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...

 

vi que tem um camping la, mas não consigo ligar, nem falar com ningm do IAP ou da estaçao Marumbi la.

 

Olá Murilo!

 

Estive lá no último domingo e os telefones deles estão com problema, por isso você não consegue falar com eles. Quanto ao funcionamento do camping, o Otávio já lhe explicou e é somente aquilo mesmo.

 

Abraço!

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Galera fiz o itupava final de semana passado! Está fantástico. Muito pouco lixo. Bem pouco movimentado. Fomos em quatro pessoas. Acampamos no marumbi e fomos até morretes caminhando! Ótimo passeio! Nada de chuva! Vale a pena conferir! Abraços! Depois posto algumas fotos mostrando como está o caminho! Abraços e boas festas!

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Para sanar algumas dúvidas:

 

Caminho do Itupava - Por pé na trilha Curitiba

 

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O caminho do Itupava é uma das trilhas mais belas que a natureza do estado do Paraná proporcionou aos montanhistas e amantes de esportes ao ar livre. Possuindo toda uma carga histórica, isto é, um dos pioneiros e principais caminhos que ligavam a cidade de "Curityba" à Paranaguá, o caminho do Itupava é rico em surpresas. Com seus aproximados 17 km de extensão proporciona àqueles que decidem se aventurar por seus sinuosos caminhos boas risadas, visões estonteantes e aventura!

 

Com um pouco de estudo da região é possível realizar a trilha tranquilamente, advertindo-se sempre de estar em grupo não inferior à três pessoas, pois o início da caminha se dá em zona urbana e em algumas isoladas vezes aconteceram incidentes. Vale lembrar que foram ínfimas as vezes que ocorreram problemas na trilha, porém é bom advertir os desavisados.

 

Pois bem, vamos aos relatos da trilha, destacando os principais pontos.

 

O início da trilha é em Borda do Campo, situado no município de Quatro Barras, cidade satélite de Curitiba.

 

O começo da trilha não representa sua grandeza e vasta beleza. Inicialmente uma pedreira abandonada, ao passar a pedreira o caminhante se depara com duas trilhas. A trilha situada à esquerda o levará a uma caminha de cinco minutos à cachoeira. A trilha à direita segue para o caminho que levará ao pão de Loth, outro morro da região, e a continuação do caminho do Itupava.

 

Não há segredos, após o pão de Loth, morro que fica situado à direita da trilha inicia-se a região conhecida como boa vista, que nos remete aos referenciais históricos. A região faz jus ao nome, pois os desbravadores que demarcaram a trilha, ao superar a serra do "Marumby", atingiram um plato onde se podia ter uma vista excepcional.

 

Comentários a parte, o caminhante, nesta região, após uma subida de aproximadamente 15%, chegará a um local onde se situa um placa com um mapa indicativo da região e logo após um córrego com boa água. Fica a sugestão para um breve parada.

 

O próximo destino será a casa do Ipiranga, que nas placas ilustrativas do IAP (Instituto Ambiental do Paraná) aparenta ser muito mais próximo do que realmente é.

 

Após, algumas subidas e descidas em sequência, sem segredo algum, chega-se à casa do Ipiranga, que mais uma vez nos remete a relatos históricos.

 

Inicialmente a casa surge como resultado da construção da linha férrea já mencionada anteriormente. Foi uma empreitada realmente majestosa, governos de vários países estiveram envolvidos nesta obra descomunal para a época e até mesmo para os tempos de hoje. Chegaram a trabalhar na obra 9.000 mil homens. Para a manutenção da via, que por muitos anos pertenceu à província do Paraná e seus soberanos, foi construída a casa do Ipiranga, onde residiam os engenheiros. A casa era realmente bela. Por volta de 1996 a linha férrea foi leiloada à atual ALL (América Latina Logística), que automatizou muitos trechos da via, dispensando, deste modo, a mão de obra de muitos empregados que residiam na região e também dos engenheiros que ficavam de plantão na velha casa. Com o abandono, infelizmente vândalos depredaram a estrutura do velho casarão construído com barras de trem. Para quem pretende conhecer o local, sugere-se ir com brevidade, pois certamente não durará muitos mais anos.

 

Adiante da casa do Ipiranga, o caminho segue cruzando a linha férrea que é sinalizada com uma placa em uma árvore na leve subida à frente. Aí inicia-se uma longa subida para então vir uma grande depressão. Após seguidas subidas e descidas, chega-se a primeira cachoeira. É um bom local para fazer uma pausa.

 

Passando a primeira cachoeira, a trilha segue rio abaixo (cerca de 50 metros abaixo da cachoeira), encontrando-se a trilha novamente à direita. É simples, siga o caminho das pedras. A colocação na forma de brincadeira é válida. A trilha é muito tranquila em termos de localização, siga sempre o caminho das pedras.

 

Continuando-se uma breve subida e mais algumas centenas de metros, chega-se a outra cachoeira, a trilha segue cruzando o rio.

 

Após a segunda cachoeira, inicia-se uma longa descida, que os antigos caminhantes já diziam ser considerada uma grande depressão. Eis a chamada região do Cadeado. Seguindo caminho abaixo, lembra-se aos caminhantes que o auxílio de bastões de caminhada é muito útil, principalmente nos dias de tempo úmido ou pós chuva.

 

Caminha-se muito em descida de aproximadamente 60% até chegar a um início de corrimões e após escadas, que mais parecem ser construídas para anões. São carinhosamente chamadas de escadas dos anões. Descendo as escadas se chega ao Santuário de Nossa Senhora do Cadeado, uma ótima opção para um lanche e descanso. Deixe seu lixo adequadamente nas latas de lixo, pois o pessoal da ALL realiza a manutenção e coleta de lixo da linha férrea. Os próximos quilômetros não possuem ponto específico para parada, então contemple a vista que em dias de sol permite aos caminhantes contemplar as belezas do mar atlântico e do Conjunto Marumbi.

 

Seguindo em frente, o caminho continua pela parte posterior do Santuário em uma descida absolutamente escorregadia em dias mais úmidos e chuvosos. É uma bela caminhada contemple e siga com prudência. Os próximos referenciais são os dois rios que serão cruzados, primeiramente o rio Taquaral, que possui suas referências histórias, mas por brevidade não será feita alusão. Aproveite a vista da ponte, é um ótimo local para se observar. Lembre de tomar cuidado. A frente, algumas centenas de metros, chega-se à segunda ponte, a que cruza o rio São João. Após o rio São João a caminhada é breve, mais algumas centenas de metros, quem sabe até um quilômetro, porém a caminha é praticamente no plano, com leves subidas e descidas.

 

Cumprida esta etapa surge uma escada que culmina em uma estradinha que poderá levar o caminhante à estação Engenheiro Lange que o levará à estação Marumbi. Vale lembrar que a estação Marumbi possui camping, que fica um pouco mais próximo que os campings situados no sentido da cidade de Porto de Cima. Independentemente de sua decisão, importante destacar que tomando o caminho à direita a trilha levará à estação Engenheiro Lange. Seguindo a trilha à esquerda, far-se-á o caminho para Porto de Cima (final do caminho do Itupava). Seguindo para estação Marumbi, serão aproximados 2 a 3 quilômetros em leve subida até a estação Engenheiro Lange e em subida um pouco mais acentuada após a mencionada estação. Optando em seguir para Porto de Cima, serão aproximados 6 quilômetros em leve descida e em terreno plano.

 

Chegando a porto de cima é possível pegar um trenzinho que leva turistas à cidade de Morretes pelo preço de R$ 3,00 (com posição em dezembro de 2011). Existem também Kombis e táxis que saem mais caros, mas fica a escolha do caminhante. É possível ir à Morretes caminhando em um trajeto de aproximados 7 quilômetros seguindo pela estrada. Recomendo que em dias de muito calor não façam este percurso, salvo se o caminhante estiver bem preparado e acostumado com caminhadas em asfalto, pois o calor excessivo reflete e a temperatura chega até 60° Celsius.

 

Independentemente do meio escolhido para se chegar à cidade de Morretes, lá é possível tomar um ônibus que segue para a Cidade de Curitiba, porém se adverte que, por cautela, o caminhante compre as passagens antecipadamente, pois, principalmente em finais de semana, a busca é grande e comumente os ônibus voltam lotados. O preço da passagem do ônibus convencional, sinceramente, muito confortável, é R$ 13,95 (com posição em dezembro de 2011).

 

É um passeio realmente fantástico, perfeito para ser feito em dois dias, ou, para os mais preparados, até mesmo em um dia.

