de um pescador e pedi um pouco de água. A casa do cara repleta de enfeites naturalmente feitos com ossos de baleia, muitos ossos e todos enormes. Me dei conta que estava bem no coração da Costa das Baleias, infelizmente na hora de registrar, a bateria da máquina me deixou na mão. Voltei a caminhar, o sol já estava rasgando e a areia nem tão agradável assim. Cansado, parei em uma sombra pra descansar, com muito sacrifício consegui derrubar um coco e com mais sacrifício ainda abri-lo com uma faca de cortar pão. Um trator passou umas duas vezes e eu perdi uma possível carona, acabei caindo no sono pesado. Voltei pra caminhada e uns 3km antes de Alcobaça, surge uns bancos de areia que formam uma imensa lagoa, eu deveria ter caminhado pela parte externa da lagoa, beirando o mar, mas fui por dentro e encontrei muitos obstáculos como mata fechada e propriedades particulares. Pelos menos arrumei mais alguns cocos pulando umas cercas. Com certa dificuldade acabei chegando na margem do rio Itanhém, ou rio Alcobaça. Um bacana atracou com uma barco motorizado e sua família pra tomar um banho, quando perguntei como faria pra atravessar e tal, ele me informou que não sabia e que também não podia me levar pois o barco estava lotado... o barco só tinha algumas crianças e 2 adultos, enfim, continuei sentado esperando e veio um pescador de canoa, mal perguntei pra ele e já mandou eu subir e me atravessou na boa. Durante o percurso falou que o barco do cara tinha capacidade pra transportar um time de futebol inteiro dentro. Na orla de Alcobaça, tomei um banho em um quiosque, e fui pro centro comer alguma coisa, já era tarde e não tinha almoçado nada. Entrei em uma loja de eletrônicos de um tal Tostão e comprei mais um carregador. Fiquei por lá carregando minhas coisas e dando risada até anoitecer. Me dirigi ao final da cidade e próximo à Praça do Farol mandei ver um espetinho de carde com um molho delicioso e uma merecida cerveja. Forrei o chão duro de um quiosque e deitei em uma péssima noite de sono.

       
      9º DIA
      Levantei cedo, tomei aquele café da manhã fajuto e comecei a andar. Já estava no final de Alcobaça e segui caminhando com incomodo pela estradinha paralela à praia, depois de uns minutos desci pra areia que estava bem íngreme e fofa. Cheguei numa pequena vila de pescadores acreditando ser meu local de parada mas não era. Nessa altura por volta de 7h da matina, o sol já castigava e surgiam umas algas na praia que formavam uma espécie de lama. Chegando em Guaratiba encostei logo na única barraca da praia, pedi um refrigerante e passei o restante da manhã descansando enquanto conversava com o garçom e um cara que tomava uma pinga misturada com cerveja. Depois de umas 2 chuvas passageiras, saí da praia pra procurar um local pra almoçar e vi que Guaratiba se tratava de enormes condomínios. Apesar da vizinhança, achei um bom lugar pra almoçar com preço em conta e enchi a barriga antes de voltar pra praia. Após um mergulho e de descansar a tarde inteira, eu já planejava dormir por ali, mas percebi a movimentação do dono da barraca insatisfeito com minha presença ali, então fui procurar um outro canto pra dormir. O sol já estava se escondendo e avistei uma barraca aos pedaços ao lado de um lago. Perto dali alguns pescadores puxavam rede e quando fui pegar informação eles me incentivaram a continuar andando pois era noite de lua e a maré já estava secando. Questionei se dava mesmo pois haviam 2 barras pra atravessar e me responderam que uma eu já havia atravessado e não percebi. Me senti confiante e toquei rumo a Prado. Rapidamente escureceu e fazia a caminhada mais apressada até o momento, porém a lua e as estrelas deixavam tudo absurdamente claro, cenário lindo e único. Cheguei na segunda barra pra atravessar, bem larga por sinal, e por inexperiência saí atravessando em linha reta. A medida que avançava ia afundando aos poucos nos bancos de areia, quanto mais perto do outro lado chegava mais fundo ia ficando. Perto da outra margem, com a mochila já na cabeça, água no pescoço, corrente forte e na escuridão total, me vi a um instante de largar a mochila e nadar pra não ser arrastado. Por muito pouco deu certo a travessia, e com calma do outro lado vi que poderia ter escolhido uma trajetória melhor pra atravessar ou esperado a maré baixar um pouco mais. Continuei pela praia mais um tempo e desviei de muitas árvores que estavam perto das ondas. Percebi que o dedo estava ardendo, quando passei a mão vi que tinha um baita corte embaixo do dedão, quanto azar! Pra minha surpresa acabei saindo em uma nova barra pra atravessar, e do lado que eu estava apenas uns galpões aparentemente abandonados. Fui entrando aos poucos e achei o segurança do local, que tomou um susto e me deu uma carona de barco até o cais no centro de Prado, no caminho me explicou que aquela barra não existia uns anos atrás, que hoje é impossível atravessar mesmo na maré baixa e que o local era um hotel que fechou. Cheguei todo fudido em Prado, procurei um canto pra lanchar e fui pra praia procurar um canto pra dormir. Pernoitei num quiosque na praia lotado de mosquitos, apenas forrei o chão e tive outra noite desconfortável.

       
      10º DIA
      Acordei cedo e enquanto arrumava minhas coisas, uma família também acompanhava o espetáculo do nascer do sol. Tomei um café da manhã na padaria, passei a manhã procurando um camping, mas o único ativo da cidade ainda não estava funcionando. Como era noite de Natal, acabei passando o resto do dia em Prado pra poder ligar pra família a noite. Por 40$, dormi no Restaurante e Pousada D'Ajudinha.

       
      11º DIA
      Parti de manhã mas nem tão cedo assim, a praia no centro de Prado totalmente cheia, afinal era o feriado de Natal e a cidade estava repleta de turistas. A caminhada começou com o sobe e desce das ondulações na areia, o sol a pino e um belo mar de águas clarinhas ao fundo. Até a praia do Farol surgiram grandes falésias pra embelezar o cenário e foi constante a presença de banhistas. As nuvens e o céu azul formaram uma bela imagem pra se apreciar, enquanto já chegava na praia da Paixão. Passei pela praia da Amendoeira, que se trata de um pequeno rio, onde a criançada pula do pontilhão e as famílias fazem aquela farofada. Chegando na praia dos corais, muita gente, muito movimento nas barracas e uma praia bem bacana recheada de pedras e corais. Não gostei da muvuca e segui andando entre o mar e as falésias, pelo caminho algumas nascentes caiam pelos paredões e eu aproveitava pra dar uma refrescada pois o sol castigava violentamente, a essa altura eu já estava com um bronzeado típico de pescador. Passei pela praia das Ostras, que era mais um rio com um pontilhão e algumas famílias, e continuei até passar por outro rio, dessa vez vazio e com uma escada que levava até o topo da falésia, aproveitei aqui pra comer pois a fome já estava apertando. Lá em cima das falésias foi possível perceber a grandeza e a beleza do mar e das praias dessa região. Depois de dar uma descansada segui rumo à Cumuruxatiba, alguns trechos com presença de uma areia bem mole e preta o que dificultou bastante minha vida. Nos últimos metros pra entrar no centro, estava repleto de pedras e a maré já estava batendo consideravelmente no paredão, o jeito foi botar a mochila na cabeça e deixar uma galera que estava a minha frente passar pra ver qual o melhor lugar pra se pisar. Não deu outra, me molhei todo mas consegui chegar, logo na entrada vi um camping e entrei pra ver, mas a grosseria do dono me espantou e acabei achando um outro bem no centro, ainda inativo mas, a dona me acolheu. A noite procurei um lugar pra comer mas tudo era destinado ao turismo, ou seja tudo bem carinho e cheio de frescura, acabei lanchando um sanduíche numa barraca que estava cheia de moradores locais, o pé latejava de dor.

       
      12º DIA
      Depois de recolher umas mangas que caíram durante a noite, deixei o camping, me sentindo um otário por ter pago 25$ pra dormir numa rede num quintal. Até hoje me pergunto porque procurei um camping pra dormir, decidi que dali pra frente não poderia ficar me dando ao luxo de gastar grana com hospedagem. Deixei Cumuruxatiba por volta de umas 7 horas da matina, o sol já prometia castigar como nos dias anteriores, mas a maré estava ao meu favor e também corria uma boa brisa que refrescava. Logo na saída do centro é possível ver o velho píer destruído pelo mar, e bem distante o final da praia que eu ia ter que percorrer. Ao final dela surgem falésias e bastante corais, essa é a praia do Moreira. Mais uns 5km de caminhada agradável, cheguei no caríssimo restaurante Barra do Cahy. Pela distância percorrida e o tempo gasto cheguei a conclusão que eu estava caminhando a uma velocidade de 4km por hora. Armei minha rede na sombra e fiquei o restante da manhã descansando ali e batendo papo com a atendente do quiosque de sorvete, que me contou bastante da história do lugar e ainda me deu um panfleto com a tábua das marés. Sem condições de almoçar por ali, comprei uns espetinhos de queijo e comi com pão. Por volta de umas 15h, após ser alertado sobre a maré, saí rápido pra poder atravessar a famosa Barra do Cahy, local onde os portugueses pisaram pela primeira vez no Brasil. A caminhada a tarde estava foi bem mais puxada que de manhã, por causa da areia fofa eu caminhei descalço até uns 2km após o rio, a partir daqui a água já estava batendo no paredão da falésia então resolvi pular a cerca e caminhar por cima da falésia, valeu a pena pois a vista lá de cima estava deslumbrante. Pouco tempo depois uma cena inusitada, um avião estava pousando e uma família desembarcou, pensei que ia tomar uns gritos mas pra minha surpresa ignoraram totalmente minha presença ali e cada um de nós seguiu seu caminho. Acabei saindo numa espécie de hotel ou mansão, quando avistei uma empregada me fingi de perdido e voltei para a praia. A caminhada seguiu puxada e surgiram muitas espreguiçadeiras de hotéis chiques que antecediam Corumbau, cheguei lá com o sol já fraco, tomei uma chuveirada e combinei uma janta num restaurante. Corumbau é uma de vila bem pobre cercada de hotéis caros. A janta teve um preço bem salgado e me ensinou e nunca mais pedir alguma coisa sem antes perguntar o preço. A noite foi de lua cheia com céu bem bacana, dormi na rede do próprio restaurante.

       
      13º DIA
      Acordei cedo e parti depois de improvisar alguma coisa pra comer, logo de cara é preciso atravessar o rio Corumbau mas tem barqueiro disponível pra isso. Do outro lado é preciso pagar a viagem aos indígenas que controlam essa travessia, pra mim custou 4$, então me dei conta de que desse lado tem algumas aldeias. Enquanto andava na areia avistei alguns indígenas transitando pela estradinha paralela à praia. Depois de muito chão e muito sol, cheguei em Caraíva, que estava com as areias lotadas de turistas. Entrei pra ver como era o lugar e andei por ruas estreitas lotadas de areia fofa e pousadas. Cheguei no que parecia ser o centro, onde tem um campo de futebol (de areia rs) e descansei numa sombra de árvore chupando umas mangas. Almocei por ali e andei até o local da travessia de barco pra cruzar o rio Caraíva. O local é movimentado e a travessia é curta e cara, 5$. Do outro lado é preciso subir uma ladeira por uma estrada de barro e entrar no primeiro beco a direita, ele acaba levando pra praia da Barra, daí basta ir margeando o rio que sai novamente na praia. Do lado de Caraíva, a praia estava totalmente lotada, e eu segui meu caminho pro lado oposto. Um tempo depois encontro um pessoal banhando de um lago, mas não entrei, um pouco mais a frente outro lago, dessa vez dei uma parada para um banho doce e refrescante. Depois do lago veio um trecho de areia preta estilo lama que dificultou um pouco as passadas e então o início da trilha para a Praia do Espelho. Essa trilha contorna por cima uma enorme falésia em que as ondas batiam diretamente nela, depois de uma caminhada pelo alto e eu sem água, avistei uma casa e me aproximei pra fingir pedir informação e descolar uma água geladinha. Uma menina que trabalhava na rede hoteleira da região me explicou tudo e me deu 2 copões de água geladinha, a mais prazerosa de toda a viagem. Prossegui pela trilha, dessa vez descendo e cheguei até a praia, passei por mais umas falésias dessa vez por cima das pedras e cheguei na Praia do Espelho. Mais um pouco de caminhada e cheguei em Caraípe. Lugar de bacana, praia totalmente cheia de turistas, barracas caras e hotéis de luxo de ponta a ponta. Tomei um banho de mar e fiquei por ali, armei minha rede embaixo de uma das barracas, jantei um miojo e abri 4 cocos.

       
      14º DIA
      Dexei o local na primeira luz do sol enquanto passava pelos resorts e via as mesas de café da manhã começando a serem montadas, uma verdadeira tentação. Caiaques e pranchas de StandUp espalhadas pelos quintais, redes armadas e muitas espreguiçadeiras acolchoadas me faziam questionar se era viável dormir num local desses escondido. Algumas praias depois cheguei no Rio dos Frades, enquanto esperava uma carona de barco eu completava meu café da manhã com algumas mangas. Logo apareceu minha carona e atravessei o rio, a caminhada seguiu tranquila e agradável. Entra praia sai praia e o cenário é o mesmo, maré baixando, água bem calma, um ou outro pescador de barco e alguns hotéis a beira mar, num deles uma menina arrumando as espreguiçadeiras, a mesma que havia me dado água! Dei um bom dia, fiz aquela cara de surpresa e segui rindo sozinho. Todo o luxo visto até agora é multiplicado com a aproximação de Trancoso. Barracas e hotéis que pobre não entra e turista sem dinheiro só olha. Fui direto pro centro pegar uma grana no banco pois só estava com 30$. Subi a ladeira pra chegar até o centro onde tinha comércio destinada a pessoas normais e descansei até o almoço. Depois de comer passei pelo quadrado e dei uma admirada no visual antes de descer para a praia. O mar estava ótimo, fiquei descansando enquanto observava o tempo passar. Uma cena me chamou atenção, alguns moradores dali tentavam fumar uma maconha as margens do rio e ao lado de um restaurante que parecia mais uma boate, os seguranças puxaram pistolas e deram uma revista em todos já encostados na parede, enquanto dentro da boate, onde as garçonetes trabalhavam de biquíni, um trio fumava tranquilamente seu baseado numa mesa recheada de champanhe. Passei o resto da tarde por ali trocando ideia com o pessoal que vendia queijo e tapioca. Ao anoitecer dei mais uma volta no quadrado e jantei um espetinho com uma cerveja gelada lá no centro popular, pois no centro turístico os preços são surreais. Voltei pra praia e armei minha rede embaixo de um quiosque enquanto imaginava comigo: O turista vai passear em Trancoso, almoça no restaurante do paulista, se hospeda no hotel do carioca, faz um passeio com a agência do goiano, e assim o capital gira na mão do povo de Trancoso rsrs.

       
      15º DIA
      A noite choveu um pouco e amanheceu meio nublado, abri uns cocos na praia com uma certa facilidade utilizando uma faca que tinha comprado em Prado e parti. Passando pela boate deu pra ver que uma rave havia acabado a pouco tempo, pois o pessoal que vendia queijo ainda estava andando por ali, no dia anterior eles me disseram que o melhor horário pra vender era no final das raves que aconteciam naquele bar. Um pouco a frente um casal que havia virado a noite na praia me acompanhou alguns metros até o hotel onde estavam hospedados, ficaram surpresos quando falei que estava indo pra Arraial D'Ajuda e me desejaram boa sorte no meu passeio. A maré estava um pouco alta e as ondas do mar fortes, em dois trechos com falésias tive que atravessar por cima das pedras. O cenário hoteleiro era parecido com o do dia anterior, era comum passar na frente dos hotéis com diversas espreguiçadeiras expostas na praia. Nas proximidades de Arraial já era comum ver um ou outro turista dando um corrida matinal pela areia. As centenas de bares na praia começando a abrir era um aviso de que eu havia chegado. Fui até o centro comprar mais um café da manhã no mercado, a essa altura minha aparência já não era das melhores e eu não estava nem um pouco preocupado, o segurança do mercado também notou meu visual e ficava na minha cola pra lá e pra cá. Saí do centro e peguei água direto da fonte Nossa Senhora D'Ajuda, e desci ladeira abaixo até a balsa. Como não havia muitos detalhes anotados, fui pego de surpresa tendo que andar 4km no asfalto. Depois de atravessar para Porto Seguro, chupei um picolé e dei uma cochilada no banco de praça na Av. do Descobrimento. Depois de uma descansada peguei um ônibus que me deixou em Coroa Vermelha que estava bem lotada. Depois de um almoço bem baratinho fui caminhando pela praia até a Ponta da Coroa, onde dei uns mergulhos no mar clarinho enquanto observava o banco de areia que dá nome ao lugar ir desaparecendo em câmera lenta. Fiquei no bar localizado bem na extremidade, que pertence ao Maurício, ele é filho de índio e tocava o bar sozinho com alguns colegas. Fiquei por ali contando e ouvindo histórias enquanto ele trazia como cortesia umas batatas fritas e cerveja. A noite fomos lanchar e ele me mostrou e contou bastante da história do local. Pra dormir armei a rede embaixo da cabana do Maurício, é assim que eles chamam os quiosques por lá, foi uma noite refrescante e de céu limpo.

       
      16º DIA
      Levantei com o sol já todo exposto, me despedi do Maurício e parti. Até o final da praia de Coroa Vermelha a areia foi bem generosa, após um pequeno córrego a areia ficou fofa pra valer, a maré estava alta e as ondas bem fortes. Desde o começo é possível ver os 6km de praia que faltam pra chegar em Cabrália, uma caminhada pesada devido sol escaldante e falta de vento, resultado: muito suor. Chegando em Santa Cruz Cabrália, depois de comprar uns pães pro café, peguei a balsa que me atravessou até Santo André, peguei um carro alternativo que me deixou mais perto da praia e quando cheguei armei minha rede e fiz o que o cenário me mandava, descansei. Após o almoço, peguei uma água de gosto terrível no lugar onde comi e voltei pra rede. Lá pro meio da tarde deixei a praia, que estava razoavelmente cheia pra um dia de semana, afinal era final de ano. Após 3km de caminhada surge um recife bem comprido que segue por 1km, bastava seguir pela esquerda andando pela areia, mas meu extinto ruim acabou escolhendo ir por cima das pedras achando que a areia não levava a lugar nenhum. Depois de uns 25 minutos conseguir sair do recife e voltar pra areia. Nesse trecho da praia surge uma ou outra mansão e dá pra ver bem a Coroa Alta, um banco de areia no meio do mar que segundo Maurício nunca é coberto. No final da praia tem uma mansão/hotel abandonado e o largo rio Santo Antônio pra atravessar. Havia apenas um pescador sozinho com uma rede no local, enquanto conversava com ele, um barco vinha do mar em direção ao rio, era minha carona! Entrei no barco que estava com água no fundo e fui logo me sentando sem perceber que o celular estava no bolso, resultado: perdi o telefone. O pescador me levou até o povoado de Sto. Antônio onde fica uma enorme estátua do santo. A comunidade cresceu ao redor da rodovia e é bem pequena com pouco comércio. A estátua fica localizada em cima de um pequeno morro, de lá a vista da região é fabulosa. Antes de escurecer comprei uns pastéis pra jantar e parti pra praia, que fica 1km dali, no meio do caminho decidi armar a rede entre os coqueiros num local onde tinha uma casa abandonada. Foi um sufoco porque essa hora os maruins são implacáveis naquela região. Dormir em local descoberto tem suas vantagens quando é uma noite de céu limpo e estrelado, apesar das picadas dos mosquitos, valeu a pena.

       
      17º DIA
      Acordei no horário de costume e segui para praia que estava em boas condições pra caminhar, maré baixa com uma enorme faixa de areia durinha, uma brisa pra refrescar, mar com ondas médias, água levemente mais escura e sol rachando. Praia bem deserta, depois de pouco tempo a areia já ficou mais fofa e ondulada, dificultando a caminhada, enquanto isso pelo caminho cruzei com um cara da CTE, que verificava os piquetes das tartarugas marinhas fincadas na areia. No meio do caminho consegui ver uns coqueiros baixos e fui logo pulando a cerca pra pegar, matei minha sede e ainda enchi uma garrafa com 9 cocos. Renovado com os cocos, passei pela foz do Rio Guaiú praticamente seco na maré baixa e segui caminhando, 5kms depois mais uma barra de rio, dessa vez deu pra passar com água na barriga, logo depois já apareceu alguns banhistas, era sinal que havia chegado em Mogiquiçaba. O pequeno centro fica a 500m da praia e pra minha sorte assim que cheguei dei de cara com um chafariz comunitário, onde tomei um banho e recolhi umas mangas. Passei o resto da manhã descansando e cochilando numa sombra da praça central. Depois do almoço voltei a descansar no mesmo local antes de prosseguir em direção ao Terminal Marítmo de Belmonte. A tarde a caminhada foi muito agradável, uma faixa de areia muito extensa e firme e um bom vento pra refrescar o sol escaldante. O terminal fica a 7km de Mogiquiçaba mas não tem nada lá além disso, segui em frente e passei por uma turma que tinha escolhido a praia pra passar a virada de ano, estavam travando uma verdadeira guerra com a ventania pra poder armar uma tenda entre os coqueiros. Um tempo depois acabei descobrindo o meu local de réveillon, uma casa ainda em construção e com água já encanada. Armei a rede na boa, e fiquei tomando um banho de mar naquela praia deserta. Antes de escurecer tomei uma chuveirada e preparei minha ceia que se resumia a um miojo. E foi assim que passei a virada do ano mais calma da minha vida, sem nenhum barulho de fogos de artifício, incomunicável e num lugar sensacional.

       
      18º DIA
      Acordei nos primeiros claros de 2016, e segui bem animado numa extensa faixa de areia bem durinha e molhada, o que formava um gigante espelho d'água que refletia o céu. Encontrei o primeiro ser vivo do ano, uma minúscula tartaruga marinha que se arrastava lentamente em direção ao mar, dei uma ajudinha e a soltei bem perto da água. Um tempo depois encontro novamente o cara da CTE que tinha visto no dia anterior, verificando seus piquetes com os ovos das tartarugas. Uns quilômetros depois a areia passou a ficar fofa e íngreme porém mais a frente, voltou a ficar firme. Cheguei na praia de Belmonte que ainda se recuperava da ressaca da noite anterior, e fui pra o centro procurar o local onde pegar a balsa. No calçadão da praia tem uma imagem de um guaiamum gigante, caranguejo símbolo daquela região. São quase 3km em linha reta pra chegar no centro. Fiquei esperando o barco que ia pra Canavieiras enquanto chupava umas mangas e assistia a uma procissão marítima no enorme Rio Jequitinhonha. Partimos pra Canavieiras apenas o piloto do barco, uma passageira e eu. Era uma lancha que praticamente voava pelos enormes rios e mangues. A passagem custou 30$, um pouco cara mas compensa o pelo passeio e pela distância, foram 40 minutos pra percorrer uns 30km até Canavieiras. Durante a viagem passamos por uma enorme foz de um rio, o que me desanimou, pois em minhas anotações eu teria uns 60km com enormes rios pra atravessar e nenhum vestígio de vila ou moradias. Acabei mudando os planos e pegando um ônibus até Acuípe por 15$ e desci em Lençóis de Una, um lugarejo as margens da BA-001 paralelo à praia. Acessei a praia e continuei andando com o sol já fraco. Com ondas médias e águas mais claras parei pra um rápido mergulho em seguida uma chuveirada em um restaurante. Desse trecho até Ilhéus, as praias são bem movimentadas com algumas casas de veraneio, condomínios, bares e restaurantes. Havia bastante banhista pela praia e um vai e vem irresponsável de quadriciclos. Meu dedo anelar já começava a sentir uma pequena bolha que se formava, mesmo assim continuei até chegar em Águas de Olivença. Parei na cabana Amigos do Mar, de um índio chamado Xavier, tomei mais um banho de mar, uma cerveja de litro e uma janta, tudo num preço bem camarada. Dormi ali mesmo embaixo da cabana num numa noite de céu estrelado.

       
      19º DIA
      Acordei um pouco antes do sol, abri 2 cocos, me despedi do Xavier e segui. Pouco tempo de caminhada, encontrei uma pia de um bar onde havia água, parei ali pra lavar umas roupas e fiquei descansando enquanto secavam. Enquanto isso chegou um casal, uma brasileira e um americano chamado Richard, que se reuniam com um grupo pra um mutirão contra o lixo, acabei pegando um saco pra ajudá-los quando partisse. Quando segui, foi fácil encher um saco de lixo, onde tem gente não falta. Cheguei no centro de Olivença e estranhei não encontrar uma padaria, acabei comendo umas rosquinhas e seguindo. Logo saindo do centro é preciso contornar uns hotéis por cima das pedras sem muita dificuldade, depois disso a areia voltou a ficar larga e o mar verdinho. Acabei encontrando uma cabana que me serviu um saboroso PF de arraia, depois fui descansar na praia. Depois de uma mergulhada e uma chuveirada continuei andando pela praia lotada. O sol castigava durante essa tarde e quando vi que o local já estava muito urbanizado e se estendia até o centro de Ilhéus, fui pra pista pegar um ônibus até o centro, de lá tomei outro até o bairro chamado São Miguel do outro lado de Ilhéus. Já no fim da tarde apenas, combinei uma janta em uma barraca e fiquei descansando. Esse local tem um certo movimento a noite, o que dificultou na hora de achar um canto pra armar a rede, continuei andando já no escuro até o final do perímetro urbano onde armei a rede entre 2 coqueiros.

       
      20º DIA
      Acordei com o sol já um pouco alto, durante a noite pra minha sorte só caiu um ligeiro sereno que não comprometeu minha dormida. A caminhada foi bem agradável com maré baixa e céu nublado boa parte da manhã. Em menos de 1 hora de caminhada já alcancei o condomínio Mar e Sol, quase colado nesse vem outro chamado Joia do Atlântico, um pouco depois vem o Barramares e Verdemares, todos esses com algumas casas de veraneio, enfim o típico lugar de "barão". Depois da parte chique vem a parte do povão, Ponta do Tulha. Descansei em uma sombra até a hora do almoço vendo o vai e vem dos banhistas e o sol que já dava uma belo tom verde ao mar. A tarde o sol saiu de vez e o mar ficou com um verde incrível. A tarde, rapidamente cheguei em Mamoã, as praias tinham uma quantidade razoável de banhistas e eu acabei avistando a terceira mulher praticando um topless. Sentei embaixo de uma barraca de palha vazia pra dar uma descansada, seco de sede e com pouca água na mochila, como um milagre do destino, avistei ao meu lado um coqueiro baixinho com um cacho de coco verdinho. Abri os 6 ali na frente de todos, matando minha sede e matando alguns banhistas de inveja. Depois de uns mergulhos segui adiante e cruzei com uma galera voltando da Praia da Barrinha, parei novamente mais à frente pra descansar e já conseguia avistar uma serra uns 3km dali, esse trecho da praia estava lindo. Com os pés já exaustos, fui até um mercadinho comprar uns pães e voltei pra praia onde descansei até anoitecer. Jantei um miojão e armei a rede embaixo de uma barraca de lona. Enfim a chuva caiu com força, infelizmente na hora errada, em plena madrugada. Quando me dei conta que tinha uma goteira bem em cima de mim, já estava com a rede e o saco de dormir bem molhados, passei boa parte da madrugada retirando a água acumulada na lona e testando novas posições pra rede, uma noite de cão.