 

Por fim, aos que pretendem fazer a trilha é possível chegar ao ponto de acesso de ônibus, que parte do terminal do Guadalupe em Curitiba (adverte-se que o local é extremamente perigoso à noite, portanto evite ir para o terminal de madrugada). Ainda, em termos de equipamentos é valioso levar para a trilha bastões de caminhada, água (não há necessidade de excessos, pois a trilha é rica em água), comida que lhe sacie, repelente (principalmente no verão), capa de chuva, botas confortáveis, lanterna (de preferência de cabeça, pois a trilha é escorregadia, sendo importante estar com as mãos livres). Ademais, para aqueles que pretendem fazer a trilha em dois dias, os equipamentos corriqueiros como barraca, isolante térmico, saco de dormir, etc.

 

Este relato é baseado em experiência própria, atualizada com recente caminhada (10 e 11 de dezembro de 2011).

 

Seguem algumas fotos do trajeto e da equipe:

 

Alexandre (Alto loiro), João Henrique, Lucas e Rodrigo (relator).

 

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Da esquerda para a direita: Lucas, João, Ale e Rodrigo.

 

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Trilha após o boa vista (aproximadamente 2 horas de caminhada)

 

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Caranguejeira na trilha.

 

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Antes de chegar à casa do Ipiranga.

 

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Lucas - Casa do Ipiranga.

 

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Da esquerda para a direita: Luca, João e Rodrigo.

 

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Da esquerda para a direita: Lucas, Ale, Rodrigo.

 

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"Piscina" nos fundos da casa do Itupava. João e Ale.

 

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Primeira cachoeira. Ale tomando um banho.

 

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Segunda cachoeirinha. João e Rodrigo.

 

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Lucas barbarizando.

 

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Santuário N.ª do Cadeado

 

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Lucas curtindo um visual e descansando no Cadeado. A trilha segue logo abaixo.

 

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Final do caminho. Pegamos à direito rumo Conjunto Marumbi. Rodrigo e João.

 

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Dia seguinte. Já havíamos passado de Porto de Cima. A equipe se dividiu em Porto de Cima. João e Ale seguiram para Morretes de condução. Lucas e Rodrigo seguiram caminhando.

 

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Lucas e sua companheira. Essa cargueira já deu uns passeios pelo Aconcágua.

 

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Rodrigo e sua recém companheira de caminhadas.

 

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Rodrigo. Chegada em Morretes.

 

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Chegada em Curitiba. Rodrigo. Ônibus para casa.

 

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Lucas e Rodrigo. Mais faceiros que mosca em tampa de xarope.

 

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Perfil de altitude e distância de Borda do Campo via caminho do Itupava até a cidade de Porto de Cima, parada final do caminho original.

 

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Perfil de altitude e distância do final da trilha que culmina início da estrada que à direita leva para a Estação Marumbi.

 

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Perfil de altitude e distância entre a cidade de Porto de Cima e a cidade de Morretes.

 

Retirado do blog (recém criado): http://penatrilhacuritiba.blogspot.com/

 

Caminho do Itupava (1).kml Por favor façam BOM USO e preservem a trilha.

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  • Membros de Honra

Olá Amend!

 

Bacana o post. Realmente o Itupava é um programa bem bacana de se fazer, tanto para os mais inexperientes quanto para o pessoal que já curte há muito tempo trilhas e montanhismo. Além do aspecto histórico que envolve o caminho e a ferrovia no seu entorno, há ainda o aspecto paisagístico, natural e ambiental. Com certeza um dos melhores "passeios" que se pode fazer a partir de Curitiba, e facilmente realizável em um único dia, bastando se programar para sair cedo e formar um grupo (ou se juntar a um no início da trilha). Tenho recomendado sempre percorrê-lo em grupo por conta do aspecto segurança.

 

Abraço!

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  • 1 mês depois...
  • Membros

olá, este é meu primeiro post...

 

eu e um grupo de 4 amigos estamos pensando em fazer o itupava pela primeira vez (nenhum de nós conhece o caminho) mas, como temos um bom preparo físico, estávamos com a seguinte idéia em nossas cabeças:

 

Estamos querendo deixar o carro na Borda do Campo na madrugada de 6a. para sábado, entrar na trilha entre 4:00 e 5:00 da manhã, chegar no Marumbi em tempo de subir ainda no sábado, acampar e voltar pela própria trilha do Itupava no dia seguinte... nossas dúvidas são as seguintes:

 

01) Esta nossa programação é possível de ser realizada ? (não estamos sendo otimistas demais quanto ao tempo da trilha e quanto à nossas próprias capacidades físicas, rs)

02) A que horas, aproximadamente vamos chegar no Marumbi ? (se entrarmos na trilha, por exemplo, as 05:00)

03) Caso a chegada seja antes das 14:00, existe tempo hábil para se subir e descer o marumbi antes de escurecer ?

04) Uma coisa que não entendo nos relatos é a facilidade que todos falam em se perder a partir da casa do ipiranga, pois é possível se tomar rumos diferentes e a trilha não está bem clara, como devemos proceder para não nos perdermos neste trecho ?

05) Se resolvermos voltar pelo próprio caminho do itupava (para buscar o carro), qual a possibilidade de voltar pelos trilhos (ainda é proibido? e quais os riscos?)

06) Como encontra-se a região no que diz respeito à assaltos ?

 

 

Agradeço desde já qualquer orientação e recomendação, vamos sair daqui de Ponta Grossa na madrugada de 04/02 com a expectativa de estarmos de volta no dia 05/02 totalmente esgotados... rsrs

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  • Membros de Honra

Acho meio puxado, ainda mais que é a primeira vez. O melhor seria vir com mais tempo ou então fazer menos coisas.

Eu acho melhor deixar o carro na Dona Isabel, lá embaixo em Porto de Cima (ao lado do posto do IAP) e subir pro Marumbi, e se der no outro dia esticar até o cadeado ou Rio Ipiranga, por exemplo. Se não der fica no Nhundiaquara tomando banho de rio, ou estica pro Salto dos Macacos, a trilha começa quase em frente ao posto do IAP; só cuidado com as fortes chuvas de final de tarde (comuns nesta época do ano), ela pode iviabilizar a travessia do Nhundiaquara.

O Marumbi pra subir e descer acho que umas 4~5hs, pela frontal. Pra fazer a travessia (subir a frontal e descer a noroeste) +/- 7hs.

Sendo a primeira visita vale a pena fazer com mais calma, mesmo que não dê pra ver tudo. E fica a desculpa pra voltar numa próxima vez...

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  • Membros de Honra

Olá Antônio!

 

Como você falou que estão em boa forma física, creio que conseguem fazer o Itupava (apenas a parte da trilha, até a chegada na escadinha de madeira na estrada para a Estação Eng. Lange) em menos de 4 horas considerando que o tempo esteja seco, que vocês andem num ritmo forte, sem pausas para fotos, banhos de rio ou descansos, não se percam em nenhum trecho e que façam o Itupava clássico, pelo mato depois da Casa do Ipiranga (pelos trilhos, a partir dali, mesmo com bom preparo, a distância e o tempo gasto são maiores)...

 

Da escadinha de madeira, no final da trilha, ao chegar na estrada das prainhas (esquerda = Porto de Cima / direita = Eng. Lange e depois Marumbi) seriam pelo menos mais 1 hora até o início das trilhas de subida ao Marumbi, seguindo as mesmas premissas anteriores, já descontado eventual tempo gasto com informações no Centro de Visitantes do Marumbi antes de iniciar a subida - contando que vocês não conhecem o caminho e ainda irão se informar ali, largar o material de acampamento, etc...

 

Para subir o Marumbi, seguindo as mesmas premissas já citadas (tempo seco, sem grandes paradas, etc), pegando a trilha frontal, que é a mais "rápida", creio que façam em cerca de 3h30min até o cume do Olimpo e cerca de 1h30min de descida. Serão portanto mais de 10 horas de caminhada. Mesmo com excelente condicionamento físico acho inviável para um único dia. Fica puxado, perigoso (na intenção de cumprir o cronograma "apertado" pode-se acabar fazendo alguma bobagem) e acaba não se aproveitando o que existe de melhor naquelas paragens, que é justamente a vista da natureza.

 

Sugiro fazer a descida do Itupava pela trilha clássica (sem trilhos), subir à Estação Marumbi, montar acampamento e curtir as trilhas mais curtas de lá no sábado (Rochedinho, Cachoeira dos Marumbinistas, etc) e no domingo, acordar beem cedo, subir o Olimpo, curtir bem o cume ainda pela manhã, quando há menos condensação no verão (= mais visual lá de cima) e descer cedo, voltando pelo Itupava.

 

Quanto a fazer o Itupava usando a variante pelos trilhos (entre a Casa do Ipiranga e o Santuário do Cadeado), sempre foi proibida e continua sendo. Não posso recomendar abertamente a fazer isso por ser contra a lei, mas muita gente faz, é bonito o visual pela estrada de ferro (mais do que pela trilha clássica). Posso contudo adiantar também que é mais demorado do que pela mata (o trecho é mais longo, se faz uma volta com cerca de 2-3Km a mais em distância), caminhar pelos trilhos é mais cansativo por conta dos dormentes e das pedras britas e você está sujeito a ganhar uma "carona" de volta ao Ipiranga ou ao Cadeado pelo pessoal da polícia ferroviária/ALL que nos FDS têm feito fiscalização intensa naquele trecho.