       
      21º DIA
      Levantei antes do sol sair, porém já estava acordado, guardei as coisas ainda molhadas, comi e parti. Com vento e um pouco de chuva fina, cheguei no fim da praia me deparei com a Serra Grande, tentei contornar mas acabei desistindo e me dirigi até a pista pra pegar um ônibus pra Itacaré. Acabei não visitando as belas praias da Serra Grande de Itacaré por não saber se havia trilhas ligando uma praia a outra e sem saber disso eu gastaria muito tempo. Esse pedaço é digno de uma viajem exclusiva somente pra explorar essa região. Peguei um ônibus da empresa Rota e depois de muito parar cheguei na rodoviária de Itacaré, fiquei ali pelo centro andando e descansando pelo resto da manhã. Depois do almoço fui até o barqueiro que fazia a travessia do Rio das Contas por 5$. Do outro lado da praia tem um quiosque e a praia estava somente com alguns banhistas e surfistas, comecei a andar sobre uma areia fofa e embaixo de um céu nublado. No final dessa praia a areia ficou firme e surgiu um pequeno córrego que atravessei sem problemas. Colado nesse córrego tem início uma plantação quase infinita de coqueiros baixinhos. Abri e bebi muito coco e ainda enchi uma garrafa pra levar. Caminhada tranquila por belas praias completamente desertas até encontrar um bom lugar pra dormir. Uma casa abandonada com uma boa cobertura nos fundos, enquanto arrumava minhas coisas me dei conta de que tinha perdido minha faca. Escondi as coisas e acabei voltando cerca de 2km até onde eu achava que tinha perdido, não achei e voltei, acabei andando 4km de graça. Voltei até a casa onde tomei um banho de mar e jantei um miojo. A noite choveu bastante mas não me molhei, o desconforto ficou somente pelo saco e a rede um pouco úmidos, mosquitos, e a falta de vento, que era bloqueado pela casa.

       
      22º DIA
      Acordei após uma noite recheada de maruins, me arrumei e segui. O tempo ainda um pouco nublado mas com areia firme, andei um bom tempo até surgirem os primeiros casarões e hotéis e mais alguns minutos cheguei na Praia de Algodões. Somente 3 barracas nessa praia, tomei um banho no mar cheio de recifes e depois uma chuveirada, depois rumei pra Saquaíra, pois me informaram que era um pouco maior. Quase 1 hora de caminhada cheguei em Saquaíra com sua orla toda destruída pelo mar. Enquanto me dirigia para o centro, ia chupando todos os cajus que achava. No centro descansei até o almoço, comprei uma faca que não cortava nem sabão e me abasteci de manga. Depois de almoçar, voltei pra praia e achei um bom lugar pra descançar, acabei armando a rede embaixo de uma barraca de palha e fiquei por ali descansando. A tarde as mansões e os hotéis começavam a surgir com mais frequência, com o mar um pouco agitado e areia durinha eu ia caminhando e contemplando o local. Era possível ver côcos do tamanho de melancias. Em Taipú de Fora as piscinas naturais são inacreditáveis, mesmo com o céu nublado a água se mantinha com uma cor belíssima. Na orla de Taipú só tem hotel e bar. Acabei encostando em um onde tomei banho, jantei e armei minha rede. Acabei sendo devorado pelos maruins pela terceira noite seguida.

       
      23º DIA
      Acordei cedo com o céu todo nublado, chupei umas mangas e parti. Caminhada bem agradável com as belas piscinas naturais ao longo de quase todo trecho. Essa caminhada tem cerca de 8km e passa por várias praias com diversos hotéis e bares chiques até chegar no píer de Barra Grande. Consegui pagar um suposto preço de morador e peguei uma lancha até Camamu por 20$. Dé lá peguei um ônibus da empresa Cidade Sol para Bom Despacho por 33$, somente as 15h depois de parar muito consegui chegar em Itaparica e então pude pegar o Ferry Boat pra Salvador. Em Salvador aproveitei pra descansar e passei a noite na casa de uma prima.

       
      24º DIA
      Depois de um café da manhã na padaria, me despedi de minha prima e peguei o coletivo até Arembepe. Fiquei toda a manhã descansando enquanto chupava uns geladinhos, observando o mar, que explodia suas ondas nas pedras enquanto a maré ia subindo e uma discreta boca de fumo que rolava no acesso à praia. Almocei num lugar que vende uma macaxeira sensacional acompanhado de suco de cupuaçu, tudo por um preço bem generoso e voltei pra praia pra outro descanso. Quando comecei a caminhar a areia estava bem fofa e o mar com ondas bem fortes, mas o que mais me chamou a atenção foram as construções que estavam sendo erguidas. Talvez 1 ou 2 anos antes, eu estive em Arembepe e não havia nada entre o centro e o Projeto Tamar, agora já existe marcações de condomínio e construções em andamento. 4km depois do centro cheguei no Emissário de Arembepe, o mar ainda com ondas fortes e muitas pessoas por lá admirando a vista e também pescando de vara. Mais 5km de praia com enormes coqueiros e ondas fortes cheguei na Barra do Jacuípe, com a maré ainda alta não pude atravessar mas consegui uma carona na lancha do pessoal que praticava KiteSurf. Já do outro lado experimentei uma pamonha de carimã, é saborosa mas não supera a de milho. Já no escuro desci até a praia pra achar um canto pra deitar mas um louco estranhou minha movimentação e quis crescer pra cima de mim me expulsando do local. A galera do artesanato me perguntou o que houve e após explicar me convidaram pra passar a noite ali com eles, armei minha rede na boa e dormi. Me disseram tanto que o que eu estava fazendo era perigoso, mas esse episódio foi o mais próximo de perigo que passei rsrs.
       
       
      25º DIA
      Acordei com o sol enquanto o pessoal ainda dormia, guardei minhas coisas e me dirigi até a praia, lá comi alguma coisa e comecei a andar. A manhã quase toda foi nublada, o que facilitou a caminhada junto com a maré baixa. Na praia muitas pessoas caminhando e alguns pescadores de luxo, todo esse trecho de Jacuípe até Guarajuba é lotado de condomínio, o que deixa a caminhada meio sem graça. Ao chegar em Itacimirim me sentei num coqueiro e descansei, o sol já começava a sair e eu caí no sono. Na hora do almoço entrei pelas ruas de Itacimirim, que também é recheado de casarão, e achei um lugar pra comer um PF e reabastecer minha água. Continuei andando depois do almoço logo acabei parando na Barra do Rio Pojuca, com a maré já alta, armei minha rede e fiquei esperando a maré baixar novamente, a essa altura o sol já estava rasgando e o belo local repleto de banhista. Após ver o primeiro banhista atravessar andando, armei minhas coisas e parti. A partir daqui residências somem e o cenário volta a ficar bonito. Desde Itacimirim já era possível avistar a Praia do Forte no horizonte. Pouquíssimo tempo depois já surgem os primeiros hotéis, e a movimentação aumenta bastante, é a Praia do Forte. Fiquei pelo centro onde jantei e descansei, armei minha rede numa cobertura ao lado do Projeto Tamar e dormi.

       
      26º DIA
      Acordei cedo mas não parti, esperei o comércio abrir pra tomar um café e aí sim, prosseguir. Ao partir pude ver as belas piscinas naturais com um mar verde clarinho ao fundo. Ao deixar a Praia do Forte pra trás o cenário voltou a ser como no sul da Bahia com belas praias desertas a se perder de vista. Perto de chegar em Imbassaí, o tempo virou e o céu ficou preto, consegui entrar em uma barraca pra me abrigar mas era tarde demais, já estava todo ensopado. Após passar a chuva entrei nas ruas de Imbassaí e até encontrei umas mangas e uns cajus pra chupar, almocei por lá e a tarde voltei a caminhar. Caminhada bem puxada na areia fofa, mas a ausência do sol ajudava. 5km depois, na Praia de Santo Antônio, a chuva ameaçou voltar e eu dei uma parada numa barraca pra esperar. Aqui é a porta de entrada para a Vila Diogo. Após a rápida chuva segui e após uns 2,5km passei pela famosa Praia de Sauípe. Após passar pelo luxuoso hotel repleto de gringo, a praia voltou a ficar deserta, porém mas um chuva rápida, dessa vez pesada, me fez parar em uma barraca de um condomínio e esperar. Tinha uma família tomando banho e um senhor conversava comigo a respeito do avanço das moradias nas praias da região. Ao passar a chuva segui adiante e a essa altura já entendia muito melhor como funcionava a maré. Chegando na Praia da Barra do Sauípe, esbarrei mais uma vez no rio cheio, enquanto esperava do outro lado sozinho, o salva vidas local veio me oferecer ajuda na travessia. Ele levou minha mochila no caiaque e eu fui remando em cima da prancha, acabei deixando 5$ pro refrigerante. Mais 2km de caminhada e cheguei em Porto do Sauípe. Fiquei por lá até anoitecer onde pude ver uma autêntica roda de capoeira baiana de sair faísca. Pra dormir, armei a rede em um quiosque fechado mas a noite foi ruim, quando não eram os bêbados curiosos era o vento forte que jogava a chuva em mim. Ao mudar a rede de local até choque levei.

       
      27º DIA
      Esse dia amanheceu ainda nublado e minha garganta um pouco dolorida. Depois de comer segui viagem e não demorou muito para as casas sumirem de vez e dar lugar a praia deserta. De um lado o mar bem agitado, do outro uma sequência de enormes coqueiros e a frente uma praia com maré baixa a se perder de vista, pra completar o cenário, o sol resolveu dar as caras pra valer. Caminhava meio preocupado sobre como ia fazer pra cruzar a praia de nudismo mas pra minha sorte passei por lá ainda cedo, apenas umas 3 barracas de praia ainda botando as cadeiras pra fora. Até Massarandupió foram exaustos 10km de caminhada. Quase que colado na praia naturista tem umas barracas de praia destinada a banhistas tradicionais, e um pouco mais a frente rolava uma espécie de campeonato de pesca, cada equipe devidamente uniformizada com seus carrões invadindo a areia. Mais uns 6km pra frente cheguei na pequena Barra do Crumaí, onde os primeiros banhistas começavam a chegar. Daqui já conseguia ver o farol de Subaúma, e quanto mais andava mais via banhista vindo no sentido contrário sempre em seus quadricículos. Chegando em Subaúma era domingo, a praia estava lotada e eu exausto, até aqui são 20km desde Sauípe. Descansei em uma sombra até a hora do almoço, ao lado de uma barraca de pescadores que vendia peixe. Depois de comer voltei pro mesmo lugar e consegui uns baldes pra lavar roupa. Um pescador gostou de uma camisa minha e troquei por um facão. A tarde toda fiquei ali descansando enquanto ouvia as histórias de pescador deles e via as excursões que vinham de Alagoinha deixando a praia. No fim da tarde parti, logo 1km a frente tem 2 barras pra atravessar, a primeira passei sem problemas, na segunda, do Rio Subaúma, não consegui e fiquei esperando. Um grupo tentava atravessar no sentido contrário e pediram carona a um playboy de jetski. O cara atravessou apenas 1 pessoa e simplesmente deu as costas e foi embora enquanto o restante do grupo pedia ajuda. Como também não consegui carona acabei dormindo em uma casa abandonada que tem bem ao lado.

       
      28º DIA
      Levantei com o sol e com uma bando de maruís devoradores, guardei logo tudo e fui tomar café na beira do rio. Enquanto esperava a maré baixar pensei em pegar um barco que estava atracado e levar a mochila mas no primeiro metro o barco começou a rodar e desisti na mesma hora. Passaram uns surfistas atravessando de prancha e logo depois veio um pescador que me levou até o outro lado. Caminhada parecida com a do dia anterior, muito coqueiro grande, maré baixa, alguns recifes e o surgimento das primeiras águas vivas do tipo arredondada e transparente, antes só tinha aparecido do tipo caravela. No caminho avistei um coqueiro que estava meio torto e consegui pegar 7 cocos. Durante o percurso passou um cara de cavalo, uma moto do Tamar e um ou outro quadriciclo. Ao chegar em Baixios vi o quanto o lugar era pequeno, descansei até a hora do almoço e em seguida parti pra atravessar logo a barra do Rio Inhambupe. Conseguir passar com a água no peito, fiquei dando uns mergulhos do outro lado e descansei na sombra de um coqueiro o resto da tarde. Com o sol mais fraco continuei, mas não conseguia ver nada muito adiante, subindo o morro de areia pra ver o que tinha do outro lado me deparei com coqueiros de todo tamanho e um imenso lago. Continuei pela praia e passei por uma cabana onde uma velha morava com uns cachorros e me indicou umas barracas de um hotel pra dormir mais a frente, não levei fé nela e acabei armando a rede no coqueiral mesmo. Esse trecho da caminhada tem umas marcações de quilometragem que podem servir pra orientação. Antes de dormir, ainda tomei um banho na lagoa, abri mais uns cocos e fiquei na rede olhando aviões que passavam pelo céu bem estrelado.

       
      29º DIA
      Levantei no primeiro claro, tomei um café com direito a muita água de coco e voltei pra areia. A caminhada começou com a areia bem fofa mas aos poucos foi melhorando. Logo mais à frente encontrei as barracas que a velha mencionou, e era mesmo um bom lugar pra passar a noite, continuei pela praia que ainda contava com as marcações quilométricas e um lixo considerável, e então cheguei na Barra do Itariri. Do meu lado não havia ninguém e do outro as barracas ainda estavam arrumando suas cadeiras na areia. Ao entrar na água sem mochila pra verificar a maré, a forte correnteza me arrastou e só consegui parar ao me segurar nas pedras que pareciam umas navalhas, resultado: mãos todas raladas e uma unha quase arrebentada. Fui cochilar enquanto aguardava a maré baixar mais um pouco e me questionava se estava valendo a pena essa jornada. O rio baixou e atravessei, continuei descansando do outro lado enquanto a criançada nadava no rio, pareciam verdadeiros peixes, nadavam muito. A tarde continuei numa imensa reta que se perdia de vista, as marcações quilométricas continuaram até um armário fechado do Tamar. Cheguei em Sítio do Conde no finalzinho da tarde e tomei uma boa ducha na primeira barraca que achei. O lugar é bem agradável, com inúmeras pousadas, jantei e armei a rede nas barracas da praia depois de driblar os cachorros que guardavam o local. Pra completar meu dia de azar, meu chinelo arrebentou e nenhum mercado tinha o número 40.

       
      30º DIA
      Deixei Sítio do Conde somente depois de comprar uns pães no mercado e procurar chinelo novamente, acabei não achando e parti descalço mesmo. Em pouco tempo de caminhada a areia já estava cozinhando de quente e fofa, de uma lado era areia e do outro pedras tão quentes quanto. Andei sempre procurando pisar na parte mais molhada das pedras e areia. Cheguei já na hora do almoço num lugarejo bem pequeno chamado Poças, consegui comprar um chinelo, almocei um pesado sarapatel e me abasteci de água. A tarde continuei caminhando, agora com areia mais firme e pés calçados. Cheguei em Siribinha onde as ondas traziam uma grande quantidade de algas, que pareciam até bagaço de cana de açúcar, mas passei direto até a barra que fica a menos de 3km de lá. As barracas estavam cheias de banhistas que já se arrumavam pra pegar os barcos de volta pra Siribinha. Enquanto tomava banho perguntei se uns pescadores podiam me levar ao outro lado e me aconselharam a dormir onde estava que me atravessariam 5h da manhã seguinte, foi o que fiz.

       
      31º DIA
      Levantei ainda no escuro as 4:30, e logo os pescadores passaram como prometido. Eles me atravessaram pelo enorme Rio Itapicuru e tomei um café do outro lado ainda com o sol saindo. O mar ainda estava bem agitado e a água um pouco escurecida devido à proximidade com o rio, no céu algumas nuvens e tempo abafado mas a caminhada foi agradável. 8km depois chego em Costa Azul, um lugar muito pequeno com poucas barracas na praia. Entrei pra reconhecer o lugar e não achei muita coisa, subi uma ladeira e acabei parando em um bar onde lavei umas roupas e tomei banho, lá de cima a vista fazia valer a pena subir a ladeira, um mar imenso que se confundia no horizonte com o azul do céu. Achei um lugar pra almoçar e depois armei a rede pra dar um descanso. Continuei a tarde por volta de 14:30, um tempo de caminhada depois passei por uma espécie de hotel desativado, onde consegui pegar muito coco. Daqui já era possível avistar o final da praia onde se localizava Mangue Seco, com umas 2h de caminhada tinham uma molecada no mar, que me disseram que ali ainda era Costa Azul e que mais pra frente eu encontraria barracas na praia. Continuei pela praia sem nenhum sinal de vida, apenas com as marcações do Tamar, que agora estavam com bandeirinhas amarradas. Com o sol já perto de sumir, achei um bom lugar pra pernoitar, uma estrutura em ruínas que parecia ser uma casa mas resolvi seguir adiante onde um pescador puxava uma rede pra me informar sobre as tais barracas. Ele confirmou mas disse que eram em Coqueiros, lugar ainda bem distante dali. Continuei andando até escurecer, mas o claridade do céu era suficiente pra iluminar tudo. Muito chão depois achei uma barraca, não sei ao certo se era na altura de Coqueiros ou não, fui logo armando a rede e de tão cansado deitei sem sequer jantar, dormi com o céu absurdamente estrelado.

       
      32º DIA
      Dormi bem na noite anterior e só levantei as 7h. Após comer parti pra finalmente acabar a caminhada dentro da Bahia. A partir daqui o cenário fica diferente, as dunas avançaram pra cima dos coqueiros e deixam os cocos ao alcance das mãos. Abasteci minha garrafa com coco e segui. Um pouco a frente já apareciam bugueiros indo trabalhar em Mangue Seco e um deles me ofereceu carona, apesar do cansaço recusei, sem chance chegar de carona na reta final. Chegando na praia onde ficam as barracas, entrei pra esquerda em direção a torre, seguindo nessa direção e sempre margeando a água cheguei na vila, onde turistas não paravam de chegar. Esperei um pouco e consegui um barco que atravessou a enorme foz do Rio Real e me levou pra Praia do Saco em Sergipe por 15$. Fiquei descansando até depois do almoço pra começar a andar em terras sergipanas. Ao entrar no início da praia o cenário muda um pouco, a praia fica imensamente ampla, com faixas de areia quase infinitas e bem durinhas. Olhar pra trás e ver que havia saído da Bahia dava um novo ânimo. Andando rumo ao norte logo se acabam as casas e fico andando sozinho na imensa praia, com pequenas dunas a esquerda, maré baixa, água um pouco amarronzada e sol rachando, apenas um quadriciclo passando hora ou outra. Ainda dei uma parada pra pegar uns cocos mas estavam todos azedos, continuei e não demorei muito até chegar em Abaís que está com sua orla parcialmente destruída devido à proximidade com a água. Fiquei vendo o final da tarde na praia, depois jantei com direito a uma cerveja gelada e armei minha rede numa barraca montada na praia. Noite de céu limpo e muito vento.

       
      33º DIA
      Um pequeno chuvisco com o forte vento me fizeram levantar bem cedo, arrumei as coisas e parti depois de comer. Meu novo chinelo já começava a fazer novas bolhas. As casas de Abaís logo ficaram pra trás e o único movimento que havia na imensa praia eram uns passarinhos cinzas que aproveitavam pra caçar comida sempre que as ondas recuavam. No meio do caminho avistei uma casa abandonada onde parei pra beber uma água. Algumas horas depois chego em Caueiras, lugar com belas casas mas pouco comércio. 5km adiante eu teria uma imensa barra do Rio Vaza Barris pra atravessar e logo começaria um trecho muito urbano, então resolvi partir direto pra Aracaju. Depois de uma ducha no banheiro público do local, peguei uma van pra Itaporanga por 5$ e em seguida outra pra Aracaju por 3,20$. Almocei pelo centro e fui até a orla de Atalaia beber cerveja e tomar caldinho de sururu, tudo muito barato, depois retornei ao centro onde peguei um coletivo até Atalaia Nova. Desci na Praia da Costa. Tentei armar minha rede num coqueiral mas o vento fortíssimo não deixava, acabei indo deitar no comércio da praia e rapidamente os seguranças chegaram me questionando mas depois de conversar me deixaram bem à vontade. No meio da noite surgiu uma água não sei de onde e molhou todo meu saco de dormir... péssima noite.

       
      34º DIA
      Levantei antes do sol, arrumei tudo, comi, tomei uma chuveirada e parti logo as 5:30. Ainda quase no escuro era possível ver a iluminada Aracaju pra trás e algumas plataformas no mar a frente. Menos de 2km tem um enorme hotel e ao lado dele uma turma já jogava uma animada pelada, não demorou muito e começou o transito de carros 4x4 e comuns, que andavam bem devido a maré baixa e areia durinha. Um pouquinho mais à frente começa um enorme coqueiral com coqueiros baixinhos, dei uma pulada na cerca e abasteci minha garrafa. O mar um pouco amarronzado, maré baixa com areia dura, coqueiral sem fim, enorme faixa de areia e um sol razoável, esse era o cenário. Passei por um torneio de pescaria, era aqui que todos os carros estavam vindo mais cedo, ao passá-los a praia volta a ficar deserta somente com o Terminal Marítmo mais a frente. Chegando próximo ao terminal, algumas poucas casas onde um cara domava um cavalo. Embaixo do acesso ao terminal, várias famílias aproveitavam sua sombra e armavam ali sua farofa. Logo após o terminal vem a Praia de Jatobá, que tem uma fileira de casas, alguns mercadinhos e muitos cataventos de energia eólica. Parei em uma das barracas pra descansar enquanto botava meu saco de dormir pra secar. Parti a tarde com o sol já queimando pra valer, depois que acabam as casas volta a paisagem deserta, de um lado o mar ainda um pouco escuro, do outro uma enorme cerca com alguns coqueiros e mais adiante dunas medianas tomadas pela vegetação. Desde a Praia da Costa há troncos de coqueiros como marcos quilométricos, embora esteja faltando alguns as medidas parecem estar precisas. Pra chegar em Pirambú ainda é preciso atravessar a barra do Rio Japaratuba, que estava apenas batendo no joelho, Pirambú é um lugar simpático, e estava com praias cheias e comércio fechado pois era domingo. Armei minha rede embaixo da barraca Pirambeleza, indicado pelo próprio garçom do lugar, apaguei logo cedo mas acabei acordando com as goteiras durante uma chuva, acabei migrando pro outro canto e tive mais uma péssima noite de sono.

       
      35º DIA
      Levantei logos nos primeiros claros, comi e tomei uma boa ducha enquanto as primeiras pessoas já começavam a se exercitar pela areia. Ainda voltei ao centro pra tomar um segundo café enquanto esperava uma chuva forte passar, acabei ficando até a hora do almoço e partindo em seguida. O sol não me atrapalhava mas o tempo estava bem abafado sem brisa alguma. Com a areia ainda em boas condições e sem o incômodo das bolhas, andei bem pra compensar a manhã parada. A partir de Pirambú as marcações do Tamar, ainda em troncos de coqueiro, seguem em ordem crescente. Por não ter vento o mar estava bem calmo, com ondas bem suaves e pequenas, a esquerda muita vegetação rasteira sobre pequenas dunas, mais pra dentro dunas maiores com vegetação também maior e ainda adiante um morro acompanhava a praia até a altura de Lagoa Redonda. No caminho apenas alguns pescadores puxando rede, no km 11 tem início um pequeno córrego a esquerda e no km 12 uma pequena cabana do ICMBio com um coqueiral desordenado ao fundo, que é na verdade o acesso à Lagoa Redonda. Armei a rede pra secar enquanto dei uma descansada. Fui conhecer Lagoa Redonda, passando 700m pelo coqueiral tem o córrego com inúmeros quiosques fechados, do outro lado do córrego uma fábrica da Petrobras e em seguida Lagoa Redonda que se resume a uma única rua. Combinei uma janta no que pareceu ser o único restaurante do lugar e desci pra ver as lagoas do lugar. São pequenas lagoas formadas pelo córrego aos pés de belas dunas alaranjadas. Já perto do fim do dia armei a rede em um dos quiosques repletos de mosquitos e subi pra jantar. A noite foi um pouco complicado pois não havia vento e os mosquitos estavam pegando.

       
      36º DIA
      Levantei logo as 4h da madruga, e parti cedo, chegando na praia voltei sem mochila pra buscar a porra do facão que havia esquecido. Da praia ainda é possível avistar muito longe o Terminal e os cataventos da Praia de Jatobá e pra frente uma imensidão de areia e o mar com uma plataforma solitária muito distante. O sol apareceu como de costume por volta das 5:10 num céu bastante limpo. O mar parecia uma lagoa com pouquíssimas ondas e sem ventania. Esse era o dia que eu mais temia em toda a caminhada porque as imagens do GEarth estavam defasadas e não tinha certeza de onde seria meu próximo ponto de patada. Às 9:00 eu já conseguia avistar uma torre que indicava um povoado, minhas anotações de distâncias estavam precisas mas os nomes das localidades nesse trecho estavam bem equivocadas. Em alguns momentos é possível ver o interiorzão sergipano a oeste e até mesmo as águas do Velho Chico. Chegando próximo a um coqueiral cercado parei pra descansar e arranquei quase todos os cocos da plantação e todos estavam sem água. Voltando a andar me deparei com uma barra pra atravessar e fui margeando até me informar com uns caras que trabalhavam numa obra perto, me falaram que ali se chamava Boca da Barra e que não ia passar ninguém de barco e que era melhor eu ir por dentro, e aí sairia em Ponta dos Mangues, foi o que fiz. No caminho muitas construções sendo erguidas e o cara me falou que tudo seria hotel futuramente. 4km de caminhada por uma estrada de chão bem arborizada repleta de mangueiras e coqueiros cheguei a Ponta dos Mangues e fui logo procurando um canto pra comer. Apenas 3 bares no local perguntei 2 vezes e informaram que não tinha lugar ali que servisse almoço. Acabei indo perguntar em outro bar, o da Marleide e ela me explicou que ali ninguém serve almoço, muito menos a gente desconhecida, então depois de uma conversa ela me intitulou "Viajante do Tempo" e me serviu um almoço gratuito. Passei parte da tarde ali descansando e ouvindo as histórias da velha que contou como o lugar surgiu a partir de 3 famílias e que vez ou outra também apareciam pessoas viajando de barco ou bicicleta, porém nunca a pé. Saí de lá abastecido de água, manga e chupando 2 geladinhos que custaram apenas 25 centavos cada. Seguindo a principal e pegando a direita saí numa espécie de porto, onde consegui uma carona para o outro lado do rio que na verdade acaba sendo uma ilha bem comprida, isolada pelo mar de um lado e o rio do outro. O mar agora estava bem diferente, bem agitado e com uma cor impecável, fui dar uns mergulhos e depois retornei pra o lado do rio onde tinham 2 cabanas desertas e até uma fonte de água adoce. Acabei ficando por ali, lavando umas roupas e tomando banho de rio. A noite jantei um miojão e dormi tranquilamente ali isolado.

       
      37º DIA
      Acordei muito bem e parti depois de comer. Logo acompanhei um cara do Tamar até próximo a um lugar chamado Barra do Cabecinha, no caminho me explicou muito sobre o trabalho do Tamar e que os passarinhos que ficam na praia se chamam "Maçarico". A manhã estava nublada com sol agradável quando aparecia. 12km e 3h depois cheguei numa barra de rio que acaba sendo um braço do imenso São Francisco. O lugar tem algumas construções destruídas pelo tempo mas nenhuma pessoa por perto. Levei um tempo até descobrir uma rota pra atravessar o rio sem mochila e depois voltei pra buscá-la. Mais pra frente vem um trecho de mangue que foi engolido pela maré e hoje só ficaram as árvores secas. A chuva também acabou caindo e cobri a mochila com sacos de lixo e segui na chuva mesmo já que não tinha onde se abrigar, mas a chuva não dura nem 10 minutos. Fartura de caju nesse trecho até chegar numa Croa, onde era possível avistar um farol quase totalmente engolido pelo mar, aqui é o antigo povoado Cabeço que foi extinto pela maré. Daqui já dá pra avistar a bela foz do São Francisco, continuei margeando até a extremidade e ao chegar a decepção, só tem movimento do lado alagoano, do meu lado absolutamente ninguém. Voltei até umas poucas casas que sobrou do Cabeço e um pescador me levou ao outro lado na boa, ou mal intencionado esperando uma gorjeta sei lá. Acabei cruzando o imenso e belo Rio São Francisco numa pequena canoa, dei 5$ pra gasolina do cara. Do lado alagoano é onde os barcos chegam cheios de turistas de todo canto, aí tem os passeios de buggy, barracas de cocada e souvenirs. Acabei comendo um espetinho de robalo com farofa, que foi meu almoço, fui até uns coqueiros pra descansar, acabei subindo no coqueiro pra derrubar mais 2 cocos sem água. Cenário único aqui, apenas o local onde os turistas ficam, uns poucos coqueiros, e uma torre de telefonia, muita duna, o mar e umas lagoas, mas não tinha lugar pra comer nem pra dormir, decidi me mandar. Desde a travessia do rio que o sol já botava pra fuder, pra piorar a maré estava cheia e a areia ruim pra caminhar. No início da caminhada alguns pescadores puxando rede e rindo de mim quando disse que ia andar até Pontal do Peba, logo depois surge o climão de deserto. O sol fervia as dunas a esquerda enquanto eu ia pela parte molhada da areia desviando do lixo que o mar cuspia de volta pra terra firme. Eu havia me transformado numa máquina de caminhar, seguia sempre adiante exaustivamente a medida que já conseguia ver Pontal do Peba bem distante. Nos quilômetros finais cheguei na merda com as pernas e principalmente a solda dos pés realmente doloridos como ainda não havia sentido. Merecia um descanso e acabei pagando uma pousada por 50$ com direito até a café da manhã. Não consegui janta, comi um xtudo e fui pro quarto desabar. Nunca caminhei tanto em um único dia na minha vida, foram 40km de andança.