 

Quanto a se perder no Itupava no trecho de mata depois de cruzar os trilhos após a Casa do Ipiranga, é muito relativo. Ali é o ponto onde se cruza a ferrovia e então existem duas opções: seguir pelos trilhos até o Cadeado (ou mesmo até o Marumbi - lembrar que é proibido!) ou seguir a trilha pela mata, pouco à esquerda logo depois de cruzar os trilhos, praticamente em frente à Casa do Ipiranga. Eu fiz recentemente as duas variantes e achei que a trilha principal pela mata depois do Ipiranga, está bem marcada, mas existem sim muitas entradinhas laterais (falsas trilhas) que podem enganar os menos acostumados, por isso o pessoal se perde e reclama bastante.

 

Assaltos não estão ocorrendo nos últimos meses por lá. Ao menos não se tem notícia recente desde que a trilha foi fechada e reaberta ano passado. O trecho que sempre foi o mais perigoso é o do início do Itupava, em Borda do Campo, até a Casa do Ipiranga, por ser muito próximo de área urbana. Atenção redobrada e andar em grupo já garantem alguma vantagem contra a ação de possíveis meliantes.

 

Espero ter te ajudado. Abraço e boa trilha!

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      Nanci Naomi
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    • Por douglasbastos
      Essa é a segunda vez que faço o Caminho do Itupava nesse ano.
      A primeira vez foi no mês de abril e agora dia 22/07 resolvi fazer o percurso novamente.
      Fomos de carro até o posto do IAP em borda do campo. Deixamos nossos dados com o funcionário do IAP e começamos a trilha exatamente as 9:00.
      A intenção era descer pela trilha até a Casa do Ipiranga, continuar pela trilha até o cadeado e continuar pela trilha até um descampado que tem cerca de 1h e pouco de caminhada apos o cadeado. La nesse descampado acampar e, no outro dia, caminhar até o posto do IAP e pedir um taxi para a rodoviaria.
      Tudo certo começamos a caminhada. A trilha é bem demarcada e fácil porem, cansativa. Caminhamos tranquilamente chegando ate a Casa do Ipiranga as 11:40. Esse percurso até o Ipiranga possui muita gente nos fds. nós cruzamos um grupo de umas 8 pessoas com muita bagagem, violao, sacos pendurados nas costas tanto que tinha um cara com um saco gigante cheio de tralha, pendurado nas costas por um fiozinho de varal ( imagina a dor que ficou no ombro). Na Casa do Ipiranga é o local que possui mais lixo, por mais que tenha um local do lado do trilho de trem que o pessoal costuma deixar os lixos, ha lixo espalhado pelo local. Ali na Casa do Ipiranga é onde a maioria do pessoal acampa, mas é tipo um pessoal mais largado, na maioria usuários de alcool e outras drogas ( não generalizando e sim, eu levo alcool pra beber também).
      Apos ficar um tempo na casa do Ipiranga e na cachoeira que tem ali do lado, comemos e resolvemos seguir a caminhada.
      Ai veio a mudança, já fizemos a trilha em abril e havia a curiosidade de fazer o percurso pelos trilhos do trem ( o que é PROIBIDO mas muita gente faz) Aproveitamos que havia um grupo grande fazendo pelos trilhos e fomos logo atras deles. Sinceramente pelos trilhos é bem mais fácil e bem mais bonito do que pela trilha. O primeiro local de parada foi na antiga usina, local muito lindo. Paramos la tiramos umas fotos, descansamos um pouco e seguimos pelos trilhos até Nossa Senhora do Cadeado. La paramos de novo pra descansar. Trocamos ideia com um cara que era quase o guia de todos la, tinha muito conhecimento de todo o itupava. Ele perguntou se iriamos continuar pelo trilho ou se iriamos descer pela trilha apos o cadeado pois ele iria pela trilha. Falamos que iriamos pela trilha pois iriamos acampar na clareira que havia depois de um rio ( nao lembro o nome) que dava 1h de caminhada do cadeado. Ele comentou que havia o camping do marumbi mas que so com reserva, mas que se nao tivesse cheio era capaz de conseguirmos vaga. Arriscamos ir para o camping , mas ai continuamos pelos trilho, o rapaz la nos orientou que era o percurso mais perigoso dos trilhos por causa da maior ponte que ha no caminho. Mas com atenção, da pra fazer tranquilo. Fomos caminhando pelos trilho, ai apos algumas pontes e tuneis chegamos ao Camping Marumbi as 15:45, conversamos com um funcionário da administração la e ele só anotou os nomes e liberou a entrada ao camping. No camping contei 3 barracas alem das nossas ( que também eram 3) e de noite chegou apenas mais uma mulher. O camping é TOP, tem banheiros masculinos e femininos, água potável nas torneiras, mesas para se alimentar, luzes nessas mesas e o melhor de tudo, BANHO QUENTE.
      Sem conta a vista, você acampa ali no pé do Conjunto Marumbi!
      Montamos acampamento, tomamos banho quentinhos, e fomos jantar. Ja estava escuro quando jantamos. Fomos dormir 20:40.
      Tirando o barulho do trem que passa ali do lado e parece que esta dentro da barraca, a noite é tranquila.
      Acordamos por volta de 8:00. Tomamos cafe da manhã , levantamos acampamento e continuamos a caminhada até o posto do IAP para dar baixa. ( aqui é so 800m de trilha até a estação Hugo Lange e depois 4,5km de caminhada pela rua até o posto do IAP. Chegando no IAP assinamos o livro la pra dar baixa e continuamos. Cerca de 0,5 - 1 km chegamos até uma casa onde tem o sr ( nao lembro o nome) que leva o pessoal para morretes por 10 reais por pessoa. Se for muita gente ele leva de kombi, como estávamos em 4 ele nos levou de uno.
      Chegamos na rodoviária 12:15 e pegamos o onibus para curitiba 12:45.
      Obs: Animais que vimos: Uma cobra pequena, uns 10 cm, mas parecia um filhote, saindo dos trilho e macacos, cruzamos com 3 grupos de macacos, eles tem medo da gente, você ve eles longe e quando vai se aproximando eles fogem. Um esquilo na nossa senhora do cadeado e um outro bicho que cruzou os trilhos próximo a estação Hugo Lange que não conseguimos identificar, mas parecia um gamba.
      Obs 2 : acampar no caminho do itupava é proibido, andar pelos trilhos também, não acampei no caminho mas andei pelos trilho. Podem me julgar!
    • Por peter tofte
      Ao ler um relato do Quiriri aqui no mochileiros, feito pelo amigo Otávio Teixeira de Freitas, grande paranaense de origem baiana, mencionei a ele que queria conhecer aquela região. De pronto ele me convidou para ir com a turma no feriadão (7/9, que em Curitiba emenda com 8/9 Padroeira da cidade). Coincidiu o convite com uma milhagem aérea que estava para vencer em dois dias! Não foi difícil decidir.
       
      Entretanto devido as chuvas e ao frio a turma cancelou a ida para o Quiriri. O tempo prejudicaria o visual. Assim acionamos o plano B: fazer o Itupava e conhecer um pouco do Marumbi, região lindíssima do Paraná, berço do montanhismo brasileiro.
       
      Segue abaixo fotos e o relato. O Otávio deve em seguida colocar mais fotos e melhorar/corrigir o texto.
       
      Saímos da Estação Guadalupe no Centro de Curitiba num ônibus municipal para 4 Barras, cidade da área metropolitana da grande Curitiba. Após 40 min. a uma hora chegamos no terminal 4 Barras e com mais 20 minutos de espera tomamos o busão para Borda do Campo, onde saltamos no ponto final, a poucos metros da entrada do parque. Levamos mais ou menos 1:30 hr do centro de Curitiba até lá. O ônibus estava cheio de "itupaveiros", uma tribo que frequenta a primeira metade da trilha. Uma característica deles é que gostam de usar roupas de camuflagem. Alguns já estavam bebendo aquela hora da manhã.
       
      As 9:40 começamos a descida após termos feito o registro no posto de controle do IAP. O caminho do Itupava, embora predominantemente em declive, tem uma série de subidas, especialmente nos vales formados pelos rios que descem a serra.
       


       
      O primeiro trecho não tem mata tão fechada. É considerado o mais perigoso na questão de assaltos (especialmente até a bifurcação para a cachoeira véu de noiva), por isto seguimos em silêncio. Mas foi tranquilo. Devido ao feriadão muita gente descia. Corredores de aventura vinham no sentido inverso.
       



       
      O tempo estava nublado, volta e meia chuviscava. Não deu para observar o Anhangava a nossa esquerda, num ponto conhecido como Boa Vista.
       
      Com 2:40 hrs de caminhada chegamos na casa do engenheiro e na roda d'água, no rio Ipiranga. A casa do engenheiro é agora uma casa abandonada, em ruínas. Nele vivia a família do engenheiro responsável pela manutenção da belíssima ferrovia que desce de Curitiba para Morretes, possivelmente a mais bela ferrovia do Brasil, e uma das maiores obras ferroviárias do País.
       


       
      Uma pena deixarem abandonada aquela casa bonita. Mais provavelmente era uma mansão. Restos de uma lareira, banheira e uma piscina vazia ao lado da casa, com um visual incrível para a mata. A ferrovia passa a poucos metros. Mais adiante, a beira do rio Ipiranga, uma roda d'água deveria fornecer energia elétrica para a residência.
       


       
      Pegamos a linha férrea subindo e com poucos metros descemos para um pontilhão que atravessava o Ipiranga, indo para a roda d'água. É possível observar ainda seus restos. Uma bonita cachoeira caia num poção metros adiante.
       

       
      Na margem esquerda do rio estava erguido um acampamento de itupaveiros. Uma coleção de tendas baratas com uma grande lona azul, parecendo um acampamento do MST, mas acho que o MST é bem mais organizado.
       

       
      O que me deixou mesmo chateado foi ver que estavam cortando árvores nas proximidades para alimentar a fogueira comunal, debaixo da lona. Não eram galhos mortos, troncos secos, eram árvores vivas. Assim aumentavam a clareira.
       
      A julgar pelo som que carregavam, bebidas e possivelmente "algunas cositas mas" as noites neste acampamento deveriam ser perfeitas para meditar, relaxar e ter um sono tranquilo.
       
      Ao menos vimos um grande depósito de lixo ao lado dos trilhos, mostrando que eles carregavam o lixo para um ponto onde o concessionário da ferrovia podia levá-lo. O mais correto seria eles mesmos levarem, mas enfim...
       
      Os itupaveiros são na maioria pessoas jovens e humildes. As mochilas e equipamentos deles são baratos e é algo difícil descrever como carregam as coisas nas costas. Devem passar frio e perrengues na mata. Calçados inadequados. Quando eu e Otávio passamos por eles, relativamente bem equipados para a prática de trekking, a impressão é que nos viam como aliens. Ora depreciativamente, ora respeitosamente.
       
      Os grupos organizados de montanha chamam este pessoal de Itupaveiros ou, jocosamente, de "malária", por causa dos estragos que fazem. Mas eles têm o mérito de querer curtir a natureza. O problema é a maneira inadequada, insegura, sem um mínimo de treinamento para trilhas e pouquíssima consciência ambiental.
       
      Mas o que mais me impressionou foi o relaxamento da fiscalização do IAP - Instituto Ambiental do Paraná. No posto de controle, no começo do caminho, alguns itupaveiros estavam com machados e facões bem visíveis, presos ao lado da mochila. Por que deixam entrar estes instrumentos? Os fiscais acham que eles serão usados para cavar buracos e enterrar fezes? Sei que o IAP enfrenta dificuldades por falta de verbas e interesse do governo do Estado, porém a negligência só depõe contra o instituto e torna questionável a sua existência.
       
      Embora acampar seja proibido em todo o trajeto, o governo estadual também não colabora. O camping inaugurado com estardalhaço, na estação Marumbi, está fechado por falta de pessoal do IAP. Se falta pessoal, por que não entregá-lo a um grupo voluntário? Seria uma concessão que demanda trâmites legais/licitatórios, mas com boa vontade sai.
       
      Depois de um lanche na borda da cachoeira, onde conversamos sobre estes assuntos, atravessamos de volta o pontilhão, tiramos fotos numa ponte ferroviária e voltamos a descer.
       

       
      A mata ficou ainda mais fechada. Faz pouca diferença se está chovendo ou ensolarado. Agora a trilha é bem histórica e conservada. É feita de pedras redondas retiradas do leito dos rios, por índios ou escravos no século 18 e 19. Se não colocassem as pedras os burros dos tropeiros cavariam com suas patas o caminho, fazendo grandes valas e buracos, que seriam erodidos pela água da chuva descendo. Como as pedras estão sempre na sombra, ficam úmidas o tempo inteiro. Para escorregar é facinho, facinho...Otávio disse que nesta trilha passamos a maior parte do tempo olhando para o chão. Para curtir a paisagem tem que parar de andar. De fato as unicas vezes que levamos um escorregão estávamos distraídos, conversando.
       
      O caminho de pedras lembra um pouco a Ladeira do Império, no Vale do Paty, Bahia.
       
      A floresta é luxuriante, belíssima. Profusão de árvores, palmitos, xaxins, bromélias, orquídeas, enfim, a vegetação que fez os naturalistas estrangeiros que visitaram o Brasil no século XIX descreverem nossa mata atlântica como uma das mais belas do mundo. As constantes chuvas que desabam nas encostas da Serra do Mar, do qual o complexo do Marumbi é uma de suas partes mais impressionantes, mantém a exuberância de vida nesta floresta pluvial.
       




       
      Um momento muito bonito foi quando baixamos para o nível das nuvens, passando por uma névoa no meio da floresta.
       

       
      A trilha passou a ter trechos bem íngremes de descida. Algumas vezes optei por usar a lateral do caminho, de terra. Embora não seja procedimento LNT - Leave No Trace, meus joelhos agradeceram. Algumas descidas tinham escadas de metal para ajudar.
       
      Após 1 a 2 hrs depois da roda d'água chegamos no Cadeado, ou melhor, no Santuário da Nossa Senhora do Cadeado, cruzando outra vez a ferrovia. Bonito lugar, com bela vista do Marumbi, bem encoberto pelas nuvens. Um esquilo comia tranquilamente uns coquinhos numa palmeira quase ao alcance da mão.
       


       
      Lanchamos e tirei fotos.
       
      Continuamos a descida. Com cerca de mais uma hora chegamos no rio, com ponte pênsil, sobre o rio Taquaral, o ponto mais baixo de nossa travessia, não longe da Usina. Uma coisa legal são estas pontes, várias no caminho, permitindo uma travessia fácil, segura e bonita dos rios. Numa tromba d'água devemos dar valor a elas!
       


       
      Passamos então a rumar para a Estação Marumbi. Saímos da trilha logo depois de uma pequena descida, que terminava numa escada de madeira saindo direto numa estrada de terra feita para 4X4. Eram 17:20. Concluímos o percurso de 25 km em aproximadamente 8 horas, contando com as paradas para lanche. Não foi rápido, mas o Itupava merece cuidado e não se tratava de uma corrida de aventura. Vale muito a pena parar volta e meia para observar a mata, com o silêncio apenas quebrado pelas arapongas e outros pássaros.
       
      Mal andamos 100 metros ladeira acima uma pickup parou e um casal gentilmente cedeu uma carona na caçamba. Que beleza! Economizamos 30 minutos de palhetada até a estação Eng. Lange. Eles seriam um de nossos vizinhos na casinha em que pernoitaríamos.
       

       
      Na estação tiramos fotos e passamos a subir para a estação Marumbi, por um caminho muito bem conservado. Chegamos na cabana de um amigo do Otávio, que emprestou a bonita casa no meio da mata. Na hora de abrir a porta descobrimos que a cópia da chave, recém feita, não funcionava. Resultado: dormimos na varanda sem comida quente porque não trouxemos fogareiros, contando com o fogão da casa.
       


       
      Mas deu para sobreviver com os sanduíches! No dia seguinte, o Mathias, outro amigo, veio de Porto de Cima e trouxe a chave salvadora.
       
      Neste dia, em virtude do tempo fechado e sem vista, desistimos de subir no Olimpo e fizemos passeios ali por perto. Aquelas casinhas do Marumbi são muito interessantes. Escondidas no meio da mata, tem poucos metros quadrados e nelas só chegamos a pé. A maioria dos donos é de marumbinistas, montanhistas do Marumbi. A melhor casa é a do Niclevitz, o maior alpinista brasileiro, que dessa maneira se mantém fiel a sua origem no montanhismo. Não se via lixo. Muita mata conservada. Subimos num mirante perto da estação para mais fotos.
       




       
      Pico Paraná entre as montanhas ao fundo.
       

       
      Grande obra de engenharia: viaduto em curva sobre um precipício.

       
      De noite bisteca de porco e arroz carreteiro para matar a fome de comida quente. Otávio e Mathias estão de parabéns como cozinheiros.
       