       
      38º DIA
      Não consegui levantar muito tarde, mas fiquei deitado até a hora do café, comi como se fosse a última refeição da minha vida e parti. O cansaço do dia anterior não me deixou perceber como Pontal do Peba é bacana. Uma verdadeira vila de pescador lotada de pequenos barcos atracados no mar clarinho e cheio de piscinas naturais. A areia na altura do centro estava tão firme que até um ônibus circulava por lá sem dificuldade. A partir daqui começa a maior sequência de coqueiros de todos, com coqueiros de todos os tipos, também já dava pra avistar a entrada para Feliz Deserto, a exatos 7km a frente. A caminhada foi tranquila, tempo nublado, a maré baixa formava uma extensa faixa de areia e o mar parecia uma piscina de tão calmo, ao longo da caminhada aparecem diversos pequenos cursos d'agua pra atravessar sem dificuldade, que saem de um riacho paralelo a praia. Ainda mandei ver um coco do tipo amarelo antes de chegar no acesso a Feliz Deserto. O centro fica a quase 2km da praia, e ao chegar a chuva desabou de vez e tive que me abrigar até a hora do almoço. Voltei a andar a tarde embaixo de uma fina chuva. Ao longo dos coqueirais há várias barracas montadas que são excelentes pra uma dormida, aqui é onde o pessoal se junta pra descascar os cocos pra vende-los secos. A chuva desabou mas continuei dessa vez com uma capa de chuva e um saco protegendo a mochila que funcionaram muito bem. Após a primeira ponta no final da praia já dá pra avistar Miaí de Baixo, por onde passei direto e na ponta do final dessa praia já começam as casas de Miaí de Cima, onde descansei o resto do dia até o café da noite, é assim que chamam a janta por aqui, que na maioria das vezes é um cuscuz ou macaxeira acompanhada de café e algum tipo de carne. Alguns moradores desconfiados e curiosos ficavam me observando na praia. Ao anoitecer armei a rede numa barraca de pescador onde não batia vento e tinha muito mosquito, pra piorar algumas goteiras na hora da chuva, noite ruim.

       
      39º DIA
      Fiquei de pé logo as 4:40h e parti logo após uma ducha e um café. Pela praia os pescadores já começavam a entrar no mar que parecia mais uma lagoa de tão calmo. Desde o centro é possível avistar Pontal do Coruripe ao final da praia. Caminhada fácil com a maré baixa e o tempo nublado, apenas o coqueiral e alguns cavalos soltos ao longo do caminho. Ao final da praia dá pra perceber Barreias, um outro vilarejo que estava escondido por trás do coqueiral e a Barra do Rio Coruripe que apesar da maré baixa não me deixou atravessar. Pra minha sorte uma jangada vinha chegando do mar e me atravessou. Do outro lado a chuva caiu pesada e novamente puxei a capa até chegar no centro de Coruripe. Aqui é mais uma vila pesqueira pequena e muito bonita, comprei um bolo de mandioca numa feira e fui até o farol dar uma descansada (leia-se cochilada) até o almoço. O mar dispensa comentários, cheio de piscinas naturais e uma cor verde clara espetacular apesar do tempo totalmente fechado. Depois de comer uma bela posta de peixe voltei a caminhar a tarde, pra acessar a praia tive que dar uma volta em um quarteirão pois as ondas já estavam batendo nos muros de umas pousadas/casas que duvido muito que irão resistir por muito tempo. A caminhada de uns 4km até Lagoa do Pau foi de dificuldade mediana pois a areia já não estava tão firme pra pisar. Ao passar por um pequeno córrego, já surgem os primeiros casarões de veraneio e pousadas. Com o tempo bastante abafado, fiquei descansando na praia enquanto bebia água de coco. A noite fui até o centro onde rolava uma festa do padroeiro da região, jantei e voltei a praia pra armar a rede em um quiosque. Aqui é tão calmo que as barracas sequer recolhem suas cadeiras e mesas ao fechar, tomei uma ducha e tive uma boa noite de sono.

       
      40º DIA
      Parti depois de comer com o tempo nublado mas sem chuva. Ao deixar Lagoa do Pau enchi uma garrafinha de 500ml de coco, um pouco mais a frente voltei a encher mais 500ml, coqueiro aqui tem em abundância. Ao final da praia aparecem belíssimas piscinas naturais, ainda achei um chuveirão num local gramado e com bancos que pareciam ser de alguma propriedade bem chique, acabei indo tomar banho no mar que mais uma vez estava com uma cor impressionante apesar do tempo fechado. Mais umas praias a frente aparece a Barra do Poxim, que foi possível atravessar com água no joelho, mais 3km a frente se chega em Dunas de Marapé, mais uma barra pra atravessar sem dificuldades, descansei por ali e vi que se eu fosse almoçar no centro não conseguiria atravessar o Rio Jequiá de volta, pois a maré já estava subindo. O fato de estar chegando um ônibus turistas atrás do outro me ajudou a decidir sair dali logo. A partir daqui o mar começa a ficar mais agitado e surgem algumas pedras pela praia, com meia hora de caminhada também começam a surgir as falésias e logo dá pra avistar de longe Lagoa Azeda, meu local de parada. O sol deu as caras pra valer cheguei lá bem na hora do almoço. Lagoa Azeda é mais uma vila pesqueira que se resume a duas fileiras de casas que cresceram ao redor da única rua paralela à praia. Do lado do mar, praticamente todas as casas já estão com seus muros quase caindo devido as ondas. O lugar é tão pequeno que não tem onde comer, tive que correr até um mercadinho, que já estava fechando pro almoço e comprei uma sardinha pra comer com miojo. Almocei e descansei numa barraca de praia que estava sendo construída próximo ao acesso à rodovia. A tarde fui até um depósito e bebi umas cervejas cracudinhas bem baratas a 2,50$, conversando sobre o lugar o dono ria e me falava que se Lagoa Azeda fosse um corpo humano, certamente seria o cú, rs. A noite consegui lanchar um hambúrguer e armei a rede no mesmo lugar do almoço com os mosquitos me comendo.

       
      41º DIA
      Domingo, 24 de janeiro de 2016, meu aniversário de 29 anos. Levantei cedo, comi e saí sem pressa, ainda em Lagoa Azeda pedi pra uma senhora pra abastecer minha garrafa de água e deixei o local. Mar com ondas leves, o sol saindo pra valer e maré baixando aos poucos com areia fácil de andar. Desde o início a presença das falésias é uma constante, algumas simplesmente gigantes onde era fácil diferenciar no mínimo sete cores distintas. Pouco menos de 1h andando cheguei em um lago com alguns cartazes sobre os benefícios da argila, aqui aparenta ter muita movimentação turística, porém devido o horário, apenas 2 pescadores de fim de semana no local, banhei e dei uma descansada rápida e segui. A medida que caminhava, os buggys passavam por mim lotados em direção as falésias e o lago. Com o término das falésias logo voltam os coqueirais e não pensei nem 2 vezes antes de pular uma cerca e me abastecer de coco. Chegando na bela Praia do Gunga a farofada turística rola solta. O mar é disputado por lanchas, jetski, pequenos barcos e banhistas e o céu por helicópteros, paramotor e pasmem, barcos voadores! Passei o dia por ali tomando banho e deitando na rede, almocei um sarapatel nos restaurantes baratos que ficam escondidos por trás dos restaurantes caros e ainda me dei de presente uma caríssimo açaí de 300ml por 10$. Ao fim da tarde quando já me arrumava pra dormir chegou o chefe da segurança explicando que ali não podia ficar e tal que era uma área particular, todo aquele blá blá blá, Contei o porquê de estar ali e apesar dele não ter entendido me deu uma carona até Barra do São Miguel, onde lanchei um sanduíche e armei a rede em um quiosque.

       
      42º DIA
      Acordei cedo, comi alguma coisa e fui logo pegando um ônibus até Maceió pois a partir daqui tudo é muito urbanizado. Da capital peguei uma van que me levou até Paripueira, onde decidi continuar andar. Depois de comprar uns pães pro meu segundo café da manhã, fui até a praia que estava com uma cor claríssima e maré extremamente baixa. Ainda na primeira praia já apareceram pequenos coqueiros me convidaram pra pular a cerca e pegá-los. Paripueira estava bem tranquila, praia magnífica com praticamente nenhum turista, apenas poucos pescadores tentando pegar alguma coisa nos recifes bem distantes da praia. Ainda teve uma rápida chuva lá pelas 9h mas logo o sol saiu e ficou até o fim do dia. Aqui quase não tem praias retas como as que andei, elas são mais curtas e a cada final de praia o cenário muda não deixando o tédio tomar conta, uma hora aparecem praias lotadas de recifes, outra hora aparecem muitos catadores de mariscos e assim a caminhada passa rápido. Cruzei uma pequena barra com água na canela sem problemas mas umas 3 praias a frente surge a imensa Barra do Rio Santo Antônio que não dá pra atravessar, é preciso ir margeando o rio até acessar a rua e depois cruzá-lo pela ponte. Já na hora do almoço, acabei comendo um PF no bar do Píu, que tem uma vista espetacular pro mar. Aqui o mar tem cor escura devido à proximidade com o rio, mas é possível ver adiante o mar com aquela cor digna de photoshop. Depois de comer voltei a andar com a maré já subindo mas com a areia ainda boa pra pisar. Os coqueirais passaram a ficar mais altos e a água cada vez mais azulada. Chegando na Praia de Carro Quebrado só tinha um vendedor de picolé, uma família argentina e uma carcaça de fusca. Entrei no mar mas as águas vivas me expulsaram rapidamente. Com a maré alta não é possível prosseguir muito pois as ondas ficam batendo na enorme falésia que tem mais a frente, andei mais uns metros pra achar um lugar pra dormir e acabei parando em uma barraca onde um velhinho tomava conta, antes que eu abrisse a boca ele já foi logo mandando eu dormir ali na barraca, armei minha rede por lá e dormi muito bem.

       
      43º DIA
      Acordei com um belo nascer do sol, arrumei as coisas comi uma besteira e parti. Passei por mais umas 3 barracas, todas com uma carcaça de carro quebrado pra enfeitar, e uns 2km de caminhada depois cheguei no final da praia, aqui tive que esperar a maré baixar mais um pouco pois as ondas ainda batiam na enorme falésia. Depois de uns 20 minutos consegui passar e no final do trecho em pedras fui recompensado com uma fonte de água nem tão doce assim, mas que deu pra me abastecer. A próxima praia é lindíssima, possui apenas uns dois hotéis e mais nada, na praia somente alguns pescadores puxando rede e um belo coqueiral do outro lado. No final dessa praia surge a o Rio Camaragibe, sem lugar raso, porém com uma balsa que faz a travessia por 2$. Barra de Camaragibe se resume a uma curta rua principal e algumas outras ao redor, na praia dezenas de barcos e viveiros montados na água, ainda consegui pegar 4 cocos e prossegui. As praias seguintes continuam lindas, o sol torrando a cabeça e o mar calmo e manso bem no fundo. Chegando em São Miguel dos Milagres, peguei o acesso de 800m até o centro onde almocei, depois voltei a praia onde armei minha rede e passei o resto da tarde cochilando e tomando banho de mar em um dos cenários mais incríveis até então. No fim da tarde segui viagem. Passei por vários hotéis de luxo, muitos coqueirais baixinhos e muitos argentinos até chegar em Porto de Rua que tinha muito barco pesqueiro e água mais escura pela presença de uns mangues mais a frente. Para contornar esse mangue segui pela pista por 3km e quando cheguei em Tatuamunha, entrei para direita onde atravessei o rio por uma sequência de 3 passarelas de madeira. Ao voltar a praia ainda tive que driblar a maré que já batia nos muros das pousadas mas logo melhorou. Depois do manguezal a água imediatamente volta a ficar verdinha mesmo com o sol já indo embora. Andei mais um pouco e pernoitei numa cabana que abrigava uns barcos, jantei um miojo e dormi bem.

       
      44º DIA
      Acordei antes do sol, comi uns biscoitos e comecei a andar. Com a maré alta, tive que driblar novamente as ondas que batiam nas pousadas escalando pelas telas de proteção do muro, mas logo melhorou. Pouco tempo depois cheguei em Porto de Pedra, lá tomei café e peguei uma balsa gratuita pra atravessar o Rio Manguaba e chegar no Pontal do Boqueirão, onde é lotado de casarões de veraneio e hotéis. Passo por diversos córregos que batem no tornozelo e chego na Barreira do Boqueirão, praia com água de cor única e uma bela falésia dando charme ao fundo. Exatos 5km e 3 cocos depois cheguei em Japaratinga, tomei logo uma ducha no chuveirão da praia e descansei até o almoço. Após comer fui procurar um bom canto pra armar a rede mas só encontrei em São Bento 4km a frente, pelo caminho há muita construção sendo erguida e a presença do Rio Salgado com água no joelho pra atravessar. Armei a rede pra descansar e já conseguia ver Maragogi mais à frente e as últimas terras de Alagoas. Descansei a tarde toda e achei um lugar pra jantar um “café”, com cuscuz, carne e um delicioso suco de caju. Não achei um bom lugar pra dormir e continuei andando até encontrar, no escuro não achei nada e acabei saindo em Maragogi, ainda tive uma tentativa frustrada de armar a rede em uma propriedade particular mas os cachorros me expulsaram. Pra chegar até a praia ainda foi preciso acessar a estrada pra atravessar o rio pela ponte. Só no centro achei uma boa barraca pra armar a rede, lá pelas 21:30.

       
      45º DIA
      Acordei cedo, tomei uma ducha na barraca, comi e fiquei descansando na orla. Em um quiosque que estava em reforma aproveitei e pedi uns baldes pra lar minha roupa e tirei o resto do dia pra descansar. Aqui eu tinha tudo a disposição, café, almoço, janta, banho, dormida e uma praia sensacional. Passei o dia por ali observando o vai e vem dos turistas que gastam minutos posando pra fotos com o mar ao fundo mas sequer param pra admirá-lo por um instante. No fim da tarde chegou um pessoal de um coletivo de cinema que pela 4º vez estava no mesmo lugar que eu em Alagoas. Eu os vi na foz do São Francisco, Carro Quebrado, São Miguel dos Milagres e agora em Maragogi. Fiquei por ali matando o tempo até anoitecer e dormir pela orla mesmo.

       
      46º DIA
      Acordei cedo mas não saí de imediato, com minha tábua das marés em mãos, esperei um tempo pra partir pois logo teria um rio pra atravessar mais à frente. Após atravessar o Rio dos Paus com água baixinha começa Barra Grande, a presença de casas ainda é grande e chega um momento que é necessário caminhar pelas ruas pra fugir das ondas batendo nos muros, mas logo é possível voltar a praia. As nuvens esconderam o sol no meio da manhã mas nem isso foi capaz de escurecer a água do mar que estava com uma cor surreal, um azul que nunca vi na minha vida. Depois de Barra Grande vem Ponta do Mangue e alguns outros lugarejos, pelo caminho pequenos riachos rasos e muito buggy levando turistas até a divisa e até as lanchas que vão para as piscinas naturais. Por volta das 12:00 depois de algumas chuvas cheguei no Rio Jacuípe que faz a divisa entre Alagoas e Pernambuco, almocei em São José da Coroa Grande e depois segui. Ao deixar o centro as casas vão lentamente sumindo e o céu ficando cada vez mais preto, pela praia, apenas poucos pescadores. Não demorou muito e a chuva caiu pesada e continuei com a capa de chuva e o saco pra proteger a mochila, dessa vez ela não vinha do mar e sim do oeste. Ao chegar à foz do Rio Una não tinha nada de movimento apenas 3 crianças tentando pescar em sua jangada, logo me ofereceram a carona que eu aceitei desconfiado. A jangada era pequena mas coube os 4 com muito balanço e depois de vencer a desconfiança conseguimos atravessar, dei 4$ pra eles dividirem entre si. A chuva continuava caindo com muito trovão e raio, o mar bastante agitado com ondas enormes. Ao longo da praia tinha algumas barracas mas nenhuma delas legal pra armar a rede, continuei andando até o final da praia onde tinha bastante pedra, que pra minha surpresa morava um cara que parecia mais o Robinson Crusoé brasileiro. É preciso subir pra contornar as pedras e sair na praia do outro lado, 1km a frente chega na Ilha do Coqueiro Solitário, onde tinha uma boa barraca pra dormir, mas fui adiante onde tinha uma espécie de hotel, que ao lado dele tinha uma bar aparentemente abandonado. Era o bar Mamucabinha, onde armei a rede e fiz um miojo pra janta, com um funcionário do hotel consegui água. Noite de chuva com muitos mosquitos e o cachorro do hotel latindo a noite toda, pelo menos não molhei nada.

       
       
      47º DIA
      Acordei cedo mas quis tomar café na rede e continuei descansando um bom tempo nela, quando parti o céu ainda estava nublado mas sem nenhum sinal de chuva, o mar bem agitado e o clima muito abafado. A 1,3km, no final da praia, foi preciso contornar uma casa onde as ondas ainda batiam, mais 1km a frente tem o Rio Mamucabas, onde atravessei nadando e perguntei ao pessoal de umas barracas o melhor lugar pra atravessar andando. Retornei e atravessei novamente com a mochila na cabeça e a água no pescoço. Mais um pouquinho de caminhada e lentamente as casas vão surgindo e logo chego no centro de Tamandaré. Comprei uns mantimentos e descansei até o almoço. A tarde parti rumo a Praia dos Carneiros, a caminhada é praticamente toda urbanizada e a medida que avanço mais chiques vão ficando as edificações. No início da praia tem umas piscinas naturais que estavam totalmente lotadas de banhistas, afinal era um sábado. A partir daqui o ambiente se torna o mais escroto possível, restaurantes e resorts caríssimos destinado a turista e com segurança particular devidamente armada. Enquanto era atentamente observado pelos seguranças, segui margeando a praia até chegar as margens do Rio Formoso, onde tem uma capelinha do século 18 ainda erguida. Consegui pechinchar uma travessia por 15$ até o outro lado na Praia de Guadalupe, que só tinha algumas barracas de drinks e espetinhos. Ao fim da tarde todos os barraqueiros e banhistas que estavam do meu lado se foram e fiquei sozinho lá, armei minha rede entre as árvores, fiz um estoque de mangas e descansei até a noite observando o agito do lado oposto.

       
      48º DIA
      Acordei as 05:40, comi, arrumei tudo, coletei mais manga e segui. Logo a frente tem umas estruturas abandonadas que eram ideias pra um pernoite e mangas muito mais saborosas, refiz todo o meu estoque de manga. Com a maré ainda alta, tive que desviar por trás de algumas casas e só consegui sair na Praia da Gamela, onde também possui barracas boas pra pernoite. A seguir vem uma enorme praia com um imenso coqueiral a esquerda, essa longa caminhada fez a correia do chinelo incomodar um pouco durante a manhã que teve de tudo: tempo abafado, nublado, saiu sol e chuviscou. Chegando em Barra do Sirinhaém, basta ir pela margem que se chega no porto local, pra atravessar o Rio Sirinhaém peguei um barco por 2,50$ até Coqueirinho, do outro lado. Na praia, apesar de ser domingo, quase ninguém nessa praia, afinal aqui é praticamente um condomínio fechado, ao fim da praia é preciso sair do condomínio pra contornar a maré, na primeira oportunidade que tive entrei em outro condomínio e voltei a praia. Bela praia, recheada de mansões e seguranças pra lá e pra cá de moto. Ao chegar em Serrambi, alguns recifes formam belas piscinas naturais, segui em direção ao centro onde achei um almoço baratinho de 10$. A tarde voltei a praia que continuava repleta de mansão, hotel e seguranças que iam discretamente me escoltando até o final da parte rica. Após andar mais um chão, dessa vez sem escolta, cheguei no Pontal de Maracaípe, onde atravessei sem problemas com água na canela. Em Maracaípe parei pra descansar tomando banho de mar e uma chuveirada, na Palhoça da Cris parei pra tomar 3 geladas com caldinho de sururu enquanto assistia ao fim da tarde. Ainda jantei uma macaxeira em um outro bar da Cris e retornei à praia pra armar a rede na palhoça dela. Daqui já era possível avista Porto de Galinhas poucos km a frente.

       
      49º DIA
      Acordei logo com o sol, comi arrumei as coisa e parti andando pela ruazinha de barro paralela à praia. Ainda passei por uns bares que começavam a abrir uma espécie de camping no início do coqueiral que se estende até Porto de Galinhas. Com o tempo parcialmente nublado demorei apenas uns 30 minutos pra chegar ao centro e avistar as inúmeras jangadas com velas patrocinadas por marcas famosas. O centro de Porto de Galinhas é praticamente uma irmã da Praia do Forte na Bahia, repleta de pousadas e restaurantes destinados a turistas. Fiquei por ali somente enquanto esperava a farmácia abrir pra comprar uma pinça e retirar um bicho do pé que estava me incomodando, pois no final da caminhada eu voltaria pra lá. Peguei o ônibus pra Recife por 13,70$ e cheguei 2h depois. No centro de Recife o comércio pegava fogo, e rapidamente me dirigi ao ponto do ônibus que me levaria até o litoral norte em Ponta de Pedras por 12$. Mais 2h de viagem e cheguei e fui logo almoçando. O lugarejo é bem tranquilo, com o mar verdinho e muitos barcos na praia. Após dar uma boa descansada na orla, enchi minha garrafa de água num posto de saúde e segui. As casas simples do centro vão sendo substituídas por casas de veraneio a medida que me distancio. No que parecia ser um hotel pouquíssimo movimentado, peguei 3 cocos na altura da mão pra dar uma refrescada. Ao longo da caminhada é comum a presença de pequenas contenções de madeira e pedra feitas pra tentar segurar a maré. Ainda passo por uma região de mangue e um pequeno coqueiral até chegar em Carne de Vaca, lugarejo ainda menor. Passei o resto da tarde na praia vendo uma galera jogar vôlei de praia e olhando os pescadores no fundo do mar com água batendo apenas na cintura, aqui a água já é um pouco mais escura devido à proximidade com o rio. Fiquei batendo papo com a dona de um bar enquanto ela arrumava pra abrir e acabei ganhando uma janta de graça, na barraca ao lado que estava vazia armei minha rede e dormi muito bem.

       
      50º DIA
      Acordei cedo e fui comprar pão na padaria, como eu só tinha 50$ inteiro, não sei a mulher não tinha troco ou ficou com pena pela minha aparência mas ela me deixou levar os pães sem pagar. Segui até o final da praia onde atracam os barcos que atravessam o rio, enquanto esperava tomava meu café da manhã. Caso não haja barco disponível, o macete é levantar um pau com uma sacola na ponta que o barco vem do outro lado te buscar, e foi assim que aconteceu, o barco veio da Paraíba me buscar e atravessamos o imenso Rio Goiana por 10$. Ao atravessar cheguei em Acaú do lado paraibano, e peguei uma van até Alhandra onde fui rever um camarada que se mudou pra lá alguns anos atrás.

       
      51º DIA
      Retornei pra Acaú por volta das 10h e depois de um café na padaria, continuei a caminhar. Praticamente todo o trecho até Pitimbú é cheio de casas, o que torna a caminhada não muito interessante. A praia com mar calmo, cheio de algas e lixo, a areia estava repleta de minúsculas conchas quebradas mas ainda boa pra andar. Acaú e Pitimbú são lugares mais simples com pouca presença de casarões. Em Pitimbú almocei e passei um bom tempo descansando, o chinelo já não incomodavam meus pés em nada e eu já considerava a possibilidade de andar até o Ceará. Depois de uma boa descansada, voltei a caminhar e em alguns minutos já era possível ver a barra do Abiaí ao fundo, apenas com algumas moradias de palha e uns coqueiros. Confirmei com os moradores qual seria o melhor ponto pra travessia e fiquei as margens da barra chupando manga enquanto aguardava a maré baixar mais um pouco. Esperei um bom tempo pois a água voltava pro mar com força e velocidade consideráveis. Fiz a primeira travessia sem nada e depois voltei com a mochila e passei com água no peito e o sol já perto de se pôr, os poucos moradores do lado oposto já me observavam com certa desconfiança, provavelmente esse pedaço do litoral não é tão frequentado por turistas muito menos por caminhantes como eu. A cara de poucos amigos dos moradores me tiraram qualquer vontade de armar rede por ali, mas 700m a frente já achei uma barraca isolada na praia onde providenciei meu pernoite. Organizei meu miojo com sardinha e dormi muito bem sob um céu incrivelmente iluminado.

       
      52º DIA
      Após uma boa noite de sono, levantei com o sol, comi e saí cedinho. Com o sol rasgando como de costume, passei por um pequeno lugarejo e 1km a frente falésias cinzentas e avermelhadas surgem, mais 1,5km chego na Praia Bela, de um lado o mar clarinho, no meio centenas de mesas e cadeiras dos restaurantes e do outro lado as águas doces do Rio Macatu completam o cenário. Mais alguns minutos atravessei a Barra do Graú com água no joelho, exatos 2km a frente surgem muitas pedras e uma placa anunciando que dali pra frente era nudez total, pois começava a famosa praia naturista de Tambaba. Fui desviando das pedras enquanto imaginava o que viria pela frente, a primeira vista era apenas uma praia vazia, mas logo notei um senhor pelado a minha direita e sua senhora a esquerda, onde acampavam. Baixei a cabeça e segui naturalmente até o fim da praia, onde tinha mais uma turma acampando, porém vestidos. Novamente pra sair da praia é preciso passar por mais pedras que dão na praia de Tambaba “normal”. Esse lado é a porta de entrada e cartão postal de Tambaba. Armei minha rede, dei uns mergulhos e descansei, na hora do almoço recorri a um miojo com 2 espetinhos, pois ali os preços são salgados. O vai e vem na parte naturista é constante, tanto pelos banhistas como pelos vendedores que tem autorização para entrarem vestidos. Por volta das 15h parti, pra seguir até a próxima praia é preciso contornar as pedras por uma pequena trilha, enquanto passava avistei um casal dando uma trepada entre as árvores, novamente ignorei e cheguei na praia seguinte onde poucos surfistas se aventuravam na imensas ondas. Aqui a caminhada volta a ficar bem agradável, são quilômetros de falésias e praia deserta com uma bela brisa. O clima só foi quebrado com a presença de uma gigante restaurante que dá início a Praia de Coqueirinho e alguns casarões de veraneio. Com o fim da tarde as barracas já estavam sendo desmontadas e os banhistas se retiravam da praia. Ao fim da praia já é possível avistar Carapibus e Jacumã, mais à frente na Praia de Tabatinga, achei um bom local pra armar a rede nas árvores dentro de uma falésia gigante, ainda passei o final da tarde no mar calmo e esverdeado antes de jantar e dormir.