      Dia 07/09, manhã bem nublada. Descemos pela trilha do guarda, com mata fechada, até uma estrada de terra, onde pouco adiante Mathias deixou o carro estacionado. Seguimos para a bonita e arrumada cidade histórica de Morretes, lotada de turistas, onde comemos um típico barreado. Passeamos pela cidade e depois subimos para Curitiba pela Graciosa, que merece o nome, uma das mais bonitas rodovias no País. Soubemos que pouco depois de nossa passagem, chuvas derrubaram uma árvore que bloqueou a rodovia.
       
      Conheci assim mais um pouquinho das belezas do Paraná, graças aos amigos Otávio e Mathias, ficando devendo a eles uma guiada pelo Vale do Paty, na Bahia!

    • Por divanei
      Trilha do Itupava
       
       
      Poderia ser o século 17 ou 18. Poderia ser um caçador de antas. Poderia ser um bandeirante atrás de ouro, pedras preciosas ou a fim de aprisionar alguns índios. Poderia ser um tropeiro montado em sua mula garbosa a caminho do litoral. Mas não, o sujeito que desce o histórico caminho, é um cara magrelo de cabelo amarelo. Carrega em sua “cacunda” uns vinte quilos de equipamentos e comida. Desce a passos lentos, preservando a sua bunda das pedras lisas polida por séculos. Descendente de portugueses e espanhóis carrega em seu DNA, os genes dos exploradores da Península Ibérica. Talvez faça parte da tribo dos bandeirantes modernos. O que o move montanha abaixo é o amor incontrolável pela natureza. È uma curiosidade que não sabe de onde vem. Precisa ver, explorar, sentir o cheiro do mato, o frescor do vento, ouvir o barulho das águas, dos pássaros, subir a montanha misteriosa e ver o mundo lá de cima. Só para se sentir livre, procurar um sentido pra vida, apenas se sentir feliz........
       
      Claro, eu já tinha ouvido falar do histórico Caminho Colonial do Itupava. Mas nunca me interessei em fazê-lo por achar curto de mais para valer uma viagem ao Paraná. Outro lugar que eu sempre quis conhecer foi o Parque Estadual do Marumbi, mas as informações que eu tinha era a que para acessá-lo seria preciso pegar o famoso trem Curitiba-Paranaguá. A dificuldade de conseguir comprar passagem para o trem, chegando de São Paulo em um feriado era muito grande, geralmente já estava lotado dias antes. Tinha uma outra opção, que era a de ir até Morretes, conseguir um transporte até um lugar chamado Porto de Cima e depois andar não sei quantas horas até a estação do Marumbi. Achei trabalhoso demais e então fui deixando de lado. Até que descobri, relendo um antigo guia do Marumbi, que o tal caminho vindo de Porto de Cima era a própria trilha do Itupava. Ai sim, ligar a trilha histórica com o espetacular Marumbi poderia ser um passeio imperdível.
       
      Aproveitando o fiasco da nossa seleção e também o feriado paulista da Revolução de 32, embarquei de Campinas para São Paulo e de lá para Curitiba, aonde cheguei ás cinco da manhã. Enfrente da rodoviária, peguei a larga avenida para a esquerda, quando cheguei ao posto de gasolina,virei a direita na Av. João Negrão e em mais cinco minutos cheguei ao terminal de ônibus Guadalupe.Imediatamente já peguei o ônibus para Quatro Barras. Bem, quase imediatamente. O veículo não pegou e o motorista convidou todos os passageiros para empurrar. Senti-me na Bolívia. A aventura começou.
      Meia hora depois o ônibus encostou na rodoviária de 4 Barras e no próprio terminal peguei o ônibus para o bairro de Borda do Campo e em outra meia hora já estava saltando no ponto final.
      Do ponto final, segui em direção a montanha do Anhangava, parcialmente encoberta pela densa neblina da manhã. Cinco minutos pela estradinha de terra já avisto o posto de fiscalização do Instituto Ambiental do Paraná e a placa de concreto que demarca o início da Trilha do Itupava. No posto de fiscalização sou muito bem recebido, coisa rara em se tratando de órgão ambiental, preencho um breve cadastro e sem muito frescura sou liberado para iniciar a caminhada. Sem pagar taxas, sem encheção de saco ou outras aporrinhações.Quando penso que descerei a trilha sozinho, me aparece uns 40 soldados da polícia da Aeronáutica para me fazer companhia. Deixo os soldados para trás e sigo em frente por uma trilha bem aberta, quase uma estradinha e em pouco mais de cinco minutos estou em uma pedreira abandonada e faço logo uma parada para um breve café da manhã, afinal já são quase 8 horas e até agora não comi coisa alguma.
       
      Retomo a caminhada e em mais cinco minutos chego a uma grande clareira, onde uma placa indica o caminho a seguir. A trilha passa por um riachinho e começa a subir e em mais uns 10 minutos a trilha quebra a esquerda, desce por uma escada de troncos, passa por uma pinguela sobre um brejo e 15 minutos depois chega a uma bifurcação, na qual pego para a esquerda e então por mais uns 15 minutos sobe um pouco e depois volta a nivelar. Mais 10 minutos de caminhada chego à placa que demarca o início dão Parque Estadual da Serra da Baitaca e finalmente aparece o calçamento original da trilha histórica. Surpreendentemente com um nível de preservação incrível, deixa o calçamento da trilha do Ouro na Serra da Bocâina no chinelo.Um minuto depois é preciso tomar cuida para não errar na bifurcação e então pego para a direita e nessa hora sou ultrapassado pelos soldados. Vou seguindo esses pobres coitados, como se eu mesmo fosse o fiofó de tropa. Sigo atrás me cagando de tanto rir de ver os tombos dos caras. Tinha um tal de soldado 01 que os oficiais pegaram para Cristo. O “coió” não parava de pé. Os oficiais diziam que ele era incapaz de cantar e andar ao mesmo tempo. Os próprios oficiais me pareciam meio tontos, totalmente despreparados para a empreitada que se dispuseram a fazer. Todos armados até os dentes, carregando trambolhudas caixas de primeiros socorros e outras coisas que me pareceu inúteis para uma simples caminhada de apenas um dia. Por falar em trambolho, testei nesta trilha um dispositivo protetor anti cobras “tabajara”.Depois do acidente com a peçonhenta jararaca na Ilha Grande, caminhada feita no último carnaval, resolvi testar a perneira de couro, que eu havia ganhado a mais de 10 anos , mas nunca tinha usado por achar pra lá de inútil.
       
      Uma hora e meia de trilha e chegamos a uma grande ponte de madeira e depois de uns 15 minutos a trilha passa por alguns riachos e sai em campo aberto e finalmente vejo a cara do sol. 10 minutos depois passa por uma pinguela de três troncos e não demora muito atravesso a grande ponte pêncil sobre o Rio Ipiranga e chego à própria ruína da Casa do Ipiranga.
      A casa do Ipiranga foi construída para ser morada do engenheiro chefe da ferrovia e depois serviu como clube de laser, até ser totalmente abandonada quando a ferrovia foi privatizada. Hoje só restam as paredes do que foi quase uma grande mansão, que contava até com uma enorme piscina feita de pedras. Aproveitei que os milicos pararam para lanchar, atravessei a linha de trem e interceptei a trilha do outro lado, escondida sob vegetação rasteira. A trilha sobe um pouco e depois nivela e então começa a descer de vez.
      Agora sozinho, vou andando em silêncio e pensando nos coitados que perderam suas vidas construindo este histórico calçamento. Quantos escravos e muitos outros sofreram para trazer estas pedras até a trilha e depois montar este enorme quebra-cabeça. Estar trilhando este caminho é estar pisando em séculos de história do Brasil e também......sleeept, sleeeept , ....poooofttt !!! E lá fui eu com a cara no chão. É isso aí, o caminho do Itupava não é lugar pra devaneios e divagações. Se você perder a concentração vai acabar conhecendo a dureza da história com a bunda .
       
      A trilha desce por dentro da mata até chegar a uma bela cachoeira, onde aproveito para fazer um lanche e logo sou ultrapassado pelos soldados. Retomo a caminhada, agora na traseira dos soldados. O caminho volta a subir e depois começa uma grande descida, íngreme e escorregadia. Que o diga o soldado 01, levantou as duas pernas pra cima e foi parar uns dez metros trilha abaixo, quase levando toda a tropa junto com ele.
      Não demora muito chegamos à passagem do cadeado. Até 1770 só homens passavam pelo caminho, mas a partir desta data abriram uma passagem na montanha utilizando explosivos e assim deu se passagem para os animais de carga. Depois da fenda instalaram escadas de ferro para amenizar a grande descida até a linha de trem, onde foi instalado a capela de Ns do Cadeado. Antes de atravessar a linha do trem um dos socorristas enfiou a perna em uma fenda e ficou gritando de dor, por sorte não quebrou. Os soldados o carregaram até a capela para ver o que dava pra fazer com ele. Todos os soldados pararam para um novo lanche e eu segui enfrente pela trilha calçada e bem sinalizada. Logo encontro um bando de macacos fazendo a maior algazarra nas árvores. Chego de supetão a ponte sobre o Rio São João,enorme ponte pencil. Atravesso o rio e viro a esquerda me valendo de outras pinguelas de madeira até tropeçar na ponte pêncil do Rio taquaral. A trilha nivela e em pouco tempo chego ao seu final, que fica junto a uma escada de madeira que acaba direto na extreitíssima estradinha de terra.
       
      A trilha calçada ficou pra trás. Foram mais de sete horas de caminhada por cima de grandes pedras lisas que aos poucos vai minando as energias da gente.A trilha é catalogada como semi-pesada, mas pra mim qualquer trilha de mais de 3 hora que se faça com uma mochila de quase 20 quilos é sempre hiper , super,mega, pesada. Meus pés estão destruídos, o tempo voltou a fechar e não demora muito vai desabar um temporal, por isso me apresso. Na estradinha subo para a direita e em meia hora dou de cara com a estação Engenheiro Lange. O “guardião da estação” me indica o caminho para chegar a estação do Marumbi.A trilha sai ao lado de uma pequena caixa d’água, sobe por um minuto e novamente encontro o trilho do trem,Viro a direita e ando por uns 50 metros .Atravesso o trilho e subo pela escadinha do outro lado e em 10 minutos passo por um riacho e logo chego na estação Marumbí. Enfrente dela encontro a sede do Parque Estadual do Marumbí.Sou muito bem recebido. Preencho um simples cadastros e sou logo encaminhado para o camping do parque.
      Fique totalmente surpreso com o que encontrei. Na minha imaginação o Marumbi seria um lugar cheio de casas, com pequenos bares e área de camping. Mas não, o lugar é totalmente simples, pacato, bucólico. O único camping pertence ao parque e, pasmem gratuito. Com chuveiro de água quente e tudo. Um ótimo gramado, tudo bem organizado. Nem parece Parque Estadual.
       
      Monto a minha barraca e enquanto minha janta cozinha, vou tomar um banho quentinho. O local está vazio,existe somente mais duas barraquinhas montadas por aqui e só na boca da noite uma galera vindo de São Paulo veio se juntar a nós .O Marumbi está totalmente encoberto pelas nuvens e ficamos torcendo para que o tempo melhore no outro dia para podermos escala-lo.Janto muito bem e as sete da noite me recolho para dentro do meu saco de dormir, afinal de contas foi um dia cansativo.
      O dia amanhece encoberto, mas aos poucos as nuvens começam a se dissipar, empurradas pelo vento. O Marumbi aparece. Meu deus, como é gigante!!! Conheço uma centena de montanhas no Brasil e com certeza o Marumbi foi o que mais me impressionou. A visão da Torre dos Sinos por entre as nuvens é de assombrar. Eu sempre achei a visão do Dedo de Deus, na Serra dos Orgão-RJ,a mais incrível do Brasil, mas o Marumbí é espetacular.Olhando de baixo parece ser impossível chegar ao topo apenas caminhando. Não há foto que descreva a monstruosidade desta montanha hipnotizante.
       
      Aproveito a companhia da galera gente boa de Sampa e sigo até a sede do parque para fazer o cadastro da subida. A nossa intenção é subir pela trilha frontal(fitas brancas) e descer pela noroeste(fitas vermelhas). A trilha frontal nos levará direto para o topo do Marumbí, conhecido como Olimpo. Saindo ao lado da sede ,fomos seguindo as fitas brancas. No começo a trilha tem pouca subidas e vai se enfiando mata a dentro até chegar a cachoeira dos marumbinistas , onde paramos para um gole de água fresca. Atravessamos o riacho e começamos a subir sem dó.
      O nosso grupo é formado além de mim, por mais 8 pessoas, sendo dois meninos de pouco mais de dez anos, dois nativos parentes dos outros quatro paulistanos.
      Narrar a subida até o topo do Monte Olimpo é ser repetitivo o tempo todo. Praticamente não há trilha é só escalada. È um tal de segura em árvore, segura em raiz, trepa em pedra, agarra em barranco, até que umas duas horas depois finalmente chegamos a uma grande parede vertical, onde descendo a esquerda se pode conseguir um pouco de água. Os garotos iam a frente firmes e fortes, sempre seguidos de perto por mim e pelos nativos, que sempre lhe davam segurança. Os meninos fizeram bonito, escalavam feito gente grande e se divertiam muito. Mas esta montanha não é brincadeira de criança não, muito provavelmente seja a montanha de maior inclinação de todo o Brasil. Em nenhum outro lugar encontraremos tantas proteções artificiais colocada em uma só montanha. São grampos , cordas , correntes, pinos, etc... O pessoal fez um trabalho realmente fantástico por aqui. Sem o trabalho destes bravos montanhistas ninguém chegaria ao topo sem o uso equipamentos de escalada.
       
      Chegando, portanto a parede vertical, começa a subida das correntes e grampos. Quem tem medo de altura terá que voltar. O bicho pega de vez e todo cuidado é pouco, um descuido pode ser fatal. A garotada dispara na frente, doidas para atingir o Olimpo. Mas o tempo está fechado e eu não me animo muito e vou subindo aos poucos. Minhas pernas já estão em frangalhos devido à caminhada do dia anterior.
      Pouco tempo depois ouço o grito frenético da garotada. Finalmente chegaram ao topo!! A chuva começa a cair quando chego na bifurcação e encontro da trilha frontal com a trilha noroeste. Pego para a direita , passo por uma grande fenda e ao meio dia e meia, atinjo o topo dos 1.539 do Monte Olimpo.
      Faz um frio desgraçado, chove pra valer e infelizmente não consegui enxergar um palmo a frente do nariz. Eu poderia estar super decepcionado, mas quase duas décadas de montanhismo fez com que eu me acostumasse com isso. È um estímulo para voltar outra vez. No topo há um livro de cume e para não fazer concorrência a inúmeras mensagens religiosas, escrevo um palavrão blasfemando contra a montanha que não me deixou ver coisa alguma. Tiro algumas fotos do nada e começo a descida. Volto à bifurcação e envez de voltar pela frontal, prefiro descer pela noroeste, seguindo agora as fitas vermelhas. Aperto o passo e encontro novamente a galera e os garotos. Seguimos em nível por um tempo, mas logo começa desgraçadamente a descer. A garotada murchou com a chuva e o frio, parecem agora criançinhas de colo, precisam de ajuda para tudo. Na verdade nós todos estamos fragilizados com o mau tempo que nos açoita sem dó nem piedade. Há lugares tão íngremes pra descer que às vezes somos obrigados a abrir mão da corda que levamos. Tudo parece liso e perigoso com a chuvarada. Os músculos não respondem como antes. Vamos cruzando por penhascos e paredões arrepiantes, até chegarmos a uma espécie de caverna. Um monte de blocos empilhados parecendo formar uma grande passagem para outro mundo.
       
      Segurando nas perigosas correntes, atravessamos o grande portal para descobrir que o mundo do outro lado era o mesmo mundo frio, gelado, molhado e perigoso de antes. Pelo que ouvi falar, havíamos chegado ao tal desfiladeiro das lágrimas. A minha vontade era mesmo de chorar. Fiquei parado no meio de umas correntes gigantescas, com um abismo liso embaixo dos meus pés. Naquele momento achei que já estava velho pra aquilo. Eu estava realmente sofrendo com tanto frio, mas quando olho pra trás e vejo os outros companheiros, alguns com a metade da minha idade, com um sofrimento ainda maior que o meu. Sigo enfrente decidido a não me entregar, pensando somente no banho quente e na comida, idem.
      Vou pulando de pedra em pedra, de galho em galho,de corrente em corrente, de grampo em grampo, escorregando montanha abaixo, caindo, levantando, tropeçando, xingando, amaldiçoando, até que as cinco da tarde chego cambaleando no acampamento. Jogo a mochila no chão, tiro a minha roupa e me jogo pra debaixo do chuveiro de águas super quentes.
      Meia hora depois começa a chegar o resto do pessoal. São uns fiapos de gente. Como eu, também foram trucidados pelo mau tempo da montanha. Arrastaram-se até o acampamento e chegaram em segurança, inclusive os garotinhos.
      Banho tomado, fui preparar a janta. Grão de bico, macarrão instantâneo com pedaços de queijo defumado e suco de graviola. E de sobremesa, geléia de mocotó. Comi até não agüentar mais andar. Estendi o saco de dormir, entrei dentro e apaguei.
       