       
      53º DIA
      Após partir, foi preciso andar somente umas 2 praias pra chegar na parte urbanizada de Carapibus, lotada de belas casas, pousadas e restaurantes. Ao fim de Carapibus, algumas pedras me obrigaram a passar por um desvio pelo mato que tem bem ao lado, daí pra frente já começa a praia de Jacumã, com urbanização bem semelhante a praia anterior. Ao final de Jacumã mais uma vez são as pedras que fazem o limite, com destaque pra Pedra Furada ou Túnel do Amor, que marca a passagem pra Praia do Amor, novamente por uma trilha adjacente, pois as ondas batem forte nas pedras. Ao descer o barranco apenas algumas barracas bem simples, uma praia bem curva e com águas calmas e claras. Daqui já avistava a imensa Barra do Gramame uns 3km a frente e segui embaixo do sol escaldante até ela. Chegando na barra, após ter um pedido de água negado, apenas peguei uma dica de onde era o melhor lugar pra atravessar e segui. A barra é imensa mas atravessei numa boa com a maré baixa. Na praia seguinte volta aquele cenário bacana: imensas falésias a minha esquerda, uma extensa faixa de areia a perder de vista e o mar quebrando a minha direita. Pra minha surpresa me deparei com um casal namorando escondidinho entre umas pedras, passei direto e mais à frente cheguei na Praia do Sol, onde consegui uma boa água gelada pra beber, nessa praia os preços me chamaram atenção por serem muito em conta em relação a outras. 1km a frente passei pela discreta barra do Rio Cuiá e cheguei na Praia de Jacarapé, uma típica praia de pescador repleta de barco e casas de taipo. A partir dela vem mais um trecho de praia deserta e um pequeno lago a esquerda com poucas barracas que marcam o início de um belo coqueiral, tudo que eu precisava! Esse dia estava com pouca água então na primeira chance que tive pulei a cerca e mandei ver, estava seco de sede. Hidratado, porém cansado, continuei a andar e a presença de banhista e casas aumentou um pouco, mas logo sumiu dando lugar a enormes falésias. Minha ideia era caminhar até a Ponta do Seixas mas como o local se encontrava acima das falésias passei direto sem ver, continuei caminhando entre falésias e pedras até chegar num local onde avistei toda João Pessoa. Continuei andando até a Praia de Cabo Branco e em seguida até a ensolarada Praia de Tambaú, que estava bem vazia apesar de ser uma sexta feira de carnaval. Exausto depois de caminhar por 26km, relógio marcava 12h, parei pra almoçar e em seguida fui visitar familiares que moram lá, onde passei os 4 dias seguintes.

       
      58º DIA
      Após uma péssima noite de sono, tomei café e parti da Praia de Lucena, já no litoral norte da Paraíba. Aqui já vejo o sol nascendo ligeiramente mais a sudoeste, as águas nas margens ligeiramente escurecidas devido à proximidade com o imenso Rio Paraíba e mais ao fundo o típico verde claro. 2km são suficientes pra sumirem todas as casas e a praia ficar deserta, mais 2km andando pela Praia de Bonsucesso chego na barra do Rio Miriri, ainda eram 7h e a maré estava baixando, aguardei tirando um cochilo, mas logo fui interrompido por uns farofeiros que chegaram tocando um som ensurdecedor. Continuei aguardando e quando vi um cara atravessando no sentido contrário, fui também. A caminhada é agradável, praia deserta com areia bem firme, brisa e o mar cada vez mais verdinho. Depois de uns 5km chego em Campina, lugar de belos casarões com um minúsculo centro mais popular, decidi só parar pra almoçar em Barra do Mamanguape, pelo meio do caminho em cima de uma duna, parei pra dar uma descansada em uma casa em construção abandonada onde a vista é belíssima, se não fosse a fome poderia ficar por ali o resto do dia. Pela praia acessei o centro quando vi uma cabine/armário verde que parece ser de algum pescador ou do Projeto Peixe Boi, daqui também já é possível avista a Baía da Traição. Após almoçar encontrei um pescador que me ofereceu um passeio, expliquei que só queria atravessar e com muita conversa consegui a travessia por 15$. Fiquei em uns lagos que parecem ser criadouros de alguma coisa, mas ainda bem distante da praia. Tive que seguir até uma barraca na estrada de barro e pegar a direita, poucos metros à frente entrar a esquerda e seguir até o final, onde encontra outra estrada principal que pega a direita até o fim. Pelo caminho ainda achei uma mangueira carregada e fiz um estoque. Depois surgiu um surfista que me deu uma carona até a aldeia indígena de Camurupim, chegando lá atravessei de carona no barco do colega dele até o outro lado, daí bastou uma caminhada de uns 300m pela areia fofa até chegar a Praia de Coqueirinho que fica dentro de uma reserva indígena e área de preservação do peixe boi. Parei em uma barraca pra tomar um banho e bebi uma cerveja geladíssima por apenas 5$ enquanto tentava avistar algum peixe boi. Aqui dá pra ter ideia de como é grande o recife que se estende desde a Barra de Mamanguape até a Baía da Traição. Após uma boa chuveirada, voltei em direção ao rio, onde achei uma boa árvore pra armar a rede e passar a noite. Quando escureceu um rato gigante ainda ficou fuçando minha mochila e só sossegou quando deixei alguns biscoitos de cortesia pra ele.

       
      59º DIA
      Chupei no café 5 mangas que peguei no dia anterior e voltei a praia pra caminhar. A maré ainda estava alta mas a areia bem firme pra pisar, o sol rasgando e nenhum vento pra refrescar. Ao fim da primeira praia já surgem as primeiras casas, porém tudo sem movimento, de fato tinha acabado a farra, os turistas haviam sumido e o lugar ainda respirava a ressaca do carnaval. Com as barracas ainda fechadas, parei em uma delas na Ponta da Prainha e arranquei 2 cocos com ajuda de uma mesa da barraca. Subi até o centro pra tomar um café e usar uma lan house pra fazer umas anotações que não tinha do caminho até Natal. Da orla é possível ver a imensa baía e a Barra de Camaratuba 12km a frente. Seguindo pela praia, casas mais simples vão surgindo ao longo da orla parcialmente destruída pelas ondas. A caminhada é das melhores, com mar claro, céu azul, maré baixa com areia firme e uma brisa pra refrescar. 6km do centro surge um bloqueio de pedras que fazem nem motos nem buggys passarem, aí sim vira um desertão. Na próxima praia alguns surfistas se preparavam pra entrar no mar e me chamaram pra tomar um refrigerante que aceitei na hora. O percurso inteiro é recheado de falésias misturadas com mato até chegar em mais um bloqueio de pedra, onde tem o Rio Camaratuba, que atravessei com água na cintura. O lugar é extraordinário de tão bonito. A 800m tem um centro muito pequeno com apenas 1 lugar pra comer, nas paredes ainda tinham os preços caros do carnaval mas paguei apenas 15$ no PF. Após o almoço armei a rede numa sombra de barraca de barco e tirei um bom cochilo, que só acordei com meu próprio ronco. Lá pras 15h com sol mais ameno votei a andar. Começa o Parque Eólico Vale dos Ventos, que segue até a divisa com RN e surgem pequenos morrinhos de dunas com vegetação rasteira. Em uma barraca isolada, na Lagoa da Pavuna, o dono já estava fechando e me esperava desconfiado com um facão na cintura, peguei uma informação rápida e segui. Mais à frente apareceu uma barraca bem equipada com cordas pra rede, panelas, mesa, bancos e até um banheiro improvisado, tudo ao lado de um laguinho com água doce. Ao fundo, máquinas ainda trabalhavam em uma espécie de jazida. Fiquei tomando banho até anoitecer e tive uma excelente noite de sono, com céu estrelado e os cataventos iluminados.

       
      60º DIA
      Acordei cedo, comi, e saí sem pressa e com 1h de caminhada cheguei até a divisa de estado, um outro lugar muito bonito com rio, dunas e mar. Tentei atravessar mas a maré ainda estava alta, tentei ir por uma trilha que tinha no mangue mas andei em círculo e voltei ao mesmo lugar, acabei desistindo armei a rede e esperei. Depois de um tempo, atravessei com água na barriga, do lado potiguar as marcações do Tamar ressurgem. Ao fim da praia, antes de Sagi, alguns surfistas pegavam onda enquanto eu trepei em um coqueiro e consegui pegar 2 cocos que me salvaram pois já estava seco sem água e o sol pra variar estava escaldante. Mais uns metros à frente parei nos recifes pra um banho no mar que estava com cor impecável. Percebi que ali só havia restaurante destinado a turistas, ou seja, caros. Parti rumo a Baía Formosa uns 12km a frente pra poder almoçar. Esse trecho é espetacular, uma praia mais bonita que a outra diversos corais, no mar de cor clarinha, apenas um ou outro pescador pegando alguma coisa nas pedras. Embaixo do sol escaldante os buggys passavam freneticamente rumo a Praia do Sagi. Ao virar a praia onde tem o Farol de Bacupari, já dá pra avistar o centro. Nessa última praia, diversas barracas dos pescadores e no fim dela começa a cidade, subi a primeira ladeira a esquerda e fui procurar um canto pra comer e não achei nada, fui perguntar um casal de velhos onde eu achava um lugar pra comer, e a senhora me perguntou se eu comia algo especial, falei que não e ela me colocou dentro da sua casa e me serviu um almoço, fiquei impressionado. No fim tentei pagar mas claro que ela recusou, agradeci e segui em frente. A cidade fica localizada no alto, o que proporciona uma vista única, desci até a praia e fiquei o resto da tarde ali tomando banho no mar. Ao anoitecer, voltei ao centro pra lanchar e armei minha rede nas barracas dos pescadores. Durante a madrugada eles se reuniram pra pescar mas me deixaram deitado lá numa boa.

       
      61º DIA
      Acordei cedo e fui na padaria comprar café, e fiquei comendo sem pressa pois pela tábua das marés teria que esperar um pouco mais pra atravessar a Barra do Cunhaú, que fica 8km a frente mas pode ser vista do alto do centro. O caminho começa na Praia do Porto, com mar calmo e dezenas de barcos atracados, logo começam as falésias mas em 30 minutos de caminhada elas dão lugar a pequenas dunas. Um pouco mais a frente começa um enorme coqueiral, entrei nele e derrubei uns cocos que pro meu azar estava com um gosto terrível. Uns quilômetros à frente cheguei no rio e pra minha surpresa ele é enorme. Não adiantou nada ficar esperando a maré baixar, tive que pagar 3$ e atravessar na balsa. Na praia vazia, vi em um quintal um coqueiro anão e fui matar minha vontade de beber coco, arranquei 9, me dei conta que esqueci o facão no coqueiral anterior, mas mesmo assim abri com certa dificuldade os cocos com uma faquinha cega, matei minha sede e enchi minha garrafa. Andando por mais umas praias cheguei até o Rio Catu, atravessei na boa e fiquei tomando banho. A noite fui até o centro de Sibaúma e jantei um PF, depois desci até a praia e armei a rede em uma varanda de uma casa parcialmente tomada pela areia da praia.

       
      62º DIA
      Levantei um pouco tarde, por volta de 6:20h, com o tempo meio nublado e bastante vendo. Depois de comer uns biscoitos com água de coco segui viagem até a Praia de Pipa. Logo no começo da caminhada foi preciso subir um barranco pra descer em seguida até a praia. Até Pipa são muitos paredões de falésias e muita areia fofa. No fim da praia, tem início uma subida que leva até o Chapadão, um enorme platô que tem uma vista bem bacana do lugar, com destaque pra Praia do Amor que fica logo abaixo. Ainda roubei uns cocos de um casarão/hotel que estava em construção, em seguida peguei uma rua a esquerda que me levou até o centro. Fiquei na praia principal tomando banho na maré baixa, ainda fui conhecer a parte baixa da Praia do Amor e depois fui almoçar. Apesar de ser lotada de comércio e turistas, muitos deles gringos, Pipa tem uma atmosfera muito bacana. Parti a tarde com a maré já subindo, logo na primeira praia as casas vão sumindo e dando lugar a falésias desertas. Pra acessar a Baía dos Golfinhos é preciso desviar por muitas pedras até chegar, a praia lotada de gringos, nela tem muitas barracas destinadas a quem tem dinheiro, pois tinham bastante espreguiçadeiras e vendiam bastante longneck verdinha. Ao fim da praia mais um bloqueio de pedras, dessa vez foi preciso ir pulando sobre elas até chegar na Praia do Madeiro, que é muito semelhante a anterior em todos os aspectos. Um pouco adiante tem mais umas pedras que basta desviar pra chegar em uma enorme praia dessa vez em linha reta, toda ela com enormes paredões de falésias, tão altas que me faziam caminhar na sombra. Ao final da reta mais uma vez surgem pedras, basta desviá-las e andar mais um pouco que chega a uma rua que sobe até o centro de Tibau do Sul. Jantei uma saborosa macarronada e desci, armei a rede em uma barraca de praia e dormi muito bem.

       
      63º DIA
      Acordei cedinho, tomei café e fui até outra barraca onde tomei uma ducha. Fiquei aguardando a balsa pra atravessar a foz da Lagoa dos Guaraíras. Deitei na sombra, comi novamente, vi as barracas todas se arrumarem pra abrir, vi os gringos chegarem pra passear de caiaque, vi até um timbú que morava na copa de um coqueiro até que a balsa chegasse as 10h. Segundo o barraqueiro ela demorou porque a maré ainda estava alta e não teria lugar pra atracar do outro lado. Paguei 3$ pela travessia, todos os buggys e quadriciclos ficaram na areia ainda aguardando a maré baixar mais um pouco enquanto eu segui andando. Logo começa o trecho das Dunas de Malembá e algumas marcações do Tamar. No km5 é o início do lugarejo chamado Barreta, onde a praia é cheia de pedras. As casas da orla praticamente todas estavam vazias, o clima era de deserto total. Em certo momento entrei nas ruas onde achei o único lugar que tinha almoço, comi e voltei até a praia onde armei a rede numa varanda de uma casa e cochilei, ainda tomei uma ducha antes de partir. A praia continuava cheia de piscinas naturais e cenário deserto, somente em alguns restaurantes era notada a presença de turistas, muito deles gringos. Praticamente colado a Barreta vem Tabatinga que é lotado de hotéis e casarões. Ao fim da praia é preciso ir por trás das casas para descer em seguida na praia seguinte, que tem um paredão imenso de falésia que logo dão lugar as dunas. Após o trecho das dunas já começa a parte urbanizada da Praia de Búzios. Próximo ao final da praia continuei andando pela pista pra encontrar uma tal padaria que me indicaram, que só fui achar no bairro de Pirambúzios. Depois de comer uma típica tapioca, voltei a praia e cruzei o Riacho Taborda enquanto a maré estava baixa, acabei armando minha rede embaixo de uma árvore nas barracas da Praia de Pirangi, logo depois do píer, exatamente onde fica o maior cajueiro do mundo. Ainda fiz um miojo antes de deitar e tive uma péssima noite de sono com uns 3 chuviscos me incomodando, um segurança da orla ainda apareceu pra me abordar mas me deixou ficar ali na boa.

       
      64º DIA
      Acordei cedo, com o sol totalmente nublado e logo fui partindo. No fim da primeira praia é cheio de pedras, mas deu pra passar sem dificuldade, em seguida vem uma praia menor, novamente com pedras no final, mas dessa vez tive que ir por cima delas e bem devagar. A praia seguinte é um pouco maior, apenas algumas barracas de pescadores e mais pedras pra passar no final, dessa vez segui por uma trilha que contorna a falésia, entra em uma estradinha e sai na Praia do Cotovelo, que ainda estava totalmente vazia. No final dessa praia uma placa avisa que é proibida a passagem a partir dali, pois é área militar. Só pra desencargo de consciência perguntei a um cara que pescava com vara na areia se podia prosseguir, o mesmo me disse que sim, isso bastou pra que eu continuasse andando. O trecho começa com várias dunas que logo se acabam e dão lugar a uma imensa sequência de falésias, que formam a famosa Barreira do Inferno. No início é preciso desviar de algumas erosões mas depois surge uma trilha bem demarcada que segue margeando o precipício. Lá de cima a vista é única. Quando já ia descendo a falésia pra acessar a praia seguinte, uma viatura já me esperava do outro lado, me explicaram que o trânsito de civis ali é proibido e me levaram até a base, onde depois de uma conversa, o militar gente fina Araújo acabou me liberando. Dali até Ponta Negra eu tinha 2 opções: ir de ônibus ou a pé. Foram 4km exaustivos pela estrada até a primeira rua a direita, fui pegando informações até chegar a Praia de Ponta Negra, fiquei tomando banho o resto da manhã e por fim paguei minha segunda e última água de coco por 3$.

       
      16 de fevereiro de 2016 dei fim a minha caminhada, almocei e segui pra casa de parentes meus, ainda fiquei pelo nordeste por mais um mês fazendo um turismo convencional, acabei retornando ainda em João Pessoa, Porto de Galinhas e Maragogi antes de voltar pra casa. A caminhada foi muito cansativa e prazerosa ao mesmo tempo, cada lugar tem sua beleza própria, seus prós e contras, recomendo a quem tiver vontade de fazer algo semelhante caminhando por algum desses trechos, que faça o quanto antes, pois o crescimento imobiliário em todo o litoral está frenético, daqui um tempo será cada vez mais difícil encontrar praias desertas e pequenos vilarejos de pescadores. Meus pés demoraram algumas semanas pra ficarem 100% sem dor, fiz toda essa caminhada com equipamento básico e precário: uma rede de nylon, um outro tecido de nylon pra cobrir a rede em caso de chuva (que não funcionou muito), um saco de dormir, fogareiro espiriteira que só fazia miojo, pouca roupa e pouco dinheiro. Voltar a caminhar a partir de onde parei é apenas questão de tempo.
    • Por Augusto
      Ola pessoal.
       
      Este aqui é um relato da volta completa de Ilha Grande que eu e a Márcia fizemos na segunda semana de Janeiro/2008.
      Caminhamos durante 11 dias, mas ficamos 2 dias na Praia de Parnaioca e mais 2 dias na Praia de Palmas.
      O relato é muito longo e detalhado.
      Coloquei também inúmeras dicas e informações úteis para quem pretende repetir essa caminhada.
      Pegamos dias de muito Sol, mas quando estávamos saindo da Praia de Parnaioca choveu muito.
       
       
      As fotos são mais de 500 e as dividi por dias.
      De cada dia eu criei um álbum e acrescentei imagens do google earth com a trilha plotada, apesar de que a trilha é muito tranquila, sem problemas de navegação.
       
      Eu e minha esposa Márcia coincidimos de em 2008 tirarmos férias juntos e para aproveitar melhor, resolvemos ir para Ilha Grande. Nossa intenção era conhecer todas as praias e como tínhamos mais de 2 semanas de férias, resolvemos dar a volta completa a pé por toda a ilha.
       
      Saímos de São Paulo no Domingo (13/01/08) no ônibus das 21:00 hrs (ônibus extra, pois os outros horários estavam todos lotados), chegando em Angra ainda de madrugada e lá esperamos amanhecer para só então procurar uma padaria para tomar o café da manhã, pois nossa intenção era tomar a barca para Ilha só as 15h30min (único horário saindo de Angra dos Reis).
      Existe a opção de pegar algum barco ou escuna no cais de Santa Luzia, mas tínhamos que pegar a Autorização na TURISANGRA para acampar na Praia do Aventureiro (exigem essa autorização na alta temporada).
      Uma boa opção era pegar a Barca em Mangaratiba com saída para as 08:00 hrs, mas de novo o problema da Autorização.
       
       
      # 1º dia (14/01) – Algumas praias de Angra dos Reis e chegada na Vila de Abraão
      Fotos desse dia:


       
       

      Ainda na parte da manhã em Angra dos Reis, resolvemos conhecer algumas praias próximas ao Colégio Naval e lá fomos para o centro da cidade para pegar o circular Vila Velha que nos deixou pouco depois do Vila Galé Eco Resort (antigo Blue Tree Park).
      Próximo ao Resort chegamos às praias do Tanguá, Tanguazinho e Praia da Gruta, sendo essas 2 últimas, desertas.
      Como tínhamos muito tempo até as 15h30min, ficamos nessas praias cochilando, já que não dormimos quase nada no ônibus e pouco depois das 10:00 hrs voltamos para a estrada e fomos para o centro da cidade pegar a Autorização para acampar na Praia do Aventureiro.
      Essa autorização se consegue na TurisAngra e lá fizemos o cadastro e tivemos que dizer em qual camping iríamos ficar e por quantos dias, pois existe um limite de campistas na praia.
       

      De posse da Autorização e depois de almoçado, seguimos para o cais onde a barca estava.
      Saiu lotada e isso em plena Segunda-feira, levando cerca de 1h30min para chegar na Praia de Abraão.
       

      O que achamos engraçado foi que ao chegarmos em Abraão havia uma multidão que tomava conta de todo o cais.
      Lembrava a Rua 25 de Março de São Paulo, em época de fim de ano.
       


      Tivemos até certa dificuldade para sair dali.
      Depois disso fomos logo procurar o Camping do Bicão - já tínhamos lido ótimas recomendações do lugar e lá quem nos recebeu foi a Claudia - responsável pelo local.
       

      Não tínhamos feito reservas, mas encontramos o camping com algumas vagas.
       

      O lugar é bem tranquilo e sossegado com lonas azuis cobrindo todas as barracas, uma cozinha coletiva com fogão e geladeira e um banheiro de dar inveja.
      A energia da Ilha é trazida por cabos submarinos vindo de Angra dos Reis que chegam até a distante Vila de Provetá (Praias do Aventureiro, Parnaioca e Palmas não possuem e nesses lugares só com geradores).
      Naquela noite fomos conhecer a Vila de Abraão e surpreendemos com a quantidade de turistas estrangeiros, em sua maioria argentinos, chilenos e europeus em geral. Brasileiro mesmo estava em menor número.
      A Vila de Abraão é bem urbanizada com inúmeros restaurantes, algumas padarias, mercearias, algumas lojas de roupas, campings e muitas pousadas.
      Na Vila tem até uma antena da Vivo Celular.
      Voltamos para o camping e após analisar as subidas e descidas que iríamos encarar no dia seguinte, resolvemos seguir no sentido anti-horário, o que no final se mostrou a melhor opção.
       
       
      # 2º dia (15/01) – Saída da Vila de Abraão até o Saco do Céu, passando pela Cachoeira da Feiticeira
      Fotos desse dia:
       


      Na manhã seguinte (Terça-feira) saímos do camping por volta das 10:00 hrs em direção ao Saco do Céu, pois já tínhamos a informação que no local se permite acampar em quintais de alguns moradores.
       


      Logo que saímos de Abraão já chegamos na primeira bifurcação (seguindo em frente chega-se na Praia Preta e Ruínas do Lazareto) e aqui pegamos a bifurcação da esquerda que passa pelo Poção e pelo Aqueduto (incrível ver como ele está intacto mesmo depois de uns 200 anos), aonde chegamos as 10h30min.
       


      Continuamos subindo e subindo, parando várias vezes para retomar o fôlego, pois estávamos com mochilas cargueiras cheias e assim que chegamos na altitude de pouco mais de 200 metros, a trilha começou a descer até chegar na bifurcação, à esquerda para a Cachoeira da Feiticeira - aqui encontramos uma pequena placa indicando.

       

      O início dessa trilha é bem íngreme e depois de uns 10 minutos de subida se chega em um local plano que tem uma descida à direita que leva até o rio dessa cachoeira.
      Mais alguns minutos margeando o rio até chegar na cachoeira, juntamente com um grupo de umas 30 pessoas que tinham ido com um guia.
       

      Depois de aguardar algum tempo "na fila" conseguimos chegar perto da queda da água de uns 15 metros de altura e entrar embaixo para relaxar.
      Tiramos algumas fotos e depois subimos por uma trilha à direita que leva ao topo da cachoeira e a um tobogã bem legal, que termina em um pequeno poço. Ficamos aqui por um bom tempo se divertindo escorregando pela pedra.

       
      Depois resolvemos que já era hora de irmos embora, pois tínhamos uma longa caminhada pela frente. Saímos de lá por volta das 13h20min e voltamos até a bifurcação na trilha principal e de lá seguimos em frente.
       

      Uns 10 minutos depois a trilha bifurca novamente e a da esquerda segue para o Saco do Céu e a da direita leva até a Praia da Feiticeira.
      Queríamos conhecer a praia, por isso seguimos para a direita.
      A trilha é bem demarcada e segue quase sempre no plano com algumas descidas leves e as 13:40min chegamos na praia.


       
      Logo que pisamos na areia um barqueiro já veio nos abordar para saber se queríamos retornar para Abraão de barco, pois em caso positivo seriam $10,00/pessoa.
      Junto com a gente chegou também uma família com umas 8 pessoas e a cara do pai demonstrava que ele estava bem cansado - acho que o barqueiro conseguiu encher o barco.
      A praia é deserta, com uns 50 metros de extensão, mas estava cheia de turistas.
      Além de barqueiros que ficam no canto da praia aguardando quem queria voltar para Abraão, encontramos também uma vendedora de refri/cerveja e mais umas 15 pessoas que tinham desembarcado de uma escuna que estava na praia (com certeza essa é uma praia bastante visitada, para quem quer ir além da Praia Preta, que fica a poucos minutos de Abraão).
      Saímos da Praia da Feiticeira pouco antes das 14:00 hrs e voltamos até o ponto onde a trilha se bifurca e ali continuamos na trilha principal.
       

      No caminho ainda encontramos um casal que voltava do Saco do Céu e perguntando para eles, vimos que não faltava muito, então resolvemos voltar alguns minutos até a bifurcação para a Praia do Iguaçú que tínhamos passado direto.

       
      Deixamos as mochilas escondidas na mata e pegamos uma trilha que começa a descer com trechos planos e outros com descida íngreme.
      Uns 10 minutos depois, já perto da praia, chegamos em uma cerca e a trilha segue ao lado dela até a areia.
       

      O que encontramos é quase que uma praia particular. Aqui existe uma casa com um enorme quintal e apenas 4 pessoas na areia da praia. Tinha também uma familia de patos passeando na areia.
      Mais fotos e voltamos para a trilha principal e continuamos seguindo passando agora pela Praia da Camiranga as 14h40min.


       
      Aqui já é considerado a Enseada das Estrelas, com as Praias da Camiranga, de Fora e Perequê.
       

      Seguindo pela areia da praia chegamos na Praia de Fora, onde a trilha agora sai da areia e segue pela mata - é bem fácil visualizar a entrada da trilha.
      A partir daqui ela vai seguindo próxima aos quintais das casas e logo chegamos na Ponte sobre o Rio Perequê.

       
      Esse rio tem + - 15 metros de extensão, bem rasinho, mas cheio de pedras (aqui paramos por uns 30 minutos para comermos alguma coisa).
      Seguindo a trilha ainda passamos ao lado de um pequeno bar e chegamos a uma região de mangue do lado direito.
       


      Aqui existem algumas pontes de madeira que cruzamos e uns 20 minutos desde o Rio Perequê chegamos em uma bifurcação com um extensa ponte de madeira do lado direito e uma trilha em frente.
       
      Como não sabíamos qual era a trilha certa, seguimos em frente subindo, mas logo tivemos que voltar, pois ela terminava em algumas casas.
      Voltando até a extensa ponte de madeira e seguimos para a direita, chegando no Saco do Céu com a trilha sempre se distanciando da praia e passando ao lado de alguns restaurantes com saída para o mar.
      Aqui novamente a trilha segue próximo aos quintais e sem bifurcações.
      Quando perguntamos da casa da Dona Nereide e Sr. Nanandez (tínhamos a informação que o casal permitia acampar no quintal da casa) disseram que ficava no final da praia, próxima a uma Igreja Católica.
       


      Chegamos na casa do casal por volta das 16:00 hrs e quem nos recebeu foi a D. Nereide (senhora muito simpática e atenciosa) que nos deixou acampar em um área de gramado bem ao lado da casa.

       
      Ela nos disse que até tentou colocar um camping no local, mas devido ao manguezal próximo, o Instituto Florestal proibiu.
      Ela disse que só aceitava que montássemos a barraca para dormir, já que era proibido o camping e já que iríamos ficar só aquela noite, ela resolveu não cobrar nada.
      Do lado de fora da casa existem 2 banheiros que provavelmente seriam do futuro camping e nos fundos da casa, o irmão de D. Nereide mantém uma criação de gansos e algumas galinhas. Montamos nossa barraca próxima a placa da Trilha T3 (do Saco do Céu até Freguesia de Santana).
      O que atrapalhou um pouco foi o barulho dos gansos e galinhas, mas no geral, tivemos uma noite tranquila.
       
       
      # 3º dia (16/01) – Saco do Céu até a Praia Grande de Araçatiba
      Fotos desse dia:
       

      No dia seguinte (Quarta-feira) por volta das 07h50min nos despedimos da D. Nereide, agradecendo-a e seguimos em frente com a firme intenção de chegar na Praia Grande de Araçatiba.
       

      Aqui tínhamos 2 opções: a primeira delas seria pegar um atalho direto para a Praia do Bananal, subindo um morro de uns 250 metros de altitude, levando em média umas 2 horas até Bananal.
      A outra opção seria seguir pela trilha principal até Freguesia de Santana e de lá chegar até Bananal.
      Como tínhamos tempo de sobra para conhecer várias praias, resolvemos pela segunda opção (quem quiser seguir direto pelo atalho até Bananal é só perguntar para os moradores - todos sabem informar).
       
      A trilha principal vai seguindo morro acima por uns 15 minutos e depois quando se inicia a descida, passamos ao lado de uma bifurcação do lado direito que leva até a Praia da Guaxuma.
      Deixamos novamente as mochilas escondidas e fomos conhecer a praia que estava deserta (só encontramos alguns gansos passeando na areia).
       


      Ela está localizada em uma pequena enseada e ficamos só alguns minutos; logo voltamos para a trilha principal.
       


      Mais uns 10 minutos descendo pela trilha principal, chegamos na Praia do Funil (muito pequena), marcada por um campo de futebol do lado esquerdo.
      Nesse local pudemos observar alguns fios de energia que vêm do continente e que chegam a Ilha próxima a essa praia (aqui existe uma divisão - uma parte dos fios segue para Vila de Abraão e a outra para a Vila de Provetá).

       
      Mais fotos e seguimos em frente e uns 10 minutos depois, por volta das 09h30min estávamos chegando na Praia do Japariz, muito usada por escunas que levam turistas para a Lagoa Azul (não muito longe daqui).

       
      No local existe um restaurante e em frente, um pequeno cais (trapiche) para atracar as escunas.
       

      Passamos direto pela praia e a trilha daqui para frente vai seguindo próxima do costão até Freguesia de Santana, aonde chegamos as 10h30min.
      Aqui é um sucessão de 2 praias (Freguesia e Baleia).

       
      O que nos chamou bastante a atenção foram 2 teiús (espécie de lagarto) que estavam comendo 1 jaca no meio da trilha (engraçado foi ver os dois saírem correndo todo desengonçados pela trilha no sentido contrário).
       
      Se distanciando da praia, a trilha segue por entre uma área de bambuzal, como se fosse uma espécie de túnel (muito legal) e as 10h40min chegamos na bifurcação para a Praia de Baixo e Praia da Grumixama.

       

      Desse ponto pudemos visualizar uma pequena parte da Lagoa Azul com suas inúmeras escunas (aqui ficamos um certo tempo admirando a paisagem, pois o local tem um visual muito bonito).
      Pouco depois das 11:00 hrs voltamos para a trilha e iniciamos outra subida e descida de morro até chegarmos na Praia do Bananal Pequeno.

       
      Essa praia tem uma pequena faixa de areia monazítica e um único morador (Seu Zeca) e daqui já dá para ver quase todas as outras praias por onde iríamos passar. Seguindo por uns 10 minutos chegamos na Praia do Bananal, onde paramos embaixo de uma árvore para descansar e comer alguma coisa.
       


      Na praia existem algumas pousadas; quase todas pertencentes a japoneses e a trilha passa por detrás de quase todas elas.
      Seguindo por outro morro acima, a trilha chega a + - 100 metros de altitude e depois disso descemos em direção a Praia da Matariz, aonde chegamos as 13h40min.

       

      A praia possui alguns bares e no final existe uma antiga indústria de pescado que funcionou a muitos anos atrás e logo que termina o muro da antiga fábrica, a trilha segue para a esquerda, atravessando mais um pequeno trecho de mangue.
      Depois de atravessarmos uma pequena ponte de concreto, algumas casas aparecem à esquerda e à direita da trilha e quando íamos iniciar mais uma subida de morro, paramos para pegar água em uma bifurcação que sai à esquerda da trilha principal, já que nossos cantis estavam quase vazios.
       

      Com cantis cheios, iniciamos mais outra subida de morro, chegando a pouco mais de 100 metros de altitude e o que nos chamou a atenção foi uma enorme figueira que fixou suas raízes em cima de uma rocha (no local até existe uma placa indicando a figueira branca).
       

      Seguindo em frente, alguns trechos da trilha se abrem e é possível visualizar todo o mar ao redor e o continente.
       


      Às 15h15min chegamos em mais uma praia tranquila (Praia de Passaterra) e em mais uns 5 minutos chega-se na Praia de Maguariquessaba (aqui existem alguns bares e restaurantes e encontramos escunas atracadas na praia com vários turistas).
       

      Essas praias são muito bonitas, mas o problema delas é que a areia é muito fofa, o que dificulta muito a caminhada.
       
      Mais uns 30 minutos de subida morro acima (seguindo os cabos de energia), passamos ao lado de um cafezal, onde alguns cachorros não nos deixaram em paz e queriam porque queriam que a gente brincasse com eles.
      Nesse trecho existe uma bifurcação próxima a um bambuzal que leva até a pequenina Praia do Marinheiro, que é deserta e uma boa opção para acampar em selvagem só durante a noite (nem chegamos a ir até a praia).
       


      Às 16h20min chegamos em Sítio Forte, onde marca o fim da Trilha T5.
      Essa praia possui imensos coqueirais, mas a região é de mangue, o que torna difícil aproveitar a praia (a areia é monazítica - um pouco escura).
      Atravessando a praia e mais uns 15 minutos chegamos na Praia da Tapera, onde encontramos algumas lanchas e barcos atracados em frente.

       
      O início da trilha para a próxima praia (Ubatubinha) é um pouco mais confusa e para não tomar a trilha errada procure os cabos de energia elétrica que é por ali que a trilha segue. Nesse trecho de Tapera a Ubatubinha o visual que se tem é muito bonito (aproveitamos nas fotos).
       


      A praia de Ubatubinha tem uma imensa casa em frente da areia que possui até um pequeno trator (não deve ter sido fácil trazê-lo de barco até aqui).
      Chegamos nessa praia pouco depois das 17:00 hrs e ainda tínhamos uma longa subida de mais outro morro pela frente e depois de atravessarmos toda a praia, caminhamos por mais uns 3 minutos e chegamos a um bambuzal, onde bem ao lado existe uma placa apontando Praia Grande de Araçatiba morro acima e foi uma longa e extenuante subida por mais de 200 mts de altitude.
       
      Quando chegamos no topo, paramos para descansar e retomar o fôlego próximo de um pequeno riacho onde é possível se reabastecer de água (perdi meus óculos aqui e levou algum tempo até encontrá-lo) e daqui para frente a trilha seguia descendo até a Praia da Longa, onde chegamos às 18h45min.
      Aqui também é um pouco difícil para encontrar a continuação da trilha para Araçatiba, mas é só perguntar para os moradores que eles indicam (novamente é só seguir os cabos de energia).
       

      A trilha, na verdade é um antiga estrada de pedras com uns 5 metros de largura e que segue morro acima (o último do dia, graças a Deus).
      Assim que a estrada termina, a trilha continua subindo, mas pelo menos não foi tão extensa e por volta das 19:30 hrs chegamos nas areias da Praia Grande de Araçatiba.

       
      Ainda com Sol, seguimos pela areia da praia até o final dela, já que o camping onde iríamos ficar está localizado no outro extremo.
      A praia é de areia muito fofa e muito extensa e só chegamos no camping as 20h20min, exaustos, mas satisfeitos pela longa caminhada de mais de 12 horas.
      Uma coisa que nos chamou a atenção quando estávamos passando pela Praia Grande de Araçatiba foi termos encontrado algumas barracas no quintal de uma casa (pode ser que seja permitido acampar em alguns quintais e com a vantagem de ficar de frente para a areia da praia).
      Já o camping onde ficaríamos (Camping Bem Natural) está localizado junto da trilha que segue para a pequena Praia de Araçatiba e com isso tivemos que atravessar toda a praia (não foi fácil).
       
      Para se chegar no camping é só seguir a trilha no final da Praia Grande de Araçatiba e em + - 10 minutos haverá uma placa de identificação do camping à esquerda (aqui é só subir as escadas morro acima).
      Aqui tivemos algumas decepções: ao chegarmos, uma mulher estava falando no telefone e pediu para a gente aguardar ela terminar a conversa e logo nos atenderia (p. sacanagem).
      A outra foi quando perguntamos o valor do camping: ela nos disse primeiramente que era $45,00/pessoa e na mesma hora falamos que iríamos embora, mas aí a mulher (que não me lembro do nome) nos disse que esse valor incluía o café da manhã ($20,00) e o camping em lugar coberto ($5,00).
      Dissemos que não queríamos nada disso e o valor ficou em $20,00/pessoa (só ficamos pensando que café da manhã é esse de $20,00 – deve ser só com produtos importados).
      Perguntamos também sobre o valor do PF e nos disse que era $12,00, mas que faria por $10,00, o que aceitamos e combinamos que montaríamos a barraca primeiro e depois iríamos tomar banho e ela nos disse para fazermos isso em até 30 minutos, porque sua cozinheira estava indo embora.
      Quando nós dois já estávamos tomando banho não é que a mulher veio bater na janela dos banheiros para a gente tomar banho mais rápido porque a comida já estava na mesa (e olhe que ainda não havia completado os 30 minutos).
      É....decepção atrás de decepção, mas como já estávamos ali, deixamos para lá.
       
      Naquela noite nem fomos conhecer a praia, pois estávamos bem cansados. Tínhamos a pretensão de ficarmos 2 dias no camping, para que pudéssemos visitar a Gruta do Acaiá, mas depois do que aconteceu, resolvemos ficar só aquela noite e seguirmos para a Praia Vermelha, logo na manhã seguinte. Outra coisa que nos chamou a atenção foi o tamanho da cozinha disponibilizada para os campistas (mini-cozinha), enquanto que o tamanho da cozinha para quem paga pelo café da manhã é enorme.
      Uma sugestão que eu deixo aqui é tentar arrumar uma opção de hospedagem melhor (quintais de algumas casas ou pousadas mesmo, pois dependendo da época os valores de algumas são bem baixos).
       
       
      # 4º dia (17/01) – Praia Grande de Araçatiba até a Praia de Itaguaçú, com Gruta do Acaiá
      Fotos desse dia:

       
      No dia seguinte, quando já estávamos fazendo o café da manhã na mini-cozinha, um grupo de escoteiros estava por lá e comentaram que estavam indo visitar a Gruta do Acaiá também, mas saíram bem antes da gente (só os encontraríamos próximo da Gruta).
       

      Desmontada a barraca e mochilas nas costas saímos do camping às 09h40min em direção à Praia Vermelha, mas ao chegarmos na próxima praia (a de Araçatiba - conhecida também como Pequena Araçatiba ou Araçatibinha) vimos que o costão era muito propício para mergulho com mascara e snorkel (tínhamos trazido) e foi o que fizemos.
       

      Deixamos nossas mochilas em cima de algumas pedras e ficamos ali por quase 1 hora mergulhando (encontramos muito peixe palhaço).
       
      Às 10h40min seguimos para a próxima praia e uns 15 minutos de caminhada já encontramos a bifurcação para a Gruta do Acaiá (à direita) e Praia de Provetá (à esquerda) onde planejamos chegar só no dia seguinte, pois nossa intenção agora era acampar na Praia Vermelha, devido a desistência da Praia Grande de Araçatiba.
      A trilha para a Praia Vermelha segue próxima ao costão e com algumas subidas e descidas leves (me chamou a atenção 2 ou 3 casa semi-demolidas, próximas da trilha, à esquerda).
      Às 11h10min chegamos na bifurcação para a Praia do Itaguaçú e uns 10 minutos depois na Praia Vermelha.
       

      Aqui é uma praia pequena com alguns restaurantes e bares junto da areia e perguntando onde existia um camping nos indicaram o de uma mulher que era a dona do restaurante, mas havia um problema: o banheiro do camping estava em reforma e o camping era uma casa onde as pessoas acampavam no quintal.
       
      Resolvemos não ficar aqui e agora nossa alternativa era visitar a Gruta e seguir para a Praia de Provetá, praia esta onde havia um camping estruturado de frente para a praia (Camping da D. Cleuza).
      Depois da desistência, deixamos nossas mochilas em um dos restaurantes e seguimos para a Gruta só com um pequeno cantil.
      Saindo da Praia Vermelha o início da trilha para a Gruta é um pouco confuso (existem bifurcações que levam a algumas casas).
      Tem uma pequena placa indicando a trilha, mas ela está um pouco escondida e a vantagem é que essas bifurcações estão ao lado de inúmeras casas, então é só sair perguntando se não encontrar a trilha certa.
       

      Da Praia Vermelha até a Gruta do Acaiá foram + - 1 hora de caminhada e o início da trilha é uma longa subida íngreme com a paisagem se abrindo conforme você vai subindo, mostrando todo o visual ao redor.
      A trilha vai subindo até chegar + - 150 metros de altitude e sempre passando por áreas descampadas (aqui o Sol castigou muito nós dois).
      Quando a trilha começou a se estabilizar já começamos a passar por áreas com mata fechada e desse ponto em diante cruzamos com os escoteiros que estavam no mesmo camping que a gente.
      Diziam que estavam retornando da Gruta, mas não tinham entrado porque estavam cobrando $10,00/pessoa.
      Tinham tentando até reduzir o valor, mas não conseguiram. O grupo era formado por umas 10 pessoas e com isso eu e a Márcia já pensávamos em gastar uns $20,00 reais.
       

      A trilha seguia com leve inclinação, passando por uma nascente do lado esquerdo e às 14:00 hrs chegamos ao portão de acesso da propriedade da Gruta.
      Nessa entrada o portão estava fechado com cadeado e bem ao lado uma placa bem grande de “Propriedade Particular”.
      Nesse momento 3 pessoas estavam saindo e com isso a senhora que cuida de propriedade pediu que fechássemos o portão com o cadeado.
      Ainda caminhamos uns 50 metros até chegar a casa onde é feita a cobrança.
      Lá a senhora queria cobrar $10,00/pessoa se quiséssemos visitar a gruta e conversa daqui e dali reduzimos o valor pela metade.
      Bom para ambas as partes, ainda tínhamos que caminhar um pequeno trecho até a entrada da Gruta, passando antes por algumas casas e ficamos surpresos por ver como a entrada da gruta era bem diferente de todas as que conhecíamos.
      É como se estivesse entrando num buraco no chão com algumas pedras em volta.


       
      Depois de conversar com senhor responsável por guardar a entrada, que não deixou de se certificar se tínhamos mesmo pago antes a senhora.
      Iniciamos a descida por uma escada de madeira de + - 5 metros de profundidade e aqui uma lanterna é essencial, mas como não tínhamos, usamos a lanterna do celular.
       

      Conforme íamos descendo o buraco ia ficando mais estreito e apertado e só chegamos ao salão interno depois de passar arrastados por entre as pedras.
      O salão é uma coisa magnífica e olhando para o fundo da gruta se vê uma luz azul ou verde fluorescente (depende da intensidade da luz solar), que na verdade é o sol que reflete no fundo do mar e aparece no fundo da Gruta.
      O salão tem uma altura de pouco mais de meio metro e mais ou menos 20 metros de largura (isso foi até onde podíamos enxergar; talvez seja até maior que isso).
       

      Depois de se arrastar até próximo ao fundo da gruta chegamos a uma local até onde a água do mar chega e aqui ficamos por um bom tempo admirando o fundo da gruta com aquela luz fluorescente.
      Desse ponto até a superfície do mar existe uma fenda submarina e somente com cilindro de oxigênio para atravessá-la.
      Depois de sairmos da gruta ainda fomos conhecer o costão por onde começa a fenda submarina e por onde passa a água para o interior da gruta.
      Aqui também é o local onde os barcos e escunas ficam ancorados.
       


      Pouco depois das 15:00 hrs iniciamos o retorno para a Praia Vermelha e depois de pegarmos nossas mochilas no restaurante seguimos para o camping da Praia de Provetá.
       

      No caminho ficamos pensando em outra alternativa: ficar em uma das casas semi-demolidas que encontramos pela trilha, próximo da Praia do Itaguaçú e nessa praia paramos um pouco para mergulhar nos costões, mas não ficamos muito tempo porque encontramos algumas águas-vivas na praia e logo seguimos pela trilha.
      Cerca de 20 minutos depois já estávamos nessas casas semi-demolidas e chegamos a conclusão que ali era uma boa opção, pois água potável nós tínhamos encontrado alguns metros antes.
      As casas haviam sido abandonadas há muitos anos, pois o mato tinha crescido em volta e tinha muito entulho ao lado.
      Montamos nossa barraca na sala da antiga casa e bem ao lado de um dormitório onde tinham 2 morcegos.
      Demos uma p. sorte, pois logo que montamos nossa barraca, começou a chover forte e foi assim o resto da noite.
       
       
      # 5º dia (18/01) – Praia de Itaguaçú até a Praia do Aventureiro
      Fotos desse dia:
       

      Logo pela manhã (Sexta-feira) acordamos com o dia nublado e as 08h20min seguimos pela trilha para a Praia de Provetá, mas como tinha chovido bastante a noite, ela estava um pouco escorregadia.
      Ao passar pela bifurcação, a trilha vai seguindo por mais uma subida de morro até chegar a pouco menos de 200 metros de altitude e quando começamos a descida cruzamos com um rio onde paramos para tomar o café da manhã.

       

      Seguindo pela trilha o que não nos agradou foi que ao chegarmos próximo da Vila encontramos toda a mata ao redor desmatada.
      É uma coisa que choca para quem só estava vendo mata fechada próximo das praias e antes de chegar lá, por pouco a Márcia não pisa em uma cobra que estava atravessando a trilha e pela cor e desenhos, parecia ser um filhote de jararaca (peçonhenta).
       
       
      Fomos chegar na Praia de Provetá as 11:00 hrs e lá paramos para descansar ao lado da Igreja Assembléia de Deus (bem imponente e que se destacava), pois a Vila em sua maioria é formada por evangélicos.
       

      Encontramos bem ao lado um orelhão e uma pequena mercearia onde compramos algumas coisas.
      A trilha para Aventureiro se inicia bem no canto esquerdo da praia e lá fomos nós caminhando pela areia, passando ao lado do Camping da D. Cleuza que está em frente da praia.
       

      Ao chegarmos ao lado de uma enorme bica de água (conhecida como Bicão), a trilha segue novamente morro acima em mais uma subida bastante íngreme.

       
      Logo que se inicia a subida tomamos uma bifurcação da esquerda (na dúvida e só perguntar aos moradores, pois existem várias casas ao lado).
      Depois de + - 10 minutos a trilha se bifurca novamente e seguindo em frente provavelmente vai chegar em algumas casas, mas a trilha correta é pegando a bifurcação da esquerda (nesse local até existe uma placa apontando Aventureiro para a esquerda).
      Aqui chegamos em um mirante que permite ótimas fotos da praia e de toda a Vila.

       
      Nesse momento chegaram 2 homens (pai e filho) que passaram pela gente seguindo pela trilha e disseram que tinham vindo de Araçatiba e pretendiam retornar no mesmo dia, mas pelo horário avançado (12:00 hrs) iriam aproveitar pouco a Praia do Aventureiro.
       

      Daqui pra frente a trilha segue em aclive suave sempre em linha reta passando por várias nascentes, porém o trecho final é bem íngreme o que nos fez parar em vários momentos para descansar, até chegarmos a altitude de + - 350 metros (o ponto mais alto de todos que tínhamos subido).

       

      Daqui já conseguíamos ver a Praia do Sul bem à esquerda, mas Aventureiro estava escondida pela mata.
      A descida até a praia é uma pirambeira daquelas (muito íngreme) e tivemos que tomar muito cuidado para não escorregar, pois tinha chovido muito a noite passada (aqui tivemos a certeza que tínhamos acertado em fazer a volta no sentido anti-horário, pois para quem sai de Aventureiro e segue para Provetá com uma mochila cargueira vai sofrer muito na subida desse trecho).
       

      A descida foi rápida e as 14:00 hrs chegamos na Praia do Aventureiro.
      Aqui existem inúmeros campings (mais de 15), próximos da areia da praia, mas primeiramente tínhamos que deixar nossa autorização no quiosque da Associação de Moradores que fica do lado direito da praia junto ao coqueiro caído que é o cartão postal de Aventureiro.

       
      No cadastro em Angra tínhamos escolhido um camping próximo da areia sendo que o valor ficaria em $20,00/pessoa sendo que $5,00 seriam para a taxa de permanência na praia.
      No quiosque ficamos sabendo que existia um camping no morro bem ao lado e que era um lugar bem mais sossegado e tranquilo.
      Não pensamos 2x e escolhemos esse (ele é o Camping de número 1 e o valor era de $17,00/pessoa).
       

      Depois de montada a barraca, fomos conhecer a Praia do Aventureiro e a do Demo que fica ao lado, mas antes fomos comer um arroz com mexilhão (foi nosso almoço e jantar).
      Entrar na água no canto direito estava fora de questão, pois uma quantidade muito grande de algas estava sendo trazida pelas ondas, mas a praia é um paraíso com areia branquíssima e várias áreas de sombra.
      A Praia do Demo que é separada do Aventureiro por algumas pedras é também uma dádiva (algumas árvores que formam sombra na areia e também um pequeno riacho junto ao costão).
      Aqui vimos uma quantidade muito grande de coqueiros na mata e até conseguimos pegar alguns cocos.
       

      Seguimos para o Costão do Demo, que separa a Praia do Sul da Praia do Demo e aqui ficamos até o anoitecer vendo o pôr do Sol e as ondas quebrarem no costão. Observamos também que várias pessoas vinham da Praia do Sul e do Leste e ficamos sabendo que os fiscais do Instituto Florestal só ficam ali para proibir o acesso em feriados prolongados ou alguns fins de semana, pois a região é uma Reserva Biológica.
       

      Por volta das 20:00 hrs voltamos para o camping e nesse momento começou a chover, mas o local onde estávamos era embaixo de uma árvore. Tínhamos colocado também uma lona em cima da nossa barraca e a chuva até ajudou a dormirmos melhor.
       
       
      # 6º dia (19/01) – Praia do Aventureiro até a Praia de Parnaioca
      Fotos desse dia:
       

      Às 08h30min do dia seguinte (Sábado) acordamos. Naquele dia ainda não tínhamos decidido se iríamos ficar mais um dia ou seguiríamos para Parnaioca.
      Ficamos a manhã toda na Praia do Demo e lá decidimos seguir para Parnaioca naquele dia mesmo.
       

      Depois de desmontada a barraca, deixamos o camping por volta das 13:00 hrs e seguimos para a Praia do Leste (ainda cruzamos com 2 garotos com cargueira que provavelmente estavam fazendo a volta da Ilha, no sentido contrário ao nosso).
       


      A travessia do Costão do Demo exige certo cuidado, pois a pedra é um pouco inclinada e em dias de chuva é arriscado passar por aqui.
      Chegamos na Praia do Sul às 14:00 hrs e encontramos algumas pessoas na areia da praia e aqui tivemos que ficar descalços, pois a areia é muito fofa e a praia muito extensa.
       

      Chegando ao final dela, existe uma trilha que sai para a esquerda em direção ao manguezal e nesse local a água chega a bater um pouco acima dos joelhos.
       


      Depois de atravessado a região do manguezal, chegamos na Praia do Leste que é um pouco menor, mas no final da praia tivemos uma noticia desagradável: um grupo de 3 garotos estava voltando de Parnaioca e dizia que tinham sido barrados por um fiscal do IF que estava no começo da Praia de Parnaioca e com isso ficamos decidindo o que fazer.
      Já que estávamos ali, nem valeria a pena voltar para Aventureiro para pegar um barco em direção a Parnaioca.
      Se continuássemos pela trilha e ao chegar na Praia, o que o fiscal poderia fazer com a gente? Fazer a gente voltar? Talvez sim ou talvez não.
       
      Paramos para pensar e então decidimos esperar um pouco mais e chegar no final da tarde na praia.
      De repente chegam 2 garotos de mochilas cargueiras que tinham vindo de Parnaioca e estavam fazendo a volta da ilha também, mas no sentido inverso ao nosso.
      Perguntamos a eles sobre o fiscal e disseram que não tinham encontrado ninguém e pensamos se o fiscal não tinha ido tomar um café, ao banheiro ou tinha ido embora mesmo.
      Com essa dúvida saímos da Praia do Leste as 17:00 hrs em direção a Parnaioca; estávamos inseguros, mas não tínhamos opção. Por volta das 18:00 hrs, quando chegamos na praia, não encontramos nenhum fiscal.

       
      Ao cruzarmos o rio, encontramos 4 rapazes acampados na mata, ao lado do rio em camping selvagem e conversando com eles decidimos ficar por ali também.
      Eles disseram que o fiscal do IF tinha ficado na praia até as 15h30min e pediu a eles que não ficassem acampados na areia e que desmontassem as barracas durante o dia. Atualmente nessa praia existem 3 campings estruturados, que são boas opções para quem quiser ficar por alguns dias nessa praia.
       

      Com a barraca montada, ainda fomos dar uma volta pela praia e depois fomos fazer nosso jantar e dormir.
      A chuva que chegava sempre no início da noite, nesse dia não veio.
       
       
      # 7º dia (20/01) – Praia de Parnaioca
      Fotos dessa praia:
       
      No dia seguinte (Domingo) acordamos com um Sol muito forte e decidimos lavar algumas roupas e colocá-las para secar.
      Depois de desmontar a barraca, colocar na mochila e escondê-la na mata fomos caminhar pela praia, que era muito extensa e só achamos 4 casas próximas da areia e mais 2 um pouco longe da praia.
      Na praia sempre estavam chegando alguma escuna com turistas que ficavam por um certo tempo lá.
       


      Encontramos também uma pequena Capela e um Cemitério bem ao lado.
      Logo depois seguimos rio acima para conhecer as cachoeiras, mas antes fomos na casa da Marta (ao lado do Camping do Silvio) encomendar 2 pfs para o final da tarde.
       
      O rio é cheio de pedras com inúmeros poços para tomar banho, mas as cachoeiras não passam de 1 metro.
      Voltamos para montar a barraca e nessa hora começou a chover muito forte e para irmos à casa da Marta precisamos colocar nossas capas de chuva.
      Quando estávamos comendo e conversando com a Marta e o seu marido sobre como é a vida naquele lugar chegou o Silvio (o do Camping).
      Ele mora ao lado e nos disseram que teve épocas piores do que as de hoje, pois quando existia o Presídio em Dois Rios e ocorriam fugas, os presos se dirigiam para essa praia.
      As famílias da época eram muito humildes e só viviam da pesca e hoje com o fechamento do presídio, o turismo trouxe mais visitantes para a praia e os moradores vivem da rendo do turismo.
       
      O Silvio (um dos moradores mais antigos da praia) nos deu uma verdadeira aula de história sobre o lugar.
      Ficamos conversando sobre os primeiros moradores da ilha e a época dos escravos, quando existiam imensas plantações de café na região.
      Saciados da fome voltamos para a barraca e decididos que no dia seguinte seguiríamos em direção à Praia do Caxadaço.
      Durante a noite choveu muito e o rio ao lado, onde estávamos, ficou muito cheio.

       
      Conversando com os outros 4 garotos, eles decidiram voltar para Abraão com a gente e um deles decidiu ficar para tentar uma carona de barco.
       
       
      # 8º dia (21/01) – Praia de Parnaioca até a Praia do Caxadaço
      Fotos desse dia:
       

      Na manhã do dia seguinte (Segunda-feira) saímos de Parnaioca as 09:00 hrs pensando que a continuação da trilha fosse no final da praia, mas o Silvio nos encontrou e disse que a trilha para Dois Rios saía atrás da casa da Janete.
      Refeitos do erro, seguimos pela trilha correta, começando com uma subida de morro até chegar a uma altitude de + - 150 metros e na subida os 3 garotos passaram por nós e seguiram na frente.

       
      A trilha não tem como errar, pois está bem demarcada e sem bifurcações. Só a vegetação que estava molhada e um pouco de lama na trilha.
      Às 11:00 hrs passamos ao lado de uma imensa figueira e um pouco mais a frente ao lado da Toca das Cinzas, que segundo a lenda, era usada como prisão para escravos ladrões que eram deixados para morrer aos poucos (que coisa mais sinistra!).
      A trilha de Parnaioca para Dois Rios é a mais longa de toda a ilha e depois de 2h30min de caminhada chegamos na praia as 11h30min.
       

      Nesse lugar existia o Presídio que foi demolido em 1994, mas que ainda restaram os muros e as casas dos funcionários. Entramos na parte interna do presídio, mas saímos de lá cheios de pulgas nas pernas.
       