      Lá pelas duas da madrugada acordo com o barulho ensurdecedor do trem de carga que vem descendo a serra. O estrondo é tão forte e tão alto que parece que o mundo está acabando. Só percebo que o apocalipse não chegou porque sinto um frio de doer e que eu saiba o inferno é bem quentinho. Lá fora a chuva não dá trégua. Dentro da minha barraca tem um palmo de água. Estou molhado dos pés a cabeça. Surpreendentemente desta vez a culpa não é da barraca, mas toda minha. Montei minha casa em um buraco e agora eu estava pagando pela minha burrice. Mesmo assim não me animei em enfrentar o temporal para mudá-la de lugar. Logo o sol nasceria e com ele viria um novo dia, um dia quentinho para alegrar a alma, porque as coisas ruins não durão pra sempre.
      Enfim o dia amanhece não tão quente, mas não chove mais. Ponho tudo pra secar e enquanto a água do café ferve, vou desmontando a barraca. A intenção é pegar o trem das 10h30min para Morretes . Eu estava afim de ir conhecer umas das maiores atrações da região. Eu poderia caminhar umas duas horas até a vila de Porto de Cima e de lá pegar o ônibus, mas meus pés estão em carne viva. A descida do dia anterior me deixou no bagaço e a melhor solução seria mesmo o trem histórico. Seria também a oportunidade de conhecer um pedaço de um dos símbolos da engenharia ferroviária mundial, a Ferrovia Curitiba-Paranaguá, construída ainda no tempo do império.
      Ói, ói o trem, vem surgindo de trás das montanhas azuis, olha o trem.
      Ói, ói o trem, vem trazendo de longe as cinzas do velho éon.
      Ói, já é vem, fumegando, apitando, chamando os que sabem do trem .......
      Ói, olhe o céu, já não é o mesmo céu que você conheceu, não é mais.
      Vê, ói que céu, é um céu carregado e rajado, suspenso no ar..................
       
      Um dos amigos da capital ficava cantarolando esta música do Raul Seixas, toda vez que um dos trens passava. Eu me sentei no chão da estação e fiquei acompanhando o espetáculo das montanhas do Marumbi (montanha azul, em tupi) que conforme o vento soprava aparecia e desaparecia. A grandiosidade da imagem realmente não é possível descrever. Aquela foto de propaganda com a estação e as montanhas acima é ridícula. Pessoalmente tudo é gigantesco, encantador, surpreendente e pensando bem, o próprio maluco beleza poderia ter escrito a musica sentado na estação.
      O trem chega à estação às 10h30min em ponto e quando pára, somos alvo de dezenas de fleches das fotos tirada pelos passageiros. Viramos atração turística. Parece que todo mundo queria guardar uma recordação dos maloqueiros de mochilas enormes nas costas. Mas quando subimos a bordo e o “povo branquinho” de olhos azuis, que acendem suas lareiras com notas de cem, nos viram, fizeram uma cara de nojo e de reprovação. Afinal eles pagaram passagem de primeira classe e não esperavam passar por isso. Sem nos importarmos muito, nos acomodamos em nossos bancos e fomos curtindo a viagem, até que o trem chegou à minúscula Morretes.
       
      Despedi-me dos novos amigos de São Paulo e segui para pequena rodoviária a fim de comprar logo minha passagem para Curitiba. Escolhi um horário na parte da tarde, pois queria conhecer a cidadezinha e sua maior atração. Voltei para estação de trem e entrei no pequeno restaurante e pedi logo o tal de barreado, talvez a maior atração gastronômica do sul do Brasil. Eu estava faminto, mas nem se tivesse passado um mês sem comer, teria conseguido ingerir tudo aquilo. Bolinho de peixe, maionese, torrada, vinagrete com frutos do mar, patê sei lá do que, laranjas, bananas, farinha, arroz e claro, o barreado, que era várias carnes e muitos temperos cozido por 12 horas até se desmanchar e a tudo isso se juntava três colheres de farinha de mandioca, formando uma mistura de aspecto horroroso e gosto delicioso. A comida dos escravos que virou coqueluche internacional, um símbolo da Serra do Mar paranaense. Comi tanto que sai transando as pernas e então me arrastei até a rodoviária onde embarquei às 16 horas, via Estrada da Graciosa, outra grande atração da região, chegando à noite na capital do Paraná e de lá embarquei para São Paulo.
       
      E foi assim que transcorreu mais uma viagem pelas incríveis paisagens da Serra do Mar paranaense. Provando mais uma vez que ainda é possível se surpreender com a nossa Mata Atlântica, mesmo depois de dezenas de trilhas e travessias por esta que é sem dúvida um dos grandes ecossistemas do mundo. E ainda ficou aquele gostinho de quero mais e a promessa de voltar com um tempo um pouco mais favorável para poder sentar no topo daquela fantástica montanha. E avistando lá de cima o mundo medíocre, consumista e egoísta em que vivemos, poder ter a certeza de que estamos trilhando um caminho diferente, um caminho de volta ao passado, de volta a história, de volta as nossas origens, de volta a um tempo em que éramos livres para sermos nós mesmos, um tempo em que ainda podíamos ousar, sem medo de ser feliz.
       
      Divanei Góes de Paula – Julho/2010
    • Por Filipe Andretta
      Resumo da viagem, dias 9 e 10 de abril de 2016
      Sábado: Descida do Caminho do Itupava e acampamento no Parque Estadual Pico do Marumbi
      Domingo: subida do Olimpo (trilha branca/frontal); retorno para Curitiba de trem.
       
      Planejamento
      Moro em Curitiba desde que nasci, mas nunca tinha feito essa aventura na Serra do Mar. Hora de criar vergonha na cara e explorar as maravilhas no quintal de casa.
      Meu objetivo inicial era subir algum cume no Marumbi e voltar no mesmo dia, mas descobri que é muito difícil fazer um “bate-volta” por conta dos horários do trem: o que sai de Curitiba chega na base da montanha às 10h35, enquanto o único que volta passa às 16h na mesma estação. Existe ainda a opção de ir de carro até Porto de Cima, que fica a 4km da base do Marumbi. Por isso, o mais comum é dormir pelo menos uma noite no Parque Estadual, antes ou depois de subir a montanha. Mesmo com pouca experiência de trakking ou montanhismo, resolvi então aproveitar para descer a Serra do Mar pelo Caminho do Itupava. Convidei vários amigos, mas só o parceiro Pedro Pannuti topou. Foi o suficiente.
      O primeiro ponto para resolver era como chegar até o bairro Borda do Campo na cidade de Quatro Barras, onde começa o Itupava (a 30km do centro de Curitiba). Existem algumas vans que fazem o trajeto, mas normalmente são lotadas com pessoas que vão descer o Caminho até Porto de Cima (vila próxima a Morretes) e voltar no mesmo dia. Se não quiser pagar uma pequena fortuna num táxi, dá pra tomar um ônibus no Terminal do Guadalupe, próximo à Rodoferroviária de Curitiba. Agora, se você mora por aqui e tem pais dispostos a dar uma carona, melhor.
      A segunda questão era onde acampar. O Parque Estadual do Marumbi conta com um camping gratuito que esteve interditado para reforma por anos até 2015. Consta no site do IAP (Instituo Ambiental do Paraná) que é necessário reservar lugar, pois há um limite de 30 barracas. Ocorre que os telefones do Marumbi (41-3462-3598) e de Prainhas (41-3462-4352) estavam quebrados. Liguei para vários telefones do IAP, mandei e-mails, mas ninguém soube me dizer como reservar. Porém, depois de dias consegui a confirmação de que o camping estava funcionando normalmente. Resolvemos então arriscar a ida até lá mesmo sem comunicação.
      Precisávamos garantir ainda a passagem de trem para a volta. Em contato telefônico com a Serra Verde Express, fui informado que é mais barato comprar dentro do próprio trem e que não há risco de ficar sem lugar (apenas o trem de ida é mais concorrido).
       