      Depois disso fomos em um barzinho da Vila (Bar da Tereza) onde almoçamos um PF e um lanche.
      No lugar encontramos um grupo com umas 8 pessoas que tinha acampado na Praia do Caxadaço na noite anterior e disseram que passaram por dificuldade, pois tinha chovido muito e com isso o saco de dormir de alguns deles tinham molhado.
      A intenção deles era fazer a volta da ilha no sentido contrário ao nosso, mas depois desse problema e sem perspectiva do tempo melhor, desistiram da ideia.
      Foi uma pena vê-los com mochilas cargueiras e desistindo da volta por causa desses pequenos problemas - felizmente para a gente tinha dado tudo certo até agora.
       

      As 15:00 hrs resolvemos seguir para a Praia do Caxadaço e quando já estávamos saindo da vila um PM nos abordou querendo saber de onde tínhamos vindo e para onde íamos e se conhecíamos a trilha para o Caxadaço (provavelmente a função dele é anotar o destino de todos que passam por ali.
      Por que? eu não sei).
      Seguimos pela estrada de terra em direção a Abraão por cerca de 10 minutos e logo encontramos a bifurcação para a Praia do Caxadaço à direita.
      A trilha entra na mata fechada e segue na direção leste passando por alguns vestígios de construções e pelo Caminho das Pedras que tinha sido construído pelos escravos na época em que chegavam por essa praia.
       
      O final da trilha, próximo da praia, é bastante íngreme e um lugar bom para acampar na trilha é próxima a um bambuzal, cerca de 10 minutos antes de chegar na praia, aonde chegamos as 16:00 hrs.
       

      Próximo a um riacho existe também um descampado onde cabem algumas barracas, mas seguimos em frente.
      Já na praia existem poucos lugares para montar barracas e encontramos ela totalmente deserta, possuindo uma faixa de areia de uns 15 metros de largura.
      Uma peculiaridade da praia é que ela se localiza em uma enseada que fica escondida de quem passa em alto mar, por isso foi usada para desembarque de escravos na época do tráfico negreiro.
      Montamos nossa barraca no descampado de frente para a praia, mas com a desvantagem do local ser um pouco inclinado.

       
      Até pensamos em ficar no local mais plano, próximo ao rio, mas queríamos acampar ali mesmo, de frente para a praia.
      Imaginávamos que iria chover a noite, por isso cavamos em volta da barraca para que a água da chuva escorresse, mas de nada serviu, porque a chuva não veio.
       

      A praia eu achei a melhor de todas (a Márcia preferiu Aventureiro) e do costão se consegue ver as Praias de Santo Antônio e Lopes Mendes.
      Depois de banho tomado no rio fomos fazer o jantar e dormir ouvindo as ondas chegarem na praia.
      Aqui o camping é proibido, mas naquela noite não tínhamos opção, porque em Dois Rios não existe camping e caminhar para Abraão estava fora dos planos, porque ainda tínhamos outras praias para conhecer.
       
       
      # 9º dia (22/01) – Praia do Caxadaço até a Praia de Palmas
      Fotos desse dia:
       

      No dia seguinte (Terça-feira) iríamos seguir pela trilha mais difícil de toda a volta da Ilha (em direção à Praia de Santo Antônio).
      Levamos algumas anotações do livro do José Bernardo (Caminhos e Trilhas de Ilha Grande) e elas foram a nossa referência, pois a trilha possui várias bifurcações que chegam a confundir e quem não tem experiência em trilha na mata fechada não recomendo fazê-la de maneira nenhuma.
      As bifurcações são semelhantes a da trilha principal e por isso usamos as anotações.
      Saímos da Praia do Caxadaço as 09:00 hrs e pegamos uma trilha que sai atrás da placa indicativa da Trilha T15 - Caxadaço-Dois Rios (sentido nordeste).
      Mais alguns metros e a trilha chega em uma vala a esquerda e daqui para frente segue rente a ela, morro acima.
       

      Uns 10 minutos depois chegamos a uma área de samambaias onde a descida é bastante íngreme e já no final dela começam a aparecer as bifurcações para a direita; a trilha principal segue para a esquerda subindo para mais outro morro e depois segue no plano por um bom tempo passando por outras bifurcações.
      Depois de um bom tempo passamos ao lado de uma imensa rocha do lado esquerdo onde escorre um riacho e aqui foi colocada uma pequena corda para ajudar na travessia dessa pedra.
      Depois de passar ao lado de um imenso bambuzal e cerca de 1hr30min de caminhada, terminamos a trilha em uma outra bem mais demarcada que leva até a Praia de Santo Antônio e aqui viramos para direita chegando na praia pouco antes das 11:00 hrs.
      O lugar possui um rio que deságua no canto da praia, mas a água não é confiável e se quiser água de qualidade e só seguir no costão à direita por uns 5 minutos.
       

      A areia da praia não é fofa e acampar aqui também é proibido.
       

      A praia tem + - 100 metros de largura e do lado esquerdo se consegue visualizar a Praia de Lopes Mendes que está bem próxima.
       
      De vez em quando ameaçava cair uma garoa, mas a chuva não veio, então ficamos aqui por cerca de 1 hora.
      Em seguida voltamos para a trilha e seguimos para Lopes Mendes onde chegamos + - 30 minutos depois e aqui alguns consideram uma das 10 melhores praias do país, mas não achamos tudo isso.

       


      Sua extensão é de quase 3 kms de areia fofa e inúmeras amendoeiras que fornecem sombra por toda a praia.
      Existe também uma mata com alguns descampados antes de chegar na areia e várias trilhas que conduzem até a praia.
      Nem entramos na água porque o tempo não estava ajudando e as 14h15min saímos em direção à Praia de Palmas onde acamparíamos naquele dia.
       


      A trilha é bem nítida, quase uma estrada e ainda passamos pela praia do Pouso (onde os barcos de Abraão para Lopes Mendes atracam) e a Praia de Mangues.
      Caminhando mais uns 10 minutos chegamos em Palmas, onde existem uns 3 campings e como já tínhamos lido algumas recomendações ficamos no Camping dos Coqueiros (cujos proprietários Tunico e Carla são pessoas excelentes).

       
      Ele está + - no meio da praia e não nos arrependemos, pois o lugar é muito bom.
       

      A praia não tem energia elétrica, mas os chuveiros quentes são aquecidos a gás (o gerador para a energia elétrica fica ligado das 18:00 às 00:00 hrs).
      O camping estava relativamente vazio e resolvemos comer um PF no bar ao lado, com preço de $9,00.
      A chuva no fim da tarde ia a voltava e ficamos planejando o que faríamos no dia seguinte.
      O que faltava para a gente era subir o Pico do Papagaio e conhecer as praias próximas de Abraão (Júlia, Crena e Abraãozinho) e na volta para a barraca decidimos fazer as duas coisas. Só torcíamos para que o tempo ajudasse e amanhecesse um dia de muito Sol.
       
       
      # 10º dia (23/01) – Praia de Palmas até a Praia de Abraão
      Fotos desse dia:
       

      No dia seguinte (Quarta-feira) acordamos com o tempo nublado e com poucas esperanças dele melhorar, mas ainda assim saímos do camping em direção à Abraão para tentar chegar no topo do Pico do Papagaio.
      Saindo da praia, iniciamos mais uma subida de morro até chegar a + - 200 metros de altitude e lá no topo já vimos que o tempo não tinha melhorado mesmo, pois estava tudo encoberto.
      Iniciamos a descida e chegamos na Vila de Abraão cerca de 1 hora depois e dali seguimos pela estrada de terra em direção à Praia de Dois Rios e não demorou muito começou a chover forte, mas seguimos em frente.

       
      Chegando na bifurcação do Pico, começamos outra subida forte pela trilha em direção ao topo (como a chuva não parava de cair decidimos voltar depois de uns 20 minutos de trilha).
       
      Pensamos que não adiantaria nada chegar no topo se não conseguiríamos ver nada ao redor.
      Voltamos para a Vila onde chegamos por volta do 12:00 hrs e de lá seguimos para as Ruínas do Lazareto e para a Praia Preta (praia de areia monazítica que possui propriedades medicinais).

       

      Depois voltamos para a Vila e fomos conhecer as prainhas do lado direito de Abraão (em Abraãozinho existe um pequeno bar de frente para a areia da praia).

       

      Às 15:00 hrs voltamos para Abraão para comer e as 17:00 hrs seguimos para Palmas.
      Estávamos um pouco tristes, pois esse era nosso último dia em Ilha Grande, mas como o tempo não colaborava e ficar na Ilha com chuva não valia a pena, resolvemos ir embora.
      Já no Camping em Palmas arrumamos as mochilas e deixamos tudo pronto para sair cedo no dia seguinte, pois a Barca para Angra dos Reis saía as 10:00 hrs.
       
       
      # 11º dia (24/01) – Praia de Palmas e retorno para São Paulo
      Fotos desse dia:
       


      Na manhã seguinte, o camping ficou em $10,00/pessoa e depois de pagar para a Carla seguimos para Abraão onde chegamos as 09:00 hrs e as 10:00 hrs em ponto a Barca saiu de Abraão em direção à Angra dos Reis e com ela estávamos levando ótimas recordações.
      Pouco antes das 12:00 hrs chegávamos em Angra dos Reis e as 15:00 hrs embarcamos em direção a São Paulo um pouco tristes.
      Era hora de voltar para o batente e a correria de Sampa, mas contentes porque em nossas lembranças iriam ficar lindas imagens de lugares como Gruta do Acaiá, Praia do Aventureiro, do Leste, do Caxadaço, Santo Antônio e muitas outras. Muitas ficarão nas nossas lembranças por muito tempo.
       
       
       
       
      Ufa.............finalmente. Terminei...............
      Depois eu coloco algumas dicas.
       
       
      Abcs
    • Por fernandobalm
      Considerações Gerais:
       
      Não pretendo aqui fazer um relato detalhado, mas apenas descrever a viagem com as informações que considerar mais relevantes para quem pretende fazer um roteiro semelhante, principalmente o trajeto, preços, hotéis, meios de transporte e informações adicionais que eu achar relevantes.
       
      Nesta época eu ainda não registrava detalhadamente as informações, então preços muitas vezes vão ser estimativas e albergues, hotéis e meios de transporte poderão não ter informações detalhadas, mas procurarei citar as informações de que eu lembrar para tentar dar a melhor ideia possível a quem desejar repetir o trajeto e ter uma base para pesquisar detalhes.
       
      Sobre os locais a visitar, só vou citar os de que mais gostei ou que estiverem fora dos roteiros tradicionais. Os outros pode-se ver facilmente nos roteiros disponíveis. Os meus itens preferidos geralmente relacionam-se à Natureza e à Espiritualidade.
       
      Informações Gerais:
       
      Meu objetivo era fazer uma peregrinação, semelhante à de Santiago de Compostela. Por isso procurei ficar em albergues associados à peregrinação. Havia uma credencial de peregrino, que recebi por correio em São Paulo de Paolo Asolan, que fazia parte de uma associação que promove a peregrinação. Não me preocupei com conforto nem com luxo.
       
      Eu não sou cristão. Meu objetivo não era a instituição Igreja, mas sim a vivência espiritual que transcende as instituições religiosas e remonta à natureza mais profunda do Universo.
       
      A peregrinação inteira sai da Cantábria na Inglaterra e vai até Roma. São cerca de 2000 Km. Eu resolvi fazer só metade e comecei de Lausanne na Suíça. Seriam cerca de 1000 Km, porém devido a voltas que o caminho deu (em alguns lugares não era o mais curto) e devido a inúmeros erros que cometi, acabaram sendo cerca de 1200 Km.
       
      Não foi muito fácil achar informações sobre esta peregrinação. Ela é muito menos conhecida do que o Caminho de Santiago. Geralmente a maior quantidade de informações está sob o nome de Via Francígena. Pode-se encontrar informações em:
      http://www.viefrancigene.org
      http://www.san-quirico.com/francigena_eng.htm
      http://en.wikipedia.org/wiki/Via_Francigena
      http://www.camminafrancigena.it/it/resource/track/category/via-francigena/
      http://www.viafrancigena.com
      http://www.kulturwege-schweiz.ch/via-routen/viafrancigena/route.html
      http://www.eurovia.tv/home/index.php?option=com_content&task=view&id=30&Itemid=72
      http://www.confraternitadisanjacopo.it/Francigena/home.php
      http://www.francigena-international.org/
       
      Para hospedagem veja:
      http://www.viefrancigene.org/static/uploads/www.viefrancigene.org/elencoospitalitapellegrina.pdf
       
      Em São Paulo, no escritório de turismo da Itália no Edifício Itália, havia bastante material turístico gratuito sobre a Itália. Eu optei por pegar apenas um livreto com informações gerais sobre o país e um mapa turístico detalhado de Roma. :'>
       
      Durante boa parte do trecho na Itália encontrei muitas frutas no chão ou em árvores em locais públicos (uvas, amoras, peras, maças, mixiricas, etc) e saboreei várias delas. Uma vez inclusive eu não tinha tomado café da manhã direito e estava um pouco hipoglicêmico depois de caminhar bastante, quando parei e pensei em algumas frutas que havia pego do chão em dias anteriores, quando uma fruta caiu da árvore, desceu a ladeira e veio bater no meu pé. :'> Convém apenas certa cautela com a saúde.
       
      A sinalização não seguiu o padrão de qualidade do Caminho de Santiago. Havia cidades em que a sinalização era boa. Havia outras em que ela praticamente inexistia. Havia locais em que era simples, mas eficiente. Havia outros em que era sofisticada, com muitas informações, mas, quando você mais precisava, desaparecia. Como eu não levei mapas detalhados, sofri bastante com isso (muitos davam risada quando eu mostrava meu "mapa" (verso da credencial), que na realidade era apenas uma linha com as principais cidades).
       
      Eu me perdi muitas vezes, devido ao desaparecimento da sinalização e porque em muitos lugares não havia ninguém a quem perguntar ou as pessoas simplesmente desconheciam a peregrinação. Ela não era conhecida como o Caminho de Santiago. Por exemplo, fiquei perdido no meio de plantações (trigo ou arroz), no topo dos Apeninos, em zonas rurais, estradas e outros locais. Além disso, em alguns trechos, principalmente no Vale de Aosta e num pequeno trecho do Piemonte, o caminho não era o mais curto visando que o peregrino passasse por alguns pontos turísticos com vistas belas. Isso aumentou a distância percorrida em cerca de 200 Km.
       
      Além disso, como eu sempre quis fazer a peregrinação exata, sem desviar por caminhos mais fáceis, acabei entrando em trilhas em que havia obstáculos. Numa ocasião havia uma cerca elétrica envolvendo gado no meio da trilha. Consegui pular a trilha, passei por vários bois ou vacas, mas aí um resolveu enfezar comigo e começou a me perseguir. Acabei voltando e dando uma volta para retomar a trilha. Em outras ocasiões havia plantações com canais, montanhas com trilha tomada pela vegetação, erosão e outros obstáculos no caminho.
       
      Houve vários trechos em que a peregrinação seguia por rodovias (principalmente a Via Cássia), que em alguns trechos não possuíam acostamentos, além de terem bastante tráfego de ciclistas (uma vez inclusive alguns me orientaram a voltar para a estrada principal pois eu havia pego um caminho de subida de uma estrada lateral erroneamente). Isso fez com que fosse necessário ficar bastante atento para evitar acidentes.
       
      Tudo isso fez com que eu me cansasse muito além do planejado, sendo que ao final de alguns dias não conseguia nem mais subir ou descer escadas direito. Levei sapatos que não estavam muito bons (já não conseguia utilizá-los socialmente) com o objetivo de aproveitá-los até o fim, o que surtiu o efeito desejado, mas em contrapartida, sacrificou um pouco meus pés e pernas.
       
      Algumas vezes eu fiquei irritado com esta situação. Briguei um pouco com Deus. Isso fez a peregrinação ser uma grande experiência de autoconhecimento e tomada de consciência do grau de ignorância própria. Acho que eu tive pouca fé.
       
      Houve muitos atrativos naturais, culturais, históricos e religiosos ao longo do caminho, como lagos, rios, parques, bosques, montanhas, igrejas, santuários, construções antigas (da Antiguidade, da Idade Média e da Idade Moderna, além de algumas dos séculos 19 e começo do 20), etc. Porém alguns eu acabei só vendo por alto devido ao meu atraso em relação ao planejado (para não perder a visita a Roma). Num dos dias no Vale de Aosta, depois de muito chamar, eu tentei entrar numa igreja para visitá-la e disparou o alarme, o que fez o responsável vir correndo assustado. Eu pedi desculpas e ficou tudo bem.
       
      As igrejas geralmente tinham um bom astral, sendo poucas as imagens com aspecto de sofrimento. :'> Havia muitas igrejas e santuários enormes, com muitos ornamentos, em localidades pequenas.
       
      A maioria absoluta das minhas refeições foram feitas com compras de supermercado, padaria ou similares. Pão, queijo (mussarela ou branco), tomate, beringela, cenoura, pepino, maça, pera, banana e eventualmente algum doce (eu sou vegetariano). Raras vezes fui a restaurantes.
       
      Achar água potável ao longo da peregrinação não foi muito fácil. Frequentemente eu pedia para as pessoas, pois havia levado uma garrafa de apenas 600 ml e o calor após me afastar dos Alpes foi grande. Algumas vezes a água fornecida pelas pessoas e pela Cia de Abastecimento tinha calcita, mas resolvi beber mesmo assim, confiando na informação de muitos habitantes locais que a bebiam.
       
      Raras vezes houve chuva e não houve neve durante o trajeto. A chuva mais incômoda ocorreu numa zona rural, descampada, que devido a isso tinha vento forte. Apesar do meu plástico improvisado como capa, fiquei um pouco molhado, pois priorizei proteger a mochila. Quando avistei um galpão e pensei em me abrigar a chuva diminuiu e parou.
       
      A população no geral tratou-me muito, muito bem. :'> Sem eu pedir, muitos ofereceram almoços, tortas, no campo ofereçam frutos, etc. Forneceram água sempre que pedi. Houve raríssimas pessoas que não me trataram bem (talvez pensassem que eu era um pedinte ou um assaltante). Houve alguns religiosos e padres que também não me trataram bem (não estavam associados à peregrinação). Alguns ficavam surpresos, talvez horrorizados, quando eu dizia que estava indo a Roma (e faltavam ainda algumas centenas de Km). Outros achavam que eu era espanhol pelo meu modo de falar.
       
      Um italiano me perguntou porque o Brasil concedeu asilo a Cesare Battisti. Comentou comigo que eu poderia ver pessoas em Roma em cadeiras de roda resultantes de ações dele. Como eu não conhecia bem a história dele, somente por alto a atuação das Brigadas Vermelhas, principalmente os casos de maior repercussão como o sequestro e morte de Aldo Moro, e como eu também não conhecia as razões precisas da posição do governo brasileiro, fiquei sem saber explicar.
       
      Ao contrário do Caminho de Santiago, encontrar peregrinos, principalmente quando se está distante de Roma é difícil. Andei vários dias sem encontar nenhum outro, nem nos albergues.
       
      Telefonar para o Brasil de orelhões na Suíça foi muito fácil. Na Itália não consegui telefonar pagando. Só a cobrar, depois que descobri o Brasil Direto da Embratel. Antes, acabei passando por algumas situações um pouco embaraçosas, ao pedir para pessoas para tentar usar um cartão em seus telefones fixos, pois apesar delas não terem que pagar pela ligação, acho que muitas vezes desconfiavam que eu tinha alguma segunda intenção, como namorar suas filhas.
       
      A Suíça não fazia parte da zona do Euro. Sua moeda era o franco suíço, que na época estava quase 1 para 1 com o euro.
       
      A Viagem:
       
      Minha viagem foi de SP (Guarulhos) a Genebra em 25/7/2011. A volta foi de Roma a SP (Guarulhos) em 7/9/2011. Na ida fiz conexão em Madri e na volta fiz uma parada de algumas horas em Barcelona (o que permitiu dar um passeio pela cidade). Os voos foram pela Iberia (http://www.iberia.com/br) entre SP e Espanha e pela Vueling (http://www.vueling.com/PT), parceira da Iberia, nos trechos dentro da Europa. A passagem de ida e volta custou R$ 1514,10, incluindo todas as taxas.
       
      Brasileiros não precisavam de visto para entrar na zona Schengen, que inclui a Espanha, a Suíça e a Itália. Como eu fazia conexão em Madri, teoricamente a conferência dos documentos e a entrada eram lá. Porém o agente da imigração não me pediu nada além do passaporte e autorizou a entrada sem nenhum problema.
       
      Cheguei em Genebra em 26/7. Fui a pé do aeroporto até o centro da cidade (cerca de 7 km). Lá a hospedagem era muito cara, acima da média europeia a que eu estava acostumado. Fiquei hospedado no Albergue da Juventude (http://www.youthhostel.ch/en), pagando 29 francos suíços (cerca de US$ 38,00) a diária, com direito a café da manhã. Para isso precisei fazer a minha carteirinha de sócio, que dava direito a 5 francos suíços de desconto por diária. Teria sido mais barato fazer a carteirinha no Brasil. Aceitava cartão e os atendentes falavam inglês (uma falava português - era portuguesa). Eles foram cordiais, com exceção de uma. O segundo hotel mais barato custava cerca de 65 francos suíços a diária. Comprei em supermercados a comida para minhas refeições. A temperatura não estava muito alta para verão (de 10 C a 22 C).
       
      Por ficar hospedado num hotel da cidade, ganhei um passe para usar qualquer transporte público local gratuito. Como gosto muito de andar, só usei 4 vezes o passe, uma das quais para passear pelo Lago.
       
      Gostei muito de Genebra. Para as atrações veja http://www.geneve-tourisme.ch/en/home. Os pontos de que eu mais gostei foram a visita à ONU, a visita ao CERN, os parques, o lago e o Muro dos Reformadores. Na visita à Catedral, uma religiosa abordou-me cordialmente dizendo que o horário de visita havia acabado. Quando lhe perguntei sobre albergues para a peregrinação, talvez por ser protestante, ela pareceu não gostar e mudou o padrão de tratamento, dizendo que não entendia inglês e me mandando sair.
       
      Procurei conhecer todos os locais a pé. Só usei ônibus para ir e voltar do CERN e aproveitei o passe de uso dos transportes para andar no barco que atravessa o lago, como forma de passeio.
       
      Genebra era cosmopolita. Lá conheci brasileiros que estudavam Física em Portugal e estavam visitando o CERN, um rapaz eslovaco que pretendia trabalhar no CERN e também uma africana que pretendia fazer uma sistema computacional de apoio a ONGs.
       
      Saí de Genebra com destino a Lausanne em 31/8. Fui de trem, ao custo de cerca de 21 francos suíços (cerca de US$ 27,50). A viagem demorou cerca de 40 minutos.
       
      Em Lausanne também fiquei no Albergue da Juventude (http://www.youthhostel.ch/en). Paguei cerca de 38 francos suíços (cerca de US$ 49,50), com direito a um café da manhã consideravelmente mais farto do que o de Genebra. Esse preço já era com o desconto por ter carteirinha. Aceitava cartão e os atendentes falavam inglês. Eles foram cordiais, com exceção de uma. Comprei em supermercados a comida para minhas refeições. A temperatura aqui estava bem mais alta, chegando aos 30 C.
       
      Igualmente ganhei o passe para usar qualquer transporte público local gratuito, mas não o usei.
       
      Também gostei muito de Lausanne. Para as atrações veja http://www.lausanne-tourisme.ch/en/ e http://www.myswitzerland.com/pt/lausanne.html. Os pontos de que mais gostei foram o lago, a orla do lago, os parques, o templo budista tailandês (http://www.panoramio.com/photo/5213076) e o Museu Olímpico (só o conheci por fora - jardins e entrada). Fui tentar me informar sobre os albergues para a peregrinação na secretaria da igreja católica, sendo bem atendido por um rapaz, mas não muito bem atendido pela secretária.
       
      No primeiro dia em Lausanne liguei facilmente para o Brasil de um orelhão, usando meu cartão de crédito diretamente nele.
       
      A Peregrinação:
       
      Comecei a peregrinação em 4/8. Pretendia chegar a Roma no último sábado (27/8) de agosto, posto que no domingo o Museu do Vaticano era gratuito e depois teria cerca de 10 dias para conhecer Roma e fazer uma pequena viagem a Assis.
       
      Antes de começar ainda passei pelo centro para comprar um pen drive na loja Interdiscount (http://www.interdiscount.ch).
       
      Como não tinha a quantidade de informações disponíveis no Caminho de Santiago, não tinha exatamente uma meta de onde iria dormir. Só sabia que Montreaux provavelmente não seria uma boa opção, pois todos diziam que era caríssima.
       
      Saí de Lausanne e segui a orla do lago até Villeneuve. A vista foi magnífica , tanto do lago como das montanhas dos Alpes que viriam à frente. Ao passar por Montreaux, perguntei o preço da diária do Albergue da Juventude e até que não era fora do padrão suíço. Custava 37 euros suíços (cerca de US$ 48,00). Mas estava lotado. Decidi continuar caminhando e ver se mais perto do fim do dia encontrava algum abrigo pertencente à peregrinação ou algum local barato. Em Villeneuve aproveitei o calor do entardecer para tomar meu melhor banho no lago :'>, ao lado de um castelo. Depois passei num supermercado para comprar o jantar.
       
      Deixei a orla do lago e fui em direção a Aigle. Encontrei um casal de ciclistas peregrinos italianos que havia saído da Cantábria (foram os primeiros e últimos em muito tempo). Estava começando a ficar preocupado, pois estava escurecendo e eu não achava nenhum local associado à peregrinação ou barato (os mais baratos eram cerca de 100 francos suíços - 130 dólares). Peguei a estrada para Aigle e acabei entrando erroneamente na autoestrada, o que imagino que era proibido, pois havia uma cerca alta na lateral e eu não conseguia mais sair dela. Agora, não havia mais nenhum local para pernoitar, nem barato nem caro, só a estrada com as margens desertas (com vegetação).
       
      Estava quase convencido de que teria que passar a noite ao relento (eram mais de 21:30 horas e já estava escuro). Porém, consegui chegar a um viaduto que cortava a estrada, o que me permitiu sair dela. Mas na lateral havia apenas poucas casas e não havia hotel para ficar. Decidi então procurar um local com grama para passar a noite. Foi quando vi um camping (era o Clos de la George - http://www.closdelageorge.ch). Fui até lá e perguntei se poderia passar a noite lá. Disseram-me que sim, porém não tinha tenda e passei a noite ao relento. Mas de qualquer forma, possuíam banheiros com chuveiro quente, mesas, talheres e segurança (embora isso não me parecesse um problema ali). Ainda bem que não choveu e que eu tinha levado um grande plástico para servir como proteção para a chuva. Acabei usando-o como colchão. A noite acabou sendo tranquila (a temperatura nem caiu muito (13 C)) e pude apreciar as estrelas. Quando acordei havia uma espécie de lesma dentro da minha mala (provavelmente tinha sido atraída pelo pão). Paguei 16 francos suíços pela noite (cerca de US$ 21,88). Andei cerca de 45 Km no dia. Minha moral estava média-alta (7).
       
      Este primeiro dia mostrou-me que esta peregrinação seria bem mais complicada do que o Caminho de Santiago, onde a infraestrutura e a quantidade de albergues era muito maior e era muito mais fácil obter informações.
       
      Saí do camping em 5/8 com destino a Aigle. Cruzei Aigle sem me deter muito. Achei uma bela cidade, bem menor que Lausanne, porém grande, perto dos povoados por que eu havia passado. Continuei em direção a Martigny. Embora quase não houvesse indicações sobre a Via Francígena na Suíça, havia muitas indicações sobre rotas internas suíças para caminhantes, algumas das quais levavam ao Grande São Bernardo, que fazia parte da Via Francígena e era na fronteira com a Itália. Assim, resolvi sair da estrada e seguir estes caminhos, que eram muito mais belos e longe dos automóveis. Eles eram por entre florestas laterais às rodovias. :'>
       
      Cheguei a Martigny cerca de 20 horas. Em Martigny procurei a Igreja e pela primeira vez, fui muito bem atendido como peregrino. O padre disse-me para ficar no camping hostel TCS, mas disse que se não houvesse vaga conseguiria um local para eu ficar. Fiquei num dormitório do TCS (http://www.tcs.ch/fr/voyages-camping/camping/offres/martigny.php) por cerca de 20 francos suíços (cerca de US$ 27,35). Dei um rápido passeio por Martigny, que me pareceu uma cidade simpática. A temperatura estava começando a cair devido à altitude e à proximidade dos Alpes. Este dia andei somente 30 km. Minha moral estava alta (.
       