      Caminho do Itupava
      Chegamos no posto do IAP na Borda do Campo 8h30 de um sábado ensolarado. Fizemos um cadastro rápido e fomos imediatamente liberados para começar a trilha. Não nos ofereceram maiores informações e nós também não perguntamos nada. Eu levava um mapa precário impresso em casa que não seria o suficiente.
      Nos últimos anos houve alguns assaltos no Caminho do Itupava. É recomendado fazer a trilha em grupos maiores pelo menos até a Casa do Ipiranga, que ainda está relativamente próxima de áreas urbanas. Naquele dia havia muitos grupos descendo, então ficamos tranquilos.
      O começo da trilha tem algumas subidas até chegar ao morro do Pão de Ló. Depois é praticamente só descida até a Casa do Ipiranga (ruínas de um casarão colonial). Logo na sequência o Caminho chega no trilho do trem. Subindo 100m à direita pelos trilhos há uma roda d’água e uma cachoeira onde vale a pena parar para um mergulho.
      Após retornar da roda d’água, vimos um grupo grande de pessoas descendo pelos trilhos do trem. Perguntamos para a guia daquele grupo e ela nos confirmou que deveríamos prosseguir pelos trilhos. Depois de andar meia hora desconfiados, alcançamos dois socorristas e um bombeiro aposentados que também desciam o Itupava por ali. Os três afirmaram que estávamos no caminho certo, porque a outra trilha estava fechada e era muito mais difícil. Então seguimos em frente sem medo... Mais tarde descobriríamos que fomos induzidos a erro.
      Na verdade, a trilha do Itupava segue pelo morro a partir de uma entrada na mata que fica do outro lado dos trilhos, logo após a Casa do Ipiranga. Acontece que essa passagem não é bem demarcada e o trecho dali até o Santuário Nossa Sra do Cadeado é mais difícil. Por isso, muitas pessoas preferem fazer um trajeto mais longo pelos trilhos do trem ao invés da mata fechada e escorregadia. Porém, é uma opção perigosa que tem motivos para ser proibida. Até chegar no Cadeado são quase 3 horas de caminhada passando por túneis escuros (lanterna é indispensável) e pontes sem estrutura de segurança para pedestres - o único jeito de atravessá-las é pisar dormente por dormente, com cuidado para não cair no vão entre eles. Dentre essas pontes está o Viaduto Sinimbu, com 62m de comprimento sobre um grande penhasco. Se alguém tiver medo de altura, provavelmente vai empacar em alguma ponte e travar o grupo. Além disso, o tráfego de trens é relativamente constante. Logo, se um trem aparecer enquanto você estiver no meio da ponte, a única solução será correr. Portanto, não recomendo seguir pelos trilhos do trem, pois o risco de acidente grave é real, principalmente se estiver chovendo, nublado ou se for noite. Por outro lado, não posso negar que as paisagens desse trecho foram as mais incríveis da viagem.
       

       

       

       

       
      Quando chegamos ao Santuário do Cadeado, nos deparamos com várias pessoas saindo de dentro da mata. Conversamos com elas e só então entendemos que havíamos tomado o caminho errado.
      A partir do Cadeado é possível continuar pelos trilhos do trem até a Estação Marumbi e enfrentar, dentre outras, a Ponte São João com seus 118m de comprimento e 58m de altura. Mas resolvemos não abusar da sorte e seguimos o Itupava através da Trilha do Sabão, que continua logo atrás do Cadeado. O nome é bem propício, porque o caminho é uma descida acentuada construído com grandes pedras lisas. Escorregões são quase inevitáveis.
      Depois de aproximadamente uma hora e meia pela Trilha do Sabão, o Caminho do Itupava termina numa estrada de chão. A maioria das pessoas desce à esquerda rumo Porto de Cima, onde tomam uma van ou ônibus até Curitiba ou Morretes. Nós subimos à direita, passamos pela Estação Egenheiro Lange e finalmente chegamos na Estação Marumbi. Era 16h20, de modo que nossa caminhada completa durou 7 horas e meia - tempo razoável, já que cada um levava mais de 20kg nos mochilões. Pouco depois começou uma chuva que duraria quase a noite inteira.
       

       
       
      Camping no Parque Estadual Pico do Marumbi
      De frente para a estação, do outro lado do trilho, há algumas casas do IAP. Em uma delas está o telefone (quebrado à época) e é onde fica um funcionário de plantão de quarta a domingo e nos feriados. Ele é o responsável por fazer o cadastro de entrada/saída no Parque Estadual do Marumbi e no camping. Devido à falta de comunicação, ele não nos cobrou reserva. Havia apenas 5 barracas armadas por lá e não foi difícil achar um bom lugar para a nossa. Porém, o camping fica mais concorrido em feriados e na alta temporada de escalada (de maio a setembro).
      A estrutura do camping inclui banheiro masculino e feminino com dois chuveiros elétricos em cada, além de uma área coberta com quatro mesas longas e pias - nada mal para um camping público e gratuito. Uma tempestade havia queimado a fiação de luz da área coberta, de modo que usamos muito nossas lanternas. Havia apenas uma tomada funcionando na porta do banheiro feminino (leve pilhas/baterias extras para os equipamentos eletrônicos). É proibido fazer fogueira, então você vai precisar de um fogareiro se quiser cozinhar. Também não é permitido consumir bebida alcoólica, mas essa regra foi ignorada por um grupo naquela noite, que acabou exagerando no barulho (lembre-se que quase todos no acampamento subiram a montanha ou pretendem subi-la no dia seguinte bem cedo - logo, querem uma boa noite de sono).
      Não havia sinal de celular para ligar ou enviar SMS, mas surpreendentemente consegui mandar notícias para a família pelo WhatsApp.
       
      Pico do Marumbi (Olimpo)
      Como nós iríamos voltar de trem às 16h, precisávamos começar a subida cedo. Acordamos às 5h para tomar um café da manhã reforçado. Deixamos os mochilões na casa do IAP, mas o plantonista não se responsabiliza pela bagagem (não há guarda-volumes). É obrigatório avisar o funcionário antes de começar a subida e também na volta, pois ele será o responsável por chamar equipes de resgate em caso de imprevisto na montanha.
      Atualmente, existem duas trilhas que levam ao Olimpo. A vermelha (noroeste), segundo alguns relatos que li, é um pouco mais difícil e dá acesso a vários picos do Conjunto Marumbi (Abrolhos, Esfinge, Ponta do Tigre e Gigante antes de chegar ao Olimpo - o mais alto). A branca (ou frontal) leva diretamente ao Olimpo. Nós havíamos conversado com um grupo que subiu pela vermelha e desceu pela branca no dia anterior. Eles nos relataram que a vermelha estava ainda pior por causa da lama. Devido à nossa inexperiência, resolvemos subir e descer pela branca.
       

       
      Iniciamos a trilha às 6h35. O caminho é bem demarcado por sinais brancos frequentes no chão, paredes e árvores. Quando há uma bifurcação duvidosa, geralmente existe uma corda fina atravessada para vetar o caminho errado (não confunda com as cordas instaladas para ajudar na subida/descida). Se você andar mais de 50m sem ver uma marca, provavelmente está no rumo errado ou não prestou atenção suficiente - volte até a última marca e procure ao redor. Mesmo com toda a chuva do dia anterior, a trilha não estava muito escorregadia (especialmente se comparada à Trilha do Sabão). Mas em caso de tempestades extremas, ela pode ser interditada.
      A partir da metade da trilha tornam-se frequentes os grampos, cordas e correntes que permitem chegar ao topo sem o auxílio de equipamentos de escalada. Você vai subir pelo menos 3 paredões de pedra altos para chegar ao cume - eles podem ser um obstáculo difícil para alguém com medo de altura, principalmente se a visibilidade for boa.
       

       
      Com exceção do rio que fica no começo da trilha branca, o primeiro ponto para conseguir água está no terço final do percurso. Então recomendo começar a subida com pelo menos 1,5 litro de água. Eu carregava na mochila de ataque também alimentos diversos, jaqueta impermeável, lanterna, canivete, repelente, kit básico de primeiros socorros e celular (há sinal telefônico na parte alta da montanha). Vestia botas, calça e camiseta leves. Além disso, usei luvas por recomendação de outros montanhistas, já que a trilha exige muito o uso das mãos.
      Chegamos ao cume às 10h45. Infelizmente, a visibilidade era mínima. A montanha estava imersa em uma grande nuvem. Por conta do calor e altíssima umidade, parecia que estávamos em uma grande sauna natural - tanto que eu estava encharcado antes mesmo de pegar 20 minutos de chuva (o que tornou inútil a jaqueta impermeável). Essa falta de visibilidade é muito comum em razão do clima regional, sobretudo nos meses mais quentes e chuvosos. Baixe suas expectativas e esteja preparado para não ter uma boa vista no cume.
      Parece que a maioria dos acidentes acontece na descida, quando as pessoas estão mais cansadas e dispersas. Então não descuide e desça num ritmo tranquilo, evitando sobrecarregar os joelhos. Nós conseguimos fazer sem pressa a subida e descida da trilha branca em 7 horas e meia, retornando antes das 14h.
      Depois de dar baixa no cadastro do IAP do Parque Estadual, ainda tivemos tempo de desarmar a barraca, tomar banho e almoçar antes de entrar no trem para Curitiba.
       
      Trem de volta
      O trem chegou pontualmente às 16h. Compramos a passagem econômica dentro do vagão por R$30. O trem retorna pelo trilho que corta o Caminho do Itupava, o que nos permitiu apreciar as pontes e túneis que evitamos ao tomar a Trilha do Sabão, bem como as que atravessamos entre o Santuário do Cadeado e a Casa do Ipiranga. O trajeto é belíssimo!
      Nossa viagem terminou na Rodoferroviária de Curitiba às 18h30.

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