      Saí de Martigny em 6/8. Segui pelas trilhas das florestas até Bourg-Saint-Pierre. A subida acentuou-se. Poucas vezes precisei andar pelas estradas. Achei a paisagem bela. No caminho encontrei alguns portugueses fazendo uma espécie de churrasco em uma casa de campo. Em Bourg Saint-Pierre havia uma cabana específica para peregrinos, ciclistas, viajantes ou caminhantes, ao custo de 20 ou 25 francos suíços (cerca de US$ 27,35 a US$ 34,20). Havia 2 franceses lá que até me perguntaram o que havia ocorrido na disputa de pênaltis entre Brasil e Paraguai na Copa América (o Brasil havia perdido todos os pênaltis). A temperatura da noite estava cerca de 10 C. Andei cerca de 40 Km. Minha moral estava alta (8,5).
       
      Saí de Bourg-Saint-Pierre em 7/8. Fui em direção à passagem do Grande São Bernardo, que é o ponto mais alto da peregrinação, com cerca de 2500 m de altitude (http://pt.wikipedia.org/wiki/Grande_S%C3%A3o_Bernardo). A subida foi um pouco árdua, mas achei a paisagem muito bela. A vista dos Alpes agradou-me muito. No hospice (refúgio / albergue) do Grande São Bernardo parei para fazer uma visita, incluindo as instalações e a capela. Fui muito bem recebido, tratado e atendido. Recebi o primeiro carimbo da minha credencial. Também trocaram para mim cerca de 50 francos suíços que me restavam, com uma taxa bem melhor do que a dos comerciantes locais. Fiquei lá cerca de duas horas e depois cruzei a fronteira com a Itália. Na descida em direção a Aosta, peguei um pouco de chuva e vento. Foi o único local em que precisei usar minhas roupas específicas para frio (fleece e anorak). A temperatura creio que não foi inferior a 5 C. O forte vento é que dava uma sensação térmica menor.
       
      Entrando na Itália desci até chegar a Etroubles, de onde voltei um pouco para passar a noite no Château Verdun [http://it.wikipedia.org/wiki/Ch%C3%A2teau-Verdun_(Italia) - Via Flassin, 3]. Lá fui recebido por um religioso que me disse que não havia lugar vago, mas que iria ver o que podia fazer. Depois de algum tempo conseguiu um bom quarto privado para mim. Tive direito a jantar e café da manhã. Paguei 10 euros (isso porque insisti que desejava pagar). A temperatura estava em torno de 15 C. Andei cerca de 35 Km. Minha moral estava alta (9).
       
      Saí do Château Verdun em 8/8. Parei para um passeio em Etroubles. Seu aspecto de pequena vila medieval e suas obras de arte ao ar livre muito me agradaram. Prossegui em direção ao Vale de Aosta. O caminho nesta região é muito montanhoso e as trilhas da Via Francígena vão pelas montanhas e não pela estrada (além de às vezes desviarem para passar por pontos turísticos), o que me fez andar muito mais e com maior esforço para cobrir poucos quilômetros lineares em direção a Roma. De qualquer modo, a vista é bela, com montanhas, vales, videiras, etc. :'>
       
      Decidi parar em Nus. Procurei algum albergue conveniado à peregrinação, mas não achei nenhum. Fui à Igreja, mas não havia ninguém. Fui a um povoado vizinho, do outro lado da estrada, até a casa do sacerdote. Falei para ele que era peregrino e que procurava um abrigo para passar a noite. Mas ele não gostou muito da ideia. Porém me disse que poderia dormir gratuitamente num quarto com banheiro, numa espécie de porão da casa dele. Parecia estar bastante contrariado, tanto que, antes de eu entrar, perguntou-me "Como você entrou na Europa?". Logo após eu entrar nos aposentos que ele havia indicado, fiquei pensando que aquilo poderia comprometer a imagem do Brasil (eu nunca me preocupo com a minha imagem, mas ali era uma questão da imagem dos imigrantes e do Brasil) e também que não gosto de aceitar nada de pessoa que faz contra a vontade. Resolvi voltar para a casa principal, toquei a campainha e devolvi a chave para ele dizendo que iria partir porque ele não estava feliz. E fui para um hotel. No caminho, 2 mulheres de uns 50 anos num carro me pararam na estrada perguntando o que havia ocorrido e porque o padre não havia me acolhido (inclusive cogitando a possibilidade de me oferecerem abrigo), ao que respondi que não havia problemas e eu tinha preferido ficar num hotel. Eu estava acostumado com o padrão de acolhida que tinha experimentado no Caminho de Santiago e que tinha sido igual no Grande São Bernardo, em Martigny e no Château Verdun. Este episódio decepcionou-me. Fiquei no Hotel Florian (http://www.hotel-florian.it - Via Risorgimento, 3), que até que não foi caro (20 euros para peregrinos). A temperatura estava cerca de 15 C. Em termos lineares de distância a Roma progredi cerca de 33 Km, mas andei de fato perto de 40 Km. Minha moral caiu para média-regular (6,5) por não achar albergue e pelas voltas do caminho.
       
      No dia seguinte (9/8) fui até Montjovet. As voltas que o caminho dava acentuaram-se e o sobe e desce também. Porém a paisagem era muito bela e ainda era possível ver os Alpes olhando para trás, o que eu fazia constantemente, procurando o Grande São Bernardo :'>. Eu me perdi um pouco em alguns trechos. Andei cerca de 20 Km lineares em direção a Roma, porém no total andei cerca de 35 Km. Um padre chegou a me aconselhar a ir pela estrada e não pelas montanhas, mas eu quis seguir a sinalização da peregrinação. Dormi no Pub Ristorante Hotel (http://www.tripadvisor.com.br/Hotel_Review-g736256-d3607216-Reviews-Hotel_Pub_Ristorante_Nigra-Montjovet_Valle_d_Aosta.html), pagando 35 euros. A temperatura estava subindo, chegando a 25 C durante o dia. Minha moral estava média-regular (6,5) devido a andar muito e progredir pouco e também por não achar albergues associados à peregrinação, o que gerava gastos de hospedagem bem maiores do que eu havia previsto.
       
      Em 10/8 as voltas do caminho e o sobe e desce continuaram os mesmos, o que fazia o progresso linear ser bem menor do que a distância caminhada. Progredi cerca de 20 Km, porém andei cerca de 40 Km. Neste trecho vi várias construções que pareciam ser medievais, incluindo algumas pontes feitas de pedra. A paisagem continuava muito bela, com montanhas, vinhas e bela vegetação. Passei a noite em Pont Saint Martin, num albergue público gratuito. Pensei em fazer uma doação, mas não achei o canal adequado. A temperatura estava aumentando e durante o dia chegando próxima aos 30 C. Minha moral estava média-alta (7,5), pois apesar de ter progredido pouco, tinha achado um albergue da peregrinação.
       
      Em 11/8 foi o último dia das voltas do caminho. Saí do Vale de Aosta e entrei no Piemonte. Lá o caminho foi bem mais direto, sem tantas voltas. :'> A sinalização era bem mais concisa, porém estava quase sempre presente. Houve várias vistas espetaculares no fim da área das montanhas. Cruzei a cidade de Ivrea, que achei bela. Lá comprei um cartão telefônico para ligar para o Brasil a partir de telefones fixos (públicos ou não), mas que não funcionou em nenhum dos muitos locais em que tentei usá-lo. Pude apreciar a vista do Lago de Viverone sob vários ângulos. Passei a noite em Cavaglià, onde encontrei uma moça, filha da dona de um bar-restaurante que me atendeu muito bem, dando muitas informações e falando que gostava do Brasil (tinha ido recentemente a um show do Carlinhos Brown e disse a ele que após conhecê-lo já poderia morrer, ao que ele respondeu "morrer por que?, agora é que ela deveria aproveitar e viver"). Ela me deu muitas informações sobre hotéis baratos na região e me ajudou a tentar fazer a ligação com o cartão comprado. Acho que me deu tanta atenção e por tanto tempo que a mãe dela ficou meio desconfiada e irritada, achando que eu desejava algum tipo de romance com sua filha. Passei a noite no HOTEL RISTORANTE LA G 884, pagando cerca de 20 euros. Avancei cerca de 36 Km. A temperatura durante o dia continuava próxima aos 30 C. Minha moral estava média-alta (.
       
      Em 12/8 continuei pelo Piemonte e fui até Vercelli. Passei por áreas rurais, incluindo plantações de arroz ou trigo e também por algumas estradas. Considerando as cidades anteriores, Vercelli era uma cidade relativamente grande. Achei-a bela, com igrejas e construções interessantes. Nela fiquei no Convento di Billiemme (Corso Alessandro Salamano, 139 - http://www.amicidellaviafrancigena.vercelli.it/ostello.html
      ), que era residência de religiosos e afins. Creio que o preço foi cerca de 10 euros. Encontrei um brasileiro, chamado Paulo, que estava morando lá. E encontrei novamente peregrinos, a maioria italianos, mas também um americano. :'> Todos comentaram como era raro encontrar peregrinos. Quando comentei isso com o Paulo, ele disse que a peregrinação estava ficando mais conhecida e que tinham passado por lá duas peregrinas na semana anterior (veja a diferença para Compostela!). Eles acharam que eu tinha muita coragem (provavelmente acharam que eu era louco) por fazer a peregrinação sozinho num país que eu não conhecia. Uma das peregrinas sugeriu-me pegar um barco para fazer a travessia do Rio Pó, que viria logo a seguir, dando-me inclusive um telefone para contato com o barqueiro. Avancei cerca de 30 Km. A temperatura durante o dia continuava próxima aos 30 C. Minha moral estava média-alta (.
       
      Em 13/8 entrei na região de Pávia. No trajeto vi muitas plantações e campos. Passei dentro de uma plantação de arroz ou trigo em que a sinalização da peregrinação desapareceu e em que eu fiquei perdido por cerca de 1 hora. Quase caí num dos canais tentando retomar o caminho. Acabei andando uns 8 Km a mais. Fiquei num albergue da Igreja em Tromello (Parrocchia San Martino - Via Branca, 1), em que encontrei um casal de peregrinos (creio que eram britânicos). Não me recordo se paguei algo (acho que não). Fui bem atendido, sendo que o hospedeiro inclusive me ofereceu uma camisa (a minha estava começando a rasgar). A temperatura durante o dia continuava próxima aos 30 C. Progredi cerca de 42 Km (andei cerca de 50 Km). Minha moral estava média-alta (7,5), mas eu estava começando a ficar preocupado com a data da chegada a Roma, pois tinha progredido menos do que esperava.
       
      Em 14/8 prossegui na região de Pávia indo até Belgioioso. A sinalização aqui deixava a desejar. Numa cidade pequena do caminho, Garlasco, havia um grande santuário (Santuario della Bozzola). Nesta cidade (ou em alguma outra próxima), quando eu estava pedindo informações sobre a peregrinação, uma mulher de uns 65 anos convidou-me para ir até a casa dela, pois o marido sabia de informações que poderiam me ajudar. Realmente, ele me falou bastante sobre o caminho a seguir e até me levou por 2 km, pois havia um ponto em que ele sabia que a sinalização sumia. Falo-me do Rio Pó, o maior da Itália, mas me disse que eu acharia pequeno, pois ele havia visto um documentário sobre o Rio Amazonas. Antes de sair da casa deles, a mulher me ofereceu almoço, que eu recusei educadamente, depois ofereceu-me uma torta inteira (acho que era de maracujá), que eu também recusei educadamente, mas acabei levando um pedaço da torta. Antes da cidade de Pávia, cruzei o Parque Ticino, :'> grande, com rio, trilhas, áreas para pequenique, diversão e mosquitos. Fiquei com vontade de um banho, mas pensei no horário e só admirei o rio. Atravessei a ponte para a cidade, que era grande e proporcionava uma bela vista da paisagem natural e da cidade. Cruzei a cidade de Pávia, que achei interessante, especialmente a Universidade, fundada no fim da Idade Média. Além dela, as demais construções, igrejas e praças da cidade pareceram-me interessantes. Quando cheguei à cidade de Belgioioso fui procurar por um albergue associado à peregrinação, fui até a casa do padre que não me tratou muito bem. Passei a noite no Hotel La Locanda Della Pesa (Via XX Settembre 111 - http://www.tripadvisor.com.br/Restaurant_Review-g2296210-d2296214-Reviews-La_Locanda_della_Pesa-Belgioioso_Province_of_Pavia_Lombardy.html), por 30 euros (desconto de 5 para peregrinos). Jantei num restaurante próximo ao centro, uma pizza margherita grande (massa bem fina) por 3 ou 3,50 euros, acompanhada por uma taça de vinho, o que custou ao todo cerca de 4,50 ou 5 euros. A temperatura durante o dia já estava passando dos 30 C. Progredi cerca de 38 Km. Minha moral estava média-alta (7,5).
       
      Consegui ligar para o Brasil a cobrar, depois de descobrir como. Minha mãe havia sido diagnosticada de Alzheimer há 7 meses e minha prima tinha ficado com ela e havia comprado um cachorro, que naquele momento estava gerando tensão, o que fez minha prima ficar nervosa. Não conseguir telefonar antes deixou minha prima desamparada.
       
      Em 15/8 fui em direção a Piacenza. Neste trajeto houve bastante vinhas, porém diferentes da de Aosta, geralmente não eram em encostas íngremes. Foi a única vez que eu peguei uma fruta (uma uva) de uma árvore, provavelmente de uma plantação privada (queria experimentar, não havia ninguém a quem pedir, não havia nenhuma no chão e achei que uma só não faria mal). A peregrina do albergue de Vercelli havia-me dito que o barco saía de Orio Litta. Quando lá cheguei procurei informações sobre a travessia de barco, mas o hospedeiro do albergue me disse que precisava agendar com um dia de antecedência. Disse porém, que a distância era a mesma de barco e por terra. Já eram cerca de 16 horas e ele sugeriu-me passar a noite no albergue de lá e prosseguir no dia seguinte de barco. Achei que seria desperdício de tempo e resolvi prosseguir, pedindo informações a ele sobre o caminho. Ele indagou-me sobre meu mapa e quando lhe mostrei que meu mapa era o verso da credencial, ele e um amigo dele que o estava ajudando a me dar informações ficaram rindo por cerca de 30 segundos (provavelmente achando que eu era maluco). Depois ele me explicou durante uns 5 minutos o trajeto, porém eu não fixei os detalhes, somente a direção e que era para eu ficar acima dos bancos laterias do rio e não ao lado do rio. Acabei indo e depois de apreciar uma bela vista do rio cheguei a Piacenza já de noite. Atravessei a ponte sobre o Rio do Pó no entardecer, o que permitiu uma magnífica vista do por do sol. O rio era grande (creio que da largura do Tietê em Barra Bonita), mas sem dúvida não havia como compará-lo ao Amazonas nem a outros rios grandes do Brasil. Piacenza era grande e eu pedi informação a várias pessoas sobre onde ficar, mas àquela hora (21:30) os abrigos estavam fechados ou eram distantes. Encontrei uma brasileira num bar-restaurante, que me ofereceu sua quitinete para eu passar a noite. Num primeiro momento fiquei meio desconfiado, pois com tantas histórias de dopagem e roubo de órgãos nunca se sabe. E também considerei que iria incomodá-la, pois eu iria ainda jantar e chegar tarde e depois acordar cedo e meus pés estavam sujos do caminho no campo. Numa quitinete isso seria um incômodo ainda maior. Fui procurar um hotel, não encontrei e resolvi voltar para procurar a brasileira e aceitar a oferta, porém ela havia ido. Tive que ir procurar um hotel aberto (os mais baratos estavam de férias). Só achei aberto o Hotel Euro (http://www.eurohotelpiacenza.it), que tinha como gerente da unidade um italiano que falava português e cujo irmão trabalhava no projeto Axé em Salvador. Depois de lhe explicar que era peregrino brasileiro, ele fez um desconto de 10 euros na diária (o máximo possível na alçada dele) e ainda se propôs a encontrar outro hotel mais barato para mim. Como já eram cerca de 23 horas, eu decidi ficar ali mesmo. A noite custou 65 euros, com direito a buffet no cafë da manhã. Jantei numa espécie de fast food de um afegão. A temperatura durante o dia continuava passando dos 30 C. Progredi cerca de 40 Km. Andei cerca de 50 Km, devido à busca do hotel. Minha moral estava média-regular (6,5).
       
      Em 16/8 saí de Piacenza em direção a Fidenza. Antes de sair dei um pequeno passeio por Piacenza e achei a cidade bela :'>, principalmente a catedral e as construções antigas. O caminho foi por áreas rurais e também por estradas. Novamente cheguei tarde e não consegui achar um albergue da peregrinação. Passei a noite no Hotel Fidenza (http://www.hotelfidenza.it), por 55 euros, com direito a buffet no café da manhã. Apesar da atendente ter-me dito que a água da torneira não era boa para beber, pois continha calcita, bebi assim mesmo, pois nos lugares anteriores haviam-me dito que era segura. Jantei na Pizzeria Lo Smeraldo (http://www.tripadvisor.it/ShowUserReviews-g1069551-d2587018-r147589421-Lo_Smeraldo-Fidenza_Province_of_Parma_Emilia_Romagna.html) em frente ao hotel, por 16 euros, pois não havia mais nada aberto. Comi dois pedações triangulares de pizza e tomei uma taça de vinho. Foi a melhor pizza de toda a viagem e uma das melhores que já comi na vida. A temperatura durante o dia estava subindo e passando dos 30 C. Progredi cerca de 40 Km. Andei cerca de 45 Km, devido à busca do hotel. Minha moral estava média-regular (6).
       
      Estava ficando preocupado, pois o custo estava alto e o progresso estava inferior ao que eu tinha imaginado. Eu não desejava luxo nem conforto, apenas locais baratos para comer e dormir.
       
      Em 17/8 saí de Fidenza e fui até Fornovo di Taro. Passei por uma espécie de bosque, com trilhas precárias e que num certo ponto acabavam. Tentei prosseguir, fiquei andando perdido algum tempo e precisei pular uma cerca ou muro até encontrar algumas pessoas trabalhando, que me disseram que ali não tinha saída e eu precisava voltar para a estrada. Consegui passar por uma grade que dava acesso à estrada e não precisei voltar todo o percurso. Apesar da dificuldade, achei a paisagem bela (mesmo em estado bruto). Neste trecho de bosque encontrei uma peregrina alemã (depois de muito tempo, enfim um peregrino novamente), que estava de bicicleta. Ela me disse que eu era o primeiro peregrino que ela havia encontrado.
      Desde a noite anterior pensei bastante e resolvi mudar de estratégia, pois estava saindo tarde e chegando tarde nos locais para dormir, o que fazia com que o dia rendesse menos e que eu não encontrasse albergues e tivesse que ficar em hotéis caros. Resolvi parar antes neste dia para começar o próximo dia mais cedo e ter margem de manobra à noite para encontrar albergues (não era como no Caminho de Santiago, em que havia muitos albergues - aqui a distância entre os albergues era muito maior). No Caminho de Santiago a estratégia anterior funcionou, mas aqui não estava dando certo. Porém, mesmo assim, não encontrei os albergues que o catálogo informava em Fornovo di Taro. Acabei ficando no Hotel Cavalieri (http://www.albergocavalieri.it), por 45 euros, sem café da manhã. Mas consegui jantar com compras de supermercado. A temperatura durante o dia continuava subindo e passando dos 30 C. Progredi apenas cerca de 30 Km. Andei cerca de 35 ou 40 Km, devido a idas e voltas no bosque. Minha moral estava média-regular (5,5).
       
      Em 18/8 fui até Passo Della Cisa. O caminho começou a apresentar novamente subidas e descidas, que geravam cansaço adicional, porém revelavam uma bela paisagem, cruzando bosques e campos. A vista de Berceto do alto também me agradou. Choveu um pouco durante o dia. Após Berceto, quase no final do caminho pisei em falso e levei meu único tombo durante a peregrinação, infelizmente em solo lamacento, o que me sujou todo. Após me informar em Berceto, passei a noite na Casa Cantoniera (SS della Cisa, km 58), que era albergue da peregrinação. Paguei cerca de 10 euros pela noite e cerca de 6 euros pelo jantar. Fui muito bem atendido e pude até lavar minhas roupas, que estavam precisando. A mudança de estratégia parecia estar dando certo. Agora só precisava tirar o enorme atraso de tempo. A temperatura começou a diminuir devido à proximidade com os Apeninos, ficando entre 20 e 30 C. Progredi cerca de 40 Km. Minha moral estava média-regular (6,5).
       
      Em 19/8 fui até Villafranca. Juntamente com o cruzamento do Grande São Bernardo foi um dos trechos mais belos. Primeiro visitei a pequena igreja campestre de Nostra Signora della Guardia (http://it.wikipedia.org/wiki/Nostra_Signora_della_Guardia), após boa subida. É simples e ilustra bem a fé e a espiritualidade, não a pompa. Depois cruzei os Apeninos, com vistas que achei espetaculares tanto da paisagem abaixo quanto da própria montanha e sua vegetação. A altitude passou de 1.000 m (não me recordo exatamente qual a altitude máxima, mas era bem menor do que a do Grande São Bernardo - acho que era cerca de 1500 m). A sinalização desapareceu em cima de uma montanha e eu fiquei perdido por algum tempo, até conseguir achar uma trilha local que me reconduziu ao caminho e à presença humana. Era um local totalmente deserto e poderia ser perigoso ficar perdido ali com o cair da noite, devido à queda de temperatura e ausência de qualquer infraestrutura, como água e comida. Havia inclusive um número de telefone para se discar, escrito em uma placa no alto de uma estação de comunicação, porém eu não tinha celular, caso tivesse precisado. Dormi em um trailler do camping Il Castagneto (http://www.campingilcastagneto.it/castagneto_eng) por 20 euros. A temperatura voltou a subir, ficando perto dos 30 C. Progredi cerca de 40 Km. Minha moral estava média-alta (7,5).
       
      Em 20/08 fui até Sarzana. Continuei com a estratégia de sair bem cedo para ter margem de manobra à noite. Isso tinha uma vantagem adicional, que era pegar o clima fresco da manhã. Neste trecho peguei novamente bastante terreno montanhoso, sendo que em algumas vezes o progresso era lento. Numa descida de montanha os sinais indicavam uma trilha que havia sido tomada pela vegetação e era praticamente apenas o caminho da água da chuva. Demorei cerca de 1 hora para percorrer cerca de 500 metros, sendo que minha camisa acabou ficando picada e rasgada pela vegetação. Num trecho seguinte, quando perguntei a pessoas sobre o caminho a seguir, pois a seta apontava para uma região de mata, um deles me disse que era possível seguir, porém o caminho era duro e com possíveis acidentes geográficos. Chegando na entrada do trecho, quando pedi confirmação aos que estavam lá, disseram-me que era melhor não ir por lá, pois o caminho não tinha condições de ser percorrido e me sugeriram ir pela estrada. Eu disse que iria mesmo assim, pois desejava seguir as setas. Logo em seguida, um homem abriu a janela no segundo andar de sua casa e me disse para não ir, pois o caminho estava muito ruim. Insisti que iria. Aí uma mulher abriu a porta da casa e veio me pedir para não ir, pois não dava para seguir aquele caminho. Diante de tanta insistência, disse-lhes que iria um pouquinho e, se não conseguisse continuar, voltaria. Realmente o caminho não estava bom. Havia um trecho erodido no meio, em que fiquei alguns minutos estudando como passar e depois decidi dar um pulo na diagonal, fazendo uma miniescalada, o que foi bem sucedido. Depois precisei andar numa encosta estreita, porém sem grandes problemas. Pareceu-me bem mais tranquilo do que a descida anterior. Após sair deste terreno, segui por estradas na montanha, que fizeram o caminho aumentar consideravelmente e me cansaram, porém me deram a primeira vista do mar (Tirreno). Mas eu me perdi algumas vezes nestas estradas. Quando cheguei a Sarzana, ao perguntar para dois homens onde era o albergue, um deles se ofereceu para me levar lá de carro, o que eu agradeci e recusei, pois desejava fazer todo o trajeto a pé. Dormi na Parrocchia San Francesco di Assisi (Via Paci, 8 - http://sarzana.corriere.it/parrocchie/parrocchia.shtml?idParrocchia=164404). O frei ofereceu um colchão no chão, sem roupa de cama, mas com cobertor, e o banheiro com uma ducha quente. Paguei 5 euros. Jantei numa pizzaria ao lado por cerca de 8 euros. Havia mais 1 ou 2 peregrinos lá. A temperatura voltou a subir, ficando perto dos 35 C. Progredi cerca de 25 Km. Andei cerca de 35 Km. Minha moral estava média-regular (6,5).
       
      Em 21/8 fui até Camaiorê. Passei pelo entroncamento da Via Francígena com o Caminho de Santiago. Passei pela região de Carrara, onde havia muitas marmorarias e muitas peças de mármore expostas na rua. Havia também obras de arte e ateliês com obras que achei muito belas. Houve um trecho montanhoso que permitiu vistas do mar e das montanhas que achei espetaculares. Acabei decidindo não sair do caminho para ir ao mar por causa do meu atraso e por receio de me perder depois. Peguei algumas mixiricas na rua, porém estavam um pouco verdes. Antes de chegar, passei por uma área verde, com um rio, que refrescou a temperatura. Quando cheguei a Camaiore, entrei na igreja, pensando estar vazia, e acabei interrompendo a missa que estava sendo dirigida pelo monsenhor. Saí de fininho para não causar mais transtorno. Porém, o monsenhor pediu para que um assistente fosse atrás de mim, pois pela minha aparência achou que eu era peregrino. O assistente encontrou-me e me indicou o albergue da igreja (Casa da Caridade - Oratorio Il Colosseo - Via Tabarrani, 26), que era uma casa onde ficavam religiosos e também outras pessoas carentes, com problemas de saúde e migrantes. Era dirigida por uma religiosa chamada Paola. Ela me recebeu muito bem, disse que poderia dormir lá e teria jantar e café da manhã de graça. Eu quis fazer uma contribuição voluntária, mas ela não aceitou. Eu insisti, mas ela não aceitou. Pediu-me apenas para passar um pano na mesa depois do jantar, muito mais para não me deixar triste do que por necessidade. Além do café da manhã, ofereceram-me muitos alimentos para eu levar, sendo que eu aceitei alguns, mas recusei educadamente outros, pois achei que não tinha cabimento gerar mais prejuízo para eles. Mesmo assim, creio que levei cerca de 1,5 Kg entre pães, frutas, iogurtes e doces (eles queriam me dar 3 vezes mais). Depois de tantas dificuldades e de alguns que não facilitaram a peregriunação, gostei muito de conhecer pessoas tão boas. Elas foram para mim um sinal claro da presença de Deus. Conheci lá também um hospitaleiro chamado Marco, que se bem me lembro, era engenheiro, lá morava, fazia trabalho voluntário e procurava um caminho a seguir na vida, e um peregrino italiano chamado Alessandro, que viajava de bicicleta. Conversamos longamente sobre a peregrinação, a espiritualidade e a vida. Um garoto africano pegou meu despertador para brincar, sem eu perceber. Teria dado a ele de presente, mas peguei de volta, pois sem o despertador não conseguiria acordar cedo nas manhãs. A temperatura voltou a subir, ficando perto dos 35 C. Progredi cerca de 40 Km. Minha moral estava média-alta (.
       
      Em 22/8 fui até Altopascio. Esqueci o pacote com os alimentos na Casa da Caridade, mas como a porta final ficava destravada e logo percebi, voltei e o peguei. Não fiquei para a oração da manhã (6:30 h), pois estava muito atrasado. No início o trecho possuía bastante área verde. Passei pela cidade de Lucca, que me pareceu bonita e interessante. Não me detive muito, mas apreciei seus muros, seu centro histórico e suas construções antigas. :'> Em Altopascio gostei da igreja central. Dormi no albergue municipal (Uff. Comune o biblioteca di Altopascio, Piazza Ospitalieri, 6) por cerca de 10 euros. Conheci duas peregrinas italianas que tentaram uma vez mais me ajudar com o cartão telefônico, mas sem sucesso. Liguei a cobrar para o Brasil de um orelhão e tudo parecia melhor na casa da minha mãe. A temperatura estava se aproximando dos 40 C. Progredi cerca de 40 Km. Minha moral estava média-alta (.
       
      A estratégia de sair cedo estava dando certo. Eu estava conseguindo achar os albergues da peregrinação ainda abertos e estava pegando uma parte do dia ainda com temperatura não tão alta. :'> Porém estava enormemente atrasado para a minha meta de chegada a Roma. Então precisava progredir mais e, portanto, andar até mais tarde.
       
      Em 23/8 fui até Termas de Gambassi. O caminho foi por áreas verdes e rurais. Pouco antes de São Miniato havia um desvio para um rio. Achei estranho, mas resolvi seguir parte pela margem do rio. Como não havia nenhum ponto de referência, marquei uma garça na outra margem como ponto de referência para um desvio, caso eu precisasse voltar, ciente do enorme risco dela voar. Realmente ela voou, porém eu consegui encontrar o caminho de volta. Então perguntei a duas mulheres sobre qual o percurso correto e uma mocinha me disse que era pelas margens do rio mesmo, mas foi chamar uma outra mais velha que me disse que não, que eu precisava ir em outra direção, que foi o que eu fiz. Acabei passando por uma ponte, não tão antiga, que propiciou uma vista que achei bela do rio e da paisagem no entorno. Após passar por São Miniato, os sinais novamente sumiram e eu tentei seguir por intuição em algumas estradas ladeadas por áreas rurais desertas, até encontrar um rapaz que me ensinou um caminho intrincado para atingir Piave di Coiano, que eu errei. Acabei dando uma enorme volta e indo parar em Calenzano, o que me aumentou o caminho em cerca de 15 km. Cheguei a Termas de Gambassi cerca de 20 h. Lá encontrei grupos de peregrinos turistas italianos jantando, que me indicaram o albergue em que ficar (Ostello Sigerico a cerca de 1,5 Km do centro - Pieve Santa Maria in Chianni). O albergue já não estava recebendo mais pessoas, pois a comida praticamente havia acabado, dado que no dia seguinte eles iriam sair de folga, após alguns meses sem nenhum dia de descanso. Porém ao me ver decidiram aceitar-me, cobrando um valor menor, devido ao que chamaram de jantar incompleto, mas que apreciei (massa e salada). Paguei cerca de 15 euros por tudo, com quarto e banheiro privativos. Quando soube que eu era brasileiro o dono comentou que o Sócrates, que havia jogado na Fiorentina, tinha sido internado no Brasil devido a uma hemorragia. Fiquei surpreso com o apreço dele pelo Sócrates, pois tinha a imagem de que não tinha feito muito sucesso com a torcida na Itália. A temperatura continuava perto dos 40 C. Progredi cerca de 50 Km. Andei cerca de 70 Km. Minha moral estava média-regular (7).
       
      Em 24/8 fui até Siena. Havia muitos italianos de férias em Termas de Gambassi que estavam fazendo o caminho ou parte dele. Eu fui com eles por uns 15 minutos, depois eles pararam para apreciar atrativos locais ao longo do caminho e eu continuei. O caminho continuava com bastante paisagens rurais e um pouco antes de chegar a Siena passei por trechos de um bosque ou reserva florestal (até fiquei um pouco preocupado, pois já estava anoitecendo e era um local totalmente deserto), com vegetação de que gostei. Na chegada a Siena, vi uma casa da Igreja e fui perguntar se havia albergue para pererinos. Para minha surpresa, o padre tinha acabado de chegar do Brasil (Fortaleza) naquela manhã e falava português. Vendo que eu era peregrino brasileiro e tendo conhecido como é a vida de peregrino quando peregrinou a Santiago de Compostela, quis me ajudar, oferecendo-me uma maça e depois dinheiro. Eu aceitei a maçã, mas recusei o dinheiro. Como ele insistiu, eu fui mais firme na recusa e ele me disse: "Desculpe, não queria ofender. Sei que você é rico!", ao que eu respondi "Não sou rico, só não quero o dinheiro". Achei que não tinha cabimento aceitar um dinheiro que poderia ser destinado a pessoas em situação de necessidade, sendo que eu não estava em situação de necessidade financeira. Ele me ofereceu um pacote de balas e eu resolvi aceitar algumas para ele não ficar chateado. Ele me orientou sobre onde era o albergue da juventude da cidade, posto que não havia albergue da peregrinação. O albergue da juventude estava deixando de fazer parte da rede, mas fiquei lá mesmo assim (http://www.ostellosiena.com - Via Fiorentina, 89). Paguei cerca de 20 euros. Quando cheguei ao quarto, que não era um dormitório com muitas camas, mas apenas um duplo, havia um rapaz inglês dormindo, que acordou com o barulho. Depois de arrumar minimamente minhas coisas e ele acordar e se arrumar, fomos jantar numa loja de pizzas em frente ao hostel. Ele parecia desejar conhecer amigos e conversamos durante todo o jantar, incluindo a onda de manifestações e depredações que havia ocorrido em Londres e que eu tinha visto em alguns dias em que havia ficado em hotéis. Quando lhe perguntei a razão daquilo ele me disse que se devia ao fato das pessoas estarem chateadas (com a paciência cheia - "bored"). O jantar custou cerca de 6 euros. A temperatura continuava perto dos 40 C. Progredi cerca de 50 Km. Minha moral estava média-regular (7).
       
      Em 25/8 fui até Buonconvento. Antes de partir o rapaz inglês perguntou se eu não queria ir ver algumas fontes que ele havia descoberto e depois conhecer a cidade. Como percebi que ele queria conhecer amigos, decidi ir até as fontes e depois até a catedral com ele. As fontes eram interessantes e a catedral era grandiosa. Mas eu precisava ir devido ao atraso que havia acumulado. Fiquei com o coração um pouco apertado , pois achei que ele estava um pouco deprimido e precisava de companhia, mas achei que ele encontraria outros amigos ou conheceria alguma namorada na sua viagem. Antes de eu partir, ele me disse que não conhecia nenhuma fonte para reabastecer suas garrafas perto do centro. Após eu me despedir e partir rumo ao caminho, cerca de 5 minutos à frente achei uma fonte. Decidi voltar, pois o tinha achado abatido quando eu fui embora, posto que quando me encontrou na noite anterior ele tinha achado alguém com quem conversar e que lhe deu atenção. Mas não o encontrei e ainda me perdi e errei o caminho. Fiquei cerca de uma hora perdido. Quando rencontrei o caminho já eram quase 12 horas e o progresso do dia tinha ficado comprometido. Mas não me arrependo. Parte deste trecho foi por estradas, mas depois houve caminhos por zonas rurais, passando por pequenos povoados. Em Buonconvento fiquei na Paróquia São Pedro e São Paulo (Via del Sole, 13), após conversar com o monsenhor. O pagamento era doação e eu deixei cerca de 10 euros. Minha camisa já estava sofrida pela peregrinação e pelas lavagens improvisadas, mas eu não quis trocá-la para não sujar nem estragar outras, já que a peregrinação fazia a roupa sofrer. Jantei com compras de supermercado. A temperatura estava perto de 35 C. Progredi cerca de 30 Km. Minha moral estava média-regular (7).
       
      Minha meta de chegar a Roma em 27/8 estava inviabilizada. Ainda faltavam cerca de 170 Km, mas o que me preocupava agora era não ter tempo para conhecer adequadamente a cidade ou ir para Assis.
       
      Em 26/8 fui até Radicofani. Andei bastante tempo por estradas, tanto movimentadas com várias pistas como menores. Houve alguns trechos de subida e descida e a paisagem lateral agradou-me, havendo algumas montanhas. Houve também trechos rurais, com bela paisagem. No meio da tarde vi que havia manchas vermelhas na minha pele e fiquei preocupado com minha saúde. Num primeiro momento pensei que poderia ser alguma doença, talvez devido à água ou às frutas pegas no caminho, mas depois, analisando melhor, achei que era alergia. Em Radicofani fiquei na Casa d’Accoglienza San Jacopo di Compostella (Via Magi), onde era o único hóspede e fui recepcionado por 1 homem e 2 mulheres. O pagamento era doação e eu dei cerca de 15 euros, incluindo acolhida, jantar e café da manhã. Eles fizeram um ritual de lavar meus pés e depois beijá-los, semelhante ao que uma mulher fez por Jesus e depois Jesus fez na 5.a feira pelos apóstolos. Jantaram junto comigo, conversamos sobre a peregrinação, Itália, Brasil e muito mais. Uma das mulheres, que morava em Gênova, deu-me uma informação muito útil, de que haveria uma bifurcação no caminho após uma descida e eu deveria seguir a seta com a figura amarela e não com a negra, pois assim eu economizaria cerca de 13 Km. Gostei muito desta estadia , tanto que, ao ir embora, após eles fazerem uma prece conjunta comigo de despedida, disse-lhes que eles eram uma prova da presença de Deus. O homem ainda me acompanhou até a saída do povaodo para que eu não me perdesse e para me mostrar o caminho posterior. A temperatura continuava perto de 35 C. Progredi cerca de 50 Km. Minha moral estava média-alta (.
       
      Era 27/8, sábado e eu pretendia avançar bastante e chegar a Roma na 2.a feira ou na 3.a feira de manhã, mas só fui até Acquapendente. A descida foi bela, com ampla vista. Lá embaixo vi as duas figuras de que a mulher havia falado e segui a amarela como indicado. Continuei pela estrada que possuía belas paisagens e entrei na Lazio. Porém, perto das 13 horas vi uma seta que indicava para sair da estrada e pegar uma subida numa direção perpendicular ao caminho. Achei muito estranho, mas como já havia errado muitas vezes, fiquei fissurado na placa e nas seguintes e acabei deixando de prestar atenção nos arredores. Havia uma outra placa à minha esquerda para seguir em frente numa estradinha paralela à estrada principal, que eu não vi. Aquelas placas que eu tinha visto eram do caminho alternativo circular que começava ou terminava na figura negra de que a mulher havia falado. Mas eu estava tão fissurado em não perder as setas devido a tudo que tinha ocorrido, que, mesmo achando que não fazia sentido a direção, resolvi segui-las. Só desconfiei de que era um caminho alternativo, talvez circular, quando já estava no meio. A paisagem foi bela, mas era subida, e gerou um razoável desgaste. Acabei gastando cerca de 4 horas nesta volta, que teve cerca de 23 km. Quando revi a figura negra, ficou comprovado que era um caminho circular. Estava tão cansado e com o ânimo tão em baixa que decidi parar cerca de 17 horas mesmo em Acquapendente. Fui até o abrigo que estava fechado e dizia que não adiantava tocar a campainha, mas dava um número de telefone para ligar. Como eu não tinha celular, resolvi tocar a campainha e, por coincidência, a responsável estava lá, pois estava passando por lá para fazer algo rápido. Fiquei em La Casa del Pellegrino da Confraternita San Rocco (Via Roma, 51). Estava tão desgastado que não conseguia nem subir e descer escadas direito , mas ainda assim fui conhecer a igreja da cidade. A temperatura continuava perto de 35 C. Progredi cerca de 20 Km. Minha moral estava destruída (2).
       
      Em 28/8, após um bom jantar com compras de supermercado e uma boa noite de sono, ainda decepcionado com o que tinha ocorrido, resolvi tentar recuperar um pouco do tempo perdido, porém tendo em mente que a peregrinação era para ser usufruída e não um motivo de sofrimento. Saí cedo e fui até Viterbo. No caminho andei bastante por estradas, mas também por pequenas vias e caminhos de terra. Pude apreciar a vista do Lago de Bolsena sob vários ângulos, de vias laterais, de colinas, etc., sendo que a achei muito bela. Lamentei estar tão atrasado, mas, com dor no coração, acabei não ficando algumas horas usufruindo da vista à beira do lago e nem me banhando em suas águas. Peguei o caminho errado mais uma vez e, ao perguntar para uma comerciante, ela me orientou a voltar e pegar a Via Cássia, pois eu estava indo por uma rua em direção ao lago. Em Bolsena visitei a Igreja e a achei bela. Cruzei um grande bosque antes da entrada de Viterbo, antes do qual, ao perguntar para um passante, ouvi como resposta que seria melhor eu ter um mapa, pois os sinais não cobriam todo o caminho e eu poderia me perder. Este passante ajudou-me a acertar a entrada do bosque. Viterbo era bem maior do que eu imaginava e demorei cerca de 1 hora para chegar a seu centro a partir de sua entrada. Depois de andar um pouco pela lateral do muro do centro histórico, procurando por albergues da peregrinação, visitei a catedral, que achei bela também. Lá, na saída da missa, perguntei às pessoas se sabiam onde era o albergue da Via Francígena na cidade e um casal levou-me até uma possível localidade, que não era, mas que tinha um próximo. Sempre que acabava meu caminho do dia e eu ia me dirigir a cidades eu procurava trocar de camisa, pois a minha camisa da peregrinação já estava muito desgastada, tendo alguns furos devido à travessia da vegetação e alguns rasgos devido ao atrito com a mochila. E, embora eu não ligue para aparências, percebo que isto incomoda as pessoas. Neste caso não tive tempo de trocá-la, pois não sabia se ainda teria que andar mais. Creio que o casal ficou assustado com o estado dela quando eu tirei a mochila das costas para sentar no carro. Dormi no Istituto Adoratrici Sangue di Cristo (Viale 4 Novembre, 25) por cerca de 20 euros. Jantei alguns pedaços de pizza (incluindo uma de repolho com mussarela, que adorei) numa praça próxima por cerca de 6 euros. A temperatura continuava perto de 35 C. Progredi cerca de 50 Km. Minha moral estava média-regular (6).
       
      Em 29/8 fui até Sutri. Comecei voltando para o ponto em que peguei o carro, para fazer a peregrinação completa a pé. Antes de prosseguir dei um pequeno passeio em Viterbo, pois a cidade possuía muitas construções antigas e históricas. Também tinha alguns pontos elevados que permitiam uma bela vista urbana e do ambiente natural :'> . Quando decidi prosseguir, continuando meu desejo de seguir exatamente os sinais, fui por uma pequena rua de terra, que aparentemente não tinha saída. Ela acabava em um portão, mas os sinais me diziam para prosseguir. Procurei chamar por alguém, mas não havia ninguém. Como era uma área aparentemente desabitada, decidi pular o portão e ver se era possível passar por ela. Consegui pular o portão, apesar de ser um pouco alto, mas ao andar pela área percebi tratar-se de uma espécie de cemitério antigo e me pareceu sem saída ou então com saída em propriedade privada. Resolvi voltar, pulei o portão de volta e quando estava caminhando na rua de terra para procurar uma forma de encontrar um caminho alternativo, para desviar o mínimo possível da rota, vi um homem de uns 70 a 80 anos dirigindo um carro antigo em direção ao portão. Perguntei a ele sobre a Via Francígena, falando sobre os sinais apontarem para o portão trancado. Ele me disse que o portão não estava trancado para pedestres. Os cadeados e a barra de ferro vertical que eu tinha visto eram laterais ao portão para pedestres e só prendiam o portão maior para carros. Bastava puxar um trinco. Ele me falou que era um cemitério etrusco muito antigo e que eu poderia ir em frente que havia uma saída sim. Visitei o cemitério, fui em frente e achei a saída que conduzia a um caminho de terra pelo qual continuava a rota, com algumas encostas mais altas do que eu nas laterais. Segui o caminho por algumas trilhas de terra e depois por estradas. Olhando a partir da estrada podia-se ver grandes edificações (igrejas ou outras construções) nas laterais, que, em alguns casos, eram num nível mais elevado. Devido ao calor e ao cansaço acumulado decidi parar em Sutri, pois a distância para o próximo albergue da minha lista era de cerca de 20 Km e eu preferi não arriscar, pois já eram 16:30. Com isso praticamente inviabilizei a chegada a Roma no dia seguinte. Em Sutri fiquei no Monache Carmelitane di Clausura (Via Garibaldi, 1) por 25 euros. A temperatura continuava perto de 35 C. Progredi cerca de 30 Km. Minha moral estava média-baixa (5).
       
      Em 30/8 fui até La Storta, nos arredores de Roma. Primeiramente passei por uma área grande campestre (cerca de 2 horas de travessia - acho que já era o Parque Veio) que achei muito bela :'>, com rios e vegetação até chegar a Campagnano. Estava deserta e, como já estava perto de Roma, fiquei um pouco preocupado quanto à segurança, mas tudo correu bem. Apreciei por alto o povoado de Campagnano e o achei bastante belo em sua simplicidade e conservação. Depois andei por áreas com muitas montanhas, o que me cansou bastante, mas teve como recompensa vistas que achei extraordinárias da paisagem natural e de alguns povoados . Em seguida apareceu um grande parque (Parque Veio), desabitado, mas com natureza que achei exuberante, com árvores (floresta), rios, etc. Havia alguns visitantes perto da portaria, mas em ampla parte do caminho não havia ninguém. Errei algumas vezes o caminho dentro do parque, mas nada que custasse muito. Após a saída do parque houve estradas que me levaram a um pequeno conjunto de casas onde os sinais desapareceram. Num primeiro momento não achei ninguém a quem perguntar, mas depois apareceu um homem de carro que não sabia o caminho. A seguir apareceu uma mulher de carro, que me disse para subir uma rua e virar numa pequena trilha antes de uma determinada casa, que eu sairia na rota correta. Quando cheguei na referida casa, achei melhor tocar a campainha para confirmar e, para minha surpresa, a mesma mulher morava lá (acho que ela só conhecia a trilha por isso). Segui a trilha indicada e, num repente, após uma colina, de surpresa, eis Roma! Grandiosa, enorme, magnífica! Creio que era uma vista semelhante à vista de São Paulo a partir da Pedra Grande no Parque da Cantareira ou a partir do Pico do Jaraguá. Eu me emocionei neste instante, tanto pela beleza da vista quanto por ver o objetivo próximo, depois de tantas vicissitudes. Fiquei um tempo admirando a vista da "Cidade Eterna". Eram cerca de 16 horas e pensei até que poderia atingi-la naquele dia, o que não ocorreu. Segui o caminho e em frente apareceu um sinal dúbio, semelhante aos que eu havia visto na Suíça e em alguns trechos do caminho. Fiquei pensando se deveria segui-lo ou não. Resolvi segui-lo, pois sempre que descartava um sinal eu me dava mal. E eis que o sinal era de uma outra trilha e eu acabei errando o caminho novamente, o que o aumentou em cerca de 10 Km. Nesta situação restava-me procurar um albergue em La Storta. Perguntei a um casal com um nenê, que depois descobri ser de equatorianos, que olhando no GPS do celular indicaram-me o caminho a seguir por uma grande avenida até chegar ao Centro. Quando estava a uns 3 Km de chegar, vi algumas freiras e, só por desencargo de consciência, resolvi confirmar com elas a informação. Elas eram nigerianas e, quando falei o nome do local, disseram-me que eu não deveria seguir mais 3 Km, mas que estava em frente a ele. Disseram-me para olhar para trás e eu vi na placa o nome da rua que estava procurando. Surpreso e admirado voltei para entrar na rua do albergue e procurar por ele, mas não o encontrei, pois a numeração não seguia uma ordem. Por fim, resolvi arriscar pela aparência da casa e acabei acertando. Uma irmã me recebeu e disse que não havia vaga. Eu respondi que não me importava em dormir no chão, mas só queria poder usar o banheiro e me abrigar durante a noite. A irmã concordou, mas disse que iria achar algo em que eu pudesse dormir. Dormi num sofá-cama numa espécie de sala de um conjunto de quartos. O albergue era o Istituto Suore Poverelle (Via Baccarica, 5). Paguei cerca de 10 euros pela noite. Ainda deu tempo de ir ao supermercado comprar o jantar e o café da manhã. Conheci alguns outros peregrinos, tendo ficado conversando por um tempo com um peregrino italiano. A temperatura continuava perto de 35 C. Progredi cerca de 35 Km. Minha moral estava média-alta (7,5).
       
      Em 31/8 cheguei a Roma. Antes de sair conversei um pouco com a irmã e descobri que ela tinha trabalhado no Brasil e conhecia a região de Paranaguá e da Ilha do Mel. Ela ficou surpresa ao me ver vestir a camisa da peregrinação para o último dia, pois a esta altura a camisa estava bem rasgada e furada. Saindo de La Sorta só andei por ambientes urbanos. Pouco tempo depois de começar a caminhar perdi os sinais da peregrinação e passei a me guiar pelas placas de Roma ou perguntar para as pessoas. Já em Roma, perguntei a um homem onde era o Vaticano e ele me disse que não era possível ir a pé, pois era muito longe, cerca de 5 Km. Eu sorri e fui perguntar a outro. Logo a frente ele me encontrou e num semblante de suave reprovação repetiu "Pegue um ônibus". Ao chegar ao Vaticano, perto de meio dia, troquei a camisa (aposentei-a) e pus uma calça por cima (já que não dava para trocar no meio da rua). Gostei muito da primeira visita à Praça de São Pedro e à Basílica de São Pedro (fiquei cerca de 4 horas na visita, incluindo assistir a uma missa dedicada aos peregrinos). Saí do Vaticano perto de 16 horas rumo ao último albergue da peregrinação (Spedale della Divina Provvidenza di San Giacomo e San Benedetto Labre - Via Galvani, 51. Soube que o endereço mudou para Via dei Genovesi, 11 - Trastevere). Minha primeira impressão de Roma foi de uma cidade muito bela. Gostei de caminhar pela lateral do Rio Tibre. No albergue, fizeram o mesmo ritual de Radicofani, lavando e beijando os pés dos peregrinos. Fiquei duas noites neste albergue, com direito a cama em dormitório, café da manhã e jantar. Conheci vários peregrinos lá, incluindo um suiço chamado Gerard e uma americana chamada Sarah, além de ter reencontrado o italiano de La Storta. O atendimento dos hospitaleiros foi muito cordial. O pagamento era por doação e eu deixei 30 euros (15 por dia). A temperatura continuava perto de 35 C. Progredi cerca de 20 Km e cheguei ao destino final. Minha moral estava média-alta (.
       
      O resultado final comprovou um ditado "Quem tem boca vai a Roma". E acho que sob certo aspecto eu tive muita fé, ao contrário do que disse antes, pois ir da Suíça a Roma, sem mapa, sem locais previamente determinados para ficar, somente seguindo sinais que desapareciam, foi uma demonstração da minha completa falta de juízo.
       
      Em 1/9 eu voltei ao Vaticano, pois peregrinos têm o direito a uma visita especial por alguns locais do Vaticano não abertos ao público. Fui fazer a visita junto com a americana Sarah. Minha memória falha e eu esqueci o nome do monsenhor que nos guiou. Depois fui novamente apreciar a Basílica de São Pedro, agora com mais calma e reencontrei o peregrino italiano Alessandro, que havia conhecido em Camaiore. Ele me deu um abraço (até me levantou do chão) e creio que ficou feliz com o reencontro :'>. Após a visita passeei um pouco por Roma e depois, voltando ao albergue, conheci os novos peregrinos recém chegados, todos italianos. Dei-lhes informações sobre a visita especial ao Vaticano e eles me deram informações sobre Assis.
       
      Eu conhecia e conheço poucas cidades europeias, mas Roma foi a de que mais gostei até então , desbancando Madrid, que era a minha favorita. Eu também estive em Roma entre 29/4/2013 e 2/5/2013. Vou incluir esta estadia aqui. Em 2/9/2011 saí do albergue (só eram permitidas 2 noites) e fui para o Hotel Yellow (http://www.the-yellow.com), pagando cerca de 21 euros por um quarto no dormitório, com direito a um aperitivo por diária (tomei caipirinha, caipiroska e vinhos). Levei o dia todo para achar o hotel, pois fui com o suíço Gerard, que tinha uma outra indicação e acabamos indo para um outro local totalmente diferente e depois tivemos que voltar. Na caminhada aproveitamos para apreciar a cidade. Em 2013 fiquei uma noite num dormitório do Hostel Four Seasons (http://fourseasonshostelrome.com - Via Carlo Cattaneo, 23) por 19 euros e 3 noites num dormitório do Hotel Corallo (http://www.hotelcorallo-roma.com - Via Palestro, 44) por 20 euros. Em todos os casos houve 2 euros adicionais de taxa de turismo. Fiz uma refeição em um restaurante perto da Estação Termini e as demais com compras de supermercado.
       
      Para as atrações de Roma veja http://www.guiaderoma.com.br, http://www.turismoroma.it/?lang=en e http://turismoemroma.com. Os pontos do Vaticano de que mais gostei foram a Praça de São Pedro, a Basílica de São Pedro, especialmente a Pietá, e a Capela Sistina . Os pontos de Roma de que mais gostei foram o Panteão, o Coliseu e Foro Romano, as igrejas, as 4 basílicas papais, o Monte Mário, os parques (Vila Borguese, etc.), o Rio Tibre, as fontes, os monumentos antigos, as praças e a cidade como um todo, além das pizzas .
       
      No domingo, 4/9, fiz uma ida e volta a Assis. Paguei cerca de 9,50 euros. Fui de trem (http://www.trenitalia.com) a partir da Estação Termini até a estação de Assis, que ficava a cerca de 3 Km do núcleo histórico onde estão as Basílicas, e depois andei até lá. Saí cerca de 8 horas, cheguei cerca de 10 horas, peguei o trem de volta cerca de 18 horas e cheguei cerca de 20 horas. Gostei muito de Assis. Para as atrações veja http://www.visit-assisi.it, http://wikitravel.org/en/Assisi e http://viajeaqui.abril.com.br/cidades/italia-assis. Os pontos de que mais gostei foram as basílicas, a igreja da parte nova da cidade, a vista do alto da colina e os locais relacionados à vida de Francisco. Vi o escritório de uma missão que atuava na região Norte do Brasil, mas estava fechada porque era domingo. Na cidade havia bastante comércio turístico para quem gostava. Um ponto que me tocou a fundo foi conhecer uma gruta (caverna) onde Francisco morou (dormiu) por alguns anos, já na parte nova da cidade (ao lado da igreja), que de certo modo contrastava com o ambiente turístico.
       
      Em 30/04/2013, fiz uma ida e volta a Cássia. Fui de ônibus (http://www.umbriamobilita.it/it/orari/servizio-extraurbano). Paguei cerca de 14 euros. Saí do Terminal Tiburtina em Roma e fui até Cássia. Saí cerca de 7:30, cheguei cerca de 10:30, peguei o ônibus de volta cerca de 15:30 e cheguei cerca de 18:30. Também gostei de Cássia. :'> Para as atrações veja http://www.comune.cascia.pg.it e http://www.santaritadacascia.org. Os pontos de que mais gostei foram as igrejas, o monastério, a vista da colina e um passeio que dei por uma estrada subindo uma colina já saindo da cidade.
       
      Alguns dias antes de voltar para o Brasil vi o e-mail de uma espanhola que eu muito amava me convidando para uma visita onde ela estava na Espanha. O email chegou 6 dias depois que eu havia iniciado a viagem, mas como eu não li emails durante a viagem só o vi naquele momento. A visita ficou inviabilizada.
       
      Em 7/9/2011 peguei o ônibus especial na Estação Termini que me levou até o aeroporto por cerca de 6 euros (em 2013 encontrei uma outra companhia por 4 euros). O vôo saiu cerca de 9:30 de Roma e chegou cerca de 11:00 em Barcelona, onde passei algumas horas. Peguei ônibus especial para ir e voltar do centro por cerca de 6 euros cada trecho. Nesta rápida passagem por Barcelona gostei muito da cidade. ::otemo:: Almocei rapidamente um sanduíche no Subway e uns pedaços de pão ou pizza em outros locais. Para as atrações de Barcelona veja http://www.barcelonaturisme.com, http://viajeaqui.abril.com.br/cidades/espanha-barcelona/fotos#1 e http://www.tripadvisor.com.br/Guide-g187497-l51-Barcelona_Catalonia.html. Os pontos de que mais gostei foram a praia, alguns parques que consegui visitar, os calçadões, a orla marítima, a catedral, a Igreja de Santa Maria do Mar, as contruções típicas, antigas e artísticas. ::otemo:: Certamente ficou muita coisa sem ver, para algum dia no futuro. Peguei o avião para São Paulo (Guarulhos) por volta de 22:00 horas e cheguei em SP ao amanhecer.
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